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n.03/ ano I - junho de 2013 - www.escrevologoexisto.com


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editorial O desafio de promover uma cultura de paz

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o mês de maio inúmeros foram os acontecimentos, no mundo e no Brasil, em que a questão da violência foi debatida. Difícil discernir e concluir algo a respeito da origem de um mal que permanece sempre misteriosa. Muitas vezes me lembro das aulas do mestrado com o Piero Coda e o Gerrard Rossé que, inseridos no contexto teológico, propunham caminhos de reflexão a respeito do assunto. A violência, contudo, exige uma resposta “alopática”, imediata, para que não se difunda como mecanismo legítimo de reivindicação de direitos e justificava de abstenção dos deveres.

Um comportamento violento nasce dentro de casa e se difunde socialmente nas mais diferentes instituições, por isso, a educação para a paz nasce em casa, no respeito fraterno, paterno, materno, para depois atingir outras esferas da sociedade. Os textos do eLe do mês passado servem como incentivo para a reflexão dos mais diferentes tipos de violência e convite para a promoção de uma cultura de paz, de respeito, de tolerância e, finalmente, de fraternidade. Que vocês tenham uma ótima leitura, Valter Hugo Muniz

Sumário #4

[co-agir com o mundo]

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[culturas]

[Universo Wolton]

#11

[experiências]

#13

[militante das pedaladas]

#14 #16

#3

#10

[filmes memoráveis]

[reflexões]

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Co-agir com o mundo Quando o ódio sobrevive!

Tamerlan Tsarnaev recebe troféu em universidade do Massachusetts, em 2007

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epois do triste acontecimento em Boston onde, supostamente, dois jovens de origem chechena armaram duas bombas durante a maratona da cidade, parece que o mesmo ódio que impulsionou o ato terrorista, ainda vive entre os cidadãos afetados pelo episódio dramático. Passado quase um mês do terrível ataque, algumas cidades do estado de Massachusetts (nordeste dos EUA) se recusam a enterrar o corpo de um dos acusados, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos. Esse comportamento adotado por alguns cidadãos americanos evidencia alguns aspectos importantes e ilustra tamanha capacidade de desumanização, ao ponto de suscitar o desejo de vingança até mesmo de um corpo inerte. O homo sapiens é o único animal que enterra seus iguais. O enterro é sinal antropológico dessa humanização. Até mesmo em conflitos bélicos enterram-se os inimigos como, talvez, uma maneira de encerrar a disputa. Negar-se enterrar o corpo de Tsarnaev é também uma demonstração de ignorância, de ódio cruel, mas é, sobretudo, um comportamento que dá continuidade a um acontecimento triste, que já devia ter sido enterrado. Além dos aspectos mencionados, existe outro, mais sério. Não é a primeira vez que um crime dessas proporções surge internamente nos Estados Unidos. O

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massacre de Columbine, em abril de 1999, no estado do Colorado, Estados Unidos, é talvez o caso mais chocante. Na ocasião, os estudantes Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, adolescentes típicos de um subúrbio americano de classe média alta, atiraram em vários colegas e professores do Instituto Columbine, matando 13 deles. Ambos eram americanos. Não existia aqui a “desculpa” de serem de origem chechena, árabe, norte coreana, iraniana e assim, mesmo tendo cometido um crime horrendo, os jovens tiveram seus corpos sepultados no país. A renúncia do sepultamento do corpo de Tamerlan Tsarnaev, que vivia há mais de 10 anos nos Estados Unidos e tinha visto permanente é também uma omissão, como sociedade, da própria parcela de culpa neste acontecimento triste. Um ato terrorista é, sobretudo, um ataque institucional, movido pelo ódio ou ideologias políticas que, ao meu ver, podem ser superados com a igualdade de direitos, a tolerância, o respeito e a consciência de que, independente de onde estamos, somos parte do corpo social. Algo faltou aos jovens de origem chechena que, claro, não torna menos injustificável o ato terrorista, mas que deve servir de alerta à sociedade, como um todo, de que o ódio fundamentalista precisa ser combatido com a fraternidade. @

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Co-agir com o mundo Jamais silenciar a não-violência

