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5 anrotse! de a

EXPEDIENTE Criação

Cristiane de Freitas César Augusto Cougo Camargo

Jornalista Responsável

Sandra Dias Alencar Márcia Ribeiro Landsmann

Diagramação

JRimex César Augusto Cougo Camargo

Cartunistas

Eugênio ‘Corvo’ Neves José Fraga Kayser Rafael Correa Rodrigo Chaves Santiago Tuba

REVISTA COMEMORATIVA EDIÇÃO #14 / 2012

Artista da Capa

Rafael Corrêa

Artista da Contracapa

Pelópidas Thebano

Cronista

Jorge Herrmann

Impressão

20 mil exemplares - Gráfica Calábria

Agradecimentos

Longas décadas nos separam do boom das artes gráficas constantes nas revistas da década de 40. Não temos mais a sensibilidade de Ernst Zeuner e nem a livraria do Globo. Mas longe do anacronismo, a conjuntura nos apresenta a possibilidade de valorizar e reconceitualizar o papel através do incentivo indireto da cultura digital. Estamos nos tornando deliciosamente dinoussáricos, e é esta nossa intenção: tornar a revista um livreto, criador de lastro cultural, deslocando-se para uma mídia mais orgânica e passível de ser atemporalizada através do papel, optando assim por priorizar as artes gráficas e as fotonovelas. Nestes 5 anos o Varanda publicou reflexões sobre papel da mídia nas artes, a política na cultura -como o sucateamento da TVE no governo Yeda, a polêmica do Prêmio

Toda a turma de amigos, familiares e colaboradores, que participaram direta ou indiretamente desta publicação.

VENDA PROIBIDA! Açorianos, censura aos cartunistas-, e divulgou jovens e grandes artistas dentro ou fora da ‘cena’. Nosso site já está no ar com a programação cultural e notícias de blogueiros. Artista, envie seus textos sobre cultura, artes e mídia, sua programação cultural, para que possamos disseminar e encher de spams a caixa de nossos leitores.

varandacultural@gmail.com www.varandacultural.com.br

Prêmios e Financiamentos

Fumproarte / 2007

Menção Honrosa Portugal / 2009

Prêmio Mídia Livre Ministério da Cultura / 2009

Certificado de Gratidão Teatro Nilton Filho / 2011


VARANDA CULTURAL

Eugênio Neves Fábrica Nanquim e lápis de cor

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Eugênio Neves Pequeno Príncipe Nanquim, lápis de cor e tinta acrílica


VARANDA CULTURAL

EugĂŞnio Neves Pedagogia Desenho bico de pena

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VARANDA CULTURAL

Eugênio Neves Eugênio (Corvo) Neves, iniciou suas atividades profissionais como artista gráfico em 1974, numa fábrica de embalagens plásticas. Posteriormente, trabalhou como programador visual, publicitário e como ilustrador editorial no Coojornal, Diário do Sul e na grande imprensa de Porto Alegre. Paralelamente a esta atividade gráfica atuou como bonequeiro, tendo criado e apresentado as peças "A Cigarra e a Formiga" e "S.O.S Selva". Desenvolveu, também, vários trabalhos comerciais para televisão tais como: confecção de bonecos, criação de cenários, efeitos e direção de arte. Atualmente trabalha como ilustrador autônomo, prestando serviços para publicações de empresas, jornais de sindicatos, boletins, etc. Já não tem mais a ilusão de interferir no curso da história com o seu trabalho. Deixará essa tarefa hercúlea para seus dois filhos, a Maíra e o Érico. Mas nem por isso perdeu, junto com seus companheiros que viu ficarem mais gordos, mais grisalhos e mais calvos (mas Neopatos nem tão prósperos), aquele ímpeto juvenil de fazer um livro ou uma nova exposição da GRAFAR. Hoje em dia, não sabe se desenha por satisfação, por compulsão ou porque está velho demais para mudar de vida... Em "Somos Todos Bonecos" (pags 5,6 e esta), Eugênio Neves faz uma compilação de vários desenhos a bico-de-pena que tem por tema central o boneco. Estes bonecos aparecem nos desenhos representando seres humanos em diversas situações angustiantes do seu cotidiano. A compilação dos trabalhos foi organizada a partir Eugênio Neves de vários estudos e anotações feitas para a criação de Repressão Pacote bonecos. Desenho bico de pena


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QUANDO DE REPENTE, A ESTÁTUA DESAPARECE!

SÍMBOLO DOS GAÚCHOS, ADIANTA SEU OLHAR PARA O INFINITO... OLHAR VIRIL...

ÉA SAUDADE DA CHINOCA E DO MATE AMARGO...

PORTO ALEGRE DORME...E O ÍCONE DO ESTADO REPOUSA PLACIDAMENTE...

O SEQUESTRO DO LAÇADOR ! Não consigo trabalhar...

Não consigo pedir esmolas...

Sequestraram minhas tradições...

Arrancaram a cultura gaúcha do meu coração!

Líderes da Cultura se unem, como Thédio Sem Correia...

Aparecer aparecer!

e Luis Augusto Não Cai a Ficha...

O sequestro motiva setores bizarros da sociedade...

Isso lembra um livro que escrevi e fez muito sucesso...

Depois do último sequestro, chorando e esperando... Cala a boca que eu quero dormir!

...e mobiliza as Autoridades...

Telespectador é inacreditável, mas..

