Issuu on Google+


interferĂŞncias (sĂŠrie em branco e preto)


Performances, conferĂŞncias e filmes


Ocupando territórios   Ao lermos História da Loucura, do filósofo francês Michel Foucault, podemos perceber pontos que fogem de um simples desenrolar cronológico do tema. Detectamos em sua abordagem um certo determinismo da chamada “Razão”, que confina em territórios específicos aquilo que foge à compreensão racional – obviamente! – dos seres humanos que, por algum motivo e poder, se auto-elegem sadios e sábios.   Diante do que nos é impreciso, diferente, por vezes radicalmente transgressor das ordens sociais e morais, tendemos a nos proteger em uma “racionalidade” pré-concebida. Porém, dentro de nós, muitos são os pontos de discórdia quando olhamos pelo viés da lógica. Tanto é assim que nas expressões artísticas encontramos espaço para as esquizofrenias, neuroses e afins que nos rodeiam e nos povoam. E é também nelas que podemos descobrir as belezas que surgem das “inconstâncias” da alma.   O trabalho que a Cia. Teatral Ueinzz desenvolve percorre o caminho que vai da certeza à razão como um vendaval a embaralhar a folhagem ordenada que reveste seu chão. Um exercício que nos fará questionar a tão propagada lógica de nossa racionalidade, mostrando-nos o rico labirinto das mentes em uma liberdade que insistimos em não aceitar.   Integrando a programação do Ano da França no Brasil, o projeto “Ocupação Ueinzz” apresenta ao público o espetáculo “Finnegans Ueinzz”, utilizando como referência a obra do escritor irlandês James Joyce, além de uma série de conferências no campo da filosofia, da arte e da clínica, e uma mostra de vídeos.   Para o SESC, a arte é um dos instrumentos mais preciosos para refletir sobre a vida, vista não somente como fonte de racionalidades, mas também como nascente das obscuridades humanas. Com o presente projeto, poderemos traçar afinidades entre o dia, que ilumina os contornos, e a noite, que funde os sonhos no concreto de nossos sentidos. Que o palco, assim, se torne o território do inconsciente, libertando a arte e nos tornando mais humanos.

Danilo Santos de Miranda Diretor Regional do SESC São Paulo Presidente do Comissariado Brasileiro do Ano da França no Brasil


A Ocupação UEINZZ é o momento em que a trajetória da Cia Teatral Ueinzz se expõe a uma rede mais ampla de práticas estéticas, de experimentações clínicas, de vozes do pensamento contemporâneo. Como em Joyce, que inspira a peça Finnegans Ueinzz, esse evento pretende-se uma espécie de rio, de correrio, de riverrun, onde muitas línguas compõem uma torrente cíclica. O leitor ideal de Joyce era aquele que padecia de uma insônia incurável, e que uma vez terminada a leitura do Finnegans Wake retornaria à primeira página, empreendendo uma leitura sem fim. A própria obra, afinal, era apenas um trabalho-em-curso. A ocupação UEINZZ não pode pretender a um tal estatuto, mas se inspira parcialmente nesse princípio – não é um mero ajuntamento de coisas afins, porém se propõe a um deslizamento entre planos, cenas, modos de existência. Um trabalho-em-curso, inacabado porque infinito – retoma-se aqui o que parece prestes a desaparecer ali, mundos que estão por um triz e que lutam para recriar-se. Nada disso pode ser saturado ou suturado. Por vezes é no contexto da maior urgência que é necessária uma pausa, uma interrupção, uma deambulação.. Quem pode dizer que não é na sonoridade de um trovão que ocupa várias linhas ou muitos segundos que se dá a ver e ouvir o que ninguém suporta? E quantas rupturas de sentido é preciso acolher ou deixar vir à tona ou mesmo promover para desarticular aquilo que nos impede de sentir e pensar o presente?   É um evento improvável, toda essa junção: Cia Teatral Ueinzz, Alejandra Riera, Jean Oury, Juliano Pessanha, David Lapoujade, Miriam Chnaiderman, Joris de Bisschop, Celso Favaretto, James Joyce, Laymert Garcia dos Santos, Félix Guattari... Mas não é numa tal “assembléia” disparatada que o intraduzível pode ter lugar, precisamente nos momentos de suspensão, de co-errância, de aposta renovada? Um trabalho-em-curso, capaz de atingir um limiar de interferência não só no sentido físico do termo, mas também televisivo.   Fios foram estendidos em direções as mais diversas, por vezes desproporcionais com o tamanho da trupe e seu percurso. Um deles vai até a lendária clínica de La Borde, na França, cujo diretor, Jean Oury, foi responsável, junto com Félix Guattari, por uma experiência coletiva cuja força e intensidade não