empre ouvi dizer que os pilares do desenvolvimento de uma nação são: a saúde (física e mental), a educação (acadêmica e social) e o emprego. Não basta ter apenas um ou até mesmo dois dos três aspectos. Sem os três um país não se sustenta ou cresce de forma desordenada, esquizofrênica. O problema maior, contudo, é que, muitas vezes, os esforços para um crescimento “igual” e, até mesmo, os “poucos” sucessos, acabam suprimidos pela Grande Imprensa, na ânsia de denunciar o negativo que é mais presente na nossa sociedade. Ontem, no Fantástico, a Globo demonstrou esse percalço crônico que se fundamenta no “informar” a sociedade de maneira parcial, no que diz respeito à triste realidade da violência nas escolas. As imagens chocantes de brigas entre alunos e, destes, com os professores decretam o estado de calamidade moral em que vivemos. No Brasil atual, detentor de certa liberdade social, parece que ainda não conseguimos, como sociedade, educar as novas gerações ao respeito do “outro”. É difícil viver em um contexto em que a liberdade é nossa, sim, mas que envolve muitos “iguais”, com os mesmos direitos. A reportagem do Fantástico é uma denúncia a essa falta de respeito verdadeiro para com o “outro”. Um comportamento destrutivo, violento, quando a própria individualidade não é respeitada integralmente. Contudo, existe também outro lado, em que se promove uma juventude forte, dona de si, mas sem ser violenta. Desde o inicio do ano, um projeto importante tem sido realizado no Brasil. Promovido pela comunidade terapêutica Fazenda da Esperança, que realiza um trabalho sério de recuperação de drogados, o Forte sem violência é já uma tentativa, um começo de solução, para o grave problema que assola a juventude. Em parceria com a empresa alemã Starkmacher e a banda internacional Genrosso, será feita uma série de espetáculos pelo Brasil, junto com alguns jovens “recuperandos”, visando promover uma cultura de paz. Um aspecto interessante é que o projeto nasceu na Alemanha justamente para combater a violência dentro do contexto escolar. No Brasil o projeto foi construído como proposta de combate e prevenção às drogas, mas, pelo que se pôde ver ontem no Fantástico, essas realidades estão mais próximas do que se imaginava.

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Os casos de violência nas escolas têm sim relação direta com as drogas, mesmo que não seja o único fator. Dessa forma, projetos como o “Forte sem violência” precisam ser apresentados à sociedade como possíveis alternativas, propostas concretas, de promoção de um projeto educativo que envolva a pessoa humana, na sua integridade. Assim a juventude, talvez, possa descobrir que a consciência dos próprios limites é, sobretudo, uma grande oportunidade para descobrir o valor do “outro” e a possibilidade de um crescimento em conjunto. Um ambiente de descoberta reciproca dos próprios talentos, da própria vida, na relação positiva com o “outro”, igual em direitos, mas profundamente diferente, impulsiona uma sociedade sem violência nas ruas, nas escolas, nas comunidades. @ Mais informações sobre o Forte sem Violência: Forte sem Violência Telefones: (12) 3013-6441 Email: fortesemviolencia@fazenda.org.br

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Co-agir com o mundo

O longo Inverno Árabe

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odas as vezes que alguém me entende e adere às minhas ideias fico feliz, pois o “gostinho da razão” parece o melhor alimento para as nossas vaidades humanas. Ampliando o contexto e olhando para os acontecimentos que envolvem a Comunidade Internacional, é possível perceber um mesmo sentimento de felicidade (e a consequente vaidade) Ocidental, em relação a aparente adesão dos Estados árabes à democracia, lutando para derrubar ditadores, opressores. Simbólico o nome dado ao acontecimento: Primavera Árabe. O renascimento, o sentimento global de “novos tempos”, capaz de superar a “barbárie” do Oriente Médio. Contudo, a tal felicidade pela adesão dos valores democráticos ocidentais tornou-se frustração diante da tragédia instalada na região,

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principalmente na Síria. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, morreram no país mais de 80.000 pessoas, metade delas civis. Existem muitas controvérsias a respeito dos números divulgados pelo Observatório, principalmente porque se acredita que ele é expressão dos interesses dos países Europeus, que buscam diversas formas de pressionar o governo sírio. Mas, certamente, a contagem é aproximativa. Dados da ONU, dizem que o conflito já deixou 4,2 milhões de deslocados e 1,4 milhão de refugiados. Triste também é realidade enfrentada pelas mulheres. Algumas refugiadas sírias estão sendo vendidas para serem noivas na Jordânia e, assim, ajudar suas famílias.

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Recentemente, em uma reportagem da BBC, testemunhas relataram que em Saraqeb, no norte da Síria, helicópteros do governo teriam lançado ao menos dois artefatos contendo um gás venenoso. A diplomacia internacional tem buscando um percurso político para sair da crise síria, mas os esforços não têm mostrado resultados relevantes. Talvez a universalidade dos valores ocidentais precisa ser revista. Enquanto isso, milhares de pessoas perdem suas vidas, suas casas, sua terra. A violência desse genocídio e o impasse nas instituições internacionais que deveriam intervir mostram que a racionalidade conquistada no pós Segunda Guerra, ainda está longe de promover uma paz global duradoura. Pelo visto o Inverno Árabe ainda será longo. @

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Co-agir com o mundo O perigo do “Jaborismo”

odas as manhãs, quando saio de casa, escuto os comentários do sr. Arnaldo Jabor na rádio CBN. O fato de que o seu discurso, muitas vezes, me tira do sério, me provoca, mostra que Jabor comunica, pois a mensagem chega, chacoalha, independente do teor político dela. Contudo, o que a analise do conteúdo tem me feito pensar, é a respeito da periculosidade do método adotado pelo interlocutor. A nossa “democracia adolescente” tem buscando, ao longo dos anos, desenvolver-se, ampliar seus protagonistas, para que o Brasil, tão maravilhoso e rico de recursos, possa superar traumas passados, que ainda o faz acreditar ser “escravo da colonização”. Aquilo que o sr. Arnaldo Jabor faz, como comunicador, deferindo comentários agressivos, na forma e conteúdo, é sacrificar os avanços de um debate fraterno entre “as partes”, fazendo subsistir o dilema dialético, defensor de um conflito destrutivo para se chegar a síntese.

