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Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo . Campo Grande - MS . Ano 7 . Nº 56, dezembro de 2010 . Distribuição Gratuita . Venda Proibida

A vida de quem não vê nada além das cinzas Foto: Amparim Lakatos

Há grande dificuldade para se determinar quantas carvoarias existem no Mato Grosso do Sul. Isso ocorre devido ao fato de muitas atuarem ilegalmente. As atividades ilegais, dentro de uma carvoaria, vão desde o local de trabalho até a situação precária dos carvoeiros que, muitas vezes, vêm de outros estados para tentar ganhar a vida. Nas chamadas carvoarias clandestinas, que não possuem a autorização do Ministério do Meio Ambiente para o desmatamento, as condições dos trabalhadores são desumanas. LEIA MAIS na pág. 04

Um domingo que aproximou o Haiti de Campo Grande

Como viver feliz na terceira idade? Foto: Dayane Reiss

Foto: Beatriz Cruz

Carvoarias atraem trabalhadores de várias regiões do Brasil Vilma Oliveira vive o auge da melhor idade

A terceira idade vem crescendo no Brasil, mas o país não está preparado. LEIA MAIS na pág. 05

Som da viola sul-mato-grossense é ouvido Brasil a fora Foto: Amparim Lakatos

Cerol: Quando a brincadeira se torna perigosa? Soldado partindo para o Haiti

Entrevista com a dupla Oliveira e Cristiano

Todos os olhares da música estão voltados para o Mato Grosso do Sul. O Estado é o mais novo palco da música sertaneja no país. Diversas duplas de sucesso no Brasil sairam do Estado, como Maria Cecília e Rodolfo, Michel Teló, João Bosco e Vinícius, e o campeão de preferência nacional, o cantor de 19 anos, Luan Santana. LEIA MAIS na pág. 06

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Foto: André Farinha

O país, arrasado pelo terremoto de 7 graus na escala Richter, tornou-se – ainda mais – necessitado de ajudas humanitárias. Entre aqueles que se sentiram no dever de ajudar estão militares e fuzileiros navais de Mato Grosso do Sul. LEIA MAIS na pág. 08 Linha de cerol

Aborto: ainda hoje é motivo de polêmicas e controvérsias LEIA MAIS na pág. 08

Soltar pipa. Por que uma simples brincadeira pode se tornar arma letal nas mãos de crianças? A resposta está numa disputa feita entre os adolescentes. LEIA MAIS na pág 03

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EDITORIAL

Sob o som alegre da viola, esta edição da Folha Guaicuru apresenta aos leitores um Mato Grosso do Sul de contradições: o ritmo que faz o país dançar nasce da mesma terra onde se planta trabalhadores de vidas cinzentas. Muitos fundos musicais integram a paisagem dessa terra, onde também são vistas linhas que podem ferir; mosquitos que se alastram; cães sacrificados e bovinos que ajudam no aumento da poluição. Cada página do jornal faz convites vários a você, leitor ou leitora. Você será convidado a subir no palco para dançar e cantar um ritmo de raízes caipira e tronco universitário. Mas também será chamado a entrar nas construções precárias de trabalhadores de carvoarias e se sentar em madeiras que imitam colchões. Poderá dar um “até breve” a militares que tornaram o Haiti mais próximo de Campo Grande. Ao mergulhar em outras páginas, você pode também se questionar: “como uma singela brincadeira nas ruas e pacatos bois nos pastos podem se transformar, respectivamente, em instrumentos letais e animais destruidores do planeta?” Esta edição, em suas poucas páginas, tem o tamanho dos paradoxos da vida. Com roupa nova, estreada neste número, a Folha Guaicuru quer dividir com você, leitor ou leitora, uma ponta do cotidiano heterogêneo, vista por alunos do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá. Como todo universo humano, esses fragmentos do cotidiano fazem sorrir, cantar, indignar-se, alertar-se. Portanto, sinta-se em casa. Sirva-se do jornal e boa leitura!

EXPEDIENTE Faculdade Estácio de Campo Grande Direção Geral: Juliana Maria Silva de Rezende Valle Curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Campo Grande Coordenação de Curso: Profª Juliana Feliz - DRT 018/MS Jornalista Responsável: Profº Osvaldo Passos - DRT 091/MS

Jornal Laboratório do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Campo Grande, produzido pelos acadêmicos do 5º ao 8º semestres, sob orientação dos professores: Osvaldo Passos (Laboratório de Jornalismo Impresso I e Redação Jornalística I), Denise Ferraz (Surpevisão de Editoração Eletrônica e Planejamento Gráfico) Reportagem: Amparim Lakatos, André Farinha, Beatriz Cruz, Gilza Lopes, Letycia Almeida, Lilian Andreia, Marcos Brasil, Marcos Vínicios, Mariana Coli, Natália Gonçalves, Paulo Victor, Pedro Barbosa, Rayani Andrea, Sirlei Pires, Val Reiss.