pode nos deixar indiferentes. La Borde não é uma estrela em extinção cuja luz nos chega agora, encarnada na figura de seu fundador, mas é uma experiência viva, cujos fragmentos extemporâneos que se poderá apreciar falam de uma relação com a catástrofe, a ambiência, o coletivo, a singularidade, em tudo relevantes diante dos sistemas de alienação diversos da atualidade. O arquivo de imagens, por sua vez, sobretudo na forma de documentários, traz camadas dessa experiência que remontam pelo menos à guerra civil espanhola, na figura do psiquiatra catalão François Tosquelles, pioneiro da revolução psiquiátrica. Essa linha continua até as entrevistas gravadas com Félix Guattari, militante, psicanalista e pensador cuja penetração no Brasil, nos mais diversos domínios, produziu efeitos consideráveis. Do filme “Mínimas Coisas”, feito em La Borde em torno da montagem de uma peça de Gombrowicz, até a esplêndida apresentação do dançarino japonês de butoh, Min Tanaka, é toda uma vitalidade que aparece nesses vídeos, transbordando a datação histórica e o contexto francês, e que persiste por assim dizer em excesso, como um conjunto de cintilâncias a serem captadas e consteladas no presente. Outros fios se estendem em várias e valiosas contribuições que, por exemplo, põem em jogo a própria crença no mundo e a confiança no devir dos que nele vivem – simpatia – sem a qual, como já o sentia William James, é outra a cor da vida. Pois é da vida que se trata, a vida em sua dimensão de precariedade, nas concreções estéticas as mais diversas que daí emergem, ou nas inflexões clínicas e políticas.   Nesses doze anos de existência a Cia Teatral Ueinzz suscitou curiosidade, admiração e estranhamento no meio cultural de São Paulo, bem como em outras partes do Brasil e do mundo. Com sua maneira singular de colocar-se em cena e compartilhar experiências-limite, interrogou a fronteira entre arte e vida, colapso e criação. Foi a partir dessa zona incerta que tal aventura deslanchou, como uma Nau dos Insensatos à deriva no circuito da cidade, colhendo e espalhando seus signos tímidos, suas vozes gaguejantes, seu humor hilário, suas rupturas de sentido. Línguas primevas ou tonalidades inauditas pareciam chamar por uma outra sensibilidade – talvez também por uma outra comunidade – a comunidade-dos-sem-comunidade.


“Uma grande parte de cada existência humana se passa em um estado que não pode ser compreendido corretamente com o uso da linguagem desperta, da gramática correta, e da trama sequencial.” (James Joyce)

“Joyce fissiona cada átomo de escrita para com eles sobrecarregar o inconsciente de toda a memória do homem: mitologias, religiões, filosofia, ciências psicanálise, literaturas. E a operação desconstrói a hierarquia que, num sentido ou noutro, ordena essas últimas categorias a uma ou outra dentre elas.” (Derrida)


Finnegans Ueinzz é sobre energia e reinvenção. A nova experiência do grupo Ueinzz parte do universo de James Joyce. Diversas camadas de linguagem são fundidas, colocadas em choque ou sobrepostas para formar a cena polissêmica Ueinzz, assim como muitas línguas misturam-se para compor a sinfonia-sonho de Joyce. Em Finnegans Ueinzz uma nova língua é colocada em cena, e uma estranha sintaxe cênica é experimentada, levando o grupo a explorar e ampliar os procedimentos da Performance e do Work in Process instaurados nos espetáculos: “Ueinzz, viagem a Babel”, “Dédalus” e “Gotham SP”. O grupo se reinventa em uma jornada experimental pela linguagem de Joyce onde atores e espectadores encontram-se para celebrar as potências da vida imantadas pelo conceito ampliado de arte de Joseph Beuys (“Cada ser humano é um Artista” e “Arte = Capital”).   Na produção de sentidos e na criação das cenas, percorremos vários caminhos. Os textos Finnegans Wake e Ulisses nos serviram como dispositivos para processos de diferentes ordens que convivem sem hierarquia. O espectador é convidado a ter um olhar produtivo sobre a obra, há pistas, propostas, que podem ser seguidas ou subvertidas.   Durante o espetáculo os performers estão sempre em percurso, que às vezes toma a frente, imanta e outras vezes está lá como uma sombra, um duplo, uma figura-fundo. A presença das personas e sub-tramas cria uma estrutura aberta, que inclui, amplia e muitas vezes implode o dramático, pelo seu próprio esgotamento. O que vemos então, desses escombros ilusionistas, é o surgimento de uma cena onde as expectativas convivem com as ficções das realidades. Chegamos por fim a um estado onde percebe-se o inevitável: as ficções são biográficas e a realidade é ficcional. Esta percepção nos leva a uma obra ancorada na presença dos performers e na experiência do que acontece no presente.   Esta experiência foi imbuída de vivências, de preparações, de imantações de determinados universos, que proporcionam uma espécie de reinvenção: a reinvenção do conceito de arte, da obra de Joyce pelos performers, das ficções pessoais de cada performer, da reverberação dos encontros: os encontros do grupo e com o público.   Trata-se de reinvenção de si mesmo, e compartilhamento dessa reinvenção ao convidar o público para participar desta experiência, onde cada um recria a sua ficção pessoal.


Ocupação Ueinzz Agradecimentos Angela Melitopoulos, Annita Costa Malufe, Arnaldo de Melo, Carolina Bertier, Clara Novaes, François Pain, Jacó Guinsburg, Kevin Mundy, Lynn Mário, Maurício Paroni de Castro, Maurício Porto, Pedro Lopes e Suely Rolnik.


Atores/Performers Adélia Faustino Alexandre Bernardes Amélia Montero de Melo Ana Carmen Del Collado Ana Goldenstein Catherine de Lima Colazzi Eduardo Lettiere Erika Inforsato Fabrício Pedroni Iza Cremonine John Laudenberger Leo Lui Luís Guilherme Ribeiro Cunha Onéss António Cervelin Paula Francisquetti Peter Pál Pelbart Roberto Couri Valéria Manzalli Yoshiko Minie

Concepção, direção e instalação Cássio Santiago Co-direção e dramaturgista Elisa Band Coordenador geral Peter Pál Pelbart Coordenação de atores Ana Carmen Del Collado, Eduardo Lettiere, Érika Inforsato, Paula Francisquetti e Peter Pál Pelbart Roupa de cena Simone Mina patricia brito Luz Alessandra Domingues Composição musical Livio Tragtenberg Paisagens sonoras Cássio Santiago e Elisa Band Assistência e operação de luz Luana Gouveia Assistência e operação de som Jucca Rodrigues Assistente de produção Thaís de Almeida Prado design gráfico Érico Peretta Produção Ricardo Muniz Fernandes


