a product message image
{' '} {' '}
Limited time offer
SAVE % on your upgrade

Page 1

ACISMA

Valor Local

Jornal Valor Local • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 3 • 19 Julho 2013 • Preço 1 cêntimo

Caos do Desemprego: 4 histórias de força de vontade Págs. 8, 9 e 10

Novo lar da Misericórdia de Alenquer abre em Setembro Pág. 4

Entrevista com os candidatos da CDU de Alenquer e de Azambuja Págs. 13 e 15


2

www.ACISMA.org

Valor Local

Formação Modular Aprovada A

Formação Modular Certificada possui como objectivos contribuir para o aumento da qualificação dos activos da região, garantindo-lhes o acesso a módulos de formação de curta duração organizados em blocos temáticos (Formação Base para Empreendedores, Relações Laborais, Língua Estrangeira, Apoio a Crianças e Jovens; Geriatria; Segurança e Higiene no Trabalho). As acções constantes do Plano de Formação são destinadas a activos empregados e desempregados com idade igual ou superior a 18 anos à data do início da formação e que sejam detentores de baixas qualificações escolares e/ou profissionais, ou que possuam qualificações desajustadas às necessidades do mercado de trabalho, nos termos da legislação nacional aplicável às Formações Modulares Certificadas. Os participantes deverão ter como habilitações literárias mínimas o 4º ano concluído para cursos de nível 2 (apoio a Crianças e Jovens e Geriatria) ou o 9º ano concluído para cursos de nível 4

(Formação base para empreendedores, Relações Laborais, Língua Estrangeira; Segurança e Higiene no Trabalho). Podem ainda participar Licenciados/Bacharéis. No caso de estarem empregados existe um limite de 10% de formandos com estas habilitações, por Acção de formação. Caso de trate de Licenciados/Bacharéis desempregados, não existe qualquer limite por Acção de formação. As acções terão como princípio orientador a articulação entre a teoria e a prática enquanto espaço de produção de conhecimento. Será valorizada a experiência pessoal, profissional e organizacional dos participantes, bem como a dinâmica do grupo, procurando-se imprimir um cariz prático sempre que adequado. As acções não terão qualquer custo para os participantes pois são financiadas pelo Fundo Social Europeu e Estado Português. Os formandos terão direito a um subsídio de refeição por dia de presença, desde que concluam a formação com aproveitamento, nos dias em que o período de

formação seja igual ou superior a três horas e quando esse período de formação decorra fora do período normal de trabalho. As acções decorrerão preferencialmente com uma periodicidade de 2 ou 3 dias por semana em horário pós-laboral (19:30 – 23:00). Sem prejuízo de possíveis parcerias com o tecido empresarial da região, o local de realização da formação será nas instalações

da ACISMA sito em Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. Inscrições As pré-inscrições são efectuadas exclusivamente através da página da ACISMA na internet em www.acisma.org. Posteriormente à inscrição os formandos serão contactados para uma sessão de esclarecimentos e informação, onde devem preencher uma ficha

de inscrição e entregar a documentação solicitada. Para que a formação cumpra o calendário previsto e possa atingir um elevado nível qualitativo, as inscrições devem ser realizadas com antecedência. O número de vagas é limitado, sendo no entanto necessário existir um mínimo de formandos para que decorra a acção. Os formandos inscritos serão contactados até 4 dias antes do

início da acção quando se verifiquem as condições necessárias para a realização da mesma. Os formandos devem entregar, na sessão de esclarecimentos e informação, a seguinte documentação para concluírem a inscrição na formação modular certificada: cópia do documento de identificação; cópia do cartão contribuinte (caso não tenha CC); cópia Certificado Habilitações.

Ficha técnica: Valor Local, Jornal de informação regional, sede de redacção e administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja; telefones: 263 418263; 96197 13 23 correio electrónico: valorlocal@gmail.com; Site: www.valorlocal.pt.vu • Propriedade e editor:Associação

Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 • correio electrónico: adm.valorlocal@gmail.com • Director:Miguel António Rodrigues CP 3351 • Colaboradores:Sílvia Agostinho CO-1198, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Miguel Ouro, Nuno Vicente • Paginação, Grafismo e Montagem:Milton Almeida: valorlocal@gmail.com • Fotografia: José Júlio Cachado • Serviços administrativos e publicidade:Sandra Seabra, António Pires telefone 96 26 96 007, Carlos Pinto telefone 96 44 70 639 correio electrónico: valorlocal.comercial@gmail.com • N.º de Registo ERC: 126362, Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga • Tiragem: 4000 exemplares


Valor Local

Publicidade

3


4

Sociedade

Valor Local

Novo Lar da Santa Casa de Alenquer entusiasma Inauguração deverá ter lugar em Setembro. Utentes serão transferidos das instalações do Convento de São Francisco para um edifício a estrear. m breve, os utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Alenquer vão conhecer uma nova casa. Trata-se de um edifício novo, contíguo às actuais instalações, apetrechado segundo as normas em vigor, com um nível de conforto não comparável ao que oferece o Convento de São Francisco, datado do século XIII, e onde funciona, por enquanto, esta valência da instituição. “As famílias, os utentes e os funcionários estão doidos para virem para aqui”, dá conta João Mário, provedor. Com um custo de 1 milhão e 500

E

mil euros, suportado em 58 por cento pelos fundos do Programa Operacional do Potencial Humano do QREN, este é um projecto que andou de gaveta em gaveta até se transformar em realidade, sendo composto por quatro salas de convívio, um refeitório, cozinha, lavandaria, 33 quartos, e espaços administrativos. Em contraste com as instalações mais antigas, o novo espaço prima pelo conforto e bemestar. Entretanto, o velho espaço também será alvo, mais tarde, de uma remodelação interior, sem descaracterizar as suas características

de monumento secular. 75 utentes serão, deste modo, transferidos, ao que tudo indica, na segunda quinzena de Setembro para as novas instalações, não se prevendo para já a abertura de novas vagas. “As famílias estão muito entusiasmadas, no entanto parte dos idosos por se encontrar numa fase do envelhecimento, em que a apatia predomina, demonstra, alguma indiferença, mas é normal dadas as idades avançadas ”, refere João Mário, evidenciando, ainda: “Os utentes não sentem grande estímulo por estarem num ambiente mais requintado, prefe-

rem a conversa e a partilha”. Luís Rema, director administrativo da instituição, refere que o novo espaço “dignifica em muito a qualidade de vida dos utentes”. “O trabalho dos funcionários tornar-se-á mais saudável e alegre”, acrescenta. A Santa Casa da Misericórdia tem em mãos outros projectos como uma creche em Lisboa numa par-

ceria com as congéneres do distrito, neste caso com a da Amadora, e com a Câmara Municipal de Lisboa, e que dará emprego a 18 pessoas. “Apesar das dificuldades que passamos com a difícil gestão financeira da instituição é nossa intenção evitar despedimentos e manter uma lógica empresarial na gestão da Santa Casa, não descurando a sua componente de soli-

dariedade, pois é impossível gerir ‘estas casas’ vindo aqui, apenas, de vez em quando”, refere Rema. João Mário acrescenta a este propósito: “Não negamos a entrada de utentes só porque não têm a necessária disponibilidade financeira”. Ambos lamentam, apenas, “a morosidade que os processos levam para aprovação a nível governamental”.

Rita Pea esteve no Salão Internacional de Genebra Jovem de Aveiras lança livro de poesia, influenciada pela terra onde cresceu. A poetisa marcou presença num dos certames mais prestigiados da literatura a nível europeu.

ita Pea é uma jovem, de 26 anos, que cedo descobriu a sua vocação para a poesia. Foi com 13 anos numa aula de Portu-

R

guês, do 7º ano, que escreveu o seu primeiro poema. A paixão pela poesia não mais a largou, e recentemente viu editado o seu primeiro livro – “Fragmentos de uma Alma”, com o pseudónimo de “Ainoha Leporello”, cujo prefácio esteve a cargo de uma antiga professora de Português. Rita Pea marcou, mesmo, presença, no Salão Internacional de Genebra, no início do mês de Maio, a convite de uma editora brasileira.

A jovem poetisa de Aveiras de Cima confessa traçando um paralelo com Cesário Verde, “que passou toda a sua existência indeciso entre o campo e a cidade”, que viver numa zona rural também lhe trouxe muitas influências. “O contacto com a natureza, os cheiros das flores, o por do sol, os rios, os animais, a simplicidade e a genuinidade das pessoas e muitos outros factores inspiram-nos”, diz. Rita Pea escreveu o seu primeiro

livro em virtude de ter ganho em 2009, um concurso para jovens escritores, lançado pela Corpos Editora, de Vila Nova de Gaia. “É um livro de emoções. Vivemos numa sociedade em que as pessoas são tratadas de forma descartável, e o meu livro funciona como um grito para mostrar que somos seres humanos, que temos sentimentos, emoções e sonhos”, dá a conhecer. A obra encontra-se disponível em

qualquer livraria sob encomenda, mas também através via ebook, ou através do site da Corpos Editora. Encontrando-se a preparar o segundo livro, sobre o qual prefere para já não divulgar nada em concreto, Rita Pea aproveita a oportunidade para agradecer à junta de freguesia de Aveiras de Cima que patrocinou a sua ida a Genebra e à estilista Madalena Toscanny, também de Aveiras de Cima, igualmente patrocinadora.