Os efeitos do “pum” do boi sobre o aquecimento global Gás metano expelido pelos animais ajuda a provocar o efeito estufa; pesquisadores discutem formas de resolver o problema Por Sirlei Pires

O Brasil tem um rebanho bovino de quase 200 milhões de cabeças, sendo que 90% delas são criadas a pasto. Mato Grosso do Sul tem um dos maiores rebanhos do país. Seguindo o exemplo de outros setores, o desenvolvimento sustentável passou a ser tema de importantes debates também na pecuária de corte. A emissão do gás metano (CH4) pelo setor tem sido constantemente abordada pelos ambientalistas. A alegação é de que o gado está contribuindo significativamente com o aquecimento global. O gás metano é produzido pelos microrganismos presentes no rúmen de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos durante o processo da digestão da fibra. No caso específico dos bovinos, a eliminação desse gás para o ambiente ocorre pela eructação (gases por via oral) e flatulência (gases intestinais). O gás metano é em torno de 21 vezes mais forte que o CO2, maior causador do efeito estufa. O tema foi discutido, em Campo Grande, durante o primeiro Simpósio Internacional sobre Gases de Efeito Estufa na Pecu-

Foto: Sirlei Pires

O simpósio foi realizado pela Embrapa em Campo Grande

ária de Corte, realizado pela Embrapa. O evento reuniu pesquisadores nacionais e internacionais, além de estudantes. Segundo dados apresentados pelos cientistas que participaram do simpósio, em 1990, a pecuária de corte emitiu 90 milhões de toneladas de metano. Já em 2005, foram 12 milhões de toneladas. No entanto, segundo a pesquisadora Magda Lima, da Embrapa Meio Ambiente, de Jaguariúna, São Paulo, a pecuária não é a principal responsável pela emissão de gases de efeito estufa. “Sem dúvida, a queima das florestas é muito pior, com relação ao dióxido de carbono. A pecuária emite sim muito metano. Mas no balanço final, o dano causado

pelas queimadas é bem maior que o da pecuária, que fica na segunda ou terceira posição”, afirma. Ao final do encontro, os participantes elaboraram uma agenda técnico-científica com várias pesquisas sobre os impactos da pecuária no meio ambiente. Para o coordenador do Simpósio, Sérgio Medeiros, cada setor precisa dar a sua parcela de contribuição contra o efeito estufa. E no caso da pecuária, a solução do problema também significa investimento com retorno garantido. “A redução da emissão de metano está ligada a questão da eficiência. Quanto mais eficiente, menos metano é produzido por quilo de carne. E esse é o caminho a ser seguido”, concluiu o pesquisador. Foto: Denise Ferraz

Projeto Gráfico: Amparim Lakatos, Paulo Victor e Val Reiss Tiragem: Mil exemplares Contato: Rua Venâncio Borges do Nascimento, 377 - Jd. TV Morena. CEP: 79050-700 - Campo Grande/MS - Fone/FAX: 55 (67) 3348-8800. E-mail: folhaguaicuru@gmail.com As matérias aqui publicadas não representam a opinião da instituição e de seus dirigentes. Reprodução permitida desde que citada a fonte.

O gás metano é produzido pelos microrganismos presentes no rúmen de bovinos

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CEROL: Quando a brincadeira se torna perigosa

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Soltar pipa, uma atividade lúdica, torna-se um perigo público com o uso do cerol, material que já possibilitou acidentes graves na Capital Por André Farinha e Letycia

Soltar pipa. Por que uma

simples brincadeira pode se tornar arma letal nas mãos de crianças? A resposta está numa disputa feita entre os adolescentes, cujo objetivo é a permanência de uma única pipa no céu. Para isso, é preciso cortar a linha do adversário. O risco não é apenas para as crianças, mas para toda a população. Através de rondas, a Policia Militar fiscaliza os bairros onde há maior concentração de meninos soltando pipas. De acordo com o Soldado PM Sérgio, há dois anos na profissão, não adianta apenas recolher o material dos jovens. “A gente recolhe a linha deles, mas quando vira as costas estão lá de novo”. No posto policial, localizado no Parque Ayrton Senna, há alguns carretéis de linhas contendo cerol, material apreendido durante as rondas. “A maior concentração é na periferia, onde até mesmo homens com mais de 30 anos usam cerol para cortar a pipa das crianças”,

