Issuu on Google+

Ano 4

E

№ 35

Setembro/Outubro de 2011

Flores e muita animação

i, Sem Terrinha! Chegamos ao mês de outubro! Outubro é aquele mês do ano em que ouvimos falar, em todos os lugares, sobre o dia das crianças! É por isso que escolhemos outubro para a nossa Jornada Sem Terrinha. É nesse mês que todas as crianças Sem Terrinha se juntam para lembrar todo mundo que todo dia é dia de ter os seus direitos respeitados, que todo dia é dia de estudar, aprender, brincar e, principalmente, criar! Quando muitas pessoas se juntam para dizer o que precisa mudar para que o mundo se torne um lugar justo e lutam por isso, as coisas são transformadas. Afinal, as coisas só não mudam se a gente fica quieto, não é?

sabia que aqui no nosso país isso também aconteceu? Durante muito tempo, o Brasil foi uma colônia de Portugal. Muita coisa aconteceu para que nosso país conquistasse, enfim, a sua independência, que significa o próprio país poder decidir o que é melhor para quem vive nele. Mas será que a independência do Brasil trouxe a independência para todas as mulheres, homens, meninas e meninos desde aquela época até hoje? Vamos tentar descobrir?

E por falar em direitos, você já deve ter ouvido falar dessa mania que alguns países têm de chegar a um novo país, onde já viviam pessoas, adultos e crianças, e dizer que aquele lugar ali é seu. Pois

É com a alegria das cores da primavera que vamos rumo à nossa Jornada Sem Terrinha desse ano! Depois, que tal você contar pra gente como foi a Jornada no seu estado?

Pra não dizer que não falei das flores... não podemos deixar de lembrar desse perfuminho gostoso e de todas essas cores que apareceram por esses tempos! É que chegou a primavera! Essa época tão bonita, em que a natureza se enche de flores pra lembrar pra gente o quanto gosta de nós.


E

m 1807, um príncipe português chamado D. João – que àquela época era um rio, e não um posto de veio para o Brasil com mais 10 mil pessoas. Veio gasolina – Pedro decidiu que já era hora. Levantou fugindo, com os “nobres” e metade das riquezas de sua espada e disse: “Independência ou morte!” Era Portugal, com medo do exército de 7 de setembro de 1822. D. Pedro I, um imperador francês muito imperador do Brasil, ainda poderoso, Napoleão concederia benefícios Bonaparte. A mãe aos portugueses, para dele, a Rainha D. que aceitassem a Maria I, achou “independência”. aquilo uma loucura Um negócio de (porque de loucura pai para filho... ela entendia muito Foi assim que, há bem). Chegaram aqui 189 anos, ficamos em 1808, tirando um livres de Portugal. monte de gente de suas Porém, continuamos presos casas para dar lugar à “família ao latifúndio e à escravidão, e real” – que até hoje existe! Naquela época, indiretamente, à Inglaterra. Chico Alencar* ele criou algumas coisas bacanas: o Banco Hoje, no Brasil todo, em 7 de setembro do Brasil, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico, e a organizamos o Grito dos Excluídos, para lembrar dos Imprensa Régia, que só sabia falar bem dele. (Não milhões de brasileiros sofridos que jamais foram adiantou, porque ainda hoje ele é conhecido por ter independentes. O jeito mais legal de celebrar essa sido muito comilão.) data é deixar aceso dentro da gente o orgulho de

