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EXPEDIENTE Revista Brasis Moda - Cultura - Decoração Belo Horizonte - Minas Gerais Novembro / 2016 1400 exemplares - semestral

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VANESSA PAIVA Textos Pesquisa e desenvolvimento

VITÓRIA KERN Textos Pesquisa e desenvolvimento

MARIELLA NORREMOSE Revisão de textos Designer Gráfico Diagramação

LORENA RODARTE Textos Designer Gráfico Diagramação


COLABORADORES GEANNETI TAVARES DANILO SIMÕES MARIA MAGDA SANTIAGO RONALDO FRAGA JESSICA MACHADO KATHRYN JUSSARA

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BRASIS 10 I MESCLA CULTURAL NAS ESTAMPAS 12 I DECOR MULTICULTURAL - DUDU BERTHOLINI 16 I MINAS TREND 19 I SÓ A ANTROPOFAGIA NOS UNE - EDITORIAL 30 I TARSILA DO AMARAL 33 I MUSEU JECA TATU 34 I O BORDADO E AS RENDEIRAS 39 I TROPICALISMO EXCÊNTRICO - EDITORIAL 48 I SABORES DO CERRADO 50 I DESIGN BRASILEIRO: TALHERES 52 I LOJA COLABORATIVA - BRILHO BRAZIL 54 I TENDÊNCIA, ESTILO E ESSÊNCIA 56 I INSTITUTO BY BRASIL

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C A R TA AO LEITOR A BRASIS traz a identidade brasileira, de forma descontraída e por um olhar inovador, através da moda, arte, literatura, decoração e gastronomia. Queremos que você tenha não só um objeto de informação, mas também de decoração e coleção. Com conteúdo diverso, o nosso proposito maior é resgatar a “Marca Brasil” buscando explorar e conhecer o que é nosso. Conduzindo você, leitor, a um olhar diferente sobre a história, os acontecimentos e tudo que envolva brasilidade. Em um mundo onde tudo se apropria, no Brasil não poderia ser diferente. Nesta primeira edição inspiramos e exploramos o tema antropofagia cultural, mostrando como esse grande movimento social, artístico e literário, que existiu em meio ao modernismo no século XX, se mantém presente até os dias de hoje por aqui. Através do manifesto antropofágico, texto que critica a dependência cultural brasileira escrito em 1928, Oswald de Andrade que era um escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro expressou a sociedade o sentimento de perda de uma identidade genuína. Então ao abordar matérias com esse tema, a revista será mais um meio de valorização a tudo que tem de belo e interessante herdado de um misto de várias culturas que formam a originalidade brasileira. Acreditamos que o nosso país tem muito a oferecer, apesar das dificuldades vistas e vividas nos últimos tempos, onde acabamos olhando mais para “fora” do que para o que nos cerca. Mostraremos uma fortuna não explorada por aqui. Quer descobrir? Vem com a gente... BRASIS |

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ESTILO NA S RUA S: A M E S C L A C U LT U R A L N A S E S TA M PA S COMO OS BRASILEIROS EXPRESSAM O MISTO DE CULTURA DO PAÍS POR MEIO

Foto: Fonte Divulgação

DAS IMPRESSÕES EM SUAS ROUPAS

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o analisar a história de formação e colonização do Brasil, percebe-

se que é inegável a influência cultural de outros povos misturada com a local, e que até hoje é um país muito diversificado. Isto reflete na imagem do povo brasileiro, e um dos objetos de fácil identificação dessa influência é a estamparia. As estampas estão cada vez mais presentes no dia-a-dia na sociedade não só nas roupas mas também em bolsas, mochilas e sapatos. Aparecendo de diversas formas e tipos, como étnicas, geométricas, florais, camufladas, xadrez, listras, poá, tribal, animal en-

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tre outros.

uma forte característica dos brasileiros.

Estampas podem dizer muito sobre o es-

Esta visão na moda é claramente visível

tado de espírito de quem as usa. Como

na estamparia, que reflete uma mistura

exemplo as estudantes de moda que ao

de imagens de várias culturas, pois a todo

serem questionadas se gostam e o que

o momento pessoas misturam estampas,

sentem ao usar estampas dizem que “Sim,

usam símbolos que representam ou lem-

floral, suas cores encantam meus olhos e

bram outras culturas, outros países.

lembra beleza, um jeito bonito de ver a

Fato que demonstra o caráter de unifica-

vida”- Thaís Figueiredo - e - Laíssa Lo-

ção e poder que a antropofagia possui no

pes- “Eu gosto de estampas geométricas,

mundo da moda. Bem como nas estam-

animal e florais, mas nada muito exage-

pas podemos representar culturas diver-

rado, porque para mim as estampas dão

sas, mesclar estampas, mesclar culturas,

um ar de elegância e a mulher se sente

referencias, formas. Foto: Lorena Rodarte

poderosa também”. A moda é um fenômeno que tem papel importante na imagem e identidade de alguém, e para isso ela se apropria de várias ideias. E assim as marcas quando buscam tendências e influências através

