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Rádio Valor Local - www.valorlocal.pt - Ouça em todo o lado Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 104 • 28 Outubro 2021 • Preço 1 cêntimo

Valor Local O Hospital de Vila Franca de Xira está doente?! Ouvimos a administração, presidentes de Câmara e utentes Fotos exclusivas da garagem transformada em SO4 Destaque da 10 à 13

EXCLUSIVO: Central da Torre Bela pode ficar pelo caminho

Promotor está a perder o interesse Vialonga

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Sociedade na 4

População de Santa Eulália desespera com falta de rede

Azambuja

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Mais de 30 famílias à beira de ficarem sem casa PUB


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ProTejo quer impedir a construção de obras “elefante branco” no Rio Tejo a sua luta pela defesa do Rio Tejo, o movimento ProTejo continua a pugnar pela defesa dos caudais ecológicos na gestão da região hidrográfica entre Portugal e Espanha previstos na Convenção de Albufeira implementada há 23 anos. O Governo anunciou um robusto plano de construção de obras tendo em vista projetos agrícolas no valor de 5,5 milhões provenientes da bazuca europeia, algo que esta associação quer combater. Paulo Constantino, um dos porta vozes da ProTejo, refere que contrariamente ao que é o senso comum, Espanha , no entender daquela associação, envia água em quantidade suficiente, cerca de 63 por cento destinada à produção de energia elétrica, mas como as variações são muito grandes, há repercussões negativas nos ecossistemas, deterioração das margens dos rios, e reprodução e migração de espécies piscícolas. Paulo Constantino, à Rádio Valor Local, explicou que “há dias em que o caudal chega cá quase a zero mas noutros pode alcançar até 500m3 por segundo”. Esta inconsistência prejudica o meio ambiente e a agricultura, nomeadamente, no norte do distrito de Santarém.

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O movimento vê com preocupação o denominado “Projeto Tejo” que prevê quatro novos açudes e duas novas barragens no rio desde Abrantes até Lisboa para fornecer água à agricultura intensiva da Lezíria do Tejo e Oeste, com um investimento de 4 milhões e meio de euros provenientes do Plano Recuperação e Resiliência. “Essas obras vão fragmentar por completo o Tejo e transformar o rio em charcos, próprios de lagos do Norte da Europa e não de cursos de água mediterrânicos que correm para a foz como é o nosso caso”. Juntase a este projeto o de um canal de transvase desde o rio Zêzere no Cabril até ao Tejo em Belver com um valor previsto de 100 milhões de euros “para resolver um problema que poderia ser ultrapassado se fossem respeitados os caudais ecológicos”. Junta-se ainda a barragem no rio Ocreza em estudo na Agência Portuguesa do Ambiente com valor estimado de 360 milhões de euros. Tudo somado dá 5 mil milhões de euros, um terço da denominada “bazuca europeia”. Paulo Constantino acredita que “são valores exorbitantes e com muito menos dinheiro podíamos resolver parte do problema”, que no seu entender está na variabilidade dos caudais, face aos inte-

Paulo Constantino critica mega investimentos previstos no Tejo

resses das hidroelétricas espanholas. Estando definidos 2 700hm3 de caudais mínimos na Convenção de Albufeira, Portugal não consegue controlar essa receção, “porque os espanhóis só nos en-

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viam água quando os preços no mercado de energia estão mais elevados”. “É a ganância total porque fazem questão de ganhar a 100 por cento. Prova disso é também o facto de a Iberdrola estar a ser investigada por especulação no mercado que já levou à secagem das barragens de Alcantára e Vale de Cañas que debitavam água a 80 por cento e agora estão a menos de metade, o que deu origem a quadros recentes de excessiva produção de muitas algas e lodo (cianobactérias) no rio, causando um grande desequilíbrio nas massas de água.” O movimento ProTejo defende que em substituição das megalómanas obras hidráulicas em perspetiva, o ministério do Ambiente estude a possibilidade de ser realizado um investimento de apenas 10 milhões de euros na construção de uma estação de captação de água diretamente do Tejo na zona da le-

zíria à semelhança da já existente em Valada, no Cartaxo. O movimento alega que se forem construídas 50 estações daquele tipo com um custo médio de 500 mil euros ou seja 1/10 dos cinco mil milhões de euros previstos, será possível captar anualmente 4380 hm3, que são quase o dobro do caudal mínimo anual de 2700hm3 estabelecido na Convenção de Albufeira. As soluções propostas pelo movimento até ao momento não foram tidas em linha de conta pelo ministério de Matos Fernandes, mas Paulo Constantino encontra-se expectante face aos resultados de um estudo do ministério da Agricultura sobre zonas irrigáveis do Vale do Tejo com avaliação ambiental estratégica e apresentação de várias alternativas quanto a recursos hídricos e impactes ambientais. O movimento já apesentou a Maria do Céu Antunes, ministra da Agri-

cultura, as suas propostas. O denominado Projeto Tejo a ir para a frente não vai causar apenas efeitos nas zonas já deprimidas pela passagem de um rio que corre à mercê dos interesses de cada país, mas também “as populações da Área Metropolitana do Tejo, que vivem nos limites do seu estuário vão começar a dar conta desses impactes”. Paulo Constantino ilustra – “Começarão a escassear os nutrientes e as substâncias químicas necessárias à estimulação das espécies que deixarão de chegar ao estuário, bem como os próprios sedimentos que alimentam as praias da costa também podem deixar de chegar”. Para além de que a criação das barreiras artificiais em perspetiva não vão significar mais água, tendo em conta também que o fenómeno da evapotranspiração está mais acentuado devido às alterações climáticas.


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A 10 quilómetros da capital

População de Santa Eulália desespera com falta de rede anta Eulália fica a escassos quilómetros de Lisboa, na freguesia de Vialonga, mas a sua população, mais parece que vive numa qualquer zona inóspita. Não tem acesso às telecomunicações com o mínimo de conforto. A rede de telemóvel está sempre a cair, e nem mesmo a linha telefónica fixa funciona nas devidas condições. Quanto ao acesso à internet, também apresenta muitas deficiências, o que tornou praticamente impossível o teletrabalho, para muitos dos que aqui residem, durante a pandemia. Nesta altura um grupo de moradores está a recolher assinaturas para levar o caso junto de entidades como a Câmara de Vila Franca de Xira, ANACOM, e operadoras. Encontramo-nos com o grupo composto por Patrícia Silva, Alberto Silva, Fernando Fernandes, que fez questão de chamar para a nossa reportagem Barreira Soares, eleito pelo Chega, que de acordo com aquela população foi o principal incentivador deste abaixo-assinado. “O único partido que se preocupou com esta situação”, enfatizam. A moradora relata que assiste a casos muito complicados, especialmente, entre a população mais idosa na altura de se chamar “uma ambulância, porque até mesmo a rede fixa funciona com dificuldades”. Alberto Silva diz que a operadora “só meteu fibra até certo ponto, e isto porque houve um morador que veio para cá e que pagou seis mil euros à MEO”, descreve, acrescentando que “da casa dele para cima já não há sinal em condições”. Na localidade residem 600 pessoas, e já foram recolhidas 200 assinaturas. “Os moradores apoiam-nos porque isto é uma vergonha”. O Valor Local sabe que noutras ocasiões já se levaram a cabo iniciativas semelhantes mas sem sucesso. Alberto Silva lembra uma situação recente, quando se deu um incêndio na zona de Monte Serves, na fre-

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Moradores à beira de um ataque de nervos por causa da falta de rede

guesia, e teve de se deslocar pessoalmente à corporação de bombeiros, porque não conseguia entrar em contacto com o 112. Já depois disso “tive de chamar os bombeiros porque me senti mal, e foram 45 minutos a tentar indicar onde é que era a minha casa porque a chamada estava sempre a cair”. Junto da Câmara de Vila Franca em outras alturas foi dito a esta população que “a responsabilidade é dos serviços de telecomunicações e não passa disso”, lamentando a insensibilidade perante a matéria. Fernando Fernandes, morador, que foi também candidato à junta pelo Chega acrescenta que a localidade é também deficitária noutras maté-

rias como por exemplo os transportes. Os moradores referem que constantemente contactam as operadoras, sendo que “a Vodafone diz que não tem infraestruturas, e a NOS só funciona por satélite, pelo que a nossa luta agora é com a MEO que alega que tem de ser a Câmara de Vila Franca a financiar no que toca à atualização das infraestruturas. Não sei se é verdade ou não, mas andam sempre a ameaçar-nos com as fidelizações quando nem sequer somos servidos”. Relata o morador que sabe do caso de uma vizinha que foi despedida do emprego porque não conseguia manter-se em teletrabalho face às falhas constantes

nas telecomunicações. “Vendem um serviço de ADSL que é caro e que não funciona, e isto é aflitivo para todos nós”, consubstancia. Junta-se à nossa reportagem, João Freixo que chega a andar à procura de rede pelos cantos da sua garagem para conseguir fazer chamadas. Trabalha na localidade e diz que já perdeu muitas chamadas de potenciais clientes. Patrícia Silva lembra que viveu um inferno durante a telescola, devido ao confinamento, em que sua filha sofreu faltas porque não conseguia ligar a internet. “Tive de andar a justificar esta situação juto dos professores”. Alberto Silva considera que por mais alguns milhares de euros de investimento a efetuar no Monte

Atletas da UDCAS lideram em Vagos O

s atletas de Danças de Salão da União Desportiva e Cultural da Aldeia do Sobralinho (UDCAS) marcaram peso em força no Vagos Open, competição internacional da modalidade, com uma série de resultados de relevo. Destaque para o primeiro lugar de Lara Grigorean em Solo Juvenil Intermédios e para a vitória de Marta Palmeira em Solo Adultos Iniciados.

No que toca a classificações, em Pares Juniores 2 intermédios, Rodrigo Monteiro & Lara Grigorean conseguiram um quinto lugar Em Adultos Pré-Open - Eduino Andrade & Carolina Gonçalves chegaram ao 12º lugar. E Adultos Open - Eduino Andrade & Carolina Gonçalves o 16º lugar Na categoria WDSF Open Latin Júnior II - Rodrigo Monteiro &

Lara Grigorean chegaram ao 11º lugar já em Internacional Open Latin Adult - Eduino Andrade & Carolina Gonçalves o 31º lugar Em Solo Juvenil Iniciados, Abigail Zhukouskaya- Lat1: 9º lugar, Lat2: 4º lugar, Catarina Nesterova - Lat1: 12º lugar, Lat2: 11º lugar, Íris Ribeiro Lat1: 7º lugar Lat2: 8º lugar, e Sofia Popov - Lat1: 11º lugar,

Lat2 8º lugar. Na categoria, Solo Juvenil Intermédios, Lara Grigorean - Lat1: 1º lugar, Lat2: 1º lugar. Em Solo Juniores Iniciados, Iara Fonseca - Lat1: 4º lugar, Lat2: 4º lugar. Em Solo Juniores Intermédios, Rodrigo Monteiro - Lat1: 3º lugar, Lat2: 4º lugar e finalmente na categoria Solo Adultos Iniciados, Marta Palmeira - Lat1: 1º lugar, Lat2: 1º lugar

Serves “com uma antena” a MEO poderia conseguir servir a população de Santa Eulália. Muitos são os que procuram terrenos, “que já estão a preços exorbitantes”, na zona, na esperança de ali construírem casa, “mas desistem quando percebem que não há sinal de internet”. Já o vereador do Chega, refere que também vai fazer as suas démarches junto do município liderado por Fernando Paulo Ferreira. Este estado de coisas estendese ainda às localidades de Mogos e Santa Cruz também na freguesia de Vialonga. Contactámos o presidente da Junta de Freguesia de Vialonga, João Tremoço, recentemente eleito, que adianta à nossa reportagem que já solici-

tou junto da Câmara de Vila Franca para que providencie uma reunião junto da ANACOM para que a população possa de alguma forma ver minimizado este estado de coisas. O autarca pensa que pode ser instalada no local uma antena “ou qualquer coisa que permita aumentar o sinal, porque temos muita gente nova a morar naquela zona e muitos a quererem ir viver para lá”. Infelizmente “as operadoras dizem que não existe viabilidade comercial, mas penso que é tempo de se ver o assunto de outra forma, porque queremos ajudar a população”. No conjunto da Fonte Santa, Santa Eulália, e Santa Cruz, estarão a viver mais de 3000 pessoas.


