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Valor Local

Jornal Regional Valor Local • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 18 • 24 Outubro 2014 • Preço 1 cêntimo

“Era uma vez um Aeroporto" estórias de uma novela

Diagnóstico Social de Salvaterra alerta para consumos antes dos dez anos Pág. 5

Montanha de asfalto perturba Casais das Amarelas Pág. 21 Dívida da Câmara do Cartaxo

Pequenos fornecedores no limite da paciência Pág. 4

CM Azambuja: António Amaral diz que tem pouco dinheiro para sonhar Págs. 8 e 9

Págs. 12, 13, 14 e 15


Educação

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Valor Local

“Dia do Refeitório Aberto”

Pais de Alcoentre satisfeitos com as ementas escolares ¢ Miguel A. Rodrigues

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zambuja aderiu ao Dia Mundial da Alimentação com mais um “Dia do Refeitório Aberto”, a 16 de outubro. Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo dar a conhecer aos pais das crianças das escolas a qualidade das refeições servidas, por um lado, e por outro proporcionar em ambiente escolar uma refeição em família. O Valor Local também foi convidado e passou a hora de almoço com alunos do centro escolar de Alcoentre, onde teve ocasião de ver como são servidas as refeições, e quais as reações, na maioria das vezes, positivas por parte dos pequenos alunos a frequentarem o pré-escolar e o primeiro ciclo. Neste dia a ementa foi a contento de todos: frango com arroz, sopa de nabiça e gelatina, que fizeram as delícias dos mais pequenos. Coube ao diretor do agrupamento, o professor António Dias fazer as honras da casa e explicar os detalhes ao nosso jornal, que partilhou mesa com dois alunos do primeiro ciclo, que nunca se queixaram da comida. Como eram mais crescidos queixavamse antes do barulho e da algazarra provocados pelos colegas. O Luís que anda no quarto ano, e que reside em Tagarro, disse à nossa reportagem que costuma apreciar as refeições na escola, menos quando a ementa traz o pouco convidativo “peixe cozido com batatas”. Gosta de sopa,

desde que seja “toda triturada”. O Luís quer ser médico e para isso já conta “com vários atlas do corpo humano em casa”, e promete: “Nunca vou chumbar, porque a minha mãe já disse que quem ser médico nunca chumba!”. Para o professor António Dias, esta iniciativa do município é uma mais-valia até porque os encarregados de educação mostram sempre, em qualquer escola, alguma preocupação com as ementas. Para o docente como são empresas exteriores que confecionam as refeições “há sempre alguma desconfiança natural por parte dos pais”. O diretor do agrupamento destaca que não tem havido queixas sobre a comida, mas há “por vezes um preconceito, porque se tenta comparar a refeição que se serve num refeitório, àquela que é confecionada em casa ou no restaurante”. Para que não existam dúvidas, António Dias refere que em termos de paladar as refeições não podem ser comparadas porque “nas escolas o que se pretende é uma refeição saudável. Não há a procura de um prato saboroso. Não é esse o objetivo principal”. O responsável explica que há uma preocupação no uso de condimentos saudáveis. Aliás, o docente destaca mesmo que nas refeições escolares são apenas utilizadas ervas aromáticas e nunca quaisquer tipo de outros ingredientes para apurar o sabor. As ementas nunca são iguais, nem fixas e a escola procura dar um pouco de

Ana Sofia foi almoçar com o filho tudo com a exceção de alimentos fritos, já que pastéis, douradinhos ou simplesmente batatas fitas, são servidos muito raramente. Tendo sido esta uma iniciativa para juntar pais e filhos, a adesão dos encarregados de educação não foi muito significativa, como de resto o diretor do agrupamento tinha previsto horas antes ao Valor Local. Ou porque muitos estão a trabalhar ou porque nem sempre dá jeito aos encarrega-

Pré-escolar em Aveiras de Cima na ordem do dia stá cada vez mais na ordem do dia no concelho de Azambuja, a necessidade de pré-escolar público em Aveiras de Cima. Atualmente, a instituição particular de solidariedade social (IPSS) local tem a seu cargo este serviço, mas é voz corrente que muitos encarregados de educação se encontram descontentes com os preços ali praticados, embora, à partida, tabelados de acordo com a lei. Alguns pais deixaram de colocar naquela instituição os filhos, e rumaram a instituições públicas vizinhas do concelho, existindo até um transporte para o efeito. A CDU na Câmara Municipal de Azambuja, pela voz do vereador David Mendes, não desarma e exige uma solução para o caso com o estabelecer do pré-escolar público para a freguesia de Aveiras, dando a entender também que se poderia ir mais longe no aliviar da fatura mensal das famílias que recorrem aos serviços da instituição privada. Ouvido pelo Valor Local, Luís de Sousa, presidente do município, dá conta que “não será construído tão depressa o centro escolar”, dadas as dificuldades financeiras do município. Sobre os polémicos preços da IPSS local refere: “Já tive uma reunião na junta de freguesia de Aveiras, onde me falaram em pagamentos a rondar os 100 euros mensais de acordo com o IRS nessa instituição, mas que deveria baixar tendo em conta os protocolos com o Estado. Ainda vou tentar reunir-me com o responsável da IPSS para tentar perceber melhor. Não quero fazer julgamentos apressados”, dá conta. No ensino público, esse valor é de apenas um euro e 46 cêntimos. O autarca dá conta, ainda, de cinco vagas no ensino público em Vale do Paraíso. O presidente da junta de Aveiras de Cima, António Torrão, recorda que a sua freguesia é a única do concelho que não possui pré-escolar público, e que a Câmara deve agilizar o que for possível para reverter este quadro, caso contrário “Aveiras continua a ter uma história triste” neste domínio, com a deslocação de cada vez mais crianças para o ensino pré-escolar público das freguesias vizinhas do concelho do Cartaxo.

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dos de educação. No entanto, entre aqueles que decidiram aceitar o convite da Câmara e do agrupamento, as opiniões saldaram-se como positivas. Ana Sofia participou pela primeira vez em Alcoentre, já que a família mudou-se recentemente de Azambuja. À nossa reportagem referiu não encontrar diferenças nas refeições entre as duas localidades. O filho André Romão gosta da sopa: “Já comia no Centro Social e Paroquial de Azambuja, e aqui também come tudo”, refere Ana Sofia que classifica a ementa como saudável. “Não tenho razões de queixa. É o primeiro ano que está nesta es-

cola, não sabíamos como ia ser a integração, mas ele integrou-se muito bem”. Ofélia Neves com dois filhos na escola de Alcoentre, um no primeiro ano e outro no terceiro, (que participou pela primeira vez nesta iniciativa), não encontra muitas diferenças entre a comida que faz em casa e aquela que é servida na escola. Para esta mãe, os pratos são equilibrados não notando muitas diferenças. Aliás diz que os filhos não têm razão de queixa: “Têm boa boca”, graceja, referindo o equilíbrio saudável das refeições escolares. No final do dia, e no âmbito da

mesma lógica de confeção de refeições saudáveis, decorreu a quarta edição da “Feira das Sopas” levada a cabo pelo agrupamento e integrada no Plano de Educação da Saúde. Os encarregados de educação e os filhos foram convidados a confecionar várias sopas no refeitório da escola. Desta vez as sopas disponíveis e distribuídas aos vários pares foram: canja, sopa de grão com espinafre, sopa de agrião, sopa de feijão-verde e de feijão seco. Esta foi uma iniciativa que contou com uma maior participação dos encarregados de educação, também por se realizar num horário pós laboral.

Centro Escolar de Vila Verde dos Francos inaugurado em Janeiro inauguração do centro escolar de Vila Verde dos Francos só deverá acontecer em Janeiro de 2015, tendo em conta os atrasos na obra verificados por problemas com o empreiteiro e atrasos nos pagamentos da Câmara Municipal de Alenquer. A escola receberá cerca de 50 alunos do ensino básico: pré-escolar e primeiro ciclo. O centro escolar será composto por quatro turmas de 1.º ciclo e duas turmas de jardim-de-infância, por uma zona de apoio administrativo, uma zona de jardim-de-infância e uma outra para escola básica. Para o presidente da junta, Mário Rui Isidoro, trata-se de “uma grande mais valia tendo em conta a degradação do parque escolar existente”. Há poucos anos, foi fechada uma escola em Lapaduços. Atualmente só está a funcionar a escola primária de Vila Verde dos Francos que agregou a de Lapaduços. A freguesia dispõe ainda do jardim de infância. “Quando forem encerrados estes estabelecimentos para abrir o centro escolar o transtorno não será muito porque a nova escola também se localiza dentro da vila, e o transporte pelas localidades está assegurado”. “Claramente para a freguesia trata-se de uma conquista ter uma obra desta dimensão, não quero estar a mentir mas possivelmente há mais de 20 anos que não era feita uma obra desta envergadura na freguesia”, refere o presidente da junta. O centro escolar terá capacidade para o dobro das crianças previstas, e Vila Verde dos Francos espera acolher crianças de outras freguesias vizinhas.

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Cartaxo demora mais dias a pagar a quem deve

Pequenos fornecedores no limite da paciência ¢ Sílvia Agostinho Câmara Municipal do Cartaxo aumentou ainda mais o número de dias que demora a liquidar os pagamentos a fornecedores. São dados da Direção geral das Autarquias Locais (DGAL). A Câmara paga agora em média em 468 dias aos fornecedores, quando nos primeiros meses do ano pagava em 393 em média. Uma dilatação de tempo que não deixará de fazer mossa entre os fornecedores da Câmara. O Valor Local ouviu alguns dos habituais fornecedores do município. Fernando Lourenço da Hidrocampo, empresa dedicada ao comércio e instalação de tubagens, localizada no concelho do Cartaxo, dá conta que, nesta altura, a Câmara lhe deve cerca de 20 mil euros. “Tenho vindo a falar com os responsáveis do município, mas ainda não temos um plano de pagamentos agendado. Estou a aguardar”. O empresário salienta que embora a dívida já seja significativa, não está nos seus planos cortar, eventualmente, o crédito ao município – “Temos de ter paciência. Ainda no outro dia encomendaram materiais no valor de 500 euros. Não posso deixar de fazer negócio”,

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acrescenta, mais ou menos conformado com o estado de coisas. Outra das empresas credoras da Câmara do Cartaxo é a Beltrão Coelho, em Lisboa, ligada ao ramo das fotocopiadoras. Ana Cunha daquela empresa salienta que o município deve “alguns milhares de euros”, sem conseguir precisar a exata quantia, mas tem vindo a cumprir “um plano de pagamentos”. A responsável afirma que para além do Cartaxo, há outras Câmaras na região com dificuldades em pagar a tempo e horas à empresa como Santarém e Rio Maior. “É precisa uma boa dose de boa vontade no meio de tudo isto, até porque temos de recorrer à banca para suportar os custos dos outros”. A Ortobest, no Cartaxo, dedicada ao ramo dos produtos ortopédicos, é fornecedora da Câmara há cerca de 10 anos. Hernâni Ferreira, responsável da empresa, refere que o quadro de dívidas do município para consigo já foi mais complicado – “Já pagaram uma fatura que tinha 1000 dias. Neste momento falta pagar uma com 74 e outra com 19 dias”. “Vê-se que há um esforço da Câmara para pagar, talvez porque fornecemos material para os bombeiros”.´

Paralelamente, a Câmara deu a conhecer nos últimos dias as contas do primeiro semestre de 2014 sublinhando o esforço alcançado na diminuição da dívida perante terceiros durante os primeiros seis meses deste ano. Números de certa forma contrariados, agora, pela lista da DGAL, sinal de que o município até podia estar bem encaminhado mas acabou por borrar a pintura com mais um aumento do prazo mé-

dio de pagamento. Neste momento, a autarquia gerida por Pedro Ribeiro já demora quase tanto tempo a pagar como Paulo Varanda, que em finais de 2012 demorava 470 dias, apenas mais dois dias. Em finais de 2013, já com Pedro Ribeiro nos destinos da Câmara (mas apenas há dois meses), o prazo médio desceu para 373 dias, aumentando para 393 no final do primeiro semestre deste ano, até chegar aos atuais

468. Entretanto, o Valor Local soube que o município destina apenas um dia da semana para atendimento aos fornecedores. O presidente da Câmara do Cartaxo alega que o seu município foi penalizado neste ranking “porque as compras e aquisição de serviços estão a baixar mais depressa do que o abatimento da dívida, cerca de 17,09 por cento, enquanto a dívida desceu 1,26 e isto tem influência no cálculo da

DGAL”. O presidente da Câmara refere que caso não houvesse necessidade de reduzir a dívida a bancos que atingem valores elevados, tais verbas poderiam servir para atenuar a questão dos pagamentos a fornecedores. Contudo a Câmara optou por poupar um milhão de euros na aquisição de serviços a terceiros, sob pena de poder ver as contas penhoradas, tendo em conta o volume da dívida.

Números da DGAL pouco animadores para o Cartaxo

Na Urbanização dos Chães em Aveiras de Cima

Farto de receber as cartas do vizinho caso é dos mais falados nas reuniões de Câmara de Azambuja. O munícipe José Rodrigues de Almeida, residente em Aveiras de Cima, tem trazido o assunto à baila ciclicamente : a correspondência do seu vizinho vem parar à sua caixa de correio, devido ao fato de a numeração da sua rua ser muito confusa. Não raramente, os correios deixam na sua caixa cartas da luz, água, e até do tribunal do vizinho em causa. Morador na Urbanização dos Chães, na Rua José Luís de Brito

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no 5, 1º esquerdo recebe, incorretamente, as cartas do lote 5, 1º esquerdo. “Acontece que os cinco blocos do lado direito da rua, que não tem saída, possuem os números de polícia identificados nas suas portas de entrada, mas os restantes blocos ao fundo da rua, localizados no lado esquerdo têm a designação de lotes com números”, levando por isso à confusão gerada. José Rodrigues de Almeida queixa-se da “chatice” que tal provoca, por ter de ir “deitar de novo na caixa de correio as cartas colocadas inadver-

tidamente” na sua caixa de correio. O munícipe diz que pode dar-se o caso de se ausentar durante vários dias “e as cartas que por vezes podem ser de grande responsabilidade ficarem retidas e ultrapassarem os seus prazos de execução”. O morador já advertiu mais do que uma vez os CTT mas sem grande sucesso. O presidente da Câmara, Luís de Sousa, informa que já oficiou para que o morador cuja correspondência vai parar à caixa de José Rodrigues Almeida para que retifique o caso junto dos

CTT. O autarca diz que não consegue intervir no local e mudar os números de polícia. “Não é a nós que nos compete, mas quem tem de intervir é o senhor cujas cartas acabam na caixa do cidadão Almeida”. José Rodrigues de Almeida não se conforma com a explicação dado que “é do domínio público que a urbanização tem passado por vicissitudes com a ausência de construtores e proprietários algo confusas”. Sendo que “esse fato não deve impedir a alteração dos números de lote para núme-

ros de polícia”, algo que chegou a ser feito pelos serviços em 2011. Por tudo isto, o morador entende que se criou um caso “de impedimento burocrático devido a legislação absurda”. “Um atraso de vida”, consubstancia. O

munícipe pediu à Câmara para que procedesse à alteração pretendida com os custos inerentes aos moradores, para os que não possuírem iniciativa para tal, mas a sugestão não teve eco no município.

