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historias de aventuras

7 ano D o

As aluc ina ç õ e s d e J o h n y • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 6 As ave ntur a s d e S a m •• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 19 U ma vi a g e m p a r a o d e s t i n o •• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 2 8 A lenda •••••••••••••••••• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

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A bomba •••••••••••••••• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 6 9 S em ch a ve , se m v i d a •• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 8 5


Apresentação O livro Histórias de aventuras é o resultado de um longo processo vivido pelos alunos durante este ano, em relação à leitura e ao estudo das narrativas de aventura, entre eles os romances clássicos dos autores do século XIX, as histórias contemporâneas de aventura, que recorrem a elementos fantásticos e mágicos, até chegarmos aos relatos verídicos. A produção escrita de um texto de aventura envolveu diferentes etapas de trabalho individuais e coletivas, que solicitaram dos alunos muita perseverança e dedicação. Cada classe se organizou em pequenos grupos, as “oficinas de texto”, com propósito de elaborar coletivamente a trama de uma história de aventura, delineando seus personagens, seus cenários, o contexto histórico, o conflito e o desfecho, com a finalidade de se basear nesse roteiro coletivo para a escrita das produções individuais.


Essa vivência proporcionou aos alunos condições de apresentar suas ideias, ouvir as dos colegas, trocar opiniões e, dessa forma, permitir que os escritores, durante a produção individual, pudessem enriquecer o roteiro original, valendo-se de seus recursos pessoais de estilo e de linguagem. Depois de produzidos, os textos de cada aluno passaram por momentos de leitura nos grupos de criação, com a intenção de apontar aspectos que poderiam ser melhorados, sempre considerando o roteiro original. Este livro reúne uma produção de cada grupo de criação, após uma seleção feita pelos professores e alunos. O texto selecionado passou por uma nova leitura e revisão do próprio autor, de acordo com a última versão produzida. Ainda assim, alguns textos apresentaram algumas incorreções gramaticais e/ou estilísticas, o que se deve a nossa intenção de respeitar o limite das possibilidades de cada autor-revisor.


As alucinacoes de Johny Ana Nina Gabriel

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Todos estavam chorando e se perguntando como aquilo acontecera, menos Johnny Jones, ou como todos o chamavam JJ, que ganhou esse apelido na 4ª série após ele começar a se autonomear desse modo. Johnny estava paralisado. Era como se por fora ele estivesse sério e sem expressões e por dentro, estava gritando de um modo que todos a quilômetros de distância poderiam ouvir. Sua esposa acabara de morrer e do pior jeito que ele conseguia imaginar. Fora atropelada na sua frente, por uma pessoa que nem ao menos quis parar para ver o “estrago”. Ele e sua esposa, Elizabeth eram muito felizes juntos, eles moravam em Oklahoma, mas JJ era natural do Texas, um “caipira roxo”. Algumas semanas após a morte de Elizabeth, Johnny vendeu sua casa e voltou para o Texas onde agora está vivendo, praticamente, apenas de cerveja. Acho que ele ainda não superou muito bem a perda da mulher, por mais que ele seja um homem que não demonstre isso muito bem...

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Dias depois, após beber várias cervejas, decide voltar para casa. Pega a estrada e vai seguindo, esforçando-se para que a viagem fosse tranquila, mas percebe que está muito mal para isso. Ele encontra uma saída, sem muito movimento, que nunca havia visto antes e supondo que era nova e tranquila, decide entrar para que pudesse encostar o carro no acostamento e tirar um cochilo. No mesmo instante que ele entra na estradinha, Johnny começa a ver feixes de luzes coloridas e achando que era efeito das cervejas. Ele fechou os olhos e logo já estava dormindo. Acordando, JJ leva um susto, pois se vê num mundo que com certeza não era o que nós vivemos. O céu estava rosa, tinha várias árvores e plantas, só que bem diferentes dessas que vemos todos os dias. Ele sai do carro e começa ouvir galopes que estavam cada vez mais se aproximando... Era um unicórnio. Um unicórnio? Mas como isso seria possível? Essa pergunta brilhava na mente de Johnny, que nesse momento estava se achando louco. O unicórnio era branco e sua crina era radiante como o Sol. Ele andava com as patas traseiras exatamente como nós humanos.

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- Olá, meu nome é Trambolin e eu sou o seu ajudante. Juntos, iremos derrotar o fauno mágico chamado Harold - disse o unicórnio. Jones gritou e começou a fazer perguntas a si mesmo: - Como eu vim parar aqui? Ótimo, eu já perdi a mulher que eu mais amava na minha vida e logo agora eu estou louco... - Acalme-se - disse Trambolin - você está em Amster, o mundo mágico.

- E como eu consegui vir para cá?

- Existem dois mundos: Amster e o que o senhor vive. Eu não sei bem como você chegou aqui, mas de uma coisa eu tenho certeza, para sair daqui é necessário que você passe por desafios, além de derrotar Harold. - O que o Harold quer comigo? – falou JJ assustado. - Harold odeia intrusos e a menos que você consiga matá-lo, ele irá fazer de tudo para te matar e por isso, serei seu ajudante até o final da batalha.

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- Então vamos logo! – Johnny bufou com um ar de desespero. No primeiro desafio, seria necessário atravessar uma estreita floresta mágica. A primeira impressão de JJ foi que era a floresta mais bonita que ele já havia visto em sua vida inteira, mas quando eles se aproximaram Johnny viu que a floresta não era mais “tão inofensiva”. Ela era sombria e escura. Quando deram o primeiro passo a voz doce e fina de uma mulher apareceu da forma mais trágica possível: gritando por socorro. Você conseguia sentir o desespero dela em sua voz e isso fez com que a melancolia dominasse seu corpo por inteiro. Isso fez com que se lembrasse da morte de sua esposa e a perda dos pais, além das outras milhares de coisas ruins que aconteceram ao longo de sua vida. Por mais que essa dor estivesse perseguindo sua mente, ele deveria continuar e tentar esquecer aquilo que o perturbava. Continuaram caminhando na floresta e quando já podiam ver a luz no final dela, sentiu uma mão macia apoiar em seu ombro e era possível perceber o cheiro adocicado de frutas silvestres do toque. Nesse momento,

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J. Jones paralisou e seus olhos se encheram de lágrimas. Lágrimas de tristeza, lágrimas de felicidades, lágrimas de emoção, lágrimas de todos os tipos, mas só uma imagem veio em sua cabeça e não era ninguém menos que sua esposa: Elizabeth. Ele se virou de uma maneira brusca e ansiosa e lá estava ela. Estava com um sorriso discreto e seus olhos estavam reluzentes iguais aos de JJ, seu cabelo brilhava conforme o Sol o iluminava. Jones não trocaria aquele momento por nada, isso estava claro porque ele a olhava com um olhar apaixonado. Ele definitivamente não queria ir embora. - Venha John ... – disse Elizabeth - Fique aqui... Comigo...

Trambolin, ao ouvir essa frase hesitou:

- Não faça isso Johnny! Essa não é a sua esposa verdadeira, é apenas uma miragem! Se você ficar, irá morrer! - Bobagem! – disse J.J - É a minha esposa sim, eu estou vendo e sentindo ela aqui, na minha frente, em carne e osso.