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Azambuja: Cerca de 30 famílias podem ficar sem casa no fim do ano stão a chegar ao fim os contratos estabelecidos entre um fundo imobiliário, e os inquilinos do prédio da Torre, a do lado sul, em Azambuja, cujas habitações começaram a ser disponibilizados no mercado em 2014 através de arrendamento com a possibilidade de compra. Em plena crise da Troika muitas foram as famílias que conseguiram apartamentos na denominada Torre a rendas entre os 350 euros a 400 euros entre T1 a T3. Agora o fundo Hipoges Iberia- Sociedade Gestora de Propriedades, que sucedeu na propriedade deste imóvel, no meio do processo, à Norfin-Sociedade Gestora de Fundos de Investimentos Imobiliários, informou aqueles que não exerceram direito de preferência de compra a abandonarem os apartamentos, dado que os contratos chegaram ao fim. O caso está a tomar proporções sociais e até o município está a tentar interceder junto do fundo. No total foram construídos, ainda na década de 90, 48 apartamentos, mas o prédio esteve 25 anos em esqueleto e a qualidade da construção tem deixado a desejar. Apesar das rendas baratas e das áreas espaçosas, o imóvel apresenta sérios problemas relacionados com humidade, o que também tem levado a que muitos tenham deixado de ali viver ao longo dos anos. O edifício possui vários T1 com 75m2; os T2 têm 140 m2; os T3 possuem 155m2. No oitavo andar, cada uma das frações tem 200m2; por último, o 9º (penthouse) tem 220m2. Cláudia Pedroso, que vive num T2, desde 2014 foi uma das visadas pela Hipoges Iberia. Tem de abandonar a casa até março, al-

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o fundo fez grandes investimentos com compra de casas em Azambuja e que agora quererá recuperar essas verbas colocando as habitações da torre a preços mais altos no mercado. Cláudia Pedroso refere que no seu caso não foi fácil encontrar casa na vila de Azambuja, e ainda chegou a procurar em Aveiras de Cima e Virtudes mas sem sucesso. Não há praticamente casas no mercado de arrendamento e quanto à compra não foi equacionada pela sua família.

Alguns inquilinos estão a ser contactados para novos contratos de arrendamento mas agora com preços a dobrar

Caso chega à Câmara de Azambuja

tura em que termina o contrato. Em 2019, foi renovado, mas nunca chegou a receber documentação nesse sentido. Pagou sempre 300 euros de renda. Sabe de alguns vizinhos no prédio já contactados com indicação para saírem por caducidade do contrato, mas existe nesta altura um terceiro fundo, cujo nome não conseguimos apurar, a negociar com alguns habitantes do prédio a possibilidade de ficarem a pagar uma renda no valor de 500 a 600 eu-

ros, isto se não aparecer nenhum interessado que ofereça um valor mais alto. Cláudia Pedroso ficou a saber que a empresa tem a faca e o queijo na mão e que terá mesmo de sair. Para trás ficam quatro anos numa casa que precisou de obras, apesar de ter sido a estrear. Infiltrações “acerca das quais o antigo fundo, a Norfin, nunca quis saber, e ainda chegaram a dizer que não tinham sido pagas algumas rendas apesar de

termos os extratos a comproválo”. A Norfin ao passar o imóvel para a Hipoges Iberia garantiu aos inquilinos que mesmo que não exercessem direito de compra podiam permanecer como inquilinos. Nesta altura, Cláudia Cardoso já conseguiu alugar casa em Azambuja, mais ou menos pela mesma verba que teria de pagar se quisesse permanecer na torre, mas somados os prós e contras já optou por sair nos próximos tempos. O edifício tem problemas de ges-

tão de condomínio e reina a desorganização. “Ainda há pouco tempo houve ameaças de corte de luz no prédio, e imagine o que é ter de subir para o quinto andar sem elevador com crianças de colo como é o caso de alguns vizinhos”. Por outro lado, o apartamento está a precisar de “muitas obras”. Sabe de uma vizinha no sétimo andar onde “literalmente lhe chove dentro de casa como se estivesse na rua”. Entre os inquilinos é ventilado que

O assunto foi levado a reunião de Câmara pela vereadora do Chega, Inês Louro, que face à escassez de habitação para alugar ou até para comprar em Azambuja considerou que o município deve interceder no sentido da continuidade das pessoas no prédio ou garantir algum tipo de alternativas. Ao Valor Local confidenciou que “muita gente do bairro social não paga renda, e estas famílias vão ser despejadas sem alternativas, quando não teriam problemas em pagar uma renda social”. Silvino Lúcio, presidente da Câmara de Azambuja, informou que já decorreram contactos entre o município e o fundo na tentativa de existir uma sensibilização dado o elevado número de famílias que residem no prédio em causa. “Estamos a acompanhar o problema mas não é de hoje para amanhã que resolvemos a questão da falta de habitação no concelho”, acrescentou o vereador António José Matos. O Valor Local contactou a Hipoges Iberia mas sem sucesso.

Quinzena Gastronómica da Codorniz de regresso a Alenquer G relhada, frita, guisada ou acompanhada com um torricado candidato às maravilhas gastronómicas de Portugal. Em Alenquer, a codorniz é rainha num festival gastronómico especialmente dedicado a um dos principais produtos endógenos do concelho. De 30 de outubro a 14 de novembro, Alenquer acolhe mais uma edição Quinzena Gastronómica da Codorniz, com o objetivo de dar a conhecer esse produto de excelência, associando-o aos melhores vinhos do concelho. Está garantida a participação de 32 restaurantes aderentes no concelho, que se dispuseram a apresentar pratos à base de codorniz para todos os gostos. Ao contrário do que aconteceu em edições passadas, a Quinzena

de 2021 far-se-á sem lugar a concurso, para permitir a todos os interessados servir um prato principal de codorniz na ementa diária e, dessa forma, alargar o leque de variações. Quem visitar um dos restaurantes aderentes irá receber um selo. A caderneta de selos completa e as respetivas faturas dão lugar à oferta de uma garrafa do vinho “Galodoiro Tinto 2019”, recém-premiado para harmonização no V Concurso de Vinhos de Alenquer. A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal de Alenquer, com o apoio da InterAves, empresa local e maior produtora nacional de codornizes. “É com muita satisfação que voltamos a bater o recorde de restaurantes participantes, número

nunca antes atingido e que representa muito bem a oferta do nosso concelho. É bom ver que quase todos os nossos restaurantes conseguiram ultrapassar esse período negro da economia local e estão a aderir em massa. A olhar ao exemplo do ano passado, o público vai aderir em massa para provar as novas iguarias”, refere Rui Costa, vereador de Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Alenquer, citado em nota de imprensa. “Será mais uma iniciativa de enorme sucesso e deixo, desde já, um agradecimento a todos os parceiros e restaurantes participantes, pois, juntos, conseguimos levar mais longe o nome de Alenquer e as suas potencialidades gastronómicas e vínicas”, sublinha o vereador.

Quinzena da Codorniz participou recentemente no concurso as 7 Maravilhas da Nova Gastronomia


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Liana Asseiceiro é campeã europeia de ginástica acrobática Sílvia Carvalho d’Almeida iana Asseiceiro sabe bem que o sucesso é o resultado de muito esforço e dedicação. Residente em Arruda dos Vinhos, começou a fazer ginástica acrobática ainda criança, aos três anos de idade, inspirada pela mãe, que praticou a mesma modalidade. Hoje, aos 20 anos, é campeã europeia, juntamente com a sua equipa, Maria Inês Gaspar e Filipa Henriques. Ao jornal Valor Local, falou-nos sobre este desporto, sobre as restrições que este implica na sua vida diária, e sobre o futuro. O seu percurso “a sério” começou em 2012, quando passou para os juvenis, e começou a competir. Conta-nos que em criança, levava a prática desportiva “mais na brincadeira”, mas, progressivamente, “as coisas foram evoluindo em grau de complexidade”. Desde a infância teve que ter cuidados, especialmente na alimentação. Evitava os fritos e os doces, e comia porções mais pequenas, mas sempre de uma forma saudável. Depois, três horas diárias de treinos, seis dias por semana. Isto implicou desde cedo “aprender muito bem a organizar o tempo” para conciliar o desporto com os estudos, e na adolescência, a evitar as saídas até tarde, pois no dia seguinte havia trabalho a fazer. Relativamente a estes e outros sacrifícios, esclarece que se habituou a

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No dia em que se sagrou campeã com as suas colegas

eles desde muito nova, e como a maioria das suas amigas, que também praticava ginástica tinha rotinas semelhantes, não custou tanto. Começou como “volante”- o ele-

mento que faz as acrobacias. “São normalmente raparigas mais novas, com menos peso e altura”- explica. “As volantes têm até um máximo de 1m40 de altura, pelo que muitas vezes são

ainda crianças e pré-adolescentes.” Hoje em dia é base, ou seja, suporta o peso da volante, e trabalha mais ao nível do chão. Para Liana Asseiciero, as volantes têm um trabalho mais difícil,

porque fazer mortais, e o facto de se equilibrarem a mais de um metro do solo não é para todos. A ginástica acrobática pode praticar-se em trio ou em pares mistos, e tem três esquemas, ou tipos de exercícios: equilíbrio, dinâmicos, e o combinado, que é uma combinação dos dois últimos. No Campeonato Europeu deste ano, que se realizou entre 29 de setembro e 3 de outubro, trouxe a medalha de ouro no esquema de equilíbrio e uma de prata para o All Around, que é a soma do esquema dinâmico, de equilíbrio e combinado. Conseguiu estes resultados entre cerca de 20 equipas. Não foi a primeira vez que concorreu a um Europeu, tendo já participado em mundiais, e uma carreira recheada de bons resultados, no entanto depois de algumas lesões que sofreu a sua equipa, com uma substituição de ginasta pelo caminho, e uma pandemia na qual a modalidade o os treinos estiveram parados, esta foi sem dúvida uma “recuperação impressionante”, e um orgulho para toda a família, que também está envolvida na ginástica de competição. Os seus pais, empresários, abriram recentemente um clube nos Bombeiros Voluntários de Arruda dos Vinhos, e a sua mãe, que também foi ginasta, é desde sempre uma das suas treinadoras e passará a dar aulas neste espaço. Também

Liana tem planos de futuro, que passam por concluir a licenciatura em Agronomia, mas sobretudo por dar aulas com a sua mãe, já que a carreira de ginasta tem um prazo muito curto de validade. Sobre Arruda dos Vinhos diz que, embora tenha nascido em Alenquer, gosta de morar neste concelho, e que todas as suas amigas se encontram nesta localidade, até mesmo a sua primeira treinadora, que a acompanhou durante todo o seu percurso. Esta é de resto, tal como a sua mãe, a sua maior referência na modalidade, “e não ginastas como Nádia Comaneci”, atleta romena e uma das maiores estrelas de sempre da modalidade, que diz terem “muito talento” embora não se reveja completamente nelas. Quando lhe perguntamos o porquê de existirem tantas raparigas a praticar este desporto e poucos rapazes, diz que “é uma questão de preconceito”. “Há muitos rapazes bons nesta área, mas infelizmente ainda há a ideia de que a ginástica é para raparigas, e para os meninos há o futebol”. Por fim, a mensagem que quer deixar é que este trabalho “não teria sido possível” sem as suas companheiras de equipa, e que todas estão de parabéns. Deixa, portanto, o seu agradecimento à Maria Inês e à Filipa por todo o seu “esforço e dedicação”. Sente-se “muito feliz” por estas medalhas conquistadas.

