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Casa do deserto A partir de um texto de Gianni Rodari Trabalho realizado por: Professora Graça Teixeira Professora Donzília Graça Beatriz Barata Beatriz Loes Beatriz Raimundo Bernardo Oliveira Carolina Lima Carolina Sá Catarina Rodrigues Catarina Gaspar Cíntia Costa Clara Gomes Clara Gomes Constança Oliveira Diogo Freitas Gabriele Masi Giovanna Stefano Gonçalo Carvalho Gonçalo Gomes Gustavo Domingues Hugo Veiga Lourenço Matos Lourenço Ricardo Luísa Correia Maria Inês Pato Marisa Gomes Rita Costa Rodrigo Rosa Ruben Almeida Tiago Ruivinho Tomás Branco Vasco Gaurischanker Afonso Guedes Afonso Ribeiro Beatriz Dias Camila Lourenço Carla Gonçalves Carolina Sousa Chantal Carvalho David Mateus Eveline Rosa Gonçalo Barata Hugo Ferreira João Rocha João Franco José Sempere Madalena José Margarida Ferreira Maria Simões Maria Catarina Fernandes Marta Quaresma Mateus Carvalhosa Matilde Cordeiro Matilde Gonçalves Miguel Rocha Miguel Sempere Rita Rocha Salvador Salema Tomás Ferreira Tomás Machado Conto Andante 2013-2014 Atividade promovida pela BECRE em conjunto com o grupo de LPO do 2.º Ciclo EB 2,3 de S. Julião da Barra

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Era uma vez um senhor muito rico, mais rico que o mais rico dos milionários americanos, mesmo mais rico que o Tio Patinhas, enfim, super-riquíssimo. Tinha armazéns e armazéns cheios de moedas, do chão ao teto, da cave às águas-furtadas. Moedas de ouro, de prata, de níquel. Moedas de quinhentos, de cem, de cinquenta. Liras, francos suíços, libras esterlinas, dólares, rublos, zloty, dinares, quintais e toneladas de moedas de todos os géneros e de todos os países. De moeda de papel tinha mil baús cheios e selados. Este senhor chamava-se Puk e resolveu fazer uma casa, para o que chamou um arquiteto: - Vou fazê-la no deserto – disse -, longe de tudo e de todos. - No deserto não há pedra para fazer casas, nem tijolos, nem argamassa, nem madeira, nem mármore… - observou o arquiteto. – Não há nada, só areia. Após uma longa conversa, durante uma tarde inteira, em casa do senhor Puk, o arquiteto Colton conseguiu finalmente convencer o multimilionário a desistir do projeto da casa no deserto, uma vez que não havia condições para a concretização da obra. Foi então que o senhor Puk compreendeu que a construção de uma casa no meio de um deserto era completamente inapropriada e estava fora de questão, visto que teriam de ser transportados imensos materiais de construção para o local, o que não era nada viável. Na tentativa de ser encontrada uma solução, o arquiteto fez algumas sugestões junto do cliente, tendo-lhe proposto a construção de uma grandiosa casa em Miami, na Flórida, por se tratar de um local muito turístico e cosmopolita onde as pessoas muito ricas têm casas de férias. O senhor Puk não aceitou por considerar o local muito concorrido e com uma grande percentagem de criminalidade. O arquiteto sugeriu ainda uma casa em Londres ou em Paris, 3


