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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 29 • 18 Setembro 2015 • Preço 1 cêntimo

Págs. 12,13,14 e 16

Refeições escolares nas mãos de empresa que tem estado debaixo de fogo

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Edifício do arquivo de Azambuja à beira de ir para hasta pública


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Estacionamento pago é rentável para os municípios Em Alenquer, só nos primeiros seis meses obtevese 30 mil euros de receita. Azambuja continua a estudar o dossier e o Cartaxo também. ¢ Miguel A. Rodrigues estacionamento pago tem sido em algumas localidades um fator importante de receita para os municípios ao mesmo tempo que se tenta disciplinar o parqueamento. Na nossa região, os concelhos de Vila Franca de Xira, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Cartaxo, têm esse mesmo serviço, qua ainda assim vai possibilitando algumas receitas, ao mesmo tempo que vai criando dores de cabeça aos automobilistas, que têm de encontrar uma alternativa grátis, o que em muitos casos, se situa fora do epicentro das localidades. É o que acontece por exemplo em Alenquer, onde o estacionamento pago nas principais ruas da vila, e junto aos paços do concelho, obriga os condutores a procurarem alternativas em parques onde a sinalização não abunda, faltando em alguns deles segurança ou um piso alcatroado. Desde que assumiu o mandato, Pedro Folgado e a sua equipa, voltaram a colocar os parquímetros em ação. Tal veio a disciplinar o estacionamento abusivo e por incrível que pareça, fez com que num dia de semana, existissem locais de estacionamento disponíveis na vila, coisa que não acontecia anteriormente. Na vila de Alenquer, existem atualmente cerca de 1100 lugares, sendo que, 250 são pagos, o que corresponde a 23% do total de lugares disponíveis. De acordo com informação do município de Alenquer, só no primeiro semestre deste ano, a Câmara assegurou cerca de 30 mil euros de receita. Todavia e pese embora o fato de muitos

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pagarem estacionamento, ainda há quem tente fugir ao seu pagamento, sendo que por essa via o município arrecadou perto de 5 mil 600 euros, valor esse que resultou em coimas passadas pelos fiscais da Câmara de Alenquer. Contudo, os equipamentos que estão de volta ao serviço praticamente desde 2013, também precisam de manutenção, e nesse âmbito a empresa que procede ao serviço, cobrou perto de 13 mil euros. Segundo Dora Pereira, vereadora com este pelouro na Câmara de Alenquer o balanço do serviço é positivo, embora reconheça que tal é uma questão “complexa e não consensual”. Ao Valor Local, a vereadora esclarece que esta apreciação não se prende com a questão económica da medida, mas com questões relacionadas em cadeia com a “implementação de posturas de trânsito e a fiscalização permitir disciplinar o estacionamento na vila de Alenquer”. Ao nosso jornal, a vereadora vinca que não está prevista qualquer alteração de tarifas para o próximo ano, mas ressalva que “estamos atentos e sempre disponíveis para implementar medidas que possam ir de encontro às expectativas da população”. Para a vereadora “não há sistemas perfeitos e há sempre aspetos passíveis de melhoria” e anuncia a avaliação da possibilidade “de tornar gratuito um período inicial do estacionamento”. Já no que toca ao município do Cartaxo. O município não respondeu às questões colocadas pelo Valor Local, tendo enviado uma súmula de posições de Pe-

dro Ribeiro, presidente da Câmara. A nota do gabinete de imprensa remete para uma reunião a 20 de maio onde foi apresentada à população uma nova proposta de regulamento de trânsito, que ainda está em fase de elaboração, aludindo que a mesma proposta será dada a conhecer aos munícipes e à comunicação social aquando da sua conclusão. Em causa está o tarifário a pagar e o regulamento de estacionamento, em algumas zonas nobres, como a Rua Batalhoz e zonas limítrofes, sendo que este mesmo regulamento vai incidir sobre o estacionamento à superfície e no único estacionamento subterrâneo junto aos paços do concelho e que ainda é de utilização gratuita. Em aberto, está a entrega “da exploração do estacionamento a uma empresa destinada a permitir uma entrada rápida de dinheiro nos cofres da Câmara”. Em apreciação no site do município, está de resto um documento, elaborado por uma empresa da especialidade, que prevê por exemplo a redução dos lugares pagos, para menos de metade. O documento prevê “três níveis de taxas para zonas diferentes” que tem em conta a rotatividade para o comércio, uma outra para serviços públicos e finalmente um outro local que corresponde ao parque subterrâneo com 188 lugares disponíveis e possibilidade de avenças mensais. Azambuja insiste no parqueamento pago Desde que foram construídos

na altura da Expo98, os parques de estacionamento junto à linha de comboio, que estes têm sido apontados como lugares preferenciais para afastar da vila o estacionamento abusivo. O assunto foi muitas vezes abordado, e todas as autoridades locais entenderam que essa é a melhor forma de evitar com que as pessoas que trabalham em Lisboa, deixem os seus veículos dentro da vila todo o dia, roubando lugares de estacionamento e impedindo as cargas e descargas. Luís de Sousa, presidente do município de Azambuja, vinca por seu lado que esta é uma questão que continua na ordem do dia, e que a Câmara está a fazer todos os esforços para em breve avançar com o estacionamento pago, e assim disciplinar os condutores, ao mesmo tem-

po que liberta lugares na vila. O presidente da Câmara vinca que teve recentemente uma reunião com a CP, onde esse assunto foi abordado. Luís de Sousa avança que a empresa tem parcerias com algumas câmaras e portanto afiançou ao Valor Local que está a aguardar o envio de dossiers nesse sentido. Segundo o edil, também o estacionamento junto à linha não será gratuito. A CP garante a parceria, ao mesmo tempo, que garante também preços mais baratos e alguma vigilância para quem deixe ali os seus veículos parqueados. Já quanto às principais ruas da vila, a Engenheiro Moniz da Maia e Victor Cordon, o município garante que o estacionamento pago vai mesmo avançar, mesmo contra algumas vozes

que sabe que serão discordantes. Luís de Sousa salienta que o comércio está a ser acautelado e por isso já se reuniu com a Associação Comércio e Indústria do Município se Azambuja (ACISMA) de forma a acautelar o bom funcionamento do comércio local. O autarca refere que este serviço será útil, até porque no dia-a-dia, as pessoas “querem vir à câmara, ao banco ou às compras e não têm lugar de estacionamento”. A ACISMA está de resto em concordância com o município. Todavia, Daniel Claro, porta-voz da instituição salienta a necessidade da primeira hora ser grátis, para que esta medida não seja contraproducente e afete as famílias, nomeadamente, para quem deseje almoçar nos restaurantes locais.

Câmara de Arruda aprova regulamento para prevenção de consumos entre os funcionários Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos aprovou por unanimidade o novo regulamento interno que tem em conta a prevenção e controlo do consumo de substâncias psicoativas, entre as quais se encontra o álcool. A iniciativa que será dada a conhecer à Assembleia Municipal, entrará em vigor com o regulamento da medicina no trabalho.

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André Rijo, presidente do município, salienta que esta é uma questão que tem de ser levada em conta, mas “o regulamento não tem como objetivo perseguir ninguém” e explica a necessidade da existência de regras “que todos devem seguir”. O presidente da câmara destaca que o regulamento deve ser acompanhado por normas de

conduta e de comportamento “e que estipule algumas sanções para o caso de persistirem comportamentos desviantes que são contrários às normas e regulamentos desta instituição”. O documento a que o Valor Local não teve acesso, prevê, segundo o presidente do município uma série de normas “muito equilibradas e que foram objeto de um

consenso com as entidades sindicais”. Todavia André Rijo, destaca que o regulamento não entrará em vigor de forma automática. O documento prevê uma fase de adaptação “para que todos partam em pé de igualdade e que no final do período de adaptação, possam perceber que há consequências do incumprimen-

to das normas”. O autarca salienta que os controlos serão feitos pelos médicos de medicina no trabalho, vincando que no caso de Arruda dos Vinhos “esse controlo não será feito por nenhum superior hierárquico ou colega”. Esses controlos serão feitos por sorteio, ou sempre que exista uma suspeita de que os funcionários tenham

consumido drogas ou álcool, sendo que todo este processo é sigiloso. O presidente da câmara reconhece que o regulamento em causa pode causar alguma celeuma, mas à semelhança de outros municípios, “é fundamental para que exista equilíbrio nas relações de trabalho entre colegas”.


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Refeições escolares da CIMLT novamente para empresa que tem estado debaixo de fogo ¢

Sílvia Agostinho Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) decidiu mais uma vez adjudicar a favor da empresa Gertal o concurso internacional de fornecimento de refeições escolares, no valor de 2 milhões e 400 mil euros (sem IVA). Esta é uma das empresas mais criticadas do seu ramo, e muitos colocam em causa, se a atribuição das refeições escolares não poderia estar na alçada de instituições ou empresas da região. No entanto competir com preços de 1,40 euros por aluno torna-se complicado. Na hora de eleger a empresa vencedora destes concursos, o preço é que fala mais alto. Enquanto isso, vamos ouvindo falar em queixas amiúde deste tipo de empresas: pouca comida e nem sempre confecionada da melhor forma. Em certos concelhos do país o tom chega a ser feroz, até com interpelações ao ministro da Educação como aconteceu em Leiria, e através de um deputado do PSD. Pelo que a nossa reportagem conseguiu constatar em alguns concelhos da região, o tom de crítica já foi mais forte, mas só com muita supervisão é que se consegue fazer com que o serviço prestado por esta empresa nas cantinas não resvale. António Torres, secretário da CIMLT, em declarações ao Valor Local coloca a questão antes no facto de o concurso ter sido feito dentro da legalidade e do que está no caderno de encargos nesta matéria. “São as câmaras que fazem a análise da qualidade do serviço”, refere, rejeitando outras responsabilidades. O responsável reitera que esta empresa foi a que apresentou a melhor proposta. Quanto ao passado e às críticas diz que têm de ser dirimidas em termos de escolas e da comunidade, cabendo à CIMLT apenas lançar os concursos. Já o representante para esta região do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, António Barbosa, tem muitas dúvidas quanto ao cumprimento do caderno de encargos por parte da empresa, no caso dos municípios da CIMLT, e de outros concelhos da nossa zona. Pelo que tem conhecimento, a empresa não está a cumprir com o estipulado em vários itens e seria de questionar a sua continuidade. À nossa reportagem adianta que “em muitas cantinas onde a empresa tem trabalhadores próprios (como no caso de Azambuja) não há controle por

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parte do Estado acerca do número adequado de pessoas nesses locais, que normalmente é inferior, numa lógica de poupança e de sobrecarga dos trabalhadores que lá estão”. O sindicalista não tem dúvidas – “Estamos a falar de uma das piores empresas do país neste aspeto, se bem que quase todas elas trabalhem mal, mas no caso desta, também temos de acrescentar as terríveis condições de trabalho que proporciona aos seus funcionários com salários miseráveis, muitas vezes sem direito a férias”. Uma dirigente sindical que pediu o anonimato e que trabalha nesta empresa, num dos concelhos da região, acrescentou à nossa reportagem – “Tudo isto acaba por prejudicar também o serviço que é prestado às comunidades e às escolas, pois há pessoas a viverem situações de stress elevado, com imposição de férias quando é mais oportuno para a empresa”. Esta dirigente sindical concorda que “as queixas das colegas são muitas”. “A empresa não paga com o que se compromete, faz ameaças e tem o descaramento nas férias escolares de pedir às trabalhadoras para meterem baixa”. É sob “este clima de cortar à faca” que “muitas funcionárias trabalham a confecionar milhares de refeições para as crianças da região”. Já quanto ao serviço prestado não tem dúvidas – “A empresa não cumpre com o que está na ementa, por vezes lê-se que em determinado dia será servido peixe-espada ao almoço, mas acaba por ser mentira, inventam um outro peixe qualquer mais barato para essa refeição, só para enganar os encarregados de educação”. As colegas chegam a trazer condimentos de casa, só porque “querem manter o mínimo de brio profissional”. Por vezes, “as cozinheiras fazem autênticas habilidades com o que lhes é fornecido”. No meu caso “estou sempre a refilar que os miúdos precisam de comer porque estão a crescer, embora no caso da minha escola, a empresa acabe por ter mesmo assim um mínimo de respeito”. “Eles fazem preços baratíssimos e nós que estamos no terreno é que nos vemonos aflitíssimas”. Um dos concelhos que esteve na linha da frente no que diz respeito a contestar a empresa foi o de Espinho, e como este também Santiago do Cacém, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós e Leiria, entre outros um pouco por todo o país. Tivemos acesso no caso de Espinho a corres-