Forum Ueinzz   O Fórum Ueinzz se propõe a ser um espaço de conversa com os membros da trupe, aberta ao público. Por duas horas atores, performers, colaboradores, coordenadores poderão trocar livremente perguntas, impressões, pensamentos, críticas, relatos, seja sobre a peça, o processo criativo, o trajeto da companhia, suas dificuldades ou vicissitudes, ou sobre a vida, o sofrimento, o amor, a política, se assim for o desejo de quem ali estiver. Espaço não institucional, sem discurso chapa branca, sem ninguém falando em nome de ninguém – com as simpatias e dissonâncias que ali se engendrarem.


Histórico da Cia Teatral Ueinzz   A Cia Teatral Ueinzz tem doze anos de existência. É constituída por um coletivo de atores com trajetos de vida os mais variados. Cada um traz, de seu percurso de fragilidades e tresloucamentos ou de seus colapsos de vida, uma energia e um repertório singulares, que nutrem a criação do grupo. Ao longo desses anos foram mais de duzentas apresentações públicas. Os três primeiros trabalhos foram dirigidos por Renato Cohen e Sérgio Penna, com música de Wilson Sukorski. São eles: “Ueinzz, viagem a Babel”; “Dédalus” e “Gotham-SP”. A trupe apresentou-se no Tucarena, Tusp, Teatro Oficina, Centro Cultural São Paulo, KVA, Sesc Pompéia, e fez turnées pelo Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza. Também foi convidada ao Festival Internacional de Teatro de Curitiba em 1999 e ao Porto Alegre em Cena em 2003. Participou em 2004 da Mostra de Artes do Cariri através do Projeto Palco Giratório do Sesc. Em 2005 viajou a La Fonderie, a convite do Théâtre du Radeau, na França. No ano seguinte, teve início um trabalho conjunto com a artista franco-argentina Alejandra Riera, que resultou em registros em vídeo de entrevistas realizadas pelos atores na cidade de São Paulo, intitulada “Enquete sobre o/nosso entorno”. O trabalho foi apresentado em 2007, na Documenta XII, de Kassel, na Alemanha, para onde o grupo se deslocou e onde reativou o dispositivo de entrevistas iniciado em São Paulo. Em dezembro deste mesmo ano, a companhia foi convidada pelo diretor alemão Schliegensief a participar da ópera de Wagner “O Trem Fantasma”, no Sesc Belenzinho. Em seguida, Cássio Santiago assumiu a direção artística do grupo, juntamente com a colaboradora e dramaturga Elisa Band, e o grupo apresentou, em novembro de 2008 e em junho de 2009 no Centro Cultural B_arco, um conjunto de ensaios abertos e experimentações cênicas com “Finnegans Ueinzz”, que agora estréia no Sesc Avenida Paulista.   O processo de trabalho do grupo durante a montagem de “Dédalus” e seus bastidores, ainda em 2001, foi objeto de um documentário das cineastas Carmen Opipari e Sylvie Timbert, “Eu sou curinga, o enigma!”, finalizado em 2003. Em 2007 Miriam Chnaiderman convidou o grupo para uma participação em seu filme “Sobreviventes”. Ambos serão reapresentados por ocasião da Ocupação UEINZZ.


interferências (série em branco e preto) sesctv   “Civilização da imagem? Na verdade, é uma civilização do clichê. Não se sabe até onde pode conduzir uma verdadeira imagem. A importância de se tornar visionário ou vidente. Não basta uma tomada de consciência ou uma mudança nos corações. Por vezes é preciso restaurar as partes perdidas, reencontrar tudo o que não se vê na imagem. Mas às vezes, ao contrário, é preciso fazer buracos, introduzir vazios e espaços brancos, rarefazer a imagem. Não basta, para vencer, parodiar o clichê, nem mesmo esburacá-lo ou esvaziá-lo. É preciso juntar à imagem ótico-sonora forças imensas que não são aquelas de uma consciência simplesmente intelectual nem mesmo social, porém de uma profunda intuição vital”. gd

lieu(x)detudes (trabalho-em-curso) se propõe a tornar-se um espaço “ponte” entre os momentos de aparição dos atores, atrizes de Finnegans Ueinzz e as apresentações dos palestrantes no seio daquilo a que se dará lugar conjuntamente e que transborda sempre – nas nossas maneiras de fazer –, a suposta duração de uma peça de teatro ou de uma conferência. Um lugar, pois, de encontro na e por ocasião da interrupção de toda forma de representação entendida como tal num lugar cultural, seja no palco ou sob o modo da conferência. Sem ponto de partida diretivo, algumas ferramentas de base serão propostas durante as trocas: um laptop completamente desmontado, cujas peças destacadas serão interrogadas com a ajuda de uma série de imagens e de legendas, que podem auxiliar a nos debruçarmos sobre a importância da invenção de outras ferramentas de percepção, de valorização e de transmissão da história do presente.