O número de suicídios por causa do sequestro triplicou!


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VARANDA CULTURAL

A comoção é geral...

A autoridade toma uma atitude..

Chega!

É uma prenda!

E depois de muita mobilização...encontram....

Dou 10 mil em precatórios para quem encontrar o sequestrador!

Não aguento mais! Nossa cultura não tá só no pampa!

Eo Hip-hop? O samba? Os cartunistas?

Tem razão...

Hum...

E vocês são um bando de machistas !

A riqueza está na diversidade!

Samba ...ok...

E as poetisas?

Poetisas?

A Parada Gay?

Hum...

Tem razão...

Tá certo...

Estátua de prenda?

Parada Gay?

plaft

Deveríamos ter a estátutua de uma prenda também...

bum

!

! plaft !

Como a prenda havia derretido a estátua para comprar cigarros ‘Potro’ em Uruguaiana, a Autoridade toma providências...

E assim Porto Alegre descansa diante de seu mais novo símbolo da cultura!

Direção: César Camargo e Cristiane de Freitas Coloquem uma estátua provisória!

Fotografia: Jener Gomes Elenco: André Oliveira, Cristiane de Freitas, Luciano Zoch, César Camargo


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Horizontes

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Um outro olhar sobre a praga das novas edificações em Porto Alegre (os editores)

Ando pelas ruas de Porto Alegre há muito tempo. Minhas andanças sempre revelaram surpresas que me convidaram a caminhar mais e mais. Me acostumei a dobrar esquinas e a me surpreender com um jardim bacana, alguma casa antiga, enfim, com a natureza e a arquitetura dialogando. Por muito tempo, Porto Alegre foi um mapa de tesouros infindáveis. Eu percorria espaços abertos, percebia distâncias, sentia o tamanho de meu passo. Sem pressa, fazia a minha leitura da cidade, e Porto Alegre parecia querer conversar... Mas com o tempo, senti uma mudança esquisita. Meu passo foi ficando pesado, caminhar por Porto Alegre começou a ficar um pouco mais cansativo. Foi então que entendi: os horizontes de minha cidade estavam sendo cortados. A percepção das distâncias tinha ficado difícil, pois a cidade se verticalizava. Vistas antes partilhadas por todos, haviam se tornado privilégio de alguns. Me senti esbulhado. Estavam privatizando os horizontes! Fiquei matutando a respeito do poder metafórico dessa perda. Isto acabou me mergulhando num desconfortável pessimismo. Tinha

de fazer alguma coisa! Foi então que comecei a desenhar Porto Alegre. Descobri que nos desenhos havia a possibilidade de dialogar com a cidade e de entender um pouco do que afinal estava ocorrendo. Serenei quando vi neles um testemunho. Mais tarde, se já não houver vestígio do que Porto Alegre foi, esses desenhos pelo menos talvez ajudem a entender o que afinal aconteceu por aqui. Olhos atentos poderão perceber então como uma cidade foi literalmente rejeitada em nome de praticamente nada. Estimulado pelo desenho, comecei a prestar mais atenção nas mudanças. Algumas coisas eram justificáveis. Mas nunca vi justificativa na voracidade construtiva que envolveu Porto Alegre. Que justificativa poderia haver nestes prédios suntuosos, erguidos da noite para o dia, mas que dilaceram a paisagem? Qual o conceito por trás de prédios impressionantes, que são suplantados por outros prédios mais impressionantes ainda, mas que não combinam entre si e muito menos com a paisagem? Onde está o conceito por trás destas áreas densamente ocupadas por edifícios que não se coadunam, não dialogam, e que literalmente roubam os horizontes uns dos outros? Fico surpreso como os novos edifícios parecem disputar a atenção, ao invés de juntos buscarem a construção de algum panorama

interessante. Há aí uma metáfora tão óbvia a respeito do caminho que estamos tomando como civilização, que nem vale a pena discorrer muito a respeito. Seria enfadonho. Enquanto isso, alegres famílias habitam os outdoors da cidade, prometendo ilhas de felicidade e oferecendo um refúgio seguro dentro de luxuosas muralhas. Se no cotidiano das novas construções, os sorrisos promissores dos outdoors não se confirmarem, azar... Na verdade, há uma infelicidade insidiosa movendo-se nas intimidades da vida moderna. É uma infelicidade dissimulada, que sorri, e que, como nos outdoors, oferece felicidades fáceis... mas de curta duração. Tornamo-nos consumidores ao invés de cidadãos, e por caminhos tortuosos, vamo-nos afastando da simplicidade e de tudo o que a representa. Uma paisagem sem edificações, com suas referências naturais preservadas, tornou-se incompreensível para nós. A priori, todo espaço não urbanizado é para o senso comum, um espaço disponível. Sua completa transformação é só uma questão de tempo. Não nos interessa rever essa atitude, pois isso significaria relativizar tudo o que construímos até agora. Ao que parece, não temos estrutura para suportar um questionamento desses. Tanto pior. Faltou-nos um bocado de lentidão. Fomos rápido demais e talvez tenhamos perdido o caminho de volta. A quantidade de aparatos tecnológicos aos quais nos conectamos, nos desconectou. Toda essa tecnologia nunca nos serviu na hora de encarar nossas mais profundas