conta o soldado Sergio. A situação é confirmada pelo Corpo de Bombeiros. O sargento Freitas explica que apenas apreender a pipa dos adolescentes não resolve o problema. “Nós apreendemos, orientamos, e só devolvemos a pipa quando a criança vem ao quartel acompanhada dos pais.” O bombeiro conta um caso que presenciou envolvendo cerol. “Um motoqueiro passava pela Avenida Norte e Sul, próximo ao bairro Guanandi, quando a linha enroscou em seu pescoço. Vários meninos soltavam pipas no local. A linha cortou o pescoço do motoqueiro e ele faleceu na hora”, lembra Freitas. Risco mortal Recentemente, o Instituto de Análises Laboratoriais Forense de Mato Grosso do Sul (IALF) realizou um teste que pôde comprovar o risco mortal do popular cerol. O Perito Criminal Evandro Rodrigo Pedão usou um microscópio e um estereoscópico para anali-

sar a linha usada para soltar pipas. A análise comprovou a existência de fragmentos de material compatível com vidro colado na linha da pipa. Para avaliar o poder de corte do cerol, o perito utilizou um pedaço de carne bovina. Uma linha de sete metros, contendo cerol, foi amarrada e esticada. O pedaço de carne foi cortado ao meio após ser passado na linha. Ele verificou, assim, que a linha com cerol é capaz de produzir lesão corporal. Segundo Rodrigo Pedão, considerando alguns fatores como velocidade de deslizamento e a região do corpo atingida, o teste comprova que existe a possibilidade de levar alguém à morte. “O risco é para qualquer pessoa que esteja na área onde as crianças soltam pipas, principalmente, os motoqueiros, que são os mais afetados com o cerol.” De acordo com o IALF, 11 casos envolvendo pipas já foram esclarecidos com a ajuda do método. Foto: André Farinha

Feridos por cerol

uma de suas professoras foi vítima de cerol. “MiPor trás dos números da nha professora de Artes polícia, há situações de cortou o pescoço quando acidentes, como as nar- atravessava a rua”. Na radas por Wesley Modes- ocasião, a professora ficou to, de 12 anos, e Felipe gravemente ferida. Saviano, de 11 anos. Os O jovem Felipe mostra a dois meninos hoje não cicatriz que ficou em seu usam mais cerol para sol- dedo enquanto soltava tar pipa, impedidos pelo pipa – a linha estava com medo de se machucar e cerol. “Depois que cortei sofrer punições perante a o dedo, meu pai não me deixa mais soltar”. Para lei. Wesley conta que nunca Ronivaldo Santos, pai de mais usou cerol depois da dois filhos pequenos, o proibição por lei. “É ruim cerol é desnecessário. “É porque vem outro que tem perigoso, na minha infâncerol e ‘tora’ sua pipa, aí cia nunca usei isso para você fica sem”, justifica. soltar pipa”, opinou. Wesley conta, ainda, que

Proibido por Lei O cerol é proibido em todo o estado de Mato Grosso do Sul. Segundo a Lei N° 3.436/07 “fica proibido a utilização do cerol ou qualquer outro tipo de material cortante nas linhas de pipas”. O descumprimento resulta em multa no valor de R$ 249,60. Nos casos em que os autores da infração são crianças ou adolescentes, quem deve responder pela irregularidade são os responsáveis legais dos jovens. Em maio de 2008, o prefeito Nelson Trad Filho assinou a Lei Complementar Nº 116, que prevê multa de R$ 170,00 reais por uso de cerol nas linhas de pipas. As duas leis, municipal e estadual, estabelecem multas em dobro caso haja reincidência da infração em um período

de dois anos. No ano de 2009, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul institui a Lei Complementar N° 3.698, criando o Programa Permanente de Combate ao Uso de Cerol. Entre as ações do programa, estão a organização de palestras, elaboração de cartilhas e realização de campanhas sobre riscos de acidentes advindos da utilização de cerol e métodos de prevenção. Além de Mato Grosso do Sul, os estados de Minas Gerais, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo também possuem leis próprias que proíbem o uso do cerol. No Rio de Janeiro e Paraná, a fabricação e a venda de cerol podem resultar em multa no valor de até R$ 1.000,00.

