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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 57 • 25 Janeiro 2018 • Preço 1 cêntimo

Valor Local

Ilustrações Bruno Libano

Destaque da 10 a 12

As Marcas da Nossa Saudade Limpeza de terrenos: Municípios à beira de um ataque de nervos com prazos do Governo

Francisco Oliveira - Águas do Ribatejo

“Temos o tarifário mais amigável possível das populações”

Ambiente na 9

Entrevista na 6 e 7

Autoridades em silêncio sobre o arranque de sobreiros em Azambuja

Ambiente na 8


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Onze anos após falecer ao serviço dos bombeiros de Azambuja

Pedro Salema homenageado em cerimónia carregada de emoção Miguel A. Rodrigues sessão solene dos 86 anos dos Bombeiros Voluntários de Azambuja foi dominada pela emoção. O motivo não era para menos, já que a Liga dos Bombeiros Portugueses decidiu entregar a sua mais alta distinção, o “Crachá de Ouro” postumamente a Pedro Salema. A entrega que acontece onze anos após o falecimento em serviço do bombeiro, irmão de André Salema, presidente da associação, foi carregada de emoção entre os presentes e os familiares. Coube a Luís de Sousa, presidente da Câmara, António José Matos, presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, presidente de Liga dos Bombeiros, fazer a entrega aos pais de Pedro Salema. O momento que foi aplaudido de pé pelos presentes, foi uma homenagem mais do que justa, segundo Jaime Marta Soares, que justificou com alguns procedimentos internos os onze anos que demorou a ser reconhecida a memória do bombeiro. O presidente da Liga, que integra a estrutura desde 1980, ressalvou o papel dos bombeiros na sociedade e vincou que a liga já tem dados sobre todos os que “tombaram” pela causa, fazendo jus ao lema “Vida por Vida”. Segundo Jaime Marta Soares, desde 1980, já faleceram cerca de 225 bombeiros em Portugal,

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Momento em que Jaime Marta Soares entrega a condecoração à família

Também duas crianças que doaram os seus mealheiros durante a época de fogos aos bombeiros de Azambuja, foram alvo de homenagem. Segundo Comandante desabafa na cerimónia

um número que espelha a entrega destes homens e mulheres à missão de ajudar o próximo. Todavia esta cerimónia que, serviu também para distinguir os

bombeiros, nas mais variadas vertentes, seja por assiduidade, seja por anos de serviço, foi também palco de duas outras homenagens.

Joaquim António Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja, também foi homenageado, porque foi ele quem deu o pontapé de saída para os primeiros

Grupos de Primeira Intervenção, suportados por uma autarquia no país, mas que hoje já são prática comum em vários quartéis de bombeiros.

Chamado a ocupar o lugar de comandante na tribuna, Hélder Santos que ocupa interinamente o lugar de principal líder da corporação, usou o momento para desabafar perante uma casa cheia de convidados. Hélder Santos agradeceu o apoio dado pela sua família e amigos, durante o tempo em que esteve debaixo de um processo disciplinar levantado pelo anterior comandante Armando Baptista. O segundo comandante que ocupa o lugar de primeiro comandante até que Ricardo Correia tome o seu lugar, vincou que viveu “tempos muito difíceis” e que foi “injustamente tratado pelo anterior comandante”, todavia desabafou: “Felizmente já não está aqui connosco”, agradecendo igualmente o apoio do futuro comandante da casa e de André Salema, presidente da direção. Este último abraçou Hélder Santos com emoção, e no seu discurso inicial referiu que a associação deverá estar sempre acima do interesse das pessoas, reiterando a sua confiança em Hélder Santos, pela dedicação à associação.

Infraestruturas de Portugal dá o dito por não dito nas obras da Nacional 3 e tribunal é solução ndré Salema, presidente dos bombeiros de Azambuja, exortou a Câmara Municipal de Azambuja a colocar as Estradas de Portugal em tribunal. O responsável que perdeu o irmão num grave acidente naquela estrada em agosto de 2007, referiu ao Valor Local que o Estado tem de ser responsável pelo incumprimento das suas promessas. André Salema recorda que o governo de Sócrates tinha decidido compensar com algumas obras os municípios que ficaram durante anos impedidos de construir devido às medidas preventivas para a construção do aeroporto na Ota. No entanto, grande parte das obras compensatórias nunca aconteceram e agora, citando a Infraestruturas de Portugal, este organismo já disse que afinal não tem verba para terminar alguns

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dos projetos previstos para a Estrada Nacional 3. Em causa estão duas rotundas entre o Carregado e Azambuja, para minimizar as viragens à esquerda e que são as grandes responsáveis por grande parte dos acidentes. Segundo André Salema que faz parte de uma plataforma cívica para alertar as autoridades, as “empresas têm de criar condições para que os seus funcionários estacionem as suas viaturas”, algo que não acontece, e para isso basta olhar para os imensos veículos estacionados na berma da nacional 3, nomeadamente junto às empresas de logística. A falta de dinheiro por parte do Estado para acabar as obras, foi transmitida aos autarcas de Azambuja numa reunião que decorreu no fim do ano. O encontro ditou

que as rotundas e a requalificação da estrada fica mais uma vez adiada e por isso, as entidades locais ponderam avançar de novo contra o Estado em tribunal. Numa assembleia Municipal, Luís de Sousa disse que esse pode ser um caminho. O autarca lembrou o

longo processo que se arrasta em tribunal para que o município seja recrescido da isenção de impostos que concedeu à Opel, meses antes de esta ter encerrado. Para o edil este é apenas mais um processo, no seu entender, pelo que o município nada tem a perder se

avançar para tribunal ao exigir que as obras sejam concluídas como combinado. André Salema explicou ainda ao Valor Local que a plataforma cívica não conseguiu reunir as quatro mil assinaturas para que o assunto baixasse à Assembleia da República, mas por outro lado garante que as cerca de mil já servem para discutir o assunto com os Grupos Parlamentares. Azambuja é Mancha Negra na CIMLT

Veículos pesados e ligeiros estacionados nas bermas dão azo a muitos acidentes

Num recente estudo apresentado pela Comunidade Intermunicipal da Leiria do Tejo (CIMLT) o concelho de Azambuja aparece quase como “uma mancha negra” no que toca à sinistralidade. O estudo levado a cabo por aquela entidade engloba mais de uma dezena de

concelhos. Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, salientou ao Valor Local que as conclusões do estudo não são surpreendentes. O autarca vinca que esta é uma matéria que tem vindo a ser acompanhada pelo município e que está na ordem no dia e no topo das prioridades. Por outro lado, lamenta um oficio que recebeu das Infraestruturas de Portugal em que a Estrada Nacional 3 poderia passar de imediato para a responsabilidade do município. Luis de Sousa lamentou esta decisão e sublinhou que o investimento que a empresa fez naquela via ficou aquém do que estava combinado. O autarca refere a necessidade de encontrar meios financeiros para poder gerir aquela via, tanto mais que o governo não inclui qualquer verba nesta situação.


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Fuga dos “Tigres de Azambuja” foi há 10 anos

Tigre capturado pelas autoridades em janeiro de 2008

Miguel A. Rodrigues ssinalam-se no próximo dia 30 de janeiro, dez anos sobre a fuga dos tigres de Azambuja. O episódio que ainda está na memória dos azambujenses, correu o país e o mundo através das televisões, das rádios, dos jornais mas sobretudo através da internet, o que elevou a situação a uma espécie de “lenda” ao entrar no imaginário dos principais humoristas portugueses. A situação que agora é vista com alguma distância e até exagero, foi à época alvo dos maiores cuidados por parte das autoridades. Ninguém estava preparado para ter dois tigres à solta nos terrenos da Quinta da Marquesa, até porque o grau de imprevisibilidade dos animais, associado ao desconhecimento era bastante elevado. A notícia que correu o mundo e o país soube-se pela manhãzinha nos cafés locais. Mas tudo terá acontecido durante a madrugada, quando a jaula que encarcerava os animais terá sido aberta por alguém que até hoje é desconhecido.

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Naquele dia 30 de janeiro de 2008, Miguel Chen, líder do circo Chen, dizia aos jornalistas desconhecer o autor “da brincadeira” já que os tigres terão pernoitado ali, até porque o veículo onde seguiam avariou. Na viatura seguiam dois homens, que ali pernoitaram. Só pela manhã, chegou um carro de apoio que permitiu aos dois homens irem ao Cartaxo buscar comida para os animais, sendo que terá sido durante a ausência dos tratadores que a jaula terá sido alegadamente aberta. Miguel Chen nunca apontou o dedo a ninguém mas deixou transparecer nas suas palavras que alguém estaria por trás da situação, afastando assim as responsabilidades de algum tipo de negligência. Ainda nem eram nove da manhã e já estavam muitos curiosos perto da Quinta da Marquesa. Um local ermo junto à estrada nacional 3, mas com uma vasta área de terreno onde os animais podiam esconder-se. No local às primeiras horas da manhã, apenas estavam alguns

elementos do circo e alguns elementos da GNR de Azambuja e Aveiras de Cima. Mas aos poucos foi engrossando, tanto o número de curiosos, como de autoridades, como jornalistas que chegavam para cobrir aquela que podia ser a notícia do século, depois da hipotética fuga do leão de Rio Maior, que nunca foi encontrado. A manhã ia passando e o número de pessoas aumentava. Chegaram elementos da GNR, da Direção Geral de Veterinária, mas também o veterinário da Câmara e até elementos do Jardim Zoológico de Lisboa. Poucos eram aqueles que conseguiam ver os tigres, mas sempre que algum se mexia, a GNR ia apertando a zona de segurança e mandava os inúmeros carros estacionados à beira da nacional 3, subirem mais uns metros. Não foram raras as vezes que isso aconteceu, e certamente não foram também raras as vezes em que as autoridades nos ordenou que entrássemos nos carros e ali permanecêssemos. Este foi aliás o espelho de toda a

operação, que tinha um inimigo imprevisível e que obrigou os soldados da GNR a andarem constantemente armados e em estado de alerta durante toda a situação. Foram precisas cinco horas para que os animais fossem captura-

Direitos reservados Valor Local

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dos. Os tigres foram sedados um a um e colocados numa jaula e daí seguiram para o seu proprietário. Dez anos depois, o Valor Local tentou saber do estado de saúde dos tigres e de todo o processo

que foi gerado com a fuga dos felinos. Infelizmente não obtivemos qualquer resposta por parte do Circo Chen, mas conseguimos saber que os tigres, embora mais velhos ainda gozam de uma razoável saúde.

vela “A Herdeira” da TVI. Num papel diferente, Calu promete dar tudo no carro alegórico onde vai desfilar ao ritmo do samba. O cortejo das escolas e instituições será valorizado com a presença dos reis e de outros figurantes na manhã de sexta-feira, 9 de fevereiro. Serão mais de dois mil mascarados nas ruas da cidade. Domingo e terça-feira, pelas 15h00, a cidade abre as portas à alegria para receber 12 carros alegóricos, duas escolas de samba (ARCAS e AREPA) numa saudável competição entre sambistas da freguesia e mais de mil figurantes integrados em vários grupos. Cada um com o seu tema porque “em Samora Cor-

reia a imaginação e criatividade são desafiadas sem limites”. O tema é livre o que dá azo a uma multiplicação de cenários com sátira social, crítica, elogio e apelos à preservação do ambiente e aos bons tratos dos animais. A organização é da Associação Recreativa e Cultural Amigos de Samora que há mais de 30 anos promove a folia em colaboração com mais de uma dezena de grupos e centenas de voluntários. Os corsos são de entrada livre. Quem quiser sempre pode colocar um donativo nas caixas que serão colocadas nas entradas para o sambódromo improvisado na Avenida O Século e ruas anexas em pleno centro da cidade.