Alimentação fornecida por empresas às escolas na ordem do dia pondência trocada entre encarregados de educação e as escolas, onde a empresa tem fama de servir melão com 0,5cm de espessura; gelatina liquida, almôndegas cruas, salada sem azeite. No caso de municípios como o de Benavente, a empresa trabalha com funcionárias das escolas, e neste ponto reconhece a dirigente sindical que “as reclamações acabam por ser menores, mas mesmo assim é preciso andar sempre em cima do serviço prestado, a ver muito bem como as coisas se passam, caso contrário acabam por prevaricar”. Fonte da autarquia garantiu isto mesmo: “As refeições servidas pela empresa chegaram a ser contestadas, mas a fiscalização do município tornou-se mais intensa, e o serviço melhorou.” António Barbosa acrescenta – “A Gertal controla a grande maioria das escolas, porque apresenta os melhores preços. Dificilmente conseguiremos comprovar o significado desse valor em relação ao que é servido às crianças. Por vezes só dão metade de uma peça de fruta porque dizem que elas não conseguem comer mais, logo aí já estão a jogar com os valores e com o lucro”. Pelo que referem alguns trabalhadores da nossa região – “As ementas são muito repetitivas, e a comida é insuficiente”. O concelho do Cartaxo vai entrar pela primeira vez para algumas es-

colas nas refeições escolares através desta empresa. Pedro Ribeiro, presidente desta autarquia refere que os preparativos estão a ser devidamente acautelados tendo em conta também o que já se ouviu dizer acerca da empresa. Aliás esta nova realidade também suscitou alguma apreensão entre os eleitos de outros partidos na autarquia que tiveram ocasião de expressar publicamente as suas dúvidas. A Câmara já está em negociações com a Gertal que deverá atender aos pedidos do município, nomeadamente, quem vai cozinhar as refeições serão os funcionários que já estão nas escolas. “Manifestei as minhas preocupações, e procurámos saber como será o acompanhamento e a fiscalização para que o ano letivo arranque da melhor maneira”. Sem querer criar alarmismos, o autarca refere que acreditou na experiência de outros concelhos vizinhos como Santarém, Almeirim e Rio Maior “que há muitos anos trabalham com empresas deste tipo”. Pedro Ribeiro acautelou que as refeições vão ser cozinhadas nas escolas EB1 de Pontével, escola José Tagarro, e EB 2,3 de Pontével, acompanhadas por nutricionista. Paulo Ferreira, presidente da Associação de Pais do Agrupamento Marcelino Mesquita, também se encontra na expetativa face à entrada da empresa, que já atua no concelho na escola secundária,

nas escolas do ensino básico“Não sei como é que vai ser feita a logística, pois terá de ser feito o transporte de algumas crianças das escolas para outras onde vão almoçar, e as funcionárias já são poucas”. “Para já sei que há queixas sobre a empresa, dizem que na secundária e na escola nova a comida não é boa, servem pouco, ouvi dizer que no ano passado, houve um dia, em que só serviram atum, porque faltou a luz”, conclui. Já no caso de Azambuja, este concelho sentiu na pele o que foi a atuação da empresa em outros anos. No ano letivo de 2012/2013, o vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, Jorge Lopes, em declarações à Lusa repudiava o comportamento da Gertal no concelho. “Não aceitamos que os lucros da empresa privada, a quem foi feita a concessão do serviço das refeições, sejam feitos à custa da falta de qualidade e quantidade na alimentação das nossas crianças”, defendia o vereador. No presente mandato autárquico, principalmente no último ano, reconhece que as críticas são menores, e que as coisas não estão assim tão más. A sua colega de vereação Maria João Canilho que desempenha funções numa instituição social do concelho, e que tem acompanhado desde há muitos anos esta matéria, refere que seria de se pensar numa solução que talvez passasse pelo forneci-

mento de refeições através das IPSS’s ou outras instituições. À época das manifestações, lembrase que na altura foi necessária uma intervenção mais musculada da comunidade em relação a esta empresa, nomeadamente, por parte da antiga vereadora da Educação, Ana Maria Ferreira. Já David Mendes da CDU, em reunião de Câmara, estranhou que este tipo de concursos lançados pela CIMLT acabe por beneficiar sempre as grandes empresas, em desfavor do tecido local. Luís de Sousa, presidente deste município, lembra-se de a empresa ter sido muito criticada, mas atualmente “temos uma funcionária a percorrer as cantinas, e nós próprios, neste caso eu e os vereadores, vamos muitas vezes verificar se as coisas continuam a correr bem ou não”. Quanto a críticas lembra-se de nos últimos meses haver queixas de que tinha sido servida fruta demasiado verde. Sandra Pratas Seabra com filhos a frequentarem as várias escolas do concelho, também reconhece que o serviço está melhor, apesar de já terem sido servidas “batatas frias e duras, e hambúrgueres de pior qualidade”, mas mesmo assim não se afirma descontente, face ao que já se ouviu dizer noutras alturas. O Valor Local contactou a Gertal para se defender das críticas mas perentoriamente nos foi dito que


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A nova vida da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima depois do abalo do BES ¢ Miguel A. Rodrigues delegação da Cruz Vermelha Portuguesa, de Aveiras de Cima, está a passar por uma fase de transformação a todos os níveis. José Torres, presidente da instituição local, que também acumula com o cargo de comandante, salientou em entrevista ao Valor Local, a importância desta nova fase da instituição. Para José Torres, que sucedeu a mais de 20 anos de presidência do anterior responsável Humberto Gomes, a nova metodologia de trabalho e o espirito de equipa, foram o bastante para voltar a dar ânimo aos socorristas daquela casa que já acusavam algum desalento. No cargo há menos de dois meses, Torres vinca que uma das preocupações era encontrar solução para estacionar as viaturas da Cruz Vermelha, num só espaço, evitando assim o estacionamento abusivo na vila. Isso foi conseguido num terreno emprestado junto à GNR local, que segundo José Torres, terá sido a melhor solução. Para tal, o presidente da instituição, salienta que foi apenas preciso falar com o proprietário, José Álvaro, que de imediato disponibilizou o espaço. O presidente e comandante salienta que a operacionalidade da delegação está assegurada, ainda que a central de comunicações fique longe deste local. Torres explica que as viaturas parqueadas neste espaço, não são de emergência, pelo que não existe qualquer dificuldade no socorro às populações, até porque os veículos prioritários mantêm-se na sede. Há no entanto outros espaços já cedidos à Cruz Vermelha, onde esta guarda outro material para o dia-a-dia. Para José Torres, o

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facto de as viaturas estarem estacionadas aleatoriamente “era mau para a nossa imagem” e acrescenta que agora “as pessoas têm demonstrado o seu contentamento pela solução encontrada”, refere. Mas toda esta questão de falta de espaço já não é nova. O novo quartel é prioritário e por isso Torres refere já ter encetado negociações com o município para a desafetação da parcela que cabe à Cruz Vermelha do terreno para o novo espaço. Torres salienta que a delegação não tem dinheiro para construir de imediato o novo quartel, mas numa primeira fase, e agora que a questão do terreno já está resolvida, vai colocar no local módulos para armazém e estacionamento, o que segundo o responsável, será a solução menos dispendiosa tendo em conta o momento financeiro vivido pela Cruz vermelha em Aveiras de Cima. José Torres fala também na necessidade de rejuvenescer o parque de viaturas, que apresenta um consumo excessivo de combustível e de reparações, destacando “a necessidade de se adquirir uma ou duas viaturas a curto prazo de menor consumo e manutenção”, vincando que o reequilíbrio financeiro é a principal meta da direção, tendo em conta as verbas perdidas em aplicações no antigo BES e o facto de trabalharem na delegação 13 funcionários a tempo inteiro. Torres que já tinha sido comandante daquela unidade, destacou que o trabalho organizativo e operacional, é vital para o bom funcionamento da casa: Nesta altura já existem quatro chefes de equipa nomeados, que vão ficar à frente de quatro equipas

com funções muito específicas, para onde serão entretanto distribuídos os socorristas daquela unidade. BES “engole” 800 mil euros à instituição As aplicações levadas a cabo pela antiga direção liderada por Humberto Gomes lesaram a delegação de Aveiras de Cima em cerca de 800 mil euros “e uns trocos”. Até à data a delegação ainda não foi ressarcida desse montante, ao contrário do que se especulou “em alguma comunicação social”. Ao Valor Local, José Torres salienta que as aplicações financeiras “foram uma opção” da anterior direção. O comandante vinca que na altura ninguém chegou a

pensar que o que sucedeu podia ser possível, mas vinca que tal decisão “pesa agora no futuro da instituição que terá de partir de novo do zero, mas é por um triz que não estamos a partir do menos um”. É necessário restabelecer o equilíbrio financeiro “tão necessário para o funcionamento da casa”, lamentando que o “anterior presidente nunca tenha assumido a responsabilidade pela decisão”. Aliás o assunto está de tal forma em segredo, que só os advogados da Cruz Vermelha e a dire-

m Vale do Paraíso, Azambuja, a população queixa-se das interrupções no abastecimento de água. O facebook tem servido para denunciar este tipo de queixas. O presidente da junta, Armando Calisto, reconhece o problema mas não deixa de notar com algum tom de lamento o facto de as pessoas recorrerem às redes sociais, ao invés de exporem os seus problemas à junta. Sobre os cortes de água, o autarca salienta que estes pioraram com a entrada em funcionamento da nova captação da localidade. Armando Calisto vinca que tal tem piorado e que, até ao momento, apenas um freguês se queixou oficialmente do caso. Ao Valor Local, o autarca refere que a situação não é nova e que já terá alguns meses, salientando contudo que a junta já abordou por várias vezes os responsáveis da Águas de Azambuja sobre o problema. Em resposta ao Valor Local, a empresa salienta que as queixas se prendem com casos pontuais que tiveram “o devido acompanhamento e resolução, localizados apenas nas zonas mais altas de Vale do Paraíso.” Quanto às interrupções no abastecimento e consequente falta de pressão resultaram de um “anormal volume de roturas na conduta adutora que pontualmente provocou constrangimentos no abastecimento, não existindo relação com as obras realizadas no âmbito do plano de investimentos em 2012.”

exatos perdidos nesta decisão de Humberto Gomes, mas vinca que quando se candidatou, a sua direção tinha a noção “de que aquilo que viríamos a encontrar não seria de fácil resolução”. O responsável frustrado com o estado de coisas diz que tinha o mesmo conhecimento do assunto que toda a população e que nunca terá abordado o assunto com o antigo presidente. Esta é uma verba que “nos fazia falta, aliás muita falta, porque estamos a falar num valor considerável”. O futuro sobre esta matéria “é uma incógnita”.

Brandão e Paredes à espera de mais limpeza

Queixas de falta de água N em Vale do Paraíso E

ção nacional sabem em que ponto está o assunto. Enquanto isso, a delegação de Aveiras de Cima, continua a fazer os possíveis para trabalhar com o orçamento e as verbas que tem legalmente ao seu dispor. José Torres vinca que é postura desta direção não voltar as costas “aos credores e aos devedores”. O presidente da instituição que assumiu o lugar há menos de dois meses, já tinha conhecimento “por alto” de toda a situação. José Torres não sabia, e continua sem saber os números

a vila de Alenquer, é visível o acumular de muita vegetação junto aos edifícios da Quinta do Brandão, e daí até Paredes na Quinta do Canavial. No Brandão, diversos prédios permanecem à espera de melhores dias para ser finalizada a sua construção e junto aos edifícios onde já habita população é notório o acumular de vegetação. A quinta do Canavial em Paredes faz exatamente jus ao seu nome. Ao Valor Local, a Câmara de Alenquer refere que o município, nos últimos meses, tem sido alvo de uma enorme operação de limpeza de vegetação, mas que dada a sua dimensão territorial, a resposta por vezes acaba por ser progressiva e cíclica. A área do Brandão encontra-se “em larga medida limpa”. “Faltam algumas parcelas públicas que estão sinalizadas e que serão limpas a curto trecho”, refere a autarquia, adiantando ainda que os proprietários de terrenos privados que se encontram repletos de vegetação estão a ser notificados para proceder em conformidade. No entanto, “são processos que têm os seus prazos legais próprios e que demoram algum tempo até serem resolvi- Aspeto da Quinta do Canavial dos”.


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Edifício do arquivo de Azambuja em vias de ir para hasta pública edifício que outrora albergou a GNR em Azambuja e que mais recentemente se tornou no arquivo municipal de Azambuja poderá ser vendido em hasta pública. A informação foi avançada, ao Valor Local, pelo vice-presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, que destacou a impossibilidade atual da autarquia reabilitar aquele espaço. Há muitos anos que o edifício está degradado, sem que a autarquia fizesse ali qualquer tipo de intervenção. Silvino Lúcio destaca por isso a necessidade de “muito em breve” a autarquia tomar uma decisão final sobre aquele espaço. No caso de o município não ter meios, o que parece ser o caso, para recuperar o atual arquivo, o prédio será vendido em hasta pública por cerca de 160 mil euros, “de acordo com uma primeira avaliação feita”, refere. O espaço que estava já com sinais de degradação evidentes foi entretanto alvo de uma intervenção quase urgente da proteção civil. O alpendre foi demolido, pois “representava algum perigo” vincou o autarca. O que é facto é que existiam grades nas proximidades do espaço, mas quase ninguém res-

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peitava a sinalização e os impedimentos colocados. O vice-presidente salienta que a decisão de mandar abaixo o alpendre, resultou de uma visita ao local, vincando que o restante edifício está a ser também monitorizado. Ainda no tempo de Joaquim Ramos, o arquivo municipal esteve debaixo dos holofotes. Na altura o arquivo, as piscinas e parte do edifício onde hoje está a UAP (Unidade de Atendimento ao Público) e o parque urbano da Milhariça em Aveiras de cima, fizeram parte de uma proposta em que o município tencionava avançar com as respetivas reabilitações. A mesma proposta que contemplava a reestruturação da Praça de Toiros acabaria por passar em reunião de câmara depois de muita polémica. Todavia e depois da aprovação, o município terá começado as obras pela Praça de Toiros, deixando em aberto as restantes intervenções. Já em plena crise de 2011, e apenas com a Praça de Toiros concluída, as outras obras ficaram para trás por falta de verbas. O edifício ainda se encontra inscrito como uma das prioridades para recuperação no âmbito da Sociedade Reabilitação Urbana da Co-

munidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. Resta saber qual o

destino que será dado ao arquivo que se encontra no interior do edi-

fício. Sendo que o município não dispõe de técnico superior de ar-

quivos atualmente, e desde há vários anos.