Promotor da Central Fotovoltaica daTorre Bela dá sinais de querer abandonar projeto O

projeto que prevê a instalação de um mega parque solar na Quinta da Torre Bela, no concelho de Azambuja, pode sofrer um grande retrocesso. Em declarações em exclusivo à Rádio Valor Local, Silvino Lúcio, o novo presidente da Câmara refere que para votar favoravelmente a declaração de interesse público municipal não vai poder contar com os votos a favor da CDU, que neste mandato aceitou pelouros do PS, bem como acompanhará de forma favorável algumas votações mais importantes em Assembleia Municipal, mas faz ponto de honra na oposição às centrais em perspetiva. “Ficamos de pés e mãos atados”. A somar a isto, por parte dos promotores, Aura Power e CSRTB está a diminuir o interesse em fixarem-se no local. Recorde-se que o projeto está previsto para uma área de 775 hectares, num investimento de 170 milhões de euros com a

criação de 1000 postos de trabalho na fase de construção e 10 postos permanentes após esta fase. A central está desenhada para a quinta na parte em que fica de frente para a Companhia Logística de Combustíveis prolongando-se até à entrada de Alcoentre para um total de 638 mil 400 painéis solares. Silvino Lúcio também espera que dentro de dois anos o Plano Diretor Municipal esteja concluído para balizar de uma forma ainda mais efetiva esta questão. Em última análise o Governo, pode avançar com a declaração de Projeto de Interesse Nacional (PIN) para esta central, como de resto já foi deixado nas entrelinhas pelos responsáveis políticos do país. O autarca tem a indicação de que nesta altura está a ser desenvolvido o novo traçado para passagem da linha de muito alta tensão, dado que o atual tem merecido a contestação popular

da população de Casais das Boiças. “Temos a expetativa de que possa ficar mais afastado das casas”. O promotor da Aura Power queixa-se, nesta altura, que as matérias primas estão a ficar superinflacionadas com “o que está a acontecer na Europa e no mundo com a subida dos materiais, sendo que cada painel já custa o dobro”. O autarca é perentório, “avaliado este quadro o promotor pode desistir de todo o projeto”, tendo em linha de conta também a imprevisibilidade do futuro no que respeita à aprovação do projeto. Já quanto ao parque solar da EDP para a Quinta da Cerca, mantém-se de pé com 458 mil painéis. Aguardando também um desfecho por parte dos órgãos autárquicos mas as conversações com o interlocutor português não decorrem com a mesma frequência por oposição com os promotores estrangeiros.

Vários fatores estão a levar com que os promotores do projeto esmoreçam o seu interesse como é o caso de Simon Coulson, CEO da Aura Power


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Torricado volta a ser “rei” em Azambuja Pavilhão do Grupo Desportivo de Azambuja (GDA) recebe nos dias 5,6 e 7 de novembro mais uma “Festa do Torricado”. A iniciativa é daquela coletividade e do Rancho Folclórico Ceifeiras e Campinos, que mais uma vez se juntam para dar “corpo” a esta festa de promoção da gastronomia ribatejana. Esta é uma iniciativa que conta com o apoio da Câmara de Azambuja e Junta de Freguesia, e que garante, segundo Alexandre Grazina, o presidente do GDA, todas “as condições de segurança aos visitantes” nomeadamente no que toca à distância social entre mesas, limpeza e higienização dos espaços e lotação. Segundo Alexandre Grazina, a organização está atenta às recomendações da DGS, e embora não se esperem novas medidas de restrição até ao certame, no caso de existirem mudanças, haverá capacidade de resposta. Nesta iniciativa o pão, o bacalhau e as febras serão as “vedetas”. Grazina garante que tudo será feito artesanalmente para “ter o melhor e mais típico sabor” desta iguaria, que já é marca por terras de Azambuja. Há dois anos, 2019, o certame foi dos mais visitados da região. Alexandre Grazina não sabe se existirá uma enchente como nesse ano, mas acredita que

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Torricado em destaque em Azambuja

dados os últimos anos, e tendo em conta as restrições por causa da pandemia, não tem dúvi-

das de que haverá fila para entrar no pavilhão. Em 2019 as filas chegaram a somar mais de

dois quilómetros, dando a volta ao quarteirão e originando alguns tempos de espera. Este

ano e por causa das restrições, os jantares e almoços serão feitos por marcação, através do te-

lefone 925 955 257. Alexandre Grazina diz que esta é uma das melhores formas de dar conforto aos visitantes, porque assim, não ficam muito tempo à espera e podem quase de imediato ocupar o lugar na mesa previamente reservada. Este tipo de marcação possibilita igualmente uma menor espera pela refeição, uma vez que a mesma poderá ser preparada minutos depois dos comensais chegarem. Para André Salema, presidente da Junta de Azambuja, esta é uma atividade a manter. Em causa estão as tradições da freguesia e do concelho de Azambuja, e por isso garantiu o habitual apoio à iniciativa: “Só temos é de ajudar a crescer e a ganhar nome”, refere o presidente da junta de Azambuja O autarca relembrou o crescimento do certame, frisando que não é preciso recuarmos muitos anos para nos lembrarmos que não se encontrava nenhum restaurante, onde se comer torricado, em Azambuja. Atualmente existem restaurantes a confecionarem este prato típico quase diariamente. Também Alexandre Grazina sublinha que nos dias de hoje apareceram várias variantes de torricado. Ainda assim neste evento será o típico torricado de bacalhau ou de febras que serão servidos.

Bombeiros de Azambuja com grande campanha de recrutamento O s bombeiros de Azambuja lançaram uma campanha de recrutamento sem precedentes. Esta campanha que usa as redes sociais tem como protagonistas os próprios bombeiros da corporação e destina-se a fomentar o gosto pelo setor junto de uma camada populacional mais jovem. Em suma, os soldados da paz de Azambuja dão a cara em vídeos onde dão o seu exemplo, tentando arregimentar novos valores para os cursos que aí vêm. Com recurso a ferramentas multimédia, os bombeiros de Azambuja lançaram-se nas redes sociais, e em breve vão contar também com uma campanha na Rádio Valor Local. Para Ricardo Correia, o comandante dos bombeiros de Azambuja, esta iniciativa tem como objetivo mostrar o dia a dia dos bombeiros e ao mesmo tempo, com a prata da casa, chamar novos elementos para o socorro. O próprio diz que tem conhecimento de casos de pessoas que chegaram a pensar que não estavam talhadas para a profissão, e hoje “não só são muito competentes como atuam em todas as vertentes, seja incêndios ou acidentes.”

Jovens são convidados a ingressar no corpo de bombeiros. Ricardo Correia sublinha que têm existido algumas alterações nos comportamentos dos jovens “naquilo que é o evoluir da sociedade e do conceito que possuem

do trabalho”. Sustenta que “é cada vez mais difícil chegar a estes jovens através dos meios tradicionais” e por isso esta campanha dirigida a estas idades, pode

dar frutos Os bombeiros têm atualmente uma divisão de comunicação e imagem com dois bombeiros do quadro, “o David e a Nádia, aos

quais lancei o desafio”, refere o comandante. O desafio foi aceite e o trabalho está à vista. Agora o comandante espera que os jovens, a quem se dirige a campa-

nha, tenham vontade de ingressar no corpo de bombeiros. Manuel Arraião Marques, o presidente da instituição, agradece o trabalho dos bombeiros e vinca ter a plena confiança no comando. Para trás, ficam outros tempos, durante os quais, “os homens iam para os bombeiros, porque aí tinham acesso a televisão e a outros confortos que hoje já não fazem sentido”, refere. O presidente dos bombeiros é desse tempo, mas refere que não está preso ao passado. Reconhece e apoia esta forma de recrutamento e espera igualmente que dê frutos. No próximo ano, os bombeiros de Azambuja comemoram 90 anos de existência e já se fazem planos para o aniversário. Manuel Arraião Marques sustenta que as comemorações estão em curso, mas não quis avançar com iniciativas em concreto por causa da pandemia. Quanto a prendas, os bombeiros aguardam por um novo veículo de desencarceramento e anseiam pelo novo quartel a construir à entrada norte de Azambuja. Ouça a entrevista completa em podcast em www.radiovalorlocal.pt


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Sonae inaugura novo entreposto em Azambuja om 235 mil m2, o novo edifício do Centro de Distribuição da Sonae MC, inaugurado no dia 14 de outubro, em Azambuja pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, é o maior entreposto refrigerado em Portugal. Na cerimónia de inauguração estiveram presentes Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, Luís Moutinho, CEO da Sonae MC, Miguel Águas, Administrador da Sonae MC, João Galamba, Secretário de Estado Adjunto e da Energia, e Silvino Lúcio, o atual presidente da Câmara Municipal da Azambuja. O projeto resulta de um investimento da Sonae MC na expansão dos entrepostos da Azambuja e da Maia, este último previsto para 2022, em cerca de 50 milhões de euros, entre estrutura e equipamentos. A expansão do Centro de Distribuição da Sonae MC na Azambuja criou mais 300 novos postos de trabalho e vem aumentar a capacidade e a rapidez de abastecimento às lojas Continente da região Centro e Sul do país. Com um total de 70 mil m2, o Centro de Distribuição da Sonae MC na Azambuja permite receber e armazenar produtos do país inteiro, sem perderem a frescura, e distribuí-los por todo o centro e sul de Portugal Continental, Madeira e Açores. Diariamente saem mais de 9000 paletes de produtos para

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Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente no descerrar da placa

abastecer as lojas Continente. O projeto de ampliação do entreposto da Azambuja inclui a integração do novo Centro de Pescado, que recebe toda a operação que se encontrava em Santarém e aumenta a capacidade de abastecimento. Integra ainda a nova uni-

dade de acondicionamento e preparação do peixe refrigerado (incluindo bacalhau salgado). O objetivo da Sonae MC é concentrar o envio dos produtos frescos das lojas sul do país no mesmo local, recolhendo os produtos frescos de madrugada e entregando os pedi-

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dos das lojas em 24h. O novo edifício está equipado com inovadores sistemas de refrigeração e isolamento mais eficientes em termos energéticos e mais amigos do ambiente. A entrega conjunta de produtos frescos, permite fazer menos 20 por cento de

entregas às lojas, uma redução de 1.400.000 quilómetros percorridos por ano e o equivalente a uma poupança de 1.100 toneladas de CO2 por ano. No desenho do edifício estão também reunidas as condições necessárias para a implementação

de sistemas automatizados que poderão vir a tornar-se uma realidade num futuro muito próximo. Com 6.900 painéis, uma potência de 3MWp e uma produção anual de 4GWh, a Sonae MC, através da Elergone Energia, assegura 30 por cento da potência da central fotovoltaica de Azambuja. Com 20 mil m2 de área, esta é uma das maiores centrais de autoconsumo em cobertura na Península Ibérica e evita, anualmente, a produção de mais 1000 toneladas de CO2. Segundo Miguel Águas, administrador da Sonae MC, “a expansão do entreposto na Azambuja suporta decisivamente o reforço da nossa posição de líderes de mercado, dando melhor resposta aos nossos clientes, fornecedores e colaboradores. Com este novo edifício conseguimos melhorar as condições em que mais de 1100 pessoas aqui trabalham, através da melhoria das condições ergonómicas das suas funções e da qualidade das zonas sociais. Permitenos ainda um maior volume de produção, rapidez e frescura na entrega às nossas lojas e garante uma melhoria substancial da sustentabilidade na operação, evitando a produção de mais de 2000 toneladas de CO2, entre produção elétrica e otimização de rotas de transportes”.


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Educação

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Falta de professores preocupa agrupamento de escolas de Azambuja Miguel António Rodrigues agrupamento de Escolas de Azambuja luta atualmente com a falta de docentes. A situação é transversal a outros municípios, mas conforme referiu a diretora do agrupamento à Rádio Valor Local, Madalena Tavares, “com o mal dos outros estamos nós bem”. A professora que está atualmente no seu segundo mandato, tem vindo a lutar para que o agrupamento de escolas de Azambuja ganhe cada vez mais estatuto entre os seus pares, algo difícil, sobretudo por causa do período pandémico que o mundo atravessa. A responsável, que assume a educação como uma bandeira, salienta que nos dias que correm há uma diversidade de fatores que levam a que não existam condições para se fixarem professores em Azambuja. Ressalvando, contudo, algumas exceções de docentes que vieram para Azambuja enquanto substitutos, e entretanto passaram a contratados. Madalena Tavares fala de uma realidade desajustada aos tempos que correm, porque a grande

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Madalena Tavares dá conta de algumas das principais dificuldades do agrupamento

maioria dos docentes está no norte do país, mas as vagas concentram-se no centro e sul. A diretora salienta a realidade já sobejamente conhecida de todos, que se relaciona com a falta de condições. Os preços das habitações são caros, e os arrendamentos também não ajudam à fixação dos professores, algo que se está a passar também com os médicos. “Desde setembro que estou dia e noite a refazer horários. Já estou na fase de contatar as escolas todas aqui à volta a perguntar se têm professores para algumas das disciplinas que nós não temos, nem que fosse para darem umas horinhas”, desabafa Madalena Tavares que já questionou também outros professores para o caso de conhecerem colegas que possam fazer “uma perninha” em Azambuja. A diretora diz que já era expectável este quadro, mas não tão depressa. O limite temporal estimado seria de dois anos “mas a situação agravou-se com a Informática e com o Inglês”. Madalena Tavares refere a existência de dificuldades para substi-

tuir professores quando algum docente entra em baixa “sendo que as disciplinas mais afetadas são o Português, a Informática, a FísicoQuímica”, frisando que a questão da falta de professores é um problema antigo que em nada está relacionado com a pandemia, mas em parte também foi afetado. Ainda no que toca à pandemia, este foi um desfio que foi sendo ultrapassado. A escola continuou a levar refeições aos alunos mais carenciados, mas em alguns casos não conseguiu que continuassem a frequentar as aulas, neste caso à distância. Madalena Tavares refere que embora a autarquia tenha ajudado com a distribuição de computadores, existiram problemas difíceis de resolver, como a iliteracia digital dos encarregados de educação em alguns casos, e noutros a falta por exemplo de rede de internet. Ainda assim, e com novos hábitos, os alunos adaptaram-se e o atual ano letivo, embora diferente, poderá vir a beneficiar muito dos ensinamentos de 2020 e 2021. Ouça a entrevista completa em podcast em www.radiovalorlocal.pt.

na gestão autárquica, que permitem fixar mais pessoas no interior, sobretudo jovens casais com filhos”. Ainda relativamente ao abandono escolar, é necessário, segundo Rui Pires, que se pense em estruturar a educação de acordo com a região em que as crianças e jovens se inserem, para que esta não seja desfasada relativamente ao que se pretende em cada território.