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- Essa floresta sente as suas lembranças J.J e agora ela sentiu a mais profunda delas, que no caso são as que você está com a sua mulher. Johnny estava fazendo de tudo para acreditar em Trambolin, mas como ele iria fazer isso? Sua mulher estava ali, mais linda do que nunca e ele estava feliz, como há muito tempo não se sentia. Trambolin não pensou duas vezes. Agarrou o braço de Johnny e o puxou em direção ao final da floresta. De repente Elizabeth não era mais tão Elizabeth assim. Havia se transformado em uma coisa asquerosa, uma mulher realmente horrenda. - Volta aqui! – gritou J.J ao ver a transformação - Agora sua voz não era mais tão sensível e bonita. Era grossa e ela gritava de uma forma indicando que depois de conseguir o que ela gostaria, iria devorá-los. Nesse momento Johnny começou a chorar, mas ele não tinha tempo para isso, por tanto correu o mais rápido que pode, pois aquele “monstro” estava os perseguindo.

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Por sorte, chegaram ao final do percurso e de repente as árvores começaram a se mexer, de forma que a saída ficasse fechada e assim fez com que fosse impossível o monstro os pegar. Logo a frente estava o segundo desafio: um penhasco. JJ teria de atravessá-lo por uma ponte, que na verdade estava quebrada e se ele caísse morreria na hora. Trambolin se ofereceu para andar na frente de J. Jones na ponte, disse que ele preferia morrer a deixar que Johnny morresse e assim aconteceu. A ponte era feita de madeira velha e desgastada, estava caindo aos pedaços. Trambolin pisava com muito cuidado em todas as madeiras até que uma de repente se quebrou e caiu junto com Trambolin. Ele ficou se segurando em outra madeira. Johnny ficou desesperado e tentou de tudo para que Trambolin não caísse e então ele conseguiu. Trambolin ficou agradecido, mas eles não tinham tempo para esse tipo de coisa e continuaram o trajeto. Chegaram ao final da ponte e estavam caminhando por uma estrada escura, quando perceberam que Harold estava em sua frente. Harold era um fauno, seus olhos eram grandes e marrons, quase pretos.

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- Olha quem está aqui... – falou com ar sarcástico Harold - Estava esperando por vocês.

J.J logo retrucou:

- Harold, eu não sei o que eu fiz pra você, mas para que resolver as coisas lutando? É só você me deixar ir embora para meu mundo novamente e eu nunca mais irei voltar aqui. - Independente de deixar ou não, você nunca mais vai voltar. Você está em minha terra, sem minha permissão e por tanto, não deixarei que fique aqui. Harold foi em direção de JJ e tirou uma espada, que ele tinha em seu cinturão, mas quando Harold estava prestes a cortar a cabeça de Johnny, ele parou. Ficou paralisado. Trambolin tinha enfiado uma faca no meio de seu corpo. Ficou paralisado por alguns instantes olhando bem fundo para os olhos de J.J. O fauno soltou a espada e depois disso morreu. Caiu bruscamente no chão.

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Em estado catatônico, Jones abraçou o unicórnio. Após passar o susto, se despediu e logo após começou a sentir uma forte enxaqueca. Começou a gritar e se balançar de dor até que ele caiu no chão. Ele começou a fechar os olhos e de repente acordou. Quando acordou, percebeu que estava em seu carro, no acostamento de uma estrada. Começa a rir e a pensar que tudo aquilo não havia passado de um sonho, mas quando ele olha para o lado havia um pequeno pedaço de papel no banco do passageiro, em que estava escrito: Obrigado Por tudo! De seu Amigo especial Trambolin

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As aventuras de sam Pedro Pimentel Ant么nio Eduardo Bruno

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Oi, meu nome é Sam. Sou um garoto de família normal, só que sou órfão de mãe. Minha mãe morreu atacada por uma onça e meu pai não pôde impedir que isso acontecesse. Aliás, meu pai é um caçador e dos melhores! Ele se chama Logan e é um dos melhores arqueiros que eu já vi. Você deve estar deduzindo que eu não moro na cidade, pois é, moro no meio da mata Amazônica. Ultimamente estou ficando meio sozinho em casa, porque meu pai sai para caçar. Não é fácil porque não há civilização por perto, então tenho que me adaptar para conseguir sobreviver a todos os perigos da mata. Ainda bem que tenho esse pai. Ele me ensinou tudo sobre arco e flecha então, de vez em quando, mato alguns camundongos e estou ficando muito bom de pontaria, espero que um dia fique como Logan. Certo dia acordei cedo com um barulho no porão e gritei : - Pai ! Pai !! Pai, cadê você? – perguntei de novo. Meu pai havia sumido, procurei em todo lugar menos no porão.

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Quando cheguei ao porão, tive uma surpresa. Eu vi o arco do meu pai jogado no chão, com um anel de ouro com o símbolo de uma chama no meio e continuei procurando-o. Encontrei várias flechas banhadas em ouro, mas nada do meu pai. Voltei em direção ao arco, peguei-o na mão e senti uma tontura grande. Acabei desmaiando. Depois de um tempo acordei numa caverna escura com um velho senhor me cutucando. - Acorde rápido, eles estão chegando! - disse o velho.

Respondi meio atordoado:

- Quem? O que? Onde eu estou?!

O senhor respondeu calmamente:

- Você está em HANAMAR.

- E o que o arco do meu pai tem a ver com isso? O velho ficou assustado quando viu o que Sam carregava nas mãos.

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- Ess.. esse é…é… o..o… arco do lendário de Logan, o Guardião do Fogo. Ele foi raptado por Budokan, o Rei das Trevas.

Perguntei-lhe assustado:

- E como posso resgatá-lo?

O velho respondeu:

- É muito simples, você tem que ir para a caver... Nesse momento, vi o velho morrendo com uma flecha nas costas. Que azar o meu, a única pessoa, que eu tinha do meu lado, estava morta. Eu estava sozinho de novo. Só me restava seguir os assassinos do velho. Eles deviam ter meu pai preso. Tive que caminhar atrás deles com muita cautela para que não me vissem, senão poderia acabar morto como o velho. Depois de caminhar por horas chegamos numa fortaleza toda arborizada. Os homens entraram pelo portão principal, que se fechou rapidamente atrás deles. Eu tentei subir o muro, sem sucesso. Caí fazendo um barulho que atraiu a atenção dos guardas que me algemaram e me levaram para o seu rei.

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Agora, qual não foi a minha surpresa quando descobri que o rei era amigo do meu pai, pois ao ser interrogado, disse-lhe que era filho de Logan e o rei identificou-se como um dos famosos 3 guardiões. Nesse momento o rei pede para que tirem minhas algemas e digo a ele: - Majestade! Estou perdido nesse mundo, não sou daqui e tive várias surpresas desde hoje cedo. Quero lhe pedir um favor.

- Fale meu jovem...

- Logan, que é meu pai, foi raptado por Budokan e preciso de sua ajuda. Esse rei era bem sério e difícil de conquistar. Ele tinha uma espada com um anel de ouro e o desenho de uma árvore no meio. Ele era o guardião da vida e me contou que existiam 3 guardiões ao todo e todos tinham um anel. Cada anel dava um poder específico. Ele também me contou que fora ele e o meu pai, existia também, o Harlin, que era o guardião da água e que podia nos ajudar também. Entendi agora que meu pai, então, era o guardião do fogo, pois o anel que eu havia encontrado no porão, tinha o símbolo de uma chama. Eu estava com o poder do meu pai.