“O lenço era da minha mãe, eu pedi emprestado porque vou apresentar uma peça e interpreto uma nordestina, então as flores e a cor com o lenço na cabeça me lembram a personagem”. RAQUEL MODELO, DESIGNER E ATRIZ

do contato com outras culturas, principalmente num momento pós-globalização onde se é bombardeado de imagens e in-

paria de forma que as marcas criam de uma mesma inspiração, mas cada uma tem sua identidade refletindo seu dna nas

Foto: Fonte Divulgação

cla cultural para a criação e na estam-

Foto: Lorena Rodarte

fluencias a todo tempo, trazem uma mes-

suas impressões. Este misto de cultura é a Antropofagia, palavra que em seu significado simbólico é assimilar uma cultura a outra, o que é

“Escolhi essa estampa porque gosto das cores, ela me lembra a Índia”. ÉRIK BELICIO ESTUDANTE DE MODA

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DECOR M U LT I C U LT U R A L por Vanessa Paiva

UMA DECORAÇÃO PODE DIZER MUITO – OU TUDO – SOBRE O ESTILO, VALORES E MOSTRAR AS INFLUENCIAS QUE ESTÃO SOBRE O DONO. E NINGUÉM MELHOR DO QUE O FASHIONISTA DUDU BERTHOLINI PARA PROVAR ISSO.

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udu Bertholini é um estilista consagrado, que trabalhou em grifes como Triton e Colcci, além de produzir

diversos editoriais de moda para a Vogue e Elle Brasil. Atualmente conduz sua própria marca – Neon – e atua como consultor criativo na TV. Extravagante, Dudu Bertholini sustenta seu estilo único que é reafirmado na decoração de cada canto da sua casa, um apartamento em um prédio dos anos 40 no bairro Higienópolis, na capital paulista. Por incrível que pareça, Dudu não é do tipo que investe em objetos conceituados de design. A decoração e formada por objetos trazidos de viagens, presentes, lembranças de desfiles ou até mesmo peças de vestuário e acessórios. O que ele curte mesmo é misturar elementos e conceitos que juntos revelem mais da sua história e seu estilo exuberante, tropical e contemporâneo. Uma enorme coleção de corujas é encontrada logo na entrada. Dudu costuma brincar que elas são as “hostess” –recepcionistas – do apartamento. Em uma sala com paredes vermelhas e espelhos, o sofá de patchwork étnico, composto por tecidos de diferentes culturas, faz referencia as muitas viagens realizadas. Uma variedade de plantas, pedaços de tecidos e obras de arte garimpadas na famosa Feira do Bexiga – feira de antiguidades que acontece aos domingos em São Paulo – compõem a decoração da casa. Como um bom estilista, criativo e exótico, Dudu dá dupla função e significado aos seus famosos kaftans,

Foto: Fonte Divulgação

utilizando-os não só como peça de vestuário, mas também como manta no sofá, adereço de cadeiras e capas de almofadas. Seus acessórios são expostos em paredes, divididos em temas, também com o intuito de decorar.

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É nítido o misto de culturas, elementos, conceitos e estilos que compõem a decoração e definem a identidade de Dudu Bertholini. Mas mesmo com tantas referências e influencias internacionais, deixa claro que não se cansa de encantar com o Brasil. Como ele mesmo diz: Minha casa revela tudo o que sou! Assim como a casa de Dudu, todo ambiente reflete seu proprietário com objetos que sempre fazem alguma referência a lugares, simbologias, culturas ou momentos. E quando observados remetem a algo que, original e individualmente, não possuem o mesmo significado. No entanto, através da admiração e em conjunto com outros objetos e peças de decoração passam a ter outra definição, refletindo assim

Fonte: Site Casa Vogue

Fonte: Site Casa Vogue

a identidade e estilo de quem pertence.

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MINHA CASA REVELA TUDO O QUE SOU! Dudu Bertholini


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MINAS TREND PRE VIEW OUTONO/INVERNO 2017 por Vitória Kern

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Foto: Fonte Divulgação

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Foto: Fonte Divulgação

Identidade cultural em um todo está relacionada ao que somos e à maneira como vemos o mundo e como nos posicionamos em relação a ele. Esse processo é contínuo. É importante entender que nossa cultura não é algo fixo e imutável, e sempre está mudando de acordo com as experiências vividas por nós.