verdades, e este é o sinal de que chegou a hora de fazer o caminho de volta. Sem apologias ingênuas ou pieguices, é necessário ver que ainda temos diante de nós uma cidade, no verdadeiro sentido da palavra. Depois de algum tempo, não sei, talvez já não tenhamos uma palavra para designar o que Porto Alegre poderá se tornar. O que acontece é que estamos nos afastando do conceito do que vem a ser uma cidade. É uma questão de limites: onde a cidade começa? E a partir de que ponto a cidade não é mais cidade? Em tempo: HORIZONTE, s.m. (fig.) extensão; espaço; perspectiva; futuro. Em outras palavras, é o que se vê ao longe. E aí eu pergunto: como viver numa cidade verticalizada e nervosa, criada à imagem e semelhança de nossas ansiedades? Fugir não resolveria, pois essa mesma lógica parece estar se impondo a tudo. O melhor mesmo é continuar buscando os horizontes que acalmam a paisagem, seja onde for. Sempre, até o fim. Nem que seja apenas dentro de alguns desenhos, testemunhos de uma possibilidade que ainda está ao nosso alcance. Jorge Herrmann é artista plástico e ministra oficinas. www.jorgeherrmann.com


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TODO HOMEM TEM UM POUCO DE

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“Este aí é o mundialmente desconhecido Bagassauro, um personagem que eu desenhei por uns dez anos. Só que durante todo esse tempo eu só desenhei umas

50 tiras, porque ele quase nunca era publicado e eu não ia ficar desenhando à toa, mesmo assim, as tiras do Bago ganharam prêmios, foram selecionadas em vários

salões de humor e publicadas na revista Made In Brasil Quadrinhos, na coletânea Edição de Risco e ficaram na web por um bom tempo, em um site hospedado no Ubbi.” Kayser. Todos nós temos um pouco do Bagassauro, independente de classe social; não adianta esconder da sua esposa e filhos, os desenhos denunciam. É terrível. Dada a relevância sociológica do tema, apresentamos o Bagassauro para deleite dos leitores. Acesse o blog dele para outros quadrinhos:

http://blogdokayser.blogspot.com/


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O PEQUENO DITADOR

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“Eles estão em todo lugar. Empresas privadas, órgãos públicos, clubes, associações, sindicatos. Onde houver uma estrutura hierárquica que lhes confira alguma autoridade, mínima que seja, lá estarão eles exercendo sua tirania. Podem ser CEOs, diretores, chefes, responsáveis, coordenadores, síndicos, porteiros, vigilantes... Não importa a relevância do cargo. O que importa é que são eles quem mandam! Falou, tá falado, não tem discussão! Eles não promovem holocaustos, mas apenas porque não têm poder para isso. Basta ver o que aconteceu quando a Fortuna resolveu sorrir para um anônimo mensageiro do exército alemão na Primeira Guerra Mundial e promovê-lo à condição de líder da nação. Esta série é dedicada a esses infames pequenos ditadores que, com sua arrogância, truculência e autoritarismo, espalham infelicidade ao seu redor e tornam nosso dia a dia tão mais desagradável’’ Kayser


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Entende a Bienal do Mercosul e dança Maracatú com as newhippies no Odomodê...

Ch

e

..se diz de esquerda, adora literatura russa e teatro de vanguarda... Ele é descolado, usa roupas alternativas e tem a discografia do Chico Buarque...

UNDERGROND!

Putz...

Minha juventude foi muito underground...

Participava do Fórum Social Mundial...

Meu Deus, uma passeata!

Não vai dar em nada mesmo...

Me sinto no «Amor nos tempos do Cólera»

Vamos para minha biblioteca ou para sua ?

Não tenho a ilusão da felicidade eterna

Quando nos daremos conta desses governos?

óóó


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Eu te prometo o mundo!

Precisamos de um novo Lênin!

Intelectuais passam fome!

E eu o meu amor!

Eu passarei!

Meu herói!

Mas com o tempo percebi que era um macaco!

Que imitava os outros...

E fazia por carência!

(música de Lou Reed ao fundo) Até que chegou o grande dia!

Fui até no Sei-chô-noe

Senhor, me dê um sinal !

Precisava definir a minha vida...

Estou perdido!

É isso! Serei concursado!

Mas sou infeliz e achava que não me venderia!

E do Banco do Brasil!

Você só trocou de rebanho meu querido...

E agora tenho tudo: convênio, grana

E respostas somente na próxima sessão!

Eo meu lado underground?

FIM


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Jornal

40 anos do

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1971. Era a época da ditadura militar, do Pasquim, das gurias da Indepê, da rádio Continental, do Palpos de Aranha, e de toda uma turma que manteve a aventura juvenil de criar um periódico que fosse diferente dos jornalões da época. Este era o jornal Pato Macho, informal e inteligente. E suscita questionamentos atuais.

