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Rádio Valor Local - www.valorlocal.pt - Ouça em todo o lado Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 99 • 27 Maio 2021 • Preço 1 cêntimo

Valor Local

Rá Valor dio Estre Local ia Rubr Novas icas

Casais das Boiças, a aldeia mártir fustigada pelas linhas de muito alta tensão

Aterro de Azambuja consegue renovar licença ambiental e de atividade Ambiente na 13 População de Alverca começa a arregaçar as mangas contra o Aterro de Mato da Cruz

Ambiente na 12

Parque de pesados não é atrativo

Camionistas roubam sossego a moradores do Carregado

Destaque da 14 à 16

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Azambuja: Falta de médicos deixa presidentes de junta à beira de um ataque de nervos

Mário Parruca lamenta que as consultas demorem tanto tempo a serem marcadas

Sílvia Agostinho Sílvia C. d’Almeida falta de médicos em Azambuja não é recente, mas viu-se agravada no presente estado de pandemia que vivemos, desde início de 2020. Na sequência de uma notícia do Valor Local que punha a nu as dificuldades dos utentes no acesso aos cuidados de saúde, os vários Presidentes de Junta do concelho reuniramse e redigiram uma carta assinada pedindo às entidades competentes por esta matéria que tomassem providências no sentido de resolver a situação. Já em entrevista à rádio Valor Local, os presidentes de Junta de Aveiras de Cima e de Vila Nova da Rainha, contaram como estão a viver a situação nas suas localidades, pediram responsabilidades, e mostraram o seu desagrado por um problema que parece não ter fim à vista.

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Os postos médicos de Aveiras de Baixo e Vale do Paraíso fecharam. Sendo o que o de Aveiras de Cima é o que acolhe de momento os utentes destas localidades, servindo atualmente cerca de 6000 pessoas. António Torrão, presidente da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima, conta que “a médica destacada está de baixa, uma vez que tem uma gravidez de risco, o que significa que estas pessoas não têm um único médico disponível. Não há médico de família, vai um médico contratado dar consultas duas vezes por semana e não está o dia todo”. O autarca continua a dar conta do estado de coisas no posto médico referindo que os utentes chegam “a esperar três semanas a um mês por uma receita. Há pessoas com doenças crónicas, que precisam de medicação com frequência. Isto é inadmissível especialmente para

António Torrão salienta que os presidentes de junta nunca têm voto na matéria um país que está na presidência da União Europeia. Andamos pelo mundo a dizer que somos muito desenvolvidos e depois sonegamos aquilo que é um direito constitucional, o direito à saúde.” A isto acresce o problema da falta de transportes na região, com uma população maioritariamente idosa, com dificuldades de deslocação. Para o autarca, isto é “um desrespeito pelo ser humano na região, em matéria de saúde.” Em Vila Nova da Rainha, o cenário é semelhante, segundo o presidente de Junta de Freguesia em questão, Mário Parruca. Embora as pessoas tenham médico de família, “não se consegue marcar consultas, pois ou está sempre impedido ou não atendem. Às vezes só depois de dias a tentar é que se consegue, mas são marcadas para dali a muito tempo”. Relativamente às receitas que ficam na junta para se-

rem entregues no Centro de Saúde demoram “duas a três semanas a chegar.” Segundo o que nos conta, estima-se que são precisos cinco médicos para o concelho da Azambuja. As autoridades responsáveis com as quais os autarcas mantêm contacto, dizem que “o que está previsto é que durante este ano se consigam repôr estes médicos”. “A Câmara, nas palavras do presidente Luís de Sousa, criou incentivos para tentar fixar médicos no concelho, no entanto, diz-nos a experiência popular que raramente estes médicos ficam por muito tempo”. A explicação é de Mário Parruca. Ao fim de seis meses qualquer clínico pode pedir dispensa e abandonar a atividade no concelho mesmo com incentivos dados pela Câmara. Existem vários fatores para que isto aconteça: Por um lado a distância a que estão dos sítios

onde esses médicos residem, e como não existe obrigatoriedade em se fixarem é normal que não fiquem para além desse tempo Os autarcas precisam que “grande parte da formação dos médicos é paga com dinheiro do Estado, ou seja, de todos nós. E o médico está seis meses num local e vai embora. Penso que deveria haver uma atenção especial de quem gere estes processos.” Para António Torrão, “ os presidentes de junta não são suficientemente ouvidos sendo esta situação mais uma delas. Quem está à secretária decide sem vir ao terreno, sem analisar nem perceber as consequências que terão as suas decisões.” Relativamente a teleconsultas, diz que “ isso deve aplicar-se a quem tem acesso a meios informáticos, o que não é muitas vezes os caso das pessoas mais idosas”. No entanto “também há dificuldade

em marcar essas consultas tanto ou mais do que as presenciais.” Para António Torrão, “não faz sentido nenhum haver teleconsultas excetuando se for para pedir um medicamento. Nós somos pessoas, precisamos do contacto humano, e já é difícil por vezes fazer diagnósticos presencialmente, quanto mais por videoconferência.” Relativamente à carta enviada às entidades de saúde da região, e também ao Governo, ainda não houve qualquer resposta. António Torrão desabafa: “ Os presidentes de Junta já estão habituados”. Mário Parruca concorda com o seu homólogo, e acrescenta ainda que “ nem a autarquia teve conhecimento destes processos de transferência de utentes, pois ninguém foi chamado para nenhuma reunião, após estar decidido é que se tomou conhecimento.”

Câmara de Alenquer disponibiliza testes à COVID-19 aos alunos da Universidade da Terceira Idade ara o regresso ao ensino presencial dos alunos da Universidade da Terceira Idade de Alenquer, o município de Alenquer disponibiliza a todos os alunos interessados, a pré-testagem à covid-19, tentando assegurar que a retoma de atividades decorra da forma mais segura possível. O vereador da Educação, Rui Costa, informou que “depois de previamente contactados pelos serviços, faremos aproximadamente 400 testes, ou seja, a totalidade dos alunos interessados”. Mais acrescentou que “nesta fase, regressarão ao ensino presencial 550 alunos dos 800

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que temos inscritos e a frequentar com regularidade”, e que, “professores e trabalhadores municipais que mantêm contato direto com os alunos serão igualmente testados.” No dia 17 de maio foram testados 140 alunos no Carregado, provenientes dos Cadafais, Casais da Marmeleira, Refugidos, Santana da Carnota e do Carregado, tendo os resultados sido todos negativos, podendo este grupo de alunos iniciar já as aulas presenciais. No dia 25 de maio, foram testados 260 alunos em Vila Verde dos Francos, Vila Chã, Labrugeira, Aldeia Gavinha, Abrigada, Ota, Ribafria e Alen-

quer para que as aulas retomem em pleno. Rui Costa, salienta ser “fundamental para este efeito a parceria com a Unidade de Cuidados Continuados de Alenquer que disponibilizou recursos humanos para a aplicação dos testes”, e reforçou a “importância que este projeto de aprendizagem tem para estas pessoas ao longo da vida, permitindo-lhe manter-se ativos, física e mentalmente, aprender e ensinar continuamente, reunir-se com os seus colegas de há muitos anos, e por essa via, melhorar a sua qualidade de vida e do seu tempo diário”.

Depois de fornecer testes aos jovens que praticam desporto nas coletividades locais, autarquia testa os alunos da universidade da terceira idade


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Parque de pesados não é atrativo

Camionistas roubam sossego a moradores do Carregado Sílvia C. d’Almeida oi apresentada uma queixa na GNR do Carregado por estacionamento impróprio de camiões TIR na rua que vai da Cruz Vermelha à EBI na Barrada, no Carregado. Para os motoristas, que estacionavam previamente num terreno e que o viram interdito pelo seu dono, foi criado um parque TIR pela Câmara Municipal junto à Casa da Moeda, mas ao que consta continuam a ocupar uma via da referida estrada, tendo os moradores da zona que entrar em sentido contrário para se deslocarem. Mauro Pinheiro tem uma empresa ligada à gestão de condomínios pelo que fala em nome de vários moradores. Foi ele que fez a queixa na GNR, e diz-nos que “os proprietários dos apartamentos que se situam nas redondezas andam desesperados porque não conseguem descansar” com o barulho que os pesados fazem, muitas vezes a altas horas da madrugada. “Eles saem de casa para trabalhar, por vezes às duas ou três da manhã e põem os carros a ‘encher o ar’ e aquilo é uma barulheira muito complicada para quem tem de dormir para no outro dia ir trabalhar. As pessoas não conseguem desfrutar do seu momento de descanso.” E isto acontece “todos os dias”. Refere que a GNR tem autuado vários motoristas, mas que a situação

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Estado de coisas na Barrada apesar de ter sido criado um parque de pesados na localidade

continua a ocorrer. A Câmara Municipal de Alenquer já colocou blocos de cimento para impedir que isto aconteça, mesmo assim há locais onde os camionistas encontram espaço para estacionar. Os moradores já tentaram conversar com os motoristas, e pedir satisfações, pelo que até já houve “alguns confrontos”. Mauro Pinheiro diz que “esta situação

não pode continuar”. “Percebo que alguns morem perto, pelo que não querem deslocar-se a pé desde o parque TIR até casa, mas não podem continuar com este estacionamento impróprio na via pública”. Conta-nos que enviou também uma queixa para a junta de freguesia do Carregado, que o informou de que este assunto teria que ser tratado com

a Câmara Municipal. Contactada a autarquia, o que espera agora é que esta resolva a situação. Fernando Mendes é morador da zona há cerca de cinco anos, e diz-nos que a situação “não é nova”, que acontece pelo menos desde que foi criado o parque TIR, há cerca de um ano”. Esta é uma situação que o incomoda pois para além do barulho, os

moradores têm que entrar em contramão para retirar os seus carros. Conta-nos que a GNR “passa e nunca toma nenhuma medida, exceto quando se faz uma queixa”, e que quando os motoristas são abordados por causa desta problemática, “as pessoas são insultadas”. Para Fernando Mendes, a solução passa por sinalizar melhor a