Samora Correia antecipa folia no “Melhor Carnaval do Ribatejo” cerimónia da coroação dos Reis do Carnaval de Samora Correia, na noite de 3 de fevereiro, será o momento de abertura da folia que vai reinar na cidade até ao dia 14 de fevereiro. Pela primeira vez, suas majestades, dois foliões da terra, serão anunciadas num espetáculo no Centro Cultural de Samora Correia. O ator Joaquim Salvador e a associação teatral “Os Revisteiros” estão a preparar uma grande noite para uma abertura diferente do “Melhor Carnaval do Ribatejo”. Outra novidade é a concentração de matrafonas e trapalhões na noite de sábado, 10 de fevereiro com desfile nas ruas da cidade antes do primeiro assalto de car-

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Folia ao máximo no Carnaval mais emblemático da região naval no pavilhão da ARCAS com DJ e concursos de masca-

rados. Este ano o convidado de honra

do Carnaval de Samora é o ator Ângelo Torres, “Calu” da teleno-

Cardeal Patriarca na inauguração do busto do Cónego Canilho

Aveiras de Cima - Buraco na Rua dos Pereiras causa estragos

Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, inaugura no próximo dia 11 de fevereiro o Lar do Centro Social e Paroquial de Azambuja. A obra que começou pelas mãos do Cónego João Canilho há cerca de uma década será benzida pelo Cardeal durante a tarde de dia 11. Antes o líder máximo da Igreja Católica Portuguesa, celebrará uma missa na Igreja Matriz de Azambuja e posteriormente inaugurará e benzerá o “busto” dedicado ao Cónego João Canilho que durante quatro décadas foi pároco em Azambuja, deixando uma obra social importante na comunidade como é o caso do Centro Social e Paroquial. João Canilho foi pároco de Azambuja e de Vila Nova da Rainha durante 46 anos. Antigo vigário geral do Patriarcado de Lisboa, entre 2004 e 2013, o cónego João Canilho faleceu a 16 de novembro de 2014.

uma das últimas reuniões de Câmara de Azambuja uma munícipe deu conta dos estragos provocados em viaturas devido a um buraco que permanecia aberto na Rua dos Pereiras em Aveiras de Cima após intervenção no local da Águas da Azambuja. Referindo-se a estragos avultados, e à demora na intervenção criticou a autarquia por não se adiantar e fazer ela mesma as obras. O vereador Silvino Lúcio e o presidente da Câmara, Luís de Sousa, referiram que o compasso de espera se deveria à companhia de seguros. O vereador da oposição CDU, David Mendes, salientou que sempre que as intervenções são nas estradas nacionais a concessionária é mais rápida a intervir ao contrário do que se passa nas municipais. Contactada a Águas da Azambuja pelo Valor Local, esta refere que se verificaram danos ligeiros em quatro viaturas, “situação que lamentamos pelos transtornos causados aos seus proprietários”. Diz a empresa que a situação identificada na referida via foi já foi reparada, de modo a minimizar os seus efeitos. Relativamente aos danos causados às viaturas, após comunicação por parte dos lesados, “os processos foram remetidos à respetiva seguradora, com a máxima brevidade, aguardando-se a curto prazo o respetivo fecho.”

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H I S T Ó R I A S V A LO R LO C A L - 5 A N O S D A M E L H O R I N F O R M AÇ ÃO

Paula Sequeira, desempregada em 2013 é hoje um dos principais rostos da Mithós o ano de 2013, o nosso jornal deu a conhecer quatro histórias de desemprego pela voz de quatro mulheres que há muito desesperavam por encontrar um trabalho. No pico da crise, não se afigurava fácil principalmente para Paula Sofia Sequeira, portadora de paralisia cerebral, e uma das nossas entrevistadas. Quase cinco anos depois encontrou na Mithós Histórias Exemplares- Associação de Apoio à Multideficiência uma forma de ocupar o seu tempo. Através de um contrato de emprego via Instituto de Emprego e Formação Profissional. É hoje um dos principais rostos da associação fundada por Manuela Ralha, que hoje é vereadora na Câmara de Vila Franca. Esta associação que se situa na rua da PSP em Vila Franca de Xira e na qual trabalham outros colegas de Paula com necessidades especiais levou a que o comércio em redor se tivesse adaptado com rampas. Foi um passo em frente com um significado especial para aqueles cidadãos, que segundo Paula chegaram a ter de tomar café na rua. Mas

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hoje vários são os estabelecimentos que já se atualizaram por assim dizer com rampas. Algumas não são as ideias mas já significam muito. Para Paula, os últimos cinco anos possibilitaram que saísse de casa para ir trabalhar o que acabou por ser a concretização de um desejo antigo. Não sabe se continuará na Mithós depois de setembro, altura em que termina o vínculo com o IEFP. Diz que tem contas para pagar como toda a gente. Na associação trata dos assuntos relacionados com a tesouraria e atendimento telefónico. Desde a última vez em que falámos há cinco anos, ganhou uma cadeira de rodas elétrica mas não a pode levar para Azambuja onde reside, porque embora seja possível apanhar o comboio em Vila Franca, porque a estação oferece o mínimo de condições para circular. O mesmo não se pode dizer na estação de Azambuja, onde a rampa existente não oferece segurança. Por outro lado, nem sempre os elevadores estão a funcionar. Paula espera conseguir em conjunto com a Câmara

Para Paula fica a faltar alguma estabilidade laboral que espera alcançar entretanto de Azambuja convencer a CP a fazer obras no local. Para já vai obtendo boleias para conseguir chegar a Vila Franca. Hoje o tema das pessoas com mobilidade condicionada está cada vez mais na ordem do dia – “Ninguém pensava há alguns anos atrás que existiria uma se-

cretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, à frente da qual está uma pessoa invisual”. Para Paula, Ana Sofia Antunes, secretária de Estado, e Jorge Mourato, do Bloco de Esquerda, que também possui necessidades especiais têm feito os possíveis para propor melhores

condições para os cidadãos em causa “mas nem sempre é fácil conseguir contrariar uma máquina já muito oleada que antes não pensava nestas pessoas”. Mas um dos projetos no qual tem confiança prende-se com a figura do assistente social, que através de um contrato com o Estado via

IEFP ou não, ajuda o cidadão com deficiência nas suas tarefas diárias num total de 40 horas semanais. Se Paula puder ter acesso a este recurso para si tal significará mais um passo em frente nas suas rotinas do dia-a-dia. Assista ao vídeo desta entrevista, em www.valorlocal.pt

Alenquerense vai ao Mundial da Rússia de bicicleta em missão solidária

Percurso deverá demorar 45 dias a percorrer Hélder Batista dentro do espírito da iniciativa o dia 5 de maio, Hélder Batista parte de bicicleta de Alenquer para a Rússia, rumo à cidade de Moscovo, numa missão solidária. Durante 45 dias vai pedalar e atravessar todo o continente europeu e espera chegar à capital russa a 20 de junho, dia em que a seleção portuguesa de futebol disputará um dos jogos do campeonato do mundo de futebol contra Marrocos. O objetivo desta jornada é solidário e pretende angariar fundos para a As-

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sociação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro (Acreditar) através da recolha de donativos junto de patrocinadores e marcas que se queiram associar. Hélder Batista conta ao Valor Local que esta não é a primeira vez que parte à aventura. Já em 2011, também correu estrada desta feita a favor da Fundação Sãozinha em Alenquer e que teve como destino Paris. Conseguiu angariar verba que permitiu pagar uma semana num campo de férias às 20

meninas acolhidas pela IPSS. Em 2016, ainda pensou associar-se ao Europeu de Futebol e rumar de novo a França, mas não foi possível devido a vários constrangimentos – “Tinha sido operado ao joelho e não recuperei a tempo, mas tive logo a ideia maluca de poder fazer a travessia rumo ao Mundial na Rússia em 2018. Pensei em ir à Rússia uma vez que já não podia ir a Marcoussis” (localidade que serviu de estágio à seleção portuguesa no Europeu

de 2016). Hélder Batista vai procurar, agora, angariar os patrocínios com vista ao apoio à Acreditar através da criação de uma conta bancária para o efeito. Os apoios angariados serão importantes tendo em vista a ampliação das instalações da associação. Até maio, Hélder Batista pretende preparar-se física e mentalmente. Começou já este mês a tentar perder algum peso, e a mudar hábitos alimentares. O percurso de

4800 quilómetros oferece diversas dificuldades pois “a Europa de Leste e a Rússia não são propriamente quentinhas no mês de maio ao contrário do que se possa pensar”. O aventureiro de Alenquer vai cumprir esta jornada sozinho, e não esconde que a família tem alguma expetativa misturada com receio, mas “como se trata de um sonho teve de aceitar”. Hélder Batista parte no início do mês de maio de Alenquer e vai

passar por Espanha, França, Alemanha, Polónia, Província de Kaliningrado, Lituânia, Letónia e parte da Rússia. “Vão ser muitas horas sempre a ver quais serão os melhores percursos e os trajetos mais curtos”. Hélder Batista prevê estar todos os dias no mínimo seis horas em cima da bicicleta para uma média de 20 quilómetros diários. “Mas também haverá pausas, até porque gosto de interagir com os locais e ir conversando e tirando ideias”, conclui.


6 Entrevista

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Francisco Oliveira, presidente da Águas do Ribatejo

“Temos o tarifário mais amigável possí A Águas Do Ribatejo assinalou no final de 2017: dez anos de existência. Esta é uma história que muitos do setor das águas e do saneamento rotulam de bem-sucedida. Está a ser encarada com um caso de estudo do banco mundial. O que mudou no abastecimento e tratamento de águas e saneamento na região servida por esta empresa, as críticas dos consumidores e o que se perspetiva a nível dos resíduos com a nova Ecolezíria para ler nesta entrevista. Sílvia Agostinho Valor Local – Recentemente a Águas do Ribatejo foi considerada um caso de estudo para o Banco Mundial. O que mais surpreendeu os especialistas neste exemplo português? Francisco Oliveira – Começa logo no próprio processo de constituição da empresa unicamente com capitais públicos, em que apenas em dez anos conseguimos mudar o panorama da água e saneamento nestes sete municípios que fazem parte da empresa (Almeirim, Alpiarça, Benavente, Coruche, Chamusca, Salvaterra de Magos, Torres Novas). Apesar de terem perdido os seus serviços municipais de águas e saneamento a favor de uma empresa e consequentemente a perda dessa receita autárquica, o que conseguiram com esta nova realidade acabou por ser um passo muito grande tendo em conta a capacidade de captação de fundos comunitários face às necessidades de investimento nos diferentes territórios que os municípios não conseguiriam realizar de per si. Esta agregação é por isso citada como um modelo e um caso de sucesso. Uma das chaves do sucesso deve-se também ao facto de a empresa simultaneamente gerir a alta e a baixa quer nas águas quer no saneamento, algo que não está ao alcance de todos os municípios que dependem, em muitos casos, de outras entidades.

É verdade. Temos no país outros tipos de modelos, até com concessões a privados. Os municípios têm muito a ganhar com aquilo que têm em comum, nomeadamente, o know-how que já possuíam neste setor com um tarifário comum, uma tarifa próxima e amiga do cidadão, apesar da gestão empresarial da Águas do Ribatejo. Temos procurado nos últimos dois anos não subir o tarifário para além da inflação. Considera que os consumidores acompanham esta “euforia”, este “sucesso” de que fala, até porque aqui nestes concelhos como noutros as queixas são semelhantes: desde as faturas que não se percebem, o manganês, a falta de pressão. Penso que apesar de tudo conseguimos transmitir a ideia de sucesso desta empresa, embora não tenha sido fácil, e no início também tenha sido um caminho longo no sentido de se conseguir harmonizar a realidade dos diferentes municípios habituados aos seus modelos de gestão, com diferentes tarifários. Em Coruche os seus munícipes não dizem que a água está cara, não lhe dirigem essa crítica? É normal as pessoas pensarem que podiam pagar menos, contudo é um facto que o nosso tarifário é dos mais baixos do distrito e da região. Significa que temos esta preocupação de manter um tarifário amigável apesar do investimento na modernização. Temos de pensar

que há custos no tratamento das águas e saneamento e que não podem deixar de ser suportados pelo consumidor final. Mesmo assim a parcela do saneamento ainda não é sustentável uma vez que é a faturação da água que ainda suporta esse custo. Nestes concelhos como noutros e já abordámos antes essa matéria, as pessoas ainda têm dificuldade em fazerem as ligações ao sistema de esgotos, preferem não o fazer para evitarem custos. É uma preocupação da empresa cada vez que construímos uma nova ETAR ou uma nova rede de drenagem que os clientes façam essa ligação, e estabelecemos um período para que as pessoas façam essas ligações de forma gratuita, findo o qual terão de assumir os devidos encargos. É fundamental para a qualidade dos efluentes tratados que o número de lares ligados ao saneamento seja maior, porque o sistema foi calculado em função desse número e volume de tratamento. Temos de insistir mais com os nossos cidadãos. Qual é neste momento o ponto de situação face ao combate ao manganês? Estamos a fazer os possíveis com a colocação de filtros no sistema onde ainda temos o manganês. Temos realizado descargas frequentes no sentido da libertação desse manganês. A introdução de estações de tratamento de águas tem sido importante nesse sentido, e com isso temos reduzido significativamente a presença do mesmo,

mas quando estamos a falar de condutas com um revestimento próprio já de muitos anos é claro que isso demora algum tempo a limpar. Inevitavelmente a água escura a sair das torneiras ainda irá acompanhar os consumidores durante algum tempo. Tentamos que isso não aconteça. Normalmente isso sucede quando há perturbações na rede quando há uma rutura ou sempre que se faz uma nova ligação. Apesar disso, a água cumpre todos os critérios de qualidade para consumo humano. Há quatro anos falava-nos de um investimento a rondar os 130 milhões de euros para cumprir até 2017… Ficámos quase no limiar desse valor, faltou-nos pouco. Temos muitas candidaturas a andar. Ainda recentemente fizemos o lançamento de duas estações de tratamento de águas residuais muito importantes em Samora Correia e Porto Alto. O grosso do investimento tem sido nos últimos anos em Torres Novas porque foi o último concelho a aderir ao sistema e tentamos garantir o mesmo nível de equidade entre todos os municípios. Daqui para a frente não será tão fácil captar fundos estruturais para as obras que terão em mente, até porque os novos quadros comunitários não preveem este nível de infraestruturas. Estamos a captar esses fundos ainda disponíveis para as obras de maior envergadura, quando não nos for possível passare-