A jovem lança ainda o repto – “É muito importante que a Cultura não acabe, é importante que as pessoas sejam lúcidas e defendam a Cultura, e acima de tudo que respeitem o trabalho dos artistas”. Tendo em conta o actual estado do país, e na defesa da sua dama, desabafa: “Na crise que vivemos, as pessoas preferem ter um prato de arroz para dar alimento ao corpo, e a alma? O que alimenta a alma destes humanos”.

tendo em conta o crescimento da população previsto até 2050, em todo o globo. No entanto, deixou um aviso aos que “andam a seguir certas modas” na agricultura, enveredando por culturas de nicho de mercado, como a dos mirtilos, “que pouca rentabilidade oferece”. Alenquer na sua opinião goza de uma excelente localização, ao contrário de muitas localidades no país, por se encontrar perto da auto-estrada e a poucos quilómetros de Lisboa.

O empresário Cardoso Pinto referiu-se às últimas démarches da sua empresa rumo à internacionalização com a aposta em novos mercados como o da Austrália e da Ásia. Referindo-se, ain-

da, à nova realidade da necessidade de flexibilização do trabalho, que está a ser “difícil de implementar porque as pessoas têm dificuldade em sair da sua zona de conforto”.

Alenquer debate Economia presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva; o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado e o empresário de Alenquer, Cardoso Pinto vieram a Alenquer, no dia um de Julho, para apresentarem o seu ponto de vista acerca do “contributo do poder local na revitalização económica e na criação de emprego”, numa iniciativa da Coligação pela Nossa Terra, no Teatro Ana

O

Pereira. Na opinião, dos vários intervenientes, há esperança para o país mas há que trabalhar e o Estado deve deixar de lado o excesso de burocratização. Na opinião de António Saraiva, o caminho começa mesmo por o Estado “sair do caminho” dos empresários, deixando de causar tantos obstáculos. “Criam-se empresas na hora, mas depois estamos anos para licenciar projectos”. Tendo em conta a sua presença em Alenquer, aprovei-

tou para criticar o poder local, que “dificultou a actividade de uma empresa” fazendo “aumentar fortemente” o valor dos impostos, a derrama, de “4 mil e 700 euros por ano para os 570 mil”. João Machado, da CAP, referiuse, “ao bom momento da agricultura em comparação com outros sectores” da economia, devido à nova PAC que, pela primeira vez, em muitos anos, apela ao aumento da produção mundial,

Apesar das dúvidas

Balcão da Segurança Social de Azambuja não fecha e acordo com informação ventilada ao Valor Local de que o balcão de Azambuja poderia vir a ser encerrado, porque de acordo com o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, a unidade não cumpriria

D

o rácio de atendimentos diários mínimos para cada funcionário, apurámos que não se efectivará. Uma equação que apenas tem em linha de conta os atendimentos a munícipes do concelho de Azambuja, no entanto,

aquele balcão regista sempre um movimento contínuo de atendimentos, até porque se dirigem ao mesmo muitos indivíduos vindos de outros concelhos vizinhos como Alenquer, Vila Franca de Xira, Sobral de

Monte Agraço e até de Loures, tendo em conta “o bom atendimento prestado”. João Vaz, do concelho de Alenquer, ouvido pela nossa reportagem diz que quando tem de “tratar de assuntos da Segurança Social” vai a

Azambuja, “pois as instalações de Alenquer são deploráveis” e prefere deslocar-se “alguns quilómetros” até ao concelho de Azambuja. Valor Local remeteu esta questão sobre a possibilidade de fe-

cho do balcão de Azambuja junto do ministério da Solidariedade Social: “Não está previsto o encerramento do Serviço de Atendimento da Segurança Social da Azambuja, nem em qualquer outro concelho”.


Valor Local

Inovação

5

Águas do Ribatejo premiada pelo projecto “Watersense” Biossensor monitoriza as águas subterrâneas e promete garantir estudos sobre a sua qualidade como nunca se fez. Instituto Superior Técnico faz parte da investigação. m parceria com o Instituto Superior Técnico e no âmbito de um consórcio liderado por cinco países europeus (Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e Roménia), a Águas do Ribatejo está a desenvolver um biossensor que tem como finalidade estudar a qualidade dos recursos aquíferos de modo a processar a informação de carácter biológico e químico da água subterrânea e superficial em tempo real. Este projecto denominado “Watersense”, foi distinguido com o prémio Eureka em 2012, e mais recentemente no âmbito da “European Projects Association” na iniciativa “European Projects Awards” ao ser um dos mais votados online no portal “My Europe”. De acordo com a investigadora do Instituto Superior Técnico, Ana Silva, ao Valor Local, o projecto conta entre as suas virtualidades: a possibilidade de identificar através de sistemas de aviso antecipado alertas para “declínios na qualidade da água subterrânea”, permitindo assim “uma intervenção pre-

E

coce na eliminação de fontes de distúrbio/poluição e uma redução de custos de recuperação ambiental e do recurso água”. No

cessidade de recorrer a métodos de tratamento de água bastante dispendiosos para eliminar fontes de poluição, por outro”, acrescen-

vel para testes e afinação da solução. O biossensor está concebido para funcionar numa lógica da rede total da Águas do Ribatejo,

fundo, garantir, pela primeira vez, uma monitorização que culmine numa sustentabilidade da qualidade da água subterrânea com benefícios para o ecossistema e, naturalmente, para o consumo humano. “A possibilidade de actuar de forma mais proactiva em termos de gestão dos aquíferos e ecossistemas a eles associados permitirá aumentar a vida útil das actuais captações de água em exploração, por um lado, e diminuir a ne-

ta Miguel Carrinho, director administrativo e financeiro da Águas do Ribatejo, que diz, no entanto, ainda não ser possível quantificar “as poupanças” que esta invenção pode acarretar de futuro. O projecto foi candidatado a financiamento comunitário com uma duração estimada de quatro anos, (orçamento total de cinco milhões, 3,5 milhões da União Europeia) mas a equipa prevê que entre o segundo e o terceiro ano já seja possível ter um protótipo disponí-

que engloba os diferentes concelhos, mas também de forma isolada. “No caso da Águas do Ribatejo, a abordagem passará pela instalação de uma rede de biossensores, numa primeira fase, em zonas mais prioritárias, que serão as que abastecem um maior número de pessoas”, acrescenta. Participam, ainda, neste projecto cinco PME’s e quatro centros de investigação espalhados pelos quatro países, para além do Instituto Superior Técnico em Portu-

gal. Os diferentes actores deste projecto buscam, actualmente, oportunidades de financiamento do mesmo.

340 milhões de euros até 2053 A empresa intermunicipal Águas do Ribatejo assinou um acordo, recentemente, entre os municípios que compõem a estrutura: Almeirim, Alpiarça, Benavente, Coruche, Chamusca, Salvaterra de Magos e Torres Novas que prevê um investimento no valor de 340 milhões de euros num horizonte temporal de 40 anos a contar desde 2013, ou seja até 2053.

A empresa fixou estes objectivos tendo em conta o acesso a fundos estruturais e também capitais próprios. Recorde-se que este sistema é constituído exclusivamente por capitais públicos, e em declarações ao Valor Local, Sousa Gomes, presidente do conselho de administração da empresa sublinhou que a presença de um parceiro privado na gestão da mesma seria “indesejável”, e deixou como que um recado para que esta seja uma possibilidade a evitar, a todo o custo, por parte de quem estiver à frente das câmaras daquela região no futuro, (dado que a maioria dos autarcas acaba os seus mandatos em Outubro deste ano). Ainda em declarações ao nosso órgão de comunicação social, os presidentes dos municípios fizeram questão de sublinhar que o montante de investimentos não coincidirá com um aumento nas facturas de água, “para além da inflação prevista”, pelo menos “nos próximos cinco anos”.

Apanha de tomate cada vez mais inovadora

ebaixo de um sol abrasador, o projecto “Viver na Lezíria” levou a cabo a iniciativa “Ser produtor de tomate”, no dia seis de Julho, que pretendia dar a conhecer as diversas etapas do processo agro-industrial do tomate. A Sugalidal através do engenheiro agrónomo António Bernardo mostrou as inovações que esta indústria está a sofrer, e que colocam Portugal, actualmente, no topo a nível mundial. Anabela Cruces, dinamizadora da iniciativa, explicou ao Valor Local que primeiramente foram mostradas, aos cerca de 10 participantes, as sementes de tomate, “vendidas a preços exorbitantes pelos Estados Unidos, mas que resultam de um processo que passa

D

pela sua escolha com recurso a mão-de-obra barata”. O processo de cultivo do tomate obedece a um conjunto de princípios estruturados nas mais recentes inovações relacionadas com a obtenção do melhor fruto possível, tendo em conta os fins exigidos, de que é exemplo a parte da rega – que passa por filtros de modo a que sejam eliminados os vestígios sólidos em suspensão. A água é encaminhada para fitas de gota a gota. “Foi-nos explicada como é feita a rega em diferentes talhões”, refere. “Todos os processos resultam de escolhas, num trabalho quase científico, mas em que a sorte também é precisa. Pois o cultivo do tomate é condicionado pelas cheias na lezíria”.