área, colocando um sinal de proibição de estacionamento para pesados, uma melhor delimitação do espaço, e a colocação de mais blocos de cimento, bem como mais policiamento no local. Contactámos o Comandante da GNR de Alenquer, Marco Pinheiro, que nos explica que da parte da GNR “tudo está a ser feito” para que este problema não persista. “Da nossa parte o que podemos fazer é receber as queixas e autuar os condutores de pesados. Mais, do que isto, apenas as entidades competentes.” Segundo o Presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, a autarquia tem feito tudo para que isto não aconteça, desde colocar sinalização vertical a blocos de cimento, e “investiu um montante considerável para que os camionistas tenham lugar para estacionar”, com a construção do parque TIR. Na sua opinião o que se passa é que como “bons portugueses, gostamos de levar o carro, neste caso, camiões até ao local em que moramos, e neste caso isso não pode ocorrer. Os motoristas têm onde estacionar. Eu estou do lado da população nesta situação, isto não pode ocorrer”. No entanto diz que agora a situação é da competência da GNR, que deve sempre “multar estes cidadãos que estão em contraordenação, tal como se de um veículo ligeiro se tratasse”.

Carlos Coutinho: Concelho de Benavente não tem “escravatura” asiática no seu território concelho de Benavente não tem “escravatura” do sul asiático no seu território. A afirmação é do presidente de Câmara, Carlos Coutinho, na última reunião do executivo. O vereador do PSD, Ricardo Oliveira, questionou da possibilidade de existirem abusos na área do município, tendo em conta a existência de algumas empresas que operam, nomeadamente, em Santo Estevão, e que recrutam trabalhadores de países como a Índia, Nepal ou Paquistão. Os acontecimentos de Odemira ainda estão bem presentes e fizeram soar as campainhas um pouco por toda a parte. Recorde-se que na primeira vaga da pandemia, a empresa Marinhave foi das primeiras na região a debater-se com um foco de Covid-19, com cerca de 20 infetados. Na sua maioria eram trabalhadores migrantes. Ricardo Oliveira não quis comparar Benavente a Odemira, mas mesmo assim questionou acerca

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do número de população migrante oriunda daqueles países a trabalhar quer na agricultura, quer nas empresas. O autarca está preocupado com possíveis casos de sobrelotação habitacional que conduzam no imediato à multiplicação de casos de covid. “Até que ponto, a Câmara já procurou resolver alguns destes problemas, e de que forma tentou pressionar o Governo para dar solução a estas pessoas vítimas do sistema?”, deixou a questão. Carlos Coutinho explicou que no início da pandemia foram sinalizadas estas comunidades, pelo que foi possível aferir de um vasto número daqueles cidadãos a residir no concelho, oriundos de diversos países. “Do ponto de vista habitacional, verificou-se que a situação não era das melhores, mas também não era grave. Não ficámos a conhecer indícios de grande sobrelotação. Havia no máximo cinco ou seis pessoas por casa”. O au-

tarca deu a conhecer que na sua maioria estes imigrantes estão ligados à atividade industrial na Marinhave. Sendo que “muitos deles já residem cá há alguns anos, e depois de estabelecidos conseguiram trazer as respetivas famílias. Não é como em Odemira. Não temos escravatura no nosso concelho”. O Valor Local contactou um dos sindicatos afetos a este tipo de atividade, O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), através do dirigente sindical, Rui Matias. À nossa reportagem referiu que na área de influência do nosso jornal, concelhos de Azambuja, Benavente, Alenquer, Vila Franca de Xira, Salvaterra de Magos e Arruda dos Vinhos, não são do conhecimento do sindicato situações com um grau de gravidade “igual ou sequer parecido” com Odemira, registando-se casos de escravatu-

ra humana no nosso país sobretudo “no distrito de Beja do qual faz parte Odemira, e na zona Oeste como Torres Vedras ou Peniche, por subcontratadas de empresas de topo que operam no setor hortofrutícola como a Vitacress ou a Horta Pronta”. O dirigente sindical refere que numa primeira fase estes migrantes eram sobretudo oriundos do leste europeu mas nos últimos anos são essencialmente asiáticos. Um foco de Covid-19 na vasta comunidade asiática de Odemira abriu a caixa de pandora, nas últimas semanas, para a descoberta de uma rede de tráfico humano a operar naquela zona do Alentejo, em que os trabalhadores eram mantidos em condições desumanas. Perto de seis mil imigrantes ilegais terão vivido nos últimos anos em situações de miséria naquele concelho, segundo o presidente da Câmara, José Alberto Guerreiro.

Autarca demarca-se dos casos de Odemira


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Hospital Vila Franca: Governo diz que a transição para o público será bem sucedida secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, esteve no dia 24 de maio no Hospital de Vila Franca de Xira para tomar o pulso à transição da gestão daquela unidade que passa a partir de um de junho para as mãos do Estado, depois de 10 anos como parceria público privada com o Grupo Mello. O novo administrador do hospital agora sob o modelo de entidade pública empresarial é Carlos Andrade Costa conforme o Valor Local avançou há cerca de mês e meio. O governante referiu aos jornalistas que o investimento é para manter, bem como as diferentes valências e especialidades. O secretário de Estado diz acreditar que a sucessão vai ser “tão bem sucedida ou melhor” do que aquela que aconteceu no Hospital de Braga que foi igualmente gerido em regime de PPP pelo Grupo Mello. O governante não escondeu que uma das dificuldades que urge ao Governo solucionar prendese com o subdimensionamento do hospital face à população

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servida, mas não deixou nenhuma promessa ou anúncio em conferência de imprensa, dando conta apenas da necessidade de “reforço clínico do hospital”. Carlos Andrade Costa que transita do Centro Hospitalar do Médio Tejo para o Hospital de Vila Franca de Xira não quis tecer comentários. O novo administrador apenas falará à comunicação social depois do dia um de junho. “Nesta altura não me ficaria bem porque ainda não tomei conta da casa”. Presidentes de Câmara vão estar atentos Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, refere ao nosso jornal que o sentimento entre os autarcas dos cinco concelhos servidos pelo hospital (Alenquer, Azambuja, Benavente, Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira) é de alguma expetativa para o que se pode seguir a partir de um de junho. Os níveis de serviço subiram nos últimos anos, e a unidade

Governante e nova administração na nova fase do hospital

conseguiu algumas das mais importantes acreditações interna-

cionais como a Joint Commission International. “Vamos estar

bastante atentos ao que vai acontecer”, diz Mesquita.

Nos últimos anos, a população “habituou-se a ter aqui um serviço de excelência” e não “vai querer andar para trás”, pelo que está “nas mãos desta nova administração manter esses níveis”. O autarca agradece os esforços da José de Mello Saúde que administrou em regime de parceria público privada o hospital. O autarca lembra que depois do anúncio da não renovação da PPP de Vila Franca de Xira em 2019, os autarcas ainda tentaram junto do ministério da Saúde que fosse lançado novo concurso, mas a tutela assim não o quis, “até porque foram abertas duas exceções à época (Cascais e Loures) mas a ministra referiu que o hospital tinha lacunas ao nível do número de camas, com necessidade de ampliação das instalações, e que isso era impedimento para começar uma nova PPP”. O presidente da Câmara adianta que os autarcas vão defender no futuro o cumprimento destas promessas por parte do Governo.

Escola Grandella em Tagarro é um estorvo para empresa que a ocupa à borla desde 2008 Escola Almeida Grandella em Tagarro vai ser devolvida à Câmara de Azambuja. Em reunião de Câmara, o vereador da CDU David Mendes questionou sobre qual o ponto de situação deste imóvel. Em 2008 foi firmado um contrato em regime de direito de superfície para 99 anos com uma empresa, a Ocean Othon – Investimentos Turísticos SA. Era presidente de Câmara, Joaquim Ramos, falecido em março deste ano. À época a empresa comprometeu-se em fazer algumas obras neste espaço que é uma das cinco escolas Grandella do país. A Câmara até chegou a fazer um anúncio na internet para cedência do espaço o que causou um grande burburinho naquela altura.

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Luís de Sousa, atual presidente da Câmara, referiu que nesta altura a empresa está disponível para entregar o mais depressa possível as chaves à Câmara. Há muito tempo que não se vê vivalma por aquelas instalações que permanecem desocupadas. Numa primeira fase, a empresa disse que queria ser ressarcida dos investimentos, mas nesta altura já está disponível para fazer as malas em definitivo. O protocolo deverá ser extinto entretanto. Do tempo de Joaquim Ramos permanece apenas o contrato com a Bolina, mas esta empresa cervejeira já há muito que deixou de ter atividade nas instalações da EPAC, em Azambuja, também cedidas em direito de su-

perfície. A empresa foi de abalada para novas instalações em Lisboa no ano passado. A placa identificativa da empresa ainda está na EPAC. A MMCL Cervejeiros assentou arraiais em Azambuja em 2014 com o objetivo de produzir cerveja naquelas instalações sem ter de pagar renda. Recuperou o edifício, mas teria de dinamizar uma espécie de museu da cerveja junto das escolas que nunca o fez. Segundo apurámos ainda não retiraram o material do interior das instalações. O presidente da Câmara adianta ao Valor Local que o gabinete jurídico está a tratar deste assunto já tendo sido intimada a empresa a devolver as chaves para que o município possa reaver o edifício.

