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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 41 • 23 Setembro 2016 • Preço 1 cêntimo

Objetivo Unesco para as tradições da região

Págs. 12, 13, 14 e 15

Confraria do Torricado Águas da Azambuja: nasce em Azambuja Plano de investimentos sofre contestação Pág. 5

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Anghel Ivanof

O canoísta que veio de Leste para Alhandra

A sua última invenção enquanto empresário eio para Portugal em 1993, com 20 anos, de forma mais ou menos clandestina e estabeleceu-se em Alhandra, onde durante vários anos treinou os jovens da secção de canoagem do Alhandra Sporting Club. Para trás ficou uma carreira como um dos principais canoístas do seu país, a Roménia, e um futuro promissor na modalidade, interrompido quando não foi aos Jogos Olímpicos de Barcelona, 1992, e decidiu abandonar o barco e tentar prosseguir a carreira noutro país. Para trás ficaram anos dourados na modalidade, quando a Roménia de Ceausescu aclamava os seus atletas heróis, e Anghel Ivanof foi um deles. Desde os treze anos que percorreu as diversas camadas da modalidade na Roménia. Andava sempre em estágio, e conseguia ter acesso a condições que dificilmente poderiam ser ambicionadas pela população, tendo em conta que estagiava nos melhores hotéis, e havia aulas concebidas de propósito para os atletas. A ascensão de Nadia Comaneci e a forma como o governo comunista

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de Ceausescu fabricava ídolos a partir dos seus atletas para aumentar o nível de propaganda foi em parte também experimentada por Ivanof, apesar de ser ainda muito jovem, e tendo em conta que o ditador foi deposto em 1989. O antigo atleta foi vice-campeão do mundo em juniores em 1991. “Usavam muito os desportistas para limpar a imagem da Roménia para fora do país, e isso de facto acontecia”. Contudo Ivanof não se dava conta na totalidade desse aproveitamento, até porque “conseguir ser atleta era um privilégio”. “No meu caso tive acesso a condições que de outra forma não teria, porque a minha família tinha fracos recursos, embora nunca tivesse passado fome, sabia o que era viver com dificuldades, e nos estágios possuíamos todas as condições”. O seu caso é o de alguém que vivia uma espécie de vida idílica, “onde não faltava nada”. “Pode parecer estranho, mas podíamos comer carne e sobremesa todos os dias, e isso não era assim no país”. A restante população “ tinha

de lidar com a restrição de acesso aos bens de consumo, em que havia filas para tudo, e a fome imperava, o que levou o povo à rua e ditou mais tarde o fim da ditadura”. “O Governo queria pagar as dívidas todas, mas à custa do sofrimento do povo”, lembra-se. Por outro lado, “todos tinham de trabalhar e produzir para o país, lembro-me de o regime ter ido a casa de um vizinho meu, e o terem obrigado a ir para uma fábrica, e quando ele desistiu de trabalhar lá, até porque era um bocado hippie, foram de novo buscá-lo”. Quando representava as cores do país, pesava a responsabilidade de poder ter tido acesso a um mundo diferente do dos seus conterrâneos: “Consegui viver fora de uma vida medíocre, houve investimento em mim, e tive acesso a coisas diferentes como viajar para fora do meu país. O meu nome começou a aparecer nos jornais, e sentia que tinha de corresponder da melhor maneira”. Como tal só “podia amar a bandeira e as cores da Roménia”, e esse amor “era correspondido pelas pessoas

Ivanof chegou a Alhandra em 1993 para ficar que adoravam as modalidades para além do futebol”. Quando regressava a casa dos pais nas férias, “ia com o fato de treino da seleção vestido porque tinha orgulho nisso”. Desolado por ter ficado como suplente não utilizado nos Jogos Olímpicos de Barcelona, decide mudar o rumo dos acontecimentos, e apanha uma regata internacional da modalidade para tentar mudar de país, “porque o Dínamo de Bucareste tentou meter os seus atletas todos na seleção olímpica, e eu fiquei para trás mesmo sendo vice-campeão mundial”. Chegou a Espanha para competir, e veio à boleia com portugueses ligados à canoagem, em 93. “Na altura, já não havia fronteiras e foi fácil passar para cá”. Chegou a Alhandra, e não saiu mais desta localidade. “Graças ao Vítor Felix, hoje presidente da federação, pois foi ele que me trouxe”. Para trás, “ficava uma vida de sonho em que tinha acesso a tudo, foi muito difícil a adaptação, pois passei a viver num quarto alugado”. Habituado a treinar teve

de arranjar trabalho, o que conseguiu no mundo da canoagem, como monitor. A carreira como canoísta ficou progressivamente para trás, até porque foi muito difícil obter a nacionalidade portuguesa. O facto de ter encontrado amigos em Alhandra foi a única razão para não ter voltado ainda em 93 para a Roménia. “Fui ficando”. Na federação prometiam-lhe entrada e a ida aos Jogos Olímpicos de Atlanta, mas como a nacionalidade tardava, acabou por desistir. “Nesse aspeto não foram muito corretos comigo, e durante muitos anos isso custou-me muito porque queria ser campeão olímpico. Nunca fui aos Jogos Olímpicos.” Para Anghel Ivanof, “temos neste momento a melhor seleção nacional de sempre e de longe na canoagem, apenas temos de trabalhar mais e melhor, e falar menos”, refere sem papas na língua quando lhe pedimos um comentário à participação lusa nos últimos jogos olímpicos. Hoje, Anghel Ivanof gere uma empresa que produz selins em fibra

O adeus ao pelado da Pedrinha N

o dia 18 de setembro, aconteceu o adeus ao campo pelado da Pedrinha em Foros de Salvaterra. Ex jogadores, adeptos e simpatizantes puderam participar no jogo. Em breve arrancarão as obras tendo em vista a construção de um campo de relvado sintético no local. Já foi assinado pela Câmara de Salvaterra o contrato com a empresa Global Stadium

Lda para o sintético do campo de futebol 11 do Forense, em Foros de Salvaterra, conforme consta de informação no site da autarquia. A obra deverá ter um prazo de três meses e tem um custo de 200 mil 168 euros. Os trabalhos a realizar no âmbito desta empreitada incluem demolições, movimentação de terras, base de tout-venant, relva sintética, rede de água, sistema

automático de rega com reservatório de água, drenagem pluvial e restantes equipamentos. O Forense integra a distrital da segunda divisão de Santarém ao nível do escalão sénior. Está também a terminar o processo para que seja lançada a obra de um sintético para o campo de futebol de 11 do Clube Desportivo Salvaterrense, Salvaterra de Magos

Último jogo na Pedrinha

de vidro e carbono para bicicletas, e lemes no mesmo material para os barcos de canoagem. Um negócio que tem vindo a crescer, porquanto é o único fabricante em Portugal deste tipo de selins, e o conceito para a canoagem é único em todo o mundo. Está a ser comercializado, e ultimamente testado por um dos principais nomes a nível mundial. “O leme do barco é diferente do da Nelo, por exemplo, porque reconstitui a forma da barbatana do espadarte que é só o peixe mais rápido do mundo. A física diz-nos que esse tipo de configuração ajuda a que o barco ganhe velocidade. Muitos atletas estão maravilhados com a minha invenção”. Mas ainda neste âmbito, a empresa de Anghel, com o nome de Gelu (diminutivo que a família lhe chamava em criança), inventou também um leme para as provas de canoagem mais longas, as ditas maratonas, e aqui foi buscar a forma da barbatana da fataça, o peixe mais lento. A criatividade mais uma vez deu certo, e a receção também está a ser das melhores.


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Piscinas de Azambuja:

Finalmente o pontapé de saída ¢ Miguel A. Rodrigues s piscinas de Azambuja vão reabrir ao público em 2017. Luís de Sousa ,presidente da Câmara Municipal, salientou ao Valor Local que esta data nada tem a ver com as eleições autárquicas do próximo ano. O autarca diz que é apenas coincidência, e que ainda nem sabe se será eleito candidato dentro do PS. Luís de Sousa, e António Amaral, vereador do Desporto, assinalaram o lançamento do concurso de forma simbólica nas instalações das piscinas no início do mês de setembro, salientando a importância que tem para a comunidade esta obra. Luís de Sousa vincou que este passo é importante e que tem como objetivo acabar com as falsas expetativas criadas junto da população de Azambuja com os sucessivos anúncios de abertura daquele complexo, que ocorreram durante o seu mandato, tendo sido o atual presidente a avançar diferentes datas que acabaram por não se concretizar. Num ato onde estiveram presentes os jornalistas e alguns técnicos do município, Luís de Sousa frisou ainda o bom relacionamento com

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Complexo deverá entrar em funcionamento dentro de alguns meses a nova mesa da Santa Casa da Misericórdia, com qual o município partilha a gestão do espaço. Para já, o autarca afasta as polémicas relacionadas com a gestão das piscinas não querendo denominar o complexo como municipal ou da

Santa Casa. Luís de Sousa preferiu frisar que a obra que tem um custo aproximado de 300 mil euros, que “acabou por ficar mais barata face ao projeto de recuperação inicial no ano passado e que rondava valores

aproximados de um milhão de euros”. Ao Valor Local, o autarca salientou que este compasso de espera acabou por ser bom, já que o município por um lado “só agora está em condições financeiras para

avançar com a obra e por outro permitiu encontrar soluções mais em conta.” Para já as intervenções vão centrar-se no aquecimento das águas e na energia. Luís de Sousa considera fundamental encontrar fon-

tes alternativas à eletricidade, já que por exemplo, a energia solar acaba por sair “muito mais barata” e isso vai refletir-se nos custos de manutenção das piscinas. O autarca prefere “atravessar uma ponte de cada vez”; e para já quer centrar-se nesta fase da obra, não querendo adiantar se a gestão da mesma será entregue a privados. Contudo e embora não aprofunde a questão, sempre vai dizendo que “esse tipo de parcerias ou concessões não estão para já em cima da mesa.” Todavia, o projeto para as piscinas não se esgota apenas na recuperação dos sistemas de energia. O autarca salientou ao Valor local que para uma outra fase está programada a construção de um tanque exterior e respetivos balneários. Ainda sem projeto e custos oficiais, Luís de Sousa estima que tal possa vir a custar aos cofres do município cerca de 100 mil euros. A juntar a isto, o autarca sublinha que é intenção da Câmara fazer uma ligação ao Estádio Municipal que fica paredes meias com as piscinas, e vinca que nos últimos meses também já recuperou os campos de ténis que ladeiam este complexo.

Vila Franca de Xira

Câmara prepara “revolução” na EN 10 Câmara Municipal de Vila Franca de Xira está apostada em reforçar a segurança da Estrada Nacional 10 e melhorar a fluidez do trânsito dando mais condições aos peões. De acordo com o município ao Valor Local, este projeto “insere-se na estratégia de Regeneração Urbana do Município e compreende o troço entre o limite sul do concelho, na Póvoa de Santa Iria, e a rotunda do Adarse, em Alverca”. A ideia do município é introduzir “um conceito de avenida” que con-

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siga “de forma harmoniosa e segura”, proporcionar o convívio entre a circulação rodoviária, a clicável e a pedonal. A Câmara acredita que com este projeto, será possível a “correta e adequada articulação entre os vários lugares, no sentido de harmonizar, dentro de um mesmo conceito, as diferentes intervenções”; e salienta a importância para o equilíbrio entre o espaço urbano construído e os sistemas naturais “promovendo a sua valorização ambiental e a sua interligação numa estrutura contínua de prote-

ção, regulação climática, recreio e lazer, integrada no tecido edificado” refere. Esta é uma ideia, segundo o município, que terá em conta aspetos importantes para os vários tipos de população. Serão criadas estruturas que garantam “a melhoria da acessibilidade para cidadãos com mobilidade condicionada”, reforçando ao mesmo tempo “a rede de iluminação pública e a eliminação de barreiras arquitetónicas e urbanísticas existentes”. A juntar a este projeto a Câmara

Municipal de Vila Franca de Xira anuncia igualmente ao Valor Local que a segurança e a fluidez do tráfego automóvel também fazem parte das suas preocupações ao longo deste troço da EN 10. É por isso que pretende colocar pavimentos diferenciados e sinalização vertical e horizontal adequadas aos vários tipos de circulação. Ainda neste plano, está em projeto levar em conta situações para reduzir o ruído, diminuir as vibrações e aumentar a permeabilidade do solo.

Câmara tem projeto para esta via

Aveiras de Cima

Câmara de Azambuja investe 300 mil no Parque Urbano da Milhariça Câmara Municipal de Azambuja prepara-se para investir 300 mil euros na construção de um complexo no terreno onde funcionou o mercado mensal da Milhariça. O projeto já não é novo, mas segundo Luís de Sousa foi possível reunir, agora, os instrumentos financeiros para dar início àquela obra. De acordo com o autarca, o projeto vai desenrolar-se em três fases, contudo a primeira etapa do projeto é a mais cara. O espaço

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do antigo mercado é considerado um local apetecível para o lazer, sendo que a junta de freguesia de Aveiras de Cima há muito que reivindica para ali uma zona de lazer para a população disfrutar. Esta primeira fase, inclui um campo multiusos, um parque infantil, um espaço de lazer, um parque de estacionamento, instalações sanitárias e um jardim. Numa segunda e terceira fases há outros projetos, todavia Luís de Sousa salienta que os mes-

mos ainda não estão bem delineados. O autarca diz que o espaço da Milhariça “é grande e por isso há ainda muitas coisas que ali se podem construir, sem perder de vista o bem-estar das populações.” A primeira fase, entrará em breve em construção e deverá estar concluída no próximo ano. Sobre o fato de ser altura de eleições, o autarca afiança: “As obras têm de ser feitas e nem sequer estou a pensar nisso”.

Ainda em Aveiras de Cima, o autarca anunciou ao Valor Local que o município está a estudar a compra de um terreno urbano perto do antigo banco Millennium, para fazer um parque de estacionamento. Esse é um projeto que também deverá estar concluído ate ao próximo ano, e tem como objetivo “aliviar” o estacionamento na vila por um lado, e por outro passar a ser um local mais cómodo para os espetáculos da Ávinho.

Espera-se que seja desta que o projeto na Milhariça arranque


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Azambuja oficializa “Confraria do Torricado” município de Azambuja vai oficializar no dia 27 de setembro a escritura que dá corpo à Confraria do Torricado. Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, diz estar certo que apesar de se falar de Torricado em todo o Ribatejo: “Temos a certeza de que é nosso”. Esta é uma discussão antiga e ninguém pode afirmar onde nasceu o prato que antes era o mais acessível para as pessoas que trabalhavam de sol a sol no campo, e que hoje é uma iguaria alvo de muita cobiça, que até integra alguns manuais de comida “gour-

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met”. Este prato remonta aos tempos em que os trabalhadores do campo passavam dias sem ir a casa; e aproveitavam o pão de vários dias e o bacalhau, que na época eram muito mais acessíveis, para cozinhar numa qualquer fogueira. E assim nasceu o torricado. Hoje os tempos são outros e o prato outrora para “pobres” é apreciado por todas as classes sociais, estando disponível tanto nos restaurantes mais caros como nos mais baratos. Luís de Sousa compreende o “Torricado” como “um valor cultu-

ral” do concelho de Azambuja e embora existam outros locais que o “veneram” o que é certo, é que “nenhum oficializou esta confraria”. O autarca explica que o processo ainda está a dar os primeiros passos. Conta para já com o apoio do Crédito Agrícola de Azambuja e com uma série de entusiastas deste pitéu entre os quais se encontra o poeta azambujense Sebastião Mateus Arenque. O autarca salienta, no entanto, que nesta altura os trajes já estão a ser projetados cabendo a uma estilista do concelho, Madalena

Toscany, levar a cabo esta tarefa que para além do design deverá escolher também os tecidos mais apropriados. Para ser confrade, refere Luís de Sousa, não basta comprar o traje. Há outros preceitos, todavia a aquisição do mesmo é fundamental para ingressar neste projeto. Luís de Sousa salienta também que a confraria vai incluir também a divulgação de produtos regionais do concelho de Azambuja, onde estão presentes por exemplo, os bolos de casamento de Vale do Paraíso entre outros.

