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VENDO A VENDA

IEDA OLIVEIRA


Vendo a venda - Ieda Oliveira Uma das mais criativas e originais artistas da Bahia atual, pelos caminhos de uma atualização constante das relações com Varzedo, sua cidade natal, onde estão implicados laços de família, afeto e convivência, Ieda Oliveira nos propõe como obras seus brinquedos culturais, jogando com a função da arte em ampla e contemporânea dimensão. Mais do que fruição como participação, mais do que intervenção, mais do que reflexão, em suas instalações, ações e performances, carregadas de humor e poesia, Ieda propõe não só deslocamentos de objetos cotidianos, mas também apropriação e deslocamento de práticas de convivência, de personagens, do saber-fazer comum, de rituais festivos ou sagrados, memória de vida e presenças marcantes no nordeste do Brasil. Essa dimensão da experiência estética expandida como lugar cotidiano, sagrado ou profano, nos modos de fazer vida e festa em laços sociais, recorrência em quase toda a sua obra, é reencantada nesta atual exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia, tendo como centro a instauração do espaço da “venda”. Como em muitos dos seus trabalhos com a imagem-palavra a artista brinca com a recepção do fruidor, pois aqui, desde o título, misturam-se procedimentos, categorias e ações, como nos verbos ver, vender e vedar, e com o próprio substantivo “venda”, sinônimo de “bodega” ou “armazém”, mas também como “objeto que impede o ato de ver”. Essa oferta, cheia de múltiplos sentidos, se potencializa ainda mais na ação de desenhar dento do espaço da venda, proposta pela artista e realizada nos papéi s de embrulho de venda. O que se vê então

está à venda? Está vendido ou vedado? O que não se vê é também vendido ou vedado? Se é vendido, quem vende? Quem compra? Se é vedado, quem, ou o que impede esse ver? Quem compra o que não se vê? O que está na venda não se vende? E o que não está à venda, o que é? E o que não se pode vender? E por ai vai. Entramos nessa “venda” real-imaginária, em seu corpo: cronotopos de valores e de ações-reflexões. A palavra mercadoria constrói e corrói sentidos no cerne veloz do nosso “super” mundo contemporâneo, mas as miúdas vendas, ou feiras, coexistem ainda em funcionamento central nas periferias, como em Varzedo, abrigando lugares de vida em festa, fazendo circular objetos e trocas estéticas muito particulares, que inspiram as “mercadorias poéticas” reinventadas por Ieda nesta exposição. Cabe a empatia lúdica do público, que no olhar imediato poderá se sentir atraído pela familiaridade com a profusão inusitada de objetos, e a empatia mais profunda com aqueles que indagam sobre os caminhos da arte contemporânea, aqui, numa rara efusão e afirmação de uma artista criando entre o local e o global. Brincadeira muito séria e singular, pois instaurada no tecido da vida da artista, da vida social e no museu.

Sonia Rangel Artista visual e cênica Doutora em Artes Cênicas


Vendo a venda - by Ieda Oliveira ( Seeing the little shop around the corner )

One of the most creative and original artists from Bahia nowadays , living through the ways of a constant update of connections with Varzedo, artist’s hometown, where her whole family is, with affection and existence, Ieda Oliveira gives us pieces of art as her cultural toys, playing as a function of art, with a wide and contemporary dimension. More than just a fruition for participation, more than intervention, more than reflection, in her installations, actions and performances, loaded with humour and poetry, Ieda proposes not only dislocations of everyday objects, but also appropriation and dislocation of the practicing of existence, of characters, of knowing how to keep it simple, of festive or sacred rituals, life memories and representative icons from the Northeast of Brazil. This dimension of the expanded esthetic as an everyday place, sacred or profane, in the ways of making the best out of life with social strings , in almost all her art, it’s all reenchanted in this exhibition at Bahia Modern Art Museum, having as a center of the exhibition, the installation called : “venda” (little shop around the corner). As in many of her artwork with a word-image , the artist plays with the reception of the audience, because since the title, procedures , categories and actions are all mixed, as in the verbs “ver” (to see), “vender”(to sell) and “vendar” (to blindfold) and also with the nouns “venda” , which means a little shop or a bazaar in Portuguese, can be translated as “ the object that blocks the act of seeing”. This offer, full of multiple meanings, it potentializes even more in the word “venda”. What is for sale?