Muitos nomes passaram pelo periódico: Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Claudio Levitan, José Onofre, Ruy Carlos Ostermann, Beto Prado, Claudio Ferlauto, Joaquim Fonseca, Tatata Pimentel, Coi Lopes de Almeida,e por aí vai. A partir da terceira edição o Pato Macho foi censurado previamente pela ditadura. As edições continuaram a sair nas bancas, mas agora com a figura de um funcionário da Polícia Federal acompanhando e proibindo diversas matérias. Era o humor podado pela quartelada. Mesmo assim o Pato conseguiu denunciar o provincianismo da capital, comparado ao Sudeste brasileiro:

Aos habitantes deste “continente” coube o provincianismo, filosofia bem antiga mas de grande aceitação fora das áreas de influência. Ao adepto desta filosofia dá-se de provinciano e o provinciano é antes de tudo um chato, que deslumbra-se com os mitos. É por isso que evitamos fazer um jornal de mitos. (PM Ed.1)

O conservadorismo, pai do provincianismo, ativava ações políticas de alguns setores da sociedade - como a adesão ao regime militar, - e por outro lado revoltava parte da classe média letrada, e no caso do Pato Macho, na crítica bem humorada sobre o modo de vida do portoalegrense, seus costumes e modismos. Um personagem que retrata parte do nosso nativo da década de setenta é Fioravante, de Joaquim Fonseca: “O p er s o n a g em Fio r a v a nte er a u m personagem da época. Era a época dos hippies, foi a época do Woodstock e a minha idéia era criar um contestador que fosse tão irônico quanto o próprio jornal, que era contestador, mas não muito. Era, mais ou menos, como eu era na época: ligado com aquelas coisas que estavam acontecendo, mas sem muita coragem de assumir. Eu acho que ele é um pouco o retrato da juventude daquela época.

Não digo que ele seja um modelo, mas isso era muito comum. As pessoas se engajavam no que estava acontecendo, mas sem muitos meios e muita coragem de fazer isso. A coisa mais engraçada que a gente via, por exemplo, nos ônibus que chegavam da periferia de Porto Alegre, era o pessoal que vinha para trabalhar com os cabelos compridos, de calça Lee, de tênis, como os hippies se vestiam na época, até os Beatles, aquele modelo, as costeletas... E eram pessoas que iam trabalhar no banco, em alguma loja ou em outra coisa que não tinha nada a ver com aquilo. Mas aquilo era b o n i to, e r a l e g a l , e r a d a moda”.(entrevista concedida à pesquisadora Aline Strelow In: Pato M a c h o : o h u m o r n o jornalismo alternativo)


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O historiador afirma que, mais do que noutros lugares, nossa história é permeada de flagrantes que brilham por trás da ingênua e pitoresca diversão. E é verdade. Leis que nunca dão certo (“vamos aguardar para ver se 'pega', como dizem), dinheiro nas cuecas, e todo um universo pronto para somente ser enunciado, pois a piada já está feita, e toda a corrupção e violência do cotidiano finalizam com o toque do humor brasileiro. Se não pensamos seriamente em nossas mais antigas contradições, só nos resta rir? Esta é a única maneira de engolir a insuportável realidade ou é justamente no humor o começo do nó? E se rimos de tudo, será que tudo do que rimos é risível? É aqui que entra o humor efetivamente criativo, só que é onde menos assistimos, pois o que é bom não é publicado, quando falamos em mídia. Veja-se o humor televisivo: O Casseta e Planeta com o pastiche e humor grosseiro sobre seus próprios personagens das novelas globais, reforçando uma aparente postura democrática da emissora não podem ser levados em conta. As grosserias cansativas e falta de tato com o Pânico e CQC também não contam. Se é triste constatar pessoas rindo quando alguém cai na avenida Borges de Medeiros em plena chuva, isso talvez nos mostre uma forte relação com os programas humorísticos televisivos, que, se não são a causa, são o continuísmo: afinal, quem acha graça assistindo pessoas se machucando no Vídeo Cassetadas do Domingão? Então nosso sentido humorístico realmente está com problemas. Mas felizmente não dependemos da grande mídia para que a comédia crie e se recrie nas ruas e nas mesas de bar. Artes gráficas de Luis Fernando Veríssimo, Joaquim Fonseca e Claudio Levitan.

Quando pensamos sobre a comédia brasileira atualmente, a pergunta surge de sobressalto: diferente de outras culturas, o Brasil é ou não o país da piada pronta? Para o historiador Elias Thomé Saliba a resposta é positiva:

JOAQUIM FONSECA

Quando o viajante alemão Von Papen passou pelo Brasil, em 1912, contaram-lhe que, na reforma urbana da capital, o único prédio que desabou, por erro de cálculo, foi o do Clube de Engenharia. O alemão sorriu diante da piada, mas disseramlhe que o caso não era para rir, pois acontecera de fato. Mendes Fradique – pseudônimo do humorista brasileiro Antonio Madeira de Freitas (1893-1944) –, que relatou o episódio, concluiu: “O humorismo tem objeto no contraste direto entre o que é e o que deverá ser. Ora, no Brasil, tudo é precisamente como não deverá ser, de modo que se torna impossível este contraste e, portanto, igualmente impossível o humorismo.” Seria verdadeiro tal diagnóstico? No Brasil, o cômico seria parte incontrastável da vida real e o humorismo impossível porque a realidade já superava a anedota? Ou o caso citado exemplificaria o contrário: se não há contraste, é porque o humor é indistinguível, já faz parte da vida e, portanto, vivemos em pleno “país da piada pronta”?

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO


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Rafael Corrêa nasceu em Rosário do Sul - RS em 1976, é formado em Publicidade & Propaganda e trabalha como cartunista, designer e fotógrafo na Cooperativa Catarse em Porto Alegre. É autor do personagem de tirinhas Artur, o Arteiro com o qual têm dois livros publicados: Direto pro SOE! (2006) e Piolhos

Rafael Corrêa Invaders (2007) ambos pela Razão Bureau Editorial. Atualmente publica no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo e ilustra para revistas como Gloss e Saúde, da Editora Abril.