A componente dos fertilizantes que tende a ser vista com cada vez mais parcimónia a nível da sua utilização foi também frisada ao longo da visita, com a necessidade de todos os pesticidas “serem colocados com recurso a um

técnico especializado”. Por fim, a visita terminou junto das máquinas agrícolas, e Anabela Cruces conta que “antigamente uma mulher conseguia apanhar cerca de 700 quilos por dia, sendo que um grupo de trabalhado-

ras da Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos, faziase pagar de forma mais cara, pois cada uma conseguia apanhar uma tonelada num único dia, hoje uma máquina apanha 400 toneladas”. “Ficou-me na memória”,

realçou. Esta viagem pelo mundo da indústria do tomate deverá ter continuidade em Setembro com visita à fábrica de transformação de tomate, durante a próxima campanha da Sugalidal.


6

Publicidade

Valor Local


Valor Local

Turismo

7

Ruralidade e Tejo cartões de visita da região O Turismo é uma das actividades que mais impulsiona a economia da região, e este foi o mote para irmos conhecer algumas empresas exemplificativas dos segmentos: turismo rural e fluvial. ocalizada no concelho de Alenquer, na Estrada da Várzea, a Quinta do Covanco tem uma tradição centenária, e foi adaptada a casa de agroturismo. No passado, os proprietários dedicavam-se a actividades agrícolas, como o cultivo de vinhas e pomares, hoje em dia é um dos locais da região que contempla uma oferta específica junto dos que, oriundos dos centros urbanos, pretendem ter contacto com o campo. Segundo o seu proprietário, Joaquim Grilo Pereira, “fica também numa localização excelente para quem quer explorar as praias da região Oeste como Baleal ou Ericeira, ou locais

L

de turismo como Óbidos, Mafra ou Alcobaça”. São diversas as ofertas deste espaço dotado de “uma atmosfera descontraída e familiar”. “Tendo em conta que é uma casa de agroturismo, os hóspedes podem participar, sempre que haja disponibilidade, nos trabalhos da horta. Temos um tanque de rega, onde é possível tomar banho nos dias de Verão, e uma sala de jogos equipada com snooker, bilhar e pingue-pongue, bem como provas de vinho e passeios a quintas produtoras de vinho”. O empreendimento está integrado na rede Casas de Campo, lança-

da pela TURIHAB (Associação do Turismo de Habitação) com o objectivo de constituir uma rede de turismo no espaço rural com casas devidamente classificadas como casas de campo ou agro-turismo e fomentar o conceito de turismo no campo de forma sustentável. Com preços a rondar os 50 e os 70 euros/noite, a Quinta do Covanco tem conseguido atrair muitos turistas estrangeiros, nomeadamente, espanhóis, assim como de outras nacionalidades, mas também portugueses de todo o país. Sílvia Agostinho

Quinta recebe muitos turistas espanhóis

Desde 2005 no turismo fluvial

Ollem expande negócio aos vinhos

Casa onde Alves Redol se hospedou na Palhota ctua no denominado segmento de touring cultural, e tem-se afirmado como uma das empresas mais conhecidas do turismo fluvial na região, a Ollem foi criada em

A

2005 “da necessidade de divulgar a beleza natural e desconhecida, as gentes e as tradições do rio Tejo”, refere Madalena Viana, da empresa.

Vários são os percursos efectuados pela Ollem pelas paisagens mais apelativas do Ribatejo ao encontro das suas características diferenciadoras como as aldeias avieiras, alvo de uma candidatura a património nacional, que se encontra em curso. “Os turistas ficam incrédulos quando se apercebem da paisagem única e deslumbrante; e em seguida do património que existe relacionado com as aldeias avieiras e as suas tradições. Neste momento estamos a finalizar e a juntar todos os estudos e documentos para entregarmos a

candidatura avieira a património imaterial”, dá conta Madalena Viana. No total, a Ollem dispõe de três barcos que cumprem as diferentes rotas como a dos avieiros que parte de Valada do Ribatejo rumo à Palhota e Escaroupim ; a do Cavalo Lusitano; a do Tejo (Casa Cadaval) e a rota da Lezíria com a cavaleira Ana Baptista. Em breve vai nascer um novo projecto que se prende com a abertura de uma loja de vinhos, denominada “Vinhos do Tejo” que pretende conjugar gastronomia, enoturis-

mo, cultura e paisagem, no cais de Valada do Ribatejo. “Este ponto de vendas será um bom complemento de desenvolvimento do negócio e um bom fio condutor para continuar a desenvolver a região captando turistas mais facilmente”. A Ollem foi uma das empresas presentes na apresentação da campanha “Ribatejo – 365 dias de emoção” que decorreu em Junho, em Lisboa, numa acção da Entidade Regional do Alentejo, que passa a gerir os destinos do turismo dos concelhos da lezíria do Tejo.

Sobre esta transferência dos concelhos da região para a nova entidade, Madalena Viana refere que o que lhe interessa “é que o Ribatejo seja tratado com a dignidade que merece. Se continuar a não ser divulgado teremos sérias dificuldades em concorrer com as outras regiões de turismo que investem muito dinheiro todos os anos em grandes promoções”, refere, confidenciando – “O presidente da ERT do Alentejo prometeu-me que daqui a dois anos o Ribatejo estará no mapa do turismo de Portugal. Acreditei que desta vez é que é!”.

Lezíria do Tejo no Turismo do Alentejo A Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo preside actualmente aos destinos do turismo dos municípios da Lezíria do Tejo. No dia 25 de Junho foi lançada, em Lisboa, uma campanha promocional para o Ribatejo e outra para o Alentejo. Ceia da Silva, presidente daquela ERT, falou ao Va-

lor Local sobre como passará a defender também os interesses do Ribatejo naquela entidade – “Após as eleições que vão decorrer na ERT, vou visitar o território dos 11 concelhos de forma exaustiva, no que respeita a municípios, agentes de turismo, unidades de alojamento, empresários e restau-

ração”. O responsável que de início não viu com bons olhos a entrada do Ribatejo na ERT Alentejo, diz que uma vez aprovada a lei, o seu trabalho será de “competência e profissionalismo”. A marca Ribatejo será ainda trabalhada de forma separada da marca Alentejo, pois

“não estamos a falar de um único destino”. “O Ribatejo tem potencial e forte identidade, importa por isso estruturar produto, e fazer o melhor marketing do mesmo”, diz. A ERT Alentejo passará a ter uma delegação em Santarém, tendo em conta o novo desenho das regiões de turismo.

Ceia da Silva vai visitar o Ribatejo


8 Destaque Retratos de Desemprego

Valor Local

Voltar à vida activa acima de tudo Segundo os últimos dados há no nosso país 950 mil pessoas sem trabalho, 17,7 por cento. O desemprego tem subido em todas as regiões, e o Ribatejo não tem sido excepção. O desemprego jovem também assume contornos evidentes. Valor Local foi ao encontro de quatro pessoas, em situação de desemprego de longa duração (mais de dois anos), na nossa região, que desabafaram sobre os seus esforços para voltarem ao mercado de Sílvia Agostinho trabalho. São o retrato de quem desespera por uma oportunidade e só quer trabalhar!

Licenciada disposta a “tudo”

“O trabalho agrícola já seria uma óptima opção” elena Cruz, 31 anos, residente nas Virtudes, concelho de Azambuja, está desempregada há dois anos. Durante cinco anos trabalhou num transitário na parte da importação a ganhar “um bom ordenado”, apesar de não ser aquela a sua área de formação, dado que é licenciada em “Estudos Africanos”. “Tentei trabalhar na área, mas não foi possível ir além do estágio. A minha ideia era fazer trabalhos de desenvolvimento sustentado em África”. “Ainda estive em Moçambique com umas colegas a fazer um estudo de terreno, mas éramos muito novas, prometeram-nos apoios, mas acabaram por ficar com o nosso projecto”, dá a conhecer. Hoje, reconhece que se tivesse apostado num mestrado em algo mais específico, poderia ter outras possibilidades, mas também adverte que nesta como noutras áreas, o sistema está minado pela circunstância das ditas cunhas. “Fui ultrapassada, após um estágio, pela prima do primo, literalmente”. Face às dificuldades que tem encontrado no mercado de trabalho, desde há dois anos, que já lhe passou pela cabeça “empobrecer” o currículo, tendo em conta a sua licenciatura. “Há uma incongruência entre as ofertas disponíveis nos sites de emprego, que são muitas, e as oportunidades reais no mercado