Edifício já sem o alpendre

Arruda inaugura Gabinete de Inserção Profissional rruda dos Vinhos tem desde 11 de setembro, um Gabinete de Inserção Profissional. A estrutura que fica localizada no edifício do Terminal Rodoviário local, vai agora fazer parte da vida dos arrudenses. Este é um projeto feito em parceria com o Instituto de Emprego e Inserção Profissional de Torres Vedras e representa mais uma ferramenta importante no estímulo à economia e ao emprego naquele concelho. André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, destacou a importância deste equipamento, salientando que fazia parte do seu programa. O autarca salientou que muito trabalho espera daqui em diante a infraestrutura em causa. Este gabinete será uma mais-valia, tendo em conta a existência do Gabinete de Apoio ao Empresário e dos serviços prestados pelo Invest Arruda, no fomento de novas empresas para o município. Para o autarca, a inauguração e a entrada em funcionamento do GIP vem em boa altura. André Rijo salientou que as empresas estão agora a delinear os seus recursos humanos, e por isso o gabinete pode vir a dar uma ajuda na hora de contratar pessoas.

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O presidente da Câmara destacou entretanto que a nova estrutura terá um papel difícil. O concelho tem uma baixa taxa de desemprego face aos números nacionais, e André Rijo revelou que no final do primeiro trimestre, a taxa de desemprego em Arruda dos Vinhos foi de 6,3 por cento, contra os 13,7 por cento da taxa de desemprego nacional. Para o presidente da Câmara, as pessoas não são números, vincando que “basta que exista um desempregado no concelho, e isso é o bastante para termos um problema”; esperando, por isso, que o GIP venha colmatar algumas lacunas na oferta e na procura de trabalho no município. Todavia, o autarca espelhou a sua preocupação pelo facto de existir um número significativo de desempregados na faixa etária dos 35 aos 54 anos. Já os jovens ocupam 17 por cento da taxa de desemprego. Estes são números que segundo o autarca merecem uma reflexão, sendo por isso necessário “encontrar uma alternativa para estes recursos humanos, que não têm muitas vezes habilitações literárias, mas possuem conhecimento empírico e experiencia laboral”. Carlos Pinto do IEFP de Torres

Vedras salientou, por seu lado, a importância desta estrutura. Para

o responsável, o facto de os arrudenses terem à sua disposição

este centro, sem ter a necessidade de se deslocarem a Torres Ve-

dras, é uma mais-valia para as populações.


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Um dia na Central Termoelétrica do Ribatejo…

Visitantes ficaram a conhecer a central oi um grupo de reformados da EDP que abriu as portas, no dia 12 de setembro, aos inscritos no Programa Ciência Viva para uma visita guiada pelas instalações da Central Termoelétrica do Ribatejo, paredes meias com a sua irmã, a entretanto desativada central do Carregado. A crise veio alterar um pouco do que estava inicialmente idealizado para esta estrutura que domina a paisagem onde o Oeste acaba e o Ribatejo começa. Hoje, a REN acaba por comprar poucas vezes energia produzida através deste complexo, optando antes pelas mais baratas e alternativas eólicas e hídricas. Luís Gois, chefe de turno, enfatizou isso mesmo – “A equipa inicialmente (a central entrou em funcionamento em finais de 2003, ainda na sua fase experimental)

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era constituída por quatro elementos, mas como a evolução não foi a esperada o pessoal foi reduzido a três. Temos de nos desdobrar”. No total, trabalham 39 pessoas na central. Apesar de ter sido idealizada para um nível de desenvolvimento que o país acabou por não atingir, nomeadamente com o adiar do projeto do TGV, “a construção desta central foi oportuna, porque não convém depender apenas de um ou dois tipos de energia”. Atualmente, o país possui os mesmos consumos de há 10 anos atrás. Esta central é constituída por três grupos baseados na tecnologia de ciclo combinado que utiliza gás natural como combustível, considerado menos poluente que o carvão, embora este último “seja mais procurado, apesar dos impactes ambientais, mas como é

Já reformados continuam ao serviço da empresa mais barato”, referiu o chefe de turno. A visita guiada pelo espaço através dos reformados da empresa deu a conhecer todas as fases do funcionamento da central, basicamente o trabalho da turbina a gás combinado com o da turbina a vapor que acopladas no veio alternador produzem a energia elétrica. Podiam estar em casa mas preferem prestar serviço público na EDP Normalmente são 4, mas no dia da reportagem do Valor Local eram apenas três. Henrique Pinto, José Monraia e Alberto Pires sempre trabalharam toda a vida na empresa, em vários pontos do país. Agora, depois de reformados, a EDP fez-lhes o convite para promoverem visitas guiadas

à Central do Ribatejo junto das escolas, e de outros grupos. Para Henrique Pinto, natural de Vila Nova de Gaia, esta função encarna o espírito de serviço público que se tem vindo a perder. Começou a trabalhar na EDP em 1957 na Barragem de Picote. Tinha 18 anos. Veio para o Carregado em 1971, trabalhar na central entretanto desativada. Na altura, o nome EDP não existia. Chamava-se CPE, resultante de várias fusões. Depois do 25 de abril é que surgiu a EDP. Ser chamado para a atual tarefa “foi muito agradável”. Desde 1957, altura em que começou, o país e o mundo conheceram uma impressionante revolução tecnológica, e para si o fenómeno tem sido surpreendente, “mas fomo-nos adaptando porque já sabíamos da existência das

centrais a gás, e das termoelétricas convencionais noutros países”. Alberto Pires, oriundo de Chaves, entrou na empresa em 1960. Trabalhou ao serviço da mesma em Miranda do Douro e mais tarde veio para o Carregado. “Quando comecei tinha 19 anos, sentia-me um homem realizado com o emprego conseguido, porque a empresa era boa, tinha dirigentes de alto nível que sabiam acarinhar os trabalhadores, e por isso fui um homem feliz na Hidroelétrica do Douro”. Conta que não havia mais gente na Central do Ribatejo disponível para fazer as visitas guiadas, tendo em conta que apenas 39 pessoas trabalham na mesma. “Resolvemos dar uma mão, porque o diretor é uma excelente pessoa e estamos a fazer este trabalho na minha opinião com

muita categoria”. José Monraia, de Elvas, é o mais novo, e reformou-se da empresa há dois anos. Mora no Carregado há 30 anos, e já passou pela junta de freguesia local e pelas coletividades, e por isso diz que também sabe o que é prestar “serviço público”. Começou na EDP em 1973, e foi desde serralheiro a operador de bloco, passando por assistente de condução de centrais térmicas. “Com muito gosto aceitei este convite para fazer as visitas guiadas”, e diz não ter saudades da central desativada, até porque o mundo avança e agora é dos jovens. Todos concordam que a EDP continua a ser “uma das empresas mais fiáveis e das melhores para se trabalhar no país”, mesmo apesar da mudança de mãos para investidores chineses.

Bascos visitam Caixa Agrícola em Azambuja zambuja recebeu no início deste mês, uma delegação composta por 40 representantes do parlamento basco e empresários, interessados em conhecer o movimento cooperativo em Portugal. Todos os anos, elementos do País Basco escolhem um país para visitar e conhecer novas realidades. Desta vez a visita foi a Portugal pela mão da Confederação de Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri). A visita começou no auditório da Caixa Agrícola de Azambuja com uma explicação sobre o sistema cooperativo em Portugal; e com uma palestra na qual foi dada a conhecer informação dos setores que a delegação vai visitar durante

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esta semana. Entre as visitas, destaca-se a Lacticoop, uma das maiores cooperativas leiteiras nacionais. Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, aproveitou o momento para promover o concelho junto desta delegação. O autarca destacou a dimensão do município, e fez questão de frisar a tradição tauromáquica em volta das raízes ribatejanas azambujenses. Coube a Francisco João Silva, presidente da Caixa Agrícola de Azambuja, e vice-presidente da Confagri a explicação sobre o sistema bancário cooperativo em Portugal, assim como, acerca do próprio sistema montado em torno das diversas cooperativas

que compõem a Confagri. Paulo Durana, representante da comitiva basca, declarou ao Valor Local o interesse em conhecer outras realidades, destacando que na sua opinião é impossível fazer comparações entre os sistemas que a delegação já presenciou na Europa, nomeadamente, em França e agora em Portugal, com o sistema mais pequeno do País Basco, que possui uma população de dois milhões de habitantes. O responsável salientou que esta viagem tinha também objetivos comerciais. O intercâmbio com outras cooperativas e aprendizagem setor a setor, foram também objetivos traçados pela comitiva que aproveitou para fixar contatos para o futuro.

Palestra de Francisco João Silva à comitiva basca


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Desporto

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Ténis pode estar de volta ao Grupo Desportivo de Azambuja Coletividade e Câmara de Azambuja estão em conversações. Município sugeriu que o GDA possa gerir os espaços, para aquela prática desportiva, existentes junto à piscina. Ténis de Mesa pode também estar de regresso. utebol, Futsal, Pesca Desportiva, Taekwondo, Ginástica e Krav Maga, são as modalidades que o Grupo Desportivo de Azambuja vai apresentar nesta temporada de 2015/2016, a que se junta o ténis e o ténis de mesa. Segundo Alexandre Grazina, líder da comissão Administrativa, a temporada passada, foi bastante positiva, o clube movimentou nas competições oficiais cerca de 250 atletas, tendo alcançado alguns resultados de mérito (títulos regionais e nacionais), que culminaram com a presença de Miguel Rodrigues, ao serviço da seleção nacional de sub 18 de pesca desportiva, no mundial da Sérvia. Nesta época que agora entra, o GDA vai procurar melhorar os resultados da época anterior, mesmo sabendo que modalidades como a ginástica, por exemplo,

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enfrentam muitas dificuldades quanto às condições de treino, devido “à especificidade dos aparelhos e dos custos que acarretam, muito difíceis de alcançar numa coletividade como o GDA, que apesar de ter cerca de 1500 sócios (e estimando-se que mais de metade sejam pagantes) as receitas não chegam para fazer face às despesas de manutenção.” Outro problema que assola o clube, são os transportes, pois se não fosse o empenho dos encarregados de educação, que muitas vezes disponibilizam as suas viaturas próprias, “as coisas seriam ainda mais difíceis para o clube, que apenas possui uma carrinha de 9 lugares.” Na conversa com Alexandre Grazina falou-se também de modalidades que neste momento não estão ativas no clube, e uma boa

notícia para os amantes do desporto, é que o ténis e o Ténis de Mesa, são duas modalidades, que têm uma porta aberta de volta a Azambuja. Segundo Alexandre Grazina, no caso do ténis, a Câmara de Azambuja, apresentou a proposta de ser o GDA a

gerir o complexo existente junto às piscinas municipais. O GDA acolheu bem a proposta, mas Alexandre revela, que antes de ser posta em prática, “existem algumas condições que têm de ser observadas, pois para reabrir o espaço e criar uma escola de té-

nis por exemplo, todos os campos, área envolvente, têm de possuir as mínimas condições para a sua utilização”. Quando o levantamento dessas condições estiver concluído, GDA e a Câmara em conjunto analisarão a melhor forma de voltar a di-

Mudanças para o atleta Paulo Pinheiro atleta de Alcoentre Paulo Pinheiro, trocou este mês o Maratona Clube de Portugal, por um novo desafio. O atleta que esteve 14 anos ao serviço do “Maratona” explicou ao Valor Local, que estava na altura de mudar, salientando que pouco já podia fazer na anterior equipa, que se tem vindo a renovar nos últimos anos. “Eu já não estava lá a fazer nada”. Paulo Pinheiro esclarece que depois de bater a várias portas, com um projeto de desporto adaptado para atletas com problemas mentais, acabou por aparecer a Associação Jorge Pina que lhe deu condições para continuar a correr. Paulo Pinheiro explica que a associação já tinha desporto na área dos invisuais e coube-lhe a si montar um projeto mas na área do desporto mental. Para trás, ficam algumas portas que se entreabriram, como o Grupo Desportivo de Azambuja (GDA) que segundo Paulo Pinheiro, manifestou interesse, mas as questões financeiras acabaram por afastar a coletividade. Paulo Pinheiro que avalia este projeto em cerca de 3000 euros por ano, lamenta o desinteresse do Sporting Clube de Portugal, que estando a apostar cada vez mais no atletismo, acabou por re-

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cusar fazer parte deste projeto. O atleta de Alcoentre que saiu oficialmente do Maratona Clube de Portugal no passado dia 4 no Grande Prémio 10 Km de Tagarro, e diz ter ficado com a sensação de dever cumprido. “Saí pela porta grande” esclarece ao Valor Local, vincando que nesta última representação arrecadou um quarto lugar na classificação geral. Paulo Pinheiro está agora focado no novo projeto na Associação Jorge Pina. “Temos uma equipa montada para ganhar. Estamos a trabalhar para iniciar as competições ao nível do corta-mato e estrada, para nos debatermos com os campeões nacionais em qualquer distância”. O atleta salienta que a equipa agora composta por 6 elementos, está pronta para tudo e promete que irá dar luta. No que toca aos próximos passos, o clube conta apresentar alguns atletas nos “20 km de Almeirim”. Já em Oliveira do Hospital no ínicio de novembro, conta participar numa prova “que dá acesso ao campeonato do mundo nos Estados Unidos” e posteriormente a 18 de outubro na meia maratona na ponte Vasco da Gama.

namizar o espaço. No caso do popular “ping pong” existem contatos com a junta de freguesia de Azambuja, para esta ser parceira num regresso de uma modalidade , onde a escola do Grupo Desportivo de Azambuja, já foi uma das melhores do pais.