Rafael também participa de diversos concursos de cartuns pelo mundo, tendo sido premiado em alguns deles como: Melhor Cartum - Categoria Digital - VII Salão de Humor de Limeira – Limeira/SP, 2011. Netizen's Choice - Categoria: Web Cartoons – SICAF 2011 – Seul, Coreia do Sul, 2011 com o cartum “Piano”. Menção Honrosa no XIX Salão Internacional de Desenho para Imprensa – Categoria: Quadrinhos - Porto Alegre/RS, 2011 com a obra “Super Jesus”. Menção Honrosa no XVII Salão Internacional de Desenho para Imprensa - Categoria: Cartum - Porto Alegre/RS, 2009 com a obra “Expulso”. http://rafaelcartum.blogspot.com.br/


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Rodrigo Chaves Rodrigo Chaves nasceu chorando em Moinhos de Vento, estudou no Nossa Senhora das Dores e na UFRGS. Ser mais portoalegrense que isso é difícil. Rodrigo começou a desenhar ainda criança,

tentando sem sucesso copiar pinturas de Norman Rockwell e desenhos do Quino e Sampaulo, mas continuou desenhando a vida toda e já adulto se formou em Artes Plásticas - Bacharelado em Desenho. Desde 2006 mantém o blog Contratempos Modernos, onde publica seus quadrinhos, charges, cartuns e ilustrações, além de publicar em jornais e revistas, já teve seus trabalhos aceitos no Salão de Humor de Piracicaba e no Ecocartoon. http://contratemposmodernos.blogspot.com.br


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VARANDA CULTURAL

A criação do jornal Varanda Cultural, de distribuição gratuita, com temas reflexivos sobre o 'fazer artístico' de Porto Alegre e análises sobre a grande mídia regional, desde sua fundação já atingiu mais de 150 mil leitores, democratizando o acesso à informação em mais de 70 pontos da capital. As ações motivaram a instalação de nossa sede, realizando diversas atividades artísticas e agregando até janeiro de 2012 representantes da área cultural e movimentos sociais, atendendo interessados oriundos de diversas comunidades carentes da capital, região metropolitana e interior, com um fluxo aproximado de 700 pessoas. Agora lutamos por um novo espaço para continuidade destas ações.

foto: Jener Gomes

Ações do Varanda Cultural

Oficinas de Teatro

Criação de Fotonovelas

Atividades regulares e gratuitas realizadas no Varanda Cultural: Oficinas: Teatro Teatro de Bonecos Desenho Vivencial e artístico Dança popular, samba e dança cubana (este em parceria com o Sintrajufe a preços simbólicos para a comunidade) Apresentações Artísticas de Teatro e Mágica.

Pesquisa e guarda-cenário de diversos grupos e artistas individuais: Oficinas de Desenho

Oficina de Teatro e Mágica- AMAR

Cia circular de palhaços, Grupo dos Cinco, Grupo de Teatro Farsa, Associação dos Mágicos do Rio Grande do Sul- AMAR , Grupo de alunos do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, grupo Arte e Ação, Laboratório de Fotografia. Alojamento e Intercâmbio de Artistas do Interior do Estado:

Entrega do prêmio durante a 1ª Confecom

Grupo teatral Metamorfos de Bento Gonçalves Grupo de Teatro de Bonecos e Ponto de Cultura Só Rindo, de Canela.

Varanda Cultural em Torres: Confraternização dos surfistas locais com renda revertida para os animais “Fazer a diferença é transformar pequenos atos em obras que beneficiam aos demais.” Com esse lema os irmãos Fernandinho (idealizador e realizador) e Ivana Freitas, com a parceria de Marco Antonio Collares MachadoCamping Cabanas Guarita; organizaram uma confraternização dos atletas que concorreram ao campeonato de surf Madeirite Trópico, destinando toda a renda para ATPA. - Associação Torrense de Proteção aos Animais. A BANDA HOMELLES agitou o encontro que reuniu jovens e antigos talentos do surf.

Laboratório de Fotografia

Pensando na carência do interior do Estado iniciamos uma nova etapa de trabalho: a criação no site do Varanda Cultural o link Biotônico Editais, para auxiliar gratuitamente grupos artísticos na confecção de projetos para editais e discutir temas como Economia da Cultura e Cidadania Cultural. Mais informações, envie e-mail para: varandacultural@gmail.com


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UM CAS

Este é Júlio, detetive particular, e tem um escritório na galeria Malcon, no centro da cidade.

Está pensando como resolver um caso... Como se tira sebo de umbigo?

Quando chega trabalho!

Estou sendo chantageado por uma prostituta!

O senhor tem que me ajudar!

Vai no Procon...

Direção: César Camargo e Cristiane de Freitas Elenco: Sandra Alencar, Rosane de Freitas, Beto Russo e Luciano Zoch

Sou casado, mas existe um cabaré onde pagamos prostitutas para conversar sobre literatura, filosofia..

Amo minha esposa, só que não temos um papo intelectual sabe? Aí me indicaram esse local..

Só que a dona do cabaré está me obrigando a pagar um programa toda semana....senão ela contará tudo para minha mulher!!

Calma rapaz, vamos dar um jeito...você deve ter um fone... Cabaré das Letras bom dia!

E qual modalidade você quer?

Alô, eu gostaria de uma acompanhante!

Como assim? Ó colega, pega o fone que esse é novo...