H

de trabalho, por vezes penso que a sua publicação na internet corresponde, apenas, a uma mera formalidade”. Helena Cruz procurou trabalho na área de importação, secretariado, mas mais recentemente começou a enviar candidaturas “para armazéns, apanha agrícola de ‘tudo e mais alguma coisa’, ajudante de cozinha, lojas”. Incrivelmente, diz nunca ter sido contactada pelos empregadores relacionados com trabalho menos qualificado, que tantas vezes se queixam de falta de mão-deobra. “Penso que há um leque de pessoas fixo para esses trabalhos, que depois chamam conhecidos ou amigos”. Desiludida com a situação, Helena Cruz, diz já ter enviado também propostas para trabalhar nos campos agrícolas da região, tendo em conta anúncios que viu: “Fiquei na dúvida se deveria ou não mandar currículo, certo é que me contactaram, imediatamente, para uma plantação de milho em Muge, mas não pude aceitar por uma questão de horário, porque colidia com o horário do meu marido, (por volta das seis da manhã), e tornava-se complicado por causa do nosso filho, mas se não fosse este o obstáculo teria ido com certeza, sendo que já me inscrevi mais, recentemente, para a campanha da pêra rocha no Bombarral”, diz decidida, lembrando que em

tempos chegou a trabalhar simultaneamente “numa loja, na limpeza de escadas, e nas limpezas de uma casa de banho de um café”, antes de ir para a universidade. A fase imediatamente após a saída do transitário culminou numa espécie de “banho de realidade”, pois antes “era muito bem remunerada”. “Usufruía de condições muito boas, naquela altura a minha fasquia era muito alta. Quando fui para o fundo de desemprego passei a ganhar menos 40 por cento, adaptei a minha vida para esse valor. Mas, progressivamente, vamos descendo, e hoje em dia, já ficaria muito satisfeita com um ordenado de 600 euros”. Helena Cruz continua optimista, apesar de tudo, pois diz estar consciente do seu valor. “Não tenho medo de trabalhar, nem que seja num emprego temporário, tenho uma família e não quero depender, exclusivamente, do meu marido para pagar contas”.

Helena Cruz não encontra explicações para o seu caso

- Desemprego Registado por Concelho segundo o Género, o Tempo de Inscrição (a) e a Situação Face à Procura de Emprego (b) no final do mês de Junho. (situação no fim do mês)

Em Azambuja desemprego rima com Opel E

m 2006 o encerramento da fábrica Opel em Azambuja veio agudizar um problema que começava a emergir no seio das famílias portuguesas, o desemprego. É certo que o flagelo já se avizinhava, mas o impacto foi maior quando a fábrica deslocalizou a produção para Espanha, enviando para o desemprego mais de mil pessoas do município azambujense. Os dias de hoje acabam por ser um reflexo do que sucedeu na Opel. Os ex trabalhadores nunca foram totalmente absorvidos pelas indústrias de logística que en-

tretanto se vieram a implantar em Azambuja. No município e segundo dados do vereador com a pasta do Emprego, Marco leal, estão neste momento inscritos no Centro de Emprego 1178 pessoas, contudo e de acordo com o vereador, estes números podem não espelhar a realidade do concelho de Azambuja, “pois há muitas pessoas que não têm ou já perderam o subsídio de desemprego”. Os inscritos no centro de emprego de Santarém recebem acompanhamento por parte da autarquia que ao criar o “Gabinete de

Inserção Profissional” (GIP) em parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) , ajuda também a estabelecer “pontes” na ajuda à procura de emprego. Este é um gabinete criado nas autarquias, e sugerido pelo Governo, todavia em Azambuja o vereador explica que foram criados outros mecanismos como o “Conselho Local de Acção Social”, no qual estão integrados grupos como o do “emprego e formação profissional” bem como o “Conselho Municipal de Educação”. Já em 2011, o município enco-

mendou um estudo ao economista Augusto Mateus, tendo em conta as preocupações com o desemprego. O programa “Azambuja 2025, uma Estratégia com um Rio de Oportunidades” acabou por ser um instrumento onde foram traçadas algumas metas e objectivos, nomeadamente uma “reflexão estratégica para o concelho de Azambuja que vise promover a articulação e garantir a coerência da actuação do município nas suas múltiplas áreas de intervenção”, sendo o combate ao desemprego e a criação de oportunidades uma delas.

A existência de uma Escola Profissional em Azambuja poderia em parte suprimir algumas das lacunas a nível da criação de postos de trabalho, em articulação com o tecido empresarial local. Este é um projecto antigo defendido pela ACISMA (Associação de Comércio e Indústria do Município de Azambuja) e pela autarquia. Todavia o processo nunca avançou e vai emperrando, “ora na falta de financiamento, ora na burocracia”. Marco Leal salienta que esse é um projecto que tem pernas para andar e que gostava de ver implantado no antigo edifí-

cio do Centro de Saúde de Azambuja, o que não será de todo possível, uma vez que o espaço, propriedade da Santa Casa da Misericórdia local está destinado para um “lar de grandes dependentes”. Todavia, o vereador vinca a necessidade de saber quais os cursos que poderiam ser ministrados, já que esse levantamento é necessário, embora tenha estado a ser feito em consonância com o plano estratégico desenhado pela equipa de Augusto Mateus que “já dá uma ideia sobre as áreas de ensino a desenvolver”. Miguel António Rodrigues


Valor Local

Destaque

9

Portadora de paralisia cerebral

Paula gostava de trabalhar à secretária om 34 anos, portadora de paralisia cerebral, Paula Sequeira, moradora em Azambuja, tirou um curso de contabilidade, na área de formação profissional, em Alcoitão, mas está disponível para trabalhar noutras áreas, desde que sentada à secretária, devido às suas limitações físicas. A desempregada devido às dificuldades de locomoção gostaria, sobretudo, de arranjar um trabalho na vila de Azambuja. Está no desemprego desde 2004, ano em que acabou o estágio na Câmara Municipal de Azambuja, como técnica auxiliar. “Tentaram prolongar o estágio, mas depois não conseguiram colocar os papéis a tempo. Desde então, que estou em casa, na esperança de encontrar algo”, refere. Esteve inscrita no centro de emprego, e confessa que recebeu cartas para comparecer em entrevistas para tarefas inusitadas dados os handicaps físicos que possui – “Queriam colocar-me na Auchan a fazer paletes”. (Paula só consegue andar com o apoio de terceiros ou através de canadianas). Em mais do que

C

uma ocasião, o centro de emprego convocou-a para comparecer em entrevistas sem atender à sua deficiência – “Diziam que se tinham esquecido de inserir o código, aquando da emis-

são das convocatórias para entrevistas! Usaram esta desculpa. Também me pediram para ir de supermercado em supermercado fazer promoções de cartões de crédito”, dá conta.

Ao longo deste período de desemprego, Paula Sequeira tem procurado ofertas de emprego sobretudo através da internet. “Tenho tido alguns períodos não digo depressivos, mas já me

Paula com a mãe que a ajuda nas suas deslocações

senti um bocado em baixo. Não tenho transporte e isso limita em muita a minha procura de emprego. Tem ficado de parte o meu sonho de poder trabalhar fora de casa”.

Paula recebe um subsídio do Estado no valor de 282 euros, e nas épocas de preenchimento do IRS, há quem solicite os seus serviços, entre amigos e vizinhos. Desde há dois anos que é também tesoureira, em regime de voluntariado, da Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias, ligada às doenças raras. “É um trabalho voluntário, mas mantenho a cabeça ocupada, o que já não é mau!”, desabafa. Vive com os pais que são reformados. A desempregada considera que muito há por fazer no capítulo da legislação e das oportunidades de emprego para as pessoas deficientes. Apesar de confessar estar um pouco desactualizada na sua área de formação, desejaria encontrar um trabalho como contabilista ou qualquer outro que passe por estar sentada à secretária. Mas Paula lamenta, sobretudo, a carga negativa que é atribuída aos portadores de paralisia cerebral. Na sua opinião deveria optar-se por uma terminologia diferente, pois como costuma dizer não é dos casos mais graves, e possui uma “boa cabeça”.


10

Destaque

Valor Local

Chegou a mandar mais de 400 currículos no início

“Procurar emprego é um trabalho” icenciada em Solicitadoria, Sofia Cândido, residente em Alverca, está à procura de emprego há cerca de dois anos. O último trabalho que teve foi a nível da prestação de serviços jurídicos para o sector bancário. “Como estava a recibos verdes fui das primeiras a sair”, tendo em conta o contexto económico do país. Na sua procura não se tem restringido apenas à área na qual tem formação, mas também tem encetado contactos a nível de ofertas relacionadas com trabalho em escritórios; call centers e lojas. Internet, empresas de trabalho temporário e jornais são os meios, através dos quais procura ver, habitualmente, quais as novidades do mercado. Sofia Cândido tem visto a sua reentrada no mundo laboral complicada pelo facto de ter uma criança com necessidades especiais, que dificulta, à partida, a sua empregabilidade em zonas para além do concelho de Vila Franca de Xira – “Não posso ausentar-me durante muito tempo. O ideal seria um trabalho de seis

L

horas, embora esteja disponível para jornada contínua”, refere, adiantando – “Fiz um levantamento exaustivo de todas as empresas existentes no concelho, entregando em mãos o meu currículo em cerca de 20, e contactando, também, os directores de recursos humanos”. No início da sua situação de desemprego, chegou a mandar cerca de 400 currículos – “5 a 6 por dia”. “Para algumas ofertas, retirei a questão da licenciatura”, detalha. Sofia não tem dúvidas – “Procurar emprego é um trabalho!” Algumas entrevistas deixaram-lhe um travo amargo quando confrontada com a questão da idade (tem 43 anos) e da existência de um filho – “Era uma oferta para inbound (atendimento ao cliente) numa empresa no Parque das Nações, o horário era de seis horas, que era excelente para mim, pois possibilitava dar acompanhamento ao meu filho, já que não tenho com quem o deixar, depois das quatro da tarde, mas disseram-me que o horário seria rotativo. Tive de desistir. Foi frustrante”.