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Os primeiros passos a serem tomados eram: reunir os guardiões, juntar seus poderes, e por fim combater Budokan, o rei das trevas. Marcamos uma reunião dos guardiões na represa Asgovska. Todos deveriam chegar lá antes do pôr do sol. E foi assim que aconteceu. Lá se decidiram as estratégias a serem tomadas. Iríamos atacar no dia seguinte. Chegaríamos à Fortaleza do mal ainda de noite para atacar os guardas das torres. Depois entraríamos para chegar a Budokan com os três poderes: o da água, o do fogo e o da vida. Harlin, o guardião da água lutaria com seu bastão, eu com o arco do meu pai e o guardião da vida com a espada. Chegamos sorrateiramente pelas matas de HANAMAR. Havia um soldado no portão e o guardião da vida, me pediu para matá-lo com o arco e flecha. Eu sabia que tinha que obedecer, porém, como nunca tinha passado por uma situação como esta, fiquei muito impressionado e usei todas as minhas forças para controlar o meu medo e assim consegui derrubar o guarda.

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Abrimos, então, a porta das trevas que dava para uma sala escura com seis outros guardas. Foi aqui que o Rei, guardião da vida, usou seu poder que era o de matar qualquer ser vivo ao tocá-lo com sua espada. Foi isto o que ele fez com a maior facilidade. Agora tínhamos mais três portas pela frente. Chutamos a porta do meio. Que se abriu para outra sala escura com mais seis guardas. Foi aqui que Harlin e eu usamos nossos poderes. Harlin, ao encostar seu bastão na cabeça de quem fosse, transformava-a em água, imediatamente. E eu lançando as flechas de fogo matava qualquer inimigo que restasse. Foi assim que conseguimos chegar à última sala. A sala de Budokan. Onde encontramos meu pai amarrado numa pilastra e estava quase sem sentidos. Todos nós usamos nossos poderes contra Budokan sem êxito. Nada o atingia. Foi quando pedi os três anéis dos guardiões e os coloquei no meu arco. Eles se transformaram num só com o símbolo de um “sol”. Este sol era o contraponto das trevas. O único capaz de destruir a escuridão.

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Assim consegui atirar três flechas de luz no centro do peito de Budokan, atingindo seu ponto mais sensível e matando-o finalmente. Nesse momento, percebi o quanto estava exausto e caí no chão. Quando acordei, já estava em minha casa e achei que toda essa Aventura havia sido só um sonho. Levantei-me, fui ao banheiro e quando abaixei minhas calças, caiu de dentro de meu bolso, um anel todo banhado ao ouro com o símbolo de uma nuvem e atrás do anel uma inscrição dizia:

“Para Sam, o guardião dos ventos’’.

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Uma viagem para o destino Mhira Jade Julia Bia P.

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O céu ainda estava escuro quando o despertador de Thállia tocou. Ela resmungou e mudou de lado sem a mínima vontade de acordar, mas sabendo que as consequências seriam graves caso ela não acordasse e se trocasse logo, lentamente saiu da cama e começou a se vestir. Desceu as escadas. Atravessou a sala de jantar e entrou na cozinha. Mitologia grega. Depois de Thallia, era a grande razão de seu pai viver. Tão devoto a isso que, todos os dias às 3:30 da manhã, arrastava Thallia consigo ao templo de vários deuses para fazer oferendas. No momento, estava sentado na mesa da cozinha lendo um grosso livro sobre Atena.

- Bom dia pai.

- Ahn? Ah, bom dia Thállia - respondeu seu pai finalmente notando sua presença. Que cheiro de queimado. - Você deixou os ovos queimando, para variar pai - respondeu Thállia de mau humor dirigindo-se ao fogão, desligando a frigideira e se servindo de ovos queimados e bacons.

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- Ah, mas a culpa não é minha! exclamou seu pai com ar de sabichão - A culpa é toda deste livro que estou lendo! Chegou ontem, fala sobre Atenas e como... E o pai de Thállia desatou a falar do livro para ela, que nem estava mais ouvindo. Achava toda essa besteira de deuses e mitologia uma completa perda de tempo e não acreditava nessa história. - Ah meu Zeus! Vamos Thállia! Só faltam dez minutos para Apolo passar com o Sol! Ela deu um suspiro, mas mesmo assim saiu pela porta com o pai. A vila onde morava com o pai ficava perto de Salônica.Toda a vila ainda dormia, exceto pelos padres da igreja.Thállia e seu pai saíram da cidade e caminharam cerca de 5 minutos por uma colina verdejante. E por fim chegaram ao local. Até onde a vista alcançava, templos e mais templos belamente construídos. Thállia e seu pai primeiro se dirigiram ao templo de Ártemis, onde seu pai fez uma oferenda, e logo depois foram ao templo de Apolo, onde seu pai fez uma outra oferenda e ficou de joelhos rezando, achando que Thállia o copiava, mas estava com os

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pensamentos bem longe. Sorrateiramente havia saído do templo de Apolo e passeava pela colina visitando os outros templos. Olhava de fora, mas nunca por dentro deles. Só havia um templo que lhe causava um pouco de admiracão. Enfim parou em frente ao templo de Atena e entrou. Foi direto ao altar onde havia uma estátua da deusa. A deusa da sabedoria, da guerra, da civilização, da estratégia, das artes e da habilidade. Isso a fascinava e era a única deusa pela qual sentia afeto, pois encarava Atena como uma espécie de mãe que nunca teve. Segundo seu pai, sua mãe havia morrido quando ela ainda era um bebê. Thállia deve ter ficado uns cinco minutos olhando para a estátua da deusa. Quando desgrudou os olhos de Atena, se virou e retornou a saída. Não tinha dado nem dez passos quando PLUF! Foi atirada ao chão, virou-se para ver em que havia tropeçado e viu um pergaminho. Achou estranho pois não havia o visto antes. Se abaixou para pegá-lo, para ver o que estava escrito. Abriu com todo cuidado e observou que o que estava escrito não era em seu idioma, estava em grego antigo:

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Αν θέλετε το μέλλον σας για να ανακαλύψετε, να Salônica πρέπει να πάει,

Για να ακολουθήσει Λάρισα, βρείτε ένα φίλο

εκεί, στο ταξίδι σας και να σας βοηθήσουν να φτάσετε στον προορισμό σας.

Στην τελική πρόκληση θα χρησιμοποιήσει τη

σοφία και να λάβει προς Αθήνα.

Και η μοίρα τους θα πραγματοποιηθεί.

Thállia, é claro, não entendeu nada e correu para o templo de Apolo para mostrar a seu pai, mas ele não estava lá, nem em nenhum dos outros templos que Thallia procurou. Perguntou por ele às poucas pessoas que também iam aos templos fazer oferendas, mas ninguém o tinha visto. Preocupada, ela voltou para a cidade e perguntou a todos que encontrou se o haviam visto seu pai. Sempre respondiam que não.