Passagem de nível do cais

O medo não assiste os vilafranquenses odos os dias, largas dezenas de pessoas arriscam a vida ao atravessarem a passagem de nível de Vila Franca de Xira que dá acesso ao cais e ao jardim municipal com as cancelas fechadas. Já esteve em cima da mesa o encerramento da mesma, mas como não há alternativas continua a funcionar. O Valor Local presenciou inclusivamente alguns pais e avós com crianças pela mão a assumirem o risco. A

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linha do Norte e a de Azambuja são das mais movimentadas do país, e muitos são os comboios que passam diariamente no local. Ficar à espera por vezes dez ou quinze minutos fora da linha não é para todos, e muitos pensam que não será por cinco segundos que é o tempo que demora a passar de um lado para o outro que vão ser acometidos pelo infortúnio. Mas nem sempre o comboio apita e a velocidade é trai-

Cidadãos arriscam sem pensar

çoeira. O Valor Local ouviu um dos transeuntes que não hesitou em arriscar. Ficou incomodado pela abordagem, e confidenciou que há mais de 20 anos que arrisca, Confrontado sobre o perigo desse comportamento, atirou, fugindo ao mesmo tempo da nossa reportagem - “Eu gosto de ser perigoso!”. Não é o caso de Hortense Berardi, médica que durante muitos anos trabalhou na proxi-

midade da linha de caminho de ferro - “Vi muita gente a arriscar, principalmente pessoas mais idosas”, refere. No seu caso, diz que não se importa de esperar o tempo que for necessário. “Considero esta passagem de nível muito perigosa. Deveria ser encerrada, até porque as pessoas não são prudentes”. Nos últimos tempos diz ainda que chegou a constatar o atravessamento da linha com as cancelas fechadas por parte

de um automobilista. Frequentadora habitual da biblioteca de Vila Franca de Xira que se situa junto ao rio, e do lado de lá da linha em relação à cidade, Maria Paiva lamenta que a passagem aérea do edifício municipal nem sempre esteja a funcionar, pois pouparia muito tempo de espera . “Mas quando até as próprias funcionárias da biblioteca passam aqui com as cancelas fechadas”, atira lamentando-se.

Helena Berardi afirma-se cautelosa

Por vezes o tempo de espera chega a ser muito longo, “mas não arrisco, até porque tenho netos e gosto de dar o exemplo”. O Valor Local contactou a Câmara de Vila Franca sobre a passagem aérea, que refere que “os elevadores são diariamente monitorizados, e quando se regista algum problema a manutenção é imediatamente alertada para o resolver, procurando ser breve nessa ação”.


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Vila Franca de Xira

Feira de Outubro quase a chegar Feira de Outubro está a chegar a Vila Franca de Xira. Este certame que junta o artesanato às esperas de toiros é um dos que mais forasteiros atrai a Vila Franca a par do Colete Encarnado. A iniciativa do município de Vila Franca de Xira, que se desenrola de 30 de setembro a 8 de outubro, acontece no Parque Urbano do Cevadeiro, onde decorre o Salão do Artesanato, e nas ruas da cidade com diversas iniciativas e as esperas de toiros. De acordo com o município de Vila Franca de Xira, as festividades deste ano incluem mais uma vez as componentes de música, dança, e desporto. E sendo esta uma feira com fortes tradições tauromáquicas, as atenções estarão forçosamente viradas para as esperas de toiros e a tradicional corrida que decorrerá na praça Palha Blanco. Ao Valor Local, o município salienta a sua preocupação com a escolha dos toiros “embora saibamos que só no momento dos espetáculos, é possível verificar se correspondem às expectativas”, e explica que desde 2014 que “recorremos a um método e seleção diferentes dos anos anteriores, que tem merecido o agrado dos aficionados”, lembrando que está agendada uma visita aos pastos da Herdade da Adema, na Ganadaria Palha. Ainda nesta componente das esperas de toiros, o município chama a atenção para as advertências relacionadas com a segurança, tendo em conta os incidentes próprios deste tipo de festas. Para além do extenso programa de animação que decorrerá durante os dias da festa, levado a cabo pela Câmara de Vila Franca de Xira, há um outro a decorrer em paralelo. Trata-se das iniciativas que vão decorrer na Praça de Toiros “Palha Blanco” que assinalam a comemoração dos seus 115 anos de existência. A mesma recebe um concerto com José Cid a 30 de setembro, seguindo-se uma homenagem ao Maestro José Júlio a 2 de outu-

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bro. Salão do Artesanato expõe originalidade dos artistas Há muito que o Salão do Artesanato faz parte da festa comemorada em outubro. O certame que decorre no Pavilhão do Cevadeiro vai para a sua 36ª edição e continua a ser uma mostra do setor, com a presença de artesão locais e não só. A contribuir para “o sucesso crescente desta iniciativa”, nas palavras da autarquia, está “o rigor na escolha dos artesãos e dos seus produtos”. O município explica ao Valor local as razões do seu sucesso – “Temos as duas componentes: por um lado a fidelização de alguns artesãos que consideramos importante pela sua qualidade. Por outro lado, há sempre alguma rotatividade, o que permite a existência de alguma novidade todos os anos”. “Pautamo-nos por ser criteriosos na seleção dos participantes e, atualmente, este é considerado um dos melhores salões a nível nacional”. Os artesãos, esses consideram que o Salão do Artesanato é uma boa montra para mostrar os seus produtos. É o caso de Mário Nunes que reside no Forte da Casa e que aguarda pela sua reforma de funcionário público para se dedicar a tempo inteiro ao ofício. Ao Valor Local, Mário Nunes que trabalha em azulejos, explica que “abraçou” esta arte porque respondeu a um anúncio de jornal. Daí e até aos dias de hoje foi um pulinho, tendo passado quase vinte anos. Mário Nunes, depressa viu-se “a dar formação” o que muito o motivou para dar continuidade ao trabalho, já que também via nos seus formandos muito interesse por esta arte mas não consegue viver apenas da mesma, segundo nos confessa. O artesão que pinta painéis por encomenda explica que esteve arredado do Salão do Artesanato de Vila Franca durante meia dúzia de anos. Todavia regressou e

nos últimos tempos tem mantido uma presença assídua. Contudo salienta que nunca teve dificuldades em expor os seus trabalhos. Se não estava em Vila Franca “estava noutra feira ou mostra”, refere o artesão exemplificando assim o seu “apego e paixão” por esta arte que o levou muitas vezes a marcar presença de norte a sul do país. Mário Nunes que tem trabalhos expostos de norte a sul foi também responsável, entre outros, pelos painéis de azulejos da sede da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense e Junta de Freguesia de Póvoa. Sem falar de valores, o artesão prefere sublinhar o gosto que tem pela arte enquanto conta os dias para se dedicar a tempo inteiro à mesma. Também Leonor Ferreira, de Vila Franca de Xira, aposta tudo na sua arte. A artesã trabalha com trapologia, isto é faz objetos a partir de tecidos, e tem apresentado um variado número de trabalhos, uns que retratam a vida do Ribatejo e outros que fazem parte do nosso quotidiano. Leonor Ferreira é proprietária de uma loja em Vila Franca de Xira onde vende prendas para casamento, feitas por si, flores e os seus bonecos feitos de vários tecidos reciclados. Ao Valor Local, a artesã explica que esta paixão começou quando teve de abandonar o seu trabalho num laboratório. Também neste caso a “paixão” por esta arte foi quase “amor à primeira vista”. Leonor Ferreira salienta que tudo começou com uma formação em arte floral “pela Escola de Arte Floral da Catalunha” sendo que depois disso o passo seguinte foi abrir a loja. Para além das prendas de casamento e outros produtos, Leonor Ferreira faz também bonecos que retratam, por exemplo, os campinos ou os toureiros ribatejanos. A artesã explica que a trapologia “é a arte de aproveitar tecidos” mas também compra muitos novos. Quanto aos materiais, Leonor Ferreira explica o uso de popline, sarja, ou renda, entre mui-

tos outros para dar vida aos seus trabalhos. Para além destes bonecos, destaca também outros de tamanho reduzido feitos em palhinha e

com cerca de dez centímetros revestidos a tecido. “Sendo que aqui faço tudo à mão e sem qualquer tipo de máquina”. Neste caso estamos a falar “ de campi-

nos, ceifeiras, saloias, forcados e varinas”, explica Leonor Ferreira que trabalha não só para vender na sua loja como também por encomenda.

Artesanato de Leonor Ferreira

Artesanato de Mário Nunes

Junta de Aveiras de Baixo lança transporte para idosos falta de uma carreira que satisfaça a população da freguesia de Aveiras de Baixo, onde se incluem os Casais da Lagoa e Virtudes, levou a junta local a colocar ao serviço dos cidadãos mais velhos uma carrinha que duas vezes por semana fará a ligação à sede de concelho. Ao Valor Local, Carlos Valada, presidente da junta, salienta que esta

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iniciativa, que é inédita não concelho, vai ao encontro de outras, como “é o caso do transporte de doentes não urgentes” já assegurado pela junta. Carlos Valada fala nas dificuldades de transporte para Azambuja, vincando que muitas vezes os autocarros vêm quase vazios e passam a horas que não servem os fregueses.

O autarca diz que o público-alvo são os idosos sem transporte “sem carta de condução ou transporte próprio e que não conseguem ir tratar dos seus assuntos a Azambuja com regularidade, tendo muitas vezes de esperar por familiares ou amigos”. Todavia este é projeto com o nome de “TREM” - Transporte Envelhecer Melhor, vai estar à experiência

durante um mês, às terças e quintas-feiras, ainda assim nos primeiros dias já cativou alguns idosos, nomeadamente em Casais da Lagoa. Carlos Valada diz que o “TREM” é distinto do transporte que o município já oferece aos habitantes do alto concelho, já que salienta “este não para em Aveiras de Baixo” acrescentando que “se a câmara

quisesse já tinha criado uma rota do transporte municipal que servisse, não só os habitantes de Aveiras de Baixo como de Aveiras de Cima ou Vale do Paraiso”. Para o presidente da junta, esta iniciativa que frisa “estar em fase experimental” é uma mais-valia, já que as queixas dos habitantes de Aveiras de Baixo e Casais da Lagoa são de falta de transporte a

horas adequadas. Já no que toca às Virtudes, Carlos Valada salienta que esta aldeia é servida pelo comboio e que por isso tem outra oferta para as deslocações a Azambuja. Os interessados poderão inscrever-se por mensagem privada no facebook da junta ou ao balcão da mesma. Poderão ainda usar o telefone 263475626.


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Autárquicas em Azambuja

Todos os cenários em aberto ¢

Miguel A. Rodrigues inda não há candidaturas oficiais à Câmara de Azambuja. Mas o que é certo, é que os partidos, nomeadamente o PS e a Coligação pelo Futuro da Nossa Terra que inclui o PSD, CDS e MPT já começam a dar alguns sinais. Do PS chegam ecos de intenções. Primeiro a disponibilidade do antigo presidente da Câmara Joaquim Ramos; e depois a disponibilidade do atual presidente do município, Luís de Sousa. Da CDU, como habitualmente, nada se sabe, já que esta coligação que integra “os Verdes e o PCP” sempre foi muito reservada quanto às suas escolhas. Já do lado da Coligação de cen-

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tro-direita notam-se algumas movimentações. Em Lisboa a antiga ministra Assunção Cristas já assumiu a sua candidatura, pese embora o facto de não ter ainda o apoio oficial do PSD, mas o Valor Local sabe que isso poderá acontecer. Tendo em conta esta candidatura, também em Azambuja os dois partidos têm -se apresentado nos últimos anos coligados a eleições. Este ano ainda não há decisões tomadas segundo referem fontes do CDS e do PSD local. Ainda assim, notam-se movimentações. O PSD “uniu-se” e foi buscar de novo figuras de várias alas que até aqui andavam arredadas da vida política

mais ativa. O que deixa em aberto alguns cenários possíveis. Desde logo a ida a votos em separado, já que a comissão politica distrital de Lisboa deixa a ambos os partidos essa opção. É certo que segundo José Carlos Matos, líder local do CDS, “nada está decidido”; salientando mesmo ao Valor Local que o CDS apresenta uma “dinâmica própria e muito positiva e que se for o caso apresentará candidatos seus”, escusando-se a dizer se será um candidato a cabeça de lista; ou não, ou seja apenas disponível para integrar uma qualquer estrutura liderada por uma figura do PSD local. Já o presidente do PSD de

Azambuja, António Jorge Lopes que anunciou não estar disponível para se recandidatar como cabeça de lista à Câmara, vinca que o processo não está fechado. Para o atual vereador, a Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra existe há cerca de sete anos e continua a funcionar bem, quer ao nível da participação dos cidadãos independentes, quer quanto à articulação entre os principais partidos da Coligação. O vereador lembra a existência de um calendário para as diversas fases da eleição, destacando que este calendário é público e que dá até novembro o prazo para se escolher esse cabeça de lista.

Eleições continuam a mexer em Azambuja

Vila Franca de Xira:

Coligação Novo Rumo defende transformação em da Armada em Cidade Desportiva vereador da Coligação Novo Rumo de Vila Franca de Xira, Rui Rei, defende a criação de uma aldeia desportiva no espaço da antiga Escola da Armada. Ao Valor Local, Rui Rei explicou esta mesma tese, que anteriormente já tinha exposto numa das últimas reuniões do executivo. Rui Rei, vinca que esta posição da coligação já não é de agora e considera que o complexo pode ser estratégico para o desenvolvimento da zona norte do concelho de Vila Franca de Xira. O vereador salienta que a antiga “Marinha tem condições para ser não só uma cidade desportiva e um cluster do desporto” mas também “um agregador para a dinâmica económica do norte do concelho”, e cita um estudo que dá conta de que “aquela zona tem um grave problema de regeneração urbana e económica, e envelhecimento da população”, referin-

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do ainda que o restante concelho também padece de problemas relativos à “atração de novos negócios”. Nesse sentido, o vereador acredita que o complexo pode vir a ser um espaço importante e estratégico para a zona norte do município de Vila Franca de Xira. Rui Rei defende por isso a reutilização do espaço, aproveitando a necessidade que o União Desportiva Vilafranquense e o Alhandra têm de se expandir e com custos relativamente baixos. O complexo da antiga Escola nº 1 da Armada é composto por vários edifícios, entre os quais se encontra uma piscina, um pavilhão para a prática de desporto, e espaço para a construção de vários campos de futebol. Aliás, Rui Rei acredita que tal complexo vem ajudar ao desenvolvimento dos dois clubes, lembrando as atividades que ambos

Segurança em debate CDS de Azambuja vai debater o estado das estradas nacionais 366 e 3. Estas são vias de muito tráfego no concelho de Azambuja com a passagem de centenas de viaturas pesadas diariamente. O encontro que pretende alertar para o estado destas vias e para aspetos ligados à segurança, nomeadamente para o piso e sinalização, contará também com as associações de bombeiros locais e a delegação da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima. A iniciativa que terá lugar a 22 de outubro no Auditório do Valverde em Azambuja contará com a moderação do antigo secretário de estado da Administração Interna. João Almeida.

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têm relacionadas com os desportos náuticos e não só. O vereador diz que o facto de o Vilafranquense não poder crescer, “corta as pernas do clube” e acredita que mesmo com a compra do Campo da Hortinha por parte do Alhandra, a solução da Marinha “só ajudaria a potenciar ainda mais a atividade deste último”, defendendo que nesta matéria os dois clubes deverão estar de acordo. Nesse sentido, Rui Rei alude que esta é apenas uma questão de vontade política, pois defende igualmente, a título de exemplo, que o pagamento de perto de 300 mil euros por ano, por parte do município, isto no caso de o adquirir, “é perfeitamente suportável”, sublinhando mesmo que nota uma mudança de visão por parte do executivo liderado pelo socialista Alberto Mesquita sobre esta matéria.

Continua o debate em torno do aproveitamento da Armada Para o vereador, o executivo terá percebido a necessidade de tomar uma atitude urgente neste assunto “porque se não o fizer, ninguém o vai fazer. Aliás a “Marinha nunca devia ter sido fechada sem que

existisse uma estratégia de futuro”, defendendo que tal só reforça a ideia da Coligação que sublinhava que “as entidades públicas deviam ter tomado conta da Marinha”.

Para Rui Rei, o estado a que chegou o complexo é quase “criminoso” e por isso defende que “a Câmara tem de adquirir o espaço e colocá-lo ao serviço do público e da área desportiva”.