Autarca estabelece novos mos a tentar encontrar fundos a nível de outras áreas mais tecnológicas como o controle de perdas, a monitorização. Queremos chegar a 20 por cento de perdas de água até 2020. Neste momento, estamos nos 35 por cento. Em 2009, tínhamos 50 por cento. Houve uma evolução muito grande. Fala-se na necessidade de se adaptar uma diferenciação da tarifa para o pequeno comércio em relação às empresas

de maior dimensão, o que seria possível agora com a entrada em funcionamento, já neste ano, do novo contrato de gestão delegada da Águas do Ribatejo. Confirma essa possibilidade? Temos essa preocupação e estamos a negociar com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) para podermos fazer esse escalonamento, mais justo, para o pequeno comércio e serviços


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Ecolezíria e o afastamento da Lena/SUMA

ível das populações”

s objetivos para o futuro da empresa que passam pelo controle das perdas de água face à indústria. Não sei se isso já é uma realidade noutros pontos do país, mas entendemos que na nossa região seria importante até atendendo às dificuldades do pequeno comércio. Teve um bom eco por parte da ERSAR? Ficou de estudar essa possibilidade. No seio da empresa concordamos com esta necessidade apesar de poder significar uma possível perda de rendimento, que penso que se justificaria tendo em conta esse desequilíbrio verificado. Nos concelhos mais a sul que obras se perspetivam por parte da empresa no que diz respeito ao saneamento? Para além dessas duas obras de que falei no concelho de Benavente, essencialmente e porque estamos a falar de sistemas re-

centes a necessidade prende-se antes com obras de manutenção, isto na questão das estações de tratamento de águas residuais. No que se refere ao saneamento temos de ter a noção de que não vamos conseguir cobrir a totalidade do território porquanto existe a realidade de aglomerados mais dispersos onde seriam necessários muitos quilómetros de obras. Por outro lado, temos a perceção de que as fossas sépticas são também uma forma de depuração e tratamento dos efluentes, e se estiverem a funcionar corretamente num povoamento que tenha duas ou três casas não justificam quilómetros de redes de saneamento. Recentemente a empresa conquistou o selo de qualidade da ERSAR, algo há muito aguar-

dado. Este selo foi de facto muito importante e veio comprovar que o trabalho técnico e administrativo foi muito importante para atingirmos este grau de qualificação. A Câmara de Lisboa teve um revés recentemente com a Taxa de Proteção Civil. Não sei se aqui se pensou alguma vez nisso, nessa possibilidade de se aplicar essa taxa? Não foi pensado neste universo, embora considere que os encargos neste domínio devessem ser suportados por alguém pois imagine sempre que um carro sai para um incêndio quem suporta os custos somos todos nós e não a pessoa que tem o bem ou a casa. Poderia haver aqui alguma correspondência entre o encargo gerado e o serviço prestado.

“Limitaram-se recolher os lucros sem existir investimento” Os municípios da Lezíria que se constituíram para gerirem a empresa de tratamento de resíduos sólidos urbanos afastaram o parceiro privado e 2018 poderá significar uma viragem decisiva para este setor na região com a empresa a assumir a alta e a baixa. O que está a ser desenhado nos bastidores para já? Temos para já de fazer essa alteração estatutária na Resiurb/Ecolezíria finda a participação do privado. O objetivo é que durante estes primeiros meses do ano, os municípios façam aprovar nas suas assembleias estas alterações estatutárias para que possamos proceder à recolha, transporte e tratamento dos lixos na Resitejo, na totalidade do sistema como de resto acontece na Águas do Ribatejo. Neste setor como nas águas, os quadros comunitários dão preferência a associações de municípios e entidades gestoras. Por outro lado, a proximidade territorial pode permitir economias de escala a nível do transporte com a marcação de novos circuitos e otimização de recursos. Contudo não haverá passagem de recursos humanos para a empresa pois os municípios precisam desses trabalhadores. Para além de Almeirim, Alpiarça, Coruche, Salvaterra, Benavente e Cartaxo que já fazem parte do sistema, estarão na calha Azambuja e Rio Maior pelo que me dá a parecer? Estamos sempre disponíveis para eventuais entradas de outros municípios atendendo à viabilidade económica. Já se pensou no investimento necessário? Nomeadamente frota automóvel entre outros aspetos? Desenvolvemos esse estudo de viabilidade económica e financeira com a aquisição de mais veículos de transporte de lixos, ilhas ecológicas, ecopontos, dado o défice existente na reciclagem, área onda ainda estamos aquém. Queremos modernizar os nossos transportes e modernizar as estações de transferência.

O afastamento do privado (LENA/SUMA) não foi pacífico. Há um processo em tribunal. O que se pode esperar daqui para a frente? O processo ainda está em contencioso… Cada município teria de pagar 30 mil euros a esses privados. Esse é o valor relacionado com a sua participação, mas pedem um valor substancialmente maior que entendemos não ser o adequado, porque o parceiro privado não fez investimento de dimensão que justifique esse tipo de indemnização. Entendemos ainda que o tempo em que o privado esteve na empresa obtendo uma margem de rentabilidade muito interessante foi mais do que suficiente. Mas também fez investimento… Fez investimento mas muito aquém daquilo que se perspetivava. O privado prometeu e depois não cumpriu? É claro que sim. A Ecolezíria tinha 51 por cento de capital público e 49 por cento privado porque se entendeu à época da sua constituição (2004) que o privado podia trazer know-how e maisvalias mas o que percebemos é que o privado limitou-se a fazer a gestão do sistema como ele estava constituído atingindo no final de cada ano uma rentabilidade entre os oito e os 12 por cento. Não investiu na qualificação e modernização dos sistemas, e entendemos que não havia necessidade de continuarmos neste processo, convidando-o a afastar-se e a vender-nos a sua participação. Como não foi consensual avançámos para a via litigiosa. Tendo em conta que do outro lado, estão dois grupos económicos de grande envergadura. No caso de os municípios perderem em tribunal muito poderá estar posto em causa até para as populações. Não entendo dessa forma. O serviço às populações será sempre assegurado. Estaremos cá para assumir as nossas responsabilidades, podendo sempre recorrer se a decisão nos parecer injusta.

Os municípios não podiam ter realizado este processo de forma mais cavalheiresca, por assim dizer? Não foi possível. Não houve vontade do privado para que assim fosse. Tivemos de agir dessa maneira porque estava a ser muito penalizador para os nossos munícipes o que se fazia refletir na fatura final. Todos os anos tínhamos de aumentar o tarifário, porque os privados desejavam ter o retorno daquilo que estava no contrato. Nesta área dos resíduos a ERSAR preconiza que não pode haver subsidiação por parte dos operadores. Os custos têm de ser suportados pelos consumidores. Por outro lado, a taxação desta componente é entendida como injusta. A própria DECO lançou a campanha “Lixo não é Água” com o objetivo de mudar algo neste paradigma, em que o consumidor paga os resíduos indexados à tarifa da água. Penso que o processo é evolutivo. Quando falamos na subsidiação e no que diz respeito aos nossos municípios isso acontece porque o munícipe, nesta altura, só suporta o encargo da deposição na alta. Os encargos da baixa que se relacionam com a recolha dos contentores, esses ainda ficam na esfera dos municípios. Há três anos que a ERSAR deu um prazo para que em cinco anos se alcançasse a sustentabilidade do tarifário. Ou seja traduzir na fatura tudo o que for encargo. Estamos de forma paulatina a fazer essa sustentabilidade. Temos de o fazer porque caso contrário podemos ser impedidos de submeter candidaturas a fundos comunitários. Quanto à taxação a única forma que temos para o fazer é através da água ainda que não exista relação direta. Para se mudar esta aceção teríamos de reformular todos os sistemas e quantificar a quantidade de resíduos que cada consumidor produz. Isso apenas se conseguirá numa visão mais otimizada de todo o sistema. Entrevista em vídeo em www.valorlocal.pt


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Autoridades em silêncio sobre o arranque de sobreiros em Azambuja assado um mês da detecção do corte de centenas de sobreiros na área do aterro da Triaza em Azambuja ainda não é conhecida qualquer sanção para a empresa. Permanece um silêncio prolongado sobre esta atividade. Junto do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas não obtivemos resposta. A empresa continua desinteressada em falar com a comunicação social. A Câmara de Azambuja também prefere refugiar-se no silêncio até novos dados, conforme disse em reunião de Câmara o presidente da Câmara e ao Valor Local, Luís de Sousa. O Valor Local teve acesso à ata de uma visita ao aterro, na qual se pode verificar que todos os que estiveram presentes reconhecem o abate da espécie protegida, à margem da lei e sem autorização. Na ata da visita que reuniu no aterro no dia 18 de dezembro a comissão de acompanhamento da Câmara; três elementos da Triaza; o representante da Agregados Ibéricos que chegou a explorar no local um areeiro; a Leirimóbil, também ligada ao processo que esteve na origem da passagem do terreno para o grupo Suma/Triaza; a Direção Geral de Energia e Geologia, e Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) todos puderam testemunhar o cenário em causa que não podia ser mais esclarecedor, segundo que está escrito na ata: “À data de hoje confirmou-se o elevado número de desaparecimento de sobreiros, vedações dentro da propriedade, movimentação de máquinas no montado de sobro que podem levar ao desaparecimento dos restantes sobreiros existentes na propriedade, lagoas de lamas provenientes de lavagens das areias entulhadas por milhares de m3 de terras provenientes de terras provenientes de desaterro, entulhamento de várias linhas de água que podem provocar danos aos agricultores a jusante e reflorestação de uma pequena linha de pinheiros quando o imposto e aprovado vedava completamente esta espécie.” Perante este cenário, representantes da Triaza, no dia da visita, chegaram a dizer conforme se pode ler que não viam qualquer “objeto de vistoria” ao aterro, apesar dos erros apontados e acima descritos. Durante a visita o representante da Leirimóbil, Miguel Jerónimo, referiu que deseja que se verifique o abate de montado de sobro nas células dois e três uma vez que não consta o pedido para o respetivo abate. Facto confirmado pelos técnicos do ICNF. Durante os anos 90, a Zubareia viu indeferido um pedido de abate de 874

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sobreiros por parte da Direção Geral de Florestas, o que levou à posteriori ao términus da sua atividade no local. Até fecho desta edição do Valor Local, o ICNF não nos informou acerca do que se seguirá após testemunhar-se in loco o abate de centenas de sobreiros. Não sabemos se haverá ou não sanções para a Triaza. Muito badalado tem sido o facto, (segundo o munícipe António Pires, cidadão que vive paredes meias com o aterro), de a Câmara possuir uma fatura onde estará exposto o corte de sobreiros não faturado numa série de trabalhos que a autarquia realizou no local. O Valor Local viu essa descrição na fatura, mas não sabemos se de facto existiu ou não. O presidente da autarquia, Luís de Sousa, rejeita liminarmente que a Câmara tenha tido algum tipo de intervenção, até porque “sabemos que esse tipo de ações é punido por lei”. Outro dos temas que esteve em cima da mesa durante a visita foi o da recuperação paisagística que estará a ser o pomo da discórdia entre a anterior empresa exploradora de areias, e a Triaza. Segundo a Zubareia, o

acordo para a pedreira no âmbito do aterro previa a recuperação da restante propriedade, nomeadamente, a preservação dos sobreiros, a limpeza das linhas de água, e a manutenção dos caminhos da propriedade, bem como o cumprimento da área de exploração aprovada em PDM de 4,6 hectares e não de 16 hectares conforme a Triaza alega nesta altura. Já quanto à recuperação paisagística e à não intenção de

qualquer acção mais ou menos ecológica nesta fase ela está preto no branco nas palavras do engenheiro da SUMA, Rui Pedro, durante uma reunião de Câmara ocorrida a 25 de setembro de 2012, podendo ler-se tal na ata dessa mesma reunião – “Referiuse também quanto ao plano ambiental que a recuperação paisagística da pedreira não podia ser efetuado com resíduos, mas de facto pode-se, a legislação permite-o, com resíduos inertes e resíduos não perigosos, e é neste âmbito que o processo de licenciamento tem decorrido, em vez de se deixar um vazio de escavação por preencher, irá ser preenchido com boas regras e boas práticas de exploração de aterros”. Logo a seguir, nessa reunião, a

Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, pelo antigo vereador Jorge Lopes, propôs a revogação do interesse público municipal para aquele projeto tendo em conta as perspe-

tivas de futuro bem evidenciadas através da presença do responsável da SUMA no local, mas a proposta foi votada contra. Luís de Sousa, presidente da Câmara, reforça que de facto algum tipo de arborização a fazer-se será na altura de fim de vida de cada uma das células. Tendo em conta que o aterro foi concebido para 24 anos, e foi inaugurado há um ano, o melhor cenário estará longe de acontecer. O autarca sublinha que de facto a empresa tem autorização da CCDR para laborar com três células, e rejeita demais responsabilidades. Prevendo-se um cenário “catastrófico” ambientalmente no concelho, o vereador do PSD na autarquia,

Rui Corça, exortou a Câmara a não se deixar levar pelo rumo dos

acontecimentos e a intervir e a reclamar junto de quem de direito dado o passivo ambiental em perspetiva. Incomodado com as palavras de Rui Corça, o presidente da Câmara referiu que não pretende ser mártir do aterro nas mãos de ninguém, remetendo para os organismos do Estado demais responsabilidades. O vereador da CDU, David Mendes, ainda juntou – “Tem de conviver com esta culpa”. Luís de Sousa acrescentou que já vivia com ela voltando a sublinhar que não pode fazer mais – “A única coisa que posso dizer é que para além daquilo que já está no terreno nada mais vou permitir. De resto e se quiserem mandem isto tudo para tribunal. Se há ilegalidade o tribunal que resolva”. Entretanto, a situação dos maus cheiros continua a manter-se com alguma frequência, apesar de a empresa ter prometido que isso não iria acontecer. O Valor Local tem continuado a insistir com regularidade numa entrevista presencial com os seus responsáveis mas sem su-

cesso. Enviámos também um conjunto de questões à CCDR, entidade licenciadora e máxima responsável há algumas semanas que ainda não foram respondidas. Sobre o abate de sobreiros, o Valor Local entrou em contacto com a Quercus que se mostra muito preocupada com o

estado de coisas e que já pediu responsabilidades junto de quem de direito. Quercus preocupada com o tipo de resíduos depositados no aterro de Azambuja Considerando o aterro como uma forma de fim de linha no tratamento de resíduos, Carmen Lima, da Quercus, refere que não deixa de ser preocupante o facto de a Triaza possuir autorização para uma tal quantidade de resíduos indiferenciados, conforme se pode ficar a saber na página da internet da empresa, através da consulta de uma lista com o código dos resíduos. Neste caso, a Quercus aconselha a empresa a adequarse com uma unidade de triagem de resíduos para valorização e reciclagem, antes de terem como destino final o aterro propriamente dito. O Valor Local teve acesso ao relatório das várias visitas da comissão da Câmara que acompanha a atividade do aterro composta por fiscais e especialistas, e ficamos a saber que desde que estas inspeções acontecem, muitos resíduos indiferenciados, ou seja não especificados ou não abrangidos no respetivo código, grosso modo categoria, têm sido recebidos pela estrutura apesar das autorizações previstas. Em todo o país, existem cerca de sete aterros de resíduos não perigosos, e “há sempre problemas com as populações porque a maioria deles nasce de pedreiras ou areeiros em fim de linha, para onde anteriormente houve expansão urbanística”, e como tal “são frequentes as queixas de maus cheiros e de todo o tipo de problemas resultantes da existência de um aterro”, explica Carmen Lima dando como exemplo o que acontece em Sesimbra ou no Seixal. Localidades onde um cenário semelhante ao de Azambuja acontece. Em Ota, Alenquer onde o aterro de resíduos não perigosos foi implementado de raiz, as queixas não são comuns, dado que ainda dista alguns quilómetros das povoações mais próximas, refere a associação de defesa do ambiente Alambi à nossa reportagem. Este tem sido um exemplo mais ou menos tranquilo no panorama dos aterros do género em Portugal. Medidas de desodorização do aterro e minimizadoras do mau cheiro podem ser até certo ponto atenuantes. A CCDR no caso do aterro de Azambuja recomendou que se tape os resíduos, algo que a empresa tem vindo a fazer segundo o que conseguimos apurar.


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Limpeza de terrenos é tarefa gigantesca

Municípios da região indignados com os prazos do Governo O Governo determinou que até dia 15 de março os privados procedam à limpeza dos seus terrenos. Se tal não for efetuado terão de ser as autarquias a assumir essa responsabilidade, onde a limpeza das faixas de combustível não se concretizou, dispondo para o efeito até final de maio para que tal aconteça. Caso contrário já foi deixado o aviso de que as autarquias poderão sofrer um corte de 20 por cento do duodécimo das transferências correspondentes ao Fundo de Equilíbrio Financeiro. O presidente da Associação Nacional de Municípios, o socialista Manuel Machado, afirmou que a medida nos termos em que é apresentada consiste numa “ofensa ao poder local” e que não é razoável o tempo proposto. Ouvimos alguns dos municípios da região sobre esta medida e a forma como se estão a adaptar à urgência exigida. o caso do concelho de Alenquer, um dos mais extensos, esta Câmara, considera que as dificuldades nesta matéria afiguramse numa primeira aceção como flagrantes. As áreas a intervir são extensas, “pelo que mesmo que ocorra uma adesão significativa dos proprietários, e do município em sua substituição, será impossível implantar no terreno todas as faixas de gestão combustível previstas no Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios de Alenquer”. Esta autarquia e face aos prazos procederá à afixação de editais no sentido de informar os proprietários face às necessidades em causa. As ações de fiscalização por parte do município e da GNR estarão no terreno após 15 de março. A afixação de informação está também a ser levada a cabo pelo município de Salvaterra de Magos que explicita que optou pela distribuição de editais nos locais próprios e habituais para o efeito, bem como no seu site na internet. No âmbito do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal (GTFI) Benavente, Coruche e Salvaterra de Magos, em conjunto com o Serviço Municipal de Proteção Civil de Salvaterra de Magos está a ser ainda preparado um flyer sobre esta matéria para ser distribuído com a fatura da água e saneamento e também a distribuição de cartazes em pontos estratégicos do concelho. A informação que estes dois elementos (flyer e cartazes) contem inclui ainda a forma como se executa a gestão de combustível na respetiva faixa. No município de Azambuja, o trabalho de campo de contacto com os proprietários começou em 2017, pelo que a autarquia esclarece que ao longo do ano passado, enviou notificações aos proprietários, mas esta tarefa “tem sido dificultada devido à desatualização do cadastro”, o que leva a que muitas delas não consigam chegar aos destinatários. “Podemos dizer que dos 141 proprietários formalmente notificados cerca de 50 por cento nem receberam a carta registada. Pela positiva, 20 por cento dos proprietários efetuaram as limpezas de que foram notificados. Os restantes têm pro-

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cessos a decorrer, na sequência das ações de fiscalização realizadas pela Câmara”. De referir que esta fiscalização tem tido maior incidência nas áreas identificadas no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios como as de maior perigo. Pese embora já se encontrar no terreno esta ação de fiscalização e contacto com os proprietários, este município considera que o tempo para fazer cumprir a lei em causa é muito reduzido, e especifica: “Nos casos em que o município tenha de assumir esses trabalhos de limpeza, mesmo havendo disponibilidade financeira, há regras a cumprir na contratação pública de prestações de serviços que levam o seu tempo” já para não falar de uma orografia complexa com uma área florestal muito significativa de pequenas parcelas, e de um tipo de trabalhos demorado e de grande dimensão. No concelho do Cartaxo, a notificação dos proprietários já começou, mas à semelhança dos restantes, este município não esconde que estamos perante uma tarefa hercúlea para o espaço temporal. Em 2017 a Câmara enviou mais de 350 notificações, destas apenas cerca de 60 estão hoje por resolver, “quase todas por desatualização do cadastro” o que desemboca em notificações imprecisas e repetição de processos. A este estado de coisas não ajuda a ocupação territorial do concelho: com uma área rural muito extensa, com habitações e muitas construções de apoio com armazéns para produtos agrícolas ou máquinas, e dentro dessas áreas temos áreas mistas nas quais o rural e o urbano se conjugam, obrigando por isso a uma fiscalização, sensibilização e intervenção maiores. No cômputo geral destes quatro municípios, os cadastros desatualizados, com as dificuldades acrescidas na identificação dos proprietários, resultante da desatualização das cadernetas prediais rústicas e da inexistência de comunicação, muitas vezes, entre a Autoridade Tributária e a Conservatória do Registo Predial; o abandono dos terrenos agrícolas, a falta de meios humanos e materiais de algumas das autarquias para

Municípios correm contra o tempo para limpar caminhos

realizar este trabalho em tão pouco tempo são os principais contratempos nesta tarefa demasiado gigantesca. Autarquias à beira de um ataque de nervos Os pressupostos desta medida governamental inscrita em Orçamento de Estado estão a deixar os municípios à beira de um ataque de nervos. A Câmara de Salvaterra não poupa o Governo nas suas palavras: “Os municípios não foram sequer ouvidos, quanto mais escutados. O que o Governo e a Presidência da República fizeram é, do ponto de vista da solidariedade e da lealdade entre a administração central e local, inqualificável”. Para esta autarquia, o Governo e o legislador “empurraram para os autarcas aquilo que nunca foi capaz de levar por diante, apesar de dirigir o ICNF, as polícias, o Ministério da Agricultura e

os demais intervenientes da floresta”. “A administração central, que durante décadas não fez, quer que os municípios o façam em semanas”, atira o presidente da autarquia, Hélder Esménio. “É ridículo, é uma deslealdade institucional sem precedentes e visa apenas alijar as suas responsabilidades de ocorrências futuras”, conclui. O presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, também espera ver maior clarificação desta matéria até porque os municípios foram pouco envolvidos principal-

mente quando se impõe uma medida de corte de financiamento “Se os municípios não tiverem condições para cumprir os apertados prazos em questão, em nada acresce, para a solução do problema – a limpeza de faixas de combustível –, as severas sanções a que estão sujeitos, como é o caso do corte de 20 por cento das transferências correspondentes ao Fundo de Equilíbrio Financeiro, no mês seguinte”. Também Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, refere que o seu município não foi con-

sultado por nenhuma via em relação a este assunto, reforçando que o quadro em causa se traduz numa “situação muitíssimo complicada” tendo em conta os prazos tão curtos. O presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, não esconde que os municípios podem não ter sido ouvidos ou relevados o suficiente mas sobretudo será “importante concertar medidas e implementá-las entre os especialistas e os interessados nas problemáticas do território, floresta e defesa das populações”.


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As Marcas da nossa Saudade Os anos 50 do século passado foram em Portugal uma década de ouro no que a marcas diz respeito. Um pouco por todo o país floresceram muitas empresas que ainda hoje estão no ativo, ou pelo menos no nosso imaginário. O Ribatejo em particular não fugiu à regra e por isso o Valor Local foi em busca das “Marcas da Nossa Saudade” que estiveram presentes não só na vida adulta de muitos, como na infância de outros, atravessando assim várias gerações. Miguel A. Rodrigues Sílvia Agostinho oi nos anos 50 que apareceram as bicicletas “Milita” em Marinhais, concelho de Salvaterra, mas nessa época entraram em cena igualmente os “Azeites Ribeiro” em Alenquer, o “Café Bujá” e os “Licores Bispo” em Azambuja. Esta última marca começou a laborar primeiro com o nome de RibaTagus. Conta Dionísio Bispo, filho do último proprietário, que tudo começou com João Nolasco e Santos Júnior que convidaram o seu pai a ingressar naquela que viria a ser uma aventura.