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Thállia voltou arrasada para casa, com a esperança de encontrá-lo. Para sua decepção, também não estava lá. Então, chegou a conclusão que ele fora raptado. Thallia tentou manter a calma, se lembrando do pergaminho, foi a biblioteca de seu pai. Durante horas e horas foleando os livros até que achou um dicionário que parecia ter uns 500 anos e conseguiu traduzir o primeiro verso:

Αν θέλετε το μέλλον σας για να ανακαλύψετε,

να Salômica πρέπει να πάει, Que dizia “Se quer seu futuro descobrir, para Salômica deve ir”. Thállia não perdeu mais tempo. Arrumou rapidamente uma mochila com as coisas básicas de que precisaria e deixou um bilhete a seu pai dizendo para onde tinha ido, caso ele voltasse para casa e não a encontrasse. Saiu, trancou a casa e dirigiu-se a estação de trem. Durante toda a viagem, Thállia pensou no que faria quando chegasse lá e por fim decidiu consultar a famosa vidente Klélia.

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Quando o trem parou, desembarcou em Salômica. Saiu pedindo informações a alguns cidadãos e chegou ao consultório da vidente. Depois de uma hora de espera, foi atendida. Assim que a viu, a vidente soltou um grito e seus olhos ficaram dourados. Com sua voz misteriosa falou:

“Um passado desconhecido,

Um futuro já tracado,

A escolhida em busca do que-lhe foi roubado,

Descobrirá o que lhe foi ocultado”.

Antes que Thállia pudesse dizer alguma coisa, uma das assistentes de Klélia entrou e falou que a consulta havia acabado. A menina saiu de lá pensativa, cabisbaixa, com o pergaminho em grego nas mãos. Antes que se desse conta, um pássaro vermelho, do tamanho de uma águia, com penas douradas desceu voando e atacou-a. Tentou tirar o pergaminho de sua mão, mas Thállia puxando-o com muita forca, resistia. Por fim, pegou uma pedra do chão e a jogou no passáro, que com um grito estridente de dor, foi

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embora. Thallia respirou fundo e notou duas coisas. Primeira, nínguém na rua parecia ter notado o pássaro, e segundo, o passáro era uma fênix. Criatura imortal da mitologia grega. Após o susto, abiu o pergaminho e viu que uma nova frase havia se formado no lugar da primeira, estava brilhando. Se dirigiu a biblioteca da cidade e depois de quase duas horas fuçando as coisas, consegiu decifrar o segundo verso:

Για να ακολουθήσει Λάρισα, βρείτε ένα φίλο

εκεί, στο ταξίδι σας και να σας βοηθήσουν να φτάσετε στον προορισμό σας. “Para Larissa seguirá, um amigo lá encontrará, em sua jornada ajudará e no seu destino chegará” Thállia agarrou o pergaminho e correu para a estação, tomou o primeiro trem e desembarcou em Larissa.

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Parecia uma cidade calma. Como não fazia idéia do que faria ali, e estava desesperada, foi ao último lugar onde ela provavelmente iria. Ao templo de Atena. Chegando lá se ajoelhou e falou: - Vós que é a deusa da sabedoria, me ajude, ilumine meu caminho. Me ajude a decifrar o que eu preciso. Então do canto do templo uma voz falou: -Se precisa decifrar alguma coisa possolhe ajudar com isso. Thállia assustada, pois achava que estava sozinha, se virou e viu o autor da voz. Um garoto magro, cabelo escuro liso, aparentava ter uns 10 anos. Estava com um sorriso calmo no rosto:

- Quem é você? - perguntou desconfiada.

- O nome que me deram foi Raé . E o seu?

- Thállia.

- Bom, se precisar de ajuda para decifrar algo, posso ajudá-la.

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- Agradeco a ajuda, mas está em grego antigo, acho que não consegue me ajudar – falou, mostrando o pergaminho ao novo amigo. Raé ao ver do que se tratava, estufou o peito e falou sorrindo muito: - Oba! Esse vai ser difícil! Adoro desafios! Me dê um minuto. Ele se levantou, tornou a se sentar de olhos fechados e pernas cruzadas bem em frente da estátua da deusa Atena. Um minuto depois tornou a abrir os olhos e pediu a Thállia o pergaminho. Raé o abriu e falou:

- Vou traduzir.

Στην τελική πρόκληση θα χρησιμοποιήσει τη

σοφία και να λάβει προς Αθήνα. “No desafio final a sabedoria usará, e rumo a Atenas tomará”. - Só diz isso – exclamou o menino já desembestando a perguntar: - Ei, posso ir com você?

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Ele falou aquilo com um olhar tão suplicante, e além disso havia decifrado o verso sem pedir nada em troca, que por fim Thallia concordou. Os dois saíram andando, mas pararam e deram um grito porque na frente deles estavam duas górgonas. Criaturas da mitologia grega, feias, com presas e serpentes em vez de cabelos, transformavam tudo que viam em pedra. Thallia e Raé só tiveram tempo para se esconder atrás de um muro de pedras: - Thalliaaaaaaaaaa - a primeira górgona falou – Vamos! Não seja tímida, venha aqui. - É - sibilou a segunda - Não te ensinaram que é feio não cumprimentar alguém no rosto? Dizendo isso atacou Thallia e Raé, que estavam atrás do muro, e só tiveram tempo de se desviar e correr com as górgonas em seu encalço:

- Para onde Thállia?! - Raé perguntou.

- Estação de trem...Atenas!

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Continuaram correndo sem parar pelas ruas com as górgonas logo atrás. Finalmente chegaram à estação de trem, onde conseguiram despistar os monstros e deu tempo suficiente para Thállia comprar os bilhetes. Quando ela e Raé estavam na plataforma já ouvindo o trem, as górgonas apareceram de novo: - Vamos Thállia. Se as matarmos agora, lhe pouparemos de muito sofrimento. - Pode esquecer! - respondeu Thállia, passando pelas portas do trem, prestes a se fechar. As górgonas não tiveram a mesma sorte. Bateram a cara no vidro e sumiram. Thállia só esperava que não voltassem. Assim que desembarcou em Atenas seu primeiro pensamento foi: Como achar meu pai? Para sua sorte logo teve uma pista. Thállia e Raé estavam andando entre os cidadãos e escutaram trechos de conversas:

- Você soube...

- É o templo principal...

- Alguma coisa...

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- ...parece que está lá e ninguém consegue entrar. Thállia e Raé se distanciaram da multidão e Raé falou: - Talvez seu pai esteja lá - ele falou esperançoso, pois na viagem de trem Thallia lhe contara por que estava naquela missão. - Talvez, mas...qual o templo principal da cidade? - O de Atena é claro! Ela é a patrona da cidade. Perguntando a alguns cidadãos chegaram ao templo, que a primeira vista, parecia em perfeito estado. Uma grande construção de mármore branco, com vários pilares. Havia um cadeado enorme e dourado na porta, então não conseguiriam entrar por ali. Thállia ficou pensando em uma maneira de entrar. Junto com Raé, deu a volta no templo pelo lado de fora, até achar uma porta lateral vigiada por um monstro que tinha três braços e presas bem afiadas. Não era o que chamamos de amigável.