Cultura

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Mergulhar no passado em Samora Correia etratos com Memória – Viver o tempo” é o nome de uma exposição que convida o visitante a mergulhar nos tempos dos avós e bisavós de Samora Correia, patente até março de 2016 no Palácio do Infantado. São muitas as fotos de figuras importantes da terra, ou de meras personagens normais do quotidiano de todos os dias que se encontram em exposição no total de 570 retratos. Tirar um retrato antigamente obedecia quase a um ritual, com a indumentária estudada e a melhor pose, e é também um pouco disso que se consegue absorver guiados pelo mentor da exposição Joaquim Salvador. A ideia de uma forma simplificada começou a tomar corpo tendo em mente: “Vamos assaltar o sótão e o baú de recordações das pessoas e ao puxarmos uma colcha antiga cai ao chão uma série de papéis e no meio lá estão as fotos, autênticas relíquias da nossa memória”, destaca Salvador. Na primeira metade do século passado, o fotógrafo da feira era uma espécie de selfie dos dias de hoje, para o qual, as famílias se arranjavam para tirar uma fotografia. Levavam o melhor fato, e faziam da-

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quele ato algo quase sacramental. “É muito gratificante mergulharmos na memória das pessoas, e recolher as suas histórias para esta exposição”, destaca. Inevitavelmente, há fotos das vivências nas ruas de Samora, com muitas imagens das suas festas, dos convívios, e das procissões. Numa das paredes, ergue-se bem distinta uma foto de uma procissão nos anos 40, onde a vida ritualista que se fazia em torno de determinados eventos é o que mais chama a atenção. A acompanhar as fotografias, há poemas originais de autores que foram convidados a refletir sobre o retrato com memória. Na profusão de imagens é possível distinguirmos uma foto do presidente da Câmara de Benavente, ainda criança, ou a foto que imortalizou a inauguração da estátua de homenagem a Fernandes Pratas com os seus ex-alunos a perpetuar o nome dele. “No início do século XX, quando a maioria das pessoas era analfabeta, conseguiu que 60 alunos completassem a quarta classe, e isso foi muito significativo”. Mas há outras fotos a espevitar a curiosidade do visitan-

te: como uma em que várias senhoras estão a tirar um curso de máquinas de costura da Singer, ou a de uma família que se vestiu a rigor para ir para a inauguração da

ponte de Vila Franca. Mas também o ritual da distribuição da água em vasilhas de barro está em evidência nesta exposição. Figuras incontornáveis de Samora não po-

diam faltar como Sérgio Perilhão ou Maria Mil Homens. Joaquim Salvador frisa que o trabalho de recuperação não levou “muito Photoshop, mas apenas al-

gum retoque, porque queríamos que isto cheirasse a velho, era essa a nossa intenção. Se vir há fotos que permanecem com alguns vincos e rasgos”.


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Cultura

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Fábrica das Palavras conseguiu cativar mil novos inscritos no primeiro ano 20 de setembro de 2014, era inaugurado o novo edifício da biblioteca de Vila Franca de Xira, agora batizada de Fábrica das Palavras. Após um ano e prosseguindo o ensejo de se tornar num ex-libris cultural do concelho, e não só, é tempo de balanço, que a autarquia, através do vereador da Cultura Fernando Paulo Ferreira, ao Valor Local, considera como “extremamente positivo”. O autarca reflete que essa conclusão é possível aferir tendo como

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ponto de partidas “as novas vivências que o equipamento e a sua localização têm proporcionado à população da cidade, que desfruta hoje do passeio ribeirinho de um modo mais completo, ou seja, a existência da Fábrica das Palavras permite à comunidade uma interação com o rio Tejo e as lezírias”. É por isso um local que permite momentos de pausa, mas também de fruição cultural. Apesar de todo o glamour que o espaço oferece, a verdade é que

em várias ocasiões, a oferta cultural não conseguiu congregar uma audiência em número à altura de alguns dos autores convidados pelo departamento de programação cultural do espaço. A Câmara recusa falar em “resistência cultural”, e prefere falar na “imperiosa necessidade de combatermos os – ainda - fracos índices de literacia que, registando uma evolução acentuada de há cerca de 40 anos a esta parte, são ainda preocupantes a um nível na-

cional”. Significa isto que os públicos são facilmente atraídos para uma sessão cujo autor lhes seja “familiar”, seja por promoção mediática ou editorial, e já não tanto para outros que, “apesar das provas dadas em termos de uma carreira literária consolidada e de qualidade, não integram, atualmente, os escaparates das livrarias”. “A cultura é um mundo tão vasto e, simultaneamente, tão poderoso ao nível do despertar de consciências, construção de pen-

samento crítico, abertura de horizontes que, a nosso ver, não se coaduna com a contagem de público numa sessão determinada”, prefere concretizar desta forma o vereador que coloca, antes, o acento tónico no ecletismo da oferta: “O importante é levar aos nossos públicos um conjunto de ofertas de caráter diversificado”. “Se hoje tivermos 20 pessoas e amanhã 50 ou 100, é claro que faremos sempre uma leitura atenta às nossas propostas, mas não deixaremos cair o nosso grau de exigência e ecletismo, porque é este, a nosso ver, o caminho para a construção de públicos da Cultura.” Tendo em conta a nova estrutura física, o acervo foi recheado com novas obras, indo ao encontro das preferências do público-leitor e, por outro, das obras (livros, cd’s e dvd’s) de edição recente Ao longo do último ano, foram adquiridos cerca de 200 novos títulos No espaço de um ano a biblioteca recebeu cerca de mil novas inscrições, 46 por cento da cidade de Vila Franca de Xira, 34 por cento de outras cidades e localidades do território concelhio, os restantes 20 por cento de diversos pon-

tos do país, desde Leiria a Évora por exemplo. A Fábrica das Palavras pretende assumir-se cada vez mais como um pólo cultural na região de Lisboa. A localização privilegiada, a par de uma “programação cultural pensada e estruturada para os públicos de todas as idades e um horário de funcionamento alargado (encerra apenas à segundafeira e oferece espetáculos variados, da música jazz aos concertos de música erudita, do cinema para crianças às conferências temáticas, das zonas de biblioteca à zona de cafetaria) com uma vista fantástica e única sobre o Tejo e a lezíria, constituem motivos suficientes para uma visita.” O futuro da nova biblioteca está já ao virar da página, e por isso a autarquia pretende “continuar a apostar numa oferta cultural de qualidade e num serviço de referência em termos da nossa rede de bibliotecas, que é hoje devidamente reconhecido pelos seus pares a nível nacional; indo ao encontro de outros públicos, sejam os que residem fora do concelho, sejam os que, até hoje, não se encontram ainda despertos para as portas que a Cultura pode abrir.”

Está aí a segunda edição do Curt’Arruda ias dois e três de outubro, está de regresso a Arruda dos Vinhos para a sua segunda edição o festival “Curt’Arruda” com mais um conjunto de curtasmetragens nacionais e estrangeiras. O autodenominado “Festival de Cinema Rural mais Urbano de Portugal” tem novidades na sua edição de 2015. André Agostinho, da organização, refere que vão estar oito filmes, sempre com o mote da ruralidade, em competição, na corrida à melhor curta-metragem. À semelhança do ano passado, também “temos o prémio de melhor filme sobre Arruda e a sua ruralidade, que este ano conta apenas com um candidato”. A edição deste ano também possui um ciclo dedicado à realizadora Salomé Lamas, cuja obra dissolve a suposta fronteira entre documentário e ficção. Para despertar o interesse do público em passar nos dias do festival por Arruda, no Clube Recreativo Desportivo Arrudense de Arruda dos Vinhos, André Agostinho revela que em competição estarão a título de exemplo um filme sobre as piscinas naturais dos Açores e outro que capta a imagem de “duas pastoras que ainda continuam a levar as ovelhas para o monte”. Mas outras questões mais escondidas da ru-

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ralidade também serão postas em perspetiva como “a dificuldade de aceitação dos homossexuais numa comunidade piscatória”. “Temos ainda um outro que fala de um craque do jogo da malha, o Chico”. Quatro filmes internacionais fecham o cartaz. O objetivo “é despertar também o interesse da população para o cinema”. “No ano passado tivemos em competição dois filmes sobre Arruda dos Vinhos, este ano temos apenas um, mas penso que de qualidade”. Em 2014, foi apresentado um documentário sobre uma banda de Arruda, “com muitas imagens do antigo Externato Irene Lisboa”. Este filme foi eleito vencedor pelo público. Os organizadores, jovens de Arruda, Joel Ramos e André Agostinho, também realizadores de cinema têm participado em festivais de curtas em todo o país. André Agostinho ficou satisfeito com a adesão registada em 2014, “com muitos visitantes de outras zonas do país, nomeadamente, de Lisboa, embora com menos presenças de pessoas de Arruda, o que nos deixou tristes”. No total, cerca de 400 pessoas compareceram na primeira edição.

Filme chileno rodado em Arruda Entretanto, Arruda dos Vinhos foi a vila escolhida para a rodagem da mais recente curta-metragem do realizador chileno, Luciano Sazo. A escolha do local prendese “pelo o facto de estarmos muito perto de Lisboa e Arruda ter as características que procurávamos” explica Rosângela Barreiro, produtora da curta-metragem. “Cão Morto – História de uma catarse” protagonizado por Teresa Macedo é uma reflexão sobre violência e direitos humanos. Inês (Teresa Macedo) é uma jovem surda, trabalhadora do campo que vezes sem conta é abusada pelo o patrão, rico e poderoso. Uma história cativante e perturbadora que conta também

no elenco com José Neto, Angela Pinto e Kapinha. Tony Costa,

vencedor de vários prémios assina a direção de fotografia. As

gravações decorrem dias 19 e 20 de setembro.


Destaque

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Histórias de discotecas q Foram nos anos 80 e 90 marcos da vida noturna na região, e possuíam uma importância na vida económica local que deixaram de ter. Fomos saber o que é feito de quem esteve durante anos ligado a um negócio que já deu frutos, mas que presentemente entrou numa fase de decadência, o do mundo das discotecas. O fim do glamour contado por quem viveu o período de ouro das discotecas. ¢ Sílvia Agostinho onsidera-se um notívago por excelência, e foi por isso que ainda muito jovem, com pouco mais de 20 anos, decidiu lançar-se no mundo das discotecas, no ano de 1984. Foi durante 15 anos, proprietário, primeiro numa sociedade com mais amigos, depois sozinho, de uma das discotecas mais icónicas do Ribatejo – a Lips no Cartaxo. Na gerência do estabelecimento, procurou acima de tudo “romper com as modas e atrair o que intitula de maioria silenciosa”, no fundo “jovens adultos que gostam de se divertir e que não vão nas ditas modas”. Com isso consolidou uma clientela exigente, na qual também se contavam muitos pais que iam deixar as filhas à discoteca, tranquilos, pois sabiam

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que estavam em boas mãos. Destes momentos, José Reis recordase bem, e não deixa de transparecer alguma emoção. Eram os bons tempos da Lips. O empresário, hoje à frente de uma imobiliária, recorda-se como surgiu o click para abrir uma discoteca – “Um dia estava na Horta da Fonte, e lembro-me que não fiquei lá muito satisfeito com o tratamento. No verão só abriam as portas do pátio quase na hora do fecho, quando estávamos cheios de calor há não sei quantas horas. Não achei correto, e pensei para comigo que um dia haveria de abrir uma casa daquelas, e assim foi, porque tinha gosto pela noite”. Quando abriu, a Lips teve direito a duas inaugurações, “porque o espaço ainda era pequeno, e não

cabiam todos os amigos que foram convidados”. O porteiro era o Roque, campeão de culturismo, e o DJ era o Pechau, uma espécie de lenda da noite cartaxeira, e considerado um dos melhores do país, nos anos 80 e 90, que faleceu recentemente. “Quase que fui pai dele porque cheguei a guardar dinheiro para ele comprar roupa”. No segredo da boa gestão da discoteca durante vários anos, conta que esteve o facto de ao mesmo tempo não ter abdicado do seu principal emprego, assim como o sócio, pois tornava-se difícil “tirar ordenado naqueles primeiros tempos”. E dessa forma também foi possível investir na discoteca, com obras de ampliação, e também “graças a muita gente que nos ajudou”. “Não esqueço que em todas

as obras me fiaram ao todo 1800 contos”. Mas também a aposta musical na altura se concretizou como arrojada, pois até cantores de fado passaram pela Lips. José Reis tem uma explicação para a forma de estar que adotou na noite –

“Quando abri a Lips não foi para destruir a Horta da Fonte, porque não eram do mesmo tamanho, e quis sempre marcar pela diferença. Quando os outros metiam ferro, eu punha madeira; quando metiam madeira, colocávamos plástico; nunca enveredei pelos mes-

mos caminhos, pois quando era moda os martelinhos, optei por não o fazer; e assim por diante”. Chegados a este ponto, não tem dúvidas em atirar – “Na minha opinião, há três ou quatro segredos que fazem com que a noite ande ou não ande. Primeiro agradar à


