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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 46 • 25 Fevereiro 2017 • Preço 1 cêntimo

A saga das Pecuárias poluidoras em Alenquer

Págs. 2, 3 e 4 Págs. 12, 13, 14 e 15

O apelo da solidariedade

PS de Azambuja: Candidato à Câmara cada vez mais embrulhado Pág. 17


Ambiente

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Inauguração do aterro da Suma em Azambuja

Inauguração do aterro com a presença das entidades oficiais stá inaugurado o novo aterro de resíduos não perigosos de Azambuja. Trata-se de um investimento de 1,8 milhões de euros, que se prevê venha a receber durante os próximos 40 anos um total de 1.171.602 toneladas de resíduos. Presentes na cerimónia para além do presidente da Suma, detentora da Triaza – Tratamento de Resíduos Industriais de Azambuja,

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Jorge Rodrigues, esteve também o vice-presidente da CCDR-LVT, entidade licenciadora deste tipo de explorações, Fernando Ferreira, e o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins. As ditas virtualidades da exploração foram enunciadas pelas diferentes entidades, que enfatizaram o facto de se tratar de “uma solução ambiental susten-

tável para as unidades industriais do concelho, em que se procura acautelar uma política de combate à deposição não controlada de resíduos no decorrer da sua atividade”. Esta infraestrutura “localizada no espaço de uma pedreira desativada vai promover a sua recuperação ambiental e paisagística através da utilização dos resíduos para fins de reabilitação e de estabili-

A obra é contestada há muito zação geomecânica dos vazios de escavação”, referiu o presidente da Suma. Também elogioso foi o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins que entende ser esta uma forma de tratamento dos resíduos do futuro, e que cumpre os preceitos ambientais e as regras existentes neste domínio. Envolta em polémica desde o seu início e a sofrer de contesta-

ção por parte da oposição na Câmara e na Assembleia Municipal de Azambuja, a nova infraestrutura tem deixado a população com poucas certezas quanto a um possível passivo ambiental de que venha a ser vítima tendo em conta a localização do aterro a escassos metros da vila. Face às críticas, a empresa até recorreu à representação de uma rábula, escassos minutos antes do

descerrar da placa, em que um detetive indagava os propósitos da Triaza em Azambuja, referindo que o que “eles querem é dinheiro e esconder o lixo”. O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, identificou-se com a rábula, ao mesmo tempo que saudou a entrada em funcionamento da Triaza, convencido que está das mais valias do equipamento.

Câmara de Vila Franca reforça aposta na recolha de resíduos Câmara Municipal de Vila Franca de Xira garante que vai continuar a apostar na área do ambiente e na recolha de resíduos urbanos. Em conferência de imprensa realizada em Vialonga, no dia 22 de fevereiro, Alberto Mesquita presidente da autarquia vilafranquense, destacou os investimentos na área do pessoal e no reforço da frota de recolha no município. O autarca explicou, entre outras questões, que nos últimos anos o município tem feito um esforço significativo nesta área, quer jun-

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to das escolas, tendo mesmo vencido um concurso destinado à reciclagem, quer junto da população. Todavia é junto da população que se torna mais complicado passar a mensagem. O autarca salientou que o município pretende reforçar a fiscalização nesta matéria, nomeadamente, no que toca à verificação do estado dos equipamentos, lembrando entretanto que as força de segurança do concelho, PSP e GNR, estão também sensibilizadas para os comportamentos menos cívicos

de algumas pessoas, nomeadamente, no que toca ao dejetos dos animais na via pública ou no que concerne ao abandono de sacos de lixo junto às ilhas ecológicas, quando estas ainda têm capacidade para receber lixo. Alberto Mesquita refere que o esforço do município nos últimos três anos tem sido significativo nesta matéria, e destaca a implantação de várias ilhas ecológicas um pouco por todo o concelho, fazendo com que desapareçam gradualmente os contentores da via pública.

Autarcas elucidaram para a necessidade de mais atenção a esta componente

Sobre estes equipamentos, o autarca salienta que estão a ser implantadas no concelho de Vila Franca de Xira novas ilhas ecológicas, apontando como exemplo um equipamento na Quinta da Flamenga em Vialonga, local onde se realizou o encontro com os jornalistas. O autarca salienta que estes novos equipamentos que deverão ser implantados gradualmente, têm informação visual e gráfica, quer através das respetivas cores correspondentes a cada tipo de resíduos, quer informação escrita

referente, por exemplo, aos dias da recolha de monos para que os locais estejam sempre na medida do possível sem lixo à vista. Alberto Mesquita vinca, por outro lado, que o município implantou novas rotas para recolhas de resíduos desde 2014. O autarca salienta que à exceção das recolhas de vidros e nas escolas, toda a restante recolha é feita de noite, para evitar constrangimentos de trânsito e acelerar a mesma. Já as recolhas de vidros, e nas escolas são durante o dia, pois segundo o presidente, o barulho

Complexo de ilhas ecológicas

da recolha de vidro incomoda durante a noite. Por outro lado e no reforço deste serviço, Fernando Paulo Ferreira, vice-presidente da autarquia, com o pelouro do Ambiente, destacou a implantação de sensores em algumas ilhas ecológicas. Os mesmos, de acordo com este autarca, possibilitam uma informação em tempo real sobre a capacidade de cada equipamento, o que permite às equipas, por exemplo, alterarem as rotas de recolha tendo em consideração as mais urgentes para as menos urgentes.


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Grande Reportagem

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A saga das Pecuárias poluidoras em Alenquer É mais um capítulo de uma história que teima em não conseguir um desenlace. Duas suiniculturas que laboram nas freguesias da Ventosa e de Abrigada permanecem a produzir quando já poderiam estar encerradas. Ambas pediram uma declaração de interesse municipal que não foi obtida, devido aos constantes maus cheiros que afetam a população de várias localidades, e que deveria conduzir ao seu encerramento imediato em finais de 2015, inícios de 2016. A Berbelita trava agora um autêntico braço de ferro na justiça contra a Câmara e Assembleia Municipal de Alenquer, a outra, a Valinho, beneficia de alguma falta de intervenção e de músculo por parte das entidades estatais. Até lá população, e autarcas desesperam por completo. Enquanto isso há descargas, nesta altura, do ano para o rio de Ota com muita frequência, e onde até porcos a boiar já apareceram. ¢ Sílvia Agostinho esde 1991 que as populações da freguesia da Ventosa, concelho de Alenquer se confrontam, quase todos os dias, com os maus cheiros provenientes de uma exploração de suinicultura que se instalou na Berbelita e dela recebeu o nome. O governo ante-

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rior promulgou a lei que estabelece a possibilidade destas explorações se regularizarem e procederem à ampliação de instalações. A Sociedade Agro-Pecuária da Berbelita, LDA, com sede em Alcobaça, deu início a esse processo, mas a proposta de interesse público municipal requerida foi

chumbada em Assembleia Municipal de Alenquer em finais de 2015, fazendo parar todo o processo com vista à regularização. O passo seguinte seria o do fecho da exploração mas já passou mais de um ano, e até à data continua a laborar, e a causar incómodos à população. A empresa

colocou um processo contra a Câmara e Assembleia municipais de Alenquer, e o imbróglio parece estar para durar. A Câmara diz que até ir a tribunal as entidades governamentais não podem agir com vista ao encerramento da exploração, que até “cadáveres de porcos” larga para o rio, conforme afiançou à nossa reportagem população e até alguns autarcas. Nas palavras do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins,

em declarações ao nosso jornal, o recurso às vias judiciais tem sido um clássico por parte destas indústrias quando não conseguem obter os requisitos necessários para obter a regularização dos seus espaços, pelo que o Governo pretenderá apertar a malha ainda mais nestas situações, embora não possa impedir o recurso aos tribunais. No caso da exploração em causa, está o facto de até hoje não se ter apetrechado con-

venientemente, nomeadamente, através de uma ETAR, preferindo antes lançar descargas no rio, e pagar as coimas sempre que há queixa. Estamos a falar de valores quase sempre na ordem dos dois mil euros para as coimas, e de 20 mil euros quando é instruído o processo de crime. Para além disso, a exploração está a uma curta dezena de metros de um jardimde-infância e de algumas casas de habitação.


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4 Francisco Abelha é um dos vizinhos mais próximos da suinicultura, que “possui duas lagoas a céu aberto que são a causa do mau cheiro constante que afeta as localidades mais próximas”, como a Labrugeira, Pousoa, Atalaia e Quentes. A sua casa não dista mais de 500 metros da exploração, e já há muito tempo que troca correspondência com as mais diversas entidades a dar conta do ocorrido desde a Quercus, passando pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e da GNR. A direção dos ventos faz com que os cheiros sejam constantes durante quase todo o ano, mas a situação é agravada sobretudo de inverno já que nesta altura a circulação do ar empurra os cheiros “para dentro da aldeia da Labrugeira”. No cruzamento da Prezada à entrada da localidade, “o cheiro é permanente”. A pecuária “aproveita, permanentemente, estes dias de chuva para fazer as descargas das fossas que andam a encher durante o ano inteiro”, refere o morador. Nuno Marçal, secretário da junta de freguesia, corrobora a opinião e refere a existência dessas descargas no inverno - “Ilegais ou não é algo que não sabemos. Desconheço se há licenciamento junto do Instituto Nacional da Água”. A exploração na parte que dá para o rio foi em-

paredada através da construção de um muro de tijolo, onde a partir de umas manilhas para o efeito “o esgoto corre diretamente para as águas”. Francisco Abelha tirou fotografias da situação e delas tem dado eco junto das entidades competentes, “mas até hoje nunca recebi respostas”, entre elas estava o ministério da Agricultura. Em tempos, o antigo presidente da Câmara, Jorge Riso, nas suas palavras demonstrou pouca sensibilidade para o caso – “Numa ocasião, perguntei-lhe sobre o estado de coisas, e posso dizer que ficou um bocado irritado com a situação. A Câmara nunca fez rigorosamente nada, empurrando para outras entidades”. Integrada no grupo Crigado Sociedade Agropecuária, com sede em Alcobaça, a Berbelita foi adquirida em 2007 pelo mesmo. Francisco Abelha espanta-se com a circunstância de a empresa, alegadamente, conseguir pagar as coimas de que é alvo a julgar pela ordem de valores de que se fala. Inserida numa parcela de terreno entre a Ventosa e a Labrugeira, a exploração de aspeto rudimentar, e pouco moderno, leva a crer que seja difícil que tenha “capacidade financeira para fazer face a esses encargos avultados”. O morador refere que entre cinco a seis vezes ligou para a GNR e que as multas rondavam os 2500 euros.

“Um elemento da GNR chegou a confidenciar-me que o antigo proprietário já amaldiçoava as pessoas da Labrugeira à conta das multas que lhe foram imputadas”. Por outro lado, e segundo a população, e a autarquia da Ventosa, raramente se vê trabalhadores na exploração, e quando existem são normalmente estrangeiros, oriundos de países de leste. “Já vieram aqui à junta pedir um atestado de residência”, dá a conhecer a presidente da junta local, Liseta Almeida. Na opinião de Francisco Abelha, “a exploração muito provavelmente sofrerá de sobrelotação”, e não tem dúvidas de que “está completamente ilegal”, ilustrando, ainda, com um caso que conhece em Alcácer do Sal onde as condições são integralmente cumpridas e não há cheiros. “Acho extraordinário que no caso desta não vá ali ninguém fechar aquilo. É impossível em alguns dias estar de portas e janelas abertas. Tenho vizinhos que moram ainda mais perto da suinicultura do que eu, que não podem usar o espaço exterior da casa deles para nada. Vivem completamente enclausurados dentro de casa. Isto é de uma desumanidade atroz. No meu caso podia ter construído a minha casa mais próxima da dos meus pais, e tive de vir para o interior da Labrugeira para fugir aos cheiros”. Na

Autarcas à espera do melhor desfecho

sua opinião, a Câmara tem de agir porque “não cabe na cabeça de ninguém que aquilo funcione ao lado de uma escola”. “Quando não há ventos, é uma questão de horas até que aquela ‘nuvem’ de mau cheiro entre dentro da Labrugeira”, conclui. No jardim-de-infância local, a escassos metros da exploração, as professoras Helena Norte e Gracinda Santos confirmam as dificuldades trazidas. Nos dias “em que chove mais os cheiros intensificam-se”; denotam. Os encarregados de educação a toda a hora falam do problema, e “com regularidade trazem ‘fitas apanha moscas’ porque não podemos usar sprays”. As docentes confirmam que a suinicultura dá azo ao aparecimento de insetos em grande quantidade. Nas salas de aula, os cheiros não se sentem, mas o espaço do recreio fica seriamente comprometido. Também comprometido tem ficado o Festival de Sopas da Adega Cooperativa Labrugeira que por se realizar a poucos metros da suinicultura “espanta” os visitantes que ali se deslocam, por ser impossível degustar uma especialidade do festival e ao mesmo tempo sentir o cheiro dos dejetos dos animais. Liseta Almeida, a presidente da junta local, reforça – “As pessoas que ali se dirigem por ocasião do festival ficam frustradas por levarem com

Valor Local aquele cheiro quando estão a comer uma sopa saborosa”, e acrescenta – “Sei que os organizadores ficam muito desanimados com a situação”. José Afonso, responsável da adega, confessa que os maus odores são constantes, “principalmente quando há descargas”. A adega teve que se atualizar recentemente quanto às normas ambientais com a instalação de uma ETAR para o efeito e confessa que desta forma não é justo que outros também não cumpram as leis. Jacinto Agostinho, presidente da junta de Olhalvo, também lamenta o estado de coisas - “A exploração é má para o ambiente e quem anda por estes lados sente um cheiro horrendo. Os transtornos que aquilo tem causado à Adega da Labrugeira são demais” O facto de a empresa estar a tentar ganhar tempo com a questão do processo em tribunal contra a Câmara e Assembleia Municipal de Alenquer faz com que a esperança de ver a suinicultura encerrada nos tempos mais próximos tenha de ser refreada até que exista uma sentença para o caso. Logo após a assembleia municipal que votou contra a intenção da empresa em finais de 2015, que esta agilizou no sentido de reverter o processo a seu favor, apesar da não obtenção da Declaração de Interesse Público Municipal

(ver caixa). Nos contactos com a autarquia de Alenquer, Liseta Almeida sabe que têm sido desencadeados esforços junto de entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente; Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), e Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP-LVT) mas até trânsito em julgado a empresa detém título válido para continuar a laborar. Um dos últimos contactos da Câmara foi precisamente com a DRAPLVT (entidade coordenadora das duas pecuárias) a 20 de dezembro último, na pessoa da diretora regional, Elizete Jardim. Foi assegurado que iria diligenciar junto dos vários intervenientes os procedimentos necessários visando o encerramento das referidas unidades, dentro de um prazo a estabelecer. Até ao momento, a Câmara ainda não foi notificada relativamente à promoção de qualquer tipo de contacto entre a entidade e os visados. Nuno Marçal, secretário da junta, sublinha que o cheiro por vezes se propaga a outras freguesias como Olhalvo, e nos piores dias chega a Atalaia ainda na freguesia da Ventosa. Os dois autarcas são da opinião de que a população tem vindo a conformar-se com os cheiros, embora nunca sejam esquecidos face à perturbação que causam no dia-a-dia das pessoas.