Dizem que foi um tempo de progresso. E foi ser brasileiro. É ficar feliz de ser uma cidadã ou um mesmo, mas só para os mais ricos. Para os escravos e cidadão do Brasil, terra de Dom Helder, de Irmã pessoas pobres, a vida continuou muito difícil de se Dulce e de Chico Xavier. Terra de Pelé e Neymar. levar. Muitas ideias de independência e patriotismo De Niemeyer, Glauber Rocha, Machado de Assis. De circulavam pelo nosso continente americano. A vida Tom Jobim e Chico Buarque. De Zumbi e Leila Diniz. aqui não estava nada fácil, com impostos caríssimos. Terra de muitos anônimos que construíram esse país: E a verdade é que ninguém aguentava mais ser colônia Maria lavadeira, João pedreiro, Rosa operária, José de Portugal. Foi então que, em 1821, D. João resolveu lavrador. E de pudim e feijoada, pipa e “pelada”. Terra voltar à Europa. Ele tinha um filho que se chamava de seu pai, da sua mãe, e de você. Terra de tantos e Pedro, e com mais 17 tão grandes mulheres sobrenomes. Foi quem e homens! O Brasil “Um povo livre vive num país livre, na cidade livre, na rua livre, na casa livre ficou tomando conta contraditório desse Colônia e escravidão caminham na mesma direção. do Brasil. século 21 é bonito Quem declara independência, e não declara a abolição por sua cultura, Lá em Portugal, sua ciência e a Vai ver não é livre nada, apenas mudou de patrão.” com a morte de criatividade de seu sua mãe, ele virou o Milton Nascimento e Fernando Brant, povo. Nosso país, rei D. João VI. na canção “Ser livre”- Brasil Vivo, Ed. Vozes nossa bandeira. Era pressionado para que o Brasil voltasse a ser colônia, já que tínhamos sido promovidos a sede do Reino. Os brasileiros não aceitavam, e pressionavam Pedro. Um dia, passeando nas margens do Ipiranga

O

é elaborado coletivamente pelos Setores de Educação, Comunicação e Cultura.

Os desenhos são feitos por crianças Sem Terrinha de todo o Brasil. Agradecemos também a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para este trabalho, em especial aos Sem Terrinha do Estado de São Paulo. Esta edição faz parte do Jornal Sem Terra nº 315 Correio eletrônico: semterrinha@mst.org.br Página na internet: www.mst.org.br

2

É muito bacana cantar o hino nacional, mas ser patriota é mais do que isso. É ajudar a construir, na família, na escola, na vila ou rua onde se mora, um Brasil melhor. Porque

O espaço também é seu!

Escreva você também para o Jornal das Crianças Sem Terrinha. Mande suas críticas, elogios, sugestões, poesias e desenhos. Anote aí o nosso endereço: Alameda Barão de Limeira, 1232, Campos Elíseos, São Paulo, SP CEP 01202 - 002 Correio eletrônico: semterrinha@mst.org.br

Jornal SEM TERRINHA • Setembro/Outubro 2011


esse que está aí é lindo, mas não é justo, tem muito problema, muita desigualdade, precisa melhorar. E a geração que vai mudar o Brasil é essa que está vindo! Esses jovens conscientes do país inteiro! Eles que vão mudar o Brasil sendo bons estudantes, honestos, batalhadores, e enfrentando injustiças, dentro dos grêmios estudantis, das associações de bairro, nos assentamentos, acampamentos, igrejas e praças. Lutando junto melhora! Quando não houver mais nessas terras a dor da fome, da violência, da corrupção, e quando não houver

tanta desigualdade e exploração, poderemos, enfim, todos juntos, procurar as margens de um rio qualquer. Então, levantaremos nossa espada de madeira e gritaremos, finalmente: “Independência e vida!”. Santo Agostinho dizia que só há nação quando o povo tem um sonho em comum. Vamos sonhar o Brasil da igualdade, justiça e fraternidade?

*Chico Alencar é professor de História

Jornal SEM TERRINHA • Setembro/Outubro 2011

e deputado federal (PSOL-RJ)

3


VAMOS PINTAR? Será que você consegue ligar os patinhos sem encostar na borda do caminho? Aposto que sim! Depois não se esqueça de colorir o desenho.

Dica de atividade: TEATRO DE SOMBRAS O teatro de sombras é uma arte muito antiga, que teve a sua origem na China, espalhando-se depois por outros países da Europa. Podemos utilizar esta técnica para contar histórias e incentivar as crianças a produzirem suas próprias narrativas, com personagens reais ou inventados. Não demanda muitos materiais e é bem simples de fazer: Tire o fundo de uma caixa de papelão e faça um recorte na parte da frente; este será o cenário. Pinte a caixa com cores escuras e cubra as frestas, para não vazar luz. Depois prenda por dentro um tecido branco, formando uma tela. Para contar uma história, recorte personagens

4

em cartolina e prenda em varetas. Num espaço escuro, é só passar por trás da tela e acender a lanterna por trás de tudo para as sombras aparecerem. Escreva pra gente contando como foi!

Jornal SEM TERRINHA • Setembro/Outubro 2011


Jornal Sem Terrinha set de 2011