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A arte ĂŠ a auto-expressĂŁo lutando para ser absoluta. Fernando Pessoa


Retracto de Fernando Pessoa, por Almada Negreiros (1954)

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Contrasts, um quadro de Ekrem Yalçındağ (2010-2011)

eoptimismo@gmail.com

Facebook.com/eoptimismo

Envie os seus comentários, sugestões, histórias & experiências para eoptimismo@gmail.com

A Sunday on La Grande Jatte, um quadro de Georges Seurat (1884-1886)


Este ano foi, certamente, repleto de novidades, de oportunidades e de aprendizagens. Tivemos 365 dias de desafios, procuras e encontros. E, como é habitual na proximidade de um novo ciclo, é importante fazermos balanços, procurarmos pontos de melhoria e traçarmos novos objectivos. Estamos na “hora certa” para arrumar a nossa “casa”: deitar fora o lixo tóxico e abrir espaço para aquilo que é novo, com coragem e esperança. O Futuro pode melindrar-nos pela sua imprevisibilidade, mas se soubermos transformar este medo numa oportunidade para nos reinventarmos e darmonos a chance de sermos a melhor versão de nós mesmos, podemos criar um novo futuro para nós, para os nossos e para a sociedade que nos envolve e vê crescer, dia após dia. Numa época em que andamos quase todos muito ocupados com aquilo que a vida (não) nos dá, a sabedoria de procurar novas perspectivas e pontos de mudança revela-se um autêntico bálsamo – orientar-nos para os outros, dar o nosso melhor a quem ainda não despertou para a urgência da partilha de emoções positivas e de um verdadeiro sentimento de união, é, pois, um enorme gerador de coragem, esperança e generosidade, a um nível astronómico. É esta partilha que caracteriza e move a nossa publicação, desta vez dedicada a temas relacionados com a Arte e com as suas aplicações positivas no nosso bem-estar, saúde e desenvolvimento. Desejo que se sintam inspirados e motivados, para criar e recriar a vossa vida, neste novo ciclo que se aproxima e que nos brindará com mais 365 dias de oportunidades!

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 A eOPTIMISMO é um magazine digital, de acesso gratuito.  A eOPTIMISMO tem na base dos seus princípios uma orientação filosófica humanista, isto é, dá primazia à dignidade, aspirações e potencialidades do ser humano.  A eOPTIMISMO tem como objectivos (1) valorizar as experiências subjectivas dos leitores e dos seus colaboradores; (2) promover traços de personalidade e de carácter; e (3) fomentar virtudes que permitam mudar e tornar a nossa sociedade melhor, mais activa e eficiente.  A eOPTIMISMO tem como máxima preocupação ajudar as pessoas a identificar e a desenvolver as suas melhores qualidades e talentos em

diversas áreas, bem como divulgar iniciativas e promover ambientes onde estas qualidades e talentos possam prosperar.  A eOPTIMISMO aposta sobretudo nas áreas de desenvolvimento humano, ao nível pessoal, social, relacional e organizacional.  A eOPTIMISMO conta com publicações e informações assentes no rigor, isenção e honestidade, e reserva-se no direito de não publicar qualquer tipo de informação que não respeite os princípios e objectivos da mesma.


Seja diferente. (http://24.media.tumblr.com/tumblr_lv4ig9kK5g1qlxo5ho1_500.jpg)

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A 3ª edição da Revista eOPTIMISMO é dedicada à Arte e às suas aplicações positivas no bem-estar, saúde e desenvolvimento humano.

Pensar em Arte é também pensar em potencial criativo e na inspiração que esta nos evoca, ao tomarmos contacto com a Arte e ao expressarmo-nos através dela. Desde a sua importância na Educação, à sua função transformadora na sociedade, até à sua manifestação ao nível mais individual e privado, nesta edição de Dezembro, e última do ano 2012, encontrará muitas razões para estimular a sua criatividade e torná-la um motor de conexão com os outros. Solte o potencial artístico que existe em si e torne-se num agente de mudanças positivas!


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por

Eveline Carvalho Cunha

Autora de Arte de Bem Viver! http://evelinecarvalhocunha.blogspot.com

valores positivos no seu modo de ver, viver e conviver.

Vivemos num mundo de conflitos. A nossa sociedade ainda está fundada sobre uma cisão básica entre o sentir e o pensar, entre a razão e as emoções. A primazia da razão apresenta-se nos nossos dias com feições diversas, mas de forma evidente na educação, que privilegia o saber científico e a preparação profissional como meio de alcançar somente as vantagens económicas, o poder e o “status”, cultivando assim o individualismo.

Neste sentido, torna-se necessário repensar a maneira de educar as crianças e os jovens, sendo que se deve mudar de uma educação pautada pela transmissão de conhecimentos apenas racionais, com o objectivo de obtenção de notas e diplomas, para uma formação de pessoas conscientes da realidade em que vivem, críticas e comprometidas com uma acção transformadora que vise uma humanidade melhor. Mesmo vivendo numa época de mudanças aceleradas em todos os campos (tecnológico, moral e político), os jovens estão à procura de elementos e de experiências que os ajudem a encontrar o sentido da sua própria existência e a construir um projecto de vida. A Arte (artes visuais e plásticas, música, teatro, dança, entre outras) surge na

De acordo com Mesquista (2003), o momento conturbado que presenciamos é sintoma de uma sociedade que não criou apreço pelos valores e acabou por formar adultos sem See One Art formação das crianças e dos (www.seeoneart.com) referenciais de jovens, como um instrumento cidadania e de respeito pelo próximo. Educar de desenvolvimento das suas habilidades para os valores, segundo o autor, é mais do que intelectuais, criativas e sociais, e como forma de meramente falar e conceituar os valores de expressão e ressignificação1 de sentimentos e forma expositiva - a verdadeira educação para emoções. os valores é antes aquela que cria espaços e condições para que o educando possa experimentar, identificar e incorporar os 1 dar novo significado a


A Arte é uma manifestação humana ancestral, um modo singular de conhecimento, de interpretação e intervenção na realidade que não se deixa substituir por nenhum outro (Barbosa e Sales, 1990). Enquanto experiência fundamental de liberdade de expressão, de memória e de desenvolvimento da cultura, a produção artística tem a peculiaridade de transcender o tempo histórico, por meio de transgressões e rupturas, de projecções e criações imaginárias. Assim, a Arte é profundamente humanizadora, até mesmo, quando devolve ao ser humano imagens da sua própria desumanização. Para Duarte (2003), a finalidade da ArteEducação é o de desenvolver uma atitude mais harmoniosa e equilibrada perante o mundo em que os sentimentos, a imaginação e a razão se integram para que o educando, através do contacto, da análise e da experiência com as diversas modalidades da expressão artística, possa elaborar os seus próprios sentidos em relação ao mundo que o rodeia. A expressão artística é um canal para confrontar e organizar concretamente as emoções e o pensamento. O pensar é um processo múltiplo e alternante e não é constituído exclusivamente pela palavra. Os procedimentos cognitivos inerentes a uma actividade artística não são nem mais, nem menos importantes do que aqueles desenvolvidos numa actividade científica - só é possível ao ser humano acumular conhecimentos graças à sua faculdade de simbolizar e a actividade artística é importante por estar directamente ligada à função simbólica. O cultivo da criatividade é outro benefício da Arte. Entende-se por criatividade o processo de

Art IS Education! (http://www.flickr.com/photos/artiseducation/)

"Na minha opinião, existem dois tipos principais de justificações para o ensino da arte. O primeiro tipo sublinha as consequências instrumentais da arte no trabalho e utiliza as necessidades concretas dos estudantes ou da sociedade como base principal para confirmar os seus objectivos. Este tipo de justificação denomina-se contextualista.