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...se for ‘Problemas Brasileiros’ é barato, mas se for sobre Kant e a epistemologia podemos parcelar...

OOOOi, aqui é a Luana...temos diversos preços: com Mestrado é um, com PHD é mais caro...

Isso aqui é de nível! Tem uma promoção sobre Foucault que sou eu...

E tem sobre Paulo Coelho?

O detetive percebe que o Mobral não lhe ajuda em nada...

Ok! Me encontre no Motel Dois Corações, 18 horas, langerie preta!

O cliente ajuda o detetive a estudar Foucault...

Chegando ao motel antes da hora marcada...

Seguinte, espera aqui fora !

Assim nosso herói aguarda intelectualmente ansioso...

...até que alguém bate na porta!

Ai meu Deus, ai meu Deus!

E aí...cobro por hora.. Vamos começar?

OOOOOiiii garotão!

O que achas da análise de Foucault sobre o poder, que não emana mais de um governante??

Claro baby!

Penso que a sistemática dele era criar uma genealogia do poder...

Que tal?

Vou perguntar uma besteira qualquer...


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Mas tu não achas que o marxismo tem relação com o Paulo Coelho?

Ahá! Você não é uma intelectual!

Tu responde qualquer coisa! E ainda falou ‘contexto’ com ‘s’, e é com ‘x’ !!

Sim, depende do conteSto fenomenológico...

Ok baby, eu só não te entrego se você me levar prá esse cabaré!

Eu confesso! Faço mestrado em universidade particular mas não tenho como pagar!

Sim, pode ir embora. Deixa que eu fecho aqui.

Oi colega, hoje é bacanal literário?

Aprendi com com Aprendi Olavo de de ooOlavo Carvalho! Carvalho!

EU sou a dona desse cabaré !

Muito esperta baby, prostituindo a literatura!

Minha chantagem foi por amor a você !

E não quero testemunhas!

Isso que não tenho nem o Mobral completo!


Fraga e a derradeira fé

FRAGA O verdadeiro up-grade da classe-média

Sonhar traz consequências terríveis na manhã seguinte: ouvir as narrativas alheias e as interpretações ao redor.

Quem sofre

Tuitadas

de

sortidas

má digestão

De véspera ninguém morre. Matadores de aluguel matam somente no dia aprazado.

pelo menos

Bom senso é sempre de bom tamanho. Já o consenso, que é o senso compartilhado, esse é sempre mediano.

faz refeições

Para cirurgia renal ou da vesícula, pedra é fundamental. Aqui se faz, aqui se recebe no máximo umas medidas socioeducativas. Tem gente que sonha em vão: em vão de marquises, em vão entre prédios, em vão de viadutos. Sábio, o louva-a-deus: ele não desdenha insetos sem religião, devora todos. Viver dá um trabalhão danado, sobretudo quando falta trabalho. Não tenho dependentes a declarar, a não ser o Ministério da Fazenda. Quer sarna pra se coçar? Critique os fabricantes de antimicóticos. A certa altura, o outono na natureza deixa de ser encantador: é quando coincide com o outono pessoal. Sono - esse involuntário armistício entre os povos. A gente manda a Morte pra pqp, e ela não vai; ela nos manda pro inferno, e a gente vai. A precisão na medição do tempo é recente: houve época em que enchiam ampulhetas com areia movediça.

O inesperado surge quando estamos relaxados. Enquanto estamos apreensivos, ocorre só o esperado. Para cometer equívocos ninguém precisa ter certeza alguma. Beijar é a melhor maneira de fazer leitura labial. A incredulidade tem o seu valor: calcule tudo que você deixa de gastar em medalhinhas, patuás, talismãs, dízimos etc. Se fosse proibido se queixar, as queixas seriam piores. As coisas estão encarecendo tanto que até barganhar sai caro. Não dê o peixe. Ensine ao cara o caminho da peixaria no mercado público. A Justiça falha, mas só magistrados falham magistralmente. Em teoria, tudo se sabe; na prática, todos correm pro gúgol. Botecos, onde ninguem morre, são sempre multados pela vigilância sanitária. Hospitais de luxo, onde bactérias matam seguidamente, nunca são. Sonhos de consumo tem aos montes, e gente consumida por eles tem himalaias. Etc.


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E dia desses, enquanto dormia o sono dos justos...

dono da

Caro leitor, observe o olhar infinito deste casal...eles não se preocupam, pois já possuem o mundo finito...

Este homem detêm os meios de comunicação no Sul...

encontra

MORTE

mÍDIA

TOC

TOC ALOU

ALOU Vim te levar cabra-da-peste!

ACORDA! OLHA QUEM CHEGOU!!

Por que?Estou ótimo de saúde!!

CHEGOU A TUA HORA ! Porque você divulga a breguice cultural!

Chega de palhaçada! Irás para a outra margem!

Hum... Prometo mudar! Nem eu aguento dilvulgar a mesma música do Michel Teló!

Serei um homem comprometido e ético!

Tocado pela impermanência das coisas...

Ok, dou um ano pra te endireitar.

...nosso personagem revolucionou sua vida pelo bem efetivo da sociedade

Começando a transmitir programas televisivos de relevância filosófica...


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Quem é essa Marilena Chauí?

... morando no Lami.. Óia, a TV diz que é uma tal de filósofa...

Aprendeu a simplicidade da vida, comendo pão com ovo...

...e largando a terapia!