Isto passa, no seu entender, pela criação de mais cursos profissionais, relacionados com o tipo de indústria e serviços que se praticam em determinada região. Contudo, é também necessário que as crianças e jovens das zonas mais interiores do país tenham as mesmas oportunidades do que as do litoral, nomeadamente, no acesso a cursos do ensino superior, e que preferencialmente não tenham que “migrar” para as grandes cidades para obterem esta formação. É por isso que descentralizar se torna tão necessário, seja nos serviços públicos, seja nas universidades. A Fapoestejo é a mais nova e maior Federação de Associações de Pais do nosso país, tendo à sua responsabilidade a representação de três regiões, o Oeste, a Lezíria Tejo, e Médio Tejo, com uma área total de 9044 Km², com cerca de 128500 alunos, com 65 agrupamentos, com 876 escolas, de 36 Municípios. Este projeto surge de um grupo de associações de pais que em conjunto realizam ações conjuntas desde 2016, e o grupo tem crescido de forma consistente, com a realização de encontros regionais para as associações de pais e para os encarregados de educação.

Censos 2021

Fapoestejo e o desafio da educação face ao menor número de crianças Sílvia Carvalho d’Almeida número de crianças na região da Lezíria do Tejo, Oeste e Médio Tejo está a diminuir. Estas são as conclusões de um estudo da Federação das Associações de Pais do Oeste, Lezíria do Tejo e Médio Tejo (Fapoestejo), que foi divulgado recentemente na sua página de Facebook. O estudo, que compara a situação demográfica infantil nos anos de 2009 e 2020, denota ainda uma baixa acentuada no número de alunos desde o pré-escolar ao secundário, o que pode refletir uma taxa de abandono escolar elevada. Para Rui Pires, este panorama não existe apenas na região a que os dados se referem, mas é uma “tendência nacional”. Há cada vez menos crianças a nascer em Portugal, e “se não fosse o número de imigrantes que se estabelecem no nosso país, estes números seriam ainda mais graves”. As causas desta descida na natalidade e também do abandono dos territórios na região para procurar oportunidades no litoral, estão relacionadas com os baixos salários que se praticam, e com a falta de emprego, especialmente qualificado. Depois, “a falta de acesso a cuidados básicos de saúde, as de-

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Fenómeno do abandono escolar continua a ser uma realidade ficiências encontradas no acesso à educação, e fracas estruturas de transportes públicos, são outros fatores que têm muita influência quando se trata de ter filhos num determinado local”, na opinião do responsável. De todos os concelhos da Lezíria do Tejo, que apresentam uma quebra significativa nos alunos do préescolar ao secundário, os de Mação e de Tomar registam a descida

mais acentuada, situando-se nos 48 por cento e 44 por cento respetivamente. No entanto, Sobral de Monte Agraço, Constância e Arruda dos Vinhos verificaram um aumento na ordem dos 4, 5 e 7 por cento, dados que não são demasiadamente expressivos tendo em conta a dimensão da região de abrangência da Fapoestejo, a que se juntam as perdas noutros concelhos. “Indicam que se está no

bom caminho nestas localidades”. Importa neste caso, “verificar que mudanças foram levadas a cabo pelos municípios, de forma a reter talento, a qualificar as pessoas, a incentivar a criação do próprio emprego e o empreendedorismo”, mas também “os investimentos feitos nomeadamente nas áreas da saúde, educação, transportes e habitação, de forma a seguir os bons exemplos e as boas práticas


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O Hospital de Vila Franca de Xira está doente?! Ouvimos responsáveis da Ordem dos Médicos, Sindicato Independente dos Médicos, utentes, o novo conselho de administração, os presidentes de Câmara e as associações de socorro nesta radiografia a esta unidade de saúde, desde que passou há cinco meses para o domínio do setor público. Está pior ou não? Foi o que quisemos saber. Sílvia Agostinho s condições do Hospital de Vila Franca de Xira são cada vez mais preocupantes. Há cerca de duas semanas, responsáveis da Ordem e do Sindicato Independente do Médicos visitaram aquela unidade de saúde, onde lhes foram transmitidas carências de diversa ordem. Passaram apenas cinco meses desde que o grupo Mello abandonou a gestão e acabou a Parceria Público Privada, mas o estado de caos é uma realidade e isso mesmo foi dito por clínicos desta unidade, agora gerida sob a designação de entidade pública empresarial, a Alexandre Valentim Lourenço, do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos e a Jorge Roque da Cunha do SIM. Segundo a Ordem dos Médicos, há quem fale de sofrimento ético porque os profissionais não conseguem fazer melhor, dada a falta de condições a diversos níveis. O estado de coisas piorou desde

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que a parceria público privada foi desfeita, em finais de maio “Nunca tivemos este tipo de relatos nesta unidade”, começou por anunciar Alexandre Valentim Lourenço num encontro com jornalistas decorrido há duas semanas. Começaram a chegar ao conhecimento daquela ordem profissional pedidos de escusa de responsabilidade, insuficiência de serviços e de escalas que não eram completadas. Os problemas endémicos do Serviço Nacional de Saúde estão “a começar a alastrar a este hospital” que esteve durante 10 anos na gestão do grupo Mello. Atualmente, o hospital tem dificuldade em reter “os médicos que forma”. “Muitos dos profissionais estão cansados e não têm tempo para desempenhar essa tarefa de formarem os colegas, e isso faz com que se afastem deste hospital e que recorram a outras ofertas mais aliciantes, com condições menos penosas do que aquelas que temos aqui”.

Alexandre Valentim Lourenço ficou a saber que muitos clínicos deste hospital chegam a trabalhar mais de 70 a 80 horas por semana “algo que pensávamos que só tinha acontecido durante o período alto da pandemia, e nesta altura em que ainda não chegou o inverno, esperemos que trabalhar aqui não seja um inferno para eles, porque estão todos muito cansados”. Não há um número exato de quantos profissionais abandonaram o hospital desde que em 2019, o Governo anunciou a não renovação da PPP, e os clínicos começaram a deitar contas à vida, mas terão sido muitas dezenas. Mesmo hoje durante a visita “muita gente foi dizendo nos vários serviços visitados, que faltavam clínicos em diferentes especialidades”. E deixa ainda o seguinte exemplo - “Do serviço de Medicina Interna saíram 11 médicos nos últimos dois anos, já da Ginecologia foram 10, sendo que aqueles que agora estão a acabar o internato fazem

depender a sua permanência das condições que vierem a ser asseguradas”. A Ordem dos Médicos mas também o Sindicato Independente dos Médicos, através do seu secretário geral, Jorge Roque da Cunha, que se fez representar

nesta visita, deixaram a sugestão para que “os diretores de serviço e a gestão clínica façam um apanhado real do que é necessário para colocar este hospital a trabalhar sem recorrer a prestadores de serviço”, que são nesta altura 40 por cento da massa trabalha-

dora nesta unidade. Em declarações ao Valor Local, durante a conferência de imprensa, e perante a questão sobre quais as principais diferenças entre o grupo Mello, e a gestão pública - que nesta altura está a cargo do administrador designado PUB

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pelo ministério da Saúde, Carlos Andrade- Alexandre Valentim Lourenço, reflete que elas existem sobretudo quanto à “autonomia de decisão e de contratação”. Agora é muito mais difícil “decidir sobre questões de equipamentos, e de materiais”. “Quando a gestão era da PPP, a avaria de um equipamento era resolvida num mês, e agora não há stock e pode demorar dois anos”, junta o responsável da Ordem dos Médicos. Por outro lado, “antes era mais fácil contratar médicos para este hospital, mesmo que oriundos de longe e a terem de gastar 100 ou 200 euros de gasolina para virem para aqui, e agora isso não acontece porque esta gestão está presa a sistemas centrais que fazem com que estes concursos demorem meses ou anos até estarem resolvidos, e ainda por cima ninguém quer vir trabalhar para um local penoso. Os médicos preferem ir para outro lado onde se ofereça melhores condições”, acrescenta taxativamente. Jorge Roque da Cunha afinou pelo mesmo diapasão - “Se temos médicos com 550 a 600 horas extraordinárias de trabalho algo vai mal, a que se soma, a título de exemplo, um serviço de gastroenterologia em que as listas de espera para os doentes externos são de dois anos. Esta diminuição das equipas é preocupante”, e deixa o aviso - “É tempo de o ministério da Saúde perceber que tem aqui um problema e

que não adianta fazer propaganda”. Alexandre Valentim Lourenço refere que a única diferença positiva, neste momento, entre o Hospital de Vila Franca de Xira, que ainda há cerca de um ano recebia acreditações de alto nível perante a qualidade de serviço, e o de Setúbal cuja administração se demitiu nas últimas semanas por não ter condições de prestar cuidados de saúde de qualidade, resume-se “apenas ao edifício”. Contudo alerta que o espaço é cada vez mais pequeno face ao número de doentes, e que “muitos continuam a estar internados numa garagem que foi adaptada durante a pandemia e que ainda não foi desmantelada no interior deste hospital e que está a servir de sala de observação porque não há camas suficientes”. (Ainda é considerável o número de utentes aos quais não se conseguiu dar alta porque não têm nenhum sítio para onde irem, e que deveriam estar em lares ou outras instituições e que foram abandonados pelas famílias neste hospital). Carlos Andrade transmitiu aos dois responsáveis que estão “a sentir muitos problemas face às regras da contratação da função pública e que estão a trabalhar no sentido de ultrapassar este momento”, deu conta o responsável da Ordem dos Médicos. “Tem menos armas do que a outra administração que era autónoma e que tinha capacidade de tomar decisões”.

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A sala de observação na garagem, um cenário "tenebroso" D epois das declarações da Ordem dos Médicos ganhou fama o denominado Serviço de Observação 4 (SO4) concebido ainda em tempo record durante uma das fases mais agudas da pandemia, que permitiu desocupar um espaço de antiga garagem para aquele fim. O facto de ter sido construído onde antes foi um estacionamento caiu mal na opinião pública. Contudo e através de fotografias tivemos acesso a essas imagens da sala com 300m2, composta por 17 postos de observação, sistema de renovação de ar e uma área de isolamento para doentes ventilados. Esta ala foi concebida em seis semanas ainda durante a anterior gestão. Nesta altura, a nova gestão, refere que quando conheceu o espaço de imediato identificou “a necessidade de requalificação daquele mesmo local, já que existe um consenso alargado junto dos profissionais de saúde do hospital de que o mesmo é necessário”. Está a avaliar ainda a possibilidade de edificar em outro local do hospital, o referido SO4. O Valor Local entrou em contacto com a filha de uma utente, Sandra Quitério que teve a mãe internada por duas ocasiões nesta ala. Refere que o tratamento a nível geral “correu bem”, mas a descrição do local pela sua mãe tem contornos tenebrosos – “Disse-me que aquilo é horroroso e assustador principalmente de noite porque as paredes são escuras e com os tubos fica ainda pior. Não tem janelas e apenas permanecem acesas as luzes de emergência”.

