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Valor Local Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 38 • 24 Junho 2016 • Preço 1 cêntimo

O Silêncio da Diabetes

Págs. 14, 15, 16, 17 e 18

Dívida e Cartágua não dão tréguas à Câmara do Cartaxo

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Estão aí os dias do Colete Encarnado Págs. 10 e 11

“Guerra” de candidatos no PS Azambuja Pág. 22


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Centenário da Aviação Militar

Presidente da República visita Vila Nova da Rainha Presidente da República vai ser o convidado de honra das comemorações do Centenário da Aviação Militar em Vila Nova da Rainha no próximo dia 17 de julho. Conforme o Valor Local tinha avançado em primeira mão, Marcelo Rebelo de Sousa estará presente na inauguração do monumento ao meio dia de domingo. O monumento será um avião devidamente restaurado e fornecido pela Força Aérea Portuguesa ao município de Azambuja, que ficará na entrada norte de Vila Nova da Rainha. O Chefe de Estado aceita assim o convite feito pelo Estado Maior da Força Aérea, tendo em conta

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o que estas comemorações representam para a aviação militar, sendo que Vila Nova da Rainha terá sido o berço onde tudo começou. Aliás na localidade, ainda são visíveis restos de hangares o que em certa medida assinala essa situação. De acordo com o presidente da Câmara Municipal de azambuja, Luis de Sousa, ainda não se sabe os pormenores envoltos na visita do Chefe de Estado. Sabese apenas da visita a Vila Nova da Rainha, mas desconhece-se, na altura do fecho desta edição, se Marcelo Rebelo de Sousa se vai descolar à sede de concelho. Marcelo será o segundo Presidente da República a visitar o concelho de Azambuja em 23

anos, tendo em conta que a última visita foi a de Mário Soares em 1993 no âmbito de uma presidência aberta. As comemorações do Centenário da Aviação Militar começam a oito de julho com uma sessão solene e uma conferência, seguindo-se uma exposição sobre a génese da aviação militar na galeria municipal no mesmo dia. Ainda a oito de julho, a Banda da Força Aérea proporciona um concerto na praça do município com entrada gratuita. Estas comemorações ficam ainda marcadas pela emissão filatélica comemorativa no dia 17 de julho e a inauguração “do sítio histórico” junto ao apeadeiro ferroviário, entre outras iniciativas.

Local onde ficará o avião cedido pela Força Aérea

Pátio das Coletividades na Glória deu mais um passo Câmara Municipal de Salvaterra de Magos já firmou o protocolo com União de Freguesias de Glória e Granho tendo em vista o fim último da requalificação do edifício designado por Hotel Jackson e a sua reconversão para pátio das coletividades. A Câmara permutou com a junta o terreno da Lagoínha, de seis hectares, e em troca ficou com o terreno onde está o dito edifício (2500 m2) e ainda o espaço onde está o mercado. O protocolo seguirá agora para Assembleia Municipal depois de ter sido aprovado na última reunião de Câmara, “até porque o calendário de intervenções será para lá do ato eleitoral de 2017, e entendemos salvaguardar esta matéria”, re-

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Edifício que servirá para acolher as coletividades

feriu o presidente da Câmara, Hélder Esménio. Através deste protocolo, a Câmara tem agora condições de fazer avançar uma candidatura aos fundos europeus para a requalificação urbana com a apresentação de um projeto para o efeito, “ com o compromisso ainda de auscultarmos a freguesia quando tivermos o estudo do projeto pronto. E só após a consignação das obras, a junta deixará de gerir o espaço”, referiu Hélder Esménio. “Se não conseguirmos as verbas para a obra a qualquer momento uma das partes pode pedir a reversão do protocolo, se porventura não houver dinheiro ou considerarem que algo não esteja a correr bem”; informou.

Para além de um espaço para as coletividades, o projeto poderá contemplar uma biblioteca e um auditório multiusos. A ideia foi aprovada por unanimidade pela Assembleia de Freguesia da Glória e Granho. Nas suas intervenções, os vereadores presentes referiram a necessidade de se salvaguardar fundos para a obra “nem que seja através do orçamento no caso de falha dos dinheiros comunitários”, referiu Francisco Naia. O vereador João Oliveira estranhou a necessidade de permuta, sendo que Hélder Esménio salvaguardou que assim ficam mais defendidos os interesses da junta já que é dado algo em troca, neste caso o terreno da Lagoínha.

Campeonato de motonáutica ausente de Vila Franca ste ano, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira assumiu a opção política de não apoiar a realização da etapa do circuito nacional de motonáutica organizada pela federação portuguesa da modalidade, e que de alguma forma vinha marcando o

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calendário desportivo no concelho. Desta feita, a cidade já não receberá a prova da modalidade. Em declarações ao Valor Local, o presidente da Câmara Alberto Mesquita refere que na base está o facto de a prova já não ser tão apelativa de se apoiar como ou-

trora, “com pouca evolução e com custos ainda elevados por parte do município”. “Em cada momento identificamos as nossas prioridades, e num determinado contexto podemos apoiar e noutro optar por não o fazer”, exprime o autarca, que vai

mais longe – “Possivelmente no ano passado, esperariam outro apoio, mas as nossas prioridades passam por fomentar a prática desportiva que não a motonáutica”. Em 2015, a autarquia apoiou logisticamente, mas noutros anos o suporte financeiro à prova “foi

bastante significativo”, refere. Alberto Mesquita não descarta contudo continuar a apoiar esta atividade desportiva no concelho de futuro. “É questão de voltarmos a conversar”, deixa no ar, lembrando que já houve outras ocasiões onde a prova sofreu um interreg-

no a nível concelhio. E neste aspeto lança o repto – “Gostaríamos de ver provas com outra expressão. No nosso ponto de vista, as provas que nos trouxeram ultimamente contemplavam poucos barcos e queriamos de ter mais”.


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«Heróis da Fruta» do Cadaval receberam diplomas ealizou-se, no dia 9 de junho, a cerimónia oficial de entrega dos diplomas referentes ao programa nacional “Heróis da Fruta”, numa parceria do Município do Cadaval com a APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil. A atividade contou com a presença das mascotes oficiais da iniciativa, bem como das cerca de 500 crianças integrantes do 1.º ciclo concelhio. Na ocasião, José Bernardo Nunes, presidente da Câmara do Cadaval, falou às crianças presentes sobre os benefícios do consumo de fruta, em especial da pera Rocha do Oeste, tendo deixado algumas notas sobre a importância da produção daquele fruto no concelho. A entrega de certificados aos alunos participantes coube às mascotes do projeto “Heróis da Fru-

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ta”, que pretende, anualmente, sensibilizar as escolas do país para a importância que a alimentação tem na saúde, desde tenra idade. Os cerca de 500 alunos do 1.º ciclo do concelho presentes prestaram “juramento oficial”, criando simbolicamente o compromisso de uma alimentação saudável. Recorde-se que neste segundo ano consecutivo de adesão ao programa “Heróis da Fruta”, o Cadaval contou com a participação de todas as escolas básicas de primeiro ciclo, no total de 10 escolas e 28 turmas. A cerimónia de entrega de diplomas contou ainda com a interpretação, pelas escolas locais aderentes, dos designados “Hinos da Fruta”, iniciativa por seu turno integrada no programa alimentar, a que haviam aderido as escolas

A visita das mascotes integrou cerimónia Heróis da Fruta da Murteira, Painho, Cadaval, Vilar, Dagorda e Figueiros. Incluiu também um momento musical interativo, com animação

pelas mascotes presentes, e ainda um “Meet & Greet” entre as crianças e as referidas mascotes, no final da atividade, com direito

a cumprimentos e a fotografias. O positivo balanço efetuado pelos parceiros do programa (que no concelho conta ainda com o

apoio do Agrupamento de Escolas) deixa antever a continuidade da iniciativa no próximo ano letivo, em todas as escolas locais.

que desejaria chegar mais longe. O preconceito aliado ao desconhecimento têm-na impedido de fazer com que este sonho possa voar mais alto, mas desvenda que tem conseguido alguns êxitos porque o cavalo “é um animal especial, que se entrega”. “Quando aplico as técnicas de reiki aos chacras do cavalo é como se fôssemos apenas um, entrega-se e mostra onde deseja ser estimulado, relaxando completamente”, descreve. A terapia segundo Olívia Pimentel tem permitido a alguns animais recuperarem de lesões, inclusivamente um cavalo sua propriedade que “andava

muito nervoso” conseguiu também superar “uma fase menos boa”. Devido ao estado em que se encontrava o animal, Olívia Pimentel decidiu ir a Inglaterra tirar esta especialização, porque em Portugal a informação ainda era escassa. No estrangeiro, este tipo de técnicas são normais ao contrário do que acontece no nosso país. “É vulgar existir para além do veterinário, o terapeuta de reiki, e o de acupunctura”. Neste âmbito, foca que “os cavalos são muitas vezes o reflexo dos donos, que não estão despertos para em conjunto com o cavalo também poderem

ser trabalhados. Dizem logo que isso não é para eles. Ainda há algum machismo, embora as gerações mais novas sejam mais abertas”. Normalmente, quando recorrem ao reiki, “é mesmo em última instância quando já não encontraram solução noutras vias”. Tendo editado um livro no ano passado dedicado ao reiki em animais, Olívia Pimentel prepara-se para editar uma nova obra desta vez focada apenas no seu trabalho em cavalos. Para além do reiki, a mestre também utiliza outras práticas no âmbito das ditas medicinas alternativas nos animais como os cristais e o xamanismo.

A encantadora de cavalos livia Pimentel descobriu o reiki há 10 anos atrás. Esta terapia, no âmbito das medicinas alternativas, consiste na estimulação de pontos sensoriais no ser humano e com isso trazer algum tipo de cura ou alívio numa conjugação de corpo, mente e espírito. Mais recentemente têm sido também divulgados os possíveis aspetos benéficos quando aplicada a terapia aos animais. Olívia Pimentel, de Azambuja, é das poucas pessoas especializadas em reiki para cavalos no nosso país. Tem divulgado os seus conhecimentos no Ribatejo junto de criadores de cavalos mas confessa

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Olívia aplica reiki em cavalos

Nova data para reabertura das piscinas de Azambuja s Piscinas Municipais de Azambuja vão abrir de novo no final de 2017. A garantia foi dada pelo presidente da Câmara de Azambuja, em primeira mão, durante as transmissões das esperas de toiros na Valor Local TV. O autarca salienta que nesta altura a obra já se encontra orçamentada, e por isso até ao fim do ano, “iremos lançar o concurso para a sua recuperação”. Luis de Sousa salienta que este é um assunto urgente, dado que entende que “já deviam estar a fun-

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cionar há muito tempo, mas por causa dos constrangimentos financeiros, tal não tem sido possível”. O autarca refere que esta questão “já está na nossa divisão de saldos” pelo que garante o início do processo ainda neste ano de 2016. Recorde-se que as piscinas de Azambuja estão encerradas desde 2010, altura em que Joaquim Ramos anterior presidente da Câmara decidiu fazê-lo por falta de condições. À época Ramos, ga-

rantiu que haveria dinheiro para reabilitar a Praça de Toiros e as Piscinas, cerca de 600 mil para a praça e mais de um milhão para as piscinas. Todavia, essa verba esgotou-se antes das obras avançarem, e a situação financeira do país e da Câmara não possibilitaram a recuperação das mesmas. Passados seis anos, Luís de Sousa salienta que este hiato de tempo não representou um acréscimo de preço na obra “antes pelo contrário”. Ao Valor Local, Luis de Sousa salienta que à época os pri-

Rua de Santa Ana – Ribeira do Cartaxo 2070‐223 Cartaxo

meiros estudos de reabilitação apontavam para valores na ordem do milhão e meio de euros, mas com o passar do tempo o valor baixou. O presidente da câmara

tem agora um estudo que aponta para cerca de 450 mil euros, o valor total para a recuperação das piscinas. Luis de Sousa refere assim que

“recorrendo a uma empresa da especialidade que nos apresentou um estudo diferente, vamos conseguir recuperar e colocar as piscinas a trabalhar”.

Vila Chã de Ourique homenageia antigos combatentes stá patente até ao dia 30 de junho no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vila Chã de Ourique, uma exposição de homenagem aos antigos combatentes que estiveram no Ultramar. Esta mostra recorda os “filhos da terra” que perderam a vida a lutar pela pátria, nomeadamente Hermínio Monteiro e José Rodrigues. Com o título “Porque somos uma terra de boa memória” a exposição mostra momentos e vivências no Ultramar, e expõe também objetos pessoais dos soldados, bem como alguns fardamentos usados na época. No exterior, a Junta de Freguesia, inaugurou ainda um monumento de homenagem aos combatentes.

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Idosos de Vila Franca contam como é a vida na cidade ¢

Sílvia Agostinho Valor Local foi conhecer um conjunto de idosos que normalmente costuma passar a tarde a jogar às cartas numa das coletividades locais – a Comissão Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos de Vila Franca de Xira. Entre as questões que os tendem a deixar mais vulneráveis ou expostos, e das quais falaram sem hesitação, estão o abandono dos familiares, o isolamento, a falta de saúde e de apoio vistas com grande preocupação, em que a palavra solidariedade tenta triunfar sobre os demais conceitos negativos. Quase todos referem que conhecem situações em que alguns dos mais velhos da cidade se sentiram desprotegidos ou mesmo em risco, e apontam o caso de Frederico Neves, de 77 anos, colega do jogo de cartas. Hoje, vive num quarto alugado que a Segurança Social lhe providenciou mas nem sempre foi assim. Sendo um concelho predominantemente urbano, Vila Franca de Xira é dos que apresenta um nú-

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mero considerável de idosos a viverem sozinhos. Durante os primeiros seis meses de 2015, este município apresentava mesmo uma das percentagens mais altas de denúncias de idosos em situação de risco, de acordo com dados divulgados publicamente pelo Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa. Cerca de 62 queixas respeitantes a este concelho num universo de 95 denúncias, onde também se encontravam os municípios de Arruda dos Vinhos, Alenquer e Azambuja. O idoso Frederico Neves chegou a dormir debaixo da autoestrada na Castanheira do Ribatejo, e mais tarde num prédio inacabado na zona de Santa Sofia. “Quando o conheci, tinha a roupa toda molhada. Indiquei-lhe esse prédio abandonado, sempre era melhor do que estar a dormir ao relento”, indica outro dos reformados, Júlio Formigo, de 63 anos, natural de Arruda e poeta popular. “Mas agora estou ainda mais satisfeito por ele ter encontrado uma casa”, até porque em Santa Sofia as condições também não eram

as melhores – “Se lá entrasse não ficava nem um minuto”; assegura. O idoso que viveu nas ruas até conseguir alugar um quarto por 200 euros relata que hoje não pode querer mais. Consegue tomar banho quando deseja, faz as refeições, e vai passando o dia na coletividade. O dinheiro da reforma vai quase todo para a renda, por isso foi-lhe indicado um serviço de refeições gratuitas pela Segurança Social mas nem sempre recorre porque “servem os almoços já perto da três, e fuime habituando a cozinhar sozinho”. Natural de Lisboa, há muitos anos que está em Vila Franca – “Adoro isto!”, refere. A vida hoje é mais tranquila e até participa nas atividades da coletividade, e com frequência vai aos passeios organizados por entidades da cidade. Como um que houve há pouco tempo a Évora. Mas ainda se lembra bem do medo que sentia quando vivia no prédio de Santa Sofia- “Não passava frio, mas tentava nunca entrar de noite naquilo que era an-

Rede de apoio à vítima com apoio à terceira idade vereadora com o pelouro do Apoio Social no município de Vila Franca refere que a autarquia tem procurado estar atenta às principais questões que afetam a terceira idade, seja através da realização de atividades lúdicas, seja através da sinalização de casos de idosos nos quais seja necessário agir em conjunto com outras entidades. A promessa de criação de uma rede de apoio à vítima que saiu das conclusões da apresentação do diagnóstico social recentemente, deverá incluir esta franja da população. Maria de Fátima Antunes dá como exemplo, para já, o serviço de teleassistência que será reforçado entretanto, “com a inclusão das redes móveis”. Trata-se de um projeto iniciado em 2012 em articulação com as forças de segurança, também numa base do policiamento de proximidade. “Sabemos que nos meios rurais ainda funciona o espírito de vizinhança, e há sempre quem dê o alerta. Nos meios mais urbanos do concelho, tornam-se importantes as associações de reformados neste auxílio às pessoas”. Neste contexto são também importantes as ações de sensibilização decorridas no âmbito das várias associações ligadas ao idoso, relacionadas com a temática da saúde e da segurança. Neste aspeto, o fenómeno da violência contra idosos é também uma realidade no concelho, que a nova rede de apoio à vítima procurará combater. A autarquia refere que a aposta passa também por integrar os cidadãos em atividades proporcionadas pelo município como a Festa da Flor ou a Passerelle de Ouro no que se refere à problemática do isolamento.

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Vereadora destaca as novidades da teleassistência

tes a minha casa, pois andavam sempre por ali uns drogados. Um dia tive muito medo e chamei a polícia, que veio logo. O agente disse que a Segurança Social ia encontrar uma casa para mim e assim foi. Foi há um ano e cinco meses”. Nessa altura, ainda se recorda de só conseguir tomar banho uma vez por semana e de ter outras carências. Esteve um ano nesse dito prédio. Frederico Neves nunca se casou, sempre viveu só, e a pouca família que tem já não lhe presta atenção. “Há muitos filhos que não passam cartão aos pais”, junta Heliodoro Nobre que sente que este é também um fenómeno bastante enraizado no dia-a-dia dos mais idosos de hoje – uma espécie de desprezo dos familiares. “No meu caso não me posso queixar, mas é algo que acontece”. E por isso reafirma a necessidade das instituições estarem alerta e sugere – “Há por aí tanta casa abandonada nesta cidade, que com pequenos arranjos podiam dar para meter lá pessoas mais velhas, daquelas que merecem ser ajudadas”. O próprio diz ser também um voluntário no dia-a-dia: “Se por acaso alguém da minha idade ou mais velho precisar não hesito em ajudar; como ir à farmácia ou passear o cãozinho”, destaca. “Já colaborei muito com a Misericórdia. Enviei para lá muitos velhotes e velhotas”. Este idoso assiste com muita atenção às mudanças do mundo, e acha que hoje em dia “as coisas estão piores porque não há respeito”. Nos tempos livres adora ir apanhar caracóis e tenta fazer o máximo de exercício físico que consegue pois adora a vida e a última coisa em que pensa é em ir para um lar. A diabetes é um dos seus piores pesadelos, e anda sempre assustado com a doença até porque já apanhou alguns puxões de orelha da médica. Já Júlio Formigo que também se diz adepto de caminhadas, não esconde também o seu “respeito” pela doença e quanto a atividades para os mais idosos, gostaria que a Câmara pudesse fazer passeios grátis no barco varino ou em alternativa a preços mais baixos. É com orgulho que exibe a sua veia de poeta e o poema “Fui passear a Lisboa”. Quem também gosta muito de passear é Almiro Gomes, 74 anos, residente há mais de 40 em Vila Franca, e presente na conversa – “Passo cá pouco tempo, viajo muito para o Minho”, refere. Também Alfredo Rodrigues, de 81 anos, não quer pensar em ir para um lar, mas se tiver de ser

Alfredo Rodrigues

Almiro Gomes

Frederico Neves e Heliodoro Nobre

Júlio Formigo regressa à sua terra natal a São Pedro do Sul, onde conhece algumas instituições tendo em vista esse fim. Está reformado há 31 anos, e os seus dias passam também pela biblioteca local: “Uma coisa notável”. “Dei os parabéns à antiga presidente da Câmara no dia da inauguração”. De manhã, conta, que lê os jornais diários e à tarde revistas e livros, “mas apenas o que consigo compreender, o que não consigo deixo de parte”. Também este idoso se preocupa com a saúde,

e por isso é um dos habituais frequentadores de espaços na cidade onde existam máquinas de manutenção – “que são uma maravilha para a parte esquelética mas também para a mental que melhorou muito”. “Há quem goste de participar em atividades desportivas de clubes e associações mas eu prefiro essas máquinas”. Há mais de 40 anos que vive em Vila Franca, mas considera que “São Pedro do Sul é melhor em tudo, principalmente no turismo por causa das termas”.