What’s being sold or blindfolded? What is not seen is also sold or blindfolded ? Who buys are the the ones who don’t see it ? What is in the “venda” is not for sale ? And what is not in the “venda” , what is it ? And what about the things that can’t be sold ? and that goes on and on. We get into this “venda” real-imaginary, in its body : cronotopos of values and actions-sreflections. The word mechandise builds and destroys meanings in the fast core from our “super” contemporary world, but the little shops, or faires, that still existis and even controls the poorer areas, in far neighborhoods, as in Varzedo, having places of life as a party, making circular objects and private esthetic tradings, that inspire the “poetic merchandise” reinvented by Ieda Oliveira in this exhibition. It’s all up to the ludic empathy of the public , that we can see in the eyes of the audience, feeling attracted by the familiar profusion of unused objects, and also a deeper empathy with those who question about the ways of contemporary art, here, in a rare fusion and affirmation of an artist creating between the local and the global. A very serious and singular trick , established in the artist’s life’s fabric, social life and in the museum.

Sonia Rangel Scenic and visual artist Doctor in Scenic Arts


Vendo a venda - Ieda Oliveira

Arte popular, artesanato, objetos utilitários. Vivências pessoais, lendas, mitologias e tradições rurais. Tecidos, cachaça, dois dedos de prosa, e aviamentos, e fumo de corda, antiguidades. “Vendo a Venda”, exposição da artista visual Ieda Oliveira, traz ao Museu de Arte Moderna da Bahia o vasto e multifacetado universo da artista, natural de Santo Antônio de Jesus, interior daBahia. Realizando, inconscientemente - já que a vocação da artista se lhe apresentou desde muito cedo, quando passava os dias na venda do “Mané da Loja”, seu pai, e desenhava o papel de embrulho que ser viria aos clientes – a apropriação da arte popula r, inserindo e ressignificando em suas criações todos estes objetos e histórias que fizeram, e fazem, parte de sua realidade, a artista insere-se na tradição de artistas brasileiros, desde o Modernismo até os dias atuais, que souberam fundir em sua obra elementos, formais e estéticos, da arte popular, mantendo o diálogo com questões da arte contemporânea internacional, e que tem na relação menos idealizada, mais participativa do público com a obra em questão, outra forte característica. De fato, a artista propiciará ao público uma experiência de outra ordem, não apenas contemplativa, já que realizará performances nesta instalação, revivendo sua própria experiência de infância. Contemplada pelo Prêmio Edital Matilde Matos da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Ieda Oliveira confirma-se como uma das artistas baianas de grande destaque no cenário artístico nacional, autora de uma obra autêntica e verdadeiramente afirmativa. É com prazer que convidamos o público a partilhar desta experiência genuína.

Solange Farkas Diretora Museu de Arte Moderna da Bahi a


Vendo a venda - by Ieda Oliveira ( Seeing the little shop around the corner )

Popular art, art craft, utility objects. Personal existences, legends, mythologies and rural traditions. Fabrics, “cachaça”, two minutes of prose, notions, chewing little bits of string, antiques. “Vendo a Venda”, the artist Ieda Oliveira’s exhibition, brings the modern art of Bahia, the vast and multifaceted universe of the artist, from the countryside of Bahia, Santo Amaro de Jesus. Accomplishing, not intentionally – since the artist’s vocation was introduced in her early years of life, while spending her days at her father’s little shop “Mané da Loja”, so the art started to be very present in Ieda’s life. Her father, who used to draw on paper wraps, offering his clientes the local and popular art, introducing the meaning and the history of the local tradition, which was and still is a part of the artist’s reality as a whole. Ieda Olivera has always had in her life, the tradition of the Brazilian artists, sincethe Modernism, until nowadays, artists who knew how to merge different elements in their artwork, such as formal and esthetic elements, keeping the dialogue with questions from the international contemporary art which has a connection less idealized, with a public more participative and active, leading to another strong characteristic. In fact, the artist will provide for the public the experience of another order, but not only contemplative, as she will do performances in this installation, reviving her own childhood experience. Awarded by the prize “Premio Edital Matilde Matos” from the Cultural Foundation of Bahia”, Ieda Oliveira confirms herself as one of the most representative artists in Brazil nowadays, being an author of an authentic and genuine piece of art. It’s a pleasure to invite all the public to share this true experience with us.