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Thállia, muito esperta, se escondeu atrás de um dos pilares. Quando o monstro saiu, Thállia e Raé rapidamente e silenciosamente entraram, se dirigiram para a sala principal, que era ostentada por 10 colunas, um teto que tinha 20 metros. Foram adentrando e abriram uma porta e viram um pesadelo. Uma enorme serpente, verde, grossa e com aproximadamente 25 metros de comprimento. Ela reconheceu Thállia, era o Basilisco. Em um canto da sala, amarrado e semiconsciente, estava o pai de Thállia. O Basilisco sorriu com um ar maldoso e falou: - SSSSS.Vejo que nosssssso plano funcionouuu afinalllll. - Do que está falando? Porque sequestrou o meu pai? – qustionou a menina. - Há sssssim. Assss explicacõessss. Sequesssstramos seu pai porque sabíamos que assssim te atraíriamos até aqui.

- Mas porque queriam me atrair até aqui?

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- A verdade é que você não sabe do seu passado. Você é filha de Atena. Deusa da sabedoria. Quando nasceu um grande poder lhe foi desempenhado e nunca usado. Você cresceu todos esses anos sem saber de nada de seu passado, inclusive sobre esse poder que por 14 anos permaneceu repousando. Provavelmente está mais poderoso do que nunca. Deve ter capacidade para destruir os deuses do Olimpo. Apesar de ser filha da deusa da sabedoria, foi muito idiota vindo aqui hoje. Mandei um de meus servos sequestrar seu pai e imaginamos que quando chegasse em Atena, viria direto para cá, para salvá-lo. Mas, além de mim, outros queriam esse poder. A fênix e as górgonas que te atacaram, por exemplo. Caso você morra, seu poder irá para aquele que a matou. Então eu mesma vou matá-la, mas antes irei matar seu amigo e ... seu pai! Antes que Thállia pudesse fazer qualquer coisa, o Basilisco abriu a boca e jogou veneno em Raé, que imediatamente caiu no chão e respirava com dificuldade: - Raé! Raé.... Nããããããããããão! Não váááááá! – gritou a menina se aproximando de seu companheiro.

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- Você conseguirá... – murmurou Raé com o fim de suas forças, e por fim repetiu o último verso decifrado com muita dificuldade - “E no desafio...final...a sabedoria usará”.

Raé parou de respirar:

-Ssssssim, o primeiro já foi, e agora....Mas o que? - O Basilisco gritou olhando para cima onde Thallia estava. Ela própria não percebia isso, mas estava suspensa e flutuando uns 15 metros do chão, envolta por uma luz dourada. Seus cabelos estavam perfeitamente ondulados, usava um vestido branco plissado, em seus pulsos haviam braceletes de ouro, e em sua cabeca uma tiara de ouro incrustada de pedras preciosas, em seu pescoço surgiu um colar de ouro com uma coruja de prata na ponta. Era o símbolo de Atena, mas Thallia não percebeu nada daquilo, pois só tinha um pensamento. Raiva. Depois de tudo que passara, e do sacrifício de seu amigo, não ia deixar aquele lagarto gigante com pinta de jacaré matar seu pai. Então quando abriu os olhos, juntou as mãos e uma luz dourada comecou a se formar em volta delas:

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- Não! Issssso é ímposssssivel! Você não poderia fazer isssso! Não! – disse o monstro. A luz cresceu, e cresceu até que Thállia ergueu os bracos. A luz dourada explodiu iluminando toda a sala. Quando Thállia abriu os olhos estava descendo lentamente em direção ao chão, com a luz dourada ainda envolvendo seu corpo. O Basilisco não estava mais lá e seu pai se levantara e cambaleava em sua direção. Assim que tocou o solo, Thallia teria desmoronado se seu pai não a tivesse pegado bem a tempo: - Thállia o que você f...? – questionou o pai super preocupado. A menina estava muito fraca, pois usara um poder muito grande pela primeira vez. Mesmo totalmente sem forças, tentou falar:

- Pai, eu...

Não terminou porque nesse instante, uma luz dourada e muito forte desceu do céu. Aos poucos Thállia e seu pai foram vendo a imagem de uma bela mulher com os cabelos presos em um coque, com uma coroa na cabeca, um vestigo longo, lindo e branco, jóias douradas

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com pedras preciosas. No pescoço usava o mesmo colar de Thállia. De ouro com uma coruja na ponta:

- Atena! - reconheceu o pai de Thállia.

- Mãe? – perguntou a menina, levantando suavemente a cabeça. - Sim Thállia. Meu tempo é curto, mas há coisas que quero lhe falar. Primeiro, o pergaminho que achou em meu templo foi enviado por mim. O último verso significa:

Και η μοίρα τους θα πραγματοποιηθεί.

“E seu destino se realizará”.

Depois, estou orgulhosa de você. Você, em amor ao seu pai, correu desafios e teve que ser persistente, destemida, corajosa e especialmente leal ao seu pai. Tenho o direito de lhe conceder um desejo. Acho que você gostaria de recuperar suas forças.

Thallia fez que sim com a cabeca.

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- Muito bem. - respondeu Atena e com as mãos criou uma luz prateada que repousou no corpo de Thállia e assim que isso aconteceu Thállia se sentiu ótima. Tanto que se levantou e não resistindo, deu um abraço na mãe, que meio tímida retribuiu. Quando se afastaram, Atena começou a subir em direcão ao céu: - Por enquanto até logo Thállia, minha filha amada. Uma última coisa. Você é uma deusa. - O que? - Thállia gritou desesperada para a mãe - Isso é ímpossivel! Eu sou uma deusa do quê ? - Μυστήριο Θεά - respondeu Atena em grego. Mais tarde Thállia descobriria que era a deusa do mistério e das profecias...

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a lenda Gabriela Lia Isabella Dora

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“Há muito tempo atrás, aqui no orfanato Stefanie Clinton, vivia uma menina muito triste e solitária que sempre contava sobre um mundo imaginário que ninguém acreditava. Ela cantava uma melodia triste e melancólica. Desaparecia à meia-noite e só voltava pela manhã. Até que um dia nunca mais voltou e na parede de seu dormitório estava escrito com sangue “eu cheguei lá”. Desde que isso aconteceu, todas as noites era possível escutar sua melodia...” Essa é a lenda que contam para mim e para todas as crianças aqui do orfanato, onde vivo desde pequenina. Eu sou a única que acredita nela, porque parece que tem algo a ver comigo, não me pergunte por que, pois também não sei. A única coisa que sei de minha vida, é que minha mãe, assim que eu nasci, me deixou em uma cestinha de madeira e no meu pulso uma pulseira de ouro escrito Jones, na porta do orfanato, de onde nunca mais sai.