Urbanização em causa


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Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Salvaterra

Consumos de álcool e cannabis abaixo dos 10 anos são preocupação Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Salvaterra de Magos deu a conhecer, no final de setembro, o seu diagnóstico social “Proteção em Rede/Compromisso com Sentido”, e segundo Catarina Vaz, presidente da CPCJ local, ao Valor Local, entre outras realidades identificadas, foi possível descortinar que há um número preocupante de crianças abaixo dos 10 anos com “consumos frequentes” de bebidas alcoólicas. A responsável identifica que se trata de uma realidade pertinente neste concelho. “Julgávamos que os consumos estavam sobretudo relacionados com a cannabis em algumas idades juvenis mais avançadas, e ficámos surpreendidos com estes dados”. Trata-se de uma circunstância relacionada mais ou menos diretamente com a deterioração dos laços familiares motivada pela elevada taxa de desemprego, crise económica e de valores. O inquérito levado a cabo permitiu descortinar ainda mais dados preocupantes: Cerca de 14 crianças iniciaram o consumo de cannabis antes dos 10 anos de idade. 62 entre os 10 e os 14, e 71 entre os 15 e os 17 anos de idade. “Se estas crianças e jovens assumem imagine os que não assumem!”, lança. O quadro não é simpático e configura naturalmente a necessidade de intervenção psicológica em crianças e adultos. “Temos muitos adultos que necessitam de acompanhamento psiquiátrico, e muitas crianças com problemas também ao nível da pedopsiquiatria. Temos dois psicólogos clínicos voluntários que atendem as nossas crianças, mas apenas meio dia por semana, teríamos necessidade de ter uma equipa a tempo inteiro. Mas atualmente não chegam para as encomendas. Se tivéssemos uma resposta cinco dias por semana, não faltariam jovens e crianças para as consultas”, destaca. Entre os fatos positivos dados a perceber através deste diagnóstico encontra-se a circunstância de o concelho de Salvaterra apresentar uma baixa taxa de gravidezes na adolescência. Esta é uma realidade que tem registado antagónicas perspetivas sociais – “Há 20 ou mais anos atrás uma jovem de 16 anos grávida era culturalmente aceite, hoje uma mãe dessa idade é considerada quase uma criança. Geralmente as gravidezes na adolescência, hoje em dia, não resultam da falta de informação, mas são fruto de uma

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tentativa de independência e libertação do lar paternal”. Trata-se pois de um novo padrão – “Querem ser mães adolescentes. E a gravidez surge também como um desejo de conseguir uma nova família para substituir a atual, onde a jovem não encontra o carinho e apoio necessários!”. Neste momento, há duas situações que estão a ser acompanhados no concelho. Nestes casos, e na perspetiva de haver consentimento destes pais adolescentes, “há um acompanhamento da CPCJ em articulação com o Serviço Nacional de Saúde, também com alguma ajuda económica através da Segurança Social”. A comissão tem em suas mãos atualmente cerca de 300 processos, e no entender de Catarina Vaz a maior crise é a de valores, mas para isso tem de ser feito um trabalho de raiz e com as gerações de uma forma mais profunda. A estrutura faz um trabalho contínuo com visitas no terreno e atendimentos na comissão, situada nas imediações da Câmara Municipal. Se até 2011, os alertas junto da comissão eram, sobretudo, provenientes de outras entidades situadas na comunidade, hoje são sobretudo os próprios pais que se socorrem da mesma. Embora haja casos de famílias convencidas de que a estrutura serve para dar dinheiro como se de uma espécie de segurança social se tratasse. No que se refere a uma prevalência de casos, se em 2011, altura a que se reporta o estudo em causa, a maioria se referia a situações de negligência, atualmente a fatia alargou-se para os jovens que colocam a sua segurança em risco e a dos outros, bem como a violência doméstica com impacto nas crianças. Quanto a casos de abuso sexual, “estamos a falar de uma estatística residual, que encaminhamos diretamente para a Polícia Judiciária, e Ministério Público”. “Mas quando falamos neste abuso, há várias particularidades porque não implica só o coito, podemos estar a falar de aliciamento”. Nos casos de violência doméstica com crianças, o número de casos tem baixado, mas segundo o diagnóstico da comissão, em 20011, em 41 casos registados, só 14 tiveram lugar na freguesia de Marinhais, seis em Salvaterra, outros seis em Foros de Salvaterra, dois na Glória, dois em Muge. O fato do concelho ser composto por alguma população flutuante, que veio viver para o município por questões económicas, e certa

Catarina Vaz esteve à frente do diagnóstico social forma desenraizada, pode estar na origem, embora de forma parcial, de alguns comportamentos relatados no estudo. “De há dez anos para cá que principalmente Foros e Marinhais vieram aumentar a população, algumas famílias desestruturadas vieram também, talvez porque as rendas de casa aqui sejam mais baratas. E chegam a mudar várias vezes por ano de casa. Por outro lado, temos os casos de quem vivia mais perto da capital e mudou-se para esta região, mas continua a trabalhar naquele grande centro urbano, só que chega a casa às 10 ou 11 horas da noite e não consegue prestar o acompanhamento desejável aos filhos, sobretudo depois das cinco da tarde, quando terminam as aulas”. Depois de elaborado o plano, segue-se agora um faseamento da sua implementação para corrigir os riscos identificados, com uma melhor estratégia na promoção dos direitos da criança junto da comunidade, principalmente ao nível da prevenção primária, envolvendo todos os agentes e população. Um dos grandes objeti-

vos face às carências no acompanhamento de alguns dos problemas referidos, está a criação de um gabinete constituído por um profissional da área da pedopsiquiatria. “Nem toda a gente tem dinheiro para pagar um psicólogo privado, e o hospital de Santarém não consegue suprimir esta necessidade”. Por outro lado, a batalha no que toca aos consumos de estupefacientes e álcool em tenra idade tem de começar na família, “com uma aposta muito forte na prevenção primária logo no pré-escolar”. “Temos de começar cada vez mais cedo”, sublinha. E com uma abordagem diferente sobre as drogas, “porque enquanto estamos preocupados com a cannabis já muitos deles andam a consumir drogas sintéticas e sabem muito mais do que nós sobre esse universo”. “Temos alguns casos desses. A internet veio despoletar esse fenómeno. A faixa etária entre os 14 e os 17 anos é muito problemática a nível dos consumos. E quando temos uma criança a dizer que já experimentou drogas antes dos

10 anos, podemos multiplicar esse número por mais 10, porque a maioria não diz a verdade”. No que se refere às sintéticas – “Estão na moda os denominados cristais, depois de uma fase com a quetamina, um anestésico para os cavalos”. “Este concelho é particularmente explosivo com crianças mas também adultos, embora muitos casos não sejam do conhecimento público. Não quero criar aqui um clima de alarme social, mas agir é com certeza uma necessidade urgente”. Ainda na memória de muitos e sobretudo na história da CPCJ de Salvaterra, está o célebre episódio da retirada de três filhos menores em 2008 a uma família de Foros de Salvaterra, quando as forças de segurança entraram na habitação da mesma a altas horas da noite, levando as crianças que permaneceram durante vários meses numa instituição. A atitude provocou uma onda de consternação geral na comunidade, que ajudou a família na construção de uma nova casa para que pudesse voltar a ter os filhos.

Atualmente, a CPCJ de Salvaterra é composta por novos elementos, e Catarina Vaz sem querer dar opinião sobre o que se passou com este caso que colocou a comissão autenticamente sob fogo cerrado dos jornais e da opinião pública, reflete que “uma retirada é sempre feita quando há condições muito graves e especiais. Só se retira quando não há família idónea à volta, ou sem suporte.” “Possivelmente, a hora escolhida e a maneira como foi feita é que podiam ser diferentes, mas não estava cá na altura, por isso não posso ajuizar por completo”. Catarina Vaz não contraria contudo que aquele caso mexeu com a dinâmica das comissões de proteção de crianças e jovens do país. “Algumas foram achincalhadas e a de Salvaterra também”. A responsável assegura que as comissões “trabalham com fatos e sempre que se verifica uma retirada há com certeza um cenário de perigo eminente ou perigo de morte. Não podemos é contar a verdade mesmo que seja para nos defendermos, porque o sigilo está acima de tudo”.


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Homenagem a Alcino Soutinho nos sete anos do Museu do Neorrealismo O

Museu do Neorrealismo soprou, no dia 20 de outubro, sete velas, e a data serviu no fundo para o município de Vila Franca prestar homenagem ao homem que arquitetou o edifício do museu- Alcino Soutinho, falecido no ano passado. “Começámos por lhe dizer que a área que tinha para fazer o museu não era generosa, mas devido ao seu talento conseguiu criar esta obra esplêndida que temos aqui”, lembrou o presidente da Câmara, Alberto Mesquita. “Com a mudança de instalações, o nosso museu do neorrealismo ganhou um novo fôlego, quer a nível nacional, quer internacional, com a vinda de muitos investigadores estrangeiros a este espaço”. Desde 2007, ano da sua inauguração, já tiveram lugar cerca de 70 exposições evocativas do espólio do neorrealismo nas suas diversas linguagens. Prosseguir a investigação, conservação do acervo e exposição são os objetivos para o futuro do espaço, grosso modo.

Também não faltaram elogios para a memória de Alcino Soutinho por parte do seu colega de profissão Sidónio Pardal, mas também o presidente do conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, elogiou as qualidades pessoais e profissionais do mesmo. Quanto ao museu do neorrealismo, exprimiu– “Já fazia falta no Portugal democrático um espaço de divulgação cultural e reflexão científica de que é exemplo este museu do neorrealismo, um dos maiores movimentos de oposição à ditadura salazarista”. O mecenas e banqueiro portuense também deu a conhecer que tomou contato com o braço do neorrealismo enquanto movimento literário aos 16 anos quando começou a ler obras dos seus nomes mais sonantes, como Alves Redol entre outros. Já o diretor científico do museu, António Pedro Pita falou da “singularidade” do mesmo, que procurou desde o seu anterior diretor, David Santos, “contemplar um programa centrado no movimento

do neorrealismo como um todo, e não apenas num estilo, autor ou uma época”, como é observável “noutros museus do género”. O responsável destacou a qualidade do acervo encontrado, constituído por espólios literários, artísticos, e

editoriais de um vasto conjunto de nomes do neorrealismo como sejam os de Armindo Rodrigues, Alves Redol, Carlos Coutinho, Carlos de Oliveira, Soeiro Pereira Gomes entre muitos outros. Deixou também uma palavra de agradeci-

mento aos que consigo trabalham – “uma equipa dedicada para além de horários e de comodidades”. O Museu do Neorrealismo conseguiu também estabelecer parcerias interessantes com a sociedade civil, instituições e coleti-

vidades populares. A sua cafetaria é também um ponto de encontro para muitos. Um dos objetivos traçados pelo diretor prende-se para já em ultrapassar os 12 mil visitantes, número máximo atingido em 2009.

Homenagem a Soutinho com a presença da sua família

Ainda o impasse nos postos da GNR de Salvaterra e Alenquer O

s militares da GNR de Salvaterra de Magos e de Alenquer vivem em condições deploráveis no interior dos respetivos quartéis. Se em Salvaterra já foram feitas algumas obras no posto local, e a situação foi mais ou menos minimizada, mas ainda longe da desejável, até por-

que muitos dos militares dormem nas instalações da falcoaria. Já em Alenquer o caso torna-se ainda mais gritante, porque o espaço encontra-se muito degradado com condições mínimas de conforto para os elementos da força de segurança. Quer num caso quer noutro as câmaras munici-

pais têm tentado agilizar esforços junto do Ministério da Administração Interna para se conseguir resolver o problema, dado que novas instalações construídas de raiz é algo que está para já afastado de hipótese O Ministério da Administração Interna (MAI) questionado pelo

nossos jornal respondeu que “está consciente das condições em que se encontram as instalações da Guarda Nacional Republicana no território do município de Alenquer”. “A Câmara Municipal tem prestado uma útil colaboração na procura de soluções, estando o MAI a desenvolver ati-

vamente diligências no sentido de determinar a melhor definição das instalações da GNR no concelho de Alenquer”. Por sua vez, no que diz respeito a Salvaterra de Magos a tutela prossegue no mesmo tom lacónico. “Temos contado com o contributo ativo dos representantes

Gabinete de Apoio ao Idoso em Salvaterra A Câmara Municipal de Salvaterra de Magos vai avançar com a constituição de uma equipa de proteção ao idoso, composta por representantes do município, Segurança Social,

IPPSSs, bombeiros, GNR. Helena Neves, vereadora com o pelouro da ação social, refere que no âmbito das jornadas da saúde e do social, teve lugar um debate sobre violência intrafa-

miliar na terceira idade, e daí também a necessidade de se estar mais próximo daquela camada da população. “Estamos num processo inicial de despistes, cujas situações não são fá-

ceis de identificar, porque muitos idosos vivem sozinhos”. A equipa de proteção ao idoso é um “trabalho pioneiro porque não conhecemos outro no país”. “Pretende-se alertar a própria

comunidade para as realidades dos nossos idosos e suas problemáticas”. “No debate que teve lugar em Salvaterra, foi dado a conhecer que muitas famílias tentam es-

O artesão de barcos típicos A última edição da Feira de outubro de Vila Franca de Xira que decorreu até ao passado dia 12, voltou a revelar excertos da nossa cultura e da nossa arte. Muitos foram os artesãos que estiveram presentes, tendo alguns sobressaído mais do que outros, quer pela originalidade, quer pela complexidade dos trabalhos. Raul Oliveira foi um dos artesãos que mais chamou a atenção com as suas réplicas de barcos típicos do país. Ao Valor Local, Raul Oliveira de 55 anos descarrega o stress da profissão na paixão pelo artesanato. Agente da PSP destacado em Lisboa, desvendou que já

há muitos anos se dedica a fazer barcos em miniatura, mas à escala. Raúl Oliveira começou há muitos anos com este passatempo. O gosto pelas miniaturas já o tinha há muitos anos e como esteve na marinha, esse gosto foi sendo apurado. O artesão do Forte da Casa refere ao Valor Local que este “hobbie” é mesmo um “escape” para a sua profissão. Nos fins de semana e nas horas vagas encontra sempre um pouco de tempo para se dedicar à manufatura destes barcos. A perfeição na elaboração destes modelos, é sinónimo de dedicação e empenho que coloca em prática depois de um dia de traba-

lho. Raúl Oliveira dedica-se sobretudo à construção de réplicas de barcos típicos. Na bancada o artesão exibe com orgulho um exemplar do barco varino, o “Liberdade” que é propriedade do município de Vila Franca de Xira com um preço a rondar os 750 euros, mas Raul Oliveira destaca que a venda destes modelos não compensa financeiramente. “Estamos em crise e fazemos sempre uma atenção” O artesão destaca que neste setor já houve melhores dias, embora só se tenha dedicado à venda e à presença em algumas exposições desde há seis anos atrás.

O artesão e a sua obra

do município, na procura ativa de soluções para melhorar as instalações locais dos militares. No médio prazo prevê-se a realização de obras de adaptação nas atuais instalações da força de segurança, estando em análise a eventual realização de outras intervenções no futuro.”

conder este tipo de casos de violência. Há idosos maltratados por filhos e outros familiares. É importante alertarmos os nossos parceiros para que fiquemos alerta”.