Dossier: Águas

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Caso “Cartágua”: A novela continua novela “Cartágua” continua a dar pano para mangas. Numa das últimas reuniões de Câmara, o vereador da oposição, Paulo Varanda, sentindo-se atingido por declarações que têm sido feitas pelo presidente da autarquia do Cartaxo, Pedro Ribeiro acerca da renovação do contrato assinado em finais do anterior mandato com a concessionária (quando Paulo Varanda era presidente da Câmara), desabafou sobre o rumo dos últimos acontecimentos. Ribeiro e Varanda acusaram-se mutuamente de “descaramento” e de “falta de transparência”. Confrontado pelo atual presidente da autarquia se estava consciente

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de que o novo contrato previa um aumento dos tarifários de cinco por cento ao ano durante seis anos, Paulo Varanda não negou desconhecimento, mas rapidamente passou ao ataque acusando Ribeiro de falta de transparência. Pedro Ribeiro lembrou uma nota de imprensa de Varanda no fim de mandato que garantia que os aumentos não iam além da taxa de inflação, e “onde até acusava o Bloco de Esquerda de querer lançar a confusão junto dos cartaxeiros”. Varanda retorquiu: “Isso é uma aldrabice pegada”. Foi também lembrada pelo atual presidente da autarquia “a reunião secreta que (Paulo Varanda) mante-

ve no final do mandato em que apenas alguns socialistas da sua ala foram convidados a estarem presentes para falarem da Cartágua”. “Isso é outra mentira, todos os eleitos foram convidados”; apressou-se a contrapor, o vereador, que no calor da discussão usaria ainda de termos como “carneiro mal morto”. O vereador refletiu ainda sobre o ponto de situação para referir que três anos volvidos não se avançou nas negociações, com a manutenção de um impasse, principalmente “quando existe um relatório ultimado” que a Câmara encomendou face ao que ficou escrito com a concesionária em 2013 que apa-

rentemente contradiz os valores acordados entre as partes, mas que Pedro Ribeiro ainda não mostrou. Não compreendendo o rumo deste dossier, concluiu - “A montanha pare sempre um rato, porque na prática nada se faz. No início do mandato até disse que ia levar este assunto a tribunal. Mas o senhor há três anos que não consegue solucionar esta matéria”. Varanda mostrou-se ainda preocupado com a “aparente inatividade” da comissão de acompanhamento das águas, que deve reunir-se periodicamente, e com caráter obrigatório, e onde têm assento representantes da autarquia e da Cartágua.

Ânimos subiram de tom

Oposição desconfia do plano de investimentos da “Águas da Azambuja” oi aprovado na última reunião de Câmara de Azambuja, 13 de setembro, o novo plano de investimentos da concessionária local, Águas da Azambuja, que prevê obras no abastecimento de água nas freguesias de Alcoentre, Aveiras de Cima, Aveiras de Baixo e Vale do Paraíso. A proposta mereceu críticas da oposição. Em comunicado enviado à nossa redação, a Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra estranha, entre outros projetos, que não exista

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um calendário para as várias empreitadas. O nosso jornal contactou a concessionária sobre esta matéria que telegraficamente se limitou a responder que “garantidos os necessários licenciamentos, perspetiva-se que os referidos investimentos num valor global superior a 2 milhões de euros venham a decorrer durante o período 2016/2017”. O Valor Local quis saber quais as ações a realizar e respetiva calendarização mas não obtivemos resposta

No entender da coligação, o plano apresenta “opções técnicas duvidosas na definição de alguns troços, nomeadamente na zona industrial de Aveiras de Cima Vale de Tábuas”. Por outro lado, “há dúvida quanto à titularidade de propriedade nos furos e estação elevatória de Casais da Areia”. A coligação está, ainda contra, a eliminação do reservatório das Virtudes. Por último, é referido que continua por aprovar o regulamento de serviços que de-

veria estar implantado há muito, bem como a necessidade de a autarquia acompanhar e fiscalizar as obras propostas pela concessionária. Também o vereador da CDU apresentou sérias dúvidas, em reunião de Câmara, quanto à estação elevatória de Casais da Areia que funciona a partir do reservatório do Cercal, e que passa a ser uma infraestrutura assumida pela ADAZ, depois de abandonada pela Águas do Oeste. No entender do eleito, estamos perante

um novo meio de captação de água, dentro do concelho, que pode significar poupança porque não recorre à captação em alta, e como tal os custos têm de ser menores e refletidos na tarifa aos munícipes. “Se a Câmara não tiver autoridade moral sobre a concessionária para exigir isso mesmo, deve demitir-se”, atirou. Ainda na proposta apresentada pelo município e m conjunto com a concessionária, prevê-se um novo plano de drenagem de

águas residuais domésticas da zona industrial de Azambuja. Aqui, a alteração ao inicialmente previsto resulta da necessidade de construção de rede ‘em baixa’ na Zona Industrial de Vila Nova da Rainha/Azambuja onde, à data de desenvolvimento do estudo prévio do plano de investimentos inicial, se previa a construção de rede pela entidade apenas em “alta”. A proposta será submetida à Assembleia Municipal.

População de Aveiras de Cima furiosa com Águas da Azambuja s sucessivas faltas de água na freguesia de Aveiras de Cima estão a levar a população local à beira de um ataque de nervos. Durante o mês de agosto sucederam-se três ruturas, que deixaram os municípes da freguesia sem água nas torneiras durante cerca de dez horas. Numa das últimas reuniões de Câmara, vários habitantes de Aveiras de Cima fizeram ques-

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tão de dar a conhecer o seu descontentamento, nomeadamente, o munícipe Luís Ricardo que mostrou uma garrafa com água turva e a ofereceu ao presidente da Câmara e vice-presidente que ficaram bastante desconfortáveis com o episódio. Segundo a população, a água corre barrenta durante vários dias após cada falta de água o que na prática significa que aca-

ba por servir para escassos usos, fazendo prolongar ainda mais o desespero dos munícipes. Outros munícipes deixaram também vincado o seu desespero como António Lavado que classificou o estado de coisas como “uma grande falta de respeito por parte da Águas da Azambuja”. “Estive desde as 9h da manhã às 9h da noite sem

Águas do Ribatejo ofereceu água da rede em espaços públicos ilhares de pessoas beberam água da torneira nos espaços públicos dos sete municípios que integram a Águas do Ribatejo (AR) durante os primeiros seis meses da campanha de promoção da água da rede pública. A empresa municipal instalou mais de meia centena de fontes nas suas unidades de atendimento e nos edifícios das Câmaras, centros de saúde, bibliotecas, centros culturais, quartéis de bombeiros e outros espaços do domínio das Câmaras que integram a AR. As feiras e festas da região também ofereceram água da rede aos milhares de visitantes. Nos dias de maior calor chegaram a ser oferecidos mais de mil litros de água fresca aos visitantes através das fontes instaladas nos certames. A campanha para a promoção do consumo da água da torneira por ser “mais saudável, mais económica e mais amiga do ambiente” arrancou a 22 de março, Dia Mundial da Água, e “foi pioneira no país” , segundo uma nota de imprensa da AR. “Tendo a região uma água de excelente qualidade e sistemas de abastecimento seguros, faz todo o sentido que as pessoas se habituem a beber a água da torneira. Esta campanha está a ter uma excelente adesão e acreditamos que através das crianças e jovens das escolas iremos sensibilizar as famílias para as vantagens destes bons hábitos”, refere Francisco Oliveira, Presidente do Conselho de Administração da empresa e Presidente da Câmara Municipal de Coruche. Os municípios que integram a AR ofereceram uma garrafa personalizada a todos os alunos das escolas do 1º ciclo no Dia Mundial da Criança com o objetivo de estimular o hábito de levar a garrafa de água para a escola e para as atividades desportivas, culturais e lúdicas.

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água. Telefonei para o piquete das água e ninguém me atendeu. Chegaram a dizer que o problema em Aveiras era muito grave e de difícil resolução. E só este mês paguei 40 euros”, juntou a munícipe Fernanda Agostinho. Por tudo isto, o munícipe Justino Oliveira concluiu: “Gostaria de saber como podemos ser ressarcidos ou indemnizados pela falta de serviço”, tendo em conta que a lei prevê isso mesmo. O presidente da Câmara Luís de Sousa respondeu que está neste momento pronta para sair do papel uma obra de grande envergadura da concessionária local, e que deverá avançar até final do ano destinada a fazer face ao problema. O autarca adiantou ao nosso jornal em maio que está previsto um investimento de um milhão de euros que visa melhorar o abastecimento, “ e que corresponde ao valor que estava no caderno de encargos da concessão”, “talvez seja um pouco mais elevado, mas não significativamente, isto porque vão fazer a rede em tubagem gravítica ao invés de bombagem”, referiu

Presidente recebeu garrafa com água turva o autarca. A empresa propõe-se melhorar entre outras zonas, a do abastecimento à zona industrial de Aveiras de Cima, Alcoentre, e Quebradas, mas sem necessidade de recorrer à construção de um depósito como chegou a estar previsto. De acordo com o presidente da Câmara, “ a rede tem sofrido remendos, e o que se pretende agora é uma obra nova que atravesse estas freguesias”. O presidente da junta de freguesia de Aveiras de Cima, António Torrão, ouvido pelo Valor Local diz que essa obra é uma promessa que já deveria estar concretizada, mas que a empresa andou a empurrar com a barriga, pois desde há muito se sabe que a rede de Aveiras de Cima urge por uma substituição.

Águas da Azambuja diz que investimento está para breve Contactada a Águas da Azambuja pelo nosso jornal, a concessionária refere que a avaria no sistema adutor de abastecimento de água à freguesia de Aveiras será alvo de uma reabilitação a curto/médio prazo, mas não se compromete com datas, apesar de salientar que as ações conducentes a tal já estão a ser tomadas. O Valor Local quis saber por que razão esta obra que já estava prevista, não foi efetuada passados sete anos da concessão, mas a empresa não respondeu a esta questão. O investimento previsto para o local vai no entender da ADAZ permitir ultrapassar os constrangimentos verificados, e melhorar o desempenho do sistema de abastecimento


Valor Local

Educação

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Escola nova em Vialonga inaugurada com recados ao ministro ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues inaugurou no passado dia 15 de setembro a nova escola básica de Vialonga, numa iniciativa que marcou a abertura oficial do ano letivo no concelho de Vila Franca de Xira. Este novo equipamento custou cerca de dois milhões de euros, inserindo-se na “estratégia municipal de conferir as melhores condições ao parque escolar da sua responsabilidade”, segundo uma nota do município de Vila Franca de Xira. Ao governante foram também lembradas algumas lacunas em outras escolas, responsabilidade do Governo Ao todo, o novo edifício em Vialonga poderá receber cerca de duzentos alunos e é composto por dois pisos com doze salas de aulas, duas salas de educação pré-escolar e uma sala de ATL. Para além das salas de aula, o complexo é ainda composto por um refeitório que permite “assegurar o serviço de refeições a todos os alunos” bem como uma sala polivalente, biblioteca escolar, gabinete médico, gabinete de atendimento e salas para o pes-

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soal docente e não docente. A nova escola que se pretende inclusiva tem ainda no exterior zonas para criação de hortas pedagógicas, campo de jogos, recreio livre e parque infantil. Quanto ao desporto, este poderá ser ministrado no pavilhão municipal contíguo. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, destacou durante a inauguração a importância do equipamento. O autarca referiu que “esta é uma escola com magníficas condições que vai proporcionar aos seus alunos um espaço privilegiado para o ensino e aprendizagem”, vincando igualmente que esta era “uma ambição antiga agora concretizada”. Alberto Mesquita destacou, igualmente, que esta obra, com o custo de dois milhões e cem mil euros, só foi possível graças à aprovação de uma candidatura aos fundos comunitários “fazendo parte da estratégia de modernizar, modificar, qualificar e alargar a rede escolar e pré-escolar da responsabilidade do município”. Todavia o autarca aproveitou também a presença do ministro

para informar da necessidade de intervir em algumas escolas 2/3 e secundárias de forma prioritária, já que estas são da responsabilidade do Governo Central. Alberto Mesquita vincou a necessidade de uma intervenção na básica 2/3 de Vialonga, e nas escolas secundárias Aristides Sousa Mendes na Póvoa de Santa Iria, Soeiro Pereira Gomes em Alhandra, Alves Redol em Vila Franca de Xira, e na do Forte da Casa. Para o Presidente da Câmara, estas são intervenções importantes, mas não é menos importante “que sejam retomadas com a maior rapidez as obras da Escola Gago Coutinho em Alverca” que se encontram paradas há vários anos. O ministro da Educação que não falou aos jornalistas, assumiu na sua intervenção que ainda faltam novas escolas destacando que é pensamento no seu ministério que “enquanto existirem escolas velhas e não apenas escolas antigas, precisaremos de novas escolas e de escolas modernas como esta”, salientando, ainda, que esta é uma questão que se

Visita do ministro marcou a cerimónia alarga a todos os graus de ensino. Ao todo o município de Vila Franca de Xira prepara-se então para gastar cerca de seis milhões de euros só na Educação. Um valor

que já inclui a verba gasta com este novo equipamento. Este é um valor que abrange igualmente outras áreas como são os casos das obras de manutenção nas escolas, oferta de

manuais e cadernos de atividades, renovação de equipamento educativo e informático, ação social escolar, atividades de enriquecimento curricular e pessoal não docente.

Arranque do ano letivo em Azambuja com a entrega de material didático abertura do ano letivo 2016/17 em Azambuja foi assinalado com a entrega formal de Kits de material escolar a alguns alunos, no dia 15 de setembro. O local escolhido pelo presidente

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da Câmara, Luís de Sousa, foi a Escola Básica de Aveiras de Cima. O autarca foi recebido pela diretora do agrupamento local, Teresa Valente, que aproveitou a pre-

Oferta de novo material escolar aos alunos

sença do responsável pela gestão do concelho para dar a conhecer algumas necessidades da escola, o que levou a que Luís de Sousa fizesse uma demorada visita ao recinto, tomando nota

de alguns elementos pedidos pela direção da escola, como a construção de uma rampa para cadeiras de rodas de acesso ao pátio. Num total de 2700 alunos, 430 recebem o Kit escolar oferecido pelo município, beneficiários da ação social escolar enquadrados nos escalões 1 e 2 da Segurança Social. Só na Escola Básica de Aveiras de Cima, a câmara entregou 45 kits compostos por material escolar e didático. O munícipio consagrou 16% do orçamento municipal para a educação. Ainda neste arranque de ano letivo, urgem também algumas obras que terão de ser forçosamente rápidas para não prejudicar o funcionamento das aulas. Em Aveiras de Cima, o município já deu início, por exemplo, aos trabalhos de construção de uma portaria. O objetivo é permitir que

os autocarros que deixam as crianças na escola o possam fazer com mais segurança, e ao mesmo tempo desimpedir o trânsito em horas de ponta. No futuro, o autarca esclareceu ao Valor Local, que o município pretende adquirir uma parcela de terreno para que o trânsito possa circular de outra forma, sem que os autocarros tenham de voltar para a estrada principal de acesso à escola. Câmara de Azambuja e Junta de Aveiras de Baixo oferecem livros A Junta de Freguesia de Aveiras de Baixo vai oferecer livros de fichas aos alunos da freguesia que estudam no concelho de Azambuja do segundo ao quarto ano. Carlos Valada explicou ao Valor

Local que esta iniciativa que terá um custo de cerca de 500 euros vai abranger cerca de 18 alunos daquela freguesia. O presidente da junta destaca que nesta oferta não se encontram os alunos do primeiro ano, já que neste caso, o Estado e a Câmara Municipal de Azambuja fazem esse papel. O autarca esclarece que este “é mais um apoio que damos às famílias da nossa freguesia e portanto o custo que tem é para nós relativo, pois acho que o bem que estamos a fazer é superior”. Já o Município de Azambuja faz a oferta de livros de fichas aos alunos do primeiro ano de todo o concelho, do primeiro e segundo escalão. O financiamento é total e o valor é pago diretamente às papelarias, mediante apresentação de requisição emitida pela autarquia.


Negócios com Valor

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Valor Local

Clinica NES no Cartaxo com vasta gama de produtos naturais ituada na Rua Batalhoz bem no centro da cidade do Cartaxo, a clínica NES já habitou os seus clientes à qualidade das suas terapêuticas e produtos. A clínica que nasceu há poucos meses, começou há oito anos com uma parceria com outra empresa, o que segundo Rute Santos, proprietária, possibilitou a aquisição de mais “experiência e conhecimento” já que se tratava de uma marca multinacional, a mesma que “nos permitiu evoluir para uma marca própria, a clínica NES”. Ao Negócios Com Valor, Rute Santos explica: “Como a nossa empresa estava ligada a um parceiro maioritariamente focalizado em planos de emagrecimento, percebemos que teríamos de evoluir para satisfazer outras necessidades para as quais estávamos a ser solicitados diariamente pelos nossos clientes”. E assim nasceu a clínica NES Nutrição Equilíbrio e Saúde, que disponibiliza agora uma maior variedade de produtos e terapias, não só relacionadas com a nutrição mas com todas as patologias em geral. Rute Santos salienta que esta nova marca permite comunicar uma nova abrangência de servi-

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ços, que antes não era possível, não só no campo da nutrição, mas também ao nível de outras terapias. Quanto ao público-alvo, Rute Santos salienta que a “está preparada para acompanhar qualquer tipo de clientes, dos 8 aos 80 anos, com planos totalmente personalizados e adequados às diversas idades”. No acompanhamento infantil, ou a um público sénior, a clínica conta com “a ajuda fundamental de suplementos naturais, também estes adequados às diversas faixas etárias”. Com um público bastante variado, a clínica NES tem clientes maioritariamente do concelho do Cartaxo, “mas recebemos igualmente pessoas do concelho de Azambuja, Santarém e Almeirim”. Por outro lado, destaca Rute Santos, “temos também clientes residentes em Lisboa que preferem este meio mais calmo para realizar as suas compras e descansar da azáfama da cidade” vincando que “esta tendência de clientes oriundos da capital é crescente, e verificamos que ficam satisfeitos por terem um acompanhamento mais personalizado e com custos mais baixos”. De acordo com a responsável pela

Rute Santos e Marisa Santos- os rostos da NES clínica, esta pretende ser uma referência em acompanhamento alimentar, dietas de emagrecimento, “evidenciando uma preocupação acrescida com a saúde e o bemestar físico e mental dos nossos clientes”. Para tal existe “um acompanhamento personalizado e uma vasta oferta de produtos naturais e terapias inovadoras”. Rute

Santos explica ao Negócios Com Valor “que este novo conceito na área da saúde e bem-estar posiciona-se pela credibilidade dos nossos produtos naturais exclusivos e de outras marcas representadas” e por isso oferece aos seus clientes “terapias naturais e inovadoras, ministradas por especialistas e com efeitos devidamente

comprovados”. Rute Santos vinca que no capítulo dos produtos naturais, a clínica NES representa em exclusividade a marca “Mercearia dos Chás” produzidos em Portugal, selecionados e embalados por métodos tradicionais garantindo desta forma “uma maior pureza das plantas medicinais”.