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que marcaram o Ribatejo maioria silenciosa, pessoas que trabalham mas que não têm tempo para ouvir a música da moda, embora tenham umas noções, mas essencialmente não são notívagas”. E acrescenta – “Acompanhei todas as aberturas de discotecas em Lisboa sempre com os mesmos clientes, pois as pessoas são de modas, e rapidamente frequentam uma casa para passarem para outra, e não era isso que eu queria que acontecesse na minha casa”. “Nunca quis uma casa da moda, que tem durante seis meses 1200 clientes, mas perdeos rapidamente sempre que abre um novo espaço”. Com uma maneira diferente de ver a noite, José Reis lembra-se que foi intitulado de “saloio” por comparação com a Horta da Fonte, tida por si como uma discoteca da moda. “No início muitos tentaram diminuir-nos porque ainda éramos cachopos”. Mas tal não foi impeditivo para o sucesso da Lips, com “muitos clientes vindos de Alenquer, Alverca, Carregado, Santarém. Gente muito engraçada”, lembra-se. “A nossa nata vinha de fora, enquanto a Horta da Fonte era considerada de elites, mas tesas”, não tem dúvidas em considerar. José Reis vai mais longe – “Havia um certo bluff, porque muitos dos clientes da Horta gostavam muito de beber à pala de alguém. Na minha casa, sempre tentei controlar isso. Não deixava o barman oferecer bebidas ao desbarato, por exemplo”. “Na base do que consegui está o que considero ter sido o facto de

nunca ter enganado um cliente, nunca vendi sumos manhosos, nem whisky à porta. As pessoas tinham de ter respeito para vir para a Lips, nem os meus amigos se aproveitavam desse facto para me usurparem”. Confiança era palavra de ordem – “Muitos pais deixavam as suas filhas na discoteca porque confiavam em nós. As miúdas entravam, e depois às quatro da manhã, os pais chegavam e pediam para nós as chamarmos para regressarem. Isto era incrível, muitas destas moças hoje são mulheres. No fundo, a discoteca era quase uma extensão da família”. Ainda neste particular, José Reis sugere – “Não quer dizer que não dessem um beijinho aqui ou ali, mas se reparássemos em algum excesso, tomávamos providências, porque os pais confiavam em nós.”. Este era também o segredo do sucesso da Lips – “Autenticamente, e foi por isso que nós fizemos daquela discoteca aquilo que ela foi!”, sintetiza. “Criámos o mito“É possível divertirmo-nos sem prejudicar ninguém”. Hoje em dia acredita que o facto de muitas casas abrirem a pista com música cada vez mais tarde também está na base do insucesso – “À uma da manhã eu mandava o disc-jockey por musica, independentemente de quantas pessoas estavam na casa”. Os melhores anos da Lips foram já na segunda metade da década de 90, uma espécie de período áureo, de novo com o DJ Pechau, mas foi precisamente nesse auge que José Reis tomou a decisão de

abandonar o negócio da noite, pois à medida que o Cartaxo se tornava uma meca da diversão noturna, a insegurança também crescia a olhos vistos, à mistura com muita corrupção policial. “Fui perseguido pela polícia muitas vezes porque não atendia determinados pedidos como comida e bebida sempre que queriam, e não quando eu entendia. Isto é a pura das verdades”. Mas nos últimos anos da sua gerência, recorda-se de ter uma “equipa fantástica, que funcionava como uma família. Lembro-me de um porteiro muito bom que tivemos, o Fernando Amorim, antigo presidente da junta de Vale da Pinta (hoje vereador) que mantinha muito respeito”. “O cansaço levou-me a abandonar a Lips. Ainda demorei um ano a tentar arranjar um comprador. A discoteca teve outras gerências mas sem muito sucesso”. A Lips fechou entretanto, mas José Reis não se comove inteiramente com o facto até porque a vida traria outros factos bem menos agradáveis como a morte de um filho. Antes de ter abandonado a noite, ainda falou com o presidente da Câmara, na altura, Conde Rodrigues sobre as suas preocupações com a insegurança que se vivia no Cartaxo. No seu entender era necessário reforçar com uma espécie de polícia municipal a noite cartaxeira, paga pelas discotecas, pois milhares de pessoas frequentavam aqueles espaços no concelho. “Circulavam no Cartaxo naquela altura mais de quatro mil pessoas”, e estava a tornar-se in-

A forma como as pessoas se divertem na noite mudou muito nos últimos anos sustentável o clima de algum medo que se começava a instalar. “A ideia era criar uma maximização de reforços para as discotecas. E lembro-me de um episódio que me marcou que meteu ameaça de tiros, e ainda alguns tiros para o ar. O arruaceiro às tantas escapou-se, fugiu para casa, e quando fiz queixa à GNR ignoraram-me, e esse militar não era apenas um soldado raso”, faz

questão de salientar. Lamentavelmente, na sua opinião, a Câmara, na altura, “não quis enfrentar a noite com os empresários”. “Ninguém quis saber do que disse, saí da discoteca com 1800 clientes, atrás de mim foi o bar Charrete e outros espaços”. Contudo, confessa que chegou equacionar voltar ao negócio da noite, mas para já fecha a porta. “Pessoas do Cartaxo já me incentiva-

ram muitíssimo para regressar.” E não deixa de enviar uma última acha – “A noite cartaxeira era algo muito bom para o Cartaxo, depois tornou-se ridícula por força da insegurança, e de algumas forças de segurança que andaram a brincar connosco, e quando se recorreu às entidades políticas estas não souberam estimar o que havia de bom, não acarinharam os empresários”.


Destaque

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Mirage estimulava uma relação de amizade com os clientes Mirage em Marinhais, Salvaterra de Magos, foi também um clássico dos anos 80 na região. A casa deixou marca e saudades na vila ribatejana, e também ela nasceu de um sonho e do bichinho da noite dos seus proprietários, dois irmãos. O Valor Local falou com um deles, António José Neves, hoje arredado do mundo das discotecas. Foi há 30 anos que a “brincadeira” começou, depois de os dois irmãos terem experimentado algumas incursões em festas e convívios na localidade. A música psicadélica e os saudosos gira-discos davam o tom num barracão com luzes improvisadas. Tinha na altura cerca de 15, 16 anos. Fundou a discoteca com 20 anos. O espaço da Mirage foi construído de raiz por ambos, Alfredo e António José. Na altura teve de pedir um empréstimo, o pai também ajudou, mas rapidamente “o investimento foi rentabilizado, algo que seria impossível hoje em dia.” Os primeiros tempos da discoteca foram um sucesso, até porque se tratava de uma novidade. Muita gente de fora vinha a Marinhais, e a rivalidade com os outros espaços do concelho e da região era “saudável”. “Ainda hoje vou à

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Horta da Fonte onde converso com o Toni. Mantenho também uma boa relação com o proprietário de outro espaço que foi importante a Pink Panther de Coruche”. António José Neves dá uma achega diferente para o fato de a noite ter caído, no sentido comercial de que aqui falamos – “Algumas casas começam por selecionar demasiado os clientes à entrada, no estrangeiro não vimos isso, pois há pessoas de todos os tipos nas discotecas. Inicialmente também foi isso que quisemos fazer na Mirage, e assim se promovia também um maior espírito de convívio e amizade entre os frequentadores. Não havia tantos grupinhos”. O empresário não vê grande sentido no facto de as discotecas de província quererem continuar a apostar na dita “gente bonita”, de um estrato social mais alto, em contraciclo com o que se passa lá fora. “Por isso é que as casas fecham”. Por outro lado, os jovens “têm grande apetência pelas discotecas de Lisboa, o que complica ainda mais”. Torna-se mais difícil gerir este tipo de casas no nosso país do que no estrangeiro, essencialmente porque “cá o público vai por ondas, até me admiro de a quizom-

ba já estar a durar há tanto tempo”. Sendo assim “torna-se ingrato para quem quer fazer algo de novo”. As melhores recordações que guarda da Mirage prendem-se também com o espírito de amizade com os clientes – “Depois da hora de fecho da discoteca ficávamos na conversa e na galhofa com eles, o que não acontece hoje. Antigamente conseguíamos reunir um grupo de 20 ou 30 pessoas que depois do encerramento ia para a Barragem de Magos ou para o pão quente”. Naquela altura, o acesso às novas músicas não estava à distância de um clique, e o proprietário da Mirage lembra-se que quando ia a Lisboa a duas ou três lojas que existiam na altura, a da Portela ou a Bimotor, e já não conseguia arranjar os melhores discos, que eram encaminhados para os donos de discoteca de Lisboa. “Para nós empurravam a música que não era interessante”. Como via essa possibilidade cortada, António José Neves ia com frequência a Alemanha e a Espanha buscar as novidades em inglês. “Cheguei a enviar disc-jockeys a Inglaterra para irem buscar música”. Mas nem sempre as novidades trazidas agradavam a todos:

“Púnhamos a tocar essas músicas mas as pessoas inicialmente não aderiam, só passados quatro ou cinco meses essas canções começavam a fazer furor”. Eddy Grant foi uma novidade estreada por si na discoteca. A Mirage começou a decair há cerca de 15 anos, e António José

Neves optou por fechar. Ainda teve outros espaços, mas “só por manter a porta aberta tinha despesas fixas de 600 euros por dia”, e por isso entretanto desistiu. Hoje olha para a decadência da noite com preocupação – “Porque sair à noite, espairecermos, divertirmo-nos faz-nos bem. Um dia

vamos pagar essa fatura se as pessoas continuarem a ficar dentro de casa fechadas. Nos países nórdicos vão todos para a rua, você facilmente constata que os jardins, e as esplanadas estão cheias, enquanto no nosso país e na nossa região isso não acontece”.

O dia em que a Samantha Fox veio a Azambuja qui se fizeram muitos casamentos”, é assim que em parte João Cunha descreve um pouco também do espírito da mítica discoteca de Azambuja, Ponto e Vírgula, que entretanto regressou. O seu primeiro proprietário, que durante 20 anos não pisou o espaço, está disposto a fazer deste um novo ponto de encontro e de convívio na região. João Cunha apagou o ponto final, e está cheio de garra para arrancar novamente com a Ponto e Vírgula, que começou em 1983 apenas como pub. “A discoteca teve momentos menos bons, sei que nos últimos anos houve várias transformações. No tempo em que geria a casa tentámos sempre ir de encontro ao que o público gostava, e fazer o nosso trajeto, no fundo ir de encontro às modas”. A evolução para discoteca deu-se na década de 90. As matinés eram as rainhas do espaço e marcaram gerações de azambujenses e não só. “Nessa altura mexemos um bocadinho com o negócio da noite, as nossas sextas e sábados

“A

contavam com lotação esgotada, e foi assim que também nos tornámos um pouco icónicos na região a par da Green Hill, na Foz do Arelho, e da Golden Stone”. Azambuja estava pois na meca da diversão noturna na região, e até uma improvável Samantha Fox veio até ao espaço, ainda a cantora estava no seu auge. “Foi um momento oportuno, porque ela veio a várias discotecas e encaixou na agenda a nossa. Também esteve na Horta da Fonte, no Cartaxo”. Nesta reabertura 20 anos depois, “regressaram algumas pessoas que na altura eram adolescentes e que hoje trazem cá os filhos com as idades que os pais tinham quando frequentavam o espaço, e isso é giro.” João Cunha também concorda quase de imediato que a noite hoje é muito diferente da noite nos anos 80 e 90. “Hoje as coisas estão mais perigosas, na minha opinião, por isso também controlamos a entrada de algumas pessoas, isto sem querer criar rótulos”. O empresário vai também

tentar adaptar-se da melhor forma à nova lei do álcool que restringe os consumos a menor de 16 anos. A discoteca vai entretanto sofrer obras de remodelação, mas João Cunha está consciente da concorrência cerrada, especialmente com o facto de abundarem “cafés com karaoke, que tentam imitar ao máximo o ambiente das discotecas, porque é fácil arrastar mesas para o lado. Com certeza que o sol quando nasce é para todos, mas alguns para terem tudo a funcionar devidamente pagam as licenças todas que são necessárias, enquanto outros se vão aproveitando das circunstâncias”. Quanto ao declínio nos últimos anos deste tipo de espaços, João Cunha que afirma querer “morrer na noite”, salienta sobretudo a concorrência. Sofre-se bastante “os efeitos das modas”. Contudo, “a crise neste contexto também não foi assim tão má, porque se deu uma maior seleção”. Também é da opinião de que “os donos destas casas devem tentar sair o mais possível das modas, de que é exemplo hoje em dia o furor das

quizombas. Tentarmos ser mais abrangentes porque há muita música com qualidade”. “As pessoas de Azambuja também não se podem queixar cons-

tantemente de que nada se passa na terra, está na altura de saírem de casa e procurarem a oferta existente”. Com porta aberta desde há sete meses, reconhece que

teve algumas noites fracas, mas o balanço acaba por ser positivo. Sempre com muita gente de fora, mas também de Azambuja, e sobretudo de Aveiras de Cima.


