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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 87 • 28 Maio 2020 • Preço 1 cêntimo

Jornalista Italiano avisa que resíduos que vêm para os aterros portugueses são muito perigosos

Valor Local

Ambiente na 11

Ministro do Ambiente desvaloriza polémicas do aterro de Azambuja Ambiente na 10

Em tempo de pandemia e isolamento

Militares da GNR fazem de psicólogos de idosos isolados do concelho de Alenquer

Destaque da 12 à 16

Furacão Covid abala empresas de Azambuja: É tempo de apurar responsabilidades Economia na 17 e 18

A segunda vida de uma cabine telefónica que agora é despensa solidária

Sociedade na 2 PUB


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Valor Local

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A segunda vida de uma cabine telefónica que agora é despensa solidária freguesia de Vila Franca de Xira tem um dos projetos mais originais de solidariedade da região. Em causa está uma velha cabine telefónica transformada numa “despensa solidária” que tem como missão ajudar quem mais precisa nesta altura de pandemia. O projeto que está situado no Largo Carlos Pato, em frente ao MiniPreço, tinha, segundo Ricardo Carvalho, da junta de freguesia, como objetivo inicial um ponto de wi-fi, mas o rumo foi alterado após a recente pandemia e a necessidade de se encontrar uma forma física e mais robusta para dar corpo a esta iniciativa, que afinal partiu da sociedade civil, e que encontrou na junta de freguesia um aliado. Ricardo Carvalho, vogal e responsável pelos trabalhadores da junta de freguesia, destacou ao Valor Local que a “cabine” esteve abandonada durante anos nuns terrenos da autarquia, e que esteve quase para ser destruída mas que foi “salva” pelos trabalhadores da junta. No entanto, esta ideia da despensa solidária começou a desenharse recentemente. O projeto está em curso desde um de maio e com impacto na vida dos mais necessitados. Ricardo Carvalho salienta que a ideia teve origem na sociedade civil e por isso foi fácil “mudar a agulha” no que toca à utilização da estrutura. “A ideia teve início nos nossos parceiros com a Sandra Levezinho, a Padaria Quimfer e o Solar de Santa Sofia” que têm alimentado a iniciativa com “várias mercearias e pão quase todos os dias.” Ricardo Carvalho enumera, como uma das mais-valias desta iniciativa, o facto de ser um espaço físico “que não pode ser transportado ao contrário do que acontece com as caixas solidárias” que segundo o autarca são muitas vezes vandali-

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dos. História da cabine telefónica dos anos 50 transformada em projeto solidário

Voluntários e junta de freguesia empenhados no apoio aos mais necessitados zadas. A ideia subjacente a esta iniciativa tem prevalecido na mente dos mais necessitados: “Leve apenas o que precisa” tem sido o mote encarado bastante a sério pelos vilafranquenses. Sandra Levezinho, uma das promotoras da ideia, salienta que no início “havia quem açambarcasse, tivemos de falar com essas pessoas que entenderam o ponto de vista, e nesta altura levam mesmo só o que precisam”. Aliás Sandra Levezinho tem uma vasta experiência no que toca à solidariedade. Quem a conhece sabe do seu interesse por ajudar o próximo pelo que esta foi apenas mais uma missão embora com contornos diferentes daquelas que já assumiu por exemplo para os países menos desenvolvidos. Este é um projeto comunitário. Para além dos parceiros da iniciativa, também os populares ajudam com frequência e “alimentam” a cabine, pelos que a escolha do local, bem em frente a um supermercado, não terá sido por acaso.

São de resto muitas as pessoas que têm ajudado à iniciativa. Há voluntários e todos os dias o local é devidamente higienizado para manter a segurança das pessoas. José Vicente é uma das pessoas que tem levado a bom porto este projeto. O popular que gere o supermercado “Solar de Santa Sofia” destaca a ajuda dada pelos seus próprios clientes que têm deixado compras pagas para abastecer a despensa. Ao Valor Local, José Vicente refere que a solidariedade dos clientes tem sido importante para o projeto, e que com essa ajuda, a despensa é renovada várias vezes ao dia. O próprio fez o primeiro abastecimento no valor de cem euros sendo que o civismo dos mais necessitados tem sido em alguns casos, exemplar. Para além das mercearias, há também pão todos os dias. Pão fresco para quem precisa e que é doado pela Padaria Quimfer, sendo este um dos produtos mais procurados por quem precisa mesmo

de ajuda. Sandra Levezinho, a principal promotora da iniciativa, também revela a participação da sociedade civil e sobretudo o civismo dos vilafranquenses. Para a popular existe “uma grande onda de solidariedade em Vila Franca de Xira” não só agora mas noutras ocasiões. Sandra Levezinho refere que um dos exemplos refere-se aos contatos que tem recebido quer de ofertas, quer de pedidos de ajuda. Mal este projeto começou a ganhar forma, Sandra Levezinho diz ter recebido contatos para ajudar algumas pessoas. Pelo facebook recebeu pedidos para fazer chegar a casa dos habitantes de Vila Franca alguns bens “porque as pessoas têm receio de dar a cara” referindo-se à pobreza envergonhada o que dificulta a ajuda nas horas de necessidade. Certo é que este projeto tem vindo a granjear simpatias por parte de quem ajuda e de quem precisa de apoio. Durante a nossa reportagem, minutos depois da despensa

ser higienizada e abastecida, foram pelo menos quatro as pessoas que a usaram. São pessoas com quebras de rendimentos, ou pessoas ou com dificuldades financeiras como o caso de uma idosa que esperou que a equipa de reportagem se afastasse para poder ir buscar algumas mercearias. Noutros casos, testemunhámos também pessoas que foram buscar apenas alguns bens, e inclusive deixar outras mercearias, o que prova que este projeto solidário é aceite na comunidade e levou a um espírito de entreajuda entre to-

Durante anos, a cabine telefónica esteve ao serviço da praça de táxis de Vila Franca de Xira. O equipamento foi entretanto retirado do local, junto à estação da CP e substituído, posteriormente, por material mais moderno. Durante mais de 30 ou 40 anos esteve ao abandono nas instalações da junta de freguesia, e por mais de uma vez foi-lhe passada a certidão de óbito. Com o objetivo de lhe dar uma nova vida, o executivo pensou transformar o equipamento num “hotspot wi-fi”. No entanto a pandemia viria a dar outro desfecho ao equipamento. Foram os funcionários da junta que juntaram ao trabalho muito carinho e que recuperaram o equipamento. Artur Jorge, funcionário da Junta de Freguesia, diz que se apaixonou pelo projeto mal o executivo lhe mostrou a ideia inicial. O funcionário reafirma que o equipamento estava muito danificado, mas após três semanas de trabalho, o resultado é aquilo que se pode ver no Largo Carlos Pato em Vila Franca de Xira. A cabine tem agora uma nova vida, um restauro que teve um sabor especial “não fosse este um projeto solidário” refere Artur Jorge.

União de Freguesias de Manique distribui 5000 kits de proteção União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro distribuiu kits de proteção pela população no âmbito da pandemia. Uma ação que rapidamente foi seguida por outras juntas do concelho. Ao Valor Local, José Avelino, presidente da junta, destacou a entrega em “casas que sabemos que estão habitadas para evitar os desperdícios”. Os kits eram compostos por máscaras, gel desinfetante, e uma brochura explicativa da Direção Geral de Saúde. A juntar a isto, o autarca salienta que a União de Freguesias tem estado atenta ao desenrolar da evolução da pandemia e vincou, igualmente, o apoio da Câmara Municipal através de um subsídio já entregue às juntas para fazer face a este tipo de despesas. Para o comércio local, José Avelino também garantiu a entrega de dispensadores de gel, que devem ser colocados à disposição do público, neste caso clientes.

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Ideia foi rapidamente replicada por outros presidentes de junta

Cabine telefónica antes da renovação


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Vila Franca de Xira deu apoio alimentar a mais 135 famílias durante a pandemia

urante a pandemia, houve um acréscimo de pedidos de ajuda no que respeita aos bens alimentares no concelho de Vila Franca de Xira. As ajudas do município são articuladas, ou surgem em complementaridade com as facilitadas pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), o banco alimentar e as cantinas sociais, no âmbito das diversas IPSS’s parceiras do concelho. A distribuição do apoio alimentar é assegurada em todas as freguesias e nesta fase da Covid-19, o número de pedidos e de famílias apoiadas tem vindo a aumentar (ver quadro abaixo). No total foram apoiados mais 135 agregados familiares em situação de emergência a juntar aos 1690 já existentes. A autarquia descreve, ao Valor Local, que é promovido um apoio mensal ao nível da ajuda alimentar, através da distribuição de um cabaz com produtos alimentares e bens de primeira necessidade. Todas as situações sociais que recorrem aos serviços para solicitar apoio alimentar são avaliadas, e inseridas numa base de registo comum na Plataforma Ação Social Interface Parceiros (ASIP) que permite a todos fazer o cruzamento das pessoas apoiadas. Durante o estado de pandemia, uma nova resposta foi criada pelo Banco Alimentar Contra a Fome, a “Rede de Emergência Alimentar do Banco alimentar”. Esta é uma resposta limitada no tempo até estar ultrapassada a situação de emergência COVID 19. O pedido

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Famílias carenciadas beneficiaram de mais ajudas

de apoio à rede de emergência alimentar é feito online, através de inscrição das necessidades pelos próprios, familiares ou amigos, numa plataforma informática. Posteriormente o pedido é encaminhado para um ponto de entrega dos alimentos próximo da sua residência que tem banco alimentar, é avaliado e distribuído mensalmente. Mas casos houve em que os agregados que se encontram a receber as refeições escolares para os seus filhos, pediram comida também para o resto da família. Esta resposta, refere o município, passou a existir, no momento, em que a autarquia aprovou as medidas de apoio às IPSS´s com o valor

dos 50 por cento das refeições totais a fornecer às escolas. No período do estado de emergência, os munícipes pediram este tipo de apoios através das linhas telefónicas da loja do munícipe e do email da divisão de saúde e solidariedade, mas também diretamente às juntas de Freguesia e Segurança Social, “que de forma articulada têm respondido a todos os pedidos”, acrescenta a autarquia. Só os técnicos da divisão de saúde e solidariedade atenderam e apoiaram 107 agregados familiares em situação de emergência. As principais problemáticas estão relacionadas com os fracos recursos económicos e os apelos tra-

Respostas apoio alimentar nas freguesias do Concelho

Situação anterior

Famílias apoiadas em fase pandemia

Ajudas Alimentares do Município

291 famílias

+ 24 famílias

Banco Alimentar

404 famílias

+ 48 famílias

Cantina Social

161 pessoas

+ 46 pessoas

POAPMC – Programa Operacional de Apoio a Pessoas Mais Carenciadas

834 pessoas

+ 17 pessoas PUB

duzem-se essencialmente em pedidos de apoio alimentar; pedidos de apoio económico para pagamento de rendas/alojamentos devido à insistência dos senhorios e despesas de manutenção dos agregados. Durante este estado de emergência têm solicitado este apoio, sobretudo: idosos com baixos rendimentos; agregados familiares com

dificuldades económicas e com filhos a cargo e em situações de layoff e desemprego; agregados familiares com desemprego de um dos elementos consequência da pandemia; famílias monoparentais; situações de imigrantes indocumentados e desempregados, e sem qualquer outro meio de subsistência, elenca a autarquia. Relativamente a este e a outros apoios, e com o objetivo de promover a intervenção social integrada, atuando ao nível das vulnerabilidades e potencialidades locais, está implementado no concelho desde o ano 2016, o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social Integrado (SAASI) que se traduz no atendimento e acompanhamento social descentralizado nas seis freguesias do concelho, com 42 entidades parceiras (IPSS’s) e coordenado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e o Instituto da Segurança Social. Destina-se a todos os munícipes que se encontrem em situação de vulnerabilidade social. “É um projeto enquadrado na Rede Social e que tem como objetivo potenciar a criação de respostas mais adequadas aos problemas sociais, rentabilizando os

meios e recursos existentes, eliminando sobreposições de atuação, permitindo um melhor planeamento dos serviços, minimizando assim, situações de exclusão social e pobreza, no sentido de alcançar o bem-estar social da população. Este atendimento visa uma resposta mais justa, adequada e rápida às situações de maior necessidade, em prol de um concelho mais coeso”, enfatiza a autarquia. Centro Acolhimento Sem abrigo

Foi ainda criado um centro de acolhimento de pessoas sem-abrigo em Vila Franca de Xira, que neste momento conta com um total de seis pessoas, algumas das quais vindas de outros concelhos. No local há sete camas, bem como outras comodidades tendo em vista proporcionar algum conforto aos sem-abrigo. Helena de Jesus, vereadora da Coesão Social, diz que no total há 13 pessoas sinalizadas como sem-abrigo, mas nem todas quiseram permanecem no centro de acolhimento. Nesses casos foi sinalizada a Segurança Social, e esses casos deram entrada, entretanto, no tribunal. PUB


