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CONTAINER COMO ESPAÇO HABITÁVEL SEU USO EM CANTEIROS DE OBRA


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO

CONTAINER COMO ESPAÇO HABITÁVEL SEU USO EM CANTEIROS DE OBRA

Vanessa Hatsue Chigami Orientadora: Claudia Terezinha de Andrade Oliveira

São Paulo Dezembro de 2014


AGRADECIMENTOS Agradeço minha orientadora, Claudia Oliveira. Professora extremamente dedicada que me atendeu às 7h da manhã de toda semana e cujos conhecimentos, experiência e rigidez foram essenciais para a produção desse trabalho. Agradeço a professora Denise Duarte. Que gentilmente aceitou em colaborar com o meu trabalho, sua especialidade em conforto ambiental foi de enorme ajuda. Aos colaboradores: professor Alberto Hernandez Neto, docente da Escola Politécnica da USP; Ranieri Higa, técnico do LABAUT sem o qual as medições não seriam possíveis; Romerito, técnico do LAME FAU-USP, sempre solícito e gentil; professor Sergio Castro do IO-USP, pelo entusiasmo e ajuda nas medições. Ao programa FAU-POLI. Pela oportunidade de extensão dos meus estudos na graduação, primordiais à complementação da minha formação. Aos meus amigos fauanos. Pela longa jornada de cinco anos, de risos e choros, trabalhos intermináveis e noites frias varadas na FAU. Aos meus amigos politécnicos. Pelos três anos na POLI-USP com os quais compartilhei grandes dificuldades e obstáculos a serem superados no curso de engenharia civil. Aos meus amigos do FAU-POLI. Sem os quais eu não teria conseguido enfrentar o desafio que foi realizar o programa de dupla formação. Em especial, ao Guilherme e Samuel, grandes amigos, obrigada pelas muitas risadas e estudos intensos. À minha família. Aos meus pais, Yasuo e Eliza, e meus irmãos, Lucas e Robin, que sempre me apoiaram nesses extensos sete anos de formação. Ao Bruno. Por nunca duvidar do meu sucesso, ser o meu maior incentivador e companheiro nesses nossos oito anos juntos. MUITO OBRIGADA.


SUMÁRIO CONTAINER

MEDIÇÕES DE CAMPO

11 INTRODUÇÃO

81 INTRODUÇÃO

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O CONTAINER

88 EMISSIVIDADE

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REFERÊNCIAS PROJETUAIS

92 TERMOGRAFIA

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CONTAINER MARÍTIMO

101 TEMPERATURA INTERNA

34

CONTAINER FABRICADO

37

MERCADO DOS CONTAINERS

41 QUESTIONÁRIO

CONCLUSÃO 118 ANÁLISE FINAL 121 BIBLIOGRAFIA

CONFORTO AMBIENTAL

124 ANEXOS

55

CONFORTO ACÚSTICO

125 LISTA DE FIGURAS DAS CAPAS

62

CONFORTO TÉRMICO

126 LISTA DE TABELAS 127 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS


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CONTAINER

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INTRODUÇÃO No setor da construção civil, o container, seja de reuso do transporte marítimo ou fabricado como edificação baseada em container mas sem a funcionalidade de transporte de carga, possui crescente locação ou adquisição por empresas construtoras para que sirvam de espaço de apoio de canteiros de obra. Podem acomodar espaços como: almoxarifados, enfermarias, escritórios de engenharia e administração, salas de reuniões, vestiários, sanitários, depósitos, guaritas e refeitórios. Apesar de seu potencial em ser uma boa solução para canteiros por ter baixa geração de resíduos, possibilidade de reuso, rápida montagem/desmontagem e fácil transposição de local; suas condições de habitabilidade criam um ambiente de trabalho precário do ponto de vista de conforto interno, impactando diretamente na produtividade das atividades de concentração normalmente exigidas nesses ambientes (análise de projetos, administração e planejamento da obra, salas de reuniões, etc.). O presente trabalho possui como objetivo principal a análise dos containers quanto suas condições de habitabilidade quando utilizados como abrigos temporários de apoio em canteiros de obra. Através da ferramenta de questionário em plataforma eletrônica, foram diagnosticados como condicionantes críticas à habitabilidade dos containers nesse uso, o conforto acústico e térmico, sendo então focos do estudo apresentado. Além de estudos teóricos, foram analisadas medições de campo visando mensurar, em dados práticos, os ambientes internos de containers. A escolha do tema foi motivada por uma vivência pessoal, na qual pôde-se descobrir a grande oferta no mercado dos módulos para canteiros de obra e, ao mesmo tempo, diagnosticar o necessário balanceamento entre as limitações de usos do container quanto ao conforto ambiental, em contrapartida com o seu potencial em ser uma boa solução alternativa aos abrigos convencionais do mercado (madeira). Como métodos e técnicas de pesquisa adotados para o embasamento do estudo, foram aplicados: LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO

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Através da leitura de normas e artigos técnicos sobre canteiros e containers, foi possível entender os parâmetros normativos acerca do tema estudado. LEVANTAMENTO DAS EMPRESAS FORNECEDORAS DE CONTAINERS Foi realizado um levantamento de dados das empresas fornecedoras de containers, sejam elas locatárias ou de venda, através de pesquisa por sites das empresas, catálogos técnicos ou observações do uso de seus containers em obras em andamento na cidade. REFERÊNCIAS PROJETUAIS Em busca do entendimento das dificuldades projetuais e desafios para o uso proposto, foram estudados os diversos usos que o container pode ter: residencial, comercial ou de instalação temporária. PESQUISA DE CAMPO A pesquisa de campo realizada abrange um questionário com perguntas sobre as experiências dos usuários em containers, conversas informais com funcionários de canteiros de obra e a própria experimentação e visita a canteiros, buscando compreender as necessidades dos usuários. MEDIÇÕES DE CAMPO Para fins analíticos e obtenção de dados numéricos, foram realizadas medições de campo através de equipamentos técnicos em containers da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

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O CONTAINER CONCEITO Pela definição do Artigo 4º do Decreto nº 80.145 de 15 de agosto de 19771: “O container é um recipiente construído de material resistente, destinado a propiciar o transporte de mercadorias com segurança, inviolabilidade e rapidez, devendo atender às condições técnicas e de segurança previstas pela legislação nacional e pelas convenções internacionais ratificadas pelo Brasil”.

HISTÓRICO DOS CONTAINERS MARÍTIMOS O sistema de transporte através de containers foi elaborado pelo norte americano Malcom Purcell McLean, 14/11/1913 – 25/05/2001 (Figura 01), um jovem nascido na Carolina do Norte - EUA, que almejava a racionalização do transporte de carga. Na época, o processo de carregamento de um navio cargueiro de mercadoria demandava até uma semana de trabalho de estivadores2, que, considerando que ainda não existia eletricidade e a máquina a vapor, realizava um grande esforço físico que significava uma atividade ineficiente de carregamento, sofrendo ainda com constantes furtos. McLean, em 1937, no Porto de Hoboken, teve a ideia da criação do container enquanto esperava por horas o carregamento de uma carga de algodão para exportação. A mudança do modo de carregamen-

1. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1970-1979/ decreto-80145-15-agosto-1977-429176-publicacaooriginal-1-pe.html>. Acesso em: 30 mai. 2014.

Figura 01 (esquerda) - Malcom Purcell McLean. Fonte: Seagate Steamship Lines. Disponível em: http://www.seagatesteam.com/mclean.html. Acesso em: 04 abr. 2014. Figura 02 (direita) - A empresa de transporte Sea Land Service Inc. fundada por Malcom McLean. Fonte: Container Handbook. Disponível em: <http://www.containerhandbuch.de/chb_e/stra/index.html?/chb_e/stra/ stra_02_03_03.html> Acesso em: 01 abr. 2014.

2. Estivador é o trabalhador portuário que permanece nas docas auxiliando na carga e descarga dos navios.

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to da época, comumente em sacos, caixas, caixotes, tambores ou barris para containers foi revolucionária. A priori, McLean resolveu carregar caminhões inteiros nos navios, mas, com o surgimento da padronização dos containers e reboques, movidos por tratores, foi possível evoluir a sua ideia ao transporte para o carregamento do reboque junto com o container. Foi assim que, em 26 de abril de 1956, o Ideal X partiu do Porto de Newark, Nova Jersey, como o primeiro navio de containers, acomodando 58 containers de 9 metros de largura, a caminho do Golfo do México e, depois, Houston - Texas. A invenção de McLean foi globalmente aceita em um curto período de tempo pois a mudança de custo para carregamento foi drástica no setor: de US$ 5,68/tonelada para US$ 0,16/tonelada. Nas palavras de Bill Clinton, a containerization serviu de combustível para a economia mundial e McLean foi premiado como “O homem do século” pela Internacional Maritime Hall of Fame3. No âmbito legal, no Brasil, em 11 de dezembro de 1975, foi regulamentada a lei número 6.288 que “dispõe sobre a utilização, movimentação e transporte, inclusive intermodal, de mercadorias em unidades de carga”4 , e que posteriormente foi revogada pela lei 9.611 de transporte multimodal de cargas5 em 19 de fevereiro de 1998. Era introduzida, dessa maneira, uma grande ferramenta no transporte logístico intermodal, uma vez que o container era transportado através de rotas rodoviárias, ferroviárias e marítimas. Segundo a Figura 03, 24,4%, ou seja, cerca de um quarto do total de toda a carga desembarcada nos portos brasileiros, segundo a Confederação Nacional do Transporte, é de containers, o que representa o seu uso significativo no cenário atual do transporte marítimo de carga.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO Após quase 80 anos de sua criação, o container é uma peça fundamental no transporte de carga mundial. No Brasil chegando a representar 24,4% de toda a carga desembarcada nos portos. Dessa forte presença no mercado, é possível afirmar que há um grande número de containers sendo constantemente fabricados, e, portanto, também descartados ao fim de sua vida útil; criando então oportunidades para que possam ser reutilizados para outros usos.

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3. Premiação da Maritime Association of the Port of New York and New Jersey que homenageia aqueles que mais contribuíram para o setor marítimo. 4. Lei 6.288. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/1970-1979/L6288.htm. Acesso em: 25 jun. 2014. 5. Lei 9.611. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L9611.htm#art35. Acesso em: 25 jun. 2014.


Outros

2,0%

Minérios, escórias e cinzas

0,5%

Cobre, níquel, estanho, outros metais e suas obras

0,5%

Automóveis de passageiros

0,6%

Cimento

0,8%

Malte e cevada

0,8%

Sal

0,8%

Álcool etílico

1,0%

Produtos químicos orgânicos

1,5%

Produtos siderúrgicos

1,6%

Soda cáustica

1,9%

Produtos químicos inorgânicos

1,9%

Enxofre, terras e pedras, gesso e cal

2,4%

Trigo

3,7%

Coque de petróleo

Figura 03 - Percentual do total desembarcado, por grupo de mercadorias, no ano de 2011 no Brasil. Fonte: Confederação Nacional do Transporte (CNT). Disponível em: http://www.cnt.org.br/pesquisamaritima/files/pesquisa_maritima_2012.pdf. Acesso em: 25 jun. 2014.

6,0%

Carvão mineral

12,0%

Fertilizantes e adubos

14,3%

Combustíveis, óleos minerais e derivados

23,3%

Contêineres

24,4%

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REFERÊNCIAS PROJETUAIS A fim de compreender a abrangência do uso dos containers na atualidade, com o intuito de criar uma visão global das possibilidades e/ou limitações da aplicação do container como espaço habitável, listam-se algumas referências projetuais:

CONTAINER COM USO RESIDENCIAL E/OU DE TRABALHO O uso mais desafiador do container é o residencial, ou o conjunto de local de moradia e trabalho, visto que é área de longa permanência e, portanto, exige que maiores requisitos de conforto interno sejam atendidos.

RESIDÊNCIA ADAM KALKIN Adam Kalkin construiu em 2003 uma residência para uso pessoal (Figura 04) com a composição de doze containers marítimos envoltos por uma estrutura metálica. Dos dois pavimentos, o térreo contem os espaços de convivência, sala e cozinha, e a parte superior apenas os quartos. O custo dessa edificação foi de US$ 125/square foot ≈ US$ 1.345,50/m2. De modo a criar diferentes espaços, além das áreas mais reservadas internas aos containers, o arquiteto utilizou-se da composição mista de estruturas, onde uma extensa cobertura metálica, apoiada em containers nas laterias, cria um grande vão interno, como ocorre na área de estar (Figura 05).

Figura 04 - Residência de Adam Kalkin, próxima à península rochosa de Blue Hill Bay. Fonte: Casa Foz. Disponível em: http://www.casafozdesign.com.br/casa-construida-com-12-containers-maritimos/. Acesso em: 27 mai. 2014.

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Figura 05 - Área de estar da residência de Adam Kalkin. Fonte: Casa Foz. Disponível em: http://www.casafozdesign.com.br/casa-construida-com-12-containers-maritimos/. Acesso em: 27 mai. 2014.


CONTAINER CITY Em contrapartida aos espaços abertos criados por Adam Kalkin, o projeto do Container City I (Figura 07), localizado em Londres, Inglaterra, é um conjunto de quatorze containers marítimos que somam 560,00m2 de áreas internas aos containers. Além de uso residencial, o Container City I é também um espaço destinado ao trabalho de seus usuários (definição original de uso do projeto: live/work e workspace). A instalação de seus três pavimentos foi realizada em um curto período, sendo finalizada em apenas quatro dias. Entretanto, devido à uma alta demanda por mais unidades, o projeto sofreu uma ampliação em 2003, na qual foi acrescido um quarto pavimento ao conjunto. Acoplado ao Container City I está o Container City II (Figura 08), finalizado

Figura 06 - Esquema de pavimentos dos Container City I e II. Fonte: Wikipedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Container_City#mediaviewer/File:Container_City_massing_model.svg. Acesso em: 10 abr. 2014.

em 2002, totalizando 8.208,00m de estúdios de arte (art workspace), formados por vinte e dois containers marítimos, instalados em 2

oito dias. Os containers, mesmo estando localizados em Londres, não possuem climatização do ar, sendo a questão térmica amenizada pelo uso de aquecedores elétricos6 utilizados no inverno pelos proprietários dos containers.

Figura 07 - Container City I (à esquerda), Londres – Inglaterra. Fonte: Container City. Disponí- Figura 08 - Container City II, Londres – Inglaterra. Fonte: Container City. Disponível em: vel em: http://www.containercity.com/projects/container-city-ii. Acesso em: 07 abr. 2014. http://www.containercity.com/projects/container-city-ii. Acesso em: 07 abr. 2014. 6. Relato de usuária. Fonte: The Telegraph. Disponível em: http://www.telegraph.co.uk/property/newhomes/3323376/Living-in-a-box.html. Acesso em: 18 nov. 2014.

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CONTAINER COM USO COMERCIAL Muito mais consolidado no cenário internacional, o uso dos containers como espaços comerciais é ilustrado pelas marcas como, por exemplo, as americanas Starbucks e Puma, a japonesa Uniqlo e a empresa da Nova Zelândia, Crafted Coffee Company. É, provavelmente, o uso mais comum de reuso de containers no mercado, provavelmente por sua rapidez de adaptação ao novo uso, e por não necessitar de grandes tratamentos visando o conforto interno.

PUMA CITY O PUMA City (Figura 09) é um conjunto de vinte e quatro containers marítimos que totalizam 1.021,90m2 de uso misto de espaço para eventos, vendas, escritório e lazer (bar). O maior destaque da instalação é que a estrutura foi montada e desmontada em diversos portos norte-americanos, o que reafirma a versatilidade desse tipo de construção.

Figura 09 - PUMA City. Fonte: LOT-EK. Disponível em: <http://www.lot-ek.com/PUMA-CITY>. Acesso em: 29 mai. 2014.

LOJA UNIQLO Uma estratégia de venda interessante adotada pela marca japonesa de vestuário UNIQLO foi a de locar containers de venda temporários, em um período de quatro dias, em New York, Estados Unidos (Figura 10), usando duas unidades de containers locados na famosa Union Square (Figura 11). No container, uma de suas laterais longitudinais foi modificada para criar aberturas como porta de acesso e aberturas estreitas de vidro fixo que servem tanto para iluminação natural quanto para a visibilidade do ambiente interno (vitrine). No seu interior, a outra fachada acomodou uma extensa prateleira de produtos. Observa-se a preocupação criada para o acesso ao container, cujo piso é mais alto do que o nível do passeio, gerando um degrau para o pedestre; através da instalação de uma rampa de acesso.

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Figura 10 - Container da marca japonesa UNIQLO, locada e em seu transporte. Fonte: Intra Plus+. Disponível em: <http://www.intra-plus.com/fr/2010/04/08/pop-up-store-uniqlo-2/>. Acesso em: 29 mai. 2014.

Figura 11 - Os dois containers da marca japonesa UNIQLO na Union Square, New York - EUA. Fonte: Business Week. Disponível em: <http://images.businessweek.com/ss/07/02/0210_popup/ source/6.htm>. Acesso em: 06 out. 2014.

CAFÉS Além de marcas de varejo de vestuários, estabelecimentos comerciais alimentícios também possuem experiência com o uso de containers, como ilustrado nas Figuras 12 e 13. Considerando que se tratam de estabelecimentos cujos requisitos de asseio e higiene são altas, os projetos dos cafés ilustrados comprovam que os containers podem ter um tratamento adequado para tal uso. Figura 12 - Drive Thru da rede Starbucks, em Seattle, Washington - EUA. Fonte: Inhabitat. Disponível em: http:// inhabitat.com/starbucks-opens-new-reclamation-drive-thru-made-from-recycled-shipping-containers/. Acesso em: 23 mar. 2014. Figura 13 – Crafted Coffee Company, Christchurch, New Zealand. Fonte: Container Team. Disponível em: http://www. containerteam.co.uk/blog/2013/11/ shipping-container-houses-used_steel-storage-containers/. Acesso em: 05 ago. 2014.

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CONTAINER COMO ÁREA DE APOIO EM CANTEIROS DE OBRA Foco de estudo do presente trabalho, o uso dos containers como área de apoio em canteiros de obra é crescente no mercado nacional e está presente nos mais diversos tipos de empreendimentos.

OBRA DE EMPREENDIMENTO CORPORATIVO A obra ilustrada nas Figuras 14 e 15 possui cinco containers da empresa Delta e destaca-se pelo uso misto de abrigos de canteiro tanto em containers como em estruturas de madeira. Os módulos em containers possuem sua área destinada aos operários, com áreas de sanitários e vestiários e os abrigos de madeira englobam área administrativas e de escritório. O empreendimento é de escritório de 48 a 1565 m2 privativos e está localizado na esquina da Rua Tirso Martins com a Avenida Domingos de Morais, Vila Mariana, SP. Figura 14 (esquerda) - Containers da obra de empreendimento de escritórios. Fonte: Acervo da autora. Figura 15 (direita) - Ilustração da construtora do empreendimento. Fonte: Eztec. Disponível em: http://www.eztec. com.br/salas-comerciais-sao+paulo-domingos+de+morais.html, Acesso em 02. fev. 2014.

O empreendimento das Figuras 16 e 17, localizado no cruzamento da Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 180 (acesso veículos/pedestres) com a R. Dr. Renato Paes de Barros (saída veículos), Itaim Bibi; é de locação de escritórios e lojas. Sua fornecedora de container é também a Delta e ambas as obras estão em execução simultânea.

Figura 16 - Containers da obra de empreendimento corporativo. Fonte: Acervo da autora. Figura 17 - Ilustração da construtora do empreendimento. Fonte: Etoile. Disponível em: http://etoile.com.br/etoile/edificio-jk-180/, Acesso em 01 mar. 2014.

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OBRA DE INFRAESTRUTURA O campus Butantã (Cidade Universitária) da Universidade de São Paulo possui diversos exemplos de obras de infraestrutura em andamento que utilizam containers como áreas de apoio. Pode-se citar a reforma da troca de tubulações hidráulicas próximo à portaria 1 e a troca dos postes de iluminação ao longo do campus.

Figura 18 (esquerda) - Conjunto de containers localizados ao lado do prédio da Engenharia Elétrica, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Fonte: Acervo da autora (27 fev. 2014). Figura 19 (direita) - Detalhe da entrada do container da Loc Temp. Fonte: acervo da autora (27 fev. 2014).

Há também, exemplos de obras de infraestrutura na área de transportes que utilizam containers como área de apoio no canteiro, como são o caso do monotrilho da Linha 17 - Ouro e a ampliação da Linha 5 - Lilás do metrô (Figuras 20 e 21), ambos em São Paulo.

Figura 20 (esquerda) - Containers da obra do metrô, na rua Pedro de Toledo, Vila Mariana. Fonte: Acervo da autora (5 mar. 2014). Figura 21 (direita) - Container na Rua Domingos de Moraes, Vila Mariana. Fonte: acervo da autora (28 mar. 2014).