O segundo tipo de justificação destaca o tipo de contribuição à experiência e ao conhecimento humanos que só a arte pode oferecer; acentua o que a arte tem de próprio e único. Este tipo de justificação denomina-se essencialista ."

Elliot W. Eisner, in Educating artistic vision

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identificar os desafios, buscar soluções, formular hipóteses, testar e experimentar essas mesmas hipóteses, e finalmente comunicar os resultados. O jovem criativo reflecte sobre si mesmo e sobre o mundo, e age de forma a encontrar novas soluções para os desafios da vida, tornando-se protagonista da sua própria história. É importante que os educadores, pais e terapeutas tenham o compromisso de mediar as experiências dos adolescentes nas actividades artísticas, para que eles possam vivenciar, eleger e incorporar valores positivos e éticos no seu modo de viver e conviver.

Art IS Education! (http://www.flickr.com/photos/artiseducation/)

Depende de mim, de si e de todos nós acreditar na edução como fonte de transformações positivas para as futuras gerações!

Conviver com as diversas formas de Arte e com as diversas linguagens artísticas (música, artes plásticas e visuais, artes céninas, dança,…)

Resgatar o saber artístico acumulado pela humanidade e expresso na produção artística dos diversos estilos e períodos da história da Arte Experimentar a expressão de emoções, sentimentos e ideias pessoais por meio das diversas linguagens oferecidas pela Arte Descobrir e aprimorar as suas potencialidades na Arte

Ampliar a percepção, a imaginação e a capacidade de expressão criativa Valorizar a Arte como forma de conhecimento, interpretação e transformação da realidade e reconhecer a transcendência da Arte como linguagem universal Valorizar a arte como forma de crescimento pessoal, como experiência lúdica e humanizadora Oportunidades para os jovens no ensino-aprendizagem da Arte, segundo Torres, Coelho e Silva (2003)


O Pensador, de Rodin


por

Ricardo Fonseca,

https://www.facebook.com/RicardoSousaEscritor https://www.facebook.com/EscritaDoAutoconhecimento http://escritadoautoconhecimento.webnode.pt/

Nesta edição o tema central é a arte, nas suas diversas formas de manifestação, com os seus objectivos e suas interpretações. Todas as manifestações de arte são simplesmente maneiras que o indivíduo tem de se manifestar, de expressar os seus sentimentos, emoções, de representar momentos, sonhos, pesadelos - e através da magia da pintura, da escultura, da escrita, da dança, entre outras formas, o seu intuito é representar-se a si mesmo.

sobre a vossa vida, pensando nos grandes mestres que são mediante as vivências que têm experienciado; outros podem estar a sorrir pelos grandes feitos que viveram e outros indiferentes à questão da arte, sem se apercebem que em cada passo que firmam estão a ser artistas.

Sim, todos temos momentos menos positivos, vivemos o sofrimento, a dor, a angústia e mesmo nesses instantes onde nos consideramos perdidos, sem conseguir visualizar o horizonte que tanto queremos, Através da representação da sua estamos a personalidade, o artista criar obras lança o repto para os de arte em observadores de se nós mesmos. lançarem na demanda de Nesses interpretar, de analisar momentos aquilo que é uma Vida. mais Todos nós somos artistas tenebrosos, mesmo que não exerçamos tornamo-nos nenhuma forma de arte pintores nem tenhamos as munidos de competências para tal, pois uma paleta somos mestres na grande colorida e Melody Creators, por Asayaw Osattene Asante arte de Viver! criamos novas imagens de nós mesmos, A Vida é uma suprema obra de arte que reorganizamos a tela da nossa Vida aperfeiçoamos dia a dia, onde em traços colorindo em novas nuances de cores o finos delineamos os contornos do nosso Ser. cinzento que domina a pintura do nosso Ser. Alguns de vós podem estar a questionar-se


Somos escultores de cinzel na mão, prontos a limar as arestas da peça imperfeita, a eliminar aquilo de que não precisamos e que não acrescenta nada em nossas vidas. Compreendemos que a mais bela escultura precisa de tempo para ser aperfeiçoada e nós, caros leitores, precisamos de percorrer um longo caminho, para erguermos no pedestal a manifestação do nossos ser, como se tratasse da mais bela estátua alguma vez erguida e contemplada. A dança, na qual enveredamos em cada escolha pessoal, torna-se mágica e distinta no ritmo, na companhia, na forma como a orientamos ou somos conduzidos. Não existe a melodia perfeita, não existe o par perfeito e há sempre alturas em que perdemos o controlo dos pés, pisamos, somos pisados, flutuamos, fazemos flutuar. Cada nota que ouvimos integra-se no nosso ser e cria uma vibração melodiosa que percorre cada célula corporal e nos impele a ganhar o ritmo e a dançar de braços abertos, a apreciar a Vida nos bons e maus momentos, a permitir que em cada compasso haja um novo vibrato de alegria e conquista. Viver é a suprema manifestação artística de cada indivíduo. É a possibilidade de escolhermos o nosso caminho, o nosso tom, a nossa cor, a nossa matéria-prima e todas as ferramentas que permitam fazer arte do nosso respirar e palpitar. Podemos ser tudo aquilo que almejamos sem que haja limites ou fronteiras, sendo os críticos de nós mesmos e assim aperfeiçoarmos a nossa forma de estar em cada momento de transformação e crescimento pessoal.

Como escritor, sou um artista! Através das palavras, da expressão dos meus sentimentos e pensamentos, construo histórias, relato passagens, sonhos, desejos, sofrimentos e torno-me o molde de mim mesmo, aquele que pode ser trabalhado sempre que assim o desejar.

Um quadro de Françoise Nielly

Já pensaram no artista que são e no tipo de arte que querem desenvolver em vós mesmos e com os outros? Se pensaram nas respostas a estas duas perguntas, o que vos prende e impede de se tornarem arte? O que vos impede de viver? De se reconhecerem como artistas, por mais simples que sejam os vossos actos, os vossos sentimentos? A arte é celebrada nesta edição como forma de manifestação de quem somos, independentemente do caminho escolhido e percorrido para nos conhecermos e mostrarmos ao mundo. A arte mais nobre é expressar com toda a

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veracidade e genuinamente quem somos e apreciarmos a Vida nas suas vertentes que nos presenteiam em cada dia, em cada amanhecer. Segundo Nietzsche, “Temos a arte para não morrer de Verdade!”, e nesta simples expressão podemos verificar que transformando a nossa Vida, imortalizando-a artisticamente, jamais morremos de verdade e permaneceremos no coração de todos aqueles que contemplaram a nossa forma genuína e artística de Viver. Por isso, caros leitores, Vivam com arte e mestria a maior obra-prima que um dia vos foi concedida, em estado bruto para ser trabalhada consoante o vosso sentir: a vossa Vida!

Workshop “Escrita do Autoconhecimento” Ricardo Fonseca 12 de Janeiro - Porto +info: https://www.facebook.com/events/380 984038642627/

Tem de se Ser Verdadeiro na Escrita Tem de se ser verdadeiro na escrita, porque os leitores sentem. A mentira é impossível na boa literatura. E o que procuro, mais do que a beleza ou qualquer outra coisa, é a verdade, livro após livro, tentando desvendar um pouco mais de mim e esperando que essa possa ser uma forma de desvendar alguma coisa dos outros e que eles também se vejam reflectidos nessa procura que faço. José Luís Peixoto


Estou desempregado(a). E agora?

Sobre Indivíduos com problemas semelhantes, como o desemprego, predispostos para partilhar experiências pessoais, conseguem aumentar a auto-estima e confiança, a um grupo aberto para partilha de sentimentos e experiências no e do desemprego.