Sofia Cândido sentiu muitos entraves em entrevistas Ou como quando esteve para ser contratada, por uma unha negra, até que o empregador viu a sua idade no currículo. “O discurso mudou completamente; até já tinham tirado fotocópias dos meus

documentos”, recorda-se, embora o anúncio em causa não colocasse a idade como factor eliminatório. O próprio mercado de ofertas de emprego funciona de forma estra-

nha na sua opinião, pois já pôde constatar que as mesmas são “preenchidas em poucas horas” quando colocadas na internet, “desacreditando o sistema de selecção de candidatos”.

No que respeita ao Instituto de Emprego, realça o “papel motivador” dos seus técnicos que “fornecem muitas estratégias e passam uma mensagem de optimismo”. “Dizem que o nosso dia há-de chegar, como se estivéssemos a falar de um totoloto ou de um euromilhões”. “Há algum tempo, foime sugerida uma oportunidade de trabalho pelo IEFP, de acordo com um programa concebido para quem como eu tem mais de 40 anos e possui uma licenciatura, mas como tinha trabalhado durante 15 dias no Natal numa empresa, não preenchia o item do tempo necessário para me candidatar à oferta em causa, pois fiz descontos para a Segurança Social. Mais uma vez senti uma grande frustração”, conta. “A desmoralização é total entre os que como eu marcam presença nas reuniões do centro de emprego, pois já estamos fora do mercado há muito tempo, à espera que algo arranque. Há boas intenções mas as coisas não fluem”. Mesmo assim “é preciso não desistir”, expressa.

Desempregada há dois anos e meio

“Estou disponível para lavar sanitas ou varrer ruas” C

arla (nome fictício) está desempregada há dois anos e meio. Para piorar o cenário, o marido, serralheiro de profissão, encontra-se na mesma situação, há um ano. Ambos tentam desesperadamente encontrar trabalho. Esta família humilde do Carregado recorre todas as semanas ao apoio da loja social existente na localidade, local onde fomos encontrar Carla, que a conselho das técnicas preferiu não revelar a sua identidade. Com o rosto lavado pelas lágrimas confessou que os seus filhos já passaram fome. “Tenho corrido tudo. A minha procura de emprego tem-se relacionado com serviços de limpezas,

supermercados, fábricas, armazéns. Já fui a imensas entrevistas mas sem sucesso”. Carla tem 28 anos e o último emprego que teve foi como operadora de caixa num supermercado. Com uma filha de oito anos e um filho com dois anos, diz sem reservas que um dos contratempos que tem encontrado na altura de lhe darem um emprego prende-se com a existência dos mesmos. “Há pouco tempo fui a uma entrevista para um supermercado na Castanheira. Havia cinco vagas, sendo que a maioria das concorrentes eram jovens sem filhos. É o que os empregadores procuram!”, refere inconformada. Carla dá a conhecer

que a existência ou não de filhos transforma-se quase sempre numa das perguntas sacramentais nas entrevistas. Mas mesmo usando o argumento de que a sogra pode ficar com as crianças, tal continua a constituir impedimento para passar à próxima fase nas entrevistas. E deixa um desabafo – “Estou disponível para trabalhar em qualquer horário nem que seja para lavar sanitas ou varrer ruas”. A sua busca incessante reflecte-se no facto de todos os dias enviar currículos pela internet quer nas áreas onde tem trabalhado quer noutras. “Muitas vezes, saio de manhã para dar uma volta pelas empresas do Carregado para ten-

tar alguma possibilidade, algo que volto a repetir dali a poucas semanas, assim como, o meu marido, que mesmo assim tem conseguido alguns trabalhos temporários. Já tentei em todas as localidades da região desde Azambuja, Vila Franca, até Lisboa”, dá conta, acrescentando – “Actualmente, apenas tenho a lavagem de umas escadas, em que ganho 50 euros por mês. O meu marido está à espera de poder ir trabalhar para Sines ou para o estrangeiro”. Até nesta componente, o panorama já foi mais animador – “Há uns anos atrás, qualquer homem que quisesse trabalhar lá fora na construção era mais fácil do que hoje em

dia. O meu marido chegou a estar dois anos no estrangeiro como serralheiro”. Carla não encontra outra frase que defina tão bem o que a família está a passar - “Tem sido completamente desesperante”, confessa. Quando ambos estavam empregados, o orçamento familiar rondava os 1000 euros. Dado o quadro actual já teve de cortar em muito nas despesas – deixou de comprar roupa e doces, “que agora só entram em casa em altura de festas”. A família vive com 279 euros do subsídio de desemprego do marido. (Só a renda de casa ronda os 300 euros). Carla já esteve na Se-

gurança Social de Vila Franca de Xira para se candidatar ao Rendimento Social de Inserção, mas o seu processo ainda está a ser avaliado. Até lhe disseram que pode ter direito ao subsídio, mas que não sabem se à posteriori o Estado o conseguirá pagar, dado o estado do país. Diz que enquanto esteve a receber subsídio de desemprego não recebeu quaisquer convocatórias para entrevistas por parte do IEFP, mas que ofertas para sessões de formação não têm faltado, algo que Carla considera pouco interessante no seu caso – “Já lhes perguntei se vou viver de um curso”.


Valor Local

Negócios com Valor

11

Quinta de Vale de Fornos com investimento de milhão de euros Com séculos de existência, a Quinta de Vale de Fornos em Azambuja prepara-se para uma nova era. A empresa está a investir na vinha e nas adegas. modernidade a par com a tradição é a nova aposta da Sociedade Agrícola da Quinta de Vale de Fornos no concelho de Azambuja. Carregada de história, esta propriedade foi mandada construir por Dª Antónia Ferreira (Ferreirinha) que posteriormente a ofereceu à sua filha, por altura do casamento desta com o 3º Conde de Azambuja. A “Quinta de Vale de Fornos” foi adquirida em 1972 pelos presentes proprietários a D. Pedro de Bragança, e pelos dias de hoje vive um processo de modernização a todos os níveis, sem contudo “deixar de lado a tradição”, segundo Nuno Morais e João Cortes, os responsáveis pelo projecto, cujo investimento ronda um milhão de euros, sem recurso a fundos comunitários. O arranque da vinha mais velha e a substituição de algumas cepas, bem como, a recuperação de adegas e a revitalização da empresa, estão nas intenções destes responsáveis que seguem, igualmente, as linhas de tradição que mar-

A

cam a quinta. Com perto de 200 hectares no total, a “Quinta de Vale de Fornos”, cujo nome foi inspirado nos fornos espalhados pela propriedade que eram usados para cozer cal, possui 38 hectares de terreno cultivado. O resto será cultivado em breve, ou faz parte da área de floresta, onde abundam os pinheiros, alguns sobreiros e ervas aromáticas, que também farão parte do negócio da empresa. A empresa tem capacidade para armazenar cerca de um milhão de litros, sendo que não tem tido problemas em escoar os seus produtos. Os seus vinhos são bastante conhecidos, e estão disponíveis nos mercados nacional e internacional, mas também podem ser adquiridos na loja que funciona na própria quinta. Nuno Morais e João Cortes salientaram ao “Negócios com Valor”, que o objectivo da empresa não é “concorrer no mercado de forma massiva”, pois os “nichos de mercados são bem mais interessantes”, e é nesse caminho que a em-

presa quer continuar a marcar presença com os seus vinhos, cuja fama e qualidade já a levou a ganhar vários prémios em Portugal e no estrangeiro. Com vinhos tintos e brancos no mercado, a “Quinta de Vale de Fornos” tem um público muito específico. A marca não está disponível em grande quantidade nas grandes superfícies e por isso torna-se mais difícil a sua aquisição pelo cliente nestes mercados. Todavia, e pese embora o facto de a quinta apostar sobretudo nos denominados “nichos” de mercado”, esta possui, contudo, vinhos mais baratos, em que “a qualidade ombreia com a de vinhos de valor mais elevado”. É o caso do lote “Vinha do General” branco e tinto, que pode ser adquirido por menos de três euros. Para já, os vinhos estão disponíveis a nível nacional no Intermarché, sendo que a empresa está, agora, a negociar com o grupo Jerónimo Martins, para que o produto fique disponível nas lojas Pingo Doce, não só em Portugal, mas

também na Polónia, onde o grupo tem actualmente uma forte presença. Com cerca de 38 hectares cultivados de vinha, a “Quinta de Vale de Fornos” é também uma fonte de emprego sazonal para muitas das pessoas de Azambuja. Todos os anos, a empresa contrata cerca de 30 trabalhadores para a vindima. No entender dos responsáveis a apanha manual é sinónimo da manutenção da garantia de qualidade do produto. Nuno Morais e João Cortes que já estiveram a trabalhar noutras empresas, em Espanha e no Brasil, respectivamente, encaram a reestruturação da quinta como um desafio. As vivências adquiridas noutras empresas, são para os responsáveis muito importantes”, e como tal reconhecem “o enorme potencial” da “Quinta de Vale de Fornos”, que abandona para já um projecto de turismo rural, que fica a aguardar por uma próxima fase, já que a empresa decidiu apostar primeiro no sector vitivinícola, que de resto