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Covid-19: Câmara de Vila Franca fez 466 atendimentos na linha de apoio ao idoso o âmbito da pandemia, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira criou dois serviços telefónicos junto da população: a linha de encaminhamento e apoio psicológico no âmbito da qual foram abertos 33 processos, e 20 beneficiaram desse aconselhamento; mas também a linha de apoio aos idosos, com 466 atendimentos. Ao Valor Local, o município faz um balanço positivo, dado o impacto provocado pela conjuntura da Covid-19, no sentido da melhoria da gestão emocional da população em tempo de crise. Nesta fase e apurados os primeiros números, no âmbito da linha de apoio e encaminhamento psicológico, em 15 dos processos foram ativadas outras respostas no âmbito social, sobretudo apoio alimentar, apoio financeiro para compra de medicamentos, acompanhamento médico, mas também apoio informático via telescola, apoio jurídico, entre outros. No que diz respeito ao número de atendimentos realizados pela linha de apoio aos idosos, inicialmente, quando a linha ficou disponível para a população existiam em média cerca de 10 a 15 contactos por dia. No decorrer deste tempo e com a chegada de mais informação pelos diversos meios de comunicação, as chamadas foram diminuindo, sendo que, “atualmente, atendemos cerca de cinco chamadas diárias, num total de 466 atendimentos até ao dia de hoje”, refere o município ao nosso jornal. Ainda de acordo com a Câmara,

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Solidão e dificuldade de reagir perante o distanciamento social foram desafios para os mais velhos

a população que tem contactado a linha de apoio psicológico é vasta no que diz respeito às idades, desde munícipes jovensadultos, adultos, como também população idosa. No que se refere à linha de apoio à população idosa, as questões que têm motivado o contacto têm sido, maioritariamente, relacionadas com carência económica e alimentação, sendo que a pandemia desencadeou situações de desemprego, assim como situações de pessoas que trabalhavam por conta própria e que fi-

caram sem rendimentos. “As problemáticas alvo de intervenção são assim inúmeras e advêm sempre da atual situação pandémica. Receios com o próprio estado de saúde devido a diagnóstico de infeção, suspeita ou receio de infeção, paralelamente, a preocupações com o estado de saúde de outras pessoas do agregado familiar, são as mais comuns”, descreve a autarquia. Uma das grandes preocupações da população prende-se com a perda do vínculo laboral, ou a perda de ren-

Hospital de Vila Franca de Xira o mais elogiado do país em 2019 Hospital de Vila Franca de Xira é o mais elogiado do país. A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) publicou, no final da semana passada, o Relatório do Sistema de Gestão de Reclamações referente ao ano de 2019, em que recebeu 93 mil 563 processos REC (reclamações, elogios ou sugestões), relativos a 3 mil 097 estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde. O hospital de Vila Franca destacou-se na área mais positiva deste relatório da ERS, com os dados a indicarem que os utentes

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elogiaram mais esta unidade do que qualquer outra do Serviço Nacional de Saúde, fazendo-o por 684 vezes. Os elogios referem-se ao nível do tratamento na relação humana médico-doente com este hospital a ser considerado o melhor, mas também no que respeita à categoria profissional do enfermeirodoente também a destacar-se na componente da relação humana. Também na qualidade assistencial foi o mais elogiado quer na figura do médico quer na do enfermeiro. Os assistentes técnicos

deste hospital são ainda dos mais elogiados do país quanto à sua atitude ou comportamento em relação ao doente. Segundo a direção deste hospital, estes resultados revelam “o compromisso permanente” desta unidade hospitalar quanto à “qualidade do serviço que presta aos seus utentes e só são possíveis devido à elevada competência dos nossos médicos, enfermeiros e restantes profissionais de saúde que diariamente se empenham em bem cuidar de quem nos procura.”

dimentos, mas também a possibilidade de contágio por manutenção da atividade profissional e dificuldades de gestão e adaptação perante a recomendação de distanciamento social (em confronto com a importância que o contacto social assume para o bem-estar). Há quem também evidencie stress perante situações de funcionalidade diária, por exemplo, “como uma ida ao supermercado se torna numa experiência desafiante ao nível sanitário ou a necessidade de andar de transportes públi-

cos”. Durante o confinamento verificaram-se situações de stress e dificuldade de gestão do quotidiano no mesmo agregado. Em alguns casos, o confinamento esteve também na origem de respostas como o abuso de substâncias. No caso da população mais idosa, o facto da pandemia ser encarada como uma ameaça aliada ao distanciamento social e consequentemente ao maior isolamento, tornou-se reativa de experiências traumáticas anteriormente vividas, aumen-

tando o receio de potenciais perdas atuais. Em pessoas com antecedentes clínicos (ansiedade, depressão e outras perturbações mentais) a pandemia impulsionou o agravamento de determinados sintomas, tendo sido necessário em algumas destas situações, proceder ao encaminhamento para respostas no âmbito da saúde. Ao Valor Local, a vereadora Helena de Jesus, do departamento de Habitação e Coesão Social, relata, ainda, que entre os casos se destacaram os relacionados com situações de solidão, de pessoas que não tinham forma de ir às compras, mas também burlas junto de idosos, em que os criminosos se apresentavam como pessoas ligadas à área da saúde ou como forças de segurança- “O que dissemos nesses casos foi para nunca abrirem a porta”. Houve também um caso de violência doméstica reportado através das linhas, encaminhado à posteriori pelo município com a disponibilização de uma habitação para a vítima“Contudo poderão ter existido muitos mais, diretamente reportados às forças de segurança e que não passaram por nós”. “Todos estes aspetos evidenciam a importância da criação destas duas linhas de apoio, por parte da Câmara Municipal, que se constituem como um contributo de grande importância para o apoio, acompanhamento e/ou encaminhamento destas pessoas, no sentido de minimizar os efeitos da situação pandémica”, conclui o município.

São dados da Entidade Reguladora da Saúde


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Presidente da junta de Aveiras de Cima aponta baterias à saúde pública ntónio Torrão está indignado com a forma como as autoridades de saúde estão a tratar as freguesias. Em declarações ao Valor Local, o presidente da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima, lamenta que o pequeno comércio tenha encerrado primeiro antes dos hipermercados o que originou uma crise neste setor, um pouco por todo o lado, sendo que Aveiras de Cima não foi exceção. A juntar a isso surge a falta de conhecimento sobre os casos positivos de COVID nas freguesias “O que fizeram às juntas de freguesia foi o maior ataque após o 25 de abril “, refere António Torrão que não poupa críticas às entidades de saúde pela forma como “têm tratado as juntas” e afirma que a lei de proteção de dados acaba por servir de desculpa para quase tudo. António Torrão lembra que é “inadmissível que as juntas de freguesia não possam saber onde estão as pessoas infetadas”. O autarca refere que existe uma falta por parte das autoridades e lembra que, na maioria dos casos, são as juntas que identificam as pessoas junto do tribunal ou outras entidades como a própria Direção Geral de Saúde “até porque nenhuma destas entidades possui dados dos indivíduos”, nem “o próprio posto médico”, refere António Torrão que por via da proximida-

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legada de saúde foi informada, esclarece António Torrão que salienta como importante neste caso o papel do Comandante Municipal Operacional de Azambuja, criticando a lei de proteção de dados como está implantada. “Isto é uma treta, pois durante

46 anos fomos capazes de reter e tratar os dados das pessoas. A maior parte dos delegados de Saúde e daquela gente toda que temos neste pais, e toda aquela porcaria, e essa é mesmo a palavra certa, não percebem que as juntas de freguesia têm e sempre tiveram os dados das pessoas todas”, critica António Torrão, que salienta que a impossibilidade de saber por via oficial quem são os infetados afasta muita da ajuda que essas pessoas podiam ter .“Isto está tudo louco”. “Não queremos saber se é o A, B, ou o C, o que queremos é saber onde residem porque há sempre pessoas que não cumprem com o dever de confinamento sejam os infetados ou quem viva com eles”. Ainda assim e com algumas limitações a junta vai conseguindo saber onde estão os mais necessitados, e colocando em prática alguns dos apoios necessários. A autarquia disponibilizou máscaras a algumas famílias e tem um voluntário a entregar refeições a crianças que frequentam as escolas da freguesia. A juntar a isso, a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima está também a levar refeições a pessoas já identificadas e existe, segundo António Torrão, uma boa articulação com o Centro Paroquial de Aveiras de Cima para ajudar quem está identificado sobretudo os mais idosos.

meadamente, a nível das pinturas exteriores”. O município cedeu as instalações à CEBI para que possa desenvolver a sua atividade, facultar os assistentes operacionais e assegurar as despesas de energia, consumo de água e internet do edifício. A CEBI ficará responsável pela coordenação técnica do serviço de creche, colocação de educadores de infância, cobrança das

mensalidades e coordenação e comunicação com a Segurança Social. Com esta solução o Centro Escolar de Arranhó passará a integrar, a partir de setembro, a componente de creche, reforçando assim a oferta social e educativa daquela zona do concelho. De referir que com esta valência, o centro escolar de Arranhó passa a receber crianças desde os três meses até ao segundo ciclo.

Lei de proteção de dados foi desculpa para censura das entidades segundo o autarca de da junta e dos seus vários serviços, vai conhecendo a população da segunda maior freguesia do concelho de Azambuja. O autarca salienta, por outro lado, que a posição da DGS ao não divulgar quem são os infeta-

dos não faz sentido pois “as autarquias acabam por ser contactadas pelas próprias pessoas que estão doentes, muitas vezes, para nos dar conhecimento ou apenas para pedir ajuda”. O presidente da Junta diz que esse contacto é importante, até

porque o primeiro caso no concelho de Azambuja aconteceu em em Aveiras de Cima. A junta soube através da própria pessoa que estava infetada. Foi a partir dessa chamada que as autoridades de saúde pública do Forte da Casa, nomeadamente, a de-

Arranhó volta a ter creche creche está de volta à freguesia de Arranhó no concelho de Arruda dos Vinhos. A valência que à época era da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia está agora de regresso após conversações entre várias entidades e a Câmara Municipal de Arruda. A creche que servia as freguesias de Arranhó e S. Tiago dos Velhos era uma mais-valia e o seu regresso será uma ajuda preciosa às famílias.

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De acordo com o presidente da Câmara Municipal, André Rijo, desde essa altura que “a autarquia tem vindo a procurar soluções e parcerias que permitam assegurar a existência desta resposta social naquelas freguesias, contribuindo desta forma para a fixação de populações mais jovens nas respetivas localidades”. Depois de várias consultas, a autarquia anunciou no início do ano que estaria na forja um acordo

com a Fundação CEBI de Alverca. O Centro de Bem Estar Infantil, fundado pelo benemérito Álvaro Vidal, acabou por ser assim o parceiro que melhores condições deu à autarquia. O protocolo com a CEBI - Fundação para o Desenvolvimento Comunitário de Alverca e o AEJIA Agrupamento de Escolas de Arruda dos Vinhos, foi de resto já assinado e tem em vista a implementação da valência de creche no

Centro Escolar de Arranhó, o que avançará em setembro, no início do ano letivo 2020/2021. No âmbito desta parceria caberá ao município realizar as necessárias obras de adaptação do espaço, já aprovadas pela Segurança Social e que se encontram a decorrer, e que segundo o presidente da Câmara “decorrem a bom ritmo, aproveitando ainda a autarquia estas obras para melhorar as condições gerais do edifício, no-

Escola de Música de Salvaterra realiza sonho de ampliar instalações Câmara de Salvaterra acabou de aprovar um protocolo que visa a cedência do piso térreo do antigo quartel dos bombeiros voluntários à escola de música, onde de resto a associação já desempenhava a sua atividade, mas no piso superior. A necessitar de obras, o edifício vai sofrer a intervenção municipal para dotar o espaço

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de melhores condições e no fundo ampliar a área destinada ao ensino da música por parte daquela associação cultural. O protocolo é válido para três anos renováveis. Este era um sonho antigo da escola. Em 2016 numa reportagem do Valor local, Hernâni Damásio, ligado àquele projeto afirmava que esse era o objetivo principal da coletivida-

de. Hélder Esménio, presidente da Câmara, congratula-se com a medida “ e com a solução encontrada que vai permitir melhorar as condições de ensino e de aprendizagem dos jovens músicos que frequentam as aulas e integram a Banda Filarmónica de Salvaterra de Magos, conseguindo-se ainda garantir que o

edifício histórico propriedade da associação humanitária seja útil à comunidade local e convenientemente conservado num esforço a que a Câmara se associará”. O protocolo assegura ainda que os bombeiros beneficiarão de duas atuações, por ano, da Academia de Música em eventos que realize designadamente

para angariar verbas. A Associação Cultural e Musical de Salvaterra de Magos dirá ainda presente no caso de a os bombeiros quererem retomar a sua fanfarra, disponibilizando uma hora semanal para formação de todos quantos possam vir a assumir este projeto. O município de Salvaterra de Magos na sequência da constru-

ção de “novos centros escolares tem vindo a protocolar com mais de duas dezenas de associações culturais, desportivas e recreativas do concelho, a utilização dos antigos espaços escolares, apoiando e financiando também a realização de obras nos espaços utilizados por muitas outras coletividades”, finaliza em comunicado de imprensa.


