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INTRODUÇÃO PARA RELATÓRIO DE DISCUSSÕES EM GRUPO método de discussões em grupo utiliza, em um só sistema de investigação, a livre expressão individual, a estimulação interpessoal - e mais a intervenção deliberada de um técnico (Moderador). Este, controla a dinâmica da reunião apoiando-se em: - um roteiro com uma ordem sistemática e pré-estabelecida de temas utilizados durante as discussões; - uma descrição detalhada dos objetivos da investigação, recebida antes das discussões em grupo.

Para entender o funcionamento e alcance das discussões em grupo, é preciso tomar em consideração os seguintes conceitos básicos de psicologia social: — a discussão de um grupo de pessoas, pelo estímulo criado, permite trazer à tona informações, opiniões e atitudes que não apareceriam espontaneamente num diálogo com cada uma delas isoladamente; - O (s) grupo(s), por causa do pequeno número de participantes, não podem ser considerados como representativos do "universo" e em conseqüência, as informações obtidas não têm valor estatístico.

Os resultados que o método permite são de dois tipos: 1. Resultados similares ou aproximações de alguns dos resultados normalmente obtidos por pesquisas quantitativas (geralmente pesquisas por amostragem). Nesse caso, as discussões podem servir; a) como pesquisa preliminar facilitando o desenho do questionário e o ajuste dos objetivos do investigação;


2. b) substituindo a pesquisa quantitativa nos casos onde o assunto permite e quando não são necessários dados estatísticos e sim pontos básicos e tendências

2. Resultados normalmente não obtidos por pesquisas quantitativas de tipo convencional. Neste caso, os achados (tipicamente qualitativos) são Atitudes (l), Imagens e Tendências e seus correspondentes específicos tais como Preconceitos, Estereótipos, Crenças, Mitos e Padrões básicos de relacionamento com a realidade.

Como o aspecto mais significativo dos elementos acima é que operam como "motivos" da conduta, é freqüente o uso do termo "Pesquisa motivacional" nas referências a este tipo de método.

Além daqueles dois tipos de dados, o debate livre e espontâneo permite obter resultados de linguagens valores semânticos e os modos e maneiras que o público usa ao falar dos assuntos que interessa conhecer. A importância destes dados e obvia para as comunicações de empresas e instituições, especialmente a publicidade.

Uma das preocupações mais freqüentes entre os que contratam discussões em grupo é "como e porque poderão ser obtidos resultados, que as vezes parecem ambiciosos, realizando apenas umas poucas reuniões (geralmente 4 a 8) com um reduzido número de pessoas participando em cada reunião (normalmente 3 a 10)". A dúvida ainda é maior quando o universo pesquisado e amplo, como no caso dos consumidores de produtos e serviços de massa.

Como sempre acontece quando se trata de dissipar dúvidas sobre assuntos técnicos, as explicações além de excessivamente simples, são parciais. O conceito mais comum dado pelo potencial fornecedor da pesquisa é o seguinte:


-3"Aqueles achados "importantes" (dos que participam todas ou a maioria das pessoas, de todos ou da maioria dos grupos realizados, e isso de maneira enfática, forte etc.) deverão corresponder ao universo investigado pois se a totalidade dos participantes dos grupos é numericamente muito menor que a que deveria ter uma amostra quantitativa para esse mesmo universo, a "importância" dos achados compensa isso e vem a constituir um índice de exatidão. O argumento obviamente é fraco e freqüente por ser fácil de compreender. Na realidade, a representatividade das discussões em grupo baseia-se em conceitos mais completos, além de muito mais seguros a nível metodológico: - um grupo de pessoas em discussão não e um agrupamento,

vem a constituir uma estrutura, um sistema de partes (os indivíduos)e de relações (os vínculos, tanto de sinal positivo como negativo, que o dialogo vai estabelecendo). Ou seja, o grupo deve ser considerado como uma coisa em si. O fenômeno que produz tais relações é amplamente estudado pela psicologia social sob o nome de interação cujo significado básico e modificação recíproca dão condutas nos planos intelectual e emocional. Para compreender como age a interação é preciso explicar quais são as características dos participantes que interessam a este método: l. O grupo sempre deve se constituir de indivíduos com características comuns, sendo que a quantidade e o tipo varia em cada caso segundo os objetivos de investigação. As mais freqüentes correspondem a idades e/ou sexos e/ou níveis econômicos, sociais, culturais e tantos parâmetros quantos sejam necessários no caso. 2. Considera-se que as características que não são comuns ao grupo, mas são de tipo coletivo (e não individuais) não afetam os resultados (por exemplo, religiosidade num grupo de consumidores de refrigerantes).