Foto: Fonte Divulgação

conteceu em Belo Horizonte, entre os dias 4 e 7 de outubro, a 19° edição do Minas Trend Preview, um evento que reúne estilistas e expositores da grande capital mineira. O Minas Trend é considerado um dos maiores acontecimentos de moda do país. São desfiles, palestras, salão de negócios para os lojistas, formadores de opinião e jornalistas, que vêm de todo lado do Brasil, e por isso é considerado um espaço muito importante para a geração de negócios. O evento motiva a troca de conhecimento e interação entre os profissionais, além de estimular o crescimento e a organização do setor da moda. O estilo Barroco e Modernista molda a cultura local e absorve influências, levando consigo o caráter miscigenado junto com o estilo exuberante e decorativo que chama bastante atenção. O conceito do desfile é destacar a tradição e acrescentar nas inspirações e processos produtivos, que são apanhados no meio de uma cultura ou no meio das artes, reproduzindo por meio as inspirações de um modo contemporâneo e inovador, investindo em matérias primas diferenciadas. Com o tema proposto para esta edição intitulado ‘Aqui se cria’ é celebrada a vanguarda do barroco mineiro e o modernismo, que são fontes de inspiração dentro do processo criativo, buscando o resgate, a importância da identidade cultural como diferencial.


Foto: Fonte Divulgação Foto: Fonte Divulgação

Doisélles - As peças mostraram mais da alfaiataria minimalista e arquitetônica, com inspiração nos conceitos de expressionismo abstrato, e buscaram bastante a identidade cultural mineira desfilando peças feitas em tricô e crochê. (fonte: blog chic)

Natália Pessoa – A inspiração para a coleção foi retirada no livro Carnaval, de Manuel Bandeira, e foram utilizadas matérias como a malha e o tricô, resultando em misturas inesperadas e um carnaval de cores.

Foto: Fonte Divulgação

Confira alguns dos desfiles que chamaram atenção:

(Foto: Ze Takahashi/Fotosite)

Desfile da marca Doisélles (fonte da imagem: heloisasantos.com.br)

Foto: Fonte Divulgação

Foto: Fonte Divulgação

Modem – O primeiro desfile da marca mostrou uma alfaiataria minimalista e moderna com inspiração no expressionismo abstrato.

Plural – Com o tema da coleção intitulado de “As águas do meu querer”, teve inspiração nas águas doces dos rios e tudo que está as suas margens.

(Foto: Ze Takahashi/Fotosite) (Foto: Ze Takahashi/Fotosite)

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SÓ A

antropofagia NOS UNE

Fotos: Lorena Rodarte Beleza: Mariella Norremose Styling: Vanessa Paiva Modelo: Kathryn Jussara Figurino: Acervo RONALDO FRAGA

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TA R S I L A D O AMAR AL ENTRE INFLUÊNCIAS, RELEITURAS E INSPIRAÇÕES

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arsila do Amaral foi uma das precursoras do movimento Antropofágico e através de sua arte pode inspirar outros artistas, pensadores e escritores da época, tornando-se uma das artistas mais conhecidas e importantes do país, influenciando diversos artista até hoje. Tarsila nasceu em 01 de setembro de 1886, no Município de Capivari, interior do Estado de São Paulo foi uma pintora e desenhista brasileira e precursora do movimento modernista no Brasil. As principais características de suas obras são o uso de cores vivas, influência de diversos movimentos artísticos como o cubismo (uso de formas geométricas), dadaísmo e até mesmo o futurismo, abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil eestética fora do padrão (influência do surrealismo.

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A obra de Tarsila pode ser dividida em fases, sendo que a primeira se inicia em 1924 e é denomina Pau-Brasil. Nela Tarsila rompe completamente com qualquer tipo de conservadorismo e enche suas obras de formas e cores, refletindo sobre temas tropicais brasileiros, exaltação da fauna, flora, das máquinas e dos trilhos símbolos da modernidade urbana que contrastavam com a riqueza e diversidade de todo o país.

Foto: Fonte Divulgação

Foto: Site Oficial Tarsila do Amaral

por Vanessa Paiva

Fase Pau Brasil - O Pescador, 1925, Tarsila do Amaral

A segunda fase da artista chama-se Antropofágica e foi idealizada juntamente com seu marido na época, Oswald de Andrade. Em busca de digerir


Foto: Fonte Divulgação

Foto: Fonte Divulgação

influências estrangeiras, que eram comuns à época, para que a arte feita por eles tivesse feição mais brasileira neste momento mais precisamente em janeiro de 1928; Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade.

Fase Antropofágica - Antropofagia, 1929, Tarsila do Amaral

Amaral

Pintou o ‘Abaporu’. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro fantástico. Eles acharam que parecia uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico, dando início ao Modernismo brasileiro. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro. Valorizando o nosso país. Abaporu se torna o mais famoso e valorizado quadro da arte moderna brasileira até os dias atuais, essa era a figura do brasileiro que estava em seu chão, mas que comia outras culturas, sem sequer se dar conta do que estava ao seu redor, a sua própria cultura, a sua terra.

Foto: Fonte Divulgação

Fase Antropofágica - Abaporu, 1928, Tarsila do

A terceira e última grande fase na obra de Tarsila é a Social, que se dá com a sua ida para Paris, onde ela trabalha como operária em uma construção. Em 1933, a partir do quadro Os Operários, a artista inaugura uma fase de criações voltadas para os temas sociais da época e a situação dos trabalhadores. Em seguida, a pintora retoma temas de fases passadas inserindo novos elementos e temas como o religioso.