Um património histórico que a Câmara entendeu a dada altura que ficava melhor para servir de sede a empresas particulares

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Cruz Vermelha de Aveiras de Cima já conta os dias para ter o novo quartel Cruz Vermelha de Aveiras de Cima assinalou no passado dia nove de maio 36 anos de existência. O ato foi simbolizado numa pequena cerimónia no mercado diário, com a presença de cerca de uma dezena de convidados, representantes das forças políticas locais e sociedade civil, bem como uma representante da estrutura nacional da Cruz Vermelha. A CVP que dá mostras de vitalidade continua a sonhar com o novo quartel. O novo edifício deverá começar a ganhar forma nos próximos meses, sendo que as terraplanagens do local e a colocação das primeiras pedras para o muro de suporte já tiveram início. Pedro Vieira, comandante operacional da CVP, agradeceu aos presentes, mas recordou ao município de Azambuja a importância desta instituição para as forças de proteção civil concelhias. Pedro Vieira referiu que o projeto do novo edifício “já está concluído, mas foi necessário ser revisto devido a alguns problemas técnicos”. O operacional sustenta que o pior já passou e que a partir de agora começa a parte mais fácil, nomeadamente, a conclusão do caderno de encargos e a colocação a concurso público do mesmo.

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Cruz Vermelha de Aveiras de Cima deu a conhecer a sua vitalidade em mais um aniversário

O projeto, que conta com fundos próprios da CVP e a ajuda do município de Azambuja, ascende a mais de meio milhão de euros, um valor significativo para esta obra

há muito esperada para aumentar as condições de operacionalidade da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima e para dar melhores condições aos socorristas no dia a dia

daquela casa. Coube a Silvino Lúcio, vice-presidente da Câmara de Azambuja e com o pelouro da proteção civil, enaltecer o empenho da CVP no

socorro no concelho. O autarca sustentou, por outro lado, a importância do trabalho da CVP no combate à Covid-19, reforçando que em muitos casos, os

socorristas arriscaram a sua vida e a das suas famílias, para prestar o socorro aos doentes. A autarquia já aprovou uma verba de cerca de 20 mil euros para a construção do muro de suporte ao novo quartel, e comprometeu-se a fazer os arranjos exteriores do espaço. Nesta cerimónia, destaque ainda para a entrega de vários documentos por parte de António Pratas Cardoso, o sócio número um da CVP. Trata-se de documentação da fundação da delegação de Aveiras e que tem estado guardada pelo também antigo presidente da direção da CVP. Na ocasião, Pedro Vieira, agradeceu a confiança e garantiu que a delegação vai preservar “com muito carinho” o espólio agora oferecido. O momento foi aproveitado para dar a conhecer a nova estrutura da CVP local, nomeadamente, uma equipa de resgate e salvamento, que estava nos planos da delegação já há algum tempo. Esta unidade é composta por nove elementos, que de resto estavam integrados na instituição. Esta foi uma apresentação que culminou com um simulacro, onde os presentes puderam verificar in loco as capacidades dos socorristas no teatro de operações.

Novo presidente dos Bombeiros de Azambuja

Manuel Arraião Marques elege o novo quartel como uma das prioridades oi sem surpresas que Manuel Arraião Marques foi eleito o novo presidente da direção dos Bombeiros de Azambuja. Marques sucede assim a André Salema, e referiu à Rádio Valor Local, que se trata de uma “enorme tarefa e responsabilidade” tendo em conta o trabalho desenvolvido nos últimos anos pelo anterior presidente, que se prepara para abraçar um novo desafio. Manuel Arraião Marques diz ter aceitado o desafio, dado que não poderia ficar “sentado no sofá” o que de resto “seria mais fácil” e ver perdido o trabalho levado a cabo nos últimos anos. O agora presidente já foi adjunto de comando e bombeiro. Conhece por isso bem a casa e diz que o espera um desafio, embora reconheça, entre outras situações que muito já foi feito. Manuel Arraião Marques está ainda a arrumar a casa. Confessa que não é político e que ainda não se reuniu com a Câmara Municipal, nem como o presidente. Assume, no entanto, algumas

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das bandeiras da anterior direção, se não todas. Uma das bandeiras passa pela renovação da frota. Para o presidente se André Salema tivesse conseguido um subsídio para comprar um carro de desencarceramento, como esteve

previsto “então tinha conseguido um feito extraordinário, que seria renovar a frota em pleno”. Tal não foi possível, mas o novo presidente diz que não desiste e que voltará à carga em breve, apontando para 2022 a aquisição da viatura que fará o pleno da

instituição. Com uma postura calma e serena, Manuel Arraião Marques, não quis entrar em polémicas quanto à aquisição do carro plataforma pela Câmara de Azambuja que deu que falar. O presidente diz que foi a autarquia que o com-

O novo presidente dos bombeiros esteve na Rádio Valor Local onde falou dos seus objetivos

prou, e que por isso esta saberá à partida o que fazer com essa compra, mostrando-se disponível para falar com a Câmara sobre o assunto e a sua utilização pelos bombeiros de Azambuja. O novo presidente refere ainda que a construção do novo quartel no terreno já disponibilizado para o efeito é uma prioridade para qualquer direção. O espeço que fica perto das bombas de combustível do Intermaché está para já dependente do plano de pormenor da frente urbana de Azambuja, que não se sabe quando ficará concluído Manuel Arraião Marques refere que o atual edifício não está à altura das exigências deste tempo, e que na altura em que foi construído, em 1986, “não existiam tantas viaturas”. Na altura “não havia bombeiras”, recorda-se. Atualmente e mesmo depois de terem sido feitas algumas obras, ainda não são suficientes para o dia a dia da instituição. É necessário um edifício maior, tendo em conta as novas necessidades

dos operacionais e também da população, refere o presidente. Já quanto a Ricardo Correia, o Valor Local, sabe que o comandante colocou o lugar à disposição da nova direção, mal esta foi eleita. Uma atitude elogiada por alguns diretores, que segundo referem, reflete a postura do comandante do corpo de bombeiros. No entanto, Manuel Arraião Marques, sustenta que essa questão não se coloca e que se tivesse de renovar nos dias de hoje a sua comissão de serviço fá-lo-ia “sem dúvida nenhuma”. O presidente dos bombeiros aposta na competência do comandante, e salienta que este ainda tem cerca de mais três anos para terminar a primeira comissão. Manuel Arraião Marques diz que é intenção sua e da direção, renovar a liderança de Ricardo Correia, tendo em conta as suas capacidades “como homem e como bombeiro”. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast em www.radiovalorlocal.com


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Cabanas de Chão - Alenquer

Centro de Instrução Musical festeja legalização da sede Miguel A. Rodrigues Centro de Instrução Musical e Recreio de Cabanas de Chão, no concelho de Alenquer, já assinalou oficialmente a legalização do seu edifício. A cerimónia que decorreu no passado dia 23 de maio, contou com a presença, entre outros, do vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Rui Costa. As cerimónias que foram sendo adiadas por causa da pandemia, começaram, bem cedo pelas 09h00 da manhã com o habitual hastear da bandeira na sede da associação. A manhã prosseguiu com um ato simbólico de “corta fitas” com a presença de antigos dirigentes do clube que ajudaram no descerramento de uma placa, simbolizando a legalização do espaço, algo tão ansiado há muitos anos e que foi um propósito da direção presidida por José Vieira. O atual presidente da direção lembrou no seu discurso, que a

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legalização do edifício fora um objetivo desde os anos 80, algo também confirmado ao Valor Local na entrevista que assinalou o aniversário da coletividade em Cabanas de Chão. José Vieira agradeceu a todos os elementos que fizeram parte das anteriores direções, pelo empenho no projeto salientando que estes “desenvolveram atividades e engradeceram o nome desta coletividade. Cada um no seu tempo colocou um pilar naquilo que é hoje o Centro de Instrução Musical e Recreio de Cabanas do Chão”. No entanto, recordou também aqueles que já não estão entre nós. “Recordamos e honramos a sua memória, estando presentes alguns dos seus familiares que os representam condignamente e honram também a sua memória” destacando a presença de António Matos, o mais antigo presidente da instituição vivo. José Vieira agradeceu o empenho, não só, do município e da

José Vieira enalteceu também o apoio dos associados, “que em

diversos momentos” estiveram ao seu lado. José Vieira espera agora que apareçam outros sócios interessados em manter a instituição no bom caminho. No seu discurso recordou que este mandato foi prolongado, dado o facto de não terem aparecido listas no passado. Coube ao vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Rui Costa, enaltecer em nome do município o trabalho levado a cabo pela instituição em prol da cultura no concelho. No seu Facebook, o vice-presidente destacou o empenho de todos e referiu também o trabalho desenvolvido pelos elementos da direção que agora estão de saída, dando os “parabéns muito especiais a todos os elementos dos órgãos sociais do CIMRCC, agradecendo pessoalmente a todos o bem que nos fizeram a todos nós”. O dia foi de festa, com destaque para o almoço convívio, e com a atuação da tuna de cantares do Centro de Instrução Musical.

mentos”. Este webinar acontece entre as 10h55 e as 11h25 no dia 31 de maio, a cargo de Marcos Sanches, pediatra neste hospital. “É sempre um tema difícil, mas no qual a comunidade tem um papel importante e o hospital com a sua diferenciação possa ajudar a resolver esses problemas com a

sua equipa de psiquiatras e psicólogos”. O responsável espera que a iniciativa seja um sucesso dado o grau de adesão que está a suscitar. Até 28 de maio os interessados podem inscrever-se no site do hospital em: http://www.hds.minsaude.pt/crescerbemebemcrescer/

Um dia importante para a coletividade de Cabanas do Chão

junta de freguesia local, mas também de algumas entidades

privadas que têm ajudado a instituição.