E numa altura em que as pessoas procuram medicação mais saudável, Rute Santos tem notado isso mesmo. Para a clínica “os fármacos são cada vez mais substituídos por suplementos naturais, porque estes não apresentam efeitos secundários e não causam dependência”. Neste sentido, “os nossos clientes procuram sobretudo, suplementos naturais para emagrecimento, colesterol, diabetes, problemas digestivos, hepáticos, intestinais e também a nível da parte emocional, memória e concentração” salientado que “para além destes suplementos, também notamos uma maior procura de alimentos que garantam refeições mais saudáveis, tais como barritas de cereais, bolachas diversas, tostas, cereais, compotas e outras”. Rute Santos explica, igualmente, que com esta nova marca “estamos a disponibilizar atualmente outras especialidades” indicadas para “controlo do peso, distúrbios alimentares, onde se incluem: anorexia e a bulimia. A clínica dispõe ainda de tratamentos de medicina quântica, homeopatia, reflexologia, osteopatia, massagem, shiatsu, psicoterapia e rejuvenescimento facial”.


Valor Local

Ambiente

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Governo não quer ser a areia na engrenagem na recuperação das zonas ribeirinhas de Azambuja recuperação do esteiro de Azambuja, do Palácio da Rainha, e da Praia do Tejo são questões que têm estado na agenda autárquica. Nesse sentido os autarcas, convidaram no início do mês, o secretário de Estado do Ambiente Carlos Martins para visitar estes locais e inteirarse dos projetos de recuperação. Depois de uma demorada visita aos locais e de ouvir as explicações dos autarcas, o governante não se quis comprometer com quaisquer ajudas, mas salientou que também não pretende “ser a areia na engrenagem para projetos e vontades”. (Até porque em tempos a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo teve fama de vetar tudo o que era projeto turístico para este género de locais ribeirinhos). Em declarações ao Valor Local, Carlos Martins destacou que os projetos são exequíveis mas têm de ser feitos com rigor. O responsável diz que é necessário “identificar verbas, porque há necessidade de financiamento”, deixando em aberto que podem ser

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custeados através de fundos nacionais ou comunitários. Carlos Martins diz que é necessário verificar “ se é possível e quanto está disponível, tendo em conta também um calendário de fundos da própria autarquia”. Nesse sentido, o secretário de Estado reiterou “que estamos muito empenhados em trabalhar com o município na secretaria de Estado aqueles que são os legítimos anseios da autarquia”. Carlos Martins deixou ainda alguns conselhos à Câmara de Azambuja sobre a praia fluvial da Casa Branca. O espaço que foi alvo de uma intervenção de fundo no início de 2000, está hoje completamente abandonado e vandalizado. No início, existiu mesmo um bar que era explorado por um privado, mas a concessão não correu bem e levou à degradação do espaço afastando ainda mais os azambujenses das idas à Casa Branca. Neste campo, o secretário de Estado lembrou os avanços e recuos do projeto, mas re-

feriu que “às vezes é preferível um concessionário a operar uma estrutura destas a custo zero ou mesmo a receber incentivos para isso”. É por isso “importante

aprendermos com os erros”. Já Luis de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, agradeceu o apoio do governante, vincando que a sua presença em

Azambuja constituiu uma maisvalia para as intenções do município nesta área. O autarca garantiu que os projetos vão mesmo avançar. Alguns com verbas

Carlos Martins foi ao terreno ver o estado das zonas ribeirinhas

próprias como é são os casos da limpeza do esteiro e a construção da ciclovia. Quanto ao Palácio e à Casa Branca vão ficar a aguardar.


Destaque

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Valor Local

Objetivo Unesco para as tradições da região ¢ Sílvia Agostinho ortugal é um dos países com um maior número de bens inscritos como património material da Unesco, e parece querer seguir o mesmo caminho na categoria de bens consagrados como Património Cultural e Imaterial da Humanidade. Um pouco pelo país abundam diferentes candidaturas e a região não foge à regra. “Cantar e Pintar dos Reis”; “Fandango”; “Falcoaria” e “Cultura Avieira” desejam juntar-se como bens da Unesco ao cante alentejano, à dieta mediterrânica, ao fado e ao chocalho. É uma candidatura de um concelho mas também de toda uma região. A dança folclórica e tradicional Fandango tem na opinião de responsáveis, e dos seus intérpretes todas as condições para ser elevado à categoria maior do reconhecimento universal; e como tal almejar o símbolo de qualidade da Unesco. Este é um desiderato que irmanou os diversos ranchos folclóricos do Cartaxo, o município que tem a coordenação da candi-

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datura, que falam e já agora dançam no mesmo compasso. Para Pedro Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo, que teve a ideia de fazer esta candidatura, a qual foi de imediato acolhida por parte da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo expressa que “o fandango é a expressão que melhor identifica a nossa cultura e as nossas raízes”, sendo ainda “uma das expressões mais acarinhadas pelas pessoas da nossa região”. Ingredientes mais do que suficientes na sua opinião para levar a cabo esta empreitada. O autarca recusa protagonismos, e mesmo quando se lhe coloca a questão de que outros projetos, como o dos avieiros, terem salientado, a dada altura, que a entidade de turismo lhes quis roubar esse mesmo protagonismo, não se sente incomodado com tal perspetiva. O concelho do Cartaxo distinguese pela “singularidade” de todas as freguesias possuírem o fandango no seu repertório, quer na sua ma-

nifestação mais tradicional, quer assumindo outras nuances. Todos os grupos possuem um especial orgulho por serem representantes desta dança quando vão a espetáculos fora da região, nomeadamente no Norte, onde atuam na maioria das vezes. A continuidade da tradição do fandango não será problema no que ao concelho do Cartaxo diz respeito, apesar de alguns grupos se debaterem com problemas de rejuvenescimento dos seus elementos. “Penso que esta candidatura será decisiva para o salvaguardar deste património”, não tem dúvidas, Pedro Ribeiro. Um dos próximos passos da candidatura prende-se com a escolha do coordenador científico, que está a ser articulada com a ERT. Alguns nomes já foram contactados, nomeadamente através da Federação Portuguesa de Folclore, aguardando-se para breve uma reunião com o ministro da Cultura. Pedro Ribeiro enfatiza ainda a perspetiva de contacto com os de-

Autarquia e ranchos unidos pelo mesmo objetivo mais concelhos com tradição nesta dança, “envolvendo os respetivos presidente de Câmara”. Para o autarca, esta não tem de ser vista como uma candidatura contra o preconceito que alguns terão em relação ao folclore: “Só amamos o que conhecemos, e muita gente não conhecerá o fandango, por isso espero que esta candidatura também possa abrir essa janela”. Para já não existem calendários quanto ao que se pode seguir, nem prazos quanto à elaboração do dossier técnico, até porque ainda falta escolher o coordenador científico. “O mais importante para já é conhecer as nossas raízes, a etnografia da nossa região.” A candidatura do fandango a património da Unesco tem servido para uma intensificação de esforços por parte dos ranchos folclóricos do concelho do Cartaxo em torno deste objetivo. Dina Lopes, portavoz, do Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa do Povo de Pontével diz mesmo que se notava alguma desunião, mas que com esta ideia de um dia poderem vir a receber a chancela da Unesco, os vários ranchos acabam, nesta altura, por remarem todos para o mesmo lado. “Foi com muita alegria que recebemos esta notícia porque o folclore anda esquecido, e normalmente é falado de forma pejorativa”; junta o representante do Rancho Folclórico da Casa do Povo da Ereira, ouvido nesta reportagem, Nuno Franco, que faz parte também das novas gerações do folclore no concelho. Para os vários elementos dos grupos folclóricos do Cartaxo, o fandango tem “uma mística muito própria”, e é sempre uma felicidade quando conseguem mostrar a mestria dos seus passos de dança onde atuam, quer seja no norte ou até no estrangeiro. Como o fandango não há igual, “e só uma vez é que vi algo parecido com o nosso fandango do meio alqueire, dançado por um grupo russo”, conta Carlos Albuquerque do Rancho Folclórico “Os Campinos” de Vila Chã de Ourique. Esta freguesia abraçou um tipo de fandango

muito particular, mais técnico, trazido para a localidade por “uma personagem ligada ao universo dos ranchos”. “Esta variante é dançada em cima do meio alqueire, e a mulher transporta uma garrafa na cabeça ao mesmo tempo que dança”, refere Carlos Albuquerque. Atualmente o grupo tem dois pares de fandanguistas, num total de 27 elementos do rancho. O Rancho Folclórico Ceifeiras do Porto de Muge, Valada, conta também com dois pares de fandanguistas, e Rui Martins, representante deste grupo, refere que chegaram a ter uma das melhores cantadeiras , “a dona Maria Margarida a quem envio desde já um beijinho”. Quanto à candidatura do fandango não se afirma muito esperançado mas prefere não tecer muitos comentários. Tem sido difícil o rejuvenescimento do rancho, “pois antigamente integrar um grupo destes era uma maneira que as pessoas tinham de passear e irem para os bailaricos e hoje isso não acontece, qualquer um pode ir a uma discoteca mais próxima”, refere o representante de Vila Chã de Ourique. “É muito difícil existir uma continuidade no nosso rancho, estamos com dificuldades em encontrar pares. Pensámos em contactar as escolas e talvez conseguir trazer crianças na faixa etária dos cinco até aos dez anos que possam assegurar a longevidade do grupo”, dá a conhecer Carlos Albuquerque. “O mais fácil é mobilizar os nossos filhos, e os seus amigos, porque quando falamos de pessoas que nada têm a ver com o folclore torna-se difícil trazê-las para o rancho”, acrescenta Dina Lopes. Para outros ranchos também não é tarefa fácil conseguir assegurar que mais se juntem, mas em algumas localidades não se pode dizer que o fandango e o folclore em geral não se encontre de boa saúde, e com intérpretes assegurados para o futuro como é o caso de Vítor Fernandes, do Rancho Folclórico de Vale da Pinta, 33 anos – “Tem existido algum rejuvenescimento, novas gerações têm crescido no nosso grupo. No fundo so-

mos uma família”. Com a candidatura do fandango a património da humanidade, o sentimento partilhado entre o grupo é de “muito agrado”, porque significa “a manutenção dos nossos costumes e tradições”. Este rancho tem quatro fandanguistas, que adotaram o fandango dito tradicional, ou ribatejano, “em que todos o dançamos de forma mais ou menos diferente, com algumas variações”, que na sua opinião enriquecem a apresentação do grupo. Nuno Franco, o mais novo dos fandanguistas com quem falámos, com apenas 18 anos, conta que para si estar no rancho é algo especial, apesar de os pais não terem “achado muita piada” ou de os amigos “considerarem que isto é uma seca”. “Um dia experimentei e gostei”. No rancho da Ereira, cinco homens dançam o dito fandango ribatejano, bem como o do vara pau. “Ainda podemos vir a colocar o fandango do bairro no nosso repertório porque etnograficamente é correto”, diz. Uma das freguesias onde o fandango se encontra mais vivo é em Pontével, onde 15 pares dançam desde o ribatejano, ao do meio alqueire, passando pelo do bairro. “Foi-nos tirada a designação do fandango do vara pau porque segundo a federação, o nome correto será o de Jogo do Pau, que se fazia nos bailes e nas tabernas quando havia disputas”. Ouvido pela nossa reportagem, o presidente da ERT, Ceia da Silva, refere que este processo de candidatura do fandango ainda demorará o seu tempo natural, “até porque o cante levou cinco anos a ser considerado como património cultural e imaterial da Unesco”. “Fizemos para o fandango uma candidatura ao Portugal 2020, e estamos numa fase de recolha e de estudo acerca desta tradição”. Na sua opinião, e até porque integrou dois comités da Unesco, “o fandango tem todas as condições para alcançar o estatuto em causa, não apenas enquanto dança, mas porque faz parte de uma cultura mais vasta em que se insere, por exemplo, o touro e o campino”.


Valor Local

Destaque

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Candidatura da Cultura Avieira tenta colar cacos depois dos reveses

candidatura avieira a património nacional surgiu em 2005, e de lá para cá sofreu diversas reviravoltas. Pelo meio, surgiu também a ideia de ser candidatada a património da Unesco mas pouco se tem sabido deste processo. Enquadrada no Instituto Politécnico de Santarém, viu sair nos últimos tempos um dos principais rostos do projeto que liderou durante vários anos as duas candidaturas, João Serrano, que entretanto decidiu abraçar a mesma causa mas no âmbito da Confraria do Tejo. O estudioso que também teceu duras críticas à Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, tendo em conta que “a dada altura quis à viva força ficar com a candidatura e açambarcar o protagonismo”. João Serrano comparou mesmo, em declarações ao nosso jornal, em agosto de 2015, a atitude da ERT “a um elefante numa loja de vidros”. Ouvido pela nossa reportagem para este trabalho, o presidente da ERT, Ceia da Silva, tenta desmistificar essa ideia: “Nunca tentámos açambarcar a candidatura, mas apenas disponibilizar a nossa ajuda, até porque em termos de apresentação à Unesco, tudo ainda estava e continua a estar no seu início”. Lurdes Véstia, do Instituto Politécnico de Santarém, refere que chegados a 2016, e depois de muito caminho percorrido, nesta altura a candidatura a património nacional apenas inclui a bateira, o barco dos avieiros, por ser “o único elemento aglutinador que pode ser

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Cruzeiro do Tejo é um dos acontecimentos avieiros do ano incluído como tal, por ainda se manter vivo entre as populações, porque ainda é construído”. Foi escolhida a aldeia das Caneiras, Santarém, e depois de um estudo feito no terreno concebeu-se um “Plano de Salvaguarda das Artes e Saberes da Construção e Uso da Bateira Avieira no Rio Tejo nas Caneiras Santarém” no final de 2015. Depois desta fase, o Instituto Politécnico tem de manter viva esta tradição durante um prazo de avaliação de 10 anos, “através da divulgação nas escolas, mas também através da promoção de formação profissional na componente da construção da bateira”. Segundo Lurdes Véstia, “a candidatura está comprometida em aplicar no terreno o trabalho necessário, para que não aconteça o mesmo que sucedeu com a candidatura do gótico de Santarém em que nada se fez e acabou por morrer, porque o caderno de encargos,

nestas coisas, tem de ser cumprido”. Paralelamente, decorre a candidatura avieira a património da Unesco neste momento nas mãos da ERT, “embora o proponente seja o Instituto Politécnico de Santarém, a instituição que aparece e que tem de aparecer sempre nesta linha da frente”, refere Lurdes Véstia. Para a investigadora, a assunção desta candidatura pela entidade “é natural”, e sobre o mau estar que terá provocado junto de João Serrano, admite que o mesmo possivelmente “vê inimigos onde eles não existem”. E saúda o que considera ser uma outra abertura por parte de Ceia da Silva, em relação aos seus antecessores na estrutura do Turismo – “Um homem de terreno que veio várias vezes ver a aldeia, que se interessou imenso pelo projeto, e que se reuniu por diversas ocasiões com responsáveis do Politécnico. Sem-

pre se mostrou interessado em ajudar a candidatura, e não a ficar com ela”. No âmbito do projeto turístico que envolve o património avieiro, uma equipa contratada pela ERT está também a planificar um plano de marketing para venda deste produto, “como já o fizeram para o cante e para o chocalho”. “Segundo o que me explicaram a ideia é trazer o turista às nossas aldeias e depois partir com eles para o Alentejo onde vão conhecer o cante, e outras tradições”. Para a história desta candidatura, ficam os diversos projetos turísti-

cos que ao longo dos anos foram falados, mas que acabaram pulverizados no mar das boas intenções. “Inclusivamente houve um empresário que se mexeu imenso para construir um hotel palafítico no Escaroupim mas foi sempre barrado, porque a Câmara nunca quis ajudar. Sei que ele penou horas e horas nas repartições”. “Houve dificuldades impostas pelas autarquias. Os planos de pormenor esbarravam nas limitações ecológicas inerentes, porque ficavam dentro de zonas ribeirinhas. Tudo isto cansou muito as pessoas”. A CCDR de Lisboa foi um dos principais travões, “com a qual era impossível negociar, pois nunca deixaram que nada andasse para a frente”. O projeto agora em desenvolvimento pela empresa contratada pela ERT não tem o mesmo grau de ambição, até porque os empresários que alguma vez sonharam com projetos à beira rio foram progressivamente desistindo, “apenas houve um de turismo rural que consegui vingar na Golegã”. Quanto ao dossier técnico a apresentar à Unesco, “será efetuado por uma nova equipa também contratada pela ERT, que absor-

verá todo o trabalho que foi feito até à data”. A documentação será entregue até ao final do ano. Lurdes Véstia afirma-se “satisfeita” com o curso do projeto, embora reconheça que o mesmo “esteja a assumir uma vertente mais comercial, mas possivelmente a vertente cultural dá menos dinheiro, e as coisas passam um pouco pela vertente financeira”. “Mas se as coisas tiverem de ser assim, antes desta forma do que nunca mais”, desabafa. Ouvido pela nossa reportagem, João Lobo, um dos avieiros do Tejo, lamenta a saída de João Serrano do projeto da instituição académica, e não deixa de expressar que a candidatura já teve mais expressão do que hoje, embora refira que ainda não perdeu a esperança. “Contudo vejo as coisas muito paradas, vamos lá ver…”, deixa no ar. O Valor Local contactou João Serrano que preferiu não se debruçar sobre os acontecimentos que motivaram a sua saída do projeto do IPS. Não deixou de criticar a ERT por “surripiar” o projeto, falando ainda em motivos políticos por detrás do seu afastamento do instituto politécnico.