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Dossier: Águas

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Luís de Sousa sobre as polémicas do aditamento ao contrato com a ADAZ

“Temos de acabar com esta guerra toda!” concelho de Azambuja está prestes a entrar em mais um capítulo da novela das águas. Isto porque estará por dias a chegada de mais um veredicto da Entidade Reguladora de Águas e Resíduos (ERSAR) ao aditamento ao contrato em curso entre a Águas da Azambuja e a autarquia, que prevê aumentos de 21 por cento no tarifário. Luís de Sousa presidente do município, ao Valor Local, refere que na sessão promovida pela assembleia municipal no passado mês de setembro, os elementos da ERSAR confidenciaram que os novos esclarecimentos da Câmara e da concessionária já respondiam melhor a algumas dúvidas suscitadas pelo primeiro parecer. O presidente do município está confiante que o próximo parecer saia a contento de todas as partes envolvidas. Luís de Sousa deposita ainda grandes esperanças na nova reestruturação que o setor vai enfrentar nos próximos meses com a agregação dos sistemas intermunicipais, que fornecem a água em alta, em três grandes sistemas multimunicipais. A Águas do Oeste (AO) passará a integrar um desses sistemas e com isso pretendese ganhar economias de escala e embaratecer todo o ciclo de captação, armazenamento e distribuição da água. Segundo esse documento, pode-se verificar que está previsto que a Águas do Oeste fique no sistema da Águas de Lisboa e Vale do Tejo e EPAL. Calcula-se que na fatura final para um consumidor de 10 m3 mensais incluído num dos concelhos da Águas do Oeste, a água desça 1 euro e 83 cêntimos bem como o saneamento. Como Azambuja tem mais um intermediário neste ciclo (Águas da Azambuja) é provável que este valor sofra oscilações. O vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, Jorge Lopes, nas últimas reuniões de Câmara exortou o município a face esta nova reestruturação, tentar jogar com mais algumas cartas para que o aditamento possa recuar. “Pensamos que a água vai baixar um pouco, mas estamos na expetativa para ver o que se seguirá por parte do Estado”, referiu Luís de Sousa que para já prefere não se adiantar aos acontecimentos, sendo certo que o aditamento seguirá o seu percurso normal. Luís de Sousa acredita que pese embora a circunstância de Azambuja possuir uma concessionária privada, o município também vai ficar vinculado à reestruturação do setor e com isso beneficiar das descidas no preço da água “mesmo com o aditamento ao contrato aprovado”. “Claro que vamos ter de nos adaptar à nova lei, isso

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está mais do que assente”. Também no documento remetido à ERSAR relativo ao aditamento, pode ler-se que face à reestruturação do setor em perspetiva e alteração tarifária a montante na Águas do Oeste, as partes (Águas da Azambuja e Câmara) “deverão acordar os termos em que o anexo da revisão das tarifas será revisto”. A odisseia da renegociação do contrato entre a Câmara e a ADAZ já é longa, e neste processo, a oposição no concelho não se tem cansado de dizer que o presidente da Câmara tem escondido de tudo e de todos a documentação sobre o novo aditamento e em especial o novo caso base, Luís de Sousa defende-se – “As mentiras não valem nada. Tudo o que é pedido pelos vereadores faço questão de lhes encaminhar. Estou sempre disponível. Ainda ontem colocámos no site uma série de respostas que pedimos à Águas do Oeste. Eu não devo nada nem temo nada. Quanto ao caso base a mesma coisa”. O Valor Local reforçou – “Se algum eleito ou cidadão pedir esse novo caso base, o senhor presidente facultará sem dificuldade essa informação?”. Sousa respondeu – “Com certeza que sim, não escondemos nada”. “Ainda numa das últimas reuniões, o vereador Jorge Lopes acusoume de nada mais termos feito no capítulo dos resíduos. Mas temos um estudo completo que mostrei aos vereadores da oposição. Nenhum se interessou em levar a pasta para consultar. Apenas David Mendes da CDU é que, ainda assim, tirou algumas fotocópias”. Os novos aumentos da Adaz poderão estar em breve ao virar da esquina, e nesta renegociação Luís de Sousa refere que as coisas têm corrido normalmente. Neste processo, a concessionária já alegou que os 21 por cento de aumento se situam longe do valor desejável para equilíbrio total da concessão. Certo é que a Águas da Azambuja que no início da concessão pagava um valor anual de rendas à Câmara de 208 mil euros, paga atualmente 23 mil e 200 euros por ano. “Quando a concessionária chegou em 2009, as infraestruturas eram todas da Câmara, entretanto e à medida que a mesma se tornou mais autónoma e construiu as suas próprias obras para todo o sistema em baixa, o valor das rendas baixou”. Por outro lado, nas últimas semanas têm sido desencadeadas conversações para as obras que a AO tem de completar no alto do concelho, em localidades como Tagarro, Arrifana, Casais das Boiças e Alcoentre. “Têm existido alguns desaguisados com eles porque a

Luís de Sousa assegura que tem mostrado todos os documentos pedidos responsabilidade é da Águas do Oeste. Estamos a ver se conseguimos negociar os juros, e a ver se conseguimos colocar as dívidas entre as partes, ADAZ e AO, a zero.” Na questão dos mínimos, Luís de Sousa lamenta que a AO tenha câmaras com captações próprias enquanto outras dependem apenas do sistema intermunicipal. – “Acabou-se com os mínimos, mas também andámos a verificar as contas e chegámos à conclusão que a Águas do Oeste nos devia dinheiro. Penso que agora com o fim dos mínimos tudo ficou sanado. Esperamos que eles desbloqueiem as obras no alto do concelho”. No que se refere à possibilidade de o aditamento ao contrato poder ir parar a Tribunal Arbitral se o mesmo for chumbado na Assembleia Municipal, adianta que, recentemente, conversou com o presidente da Câmara de Barcelos, onde a concessão privada levou a autarquia à barra da justiça, que se viu obrigada a pagar uma pesada indemnização pela quebra do contrato, e enfatiza que o caso daquela localidade “nada tem a ver com o de Azambuja”. “Não podemos continuar a empolar os contornos deste contrato e temos de acabar com esta guerra toda. Os responsáveis da empresa até têm tido alguma paciência e calma”. Sobre a postura da empresa tantas vezes criticada pela população sobre o modo como o atendimento ao munícipe é efetuado, Luís de Sousa refere que a direção da Aquapor lhe transmitiu que desconhecia tal, mas a Câmara instou a empresa a melhorar o atendimento. “Eles têm de tratar os munícipes como deve ser!”. O autarca reconhece ainda que neste processo, o presidente da Assembleia Municipal, António José Matos “tem sido incansável na agilização das reuniões e esclarecimentos com a ADAZ”. “Somos acusados

de esconder a verdade, mas isso é falso. Forneço todos os elementos necessários, até no que respeita ao caso base se tal me for solicitado”. No que se refere à eleição de Cunha Marques como alvo a abater por parte de vários setores políticos do concelho, que colocaram em causa a sua idoneidade para estar à frente da comissão de acompanhamento das águas, refere que ainda não está completamente fora de hipótese a sua não

permanência. “Fico admirado com o medo da oposição perante o nome de Cunha Marques. Mas estamos a ponderar e a conduzir o processo da forma mais correta, com concordância de nomes entre a Câmara e a concessionária”. Luís de Sousa referiu desde o início do processo que quer manter o nome de Cunha Marques e que não abdicaria do mesmo. Perante as pressões que foram exercidas pela oposição em peso, o autarca diz que se abdicar do seu nome

no futuro não quer dizer que acabou por ceder ou fazer, pura e simplesmente, a vontade aos detratores do nome do especialista em águas. No entanto, não tem dúvidas em avançar – “Denegriram a imagem do Cunha Marques, e tomaria a essa gente toda chegarlhe aos calcanhares”. O autarca assegura que entretanto a constituição da comissão avançará, – “E a vinda do doutor Cunha Marques não está completamente fora de hipótese”.


Política

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Valor Local

António Amaral diz que tem pouco dinheiro para sonhar O vereador da Cultura, Desporto e Coletividades na Câmara de Azambuja dá conta de alguns projetos que gostava de ver desenvolvidos mas que vão permanecer em banho-maria durante mais algum tempo. António Amaral responde às críticas de que os seus pelouros são pouco ativos. ¢ Miguel A. Rodrigues assado um ano das eleições autárquicas, António Amaral, vereador da Câmara Municipal de Azambuja, com os pelouros da Cultura, Educação e Coletividades, considera que o trabalho que tem sido feito em conjunto com a sua equipa tem um balanço positivo. O vereador que foi durante mais de 20 anos presidente da Junta de Freguesia de Azambuja, esclarece que esses anos deram-lhe “traquejo” para lidar com alguns problemas. Em entrevista ao Valor Local, António Amaral, que reconhece que o “barco” tem agora outra dimensão, sublinha que a fase de adaptação não demorou muito, estando agora mais “por dentro dos assuntos e das suas resoluções.” Numa entrevista gravada no Museu Municipal Mateus Arenque, que comemorou recentemente 10 anos de existência, o vereador destacou que o espaço está bem vivo, e que a autarquia tem feito os possíveis, em conjunto com os técnicos, “para que o mesmo continue ativo”. “Já fizemos alguns eventos, por altura da Feira de Maio ligados à tauromaquia, e agora com os eventos ligados à comemoração do aniversário, ao mesmo tempo que temos tentado captar as escolas e as pessoas para conhecerem todo este grande espólio”. O vereador sublinha que o espaço é muito procurado pelas escolas e pelos turistas, e por isso “permanece aberto até às seis da tarde e ao fim de semana”. Quanto à divulgação para o exterior, o vereador resume essa tentativa à internet. “É esse o canal que temos para a divulgação” vinca António Ama-

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O autarca tem sido acusado de fazer pouco ral, que sublinha a importância de fazer chegar essa informação às escolas. No pelouro da Cultura, António Amaral faz uma radiografia positiva, embora o mesmo seja atacado de alguma “inatividade”. O vereador destaca que os

24 anos em que esteve na junta “foram uma grande escola”. O responsável considera que a sua equipa tem reagido bem, face aos tempos de crise que o país atravessa. “Os tempos são outros, não dispomos dos meios financeiros de antes. Há que ter

mais imaginação e temos por isso uma equipa boa. Tenho comigo bons profissionais, pessoas que se dedicam e que gostam daquilo que estão a fazer”. Para António Amaral, esse é meio caminho andado para que mesmo com pouco dinheiro, as

coisas evoluam, apesar das muitas críticas que vão surgindo de diferentes setores que dizem que o seu trabalho naquele pelouro tem sido quase inexistente, ou pelo menos pouco visível, desde que tomou posse. A provar a dinâmica da Cultura,

o vereador lembra que a autarquia, desde que assumiu funções há perto de um ano, já editou três livros. “Continuamos com projetos no museu, nas bibliotecas, vamos assinalar o Mês da Música com um concerto na Igreja Matriz, e vamos


Valor Local dando passos no sentido de fazermos ações sem gastarmos praticamente dinheiro nenhum”. No que toca aos horários mais reduzidos das bibliotecas no Verão, António Amaral explica que tal foi concertado com o presidente da câmara de forma a possibilitar também aos funcionários, um mês de agosto mais tranquilo, “até porque a afluência é mais reduzida”. O Valor Local sabe de algumas queixas de frequentadores face a esta alteração, mas António Amaral sustenta que a decisão “só gerou uma queixa”. Passada esta fase, as bibliotecas do concelho voltaram ao horário normal. O vereador destaca que tal é um imperativo, tendo também em conta a necessidades dos estudantes que usam aquele espaço. Já quanto ao espólio, o vereador refere que “alguns padrinhos da leitura têm doado obras”. Para além disso, uma empresa fez uma doação de alguns dvds “num valor considerável”, lembrando que no próximo orçamento, está contemplada a aquisição de novas obras, nomeadamente, para os mais pequenos. Sobre a biblioteca móvel, um projeto iniciado pelo anterior vereador da cultura, Marco Leal,

mas que nunca foi concluído, António Amaral, esclarece que tal não é uma prioridade. Aliás o vereador diz desconhecer esse projeto, e lembra que o concelho está razoavelmente coberto com as bibliotecas de Azambuja, Aveiras de Cima e Alcoentre. No que respeita ao setor do Desporto, Amaral considera o Programa de Atividade Física para Todos (PAFT) como prioritário, “reconhecido por toda a gente, até a oposição acha que se trata de um excelente programa”. O PAFT que decorre um pouco por todo o concelho, tem a mais-valia de contar com o envolvimento das coletividades e das juntas de freguesia. Críticas das coletividades quanto à falta de pagamento de apoios contratualizados com a Câmara não têm faltado vindas de todo o concelho, mas Amaral diz que os subsídios “vão sendo pagos à medida das possibilidades”. O responsável assegura que estão a ser feitos todos os possíveis para, até ao fim do ano, se possa acertar contas com as 42 coletividades do concelho no que toca ao ano de 2013, mas pagar os apoios de 2011 e 2012 será “impensável”. Fora disso, a Câmara continua “a apoiar a nível logístico”.

Política O vereador salienta que por vezes se tem uma ideia errada sobre a realidade do apoio camarário aos clubes, que não se resume apenas a um cheque. A título de exemplo, o vereador destaca um protocolo existente com a Associação de Futebol de Lisboa, na qual estão inscritos três clubes do concelho, nomeadamente, o de Vila Nova da Rainha, o Grupo Desportivo de Azambuja e o Aveiras de Cima Sport Clube, em que a Câmara paga as inscrições dos clubes que rondam os dez mil euros. “É dinheiro”, justifica. “Não podemos falar apenas do apoio através de um cheque. Pois durante todo o ano, há pedidos para montar palcos, solicitações de autocarros entre outros.” O vereador destaca também a cedência do Estádio Municipal: “Não cobramos nada aos nossos clubes. Pagamos água, luz, horas para os treinos. Enfim há aqui uma componente muito grande. Por vezes pensa-se que é só o cheque”. Castro de Vila Nova de São Pedro revitalizado Ainda no que respeita à Cultura, o “Castro” de Vila Nova de São Pedro, merece por parte deste

executivo, “alguma atenção especial”. Segundo António Amaral, para breve está o início da revitalização do espaço. “Sabemos que são terrenos privados, mas estamos conscientes da importância do local para a nossa história e para o nosso concelho”. O vereador salienta que a edilidade pondera em conjunto com técnicos da Câmara e arqueológos dar início à revitalização do espaço. António Amaral refere que o local tem de ser limpo com cuidado, nomeadamente, fazendo uso dos conhecimentos dos arqueológos com o objetivo de se proceder à “desmatação do local e qualificação daquela zona”. Segundo adiantou ao Valor Local, o vereador pondera que no local seja construído um parque para autocarros, bem como sinalética e informação sobre o sítio em causa. A juntar a isto, o vereador quer levar a cabo um seminário sobre o tema, com visitas dos munícipes interessados ao Museu do Carmo, de modo a que possam constatar no local o património que lá existe referente ao Castro. “Vamos tentar divulgar ao máximo, até porque alguns estrageiros já solicitaram visitas nesse senti-

9 do”. Mesmo ao lado do monumento, está a Casa João Moreira. O edifício em ruínas foi adquirido pela Câmara há alguns anos para melhorar a curva de acesso a Vila Nova de São Pedro, mas também para servir de centro de interpretação. Sobre este assunto, o vereador esclarece que, por enquanto, não há verbas para a reabilitação da casa, mas não coloca de parte que a mesma venha a fazer parte deste projeto. O vereador salienta que o espólio de João Moreira tem valor e está guardado. “Ainda não perdemos a esperança de conseguir concretizar algo”. Barco “Vala Real” aguarda melhores dias Adquirido no final dos anos 90 pela Câmara Municipal de Azambuja, o barco varino “Vala Real” tem agora pela frente uma reparação a rondar os 50 mil euros. A embarcação esteve em água doce mais tempo do que devia, tendo sido também descurada a sua manutenção, e por isso, a sua recuperação é agora mais difícil. O barco que participou ativamente na “Rota dos Mochões”, tem agora um futuro incerto dadas as dificuldades fi-

nanceiras da autarquia. Mas a embarcação que se encontra na doca de Sarilhos Pequenos, na Moita, continua nos planos de António Amaral. O vereador salienta que o barco sempre teve muita procura e que “o interesse na sua recuperação é extensível a todo o executivo”. “Faz-nos doer o coração ver o barco da maneira como se encontra”, e por isso a autarquia tentou uma abordagem a um privado que tinha mostrado interesse na sua recuperação, bem como interceder numa divulgação diferente do projeto. Todavia os valores envolvidos foram maiores do que os esperados, à volta de 50 mil euros, algo que afastou por enquanto o empresário. Ainda assim, António Amaral diz que a autarquia não desistiu por enquanto desse sonho. Na forja poderá estar agora uma candidatura para a recuperação do barco a fundos comunitários, com o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e da comunidade intermunicipal. Essa parece ser a próxima esperança para que o barco volte às águas do Tejo. Veja a entrevista completa em vídeo no site em www.valorlocal.pt

Azambuja sai da lista negra das dívidas municipais município de Azambuja paga atualmente a 49 dias, em média, aos fornecedores. No final de 2013, a autarquia apenas conseguia liquidar os pagamentos em 125 dias, e em Junho do ano passado demorava quase um ano, em média, a pagar aos credores: 317 dias. Pela primeira vez, nos últimos anos, a Câmara consegue sair da lista publicada trimestralmente pela Direção Geral Das Autarquias Locais (DGAL) com os municípios que demoram mais de 90 dias a pagar aos fornecedores. Pelo que no entender de Luís de Sousa, presidente do município, estamos perante “um bom salto” “mercê da política de contenção

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levada a efeito”. “Quando nos acusam de não fazermos obra, estamos conscientes disso, mas primeiro há que pagar a quem se deve e arrumar a casa.” “Para já conseguimos poupar algum dinheiro. Estamos a gastar apenas no que é imprescindível, para se conseguir abater a dívida. Equacionamos bem as compras a fazer tentando racionar no que é possível”. O vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, Jorge Lopes referiu, numa das últimas reuniões do executivo, que a Câmara não fez nada de especial no controle da dívida até ao momento. Recorde-se que o nosso jornal na sua edição onli-

ne, no final de agosto, referia que a autarquia diminuíra o valor da dívida em 1 milhão e 200 mil euros desde março a 31 de agosto, passando agora a um passivo de 11 milhões de euros, (contada também a dívida a bancos) mais os 7 milhões e meio da Empresa Municipal de Infraestruturas de Azambuja (EMIA) Jorge Lopes desvalorizou e atirou : “O que o senhor (Luís de Sousa) fez é tão fácil como respirar, basta ficar sentadinho à espera que caiam na conta bancária da Câmara os valores de três milhões de IMI e de outras receitas e com isso aguardar que fique saldada a dívida aos

Impasse nas freguesias do Cartaxo inda não há um desfecho concreto para o vazio político nas freguesias de Vila Chã de Ourique e Ereira/Lapa, no Cartaxo, ambas do PS, e onde quem venceu as eleições não conseguiu reunir consensos com a oposição, no primeiro caso, e no segundo com o presidente da junta a interromper o mandato, há vários meses, sem dar muitas justificações. Nos últimos dias a mesa da assembleia de Ereira/Lapa foi destituída e vive-se também naquela freguesia uma situação de vazio político. São tempos turbulentos para a concelhia do PS, mas o seu presidente António Morão, ao Valor Local, refere que “as reuniões estão a ter lugar de modo a que se possam gerar consensos, com a análise de todas as propostas da oposição”. Já foi adiantado pela CDU um cenário de eleições para Vila Chã de Ourique dado o extremar de posições verificado nas últimas semanas, mas o líder da concelhia não quer antever esse cenário, “pois quem foi eleito tem legitimidade para governar”. “Para além de que os fregueses não estão a ser prejudicados”, nota Morão, que reconheceu, contudo, que sem orçamentos e verbas transferidas, (porque a assembleia de freguesia não consegue funcionar em condições) devido ao caos vivido particularmente em Vila Chã tal também prejudica a vida de quem vive na freguesia. O presidente da concelhia recusa falar em falhanço da estrutura do PS quando há duas freguesias daquela cor que ainda não encontraram rumo um ano após as eleições. “Quem está a falhar é a oposição, porque nós temos feito várias propostas que são sempre recusadas”.