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OBRA DE EMPREENDIMENTO RESIDENCIAL A obra de empreendimento residencial das Figuras 22 a 28 possui oito containers de escritório e salas de reuniões e outros oito para uso de operários, como vestiários e sanitários, alugados da empresa Fladafi; além de módulo para

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23

24

27

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Figuras: 22 - Conjunto de containers acoplados da engenharia à direita e de apoio aos operários à esquerda. Container único ao meio da enfermaria. 23 - Acesso ao segundo andar por escada metálica fornecida e instalada pela Fladafi. 24 - Banheiro sem revestimento interno da enfermaria. 25 - Entrada do container de enfermaria com equipamento de ar condicionado visível. 26 - Container de meio módulo de depósito de material. 27 - Containers de vestiários e sanitários para operários, visível a cobertura que abriga o conjunto. 28 - Aparelho de ar condicionado do escritório de engenharia. Fonte: Acervo da autora.

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enfermaria e depósito. Todos os containers de escritórios possuem, além de ventilação natural por esquadrias, duas janelas de correr por container e condicionamento climatizado do ar. Observa-se também que todo o conjunto é abrigado por uma cobertura metálica, o que o protege de ruído de impacto direto de precipitações e contribui para a redução de ganhos de calor por radiação solar na cobertura. Nessa obra, a implantação do uso dos containers foi posterior a uma fase na qual os abrigos utilizados eram apenas de madeira. A mudança ocorreu pois os abrigos estavam locados dentro do lote do projeto do empreendimento e, em determinada fase da obra, pela necessidade de construção nessa área, o canteiro foi realocado para um lote vizinho, fora do perímetro do projeto. Parte da área de apoio da construtora permaneceu dentro do edifício, como o almoxarifado de materiais, que se locava no térreo, e o refeitório de operários. Ambos constituem ambientes que demandam grande metragem de área o que justifica o seu uso interno ao edifício, usual de obras.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO Apesar da dificuldade em determinar características de projeto como o uso ou não de materiais isolantes ou adoção de sistema de condicionamento de ar nos projetos residenciais e comerciais exemplificados, pode-se afirmar que o container possui uma grande versatilidade de uso e condições de ser adaptado. Pode ser acoplado em um arranjo que crie zonas sombreadas (Container City II), ou enrijecido para que sua estrutura suporte grandes balanços (PUMA City). É adotado em uso temporário mesmo no comércio (UNIQLO e PUMA City), sendo instalado e desinstalado conforme necessidade. O seu uso, no cenário nacional, está mais fortalecido como apoio em canteiros de obra na área da construção civil, atendendo obras de infraestrutura, edifícios corporativos e residenciais, ou seja, o seu uso em canteiros de obra não está atrelado à tipologia da edificação da obra.

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CONTAINER MARÍTIMO MATERIAL Os containers marítimos são compostos pelo aço que ficou conhecido pelo seu nome comercial cor-ten, marca registrada da empresa United States Steel Corporation, vendida posteriormente à International Steel Group7 – atual Arcelor-Mittal, em 2003. Trata-se de um aço patinável, família de alta resistência mecânica, boa soldabilidade e propriedades anticorrosivas; introduzido no mercado nos anos 1930 nos Estados Unidos para fabricação de vagões ferroviários de transporte de carga. Sua composição química caracteriza-se por ser obtida pela adição de ligas metálicas: carbono, silício, manganês, fósforo, enxofre, cromo, cobre, vanádio e níquel. O gráfico na Figura 29 ilustra as perdas de massa causada pela corrosão no aço carbono estrutural e no aço patinável. No primeiro, ocorre uma série de ciclos de formação de ferrugem e seu posterior destacamento que causa a perda de massa. Nesse caso, graficamente, pode-se aproximar essa série de curvas (ciclos) a uma reta (linha tracejada) cujo coeficiente angular é obtido em função da agressividade do ambiente. Já no caso do aço patinável, que também sofre o processo de enferrujamento, a diferença de comportamento se dá pela formação de uma camada de ferrugem que é estável, sendo menos porosa e muito aderente ao metal base, o que faz com que a água e oxigênio tenham dificuldade em atingir o substrato metálico. Ressalta-se que essa camada, denominada pátina, só se devenvolve em circunstâncias específicas como, por exemplo, em locais que sofrem processos de umedecimento e secagem alternadas, e mediante outras variáveis.

7. Segundo Alexander Wilson, “Improvements to High Performance Steels”. Disponível em: http://www.steel. org/~/media/Files/SMDI/Construction/Bridges%20-%20HPS%20-%20 Paper%20-%20Improvements%20 for%20HPS%20by%20A%20Wilson%20-%20WSBS%20-%202005%20 -%20NSBA%20-%20Version%202.pdf. Acesso em: 20 jun. 2014.

Figura 29 - Comparação esquemática da perda de massa causada pela corrosão entre o aço carbono estrutural e o aço patinável. Fonte: CBCA. Disponível em: http://www. cbca-acobrasil.org.br/artigos-tecnicos-ler.php?cod=5566. Acesso em: 16 mai. 2014.

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DIMENSÕES E CAPACIDADE As primeiras dimensões de containers foram padronizadas pela ISO em 1965, sendo posteriormente incrementadas pela ANSI – American National Standards Institute em 1979. Seguem abaixo as características dos containers mais utilizados, o de 20 e 40 pés, constituídos por chapas trapezoidais de 2mm de espessura no teto e paredes: CONTAINER - 20 PÉS COMPRIMENTO (m) LARGURA (m) ALTURA (m) EXTERNO INTERNO EXTERNO INTERNO EXTERNO INTERNO 6,06

Figura 30 - Containers de 20 pés. Fonte: Morgan Shipping. Disponível em: http://morganshipping.com/shipping/shipment-size/packaging-for-20-feet-container. Acesso em: 10 out. 2014.

5,87

2,44

2,33

2,59

2,35

Capacidade interna

32,85m³

Capacidade máxima de carga com a tara do container

24 toneladas

Capacidade máxima de carga sem a tara do container

21,56 toneladas

Área de piso

13,93m²

Tara 2,44 toneladas Porta

2,28m x 2,26 m (LxH)

CONTAINER - 40 PÉS COMPRIMENTO (m) LARGURA (m) ALTURA (m) EXTERNO INTERNO EXTERNO INTERNO EXTERNO INTERNO 12,19

Figura 31 - Containers de 40 pés. Fonte: Morgan Shipping. Disponível em: http://morganshipping.com/shipping/shipment-size/packaging-for-40-foot-container. Acesso em: 10 out. 2014.

12

2,33

2,59

Capacidade interna

66,83m³

Capacidade máxima de carga com a tara do container

30,48 toneladas

Capacidade máxima de carga sem a tara do container

26,42 toneladas

Área de piso

28,33m²

Tara

4,06 toneladas

Porta

2,28m x 2,26 m (LxH)

25

2,44

2,35


CLASSIFICAÇÃO Existem diversos tipos de containers marítimos, voltados para usos distintos, conforme discriminados: Dry (seco): transporta produtos secos,

Refrigerated (refrigerado): utilizado para transportar produtos perecíveis como frutas, verduras (resfriados)

como móveis ou demais cargas soltas/em-

e carnes (congelados); na qual um sistema de condicionamento de ar permite que haja um controle da

baladas por pacotes, caixas de papelão e

temperatura, umidade e ventilação interna do container. Considerando que há a produção de gases como,

caixotes de madeira.

por exemplo, o etileno (C2H4) no amadurecimento das frutas; e o dióxido de carbono (CO2) das frutas e verduras; há a necessidade de uma ventilação do ar interno. Essa ventilação é realizada por meio do ar

que é resfriado pela evaporadora e flui pelo piso formado por barras de alumínio que permitem que ocorra a ventilação do ar por baixo dos produtos.

Figura 32 - Container dry. Fonte: V. Castro & Cia Ltda. Disponível em: http://www.vcastro.com.br/ index.php?option=com_content&view=article&id=67&Itemid=80. Acesso em: 30 mai. 2014.

Figura 33 – Container refrigerado. Fonte: Port Container Services. Disponível em: http://www.siteoffices.com.au/refrigerated_containers.html. Acesso em: 25 jun. 2014.

Open top (topo aberto): container com abertura no topo protegida com lona para cargas de elevado peso e de grandes dimensões que requerem carga/descarga feitas a partir do topo do container por meio de guindastes ou gruas. Figura 34 - Container ventilado. Fonte: Container Terminal Salzburg GMBH. Disponível em: http://www.ct-sbg.at/en/container/ ventilated/. Acesso em: 30 mai. 2014.

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Ventilated (ventilado): também voltado ao

Flat rack: transporta cargas maiores do que aquelas transportadas pelos containers tipo open-top,

transporte de produtos perecíveis, porém

como maquinário, bobinas de cabos, veículos, lâminas e rolos de aço, entre outras cargas grandes e

sem o condicionamento do ar.

pesadas.

Figura 35 - Container ventilado. Fonte: Container Terminal Salzburg GMBH. Disponível em: http://www.ct-sbg.at/en/container/ventilated/. Acesso em: 30 mai. 2014.

Figura 36 - Flat rack container. Fonte: V. Castro & Cia Ltda. Disponível em: http://www.vcastro.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=65&Itemid=80. Acesso em: 30 mai. 2014.

Platform (plataforma): trata-se de uma estrutura de piso com uma alta capacidade de resistência a grandes carregamentos, sendo utilizado para cargas grandes e/ou pesadas.

Figura 37 (esquerda) - Containers plataformas empilhadas. Fonte: PNW Group. Disponível em: http://www. pnwgroup.com/catalog/products/ platform-containers. Acesso em: 23 mai. 2014. Figura 38 (direita) - Plataforma de container. Fonte: Sea Rates. Disponível em: http://www.searates.com/ reference/equipment/48/. Acesso em: 23 mai. 2014.

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ESTRUTURA A estrutura principal do container marítimo (Figura 39) é composta por elementos estruturais de longarinas, colunas e travessas que são conectadas por parafusos ou soldas. É característico a presença dos engates (Figura 40) que são peças auxiliares para o içamento do container, padronizada pela ISO 1161, presente em todos os vértices do container (total de 8 unidades).

Figura 39 (esquerda) - Estrutura primária de um container marítimo. Fonte: Residential Shipping Container Primer (RSCP) - adaptado. Disponível em: http://www.residentialshippingcontainerprimer.com/CONTAINER%20 COMPONENTS%20AND%20TERMINOLOGY. Acesso em: 08 jun. 2014. Figura 40 (direita) - Casting (peça do vértice) do container marítimo (medidas em milímetros). Fonte: Congar Group. Disponível em: http://www. conpargroup.co.uk/stdcast.htm. Acesso em: 08 jun. 2014.

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Além da estrutura principal, há os componentes de revestimentos de fechamento como piso, painéis metálicos e porta, conforme ilustrado na Figura 41. Como um todo, trata-se de uma estrutura muito resistente que possibilita grande acoplamento vertical, cerca de 8 a 9 containers quando completamente carregado e no máximo 12 caso contenha carga parcial.

Figura 41- Perspectiva explodida dos componentes de revestimento do container marítimo. Fonte: Residential Shipping Container Primer (RSCP) - adaptado. Disponível em: http:// www.residentialshippingcontainerprimer.com/CONTAINER%20COMPONENTS%20AND%20TERMINOLOGY. Acesso em: 08 jun. 2014.

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A nomenclatura de componentes dos containers das Figuras 39 e 41 pode ser traduzida pela Tabela 01: Tabela 01 - Nomenclatura da estrutura dos containers marítimos. Fonte: Residential Shipping Container Primer (RSCP) - adaptado.

INGLÊS PORTUGUÊS DESCRIÇÃO/FUNCIONALIDADE Bottom end rail

Longarina inferior traseira

Peça estrutural localizada na parte inferior da face oposta à porta.

Bottom side rail

Longarina inferior lateral

Peça estrutural localizada na parte lateral.

Corner fitting

Engaste de canto

Peça auxiliar para içamento.

Coluna de canto

Estrutura vertical localizada nos quatro cantos da estrutura.

Cross member

Travessa

Estrutura do fundo do container que serve de suporte para o piso.

Door header

Longarina superior

Estrutura para a lateral superior da porta.

Door sill

Longarina inferior frontal

Estrutura para a lateral inferior da porta.

Endwall panel

Painel de fundo

Painel de vedação traseira.

Forklift pocket

Túneis de içamento

Estruturas transversais do fundo do container para auxílio em seu transporte por

Corner post

empilhadeiras. Flooring

Piso

Material que possui como suporte as travessas e longarinas inferiores.

Joint strip

Junta

Tira de aço ou alumínio instalada entre as juntas do piso de madeira compensada.

Marking panel

Painel de marcação

Painel lateral de aço corrugado de configuração lisa para que seja utilizado

Roof panel

Painel de cobertura

na identificação de placas. Placa de aço liso ou corrugado, ou de alumínio.

Sidewall panel Painel lateral Painel de vedação lateral. Threshold plate

Soleira da porta

Soleira da porta localizada na parte inferior frontal.

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INGLÊS PORTUGUÊS DESCRIÇÃO/FUNCIONALIDADE Top end rail

Longarina superior traseira

Peça estrutural situada no topo superior da face oposta à porta.

Top side rail

Longarina superior lateral

Peça estrutural longitudinal das laterais superiores.

Ventilator

Ventilador

Dois ou mais dispositivos acoplados permanentemente à lateral ou fundo da

parede do container que possibilita a troca de ar mas não de água.

HABITABILIDADE Quando do reuso de containers que originalmente serviram para o transporte marítimo, é essencial que seja feito um laudo de habitabilidade antes do seu uso, conforme laudo (Figura 44), respeitando a NR (Norma Regulamentadora) 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção: “18.4.1.3.2 Tratando-se de adaptação de contêineres, originalmente utilizados no transporte ou acondicionamento de cargas, deverá ser mantido no canteiro de obras, à disposição da fiscalização do trabalho e do sindicato profissional, laudo técnico elaborado por profissional legalmente habilitado, relativo a ausência de riscos químicos, biológicos e físicos (especificamente para radiações) com a identificação da empresa responsável pela adaptação (Incluído pela Portaria SIT n.º 30, de 13 de dezembro de 2000).” Segundo a empresa Lizar & Cesário Vistoria de Container Ltda, prestadora do serviço de inspeção e elaboração de laudo, após a inspeção por meio do “detector de radiação Victoreen, modelo CD V-715 Série 81499 com contador Geiger Muller com câmara de ionização” (Figuras 42 e 43), em caso positivo da liberação para uso é emitido o laudo de habitabilidade (Figura 44) em acordo com a NR 18.4.1.3.2., e, em caso negativo, é recomendada uma lavagem especial, que só não se aplica como solução em caso de detecção de radiação. O custo do serviço do laudo simples pela empresa é de R$ 600,00 (seiscentos reais), e de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) para laudo com ART de engenheiro sanitarista, o que denuncia uma prática que não se encontra de acordo com a norma acima citada, na qual é obrigatório que um profissional legalmente habilitado assine o documento.

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Figura 42 (esquerda) - Detector de radiação Victoreen, modelo CDV 715. Fonte: Orau. DIsponível em: http:// www.orau.org/ptp/collection/civildefense/cdv715.htm. Acesso em: 09 out. 2014. Figura 43 (direita) - Detector de radiação Victoreen, modelo CDV 715 aberto. Fonte: Civil Defense Museum. Disponível em: http://www.civildefensemuseum.com/cdmuseum2/ radkits/cdv715.html. Acesso em: 09 out. 2014.

No laudo de habitabilidade são preenchidas informações como:

- nome do cliente solicitante do laudo,

- identificação (código, tara, ano),

- a última carga que o container transportou,

- se está livre de cheiro

- se está livre de carga contaminada,

- se foi lavado,

- se encontra-se seco,

- se contem radiação, contaminação química e/ou biológica,

- equipamento de medição utilizado,

- comentários e ressalvas e

- data de validade da certificação.

Além da necessidade de cumprimento normativo, a existência do laudo é de suma importância para garantir que não existem riscos à saúde para os futuros usuários do container.

Figura 44 - Laudo de habitabilidade da empresa Lizar&Cesário Vistoria de Containers Ltda. Fonte: Greville do Brasil Ltda.

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REUSO DO CONTAINER MARÍTIMO Empresas fornecedoras como a Greville do Brasil e a NHJ do Brasil são uma das poucas que se utilizam do reuso de containers marítimos para a sua locação e venda. A Greville possui em sua linha de módulos habitáveis, focado no uso em canteiros de obra, os containers marítimos de 20 e 40 pés, classificados pela empresa como sendo transformados. A linha possui módulos de escritórios (Figura 45), vestiários (sanitários e chuveiros) e almoxarifados. Já a NHJ destaca-se por, além das tipologias já citadas, possuir cantinas, dormitórios, guaritas e bilheteria. Observa-se que ambas as empresas são de cidades litorâneas portuárias, Santos (Greville) e Rio de Janeiro (NHJ), o que converge com a maior facilidade de acesso aos contai-

Figura 45 - Módulo de escritório com sanitário de 20 pés da Greville do Brasil. Fonte: Greville do Brasil.

ners marítimos. A menor quantidade de containers marítimos de reuso em relação aos fabricados, disponível no mercado, pode ser justificado pelo intenso uso dos containers marítimos em seu ciclo de vida de funcionalidade primária, de carga, e, com isso, descarte apenas quando suas condições físicas encontram-se comprometidas o bastante para que possam desempenhar essa atividade, o que ocorre em um período de cerca de 6 a 10 anos de uso. Disto posto, é necessário uma restauração do container para que este possa ser reutilizado em condições qualitativamente plenas, o que pode encarecer o seu custo quando comparado à compra de um container novo fabricado para uso em canteiros.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO Apesar do container marítimo ser um invólucro muito resistente e durável, ainda é suscetível a degradações, principalmente por ser muito solicitado do ponto de vista estrutural e químico (intempéries de ambiente agressivo), podendo ser inutilizado de sua função no transporte de carga. No caso de sua reparação e reuso, deve-se atentar, principalmente, ao risco de contaminação que o container possa ter sido exposto; sendo exigido por norma regulamentadora a apresentação de laudo de habitabilidade.

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CONTAINER FABRICADO Com base na concepção dos containers marítimos, existem atualmente no mercado muitas empresas fabricantes de estruturas similares aos containers marítimos, entretanto diferentes quanto ao material, tipologia e dimensões. Infere-se que essa grande oferta no mercado desses módulos é decorrente de uma alta demanda por containers.

TIPOLOGIA Diferentemente dos containers marítimos, não há como classificar em tipologias fixas os containers que são fabricados no mercado, visto que há uma vasta gama de módulos, que variam de acordo com o fabricante. Pode-se citar como usos aplicáveis à canteiros de obra módulos de sanitários e chuveiros (Figura 46), escritórios, salas de reuniões, áreas administrativas, almoxarifados, guaritas, refeitórios e depósitos.

Figura 46 (esquerda) - Diversos layout de tipologias comercializadas pela Loc Temp. Fonte: Loc Temp. Figura 47 (direita) - Módulo fabricado da Loc Temp. Fonte: Loc Temp.

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ESTRUTURA A estrutura dos containers fabricados possui a mesma concepção estrutural dos marítimos, com elementos que trabalham como longarinas, pilares e travessas e conexões por parafusos ou soldas. As diferenças de composição estão na ausência dos elementos atrelados ao içamento e transporte dos container marítimos, como os engastes dos vértices e forklifts da base. Entretanto, ainda necessárias, possui aberturas em sua estrutura superior ou inferior para que possa ser içada (Figuras 48 e 49). Já em relação à sua resistência, possui uma menor capacidade de verticalização, sendo o container da fornecedora Fladafi, por exemplo, acoplável em apenas 2 unidades.

Figura 48 (esquerda) - Abertura superior de container da Eurobrás. Fonte: Acervo da autora (28 mai. 2014). Figura 49 (esquerda) - Abertura inferior de container da Fladafi. Fonte: Acervo da autora (05 mar. 2014).

MATERIAL Ao invés do aço cor-ten dos containers marítimos, os containers fabricados são primordialmente de revestimento de telhas de aço galvanizado (aço submetido à banho de zinco fundido para aquisição de maior resistência à corroFigura 50 (esquerda) - Perfil trapezoidal de aço galvanizado. Fonte: Gravia. Disponível em: http://www.gravia.net.br/lojas/download/pdf-produto/telhas-trapezoidais-gr40-grg40-gravia.pdf. Acesso em: 27 out. 2014.

são) de perfil trapezoidal (dobras conferem maior resistência) e estrutura de chapas dobradas de aço zincado, que resultam em um revestimento menos espesso e mais leve.

Figura 51 (direita) - Chapa de aço dobrada. Fonte: Aços Curitiba. Disponível em: http://www.acoscuritiba. com.br/perfil-estrutural/. Acesso em: 27 out. 2014.