Alejandra Riera biografia   Alejandra Riera nasceu em Buenos Aires e vive em Paris. Desde 1995 dedica-se a um fundo de arquivos imaginários. Trata-se do que ela chamou de Maquete-sem-qualidades. Nessa forma inédita de arquivo, misturam-se fotografias, legendas, textos, relatos, documentos filmados, à maneira de um ‘livro em movimento’, sem formato regular. São como o esboço, “o plano de uma evasão”, e para todos aqueles que delas participaram, esse lugar “onde se pode contar, pensar o mundo e nós mesmos”, onde se pode defrontar com “problemas não resolvidos”. Por natureza leve ou precária, a maquete pode ser feita ou desfeita, e não pretende à posteridade. Pode adaptar-se ao presente, e é o presente que importa.   Cada uma dessas maquetes-sem-qualidade abre um lugar onde muitas vozes se fazem ouvir, onde múltiplas cumplicidades se tecem e interrogam o estatuto da obra, do autor e do artista; “Mais do que nomes próprios, são lugares de que se necessita para liberar a palavra, compartilhar as responsabiliaddes, as vergonhas, as esperanças, as resistências”. É assim que as maquetes-semqualidade tornaram-se verdadeiros “espácios-refúgio”, onde se desdobra um trabalho em curso, sempre coletivo.   Em 2005 veio a São Paulo e conheceu o trabalho da Cia Teatral Ueinzz. Na sequencia, propôs uma parceria, em torno de um projeto intitulado por ela de “Enquete sobre o/nosso entorno”, na linha de sua pesquisa anterior. A partir daí, ativou com os atores da companhia um dispositivo de enquete e registro muito preciso, embora aberto. Consistia em uma saída coletiva por dia, para algum ponto da cidade sugerido pelos atores, onde cada um abordava alguém de sua escolha, pedestre, vendedor, estudante, policial, anônimo, morador de rua, e lhe lançava à queima roupa as perguntas que lhe viessem à mente. Numa situação insólita, onde o entrevistado ignorava tudo do entrevistador, mas por vezes percebia uma estranheza, as regras de uma entrevista jornalística eram reviradas, e tudo começava a girar em falso.   De fato, para Alejandra a percepção é uma questão em aberto, e a própria realidade é um problema não resolvido. “As pessoas de nossa geração se deparam com a questão de saber o que é isso com o que nós nos chocamos, em que tomamos parte, em que trabalhamos, qual tipo de “realidade” nós contribuímos a formatar por nossa atividade”. Em seu trabalho, em que tenta dar a essa realidade uma expressão, Alejandra Riera fala em políticas de representação. É parte de sua ética “jamais ocupar o lugar daquele ou daquela que “representa”, mas deixar espaço para que outros, enquanto sujeitos (com os quais escolhemos fazer um caminho), se auto-presentem, ocupem um lugar”.


Jean Oury, Miriam Chnaiderman, Joris De Bisschop, Cássio Santiago e Elisa Band, Laymert Garcia dos Santos, Celso Favaretto, David Lapoujade, Juliano pessanha.   Os conferencistas convidados para a Ocupação UEINZZ, sejam eles nacionais ou estrangeiros, percorrem um amplo espectro de interesses, que vai da clínica à filosofia, das artes à política. Embora muito heterogêneos do ponto de vista do âmbito em que atuam, até mesmo do tipo de pesquisa ou de prática que realizam, sua escolha obedeceu a um crivo preciso. Todos eles compartilham uma sensibilidade especialmente aguda para os modos de existência contemporâneos, seus impasses, seus limites, seus colapsos, suas aberturas. Na clínica, nas artes, no pensamento, não há fórmulas prontas, nem receitas universais. Há ferramentas a serem inventadas e experimentadas para dar conta de contextos singulares, de situações-limite, de estrangulamentos existenciais ou políticos. Talvez opere, em todos eles, uma dimensão vital do pensamento, onde a teoria não é mercadoria de luxo, ou de ostentação, ou de erudição vazia, mas emerge no caldo das questões viscerais que tomam de assalto a vida contemporânea. Só assim podem conectar-se com as questões provenientes dos modos de existência ditos “menores”, que do fundo de sua solidão reinventam uma existência, uma expressão, uma coletividade. Que o repertório de referências de um conferencista seja mais lacaniano, ou mais deleuziano, ou mais lyotardiano, ou mais derridiano, ou mais heideggeriano, que a inspiração principal venha de Von Weizsäcker ou Wiliam James, de Joseph Beuys, Oiticica ou Dubuffet, de Kafka ou de Agripino – essa variedade apenas atesta a que ponto é necessário passar ao largo dos rótulos, ou das escolas, ou dos critérios de filiação teórica ou ideológica. Os discursos presentes são todos fruto de uma pesquisa implicada, de uma experimentação em geral radical, onde se testa a potência e os limites do pensamento nos diversos domínios, seja filosófico, clínico, estético, ético ou micropolítico. Uma coisa é certa – esses domínios já não podem ser concebidos de maneira estanque, há vasos comunicantes, eles percutem um no outro, se contaminam. Assim, se as fronteiras entre as esferas se redesenham, não é porque há indiferenciação – mas ressonâncias novas se fazem ouvir. Assim como uma ressonância promete vir à tona entre esses discursos, o percurso da Cia Teatral Ueinzz, a presença de Alejandra Riera, os documentários exibidos, e o público convidado, ao longo dos doze dias da Ocupação UEINZZ.