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“Pintar e Cantar dos Reis” de Alenquer é tradição com mais de 100 anos odos os anos a tradição é cumprida, na noite de cinco para seis de janeiro. Várias populações do concelho de Alenquer celebram “Pintar e Cantar dos Reis”. Sem ensaios ou combinações elaboradas, os grupos juntam-se espontaneamente e partem pelas ruas das respetivas povoações. Os membros que vão pintar seguem à frente e, em silêncio, munidos das tintas, pincéis e lanternas pintam as fachadas, os muros e as entradas das casas com os tradicionais desenhos dos Reis. Mais atrás seguem, em maior número, os cantores. É assim em Catém, Casal Monteiro, Ota, Abrigada, Olhalvo, Pocariça, Mata e Penafirme, Cabanas de Torres e Paúla. Lúcio Carvalho é um dos reizeiros da Ota, e explica que nesta localidade parte da simbologia associada à tradição assenta nos votos de boas festas, (e mostra uma roseta com inscrições a dizer BF e o respetivo ano desde 2012 até 2015), mas também na importância do ritual do enamoramento e por consequência do casamento. Os habitantes locais, neste caso os que aderem à tradição, dirigem-se às casas das moças solteiras e desenham símbolos diferentes consoante sejam ou não comprometidas. “Quando chegamos a uma casa, onde sabemos que mora uma menina dos seus 12 aos 14 anos, pintamos um coração a florir, mas quando já é mais velhinha e namora, passando à condição de moçoila casadoira, pintamos novamente o coração

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Vereador Rui Costa e Lúcio Carvalho dão a conhecer tradição mas com a seta do cupido atravessada”, refere o reizeiro. Conta Lúcio Carvalho que “nada disto é feito com malícia nem com a intenção de interferir na vida privada” das raparigas da terra. “O símbolo apenas traduz a realidade do que se passa, não lhe atribuímos qualquer picantezinho”, enfatiza. A memória desta tradição perdese no tempo, e Lúcio Carvalho, 77 anos, ainda se lembra de ser cultivada no tempo do seu avô. (A tradição pode estar ligada, entre outros aspetos, à presença dos franciscanos no concelho “que trouxeram esta representação do Auto dos Magos” que incluíam desfiles e peditórios pe-

las ruas. De alguma forma também se pode associar os desenhos pintados pelos reizeiros nas casas “aos antigos rituais romanos de bênção do giz e das casas”). “Em condições precárias, esses homens de antigamente cumpriam o ritual depois de terem passado um dia inteiro a trabalhar no campo, e havia sempre alguém que lhes dava um cálice e um frito para comer durante a jornada dos Reis”, recorda-se, avançando que “hoje em dia as mesas são faustosas, e temos de tudo para comer e beber como se fosse um casamento”. Isto porque a tradição também passa por os reizeiros serem recebidos nas casas dos

moradores que os contemplam com mesa farta. “O nosso espírito é de confraternização dentro da liturgia dos reis”. E esta liturgia passa também por serem ouvidos a cantar de luzes apagadas, como que intensificando o momento. Durante alguns anos, o “Pintar e Cantar dos Reis” andou “um pouco titubeante”, mas mais recentemente renasceu, também com a adesão de vários jovens das localidades. A intenção do município de consagrar este ritual tão próprio a património nacional, e no futuro apresentar uma candidatura à Unesco, fez reavivar o coração dos reizeiros. O grupo da Ota está em “grande comunhão” com o projeto que quer fazer da tradição património nacional, (será submetido ainda este ano à Direção Geral do Património e Cultura), e quem sabe um dia mais tarde da Unesco. Projeto para um Centro de Interpretação da tradição

A roseta é um dos símbolos dos Reis

Neste âmbito, o vice-presidente da Câmara de Alenquer, Rui Costa, reforça que uma das intenções da candidatura deste património na vertente nacional e na da Unesco pressupõe a salvaguarda do mesmo, incutindo “nas próprias comunidades esse sentimento de ser algo muito próprio e significativo”. “Desde 2013, o grupo de reizeiros do concelho tem-se renovado, com uma participação ainda mais interativa com as populações em algumas ações pontuais que se vão fazendo ao longo do ano”.

Cerca de 300 pessoas dedicarse-ão à tradição, “sendo que notámos um acréscimo de jovens a aderirem a esta noite”. Recentemente, a autarquia deu a conhecer um estudo levado a cabo sobre esta tradição que resultou na publicação de um livro e a criação de 11 documentários vídeo (um geral, com cerca de 50 minutos e dez respeitantes às localidades onde a tradição se mantém, com cerca de seis minutos cada). Foi ainda considerado o “Pintar e Cantar dos Reis” como património de interesse municipal. O autarca considera que uma vez submetida à Unesco, esta candidatura, a mesma abarca os diversos critérios exigidos como o facto de dizer respeito a um património que tem evoluído, “embora em cada comunidade o princípio seja sempre o mesmo”. “Existem algumas diferenças quanto às letras e aos símbolos pintados”, explica. “Temos uma candidatura muito sólida com documentos escritos e ainda em suporte vídeo que pensamos possa vir a dar a quem a analisar a possibilidade de ter os elementos suficientes para a distinguir”, refere o vereador quanto às fases posteriores que o processo exigirá. Para Rui Costa não há pressa neste caminho, e salienta que a Câmara pretende criar um Centro de Interpretação do “Pintar e Cantar dos Reis”, em Alenquer. Sendo que para tal se candidatou ao programa “Tradições” da Fundação Edp. O projeto contempla ainda a criação de “um vasto conjunto de sinalética a espalhar por todo o concelho”.

No entanto, a intenção não será a de massificar o evento, pelo menos na noite em que o mesmo se celebra, “pois a tradição é de todo incompatível com grandes movimentos turísticos”. Para José Barbieri da Cooperativa Memoria Media encarregue da elaboração do trabalho técnico que será mostrado à Unesco, e que já produziu diversos vídeos e um livro de dedicado a este património, sublinha que o “Pintar e Cantar dos Reis” e a possibilidade de ser bem-sucedido dependerá do envolvimento das populações e da importância que lhe atribuem”, embora “estejamos a falar de processos longos, pois neste momento está a demorar cerca de dois anos”. “Para nós trabalhar com estas comunidades foi muito gratificante”, sublinha. Por este ser um património vivo entre as comunidades que o expressam todas as noites de cinco para seis de janeiro, tal pode vir a ser um dos predicados com mais impacto junto da Unesco, “porque não se classifica nada que já não seja praticado, ou que possa ser apenas fruto de uma recriação de algo que houve em tempos”, salienta o investigador. O facto de “as pessoas se reconhecerem nesta celebração, bem como a circunstância de não se realizar em mais sítio nenhum nem no país nem no estrangeiro é outro dos pontos favoráveis”. Chamou, ainda, a atenção da Memoria Media, “a recuperação de práticas muito antigas quanto aos sinais pintados nas paredes”. A lista da Unesco que consagra aspetos da cultura dos povos como Património Cultural e Imaterial da Humanidade “respeita a ideia da luta contra a globalização no sentido da proteção dos traços identitários de determinada região ou comunidade”, e “isso é que garante a diversidade e a riqueza entre nós seres humanos”. O especialista diz que muitas vezes esta natureza da distinção tenta ser pervertida, um pouco por todo o mundo, com a apresentação de candidaturas que não cumprem minimamente os requisitos atendíveis pela Unesco “como já tem sido o caso de propostas para tachos de metal em que se percebe que o intuito é meramente comercial, e não tem nada a ver com tradições locais”, mas também são rejeitadas “tradições que entrem em choque com os direitos humanos”. Em Portugal “as recreações são as mais rejeitadas, ao estilo das famosas feiras medievais”.


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Falcoaria de Salvaterra pode ser património da Unesco já em novembro alvaterra de Magos é a capital nacional da falcoaria desde 2014, e espera inscrever o seu nome na lista de cidades em todo o mundo cuja arte falcoeira é património cultural e imaterial da Unesco. A falcoaria é uma modalidade de caça praticada em Portugal desde o século XII e assinalada no território desde a fundação da nacionalidade. A sua prática manteve-se, em grande parte, inalterada ao longo dos séculos. Foi também a falcoaria que contribuiu para a fixação da família real durante longos períodos no concelho de Salvaterra. Promover este património é o principal objetivo da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos. O edifício da falcoaria está aberto ao público, podendo quem ali se desloca apreciar um conjunto de cerca de 20 aves de rapina, em exibição no pátio interior do edifício. Para além disso há ainda demonstrações de voo, vários workshops dedicados a este tipo de universo, encontros entre falcoeiros, e outras atividades que acontecem no recuperado edifício da falcoaria, já com 250 anos de história.

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A Unesco deverá debruçar-se para uma decisão final em novembro das intenções de Portugal e de Salvaterra quanto ao dossier em causa, que foi elaborado pela autarquia em conjunto com a Universidade de Évora, e a associação nacional de falcoeiros, “e que procura explicar a razão pela qual devemos integrar essa lista, numa valorização da nossa história, tendo em conta também que temos um palácio único na Península Ibérica, bem como todas as atividades por nós dinamizadas”, explica Hélder Esménio, presidente da Câmara de Salvaterra. “Este património juntar-se-á com certeza à lista de países que já viram consagrada a sua falcoaria. A decisão será em novembro em Adis Abeba”, informa José Barbieri da Cooperativa Cultural Memoria Media que também participou neste projeto. A candidatura da falcoaria de Salvaterra ganhou fôlego “com a recuperação do palácio e com a dinamização de uma série de atividades inerentes à arte falcoeira”, junta o presidente para reforçar as possibilidades desta candidatura. No que respeita a esta arte, a da falcoaria, a mesma tem mantido a

Esménio confessou estar pouco habituado a pegar nestas aves sua forma tradicional ao longo dos anos, alterando-se contudo o contexto social e alguns materiais dos instrumentos utilizados. A comunidade de falcoeiros não considera a prática em risco ou ameaçada, mas são importantes ações de salvaguarda para manter e para transmitir este saber. Os conhecimentos e práticas encontram-se atualmente asseguradas por cerca de 50 falcoeiros que estão no

ativo e pela Associação Portuguesa de Falcoaria (com 150 associados). No resto do planeta, “esta é uma arte viva em diferentes pontos, e na Europa assiste-se ao fenómeno de ser uma atividade praticada pelas classes mais altas da sociedade. Quando pensamos em tradições, por vezes lembranos apenas dos grupos mais humildes, mas a falcoaria é fantástica nisso porque junta todos”, con-

cretiza José Barbieri. O reconhecimento que a Unesco pode dar a este património contribuirá para a sua valorização, “ e com isso fomentará o número de visitas que já foi de três mil por ano, estando agora nas sete mil”, e poderá ainda ajudar a “promover outros produtos do concelho como o rio, os passeios, a observação de aves, e a gastronomia”, salienta Esménio. A autarquia espera ainda contar com “o apoio promocional e turístico que a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo” possa vir a conferir a este projeto, embora não o tenha acompanhado na sua primeira fase. Depois da requalificação do edifício em 2009, Salvaterra passou a contar com um novo espaço de lazer e de cultura, e no entender de Hélder Esménio, a autarquia “teve a coragem política necessária para prescindir do restaurante” que funcionou durante algum tempo no local, mas que estava fechado “quando chegámos à Câmara” em 2013. “Arriscámos em mudar o paradigma, encerrando o restaurante, porque não se justificava a concessão de mais um es-

paço destes”. Optou-se antes por uma galeria de exposições, “onde há sempre novidades”. Entre os projetos para o futuro da Câmara de Salvaterra no que toca à falcoaria e ao universo a ela associado, pensa-se para já “em melhorar a exposição permanente e ampliar o acervo com mais informação acerca das aves” mas também “dar um tom mais século XVIII ao palácio, de forma a percebermos a origem do edifício”. Para conseguir essa faceta de entrada na máquina do tempo, angariar espólio decorativo seria essencial. A Câmara espera concretizar tal logo que a GNR abandone parte das instalações do palácio, quando as obras do novo posto forem uma realidade. A intenção passa por criar um centro documental associado à falcoaria, e ao espólio de Natália Correia Guedes que “era do seu pai, e para o qual precisamos de uma nova sala”. O Valor Local contactou a Comissão Nacional da Unesco, enviando um conjunto de questões pedido por esta entidade, mas até ao fecho de edição não recebemos as respostas.


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Património da Humanidade

á coisas importantes que perdem a sua importância quando se começam a banalizar. Eu não quero com isto dizer que as coisas banais – no sentido da sua vulgaridade – não sejam importantes. Não, a generalidade dos sentimentos que compartilhamos enquanto Humanidade – a amizade, o amor, a ética, o respeito pela Natureza, a Fé ou a falta dela - são sentimentos que são comuns à generalidade das pessoas e não são de forma nenhuma banais.

