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Valor Local Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 45 • 27 Janeiro 2017 • Preço 1 cêntimo

Carregado--Barrada Barrada Carregado

O retrato de um bairro em transformação

Bombeiros de Azambuja e Cruz Vermelha de Aveiras de costas voltadas Pág. 5

Salvaterra combate exclusão com mais psicólogos no concelho

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Entrevista a Rui Rei

Págs. 10, 11, 12 e 13

“Não se pode ser eternamente número dois nem sempre número um”

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Artes marciais e desportos de combate cada vez mais procurados na região Fomos ao encontro de duas modalidades diferentes na região. Uma delas é arte marcial e tem feito escola em Samora Correia, a outra é uma forma de defesa pessoal, e também tem vários praticantes em Azambuja. Ambas fazem parte do vasto leque de modalidades trazidas de países distantes para o nosso país, já visto como uma meca do género lá fora. ¢ Sílvia Agostinho uma sala da Escola Tradicional de Artes Marciais em Samora Correia um grupo de crianças e jovens vão ensaiando diversas técnicas do mundo das artes marciais. Alguns são mais experientes, outros entraram há menos tempo na escolas, mas todos eles confessam-se entusiastas deste universo. Portugal é um dos países onde as artes marciais possuem um maior número de aderentes, uma realidade que não passa despercebida em lado nenhum do planeta, e até os países de origem da grande maioria destas modalidades estão atentas ao fenómeno no nosso país. É em Samora Correia, mas também podia ser em qualquer outra parte da região. As artes marciais estão para ficar e parecem ser a nova coqueluche de muitas associações e coletividades. No dia da nossa reportagem, o Kosho Ryu Kempo era a modalidade em destaque. Nos últimos anos, as artes marciais são também “receitadas” pelos médicos tendo em conta os fenómenos de hiperatividade e dificuldades de concentração em crianças”. Os princípios e a rigidez das artes marciais são

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vistas como um bom ponto de partida para “essas dificuldades”. Mas este é um trabalho “quem não se vê nem num mês nem num ano”, refere o sensei Luís Coelho, mestre de Kosho Ryu Kempo. “Posso dizer que estou a recolher frutos desse trabalho com 10 anos”, com jovens que hoje “têm 16 ou 17 anos e que trabalham comigo desde os nove”. Marlene Bento é mãe de uma menina de sete anos que revelava até algum tempo atrás dificuldades de socialização, mas desde que entrou na escola que por assim dizer desabrochou e “tornou-se muito mais sociável”. “Quando tinha cinco anos não conseguia largar-me, era muito inibida, e desde que veio para as artes marciais que mudou bastante. Andou na natação e na ginástica, mas só mesmo o Kosho Ryu Kempo permitiu que ela se abrisse”. Durante a aula, as duas classes (infantil e juvenil) vão chegando à sala e fazem o cumprimento específico deste tipo de filosofia. À semelhança de outras, o Kosho Ryu Kempo também vai beber nos ensinamentos budistas. Para além da parte de modalidade de luta, o praticante deverá também observar uma forma de

estar na vida muito própria: mais aberta e em comunhão com os outros. Frequentam a modalidade cerca de 60 alunos. Sendo que a modalidade surgiu em Samora Correia há cerca de 20 anos. Para além do Kosho Ryu Kempo, integra ainda a Esgrima Filipina, e o Kuroishi Riu Bujutsu. “Para o leigo as diferenças entre as artes marciais não são muito visíveis, mas quem as pratica sabe das diferenças existentes, tem a ver com o princípio e com a cultura de cada uma”, define Luís Coelho. O Kosho Ryu Kempo surgiu na China. Julga-se que à volta do ano 525 D.C. Esta arte marcial expandiu-se depois para o Japão e mais tarde para o Hawai. A escola de Samora Correia desenvolve uma linha japonesa da arte marcial em causa, “que consiste na defesa pessoal com mais temáticas de pé, que não a que trabalha o chão, na base, se quiser, do jiu-jitsu”. Contudo salienta que as artes marciais embora possam assemelhar-se aos desportos de combate puros, possuem outras subtilezas – “A importância dos princípios e dos hábitos que as crianças têm de adquirir, não se resumem ape-

Artes marciais atraem cada vez mais praticantes nas à vertente competitiva. O nosso principal foco não incide só nas mecanizações desportivas, mas também nas formas de estar na vida”. “Colocar completamente à vontade quem aqui chega para praticar esta modalidade pela primeira vez é também um dos nossos lemas”, conclui. Por outro lado, “ensinamos o valor da partilha da amizade. São princípios importantes para as crianças. Um adulto que aqui chegue e que não tenha esse princípio não ficará cá durante muito tempo. Por outro lado, in-

cutimos a necessidade de as crianças serem bem-sucedidas nos estudos”, refere Luís Coelho, que por norma vai acompanhando a evolução escolar dos praticantes. “A partilha é uma das bases do nosso trabalho. Não guardo segredos dos meus métodos e daquilo que sei para os meus alunos, e sei que eles também não o fazem”. Ricardo Ferreira, 17 anos, é praticante de Kosho Ryu Kempo desde pequeno. Há 11 anos que está na escola de Samora Correia e a forma de estar do sensei Luís Coelho também ajudou a

Krav Maga com 30 alunos em Azambuja oi há seis anos que João Manuel Leal trouxe para o Grupo Desportivo de Azambuja, o Krav Maga Security uma modalidade de defesa pessoal com cada vez mais praticantes no nosso país. Nascida em plena segunda guerra mundial, pelas mãos do senhor Imi, um judeu austro-húngaro, este género de defesa pessoal, chegou mais tarde a Israel e daí passou para o resto do mundo, tendo chegado a Portugal no início deste seculo, quando um elemento das nossas forças de segurança se deslocou aquele pais do Médio Oriente, para conhecer os segredos desta arte e implantá-la por cá, tendo nascido então muitas escolas e de diversos estilos, pelo país fora João Manuel Leal que começou em Azambuja com cerca de uma dúzia de atletas, numa sala de reduzidas dimensões, tem hoje cerca de 30 alunos dos dois sexos en-

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tre os oito e os 45 anos e está a trabalhar no ginásio das piscinas municipais, numa sala que divide com o Taekwondo, também do GDA, mas onde segundo o mestre tem outras condições a nível de espaço e qualidade de treino que não tinha na sede do clube devido ao pouco espaço da sala onde trabalhava. Quando lhe perguntamos, qual a diferença entre uma arte de defesa pessoal e as artes marciais, visto modalidades como o Karaté, Taekwondo ou Judo por exemplo, também terem sido na sua génese criadas para defesa pessoal, João Leal diz-nos que essas modalidades evoluíram para a vertente desportiva enquanto o Krav Maga é somente para defesa, além de que quando uma pessoa é atacada, vale tudo para se defender, enquanto uma modalidade desportiva “tem regras”. No entanto estáse a trabalhar para ser criada uma

federação e passar a haver também a vertente desportiva da modalidade. João Leal foi um dos introdutores do Krav Maga Security em Portugal e diz-nos que este estilo implantado pelo seu mestre Alain Cohen é um dos mais utilizados pelas diversas forças de segurança. Além da defesa pessoal, o Krav Maga é importante também para a auto confiança, aumentando a auto estima de quem o pratica e fazendo encarar a vida de outra forma, sem medos nem fantasmas. No dia quatro de Fevereiro tem lugar uma atividade no pavilhão do Grupo Desportivo de Azambuja, para as graduações da modalidade, bem como um estágio inter estilos (várias modalidades de luta) que decorrerá também em Azambuja mas no dia 18 de fevereiro e onde o Krav Maga também se fará representar. Nuno Vicente

João Leal e atletas do GDA

que fosse ficando. “Ganhei mais concentração”. As notas na escola “melhoraram”. “Os resultados que tenho conseguido devoos ao kempo também”. Na componente adulta, as artes marciais são procuradas em norma como um meio para se ganhar noções de defesa pessoal, “mas mais uma vez não é esse o objetivo”. “O adulto que aqui chegue com esses propósitos terá de mudar a sua perspetiva se quiser continuar. Aliás quem antes de vir para aqui era violento, passa a ser menos”, refere Luís Coelho.


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Combate à exclusão social

Salvaterra de Magos reforçou presença de psicólogos no concelho alvaterra de Magos reforçou nos últimos anos o número de profissionais a trabalharem na área da ação social. Através do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) e da Rede Local de Intervenção Social (RLIS) há mais dois psicólogos no concelho a que se juntou, recentemente, em 2016 um outro profissional da mesma área a prestar consultas no centro de saúde. Os fenómenos de exclusão e emergência social no concelho, que em algumas circunstâncias têm sido notícia ao longo dos anos, são agora abarcados pelas novas estruturas presentes no território, o que segundo a vereadora com o pelouro da Ação Social na autarquia, Helena Neves, garante “um combate mais incisivo e específico” a este tipo de fenómenos, em comparação com o que existia anteriormente, quando eram tratados na esfera geral da Segurança Social. O CLDS de Salvaterra de Magos tem a duração de 36 meses, (iniciou-se em janeiro de 2016) e desenvolve ações em três eixos de intervenção: Emprego, Formação e Qualificação; Intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil; Capacitação da comunidade e das instituições. O projeto tem um financiamento de 450 mil euros. Apesar de o Centro de Bem Estar Social de Marinhais servir de ponto de apoio ao programa, este estende-se a todo o concelho. Para além da psicóloga é constituído também por educadora, socióloga, e animadora sócio-cultural. “O nosso território foi considerado como prioritário para a implantação de um projeto desta natureza”, reforça Helena Neves que dá conta, ao mesmo tempo, que só no eixo um relacionado com o emprego, formação e qualificação foram alvo deste género de intervenção 1337 pessoas, incluindo empresas, compreendendo ações de formação, e de empreendedorismo; oficinas de emprego; divulgação de ofertas de emprego. Neste aspeto, a vereadora sublinha “a importãncia da parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional”. Embora fora do âmbito do CLDS, decorrem também no município e no âmbito da intervenção social, as denominadas “atividades socialmente úteis”, em que os beneficiários da Rendimento Social de Inserção têm a oportunidade de desempenhar uma função inseridos na comunidade. No máximo passam três dias por semana dedicados a atividades na autarquia, IPSS’s, associações. “No caso da Câmara, temos pes-

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Helena Neves reforça que Salvaterra aumentou resposta nesta área soas a realizar tarefas no auxílio ao setor da limpeza, pavilhões, universidade sénior. Algumas dizem mesmo que já não passam sem essa ocupação e tem sido algo muito bom para a auto-estima dessas pessoas, que ainda não se sentem ou não conseguem, depois de muitos anos desempregadas, com capacidade para voltar em pleno ao mercado de trabalho”. Outra das vertentes do CLDS refere-se ao combate à pobreza, intervenção familiar e competências parentais, e neste aspeto “há muitos pais que já passaram enquanto crianças pela CPCJ, e agora os seus filhos acabam por seguir o mesmo trajeto de intervenção social. Temos casos em que três gerações já estiveram sob a alçada daquela estrutura. Os avós foram intervencionados, depois os filhos e mais tarde os netos”. Um círculo vicioso que para parar “tem de obedecer a um trabalho muito grande a nível de dar competências parentais a estes pais. Não será num ano ou dois que veremos resultados. Todas estas matérias levarão anos, mas penso que já se nota alguma coisa no terreno, graças também à grande articulação entre os parceiros da rede”. Junto das famílias sinalizadas, Helena Neves, confessa que contrariamente ao que seria de esperar, “são pessoas que na sua

maioria sentem que precisam de ajuda, e que sabem que têm de melhorar a sua forma de vida para continuarem a ficar com os seus filhos”. No total, foram intervencionadas 2958 pessoas neste eixo, sobretudo nas escolas, tendo sido também criado um gabinete de atendimento personalizado para o efeito, que até ao momento recebeu 40 casos. É prestado apoio psicológico, e dada orientação no que respeita a problemáticas relacionadas com a delinquência, consumos, entre outras. No âmbito da intervenção familiar, o município vai também agilizar no sentido de garantir mais uma estrutura de apoio para o concelho – um Centro de Atendimento Familiar. Em 2014, e numa entrevista ao Valor Local, a antiga presidente da CPCJ local colocava o ênfase na necessidade de serem contratados mais piscólogos para o concelho, dados alguns fenómenos de delinquência, exclusão social, e sobretudo de consumos em idades muito precoces. “Hoje em dia, esse quadro alterou-se significativamente com as novas respostas sociais”, refere a vereadora que não esconde que o homicídio de um menor no ano de 2015 por outro menor “levou também a um debate interno na Câmara sobre estas questões”. Por último, o CLDS compreende a

capacitação da comunidade e das instituições . Até à data foram intervencionadas 115 pessoas. “Este é um trabalho que tem sido, especialmente, feito junto das associações, IPSS’s, com ações concretas no que se refere ao papel que podem desempenhar junto das populações sinalizadas”. Outro dos instrumentos que o município passou a dispor no terreno prende-se com a equipa de RLIS, desta feita organizada a partir do Centro de Bem Estar Social de Foros de Salvaterra mas também a trabalhar em todo o concelho. A esta equipa constituída por três especialistas: um psicólogo e dois assistentes sociais,chegam todos os casos detetados no concelho, e que à posteriori encaminha os indivíduos para os diferentes tipos de resposta existentes. “É mais uma forma de podermos intervir socialmente e todos juntos trabalharmos na possibilidade de resolver as situações”. “Todas estas estruturas novas em conjunto com as que já existiam fazem parte da rede social, em que estamos sempre em contacto uns com os outros. Somos alertados por agentes que andam sempre no terreno como a GNR, os bombeiros ou até os presidentes de junta. No outro dia, um idoso que andava a pé de noite foi sinalizado, não era do nosso concelho,

e rapidamente tentou-se encontrar um local para ele passar a noite. Entrou-se em contacto com a família, e conseguimos de alguma forma ajudar”. Para a população idosa do concelho que de alguma forma tenha de ser intervencionada existe também uma nova estrutura. Trata-se da Equipa de Proteção ao Idoso (EPI), inicialmente designada de Gabinete de Apoio ao Idoso, tratou-se de um projeto concelhio que foi pioneiro no país. Em 2014, falou-se pela primeira vez da EPI, e mais uma vez Helena Neves salienta o trabalho feito em rede com “as IPSS’s, bombeiros, agentes de autoridade, a Saúde, as juntas de freguesia”. Até à data foram tratados 20 casos de idosos em risco. Casos de negligência, abandono, e isolamento têm constituído o grosso deste trabalho. Situações de violência física, segundo a vereadora, “não têm sido detetadas até à data”. Neste trabalho, “nem sempre é fácil convencer os idosos de que necessitam de ser ajudados. A linha entre a vontade de agir e fazer o melhor pelo idoso e o respeito pela sua privacidade e pela sua vontade não é fácil de gerir”, refere e dá o exemplo - “Tivemos um caso complicado de uma idosa, cujos filhos se encontravam longe, e que teve de ser internada no hospital.