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Meu nome é Katherinie Jones, tenho cabelos castanhos, olhos verdes, altura média, sou corajosa, inteligente, curiosa, determinada e persistente. Moro em Londres, na Inglaterra, hoje em 1990 tenho 12 anos mas todos dizem que minha idade mental é de uns 9, pois imagino coisas estranhas... Todas as noites eu me encontro com o meu melhor e único amigo, o Harry. Ele morava aqui comigo, até ser adotado por uma família bem humilde que juntou dinheiro por muitos anos para conseguir adotar um filho. Meia noite! Fui me encontrar com Harry. Quando cheguei em nosso ponto de encontro, ele não estava lá. Fiquei surpresa, pois eu sempre sou a última a chegar... Esperei um certo tempo, mas ele não apareceu. “O que poderia ter acontecido? Será que ele se esqueceu de mim?” Cheguei no orfanato atordoada, não sabia o que fazer, ou melhor, não podia fazer nada e isso era o que mais me deixava chateada... Até que eu ouvi uma melodia familiar vindo de uma porta de madeira bem escondida. Aquela música me fazia sentir calafrio, arrepio,

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calor, frio e todas as emoções que tinha direito de sentir. Era um som triste muito e melancólico... Eu conseguia descrever o barulho, parecia ser a melodia contada na lenda. Não podia perder tempo, eu tinha que segui-la. A música vinha de uma porta de madeira e algo me puxava para dentro dela. Entrei. Uma brisa gelada soprava em meu rosto, uma neblina densa cobria os meus olhos, uma fumaça branca escondia meus pés, minhas mãos esfriaram como se eu estivesse em um congelador e meus ouvidos entupiram rapidamente... Tudo aquilo parecia ser um sonho... Sem ouvir e nem escutar quase nada, andei sem rumo, estava com medo. Enquanto andava, os meus ouvidos desentupiram, a fumaça que cobria meus olhos desapareceu, mas meus pés continuaram cobertos, como se eu estivesse em uma nuvem no céu. De repente, surgiu um portão em minha frente. Aquilo soou estranho, como um portão pode aparecer assim do nada? Tentei abri-lo, mas estava fechado com uns 10 cadeados e do outro lado do portão tinha um guarda.

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- Com licença, será que eu poderia entrar? – perguntei.

- Minha jovem, você não pode entrar aqui!

- Porque? – indaguei

- Para entrar aqui você precisa resolver uma charada e obviamente você não vai saber respondê-la. - Ao menos me deixe tentar- eu disse determinada Esta bem! “o que é, o que é? Que de manhã tem quatro patas, de tarde tem duas e de noite tem três?” - Preciso de um tempo para refletir... - pensei O que poderia ser? Jamais adivinharia uma coisa dessas... Foi ai que um milagre aconteceu, eu vi um neném, sua mãe e o seu avó passeando do outro lado do portão, do lado do guarda. E foi ai que eu me toquei:

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O neném engatinhava, então esse está de quatro patas. A mamãe andava com as duas pernas (patas). O vovô andava com as duas pernas (patas) e usava bengala, ou seja três patas. Era o ser humano. Eu expliquei detalhadamente a charada, como tinha feito para resolver etc. O moço ficou impressionado e sem palavras. Por fim, me deixou entrar, mas antes me alertou que esse mundo do qual estava prestes a entrar, era perigoso, traiçoeiro e que não sabia como é que eu tinha conseguido resolver a charada. Pediume que procurasse a rainha para esclarecer minhas dúvidas e perguntar o que eu estava fazendo naquele mundo. Assim que entrei, vi aquele lugar triste, o céu era cinza escuro, o Sol parecia que estava com vergonha, pois ficava sempre escondido. O chão era de paralelepípedo, não havia um carro, uma moto, uma bicicleta. As pessoas andavam sem rumo, sem sorriso, com desprezo no rosto, parecia tudo uniforme. Todos se vestiam de preto, seja de vestido longo, ou calças, mas nunca shorts e nem saias acima do joelho. Aquilo era desprezível, sem graça.

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As lojas nas ruas eram pequenas, com poucas coisas na vitrine, com pouca gente dentro delas, as casas de tijolos eram todas iguais. Quando estava procurando alguém para me ajudar naquele lugar desconhecido, algo me puxou, me carregou e me levou ao alto. Tudo ficou branco, não escutei mais nada. Quando acordei estava em uma caverna e em minha frente um MONSTRO gigante, verde, assustador, tinha três olhos e quatro patas. Entrei em desespero! Só o que me restou foi gritar e até que em fim a criatura desconhecida falou:

- Siga-me, a rainha a aguarda.

Entramos em um labirinto extremamente confuso, fazia a minha cabeça girar igual aquele brinquedo chamado “gira-gira”. Não sei como, mas aquele monstro percorreu o labirinto com extrema facilidade.

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Chegamos até um castelo. Aquele lugar não sei bem explicar, mas parecia triste, sombrio e frio. Mesmo assim entramos. Subimos uma escadaria em caracol até chegarmos num cômodo grande, onde lá estava uma mulher de cabelos longos e escuros, vestida de preto e muito sem vida.

- Sente-se, Katie – Ordenou a rainha.

- Obrigada Vossa Majestade! Estou bem aqui de pé. - Meu doce, você deve estar confusa, mas vou te explicar “tudinho”, sente - se – ela insistiu – Aqui vivem as pessoas mortas, todas elas vem para cá, para esse mundo onde a felicidade não tem mais espaço, onde todos falam apenas o necessário uns com os outros... - Você tem uma pulseira igual a minha, escrito “Jones”- interrompi - a - por quê? - Por que eu sou sua irmã. Você não veio a esse mundo por acaso, sem estar morta, você veio aqui por que eu te chamei. - Você quer dizer que a lenda é verdadeira e é sobre você? – perguntei espantada.

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- Sim. Nossos pais morreram em um acidente de carro depois de ter nos deixado no orfanato Stefanie Clinton. - Nossos pais estão aqui? – indaguei com lágrimas nos olhos. - Eles estão presos, pois descumpriram as regras. Nem eu, nem ninguém pode visitá-los e nem tirá-los de lá. - Que coisa horrível, mas por que aqui todos vivem nessa tristeza sem fim? - Sem fim não, eu te chamei aqui para juntas trazermos a felicidade de volta ao mundo dos mortos, assim você poderá ficar aqui conosco, mesmo não estando morta. - Olha rainha, me desculpe, mas eu tenho que voltar para o meu mundo, pois preciso achar meu melhor amigo, o Harry. - Querida! Não se preocupe! Ele está aqui também e depois, se desejar, podemos encontrá-lo. - Ele morreu???... - o meu melhor amigo, a minha única companhia nunca mais estaria comigo no mundo dos vivos? A não ser se eu

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ficasse naquele mundo. Bom, vamos trazer logo a felicidade para cá, pois resolvi ficar aqui com meu amigo e minha família. - Ótimo! Pegue sua pulseira e junte-a com a minha – falou a rainha, já pegando em meu braço para que pudéssemos juntar as pulseiras. Ao juntarmos, uma luz forte e um brilho saiu delas. Logo, o sorriso voltou para o rosto de minha irmã e para o rosto de todos os habitantes daquela cidade tris... feliz ! Não entendi direito por que a minha pulseira ao juntar-se com a dela, trouxe a felicidade a todos, mas resolvi não perguntar, afinal estavam todos felizes, dançando, cantando e era isso que mais importava naquele momento. Quando a tarde chegou me encontrei com Harry, ele disse que estava orgulhoso de mim, pois eu tinha trazido a todos a felicidade de volta. Brincamos todos os dias nos quintais do palácio... Nesse mundo que vivo, hoje é possível que pessoas vivas possam vir visitar seus parentes queridos e falecidos.