Fase Social - Os Operários, 1933, Tarsila do Amaral

RELEITUR AS DE OUTROS ARTISTAS Ao longo dos anos as foram feitas diversas releituras do famoso Abaporu, e muitas novas versões da obra feitas por artistas famosos como Romero Brito ou por artistas desconhecidos foram surgindo. Estas releituras são interessantes, pois ressaltam a importância da obra além de trazê-la a um contexto mais atual que pode ser apreciada desde

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Foto: Fonte Divulgação

Foto: Fonte Divulgação

Releitura do Abaporu por Romero Britto.

Além de releituras, artistas atuais se inspiraram na obra de Tarsila, trazendo elementos que remetem a suas técnicas. Eloir Jr., um artista plástico curitibano, homenageia a pintora brasileira.

Foto: Fonte Divulgação

Fonte: http://www.arte.seed.pr.gov.br

os jovens aos mais idosos, é comumente usada na decoração e de certa forma conta uma parte da história do nosso país, mostra que o caráter antropofágico que surgiu lá trás, mas persiste através dos tempos e está cada vez mais presente na modernidade e no mundo globalizado.

ABAPORUSKYJ Acrílica s/tela - 2014

Artista que assina como Rite traz o Abaporu representando supostamente o jovem da atualidade.

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Em meio a tantas influencias e semelhanças, vemos a antropofagia sendo representada e utilizada na arte de forma bela e tão evidente. Pois quando nos inspiramos em algo ou em alguém, quando pegamos algo que já existe e o colocamos sob a nossa visão e percepção, e quando se misturam referencias e culturas, lá está a antropofagia.


JECA TATU,

HERANÇAS E

BRASILIDADES por Lorena Rodarte

Foto: Site IPHAN

Foto: Site IPHAN

se sentir transportado no tempo. Além do acervo, o museu oferece na lanchonete um prato típico da região de Itabirito, o pastel de angu. A valorização de locais como esse exalta a autenticidade cultural brasileira e mineira através da arte da lembrança e da memória. O Museu Jeca Tatu é uma herança muito valiosa dos brasileiros para o mundo.

Foto: Site IPHAN

useu Jeca Tatu é um local onde são guardados milhares de objetos que já fizeram parte do cotidiano de quase todos os brasileiros durante a década de 1970 e posteriormente, reunindo desde triciclos a vários modelos de rádios retrô. O Museu surgiu em novembro de 1998 e a ideia era criar um espaço para paradas na estrada, mas a cada dia era colocado um objeto a mais no local até se tornar esse grande patrimônio. Localizado a 60 km da capital mineira Belo Horizonte, se instalou em uma curva da estrada para Ouro Preto. Convida as pessoas a conhecerem um ambiente que por meio dos instrumentos musicais, carros, telefones, porcelanas antigos, nos mostram uma parcela do estilo de vida das pessoas na época. A visita começa com um ônibus escolar antigo e amarelo na entrada, o qual foi transformado em uma biblioteca. E ao entrar já podemos observar a figura de um homem de cabelos brancos chamado Leonardo, proprietário e fundador do museu imerso aos diversos objetos. E o ambiente é climatizado com a música de uma vitrola tocando vinis de grandes artistas como Roberto Carlos, Alceu Valença, estes que fazem parte da imensidão de discos que compõem o acervo e decoram o ambiente. Ao percorrer os corredores preenchidos com tantas memórias, podemos encontrar uma coleção de moedas de vários países e tempos, um piano e máquinas de escrever. O mais interessante é que tudo pode ser tocado, e visto bem de perto, pode-

Foto: Site IPHAN

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O BORDADO E AS RENDEIRAS DO BR ASIL O BORDADO É A ATIVIDADE ARTESANAL MAIS DIFUNDIDA E PRATICADA NO BRASIL SEGUNDO DADOS DO IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA); JÁ AS RENDEIRAS POR SUA VEZ, ALÉM DE TRAZEREM A BELEZA E A DELICADEZA DESSE TRABALHO MANUAL, AINDA GERAM RENDIMENTOS, PRINCIPALMENTE PARA O NORDESTE DO PAÍS.

por Vanessa Paiva

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O

IBGE indica que a arte de fazer renda foi intro-

Como funciona?

duzida no Ceará no século XVII por mulheres

Os bilros são uma espécie de haste de madeira

de colonos portugueses, técnica que era comum em

com cabeças pequenas em uma das pontas, em

Portugal e em outros países da Europa. Já no sécu-

uma dessas pontas a linha é amarrada. A renda

lo XVIII, a renda do Ceará passa a ser famosa nos

de bilros é feita em cima de uma almofada que

países europeus quando viajantes visitavam o Bra-

pode ser presa a um suporte ou apoiada em uma

sil, compravam e levavam lençóis, toalhas de mesa,

cadeira ou banco. A almofada funciona como

blusas e outras peças sempre muito delicadas feitas

base para o molde ou esquema a ser seguido pela

pelas rendeiras.