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DIMENSÕES Não existem tipologias e dimensões padronizadas como nos container marítimos, e a geometria dos containers é ligeiramente variável entre as empresas fornecedoras, assim como as dimensões e localização de suas aberturas. Deve-se, entretanto, respeitar as diretrizes estabelecidas pela NR 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção: “18.4.1.3 Instalações móveis, inclusive contêineres, serão aceitas em áreas de vivência de canteiro de obras e frentes de trabalho, desde que, cada módulo: (Alterado pela Portaria SIT n.º 30, de 13 de dezembro de 2000) a) possua área de ventilação natural, efetiva, de no mínimo 15% (quinze por cento) da área do piso, composta por, no mínimo, duas aberturas adequadamente dispostas para permitir eficaz ventilação interna; b) garanta condições de conforto térmico; c) possua pé direito mínimo de 2,40m (dois metros e quarenta centímetros); d) garanta os demais requisitos mínimos de conforto e higiene estabelecidos nesta NR; e) possua proteção contra riscos de choque elétrico por contatos indiretos, além do aterramento elétrico.”

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO Apesar de não existirem tipologias padronizadas, os containers fabricados devem sempre atender as normas vigentes, sendo projetados respeitando aberturas e pé direito mínimo, condição de aterramento elétrico, conforto térmico, etc.. O seu uso, em relação ao container marítimo, é desvantajoso do ponto de vista do acoplamento vertical, na qual a restrição numérica inferior é negativa uma vez que canteiros de obra normalmente possuem uma grande limitação espacial para acomodar seus abrigos temporários.

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MERCADO DOS CONTAINERS O mercado oferece a opção de aluguel ou compra dos containers, sejam eles fabricados ou marítimos. Objetiva-se nesse tópico apresentar uma ordem de grandeza dos custos econômicos de se alugar ou comprar containers. Ressalta-se que os valores apresentados possuem como base orçamentos obtidos pelas fornecedoras Loc Temp, Greville, NHJ e Fladafi.

LOCAÇÃO A modalidade de locação é a mais usual e a de maior oferta no mercado, visto que existem fornecedoras que trabalham somente com o aluguel de containers, e que as construtoras preferem alugar do que comprar e realocar os módulos. A locação dos containers é feita e precificada por mês, e pode variar de R$ 280,0 a R$ 819,0. Sendo o mais barato um módulo de almoxarifado “contendo dois vitrôs, uma porta, piso em compensado naval e instalação elétrica para luz incandescente”(Loc Temp); e o mais caro um módulo de escritório com “duas janelas, dois pontos de iluminação, uma porta de acesso, uma abertura para ar condicionado com suporte, isolamento térmico no teto em isopor e nas laterais em lã rocha com revestimento em placas de duraplac na cor cinza, piso em paviflex, plurigoma ou cerâmica, sanitário com uma pia, um vaso, um chuveiro, toda instalação elétrica e hidráulica até a saída da unidade” (NHJ). Ou seja, o mais barato é de um módulo sem revestimento e sem compartimentação; e o mais caro com compartimentação, que seria o banheiro, tratamento térmico e acústico, peças sanitárias inclusas e as suas instalações.

VENDA A compra dos containers ocorre apenas nos casos em que há a previsão de um uso de longo prazo, como ocorre com containers que servem de, por exemplo, laboratórios, escritórios, residências, depósitos, comércios, etc.; mas que não é o usual para canteiros de obra devido ao seu caráter temporário. Assim como na locação, o preço é crescente de acordo com o layout interno e acréscimo de seus revestimentos,

37


e pode variar de R$ 11.500,00 a R$ 53.950,00; valores que coincidem com os mesmo módulos citados na locação, diferenciando apenas no módulo mais caro, que em vez de escritório é descrito como sendo habitacional, e com forração termo acústica total.

REVESTIDO X NÃO REVESTIDO Há, previsivelmente, um maior custo nos módulos revestidos sob os não revestidos, da ordem de no mínimo 45% a no máximo 65% a mais, para um mesmo módulo cuja única diferença é de revestimento interno. Esse revestimento, normalmente é de paredes, considerando que sempre existe algum tipo de piso e, majoritariamente, forro também.

CONTAINER VS. ABRIGO DE MADEIRA O sistema convencional e mais utilizado atualmente na construção civil é o de abrigo de madeira, informalmente denominado no setor como “barracão” (Figura 52). Tratam-se de estruturas de madeira leve, constituídas, por exemplo, por painéis como o OSB (Oriented Straight Board), normalmente abrigadas por uma cobertura de telhado e de dois pavimentos. Uma desvantagem desses abrigos é que os componentes de madeira, mesmo que duráveis durante o ciclo da obra, normalmente não possuem condições de reutilização na fase de desmobilização do canteiro; acarretando, assim, na necessidade de sua demolição e consequente geração de resíduos, com o descarte dessa madeira.

Figura 52 - Abrigo de madeira em canteiro de obra. Fonte: acervo da autora (27 mar. 2013).

38


Quanto ao seu custo, utilizando-se a base de dados da CPOS - Companhia Paulista de Obras e Serviços, tem-se que o fornecimento e montagem de uma construção provisória em madeira custa R$ 170,06/m2 de material e R$ 69,62/ m2 de mão de obra (composição dos serviços no ANEXO A), e sua desmobilização R$ 7,25/m2 de material e R$ 4,16/ m2 de mão de obra; totalizando R$ 251,09/m2. Adota-se de base comparativa um container de módulo simples de escritório sem sanitário, uma vez que o valor apresentado para o abrigo de madeira também não contempla banheiro. O menor valor encontrado para aluguel mensal de um container de escritório é de R$ 310,00/mês, ou a sua aquisição por R$ 12.400,00; isento de ISS - Imposto Sobre Serviços e incluso ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Tabela 02 - Comparativo de custo de abrigos de madeira e container. Fonte: CPOS.

MADEIRA ITEM FORNECIMENTO E MONTAGEM DESMOBILIZAÇÃO

MATERIAL (R$/m²)

MDO (R$/m²)

170,06

69,62

7,25

4,16

TOTAL (R$/m²) 251,09

CONTAINER ITEM ALUGUEL/mês COMPRA

ÁREA (m²) 13,8

CUSTO (R$)

TOTAL R$/m²

310,00

22,46

12.400,00

898,55

Dos dados da Tabela 02, conclui-se que um abrigo de madeira de 13,8m2 (área de um container) custaria R$ 3.465,04. Caso fosse adquirido um container, o seu uso por quatro vezes compensaria o valor do abrigo de madeira pois R$ 12.400,00 < R$ 13.860,16 (4x3.465,04). Já no caso da locação, com o custo de um abrigo de madeira seria possível alugar um container por R$ 3.465,04 / R$ 310,00 ao mês = 11,18 meses. Desse ponto de vista, o custo por si só não compensaria o uso de containers pois o período de 11 meses é inferior à média de tempo de execução de uma obra.

39


Há, entretanto, outro fator decisivo que é o tempo de instalação, favorável no caso do container, versus execução/ demolição do abrigo de madeira. Enquanto o container é instalado com auxílio de caminhão munck (Figura 53), o abrigo de madeira é executado por mão-de-obra de operário, com necessidade de pedreiro, carpinteiro, auxiliar, eletricista, etc.. Segundo a composição de serviços da CPOS (Tabela 03), para o fornecimento e montagem de um abrigo provisório de madeira é necessário um total de 5,47 h/m2, o que, se for feita a equivalência para um container que possui 13,8m2, demanda um total de cerca de 75,5 horas totais de serviço; enquanto que para containers é necessário 0,2 horas de servente por unidade. Ou seja, segundo esse ponto de vista, o container é vantajoso. Tabela 03 - Composição de horas por m2 para execução de um abrigo de madeira. Fonte: CPOS adaptado.

SERVIÇO

Carpinteiro Ajudante de carpinteiro Eletricista Ajudante de eletricista Pedreiro Pintor Ajudante de pintor Servente Engenheiro júnior de civil mão-de-obra consultiva Desenhista pleno/cadista mão-de-obra consultiva TOTAL

h/m2 0,51 0,51 0,13 0,13 1,05 0,52 0,26 2,25 0,04 0,07 5,47

Figura 53 - Descarga de container por munck. Fonte: Visauto. Disponível em: http://www.visautolocacoes.com. br/. Acesso em: 14 out. 2014.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO A escolha entre a adoção de canteiros com abrigos temporários de madeira ou de containers é função da escolha entre custo vs. tempo e demolição vs. reutilização, que acarretam em geração ou não de resíduos. Já quanto à tipologia do container, a escolha é de acordo com a necessidade do cliente e o fato da locação ou aquisição deve ser pensada para soluções de curto ou longo prazo.

40


QUESTIONÁRIO A fim de identificar os padrões de uso e as principais deficiências dos containers em canteiros de obra como espaços habitáveis, foi elaborado um questionário aplicado aos usuários desses containers em obras. O questionário foi disponibilizado em plataforma Google Forms por três meses e, com base na análise das respostas obtidas, foi delimitado o foco de estudo quanto à habitabilidade dos containers. Seguem as perguntas e possibilidades de resposta (observação: itens 1,3,5,6 e 11 possuíam também um campo “Outros”): 01. Quanto tempo já passou em obra dentro de containers?

06. Quais os 3 maiores problemas de uso e ocupação do container?

De 0 a 6 meses

De 1 ano e meio a 2 anos

Desconforto térmico

De 6 meses a 1 ano

De 2 anos a 3 anos

Desconforto ergonômico

De 1 ano a 1 ano e meio

Muito ruído (externo - da obra)

Muito ruído (interno - dos aparelhos e ocupantes)

02. Qual o nome da empresa para a qual você trabalhou nessa obra?

Problemas das instalações elétricas

Problemas das instalações hidráulicas

03. Que tipo de atividade mais realiza(ou) dentro dos containers?

Problemas das instalações - climatização

Atividades que demandam concentração (análises, estudos, desenhos, etc.)

Problemas de estanqueidade/infiltrações

Atividades de média concentração (reuniões, discussões em grupo, etc.) Atividades que não demandam concentração

07. Você acredita que tais problemas afetam de que maneira a sua produtividade no trabalho?

04. Qual a empresa fornecedora do container?

Afeta muito

Afeta pouco

Indiferente

Não afeta em nada

05. Os containers eram utilizados para qual uso?

Sanitários

08. Quais desses elementos existiam nos containers?

Área administrativa e RH

Vestiários Enfermaria

Forros Impermeabilização

Locais de banho

Almoxarifado

Isolantes acústicos

Salas de reuniões

Refeitório

Isolantes térmicos

Área da engenharia e arquitetura

Portaria/recepção

41

N.D.A.


09. Você acredita que o uso dos containers é uma melhor alternativa do que os canteiros usuais de madeira? (Considerando questões de custo, praticidade, área ocupada, desempenho, etc.)

Sim, com certeza.

Sim, caso a sua habitabilidade fosse melhorada.

Não, prefiro os abrigos normais de madeira.

10. A obra em que você trabalha (ou) sempre teve como abrigo containers?

Sim, em todo o período da obra foram usados containers - todos os abrigos.

Sim, em todo o período da obra foram usados containers - alguns dos abrigos e depois migração de todos

para containers.

Não, foi uma fase com o uso de abrigos de madeira e outra com o uso de containers.

11. O que você mais gostaria que fosse melhorado nos containers?

Questão estética.

Questão do conforto interno.

Questão estrutural - acoplamento vertical maior.

42


RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO Segue a seguir a análise dos resultados obtidos pelas respostas ao questionário, compiladas em 25 maio de 2014: EMPRESAS USUÁRIAS DOS CONTAINERS Das respostas obtidas, segue a distribuição das empresas nas quais os usuários trabalharam em obras para respon-

Empresas das obras

Empresas das obras der sobre a sua experiência: 5% 5% 5% 5% 5% 5% 5% 5%

Observa-se que a maioria das experiências relatadas

Método Engenharia Método Engenhariaforam de funcionários da empresa construtora MétoCyrelaCyrela Brazil Realty Brazil Realty do Engenharia, justificado por ser a empresa na qual

5%

5%

Hochtief do Brasil Hochtief do Brasil

nários. Logo, ressalta-se que o presente gráfico ilustra

de pesquisa USP o perfil dos usuários de containers que resObra Obra de pesquisa na USP naapenas

75%

ponderam o questionário, e não deve ser interpretado

75%

Figura 54 - Gráfico de distribuição das empresas nas quais os usuários de containers tiveram suas experiências.

houve uma maior facilidade de contato com os funcio-

Archtech Engenharia Archtech Engenharia

como um parâmetro numérico da frequência de uso

Andrade Gutierrez de containers pelas empresas construtoras em suas Andrade Gutierrez obras.

Title PERÍODO Chart DE EXPERIÊNCIA Chart Title

De 0 a 6 meses

De 0 a 6 meses

15% 15%

5% 5%

Pelo gráfico ao lado, observa-se que 45% dos usuários possui um período curto em containers, de 0 a 6

meses; o que pode ser decorrente da recente inserção De 6 ameses De 6 meses 1 ano a 1 ano no mercado atual do uso dos containers em obra ou

45%

45%

10%

10%

De 1 ano a 1 ano edevido meio ao período determinado da obra na qual são

De 1 ano e meio a 2 anos 25%

Figura 55 - Período de experiência em containers dos usuários da pesquisa.

De 1 ano a 1 ano e meio

25%

utilizados os containers. Sabe-se, através de contato

funcionário da empresa, de que a construtora De 1 ano e meio a com 2 anos

De 2 anos a 3 anos

Cyrela Brazil Realty, por exemplo, utiliza containers

Other

internos à construção assim que possível pelo anda-

De 2 anos a 3 anosapenas na fase inicial da obra, mudando para canteiro Other

43

mento da obra.


CARÁTER DAS ATIVIDADES REALIZADAS Conclui-se que a maioria das atividades realizadas nos containers em canteiros demandam concentração devido 10% a atividades como análises, estudos e desenhos.

15% Resultado que se mostra coerente com as

atividades esperadas dentro de um escritório de obra, na qual as equipes de engenharia e arquitetura necessitam realizar constantes estudos para viabilizar a construção das obras em execução.

75%

Atividades que demandam concentração (análises, estudos, desenhos, etc.)

10%

Atividades que demandam concentração (análises, estudos, desenhos, etc.)

15%

Atividades de média concentração (reuniões, discussões em grupo, etc.)

Atividades de média concentração (reuniões, discussões em grupo, etc.)

Atividades que não demandam concentração 75%

Atividades que não demandam concentração

Other

Figura 56 – Gráfico do caráter das atividades realizadas no containers.

Other

EMPRESA FORNECEDORA DO CONTAINER

8%de que essa era uma questão Ressalta-se, primeiramente, 8% visto que assumiu-se o pressuposto de resposta opcional,

8%

Fladafi

de que há muitas pessoas que não saberiam dizer qual o 7% fornecedora do container (65% resnome da empresa

ponderam). Como empresa fornecedora majoritária do questioná-

8%

Eurobrás

Fladafi

7%

Eurobrás

Elma

Elma

rio está a empresa Fladafi Containers, fundada em 1980 em parceria com a empresa alemã Sabu 77% Morsbach para

Delta

77%

locação de containers no Brasil. A predominância prova-

Delta

Figura 57 – Gráfico das empresas fornecedoras dos containers.

velmente está atrelada à maioria de usuários que responderam o questionário serem da Método Engenharia, sendo que a Fladafi Containers é empresa homologada da construtora.

44


USO DO CONTAINER

Outros

0%

Portaria/recepção

0%

Refeitório

4%

Almoxarifado

9%

Enfermaria

11%

Área administrativa e RH

13%

Área da engenharia e arquitetura

17%

Salas de reuniões

14%

Locais de banho

10%

Vestiários Figura 58 – Gráfico dos usos dos containers nas obras.

9%

Sanitários

13%

Como representa o gráfico da Figura 58, o uso majoritário dos containers em obra, segundo a amostragem da pesquisa foi: área (escritório) de engenharia e arquitetura, seguido de salas de reuniões; sanitários e área administrativa e gerenciamento de recursos humanos; como os quatro maiores usos. O resultado é condizente com o fato de que containers, quando não acoplados, geram uma área útil restrita, e, portanto, não compensam para um uso, por exemplo, de refeitório, que demandaria muitos containers acoplados. Ou seja, por serem compartimentados, os containers não são normalmente adotados para comporem espaços que requerem grandes vãos.

45


MAIORES DEFICIÊNCIAS DO USO E OCUPAÇÃO Outros

6%

Problemas de estanqueidade/infiltrações

15%

Problemas das instalações - climatização

15%

Problemas das instalações hidráulicas

11%

Problemas das instalações elétricas

3%

Muito ruído (interno - dos aparelhos e ocupantes)

3%

Muito ruído (externo - da obra) Desconforto ergonômico

17% 9%

Desconforto térmico

21%

Nesse item foi solicitado ao usuário que determinasse os três maiores problemas de uso e ocupação dos containers. O resultado mostrou que em primeiro lugar está o desconforto térmico, em segundo lugar o ruído externo da obra e, em terceiro lugar, os problemas das instalações de climatização junto aos problemas de estanqueidade/infiltrações. Esse item é de grande relevância visto que a partir dele é possível delimitar uma prioridade dos aspectos a serem estudados para que se possa melhorar as condições de habitabilidade de um container em obra. Conclui-se, nesse item, que se deve focar nas questões de conforto ambiental para que o container torne-se um ambiente mais adequado segundo a perspectiva do usuário.

46

Figura 59 – Gráfico das maiores deficiências do uso e ocupação dos containers.


EFEITO NA PRODUTIVIDADE DO TRABALHO Quando questionados sobre como os problemas descritos no item anterior afetam a produtividade no trabalho dos usuários, obteve-se que: Logo, 50% dos usuários acredita que os incômodos descritos afeta muito a sua produtividade, nenhum Afeta muito Afeta muito 45%

45%

50% 50%

Indiferente Indiferente Afeta pouco Afeta pouco

usuário respondeu que não sofria efeito nenhum e 45% diz que afeta pouco. Pode-se dizer que o resultado não é conclusivo mediante seus números. Mas, o fato de ninguém ter respondido que não afeta em nada indica que, con-

forme previsto, atividades que exigem concentração, NãoNão afeta em em nada afeta nada

Figura 60 - Efeito na pordutividade do trabalho desempenhado pelos usuários nos containers, devido aos incômodos identificados por eles.

mediante desconfortos e distrações afetam o resulta-

5%

do do trabalho.

5%

REVESTIMENTOS EXISTENTES 22%

Forros 22%

Forros

Isolantes acústicos

45% 45%

7% 7%

Isolantes acústicos

Isolantes térmicos

Isolantes térmicos

O forro é o elemento de revestimento presente em 45% das experiências citadas, seguido em 22% por containers sem nenhum tipo de revestimento. Conclui-se que, apesar da existência de módulos revestidos/isolados oferecidos no mercado pelas

Impermeabilização fornecedoras de containers, não há de fato um uso Impermeabilização

19% Figura 61 - Revestimentos existentes nos containers.

N.D.A.

N.D.A.

19%

7%

7%

47

deles por parte das empresas construtoras, clientes usuárias.


CONTAINER VS ABRIGO CONVENCIONAL DE MADEIRA 5% Quando questionados se o uso dos containers

seria uma melhor alternativa do que os cantei-

Sim, com certeza.

5%

ros usuais 30% de madeira, considerando questões

30%

de custo, praticidade, área ocupada, desempenho, etc., obteve-se os resultados ao lado: Observa-se que a maioria, 65% dos usuários acredita que os containers possuem potencial de se tornarem uma alternativa válida aos abrigos convencionais de madeira. 65%

Sim, com certeza.

Sim, caso a sua habitabilidade fosse melhorada.

Sim, caso a sua habitabilidade fosse melhorada.

Não, prefiro os abrigos normais de madeira.

Não, prefiro os abrigos normais de madeira. Figura 62 - Gráfico que demostra a preferência dos usuários para abrigo dos canteiros.

65%

PERÍODO DE USO DO CONTAINER NA OBRA Sim, em todo o período da Como resultado observa-se que a maior parte das experiência se deu em obras que pos20% suíram abrigos de containers mistos – uma 20% parcela em container e a outra em abrigo convencional de madeira, resultado que converge com a pergunta sobre o período da experiên10% cia dos usuários. 10% 70% 70%

obra foram usados Sim, em todo o período containers - todos os da obra foram usados abrigos. containers - todos os abrigos.

Sim, em todo o período da obra foram usados containers - todos os abrigos.

20%

Sim, em todo o período da obra foram usados Sim, em todo o período containers - alguns dos da obra foram usados abrigos e depois migração containers alguns dos de todos os- abrigos para abrigos e depois migração containers. de todos os abrigos para containers. Não, foi uma fase com o uso de abrigos de madeira Não, foicom umaofase e outra usocom de o uso de abrigos de madeira containers. e outra com o uso de containers.

10%

70%

48

Sim, em todo o período da obra foram usados containers - alguns dos abrigos e depois migração de todos os abrigos para containers. Não, foi uma fase com o uso de abrigos de madeira e outra com o uso de Figura 63 – Período de uso do contaicontainers. ner na obra.


MELHORIAS NOS CONTAINERS 5%

Por fim, foi questionado qual a melhoria que os

5%

Questão estética. Questão estética.

usuários mais desejavam que ocorresse nos containers e conclui-se que a maior deficiência dos

containers é na questão do conforto interno, na Questão do conforto Questão do conforto opinião de 95% dos usuários do questionário. interno. interno. Questão estrutural -

Questão estrutural acoplamento vertical acoplamento maior. vertical maior. Other

Other Figura 64 - Melhorias desejadas pelos usuários.