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Uma das portuguesas que procurou clínica alemã

Fátima Simões venceu o cancro m novembro de 2013, o nosso jornal publicava uma reportagem com doentes com cancro da nossa região que procuravam uma cura na Alemanha, em Dunderstadt, através de transplantes de células dendríticas. Passados dois anos e meio fomos ao encontro de alguns desses protagonistas, como é o caso de Fátima Simões, que encarava um liposarcoma já desde 2007, um tumor maligno que se instalou primeiro numa perna, e chegou depois aos rins e ao pâncreas. Foram necessários cinco tratamentos, durante seis meses, na Alemanha para ficar livre da doença. Embora dito assim pareça fácil, foram muitos anos a lutar contra a doença. Hoje Fátima Simões, moradora em Ribafria, Alenquer, gere um restaurante em Arruda dos Vinhos. Ainda se está a restabelecer, e apesar de a doença ter entrado em remissão total trouxe-lhe a diabetes e algumas outras complicações de saúde, mas nada

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comparadas com o que ficou para trás. “Continuo a fazer exames com regularidade, a minha médica disse-me que não há probabilidades de voltar a recidivar, embora tenha dificuldade em aceitar que foi o tratamento na Alemanha que me curou”, refere sintetizando – “Oxalá que seja verdade, porque fiquei contente com a minha ida lá. Hoje sinto-me bem”. Chegou a experimentar quimioterapia em 2007 e 2009 mas sem resultados. Para conseguir pagar os tratamentos na clínica alemã à qual também acorriam muitos portugueses, na altura em que lá esteve, teve de desembolsar no total 30 mil euros. Para isso contou com a boa vontade de amigos e vizinhos que organizaram alguns eventos de angariação das verbas necessárias, assim como, do seu padrinho que diz ter tido uma importância fundamental pois suportou uma boa parte dos custos. “ Se não fosse o meu padrinho

não conseguiria pagar os tratamentos”. “Com os eventos e com as caixinhas que depositei no comércio de Alenquer, consegui as verbas para pagar o alojamento, porque tinha de ficar hospedada de cada vez que me deslocava”, acrescenta. Hoje confessa que tenta levar a vida da forma mais normal e não pensar muito no que lhe aconteceu. “Para mim estar ocupada é o principal”, confessa não esquecendo a solidariedade de todos os que ajudaram neste caminho. “Espero nunca mais ter esta experiência. Foi duro descobrir que tinha a doença que depois foi atingindo outros órgãos, e ter ficado sem parte de pâncreas. Fiquei muito assustada até porque quando dizem que o tumor atinge o pâncreas poucos conseguem sobreviver, mas no meu caso consegui.” Entre as principais sequelas está a diabetes, “e a catrefada de comprimidos que tenho de tomar todos os dias, mas o pior já lá vai”.

A nova vida de Fátima Simões

Loja do Munícipe atendeu 30 mil em seis meses eis meses depois da inauguração, a Loja do Munícipe em Vila Franca de Xira é hoje uma mais-valia para os utentes. Em seis meses a Loja do Munícipe atendeu cerca de 30 mil pessoas de forma presencial. Pelo telefone fez cerca de 36.600 atendimentos. Já quanto a pedidos de documentação, houve perto de 17 mil documentos transacionados de forma digital e em papel. O município faz, por isso, um “balanço positivo” e destaca que com a abertura da mesma “que era um compromisso com a população” foi “facilitado o acesso

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aos vários serviços municipais.” Segundo a autarquia “passámos a ter um atendimento centralizado que facilita em muito o tratamento de quaisquer questões com a Câmara Municipal e os SMAS”, vincando que a autarquia tem a noção de que tanto “os munícipes como os agentes económicos preferem o atendimento presencial e o equipamento tornou-se um ponto de contacto privilegiado”. A Câmara esclarece por isso que com esta aglomeração de serviços, tem-se notado “uma maior procura”, vincando que é a tesouraria que regista o maior número

de atendimentos, cerca de 13694. A loja registou para os SMAS 6531 atendimentos, seguindo-se o urbanismo com 4241 pessoas atendidas, e por último o atendimento geral, onde são tratados os diversos serviços da Câmara Municipal, com 3967 atendimentos. Segundo o município, não há planos para outra loja do género em Vila Franca de Xira. Em resposta ao Valor Local, “considera-se que a loja e as delegações existentes em Alverca do Ribatejo e Póvoa de Santa Iria dão resposta adequada às necessidades”.

Ateneu Artístico Vilafranquense vai entrar em eleições Ateneu Artístico Vilafranquense está de novo sem direção e deverá ter eleições em breve. José Ferreira abandonou recentemente a direção da coletividade depois de um período de quatro anos. Mário Calado, presidente da Assembleia Geral, é agora o presidente de uma comissão de gestão que deverá estar em funcionamento até meio de julho, altura em que será marcado o ato eleitoral. Mário Calado que assegura a direção interinamente vinca que José Ferreira tinha assumido a sua saída da direção no mês de junho de 2016: “José Ferreira tem mais projetos na sua vida, fez a sua missão e trabalho, cumpriu o que estava estabelecido, e referiu que não estava disponível para continuar”.

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Posto isto, e para não existir um vazio, o passo seguinte foi encontrar alguém que assumisse a direção. Mário Calado salienta que essa etapa já foi dada e anunciou ao Valor Local o nome de José Luís Ferreira para novo presidente, o qual também fez parte da comissão de gestão, e que noutros tempos “foi presidente da federação de triatlo, numa altura em que a mesma estava no seu auge”. É por isso “uma pessoa com experiência no associativismo e com liderança de grupos do tipo que o Ateneu necessita”, adiantando que tem fé que “vai conseguir trabalhar” na coletividade. “Estamos a aguardar que exista uma luz ao fundo do túnel para marcar o ato eleitoral e colocar de novo o Ateneu a voar dentro daquilo que espero que seja a regra

e não a exceção”. Esta é até ao momento uma lista única. Também o Ateneu, à semelhança de tantas outras coletividades tem dificuldades em encontrar pessoas para as direções. Aliás Mário Calado vinca mesmo que a única exceção foi o Clube Taurino de Vila Franca que teve duas listas concorrentes à direção. Contudo a falta de liquidez financeira do Ateneu funciona como um fator dissuasor no sentido do aparecimento de mais do que uma lista. Mário Calado já há quase 20 anos que se encontra nas fileiras do Ateneu onde exerceu o cargo de presidente da direção e assembleia geral. Diz ter a esperança que alguém o subsitua nessas funções, pois teme ser mal interpretado por acumular funções como presidente da Jun-

ta de Vila Franca de Xira. Mário Calado salienta ainda que os novos estatutos do Ateneu já

não obrigam a que haja “demasiados dirigentes” como antes, “o que torna mais fácil encontrar

pessoas disponíveis”, o que se revela como “facilitador do processo”.


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Os desafios do Centro Cultural Azambujense ¢

Nuno Filipe este 2016, o Centro Cultural Azambujense (CCA), popularmente conhecido por “Banda de Azambuja” comemora o seu 115º aniversário. Para saber mais sobre a vida da coletividade, o Valor Local conversou com Fátima Rafael e Jorge Almeida, respetivamente presidente e vice presidente da direção do Centro. Como em qualquer pequena coletividade o Centro cultural Azambujense vive de uma gestão ao cêntimo, inclusivamente teve de extinguir ou reduzir algumas rubricas que existiam no passado,

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pois o CCA tem despesas fixas, tais como água, luz e o pagamento do Maestro (que segundo os diretores é a única pessoa remunerada na coletividade) “mas nunca se sabe quando o dinheiro entra”. Por isso apesar de apoios pontuais da Câmara Municipal, Junta de freguesia e INATEL, contenção é palavra de ordem. Segundo Fátima Rafael, o CCA recebe uma média de 2700 euros em subsídios da Câmara de Azambuja, e 300 euros do INATEL, sendo que ainda recentemente a Câmara e a Junta ofereceram alguns fardamentos, mas

Diretores da banda de Azambuja

também existe “uma enorme despesa em aquisição e manutenção de instrumentos, por exemplo uma tuba das mais baratas custa na ordem dos 5 mil euros e isto numa casa que tem como orçamento médio 30 a 35 mil euros anuais. As atuações da banda têm um caráter sazonal, mais de verão do que de inverno, incluindo festas, procissões e corridas de toiros. São segundo os diretores, os serviços que as bandas fazem hoje em dia, mas que cada vez mais, seja por falta de dinheiro das comissões que em muitos casos querem barulho e não qualidade e optam por bandas mais baratas; ou por haver menos corridas, vão diminuindo. Fátima Rafael diz-nos que também existe o problema da falta de transporte próprio da coletividade, e por vezes, entre pagar transporte e alimentação aos músicos que nada recebem, ou pagar reforços externos, o serviço muitas vezes dá para pagar as despesas sem que a a coletividade consiga ter algum lucro. Além da banda de música que desde novembro de 2014 é dirigi-

Encontro de bandas promovido pelo CCA recentemente da por Luís Balão e que conta com cerca de 40 elementos numa mescla de juventude e veterania, o CCA possui ainda uma Escola de Música com mais de 40 elementos e que no dia 24 terá o seu espetáculo de encerramento de ano letivo. Há também uma Escola de Fado, atividade de Kempo, e de Madorna (re-

creação etnográfica); além de explicações para os associados da coletividade. Em termos da adesão da população ao CCA, que tem segundo os diretores cerca de 500 associados, Jorge Almeida diz que o facto de a coletividade se encontrar numa bairro mais periférico da vila, condiciona essa adesão. devido ao

facto de hoje em dia “as pessoas não gostarem de se deslocar para fora da malha urbana”. A presidente concorda e deu o exemplo de um concerto que teve lugar em dezembro na Igreja Matriz de Azambuja “que encheu, o que quer dizer que as pessoas até aderem às atividades, desde que elas sejam no centro”.


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Exposição “Ciclos do Arroz” e a tentativa de regresso às origens do Neo-Realismo uem entra por estes dias no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira depara-se logo à entrada com uma imponente alfaia agrícola utilizada em outros tempos no cultivo do arroz. O objeto, uma debulhadora cedida pelo Centro Operativo e Tecnológico do Arroz, em Salvaterra de Magos, convida a visitar e a apreciar a exposição “Ciclos do Arroz” que está patente até dois de outubro, a qual teve como ponto de partida a ex-

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fotografias, esquissos, desenhos ou estudos, foi utilizado como matéria-prima e fonte de inspiração para os trabalhos artístico-literários que foram produzidos pelos participantes, e que podem ser apreciados nesta mostra. A exposição, com curadoria de João Madeira, destaca-se por incluir objetos do trabalho agrícola e do quotidiano dos camponeses, alguns dos quais vinham de outras zonas do país para trabalharem na

Uma das fotos da exposição periência coletiva, artístico-literária, realizada em 1953 por iniciativa do escritor Alves Redol, na qual participaram os artistas plásticos Júlio Pomar, Rogério Ribeiro, Alice Jorge, Cipriano Dourado, Lima de Freitas e António Alfredo, e que consistiu no acompanhamento das jornadas dos trabalhadores rurais nos arrozais do Ribatejo. O registo desse trabalho de campo, sob a forma de apontamentos,

lezíria sujeitos a condições muito difíceis. Foi também a captura desta realidade que interessou a Alves Redol e aos seus colegas. “Estavam interessados numa aproximação pela parte das questões sociais, e da denúncia dos problemas das pessoas no seu dia-adia”. Os movimentos migratórios associados ao arroz estão também expressos nesta exposição, “que tan-

to podiam vir da Beira Litoral, como das zonas montanhosas, do Alto Ribatejo e também do sul”, explica Paula Monteiro, assistente de curadoria. “Vinham mondar, semear, ceifar, plantar”, e por isso permaneciam meses deslocados das suas zonas de origem. E tinham alcunhas: os “ratinhos” eram das zonas montanhosas da Beira Alta, os “caramelos” eram oriundos da Beira Litoral, e os “gaibéus” da Beira Baixa e Alto Ribatejo. Na sua maioria eram mulheres, “mais indicadas para este trabalho, porque o arroz exige mãos delicadas”. Chegavam com os filhos e instalavam-se nos ditos quartéis, barracões muito grandes, uma espécie de alojamento muito precário e com poucas condições de salubridade. Permaneciam aí até à altura de regressarem às suas terras. A vida rude nos campos está bem patente nesta exposição, onde as mulheres andavam pelos campos com as saias subidas um pouco acima do joelho, presas por uma espécie de cinta na zona da anca para não molharem a roupa na apanha do cereal. O capataz exigia que andassem descalças, “pois assim davam mais rendimento”, ilustra também Fátima Pires, assistente de curadoria. As doenças associadas a estas condições também eram comuns, como a malária. O trabalho infantil na altura era uma prática pelo que muitas adolescentes se encontram retratadas nas várias fotografias que podem ser apreciadas. Para complementar esta exposição, o museu disponibiliza o documentário produzido pela Câmara de Salvaterra – “Terras do Arroz”. “Surpreendeu-nos ao fazer esta exposição a questão das migrações, com tanta gente e por períodos tão longos de tempo. Esta dimensão humana tão grande. Interessou ao museu e a esta exposição refletir sobre este trabalho tendo em conta que, naquela altura, o movimento neo-realista vivia um conflito na sua matriz, com o aparecimento já de alguns caminhos divergentes. A reunião destes artistas com Redol para esta recolha teve por objetivo um regresso às

origens do Neo-Realismo também”, especifica Paula Monteiro. A recolha deu-se, então, no ano de 1953. Ao longo da década de 50 foram produzidos os diversos trabalhos ilustrativos dessa jornada dos artistas na lezíria ribatejana. Nas paredes do museu, estão lado a lado desenhos de artistas e quadros pintados, uma parte por Júlio Pomar, que retratam o mesmo instante captado pela fotografia. “Júlio Pomar contou-nos que os artistas teriam gostado de ir mais vezes ao terreno, mas era difícil viajar. Por outro lado, tinham de trabalhar em outras coisas para garantir o seu sustento”. A ceifeira de arroz que era vaidosa do seu trabalho Maria Adelaide, de Benavente, hoje com 77 anos, sempre foi boa aluna, “a melhor”, não tem pejo em admitir, mas quis a vida que fosse trabalhar para o campo, interrompendo um futuro promissor que já se adivinhava na escola primária, “onde era a melhor em tudo”. Mas no arroz, o seu espírito competitivo também se fazia sentir. E apesar de desgostosa com a saída da escola, não hesitou em arregaçar as mangas, ou se calhar é melhor dizer arregaçar as saias, tendo em conta a especificidade deste trabalho. “Fiquei com pena de ver certas raparigas que eram tão burras tirarem a quarta classe, mas eu tinha de ir ajudar os meus pais”; diz no seu tom muito característico. Os pais eram camponeses: “Nunca tive nem doutores nem engenheiros na família. Só campinos e trabalhadores e todos muito sérios” diz com orgulho. Para ajudar a colocar pão na mesa, Maria Adelaide foi com nove anos para a monda do arroz. A quarta classe só a tirou na idade adulta. “Fui sempre boa para trabalhar até gostava mais de fazer o trabalho dos homens, que consistia em levar os molhos do arroz para cima de um reboque que depois ia para a eira”. Isto antes de aparecerem as ceifeiras debulhadoras. Antes havia as foices – “Éramos muitas a trabalhar. A ganhar metade do

que os homens ganhavam”. A vida no campo era dura: “Cheguei a ir para a Quinta da Murteira, do outro lado do Almansor. Deveríamos es-

os comunistas, que não queriam que elas fossem trabalhar por causa de uma greve”. Mas muita gente “nem sabia o que era aquilo ou

Uma vida inteira dedicada ao trabalho rural tar lá ao nascer do sol. Atravessávamos toda a várzea de Samora. Tínhamos de passar o rio através de umas tábuas improvisadas”. Maria Adelaide que naquela altura era das mais novas no trabalho do campo, também se recorda de “andar na eira a ‘desatar’ o arroz que ficava nas debulhadoras grandes. Cortávamos com uma navalha”. E mostra algumas sequelas do trabalho: “Gostava de cortar rentinho, porque era muito vaidosa, e este calo que tenho na mão é dessa altura”. “Mas sachar milho era pior do que o trabalho do arroz. Adorava quando havia vento, e enrolava o arroz. Chegávamos aos canteiros e nem o víamos. Estava todo deitadinho. Era engraçado andar à procura dele”. Um dos episódios desses dias foi quando “houve uma grande cheia em Samora, e andávamos com os molhos do arroz à cabeça, e aos nossos pés ratos a quererem subir pela gente acima, e nós a sacudirmo-nos todas”. Para aliviar a rudeza do trabalho, Maria Adelaide e as colegas conversavam sobre a vida, só não se podia fala da ditadura. Cresceu com o Estado Novo e ainda se recorda quando a mãe e um grupo de outras mulheres foram trabalhar para uma propriedade em Santo Estevão, “e havia lá aquela gente,

o que eles pretendiam”. Por isso, algumas mulheres foram, mesmo assim, trabalhar “e numa zona que é o Valado, perto da Quinta da Palmeira, enredaram-se numas silvas, enquanto outras andavam a descompô-las, a mandarem-nas para casa, porque não tinham nada que ir trabalhar”. A GNR “foi buscar as que estavam no trabalho, como a minha mãe a minha tia, e as que provocaram o levantamento”. Imediatamente, “chegou lá o tenente de Coruche e deu com um vergalho nas que protestavam. Uma senhora que morreu há pouco tempo até se mijou toda. Aquele tenente era do piorio”. E quanto aos patrões – “Nem todos eram bons, havia de uns e de outros”. Pois “alguns malandros que nem queriam pagar”. A maioria dos proprietários eram de Coruche. “Trabalhámos durante anos para um senhor da Fajarda”. Quando apareceram as primeiras máquinas, os ordenados subiram, “e até me lembro de o senhor Paim me ter dito que ia passar a ganhar 50 mil reis, quando antes ganhava 20. Entretanto como já havia menos gente a querer ir para o trabalho do campo, tiveram de subir os ordenados”. O marido de Maria Adelaide foi o primeiro a ir trabalhar com um rebaixador para a Companhia das Lezírias.