Posteriormente houve a necessidade de a levar para uma instituição. Esse trabalho foi demorado, levou cerca de seis meses, isto porque a senhora não queria sair da sua casa, apesar de não ter condições para continuar a viver sozinha. Acabou por aceitar e atualmente está integrada num lar”. No acompanhamento aos idosos que vivem sozinhos no concelho, Helena Neves sublinha ainda as visitas das técnicas da área social aos que ocupam casas de renda social do município – “que passam agora a ser de caráter semanal, porque temos muitos viúvos e viúvas nessas casas e é muito importante ir passando, falar com essas pessoas, apercebermo-nos do estado em que se encontram”. O flagelo dos lares de idosos ilegais também não passa despercebido à autarquia, e a responsável é da opinião de que a circunstância de o concelho se situar relativamente próximo de Lisboa tem despoletado este tipo de fenómenos, “os quais nos preocupam”. O futuro passará pela construção de mais estruturas residenciais. A vereadora sabe que o Centro de Bem Estar da Glória já tem na sua posse um projeto para lar, e que os centros de bem estar social de Marinhais e de Foros de Salvaterra também possuem intenções nesse sentido.


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Bombeiros de Azambuja e Cruz Vermelha de Aveiras de Cima de costas voltadas ¢ Sílvia Agostinho recente participação do comandante dos Bombeiros Voluntários de Azambuja, Armando Baptista, à Autoridade Nacional de Proteção Civil, na qual dava conta da “ilegalidade” que a Cruz Vermelha Portuhuesa (CVP) de Aveiras de Cima cometeu ao ter procedido à extinção recente de um incêndio na freguesia de Aveiras sem ter “competência legal para o efeito”, apesar de possuir algumas ferramentas e equipamentos, caiu mal entre as diversas cores do executivo municipal de Azambuja. Da CDU à coligação de centro-direita passando pelo PS todos condenaram, em reunião de Câmara, a atitude de Armando Baptista referindo que o mesmo está a defender “a sua quintinha”. David Mendes, da CDU, e António Jorge Lopes, da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, interpelaram o presidente da Câmara, Luís de Sousa, como responsável máximo da Proteção Civil no sentido de poder averiguar o comportamento do comandante dos bombeiros. O autarca referiu que já falou com o responsável da Cruz Vermelha e que também contactará entretanto com Armando Baptista. Luís de Sousa também se mostrou agastado com o comportamento de Baptista - “Não podemos ter aqui quintinhas”, disse. Ouvido pelo Valor Local, o comandante dos voluntários de Azambuja, Armando Baptista, refere que o que está em causa “é o estrito ba-

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lizar de competências entre entidades”. O responsável garante que ao longo de quatro anos tem alertado a Cruz Vermelha para o facto de “não poder fazer determinados serviços como desencarceramentos ou combate a incêndios urbanos” mas sem efeito. “Pedi imensas vezes, por favor, para que não entrassem nas minhas áreas. Aveiras de Cima tem um corpo de bombeiros que é o de Azambuja. Tive de dizer basta e dar conta da situação de incumprimento junto da Autoridade Nacional de Proteção Civil”. De acordo com Armando Baptista foi nomeado um inspetor para o caso, que falou com o diretor nacional da Cruz Vermelha, que por sua vez deu conta ao coordenador nacional de emergência. Disto resultou que a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, foi notificada de que não podia fazer combate a incêndios “a não ser em ocasiões flagrantes e sempre de fora para dentro”. Se “a decisão não for acatada por parte da Cruz Vermelha, da próxima vez a resposta poderá ser em termos judiciais”, diz. Armando Baptista refere que “cada um tem a sua missão específica perante a lei” e que nada tem contra a Cruz Vermelha - “O seu comandante e simultaneamente presidente merece-me carinho e respeito”. Sendo que “a Cruz Vermelha é tão importante como os bombeiros”. Armando Baptista refere ainda que a sua carreira passou em grande parte pela Cruz Vermelha da Amadora

onde nunca saiu para “casos de incêndios e desencarceramentos”, apesar de ter ao seu dispor cerca de 45 funcionários, e por isso “Não posso admitir que outros façam o que eu nunca fiz”. A gota de água entre as duas partes terá acontecido recentemente aquando de um incêndio numa carpintaria em Aveiras de Cima, onde segundo Armando Baptista ,a Cruz Vermelha, ao arrepio das suas funções, não contactou os bombeiros de Azambuja e decidiu por cobro “ao sinistro sem para isso ter os meios adequados”. “Bloquearam o acesso e colocaram em risco o combate”. José Torres, presidente e comandante da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, defende-se e quanto a este episódio refere que foram os populares que na ocasião se muniram de uma mangueira e puseram cobro ao incêndio, sendo que a CVP apenas se limitou “a fazer o arrefecimento” de modo “a que não se propagasse à carpintaria”. E vai mais longe: “Demos conta do sinistro aos bombeiros (contrariamente ao que diz Armando Baptista), mas o que estranhamos é que assim que chegou ao local o senhor comandante de Azambuja desatou a tirar fotografias aos nossos operacionais”, e desabafa - “Quando é para nos pedirem ajuda, os nossos telefones estão ao dispor, mas quando não lhe interessa...” Acerca do facto de a CVP de Aveiras ter sido alertada para o facto de não poder fazer desencarcera-

Armando Baptista diz que não teve outra alternativa mentos e outras operações, refere que tal é possível desde que haja um protocolo entre as partes, sendo que no caso dos bombeiros de Azambuja “tal nunca existiu talvez por questões políticas”, ao mesmo tempo que sublinha “a excelente coordenação existente com os senhores comandantes dos bombeiros de Alcoentre e do Cartaxo, onde esse tipo de questões não se fazem sentir”. “São pessoas que colocam as vítimas em primeiro lugar, ao passo que o senhor comandante Baptista chegou a uma área que não conhece e de repente está fora do baralho”. “Tem de cair na real, porque não há forças subordinadas na lei, e não pode de modo algum desprezar os meios que têm feito a diferença na primeira intervenção.” Armando Batista defende-se e diz que não quer servir de “arma de arremesso polí-

tico”. “Tenho falhas como qualquer outro ser humano e consigo responder a todas as acusações com números. Se necessário posso estar presente em qualquer assembleia municipal ou outra instância para defender a posição dos bombeiros”. Quanto aos meios de que dispõe, José Torres refere que a CVP tem um veículo com capacidade para 400 litros de água, habilitado a fazer uma primeira abordagem no terreno. Na exposição que enviou às autoridades, Baptista deu conta de que a Cruz Vermelha não dispunha dos meios adequados, incluindo máscaras, líquidos refrigeradores, e a própria viatura, “que apesar de poder fazer um combate minimizador, não está habilitada” mas Torres refuta tal. Também na questão dos desencarceramentos, a CVP diz que tem formação para

o efeito. Sublinhando nada ter contra os bombeiros de Azambuja, Torres refere que “são homens e mulheres de grande valor, mas o problema está nas cúpulas”. “O que o senhor comandante está a fazer não se faz, e que faça o favor de olhar para as vítimas. A nossa porta está fechada, enquanto ele lá estiver. Prova disso é que nem sequer estivemos na festa de aniversário deles”. Recentemente, um veículo incendiou-se em Aveiras de Cima “e teve de ser o dono da marisqueira a atuar com os seus extintores, porque com isto tudo estamos impedidos de ir para o terreno, e foi por milagre que o motor não explodiu e com isso tinham ido as janelas das casas mais próximas. A Cruz Vermelha estava a escassos metros. Podíamos lá ter ido e feito alguma coisa”, conta Torres.

gue com frequência. A dadora recorda que escolhe por norma as recolhas dos dadores de sangue da Póvoa de Santa Iria já há cinco anos, dirige-se à associação para o efeito de seis em seis meses.

Já Ana Raquel é dadora há vários anos. Para Ana Raquel de 26 anos tudo começou na escola. Achou que era boa ideia e embora confesse que não gosta muito de agulhas tenta vir “sempre para ajudar”.

Dadores de sangue da Póvoa com afluência acima da média e “Dar Sangue é Dar Vida” então os Dadores de Sangue da Póvoa de Santa Iria têm dado um contributo importante nesse capítulo. Todos os fins-de-semana dezenas de voluntários juntam-se para organizar em conjunto com o Instituto Português do Sangue as recolhas que têm tido lugar junto da população com uma aceitação muito acima da média se compararmos com outras regiões. Todavia este é um processo moroso e logisticamente complicado. Nuno Caroça, presidente do grupo da Póvoa de Santa Iria, recebeu o Valor Local numa destas manhãs de domingo e com uma afluência significativa. O responsável salienta que a adesão dos dadores tem superado as expetativas, e que todos

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contribuem para a causa, salientando, ainda, que a associação tem cerca de quatro mil dadores inscritos, oriundos de vários locais, inclusive de fora do concelho de Vila Franca de Xira. Na Povoa de Santa Iria nada é deixado ao acaso. Todos os dadores passam por um rigoroso controlo e por vários exames. Explica Nuno Caroça que cada vez que um dador se disponibiliza para doar sangue, passa primeiro por uma consulta médica. Só depois dessa avaliação e do preenchimento de um questionário é que transita para a sala onde estão os técnicos do Instituto Português do Sangue a fazer as recolhas O responsável do grupo diz que não tem tido dificuldades em encontrar novos dadores, aliás a

prova disso foi o aparecimento de pessoas que estavam no local para dar sangue, pela primeira vez, no dia reportagem do Valor Local. Ao nosso jornal, Nuno Caroça vinca que quando os dadores de sangue deixaram de estar isentos de taxas moderadoras “Não se notou diferenças na afluência”. “Aliás até subimos um pouco” revela, ao mesmo tempo que lembra as campanhas que o grupo tem vindo a fazer junto da camada adulta, mas também dos mais novos, nomeadamente, nas escolas. Sendo a compatibilidade de medula óssea uma situação rara, é importante frisar que o grupo da Póvoa de Santa Iria já contribuiu para que uma vida fosse salva. Ao nosso jornal, Nuno Caroça

conta o caso de um dador que se revelou compatível com um doente que necessitava de um transplante em território nacional. Já quanto aos dadores, Rosa Francisco de 39 anos destacou ao Valor Local que tem dado san-

Voluntários mobilizam-se quase todos os fins de semana


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Bombeiros de Azambuja recebem ambulância nova no dia de aniversário s Bombeiros Voluntários de Azambuja comemoraram 85 anos de existência. Por esta ocasião, a associação recebeu por parte da empresa Sugal, propriedade da família Ortigão Costa, uma nova ambulância, que vem ajudar na prestação de socorro à população. Coube à viúva de Luis Ortigão Costa, patriarca da família falecido em 2012, as honras de descerramento da placa. Esta ambulância, a par com o donativo do Clube TT, Motos Suór e Lama de Casais de Britos, vem dar uma ajuda aos soldados da paz que recentemente reclamaram o pagamento ao Estado de verbas em atraso referentes a serviços feitos no ano passado. A viatura que custou 50 mil euros foi apenas “mais uma ajuda” que esta família deu aos voluntários de Azambuja, de acordo com o presidente da Assembleia Geral, António José Matos, que enalteceu “o fato de os Ortigão Costa há muito ajudarem a associação.” O aniversário da associação ficou marcado não só pelo reconhecimento de sócios e de bombeiros, mas também das empresas que durante o ano ajudaram

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de uma forma ou de outra aquela casa. Nesse sentido, foram reconhecidas as empresas NUMIL e o Intermaché de Azambuja, bem como a própria Sugal. A sessão solene ficou ainda marcada pelo pedido do comandante dos Bombeiros de Azambuja, Armando Batista, ao representante da Liga Portuguesa de Bombeiros, para que a distinção aos bombeiros falecidos em serviço inclua Pedro Salema, (bombeiro que morreu em 2007 quando ia a caminho de um acidente), aconteça em Azambuja. Novo quartel com apoio do Município As obras de recuperação do quartel dos Bombeiros de Azambuja inaugurado nos anos 80, têm sido um pedido urgente por parte dos responsáveis daquela casa. A associação que candidatou essas mesmas obras a fundos comunitários, ficou a saber recentemente que não seria abrangida. André Salema presidente da associação lamentou durante o seu discurso que a candidatura apresentada ao POSEUR tivesse sido chumbada

Benção do novo equipamento pela entidade coordenadora. Assim e com esta notícia, a ampliação e requalificação do quartel ficou em causa. Segundo André Salema, “o chumbo teve por base os considerandos de que a nossa área de atuação não corresponde aos parâmetros requeridos de nível de perigosidade”. Não aceitando esta decisão, o

presidente dos bombeiros lembra as inúmeras empresas instaladas no concelho, o caminho de ferro, o corredor aéreo e ainda o facto de Azambuja estar “situada numa das maiores falhas tectónicas nacionais”, lamentando a não atribuição de fundos. Silvino Lúcio, vice-Presidente da Câmara Municipal de Azambuja,

que é também dirigente da associação, comprometeu-se, em nome do município, a ajudar a associação. Ao Valor Local, o autarca destacou que o município “fará tudo para ajudar as corporações de bombeiros e anunciou que o município disponibilizará um terreno à entrada norte de azambuja para a construção do

novo quartel, ao mesmo tempo que disponibilizará ajuda financeira para a reabilitação necessária.” O autarca anunciou ainda que a Câmara prepara-se para oferecer aos bombeiros de Azambuja e Alcoentre cerca de “quarenta máscaras para o exercício do socorro às populações”.

Na sequência deste episódio, e confrontado com o estado das relações com a superfície e com o grupo Jerónimo Martins, o município diz que o que “está em causa é o cumprimento da lei que é desde logo uma obrigação, e por isso não tem de afetar positiva ou negativamente quaisquer rela-

ções institucionais”. “Todo o processo tem vindo a ser tratado diretamente com os projetistas e técnicos do promotor da obra.” O Valor Local continua a aguardar no âmbito destas notícias as declarações do grupo Pingo Doce que tem preferido não responder.