95%

95%

COMENTÁRIOS DOS USUÁRIOS Foi aberto um campo final na qual os usuários pudessem dar sugestões, fazer críticas ou comentários livremente. Os mais pertinentes foram: •

“É extremamente importante que os containers possuam isolamento térmico e acústico, bem como disponham

dos recursos mínimos solicitados pela NR-18 (áreas de vivência), para medidas de conforto dos trabalhadores.” (técnico de segurança) •

“Os containers deveriam ter os banheiros sempre separados. Por questão de intimidade. Pois homens e mulheres

sempre trabalham juntos e fica uma situação muito ruim o banheiro estar dentro do container de escritório.” (arquiteta) •

“Um dos maiores problemas dentro dos containers são as instalações hidráulicas, precisa de melhorias nas bases

e ligações de tubulações.” (auxiliar administrativo)

49


“Acho que se houvesse uma padronização dos containers de obra facilitaria o atendimento do esperado pela

obra. Já que isso ajudaria também o fornecedor a prover o produto esperado. Também seria ideal que não cumpríssemos somente os requisitos especificados na norma, e oferecêssemos um melhor ambiente de trabalho para todos na obra. Motivando os trabalhadores com melhores condições de serviços aumentando a produtividade dos funcionários.” (engenheira de planejamento) •

“Importante levar em conta a estanqueidade do container em dias de chuva. Também os pernilongos incomo-

dam bastante.” (estagiário de engenharia civil) •

"De todas as obras que trabalhei, as que ofereceram melhores condições de trabalho foram as que tinham con-

tainers, tanto para alocar materiais quanto para uso da parte administrativa e de engenharia. Acredito que com algumas melhorias o container sempre pode ser a melhor opção em uma obra.” (auxiliar administrativo) •

“Em todos os containers (com exceção de banheiros) sempre há ar condicionado, o que torna possível o conforto

térmico.” (arquiteta)

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO O questionário permitiu determinar que as maiores carências do container como espaço habitado é referente ao conforto térmico e acústico e, portanto, caso esses quesitos seja melhorados, é possível criar ambientes de trabalho mais adequados aos profissionais da área. Há, segundo os comentários, indicativos da preocupação dos funcionários com relação ao fornecimento, por parte da construtora, de um ambiente de trabalho de qualidade, com conforto, estanqueidade, privacidade, etc.

50


52


CONFORTO AMBIENTAL

53


CONFORTO ACÚSTICO INTRODUÇÃO Pode-se definir conforto acústico como o estado na qual há um nível de ruído compatível à finalidade de determinado ambiente, com tempo de reverberação adequado e distribuição uniforme do som ao longo do espaço (VITTORINO, 2013). O conforto acústico foi valorizado ao passo em que as cidades tornaram-se mais urbanizadas e caracterizadas pelas grandes concentrações de fontes sonoras como pessoas, equipamentos e intenso tráfego de veículos. Nesse cenário, os altos níveis de ruído urbano tornaram-se alvo de estudo da sociedade por caracterizar-se como uma das formas de poluição mais preocupantes e que afeta um grande número de pessoas (FERNANDES, 2002). Segundo Baring (1994, p. 8):

“algumas atividades de escritório exigem privacidade acústica (...) às vezes não depende da atividade em si ter ou não ter privacidade mas fundamentalmente da sensibilidade auditiva do indivíduo que a irá exercer. O não respeito a esta sensibilidade poderá causar desconcentração, ansiedade, introversão e até rispidez, trazendo consequências como a queda no grau de produtividade do trabalho.”

ACÚSTICA, SOM E RUÍDO Acústica pode ser definida como sendo a ciência do som, englobando o estudo de sua geração, transmissão e efeitos (BISTAFA, 2006). O som, por sua vez, é uma onda mecânica de movimento oscilatório que se propaga por meios sólidos, líquidos ou gasosos. Sua fonte são excitações mecânicas das superfícies que geram perturbações/vibrações. Ou seja, o som é toda vibração ou onda mecânica proveniente de um corpo vibrante detectável ao ouvido humano. Para Bistafa (2006), a diferença entre som e ruído é que o som é uma percepção do sistema auditivo e ruído é o som indesejável. Os ruídos, de forma subjetiva, geram incômodo e, cientificamente podem danificar o sistema auditivo humano, mediante intensidade e tempo de exposição. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, cerca de

55


10% da população mundial está exposta a níveis de pressão sonora que podem causar perda auditiva por ruídos.

PARÂMETROS A norma NBR 10.152/1987 (versão corrigida em 1992) determina que para locais de escritórios como salas de reuniões o nível de pressão sonora ponderada esteja entre 30 e 40 dB(A) e a curva de avaliação de ruído entre 25 e 35 NC. Já para salas de gerência, salas de projetos e de administração, o valores são de 35 a 45 dB(A) e 30 a 40 NC (Figura 65).

Figura 65 – Valores dB(A) e NC para escritórios. Fonte: NR 10152.

Segundo a NR 15 - Atividade e Operações Insalubres, o ruído pode ser classificado em contínuo, intermitente ou de impacto, devendo seguir os seguintes limites:

Figura 66 – Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente. Fonte: NR-15.

56


ISOLAMENTO ACÚSTICO O isolamento acústico, mensurável em decibéis (dB), pode ser contra ruído aéreo ou de impacto, e é atrelado à capacidade que um elemento possui em impedir a transmissão de energia sonora de um espaço para outro. Na medição, existem importantes parâmetros: •

R: índice de redução sonora [dB]

Rw: índice de redução sonora ponderado [dB]

D: diferença de nível [dB]

Dn: diferença padronizada de nível [dB]

DnT,w: diferença padronizada de nível ponderada [dB]

Sendo as primeiras obtidas por ensaios de laboratório e as demais em levantamentos de campo.

Figura 67 - Exemplo de absorção, reflexão e transmissão de som incidente em uma superfície. Fonte: MEHTA; JOHNSON e ROCAFORT, 1999.

CONTROLE DO RUÍDO Dentre os três controles de ruído existentes; na fonte, na trajetória ou no receptor; o controle mais eficiente é na fonte (MEHTA:JOHNSON:ROCAFORT, 1999) e deve-se primordialmente projetar os produtos para que sejam fontes sonoras de mínimo ruído. Só quando isso não for possível, o controle deverá ser feito na trajetória ou receptor. O controle na trajetória se dá pela separação físicas das áreas, criação de barreiras sonoras ou pelo tratamento acústico no ambiente fonte de ruído e/ou receptor de ruído; sendo essa última medida eficiente apenas para o ruído interno. Sabe-se que o comportamento do som em recintos fechados depende do volume total do cômodo, da reflexão das superfícies laterais internas, e da sua capacidade de absorção.

57


A partir do momento em que ambos os controles não são eficientes, não existem muitas alternativas para o controle no receptor. A medida adotada em canteiros de obra é o uso de protetores auriculares (Figuras 68 a 71).

Figura 68 - Protetor auricular acoplado ao capacete. Fonte: 3M. Diponível em: http://solutions.3m.com.br/wps/portal/3M/pt_BR/PPE_SafetySolutions_LA/ Safety/Products/PoW-Product-Catalog/?PC_Z7_U00M8B1A00OH60I56N6RPL3PF5000000_nid=M3XD4H7QPCgsQQFFG1G8R7glR03CCGKF0Vbl. Acesso em: 15 out. 2014.

Figura 69 - Protetor com haste fixa acima da cabeça. Fonte: 3M. Disponível em: http://solutions.3m.com.br/wps/portal/3M/ pt_BR/PPE_SafetySolutions_LA/Safety/ Products/PoW-Product-Catalog/?PC_Z7_ U00M8B1A00OH60I56N6RPL3PF5000000_ nid=CHBGNMC8PPgsQQFFG1G8R7glX3GT8WP9N9bl. Acesso em: 15 out. 2014.

Figura 70 - Protetor auricular com plug de três flanges e com cordão. Fonte: Loja Maxipas. Disponível em: http://www.lojamaxipas. com.br/cat/protetores_auriculares/232.html. Acesso em: 15 out. 2014.

Figura 71 - Protetor auricular sem cordão Fonte: 3M. Disponível em: http://solutions.3m.com.br/ wps/portal/3M/pt_BR/PPE_SafetySolutions_LA/ Safety/Products/PoW-Product-Catalog/?PC_Z7_ U00M8B1A00OH60I56N6RPL3PF5000000_nid=71LXZHGTW8gsQQFFG1G8R7gl91WM54P3CDbl. Acesso em: 15 out. 2014.

DADOS DE CAMPO No presente trabalho, não foi possível adentrar no estudo do conforto acústico segundo estudos de campo. Entretanto, muito pertinente à esse trabalho, Mian (2013) realizou um estudo intitulado “Medição do Isolamento Acústico de Residências e Escritórios de Obra” voltado para a análise acústica de um empreendimento em sua fase de canteiro de obra e em sua ocupação pós obra. O estudo englobou um total de dez empreendimentos sendo seis na cidade de São Carlos e quatro em São Paulo, sendo a escolha das obras selecionadas por suas tipologias diversas: container metálico, container tratado acusticamente, madeirit e OSB. As medições foram realizas por um medidor de nível de pressão sonora (MNPS), sonômetro (decibelímetros) e visaram obter medidas acústicas externas e internas, sendo que na interna houve a diferenciação entre esquadria aberta e fechada. Os resultados são demonstrados nas Figuras 72 e 73.

58


As figuras 72 e 73 apresentam os dados de medição obtidos por Mian na qual estão destacados o Laeq (nível de pressão sonora equivalente) e isolamento acústico (pior em vermelho e melhor em verde).

Figura 72 - Dados Acústicos (LAeq) Obtidos nas medições com esquadria aberta. Fonte: MIAN, 2013.

Figura 73 - Dados Acústicos (LAeq) Obtidos nas medições com esquadria fechada. Fonte: MIAN, 2013.

59


Observa-se que as obras que possuem containers não representam nem os piores ou melhores casos, tanto para esquadria aberta quanto fechada, quanto ao quesito de isolamento acústico. O melhor isolamento acústico com esquadria aberta é o do abrigo de madeira OSB (Figura 74), e o melhor com a esquadria fechada o módulo fabricado da Modularis com tratamento acústico (Figura 75). Apesar de ser denominado como um container por Mian, a própria fabricante Modularis descreve o seu produto como um módulo e trata-se de uma estrutura cuja geometria é de fato similar à um container por ser um paralelepípedo reto e de dimensões próximas, mas cuja composição de material não é a usual de uso em canteiros de obra. Todas as paredes do módulo medido não são de aço e sim um revestimento polimérico com isolamento acústico de lã de rocha. O grande tratamento é justificado pelo seu uso interno de sala de aula, o que o desqualifica de ser considerado um estudo de caso de abrigo de apoio em canteiro de obra.

Figura 74 - Melhor isolamento acústico com esquadria aberta. Fonte: MIAN, 2013.

Figura 75 - Melhor isolamento acústico com esquadria fechada. Fonte: MIAN, 2013.

Figura 76 - Pior isolamento acústico com esquadria aberta e fechada. Fonte: MIAN, 2013.

Em suma, as obras de containers metálicos foram as de número 3 (Figura 77), 6 (Figura 78) e 9 (Figura 79), sendo utilizadas como almoxarifado, escritório e almoxarifado; respectivamente. As obras 3 e 9 com containers de reuso marítimo e sem acoplamento e a 6 constituindo um conjunto de containers fabricados e acoplados. Como resultado da média das medições realizadas em diferentes frequências (100Hz a 3150Hz), a Tabela 04 apresenta os resultados de nível de pressão sonora externo (L ext.), interno (L int.), tempo de reverberação (Tr) e isolamento acústico/índice de redução sonora (R). O caso da obra 6, único caso cujo uso é habitado, apresenta níveis de pressão sonora superiores à estabelecida na NBR 10.152/1987 (35 a 45 dB para salas de projetos e administração). É perceptível também, através do índice de redução sonora dos casos 6 e 9 a grande diferença no isolamento acústico devido à abertura ou não das esquadrias. Ressalta-se então que esse isolamento está diretamente relacionado à qualidade do fechamento dos componentes da construção, na

60


Figura 77 - Container da obra 3. Fonte: MIAN, 2013.

Figura 78 - Container da obra 6. Fonte: MIAN, 2013.

Figura 79 - Container da obra 9. Fonte: MIAN, 2013.

Tabela 04 - Resultados das medições das obras com containers metálicos - adaptado. Fonte: MIAN, 2013.

ABERTA L (ext.) = 43,48 dB L (int.) = 38,30 dB Tr = 0,41 s R = 3,53 dB

FECHADA L (ext.) = 41,71 dB L (int.) = 36,53 dB Tr = 0,45 s R = 3,93 dB

ABERTA L (ext.) = 57,51 dB L (int.) = 54,41 dB Tr = 0,46 s

FECHADA L (ext.) = 58,33 dB L (int.) = 50,41 dB Tr = 0,61 s

R = 1,95 dB

R = 7,99 dB

ABERTA L (ext.) = 66,32 dB L (int.) = 58,66 dB Tr = 0,24 s R = 3,99 dB

FECHADA L (ext.) = 56,32 dB L (int.) = 43,59 dB Tr = 0,34 s R = 10,25 dB

qual pequenas aberturas podem comprometer muito a redução sonora do ambiente externo para o interno. Logo, supõe-se que o caso da obra de melhor isolamento acústico com esquadria aberta (Figura 74), mesmo sendo uma construção que não é pré fabricada, como no caso do módulo que apresentou melhor isolamento com esquadria fechada (Figura 75), possui boa qualidade construtiva; em contrapartida ao caso do pior isolamento (Figura 76) que apresenta também grandes aberturas e material único7.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO Comparativamente, não é possível afirmar se um caso ou outro é melhor acusticamente (madeira vs. container), dependendo muito das aberturas e qualidade dos fechamentos, mas é inferível que os resultados obtidos por Mian apresentam condições majoritárias fora do intervalo estabelecido pela norma para escritórios, indicando uma necessidade de tratamento acústico desses ambientes caso habitados. 7. Segundo Mian, a composição de diversos materiais pode contribuir para na redução do índice sonoro por ajudar na dissipação de energia sonora.

61


CONFORTO TÉRMICO CONCEITO Segundo a ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers) Standard 55-92, pode-se definir conforto térmico como: “a condição da mente que expressa satisfação com o ambiente térmico”, o que converge com a definição da ISO 7730: “estado de espírito satisfeito com a temperatura do ambiente”.

INTRODUÇÃO Os primeiros estudos sobre conforto higrotérmico datam de 1916 com estudos publicados pela Comissão Americana da Ventilação que, no cenário da Revolução Industrial na Europa, buscava relacionar a influência das condições termo-higrotérmicas no desempenho dos operários e tropas militares quando estes necessitavam locomover-se para regiões de condições climáticas diferentes das quais estavam habituadas. Os estudos revelaram que: •

Há uma perda de rendimento de 15% quando aumentado a temperatura de 20°C para 24°C no trabalho físico;

Há uma perda de rendimento de 28% quando a temperatura ambiente encontra-se a 30°C e umidade relativa de 80%.

CONDICIONANTES Para as análises de conforto térmico, os cálculos são baseados em seis variáveis: - atividade desempenhada (W/m2) - isolamento térmico das roupas utilizadas - temperatura do ar (°C) - temperatura radiante média (°C) - velocidade do ar (m/s) - pressão parcial do vapor de água no ar ambiente (kPa) Há também as condicionantes atreladas à fisiologia humana e suas transferências de calor, ilustradas na Figura 79, como: •

Radiação: perda sensível de calor pela pele;

Convecção: perda sensível de calor através da respiração e pele;

Evaporação: perda latente de calor através da respiração e pele pelo suor e dissipação da umidade da pele;

62


Condução: fenômeno atrelado ao contato físico.

Figura 80 – Fisiologia humana e trocas térmicas. Figura 81 - Variáveis de conforto térmico. Fonte: Labeee. Disponível em: http://www.labeee.ufsc.br/ Fonte: Conforto e Stress Térmico (LABEEE). Disponível em: http://www.labeee.ufsc. sites/default/files/disciplinas/ECV%205161%20Aula%202%20-%20Conforto%20termico.pdf. Acesso br/sites/default/files/disciplinas/Conforto%20T%C3%A9rmico%202013_0.pdf. Aces- em: 22 out. 2014. so em: 05 mai. 2014.

NORMA DE DESEMPENHO A norma NBR 15575-4/2013, no item 11, determina parâmetros para análise de desempenho térmico das edificações. Como requisito é definido que as paredes externas possuam como requisito básico apresentar a capacidade e transmitância térmica que proporcionem o desempenho térmico mínimo correspondente a cada zona bioclimática da ABNT NBR 15220-3, e aberturas para uma ventilação interna adequada.

MATERIAIS ISOLANTES RESISTIVOS Como principais materiais utilizados pelos fornecedores de containers como opções de isolantes térmicos estão o poliestireno expandido (EPS) e poli(cloreto de vinila)-PVC. Tratam-se de materiais que dificultam a transferência de calor por condução e o seu desempenho é função do valor de sua resistência térmica (MICHELS, 2007). POLIESTIRENO EXPANDIDO (EPS) O poliestireno expandido possui como sigla internacional EPS (expanded poly-styrene), de acordo com a norma DIN ISO-1043/78, e ficou conhecido no mercado brasileiro pelo seu nome comercial ISOPOR, registrada pela empresa Knauf Isopor Ltda.

63


Seus parâmetros de uso como placa de material para isolamento térmico é normatizado pela NBR 11752/1993 – Materiais celulares de poliestireno para isolamento térmico na construção civil e em câmaras frigoríficas. Devido à sua característica de ser um material isolante e de baixa densidade, de 13 a 25 kg/cm3 segundo a Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (ABRAPEX), possui grande uso no mercado como divisória leve (Figura 80).

POLI(CLORETO DE VINILA) - PVC O poli(cloreto de vinila), PVC – polyvinyl chloride, possui como designação do IUPAC – International Union of Pure and Applied Chemistry como policloroeteno. Trata-se de um plástico oriundo do petróleo, consituindo-se como polímero amorfo e termoplástico. Assim como o EPS, é um material leve e de grande uso em pisos e revestimentos de paredes. Sua aplicação na construção civil é vasta por ser um material com as características: •

Impermeável a gases e líquidos

Vida útil superior a 50 anos

Isolante térmico, elétrico e acústico

Figura 82 - Painel leve de EPS simplificado. Fonte: ABRAPEX. Disponível em: http://www. abrapex.com.br/31z13PainsDivs.html. Acesso em: 26 jun. 2014.

• Auto-extinguível •

100% reciclável

MATERIAIS ISOLANTES REFLETIVOS A fim de reduzir o ganho térmico pelas coberturas das edificações (Figura 84), existem no mercado produtos intitulados como sendo barreiras radiantes, que reduzem o ganho de calor minimizando a passagem deste por radiação. Apesar de ser uma tecnologia bem disseminada no exterior, o mercado nacional ainda não explora essa alternativa em sua total potencialidade. Tratam-se, em sua maioria, de mantas com camadas aluminizadas, associadas ou não a outros polímeros e/ ou camada de polietileno (Figuras 85 e 86). A barreria radiante está associada a propriedades de emissividade e refletividade; sendo melhor quanto maior for o seu poder de reflexão da radiação e menor o seu poder emissivo (MICHELS, 2007).

64

Figura 83 - Composição química do poli(cloreto de vinila). Fonte: Mundo educação. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/quimica/ polimero-pvc-policloreto-vinila.htm. Acesso em: 28 out. 2014.


Figura 84 (esquerda) - Instalação de manta reflexiva na subcobertura. Fonte: Equipe de obra. Disponível em: http://equipedeobra.pini.com.br/ construcao-reforma/28/instalacao-de-manta-subcobertura-a-manta-instalada-sob-as-168204-1.aspx. Acesso em: 25 nov. 2014. Figura 85 (centro) - Manta asfáltica com polímeros especiais e películo aluminizada, produto Viaflex Alumínio da Viapol. Fonte: Viapol. Disponível em: http://www.viapol.com.br/produtos_desc.php?menu=mantas&codigo_item=261. Acesso em: 25 nov. 2014. Figura 86 (esquerda) - Isolante Térmico Alumínio Duralfoil Extra. Fonte: Leroy Merlin. Disponível em: http://www.leroymerlin.com.br/isolante-termico-aluminio-duralfoil-extra-130cm-rolo-de-50m2-gibwood_86607304?xdtoken=grande_sao_paulo. Acesso em: 25 nov. 2014.

Figura 87 - Fluxo de calor irradiado da cobertura para o ambiente e temperatura da superfície inferior do forro para várias emissividades das faces do forro. Fonte: VITTORINO; SATO; AKUTSU; 2003.