Professoras dão conta dos constrangimentos sentidos

O desespero em Abrigada esde 1993, que a freguesia de Abrigada também convive paredes meias com uma suinicultura foco de maus cheiros: a AgroPecuária Valinho com sede em Alcanede. A suinicultura apenas tem um pavilhão legalizado, os restantes três faltam legalizar, mas o voto contra da Assembleia Municipal veio deitar por terra as intenções da exploração. Na origem mais uma vez a questão dos maus cheiros. Esta empresa ao contrário da Berbelita não avançou para tribunal, e aguarda o encerramento por parte das entida-

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des governamentais. O presidente da União de Freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres, António Pires, dá conta dos prejuízos causados à vida da população com constantes cheiros, que por vezes “até chegam à localidade vizinha de Cabanas de Chão”. O autarca diz que os maus odores são frequentes durante o dia mas também “há noites em que não se consegue vir à rua”, tendo em conta as descargas efetuadas. Ao longo dos anos, a empresa apercebendo-se dos olhares curiosos para com a sua com-

prometedora atividade, plantou uma cerca de eucaliptos com o intuito de evitar qualquer espécie de possibilidade de os populares inspecionarem o local, nomeadamente, as fossas existentes e a quantidade de dejetos que por ali circulam. À semelhança do que acontece na exploração da Ventosa, também aqui é voz corrente o facto de por vezes aparecerem cadáveres de porcos provenientes da exploração. O presidente da junta é um dos que já presenciou “porcos a boiar” no local. “Já viu o que é um animal daqueles apo-

drecer dentro das fossas”. “Preferem pagar as multas a fazer as obras para dotarem o espaço de uma ETAR”, conclui. O comandante do destacamento da GNR de Alenquer, o tenente Marco Pinheiro, diz à nossa reportagem que o papel daquela força de segurança consiste no levantamento dos autos de contraordenação. Cabendo à APA o procedimento criminal subjacente, pois é esta a entidade que deve instruir a parte criminal. Quando assim é as coimas podem ultrapassar os 20 mil a 200 mil euros. Quisemos sa-

ber ainda se no decurso das incursões da GNR a estas explorações, se deu conta de situações que pudessem colocar em causa o bem estar animal, tendo em conta os relatos de sobrelotação, mas o tenente Marco Pinheiro refere que tal não foi notado. O presidente da junta dá ainda a achega: “Se ao pedirem a declaração de interesse público municipal se comprometessem a fazer as obras para eliminar os maus cheiros, talvez aí pudessem receber o sim, mas nem isso eu lá vi escrito”. Prova disso são as cons-

tantes descargas que se têm feito sentir. Nessas alturas, “a população de Atouguia (localidade junto à ribeira para onde as descargas são encaminhadas) vem à junta e quase que nos quer comer vivos, tal a indignação que as pessoas sentem”, refere deixando o conselho - “Deveriam fazer queixas nos organismos competentes”. No dia da nossa reportagem em Abrigada, e por coincidência, a empresa enviou mais uma descarga de efluentes para o curso de água em questão. O tom castanho não deixava muita margem para


Valor Local dúvidas, e ao longo do percurso do rio também havia espuma. Em dezembro último houve duas descargas e a junta contactou a GNR. “Se ao menos tivessem uma ETAR… Assim não conseguimos viver com este cheiro”, desabafa. Na localidade de Atouguia, é onde o cheiro das descargas se sente com mais veemência. Helena Feliciano, proprietária de um café, é um dos rostos da indignação. “A poluição é tão grande que acaba por matar muitos peixes no rio também. As autoridades já cá estiveram e também presenciaram, mas não fazem nada”. A população também esteve presente em reuniões de Câmara mas até à data sem grandes resultados. A habitante da freguesia não compreende a circunstância de a empresa ainda continuar a operar quando trabalha à margem das leis ambientais e sugere que possa existir algum tipo de “proteção” ao proprietário. “Alguém tem de andar a comer daquilo porque pe-

los vistos mais vale pagar uma multa do que estar a fazer obras”. Em Atouguia “todos se queixam”. A única resposta que recebemos é “que a Câmara não pode fazer nada porque ainda está à espera de outras entidades. Enquanto isso temos de aguentar isto com as descargas constantes, e o lodo preto no fundo do rio, que é uma autêntica vergonha”. Ângela Martins também residente em Atouguia corrobora a reflexão da vizinha – “Constantemente estes cheiros andam por aqui, e a água corre escura. Não conseguimos abrir as janelas porque os odores são insuportáveis e temos de conviver com pragas de moscas e de melgas a toda à hora. Nunca nos vamos habituar a isto”. O rio vai dar a Ota, e também nesta freguesia a indignação é mais do que muita. O presidente da junta, Diogo Carvalho, refere que a expetativa perante o fecho da exploração “é muito grande” tendo em conta que foi revogada a pro-

Rio de Ota apresentava cor castanha há dias atrás

Grande Reportagem posta de interesse público municipal, mas a espera também se tem revelado demasiado longa. Nesta freguesia, as queixas às autoridades têm-se multiplicado. “Sabemos que neste momento a Câmara tem as mãos e os pés atados porque aguarda pelas entidades superiores, mas há projetos para os Olhos de Água e para a Serra de Ota, com o estatuto de paisagem protegida de âmbito local, que não farão qualquer sentido se a suinicultura continuar a laborar”. Lúcio Carvalho, habitante de Ota, apresentou no Orçamento Participativo do ano passado uma proposta para a requalificação dos Olhos de Água com a possibilidade de ali se poder recriar um pequeno espaço de lazer e fruição da água. A proposta foi uma das vencedoras do OP, e para além dos constrangimentos que a obra enfrenta por parte da EPAL, a questão dos maus cheiros e das descargas não passa ao lado das intenções do projeto. A Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer (ALAMBI) diz estar atenta aos fenómenos das suiniculturas. Para Francisco Henriques, daquela associação, a necessidade de adaptação destas explorações com lagoas de tratamento e ETAR’s fazem com que haja uma aritmética difícil entre os custos e os proveitos, em que a questão ambiental acaba por ser normalmente descurada face à onerosidade que essas obras acarretam. “Mas também é importante perceber de que forma estão a funcionar as ETAR’s municipais, porque não há relatórios acerca da qualidade da água”.

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Helena Feliciano demonstra preocupação

Presidente da junta de Abrigada dá conta das dificuldades da população com este caso

As razões das duas empresas a proposta que levou a Assembleia Municipal, a Sociedade Agro-pecuária da Berbelita que se quis regularizar ao abrigo do Decreto Lei 165/2014 (Novo Regime Excecional de Regularização das Atividades Económicas) a mesma tentou convencer os deputados alegando o facto de já estar estabelecida no concelho desde os anos 80, tratando-se de uma exploração pertencente ao grupo Crigado, de Alcobaça, já com atividade licenciada ao abrigo do Novo Regime do Exercício da Atividade Pecuária (NREAP). A atividade na Ventosa encontra-se em desconformidade no que à Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN) diz respeito. Também não cumpre a distância mínima obrigatória de 50 metros aos limites do prédio nem de 500 metros mínimos quanto à área urbana. Diz a empresa que dá trabalho a algumas pessoas na exploração, e que os custos de deslocalização não lhe seriam compensadores no caso de ter de desistir da exploração em causa, porquanto teria de fazer face a custos estraté-

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gicos no que respeita à perda de trabalho, paragem na produção, necessidade de reestruturação dos objetivos. Na proposta que levou à Assembleia Municipal defendeu ainda que “as lagoas estão concebidas de modo a minimizar a ocorrência de cheiros desagradáveis”, algo que não se coaduna com os relatos existentes. A empresa chega mesmo a dizer que “devido à existência de uma cobertura vegetal na zona circundante da exploração” dá-se “a absorção dos odores existentes”. No que respeita à Agro- Pecuária Valinho, em Abrigada, assiste-se a desconformidades semelhantes em RAN e REN, com apenas um pavilhão legalizado, estando os restantes edifícios – três de exploração e outros de apoio por regularizar. Neste caso, a exploração está também a apenas 350 metros do perímetro urbano mais próximo e como tal em incumprimento. Foram criados, segundo a empresa, seis postos de trabalho com a promessa de mais alguns se tivesse conseguido a regularização. Diz ainda a empresa quan-

to aos maus odores que a sua “gestão eficiente dos resíduos, e o seu grande afastamento das áreas habitacionais fazem com que não haja ocorrências nesta matéria”. Os argumentos não tiveram eco nos deputados que acabaram por votar contra, tendo mesmo motivado alguma indignação estes pedidos de interesse público municipal. Depois de tomar conhecimento da reprovação da proposta de interesse público municipal, compete à entidade coordenadora (DRAPLVT) controlar o cumprimento das normas do decreto lei promulgado pelo anterior Governo, e articular com todas as entidades os termos e procedimentos a tomar na ação de encerramento, destacando-se a DGAV - no âmbito do bem-estar animal, a Câmara - no âmbito do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, a APA – no âmbito das descargas de domínio hídrico e a CCDRLVT – no âmbito das edificações em REN. Não são conhecidas as razões pelas quais a pecuária Valinho ainda não foi encerrada pelas entidades compe-

tentes apesar de todas as pressões exercidas no terreno. Sendo que no caso da Berbelita haverá que esperar pela decisão judicial, ao que tudo indica. A empresa tem jogado com o factor tempo, e depois da votação na Assembleia Municipal de Alenquer, interpôs a ação no dia quatro de janeiro de 2016 que corre termos no Tribunal Administrativo e Central de Lisboa, estando ainda pendente a aguardar decisão e não estando agendada qualquer audiência. Não obstante o indeferimento de que foi alvo o pedido da referida sociedade junto do município, a entidade deu entrada ao pedido junto da DRAP, o que, “nos termos do artigo 7.º do DL n.º 165/2014, de 05 de novembro, é título legitimo para a exploração provisória do estabelecimento” explica a vereadora do Ambiente, Dora Pereira, pelo que há que aguardar. Em face disto, A DRAP “indeferiu liminarmente o pedido da requerente, por não constar do processo a declaração de interesse público municipal, porém, esse ato foi alvo de uma providência caute-

lar de suspensão de eficácia do ato de indeferimento, que mereceu provimento no âmbito do processo n.º 300/16.8BELRA que correu termos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria”, dá conta o município. Desta forma, até trânsito em julgado de todos os processos pendentes ou pelo menos, enquanto vigorar a suspensão da eficácia do ato de indeferimento, “a requerente deterá título válido para a exploração, não podendo o município tomar qualquer medida tendente ao seu encerramento decorrente da falta de licença.” O Valor Local contactou telefonicamente as duas empresas, sendo que no caso da Valinho, foi enviado pedido por email para uma conversa sobre o caso. O email recebeu um visto de lido, mas não fomos contactados em seguida como solicitado. No caso da agropecuária da Berbelita, é nos respondido que a empresa encontrase a aguardar por sentença quanto ao processo em tribunal contra a Câmara e Assembleia municipais tendo contudo obtido para já a possibilidade de continuar a la-

borar na exploração em causa “através de decisão judicial” até que se “decida o processo principal a correr no tribunal administrativo e fiscal competente”. No que toca aos famigerados maus cheiros, a empresa sustenta que “a exploração cumpre todas as normas em vigor de natureza ambiental, não existindo qualquer situação que não se enquadre nos parâmetros normais da atividade”. Para além disso e face às críticas diz ainda que se encontra no local há mais de 30 anos “quando havia poucas casas, e que ainda hoje não existem habitações num raio de 100 metros”. Na resposta que nos deu por escrito, a empresa não menciona o estabelecimento escolar próximo. Para concluir, a suinicultura diz ainda que “toda a área onde se encontra a instalação é uma zona de agricultura, sendo generalizada a prática de utilização de resíduos animais como fertilizante agrícola, o que poderá contribuir para a existência de maus cheiros ocasionais sendo que os mesmos nada têm a ver com a nossa exploração”.


Sociedade

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Plataforma Nacional 3 ouve promessas de obras da parte da IP Estrada nacional 3 entre o Carregado e o Cruzamento da Guarita em Azambuja vai sofrer alterações nos próximos anos. Segundo o presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa que se reuniu com a empresa Infraestruturas de Portugal (IP) no dia 21 de fevereiro, “a intenção é fazer uma rotunda perto da SIVA, que aliás era um compromisso antigo”. (Em informação avançada há semanas ao Valor Local, a IP salientava, entre outras obras, no troço Azambuja – Carregado: a reformulação do ilhéu na rotunda da Repsol no Carregado e zonas adjacentes, numa extensão de cerca de 300 metros; a instalação de sistema semafórico no Carregado; o tratamento nas zonas urbanas e a reformulação de vários cruzamentos e entroncamentos ao longo de 15 quilómetros da Nacional

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3 abrangendo os concelhos de Azambuja e Alenquer, num investimento estimado em um milhão de euros). A empresa avançava ainda com o lançamento da obra de grande requalificação entre Carregado e Vila Nova da Rainha, numa extensão de 4,7 quilómetros e com um custo de perto de 1 milhão de euros. O autarca que acompanhou elementos da Plataforma pela Segurança na Nacional 3, salientou, igualmente, aquilo que lhe pareceu o empenho da “Estradas de Portugal” também na eliminação das viragens à esquerda naquele percurso “com a colocação de um traço contínuo, de forma a obrigar o trânsito a usar as rotundas para minimizar os acidentes”. De acordo com o autarca, os projetos já estão em andamento pelo que acredita que no próximo ano ou antes ainda, as obras co-

mecem a andar. Luís de Sousa manifestou ainda a sua preocupação relativamente à iluminação da rotunda de acesso à autoestrada em Aveiras de Cima gerado que está o imbróglio em que “a Brisa diz que a culpa é da Estradas de Portugal; e a Estradas aponta o dedo à Brisa e não saímos disto”. Luís de Sousa manifestou-se satisfeito com a reunião, mas alertou para a necessidade da empresa cumprir o que ficou acordado e por isso espera que os compromissos sejam apresentados por escrito ao município. Esta foi aliás uma reunião onde esteve também presente o presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, que ouviu a garantia do alargamento da rotunda perto da Cruz Vermelha e possível implantação de uma outra rotunda no atual cruzamento do Carregado.