em Roma ou em Moscovo, mas todos estes destinos não satisfaziam o senhor Puk. O senhor Colton lembrou-se de outros pontos do mundo onde ter uma casa era apenas para alguns, para os endinheirados. Sendo Puk um multimilionário com jatos privados, poderia perfeitamente ter uma casa de férias na Argentina, no Dubai, no Brasil ou na Índia, mas nada disso agradava ao cliente. Tornando-se uma tarefa muito difícil a escolha do local para a casa, o arquiteto já desesperado tentou convencer o homem rico a inscrever-se junto da NASA e a candidatar-se a fazer parte do grupo de pessoas que pretendem viajar para Marte dentro de alguns anos. O nosso homem achou a ideia horrível porque se fosse para Marte poderia não voltar. E de que lhe serviria ser um homem tão rico num planeta tão vazio e tão desconhecido? Finalmente o senhor Puk reconheceu que o único sítio que lhe agradava para a construção da casa era o fundo do mar. Desde muito cedo, Puk era apaixonado pela vida dos oceanos, pelo prazer da aventura no fundo do mar e, por estas razões, tinha frequentado a universidade e tinha – se tornado num reputado biólogo marinho. Toda a sua vida girava à volta do mar: acompanhava as descobertas dos cientistas, lia artigos sobre as espécies marinhas, adquiria livros e obras variadas sobre estas temáticas, colecionava objetos que ia comprando, mostrando-se muito interessado pela vida dos oceanos.Chegou também a ser comandante da marinha inglesa e, ao longo dos anos, foi colecionando objetos muito valiosos que adquiria em antiquários e que resultavam de achados do fundo do mar em zonas de navios naufragados. Puk e Colton discutiram durante várias tardes sobre o local a escolher para a construção da casa. O nosso multimilionário informou o arquiteto que para além de uma habitação, pretendia também construir um museu no fundo do mar. Dinheiro não faltava a Puk e o arquiteto poderia contratar os melhores engenheiros civis do mundo, assim como os melhores 4


empreiteiros e envergadura.

operários

especializados

em

obras

desta

Se os comboios já circulam em tuneis no fundo do mar, como no Canal da Mancha, também a habitação e o museu do senhor Puk poderiam ir em frente. O nosso homem rico pretendia fazer o transporte dos visitantes do museu através de um submarino, tendo também vontade de construir uma plataforma à superfície da água para acolher os visitantes que chegassem de barco. Só faltava escolher a localização da casa e do museu. Em que mar? Depois de muito pensar e refletir o senhor Puk deu a conhecer ao arquiteto a sua preferência pela grande barreira de coral da Austrália como o sítio ideal. Puk explicou ao arquiteto Colton que se trata do maior e mais antigo recife de coral do mundo. Tem cerca de quinze a vinte milhões de anos, tem mais de dois mil quilómetros de comprimento e mais de mil e quinhentas espécies de peixes, golfinhos, baleias e tartarugas. A biodiversidade é deslumbrante. Disse ainda que os recifes resultam da associação entre corais e algas e são constituídos por camadas muito finas de carbonato de cálcio, dignos de serem visitados e admirados pelo homem. O arquiteto ficou muito entusiasmado e em três meses fez o projeto, tendo mostrado a maquete ao senhor Puk. Este gostou do que viu e as obras iniciaram e ficaram concluídas no prazo de um ano. Finalmente chegou o dia da inauguração do museu. Este era constituído por várias secções: um amplo aquário com uma grande variedade de espécies marinhas, muitos corredores de paredes de vidro, janelas que permitiam apreciar os corais, uma vasta biblioteca com espetáculos multimédia, um bar, um restaurante e ainda uma loja para compra de recordações. Tudo corria às mil maravilhas e os visitantes eram em grande 5


número. Um dia, um grupo de baleias assassinas atacou o museu, provocando enormes estragos e partindo os vidros que aprisionavam os peixes. Quando Puk viu o que aconteceu, ficou surpreendido. Os peixes nadavam à volta das baleias, abanando efusivamente as barbatanas caudais, em forma de agradecimento, desenhando no mar o símbolo do infinito- infinito agradecimento! Finalmente Puk entendeu que era uma barbaridade aprisionar animais e que a Natureza encontraria sempre uma solução para escapar ao maior predador da Natureza, o Homem.

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A casa do deserto  

Conto Andante 2013-2014 Atividade promovida pela BECRE em conjunto com o grupo de LPO do 2.º Ciclo EB 2,3 de S. Julião da Barra

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