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Junta de Freguesia de Azambuja ajuda famílias afetadas pela pandemia

São sete as famílias apoiadas pela junta semelhança de tantas outras localidades, também no concelho de Azambuja decorrem algumas iniciativas de cariz solidário. O objetivo é ajudar aqueles que por via da pandemia, ficaram sem recursos financeiros. Em suma a sociedade civil e as autarquias, estão a levar a cabo projetos com vista a minorar os problemas das famílias, sejam financeiros, ou psicológicos, já que muitas pessoas perderam ou estão em vias de perder o emprego e consequentemente rendimentos para fazer face às despesas diárias. Em Azambuja, para além de uma “mercearia so-

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lidária” colocada em pontos estratégicos, neste caso da vila, a Junta de Freguesia não tem tido mãos a medir para tentar ajudar as populações. Inês Louro, presidente da junta de Azambuja, destaca dos vários apoios que criou, alguns em paralelo com a Câmara Municipal, o apoio alimentar e psicológico. Ao Valor Local, a autarca refere que para além das ajudas com a alimentação, cede também máscaras a uma faixa da população devidamente identificada como carenciada pelos meios oficiais. Com a realização dos passeios para

idosos todos os anos, Inês Louro, consegue também identificar os mais velhos que possam necessitar de apoio, uma vez que por via da Lei de Proteção de Dados, não consegue saber ou ter acesso a listagens dos casos mais complicados. A junta tem ainda um serviço de apoio psicológico que trabalha de “de forma confidencial” junto dos que mais precisam e que contactam aquela autarquia. Inês Louro refere a existência de uma assistente social “que monitoriza os casos que são trabalhados com a máxima confidenciali-

Salão Nobre transformado em mercearia comunitária dade e respeito pela privacidade de cada família”, ao mesmo tempo, que garante que a “técnica é também quem avalia as necessidades em causa” e esclarece que nesta altura “não só adquirimos bens alimentares e de primeira necessidade para ajudar, como temos tido muita ajuda da população que tem sido solidária com esta causa”. À medida que a população vai colaborando, a junta vai colocando numas prateleiras improvisadas no salão nobre, os donativos que serão mais tarde distribuídos pelos mais necessitados. Uma ajuda

preciosa em tempos difíceis e que tem-se constituído, como referiu a autarca, como uma ajuda importante da população que vai entregando alguns bens amiúde. Noutro campo, a autarquia presidida por Inês Louro está já a dar os primeiros passos para a conclusão de uma horta social. Neste caso, a junta conta com um terreno cedido pela Câmara de Azambuja. Numa altura difícil, a junta apoia já de forma permanente sete famílias. Os serviços fazem as compras necessárias, como seja ir ao supermercado e à farmácia, um apoio destinado aos mais idosos

“a quem se recomenda o confinamento, bem como aqueles que têm doenças crónicas.” Já no que toca ao apoio psicológico, a junta de freguesia tem tido alguma procura por parte dos fregueses, mas tem optado optado por uma atitude proativa e explica que a psicóloga “vai ligando aos contatos que vamos disponibilizando para saber se há necessidade de falarem” ao mesmo tempo que ajuda com a transmissão de informação importante em várias áreas ao nível da psicologia “ e que temos vindo a divulgar na nossa página”.

Alberto Mesquita contra o oleoduto considera a obra perigosa presidente da Câmara de Vila Franca está contra a passagem do oleoduto que parte da CLC em Aveiras de Cima rumo ao Aeroporto Humberto Delgado. Em reunião de Câmara leu uma declaração política a manifestar o seu desagrado pelo facto de o projeto prever a instalação do oleoduto numa antiga conduta da EPAL que atravessas localidades populosas do concelho como Póvoa de Santa Iria, onde o tema já está a motivar um abaixo-assinado entre a população que não quer conviver com milhões de litros de Jet A1 a passar ao lado das suas residências. Mesquita lembrou que este projeto que ressurge, agora, das cinzas foi em tempos abandonado por questões ambientais e financeiras. Em maio de 2019

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surgiu o anúncio da obra da obra do novo oleoduto pelo ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes. O concurso público para construir e explorar o oleoduto foi lançado em finais de fevereiro. O Governo espera ter a obra concluída durante os primeiros seis meses de 2021. O investimento é de 40 milhões de euros a cargo das entidades privadas que o vão construir. O presidente da autarquia diz que não está contra este investimento apenas discorda do traçado que recupera o velho canal do Alviela, agora para outros fins, e a conduta desativada com cerca de 150 anos. “Por razões de segurança e de proteção civil discordamos deste traçado do Alviela, que passa por algumas das zonas densamente mais po-

voadas da Área Metropolitana de Lisboa”. A opção do Governo, considera, Mesquita – “é um perigo premente, real e efetivo para a integridade das pessoas e dos seus bens em aglomerados habitacionais significativamente povoados”. O autarca alega que o seu concelho tem assumido ao longos dos anos diversos passivos ambientais em nome do interesse público desde “o início da industrialização” e como tal sugere que o traçado do oleoduto passe a ser aquele que inicialmente foi desenhado para o comboio de alta velocidade, com menos impacto no concelho. A declaração política foi remetida à Assembleia da República, grupos parlamentares, ministros, e presidentes de Câmara de Arruda, Azambuja, Alenquer e Loures.

Projeto vai partir de Aveiras de Cima rumo à capital


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Drive-Thru de Alenquer já fez 325 testes de despiste da Covid-19 concelho de Alenquer tem instalado junto ao Centro de Saúde, na sede de concelho, o primeiro drive-thru da região. A ideia é permitir testes de despiste da Covid-19 em ambiente controlado e sem sair do carro. Algo que tem tido bastante procura, embora os utentes do serviço tenham de ser referenciados, previamente, pela linha Saúde 24. Segundo Tiago Pedro, adjunto do presidente da Câmara Municipal de Alenquer, a ideia começou a desenhar-se em conjunto com o autarca “e restantes colegas do gabinete de crise”. O grande objetivo passa por “mitigar potenciais riscos de contágio comunitário no centro urbano da vila de Alenquer, já que o primeiro laboratório a ter acordo com o Serviço Nacional de Saúde foi o Synlab, que fica localizado numa rua com pouco estacionamento” na Rua Triana. Tiago Pedro refere que se as pessoas tivessem de circular pela rua até chegar ao laboratório, “aumentava-se o potencial risco de contágio”. Outra das mais-valias desta ideia é que torna mais fácil a desinfeção dos equipamentos, algo muito mais demorado num laboratório dito convencional, já que

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Drive-Thru em Alenquer junto ao Centro de Saúde

cada desinfeção demora pelo menos 20 minutos e é feita entre os testes. Com esta iniciativa aumenta-se o tempo de resposta e o número de testes, minimizando-se os contágios. Com dois laboratórios no terreno, a equipa do drive-thru de Alenquer

já levou a cabo 325 testes. Neste caso, são os laboratórios da Synlab e Affidea que têm a missão no terreno. Este é um método totalmente seguro e confidencial. Conta Tiago Pedro que os pacientes são indicados através do Serviço Nacio-

nal de Saúde e seguem a sinalética no local, que garante que os pacientes não tenham contato com outras pessoas, até porque se deslocam de carro, circulando em torno do Centro de Saúde até chegarem aos contentores nas traseiras do edifício.

No que toca a parceiros, este projeto conta, não só, com os laboratórios mas também com a Saúde Publica, com quem “temos contato direto e uma estreita relação institucional, e de onde provêm os pacientes indicados para teste”. Este é um serviço sem data para

terminar. Tiago Pedro refere que os contentores foram alugados e que o prazo de arrendamento pode ser estendido conforme as necessidades. Estamos a falar de contentores com todas as comodidades, nomeadamente, ar condicionado, eletricidade e internet, para facilitar o trabalho aos profissionais de saúde e dar algum conforto. O próximo passo em paralelo com este projeto, será a criação de um drive-thru no Carregado. A iniciativa é da delegação da Cruz Vermelha local “que aumentará a nossa capacidade de teste, e permitirá que habitantes do Carregado possam fazer o teste no Carregado, o que é muito prático”, refere o adjunto do presidente da Câmara. O responsável lembra que “a delegação da Cruz Vermelha de Alenquer teve um papel determinante no apoio ao INEM no transporte de doentes suspeitos ou infetados no início desta pandemia”. Mais tarde foi acrescentado o apoio logístico que o “Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa montou em Lisboa para testes com recurso a tendas de campanha no exterior do seu perímetro”. PUB


Valor Local

Maio 2020

Eventos 9

Festas da freguesia vão ter apenas alguns dos apontamentos habituais devido à pandemia

Festas da Freguesia de Azambuja em setembro presidente da junta de freguesia de Azambuja garante que as festas da freguesia em honra de Nossa Senhora da Assunção vão ter lugar no terceiro fim de semana de setembro. A informação foi avançada ao nosso jornal, pela presidente de junta,

A

Inês Louro. A autarca garante que as festas terão lugar desde que estejam salvaguardadas as questões de saúde pública: “Faremos aquilo que for possível tendo em conta a pandemia”. Inês Louro sublinha que a missa

em honra de Nossa Senhora de Assunção será uma realidade “até porque já são permitidas” estas celebrações religiosas. Outra das iniciativas já garantida é a benção do gado que decorre no início do certame, mas que por enquanto ainda não tem ca-

lendário. De fora ficam para já as largadas de toiros e os espetáculos musicais. Neste último caso, o Governo determinou a sua proibição até 30 de setembro, sendo que a corrida de toiros pode ser uma hipótese, embora a presidente

da junta ainda não tenha certezas. A marcação de lugares para a corrida de toiros e para a mesa da tortura são outras vertentes habituais que a junta não afasta, tendo em conta que “como são espaços fechados, podemos

controlar de outra forma”. Já quanto à procissão em honra de Nossa Senhora da Assunção, esta poderá ter lugar com recurso, por exemplo, aos bombeiros, como foi feito recentemente um pouco por todo o concelho e sem aglomerados de pessoas.

Câmara de Vila Franca cancela Colete Encarnado mas mantém Feira de Outubro presidente da Câmara de Vila Franca de Xira anunciou, em conferência de imprensa, o cancelamento das festas do Colete Encarnado. O autarca referiu que esta é “uma decisão tomada tendo em conta o imperativo da salvaguarda da saúde pública”. Com a proibição de eventos com mais de dez pessoas nesta altura da pandemia, esta foi a única solução, embora o autarca não exclua a possibilidade de existir um pequeno apontamento com campinos de forma simbólica por altura da Feira de Outubro.

O

Com este cancelamento, o Colete Encarnado que celebraria a 88ª edição, apenas foi cancelado por três ocasiões no passado. Alberto Mesquita recorda o ano de 1933, no ano seguinte à primeira edição porque “não estava ainda consolidado o evento, mas também porque havia obras a decorrer à época em Vila Franca”. Seguiu-se o ano de 1936 porque “em seu lugar realizou-se a festa do trabalho e do desporto” e no ano de 1942 “devido à Segunda Guerra Mundial”. O autarca salienta em resposta ao Valor Local que as verbas

não utilizadas no Colete Encarnado vão ser usadas nos apoios sociais, mas vão manter-se os compromissos financeiros já assumidos. Já quanto à Feira de Outubro, Alberto Mesquita refere que pode ter de ter lugar um acerto no calendário. Previsto começar a 30 de setembro, o evento apenas deve ter início no primeiro dia útil seguinte. Por outro lado, o autarca refere que ambos os festejos têm cartazes diferentes, pelo que está fora de questão utilizar alguma da programação do Colete Encarnado na Feira de Outubro.

Alberto Mesquita, presidente da autarquia, fala numa decisão dolorosa

Câmara de Alenquer não realiza este ano “Alma do Vinho” evento ex-libris do concelho de Alenquer não vai realizar-se este ano. Até 30 de

O

setembro, o Governo proíbe a realização de eventos musicais ao ar livre, e embora a “Alma do

Vinho” seja realizado, por norma, na última quinzena de setembro, a autarquia não optou por calen-

darizar o certame para o início de outubro. Ao Valor Local, Pedro Folgado,

presidente da Câmara, refere que o evento embora não seja de tipo musical, tem um caráter

socializante baseado na troca de experiências, e na relação consumidor/produtor.


10 Ambiente

Valor Local

Maio 2020

Ministro do Ambiente desvaloriza polémicas do aterro de Azambuja Proibição da importação de lixos sem impacto no aterro da Triaza decisão do Conselho de Ministros de 16 de maio que suspende as autorizações de importação de resíduos, com vista à eliminação em aterro, até 31 de dezembro de 2020 tem um impacto reduzido quando analisamos a questão no que ao aterro de Azambuja diz respeito. Todos os movimentos transfronteiriços de importação de resíduos relacionados com Itália e Malta que estavam previstos para 2020 já tiveram lugar, ou seja a unidade já recebeu desde meados de janeiro 69 mil toneladas provenientes daqueles dois países das 76 mil previstas. Segundo Cristina Carrola, vogal da APA, numa sessão sobre os aterros de Valongo e Azambuja promovida, na passada semana, na Assembleia da República, faltam receber sete mil toneladas no aterro da localidade ribatejana, que ficarão suspensas até final do ano, mas como o último movimento contratualizado tem como limite janeiro de 2021 é provável que esse movimento não seja descartado e ainda chegue ao aterro local mas no ano que vem. Contudo, o Valor Local quis apurar junto da APA esta informação mas não obtivemos resposta. Já quanto à Ota e avaliar pela vogal da APA não vai entrar até final do ano, o movimento previsto para ser rececionado em aterro até à data limite de 24 de setembro. Aquela unidade iria receber neste mês, com data limite de 27 de maio, vários movimentos de resíduos, tendo chegado ao nosso conhecimento que vários navios chegaram ou estão em vias de chegar aos portos portugueses com resíduos com destino àquela localidade do concelho de Alenquer. Não conseguimos apurar se estes resíduos vão aguardar em quarentena até 2021 para serem depositados no aterro local, ou se seguirão diretamente para a Ota, já que a lei refere que não estão abrangidos os resíduos que já tenham dado entrada em território nacional mas mais uma vez a APA não esclareceu. Para a Ota estão contratualizadas 50 mil toneladas de resíduos provenientes de Itália. Até janeiro já tinham sido depositadas 17 mil 471, estando as restantes ligadas aos movimentos de 27 de maio e de 24 de setembro. O Valor Local questionou a APA sobre a política de resíduos importados para 2021, mas não obtivemos resposta.