Caso Pingo Doce do Carregado em fase de audiência prévia N

os últimos dias de 2016, a superfície comercial abriu portas sem licença de utilização da Câmara de Alenquer por não ter acautelado a questão dos acessos, com uma obra de uma rotunda que tem causado grandes constrangimentos ao trânsito. Em declarações ao Valor Local, Pedro Folgado, presidente da Câmara de Alenquer, referiu que a autarquia estava a oficiar no sentido do encerramento do espaço. Quase duas semanas volvidas, a Câmara, em resposta ao nosso jornal, refere que foram tomadas “as medidas adequadas atendendo às irregularidades”. Sendo que “de acordo com o Código do Procedimento Adminis-

trativo, existem prazos legais para resposta às comunicações da câmara junto do infrator que forçosamente se têm de fazer cumprir, para que se possa ‘transportar’ a situação para o nível seguinte”. “Neste momento o processo está na fase de audiência prévia por parte da empresa”, refere o município. O grupo Jerónimo Martins incorre ainda numa coima que pode ir dos 1500 euros até aos 250 mil euros. “Sendo que também aqui os prazos se encontram a decorrer para posterior emissão de coima.” No que se refere à problemática dos acessos, a autarquia reitera que “foram reportadas inúmeras preocupações referentes a

situações que considerou não estarem devidamente acauteladas tendo em conta a natureza da via em questão, e o fluxo automóvel que esta comporta” . A Câmara tem a informação de que o hipermercado encontra-se neste momento “ a reformular algumas das questões levantadas com o acompanhamento de técnicos da Infraestruturas de Portugal”. Pelo que “aguardamos assim que nos sejam apresentadas melhorias significativas e as correções que apontámos não estando acauteladas ou conformes.” Por dirimir estão as questões relacionadas com as drenagens de águas pluviais e outras infraestruturas acessórias que ainda não

estavam terminadas e que deviam ter sido tomadas em linha de conta pelo hipermercado. Neste aspeto, e no caso concreto das “pluviais”, o tema está a ser tratado de forma dividida entre o requerente, câmara municipal, Águas de Alenquer, EPAL e IP. A Câmara rejeita ainda os que têm apontado o dedo ao município acusando o executivo socialista de ter sido “permissivo” neste processo de instalação da superfície comercial em causa, referindo que “as autarquias não têm enquadramento legal para impedir a instalação de superfícies comerciais dentro do perímetro urbano do seu território, que depende do Estado Central”.

Acessos têm-se revelado problemáticos


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Aterro da Suma em Azambuja vai ser inaugurado em fevereiro aterro de resíduos não perigosos, localizado na Quinta da Queijeira, a escassos quilómetros da vila de Azambuja, será inaugurado no próximo mês de fevereiro. O Valor Local ao longo dos últimos meses pediu várias entrevistas à direção da Triaza – Tratamento de Resíduos Industriais de Azambuja S.A, ligada ao grupo Suma, tendo em conta as dúvidas e os receios da população mas sem sucesso. A empresa apenas mostrou alguma disponibilidade após a inauguração, apesar do tema estar na ordem do dia há vários anos no concelho de Azambuja. António Pires, morador num dos casais da freguesia de Azambuja mais próximos do aterro, tem evidenciado em várias ocasiões as suas preocupações. Em reuniões de Câmara e de assembleia municipais, este munícipe tem feito ouvir a sua voz. Em declarações ao

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Valor Local, refere o que na sua opinião foram as ilegalidades que desde cedo estiveram associadas aquela localização que numa primeira fase, nos anos 90, estava ligada à extração de areias num total de 45 mil metros, e que foi aumentada para nove hectares de forma ilegal pela antiga Zubareia. “Contudo a Câmara nunca fez nada”, opina. Em 2008, foi aprovado o estatuto de utilidade pública do aterro, “quando meses antes a empresa tinha sido declarada falida pelo Tribunal do Cartaxo”. Já em 2013, deu brado o facto de a declaração de interesse público ter sido revogada em assembleia municipal, mas o município ter ficado de mãos atadas tendo em conta os pareceres positivos das entidades governamentais e que na prática davam luz verde ao projeto do consórcio liderado pela Suma. Com a empresa já a laborar, o mu-

nícipe evidencia ainda as questões ligadas ao tráfego e a má visibilidade no acesso ao aterro, que pode proporcionar de futuro alguns acidentes. Tendo em conta as suas preocupações informa ainda que enviou uma exposição para a Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE). A escassos dias da inauguração do aterro, as preocupações dos atores políticos têm sido demonstradas. Numa das últimas reuniões de Câmara, David Mendes, da CDU, alertava para a necessidade de fiscalização do município da atividade do aterro. Em entrevista em novembro passado ao nosso jornal, o vice-presidente da autarquia Silvino Lúcio deixara essa promessa de comprometimento ao máximo por parte da autarquia na questão da fiscalização. O vereador da CDU quis saber, agora, de que forma será feita. O presidente

da Câmara, Luís de Sousa, garantiu que a autarquia dispõe desde já de uma equipa que assegurará visitas ao terreno, embora “a fiscalização pertença à Agência Portuguesa do Ambiente e à CCDR”. O vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, António Jorge Lopes, lembrou por seu turno o facto de em 2008 ter sido votada uma declaração de interesse municipal relativa a uma empresa falida sem que os deputados tivessem conhecimento. Em julho de 2016, a Triaza financiou algumas obras ao abrigo da sua condição de empresa com responsabilidade social no concelho, como os parques de manutenção existentes no Jardim Urbano Dr. Joaquim Ramos. Neste aspeto, David Mendes voltou à carga – “A Câmara não pode aceitar prendas dos lobos!”. Nos últimos meses, a Triaza que é responsável apenas pelos resí-

duos do aterro em Azambuja, conforme o próprio nome e designação social da mesma indicam, tem contudo a sua sede na Rua do Mar do Norte no Parque das Nações em Lisboa. Apesar disso, não existe qualquer placa ou outro tipo de sinalização que indique que os escritórios desta empresa

se localizam no edifício correspondente à morada da Triaza. Pelo que conseguimos perceber tratase antes de um prédio de habitação, com poucos ou nenhuns escritórios a não ser o de um advogado, dando a ideia que estaremos perante uma empresa de fachada.

Obras na Ribeira do Judeu continuam a aguardar pagamento por parte do Estado presidente da União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro, José Avelino, continua a aguardar pelo pagamento dos 46 mil euros referentes à limpeza da Ribeira do Judeu, também conhecida como Ribeira de Almoster. Na edição de dezembro do Valor Local, demos conta das dificuldades da junta em gerir este dossier,

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porquanto já adiantou 20 mil euros ao empreiteiro do custo total da obra que corresponde a 46 mil euros. José Avelino refere ao Valor Local que, entretanto, já enviou cartas acerca deste tema para o presidente da República, que transferiu o assunto para o gabinete do primeiro ministro, que por sua vez delegou num dos secretários de Estado adjuntos. Sendo

que até ao fecho desta edição ainda não havia novidades sobre este assunto. O concurso para a obra foi lançado em 2014, e a mesma foi iniciada naquele ano. O primeiros dois troços (seis quilómetros) foram limpos em 2015, até à Ponte D. Maria I. Faltavam mais cerca de cinco quilómetros na parte que vai até Vila Nova de São Pedro. Em Al-

coentre, a limpeza é feita pelos proprietários da Torre Bela. (A ribeira nasce em Alcoentre e vai até Almoster). De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente ao Valor Local, na base dos atrasos no pagamento estão também alguns pedidos de reformulação dos pedidos, nomeadamente, quando numa das ocasiões foi necessário corrigir o valor do montante a ser

financiado porque não incluía os documentos de despesa enviados. Verificou-se ainda que seria necessário efetuar “um pedido de reprogramação do projeto , face ao que tinha sido inicialmente aprovado”. Ultrapassadas estas dificuldades iniciais, aquele organismo do Estado dá a entender que está “solidário” com as dificuldades da União de Freguesias de Manique do In-

tendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro, “tendo vindo a efetuar todas as diligências possíveis no sentido de poder efetuar o respetivo pagamento”, que aguarda “autorização por parte do Ministério das Finanças”, tendo em conta também “as constantes solicitações efetuadas por parte dos fundos no sentido de se poder efetuar o pagamento do projeto”.

um efeito moralizador não só para as crianças como para aos alunos. O autarca reafirmou a importância desta ação em termos pedagógicos, e reforçou o papel das escolas para o alcançar dos resultados obtidos no ano passa-

do. Sofia Mota, representante da Valorsul, aproveitou o momento para dar a conhecer aos alunos um pouco deste programa, vincando a necessidade de o continuar junto destas comunidades.

Programa “Brigada do Amarelo” em Vila Franca de Xira erca de oito mil alunos das escolas do concelho de Vila Franca de Xira voltam este ano a participar em mais uma edição do programa “Brigada do Amarelo”. Esta é uma iniciativa que abrange o concelho sob influência da

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Valorsul e visa promover a reciclagem. Esta ação, cujo arranque simbólico teve lugar na Escola Básica de Arcena, volta a ser significativa, nomeadamente porque no ano passado, o concelho de Vila Franca de Xira alcaçou o 1º lu-

gar na separação de embalagens, levando isso a uma reciclagem eficiente. Segundo a autarquia nesta edição, todas as escolas que encham um mínimo de 70 sacos recetores do material a reciclar receberão um valor monetário.

À escola que recolher a maior quantidade de sacos, será atribuído o prémio de cinco euros por cada conjunto de 2 sacos, até um máximo de mil euros. Para Alberto Mesquita presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira esta ação tem

Quercus contesta abate de sobreiros na Torrebela Quercus acusa a Quinta da Torrebela de ter procedido ao arranque recente de sobreiros junto ao IC2, na freguesia de Alcoentre. Diz aquela associação ambientalista que depois de efetuada uma visita ao local, que “não existia autorização para a conversão do mesmo para olival intensivo”, situação que motivou a participação ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR e aos serviços do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para intervenção

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e devido esclarecimento da situação. Segundo a Junta de Freguesia de Alcoentre, “existem autorizações do ICNF para o abate de 196 sobreiros, em cerca de 2 hectares da Quinta da Torre Bela”, propriedade da Sociedade Agrícola da Quinta do Convento da Visitação, “para uma arrendatária avançar com a instalação de um projeto de investimento com olival intensivo”.O Ministério da Agricultura autorizou o corte dos sobreiros, situação que a Quercus considera “lamentável e

que não deveria ocorrer.” Diz a Quercus que o decreto lei relativo à proteção do sobreiro e azinheira, apesar de prever a possibilidade de cortes de exemplares destas espécies para empreendimentos agrícolas, refere também que “o projeto tem de ser obrigatoriamente reconhecido pelo Governo como relevante e de sustentável interesse para a economia local, o que não acontece”. Para além disso, a área de corte “está condicionada a não ultrapassar dez por cento da superfície de ex-

ploração ocupada por sobreiros, o que também não foi respeitado.” Para além do abate realizado recentemente, já depois de 2014 foi efecuado um outro arranque ilegal de povoamento de sobreiros no local, com a conversão num projecto agrícola, sem que o Ministério da Agricultura o tivesse autorizado, refere a Quercus. De acordo com Nuno Albuquerque da Quinta do Convento ao Valor Local foi obtido de acordo com a lei vigente, “licenciamento para abate de sobreiros dispersos iden-

tificados, junto do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade competente para este efeito”. “Qualquer licenciamento desta natureza é comunicado pelo ICNF ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, o que consta da própria licença. Por nossa iniciativa foi oportunamente enviada cópia deste licenciamento à Junta de Freguesia de Alcoentre”, continua a sustentar. O proprietário diz ainda que o arranque dos sobreiros, cumpriu “in-

tegral e escrupulosamente o estipulado na licença obtida, o que, após uma vistoria, em consequência do comunicado de imprensa da Quercus publicado no passado dia de 16 de janeiro, foi confirmado, presencialmente, no passado dia 20 de Janeiro, pelo ICNF e pelo SEPNA”. A Quinta do Convento acusou organização ambientalista de ter produzido uma notícia difamatória e incorreta, convidando a mesma a retratar-se com um pedido de desculpas.


Entrevista

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Valor Local

Rui Rei quase candidato à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira

“Não se pode ser eternamente número dois nem sempre número um” Foi o segundo, por diversas ocasiões, nas listas do PSD nas eleições autárquicas para a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, mas tudo indica que em 2017, Rui Rei assumirá o protagonismo de ser cabeça de lista. Entretanto passa em revista o atual mandato autárquico: o balanço da condução de Alberto Mesquita nos destinos da autarquia, e os desaguisados com o PCP, ao mesmo tempo que fala da sua experiência numa empresa municipal da Câmara de Cascais. ¢ Miguel A. Rodrigues Valor Local – Atualmente exerce funções, (para além de ser vereador do PSD na Câmara de Vila Franca de Xira), na empresa municipal “Cascais Próxima” virada para as questões da mobilidade. Uma temática que tem levantado por diversas ocasiões nas reuniões de Câmara, sobretudo no que diz respeito aos transportes no concelho de Vila Franca. De que forma esta experiência na empresa municipal de Cascais, pode ser importante para o que se pode vir a seguir em Vila Franca no que respeita às

propostas do PSD? Rui Rei – Cascais tomou a decisão de não entregar a decisão a Lisboa, ou seja a terceiros, porque Cascais tem problemas a nível da mobilidade, na área dos transportes públicos (rodoviários de passageiros), e é com base nisto que se constituiu a Autoridade Municipal de Transportes, transferindo essa incumbência para a empresa municipal para que os munícipes possam ser mais bem servidos. Trata-se de uma estratégia global que conjuga o transporte rodoviário, ferroviário, os meios de transporte elétricos, as bicicletas, e o esta-

cionamento, e que também urge ser implementada em Vila Franca de Xira. É reconhecido que em Cascais estamos a seguir o caminho da mobilidade integrada. Durante anos, o PS e o PCP em Vila Franca de Xira falaram na necessidade de mais e melhores transportes públicos, mas ao invés de decidirem localmente transferiram essa competência para Lisboa, e os problemas continuam. Essa estratégia para a mobilidade é possível de implementar em Vila Franca de Xira? Na sua opinião trata-se apenas de uma questão de vontade

“Faz sentido continuar a discutir o nó do Sobralinho” política? Repare que Vila Franca e Cascais estão fora da coroa dos transportes públicos de Lisboa, mas os dois concelhos tomaram caminhos diferentes, e penso que neste aspeto os munícipes de Cascais foram beneficiados por uma estratégia global de transportes e não desgarrada como acontece em Vila Franca de Xira. Não é aceitável que um munícipe tenha de pagar por um passe social mais de 100 euros para ir todos os dias para Lisboa, como acontece em Vila Franca; e nalguns casos tem uma carreira de manhã e outra à noite. Por exemplo, aqui na Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, deveríamos ter transportes de circulação mas também de alimentação da estação, tudo conjugado com estacionamento apropriado para que as pessoas não demorem tanto tempo a chegar ao seu local de trabalho. Mas Vila Franca não é Cascais e vice-versa. Pois não, mas por exemplo hoje estamos a discutir o caso da Marinha em Vila Franca de Xira, e posso dizer que trabalhei em situações semelhantes em Cascais, num processo que leva cerca de dois anos, e neste concelho não quisemos fazer nada nos últimos dez, porque se tivéssemos tomado uma decisão há mais tempo, aquele património não tinha chegado ao estado de degradação a que hoje assistimos, a que se soma a degra-

dação económica, social e de falta de emprego que hoje temos em Vila Franca. Em Cascais vai-se instalar a universidade nova, a primeira universidade privada de medicina do país, inclusive, em edifícios comprados pela Câmara ou seja nas mesmas circunstâncias da Marinha. Quando eu falo destes assuntos, sei muito bem o que estou a propor, não estou a falar de cor. Não quero comprar uma coisa só por uma questão de birra. Estou a falar disto como poderia falar da necessidade do nó de acesso à autoestrada, no Sobralinho, pois é inacreditável que toda esta população, mais de 50 mil pessoas, tenha de andar em carreirinho, todos os dias de manhã, qual formigas no trânsito. Mas há décadas que se fala no nó do Sobralinho, como é que se resolve isso? O custo é de cinco milhões de euros. A Câmara tem de assumir a sua parte e o Estado a parte que lhe compete, e o nó do Sobralinho faz-se. Mas os governos do PSD o que fizeram? Os governos do PSD previram a verba, mas a Câmara até hoje fez zero. Resolvendo o problema do nó dos Caniços aqui na Póvoa de Santa Iria, e do nó do Sobralinho desenvolveríamos as condições de acesso e de desenvolvimento económico. Recordemos que o IKEA que foi para Loures, chegou a estar previsto para aqui, o qual a Câmara de Vila Franca perdeu. Não tí-

nhamos acessos. Se já tivéssemos resolvido o problema do nó de acesso dos Caniços também resolveríamos o problema da zona ribeirinha da Póvoa. Outro dos seus cavalos de batalha, foi a perda do Museu do Ar para Sintra. Ninguém teve a coragem de afrontar nem o poder político nem os militares, e o Museu do Ar foi para Sintra, até as águias que estavam à entrada e eram um símbolo saíram de lá. Tratou-se de uma falta de respeito com a população. Lembro-me de estudar em Alverca e de ir ao Museu do Ar. Algo que, hoje, o meu filho não tem condições de fazer, nem os filhos dos meus colegas. Já não temos condições de promover Alverca a esse nível. Temos de equilibrar as nossas características económicas, culturais e sociais entre o norte e o sul do concelho, e também não se fala do mouchão da Póvoa, existindo quase um silêncio sepulcral. Alberto Mesquita teve um mandato negativo? Não tenho uma visão fatalista das coisas, até porque se fez muita coisa positiva. Adotámos uma visão construtiva para viabilizar a ação da Câmara. E os jornalistas são testemunha de que não votámos contra nenhum orçamento, de modo a permitir a governabilidade do concelho. Fizemos valer o que pensávamos ser importante para o concelho: na Educação, no projeto das zonas ribeirinhas.