Material com cerol tem sido apreendido com certa frequência pela polícia

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A vida de quem não vê nada além

Rotina pesada de trabalho, condições precárias e distância que trabalhadores de carvoarias se acondicionem Por Mariana Coli e Marcos Vinícius

Há grande dificuldade para se determinar quantas carvoarias existem no Mato Grosso do Sul. Isso ocorre devido ao fato de muitas atuarem ilegalmente. As atividades ilegais, dentro de uma carvoaria, vão desde o local de trabalho até a situação precária dos carvoeiros que, muitas vezes, vêm de outros estados para tentar ganhar a vida. Nas chamadas carvoarias clandestinas, que não possuem a autorização do Ministério do Meio Ambiente para o desmatamento, as condições dos trabalhadores são desumanas. Segundo o carvoeiro Domingos (nome fictício), eles passam o mês todo trabalhando e, quando recebem o salário, que chega a R$ 2 mil reais, dependendo da função, vão

para a cidade mais próxima e usam todo o dinheiro, enviando a maior parte para a família. “Assim que a gente recebe o dinheiro, gastamos. O mês passa e as contas acumulam. Com o filho e a mulher longe, a gente tem que mandar o dinheiro e ficar com um pouco pra não passar o resto do mês na miséria”, explica. Precariedade O local onde dormem não possui colchões, somente madeira. Um lugar para higiene pessoal é praticamente inexistente. Os carvoeiros trabalham desde a madrugada e não existe uma carga horária. Normalmente, em uma carvoaria, trabalham em torno de 15 pessoas, com a seguinte distribuição de Foto: Mariana Coli

Carvoeiro revela o quanto é extenuante sua atividade

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tarefas: os responsáveis pelo desmatamento, os que cortam a lenha, os carbonizadores, que também são responsáveis pelo forno; os que retiram o carvão do forno, os que empacotam e transportam, até os caminhões, cada um dos sacos que costuma ter em torno de 40 quilos. Adriano tem 28 anos e trabalha desde os 8 anos com o pai na Bahia. O papel dele é de carbonizador. Ele não reclama da vida de carvoeiro, nem de dores no pulmão, e afirma que não trocaria de emprego, pois se for para a cidade não terá condições de viver. Muitos sequer olham para os outros ou se comunicam. Numa condição de subumanos, estão tão acostumados com aquela vida que não fazem questão de se socializar ou tentar algo melhor. Só uma coisa mudou. Não se encontra crianças nas carvoarias. Hoje, diferente do que ocorria há alguns anos, muitas crianças estão conseguindo estudar e saem cedo do ambiente carvoeiro.

No estado de Mato Grosso do Sul muitas carvoarias clandestinas não pussuem a

torna difícil. Depois de um período de ‘isolamento’, a consequência seria uma pessoa introvertida com sérias dificuldades em viver em sociedade e, na grande maioria dos casos, eles ficam assim por pura falta de opção”, comenta. Bruno, de apenas 19 anos, serve como exemplo para Condicionados à situação essa realidade. Ele trabalha na carvoaria há quase Para a psicóloga especia- cinco anos e nunca frelista em comportamento quentou a escola. “Aqui, em grupo Luiara Mendes, eu trabalhei com meu pai esse tipo de situação ten- por um tempo e já faz uns de a influenciar direta- dois anos que ele faleceu. mente no modo de vida Desde então, eu tento dessas pessoas quando o ajudar em casa. A gente assunto é vida em socieda- tem vontade de estudar, de. “Essas pessoas ficam mas é difícil conseguir condicionadas a passar um tempo. Aqui a gente fica determinado tempo na- por necessidade, não tem quele estilo de vida e fica outra opção. Lá fora todo evidente que uma readap- mundo sabe que não tem tação em outro local se oportunidade pra quem não tem estudo”, alega.

E essa situação não é novidade. No final dos anos 80, começaram a surgir denúncias sobre as condições de vida e trabalho nas carvoarias do Mato Grosso do Sul, bem como sobre a omissão do Estado em agir para combater o problema. Esse fato resultou na abertura, em 1992, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que visava apurar as denúncias e acionar os órgãos competentes para coibir a prática de trabalho escravo e infantil em várias atividades. Com muita repercussão na mídia e pouco resultado na prática, o trabalho foi “deixado de lado” e têm voltado às manchetes com denúncias e declarações isoladas, contudo, sem a força de antes.

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lém das cinzas Como viver feliz na

cia da família fazem com nem à situação

Foto: Mariana Coli

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terceira idade?