Link https://www.facebook.com/pages/estou-desempregadoa-e-agora/127721093971150

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A arte está em todo o lado Nós não nos damos conta de como a arte nos trespassa de todo o lado. Anotar isso aos que vaticinam a morte da arte. Isto ao nível mais corriqueiro. Dispor os móveis numa sala é fazer arte. Ou olhar uma paisagem, pôr uma flor na lapela, ou num vaso. Escolher uma gravata, uns sapatos. Provar um fato. Pentear-se. Fazer a barba ou apará-la quando comprida. Todas as coisas de cerimónia têm que ver com a arte. E o corte das unhas. Todo o jogo. Toda a verdade que releva da emoção. Às vezes mesmo a escolha do papel higiénico. Mas mesmo a desordem. Bergson, creio, dizia que se tudo fosse desordenado, nós acabaríamos por ler aí uma ordem. E não é o que fazemos ao inventarmos as constelações? Admitir a morte da arte é admitir a morte do homem, que impõe essa arte a tudo o que vê. Mas tenho de ir à casa de banho. A ver se invento arte mesmo aí. (Mas quando disse «casa de banho» e não «retrete», já a inventei.)

Vergílio Ferreira


por

Cláudia Almeida

www.oficinadepsicologia.com http://www.facebook.com/oficinadepsicologia

Qual é para si a definição de obra de arte? Como exemplos de obras de arte temos esculturas, pinturas, poemas, arquitectura, filmes, música, dança, entre outros. Uma obra de arte provoca em nós algo de novo ou mágico, faz-nos sentir horror ou paixão, vontade de tocar ou arrepio, com vontade de desviar o olhar -de alguma forma, a obra fala connosco. Sabia que o que vemos na obra é somente aquilo que queremos ver?

diferentes partes da imagem, o que aprendemos a decifrar. Deste modo, podemos referir que espelhamos sempre as nossas vivências e aprendizagens no que vemos. Assim, é de referir que tanto na arte como no processo psicoterapêutico se manifestam a capacidade humana de perceber, de configurar as relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo. O momento de fazer arte funciona como um canal que leva o individuo ao seu mundo interno, manifestando conteúdos para a consciência. Neste processo, através da arte, sentimentos e experiências, tomam uma forma concreta. Este produto artístico surge como um espelho, onde o individuo se identifica, reflecte, descobre, elabora os seus significados e os integra na consciência. Através da arte, podemos trabalhar situações de vida que não foram devidamente elaboradas. Além disso, fazer e vivenciar arte promove o relaxamento, diminuindo o nível de ansiedade, impaciência e angústia.

Quando uma pessoa é confrontada a fazer algo que considera não ter condições para o fazer, isto gera uma A nossa percepção é experiência de ansiedade, sendo os altamente influenciada comportamentos resultantes pelos nossos desejos e desorganizados. Isto faz com que se aspirações pessoais, tal evite, de todas as formas possíveis, a como podemos comprovar Prancha de Gestalt: exposição face a situações que geram nas ilusões provocadas por o que vê na imagem - uma jovem ou uma velha? ansiedade. Os sentimentos evocados figuras ambíguas. Isto é, se repercutem-se na voz, na respiração e na postura; o corpo e as ao mostrarmos a imagem desta palavras entram em ressonância. Culturalmente, as expressões página a alguém e estivermos a do corpo, bem como das emoções, são censuradas e ensinar a ver uma mulher nova, a estritamente filtradas. Desde a infância que nos proíbem de imagem relativa à mulher velha não manifestar abertamente a raiva, o medo, a tristeza, a dor, o será percebida. Lemos e vemos, nas

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ciúme; proíbem-nos de gritar na alegria e chorar na tristeza… é a inibição da emoção, assim como a inibição da acção que alimentam a presença de doenças psicossomáticas e sociais. Um dos conceitos associados à arte é a criatividade. Esta torna-se fulcral no processo de auto-regulação (forma como a pessoa interage com o mundo, respeitando a sua natureza individual). Tal como refere o psicoterapeuta Zinker, criar é uma necessidade básica, tal como respirar ou comer - “Somos impelidos a criar” (Zinker, 2007, p.21). Assim, podemos referir que a criatividade e a saúde são funções que andam juntas. Na infância as crianças são quase sempre criativas através das suas brincadeiras, nas personagens fantasiosas que criam, na relação que estabelecem com os objectos. Associada a esta criatividade surge a curiosidade, reflectida nas perguntas que fazem sobre como funciona tudo o que as rodeia: aqui as coisas são e as pessoas sentem. Na idade adulta, se perdermos este recurso, passamos

(http://www.periodicodecrecimientopersonal.com/wp-content/uploads/2011/03/arteterapia-lupus02.jpg)

a comportarmo-nos segundo as regras morais e socias passamos a levar a vida muito “a sério”, perdemos a espontaneidade e, naturalmente, o potencial criativo desvanece-se. Vivemos tempos de medo, ansiedades e muito stress. O medo paralisa o processo criativo, mas a arte pode ser curativa e também uma saída eficaz para quem está paralisado diante do medo. Neste sentido, proponho que esteja atento ao que se passa no seu corpo. Ouça o que ele lhe diz, perceba o que ele lhe mostra - aprenda a sentir. Através do movimento corporal, através da dança, recorrendo a música ou sons, é possível libertar não só sensações, mas também emoções, ideias, desejos e sentimentos. A expressão corporal abre caminhos e possibilita a representação de um mundo imaginário. A música pode funcionar como um apoio ao equilíbrio emocional -tem a capacidade de actuar sobre o corpo humano, modificando o seu padrão emocional e vibracional. Pode mobilizar emoções fortes, provocar sensação de bem-estar, prazer e reduzir os níveis de ansiedade, promovendo o relaxamento e o aumento da auto-estima. A pintura, por exemplo, proporciona uma maior fluidez das emoções e dos sentimentos, o que confere ao sujeito um grande valor na expansão da sensibilidade e da afectividade.

Toe Socking, um quadro de Veronika Nagy

Assim, e uma vez que criar é algo vital ao ser humano, e o ser criativo é um modo de ser que nos é peculiar, porque não começarmos a criar? Dance, ouça música, crie sons, pinte, escreva, … crie para se tornar cada vez mais saudável.


(sugerido pela Dra. Cláudia Almeida)

Toda obra nasce de uma emoção que no artista se traduz em sentimento. E nesse sentimento que o impele a criar.

Kandinsky

A Mandala é uma actividade criada por Jung, pai da psicologia analítica, e pretende representar simbolicamente a psique humana. Esta actividade pode ajudar no processo de autodesenvolvimento e de harmonização do seu mundo interno, assim como de libertação da ansiedade e de resolução dos problemas actuais da vida.

O desafio que propomos pretende estimular a expressividade, espontaneidade, comunicação e principalmente o trabalho com o potencial humano de criatividade. Deste modo, pretendemos que projecte de seus conteúdos internos, através de pensamentos, emoções e sentimentos vivenciados actualmente pintando a Mandala que se encontra na página seguinte. É importante que no momento de criação da sua mandala esteja num local tranquilo, sem interferências externas, em silêncio ou com uma música de relaxamento.

Quando a mandala estiver pronta, coloque-a a sua frente para poder vê-la na totalidade, sem forçar muito o olhar, relaxe os olhos e tente perceber o que gosta/não gosta neste desenho, mergulhe para dentro dele. Depois de trabalhar com mandala permite estar durante alguns momento em silêncio e em contacto consigo mesmo.


http://www.unicorn.dk/english/mandala.html


Os Livros Nossos

Sobre Blogue literário criado em 02 de Março de 2012 por Isabel Alexandra Almeida, contando com colaboradores e parcerias editoriais. O nosso intuito é divulgar os livros e a leitura, promover as actividades editoriais, servir de ponte entre leitores e livreiros, divulgar os valores da cultura, arte e amizade. Temos também como propósito motivar as gerações mais jovens para a leitura e divulgar tanto as novas edições, como recuperar perante o público a lembrança de obras mais antigas que se encontrem mais esquecidas, mas que integram por direito próprio a memória literária colectiva.