Hospital de Santarém promove Semana da Saúde Infantojuvenil ão 27 profissionais das áreas da Saúde e da Educação, 25 webinars e workshops em três dias dedicados à literacia para a saúde. É já no final do mês, dias 31 de maio,1 e 2 de junho, que o Hospital de Santarém vai dinamizar a primeira “Semana da Saúde Infantojuvenil – Crescer Bem e

S

Bem Crescer, Novos Desafios.” Este evento, totalmente online, está orientado para profissionais da educação, pais, avós - e demais encarregados de educação crianças, adolescentes e jovens e é de participação gratuita. Ao Valor Local, o diretor clínico desta unidade hospitalar, Paulo

Sintra explica que “a aproximação à comunidade é importante para o hospital”, que “tem de se abrir naquilo que faz de mais diferenciado e influenciar no sentido da profilaxia de algumas doenças”. Estão neste momento inscritas de 220 pessoas, essencialmente “pais e educadores que são o público-

alvo desta ação” com “gente inscrita de todo o país”. Entre vários temas a debater, está o dos maus-tratos na infância durante a pandemia, uma realidade palpável também pelos profissionais do hospital de Santarém, dado que “o confinamento ajudou a acentuar a alguns comporta-

Grande Prémio de Ciclismo está de regresso ao concelho de Arruda dos Vinhos freguesia de Cardosas no concelho de Arruda dos Vinhos, organiza nos dias 24 e 25 de julho, a primeira edição do Grande Prémio concelhio de ciclismo. Fábio Amorim, presidente da Junta de Cardosas, referiu à Rádio Valor Local que esta edição tem como objetivo unir o território à volta do desporto, sem pensar nas ideologias políticas e nas diferenças de cada um. Apaixonado pela modalidade, sendo ele também um praticante diário, Fábio Amorim refere que este Grande Prémio é um desafio. Afinal Cardosas é só a freguesia mais pequena de Arruda dos Vinhos e coube a si, em parceria com a junta de Arruda dos Vinhos, organizar esta iniciativa que pretende ser a montra da região. Fábio Amorim destaca que a pro-

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va será composta por um contrarrelógio no sábado (dia 24) com cinco quilómetros de percurso. Já o segundo dia (25) será mais competitivo com uma etapa em linha, de 86 quilómetros, pelo concelho de Arruda dos Vinhos (desde a Rondulha, passando pela Mata, São Tiago dos Velhos, Arranhó, Carvalha e terminando em Cardosas). Pela primeira vez, o Grande Prémio irá passar por todas as freguesias, ainda assim esta será a terceira edição de uma prova que tem vindo a colecionar cada vez mais seguidores, seja público, seja atletas que atraídos pela “Reta da Mata” se juntam aos restantes para um dia de competição e convívio. Arruda dos Vinhos tem uma tradição no ciclismo que há muito é

apreciada pelos populares. As provas que fizeram fulgor noutros tempos, parecem estar de regresso ao concelho, o que faz igualmente as delícias dos populares e de alguns atletas locais, como é o caso do presidente da junta de Cardosas e de Pedro Pinheiro, atleta local. Fábio Amorim diz estar certo do sucesso desta prova, que significa muito para os arrudenses em geral, destacando que foi a partir de um desafio de André Rijo, atual presidente da Câmara, que a ideia de um prémio concelhio se começou a desenhar. O abrandamento da pandemia fez com que existisse agora uma possibilidade, “que será aproveitada ao máximo, mantendo as devidas precauções relativamente à Covid19.”

Fábio Amorim deu a conhecer mais uma edição da prova


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Jovens do concelho da Azambuja dizem como é ser aficionado em tempo de censura das touradas ara uns tradição, para outros maus tratos a animais, as touradas são um tema que hoje gera mais polémica do que nunca na sociedade portuguesa. Certo é que toda esta questão se reveste de um carácter regional, pois é nas grandes metrópoles que se situam os grandes movimentos antitouradas e de defesa dos direitos animais, enquanto nas zonas mais afastadas das grandes cidades cresce o número de aficionados. E os jovens, seguem esta tendência? Procurámos saber junto de alguns jovens aficionados que dividem as suas vidas entre a cidade de Lisboa e a Azambuja se posicionam no seu diaa-dia, se a sua afición é bem aceite nos seus relacionamentos, e o que é que pensam sobre toda esta problemática, sendo certo que estão numa idade em que procuram a integração por excelência em todos os meios que frequentam. É fácil ou é difícil ser-se jovem e aficionado. Sílvia Carvalho d’Almeida

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Rui Moreira (17 anos)

os jovens menores de idade terão entrada interdita nos espetáculos. Rui é contra, e acrescenta: “Não é o Governo que deve decidir o que as crianças podem ou devem assistir, não nos deve educar, mas os nossos pais. Acho que nos estão a tirar a nossa liberdade de escolha, de gostarmos do que gostamos, de ver algo que é tão nosso como a tourada.” A palavra que para si melhor descreve esta atividade, é arte, especialmente pelo “empenho e dedicação necessários” bem como a técnica “para “pôr alguém à frente de um touro”, “para que não ocorram acidentes na arena”. Por último apela para que não se deixe que a lei proíba os menores de assistirem a touradas. “Espero que não vá para a frente, pois somos humanos e temos direito de fazer as nossas próprias escolhas, ninguém tem que escolher por nós.”

quantidade de pessoas.” Quanto à lei que se avizinha, diz, à semelhança de Rui, que são os pais que decidem o que é melhor e que “o Governo não deveria intervir nesta matéria”, que é uma questão de liberdade. Por fim, convida os nossos leitores a “passarem uma tarde” na escola da Azambuja, numa terça ou quinta, E a “juntarem-se aos mais novos, para perceberem que a tauromaquia ainda tem futuro.”

Gonçalo Ferreira (24 anos)

Martim Torrão (15 anos)

ão tem um papel ativo como interveniente no espetáculo, mas percorre todo o país para assistir às touradas. Cresceu em Azambuja, e é advogado em Lisboa. Lembra-se de falar sobre a tauromaquia e as tradições desde a primária. Não sabe dizer se o facto de gostar de touradas tem a ver com o sítio em que se nasce, se tem de alguma forma um carácter regional, pois conhece pessoas de outras localidades que também têm esta paixão: “Um amigo meu que conheci em Lisboa, é aficionado e é quem me acompanha muitas vezes aos espetáculos. Não sei se essa distinção se pode fazer assim. Há pessoas que gostam ou não em todo o lado.” Relativamente aos movimentos antitouradas diz que os respeita pois “há lugar para todos, e cada um deve dar voz à sua opinião e à sua vontade.” Para si a tourada é “uma manifestação cultural de um povo, uma tradição, que poderá estar enraizada mais numa região ou noutra, mas igual a tantas outras”. Não quer contudo conceptualizar, pois na sua opinião definir um evento cultural em palavras pode ser restritivo: “Cada um interpreta uma manifestação artística de diferentes formas”. Acrescenta que “as pessoas que comungam de uma tradição têm sempre coisas em comum” pelo que é normal haver um sentido de comunhão, e de pertença. Uma maior convivência entre essas pessoas acontece no próprio espetáculo e fora: “Há sempre os almoços antes e os jantares depois.” Contudo, não pensa que seja um fenómeno diferente do futebol, por exemplo. Não crê que seja pelo facto de gostar ou não de tauromaquia que possa ser tratado de maneira diferente nos meios mais urbanos por onde se movimenta: “Isso não acontece nem nunca deveria acontecer.” Relativamente à polémica da proposta de lei do PAN, o também líder da JS local não comenta. Gonçalo Ferreira diz apenas que pensa que foi alterada para a proibição de entrada sem acompanhamento de adultos.