Apesar de leis pontuais, as políticas públicas não garantem boa qualidade de vida a idosos, população que tem crescido acentuadamente Por Gilza Lopes e Natália Gonçalves

pussuem autorização do Ministério do Meio Ambiente

Problema que sempre volta Mais recente, em 2008, um caso chamou a atenção. Carvoarias localizadas em municípios da região norte de Mato Grosso do Sul foram alvo da ação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Essa ação teve como resultado o resgate de 23 pessoas. A fiscalização foi realizada entre os dias 21 e 26 de julho. Muitos carvoeiros foram encontrados, em condição degradante, nas fazendas Morro Alto e Navalha, Camapuã e Santa Maria, no município de São Gabriel do Oeste. Na Fazenda Santa Maria, foram encontrados seis trabalhadores, entre eles, alguns migrantes dos Estados de Goiás e Minas Gerais.

A população da terceira idade vem crescendo no Brasil, mas o país não está preparado para este contingente e muita coisa terá que ser feita para dar condições de vida e conforto para os idosos. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), daqui a 50 anos o Brasil será um país de velhos. Um dos maiores entraves enfrentados pelos nossos “velhinhos” é o preconceito. Segundo a psicóloga Ingrid Bergamo, as novas gerações não educam seus filhos para respeitar os mais velhos, e é comum vermos crianças e adolescentes se referindo a qualquer pessoa com um pouco mais de idade, como simplesmente “velhos”. Mariana Lemos diz se sentir solitária depois que o marido morreu. Apesar de ter 78 anos ela cuida da casa, faz compras, vai ao médico, mas a família a tem excluído dos eventos sociais. O Estatuto do Idoso criado em 2003 veio promover a participação efetiva dos idosos na sociedade. Sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Estatuto é formado por determi-

nações que se dividem no âmbito da saúde, transporte, cultura, lazer, atendimentos, trabalhos, habitação entre outros segmentos que envolvam os direitos permanentes dos idosos brasileiros. Os idosos de Campo Grande conquistaram o direito a vagas reservadas para estacionamento no centro da Capital, sem a necessidade de pagamento da taxa de paquímetro. O direito só entrou em vigor em maio deste ano. “Hoje a vida para nós idosos é complicada, mas tenho muito apoio da minha família, eles não me tratam como se eu fosse um velho, acho que é por isso que ainda estou vivo, faço tudo que fazia antes, mas de uma forma mais moderada. Espero que para os meus filhos e netos a vida na terceira idade não seja assim”, conta o aposentado Luiz Fortunato. Cuidar da saúde e da alimentação é uma das opções que jovens e adultos buscam para obter um envelhecimento duradouro e saudável. Como não se preocupar com a terceira idade, já que todas as pessoas algum dia irão alcançá-la? Foto: Val Reiss

Jovenil e Vilma decidiram se casar na 3ª idade

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Som da viola sul-mato-grossense é ouvido Brasil afora

Por Amparim Lakatos Val Reiss e Paulo Victor Foto: Adriano Reiss

Munhoz e Mariano, dupla vencedora do quadro Garagem do Faustão deste ano

Todos os olhares da mú-

sica estão voltados para o Mato Grosso do Sul. O Estado é o mais novo palco da música sertaneja no país e, nos últimos anos, o estilo virou fenômeno, com a consolidação do “sertanejo universitário”. Diversas duplas de sucesso no Brasil sairam do Estado, como Maria Cecília e Rodolfo, Michel Teló, João Bosco e Vinícius, e o campeão de preferência nacional, o cantor de 19 anos, Luan Santana. Em meio a essa onda sertaneja, Mato Grosso do Sul também brilhou, em 2010, com Munhoz e Mariano, dupla que ganhou o quadro Garagem do Faustão, concorrendo com dez mil candidatos de todo o país. Naturais de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, “Rafael” Munhoz e “Ricardo” Mariano, popularmente conhecidos como “Munhoz” e “Mariano”, conheceram-se ainda na infância, aos seis anos de idade. Não sonhavam

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se tornarem músicos. Um dia, fizeram uma apresentação no bar de um amigo. Algumas pessoas começaram a se aglomerar e a prestigiar o trabalho dos jovens que demonstravam talento ao interpretar canções sertanejas. Os dois começaram a tocar e cantar em “rodinhas de amigos”, festas familiares, onde obtiveram o reconhecimento popular, começando assim a se profissionalizar. Daí para a gravação do primeiro CD promocional foi um passo. “Como todo começo de qualquer trabalho, passamos por diversas dificuldades, preconceitos, mas tocamos pra frente, pois o mais importante não é a chegada e sim o caminho percorrido, os obstáculos são todos válidos. Entre a nossa equipe sempre existem os desentendimentos, mas nos acertamos logo, por isso nunca pensamos em desistir”, comenta a dupla. Os jovens, com pouco mais de 20 anos, já se apresen-