Apesar da sua não adoção como solução de conforto térmico em containers, há bibliografia que demonstra a sua maior eficiência na redução de transferência de fluxo de calor quando comparada aos isolantes resistivos, que são os mais disseminados no mercado. Entre as diferentes mantas, há variações de emissividades e possibilidade de camada única ou dupla; ou seja, superfície refletiva em uma só face ou em ambas. Conforme observado na tabela da Figura 87 e gráfico da Figura 88; condizentes com Fairey (1986), quanto menor a emissividade, melhor a eficiência da manta; assim como a dupla face em relação à face simples.

65

Figura 88 - Eficiência em função da espessura de manta aluminizada dupla face (ε=0.05 e ε=0.65), simples face e não aluminizada para o modelo 2 (potência constante). Fonte: GÜTHS; LAMBERTS; MICHELS; 2006.


ANÁLISE DE CONFORTO TÉRMICO - MEMÓRIA DE CÁLCULO A fim de analisar se determinada situação propicia ao usuário condição de conforto térmico, é possível seguir as seguintes etapas de cálculo, que possuem base no livro “Manual de Conforto Térmico” de Anésia Frota e Sueli Schiffer: 1. Levantamento dos dados do clima É necessário, a partir do local do empreendimento em estudo e o período a ser analisado, saber:

- A temperatura do ar:

Média das temperaturas máximas anuais

Ts

°C

Média das temperaturas mínimas anuais

ts

°C

Média das temperaturas máximas diárias do mês

Td

°C

Média das temperaturas mínimas diárias do mês

td

°C

- Umidade relativa do ar

UR

%

- Radiação solar incidente

Ig

W/m2

Através do software Climaticus8 obteve-se que, para a cidade de São Paulo, o mês mais quente é fevereiro e o mais frio julho. Logo, para fins de cálculo, foi adotado a radiação solar incidente do pior caso: fevereiro, visto que o desconforto térmico para temperaturas altas é maior do que para baixas em cidades como São Paulo. 2. Dados do edifício e seus materiais Destrinchamento completo do edifício por materiais, com conhecimento de suas características térmicas:

- Espessura da camada e sua geometria

- Coeficiente de condutibilidade térmica

l

W/m°C

- Coeficiente de absorção da radiação solar

a

(adimensional)

3. Cálculo do coeficiente global de transmissão térmica Denotado por K (W/m°C), pode ser calculado pelaa fórmula: 8 - Climaticus é um software desenvolvido pela aluna Gabriela Audi com orientação da professora Dra. Márcia P. Alucci através de bolsa de iniciação científica FAPESP/2003 junto ao LABAUT - FAU USP, que possui como base dados do INMET e faz diversas análises de conforto térmico.

66


1/K = 1/he + 1/hi + ei/l

Onde:

Figura 89 - Valores de condutâncias (he, hi) e resistências térmicas superficiais (1/he , 1/ Figura 90 - Calor ceddido ao ambiente (W), segundo a atividade desenvolvida pelo hi), para paredes exteriores. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003. indivíduo. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003.

4. Cálculo dos ganhos de calor solar Para superfícies opacas:

Qop = Aop x (a x K)/he x Ig

W

(Equação 1)

Para superfícies transparentes:

Qtr = Atr x Str x Ig

W

(Equação 2)

A partir dos Q’s, multiplica-se pela radiação solar incidente da fachada correspondente à determinada superfície para obtenção do ganho de calor solar total. Destaca-se o pior caso, ou seja, maior ganho de calor. Essa diferenciação entre as superfícies é necessária visto que o comportamento de trocas de calor entre paredes opacas e superfícies transparentes ou translúcidas sujeitas à radiação solar é muito diferente (Figuras 91 e 92).

67


Figura 91 (esquerda) - Trocas de calor através de paredes opacas. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003. Figura 92 (direita) - Trocas de calor através de superfícies transparentes ou translúcidas. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003.

5. Cálculo do calor sensível Ganho devido à ocupação do ambiente estudado. Considerando o caso do container, foi adotado uma ocupação de 3 pessoas por container realizando atividade de escritório (moderada), com calor sensível de 65W (Figura 90). Ou seja, um total de 195W/container. 6. Cálculo dos ganhos devido à iluminação O ganho devido à iluminação do ambiente é feita pela multiplicação entre o número de lâmpadas e suas potências. Adotando que para cada container são necessárias cerca de 4 lâmpadas fluorescentes de 32W, foi adotado um ganho total de 128W/container. 7. Cálculo dos ganhos devido aos equipamentos elétricos Considerando que um ambiente de escritório só teria ganho significativo oriundo dos computadores, foi calculado o ganho pela multiplicação do número de computadores e 60% de sua potência. Através da relação de 1 computador/pessoa, tendo sido adotado 3 pessoas por container, há também 3 computadores por container. Com uma potência de 250W por computador, há um ganho total de 450W/container devido à equipamentos elétricos. 8. Cálculo das perdas de calor solar devido à diferença de temperaturas interna e externa (Dt) Para superfícies opacas:

Q’op = Aop x K x Dt W (Equação 3)

Para superfícies transparentes:

Q’tr = Atr x K x Dt W (Equação 4)

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9. Cálculo das perdas devido à ventilação Para o cálculo das perdas por ventilação é necessário saber a taxa horário de renovação ao ar ao ambiente (N) e seu volume (V). Q’ventilação é calculado por Q’vent = 0,35 x N x V x Dt (Equação 5). Sabe-se que V = 2,2m (largura) x 2,5m (pé direito) x 5,9m (comprimento) = 32,45m3. E, com auxílio do software Chaminé9, foi determinado que a taxa N = 22 (Figura 88), adotando-se duas janelas de 1,0m de altura, 1,0m de largura e 2,1m de peitoril, sendo de duas folhas de correr, ou seja, com vão 50% de abertura; e uma porta de 2,1m de altura por 0,8m de largura com 90% de abertura (grande circulação de pessoas entrando e saindo do abrigo faz parte da dinâmica da obra e justifica a porta aberta). Ressalta-se que as medidas adotadas tiveram como base o módulo de container comercializado pela empresa Fladafi que respeita os itens da NR-18 de possuir pé direito mínimo de 2,4m e mínimo de 15% da área do piso de abertura efetiva:

área de piso: 5,9 x 2,2 = 12,98m2

15% da área de piso = 0,15 x 12,98 = 1,947m2

área de ventilação efetiva:

2 x ((1 x 1)/2) + (0,8 x 2,1) = 2,68m2 (cerca de 20% da área de piso)

Figura 93 - Resultado da simulação realizada no software Chaminé para determinação da taxa de renovação de ar por hora.

Logo, Q’ventilação = 249,86 Dt. 10. Balanço térmico Igualdade dos ganhos e perdas: Q = Q’, o que resulta em um valor de Dt em °C. 11. Avaliação da inércia Como a inércia está relacionada ao peso da parede, ou seja, diretamente proporcional à espessura e densidade das superfícies da envoltória da edificação, para o caso do container, não há nenhuma resistência térmica (Figura 94), visto que sua parede pesa

Figura 94 - Resistência térmica do revestimento. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003.

9 - Chaminé é um software desenvolvido pela professora Dra. Márcia P. Alucci, junto ao LABAUT - FAU USP, que calcula a vazão de ar em m3/hora por efeito chaminé para aberturas laterais e zenitais.

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menos que 50 kg/m2. Há uma inércia que pode ser classificada como sendo muito fraca, pois o quociente entre a superfície equivalente pesada e a área do piso é inferior a 0,5; resultando em um coeficiente de inércia m= 0,4. 12. Cálculo da temperatura externa média e elongação A temperatura externa máxima (Temáx) é a média entre a média das temperaturas máximas anuais e diárias do mês, ou seja, Temáx = (Ts + Td)/2. A temperatura externa mínima (Temín) é a média entre a média das temperaturas mínimas anuais e diárias do mês, ou seja, Temín = (td + td)/2. A partir dessas duas temperaturas pode-se calcular a amplitude térmica (A = Temáx - Temín) e temperatura externa média (Temáx + Temín)/2. Por fim, o valor da elongação (E) é metade da amplitude (E = A/2). 13. Cálculo da temperatura interna máxima resultante (timáx): (Equação 6)

14. Cálculo da temperatura efetiva A partir da temperatura interna máxima resultante, que é a T.B.S. (emperatura de bulbo seco), e da umidade relativa do ar (79% para São Paulo), observa-se o valor da T.B.U. (temperatura de bulbo úmido) na Carta Psicométrica (Figura 95) - no caso, a de São Paulo. A temperatura efetiva pode ser observada no Nanograma, na qual deve-se analisar a partir do T.B.S. e T.B.U. para determinada velocidade de ar (Figura 96). Sabe-se então, se determinada situação de análise encontra-se ou não na Zona de Conforto Térmico, destacada no Nanograma.

Figura 95 (esquerda) - Carta Psicrométrica de São Paulo. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003. Figura 96 (direita) - Nanograma. Fonte: FROTA, SCHIFFER, 2003.

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RESULTADOS A fim de entender a diferença de comportamento térmico de containers, foi feito o cálculo descrito para diversos cenários possíveis, de containers metálicos e de abrigos de madeira que possuam a mesma geometria do container para fins comparativos. Como o estudo é voltado para o uso habitável, dificilmente os abrigos estariam isolados, logo,adotou-se como premissa básica que haveria ao menos um outro módulo de mesma geometria acoplado horizontalmente à ele. Mesmo assim, de modo a criar um cenário desvantajoso, o acoplamento considera foi o da face sul, que é a que recebe menor incidência solar. Seguem os casos considerados: • CASO 1: container sem revestimento, com acoplamento na face sul; • CASO 2: container sem revestimento, com acoplamento na face sul e superior; • CASO 3: container com forro de EPS, piso vinílico e revestimento nas paredes de EPS, com acoplamento na face sul; • CASO 4: container com forro de EPS, piso vinílico e revestimento nas paredes de EPS, com acoplamento na face sul e superior; • CASO 5: abrigo de OSB, com a mesma geometria de um container, com acoplamento na face sul; • CASO 6: abrigo de compensado resinado e plastificado (“madeirite”), com a mesma geometria de um container, com acoplamento na face sul; • CASO 7: container com forro de EPS, piso vinílico e revestimento nas paredes de EPS, com acoplamento horizontal de outro container sem divisórias entre eles e acoplamento horizontal superior, com sombreamento na fachada oeste e sul. Segue na Tabela 05 o resumo dos resultados: Tabela 05 - Resumo dos cálculos de análise de conforto térmico.

CASO

GANHOS (W)

PERDAS (W)

BALANCO TÉRMICO (°C)

TBS (°C)

TBU (°C)

1 2 3 4 5 6 7

2594,83 1740,28 1352,83 1194,84 3213,51 2582,52 2471,10

492,25 399,55 300,28 295,31 490,25 490,02 591,17

5,27 4,36 4,51 4,05 6,55 5,27 4,18

31,26 30,71 30,80 30,53 32,03 31,26 30,61

27,8 27,5 27,5 27,1 28,5 27,9 27,1

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TE (°C) com var = TE (°C) com var = 0,75m/s 1,0m/s 27,8 27,5 27,5 27,2 27,5 27,2 27,5 27,2 29,7 29,5 28,0 27,7 27,5 27,2


Onde velocidade do ar de 0,75m/s é o limite recomendado pela NR-17 e 1,0m/s o considerado aceitável pelos profissionais da área.

ANÁLISE Observa-se que do caso 1 para o 2, assim como do 3 para o 4, com a alteração de acoplamento vertical, houve uma diminuição dos ganhos devido à redução de ganho solar de cerca de 33% e 12%, respectivamente, mas também redução de perdas de 18,8% e 1%; resultando em uma diminuição de temperatura efetiva insignificante. O mesmo ocorre para o caso 1 para o 3 e 2 para o 4, na qual a alteração foi de aplicação de revestimento de EPS, levando à uma redução de ganhos mas também de perdas, pois o EPS, material isolante “segura” o calor de dentro e a presença do forro cria uma camada de ar entre o forro e a cobertura, o que também contribui para isolar o calor interno. Apesar de no cálculo ter sido adotado como material isolante o EPS, cujo l=0,04 W/m°C, outros isolantes como lã de rocha e lã de vidro possuem coeficiente de condutibilidade térmica muito próximos, sendo l=0,03 a 0,04 W/m°C e l=0,03 a 0,05 W/m°C, respectivamente; o que não impactaria no resultado dos cálculos de modo significativo. O presente trabalho visava, em um determinado momento, a produção de painéis internos de revestimento com isolantes térmicos e acústicos que possibilitassem sanar as maiores deficiências do container como espaço habitado. Visando a impossibilidade de intervenção física de, por exemplo, perfuração na superfície do container caso este fosse de locação, exigiria uma fixação seca. Foi então pensado um projeto de painéis modulares com fixação de neodímio10 e estrutura de chapa dobrada. Entretanto, a partir dos resultados dos cálculos apresentados, conclui-se que mesmo com a aplicação de materiais isolantes, não há uma melhora térmica satisfatória para que se possa atingir a zona de conforto térmico. Logo, há uma constatação que a situação térmica de um container com ventilação passiva não é confortável segundo parâmetro de cálculo da bibliografia existente, nem de acordo com a NR-17 que recomenda um intervalo de 10 - O neodímio é um dos dezessetes elementos químicos da tabela periódica classificados pela IUPAC como sendo um REE (rare earth element) ou REM (rare earth metal). O conjunto desses elementos, escândio (Sc) , ítrio (Y) e quinze lantanídeos ou lantanoides; são essenciais no campo de energias renováveis, sendo utilizados em tecnologias de turbinas eólicas e carros híbridos.

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temperatura efetiva entre 20°C e 23°C. Ressalta-se que o intervalo estabelecido na NR-17 é pouco seguido pois, além de ser uma recomendação, é considerado como inviável e muito exigente, mesmo para São Paulo que possui temperaturas mais amenas do que outras localidades brasileiras, por profissionais da área. Entretando, frente aos dados obtidos, por serem muito elevados, conclui-se que para atingir um melhor intervalo de temperatura efetiva interna do container, há a necessidade de uso de um condicionamento ativo de ar, através de um sistema de ar condicionado.

SIMULAÇÃO DE GASTO ENERGÉTICO Apesar do sistema passivo de ventilação ser insuficiente para condicionar termicamente um container na zona de conforto, sabe-se que há uma redução da temperatura mediante determinadas alterações e, com isso, uma diminuição da necessidade de gasto energético através de um sistema de ar condicionado complementar. O Simulador S3 de Eficiência Energética em Edificações é um produto do LABEEE, Laboratório de Eficiência Energética em Edificações, localizado na UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina; e é uma ferramenta disponível em site na internet para análise de eficiência energética segundo o RTQ-C (Programa Brasileiro de Etiquetagem), de uso livro de usuários cadastrados, com simulação baseada no Energy Plus (versão 8.1).

Figura 97 (esquerda) - Interface de trabalho da simulação no simulador S3. Fonte: S3. Disponível em: http:// www.s3e.ufsc.br/login?e=0&test=true. Acesso em: 04 nov. 2014. Figura 98 (direita) - Interface de composição de componentes no simulador S3. Fonte: S3. Disponível em: http://www.s3e.ufsc.br/login?e=0&test=true. Acesso em: 04 nov. 2014.

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Devido à uma limitação de geometria como dado de entrada (largura e comprimentos mínimos de 4,0m), foram simulados volumes correspondentes à um conjunto de dois containers acoplados sem divisão interna, ou seja, com geometria de 4,4m de largura, 5,9m de comprimento e 2,5m de pé direito. Foi adotado uma ocupação de 6 pessoas (3/módulo) , 6 computadores (1/pessoa) e 8 lâmpadas fluorescentes de 32W (4/módulo). Foram elaborados os seguintes cenários para análise de eficiência energética: • CENÁRIO 1: edificação térrea, sem forro, paredes de aço de 0,05cm e janelas com vidro simples incolor 3mm. • CENÁRIO 2: edificação térrea, com forro de PVC, paredes de aço de 0,05cm e janelas com vidro simples incolor 3mm. • CENÁRIO 3: edificação térrea, com forro de PVC, paredes de aço de 0,05cm com 3cm de EPS revestido por placa melamínica e janelas com vidro simples incolor 3mm. • CENÁRIO 4: edifício com 2 pavimentos, com forro de PVC, paredes de aço de 0,05cm com lã de rocha revestido por placa melamínica e janelas com vidro simples incolor 3mm. • CENÁRIO 5: edificação térrea, com forro de PVC, paredes de aço de 0,05cm com lã de rocha revestido por placa melamínica e janelas com vidro simples incolor 3mm. Foi adotado um sistema de ar condicionado com equipamento tipo split com setpoint do termostato em 24°C e COP=3 (coeficiente de performance, é a eficiência do condicionador de ar no modo de refrigeração), e o forro de PVC prevê uma camada de ar entre o forro e a cobertura. Seguem os resultados das simulações na Tabela 06: Tabela 06 - Resultado da simulação no S3.

CENÁRIO

PAVIMENTOS

FORRO

PAREDE

CONSUMO DE ENERGIA TOTAL (kWh/ano)

CONSUMO DE ENERGIA/ MÓDULO (kWh/ano)

SELO PROCEL

1

1

-

AÇO

7420

3710

B

2

1

PVC

AÇO

7329

3664,5

B

3

1

PVC

AÇO+EPS

7252

3626

B

4

2

PVC

AÇO+LÃ ROCHA

16528

4132

C

5

1

PVC

AÇO+LÃ ROCHA

7234

3617

B

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Observa-se que não há diferença significativa de consumo energético, sendo no máximo de 515 kWh/ano, o que equivale, a uma tarifa de R$ 0,28326/kWh a cerca de R$ 145,88; o que é insignificativo economicamente. A pequena diferença é justificada nos gráficos das Figuras 100 e 102, que indicam que o maior gasto energético das edificações simuladas é devido aos equipamentos (mais de 60%), que por sua vez é um dado fixo entre as simulações, e não ao sistema de ar condicionado. Mesmo assim, há uma parcela significativa utilizada pelo sistema, da ordem de 20% do consumo.

Figura 99 (esquerda) - Exemplo de output de dados do consumo energético. Figura 100 (direita) - Gráfico do consumo energético percentual anual da edificação.

Figura 101 (esquerda) - Exemplo de output de dados - selo Procel. Figura 102 (direita) - Gráfico do consumo energético por mês da edificação.

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CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO A situação de desconforto térmico no container não pode ser solucionada apenas por adoção de ventilação passiva do ar, por ser um caso muito crítico termicamente mediante sua composição de material metálico (alto coeficiente de condutividade térmica) e de pequena espessura (inércia térmica muito fraca). A temperatura do ar é minimamente amenizada por intervenções projetuais como a adoção de materiais isolantes ou criação de áreas sombreadas para proteção da radiação solar. Atenta-se que o isolamente deve sempre estar acompanhado de uma maior taxa de renovação de ar, fundamental para que a temperatura efetiva seja de fato reduzida, caso contrário, ao mesmo tempo em que o isolamento contribui para o menor ganho de calor, ele também impede a saída desse ar quente. Faz se necessária, para a obtenção do conforto térmico, o uso do sistema de condicionamento artificial de ar, na qual o gasto energético é praticamente o mesmo para cenários variados, conforme demonstrado; e resolvido por um aparelho simples como o split.

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MEDIÇÕES DE CAMPO

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INTRODUÇÃO A fim de obter dados de parâmetros importantes para a análise do conforto térmico nos containers, como umidade relativa do ar, velocidade do ar, temperatura radiante média, temperatura superficial e emissividade dos materiais, foram realizadas medições de campo com o auxílio de equipamentos técnicos. Foram instalados equipamentos para medições simultâneas em três containers sob diferentes condições de implantação e exposição, dois containers fabricados e um de reuso marítimo. Embora esse último apresente diferenças estruturais e funcionais se comparado aos containers usados em canteiros de obra, para fins analíticos considerou-se válida a medição. Além disso, os dados obtidos são de interesse para avaliar as condições apresentadas pelos containers marítimos para armazenamento temporário de materiais e produtos de construção civil.

LOCALIZAÇÃO

Os dois containers fabricados estão locados no perímetro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), distantes de cerca de 215 metros entre si. A medição 1 foi realizada em container isolado sem acoplamento, frente à fachada do edifício Vilanova Artigas, e a medição 2 em um conjunto de 5 containers acoplados no Canteiro Experimental da faculdade. Já o container marítimo em reuso, também isolado e sem

MEDIÇÃO 1

Figura 103 - Mapa aéreo da localização dos pontos de medição dos containers. Fonte: Google Earth. Acesso

MEDIÇÃO 3

MEDIÇÃO 2

em: 16 out. 2014.

81


acoplamento, localiza-se frente ao Instituto Oceanográfico (IO), distando cerca de 200 metros do ponto de medição 1 (Figura 103).

USOS

Ambos os containers fabricados são de propriedade da FAU-USP mas possuem características de uso muito distintas. O container da medição 1 é alugado e serve como área de arquivamento de documentos administrativos da faculdade (Figura 105). Por ser um local de armazenamento, não há nenhuma atividade realizada em seu interior e o seu acesso, que é restrito, é realizado esporadicamente ao longo do tempo. Há, próximo à ele, outro container com o mesmo uso, mas sem nenhum tipo de acoplamento entre eles (Figura 104).