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esde pequeno que se lembra de ir à tourada com familiares. “A minha família sempre assistiu a estes espetáculos, e eu ia com eles, tomeilhes o gosto desde então.” Ligado à equitação de competição, reflete e acrescenta que lhe faz lembrar o toureio a cavalo. Na escola, conversam sobre este assunto com frequência, especialmente agora que começou a época. Conta-nos que há colegas que não gostam de assistir a touradas, mas que não são contra. No entanto ouvem na rádio, e trocam opiniões entre eles. Não se sente de maneira nenhuma posto de lado por confessar a sua paixão. Não estivéssemos nós numa zona do país em que existe uma grande tradição tauromáquica. A situação muda de figura quando ocorre estar na “cidade grande”. Lembra-se de falar sobre este assunto numa esplanada e de ter sentido o ar de reprovação das pessoas. Pensa que as manifestações antitouradas, não fazem sentido. “Nós também não vamos protestar acerca de coisas que essas pessoas gostam”. Para Rui Moreira não se trata de uma questão de maus tratos animais, mas uma questão de tradição, de cultura. Relativamente a essas pessoas, gostaria que “se informassem” pois “não é como imaginam”. Reconhece que o touro “sofre um bocadinho na altura”, mas que os animais em geral “são bem tratados”. Perguntámos o que pensa acerca da proposta de lei, pelo PAN, já aprovada pelo Governo, na qual consta que

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onta-nos que “desde pequeno que andava ao pé dos touros e cavalos”, pois tem familiares ligados à tauromaquia. O jovem Martim Torrão seguiu as pisadas dos seus ancestrais. O padrinho é forcado retirado, e o pai frequentou a escola de toureio da Azambuja, que ele também frequenta. Quer ser matador. Diz-nos que “um dia chegou ao pé dos pais e lhes deu esta notícia, ao que eles lhe responderam que teria todo o seu apoio”. Terá por isso que se deslocar ou mesmo morar no país de nuestros hermanos, uma vez que as touradas de morte são proibidas em Portugal. Para Martim Torrão tal não é um problema, e acrescenta que já se vê a morar em Espanha. Por estar numa escola dedicada à tauromaquia, diz que os seus amigos têm o mesmo gosto, e que quando vai tourear, lhe “pedem vídeos e ficam felizes” por ele e lhe pedem para irem também. Todos gostam de touradas e sente-se integrado no grupo, facto que não ocorreria se não fosse um aficionado. Quanto à questão antitouradas, diz que “respeita as opiniões diferentes” da sua, e que tudo se resume a uma questão de liberdade de escolha. “Eu vejo a tourada como uma arte, eles vêm como sofrimento, é dependente da interpretação de cada um.” Quando vê uma tourada, sente “alegria e felicidade”. É também um local para conviver com os amigos. Neste momento leva as coisas um pouco mais a sério, pois esta é aquela que vai ser a sua profissão. A tourada é “arte”, como já disse, e enfatiza toda a logística necessária para a preparação de um espetáculo, que envolve “uma enorme

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Alenquer: Luz verde para o plano de pormenor do Boavista Park Câmara Municipal de Alenquer deu luz verde ao plano de pormenor que visa a criação de um parque empresarial na zona da Boavista, próxima do acesso às pedreiras. O projeto mereceu alguma contestação por parte da oposição tendo em conta que está em curso a revisão do Plano Diretor

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Municipal (PDM) e o município abre assim uma exceção. O PSD votou contra e segundo o vereador da oposição, Frederico Rogeiro, apesar da necessidade de se ordenar aquela área próxima das pedreiras “onde já existem algumas empresas”, “não se compreende a razão deste plano de

pormenor quando está em curso a revisão do PDM”. O projeto foi submetido à Câmara pela Imocrafe – Companhia, Construção e Administração SA. Sendo que “este plano de pormenor abrange apenas um terreno quando existem várias empresas ao longo daquela faixa. Dá ideia de que se está a pri-

vilegiar apenas um proprietário”, principalmente porque está inserida em “zona de reserva agrícola” para logística e serviços. Sendo que segundo a lei (Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial – RJIGT) “não é possível transformar um terreno rústico em urbano através de um plano de

pormenor”. Ernesto Ferreira da CDU diz que também estranha esta possibilidade que se abre para a empresa que quer instalar ali uma área logística, e gostava de ver mais esclarecimentos por parte da autarquia. Pedro Folgado, presidente da Câmara, salienta ao Valor Local que

“teria sido interessante o aparecimento de mais pedidos de plano de pormenor para aquela zona porque está muito desordenada, mas o único que apareceu foi este, e não me parece que haja qualquer questão quanto a isto, e pode ser que outros fiquem motivados para fazer o mesmo”


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Mário Amaro, o mais jovem candidato à Câmara de Alenquer candidato à Câmara Municipal de Alenquer, do CDS, Mário Amaro, tem 20 anos e é o mais novo candidato até ao momento. Na Rádio Valor Local, o candidato desvalorizou a polémica gerada em torno da possível coligação com o PSD, referindo que a dada altura, “como o PSD não avançava, foi aconselhado a apresentar uma candidatura apenas com o PPM e o Partido da Terra”. Algo que diz não estar arrependido, reafirmando a sua aposta que contou inclusivamente com o apoio do presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos. Mário Amaro refere que as suas listas contam com pessoas oriundas, não só, de várias áreas políticas, como da sociedade civil, e muitas outras sem qualquer ideia ou filiação partidária. O candidato conta com “a doutora Eduarda

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Mário Amaro decidiu avançar perante o impasse do PSD Tralha, que é uma senhora muito respeitada no concelho, como número dois à Câmara Municipal”. Para a Assembleia Municipal, o

CDS vai apostar “na professora Fernanda Magalhães, que é uma pessoa que já esteve ligada à política no concelho, especialmente

na questão das águas, mas não só”. Engenheira química de profissão, Mário Amaro, salienta as qualidades de Fernanda Maga-

lhães no contexto da qualidade da água e toda a sua temática, bem como as questões relacionadas com o rio Ota. João Galvão Teles, atualmente deputado Municipal, será o número dois à Assembleia Municipal, reforçando assim, segundo o candidato à Câmara, o elenco do CDS naquele órgão autárquico, dado o conhecimento deste último em várias áreas de atuação, mas com foco especial no “urbanismo, planeamento do território e também na cultura e património”. O candidato sustenta, entretanto, que há muito para fazer em Alenquer, nomeadamente no que toca à fixação de empresas e criação de postos de trabalho para dinamizar o concelho. Mário Amaro, sublinha que esta “é uma candidatura forte” e que tem tudo para vencer as eleições contra o Partido Socialista, que está

no poder desde o 25 de abril de 1974. O candidato do CDS assegura, no entanto, que não há fórmulas secretas para ganhar as eleições, o que é certo é que assume ser um desafio com muitos imponderáveis, porque ir a votos sem o parceiro “natural” de coligação, nomeadamente o PSD, terá certamente um resultado imprevisível. Para Mário Amaro a coligação “Fazer Cumprir Alenquer” tem um projeto que é diferente “daquilo que tem vindo a ser apresentado, e naturalmente que temos sempre de nos diferenciar e criar algo novo e reformador, até porque temos uma equipa nova e diferente e com pessoas que são novas na política”. Ouça a entrevista na íntegra em podcast no site www.radiovalorlocal.com

PSD de Azambuja apresenta candidatos a Alcoentre, Aveiras de Cima e Vila Nova da Rainha epois de ter apresentado Luís Otero como candidato à junta de Azambuja, e José Martins como cabeça de lista à junta de Aveiras de Baixo, o PSD dá a conhecer, em nota de imprensa, que Bruno Borda d’Água de 42 anos, ligado ao Grupo Columbófilo Vilanovense, será o candidato à junta de freguesia de Vila Nova da Rainha, atualmente liderada pelo PS através de Mário Parruca. Hugo Duarte, 43 anos, volta a ser a escolha dos social-democratas para a junta de Aveiras de Cima, liderada pelo comunista António Torrão. Fernando Reis, 49 anos, bombeiro sapador profissional e dirigente da Associação dos Bombeiros de

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Alcoentre é o candidato a esta junta de Alcoentre também liderada pelos socialistas. Segundo nota de imprensa da concelhia do PSD, os candidatos às freguesias do concelho de Azambuja, “assumem-se como alternativa a executivos de junta de freguesia que são herdeiros de soluções gastas, acomodadas e sem capacidade para dar futuro às suas populações.” “Trabalhar ao lado das populações, dando voz às suas preocupações, e resolver os seus problemas do dia a dia são os objetivos destas listas maioritariamente constituídas por cidadãos sem qualquer filiação partidária, que merecem o apoio do PSD, do CDS-PP, do

Partido da Terra e do PPM”, com uma “aposta clara e inequívoca nos jovens e nos sectores mais dinâmicos de cada freguesia”, salienta o comunicado. Rui Corça, cabeça de lista à Câmara de Azambuja, afirma que estes candidatos representam o tipo de líder que quer ver ao seu lado nesta campanha: “gente séria e capaz, com coragem para colocar as suas gentes em primeiro lugar, em vez de se limitarem ao papel de moços de recados da câmara ou de chefes partidários”. O partido vai entretanto apresentar os candidatos a Vale do Paraíso e União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro.

PS Azambuja aprova Vera Braz para Assembleia, Gonçalo Pratas para Aveiras de Cima e Paulo Valada para a União de Freguesias onforme o Valor Local tinha avançado em primeira mão, Vera Braz é o nome escolhido pela equipa de Silvino Lúcio para cabeça de lista à Assembleia Municipal de Azambuja. O nome da deputada que poderá acumular com o cargo de presidente da AM, no caso de o PS ganhar as eleições para aquele órgão, foi votado esta segunda-feira, dia 24 de maio, e sem surpresas. Foi unânime entre os socialistas de Azambuja. O Valor Local sabe que o convite já foi aceite pela deputada. No entanto falta formalizar ainda o processo de ratificação no PS local. Vera Braz está na AM de Azambuja desde 2009 até aos dias de hoje. A ser eleita, continuará a dar o seu contributo nos órgãos autárquicos do concelho de Azambuja. A concelhia socialista aprovou igualmente Gonçalo Pratas para cabeça de lista à Junta de freguesia de Aveiras de Cima. O nome do militante do PS, passou também sem quaisquer votos contra no crivo dos socialistas. O PS aprovou igualmente o nome de Paulo Valada como candidato à União de Freguesias de Manique, Maçussa e Vila Nova de São Pedro. Como já é do conhecimento público, Silvino Lúcio irá apresentar-se á liderança da lista do PS com António José Matos, Sílvia Vitor e Cristina de Sousa, nos lugares, à partida, elegíveis. No entanto a ordem pela qual estarão estes nomes na lista de Silvino Lúcio, ainda não foi divulgada.