A

Matos Fernandes passou a ideia de que a empresa Triaza é cumpridora dos seus deveres ambientais Conselho de Ministros aprovou, durante o mês de maio, a suspensão das autorizações de importação de resíduos, destinados a eliminação em aterro, até 31 de dezembro de 2020. Disso mesmo deu conta o ministro com a tutela do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, durante a sessão da comissão de Ambiente, Energia e

O

Ordenamento do Território, destinada a analisar os processos dos aterros de Valongo e Azambuja, realizada no dia 20 de maio. O governante garantiu que a decisão nada tem a ver com questões de saúde pública mas com a necessidade de garantir uma reserva da deposição em aterro em virtude da crise da Covid-19. Matos Fernandes desvalorizou o estado

de coisas no aterro de Azambuja atribuindo os maus cheiros a uma fase em que a Valorsul sofreu uma paragem para efeitos de manutenção. O ministro disse ainda que a Triaza que gere o aterro está a proceder a uma deposição correta do amianto através de uma zona sinalizada com recurso a coordenadas geográficas. Segundo o que

apurámos essa localização a existir não é visível a olho nu. Como já tinha sido referido em outras intervenções anteriores, o ministro sustentou que Portugal apenas recebe 1,6 por cento de resíduos estrangeiros, e que prossegue o Plano Ação Aterros tendo sido já fiscalizadas 53 por cento das instalações existentes em Portugal, garantindo que

“nunca fomos nem nunca seremos o caixote do lixo da Europa”. O governante não respondeu a questões efetuadas por alguns deputados relacionadas com a existência de uma captação de água e a sua provável contaminação na zona limítrofe do aterro de Azambuja. (O Valor Local junto da Águas do Tejo Atlântico já deu conta, em edições anteriores, que

até à data não foram detetados valores desconformes nas análises à água subterrânea), nem com a receção de resíduos provenientes da atividade da transportadora aérea nacional, TAP. Matos Fernandes lançou em conclusão – “Ainda não surgiram soluções que acabem com os aterros, se houver uma receita milagrosa venham de lá essas ideias”.

Luís de Sousa, no Parlamento, desabafa que se enganou em tudo o que dizia respeito ao aterro presidente da Câmara de Azambuja foi ouvido na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território sobre o aterro da Triza e as suas implicações. Em resposta aos deputados das diversas cores políticas, Luís de Sousa recordou o processo que culminou na inauguração do aterro da MotaEngil/SUMA em Azambuja, em 2017, dizendo que foi um erro “Enganei-me! Não fui enganado”, disse, recordando a visita a um aterro em Leiria gerido pelo mesmo consórcio, em 2015, onde o que lhe foi mostrado “não tinha nada a ver com o que acontece hoje em Azambuja”. Na altura pensou: “Se vai ser assim então não há problema nenhum”. Hoje a situação é diferente com maus cheiros, descargas de amianto e de resíduos vindos do estrangeiro, com muitas queixas da população. O autarca referiu que as visitas da comissão de acompanhamento do aterro por parte dos funcionários da Câmara estão proibidas pela adminis-

O

tração que se sentiu insultada com os últimos acontecimentos. O presidente de Câmara deposita todas as esperanças na caducidade da licença ambiental em 2021 e na sua não renovação para que a Mota-Engil possa ser impedida de continuar a laborar e abrir a segunda célula. Para isso referiu que a autarquia está a valer-se nesta altura de dois escritórios de advogados em todo os processos que opõem a Triaza ao município, relacionados com a não autorização por parte da Câmara para alteração do calendário de trabalhos no aterro, nomeadamente, a abertura de uma segunda célula. Já numa das últimas reuniões de Câmara, o vereador do Ambiente Silvino Lúcio ilustrou que a Triaza “vinha aí com mais uma intentona contra a Câmara” para se referir ao estado de coisas nas relações entre as duas entidades. Luís de Sousa queixou-se ainda da atuação de entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e Inspeção Geral da Agri-

cultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) que amiúde se deslocam

ao terreno “mas fazem visitas muito superficiais, não informam a Câmara sobre os processos

Presidente da Câmara de Azambuja reitera que esta não era a realidade anunciada pela empresa, e que espera o encerramento da unidade o mais tardar daqui a um ano

em curso, e dizem que está sempre tudo muito bem”. “No final do ano passado a IGAMAOT garan-

tiu uma visita surpresa ao aterro mas até hoje nunca mais soube de nada”.


Valor Local

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Ambiente 11

Jornalista italiano alerta “Resíduos exportados para Portugal são muito perigosos” Sílvia Agostinho alvatore Minieri foi um dos jornalistas italianos que esteve na base da descoberta do denominado maior aterro de resíduos em Itália, ligado à atividade criminosa da máfia italiana que, durante anos, nas províncias de Caserta e de Nápoles fez o despejo ilegal de todo o tipo de resíduos em pedreiras, rios, e em zonas agrícolas. Através deste seu trabalho recebeu os mais diversos prémios no seu país. Em 2016, Portugal foi um dos países que começou a importar esses resíduos provenientes de anos de criminalidade ambiental, os denominados ecofardos, grandes cubos de lixo, tendo em conta a crónica falta de capacidade da Itália no tratamento dos seus resíduos. Vinte mil toneladas foram contratualizadas com o Centro Integrado de Tratamento de Resíduos Industriais (Citri) em Setúbal nesse ano. O objetivo seria que Itália se livrasse de cinco milhões de toneladas de resíduos com Portugal a ser um dos países à cabeça a receber esses lixos, aparentemente, decompostos, e que já não ofereceriam perigo uma vez depositados em aterro. Nos últimos anos, os aterros da Ota e de Azambuja também têm estado na rota desses lixos italianos ligados à atividade da máfia. O Valor Local deu conta no início do ano do encaminhamento de 79 mil toneladas de resíduos italianos e malteses em 2020 para os dois aterros. Ao Valor Local, o jornalista italiano sublinha que o seu país está a exportar resíduos “muito perigosos”

S

provenientes do denominado estado de emergência do lixo decretado em 2008 na Campânia. Resíduos esses que por serem resultado da atividade da indústria química, “continuam a apresentar um elevado grau de perigosidade”, mesmo que nalguns casos esteja-

mos a falar de lixo com cerca de 20 anos, ao contrário dos resíduos urbanos banais ou os provenientes do setor da alimentação. Salvatore Minieri identifica Portugal como um dos principais países que recebe este lixo italiano, mas também alguns países africanos. No caso de

Relações do Governo italiano com a Máfia tornam o negócio do lixo um dos maiores problemas daquele país

África essa exportação está ligada sobretudo à máfia italiana e os movimentos são ilegais, já as operações relacionadas com o nosso país são feitas dentro da legalidade. “Se falarmos dos países africanos significam muitos milhões de euros para a camorra napolitana”, refere. O jornalista adianta que não é feito qualquer pré-tratamento aos resíduos italianos recebidos no nosso país. O estado português refere que por via das dúvidas os resíduos quando chegam a Portugal são analisados e colocados em quarentena. Mas quando questionámos a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) acerca de quantas toneladas já foram devolvidas à procedência desde 2016 não obtivemos resposta. O Valor Local procurou saber ainda que diferentes tipos de resíduos provenientes de Itália, e respetivos códigos Ler, é que foram encaminhados para os dois aterros da região, mas não obtivemos resposta. Sendo certo que no último relatório de movimentos transfronteiriços produzido pela APA, referente ao ano de 2018, constam diversos códigos relacionados com aquele tipo de indústrias referidas por Salvatore Minieri. Também não obtivemos resposta: Se esses resíduos respeitavam aos ecofardos ligados ao escândalo do lixo ou se estaríamos perante resíduos mais recentes da indústria. Na região, o Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação da Chamusca é um dos destinos naturais desses lixos. Procurámos ainda o

contacto com a empresa Vibeco Srl, operador na área dos resíduos em Itália, que ficou com alguns lotes de ecofardos da Campânia, com destino a Portugal, nomeadamente, o aterro de Ota, sobre o conteúdo e o tratamento que é efetuado a esses resíduos, mas sempre que começávamos a falar do motivo do nosso contacto desligaram-nos o telefone na cara. De recordar que em 2106, uma reportagem da RTP dava conta de valores de carbono orgânico dissolvido em desacordo com os parâmetros impostos por lei quanto aos primeiros ecofardos vindos de Itália. Durante anos, os lixos encaminhados para terrenos agrícolas italianos, onde à superfície se plantavam “vegetais e frutas” deram origem a “imensos casos conhecidos de cancro” nos habitantes da área de Calvi Risorta, Caserta, descreve Salvatore Minieri. O jornalista conta que não há vontade do Governo italiano nem tão pouco dos ambientalistas em investir a sério em tratamento de resíduos, e por isso Portugal é visto como o paraíso da exportação de lixos. O próprio jornalista questiona-nos sobre este interesse do nosso país em ficar com os lixos italianos muito à frente de outros países europeus. Dizemos-lhe que a explicação oficial se baseia na denominada solidariedade europeia, mas o próprio não acredita. Numa pesquisa pela internet constatamos em muitas notícias da época em que tiveram lugar as primeiras importações de resíduos da Campânia, em 2016, quando o

país transalpino assinou contrato com o Citri, o alívio e a euforia dos decisores políticos da Câmpania, porque finalmente tinha começado o processo que levaria à limpeza dos milhões de ecofardos locais. Portugal estava na rota e os aterros da região por inerência. Naquele ano lia-se na imprensa italiana – “Todos os dias seguirão por via marítima 150 fardos para Portugal”. Contudo os melhores augúrios italianos ficaram entretanto desfeitos – a exportação dos ecofardos acabou por ser inferior às expetativas, e em 2018 ainda faltava exportar cerca de 40 por cento do contratualizado com o nosso país. O governo italiano apoiou com 450 milhões de euros a operação que visava livrar a Câmpania dos ecofardos, mas e segundo os últimos dados, de 2018, apenas 104 mil toneladas tinham saído da região no total dos cinco milhões. Também o amianto italiano tem sido exportado para os aterros portugueses. O Partido da oposição italiana “5 Estrelas” dava conta de materiais de construção dentro dos ecofardos com muito amianto à mistura, e exigia transparência ao Governo quanto aos negócios e aos contratos assinados com o nosso país. “Muitos políticos aqui em Itália são amigos de mafiosos, e ambos controlam o negócio do lixo. Não há vontade política do meu país em tratar o seu próprio lixo, apenas temos a central de valorização de Acerra em Nápoles, pelo que a exportação continua a ser o caminho”, diz o jornalista Salvatore Minieri.

Aumentou a recolha de resíduos em Vila Franca durante o período de emergência urante o mês de abril, em plena pandemia, aumentou o volume de recolha de resíduos no concelho de Vila Franca. Ao Valor Local, o município sublinha que esse aumento verificou -se em todas as fileiras se compararmos com o mês de abril de 2019: indiferenciado, vidro, papel e embalagens, e um decréscimo do volume de resíduos depositados em aterro. O concelho de Vila Franca de Xira, nesta fase de pandemia, e comparativamente com os volumes de resíduos recolhidos diariamente antes deste período, é um dos que apresenta maior índice de recolha de resíduos indiferenciados e seletivos, entre os municípios da região de Lisboa com tratamento pela Valorsul. A capacidade de deposi-

D

ção tem vindo a ser aumentada na sequência do investimento no reforço de equipamentos de recolha. Até final deste ano prevêse um crescimento de 60m³ para os resíduos indiferenciados e 175m³ para os resíduos seletivos. No âmbito do Departamento de Ambiente e Gestão do Espaço Público (DAGEP), unidade que integra a Câmara Municipal, e tendo em conta o contexto de emergência de saúde pública e as atuais contingências face à pandemia foram tomadas diversas medidas no âmbito da gestão do espaço público: reajuste das equipas de recolha e manutenção, de forma a assegurar os serviços mínimos na recolha, quer dos resíduos indiferenciados,

quer dos resíduos seletivos; implementação de turnos desfasados; definição de novos circuitos de forma a abranger a recolha em todo o concelho, privilegiando-se a recolha de indiferenciados, mas mantendo-se, no entanto, a recolha de seletivos e de monos. Foram ainda adotadas outras ações, em conformidade com as orientações da Agência Portuguesa do Ambiente e Entidade Reguladora de Serviços de Águas e Resíduos, nomeadamente: a utilização de equipamentos de proteção individual, nomeadamente luvas, máscaras, óculos e fatos de proteção; desinfeção das viaturas de recolha, equipamentos de deposição de resíduos urbanos; e balneários.