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Imagens exclusivas desta ala que teve de ser montada em tempo record durante o pico da pandemia Fotos Linkedin

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As preocupações dos presidentes de Câmara

Hospital precisa de cerca de 20 médicos os cinco concelhos adstritos ao Hospital de Vila Franca de Xira, os diferentes autarcas expressaram a sua preocupação ao Valor Local. Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente, contou em detalhe à nossa reportagem aquilo que teve oportunidade de transmitir e também de ouvir por parte de Carlos Andrade. Foi ainda em 2019, que se iniciou a debandada em massa de clínicos deste hospital, assim que o Governo anunciou que a PPP não seria renovada, e que o caminho passava pelo regresso ao setor público. A administração refere que saíram algumas dezenas desde essa altura. O autarca especifica que a grande maioria saiu antes do fim da PPP. Foi adiantado ainda que se procedeu à contratação de técnicos nomeadamente para o setor das análises bem como a compra de equipamentos em falta. Coutinho ficou a saber que foram lançados concursos para o preenchimento de vagas mas que ficaram desertos, nomeadamente, na Medicina Interna, uma das áreas mais carenciadas neste momento. “Nenhuma vaga foi preenchida, mas a administração diz que está a fazer todos os esforços”, refere o presidente da Câmara, que se mostra preocupado também com a falta de espaço que a unidade

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Presidentes da Câmara salientam as diferenças entre o que era a PPP e a nova gestão

apresenta face às exigências e ao número de população servida, sendo necessária a sua ampliação a todos os níveis, sobretudo desde que ficou conhecida a acomodação de doentes num local que já serviu de garagem e que ainda hoje permanece. Esta administração não tem a mesma facilidade de contratação de médicos face a uma série de requisitos aos quais o Grupo Mello

não estava obrigado, “contudo pode recorrer à mobilidade com o regresso ao público, o que antes não existia”. Coutinho acredita que é hora de os presidentes de Câmara “se juntarem e ajudarem em tudo o que puderem pela qualidade dos serviços no hospital, até porque encontrei uma administração empenhada e firme em resolver os problemas”. Para estabilizar o quadro clínico seria necessário

contratar mais 20 médicos. Coutinho defende que o caminho do setor público é o adequado, mas há que existir maior celeridade. Também o presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, exprime a sua preocupação à nossa reportagem. O autarca lamenta que este dossier que tinha conhecido sempre uma grande estabilidade se tenha tornado instável. Ainda não se reuniu com a administra-

Conselho de administração reage às críticas E

m resposta ao Valor Local e a começar pelo problema da escassez de clínicos, o novo conselho de administração do Hospital de Vila Franca de Xira esclarece que desde o início de funções a 1 de junho de 2021, saíram do Hospital de Vila Franca de Xira EPE, quatro médicos, dois por reforma e os restantes dois, da especialidade de Medicina Interna, cuja saída já estava prevista, recusando assim a ideia de que a maioria dos clínicos apenas saiu após aquela data. Detalha ainda, em declarações por escrito ao nosso jornal, que dos profissionais que se reformaram, “uma já formalizou o pedido de voltar para o serviço e outra está a ponderar, havendo a expectativa de que esta também regresse ao hospital”. Recentemente entraram três novos especialistas, Pediatria, Cirurgia Geral e Nefrologia, “e espera-se que até ao final do ano entrem mais”. Existem ainda duas vagas por preencher no serviço de Medicina Interna, Carlos Andrade Costa, o novo presidente do conselho uma vaga para o serviço de Pediatria e outra para o serviço de Cardio- de administração do HVFX logia, que decorrem dos concursos nacionais de colocação de jovens especialistas, num total de oito vagas atribuídas pelo Ministério da Saúde. Por outro lado, refere que desde o dia um de junho já foram contratados cerca de 23 enfermeiros, quer em novos contratos, quer em contratos de substituição de ausência prolongada, como por exemplo parto/licença de maternidade. Diz ainda a nova administração que desde o início de funções, em junho, que estão já em curso investimentos em equipamentos em vários serviços num valor superior a 400 mil euros. A administração foi ainda questionada sobre os tempos de espera na urgência, dado que o Valor Local apurou que nesta altura aumentaram substancialmente segundo fonte hospitalar ouvida pelo nosso jornal – “Antigamente quem tinha pulseira verde, conseguia esperar, nos piores dias, sete ou oito horas e não ir embora. Agora o tempo de espera ultrapassa as 12 a 13 horas e as pessoas acabam por desistir”. Contudo, segundo a administração, os tempos de espera “são muito voláteis”, e argumenta que não são diferentes daquilo que eram antes, apesar de termos apurado o contrário. Refere ainda o hospital que tem tentado colmatar as carências com a contratação de mais técnicos, nomeadamente, de Patologia Clínica, o que permitiu, também, “uma mais célere fluidez em todo o processo relacionado com análises neste serviço"”. A contratação destes sete técnicos e a substituição já iniciada de algum dos equipamentos de processamento de análises clínicas permite “uma resposta mais rápida de resultados e, ainda, deixar de enviar para outras entidades algumas das análises dos doentes. Diminuindo-se, em muito, o tempo de resposta dos respetivos resultados”, considera o hospital face às críticas. O hospital fornece ainda dados quanto à cirurgia programada, “que se pratica sete dias por semana, incluindo o domingo”. “Tendo este conselho de administração reforçado os programas de cirurgia adicional. No passado mês de setembro ultrapassaram-se as 1000 cirurgias. O que traduz uma muito expressiva dinâmica na atividade cirúrgica. Também o passado dia 18 de outubro foi o dia de 2021 em que se realizaram mais consultas externas num só dia”. Quanto à aquisição de novos equipamentos, o Hospital de Vila Franca de Xira está a intensificar o seu plano de investimento, “tendo já sinalizado, até antes do início em funções, a necessidade de substituir os equipamentos de TAC e de Ressonância Magnética”.

ção embora esteja a procurar fazê-lo a curto prazo. O presidente da Câmara refere que já começou a ouvir informalmente queixas por parte dos munícipes em relação ao hospital. “Quererei saber junto da administração qual a estratégia para se ultrapassarem estes constrangimentos de que se fala”. Na reunião que teve com a ministra da Saúde, Marta Temido, em véspera de eleições não abordou o tema do hospital “porque nessa altura ainda não se falava tanto destes problemas”. Quanto à possibilidade de o Estado lançar nova PPP, Folgado expressa que “como estava, estava bem, mas fizeram-se compromissos à esquerda, e para se fazer uma nova parceria público privada o compromisso político tem de acabar, caso contrário é difícil, mas é tudo muito nebuloso porque nem se sabe se vamos ou não para eleições nesta altura”. Já o presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio vai mais longe e não tem dúvidas de que o Governo deve começar a ponderar em lançar uma nova parceria público privada. No início deste ano, o novo presidente da autarquia esteve internado na ala de psiquiatria cerca de um mês, ainda sob gestão da PPP, e não tem dúvidas em catalogar o serviço como excelente. Diz que já ouviu muitas queixas por parte da população de que “as coisas não andam bem no hospital”. “Estive 22 dias internado no hospital, e na minha opinião os bons exemplos da gestão privada deveriam continuar, porque a coisa pública por vezes não funciona. Não sei se com esta gestão não estamos a caminhar para algo preocupante”. Silvino Lúcio pretende falar em breve com a administração para se “inteirar do problema”. O autarca lamenta o estado a que tudo chegou e lembra-se dos tempos da parceria quando até “ajudas técnicas e apoios financeiros davam às instituições do nosso concelho como foi o caso da Cerci e da Casa Mãe”. Silvino Lúcio exprime – “Foi uma grande pena não terem continuado porque ajudaram muito, e também era bom para os próprios profissionais de saúde, porque a gestão era mais rigorosa, e agora não corre bem”. Pelo que considera que “não é descabido pensar-se numa nova PPP”. Para a vereadora da Saúde na Câmara de Arruda dos Vinhos, Carla Munhoz, o estado de coisas no hospital não pode ser atribuído a esta nova administração e fala numa “situação herdada”, em que “as equipas, para além de deficitárias, eram prestadoras eventuais de serviços, o que leva a uma constante instabilidade na resposta em cuidados de saúde à população”. “Consideramos que, num

momento de transição de gestão, nada alterou o paradigma do passado recente, por enquanto”. Contudo refere que o município está atento e preocupado com a situação atual no hospital. Refere a vereadora, que já houve reuniões com o novo conselho de administração. Entre outros temas foram abordadas preocupações na área da oncologia, quer médica quer cirúrgica, face aos possíveis atrasos devido ao confinamento. Quanto à questão do possível lançamento de uma nova PPP, a a vereadora da Saúde, defende acerrimamente o setor público, porque “o SNS demonstrou a sua maturidade robusta”, resistindo “a uma crise pandémica nunca antes vista e com repercussões desastrosas na saúde da humanidade”. “O SNS é a porta aberta do sistema. Trabalhar no SNS é uma nobre missão. O SNS que tem servido todas e todos continuará sempre a manter e a respeitar o seu propósito.” “Nós, município de Arruda dos Vinhos, estaremos como sempre na linha da frente para que a resposta, no que à saúde das pessoas diz respeito, não seja um problema. A gestão pode ser diferente, mas isso não quer dizer que se manifeste e tenha repercussões negativas na missão de servir com qualidade assistencial as pessoas. Se a aposta continuar a ser nos recursos humanos qualificados e diferenciados, com equipas estáveis que saibam articular e integrar os cuidados de saúde, continuaremos a missão de servir em prol da população”. Contactado o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, é nos dito através do seu gabinete de imprensa que “embora não se trate de uma competência municipal, a autarquia estará disponível para colaborar no estabelecimento de ligações entre a administração do hospital e o Governo, contribuindo no que estiver ao seu alcance para a melhoria do serviço de saúde que é prestado aos cidadãos”. Já houve uma reunião com o conselho de administração por parte do município, mas não são adiantadas mais informações. À nossa redação chegou um comunicado do PSD de Vila Franca de Xira, no qual aquela força política relembra a qualidade dos serviços clínicos prestados durante a gestão da PPP, bem como as poupanças que permitiu alcançar ao Estado na ordem dos 30 milhões de euros segundo o Tribunal de Contas. “Infelizmente, o tempo deu-nos razão”, refere a concelhia laranja exortando ao mesmo tempo o novo presidente da Câmara de Vila Franca a exigir medidas do Governo, porque “os problemas não se resolvem com proclamações eloquentes”.


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Cruz Vermelha de Aveiras de Cima queixa-se de atrasos nos pagamentos edro Vieira, coordenador da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, relata que ouve por parte dos utentes mais queixas, desde que o hospital passou para o setor público, de atrasos nas consultas, o que acaba por transtornar também as escalas e a programação do trabalho daquela força de socorro. Este é um quadro que piorou. No pico da pandemia, as consultas não sofriam tantos atrasos e antes também não. “Penso que no tempo da PPP funcionava melhor”. Mas a CVP queixa-se ainda de pagamentos em atraso nos serviços, em comparação com o Grupo Mello. Pedro Vieira reclama também da retenção de macas nas urgências. Chegaram a estar à espera três horas pela devolução de uma maca, “porque têm escassez de macas e de camas”. Já no tempo da PPP era diferente: “Apenas aconteceu uma vez ou outra durante a pandemia. Antes, isso praticamente nunca ocorreu”. O responsável não consegue atribuir uma causa a este tipo de questão, mas refere que ainda “no passado sábado estivemos duas horas à espera de uma maca”. Quanto aos pagamentos, Pedro Vieira salienta que os atrasos nos pagamentos já são evidentes.

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Desde que a gestão pública iniciou funções a um de junho, a associação apenas “recebeu o pagamento de junho em setembro”, faltando nesta altura os seguintes meses. Durante a anterior gestão, os pagamentos eram feitos de forma mais atempada. “Esta situação está a pesar embora não deixemos de continuar a trabalhar com o Hospital de Vila Franca”. A CVP colabora com mais hospitais públicos mas sem registo de grandes atrasos. “Não sei se é porque começaram a trabalhar há pouco tempo naquelas funções”. Sobre estas matérias, é nos dito pelo conselho de administração que desconhece “qualquer pagamento em atraso às corporações de bombeiros, ou outras”, sendo que as faturas têm uma tramitação necessária nas entidades públicas, através do serviço financeiro. Cumpridas as tramitações de verificação das faturas em termos contabilísticos e financeiros, “o hospital faz o pagamento, como tem estado a fazer”. Tendo já pago por trabalho realizado desde um de junho último, mais de 70 mil euros, encontrando-se em conferência para pagamento um valor residual de faturação emitida. O Conselho de Administração diz ainda que não tem conhecimento

Administração rejeita que haja dificuldades no pagamento das faturas

de qualquer retenção de macas nas últimas semanas. “Contudo, há períodos em que a maca pode ter um tempo de retorno maior por força da pressão dos serviços de urgência. Mas isso acontecia no passado e, pontualmente, poderá acontecer agora”, é referido perante as nossas questões.