Valor Local Estes projetos não teriam sido possíveis nos dois últimos mandatos sem os vereadores do PSD. Até porque no último mandato de Maria da Luz Rosinha alguns destes projetos estiveram para ser retirados. Graças ao PSD aprovou-se um pacote de 500 mil euros para os bombeiros do concelho, quando a extrema-esquerda esteve contra. Essa extrema-esquerda que esteve a favor na defesa do investimento no imobiliário e dos empreiteiros, no caso da Malva Rosa, por exemplo. Nesse aspeto não estamos disponíveis para beneficiar uma empresa em quase um milhão e meio de euros. Em termos de mandato, podia-se ter feito melhor com certeza, até porque se vê que temos estado a perder investimento económico, atratibilidade no domínio do imobiliário. Temos de ter uma outra forma de atuar. No caso da oposição no concelho de Vila Franca, quase que poderíamos dizer que a geringonça faz-se antes entre o PSD e o PS, em que é notório que muitas vezes o senhor vai contra aquilo que são as posições da CDU. Faz parte da sua estratégia atacar mais vezes este partido do que propriamente o executivo PS? Lido mal com a hipocrisia, que me tira do sério. Fazer da hipocrisia o discurso político pior ainda. Posso dizer que vim morar para a Póvoa de Santa Iria com dois anos, e recordo-me bem de quem governou esta cidade e este concelho durante 20 anos. Portanto quando me vêm falar da moral e dos bons costumes, e me dizem que por ser do PSD sou um tipo desonesto, algo não está certo. As pessoas são sérias porque são sérias não por pertencer a um clube ou outro. E nessas alturas quando me dizem isso, eu respondo: ‘Então mas quem é que andou a aprovar todos estes prédios na Póvoa de Santa Iria; Quem é que tinha um programa fantástico para aprovar tudo o que fosse construção na zona ribeirinha desde a Póvoa até Alverca, em que não sobraria nem mais uma única ave migratória?’ Não foi o PSD, mas o Partido Comunista e em alguns casos com o apoio do Partido Socialista. O concelho é governado atualmente pelo PS, mas não nos podemos

esquecer que o PCP lidera quatro das seis juntas freguesias do concelho, algumas suficientemente importantes para implementar políticas diferentes, e pergunto eu – ‘Têm melhor limpeza? Melhores espaços públicos? Cuidou-se melhor das escolas? Ou fez-se muita crítica e propaganda antes e agora não se fez nada?’. A CDU criticou durante anos o estacionamento pago mas quando chegou à junta de Vila Franca não o retirou. Não podemos ser coniventes com isto. Este foi um mandato atribulado para o PSD. Primeiro com

Entrevista a saída do executivo, ainda muito cedo, por parte de João de Carvalho, mais tarde e também por questões pessoais, o senhor vereador Rui Rei também se afastou. Estas questões emocionais também afetaram o mandato? Penso que o mandato foi normal. A atividade planeada foi feita. O PSD só tem de agradecer aos que ao longo dos anos o serviram, bem como à população e ao concelho. Do meu ponto de vista agradeço a todos os que trabalharam comigo durante todos estes anos. E no caso do João de Carvalho tive um enor-

me gosto em trabalhar com ele em dois mandatos, e espero continuar a trabalhar com o mesmo nos próximos anos, porque é um homem do concelho e de enorme valor. O senhor já foi em segundo lugar nas listas do PSD à Câmara, em diversos atos eleitorais. Costuma-se dizer que qualquer dia, o número dois passa a número um, e como estamos a aproximar-nos das eleições deste ano, está disponível para ser cabeça de lista pela primeira vez à Câmara de Vila Franca? Há coisas na vida que temos de

“A CDU votou contra os subsídios aos bombeiros”

9 encarar: Não podemos ser eternamente número dois, nem sempre número um. Tinha um conjunto de premissas do passado das quais não poderia abdicar. Era muito mais novo (hoje tenho 44 anos), e entendia que não tinha a maturidade exigida para um cargo destes, não tinha a minha vida familiar constituída, apesar de algumas circunstâncias que aconteceram, nem tinha a independência financeira e estabilidade profissional desejadas. Estabelecidos estes parâmetros, eu próprio e o PSD tomaremos uma decisão nos próximos dias. Não há nenhuma

dúvida de que passados estes anos o PSD terá de ter um candidato local e que venha defender a população como é desejável. Depreendo então que está disponível. O PSD já tomou a sua decisão e já fez os seus convites, e portanto a minha decisão será anunciada em breve face a essa matéria. Não vale a pena dizer antes do tempo. Todos sabem que gosto da atividade política pelo seu objetivo nobre de defender a vida e a sociedade em que nos inserimos. Faço isto sem sacrifício mas por gosto pessoal, mas vamos ver o que se seguirá. Se o PS com provavelmente Alberto Mesquita vencer de novo as próximas eleições, o PSD estará eventualmente disponível para um acordo? O PSD tem a obrigação de entender a democracia de uma forma ainda mais extensiva do que os outros e não há dúvida nenhuma de que deve fazer parte de um entendimento e convidar os demais partidos para esse mesmo entendimento. Vila Franca tem sido sempre um concelho de esquerda. As votações têm ido nesse sentido, mas não nos podemos esquecer que há oito anos o PSD em coligação com o CDS-PP teve 25 por cento dos votos e ficou a cento e poucos votos de ultrapassar a CDU. Quando se diz que há quatro anos a CDU reforçou a sua votação, isso acontece porque quer o PSD quer o PS perderam cerca de seis mil votos que não foram reforçar o PCP ou o BE, traduziram-se antes em abstenção. Mas também não reforçaram o PSD? Mas os números são claros. Perdemos votos bem como o PS, mas o PCP viu o seu número de votos crescer percentualmente mas porque houve quem não fosse votar. E quanto à aliança com o CDS que nas últimas eleições não aconteceu? Estamos disponíveis para nos aliarmos com todos os que estiverem disponíveis para o desenvolvimento do concelho, e obviamente que o nosso aliado natural é o CDS. Estamos disponíveis para essa coligação assim este parceiro como outros estejam disponíveis.


Destaque

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Valor Local

Carregado

Barrada, o retrato de um bairro em transformação ¢ Sílvia Agostinho m estrangeiro é sempre um estrangeiro mas tudo depende da forma como é integrado”, as palavras são de Bonifácio Gomes, de 42 anos, que vive na urbanização da Barrada no Carregado. Esta é uma zona do concelho de Alenquer onde as comunidades estrangeiras escolheram estabelecer-se. Veio para Portugal há oito anos, e neste momento procura obter mais um visto de residência para dois anos. Casos como o deste imigrante há muitos neste bairro habituado a reunir num espaço de poucos metros quadrados diversas nacionalidades. A Barrada já teve a segunda maior comunidade brasileira do país a viver nos seus apartamentos. Hoje há menos imigrantes, e a aproximação com os residentes nacionais tem vindo a evoluir. A noção de ghetto foi-se esbatendo, mas quem mora na Barrada sabe que traz consigo uma conotação que nem sempre foi positiva. O que é hoje este bairro depois da avalanche de imigração, e das polémicas

“U

que o envolveram aquando da sua construção, foi o que pretendemos saber. A urbanização que começou a desenhar-se no final dos anos 70, e que recebeu a dada altura a alcunha de “Dallas” devido à série norte americana que passava na RTP 1 nos anos 80, conta hoje com várias dezenas de edifícios, onde se percebe claramente a avaliar pelas fachadas que nele moram desde pessoas da classe baixa até à média. Durante o dia, são visíveis jovens de várias etnias a ocuparem o espaço público, pequenas pracetas e escadarias, com as suas conversas e atividades. As ofertas a nível de equipamentos para se passar o tempo livre dizemnos alguns moradores são escassas. Há um ringue de jogos que a Câmara se prepara para intervir, e um parque infantil que também espera por melhores dias. Elisabete Afonso veio para o bairro há 15 anos atrás, e na sua opinião “a Barrada acaba por ser um pouco esquecida pela junta

de freguesia e pela Câmara”. “Viu-se isso durante o Natal tendo em conta que não puseram iluminação natalícia no bairro, por exemplo”. A necessidade de mais espaços onde as pessoas do bairro possam passar algum do seu tempo livre é outra das reivindicações. Também José Miguel, morador na Barrada desde 1991, acredita que muito há a melhorar no bairro. Há o problema do parque de pesados, mas também “a higiene anda pelas ruas da amargura”. “Deviam limpar os canos mais vezes, pois de vez em quando lá temos de nos confrontar com baratas a entrarem dentro das nossas casas.” Nas ruas “abunda o lixo e a sujidade”. Na opinião deste munícipe “a Câmara e a junta pouco se interessam pela Barrada”. “Pedi à junta há mais de um ano para cortar uma árvore que já está a subir pela minha parede e até hoje nada...” Na sua opinião, “as pessoas sentem-se abandonadas pelas autarquias”, e deixa o desabafo “Há tanto tempo que falam de

um jardim para aqui e nunca mais”. Longe vão os tempos que reportam ao início do bairro quando se contava a história da ocupação de alguns prédios por famílias ciganas, numa altura em que a sua construção estagnou, e “onde até burros à janela existiam”, recorda-se Álvaro Pedro, antigo presidente da Câmara de

Alenquer. Depois da venda de terrenos, rapidamente se começou a construir. “Uma tal de crise dos empreiteiros levou a uma desaceleração a dada altura, e os ciganos começaram a meter-se dentro dos prédios. Diziam que as casas estavam todas ilegais mas não era verdade. Foi preciso a Caixa Geral de Depósitos chegar a acordo com o chefe dos

ciganos e pagar-lhes para abandonarem o que não era deles e a construção recomeçar”. Este foi um episódio que também “levou para o terreno em frente aos prédios elementos das forças de intervenção com metralhadoras e tudo a fim de expulsar os ciganos”, recorda-se José Manuel Mendes, presidente da União de Freguesias do Carregado e Ca-

Pequenos negócios que vão tendo sucesso no bairro ntre os estabelecimentos comerciais que vão conseguindo fixar clientes neste bairro, está uma frutaria, onde diariamente os habitantes do bairro e não só fazem as suas compras. Ilda Pereira tem a loja há seis anos e diz que está aberta das oito da manhã às oito da noite. Quando o bairro era maioritariamente composto por população brasileira choviam pedidos para quiabos, jió “e outras coisas com as quais eles cozinham”. Atualmente, são produtos menos solicitados. “Tínhamos uma comunidade brasileira no Carregado Frutaria de Ilda Pereira que chegou a ser de três mil pessoas. Só se ouvia o sotaque brasileiro pelas ruas. Como a situação no país deles melhorou, e cá piorou com a crise, muitos foramse embora”, remata José Manuel Mendes. Bruno Paredes gere um café. Nascido e criado no Carregado como gosta de dizer, não tem dúvidas de que “o bairro está muito melhor” com menos “fricções e vandalismo entre as pessoas”. Quanto ao seu negócio também não tem razões de queixa “até porque sou amigo de toda a gente”. Também emblemática no bairro é uma loja de móveis e decoração implantada há Bruno Paredes cerca de 25 anos. “Ao longo dos anos, fiz muitos clientes e amigos, mas também tive casos de algumas pessoas que não me pagaram e me trataram mal infelizmente”, refere conformado o gerente da loja, José Morais. Sendo um bairro com um parque habitacional significativo “muitos foram os que vieram para cá morar e compraram móveis na minha loja”. Hoje em dia não pode dizer que o negócio esteja mau, pois apesar “dos ikeas, como trabalho com margens pequenas e a qualidade não se compara, as pessoas acabam por vir José Morais comprar aqui”.

