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O analista de pesquisa está consciente de que é muito difícil, na área da comunicação, identificar e interpretar as correntes sociais.

Além disso, os recursos metodológicos do analista são precários em relação às técnicas sofisticadas da consumetria (pesquisa quantitativa)

O analista de comunicação dispõe apenas de experiências empíricas e fragmentárias, não permitindo ainda enunciações axiomáticas ou formulações teóricas. Por isso, a velha metodologia atual continuará, durante muito tempo, as técnicas convencionais de hoje (vide comentários sobre o pré e o post teste e as suas limitações, Carmo, 1987). Para um analista, o relacionamento consumidor-criador-pesquisadorcliente é um assunto explosivo, altamente complexo. Se admitirmos que o consumidor repudia a improvisação, rejeita o acaso, o aleatório e o imprevisível; ele está dominado pela consciência da necessidade, pelo critério da razão calculista do orçamento mensal e da vida. Mas, de outro lado, existe também a consciência da liberdade, representando as aspirações irracionais, ambições reprimidas, desejo de escapismo. A consciência da necessidade e a consciência da liberdade polariza_ ram

a

cultura

da

propaganda,

influenciando

dicotômicas; - impulsos lúdicos, principalmente nos comerciais (fantasia, "non-sense", emoções, escapismo). - libídicos do produto (a expressão libídico não significa sexualidade, representa apenas pressões pragmáticas da vida cotidiana, poder de consumo).

duas

linhas


A cultura da propaganda estaria exaltando ou sublimando os comportamentos irracionais no mercado em virtude da pressão dos modismos dos criadores, da insegurança dos clientes com produtos sem diferenciais, comerciais saturados e tensão dos consumidores da classe média em crise. Sabe-se que a cultura da propaganda sempre abusou dos recursos da expressão, mas atualmente parece ocorrer uma onda hiperbólica do irracionalismo, espasmódico ou paroxístico. Além disso, continua o conflito entre a cultura propaganda e a cultura do povo. Existem casos em que o publicitário, perplexo sem capacidade de resolver os conflitos entre a fraqueza do produto e a inércia do consumidor, assume inconscientes mente o comportamento sensacionalista, "non-sense", onírico e absurdo.

O publicitário estaria usando mais os artifícios da projeção do que a identificação com o consumidor.

Sabemos que o processo de identificação depende muito dos processos lentos da informação da pesquisa e da dificuldade do criador de identificar-se com a multiplicação dos segmentos.

Esse modismo do pesquisador, aplicando o método exaustivo -"ad infinitum", utilizando a "segmentação da segmentação da segmentação", com resultados não operacionais é paradoxalmente anti-comunicação. Se a cultura da propaganda está ameaçada pelo irracionalismo e a projeção subjetiva, a pesquisa, sem considerar as suas limitações metodológicas, está ameaçada pelo abuso da segmentação exaustiva e o reacionarismo hipercrítico dos analistas. Alguns pesquisadores estão oferecendo, para um cliente inseguro, mundos e fundos quando na verdade apresentam rezas, preces e água benta.Apesar do meu respeito pelas grandes agências de pesquisa, prefiro o pequeno analista-artezão. Na esquina do ano 2.000, espero que o artezão continue a polir sutilmente as suas lentes e refletir


o sintoma real do mundo.


http://www.veracarmopesquisa.com.br/teste/pdf/33