taram por todo o Estado, além de terem realizado shows em Mato Grosso, Paraná e São Paulo. Munhoz & Mariano já completaram quatro anos de formação da dupla e dois profissionalmente. Eles já deixaram sua marca entre os diversos estilos musicais. Hoje, contam com mais de dez fãs-clubes espalhados

no Brasil e possuem gran- o sertanejo universitário, des sucessos musicais no ou seja, unindo o moderno ao estilo de raiz tempo repertório. e, segundo eles, a junção tem dado muito certo. Na mesma onda Enquanto o sucesso não Como Munhoz & Mariano, vem, eles se juntam a um diversas duplas buscam grande número de duplas espalhadas destaque e aproveitam o sertanejas momento que Mato Gros- por todo Estado, fazendo so do Sul passa a ser reco- shows não só em Campo nhecido como um grande Grande, mas também no produtor de talentos. É o interior de São Paulo, Micaso da dupla Oliveira e nas Gerais, Paraná, Santa Cristiano, de Sidrolândia, Catarina e Goiânia. a setenta quilômetros da O mercado da música sertaneja movimenta a ecocapital. Apesar de estar ainda no nomia do Estado, que hoje início da carreira, a dupla conta com seis estúdios de conta que é muito fácil ser gravação. Como grande cantor sertanejo no Mato parte da economia campoGrosso do Sul. “Você se re- -grandense gira em torno úne com amigos, faz uma do agronegócio, isso leva rodinha de tereré, alguém muitas pessoas a ouvirem traz o violão e o som está o sertanejo, que é uma feito. Todo mundo curte”, música característica do conta Cristiano. “Campo interior. E esse “modismo” Grande é hoje o centro do acabou saindo daqui para sertanejo universitário. todo resto do Brasil. A inAntes era Goiânia e Minas, ternet tem sido uma das grandes vitrines do seragora é aqui”. Com apenas dois anos e tanejo. Na rede mundial, meio de dupla, Oliveira as músicas viram sucesso, e Cristiano contam que arrastando multidões para buscam resgatar a moda os shows. de viola, mesclando com Foto: Amparim Lakatos

Dupla Oliveira e Cristiano, de Sidrolândia, que busca destaque no meio sertanejo

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Policial feminina, entre a diferença e a igualdade

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Por Amparim Lakatos e Val Reiss Fotos: Amparim Lakatos

Cabo Anita Caputti, foi a primeira policial a atuar nas ruas e comandar uma viatura na capital

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atuação de mulheres na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul começou há apenas 28 anos. No início, elas enfrentaram preconceito dos próprios colegas de profissão, mas logo foram ganhando confiança e ocupando um espaço que antes era restrito aos homens. Hoje, elas atuam em ocorrências de rua, empunhando armas e fazendo perseguições. Temos atualmente, no Estado, 462 policiais do sexo feminino, entre PMS, Civis e Federais, o que representa 8% do efetivo masculino. A profissão de policial feminina é mais uma conquista da mulher, em um campo ocupado antes exclusivamente por homens. Para o cabo Anita Caputti, 46, do 10º Batalhão das Moreninhas, em Campo Grande, que entrou para a Polícia Militar a 26 anos, as mulheres eram discriminadas pelos colegas, além de se alojarem em quartéis separados. Não podiam concorrer a cargos mais importantes no Comando, que eram ocupados exclusivamente pelos homens. “Não foi fácil, andei no caminho das pedras, mas hoje fico feliz de ver que as policias femininas não enfrentam mais isso”, comenta Anita. Mas nada disso fez essa mulher desistir do seu so-

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nho. Criada na lavoura, no interior do estado, Anita se inspirou ao ver uma policial feminina na rodoviária da Capital. Fez um concurso, passou e foi a primeira mulher policial a atuar nas ruas e a comandar uma viatura em Campo Grande. Desempenha, há 11 anos, um trabalho no combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes, esteve à frente do caso envolvendo vereadores da cidade, entre outros. Já a policial rodoviária federal Adriana Infabralde, 39, que trabalha a seis anos na profissão, não enfrentou tantos preconceitos. ”Os mais jovens estão acostumados com a presença da mulher inclusive no comando de algumas operações”, comenta a Adriana. O tratamento entre os sexos dentro do treinamento na academia são iguais, respeitando a natureza de cada um em relação à força física. Além de se destacarem, as policias são menos vulneráveis à corrupção. Segundo a policial Infabralde, a mulher pensa uma, duas, várias vezes