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Parece-me, contudo, que a condição de um saudável processo de tomada de consciência é o entendimento responsável entre as formas particulares de vislumbrar um sistema politico. O perigo do “Jaborismo” é justamente impossibilitar o diálogo, estabelecendo uma distância conflituosa que não permite o crescimento, ou melhor, o consenso. Esse fenômeno se vê ilustrado nas muitas páginas de facebooks, em que “amigos” virtuais usam imagens ofensivas, vídeos ridicularizantes e comentários esdrúxulos, para atacar os representantes políticos eleitos. Ninguém deve concordar com tudo o que o governo faz, fala! Eu mesmo não concordo! Mas a democracia exige o respeito à diferença e não só liberdade de expressão. Um professor meu da “laurea magistrale” na Itália, Antonio Maria

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Baggio, defende a tese da fraternidade como “princípio esquecido” da politica. Assim, exalta-se a igualdade de direitos, a liberdade de direitos, mas não se pensa que ambos precisam ser lidos na ótica de um comportamento fraterno, capaz de respeitar, com maturidade “adulta” a ontológica diferença do “outro”. Todas as manhãs, quando escuto Arnaldo Jabor, percebo com tristeza, que nossas manifestações democráticas, como a nossa democracia, ainda são profundamente adolescentes. @

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O Outro

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Quando a apuração tendenciosa é evidente

sempre difícil saber quais são os verdadeiros interesses que se escondem nas reportagens que vemos/lemos. Por mais que os fatos sejam objetivos, existe sempre um enfoque que direciona o leitor/espectador para determinadas conclusões. O que aprendi, na minha formação, é que o jornalista pode, ao ler os fatos de um evento, condicionar o receptor às suas conclusões, às suas verdades, destruindo aquele valor objetivo que está no DNA dos fatos, mas que se torna subjetivo a partir do momento em que é “lido”. Pode-se ver esse dilema claramente no modo como a Rede Globo apresentou o fracasso corintiano na Copa Libertadores, quarta feira passada, e a Virada Cultural, ocorrida neste final de semana. Após o fim do jogo que decretou a eliminação do Corinthians, a torcida corintiana deu um show. Aplaudiu, cantou, vibrou, mostrando que futebol é mais que vencer. Porém, a exaltação feita pela mídia da “religião” Corinthians é o que mais me incomoda, porque os mesmos corintianos fanáticos que deixam tudo – inclusive família ou emprego – pelo time, se acabaram “na porrada”, fora do estádio, depois do jogo. Logo em seguida da tal “festa”, membros de torcidas organizadas rivais, se espancaram brutalmente, como animais. Torcedores do mesmo time, que dentro do estádio estavam cantando juntos. Uma vergonha! Interessante, contudo, que a Rede Globo (e também outros meios de comunicação) fez questão de diminuir, quase ignorar o episódio violento. Mas, para mim, a festa foi ofuscada pela violência brutal.

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Co-agir com o mundo

As imagens estão aí pra falar. O mesmo comportamento, mas na contramão da exaltação positiva, a Globo teve em relação à apuração dos fatos da Virada Cultural (que acabou pautando outros veículos, como o Estadão). É verdade, os números mostram: essa foi a edição da Virada mais violenta, com 2 mortes, inúmeros roubos, arrastões e esfaqueamentos. Mas, proporcionalmente, o evento promovido pela prefeitura de São Paulo foi um grande sucesso. 4 milhões de pessoas espalhadas pelo centro da cidade. Muitas atrações para todos os públicos. Famílias, idosos, portadores de deficiência, todos ali para desfrutar desse maravilhoso evento. Contudo, claro, a violência (fato objetivo) ofuscou de certa maneira,

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o evento. Mas será que ela deveria ser estampada nas capas de jornais e nas chamadas do Fantástico como principal aspecto da Virada? A minha resposta é não! Esta leitura tendenciosa, como aconteceu também na eliminação do Corinthians na Libertadores, só prejudica as avaliações sobre ambos os acontecimentos. Em nenhum dos dois eventos houveram só coisas boas, então por que só a festa corintiana foi hegemonicamente positiva? Triste é saber que a violência dos torcedores corintianos também afetou a Virada. Depois do título, ontem à noite, dezenas de torcedores brigaram nas redondezas da Estação da Luz, ao lado do Show do uruguaio Jorge Drexler, que fechou a Virada. Porque isso não foi noticiado?@

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Culturas Quando o mal é justificável