Responsáveis deram a conhecer novo projecto é o que dá nome ao projecto. À parte dos vinhos, a “Quinta de Vale de Fornos”, tem igualmente duas grandes salas para vários eventos. Os salões que foram antigos aviários, servem agora para a realização de congressos, casamentos, baptizados ou encontros de empresas. No Verão costumam

registar “ uma procura bastante aceitável”. Estes são espaços que no futuro serão igualmente rentabilizados com várias provas de vinhos abertas a grupos, e que terão como objectivo dar a conhecer o que se produz na quinta. Miguel António Rodrigues


12

Estudo/Opinião

Valor Local

Novos Caminhos do Emprego stratégia para a promoção do Emprego e a Dinamização do desenvolvimento local enquanto esteios da Inclusão Social”, é a designação de um estudo que a Cáritas Portuguesa apresentou publicamente no contexto do Seminário: “A Economia Social, o Emprego e o Desenvolvimento” que teve lugar recentemente em Lisboa Como este trabalho, desenvolvido pela empresa IPI Consulting Network Portugal, a Cáritas quis identificar linhas de ação adequadas para a promoção de soluções consistentes na resolução de problemas sociais, cada vez em maior número e de difícil solução, concentrados quer em grupos específicos particularmente vulneráveis, quer na esfera familiar e em pessoas isoladas. A crise económica e financeira global mostra como o trabalho humano está a ser desvalorizado no atual modelo de desenvolvimento, que, cada vez mais nas mãos do sector financeiro, perdeu contacto com a produção, com a indústria, com uma realidade em que a riqueza e prosperidade resultavam do trabalho. Entre as suas principais conclusões está a existência de uma nova geração de políticas sociais

“E

ativas, baseadas na mobilização do conjunto da sociedade e de cada indivíduo, para o esforço de erradicação da pobreza e da exclusão social em Portugal e a sua coresponsabilização nos resultados. A valorização do crescimento da responsabilidade social das empresas e a consciência colectiva e individual para a relevância da inclusão social na construção de novas respostas e de novas formas de intervenção. A promoção de programas que dinamizem clusters locais de desenvolvimento e criação de empresas

da economia social, capazes de favorecer. Fomentar as potencialidades criadas pelos desafios da Economia verde, fomentando as atividades ligadas à floresta, a pequena produção no espaço rural, o turismo enquanto atividade geradora de valor a nível local e nacional, a reabilitação urbana e monumental potenciadora do auto emprego e, os serviços de proximidade com oferta inovadora. Promover os programas adequados à especificidade do território e da sua população, às competências existentes ou a adquirir, designadamente através de forma-

ção on-job, considerando os clusters locais de desenvolvimento definidos. Uma cultura de partilha de meios e trabalho em parceria, entre centros de inovação, organismos do sector público (serviços desconcentrados e autarquias locais), instituições solidárias e outras entidades que trabalham na área da ação social, para ações conjugadas na prevenção, na atenuação ou na erradicação de situações de pobreza e exclusão. Programas consistentes na inovação, na disseminação de boas práticas ou na replicação de expe-

É preciso Mudar a Sério o último 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas, lamentavelmente, assisti nas redes sociais a vários comentários de descontentamento com o país houve até quem tivesse sustentado o seu repúdio com bandeiras pretas…. Os alenquerenses, tal como a maioria dos portugueses, têm sido sujeitos a enormes esforços, mui-

N

tos até, abdicando da qualidade de vida levada até então, motivados pela difícil situação económica e financeira que têm sido alvo. Acima de tudo, existe um pilar que em época de eleições está fragilizado, a falta de credibilidade em quem lhe traça o rumo…. Nesta matéria, todos sem excepção temos responsabilidades acrescidas, impera a necessidade

de se comunicar com verdade, traçando caminhos e propondo objectivos exequíveis, exige-se a todos os políticos locais que não caiam na tentação de fazer promessas ainda para mais, quando não sabem se as podem concretizar. Os contribuintes são quem recebe o valor da factura da crise para pagarem, merecem respeito pelos

seus sacrifícios. Mais que nunca, a campanha autárquica terá de se pautar por uma ética social, económica e ambiental. Evitemos a proliferação de “outdoors” pelo concelho, numa ostentação sem igual, comparável apenas às empresas do sector imobiliário que por força da sua actividade o são obrigadas a fazer. A falta de “saúde” financeira da câ-

riências locais viáveis, estimulando a economia social e apostando no empreendedorismo (com estratégias de criação de autoemprego e de fomento de micro-entidades). O franchising, o crowdsourcing, o crowdfunding, o microcrédito e o marketing social como ferramentas a promover para incubar e desenvolver práticas e negócios sociais bem-sucedidos. O desenvolvimento e instalação de incubadoras sociais regionais, com o apoio de centros de inovação, para desenvolver projetos empresariais experimentais, identificar e disseminar boas práticas na área da economia verde e economia social, é um caminho viável para o fortalecimento local de comunidades, municípios e cidades. O apoio e fomento de uma futura fileira de micro empresas de serviços para reabilitação urbana e patrimonial, formar on-job pessoas em artes e ofícios no sector da construção civil atuando como estágio profissional na recuperação dos bairros deprimidos que habitam e na reabilitação da própria habitação. O apoio e fomento de uma futura fileira de micro empresas de serviços e atividades polivalentes no sector florestal e agrícola.

A conjugação de oportunidades de emprego para pessoas com barreiras à entrada no atual mercado de trabalho (desempregados de longa duração, baixas qualificações, etc.), com o apoio ao desenvolvimento de áreas de negócio de implantação local. Políticas sociais articuladas com políticas económicas, fomentadoras de investimento, que propiciem o desenvolvimento local e o emprego, para que os cidadãos sejam cidadãos ativos, contribuindo, através de novas formas de inserção social, para o desenvolvimento da sociedade. Políticas públicas de discriminação positiva em termos fiscais e regulatórios, incentivadoras do empreendedorismo e do emprego social, ao mesmo tempo que combatem a economia paralela. Atualmente a Cáritas tem em desenvolvimento na sua rede nacional o projeto GIAS – Grupos de Interajuda Social - este Estudo enquadra-se, como ferramenta, no âmbito deste trabalho que quer estimular a canalização de recursos de responsabilidade social das organizações e de voluntariado corporativo de instituições que podem dar um contributo positivo para a integração dos desempregados.

Guilherme Coelho Presidente CDS-PP Alenquer

mara tem responsáveis e esses, estão identificados, são os mesmos há quase quatro décadas, pois é, são os mesmos que se propõem a construir um Município de excelência…. Sei que sim, que isso é possível mas não com os mesmos do costume. Basta de uma gestão que tem vindo a atrasar o município e a colocar uma divida acima do expectável e desejável. É possível a autarquia ter um futuro melhor mas gerida de forma diferente, capitalizando competências que motivem um investimento de valor acrescentado a pensar nas nossas gentes, basta de uma governação de piscar de olhos a interesses imobiliários e da construção criando urbanizações “fantasma” e estradas e que levam a lado nenhum… Nestas eleições, ninguém se pode demitir de dar o seu contributo,

esta é a hora de escolher e trabalhar para as pessoas da nossa terra. O próximo acto eleitoral, definirá se os alenquerenses querem perpetuar o poder, dando a vitória aos mesmos do costume ou em alternativa, optam por uma candidatura altruísta e inovadora a pensar nas pessoas da nossa terra. Uma candidatura que estabelece um compromisso de honra com os alenquerenses, sustentada no rigor, transparência e sem politiquice refém de lóbis alheios aos interesses da população. Trabalhemos pela nossa terra. Artigo feito chegar espontaneamente pelo autor à redacção do Valor Local. O nosso jornal não se compromete com a qualidade das opiniões políticas expressas no mesmo ou em demais que venham a ser publicadas no futuro.