Via onde a sinistralidade é elevada

Unidade móvel de saúde em Arruda até abril onsta no orçamento do município de Arruda, um projeto de uma unidade móvel de saúde que conta com um apoio dos fundos da União Europeia em 85 por cento, com um custo para a autarquia no que diz respeito ao investimento inicial na ordem dos 15 por cento.

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Este projeto, para além do município de Arruda dos Vinhos e da Comunidade Intermunicipal do Oeste, contém uma parceria com a ARS-LVT, ACES Estuário do Tejo, e as unidades do Centro de Saúde de Arruda dos Vinhos. O projeto foi criado a pensar sobretudo nas populações mais afastadas

dos centros urbanos, e particularmente das sedes de freguesia de Arruda e Arranhó, e que têm mais dificuldades para se deslocar, muitas delas por viverem em situações de isolamento. Para o presidente da Câmara, “há uma infindável panóplia de possibilidades de melhoria e de recursos que po-

dem ser explorados com este projeto e que basicamente visam que haja uma saúde quase ao domicílio (saúde de proximidade), a pensar em quem mais precisa e que muitas vezes está fora do sistema”. Desde a prevenção de doenças, rastreios e consultas médicas,

Benavente reúne mais contributos sobre o risco sísmico

ma equipa de investigação do Instituto de Ciências da Terra (ICT) da Universidade de Évora publicou numa revista internacional, pela primeira vez, este ano, o mapa de intensidades máximas observadas (IMO) para Portugal, que identifica as zonas com maior incidência sísmica. Neste aspeto,

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o vale do Tejo, nomeadamente, o concelho de Benavente vem sempre à baila nestas matérias. Num ponto de situação sobre de que forma a autarquia se tem tentado apetrechar do ponto de vista teórico e prático sobre esta problemática que não é nova, mas é sempre preocupante, o presidente

da Câmara, Carlos Coutinho, refere ao Valor Local que no âmbito do Plano Municipal de Emergência continua a desenvolver “um conjunto vasto de simulacros junto das escolas, procurando sensibilizar a nossa população mais jovem mais apta a perceber as indicações e a ter uma consciência para algo que

possa seguramente acontecer no concelho, como é o caso de um epicentro de um sismo”. Paralelamente têm acontecido alguns exercícios de prevenção, no concelho, a nível nacional com a participação da Autoridade Nacional de Proteção Civil com o intuito de preparar e testar o concelho no caso de uma eventualidade.

esta unidade móvel de saúde, é uma carrinha equipada com os necessários instrumentos e aparelhos médicos. “Estamos em crer que será uma ferramenta de trabalho extraordinária que permitirá melhorar os cuidados de saúde no concelho, a qualidade de vida das populações, e potencialmente

poupar muitos recursos no futuro ao Serviço Nacional de Saúde.” Se tudo correr como está previsto, no final de março/ início de abril “teremos a Unidade Móvel de Saúde de Arruda dos Vinhos a percorrer todo o concelho, implementando uma verdadeira política de saúde de proximidade”, diz.

Com a comunidade científica, o município também tem colaborado, pois nesta matéria é primordial saber de que forma se pode contribuir para a robustez dos edifícios e a necessidade das novas construções cumprirem os critérios antissísmicos. “É importante que estejam dotadas da segurança necessária para resistir a este tipo de

impactos”. Carlos Coutinho elucida que a fiscalização nesta componente é mais intensa do que outrora, “mas desde há alguns anos que assim é”. “Direi que nunca estamos preparados para uma eventualidade mas é um trabalho que valorizamos muito no âmbito da Comissão Municipal de Proteção Civil”.

Sismo de 1909 foi alvo de evocação por parte do município


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Sociedade

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América de Trump: Azambujense conta como está a ser a adaptação ¢ Miguel A. Rodrigues s posições tomadas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump continuam na ordem do dia. O novo presidente tem manifestado algumas atitudes que vão ao encontro do que sempre defendeu em campanha, contudo muitos dos seus eleitores tinham a esperança de que se revelasse, agora, mais moderado. Ora os Estados Unidos são de facto um país onde várias comunidades do mundo se encontram. Uns por trabalho, outros por apenas turismo ou lazer, mas o que é facto é que não ser americano, nos dias de hoje, e neste novo consulado da era Trump pode trazer algumas dificuldades na integração. Não é o que acontece para já com a comunidade portuguesa que ao longo dos anos tem emigrado para aquele país em busca de novas oportunidades. Renato Pinto é um desses emigrantes que rumou aos Estados Unidos em 2005. Natural de Azambuja onde ainda tem muitos familiares, vem a Portugal sempre que pode, e vai matando saudades, por exemplo da Feira de Maio através das transmissões do Valor Local.

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A dividir residência entre Houston, Texas, Union, e New Jersey, Renato Pinto já passou por várias presidências. Bush, Obama e agora Trump têm marcado a história do país que é conhecido como a “Terra das Oportunidades”. Renato Pinto chegou aos Estados Unidos ainda no pico dos acontecimentos do 11 de Setembro. “Era visível e sentia-se não só no medo constante do dia-a-dia, mas também em situações tão banais ao entrarmos num avião ou no comboio”, e recorda que as “pessoas choravam ao falar do 11 de Setembro”. “Ainda hoje existe uma marca emocional importante” que é reforçada em cada visita ao memorial que marca o local onde estavam as Torres Gémeas. Renato Pinto refere mesmo que se “Portugal tem Fátima, os americanos têm Nova Iorque e o monumento às Vítimas do 11 de Setembro”, pois “só quem visita, percebe a escala, a dimensão, o tamanho do terror que foi infligido a esta cidade”. Para Renato Pinto que é consultor numa companhia aérea americana, a comunidade portuguesa não se sente afetada pela administração de Trump, e reforça que a vi-

tória deste último acabou por ser “um mal menor”. “Na minha opinião muito pessoal penso que ambos os candidatos eram maus”. Todavia, e embora não se notem diferenças de tratamento entre a comunidade portuguesa, Renato Pinto salienta que o mesmo não acontece noutras comunidades, nomeadamente, na muçulmana. Diversos grupos migrantes começaram a ficar conotados com vários atos de terrorismo, nomeadamente o 11 de Setembro e os atentados de Boston, que “marcaram emocionalmente a sociedade americana”. Como português, Renato diz não ter sentido impacto na sua vida das medidas levadas a cabo pelo novo presidente. Para o emigrante estas “são medidas mediáticas com objetivos muito específicos que não foram pensadas para a generalidade da sociedade americana” e acrescenta que serão precisas “mais umas semanas para se perceber para onde caminham as políticas que têm impacto no dia-a-dia de todos nós”. Há de resto diferenças entre a eleição de Obama e a de Trump. Para Renato Pinto “o presidente Obama foi eleito com um capital

Renato Pinto no casino de Trump de confiança popular muito alto e com um país a entrar numa recessão escondida”. No fim dos seus dois mandatos, “Obama deixou um legado ao nível politico e social inegável”. “O Obama Care é um exemplo disso, mas podíamos mencionar outras medidas” refere. Todavia o novo presidente foi elei-

to e constitui algum nível de preocupação. Nomeadamente no que toca ao “aumento do racismo e xenofobia”. Quando se pensava que um presidente afroamericano pudesse despoletar um aumento dos problemas raciais isso não se verificou “e muito se deveu ao casal Obama que do ponto de vista so-

cial foi muito humilde; muito terra a terra e sem problemas no contacto com a população”. Por isso acrescenta “julgo que com a saída de Obama aí sim as preocupações aumentarão até pela forma como Trump aborda estas questões”. É em Houston onde residem mais portugueses, mas refere Renato Pinto que pouco se fala de política americana. Para o português o interesse da comunidade vai para o que se passa em Portugal “pois quando estamos longe temos tendência a olhar para o nosso país de forma diferente, damos-lhe mais valor”; e por isso “Donald Trump e o seu desmesurado protagonismo veio mudar um pouco o teor das conversas entre os portugueses, para além do Benfica, do Ronaldo, do Jesus, do Vitória, do Bruno Carvalho, do Sócrates ou do António Costa”. Em termos de mediatismo Donald Trump faz concorrência direta ao nosso Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, com a diferença de este último estar no “topo das preferências da comunidade”. Ainda assim argumenta que “o desporto continua a ser rei e o Benfica o número um”.


Sociedade

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Valor Local

Mercado Municipal aguarda por dinamização ma aluna de Arruda, Carolina Magalhães, venceu o concurso lançado pela autarquia em 2015, intitulado “Tive uma ideia”. Contemplava o projeto apresentado pela jovem: cinco zonas âncoras no centro do mercado, aproveitado, ainda, para a instalação de mesas e cadeiras para os clientes. A parte exterior do mercado serviria para “a colocação de uma esplanada com a mesma função da área central, sendo que parte da zona frontal do mercado seria reservada para a dinamização de workshops, e apresentações de livros”. Passado mais de um ano, a Câmara de Arruda refere que a ideia de Carolina Magalhães deu “alguns contributos interessantes”. Nesta altura, a autarquia aguarda por novidades quanto aos avisos de candidatura aos fundos comunitários através do DLBC (Desenvolvimento Local de Base Comunitária) no sentido de se modernizar o conceito do mercado municipal. “Vamos retomar as feiras em mar-

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ço e dinamizar alguns eventos e atividades no Mercado, para trazer novos públicos e uma maior dinâmica a esse espaço, indo, dessa forma, ao encontro da ideia que venceu o concurso de ideias que realizámos.” A autarquia não voltou a editar o concurso, que no fundo deu lugar entretanto, a uma Academia de Empreendedorismo, a que se deu o nome "Tive uma ideia". Esta Academia tem tido a participação de cerca de 20 jovens do Externato João Alberto Faria e da Escola Profissional Gustave Eifel. Têm sido realizados workshops de formação pessoal e empresarial e foram feitas visitas a entidades como o FabLab e o IADE, no período das férias escolares. Durante 2017 continuar-se-á com os workshops com mentores / empresários e na próxima edição do Festival Experimenta Jovem (ArrudaYouth), que terá lugar em abril, haverá um novo concurso de ideias, para além de outras iniciativas.

Aluna apresentou projeto para revitalizar espaço

Aulas de Robótica na “Grau de Prova” m junho de 2017, a Escola de Línguas Grau de Prova, no Cartaxo, vai passar a lecionar aulas de robótica. Esta é uma vertente muito apreciada pelos alunos que ao seu currículo juntam agora esta novidade. Segundo Ana Gaudêncio, responsável da escola de línguas, trata-se de um projeto pouco comum na região e que vem corresponder a uma solicitação dos alunos.

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As inscrições ainda não estão abertas mas a fazer crer no entusiasmo dos alunos não deverão faltar participantes. No máximo, as turmas serão compostas por cinco alunos, orientados por um professor creditado para o efeito. Nas aulas, os alunos aprenderão noções de robótica elementares a que se segue a devida manipulação de robots para o efeito. Como habitualmente, a Grau de Prova insere

ainda no seu currículo para 2017, a habitual atividade das “Férias Divertidas”, com uma viagem para fora do Cartaxo semanalmente, mas também “algumas viagens na nossa terra”, sublinha, “tendo em conta as maravilhas que aqui também conseguimos encontrar”. Este ano à semelhança do que já aconteceu em 2016, também se realizará uma viagem de estudo internacional desta vez

com uma deslocação a Dublin, Irlanda. Em 2016, a Grau de Prova duplicou o número de alunos, e Ana Gaudêncio sublinha o acompanhamento que a escola presta no domínio dos alunos com dificuldades no estudo devido a fenómenos de hiperatividade e défice de atenção através de “turmas mais pequenas e professores com formação específica”.

Criada associação para defender vítimas da legionella oi constituída uma uma nova associação para defender as vítimas do surto de legionella que teve lugar em 2014 no concelho de Vila Franca de Xira (Associação Apoio às Vítimas Legionella VFX). Até ao momento apenas fazem parte da associação 15 pessoas, “quando telefonámos

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para umas 70”, dá conta ao Valor Local, Joaquim Perdigoto Ramos, um dos infetados pelo surto. No total, aquando do surto no início de novembro de 2014, foram infetadas 403 pessoas, sendo que 14 outras morreram devido à doença. Face a tal, Joaquim Per-

digoto Ramos refere que gostaria que mais pessoas se juntassem a esta associação no sentido de melhor poderem defender os seus interesses na justiça, que para muitos tarda em chegar. Recorde-se que até à data a investigação conseguiu confirmar nove arguidos neste processo,

entre elas as empresas: a Adubos de Portugal e a General Eletric. “Não podemos desistir estou convencido de que conseguiremos mais apoio”, conclui. Objetivo passará ainda por mais encaminhamento judicial para as vítimas.


Valor Local

Sociedade

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Inauguração do Museu “Escaroupim e o Rio” novo Museu “Escaroupim e o Rio” está concluído e pronto para abrir portas ao público. A inauguração está marcada para dia 25 de fevereiro (sábado), pelas 15 horas, na aldeia do Escaroupim, Salvaterra de Magos. Este Museu pretende ser um contributo à memória das várias comunidades ribeirinhas do Tejo, um lugar de afetos, um local de encontro e preservação de tradições e memórias. O espaço resulta da reabilitação

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e ampliação da antiga escola primária da aldeia avieira do Escaroupim, num investimento de cerca de 150 mil euros realizado pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos. O Museu “Escaroupim e o Rio” constrói um percurso expositivo que dá a conhecer a importância do rio Tejo e dos seus afluentes, enquanto elemento de fixação humana e evidencia as atividades socioeconómicas que durante séculos foram exploradas e

rentabilizadas pelas comunidades locais. O novo Museu dispõe ainda de sanitários públicos para servir todos aqueles que visitam o Escaroupim e vem ampliar a oferta turística naquela aldeia, juntandose ao Núcleo Museológico da Casa Avieira, aos passeios de barco no Rio Tejo, à observação de aves, ao parque de merendas, ao restaurante panorâmico e ao miradouro natural sobre o rio Tejo.