Figura 104 (esquerda) - Os dois containers frente ao edifício Vilanova Artigas para arquivamento de documentos. Figura 105 (direita) - Interior do container na qual foi realizada a medição. Fonte: Acervo da autora (06 out. 2014)

Já o conjunto de cinco containers da medição 2 foi uma aquisição da faculdade visando ampliar o seu espaço permanente, servindo de almoxarifado do LAME – Laboratório de Modelos e Ensaios, e também de escritório para dois de seus docentes do departamento de tecnologia. Segundo funcionário do LAME, Romerito, em conversa em 20 de maio de 2014, existia a intenção de maior ampliação, com demais quatro containers que não foram adquiridos pela inesperada alteração do preço orçado pela fornecedora Eurobrás. A compra dos containers do conjunto foi de cerca de 15 mil reais cada.

82


Figura 106 (esquerda) - Almoxarifado do LAME. Fonte: acervo da autora (06 out. 2014). Figura 107 (centro) - Mesa de trabalho junto ao almoxarifado para funcionário do LAME. (06. out. 2014). Figura 108 (direita) - Container de escritório para docentes da FAU. (16 out. 2014).

A medição 3 foi de um container de uso temporário cuja funcionalidade foi transportar caixas mostruárias (Figura 109) da “Future Ocean – Uma exposição científica sobre os mares em turnê pelo Brasil” (Figura 110), fruto de uma parceria entre o Centro Alemão de Ciência e Inovação em São Paulo (DWIH-SP) e o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. A mostra expôs estudos da Kiel Marine Sciences e foi exibida no Museu Oceanográfico do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo entre 25 de setembro a 18 de outubro de 2014, participando também da Virada Científica 2014 da USP realizada em 11 de outubro de 2014.

Figura 109 (esquerda) - Exemplo de mostruário em formato de caixa transportado pelo container. Fonte: IO USP. Disponível em: http://www.io.usp. br/index.php/noticias/47-editoria-io/787-iousp-na-1-virada-cientifica. Acesso em: 17 out. 2014. Figura 110 (direita) - Exposição Future Ocean no Museu Oceanográfico do IO USP. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

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CARACTERÍSTICAS DOS CONTAINERS DOLMA CONTAINERS - MEDIÇÃO 1 O container da empresa Dolma Containers Ltda. é do modelo D6/0, conforme a Figura 111:

Figura 111 - Planta e elevações do módulo D6/0 da Dolma Containers. Fonte: Dolma Containers. Disponível em: http://www.dolmacontainers.com. br/PDF/D6-0. Acesso em: 12 out. 2014.

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Possui as seguintes características (onde C=comprimento, L=largura e H=altura): - Dimensão: 6,00m x 2,25m x 2,42m (CxLxH); - Porta: 0,96m x 2,10 (LxH); - Janelas venezianas: 1,03m x 0,63m (LxH) na fachada frontal junto à porta e 2,00m x 0,63m (LxH) na fachada posterior; - Fechamento lateral e do teto por telhas de aço galvanizado de 0,5mm de espessura; - Estrutura de perfil de aço galvanizado dobrado de 1,5mm de espessura; - Piso em compensado naval de 14mm de espessura, com tratamento anti-fungo e anti-cupim; - Sem revestimento interno de teto e paredes.

Figura 112 (esquerda) - Fachada sul do container 1. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014). Figura 113 (direita) - Fachada norte do container, voltado para FAU. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 114 (esquerda) - Fachada leste do container da FAU. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014). Figura 115 (centro) - Detalhe da janela veneziana da fachada leste do container da FAU. Fonte: acervo da autora (16. out. 2014). Figura 116 (direita) - Fachada oeste que contem a porta de acesso do container da FAU. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

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EUROBRÁS - MEDIÇÃO 2 O container da medição 2 é da empresa Eurobrás, de sua linha Módulo Metálico Habitacional, modelo EB 13/0. Possui as seguintes características (onde C=comprimento, L=largura e H=altura): - Dimensão: 6,00m x 2,30m x 2,50m (CxLxH); - Fechamento lateral e do teto por perfis de aço zincado, grau B com 1,90mm de espessura; - Estrutura de perfil de chapa dobrada de aço galvanizado de 2,66mm de espessura e travessas em aço; - Piso em compensado naval ou similar de 12mm de espessura, com tratamento anti-fungos e pragas; - Acabamento de pintura com tinta PU (poliuretano) na cor branca na frente e verso do perfil.

Figura 117 - Módulo Habitável da Eurobrás. Fonte: Eurobrás. Disponível em: http://www.eurobras.com.br/ tradicional. Acesso em: 12 out. 2014.

Figura 118 (esquerda) - Conjunto de containers do canteiro experimental, escritório à esquerda. Fonte: Acervo da autora (06 out. 2014). Figura 119 (direita) - Conjunto dos quatro containers voltados para a fachada oeste. Fonte: Acervo da autora (20 mai, 2014).

Apesar da compra dos containers sem revestimento, foram posteriormente instaladas placas de poliestireno expandido no forro e paredes do escritório dos docentes (Figuras 120 a 122).

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Figura 120 (esquerda) - Poliestireno expandido instalado. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014). Figura 121 (centro) - Parede revestida por placas de poliestireno expandido. Fonte: acervo da autora (16. out. 2014). Figura 122 (direita) - Placas de poliestireno expandido no forro do almoxarifado. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

MEDIÇÃO 3 O container marítimo de 20 pés localizado no IO possui as característica padrões já previamente detalhadas. Basicamente, inteiramente fabricada por aço patinável, com 6,06m x 2,44m de dimensão e pé direito de 2,59m. Não possui aberturas e é fechado por chapas trapezoidais de aço cor-ten. Destaca-se por ser um container que não foi modificado, ou seja, não há aberturas e, logo, não foi adaptado para que seja habitado. Apesar disso, considerou-se pertinente realizar medições para análise comparativa.

Figura 123 - Fachada sul do container marítimo. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 124 - Fachada leste do container marítimo. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 125 - Fachada norte Figura 126 - Fachada oeste do container marítimo. Fonte: do container marítimo. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014). acervo da autora (16 out. 2014).

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EMISSIVIDADE CONCEITO A emissividade térmica da superfície, denotada pelo símbolo e, expressa a capacidade de uma determinada superfície de emitir calor, variando de 0 - caso na qual reflete toda a energia incidente, a 1 - caso de um corpo negro teórico, na qual há a total absorção de energia incidente independente do comprimento de onda e da direção. A emissividade de uma superfície varia de acordo com a temperatura da superfície, do comprimento de onda e da direção da radiação emitida, além de sua composição química e textura superficial.

EQUIPAMENTO O equipamento medidor da emissividade é denominado de emissômetro. Foi utilizado na medição das superfícies dos containers o emissômetro com scaling digital voltmeter modelo AE1 RD1 da Devices & Services Co. (Figuras 127 a 129). Após a calibração do equipamento, as leituras de emitância podem ser obtidas a cada 1 minuto e meio através de um detector que deve ser aproximado à superfícies planas de no mínimo 5,7cm a 2,54 cm de diâmetro, dependendo do uso ou não de adaptadores acopláveis ao aparelho. A Figura 129 ilustra o momento de uma das medições na qual era aguardado o momento de estabilização do dado medido.

Figura 127 (esquerda) - Emissômetro modelo AE1 RD1. Fonte: Devices & Services Co. Disponível em: http:// www.devicesandservices.com/AE1%20 Spec%20Sheet.pdf. Acesso em: 17 out. 2014. Figura 128 (centro) - Maleta do equipamento . Fonte: Claudia Oliveira (15. out. 2014). Figura 129 (direita) - Emissômetro em uso. Fonte: Claudia Oliveira (15 out. 2014).

88


DADOS Seguem abaixo os dados obtidos com o emissômetro em procedimento realizado nos dias 15 de outubro e 19 de novembro de 2014, no período da manhã das 10h00 - 11h00 a uma distância de medida de 2,0m:

MEDIÇÃO 1

MEDIÇÃO 2

FACHADA: Oeste Superfície externa pintada (brilhante):

e= 0,626

Superfície externa e interna não pintada (fosca):

e= 0,500

Figura 132 - Superfície externa de medição 2. Fonte: acervo da autora (28 mai. 2014). Figura 130 - Superfície externa de medição 1. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

MEDIÇÃO 3

Figura 133 - Superfície interna do container. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 131 - Superfície interna de medição 1. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

FACHADA: Leste Superfície externa pintada (azul): e = 0,760 Superfície interna não pintada: e = 0,730 Superfície interna pintada: e = 0,760

Figura 136- Superfície interna da Figura 137 - Forro e estrutura. cobertura. Fonte: Claudia Oliveira Fonte: acervo da autora (16 out. (19 nov. 2014). 2014)

FACHADA: Oeste

Superfície externa e interna (branca):

e = 0,855

FACHADA: Cobertura Figura 134 - Superfície externa de medição 3. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 135 - Superfície interna de medição 3. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

89

Superfície inferior da cobertura:

e = 0,60

Perfil de sustentação do forro

e = 0,32

Placa de EPS do forro

e = 0,45


Com base nas emissividades apresentadas pela Tabela 07, da NBR 15220, pode-se afirmar que: - Na medição 1, de container de aço galvanizado, o valor encontrado de emissividade 0,5 é superior à referência de chapa de aço galvanizada de 0,25 por não ser nova e brilhante. Já a superfície pintada, de 0,626 é próxima da pintura “alumínio”. - Na medição 2, o container de aço galvanizado com pintura com tinta PU (poliuretano) na cor branca, apresentando emissividade de 0,855 é condizente com o valor de 0,9 de pintura branca indicada pela norma. Quanto à superfície interna da cobertura, o valor medido é correspondente à pintura “alumínio”. Não há parâmetros para a placa de EPS. - Na medição 3, para o container marítimo com acabamento externo em pintura azul, não há referência muito próxima a ser comparada, exceto o fato de que ele é pintado e todos os valores de emissivdade de superfícies pintadas, com exceção do “alumínio”, possuem valores de emissividade 0,9; o que é relativamente próximo ao da medição.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO Conclui-se que foram obtidos valores dentro do esperado segundo bibliografia, e que, com isso, as medições com a câmera infravermelha realizadas possuem validade quanto ao valor adotado de emissividade das superfícies.

90


Tabela 07 - Absortância (a) para radiação solar (ondas curtas) e emissividade (e) para radiações a temperaturas comuns (ondas longas) adaptado. Fonte: NBR 15220, parte 2, anexo B.2.

TIPO DE SUPERFÍCIE

Chapa de alumínio (nova e brilhante) Chapa de alumínio (oxidada) Chapa de aço galvanizada (nova e brilhante) Caiação nova Concreto aparente Telha de barro Tijolo aparente Reboco claro Revestimento asfáltico Vidro incolor Vidro colorido Vidro metalizado Pintura Branca Amarela Verde clara “Alumínio” Verde escura Vermelha Preta

91

a

e

0,05 0,15 0,25 0,12 / 0,15 0,65 / 0,80 0,75 / 0,80 0,65 / 0,80 0,30 / 0,50 0,85 / 0,98 0,06 / 0,25 0,40 / 0,80 0,35 / 0,80 0,20 0,30 0,40 0,40 0,70 0,74 0,97

0,05 0,12 0,25 0,90 0,85 / 0,95 0,85 / 0,95 0,85 / 0,95 0,85 / 0,95 0,90 / 0,98 0,84 0,84 0,15 / 0,84 0,90 0,90 0,90 0,50 0,90 0,90 0,90


TERMOGRAFIA CONCEITO A termografia por infravermelho é uma técnica não destrutiva de criação de imagens visuais de perfis de temperatura a partir da radiação térmica emitida por uma superfície de um objeto que é imperceptível ao olho humano (SOUSA, 2010). O limite inferior das ondas infravermelhas é próximo da percepção visual do ser humano, cerca de l=0,75mm, e o limite superior encontra-se no limiar das radiações das microondas, l=1,0mm. Sua aplicação é ampla e é adotada desde o uso militar (míssil termo-guiado), quanto no ramo da medicina (análise de atividade metabólica, problemas vasculares, inflamações), área industrial (trincas em refratários em chaminé de coqueria), engenharia mecânica (superaquecimento de um motor no seu eixo rotativo), engenharia civil (detecções de patologias), vulcanologia (previsões de novas erupções), astronomia (radiação infravermelha atravessa regiões de gases e peiras densas que telescópios ópticos não consegue) , entre outros.

EQUIPAMENTO O equipamento utilizado é uma câmera térmica da marca FLIR modelo E40 (Figuras 138 e 139). A câmera possui sensibilidade térmica menor do que 0,07°C, um alcance de temperatura de -20°C a +650°C e uma precisão de leitura de 2°C para mais ou para menos. É de fácil manuseio, com um botão central frontal para as capturas de imagens. Como dados de entrada, é necessário

Figuras 138 e 139 - Termocâmera Flir E40. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014)

determinar a temperatura refletida, umi-

92


dade relativa do ar, distância de medição e emissividade da superfície analisada. A câmera possibilita captura de tela pelas opções MSX (multi-spectral dynamic imaging) que é uma imagem térmica com os contrastes realçados; infravermelho; picture-to-picture que é uma sobreposição da imagem normal com um quadrante central com imagem térmica; e a foto normal. Por facilidade visual, optou-se nesse trabalho pelo uso majoritário do modo MSX. Para leitura de temperatura, possui um detector que pode ser configurado para a busca do ponto mais frio, ponto mais quente, ou a leitura simultânea de três pontos fixos. O modo utilizado que melhor atendeu o intuito da medição foi o do ponto mais quente. Outra configuração possível é o da régua de temperatura, que pode possuir uma gama de cores diferentes, caso desejado. Para fins comparativos, manteve-se sempre a mesma régua. Já quanto aos valores dos extremos da régua, adotou-se o modo automático, na qual o próprio aparelho analisa valores de maior e menor temperatura. As medições realizadas buscam analisar um parâmetro isolado: temperatura superficial. Ressalta-se que não é uma medida que, isoladamente, possa ser analisada como parâmetro de conforto térmico interno; mas, ainda assim é uma medida quantitativa que reflete propriedades dos materiais que constituem os containers em estudo.

MEDIÇÕES As medições foram realizadas em duas datas: 15 e 16 de outubro de 2014. No dia 15 durante o período da tarde, próximo às 17h, e no dia 16 no período da manhã, das 8h30 às 10h30, e da tarde, entre 13h e 14h30; a fim de realizar as medições nos picos de maior temperatura das superfícies externas e internas dos containers. No dia 19 de novembro foi realizado uma medição complementar e pontual na cobertura do conjunto de containers da medição 2. As capturas de imagens que se seguem indicam a temperatura medida pelo termovisor e, para fins comparativos, a indicação da temperatura do ar externa obtida em estação meteorológica e temperatura interna registrada, também medida no presente trabalho, ambos explorados em detalhes posteriormente.

93


MEDIÇÃO 1 No container da medição 1, foram realizadas medições de termografia externamente no período da manhã e externamente e internamente no período da tarde do mesmo dia (16/10/2014). Externamente, através das Figuras 141 e 142 é possível observar que, para um mesmo horário, a fachada da orientação leste possui temperatura menor do que a oeste, condizente com o posicionamento da trajetória solar para o hemisfério sul; onde no período de captura da imagem, a incidência solar é direta na fachada oeste. Ainda assim, trata-se de temperaturas muito elevadas e, em experiência pessoal, é possível afirmar que houve de fato um desconforto de sensibilidade tátil na tentativa de segurar a porta com a palma da mão, o que condiz com a elevada temperatura superficial medida. A fachada sul (Figura 140), conforme esperado, é a que apresenta menor temperatura, por ser a que recebe menor incidência solar direta.

Figura 140 - Imagem MSX da fachada sul. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 141 - Imagem MSX da fachada oeste. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 142 - Imagem MSX da fachada leste. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Hora:

09:32:54

Hora:

13:12:50

Hora:

13:14:56

Superfície: externa

Superfície: externa

Superfície: externa

Orientação: sul

Orientação: oeste

Orientação: leste

Temperatura máx. medida:

30,4°C

Temperatura máx. medida:

Temperatura externa:

57,4°C

30,8°C

Temperatura máx. medida:

Temperatura externa:

30,7°C

Temperatura interna:

24,4°C

Temperatura interna:

33,6°C

Temperatura interna:

33,6°C

Temperatura externa:

22,9°C

94

44,7°C


O ponto de maior temperatura interna obtida foi a apresentada nas Figuras 145 e 146, na qual foi possível, durante a medição realizada, detectar que existiam frestas entre o fechamento lateral e a cobertura na qual ocorre a incidência solar direta. A Figura 144 indica o ponto mais quente em um armário metálico existente e a Figura 143 a estrutura entre o fechamento lateral e a cobertura, sendo o ponto mais quente o da estrutura entre a cobertura e a lateral do container.

Figura 143 - Imagem MSX do encontro do fechamento lateral e cobertura. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 144 - Imagem MSX do armário metálico de armazenamento. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figuras 145 e 146 - Frestas com entrada de radiação solar. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Hora:

13:16:52

Hora:

13:16:28

Hora:

13:18:26

Superfície: interna

Superfície: interna

Superfície: interna

Orientação: sudeste

Orientação: leste

Orientação: sul

Temperatura máx. medida:

Temperatura máx. medida:

Temperatura máx. medida:

55,6°C

Temperatura externa:

30,7°C

Temperatura interna:

33,6°C

60,7°C

Temperatura externa:

30,7°C

Temperatura interna:

33,6°C

95

Temperatura externa:

Temperatura interna:

78,6°C 31°C

33,6°C


MEDIÇÃO 2 No conjunto de containers da medição 2, foram realizadas medições de termografia externamente e internamente no período da manhã e tarde do mesmo dia 16/10/2014 e internamente na cobertura do container pela manhã do dia 19/11/2014. Através das Figuras 147 e 148 é possível observar a grande diferença de temperatura de um período para outro, de 29,4°C. Já internamente, a diferença é bem menor, de 11,5°C. Comparativamente à medição 1, as temperaturas internas obtidas no período da tarde no conjunto de containers da medição 2 é bem inferior, diminuindo cerca de 20°C. Essa diferença é proveniente da maior refletância e, logo, menor absortância à radiação solar da superfície com pintura branca de poliuretano.

Figura 147 - Imagem MSX da fachada oeste pela manhã. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 148 - Imagem MSX da fachada oeste pela tarde. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 149 - Imagem MSX da fachada oeste pela tarde internamente. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Hora:

09:44:24

Hora:

13:34:10

Hora:

13:41:54

Superfície: externa

Superfície: externa

Superfície: interna

Orientação: oeste

Orientação: oeste

Orientação: oeste

Temperatura máx. medida:

26,6°C

Temperatura máx. medida:

56,0°C

Temperatura máx. medida:

38,7°C

Temperatura externa:

23,4°C

Temperatura externa:

31,5°C

Temperatura externa:

31,7°C

Temperatura interna:

23,6°C

Temperatura interna:

31,1°C

Temperatura interna:

31,9°C

96


As Figuras 153 e 154, ambos na fachada leste, distantes de cerca de 2m entre si, visam ilustrar que devido ao container de escritório possuir revestimento nas paredes em EPS, a diferença de temperatura superficial é de 1,7°C com relação ao container do almoxarifado sem revestimento; ou seja, a superfície metálica do container é de cerca de 34,9°C mas como na parede da Figura 153 há uma camada de EPS, cria-se um obstáculo isolante de baixa condutividade que impede a transferência do calor e diminui a temperatura superficial da parede interna em 1,7°C. As Figuras 150 a 152 indicam as diferentes temperaturas registradas em um mesmo horário e dia: a superfície inferior da cobertura registra ponto mais quente de 46,6°C; enquanto a placa de EPS do forro encontra-se com 26°C e a estrutura de apoio das placas de EPS com 19°C.

Figura 151 - Imagem MSX do forro de cobertura pela manhã. Fonte: Claudia Oliveira (19 out. 2014).

Figura 150 - Imagem MSX da superfície inferior da cobertura. Fonte: Claudia Oliveira (19 nov. 2014).

Figura 153 - Imagem picture-to-picture da parede revestida em EPS. Fonte: acervo da autora (16. out. 2014).

Figura 152 - Imagem MSX da estrutura de apoio do forro da Figura 154 - Imagem picture-to-picture da parede sem recobertura pela manhã. Fonte: Claudia Oliveira (19 out. 2014). vestimento. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

97


MEDIÇÃO 3 No container da medição 3, foram realizadas medições de termografia externamente e internamente no período da tarde no dia 15/10/2014, externamente na manhã do dia 16/10/2014 e externamente e internamente no período da tarde do dia 16/10/2014. O container, que é marítimo, diferencia-se dos demais casos por possuir um letreiro em sua fachada, de uma película adesiva de cor branca; facilmente identificável nas medições. As Figuras 156 e 157 representam esse letreiro registrado pela termocâmera pela superfície externa e interna, respectivamente, do container; e indicam como a película constitui uma camada de menor absorção de calor - cerca de 4°C. As figuras 155 e 160 ilustram a alta temperatura superficial da cobertura, internamente, em diferentes dias e horários - ambos de tarde; de aproximada-

Figura 155 - Imagem MSX da cobertura no interior do contnainer do IO. Fonte: Claudia Oliveira (15 out. 2014).