Valor Local

Autárquicas 2013

13

David Mendes quer ajudar empresas na internacionalização Tem 58 anos, reside em Casais das Comeiras, freguesia de Aveiras de Cima, e é o candidato que há algum tempo se adivinhava como sendo o cabeça de lista da CDU às autárquicas. Fomentar a economia está entre as suas metas com a criação de um gabinete que facilite os contactos dos investidores locais com o exterior. Valor Local – Já foi cabeça de lista à Assembleia Municipal, mas também foi vereador, sendo assim o seu nome constituiu-se como uma escolha natural da CDU para as autárquicas 2013? David Mendes – Sim, mas a CDU escolhe os seus candidatos de uma forma diferente da dos outros partidos, cujos candidatos se impõem à estrutura dos mesmos. No caso da CDU foi diferente, pois não tenho qualquer apetência pelo poder. Ser escolhido foi uma honra. ACDU bem como alguns independentes insistiram na minha candidatura, o que me levou a aceitar o repto. Tem a percepção de que António Nobre, eleito há quatro anos, nas listas para a Câmara, como vereador deu pouco nas vistas? Tenho essa noção. António Nobre é meu amigo. Tem uma maneira de estar muito discreta, e para quem não gosta de andar nas bocas do mundo, aliás como eu, não está disposto a destruir essa réstia de intimidade. Mas não se estará a confundir sobriedade com falta de luta política? Não, hoje a luta política está de tal maneira, que, por vezes, é preciso que se faça o pino em cima da mesa para que as nossas ideias sejam escutadas, e o nosso partido nem com isso, consegue ser ouvido. Neste cenário a dois meses das autárquicas – já temos o candidato da coligação de centro-direita no terreno há vários meses, e o candidato do PS é vereador na Câmara Municipal e figura conhecida, a CDU, apenas, agora, apresentou a sua candidatura, não teme que seja um pouco tarde? Não é tarde. É compreensível que António Jorge Lopes da candidatura Pelo Futuro da Nossa Terra se tenha lançado mais cedo, porque necessita de se impor (já o fez nas eleições de 2009, com um resultado nulo, pois não subiu a votação) porque fez parte deste Governo, andou de braço dado com Passos Coelho em Azambuja, de modo que precisava de tempo para tentar destruir essa imagem – estando com um pé dentro e outro fora – e vai ser muito difícil, até ao fim, que ele consiga ‘limpar-se’; ‘sair dessa fotografia que o próprio ti-

rou’. Em relação ao PS está na Câmara e a promiscuidade é evidente entre o candidato socialista

se entusiasmam, mas não é necessário estar a atribuir a culpa a António José Rodrigues quando já

David Mendes quer dar outra dimensão à Feira de Maio e a própria gestão municipal. Por isto tudo, penso que não seja uma desvantagem ter apresentado, agora, a candidatura. Na sua opinião o PS poderia ter mais hipóteses se escolhesse um candidato extra-vereação actual? Não quero falar das hipóteses dos candidatos, porque nesse aspecto tenho de me remeter a alguma humildade, que por vezes alguns candidatos não têm. A escolha é da população. Durante a apresentação da CDU, decorrida durante o mês de Junho, António José Rodrigues disse a frase: “Um cão com um boné de qualquer outro partido já é um bom candidato” que causou algum mal estar. Por outro lado, a CDU diz que tem cidadãos de gabarito nas suas listas para as juntas de freguesia. Tem de falar disso com António José Rodrigues… Foi uma frase infeliz na sua opinião? Não, mas isso é da responsabilidade dele. Não tenho nada a ver com essa frase. Foi dita num contexto muito próprio. A maioria das pessoas que ali estavam eram militantes e simpatizantes da CDU. António José Rodrigues esqueceu-se que estava ali a comunicação social. Talvez tivesse havido esse lapso, mas é natural quando as pessoas

ouvi frases desse género ou até piores da boca de pessoas de outros partidos. Não compreendo essa postura de ‘virgens ofendidas’. A CDU afirma que a Câmara Municipal tem desprivilegiado as freguesias do alto do concelho em relação à sede de concelho e freguesias mais próximas de Azambuja. Refira exemplos práticos? Os projectos com apoio comunitário privilegiavam os grandes centros urbanos, e portanto não se pode fazer um pólis em Manique ou Aveiras, mas o pecado está na má estruturação dos fundos comunitários que deu azo a assimetrias. Basta percorrer a vila de Azambuja que tem usufruído de muito dinheiro da União Europeia, tendo em conta ainda a Sociedade de Reabilitação Urbana. E as freguesias que são da CDU e que não receberam projectos, reivindicaram obras da melhor forma? Não é disso que se trata. A obra do mercado de Manique do Intendente que está em condições de degradação é um claro exemplo. A Câmara gastou dinheiro totalmente emprestado no jardim urbano de Alcoentre, que não é frequentado por ninguém, porque está mal localizado. Esse investimento podia ter sido direccionado para o mercado de Manique. As verbas poderiam ser discutidas no seio de to-

das as juntas, numa lógica de solidariedade, que é também o que proponho no meu discurso de candidatura. A CDU tem sido muito crítica quanto à questão da concessão de água ao privado que a gere desde há alguns anos. Se for eleito, o que fará quanto a esta questão crucial no concelho? Temos de analisar o contrato na parte que é desconhecida, tendo em conta a actual falta de transparência. Os últimos acontecimentos mostram que vamos passar para a EPAL, a empresa mais apetecível quando se fala da privatização do sector. Não queriam privatizar a Águas de Portugal devido às dívidas da EPAL àquela empresa, agora com este sistema a EPAL limpa a caixa. Prevê-se um abaixamento da tarifa mas como a água em Azambuja está concessionada a um privado, vai ficar tudo na mesma, e até lhe pergunto (risos) será que esta empresa vai prescindir do seu lucro? Respondo-lhe evidentemente que não. Quais são as suas ideias para incrementar o concelho do ponto de vista económico. Já falou num gabinete de apoio a instalar na Câmara? Podemos fazer de catalisador, desenvolvendo, por exemplo, um banco de dados daquilo que é produzido no concelho tendo em vista a internacionalização. Dou-lhe esta ideia: Podemos ajudar um produtor de vinho que tenha capacidade de engarrafamento a procurar um investidor no Japão, por exemplo. Como vai fazer isso, tem na sua equipa alguém com bons con-

tactos a esse nível? A Câmara tem alguma capacidade para contratar novos funcionários, mas também podemos fazer isto com quem lá está. Se tivermos de arranjar alguém teremos de saber como, porque os recursos vão minguar cada vez mais; mas para fazer isto não são precisas grandes verbas, mas capacidades. Precisa de alguém com bons contactos no exterior? Alguém com grande capacidade de se relacionar com o exterior, porque não precisamos de números de telefone. Essa pessoa poderia custar algum dinheiro aos cofres da autarquia. Não, porque o que custa é o tráfico de influências – ‘pessoas com números de telefone de outras pessoas na carteira’. Atrair empresas para o concelho também estaria nos seus planos? E visto que a Câmara precisa, desesperadamente, de receitas, aumentar com isso a derrama. Atrair empresas sim, mas não queremos aumentar a derrama, aliás queremos mudar a forma como se olha para este imposto. Gostaria de propor que todas as empresas possam saber para onde vai o seu dinheiro, nomeadamente, através da eleição de uma obra necessária ao concelho consignada ao valor da derrama. Isto moralizaria a derrama. Mas os empresários estão interessados em pagar o menos possível. Podemos perdoar a derrama ao pequeno e médio empresário, mas

não o podemos fazer junto da CLC, por exemplo. Como pretende fazer relativamente às estruturas desportivas subrentabilizadas no concelho? As estruturas sociais e desportivas não têm de ser rentáveis, mas servir os cidadãos, algo que não está a ser feito no que toca às piscinas e outros equipamentos, porque possivelmente foram mal estruturados. Na altura, as pessoas pensaram nos votos; as juntas sem pensarem que a responsabilidade tem de ser partilhada pediram o seu campo relvado. Mas os cidadãos também têm de ser responsabilizadas, porque não faz sentido fazerem-se obras como as que foram concretizadas, para depois serem utilizadas aquém das suas capacidades. A dívida da Câmara já com a EMIA vai nos 20 milhões de euros, se for eleito o que fará para diminuir este valor? Jogando no euromilhões, passo a piada. Se formos eleitos temos de ver qual o estado real do município porque o próprio POCAL facilita muitas engenharias financeiras que disfarçam a real situação financeira; mas penso que até serão mais de 20 milhões de euros, mas a dívida é sustentada. Se as verbas provenientes dos impostos directos e indirectos baixarem muito temos de pedir intervenção do Banco de Portugal. Sílvia Agostinho Este ciclo de entrevistas continua em Agosto com entrevista junto do segunda candidatura mais votada em 2009, e em Setembro com a candidatura encabeçada pelo partido vencedor há 4 anos.