- 4 3. As características que não são comuns nem coletivas são, obviamente, as individuais de cada um: sua particular personalidade, caráter etc. que não interessam à pesquisa,

Tomando em consideração esses três tipos de características vê-se que no debate fala-se de temas comuns ao grupo, o que significa "comuns às características comuns dos participantes" .

Por conseguinte, a interação facilita a aparição do comum. O debate, a intervenção dos outros, os sentimentos de adesão a uns e de rejeição a outros e as coalizões permitem mais resultados comuns do tipo qualitativo do que cada indivíduo, separadamente, poderia dar a um entrevistador. Cada participante acha-se num ambiente que o estimula a falar da problemática, objeto da investigação.

Ao mesmo tempo aquelas idéias e atitudes de tipo muito particular – singulares - ficam inibidas ou, pelo menos, com mais possibilidades de inibição que numa entrevista individual e prolongada. Em cada participante se destaca o seu ser social (e de classe, segmento, faixa etc.) e se amortece o seu ego.

Além disso deve-se tomar em consideração a função do Moderador, o qual opera como um sistema de regulação e controle.

Estimula, tempera, encaminha, põe ordem, neutraliza as lideranças etc. Apresenta-se quase como um participante mas sendo, em realidade, um psicólogo que nunca perde de vista o objetivo da investigação.

Agora sim, pode-se compreender porque as discussões em grupo tem repre~ sentatividade :


-5a) ao destacar em cada um o seu ser social, suas opiniões e crenças não valem apenas para ele, mas representam o seu ambiente. Além disso, frequentemente fala não apenas do que pensa e faz ele mesmo, se não também dos seus conhecidos, amigos e familiares. Converte-se, pois, num porta-voz do seu ambiente. b) o grupo mesmo, como coisa em si, transcendendo as suas partes constitutivas é um micro universo do universo ao qual corresponde na sociedade. Sua estrutura esta determinada pela interação e esta nunca é somente intelectual se não também emocional, afetiva. Em oito pessoas entrevistadas individualmente, apenas se pode produzir situações emocionais com uma só: o entrevistador. Num grupo de oito, as relações emocionais são múltiplas e entre iguais (pelo menos em situações iguais) e isto, obviamente, permite recolher dados dificilmente obtidos por outros métodos, que ao mesmo tempo sejam práticos e econômicos de desenvolver.

Corresponde assinalar finalmente, que com exceção das discussões em grupo, todos os métodos "standard" de pesquisa pertencem ao conjunto de técnicas chamadas de "lápis e papel". Com isto se quer dizer que tanto nos casos da entrevista com questionário como de testes onde a própria pessoa deve escrever, trata-se sempre de uma “tradução" de idéias e sentimentos para a linguagem escrita.

Não importa quem escreva, se o entrevistador, o entrevistado ou um técnico de laboratório social. O que importa é que o sistema simbólico do discurso escrito impõe consciente ou inconscientemente um estado de adaptação a essa forma escrita, que limita ou, pelo menos, canaliza as associações e a espontaneidade e, sobretudo, que facilita mais a aparição de conceitos que de sentimentos e emoções, os quais são imprescindíveis na investigação qualitativa.


-6 No outro extremo das "técnicas de lápis e papel" estão as "técnicas de ação", nas quais o sujeito "vive" as situações. Os paradigmas são o sooiodrama o psicodrama e as situações da vida real com observador e/ou aparelhos de registro de condutas e palavras. Obviamente que tais técnicas não são normalmente nem práticas nem econômicas para pesquisar em mercadologia.

As discussões em grupo em boa medida constituem uma "técnica de ação" ou, pelo menos, uma técnica intermediária entre os extremos citados. Na dinâmica do debate, os participantes não "traduzem" idéias para alguém que vai escrevê-las. Simplesmente falam, gesticulam, ouvem e discutem espontânea o emocionalmente.

Nota(l) Os principais trabalhos sobre a psicologia das atitudes começam com Gordon W. Allport, 1935 ("una atitude é uma disposição mental, organizada pela experiência e que tem uma influência diretriz ou dinâmica sobre a conduta do indivíduo em relação a todos os objetos e a todas as situações com os quais acha-se vinculado"), seguindo com Otto KLineberg, Kimball Young, Sherif e Cantril, Krech e Crutchfield e outros. O conceito básico é que a atitude é uma tendência ou predisposição a reagir sob um certo padrão constante perante situações, pessoas ou coisas iguais ou similares. O indivíduo tem muitas atitudes mas nenhuma é perceptível em si. O perceptível são as manifestações das atitudes. Uma opinião é a manifestação verbal de uma atitude, se bem que dependendo de múltiplos fatores em cada caso, os graus de correspondência entre as duas são muito variáveis.

http://www.veracarmopesquisa.com.br/teste/pdf/01  

http://www.veracarmopesquisa.com.br/teste/pdf/01.pdf

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