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O Peixinho que descobriu o mar A partir de um texto de José Eduardo Agualusa Trabalho realizado por: Professora Graça Teixeira Professora Andreia Ferreira Adriana Inácio Ana Graça André Alves Andreia Rodrigues Beatriz Milheiro Benedita Carrelo Carolina Athouguia Catarina Coelho Catarina Silva Catarina Araújo David Rocha Diogo Almeida Francisco Pinto Francisco Ferreira Gonçalo Teixeira Guilherme Simões Inês Soares Isaura Diniz Jorge Silva Liu Long Lourenço Torrinha Madalena Mestre Madalena Cayatte Margarida Olsen Margarida Machado Maria Fontainhas Patrícia Galveias Pedro Bengalinha Rafael Maia Victor Gonçalves Afonso Domingos Alexandra Sousa Beatriz Duarte Bianca Monteiro Bruna Silva Camila Amorim Daniela Fernandes David Cristóvão Derick Carvalho Francisca Lopes Francisco Campos João Lima João Mendonça Jóni Velayos Leonardo Dias Luana Inocentes Madalena Higino Margarida Santos Maria Cabral Mariana Correia Mariana Adréga Mário Cruz Mateus Matos Mónica Reis Nuno Fernandes Pedro Duarte Ruben Loureiro Tomás Salta Verónica Reis Conto Andante 2013-2014 Atividade promovida pela BECRE em conjunto com o grupo de LPO do 2.º Ciclo EB 2,3 de S. Julião da Barra

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Cristóbal nasceu num aquário. O mundo dele resumia-se a um pouco de água entre quatro paredes de vidro. Isso, alguma areia, algas, pedras de diversos tamanhos, a miniatura em madeira de uma caravela naufragada. Ah! E trinta e sete outros peixinhos, quase todos irmãos de Cristóbal, ou primos, tios, parentes próximos. Havia ainda uma velha tartaruga, chamada Alice, que já vivia no aquário quando os avós dos avós de Cristóbal nasceram. Os peixes acreditavam que Alice vivia no aquário desde a criação do Universo e ela deixava que eles acreditassem naquilo. Às vezes os peixes mais velhos contavam histórias que tinham escutado aos seus avós. Diziam que, para além das paredes do aquário, longe dali, muito longe dali, havia água, tanta água que um peixe podia passar a vida inteira a nadar, sempre em linha reta, sem bater de encontro a um vidro. A essa água imensa, onde tinham nascido os primeiros peixes, chamava-se Mar. Os peixes falavam do Mar como quem falava de um sonho. Cristóbal tantas vezes escutou aquela história que um dia decidiu perguntar a Alice. Numa manhã de junho, Cristóbal encontrou-se com a tartaruga Alice para lhe pedir informações sobre a possibilidade de poder chegar ao mar porque estava saturado de viver aprisionado entre as quatro paredes do aquário. A sua amiga teve uma longa conversa com ele, dando-lhe conta de que também ela estava muito cansada de ali viver e estava decidida a acompanhá-lo para ambos descobrirem o mundo. Alice disse-lhe que passava um rio atrás da casa onde viviam e que para o alcançarem só teriam de traçar um plano. Os dois amigos pensaram nas várias hipóteses de sair do aquário em direção ao rio. Como o aniversário do António José, filho dos donos da casa, estava perto, poderiam aproveitar os balões que habitualmente decoram o espaço da festa, para dar saltos sobre os mesmos e poderem chegar até à janela da sala e aproveitar a boleia da sua amiga gaivota até ao rio. Fazerem-se passar por mortos, poderia ser uma solução, uma vez que seriam lançados para a pia e alcançariam os esgotos e o 3


mar ou tentariam a liberdade, aproveitando o momento em que o dono da casa limpasse o aquário para fugirem através do ralo. Chegado o verão, Alice e Cristóbal acordaram cedo numa manhã, dispostos a mudar o rumo às suas vidas. Como não tinham aproveitado os balões da festa nem as limpezas ao seu habitat já havidas, saltaram do aquário e aproveitaram a boleia de um pardalinho amigo que os levou nas suas asas até ao mar de Bering, mais conhecido pelo estreito com o mesmo nome e pelos grandes caranguejos que aí vivem. Já no mar de Bering travaram conhecimento com uma baleia de nome Hortênsia. - Estou muito contente por ter conhecido novos amigos e lamento terem vivido tantos anos presos num aquário com tanta coisa bonita que há no mundo para descobrir. – disse a baleia. - Estás disposta a mostrar-nos o fundo do mar? – Perguntaram os dois amigos. Hortênsia respondeu-lhes que teria muito gosto em levá-los até um local próximo e dar-lhes a conhecer a gruta mais bonita do fundo do mar, forrada de anémonas de todas as cores e algas muito verdes, que guardava o maior tesouro das redondezas. - Um tesouro! – exclamou Cristóbal. - Sim – informou Hortênsia- trata-se de uma coleção de joias e de pedras preciosas que pertenceu ao pirata Barba Negra, recentemente falecido. - E a quem pertence agora o tesouro? – Indagou Alice. - Pertence à comunidade da Cidade dos Peixes, mais conhecida por Peixolândia. Alice, Cristóbal e Hortênsia partiram à descoberta da gruta maravilhosa e, sem darem por isso, estavam a aproximar-se do castelo do monstro marinho chamado Sem Modos, que era temido por todos. - Então, mas onde é que está a gruta? Isto parece um castelo! – disse Alice. - Esperem, esperem que já estamos a chegar. – respondeu Hortênsia. 4