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Valor Local dafais. Quando o bairro começou a crescer, apareceram algumas ideias demasiado ambiciosas para a época, lembra o presidente da junta: “Cheguei a ver uma maquete, em exibição numa loja, em que constava uma piscina, mas na prática acabou por existir apenas um buraco a céu aberto que acumulava água que teve de ser tapado”. Num périplo connosco pela Barrada, o presidente da junta enfatiza que o bairro passou por diversas fases. Integração tem sido palavra de ordem por parte dos agentes políticos de Alenquer até com a criação recente do Projeto de Empreendedorismo e de Inclusão Social e Laboral, no Edifício Comercial Palmeiras, por parte da Câmara, mas a junta também diz estar atenta aos fenómenos da imigração, e por isso “tem promovido algumas iniciativas com o objetivo de aproximar as diferentes vivências do bairro, os imigrantes e os carregadenses”. “Temos o exemplo de algumas sardinhadas em que aparecem pessoas de todo o tipo”. Destaca ainda “a associação de jovens do Carregado composta por pessoas de várias etnias que agora tem estado mais parada, mas que chegou a fazer diversas iniciativas para a comunidade do Carregado”. José Manuel Mendes sabe que faltam mais serviços no bairro, e não só, como um auditório. O centro de saúde que passou para o bairro nos últimos anos, desde 2004, deu uma nova centralidade ao local. “É uma vantagem, principalmente se pensarmos que a maioria da população do Carregado reside na Barrada”. Cerca de sete a oito mil pessoas vivem aqui. “Apenas seriam necessários mais médicos, talvez com mais incentivos a nível da habitação e de outras regalias”, reflete o autarca Na memória de José Manuel Mendes, e de Maria da Graça Silva, primeira secretária da junta de freguesia, ainda estão os tempos em que a Barrada era campo. “Onde a minha avó vinha à erva para os coelhos”, recorda-

se Maria da Graça. “Tudo isto era campo. Havia ali em cima a quinta da condessa, e pouco mais, da família Pinto Barreiros”. Do ponto de vista social, o bairro registou algumas alterações nos últimos anos, porque “os diferentes tipos de população começaram a partilhar e a participar nos mesmos eventos; a frequentar as mesmas escolas; a irem às mesmas manifestações culturais e de certa forma a compreenderem-se melhor”. O presidente da junta tem a noção de que “há maior entreajuda entre os imigrantes e os residentes”. Este foi “um processo lento”, em que “o passar do tempo também ajudou para as pessoas se perceberem melhor umas às outras”. Na noite da sardinhada, exemplifica, “transferimos esse evento apenas para a Barrada, quando chegou a ser também na parte velha do Carregado, com o intuito de as pessoas se aproximarem umas das outras”. Por mais que os esforços de integração possam estar a surtir efeito, certo é que os focos de vandalismo ainda acontecem. Os edifícios grafittados continuam a ser o pior cartão-de-visita do bairro, e o facto de muitos estabelecimentos comerciais que funcionavam nos rés-do-chão desses prédios terem fechado também contribuiu para o estado de coisas. Chegou a funcionar num dos recantos do bairro “um supermercado de indianos” que após o fecho continua por ocupar à espera de quem possa ter interesse no local. Igualmente mítico era o clube de vídeo Dallas, onde em anos que já lá vão “funcionava muito bem”. Numa zona mais ou menos central do bairro, já existiu algo que aspirava a centro comercial. Hoje é tão só o Edifício Comercial Palmeiras onde se encontra a valência do município de apoio ao imigrante e do lado oposto uma loja de produtos chineses, mas ali já existiu dois cabeleireiros, um ginásio, e até um supermercado. O primeiro andar do prédio permanece sem ocupação. “Nunca teve aquele propósito verdadeiro de centro comercial. Tinha espa-

Destaque

Presidente da junta salienta as dificulades na gestão do bairro ço para muitas lojas mas ficou sem efeito”, constatam os dois autarcas. Antes de chegarmos a esta zona, avistamos um pequeno parque infantil, que tem à volta um gradeamento à espera de sofrer uma intervenção por parte da Câmara – “Se vier aqui à ASAE multa na mesma, porque mesmo com o gradeamento continua acessível de qualquer das formas. Deveria ser desmantelado”, refere o presidente da junta. Na sua opinião, o que faz falta “é um verdadeiro parque urbano verde como tem Vila Franca de Xira por exemplo”, e aponta uma localização – “Bastava que o parque dos camiões fosse transferido para outro lado”. E quem sabe “uma piscina, ou um anfiteatro”. Sobre a problemática dos pesados que tem causado uma forte perturbação às pessoas que vivem nas imediações do terreno onde se encontra instalado e que confina com a Barrada, com queixas constantes acerca do ruído e do pó produzido, o presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, refere que “a solução que existe atualmente foi sempre temporária”. Sendo que “neste momento estamos a estudar uma forma de o transferir para outro local, (o ideal seria junto à plataforma logística, mas as negociações podem ser demoradas) e devolver o atual aos seus donos”. Está a ser estudada ainda uma outra localização junto ao hipermercado Continen-

te, “apesar de ser um pouco mais afastada”. Para o presidente da junta do Carregado, a Câmara deveria fazer mais pelo bairro. Recentemente foi apresentado o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano de Alenquer (PEDU) que prevê uma intervenção na Barrada tendo em conta uma componente no quadro estratégico dos fundos comunitários que contempla a possibilidade de transferência de verbas no âmbito das comunidades desfavorecidas como é o caso. Contudo José Manuel Mendes refere que a intervenção prevista “é curta”. “Podiam fazer muito mais, até fora dos apoios da União Europeia como passeios pedonais, requalificar as zonas existentes”. Pedro Folgado refere que a Câmara no âmbito do PEDU arrancará com a requalificação do ringue existente na Barrada, “com o objetivo também de voltar a ser um espaço inclusivo”, até porque se “encontra muito deteriorado”. Será ainda requalificado o parque de skate, e o parque infantil. “Queremos criar mais espaços verdes, e requalificar os túneis que fazem as ligações às várias pracetas, que estão deteriorados e grafittados”. Para o autarca, seria bem-vinda no futuro uma Loja de Cidadão de modo a dar ainda mais centralidade ao bairro - “Já fiz essa abordagem ao Governo mas para isso tinha de fechar serviços em Alenquer, e como é óbvio isso não pode

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José Miguel continua precoupado com a falta de espaços de lazer no Carregado

Elisabete Afonso vive há 15 anos na Barrada acontecer. Mas não desisti, vamos ver o que podermos fazer”. Para a oposição, a intervenção prevista pelo PEDU no Carregado, “é uma brincadeira” diz Carlos Areal da CDU. “Tratou-se de uma forma de canalizar estes fundos para Alenquer que os vai receber em 90 por cento, e tiveram de incluir o Carregado, fazendo esta artimanha da cidade Alenquer- Carregado, que não existe para garantirem fundos para a sede de concelho, que de outra forma não conseguiria pois não tem área urbana suficiente”. O Valor Local contactou ainda o vereador do PSD, Nuno Coelho, que não prestou declarações para este trabalho. Outra das dores de cabeça no bairro prende-se com a higiene e limpeza. No contacto com a população, é solicitado “à junta

para que se faça mais, apesar de ser em parte responsabilidade da Câmara, pois a junta tem a seu cargo os espaços verdes e relvados”, diz José Manuel Mendes. O maior problema neste âmbito prende-se com os donos de cães que não apanham os dejetos caninos, e não é incomum assistir à proliferação dos mesmos um pouco por todo o lado. “Infelizmente é difícil de controlar esta questão. Colocámos dispensadores de sacos que acabam por não ter o melhor uso. Há quem os retire e leve para casa para embrulhar carne à posteriori, como já me chegaram a relatar”, salienta. A junta pretende ainda reforçar, dentro das suas competências, no espaço público da Barrada a colocação de pilaretes, gradeamentos, e de suportes para bicicletas.


Destaque

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Imigrantes têm ao dispor ponto de apoio e aconselhamento na Barrada Câmara de Alenquer tem desde há cerca de um ano um posto de atendimento às comunidades imigrantes na Barrada, no Edifício Comercial Palmeiras. Neste local é fornecida informação que pode ser útil a quem se queira integrar no mercado de trabalho português e por consequência obter a legalização. São promovidas algumas sessões de esclarecimento para o efeito, bem como estágios em empresas do concelho que mostraram abertura para fazer parte do processo de inclusão dos imigrante em particular, e dos desempregados a viverem no concelho no geral. A autarquia está ainda disponível para prestar apoio a projetos de empreen-

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dedorismo social de cidadãos imigrantes e/ou desempregados tanto portugueses como estrangeiros. O projeto tem também como parceiros a EBI do Carregado, a Cruz Vermelha local, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Pedro Folgado, presidente da Câmara de Alenquer, sublinha a importância dos agentes que fazem parte deste projeto e a a articulação conseguida no processo de integração e apoio aos imigrantes. Por outro lado, a presença desta valência da Câmara na Barrada também tem como objetivo “proporcionar que mais pessoas da parte antiga do

Carregado se desloquem até aqui para tratar dos seus assuntos e não aos paços do concelho, no fundo queremos descentralizar”. Nas comunidades imigrantes da Barrada, existem alguns líderes ou mediadores se quisermos assim designar que servem de ponte entre este serviço prestado pela autarquia e os novos estrangeiros que aqui chegam ou mesmo quem já cá esteja há algum tempo e ainda não tenha conseguido a legalização. “Este serviço faz todo o sentido porque dá às pessoas uma oportunidade para se integrarem e legalizarem, percebem que há quem se preocupa com elas.” A intenção do espaço vai mais

Presidente da Câmara salienta a importância do novo espaço

longe e pretende ainda fortalecer os laços entre as comunidades, “com uma cozinha onde as pessoas podem confecionar pratos típicos das suas regiões e com isso resultar num momento de partilha e de convívio”, como aconteceu no dia em que foi assinado um protocolo entre a Câmara e o SEF. Alguns grupos têm funcionado com algum dinamismo na integração da comunidade local para além da Associação de Jovens do Carregado, como é o caso dos “Escoteiros”. “Esta associação tem cerca de 100 miúdos e para nós este é também um projeto importante, dado que agrega uma faixa etária delicada, e funciona no fundo como

forma de dissuadir possíveis comportamentos desviantes”. No âmbito do empreendedorismo social, o projeto da Câmara contempla áreas diversas como a cozinha, a música, a artes gráficas, entre outras, “em que os nossos serviços acompanham quem esteja interessado, com ligação ainda ao Orçamento Participativo para a criação de uma dinâmica diferente”. Esta é uma valência aberta a todos os residentes. “Já apareceram projetos por parte de algumas pessoas, lembro-me de uns miúdos que queriam treinar cães ou de uma senhora que queria mais informação acerca da forma como se poderia tornar ama, e tomar conta de crianças”. Nestes ca-

Bairro foi crescendo ao longo dos anos

sos de quem deseje lançar-se por conta própria num negócio, a Câmara dá algum acompanhamento e aconselhamento sobre o que é necessário a a nível da burocracia. “Depois terão de fazer o seu próprio percurso na criação da sua empresa”. Também o presidente da Câmara vê avanços na forma como as pessoas se passaram a dar umas com as outras neste bairro ao longo dos anos. “Houve algumas situações complicadas em determinadas alturas porque aqui vive muita gente, mas penso que se não estarão sanadas, pelo menos estão minimizadas”. O número de queixas “diminui”. “A GNR ainda vem cá muitas vezes, mas menos”, conclui.


Valor Local

Destaque

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Comunidades veem com otimismo novo ponto de apoio no Carregado casal Isaquías Rodrigues e Serli Cruz, brasileiros de Mina Gerais, estão na Barrada desde há um ano, e decidiram vir para Portugal não por motivos económicos mas a pensar na educação das duas filhas de cinco e dez anos de idade. “Com esta crise política que o nosso país está a atravessar, perderam-se as referências da moralidade. As pessoas já não sabem o que está certo ou o que está errado”, diz Isaquías para realçar a vinda para o nosso país, adiantando que muitos dos compatriotas que chegaram a morar em Portugal e mais tarde regressaram ao Brasil estão a pensar em regressar novamente “tendo em conta a situação política e o facto de Portugal já se encontrar melhor economicamente”. No espaço da Câmara que apoia a legalização dos imigrantes encontraram “um excelente ponto de apoio”, que tem sido “fundamental” para o processo deste casal em Portugal. “O acompanhamento tem sido fantástico”, realçam. O casal está a pensar em rumar ao norte do país, “porque é lá que a cultura portuguesa é mais forte e é isso que pretendo para as mi-

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nhas filhas”. O bisavô de Isaquías era alemão e o de Serli português - “Não temos dúvidas de que o que queremos é assimilar a cultura europeia. No outro dia um cidadão no hospital esqueceu-se do dinheiro em cima do balcão e quem estava ao lado correu atrás para entregar, no Brasil isso não acontece, as pessoas não têm princípios”, diz taxativamente Isaquías. A inclusão na comunidade para este casal não tem sido difícil mas o facto de frequentarem uma igreja evangélica no bairro “também tem ajudado no sentido de conhecermos mais pessoas”. “As pessoas da Barrada no início olhavam com muita desconfiança para os imigrantes africanos, penso que hoje em dia já se ultrapassou em parte o preconceito, apesar de ainda atribuírem os comportamentos marginais às pessoas da nossa etnia, mas não podemos levar a peito. Um estrangeiro é sempre um estrangeiro”, deduz, por seu turno, Bonifácio Gomes, que considerou “muito positiva” a iniciativa dada a conhecer aquando da assinatura do protocolo entre a Câmara e o SEF em dezembro passado de forma a

facilitar os processos de integração e legalização dos imigrantes. Bonifácio Gomes diz que a integração não foi fácil, mas o facto de falar Português ajudou principalmente a conseguir, num espaço de tempo curto, um emprego. Foi trabalhar na Eurocer, fábrica de louça sanitária. Apesar de hoje estar desempregado, tem esperança em encontrar novo posto de trabalho apesar das dificuldades. Gebiana Araújo, 53 anos, veio para Portugal há 24. Os mesmos que já leva como funcionária da empresa Eurocer também no Carregado. Para esta cidadã guineense, a iniciativa da Câmara e do SEF deixou-a “muito grata” e dá a conhecer que na Barrada “há pessoas das comunidades com muito talento”. “Temos engenheiros, médicos, que infelizmente não conseguem uma oportunidade, por não terem os documentos”. E dá o exemplo do irmão, engenheiro eletrotécnico, que “se refugiou no álcool e não sai de casa”. Gebiana Araújo conta que o mesmo “tentou de tudo para se legalizar e conseguir trabalho mas sem sucesso”. Antes, “bastava o passaporte para obter um emprego agora é mais

Serli e Isaquías estão no Carregado há um ano difícil”. Uma das mais recentes moradoras da Barrada, é Sílvia Semedo, 19 anos, que veio há dois meses da Guiné Bissau. Está disponível para trabalhar “no que aparecer”. Expressa-se com alguma dificul-

dade em Português, pois apesar de ter nascido nos PALOP cresceu no Senegal. Apesar da crise que o nosso país atravessa, é da opinião de que “devemos olhar para o que Portugal tem de positivo”. “Penso que há boas oportuni-

dades apesar da crise”; reflete. Esta estudante de música, gostava de prosseguir os estudos nesta área e ao mesmo tempo trabalhar. Mas primeiro há que obter o almejado documento que lhe dará o passaporte para a legalização.