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Candidatos a Vila Nova da Rainha, Aveiras de Cima e Alcoentre

Rui Rei recandidato à Assembleia Municipal de Vila Franca pelo PSD anúncio foi feito pelo próprio Rui Reu à Rádio Valor Local. Para além deste anúncio, o PSD aproveitou o momento para dar a conhecer os nomes de Susana Rico para cabeça de lista à União de Freguesias de Castanheira e Cachoeiras e João Diogo Câncio para a Junta de Vila Franca de Xira. O nome do candidato e presidente da concelhia Vilafranquense foi, sem surpresas, ratificado, sem votos contra, na reunião da estrutura local. Ao jornal Valor Local, Rui Rei diz que há ainda “um trabalho a fazer junto dos cidadãos” no que toca a este órgão autárquico. O candidato entende que se “perguntarmos aos cidadãos para o que serve a assembleia municipal, têm muita dificuldade em explicar”. “O poder autárquico não pode ser concentrado na figura de um presidente de câmara e a Assembleia Municipal tem que ter competências e meios para defender os cidadãos”, explica. O PSD continua a dar a conhecer aos pucos os elementos das suas listas a todos os órgãos autárquicos. Para as freguesias e até para a câmara o PSD tem apresentado nomes de pessoas quase estreantes na política local, muitas oriundas da sociedade covil e sem ligação aos partidos políticos. Susana Rico e Diogo Câncio, serão os nomes que o PSD irá apresentar às juntas de Castanheira e Vila Franca de Xira. São estreantes nas candidaturas autárquicas, porque segundo Rui Rei, que também é o presidente da concelhia laranja, é o princípio para dar a vez a novas gerações. O PSD deu a conhecer esta quarta-feira, dia 26 de maio, que volta a ir a votos no concelho com os habituais parceiros: CDS-PP, PPM e Partido da Terra.

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Arruda Dos Vinhos:

André Rijo recandidata-se pelo PS e quer apostar no Ambiente ndré Rijo vai voltar a encabeçar a lista do PS para a Câmara de Arruda dos Vinhos. Numa entrevista à Rádio Valor Local, o autarca que foi eleito pela primeira vez em 2013, disse que a Covid19 foi uma das questões mais marcantes para este seu atual mandato. O autarca considera que ainda há trabalho para fazer e remete para dia 10 de junho, o anúncio da composição da sua lista para a Câmara. À Rádio Valor Local, André Rijo refere que ainda nada está decidido, mas que vão existir também alguns ajustes na lista, escusandose a referir quais os pelouros a atribuir, já que só quer pensar nisso se for eleito. Em 2017, o Partido Socialista foi o mais votado, tendo alcançado uma maioria absoluta, conseguindo seis vereadores em sete, que compõem a Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos. O autarca salienta que esse foi também um resultado “acima” das suas “melhores expetativas” e que isso significa a confiança da população no projeto que lidera. Aliás André Rijo salienta mesmo que tem cumprido a maioria dos projetos com que se comprometeu nas últimas eleições, apontan-

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André Rijo volta a recandidatar-se em Arruda

do que no próximo mandato se for eleito, o ambiente e a sustentabilidade serão uma bandeira muito forte. O candidato destaca que o Arruda Lab será assim a âncora do próximo mandato, funcionando como um centro de inovação agroindustrial e agregador de inteligência no concelho. “O Arruda Lab será assim o cerne do nosso desenvolvimento e é equacionado com a inovação, a tecnologia com parcerias com o

meio académico e meio empresarial”, tendo igualmente como objetivo o combate às alterações climáticas. Nos projetos, salta à vista a recuperação e requalificação do Bairro João de Deus, “um bairro social e que vai fazer a diferença nas famílias”, diz. André Rijo refere que este projeto foi uma prioridade tendo em conta que chegou a ver “ratos nas habitações que ali estão” e portanto, era importante

“garantir os mínimos de habitabilidade”, candidatando o projeto ao programa “Primeiro Direito” que foi de resto iniciado a nível nacional em Arruda dos Vinhos. O autarca vinca mesmo que o processo não foi fácil, existiram constrangimentos aos projetos, mas para André Rijo esta obra teria de ser feita e em breve estará concluída. As casas mais velhas e edificadas há largos anos, precisam também de ser requalificadas para “dar

dignidade a quem lá mora” e por isso, o autarca anuncia que todas elas estão dotadas das mais valias necessárias para o conforto das pessoas. Outra das obras anunciadas nesta entrevista e que será apresentada no início de junho, é a variante de Arruda dos Vinhos. Uma obra que será custeada pelo Estado através da Infraestruturas de Portugal e também pelo município. André Rijo refere que esta obra já estava

prevista no PDM que é de 1997 e por isso recusa a ideia de que esta seja uma “obsessão” frisando que tem a convicção de “que vamos ser o único executivo que teve a capacidade de lançar a obra”, embora “muita gente tenha trabalhado para conseguirmos que a obra fosse lançada”. Para o autarca esta é uma obra vital para o crescimento do concelho, salientando que a sua ligação à zona industrial será uma maisvalia para retirar o trânsito de pesados de dentro da vila, ao mesmo tempo que distribuirá o trânsito de ligeiros, evitando os habituais constrangimentos de tráfego ao fim de tarde. A variante iniciar-seá perto do cemitério local e depois através de vários acessos e de rotundas, dará a ligação à zona industrial das Corredouras. Ao todo a Câmara de Arruda vai gastar cerca de um milhão de euros nesta obra. Em causa estão as indemnizações aos proprietários de terrenos expropriados e o custo do projeto que ficou a cargo da autarquia. André Rijo destaca que a restante obra será por conta da Infraestruturas de Portugal. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast em www.radiovalorlocal.com

Mara Oliveira é a candidata à Câmara de Azambuja pela CDU ara Oliveira, de 39 anos, é a cabeça de lista da CDU à Câmara de Azambuja. É natural de Alcoentre. Neste mandato já assumiu o lugar de vereadora em substituição por aquele partido. A candidata é formada em Psicologia e trabalha no Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo no departamento de Recursos Humanos. Dedica-se entre outras causas ao voluntariado nos Bombeiros Voluntários de Alcoentre. O nome da candidata já se falava há alguns meses, mas sem-

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pre sem ser confirmado. O convite a Mara Oliveira, segundo apurámos, não foi imediatamente aceite. A CDU que apresenta os seus candidatos publicamente, numa cerimónia marcada para 29 de maio, às 15 horas, na Praça dos Imperadores em Manique do Intendente, também dá a conhecer em nota de imprensa, o cabeça de lista à Assembleia Municipal: António Nobre, 62 anos, advogado e também natural de Alcoentre. O candidato atualmente é eleito neste órgão deliberativo e a sua carrei-

ra política na oposição CDU no concelho tem-se dividido nos diversos mandatos ou pela assembleia ou pela Câmara. O Valor Local está em condições ainda de avançar, no que respeita aos candidatos da CDU, com o nome de António Sousa para a junta de freguesia de Azambuja. António Torrão e José Avelino, presidentes de junta eleitos pela CDU em Aveiras de Cima e na União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro, respetivamente, vol-

tam a ser candidatos. Até ao momento e na corrida para a Câmara de Azambuja já são conhecidos os nomes de Silvino Lúcio, pelo PS, partido que governa o município; Rui Corça, pelo PSD e CDS-PP, que volta a ser candidato depois de ter ficado em segundo lugar em 2017. O nome de Inês Louro, atual presidente da junta de Azambuja e dissidente do PS, será apresentado pela força política Chega! Até à data ainda não é conhecido o candidato do Bloco de Esquerda.

A candidata é a aposta da CDU para voltar a ganhar uma Câmara que já foi sua nos longíquos anos 80

PS de Vila Franca apresenta cabeças de lista ernando Paulo Ferreira apresentou os cabeças de lista aos órgãos autárquicos vilafranquenses. Conforme o Valor Local tinha adiantado o atual presidente da Assembleia Municipal e candidato a Presidente de Câmara leva consigo Sandra Marcelino, como cabeça de lista à Assembleia Municipal. João Santos será recandidato à Junta de Freguesia de Vila Franca. Cláudio Lotra como candidato à União de Freguesias de Alverca- Sobralinho, Mário Canti-

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ga como candidato à União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz. Já João Tremoço é o candidato à Presidência da Junta de Freguesia de Vialonga; Ana Cristina Pereira concorre à União de Freguesias Póvoa-Forte e Mário Baptista à União de freguesias da Castanheira e Cachoeiras. Fernando Paulo diz querer continuar o trabalho desenvolvido pelos socialistas desde o tempo de Maria da Luz Rosinha, sendo ela

a presidente da comissão de honra desta candidatura que refere ter apoiado desde a primeira hora. O “Plano Municipal de Combate às Alterações Climáticas”, o “Roteiro Municipal para a Neutralidade Carbónica” e a “Transição Digital”, bem como a nova “gestão pública do hospital” são algumas das suas prioridades. “Estamos absolutamente determinados em assumir este desafio autárquico e – juntos – continua-

remos a acrescentar futuro e qualidade ao Concelho de Vila Franca de Xira, prosseguindo assim o projeto iniciado pela Maria da Luz Rosinha e continuado pelo Alberto Mesquita, adaptando-o aos novos contextos, aos novos desafios e às novas exigências, com os olhos colocados na próxima década de desenvolvimento para o Concelho, que queremos melhor para todas e todos.”, resumiu. Miguel António Rodrigues

Depois de ter estado como presidente da assembleia municipal, surge a candidatura à Câmara de Vila Franca