Memórias das comunidades ribeirinhas passam a estar visitáveis

Presidente dos bombeiros de Azambuja esclarece posição sobre polémica com a Cruz Vermelha presidente dos Bombeiros Voluntários de Azambuja, André Salema, dirigiu-se à última Assembleia Municipal de Azambuja com o intuito de, no seu entender, “elucidar” sobre os mais recentes acontecimentos que motivaram uma troca acesa de palavras entre o comandante dos bombeiros local, e a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima nas páginas da última edição do Valor Local. Segun-

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do o dirigente, a Cruz Vermelha, e demais atores que contestaram a posição dos bombeiros, os mesmos não têm razão para se indignar com a participação efetuada por Armando Baptista, comandante dos voluntários locais, ao ter comunicado junto da Autoridade Nacional de Proteção Civil, entre outras entidades, questões relacionadas com o socorro e a alegada não habilitação da CVP para

o efeito. Porquanto já em 2002, elementos da anterior direção dos bombeiros questionaram igualmente a aquisição de uma viatura especial de salvamento e socorro (veículo tanque dotado de equipamento de desencarceramento). Na altura já a Autoridade Nacional de Proteção Civil respondera no sentido de ser necessário o celebrar de um protocolo entre bombeiros e

Cruz Vermelha. Não deixando de ser contudo legítima a aquisição de equipamentos e veículos de socorro. A sua utilização fora do âmbito de um instrumento orientador de partilha de competências e responsabilidades já se assumia contudo como “abusiva e extravagante”. À época, a ANPC respondia assim aos bombeiros de Azambuja e Cruz Vermelha e também às entidades congéneres

de Amares e Vila do Conde a braços com situações semelhantes. O presidente dos bombeiros distribuiu por todas as bancadas partidárias da assembleia municipal documentação trocada pela anterior direção sobre este assunto com as entidades que superintendem o socorro e a atividade deste tipo de associações. Da documentação consta ainda o tema que já não é novo de ser criada

uma secção dos bombeiros de Azambuja na CVP de Aveiras de Cima, que ainda não terá encontrado eco suficiente junto de quem de direito em Aveiras, e que no entender de Salema “seria uma resolução para o problema cuja solução já foi proposta pela direção dos Bombeiros de Azambuja à CVP de Aveiras de Cima, aguardando-se parecer da CVP nacional”.

Posto da GNR de Aveiras de Cima não vai encerrar ão está previsto o encerramento do posto da GNR em Aveiras de Cima. A garantia foi dada ao Valor Local pelo comandante de destacamento de Alenquer. Marco Pinheiro salienta não ter informação sobre o assunto e isso mesmo terá transmitido ao candidato à Câmara de Azambuja pela Coligação pelo Futuro da Nossa Terra, Rui Corça, que se reuniu com elementos daquela força no dia 20 de fevereiro. Outra fonte da GNR garantiu ao Valor Local que não fazia sentido eliminar o posto, tendo em conta que a parcela de terreno para a construção do novo quartel já tinha tido luz verde do município. Tanto na reunião de câmara como na da assembleia municipal, António Torrão presidente da junta (CDU), manifestou a sua preocupação sobre o assunto pedindo ao presidente da câmara Luís de Sousa (PS) para tomar boa nota, sendo que Sousa salientou estar à espera de uma reunião com os responsáveis da GNR. O Valor Local sabe que o assunto

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já foi abordado pela população de Aveiras que manifestou também a sua preocupação, tendo em conta que a GNR tem vindo a desmantelar quartéis como foi o caso do posto de Manique do Intendente há meia dúzia de anos atrás. António Torrão lembrou a necessidade de segurança naquela vila do concelho e lembrou que a GNR também patrulha Alcoentre e o alto do concelho, nomeadamente Manique e Vila Nova de São Pedro que até há poucos anos tinha um posto da GNR na Praça dos Imperadores. A notícia pelos vistos revelou-se como mais um mito urbano posto a correr. Há cerca de dez anos a Junta de Aveiras de Cima cedeu à GNR a sua antiga sede. Até ali a Guarda Nacional Republicana lutava contra falta de condições numa casa velha e degradada. Esta era uma mudança provisória, já que o objetivo é que a GNR apenas ali permanecesse, até que o novo quartel esteja pronto em terrenos da Quinta do Mor.


Cultura

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Valor Local

Os “Rostos da Nossa Terra” reavivam memórias

Adelina Pratas identifica foto da mãe exposição “Os Rostos da Nossa Terra” esteve patente na Capela de Vale do Brejo no dia 12 de fevereiro numa organização do rancho folclórico local, e concretizou-se numa oportunidade para muitos revisitarem caras do passado e do presente da aldeia ao mesmo tempo que aproveitavam para contar velhas histórias que são quase lendas, tal a sua antiguidade, pertencentes a um

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passado remoto mas não esquecido. Maria Preta, uma das habitantes desta aldeia da freguesia de Aveiras de Cima, mostra o retrato de um dos irmãos, que “esteve preso por ter matado um homem”. “Depois de ter saído da cadeia, veio para a casa da minha mãe, que ainda era viva. Mais tarde o meu irmão foi para um lar. Todos os dias ia lá vê-lo, mas entretanto

Maria Preta e as suas memórias também morreu”, refere. Também Maria Preta conta com foto na exposição, numa altura em que estava a trabalhar. Diz que a fotografia já é antiga, e não se lembra muito bem de quando lhe foi tirada pelos organizadores da mostra. Maria Preta nasceu em 1940, e diz com graça que faz anos duas vezes no ano, é que apesar de ter nascido a um de setembro, apenas foi registada a 29 de no-

vembro. “Na brincadeira, o meu neto diz que já tenho muitos anos, e pergunta por que ainda não morri”, graceja. Em Vale do Brejo, a história do homem que se casara há pouco tempo, e que foi assassinado num dia em que decidiu roubar lenha a um vizinho é das mais enfatizadas. Até porque podia ser vista uma foto dele com a sua jovem viúva na exposição. – “Naquela

altura era assim que se resolviam os assaltos. Era casado com a mãe da Florinda, que também está aqui naquele retrato. Parece que passados oito dias do casamento deu-se o caso de ter sido morto a tiro. Foi buscar uma carga de lenha à Ameixoeira. O caseiro que lá estava foi quem o matou”. Uma história do imaginário da aldeia. A viúva casou mais tarde com “o Augusto”. Mais rostos da

terra e das suas histórias são contados como a do “José Branco que morreu solteiro e que nunca casou”. Entre os que foram ver a exposição multiplicavam-se os comentários sobre os graus de parentesco entre os representados na mostra: a recordar os que já foram, e os que ainda restam. Adelina Pratas, viúva, lembra também a sua mãe retratada nesta exposição: “É assim, é a vida!”


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Opinião

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Porque é que a agricultura portuguesa teve em 2016 um dos piores resultados económicos da última década e meia? orque teve um dos piores Orçamento de Estado da última década. O Professor Avillez destacou no seu artigo de opinião publicado no www.Agroportal.pt em janeiro deste ano que, em 2016, a agricultura portuguesa apresentou um dos piores resultados económicos da última década e meia. Verificando-se uma abrupta quebra nestes resultados em 2016, quando comparados com a média dos resultados neste período, ela resulta ainda mais acentuada por comparação com o ano de 2015. Nesse mesmo artigo o Professor descortina também a aparente contradição de uma publicação do INE que, em termos um tanto simplistas, referia que o rendimento dos agricultores tinha crescido apesar dos maus resultados registados para o setor em 2016. Da análise efetuada pelo Professor ressaltam, de uma forma sintética, desde logo duas conclusões: primeiro, a Agricultura teve efetivamente piores resultados em 2016 porque produziu menos e vendeu menos; segundo, o crescimento do rendimento na atividade agrícola foi meramente aparente, porque resultou apenas do facto de o pagamento das ajudas diretas da PAC de 2015 ter resvalado para 2016. Ou seja, um crescimento desastroso, disfarçado apenas por uma aleatória incompetência administrativa. E porque é que 2016 foi o pior ano na última década? A resposta parece-me simples: porque à agricultura foi atribuído um dos piores Orçamentos de Estado (OE) da última década. Claro que existem outros fatores, como 2016 ter sido um mau ano agrícola, o que explica, em parte, as quebras verificadas na produção de alguns produtos agrícolas, e no valor obtido, mas ressalta à evidência que a quebra de apoio ao investimento foi o fator predominante. Este foi o pior orçamento sim, porque efetivamente, em 2016, o Governo reduziu em mais de um terço a verba que normalmente era colocada na componente nacional do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR). Em 2016, o Governo afetou apenas 65 Milhões de Euros ao PDR em vez dos 100 Milhões de Euros que nos anos anterio-

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res lhe estavam afetos. Foi a primeira redução de verbas do OE para a agricultura, depois de 5 anos seguidos de estabilidade. Esta acentuada diminuição das

acrescidas na aprovação de projetos e aumentaram os “chumbos” das candidaturas e nos pedidos de reembolso de despesas em projetos de investimento no PDR. São comporta-

pesas em tempo útil. Tudo isto foi mau, mas ainda foi pior se tivermos em conta que em 2016 era suposto ter havido um aumento de OE para o PDR para fazer face ao aumento es-

em Governação, verificou-se exatamente o contrário: não só não aumentou as verbas do OE destinadas ao sector, como ainda as diminuiu. E em vez de ter colocado 140 Milhões de Euros

verbas atribuídas pelo OE ao sector induziu uma espiral de consequências negativas, conforme passo a explicar nos próximos três parágrafos. Primeiro, a mais óbvia: houve menos dinheiro para apoiar o investimento, ou seja, para as explorações se modernizarem, e por isso, perdeu-se o crescimento económico; Segundo, foram introduzidas dificuldades administrativas

mentos administrativos geradores de entraves, que tendem a verificar-se quando há falta de dinheiro; Finalmente, os agricultores/investidores perderam a confiança. Ao verificarem logo no início do ano, que as verbas atribuídas pelo OE eram tão baixas, os agricultores pararam de investir, por precaução, com medo de não haver dinheiro para o reembolso das suas des-

petacular que houve de candidaturas às medidas agroambientais, a par com o ritmo de candidaturas que se verificava também nas restantes medidas do Programa. O Partido Socialista, pela pessoa de Capoulas Santos havia prometido pagar “com gosto” os 40 Milhões de Euros por ano que seriam necessários em consequência do aumento das candidaturas às medidas agroambientais. Mas já

no OE para 2016, o Governo colocou apenas 65! Ou seja, numa imagem ilustrativa, se o

José Diogo Albuquerque* PDR fosse um bolo, haveria uma fatia para as medidas agroambientais e outra para as medidas de apoio ao investimento. A fatia para as medidas agroambientais tinha que ser maior porque houve um aumento da procura (o que a meu ver é bom). E tudo estaria bem para a outra grande fatia do investimento se o tamanho do bolo tivesse aumentado, como era perfeitamente possível e merecido através de um aumento das verbas do OE disponíveis para o setor, uma vez que este estava claramente em crescimento. Mas aconteceu o contrário e, afinal, o bolo ainda diminuiu! Ou seja, foi sacrificada a fatia do investimento e foi sacrificado o setor. A sensação que, em 2016, houve um levantar do “pé no acelerador” no setor agrícola, é agora comprovada pelos números. Os números não mentem e, tal como a verdade, acabam por se sobrepor à visão turva da politiquice e aos exercícios de justificação e passa culpas. O ano de 2016 foi o pior ano agrícola da década porque teve o pior Orçamento da década. * Administrador do Agroportal e Consultor


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O Apelo da Solidariedade ¢ Sílvia Agostinho ão histórias de pessoas extraordinárias para quem a palavra Solidariedade é uma forma de estar na vida. Há anos que se dedicam a causas diversas, e não existe cansaço em continuar a ajudar o outro. Fomos descobri-las Lurdes Assunção, de Vila Franca de Xira, está à frente da Liga dos Amigos do Hospital de Vila Franca de Xira mais conhecido por batas amarelas, e que consiste num grupo de voluntárias que de segunda a sexta funcionam como um ponto de apoio e de obtenção de informação aos doentes e às visitas que todos os dias se deslocam em grande número àquela unidade hospitalar. Depois de também ter tido um problema de saúde, sentiu o chamamento do voluntariado já lá vão muitos anos. Quase todos os dias está no hospital de Vila Franca, e uma vez por semana cumpre o mesmo tipo de função no Instituto Oncológico Português. Há 32 anos que é voluntária na Liga Portuguesa contra o Cancro. No antigo Hospital Reynaldo dos Santos, começou a criar um pequeno grupo de voluntárias, que foi bem acolhido pelos antigos diretores que acharam que podia ser uma boa ideia. Começou-se com “nove senhoras que fui chamar a suas casas, passo a expressão, e assim foi”. Quando surgiram há 25 anos atrás no hospital foi algo que despertou curiosidade, mas sobretudo “suscitou confusão junto de outros funcionários do hospital”. “As auxiliares ficaram com medo que lhes retirássemos o lugar, de tal maneira que engolimos muitos sapos, ouvimos muitas bocas, mas progressivamente foram compreendendo o nosso trabalho”, explica, suscitando – “Com certeza que teriam capacidade para fazer o que nós fazemos, mas tendo em conta outros afazeres do seu trabalho, teriam à posteriori menos

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tempo para o doente”. Hoje a desconfiança dissipou-se “e percebem a importância do nosso trabalho”. No início, o grupo apenas desempenhava a função de guias e de encaminhamento para as diferentes valências, mas atualmente prestam ainda o simpático serviço de disponibilização de um pequeno lanche a quem o desejar: café com leite, chá, bolachas, sandes, através de um carrinho que vai percorrendo as salas de espera e nalguns casos o internamento. Para esta voluntária como para outras do hospital a sensação de ouvir um “Obrigado” ou um: “Se não fossem aquelas senhoras da bata amarela” vale por todos os esforços e horas dispensados ao voluntariado. Por outro lado, o grupo tem sido bem recebido na nova ala de psiquiatria no hospital, onde o apoio emocional que consegue dispensar aos doentes tem sido importante. Esta valência tem 22 camas, e tratando-se de um novo serviço tem levado à reflexão sobre as questões da saúde mental. Lurdes Assunção refere que as depressões e a bipolaridade são o motivo de muitos desses internamentos. “O nosso grupo organiza sempre uma festinha para eles no Natal”. Fátima Nunes, também voluntária do grupo, junta-se à conversa e refere que aqueles doentes “precisam muito mais de conversar do que os outros internados”. Diz Lurdes Assunção que a larga maioria dos que se deslocam ao hospital prima pela simpatia, “mas de vez em quando lá vem um ou outro mais antipático, que nos trata com desdém, muitas vezes porque não sabe qual a nossa função”. Já quanto a quem chega de novo para prestar o serviço de voluntariado neste hospital, recebe acompanhamento durante os primeiros dias por parte de uma colega das batas amarelas para se ir ambien-

tando ao espaço. Os novos voluntários que chegam devem estar de alma e de coração na tarefa mas há quem se aproveite da Liga dos Amigos do Hospital de Vila Franca de Xira para conseguir, após uns dias nas batas amarelas, uma vaga de emprego como auxiliar na unidade de saúde em causa, e nessas alturas “perde-se o espírito de voluntariado”. Quem deseje fazer parte do grupo, tem de preencher um questionário, e normalmente há quem seja logo direto. “Houve um senhor que disse que queria perceber mais de higiene e segurança no trabalho, ou seja queria servir-se”. Tendo em conta a mudança para o hospital novo, refere que “muitos criticam, mas regra geral as pessoas ficaram contentes, e valorizam o novo espaço”. Histórias de doentes que a sensibilizaram tem algumas, mas na sua memória ficam especialmente as que experienciou no IPO e com as crianças internadas. “Bastante marcantes”, refere. “Lembro-me de uma menina que lá estava, e que quando foi à capela daquele hospital e viu o padre a dar a hóstia, disse que também queria uma pastilha”, descreve. Ângela de seu nome, sobreviveu à doença. Lurdes Assunção recorda que era “uma malandra de quatro ou cinco anos porque tinha um cancro num olho, e tirava a prótese escondendo-a. As enfermeiras andavam à procura desesperadas”. De resto, o ambiente no local “é sempre demasiado frágil e de grande sofrimento”. Regressando ao hospital de Vila Franca estão neste momento cerca de 30 voluntárias, mas chegaram a ser 70. Para Lurdes Assunção, há regras que têm de ser cumpridas, e algumas pessoas “demonstram dificuldades em acatar”. “No antigo hospital havia muita confusão, e rebaldaria, sobre