Opinião

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Valor Local

O novo presidente á uns tempos escrevi algures que penso que caminharemos para um cenário a longo prazo – mas a longo prazo de séculos – onde deixará de haver países e fronteiras e seremos governados e chamados a eleger um Governo a nível mundial. É que a constatação de que tudo o que conhecemos se vai expandindo e abarcando mais coisas torna o sítio onde estamos instalados cada vez mais pequeno – seja ele a nossa casa, a nossa cidade, o País e o continente em que vivemos, o planeta que habitamos, o sistema galáctico em que estamos instalados ou o Universo, o sítio maior conhecido até agora. À medida que isto vai acontecendo será necessário que um conjunto de princípios, valores e práticas se vão harmonizando ao nível do planeta que habitamos, para que defendamos interesses que são de todos e combatamos desigualdades e discriminações que ainda existem porque continuamos teimosamente a olhar para dentro, numa caminhada que parece dirigida à destruição da Humanidade. É minha convicção que a longo prazo essas contradições que encontramos a qualquer esquina da Terra só se resolverão com um Governo mundial. Aliás, a ONU não é mais do que um esboço ainda incipiente de resposta a essa necessidade, como reacção à devastação que varreu o planeta no Século 20, com as

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duas guerras mundiais. Mas há mais indícios da inevitabilidade desse caminho, seja ele com as diversas Associações de Países que têm vindo a florescer com pretextos económicos, de li-

vre comércio ou de defesa comum, seja ele com os reflexos que eleições em Países que dominam o mundo têm nos restantes Países e no próprio mundo. Neste contexto, sendo os Estados Unidos da América, de longe, o país mais poderoso do mundo, quer sob o ponto de vista económico-financeiro quer militar, o que por lá se passa condiciona o mun-

do inteiro. Poder-se-ia perguntar: então, dado esse enquadramento, a eleição do Presidente dos Estados Unidos é um assunto que apenas diz respeito aos eleitores americanos? A resposta tem que ser

inevitavelmente não; admiti-lo é admitir uma espécie de ditadura do povo americano sobre os restantes povos do mundo, e ditaduras nem as do proletariado! É por esta lógica de raciocínio que eu acho que caminhamos, a longo prazo, para um Governo Planetário (que até pode ter sede em Nova Iorque) como única forma de construirmos um futuro sustentá-

vel. Não é para mim, nem para os meus filhos e netos, mas que chegaremos lá, não tenho dúvida. Os Estados Unidos mudaram há dias de Presidente. Como os leitores devem calcular, nesta disputa

quase clubística em que a Comunicação Social transformou as eleições americanas, eu alinhei sem hesitações na equipa Clinton. Mas não é por isso que faço coro com os que anunciam profecias catastróficas, antevêm descrições dantescas dum futuro com Trump a que tenho assistido, nos dias seguintes à posse da Administração Republicana.

Quer queiramos quer não, o homem ganhou as eleições de acordo com uma determinada bitola democrática que foi a que os americanos aprovaram e praticam. E isso tem que ser respeitado – embora também eu tenha ficado perplexo e seja um mistério para mim como é que um país em que metade do eleitorado é feminino votou num homem que menoriza as mulheres; como é possível que um país com uma grande percentagem de negros vote num homem que foi saudado pelo chefe da KuKlux-Klan; como se pode aceitar que um país cuja população ou respectiva ascendência é maioritariamente sul-americana, mexicana, asiática, polaca, turca, irlandesa, vote num homem que se propõe deportar estrangeiros, construir muros na fronteira, dificultar a imigração. Mas foi eleito, e temos que concluir que é isso que os americanos querem. Naturalmente que os bem pensantes, os amantes da liberdade e da igualdade, a vanguarda dos artistas e intelectuais, não se conformam com a eleição de Trump, com aquela madeixa loura a esvoaçar pelos salões da Casa Branca. Mas foram eles que o elegerem. E se querem que vos diga, acho que não é um problema de dimensão transcendente. Uma coisa é o que se diz em campanha eleitoral, outra a que se faz quando se é

Joaquim Ramos confrontado com a realidade, com a opinião dum conjunto de barões na economia, na defesa, na indústria de armamento, no Governo de cada um dos Estados Federados, nas Forças Armadas, na cena política mundial. São esses os que realmente decidem, e decidem da mesma forma quer seja Clinton quer seja Trump o Presidente: de acordo com os seus interesses. Sei que haverá mudanças a nível interno, que serão retiradas as (poucas) regalias sociais que Obama garantira, que o discurso mudará – mas a nível externo um homem, mesmo Trump, mesmo o Presidente dos Estados Unidos da América, tem muito pouca margem de manobra. Não quero dizer que não seja preocupante, principalmente pelo que indicia da imagem da Democracia junto dos cidadãos e não pelas tais visões do Inferno na Terra. Mas não é tão grave a nível de consequências como o têm vindo a fazer crer. Espero eu!

Acolhimento, integração e avaliação de novos membros nas organizações odos nós gostamos de ser bem acolhidos e integrados onde quer que estejamos. Também a expetativa que um novo colaborador tem acerca do seu acolhimento e integração em uma organização, «não foge a esta regra». Acresce que, uma eficaz integração/socialização produz claros benefícios para ambas as partes. Porque se trata de um tema abrangente que passaria inclusivamente, pelo estudo de variáveis da socialização organizacional, processo através do qual um candidato aprende os valores (missão, visão e objetivos/metas), as competências, os comportamentos expectáveis e o conhecimento social e relacional, essenciais para assumir o “papel” de membro pleno da organização. Processo este, que se inicia ainda antes, do ingresso dos novos membros numa organização. Obviamente que, um trabalho desta natureza, não é compaginável numa crónica de opinião. Para além disso, existem constrangimentos espaciais e, por estas razões, vamos de uma forma sucinta mas clara e concisa, apresentar as

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principais práticas, para que, entendamos que o acolhimento e a integração/socialização de um novo membro em uma organização, é de vital importância (nos aspetos humanos e financeiros), consequentemente devem fazerse todos os esforços para que o seu sucesso seja uma realidade. Para se chegar à fase de acolhimento e integração/socialização, deve-se, naturalmente, passar pelas três fases precedentes: 1. Análise e descrição/qualificação de funções e definição do respetivo perfil acomodativo; 2. Recrutamento de potenciais novos membros (primeira seriação); 3. Seleção dos melhores entre os melhores. Também o processo de acolhimento e integração na socialização do novo membro é caracterizado por três fases: 1) pré-ingresso (imagem prévia da organização – o candidato deve obter o máximo de informação possível acerca da organização, o que constituirá uma mais valia; primeiros contatos, a chamada fase da ”atração mútua”; 2) encontro (conhecimento mútuo, expetativas criadas, primeiras satisfações/desilusões, a chamada

fase do “namoro”; 3) metamorfose (perceção da cultura organizacional), membro de pleno direito, conforto na relação, aceitação mútua, inserção plena no grupo, a chamada fase do “casamento”. Acolher bem um novo membro é fornecer-lhe as melhores condições de integração e socialização para que, o mais rapidamente possível, este, se sinta efetivamente, como parte integrante da organização. Para tal, é necessário assumir as melhores práticas de integração, a saber: 1) Receção ao novo colaborador, por parte do diretorgeral (CEO) ou do diretor de recursos humanos (DRH), que fará o discurso de boas vindas 2) Apresentação de um breve historial da organização e sua estrutura, dando ênfase à cultura (missão, visão, metas, objetivos, ética e responsabilidade social) 3) Entrega de manual de acolhimento, a cargo do CEO ou do DRH revelando os aspetos mais significativos do mesmo, visando o seu conhecimento (e.g.: introdução: que englobe uma mensagem de boas-vindas; breve historial da organização; a orgânica: finalidade e objetivos das dife-

rentes áreas funcionais da organização; formalidades burocráticas (e.g.: formulários a preencher, documentos a apresentar, exames médicos, etc.); relações individuais e coletivas de trabalho (e.g.: direitos, deveres e garantias- contratação coletiva); diretrizes do sistema remuneratório (e.g.: (subsídios, promoções e regalias sociais – seguros, assistência médica, apoio aos descendentes, etc.); políticas de formação: valorização profissional, de carreira e avaliação de desempenho; 4) “Turn around” pela organização, a cargo do diretor de recursos humanos ou do chefe hierarquicamente superior (e.g.: chefe de produção, chefe de equipa, etc), dando a conhecer os departamentos/unidades funcionais da organização, seus responsáveis, bem como o papel de cada uma no enquadramento organizacional; 5) Formação inicial: em contexto de sala de aula, técnica (fornecedores, serviços e equipamentos), mercado (mercado e concorrência) e comportamental (comunicação, equipa, liderança, negociação, questões éticas, etc.). Se necessário, deve fazer-se

acompanhar de especialistas nas matérias; 6) Formação inicial no posto de trabalho (training on job), transmissão informal do conhecimento técnico-profissional ao novo membro (protegido), a cargo do tutor ou mentor designado (chefe ou colega). O papel do tutor ou mentor, é o de transmitir de forma informal o conhecimento, a sabedoria e a experiência, face a face e, durante um período continuado, ao novo colaborador que obviamente possui menos competências (protegido). Após a fase de integração do novo membro, é necessário proceder à sua avaliação do desempenho, seguindo a metodologia (abordagem holística), de: 1º. Observação do desempenho do novo colaborador no posto de trabalho (PT): avaliação das competências técnicas, desenvolvimento, proficiência e adaptabilidade à função, levando em linha de conta, o tempo na função); 2º. Observação comportamental do novo membro: sobretudo o comportamento social e relacional (imprescindíveis no trabalho em equipa) e, se o mesmo se adequa à cultura organizacional; 3º.

Augusto Moita Entrevista ao novo membro (obtenção de feedback): aquilatar da sua satisfação/motivação e proceder à autoavaliação e à avaliação do tutor, para levantamento dos aspetos menos positivos, em ordem a proporem-se correções e tomarem-se decisões. Deve-se discutir e analisar as expetativas de ambas as partes; 4º. O resultado da análise às observações, determinará a contratação ou não, do novo membro, ou se praticável e desejável por ambas as partes, a sua colocação em outra função mais adequada ao seu perfil, ou mesmo o “divórcio”. Até à próxima crónica e boas leituras! Referências: Cunha, Miguel Pina, et al. “Gestão de pessoas e do capital humano”.


Valor Local Azambuja

Luís de Sousa formaliza candidatura à Câmara nos próximos dias uis de Sousa é o candidato do partido Socialista à Câmara Municipal de Azambuja. O Valor Local sabe que o atual presidente da Câmara vai nos próximos dias formalizar a sua intenção na comissão politica local. Esta decisão terá sido tomada nos últimos dias e segundo apurámos carrega consigo algumas alterações à lista que será concorrente às eleições autárquicas deste ano, em comparação com a lista concorrente do PS em 2013. Contatado pelo Valor Local, Luis de Sousa escusou-se a fazer comentários, alegando que ainda está na corrida, como aliás disse ao Valor Local em dezembro passado, mas tudo indica que este avançará mesmo, até tendo em conta as diretivas da FAUL e do próprio primeiro-Ministro, António Costa que apoia os candidatos que possam e que queiram voltar a concorrer. Nos últimos dias a especulação em torno da candidatura socialista voltou a adensar-se, tendo em conta que a Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra já está no terreno e com, pelo menos dois candidatos definidos. Por parte do PS, sabe o Valor Local, as pressões para que Luis de Sousa tome uma decisão, têm sido intensas e por isso o atual presidente de Câmara decidiu avançar agora, aliás como tinha prometido no Valor Local.

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Maria João Canilho em segundo lugar na Coligação Valor Local sabe que Maria João Canilho deverá ser de novo a número dois da lista da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra nas eleições autárquicas para a Câmara de Azambuja A candidata tem aparecido em inúmeras iniciativas ao lado de Rui Corça, nomeadamente na entrega de umas centenas de cartas dirigidas aos funcionários municipais, (“isto depois da recusa do presidente da Câmara em fornecer os emails dos funcionários, alegando que este servia apenas para comunicar questões laborais”). Para já os elementos da Coligação e a própria Maria João Canilho, escusaram-se a comentar o que quer que fosse ao Valor Local sobre a candidatura. Todavia uma fonte bem colocada afiança que esta já terá sido indicada

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Maria João Canilho repete presença nas listas para o lugar, mantendo em princípio as mesmas funções de coordenadora no movimento que integra o PSD, CDS, MPT e PPM. Na missiva dirigida aos funcionários, a que o Valor Local teve acesso, Rui Corça fala do seu percurso profissional ligado à gestão de empresas, destacando: “Nada me dá mais orgulho do que sentir o reconhecimento das pessoas com quem tenho trabalhado por as acarinhar e valorizar”. Aos trabalhadores, o candidato lembra que a qualidade “de um serviço atinge-se em conjunto, com todos os que lá trabalham, independentemente dos níveis hierárquicos. E num município mede-se não só pelo grau de satisfação do cidadão, mas também pelo nível de satisfação dos que prestam esse serviço”. Corça lembra a importância de “uma autarquia onde se reconhece o mérito, haja trabalho bem orientado, objetivos reconhecidos por todos, feito com transparência e clareza, onde não haja qualquer dúvida de que o serviço público está acima da tática político-partidária”.

Política

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Frederico Rogeiro candidato do PSD/CDS à Câmara de Alenquer rederico Rogeiro é o candidato da Coligação PSD/CDSPP à Câmara Municipal de Alenquer nas autárquicas de 2017. Independente, sucede nestas lides a Nuno Coelho, que concorreu três vezes à Câmara pela coligação de centro-direita, sem nunca ter conseguido vencer. Frederico Rogeiro frequentou a licenciatura em Arquitetura, e hoje dedica-se à pintura. É também presença assídua como ator em peças teatrais levadas à cena em Alenquer. Tem 43 anos, e referiu durante o seu discurso de apresentação, que teve lugar no dia 10 de janeiro, que desde sempre participou na vida social de Alenquer: desfiles, espetáculos, entre outros; e na vida cultural: jornais, associações e no teatro. Durante este mandato do PS na Câmara, o nome de Frederico Rogeiro deu nas vistas quando apresentou um projeto para a revitalização da Rua Triana, e do seu comércio, com a possibilidade de aquela via passar a pedonal, entre um conjunto de outras sugestões para as principais artérias da vila, com o objetivo de se dar um novo enquadramento urbano e de mobilidade à Vila Presépio. Inicialmente bem aceite pelo executivo de Pedro Folgado, acabou por não conhecer o desenvolvimento e o feed-back que Frederico Rogeiro considerava como desejáveis por parte do executivo socialista. Nas redes sociais e nos media, Frederico Rogeiro tem sido uma voz ativa no que respeita às questões da mobilidade, do urbanismo, e do que o concelho poderia ser no futuro nesta matéria, ao

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Frederico Rogeiro tem sido voz ativa em questões da mobilidade em Alenquer mesmo tempo, que se tem mostrado crítico da política camarária neste domínio, nomeadamente, aquando da apresentação do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) com a possibilidade de uma “grande cidade entre o Carregado e Alenquer”. A sua ideia seria antes em apostar em classificar o Carregado como cidade, e Alenquer como vila histórica. “A proposta atual prevê antes uma classificação artificial baseada numa engenharia estranha e inviável”. “O Carregado pode ser cidade, e não tem de ser apenas para dar nas vistas. A localidade está muito perto de reunir as condições

para passar a cidade e com isso fortalecer a rede de equipamentos local, até porque há fundos comunitários aos quais poderemos ter acesso de outra maneira, e por outro lado esta vila cresceu depressa demais e apresenta muitas carências a nível de infraestruturas”. Com a passagem a cidade “também seria uma forma de integrar as pessoas que aqui vivem e que não são de cá, criando-se esta categoria poder-se-ia proporcionar que mais pessoas se revissem neste estatuto”. Na opinião do candidato que ainda não anunciou os nomes da sua lista à Câmara e às juntas ,

dado ser “uma decisão de ambos os partidos da coligação”, “está na altura das pessoas do concelho de Alenquer decidirem se querem ou não dar a oportunidade a um outro partido político ao fim de mais de três décadas de poder socialista no concelho”, pois apesar de nos últimos anos “as caras do PS na Câmara terem mudado, os processos, a base social e as expetativas são as mesmas não se proporcionando desta forma uma verdadeira mudança”. “Há que perguntar aos alenquerenses se querem definitivamente dar o passo em frente ou ficar à espera do D. Sebastião”.