rendeira que prende os fios e o molde à almofada

A arte é praticada principalmente por mulheres de

com alfinetes e trabalha trançando os bilros que

pescadores e até suas filhas, as estimadas rendeiras

sempre são utilizados aos pares.

estão sempre à beira da praia ou em locais abertos

Além de uma técnica manual e muito antiga pode

onde as pessoas podem ver e admirar o trabalho com

se afirmar também que é ecológica e sustentável,

bilros e comprar suas peças. Até os dias de hoje a

pois usa de recursos advindos da natureza, os bil-

renda do Brasil é conhecida mundo afora e garante o

ros são coletados de arvores e as almofadas são

sustento de muitas famílias.

geralmente feitas com enchimento de crina, ser-

Existem inúmeras técnicas de fazer renda e a de bil-

ragem ou algodão é o que conta o Blog do Jeff-

ros é uma das mais conhecidas e praticadas:

celophane que tem o ofício de divulgar a cultura popular Brasileira e pode ser acessado através do site (https://jeffcelophane.wordpress.com/2011/03/09/ rendeiras-as-mulheres-que-tecem-o-dia-a-dia-com-finos-fios/). Mais antigo do que a renda, o bordado supostamente se originou ainda na pré-história. O homem das cavernas utilizava linha feita de fibras vegetais ou tripas de animais e agulhas feitas de ossos fazendo o popular ponto cruz para costurar suas vestes, geralmente feitas de pele de animais. O Bordado é basicamente a arte de decorar com figuras, utilizando fio e agulha, sempre aparece durante a história de inúmeras civilizações antigas

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como no Antigo Egito, Roma, Pérsia, Índia e China

pacidade que nós temos de assimilar um pouco da

nas roupas adornadas ou em artigos e utensílios de

vida cotidiana dos outros à nossa, enquanto a nossa

casas e decoração.

cultura também é assimilada pelo outro. O movi-

Saber bordar era muito valorizado pelas mulheres

mento antropofágico permite abrir fronteiras e, com

no século XVIII, revistas femininas traziam passo a

base nessa afirmação, é inevitável ao explorarmos

passo e desenhos, hoje o bordado pode ser feito

esses trabalhos manuais que foram introduzidos em

manualmente ou a máquina, pode ser misturado

nossa país por outras civilizações não encontrarmos

a pedrarias, lantejoulas tornando-se cada vez mais

ligações e influências com outras culturas. Acom-

elaborados, podem ser usados com uma infinidade

panhando este pensamento podemos ir mais longe

de combinações nos mais diversos tecidos tanto em

quando se pensa em trabalhos manuais ligados à

peças do vestuário quanto para decoração de am-

moda, em roupas trabalhadas com renda e pedraria

bientes.

feitas a mão, bem-acabadas e impecáveis essencial-

O artesanato brasileiro é sinônimo de muito orgu-

mente pensamos logo em um país original, a Fran-

lho e existem muitos artesãos, pequenos produto-

ça, e sua singular Alta-Costura.

res, autônomos que fazem trabalhos incríveis que

Alta-Costura é caracterizada pela a moda exclusiva

geram renda. Além da região nordeste se destacar com as famosas rendeiras, o estado de Minas Gerais é conhecido por possuir uma técnica aprimorada em bordado, principalmente bordado sobre tule, detendo uma moda festa admirável e supervalorizada com vestidos trabalhados e peças feitas com todo o cuidado e prática. Assim, tanto o bordado quanto a renda, técnicas introduzidas em nosso país por outras culturas que acabaram se tornando clássicas e adquiriram um formato que agora faz parte da identidade cultural do país, é a antropofagia em ação, transferindo e transformando conhecimentos, enriquecendo culturas. Ainda levando em conta o lado antropofágico da criação podemos afirmar que este é o elemento capaz de produzir elos entre as culturas, é a ca-

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feita na França. Os modelos são artesanais, ou seja,

exemplo, bordadeiras e apresentar suas coleções

construídos a mão. (Não pode ter costura à máqui-

publicamente duas vezes por ano, com ao menos

na), com materiais de altíssima qualidade. Quem de-

35 looks para dia e noite, de acordo com uma pu-

fine o que é e o que não é Alta-Costura é a Chambre

blicação do site da revista FFW (http://ffw.uol.com.

Syndicale de la Haute Couture (Câmara Sindical da

br/noticias/moda/alta-costura-o-que-e-quanto-cus-

Alta Costura), uma instituição francesa criada em

ta-quem-faz-e-quem-compra/)