Lurdes Assunção já leva decadas de voluntariado quem podia estar em determinado espaço ou não. Mas no novo hospital as regras são mais apertadas, e temos de acatar ordens superiores quanto a essa matéria”. Por outro lado, é explicado aos voluntários que “não usufruem de benesses”, o que em parte pode explicar o decréscimo no número de voluntários. “Dizem que tenho mau feitio, mas tem de haver regras”, alude. A relação com a administração “é excelente”. Este grupo recebe um apoio mensal de 800 euros para colmatar o facto de neste hospital já não poderem explorar uma pequena cafetaria como acontecia no antigo. Essas verbas bem como outras que angariam através de

vendas de doces na Feira de Outubro, quotizações, e cabazes de natal são reinvestidas na aquisição de bens alimentares para os doentes com carências económicas quando recebem alta, ou na compra de material ortopédico. Recentemente foram dadas por estas voluntárias umas botas ortopédicas a uma menina da Guiné que custaram 200 euros. O drama dos doentes abandonados nos hospitais é uma realidade um pouco escondida mas que começa a ser falada. Lurdes Assunção e a sua colega referem que também na unidade de Vila Franca isso acontece sobretudo com idosos. “No inverno abrem uma ala especial para essas pessoas cujos

familiares não os vêm buscar, ficando a aguardar pela intervenção da Segurança Social”. Quando se vão embora “choram mas outros estão demasiado debilitados para isso”. Lurdes Assunção recorda que durante os sete anos em que fez voluntariado no Hospital de São José era sintomática a chegada de idosos às urgências à sexta, principalmente no verão, acompanhados dos familiares. “Passadas poucas horas iam-se embora, deixavam um número de telefone. Durante o fim-de-semana ninguém atendia, sinal de que era falso. E esses familiares só regressavam na segunda-feira. Sinal de que queriam estar à vontade sem incómodos.”


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Os sorrisos das crianças de África deram-lhe a certeza do voluntariado era Guerreiro é uma jovem que há muito se dedicou a esta causa, e a sua experiência ultrapassou as fronteiras do país e chegou até África no âmbito de iniciativas da Assistência Médica Internacional (AMI) e da Associação de Direitos Humanos. Hoje com 35 anos, lembra que tudo começou aos 26. Nessa altura e através da AMI foi até ao Senegal com outros voluntários onde se estabeleceu numa aldeia, em que tinha por missão ajudar a construir um centro de costura para as mulheres dessa povoação, com o objetivo de permitir às senegalesas a venda dos seus serviços de costura para ajudar no sustento da família, sem terem de se deslocar para a cidade. Para Vera Guerreiro, a experiência naquele país africano, “serviu de ponto de partida” para o seu envolvimento no voluntariado e na solidariedade. O toque de África como lhe chama e a perceção da pureza das pessoas, deixou-lhe marcas. Ia com as expetativas muito altas, “e mesmo assim foram superadas”. No fundo resultou como a confirmação de que “tinha de continuar a fazer algo no

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ramo da solidariedade”. Desta primeira passagem pelo continente africano diz que ficou com histórias mais felizes e outras mais tristes na memória. “Lembrome de uma história de uma mãe que ia ter bebé e havia uma grande expetativa entre os voluntários, mas infelizmente o bebé acabou por não sobreviver ao parto. Ficámos muito tristes porque se gerou uma grande ansiedade, porque já pensávamos em nomes e padrinhos, mas a vida é assim”. Mas também houve casos como o do Facari, um menino mais expedito que queria vir-se embora connosco e escondeu-se no autocarro à espera de seguir viagem com os voluntários, “mas infelizmente não o pudemos trazer”. O Senegal era mais pobre do que imaginava, mas não voltou lá. Depois passou pelo Quénia, “onde a pobreza é ainda mais acentuada” numa experiência semelhante à que viveu no Senegal. Vera Guerreiro, que reside no Cartaxo, abraçou em 2012 uma causa que também se relacionava com o envio de bens para São Tomé e Príncipe, através da realização de jantares temáticos na

sua casa, organizados em conjunto com uma amiga, em que cada um pagava o preço que entendesse. A partir daí foi possível adquirir material escolar, roupa, e brinquedos entregues no final desse ano. A experiência resultou, e Vera Guerreiro e um grupo de amigos fundou a CLR Projects, a par com a CLR África. Isto porque “também percebemos que era um grande erro se apenas nos limitássemos a ajudar os outros, e não procurássemos ajudar os portugueses”. A partir do Cartaxo, o projeto estendeu-se a outras partes do país, onde uma rede de voluntários tenta ajudar os mais desfavorecidos. A CLR Projects existe como associação há seis anos, e como organização não-governamental (ONG) há três. A associação colabora com os centros de acolhimento temporários de crianças, distribuídos de norte a sul do país, incluindo ilhas, a nível de higiene, alimentação, obras. Acompanha ainda uma bolsa de famílias em SOS mensalmente, garantindo que “não falta comida nem higiene”. A CLR Projects pretende também fornecer orientação em ter-

Com uma turma de surdos-mudos na Assomada na ilha de Santiago em Cabo Verde mos monetários e de procura de trabalho a essas pessoas com o intuito de que “possam seguir o seu caminho”. Organizar a partir do Cartaxo toda uma logística não é fácil até porque vive do trabalho dos voluntariados que “estão de

alma e coração no projeto”. “Também tentamos não dar o passo maior do que a perna, tendo em conta que nesta altura gostávamos de estar a ajudar Moçambique, mas seria necessário termos uma equipa maior, pode ser que

seja possível um dia”. Para esta voluntária, a solidariedade deve ser um princípio a ser incutido desde cedo nas crianças, “porque hoje são outros, amanhã podemos ser nós, ou os nossos familiares.”


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Valor Local

O bichinho do voluntariado e das tampinhas lice de Jesus, 55 anos, esperou pelo tempo da pré-reforma para se dedicar a uma causa de solidariedade, mas conta que era um sonho antigo seu. Por falta de tempo foi adiando, mas uma vez com mais disponibilidade não hesitou e inscreveu-se no Banco Local de Voluntariado da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos. Uma vez por semana podemos encontrar esta voluntária na Loja Social do município, mas a sua grande paixão tem a ver com a Tampinha Solidária. Trata-se de um projeto que evoluiu para IPSS, e do qual fala com o coração ao pé da boca. Ajudar crianças e jovens com necessidades especiais através da recolha de tampinhas de plástico com vista à aquisição de material ortopédico e ajudas técnicas é algo que tem preenchido e envolvido os seus dias. Há dois anos que integra o banco local de voluntariado, e as expetativas “em parte foram cumpridas, porque há sempre coisas que não são bem aquilo que esperávamos”, refere, ilustrando com os casos de pessoas que não primam por serem bemagradecidas. “Mas faz parte da vida”. Quando trabalhava numa instituição bancária em Lisboa já era conhecida como a colega que colecionava tampinhas para as campanhas existentes no país, por isso o projeto “Tampinha Solidária” assenta-lhe que nem uma luva. A “Tampinha Solidária” é uma instituição sedeada no concelho, e que a partir de Salvaterra abraçou o resto do país, contando com uma logística bem oleada de recolha de tampinhas em diversos pontos, e ajudando crianças e jovens também oriundos de várias localidades de Portugal. No concelho, Alice de Jesus que reside em Salvaterra conta também com diversos pontos de

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Alice de Jesus passa um dia por semana na Loja Solidária entrega de tampinhas. O passapalavra neste aspeto é muito importante, “até porque muitos não conhecem a tampinha”. A instituição tem como parceira a Ecolezíria em que existe um acordo baseado na entrega de cerca de quatro toneladas por mês “para se assegurar que o valor também corresponda aos objetivos da tampinha”. A “Tampinha Solidária” apenas se compromete com material no âmbito das denominadas ajudas técnicas como cadeiras de rodas, andarilhos, entre outros, não estando habilitada a doar valores mo-

netários. Sempre que alguém deseje ter a ajuda da tampinha fica desde logo a saber o número de toneladas que é preciso, e a partir daí pode arrancar com uma campanha para o efeito, sempre com a ajuda da IPSS. Quando uma campanha consegue angariar mais do que o necessário para determinada ajuda técnica pode doar a outrem que também necessite o remanescente. A palavra Solidariedade muitas vezes comprometida também conhece alguns exemplos notáveis, e na Tampinha Solidária há

vários. “Tivemos o caso de uma transportadora (que também é solidária) que se ofereceu para emprestar um camião para ir carregar tampinhas para ajudar uma criança do Seixal”. Desde que está na “Tampinha Solidária” que entre 20 a 30 crianças foram ajudadas. Muitos casos a sensibilizaram, nomeadamente, o de uma menina de sete anos cujos pais já divorciados, e “com imensas dificuldades” tinham ao mesmo tempo “uma vontade muito grande” de conseguir apoio para essa criança. “Necessitava de cadeirinha, de um aparelho para lhe endireitar as costas, e essa mãe que era muito empenhada, tinha imensas dificuldades, apenas trabalhava em part-time, e havia mais filhos para sustentar”. Além disso possuía “todo o tipo de limitações a nível de deslocações para vir trazer as tampinhas. Nós é que as íamos buscar. Sensibilizou-me imenso. Demorou muito tempo a arranjar as tampinhas, mas conseguimos”. Depois de asseguradas as toneladas suficientes para se conseguir trocar as tampinhas pelos valores correspondentes às ajudas técnicas, o trabalho não é fácil. Não basta apenas enviar. Antes há toda uma tarefa exaustiva de separação, pois nem tudo

pode ser destinado à reciclagem. A “Tampinha Solidária” encaminha plástico, cortiça, ferro, papel, e papelão, e neste aspeto “uma peça de metal não pode ir junto com as tampinhas”. Quando o camião é descarregado na fábrica passa por um detetor de metais, e se porventura dentro de algum saco vai uma peça de metal com as tampas, é imediatamente rejeitado. A instituição recebe também papel usado. Uma carrinha da “Tampinha Solidária” anda na recolha das tampinhas e outros materiais, e com circuitos previamente estudados. A ajuda é dada independentemente da condição financeira dos pais. Nos caminhos da solidariedade também há alguns espinhos – “Temos pessoas que vêm até nós, entendem a colaboração, colaboram e usufruem mas nem tudo é cor-de-rosa, porque também há quem não seja de uma confiança extrema, e há quem se aproxime da tampinha para fazer negócio. Deu-se o caso de um pai que queria vender uma tonelada remanescente e ficar com 800 euros, mas o estatuto da empresa impede doações em dinheiro, apenas em géneros”, como “consultas, fraldas, medicamentos”. Não se tratando apenas de material ortopédico. Ine-

vitavelmente “há quem ache sempre que a tampinha também lucra com a solidariedade, mas não nos deixamos desmoralizar. No meu caso apaixonei-me pela tampinha”. No âmbito da Loja Solidária, a experiência de Alice de Jesus também tem tido o seu lado profícuo. O concelho tem revelado muitos casos sociais e a loja acaba por ser uma ajuda importante para muitas famílias desempregadas. De algo, a voluntária tem a certeza – “A linha entre uma vida estável e confortável financeiramente e a pobreza; e não ter o que dar de comer aos filhos, é mesmo muito ténue”. Na loja social conseguiu presenciar casos de quem há pouco tempo dificilmente se imaginaria nesta posição. Também aqui há quem seja mais e menos bemagradecido, mas cita em especial o caso de um senhor que teve necessidade de recorrer à loja porque ainda não tinha começado a receber a sua reforma, e depois de estabilizar novamente a sua vida, tornou-se voluntário na loja. Esta é uma “bela lição de vida”, na sua opinião. Quanto a si vai continuando a colaborar enquanto puder nestes dois projetos, até porque o bichinho do voluntariado veio para ficar.


Valor Local

Destaque

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Piedade Salvador: A Senhora das Causas uando se fala em solidariedade o nome de Piedade Salvador é incontornável na região. Desde sempre associada a algumas iniciativas que tiveram lugar ao longo dos anos, ainda está na memória de muitos os concertos, e toda a uma série de meios de angariação de fundos que a poetisa de Samora Correia empreendeu para ajudar, por exemplo, a jovem Vânia Correia que ficou tetraplégica depois de um acidente de trabalho. Mas muitos outros foram ajudados por esta senhora das causas, sempre com o apoio inexcedível das várias rádios da região que a foram apoiando nas suas diversas empreitadas. Hoje, com 67 anos admite que é “uma chorona por natureza”, e tudo começou há 20 anos atrás, quando tentou ajudar um rapaz de Samora Correia “que andava desenganado pelos médicos”. Tinha leucemia e conseguiu sobreviver. Mas até conseguir sair do hospital, recebia as visitas da mãe que não podiam ser feitas com a regularidade desejada, “e aquele moço que adorava trabalhar, apenas queria ter a mãe a seu lado”. “Decidi por as rádios a trabalhar para me ajudarem, através das emissoras Iris Fm, Voz de Alenquer, Marinhais, Ribatejo, e a Ateneu. Conseguiu-se angariar a verba neces-