Aumentou a recolha de lixo durante a pandemia


12 Destaque

Valor Local

Maio 2020

Em tempo de pandemia e isolamento

Militares da GNR fazem de psicólogos de idosos isolados do concelho de Alenquer Sílvia Agostinho Miguel A. Rodrigues stamos em Casal Serra do Campo, na localidade de Cabeços, numa das partes mais remotas da freguesia de Alenquer, e é aqui que um grupo de militares da GNR de Alenquer, composto por Manuel Novo, Paula Rodrigues, Jorge Fonseca e o coordenador da proteção civil municipal, Rodolfo Batista,

E

vão ao encontro de uma das idosas abrangidas pelo “Programa Apoio 65- Idosos em Segurança”. Maria Margarida Mourão vive sozinha. Desde a pandemia que teve de se habituar ainda mais à solidão, porque o marido faleceu em março. Têm sido dias duros. O filho e os netos visitamna. As relações com os vizinhos são boas, mas sente-se muito sozinha. Mesmo nestas aldeias

vai-se perdendo o contacto mais próximo com quem mora perto à semelhança do que acontece nas grandes cidades. São na maioria pessoas idosas e muitas com problemas de mobilidade aquelas que estão numa extensa lista da GNR e do município de Alenquer, sinalizadas pelos serviços e que são visitadas quer pela guarda, quer pela Câmara. Ambas as entidades PUB

tentam que não falte nada a estas pessoas, que embora vivam, muitas vezes, com vizinhos por perto, estão isoladas no seu dia a dia. Recentemente passaram por aquelas localidades as equipas do município que distribuíram máscaras gratuitamente. Casa a casa, os operacionais no terreno vão falando com os idosos. Muitos moram sozinhos e precisam, muito mais do que ali-

mentos, precisam de uma palavra de conforto ou simplesmente quem os ouça, já que durante estes dias que passam, não têm contato com outras pessoas nem com os familiares. Sobretudo os filhos estão fora e as visitas destes, embora regulares, não chegam para preencher a solidão. Quando a proteção civil ou a GNR não passa, há pelo menos

um telefonema das autoridades, refere Rodolfo Batista, que para além de exercer funções como comandante municipal operacional, é também comandante dos Bombeiros de Alenquer. Batista enaltece a colaboração com a GNR, força de segurança que está na primeira linha no terreno. Um telefonema para os idosos mais isolados ou identificados como prioritários, faz parte das PUB


Valor Local

Maio 2020 rotinas destes operacionais que não abrandam o trabalho nestes tempos de pandemia. Maria Margarida Mourão, já com 75 anos, nunca imaginou que ainda fosse a tempo de presenciar algo tão avassalador como a pandemia da Covid-19 – “Não tem sido fácil, nunca vi nada assim, todos com medo uns dos outros e sem podermos ver os nossos familiares. Sem podermos abraçar ou beijar”. Diz que já nem vê notícias sobre o vírus para não se “enervar”. “Faz-me muito mal à cabeça, é preferível esquecer o que se está a passar”. Jorge Fonseca, cabo-chefe, tenta tranquilizar – “Vamos ficar todos bem, não há mal que dure para sempre”. Foram frequentes, durante a nossa reportagem, os conselhos dados pelos operacionais a estas pessoas. A pensar nas burlas, e nos assaltos que acontecem nos locais mais isolados, os militares e o comandante Rodolfo Batista, foram incansáveis e enfáticos sobre não se abrir a porta a desconhecidos, e a contatarem as autoridades em qualquer caso. Esse parece ser o conselho chave para que estas populações fiquem em segurança. O filho de Maria Margarida Mourão telefona-lhe todos os dias, mas não é a mesma coisa. Quanto aos vizinhos – “Cada um está na sua casa, mas se for preciso telefonam-me para saber

Destaque 13

Maria Margarida Mourão inscreveu-se desde o início no programa Idosos em Segurança

se está tudo bem”. Presença sempre bem-vinda é a dos militares – “São como uma família

para mim”. Nesta visita, o Valor Local testemunhou que muitas destas pesPUB

soas já vivem de tal forma isoladas que não adotaram praticamente nenhum tipo de preven-

ção no âmbito da pandemia. As visitas que recebem ficam do lado de fora de casa, porque não

entra ninguém, a menos que seja um militar da GNR devidamente identificado. PUB


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Valor Local

Maio 2020 A visita da GNR a Maria Vitória trouxe muitas emoções à mistura

Leonor Abrantes recebe a GNR e a Proteção Civil de braços abertos Depois seguimos para Requeixada, na localidade do Camarnal, onde Maria Vitória, 78 anos, foi surpreendida pela nossa visita. Rapidamente as lágrimas

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apoderam-se desta idosa, cujo marido se encontra acamado, e que vê nesta chegada das forças de segurança uma oportunidade para desabafar e contar o

que lhe vai na alma. O marido, conta-nos, está muito doente, passa os dias na cama sem se conseguir mexer, com o corpo cheio de feridas, e mal conse-

gue falar. Mas se o corpo do marido não lhe dá tréguas, a mente também não, e Maria Vitória tenta contornar, alguns episódios, da melhor maneira que consegue. “No outro dia ele disse que estava a ver uma cobra no teto e eu esforcei-me por fazer de conta que a matava”. As relações com a vizinhança, diz a idosa, também deixam a desejar: sem poder recorrer aos que vivem mais próximos para um pedido de ajuda ou para um desabafo. A Covid-19 parece ser o menor dos problemas numa altura em que os braços não chegam para tratar do marido e o coração salta da boca quando descreve os seus dias. Apesar da vida não ser fácil ainda não perdeu o sentido de humor: “Dizem que o vírus anda por aí, mas não o vejo”, ri-se. O filho trouxe-lhe máscaras e luvas mas confessa que ainda não as

colocou, porque não sai de casa – “Não vou andar a tratar das galinhas com máscara, e depois do que aconteceu ao meu marido nunca mais saí daqui para ir à vila. Dou o cartão multibanco à minha filha que faz as compras por mim. Qualquer dia já nem conheço a vila de Alenquer”. Neste caso os militares fazem também de psicólogos, procurando tranquilizar a idosa o melhor que podem. “Tem de ser forte dona Maria Vitória”, procura aconselhar o cabo Manuel Novo. As filhas prestam o apoio possível, contudo a solidão e o desamparo vão preenchendo o dia-a-dia da idosa que já não consegue falar com o marido. “Há dias em que não vejo ninguém, nem converso com ninguém, é uma tristeza”, diz. Para Maria Vitória as visitas da GNR são importantes porque “sempre dá para conversar um bocadi-

nho”. Conta-nos que os vizinhos mais próximos vivem a seu modo e não há proximidade. “As pessoas andam metidas com as suas vidas, ninguém pergunta por mim nem pelo meu marido”, lamenta-se. Noutra zona da freguesia, em Casal de Santo António, Paredes, fomos ao encontro de Leonor Abrantes, de 84 anos. Uma senhora bem-disposta, que embora emocionada com as últimas notícias da pandemia, não perde a vontade de todos os dias entregar-se às suas rotinas como fazer o almoço, dedicar-se à horta e rezar. Quando chegamos pergunta por outros elementos da GNR que no dia da nossa reportagem não faziam parte da comitiva, mas que integram este projeto. Ao lado da sua casa vive a irmã, que se junta à conversa – “Ela quer é visitas!”. Todos riem. “Estes senhores são grandes amigos que eu aqui tenho. Não são guardas, são amigos”, declara à nossa reportagem ao referir-se aos elementos da GNR de Alenquer. A única coisa que a incomoda é a perna. Teve um cancro que conseguiu debelar e vai seguindo a vida com otimismo– “Cá andamos até Deus querer!”. O marido faleceu no ano passado. Foram 58 anos de união, e veio viver para Alenquer depois de casada já que é oriunda de Sabugal mas nunca perdeu o sotaque da sua terra. Vive sozinha e diz que não é preciso mais ninguém – “Vivo com Deus, com uma gata e três galinhas”. Com a pandemia não voltou a visitar a campa do marido no cemitério, mas para Leonor Abrantes “ele não morreu é como se estivesse vivo”. “Esteve acamado durante cinco anos, e tratei-o como se fosse um menino, fazia-lhe toda a higiene”, diz-nos. Toda a vida conheceu o marido, que era vizinho de infância, e ao qual se refere como “o maior amigo” que teve na vida. Restam-lhe as duas filhas, “que são dois grandes amores” que a vão visitando. Desde que se começou a ouvir falar do vírus que nunca mais saiu de casa, a não ser para ir despejar o lixo e bem cedo. “Não vejo, nem me cruzo com ninguém”, mas confessa que não tem medo. “Será o que Deus quiser!”. Também recebeu material de proteção através do município. Passa parte do dia a ouvir o terço na rádio e quando vê televisão fica com muita pena das vítimas da pandemia – “Choro muito porque o meu marido também esteve a oxigénio antes de morrer”. Despede-se de nós bem-disposta dizendo que não gosta que a tratem por dona Leonor, prefere apenas Leonor “porque o nome é bonito, e eu também sou bonita”, ri-se. Em breve esta reportagem em vídeo em www.valorlocal.pt


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Destaque 15

Pandemia

Idosos do centro de dia de Alcoentre escrevem cartas para matar saudades

Para Margarida Santos as saudades de todos vão apertando

caminho de Quebradas, na freguesia de Alcoentre, basta um pequeno desvio da estrada que liga àquela localidade para entramos no caminho que dá acesso à casa de Margarida Santos, de 82 anos. É uma das utentes do Centro Social e Paroquial de Alcoentre. À porta o cão da casa dá as boas vindas às visitas. A equipa do Valor Local acompanhou a diretora técnica da IPSS, Tânia Duarte, que veio deixar a alimentação. Há dois meses que Margarida Santos e o marido deixaram de poder conviver com os outros utentes da instituição e de ali passarem o dia. Sentem falta do convívio e embora tenham a companhia um do outro, a amizade dos outros idosos, e das funcionárias, é difícil de esquecer. As visitas dos familiares são parcas. A pandemia veio de mão dada com a solidão mas esta parece ser a principal inimiga de quem já só conta os dias para regressar. Com a pandemia, o Centro Social e Paroquial de Alcoentre deixou de receber utentes na valência de centro de dia, por isso as várias equipas têm-se desdobrado para fazer chegar a casa dos mais idosos desta freguesia: alimentação e cuidados de higiene. Habitualmente são 90 os utentes, em que metade já estava na componente de apoio domiciliário, mas nesta altura são cerca de 100 a receber, todos os dias, alimentação e outros cui-

A

dados, por força das medidas restritivas e de isolamento social impostas durante o período de emergência, e que no caso dos centros de dia ainda se mantêm. Há quase dois anos que Margarida Santos é utente desta IPSS. Os dias na instituição passavaos na conversa com outros utentes, a jogar dominó, a fazer exercícios e a dar passeios. Agora em casa, garante que não tem feito quase nada – “Nem varrer a casa consigo porque tenho um problema num joelho”. As funcionárias do centro de dia fazem “a higiene pessoal, e da casa, e trazem o almoço.” Segundo o diretor do Centro Social e Paroquial de Alcoentre, o padre Luís Pedro este tem sido um grande desafio para a IPSS. Para os utentes este é um momento difícil, porque muitos deles não possuem apoio familiar. As perguntas são sempre as mesmas: “Quando é que regressamos? Quando é que voltamos ao centro de dia?”, revela o padre Luís Pedro tendo em conta que a solidão, agora, é a principal companheira. Com esta nova realidade da Covid-19 – “Perdeu-se o convívio entre os utentes e isso é uma preocupação”. Para Margarida Santos, a Covid19 “foi um castigo de Deus” porque “as pessoas são más umas para as outras”. Não sabe se depois disto tudo passar se sairá algo melhor para o mundo – “Nem sei o que pensar”, desaba-

Tânia Duarte sublinha o espírito de equipa de todos os funcionários

fa. O centro de dia lançou recentemente o desafio aos idosos para escreverem cartas uns aos outros ou às funcionárias para ajudar a atenuar as saudades do tempo em que se encontravam todos os dias. O marido de Margarida Santos escreveu uma carta à diretora técnica – “É a nossa maior amiga, o que nos vale é a juventude dela para animar a gente”, descreve a utente que elogia ainda “as outras raparigas, as funcionárias, que

são um espetáculo. Tenho lá grandes amigas”, descreve e adianta que sente muita falta de dar um abraço a essas pessoas: “Vou escrever-lhes umas cartas”. “Custa muito estarmos aqui sozinhos, passam-se dia inteiros e não aparece ninguém, tenho saudades daquele ritmo de quando estava no centro de dia”. A nossa reportagem esteve ainda na casa de outros utentes: Manuel Joia que lamenta o estado de coisas em virtude da pandemia. Também costumava es-

tar o dia todo no centro paroquial “mas agora não temos outro remédio se não aguentar”. Passa o dia a ver televisão, e a ler e a “escrever umas palavras” como algumas cartas para outros colegas do centro de dia e também funcionários. Edgar Maurício, outro utente do centro de dia, também sente saudades do que era o seu dia-a-dia antes do vírus. É sempre com boa disposição que recebe mais uma visita das técnicas que lhe trazem a alimentação. Está à espera de

regressar como muitos outros. A trabalhar diariamente na instituição estão 13 funcionárias que continuam a empenhar-se para acorrer a todas as situações em que é necessário ir à casa dos utentes, a maioria deles vive nos lugares mais distantes da freguesia. As funcionárias vão trabalhando de forma rotativa por imposição da pandemia, diz à nossa reportagem a diretora técnica da instituição, Tânia Duarte. “O espírito de equipa está ainda mais saliente do que antes, e a


16 Destaque

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Padre Luís Pedro sublinha que o centro manteve todos os postos de trabalho