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População de Alverca começa a arregaçar as mangas contra o Aterro de Mato da Cruz inda não é o fim de linha para o aterro de Mato da Cruz entre as freguesias de Calhandriz e Alverca do Ribatejo. A Valorsul anunciou sucessivamente a selagem do aterro que recebe resíduos urbanos e as denominadas cinzas inertizadas desde 1998. O fecho estava previsto para dezembro de 2021, mas a unidade ainda tem capacidade e não há alternativas. Estiveram no programa “Hora Local” da Rádio Valor Local, na última semana, o presidente da União de Freguesias de Alverca- Sobralinho, Carlos Gonçalves, e os moradores na freguesia de Alverca – José Avelar, Inocêncio Casquinha e Eduardo Pires. Um estado de coisas “insustentável” e “qualidade de vida roubada” às populações durante 23 anos, a que se somam muitas doenças atribuídas à atividade do aterro é o balanço de mais de duas décadas na permanência deste vizinho indesejado. Os moradores prometem não baixar os braços e encetar novas formas de luta para não deixar o aterro funcionar para lá de 2021. Num balanço de mais de duas décadas do aterro paredes meias com a freguesia, Carlos Gonçalves fala na acumulação de resíduos com “componentes altamente tóxicos” ao longo dos anos como chumbo e mercúrio, e sem que

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Moradores e presidente de junta não escondem que está na hora de partir para a luta novamente exista “um estudo de saúde pública”. O autarca confessa que assiste a um “cada vez maior número de cancros em mulheres mais novas”. Um dos maiores perigos prende-se com as denominadas cinzas volantes, que “contêm chumbo, mercúrio e outros produtos tóxicos”. José Avelar sublinha que está por cumprir a promessa de arborização da zona, e face às constantes paragens da incineradora da Valorsul em Santa Iria de Azóia “acaba o aterro por receber ainda mais resíduos”. A licença ambiental foi, entretanto, prorrogada até 2026, o que para “a população não deixa de ser mais um revés”. O morador não tem dúvidas em considerar que para a Valorsul “o céu é o limite” porque a monta-

nha de resíduos é cada vez mais visível quer da CREL quer da A1. José Avelar reside a 600 metros deste aterro. Inocêncio Casquinha pormenoriza que nesta fase da vida do aterro, “os cheiros não são como no início, possivelmente acabámos por nos habituar, mas penso que o que temos lá ao nível dos materiais depositados é ainda pior”. O presidente da junta acrescenta que “faremos todos os possíveis para que a atividade termine a 31 de dezembro nem que para isso seja preciso cortar as estradas”. No aterro estão depositados dois milhões de toneladas de lixo, e num estudo que produziu, Eduardo Pires, também engenheiro mecânico, fez uma tese sobre as pos-

sibilidades de produção de biogás neste aterro. Todos são unânimes – “O concelho de Vila Franca já fez a sua parte no tratamento de resíduos de alguns dos concelhos mais populosos da Área Metropolitana de Lisboa, cerca de 1,5 milhões de pessoas, e não podemos continuar a pagar esta fatura”, sendo que já em 2010 “devia ter acabado a receção dos resíduos ditos frescos”. Carlos Gonçalves junta que “os lençóis freáticos estão extremamente contaminados”, sendo que a água de furo “embora não seja consumida diretamente é usada para regar hortas e isto preocupa-nos”. Na memória está ainda o projeto de instalação de uma pedreira para servir de complemento ao

aterro e possibilitar a sua expansão a escassos metros de Arcena. O aterro ocupa uma área de 41 hectares. Foi em 2012 e devido à pressão popular foi possível fazer recuar este projeto que chegou a ser equacionado pelo município no sentido de declarar interesse público municipal, mas sem efeito após muita luta da população de Alverca. Carlos Gonçalves lembra que recentemente – e numa situação parecida com aquilo que se queria fazer em Arcena - no Brasil “caíram milhares de toneladas de resíduos para cima das casas da população e ninguém nos livra de acontecer um acidente semelhante”. “Monitorizar a segurança e a saúde pública e reflorestar aquela zona é urgente para a população da nossa freguesia, porque nas células que já estão desativadas a requalificação paisagística não avançou”. O autarca diz mesmo que a montanha de inertes já chega aos sete metros. Depois do projeto da pedreira ter sido chumbado, a população ficou mais descansada e a pensar que o aterro tinha os dias contados. Na altura falava-se que iria até 2016, depois 2020 e para já parece que não vai ser em 2021. Ouvido pelo Valor Local, Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira comunga

do sentir da população e já chegou a adiantar que uma vez que nem sequer é candidato nas autárquicas deste ano, “não tem nada a perder em também contribuir para o bloqueio de estradas se não existir outra saída”. O presidente da Câmara diz que a informação que tem da Valorsul é que estão a encaminhar-se no “sentido da selagem das células mas nada sobre o planeamento exato”. Contudo “a Câmara não pode continuar a ser solidária com todos os municípios”. O boom imobiliário dos últimos 20 anos na cidade de Alverca do Ribatejo levou a que “muita gente da classe média ou da média alta viesse viver para cá num investimento de uma vida, e também essas pessoas acabam por se confrontar com estes problemas ambientais”, refere Carlos Gonçalves para explicitar que o aterro incomoda desde novos a velhos residentes e não apenas as populações de Arcena e Bom Sucesso. Contudo e segundo José Avelar “este problema infelizmente continua sem a visibilidade desejada entre a população que parece estar mais preocupada com a possibilidade de vir um aeroporto para a cidade”. Com eleições autárquicas a caminho “temos de mexer com este tema, com mais manifestação popular”, concordam.

Câmara de Vila Franca espera recolher 2750 toneladas de bioresíduos por ano recolha seletiva de resíduos biodegradáveis no concelho de Vila Franca de Xira vai avançar. Na Póvoa de Santa Iria serão contempladas 13 mil habitações com baldes de sete litros cada. Em Alverca serão abrangidos 14 mil 845 alojamentos também com a distribuição daquele tipo de equipa-

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mento. Entretanto o município lançou mão de uma campanha a desincentivar a deposição de monos nas ruas. Ainda este mês começa a distribuição dos equipamentos com vista à recolha seletiva pelas habitações dos munícipes da Póvoa de Santa Iria tendo como fim a reci-

clagem dos resíduos biodegradáveis, e que resulta da aprovação de mais uma candidatura da autarquia ao Portugal 2020 – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) com um investimento global de 455 mil euros, cofinanciados pelo Fundo de Coesão a PUB

75%. “É um momento bastante importante que contempla a vertente de recolha de proximidade, nesta primeira fase na cidade de Póvoa de Santa Iria, com vista à separação deste tipo de resíduos”, indica o presidente da Câmara, Alberto Mesquita. Estamos a falar de restos de refeições dos particulares, mas que se estende ainda ao setor dos restaurantes, minimercados, frutarias aderentes, refeitórios escolares, mercados municipais, num total de 1631 pontos de recolha em todo o concelho. O autarca espera que até 2023 este projeto esteja implementado em toda a área do município. Estima-se que se consiga recolher 2750 toneladas por ano de bioresíduos em todo o concelho. Paralelamente o município tem vindo a apostar na compostagem doméstica em articulação com a Valorsul com a disponibilização de compostores domésticos aos habitantes do concelho que assim o solicitarem. Foi ainda instalado um compostor comunitário no ecobairro da Póvoa de Santa Iria de

acesso público. “São fatores importantes complementados por outro projeto que já temos que é o das hortas urbanas em quatro freguesias do concelho”. No combate aos lixos, o autarca não esconde que os monos são uma preocupação e esclarece que os munícipes têm à sua disposição uma linha telefónica para

agendamento da recolha: 800 206 726. Contudo não esconde que tem sido difícil sensibilizar os cidadãos. “A deposição de muitas toneladas de monos foi significativa devido à pandemia e ao confinamento em que as pessoas aproveitaram para fazer limpezas, e isso tem sido um problema”, refere.

Recolha seletiva abrange os restos da alimentação dos particulares no concelho


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Aterro de Azambuja consegue renovar licença ambiental e de atividade Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo renovou no dia 20 de maio a licença de atividade da Triaza em Azambuja para o aterro de resíduos industriais não perigosos. A informação foi adiantada ao Valor Local pela presidente daquele organismo estatal, Teresa Almeida. No dia 19 de maio foi a vez da Agência Portuguesa do Ambiente renovar a licença ambiental para mais quatro anos. Para continuar a laborar e conseguir abrir mais uma célula, dado que a atual já se encontra no limite da sua capacidade, a empresa necessita da terceira licença para prosseguir a sua atividade de tratamento de resíduos, a de movimentação de terras com vista à segunda célula, a ser conferida pela Câmara de Azambuja, que se mantém irredutível neste aspeto. “Não vamos dar essa licença, a que eles possuem é com vista ao fecho da célula existente”, refere Luís de Sousa, presidente da Câmara à nossa reportagem, que adianta que o litígio com a empresa continua entregue aos advogados. O autarca adianta que a única célula ativa já ultrapassou a