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sária para a mãe ir vê-lo todos os dias”. Piedade Salvador nesta altura já recitava poesia aos microfones das rádios da região. A onda de solidariedade para com o jovem “foi enorme”. Para além das verbas terem dado para as deslocações da mãe ao hospital, ainda se conseguiu “comprar uma televisão para quando regressasse a casa”, bem como “mais mil contos (ainda no tempo do escudo) para depósito numa conta para ele”. Esta campanha que envolveu espetáculos em vários locais “rendeu uns bons dinheirinhos, sobretudo o que foi realizado no Ateneu de Vila Franca, e quando já havia três ladrões à nossa espera para nos roubarem as verbas angariadas”, recorda-se. Valeu a ajuda da polícia “que os conseguiu dispersar”. De regresso a Samora, vinha com o coração nas mãos. Seguia no mesmo carro com familiares do vizinho dente, até porque nestas coisas “não quero ficar com a responsabilidade total do dinheiro, e levo sempre comigo as pessoas mais próximas de quem estamos a beneficiar com os diversos espetáculos”. Apenas quando “deixei esses familiares à porta de casa é que respirei de alívio, até lá vinha assustadíssima com o episódio dos ladrões. Valeu a intervenção das forças de segurança”; conti-

nua a recordar. Seguiu-se a campanha de solidariedade para com o caso de Vânia Correia que ficou tetraplégica, em 2003, na sequência de um acidente de trabalho. Nos anos seguintes Cuba ganhava fama como a nova meca da medicina e da fisioterapia, e Piedade Salvador voltou a arregaçar as mangas. Os diversos espetáculos que organizou deram para pagar alguns tratamentos e deslocações. A campanha revestiu-se de cartazes por todo o lado, e de donativos particulares. “Lembro-me de um presidente de junta ter contribuído a título pessoal, e de um senhor que de uma só vez ofereceu 500 euros”. A conta ao número de espetáculos perdeu-se tal a intensidade que o caso atingiu por se tratar de uma jovem com 20 e poucos anos. Os artistas sempre atuaram gratuitamente, e a eles Piedade Salvador confessa que lhes deve muito. A ainda pouco conhecida, na altura, Ana Moura veio a Samora Correia cantar para a causa de Vânia Correia. Piedade Salvador não se lembra do total da verba angariada, mas em entrevista ao nosso jornal, em 2015, a própria Vânia Correia referiu-nos que rondou os 25 mil euros. A jovem melhorou o seu estado de saúde. Hoje consegue andar, embora de forma muito condi-

A poetisa está sempre disponível para ajudar os seus conterrâneos e não só cionada, com recurso a ortóteses e a um andarilho, sendo que normalmente prefere a cadeira de rodas. “Sempre enfrentou a vida com uma coragem extraordinária que dá para dar e vender às outras pessoas”, constata Piedade Salvador, acrescentando que ainda tem contacto frequente com Vânia Correia. Logo a seguir seguiu-se o apoio a Manuel Falua, maqueiro no Hospital de Vila Franca, também de Samora Correia, que ficou, entretanto, sem as duas pernas por complicações a nível do seu estado de saúde. Precisava na altura de uma plataforma elevatória para conseguir vencer os degraus de acesso

à sua casa. Fizeram-se espetáculos também, mas sem se adquirir a plataforma, porque entretanto deu-se a perda do outtro membro inferior. Em Coruche, o nome de Piedade Salvador está ligado a outra campanha, desta vez para ajudar uma amiga com uma filha com trissomia 21 que abriu uma escola para crianças com necessidades especiais daquele tipo, e como as professoras estavam em risco de ficar sem o ordenado, conseguiuse “através de alguns concertos encontrar-se a verba necessária”. Nos últimos tempos está entregue à campanha que visa angariar fundos para as obras de beneficência da Igreja Matriz de Samora Cor-

reia. O restauro do interior está orçado em 1 milhão 200 mil euros, implicando a recuperação da talha dourada e da azulejaria. “Há que haver muitos eventos, almoços, e espetáculos, para se conseguir alcançar os 80 mil euros apenas da parte da comissão”. Será “muito difícil mas temos de conseguir”. A restante verba é assegurada pelo município de Benavente e pelos fundos da União Europeia. “O mundo está muito desumano, e o que me toca vou escrevendo, para libertar um pouco o que sinto, e por isso sinto que tenho o dever de ajudar sempre que me pedem”, conclui desta forma a sua vida em torno da solidariedade.


Política

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Valor Local

Rui Corça fala em maioria absoluta candidato da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, Rui Corça, considera que todas as pessoas que não votam habitualmente, se o fizerem no próximo ato eleitoral, a Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra poderá conseguir a maioria absoluta. Rui Corça falava durante um discurso proferido num jantar do PSD que decorreu em Aveiras de Cima com a presença do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Rui Corça aproveitou a casa cheia para apontar críticas ao executivo socialista “que há mais de trinta anos governa o concelho” sem que, na opinião do candidato “tenha mudado alguma coisa”. Corça comparou a Câmara a uma empresa, e indagou os presentes: “Quantos votariam num conselho de administração de uma empresa que é vossa; que passa três anos a empatar, para depois apresentar obras no último ano de mandato?”. Para o candidato “ao fim de 30

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anos estão demasiados acomodados para mudar seja o que for”. Sendo que “os interesses que defendem são os deles, e como já disse na minha apresentação, estão demasiado ocupados a discutir quem será o próximo candidato, achando que vão ser novamente poder”. Rui Corça que tem o apoio de Pedro Passos Coelho nesta candidatura e também das estruturas locais e distritais, apelou à conquista da confiança, não só das pessoas presentes na sala mas também da restante população. Pois se “conseguirmos conquistar para o nosso projeto um terço daqueles que não votam, nós ganhamos a próxima eleição com maioria absoluta”. Pedro Passos Coelho que enfatizou as qualidades de Rui Corça, sublinhou também ter a certeza que este será um bom presidente de Câmara. “O Rui é alguém que soma valores e pode acrescentar valores, sobretudo numa autarquia que tem vindo a perder valores há muitos anos”.

Candidato comaprou Câmara a empresa que funciona mal

Nelson Lopes apresenta-se à Junta de Samora Correia salão nobre da Junta de Freguesia de Samora Correia encheu para conhecer a lista

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liderada por Nelson Lopes que concorre aquele órgão autárquico local.

O atual técnico de comunicação da empresa Águas do Ribatejo quis dar a conhecer as razões

Candidato falou nos interesses ocultos no concelho

que o levaram a aceitar este desafio e que tem o apoio do PSD local, que espera com esta candidatura conquistar esta freguesia do concelho de Benavente. Nelson Lopes diz encarar esta candidatura com transparência ao mesmo tempo que aponta o dedo aos atuais dirigentes comunistas que lideram o concelho e a freguesia há muitos anos. Polémico, pragmático e fontal, Nelson Lopes salienta que quer um mandato pautado pelo rigor e transparência, ao mesmo tempo que assume que, em várias ocasiões, já pediu desculpa depois de se ter excedido em algumas trocas de palavras mais acaloradas. Mas sobre isso diz faltar-lhe um filtro entre o coração e a boca, já que assume viver intensamente a terra onde nasceu.

Bruno Nepomuceno candidato à freguesia de Benavente O PSD Benavente deu também a conhecer o candidato à assembleia de freguesia da sede de concelho. Trata-se de Bruno Nepomuceno, natural de Benavente, 42 anos. É designer e publicitário desde 2004. Sendo também formador na área do desenho. Desempenha funções como vice-presidente da comissão política do PSD Benavente. Exerceu funções enquanto vereador na Câmara Municipal de Benavente de 2006 a 2009. No capítulo da sua ação enquanto cidadão: é vogal nos Bombeiros Voluntários de Benavente. Pertence ao Grupo Desportivo

de Benavente - Secção de Ciclismo e ao Moto Clube Almansor. A apresentação decorre esta quinta-feira, 23 de fevereiro, pelas 21h, no auditório da Junta de Freguesia de Benavente.

Bruno Nepomuceno

PS dá a conhecer candidatos às juntas do concelho de Benavente ílvio Monteiro é o cabeça de lista escolhido pelo PS de Benavente para a junta de frguesia de Samora Correia. A informação foi avançada através de um comunicado da concelhia local aos OCS regionais. Sílvio Monteiro tem 43 anos é mestre em Psicologia Comunitária. Segundo o comunicado a sua experiência profissional na

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área da saúde e ação social, “é uma mais-valia para o trabalho comunitário e de proximidade que pretende desenvolver como Presidente da Junta de Freguesia”. Para o PS “o seu conhecimento profissional em lidar com as pessoas, faz do nosso candidato uma pessoa bem preparada para lidar com os problemas da população e encontrar as me-

lhores soluções” e acrescenta que o candidato “dá garantias de estabilidade e de continuidade do trabalho social que é necessário desenvolver, junto das populações”. Carlos Pedro Pinheiro, 43 anos licenciado em Tecnologia e Gestão Industrial, consultor e supervisor é, por sua vez, o candidato pelo PS à Assembleia de Freguesia de Benavente.

Carlos Pedro “candidata-se pelo seu amor à terra e por sentir que pode fazer mais e melhor pelas populações”, refere o PS em comunicado. Depois de ter acumulado experiência profissional e pessoal no estrangeiro (Suécia, Noruega, França, Bélgica, entre outros) deparou-se com “a necessidade de ver a sua terra evoluir para patamares de maior qualidade”.

Sílvio Monteiro

Carlos Pinheiro


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Política

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Prestação de serviços do Gestor de Inovação alvo de polémica executivo municipal de Azambuja aprovou numa das últimas reuniões de câmara, com os votos a favor do PS (3) e do vereador Herculano Valada, eleito pela CDU, que vota ao lado do Partido Socialista; a abstenção (1) da CDU e os votos contra (2) da coligação de centro-direita, a permanência de Rui Pinto à frente do projeto “Construir o futuro em torno da inovação- Gestão da Inovação”. O designado gestor da inovação continuará as suas funções relacionadas com o empreendedorismo local, e os contactos com as empresas, contudo a sua recondução para mais um ano de prestação de serviços no valor de 9720 euros (no total dos 12 meses) foi alvo de polémica, porquanto a oposição considera que

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ainda está por provar a mais valia da figura “gestor da inovação” e o desempenho de Rui Pinto. António Jorge Lopes, da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, referiu-se a Rui Pinto como o “sujeito”, aludindo que o mesmo “ainda não prestou as devidas provas sobre o que anda a fazer”. Para o vereador, o gestor da inovação é antes de mais “um comissário político da Câmara”. A Coligação considera que o mesmo não mediu devidamente as palavras quando em entrevista ao Valor Local em novembro de 2015 se mostrou indignado com a forma como a oposição olhava para o presidente da Câmara, Luís de Sousa, na sua relação com o tecido económico e a sua linha orientadora para o desenvolvimento do

concelho. António Jorge Lopes exortou o presidente da Câmara a trazer Rui Pinto a uma sessão camarária e dar a conhecer o seu trabalho, “quem sabe nessa altura até lhe daremos mérito pelo que anda a fazer”. Luís de Sousa em resposta ao vereador da oposição criticou a expressão “comissário politico” referindo que Rui Pinto está muitas vezes na Câmara a trabalhar e que tem feito “um bom trabalho” no contacto com empresas e outros agentes, sendo por isso “uma pessoa que merece o dinheiro que está a auferir”. O vereador da CDU, David Mendes, por seu turno gracejou perante a informação de que Rui Pinto tem sido alguém muito ativo com muitas redes de contacto - “O gestor da inovação

Rui Pinto tem estado debaixo de fogo pela oposição mais parece um traficante de influências”, denotando que deverá ser alguém “que terá muitos méritos para merecer a confiança do presidente da Câmara”. Para além

disso, “é sempre bom trabalhar com os amigos contrariando aquela velha máxima que junto de nós devemos ter os nossos inimigos”. Junto de Rui Pinto, o Valor

Local conseguiu saber que o gestor da inovação marcará presença numa das próximas reuniões públicas onde pretender dar a conhecer o seu trabalho.

PS de Azambuja: Candidato à Câmara cada vez mais embrulhado inda não está decidido quem será o candidato à Câmara do Partido Socialista, apesar de Luís de Sousa já o ter anunciado publicamente. Nesta altura está já marcada para o início do mês de março uma reunião na concelhia de Azambuja para tentar que Luís de Sousa e Silvino Lúcio cheguem a um acordo quanto à lista concorrente á autarquia. Recorde-se que nesta altura o

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Cartoon: Bruno Libano

candidato indigitado pela concelhia de Azambuja é Silvino Lúcio, que apresentou uma lista alternativa a Luís de Sousa na comissão política local por não aprovar o nome do atual presidente da Assembleia Municipal de Azambuja, António Matos, como número dois, na lista apresentada por Luís de Sousa. Nessa reunião, Luís de Sousa perdeu para Silvino Lúcio o apoio da concelhia, por 8 votos contra 13 de

Silvino. Todavia as indicações do partido ao nível nacional são claras e este apoia a recandidatura de qualquer autarca que esteja possibilitado de o fazer. Com dois candidatos a FAUL - Federação da Área Urbana de Lisboa e a comissão política nacional tiveram de intervir e neste momento as negociações estão a ser lideradas por Marcos Perestrello presidente da FAUL.

O Valor Local sabe que a distrital de Lisboa quer resolver o assunto quanto antes. A exposição na praça pública destes desencontros pode não estar a ser benéfica em termos eleitorais para o PS de Azambuja. Mas por outro lado o PS nacional quererá impor a Azambuja a colo-

cação de mulheres nas atuais listas como forma de preencher os critérios da paridade e isso poderá custar o lugar a Silvino Lúcio que só aceitaria voltar às listas de Luís de Sousa se fosse em segundo lugar, ou a António José Matos que estaria indicado para o lugar por Luís de Sousa mas cujo lugar nu-

mas possíveis listas é para já uma incógnita face à contestação de alguns militantes. Os órgãos nacionais e de Lisboa do PS envolveram-se nesta situação com esperança que se consiga um entendimento e que tal não belisque a votação das próximas eleições no partido socialista.

Luís Otero é o candidato da Coligação à junta de freguesia de Azambuja epois de ter concorrido com independente nas eleições de 2013 para o mesmo órgão autárquico, o empresário azambujense integra agora as listas da Coligação pelo Futuro da Nossa Terra. Nas palavras de Rui Corça, candidato à Câmara de Azambuja, Otero “representa o melhor que a cidadania ativa azambujense tem para dar à política local: seriedade, energia e sangue novo”. De acordo com o comunicado da Coligação, “revelou mostras de total compromisso com os cidadãos ao estar atento aos principais problemas da freguesia de Azambuja”. O candidato será apresentado publicamente em data a divulgar.

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Pedro Pereira é candidato do PS à Câmara de Benavente atural de Samora Correia, 39 anos, Pedro Pereira é o cabeça de lista à Câmara Municipal de Benavente. A decisão foi tomada, por unanimidade, pelo secretariado e comissão política concelhia do Partido Socialista. Pedro Pereira destacou-se, nos últimos anos, como um dos principais opositores à gestão comunista no município, sendo conhecidas as suas tomadas de posição em relação a diversos assuntos da gestão CDU. Licenciado em Administração Autárquica, trabalha há 20 anos na Câmara Municipal de Benavente, como técnico superior. No seu percurso salienta o facto de ter sido jogador das camadas jovens do Samora Correia e Sporting Clube de Portugal. Foi repórter e coordenador do desporto na Rádio Iris. Dirigente da SFUS, atualmente é presidente da mesa da Assembleia Geral da Sociedade Filarmónica União Samorense. É eleito na Assembleia Municipal de Benavente desde 2013 por aquele partido, sendo também presidente da comissão política concelhia do PS e membro da comissão nacional do Partido Socialista.