ção e que caem na vulgaridade. Penso que o assunto escolhido para tema central do ValorLocal para esta edição, e que tem a ver com uma figura de estilo chamada Património da Humanidade – sim corre seriamente o risco de se tornar numa figura de estilo- está em perigo de banalização. Portugal entrou neste mundo dos sítios Patrimónios da Humanidade quando a classificação apenas se referia a coisas físicas : cidades, centros históricos, monumentos

tro histórico da cidade de Angra do Heroísmo, nos Açores, o Mosteiro da Batalha, o Convento de Cristo de Tomar e o conjunto monumental Jerónimos-Torre de Belém. Foi um enorme orgulho para quem está atento a estas coisas, as televisões não se calaram durante dias, fizeram-se festejos e reivindicaram-se autorias e protagonismos no processo, foram afectados fundos internacionais para a sua preservação e valorização – o objectivo ultimo da criação dessa fi-

Antes pelo contrário, são o cimento que nos une e distingue enquanto homens e mulheres. Banais não são as coisas inerentes à condição humana . Perdem a sua importância e objectivos as coisas que foram criadas por vontade dum homem ou duma institui-

construídos ou naturais. Foi em 1983, na reunião da Unesco em Florença – ela própria Património Mundial – que, pela primeira vez e com critérios objectivos, vimos quatro candidaturas nossas serem aprovadas. Passaram a ser Património da Humanidade o cen-

gura. Mas depois fomos atacados, bem como os restantes países, por aquele tique que costuma ser apontado como património de Autarcas : se o vizinho tem, eu também quero ter. Se Angra do Heroísmo é Património da Humanida-

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de, porque hão-de Sintra, Guimarães,Évora, o Porto e por aí fora ficarem arredadas desse título quase nobiliário de Centro Histórico Mundial? Porque raio é que o Mosteiro de Alcobaça, a Torre dos Clérigos, o Palácio da Ajuda, os gatafunhos de Foz Côa não têm, aos olhos da Unesco, a mesma reputação universal do Mosteiro da Batalha? Pergunto quem sabe hoje quantos Patrimónios da Humanidade temos em Portugal. Eu já lhes perdi a conta. Não subvalorizo a valia artística, histórica e arquitectónica de cada um deles. O que receio é que qualquer dia apareça qualquer grupo a reivindicar o estatuto de Património da Humanidade para o Mosteiro das Virtudes ou para a Patriarcal de Vila Franca ! É que essa banalização subverte completamente o objectivo que presidiu à criação deste estatuto – a sua preservação e divulgação. Porque, com recursos que são limitados, as verbas destinadas a cada um deles vão diminuindo tal qual como uma fracção : quando o numerador é constante e o denominador vai aumentando sem controlo, o seu valor tende para zero! É da matemática. E pronto, lá ficam os Patrimónios Mundiais, glória e orgulho de tantos cidadãos, a esperar melhores dias. No entanto, deve reconhecer-se, apesar desta generosidade democrática e universal da Unesco – que, como organização da ONU, tem que agradar a todos os Continentes e Países integrantes e desatou a classificar cidades e monumentos em tudo o que é País...-

que existem critérios objectivos de classificação que são facilmente identificáveis. Mas como se não bastasse esta vulgarização dum estatuto que deveria ser restringido a Patrimónios, construídos ou naturais, que são, de facto um marco na histórias da Humanidade, alguém se lembrou – e bem - que não são só as coisas materiais que devem ser preservadas. Nasceu então o conceito de Património Imaterial da Humanidade, cujo nome indicia a sua própria subjectividade e dá forma às mais disparatadas confabulações sobre usos e costumes. O Património Imaterial abrange os saberes,os modos de fazer, as formas de expressão, as celebrações, as festas e danças populares, as lendas, as músicas, os costumes... já imaginaram, se o crivo da selecção não é rigoroso com a fundamentação das propostas, o que para aí é e vai ser de Patrimónios Imateriais da Humanidade? Tomemos como o exemplo a música. É claro que eu acho que a ópera, o jazz, o rock, o gospel, o próprio fado ( nosso) e o flamenco ( de nuestros hermanos) são formas de expressão artística que, pela importância que tiveram e têm nas Comunidades de origem e FORA DELAS, devem ser preservados e valorizados. Se o conceito de Património Imaterial contribuir para isso, nada contra e tudo a favor. São formas musicais que saltaram fronteiras e são conhecidos (quase todas elas) no Mundo inteiro. Mas o cante alentejano, só para dar um exemplo... que me perdoem os meus amigos alenteja-

Joaquim Ramos nos! Quem sabe o que é fora de Portugal? E o toque dos chocalhos não sei donde? Será legítimo comparar o som da garganta de Amália Rodrigues ou de Maria Callas ao som duma ovelha a abanar a cabeça? Penso que não. É a isso que eu chamo banalizar um estatuto que podia ser importante do ponto de vista da Cultura. Há para aí agora umas ideias de propôr à Unesco a classificação de certas formas de vida muito restritas do ponto de vista geográfico e das quais, nalguns casos, apenas restam vestígios – na maioria, até, desvirtuados – como Património Imaterial da Humanidade. Cuidado. Podemos estar a pôr em causa outras coisas que são de facto importantes à escala mundial. Por isso eu acho que deveria investir-se numa hierarquia do conceito de Património Material ou Imaterial. Deveria haver uma tabela de Património Nacional – com regras bem definidas, e não à deriva dos Governos como actualmente – e de Património Municipal. E aí já a Igreja do Convento das Virtudes teria o seu lugar. Mas há que ter, acima de tudo, o sentido das proporções e não meter tudo no mesmo saco.

Notas soltas sobre o património cultural É

naturalmente minha intenção a-p-e-n-a-s deixar notas que possam induzir os que entendam continuar o estudo ou a abordagem do tema do património cultural, que não é apenas o que a lei plasma, mas também se reveste de função social – e interligandose com a história de um povo e duma sociedade – e tem um sentido muito maior que vai além do simples repositório. A lei de bases (LB) do património é a Lei n.º 107/2001, de 08 de Setembro, existindo ainda outros diplomas que se interligam, e constituem a possível regulação do património cultural nas suas variadas componentes. É de considerar em primeira instância, para entendermos do que falamos, o que é o património cultural. Na redação da LB o conceito e âmbito do tema, refere que “o pa-

trimónio cultural são todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devam ser objecto de especial protecção e valorização”. A nossa Língua como elemento fundamental da nossa soberania, “é um elemento essencial do património cultural”. Todo os elementos, quer da história, quer da paleontologia, da arqueológica, arquitectónico, linguístico, documental, artístico, etnográfico, científico, social, industrial ou técnico, com interesse relevante são bens e também integram o património cultural, pois refletem os valores de memória, antiguidade, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade ou exemplaridade da nossa herança, secular ou não. Naturalmente que como europeus e membros da sociedade mundial,

e por força de convenções internacionais que vinculem o Estado Português ou pelo menos para os efeitos nelas previstos, também é património cultural quaisquer outros bens que sejam visados nas referidas convenções. O património cultural para além do conjunto de bens materiais e imateriais de interesse cultural relevante, são também, quando for caso disso, os respectivos contextos que, pelo seu valor testemunhal, tenham com o património cultural uma relação interpretativa e informativa. “O ensino, a valorização e a defesa da língua portuguesa e das suas variedades regionais no território nacional, bem como a sua difusão internacional, constituem objecto de legislação e políticas próprias”. Quanto à cultura tradicional popular, a mesma ocupa com relevo uma posição na política do Es-

tado e das Regiões Autónomas “sobre a protecção e valorização do património cultural e constitui objecto de legislação própria.” Abreviada definição, quase cópia fiel da legislação é este em traços largos o conceito “oficial” de Património Cultural. Contrários, quando negativos, por apenas poderem ser temporários, são os projetos e ações, com aproveitamentos políticos em época de divulgação com objetivos eleitoralistas. A lei confere direitos e garantias aos cidadãos, nomeadamente o direito à fruição do património cultural. A todos é conferido o direito à fruição dos valores e bens que integram o património cultural, antevendo-se que essa vertente, irá contribuir para desenvolvimento da personalidade. Naturalmente se os bens culturais são privados teremos que entender que a sua a sua

fruição por terceiros, dependerá, mesmo no capítulo da sua divulgação, entre quem administra o património cultural e quem tem a titularidade dos bens. No entanto, e sempre, a fruição pública dos bens culturais deve harmonizar-se com as exigências de funcionalidade, segurança, preservação e da sua conservação. Sendo que existem também outras naturezas de bens culturais, que o Estado obriga-se a respeitar, como modo de fruição cultural, o “uso litúrgico, devocional, catequético e educativo dos bens culturais afectos a finalidades de utilização religiosa”. Para deixar mais uma nota, a referir que existem formas de protecção dos bens culturais, e que a sua protecção legal assenta sobretudo na classificação e na inventariação. Para existir uma eficaz forma de protecção há que dar lugar

José João Canavilhas* a registos, e assim, dependendo dos níveis, existe o registo patrimonial de classificação e o registo patrimonial de inventário. Mas, observe-se, que a lei admite, como em outros assuntos, e de igual forma visando a proteção de direitos, a aplicação de medidas cautelares, não dependendo, esse “recurso” de prévia classificação ou inventariação de um bem cultural, pretendendo-se que assim, ainda se possa salvaguardar património, que se assim não fosse, poderia desaparecer.


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Rainha das Vindimas: a tradição nas mãos dos mais jovens onrar as tradições, transmitir conhecimento, levar os mais jovens até aos locais provavelmente desconhecidos para muitos. Momentos de descoberta, de amizades que ficam para vida, brigas e reconciliações. Lágrimas

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que surgem após semanas de convívio. Um vazio que se instala depois de dias com ensaios, provas e chamadas de atenção. Tudo isto se traduz no evento que é a Rainha das Vindimas. Mais do que uma prova de mis-

ses, mais do que caras bonitas, a Rainha das Vindimas é o culminar de meses de planificação, de nervos, de ideias que dão certo, outras que não passam de fiascos. Da música à passarela, da luz ao painel, tudo isto conta na concep-

ção de um espectáculo que pretende ser grandioso, que transmita a nossa cultura, as nossas raízes, sem nunca desvirtuar a capacidade de transformar a mais tímida donzela numa digna representante da sua freguesia, da sua

terra, das suas gentes. A ambição é muita, a vontade de transmitir saber é forte e a de beber desse conhecimento é proporcional. Sou uma defensora acérrima deste tipo de concursos, desde que não se limitem apenas ao “ver passar a perna longa” e ao “meio palmo de cara”. Sou defensora deste tipo de concursos, desde que permitam pensar e estudar. Fazem-me recusar uns anos, àqueles em que participar na Rainha das Vindimas fazia tremer a alma, e o peso da responsabilidade fraquejava os joelhos. Recordo com particular saudade a irreverência do saudoso Vítor de Sousa, mentor da Rainha das Vindimas no Cartaxo, das palavras sempre inspiradoras de Conde Rodrigues, presidente da autarquia na altura, e do carinho e imensa amabilidade de Francisco Pereira. Pessoas que marcaram e alteraram o rumo da história de cada uma das representantes das 8 freguesias do Concelho do Cartaxo naquele longínquo ano em que fui 1ª Dama de Honor. Hoje vejo isso mesmo. A inspiração, o empenhamento, a confiança e o carinho transmitidos por quem organiza os eventos nos concelhos do Cartaxo e de Azambuja, dos presidentes de Câmara, vereadores, presidentes de Junta, todos eles a viveram os momentos como se fossem únicos. E o apoio incansável da população, a

Ana Bernardino lágrima disfarçada de ver a sua representante, aquela menina tímida transformada num cisne, em cima de uns sapatos de salto alto (como é possível ter crescido tanto? ). A voz embargada na altura de gritar por ela. E a vontade incontrolável de abraçar, acarinhar e deixar voar. E o coração a ficar apertado, a rezar para que os apresentadores se despachem e digam finalmente quem é a Rainha e o Rei. E é nessa altura que até nos esquecemos que muitos destes jovens nem sequer passaram pela experiência tão tradicionalmente libertadora de pisar uvas ou vindimar um cacho. Porque ali nem interessa. Coroa anunciada, mil sorrisos, parabéns, fotos para a posterioridade. Chegou a hora do foco de luz se apagar. Por hoje. Só até amanhã. Porque amanhã começa tudo de novo. As críticas, essas, são assimiladas, analisadas, filtradas e servem de garantia que no próximo ano será melhor. E o prazer é mais do que muito porque o que fica são os risos, o turbilhão de emoções, o cansaço disfarçado pela adrenalina e pela a certeza de um bom trabalho feito.

O Valor e a Importância da Água erá que pagamos demasiado pela água que consumimos? O valor pago é suficiente para garantir a sustentabilidade dos sistemas? Longe vão os tempos em que a água era quase dada, ou mesmo dada em alguns concelhos, e não havia consciência do desperdício de um bem precioso. Hoje a fatura da água e saneamento já pesa no orçamento e, também por via desse impacte, há mais cuidado no uso da água. Mas será que todos tratamos bem a água e consumimos apenas o necessário para a nossa qualidade de vida ou ainda desperdiçamos este bem precioso? Na região do Vale do Tejo, a empresa Águas do Ribatejo, que abastece sete municípios das bacias do Tejo e Almonda ainda tem perdas de água acima dos 30%. Ou seja, quase um terço da água produzida é devidamente tratada, com avultados custos nos pro-

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cessos, ainda não é aproveitada para consumo humano. Para além destas perdas por via da debilidade dos sistemas, fugas, furtos de água e outras causas, continuamos a regar e a lavar pavimentos com água da rede e ainda combatemos fogos ou enchemos piscinas com água tratada. Poucos são os que aproveitam a água das chuvas e há quem lave o carro com a mangueira aberta ou tome banho todos os dias com uma banheira cheia. Uma parte significativa da população ainda não tomou consciência de que a água é um recurso natural indispensável à vida no planeta Terra. Apesar de existir em abundância na nossa região, a água é um recurso finito. Por outro lado, o custo do seu tratamento é cada vez maior devido à contaminação dos recursos aquíferos pelo uso de químicos na agricultura e por práticas inimigas

do ambiente por parte das populações. Ainda se enterram animais no quintal, queimam-se plásticos ou descarrega-se fossas nos terrenos de cultivo, contribuindo para a contaminação dos solos e dos lençóis freáticos. A maioria das pessoas considera que paga demais pela fatura da água que inclui consumo de água e taxas de abastecimento, saneamento e resíduos sólidos. Ou seja, pagamos a disponibilidade da água para consumo e o tratamento das águas residuais, vulgo “esgotos” e dos resíduos sólidos urbanos “lixo”. Por tudo isto uma família de três pessoas, cliente da AR, paga em média 13 a 20 euros mensais. A mesma família paga entre 40 a 60 euros de energia e 15 a 22 euros de gás natural. Já o serviço de telefone, televisão e net custa em média entre 39 e 68 euros. Analisando os valores dos encargos anuais para uma família mé-

dia, verificamos que apenas 1,1% das suas despesas totais se referem a abastecimento de água, saneamento de águas residuais e resíduos, enquanto que a mesma família gasta 3,3% em comunicações e 4,7% em eletricidade e gás. De todos estes serviços, qual será o mais necessário? É sem dúvida o abastecimento de água. Consigo viver dois ou três dias sem luz, gás, televisão, telefone e net, mas sem água será impossível. Só tomamos consciência da importância do bem quando estamos privados dele. Haverá algo mais confortante que um copo de água quando temos sede ou um duche depois de um dia de trabalho com uma temperatura de 40 graus? Apesar de considerarmos que pagamos muito pela fatura da água, na maioria dos casos, o valor pago pelos clientes ainda não reflete os custos da disponi-

bilidade e da execução dos serviços. Há dezenas de entidades gestoras: municípios, serviços municipalizados e empresas municipais com prejuízos acumulados. A Águas do Ribatejo tem sido um caso de estudo porque foi a primeira entidade gestora composta apenas por municípios e em sete anos de atividade conseguiu sempre resultados positivos garantindo a sustentabilidade do sistema com um tarifário que é o mais económico da região. Uma família de Benavente, Salvaterra de Magos ou Coruche paga metade do valor que a mesma família pagaria em vários concelhos na margem Norte do Tejo. A empresa municipal investiu 120 Milhões de Euros nas obras que realizou nos sete concelhos com o imprescindível financiamento de 85% com fundos comunitários, garantindo a componente nacional sem onerar a fatura

Nelson Silva Lopes * paga pelos clientes. A chave do sucesso é a união e solidariedade dos sete municípios integrantes e um modelo de gestão com a filosofia do serviço público incutida pelos presidentes de câmara que integram os órgãos sociais em regime de “total voluntariado” sem os honorários, as senhas de presença ou as mordomias existentes noutras empresas de capitais públicos. Um exemplo a seguir nesta e noutras áreas. * Consultor de Comunicação


18 Tiro com arco:

João Vicente recorda o seu percurso ntigo praticante de tiro com arco no Grupo Desportivo de Azambuja, João Vicente é agora professor de educação física. A modalidade já não faz parte das atividades do clube, mas deixou saudades. Na opinião de João Vicente esta é uma modalidade que deveria ser mais acarinhada, mas confessa que só optou pelo tiro com arco depois de ter tido uma lesão no futebol. Começou com 16 anos, hoje tem 24 anos. A precisão do tiro com arco foi o que mais o fascinou na modalidade, contudo esta é ainda dispendiosa “pois o material é um bocadinho caro”, acima dos 1500 euros. Tudo se complica quando para o praticante este é um desporto do qual não se pode viver. Os apoios são escassos, e os patrocínios quase inexistentes ao contrário do que acontece lá fora. “Cheguei a um patamar em que já não era possível continuar a manter-me nisto”. Chegou a ir a um campeonato da Europa e esteve a um passo de ir aos jogos olímpicos. “Percebi que a realidade lá fora não tem nada a ver com a de cá. Em Portugal temos um treinador para cinco ou seis atletas, enquanto lá num comité de dez atletas há três ou quatro treinadores. As condições deles são completamente diferentes”. João Vicente tentou ter mais patrocínios, “mas como a modalidade não é muito conhecida não traz tantos apoios”. No que toca ao apoio do GDA, “e sem querer ser mauzinho o apoio era mais moral, pagavam-me apenas as inscrições nas provas, o que já era muito bom, mas em termos de deslocações para as localidades onde o campeonato se disputava eram à minha conta.”

