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Coaching em Questões Parte III

Dúvidas sobre Coaching

SER COACH É UMA PROFISSÃO? A PESSOA PODE SER UM COACH NATURALMENTE, INSTINTIVAMENTE?

MENTORING E COACHING : SÃO A MESMA COISA?

Vera Cecília C. Dantas Mota 2011


SER COACH É UMA PROFISSÃO? A PESSOA PODE SER UM COACH NATURALMENTE, INSTINTIVAMENTE? Embora não haja uma regulamentação específica para atuação de coaches no Brasil, para exercer o coaching comercialmente é preciso uma formação específica, feita em instituição credenciada, reconhecida. As boas escolas de formação em coaching no Brasil oferecem cursos de no mínimo 30 horas. Prestar serviço de coach é uma profissão. Não se trata de “agir por instinto“, no sentido de desconhecer a origem ou a inspiração de seus atos ou de aproveitar conhecimentos adquiridos com experiências em outras áreas de atuação. Para atuar como coach, o profissional deve saber exatamente “o que”, “para que” e “quando” utilizar os recursos ou instrumentos com cada coachee. O fato de “eventualmente” alguém ter atuado de modo assemelhado ao que faz um coach não o habilita a atuar profissionalmente. O processo de coaching exige preparação, planejamento das reuniões, dos exercícios etc. Costumamos dizer, no coaching, que as conversas são “estruturadas”. Existe um propósito em cada reunião ou diálogo, que é estimular o coachee a agir em direção ao seu objetivo, segundo o protocolo de coaching, ao longo de todo o processo.

MENTORING E COACHING : SÃO A MESMA COISA? Embora ainda haja muita confusão conceitual e prática, até na literatura especializada, em relação aos dois processos, podemos distinguir significativamente mentoring e coaching. A diferença fundamental, tecnicamente falando, é que no mentoring o profissional contratado (o mentor) é especialista, é craque, é experiente, é reconhecido na competência específica que vai ser desenvolvida; ou seja, no mérito do objetivo a ser alcançado no coaching. A base do mentoring é a experiência pessoal e profissional do “mentor”, que passa a atuar como orientador ou padrinho.


Assim sendo, o mentor é como um “professor particular” naquele assunto específico para aquele “aluno”. Observe que o mentoring traz claramente a proposta de treinamento ou orientação com um especialista no assunto a ser abordado. Exemplo de distinção, na prática, entre coaching e mentoring: Meu cliente é um político, ele me contrata como coach e me diz que o seu objetivo é construir uma cidade na região x. Como coach eu vou seguir um protocolo a fim de clarear os valores, motivação, detalhar o objetivo, verificar alternativas, avaliar o cenário, obstáculos, etc., etc., construir um plano de ação A; um plano de ação B etc., etc., e estimular meu cliente a colocá-los em andamento. Observem que eu não sou urbanista, nem arquiteto, nem engenheiro, nem desbravador, nem empreiteiro... eu não sou especialista na competência “construir cidade”. Eu sou especialista em fazer perguntas importantes que levem meu cliente a ir ao encontro do seu objetivo. Observem também que ao provocar uma reflexão qualificada no cliente, por meio das perguntas estruturadas, o próprio objetivo declarado inicialmente pelo cliente pode sofrer mudanças (pequenas e grandes) ao longo do processo de coaching. É importante esclarecer que o próprio protocolo de coaching inclui uma “avaliação de recursos”, por exemplo: Quem pode lhe ajudar nisso? O que essa(s) pessoa(s) lhe diria(m) para fazer? Quem já fez isso antes? O que você pode aprender com essa(s) pessoa (s)? Vejam que durante o processo de coaching pode aparecer a oportunidade de contratação de (ou consulta a) um mentor ou mentores; retornando ao nosso exemplo real, alguém que já “construiu cidade” ou tem reconhecida experiência nisso. A propósito, é muito interessante no coaching fazer o exercício de identificação de “mentores virtuais”. A pessoa que pode ser referência como mentor (es) pode até não estar mais viva, ou pode estar muito longe fisicamente do cliente. Mesmo assim, ela pode ajudar a turbinar uma mudança de comportamento pelo seu exemplo, ensinamentos, valores.

Seguem alguns trechinhos que ilustram uma certa falta de precisão conceitual entre mentoring e coaching.


Bell (em Goldsmith1) ressalta que a palavra mentor traz à mente a imagem

de um experiente sábio corporativo, conversando com um jovem e ingênuo recruta de “calças curtas” (...) Mentoring soa com um timbre quase inebriante, acadêmico, reservado exclusivamente para os trabalhadores de colarinho branco cujos pais os aconselharam a „ir procurar o mestre do assunto”. (...) “um mentor é simplesmente alguém que ajuda outra pessoa a aprender algo que aprenderia não tão bem, mais lentamente ou simplesmente não aprenderia, se deixada por conta própria. Repare como essa definição está isenta da idéia de poder! Mentores não são figuras poderosas. Mentores são coaches de aprendizado – conselheiros sensíveis e de confiança”. (pág. 172)

É comum encontrarmos exemplos ou ressalvas de que bons coaches ou coaches “com credibilidade” devem ter a característica de mentor:

“Os bons coaches do mundo dos espetáculos geralmente já foram artistas bem-sucedidos, já sentiram a barra e são críveis. Embora eles próprios tenham deixado de fazer apresentações, são capazes de ajudar os artistas atuais”. (Beckhard, em Goldsmith, pág. 119)

Essa confusão é frequente em relação ao coaching para qualidade vida, saúde, bem-estar, ou especificamente para clientes que declaram como objetivo emagrecer. Os autores questionam, por exemplo, como um coach gordo ou fisicamente fora de forma terá credibilidade para conduzir o processo; se o coach conhece o processo de aprendizagem e de ações para o bem-estar (genericamente falando), e não faz com ele mesmo, então, ele não seria confiável para conduzir o processo com os clientes. Novamente, nesse caso, constatamos a confusão conceitual entre ser competente em conduzir o processo (coach) e ser competente ou especialista no conteúdo do objetivo a ser alcançado pelo cliente.

1

Goldsmith, Marshall; Lyons, Laurence, Freas; Freas, Alyssa. Coaching, o exercício da liderança. Rio de

Janeio: Elsevier - DBM, 2003


Alguns autores e coaches profissionais ainda, simplesmente, consideram os dois processos como sin么nimos, como, por exemplo, Martin Shervington2 .

2

Shervington, Martin. Coaching Integral. Al茅m do desenvolvimento pessoal. Rio de Janeiro: Qualitymark,

2005


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