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Eventos

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Valor Local

Benavente aposta forte na primeira edição do Festival do Arroz Carolino e 19 a 21 de maio, decorre em Samora Correia a primeira edição do Festival do Arroz Carolino. Com múltiplos espaços de lazer e de degustação de um dos cereais mais apreciados pelos portugueses, o evento pretende marcar pela diferença no panorama de eventos da região, de acordo com os organizadores (Câmara Municipal de Benavente e Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo). O ano passado, o certame chegou a estar anunciado mas acabou por ser adiado pouco tempo depois. Neste festival são parceiras a Benagro e a Orivárzea, empresas ligadas ao cultivo e comercialização de arroz na região. O evento está orçado em 100 mil euros, e pretende cativar visitantes de todo o país, numa lógica de se trazer também “notoriedade ao arroz carolino, e afirmação ao concelho de Benavente”. Estas foram as ideias chave defendidas pelo presidente da Câmara, Carlos Coutinho, e Ceia da Silva, da ERT. O presidente da entidade

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de turismo aproveitou ainda para fazer saber que a candidatura do montado de sobro, deverá avançar para a sua classificação como património da Unesco em 2018. No terreno, a organização do festival está a cargo de uma empresa privada que deu a conhecer um pouco do que estará ao dispor do visitante nas datas já firmadas para o festival. O evento contará com uma tenda central, stands institucionais, espaço de produtos endógenos, artesanato, street food, lounge, zona infantil e palcos para concertos. Estão previstas as atuações de António Zambujo na sexta, dia 19, e The Gift no dia 21. O certame aposta ainda em debates sobre a temática do arroz e da agricultura. Destaque em especial para demonstrações de showcooking ao vivo em que o arroz assume o papel principal e não o de acompanhamento, bem como um restaurante a funcionar ininterruptamente onde os chefs convidados estarão a fazer os seus pratos.

Promotores apresentaram mais valias do certame

Samora Correia espera 50 mil foliões no Carnaval ma Enorme Palhaçada” com centenas de palhaços na noite de sábado na Praça da República é a principal inovação do Carnaval de Samora Correia que anima a cidade de 24 de fevereiro a 1 de março. A folia já mexe há meses com a prepara-

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ção dos carros alegóricos e dos figurantes que vão desfilar nas ruas A festa começa com o desfile das crianças das escolas e instituições, na sexta-feira, 24 de fevereiro, às 10h00. Os corsos com mais de uma dúzia de carros alegóricos e um milhar de figurantes

Carros alegóricos enchem as ruas

desfilam no domingo e terça-feira, às 15h30, e têm entradas grátis. O município de Benavente concede Tolerância de Ponto para a terça-feira gorda. Os reis do Carnaval 2017 só serão divulgados no sábado no mo-

mento da coroação e o convidado é o ator das novelas Nuno Pardal. As escolas de samba de Samora e Porto Alto prometem aparecer despidas de preconceitos para animar o sambódromo improvisado na avenida principal e ruas anexas.

O programa inclui os assaltos de carnaval com baile de máscaras. A organização espera mais de 50 mil visitantes nos cinco dias de folia que encerram com o enterro do Santo Entrudo na noite de quarta–feira de cinzas. O Carnaval de Samora mantém a

tradição para continuar a ser “O Melhor do Ribatejo”. A organização é da Associação Recreativa e Cultural Amigos de Samora (ARCAS) em colaboração com a Câmara Municipal de Benavente e a Junta de Freguesia de Samora Correia.

Desfile de Samora é um dos mais concorridos


Valor Local

Eventos

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Mês da Enguia: consolidação de um certame concelho de Salvaterra de Magos prepara-se para mais uma edição do “Mês da Enguia”. A iniciativa do município que conta com o apoio da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo percorre os restaurantes aderentes que segundo Hélder Esménio, presidente da Câmara, “são em maior número este ano”. Durante a apresentação desta iniciativa que decorreu no dia 21 de fevereiro, o presidente da Câmara

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fez questão de realçar os aspetos lúdico/musicais deste evento a par com as variadas exposições e com a feira do artesanato, ao mesmo tempo, que decorre a parte gastronómica nos restaurantes aderentes, que apostam cada vez mais em pratos alternativos ao conhecido ensopado de enguias. O autarca frisou que este evento dinamiza a economia local e ajuda também “à criação de volume de negócios e de emprego”, real-

çando que este certame gastronómico vai “muito para além de uma simples refeição”. Hélder Esménio frisou que, neste caso, a gastronomia é um pretexto para a divulgação de outros produtos. São os casos dos vinhos, da panificação, e do artesanato. Salvaterra promove também os produtores agrícolas locais, nomeadamente, ligados ao arroz que têm um papel importante neste certame que evoca a en-

guia. Hélder Esménio lembra que o Mês da Enguia comemora 21 anos de existência, ao mesmo tempo que o número de restaurantes aderentes bate recordes com 19 estabelecimentos onde a enguia será o prato forte. Esta é uma iniciativa transversal, em que segundo o presidente da autarquia “está envolvido todo o concelho de Salvaterra de Magos”, destacando as associações,

as coletividades, as tradições, os saberes e sabores de Salvaterra e onde “não falta a parte cultural” refere Hélder Esménio, que lembra que a Falcoaria foi considerada Património da Unesco no final do ano passado. Ceia da Silva presidente da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo elogiou o trabalho feito pelo município de Salvaterra e anunciou que estão em aprovação programas relacionados com

Vários parceiros da iniciativa

Enguias para todo os gostos

Lego Lovers chega a Benavente vila de Benavente recebe de 25 de março a 2 de abril a primeira edição do “Benavente Fan Event – For LEGO Lovers”. Trata-se de uma grande exposição de lego mas com uma componente lúdica e didática. A iniciativa que já percorreu muitas cidades do país, chega a Benavente para de forma solidária também ajudar os bombeiros locais que se associaram a esta atividade organizada pela Alfalug. Segundo a organização, a exposição vai incluir outros aspetos mais lúdicos como colchões de ar insuflável para os mais novos, e até alguma restauração para que o local seja aproveitado por toda a família, esperando atingir cerca de 30 mil visitantes. O local escolhido foi o Auditório Nossa Senhora da Paz. Mas só

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este espaço não chega e a organização já anunciou a colocação de uma tenda extra auditório. Segundo a organização, vão participar cerca de 20 construtores oriundos de vários pontos da região, sendo que o espaço usado para a exposição será de cerca de 2000m2 para cerca de cinco milhões de peças. Esta é uma iniciativa para toda a família, sendo que os preços começam nos dois euros e terminam nos oito euros e dão direito, segundo a organização, a um dia bem passado, garantindo que haverão surpresas e monumentos do concelho de Benavente recriados em lego. Segundo o presidente da Câmara, esta é uma iniciativa bem-vinda ao concelho de Benavente. Carlos Coutinho diz ter ficado im-

pressionado com o nível de perfeição das peças e da entrega dos construtores a estes projetos. O autarca salientou o apoio do município de Benavente à iniciativa, que tem também o caráter solidário de ajudar os bombeiros locais com alguma verba remanescente depois das despesas pagas. Para Carlos Coutinho esta é uma iniciativa importante para as crianças e não só, e por isso refere que o envolvimento do município só poderá ser total. “Também as escolas dos concelhos aqui à volta estão convidadas”, e reforça que “o feedback que temos dos locais onde esta iniciativa aconteceu é muito positivo”, vincando a dimensão desta exposição que se quer lúdica e didática.

Apresentação do evento

a promoção dos Caminhos de Santiago, entre outros. O responsável lembrou que o turismo religioso mudou ao ponto de mais de 90 por cento dos peregrinos “ficarem nos melhores hotéis e comerem nos melhores restaurantes”. Esta rota ao passar pela região poderá funcionar nas suas palavras como um ponto de expansão do turismo, salientando a necessidade de se encontrar mais alojamento.


Acisma

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Valor Local

Programa “Capitalizar” referencialmente Pequenas e Médias Empresas (PME), tal como definido na Recomendação 2003/361/CE da Comissão Europeia, certificadas pela declaração eletrónica do IAPMEI, localizadas em território nacional, que: • desenvolvam atividade enquadrada na lista de CAE definida pela Entidade Gestora da Linha; • não tenham dívidas perante o FINOVA; • não tenham incidentes não regularizados junto da Banca à data da emissão de contratação; • tenham a situação regularizada junto da Administração Fiscal e da Segurança Social à data da contratação do financiamento; • e que cumpram as condições definidas para cada uma das Linhas Específicas de seguida indicadas.

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Linha Específica ‘Micro e Pequenas Empresas’ Montante global: Até € 400 milhões, ajustável numa lógica de first come first serve, dos quais até 10% se destinam exclusivamente a empresas do setor primário. Empresas beneficiárias: Empresas certificadas por declaração eletrónica do IAPMEI como Micro ou Pequena Empresa (MPE), tal como definido na Recomendação 2003/361/CE da Comissão Europeia, que cumpram cumulativamente os seguintes requisitos: • Apresentem uma situação líquida positiva no último balanço aprovado; • Não tenham incidentes não regularizados junto da Banca, à data de emissão de contrata-

ção; • Tenham a situação regularizada junto da Administração Fiscal e da Segurança Social; • Apresentem um volume de vendas inferior a €10 milhões; • Resultados líquidos positivos em dois dos últimos três exercícios, ou dois anos de resultados positivos se a empresa tiver menos de três exercícios aprovados. Operações elegíveis: Operações destinadas a investimento novo em ativos fixos corpóreos ou incorpóreos ou ao reforço do fundo de maneio ou dos capitais permanentes, excetuando-se as operações de aquisição de ativos financeiros, terrenos, bens em estado de uso, bem como imóveis e viaturas ligeiras que não assumam o caráter de ‘meio de produção’ e veículos de transporte rodoviário de mercadorias adquiridas por transportadores rodoviários de mercadorias por conta de terceiros. No entanto, no âmbito da presente Linha, admite-se que as empresas beneficiárias que desenvolvam atividades enquadradas no setor primário, nomeadamente Agricultura, Pecuária, Silvicultura e Industrias Extrativas, possam adquirir terrenos e imóveis, bem como bens móveis sujeitos a registo desde que os mesmos sejam comprovadamente destinados à atividade produtiva da empresa. Linha Específica ‘Fundo de Maneio’ Montante global: Até € 700 milhões, ajustável com as demais Linhas Específicas numa lógica de first come first serve. Dos valores globais destas dotações,

até 10% destinam-se exclusivamente a empresas do setor primário. Empresas beneficiárias: Preferencialmente Pequenas e Médias Empresas (PME), tal como definido na Recomendação 2003/361/CE da Comissão Europeia, certificadas pela Declaração Eletrónica do IAPMEI ou outras empresas com um volume de negócios inferior ou igual a €150 milhões e que não integrem grupos empresariais cuja faturação consolidada seja superior a €200 milhões, que cumpram cumulativamente os seguintes requisitos: • Apresentem uma situação líquida positiva no último balanço aprovado; • Não tenham incidentes não regularizados junto da Banca, à data de emissão de contratação; • Tenham a situação regularizada junto da Administração Fiscal e da Segurança Social. Operações elegíveis: Operações destinadas a financiar necessidades de fundo de maneio. Linha Específica ‘Plafond de Tesouraria’ Montante global: Até €100 milhões, ajustáveis com as demais Linhas Específicas numa lógica de first come first serve. Dos valores globais destas dotações, até 10% destinam-se exclusivamente a empresas do setor primário. Empresas beneficiárias: Preferencialmente Pequenas e Médias Empresas (PME), tal como definido na Recomendação 2003/361/CE da Comissão Europeia, certificadas pela Declaração Eletrónica do IAPMEI ou

outras empresas com um volume de negócios inferior ou igual a €150 milhões e que não integrem grupos empresariais cuja faturação consolidada seja superior a €200 milhões, que cumpram cumulativamente os seguintes requisitos: • Apresentem uma situação líquida positiva no último balanço aprovado; • Não tenham incidentes não regularizados junto da Banca, à data de emissão de contratação; • Tenham a situação regularizada junto da Administração Fiscal e da Segurança Social; Operações elegíveis: São elegíveis operações destinadas exclusivamente ao financiamento das necessidades de tesouraria. Linha Específica ‘Investimento’ Montante global: Até €400 milhões, repartido entre duas dotações específicas, ‘Projetos 2020’ de €300 milhões e ‘Geral’ de €100 milhões, ajustáveis com as demais Linhas Específicas numa lógica de first come first serve. Dos valores globais destas dotações, até 10% destinam-se exclusivamente a empresas do setor primário. Empresas beneficiárias: Prefe-

rencialmente Pequenas e Médias Empresas (PME), tal como definido na Recomendação 2003/361/CE da Comissão Europeia, certificadas pela declaração eletrónica do IAPMEI, ou outras empresas com um volume de negócios inferior ou igual a € 150 milhões e que não integrem grupos empresariais cuja faturação consolidada seja superior a €200 milhões, que cumpram cumulativamente os seguintes requisitos: • Apresentem uma situação líquida positiva no último balanço aprovado; • Não tenham incidentes não regularizados junto da Banca, à data de emissão de contratação, • Tenham a situação regularizada junto da Administração Fiscal e da Segurança Social. Operações elegíveis: São elegíveis operações destinadas a: • Dotação ‘Projetos 2020’: financiamento de investimentos elegíveis no âmbito de projetos aprovados e contratados no âmbito do Programa Portugal 2020, nos termos da Portaria n.º 57A/2015, de 27 de fevereiro; • Dotação ‘Geral’: financiamento de investimento novo em ativos fixos, corpóreos ou incorpóreos, e aquisição de partes sociais de empresas que complementem a atividade. Excluem-se terrenos, bens em estado de uso, bem como imóveis e viaturas ligeiras que não assumam o caráter de ‘meio de produção’ e veículos de transporte rodoviário de mercadorias

adquiridas por transportadores rodoviários de mercadorias por conta de terceiros. No entanto, no âmbito da presente Linha, admite-se que as empresas beneficiárias que desenvolvam atividades enquadradas no setor primário, nomeadamente Agricultura, Pecuária, Silvicultura e Indústrias Extrativas, possam adquirir terrenos e imóveis, bem como bens móveis sujeitos a registo desde que os mesmos sejam comprovadamente destinados à atividade produtiva da empresa. Processo de Candidatura 1 - A empresa poderá consultar um ou mais Bancos Protocolados para iniciar o processo de candidatura à Linha de Crédito Capitalizar. O Banco analisa a operação, tendo em consideração a sua política de risco de crédito em vigor. Em caso de recusa da operação, bastará dar conhecimento da sua decisão ao cliente. 2 - Caso a operação seja aprovada pelo Banco, este enviará a proposta às Sociedades de Garantia Mútua para efeitos de obtenção de uma garantia, entre 50% a 70% do valor do financiamento, em função da Linha específica que se está a candidatar. Note-se que a operação é analisada pela Sociedade de Garantia Mútua tendo em consideração a sua política de risco de crédito em vigor. 3 - Após a aprovação da Garantia Mútua, o Banco submete a candidatura à PME Investimentos, a Entidade Gestora da Linha, para efeitos de enquadramento e do registo dos auxílios minimis. 4 - Obtida a confirmação de enquadramento, por parte da PME Investimentos, o Banco em articulação com as Sociedades de Garantia Mútua, procede à contratação da operação e disponibilização dos fundos à empresa.