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bancos, com a amortização de 2,3 a 2,6 milhões de euros todos os anos, até que se cumpra com o pagamento de oito milhões até 2017. O que o senhor fez qualquer pessoa nesta sala conseguiria fazer”. Quanto ao fato de a Câmara estar a pagar aos fornecedores em menos tempo, o vereador da oposição também alegou que não há muitas dificuldades em cumprir com isso “porque a Lei dos Compromissos não permite mais endividamento”. O presidente da Câ-

mara, ao nosso jornal, desvalorizou as afirmações da oposição de centro- direita. “Para 2015, vamos fazer um orçamento real, baseado também no que está em vigor”, refere. “Talvez no segundo semestre do ano que vem, consigamos ter fôlego para lançamento de algumas obras. Mas há compromissos assumidos, as receitas são escassas. Apenas 13 milhões, com 49 por cento da verba para pagamento a funcionários. Será difícil evoluirmos muito para

além do que é imprescindível: arranjar calçadas, estradas, obras nos edifícios da Câmara e das escolas. Não podemos prometer mundos e fundos”. No que se refere ao pagamento da EMIA, revela: “Já estamos a tratar da transposição da dívida e do património da empresa municipal para alçada da Câmara”. “Muitos dos pagamentos que temos vindo a efetuar já eram da EMIA e com isso a diminuir aquele valor de sete milhões”, realça.

Contratação de jornalista e fotógrafo repudiada no Cartaxo contratação de serviços de fotografia e jornalismo, referentes a uma renovação de serviços, por parte do município do Cartaxo num valor total de 13 mil e 19 mil euros por ano respetivamente foi chumbada pela Assembleia Municipal (AM) do Cartaxo, no dia 30 setembro. No entanto, só o simples fato de a Câmara estar na disponibilidade de fazer este tipo de despesa provocou uma onda de consternação nas redes sociais face ao cenário de dívidas da autarquia e quando o presidente do município fala em aperto do cinto e contenção a todos os níveis. O contrato previa uma duração de três anos, perfazendo 87 mil euros no total. A proposta que chegou a ser aprovada em reunião de Câmara não passou no crivo dos deputados, mas o autarca do Cartaxo recusa falar em polémica – “Houve uma informação técnica do gabinete de comunicação a referir a necessidade de renovar prestações de serviços que já vinham dos mandatos de Paulo Caldas e Paulo Varanda. Dei a orientação de fazermos uma avaliação positiva do trabalho acompanhado de redução de encargos, de 60 por cento no trabalho jornalístico e de 30 por cento nos serviços de fotografia”. Em função dos votos contra do PSD e do Movimento Paulo Varanda na Assembleia, a Câmara está a procurar alternativas com recurso a meios internos, “talvez não com a mesma qualidade que tínhamos”. “Foi a própria coordenadora do gabinete de comunicação que nos sugeriu a continuidade dos dois elementos em causa”, acrescenta, referindo não se encontrar descontente com a produção das duas trabalhadoras efetivas que fazem parte do gabinete, mas que Ribeiro considera insuficientes face aos padrões de exigência de qualidade pretendidos. A prestação de serviço referente aos trabalhos de fotografia vai manter-se apenas até 30 de dezembro, enquanto que os de jornalismo já foram cessados.

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Economia

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Debate sobre Regeneração Urbana em Alverca

Transformar fábricas devolutas em startups e incubadoras ¢

Miguel A. Rodrigues postar na revitalização de antigos espaços industriais do concelho de Vila Franca de Xira parece ser a aposta a seguir pelo município até 2020. A ideia surgiu num encontro levado a cabo em Alverca no dia 20 de outubro com o objetivo de debater com autarcas, empresários e sociedade civil qual o caminho a percorrer. A regeneração urbana foi assim tema de conversa no Fórum Chasa em Alverca. Numa altura em que na Europa surgem exemplos de aproveitamento de espaços outrora grande fábricas, para micro empresas ou startups, chega a vez de se discutir o assunto também no município vilafranquense. Tal foi uma das tónicas colocadas neste encontro, tendo por base um estudo encomendado ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Póvoa de Santa Iria, Alverca e Vila Franca de Xira são zonas preferenciais para a colocação e

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implementação de pequenas unidades de logística, o que já vai acontecendo, sendo por isso, esta uma das alternativas a dar às fábricas e armazéns abandonados. Aliás, segundo João Ferrão, um dos responsáveis por este estudo, é saudável a coabitação destes espaços entre as empresas ou espaços de lazer e restauração. Mas lá fora há empresas de design, informática, entre outros serviços que decidiram implantar os seus negócios naquele tipo de espaços, muitas vezes situados em zonas deprimidas ou nos denominados bairros sociais. Procurou-se fazer a ponte com essas comunidades e há casos de sucesso em que crianças desfavorecidas tomaram contato com a informática e adquiriram níveis interessantes de conhecimento, ou a nível do design com o “redesenhar de habitações dos idosos da zona”. O professor destacou que “é importante saber o que se faz nos outros países, para se aprender com esses exemplos” até por-

que lá fora a regeneração urbana está muito mais avançada do que em Portugal. No que toca ao concelho de Vila Franca de Xira, o município tem vindo a adaptar-se às novas necessidades, com a implantação de novas unidades à semelhança de outros concelhos com as mesmas características. Neste campo tem sido importante a proximidade a Lisboa e ao Tejo no conjunto das acessibilidades ferroviárias e rodoviárias. Fazer do concelho de Vila Franca de Xira uma espécie de prolongamento do Parque das Nações seria algo, quem sabe, a alcançar, segundo os oradores. Aliás, uma das questões debatidas, está relacionada com a concorrência a Vila Franca de Xira neste novo quadro, nomeadamente, Lisboa, que tem mais possibilidades de atrair investimento capaz de regenerar as antigas fábricas e zonas urbanas. João Ferrão vinca mesmo que para ombrear é fundamental o investimento público, não che-

gando para isso o interesse privado, que na sua opinião, não estará interessado em investir sozinho em projetos desta dimensão. A julgar pelo estudo apresentado, as diretivas emanadas da pesquisa dos docentes do Instituto de Ciências Sociais da Uni-

versidade de Lisboa – Alverca e Vila Franca de Xira são as cidades com maior capacidade de atração de investimento. Também aqui, não faltam exemplos de locais para regenerar, todavia os docentes não apresentaram nenhum em concreto. Este ciclo de debates promovido

pelo município, prossegue no próximo dia 27 outubro. O tema subordina-se à “Habitação e Fundos de Desenvolvimento Urbano”. No dia 3 de novembro, destaque para o debate sobre “Energia e Sustentabilidade Urbana”; e a 10 novembro serão focados o “Turismo e a Cultura”.

Especialistas lançaram várias ideias sobre o tema

Programa “PME Digital” em Alenquer

Empresas portuguesas com défice online inquenta por cento das empresas em Portugal não têm acesso à internet, e oitenta por cento destas não possuem presença online através de um site ou de outra ferramenta. É com este propósito que a Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI) e a “Associação do Comércio Electrónico e Publicidade Interactiva” estão a levar a cabo uma campanha de divulgação intitulada “PME Digital” tendo em vista a sensibilização dos empresários portugueses para a impor-

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tância do tema em causa, até como forma de poderem garantir mais vendas. Em Alenquer o projeto foi dado a conhecer no final do mês de setembro perante empresários locais. O presidente da Câmara, Pedro Folgado, alertou os empresários presentes para o fato de a era digital estar aí, e de ter de existir uma necessária adaptação às inovações do mercado permitidas pelo aceso à internet. “Podem pensar que é caro chegar às pessoas através da internet mas esta

Sessão promovida em Alenquer

sessão vai demonstrar-vos que não há custos por aí além, pelo que vamos dar a conhecer as mais valias de estarem dentro deste processo”. José Vale do IAPMEI salientou que a aquisição de um domínio para um site pode ficar a apenas 18 euros por ano. “Este tipo de oportunidades deve ser agarrado por vós, a economia global está em crescimento, por isso contem connosco para vos ajudar neste tema como noutros, como os novos fundos do QREN”.

João Abrantes do ACEPI tentou desmistificar algumas ideias feitas sobre a transparência e a fiabilidade do comércio online, desde logo com a apresentação de um sistema de certificação de vendas, como o “European Trustmark” e o “Confiança Online” Depois constatou – “Temos de aumentar o nosso volume de vendas online, para que os consumidores portugueses comprem o que é nosso, caso contrário vão comprar lá fora, porque em muitos países há quem já não dis-

pense o sistema de compras pela internet ao contrário do que se passa numa grande maioria de empresas em Portugal”. Em Portugal este quadro é negro – “Só cinco por cento das empresas possuem o sistema de compras através da internet”. Neste campo, a ACEPI fornece uma plataforma que consiste em loja online, site, software de produtividade, soluções de gestão de negócio e clientes, acesso a banda larga e certificação online com período de experimentação gratuito.

Para demonstrar a segurança do comércio online, o programa “PME Digital” trouxe consigo dois parceiros que asseguram a jusante o normal funcionamento da aquisição de produtos pela internet como a Chronopost que efetua as entregas em casa do cliente e a easypay que funciona como uma espécie de cartão multibanco online. Ambas como o propósito de tornar ainda mais eficiente toda a cadeia de compras online do fornecedor ao consumidor.


Destaque

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Valor Local

Era uma vez um Aeroporto… as “estórias” de uma novela Benavente e Ota são até à data a face de uma mesma moeda. O Novo Aeroporto de Lisboa que esteve durante vários anos projetado para o concelho de Alenquer viajou para o Campo de Tiro de Alcochete, e nas duas partes os mesmos cenários vividos: medidas restritivas, condicionamentos e o desenvolvimento anunciado cada vez mais uma miragem. Agora que a Declaração de Impacte Ambiental para o aeroporto no concelho de Benavente, está prestes a caducar e pode vaticinar mais ou menos a “morte” do aeroporto, ouvimos os principais atores desta novela em dois atos. ¢ Sílvia Agostinho m 2008, o anúncio de que o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) viria para o concelho de Benavente, mais propriamente para o Campo de Tiro de Alcochete, parecia à primeira vista

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um jackpot inesperado face à decisão já mais antiga de que aquela grande infraestrutura ficaria localizada na Ota, em Alenquer. O tecido económico e imobiliário ganharam uma nova animação, mas a crise económica

Nova localização em Samora Correia

depressa começou a dar amargos de boca e uma sensação de desapontamento. “Até hoje tem significado não uma oportunidade, mas um estrangulamento!”, dizia em entrevista ao Valor Local, António José Ganhão, antigo presidente do município, no final do seu mandato, em 2013. O município nem conseguiu ficar mais conhecido com este anúncio pois a grande maioria acredita que a infraestrutura está pensada para o concelho de Alcochete, quando as pistas se localizam na freguesia de Samora Correia, Benavente. O processo tem andado a reboque de diferentes decisões dos vários governos que continuam a adiar o inadiável pelo menos no papel, dado que mais ou menos toda a gente já intuíu que não há

uma data plausível para que algo ande para a frente neste domínio. As medidas preventivas foram levantadas em 2011, e agora aguarda-se com alguma expetativa para ver o que se vai passar após dezembro deste ano quando expirar a Declaração de Impacte Ambiental (DIA), o que a acontecer dita o fim de forma, mais ou menos concreta, do aeroporto. Para já o presidente do município de Benavente, Carlos Coutinho está mais preocupado com o PDM que, por enquanto, está parado devido a uma providência cautelar da Quercus, mas que também viu o Governo solicitar para que seja contemplado no mesmo o NAL. “Tomámos a decisão de não incluir o aeroporto, para evitar que a Câmara pague

indemnizações a proprietários e construtores que possam vir a sentir-se prejudicados pelo fato de já não poderem construir porque está previsto para determinado local a infraestrutura em causa”. O autarca que não se sentiu confortável com a prorrogação da DIA que veio dar mais uma achega a todo o cenário de restrição, em 2012, acredita que possa existir mais um alargamento de prazos após o fim deste ano. “Já nada me espanta nesse processo”, refere. O vereador do PSD na Câmara de Benavente, José da Avó, opõe-se a que o Governo esteja a tentar que a autarquia limite zonas de Santo Estevão no PDM face à possibilidade do aeroporto. “Não sabemos se estará concluído sequer nos próximos 20

anos, como tal restrições deste tipo são penalizadoras”, até porque se trata de “uma zona de expansão do concelho”. “Falamos de indemnizações a pagar que não serão pequenas, porque a Portucale tem um projeto para a zona em causa, e a Câmara não pode ficar comprometida com essa possibilidade e avançar para a inclusão, por sua espontânea vontade, do aeroporto no PDM”. “O Governo é que tem de assumir isso e arcar com as possíveis indemnizações que daí resultem”. Outros dos fatores que no entender das várias forças políticas acaba por prejudicar o concelho, prende-se com a circunstância, de a dada altura, o Governo ter mexido na primeira localização do aeroporto naquela zona. As