Cartaxo abraça candidatura do fandango a património da Unesco m conjunto com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, o município do Cartaxo vai liderar a candidatura do fandango a património cultural imaterial da humanidade pela Unesco. A dança típica ribatejana e ex-libris dos ranchos daquele concelho tem de acordo com as

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palavras do presidente da Câmara, Pedro Ribeiro, condições para garantir o estatuto pretendido. “Estamos no coração do Ribatejo, e somos o único concelho desta região cujos ranchos folclóricos de todas as freguesias possuem esta componente do fandango, e vários tipos de fandango”, refere o autar-

ca salientando que este é o grande argumento, mas diz que pretende partilhar a candidatura com os demais concelhos vizinhos. “Vamos procurar envolver todas as Câmaras pois só assim faz sentido para se abarcar toda a riqueza que esta candidatura pode proporcionar”. Defendendo que o fandango pode

inscrever-se na mesma linha do cante alentejano e do chocalho, Pedro Ribeiro entende que apesar da pulverização de candidaturas um pouco por toda a parte, tal não tem de prejudicar automaticamente esta vontade do concelho; e para isso considera fulcral a escolha dos elementos da coordena-

ção científica. “Tem que ser alguém com a flexibilidade suficiente apara compreender que há outros académicos que têm versões diferentes. Não pode ser um ortodoxo. Da diversidade pode surgir a polémica interessante”. “Vamos mobilizar conhecimento, prática, e união entre todos os con-

celhos, e nisso já ganharemos algo. Se depois tivermos o reconhecimento da Unesco será a cereja no topo do bolo”, concretiza. Há quem defenda várias origens para esta dança folclórica: França, Brasil e até existem os defensores que subscrevem que a mesma se inscreve na corrente celta.


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Em Foco

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Dívida e Cartágua não dão tréguas à Câmara do Cartaxo A dívida do município do Cartaxo e a concessão das águas têm sido ao longo deste mandato os principais calcanhares de aquiles do executivo socialista. Pedro Ribeiro revela que poderá estar a caminho um novo empréstimo de 55 milhões, no âmbito de uma visita do FAM ao concelho, e no capítulo das águas foi finalmente entregue o estudo pedido à Cartágua há quase três anos sobre a atualização do tarifário. epois de ter levado a efeito um plano de reestruturação financeira, o município do Cartaxo precisa, nesta altura, de um novo empréstimo do Fundo de Apoio Municipal (FAM) de 55 milhões de euros de modo a fazer face ao estado em que se encontram as redes viárias, a limpeza urbana, a conservação dos espaços públicos, mas também levar a cabo pagamentos de dívidas a fornecedores, e cumprimento de serviços públicos essenciais. Para isso, estiveram presentes in loco, no dia 15 de junho, no concelho vários elementos destacados pelo FAM indicados pela Direção Geral de Orçamento. Com esse empréstimo com juros mais favoráveis

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destinados a amortizar dívida bancária, o município pretende libertar anualmente cerca de 400 mil euros do seu orçamento municipal para fazer face às ações atrás elencadas, nomeadamente, a requalificação de estradas, cujo plano já se encontra elaborado em articulação com as juntas, num total de dois milhões até 2020. “Outros municípios geraram dívida mas conseguiram ter boas estradas, ótima iluminação pública, excelentes espaços públicos, bibliotecas e piscinas novas e nós nesse âmbito ficámos muito para trás. Não temos nada disso”, diz Pedro Ribeiro, presidente da Câmara. O facto de o atual quadro comunitário não compreender

apoios a obras públicas dificulta ainda mais a necessidade de efetuar os melhoramentos em estradas, uma das áreas mais gritantes no concelho. De acordo com Pedro Ribeiro, em primeira mão, ao Valor Local, a comissão do FAM, “que é uma espécie de Troika” para os municípios ficou “muito sensibilizada” com o que viu, para além de “reconhecer os esforços do município em matéria de organização das suas contas”, no âmbito do Programa de Ajustamento Municipal. Durante a passagem pelo concelho, disseram mesmo que “o município estava muito pior do que aquilo que pensavam”. Por outro lado, “esta verba não é para

extravagâncias até porque tem de ser devolvida”. O autarca reconhece que 55 milhões é ainda assim um valor curto, mas não deixa de ser um novo balão de oxigénio. Recorde-se que o município já beneficiou de um apoio de 5 milhões do Apoio Transitório de Urgência e 19 milhões do Programa de Apoio à Economia Local. Otimizar a receita, cortar na despesa, e manter o plano de regularização de dívidas junto dos fornecedores são algumas das premissas exigidas pelo FAM que segundo Pedro Ribeiro estão ser cumpridas. “O município conseguiu reduzir em 20 por cento a dívida a terceiros no curto prazo; cumprir em 70 por cento os pagamentos

em atraso em menos de 90 dias; obter desde 2011 o melhor resultado líquido, e a melhor taxa de execução orçamental desde 2008. Quando tomámos posse tínhamos a pior taxa do país, que era de 20 por cento e hoje de 50 por cento”. O autarca reconhece contudo que os resultados só foram possíveis de obter graças aos apoios do Estado. “Nunca escondi isso”, defende-se. O Cartaxo possuía em 2013 uma dívida de 63 milhões de euros, entre dívida contabilizada e comprometida, de acordo com Pedro Ribeiro. Com receitas, hoje em dia, na ordem dos 14 milhões de euros, só 4,3 milhões vão para pagamento de juros bancários, e oito

milhões para ordenados. Em dezembro de 2014, a dívida chegava aos 46 milhões, tendo recuado mais 1, 34 milhões no primeiro semestres de 2015. Se o financiamento requerido avançar, o município conseguirá libertar verbas do orçamento camarário para as obras consideradas como investimento prioritário para o município. “Tínhamos uma dívida galopante, com prazos de pagamento aos fornecedores que foram completamente desrespeitados. Nesta altura queremos fazer ‘fatos à medida’, ou seja podermos pagar dentro das possibilidades que o município tem de cumprir, sem necessidade de cálculos mal feitos”.

Auditoria a vários dossiers em curso inda permanece no segredo dos deuses a forma como está a ser desenvolvida a auditoria a vários processos imputados a anteriores gestões do município. Pedro Ribeiro que encaminhou dossiers como a Rumo 2020, Caminhos do Campo, Cartágua, Valleypark, estádio municipal, centro cultural para entidades como a Direção Geral das Autarquias Locais, Inspeção Geral das Finanças, Tribunal de Contas, ERSAR, Polícia Judiciária, Procuradoria Geral da República, reforça que as entidades têm repetido que “estão a atuar dentro do tempo normal para estas questões”. “Do nosso ponto de vista, o processo foi transparente, não persecutório, ouvindo todas as forças políticas até as que não possuem assento na Câmara ou assembleia municipal”. Foram enviados, segundo o autarca, “largos milhares de documentos e vários DVDs”. Paulo Caldas, que liderou o município durante praticamente três mandatos, tem sido o alvo principal das investigações em curso. Sendo apontado como o principal rosto do estado a que chegou o município pelas diversas forças políticas e não só, Pedro Ribeiro que chegou a integrar os executivos de Caldas, diz que tem mantido curtos contactos com o seu antecessor para esclarecimento de algumas questões e do estado de determinados dossiers. “Umas vezes as respostas dele são esclarecedoras outras não”, limita-se a dizer sem querer entrar em mais detalhes. Mas para exemplificar o estado em que diz ter encontrado a Câmara, após a passagem de ano e meio de Paulo Varanda pelos destinos da autarquia, refere que “nem um telefone fixo nem um computador” encontrou no gabinete da presidência. “Achei estranho este pormenor de um autarca não ter estas duas ferramentas básicas para trabalhar”. Para além disso, diz ter encontrado “os serviços profundamente desorganizados, deixaram-se arrastar processos por pura inércia”.

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Pedro Ribeiro antecipa o que se pode vir a seguir nos dois dossiers

Cartágua e “a mentira de Paulo Varanda” o que respeita ao dossier da Cartágua que mergulhou num impasse logo após a tomada de posse de Pedro Ribeiro, em 2013, o autarca diz-se de “consciência muito tranquila”. Acusado de manter um braço de ferro com a concessionária privada que um dia ainda pode resultar em custos muito superiores aos da atualização do tarifário prevista no contrato (cinco por cento ao ano durante seis anos), Pedro Ribeiro justifica-se e refere que não consegue compactuar com “a mentira de Paulo Varanda”. “O engenheiro Paulo Varanda deveria ter tido a coragem de falar nos 30 por cento de aumento no comunicado que distribuiu à população em ano de eleições. Mentiu e de forma habilidosa ale-

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gou que o aumento apenas correspondia à taxa de inflação”. Para além disso “afastou os serviços e os técnicos da Câmara da discussão do documento”. Ao longo dos últimos dois anos e meio, a Cartágua tem recusado comentar este braço de ferro e tem-se escudado no mais profundo silêncio. O Valor Local em mais do que uma ocasião junto do assessor de imprensa e de Artur Vidal tem procurado esclarecimentos constantemente negados, com a empresa a alegar apenas que continua a negociar com a Câmara. “Compreendo o silêncio da Cartágua, até porque já nos reteve 690 mil euros de rendas”. Confrontado se este valor assim retido também não afeta em última análise

os munícipes, atrasando ainda mais questões como a dívida da autarquia, e a possibilidade de fazer mais pelos cidadãos do concelho, Pedro Ribeiro refere que “é pior ter um contrato que prevê aumentos não fundamentados”, “uma espécie de cheque em branco à concessionária”. “A troco de quê se mente assim aos cartaxeiros, será que era por ser ano de eleições”, atira. Como é sabido a autarquia logo em 2013, após as eleições pediu uma fundamentação à Cartágua sobre os valores, sendo que a mesma só chegou à mesa do presidente da Câmara “na semana passada”. Por seu turno, a Câmara ao longo deste processo também diligenciou um estudo, efetuado por um especialista em

águas com “um currículo imaculado”. Questionado ao longo desta entrevista sobre qual a conclusão, Pedro Ribeiro opta por não abrir o jogo e não quer falar sobre quais os valores concretos a que se chegou, dizendo apenas que são “números muito abaixo dos da Cartágua”. “Não quero fazer politiquice em praça pública”, defende-se. Apesar de toda a celeuma, certo é que existe um contrato assinado e do qual a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) não teceu grandes considerações de ordem económica, e que foi aprovado pela entidade: “Nesse aspeto, devo dizer que a ERSAR, e segundo o que me foi dito pela mesma apenas se pronuncia sobre a

fórmula. Quando há acordo das partes não interfere, mas sublinho contudo que os responsáveis da mesma ficaram muito admirados por não existir um parecer técnico a validar os inputs”, contrapõe. O impacto da concessão é ainda de “6,9 milhões de euros de rendas a menos para o município”. Pedro Ribeiro sintetiza: “Se porventura a empresa se sente prejudicada por que razão não nos entregou logo as contas do factor Z, que à partida já deveriam estar feitas. Só agora é que chegaram às nossas mãos?”, interroga-se. Já passaram quase três anos desde a assinatura do contrato, e confrontado se à luz atual os números já não teriam alguma razão de ser, Ribeiro diz que “te-

mos um casamento de 30 anos com a concessionária, e se tivermos de aumentar os tarifários que isso seja feito, pelo menos, de uma forma mais diluída”. “Só quero pagar o que é justo. Não vou esconder nada dos cartaxeiros. Se for trinta por cento, vamos discutir o tempo do acerto, tentar que seja não em seis anos, mas em dez por exemplo”. Havendo abertura da Cartágua para que isso seja feito. Rasgar o contrato apesar de todas as críticas e dificuldades, “nunca esteve em cima da mesa” salienta o autarca, dizendo que essa decisão nada tem a ver com uma provável indeminização avultada a pagar à empresa – “Apenas queremos transparência!”


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Especial Colete Encarnado

Vila Franca unida na defesa da festa brava ¢ Sílvia Agostinho ¢ Miguel A. Rodrigues ecorreu no dia 8 junho, a apresentação de mais uma edição do Colete Encarnado e da Semana da Cultura Tauromáquica. As duas organizações da Câmara de Vila Franca de Xira vão homenagear José Mendes, campino, e Luís Carranca, também campino, (a título póstumo) e o matador de touros José Júlio. Numa altura em que a proposta que visava interditar a prática taurina a menores de 18 anos, foi chumbada na Assembleia da República, a autarquia, os aficionados e todos os envolvidos na festa quiseram deixar alguns recados e vincar as suas posições quanto a este tema. “Não hão-de acabar com a tradição tauromáquica por decreto”; começou por referir o presidente da Câmara de Vila Franca, Alberto Mesquita. Entre os destaques dos dois eventos apresentados em conferência de imprensa, encontra-se a exposição dedicada a José Júlio, que garantiu que só a verá no momento da inauguração marcado para 25 de junho no Celeiro da Patriarcal. O antigo matador contou que fi-

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cou impressionado com o empenho daqueles que ajudaram a compor a exposição que partiu do zero até se conseguir “algo retumbante”, enunciou. “Até porque no início estávamos de calças na mão” disse para se referir à dificuldade em reunir o espólio

da figura do mundo taurino. O campino José Mendes que será também homenageado durante a festa do Colete Encarnado, no dia dois de Julho, contou perante os presentes as suas vastas memórias do trabalho de campino, do seu gosto pela pro-

fissão, mas também dos sustos que se apanham, de vez em quando, com os touros. A festa do Colete Encarnado vai para a sua 84ª edição e tem lugar entre um e três de julho. Esperas de touros, animação musical com concertos e espetáculos

Conferência de imprensa de apresentação do Colete Encarnado

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de fado, desfiles de campinos entre outros fazem o cartaz. No que toca à Semana da Cultura Tauromáquica, de 25 a 30 de junho, e para além da inauguração da exposição acima referida, o destaque vai para os três colóquios em torno da figura do ma-

tador homenageado: “José Júlio - Vida e Tauromaquia”, seguido de lançamento de livro sobre o seu percurso, no dia 27 de junho; “José Júlio e os Toiros de Miura”, no dia 28; e “O Toureio antes e depois de José Júlio” no dia 29 junho.


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Especial Colete Encarnado

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Novos talentos despontam na Escola de Toureio José Falcão escola de Toureio José Falcão em Vila Franca de Xira está a atravessar um “bom momento”, de acordo com os seus responsáveis. Indiferente às polémicas sobre a idade em que os jovens devem participar nas atividades taurinas, a instituição “soma e segue” segundo o seu presidente António José Inácio: “Este é o ano em que temos mais saídas para fora do país, mas também uma série de outras atuações previstas para Portugal”. Ao Valor Local, António José Inácio salienta que no atual momento está em curso um ciclo de aulas práticas com escolas internacionais e que terminará nas vésperas da Semana da Cultura Tauromáquica. O presidente salienta que esta escola tem ainda um ciclo de novilhadas em conjunto com o Campo Pequeno e com a Moita. “Todas as escolas que conheço, desde a de toureio do Campo Pequeno, passando pela da Moita, ou a de Azambuja, estão a funcionar mui-

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to bem, com muitas saídas e um número apreciável de praticantes, principalmente juventude”. A escola José Falcão tem neste momento 17 participantes, e “constitui-se como uma referência para esses mesmos jovens”. Nesse sentido o responsável vinca que esta instituição já deu à arte três matadores de toiros – “o Casquinha, o Tó Jó, e o Manuel Dias Gomes” recorda, salientando que o mestre Vítor Mendes é também “uma peça chave no sucesso destes jovens”. Com tantas figuras que a escola já deu ao toureio nacional, existe uma pressão acrescida para que a mesma encontre novos valores para a tauromaquia nacional e local. Nesse sentido, António José Inácio salienta o trabalho no terreno e a esperança em dois jovens “com muito talento que poderão fazer sucesso como matadores de toiros”. O ciclo de novilhadas em perspetiva pode funcionar como “a montra que falta a estes jovens que dão mostras do seu talento”. Estamos a falar de João

Martins e de João Alves. O presidente da escola de toureio garante que o futuro da festa brava está assegurado com estes jovens alunos, e que no passado dia quatro de junho, a aula prática que decorreu no Cabo da Lezíria, “teve um número de pessoas, como já não havia há muito tempo”. Já sobre as intenções dos partidos de esquerda que queriam limitar a idade dos jovens para participar nestas atividades, António José Inácio vinca que sempre teve a convicção de que o assunto não seria um problema. “Quem propôs a alteração da lei não conhece a história de Portugal. Porque se conhecesse, nem arriscava a trabalhar esse decreto-lei, quando há questões mais preocupantes no país” A Escola de Toureio José Falcão de Vila Franca de Xira foi fundada em 11 de agosto de 1984, ano em que se assinalou o 10º aniversário da morte do matador de toiros vilafranquense que lhe dá o nome. Em outubro de 1996, foi

constituída uma sociedade entre a Câmara Municipal, o Clube Taurino Vilafranquense e a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira.

Esta é a única escola de toureio portuguesa que faz parte da Federação Internacional de Escolas Taurinas desde 2001. Devido a

esse facto, os alunos da escola têm levado o nome da cidade às principais praças de toiros de Espanha e França.