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A bomba Luiz Gustavo Vinícius João Paulo Felipe

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Um dia desses eu estava deitado olhando meu pai, Stan, colher batatas para o almoço. Eu não estava ajudando porque sou fraco, magrelo, medroso como uma galinha e além de tudo estou doente. No almoço comeríamos uma bela sopa de batatas, quentinha e minha mãe Jeniffer já estava esquentando a água. Depois do almoço meu pai foi dormir um pouco e minha mãe estava arrumando a cozinha, quando ouvi um barulho estranho vindo de longe. Não sabia o que era, mas estava se aproximando rapidamente. Aos poucos reconheci o barulho, já tinha escutado em um documentário. Era o barulho de uma bomba. Chamei meu pai e minha mãe para corrermos, mas não era mais possível, a bomba chegou a nossa casa destruindo tudo. Apaguei. Depois de muito tempo, para minha surpresa, acordei. Eu achava que estava morto, mas não, havia sobrevivido. Procurei por meus pais, mas eu não os encontrei, apenas destroços de nossa casa. Comecei a chorar muito, depois de algum tempo, decidi que era melhor procurar algum outro sobrevivente e entender o que havia acontecido.

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Comecei a andar pelos destroços da cidade. Depois de muito procurar e nada achar, vendo apenas destroços, ouvi uma voz me chamando. Era um homem normal, que falou para eu ir com ele e eu, sem muita opção, fui. Andamos muito pela cidade destruída e ele me levou a um grupo de sobreviventes, agrupados em uma casinha feita com os destroços. Cheguei lá e todos estavam atentos, prestando atenção em uma pequena TV que estava junto com um dos sobreviventes na hora da explosão. Na TV, o presidente falava que eles achavam que o Japão havia atacado e que iriam revidar com duas bombas. Depois desse pronunciamento, todos começaram a olhar para mim como se eu tivesse algo de errado. Disseram-me que meu olho estava vermelho. Olhei no reflexo da TV e era verdade, porém ninguém achou estranho. Olhei para eles e todos também tinham um olho vermelho. Pensei que podia ser algum efeito da radiação, porém isso nunca tinha acontecido a ninguém.

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Foi nessa hora que o Maicon, o líder do grupo de sobreviventes, disse para irmos procurar respostas e descobrir o que aconteceu, disse também que nenhum ser humano tem capacidade de fazer uma bomba tão destrutiva assim, então essa bomba devia vir de algum outro tipo de ser vivo. Saímos à procura de destroços da bomba e achamos um grande pedaço, com um tipo de "mapa" escrito, porém esse mapa nos levava para o meio do Oceano Atlântico. Como o local onde estávamos era próximo do oceano, pegamos suprimentos, roupas, água e fomos andando. Enquanto estávamos caminhando, fui conversando com os outros sobreviventes, eles me disseram que também estavam doentes antes da bomba explodir, achei estranho, mas era melhor esquecer aquela ideia. Depois de umas três horas caminhando, ouvimos um estranho barulho vindo do mato e resolvemos ver o que era, fui me aproximando com Maicon e era um tigre, porém ele estava estranho, com dentes maiores e parecia muito mais feroz. Saímos todos correndo, mas ele alcançou um dos sobreviventes e o matou cruelmente. O tigre atingiu somente pontos

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críticos do corpo humano, então pensei que ele poderia ter sofrido algum tipo de alteração com a radiação e estava adaptado para matar humanos. Bem, ficamos todos muito impressionados com o acontecido e estávamos exaustos. Como já era tarde, falei para pararmos e descansarmos um pouco. Logo cedo no outro dia Maicon acordou todos para retomarmos a caminhada, comemos um pouco de frutas e sementes que encontramos no caminho e depois continuamos a caminhar. Tarde da noite chegamos à marina. Vimos muitos barcos destruídos, porém havia uma lancha, só um pouco danificada, porque ela estava bem atrás de uma parede, que caiu para o outro lado e parecia que iria aguentar a travessia. Checamos se havia combustível e por sorte tinha. Levamos a lancha até a margem com muito esforço e saímos pelo mar. Estávamos navegando em alta velocidade, quando apareceu um enorme animal na frente do barco, parecia uma baleia, porém era maior e sua calda tinha espinhos, ela começou a nos atacar. Maicon desviou o barco do primeiro

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golpe, porém do segundo foi impossível, ela acertou em cheio a parte de trás da lancha e Maicon saiu voando. Eu estava olhando-o e quando eu achei que ele iria morrer, fiquei na dúvida se tentava agarrá-lo no ar, mas foi nesse momento que me veio uma coragem e resolvi pular a agarrá-lo. Depois disso, Maicon pisou o mais fundo que pode no acelerador e nós escapamos da baleia. Todos tinham visto meu ato heroico, nem eu acreditava que eu tinha salvado Maicon. Foi quando ele me deu um forte abraço e me agradeceu por ter salvado sua vida. Fui aplaudido até a hora que, ele mesmo, perguntou para João, que estava com o mapa, se estávamos próximos ao local. Consultando a bússola do barco, ele nos disse que estávamos chegando. Como estava anoitecendo, Maicon disse para pararmos e seguirmos viagem apenas no dia seguinte com a luz do Sol, pois precisávamos consultar o mapa. Seria muito difícil dormir no barco depois de tudo que havia acontecido. Porém de tão cansados que estávamos, conseguimos dormir.

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No dia seguinte, seguimos viagem e chegamos ao local descrito no mapa, a água estava estranha naquela região, parecia ter alguma coisa enorme e preta embaixo dela sem se movimentar. De repente, fomos sugados para baixo, com muita força. A lancha ficou para fora e nós fomos sugados. Estávamos em um lugar escuro, porém eu tinha certeza que era embaixo da água. Acenderam-se algumas luzes e eu vi que havia várias pequenas pessoas estranhas. Elas eram totalmente pálidas e tinham uma cara medonha. Eles disseram que eles soltaram a bomba na Terra e o motivo pelo qual fizeram isso era que a Terra estava horrível e cheia de pessoas mal intencionadas. Disseram também que nos escolheram para recomeçar a Terra, porque nós estávamos sempre tentando pensar em coisas para mudar o mundo para melhor e disseram que fizeram a bomba para matar todas as pessoas, menos as que estavam doentes. Por isso nós estávamos doentes e não morremos com a explosão.

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Depois de certo tempo, resolvi dizer que meus pais, também eram bem intencionados e que a bomba havia os matado. Eles me responderam que isso foi necessário para eu me tornar mais corajoso e disseram também que eles causaram uma guerra nuclear no planeta, porque os Estados Unidos estavam achando que havia sido o Japão que mandou a bomba e irão contra-atacar, ao ouvir isso eles disseram que essa era a intenção, porque assim a Terra se destruiria sozinha e depois nós seríamos soltos de novo e teríamos que "refazer" nossa vida na Terra. Eu não me conformei com isso e espereios nos deixarem sozinhos para propor ao grupo para sairmos dali e tentar avisar o governo. Resolvemos sair dali a noite com a nossa lancha e voltar para o continente. À noite, chamei todos e começamos a procurar por uma saída e achamos. Teríamos que nadar para cima para chegar na nossa lancha, que havia ficado na superfície e sair navegando. Fizemos uma fila para sair dois por vez, Maicon foi comigo e nadamos até a superfície.