Figura 156 - Imagem MSX do letreiro do container externamente. Fonte: Claudia Oliveira (15 out. 2014).

Figura 157 - Imagem MSX do letreiro do container internamente. Fonte: Claudia Oliveira (15 out. 2014).

Data:

15/10/14

Data:

15/10/14

Data:

15/10/14

Hora:

16:58:58

Hora:

16:59:44

Hora:

16:59:14

Superfície: interna

Superfície: externa

Superfície: interna

Orientação: nordeste

Orientação: leste

Orientação: leste

Temperatura máx. medida:

Temperatura máx. medida:

44,9°C

Temperatura máx. medida:

50.5°C

67,6°C

Temperatura externa:

20,2°C

Temperatura externa:

20,2°C

Temperatura externa:

20,2°C

Temperatura interna:

24,1°C

Temperatura interna:

24,1°C

Temperatura interna:

24,1°C

98


mente 70°C. A diferença da cobertura com as fachadas laterais é de cerca de 20°C. É também de 20°C a diferença da temperatura superficial do container com a temperatura interna do container, conforme ilustrado nas Figuras 158 e 159; e de 30°C com a temperatura externa do ar ambiente. As altas temperaturas são condizentes com a completa exposição do container, que não possui nenhum sombreamento para reduzir o calor solar incidente. Não há também a renovação do ar interno, que fica enclausurado uma vez que o container não foi aberto durante o período da medição exceto pelos momentos de registro das imagens apresentadas nesse capítulo.

Figura 158 - Imagem MSX da fachada leste do container do IO. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 159 - Imagem MSX da cobertura do container do IO. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Figura 160 - Imagem MSX da cobertura no interior do cotnainer do IO. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014).

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Data:

16/10/14

Hora:

08:21:16

Hora:

08:45:26

Hora:

14:09:20

Superfície: externa

Superfície: externa

Superfície: interna

Orientação: leste

Orientação: leste

Orientação: noroeste

Temperatura máx. medida:

Temperatura máx. medida:

Temperatura máx. medida:

Temperatura externa: Temperatura interna:

53,5°C

20,5°C

33,6°C

Temperatura externa: Temperatura interna:

99

56,2°C

21,5°C

36,6°C

69,4°C

Temperatura externa:

32,8°C

Temperatura interna:

50,1°C


CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO A partir das imagens de termografia foi possível obter dados de temperatura superficial que se apresentaram condizentes com as emissividades das superfícies dos containers, e com valores de temperaturas coerentes ao esperado para horário e orientação da superfície medida. Ou seja, constatou-se pelas imagens que: - a orientação oeste possui maior exposição à radiação solar no período da tarde e leste pela manhã, conforme esperado devido à trajetória solar; - aberturas como frestas são facilmente identificáveis segundo esse tipo de medição; - materiais isolantes diminuem a temperatura superficial da camada interna da superfície medida; - existem superfícies de alta emissividade que apresentam refletância alta à radiação solar, como é o caso da pintura branca (Figura 161), presente na medição 2, que faz com que a temperatura interna do ambiente seja menor do que no caso da medição 1 (superfícies de aço fosco).

Figura 161 - Propriedades radiantes no espectro da radiação solar e do infravermelho de materiais de construção. Fonte: VITTORINO; SATO; AKUTSU (2003) a partir de FAIREY (1986).

100


TEMPERATURA INTERNA CONCEITO Além da temperatura ambiente, a medição interna dos containers visou estudar também a temperatura radiante média que simula uma situação aproximada de balanço térmico entre o ambiente e o corpo humano, uma vez que é uma temperatura intermediária entre a temperatura do ar ambiente e a temperatura radiante, representando o equilíbrio entre a troca da radiação incidente de diferentes fontes de calor e trocas por convecção.

EQUIPAMENTOS Foram utilizados dois equipamentos: HOBO data logger modelo H08-004-02 da marca Onset e confortímetro da SENSU (Figura 162). No total, utilizaram-se um HOBO na medição 1, dois HOBOS e um confortímetro na medição 2, e um HOBO na medição 3, totalizando quatro HOBOS e um confortímetro. O diferencial do confortímetro é a possibilidade de obtenção de dados de velocidade do ar. O modelo de HOBO utilizado (Figura 163) é um equipamento que mede a tempertaura interna, intensidade luminosa, sensor de umidade relativa e possui um quarto canal na qual é possível acoplar uma série de sensores externos. A fim de obter a temperatura radiante média, foi adaptado à esse quarto sensor, um globo negro (Figura

Figura 162 (esquerda) - Confortímetro da SENSU. Fonte: acervo da autora adaptado. Figura 163 (centro) - HOBO modelo H08-004-02. Fonte: Onset. Figura 164 (direita) - Globo negro.

101


164). O globo é uma esfera oca de cobre, de emissividade e= 0,95, revestida por pintura preta fosca na qual há um termômetro interno de mercúrio e é o acessório para medição da temperatura de globo que serve de cálculo para a temperatura radiante média. Os globos dos HOBOS possuem 9cm de diâmetro e do confortímetro 15cm.

PERÍODO DE AMOSTRAGEM E CALIBRAÇÃO A medição ocorreu no início de outubro, período na qual, em São Paulo, hemisfério sul; é início da estação primavera. As medições 1 (Figura 165) e 2 (Figura 166) iniciaram às 12h00 do dia 06 de outubro de 2014 e a medição 3 (Figura 167) quatro dias depois, no dia 10 de outubro. O término ocorreu em datas distintas por questões de logística mas a data comum até o qual há a simultaneidade de dados é até às 11h00 do dia 20 de outubro. Todos os equipamentos foram calibrados para obtenção de dados de temperatura a cada 15 minutos e o tratamente desses dados foi feito para obtenção da média horária.

Figura 165 (esquerda) - HOBO da medição 1. Fonte: acervo da autora (06 out. 2014) Figura 166 (centro) - HOBO e confortímetro da medição 2. Fonte: acervo da autora (06 out. 2014) Figura 167 (direita) - HOBO da medição 3. Fonte: acervo da autora (16 out. 2014)

DADOS CLIMÁTICOS Para fins comparativos com a temperatura do ar externo, foram utilizados dados da Estação Meteorológica do Laboratório de Climatologia e Biogeografia do Departamento de Geografia da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo), devido à sua localização frente ao prédio da Geografia e Histó-

102


ria, com uma distância máxima de 1km do ponto de medição mais longe (medição 3 - container do IO) e mínima de 600m do ponto de medição mais próximo (medição 2 - container do canteiro experimental). A estação (Figuras 168 e 169) mede: temperatura do ar (°C), temperatura do solo a 0,05m (°C), umidade relativa do ar (%), direção dos ventos (°), velocidade do vento (m/s), rajada de vento (m/s), pressão atmosférica (kPa), precipitação (mm), radiação solar global (MJ/m2) e radiação solar refletida (MJ/m2). Foram solicitados dados para o período de 06 a 20 de outubro de 2014 de temperatura do ar, umidade relativa e velocidade dos ventos. Os dados recebidos são de registros com intervalo de 5 minutos e indicação da máxima e mínima dentro desse período, ou seja, são bem minuciosos. Segundo demonstrado na Tabela 08 e gráfico da Figura 170, o período do dia de maiores temperaturas é, conforme o esperado, entre o fim da manhã e começo da tarde, sendo a temperatura média máxima registrada de 29,3 °C às 14h00. Nesse período, a temperatura mínima registrada foi de 12,21 °C às 06h09 do dia 06 de outubro e máxima de 36,6°C às 14h00 do dia 17 de outubro, sendo que a cidade de São Paulo teve uma máxima de 37,8°C nesse mesmo horário na zona norte da capital segundo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

Figura 168 (esquerda) - Localização da Estação Meteorológica frente ao prédio de História e Geografia da USP. Fonte: Google Maps - street view. Acesso em: 22 out. 2014. Figura 169 (diretia) - Detalhe da Estação Meteorológica. Fonte: Geografia - USP. Disponível em: http://www.geografia. fflch.usp.br/graduacao/apoio/Apoio/ Apoio_Emerson/flg0253/2014/A_estacao_LCB_USP.pdf. Acesso em: 22 out. 2014.

103


Tabela 08 - Médias horárias de temperatura do ar ambiente para o período de 06 a 20 de outubro de 2014.

MANHÃ MÉDIA HORÁRIA TARDE 40

MÉDIA HORÁRIA

0h

1h

2h

3h

4h

5h

6h

7h

8h

9h

10h

11h

18,30°C

17,90°C

17,70°C

17,50°C

17,30°C

16,80°C

17,30°C

20,20°C

22,60°C

24,40°C

25,80°C

27,20°C

12h

13h

14h

15h

16h

17h

18h

19h

20h

21h

22h

23h

28,40°C

29,20°C

29,30°C

28,70°C

27,80°C

25,00°C

23,10°C

21,80°C

20,80°C

20,10°C

19,40°C

18,80°C

35

30

25

20

15

10

00:00 01:00 02:00 03:00 04:00 05:00 06:00 07:00 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 06/out

07/out

08/out

09/out

10/out

11/out

12/out

13/out

14/out

15/out

16/out

17/out

18/out

19/out

20/out

MÉDIA

Figura 170 - Gráfico de médias horárias de temperaturas do ar para o período de 06 a 20 de outubro de 2014.

´CALCULO DA TEMPERATURA RADIANTE MÉDIA Calcula- se a temperatura radiante média (tr) segundo método de cálculo da ISO 7726/1998 - Instruments of measuring physical: Onde: (Equação 7)

tg = temperatura do globo eg = emissividade do globo

104

D = diâmetro do globo em metros ta = temperatura do ar


MEDIÇÃO 1 Foi instalado um HOBO posicionado aproximadamente no centro do container. Devido à necessidade de energia elétrica para o funcionamento do confortímetro, e a quase inexistência de fluxo de ar, este não foi instalado. Segundo a Tabela 09 e gráfico da Figura 171, que indicam as médias horárias de temperaturas internas do container, as mais altas foram atingidas às 14h00 e 15h00, com média acima de 32°C; sendo que o período das 11h00 às 16h00 possui temperaturas maiores do que 29°C. A oscilação da tempeTabela 09 - Média das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 06 a 21 de outubro de 2014 no container da medição 1.

MANHÃ MÉDIA HORÁRIA TARDE MÉDIA HORÁRIA

40

0h

1h

2h

3h

4h

5h

6h

7h

8h

9h

10h

11h

20,4°C

20,0°C

19,7°C

19,3°C

19,1°C

18,8°C

19,1°C

20,3°C

21,9°C

24,2°C

27,4°C

29,2°C

12h

13h

14h

15h

16h

17h

18h

19h

20h

21h

22h

23h

29,7°C

31,0°C

32,5°C

32,6°C

31,4°C

27,3°C

24,7°C

23,4°C

22,5°C

21,9°C

21,2°C

20,7°C

35

30

25

20

15

10

0:00 06/out

1:00

2:00

07/out

3:00 08/out

4:00 09/out

5:00

6:00 10/out

7:00 11/out

8:00

9:00 12/out

10:00 13/out

11:00

12:00 14/out

13:00 15/out

14:00

15:00

16/out

16:00 17/out

17:00

18:00

18/out

19:00 19/out

20:00

21:00

20/out

22:00 21/out

23:00 MÉDIA

Figura 171 - Gráfico das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 06 a 21 de outubro de 2014 para o container da medição 1. Eixo abscissas: horas, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno.

105


ratura ao longo dos dias é visível pelo gráfico da Figura 172, no qual o pico é da coluna das 15h00 e o ponto mais baixo às 5h00. Segundo a CONARQ - Conselho Nacional de Arquivos11, a temperatura ideal para o armazenamento de documentos é de 20°C com variação +/- 1°C; temperatura respeitada em apenas 30% dos horários do dia segundo a medição realizada. 40

35

30

25

20

15

10

06/out 0:00

1:00

07/out 2:00

3:00

08/out 4:00

09/out 5:00

6:00

10/out 7:00

11/out 8:00

9:00

12/out 10:00

11:00

13/out 12:00

14/out 13:00

15/out 14:00

15:00

16/out 16:00

17/out 17:00

18/out 18:00

19:00

19/out 20:00

20/out 21:00

22:00

21/out 23:00

Figura 172 - Gráfico de evolução diária da temperatura radiante média para o período de 06 a 21 de outubro de 2014 para o container da medição 1. Eixo abscissas: dia, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno.

O cálculo da temperatura radiante média indica que há um aumento médio de temperatura em relação à medida interna de no máximo 1,18°C ocorrido às 14h00 e de uma redução média máxima de 0,54°C às 4h00.

11 - Recomendações para a construção de arquivos. Fonte: CONARQ. Disponível em: http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/Media/publicacoes/recomendaes_para_construo_de_arquivos.pdf. Acesso em: 11 nov. 2014.

106


MEDIÇÃO 2 No conjunto da medição 2 foram instalados dois HOBOS para que fosse analisada a diferença de temperatura entre uma localização central do conjunto de containers (Figura 173), onde são armazenados materiais do almoxarifado; e no canto do conjunto, ao lado da mesa de escritório do funcionário do LAME, Romerito (Figura 174).

Figura 173 (esquerda) - Posicionamento do HOBO e confortímetro da medição 2. Fonte: acervo da autora (06 out. 2014) Figura 174 (direita) - Posicionamento do segundo HOBO da medição 2. Fonte: acervo da autora (06 out. 2014)

No caso da mediação 2, ocorreram dois problemas técnicos na medição: ambos os HOBOS não registraram a temperatura de globo e houve interrupção do fornecimento de energia elétrica no período do final do dia 10 de outubro a início do dia 13 de outubro que afetou o registro do confortímetro. Devido à esse problema, seguem os registros tanto da temperatura interna registrada, que não foi comprometida pois o HOBO funciona por bateria, quanto da temperatura radiante média que não possui 100% dos dados do período. Atentando que as demais medições indicam apenas a temperatura radiante média calculada, por ser considerada a pertinente para a análise de conforto em questão. A Tabela 10 e Figura 175 indicam temperaturas mais amenas em relação à medição 1, apresentando uma temperatura média máxima de 29,47°C e TRM de 30,78°C às 15h00 e mínima de 19,43°C e TRM de 20,95°C às 6h00. Os dados obtidos são condizentes com o relato do funcionário usuário do container, que disse ter maior desconforto térmico no período do meio da tarde, no qual há incidência solar direta na fachada frontal do conjunto de containers. Observa-se no gráfico da Figura 176 que o ponto de medição central apresenta temperaturas mais elevadas do que o periférico, com uma média de diferença calculada em 0,92°C que pode ser decorrente da diferença de alturas nas quais os HOBOS foram instalados, uma vez que o ar quente é menos

107


denso e tende a subir. A visualização de que o conjunto de containers possui um pico de temperatura no período das 14h00 às 16h00, chegando a uma máxima de temperatura média horária de 29,8°C no ponto central às 16h00. Já a sua mínima encontra-se das 4h00 às 6h00, com uma temperatura de 40 18,9°C às 5h00 e 6h00 no ponto periférico. 35 30 25 20 15 10 5

0:00

1:00

2:00

3:00

4:00

5:00

6:00

7:00

8:00

9:00

10:00

11:00

12:00

13:00

14:00

15:00

16:00

17:00

06/out

07/out

08/out

09/out

10/out

11/out

12/out

13/out

14/out

16/out

17/out

18/out

19/out

20/out

21/out

22/out

23/out

MÉDIA

18:00

19:00

20:00

21:00

22:00

23:00

15/out

6:00

7:00

27,2 28,3

29,0 29,8

29,2 29,7

27,6 28,5

25,3 26,7

24,4 24,7

21,0 22,3

19,6 20,4

5:00

21,6 22,9

18,9 20,0

4:00

22,3 23,6

18,9 20,0

3:00

23,0 24,4

19,2 20,3

2:00

23,9 25,4

19,5 20,6

1:00

22,8 23,2

19,8 20,9

0:00

20,0

21,1 21,6

20,2 21,4

25,0

20,6 21,8

30,0

27,0 27,1

PONTO PERIFÉRICO 25,9 26,1

PONTO CENTRAL

29,0 29,4

Figura 175 - Gráfico de médias horárias de temperaturas do ar para o período de 06 a 23 de outubro de 2014 para o HOBO ao lado da mesa no conjunto de containers da medição 2. Eixo abscissas: horas, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno.

15,0 10,0 5,0

8:00

9:00

10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00

Figura 176 - Gráfico de temperaturas do ar para o período de 06 a 21 de outubro de 2014 para o container da medição 1. Eixo abscissas: horas, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno.

108


A partir dos dados horários da tabela 10 e 11 é possível verificar que a temperatura radiante média é sempre maior ou igual à temperatura medida interna de bulbo seco, sendo em média 1,19°C acima. A Figura 177 representa o comportamento das temperaturas radiantes médias. Tabela 10 - Médias horárias (ambos os HOBOS) de temperatura do ar interno para o período de 06 a 23 de outubro de 2014 para o conjunto de containers da medição 2.

MANHÃ MÉDIA HORÁRIA TARDE MÉDIA HORÁRIA

0h

1h

2h

3h

4h

5h

6h

7h

8h

9h

10h

11h

21,20°C

20,80°C

20,39°C

20,04°C

19,74°C

19,48°C

19,43°C

20,01°C

21,38°C

22,98°C

24,53°C

25,96°C

12h

13h

14h

15h

16h

17h

18h

19h

20h

21h

22h

23h

27,02°C

28,06°C

29,20°C

29,47°C

29,38°C

27,78°C

25,96°C

24,66°C

23,70°C

22,95°C

22,28°C

21,67°C

Tabela 11 - Média das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 06 a 23 de outubro de 2014 no conjunto de containers da medição 2.

MANHÃ MÉDIA HORÁRIA TARDE MÉDIA HORÁRIA

40

0h

1h

2h

3h

4h

5h

6h

7h

8h

9h

10h

11h

22,53°C

22,23°C

21,88°C

21,54°C

21,24°C

20,98°C

20,95°C

21,35°C

22,23°C

23,34°C

24,77°C

25,95°C

12h

13h

14h

15h

16h

17h

18h

19h

20h

21h

22h

23h

27,29°C

28,80°C

30,27°C

30,78°C

30,63°C

29,36°C

27,80°C

26,21°C

25,21°C

24,41°C

23,72°C

23,10°C

35 30 25 20 15 10 5

0:00

1:00

2:00

3:00

4:00

5:00

6:00

7:00

8:00

9:00

10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00

06/out

07/out

08/out

09/out

10/out

11/out

12/out

13/out

14/out

16/out

17/out

18/out

19/out

20/out

21/out

22/out

23/out

MÉDIA

15/out

Figura 177 - Gráfico das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 06 a 23 de outubro de 2014 para o confortímetro central do conjunto de containers da medição 2. Eixo abscissas: horas, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno.

109


Uma das preocupações que se deve ter no conjunto da medição 2 é que se trata de um espaço de funcionalidade dupla: é ao mesmo espaço de trabalho quanto almoxarifado. Ou seja, deve atender à requisitos de conforto para o usuário da mesa de escritório e ao mesmo tempo respeitar as temperaturas mínimas e máximas para uma boa conservação dos materiais estocados. Um dos produtos armazenados para o qual deve-se atentar é a tinta. Deve-se sempre seguir as orientações técnicas específicas de cada produto. Segundo o Guia Técnico Ambiental Tintas e Vernizes Séria P+L12, o limite de temperatura ambiente de armazenamento de produtos químicos é de 38°C. Para a engenheira química da fabricante Akzo Nobel, o armazenamento de produtos da indústria de tintas deve ser feito em ambiente com intervalo de temperatura de 5°C a 30°C13; e na FISPQ de tintas da Lukscolor há a orientação de armazenamento de 10°C a 40°C. A máxima registrada pelo HOBO central foi de 35,27°C; o que pode estar ou não dentro dos limites do produtos, dependendo da recomendação específica de cada produto.

MEDIÇÃO 3 Foi instalado um HOBO posicionado aproximadamente no centro do container. Devido à necessidade de energia elétrica para o funcionamento do confortímetro, e da convecção natural não ser significativa no interior do container, este não foi instalado. Segundo a Tabela 12 e gráfico da Figura 178, que indicam as médias horárias de temperaturas radiantes médias do container, as mais altas foram atingidas às 13h00, com média de 46,9°C; sendo que o período das 9h00 às 16h00 possui temperaturas maiores do que 39°C. As mínimas ocorrem às 5h00, com média de 18,0°C. Trata-se uma situação extremamente crítica do ponto de vista térmico pois não há ventilação natural que proporcione a renovação do ar, e, com isso, cria-se um espaço confinado na qual o ganho e perda de calor se dá apenas pelas trocas de calor pela superfície do container que é marítimo e mais espesso que os containers das demais medições. Seu uso não é habitado, mas caso fosse, fica clara a necessidade de adoção de medidas efetivas de adaptação, uma vez que suas temperaturas internas chegam a atingir o dobro do que seria recomendado para uso interno habitado. Se uso como almoxarifado também seria restrito para alguns materiais. Tabela 12 - Média das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 10 a 20 de outubro de 2014 para o container da medição 3.