Pequenos hospitais de campanha deveriam ser passo em frente nas largadas uando chega o tempo das festas populares e das largadas na região, o Hospital de Vila Franca de Xira reforça a sua equipa de cirurgia tendo em vista as vicissitudes da Festa Brava. Feira de Maio, festas de Samora, de Benavente, e Colete Encarnado são as fases mais críticas em que se espera um acréscimo de lesionados no âmbito desses convívios. Neste sentido, a unidade tem vindo a desenvolver a vertente de cirurgia taurina. Luís Ramos, médico-cirurgião, não se cansa de destacar que seria importante a montagem de pequenos hospitais de campanha, ou enfermarias móveis, (como acontece em provas de ciclismo), nesses eventos, pois quando há lesões provocadas no confronto entre o animal e o homem todos os minutos contam. O cirurgião considera que neste aspeto, o país ainda tem um longo caminho a percorrer, em comparação, com o que já se faz lá fora. Para além de as Câmaras não possuírem uma estrutura de apoio mais completa que vá além do socorro dos corpos de bombeiros, não existe articulação entre os municípios aficionados e a unidade hospitalar nem que seja a comunicar a data de alguns eventos. “Temos de ser nós os médicos a ter presentes essas datas”, refere. Luís Ramos coloca o acento tónico

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na forma como se encaram os festejos de ânimo leve quanto à segurança e proteção dos aficionados. (O próprio também se inclui neste grupo dos que gostam da Festa

Luís Ramos Brava) – “Não é possível colocarmos um touro com 500 quilos nas festas, com o consumo de álcool à mistura, sem restrições de acesso ao local, e a organização continuar a alegar em pleno século XXI que se desresponsabiliza de qualquer acidente que possa acontecer”. Uma vez na sala de operações, e para conseguir operar com maior taxa de sucesso, o clínico é da opinião de que conhecer o animal e o mecanismo de ataque do mesmo tornou-se importante, até porque estamos perante um tipo de lesão que facilmente pode ser encarada como superficial, “e depois temos

perfurações que vão da coxa ao tórax”, como já aconteceu. E neste sentido alerta ainda para a perigosidade das largadas que em alguns casos podem ter um carácter mais letal do que nas touradas. Tendo em conta que neste último espetáculo o animal apresenta-se de hastes aparadas, menos pontiagudas, logo menos perigoso à partida. “No festejo popular pode colocar o tipo de touro que quiser e com o tipo de corno que desejar, sem limitações a esse nível, logo com um nível de agressividade superior, principalmente se tiver as hastes íntegras o touro consegue rasgar e penetrar”. A juntar a isto, o profissional das touradas tem outra destreza quando se tenta proteger das investidas do touro, como por exemplo o forcado, em comparação com um popular. A especificidade da cirurgia taurina tem o aliciante de se estar perante uma lesão “que nada tem a ver nem com uma bala nem com uma arma branca, e se tentarmos fazer mesmo assim algum tipo de comparação talvez nesse caso se assemelhe mais a uma arma de fogo”. No eixo Vila Franca, Samora e Azambuja, o clínico precisa que os espetáculos mais complicados são os das últimas duas localidades. “Em Samora por exemplo, o Largo Do Calvário não oferece muitas

possibilidades de refúgio para quem ande a brincar com o touro, enquanto em Vila Franca de Xira, o indivíduo tem acesso às tronqueiras em poucos metros”. Por outro lado, muitas das largadas de Samora e Azambuja têm lugar à noite, “e com o cansaço acumulado de um dia normal, o indivíduo encontra-se mais predisposto a sofrer uma lesão e a ter menos capacidade de resposta perante o perigo”. A janela de tempo de intervenção é escassa, até porque per-

dem-se minutos no transporte de doentes, diminuindo também o tempo da denominada “hora de ouro do trauma”, “aquela em que de certa forma podemos fazer a diferença”, destaca. “Quando alguém destas localidades chega, já se perdeu mais de metade do tempo, honra seja feita aos bombeiros que são os únicos que se preocupam no local”. Fazendo parte das sociedades internacional e espanhola da cirurgia taurina, Luís Ramos que a dada al-

tura o país vizinho mobilizou-se na criação de enfermarias no terreno coincidindo com a morte do toureiro Paquirri. “Numa simples largada lá fora, é impensável não existir uma estrutura médica montada”. O nível do debate no estrangeiro já se situa num outro patamar. Olhando para a realidade do nosso país, não deixa de desabafar – “Sou aficionado mas não posso aceitar enquanto médico que seja quase natural que alguém morra numa largada”.


Eventos

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Sardinha assada é chamariz nesta festa

Valor Local

Touros e Campinos prometem atrair milhares

Festa da Sardinha Assada de Benavente a caminho

s doses já são mais ou menos conhecidas: cinco mil quilos de sardinhas, (segundo a organização a maior distribuição gratuita do país); 10 mil unidades de pão, cinco mil litros de vinho, mas também muita animação fazem mais uma Festa da Amizade - Sardinha Assada de Benavente com largadas de Toiros, entradas e esperas, e picaria à vara larga. Este ano de 23 a 25

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de junho. O principal dia da festa é a 25 de junho com 50 fogareiros dispostos ao longo das ruas de Benavente que assam a partir das 22 horas cinco toneladas de sardinhas. Mas se este é o ponto alto da festa, o dia começa bem cedo com o desfile de campinos, cavaleiros amadores e animais pelas ruas da vila. Depois seguemse as provas de condução de jo-

gos de cabrestos e a picaria de dois toiros à vara larga. À tarde tem lugar o momento de maior adrenalina do dia – a entrada de um toiro bravo com campinos e cabrestos pelas ruas da vila. Num percurso de aproximadamente um quilómetro, em plena EN118, cabe aos campinos conduzir o toiro pelo asfalto e fazê-lo entrar na manga das largadas.

Destaque, ainda, para o concerto de Quim Barreiros no dia 24 pelas 23 horas. E no dia 25 de junho, as atenções centram-se também naquela que pretende ser a maior concentração de barretes verdes do mundo com pretensões de entrar para o livro de recordes do Guiness. No total são esperadas cinco mil pessoas a envergarem o dito barrete.

História da Festa da Amizade

A esplanada do Cine-Teatro de Benavente foi o local escolhido para a realização da primeira Festa da Amizade em 1969. Foi neste espaço que um grupo de amigos se juntou, dividindo a despesa de alguns quilos de sardinhas, pão e vinho, resolvendo convidar alguns amigos para se juntarem à festa. Também não

faltou o toque do Ribatejo com a largada de uma bezerra brava para os mais corajosos. O convívio facilmente saiu fora de portas e tornou-se numa das maiores festas populares com dezenas de milhar de visitantes a deslocarem-se no último sábado do mês à vila de Benavente para confraternizar em torno de um fogareiro a assar sardinhas e a beber bom vinho.


Valor Local

Dossier: Águas

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Em causa António Nobre também eleito da CDU

David Mendes aponta o dedo à Comissão de Acompanhamento das Águas s ânimos subiram de tom durante uma das últimas reuniões de Câmara de Azambuja, quando o vereador da CDU David Mendes deu conta da não atualização das tarifas de água e saneamento da Águas da Azambuja (ADAZ) tendo em conta o decréscimo esperado com a fusão dos sistemas e que tinha sido também anunciada pela Câmara Municipal. O vereador foi mesmo mais longe e disparou até em direção ao seu colega de partido e eleito na Assembleia

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Municipal, António Nobre que faz parte da comissão de acompanhamento das águas – “Mas que raio anda a fazer o representante da autarquia nesta comissão?” evocou. De acordo com os cálculos de David Mendes, a ADAZ está a aproveitar-se de alguma forma das circunstâncias, de tal maneira que a Entidade Reguladora de Águas e Resíduos (ERSAR) já fixou tarifas que deviam ser acatadas para os municípios, e em Azambuja são em alguns casos

superiores a 25 por cento, como acontece na taxa de recursos hídricos. David Mendes lançou o repto para que a Câmara instigue de imediato a concessionária a atualizar os valores. Em declarações ao Valor Local, Luís de Sousa referiu que o novo tarifário que foi aprovado em assembleia municipal no ano passado ainda não entrou em vigor. Ao que parece a empresa mãe da ADAZ, Aquapor, estará com dificuldades junto da banca, “e só agora conseguiu um empréstimo”. Diz Luís de

Sousa que a ERSAR está a par do problema, mas não consegue adiantar para já mais dados. António Jorge Lopes, vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, quis participar na discussão, lançando também mais uma acha para a fogueira – “A intervenção do vereador David Mendes demonstra que estamos perante um exercício já com os olhos postos nas eleições autárquicas e que tenta mascarar a presença de um alto quadro do partido comunista local nesta co-

missão de acompanhamento e no negócio das águas”. “O PS e o PCP são os principais culpados do que está a acontecer nesta matéria”. António Jorge Lopes estranhou contudo que o aditamento ainda não esteja assinado, “o que vai em sentido contrário ao que a Câmara sempre sustentou de que era imprescindível que estivesse assinado em 2014, senão vinha aí uma indemnização de milhões de euros”. “A Caixa Geral de Depósitos demorou a dar o aval, e só por pressão

nossa e do Tribunal de Contas conseguimos chegar a um fim”, informou Luís de Sousa David Mendes não foi de meias medidas e confrontou o vereador da Coligação – “A CDU votou contra o contrato, e só passou porque estava lá uma deputada do PSD que se absteve e que tinha responsabilidades, e por isso não venha cá com histórias e mentiras têm perna curta”. Ressalvando, “que a CDU sempre esteve contra, e o PSD sempre esteve calado”.

Foto de arquivo

Tema das águas voltou a aquecer os ânimos em reunião de Câmara

Águas de Alenquer diz que Câmara ainda não falou em resgate da concessão a sequência da entrevista do presidente da Câmara de Alenquer, na edição passada, em que admitia rescindir o contrato com a concessionária Águas de Alenquer face a mais uma oneração da fatura em perspetiva, o Valor Local contactou a empresa que

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refere que o resgate nunca foi abordado, até à data, por Pedro Folgado, mas deixa no ar que “poderá ser aplicado pelo município em qualquer uma das fases do seu contrato”. Face aos custos da fatura, com as tarifas a aumentarem para os con-

sumidores do concelho, não só na água e saneamento, mas também na recolha e gestão de resíduos sólidos urbanos de acordo com o que está em cima da mesa, a Águas de Alenquer, diz que tal decorre da “necessidade de sustentabilidade financeira com repercus-

são direta no consumidor de todos os custos do serviço, incluindo a amortização dos investimentos”, e como tal mostra-se tranquila perante alguma exigência da Câmara que possa ir no sentido de rasgar o contrato. Questionada sobre o valor da cláu-

sula da rescisão, refere que não existe qualquer cálculo efetuado, “nem se efetuará até que uma das partes tome a iniciativa nesse sentido”. O Valor Local questionou também a empresa no sentido de saber até que ponto está na disposição, num

quadro de revisão do contrato de concessão de águas, rever a Taxa Interna de Rentabilidade, ou seja diminuir a remuneração acionista, que responde assim: “No âmbito da revisão do contrato de concessão, todos os cenários são possíveis”, sintetiza.


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Diabetes O Flagelo Silencioso

Cerca de 15 mil 517 pessoas no total dos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira estão registadas como portadoras da diabetes tipo 2. A diabetes é considerada uma pandemia global e que urge atacar por todos os meios. Na região, está a ser levado a cabo um rastreio ocular que já ditou números elevados no que respeita a novos casos de retinopatia diabética. Fomos conhecer alguns portadores de diabetes tipo 1 e 2, e associações. Responsáveis médicos e políticos falam a uma só voz sobre este flagelo. ¢ Sílvia Agostinho inha 48 anos, (hoje tem 76), quando pela primeira vez soube que tinha encontrado uma companheira não propriamente desejável para o resto da vida- a diabetes. Passado pouco tempo de descobrir que tinha a doença, os sintomas tornaram-se mais severos nos olhos com vermelhidão acen-

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tuada e cerca de 15 quilos perdidos em escasso tempo. Tomava medicamentos para a diabetes, mas não eram tão eficazes como hoje. Foi consultado por mais do que um médico, sendo que um deles ainda mal tinha entrado no consultório lhe disse logo que precisava de insulina. “Foi a minha salva-

ção”, refere António Neves, morador em Valada, Cartaxo. Começou logo por colocar 20 unidade de insulina, mas as coisas não continuavam bem – “Os lábios tremiam-me, e pensava para comigo ou que estava a usar insulina a maios ou a menos. Fui ao centro de saúde do Cartaxo e o médico disse que podia levar mais insuli-

na. Mas não melhorei. Há 15 anos que está a ser acompanhado na “Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal” (APDP), onde conseguiu equilibrar a doença, – “Nós é que temos de ser os nossos próprios médicos”, refere para ilustrar a atenção que tem de ter para com o seu estado de saúde. Hoje em dia controla

perfeitamente a toma das unidades de insulina e o nível de glicose no sangue. Tem tudo devidamente apontado numa caderneta para o efeito, e sabe fazer as contas que são necessárias. “Faço tudo como o médico manda!” António Neves não teme um dia sofrer com pé diabético ou amputações, porque acredita que estando a ser bem

seguido pelo médico e cumprindo com o que lhe é prescrito não sofrerá consequências de maior. De vez em quando prevarica nos doces, mas é raro, contudo não consegue iludir que gosta de arroz doce. Mas compensa com uma dieta equilibrada, onde a sopa não falta todos os dias. O pior são mesmo os nervos – “Quando me


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Glória Simões descobriu a doença há 10 anos enervo nem queira saber os níveis que se alcança”. Portadora de diabetes tipo 2 , Madalena Costa, de Castanheira do Ribatejo, encontrou-se connosco numa pastelaria existente na localidade onde reside, mas não foi de meias medidas, não quis pedir um bolo, apenas um sumo de ananás natural e sem açúcar. Um hábito que teve de ganhar após receber com 48 anos a notícia de que tinha a doença. Hoje tem 56. “Em pouco mais de três meses, eu que tinha excesso de peso, comecei a perder quilos sem fazer esfoço nenhum para isso. Urinava a toda a hora. Num espaço de menos de cinco minutos tinha vontade de ir à casa de banho novamente. A visão tornou-se turva, e os primeiros vómitos associados à diabetes também apareceram”. Passado pouco tempo entrava no

Hospital de Vila Franca de Xira em coma diabético. Madalena Costa refere que num ano perdeu 40 quilos devido à doença. Madalena Costa que é consultada na unidade de saúde da Castanheira refere que com o susto nunca mais esmoreceu na luta contra a diabetes. Diz tomar religiosamente a medicação e faz uma alimentação saudável aliada ao exercício físico. “Habituei-me normalmente!”, refere não escondendo que a perseverança da filha que é dietista também ajudou. No seu dia-a-dia também introduziu o hábito de comer várias vezes ao dia e em pouca quantidade, “porque isso é fundamental”. Por outro lado desmistifica que os doces sejam os únicos demónios – “Também deve existir alguma moderação na ingestão de hidratos de carbono”.

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As rotinas diárias de António Neves No ano passado, a saúde traiu-a novamente, e um cancro na mama, entretanto debelado, veio complicar-lhe o estado de saúde, descompensando automaticamente os níveis da diabetes. “Tive de regressar à insulina injetável como no início da doença há oito anos”. Graças aos seus esforços conseguiu na altura ficar apenas com a toma diária de comprimidos, mas com o aparecimento do cancro a insulina desta vez veio para ficar. Madalena Costa conforma-se e não chora sobre todos os esforços que empreendeu na luta contra a diabetes e que acabaram em parte por ir por água abaixo. “Tive pena mas ter sobrevivido a tudo isto é o mais importante. O que mais me preocupa para já é a parte renal. Estou a ser seguida no Curry Cabral. Mas está a correr bem”, diz satisfeita. “Sou uma pessoa com

muita força de vontade, e a diabetes controlada leva-se bem”, conclui. Madalena Costa só teme a doença de Alzheimer que já acometeu familiares, “ e um dia poderme esquecer de tomar a insulina”. Glória Simões, de Azambuja, 46 anos, também frequenta as consultas na APDP. E faz parte das estatísticas dos que apanharam a diabetes tipo 1 já numa idade em que não é comum. Não esconde que ficou revoltada, mas a doença, como nos caso dos demais portadores, já faz parte da vida, “e tem de se aprender a viver com ela”. Os sintomas começaram com os clássicos episódios de muita sede, “em que nunca ficava saciada”. “Achei estranho e optei por ir medir os níveis nos bombeiros de Azambuja. Fiquei assustadíssima porque estava com valores acima dos 500”. Marcou de imediato uma

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Madalena Costa emagreceu 40 quilos num ano consulta no centro de saúde. “Ainda estava com esperança de que tudo não passasse de uma ilusão, mas em jejum, o veredicto marcou 300”, não se esquece. Glória Simões diz que ficou bastante temerosa. Imediatamente teve de seguir uma dieta rigorosa, e optou por fazer as consultas na APDP. A adaptação à insulina conta que foi normal: “A única chatice é termos de contar o que se come, e dar a dose certa”. Nos primeiros anos da doença, relembra que fazia uma autêntica disciplina cumprindo o que lhe prescreviam, mas atualmente denota que tem de fazer um esforço maior, principalmente na parte do exercício físico. Glória Simões que trabalha há 29 anos numa pastelaria reconhece que tal não lhe causa especial incómodo, pois diz saber resistir. “Eu sou mais de co-

mer pão”, graceja. Nos últimos anos, Glória Simões viu-se a contas com um quadro de refluxo gástrico. Tem de tomar lansoprazol, um inibidor para diminuir a acidez no estômago que nem sempre se dá bem com a diabetes, com efeitos secundários “complicados”. Glória Simões espera ter ainda uma longa vida pela frente mas não deixa de recear possíveis complicações inerentes à diabetes com o avançar dos anos. “O médico diz que tenho de manter os níveis controlados, a escala baixinha para evitar problemas”. Ultimamente, confessa que “o médico não tem ficado muito contente”. A portadora da diabetes desabafa – “É uma vida sempre a contar o que se come. Fiquei revoltada quando soube que tinha esta doença, mas já me conformei”.


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Hospital Vila Franca

Consciencializar os doentes acima de tudo

diabetes encontra-se enquadrada no Hospital de Vila Franca de Xira na especialidade da Medicina Interna. A partir do momento em que o indivíduo é diagnosticado com este quadro clínico que dispõe de uma consulta para o efeito com apoio da Oftalmologia (retinopatia diabética), e da cirurgia sempre que se fala do pé diabético. Apoiam ainda a consulta de diabetes a Cardiologia e a Nefrologia, “quando estamos perante casos de insuficiência renal, normalmente o corolário da doença”, dá a conhecer José Barata, médico responsável do serviço de Medicina Interna. Até 2025 estima-se que o número de portadores da doença atinja uns expressivos 300 milhões em todo o mundo. Desde os anos 80 que a doença tem cavalgado as piores estatísticas, e quando falamos da região, José Barata não estranha o aparecimento de uma representativa quantidade de novos casos de retinopatia diabética, tendo em conta as tendências mundiais. “Só com uma radical mudança de hábitos conseguiremos alterar este quadro. A este nível temos uma boa cooperação com as Câmaras Municipais da região que se encontram sensibilizadas para este problema. É preciso educar acima de tudo”, expressa. A comunidade, as entidades e o próprio paciente têm um papel importante nessa mudança de hábitos, “porque o médico não consegue fazer tudo, pode aconselhar, receitar ementas, mas não lhe cabe essa função na totalidade”, salvaguarda. Quando o doente chega a este hospital é lhe feita uma avaliação por um dos médicos da especialidade, e passa também por uma

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José Barata e Mónica Soares apelam ao sentido de responsabilidade de cada um consulta de enfermagem. A avaliação do doente compreende o estado dos riscos, das comorbilidades que podem estar instaladas. O apoio terapêutico refere-se às consultas, à prescrição de dietas, avaliações oftalmológica e do pé. Cerca de 300 pessoas frequentam a consulta de diabetes no hospital, normalmente os casos que inspiram mais cuidados. Quando mais estáveis, esses utentes são encaminhados para as consultas de rotina nos centros de saúde. José Barata não esconde que o insucesso existe no acompanhamento de alguns doentes, sempre que alguém acaba por desistir das consultas, (normalmente com uma periodicidade semestral no caso da diabetes tipo 2). “É mais difícil conseguir levar estes doentes a bom porto, porque a diabetes não dói, até que um dia vêm parar à consulta com uma retinopatia grave ou uma nefropatia para hemodiálise. As pessoas negligenciam o seu estado de saúde”, lamenta-se, não escondendo que “há abandonos efetivamente”.