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Já os Bombeiros de Azambuja não notam grandes diferenças no atendimento das urgências do Hospital de Vila Franca de Xira, desde que passou para a gestão pública. Ricardo Correia, comandante dos soldados da paz, sublinha que tem existido alguma retenção das ambulâncias, por falta de macas,

mas sustenta que não sabe se o facto está diretamente relacionado com a mudança de gestão, no entanto ressalva que tem sido mais frequente nos últimos dias. Aliás a retenção de macas tem sido uma dor de cabeça de todas as corporações, não só na região servida pelo Hospital de Vila Fran-

ca, como em todo o país, dado que muitos hospitais não têm recursos, ou seja, camas disponíveis que evitem que as macas onde chegam os doentes sejam utilizadas. Em entrevista ao Valor Local, Ricardo Correia diz que nos últimos dias “a administração do hospital tem feito um esforço” para ter camas disponíveis, algo que agradece “porque assim deixamos o doente mais rapidamente ao cuidado do hospital” e podem depois partir para uma nova chamada. Ricardo Correia destaca que os bombeiros trabalham com o hospital noutras áreas e aí sim, sente alguns constrangimentos, algo que considera normal, fruto da mudança de gestão e das pessoas noutros serviços. Ricardo Correia afirma que nesta altura “ninguém tem dados suficientes para afirmar que o hospital está melhor ou pior”, alertando para a fase “crítica” que é a da gripe sazonal e que leva muitas pessoas tradicionalmente às urgências. Neste campo, o comandante dos bombeiros, considera que está expectante para ver a capacidade de resposta, tanto de meios humanos, como de material, do hospital agora sob a esfera pública.

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As autárquicas e as provas dadas jornal Valor Local e a Rádio Valor Local tiveram um papel determinante nestas eleições. Neste projeto fizemos algo que foi inédito liderando a informação regional a este nível e conseguindo chegar apenas com os conteúdos autárquicos a perto de 1 milhão de pessoas nas nossas plataformas. Ao todo foram 21 entrevistas com os vários candidatos dos concelhos de Azambuja, Alenquer, Arruda e Vila Franca de Xira que culminou com um debate no Ci-

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nema do Centro Comercial Atrium em Azambuja com os candidatos à Câmara de Azambuja Este foi um feito que a todos nos desafiou. Conseguimos fazer todo este trabalho em direto na rádio e em simultâneo no Facebook, sem qualquer corte editorial, e sem rede. Acreditamos que estamos a reescrever uma página no jornalismo regional moderno e digital, mas também impresso, chegando a vários públicos, como temos feito desde que o Valor Local saiu pela primeira vez

em papel em abril de 2013. Muitos media ficaram-se por entrevistas, outros pelos comunicados de campanha, mas no Valor Local, fizemos aquilo que foi a nossa obrigação, não olhando a ideologias nem aos muitos recados que nos foram fazendo chegar pressionando no sentido de quererem inquinar o nosso trabalho. Tivemos alguns engulhos. O facto de tudo ter sido transmitido em direto, ao vivo e também no Facebook, trouxe à tona algumas

personagens que atrás de um ecrã optaram por desferir insultos e críticas, ora porque não gostavam do candidato, ora porque achavam que o jornalista deveria ser mais brando ou fazer algum tipo de perguntas mais “fofinhas”. Não é esse o papel do jornalista. O “fofo” aplica-se a outras coisas, porque no Valor Local, todos foram tratados da mesma forma e nesse sentido as pessoas, assim como no futebol, têm de perceber quais os limites de cada um, e claro o papel do jornalista, que

“Feminismo radical”

Miguel Rodrigues

não é fazer perguntas fáceis, mas sim colocar-se ao lado do “povo” e perguntar aquilo que realmente importa. Outros media não só na nossa região, mas também no país optaram por perguntas por escrito. Essa não é nem nunca será a nossa forma de estar, embora muitos políticos gostassem que essa fosse a nossa postura, sempre ávidos de facilidades. Rescrevemos a história? Acredito que sim, porque ao fazer todo este trabalho em direto e sem

rede, estamos a caminhar para uma fasquia mais alta. É mais difícil do que ficar em casa a fazer entrevistas via zoom. Os nossos leitores sabem isso, os nossos ouvintes também… é por isso que desde 2013 continuamos a crescer. Obrigado

João Santos

ão há uma definição consensual para “feminismo”. Provavelmente, os entendimentos diferentes acerca deste conceito são tantos quantas as pessoas que afirmam ser suas adeptas. É provável que esta indefinição não pese em benefício do feminismo. O facto de ter um significado subjetivo contribui para o risco efetivo de a conceção perder sentido.

facto é suficiente para que perdurem sentimentos de injustiça em matéria de direitos. Por exemplo, a este propósito, na atualidade, a rede social Facebook oferece mais de 50 opções de género. Em função desta heterogeneidade, as ativistas feministas têm vindo a referir, ao longo dos tempos, que o seu propósito consiste numa “luta” muito mais abran-

um “mundo mais justo”, batendose pela “libertação” das mulheres e procurando acabar com o “patriarcado” como forma de sistema social predominante. O feminismo radical pretendia colocar fim ao poder primário dos homens nos domínios da liderança política, da autoridade moral, do privilégio social e da família (contexto em que a figura paterna mantinha a autoridade sobre mu-

À medida que vão ocorrendo progressivamente mudanças nas sociedades, o feminismo, centrando-se numa única identidade de género, vai sendo frequentemente anunciado como desatualizado. Hoje, os mais jovens são muito mais “descomplexados” na abordagem ao sexo, à identidade de género e à sexualidade, o que faz com que o feminismo seja visto como desajustado no tem-

mento estivesse à frente de seu tempo. As feministas radicais da década de 1970 foram algumas das primeiras a desbravar o caminho dos debates sobre identidade de género e sexualidade; debates estes que, na atualidade, se desenvolvem abundantemente na nossa sociedade. O trabalho das feministas radicais contribuiu para a construção dos pilares que continuam a su-

No mínimo, talvez seja possível afirmar que o feminismo é um movimento que visa alcançar a igualdade entre mulheres e homens nos quadros da legalidade, do reconhecimento social e da perspetiva de futuro. Ainda assim, “mulheres e homens”, classificados apenas em função de algumas diferenças físicas específicas, parece, hoje, ser já muito redutor. Os grupos são muitos heterogéneos. Este

gente do que a procura da igualdade entre “homens e mulheres”. Assim, pela dificuldade associada à definição do conceito, o próprio feminismo engloba, inevitavelmente, várias perspetivas. Uma dessas perspetivas é o “feminismo radical”. O feminismo radical é um movimento revolucionário de justiça social, nascido na década de 1960, nos Estados Unidos. Quando surgiu, visava alcançar

lheres e crianças). Para Ellen Willis (1941-2006) uma destacada Professora do Departamento de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque, conhecida pela sua intervenção pública feminista -, o feminismo radical é uma corrente do feminismo que visa uma reorganização radical da sociedade em que a “supremacia masculina é eliminada em todos os contextos sociais e económicos.”

po e “preso” ao passado. Ainda assim, recuando algumas décadas, até ao período em que o feminismo radical surgiu, é muito provável que este movi-

portar algumas das grandes questões da atualidade: igualdade estrutural entre homens e mulheres; definição mais ampla de família; liberdade de expressão

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para identidades sexuais e de género que não se inserem na heterossexualidade “convencional”. Aliás, as feministas radicais rejeitavam a existência de uma heterossexualidade padronizada. Um dos princípios fundamentais do feminismo radical foi, desde sempre, a rejeição do determinismo biológico. O feminismo radical não considera a possibilidade de papéis sexuais biológicos inatos. Ainda neste sentido, o objetivo final da revolução feminista, disse Shulamith Firestone (figura central no desenvolvimento inicial do feminismo radical), deve ser, “não apenas a eliminação do privilégio masculino, mas da própria distinção sexual: diferenças genitais entre os seres humanos não devem ter importância cultural”. Na verdade, apesar da imensa controvérsia associada ao feminismo radical, as feministas radicais tiveram o condão de colocar as diferenças de género sob análise minuciosa e de pôr em causa a masculinidade e a dimensão de violência física que lhe vai sendo associada. Este aspeto central do feminismo radical era considerado altamente controverso na época e, de algum modo, ainda hoje é. Eventualmente, o facto de o feminismo continuar envolto em controvérsia na atualidade é, por si só, bem revelador do trabalho visionário e valioso levado a cabo pelas protagonistas da perspetiva mais radical deste movimento.

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda – Comunicação Social e Publicidade • Gestão da empresa com 100 por cento de capital: Sílvia Alexandra Nunes Agostinho • NIPC 514 207 426 Sede, Sede do Editor, Redação e Administração: Rua Engenheiro Moniz da Maia, Centro Comercial Atrium , nº 68 Loja 17 2050-356 Azambuja Telefones: 263 048 895 • 263 106 981 • 96 197 13 23 • 93 561 23 38 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273 A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23 • Sílvia Agostinho • CP 6524 A • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 • Sílvia Carvalho d’Almeida • TPE-360 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente • Nuno Barrocas • multimédia@valorlocal.pt Colunistas: João Santos • Mário Frota • António Jorge Lopes • Rui Alves Veloso Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Adão Conde Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços Administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontrase disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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Ambiente

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População de Abrigada à beira de se livrar da poluição causada pela pecuária Valinho Agência Portuguesa do Ambiente aplicou nas últimas semanas a maior coima de sempre por crimes ambientais - 1,5 milhões de euros à Sociedade Agrícola Valinho por más práticas de gestão ambiental e poluição, que abrange entre outras unidades a de Abrigada no concelho de Alenquer. Segundo o Jornal de Notícias, a Agropecuária Valinho S.A foi condenada em 15 processos contraordenacionais, respeitantes a 10 explorações suinícolas. Em causa está a descarga de águas residuais para o meio hídrico. Foi apurado que em nove das contraordenações houve reincidência da arguida e em dez dolo eventual. As infrações aconteceram em explorações localizadas em Rio Maior, Caldas da Rainha, Santarém e Alenquer com o intervalo de tempo a ser considerado entre 2014 e 2019. Em causa, de acordo com a APA, estão infrações de rejeição de águas degradadas diretamente para o sistema de disposição de águas residuais sem a existência de uma ETAR, mas também infrações pela utilização de recursos hídricos sem o respetivo título. Para além das coimas, a APA ditou o encerramento da exploração localizada na freguesia de Abrigada como mais uma sanção acessória pelo período máximo de três anos, bem como a obrigação de implementar um conjunto de medidas para prevenir o abandono e a degradação daquelas instalações e consequentes efeitos nocivos ao ambiente. Já no passado e em inícios de 2018, e conforme noticiado por Valor Local, a entidade estatal em causa já decretara o encerramento da pecuária Valinho no concelho de Alenquer e o pagamento de uma coima de 800 mil euros mas sem que daí se tivesse alcançado grande efeito prático. Um ano depois, e em inícios de 2019, o Valor Local voltava a fazer um ponto de situação sobre a atividade desta empresa no concelho de Alenquer, a par da da Berbelita na freguesia de Ventosa, com um processo praticamente idêntico, marcado por um histórico semelhante de descargas, pagamento de coimas (que rondam os 10 a 20 mil euros) sem grandes consequências; e processos em tribunal numa estratégia de ganhar tempo. A Berbelita, colocou a Assembleia Municipal de Alenquer em tribunal por não ter aprovado, em 2015, a declaração de interesse público municipal ao abrigo do Regime Extraordinário de Regularização de Atividades Económicas (RERAE). Depois disso, as empresas voltaram a pedir o RERAE junto da Câma-