Associação para a Defesa Ambiental de Santo Estevão fala em interesses obscuros

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m dos rostos mais visíveis desta novela do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete é Henrique Chaves, da Associação para a Defesa Ambiental de Santo Estevão (ADASE), constituída logo após a decisão do Governo aquando da troca de Ota por Benavente, com o intuito de “acompanhar o processo e defender a qualidade de vida dos residentes”. O antigo ministro do Governo de Santana Lopes, que escolheu a Herdade do Zambujeiro para segunda habitação, é particularmente caustico na análise dos vários acontecimentos que motivaram avanços e recuos nesta matéria. Na sua opinião há claramente “a defesa de interesses pouco conhecidos” logo à partida na definição das pistas do aeroporto mais a norte, tendo em vista a criação da cidade aeroportuária, uma decisão governamental que trouxe imediatamente um ónus

mais pesado para a freguesia de Santo Estevão. “Queriam claramente beneficiar alguém mas quem não sei exatamente, também sempre se ouviu dizer que quando se anunciou a Ota, gente conhecida do PS foi logo à pressa comprar terrenos na zona”. A ADASE chegou a ser recebida pela antiga estrutura NAER, antes da mais recente privatização da ANA. “No início do processo falámos com um tipo chamado Carlos Madeira, responsável da NAER, e pelo qual não tenho a mínima consideração, porque omitiu intencionalmente essa intenção de passar a por o aeroporto a apenas quatro quilómetros de Santo Estevão e não os oito inicialmente previstos, ou seja acabar com tudo na localidade”. Para além de que tal deslocalização “acarretaria ainda mais prejuízos do ponto de vista ambiental e da avifauna”, considera. “A infraestrutura estava

prevista justamente para o local onde se concentram arrozais com uma grande concentração de aves. A loucura chega a um ponto em que se propõe esvaziar os arrozais, que são propriedade privada, isto é mesmo de gargalhada!”, acrescenta. O rosto da ADASE não tem dúvidas de que tudo foi cozinhado nas costas de Benavente, e do antigo presidente Ganhão. “Fizeram esse novo desenho clandestinamente de modo a libertar a sul muitos hectares de terreno onde se praticava uma pequena agricultura, rumo à especulação imobiliária”. “O antigo presidente Ganhão, na altura, alertado por mim pediu satisfações àquele organismo que desmentiu, alegando que tudo não passava de invenção minha. Ganhão convenceu-se disso mas rapidamente a tese deles caiu por terra quando numa apresentação pública no Campo de Tiro de Alcochete com

muitos convidados, interpelei uma engenheira que interveio, e que ficou completamente embatucada perante a minha questão, sendo obrigada a confessar perante toda a gente a nova arquitetura das pistas”, confidencia. Henrique Chaves recorda que o assombro tomou conta de muitos dos participantes e prossegue – “No intervalo da sessão, até o Augusto Mateus ligado a esta questão se mostrou desconcertado”. Quanto a António José Ganhão, “este perdeu logo ali a cabeça”. “Disse que tudo aquilo era inacreditável e que a NAER tinha andado a mentir. Arranjouse logo ali um 31 incrível”. Para além do impacte ambiental, “o Estado ainda teria de indemnizar severamente a Portucale que já naquela altura tinha um projeto imobiliário muito adiantado”. Com a instalação da crise, o atual Governo tem desviado as atenções para a possibilidade de

um aeroporto para voos low-cost no Montijo, ao mesmo tempo que não desarma por completo da infraestrutura em Benavente. A Declaração de Impacte Ambiental cujo prazo terminava em dezembro de 2012 foi prorrogada até dezembro deste ano, tendo sido alvo de processos em tribunal por parte da ADASE, Câmara de Benavente e Portucale tendo em conta os prejuízos ambientais. “Ninguém teve coragem até hoje no Governo para colocar um ponto final nisto, vai ter de ser o tribunal a decidir no final de 2014”. Henrique Chaves demonstra, ainda, que chegou a encontrar-se com o atual ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, que confirmou estar a leste do processo de renovação da DIA ocorrido em 2012. “Disse que não conhecia o despacho, que era impensável um despacho daquela natureza passar sem que ele de nada soubesse,

até afirmou que ia reestruturar todo o ministério, e que me ligaria dali a uns dias depois de averiguar o que se tinha passado. Olhe até hoje! Nada me disse. É caso para dizer que os interesses se moveram do PS para o PSD”. Contudo o residente na Herdade do Zambujeiro acredita que poderá acontecer nos próximos anos um volte-face com o triunfo da região como paraíso do desporto equestre e do turismo rural como muitos haviam sonhado, isto se o aeroporto “morrer”. “Com a falência dos Espírito Santo, a Comporta que já estava muito orientada para o hóquei, poderá ser suplantada por Santo Estevão com o projeto da Portucale. A marca Espírito Santo era um atrativo, até snob, porque muita gente queria ir para ao pé deles. Com a Comporta a decair, Santo Estevão vai lucrar com isso, nos próximos anos”.


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Daniel Ferreira fala dos incovenientes que o aeroporto já trouxe pistas foram mudadas dois quilómetros para norte para mais perto de Santo Estevão, criando todas as condições para tornar menos suportável a qualidade de vida no local, com o possível aumento de ruído provocado, no futuro, pela dinâmica daquela infraestrutura, bem como a alteração de alguns ecossistemas. Com esta deslocação, o concelho ficará ainda prejudicado no que se refere à possibilidade de crescimento de uma grande cidade aeroportuária, que a julgar

pelo desenho do que está projetado se situaria nos municípios do Montijo e Alcochete. “Os benefícios económicos ficariam fora de Benavente. Até entenderia que pudéssemos ter alguma penalização, mas como as coisas estão a ser feitas, não vamos lucrar nada nem desse ponto de vista de algum crescimento, exceto na altura da construção, nem do ponto de vista das vias de acesso. Não vamos ter mais estradas, continuaremos longe do aeroporto e também distantes

do centro económico”, vaticina José da Avó. o Valor Local tentou o contacto com o vereador do PS na Câmara de Benevente Raiumundo Rocha e com o presidente da Junta de Santo Estevão que não se mostraram interessados em prestar declarações. Santo Estevão: “A Nova Quinta da Marinha” A expressão é de Daniel Ferreira ligado à administração da Herdade do Zambujeiro, com cerca de

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Uma das várias casas da Herdade do Zambujeiro 300 casas, que nas últimas décadas viu chegar novos residentes que fizeram do local uma segunda casa, e nalguns casos primeira. O ministro da Saúde, Paulo Macedo, é talvez um dos nomes mais conhecidos. Se não fora o anúncio do aeroporto e tudo o que se seguiu daí para a frente, bem como a crise económica, a localidade do concelho de Benavente tinha tudo para se tornar na nova meca do turismo rural. “Infelizmente houve uma paragem de quase 80 por cento” no

que se refere ao aspeto imobiliário-turístico ligado ao empreendimento. “Na aplicação das medidas preventivas, não tiveram a noção do que andavam a fazer. Na Ota ainda deram uma margem de cerca de alguns hectares de área de proteção, aqui não fizeram nada disso, com restrições até ao concelho de Coruche”, refere e exemplifica – “Se eu quisesse fazer um casa de banho a ANA é que tinha de dar autorização, mesmo que a Câmara concor-

dasse. Se quisesse vender uma parcela de terreno, igualmente o mesmo processo. Nisto tudo, a Câmara era um verbo de encher! Não se podia fazer nada no concelho. Muitos venderam e outros deixaram de comprar”, recorda Daniel Ferreira. Mesmo com o fim das medidas em causa, tal não afastou o fantasma – “As pessoas questionam-se: E se voltam a reintroduzir as medidas?, Face a isto desistem”, demonstra para enfatizar as sequelas da questão.


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A Ilusão continuou com o Plano de Compensações da Ota om o anúncio do fim do aeroporto na Ota, um conjunto de municípios constituído pela totalidade dos que compõem a região Oeste, com Alenquer num primeiro plano e os quatro municípios da Lezíria do Tejo- Santarém, Rio Maior, Azambuja e Cartaxo, o Governo prometeu que haveria de arranjar maneira de os compensar com um pacote de obras, algumas das quais previstas até antes do anúncio. Álvaro Pedro, à data do anúncio da deslocação do NAL de Ota para Benavente, em 2008, recorda-se bem daqueles dias que antecederam o fim da Ota, em que telefonava constantemente para José Sócrates para saber se já havia fumo branco. Até que foi a vez do antigo primeiro-ministro lhe telefonar, e ter perguntado a Álvaro Pedro se estava sentado- “Já todos estávamos mais ou menos à espera daquela decisão. O presidente da República puxava mais pela outra opção, de modo que não houve novidade nenhuma”. Para trás ficavam décadas a sonhar com um aeroporto na região, algo que já se falava desde os anos 70, embora “sempre tenha existido muita controvérsia porque alguns falavam do intenso ruído que podia causar”. “Por causa do aeroporto, até a CLC era para vir para cá, mas a proposta foi chumbada na Assembleia Municipal e com isso a empresa acabou para ir para Aveiras de Cima”, recordase. Um dos fenómenos bem característicos da opção Ota prendeu-se com a especulação imobiliária, com a compra de terrenos, especialmente por parte de António Varela da Renit, a valores muito irrisórios junto de pequenos proprietários tendo como fim a especulação imobiliária. “Havia quem só se dedicasse a isso, depois tiveram azar”, refere o antigo autar-

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ca. A possível proximidade a um aeroporto despertou o interesse em Alenquer de outro género de negócios, nomeadamente, pensou-se numa cidade do cinema para a zona do Monte Redondo, “que também quiseram deitar abaixo para favorecer as pistas”. Quanto às medidas restritivas lembra-se que ainda se conseguiu “safar com alguma sorte uma fábrica em Cheganças, a Linde Sógas que possuía uma torre muito alta que podia interferir com os aviões, mas chegou-se a acordo com a ANA, com o compromisso de se destruir a torre no caso de a infraestrutura avançar, como isso não aconteceu ainda hoje lá está”. Quando chegou a hora de se negociar o pacote de compensações, diz que houve câmaras no Oeste que foram demasiado ambiciosas, e por isso desde logo se apercebeu que o que se andava a negociar podia algum dia ir para a frente. Alenquer reivindicou o há muito prometido IC11 entre Carregado e Torres Vedras, a par do Centro Escolar de Alenquer. “A minha Câmara e a de Azambuja, que erámos as mais prejudicadas tínhamos noção do que pedíamos, mas o resto dos municípios exageraram.” “Quando íamos às Caldas falar com o ministro, sabia que era impossível conseguirmos o que andávamos a pedir. Não sei por que Leiria ou Peniche também tinham de pedir, quando os únicos prejudicados eram os concelhos de Alenquer e Azambuja”, desabafa. Joaquim Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja, que também participou nestas reuniões considera que o plano de compensações foi “o maior embuste político” dos seus mandatos. “Estou à vontade nesta crítica porque o Governo era do meu

partido. No início acreditei nessas compensações até que comecei a desconfiar porque não se falava da fonte financeira para por em prática esses projetos. Ninguém sabia de onde viria esse dinheiro, nem o secretário de Estado ligado ao QREN. Por outro lado, o ministro Mário Lino mandava uns gritos nas reuniões dizendo que não nos devíamos preocupar com o dinheiro, porque o primeiro-ministro tinha tudo sob controle”, refere e prossegue: “Fez-se uma grande cerimónia nas Caldas de assinatura de protocolos, mas eu ia muito desconfiado, porque não se podia simplesmente dizer que se ia buscar o dinheiro ao QREN para o que estava preconizado, deveria, antes, ser contemplada uma verba específica em Orçamento de Estado”. Até que “eu e o Álvaro Pedro começámos a fazer uma grande barulheira, dizendo que estávamos muito solidários com os colegas, mas que os outros concelhos do Oeste não deviam merecer as mesmas verbas porque não eram prejudicados, mas entretanto até os do Alentejo quiseram meter-se ao barulho. Desataram todos aos gritos, e foi tudo corrido a 100 mil euros, que no caso de Azambuja, apliquei na rede de saneamento em Vale Brejo, Comeiras e Tagarro”. Ramos conclui – “Talvez da parte de Mário Lino não houvesse intenção de nos calar ou enganar, mas do primeiro-ministro não tenho dúvidas”. “Guardo essa mágoa!”. Para trás ficou o biotério, uma variante e a requalificação urbana de Aveiras de Cima. “Passaram durante muito tempo a ideia de que os autarcas podiam continuar a sonhar com os projetos, que o dinheiro havia de aparecer de algum lado”. Quanto à sorte de Benavente neste processo agora que o aeroporto começa também a ganhar contornos de

quimera no outro lado do Tejo, vaticina: “Esses coitados se calhar nem 100 mil euros vão ver”. Ramos refere que a transferência da infraestrutura sempre foi demasiado óbvia: “Os interesses escondidos do grupo Espírito Santo” Melhor sorte parece ter tido Paulo Caldas, antigo autarca do Cartaxo, que afirma, ao contrário dos seus colegas, na altura, que o Governo contratualizou a entrega de 3 milhões de euros a cada Câmara da CIMLT para os seus projetos, que no caso do Cartaxo, refere Caldas, ao Valor Local, se destinou “às áreas empresariais, e equipamentos sociais”. “Depois ainda consegui 1,5 milhões para a esquadra da PSP e cinco milhões para a EB 2,3 do Cartaxo.”

Já no caso de Rio Maior, o antigo presidente, Silvino Sequeira, lembra que a recuperação da escola secundária foi efetuada, bem como, a vinda da Escola Superior de Desporto, entre outros projetos que foram concretizados. “Na altura das compensações devia ter sido concebido um mini programa operacional porque dava a sensação de que esse plano era para calar a boca aos mais reivindicativos. Entretanto saí da Câmara a meio do processo, mas sei que houve um aumento de componente comunitária de 10 milhões para investimentos para os quatro municípios”. Um dos rostos bastante ativos durante o processo do aeroporto da Ota foi António Carneiro, da extin-

ta Região de Turismo do Oeste, que defende que os municípios da região deveriam, neste momento, estar a pugnar pela concretização da Ota como fazendo parte do plano “Portela +1” e de algum modo suplantar as esperanças do Montijo ou Alverca nessa corrida. E também ele se lembra bem das conversa com os governantes. E vai mais longe nas ligações entre o Governo de Sócrates e o Grupo Espírito Santo – “O ministro Manuel Pinho foi funcionário do BES, portanto está a ver. O Grupo Espírito Santo até se deu ao luxo de cortar 500 sobreiros e se for um de nós que corte uma árvore dessas vamos presos, e a eles nada lhes aconteceu por isso”.

Álvaro Pedro acusa outras Câmaras de excessiva ambição

Aeroporto de Ota… atalhos e retalhos… O

concelho de Azambuja tem feito depender, quase sempre, de factores externos o seu caminho para o desenvolvimento. Lusolândia, campos de golfe, cidade das novelas, entre muitas outras “miragens” das quais a mais importante e que maior influência teve no imaginário e na prática de autarquias, associações locais, investidores, etc., foi sem sombra de dúvida o “aeroporto de Ota”. Durante algumas décadas (dos anos 60 até 2008) alguns constrangimentos à construção na área de influência onde seria implantada aquela infra-estrutura, condicio-

naram investimentos empresariais e particulares e criaram condições para manobras imobiliárias especulativas com particular incidência no eixo Aveiras de Cima/Alcoentre. A apresentação pública do projecto em 2006, trazendo consigo a construção de uma cidade aeroportuária que abrangeria o nosso concelho, parecia indiciar que finalmente as alavancas para o desenvolvimento de toda esta região estavam ao alcance… na verdade essa ilusão durou apenas até Janeiro de 2008 quando foi anunciado o abandono de Ota e a escolha de Alcochete como localização final.