antes de fazer alguma coisa. Pensa muito nos filhos, então, é bem mais difícil de fazer algo errado. As policiais têm um ritmo de trabalho muito intenso, o que sacrifica o convívio com a família, “tenho duas filhas, a menor com quatro anos de idade, que precisa de uma atenção maior, então, tenho que ter uma estrutura montada para ir trabalhar tranquila”, comenta a policial. De acordo com Adriana, os relacionamentos entre colegas de profissão são comuns. “Os policias passam muito tempo no trabalho, como em qualquer outro segmento de mercado acabam em casamento”, finaliza a policial rodoviária. Seguindo os passos do pai militar, a capitã subcomandante da Companhia de Trânsito de Campo Grande, Itamara Romeiro Nogueira, 34 anos, casada com um policial militar, está a 14 anos na corporação da Polícia Militar e comanda a CIAPTRAN. “Mais de 50% do efetivo da companhia de trânsito é de mulheres e sinto-me a vontade”, comenta a capitã. Itamara é bacharel em Segurança Pública e está cursando o quarto semestre de Letras, fez vários cursos na área de trânsito e polícia comunitária. “Não enfrentei preconceitos, a farda impõe respeito, estou feliz em servir a corporação”, destaca a policial. Em seu traba-

Capitã subcomandante da Companhia de Trânsito de Campo Grande, Itamara Romeiro Nogueira

lho, a capitã desenvolve projetos de educação de trânsito, como o Projeto Portas Abertas, no qual são ensinadas noções de trânsito para crianças, além do Projeto PARA-Programa de Ação de Redução de Acidentes, que já atingiu mais de oito mil pessoas. As policiais vão para as salas de aulas, fazem blitz educativas e trabalham com deficientes. “A mulher, na sociedade, vem desenvolvendo um excelente trabalho dentro das várias profissões, alcançando, inclusive, cargos que exigem liderança. Antes, na polícia, o cargo máximo para uma mulher era de capitã, hoje chega até coronel, finaliza Itamara. Atribuições da presença das mulheres na PM De acordo com Coronel Geral da Polícia Militar do Estado do Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto David dos Santos, o fator limitador da ampliação da presença das mulheres na polícia é o entendimento de que existem funções que são mais inerentes ao sexo masculino, como policiamento na fronteira e a guarda de presídios. Na PMMS, homens e mulheres compõem o mesmo qua-

dro de acesso na carreira, assim, as mulheres estão empregadas em todas as funções da atividade policial, as quais vem desempenhando sem qualquer dificuldade e com muita habilidade. Quanto ao preconceito, David dos Santos acredita que provém de companheiros de trabalho ou de subordinados homens que nem sempre gostam de ser comandados por mulheres. “Nesses 28 anos de inclusão das mulheres na PMMS, muita coisa já mudou e a cada dia que passa o preconceito vem sendo gradativamente superado”, ressalta o coronel. Como o quadro de acesso para homens e mulheres é único, a mulher pode chegar ao posto máximo (Coronel) como qualquer homem. No entanto, em Mato Grosso do Sul o cargo máximo foi o de Tenente-Coronel (penúltimo posto da carreira). Para o Coronel Geral, existem pequenas diferenças em se trabalhar com homens e mulheres. “Somos socializados de forma diferente, portanto, aprendemos desde criança a nos comportarmos diferentes. Mas do ponto de vista funcional, homens e mulheres podem ser igualmente dedicados e competentes”, afirma o coronel David.

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Um domingo que aproximou o Haiti de Campo Grande

Texto e foto:Beatriz Cruz

Soldado segue para missão no Haiti e se despede da família

Agosto de 2010, dia 15. Um domingo que aproximou vidas de campo-grandenses ao drama do país mais pobre das Américas, o Haiti que, no início do ano passado, acrescentou à sua miséria uma tragédia que resultou na morte de cerca de 120 mil pessoas. O país, arrasado pelo terremoto de 7 graus na escala Richter, tornou-se – ainda mais – necessitado de ajudas humanitárias. Entre aqueles que se sentiram no dever de ajudar, estão militares e fuzileiros navais de Mato Grosso do Sul que, há sete meses, partiram para o Haiti. A despedida foi emocionante. Após o toque de silêncio, ouviu-se a solene “Canção do Expedicionário”. Familiares e amigos dos militares tiveram seu momento de despedida com os heróis que voaram em direção a um sonho, um ideal, uma missão. Noventa militares brasileiros, sendo a maioria sul-mato-grossense, marcharam rumo à aeronave KC 137 da Força Aérea

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Brasileira que seguiu para Brasília onde embarcaram mais 16 homens, completando o batalhão de 810 militares. Há os que se inscreveram para a missão por um ideal; outros pelo dinheiro; alguns por sonho, outros para se humanizar, para entrar para a história e fazer a diferença em um país necessitado de toda ajuda possível. “Entrei para o Exército para realizar o sonho de ir para Haiti, pois sempre tive o desejo de ajudar pessoas vítimas de catástrofes”, declarou o sargento Bruno Souza Cruz, 28 anos. A irmã dele, Luzia Helena Cruz, 41 anos, artesã, diz estar orgulhosa da coragem de Bruno, caçula da família. Mas, também se sente preocupada com a situação do país e do que possa acontecer a ele enquanto estiver no Haiti. “No começo, achei uma loucura, mas fui acostumando com a idéia e alegria de ser o sonho do meu irmão realizado passou a ser a minha realização também”, diz Luzia.