Links https://www.facebook.com/livrosnossos http://www.oslivrosnossos.blogspot.com/


Cada leitura é única

Muitos autores são ao mesmo tempo os seus próprios leitores - à medida que escrevem -, e é por isso que tantos vestígios do leitor aparecem nos seus escritos - tantas observações críticas tanto que pertence à província do leitor e não à do autor. Travessões - palavras em maiúsculas - passagens grifadas - tudo isso pertence à esfera do leitor. O leitor põe a ênfase como tem vontade - ele de facto faz de um livro o que deseja. Não é todo o leitor um filólogo? Não existe uma única leitura válida somente, no sentido usual. A leitura é uma operação livre. Ninguém me pode prescrever como e o que lerei.

Friedrich von Novalis


por

Isabel Almeida,

http://oslivrosnossos.blogspot.com

Para a última edição de 2012 da eOPTIMISMO, no âmbito da parceria entre este meio de comunicação e o Blog Literário OS LIVROS NOSSOS, decidimos partilhar com os nossos leitores a investigação que tivemos ocasião de realizar no âmbito da Psicologia da Literatura, para a Unidade Curricular de Psicologia da Arte, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, subordinada ao tema “O escritor e o processo criativo”. No ano em que, além de termos entrado nesta aventura literária que é criar e administrar um blog especializado, tivemos também a primeira experiência enquanto autora publicada, com um conto de fantasia/terror que integrou uma colectânea de autores – “Ocultos Buracos”, somou-se a preciosa informação acerca do

(http://kutegroup.com/pictures-gallery/artgallery/creative-book-sculpture/)

processo criativo, as suas fases e modalidades, que temos tido a oportunidade de recolher e partilhar com os nossos leitores nas entrevistas realizadas a diversos autores Nacionais e Internacionais.

O escritor, enquanto artista que leva a cabo a tarefa de construir a obra de arte, revela-se um sujeito organizador de emoções e sentimentos pessoais, objectivando tensões, experiências e contradições (próprias ou alheias), resultantes da relação entre o sujeito e meio que o rodeia (Baiocchi & Niebielski, s/d).

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A Literatura é uma área da Psicologia da Arte que se encontra ainda pouco explorada, devendo por isso ser encarada com alguma precaução – no entanto, pode ser utilizada como uma verdadeira janela para a psicologia do criador, isto é, como um meio de explorar a forma como os artistas se comportam, elaboram e sentem na fase criativa (Duarte, 2011). Na antiguidade clássica, já Platão havia apresentado a sua concepção de criação artística baseada no uso das faculdades racionais do autor, levadas até ao extremo de um frenesim irracional. Os precursores do Romantismo, em pleno século XIX, exaltaram igualmente a importância da irracionalidade,

School of Athens (detalhe), um quadro de Rafael

ideia que não só reaviva a proposta platónica de criação artística, como, de algum modo chega mesmo a antecipar a ênfase do inconsciente no processo criativo artístico, próprio de uma visão freudiana (Winner, 1982). As experiências pessoais do autor acabam por desempenhar um papel relevante no processo criativo (Baiocchi & Niebielsky, s/d). Muitos autores plasmam nas suas obras literárias as suas vivências e experiências pessoais, as quais podem ter experimentado enquanto “actores” ou como meros “espectadores”. Um exemplo deste fenómeno é a obra de Camilo Castelo Branco, “Amor de Perdição”, na qual Simão Botelho e Teresa de Albuquerque (personagens principais) vivem um amor proibido pelas respectivas famílias e pelas convenções sociais. Nesta obra, está bem patente a vida pessoal do escritor, que se apaixonou por Ana Plácido, uma mulher casada e que lhe estava social e moralmente vedada um amor ilícito, que viria a causar a ambos perseguições, e mesmo a prisão, por terem ousado desafiar as convenções da sua época. Camilo Castelo Branco, um quadro de Bottelho (2007)


Na criação literária, acabam

resposta que surge como a

por assumir um papel de

mais correcta - é algo

destaque os processos de

lógico e objectivo. Por sua

natureza cognitiva, como o

vez,

pensamento (Duarte, 2011).

divergente corresponderá a

O pensamento elaborado

uma exploração mental de

segundo as regras da lógica

diversas

(podendo revestir natureza

equacionadas

dedutiva ou indutiva) é

mesmo

transmitido pelos escritores nas

respectivas

obras

o

pensamento

soluções para

um

problema

(Monteiro & Ribeiro dos Eça de Queirós, uma ilustração de João Vaz de Carvalho

Santos, 1999).

literárias. Por exemplo, em vários trechos do romance “Os Maias”, Eça

O pensamento divergente foi apontando por

de Queirós coloca na boca de várias

Guilford como sendo uma característica de

personagens alguns dos argumentos em que

indivíduos criativos. Porém, esta foi apenas

ele próprio acreditava face à situação e

uma hipótese que nunca viria a ser objecto

panoramas social e/ou político da época,

de confirmação empírica, tendo o assunto

expressando assim diversas modalidades de

sido deixado para posteriores investigações

pensamento através das suas personagens.

científicas nesta área (Winner, 1982). Outros

Mas ainda a propósito do pensamento,

estudos realizados por outros autores (e.g.

parece-nos pertinente referir a teorização de

Lowenfeld & Beittel, 1959; Mackinnon,

Joy P. Guilford (1967), psicólogo norte-americano, que concebeu a distinção

entre

divergente

e

pensamento pensamento

convergente. O

pensamento

convergente

refere-se a uma resposta ou conclusão

única,

sendo

o

pensamento orientado para uma (http://www.theartistspad.com/TheArtistsPad.com/Creative_Writing.jpg)

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1961; Getzels & Cskszentmihalyi, 1976) demonstram

resultados

conflituantes

quanto a esta mesma assunção.

O processo criativo literário pode ainda assumir-se como uma forma de expressão das emoções do autor (Duarte, 2011). A título de exemplo, recorde-se a obra de Rita Ferro e Marta Gautier, “Desculpe lá, mãe.”, na qual é ficcionada uma troca de correspondências entre uma mãe e a sua filha adolescente. Nesta obra, encontram-se (http://www.jeremystatton.com/wpcontent/uploads/2012/04/writing-changed-life-e1335273724582.jpg)

exemplificadas diversas emoções que as autoras já terão experimentando ao longo da sua existência, sendo apresentadas, por exemplo, as suas perspectivas pessoais sobre o amor e o modo de o encarar. Na obra,

encontra-se

ainda

subjacente

a

cumplicidade entre mãe e filha, dando azo a um evidente conflito de gerações, com entendimentos muitas vezes opostos, em relação a vários aspectos.

Mas, afinal, qual o factor ou factores distintivos de um escritor criativo? Foi exactamente a resposta a esta questão que nos chamou a atenção: quais as características específicas, ao nível psicológico, que possuirá o que designamos por escritor criativo?


A este propósito levar-se-á em linha de conta um interessante estudo de Kaufman (2002). A motivação surge apontada como um dos factores determinantes do processo criativo (Amabile et al. citada por Kaufman). Inicialmente, a motivação intrínseca (e.g. escrever por prazer ou entretenimento) foi considerada como um melhor incentivo à criatividade do que a motivação de natureza extrínseca (e.g. uma recompensa). No entanto, se é certo que pesquisas iniciais se mostraram favoráveis a tal entendimento, investigações ulteriores começaram a revelar que, sob certas circunstâncias (e.g. treino em pensamento divergente e/ou recompensa de forma não tão evidente), a motivação extrínseca pode mesmo revelar efeitos positivos no processo criativo, pelo que se conclui ser este um debate ainda em aberto (Kaufman, 2002) e a carecer de investigação adicional. Outras variáveis, tais como a inteligência, a personalidade, o conhecimento e o ambiente, são também indicadas como potenciais factores de influência do processo criativo por Kaufman (2002).