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Destaque

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A Golden Stone foi demolida e pouca gente deu por isso ntrou pela primeira vez na Golden Stone, uma das mais inesquecíveis discotecas da região e de Vila Franca de Xira, pela mão da mãe com 10 anos. A meio da década de 90, viria a ser um dos disc-jockeys daquela discoteca que já existia desde os primeiros anos da década de 80. João Sabino, com 37 anos hoje em dia, lembra-se que a discoteca sofreu muitos altos e baixos. Em 1998, “fui convidado a sair”. São muitas as memórias desta casa e da importância que significou na noite vilafranquense e não só. Os proprietários do espaço faleceram ambos nos últimos anos. O antigo DJ da Golden recordase que o boom das discotecas deu-se em finais da década de 80, inícios dos anos 90, e nessa altura a discoteca do Monte Gordo (zona de Vila Franca onde se encontrava localizada) rivalizava já com outras da cidade, a Dó, Ré, Mi e a Salsaparrilha. João Sabino que exerce até aos dias de hoje o seu trabalho como DJ tem por isso uma visão privilegiada sobre a evolução da noite, dado que começou, ainda, muito

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jovem – “A faixa etária dos frequentadores da noite, nessa altura, era um pouco superior à de hoje”. E também ele gostava mais desses tempos e da forma como a noite era vivida, especialmente se nos cingirmos à realidade de Vila Franca – “Preferia, completamente, voltar 20 anos atrás”, desabafa, até porque “havia mais gente em Vila Franca e mais espaços. Principalmente vinha muita gente de fora conhecer a cidade porque sabia-se que a noite aqui era boa”. A animação era efervescente com bares, discotecas e até pequenos espetáculos de rua que entretanto a cidade perdeu. Com uma vista soberba sobre a cidade, o Tejo e a Lezíria, (a que se juntaram várias obras de ampliação e remodelação), a discoteca não conseguiu evitar, contudo, o facto de por, diversas ocasiões, ter mudado de gerência, e ter enfrentado períodos menos áureos. Em 2004, “chegou mesmo a mudar para Xira Club”, refere Sabino. “A Golden enfrentou muita concorrência, derivado também ao facto de os

jovens preferirem ir para Lisboa; ou outros locais que de repente ficavam na moda. Lembro-me de uma discoteca em Alcochete

por exemplo”. Mas sobretudo coloca o enfoque no facto de “ter tido várias más gerências”. Tendo já passado por variados espaços noturnos, o DJ tem dificuldades em conseguir arranjar uma justificação para a circunstância de tão depressa uma casa estar no topo das preferências como tão depressa cair em desgraça. “Temos casas dotadas de uma ótima decoração, com ótimo serviço, e onde existe um grande cuidado com o DJ residente, normalmente alguém que consegue ler bem a pista, e sempre com música atual. E hoje em dia, determinada malta que frequenta as discotecas não liga muito a isso, prefere ir atrás de um determinado estilo de música e não dá valor à boa organização. Por vezes o que acontece, é que preferem sítios onde podem entrar sem consumir”. Voltando à Golden Stone, confessa que chegou a ser contactado no início desta década para em conjunto com outros interessados pegar novamente no espaço, mas acabou por desistir. “Em 2014, fui surpreendido com a informação de que a discoteca havia sido demolida”, devido ao facto de estar em zona de aluimento de terras, como aliás, os restantes edifícios do Monte Gordo. “Fiquei mesmo chocado com a demolição. Só acreditei quando fui lá e coloquei o meu carro mesmo no meio daquele largo, olhei à minha volta e não vi nada”. A nostalgia tomou conta de si, bem como a sensação de

frustração pelo facto de a Golden ter ficado perdida para sempre, “sem que ninguém conseguisse fazer daquele espaço o que ele merecia enquanto casa noturna”. “Podia voltar a ser uma referência, porque a Golden era conhecida como o satélite da noite na região. Os jovens chegavam a subir a pé aquela encosta de noite, e acredito que, hoje, podia ser mais do que uma simples discoteca, talvez um espaço multifunções”. Ainda sobre a famosa questão do aluimento de terras, não consegue deixar de contar o episódio de quando em 1997, “a dona Helena, proprietária da discoteca, começou a mandar vir com os homens das máquinas que andavam a fazer as obras da urbanização do Monte Gordo, por-

que se estava a começar a construir os prédios e ela alertou que, para além, de lhe irem destruir a estrada e a discoteca, o subsolo era oco, porque tinha existido naquele lugar uma pedreira. Lembro-me tão bem deste episódio como se fosse ontem”. Outro fenómeno que no seu entender tem feito mossa nas discotecas, prende-se com o facto de os bares hoje em dia poderem estar abertos até mais tarde, com música posta por um DJ, em que as condições da casa não estão vocacionadas para discoteca, mas onde as bebidas são mais baratas, e “as pessoas evitam seguir para as discotecas, onde os donos têm toda uma série de encargos que os bares não possuem”.


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Saúde

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A Saúde está pelas ruas da amargura no concelho de Azambuja estado da saúde no concelho de Azambuja está a começar tomar proporções preocupantes. O concelho não consegue segurar por muito tempo os clínicos que são colocados pelo ministério da Saúde através de empresas para o efeito. Neste momento, a extensão de saúde de Alcoentre está mesmo sem médico. À nossa reportagem o utente José Carlos Santos refere a sua indignação: “Fui marcar uma assistência às cinco da manhã, como é costume. A dada altura olho para a porta, e estava afixado um papel a dizer que não havia médico. Cerca das 10 horas, regressei e fui informado de que já não tínhamos médico”. O utente ainda considerou a hipótese de naquele dia rumar ao centro de saúde de Azambuja mas foi informado de que só podia contar com uma consulta para o seu caso em específico aos sábados e aos domingos, da parte da tarde. “Sendo que atendem apenas 20 pessoas, algumas chegam às cinco da manhã já não conseguem obter consulta, tenho análises para mostrar e

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estou a ver que vou ter de regressar a um médico particular”. A freguesia de Alcoentre abrange três mil pessoas que neste momento estão sem médico. Em reunião de Câmara de Azambuja, o tema também esteve em discussão, desde logo porque um munícipe apresentou as suas preocupações. Numa reunião onde não esteve presente o presidente da Câmara, os presentes foram informados de que a Câmara continua a ser intransigente quanto a ser a autarquia a diligenciar um alojamento para os clínicos, possibilidade que outros municípios vão adotando. Luís de Sousa continua a sonhar com a hipótese de o Governo algum dia disponibilizar as casas dos antigos guardas (nem todas em boas condições) dos complexos prisionais da vila de Alcoentre. “Não é da minha responsabilidade disponibilizar alojamento, isso é responsabilidade do Governo que se calhar devia pagar mais aos médicos”, refere ao Valor Local. Em reunião de Câmara, o vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, Jorge

Lopes, disse que a Câmara “podia ao menos tentar” esta solução. “Sugiro que se informe sobre o sistema encontrado pela Câmara do PS, do seu partido, em Arruda dos Vinhos”, mas o vice-presidente Silvino Lúcio defendeu-se – “Noutros municípios, os médicos têm casas e mesmo assim vão-se embora, como no caso de Idanha, por exemplo”. Uma das razões para o facto de que poucos ou nenhuns se estabeleçam no concelho, e segundo o argumento mostrado por Herculano Valada, vereador eleito pela CDU que vota ao lado do PS, prende-se com a convicção de que em Azambuja não têm colegas com quem debater assuntos ligados à profissão, e com isso ganharem estaleca e aprendizagem profissional. Luís de Sousa reitera que não anda a dormir acerca deste assunto, “como muitas vezes somos alcunhados”. O presidente da Câmara refere que tem insistido com o ACES – Estuário do Tejo e deixou no ar junto de Carlos Agostinho, diretor daquele organismo de saúde, de que não

estão fora de hipótese manifestações e que as empresas que

colocam os médicos no concelho têm de ser punidas por in-

cumprimento. “Não vamos ficar quietos e calados”.


Opinião

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A Saúde está melhor A

edição de Março do Valor Local foi dedicada à temática da Saúde, onde numa Via Sacra pelos Centros de Saúde, constatava a falta de Médicos de Família em toda a região. Passados seis meses, hoje, no Centro de Saúde de Vila Franca de Xira todos os utentes frequentadores já têm Médico de Família. O Concelho de Vila Franca de Xira recebeu mais dois Médicos de Família no Centro de Saúde do Forte da Casa. A população de Alenquer também esta semana teve mais um Médico de Família. Este é o caminho que se tem vindo a fazer para que todos tenhamos aces-

so a Médico de Família. O acesso de todos os portugueses a serviços de saúde é mais do que um preceito constitucional, é um pilar fundamental de justiça social e um verdadeiro direito de qualquer cidadão. Nestes últimos quatro anos, o Governo garantiu um Estado Social viável. Um dos exemplos claros dessa garantia é o trabalho realizado para evitar uma ruptura nos serviços de Saúde logo no início do mandato, devida a um legado de má gestão que não pode ser repetível. Quando a Coligação PSD/CDS chegou ao governo, a dívida a fornecedores na área da saúde

era de 3,7 mil milhões de euros. 3 700 000 000 € de dívida a fornecedores, apenas na área da Saúde. Mas a Reforma na Saúde não se ficou por aqui, foram criados sete novos hospitais, um deles aqui na Região. O Novo Hospital de Vila Franca de Xira serve cerca de 245.000 habitantes, numa área de influência que abrange os concelhos de Vila Franca de Xira, Arruda, Benavente, Azambuja e Alenquer. Existem no País, mais 117 Unidades de Saúde Familiar (USF’s), e foram abertos 32 novos Centros de Saúde. Alguns

Valor Local

destes equipamentos estão na nossa região, como é o exemplo do Centro de Saúde de Alhandra. Para além dos equipamentos, o Governo foi mais longe e melhorou o acesso ao SNS, através da total isenção de taxas moderadoras a mais de 6 milhões de portugueses. Esta isenção foi alargada a menores de 18 anos. Também estão isentos do pagamento de taxas moderadoras 9 em cada 10 pensionistas, além de todos os agregados com rendimentos inferiores a 1.248 euros por mês. Esta Reforma na Saúde, também se reflectiu nos medica-

mentos, reduzindo substancialmente os preços destes, em particular no que respeita aos genéricos. O uso de medicamentos genéricos que hoje já representa uma quota de mercado de quase 50%, em 2011, a quota era apenas de 31%. Devido ao facto do Governo ter reduzido o preço dos medicamentos genéricos em 53% desde 2010. O Programa de Vacinação, criado pelo SNS assegurou a maior vacinação de sempre contra a gripe, beneficiando 1,6 milhões de portugueses. O Programa é gratuito para maiores de 65 anos. A vacina Prevenar foi finalmente incluída no Plano Nacio-

nomeadamente empresas (Ex.: I&D = Investigação & Desenvolvimento de novos produtos). As chamadas Universidades para a Terceira Idade teem como objetivos primordiais, proporcionar o envelhecimento ativo e saudável com a realização de atividades intelectualmente estimulantes visando a melhoria da qualidade de vida da população sénior (reformados), proporcionando-lhes convívio e aprendizagens informais, por forma a sentirem-se úteis e capazes de interagirem em atividades socioculturais. Não são sujeitos a avaliações e consequentemente não são atribuíveis graus académicos. Na minha modesta opinião o sintagma que se coadunava, seria: Academia para a terceira idade ou preferencialmente Academia Sénior porque efetivamente, os objetivos de ambas, são díspares (teem inegavelmente diferentes propósitos). Até para evitar-se confusões! Posto isto e antevendo um futuro próximo, foco-me agora em um outro tema que reputo de muito importante e do qual já manifestei a minha opinião, em privado. Introduzo agora à “discussão pública”, se assim se pode apelidar, que se pretende construtiva, através desta crónica. Trata-se da introdução nas UTI’s de uma Unidade Curricular (UC), a formação de professores para seniores, com vista à formação interrelacional e gerontagógica (conceituo, como o processo de ensino e aprendizagem da pessoa idosa) dos professores voluntários que assumissem, por honestidade inte-

lectual, terem insuficientes qualificações/competências nas áreas descritas e serão muitos, dado não existir, estatutariamente, nas UTI’s a exigência de um mínimo de formação académica, ou estabelecer-se um perfil para o candidato a professor ao ensino sénior. Tanto quanto julgo saber, também não existe no nosso país quem dê formação a quem pretenda enveredar pelo ensino de seniores. Não estou englobando os artesãos, artesãs e/ou outras atividades de cariz prático (fazer-fazer). Também penso que os candidatos a professores deveriam estar obrigados à apresentação do plano de ação da sua Unidade Curricular (UC), bem como dos planos de sessão (aulas), até para não dar azo à sobreposição de matérias e, também para determinação da adesão (número de alunos inscritos) nas respetivas UC’s. Pelo exposto, parece-me pertinente e motivo de discussão, a existência desta UC em todas as UTI’s e/ou a implementação de perfil para professor e a obrigatoriedade de apresentação do plano de ação da UC, pelos seguintes pressupostos: 1º. Tenho a perceção de que se assiste a uma nova vaga de reformados cada vez mais jovem e mais escolarizada. Naturalmente com outros níveis de exigência, procuram novas aprendizagens de forma competencial/informal e, no futuro talvez formal, neste tipo de estabelecimentos. 2º. E, porque penso que, em resultado das habilitações académicas que possuem e das profissões que exerceram e pela sua meia-idade,

Odete Silva nal de Vacinação. Nada está concluído, por isso devemos continuar este rumo. Para nos levar, juntos, até ao futuro que todos nós queremos. Portugal convoca-nos no próximo dia 4 de Outubro.