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ma manhã como todas as outras. Difícil de levantar por conta do frio. Tomar banho, um cafezinho, escovar os dentes, beijo na esposa e já estou pronto para mais um dia de trabalho. Contudo, hoje, nem tudo ocorreu de maneira pacífica. No caminho para o metrô, um grupo de pessoas olhando atentamente um senhor de idade, correndo atrás de um homem, segurando um pedaço de pau na mão, gritando, por motivos a mim desconhecidos, mas que me causaram evidente estranhamento. Já no metrô, “ensardinhado”, duas mulheres, uma jovem e uma idosa, deferindo ofensas recíprocas porque uma empurrou, a outra não pediu licença e transformando o si-

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lêncio paulistano em um clima hostil. Como é possível que alguém não aceite ser empurrado em um metrô superlotado? É preciso aprender a arte de ser “conduzido pela massa” sem achar que o motivo dos “empurradores” sejam pessoais. Há uma semana venho acompanhando pela mídia os inúmeros e, aparentemente, frequentes casos de violência banal cotidiana. Não a violência presenciada hoje, na rua, no metrô, mas aquela capaz de tirar vidas, por um celular, pelo incômodo do barulho, por 30 reais… A barbárie crescente, para mim, não é surpresa. Somos constantemente violentados pelo Estado, pela lógica “Capitalista” da exploração e, assim, é impossível que a violência não se dis-

Quando é o idoso que desrespeita

a imensa São Paulo, todos os dias, milhares de pessoas se deslocam de diferentes formas para o trabalho. Uma parcela grande dessas usa, beneficamente, o transporte público. Como sou ciclista, raramente vivencio os absurdos que acontecem dentro dos ônibus e metrôs da cidade. Mas, hoje, experimentei “na pele” um pouco da falta de educação dos residentes da maior cidade do Brasil. Sempre ouvi dizer do desrespeito da juventude em relação aos idosos dentro do transporte público. Já vi, muitas vezes, jovens sentados nos bancos reservados à Terceira Idade, fingindo ou, efetivamente, dormindo. Essa atitude mal educada já virou até “meme” nas redes sociais. Contudo, hoje foi diferente. Entrei no ônibus vazio para ir ao trabalho e tive o cuidado de, mesmo sentando na frente, não ocupar os assentos preferenciais, por questão de princípios e também porque fui estudando. Na metade do percurso sentou-se ao meu lado uma senhora idosa, tipo “madame”. Duas ou três paradas depois entrou no ônibus outra idosa. Passados alguns minutos a “madame” que estava ao

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semine socialmente. Mas, o que antes era aceitação do “rebanho humano”, hoje é cada vez mais reação coletiva violenta. Socar, esfaquear, assassinar é um mal que se justifica, que exprime a revolta dos explorados. Será? As justificativas em relação a violência podem ser muitas. Históricas, sociais, psicológicas… até mesmo a união entre duas ou três dessas, mas o que vale, ou parece que vale, em meio a barbárie, é aprender a olhar humanamente quem está ao nosso lado. Tanto o mal, quanto o bem, tem uma capacidade de difusão surpreendente e, ambos, se plasmam nas nossas atitudes, na nossa cotidiana capacidade de amar, tolerar (que não é acomodar-se) o contexto em que estamos inseridos. @

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meu lado me deu um cutucão com o cotovelo e me apontou a sua coetânea, em pé, sugerindo que eu deixasse o lugar para ela. Dei uma olhada nos bancos ao redor e percebi que todos os assentos preferenciais estavam desocupados e assim, disse a ela que o assento em que eu estava não era preferencial. _ É sim! Respondeu de forma atrevida e mal educada a senhora. Senti o sangue bulir pela fata de respeito. Os idosos, que tanto exigem o respeito da juventude, dessa vez foram profundamente mal representados pela senhora que estava ao meu lado. Alguns segundos depois, respirei fundo e me desloquei para um outro assento, ao lado, que também não era preferencial e estava livre. A decepção demorou alguns minutos para passar. Refletindo o ocorrido pensei que possivelmente é o filho ou o neto daquela senhora que, talvez, esteja me representando como “juventude”, dormindo em assentos preferenciais e, assim, promovendo uma visão pejorativa dos meus coetâneos.

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Universo Wolton

A Liberdade de Expressão não é um valor absoluto

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liberdade de expressão é sempre um assunto polêmico no mundo dos comunicadores. A afirmação que intitula esse comentário vem de um PODCAST da CBN, em que o escritor e jornalista, Carlos Heitor Cony, explana a respeito da crise política nos EUA. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi acusado de autorizar escutas telefônicas de mais de vinte linhas usadas por repórteres e editores da agência de notícias The Associated Press. Enquanto o governo se

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municar é ser livre, mas é, sobretudo, reconhecer o outro como seu igual”. A comunicação, como “ação” de partilha envolve, na sua essência, os valores promovidos pela Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade), pilares da democracia moderna. Contudo, e aqui voltamos para o inicio deste comentário, a liberdade (de expressão) é um principio importante que atua juntamente com a igualdade e, principalmente, a fraternidade. A Liberdade de Expressão, afirmou Cony na CBN, “não é um valor absoluto que passa por todos os valores. É preciso que exista equilíbrio”. Wolton afirma que “a comunicação é inseparável da dupla aspiração que caracteriza a nossa sociedade: a liberdade e a igualdade”. Ambas, eu acrescentaria, existem dentro de uma dinâmica relacional fraterna, para que qualquer informação (noticiosa ou não) seja um bem, sobretudo, para a sociedade como um todo.