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Todos se conheciam porque trabalhavam nos caminhos-de-ferro e daí até convidarem João Bispo, o seu pai, para a empresa foi um pulinho. João Bispo passa assim a fazer parte da sociedade com uma quota pouco significativa mas importante, já que não teve de despender qualquer valor financeiro, fazendo o pagamento com o seu trabalho em part-time, até porque todos tinham um emprego certo. Dionísio Bispo lembra que os primeiros tempos foram “engraçados”, mas faltava estrutura à empresa que começou a laborar num edifício no páteo junto à atual discoteca Ponto e Vírgula em Azambuja.

Catálogo de bebidas da marca

A fábrica RibaTagus, nos anos 50, aparece depois de João Nolasco e Santos Júnior terem comprado, “um livro de receitas a uma senhora que era a Maria Bolacheira” e isso foi, nas suas palavras, o início de toda a história. Dionísio Bispo refere ainda que o livro de receitas terá partido das mãos do “engenheiro Wallace que esteve em Azambuja a construir a ponte sobre a Vala Real”. Mas a falta de estrutura da empresa viria a ser nociva para os licores. Dionísio lembra que as obras para instalar a caldeira foram avultadas e que foi difícil cobrir o investimento. A juntar às obras os dois sócios mandaram

fazer “ainda milhares de rótulos num papel com um acabamento muito bom, impressos na Litográfica do Sul em Vila Real de Santo António” mas acabaram por ser demasiados face aos anos que a empresa laborou. Bispo recorda, entretanto, que os licores tinham uma qualidade muito boa, mas que não chegavam às lojas. A falta de um vendedor terá sido um dos motivos que levou a empresa ao seu términus. Uma estrutura de vendas, seria vital para que tudo corresse às mil maravilhas, facto esse que não aconteceu. A empresa RibaTagus acabou pouco tempo depois ainda no final dos anos 50 do século passa-

Uma das bebidas icónicas dos Licores Bispo

do. Como pagamento, os dois sócios deram os rótulos litografados a João Bispo e o caderno comprado a Emília Bolacheira com as fórmulas dos licores. A empresa acabou, mas o caderno permaneceu na família, até que nos anos 70, Dionísio Bispo e a família, foram residir para o Largo de Palmela em Azambuja. Aos poucos no sótão da casa, o pai de Dionísio foi fazendo umas experiências. Vendia aos amigos da CP e a algumas pessoas que lhe pediam. Mas o produto foi criando cada vez mais adeptos e João Bispo decide dar o nome da família aos licores. Em pouco tempo mudou-se para umas instalações maiores do outro lado da estrada, onde os Licores Bispo viriam a ganhar corpo. Aquele que começou por ser um hobbie de João Bispo, passou a ser um complemento de reforma quando se aposentou da CP, e em poucos anos viria a ser um nome reconhecido na região, com as aguardentes, licores, ginjas e até capilés e groselhas. Os anos 70 foram de resto uma marca importante para esta casa, que estava em todos os cafés da região e era solicitada por muitos como acompanhamento. Até final dos anos 80, os Licores Bispo deram cartas na região, mas a abertura aos mercados da União Europeia e as constantes exigências ao nível da competitividade levaram a atividade a abrandar. Hoje os Licores Bispo são apenas uma recordação, mas ainda existem - quase 30 anos depois do fecho das portas – muitas garrafas em algumas casas particulares e cafés em Azambuja, como é o caso da sede do PCP local que ostenta uma preciosa garrafa de licor de amêndoa.

Café Bujá “era” o melhor que há Durante os anos 80 acordar na vila de Azambuja era para muitos sinónimo de Café Bujá. O café que usou Azambuja para marca registada ainda está na memória de muitos. Bastava sair de casa e cheirar o café que estaria a ser torrado junto à Fonte de Santo António. Muitos ainda se recordam do cheiro do café que acompanhou gerações, e que ainda hoje está à venda, embora em Azambuja apenas se encontre no Intermaché local. Agostinho Carvalho foi um dos proprietários do Café Bujá. Ao Valor Local o agora reformado empresário, conta que tudo começou por volta dos anos 50 com um senhor chamado Eduardo Lorfam: “Foi ele que fundou o café” e que mais tarde “o vendeu a um outro senhor: o Marafuz que a partir daí fez uma sociedade”. Todavia a empresa viria mais tarde a ser vendida ao empregado “Zeferino” que convidaria Agostinho Carvalho para a nova sociedade já em 1982. Agostinho Carvalho estava estabelecido na Amadora, mas depressa se adaptou aos hábitos e aos clientes azambujenses. O Café Bujá que tinha três qualidades era vendido um pouco por todo o Ribatejo. Agostinho Carvalho recorda com saudade que, por exemplo,em Almeirim, os clientes gostavam preferencialmente do café vermelho que era o de melhor qualidade, mas em Azambuja vendia-se mais o café azul. Foram tempos de alguma prosperidade, mas ainda assim a equipa manteve-se restrita aos


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Agostinho Carvalho lamenta não ter conseguido levar a fábrica mais longe dois casais. Trabalhavam em Azambuja: Agostinho Carvalho e a esposa; bem como o seu sócio também com a esposa. O Café Bujá era muito apreciado na região. Agostinho Carvalho recorda que era comprado a grandes armazéns em bruto e depois torrado e embalado em Azambuja. O antigo empresário salienta que tudo era feito à mão. A torrefação de café desenrolava-se em grandes cubas, e o embalamento como

não podia deixar de ser era manual com recurso a sacos de plástico, selados numa máquina que só fechava um de cada vez. Ao todo, Agostinho Carvalho refere não ter conta de quantos quilos vendeu, mas sabe precisar que por mês sairiam daquela moagem cerca de três a quatro toneladas de café para todo o lado. Todavia a empresa que nasceu do Café Bujá tinha muitos outros produtos. Vendia-se ao retalho

Destaque 11

Nos anos 90 à frente do armazém onde vendia vários produtos pastilhas, rebuçados, e bolachas - tudo avulso e de uma forma quase artesanal - mas que permitiu complementar o negócio durante quase 30 anos. No entanto em 1997, Agostinho Carvalho adoece e isso veio a pesar no futuro da empresa. Com a sua doença vendeu a quota ao sócio. E três anos mais tarde a marca Café Bujá era vendida para Pombal, onde ainda é produzida. Ao fim de tantos anos, Agostinho Carvalho diz ter

muitas saudades até porque o Café Bujá “já não tem o mesmo sabor”. Conta que o negócio acabou por falta de interesse do sócio em investir na marca. O empresário agora aos 80 anos, considerava à época que seria necessário investir na empresa ao nível dos equipamentos para que o café entrasse nas grandes superfícies, algo que não aconteceu. “O meu sócio era contra o investimento. Na altura era preciso

criar um código de barras, mas ele não quis”, refere Agostinho Carvalho que aponta essa como uma das primeiras questões que levou ao declínio da marca. Para o empresário, não seria muito dispendioso criar o código de barras, pois com ele o produto podia entrar no início dos anos 2000 nos supermercados das grandes cadeias e competir, tanto quanto possível com os cafés estrangeiros. Isso não aconteceu no seu reinado. Ao

fim de 18 anos da marca ser vendida, Agostinho olha para trás e lamenta não ter ficado com a sociedade, porém recorda que estava doente e isso o impediu de fazer planos para o futuro. Pese embora a história da empresa não ter corrido pelo melhor, o Café Bujá ainda é uma realidade. O chamado “café de cafeteira” ainda faz as delícias de muitos serões em várias casas portuguesas.


12 Destaque Azeites Ribeiro e Óleo Alão: Alenquer à sua mesa Se recuarmos cerca de 30 anos ainda podemos visualizar as garrafas de Azeites Ribeiro e Óleo Alão nas mesas portuguesas. Com efeito estas duas marcas são ícones do concelho de Alenquer, e permanecem na memória de muitos. A fábrica hoje já não existe, e no seu lugar está um condomínio fechado, bem às portas do Museu

Valor Local lojas da região. Num exercício de memória, Edite Campos lembra que a sua infância foi praticamente passada na fábrica. Por ali brincou e cresceu e aprendeu o ofício. A sua função era o escritório, e confessa que “gostava dos papéis” naquela altura. Porem “não fazia só de escriturária. Fazia o que fosse preciso”. Mais tarde, a empresa teve de introduzir o computador. Foi um processo difícil, mas nos anos

Ao mesmo tempo que o azeite era embalado, também o avô de Edite vendia de porta a porta. Mas o evoluir do negócio obrigou a mais alterações. Um técnico oficial de contas juntou-se à empresa e a contabilidade passou a ser mais “apurada”. Para além do azeite, a firma vendia também outros produtos, nomeadamente, rações, bacalhau, e detergentes, sendo um complemente do negócio. Aos 68 anos e reformada, Edite

Neta do fundador relembra aquela época com nostalgia

João Mário, em plena vila baixa de Alenquer. Edite Campos, hoje reformada, e neta do fundador, recorda os primeiros tempos da marca que começou muito antes dos anos 50. Os Azeites Ribeiro começaram a ser comercializados pelo avô de Edite Campos. Primeiro com uma carroça em venda ambulante, e muito mais tarde já estabelecido em Alenquer onde vendia a retalho aos comerciantes locais. Edite Campos conta ao Valor Local que os azeites e óleos, já antes, através do seu avô eram comprados aos grandes armazéns no Alentejo. Nos primeiros tempos eram vendidos pelo avô a avulso aos clientes das localidades do concelho de Alenquer e mais tarde já engarrafados às

90 tudo era mais complicado. Aos poucos a gestão de stocks passou a ser feita informaticamente, assim como as faturas, representando à época uma verdadeira “revolução industrial” para os Azeites Ribeiro. Edite conta que tudo começou no Areal em Alenquer. Mais tarde quando passou a ser obrigatório vender azeite apenas embalado, passou para as últimas instalações que se conhece, perto do Museu João Mário. Foi o seu pai e o seu avô que edificaram o armazém corria o ano de 1968. Era obrigatório o engarrafamento e por isso a família Campos Ribeiro colocou mãos à obra e levou para diante o continuar de uma obra que perdurou até ao fim dos anos 90.

Campos vinca a qualidade do azeite que era muito apreciado nas mesas da região. O Azeite Ribeiro Extra-virgem, Fino, e Extra-Fino faziam parte de muitas mesas portugueses. Para além das embalagens de litro, havia umas outras mais pequenas destinadas às mesas dos cafés. Edite Ribeiro recorda esse tempo com saudade, mas refere que a doença esteve na origem do encerramento da empresa. Infelizmente, há pouquíssimas garrafas no mercado, mas os Azeites Ribeiro e Óleos Alão continuam a ser recordados no palato dos ribatejanos e oestinos. No dia em que demoliram a fábrica, o impacto emocional foi muito grande. Para trás ficava uma história de sucesso desta família empreendedora.

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Negócio das bicicletas podia ter feito de Marinhais uma espécie de Águeda A empresa Militão Leal nascida em 1952 em Marinhais já deu cartas no mundo das bicicletas com três marcas concebidas pelo seu fundador: a “Jamor”, a “Lezíria” e a “Milita”. José João Pancada, sobrinho de Manuel Militão Leal, não tem dúvidas de que Marinhais com forte tradição neste tipo de ramo podia ter sido uma espécie de Águeda. As três marcas sobreviveram até finais da década de 90, mas na região e até à Beira Baixa e depois até ao Alto e Baixo Alentejo, os modelos pasteleira da Militão causavam sensação. “Tínhamos os melhores quadros do país que eram feitos em Sangalhos”. Hoje a concorrência chinesa não deixa margem de manobra para as empresas portuguesas apesar da explosão de bicicletas nas estradas portuguesas nos últimos anos. José João Pancada abre-nos a máquina do tempo, e hoje quase com 60 anos lembra que começou a colaborar no negócio do tio, e a ir com o mesmo ao norte do país para comprar peças, apenas com 12 anos. Ainda se vai mantendo no negócio familiar mas quer retirar-se mais dia, menos dia. A empresa M. Militão Leal chegou a ter sucursais em Santarém, Torres Vedras, Vila Franca de Xira e Faro. “O meu tio era muito inteligente porque gostava de criar as suas próprias marcas. O artigo podia ser semelhante mas ele gostava de colocar o nome dele”. Como aconteceu, por exemplo, quando criou um rasto de pneu “muito giro” para a marca Jamor. “Um dia foi ao Vale do Jamor e achou que era um bom nome também para colocar numa bicicleta”. Numa terra como Marinhais com várias lojas “ninguém queria vender uma marca igual à do vizinho, então o meu tio criou e registou esses três nomes”. O mesmo aconteceu para as primeiras motorizadas. O motor era Zundap mas o tio queria também neste produto criar a sua marca, então ficou FPM. Manuel Militão Leal foi também ciclista no Belenenses.