Reflexões e inquietudes aro leitor. Abordo nesta crónica, dois temas emergentes, a saber: 1º. Eleições legislativas e representatividade democrática: Será já no próximo dia 04 de outubro, que seremos chamados a votar um novo governo e uma nova assembleia legislativa. A decisão dos eleitores não se afigura nada fácil. Senão vejamos: a) Não existe uma verdadeira alternativa de poder, porque a política portuguesa está bipolarizada (dois partidos para a governabilidade - a coligação PSD/CDS e o PS). A direita e a esquerda radicais não são, obviamente, opção; b) Também não existe na sociedade portuguesa uma verdadeira cultura de compromisso (senão, os partidos mais votados estariam a governar-nos), como nos países nórdicos, onde o interesse do estado e consequentemente do seu povo, está acima dos interesses pessoais e partidários. Em Portugal, os partidos visam apenas o poder pelo poder, a qualquer preço, como forma de garantir a manutenção dos privilégios da classe e, a defesa dos “lobbies” económicos, financeiros e corporativos, que os sustentam; c) A situação afigura-se-me tanto mais complicada, quanto sabemos que, quem realmente nos irá governar, será a “troika”, e não o governo saído das eleições. E disto, não tenhamos qualquer dúvida! O governo que vier a ser eleito, será, para uma vez mais, cumprir subservientemente, os ditames da “troika”, e não aplicar os seus programas de governo, não assumindo o cumprimento das promessas,

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isto, para além de, nenhum deles obter maioria absoluta. E depois… se não se entenderem, qual será o destino próximo (aberta a crise política; novas eleições)? d) Depois! Bom, depois … temos as incongruências da democracia: 1º. A abstenção nas últimas eleições legislativas, foi de 41,93% (não votaram 4.035.539 eleitores inscritos, em um universo de 9.624.133)! Algum partido ou político valorizou este facto? Não significará que 41,93% dos eleitores não se reveem no sistema político e nos partidos do arco da governação e consequentemente quase metade dos eleitores não pretendem participar no regime político vigente! Que representatividade democrática (não está em causa a legitimidade) tem o partido vencedor para governar com estes resultados (relembro que o PPD/PSD, alcançou 38,65% dos votos e o CDS/PP apenas 11,70%). Concluise portanto, que a atual coligação no poder, representa apenas 2.793.069 de portugueses (alguma classe média, classe média-alta e classe alta), em um universo de 9.624.133 de eleitores inscritos, o que, convenhamos, representam uma minoria dos portugueses. 2º. Mas … em termos de incongruências em democracia, há mais! Como é possível em democracia, um partido que tem apenas 11,70% = 653.888 votantes (números absolutamente irrisórios) esteja na governança, com alguns ministros e, acima de tudo, com um vice-primeiro ministro. 3º. E não venham com ideologias (de esquerda e de direita). Então o nosso povo umas vezes é de direi-

ta, outras de esquerda? Não, trata-se apenas de falta de alternativas credíveis e, as que vão surgindo, são sempre de esquerda e radicais, o que facilita e promove a bipolarização. Ou me engano muito ou a abstenção vencerá, de novo, as próximas legislativas e as vindouras, se nada se alterar no atual sistema eleitoral (porque não, o voto obrigatório?), até lá. A pré-campanha que temos vindo a assistir, deveria envergonhar os políticos que a protagonizam. O atual governo deveria pedir desculpas aos portugueses pelas falácias proferidas nesta pré-campanha e não só (números do desemprego; encargos com a dívida, contratos PPP, entre outras). Este foi um mero exercício de retórica especulativa. A minha inquietude reflexiva leva-me, por vezes, a especular sobre assuntos incomuns. Mas… reflitam sobre isto e votem! 2º. Universidade ou academia? credibilização do ensino sénior: - Volto a este tema, por me parecer que tenho algo mais a opinar. Assim: a) Desde sempre, não concordo com o sintagma: Universidade da terceira idade! As Universidades tradicionais são estabelecimentos de ensino e formação de alunos (sujeitos a avaliação permanente) para a vida ativa, i.e, licenciados (licença para o exercício de determinada profissão) e outros graus (mestrado e doutoramento) e, apresentam três vetores essenciais: o ensino, a pesquisa e o serviço à comunidade, através da investigação e de parcerias com as organizações,

Augusto Moita estimularam naturalmente o seu potencial cognitivo, aumentando portanto os seus graus de criticismo e de exigência, que não se compadecerá, em um futuro próximo, com professores inaptos; 3º. E com a evolução natural, mais tarde ou mais cedo, em parcerias, digo eu, poderão as UTI’s vir a certificar alguns dos cursos ministrados, por passarem a ter um papel mais interventivo, mas para que tal aconteça, são necessários professores habilitados e competentes (com perfil adequado). Esta é a minha sincera opinião, sem preconceitos e sem juízos de valor, prévios. Apenas e só, numa perspetiva de subsidiação para a discussão de um tema, de forma séria e aberta, fruto da minha inquietude. 4º. Por último, defendo que devemos pugnar por uma cultura de excelência (credibilização) em tudo o que protagonizamos! Acabemos, de uma vez por todas, com o laxismo, em qualquer que seja a nossa área de atuação! Na próxima crónica espero voltar a dissertar sobre temas da minha área de formação. Até lá e boas leituras!


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Opinião

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A rentrée ão, não vou falar da rentrée política que ocorre normalmente em princípios de Setembro, depois de os políticos retemperarem forças nas areias portuguesas, de Moledo a Vila Real de Santo António. Mas como este ano há eleições à porta, a rentrée não se fez, porque não houve férias de Agosto para a política. Estou a falar naquelas centenas de milhares de jovens que, nos diversos níveis de ensino, fazem a transição do “dolce fare niente” de Verão - alguns, porque outros aproveitam a pausa da escola para juntar uns cobres em qualquer emprego sazonal, seja de salva-vidas na costa, a apanhar fruta por esse País fora ou na campanha do tomate (o exemplo mais caseiro!). Faz-se a busca aos materiais escolares, decoram-se horários, compram-se livros novos, mochilas, sapatilhas, as mães dão a volta à roupa de inverno e tudo se conjuga para mais nove ou dez meses de rotina diária casa/escola. O que se espera destes jovens em que o País – ou seja, nós todos através dos nossos impostos – investe muitos milhões de euros e nos quais os pais vêm sumir-se grande parte dos seus rendimentos? Espera-se naturalmente que estudem, que se ar-

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Joaquim Ramos

mem de conhecimentos e técnicas, que se empenhem na sua formação escolar, na aprendizagem duma profissão, na aquisição duma consciência social que os transforme em cidadãos plenos, produtivos e solidários, que garantam o seu futuro mas também o futuro de Portugal e das gerações vindouras. É isto que se espera deles. E, na generalidade, eles correspondem às ex-

pectativas que neles pomos. São informados, bem apetrechados do ponto de vista profissional, generosos, alegres e confiantes no futuro. É vê-los, a ir ou vir das escolas em grupos, mochila às costas e olhos brilhantes de confiança no futuro. O que esperam estes jovens do País em que nasceram e cresceram, que gastou o dinheiro dos seus pais num longo percurso de

aprendizagens que os obrigou a renunciar a muitas festas e finsde-semana, que lhes causou várias noites de insónia mergulhados em livros e apontamentos, que os fez passar por testes, exames e provas de aptidão da mais diversa índole - enfim, um conjunto de agruras e obstáculos pelos quais tiveram que passar, porque também eles fazem parte do processo de aprendizagem e

crescimento? Pouco, infelizmente. Pouco lhes podemos oferecer. O trabalho passou a ser considerado uma mercadoria, um factor de produção a que é preciso baixar os custos. Deixou de ser o corolário duma aprendizagem profissional. Passou a ser visto como um meio e não como um dos mais importantes vectores da nossa realização enquanto pessoas – e

também da nossa sobrevivência. É por isso que assistimos a esse gigantesco e ultrajante desperdício de dar uma formação profissional a centenas de milhares de jovens e depois obrigá-los a aplicar esses conhecimentos no estrangeiro, por falta de alternativa. É um desperdício e uma violência, com toda a panóplia de sofrimentos que a emigração comporta. Perguntar-me-ão se isso não seria inevitável, dada a crescente substituição do homem pela máquina. Sim, é inevitável quando temos uma orientação liberal do tipo “o mercado resolve tudo”. Mas numa sociedade moderna não pode ser essa a filosofia de quem governa, há que criar e impôr ao mundo empresarial mecanismos que garantam progressivamente o emprego como um dever social.


Eventos

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Festas da freguesia de Azambuja:

Inauguração de painel de azulejos promete causar sensação freguesia de Azambuja recebe a partir desta sexta-feira (18) e até domingo (20) as Festas em Honra da Nossa Senhora da Assunção. A iniciativa que parte da junta de freguesia local possui este ano algumas novidades que prometem fazer a diferença em relação a edições anteriores. Inês Louro, presidente da Junta de Freguesia de Azambuja, que guiou o Valor Local aos locais mais emblemáticos desta festa, salienta a importância e a devoção dos azambujenses a Nossa Senhora da Assunção, reforçando que a padroeira da freguesia tem um local de destaque em todos os festejos que juntam o religioso ao profano. As festas que assinalam sete anos de existência vão centrar-se num momento inicial junto ao Largo Padre João Canilho, mesmo em frente à igreja matriz. O momento é importante porque no muro que ladeia o monumento, e que serve de suporte à Rua Rolim

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de Moura, será eternizado o “Fado do Cavalo Ruço”. A Junta preparou por isso a inauguração de um imponente painel de azulejos alusivo àquele fado da autoria do azambujense Paulo José Vidal “que era veterinário de profissão; que deu e fez muito por Azambuja”. Esta foi uma ideia do Centro Hípico Lebreiro de Azambuja que celebra 50 anos de atividade. O momento marcado para as 19 horas do dia 18, contará também com a atuação da fadista azambujense, Maria do Céu Corsa, que cantará o fado do cavalo ruço de forma simbólica. Aliás, a fadista está também na capa de mais uma edição da revista “Terra Velhinha” que será lançada ao mesmo tempo que se inaugurará a exposição de fotografia de António Ribeiro na Poisada do Campino. Todavia a inauguração do painel de azulejos, abrilhantada pela fanfarra dos Bombeiros de Azambu-

ja, receberá ainda a escolta dos campinos locais, e de elementos do centro hípico que estarão montados em cavalos ruços, numa consagração da homenagem pretendida.

À meia-noite, a referência vai para a “mesa da tortura” na praça de toiros Dr. Ortigão Costa no Campo da Feira. A festa segue depois de jantar com uma largada de toiros na Várzea do Valverde em

Azambuja, e com um espetáculo organizado pelos dadores de sangue em Azambuja denominado “Heart Fest 2015”. O dia de sábado destaca-se pelo desfile de campinos e jogos de

Inês Louro deposita fortes expetativas no sucesso desta edição das festas

cabrestos, tertulianos e cavaleiros amadores pelas ruas da vila. Referência ainda para os variados destaques relacionados com a festa brava. Desde logo várias provas de perícia para campinos e curiosos na Várzea do Valverde; e a corrida de toiros pelas dez da noite na praça de toiros local. Quanto ao Cartel, atuam: Nelson Limas, Francisco Parreira, Manuel de Oliveira, Rui André e Rui Jardim. Pegam os toiros da ganadaria João Ramalho: os forcados amadores de Azambuja. O domingo começa com um desfile da banda do Centro Cultural Azambujense, que seguirá rumo à igreja matriz onde será celebrada uma missa em honra da Nossa Senhora da Assunção. Segue-se uma tarde dedicada ao aniversário do rancho infantil de Azambuja, rapazes da Grade e raparigas da Monda no largo do município em Azambuja. As festas terminam com uma atuação dos Alunos de Apolo no mesmo local.

Vale do Paraíso recebe mais uma edição da “Paraísabor” ale do Paraíso vai estar em festa de dois a quatro de outubro próximos. Trata-se de mais uma edição da Paraísabor, cujo destaque vai para a gastronomia local. Armando Calisto, presidente da junta de freguesia local, vinca que este certame com apenas 10 anos de existência, já está na rota dos forasteiros, que procuram por estes dias a localidade onde D. João II se encontrou com Cristóvão Colombo. Esta é aliás uma mais-valia em termos turísticos para Vale do Paraíso. A localidade já é conhe-

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cida pela Casa Colombo, um centro de interpretação, que constitui também “um ponto a favor destas festas que celebram o torricado”. A juntar ao torricado, está também o vinho de Vale do Paraíso que é “uma zona importante em termos vitivinícolas, com vinhos da freguesia produzidos na localidade e com uma forte componente nestas festas.” Aliás, o presidente da junta, vinca igualmente a participação das associações locais bem como o dinamismo social associado a esta iniciativa.

Para além da gastronomia assegurada pelas associações locais, Armando Calisto salienta a segunda edição da Feira de Artesanato “que no ano passado teve 12 artesãos, mas que este ano deverá registar o dobro”. Ao Valor Local, o presidente da junta refere que nem todos são do concelho de Azambuja, e assegura que a qualidade das peças em exposição “será a mesma ou melhor do que na edição anterior.” Mais uma vez, o certame vai desenrolar-se junto ao pavilhão polidesportivo, espaço que acolhe

há cerca de quatro anos este festival que antes era realizado no miolo da freguesia. Sobre esta alteração de espaço, Armando Calisto reconhece que pode não ter sido a mais benéfica para o comércio, mas tendo em conta o crescimento do certame, foi a melhor solução, se pensarmos no estacionamento existente e nas condições para implantar as tasquinhas. Armando Calisto espera ainda a presença do presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, Ceia da Silva, na inauguração.