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Chegamos fora da água, a lancha estava lá e subimos nela. Os outros subiram, e quando íamos sair com a lancha, começamos a ser sugados de novo, mas Maicon não deixou e acelerou para longe do local. Estávamos voltando para a costa quando uma onda gigante e muito forte veio em nossa direção. Ela não havia estourado, então Maicon acelerou em sua direção para nós usarmos ela como uma rampa e escapar do impacto. Estávamos quase conseguindo quando a onda começou a estourar. Maicon pisou o mais fundo possível e quando estávamos quase na vertical, a lancha passou a onda. Ufa! Depois disso, fui checar se todos estavam bem. Felizmente todos estavam bem, porém havia sumido um de nós. Perguntei o que tinha acontecido para os outros e eles me disseram que ele caiu da lancha quando ela ficou na vertical e foi levado pela onda. Mais um de nossos companheiros tinha sumido. Chegamos à costa e descemos do barco, comecei a procurar por um veículo e por muita sorte achei uma minivan.

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Chegamos à capital, que estava destruída pela bomba, e fomos direto falar com o presidente. A segurança não queria nos deixar entrar pois achavam que éramos terroristas, até que mostramos nossos documentos e deixaram-nos entrar. Fui falar com o presidente, disse que nós éramos os sobreviventes da bomba que havia caído há um certo tempo. Perguntei se eles já haviam revidado o último ataque do Japão, ele me disse que não, mas iriam atacá-los naquele dia. Eu disse para não atacarem, porque não havia sido os japoneses que lançaram aquela bomba que destruiu metade do país e tínhamos como provar. O presidente mandou seus oficias nos levar até o local que estávamos indicando. Estávamos a caminho da "base", várias ondas enormes tentaram nos impedir, porém, Maicon conseguiu desviar de todas elas, menos uma que acertou nosso barco na parte de trás, dois de nossos amigos voaram e foram arrastados pela onda.

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Depois desse horror, chegamos ao local onde estava a base. O capitão mergulhou conosco para ver. Quando estávamos embaixo da água, um tubarão tentou nos atacar, mas ao ver que ele iria atacar Maicon, que estava de costas, tentei avisá-lo, mas estávamos embaixo da água, então peguei uma faca que vinha junto com o equipamento de mergulho e esfaqueei o tubarão, que nadou para longe. Voltamos para o barco, Maicon pegou o volante e acelerou para a costa, durante o percurso, inúmeras ondas tentaram nos acertar, porém Maicon escapou de todas. Chegamos ao abrigo do presidente, dessa vez, entramos sem problemas. Ele me chamou e disse para eu apertar o botão que mandaria a bomba em direção a base, apertei sem hesitar e a base explodiu. Depois disso, o presidente falou com as autoridades japonesas, dizendo para eles que tudo fora um mal entendido e que a gente já havia descoberto quem havia feito o ataque e já tínhamos revidado.

E assim, a paz reinou no mundo.

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sem chave, sem vida Luana Bia N. Natasha

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Essa história fala sobre uma menina. Não como as outras. Eurides era uma garota diferente. Muito misteriosa e solitária, sabe? Tinha apenas uma única e melhor amiga, mas ela não vem ao caso. Eurides era bonitinha, magrinha, tinha 13 anos, media 1,50 m, era ruiva, com olhos azuis, meio pálida, enfim... Aparentemente normal, mas uma coisa a deixava completamente diferente de uma pessoa “normal”: ela tinha uma doença desconhecida que a fazia prever o futuro e ter visões. Certo dia, a menina teve uma visão bem diferente das comuns, que eram insignificantes. Ela achou bem estranha, mas ignorou-a. Porém, essa visão não parava mais de acontecer, Eurides a via dia e noite sem parar. Na visão, ela descobriu que era adotada, que seu pai biológico, um cientista de meia idade muito respeitado, chamado Sr. Marcos Antunes, havia morrido e que sua mãe biológica, a Sra. Maria Cristina Antunes, parceira de seu pai, estava correndo perigo em outro mundo, que se chamava Himbaluba.

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Como sua mãe adotiva tinha morrido e seu pai adotivo era muito ausente, pois trabalhava muito como empresário, Eurides resolveu sair em busca desse mundo. Depois de andar muito, ela chegou a uma floresta que estava pegando fogo. Era a mesma floresta que havia aparecido em uma visão recente que a garota tivera no caminho. Nessa outra visão, aparecera também que Eurides só conseguiria chegar a Himbaluba se encontrasse uma certa chave para abrir um portal. A menina tomou coragem e entrou na floresta. De repente ela olhou para cima e viu uma árvore em chamas caindo, mas bem nessa hora, um pássaro gigante passou e Eurides segurou em sua pata. - Meu Deus! Estou caindo! - gritou assustada. *splash* De repente ela caiu em um rio, e não sabia nadar! O pior era que aquele não era o grande problema, e sim o animal estranho que estava se aproximando. Ele colocou-a nas costas e levou-a desacordada e a salvo para uma praia deserta. Quando voltou à consciência, a garota

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viu um boto cor-de-rosa se transformar em um belo homem, que por sinal poderia ter qualquer mulher aos seus pés, inclusive a própria Eurides. - Sinto que você está procurando alguma coisa...- disse o boto que agora era homem, se aproximando de Eurides.

Envergonhada ela falou:

- Mais ou menos, estou pensando em como ir para outro mundo.

- Que mundo?

- Himbaluba.

- Him... Himbaluba? Eu tenho a chave do portal, mas você não pode perdê-la de jeito nenhum!

- Está bem! Pode confiar em mim!

- E mais uma coisa, você vai ter que me beijar.

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Ela ficou pensativa “e se for um truque?” “e eu lá tenho tempo pra ficar dando beijinho em qualquer cara que aparece?” “por que estou fazendo essas perguntas?” “que droga, eu vou beijar logo esse cara”. Fechou bem os olhos, bem apertados e projetou seus lábios para beijá-lo... smach...

Depois do beijo:

*puf!*

- Eu estou rosa! - gritou Eurides.

Ela tinha virado uma bota cor-de-rosa e para quebrar a maldição teria que beijar um homem novamente. Depois de três dias naquela ilha alternando-se entre bota e garota ela finamente avistou um homem pescando. Transformou-se em menina e foi perto do barco fingir que estava se afogando. O pescador a salvou e fez respiração boca a boca. Na mesma hora o coitado se transformou em boto e a maldição que estava em Eurides se quebrou.

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Com fome e sabendo que o portal na verdade ficava na floresta que antes estava em chamas, a menina foi para lá caçar e achar o portal. Ela estava andando e de repente viu uma planta carnívora, maior do que as comuns e num piscar de olhos a planta engoliu a chave. Eurides fez de tudo para recuperá-la, mas foi impossível. Ela ficou muito triste, e como não sabia o caminho de volta para casa e achava que não tinha razão para viver, resolveu se matar. Isso mesmo, se matar. Eurides ficou andando, andando... Até que achou um penhasco e se atirou dele sem dó nem piedade de si mesma.

Estranha essa história dela se matar né?

É porque não é verdade. Eu era aquela melhor e única amiga que foi citada no começo da história, mas nunca gostei tanto assim de Eurides, tinha mais pena dela. Pois é, nós vivemos toda essa aventura juntas, mas quem a matou fui eu. Fiz isso porque ela roubou meu namorado. Na verdade, ela começou a jogar charme para cima dele e ele ficou seduzido! Meu motivo parece bobinho, mas não é. Eu o amava! Sim, AMAVA, pois como acabei de jogar

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minha única amiga do penhasco, vou me jogar também, e se você estiver lendo essa minha última história (eu sonhava em ser escritora) por favor publique-a.

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Histórias de Aventuras • 7º ano D