A “alma” da informação

á alguns meses, tive um pequeno desentendimento com a pessoa responsável por um veículo de comunicação onde colaboro. Coisa que acontece, mas que além de distanciar duas pessoas pode, sem dúvidas, afetar o produto final. Pois bem, uma das grandes descobertas profissionais que tive nos últimos tempos é que qualquer produto de comunicação tem uma “alma”. Não no sentido platônico, uma essência perfeita que se configure no “Além”, mas uma dimensão que “transcende”

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defende afirmando investigar o vazamento de informações oficiais sigilosas, priorizando a Segurança Nacional, a Associated Press acusa governo dos EUA de violar sigilo de jornalistas, uma conquista histórica importantíssima. Essas discussões a respeito da liberdade de imprensa só são possíveis quando falamos de comunicação dentro de um regime democrático, pois ela não é um valor fundamental em sociedades hierarquizadas e desiguais. Segundo Dominique Wolton, “A comunicação assume seu lugar normativo, (ou seja de troca, partilha) ao passar de uma sociedade fechada a uma sociedade aberta. Para o pensador francês “co-

o emaranhado de palavras e frases e que, fundamentalmente, “toca” o receptor da informação. Desta forma, o conflito com um colega de profissão, partícipe direto de um projeto comunicativo em comum, se não resolvido, pode sim influenciar negativamente essa “alma” do material produzido. Nas dinâmicas de elaboração do conteúdo, mesmo que este seja perfeito na “forma”, se “plasmado” em um ambiente negativo, ele se torna incapaz de “mover” positivamente o receptor. Pode-se então afirmar que o con-

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texto em que uma informação é produzida condiciona a expressão ou anulação dessa “alma”. Assim as “leituras”, as “intuições” e mesmo o método devem levar em consideração esse fator, difícil de mensurar, mas não impossíveis de perceber. A “alma da informação” transforma a simples transmissão em verdadeira comunicação, no que diz respeito a “actio communio”, ação de colocar em comum, partilhar, em vez de querer impor, “pautar. Os “fins” tem sim relação de reciprocidade com os “meios”. @

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Experiências A escolha pelo natural

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ma das poucas coisas que me lembro do pensamento kantiano são os dois conceitos de verdade. O que é verdadeiro, segundo o pensador, pode ser concebido de maneira analítica, alicerçada pela razão lógica, ou sintética, fruto da experiência. Mesmo que a teoria de Kant tenha sido questionada e até mesmo negada por físicos posteriores, como o grande Albert Einstein, aplicando-a, com simplicidade infantil, a algumas dimensões da vida, ela ainda faz muito sentido. Por exemplo. Raciocinando a respeito das dinâmicas da natureza é possível concluir que, praticamente tudo o que é benéfico para essa, se desenvolve a partir da relação “natural” entre os seus elementos, sem uma necessária intervenção (peçonhenta) do ser humano. Esse raciocínio analítico, complementado (e não polarizado) pela síntese “experimental”, cria fundamentos ainda

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mais sólidos para essa conclusão. Foi partindo desses pressupostos que, durante uma visita médica, fui surpreendido pelo discurso do ginecologista da minha esposa, que nos sugeriu métodos anticoncepcionais artificiais se realmente queremos nos prevenir de uma gravidez indesejada. Bom, só para esclarecer! Não é (somente) o fato de ser cristão que nos faz optar, como família, a usar métodos naturais para uma concepção “planejada”. Nós também acreditamos que as coisas naturais são as mais benéficas, para nós e principalmente para a mulher (é noto de que os métodos anticonceptivos injetam no corpo feminino substancias químicas que podem dificultar uma futura concepção). Contudo, certamente, os métodos naturais também têm uma (importante) dimensão espiritual. Como cristãos, nos casamos acreditando

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que (nosso) Deus tem um papel fundamental para a nossa felicidade e no caminho que construímos como família. Mesmo se optamos, neste momento, em não ter filhos, queremos (e nos esforçamos para) estar abertos ao Seu projeto para nós. ( É fundamental também saber que os métodos naturais, se realizados de maneira séria e responsável, têm um altíssimo índice de sucesso). Claro, a busca de viver o “natural”, no que diz respeito à concepção responsável, prega muitos sustos! Viver esse método não permite a segurança “100%” de que, depois de cada ciclo da mulher, não haverá um novo ser humano concebido. Essa insegurança gera uma tensão e um temor mensal, mas que, aos poucos, vai se plasmando “naturalmente” na dinâmica da família. Enfim, está é uma verdade sintética desafiadora e, sobretudo, fantástica. @