De repente o grupo viu-se rodeado por caranguejos gigantes e a baleia desatou a rir, informando os dois amigos que estavam à mercê do monstro marinho Sem Modos e que iriam ali ficar prisioneiros até ao dia do julgamento. - Do julgamento? Mas porquê? Não fizemos nada de mal. Por que é que nos enganaste? - gritaram os dois. - Quem invade as águas privadas do Sem Modos tem de pagar por isso. – informou Hortênsia. Cristóbal e Alice foram conduzidos com muita violência pelos caranguejos gigantes até à prisão que se situava na cave do castelo. - Ai triste sorte a nossa! Quem me dera poder voltar ao aquário! – exclamava Cristóbal. Decorreram seis meses e o peixinho e a tartaruga continuavam a aguardar o dia do julgamento e a temer o seu destino. Numa certa manhã foram surpreendidos por um cavalo-marinho, de nome Cheng, que era criado do monstro marinho e que entrara na cela para lhes servir uma refeição. - Tenho muita pena do que vos aconteceu – disse Cheng - e tenho estado a trabalhar num plano para vos tirar desta prisão. Também eu estou ansioso por fugir daqui, pois estou farto de servir e de aturar o Sem Modos. Temos de nos despachar pois se vocês forem a julgamento, serão condenados à morte. O cavalo-marinho contactou dois caranguejos seus amigos para o ajudarem a traçar um plano de fuga para os dois prisioneiros. E tudo ficou combinado: na primeira noite de lua cheia, os caranguejos amigos iriam serrar com as suas tenazes as grades da cela onde estavam aprisionados Cristóbal e Alice. E assim aconteceu. Numa linda noite de luar, os nossos dois amigos foram libertos e prosseguiram a sua viagem pelo mar de Bering, na companhia de Cheng, também agora fugitivo. Já viajavam há três dias quando souberam pela Rainha das Raias que alguns soldados do Sem Modos os procuravam por toda a parte. Também foram informados pelo mensageiro do Peixe Espadarte que deveriam ter muito cuidado pois corriam perigo de vida. 5


Cheng lembrou-se então que estavam muito próximos do palácio do rei Tritão, um grande amigo seu, e que lhe poderiam pedir proteção das ameaças que estavam a ter. Bateram à porta do palácio e foram imediatamente recebidos pelo rei que ao ouvir toda a sua história lhes prometeu ajuda. O exército do rei Tritão preparou as lanças, as espadas e todas as outras armas que possuíam para declararem guerra ao monstro Sem Modos. Enviaram um mensageiro aos inimigos, informando-os de que os aguardariam para uma batalha perto do palácio do rei Tritão. Entretanto, à volta deste palácio, escavaram-se valas camufladas com algas, limos e pedras, preparando-se armadilhas para anular as técnicas de guerra do exército inimigo. As tropas do Rei Tritão estavam a par das táticas dos soldados do Sem Modos porque tinham sido avisadas pelos dois amigos caranguejos e pelo cavalo-marinho Cheng. Chegado o dia do confronto, no campo de batalha soavam os búzios indicando que o exército do Sem Modos se aproximava. De tanto se aproximarem escorregaram na área lamacenta e caíram num tanque de tubarões. O único que sobreviveu foi o Sem Modos que, entretanto, conseguiu fugir para o castelo. O rei Tritão, como desconfiava que o Sem Modos tinha fugido para o seu castelo, decidiu meter lá uma bomba. - Bum! E a bomba explodiu. Morto o monstro, o rei Tritão pediu ao seu exército para voltar para casa, exceto os seus dois novos amigos, Cristóbal e Alice. Pediu-lhes, então, que fossem com ele verificar se o Sem Modos tinha ou não morrido. Quando entraram no castelo viram tudo queimado e, enquanto procuravam o monstro, encontraram a família deste, morta no chão. O Sem Modos, de facto tinha morrido, porque se encontrava morto na casa de banho. Juntos, os três amigos decidiram enterrar os corpos numa gruta muito longe do sítio onde o povo marinho se encontrava. Regressados ao reino de Tritão contaram a todos o sucedido. No dia seguinte, fizeram uma grande festa e, a partir daí, toda a gente passou a andar, por todo o lado, sem medos.

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Peixinho que dsecobriu o mar  

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