Passemos agora a analisar quais as fases em que podemos dividir o processo de criação da obra literária. Tendo por base os relatos de vários pensadores criativos, o Psicólogo Graham Wallas (1926) apresentou uma divisão quadripartida do processo criativo, o qual engloba as seguintes fases: preparação, incubação, iluminação e verificação.

A preparação corresponde ao momento em que se explora o problema, o qual servirá de ponto de partida para a obra. A incubação diz respeito à fase em que a atenção consciente se desvia do problema a solucionar. A iluminação corresponde ao surgimento súbito da solução ou ideia base. A verificação, por sua vez, diz respeito ao momento em que a ideia é testada e afinada (Winner, 1982).

preparação

incubação

• exploração do problema • ponto de partida

• desvio da atenção do problema

iluminação

verificação

• surgimento da solução

• teste e afinação da ideia


A fase de incubação suscitou alguma

trabalho e desenvolvimento das ideias

polémica, pois entendeu-se que existiria

resultantes

um labor do inconsciente. Este debruçar-

(Winner, 1982).

do

labor

pré-consciente

se-ia sobre um problema e encontraria para o mesmo uma solução, apresentada

Pese embora a explicação encontrada na

depois à parte consciente da mente. Tal

teoria psicanalítica, em relatos de artistas e

entendimento

sustentação

até de cientistas, há que referir que não foi

teórica adicional no âmbito da perspectiva

encontrada evidência empírica suficiente

psicanalítica: Ernst Kris (1952) concebeu o

sobre

processo criativo enquanto duas fases

inconsciente no decurso do processo de

distintas: inspiração e elaboração.

criação. Esta circunstância poderá decorrer

encontrou

o

papel

desempenhado

pelo

de limitações nas investigações sobre tal A inspiração corresponderia a processos de

assunto, já que carecem de validade

pensamento de natureza primária2, na qual

ecológica, ou então porque a incubação

o criador regressa à fase pré-consciente do

poderá ser um fenómeno raro, apenas

seu psiquismo - esta

verificável

descrição

poucos

encontra

em

sujeitos

correspondência na fase

dotados

de incubação descrita

criatividade

por

incomum

Graham

como

Wallas, vimos

anteriormente.

elaboração

criativa

uma mais

(Winner,

1982).

a

consiste na utilização de processos

de

e

de

Existem, ainda assim, (http://www.copywriteri.ro/wpcontent/uploads/2012/08/copywriter.jpg)

variadas perspectivas psicológicas acerca do

pensamento secundários, os quais ocorrem

processo criativo. Numa orientação teórica

de forma consciente e em obediência às

de natureza mais cognitivista, surge-nos o

regras da lógica, procedendo-se a um

exemplo de autores como Rudolf Arnheim, o qual concebe o processo de criação

2

modalidade de pensamento descrita por Sigmund Freud como sendo irracional e caótica, e que se situaria no inconsciente, na visão tradicional Freudiana

artística enquanto uma modalidade de


resolução lógica de problemas. Trata-se de

os artistas criadores têm um determinado

uma nova concepção atinente ao processo

propósito em mente que pretendem

de criação artística, bem distinta do

atingir por via do resultado final (a criação

repentino insight que se segue a um

artística); por outro lado, muito pouco

duradouro processo de incubação.

daquilo que resulta do processo de criação tem natureza meramente acidental - toda

Assim, nesta nova perspectiva, a criação

a criação artística surge com vista a

pode ser encarada enquanto um processo

alcançar o objectivo final estabelecido

de natureza dialéctica, ao longo do qual o

previamente pelo artista criador, sendo

trabalho nasce através de saltos erráticos

certo que, durante o trajecto criativo, o

para trás e para a frente, partindo-se de

artista dá uso à plenitude dos seus poderes

dois pressupostos: por um lado, entende-

conscientes e intelectuais, para proceder à

se que, durante todo o processo criativo,

resolução de um problema (Winner, 1982).

A esta visão de Arnheim, podem ser apontadas pelo menos duas críticas: por um lado, nem todo o processo criativo terá subjacente, desde o seu início, àquele que é o objectivo final a atingir, pois este pode estar ou não presente; por outro lado, o facto de se entender que esta concepção leva em devida linha de conta o trabalho desenvolvido após a ideia inicial, não permite, no entanto, aferir qual a origem do esquema inicial de criação.

• escrever sobre tarefas de escrita de que tenha gostado • promover a leitura • encarar a escrita e a leitura como actividades prazerosas Dicas para desbloquear a escrita

31


Outro autor importante a considerar é o Psicólogo David Perkins, também de orientação teórica cognitivista. Este autor sugere que o processo criativo artístico consiste numa operação cognitiva de resolução de problemas que implica também a tomada de decisões, no decurso de todo o processo. Nas investigações empíricas realizadas neste âmbito, solicitou-se a poetas que pensassem em voz alta, durante o processo de escrita de um texto poético, por forma a darem a conhecer os respectivos pensamentos a cada cinco segundos. Este método de estudo empírico é muitas vezes criticado, pois ao interromper-se o processo criativo para expressar os pensamentos está-se a perturbar a normalidade do processo. Contudo, os estudos revelaram que o processo de criação resulta de uma combinação da intuição e da razão, sendo de considerar que o pensamento pode ser mais simples ou mais complexo e, por tanto, o resultado final de pode surgir de forma mais demorada ou mais espontânea, consoante este seja mais ou menos laborioso (Winner, 1982).

Trabalho de Joseph Wharton

acerca das duas experiencias de

escrita,

descrevendo

quaisquer tarefas de escrita de

que

tenham

gostado

(MacVey, 2008). Igualmente importante, segundo o autor, é a promoção e incentivo do hábito e gosto pela leitura e

Na verdade, a criação ao nível literário é um terreno a merecer exploração continua e acrescida. MacVey (2008) expressa-nos a opinião teórica, com a qual concordamos, de que qualquer processo de escrita acaba por ter uma natureza criativa. O autor defende que todo e qualquer

pela

escrita,

sendo

estas

actividades encaradas como um prazer e não apenas como mero meio para alcançar um determinado fim.

trabalho escrito acaba por ter um inegável componente de criatividade, sendo necessário encontrar técnicas que ajudem o desbloqueio do processo de escrita, por forma a promover-se um melhor desempenho neste campo. Para desbloquear, por assim dizer, o processo de escrita, são propostas tarefas simples, entre as quais, escrever

Em suma, terminamos esta secção expressando a opinião consciente de que apenas pudemos

aqui

apresentar


alguns breves exemplos dos processos psicológicos que enformam o processo de criação artística literária. Cremos, ainda assim, ser este um campo de actuação em plena expansão, até porque começa a ser visível também no nosso país a tendência para existir uma vasta oferta de acções de formação de escrita criativa, que não podem olvidar a componente psicológica que sempre estará subjacente a este processo de criação.