Começou a divulgar artistas mais interessantes...

E quem é Plauto Cruz?

A TV tá dizendo que é frautista...

Olha o samba comendo!

...para sentir a rua, o lado underground de Porto Alegre.

...e compreendeu os movimentos culturais!

Sua humanidade saiu das salas de arcondicionado. ..

«Especial Vitor Ramil»? Cadê a Calypso?

Mas um dia sentiu saudade da vaidade e ligou para um importante empresário, seu amigo...

Aprendeu a andar de ônibus como toda a gente...

Ai , quero minha vida de volta!

Joãopedro, sou eu! Snif...

Tenho saudades quando brincávamos com pesquisas de opinião e comíamos profiteroles!

Moral da História: «Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.» (LFV)

Preferindo manter seu gosto pela breguice cultural...

Assim, nosso personagem encomendou profiteroles

Direção: César Camargo e Cristiane de Freitas Elenco: Elison Couto- André OliveiraCristiane- Muriel de Freitas- Ivana de Freitas- Alemão da Fruteira


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Receba nosso informativo cultural! Programação Cultural Receba a programação cultural de Porto Alegre e arrepie os cabelos com as reflexões de diversos blogueiros engajados com a boa informação.

Fotonovelas

Cartunismo Motivo de prêmios regionais e nacionais, dada sua originalidade e senso crítico, abrangendo temáticas sociais de amplo conhecimento das pessoas.

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Os mais importantes e desconhecidos cartunistas do cenário gaúcho!

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World

Autolocadora

Artista, envie sua programação cultural!

www.worldautolocadora.com.br Fone: 3029.1850 End: Rua: Livramento, 681 Santana - POA-RS


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VARANDA CULTURAL

Vou para o hospital... Maldita dor de barriga!

Na fila de espera...

Preciso de um médico urgente !

O próximo!

Meu nome é Adelino Silva e estou com dor de barriga faz dias!

Pois não?

Droga, pedem até meu histórico escolar!

Adelino Silva!

Preencha a ficha e aguarde.

Tá faltando o CEP...

Arrume e volte prá fila de novo...

EU QUERO SEGURANÇA! SER ATENDIDO!

Quer achar culpados, culpe o sistema!

Tá desculpa desculpa !

Seu número de atendimento é o 4.

Pelo menos com esse número serei o próximo...

O SORTEIO para o atendimento vai começar.

Doze horas depois, e com fome...

Ficha 4 !

Olá pacientes! O show vai começar!

Isso mesmo, o SORTEIO pro atendimento vai começar...

E o atendimento para médico urologista vai para...

Como é que é?

número 30! Até que enfim farei minha cirurgia !

Ganhei!

NÚMERO 4

No Ginecologista...

E o atendimento ao ginecologista vai para...

Moça, creio que meu caso seja de outra especialidade...

Ginecologista?

Ou aceita ou espera mais uns dias na fila...


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Pode ser dismenorréia, cisto no ovário, nódulo no seio...

Mal consigo andar e a cólica é constante..

E o que mais? Doutor, não aguento mais essa dor de barriga!

Mas eu sou homem!

O MÉDICO aqui sou eu. Deita na maca e vamos fazer o papa Nicolau!

Mas mas mas...

Do conforto do seu lar você pode marcar a consulta por telefone!

Seus problemas acabaram com o 0800! Moça, não era esse médico. Tenho que entrar na fila de novo? Não mais!

Ligue Já ! 0800, o serviço feito prá você !

Em casa...

Adeus espera ! Viva o respeito ao cidadão !

Você ligou para o fone da saúde!

Sem fila, burocracia e toda a qualidade do atendimento ao público !

Tecle 5 para para tirar verruga...

Tecle 12 para canções de ninar...

Tecle 1 para exames de urina...

Nossas posições estão ocupadas...

Direção: Cristiane de Freitas César Camargo Elenco: Luciano Zoch Cristiane de Freitas Sandra Coelho Luana Vidal César Camargo Amanda Barreto

Ligue mais tarde! tu tu tu tu tu..

FIM


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UMA ADVOGADA SOBERBA...

TODA CIDADE POSSUI SEUS ARROGANTES... UM EMPRESÁRIO PETULANTE...

UMA EMERGENTE QUE ‘SE ACHA’...

o d l i g Ego

Direção: César Camargo e Cristiane de Freitas Fotografia: Jener Gomes Elenco: Elison Couto- Sandra AlencarCristiane de Freitas- César Camargo

MAS HOJE FALAREMOS DE UM TIPO COMUM NO MEIO ARTÍSTICO...

Só porque fez uma oficina com o Marco Nanini... Egogildo Pujina é um arrogante típico...

...que desfila impassível sobre a massa.

Tu sabe com quem tá falando?

Baita mala!

Só pensa em si!

Eis que Egogildo recebe um convite.

Dá a rosquinha pro Nanini...

«Compareça na rua Quiprocó da mãe pelada...

Porque eu e o Nanini somos muito íntimos...

Egogildo santifica pessoas que julga superiores...

...e é soberbo com pessoas que julga inferiores...

...para receber uma homenagem em seu nooooome!»

...mas fomos amigos de infância!

Orgulhoso, escreve seu texto de agradecimento! Porque eu e o Nanini...


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O local é um terreno baldio...

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Será que era no Teatro do Sesi ?

Quando...

Egogildo Puggina?

Sim baby?