Na guerra entre consórcios bancários, mais uma vez Azambuja perdeu. No entanto não retirámos as ilações devidas e subimos a escada das “compensações pela deslocalização do aeroporto”…! As autarquias do Oeste acordaram com o governo um conjunto de compensações – que no nosso caso atingiam à volta de 400 milhões de euros – em infra-estruturas que alavancassem o desenvolvimento que se esfumava com a mudança de localização. Hoje, infelizmente, sabemos que essas contrapartidas nunca pas-

saram do papel e que teria sido melhor negociar um pacote menos ambicioso mas que se traduzisse em incentivos reais à fixação de empresas nas áreas afectadas e na promoção de planos de acompanhamento para a capacidade económica implantada e para o desenvolvimento do potencial humano e cultural. É importante hoje olhar esse tempo e traduzir a frustração em projectos novos. Desde logo com a obrigação por parte das autarquias do Oeste, e Azambuja por maioria de razão, não deixarem de fazer sentir ao governo que durante meio século o desenvol-

vimento de uma região esteve num limbo onde oportunidades foram perdidas e que a compensação terá de ser feita através já não de “betão” mas primordialmente de incentivos económicos, sociais e culturais. Essa constatação não pode impedir autarquias e associações locais de ter um olhar diferente para o seu território e para as condições novas projectadas pela profunda crise económica que se vive…! Nestes tempos é cada vez mais evidente que, num mundo cultural e economicamente globalizado, resistem melhor aqueles que conseguirem, através de boas práticas, traçar

caminhos de “proximidade” em termos económicos e sociais num determinado espaço de desenvolvimento integrado. O investimento, o desenvolvimento, não se atrai por oferecer intenções mas pela demonstração prática que neste espaço, no concelho de Azambuja, abandonámos a “miragem” de depender de factores externos e passámos, em primeira instância, a olhar para o nosso potencial e a valorizá-lo. O caminho é mais longo mas tem o enorme benefício de não ser feito de “atalhos e retalhos…”! ACISMA


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Destaque

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Empresários da opção Ota ainda recordam os prejuízos concelho de Alenquer já quase se esqueceu do aeroporto. Com o fim das medidas restritivas, aos poucos o impacte que a infraestrutura poderia causar a nível económico foi-se esfumando mas, ainda assim, há empresários que continuam a sentir na pele os seus efeitos, como é o caso da promotora que construíu o Varandas del Rei à entrada de Alenquer tendo em vista o crescimento da população naquele concelho, mas que hoje permanece completamente ao deus dará, com todos os 72 apartamentos para venda. Um dos empresários que mais sofreu os impactes das medidas preventivas da Ota foi Mário Pereira Cartaxo que chegou a ter em projeto uma urbanização na zona de Casal Pinheiro, no limite entre o concelho de Azambuja e Alenquer. “Fui um dos grandes visados, tive alvarás de construção, com a venda em projeto. Cheguei a começar as infraestruturas, já com casas vendidas. Meti os primeiros projetos na Câmara que os aprovou, mas a ANA não deu o aval, alegando que estavam na linha do corre-

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dor de aterragem. O projeto esteve em banho-maria 10 anos”, refere, relembrando que só conseguiu salvar o negócio propondo antes a construção de armazéns para o local, e consequente abandono do projeto de habitação. “Tive entretanto de mudar os arruamentos e passeios, que passaram a ser mais largos com a diminuição de lotes”, relembra. Todavia, “fez-se com este projeto algo giro e com bom aspeto”, embora lamente que o projeto para habitação tenha ficado pelo caminho. “Perdi muito dinheiro em juros porque tinha crédito para aquisição do terreno. E com a morosidade do processo acabei por atirar muito dinheiro para a rua só para pagar juros. Ainda disseram que podíamos ser indemnizados mas com certa gente o que hoje é verdade, amanhã é mentira”, desabafa para evidenciar que não deixou de ser prejudicado, mas é da opinião de que os empresários foram pouco unidos, pois após o fim do aeroporto na Ota devia ter sido criada uma comissão para representar os construtores e proprietários pre-

judicados, de modo a que se exigisse o pagamento das indemni-

zações às quais tinham direito. “Ainda cheguei a telefonar a um

Neste local esteve prevista habitação

colega meu do ramo também prejudicado mas ele não teve

para se chatear com isso”, conclui conformado.


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Feira dos Santos e ExpoCartaxo

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Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Cartaxo, defende novos caminhos:

Renovação do Certame é fator chave A cidade do Cartaxo recebe de 30 de Outubro a 2 de Novembro mais uma edição da Feira dos Santos e “ExpoCartaxo”. A iniciativa é da Câmara Municipal do Cartaxo e da delegação local da Associação Empresarial da Região de Santarém – Nersant. Segundo Pedro Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo, este é um certame que está em constante atualização e não está colocada de lado a mudança de local para o centro da cidade em próximas edições. O presidente do município, em entrevista, fala sobre um dos certames que ainda é visto com carinho pelos forasteiros, e que os cartaxeiros desejam que recupere o fulgor de outros tempos. ¢ Miguel A. Rodrigues Valor Local – No ano passado foi feito um debate sobre o futuro da feira. Foi proveitosa essa ação? Pedro Ribeiro – Foi muito proveitosa. Mais de cem pessoas – eleitos políticos de todo o concelho, historiadores da nossa região, cidadãos anónimos, comerciantes da cidade e das freguesias, feirantes, representantes de associações e coletividades, estiveram presentes nessa sessão pública. Quase 30 pessoas intervieram, ao longo de três horas de debate, deixando as suas opiniões e propondo caminhos para a revitalização de um certame ao qual, de modo unânime, reconheceram a capacidade para ser polo de desenvolvimento local – económico, cultural e turístico. Nessa sessão lancei o debate apenas a partir de três questões centrais - o que é a feira hoje? Como se pode tornar mais atrativa para visitantes e feirantes? E em que local da cidade deverá decorrer? –, sem qualquer ideia preconcebida, apenas para recolher propostas de reflexão. No que respeita à localização, por exemplo, podemos partilhar o estudo de ocupação do espaço que solicitámos aos nossos serviços, logo no início do mandato, e partirmos daí para o debate de pontos de vista sobre a vinda da feira para o centro da cidade. Nesta sessão, foi também muito importante confirmarmos que o certame perdeu dimensão, mas não perdeu espaço no imaginário das pessoas, nem no empenho que todos querem colocar na sua revitalização, o que nos assegura que fazê-lo é um projeto que conseguirá envolver toda a comunidade o que, na minha opinião, será um fator determinante de sucesso. Quais as principais ideias que serão aplicadas agora no certame, e que resultaram da opinião dos munícipes? Daquela conversa participada e aberta, resultou a certeza de que a Feira de Todos os Santos merece que não se tomem decisões precipitadas, que ninguém espera uma alteração drástica e milagrosa, nem decisões de curto prazo ou medidas avulsas, que possam prejudicar ainda mais a fragilidade da feira, todos querem um projeto refletido e integrado – da localização, à definição de um tema aglu-

tinador, passando por um plano de comunicação, sustentado num certame atrativo e em financiamento sustentável, até à introdução de fatores de modernidade e na manutenção de uma identidade local. Desde o início disse que este é o nosso ano zero para a Feira de Todos os Santos e que o processo de tomada de decisões ainda não está fechado. A situação financeira da Câmara, até mais do que pela sua gravidade, pela sua instabilidade, não nos permite construir o que todos preconizaram – um projeto integrado. Espero que as soluções financeiras cujo desfecho aguardamos, nos permitam em 2015 planear a atividade municipal de um modo bem mais seguro. Em certa medida o senhor considerava nesse debate que o certame estaria a perder “terreno”. Na sua opinião a feira dos santos vai conseguir ultrapassar esse obstáculo? Estou certo que sim. Quando, quer as instituições, quer os cidadãos de modo individual ou nas associações que integram têm esta vontade enorme de recuperar algo que é quase fator de integração na comunidade, pela partilha desta memória comum, o mais difícil já está feito – que é agregar vontades. Quais as razões que aponta para essa situação. A crise, a falta de investimento no sector? São diversos os fatores que condicionaram a evolução da Feira de Todos os Santos. Apontaria a mudança nos hábitos de consumo, não acompanhada por alterações na organização da feira, como dos mais expressivos. Todos temos na memória as ruas do Cartaxo cheias de visitantes que vinham de todo o país, que esperavam pela Feira de Todos os Santos para comprarem bens de consumo, hoje tudo está ao nosso alcance, em qualquer altura do ano, com a maior comodidade, até sem sair de casa, pela internet. É nesta realidade nova que temos de encontrar o espaço próprio da feira, outros concelhos souberam fazêlo, adaptando-se, com outras formas de exposição, ou com ofertas muito mais direcionadas e, se generalistas, com eventos temáticos paralelos que dão especificidade aos certames. A realidade muda a cada momento, o que há dois ou três anos nos parecia muito inova-

Pedro Ribeiro diz que estão reunidas as vontades para renovar a feira dor, como os mercados de rua nos centros urbanos, hoje é prática corrente em muitas cidades. É necessária uma organização capaz de entender as novas realidades e de as concretizar, garantindo a manutenção da identidade própria da feira, o que a distinguirá de qualquer outra e lhe trará o público de que necessita para crescer. Muitos consideram que o espaço envolvente com cada vez mais construção é um fator limitativo, e por isso o local da feira está cada vez mais pequeno. Essa é uma realidade, que não colocaria como fator determinante, mas que acabou por influenciar o certame. O espaço da feira ficou cada vez mais pequeno por todo um conjunto de decisões que foram tomadas, quer no que respeita à organização da cidade, quer quanto à localização de infraestruturas públicas e urbanização privada, diminuindo o espaço disponível para a feira franca e, também, para estacionamento de quem ali se dirige. Não está pensada a mudança de local do certame? Há quem defenda que deve ser realizado à volta da Praça de Toiros? Como referi, a questão da locali-

zação foi desde logo colocada a debate. Havia esta ideia de que a Feira de Todos os Santos vir para o centro da cidade, para a zona envolvente à Praça de Touros, era considerada positiva para comunidade. Foi interessante ver como na sessão pública, as opiniões se multiplicaram, sendo essa ideia quase unânime. Algumas pessoas, quer do lado de quem concorda, quer do lado de quem não concorda, que conheceram a feira naquele espaço e a conhecem hoje, levantaram questões que são pertinentes – Como organizar o trânsito na cidade? Que impacto no comércio local? Como organizar a feira num modelo moderno e depois dispersá-la no espaço, por exemplo. Como vê, qualquer decisão quanto a esta alteração, não pode ser tomada de ânimo leve. A Feira de Todos os Santos não pode passar por experimentalismos, nem populismos, precisa de um projeto a médio e longo prazo, definido em medidas concretas. Considera importante manter a ligação à “ExpoCartaxo” Sem dúvida. Penso que a mostra empresarial traz uma enorme mais-valia à feira franca e que esta relação é mútua. O que considero é que os dois certames pre-

cisam de redefinição simultânea, pela sua complementaridade. Com stands a custarem em média 280 euros ao empresário, não acha que esse poderá ser também um motivo para a pouca adesão das firmas da região? Lamentavelmente a adesão das empresas depende bem mais das políticas de austeridade, de contenção do consumo, de aumento da carga fiscal, do que do preço dos stands, preço esse que é fixado pela NERSANT. Numa economia saudável, com crescimento, a sua questão provavelmente nem se colocaria. De qualquer modo, em 2013, a “ExpoCartaxo” contou com mais 23 empresas do que em 2012. Valorizo muito este facto porque sei das dificuldades que um tecido empresarial, constituído maioritariamente por PME, enfrenta. As ligações ao Nersant têm sido benéficas para o evoluir do certame num todo? Esta parceria começou em 1998 e tem sido consolidada desde aí. O Núcleo do Nersant do Cartaxo representa muitos empresários e é o interlocutor privilegiado com os seus associados. É completamente diferente ter uma associação de

empresários a falar com os seus pares, do que ser uma organização pública a fazê-lo, por mais empenhada que esteja nesse diálogo. Nunca esta parceria esteve em causa e considero que é essencial que possa continuar no futuro para que a Feira de Todos os Santos volte a ganhar o seu espaço na região. Têm existido negociações para baixar o custo do certame (Feira dos Santos e “ExpoCartaxo”) nomeadamente com a Nersant . A Câmara não paga qualquer valor à Nersant, da qual somos parceiros na organização – cedendo o espaço de exposição, dando apoio logístico na montagem dos stands, na manutenção e limpeza do espaço, na divulgação. Quais os custos associados ao evento no total? Os custos são essencialmente de logística, são os nossos trabalhadores que fazem a montagem dos stands, que são um equipamento que possuímos há vários anos. Da limpeza, à programação cultural, passando pela preparação dos espaços, são os serviços municipais que desenvolvem todo o trabalho e contamos com o contributo das associações e coletividades do nosso concelho.


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Feira dos Santos e ExpoCartaxo

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Feira dos Santos mantém a tradição

realização da Feira dos Santos no Cartaxo já se perdeu no tempo. Associada desde muito cedo às comemorações do São Martinho e do dia de Finados, a verdade é que a feira não começou em Novembro, mas sim em pleno verão. Segundo uma nota no site da Câmara Municipal do Cartaxo, o certame terá nascido no século

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XVII, na Quinta do Senhor Jesus – então Quinta do Moinho da Fonte, célebre pelos milagres do Santo Cristo –, situada próxima do cemitério. Contam a crónicas da altura que a feira era inicialmente realizada ao terceiro domingo de agosto, passando mais tarde para o dia 1 de novembro, data que se mantém até aos dias de hoje.

Com a evolução urbanística e novos edifícios públicos mais longe do local inicial, a feira passou a realizar-se junto à Praça de Touros. Mas o grande “pulo” deu-se com o aumento de automóveis na estrada que passavam pela Nacional 3 que veio intensificar ainda mais o interesse dos feirantes por esta feira, transformandoa numa das maiores do Ribatejo.

O certame foi ganhando importância no país, tendo tido inclusive destaque na imprensa nacional da época, o que trouxe ainda mais visitantes ao Cartaxo. Mas a Feira dos Santos também é conhecida pela “afición”. São celebres as entradas de touros que também se perdem no tempo. Da época existem relatos “de muita agitação” havendo registos

de fugas dos animais, “que no seu deambular pelas ruas iam destruindo e maltratando tudo o que lhes aparecesse no caminho”. Hoje a Feira dos Santos que se realiza desde 1998 a par com a ExpoCartaxo, mantém muito dos objetivos iniciais do século XVII. Há hoje uma maior diversidade de agentes económicos daquele

concelho, entre os quais, produtores de vinho que apresentam e promovem os seus produtos neste certame, que tem vindo a crescer de ano para ano. Existem no entanto novas maisvalias, mas o certame continua a tentar manter a sua tradição, representando por isso um contributo para a valorização da identidade do concelho.

Mais expositores este ano na “ExpoCartaxo” rganizada pela Nersant, a “ExpoCartaxo” prevê este ano um acréscimos de expositores e de visitantes. Essa é pelo menos a ideia de Jorge Pisca, presidente do núcleo do Cartaxo, que em entrevista ao Valor Local, destaca que as “expetativas são bastante positivas. “Os stands estão quase todos completos, a par da presença, este ano, de empresas novas”, aguardandose que haja um reforço de aderentes, embora reconheça que há empresas que aparecem nos últimos 15 dias. Jorge Pisca salienta, entretanto, que tal não constitui qualquer problema, já que as coisas “estão organizadas já a contar com situações do género”. Segundo Jorge Pisca, estão reu-

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nidas assim as condições para que tudo decorra sem problemas e com os êxitos que aquela associação empresarial vem habituando os visitantes e os empresários. De ano para ano, a “ExpoCartaxo” também tem sofrido algumas alterações. Sobre este capítulo, Jorge Pisca diz não existirem “arestas a limar” com a Câmara Municipal do Cartaxo. “Vamos crescendo de ano para ano e há sempre coisas para melhorar, mas arestas a limar não há”, salientando que a parceria com a edilidade cartaxeira “é uma maisvalia” e que “não veria a ‘ExpoCartaxo’, sem a Feira dos Santos”. Jorge Pisca afasta a ideia de realizar os certames de forma isola-

da. O responsável destaca que ambos os públicos se complementam e que a cidade é pequena para repensar o evento dessa maneira já que a Feira dos Santos “é uma feira secular e a parte empresarial também está sempre presente”, até a julgar por outros certames idênticos, reforçando que no que toca aos dois eventos, Feira dos Santos e “ExpoCartaxo” – “ambos se equilibram”. Quanto à mudança de local, conforme muitas vezes foi falado, Jorge Pisca não vê para já isso num futuro próximo, mas adianta que tal deverá ser sempre feito em conjunto: “Não vejo as duas feiras em separado”, mas refere que no caso de se “levar os certames para o centro do Cartaxo,

tal acarretará outros custos adicionais”. Sobre esse assunto, Jorge Pisca lembra que no espaço atual as infraestruturas base já se encontram concretizadas, pelo que mudar para outro local, “obrigaria a fazer tudo de novo o que levaria a um acréscimo de custo.” Mesmo com algumas empresas em crise, a “ExpoCartaxo” tem conseguido atrair novas firmas. Isto apesar dos preços rondarem os 180 a 280 euros, tendo em conta que há empresas que têm os seus próprios materiais e outras que não os possuem. Sobre isto, Jorge Pisca vinca que a Nersant, há muito que não altera os preços: “Não são elevados porque quando fazemos as contas verificamos precisamente isso”.