Um dos principais dramas da silenciosa diabetes tipo 2 é quando o paciente não descura, especialmente, a toma dos medicamentos, mas continua a cometer excessos alimentares – “É transversal hoje em dia não só à diabetes mas a muitas outras doenças, o paciente querer uma cura sem ter de fazer esforço nenhum para isso. As pessoas adoravam tomar o medicamento e comer bolas de Berlim ao mesmo tempo sem consequências, mas isso não é possível”, demonstra exemplificando – “Instalou-se uma lógica de supermercado do medicamento, em que vou ali buscar um pedaço de conforto, para que não seja necessária a minha intervenção e os meus cuidados”. “Até existir uma descompensação grave, não se pensa a médio longo prazo nas consequências”, conclui. Reconhecendo que não é fácil para algumas pessoas mudarem hábitos, ou em alguns casos lidar com quadros de obesidade que também complicam a evolução da doença, a aposta “poderá passar por grupos de autoajuda eventual-

mente”. Mónica Reis, uma das médicas que presta consultas na área da diabetes no hospital, acrescenta que a doença “exige um momento de grande decisão por parte do doente em assumi-la e tratar dela, porque é necessário um regime alimentar regrado e exercício físico”. “Se o doente não cumprir essa parte não podemos fazer nada”, conclui. Para Mónica Reis é um desafio enquanto médica essa vertente nem sempre fácil de obrigar o doente a ser o mais comprometido possível com a doença ao longo da vida. “É fazer um pouco o papel de educadora, e chamar o doente à razão”. Mas como em tudo na vida também na diabetes, o meio - termo existe, e Mónica Reis esclarece que tenta não ser demasiado severa com o paciente, desde que tenha os seus níveis controlados – “O doente tem de ter regras alimentares, mas basta cumprir um plano, não é preciso fazer uma dieta. Não se pretende que deixe de comer. Não tem, por exemplo, de deixar de comer pão, mas apenas a

A oferta da Associação Protectora dos Diabéticos “Associação Protectora dos Diabéticos” (APDP) de Portugal foi fundada em 1926, passados poucos anos da descoberta da insulina. Presta hoje um conjunto de recursos aos seus associados com várias especialidades médicas ligadas à diabetes; cursos de formação para os diabéticos e seus familiares, organização de atividades orientadas para os estilos de vida saudáveis. Na defesa dos interesses dos diabéticos, José Manuel Boavida da APDP e antigo coordenador do Plano Nacional de Prevenção e Controle da Diabetes constata que apesar de ser uma patologia comum, ainda existe alguma discriminação quanto a estes doentes na sociedade, e exemplo disso é o acesso ao crédito à habitação a juros mais elevados para estas pessoas. “As companhias de seguros duplicam e triplicam os juros e afastam, praticamente, os indivíduos do direito de acesso ao crédito, baseando-se numa doença que pode ser extremamente heterogénea com situações benignas até mais graves”. A investigação tem também um papel preponderante na APPD, “participando em ensaios com novos medicamentos”. A par do que vai acontecendo nesta componente e aos avanços que a medicina faz na doença, José Manuel Boavida refere também os avanços no domínio do pâncreas artificial que pode chegar ao mercado “daqui a dois ou três anos”; ou “aquilo que está a ser feito com recurso a células beta” na diabetes tipo 1, mas também os novos fármacos que “prometem reduzir as complicações típicas da diabetes tipo 2.” “Estas novidades estão a criar uma grande expetativa no que respeita à esperança média de vida”, declara. Em Portugal, “ainda este ano espera-se que surja a possibilidade de diminuição das picadas no dedo a nível da investigação. Podemos estar a aproximar-nos do fim dos dias dessa tecnologia tão dolorosa. É uma das principais ambições dos diabéticos, principalmente dos jovens, com a determinação dos níveis de glicemia com técnicas indolores”. José Manuel Boavida diz mesmo que a entrada no mercado deste novo método será a brevíssimo trecho, podendo significar um novo paradigma no controle da doença. Na associação, “tem-se feito investigação com ensaios clínicos em torno da forma como o corpo diabético deposita gordura, nomeadamente no fígado, com recurso a novos fármacos que poderão significar uma José Manuel Boavida grande esperança para os diabéticos”.

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quantidade adequada”. Prevaricar pode acontecer por exemplo no Natal, “numa ou outra coisa, mas não mais do que isso”. Mas quando falamos dos insulinodependentes, portadores da diabetes tipo 1 que aparece na adolescência, regra geral, estes possuem outro nível de comprometimento com a patologia, “até porque os riscos são muito maiores no caso de não acompanhamento terapêutico”. “Nestes casos conseguiram criar uma disciplina muto favorável”, refere José Barata. Os internamentos por quadro clínicos associados à diabetes representam neste hospital, como em outros, uma fatia significativa. Este ano, a unidade em causa levou a cabo a iniciativa “Um dia no Hospital com a Diabetes”, em que foi possível apurar que dos 366 doentes internados nessa data, 20 por cento deviam-se à diabe-

tes e às causas associadas, nomeadamente, - situações cardíacas graves, infeções de diversa ordem e acidentes vasculares cerebrais. É aqui o fim de linha da doença, uma realidade que deveria estar sempre presente na mente dos que convivendo com a doença acabam por negligenciar o seu estado de saúde. A cura para diabetes ainda não existe, mas é possível revertê-la quando o que está na origem da patologia, por exemplo, é apenas um quadro de obesidade e se consegue adotar estilos de vida saudáveis, “mas quando estamos a falar de esgotamento da função pancreática isso já não acontece”, acrescenta Mónica Reis. Por outro lado, quando estamos perante pacientes com um nível de glicémia intermédia, é possível só com um plano alimentar adequado e exercício físico travar o avanço da doença.

“Guerra” ao açúcar uma tortura autêntica querer que as pessoas com diabetes tenham uma disciplina do ponto de vista alimentar, quando chegam a um café ou pastelaria e apenas lhes são apresentados produtos com mais de 400 calorias”, é desta forma que José Manuel Boavida da “Associação Protectora dos Diabéticos” resume um pouco daquilo que é a batalha diária dos portadores da doença. Para este responsável, seria importante que a luta contra a diabetes fosse de todos, e a taxação do açúcar pudesse ser uma realidade à semelhança do que se faz lá fora. Mas não só o que é vendido na restauração causa preocupação – “Os alimentos transformados utilizam substâncias cuja inocuidade não está comprovada, como as gorduras hidrogenadas”, e por isso aconselha – “Um estudo exaustivo do que é servido hoje às pessoas. Porque temos desde inseticidas nos vegetais, mercúrio no peixe e antibióticos na carne e tudo isto significa uma demissão na regulamentação alimentar das pessoas”. Acresce a tudo isto “que nos últimos anos temos assistido a aumentos de 200 por cento no preço das carnes, peixe e vegetais, enquanto os refrigerantes permanecem a preços acessíveis”. José Barata, médico responsável pelo serviço de Medicina Interna do Hospital de Vila Franca, também concorda – “De facto hoje em dia poder usar peixe com a frequência desejada na alimentação é caro”, concordando ainda que “há um mercado de doces e chocolates acessível a todos os tipos de bolsas”. “Permitir mercados de vegetais mais acessíveis e procurar reduzir o desperdício de fruta ainda em bom estado pelas grandes superfícies comerciais seria uma ideia”, sugere José Manuel Boavida. “Isto é um problema da regulação do Estado. A secretaria de Estado da Alimentação não deveria estar no ministério da Agricultura mas no da Saúde”. Sendo que “a determinação de passar para cinco ou seis gramas o conteúdo dos pacotes de açúcar é ridícula e muito insuficiente”, refere Boavida. “Possivelmente tem de se criar uma política de dissuasão dos consumos de açúcar semelhante à que se fez para o tabaco”, acrescenta José Barata. “Temos de taxar o açúcar como nos cigarros, (que há 40 anos eram vistos como algo que fazia bem à saúde) e com isso ir mudando mentalidades e criando disciplinas”, conclui Boavida.

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Câmaras com projetos na área da diabetes Câmara Municipal de Alenquer está a levar a efeito um programa municipal de combate à diabetes que contempla um conjunto de atividades que visa incentivar a população do concelho a adotar estilos de vida saudáveis. Até outubro, vão decorrer ações de sensibilização que incluem atividades de exercício físico ao ar livre, até palestras que visam despertar todas as faixas etárias para a importância de uma alimentação saudável, passando por rastreios, e seminários. Os já habituais programas desportivos da autarquia conhecem uma oferta mais intensificada. O concelho de Alenquer possui 2964 doentes diabéticos para uma população de 28 mil 553 habitantes, o que se traduz numa prevalência de 6,9 por cento. Duzentas e dezoito pessoas são insulinodependentes. O rastreio levado a cabo em conjunto com o ACES Estuário do Tejo permitiu apurar cerca de 81 novos casos de retinopatia diabética, num conjunto de 1895 indivíduos já referenciados como diabéticos. Rui Costa, vice-presidente da Câmara de Alenquer, refere que houve a necessidade de apelar aos cidadãos do concelho para não descurarem esta matéria, “até porque muitos preferem ignorar estes pro-

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blemas”. “Sei que a adesão nesta zona do ACES foi fantástica até porque as pessoas foram contactadas diversas vezes, com remarcações sempre que necessário ”. Essas 81 pessoas já foram encaminhadas para a consulta oftalmológica no hospital de Vila Franca. Foram rastreados, por outro lado, no âmbito do “Finnish Diabetes Risk Score”, (o questionário que pode dar indicadores sobre a probabilidade de desenvolvimento de diabetes a 10 anos) os funcionários municipais, “como forma também de poderem espalhar a palavra e alertar os seus amigos e familiares sobre a necessidade em causa”. Nas atividades do programa “Alenquer a Mexer”, uma enfermeira em conjunto com técnicos da autarquia “convidam os cidadãos que vão passando na rua ou que estão por ali a presenciar a atividade para efetuarem este teste.”. A sensibilização alimentar nas escolas é outra das vertentes da autarquia. Rui Costa informa que, nesta altura, os bares das escolas cumprem a legislação não oferecendo produtos açucarados ou demasiado calóricos. “Vendem fruta,

gelatinas, saladas de fruta, já há dois anos”. Contudo nada invalida “que os miúdos saiam da escola e comprem produtos menos saudáveis”, lamenta-se, referindo que

quência miúdos com garrafas de litro e meio de coca-cola à entrada da escola porque foram comprar o refrigerante ao café mais próximo ou ao supermercado. E o almoço

Diabetes do Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo desabafa ainda a este propósito – “Sabemos que a Câmara de Alenquer implementou o projeto da lancheira saudável, com oferta de fruta, sensibilizando os encarregados de educação, mas o que podemos fazer quando a mãe ou o pai vai dar um bollycao ao filho no intervalo das aulas como acontece?”. “Município de Benavente diz não à Diabetes”

isso sente-se mais na vila de Alenquer, “onde há mais oferta à volta da escola”. O caminho é longo na educação alimentar das crianças – “Nas cantinas como é evidente preferem a carne, não ligam aos alimentos cozidos. Vê-se com fre-

foi cachorros e doces”. Até já se pensou “em criar um cartão de consumo de refeições escolares, e ao fim de um número de almoços, dá-se um prémio ao aluno”. Armando Braz, presidente da Unidade Coordenadora Funcional para a

Desde Abril e até ao momento, em parceria com a Unidade de Cuidados Continuados de Benavente, que neste concelho também está a ser levada a cabo a iniciativa que consiste na aplicação de uma ficha de avaliação do risco de desenvolver Diabetes tipo II (a 10 anos) aos funcionários da Câmara Municipal das Juntas de Freguesia de Benavente e Samora Correia, ao pessoal docente e não docente de algumas escolas e à população em geral, nomeadamente no Centro de Saúde de Benavente, e na iniciativa “Feira da Saúde´16”, realizada no passado dia 15 de maio, “com uma adesão

bastante interessante” . Segundo Clarisse Castanheiro, técnica da autarquia para esta área, no que concerne aos rastreios promovidos nos edifícios das juntas de freguesia, “houve uma participação menos significativa, não obstante ter sido feita a divulgação das iniciativas.” No âmbito dos questionários “Finnish Risk Score”, quando são confrontadas com um resultado de risco mais alto, “as pessoas são sempre encaminhadas para o seu médico em primeiro lugar, para fazer a vigilância. Além disso os dados do rastreio são também registados no seu processo pessoal de saúde.” No dia 14 de novembro, Dia Mundial da Diabetes, está prevista a realização de uma caminhada, inserida no Programa “Natura ConVida”, com o objetivo de alertar para as causas da doença e para promover estilos de vida saudáveis. No âmbito da promoção da alimentação saudável, estão previstas algumas ações de alimentação e cozinha saudável, seguido de um showcooking no final de cada sessão. Paralelamente, serão desenvolvidas ações de divulgação deste projeto, bem como a promoção de estilos de vida saudáveis junto dos meios de comunicação.


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158 novos casos de retinopatia diabética em Alenquer e Arruda ncontra-se em curso na área do Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo um rastreio populacional à retinopatia diabética. Até à data, participaram no rastreio os portadores da diabetes já referenciados nos concelhos de Alenquer e Arruda dos Vinhos, aos quais ainda não tinha sido diagnosticado o quadro oftalmológico em causa. Tendo sido detetados 158 novos casos, um número que não tem deixado de surpreender os atores da comunidade mé-

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dica e demais responsáveis, e quando ainda falta rastrear mais três concelhos. Miguel Amaro, médico responsável de serviço da especialidade de Oftalmologia do Hospital de Vila Franca de Xira, diz mesmo que “o número de casos positivos é um bocadinho maior do que o que se esperava”. O clínico diz que lhe vêm parar às mãos muitos casos de pessoas que se queixam de ver mal e que não sonhavam ser diabéticas, o que é indicador de que

um dos primeiros sintomas da doença é a retinopatia diabética. A circunstância de estar a aparecer um número que não é despiciendo de pessoas relativamente jovens com retinopatias também tem surpreendido o médico José Barata – “Porque o paradigma clássico baseava-se em algo que só acontecia na evolução a longo prazo da doença. Talvez a deteção nestas fases precoces também esteja relacionada com a existência de mais tecnologia”.

Todos os diabéticos da região convocados para o teste da retina Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Estuário do Tejo tem a ambição de poder fazer o teste da retina a todos os diabéticos referenciados na área dos concelhos abrangidos por este ACES- Arruda dos Vinhos, Alenquer, Vila Franca de Xira, Benavente, e Arruda dos Vinhos. Em colaboração com as Câmaras Municipais, o ACES está a convocar um por um todos os diabéticos para se dirigirem em determinados dias ao seu centro de saúde para fazerem o teste, quer através de carta quer de telefone. Trata -se de uma ação exaustiva e “que tem contado com a melhor colaboração por parte das pessoas”, enfatiza o presidente da Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes do ACES, Armando Braz. As autarquias quando é necessário facilitam transporte a esses doentes até ao centro de saúde através da disponibilização de bilhetes de autocarro. A colaboração das juntas de freguesia, santas casas da misericórdia e lares de idosos no geral também tem sido fundamental nesta tarefa. “Marcamos hora com essas entidades para levarem lá os seus utentes”. Muitas das 158 pessoas às quais foi diagnosticada retinopatia diabética “já estão de consulta marcada para o hospital”. Contudo salvaguarda que para além desta franja apesar de tudo significativa, há muitos outros diabéticos da região que já eram acompanhados na oftalmologia do hospital”. Contudo e só agora foi possível empreender esta ação em larga escala. Paralelamente, o ACES está a levar a efeito os denominados questionários “Finnish Diabetes Risk” que consiste no preenchimento de um questionário pela população em que os indivíduos podem ficar a saber qual o risco de um dia poderem vir a ter diabetes. Nos casos mais graves, as pessoas são encaminhadas para o médico de família. A ação para já está a acontecer nos concelhos de Benavente, Alenquer e Arruda. “Todos nós: centros de saúde, e hospital seremos precisos e deveremos estar unidos para atacar esta verdadeira pandemia.” As unidades de saúde da região já disponibilizam desde 2014 uma consulta autónoma para a diabetes. Neste âmbito, o doente pode ir duas vezes por ano a uma consulta com médico e enfermeiro no centro de saúde da sua residência. Com o apoio do secretário clínico, cada médico tem os seus doentes e convoca-os para a consulta. O agrupamento também tem empreendido ações nas escolas junto dos alunos portadores de diabetes tipo 1 com formação junto dos professores e auxiliares de ação educativa. Junto da população sénior, tem-se abordado a importância da alimentação saudável no âmbito das universidades seniores. No plano de ação do ACES, encontra-se também a avaliação do pé diabético a pelo menos 65 por cento dos doentes referenciados.

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Na especialidade de oftalmologia no hospital de Vila Franca, 20 por cento da atividade é dedicada aos portadores de retinopatia diabética. Com este rastreio, “percebemos que muitos dos que já convivendo com a diabetes, e sabendo da doença, não faziam caso do exame ocular essencial”. O clínico fala numa questão cultural em que ainda subsiste “o receio de se falar ao médico dos seus problemas”. “Só quando há um sintoma visual é que vêm ao hospital”. Com o rastreio em curso, desde fevereiro que há entre 60 a 70 novos pedidos de consulta na oftalmologia específicos para a patologia associada à diabetes, “tratando-se de um volume considerável com algum impacto mas nós cá estamos para acompanhar e tratar as pessoas”, salienta Miguel Amaro. Armando Braz, presidente da Unidade Coordenadora Funcional para a Diabetes do Aces Estuário do Tejo e Hospital Vila Franca de Xira, dá a achega – “Antigamente o rastreio era feito quando havia oportunidade. Com a aquisição de um retinógrafo pela ARS-LVT que já esteve nos centros de saúde de Alenquer e Arruda, mas que passará pelos restantes concelhos na esfera do ACES, certamente teremos outra dimensão desta incidência”. Uma das especificidades que nos últimos anos tem surpreendido os médicos reside no facto de muitos pacientes acusarem retinopatias ainda numa fase inicial da diabetes. “Por vezes chegam aqui com baixa visão, dizemos que têm uma retinopatia e admiram-se porque desconheciam que tinham diabetes”, diz Miguel Amaro. “É raro mas

acontece existir um nível baixo ou moderado de glicemia no sangue que não dá sintomas levar a uma retinopatia”. Apesar das complicações oculares do olho causadas pela diabetes serem em alguns casos de difícil tratamento, hoje em dia já se consegue respostas bastante promissoras, sendo possível tratar e recuperar a visão nos casos mais graves, e impedir a progressão nos casos mais leves, através da cirurgia e injeções. Mas para isso

o paciente tem de cumprir também neste aspeto uma espécie de caderno de encargos que implica “controlar a sua doença” e nesse percurso costumam ser necessários entre dois a três anos para se ter sucesso. “Quando esse controle não existe torna-se penoso tratar esse doente, porque apesar de estarmos a ter algum sucesso anatómico, podemos dizer que nunca conseguimos tratar na totalidade porque o doente não se comprometeu”.