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Desporto

Valor Local

GDA vai iniciar remodelação do pavilhão apesar da crise diretiva

Obras no pavilhão a caminho Grupo Desportivo de Azambuja está a iniciar a nova época desportiva. O clube azambujense está condicionado face à instabilidade diretiva, já que na última assembleia geral não conseguiu elementos para uma nova direção. A informação foi avançada pelo antigo presidente do clube e atual responsável pela comissão administrativa Alexandre Grazina ao Valor Local. O dirigente salienta que os constrangimentos causados pela situação de impasse diretivo que se vive “condiciona a tomada de determinadas decisões, que a comissão administrativa não quer assumir, por serem assuntos que requerem uma reflexão criteriosa e ponderada e qualquer decisão, terá influência direta na vida atual do clube, e no seu futuro próximo”. Neste capítulo estão possíveis protocolos com privados ou entidades oficiais que “envolvam compromissos a médio e longo prazo mesmo que daí resultem benefícios para o GDA”. Tendo em conta este cenário de alguma instabilidade, têm sido feitas reuniões com as diversas secções e responsáveis das diversas modalidades “para que tudo possa correr o melhor possível, sem comprometer os objetivos e as exigências dos vários níveis competitivos existentes no clube” vincando a importância da colaboração e disponibilidade de todos os intervenientes. Todavia Alexandre Grazina diz ter esperanças de que possa ha-

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Atleta fala do seu percurso

ver uma lista de pessoas diferentes na próxima assembleia geral marcada para 13 de outubro. O dirigente explica que “a não aparecer uma alternativa na próxima assembleia pode ser criado um vazio diretivo, com graves consequências para a época desportiva”, lembrando que todos os sócios devem participar na vida do clube, quer como sócios quer como dirigentes. Ainda assim, lamenta que “as assembleias gerais sejam pouco participadas, pois além dos órgãos sociais aparece apenas uma dezena ou pouco mais de associados”; destacando que a sua divulgação é feita nos locais de atividades do clube, nos locais da vila habituais, mas também através de mail, na internet, e na comunicação social local “contudo parece insuficiente”. É nesse sentido que o dirigente apela aos associados para vincarem a sua participação no clube. Alexandre Grazina diz não haver necessidade de o GDA “enfrentar uma situação de rutura ou de impasse, que o mergulhe numa crise sem fim à vista, deitando por terra 66 anos de serviço público, muito esforço, sacrifício, dedicação, trabalho e competência”. Ainda assim, o clube apresenta uma significativa dinâmica desportiva. Além das modalidades habituais, o GDA “tem sido sondado para a implementação de mais duas ou três modalidades” mas “pelas razões apontadas, não achamos oportuno qualquer tomada de decisão”. Alexandre

Grazina salienta “o aparecimento da prática da corrida e caminhada no clube, que surgiu da vontade manifestada espontaneamente por parte de algumas pessoas residentes na nossa terra, que a secção Gydafit acolheu, que se tem solidificado e expandido”. Para além destas, o GDA apresenta ainda as modalidades de campismo e caravanismo; futsal de competição e escola de futsal; futebol de competição e escola de futebol. Na ginástica o destaque vai para o Baby Gim, para bebés dos 18 meses aos quatro anos e ainda ginástica artística de iniciação para as idades dos cinco e seis anos. Há também na época que vem aí: fitness, cardio fitness e atividades de yoga. Os sócios podem também disfrutar das várias disciplinas das artes marciais, como é o caso do Krav Maga e Taekwondo, ou a pesca desportiva. Ao todo a coletividade movimenta entre atletas e utentes dos seus espaços e atividades mais de 500 pessoas por época, “com especial relevância para o facto de mais de 80 por cento terem menos de 18 anos de idade”. GDA Aposta na Remodelação do Pavilhão O Grupo Desportivo de Azambuja há muito que tem em projeto a remodelação e uma nova iluminação do pavilhão e sistema de aquecimento das águas das suas instalações. Nesse sentido, o clube apresentou uma candi-

datura a fundos comunitários através da Associação de Futebol de Lisboa no mês de maio. Ao todo esta candidatura rondou os 62 mil euros, aprovada na 1ª fase: “Esperamos agora a sua aprovação final, que a confirmarse; não só dará para remodelarmos todas as instalações nas vertentes já referidas, como poderá ser a mola impulsionadora da realização de algumas obras que poderão proporcionar a médio prazo a integração de todas as modalidades no nosso pavilhão com a exceção do futebol”; salientando que esta é “a concretização um anseio há muito enraizado” que é “fundamental para o crescimento sustentado do clube”. Estas obras chegaram a estar prometidas pela Câmara de Azambuja, todavia o dinheiro não chegou depois do município apostar na construção da Praça de Toiros. Na altura entre outros projetos, ficaram para trás a remodelação das piscinas, o arquivo municipal e o GDA. Alexandre Grazina lembra “que tal esteve prometido pela autarquia na altura, e que infelizmente para todos nós não foi cumprido, alegando mais tarde a entidade referida, falta de enquadramento legal para o fazer”. Nesta candidatura 90 por cento do valor é suportado pelo programa comunitário e o restante pelo clube; e destaca Grazina que “ “depois da aprovação definitiva da candidatura, ponderaremos a apresentação de uma comparticipação da Câmara”.


Valor Local

Cultura

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Tertúlia Festa Brava faz balanço da sua estadia em Azambuja ¢

Nuno Filipe zambuja, como é sabido é uma terra de aficionados, o que muita gente não sabe é que desde 2009 a vila alberga uma das mais antigas tertúlias tauromáquicas do país. Neste caso a terceira mais antiga, falamos da Tertúlia Festa Brava. O Valor Local conversou com Rui Casqueiro, o presidente desta associação nascida em Lisboa, mas que segundo o nosso interlocutor é de âmbito nacional. Surgiu nos anos 40 para os lados da Rua do Salitre, paredes meias com o Parque Mayer. Segundo Rui Casqueiro, a Tertúlia Festa Brava surgiu há 70 anos, em Agosto de 1946, com a dissidência de alguns sócios e diretores do Grupo Tauromáquico Sector Um, que ao não concordarem com as políticas da direção da altura, resolveram então criar outra agremiação. Entre a década de 40 (1948) e 2009, a tertúlia teve a sua sede na Praça da Alegria, em Lisboa, até que um incêndio consumiu o edifício, que foi prontamente demolido pela Câmara Municipal de Lisboa, proprietária do imóvel, o que segundo o nosso interlocutor causou uma enorme dificuldade na recuperação do vasto espólio adquirido ao longo de 60 anos: “Alguma coisa foi recuperada, mas muito se perdeu” diz-nos Rui Casqueiro. É no rescaldo do incêndio, e na busca de

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uma nova sede, que a Tertúlia Festa Brava chega a Azambuja. Rui Casqueiro, por casamento, há já bastante tempo criou laços a Azambuja, tendo sido inclusive, e durante alguns anos presidente da direção do Centro Hípico Lebreiro de Azambuja, e como tal a vila ribatejana era uma hipótese para albergar a tertúlia. Ao contactar a Câmara Municipal, esta revelou “uma total disponibilidade para ajudar”. Uma posição, segundo o presidente da Festa Brava, oposta à da Câmara de Lisboa, “onde, nem sequer uma medalha de mérito municipal que a tertúlia possui, serviu de argumento para conseguir um novo espaço ”. Azambuja era então a escolha lógica. Estando então em Azambuja, uma pergunta se coloca: “Havendo tantas tertúlias na vila, a Festa Brava, apesar de todo o seu historial, não tem o receio de ser ‘abafada’ por estas e passar despercebida à população?”. Rui Casqueiro diz que não existe esse receio. “É verdade que existe uma nítida confusão entre o que é a Tertúlia Festa Brava e as tertúlias de Azambuja”, tanto mais que ao iniciarem as conversações com a Câmara, tiveram de apresentar toda uma documentação a provar o seu historial, e atividade e mostrar que “a única coisa em comum entre a Tertúlia Festa

Rui Casqueiro espera levar a bom porto as obras da nova sede Brava, e as de Azambuja é a designação de tertúlia”, pois “sem desprimor para as tertúlias existentes, estas focam-se na Feira de Maio e naquilo que a envolve, enquanto a Festa Brava tem uma atividade que desenvolve todo o ano na defesa e promoção dos valores da tauromaquia”. Para isso, organiza algumas atividades como colóquios, exposições, homenagens a no-

mes da festa dos toiros, algumas noites de fados, sendo que a literatura não fica de parte, tendo inclusive apresentado recentemente o livro – “O Homem e o Toureiro” da autoria de Manuel dos Santos. Outra ação que “está na forja”, é um colóquio/debate, com a presença de representantes dos grupos parlamentares com assento na Assembleia da Republi-

ca e que são defensores da tauromaquia, além de um representante da Associação Pró Toiro, entre outros. Apesar do grande apoio do Centro Hípico Lebreiro na execução destas iniciativas ao ceder o espaço, o sonho de Rui Casqueiro e da Tertúlia Festa Brava é voltar a ter uma sede física para albergar este tipo de iniciativas e como tal decorrem obras num

espaço cedido pela Câmara Municipal no antigo Matadouro Municipal de Azambuja. No entanto, o espaço encontrava-se bastante degradado e a intervenção é mais morosa do que inicialmente se pensava. Mas, Rui Casqueiro tem esperança, e espera que em maio de 2017 os associados da Tertúlia Festa Brava já possam ter o seu espaço que há anos anseiam.

Apresentação de livro sobre as origens do Real Teatro de Salvaterra o primeiro dia das Jornadas da Cultura em Salvaterra de Magos, a Capela Real encheu-se para a apresentação do livro da estudiosa Aline Gallasch – Hall de Beuvink que fez uma análise histórica da presença de um teatro dedicado à ópera na vila, na altura de D. José I, inaugurado em 1753. “O Real Teatro de Salvaterra – A Reconstrução de uma memória”, assim se chama a obra apresentada no dia dia 16 de setembro. A autora brindou os presentes com alguma informação à partida desconhecida para muitos, fruto da sua investigação que também incluiu deslocações ao terreno, e nesse aspeto agradeceu o empenho da Câmara, e considerou o contributo da população como “extraordinário”. A inauguração de um teatro de ópera foi um dos motivos, a par de outros, que contribuiu para a fixação da família real durante

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longas temporadas em Salvaterra, fazendo com que a localidade se transformasse num novo centro da atividade cultural do país. “Algo que quer voltar a ser, na minha opinião, com estas Jornadas da Cultura que já são muito importantes a nível do Ribatejo”, fez a comparação, Aline Gallasch. No entanto, com a abertura do Teatro São Carlos, em 1793, a Casa de Ópera, de Salvaterra acaba por ir perdendo importância. Entre os anos de 1753 e 1792 foram representadas 64 produções operáticas no Real Teatro de Salvaterra. Aquando das invasões francesas, a Casa de Ópera, tal como o restante paço real, foi deixado ao abandono. Este facto, aliado ao grande incêndio de 1818, contribuiu para que, aquele património se degradasse cada vez mais, desaparecendo por completo. Curiosamente não há um registo claro

sobre a sua localização pressumindo-se que seja na zona da Capela Real. Do seu trabalho de campo, Aline Gallasch destacou também as impressões deixadas por Natália Correia Guedes, museóloga, autora de “O Paço Real de Salvaterra de Magos” que em conversa consigo destacou que “até há pouco tempo era normal ouvir pessoas a entoarem áreas de ópera na rua, hábito das lavadeiras e dos lavradores”. Maravilhada ficou também com a descrição dos túneis que foram escavados que supostamente ligariam o antigo palácio real ao convento para o caso da família real ter de fugir. “Ainda há pessoas que têm em suas casas alçapões que supostamente dariam para esses túneis, até porque onde há fumo há fogo”. Para a autora, “estas são memórias importantíssimas e que reforçam a importância cultural de Salvaterra”.

A autora ficou agradada com aspetos novos trazidos pela investigação


Eventos

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Valor Local

CNEMA

O mundo da Bicicleta em mais um Festibike 13ª edição do Festival Bike Portuga – Festival Internacional da Bicicleta, Equipamentos e Acessórios e Salão de Ciclismo Profissional decorre de 14 a 16 de outubro no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, e promete ser, uma vez mais “um evento único e incontornável e o centro das atenções do sector”, segundo nota de imprensa da organização. O evento é o espaço onde profissionais e público em geral podem ficar a conhecer as novidades do mercado e um ponto de encontro para todos aqueles que de forma profissional, desportiva ou de lazer se encontram ligados a este ramo. O certame pretende realçar as marcas e as empresas nacionais e internacionais que operam nesta área como importadores, lojistas, distribuidores, organizadores de eventos, comunicação social, atletas profissionais e amadores. O Festival Bike reúne durante três dias as principais empresas do sector e concentra num só local os principais importadores, distribuidores, retalhistas, técnicos, e profissionais que trabalham neste ramo tendo como objetivo a realização de contactos e negócios. O Festival Bike também dedica um espaço aos criadores de bicicletas..

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De 14 a 16 de outubro em Santarém Provas e demonstrações animam Festival Bike O Festival Bike volta a contar com diversas atividades, proporcionando aos visitantes uma escolha variada de carácter lúdico e competitivo, tais como Maratona BTT, Cicloturismo, Granfondo, Duatlo, Passeio de Bicicletas Antigas, BMX, Dirt, entre outras. Como habitualmente, o Festival Bike acolhe uma das maiores maratonas de BTT que se realiza em Portugal. A décima segunda edição

desta prova “será uma grande festa do BTT e os corredores poderão também disfrutar da maior exposição de bicicletas e acessórios da Península Ibérica”, prossegue em nota de imprensa, a organização. No dia 15 de outubro o ponto de encontro para todos os praticantes e adeptos do BTT será no CNEMA. A segunda fase de inscrições da 12ª Maratona BTT Festival Bike já começou e decorre até ao dia 7 de outubro. As inscrições podem ser efetuadas unicamente na plataforma on-line da Maratona em

www.racetime.pt/maratonafestivalbike. O certame vai acolher a 15 e 16 de outubro o “Tejo e Serras Granfondo Festival Bike”, um evento de ciclismo de estrada, há muito desejado pelos visitantes deste evento dedicado ao mundo da bicicleta. No sábado os ciclistas serão desafiados a transpor as serras de Montejunto e Candeeiros por entre zonas de paisagem protegida. No segundo dia as áreas aplanadas que dominam o sul do Tejo são propícias à formação de lon-

gos grupos em estradas com trânsito reduzido, podendo-se rolar a velocidade mais elevada. Já o último dia do Festival Bike 2016 será marcado pela realização da IX edição do Duatlo, competição que traz habitualmente ao CNEMA alguns dos melhores praticantes nacionais da modalidade e várias dezenas de atletas de pelotão, de um desporto com cada vez mais adeptos. A prova, mais uma vez em circuito fechado, consta de uma corrida de 5 kms, seguindo-se 20 kms de BTT e termina com mais 2,5 km de corrida, “com o enquadramento único e espetacular do CNEMA, que permite ao público assistir a grande parte do desenrolar da competição”. No dia 16 também se realiza o “Passeio de Cicloturismo Lisboa / Santarém” iniciativa promovida pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB) e que contará com largas centenas de praticantes da modalidade. No mesmo dia o Festival Bike vai contar com a realização de um “Passeio de Bicicletas Antigas”, numa organização com o Núcleo Sportinguista da Golegã. O centro histórico de Santarém vai ser o enquadramento ideal para uma manhã de Domingo em que poderá disfrutar das paisagens e

monumentos mais emblemáticos da capital ribatejana. Também no último dia do Festival Bike, pelas 10h30, realiza-se o Passeio das Pontes Santarém – Almeirim iniciativa promovida pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os participantes serão chamados a percorrer 23 quilómetros, com início e final no Festival Bike (CNEMA) e passagem por Almeirim. São esperados corredores profissionais, que vão, nesta ocasião especial, partilhar o pelotão com ciclistas amadores. Os participantes têm entrada gratuita no Festival Bike. Ainda no dia 16, o Festival Bike Portugal recebe o 5º Troféu da Juventude, prova que se realiza em colaboração com a Federação Portuguesa de Ciclismo e com o Clube de Ciclismo José Maria Nicolau. O circuito terá a extensão de 900 metros com maior segurança para a prática da modalidade. Os três primeiros de cada escalão, feminino e masculino, e as cinco primeiras equipas terão direito a troféus. As inscrições devem ser efetuadas on-line, no site da Federação Portuguesa de Ciclismo em www.uvp-fpc.pt e aplica-se para esta prova o Regulamento Geral das Escolas, em vigor.