O fundador da empresa de bicicletas Se ainda fabricasse bicicletas nos dias de hoje, acredita que possivelmente ainda se vendessem as pasteleiras. Os componentes trazia-os da Sangal, em Sangalhos, e da Confersil, nomeadamente, os quadros. A montagem das bicicletas era feita já em Marinhais. Tinha ainda fornecedores em S. Mamede Infesta, Porto, entre outros locais. Esta casa fabricava as pasteleiras mas também bicicletas de corrida. Os materiais utilizados eram alguns dos melhores para a época. Usava-se correntes e rodas livres inglesas – “Cada bicicleta podia custar 1 conto e 800 e as pessoas tinham de pagar, por vezes, em três prestações, mas não eram mais caras do que noutros lados”. Muito solicitado por clientes da Golegã, por exemplo, era o modelo de uma bicicleta com rodas fininhas que permitia deslocações rápidas e com mudanças de corrida. Trabalhava em Marinhais nesta empresa o “Alicate” que conseguia montar seis bicicletas no mesmo dia. “Agarrava nas esferas para as caixas de direção. A bicicleta levava 52 esferas e conseguia agarrar de maneira a colocá-las de forma rápida. Não sei que jeito é que ele fazia para isso”, recorda o sobrinho do fundador.

Hoje em dia, a maioria das bicicletas não possuem a mesma robustez das antigas. Embora leves “desfazem-se todas”. “Os guardalamas têm umas patilhazinhas que se arrancam facilmente”. Hoje vai vendendo algumas bicicletas indianas “mas aquilo é muito fraquinho e só vendo mesmo por encomenda”. Em 1996, a Militão Leal fechou portas para dar lugar à Militão Leal Lda, mas já sem se fabricarem bicicletas muito por culpa do fecho do fornecedor de Sangalhos. Terminava assim mais uma página do mundo das bicicletas em Marinhais, depois de extinta a Industrial Ciclista do Sul que lhe antecedeu tendo surgido nos anos 40 e funcionado como fábrica de velocípedes até meados da década seguinte. A maioria dos proprietários e familiares das marcas com quem falámos neste trabalho não guardaram material identificativo como rótulos, ou até os próprios produtos. O Valor Local na nossa capa presta-lhes homenagem com um design vintage exclusivo concebido pelo criativo Bruno Líbano para cada uma dessas marcas da nossa saudade. Quem sabe se um dia alguma delas não reaparece no mercado.

José João Pancada exibe os logotipos que muitso ainda recordam


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Política 13

Oposição na Câmara de Benavente

Apoios às coletividades levantam dúvidas s vereadores da oposição na Câmara de Benavente querem ser informados com antecedência sobre os apoios do município às coletividades do concelho em função do plano de atividades elaborado por cada uma delas. Numa das últimas reuniões de Câmara foram aprovados apoios a algumas associações para o ano de 2018 como uma espécie de adiantamento. “Andamos a aprovar sistematicamente os apoios quando quere-

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mos ter acesso aos relatórios”, referiu o vereador do PSD, Ricardo Oliveira. Pedro Pereira, vereador do PS, recordou que há dois anos foi criado um gabinete de apoio ao associativismo “mas permanece muita coisa na mesma”. “Parece que estes apoios são atribuídos a olho, sem nenhuma base científica, e seria necessária uma maior clarificação”. Para o autarca “as coletividades recebem os mesmos apoios apesar de existirem atividades diferentes”. Adiantando ainda

que “alguns dirigentes estarão descontentes porque as realidades não são as mesmas. Nem todas as coletividades disputam campeonatos regionais, por exemplo, e o subsídios são semelhantes”. Neste aspeto, o vereador da CDU, Hélio Justino, adiantou que “os subsídios são atribuídos de acordo com o regulamento e os seus critérios”. “Os dirigentes têm oportunidade de dizer de sua justiça para se chegar a consenso”. O presi-

dente da Câmara, Carlos Coutinho, referiu ainda que “tem lugar uma reunião plenária com todas as coletividades” para se discutir o tema. O vereador socialista retorquiu e tendo em conta que considera que não há critério científico, o que o executivo comunista procura, na

tas e incoerentes”, referindo que haverá sempre aspetos a melhorar”, dando como exemplo a pista dos Camarinhais que possui boas condições para a prática desportiva. “A Câmara também tem contribuído para o sucesso das nossas coletividades, prova disso são os resultados alcançados”.

Concelhias do PS e PSD de Azambuja mantêm presidentes ilvino Lúcio e António Jorge Lopes vão continuar durante os próximos dois anos à frente das respetivas concelhias. Silvino Lúcio continuará a presidir aos socialistas locais, com uma eleição, no passado dia 19 de janeiro, que rondou os 90% de aceitação dos militantes. O também vereador da Câmara de Azambuja, apresentou a sua lista, de resto única, sob o tema “Respeitar o Passado e preparar o Futuro”. Na comissão política local, acompanham Silvino Lúcio, por inerência, Luís de Sousa, presidente da Câmara, António Duarte, presidente da Assembleia Municipal. A restante lista é composta por Joaquim António Ramos, antigo presidente da Câmara, Inês Louro, presidente da junta de Azambuja, António Batista, antigo autarca de Vale do Paraíso e os vereadores, António José Matos, e Sílvia Vitor. António Jorge Lopes também foi a votos, a 13 de janeiro. O advogado liderou uma lista única para a concelhia, tendo obtido 88,46% de votos. Com Jorge Lopes integram a concelhia Carlos Valada, Luísa Martins, Carlos Alberto Pires, Armando Paulo e Fernando Reis. A tomada de posse ocorre esta quinta-feira dia 25 com a presença de Pedro Pinto, presidente da Distrital de Lisboa. As eleições no PSD serviram também para eleger os delegados ao congresso. Neste caso a lista A venceu a lista R. A lista A obteve 83 por cento dos votos, ao passo que a R chegou apenas aos 15%, não tendo elegido qualquer delegado. A primeira lista foi liderada por Luísa Martins, seguindo-se Virgínia Estorninho e Ana Catorze. A lista derrotada foi a de Carlos Tomaz, Paula Moura e Álvaro Domingos. Neste dia, foi também votado o secretario geral do PSD. Em Azambuja, Pedro Santana Lopes venceu com 66 por cento dos votos conta 30 por cento de Rui Rio, que viria a ganhar a eleição nacional do partido.

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Presidente da Câmara defendeu a política municipal para com as associações

sua opinião, “é agradar a toda a gente e mais alguma no movimento associativo”. “São muito fortes nessa matéria mas depois faltam as condições em algumas coletividades como na Juventude Desportiva do Almansor”. Hélio Justino classificou as palavras de Pedro Pereira como “injus-


14 Opinião

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Raríssimas? Não! caso público de “Raríssimas” é tão imundo que não se apaga, facilmente, da memória dos cidadãos. Raríssimo não é, infelizmente, porque tantos casos idênticos há que se mantêm no silêncio, muitas vezes, porque quem deles tem conhecimento ou, é conivente ou, sentese constrangido e sem liberdade para os poder denunciar (liberdade proclamada no 25 de Abril de 1974, mas, mais atacada do que defendida). Raríssimas não são as crises em diversas colectividades, associações e instituições, que se podem apelidar, entre outras, de crises económicas, crises de gestão e crises de direcções ou de corpos sociais. Olhando à nossa volta, nomeadamente no concelho de Azambuja, muitos conhecem diversas entidades que se têm deparado com problemas deste género, uns mais, outros menos graves. A propósito de IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), os casos são mais preocupantes, visto que os seus fins e objectivos são, exactamente, como o nome indica , instituições de solidariedade social bem comum -. Certo é que, nem sempre é fácil encontrar pessoas voluntárias,

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com espírito altruista, com capacidade e disponibilidade para o exercício de funções nas direcções das IPSS. Ainda assim, entre os disponíveis, nem sempre o altruismo é puro e verdadeiro, pois, algumas vezes, o seu intuito é a aquisição de “estatuto promocional” ou a obtenção de compensações ou vantagens na

própria instituição ou em outras entidades; raríssimos não são. Ainda a propósito de IPSS, o Centro Social Paroquial de Azambuja possui, também, há alguns tempos, um caso de crise direccional. Há seis meses que se agravou, depois de o vicepresidente ter posto o seu lugar à disposição; aguarda-se uma

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Acácio Vasconcelos direcção para novo mandato; acresce que, entretanto, o tesoureiro manifestou que vai deixar de exercer as suas funções como tal. Este é um caso entre outros. Mas, há que olhar para as suas causas e efeitos com vista à obtenção de uma digna solução. As causas podem ser diversas;

no entanto, a principal é a falta de “líder” com capacidade de gestão; um líder capaz de unir e de aglutinar esforços para a gestão de conflitos; um líder que imprima uma dinâmica de motivação para alcance dos objectivos da instituição. Os efeitos desta crise estão à vista: Insegurança para funcionários e utentes, desconfiança, indefinições por falta de decisões atempadas e instabilidade que conduzem à anarquia e desastre; isto é “barco à deriva, no meio da tempestade, sem timoneiro”. Então que fazer? Decidir. Já alguém dizia: “Não decidir é pior do que tomar uma má decisão”. O barco não pode continuar à deriva (caminho para o naufrágio). Importa encontrar um grupo de pessoas que constituam um órgão colegial, com membros de igual dignidade, com projecto e objectivos orientados para a acção caritativa, assegurando o respeito pela dignidade humana e que interessem e sirvam a prossecução dos fins próprios da instituição, isto é, um grupo isento e capaz de gerir. É de todo o interesse para os habitantes de Azambuja e arre-

dores o encontro de solução que mantenha vivo e de boa saúde o Centro Social Paroquial de Azambuja. (Que esta IPSS não seja uma das “raríssimas”, mas que, pelo menos, seja semelhante a tantas outras que prestam óptimos serviços de solidariedade.) Há solução. Mas, como “Raríssimas” há muitas pessoas, mais preocupadas com interesses pessoais do que com o bem-comum. Estas, NÃO! Em Azambuja, encontram-se, decerto, pessoas válidas, honestas, preocupadas e motivadas para o bem-comum, desinteressadas de “status”, de vantagens ou de compensações monetárias; pessoas que, com o barco à deriva, são capazes de lhe lançar amarras e de o conduzir a bom porto. Raríssimas? Não! (Poucos para o que se deseja).


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Opinião 15

Criatividade. Inteligência. E Sustentabilidade. A força do nosso concelho esta claramente na sua capacidade de se posicionar na área Metropolitana de Lisboa e de competir com outros concelhos na fronteira de vizinhança, mas claramente na fronteira regional ou Nacional, na forma como retém e atrai talento e conhecimento. Vila Franca de Xira continua a ter uma posição importante na Ligação norte-Sul e dentro da Área Metropolitana de Lisboa mas temos perdido importância,

investimento e emprego, Vila Franca de Xira tem que ter a ambição de ser um um bom concelho para viver, trabalhar ou para lazer. Para podermos cumprir este objetivo tem o poder politico local que ser altamente competitivo na atividade do dia a dia. O ‘nosso concelho tem que apostar: * Serviços públicos de qualidade aos nossos cidadãos e empresas

* Estado Social Local forte * Promover a iniciativa individual, a liberdade empresarial criadora de emprego com prosperidade e a competitividade territorial * Fiscalizar e fazer cumprir as Leis Assim Vila Franca de Xira tem de responder a todas estas exigências sem duvidas, já que só desta forma poderemos competir na escala metropolitana e nacional.