Armando Bráz fala da importância do rastreio

Miguel Amaro ficou surpreendido com número de casos

Associação de Diabéticos de Alenquer preocupada com realidade do concelho om cerca de 2964 casos, em 2014, de pessoas com diabetes no concelho de Alenquer, a “Associação de Diabéticos do Concelho de Alenquer” fundada em 2007 em articulação com médicos da do centro de saúde local presta apoio de diversa ordem aos seus associados. Ações de esclarecimento e aconselhamento de boas práticas a nível alimentar com o intuito de aumentar a qualidade de vida do doente; acompanhamento psicológico e atividades de lazer e de passeios ao ar livre, são algumas das ofertas da associação que conta com cerca de 250 associados. “Estamos preocupados com a evolução da doença, já que 40 por cento dos portu-

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gueses está em risco”, refere José Manuel Inácio daquela associação a única da região de Lisboa a par

da APDP. Entre as ofertas que a associação possui junto dos sócios, encontra-

se um protocolo de descontos na ordem dos 50 por cento, nas consultas em várias clínicas. (A quota anual na associação é de 12 euros). Mas os descontos estendemse ainda a farmácias e estabelecimentos comerciais, como óticas”. Entre os sócios desta associação, está uma empresa de empacotamento de açúcar. Alguns funcionários são diabéticos, e acabaram por se tornar sócios da associação, e quase numa acção de responsabilidade social decidiram inscrever também a empresa que todos os anos contribui com o pagamento de uma quantia superior, à dos demais associados, para as ações deste núcleo de Alenquer, que também está aberto a diabé-

ticos de outros concelhos. Atualmente conta com associados de Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Vila Franca de Xira. O próximo objetivo passa por encontrar um edifício novo, de preferência um rés-do-chão, já que a associação se encontra, atualmente, num segundo andar de um edifício da Avenida António Maria Jalles, que limita em parte a mobilidade dos doentes com idade mais avançada. Nesse novo espaço, ficaria a funcionar uma área de consultas com preços simbólicos. José Manuel Inácio diz ao Valor Local que tudo se conjuga para que em breve a associação passe para um espaço mais adequado

no centro da vila, estando dependente apenas de a Câmara dar luz verde nesse sentido.

José Manuel Inácio


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Acisma

Atividade Funerária regime de acesso e de exercício da atividade funerária foi integrado no designado “Regime de Acesso a Atividades de Comércio, Serviços e Restauração”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 10/2015, de 16 de janeiro (RJACSR), que lhe introduziu algumas alterações face ao regime anterior, e que cumpre conhecer. » Exercício da Atividade Funerária Entende-se por «Atividade funerária» a prestação de quaisquer dos serviços relativos à organização e à realização de funerais, de transporte, de inumação, de exumação, de cremação, de expatriação e de trasladação de cadáveres ou de restos mortais já inumados. Entende -se por «agência funerária» a pessoa singular ou coletiva que tenha por objeto principal a atividade funerária. O exercício à atividade funerária para além das disposições do Decreto-Lei n.º 10/2015, de 16 de janeiro (RJACSR), está sujeito ao regime jurídico da remoção, transporte, inumação, exumação e trasladação de cadáveres, ossadas, cinzas, fetos mortos e peças anatómicas1. » Atividades conexas Podem ser exercidas as seguintes atividades conexas: Remoção de cadáveres nos termos previstos no artigo; Transporte de cadáveres; Preparação e conservação temporária de cadáveres; Obtenção da documentação necessária à prestação dos serviços inerentes ao exercício da atividade funerária; Venda ao público de artigos funerários e religiosos; Aluguer ou cedência a outras entidades habilitadas a exercer a atividade funerária de veículos destinados à realização de funerais e de artigos funerários e religiosos; Ornamentação, armação e decoração de atos fúnebres e religiosos; Gestão e exploração de capelas e centros funerários, próprios ou alheios; Cremação em centro funerário de restos mortais não inumados ou provenientes de exumação; Gestão, exploração e conservação de cemitérios, ao abrigo da concessão de serviços públicos, aprovados nos termos da lei. » A atividade funerária pode ser exercida Agências funerárias; Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) ou entidades equiparadas; Associações Mutualistas, apenas podem exercer a atividade funerária no âmbito das suas finalidades mutualistas e de prestação de serviços de caráter social aos respetivos associados e suas famílias, nos termos estatutários. A atividade funerária e as atividades conexas devem ser exercidas em instalações destinadas exclusivamente para essa finalidade e dotadas das condições adequadas. » Requisitos para o exercício da atividade Dispor de responsável técnico qualificado; Dispor de catálogo de artigos fúnebres e religiosos em formato físico ou eletrónico; Garantir o transporte de cadáveres ou de restos mortais já inumados; No que diz respeito à atividade de conservação e preparação de cadáveres, garantir que os profissionais em causa e os locais de exercício dessa atividade cumprem os requisitos para a prática da tanatopraxia; Possuir instalações abertas ao público, em território nacional, exclusivamente afetas à atividade funerária.

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Garantir as condições adequadas à observação, por parte dos trabalhadores, das precauções universais aplicáveis na utilização e na manipulação de agentes biológicos, nomeadamente no que respeita à disponibilização e à utilização de equipamentos de proteção individual, quando não for possível adotar medidas de proteção coletiva; Fazer cumprir as regras de segurança na utilização de produtos químicos e garantir o cumprimento das indicações do fabricante; Garantir as medidas de primeiros socorros apropriadas em caso de acidente com exposição a agentes químicos ou biológicos; Garantir as medidas adequadas de prevenção dos riscos ambientais para a saúde pública decorrentes das atividades funerárias. » Responsável Técnico Procede à gestão e supervisão da atividade funerária de acordo com a legislação aplicável competindo-lhe: Assegurar a qualidade dos serviços de conservação e preparação de cadáveres a prestar pela entidade habilitada a exercer a atividade funerária, garantindo o cumprimento dos requisitos para a prática da tanatopraxia (ver Portaria n.º 162-A/2015, de 1 de junho). Deve ser detentor de um certificado de qualificações obtido através da conclusão com aproveitamento de unidades de formação ou através da certificação das unidades de competência do referencial de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências profissional associado à mesma qualificação. Os certificados de qualificações obtidos ao abrigo da legislação anterior (Decreto-Lei 109/2011, de 14.01, alterado pela Lei nº 13/2011, de 29.04) mantêm-se válidos. (ver Portaria n.º 16-A/2015, de 1 de junho) Cada responsável técnico não pode ter a seu cargo mais de três instalações onde se exerça a atividade funerária, incluindo a sede social ou locais destinados à realização de velórios, as quais se devem localizar dentro do mesmo distrito. » Regime das incompatibilidades Não podem deter ou exercer, direta ou indiretamente, a propriedade, a exploração ou a gestão de agências funerárias: Proprietários, gestores ou entidades gestoras de clínicas médicas; Estruturas residenciais para pessoas idosas; Hospitais ou equiparados e entidades dedicadas ao transporte de doentes. ? Exceção: As IPSS ou entidades equiparadas cujo enquadramento estatutário acolha o exercício da atividade funerária não se lhe aplica o regime de incompatibilidades. » Instalações As instalações, exploradas por agências funerárias ou por IPSS ou entidades equiparadas onde se desenvolva a atividade funerária, bem como todos os locais de que se faça uso na realização de velórios, devem assegurar a privacidade, o conforto e a segurança dos utilizadores, para além de deverem ser exclusivas ao exercício desta atividade. Podem estar abertas ao público de forma permanente, » Deveres As agências funerárias e as IPSS ou entidades equiparadas que desenvolvam a atividade funerária devem: Fornecer a sua identificação fiscal; Fornecer aos destinatários do serviço informações claras e precisas; Apresentar orçamento escrito; Guardar sigilo relativamente a todas as condições dos serviços pres-

Valor Local tados, salvo instruções do cliente em contrário ou decisão judicial; Abster - se de usar serviços de terceiros que não sejam compatíveis com as características da atividade funerária; Abster - se de contactar, por si ou através de terceiros, a família do falecido, as entidades gestoras de lares ou de hospitais, bem como quaisquer funcionários das mesmas, com o intuito de obter a encomenda da organização do funeral, sem que os seus serviços tenham sido previamente solicitados para o efeito. Direito de escolha Aos estabelecimentos hospitalares, estruturas residenciais para pessoas idosas e equipamentos similares é proibido organizar ou implementar escalas de entidades habilitadas a exercer a atividade funerária, destinadas à prestação preferencial ou exclusiva de quaisquer serviços funerários junto dos respetivos utentes e familiares. » Funeral Social As entidades habilitadas a exercer a atividade funerária devem dispor obrigatoriamente de um serviço básico de funeral social, disponível para os municípios da sede da entidade e das filiais, caso existam8. O preço máximo do serviço básico de funeral social não pode exceder o montante de € 400,00, (atualizado anualmente no mês de outubro). » Comunicações Deve ser comunicado à Direção Geral das Atividades Económicas, através do «Balcão do empreendedor», no prazo de 60 dias contados da data da ocorrência, os seguintes factos: ? Encerramento das instalações; ? Designação e mudança de responsável técnico. 1 Estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 411/98, de 30 de dezembro, alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 5/2000, de 29 de janeiro, e 138/2000, de 13 de julho, pela Lei n.º 30/2006, de 11 de julho, e pelo Decreto-Lei n.º 109/2010, de 14 de outubro, e respetiva legislação complementar e ao regime previsto em convenções internacionais quanto ao transporte transfronteiras. 2 Decreto-Lei n.º 411/98, de 30 de dezembro, alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 5/2000, de 29 de janeiro, e 138/2000, de 13 de julho, pela Lei n.º 30/2006, de 11 de julho e pelo Decreto-Lei n.º 109/2010, de 14 de outubro - Regime jurídico da remoção, transporte, inumação, exumação e trasladação de cadáveres, ossadas, cinzas, fetos mortos e peças anatómicas. 3 Artigo 110º RJACSR 4 Ver Artigo 112º RJACSR e Portaria n.º 16-A/2015, de 26 de janeiro - Aprova as matérias que integram o plano dos cursos de formação inicial dos responsáveis técnicos das entidades prestadoras de serviços funerários; 5 Em condições de segurança e de respeito pela dignidade humana e, quando for o caso, mediante viatura em bom estado de conservação e homologada pelo IMT, I. P., nos termos do Decreto-Lei n.º 16/2010, de 12 de março, alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 59/2011, de 5 de maio, e 148/2013, de 24 de outubro, ou por organismo congénere da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu, nos termos da legislação aplicável; 6 Portaria n.º 162-A/2015, de 1 de junho - Estabelece as condições de acesso e de exercício da atividade de reconstrução, conservação e preparação de cadáveres, a tanatopraxia. 7 Artigo 118º RJACSR 8 Artigo 119º RJACSR (Fonte: ASAE news)


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Política

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Espaço do “Terminal Rodoviário” aguarda acordo com Rodoviária O Vereador da Coligação pelo Futuro da Nossa Terra, António Jorge Lopes, sugeriu durante a última reunião de Câmara de Azambuja que a loja entregue ao município para servir de terminal rodoviário, junto à Nacional 3, possa ser aproveitada para posto avançado da Unidade de Atendimento ao Público (UAP). Em causa está o facto da dita loja que fica no “Edifício Moderno” perto da estação da CP, não estar ainda a ser utilizada para o falado terminal. António Jorge Lopes salienta a boa localização do espaço para servir de complemento à atual unidade, tanto mais “que fica perto da estação e poderia ter um horário alargado por exemplo até

às 20 horas, altura em que as pessoas chegam do comboio de regresso a casa”. A sugestão do vereador aparece depois de um documento para pagamento do condomínio da dita loja na reunião de Câmara do dia 21 de junho no valor de 280 euros anuais. E nesse sentido Lopes quis saber também do ponto da situação. Na resposta Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, salientou que ainda decorrem negociações com a rodoviária e só depois disso “se pode dar um destino ao espaço”. O presidente da Câmara reconhece que o espaço é bom, e que o município tem estado a fazer algumas obras, nomeadamente no que

toca a arranjos nas casas de banho e no pavimento. Luís de Sousa salienta que o local pode receber uma pequena leitaria à entrada assim como um quiosque de venda de jornais. Todavia o autarca diz não ter ainda conhecimento certo da resposta da Rodoviária. A loja em causa foi cedida ao município como contrapartida da venda em hasta pública daquele terreno a uma empresa de Lisboa. O espaço está na posse do município desde 2013, segundo apurou o Valor Local, sendo que a Câmara tem tentado chegar a acordo com a Rodoviária por várias vezes para a sua utilização efetiva para os fins para que foi criado

Local em causa

António José Matos já é militante do PS ntónio José Matos já é militante do Partido Socialista. A ficha do presidente da Assembleia Municipal de Azambuja foi assinada pelo presidente da concelhia Silvino Lúcio e pelo presidente da Câmara Luís de Sousa, durante uma visita de Marcos Perestrelo – presidente da FAUL a este concelho. Matos foi um destacado militante social-democrata nos anos 90, tendo sido candidato a presidente da Câmara em 2005 pelo PSD. Em 2013 a convite de Luís de Sousa encabeçou a lista do PS como independente à Assembleia Municipal nas listas socialis-

A

tas, cargo que exerce no momento. Para trás, fica um longo período onde não teve qualquer função partidária ou autárquica, significando então uma “travessia no deserto” até 2013, travessia essa interrompida, apenas, porque Sousa o convida para candidato a presidente da Assembleia Municipal de Azambuja. António José Matos tem sido apontado como um possível candidato à Câmara nas listas do PS. Em tempos até já esteve em cima da mesa uma candidatura independente, situação nunca desmentida nem confirmada pelo

próprio. Ao Valor Local, António José Matos não quis falar das anunciadas candidaturas de Luís de Sousa e Joaquim Ramos, mas deixa saliente a possibilidade de no PS os militantes se poderem disponibilizar e “apresentarem uma candidatura de candidato a candidato”. Matos não assume qualquer candidatura, e prefere ao invés salientar a sua militância no seio dos socialistas. Dizendo em jeito de brincadeira: “Quando é preciso tomo uma aspirina ou um aspegic”, numa referência ao facto de ainda ser visto como um outsider.

Matos durante a campanha eleitoral de 2013

PSD de Azambuja inaugura nova sede com visitas de peso concelhia do Partido Social Democrata vai inaugurar no próximo dia 28 de junho a nova sede. Segundo António Jorge Lopes, vereador e presidente da concelhia, esta “ será um dos maiores espaços no distrito de Lisboa”, com cerca de 200m2.

A

O PSD vai mudar-se para uma loja que será quase o triplo da antiga sede, que terá ainda uma sala de conferências. O novo espaço será arrendado por um período de sete anos renováveis, “sendo que a renda será totalmente assegurada

Nova sede da concelhia laranja

pela Comissão Política Distrital do PSD”. De acordo com o presidente da concelhia, o partido tem tido “um crescimento significativo do número de militantes nos últimos meses. É um dos motivos pelos quais se justifica esta mudança para uma sede maior”. Esta será uma inauguração que contará com o “apadrinhamento” de várias figuras do PSD nacional. Entre elas Matos Rosa, secretário-geral do partido, Carlos Carreiras, coordenador autárquico nacional, e Miguel Pinto Luz, presidente da estrutura distrital. De acordo com o presidente da concelhia laranja, a presença destas figuras nacionais, é vista como “um sinal de confiança nos autarcas e militantes locais” e por isso “Azambuja é uma prioridade nas próximas autárquicas, porque continuamos a ser um concelho atrasado na Área Metropolitana de Lisboa”.

Sobre as eleições do próximo ano, Jorge Lopes, diz que não se pronuncia sobre os hipotéticos candidatos laranjas, mas salienta que “o PSD/Azambuja está muito unido e motivado” e não comenta as recentes polé-

micas internas do PS local. “O PS já tem dois candidatos à Câmara da Azambuja, o Dr. Joaquim Ramos e o Luis de Sousa. Para o PSD ainda não é tempo de falar de candidatos”, assegura o presidente da con-

celhia local. A escolha do candidato à presidência da Câmara “tem calendário definido com as estruturas superiores do PSD, e agora é o tempo de falar de projetos, não de candidatos” revela Lopes.


Política

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Valor Local

Autárquicas Azambuja: “Se o PS me impedir entrego cartão de militante” antigo presidente da Câmara de Azambuja, Joaquim Ramos diz manter a disponibilidade de avançar numa pré-candidatura à Câmara de Azambuja dentro do Partido Socialista. Joaquim Ramos diz não acreditar que o PS coloque restrições aos anteriores autarcas, que no seu caso serviu o concelho por mais de doze anos: “Dei três maiorias absolutas em crescendo ao PS. Não admito que nenhuma agremiação me im-

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peça de candidatar ao que quer que seja”. Nesse sentido, Ramos declarou ao Valor Local que se esse impedimento acontecer entregará de imediato o seu cartão de militante, tanto mais que considera que “isso é um atentado constitucional porque pretende coartar as pessoas de exercerem um direito previsto na Constituição” e acrescenta: “Não acredito que o meu partido faça uma coisa destas. Porque

tem sempre respeitado os princípios fundamentais da liberdade e da Constituição”. O Valor local tentou sem sucesso obter por parte do PS nacional uma reação a este assunto o que até ao fecho de edição não foi possível. Ainda assim, e se o cenário de impedimento se mantiver em cima da mesa. Joaquim Ramos não descarta uma candidatura independente: “Pode imaginar os ce-

nários que quiser” aludindo assim a essa possibilidade. As declarações ao Valor Local por parte de Joaquim Ramos surgiram na sequência de uma conferência de imprensa dada pelo atual presidente da Câmara Luis de Sousa, que reagiu a uma entrevista de Joaquim Ramos dada em março ao Valor local, onde este já admitia uma candidatura. Luís de Sousa que apareceu ladeado pelo presidente da JS, Bru-

no Neves, e pelo presidente da concelhia Silvino Lúcio, salientou que o atual executivo e ele próprio se tinham sentido pressionados a avançar pela entrevista concedida ao Valor Local em março último, e em declarações posteriores a outros órgãos de comunicação social. Aliás sobre a presença de Silvino Lúcio presidente da concelhia nesta conferência de imprensa, Joaquim Ramos reservou-se ao direito de não comentar, salientando apenas que espera também o seu apoio se por acaso a sua candidatura vier a acontecer. Ainda sobre Silvino Lúcio, e sem especi-

ficar, Ramos salientou uma entrevista recente onde este também deixou a porta aberta a uma sua candidatura. Todavia, tanto Luis de Sousa, como Silvino Lúcio vincaram que esta movimentação é extemporânea. Consideram que é muito cedo avançar para uma candidatura a ano e meio das eleições, todavia e pressionados, sentiram-se obrigados a assumir também uma pré-candidatura: “Hoje estou disponível, mas não sei se fisicamente ou mentalmente estarei para o ano. Ainda temos muito que ponderar”, declarou Luís de Sousa ao Valor Local.