Nota informativa desenvolvimento e necessidades do projeto da O parceria que deu corpo ao jornal “Valor Local” permitiu identificar algumas áreas de atuação que em última instância poderiam colidir com os objetivos da ACISMA, nomeadamente no tocante ao enquadramento de outras ações em que se encontra envolvida. Neste sentido, depois de análise aprofundada e acautelados os interesses em presença, foi acordado entre todas as partes que a ACISMA deixa de ter qualquer participação no projeto editorial deste jornal, quer em termos de propriedade quer em termos editoriais, agradecendo a colaboração prestada por todos os intervenientes neste processo e desejando felicidades para o seu futuro. A Direção da ACISMA


Valor Local

Negócios com Valor

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“Frescura na Mesa” leva produtos da horta ao consumidor iretamente do campo para a sua casa” é muito mais do que um simples slogan publicitário. É um serviço que aposta na agricultura tradicional e na entrega de bens agrícolas frescos na casa dos clientes. Foi exatamente isso que a reportagem do “Negócios Com Valor” encontrou nos campos de Azambuja, nomeadamente, no Espadanal, e em vila Nova da Rainha. Numa altura em que algumas camadas da população preferem produtos frescos, Ana Ansião, uma das responsáveis por este projeto diz já não ter mãos a medir, ainda assim a empresária aposta no crescimento sustentado da empresa. Duas vezes por semana, a empresa faz a entrega de cabazes ao domicílio. E procurando rentabilizar as entregas, tenta juntar o maior número de clientes em cada local para “aproveitar a volta”, dá conta. Os produtos saem na sua maioria de Vila Nova da Rainha, e das quintas nas proximidades, e são colhidos praticamente antes da entrega. Ana Ansião assegura, no entanto, que não possui todos os produtos que integram os cabazes, por isso recorre a outros produtores, como é o caso dos morangos que são adquiridos na zona oeste. Este projeto que “nasceu numa mesa do café” já vai a caminho da consolidação ao fim de três meses. Explica Ana Ansião que o negócio “começou olhando para as minhas necessidades básicas de dona de casa”. “Vou às grandes superfícies e o que vejo não me agrada tendo em conta aquilo que conheço e que existe pertíssimo de mim”, refere. E foi por isso que decidiu aproveitar os terrenos que já possuía, e onde já fazia outro tipo de culturas.

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Empresária aposta na entrega ao domicílio dos produtos A empresária refere que os produtos não são biológicos, e os clientes sabem disso. Sabem também que o aspeto não formatado dos produtos garante a sua genuinidade, à qual se junta o cheiro e o sabor. A distribuição que começou à segunda-feira, quinta-feira, e sábado em Azambuja, Cartaxo, e Carregado, já foi alargada a Santarém, onde já tem uma base de clientes fixos, bem como em Vila Franca de Xira. Ana Ansião reconhece, neste aspeto, a utilidade do facebook, mas quer ir mais além, até por-

que na rede social “atingimos pessoas dos 35 aos 45 anos no máximo” e o objetivo é crescer para outras faixas etárias. Com dois tamanhos de cabazes, Ana Ansião refere que o maior cabaz com o custo de dez euros é o que tem mais saída. “Para lhe dar um exemplo o cabaz desta semana tem dezoito produtos. Pesa dez a doze quilos, e já tivemos cabazes com 14 quilos até porque estamos na época da laranja”, refere a empresária que destaca a recetividade dos clientes a este projeto que abraçou há poucos meses.

Com uma equipa de duas pessoas, as tarefas são divididas. Ana e Sérgio fazem de tudo um pouco – “Embora eu trate do contato com o cliente e o Sérgio esteja na horta, também sujo as botas quando é preciso”, enfatiza Ana Ansião que lembra que a entrega em casa das pessoas faz toda a diferença neste negócio. Tendo por base o cliente residencial, o negócio ainda não se expandiu para a restauração. Ana Ansião refere que este é um cliente diferente: “Quer por exemplo uma saca de batatas

com um preço que às vezes não conseguimos. São competitivos porque não querem produtos nacionais. Querem é produto barato” mas lembra que nesta altura já há frutarias a comprar os seus produtos, contudo são fora de Azambuja. Este é um “nicho” de mercado bem aproveitado pela empresa. A aceitação está ser acima das expetativas, lembrando que os produtos que integram os cabazes semanalmente são os que estão a sair naquela semana do campo, vincando mesmo que podem ser personalizados à vonta-

Construaza ganha projetos municipais Construaza, empresa sediada em Azambuja, tem a seu cargo algumas das obras mais importantes no Cartaxo e em Azambuja nos próximos anos. A empresa venceu o concurso para a construção do novo Centro Escolar de Pontével que vai acolher cerca de 245 crianças. O equipamento está orçado em 1 milhão e 63 mil euros e será financiado a 85% por fundos comunitários. O novo edifício terá oito salas de 1.º ciclo e três salas de jardim-de-infância, e integrará um novo refeitório, salas polivalentes e espaços desportivos.

A

Em paralelo a empresa venceu também o concurso para a recuperação das piscinas municipais de Azambuja. Os trabalhos desta empreitada deverão estar também a começar, sendo que a intervenção neste caso está orçada em perto de 400 mil euros. A par com esta obra em Azambuja surge a recuperação do Arquivo Municipal que o município pretende transformar em Casa da Juventude. Estas duas obras em Azambuja são de resto emblemáticas. As piscinas pelo facto de se constituírem como uma promessa do

atual executivo municipal, e a Casa da Juventude por representar mais uma recuperação de um imóvel, algo que a Construaza tem vindo também a fazer um pouco por toda a vila. A juntar a isto está um balanço positivo neste ano de trabalho da empresa, que assinou no concelho, por exemplo, uma unidade de produção para a Jodel em Aveiras de Cima, o Lar da Associação Nossa Senhora do Paraíso em Vale do Paraíso e a construção da nova valência da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja.

Novo centro escolar de Pontével

de do cliente. A empresa que aposta nos frescos, aposta também noutras formas inovadoras como a couve já cortada para caldo-verde, e que bastará ao cliente cozer, não tendo a necessidade de o cortar, evitando a compra no supermercado, ao mesmo tempo que sabe de onde vem aquele produto especifico. Este é um projeto para manter, mas com um bom potencial de crescimento. O número de entregas já é significativo, mas no futuro está em cima da mesa o alargamento das mesmas.


Desporto

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Valor Local

GDA homenageia antigas glórias do ténis de mesa oi no âmbito das comemorações do seu 67º aniversário e durante o jantar de encerramento das mesmas, que o Grupo Desportivo de Azambuja (GDA) prestou homenagem perante cerca de 100 convivas a Margarida Lopes e Paula Mendonça, a dupla que em 1987, (já la vão 30 anos), trouxe para Azambuja a Taça de Portugal de juniores em Ténis de Mesa, após vencerem na final o poderoso Futebol Clube do Porto. Muitas histórias se contaram, mas houve algo que marcou a noite: o desejo das pessoas ligadas à modalidade para que esta regresse ao GDA, um clube com tradição neste desporto que no passado levou o nome de Azambuja por todos os cantos do país. Esse regresso é uma porta que não está fechada, segundo o clube, mas para isso terá que existir um projeto com cabeça, tronco e membros, e que até poderá ter um “empurrãozinho” da própria federação portuguesa da modalidade. A esse respeito, o Valor Local falou com Pedro Miguel Moura, o atual Presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, e com Inês Louro, a autarca de

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Azambuja que ao mesmo tempo exerce as funções de Presidente da Mesa da Assembleia Geral da mesma federação. Pedro Miguel, que não quis deixar de marcar presença nesta homenagem, pois segundo ele, além de estarem ali duas grandes atletas estavam duas grandes amigas, disse-nos: “Existem algumas formas de ajudar o clube, temos um projeto de desenvolvimento que se chama ‘Ténis de Mesa Vai à Escola’ que tem como objetivo aumentar a base de recrutamento de praticantes nas escolas, e dessa forma ajudar o clube a crescer”. Desta forma, “as pessoas da terra e do clube que queiram terão hipótese de o praticar com material, ou mesmo através de algum apoio financeiro”. Contudo “nada poderá ser trilhado por nós, terá de ser o clube a dar o arranque e a Federação cá estará para ajudar.” Nos discursos feitos durante a homenagem, ficou no ar a possibilidade de ser organizada em Azambuja uma prova nacional. Pedro Miguel diz-nos que poderá ajudar a reviver a semente da modalidade que já existe nos azambujenses.

Ténis de Mesa já ergueu bem alto o nome de Azambuja Falámos também com Inês Louro, e a antiga mesa tenista do GDA mostrou-se disposta a ajudar em tudo o que estiver ao seu alcance nestes quatro anos que durar o seu mandato na Federa-

ção, além de que, diz-nos, a sua geração “ainda sabe jogar alguma coisa” e poderá ser sempre uma mais-valia no arranque da modalidade, “pois apesar de hoje em dia se trabalhar de forma diferen-

te do que se trabalhava naquele tempo, é sempre um incentivo para as crianças que se estão a iniciar, poder trabalhar com alguém que já teve nome na modalidade”.

Em Azambuja, o Ténis de Mesa marcou uma era, e quem sabe se esta homenagem às glórias do passado não foi uma porta que se abriu para o futuro. Nuno Filipe Pub


Valor Local

Instantâneos

Terra Velhinha Esteiro 1950

Foto de José Oleiro e publicada por António Ribeiro, 17/11/15 António Ribeiro “Por aqui, discutiu-se a limpeza do Esteiro e a 2ª fase está prevista para o início de 2016.Em 23 de Agosto de 1950 era este o Esteiro. Bateiras aguardando pelo avieiros e ao longe uma já a caminho da Vala Real. Pois... Até o primeiro aqueduto está visível. Os meus agradecimentos ao José Oleiro pela cedência da foto.”

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Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

Parreirita Cigano arreirita Cigano, do Cartaxo, contou as suas atuações por êxitos e foi galardoado em três praças. Campo Pequeno, Nazaré e Chamusca. É agora no defeso da temporada que lhe são prestadas essas justas homenagens. Para a temporada de 2017 que ai vem, fala-se que será a temporada da alternativa de Parreirita. Esperamos que seja com o cartel certo e na praça certa. Parreirita tem de triunfar.

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Ana Rita na Rita, cavaleira de alternativa confirmada no Campo Pequeno, está a preparar a sua quadra de cavalos para a temporada que se aponta a de 2017. Em Espanha como Rojoneadora onde irá tourear e matar, seja a cavalo ou com o pé em terra.

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Carta ao Director Atenção associações azambujenses. Há “bufos” em Azambuja Transporte do Vinho que meteu Água Foto de José Oleiro e publicada por António Ribeiro, 26/11/15 António Ribeiro “Em 18 de Fevereiro de 1951 Azambuja conhecida por Terra Velhinha era e estava assim. Na fonte de St. Teresinha (mercado actual) um transporte de vinho que meteu agua, urbanização do Valverde era só muro e ao fundo aonde está hoje a estátua do Boavida Canada os curiosos no controle da cheia. Oh Jaime Mota a taverna do teu avô José Mota junto aos curiosos.”

os tempos da ditadura, existiam os informadores da Pide que acusavam aqueles que de alguma forma se manifestavam contra o regime. Hoje em Azambuja, faz esse serviço pidesco, a represente dos direitos de autor. As associações que não tirarem a licença de espetáculos, (que custa 68 euros), para fazer por exemplo, uma sessão de fados, ou um espetáculo de crianças, como o festival infantil da canção, têm à perna a representante dos direitos de autor, que solicita a intervenção da GNR, para multar quem não tirar a licença. Desta forma, os dirigentes das associações que se fartam de trabalhar gratuitamente para arranjar algum dinheiro para a sobrevivência das suas associações, trabalham para dar dinheiro a gulosos. Sim digo gulosos, porque recebe mais dinheiro de comissão, num espetáculo, a cobradora dos direitos de autor do que os próprios autores das letras e músicas. É a lei, diz a representante dos direitos de autor de Azambuja! Mas a lei já existe há mais de 20 anos e sempre houve tolerância para os pequenos espetáculos das associações e o mais caricato da lei, é que se for uma casa comercial com fins lucrativos, paga metade do que paga uma associação, depois, uma coisa é a lei outra é o bom senso e perceber que as associações trabalham gratuitamente em prol da cultura local e dão possibilidades ao povo em geral, não só aos bafejados pelo talento, de desenvolver atividades culturais e recreativas, determinantes para a identidade do nosso povo. A continuar com ataques permanentes ao associativismo, sem as autarquias esboçarem qualquer esforço para o defender, as associações, tal como as conhecemos vão morrer e no futuro teremos associações profissionalizadas para defender os interesses de alguns e o acesso às atividades culturais serão limitadas em função do lucro que possam proporcionar. As associações não estão contra o cumprimento da lei e muito menos contra os autores receberem os seus direitos, o que pretendem é uma lei que defenda todos de uma forma justa, que marque a diferença entre um espetáculo de artistas profissionais remunerados e os artistas populares que o fazem gratuitamente por amor à camisola. As associações defendem os direitos de autor contra a pirataria e o pagamento justo do seu trabalho, mas não faz sentido pagar direitos de autor a pessoas que já morreram há dezenas ou centenas de anos. Por essa ordem de ideias ainda estaríamos a pagar direitos à família de Camões, pelos lusíadas. Chegou a altura das juntas de freguesia, das camaras municipais e da própria assembleia da republica, discutir e rever este assunto pela importância que tem em todo o país, mas é sabido que a classe politica só se preocupa com os assuntos que dão votos e quanto ao futuro das associações culturais, que seja o que deus quiser! Armando Martins Escola de fado do Centro Cultural Azambujense

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Intermaché ajuda bombeiros de Abrigada Intermaché de Abrigada entregou este mês 5 equipamentos à secção de Abrigada dos Bombeiros Voluntários de Alenquer. A iniciativa do grupo “Os Mosqueteiros” chegou assim também a esta associação de bombeiros e insere-se nas campanhas que os supermercados e o grupo têm levado a cabo para ajudar as corporações de bombeiros.

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050-318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Joaquim António Ramos, Acácio Vasconcelos, Nélson Silva Lopes, Ana Bernardino, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: João Antunes • 960 06 23 75 • joaoantunes@valorlocal.pt • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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