Solange Farkas Director Bahia Modern Art Museum


IEDA OLIVEIRA Santo Antonio de Jesus, BA, 1969 Vive e trabalha em Salvador, BA, Brasil FORMAÇÃO 2009 - Mestre em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, UFBA, Salvador, BA, BR 1998 - Bacharelado em Artes Plásticas, Escola de Belas Artes, UFBA, Salvador, BA, BR DOCUMENTÁRIO: 2000 - Hot Spot Salvador, Manfred Eichel, ZDF, Mainz, GER EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS: 2009 - O Sonho da Baliza, Varzedo, BA, BR 2009 - Vendo a Venda, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, BA, BR 2009 - A Sorte é Cega, Galeria Canizares, Salvador, BA, BR 2009 - Raid das Mocças, Pç. Da Piedade, Salvador, BA, BR 2003 - Coração é Terra Que Ninguém Passeia, Porto da Barra , Salvador , BA, BR 2002 - Redoma, Centro Histórico de Salvador, Salvador, BA, BR 2002 - Milagres, Goethe Institut da Bahia, Salvador , BA, BR 2001 - Farinha do Mesmo Saco, Galeria ACBEU, Salvador , BA, BR 1999 - Chuva Guardada, Galeria ACBEU, Salvador , BA, BR 1999 - Gru Ein Projekt fur Amazonien, Wasserwerk Galeria Lang, Siegburg, GE 1999 - Objekte aus Bahia,Instituto Cultural Brasil Alemanha, ICBRA, Berlin, GE 1999 - A Espera, München Fraveenborse, Müchen , GE 1998 - Sedução, Verfuhrung, Projekt Print, Druckerei, Müchen, GE EXPOSIÇÕES COLETIVAS: 2009 - Saccharum ba, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, BA, BR 2007 - Premiados, 8 Edições, Bienal do Recôncavo, Art Factory Galeria, Salvador, BA, BR 2006 - Olhar Contemporâneo, Paulo Darzé Galeria, Salvador, BA, BR 2005 - Madeiras do Brasil Artistas da Madeira, Museu de Arte da Bahia, Salvador, BA, BR 2004 - 26º Bienal Internacional de São Paulo, Parque do Ibirapuera, São Paulo,SP, BR

2004 - Impedimentos, Goethe Institut da Bahia, Salvador, BA, BR 2002 - Premiados nos Salões Regionais da Bahia, Solar Ferrão, Salvador, BA, BR 2001 - III Bienal do Mercosul, Hospital Pisiquiátrico São Pedro, Porto Alegre, RS, BR 2001 - Uma Geração em Trânsito, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, BR 2000 - 57º Salão Paranaense de Artes Plásticas , MAC, Paraná, Curitiba, PR, BR 2000 - 7º Salão da Bahia, Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM, Salvador, BA, BR 2000 - Terrenos, Goethe Institut da Bahia, Salvador ,BA, BR 2000 - V Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix, BA, BR 1999 - XV Salão de Artes da Bahia,Centro Cultural João Gilberto, Juazeiro, BA, BR 1998 - Bahia Antropofagia, Galeria Cañizares, Salvador, BA, BR 1997 - 1º Festival de Artes do Recôncavo, Museu Hansen Bahia, Cachoeira, BA, BR 1997 - III Bienal Nacional Latino América de minetrabajos, Facultat de Humanidades y Artes, UNR, Entre Rios,Cidade do Rosário, Província de Santa Fé, AR 1997 - XX Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana , BA, BR 1996 - Pinte no Pelô, Galeria SEBRAE, Salvador, BA, BR 1995 - III Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Felix, BA, BR 1995 - Perfeição Liberdade Expressão, Galeria 13, Salvador, BA, BR 1994 - Dose, Galeria SEBRAE, Salvador, BA, BR PRÊMIOS: 2008 - Prêmio Matilde Mattos, FUNCEB, Salvador, BA, BR 2005 - Taipei Artist Village, Residência, Taipei, TW 2003 - Von Varzedo in die weite Welt, Kunstlerhaus Hamburg e.V, Someratelier 2003, Hamburgo, GE 2001 - IX Salão da Bahia, Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM, Salvador, BA, BR (Prêmio Base 7) 2000 - Prêmio FUNCEB, Salões Regionais de Artes Plásticas da Bahia, Alagoinhas, BA, BR. 1998 - IV Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Felix, BA, BR. 1995 - XXII Salão da Bahia, Centro Cultural Amélio Amorim, Feira de Santana, BA, BR


VanessaCersil

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