Jean Oury é psiquiatra, fundador e diretor da clínica de La Borde, na França. Implantou e teorizou amplamente a psicoterapia institucional. É autor de vários livros sobre a clínica e a instituição, entre eles O Coletivo e Schizophrénie et Création. palestra

Toda criação verdadeira é um processo de auto-constituição “Mas se há possibilidade de expressão, se se tenta detectar os signos que emergem, mesmo os mais efêmeros, o que vai ser produzido, o que vai se auto-criar, é algo que tem uma tendência, não a se fechar, mas a fazer com que haja “aberto”.”...”O que está em questão é um processo de criatividade que é, ao mesmo tempo, um processo de “reconstrução de si mesmo”...” palestra

Discussão em torno do filme Zero de conduta, de Jean Vigo “É muito mais tarde que assisti Zero de conduta de Jean Vigo! Eu sou o aluno Tabar. E o aluno Tabar, quando o gordo cheio de sopa se aproxima dele.. Meu pequeno... Meu pequeno... Senhor, estou cagando para o senhor! Um dos filmes básicos de La Borde é Zero de conduta de Vigo. Eu me identifico... É um filme extraordinário. Sobretudo que um de meus amigos preferidos escreveu... Ele morreu... Paulo Emílio... O melhor livro sobre Vigo...”

Miriam Chnaiderman é psicanalista, documentarista e roteirista. É doutora em artes pela ECA-USP. É autora, entre outros, do livro O hiato convexo (1989), e diretora de filmes como Dizem que sou louco (1994) e Os artesãos da morte (2001). palestra

Experiências-limite e limites da linguagem O traumático, na psicanálise, coloca o limite para a possibilidade de simbolização. Para Freud, o trauma é uma invasão de estímulos para o qual o sujeito não está preparado. “Sobrevivente” é um termo que vem sendo utilizado para nomear pessoas que passaram por situaçõeslimite e que parece melhor caracterizar aqueles que, criativamente, driblam movimentos mortíferos de nosso mundo contemporâneo. Em situações extremas cada vida representa de modo impessoal a vida humana, a condição humana em seu conjunto – essa pertinência à espécie humana (Robert Antelme) sobrevive à destruição de todas as referencias civilizatórias.


Joris De Bisschop é belga, estudou psicologia e filosofia em Gent. Trabalha há vários anos na Clínica de La Borde. Participou da tradução para o francês de Pathosophie, do médico e fenomenólogo alemão Viktor Von Weizsäcker. palestra

Vertigem do tempo: La Borde e o cinema Nós preferimos explorar as análises que vão além do espelho, além da identificação, além do imaginário... É por essa razão que a arquitetura cinematográfica do grande salão de La Borde nos diverte, assim como o nome do ateliê : « A mancha amarela ». Ela nos mostra que as histórias de tela, espelho e luz são muito mais complexas do que imaginamos e que o cinema é muito mais uma história de espaço e de tempo, de luz e movimento. O que vai nos permitir passar a outra coisa, a uma singularidade mais a-significante, mais próxima do « pático », é a mancha, que não aparece num campo visual neutro, como um raio no meio de um dia de sol.

Cássio Santiago é diretor, performer e ator, formado em Artes Cênicas pela Unicamp. Atuou no Grupo K de Renato Cohen, na Cia de Ópera Seca e na Cia Zaum. É diretor da Cia Ueinzz e integrante do projeto Teatro Vocacional e Cia Manufactura Suspeita.

Elisa Band atriz, performer, dramaturga e diretora, graduada pela Unicamp. Integrou o grupo K de Renato Cohen, a Cia de Ópera Seca e o Cia Zaum. Diretora-colaboradora da Cia Manufactura Suspeita e do Grupo Ueinzz, e Artista-Orientadora do Teatro Vocacional. palestra

Procedimentos criativos em Finnegans Ueinzz e o conceito ampliado de arte. Qual o conceito de arte experimentado no work in process Finnegans Ueinzz? Uma reflexão sobre linguagens cênicas e suas repercussões culturais. Qual o lugar do teatro? Qual o conceito da performance? Qual o sentido desta experimentação cênica e existencial?


Laymert Garcia dos Santos

é Professor Titular do IFCH da Unicamp. Doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Paris 7, é autor, entre outros, de Politizar as novas tecnologias (Ed. 34), e de ensaios sobre arte contemporânea em catálogos, livros e revistas internacionais de arte.

palestra

Francis Alÿs Borderline Trata-se de explorar os múltiplos sentidos da expressão “traçar uma linha”, nos trabalhos do artista belgo-mexicano Francis Alÿs, afim de mostrar que a linha em questão é uma “borderline” na qual ele se instala para problematizar as relações entre o Eu e o Outro, o europeu e o latino-americano, o desenvolvido e o subdesenvolvido, a norma e seu desvio, o devir e a existência.

Celso Favaretto é doutor em Filosofia na área de estética e professor na USP. É autor dos livros Tropicália, Alegoria Alegria (1979) e A Invenção de Hélio Oiticica (1992), além de vários ensaios e artigos sobre arte, cultura e educação em publicações nacionais e internacionais. palestra

Entre a arte e a vida Transformar os processos da arte em sensações de vida: este foi o desígnio, explícito ou não, que atravessou o trabalho das vanguardas, mobilizando o pensamento e muitas das ações empenhadas na transmutação da arte e que continua ativo na atividade artística contemporânea, tensionando as relações entre os dois termos.


David Lapoujade é

filósofo e professor na Sorbonne (Paris 1). É autor de William James, Empirisme et pragmatisme (1997) e Fictions du pragmatisme (2008). É autor de duas coletâneas póstumas de textos de Gilles Deleuze, A Ilha deserta e Deux régimes de fous.

palestra

Deambulação, devir, simpatia Trata-se de mostrar como a relação com outrem se constrói por uma necessária deambulação que nos leva até a vizinhança dos signos emitidos por ele. Essa deambulação é tanto mais crucial quanto nos evita de pensar em termos de lugares, de posições ou de existência: o que eu teria feito em seu lugar? O que eu teria feito se eu tivesse sido ele? etc., todas questões que atracam a deambulação a um alvo, uma polaridade afetiva finalmente nociva. Uma tal deambulação se chama simpatia, embora ela nada tenha a ver com a compaixão. Tal é afinal o problema: como construir uma relação com outrem que não passe nem pela identificação nem pela compaixão?