São esperados milhares de visitantes

Crónica: “Toiros no Cartaxo dia 1”

emporada finda sem a Feira de Todos os Santos no Cartaxo não é temporada e em boa hora as Gentes do Cartaxo com a colaboração do cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira organizam a corrida tradicional de fecho da temporada, este ano a penúltima pois a empresa Toiros e Tauromaquia para não ficar com o seu cartel no mesmo dia adiou-o e bem para o domingo 2, deixando assim os aficionados de solera poderem ir aos dois espectáculos que culminarão esta grande temporada 2014. Um cartaz que me pediram para comentar no nosso Valor Local e a que desde já dou os parabéns pelo arrojo e afición pois o Cartaxo fez as pazes com a sua praça e desde há dois anos tem tido uma afición atenta às figuras da terra e

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aos grandes nomes que fazem a honra de acompanhar as nossas figuras do toureio. Corridas de gala à antiga portuguesa, Um adeus especial do Manel Jorge e o reaparecimento de nomes da minha infância como o Maestro Parreirita Cigano, O meu amigo Carlos Alberto Conceição passando pelo conhecer o seu filho, (Ai se eu tivesse papel para ser apoderado…), o “Janeca”, novilheiro João Pedro Martins que arrebatou tudo e todos e em boa hora singrou na escola José Falcão, os forcados de Alenquer com pegas geniais e que mostraram que são melhores que muitos que por aí andam com o mérito de serem amadores, mas sem a vontade de alguns e que deram vídeos e fotos geniais na arte de bem pegar toiros. Pois é, dia 1 a corrida tem um

“elán” especial e mostra que, com a prata da casa e os amigos certos as coisas vão funcionar! A única lacuna serão os toiros do meu querido amigo D. João de Dias Coutinho que terá que procurar exemplares com mais trapio que os anunciados nos últimos cartéis pois o veterinário da IGAC poderá não gostar e mandar para trás, mas codícia e voluntariedade eu ponho as mãos no fogo por si… Temos que dar a volta ao tamanho e principalmente peso desses meninos caro João…Embora nós saibamos que bravura não se vende ao quilo, antes pelo contrário… Mas pronto, vamos ao cartel e obrigado pelo arrojo! Desafio lançado para encher a castiça praça do Cartaxo? Acredito que poderá ser possível!!!! Com os toiros de Dias Coutinho

a corrida mista, aí está a diferença… estarão em praça os matadores de toiros Parreirita Cigano, Daniel Montes e o novilheiro puntero Curro Damián. Estes obrigam-nos a estar presentes! No toureio a cavalo Maestro Manuel Jorge leva os seus pupilos e mostra que a escola cartaxense faz figuras… Ana Rita, imparável em Espanha e as novas coqueluches para 2015: Parreirita Cigano Filho e Manuel Oliveira. Se juntarmos a força de vontade de fazer renascer os homens da jaqueta das ramagens do Cartaxo os dados estão lançados para dia 1 todos estarmos presentes nesta corrida por tradição inabalável a dever ser o ponto oficial da temporada! Nós estamos lá… Venha também aos toiros no Cartaxo!!! Paulo Beja

Ana Rita é cabeça de cartaz no Cartaxo


Negócios com Valor

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Valor Local

Aumento das instalações em Vila Nova da Rainha

Vetlima na vanguarda da saúde animal Vetlima está em Vila Nova da Rainha, Azambuja, desde 2009. A empresa que se mudou de Lisboa para este concelho ribatejano, tem apostado na modernização das suas instalações, bem como na procura de uma cada vez maior qualidade dos seus produtos. Recentemente procedeu a uma ampliação das suas instalações numa cerimónia em que marcaram presença também os autarcas do concelho. A empresa que já está no mercado há 40 anos, tem apostado fundamentalmente no controlo de qualidade dos seus produtos, que se destinam à saúde animal. Medicamentos, detergentes e outros produtos são a essência da empresa que mudou a sua fábrica da Póvoa de Santa Iria para o concelho de Azambuja, tendo inaugurado recentemente uma nova ala que corresponde a um aumento das suas instalações, tendo inaugurado, ainda, uma linha para a produção de novos medicamentos. Em conversa com o Negócios com Valor, José Carlos Duarte, presidente da administração, destaca que a Vetlima ao longo destes mais de 40 anos “tem mantido

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e continua a manter uma postura de respeito pelo mercado e seus agentes”. Para tal tem contribuído uma “política de transparência de atuação”, a qual está na origem da conquista de quota de mercado. Contudo José Carlos Duarte assume também que já houve momentos menos bons. “Essa conquista tem sido feita com avanços, recuos e insucessos dos quais tentamos tirar as devidas ilações”. Contudo a empresa tem vindo a conquistar a confiança dos consumidores. Operando na área da saúde animal, José Carlos Duarte, destaca como produtos âncora, entre outros “o fabrico de leites de substituição para ruminantes, e para a indústria de alimentação animal – as pré misturas medicamentosas produzidas em padrão GMP”. O responsável anuncia que para os animais de companhia, a empresa apresenta outra gama de produtos inovadores, “nomeadamente na área da epilepsia canina, doença renal crónica e problemas crónicos cardiorrespiratórios”. Numa primeira fase a Vetlima tem operado apenas em Portugal, mas segundo José Carlos Duarte, a internacionalização está próxima, embora a marca já se encontre

presente “em alguns mercados asiáticos, médio oriente e africanos”. Para tal contribuíu o alargamento das atuais instalações. “Trata-se de uma área em que estamos a dar os primeiros passos mas temos a noção de que é preciso andar rápido mas com segurança, visto que os mercados internacionais são muito exigentes. Estamos confiantes de que as coisas vão acontecer”. A instabilidade da economia tem limitado o crescimento das empresas, e a Vetlima não se tem constituído como exceção. Para sobreviver aos tempos menos bons, o responsável da empresa destaca que quando lhe é limitado o acesso ao crédito por razões externas à sua vontade, realiza uma espécie de “hibernação” com diminuição de custos e limitando os níveis de desenvolvimento. “Nos últimos três anos a crise afetou todas as PMEs e por consequência todo o tecido económico nacional. Felizmente pensamos que esse período está ultrapassado e pomos os olhos no futuro com confiança”. Desde 2009 no concelho de Azambuja, o diretor geral da empresa destaca que esta opção foi tomada devido ao facto de estar

Inauguração das novas instalações “no centro do país, e mais próximo dos nossos mercados”. José Carlos Duarte esclarece também que as “acessibilidades perfeitas e o fato de se poder usar a capital do

país sempre que necessário, sem sermos ‘consumidos’ por ela”, foi outra das razões. Ao todo a empresa tem, nesta altura, 28 postos de trabalho, sendo

três do concelho de Azambuja. Contudo com a mudança de instalações para este município, alguns dos trabalhadores decidiram mudar-se também e residir na zona.


Valor Local

Opinião

Flexisegurança:

19 Augusto Moita Lic. Recursos Humanos

Para que serve e os porquês da sua não aplicabilidade em Portugal ntes de iniciar o texto sobre a temática “flexisegurança”, necessariamente sucinto, por uma questão de espaço, gostaria que refletissem sobre o seguinte axioma: - UTOPISTA, segundo a “Wikipédia”, é um devaneador, fantasista, sonhador, mas também pode ser um visionário. O indivíduo que acha, que tudo lê é utópico, obviamente não é um visionário; refugia-se no utopismo para mascarar as suas debilidades cognitivas, i.e. a ignorância sobre as temáticas (muitas das vezes nem se propõe informarse) a incompetência/impreparação para a perceção e análise, a relutância em aceitar a mudança, a inação face aos desafios colocados nas organizações e a procrastinação (tão característico dos portugueses). Se cada um de nós desse um pouco mais de si, procurando ou aceitando obter mais e melhores qualificações (profissionais e comportamentais), talvez as organizações, estivessem bem melhores e mais capazes de redistribuírem a riqueza gerada, de uma forma mais equitativa. Não pretendi ser acintoso, apenas verbalizar a minha idiossincrasia! Posto isto, vamos então ao assunto que nos propusemos tratar nesta edição, deste vosso jornal. A “flexisegurança” nasceu na Dinamarca nos anos 90, promovido pelo então 1º. Ministro, Poul Nyrup Rasmussen. Em 10 anos conseguiu reduzir a taxa de desemprego de 12% para 4%.

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A flexisegurança (junção da flexibilidade e segurança) e há quem lhe chame “flexigurança”, trata-se de um modelo de Estado-providência que promove uma política mais flexível do mercado laboral com vista à facilitação de novas contratações e despedimentos, a par de uma rede de segurança social, apanágio do Estado-providência que carrega uma forte componente de segurança e que permite:1º. Que os trabalhadores encontrem um novo emprego mais facilmente; 2º. Que sejam apoiados pela segurança social no caso de desemprego; 3º. Isto, acompanhado com políticas ativas de formação profissional compatíveis com as necessidades do mercado de trabalho. A “flexisegurança” garante ainda: 1º. Um nível adequado de subsídios de desemprego que facilite as mudanças; 2º. Garante oportunidades de formação para todos os trabalhadores e, em especial, para os pouco especializados e os mais velhos. Estas ações repercutem-se em benefícios para as empresas e para os trabalhadores, senão vejamos: 1º. Uma melhor organização do trabalho; 2º. Uma mobilidade ascendente resultante da melhoria de competências e de investimentos em formação que são vantajosos para as empresas, ao mesmo tempo que ajudam os trabalhadores a adaptarem-se e a aceitar a mudança. A ”flexisegurança”, apresenta quatro componentes políticas, que constituem os seus alicer-

ces, a saber: 1º. Disposições contratuais flexíveis e fiáveis, mercê da modernização das legislações laborais (novo Código do Trabalho já aprovado), dos acordos coletivos e da organização do trabalho; 2º. Estratégias globais, de aprendizagem ao longo da vida (ALV), para garantir a constante adaptabilidade e empregabilidade dos trabalhadores, em particular os mais vulneráveis; 3º. Políticas ativas de emprego que, com eficácia, ajudem as pessoas a lidar com a mudança, reduzam os ciclos de desemprego e facilitem as transições para novos empregos; 4º. Sistemas de segurança social modernos, que assegurem apoios adequados, fomentem o emprego e facilitem a mobilidade no mercado de trabalho. Proteção social (subsídios de desemprego, pensões e cuidados de saúde) que ajude as pessoas a conjugar responsabilidades profissionais, privadas e familiares, como a assistência a filhos. A “flexisegurança” é um modelo coerente baseado num conjunto de fatores que dependem uns dos outros e que para ter sucesso, exige que cada um tenha direitos e deveres. Assim: - Os desempregados têm o dever de: 1º. Aceitar a oferta de emprego que lhes é feita; 2º. Melhorar as suas qualificações com vista à empregabilidade; - O sector público tem o dever de: 1º. Assegurar que o trabalhador desempregado tem a possibilidade de melhorar as suas competências e qualificações; 2º. Promover a cooperação com o sector empresarial,

para garantir que há correspondência entre os postos de trabalho oferecidos e a qualificação dos desempregados. 3º. Garantir que os empregadores têm acesso a informação relevante que lhes permita preencher os postos de trabalho (número de desempregados, qualificações, etc); - O sector privado empresarial tem o dever de: Dar conta dos empregos disponíveis, para que o sector público saiba em que qualificações deverá investir; - Os sindicatos têm a obrigação de: Garantir, de acordo com a legislação, que os desempregados cumprem os requisitos para receber o subsídio de desemprego. Por falta de espaço não podemos dissecar as vantagens e desvantagens deste sistema. Quanto às razões pelas quais a “flexisegurança” poderia, ou não, ser aplicada em Portugal, tenho a seguinte opinião: . No nosso caso, penso que não seria realista ou equilibrado tentar aplicar o modelo no curto prazo, embora defenda que é importante definir estratégias de médio e longo prazo envolvendo o mercado de trabalho, o Estado, o sector empresarial e os sindicatos, enfim, todos os parceiros sociais. Uma solução é começar pelos sectores mais competitivos que deverão liderar a mudança, tentando criar uma plataforma de entendimento entre o sector empresarial, o sistema educacional, os trabalhadores, o sector público e os sindicatos. Por outro lado, e tendo em con-

Pobre mundo rico: Impunidades sta quase década e meia do século XXI, tem sido especialmente fértil em escândalos na área financeira, com a inevitável repercussão na economia. Escândalos que revoltam e cujos factos associados, tornam uns quantos mais ricos e levam à pobreza de milhões de seres humanos, grande parte crianças, conduzindo-os à mais degradante das misérias, à fome e à morte. Na origem está uma ganância, e também hipocrisia, desmedidas,

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a procura a qualquer custo, custo este sempre suportado pelos outros, do lucro, sempre mais dinheiro, mesmo que já se tenha muito, e poder. Tudo de preferência a um nível astronómico, não importando que assente no mais vil espezinhar dos mais elementares direitos dos outros, que não passam neste “jogo de casino” de insignificâncias estatísticas publicadas em jornais e anuários de organizações internacionais, a que só alguns dão importância, uns pelos seus de-

veres funcionais, outros porque se preocupam genuinamente, lutando para alterar uma realidade atroz. O respeito pelo próximo, a moral e principalmente a ética, que parece ter sido criada para ser cumprida pelos outros, os que estão a ser cilindrados pelo rolo compressor desta economia predatória, dita de mercado. Desta “economia que mata”, como constatado por muita gente e sublinhado pelo Papa. Portugal tem também os seus

ta que a aplicação integral da “flexisegurança” em Portugal, segundo os especialistas, custaria cerca de 4500 milhões de euros por ano (números de 2012). Ou seja, para além dos 2000 milhões de euros já gastos a apoiar os desempregados, Bruxelas adiciona 2500 milhões para a aplicação do modelo da “flexisegurança” em Portugal. Também a Comissão Europeia estima ainda que, para além do apoio aos desempregados, Portugal teria também de gastar 1,09% do PIB, cerca de 1700 milhões de euros, em medidas ativas de criação de emprego, com a formação profissional e os apoios à contratação. Contudo e para além dos aspetos economicistas que logo à partida obstaculizariam a aplicação em Portugal do modelo “flexisegurança”, face ao estado atual do país, existe um outro entrave, não menos importante. A “flexisegurança” exige fundamentalmente, uma revolução na cultura comportamental (revolução de mentalidades), quer de empresários quer de trabalhadores, quer de sindicalistas, quer de políticos, que infelizmente, não me parece que aconteça nas próximas décadas. Na formação profissional em Portugal, subjazem interesses meramente estatísticos e não as necessidades do mercado de trabalho (regional/local), salvo raríssimas exceções. A jurisprudência com decisões, por vezes insensatas, sobre despedimentos individuais, (sem analisar os factos da contraparte) colocando em causa a

sobrevivência das empresas e dos trabalhadores que nela se encontram (quase obriga as empresas a optar pelo despedimento coletivo em vez do individual). Por último, a inflexibilidade da legislação laboral no que concerne a justa causa de despedimento (inadaptação ao posto de trabalho e extinção do posto de trabalho), cujo novo Código do Trabalho pretende responder a estas questões. Veremos os seus efeitos práticos. O profissional competente e comprometido com a organização, nada tem a recear! Estes fatores são, quanto a mim, condicionadores da aplicação da “flexisegurança” em Portugal. Para epílogo, e porque decorreu no fim de semana de 4 e 5 do corrente, na Fundação Francisco Manuel dos Santos uma conferência sobre a LIBERDADE, resolvi fechar este artigo com chave de ouro, escrevendo a seguinte proposição para reflexão: - Liberdade é a capacidade que o cidadão possui de rebelar-se contra o ostracismo a que nos devota a “ditadura” democrático-partidária, só porque, não estamos alinhados pelos interesses obscuros de políticos prosaicos! No próximo artigo abordaremos um tema emergente: A avaliação do desempenho (uma das condições para o despedimento por justa causa). Até lá, boas leituras!