1868, que está sempre revendo anualmente o grupo

O mundo da alta costura envolve muito dinheiro, as

de marcas que podem ser consideradas de Alta Cos-

peças costumam ser caras e aumentam de preço de

tura. O termo é legalmente protegido e controlado e

acordo com a quantidade de trabalho e ornamen-

só pode ser usado pelas casas que receberam essa

tos. Uma peça na qual são usadas pedras precio-

designação pelo Ministro da Indústria na França. Há

sas, por exemplo, o preço pode chegar a milhões,

regras rígidas, como ter um ateliê em Paris, fazer

contudo, mesmo com esses preços, é um segmento

as peças sob encomenda com ao menos uma pro-

de poucos clientes e que não rende lucros para as

va de roupa, cada casa deve empregar no mínimo

empresas. Os estilistas usam a Alta-Costura mais

20 funcionários especializados no que fazem – por

como um posicionamento, uma forma de mostrar suas maiores habilidades, técnicas criativas e acima de tudo exclusividade e conceito de moda. Os desfiles são sempre fechados, sendo apenas para jornalistas, fotógrafos e poucas pessoas que podem ser considerados as mais ricas do mundo; para exemplificar, estão entre elas muitas esposas de reis e sheiks do Oriente Médio e Ásia, nobres europeus e empresários de diversos segmentos, que assistem aos desfiles e, depois de escolher o modelo de roupa, têm a mesma feita sob medida e seguindo todas as regras definidas da alta costura.

Foto: Fonte Divulgação

Cada vestido é único, normalmente, horas, dias e até semanas são gastos na confecção de uma peça de Alta-Costura, e há ainda quem diga que é uma obra de arte, mas usada em um corpo e que a Alta-Costura tem a ver com técnica e não com preço.

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TROPICALISMO E XC Ê N T R I C O

Fotos: Lorena Rodarte Beleza: Mariella Norremose Styling: Vanessa Paiva Modelos: Vitória Kern e Jéssica Machado Biquinis: LÍQUIDO Brincos: Peroni Store

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SABORES DO CERRADO CHEF DA CAPITAL VAI ATÉ COMUNIDADE VAZANTEIRA PARA DESBRAVAR E TROCAR EXPERIÊNCIAS GASTRONÔMICAS. por Mariella Norremose

O

Fotos: Marcus Santiago/frameaframe

Fotos: Marcus Santiago/frameaframe

chef de cozinha, Danilo Simões, formado em biologia, desbravou a cultura gastronômica, a fauna e flora do cerrado mineiro, em sua tese de mestrado. O resultado não poderia ser menos que incrível. Danilo viajou até a comunidade Vazanteira, na região mineira do alto-médio São Francisco, e teve a oportunidade de compartilhar técnicas e culturas gastronômicas com os ribeirinhos. Como resultado, descobriu a possibilidade de criar receitas autorais com matérias primas que podem parecer inusitadas, e por alguns consideradas até estranhas. Dentre essas iguarias estão carnes, grãos e frutas da região. Das frutas, Danilo chegou a selecionar dez com maior potencial. Entre elas estão a amora preta, ananás, araticum, baru, buriti, cajuzinho do cerrado e pequi. As carnes, podemos citar a de ema, codorna e tatu. Ingredientes exóticos que podem ser usados em entradas, acompanhamentos, prato principal e até sobremesas

Carne de sol desfiada com couve na manteiga de garrafa e óleo de pequi.

Compressão de costelinha ao molho de buriti e purê cítrico de baroa.

Fica claro que a gastronomia brasileira é rica e permite serem feitas misturas, criando pratos que nos trazem culturas e costumes, valorizando assim o que é nosso e enriquecendo o campo gastronômico. Não só isso, mas também enriquecendo o sabor através dos saberes, da construção de co-

nhecimento e exploração do que até então era pouco conhecido. Trocar experiências pode ser incrível, provado pelo Chef ao passar um tempo com os ribeirinhos, de identidade sertaneja, como sendo algo “prazeroso e enriquecedor”.

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Fotos: Marcus Santiago/frameaframe

Fotos: Marcus Santiago/frameaframe

“Temos muito a aprender com estas comunidades”, destaca e completa, “Acredito que a troca de experiência entre Chefs de Cozinha, comunidade agrícolas e extrativistas brasileiras podem trazer benefícios para todos e criar uma cadeia produtiva diferente”. Depois de tanta pesquisa e trabalho, o esforço do Chef Danilo Simões valeu a pena. O Brasil precisa de mais atitudes como esta. Temos um imenso potencial, mas infelizmente pouco explorado, e consequentemente não valorizado. É preciso lapidar nossa riqueza ainda bruta, e fazer, assim como Danilo, de coisas desconhecidas e até mesmo incomuns, algo original e encantador!

Semifredo de chocolate branco com praline de baru e Couli de umbu.

Quer aprender mais e compartilhar experiencias com o Chef Danilo Simões? Participe do Encontro na Cozinha, que acontecerá no próximo 1º de dezembro.

Fotos: Marcus Santiago/frameaframe

Granita de amora preta do cerrado com toque de vodka .