Juliano Pessanha

é escritor. É autor da trilogia: A sabedoria do nunca (1999), A ignorância do sempre (2000) e A certeza do agora (2002), todos pela Ateliê Editorial. Sua prosa poética se situa na intersecção entre a literatura, a filosofia e a experiência do abismo.

palestra

Em louvor ao júbilo A palestra parte da distinção entre autobiografia e heterobiografia. Se a primeira é uma escrita alienada no ideal, a segunda é uma escrita a partir do que tocou um corpo-vivo.. Trata-se de responder à pergunta: o que é dizer uma vida quando existimos sem defesa? É uma leitura de Nietzsche e do livro Ecce Homo como efetivação da ética da singularidade proposta em Assim Falou Zaratustra.


“Estar o mais próximo não é tocar: a maior proximidade é assumir o longínquo do outro.” Jean Oury


Jean Oury biografia   Jean Oury é psiquiatra, fundador e diretor da Clínica de La Borde. Nasceu na França em março de 1924. Foi médico interno no hospital de Saint-Alban em 1947 (orientado pelo psiquiatra catalão François Tosquelles), em 1949 chega a Loir et Cher, e em 1953 funda a clinica de Cour-Cheverny, situada no castelo de La Borde. “Cheguei no mundo da psiquiatria em 1947 (porque se trata essencialmente de psiquiatria quando se fala de psicoterapia institutional, ainda que esse campo seja estendido a outras disciplinas como a pedagogia ou a educação). Em 1947 era ainda o período de pós-guerra. É importante assinalar que a psicoterapia institucional deita raízes profundas em tudo o que aconteceu durante a ocupação.”   Pouco tempo depois da fundação de La Borde, Félix Guattari se junta a Oury. Seguindo o rastro de Tosquelles, eles trabalham juntos no acolhimento da diferença, da singularidade, na afirmação do coletivo e numa resistência a quaisquer processos de segregação. Segundo Oury, a psicoterapia institucional só pode existir concomitantemente a uma análise institucional, que luta contra toda forma de alienação. O imperativo do “cuidado do meio”: tratar do hospital para poder tratar dos pacientes.   Jean Oury escreveu vários livros: Il, Donc, Union Générale d’Éditions, Paris, 1978; Onze heures du soir à La Borde, éd. Galilée, Paris, 1980; Le collectif, éd. du Scarabée, Paris, 1986 (cuja tradução em português - O coletivo - está sendo lançada pela editora Hucitec); Création et schizophrénie, éd. Galilée, Paris 1989; L’aliénation, éd. Galilée, Paris 1992; Les séminaires de La Borde (1996/1997), éd. du Champ social, Nîmes, 1998; Psychiatrie et psychothérapie institutionnelle, éd. du Champ social, Lecques, 2001; A quelle heure passe le train... Conversations sur la folie avec Marie Depussé, CalmannLévy, Paris, 2003; Préfaces, éd. Le Pli, Orléans, 2004; Essai sur la conation esthétique (Thèse de médecine 1950), éd. Le Pli, Orléans, 2005; Rencontre avec le Japon. Jean Oury à Okinawa, Kyoto, Tokyo, coordination: Philippe Bernier, Stefan Hassen Chedri, Catherine de Luca-Bernier, éd. Matrices, 2007; Itinéraires de formation, Editions Hermann, Paris, 2008 ; La psychose, la mort, l’institution, Editions Hermann, Paris, 2008; Il donc reprise, éd d’Octobre, Paris, junho 2009.


Os filmes escolhidos para exibição na Ocupação UEINZZ pretendem dar visibilidade a algumas experiências clínicas, poéticas, institucionais e políticas no domínio da revolução psiquiátrica ou fora dela, que ressoam com o percurso da Cia Teatral Ueinzz e as questões que tal trajetória levanta e relança, para além de seus limites.   Uma primeira série de filmes é um registro da vida contidiana da clínica de La Borde e das atividades ali empreendidas – a montagem de uma peça de Gombrowicz (“Coisas Mínimas”), o dançarino de butoh Min Tanaka dançando nos jardins do castelo, um ateliê sobre cinema desenvolvido junto aos pacientes com a presença de Guattari, uma animação saída desse ateliê – etc.   Uma segunda série de filmes é constituída de entrevistas, na sua maioria ligadas a La Borde, ao contexto da revolução psiquiátrica em suas variadas formulações. François Tosquelles, Jean Oury, Félix Guattari, Ronald Laing, Mony El Kaim – diálogos memoráveis, densos, tocantes, francos, hilários, ora intimistas, ora épicos.   Uma terceira série é composta de filmes sobre Félix Guattari. Amigos ou companheiros de militância ou pensamento, tais como Franco Berardi, François Fourquet, discorrem sobre sua trajetória, seu pensamento, sua vida.   Uma quarta série são os registros de uma experiência realizada por Alejandra Riera em conjunto com a Cia Teatral Ueinzz na cidade de São Paulo, no contexto de um projeto intitulado “Enquete sobre o nosso entorno”, onde os atores da companhia entrevistam anônimos da cidade e revelam algo da inquietante normalidade que nos rodeia.   E uma quinta série é constituída de filmes feitos no Brasil, seja sobre a experiência da Cia Teatral Ueinzz (“Eu sou curinga, o enigma”!), seja sobre loucos de rua em São Paulo (“Dizem que sou louco”), seja em torno do tema dos sobreviventes, com o mesmo título.   Além disso, será exibido um clássico do cinema francês, “Zero de Conduta”, a respeito de uma rebelião que põe abaixo uma escola, e que servirá de base a um longo comentário de Jean Oury, onde esse filme é concebido como um precursor da psicoterapia institucional.