MANHÃ MÉDIA HORÁRIA TARDE MÉDIA HORÁRIA

0h

1h

2h

3h

4h

5h

6h

7h

8h

9h

10h

11h

19,6°C

19,4°C

19,0°C

18,5°C

18,2°C

18,0°C

18,8°C

24,9°C

35,8°C

39,7°C

41,1°C

42,8°C

12h

13h

14h

15h

16h

17h

18h

19h

20h

21h

22h

23h

44,3°C

46,9°C

45,7°C

43,1°C

39,6°C

32,3°C

26,2°C

23,6°C

22,2°C

21,3°C

20,6°C

20,0°C

12 - Guia Técnico Ambiental Tintas e Vernizes Séria P+L. Fonte: Conselho Regional de Química. Disponível em: http://www.crq4.org.br/downloads/tintas.pdf. Acesso em 11 nov. 2014. 13 - A utilização segura de produtos da indústria de tintas. Fonte: Akzo Nobel. Disponível em: https://www.akzonobel.com/wood/br/news/index/artigos/produtos.aspx

110


60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10

0:00

1:00

2:00

3:00

4:00

5:00

6:00

7:00

8:00

9:00

10:00

11:00

12:00

13:00

14:00

15:00

16:00

17:00

18:00

19:00

20:00

21:00

22:00

23:00

10/out 11/out 12/out 13/out 14/out 15/out 16/out 17/out 18/out 19/out 20/out MÉDIA Figura 178 - Gráfico das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 10 a 20 de outubro de 2014 para o HOBO da medição 3. Eixo abscissas: dia, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno. 55

50 45 40 35 30 25 20 15 10

10/out 0:00

11/out 1:00

2:00

12/out 3:00

4:00

5:00

13/out 6:00

7:00

8:00

14/out 9:00

10:00

15/out 11:00

12:00

16/out 13:00

14:00

15:00

17/out 16:00

17:00

18/out 18:00

19:00

19/out 20:00

21:00

20/out 22:00

23:00

Figura 179 - Gráfico de evolução diária das temperaturas radiantes médias para o período de 10 a 20 de outubro de 2014 para o container da medição 3. Eixo abscissas: dia, eixo das ordenadas: temperatura do ar interno.

111


Observa-se que a amplitude térmica do container da medição 3 é a maior de todas, justamente por não possuir trocas diretas com o meio externo como de ventilação, por ser totalmente estanque.

COMPARATIVO O gráfico da Figura 180 indica que as temperaturas das medições são iguais ou superiores às temperaturas do ar ambiente externo. As medições 1 e 2 tendem a acompanhar a curva do ar ambiente e a medição 3 destoa com grande diferença de temperatura a partir das 7h00 até às 17h00. A Tabela 13 indica como as máximas das medições 1 e 2 são próximas entre si, mas ainda com temperaturas muito altas; e como é o caso crítico de um container fechado, medição 3. 50 45 40 35 30 25 20 15 10

0:00

1:00

2:00

3:00

4:00

5:00

6:00

7:00

8:00

9:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00

MEDIÇÃO 1

MEDIÇÃO 2

MEDIÇÃO 3

AMBIENTE

Figura 180 - Gráfico das temperaturas radiantes médias horárias comparativas das 3 medições e a temperatura ambiente. Eixo abscissas: horas, eixo das ordenadas: temperatura do ar. Tabela 13 - Resumo das temperaturas internas e temperaturas radiantes máximas das medições.

CONTAINER

TEMPERATURA INTERNA MÁXIMA TRM MÁXIMA

OBSERVAÇÕES

MEDIÇÃO 1

38,88°C

38,45°C

Aberturas mínimas que não possibilitam ventilação eficiente.

MEDIÇÃO 2

35,27°C

36,67°C

Conjunto de containers habitado por funcionário em jornada de trabalho diária.

MEDIÇÃO 3

55,82°C

52,46°C

Container fechado, estanque, sem adaptação para uso habitável.

112


A medição 2, no período próximo ao sol à pino, apresenta temperaturas até mesmo inferiores à temperatura ambiente externa, o que pode ser decorrente do sombreamento obtido pelas copas das árvores do entorno do conjunto de containers; o que segue a mesma lógica da medição 1, na qual a inexistência de sombreamento em sua cobertura justifica o ápice de sua temperatura. Quanto à influência da ocupação interna dos containers na temperatura interna, observa-se que a medição 2, que é a que apresenta maior densidade ocupacional interna, é a que possui menor amplitude térmica, facilmente identificável no período da noite e início do dia, que é a de menores temperaturas, mas cujas perdas não tão significativas quanto às demais. Essa diferença é, provavelmente, decorrente dos materiais do conjunto de containers que absorveram calor ao longo do dia, e vão emitindo e o perdendo aos poucos no decorrer da noite. Já o container da medição 1, ocupado apenas por documentos, possui uma maior redução de temperatura, mas não tão acentuada quanto ao container 3, totalmente vazio.

ESTUDO DE TRANSFERÊNCIA DE FLUXO DE CALOR RADIANTE Diante dos resultados obtidos de temperaturas internas muito elevadas e a conceituação bibliográfica de eficiência na redução de transferência de calor radiante pela cobertura por barreiras radiantes, as Tabelas 14 a 16 visam estudar o efeito de materiais isolantes refletivos nos casos estudados nas medições de campo. A partir dados obtidos pelas medições, e a proposição do estudo feito por Vittorino: Sato: Akutsu (2003), pode-se calcular o fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente, ou seja, descendente; com base na equação 8 (CENGEL: GHAJAR14, 2011 apud MEDINA, 2012): Onde: s= constante de Stefan-Boltzmann [5,7 x 10-8 W/(m2K4)] e1= emissividade da superfície inferior da cobertura

e2= emissividade do ambiente interno do container, adotado 0,9

(Equação 8) 14. Cengel, Y.A. and Ghajar, A.J. 2011. Heat and Mass Transfer: Fundamentals and Applications¸ 4th Ed. Chapter 13, Radiation heat transfer. McGraw Hill.

113

F12= fator de forma entre os elementos 1 e 2, adotado 1 T1= temperatura da superfície inferior da cobertura T2= temperatura do ambiente interno do container


Para fins analíticos, foram adotadas emissividades teóricas de 0,15 (como é menor que 0,20 é considerado de baixa emissividade) e 0,90 (próximo a um corpo negro) para as faces da barreira radiante; e, na Tabela 15, a situação B representa a situação real do container, com forro de EPS de emissividade medida em campo de 0,45 em ambos os lados. Tabela 14 - Análise de transferência de fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente interno do container da medição 1.

CONDIÇÃO PARA O CON- EMISSIVIDADE DA TAINER DA MEDIÇÃO 1 FACE SUPERIOR A. Sem barreira radiante B. Com barreira 0,15 C. Com barreira 0,90 D. Com barreira 0,15 E. Com barreira 0,90

EMISSIVIDADE DA FACE INFERIOR 0,90 0,15 0,15 0,90

FLUXO DE CALOR REDUÇÃO DO FLUXO (W/m2) DE CALOR (%) 75,92 18,03 76 18,03 76 11,10 85 48,08 37

TEMPERATURA DA FACE INFERIOR DA BARREIRA (°C) 36,9 50,8 49,8 42,2

Tabela 15 - Análise de transferência de fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente interno do container da medição 2.

CONDIÇÃO PARA O CON- EMISSIVIDADE DA TAINER DA MEDIÇÃO 2 FACE SUPERIOR A. Sem barreira radiante B. Com barreira 0,45 C. Com barreira 0,90 D. Com barreira 0,15

EMISSIVIDADE DA FACE INFERIOR 0,45 0,15 0,15

FLUXO DE CALOR REDUÇÃO DO FLUXO (W/m2) DE CALOR (%) 61,53 20,95 66 12,79 79 7,75 87

TEMPERATURA DA FACE INFERIOR DA BARREIRA (°C) 37,5 42,9 49,8

E. Com barreira

0,90

0,90

36,46

41

36,8

F. Com barreira

0,15

0,45

11,32

82

34,1

Tabela 16 - Análise de transferência de fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente interno do container da medição 3.

CONDIÇÃO PARA O CON- EMISSIVIDADE DA TAINER DA MEDIÇÃO 3 FACE SUPERIOR A. Sem barreira radiante B. Com barreira 0,15 C. Com barreira 0,90 D. Com barreira 0,15 E. Com barreira 0,90

EMISSIVIDADE DA FACE INFERIOR 0,90 0,15 0,15 0,90

FLUXO DE CALOR REDUÇÃO DO FLUXO (W/m2) DE CALOR (%) 225,49 39,22 83 39,22 83 23,38 90 121,46 46

114

TEMPERATURA DA FACE INFERIOR DA BARREIRA (°C) 31,8 61,2 49,8 46,4


Em todos os casos, observa-se que a maior redução do fluxo de calor ocorre no caso D, na qual é simulada uma situação com barreira radiante com emissividade baixa em ambas as faces. A redução é de 85%, 87% e 90%; noa casos das medições 1,2 e 3; respectivamente; ou seja, é muito significativa. Similarmente ao estudo de Vittorino:Sato:Akutsu (2003), conclui-se que a aplicação de um componente com baixa emissividade em apenas de uma das faces, resulta em uma maior redução do fluxo de calor - exemplificado no caso do container 2 (Tabela 15) pelos casos B e F.

CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO O período em estudo, apesar de não ser o mais quente do ano, que costuma ser no mês de fevereiro, apresentou temperaturas muito elevadas e criou uma amostragem válida do ponto de vista de cenário crítico quanto ao desconforto térmico de altas temperaturas. Foi validado por meio de cálculos, conforme o estudo de Vittorino:Sato:Akutsu (2003), a redução do fluxo de calor por meio de uma barreira radiante. Os resultados convergiram com a deles de que os valores de emissividade das superfícies é a característica mais importante no desempenho de componentes isolantes, sejam eles resistivos ou refletivos. Para os futuros estudos relacionados aos containers, sugere-se o aprofundamento no efeito da composição de isolantes resistivos e refletivos nos containers.

115


116


CONCLUSテグ 117


ANÁLISE FINAL É notório o crescimento do uso de containers como edificações na construção civil. Dentro do contexto nacional, destaca-se o seu uso como abrigo de apoio em canteiros de obra, na qual a sua ocupação como área habitável (escritórios e salas de reuniões) exige, no âmbito do conforto ambiental, condições propícias de habitabilidade; sejam eles containers marítimos de reuso ou componentes fabricados já voltados à essa finalidade. Quando optado pelo reuso do container marítimo, além do benefício ambiental de estar sendo feito uma reciclagem do componente para novos usos, é possível obter um componente de maior resistência estrutural; mas cujo laudo de habitabilidade, que garante a sua não contaminação, é essencial. Já no container fabricado para uso em canteiros, há uma restrição de acoplamento vertical que pode ser desvantajosa frente à limitação espacial que normalmente existe em canteiros, mas possui como ponto positivo a diversidade de módulos prontos já projetados para uso em canteiros (vestiário, chuveiro, banheiro, escritório com banheiro, refeitório, guarita, etc.). Comparativamente ao abrigo convencional de madeira (“barracão”), os containers podem ser instalados e desinstalados de um dia para outro, com mínima geração de resíduos e ganho no quesito agilidade e praticidade. Já o seu custo é muito variável, e pode ser, dependendo da opção aquisição/aluguel e ciclo de vida da obra, vantajoso ou não em relação ao abrigo de madeira. A maior vantagem, quando adquirido, é a possibilidade de sua realocação em outra obra, o que não é possível no caso do sistema convencional. Quanto ao conforto acústico, analisando os dados obtidos em campo por Fábio Mian, conclui-se que a maioria dos canteiros de obra habitados não proporcionam ambientes de trabalho de acordo com os níveis recomendados pela NBR 10.152/1987 (versão corrigida 1992), o que é alarmante do ponto de vista das condições pelas quais os funcionários de canteiros de obra estão sujeitos na sua jornada de trabalho. A mesma preocupação é observada quanto ao conjunto de requisitos relacionados ao conforto térmico.

Estudos indicam que o rendimento de uma pessoa é maior quando as temperaturas são inferiores ao seu ní-

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vel de conforto do que superiores. O caso da cidade de São Paulo, que foi o foco de estudo do presente trabalho, caracterizada por grandes amplitudes térmicas, proporciona condições em ambos os extremos. Mais acentuado, é o desconforto para as altas temperaturas, que foi estudado por meio teórico e prático. Ressalta-se que apesar do conforto térmico ser uma condição subjetiva, utilizou-se de parâmetro as recomendações da NR-17 e os resultados demonstram dados muito superiores ao da norma regulamentadora; fato que deve estar atrelado ao baixo índice de seu cumprimento segundo os profissionais da área, que a julgam rigorosa demais, do ponto de visto do conforto térmico. Apesar da constatação final de que um invólucro metálico como um container, de inércia térmica muito fraca, necessita de condicionamento artificial do ar para atingir níveis dados como de conforto térmico, o presente estudo demonstrou que medidas passivas podem fazer diferenças na temperaturas internas dos ambientes. A locação da edificação sob a proteção de copas de árvores, ventilação que propicie maior renovação do ar, uma implantação pensada na trajetória solar, aplicação de revestimentos de pintura nas superfícies da fachada, etc., podem alterar, em grandezas diferentes, as temperaturas internas. Por fim, estudou-se a alternativa de uso de barreiras radiantes, isolantes refletivos, na redução de ganho de calor por radiação pela cobertura. Os resultados indicam que a adoção desses componentes, principalmente quando possui como propriedade uma baixa emissividade; pode ser eficiente na redução da temperatura interna dos containers.

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BIBLIOGRAFIA ARAÚJO, V. M. Práticas recomendadas para a gestão mais sustentável de canteiros de obras. 228p. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia de Construção Civil. São Paulo, 2009. ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.151: Avaliação do nível do ruído em áreas habitadas visando o conforto da comunidade. Rio de Janeiro, 2000. _____.NBR 10.152: Níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 1987. _____.NBR 11.752: Materiais celulares de poliestireno para isolamento térmico na construção civil e em câmaras frigoríficas. Rio de Janeiro, 1993. _____.NBR 15.575-1: Edificações Habitacionais – Parte 1: Requisitos Gerais. Rio de Janeiro. 2013. _____.NBR 15.575-4: Edificações Habitacionais – Parte 4: Requisitos para sistemas de vedações verticais internas e externas - SVVIE. Rio de Janeiro. 2013. BARING, J. G. A. (1994). Ganhos de produtividade com o controle acústico. Oficio Escritorios, n.29, p.35-6, fev./mar. 1994. BISTAFA, S. R. Acústica aplicada ao controle do ruído. Edgard Blucher – 2 ed. São Paulo, 2006. BRASIL. Decreto nº 80.145, de 15 de Agosto de 1977. Dispõe sobre a unitização, movimentação e transporte, inclusive intermodal, de mercadorias em unidades de carga, e dá outras providências. Diário Oficial da União - Seção 1 - 16/8/1977, p. 10647. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Atividades e operações insalubres – NR-15. 2011. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/ norma-regulamentadora-n-15-1.htm. Acesso em: 28 jul. 2014. _____.Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção - NR-18. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/norma-regulamentadora-n-18-1.htm. Acesso em: 25 mar. 2014. _____.Segurança e Saúde no Trabalho Portuário - NR-29. São Paulo, 1998, 102 p. Disponível em: < http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D311909DC013147E76FC20A2A/nr_29.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2014. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT). Pesquisa CNT do transporte marítimo. Brasília: CNT, 2012. 267p. Disponível em: http://www.cnt. org.br/pesquisamaritima/files/pesquisa_maritima_2012.pdf. Acesso em: 25 jun. 2014. CORNELL, D. H. Rare earths from supernova to superconductor. Pure & Appl. Chem., Vol. 65, No. 12, pp. 2453-2464. Grã-Bretanha, 1993. Disponível em: http://pac.iupac.org/publications/pac/pdf/1993/pdf/6512x2453.pdf. Acesso em: 10 jul. 2014. DOMINGUES, E. H. Artesanato digital na produção pré-fabricada de edificações de alta eficiência energética. 2014. 117f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade e Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

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123


ANEXOS A. COMPOSIÇÃO DE SERVICOS DA CPOS - BOLETIM 163

124


LISTA DE FIGURAS DAS CAPAS 1. CAPA - PRINCIPAL: Detalhe de container em canteiro de obra. Fonte: Acervo da autora. 2. CAPA - CONTAINER: - Fawood Childrens Centre, Londres. Fonte: The architecture of early childhood. Disponível em: http://www.thearchitectureofearlychildhood.com/2011/09/will-alsops-colourful-fawood-childrens.html. Acesso em: 28 out. 2014. - GAD - Recycled Shipping Container Gallery, Oslo. Fonte: Residential Shipping Container Primer. Disponível em: http://www.residentialshippingcontainerprimer.com/GAD. Acesso em: 28 out. 2014. - PUMA City. Fonte: LOT-EK. Disponível em: http://www.lot-ek.com/PUMA-CITY. Acesso em: 03 abr. 2014. - Salas de aula na Tower Hamlets College, Londres. Fonte: Container City. Disponível em: http://www.containercity. com/projects/container-learn. Acesso em: 28 out. 2014. - Comunity Container, China. Fonte: Judit Bellostes. Disponível em: http://blog.bellostes.com/?p=5268. Acesso em: 28 out. 2014. - Dormitório estudantil, Alemanha. Fonte: National Gepgraphic. Disponível em: http://environment.nationalgeographic.com/environment/sustainable-earth/pictures-amsterdam-shipping-container-homes/#/rio-20-un-climate-conference-shipping-container-homes-exterior_54411_600x450.jpg. Acesso em: 28 out. 2014. 3. CAPA - CONFORTO AMBIENTAL: MGM Hotel, Las Vegas_2011 / Bryant Park, New York_2014 / Pesqueiro Tio Oscar, Itu_2012 / Chicago O’Hare International Airport, Chicago_2010 / Tauá Hotel, Atibaia_2012 / Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro_2010 / Pier 83, Hudson River Park,New York_2014 / Sítio, São Paulo_2005 / Metrô, New York_2014. Fonte: Acervo da autora.

125


LISTA DE TABELAS Tabela 01 - Nomenclatura da estrutura dos containers marítimos.

p.30

Tabela 02 - Comparativo de custo de abrigos de madeira e container.

p.39

Tabela 03 - Composição de horas por m para execução de um abrigo de madeira.

p.40

Tabela 04 - Resultados das medições das obras com containers metálicos - adaptado.

p.61

Tabela 05 - Resumo dos cálculos de análise de conforto térmico.

p.70

Tabela 06 - Resultado da simulação no S3.

p.73

Tabela 07 - Absortância (a) para radiação solar (ondas curtas) e emissividade (e) para radiações a temperaturas comuns (ondas longas) - adaptado.

p.87

Tabela 08 - Médias horárias de temperatura do ar ambiente para o período de 06 a

p.100

2

20 de outubro de 2014.

Tabela 09 - Média das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 06 a

21 de outubro de 2014 no container da medição 1.

Tabela 10 - Médias horárias (ambos os HOBOS) de temperatura do ar interno para o

p.105

de outubro de 2014 no conjunto de containers da medição 2.

Tabela 12 - Média das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 10 a 20

p.105

período de 06 a 23 de outubro de 2014 para o conjunto de containers da medição 2.

Tabela 11 - Média das temperaturas radiantes médias horárias para o período de 06 a 23

p.101

p.106

de outubro de 2014 Para o container da medição 3.

Tabela 13 - Resumo das temperaturas internas e temperaturas radiantes máximas das medições.

p.110

Tabela 14 - Análise de transferência de fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente

p.112

interno do container da medição 1. Tabela 15 - Análise de transferência de fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente

p.112

interno do container da medição 2. Tabela 16 - Análise de transferência de fluxo de calor radiante da cobertura para o ambiente interno do container da medição 3.

126

p.112


LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABCP

Associação Brasileira de Cimento Portland

ANSI

American National Standards Institute

ART

Anotação de Responsabilidade Técnica

ASHRAE

American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers

BIC

International Container Bureau

BS British Standards CBCA

Centro Brasileiro da Construção em Aço

CNT

Confederação Nacional do Transporte

CONARQ

Conselho Nacional de Arquivos

CPOS

Companhia Paulista de Obras e Serviços

EN European Standard EPS Poliestireno expandido ICMS

Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

INMET

Instituto Nacional de Meteorologia

ISO

International Organization for Standardization

ISS

Impostos Sobre Serviços

IUPAC

International Union of Pure and Applied Chemistry

MNPS

Medidor de nível de pressão sonora

NR Norma regulamentadora OMS

Organização Mundial da Saúde

PVC

Policloreto de vinila

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CONTAINER COMO ESPAÇO HABITÁVEL: SEU USO EM CANTEIROS DE OBRA  

Trabalho final de graduação FAU-USP 2° semestre de 2014 Vanessa Chigami

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