Manuel Jóia também escreveu uma carta a uma funcionária que a deixou sensibilizada

nossa motivação é muito grande”. Neste momento são quatro as equipas no terreno, quando antes só havia três. Mais pessoas inscreveram-se para terem o apoio da instituição, sendo que o município de Azambuja facilitou uma viatura para o efeito. De São Salvador a Casais de Além, já na união de freguesias, a área é extensa e estas funcionárias vão-se desdobrando nas várias

tarefas. Para duas funcionárias da instituição que entrevistámos numa deslocação a Tagarro, Mónica Carvalho e Luciana Pratas, o esforço de toda a equipa teve de ser redobrado nesta altura. Equipadas com máscara, luvas, viseira e fato, dizem que acima de tudo o que importa é que “os idosos se sintam bem”, diz Mónica Carvalho. Luciana Pratas

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resume – “´É incómodo, mas gratificante”. Fazem a higiene do lar e a pessoal, e é nesta altura que uma palavra de conforto significa muito. “Adoram quando chegamos e estão ansiosos por regressar”. Nem sempre o suporte familiar existe, “mas estamos cá nós para ajudar a resolver as coisas e ajudar a ultrapassar estes momentos”. Outras funcionárias ouvidas na nossa PUB

reportagem, Maria José e Maria Antónia, também desabafam sobre a exigência no trabalho: “Temos encontrado situações bastante complicadas na higiene das casas e temos de fazer o nosso melhor”. É preciso ter “muita capacidade mental e pensarmos que quem corre por gosto não cansa, para conseguirmos andar para a frente, nestes dias, até porque não é fácil an-

dar sempre a fazer limpezas de máscara posta”. Na cozinha do centro social e paroquial a azáfama redobrou. No total há que cozinhar para cerca de 100 utentes. Luzia Ramos e Paula Correia são as cozinheiras de serviço. “Tem sido muito cansativo, mas com amor faz-se tudo”, dizem-nos. O segredo, confessam, é olhar para os utentes como se fossem pes-

soas da própria família. Outras funcionárias têm ajudado na cozinha. É necessário “deixar muita coisa preparada de véspera”, “ter calma e muita orientação” para se conseguir fornecer as ditas 100 refeições. Sobretudo sentem saudades dos utentes – “Daquele olá pela manhã, e dos miminhos”, confessam. Em breve, esta reportagem em vídeo em www.valorlocal.pt PUB


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Economia 17

Furacão Covid abala empresas da zona industrial de Azambuja A crise da Covid-19 veio abalar o concelho de Azambuja com o conhecimento de dois surtos nas empresas Sonae e na Avipronto, na zona industrial local. Desde o início de maio que temos acompanhado a par e passo, no nosso site, a evolução da situação epidemiológica naquelas indústrias. Até ao fecho desta edição tínhamos 126 casos positivos de coronavírus na Sonae. Já na Avipronto, os números chegaram os 129 positivos, em maio, mas vários trabalhadores já recuperaram da doença ao dia de hoje. Ouvimos as opiniões de responsáveis político-partidários locais e dos sindicatos. Convidámos o diretor da Avipronto para uma entrevista mas não obtivemos feedback. Já a Sonae tem-se remetido a comunicados sobre as medidas que tem vindo a implementar no terreno.

Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) não entende as declarações da diretora geral de saúde, Graça Freitas, que ao referir-se aos números do surto de Covid19 na Sonae, em Azambuja, com 126 pessoas infetadas, até à data, atribui a circunstância a uma atitude de relaxamento dos trabalhadores nas pausas do trabalho. Nas habituais conferências de imprensa, a responsável referiu-se aos denomina-

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dos períodos de almoço, mudança de roupa, e trajetos. Ricardo Mendes do CESP repudia estas declarações que vão no sentido de “mais uma vez ilibar a empresa de responsabilidades”. Ao Valor Local, o dirigente sindical diz que não faz sentido a avaliação de Graça Freitas e deixa a interrogação- “Se trabalhamos e fazemos as refeições juntos na empresa, como é que vamos apanhar a doença nas pausas?” Ricardo Mendes sugere que o

surto na Sonae em Azambuja começou na zona de temperatura controlada (onde existem condutas destinadas à circulação de ar fresco), tal como sucedeu no armazém de carnes da Sonae em Santarém, onde também foram detetados casos da doença, bem como na Salvesen, empresa situada na zona industrial de Azambuja que lida igualmente com produtos refrigerados. O sindicato pretende reunir-se em breve com a Direção Geral de Saúde e expor esta teoria para

que seja estudada e daqui se retirem conclusões para o futuro. A grande maioria dos trabalhadores infetados estavam adstritos a esta secção de frio, e Ricardo Mendes prossegue - “Se a origem do surto estivesse relacionada com as pausas no trabalho, então tínhamos um misto indiferenciado de pessoas infetadas de todas as secções desde a Sonae MC, até à Fashion Division, passando pela DHL, Maxmat e Worten”. Ricardo Mendes lembra que cer-

ca de 60 trabalhadores dos 126 infetados estão assintomáticos. Os que laboram neste complexo são na sua maioria jovens, sem doenças prévias, que nunca apresentaram sintomas, situação que deu azo a uma cadeia de contágio intensa. Um dado que, na sua opinião, torna premente que sejam testados todos os três mil trabalhadores do complexo. Até ao dia de 26 de maio, apenas tinham sido testadas cerca de 300 das 800 pessoas da Sonae MC. O sindicato

reforçou desde o início do surto ao nosso jornal, a necessidade de testes aos 3000 trabalhadores, algo que a empresa pelas declarações que tem dado à imprensa não pretende vir a fazer por enquanto. “Estão a chutar a bola para os trabalhadores, e a descartar-se de responsabilidades com a desculpa de que as pessoas apanharam a Covid nas pausas. Ninguém acredita que os 126 trabalhadores se tenham infetado uns aos outros fora da empresa”. PUB

Ricardo Mendes


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Valor Local

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Avipronto: O pior já passou e o regresso ao trabalho vai ser um desafio setor do abate e comercialização e aves sofreu um forte abalo com o surto de Covid-19 na Avipronto em Azambuja. Foi acusada numa fase inicial de ter encoberto informação numa altura em que os holofotes já estavam virados para esta empresa local. Resultado: A GNR efetuou uma queixa-crime junto do Ministério Público por alegadas omissões no número de casos da doença que recorde-se infetou 129 trabalhadores. Segundo Rui Matias, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), e decorrido quase um mês do conhecimento do surto, em declarações ao nosso jornal, o que está em causa é o hiato de tempo entre os primeiros casos e o desencadear das primeiras

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ações no terreno por parte das autoridades de Saúde. Rui Matias confessa que esta crise foi um grande ensinamento para a empresa que mudou a agulha. Muitos dos trabalhadores já estão na

terceira ronda de testes, embora alguns acusem ainda positivo, mas na generalidade estão assintomáticos, pelo que na próxima semana vão regressar mais alguns que já testaram negativo ao

Rui Matias

local de trabalho. “Vai ser um grande desafio para todos”. Quanto à empresa “tem mostrado lealdade para connosco com a divulgação diária do ponto de situação”. O sindicalista confidencia ainda, ao nosso jornal, que a empresa não estava com pressa para reabrir as suas portas, no dia 11 de maio, depois do encerramento de uma semana, e que terão sido as autoridades de saúde a fazer os contactos com os trabalhadores não infetados e a superintender todo o processo. Durante a crise, Rui Matias recorda que foi o sindicato a despoletar o primeiro auto de notícia junto da GNR, que envolveu logo de seguida a entrada em ação da Direção Geral de Saúde (DGS), Câmara Municipal de Azambuja, e Proteção Civil local, mas todo

este processo que passou por aquelas entidades “ao invés de ter demorado 24 horas levou uma semana”. Rui Matias recorda que, por mais de uma vez, os delegados sindicais que trabalham dentro da empresa alertaram e sinalizaram devidamente os primeiros casos junto do diretor da fábrica e do diretor de produção. Todo este histórico foi reportado a quem de direito antes do eclodir da crise a um de maio com o conhecimento dos primeiros infetados. Houve uma omissão de nove dias pelo menos, entre a informação que os responsáveis da empresa obtiveram e a primeira ação no terreno. O sindicalista dá conta que já um mês antes tinham aparecido os primeiros casos, relacionados com trabalhadores asiáticos, em inícios de abril. A empresa foi dis-

pensando esses trabalhadores que deram positivo no teste Covid, mas não foram tomadas medidas em relação aos restantes funcionários. Recorde-se que nesta empresa de comercialização de aves laboram 240 pessoas. Rui Matias dá conta de uma nova forma de estar da empresa que está a encarar o regresso com “vontade de aplicar muito daquilo que é já a experiência em países como a Alemanha com mais distância de segurança entre trabalhadores, com outro tipo de organização e a forma como cada pessoa vai passar a fazer a gestão do seu dia de trabalho”. Sindicato e administração “estão a estudar um novo modelo de trabalho nas linhas com mais distanciamento, mas tudo isto tem muitos custos”, salvaguarda.

Luís de Sousa exige reposição de dados sobre casos de Covid nas empresas s últimos relatórios da Saúde Pública entregues ao município de Azambuja com os dados Covid deste concelho não mostram os números relativos aos casos de coronavírus nas empresas, algo que tem acontecido desde que os primeiros casos foram dados a conhecer na Avipronto. Os últimos dados dão conta de 126 pessoas infetadas na Sonae. Luís de Sousa refere que já pediu à delegada de Saúde que o volte a fazer, pois acredita que o município tem direito a saber o que se passa nas empresas mesmo que as pessoas não sejam moradoras ou naturais deste concelho.

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Ao Valor Local o autarca diz-se indignado com os novos relatórios e salienta que tem solicitado a sua alteração, e diz mesmo que isso já “foi garantido pela responsável”. Túlia Quinto, a delegada de saúde, garantiu que vai solicitar às chefias a reposição desses dados nos relatórios diários. Sem os dados, a autarquia está “às cegas” sobre o que se passa na realidade destas empresas, pois Luís de Sousa acredita que o conhecimento do que se passa neste âmbito “é um direito dos azambujenses.” Em declarações recentes à televisão SIC, o administrador da Sonae

MC garantia a desinfeção da empresa e trabalhadores, informação que de resto já tinha sido avançada pelo Valor Local, num conjunto de respostas enviadas pelo gabinete de comunicação da empresa ao nosso jornal. A Sonae referia, ao mesmo tempo, a realização de mais testes, assim como a própria ministra da Saúde, que garantia que a maioria dos casos de contaminação dos trabalhadores teria ocorrido fora do local de trabalho e devido “ao relaxamento” das medidas de segurança obrigatórias”. Sem dados, Luís de Sousa lamenta as declarações dos governantes e do administrador da empresa e

refere que para si “ a questão não afeta só os trabalhadores que vêm de fora, mas também as pessoas da freguesia”. Em oposição saúda a postura da Jerónimo Martins, também localizada na mesma área industrial, onde os testes efetuados à totalidade dos 800 trabalhadores deram negativo. No fecho desta edição existiam em Azambuja 51 casos ativos no concelho, sendo que 44 são na freguesia de Azambuja e quatro na de Aveiras de Cima. Vinte e quatro pessoas já recuperaram da doença. Duas pessoas morreram vítimas de Covid-19 desde o início da pandemia.

Luís de Sousa

Rui Corça: “Nunca vi a DGS admitir que se enganou quando as falhas já são muitas” P

Rui Corça

ara o vereador do PSD, e líder da concelhia laranja de Azambuja, qualquer intenção de se efetuar um plano integrado nas empresas de Azambuja de controle da situação epidemiológica morreu à nascença durante a reunião que decorreu, no centro social e paroquial, há algumas semanas atrás, onde o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares garantiu que a situação estava dominada e que as empresas podiam continuar a trabalhar, ao mesmo tempo que negava a existência de problemas nos comboios. “A reunião foi transformada num ato de propaganda do Governo”, considera Rui Corça. O estado de coisas em Azambuja merece, na sua opinião, uma re-

flexão e o apuramento do que correu mal, sendo certo que ficou patente a forma como o Governo tem tratado as autarquias na gestão desta crise, com o centralismo e as elites políticas a “ligarem pouco ao que os autarcas dizem”. O PSD considera que a gestão por parte do Governo dos acontecimentos da Covid-19 tem acontecido sem um rumo predefinido, até porque muitas questões já tinham sido levantadas anteriormente e ficaram sem resposta. “Tudo aconteceu muito lentamente” e sempre “a confiar na sorte” de que talvez pudesse “não acontecer o pior”. Também a Direção Geral de Saúde (DGS) e por arrasto as entidades de saúde a nível dos organismos regionais não estão isentas

de culpa e no seu entender têm mantido alguma arrogância – “Ainda não vi a DGS vir a público admitir que se enganou numa matéria ou noutra”, quando na sua opinião foram cometidos vários erros, “porque é muito fácil atirar as culpas para os outros, e não se fazer uma análise à nossa própria atuação”. Rui Corça refere que testemunhou “uma atitude de muita desenvoltura dessas entidades que garantiam que não era preciso atuar, nem fazer mais isto ou mais aquilo, e depois foi o que vimos”, e conclui – “Se tivéssemos começado a fazer há três ou quatro semanas atrás aquilo que estamos a fazer hoje possivelmente teríamos evitado certos problemas”. Apurar responsabilidades é “premente”,

segundo o autarca, face ao estado de coisas. Testar todos os trabalhadores que trabalham na área industrial continua a fazer sentido na sua opinião – “Temos de ter uma palavra para com aquelas pessoas que não residindo em Azambuja, escolhem o nosso concelho para trabalhar”. Rui Corça lamenta que “o bom trabalho” feito por algumas empresas na gestão da Covid-19 não esteja a ter os resultados esperados, porque “outras empresas não se esforçam na mesma medida”, daí “fazer falta o tal plano integrado para não existirem discrepâncias, mas houve a opção de se ir empurrando com a barriga e duvido muito que a situação esteja controlada na zona industrial”.