“Zero de conduta” (1933), de Jean Vigo. Obra prima do filme ficcional libertário, foi proibido na França até 1946. Retrata um sistema educativo burocrático e repressivo diante do qual os estudantes empreendem verdadeiros atos de rebelião, por vezes surreais. O título faz referência à nota de um dos meninos, impedido de sair no domingo. Também mostra a influência da obra de teatro Ubu Rei, de Alfred Jarry. 43 min. “Uma Política da loucura” (1989), de Danielle Sivadon et Jean-Claude Pollack, realizado por François Pain. O psiquiatra catalão François Tosquelles, que está na origem de uma renovação crucial na psiquiatria francesa, fala de seu engajamento anarquista na guerra civil espanhola, da experiência inovadora na clínica de Saint Alban, de sua concepção de loucura. O depoimento é acompanhado de raras imagens de arquivo. 43 min. “Coisas mínimas” (1997), de Nicolas Phillibert. Todos os anos, internos e terapeutas da clínica de La Borde se reúnem para preparar a peça de teatro a ser apresentada no dia 15 de agosto. Em 1995, eles optaram por interpretar “Opereta”, de Gombrowicz. Ao longo dos ensaios, o filme retraça os altos e baixos dessa aventura. Mas, para além do teatro, ele conta a vida em La Borde. 1h44min.

“Min Tanaka em La Borde” (1986), de François Pain e Josephine Guattari. O dançarino de butô japonês Min Tanaka dança ao ar livre, entre os pacientes, na clínica de La Borde, na França. Ao final, comovidos com o espetáculo deslumbrante e perturbador, os espectadores se manifestam a respeito do que viram e sentiram. 24 min.

“Os dentes do macaco” (1960), de René Laloux. Documentário sobre a clínica de La Borde e seus vários espaços coletivos. Aparece Guattari num atelier com os pacientes, onde decidem fazer um filme. O grupo elabora um roteiro, que é transposto por Julien Pappe para desenho animado. 14 min.


“La Borde ou o direito à loucura” (1977), de Igor Barrère. Documentário sobre a experiência de La Borde, com sua utopia libertária, a revolução permanente, os movimentos artísticos e políticos que o cruzaram nos anos 60-70, e as práticas sociais e terapêuticas inovadoras que dali saíram, resultando numa crítica da sociedade como um todo. 60 min.

“O invisível” (2002), de Nicolas Phillibert. Entrevista com Jean Oury, psiquiatra, diretor e fundador da clínica de La Borde. Um diálogo intimista e tocante sobre o cotidiano com os pacientes, onde é evocada uma ampla gama de referências, e vêm à tona os temas mais caros a sua prática clínica e sua teorização sobre a instituição na qual vive há mais de 50 anos. 44 min.

“As pulsões” (1992). Entrevista com Félix Guattari realizada por Rogério da Costa e Jô Gondar, em Paris, em 12 de agosto, alguns dias antes de sua morte. Essa entrevista estava destinada ao simpósio “A pulsão e seus conceitos”, organizada por Arthur Hyppólito de Moura, e que resultou num livro sobre o tema, publicado na coleção “Linhas de fuga”, dirigida por Suely Rolnik. No vídeo, Guattari evoca os conceitos que elaborava na época, e passeia livremente pelo jazz, o pequeno “a” ou a percepção dos recém-nascidos. 32 min. “O divã de Félix” (1986), de François Pain. Félix Guattari deitado num divã discorre informalmente sobre sua vida em La Borde, a função dos grupos, a subjetividade folheada, a polifonia institucional, a mutação da subjetividade, a heterogênese, Oury, Tosquelles, etc. 17 min. “Moni El Kaim, Ronald Laing et Félix Guattari” (1980), de François Pain. Conversa entre três expoentes da contestação à psiquiatria tradicional, a propósito das terapias de familia como instrumento de controle social, e a crise do divã, entre outros temas. 10 min.


“O fim do político” (1977-1980), de François Pain. Diálogo entre Félix Guattari e o militante e fundador das rádios livres na Itália, Franco Berardi (Bifo), sobre a idéia de um suposto fim da História. O mesmo tema é objeto de uma conversa entre Guattari e Mony El Kaim, em Bruxelas, por ocasião de um congresso sobre as terapias de família. 17 min.

“Monumento a Félix Guattari” (1995), de François Pain. Testemunhos de amigos, intelectuais, artistas, poetas sobre Félix Guattari, feitas por ocasião de uma homenagem realizada após sua morte, no centro cultural Beaubourg, em Paris, a partir de um “monumento” criado por Jean Jacques Lebel. Allen Ginsberg, Raymond Bellour, Edouard Glissant, Jean Claude Pollack, Pierre Lévy, Oreste Scalzone, entre outros. 90 min. “A Guerra do Golfo” (1990). Conversa com Félix Guattari sobre a Guerra do Golfo e seu impacto. A partir daí, desdobra-se toda uma reflexão sobre o papel da mídia, da subjetividade coletiva, os mecanismos de resistência, as angústias, a função do Estado, a sociabilidade mobilizada, a diferença entre as várias guerras, etc. 43 min. “Dizem que sou louco” (1994), de Miriam Chnaiderman, com argumento de Reinaldo Pinheiro. Através de relatos e histórias dos que, secularmente, vêm sendo chamados de “loucos de rua”, a cidade é captada em seus diversos ritmos e pulsações. Forma-se um painel dos vários tempos de cidades invisíveis, onde a loucura borbulha pelos muros, asfalto e praças. Através do mundo destes personagens, na perambulação e errância, uma outra cidade nos invade. 12 min.