Ciência à parte, sempre diremos que cada pessoa, enquanto autor, acaba por ter as suas próprias motivações, aptidões e objectivos no que diz respeito à escrita criativa. E quando se dá o primeiro passo, convém ter presente que importa criar rotinas, disciplinar o acto de escrever, mas sem que tal perturbe a actividade ao ponto de ser vista como obrigação e não como

As estratégias são também criadas tendo em conta as características individuais de quem se atreve a começar a escrever (…)

devoção. Vários autores já publicados, tanto no como

importa ir dando a ler o trabalho a diversas

internacional, são unânimes em afirmar

pessoas que o possam ajuizar [enquanto

que a melhor forma de iniciar o processo

leitores, críticos literários ou editores], nas

de escrita é mesmo “escrever”. A verdade

suas diversas vertentes.

panorama

literário

nacional

é que nem sempre é tão fácil assim dar início a tal tarefa. No entanto, a prática vai-

As estratégias são também criadas tendo

nos afinando o estilo e a humildade é uma

em conta as características individuais de

característica

favorece

quem se atreve a começar a escrever - há

qualquer candidato a escritor, já que

quem escreva por impulso e dando livre

que

bastante

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curso às ideias, transpondo-as para o

resistência inicial e respostas como “não

papel, e há quem prepare primeiro uma

tenho imaginação”, “não tenho jeito

sinopse da narrativa ou até mesmo uma

nenhum para escrever” ou ainda “posso

esquematização genérica de todas as

escrever apenas seis linhas?”.

personagens e trama, para posterior desenvolvimento.

Cremos que, seria bastante relevante rever o sistema de ensino nacional no que diz

Também parece ser unânime entre autores

respeito a hábitos de leitura e de escrita,

o facto de que a leitura de várias obras

transmitindo aos jovens o que na verdade

(desde os clássicos aos contemporâneos), e

lhes falta para desenvolverem em pleno as

em especial do género escolhido para

suas capacidades de leitura e escrita (quiçá

desenvolver a escrita criativa, pode dar-nos

criativa): a motivação adequada à sua faixa

uma boa pista acerca do trabalho realizado

etária e contexto pessoal, escolar e social.

por outros autores. A este nível, só nos preocupa que em Portugal as gerações

Seria interessante saber a opinião dos

mais novas andem, na sua maioria,

leitores sobre esta temática, por isso

arredadas dos hábitos de leitura, por a

sintam-se

convidados

para

partilhar

consideram

opiniões

através

do

email

“uma

seca”,

preferindo

produtos de consumo passivo e imediato, como a internet, jogos electrónicos ou cinema. Quando pedimos a muitos jovens para escrever,

também

se

denota

uma

lovingbooks2012@gmail.com


Sugestão de Leitura Porque estamos prestes a iniciar a época festiva, a nossa sugestão de leitura nesta edição vai para a obra “Um Casamento no Natal”, de James Patterson e Richard DiLallo, e com a chancela da Editorial Presença.

“(…) Como personagem central na trama encontramos a simpática viúva Gaby Summerhill, que após três anos de luto na sequência da perda do marido, resolve dar a si mesma a hipótese de começar uma nova vida, contraindo casamento com um dos seus três excelentes pretendentes, aproveitando o ensejo do casamento para reunir novamente junto de si a família que apenas convivera pela última vez aquando do funeral do marido de Gabby. Gaby é uma verdadeira força da natureza, simpática, criativa, divertida e matriarcal [no bom sentido da palavra].

Vamos ainda acompanhar a vida actual de cada um dos quatro filhos de Gaby, e dos respectivos contextos familiares/amorosos: Claire Donoghue, dona de casa, casada com Hank Donoghue do qual tem três filhos -

Capa do livro "Um casamento no Natal", da Editorial Presença, sugerido pelo Blog Os Livros Nossos

Gus com 14 anos e os gémeos Tobby e Gabrielle; Emmily Summerhill, Advogada, casada com Bart DeFranco; Seth Summerhill, romancista, namora com Andie

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Collins; Lizzie Rodgers, empregada na Wallmart, casada com Mike Rodgers, são pais de Tallulah, de 8 anos.

Ao rol de personagens somam-se ainda os três pretendentes a desposar Gaby: Tom Hayden; Jacob Coleman e Martin Summerhill.

Um dos detalhes curiosos deste livro é a profunda análise psicológica das personagens, cujo mundo interno, personalidade, vitórias e derrotas são retratados com clarividência, sendo fácil ao leitor ficar envolvido por uma vasta gama de emoções. A obra trasmite emoções fortes, e gere um perfeito equilíbrio entre comédia e drama.

A personagem central - Gabby Summerville, é uma força da natureza, mãe de família, avó dedicada, professora dedicada à profissão e com uma forte componente de humanismo e solidariedade, está sempre presente para uma palavra ou um simples gesto de afecto. É a amiga que toda a gente gosta de ter sempre por perto nos bons e nos maus momentos.

Gabby será bem sucedida no seu plano de reunir a família e amigos à sua volta pelo Natal, e vamos ter oportunidade de avaliar vários modelos sociais, presentes em cada um dos núcleos familiares dos filhos de Gabby.

O livro contém uma mensagem final deveras positiva, mas ao mesmo tempo, é extremamente realista ao retratar problemas tão pessoais e tão presentes na nossa sociedade de hoje, sendo exemplos: o espectro da violência doméstica, o abuso de álcool e drogas por parte de adultos e mesmo de adolescentes problemáticos; a mudança assustadoramente brusca no quotidiano de uma família em que um dos membros enfrenta uma doença oncológica, sem no entanto perder o bom humor; a vivência rígida do mundo do trabalho competitivo, por parte de um workaholic [num dos mais brilhantes retratos sociais que este livro nos transmite].”

Excerto da crítica ao livro do Blog Os Livros Nossos


Dagmar Anders, um quadro de Henri Matisse (1972)

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por

Míriam Rebelo,

A Mãe ignorada. A esposa reprimida. A mulher enclausurada e amordaçada. Quantos séculos de repressão ao lado feminino da sociedade? Ao lado feminino de cada eu? Quantos séculos a reprimir as capacidades, perspectivas e infinitas possibilidades do lado direito do cérebro? E continua o processo de afastar a arte do percurso escolar e educacional, suprimindo disciplinas como E.V.T. (Educação Visual e Tecnológica) e Educação Musical, submetendo, assim, a arte a uma imagem de carácter lúdico e de entretenimento, muitas vezes somente alcançado e disponível para as classes mais abastadas. Abre-se continuamente uma fenda que nos conduz inexoravelmente a um caminho cinzento e sombrio. Onde a lógica e os seus padrões redutores, práticos e objectivos asfixiam a intuição e a magia da criatividade. Essa que dá cor, forma, impulso e vida à emoção, a toda uma capacidade de exprimir na sua essência mundos únicos e individuais, que (não) se reflectem no todo. As máximas que nos parecem querer ensinar parecem ser: não pintar fora das linhas e multiplicar repetidamente naturezas mortas e realistas, como se os nossos sonhos tivessem passado de moda

Mother and Child, um quadro de Vinod Arora

As máximas que nos parecem querer ensinar parecem ser: não pintar fora das linhas e multiplicar repetidamente naturezas mortas e realistas, como se os nossos sonhos tivessem passado de moda e apenas se resumissem a uma pintura fora de horas de Dali.


e apenas se resumissem a uma pintura fora de horas de Dali.

Aprendemos a ser programados e conduzidos por estes preceitos. A reprimir as emoções, a esconder o nosso mundo interior e toda uma expressão artística, quer na pintura, na música ou em outra vertente artística. Aprendemos a corresponder ao padrão autoritário do como é e do como deve ser, e a olhar somente a vida com um ar preocupante de quem tem de resolver uma equação de álgebra, em que a solução terá de inevitavelmente ser igual para todos os que a tentarem resolver. Com a evolução capitalista e globalizada da sociedade, com o seu espírito competidor e desconfiado assentes, entranhou-se o medo comum de partilhar o interior, imperando a ilusória e perigosa expectativa de corresponder aos padrões existentes no mundo exterior e materializado. Marginalizamos a nossa alma, aprendemos a cala-la, a reprimi-la e a engana-la! Afastamo-nos assim da nossa essência, da

Muitas vezes, ou quase sempre até, é corrigida essa manifestação criativa, ensinando que o Sol é amarelo e o mar azul...