Ramos disposto a concorrer como independente


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Opinião

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Há vida para além da dívida á desafios que nos fazem sair da casa. Abraçar um projecto que tem como objectivo saldar dívidas contraídas em mandatos anteriores por Câmaras Municipais deve ser um desses desafios. Só assim se justifica que alguns executivos camarários saiam à rua, enfrentem as críticas e a impossibilidade de fazer melhor. Mas são os desafios que tornam o Ribatejo mais consistente. Com uma beleza que passa muitas vezes despercebida, a região fica atrás nas preferências turísticas, largamente superada pelo Algarve, Alentejo e Douro. E o desafio para inverter a situação e colocar o Ribatejo no seu devido lugar tem que ser encarado como um projecto unificador, comum a todos os concelhos,

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a toda a população. E é nesse sentido que devemos encarar o novo desafio da Câmara Municipal do Cartaxo: transformar o Fandango, tão tradicional e representativo da cultura ribatejana, em Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Conscientes de que o Cartaxo enfrenta graves condicionantes financeiras, que o foco da atenção dos responsáveis autárquicos estão centrados na resolução de problemas prementes, o anuncio feito sem a habitual pompa e circunstancia exigida nestas ocasiões não podia surpreender mais. Quando nada o fazia prever eis que surge a candidatura do Fandango a Pa-

trimónio Imaterial da Humanidade. Um trabalho de bastidores notável, protagonizado pelo presidente da

Câmara do Cartaxo, que resultou na surpresa e estupefacção de quem está pouco habituado de ver o concelho a ser notícia por bons motivos.

O Fandango revela toda a nossa essência. Podemos ser rudes, mas somos fortes e nunca dizemos não a um desafio. É nesse sentido que estamos juntos na candidatura que se transformará num pedaço de cada um de nós, do concelho, do Ribatejo, de Portugal. Mas da intenção à concretização do projecto, há um longo caminho a percorrer. Um caminho complexo, repleto de obstáculos, alegrias e umas quantas desilusões, mas no final serão traduzidos no orgulho de ter sido o Cartaxo a avançar com uma candidatura que tem tudo para trans-

formar o Fandango no desafio mais interessante alguma vez dançado em terras nacionais. Cabe agora ao município ter capacidade para juntar as vontades, as concepções, aqueles que estão ligados ao folclore, e os que ainda “torcem o nariz”, os especialistas e os que apenas gostam de ver, aqueles que receiam que o pau acerte em alguém e os que anseiam que a garrafa não se estilhaçe, os que não suportam ver e os amantes de emoções fortes. Desta vez tem mesmo que ser, o batimento cardíaco vai ter que ser sincronizado e numa única batida vamos ter que apoiar este projecto comum. Da surpresa do anuncio à satisfação de ver o Cartaxo transformado

Ana Bernardino no epicentro da promoção do Fandango, o caminho foi curto e rápido. Resta-nos viver todos os momentos que vão, com certeza, ficar para a história. E porque acredito que há vida para além da dívida, a aposta tem que passar por ideias que aliem a tradição à modernidade, projectando um futuro que pode bem ser mais risonho .

“A noite não é eterna” rimeiro estava a revolução e o país e só depois a família (…)”, é uma das frases do mais recente livro de Ana Cristina Silva, A noite não é eterna, que nos transporta ao pesadelo em que se transformou a vida na Roménia de Ceausescu. Conhecemos a obra de Ana Cristina Silva e temos mesmo acompanhado a sua intensa produção literária, iniciada em 2002, com Mariana, todas as cartas. Recordamos, aliás, o momento em que a autora, durante a apresentação de um dos seus livros, afirmou: “não sei se sei escrever romances”. Pois bem, a Mariana, todas as cartas sucederam-se: A Mulher Transparente (2003), Bela (2005), À Meia-Luz (2006), As Fogueiras da Inquisição (2008), A Dama Negra da Ilha dos Escravos (2009), Crónica do Rei-Poeta Al-Mu’Tamid (2010), Cartas Vermelhas (2011), selecionado como livro do Ano pelo jornal Expresso e finalista do Prémio Literário Fernando Namora; O Rei do Monte Brasil (2012), finalista do Prémio SPA/RTP e do

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Prémio Literário Fernando Namora e vencedor do Prémio Urbano Tavares Rodrigues; A Segunda Morte de Anna Karénina (2013), finalista do Prémio Literário Fernando Namora; A Noite não É Eterna (2016) Para quem não se encontrava certa da sua capacidade de escrita, o mínimo que poderemos dizer é que, da nossa parte, não nos resta qualquer dúvida de estarmos perante uma romancista de fôlego. Os romances de Ana Cristina Silva – e assumimos desde já não ter lido todos – centram-se sempre num determinado momento ou personagem histórico, recriando, ou melhor, ficcionando, a partir de um conjunto de dados da historiografia oficial, vidas, sentimentos e situações, que poderiam, efectivamente, ter acontecido. E é, precisamente, neste “poderia ter sido assim”, que gostaríamos de focar a importância de uma escrita como a de Ana Cristina Silva. Mais do que falarmos aqui em “romance histórico”, arredios que

somos à estreiteza de qualquer sistema de classificações e ao cânone literário, falaremos em “essência da literatura”. E que pretendemos nós significar com tal expressão? Em primeiro lugar, que todo o romance é romance histórico, na medida em que coloca em primeiro plano determinado período da História. Mas, para o que hoje nos interessa, a questão passa por verificarmos que, na obra desta autora, na obra que tem vindo a legar-nos, o que se joga, verdadeiramente, é a condição humana. E essa não tem época histórica ou data definida para ser evocada. Com um particular enfoque na figura da mulher, a escrita de Ana Cristina Silva consegue prendernos da 1.ª à última linha, pela clareza e limpidez da sua escrita, pela forma como desenvolve a trama de cada romance, pela complexa teia de emoções dos personagens e das situações com que são confrontados, numa palavra, por nos obrigar a reflectir sobre o modo como agiríamos caso nos encontrássemos em si-

tuações idênticas. Este é o verdadeiro poder da literatura, o seu fascínio e o seu enigma também. E só a literatura, a boa literatura entenda-se, detém este poder. Voltemos ao romance que aqui nos traz hoje e que tem merecido uma justíssima recepção por parte da designada “crítica literária”. Não revelaremos aqui detalhes deste A noite não é eterna, até porque, sendo importantes as vidas de Nadia, Paul, Drago, Inga ou Vasile, o que retemos da leitura destas páginas é a sua implicação nas nossas, ou seja, se mensagem literária nos transmite este livro será a que a luta pela dignidade humana não é hoje, como não será jamais, histórica, mas sim batalha a travar diariamente. Um grande amigo e um grande escritor, José Saramago, dizia: “porque se dobram as pessoas?”. Pois bem, nos romances de Ana Cristina Silva, as pessoas não se dobram. Erguem-se e erguem a voz para gritar bem alto e denunciar a injustiça e a barbárie. Aconteceu na Roménia. Aconteceu na China. Aconteceu na Ale-

manha. Aconteceu – e está a acontecer – na Síria. Acontece perante os nossos olhos, todos os dias, no horário nobre das televisões. O mundo tal qual o conhecemos hoje, não é mais do que a “aldeia global” que determinado teórico falava há algumas décadas atrás. Porque acontece e o que poderemos fazer para o impedir, é a interrogação a fazer. Se não quando olhamos para o pequeno écran, então quando lemos um livro como o da Ana Cristina Silva. Esta é a literatura que importa, a que apela à responsabilidade ética de cada um de nós, uma responsabilidade que não se esgota jamais numa sociedade que se quer democrática e livre. Terminamos, revelando mais um segredo da Ana Cristina Silva: disse-nos um dia não saber escrever diálogos. Mas como sabes Ana Cristina! O que as tuas personagens não dizem entre travessões é ainda mais forte e perturbador porque dito em silêncio. E se a História oficial não nos dá “o grito e a dor” (expressão de

Fátima Faria Roque* Saramago), as personagens dos teus romances aí estão, para nos recordar que o passado pesa sobre nós e deve ser interpretado como herança e responsabilidade. (Fábrica das Palavras, 06 de Maio de 2016 - apresentação do romance de Ana Cristina Silva, A noite não é eterna) * Diretora do Departamento de Educação e Cultura, da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Doutorada em Estudos Portugueses, especialidade de Literatura. Investigadora no Instituto de Estudos de Literatura Tradicional, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa.


Opinião

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Valor Local

O fim da Europa? Diabetes, tema fulcral desta edição do Valor Local, não é propriamente o meu forte. Nem em teoria, por isso não posso nem devo pôr-me para aqui em gran-

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des meditações sobre esta ameaça que se abate sobre grande parte da população portuguesa, nem felizmente na prática, porque, até ver, safei-me dela. Ao contrário do que seria de esperar, porque a minha ascendência materna é toda ela, pela linha feminina, concebida com diabetes nos genes. Os homens têm-se safado. Os homens e a minha mãe, que era o único elemento feminino até à sua geração que se livrou dela. Mas isso é outra história, porque até morrer, com noventa anos, não houve doença que acabrunhasse a minha mãe ou lhe quebrasse o ânimo.

Por isso vou falar dum tema em que me sinto mais à vontade e que é extremamente actual. Para além de ser um assunto cujas consequências, qualquer que seja

o resultado, trará mudanças importantes para a Europa e para Portugal – em última análise, para cada um de nós . Trata-se do referendo que será feito a vinte e três de Junho ( eu estou a escrever este artigo a vinte), em Inglaterra, sobre a possível saída da União Europeia, o Brexit. Arrisco-me a prognosticar que os ingleses vão decidir permanecer – por uma pequena margem -, apenas pela intuição de que as pessoas, no momento decisivo, assumem a atitude que lhes é mais familiar e preferem manter o status quo do que lançar-se numa aventura sem fim conhecido.

Mas admito que o não possa ganhar. E tenho pena. Tenho pena porque sou um europeísta convicto e não tenho a memória curta : sei muito bem o que era um país

como Portugal antes da integração e o que é hoje em dia. O “contágio” da Europa foi fundamental nas infraestruturas, na formação profissional, naquilo que contribuiu para o desenvolvimento do País não só a nível económico como das mentalidades : a não existência de fronteiras e a livre circulação que daí resultou pode ter tido os seus inconvenientes em termos de segurança e de “resguardo” dalgum património que era só nosso, mas o contacto facilitado com outras gentes e civilizações deu-nos “mundo”, uma coisa que nos faltava desde os Descobrimentos.

Com ou sem saída da Inglaterra, creio que é insustentável a manutenção da actual situação da UE. Não há efectivamente um projecto europeu, que, a ser consequente,

terá que passar necessariamente por um federalismo no seu cenário final. Não há uma liderança efectiva da Europa; mesmo a senhora Merkl, a quem se exigiria, pelo poder que detem, uma visão europeia, apenas defende os interesses de quem a elege : os alemães. Tem-se esbatido a ideia duma Europa solidária e tolerante, com o tratamento desigual que as instâncias europeias dão aos países fracos e aos seus membros mais poderosos – veja-se o escandaloso caso do deficit, cuja ultrapassagem é tolerável para a França, por ser a França, mas já não o é para

Portugal. Não é esta a Europa que foi idealizada! Depois, o curso da História tem, infelizmente, dado aso à intensificação de sentimentos nacionalistas que são contrários a uma evolução europeia no sentido da integração progressiva que nós, os europeístas, desejamos. O falhanço das políticas de desenvolvimento, a regressão económica e os escândalos financeiros que a têm abalado dão motivo à extrema esquerda para que bombardeie a opinião pública com a sua aversão a uma convergência europeia. Basta para tanto ver o que aconteceu na Grécia, com o Syriza e em menor escala em Espanha com o fenómeno Podemos e em Portugal com a subida vertiginosa do Bloco. Os acréscimos significativos destes Partidos, que em situação normal, teriam um resultado eleitoral só com um dígito, são o exemplo claro deste desencanto com o projecto europeu. Mas há também o extremo oposto, ou seja, neste caso a extrema oposta. A extrema direita. A crescente sensação de ameaça representada basicamente pela expansão para a Europa do fundamentalismo islâmico e pelos atentados que têm ocorrido nos principais países europeus – França, Bélgica, Espanha, Inglaterra, Alemanha – têm criado um campo fértil para a expansão dos grupos e partidos nacionalistas de direita e extrema direita. É legítimo que, quando vemos um grupo de concidadãos europeus serem mortos em atentados bombistas, adoptemos de imediato duas atitudes primeiras no actual contexto europeu. A primeira é uma tendência para comungar da idéia, nuclear para os partidos que nacionalistas, de

Joaquim Ramos que a Europa deve ser só para os Europeus e que, afinal, fomos demasiado tolerantes para com quem cá se veio meter – o que, no ultimo caso, é parcialmente verdade, e de certeza que ninguém se atreverá a chamar-me xenófobo por ter essa opinião. A segunda, mais grave do meu ponto de vista, é que nos faz encarar uma crise humanitária sem precedentes que faz aportar à Europa centenas de milhares ou mesmo milhões de desesperados fugidos à guerra, à fome e à intolerância religiosa do norte de África e do Médio Oriente, como uma espécie de invasão dos Mongóis, umas Cruzadas ao contrário. É legítimo que não exista uma consciência comum europeia que avalie a crise dos refugiados como aquilo que ela é – uma tragédia humana – e não como uma ameaça que nos obrigue a fechar fronteiras, erguer novos muros ou, como se corre o risco de acontecer no próximo dia vinte e três, leve algum ou alguns países a desistirem do projecto europeu? Será que vamos assistir a um retrocesso do conceito de Europa que a reduza aos calhamaços de Geografia, como nome de Continente? Espero bem que não. Mas isso sou eu, que sou um europeísta convicto e um optimista incorrigível.

Colete Encarnado, Tempo de Festa, Tempo de Toiros maior parte das coisas que fazemos na vida obedece a regras e padrões institucionalizados de comportamento e de relacionamento social. As instituições, os sistemas de papéis em que se fundam, e a hierarquia que se estabelece entre diferentes papéis sociais são indispensáveis à existência da ordem (pelo menos mínima) e da previsibilidade que tornam possível a vida em sociedade. A realidade ordenada e hierarquizada da vida social está presente em quase tudo o que fazemos de forma mais ou menos rotineira. Porém, ela choca com uma outra

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dimensão da existência das pessoas. Nós somos dotados de livre arbítrio, refletimos sobre quem somos e o que fazemos e podemos agir para mudar o estado das coisas. Para lá da ordem e das classes sociais resultantes dos diferentes papeis socialmente construídos, existe uma natureza humana que é livre e igualitária. Todos nascemos iguais, mas a ordem social torna-nos diferentes. Esta dupla dimensão da existência humana gera tensões e atritos que a própria sociedade tende a resolver criando o espaço e o tempo de exceção e fuga em

relação às regras, normas e constrangimentos do quotidiano. Esse tempo e esse espaço é o tempo e o espaço da Festa. É o tempo e o espaço da suspensão, ou mesmo da inversão, das regras correntes. São os momentos e os lugares excecionais em que se celebra a condição humana que partilhamos com todos os nossos semelhantes. As Festas de Toiros, e em particular os toiros na rua, são particularmente notáveis desse ponto de vista. Força telúrica que não distingue classes nem estatutos sociais, o toiro, senhor da vida e da morte (verdade derradeira de

toda a existência), recria o caos fundacional sobre o qual se ergue a ordem social. O toiro instaura na comunidade humana o lado dionisíaco da vida, em que se exacerbam as emoções, os excessos, o pulsar inebriante dos sentidos. O Colete Encarnado é exemplar a esse respeito. Ansiosamente esperada todo o ano, e afanosamente preparada semanas antes por toda a cidade de Vila Franca, a Festa homenageia o campino, o maior cúmplice do toiro bravo. Homem do campo que traz o animal-totémico preso no galope das suas facas até à comunida-

de, para os momentos de maior frenesim, convívio, solidariedade, afirmação de identidade e exaltação festiva que a terra conhece. Soltam-se os sentidos nas cores garridas dos coletes e mantas nas janelas, no cheiro intenso da sardinha assada, na música alegre nos palcos de rua e nas tertúlias, no gosto especial dos almoços e jantares em que os locais se juntam à mesa com os visitantes, no vinho que escorre pelas gargantas, nos corpos que se tocam numa multidão de gente que segue alegre pelos inebriantes espaços de convívio em que se transforma toda a cidade.

Luís Capucha*, Imperam sentimentos fortes de um tempo de exceção que torna mais fácil a vida ordenada, rotineira, feita de regras que nos constrangem, a que depois regressamos nos outros dias do ano. Pelo menos até à Feira de Outubro. * sociólogo, professor no ISCTEIUL e investigador no CIES.


Valor Local

Instantâneos

Novo trator da união de freguesias União de Freguesias de Manique, Vila Nova de São Pedro e Maçussa apresentou recentemente a sua nova máquina de trabalho. Trata-se de um equipamento indispensável para a realização de algumas situações, como são a abertura e reparação de caminhos e estradas, bem como a ajuda à limpeza de sebes e desmatação entre outras situações. O equipamento que segundo o executivo da Junta de Freguesia é uma mais-valia, foi apresentado nas Tasquinhas de Manique do Intendente no fim do mês de abril.

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Marcelo em Azambuja arcelo Rebelo de Sousa esteve em Azambuja no início do mês de maio em casa de Virgínia Estorninho. A ocasião foi o aniversário da histórica do PSD, que todos os anos junta um conjunto de amigos em sua casa nesta altura do ano. Segundo Virgínia Estorninho, a presença de Marcelo é habitual, sendo que este faz parte de um grupo que se reúne com alguma frequência desde os tempos da fundação do PSD, um grupo a que de resto, pertencia também Sá Carneiro. Marcelo Rebelo de Sousa visitou Estorninho na qualidade de “amigo e não de Presidente da República” vincou Virgínia, sendo que “esta é a prova que Marcelo não se esquece dos amigos”, declarou ao Valor Local. A presença de Marcelo Rebelo de Sousa foi discreta, e como foi a título informal, não observou os protocolos habituais numa deslocação oficial do Chefe de Estado. Por outro lado, a sua presença em Vila Nova da Rainha já é uma certeza. Marcelo foi convidado na qualidade de Presidente da República, para presidir às comemorações do centenário da Aviação Militar em Portugal que começou naquela localidade do concelho de Azambuja.