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Notas sobre a Pandemia

. A geração do baby-booming, isto é, aquelas pessoas que, como eu, nasceram no rescaldo da distensão social do pós segunda guerra mundial, que nasceram nos anos finais da década de quarenta, nos anos cinquenta e até nos anos sessenta, conheceram, sem qualquer espécie de dúvida, o melhor período de vida de toda a Humanidade. Fomos uns privilegiados. O desenvolvimento económico que o esforço de guerra proporcionou à economia de paz, a explosão do conhecimento em todas as áreas científicas com aplicação prática nos estilos e qualidade de vida foram, até agora, um fenómeno nunca antes visto na história do Homem. Excluindo conflitos localizados como a Guerra do Vietname, o Médio Oriente e os que decorreram da Guerra Fria, ou ameaças pontuais como o terrorismo islâmico e as ditaduras de extrema direita ou esquerda com toda a sua procissão de misérias, duma maneira geral o Mundo viveu em paz. O desenvolvimento no campo das tecnologias, da medicina, da produção, da comunicação, das ciências em geral, atirou-nos para patamares de conforto e nível de vida que nenhuma geração conheceu até hoje e que, pelo menos num futuro próximo, nenhuma outra conhecerá. A esperança de vida neste período aumentou mais de vinte anos, foi encontrada a cura ou pelo menos a neutralização das principais doenças que nos afligiam. Quando eu

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era criança e olhava para o meu avô de sessenta anos, pensava “como é possível que o meu avô, tão velho, ainda esteja vivo!”. Hoje, um homem ou uma mulher de sessenta anos ainda estão no vigor da vida – a maioria, pelo menos-, trabalham, praticam desporto, vão a bares e restaurantes, viajam e fazem coisas que há seis ou sete décadas seriam impensáveis. O Estado Social impôs-se, particularmente na Europa, e sentíamonos seguros com uma rede social que nos protegia o presente e assegurava o futuro. Hoje, com a Covid 19, na minha perspetiva, todo esse bem estar social está em causa. 2. É que nós progredimos uma enormidade no campo do conhecimento e do bem estar, mas esquecemo-nos duma coisa: a solidariedade em termos globais. Não fomos solidários para com as gerações mais velhas. Os velhos, que dantes integravam o núcleo familiar restrito e ocupavam lugar de destaque pela sua sabedoria, conhecimento de vida e esforço, passaram a ser olhados como um fardo e encurralados em lares e instituições do tipo, despojados do convívio familiar e limitados à sobrevivência. Estar vivo por si só não é importante. Importante é ser feliz. Naturalmente que estou a falar em tendências e não em fenómenos gerais. Não somos solidários com as gerações presentes, como se constata facilmente quer a nível nacional quer internacional,

com o fosso crescente entre ricos e pobres e o alastramento de bolsas de miséria e fome que dão origem a desastres sociais como os campos de refugiados, as migrações incontroláveis numa fuga desesperada à fome e à morte. Fechámos-lhes as fronteiras. O desenvolvimento de alguns países deixa atrás um rasto de destruição poucas vezes visto ao longo da História. Não fomos solidários com as gerações futuras: deixamoslhe, em nome do nosso bem estar, uma carga financeira que roça o insustentável e um planeta que corre o risco, a não ser rapidamente invertida esta situação, de se tornar inabitável. Não fomos soli-

fator de retrocesso social e, na minha ótica, não contribuirá para um Mundo Novo. Contribuirá, sim, para um Mundo semelhante ao que vivemos até agora, mas mais pobre e mais conflituoso . Veja-se o que está a acontecer na China, que parece ter ultrapassado a fase da epidemia : a economia retoma em força à custa dos mesmos métodos produtivos, das mesmas energias, de idênticas formas de produção que nos conduziram até aqui. 3. Acredito que o aparecimento desta pandemia e o pânico generalizado que provocou, muito potenciado pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, foi

dárias para com a fonte da nossa vida, a Terra : destruímos habitats, provocámos alterações climáticas, extinguimos espécies, criámos desequilíbrios ambientais dificilmente reversíveis. A Covid 19, muito mais do que uma epidemia, constitui um

uma resposta da Natureza aos desmandos que temos vindo a provocar ao longo de décadas. Não sou um visionário, nem tenho pretensões a profeta, mas acredito que a Natureza, que nos engloba, tem uma consciência própria, uma

Infelizmente, a classe média-baixa sofrerá as consequências da crise económica sta é uma crise histórica e sem precedentes à escala da vida de cada um de nós. Nesta crise, nenhuma parte sairá incólume. O Estado, as empresas, as famílias, as instituições de solidariedade social, as instituições financeiras… Todos, sem exceção, pagarão um preço. De uma forma geral, os impactos de natureza económica têm efeitos dramáticos no bem-estar das famílias e das comunidades. A propósito da covid-19, a maior parte do impacto económico resulta do período prolongado de isolamento social. Recorde-se que as medidas de afastamento social, impostas desde o início da pandemia, visaram garantir a operacionalidade do Serviço Nacional de Saúde. No entanto, apesar de imposto, o distanciamento social também foi/está a ser bem acolhido pela generalidade dos portugueses, que visam, obviamente, evitar a todo o custo o contágio. Por estas razões, o consumo de

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bens não essenciais cessou completamente em Portugal. Para além do isolamento social, o governo, através da declaração do estado de emergência, impôs a proibição de funcionamento a algumas atividades económicas. Foram sobretudo atividades económicas de venda de bens e serviços ao consumidor final. São, portanto, atividades que empregam, em regra, funcionários com baixos rendimentos do trabalho. Algumas empresas (incluindo estabelecimentos de ensino privado), pela natureza da atividade que desenvolvem, adotaram, ainda antes da declaração do estado de emergência, medidas proativas para evitar a propagação da infeção no seio dos seus recursos humanos. Este encerramento em massa das empresas, motivado pelas medidas de isolamento social ou imposto pela declaração do estado de emergência, resultaria sempre na diminuição do rendimento real das famílias portuguesas, com es-

pecial impacto nas classes socioeconomicamente mais frágeis. E isto é ainda mais preocupante para os profissionais independentes, que são já, por defeito, altamente desprotegidos em matéria de segurança social. Ora, um ambiente económico tão adverso, que afeta negativamente um conjunto muito alargado de atividades económicas, coloca em evidência a essência do designado mecanismo de preços. Este é outro um aspeto desta crise que prejudicará particularmente as classes socioeconomicamente mais frágeis. Considerando a diminuição do rendimento real agregado à disposição das famílias, o consumo diminui. Havendo menos propensão para o consumo, as empresas que resistirem à conjuntura terão de promover ajustamentos nos seus níveis de produção maximizadores de lucro, acabando inevitavelmente por produzir menos. Produzindo menos, carecerão de menos empregados. Menos em-

pregados significará menos rendimento, sobretudo para a classe média baixa. Abrir gradualmente a economia ajuda a contrariar minimamente este problema, mas não o resolverá no curto prazo, pois as pessoas, numa primeira fase, sentir-se-ão inseguras e isso penalizará o consumo. Por outro lado, na economia altamente globalizada em que grande parte das empresas portuguesas se move, a cadeia de abastecimento de bens intermédios tende, num contexto de pandemia, a ser interrompida ou a funcionar intermitentemente. Por isso, mesmo em tempo de crise e de menos consumo, algumas atividades económicas instaladas em Portugal

Opinião 19 Joaquim António Ramos

vontade autónoma e uma capacidade de intervenção que depende do seu arbítrio. Há alguns anos que o deixei expresso num dos livros que publiquei. Penso que a Covid 19 não é mais do que um alerta, um aviso da Natureza chamando a atenção para que estamos a chegar a um ponto sem retorno. Um alerta, apenas. É que se formos a ver a epidemia de Covid 19 até nem é uma doença grave que atingiu a Humanidade. Se considerarmos os milhões de infetados que são assintomáticos, se tivermos em linha de conta que abaixo dos setenta anos é praticamente inócua, a taxa de mortalidade é ínfima, nada comparável a outras pandemias que já atingiram a Humanidade, como a peste negra ou a gripe espanhola. Grave, sim, muito mais grave que a doença em si, foi e é a onda de pânico que se instalou a nível mundial, potenciada, como atrás referi pela velocidade da informação e pela tendência para divulgar apenas as más notícias. Graves, muito mais graves do que a Covid 19 são as consequências económicas e sociais geradas por esse pânico e pela desmesurada reação a que os governos foram obrigados, condicionados por uma opinião pública apavorada. 4. Uma última nota, esta de caráter mais particular. Tem que ver com o futebol. Neste tempos de afastamento social e de confinamento, é inadmissível que os jo-

gos de futebol não sejam transmitidos em canal aberto. Das duas uma : alguém anda a proteger os canais pagos tipo Sport TV – que verão o número de assinantes e as consequentes receitas disparar – ou esqueceram-se do que é um Benfica-Sporting visto num local público com canal pago. Estou mesmo a ver, no meio das bejecas a que o tempo quente e o futebol apelam, os fãs dum dos grandes a abraçarem-se aos urros quando há golo, a cuspir perdigotos para cima do próximo, enfim tudo o contrário daquilo que as autoridades sanitárias desaconselham. 5. Agora é que é mesmo a final. Considero que as autoridades portuguesas, políticas e técnicas de saúde, ligadas ao Governo ou à Oposição – particularmente o PSD e o seu líder- têm tido um comportamento exemplar e a eles, bem como ao comportamento do povo português, se deve a contenção da pandemia. A Covid 19 vai passar. Seja ou não descoberta vacina. Há que consertar os cacos que, mais a histeria coletiva do que a doença, deixaram para trás. Quanto a mim, desconfinei!

João Santos

não encontrarão outra solução senão aumentar o preço de venda dos seus bens ao consumidor final. Está aqui em equação o aumento dos custos de produção das empresas em função: da diminuição de matéria prima à disposição; ou do aumento do custo dos bens intermédios, tendo o empresário considerado viável a sua importação a partir de uma origem alternativa. Portanto, quer seja pela via da diminuição do rendimento do trabalho, quer seja por via do aumento do preço de alguns bens de venda ao consumidor final, serão sempre as classes socioeconomicamente mais desfavorecidas a sofrer o maior impacto desta crise.

Finalmente, também é importante referir que o governo tem vindo a apresentar medidas que visam garantir alguma estabilidade às famílias socioeconomicamente mais frágeis, com destaque para: a suspensão da caducidade dos contratos de arrendamento; a prorrogação automática dos subsídios de desemprego, do complemento solidário para idosos e do rendimento social de inserção; e ainda, por exemplo, um programa de moratórias aplicado ao crédito à habitação.

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda – Comunicação Social e

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20 Opinião

Valor Local

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Editorial: Sete anos de Valor Local Valor Local assinalou no passado dia 30 de abril 7 anos de existência. O momento foi apenas assinalado com um pequeno apontamento no Facebook porque a atual pandemia

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que o mundo atravessa tornou-se mais importante do que o simples assinalar do evento. No entanto, não quero deixar passar em claro a oportunidade de agradecer aos nossos parcei-

ros comerciais pela confiança e também aos nossos fiéis leitores pela confiança no nosso projeto. Embora ainda se afigure como longínquo o terminar da situação de pandemia e o regresso à nor-

Miguel António Rodrigues

malidade, há que assinalar o papel importante que os jornais em papel assumiram nesta última crise, que tantas vezes foi esgrimida nas redes sociais. É de facto uma realidade que PUB

embora já muitas pessoas tenham acesso à internet, há ainda muitas outras que não acedem à rede, ou por falta de conhecimento ou por falta de equipamentos. Mas já lá vamos. Queria relevar aqui a importância do jornal impresso. Um património muito importante e que foi mais do que útil na comunicação com as populações mais isoladas ou desfavorecidas em plena pandemia. Mas o Valor Local também tem liderado na internet. Prova disso foram os milhares de partilhas das nossas notícias nos últimos meses. Mas não podemos esquecer que a edição impressa chegou aos quatro cantos da nossa área de influência, nomeadamente, às populações mais isoladas desde Vila Verde dos Francos em Alenquer, passando por Foros de Salvaterra, em Salvaterra, ou simplesmente a outras zonas mais isoladas e longe dos centros de decisão. É lá que encontramos muitas vezes a palavra “obrigado”. Uma palava que vai caindo em desuso, mas que os nossos leitores

que já sabem quando e a que horas chegamos não se cansam de dizer. Para a nossa equipa é muito gratificante esse agradecimento. Voltando à internet. Sou da opinião de que esta crise veio demonstrar que nem todas as pessoas têm acesso às novas tecnologias. A prova disso foi a telescola que obrigou as câmaras municipais a emprestarem computadores às famílias mais desfavorecidas. Um gesto que fez a diferença e que demonstrou que nem todos estamos a par do que se passa no mundo virtual. Nós cá estamos para continuar o nosso caminho, que se faz caminhando. Surgimos em tempos de crise, em 2013, e hoje passados escassos anos aqui estamos a enfrentar uma crise sanitária sem precedentes, sempre em prol da verdade e contra a especulação.