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Descarga registada no rio de Ota habitual nos últimos anos

ra, alegando estarem em conformidade. O encerramento compulsivo da atividade de ambas devido ao facto de não obterem regularização municipal tem esbarrado num imbróglio jurídico que perdura há vários anos, dado o contencioso com o órgão deliberativo municipal que continua a arrastar-se. Ao longo dos anos, o Valor Local tem registado queixas dos autarcas e da população. Pedro Folgado, presidente da Câmara de Alenquer, referiu à nossa reportagem em 2019, que as duas empresas trabalharam sempre e “completamente à margem da lei, com as pecuárias a empestarem cursos de água e poluindo o ambiente.” Segundo uma reportagem realizada nas duas localidades pelo Valor Local, na edição de fevereiro de 2017, até “cadáveres de porcos”, oriundos da exploração da Berbelita apareceram no rio. António Pires, presidente da junta de Freguesia de Abrigada e Cabanas de Torres, tem esperança que seja desta vez que a atividade da Valinho possa ser “justamente encerrada” até porque recorda: “Levantei várias vezes ‘a lebre’ em assembleias municipais e quando havia uma deputada do PSD que estava contra o facto de não se aprovar o interesse público municipal a esta empresa”. O ainda autarca fala num passado de queixas constantes junto do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da GNR. Se for encerrada e tiver de fazer os ajustes necessários para retomar a atividade “será um grande alívio para a população”. António Pires refere que este operador, (ao contrário de outros

também do setor do abate e comercialização de animais para consumo humano localizados na freguesia mas que respeitam as normas ambientais) “sempre preferiu andar a pagar coimas do que construir uma ETAR”. O autarca exprime, neste ponto, ainda mais uma preocupação pois o encerramento da suinicultura terá de acarretar também a retirada das águas residuais, o que no seu entender configura uma operação que não será de pequena monta. Já em 2019, ao nosso jornal, o presidente da Câmara sintetizava assim o modus operandi da empresa bem como o da sua congénere da Ventosa, e o motivo pelo qual não poderia anuir à declaraPUB

ção de interesse público municipal: “As empresas para se adaptarem terão de criar mais bolsas de água para lavagens de forma a que haja uma minimização dos impactes. Contudo não o fazem e desta forma a prevaricação vai continuando num clima de impunidade”. Folgado referia ainda que a postura de ambas sempre foi a de empurrar os casos no tempo: “As empresas colocaram toda a gente e mais alguma em tribunal e vão continuando a trabalhar. Enquanto houver tribunais pelo meio e sem decisões, o Estado não consegue atuar”. Em 2017 e à margem da inauguração do aterro da Triaza em Azambuja, o antigo secretário de Estado do Ambiente, Carlos Mar-

tins, falava ao Valor Local na necessidade de se combater o comportamento destas empresas de forma mais contundente, as quais veem nas vias judiciais uma estratégia para continuarem a prevaricar: “Tem sido um clássico por parte destas indústrias quando não conseguem obter os requisitos necessários para obter a regularização dos seus espaços, pelo que o Governo pretenderá apertar a malha ainda mais nestas situações, embora não possa impedir o recurso aos tribunais.”, sintetizava assim o antigo governante. Folgado resumia a questão à vontade dos operadores, porque outras pecuárias no concelho adaptaram-se e estas não. “Não

podemos licenciar uma empresa destas em consciência com o que é o sofrimento da população”. Ouvidas pela nossa reportagem em fevereiro de 2017, as empresas recusaram qualquer tipo de crítica quanto a maus cheiros, e mostraram a sua indisponibilidade para se retirarem do concelho face aos custos económicos inerentes para essa deslocalização. A atividade da Valinho S.A no concelho de Alenquer para além de prejudicar a população da freguesia de Abrigada, nomeadamente, a da localidade de Atouguia, de acordo com os testemunhos recolhidos pelo Valor Local, é também um foco de poluição em Ota. O presidente daquela junta de freguesia, Diogo Carvalho, atribuía à laboração da empresa o impasse em projetos de natureza ambiental como a obra de requalificação dos Olhos de Água. Segundo o presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, a Câmara ainda não foi notificada de forma oficial sobre esta démarche da Agência Portuguesa do Ambiente como já acontecera no passado. A Valinho segundo o autarca tem tentado implementar algumas melhorias mas muito insuficientes, com a criação de mais bacias de retenção, mas nunca apostando em soluções definitivas como uma ETAR. “Nunca avançaram com essa possibilidade. Não se compreende por que algumas pecuárias funcionam legalmente e outras continuam a criar problemas dentro do território com descargas para as linhas de água e maus cheiros associados”. O autarca aguarda então que a pecuária seja encerrada.


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Start Up Cultural de Arruda recomeça atividade Silvia Carvalho d’Almeida em sido profícuo o trabalho desenvolvido na nova startup cultural de Arruda dos Vinhos. O projeto, que funciona numa parceria da Junta de Freguesia com a Câmara Municipal da localidade, pretende ser um espaço no qual se recebem artistas das mais variadas áreas, trazendo arte e cultura para o concelho, independentemente da sua proveniência. Com os confinamentos impostos pelo governo para a prevenção da disseminação da Covid-19 no país, os projetos que estavam previstos tiveram que ser adiados, mas com o aliviar das medidas restritivas algumas atividades puderam ser agendadas, sendo que foram já seis os projetos concluídos. Fábio Morgado, o recentemente reeleito presidente da Junta de Arruda dos Vinhos, é o principal dinamizador do projeto, e o seu maior apoiante. A ideia da startup surgiu em 2017, durante o seu anterior mandato, mas concretizou-se em 2019 “com a inauguração da escola da Quinta da Serra, que foi reabilitada precisamente para o efeito”. No final do processo criativo, para o qual é disponibilizado alojamento e materiais gratuitos, é pedido apenas aos artistas que disponibilizem a sua arte “para o acervo público da freguesia”, para que se enriqueça desta maneira o património cultural da região. As áreas abrangidas, para já,

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Tiago Hacke foi um dos artistas que passou pela Start Up Cultural

para esta residência artística são “quase todas as artes, exceto a dança e o teatro por incapacidade do espaço”. Vão desde a música à escultura, passando pelo design, arquitetura, cinema, pintura, entre outras. A startup “con-

templa uma área de criação, uma cozinha, e um apartamento com um quarto para duas pessoas”. Fábio Morgado acredita que este centro artístico possa ser uma referência a nível cultural

“na freguesia, no concelho, e talvez na região onde nos inserimos”, deixando um legado importante na área das artes. “A ideia é que os artistas da região tenham um espaço no qual desenvolvam o seu trabalho a cus-

to ‘quase zero’, e que os que vêm de fora tragam também uma ‘massa crítica’ importante para a região, interagindo com a população e produzindo cultura, dando a conhecer vários estilos e formas de arte aos arruden-

ses.” Tiago Hacke, de 36 anos, artista plástico de murais, um dos residentes da startup cultural, disponibilizou-se para falar sobre a sua experiência. De ascendência luso-alemã, teve a oportunidade de estudar em Inglaterra, França, Espanha e Luxemburgo, nalgumas das melhores escolas a nível mundial de belas artes. Atualmente vive em Lisboa, e tem já um portfólio impressionante, tendo desenvolvido o seu trabalho sobretudo sobre o tema da biodiversidade de espécies e da sustentabilidade. Trabalhou de perto com organismos ligados a estas áreas. Nesta residência artística criou dois murais com imagens de espécies animais autóctones, que podemos encontrar no fontanário de A-doBarriga, e na rua Manuel Policarpo Martins no PT da EDP. Tiago Hacke diz que em Portugal existe um “fenómeno de quase insularidade relativamente à área cultural, em que estamos um pouco fechados sobre nós, uma vez que quase não comunicamos com as nossas fronteiras”. O clima de investimento relativamente à arte é também mais inóspito do que no estrangeiro. No entanto, a sua experiência em Arruda dos Vinhos não poderia ter sido melhor, e refere gostou de poder conviver de perto com as suas gentes, “muito interessadas e simpáticas”, que passavam pelo local onde estava a trabalhar para observar e conversar consigo.

Cinema documental passa pelos concelhos da Lezíria do Tejo Silvia Carvalho d’Almeida ecorreu durante o mês de setembro, com o apoio da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, a residência artística da associação Waves of Youth, para o concelho da Azambuja. Esta iniciativa pretende levar os jovens da região a conhecer o cinema documental, descentralizar a arte, e a difundi-la por localidades em que o acesso à cultura é mais escasso. Falámos com Miguel Canaverde desta jovem associação. A associação, fundada em plena pandemia de Covid-19, surgiu porque todos os seus membros,

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na casa dos 30 anos, e antigos colegas do curso de Cinema Documental da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, pretendiam trabalhar juntos na vertente de documentário, e criar “arte pela arte”, ao contrário dos vídeos corporativos e de produto, que fazem a nível particular para “pagar as contas”. Todos são de Santarém e viram o convite da CIMLT como uma oportunidade para formalizar o projeto e continuar a trabalhar na região. Os Direitos Humanos são um tema sobre o qual gostam particularmente de filmar. Fizeram um projeto de mobilidade europeia em 2018, na Grécia, sobre a crise dos migrantes,

onde três histórias são abordadas, sobre três pessoas que viajaram por terra e por mar, por um longo percurso, até entrarem na Europa. O slogan que se aplica aqui é o “Right Here Righ Now”, ou seja, o que se propõem fazer é cinema de urgência, que não é nada mais do que pegar numa câmara de filmar para denunciar situações e práticas, tocando em assuntos sociais delicados, numa perspetiva de transformar a realidade. Estes jovens querem demonstrar que é possível fazer cinema em Portugal, ainda que os apoios sejam escassos, e o valor do Orçamento de Estado para a cultura seja cerca de um

por cento. A associação tem quotizações que permitem aos seus associados assistir aos documentários em primeira mão, e é frequente recorrerem a fundos europeus, como os do programa Erasmus, para terem experiências de filmagem no estrangeiro. No entanto, todo o material usado foi adquirido pelos próprios, ao longo do tempo. Investimento ainda assim avultado, que não teria sido possível se não fizessem outro tipo de trabalhos a nível individual, e numa componente mais comercial. O grupo, que já realizou várias curtas-metragens, estando algumas em pós-produção e outras a circular em vários festivais da

Europa, pretende com esta iniciativa, que já passou por Santarém, Rio Maior, Coruche, Benavente e Azambuja, “trabalhar com jovens dos 15 aos 18 anos e desenvolver uma curta-metragem”, para cada concelho, sendo que o tema é escolhido pela Câmara Municipal. Desde a história ao património, passando pela proteção da natureza, a multiplicidade de temáticas tem sido grande, e esta experiência “tem sido bastante produtiva”, segundo nos conta Miguel Canaverde. Não se trata apenas de filmar, mas de estar em contacto com a comunidade que compõe cada município, e que à semelhança dos adoles-

centes que frequentam a residência, têm sido muito recetivos e colaborantes com a ideia. O curso, que tem uma introdução ao cinema nos primeiros dias, rapidamente coloca os jovens a filmar, sendo que cada um deles é introduzido a cada função necessária para a produção de um filme de forma rotativa. Está neste momento, em fase de produção um documentário na Bósnia sob a temática dos direitos humanos. No final pretendem fazer uma apresentação de todos os vídeos produzidos durante este projeto, que percorrerá os vários concelhos representados. PUB


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Novo presidente da Câmara de Vila Franca preocupado com a Saúde omaram posse no passado dia 18 de outubro, os eleitos municipais da Assembleia e da Câmara de Vila Franca de Xira. No seu discurso o novo presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira, destacou duas das ações que vai levar a cabo já nos primeiros dias do seu mandato: efetuar um plano de arborização de algumas zonas do concelho que quer tornar “mais verde”; e reunir-se com responsáveis da Unidade de Saúde Familiar Terras de Cira e do Hospital de Vila Franca de Xira tendo em conta que nesta altura “são cada vez mais preocupantes” as notícias que chegam sobre o estado de funcionamento naquelas duas estruturas. “Seremos reivindicativos mas também solidários”, anunciou face ao estado de coisas que embora “não sejam responsabilidade direta da Câmara são muito preocupantes”. Fernando Paulo Ferreira referindo-se aos problemas despertados na última semana pela Ordem dos Médicos, em que

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os seus dirigentes depois de uma visita ao hospital, descreveram um cenário caótico na unidade, salientou que o concelho não está disponível a abrir mão daquilo que

conquistou aquando da construção da nova unidade e da passagem a PPP, entretanto desfeita, quando o serviço do hospital recolhia avaliações positivas de entida-

tivo: Marina Tiago; Arlindo Dias, Manuela Ralha e João Pedro Baião. A segunda força mais votada, a CDU, faz-se representar pelos eleitos Joana Bonita, Nuno Li-