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Experiências [1+1=3] Ontologia do cônjugue

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amor se desdobra em infinitos sorrisos. Pensar dessa forma me ajuda a perceber o bom das duas coisas: amar (e ser amado) e receber (e dar) um sorriso. Essas duas (ou quatro) experiências, contudo, só são possíveis por meio de um encontro verdadeiro com o “outro”. Mas, é um encontro dialógico e não dialético, que leva à uma síntese que não é fruto da destruição do mais fraco, mas da partilha. Explico. Por muito tempo pensei ter habilidades suficientes para lidar com o tal “outro”. O encontro com alguém, essencialmente diferente, mas com a mesma dignidade e direitos, nunca tinha sido um verdadeiro problema. E olha que já convivi com pessoas de todas as regiões do Brasil e de muitos países do mundo… Só que essa concepção de “outro” mudou muito com o casamento e, principalmente, tem me feito perceber que nas outras relações construídas existia uma certa distância respeitosa, que fazia com que o encontro fosse menos “verdadeiro”, isto é, menos Encontro. Contudo, no casamento, isso não é mais possível. A vida com “o outro” é fundamentalmente interligada, plasmada. A magia, ou o mistério, dessa experiência opera uma revolução interior, um mergulho em um mundo novo, completamente desconhecido, maravilhoso e, proporcionalmente, amedrontador. Aquele “outro”, essencialmente diferente, na sua história, descobertas, experiências traumáticas, cultura, agora é uma parte de você. E parece que nós, seres humanos, temos mania de querer esconder, descar-

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tar, ignorar, aquilo que não é muito bonito em nós. Quando, porém, a dificuldade ou aquilo que não gostamos está no cônjuge muda-se fundamentalmente a dinâmica. No casamento a aceitação paciente do outro é um processo “necessário” (entre aspas, porque, na verdade, somos SEMPRE livres) que se renova infinitamente. Aceitar o “outro”, casado, é enfrentar corajosamente os nossos limites mais profundos, sem nenhuma possibilidade de “fuga”, de distância respeitosa. Optar pela omissão, o descaso, o silêncio, é sacrificar o valor da união, dar-se por vencido neste imenso desafio. Por isso, estar imerso nessa difícil dinâmica relacional me faz redescobrir o porquê de ter casado na Igreja, isto é, do valor religioso do casamento. Existem momentos em uma rela-

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ção em que a dificuldade do “outro” (nossa com ele e dele conosco) vai além das nossas capacidades humanas. É justamente neles que a “graça” do Sacramento nos ajuda a perceber que, construir uma família, é um caminho feito “à três”. As dificuldades existem, são grandes, dolorosas, mas servem para purificar o significado do amor e são sempre sustentadas pelo amor de Deus. Diante disso, redescobrir a seriedade de amar e a graça (divina) que recebemos para superar a falta de amor (humana), causam a mesma sensação de plenitude ao receber um sorriso do “alvo” do nosso amor. Não é sinônimo de sucesso, conclusão definitiva, mas é a certeza (momentânea) de estar caminhando, de modo certeiro, para fazer o “outro” verdadeiramente feliz. @

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Experiências

[1+1=3] Quando a amizade é base para o casamento

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mpossível esquecer o momento em que meus três melhores amigos, no final da celebração do meu casamento, cantaram uma linda música em homenagem a mim e minha amada Flavia. Junto do Cristian (hoje vive em Budapeste – Hungria), o Bruno (casado e com uma linda filha) e o Fer (irá se casar em novembro) eu vivi os melhores momentos da minha

adolescência. Construímos uma amizade verdadeira, de irmãos. Tantas aventuras, descobertas, crises vividas juntos, isso sem contar as inúmeras partidas de futebol e basquete, corrida de carrinho de rolimã e aventuras de bike. No dia 22 de dezembro passado, inesperadamente, eles estavam lá, cantando e festejando o momento mais feliz da minha vida. Agora, completados cinco meses maravilhosos dessa aventura chamada CASAMENTO, a felicidade em ter amizades verdadeiras é ainda maior. Hoje, elas têm uma dinâmica toda particular, sem o mesmo contato (físico) constan-

te, mas isso não diminui, nem um pouco, os laços construídos durante a vida. Nesta fase da minha vida, eu percebo o quanto a vivencia de relacionamentos sadios, de partilha verdadeira, sendo alegrias ou tristeza, foi um dom imenso para mim e que, hoje, ilumina a minha nova família. A importância das amizades é ainda maior, porque minha esposa também pôde fazer a mesma experiência, com seus muitos amigos, na longínqua Confederação Helvética. Para nossa família, cada vez mais, os relacionamentos são fundamentais. Sem um amor construído “fora” de casa, nada se têm a dar “dentro”. E vice-versa. E… bom… Caso alguém ainda tenha dúvida do bom de casar, eu asseguro: Vale a pena! @