Armando Calisto está confiante no sucesso do certame

Alenquer é Terra da Vinha e do Vinho e 25 de setembro a 18 de outubro, ao longo de vários dias, tem lugar um dos certames que começa a ser um dos principais expoentes do turismo em Alenquer com o evento “Terra da Vinha e do Vinho”. De acordo com a Câmara de Alenquer, “as expetativas são as melhores.” A Festa da Vinha e do Vinho é

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um projeto em desenvolvimento, sendo-lhe “aportadas mais-valias a cada edição que passa”, diz o município. A autarquia refere que a estratégia passa essencialmente pela atração de um segmento turístico constituído por amantes da enologia e da vitivinicultura, oferecendo-lhes progressivamente um cartaz de eventos “genuíno

e tradicional , mas gizado em torno da excelência.” No entender da Câmara, só assim se conseguirá fazer crescer sustentavelmente este evento para que ganhe escala regional e nacional. As principais apostas desta edição são quatro eventos que no futuro próximo a Câmara espera

que se possam converter em atividades turísticas de referência: O” Alenquer Wine Sunset Party”, o “IV Desfile do Vinho e das Vindimas”, a “Gala Concelhia Rainha das Vindimas” e a “Quinzena da Codorniz e do Torricado”. No lote das novidades, para além dos dois últimos eventos, destaque ainda para a atividade “Patri-

mónio Técnico Vitivinícola: da antiguidade à modernidade” integrada nas Jornadas Europeias do Património e para o I Concurso de Vinhos de Alenquer. “Estamos convictos de que já conseguimos conquistar parte do público-alvo e de que

com esta oferta, estão reunidas as condições para consolidar e desenvolver exponencialmente este produto turístico”, conclui a autarquia.


Valor Local

Ambiente

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Um milhão de euros para limpeza urbana no concelho de Vila Franca município de Vila Franca de Xira vai dar continuidade à substituição de contentores do lixo por ilhas ecológicas. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, destacou que a câmara vai adquirir para já quinze novas ilhas ecológicas, o que representa um investimento de 510 mil euros, que se junta aos 125 mil euros investidos no ano passado. O autarca salienta que este é um trabalho que visa substituir os contentores e que levará anos. “Não se pode dizer que vamos conseguir resolver tudo até ao fim do mandato”, vinca. Esta é a estratégia adotada pelo município para ir fazendo pontualmente a substituição dos velhos contentores. O autarca reconhece que

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são investimentos muito pesados “mas que vão ser feitos até ao fim do mandato”, mas vinca ao mesmo tempo que tal não resolverá os problemas de imediato e que deverá levar pelo menos 10 a 15 anos a substituir todos os contentores em todo o concelho. Todavia, o investimento do município na recolha de lixo vai também passar pela renovação de parte da frota. Nesta altura, o autarca anunciou a aquisição de duas viaturas de recolha pesadas, com um investimento de quase 400 mil euros. “A nossa frota tem viaturas com bastantes anos, que têm de estar de reserva para algumas situações”, salientou Alberto Mesquita que vincou a necessidade

de renovação nos próximos anos. Ainda no âmbito do ambiente e depois de ter removido o amianto das escolas da sua responsabilidade, a Câmara Municipal de Vila franca de Xira prepara-se agora para o fazer nas instalações municipais. A informação foi avançada em reunião de câmara pelo presidente do município, Alberto Mesquita, em resposta à bancada da CDU. O autarca salienta que está a ser elaborado um plano nesse sentido que será entregue à oposição e que terá em conta as condições de trabalho dos funcionários. Alberto Mesquita salienta que já foram identificadas as situações onde é necessária uma substituição.

Municípios da Lezíria decididos a avançar para empresa de tratamento de resíduos sem privados hipótese de ser criada uma empresa que possa gerir os resíduos sólidos urbanos a nível dos municípios da Lezíria do Tejo começa a ganhar forma, sem recurso a privados, ao contrário do que hoje acontece a nível da Resiurb/Ecolezíria. A ideia já havia sido explorada em entrevista ao Valor Local por Francisco Oliveira, presidente da Águas do Ribatejo, em fevereiro

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de 2014. A integração dos resíduos naquela empresa intermunicipal ou a criação de uma nos mesmos moldes está em cima da mesa, e Hélder Esménio, presidente da autarquia de Salvaterra de Magos, em reunião do executivo, também avançou que a hipótese está a ser estudada principalmente desde que o aterro da Raposa (Almeirim) atingiu o seu limite. A Eco-Lezí-

ria que atualmente faz esta gestão integra os municípios, e os privados Suma, e Lena. A ideia com a criação da nova empresa exclui os privados, bebendo da experiência que foi possível alcançar desde 2004 com o modelo ainda existente. A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) deu um prazo às entidades gestoras para que façam re-

percutir nos tarifários os custos do saneamento, bem como os de armazenamento, recolha e transporte dos resíduos sólidos urbanos, e por isso a criação desta empresa para o efeito torna-se cada vez mais numa urgência. Só no espaço de um ano, o município de Salvaterra aumentou em 15 por cento o volume de resíduos depositados para tratamento.

“Estamos a ver a possibilidade de tratarmos os resíduos em conjunto de forma a reduzir custos, através da criação de uma empresa intermunicipal com capitais próprios”. Integrariam esta estrutura os municípios do Cartaxo, Salvaterra, Coruche, Benavente, Golegã, Santarém e Almeirim. “Estamos a avaliar custos de investimento, nomeadamente, com uma unidade de

triagem; e máquinas para o efeito”. O autarca de Salvaterra forneceu ainda a informação de que cada cidadão do concelho produz em média 500 quilos lixo por ano. São 10 mil toneladas encaminhadas para tratamento. A taxa de reciclagem no concelho e na lezíria ainda é baixa, “sendo das piores referências a nível nacional”.


Solidariedade

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Valor Local

Governo “caíu em cima” do fenómeno dos lares de idosos ilegais e a Coligação Portugal à Frente ganhar as eleições de 4 de outubro, o ministro da Solidariedade e Segurança Social compromete-se a endurecer ainda mais a luta contra os lares ilegais. Em declarações ao Valor Local, à margem da inauguração do novo lar da Associação de Nossa Senhora do Paraíso, em Vale do Paraíso, Pedro Mota Soares evidenciou que a fiscalização foi apertada a par da penalização, até porque concorda que “a proliferação de estruturas daquele tipo coloca em risco a vida e a segurança dos idosos”. “Há efetivamente abusos”, reconhece, para depois colocar o acento tónico nas medidas da sua governação: “Pela primeira vez, aumentamos em cinco vezes mais as coimas a estas estruturas. Olhamos ainda para a realidade de muitos destes empresários abrirem com frequência outra casa, depois de verem encerrada uma primeira, e pela primeira vez introduzimos na lei uma penalização fortíssima para essas ações”. O ministro face à questão dessas coimas se revelarem, em alguns

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casos, como “acessíveis” para quem gere estes negócios, dado que os lucros nalguns casos são altos, recusa a ideia porque, neste momento, “estamos a falar de penalizações muito superiores às que existiam”. “Aumentamos as coimas em cinco vezes”, volta a repetir, e quando “as pessoas fazem perdurar estas ações, as penalização são ainda maiores, com direito até a outras sanções. Caímos verdadeiramente em

cima destes negócios” O ministro refletiu que não se cansa, e por isso afiança que não vai baixar os braços, mas ao mesmo tempo referiu que foram feitos esforços no reforço da rede pública contratualizada com o Estado. “Temos mais 17 mil vagas em todo o país para darmos uma possibilidade às famílias. Em novembro de 2014, o nosso jornal fazia capa desta realidade na região, com destaque para o

concelho de Salvaterra de Magos. Durante o ano de 2014, na Região de Lisboa e Vale do Tejo, e até à data em que realizámos este trabalho tinham sido levadas a cabo 204 ações de fiscalização a respostas sociais na área de idosos. Como resultados destas ações foram encerrados 20 estabelecimentos encontrandose quatro processos em fase de audiência prévia.

Ministro enfatiza que coimas são agora muito superiores

Inaugurado o novo Lar de Vale do Paraíso população de Vale do Paraíso acorreu em massa, no dia 22 de agosto, à inauguração do novo lar da Associação Nossa Senhora do Paraíso, que até agora funcionava apenas em regime de centro de dia e apoio domiciliário. A nova estrutura contou com a presença do ministro da Solidariedade e Segurança Social, Mota Soares. Na altura dos discursos, o presidente da instituição José Eduardo Pereira não foi parco em elogios ao titular da pasta pela forma como sempre procurou agilizar os processos tendo em conta a abertura deste lar, que recorde-se possui 12 camas, com seis suites duplas. “Uma palavra de agradecimento também para a Construaza, que teve a seu cargo esta obra, cumprindo escrupulosamente o caderno de encargos”, referiu. Na resposta, o ministro dirigindo-se a José Eduardo Serra num tom pouco usual de alguma informalidade retribuíu os elogios, e destacou o empenho do presidente da instituição que “se debateu por este sonho para a sua terra, abdicando de uma carreira no estrangeiro, e de outro conforto”. O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, também se mostrou bastante agradecido para com o ministério de Mota Soares, e também aqui, o ministro fez questão de agradecer as palavras de Luís de Sousa, que no final entregou um conjunto de lembranças do concelho de Azambuja, nomeadamente uma peça feita por um artista local.

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Valor Local

Instantâneos

Tauromaquia Azambujense ¢ ¢

António Salema “El Salamanca”

oca Rey Veio do Peru; como novilheiro sem cavalos. Tendo debutado sem cavalos em França, já foi com êxito à Isidrada-Madrid. Está a tourear muito em Espanha e com um sucesso, que já toda a imprensa diz que está para breve a alternativa desta nova figura, Roca Rey.

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Ana Rita (Cavaleira de Alternativa) Ana Rita triunfa em Espanha corrida após corrida. Fez cinco corridas e cinco saídas em ombros, Naval, próximo de Badajoz, no dia 15 de agosto, cortou orelha e orelha. dia 16, em Roa de Duero, duas orelhas e duas orelhas, e petição de rabo. Em Hinojoios (Cáceres) no dia 17, duas orelhas e duas orelhas e rabo. No dia 23, voltou a Ávila, próximo de Madrid, e com êxito, cortou duas orelhas no seu segundo e teve saída em ombros. No dia 25 cortou uma orelha no primeiro e uma orelha no segundo, com saída em ombros. Ainda em Espanha no dia 5 de setembro, duas orelhas num toiro e duas noutro, enquanto no dia 6, duas orelhas e rabo.

Corrida das figuras e ganadaria dos toiros artistas foi uma bronca No passado dia 26, deu-se uma corrida em Bilbao, com casa cheia e foi uma bronca quanto a toiros, os tais toiros artistas. Sem força, não estavam na condição de estar na sorte de varas, até parecia outra coisa, nem falo dos artistas, nem do ganadero, mas algo e está mal, e começam a dar razão a muita gente. Mas voltando à corrida em si, Henrique Ponce no seu primeiro de fino recorte e boa estocada valeu-lhe uma orelha. No seu segundo, não teve colaborador. Nada cortou. El Juli, que viria a ser o triunfador da corrida, cortando uma orelha no seu primeiro, e no seu segundo viu ser-lhe negada a segunda orelha que ele merecia pela presidente da corrida. O público obrigou o matador a dar duas voltas à arena, e bronca à presidência. No final da corrida, El Juli recusou-se a sair em ombros, e mais bronca à presidência. Pereira esteve bem a tourear, mas esteve pesado na espada. Quanto a toiros, quatro serviram, de Garcia Grande e Domingo Hernandez.

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Terra Velhinha Na Rua da Nora

Foto de António Silva Serafim Anjos publicada por Miguel Ouro, 16/6/15 Segundo Ermelinda Correia “E alguém sabe quem são estas senhoras?” Segundo António Silva Serafim Anjos “A senhora do meio é Cristina Baptista, foi casada com Abílio Condessa, e ambos são pais de Maria Cristina Baptista Condessa. Foram proprietários da Loja do Rossio. As outras duas são as irmãs Joana e Ana. As três são ainda tias de Agripina Baptista.”

Nas linhas tortas da vida Faleceu sob a madrugada de 28 para 29 de agosto, Luis Filipe de Oliveira, de 51 anos de idade, grande aficionado e conhecedor dos meandros da festa. Ele, e o irmão Manuel Jorge de Oliveira, eram os continuadores da obra de Oliveira&Martins. Filipe deixa dois filhos ligados à festa. Luis Filipe de Oliveira, descanse em paz. Luz verde para Parreirita Cigano. Praticante triunfa na Nazaré e em Ourem. No passado dia 22 de agosto, Parreirita alcançou o êxito na Nazaré, com o pior lote, bandarilhou depois os ferros compridos, e o toiro foi fixado por Joaquim Oliveira, dai aparece o êxito com ferros diferentes, a deixar partir o toiro, que pôs a praça de pé. Parreirita é diferente em quietude, volta e flores, em Ourem, próximo de Fátima. No dia 23 o êxito repetiu-se e esperamos que os êxitos voltem a repetir-se noutras praças. Um Olé Gitano. Grande noite de toiros no Cartaxo, com triunfos de Rui Salvador, Gilberto Filipe e do praticante Parreirita Cigano. Toiros de São Torcato e Forcados amadores do Ribatejo que comemoravam 110 anos.

Columbofilia

Foto de Cesar Fernandes e publicação por Miguel Ouro, 23/6/15

Retratos da Nossa Terra Forcados da Terra Velhinha

Foto de António Ribeiro e publicação por António Ribeiro, 16/6/15

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP10171 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Publicidade: Eduardo Jorge Correio eletrónico: eduardojorge@valorlocal.pt Telefone: 932 446 322 Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares


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Valor Local Edição Setembro 2015  
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