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DESIGN BR ASILEIRO EM D E S TA Q U E : TA L H E R E S C O M E R B R I N C A N D O O CONJUNTO DE TALHERES ENCANTOU GERAÇÕES DE CRIANÇAS DESDE A DÉCADA DE 1970, COM UM DESIGN DIVERTIDO, AUTÊNTICO E SULISTA. por Lorena Rodarte

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osé Carlos Bornancini e Nelson Petzold são os nomes que assinaram a criação das famosas peças. Bornancini formou-se em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e faleceu em 2008, e Petzold formou-se em Arquitetura e tornou-se professor emérito pela mesma faculdade, e essa dupla desenvolveu mais de 200 produtos em parceria, para segmentos como as indústrias de móveis, brinquedos e utensílios domésticos, de acordo com a UFRGS e a página Design Brasil. Os dois fizeram em parceria com a empresa Hércules o conjunto de talheres comer brincando em 1975 que foi produzido no Sul entre os anos 70 e 80. E o sucesso do Príncipe Garfo, Cão Faquinha e Princesa Colher era garantido. Hoje a maioria das pessoas que está entre os 20, 30 anos se lembra do conjunto que marcou sua infância. Os talheres também ganharam lugar de destaque ao estar em 2009 na exposição “Ícones do design” no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. A mostra integrou a programação do ano da França no Brasil, são 22 produtos expostos de criação atribuída a cada país, e questiona sobre o que confere a um objeto o status de “ícone”. Temos no brasil designers e pessoas que fizeram e fazem a diferença no mercado internacional, e isso está se valorizando. Produtos úteis, de qualidade, e com selo de autenticidade, que marcam pessoas e épocas.

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BRILHO BR AZIL LOJA COL A BOR ATIVA por Vitória Kern

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Brilho Brazil é uma loja colaborativa de pequenos produtores e marcas de peças artesanais. A ideia de criar uma loja colaborativa surgiu a mais de quinze anos pela Cynthia – “observei que quase não

havia lojas exclusivas de artesanato em BH e como já organizava as Feiras com diversos expositores, no Centro Cultural, resolvemos nos propor a mais esse belo desafio.” O intuito é a valorização do trabalho artesanal e potencialização das vendas dos produtos expostos. O projeto foi orientado pelo SEBR AE, e então foram convidados artesãos, artistas plásticos e designers, que expõem seus produtos. São comercializadas peças que vão desde a toalhas bordadas a semijóias.

Foto: Fonte Divulgação

A essência do fazer a mão com cuidado, qualidade e originalidade, vem sendo cada vez mais valorizada.

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Foto: Fonte Divulgação

Foto: Fonte Divulgação

Apesar da identidade nacional ser uma tendên-

sejam feitos em menor escala e com muito mais

cia que já era discutida desde o modernismo, a

cuidado, ao contrário de produtos industrializados,

baixa valorização da mão de obra brasileira é

feitos em grande escala, com mão de obra terceiri-

algo que chama a atenção, embora sejam pro-

zada e matéria bruta sem qualidade ou de origem

dutos de alta qualidade; trabalhadores artesãos

duvidosa.

são obrigados a reduzir o valor de suas merca-

Além disso, exercer um trabalho manual e inde-

dorias, para se adequar a um mercado que pou-

pendente pode sim promover o desenvolvimen-

co valoriza a produção manual.

to social. Os artesãos passam a comercializar de

A exclusividade nos produtos feitos a mão é um

forma autônoma, criando certa independência e

dos principais motivos para se valorizar a mão

liberdade em relação a empregos tradicionais, fa-

de obra, uma vez que o valor está na possibi-

zendo desse trabalho uma fonte de renda pessoal.

lidade de criação manual e no trabalho envol-

A Brilho Brazil está localizada na Rua Paraca-

vido. Tempo, dedicação e conhecimento, fazem

tu,1003, no bairro Santo Agostinho, na região

com que o trabalho manual como o artesanato,

centro sul da capital mineira.

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TENDÊNCIA, ESTI LO E ESSÊNCIA MARCAS E PESSOAS TÊM PERDIDO A SUA ESSÊNCIA – QUER SEJA A ESSÊNCIA BRASIL OU SEU PRÓPRIO ESTILO – E SE APROPRIADO DE TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS OU QUE NÃO COMUNICAM SUA IDENTIDADE, SIMPLESMENTE POR STATUS OU POR ACHAR QUE “O OUTRO” PODE MAIS. por Mariella Norremose

D

iante de um mundo globalizado, bombardeado de informações, a moda e as pessoas vivem uma crise de identidade.

Tanto na “criação” de coleções de roupa como no vestir das pessoas, o estrangeiro e as “celebridades” são a referência. O que as grandes marcas internacionais criam e as “celebridades” usam despertam mais o interesse da maioria do que o que está próximo, ao alcance e acessível, logo aqui no Brasil. Um questionamento a ser feito é o porquê disso e, mais importante, como reverter essa situação? Sabe-se que a moda é um fenômeno que tem papel importante na imagem e identidade de alguém, e para isso ela se apropria de várias ideias. E na pós-modernidade que vivemos hoje, movida por tantas influências, seguir tendência e sustentar um estilo sem perder a essência é um desafio. A busca por inspirações e referências é primordial no universo da moda, mas ainda assim precisa seguir

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alguns princípios quando falamos em tendên-

diversas. Algo que é considerado “febre” hoje,

cia. O estilo e a essência devem ser preservados

amanhã pode ser abominado. E o grande desafio

para que não se perca a identidade.