Alberto Mesquita recandidata-se à Câmara de Vila Franca lberto Mesquita será o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Desenhador Projetista de profissão, Alberto Mesquita decidiu recandidatar-se já que o PS tinha firmado o seu apoio aos presidentes de câmara que o quisessem fazer. Nesse sentido, Alberto Mesquita deverá apresentar formalmente a sua candidatura por meados de março, dando a conhecer nessa altura quem o vai acompanhar em mais um mandato no caso de ser eleito. Alberto Mesquita milita desde

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sempre no PS, mas já foi vereador com pelouros num dos mandatos do anterior presidente de Câmara comunista, Daniel Branco. Posteriormente foi vereador de Maria da Luz Rosinha, esta eleita pelo Partido Socialista, tendo sido seu vice-presidente nos últimos mandatos, ascendendo ao lugar de candidato e posteriormente a presidente. Contatado pelo Valor Local, Fernando Paulo presidente da estrutura local socialista preferiu não fazer comentários, limitando-se a confirmar a intenção da recandidatura de Alberto Mesquita.

Alberto Mesquita é recandidato


Economia

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Valor Local

Alentejo 2020 já aprovou 420 milhões de euros para a região Programa Operacional do Alentejo 2014-2020 fez o balanço dos seus projetos aprovados em conferência de imprensa, dando conta que até ao final de 2016 foram aprovados 420 milhões de euros, dos quais 176 milhões se destinaram ao reforço da competitividade e internacionalização das PME’s na região (Alentejo e Lezíria do Tejo) e para a consolidação do sistema regional de investigação e inovação. Um dos esforços levados a cabo pela estrutura no final do último ano prende-se com as áreas de localização empresarial, tendo sido o primeiro programa operacional a finalizar os mapeamentos em 27 de dezembro de 2016, o que permitirá avançar com novas aberturas de concurso. Ao Valor Local, Roberto Pereira Grilo, presidente da CCDR Alentejo, que gere o programa operacional em causa, colocou o acento tónico na abertura que esta medida pode signficar para que “mais empresas se instalem nos territórios” independentemente de “as ditas zonas estarem ou não saturadas”, criando-se assim “mais oportunidades de emprego, riqueza e competitividade”. “A nossa intenção e a dos autarcas não será a de duplicar estruturas, quando outras estão vazias, até porque ninguém compreenderia isso, mas antes criarmos bolsas para gerirmos o território e captarmos intenções”. (Nos concelhos do Cartaxo, Benavente, Azambuja e Salvater-

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Roberto Pereira Grilo deu conta dos avanços do Programa Operacional ra a questão das zonas empresariais, a sua expansão, colapso, e a necessidade de continuar a atrair investidores tem estado ao longo dos anos em cima da mesa). Durante a conferência de imprensa, o responsável referiu que a região possui uma dotação global de 1.082, 9 milhões de euros repartidos por 89,8 milhões do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER); e 184, 7 milhões de euros do Fundo Social Europeu. A taxa de compromisso

até à data abrange 51 por cento da dotação financeira e ao nível da execução, neste momento, atingiu-se os 1,7 por cento. A partir deste ano, o enfoque “vai para a execução”, lançados que estão muitos dos concursos, analisadas propostas, e encaminhados projetos. Das 2115 candidaturas recebidas para os vários eixos prioritários do Programa, 917 projetos foram aprovados até ao fim do ano passado, representando um montante total de investimento aprovado de

420 milhões de euros e de apoio dos fundos europeus de 271 milhões de euros, sendo que 504 candidaturas encontram-se em apreciação. Os compromissos assumidos correspondem a planos contratualizados com as comunidades intermunicipais; grupos de ação local, autoridades urbanas, e ainda montantes associados aos instrumentos financeiros de apoio às empresas. Nos ditos planos estratégicos de desenvolvimento urbano (PEDU’s), foram abrangidos 26 muni-

cípios (146 milhões de euros, 124 milhões dos quais suportados dos fundos europeus); Os planos de ação para a regeneração urbana (PARU’s) comportaram 22,7 milhões de euros, 19,3 milhões foram Feder; com a possibilidade ainda destes programas para a requalificação e regeneração urbana (PEDU’s e PARU’s) poderem alcançar majorações atrativas no âmbito de um conjunto de medidas aprovadas em novembro de 2016 (CIC Portugal 2020) que se prolongam até fevereiro próximo.

Por outro lado, e no início já deste ano foi decidido o concurso na área da Conservação, Proteção, Promoção e Desenvolvimento do Património Cultural e Natural que havia sido aberto em 2016. O valor da dotação subiu em função da necessidade de encontrar soluções que permitissem dar resposta às candidaturas com avaliação de mérito relevante em articulação com a estratégia do Alentejo 2020, o que se veio a traduzir em 35 projetos e um investimento elegível de 32 milhões de euros e uma comparticipação FEDER de 24 milhões de euros. Foram também salientados “os esforços” no domínio da saúde para a qualificação da rede de equipamentos com investimento especial nas novas tecnologias, nomeadamente, nas especialidades da Oftalmologia, Cardiologia e Oncologia; na Educação com o combate ao insucesso escolar, “estando já a decorrer os primeiros avisos” para esta componente aliada à especialização tecnológica e profissional com uma dotação global de 21,7 milhões de euros. Em comparação com o QREN, e para o período homólogo, quanto aos pagamentos, o Portugal 2020 vai à frente do seu antecessor com 18,4 milhões de euros pagos até ao momento, contra 8 milhões do quadro 2007/2013, “graças ao plano 450 que pretendia pagar 450 milhões de euros às empresas até final de 2016”.

Empresa na vanguarda das análises clínicas investe em Azambuja Biosurfit, empresa na área da biotecnologia e análises sanguíneas, prepara-se para investir cerca de milhões 10 milhões de euros em Azambuja tendo recorrido a fundos comunitários. Um dos proprietários reside no concelho de Azambuja, preparase assim para dar início à construção de uma fábrica com novas linhas de produção. Segundo apurou o Valor Local, a nova localização da empresa deverá ser na zona do bairro da Ónia, não se conhecendo para já a localização exata. Esta é uma empresa focada em equipamentos de análises sanguíneas que em apenas cinco minutos fornece um diagnóstico a partir de uma gota de sangue, sendo que os seus principais clientes são os médicos e esta-

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belecimentos hospitalares. A tecnologia da Biosurfit baseia-se num equipamento de leitura – “Spinit Reader” - e na utilização de discos descartáveis – “Spinit Disposables”. Mediante a utilização de uma gota de sangue, esta tecnologia consegue disponibilizar resultados precisos de detecção de

diversos marcadores em apenas 15 minutos (inflamação, hemograma, diabetes, lípidos, coagulação). Em entrevista à Rádio TSF, João Fonseca Garcia (na foto) CEO da Biosurfit destacou a importância deste investimento, já que reconhece atualmente “uma forte limitação da capacidade de entrega”. “Decidimos fazer um investimento estratégico em produção”, referiu, vincando que os cerca de dez milhões de euros serão investidos ao longo de três anos. Para além do investimento na linha de produção, a empresa propõe-se também adquirir um espaço maior para fazer investigação e desenvolvimento “para além do próprio lançamento de novos produtos”. A empresa que exporta cerca de

90 por cento de produção, tem crescido desde a sua criação em 2007.

A Biosurfit dá emprego a cerca de uma centena de pessoas e diz esperar continuar a contratar em

2018, altura em que se espera que a empresa esteja em pleno já no concelho de Azambuja.

Biosurfit utiliza tecnologia inovadora para o mercado das análises clínicas


Valor Local

Acisma

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Programa Capitalizar vai ter 1600 milhões de euros para Micro e Pequenas Empresas inco novas linhas de crédito do Programa Capitalizar acabam de ser lançadas pelo Ministério da Economia com o objetivo de apoiar investimentos de longo prazo e criar condições mais vantajosas de financiamento para Micro e Pequenas Empresas, no montante global de 1600 milhões de euros. Integrada no Programa Capitalizar, a Linha de Crédito Capitalizar com 1600 milhões de euros geri-

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dos pela PME Investimentos em articulação com o Sistema Nacional de Garantia Mútua, visa apoiar investimentos de longo prazo, criar condições mais vantajosas de financiamento para micro e pequenas empresas, alavancar a oferta de soluções de financiamento para investimentos em projetos com fundos da União Europeia, ampliar a oferta de operações de Fundo de Maneio, e alargar o acesso a plafonds de

crédito a todas as empresas. O financiamento das cinco linhas de crédito será distribuído da seguinte forma: Linha ‘Investimento Projetos 2020’ – Dotação: 300 milhões de euros. – Objetivo: alargar a oferta de crédito bancário para financiamento de projetos aprovados no âmbito do Portugal 2020, com enfoque em despesas elegíveis e outros segmentos de mercado em que a

Linha de Crédito e Garantias IFD 2016-2020 possa vir a revelar-se insuficiente. Linha ‘Micro e Pequenas Empresas’ – Dotação: 400 milhões de euros. – Objetivo: potenciar o acesso a financiamento para investimentos em ativos e reforço de capitais para micro e pequenas empresas. Linha ‘Fundo de Maneio’ – Dotação: 700 milhões de euros. – Objetivo: financiar necessida-

des de fundo de maneio das empresas com financiamentos de médio prazo, em alternativa ao crédito de curto prazo e assim contribuir para uma maior estabilidade dos recursos financeiros ao seu dispor Linha ‘Plafond de Tesouraria’ – Dotação: 100 milhões de euros. – Objetivo: alargar a oferta de crédito em sistema de revolving, conferindo uma maior flexibilidade à gestão corrente de tesouraria.

Linha ‘Investimento Geral’ – Dotação: 100 milhões de euros. – Objetivo: financiar investimentos em ativos com elevado prazo de recuperação. Com montantes de financiamento por empresa entre 25 mil e 2 milhões de euros e com prazos entre 3 a 10 anos, a Linha de Crédito Capitalizar será disponibilizada nos balcões dos bancos protocolados. Fonte: Portugal 2020

HORIZONTE 2020 apoia as PME Inovadoras portuguesas com 300 milhões do FEI FEI - Fundo Europeu de Investimento financiou com 300 milhões de euros uma nova linha de crédito dirigida às Micro, Pequenas e Médias Empresas portuguesas que se destaquem pela sua Inovação, lançada pelo Novo Banco. A transação beneficia do apoio financeiro da União Europeia através do Programa HORIZONTE 2020 e do FEIE - Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, criados no âmbito do

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Plano de Investimento para a Europa. O FEIE visa apoiar o financiamento de investimentos produtivos na União Europeia e assegurar um maior acesso a fontes de financiamento. “O Novo Banco disponibiliza uma nova linha de crédito no valor de 300 milhões de euros tendo por base o acordo celebrado com o Fundo Europeu de Investimento (FEI), que tem como beneficiários micro, Pequenas e

Médias Empresas (PMEs), assim como empresas de maior dimensão (empregando até 499 trabalhadores)”, informou em comunicado o Novo Banco. “A nova linha destina-se especificamente a empresas que pretendam financiamento para apoiar as suas atividades ou projetos de investigação, desenvolvimento e inovação, até um máximo de 7,5 milhões de euros, e conta com uma cobertura do FEI para 50% do risco de crédito

AICEP organiza “Portugal na Casa Décor” AICEP organiza o evento Portugal na Casa Décor, que se realiza durante o mês de maio de 2017, em Madrid, Espanha. A participação portuguesa nesta feira setorial consiste na exposição de produtos de portugueses de decoração agregados num espaço dedicado a Portugal. Empresas dos setores afetos à Fileira Casa - Utilidades Domésticas, Têxtil-lar, Mobiliário e Iluminação - têm nesta ação uma oportunidade única para apresentar os seus produtos a arquitetos, decoradores e designers e ainda ao público em geral. A Casa Décor é considerada a maior exposição de interiores, arquitetura, design e arte de Espanha, uma mostra privilegiada de produtos no âmbito da decoração onde a qualidade e a autenticidade são os requisitos essenciais exigidos às empresas que nela pretendam participar. Distinguese das demais exposições pelo seu formato de organização em que, durante um mês, os participantes têm a possibilidade de apresentar os seus produtos e conceitos de decoração num edi-

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fício emblemático de Madrid. Em 2016 a Casa Décor mobilizou mais de 40 mil visitantes, 750 jornalistas e 200 meios de comunicação. A participação de Portugal em 2016, que contou com 120 produtos, foi um sucesso. O projeto nacional arrecadou três prémios - Melhor Projeto, Melhor profissional e Menção Especial (prémio atribuído pelo público) - e deu origem a mais de 300 mil euros em volume de negócios para as empresas participantes. A avaliação das candidaturas e seleção das empresas portuguesas é feita pelo decorador do espaço de Portugal, selecionado pela Direção da Casa Décor. O critério de seleção das empresas será a adequação dos seus produtos ao conceito de decoração definido pelo decorador. A promoção do evento, da responsabilidade da organização, inclui: - Edição de catálogo (cerca de 200 páginas); - Guia da exposição, distribuído a todos os visitantes no ato da compra de bilhete de acesso; - Divulgação nas melhores revistas de decoração; - Divulgação nos meios de comu-

nicação. As empresas selecionadas devem prever a presença de um responsável nos eventos, considerados essenciais para uma correta promoção da ação (dia da inauguração e outros que se considerem necessários e se venham a realizar). Todas as despesas relacionadas com esta deslocação são da responsabilidade das empresas. A presença no espaço será garantida pela contratação de colaboradores, exclusivos para o evento. Esta ação realiza-se no âmbito de uma candidatura apresentada pela AICEP ao Portugal2020, programa POCI – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização 20142020 e destina-se a empresas portuguesas produtoras e comercializadoras de bens e serviços nacionais. As empresas interessadas em integrar esta ação devem ler atentamente as condições de participação e proceder ao preenchimento do formulário de inscrição até ao dia 28 de fevereiro 2016. Fonte: AICEP Portugal Global

subjacente, sendo por isso muito relevante no apoio aos projetos aprovados nos sistemas de incentivos à inovação produtiva e qualificação de PME no âmbito do Portugal 2020”, destacou. Este instrumento reveste-se de particular importância para o Novo Banco porque permite o acesso das PME portuguesas a condições de financiamento

mais favoráveis, promovendo assim a criação de emprego e o crescimento da economia, e dando continuidade à estratégia prosseguida de permanente apoio ao tecido empresarial Português. Esta é a terceira transação do género assinada entre o Novo Banco e o FEI, sublinhou a entidade portuguesa, “depois do su-

cesso alcançado com o lançamento, em Outubro de 2013, da linha ‘Risk Sharing Finance Facility’ e, em Julho de 2015, da linha ‘InnovFin SME Guarantee Facility’, através das quais o Novo Banco facultou 360 milhões de euros de financiamento a mais de 400 empresas inovadoras suas clientes”. Fonte: Portugal 2020


Negócios com Valor

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Valor Local

Mercado da recuperação de clássicos em expansão ábio Pedro é o exemplo bemsucedido que entre uma paixão e uma profissão há sempre lugar para novos projetos. O empresário proprietário do Auto-Spa de Alenquer há muito que convive com os clássicos. O gosto foi ganhando com o pai que ainda hoje tem uma oficina em Paredes-Alenquer. Esse gosto foi tomando dimensão ao ponto de hoje levar a cabo diferentes projetos, ao mesmo tempo, que já negociou alguns clássicos. Uns que restaurou outros que vendeu tal como estavam.