Mother and Child, um quadro de Eddy Crosby

nossa auto criação e recriação, do nosso Deus interior, em prol dessa busca pela aceitação exterior. Acentuamos o desequilíbrio dominante na sociedade em cada repressão artística que temos para connosco e para com os nossos sentimentos e emoções. Criamos uma barreira invisível que nos separa dos outros e que nos separa de nós, essencialmente. Negamos e menosprezamos as cores Fauvistas da nossa aura para corresponder ao modelo canonizado de Miguel Ângelo, como se fossemos ou tivéssemos de corresponder à perfeição no seu sentido desambiguo... Objectivos, condicionados, controlados, por vezes até mesmo estáticos e frios, como um pedaço de mármore esculpido árdua e tenebrosamente, dia após dia. Invalida-se e reprime-se assim continuamente a capacidade do ser humano racionalizar através da sensibilidade, da emoção, tendo esta falha reflexos no desenvolvimento da inteligência emocional. Comprometemos então toda uma falha na capacidade

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resiliente do eu e, por sua vez, como qualquer processo de causa efeito, do todo.

Que nos prepare a lancheira cheia de cores e sabores capazes de cobrir uma tela, ou mesmo uma parede nua!

É exigido desde cedo o desenvolvimento de capacidades cognitivas nas crianças, como saber ler e escrever, fazer cálculos... Mas menosprezamos ou não valorizamos a capacidade igualmente importante de imaginar um mundo diferente: pintar, por exemplo, um sol verde e um mar amarelo. Muitas vezes, ou quase sempre até, é corrigida essa manifestação criativa, ensinando que o Sol é amarelo e o mar azul... E com isto se vai anulando a capacidade do desenvolvimento de novas perspectivas, assumindo que tais nunca serão correctas - condicionando a expressão do mundo interior, mais uma vez, ao mecanismo do padrão lógico e realístico esperado no exterior.

Que nos surpreenda com uns lápis de cor no lugar da calculadora! Que embale esta sociedade de sonhos aprisionados e do sono intranquilo com medo do escuro. Que nos amamente e nos ligue à nossa essência! Que alimente o nosso amor incondicional e a vontade de exprimi-lo, bem como partilhá-lo! Que nos ensine (de novo) a caminhar...! Que nos ensine de novo a amar!

É importante que esta sociedade adulta, outrora criança, saiba assumir a falta do modelo feminino no seu desenvolvimento e crescimento. Que saiba parar o pranto das próximas gerações, simplesmente permitindo e proporcionando a liberdade e a capacidade de desenvolvimento artístico, tendo consciência da importância da mesma e encorajando-a naturalmente, como se se tratasse de um gesto de amor, quase que Dadaísta. Que se liberte a Arte nas nossas vidas! Que se liberte a Mulher, a esposa, a amiga, a mãe dos novos tempos! Que grite histérica se assim se justificar! Que abrace o futuro da humanidade e o beije com mil batons de todas as cores!

Love the Feeling of Freedom, um quadro de Kitty Meijering


A importância das Mulheres no Progresso da Civilização

Se na história não procurarmos só uma data ou um facto descarnado, mas tentarmos nela descobrir alguma coisa mais, um princípio harmónico e as leis que governam esses factos, ainda nas suas menores evoluções, veremos que a história da civilização da mulher, do seu desenvolvimento e da sua moralidade, anda sempre ligada aos factos do desenvolvimento da civilização e da moralidade dos povos: veremos que aonde a sua condição se amesquinha, onde desce em dignidade, onde a mulher em vez do triplo e sagrado carácter de amante, esposa e mãe passa a ser escrava sem liberdade nem vontade, só destinada a saciar as paixões brutais dum senhor devasso, aí também veremos descer o nível da civilização e moralidade: à doçura dos costumes suceder a fereza e a brutalidade; e em vez do amor, essa flor do sentimento pura e recatada, só apareceram a paixão instintiva e brutal, necessidade puramente física do animal que obedece à lei da reprodução, à devassidão e à poligamia!

Antero de Quental

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por

Vanessa Rodrigues

Auto-retrato com tampas de garrafas de plástico, uma obra de Mary Ellen Croteau

Arte. Falar de arte pode ser para muitos uma temática posta de lado, mas se formos a ver, depende da lente com que a olhamos. Quando olhamos para aquilo que nos rodeia, em todos os elementos existe arte, a arte está naquilo que damos mais relevância, mas sem esquecer que o que é arte para uns, é menosprezado por

outros. Mas é tempo de pensar que somos todos diferentes somos aquilo que fomos construindo desde o nosso mais pequeno passo, aliás, até muito antes, mas aqui nem interessa alongar-me sobre isso. Interessa sim constatar que a arte que melhor podemos observar é aquela que temos dentro de nós, independentemente de ser observada num dia de sol ou num dia de chuva - esta arte nunca desaparece, pois é nossa, é o nosso cartão-de-visita, mas lá está, só a entende quem a percepciona da mesma perspectiva que nós. Não pretendo ser detentora da verdade, pelo contrário, cada um tem as suas opiniões e percepções, mas por vezes é um simples clique que faz com que as coisas mudem para melhor. Certo é que é a própria pessoa o detentor da sua lente, e caso a mude, deixará de ver a arte que há em si, tendo que começar do zero. Mas, nem tudo é mau, pois mudar todos mudamos e iremos continuar até ao fim das nossas vidas, mas a arte que temos dentro de nós, somos nós, e somente cada um de nós a pode mudar. Por isso ela sempre irá permanecer até que o permitamos. Em suma, todo o nosso ser nasceu com arte e irá continuar a sê-lo. Agora o brilho com que essa arte é observada só depende da lente com que é encarada.


Se Quisermos Viver a Vida de Forma Criativa É raro ver-se um artista na casa dos 30 ou dos 40 anos contribuir com alguma coisa realmente extraordinária. É claro que existem algumas pessoas com uma curiosidade inata, que são eternas crianças na maneira como se maravilham com a vida, mas são raras. Os nossos pensamentos constroem padrões semelhantes a dobras na nossa mente. Nós estamos efectivamente a esboçar padrões químicos. Na maioria dos casos, as pessoas ficam presas nesses padrões, como nos sulcos de um disco, e nunca saem deles. Se quisermos viver a vida de forma criativa, como um artista, não podemos olhar muito para trás. Temos de estar dispostos a agarrar naquilo que fizemos, na pessoa que fomos, e deitá-lo fora. Quanto mais o mundo exterior tenta impor-nos uma imagem nossa, mais difícil é continuarmos a ser um artista, e é por isso que muitas vezes os artistas têm de dizer: «Adeus. Tenho de ir. Estou a ficar maluco e vou sair daqui.» E depois ir hibernar para qualquer lado. Talvez mais tarde, voltemos a emergir de uma maneira um pouco diferente.

Steve Jobs


Estรกtua viva, por Damian McKinnon


por

Muriel Mendes

http://pulsares.blogs.sapo.pt/

Yarn Bombing por B-Arbeiten

É engraçado como todos nós criamos o nosso próprio mundo, cheio de certezas absolutas. Montamos os pilares da nossa alma de forma a ninguém os poder abalar. Enchemo-nos de rigorosas regras, sem nunca pôr em dúvida as nossas linhas orientadoras. Seguimos em frente, quase que fugindo, para não correr o risco de ser abalroado nas nossas certezas absolutas. Temos medo de parar. Temos medo de ouvir. Temos medo de duvidar. Temos medo de entender. Temos medo de mudar. Porque quando temos tantas certezas, é difícil reconhecer que talvez, talvez nos tenhamos enganado. Talvez haja outra maneira de fazer o que queremos ser. Talvez a pessoa que somos possa vir a ser a pessoa que um dia sonhamos ser.