Eleições para as freguesias arlos Valada é o cabeça de lista da “Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra” à Assembleia de Freguesia de Aveiras de Baixo. O candidato assume assim o desafio de concorrer contra a socialista Maria de Lurdes Piriquito, actualmente presidente da Junta, que avança mais uma vez pelas listas do PS. Aliás na lista de Carlos Valada figura, agora, Pedro Graça, que foi eleito pelo PS no presente mandato. Pedro Graça ainda é tesoureiro de Maria de Lurdes Piriquito, mas trocou as listas do PS, pelas Listas da Coligação. As eleições autárquicas para a junta de freguesia de Azambuja vão ser marcadas, pela primeira vez, por uma candidatura independente. Luís Otero refere que um dos objectivos passa por contribuir para melhorar a qualidade de vida dos azambujenses. O candidato destaca que tudo começou “no seio de um grupo de amigos”, em que lhe foi dito que “tinha perfil mas não possuía hipóteses, devido às máquinas partidárias, com campanhas já no terreno”. Com a sigla “MAS” – Movimento Azambuja Social. O candidato diz querer reforçar o apoio aos mais carenciados, nomeadamente, crianças e idosos. Por outro lado, acrescenta que quer melhorar em muito a imagem da freguesia “a nível dos parques, jardins, limpeza das bermas e passeios”. Já foram apresentados e dados a conhecer os candidatos da CDU às juntas de freguesia – José Luís Salema por Azambuja; António Torrão a Aveiras de Cima; António Nobre por Alcoentre e também como cabeça de lista à Assembleia Municipal. Pela União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro, o candidato é José Correia, e por Vila Nova da Rainha, Jorge Amado. A CDU não apresentou os candidatos a Aveiras de Baixo e Vila Nova de São Pedro, apesar de já estarem escolhidos.

C


14

Publicidade

Valor Local


Valor Local

Autárquicas 2013

15

Carlos Areal apoia entrada de privado na recuperação da Chemina Casado, natural do Cadaval, reside na Barrada, Carregado. Já teve funções de autarca na assembleia de freguesia do Carregado e é actualmente deputado municipal, tem como objectivo reforçar os 18 por cento conquistados por aquele partido há quatro anos, e não fecha, por completo, a porta quanto a aceitar pelouros propostos pelo partido que vencer a Câmara. Valor Local – Uma das questões mais prementes, actualmente, no concelho de Alenquer prende-se com as elevadas tarifas de água cobradas nas facturas da empresa Águas de Alenquer. Sabemos que se tem debatido por esta questão, caso seja eleito o que pretende efectuar neste domínio? Carlos Areal – A nossa posição é contrária à concessão, até porque parte dos investimentos prometidos não foram feitos. A rede continua com inúmeros problemas. Os investimentos situam-se, provavelmente, abaixo dos 50 por cento, com um aumento brutal da facturação, que tão depressa tem 29 como 32 dias. Se for eleito, pretendo fazer uma discussão de fundo sobre se vale a pena continuar com este contrato de concessão ou não. Em segundo lugar, e tendo a noção de que é muito difícil revogar o contrato, torna-se necessário exigir outra posição da empresa, pressionando-a a efectuar os contratos de outra forma, tendo em conta as reclamações dos munícipes Como pretende estimular a Economia e o emprego no concelho? O grau de endividamento da Câmara é tal, que 80 por cento dos orçamentos futuros estão consignados para compromissos de pagamento da dívida e de despesas fixas. Dos 25 milhões de euros do orçamento da Câmara, estão livres 5 milhões. A dificuldade de prometer algo mais do que uma gestão muito rigorosa é enorme. Gostava de prometer a baixa de impostos municipais, mas, objectivamente, não sei se tal será possível. Prometo estar atento às propostas de investimento sérias, porque, de vez em quando surgem propostas megalómanas, quer no concelho de Alenquer quer no de Azambuja.

Como o parque de diversões… Essa é uma história muito antiga, mas temos de ver se aparecerá algo palpável ou não. Estaremos atentos. Fomos enganados por muitos políticos respeitáveis no capítulo da Ota numa primeira fase, e depois no que respeita às compensações. Fala da dívida da Câmara, mas parece que estão para avançar as obras da circular interna, e dos centros escolares de Vila Verde dos Francos e de Cabanas de Torres. Estamos a falar da necessidade de aproveitamento de fundos europeus adstritos a essas obras, sob pena de os perdermos. Saúdo as obras dos centros escolares, mas tenho dúvidas quanto à circular. Na sua opinião, trata-se de uma obra de pré-eleições? Tenho muitas dúvidas, até porque a obra não vai ficar concluída, trata-se apenas de mais uma fase. Há problemas mais importantes no município. Quais são as ambições da CDU nestas eleições, tendo em conta o factor surpresa relacionado com o candidato do Bloco de Esquerda, ex-vereador socialista. Pensa que João Hermínio pode baralhar as contas da CDU? Sinceramente, acho que não. Penso que João Hermínio teve algum capital no início do mandato, mas as dificuldades financeiras da Câmara e o facto de se ter enredado em promessas não cumpridas junto de associações e colectividades acabaram por lhe retirar esse capital. Tem sido acusado de pouca transparência. Nestas eleições, o nosso objectivo é reforçar a votação, com a eleição de dois vereadores. O PS tem um lastro de governo com esqueletos no armário e de trapalhadas. O presidente da Câmara diz con-

tudo que a dívida foi diminuída. O problema é que não temos receitas fiscais normais, que nos permitiriam fazer uma boa amortização da dívida, mas dado o cenário de crise no país e em Alenquer, há menos cobrança de impostos, e a dívida mantém-se. Em várias eleições autárquicas, José Manuel Catarino tem sido o cabeça de lista da CDU, como pretende continuar a capitalizar o resultado desta força política, dado que é uma cara nova nestas eleições. Catarino é o candidato à Assembleia Municipal. Não temos zangas ou discussões, nem cada um de nós vai formar listas com outros partidos. Em relação à minha candidatura, estarei, possivelmente, em melhores condições para dar o meu contributo, no que respeita a algumas questões, e manter a luta da tradição da CDU naquele órgão. E tal como Catarino pretende aceitar pelouros oferecidos por outras forças camarárias, se a questão se colocar? Depende das condições e da autonomia que vier a ter, mas é uma questão que não se coloca. No caso da Coligação Pela Nossa Terra não nos esqueçamos que da mesma fazem parte dois partidos que estão no Governo, apesar de não mostrarem o símbolo, e nesse campo tudo faremos para a combater. Vamos ouvir as populações, essa é uma das nossas premissas; e lutar pelos orçamentos participativos, porque não haverá dinheiro para fazer todas as obras. No capítulo dos eventos quais são as ideias da CDU, nomeadamente, a Feira da Ascensão? Penso que a Câmara terá, sempre, de ser parceira da ACICA, não há condições para voltar a ser organizadora. Penso que por outro lado, temos bons equipamentos para

“Esqueletos no armário” o entender do candidato da CDU, uma das razões que leva Jorge Riso a não concorrer a um segundo mandato à frente dos destinos do município alenquerense prende-se com o facto de a Câmara se ver a contas com a insatisfação de vários proprietários de terrenos, onde a autarquia fez obra, sem pagar por isso. Carlos Areal usa a expressão “esqueletos no armário” para se referir a esta circunstância menos clara, em que estão em causa “as obras do centro escolar das Paredes, o pavilhão municipal e o parque de estacionamento da Barrada”. “Ninguém assume isto, mas essa é uma das razões para que Jorge Riso não se candidate”, refere, continuando: “A autarquia prometeu pagar por esses terrenos e desapropriar adjacentes de modo favorável em PDM. A Câmara prometeu que o PDM estaria pronto em 2007, mas estamos em 2013. Os terrenos não foram pagos, as obras foram feitas e agora há processos em tribunal, como o do centro escolar das Paredes e o do pavilhão”. Para Carlos Areal, é muito difícil para a autarquia defender-se em tribunal sobre estas matérias, até porque nesta fase “os lesados, possivelmente, vão exigir valores superiores aos anteriores, calculados com base em valorizações de terrenos. Em alguns destes processos há datas limite, que não foram observadas”.

N

eventos, como a Romeira. Alenquer é conhecida como Vila Presépio e muito se tem falado na possibilidade desta designação poder ser potencializada do ponto de vista turístico. É verdade, mas também temos muitas ideias para a valorização do património de Alenquer. Temos restos de pedras ao abandono, onde se passaram episódios importantes da nossa história, há que pensar na sua valorização do ponto de vista cultural. Temos o teatro Ana Pereira que não está completamente recuperado. Sim, assim como, a Chemina que está para recuperar há anos. Há que procurar também investidores. Regra geral, a CDU defende o investimento público, veria com bons olhos a entrada de um privado? Não me choca. O que nos choca é a promiscuidade entre o público e

Carlos Areal define as suas estratégias o privado, mas quando as coisas estão bem escritas e delineadas não nos incomodamos, e quando não está em risco o interesse público. Sílvia Agostinho Miguel António Rodrigues

O Valor Local contactou a candidatura do Bloco de Esquerda encabeçada por João Hermínio, para uma entrevista nos mesmos moldes, mas o mesmo não se mostrou interessado. Este ciclo de entrevistas continua em Agosto com entrevista junto da segunda candidatura mais votada em 2009, e em Setembro com a candidatura encabeçada pelo partido vencedor há 4 anos.


Publicidade

Valor Local

Profile for Valor  Local

Valor Local - Edição 3 - 19/7/20\3  

Edição Julho do valor Local

Valor Local - Edição 3 - 19/7/20\3  

Edição Julho do valor Local

Advertisement