Fernando Paulo Ferreira tomou posse a 18 de outubro

João Santos tome posse para segundo mato na junta de Vila Franca J

oão Rodrigues dos Santos já tomou posse, para mais um mandato à frente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira. O autarca conseguiu um acordo com a lista liderada pelo PSD para viabilizar o executivo nos próximo quatro anos. Assim o grupo do PS fica com a presidência da junta e a assembleia de freguesia fica com a presidência de Madalena Lage do PSD que integrava a lista da Nova Geração. João Santos destacou o trabalho do anterior executivo, agradecendo a Filipe Valente que presidiu a Assembleia de Freguesia, no último mandato, e que agora deixa essa missão, e

des estrangeiras mas também do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS). Tomaram ainda posse enquanto eleitos socialistas no órgão execu-

sublinhou ainda a relação que teve com o presidente de Câmara cessante, Alberto Mesquita, dando as boas vindas aos novos elementos da assembleia de freguesia composta por eleitos da CDU, PSD, PS e Chega. O recém eleito presidente sublinhou que os últimos quatro anos serviram para acumular experiência, e por isso considera que agora não tem “margem para errar”. Num breve balanço, João Santos recordou o trabalho iniciado logo em 2017 na recuperação dos espaços verdes e do mobiliário urbano. “e sustenta que a pandemia veio travar alguns dos projetos, até porque “estávamos a trabalhar em velocidade cruzeiro

bório e Anabela Barata Gomes. A Coligação Nova Geração (PSD, CDS-PP, MPT e PPM) por David Pato Ferreira e Ana Afonso. Por último, o Partido Chega com o eleito Barreira Soares. A nova presidente da Assembleia Municipal é Sandra Marcelino (PS). Esperança Câncio é a primeira secretária e Teodoro Roque, segundo secretário. A mesa da assembleia foi eleita com 25 votos a favor e 11 brancos. A cerimónia ficou ainda marcada pelo adeus à vida política de Alberto Mesquita, presidente da Câmara nos dois últimos mandatos. Foi ainda vereador durante os mandatos de Maria da Luz Rosinha (PS) e de Daniel Branco, antigo autarca comunista. No seu discurso lembrou o seu percurso enquanto trabalhador da antiga Mague, referindo que como autarca procurou trabalhar com entusiasmo e dedicação, mas que agora é tempo de passar mais tempo em família.

Mário Cantiga garante “muito trabalho” pela união de freguesias

quando fomos assolados pela pandemia” que “nos fez desviar recursos que estavam alocados à área da valorização do território para a área da emergência social” referindo que tem a convicção de que estas alterações foram as decisões corretas em prol das pessoas. A sustentabilidade ambiental é outra das bandeiras do novo executivo que aposta também na consolidação da “base de apoio à nossa cultura”, vincado o autarca a necessidade de Vila Franca não se descaracterizar e com isso perder a sua “cultura identitária”, sublinhando este item como importantíssimo para os vilafranquenses e para o país.

Mário Cantiga tomou posse agora como independente eleito pelo PS oi sem grandes surpresas que Mário Cantiga venceu de novo as eleições na União de Freguesias Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz. No discurso de tomada de posse, Cantiga sublinha que “as nossas escolhas são fruto do nosso crescimento e da liberdade individual que cada um de nós tem para as tomar” assumindo que “nem todas elas são bem-feitas. O autarca que se desvinculou do PCP no início do mandato iniciado em 2017 nunca fechou total-

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João Santos elencou algumas áreas de ação

mente a porta a uma recandidatura independente, contudo essa candidatura viria a acontecer com o apoio do Partido Socialista que assim conseguiu o pleno e vencer em todas as freguesias. O recém reeleito autarca diz que ainda existe muito trabalho para fazer na união de freguesias e por isso assegura - “Temos todas as condições para melhorar o desempenho das nossas competências, queremos e tudo vamos fazer no sentido de trabalhar em conjunto com todos os parceiros e esferas de poder”.

Mário Cantiga conseguiu vencer as eleições para a União de Freguesias com quase 40 por cento dos votos, mas estes não chegaram para a maioria absoluta. Também aqui, o PSD, que foi a terceira força política mais votada com cerca de 12 por cento, vem “dar uma ajuda” à semelhança do que já sucedeu noutras freguesias, e preside agora à Assembleia de Freguesia através do seu candidato Osvaldo Pires que tinha sido o cabeça de lista nestas eleições pela Coligação Nova Geração.


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Silvino Lúcio compromete-se a bater o pé ao poder central pelos interesses de Azambuja novo presidente da Câmara de Azambuja, eleito pelo PS, Silvino Lúcio tomou posse no passado dia 16 de outubro, e no seu discurso assumiu que vai querer ter uma postura mais liderante. “Bater o pé ao Governo” foi um dos seus compromissos bem como estar “sempre ao lado das pessoas” e contribuir para o desenvolvimento do concelho. Tomaram ainda posse como eleitos do Partido Socialista na Câmara, António José Matos, e Ana Coelho. Pelo PSD, segunda força política nestas autárquicas, tomaram posse Rui Corça e José Paulo Pereira. A CDU faz-se representar através

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O novo executivo municipal de Azambuja de Mara Oliveira; e pelo Partido Chega - Inês Louro. Tomaram ainda posse os eleitos para a Assembleia Municipal. Vera Braz é a nova presidente. Rodrigo Conceição e Fernanda Fidalgo são secretários.

No seu discurso, o novo presidente referiu que a vitória traz-lhe um acréscimo de responsabilidade face aos desafios do futuro. Entre outros salientou a “valorização dos espaços empresariais e agrícolas”.

Deixou ainda o compromisso de fazer mais pelo património natural e cultural. O autarca preferiu não salientar alguns temas quentes da vida local como o aterro da Triaza ou os parques fotovoltaicos em

perspetiva. Contudo deixou a promessa de levar o concelho de Azambuja “ao patamar de progresso e de excelência que merece”, com enfoque, conforme salientou, numa estreita ligação com o mundo empresarial concelhio que permita criar “um ecossistema de sinergias” assim como “trazer novas perspetivas que possam aumentar a cadeia de valor, e emprego para os munícipes”. Já a nova presidente da Assembleia Municipal eleita com 16 votos a favor, 10 brancos e dois nulos, Vera Braz, prometeu imparcialidade e igualdade de tratamento no relacionamento com as várias ban-

cadas. “Temos uma pluralidade de visões mas esperemos que sem atropelos à liberdade, bom nome e dignidade de todos em respeito por aqueles que nos elegeram”. A cerimónia ficou ainda marcada por um adeus de Luís de Sousa à vida política. O agora antigo presidente de Câmara já andava nas lides da política desde os anos 80, afirmando que, nesta altura, é tempo de se retirar e aproveitar o tempo em família. Agradeceu ainda a todos os que trabalharam com ele, evocando ainda os antigos presidentes de Câmara João Benavente, Carlos Alberto e Joaquim Ramos.

André Rijo toma posse para um último mandato em Arruda dos Vinhos A ndré Rijo já foi empossado como presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos. O autarca tomou posse em Arranhó, uma freguesia simbólica para o PS, dado que a conseguiu reconquistar 24 anos depois ao PSD, através da candidatura de Pedro Mateus, sendo que esta era último bastião dos social democratas no concelho de Arruda dos Vinhos. André Rijo sublinhara já anteriormente ao Valor Local a importância destas eleições e embora tenha perdido um vereador para o PSD, garante de qualquer das formas a maioria absoluta e a continuidade do projeto do PS no con-

celho. Neste último ato eleitoral, o PS consegue 5 vereadores e o PSD 2. No mandato anterior (2017/2021) o PS conseguiu um feito inédito na região ao eleger seis vereadores para o mandato. André Rijo destaca a existência de uma comunidade de Arruda dos Vinhos unida, tendo em conta os últimos 19 meses em pandemia que “veio trazer ao de cima uma população solidária e responsável”, acrescentando que “a forma como Arruda e os arrudenses enfrentaram esta pandemia e o muito que fizemos em conjunto para nos colocar a salvo é um grande património, um grande ativo do

nosso concelho e com certeza um enorme motivo de orgulho para todos nós”. Para trás ficam alguns pequenos surtos em lares e também um outro resultante de um casamento, que trouxe Arruda para as manchetes dos jornais. De futuro, referiu André Rijo, “o que se exige dos responsáveis políticos agora empossados é que saibam interpretar o que o povo de Arruda lá fora nos exige a todos” vincando que “que perante a dimensão dos problemas que ainda temos de enfrentar coletivamente, saibamos pôr diferenças e pequenas questões de lado e con-

centrarmo-nos em torno do essencial”. Para o autarca estão pela frente ainda alguns desafios que as populações e a classe política enquanto decisora deve enfrentar. São “enormes” os desafios “que ainda temos pela frente” e para isso André Rijo fala no PRR ao qual Arruda aderiu para fazer obras estruturantes para o concelho, como é o caso da Variante de Arruda, entre outras, destacando que se devem aproveitar todas as “oportunidades com o Programa de Recuperação e Resiliência e com o Quadro Financeiro Plurianual 2030”.

Este será o último mandato à frente da Câmara de Arruda

Folgado manda recados às redes sociais na tomada de posse P

O momento em que Pedro Folgado toma posse cumprimentando em seguida o também novo Presidente da Assembleia Municipal, Fernando Silva

edro Folgado e os restantes eleitos do concelho de Alenquer tomaram no dia 9 de outubro numa cerimónia que decorreu ao ar livre em frente aos Paços do Concelho. O momento foi aproveitado para passar alguns recados e transmitir objetivos de futuro, quer pelos recém-empossados presidentes de junta, quer pelo reeleito presidente da Assembleia Municipal, Fernando Silva, que destacou a importância de nesta altura, deixar para trás os momentos de campanha e “vestir a camisola do concelho” referindo-se assim a todos os partidos e grupos de independen-

tes eleitos neste ato no passado dia 26 de setembro. Pedro Folgado, venceu as eleições para a Câmara, reforçando a maioria absoluta, conseguindo eleger inclusive mais um vereador, o quinto, face às últimas eleições de 2017. O PSD perde um eleito, em relação ao escrutínio eleitoral de 2017, conseguindo eleger apenas Nuno Henriques. A CDU mantém o seu único vereador, o também reeleito Ernesto Ferreira. O reeleito presidente destacou no discurso de tomada de posse a participação da população nas últimas eleições que na sua opinião

“deu uma verdadeira lição de maturidade política” vincando que será a partir de agora o presidente de todos os alenquerenses. Folgado recordou mais uma vez as dificuldades de ser autarca, vincando a exigência do cargo, o que faz com que nem sempre seja fácil conciliar a vida de presidente de Câmara com os compromissos familiares, a que somam ainda as “alarvidades que lemos nas redes sociais”. Para Folgado as redes socais têm tido um papel nocivo na vida pública e por isso defende que é chegada a hora de começar a responsabilizar “os promotores de

ataques de caráter gratuitos”, salientando que “na vida como na política não pode valer tudo”. Para o autarca a votação “foi inequívoca” considerando que o reforço da mesma dá nota positiva ao PS neste último mandato. Folgado parte agora para mais quatro anos à frente da autarquia, os últimos enquanto presidente da Câmara devido à limitação de mandatos. Na Rádio Valor Local garantiu cumprir o mandato na íntegra, afastando assim as críticas que davam como certa a sua saída a meio para promover outro sucessor.

Cláudio Lotra garante que vai ser exigente com a Câmara e o Governo O PS reconquistou através da candidatura de Cláudio Lotra a Junta de Freguesia de Alverca, Sobralinho que tinha sido perdida para a CDU há quatro anos atras. Agora o novo presidente eleito pelo Partido Socialista, quer dar início a um mandato novo e garante total colaboração com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, ainda assim garante

que será exigente tanto com o Governo como com a Câmara, “mas seremos sobretudo exigentes connosco”. O agora eleito presidente destacou no seu discurso, entre outras preocupações a área social. “Os tempos não estão fáceis e no período pós-pandemia é previsível um agravamento da situação de muitas famílias”. Por isso diz ser urgente a definição de estraté-

gias de apoio, anunciando que vai convocar uma reunião da Comissão Social de Freguesias, que deverá realizar-se até ao final do mês de outubro. Para o autarca o voluntariado é importante e cumpre o seu papel “mas não pode, em situações de enorme exigência e rigor, substituir o conhecimento e a experiência de anos de trabalho no terreno por parte das instituições da

nossa União de Freguesias”. O PS não conseguiu aqui uma maioria absoluta, pelo que o PSD à semelhança do que já aconteceu nas freguesias de Vila Franca, Vialonga e Alhandra ficará com a presidência da Assembleia de Freguesia. Neste caso, a presidência fica entregue a Mário Jorge Lopes que foi o cabeça de lista da Coligação Nova Geração àquela União de Freguesias.

Cláudio Lotra venceu a junta à CDU que a governou nos últimos quatro anos


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