E é difícil. É difícil reajustar quem somos. Já nada é claro, já nada é certo. Já tudo está sobre nós. O nosso mundo é abalado. O que pensávamos conhecer afinal já não conhecemos, já mudou. A pessoa que nos resignamos a ser afinal pode mudar, afinal até pode ter sido uma farsa este tempo todo. É difícil abrir-se ao mundo e começar numa página em branco. A nossa mente não está programada para ser vulnerável. A nossa mente é forte e atrapalhase com incertezas. Mas a nossa mente só aprende quando admite não saber. A nossa mente evolui ao deixar-se ensinar. A nossa mente supera-se quando se expõe à dúvida e volta a criar uma certeza sabendo que, certamente, será apenas temporária. É engraçado como todos nós criamos o nosso


próprio mundo, mas mais engraçado é quando o fazemos depois de nos expormos aos mundos dos outros. Todos nós precisamos sentir segurança no que somos, mas eu aprendi nestes últimos tempos que, apesar de difícil, todos nós temos a ganhar em sair da nossa bolha. Eu sinto por vezes um certo receio na pessoa que me estarei a tornar, fora das minhas certezas absolutas e julgamentos prévios. Ter opções pode ser destabilizante, para quem vive numa estrada sem saídas. A auto-estrada é apelativa para muitos, mas quando saímos pela nacional podemos facilmente cair na distracção e esquecer o nosso destino inicial, acabando por ir parar a outra cidade que nem estava no nosso mapa, que desconhecíamos. Por isso, no final do dia, aprendo que a vida é feita de crescimento. Aprendemos e evoluímos enquanto seres

humanos. Não somos uma constante, mas sim uma variável. Viver é mudar, moldar-se às circunstâncias. Viver é lutar pelo que queremos ser. O mais provável é amanhã descobrirmos que aquilo que pretendíamos ser já não é o que somos. O mais provável é amanhã descobrir que aquilo que nos tornamos é exactamente o que temos de ser, neste exacto dia.

How do You Measure Your Life, um quadro de Stephanie Clair


Vanessa Dias

por vdiasiopsychologist.wix.com/home

A criatividade é uma mais-valia para as empresas - permite acrescentar valor quer a si mesmas, quer a todos os seus colaboradores e parceiros. Mas uma consequência positiva muito útil é o facto de a criatividade tornar possível uma melhor adaptação face a situações de incerteza e de risco. Por outras palavras: a criação de novos produtos ou serviços para o mercado, possíveis através da implementação de ideias novas e úteis (criativas), permite acrescentar valor às empresas e torna-las mais competitivas.

No contexto empresarial, esta tendência parece ser bastante compreensível, pois tornase possível conceber uma associação mais ou menos clara entre criatividade e eficácia. No entanto, é importante estabelecer uma distinção entre criatividade e inovação: embora a criatividade possa estimular a inovação (colocar, com sucesso, ideias criativas em prática ou adaptar produtos ou serviços já existente), a criatividade não é a única condição necessária para que possa haver inovação. De um ponto de vista mais abrangente, a inovação pode funcionar como um motor para a promoção do progresso em dimensões tão diferentes como a sociedade, a economia e o ambiente. A Comissão Europeia defende, inclusive, que a inovação pode ser parte da solução face a desafios como o

A criatividade é uma área de investigação desde muito cedo marcada por J. P. Guilford, autor também já citado pela colega Isabel Almeida, no artigo “O Escritor e o Processo Criativo” desta edição. Contudo, a investigação neste tópico tem apresentado diferentes resultados e ramificações, consoante a(s) “lente(s)” da Psicologia que os investigadores subscrevem (e.g. Renewed, por T. White desemprego e o Psicologia Cognitiva, Neuropsicologia). Mas, de envelhecimento populacional. Nesta uma forma geral, a criatividade tem sido perspectiva, a inovação é sinónimo de estudada enquanto “algo positivo”, isto é, esperança e de crescimento. Para tal, é enquanto fonte de vantagens, como inovação importante mudarmos de atitude, já que é e competitividade. Deste modo, os urgente que se adoptem estratégias de criação investigadores têm procurado, sobretudo, e de inovação à escala mundial, por oposição à compreender os factores que promovem ou cultura da imitação e da competitividade pelo inibem o potencial criativo. preço.

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A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta. A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta. Não devemos ter medo de inventar seja o que for. Tudo o que existe em nós existe também na natureza, pois fazemos parte dela. Pablo Picasso


http://filmmakeriq.com/wp-content/uploads/2012/10/Pablo-Picasso-by-Irving-Penn-600x623.jpg

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Caixinha de Sugestões

InComunidade Cooperativa de Solidariedade Social, CRL Organização sem fins lucrativos que visa o desenvolvimento de um projecto comunitário abrangente e sustentável http://incomunidade.org

Vencedor do Passatempo

Página “Pulsares”

“Chega-te a mim e deixa-te estar”

Experiências, sucessos, derrotas, esperança, oportunidades… Tudo num pulsar! Visite, aqui!

Vítor Rosário, com a frase: Se todos nos unirmos em torno da Educação Dando cada pessoa um pouco de si com paixão Poderemos construir um Futuro para esta nação E vivermos com Optimismo e abnegação.

Página “Escrita do Autoconhecimento”

Muitos parabéns! Para que possamos enviar o seu livro, por favor, envie-nos uma mensagem para a nossa página de Facebook, com o seu endereço.

“A Escrita do Autoconhecimento é uma Viagem do Indivíduo ao seu Interior, descobrindo o seu potencial e permitindo Viver em plenitude consigo mesmo e com os Outros.” Visite, aqui!


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Tertúlias à Lareira

Sobre Porque ler é uma paixão, e os livros um grande amor.

Links https://www.facebook.com/pages/Tert%C3%BAlias-%C3%A0-Lareira/203493246416512 http://tertuliasalareira.blogspot.com/


Ampliação de Leituras & Aprendizagem Baiocchi, A., & Niebielski, D. (s/d). Psicologia e Literatura:

McVey, D. (2008). Why all writing is creative writing,

Um diálogo possível. Revista Travessias. Paraná:

Innovations in Education and Teaching International,

Universidade Paranaense.

45:3, 289-294

Barbosa, A.M., & Sales, H.M. (1990). O ensino da Arte e sua História. São Paulo: MAC/USP.

Mesquita, M.F.N. (2003). Valores Humanos na Educação: uma nova prática na sala de aula. São Paulo: Editora Gente.

Duarte, A. (2011). Notas coligidas por alunos no decurso

Ribeiro, J. (1985). Gestalt-terapia: refazendo um caminho. São Paulo: Summus Editorial.

de aulas teórico práticas da Unidade Curricular de Psicologia da Arte, ano lectivo 2011/2012, Faculdade

Duarte, J. F. (2003). Porque Arte-Educação. São Paulo, Campinas: Editora Papirus.

Torres, C.C., Coelho, M.M., & Silva, S.E.M. (2003). Manual do Professor – Arte. Rede Pitágoras, Belo Horizonte: Editora Universidade.

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A Revista eOPTIMISMO deseja-lhe um FELIZ ANO, repleto de ESPERANÇA, DESEJOS REALIZADOS, e MUITO, MUITO OPTIMISMO! http://josannecassar.com/wp-content/uploads/2011/12/Maxines-Optimism-Punch.jpg 53


Revista eOPTIMISMO  

3ª edição (Dezembro 2013) A 3ª edição da Revista eOPTIMISMO é dedicada à Arte e às suas aplicações positivas no bem-estar, saúde e desenvol...

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