“Sobreviventes” (2009), de Miriam Chnaiderman e Reinaldo Pinheiro, trilha de Livio Tragtenberg. Há momentos em que a vida fica por um fio, momentos onde os limites são vividos radicalmente. Através de diferentes relatos de situações as mais diversas (tortura, doença, massacre, etc) a força do humano emerge. A ternura e a poesia levam à sobrevivência. 52 min.

“Eu sou curinga, o enigma!” (2003), de Sylvie Timbert e Carmen Opipari. Documentário a partir da experiência da Cia Teatral Ueinzz, ao longo da montagem da peça « Gotham-SP ». Ao descobrir a geografia afetiva das cidades vividas e imaginadas, apreende-se o percurso dos atores, suas resistências, lutas e invenções. Um olhar sobre a criação artística, suas ligações com fragmentos de experiências pessoais, imbricadas no espaço da cidade. 52 min.

“Enquete sobre o/nosso entorno” (2007), fragmentos. De Alejandra Riera em conjunto com a Cia Teatral Ueinzz. Através de saídas com o grupo Ueinzz pela cidade de São Paulo, e entrevistas a pedestres, anônimos e ambulantes, o lugar profissional e pessoal dos entrevistados e entrevistadores derrapa, deixando entrever dimensões inusitadas da inquietante “normalidade” cotidiana que nos rodeia. Trechos de duração variável, de 6 a 33 min, totalizando 180 minutos. Foram apresentados na Documenta XII, de Kassel.

Além das sessões públicas programadas, todos os filmes estarão disponíveis para visualização em monitores individuais, segundo livre escolha, das 14h às 18h, a partir do dia 10 de setembro.


setembro 2009

DIA 09 - QUARTA 21h Finnegans UEINZZ DIA 10 - QUINTA 14h filme Eu sou curinga, o enigma! (52’) 18h conferência Jean Oury 21h Finnegans UEINZZ DIA 11 - SEXTA 14h filme Sobreviventes (52’) 19h conferência Miriam Chnaiderman 21h Finnegans UEINZZ DIA 12 - SÁBADO 14h filmes Coisas Mínimas (1:44’); O invisível (Entrevista com Oury 44’) 17h filme Zero de Conduta (43’) 18h conferência Jean Oury 21h Finnegans UEINZZ DIA 13 - DOMINGO 14h filmes Enquete sobre nosso entorno - Alejandra Riera/Ueinzz - (todos os fragmentos - 180’) 17h Fórum UEINZZ 20h Finnegans UEINZZ

Interferências (série em branco e preto) de 14 a 19 - sesctv

DIA 15 - TERÇA 14h filme La Borde ou o direito à loucura (60’) 18h filme sobre Tosquelles 19h conferência Joris De Bisschop DIA 16 - QUARTA 14h filme Min Tanaka em La Borde (24’) 19h conferência Cássio Santiago e Elisa Band 21h Finnegans UEINZZ DIA 17 - QUINTA 14h filme O divã de Félix (17’) 19h conferência Laymert Garcia dos Santos 21h Finnegans UEINZZ DIA 18 - SEXTA 14h filmes Dizem que sou louco (12’); Os dentes de macaco (14’) 19h conferência Celso Favaretto 21h Finnegans UEINZZ DIA 19 - SÁBADO 14h filme Min Tanaka em La Borde (24’) 19h conferência David Lapoujade 21h Finnegans UEINZZ DIA 20 - DOMINGO 14h filme Entrevista com Guattari (As pulsões) (32’) 16h Fórum UEINZZ 18h conferência Juliano Pessanha 20h Finnegans UEINZZ com a Orquestra de Cegos de Lívio Tragtenberg

palestras 10 e 12 - Jean Oury - das 18h às 20h30 19 - David Lapoujade - das 19h às 20h

Transmissão ao vivo www.sescsp.org.br


SESC - Serviço social do comércio ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO

Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Danilo Santos de Miranda Superintendências Técnico-social Joel Naimayer Padula Comunicação Social Ivan Giannini Gerências Ação Cultural Rosana Paulo da Cunha Adjunto Simone Engbruch Avancini Silva Assistente da Ação Cultural Sidnei C. Martins e Maria Thereza B. de Magalhães Estudos e Desenvolvimento Marta Colabone Adjunto Andréa de Araújo Nogueira Artes Gráficas Hélcio Magalhães SESC Avenida Paulista Gerente Elisa Maria Americano Saintive Adjunto Claudia Darakjian Tavares Prado Coordenação de Programação Alexandre Caversan Programação Armando Fernandes, Jacy Has, Leticia Cocciolito e Ligia Moreli SescTV Gerente Valter Vicente Sales Filho Adjunto Regina Gambini Coordenação de Redação Juliano de Souza Coordenação de Produção Antonio Aranha Produção Cláudia Dias Perez


Realização

Parceria

Este projeto integra a temporada francesa do SESC São Paulo

Apoio Núcleo de Estudos da Subjetividade do Pós-Graduação em Psicologia Clínica PUC-SP

SESC Avenida Paulista Av. Paulista, 119 Estação Brigadeiro Tel. 31793700 / 0800118220 email@avenidapaulista.sescsp.org.br www.sescsp.org.br


Ocupação UEINZZ