Tasquinhas Paraísabor

Vale do Paraíso espera milhares de visitantes freguesia de Vale do Paraíso no concelho de Azambuja recebe no próximo dia 30 de setembro mais uma edição da Paraisabor. Trata-se da 11ª edição de um evento gastronómico que se prolonga até 2 de outubro e que já entrou na agenda dos certames regionais. Armando Calixto, presidente da junta de Freguesia, destacou ao Valor Local que o evento deste ano reforça a habitual aposta na vertente musical. O autarca salientou a contratação do grupo “Os Lords” e a participação dos grupos locais que animam “umas festas com um orçamento a rondar os 4500 euros”. Aliás neste campo e com este cartaz, o presidente da junta diz esperar mais visitantes do que em anos anteriores. Armando Calixto diz que a autarquia conseguiu fazer “alguma economia” para que em 2016 existisse um reforço, vincando igualmente que embora a componente musical seja importante, é também muito importante a parte gastronómica com as co-

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letividades a mostrarem as suas especialidades. O autarca refere que esta iniciativa acaba por ser bastante importante para as associações da freguesia, “pois conseguem aqui realizar mais dinheiro do que aquele que a junta consegue dar”. O presidente explica que estas alcançam um “bom score financeiro, tendo em conta que os valores conseguidos dão para gerir algumas das suas atividades durante o resto do ano.” Armando Calixto salienta, no entanto, que as tasquinhas que integram o festival Paraisabor já são conhecidas pela sua qualidade, sendo que o torricado acaba por ser o principal cartão-de-visita do certame. Por outro lado, Armando Calixto destaca que Vale do Paraíso tem como outro dos pontos forte os “Bolos de Casamento”. Há no entanto quem lhe chame “Bolos de Noiva” mas o mais importante, refere o autarca, “é que estes são amassados à mão e por isso têm um gosto muito especial, que

nada tem a ver com os bolos feitos de forma industrial”, salienta. O autarca refere que a confeção destes obriga a que passem “pelas mãos de várias pessoas e isso demora muito tempo, já que amassar à mão não pode ser tarefa para uma pessoa só”. É nesse capítulo que entram os jovens. O presidente está confiante na continuidade desta tradição, “dado que já são muitos os que participam na feitura destes bolos”. Para tal, a junta tem um forno comunitário que está a funcionar todo o ano, mas em especial por altura das festas. Armando Calixto lembra que esta tradição só se continua a comemorar na sua freguesia, e refere ao Valor Local que o patenteamento do bolo ainda está em cima da mesa. Por outro lado e com a criação da Confraria do Torricado, em Azambuja, e que vai juntar os produtos locais, o autarca espera ter uma nova saída para estes bolos, que garante “vão estar à venda em todas as tasquinhas de Vale do Paraíso”.

Autarca está esperançado no sucesso do certame


Valor Local

Acisma

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Alentejo 2020

Quatro Novos concursos Abertos para Empresas o passado dia 29 de julho, abriram quatro novos concursos para as empresas se poderem candidatar aos fundos europeus, para Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (SI I&DT) No âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (SI I&DT), abriu concurso para Núcleos de I&D – Projetos Individuais e para Projetos de I&D Individuais: Os “Núcleos de I&D” são realizados por uma PME, visando criar competências internas de I&D e de gestão de inovação, de forma sustentada, através de unidades estruturadas com características de permanência e dedicadas exclusivamente a atividades de I&D, tendo por base um plano de atividades. Os Projetos Individuais são realizados por uma empresa, compreendendo atividades de investigação industrial e/ou de desenvolvimento experimental, conducentes à criação de novos produtos, processos ou sistemas ou à introdução de melhorias significativas em produtos, processos ou sistemas existentes. Em ambos os concursos, são enquadráveis projetos inseridos em todas as atividades económicas, com especial incidência para aquelas que visam a produção de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis ou contribuam para a cadeia de valor dos mesmos. As entidades beneficiárias são as empresas de qualquer natureza e sob qualquer forma jurídica. Estes dois concursos estão abertos até 30.09.2016 e o Alentejo 2020 afectou uma dotação FEDER de 500 mil euros a cada um.

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Abriram ainda concursos para Internacionalização das PME e para Qualificação das PME, cujos beneficiários dos apoios previstos são empresas PME de qualquer natureza e sob qualquer forma jurídica. No caso da Internacionalização das PME, o objetivo do concurso consiste em alargar a base exportadora, aumentando o número de novas empresas exportadoras, ou incrementando o volume das vendas internacionais das empresas que já exportam, através da concessão de incentivos a projetos que: Reforcem a capacitação empresarial das PME para a internacionalização, com vista a promover o aumento das exportações através do desenvolvimento e aplicação de novos modelos empresariais e de processos de qualificação das PME para a internacionalização, valorizando os fatores imateriais da competitividade, permitindo potenciar o aumento da sua base e capacidade exportadora (Prioridade de Investimento (PI) 3.2 mencionada na alínea a) do n.º 1 do artigo 40.º do RECI); Aumentem a qualificação específica dos ativos em domínios relevantes para a estratégia de inovação, internacionalização e modernização das empresas, de modo a potenciar o desenvolvimento de atividades produtivas mais intensivas em conhecimento e criatividade e com forte incorporação de valor acrescentado nacional (Prioridade de Investimento (PI) 8.5 mencionada no n.º 2 do artigo 40.º do RECI). Em termos de tipologia de operações, são suscetíveis de apoio os projetos individuais de internacio-

nalização de PME que visem os seguintes domínios: a) O conhecimento de mercados externos; b) A presença na web, através da economia digital; c) O desenvolvimento e promoção internacional de marcas; d) A prospeção e presença em mercados internacionais; e) O marketing internacional; f) A introdução de novo método de organização nas práticas comerciais ou nas relações externas; g) As certificações específicas para os mercados externos. Para este concurso, o Alentejo 2020 disponibilizou uma dotação FEDER de 3 200 mil euros, e o concurso está aberto até 30.10.2016. Para a Qualificação das PME, o objetivo do concurso consiste em selecionar projetos que visem ações de qualificação de PME em domínios imateriais com o objetivo de promover a competitividade das PME e sua capacidade de resposta no mercado global. São suscetíveis de apoio os projetos com investimentos de: Reforço das capacidades de organização e gestão das PME, incluindo, o investimento em desenvolvimento das capacidades estratégicas e de gestão competitiva, redes modernas de distribuição e colocação de bens e serviços e a utilização de TIC (Prioridade de Investimento (PI) 3.3 mencionada na alínea b) do n.º 1 do artigo 40.º do RECI); Qualificação específica dos ativos em domínios relevantes para a estratégia de inovação, internacionalização e modernização das empresas, de modo a potenciar o desenvolvimento de atividades pro-

dutivas mais intensivas em conhecimento e criatividade e com forte incorporação de valor acrescentado nacional (Prioridade de Investimento (PI) 8.5 mencionada no n.º 2 do artigo 40.º do RECI). No que se refere à tipologia de operações, são suscetíveis de apoio os projetos individuais de qualificação das estratégias de PME que concorrem para o aumento da sua competitividade, flexibilidade e capacidade de resposta ao mercado global, nos seguintes domínios imateriais de competitividade: a) Inovação organizacional e gestão - introdução de novos métodos ou novas filosofias de organização do trabalho, reforço das capacidades de gestão, estudos e projetos, redesenho e melhorias de layout, ações de benchmarking, diagnóstico e planeamento, excluindo as alterações que se baseiem em métodos de organização já utilizados na empresa; b) Economia digital e tecnologias de informação e comunicação (TIC) – desenvolvimento de redes modernas de distribuição e colocação de bens e serviços no mercado. Criação e ou adequação dos modelos de negócios com vista à inserção da PME na economia digital que permitam a concretização de processos desmaterializados com clientes e fornecedores através da utilização das TIC (utilização de ferramentas sofisti-

cadas de marketing pelas empresas – inbound e outbound); c) Criação de marcas e design – conceção e registo de marcas (incluindo a criação de marcas próprias ao nível do produto e da empresa), novas coleções e melhoria das capacidades design, excluindo as alterações periódicas e outras de natureza cíclica e sazonal; d) Desenvolvimento e engenharia de produtos, serviços e processos – melhoria das capacidades de desenvolvimento de produtos, processos e serviços, designadamente pela criação ou reforço das capacidades laboratoriais, excluindo testes de qualidade dos produtos, protótipos e provas de conceito; e) Proteção de propriedade industrial – patentes, invenções, modelos de utilidade e desenhos ou modelos; f) Qualidade – certificação, no âmbito do sistema português da qualidade (SPQ) ou de sistemas internacionais de certificação, de sistemas de gestão da qualidade, ou de outros sistemas de gestão não incluídos nas restantes tipologias e que sejam relevantes para a qualidade dos produtos, serviços, ou processos de gestão das empresas, certificação de produtos e serviços com obtenção de marcas, bem como a implementação de sistemas de gestão pela qualidade total; g) Transferência de conhecimento

- aquisição de serviços de consultoria e assistência técnica, nos domínios da transferência de conhecimentos e certificação de sistemas de gestão da investigação, desenvolvimento e inovação; h) Distribuição e logística – introdução de sistemas de informação aplicados a novos métodos de distribuição e logística; i) Eco-inovação – incorporação nas empresas dos princípios da eco-eficiência e da economia circular, com vista a promover uma utilização mais eficiente dos recursos, incentivar a redução e reutilização de desperdícios e minimizar a extração e o recurso a matériasprimas. Inclui as certificações de sistemas, serviços e produtos na área do ambiente, obtenção do Rótulo Ecológico e sistema de ecogestão e auditoria (EMAS); j) Formação profissional – formação diretamente associada à operação de investimento em causa e no âmbito dos domínios imateriais de competitividade acima referidos, que permita uma melhor eficácia dos processos de inovação das PME. Para este concurso, o Alentejo 2020 disponibilizou uma dotação FEDER de 1 700 mil euros, e o concurso está aberto até 31.10.2016. Esta informação não dispensa a leitura dos avisos. (Fonte: Alentejo 2020 / Newsletter GAEE Azambuja)

Candidaturas abertas ao Prémio da União Europeia para Mulheres Inovadoras 2017 stá aberto até dia 3 de novembro o concurso para o Prémio da União Europeia para Mulheres Inovadoras 2017, que reconhece as mulheres empreendedoras que de forma bem-sucedida trouxeram inovações para o mercado. Recorda-se que, no ano passado, a portuguesa Susana Sargento, cofundadora da empresa Veniam, em Portugal, venceu o primeiro prémio deste concurso da Comissão Europeia que entra agora na sua quarta edição. Este ano também está aberta a mulheres de qualquer nacionalidade que vivam num país europeu (inclui qualquer Estado-Mem-

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bro da UE e países associados ao HORIZONTE 2020), que tenham fundado ou cofundado uma empresa com um volume de negócios igual ou superior a 100 000 euros. Para evidenciar a nova geração, a edição de 2017 irá também apresentar a categoria de Inovadora Emergente para empreendedoras com idade inferior a 35 anos. Carlos Moedas, o Comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, que gere o Programa HORIZONTE 2020 disse a respeito: «O Prémio da UE para Mulheres Inovadoras destaca apenas algumas das muitas mu-

lheres que contribuíram para a economia europeia do conhecimento. As vencedoras anteriores alcançaram proezas consideráveis em áreas tão diversas como a imunologia, as telecomunicações e o desenvolvimento de software. Esperamos que estes prémios possibilitem às vencedoras continuar o respetivo percurso de inovação e encorajem outras mulheres a seguir os passos destas empreendedoras extraordinárias.» No total, existem quatro prémios: 1º Prémio - 100 000 euros 2º Prémio – 50 000 euros 3º Prémio - 30 000 euros

Prémio de Inovadora Emergente 20 000 euros Um júri de alto nível irá avaliar e selecionar as quatro vencedoras, que serão anunciadas numa data perto do Dia Internacional da Mulher que se assinala a 8 de março de 2017. Para participar, as candidaturas devem ser efetuadas através do sítio web do concurso antes da data de encerramento, a 3 de novembro de 2016. Mulheres inovadoreas na Europa As mulheres representam ape-

nas 30% de todos os empreendedores na Europa. Com este prémio, financiado através do Programa de Investigação e Inovação da União Europeia, o HORIZONTE 2020 (2014-2020), a UE procura mostrar os feitos notáveis de mulheres que ultrapassaram barreiras para se tornarem empreendedoras, tais como o acesso ao financiamento e a redes de contactos, e chamar a atenção para a necessidade de aumentar a participação feminina neste domínio. Mais de 260 mulheres participaram neste concurso que se iniciou em 2011. As vencedoras

dos prémios de 2016 foram Susana Sargento (Portugal), que transformou automóveis em hotspots de wifi, Sirpa Jalkanen (Finlândia), de quem partiram inovações que permitiram o desenvolvimento de novos compósitos fármacos contra o cancro da mama e da próstata, e Sarah Bourke (Irlanda), pela sua tecnologia espacial pioneira que é usada pela Estação Espacial Internacional, NASA. Para mais informações consulte o site “Portugal 2020” ou contacte o GAEE em Azambuja. (Fonte: Portugal 2020 / Newsletter GAEE Azambuja


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Retratos da nossa terra Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

A história da Rua Caminho do Gado oi sempre conhecida pela Rua do Gado, porque era por lá que passava todo o gado que seria abatido no Matadouro, tanto gado manso como gado bravo. É na Presidência do Eng. Pedro José Carvalho Vidal que se dá a alteração de alguns nomes de rua, sendo que esta recebe e bem, em homenagem àqueles que ali faziam a sua labuta diária o seu nome verdadeiro: Rua dos Campinos. Por esta passaram em direção ao Matadouro, centenas, se não milhares de reses bravas. Mas nem todas, outras eram mortas no campo. Em homenagem àqueles que acompanhavam esse gado, os campinos, a Câmara deu o nome deles à rua que hoje serve de entrada nascente do trânsito na vila. Uma curiosidade, relacionada com este gado que vinha para abate, foi no pós guerra. Nos anos de 1945 e seguintes, Portugal vivia uma enorme crise e então muitas pessoas necessitadas acorriam ao Matadouro com panelas e outros apetrechos, para de acordo com o Fiel do Matadouro e os Campinos, irem buscar o sangue dos animais abatidos que lhes era ofertado, a fim de lhes servir de conduto nas suas parcas refeições. Alguns desses Campinos que ficaram na memória dos azambujenses foram: Francisco Felício, Pedro Desterro, Manuel Claudino, Sebastião Cláudio, José Tavares, Abrigadas, Luzios e muitos outros. Justíssima, portanto, a homenagem feita este ano ao Campino do Ribatejo, por ocasião das Festas da Freguesia com a colocação de um painel de azulejos na fonte da Rua dos Campinos.

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Parreirita Cigano: Triunfo em Montemor o Novo m destes dias as regras de trânsito ficaram “esquecidas” em Azambuja. Depois de muita polémica com o estacionamento e os sentidos de trânsito à volta do Centro Social e Paroquial, em que foram muitos os comerciantes que questionaram esta alteração, levando a que o município desse um passo atrás, eis que num dia tudo muda e já toda a gente estaciona em cima da linha amarela, inclusive a GNR com o Carro da Escola Segura. Terá sido por causa da visita do Secretario de Estado da Educação. Se assim é… é caso para dizer que “Educação Rodoviária Precisa-se”.

U

arreirita foi o triunfador da Novilhada de 4 de Setembro, integrada na conhecida Feira da Luz onde este ano tivemos 3 espectáculos, sempre com boas casas e onde houve uma homenagem ao cavaleiro da terra, Luís Miguel da Veiga. O jovem cartaxeiro foi o grande triunfador da tarde e os que assistiram lembraram-se das palavras do famoso critico tauromáquico Miguel Alvarenga que diz: Parreirita, o cavaleiro cujo futuro é grande. Mas não foi só em Montemor. O Campo Pequeno, Albufeira, Beja ou Nazaré, assistiram a triunfos deste jovem do Cartaxo, na sua luta por um lugar entre as primeiras figuras do toureio. Uma palavra final para os Veigas. Cavaleiro, Pintor, Guitarrista, filhos dessa grande terra que é Montemor o Novo.

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Ana Rita Continua a triunfar em Espanha na Rita continua a sua carreira por terras de Espanha. Nesta temporada leva já mais de 20 corridas feitas e os troféus vão - se acumulando. Orelhas, rabos e saídas pela porta grande, são já habituais para esta cavaleira de Aveiras de Cima que é considerada pela afficion espanhola a grande triunfadora da temporada de rejoneo e excelente a matar tanto a cavalo como a pé. Para Ana Rita augura-se um bom resto de temporada.

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o dia em que o Padre Paulo Pires “benzeu” os azulejos da fonte da Rua dos Campinos, um morador com mais sentido de humor interrogou-se se o ato benzeria só os azulejos. Para o morador, ao preço que a água está quase que seria preferível o dois em um e benzer também a águas de Azambuja, porque por este andar só com intervenção divina é que o preço desce.

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação:Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP-10171 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem:Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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Valor local edição setembro 2016  

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