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Marisa Ferreira é a nova rainha das vindimas arisa Ferreira, candidata da Freguesia de Aveiras de Cima, foi eleita a Rainha das Vindimas do Concelho de Azambuja, na final que teve lugar no dia 18 de junho na Praça dos Imperadores em Manique do Intendente. Foram eleitas ainda Magda Dias (1ª Dama de Honor) da União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro. Mara Albuquerque de Aveiras de Baixo foi eleita segunda dama de honor e ganhou ainda o prémio fotogenia. Margarida Rocha de Vila Nova da Rainha levou para casa o Prémio Simpatia. Marisa Ferreira terá a responsabilidade de representar o município de Azambuja na final nacional, no dia 10 de Setembro, em Lagoa, no Algarve.

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP-10171 silviaagostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares

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Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

Toiro à Corda Azambuja

o Mês da Cultura Tauromáquica, a UTA (União das Tertúlias de Azambuja) organizou uma tourada à corda à moda dos Açores. Numas ruas repletas de gente, os toiros que vieram do arquipélago cumpriram, fazendo a alegria de todos os que acorreram às ruas de Azambuja naquele sábado, 21. Um aperitivo para o que seria uma semana depois na Feira de Maio, que pode ser considerada um êxito mais uma vêz. Câmara Municipal de Azambuja e Comissão da Feira de Parabéns.

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Exposição Tertúlia Tauromáquica Azambujense m êxito também foi a exposição da Tertúlia Tauromáquica Azambujense. Numa exposição onde se lembrava o passado, com destaque para a Coudelaria Ortigão Costa e os seus cavalos pretos, como por exemplo: Bafejado, Jaguar, Elmo, Gafanhoto, entre outros que foram ali recordados. Recordados também e homenageados, foram os artistas da arte tauromáquica local. Toureiros, Cavaleiros, forcados, e ganaderos todos foram chamados e levaram para casa uma lembrança desta prestigiada tertúlia.

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Ana Rita Triunfa em Espanha na Rita voltou mais uma vêz a triunfar. Foi em Espanha, a 30 quilómetros de Salamanca numa zona que é conhecida como a Ruta del Toro, uma zona muito taurina de muitos toureiros e ganadarias. Ana Rita cortou 3 orelhas e saíu em ombros da praça.

A

Corrida de Toiros Azambuja o dia 29 de Maio, teve lugar a Corrida de Toiros integrada na Centenária Feira de Maio de Azambuja. Do cartel, constavam os nomes de Luís Rouxinol, Tito Semedo e Sónia Matias. Ficando as pegas a cargo dos Forcados Amadores de Azambuja, Cascais e Redondo, contou com alguns momentos altos, nomeadamente, o segundo toiro da tarde da ganadaria de Santiago Domecq, que além de arrecadar o prémio para melhor exemplar a concurso, proporcionou também aos amadores de Cascais o prémio para a melhor pega. Falando de forcados, é de referir que o grupo de Azambuja, também esteve muito bem. O prémio para a melhor lide a cavalo é que ficou por entregar, pois para o júri, os cavaleiros não estiveram à altura do desafio. Como se diz na gíria, estiveram de cabeça.No intervalo da corrida, e numa iniciativa da Tertúlia Tauromáquica Azambujense, foi descerrada uma lápide de homenagem a Etelvino Laureano e aos cinco elementos que o sacaram em ombros na Praça de Vila franca de Xira no dia 19 de outubro de 1947. Na presença de familiares, evocou-se essa data histórica em que Etelvino foi triunfador, naquela praça esgotada por azambujenses que se deslocaram num comboio especial e abrilhantada pela banda de música do Centro cultural Azambujense que não quis deixar de estar presente.

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Presidente da União de Freguesias de Alverca e Sobralinho:

“Manter a diversidade cultural é fundamental” Valor Local - Quais foram as principais dificuldades na gestão da freguesia após a fusão administrativa? Afonso Costa: Como sabe a reorganização administrativa não foi feita com o apoio nem das autarquias locais nem das populações. Essa foi logo a primeira dificuldade, sermos confrontados com desconfiança por parte dos moradores da freguesia agregada. O poder local é sinónimo de proximidade e este processo veio questionar esse princípio. O que as pessoas temiam era que de repente fossem despojadas da sua identidade e dos serviços básicos. A nível mais técnico podemos referir a dificuldade da fusão de duas realidades diferentes a nível administrativo. Alverca era uma freguesia de grandes dimensões e o Sobralinho tinha menos de 5 mil habitantes. A nível de procedimentos houve um grande trabalho para uniformizar tudo, tendo sempre presente que as populações não podiam nem deviam ser prejudicadas.

Neste processo, podemos dizer que o mais difícil foi manter a identidade cultural, que são diferentes nestas duas freguesias: Alverca do Ribatejo e do Sobralinho? Não, de maneira nenhuma. Esse foi um compromisso que assumimos e pretendemos manter. A diversidade cultural é uma riqueza para a União das Freguesias. As iniciativas do Sobralinho continuaram a ser dinamizadas, melhoradas e potenciadas bem como o apoio às Instituições locais. O facto de ser uma das poucas freguesias a levar a cabo uma gala comemorativa ajudou a manter essa identidade? Em Alverca comemoramos o “Dia da Cidade” com uma sessão solene em que habitualmente galardoamos os que de qualquer forma se distinguiram em prol da freguesia. Então porque não replicar uma boa prática no Sobralinho? Uma vez que era uma cerimónia que agradava à população resolvemos que comemoraríamos de igual for-

ma e com a mesma dignidade o Dia de Elevação a Vila do Sobralinho. Penso que foi uma boa decisão. Enquanto presidente da Junta, considera que esta fusão foi benéfica ou não? A nós autarcas compete-nos desenvolver os Planos previamente delineados quer por nós quer pelo Poder Central. Aos eleitores e às populações compete o julgamento dessas medidas. No entanto posso afirmar com tranquilidade que nenhum dos territórios ficou a perder. No que toca ao território. Alverca e o Sobralinho têm uma presença urbana muito forte. A proximidade a Lisboa descaracteriza a identificação cultural das localidades? Não! Alverca e o Sobralinho têm identidades muito próprias e marcadas. A proximidade com a área metropolitana e nomeadamente com Lisboa não influência a identidade local. Embora com grande malha urbana a União das Freguesias nunca perdeu as suas marcas de ruralidade dos

vários locais envolventes. Através do Núcleo Museológi-

co de Alverca e do Museu Etnográfico da Casa do Povo de

Arcena, temos mantido bem vivas as tradições que nos orgulham bastante. Temos um forte movimento associativo, ranchos folclóricos de reconhecido valor, grupos de teatro, grupos corais, escola de fado e muitos grupos de música popular portuguesa. Por outro lado como somos local atrativo de fixação de culturas temos acolhido de forma positiva as novas manifestações culturais dos que aqui se fixam. Ainda assim, há lutas como o acesso e o futuro nó do Sobralinho que teimam em não sair do papel. Qual tem sido o papel da junta nesta “luta”? A Junta de Freguesia tem neste campo feito as diligências que estão ao seu alcance e dentro das suas competências. Temos acompanhado e pressionado a Câmara Municipal, nosso parceiro privilegiado, para junto das entidades competentes defender os interesses não só da freguesia como do próprio concelho. As acessibilidades destas localidades têm sido então uma


Valor Local prioridade. A Estrada Nacional 10 é atravessada por milhares de veículos diariamente, é possível diminuir isso? O nó do Sobralinho pode ser nesse sentido uma mais-valia? O nó do Sobralinho é uma mais-valia que tarda em chegar tal como a variante à EN10, que viria libertar o interior da cidade do trânsito de pesados. A junta tem também um plano para o asfaltamento e recuperação de algumas estradas. Neste domínio, quais são as vossas prioridades? O asfaltamento de estradas não é uma competência da Junta de Freguesia mas sim da Câmara Municipal. Anualmente, o Executivo da junta de freguesia faz o levantamento das prioridades nesta área e submete essas mesmas prioridades à Câmara Municipal que por sua vez tem de gerir os recursos que tem e conciliar esses trabalhos com

a intervenção de outros agentes que atuam no subsolo. Neste momento a nossa prioridade centra-se na necessidade do asfaltamento de algumas vias em zonas de antigas: AUGIS. Ao nível da segurança. As freguesias contam com o patrulhamento da PSP. O fácil acesso à A1 e o que isso implica em termos de criminalidade, está nesta altura controlado? Das reuniões e contatos permanentes que temos com as Forças de Segurança, não temos a perceção de uma grande criminalidade na região. Há situações esporádicas a que sempre tem sido dada resposta atempada. Alverca tem dos melhores colégios da região de Lisboa. É um ponto forte da freguesia Claro que a qualidade da Educação é sempre um ponto forte. Mas além dum colégio de excelência, a freguesia prima também por uma ótima Rede

Freguesia em Destaque Escolar Pública, tanto a nível de pré, como do ensino primário e secundário. Temos um parque escolar moderno e com ótimas condições e um pré-escolar que abrange a maior parte da população. Este trabalho é complementado pelas IPSS’s de forma a dar resposta adequada aos encarregados de educação. Também na área das pessoas com deficiência a freguesia dá resposta através de duas instituições, a Cercitejo e a AIPNE. A nível do ensino técnico profissional contamos com o Centro de Formação de Alverca e com a parceria entre as OGMA e a Escola Secundária de Gago Coutinho. No que toca ao Museu do Ar. Alverca mantem apenas um polo a funcionar. A saída do museu deixou Alverca desfalcada? É sempre uma perda para qualquer cidade a saída dum Museu. Sendo que Alverca é

conhecida como berço da aviação, pelo que a aviação está inegavelmente ligada à sua história e desenvolvimento. Lamentamos que se mantenha apenas o polo em Alverca mas não sinto que esteja propriamente desfalcada, mais pobre talvez. Como é que a junta, em conjunto com a Câmara de Vila Franca de Xira vão colmatar essa lacuna? No meu entender essa é uma decisão que ultrapassa as autarquias, penso que a decisão está tomada. No que respeita ao movimento associativo. Embora seja uma grande cidade, Alverca tem mantido as tradições e o associativismo tem sido um grande pilar disso. Concorda? O Associativismo faz parte da génese da nossa freguesia e tem um papel determinante no seu desenvolvimento passado e quotidiano. Ciente dessa importância, temos manti-

do sempre parcerias com os agentes locais e assinado protocolos com o movimento associativo. A nossa ligação não se esgota nos subsídios atribuídos. O nosso apoio é constante com meios humanos, recursos materiais, cedências de espaços, isenção de taxas e uma política de proximidade ao trabalho desenvolvido. Como classificaria a qualidade de vida na cidade de Alverca e Sobralinho, tendo em conta a sua proximidade a Lisboa? A qualidade de vida na nossa freguesia é boa. Existe uma elevada taxa de segurança, disponibilidade de transportes e acessibilidades, um comércio local dinâmico, uma rede comercial bastante diversificada, uma oferta cultural a nível local bastante satisfatória e acessos rápidos na ligação a Lisboa. Quanto às Festas da Cidade, quais são as principais novidades este ano?

27 Quando assumimos os destinos da freguesia, um dos nossos compromissos foi reativar as Tradicionais Festas de São Pedro. Traduziu-se numa aposta difícil mas ganha, pois hoje as festas fazem parte do calendário cultural e de lazer da nossa região. Tal como vem sendo habito, os divertimentos, tasquinhas, artesanato folclore, bailes e artistas locais e de renome nacional passarão pelo espaço das festas, onde não faltará a noite da sardinha assada e para terminar o espetáculo de fogo-de-artifício. A festa volta este ano a ser organizada em parceria com a SFRA, mas só são possíveis com o apoio do comércio, indústria e serviços que nos acompanham desde a primeira edição. À população que tão bem tem respondido aos esforços de todos os envolvidos, fica o convite, Visitem Alverca, participem nas Festas e divirtam-se.

Dinamismo da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense movimenta sociedade civil Fundada em 1874 a Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense (SFRA) atravessa, neste momento, uma fase mais estável movimentando algumas dinâmicas na freguesia. Em declarações ao Valor Local, a coletividade de Alverca regista, nesta altura, cerca de 18 modalidades, algo só conseguido segundo José Chumbo, vice-presidente da mesma, com uma oferta de serviços de qualidade, “com fatores diferenciadores para os nossos sócios e consequentemente para a comunidade onde está inserida”. Desta forma salienta que “pretendemos ser uma instituição moderna e inovadora, que ambiciona ser referência, atraindo sócios e de uma forma positiva envolver a nossa comunidade que tanto demostra ser ativa”. Com diversas modalidades, há algumas que segundo José Chumbo elencam as preferências, como “a zumba, o ballet, a natação, o cycling, as danças, e o body combat”. Mas o responsável vinca também a importância da escola de música “que ao longo dos últimos anos, tem vindo a crescer de forma sustentada, constituindo-se como uma fonte de rejuvenescimento para a nossa banda”. Este é um trabalho continuado que se consegue com “muito trabalho e dedicação”, salientando que nas últimas direções ”temos conseguido dar a volta a situações muito difíceis vindas do passado, que colocaram em causa a existência e o futuro da SFRA. Mas que neste momento se encontram totalmente debeladas”. Todavia vinca que este trabalho só é possível graças ao facto de as direções e corpos sociais não serem remunerados. “Estamos assim convictos de que que a SFRA contribui de forma sustentada, para a melhoria da saúde física e

mental da população em ge- a criação de um espaço para ral, no nosso concelho. Pen- músicos, que já reformados e samos que com a demonstra- com dificuldades financeiras, ção desta vitalidade estamos sem estrutura familiar de empenhados na preservação apoio, necessitam de um local do património cultural do onde possam estar”. É desta nosso país. A cultura portu- forma que a SFRA quer retriguesa, as suas tradições, se- buir a “dedicação e esforço rão sempre mantidas nos nos- por eles dados em prol da culsos projetos de divulgação”.   tura da nossa freguesia e conJosé Chumbo refere, por ou- celho”. tro lado, que o suporte financeiro da SFRA não assenta SFRA organiza Festas de apenas nos subsídios do muSão Pedro de Alverca nicípio: “As principais fontes de receitas da SFRA, têm ori- Segundo José Chumbo, esta gem nas várias iniciativas que será a segunda vez que a Sodesenvolvemos como por ciedade Filarmónica Recreio exemplo, aluguer de salas Alverquense volta a tomar as para eventos” mas também rédeas das festas populares. “o Festival das Sopas, o Festi- O desafio foi lançado pela val da Sapateira, o Festival do Junta de Freguesia, mas a Caracol, deslocações a revis- SFRA está em condições de tas e peças de teatro mensal- superar os desafios: “Sabemos mente, bailes, quotizações dos sócios bem como as receitas com origem nas modalidades e restante ofertas que colocamos ao dispor dos nossos sócios”. A SFRA tem cerca de 2700 sócios que vão cumprindo as suas obrigações. Para José Chumbo tudo corre bem, vincando por exemplo que “há cerca de dois anos procedemos a uma reestruturação do nosso ficheiro de associados que nos permitiu colocar em dia alguns incumprimentos e procedemos à emissão de um novo cartão de sócios, conseguido desta forma mais rigor na gestão das quotas”. Mas a vida da SFRA tem sido também feito de sonhos como é o caso do projeto “Casa do Músico”. José Chumbo salienta que esta iniciativa “nasceu do facto de termos identificado uma necessidade, na nossa freguesia e concelho: a falta de um espaço privilegiado para potenciar o intercâmbio de saberes entre músicos nacionais e internacionais”. Contudo explica que este projeto “é ainda mais ambicioso” e “contempla também

que são dias de muito trabalho que começam muito antes, mas dão-nos uma satisfação muito grande”. Ao todo serão seis dias de festa, com início a 23 de junho e com uma “Noite da Juventude” com a participação da

banda “Cruzados” que passou pelo concurso de televisão “Got Talent”. Vai haver também sardinha assada “como tradicionalmente oferta da Junta de Freguesia”. Durante os festejos o destaque vai ainda para os es-

petáculos de música tradicional portuguesa, desta vez mais variados com os Vira Milho, Gato e Maria Lisboa. No último dia, 28, o encerramento é com fogo-de-artifício, “que este ano conta com algumas surpresas”


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PSD de Vila Franca debate Museu da Tauromaquia vereador do PSD Rui Rei defende uma intervenção de fundo no que toca a vários aspetos, antes de se avançar para o Museu da Tauromaquia em Vila Franca de Xira. A ideia foi reforçada numa tertúlia que aconteceu no dia 20 de junho na “Casa dos Forcados”, onde o vereador da oposição salientou a necessidade de “repensar” alguns aspetos ligados à festa brava vilafranquense, entre os quais uma possível requalificação da praça de toiros “Palha

O

Blanco”.O vereador vincou, entre outras, a necessidade de encontrar soluções de mais conforto naquela praça, o que deverá ser bem ponderado economicamente. Para Rui Rei, a praça dispõe de cerca de 3000 lugares e uma requalificação poderia e deveria passar pela diminuição dos mesmos, proporcionando mais conforto aos espetadores. É por isso que defende que o assunto deve ser equacionado e bem pensado, vincando por outro lado que o Museu da

Tauromaquia, embora seja uma necessidade, deverá ser englobado numa estratégia. O vereador dá como exemplo o tempo em que a Praça do Campo Pequeno esteve encerrada. Na altura não se conseguiu trazer o público daquela praça a Vila Franca de Xira, sendo que as obras da praça alfacinha, deviam ter servido de impulso para a cidade. É nesse sentido que reforça a ideia de requalificação do espaço. Por outro lado também defende

SEJA RESPONSÁVEL. BEBA COM MODERAÇÃO

Tauromaquia pode tornar-se mais pop, segundo Moita de Deus

que se estude o facto de a praça poder vir a ter mais dois ou três mil lugares do que hoje, “porque se o investimento fosse nesse sentido, passaríamos a ter um espaço muito melhor.” Para Rui Rei, mais do que encontrar uma pessoa para dirigir o museu, o município deverá ter em atenção todos os aspetos da festa brava daquela que outrora foi considerada “a Sevilha do Ribatejo”. E deu como exemplo um documento que foi a reunião de Câmara que

dava mais enfoque à personalidade que estava destinada a dirigir o projeto, do que ao próprio projeto em si. Presente neste encontro esteve o diretor do “News Museum”, Rodrigo Moita de Deus que lançou a picardia – “A melhor maneira de acabar com um património é fazer um museu” para justificar a sua opinião sobre a forma como funcionam estes espaços. Por isso Moita de Deus pensou num projeto com outra dimensão para o News Mu-

Vários oradores presentes

seum, ou seja funcionando como uma espécie de aula viva. Muitos jovens estudantes têm visitado este espaço situado em Sintra. O património tauromáquico na sua opinião tem todas as condições para ser alvo de um museu em Vila Franca, mas desde que pensado em moldes mais modernos e que vá de encontro às expetativas de uma população cada vez mais dominada pela internet, “que pode visitar qualquer museu sem sair de casa”.

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Jornal Valor Local Junho 2016  

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