Valor Local

Maio 2020

Worldwide Governance Indicators Os Worldwide Governance Indicators (WGI) são publicados pelo Banco Mundial e procuram dar conta da forma como vem decorrendo a governação ao nível global apresentando dados anuais. Num dos seus relatórios é indicado que “a governação local engloba múltiplos atores, em primeira linha os eleitos locais, dirigentes e funcionários, mas também organizações do setor público e do setor privado e atores da sociedade civil, bem como as tradições, regras e instituições que enquadram as complexas interações entre esses atores”. Ou seja, considera o Banco Mundial que a boa governação tem de ser construída a partir da interacção entre o conjunto de atores do território, independentemente das pertenças institucionais. Vem isto a propósito do que temos ouvido e lido sobre a (não)

participação da sra delegada de saúde de Azambuja em mais de

uma situação: - A propósito do aterro e das

questões de saúde pública que se poderão levantar informou o

No pós-confinamento a utilidade da inteligência emocional ando sequência à ideia expressa no meu último artigo de opinião (edição de abril); «que deveríamos usar a Inteligência Emocional (IE) para melhor nos adaptarmos às novas obrigações e condições de vida em sociedade e nas organizações em geral, em tempo de pós-confinamento»; surge a presente crónica que dá primazia a alguns “conselhos” que se me afiguram, modestamente, como “ferramentas indispensáveis” para a tomada de melhores comportamentos, atitudes e ações, face às perceções que vamos adquirindo relativamente às mudanças e subsequentes problemáticas que, necessariamente, irão ocorrer na sociedade e nas empresas”. A Inteligência Emocional (IE) que foi definida pela primeira vez no início da década de 90 é, segundo o meu conceito, a estimulação cognitiva que ocorre pela interação do trinómio: Emoções, Razão e Inteligência Cognitiva (IC). Quando ponderamos e agimos pela razão (consciência) estamos a controlar as nossas emoções, ao mesmo tempo que potenciamos os sentimentos provocados pelas mesmas, estimulando assim, a Inteligência Cognitiva, que vai despoletar uma reação/resolução racional dos problemas que, se pretende, sensata, equilibrada e adaptada à situação com a consequente satisfação do próprio e dos outros (pessoal ou organizacional)... A IE apresenta três variáveis, a saber: 1) A capacidade de avalia-

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ção dos estados de espírito (e.g.: andar triste, sentir-se alegre, estar em baixo, etc.) e das emoções, próprias e dos outros; 2) A capacidade de adaptação na interação entre os nossos estados de espírito e as nossas emoções e as dos outros; 3) Com base nos pressupostos anteriores, surge a capacidade para aceder e gerar sentimentos que facilitem as atividades cognitivas, isto é, a Inteligência Emocional (IE) em acção, visando, primeiramente, a resolução dos nossos conflitos internos (emoções) para de seguida e “através” da razão e da inteligência, alcançarmos as melhores decisões/soluções para os problemas. Assim, estas variáveis da IE influenciam os nossos comportamentos e as nossas decisões, na medida em que: a) Tendo em conta que as emoções não são mais do que respostas organizadas a acontecimentos internos e externos dos foros: afetivo, fisiológico, cognitivo e comportamental; estas provocam uma determinada reação positiva (e.g.: alegria) ou negativa (e.g.: frustração), que influenciam a nossa capacidade de raciocinar e de planear e, definem também, os limites da nossa capacidade de utilizar as aptidões mentais inatas ou IC, como sejam: a memória, o raciocínio, o julgamento e, o pensamento abstrato (que é a capacidade de refletirmos sobre situações das quais não possuímos conhecimento prévio), mas… b) Se conseguirmos monitorizar e regular os sentimentos

próprios e os dos outros, estaremos capacitados a utilizar os sentimentos produzidos pelas emoções para orientar o raciocínio, o julgamento inteligente e o subsequente comportamento, atitude ou ação. Sintetizando: a emoção torna o pensamento mais inteligente, e a inteligência permite pensar e utilizar as emoções de modo mais eficaz. Então, quais são as “ferramentas”? 1 a) Seja autoconsciente, isto é, faça um esforço honesto e assertivo para reconhecer, compreender e controlar os seus estados de espírito e as suas emoções, bem como, o efeito destes no controlo emocional da impulsividade, da autoconfiança, da auto-avaliação, da humildade, da gratidão, da educação, da justiça, do respeito, da autocrítica, de aceitar a crítica e de aceitar e adiar as gratificações (para alcançar um objetivo temos, por vezes, de abdicar de outras coisas) e, por uma cultura de exigência e de responsabilidade e, também por uma atitude positiva. b) Seja autorregulado: conhecerse bem é meio caminho andado para o controlo ou redirecionamento dos seus impulsos, como sejam: a auto-estima, a empatia, e a integridade (os valores que defende e que não deve abdicar), a capacidade de gerir o stresse, o sentir-se bem em situações complexas ou exigentes e a recetividade à mudança de atitudes, comportamentos e tomadas de ação exigidas pela

perceção das situações. Pare, oiça com atenção e observe a linguagem corporal do seu interlocutor! Tente acalmar-se, se for caso para isso, e reflita. Não se deixe dominar pelas emoções negativas e observe as indicações dadas pela linguagem corporal do seu interlocutor (e.g. agitado, cordato, etc) e proceda de acordo. As emoções negativas conduzem, inevitavelmente, a reações extemporâneas e, por norma, disparatadas. Não ponderar os pós e os contras e não flexibilizar atitudes (e,g. negociar), não conduz a soluções mas sim a conflitos! c) Procure, se automotivar: seja capaz de se motivar para a concretização dos seus objetivos e/ou metas, que devem ser devidamente planeadas e exequíveis (dois pressupostos essenciais para a automotivação), quer ao nível pessoal ou familiar, quer profissionalmente com otimismo, energia e resiliência mas, estabelecendo o necessário equilíbrio entre o trabalho/objetivos e as obrigações familiares, o seu lazer prazeroso e a sua realização pessoal e profissional; d) Seja empático, tente compreender o estado emocional e os estados de espírito dos outros. Socialmente: seja capaz de se relacionar interpessoalmente colocando-se no lugar do outro, sendo sensível aos seus problemas. Pratique a escuta ativa, a paciência, o afeto, a solidariedade e a generosidade. Profissionalmente: compromisso com a organização e sensibilidade para

Opinião 21 Paulo Louro

sr. presidente da CM que a delegação de saúde não efectuou qualquer resposta; - a propósito do surto da avipronto lemos que foi a pressão política que levou ao encerramento da actividade; - a propósito da reabertura da mesma avipronto lemos que a mesma tinha sido efectuada com o aval da autoridade de saúde; - a propósito do surto da sonae ouvimos declarações de muita gente desresponsabilizando-se e discursos de responsabilização dos trabalhadores, que na maioria ganharão ordenados mínimos de forma precária, feitos por quem não conhece a precaridade e está no conforto da secretária. Ao delegado de saúde compete, entre outros aspectos, “coordenar e supervisionar o exercício de autoridade de saúde no res-

petivo âmbito geodemográfico” e esta competência incluirá certamente garantir e transmitir segurança aos cidadãos, que é algo que em Azambuja não temos sentido. A intervenção de qualquer representante da administração devia ser sempre alinhada com aquilo que quer os órgãos eleitos (que representam a comunidade) quer os cidadãos necessitam para o seu território, por isso será importante que em azambuja possamos sentir proximidade, segurança e que, nestes tempos difíceis, temos a velar por nós quem tem autoridade e conhecimento.

Augusto Moita a: interculturalidade, inclusão e igualdade de género, entre outras valências. Esteja sempre disponível para elogiar os outros que tenham mérito no que fazem, porque com essa atitude não está a apoucar-se, antes pelo contrário, evidencia grande nobreza de carácter e inteligência e, ganhará um amigo! e) Seja eficaz nas suas relações interpessoais ou habilidades sociais: preocupe-se em adquirir competências comportamentais (soft skills) para gerir relacionamentos interpessoais (existem cursos e-learning). Em contexto laboral, crie redes de contatos e seja capaz de gerir com eficácia a mudança; usando o seu poder de persuasão e a sua capacidade de trabalhar em equipa e de liderança. Aprenda a resolver conflitos e a tomar decisões (existem cursos e-learning). Esteja sempre disponível para deslocações e também, para a aquisição de novos conhecimentos, i.e.; Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV); f) E, seja eficaz no ato de comunicar porque comunicar eficazmente, pressupõe clareza e assertividade na comunicação com os outros (utilize uma linguagem adequada ao contexto e ao interlocutor). A não compreensão de uma comunicação em contexto interpessoal pode gerar conflito de interesses; em contexto laboral, pode potenciar o erro e consequentemente a improdutividade. Como é evidente, esta crónica

consubstancia um exercício de “retórica”, cuja aceitação e praticabilidade, varia de pessoa para pessoa, tendo a ver, essencialmente, com a sua IE, o seu temperamento (inato) e carácter (adquirido), isto é, com a sua personalidade. A IE contribui, decididamente, para a felicidade! Ao ultrapassar problemas com IE torna-se uma pessoa mais humana; por positiva, compreensiva, gratificada e feliz e, naturalmente, estará a contribuir para a felicidade dos outros. Pense nisto! Muito mais haveria para escrever sobre esta temática mas, tratase de uma crónica e não de um trabalho académico, embora tenha sempre preocupações de ordem didática. Sincera e humildemente, espero que esta crónica se revista de alguma utilidade para o leitor, porque em consciência dei tudo o que sei e adicionei contributos, numa perspectiva de desconstruir e simplificar a temática, para melhor compreensão! 1 Interpretação e contributos da responsabilidade do cronista, com base na obra IE de Daniel Goleman-2000


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Maio 2020

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Dossier: Águas 23

Águas do Ribatejo aprova novo regulamento de serviços D

esde o início deste mês que entraram em vigor os novos

regulamentos da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo

(AR). Os regulamentos de serviço articulam os direitos e as obri-

gações da entidade gestora e dos utilizadores no seu relaciona-

mento. “Estando em causa serviços pú-

Segundo a empresa visam simplificar a relação com o cliente

Aquapor reforça aposta na tecnologia no abastecimento de água Grupo Aquapor, ligado às concessões de abastecimento de água e saneamento nos concelhos de Azambuja e Alenquer, informa através de nota de imprensa que reforçou a aposta na tecnologia para monitorizar os serviços públicos essenciais que presta. Nomeadamente no abastecimento de água, drenagem de águas residuais domésticas e recolha de resíduos sólidos em tempos de pandemia. Segundo a mesma nota de im-

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prensa, a informação passa a estar centralizada, sendo complementada com dados provenientes de outras fontes, tais como a Direção Geral da Saúde, o que permite “identificar e avaliar as zonas com maior risco de intervenção”. Passa também a ser possível monitorizar a evolução diária da Covid-19 no interior do grupo, bem como as necessidades e dificuldades que impliquem a adoção de medidas para minimizar os riscos inerentes à prestação de serviços es-

senciais no combate à pandemia. Através da plataforma “Esri Disaster Response Program”, disponibilizada pela Esri Inc., o Grupo Aquapor passa a dispor de informação que permite planear e adequar a capacidade de intervenção de recursos e serviços essenciais à evolução da COVID-19. O Grupo tem atividade geograficamente dispersa em mais de 50 municípios e conta com mais de mil colaboradores.

Faltas de água em Vale do Paraíso as últimas semanas, a freguesia de Vale do Paraíso viu-se a contas com algumas faltas de água devido a roturas. Segundo o vereador do Ambiente, Silvino Lúcio, há condutas que necessitam de ser substituídas. A Águas da Azambuja substituiu parte da tubagem que vem desde a Nacional 3 até à adega do Abaladiço, mas ainda há obra para concluir no sentido de contornar este problema.

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O sistema de abastecimento a Vale do Paraíso começa “com uma picagem numa conduta em Virtudes que vai dar a um tanque onde as bombas empurram a água para os depósitos de Casais da Lagoa, e dali para Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima e Vale do Paraíso”. Naquelas localidades a água tem faltado nas torneiras amiúde o que tem causado incómodo à população. “Falta concluir a obra com nova conduta desde a adega do Aba-

ladiço até ao depósito, estamos à espera que a empreitada vá para a frente porque está no plano de investimentos, e que tem sido prometida ao longo dos anos pela empresa”. Contactada a Águas da Azambuja, Tiago Carvalho, responsável da empresa, garante que nesta altura o processo do que falta concluir está em fase de consulta, esperando que o arranque da obra suceda ainda durante este primeiro semestre.

Implementadas medidas de ajustamento tendo em conta a pandemia

blicos essenciais, é especialmente importante garantir que a apresentação de tais regras seja feita de forma clara, adequada, detalhada e de modo a permitir o efetivo conhecimento, por parte dos utilizadores, do conteúdo e da forma de exercício dos respetivos direitos e deveres”, explica o presidente do Conselho de Administração da AR Francisco Oliveira. O autarca de Coruche recorda que a AR promoveu o período de consulta pública dos projetos de regulamento. Foram apresentadas várias sugestões de melhoria que integram a versão final aprovada pelo Conselho de Administração e pela Assembleia Geral da Águas do Ribatejo, E.I.M. Ambos os regulamentos foram aprovados pelas sete câmaras e assembleias municipais em Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas. Os referidos regulamentos também poderão ser consultados na sede da Águas do Ribatejo e na respetiva página de internet em www.aguasdoribatejo.com;


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Jornal Regional Mensal dos concelhos de Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos, C«Benavente, Cartaxo, Cadaval, Salvaterra de Magos e Vila Fra...

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