Ele vai ver o que é bom prá tosse!

?

Glargh!

Não te aguentamos mais Egogildo!

Onde estou ?

Quem são vocês ?

Quem faz as perguntas sou eu!

Sabe quem é esse aqui?

Fala anta! Paulo Maluf?

PLAFT!

E assim fazem uma lavagem cerebral... Eu amava um pescador ! É Dalai Lama seu arrogante!

PLAFT!

Quem é esse aqui?


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Por onde for...

Fala mula!

É o Osho seu metido!

Papai Noel?

Obrigado a decorar Edgar Morin e Alan Kardec no original, Egogildo sofre!

? Quem é essa aqui?

Quero ser seu paaaar !

Pede pra sair!

Mas essa é a Xôxa!!

Ela não é humilde e fez filme erótico!

E daí, eu amo ela...

Pede pra sair!

Falei com São Francisco e ele disse:

Ela é a minha rainha !

PAREM !

Enche-se de felicidade aquele que vê, sem inveja, a felicidade dos outros...

Egogildo se transforma !! Ativista dos Direitos Humanos...

Ele entendeu!

Fábrica de calcinhas !

...se realiza em trabalhos mais humildes...

Só pensa nos outros!

...e luta pela defesa das orcas: Egogildo é outra pessoa!

Papinho Hiponga!

Dá a rosquinha pra orca então...

Temos que pensar nas orcas, blá blá blá..

FIM


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TUBA Tuba Van Gogh

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Marcos Ribeiro Mendes (Tuba)artista gráfico do humor. Desenhista,ilustrador , cartazista e caricaturista, nasceu em Cachoeirinha, RS, (Brasil ) em 1965, iniciou na arte da caricatura em 2000.

Desde então participa de salões e exposições nacionais e internacionais. com várias premiações em salões de humor. É integrante da (GRAFAR), Grafistas Associados do Rio Grande do Sul, associado na ABIPRO Associação Brasileira dos Ilustradores Profissionais.

www.tubacaricaturas.blogspot.com.br/


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Santiago

Santiago nasceu em 1950, quando esfriava a guerra quente e esquentava a guerra fria, na cidade de Santiago, interior do Rio Grande do Sul. Foi batizado Neltair Abreu, nome que ainda usa para ir ao cartório. Começou desenhando nas lajes da calçada, para onde corre o perigo de voltar devido à crise editorial do país. Na escola caricaturou colegas, professores e políticos locais, e então tomou conhecimento dos riscos da profissão do traço. Em 1970 emigrou para Porto Alegre, trabalhando como desenhista técnico na indústria. Ingressou na Faculdade de Arquitetura, onde ganhou o apelido de "Santiago", que terminou adotando como pseudônimo nos jornais estudantis, fugindo assim da censura política e do "Neltair". Em 1975 ingressou como profissional e manteve uma charge editorial no jornal Folha da Tarde até o seu fechamento, o qual ocorreu não pelo salário que ganhava. Colaborou ainda para a Folha da Manhã, Correio do Povo, Coojomal, Pasquim e mais recentemente para o Estado de Sâo Paulo. Ganhou dez vezes o prêmio da Associação RioGrandense de Imprensa para a melhor

charge editorial. No Salão de Piracicaba foi premiado cinco vezes, até ser escolhido "Presidente de Honra" em 1991. Em 1988 a agência de notícias "Sofia Press", da Bulgária, Ihe concedeu o primeiro lugar no concurso pacifista "Guerra à Guerra". 0 prêmio foi entregue em cerimônia na cidade de Varna, litoral do Mar Negro, onde sobreviveu à sopa de iogurte e aos discursos em búlgaro. Arrebatou prêmios médios em quatro ocasiões no Concurso Anual de Cartuns do jornal japonês Yomiuri Shimbun, e em 1989, no dia em que completava 11 anos de casado, foi informado da conquista do cobiçado "Grand Prix", o prêmio máximo de 11 mil dólares. Ciscou ainda alguns troféus em salões do Canadá, Alemanha e Turquia. Possui alguns originais no acervo permanente do Museu da Caricatura de Basiléia, Suíça, embora preferisse um acervo de notas verdes numa conta numerada. Vive e trabalha como cartunista free-lancer em Porto Alegre.


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Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA

Pelópidas Thebano Tinta acrilica, cola relevo e verniz. 2010

"O planeta não precisa de mais 'pessoas de sucesso'. O planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todo tipo. Precisa de pessoas que vivam bem nos seus lugares. Precisa de pessoas com coragem moral dispostas a aderir à luta para tornar o mundo habitável e humano, e essas qualidades têm pouco a ver com o sucesso tal como a nossa cultura o tem definido." Dalai Lama

Sobre o grande autor da pintura: Meu nome é Pelópidas Thebano Ondemar Parente, nasci no dia 23 de abril de 1934. No curso primário me destaquei na arte do desenho artístico. Participei no concurso Estadual patrocinado pela Liga de Defesa Nacional, periodo de 1946 a 1947. Na década de 50 a 90 destaquei-me como figurinista de bloco de carnaval. No serviço público estadual como desenhista técnico profissional em arquitetura, paisagismo, urbanismo topografia e engenharia. No ano de 1985 até os dias de hoje passei a ser artista plástico e escultor. Apresentações coletivas em artes visuais e em diversas instituições. E-mail: pelopidasartplastico@terra.com.br


Edição 14 Comemorativa