Todas estas exigências colocam os valores da informação, transparência e a boa governação num lugar mais valioso para os nossos munícipes e investidores do que as obras de fachada / propaganda que muitas vezes proliferam, pelo território. Portanto não podemos gerir a administração local como no passado, temos novos desafios e novas exigências Queremos ser agentes da mudança e para isso temos que dar

Quem venceu no PSD arece-me que o tema que dominou a discussão política durante esta semana foi a eleição de Rui Rio como presidente do PSD – com ele não é PPD/PSD, é apenas PSD. Houve claramente um vencedor neste confronto entre duas personalidades indiscutivelmente fortes do Partido que durante semanas pôs em polvorosa as estruturas do PSD. Não percebi, sinceramente, por que razão se colou a imagem da Santana Lopes à continuidade das políticas liberais de Passos Coelho. Nunca o vi ou ouvi, durante os anos de Troika e austeridade inconsequente, ser um entusiasta defensor do Passismo, para alem do que a natural fidelidade partidária exige. Santana Lopes tem atrás de si um passado político que ainda remonta a Sá Carneiro – o que lhe dá um estatuto de senador do Partido- e contra si o desnorte que foi o Governo a que presidiu. Mas fez a

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sua travessia do deserto – não andando por aí às costas dum camelo, qual beduíno do Sarah, mas refastelado no oásis dos cadeirões do Largo da Misericórdia. Simpatizo com Santana Lopes, tive alguns contactos com ele (poucos) mas foi sempre, para comigo, um homem caloroso e solidário. Quanto a Rui Rio, nunca o conheci pessoalmente, nem mesmo quando foi presidente da Câmara do Porto. Apareceu no combate político rodeado por uma auréola de incorruptível e impermeável a pressões que ganhou na forma como enfrentou os poderosos interesses clubísticos do futebol do seu Porto. E na consequente indiferença com que assistiu à animosidade impiedosa e à ironia de cascavel de Pinto da Costa. O povo português gosta destas atitudes. Gosta dos que não vergam perante os poderosos e os interesses instalados- e a verdade é que nenhum presidente da Câma-

ra do Porto havia, antes, batido o pé ao poderoso Dragão-chefe. Rio exala também aquele romantismo do regresso à social-democracia, deixada caír há muito tempo pelo PSD durante o consulado cavaquista. Houve, como acima referi, nesta disputa Santana/Rio, um claro vencedor: António Costa, que nem sequer era candidato! Porque quer a gente queira, quer não, o PS é minoritário no Parlamento e, consequentemente, refém daquilo que os PCP/Verdes e o Bloco exigirem. É verdade que, até agora, a chamada “ geringonça” tem funcionado bem: o Governo governa, o País progride por mérito próprio, mas também muito empurrado pela embalagem da recuperação da economia mundial e da reputação que, de repente, Portugal ganhou como destino turístico. Um país com praias, sol e areia dourada onde ainda não explodiu nenhuma bomba nem ninguém

se lembrou de atirar um camião contra uma multidão. Cidades acolhedoras e baratas, reabilitadas como se uma varinha de condão tivesse sido lançada sobre os escombros do Bairro Alto ou do Barredo. Ilhas – os Açores- que têm sido classificadas nos roteiros e agentes do turismo como o melhor destino turístico do mundo. É verdade também que os partidos mais á esquerda que apoiam o Governo têm feito o seu papel – berraria nas ruas, nas empresas e na Assembleia- mas, cedência daqui, cedência dali, conseguem chegar a compromissos de governação. O que, no meu ponto de vista tem sido benéfico para todos nós: o Bloco e o PCP agitam bandeiras de equidade social, reposição de rendimento e serviço público e o Governo, folgado pela teimosia otimista dos mais diversos indicadores económicos e financeiros, vai respondendo como pode às exigências dos seus parceiros da esquerda. Aliás, passa-

A Felicidade pós-idade ativa! ais um ano que se inicia e com ele a esperança que todos nós acalentamos de ter um ano novo mais feliz. Mas a felicidade, não é um “ato providencial”! Ela pode e deve ser buscada por todos nós. Temos “o dever”, porque vivemos e, a vida é um bem supremo, de procurarmos ser felizes! Assim, surge o presente texto sobre “felicidade”, que denominei: “Os 10 mandamentos da felicidade pós-idade ativa”, direcionado à pessoa sénior (+ 65 anos), esperando humildemente que o mesmo vos “ajude”, de alguma maneira, a procurarem de forma proativa momentos de felicidade, após anos e anos de trabalho árduo. Então, vejamos em que se consubstancia a minha filosofia:

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1. Que a felicidade suprema é: viver! A felicidade em si, é naturalmente uma questão subjetiva (depende de cada um) e não mensurável, i.e., não se pode medir o grau de felicidade; 2. Que a felicidade, são os momentos bons que vivenciamos, consequentemente, é efémera (não é duradoura); 3. Que a felicidade é estarmos de bem connosco (aceitarmo-nos como somos) e que se alicerça na positividade, no otimismo e nas memórias dos bons momentos que já desfrutamos ao longo da vida (e.g.: casamento, nascimento de um filho, nascimento de um neto, superação de uma doença grave, de um acidente etc.); 4. Que a felicidade é, aceitarmos a vida que temos e, não sofrer por

antecipação, vivendo um dia de cada vez, mas também, afastarmos as más recordações do passado, mesmo que recente e difíceis de ultrapassar (tomá-las apenas como vivências e recolher os ensinamentos); é reagirmos às adversidades com inteligência emocional e consequente satisfação/felicidade; 5. Que a felicidade é, não nos isolarmos e continuarmos a ter objetivos/sonhos para atingir, independentemente da idade; através de aprendizagens ao longo da vida «cognitiva (exercitar a memória e o raciocínio) e social»; é, basicamente, fazer o que mais gostamos, e.g.: viajar, ler, escrever, ouvir música, ver cinema, ver teatro e obter conhecimento através da frequência de uma Universida-

Rui Rei

o exemplo, apostar nos nossos fatores diferenciadores, entre eles a aeronáutica a formação superior, a cultura e tradição e num desenvolvimento sustentável e duradouro ao mesmo tempo que seremos absolutamente respeitadores do valores ambientais. Hoje, a resposta para os novos e velhos problemas que enfrentamos vai obrigatoriamente passar por todos estes pilares: Criatividade. Inteligência. E Sus-

tentabilidade. Nos tempos em que vivemos o fator mais determinante nas relações económicas já não é o capital nem o trabalho. é o talento e o conhecimento, vamos ao trabalho e acabemos com a conversa…

Joaquim António Ramos

se com este Governo um fenómeno novo na vida política portuguesa: pressionado ou não pelos partidos à sua esquerda, o Governo PS vai tomando medidas de cariz social e de redistribuição de riqueza criada que lhe valem o aplauso maioritário dos portugueses; mas é completamente inflexível às pressões do tipo corporativo ou ao sindicalismo de rua – o que só lhe fica bem. A questão que se põe, e que povoa certamente os pesadelos de António Costa e de Mário Centeno, é esta: até quando? Sendo a economia regida por ciclos de expansão e recessão, até quando é que a atual pujança da economia mundial, europeia e portuguesa vai permitir acalmar o furor proletário do PCP e a veia populista do Bloco? A eleição de Rui Rio abre ao PS uma janela de oportunidades em termos de apoios que até agora

estava fechada. Aliás, como o próprio referiu, quando afirmou admitir o apoio a um Governo PS. Agora o PCP e o Bloco têm um concorrente à direita e, a quererem manter-se colados ao Poder e reivindicar a autoria das medidas mais populares, não podem esticar demais a corda. Porque a uma recusa do Camarada Jerónimo de Sousa, às exigências de Catarinas, Marianas e Joanas, António Costa pode muito bem responder: “Ai é? Então amanhã vou almoçar com o Rui Rio”. Na verdade, nesta disputa interna do PSD, o grande vencedor foi António Costa.

Augusto Moita

de/Academia Sénior ou outra instituição de “ensino” e/ou convívio/lazer. 6. Que a felicidade é, sorrirmos sempre; é estarmos de bem com os outros e “torná-los felizes”, sermos solidários, colocando-nos no lugar dos outros (empatia); é gratificarmo-nos através do exercício do voluntariado em qualquer instituição/associação e/ou ter atitudes fraternas, altruístas e de gratidão; 7. Que a felicidade é, estabelecermos relações intergeracionais potenciadoras de laços de amizade (afetos), nomeadamente com as mais novas (transmissão mútua de conhecimento e de entreajuda); 8. Que a felicidade é, não permanecermos em casa, mas sim pra-

ticarmos qualquer atividade física, e se possível, em contato com a natureza (e.g.; caminhadas em grupo, dançar; nadar, passear ao ar livre, etc); é, evitarmos os maus hábitos, nocivos para a saúde; 9. Que a felicidade é, amar e ser amado; porque amar é cuidar de alguém e partilhar a nossa vida conjuge, filho(s) e neto(s) - e com os outros familiares e amigos; 10. Que a felicidade é, tão só, um abraço de 20 segundos. NOTA: Inteligência emocional (IE): é a capacidade para conciliar emoções e razão: usar as emoções para facilitar a razão e raciocinar inteligentemente acerca das emoções. A minha perceção é que devemos

agir/reagir com inteligência/razão (ego) no sentido de nos controlarmos emocionalmente, mas potenciando os impulsos transmitidos pelas emoções, por forma a obter uma resolução racional dos problemas que conduza à plena satisfação/felicidade. Tenham um excelente ano e, como disse o comediante, Raul Solnado: “façam o favor de serem felizes! Até à próxima crónica e boas leituras.


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Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade da ACISMA - Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja

Novo concurso para Projetos de I&D Individuais Foi lançado um novo aviso de concurso (SI-47-2018-01) para a apresentação de candidaturas de Projetos de I&D Individuais no âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento (SI I&DT). Os projetos a apoiar inserem-se na modalidade de “Projetos Individuais”, inscrita na tipologia “I&D Empresas”, de acordo com o disposto na alínea a) do n.º 1 do Artigo 61.º e alínea a) do n.º 1 do Artigo 63.º do RECI. Os projetos individuais são realizados por uma empresa, compreendendo atividades de investigação industrial e/ou de desenvolvimento experimental, conducentes à criação de novos produtos, processos ou sistemas ou à introdução de melhorias significativas em produtos, processos ou sistemas existentes.

São enquadráveis projetos inseridos em todas as atividades económicas, com especial incidência para aquelas que visam a produção de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis ou contribuam para a cadeia de valor dos mesmos. As entidades beneficiárias são as empresas de qualquer natureza e sob qualquer forma jurídica. O prazo para a apresentação de candidatura decorre até ao dia 28 de fevereiro de 2018 (19 horas). Para mais informações consulte o GAEE Azambuja, tel. 938 309 664, email: geral.gaee@acisma.org Fonte: Alentejo 2020

Primeiro Concurso de Projetos para Investigação em Fogos Florestais A FCT – Fundação para Ciência e Tecnologia abriu, dia 28 de dezembro, o primeiro Concurso para financiamento de projetos de investigação orientados para a prevenção e combate de incêndios florestais. O concurso de 2017 prevê um envelope financeiro de 5 milhões de euros, e as candidaturas decorrem até dia 28 de fevereiro de 2018. Este é o primeiro de três concursos, os seguintes abrirão até julho de 2018 e julho de 2019, enquadrados no Programa mobilizador de I&D para a prevenção e combate de incêndios florestais, criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 159/2017 de 30 de outubro, na sequência das recomendações do relatório da Comissão Técnica Independente que investigou os incêndios de Pedrógão Grande. Prevê-se um financiamento total de 15 milhões de euros para projetos de investigação selecionados no âmbito dos três concursos. O concurso tem como objetivo promover a investigação científica e a inovação, fortalecendo competências e capacidades científicas e técnicas, garantindo a apropriação e incorporação de conhecimento científico no apoio à decisão em sistemas operacionais, assim como a produção de novos conhecimentos orientados para a solução de problemas.

As áreas de investigação incluirão: Governação dos recursos florestais; Restauro pós-fogo e gestão florestal; Modelos de ordenamento e silvicultura preventiva; Modelos de organização e gestão das áreas florestais, nas vertentes de proteção, conservação, silvo pastorícia, recreio, lazer e produção; gestão e valorização da biomassa nos espaços rurais. Gestão do fogo e comportamento de fogos extremos; Atitudes e comportamentos face à prevenção e combate de incêndios e a gestão do território; Saúde e segurança ocupacional dos técnicos de combate. Meteorologia, previsão e gestão do risco, incluindo deteção de ignições e otimização de alertas precoces e desenvolvimento de sistemas de observação inteligente e de apoio à decisão; Sistemas de sensorização, de informação e de comunicações de emergência e sua integração nos processos de decisão. Para mais informações consulte: | FCT Concurso | Projetos de I&D | Resolução do Conselho de Ministros n.º 159/2017 Fonte: Portugal 2020


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Tauromaquia Azambujense Ana Rita: na Rita, cavaleira de alternativa confirmada no Campo Pequeno, já tem algumas corridas confirmadas para Espanha neste ano de 2018. Os seus gentis apoderados espanhóis ainda não confirmaram as praças e datas. Quando Ana Rita as tiver, o Valor Local, jornal do seu concelho irá divulgar. Ela merece esta divulgação e o seu concelho também pela honra de ter uma figura por terras de Espanha e França. E será por França, em Arzacq, que Ana Rita abrirá a sua temporada a 18 de fevereiro. Será a preparação para grandes praças e feiras como Sevilha? O teu amigo Salema assim espera e deseja. Olé para ti Ana Rita.