é saber se posicionar diante de tantas opções,

A tendência de moda, normalmente, é ditada por

tanta rapidez, sem perder o que faz de você, úni-

um grupo de estilistas, artistas, profissionais do

co. Não se deixar levar por marcas ou celebrida-

mundo da moda ou blogueiras. É passageira e

des e refletir personalidade e individualismo em

dura até o surgimento de outra tendência. A pa-

meio a tanto similar. Saber valorizar a essência e

lavra tendência também passou a se relacionar

o que pertence a nossa cultura seria o primeiro

com a ideia de evolução. Sendo assim, podemos

passo.

entender a tendência como uma “evolução” da

O que você prioriza em sua vida, estilo ou ten-

moda que nos leva a determinadas concepções

dência? Qual a sua essência? O que te motiva

estéticas a cada temporada, num ciclo que está

escolher alguma peça de roupa ou referência?

sempre em constante renovação em busca do

Por que está usando algo?

novo. Um exemplo comum disso está nas redes

São perguntas que devem ser feitas. Cada coi-

sociais, onde se vê pessoas usando tipos de rou-

sa deve ter um significado único, e não somente

pa, modelagem, cor, maquiagem ou acessórios

uma apropriação sem sentido.

que “tem que ter” – peça que é intitulada como

Não representa que não se deve seguir tendência,

da moda.

mas sim saber adequá-las a sua individualidade.

Estilo é o que faz de uma pessoa única. É o modo

Não é preciso seguir tudo o que é ditado, mas

de expressar ao mundo quem é, e o que se sen-

se apropriar somente de algo que represente sua

te. Formado a partir de experiências, escolhas,

personalidade. Isto é ser um antropófago hoje.

preferências, desejos, modo de agir, viver e ser

Esta mesma consideração faz-se valer para uma

individual. O estilo não é modismo. Tem a ver

marca no processo de criação no qual não se

com a essência do indivíduo, construído a partir

perca a identidade. Muitas marcas se abarrotam

do autoconhecimento e define a pessoa como

de tendências e acabam se perdendo. Outras só

um ser individual em relação à massa. O estilo

utilizam como referência o que é ditado e lança-

é uma descoberta, e não uma escolha como a

do internacionalmente, e acabam se esquecendo

tendência de moda, a qual define o comporta-

da essência da marca, das riquezas culturais, ar-

mento de uma massa, um povo.

tísticas e conceituais que o Brasil possui.

Influências vêm e vão, estão sempre em mo-

O Brazil precisa ser Brasil e as pessoas serem o

vimento. Partem de pessoas, países e culturas

melhor delas mesmas.

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I N OVAÇ ÃO, DESIGN E S U S T E N TA B I L I DA D E BY B R A S I L O MADE IN BRASIL É UM CONCEITO QUE VEM AOS POUCOS CONQUISTANDO MAIS VALOR NO MERCADO DA MODA. COM ISSO SURGIU UMA INSTITUIÇÃO QUE REPENSA E RECRIA NOVAS MANEIRAS DE FAZER MODA E DESIGN GENUINAMENTE BRASILEIROS.

Foto: Site IBB

por Lorena Rodar te

Ronaldo Fraga e Walter Rodrigues na sede do IBB

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O

Instituto By Brasil foi fundado em 16 de maio de 2006, com sede em Novo Hamburgo (RS). A estrutura do local de instalação do Instituto se encaixa com padrões de sustentabilidade, tendo

alguns de seus móveis e decoração feitos de madeira de demolição, fibras naturais, lâmpadas econômicas, persianas confeccionadas com tecido de material reciclado. Dentre os objetivos do By Brasil estão: auxiliar as empresas na busca de inovações, expandir a oferta de serviços técnicos especializados e diferenciados, nas áreas de tecnologia, design e moda, sustentabilidade. Um dos objetivos mais importantes é referente à tendência, que hoje vem ganhando o mercado, de valorização da presença cultural do país. Consiste em disseminar o conceito de design e moda baseado na brasilidade, dando aos produtos uma conotação de originalidade, resgatando referências culturais, artísticas, arquitetônicas e históricas brasileiras para aplicação no Sistema de Moda como fator de identidade e autenticidade da moda nacional. E, para atingir os objetivos, a Instituição utiliza parcerias em todos os níveis, sejam empresas com empresas, empresas com universidades, a consultoria e projetos por todo o Brasil, acreditando na capacidade individual de cada pessoa, quando a criatividade e o conhecimento, somados à diversidade cultural brasileira, representam um enorme patrimônio. O Brasil precisa de trabalhos como esse, que possam direcionar e auxiliar as pessoas do mercado de moda, e fazer com que, por meio do design e da inovação, os brasileiros questionem a intensidade da dependência cultural presente no país, e que o que é feito aqui tenha cada vez mais valor agregado no âmbito global da moda.

Foto: Site IBB

Foto: Site IBB

Foto: Site IBB

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Revista brasis