Militante das pedaladas

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De bike ao trabalho!

odos os dias eu me levanto às 7h, me troco, tomo meu cafezinho e saio para pedalar. Mesmo tentando, é difícil explicar a sensação de liberdade que existe em ser ciclista em uma cidade como São Paulo. Buscar a difícil interação entre as pedaladas, buzinadas,

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“fechadas” e freadas é um desafio que exige respeito com a dinâmica do trânsito. Como ciclista, eu não busco ser “senhor das ruas”, mas procuro me adaptar ao contexto existente para ser instrumento de melhoria e não mais um estorvo no caos do

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trânsito. Depois de pedalar meus 7,5km, passando por lugares históricos da cidade, observando meu povo, chego ao trabalho feliz, bem disposto. Tomo um banho quente e, assim, começa mais um dia de trabalho. Todo dia é assim, felizmente. @

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Filmes memoráveis

Cúmplices do genocídio africano

Experimente encontrar na internet, fazendo uma “busca google” mesmo, notícias sobre a Serra Leoa. Você irá perceber que o país da África Ocidental é pouco mencionado pela mídia internacional. Os motivos e interesses são muitos e, um deles, é possível descobrir assistindo ao fantástico filme estrelado por Leonardo di Caprio, Blood Diamond (Diamante de Sangue, em português).

No país africano, na década de 90, Danny Archer (mercenário sul-africano) e o pescador Solomon Vandy, apesar de terem nascido no mesmo continente, têm histórias completamente diferentes. Eles se encontram por conta da busca de um raro diamante cor-de-rosa, encontrado em Serra Leoa e, a partir de então, as suas vidas nunca mais serão as mesmas. A base econômica de Serra Leoa ainda é a mineração,

Relatos de um cristianismo perseguidor

A história embrionária do Cristianismo é marcada por três séculos de perseguição, fator de surgimento de inúmeros mártires. Somente no ano 313 d.C., quando foi declarado o Edito de Milão ou Édito da Tolerância, que transformava o Império Romano neutro em relação ao credo religioso, que a religião passou a ser tolerada. Contudo, no reinado de Teodósio I (379-392) iniciou

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o auge do processo de transformação do Cristianismo. O Édito de Tessalônica, também conhecido como ”Cunctos Populos” ou De Fide Catolica, declarado pelo imperador, transformou a religião exclusiva do Império Romano, abolindo todas as práticas politeístas e fechando templos pagãos. É dentro deste contexto que se passa o filme Ágora, que tem no coração do seu enredo a história de Hipátia, filósofa e

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especialmente diamantes. A riqueza que satisfaz o luxo de milionários no Norte do planeta, contudo, não se converte em resolução à triste situação socioeconômica do país que, apesar da vasta riqueza natural, tem 70% de sua população vivendo na extrema pobreza. Eu, particularmente, respeito a indústria cinematográfica que se preocupa somente em entreter, mas acredito que o cinema precisa ter sempre um viés de engajamento, de denúncia, visando o despertar das consciências, principalmente no que diz respeito ao consumo de artigos produzidos por meio da exploração da miséria dos mais “fracos”. “Blood Diamond” faz referencia à Guerra Civil de Serra Leoa, que durou 11 anos, de 1991 à 2002, e contabilizou dezenas de milhares de pessoas mortas e mais de um terço da população de refugiados. O conflito no país africano tornou-se

conhecido internacionalmente pelos massacres, amputações de membros, uso massivo de crianças-soldado e, sobretudo, pelo tráfico de diamantes, como método de financiamento das forças rebeldes. Em outro filme, “O Senhor das Armas”, Yuri Orlov (interpretado por Nicolas Cage) vende armas às milícias durante a Guerra Civil de Serra Leoa. Já no universo literário, o livro do jovem Ismael Beah, “Muito longe de casa: memórias de um menino-soldado”, conta a sua comovente história na Guerra Civil do país. Diante da tragédia em Serra Leoa, uma consequência positiva foi Processo de Kimberley (Kimberley Process Certification Scheme), criado em 2003 (um ano após o fim do conflito), e que visa certificar a origem de diamantes, a fim de evitar a compra de pedras originárias (e financiadoras) de áreas de conflito.

professora em Alexandria, no Egito , que viveu entre os anos 355 e 415 da nossa era. Agitada por ideais religiosos diversos, onde o cristianismo convivia com o judaísmo e a cultura greco-romana, Alexandria foi palco dessa passagem politica em torno da religião católica,,que passou de religião intolerada para religião intolerante. Mediante os vários enfrentamentos entre cristãos, judeus e a cultura greco-romana, os cristãos se apoderaram, aos poucos, da situação. Única personagem feminina do filme, Hipátia ensina filosofia, matemática e astronomia na Escola de Alexandria, junto à Biblioteca. Por ter se recusado a se converter ao cristianismo, foi acusada de ateísmo e bruxaria, julgada de forma vil e apedrejada. A veracidade de algumas passagens do filme, como o incêndio da Biblioteca de Al-