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Paulo Jorge Ferreira: aulo Jorge Ferreira, cavaleiro tauromáquico azambujense está a cortar de uma forma simbólica orelhas, rabos e patas nas corridas da Califórnia. Paulo Jorge Ferreira continua a vender também cavalos com o ferro

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ortigão Costa O “IZOL” assim se chama o puro lusitano que foi comprado pela actriz Tracey Bregman, conhecida pelos seus papéis de Lauren Fenmore em “The Young and The Restless” e também em “The Bold and The Beautiful”. Tracey Bregman tem sido uma das grandes embaixadoras do cavalo lusitano em terras de “Tio Sam”. Paulo Jorge Ferreira vendou ainda outros três exemplares para Espanha, ao cavaleiro Pablo Hermoso de Mendonza. Parabéns e continua com esse belo trabalho que fazes tanto com cavalos como com toiros. Olé para ti Paulo deste teu amigo António Salema.

Cultura 17 António Salema “El Salamanca”

Rui Jardim: aspirante azambujense é em Espanha um novilheiro sem cavalos. E agora vai amigavelmente deixar a escola de toureio de Azambuja e ingressar na escola do Campo Pequeno em busca de melhores oportunidades para o seu futuro. Esperamos que tudo corra bem e que venha a ter sorte “do lado de lá” que a Virgem de Macarena esteja com ele na sorte de matar e Azambuja venha a ter o primeiro matador de toiros. É preciso um querer muito grande e um grande sacrifício e acreditar em quem nos dirige. Um olé para o novo apoderado e para ti, Rui Jardim, eu acredito em ti e bandarilha pois és muito bom nesse tércio. Vamos para a frente.

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Arqueólogos ansiosos por voltarem ao Castro de Vila Nova de São Pedro m 2017, e depois de uma operação de limpeza no local, a Associação dos Arqueólogos Portugueses, pôde voltar muitos anos depois para mais uma campanha que permitiu colocar novos aspetos daquele monumento do Calcolítico, e que à semelhança do Castro do Zambujal em Torres Vedras é a primeira marca de uma organização do homem enquanto militar no território onde hoje é Portugal, sendo por isso um exemplo dos primórdios da arquitetura militar e civil. Apesar dos reveses e dos obstáculos que têm surgido, os arqueólogos nunca desistiram do seu estudo, e aguardam agora com o novo executivo saído das eleições a possibilidade de nova luz verde para avançarem. Como sempre muito do que acontece ou não no Castro depende da autori-

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zação dos proprietários do terreno. A figura da expropriação já esteve em cima da mesa, mas a autarquia tem preferido a via do diálogo até onde seja possível. Em mais um encontro de arqueólogos que aconteceu no dia 23 de janeiro, no Museu do Carmo, Vila Nova de São Pedro e as suas potencialidades voltaram a ser enfatizadas. Para os arqueólogos que estiveram no local no verão foi particularmente emotivo o contacto com a população, nomeadamente, aquela que em muito jovem teve oportunidade de participar nos trabalhos e que ainda hoje recorda com muita nostalgia esses momentos, sendo o Castro um monumento muito querido na localidade. “Esse aspeto humano é muito importante até tendo em conta que muitos foram batizados pelo Padre

Jalé que fazia parte da equipa de arqueólogos, e outros eram afilhados do Afonso do Paço, outro dos arqueólogos”, refere José Arnaud, presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses para quem a recolha desta memória oral é inequivocamente um dado especial. Durante 2017, novos elementos quanto à riqueza deste monumento foram trazidos ao conhecimento e necessitam de serem mais aprofundados, nomeadamente, a existência ou não de uma segunda muralha – “Foi descoberta em alguns pontos mas não sabemos se envolve todo o recinto. Seria importante apurar da existência ainda de outras estruturas defensivas. A recolha de amostras do modo de vida daquelas populações como sementes, ossos de animais para

Bibliomóvel nas freguesias de Azambuja Câmara Municipal de Azambuja coloca na estrada, a partir do dia 20 de fevereiro, uma biblioteca móvel que pretende chegar a todas as pessoas com mobilidade reduzida, sem meios de transporte ou que vivam mais isoladas. Alcoentre e União das Freguesias de Manique do Intendente, V.N.S. Pedro e Maçussa, são as freguesias abrangidas pelo projeto, da responsabilidade da Rede de Bibliotecas do Município de Azambuja (RBMA) e que tem como objetivo aproximar a biblioteca da comunidade, sem que esta tenha de se deslocar ao seu encontro. A Bibliomóvel, permitirá empréstimo domiciliário de livros e revistas às pessoas com menos mobilidade e das localidades mais isoladas do concelho com o objetivo de estimular e atestar a satisfação das necessidades de informação, educação, cultura e lazer desses cidadãos. Um técnico deslocar-se-á quinzenalmente às localidades programadas para disponibilizar o empréstimo domiciliário às pessoas que não têm meios para se deslocar a nenhuma das três bibliotecas municipais. Levará uma seleção variada de livros e poderá receber pedidos específicos para a próxima deslocação. Os utilizadores poderão inscrever-se na hora e aceder ao empréstimo imediatamente. A Bibliomóvel irá desloca-se a cada uma das freguesias de 15 em 15 dias, sempre à terça-feira. A primeira rota começa na União de Freguesias, no dia 20 de fevereiro, e uma semana mais tarde – dia 27 – estreia-se na freguesia de Alcoentre. Depois, é só seguir o calendário, na primeira e terceira terças-feiras do mês a Bibliomóvel visitará a União de Freguesias, e na segunda e quarta terças-feiras de cada mês percorrerá a Freguesia de Alcoentre. A rota da União de Freguesias será: Arrifana (09h45), Manique do Intendente (10h45), Maçussa (14h00) e Vila Nova de S. Pedro (15h15). Na Freguesia de Alcoentre, a rota será a seguinte: Quebradas (10h00), S.Salvador e Espinheira (11h00), Tagarro (14h00) e Casais das Boiças (15h15).

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se reconstituir o seu quotidiano é outro dos aspetos. Importa ainda identificar os materiais utilizados nos vários utensílios descobertos”. Hoje em dia a ciência através da técnica da datação por radiocarbono que não existia nas escavações de há 50 anos poderia ser preciosa quanto a novas descobertas no local. O grande objetivo passa por finalmente tornar aquele património visitável “sem ser danificado, e de forma a que as pessoas através de sinalética apropriada saibam o

Agentes esperam que o Castro não mergulhe de novo num impasse que estão a ver”. “Contamos com o apoio da Câmara e dos proprietários porque comporta algum nível de intervenção com passadi-

ços, por exemplo, como já acontece nos parques naturais”, no fundo “um polo de desenvolvimento local”.

Centro de Interpretação do Pintar e Cantar dos Reis inaugurado em Alenquer oi inaugurado no dia sete de janeiro o Centro de Interpretação do Pintar e Cantar dos Reis que visa dar a conhecer aquela tradição que todos os anos acontece, de cinco para seis de janeiro, em algumas localidades do concelho de Alenquer. A funcionar no antigo posto de Turismo no Parque Vaz Monteiro resultou de uma parceria entre o município e a Fundação EDP num investimento que rondou os 70 mil euros. À disposição do visitante estão brochuras, merchandising e outro material que pretende dar a conhecer a tradição. O vereador da Cultura, Rui Costa, explica que com esta nova valência pretende-se abrir uma nova janela de oportunidade para que a tradição possa ser explorada por quem visita Alenquer. Nas 11 localidades onde o Pintar e Cantar dos Reis acontece foram também instalados totens informativos nas principais praças com informação QR code para páginas online contendo toda a informação sobre o acontecimento. Foram ainda distribuídas centenas de placas a indicar a rota do Pintar e Cantar dos Reis um pouco por todo o concelho. A ideia é fazer com que quem saia do centro de interpretação com um pequeno folheto com um mapa desenhado possa depois partir à aventura desta descoberta, e visitar as aldeias onde a tradição acontece como acontece em Catém, Penafirme da Mata, Ota, entre outras.

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Joaquim Ramos abre o livro da Opel de Azambuja

“Fábrica fechou porque uma minoria estava mais interessada em ir para a reforma” s mais recentes notícias que dão conta de um impasse na Auto Europa trouxeram à lembrança o caso do encerramento da Opel em Azambuja. O assunto não passou ao lado de Joaquim António Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja, que participa desde janeiro num programa de opinião no site do Valor Local. No programa “Alguns dedos de conversa” que pode ser visto no site em www.valorlocal.pt, Joaquim Ramos diz não ter dúvidas que o que aconteceu na Opel terá sido por vontade de “uma minoria de trabalhadores”. O antigo autarca refere que estes

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manipularam os restantes. Estavam a chegar ao tempo da reforma, e como tal “interessava-lhes ir para a reforma e receber uma indemnização por despedimento. Por isso queriam fechar a fábrica”, atira o antigo autarca. Joaquim Ramos lamenta que esta “minoria” se tivesse esquecido dos restantes operários “que dependiam da Opel para viver, que não tinham direito a reformas porque tinham pouco tempo de serviço, que tinham indeminizações pequenas”. Esqueceram-se ainda da “quantidade de pessoas que lançaram na miséria, não só na Opel como nas outras empresas subsi-

diárias”. Joaquim Ramos revela que os tempos não foram fáceis: “Imagine os sapos que tive de engolir nas diversas reuniões com o Governo e com os trabalhadores quando eu sabia que havia uma fatia de trabalhadores da Opel empenhada em liquidar a empresa”. Por esses e outros motivos, o antigo autarca diz que revive atualmente no processo da AutoEuropa, muito do que presenciou em 2006. O comentador salienta que todo o processo é muito idêntico ao de Azambuja e que se corre o risco de um dia a “a Volkswagen se

chatear e levantar daqui, deixando milhares de famílias no desemprego”. Ramos lembra que o leque salarial “é muito bom, assim como tinha a Opel à época, e por isso trata-se de uma ação perfeitamente criminosa”. O antigo autarca reforça que o

Partido Comunista o surpreendeu ao entrar na “geringonça” e mesmo assim continuar “a fazer tropelias por via sindical, e em larga escala”. Como tal continua a ser na sua opinião “responsável pelo atraso do nosso país”. Em 2006 fizeram-se greves, vigílias no largo da Câmara e muitas outras ações

que não surtiram efeito junto da administração da Opel. Curiosamente na altura, a Volkswagen era apontada como um exemplo de paz social no setor automóvel em Portugal e o líder do sindicato da AutoEuropa, chegou mesmo a estar em Azambuja para dar “uma mãozinha” aos colegas.

Jantar de empresários em Alenquer com a presença do ministro da Economia Trabalhadores fecham o portão no último dia da fábrica

Empreendedores locais em jantar da autarquia ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral, foi o convidado principal do terceiro jantar de empresários e empreendedores do concelho de Alenquer, que se realizou na passada sexta-feira, dia 18 de janeiro. O ministro salientou o trabalho feito na área do empreendedorismo em Alenquer, ao mesmo tempo que dissertou sobre o cresci-

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mento económico do país em 2017. Ao todo, esteve presente cerca de centena e meia de empresários, que ouviu falar da importância das incubadoras de empresas para o desenvolvimento económico e social. Os empresários assistiram, ainda, a uma palestra do projeto “incubado” Alen Quer Inovar, relacionado com produtos reciclados.

Coube ao reitor do ISCTE-IUL, professor catedrático, Luís Antero Reto salientar também a importância das incubadoras no desenvolvimento económico e social local. A iniciativa serviu ainda para o presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Pedro Folgado homenagear os empreendedores da região.

Alenquer promove vinhos na Fitur

Cidade Europeia do Vinho 2018 | Torres Vedras/Alenquer esteve presente este ano na FITUR - Feira Internacional de Turismo, que decorreu em Madrid, de 17 a 21 de janeiro. A iniciativa que integrou o espaço do Turismo de Portugal, visou promover os vinhos destas duas localidades no espaço dos vinhos de Lisboa e a convi-

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te do Turismo do Centro. Na ocasião, foram dados a conhecer e a provar os vinhos dos concelhos de Torres Vedras e Alenquer numa feira com um peso internacional muito significativo para o setor do turismo, chegando aos 250 mil visitantes. Alenquer e Torres Vedras são em 2018 as Cidades Europeias do Vinho, titulo atribuído pela

Rede Europeia de Cidades do Vinho que no passado já atribuiu o título a Palmela, Marsala, Jerez de la Frontera, Reguengos de Monsaraz, entre outras localidades. Para 2018 estão previstas mais de 60 iniciativas em vários pontos do país e fora de portas, ligadas à promoção dos vinhos nos dois concelhos.


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Valor local edição janeiro 2018  

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