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Ao “Negócios com Valor” Fábio Pedro recorda que tudo começou nos tempos de escola. “Na altura decidimos, com alguns amigos recuperar uma Renault 4l. Pintámo-la de preto acetinado”, e foi este “o primeiro veículo a ser recuperado”. Mas nesta altura Fábio Pedro ainda estudava, pelo que os tempos livres lá iam sendo passados entre a escola, os amigos e a oficina do pai que ainda hoje representa um grande contributo para esta parte do seu negócio, porque para além de se dedicar à

limpeza de viaturas, ainda tem uma vasta coleção de peças para vários clássicos nas traseiras do edifício. Foi desde que abriu o Auto-Spa Center que Fábio tem levado a cabo a compra e venda de clássicos quer automóveis mas também algumas motos. Nessas vendas, refere com orgulho a venda de um veículo que agora se encontra no Museu do Caramulo, nomeadamente um Mochet Cm de 125cc do ano de 1954. Mas um dos projetos que mais

Empresário combina setor da limpeza automóvel e recuperação de clássicos Cartoon: Bruno Libano

“gozo” lhe deu fazer foi a recuperação de um Jeep Willys. Fábio Pedro conta que o carro foi comprado em conjunto com um amigo “Nessa altura até pensávamos que era uma réplica, mas fomos ver e não era. Tratava-se de um original. “O carro “era feio”, e “estava pintado com aquele tom de verde dos portões”. Depois de uma pesquisa “ficámos a saber que era o veículo dos oficiais porque tinha dois lugares”. Fábio Pedro salienta que o veículo comprado em leilão, foi ad-

quirido em Portugal e restaurado tendo em conta esse facto com peças originais. Todavia este é um mercado difícil em Portugal. O responsável salienta que no concelho de Alenquer existem muitos veículos clássicos, uns em bom estado mas muitos outros estão apenas guardados e nem sequer estão avalizados para andar na estrada. Portugal é de resto um país pequeno para este tipo de negócios, se formos comparar com outros países da União Europeia

Um dos veículos recuperados

ou mesmo os Estados Unidos, onde este mercado já tem uma fatia significativa no mercado, e inclusivamente com programas de televisão com audiências acima da média. “Contudo nota-se que existe alguma expansão”, diz Fábio Pedro vinca que por enquanto não tem nenhum projeto em mãos, mas não descarta a possibilidade de nos próximos tempos voltar ao restauro. O empresário diz que sempre gostou da marca Alfa Romeo, e por isso este seria um projeto a ter em conta no futuro.


Valor Local

Instantâneos

Conversa sobre o jogo do pote - 13ª revista Terra Velhinha

Manuel Canha José e Augusto Freixo Terra Velhinha para o Valor Local, encontrou-se para uma pequena conversa com antigos dinamizadores do jogo do pote que era realizado no Largo do Rossio nos anos 80 e 90, e que dia 26 Fevereiro a Terra Velhinha A pretende relembrar numa iniciativa que pretende lançar a 13ª revista. FREIXO: O Manuel Canha foi o grande dinamizador do jogo de pote a partir de 1989 no Largo do Rossio. A malta gostava de beber um copinho e começava pelo branquinho de manhã e à tarde íamos para o pote. Os potes começavam por ser legais, primeiro era normal, mas depois uns malandros enchiam os potes meios com água, a água chocalhava e dava a volta e a malta molhava-se toda. CANHA: Só malandros, só malandros, macacos, macaquinhos, e metiam farinha e houve um ano que se pôs uma rata… FREIXO: E não se pôs um ouriço, porque quando eu o ia buscar ele já tinha desaparecido… CANHA: Isto começou porque havia uns velhotes que falavam nisso, e um deles, transmitiu-nos que no seu tempo no Carnaval jogava-se ao pote. Dantes toda a gente tinha potes ou bilhas, eram feitos de barro, quando estalavam e partia-se a boca, a asa, as pessoas guardavam para o jogo daquele dia. Já se sabe que hoje já ninguém tem bilhas em casa. FREIXO: A mãe ou a avó iam à fonte deixavam cair a bilha e partiam a asa, e depois não mandavam fora, punham lá para o canto, depois outra partia o gargalo, e lá iam juntando os potes e nestes dias faziam estes jogos tradicionais. Também havia outros jogos como o do peão, dos sacos, entre outros. Este é uma tradição dos tempos dos nossos avós. Até a água pé vinha dentro destes potes de barro. E assim era, no dia de Carnaval jogava-se ao pote, Carnaval não, que os antigos chamavam Entrudo! CANHA: Mas agora vai ter que ser ao Domingo não é… FREIXO: Pois agora já se trabalha, fazia-se à terça à tarde, passa para o Domingo à tarde, com esta treta toda até já nem dão o Carnaval… CANHA: Ó Miguel, se queres juntar essa gente toda é boa ideia… FREIXO: Se queres juntar os da fotografia, já sabes que infelizmente o Joaquim Manuel Feijão e o Seco, já partiram… CANHA: Vão lá os que sobram, então era aqui o amigo Freixo, o Aníbal, o Leandro… FRIEXO: E o meu amigo João Aberto. Fala com eles Miguel, eu dou um toque ao João… O Aníbal era ao meu protegido na altura. Já sabes que quem perdia pagava a rodadinha. Ah pois! CANHA: Quando eu fazia punha lá 10 litros de vinho tinto e 10 litros de vinho branco e uns sumos para as crianças. Também tínhamos uns potes para os miúdos. A câmara ajudava com a compra dos potes e quando tínhamos lucros entregávamos dentro dum pote à Cerci ou aos Bombeiros de Azambuja. FREIXO: Mas havia muita macacada e malandrice, a gente simulava que ia atirar para um e atirava para outro. CANHA: Faz parte do jogo… FREIXO: Pois… Mas havia sempre um júri de bancada quer eram alguns mais experientes para dizer quem tinha ganho ou perdido, por causa das batotas. Eram os treinadores de bancada, os mirones. Diziam, por exemplo “Não, não, o Freixo é que não agarrou o pote, é que perdeu! Pronto e lá tinha o Freixo de ir pôr o dinheirinho.” Mas ó Miguel tens que me guardar uma revista que eu apareço lá numa com o peúguinho vermelho que já deu que falar, até já me chamam o “Peúguinho Encarnado” na rua. Tantas histórias que eu tenho, eu gosto de Azambuja cheia de tradições. Tenho lá umas fotos, o Rodrigo já pôs lá umas no grupo facebook da Terra Velhinha, mas heide ver melhor. É a minha Azambuja. Azambuja criou-me, Coruche viu-me nascer. Nasci à beira do Rio Sorraia numa herdade chamada Parreira e costumo dizer que as minhas canções de embalar foram: o berrar do gado, o relinchar dos cavalos e o marulhar suave das águas límpidas do Sorraia. Um rio que estava a quatro metros da minha casa. CANHA: O Freixo era campeão no pote… FREIXO: Fazíamos uma equipas, combinávamos uns com os outros para tramar este ou aquele e eu fui campeão quatro vezes em quatro anos. Era um jogo brincalhão que era engraçado por causa da manhosice, a ver quem é que ganhava ou perdia. CANHA: Ainda tentámos fazer rodas só com mulheres, mas era difícil arranjar quem quisesse. Para as mulheres tinha que ser bilha média por causa dos “pára-choques.” FREIXO: Era giro. Ainda fizemos uns sete ou oito anos. Mas o Canha não jogava, era mais para aviar copos. CANHA: Pois, eu fui gerente do café Tipoia no Rossio uns 15 anos talvez… FREIXO: O Aníbal andava sempre de volta de mim e há boas histórias. O João Alberto era e continua a ser um bom menino, até costumo dizer para o Poliran, na brincadeira, que ele continua a ser o melhor elemento da família, (risos)… Porque é tudo do Sporting e o João é do Benfica! CANHA: Ó Freixo, o Miguel está dizer que o puto dele, o Manel, também é do Sporting e que já não muda… FREIXO: O Miguel pode seguir o meu exemplo, os meus filhos são os dois do Benfica e sempre tiveram opção de escolha, eu sempre lhes disse: “Filhos, vocês podem escolher, ou são do Benfica ou saem de casa!” Eles nunca quiseram sair de casa, lá ficaram… (risos)” Mas eu tenho de parar com a brincadeira, por causa do facebook. Noutro dia ia um senhor e uma senhora a passear e viram-me na rua e diz o senhor para a senhora” Olha sabes quem é este senhor?” ele respondeu “Não!” e a senhora “É o homem das anedotas no facebook…” Tenho de me deixar dessa treta que já estou a ficar muito conhecido. CANHA: Aqui o Canha é conhecido pelo Canha dos petiscos e do caracol. Família dos Canhas de Azambuja, nascido ali onde está o intermaché nos Casais das Pedreiras que é o nome daquele sitio. E com 35 anos já feitinhos, estou aqui para te dizer que essa iniciativa, do jogo do pote é muito bem-feita, Deus queira que as pessoas apareçam. FREIXO: 35 hã!? E mais 30. E eu 61 e estou aqui para lavar e durar, se não morrer antes… CANHA: Qual quê com os branquinhos é para durar! E a Câmara devia apoiar… FREIXO: Pois devia. CANHA: Olha o Miguel diz que vai tratar disso com o chefe… FREIXO: Conta com a nossa ajuda. É bom esse trabalho que se vai fazer. CANHA: Épá eu ajudo, mas tem de haver branquinho com gasosa… FREIXO: Está descansado ó Canha a Terra Velhinha vai lá pôr uns branquinhos e uns tintinhos com o balcão e vai haver muita gente, que até dá ali para o comércio em redor. CANHA: É o que se quer! Jogo do pote é no Rossio. FREIXO: Vamos lá estar dia 26 Fevereiro, Domingo de Carnaval às 15h da tarde!

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Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

Ana Rita stamos em janeiro de 2017 e começa a temporada taurina em Espanha. Ana Rita, a cavaleira do concelho de Azambuja, tem o seu nome no escalafón taurino espanhol e deverá iniciar a sua temporada já neste mês na sua primeira corrida do ano. Os toureiros estão sempre à espera do triunfo e tu Ana Rita, vais conseguir. Tu que em praça assumes a responsabilidade de levar o melhor toureio ao teu público, seja na arte do rejoneo como na morte do toiro. Que a Virgem de Macarena esteja junto de ti.

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Rui Jardim spero que venha tudo de bom para Rui Jardim, gostaria de ver em Azambuja um matador de toiros. Azambuja bem o merece e pode ser que venhas a ser tu Rui. Vamos Rui, vamos empresários.

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Forcados Amadores de Azambuja alamos agora dos Forcados Amadores de Azambuja, desejo que venham a ter sorte nesta temporada em que comemoram os 50 anos e que tenham bastantes corridas. Será difícil devido ao grande monopólio que se fala que existe nesta classe.

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Bandarilheiros os bandarilheiros profissionais e praticantes deste concelho, que tenham uma boa temporada e os amadores que façam tudo para alcançar o lugar certo no meio taurino nacional.

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Aficionados para os aficionados, que tenham uma boa temporada, com muitas corridas, mas hoje em dia a vida não está propícia para tal. Principalmente em praças como a de Azambuja, onde a pouca lotação não ajuda ninguém, nem o público nem o próprio empresário. Mas melhores dias virão neste 2017

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A tauromaquia azambujense está mais pobre e de luto!* o passado dia 10 de Janeiro faleceu em Toulouse – França, com a linda idade de 86 anos, o azambujense Joaquim Ezequiel Ramos, o toureiro cigano de Azambuja. Joaquim Ezequiel, el Gitano, como era conhecido e apresentado em cartaz, durante muitos anos foi, o único personagem que tão elevada e dignamente representou Azambuja no universo tauromáquico em Portugal e no estrangeiro. Apareceu oficialmente e apresentou-se na sua Azambuja, num Festival de Variedades Taurinas, organizado com fins de beneficência pela Comissão Municipal de Assistência, em 30 de Julho de 1950, no Páteo Valverde. Segundo informava a divulgação “neste Festival apresentar-se-á pela primeira vez em Portugal como espada, o distinto amador desta vila – Joaquim Ezequiel (El Gitanillo) que lidará ao uso de Espanha.” Ia no auge da sua carreira quando, por questões económicas e políticas, saiu-lhe muito caro o apoio público que dera à eleição presidencial do General Humberto Delgado e a consequente perseguição pela PIDE, emigrou para França e só voltou a Portugal depois de 1974. No país que o acolheu manteve, periodicamente nas rádios locais das comunidades portuguesas, até que a saúde lho permitiu, vários programas tauromáquicos, como comentador. *com José Machado Pereira

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Sorteio da campanha de compras de natal no município de Alenquer oi para a localidade da Merceana, o prémio da viagem à ilha Madeira da iniciativa “Faça compras no comércio local e ganhe” levado a cabo pela Câmara Municipal de Alenquer que consistia na aquisição de senhas através de compras nas lojas do concelho que mais tarde dariam a possibilidade aos aderentes de ganharem diversos prémios. Cátia Teodoro da Merceana ganhou assim a viagem depois de ter efetuado compras num estabelecimento comercial daquela localidade. Em causa estiveram também prémios no valor de 150, 75 e 25 euros por cada uma das localidades onde as tômbolas destinadas ao sorteio estiveram presentes: Carregado, Alenquer, Abrigada e Merceana. Para a Câmara de Alenquer, que organizou esta iniciativa em parceria com a Santa Casa da Misericórdia da Merceana, esta edição correu dentro das expetativas com um vasto número de adesões. Entre os lojistas, a iniciativa também foi bem-vinda. Paula Silva e Sandra Aguiar referem que a adesão dos que procuraram as suas lojas durante esta época do ano, tendo em conta o sorteio, foi positiva, embora a maior parte não estivesse totalmente a par da iniciativa. Para o ano recomendam que a campanha possa começar mais cedo, e que contemple mais surpresas para os possíveis consumidores.

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação: Travessa

da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Joaquim António Ramos, Acácio Vasconcelos, Nélson Silva Lopes, Ana Bernardino, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: João Antunes • 960 06 23 75 • joaoantunes@valorlocal.pt • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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Jornal valor Local - Edição Janeiro 2017  

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