António Loureiro, deputado na Assembleia Municipal de Azambuja

casos, BCP, BPN, BES e outros de menor dimensão, que se alimentaram de ilusão e euforia, autêntico regabofe, que atingiu governantes, políticos em geral, dirigentes e cidadãos menos avisados ou informados. Outros, com a cabeça fria e sabendo o que se estava a passar, foram-se aproveitando do regabofe, de forma criminosa, e até ao presente continuam impunes, fazendo crescer o descrédito na justiça que puna os poderosos, nos reguladores bancários e da

bolsa de valores, pois tudo parece ter, cheia de inteligência, uma boa justificação. Dinheiro fácil, que afinal era emprestado pelo exterior, bens, cada vez mais caros a crédito, mas tudo corria bem até que a economia; a real, aquela ligada à riqueza efectivamente produzida, resolveu dizer, de forma devastadora como um tsunami, que a realidade era outra. Austeridade e pobreza, é o binómio da vida em Portugal, onde aumenta o numero de milioná-

rios, mas a maioria está condenada à pobreza pela falta de emprego, pelo salário e pensão que não dá para a vida e os sinais não são de esperança. Mas do que estamos realmente pobres é de valores éticos e morais que aumentem o respeito pela dignidade e direitos do outro. Até à próxima.


Opinião

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Descentralização: o futuro dos concelhos

escentralizar é quando um poder absoluto passa a ser repartido. Em plena democracia este conceito deveria ser aceite e aplicado, mas quando ainda há tantos vícios absolutistas, quem deveria dar o exemplo dessa descentralização raramente o faz, consciente ou inconscientemente. O fascínio pela centralização leva a que o desenvolvimento das pequenas comunidades seja encarado como uma ameaça. Daí ao encerramento dos tímidos símbolos de progresso vai um pequeno passo. Demasiado pequeno. As aldeias, as freguesias tendem a esmorecer e definhar apesar da boa vontade de quem lá mora, que muitas vezes faz o papel de

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animador cultural e assistente social protagonizando, autênticos malabarismos que permitam que algo aconteça, que as terras vivam para além da humilhação que representa a desvalorização do local onde vivem. As escolas, o comércio e os serviços vão encerrando portas perante o olhar impotente de quem os vê partir e a benevolência de quem os recebe ou quem respira de alivio porque ainda não lhe aconteceu. O argumento de que é para bem das populações esgota e enrouquece as vozes que alertam para o futuro das comunidades lesadas. A necessidade de, muitas vezes, centralizar os serviços nas sedes de concelho esva-

zia as aldeias em redor, para prejuízo de quem opta por ficar afas-

tado dos centros urbanos. A capacidade de escolha é obrigatoria-

Valor Local Ana Bernardino

mente condicionada por desígnios misteriosos, justificações que não fazem sentido, interesses velados. Não esqueçamos que um aglomerado populacional de maior dimensão significa mais votos em tempos eleitorais. E é em torno das eleições que tudo vive, numa volta de 360 graus com uma duração de quatro anos. Mas também não esqueçamos que, quem olha para o lado enquanto as freguesias se transformam em terreno árido, provavelmente vai estar cá para ver o mesmo acontecer às pequenas cidades que tanto defendeu assistindo ao esmagamento em prol de um bem maior, uma cidade maior. Lá diz a sabedoria popular

“recebemos em dobro que desejamos aos outros”. Só que o tempo urge. Cada freguesia deve ser encarada como um pólo de enriquecimento per si. Um local aprazível de se viver, não só pelas bonitas paisagens e vizinhança agradável, mas por proporcionar os serviços necessários, valorizando cada metro quadrado concelhia e não apenas de uma ou duas localidades. Valorizando o todo pelo todo. Só assim é que os concelhos têm futuro.


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Ambiente

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Montanha de asfalto perturba Casais das Amarelas á cerca de três anos que a localidade de Casais das Amarelas, na freguesia de Aveiras de Cima, convive paredes meias com uma montanha de resíduos de asfalto da empresa de construção Tecnovia, com vista a desenvolver no local um estaleiro. Os moradores dizemse afetados porque de verão sopram poeiras negras que sujam as paredes das casas, e em tempos até o descanso dos habitantes dos Casais das Amarelas foi posto em casa. A empresa laborou até a dada altura, mas a produção parou há cerca de um ano, e ninguém sabe por que razão os resíduos não são retirados do local. “Esta porcaria estragou a casa construída há pouco tempo pela minha família. O pó preto invadiu o sótão e as paredes. No ano passado, houve movimentações e as consequências foram complicadas, forma-se uma nuvem negra que afeta quem vive neste local”, diz Armindo Mirradinho à nossa reportagem Carlos Correia também fala da moradia do seu filho: “Cheguei a ter uma guerra com a empresa, porque trituravam o alcatrão para fabrico da massa, e com a colocação de tuvenam, o caso piorava. Para além de que laboravam à noite causando ainda mais transtorno. O meu filho que trabalha por turnos quase que não conseguia dormir. A minha neta que anda na escola também sofria com problemas para conseguir descansar. Fui ter com a empresa e chateei-me com quem andava aí a trabalhar. Estive para ir à Câmara, mas talvez mercê das queixas acabaram por parar a laboração”. Neste momento, os trabalhos encontram-se parados, “mas a lixeira permanece”. “Chegou a estar aí um guarda noturno no estaleiro mas pouco mais se consegue ver no momento. As máquinas desapareceram”. Sendo certo, que neste processo “a Câmara pouco fez”. “Fiquei espantado com a autorização da autarquia, afinal onde estão as preocupações com o ambiente e com as pessoas?”. “A minha nora nunca podia ter as portas e as janelas abertas, com a acumulação de pós. Chegaram a prometer a pintura dos telhados, mas disse à empresa que só desejava que se fossem embora, porque ao escolherem esta localização estão praticamente dentro de Aveiras de Cima. Não se percebe”. A Câmara Municipal de Azambuja dá conta que a questão se tor-

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nou mais complexa. Até porque a empresa já ultrapassou os prazos para continuar no local. “Foi feito um acordo para que pudessem ter o estaleiro no local, em contrapartida deram materiais para tapar buracos e alcatroamento, mas não pagaram as taxas que deviam ter sido liquidadas. O acerto de contas já devia ter sido concretizado”, dá a conhecer o presidente da Câmara Luís de Sousa. Em causa está um valor na ordem de 40 mil e 13 euros que a Tecnovia deve pagar ao município, mas à hora de fecho desta edição, Luís de Sousa evidenciou o seu desalento porque a empresa em causa alega já ter liquidado esse montante com os materiais fornecidos, durante a sua permanência no concelho, à Câmara. O autarca refere que esses materiais sempre tiveram o caráter de uma doação, algo que até foi discutido em assembleia municipal à época, e que por isso estranha bastante a posição da empresa. O presidente da Câmara não quis adiantar mais dados, pois refere que o assunto

vai seguir a via litigiosa. O desapontamento com a empresa estende-se ainda ao fato de elementos ligados à mesma terem feito chegar um ofício à

Câmara acerca da queda de um muro numa propriedade dos mesmos em Arrifana, exigindo a sua reparação. – “Não é assim que se fazem as coisas. Ainda

A dimensão do depósito é assinalável

Armindo Mirradinho lamenta as consequências

Carlos Correia chegou a discutir com a empresa

somos pessoas de bem. Temos a porta aberta, pelo que não era necessário mandarem um ofício, bastava virem falar connosco, e se a responsabilidade for nossa

obviamente que diligenciaremos o arranjo do muro”. O Valor Local pediu declarações à Tecnovia mas a empresa não respondeu às nossas questões.


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Valor Local


Valor Local Carta ao diretor a qualidade de cabeça de lista, eleito como independente, pela Coligação PFNT, começo por agradecer ao sr director do Jornal a possibilidade que nos dá para abordar assuntos de interesse para a população da Freguesia de Azambuja A senhora presidente da Junta, diz na entrevista ao vosso jornal que os eleitos da coligação Pelo Futuro da Nossa Terra só apresentam propostas com o objectivo de as publicitar nos jornais. Não deixa de ser positivo que a sra presidente reconheca que as apresentamos ! Os eleitos da coligação PFNT, sempre apresentaram as propostas e alertas, em local proprio que é a assembleia de freguesia, dentro do tempo previsto na lei, eis algumas melhoria que apresentamos: - Melhorar a rede telefónica e da internete com as operadoras telefonicas e a colocação de uma caixa mulibanco nos Casais de Baixo e casais dos Britos, inclusivé demos o nome de um banco interessado. - Melhorar o estacionamento dentro da vila, sem que os Azambujenses tenham de pagar Parkimetros. - Para além das várias moções que apresentámos, alertámos nas assembleias para o desleixo da freguesia, com sujidade nas ruas, com ervas por cortar, buracos nas estradas, muros em risco de caír, a falta de iluminação nas ruas, a ausência de sinalização para quem nos visita saber, como saír de dentro da vila, a falta de ideias empreendedoras a ausencia de apostas no turismo local, etc. etc. A senhora presidente não gosta de ser questionada, sobre a falta de capacidade para resolver os problemas da população e tenta desviar as atenções, dizendo que os eleitos da Coligação PFNT, só querem protagonismo na imprensa. Então não é o executivo que anda a gastar o dinheiro dos Azambujenses, para se auto-promover, nos jornais com a sua pomposa Newsletter? Para além das lacunas de liderança e gestão evidenciadas, são também visíveis as dificuldades ao nível da organização de eventos publicos importantes para os fregueses, como foi o caso do passeio dos idosos, em que foi dito às pessoas que iam visitar o museu da presidência da república e quando lá chegaram, o museu estava em obras, deixando as pessoas, toda a manhã, no meio do jardim de Belém, sem lhes proporem alternativas, sendo que, o executivo da junta sabia das obras e manteve as pessoas no engano. As festas da freguesia são outro exemplo pouco dignificante, foi por exemplo, cancelada a mesa da tortura, levando centenas de pessoas a deslocarem à praça de touros e o espectaculo não se realizou. - Em suma, já que a Sra presidente trouxe os assuntos da assembleia para os jornais, tenho de lhe lembrar que o seu executivo, tem um défice de democracia por não aceitar oposição, quando nós sempre fomos responsáveis, votamos a favor todas as proposta que eram de interesse para a freguesia. Contrastando convosco que até votaram contra, a vossa promessa eleitoral, para colocar multibanco nos Casais, só porque fomos nós a apresenta-la! Por isso, não tenho palavras para classificar este executivo e não admira que em menos de um ano, várias pessoas válidas se tenham demitido e certamente outras se seguirão. Armando Martins 21/09/14

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Instantanêos

Terra Velhinha

ilhas e genros de Maria Helena Gonçalves vêm, por este meio, deixar, um agradecimento publico, a todas as funcionárias da Sta Casa Misericórdia de Azambuja, pelo excelente profissionalismo, carinho, dedicação, prestados à nossa mãe/sogra, em especial no seu último mês de vida. Sem dúvida foram exemplares na forma como cuidaram, tentaram minimizar o seu sofrimento, no apoio que a nós prestaram! Ninguém faria melhor. A todas: O nosso muito obrigado

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Ficha técnica: Valor Local, Jornal de informação regional, sede de

redacção e administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja; telefones: 263 047 625, 96 197 13 23 correio electrónico: valorlocal@gmail.com • Site: www.valorlocal.pt • Propriedade e Editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 • correio electrónico: adm.valorlocal@gmail.com • Director: Miguel António Rodrigues CP 3351 miguelrodrigues@valorlocal.pt • Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198 silvia.agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Miguel Ouro, Nuno Filipe, Augusto Moita • Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt • Fotografia: José Júlio Cachado • Serviços Administrativos e Departamento Comercial:Ana Reis, telefones: 263 047 625, 93 244 63 22 correio electrónico: vendas.valorlocal@gmail.com • N.º de Registo ERC: 126362, Depósito legal: 359672/13 • Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga • Tiragem: 4000 exemplares

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Imagens com História

Grupo de amigos no jardim infantil de Azambuja Publicada por José Soares, 01/08/14 Foto de Manuel dos Santos Rosa Segundo António José Soares “Mais uma foto cedida por Manuel José Santos Rosa, um grupo amigos no Jardim Infantil de Azambuja”. “Banco muito alto para a Cesaltina e como era moda o galã com os famosos ténis Sanjo “ Segundo Bia Cartaxo “Tão giros! E a outra menina é a Júlia?” Segundo Isabel Ancião “É o António, primo do Manel Zé” Segundo Idalina Cartaxo “António, grande amigo. Infelizmente já não se encontra entre nós. Paz à sua alma.” Segundo José Augusto Freixo “Encontrei o em Luanda, quanta saudade.”

Oleastro Sporting Clube 1914 – 2014 – Cem Anos da Fundação do Oleastro Sporting Clube, a mais velha associação azambujense de futebol.

Notícias com História Espiões e Bombas em Azambuja

«aterrem em Portugal» mostra on-line documentos inéditos encontrados nos National Archives and Records Administration (NARA) dos Estados Unidos. Os mesmos revelam o funcionamento de uma rede de sabotadores alemães em Portugal durante a II Guerra Mundial. Aviões e navios aliados foram alvos, mas a PVDE descobriu tudo. Uma outra rede, montada para atuar caso existisse uma invasão aliada, deixou explosivos escondidos em vários pontos de Portugal, nomeadamente em Azambuja. A descoberta, no Entroncamento, de uma caixa com várias cargas explosivas terá deixado os elementos da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, antecessora da PIDE), bastante preocupados naquele Verão de 1944. No interior contaram diversas cargas incendiárias e de demolição. Tudo terá acontecido em Setembro de 1943 quando Rudolf Blaum recebeu ordens de Berlim para possíveis missões de sabotagem. Pedem-lhe que estude as minas britânicas de volfrâmio no norte do país. Deslocou-se pessoalmente aos vários locais e inteirou-se das atividades, mas depressa percebeu que a sabotagem das minas não teria efeitos duradouros. No relatório que realizou assegurou que as operações não impediriam que a extração voltasse ao normal no espaço de poucos meses. Com trinta anos, olhos azuis, cabelo louro e um 1, 82m, Rudolf Blaum dificilmente passaria despercebido em Portugal nos anos 40, não fosse ele um dos muitos estrangeiros que durante a guerra circulou pelo país. Quando em Março de 1946 foi extraditado para Hamburgo e interrogado pelos americanos este agente da Abwehr – uma das agências de espionagem alemã - revelou-se um poço de informações sobre as atividades subversivas em Portugal. É ele que vai explicar a origem da caixa de explosivos encontrada no Entroncamento e muito mais. “Cooperante e de confiança”, segundo o relatório americano, deu detalhes sobre nomes, funções e residência de 19 colaboradores portugueses da sua rede. Depois foram enterradas perto de alvos militares - como a base da OTA, Tancos ou Alverca - ou estradas, linhas de comboio e cruzamentos de linhas - como no Entroncamento, Pampilhosa, Pombal, Azambuja, Póvoa de Santa Iria, Pinhal Novo, Lisboa e Alcácer de Sal, como foi dito na edição anterior. Blaum e o seu assistente ocuparam-se pessoalmente dessa tarefa e enviaram a informação para Berlim. O material ficaria escondido após a invasão e seria utilizado por elementos alemães lançados de paraquedas. Ironicamente estes explosivos tinham sido lançados de paraquedas pelos Ingleses para equipar a resistência francesa, mas haviam sido capturados pelos alemães. E aqui fica o mapa com a localização do material bélico escondido à entrada poente de Azambuja. Por José Machado Pereira

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Equipa de Futebol em 1933 Publicada por Sofia Faro da Cunha, 03/09/14

Segundo Sofia Faro da Cunha “Estas fotos eram do meu avô, António José Henriques Lopes, são de 1933. O meu avô está na foto, mais o seu amigo o Sr. João Pereira, ambos já não estão entre nós. Será que conhecem mais alguns jogadores?” Pelo que me disseram, o campo era á entrada de Azambuja, ainda não havia a EN3. A encosta lá atrás é onde existe o condomínio fechado da Bela Vista.” Segundo António José Soares “Parece-me que o 1º à esquerda na segunda fila é o Sr. Carlos Serafim.”

Nota: Carta enviada por Armando Martins à nossa redação antes de renunciar ao mandato na Junta de Freguesia de Azambuja

Agradecimento

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Raparigas na Fonte de Santo António Publicada por Miguel Ouro, 19/08/14 Foto de Inês Louro


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Jornal Valor Local-Edição 24 Out 2014  

Jornal Valor Local-Edição 24 Out 2014  

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