exandria é questionada por muitos historiadores. Aquele que mais se aproxima da versão cinematográfica é Mostafa El-Abbadie, que afirma que a biblioteca foi destruída em 48 a.C. por um incêndio durante a guerra civil romana entre Pompeu e Júlio César. No acontecimento que é relatado no filme, em torno do ano 391 d.C., é, na verdade, o Serapeu de Alexandria (templo de origem pagã) que foi destruído por ordem de «um bispo fanático de Alexandria», quando o imperador cristão Teodósio I interditou os cultos pagãos O filme ganhou 7 Prêmios Goya, premiação importante do cinema espanhol e serve de uma interessante reflexão a respeito da capacidade do ser humano de explorar quando tem o poder em mãos. Ratings: 7,1/10 from 33.078 users

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Eu

Filmes memoráveis Django Livre 2012 – Quentin Tarantino

Quentin Tarantino é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores diretores do cinema contemporâneo. Não digo isso porque tenho algum tipo de preferência pelos seus filmes, muito pelo contrário, acho-os pouco poético, de fraca sensibilidade humana, pelo fato dele desenvolver seu repertório cinematográfico focado em produções essencialmente auto-referenciais. Contudo, fora o narcisismo evidente de Tarantino (que também quase sempre aparece seus filmes), a qualidade dos seus roteiros é inegável. Django é mais um encaixe fantástico no universo “Tarantiniano”, que explora o mau (ontológico?) do ser humano, que explora, escraviza, promovendo o desejo de vingança, cruel, aparentemente necessário.

Fenomenal a atuação de Jamie Foxx (o Django) que representa o povo negro, escravizado, humilhado (forte a cena da luta, a lá MMA, na casa Calvin Candie, personagem de Leonardo

DiCaprio), oprimido, que busca a Liberdade. Os paradoxos e as referencias cinematográficas não faltam e o sucesso da empreitada de Django: encontrar e resgatar

Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa, conduz a trama a um final “Tarantianiano”. O filme é bom, mas prefiro Pulp Fiction e Bastardos inglórios.

Os Miseráveis 2012 – Tom Hooper

Composto por Claude-Michel Schönberg em 1980, Les Misérables é um dos musicais mais famosos e mais encenados pelo mundo.

Baseado no romance épico francês Les Misérables, uma das principais obras escritas pelo escritor Victor Hugo, o musical se passa na França

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do início do século XIX e acompanha as histórias entrelaçadas de um elenco personagens que lutam por redenção e pela revolução.

“Os Miseráveis” já foi adaptado sete, repito, SETE vezes para o cinema. Gosto bastante de musicais, pois exploram duas expressões artísticas maravilhosas, mas a adaptação mais recente está longe de ser considerada fantástica. Claro, o filme tem momentos épicos, como a personagem Fantine, feita pela fantástica Anne Hathaway e o suicídio do general Javert, interpretado por Russell Crowe. Outra qualidade é a fotografia do filme. Mas é só! Cansativo, excessivamente repleto de músicas, o filme passa longe de ser um dos melhores do gênero. Ratings: 7,8/10 from 121.991 users

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Mistério

Reflexões

Critérios para aceitação de “amigo do Facebook”

D

evido ao fato de que o meu Facebook é usado, acima de tudo, por motivos pessoais e onde eu coloco fotos e posts privados, decidi criar um critério para aceitação de pedidos de amizade nesta rede social. Todos os contatos primários são imediatamente aceitos. Os secundários, porém, seguem a média das avaliações por distância geográfica e por contato direto. Aqueles que tiverem média igual o maior a três serão também aceitos, os demais, não. Dessa forma, acredito poder investir meu tempo, particularmente, cultivando relacionamentos que já existem e não simplesmente vivendo-os de maneira impessoal/virtual. Caso alguém queira, por outros motivos, justificar um pedido de autorização que não se encaixa nos critérios apresentados, por favor, mande-me uma mensagem pessoal.

#16

Tipos de contato: Contatos primários: • Família • Família em comum com a esposa • Amigos de sempre = grandes amigos em comum • Amigos de sempre (da esposa) = grandes amigos em comum Contatos secundários: • Amigos escola • Amigos da esposa • Amigos de amigos • Amigos faculdade • Amigos mestrado • Amigos trabalhos • Amigos de viagens • Amigos dos Focolares • Outros

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Tipos de avaliação (contatos secundários): Avaliação por proximidade física 1: Encontro imprevisto 2: Encontro anual 3: Encontro trimestral 4: Encontro mensal 5: Encontro diário Frequência de contato direto 1: Nunca vi ou não tenho nenhum contato direto há mais de três anos 2: Tive contato há mais de dois e menos de três anos 3: Tive contato há menos de um ano 4: Tive contanto no último trimestre 5: Contato mensal

Obs: A avaliação é revista anualmente.

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eLe magazine - Ano I - No.3  

Terceira da edição da revista. Uma coletânea dos textos de Maio de 2013.

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