Lídia de Lima Maymone, mulher do major Marcelo Maymone, 36 anos, falou emocionada, sobre a ausência do marido, que já estava no Haiti. “Quando anoitece é o momento mais complicado, pois é a hora que as meninas chegam do colégio e a hora em que o expediente acaba e ele volta pra casa. Sentir as horas passar e ver que ele não irá voltar nem hoje, nem amanhã e nem depois, só daqui a seis meses, parte o coração”. A família Maymone diz para a caçula, Danielle Maymone, de 5 anos, que o pai dela vai para a Disney. Muito apegada ao pai, a menina pergunta constantemente quando ele volta da Disney. Marcelle Maymone, 12 anos, filha mais velha do casal, diz sentir saudades e muito orgulho do pai. Lídia e as filhas acompanharam os seis meses de treinamento pré-viagem e os apoiou desde o início. Ela diz sentir como parte do grupo, como se ela estivesse em missão junto ao marido. Tudo pela paz!

Aborto: problema de saúde pública? Por Lilian Andréia, Marcos Brasil, Rayani Andrea e Pedro Barbosa

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade das gestações é indesejada e uma a cada nove mulheres recorre ao aborto. No Brasil, aproximadamente 1,44 milhão de abortos são realizados, ou seja, uma taxa de 3,7 mulheres em 100 já abortou. A gravidade da situação do abortamento também se reflete no SUS. Só em 2004, em torno de 243.988 mulheres foram internadas para fazer curetagem pós-aborto. A constituição brasileira só permite aborto caso haja risco de morte para a mulher, ou em caso de estupro. Mas a realidade é outra. Muitas adolescentes recorrem ao aborto para se livrar de uma gravidez não desejada. É o que relata a enfermeira Simone Mendes Carvalho, em tese defendida na Fundação Oswaldo Cruz. De acordo com o levantamento elaborado por Mendes Carvalho, as adolescentes que engravidam indesejavelmente utilizam ervas caseira ou recorrem a clínicas clandestinas para abortar e, não raramente, recebem apoio da mãe para interromper a geração da criança. No Mato Grosso do Sul, a polêmica em torno da questão do aborto divide opiniões e provoca controvérsias. Para a bióloga L. D., que prefere não se identificar, o aborto deve ser legalizado, pois muitas vezes a adolescente não está preparada para ser mãe e a gravidez acaba por interferir profundamente em sua vida. L. D. comenta - “o que está em formação é apenas um amontoado de células.

A criança ainda não tem sistema nervoso, então, para mim, ainda não é “vida”. Pode ser feito, sim, um aborto”. A opinião de Gabriel Moreira Junior, bacharel em direito, é bem diferente. Ele concorda que o aborto seja realizado, mas apenas em alguns casos como, por exemplo, quando ocorre o estupro. E comenta “imagine a mulher criar um filho sabendo que ele foi resultado de uma violência? Toda vez que ela olhar para criança, vai se lembrar do estupro”. Para melhorar o atendimento aos casos de aborto espontâneo ou provocado, o Ministério da Saúde implantou o Projeto de Atendimento Humanizado, que tem realizado palestras visando o esclarecimento do profissional da saúde quanto aos procedimentos que devem ser adotados nesses casos. Vale lembrar que a polêmica sobre o aborto não é recente. Na Idade Média, as princesas que engravidavam antes do casamento faziam aborto com a ajuda da mãe ou de uma parteira para não envergonhar a família. No Brasil, as mulheres mais humildes, que já têm muitos filhos, utilizam o aborto como forma de interrupção da gravidez, sem terem consciência dos malefícios que o procedimento pode trazer para sua própria saúde. Um risco que, independente da classe social, pode ser evitado, bastando, para tanto, que as mulheres utilizem o anticoncepcional ou outras formas de prevenção da gravidez indesejada.

04/05/2011 17:00:24

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Folha Guaicuru  

Jornal Laboratório da Faculdade Estácio de Sá, Design Val Reis, Paulo victor e Amparim Lakatos.

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