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Um desfecho que já era esperado face às recentes declarações da presidente da CCDR-LVT

cota em altura há muito tempo, o que configura uma situação de ilegalidade a ser dirimida nesta contenda. Apesar de já ter na mão as duas

licenças passadas pelos organismos do Estado, sem a licença de construção, afigura-se difícil a continuidade da atividade do aterro no curto médio prazo para além

da célula existente há largos meses no limite da sua capacidade. Com luz verde por parte das entidades estatais, a Câmara fica isolada neste braço de ferro que es-

tará na disposição de manter até às últimas consequências. O processo de renovação da licença ambiental esteve em fase de consulta pública no final do ano

passado. A unidade da Mota-Engil está projetada para 16 hectares, na Quinta da Queijeira, composta por três células, para um total previsto de 852 mil toneladas de resíduos enterradas durante 17 anos. Alvo de polémica nos últimos anos, o aterro de Azambuja logrou alcançar carta branca para prosseguir a sua atividade apesar de ilegalidades detetadas como o facto de ter “recebido 11000 toneladas de resíduos provenientes do estrangeiro entre maio de 2020 e dezembro de 2020”, segundo apurámos junto do Ministério do Ambiente, numa altura em que foram suspensos pelo Governo os movimentos transfronteiriços. Uma inspeção da IGAMAOT detetou a ilegalidade em causa, e o caso já seguiu para Ministério Público. Nesta unidade foi ainda depositado amianto à margem da lei, sem que tenha existido igualmente atuação por parte do Estado. Para renovar a licença ambiental, a empresa na consulta pública levada a cabo no final do ano passado e na documentação entregue não deu a conhecer a lista de resíduos com os códigos dos materiais que podem ser recebidos em aterro. PUB


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Casais das Boiças, a aldeia mártir fustigada pelas linhas de muito alta tensão Sílvia Agostinho asais das Boiças é uma pequena aldeia com cerca de 200 habitantes da freguesia de Alcoentre, Azambuja. Perdida numa das extremidades do concelho, foi mais falada nos últimos dias na sequência da nossa reportagem, que pode acompanhar no nosso site, na qual demos conta do descontentamento de um grupo de moradores face à possibilidade de passar por cima da localidade mais uma linha de muito alta tensão, desta vez relacionada com o parque fotovoltaico a ser instalado na Torre Bela. Ao que tudo indica, os promotores – Aura Power e CSRTB Unipessoal – vão escolher outro corredor. Contudo o cenário em Casais das Boiças não deixa de ser muito preocupante. Na década de 70 foram instaladas torres de muito alta tensão, e anos mais tarde a construção foi permitida mesmo ao lado. Se hoje em dia as opiniões sobre os efeitos das radiações, o surgimento de doenças e os impactes no geral das linhas de muito alta tensão ainda geram controvérsia entre a comunidade

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científica, à época ainda menos informação havia e foi com normalidade que a Câmara de Azambuja e outras entidades autorizaram nos idos de 70, 80 e 90 a edificação de habitações nas proximidades daquelas torres. Certo é que segundo os moradores, cerca de 25 pessoas da aldeia, com menos de 60 anos morreram de cancro nos últimos 15 a 20 anos. Maria da Luz Santos mora na Rua da Capela e no quintal existe uma torre de muito alta tensão. Há 34 anos que construiu a casa, mas a torre está no local há pelo menos 45 anos. Morreram de cancro já nos anos 2000 a mãe e o marido. A Câmara aprovou o projeto para a construção da habitação na última metade dos anos 80. A moradora acrescenta que o Estado nunca pagou nada para ocupar os terrenos para aquele fim, segundo ouvia contar a sua mãe e a avó. Numa rua contígua mora Zélia Nobre. Quando fez a casa, ainda lhe chegaram a dizer que se calhar não conseguiria por causa das torres, “mas o que é certo é que foi tudo aprovado sem problemas ne-

Maria da Luz e Zélia Nobre duas das moradoras afetadas nhuns”. A legislação hoje em dia e com base no decreto lei 11/2018 refere que aplicam-se as distâncias de largura máximas definidas em 1992, ou seja e nalguns destes casos que pudemos constar em Ca-

sais das Boiças antes de existir uma lei. São estipulados 45 metros (22,5 m para cada lado do eixo da linha) para linhas com tensão nominal superior a 60 kV (Alta Tensão). No seu site a Rede Elétrica Nacional acrescenta que hoje

em dia todas as suas linhas, a REN garante sempre distâncias superiores em 25 a 30 por cento relativamente aos valores mínimos impostos por lei. De cinco em cinco anos, os operadores devem ainda apresentar os resultados da

monitorização dos campos magnéticos nas instalações de alta e muito alta tensão. Não é preciso um grande exercício de memória para Maria da Luz Santos e Zélia Nobre se lembrarem de nomes de pessoas que morreram de cancro só na Rua da Capela, onde estão instaladas duas torres de alta tensão, nos últimos anos. “Primeiro foi a minha mãe com 67 anos com cancro no pâncreas, depois foi o meu marido com 46 com a mesma doença, mas no fígado. A mãe de uma moça que mora aqui ao lado, morreu com um câncer no peito”, diz Maria da Luz. Naquela altura “em que vieram pôr estas torres aqui, as pessoas eram um bocadinho mais lerdas se calhar, nós agora temos os olhos mais abertos”. Embora Maria da Luz Santos não possa relacionar diretamente os casos de doenças com as torres, receia pelo que ainda esteja para vir. Com 61 anos, debate-se com vários problemas de saúde. A moradora é perentória – “Isto já não se pode tirar daqui, mas não venham cá por mais”, numa alusão PUB


Valor Local

Maio 2021 ao projeto fotovoltaico para a Torre Bela. O Valor Local explica, no sentido de diminuir o alarme social que se vive em Casais das Boiças, que à partida os promotores já terão em mente a escolha de outro corredor. A maior parte das pessoas com quem falámos só soube do assunto pela nossa notícia. Os moradores estão receosos e esperam que os políticos possam esclarecê-los melhor. Para já sentem-se abandonados e passados para trás. “Já chega de só pensarem no dinheiro, e se estão com pena de passarem as linhas de muito alta tensão por cima das oliveiras, lembrem-se que nós somos pessoas, e que não queremos ser mais prejudicadas”. Zélia Nobre mora a escassos metros das torres conta-nos que todos se queixam de zumbidos na rua, e episódios de desorientação também não são incomuns. Tonturas e vertigens são o prato do dia. “O médico já me detetou um problema no cérebro que não é cancerígeno, mas que me dá muito mal-estar”. Maria da Luz Santos tem quistos no pulmão que o médico associou ao tabaco, mas esta moradora nunca fumou na vida. As dores de cabeça também são uma constante. Em Casais das Boiças, este cenário que mais parece que entrámos numa realidade alternativa de emaranhado de torres e fios, não causa apenas perturbações a nível da saúde, segundo nos contaram os moradores. Para além dis-

so quando chove ou faz mais calor, os habitantes mergulham num filme de terror. No Verão, o zumbido das linhas chega a ser ensurdecedor, mas no inverno a água provoca faíscas e o cenário chega a ser tenebroso. A única coisa positiva é que “dificilmente cairia um raio em cima da minha casa”, brinca Maria da Luz Santos. “Quando chove é estalos atrás de estalos”, junta-se à nossa conversa Júlia Rita. “Já temos radiações que cheguem para o nosso organismo, basta de morar debaixo de alta tensão. Nem que nos tenhamos que juntar a Alcoentre para fazer alguma coisa”. Tem vários terrenos onde já existem postes de alta tensão, mas não está disponível para mais. Júlia Rita que tem 76 anos divide o seu tempo entre Azambuja e Casais das Boiças desde que se reformou há cerca de 20 anos, mas os problemas de saúde já são muitos- “Tenho sete quistos no fígado. Quando estou aqui sinto-me doente. Quando estou em Azambuja ando bem, vou dar as minhas voltas sem dificuldade. Em Casais das Boiças só tenho vontade de me deitar. Estou a ver que tenho de me ir embora de cá”. Logo à entrada da Rua da Capela fica a casa de José João, 71 anos, que também convive com uma torre de muito alta tensão no quintal. Lembra-se da população da Batalha se ter revoltado há mais de 10 anos contra a passagem deste tipo de linhas, “mas que não serviu

para nada”. No seu caso, também a casa veio depois da torre instalada. “Na altura éramos todos uns pacóvios”, desabafa José João. O terreno que era do seu pai foi vendido para a instalação da antena “por 120 contos naquela altura, mas sem documentos”. Na nossa reportagem em Casais das Boiças, parámos também no café da coletividade local, onde nos aguardava mais um grupo de moradores. Maria Caetana, 80 anos, diz que o filho que morava perto de uma das torres “já está debaixo do chão”. A moradora Deolinda Moreira, 75 anos, acrescenta – “O meu marido foi há 10 meses. Não sei se foi por causa disto, mas morreu de cancro”. Questionámos um grupo de senhoras que se encontravam à mesa a tomar café, sobre o número de mortes por cancro nos últimos anos, e em uníssono respondem-nos que foram muitas, e todas de diversas idades, e os nomes vão sendo lembrados, vizinhos e amigos que já partiram – “A Maria Adelaide, o senhor Chico, o Zé da João, a Madalena, a Teresa do Zé Valada, e tudo gente nova entre os 50 e tal e os 60 anos”. Uma das nossas interlocutoras, Maria Antónia, diz que a filha já teve de tirar um tumor e no seu caso também. Carlos Jorge Marcelo é o presidente da Associação Cultural e Recreativa de Casais das Boiças. No ponto de encontro que é o café da coletividade as conversas so-

Destaque 15

Moradoras lamentam a realidade de Casais das Boiças

No café da aldeia lembra-se os nomes dos que partiram PUB


16 Destaque

Valor Local

José João e Júlia Rita falam em situação insustentável

O presidente da coletividade diz que muitos pensam em deixar a terra

bre os efeitos das linhas de muito alta tensão são uma tónica dominante. Na agricultura ao longo dos anos, os impactes “também têm sido muitos”, com “muita falta de água e com as culturas muito deficitárias” mas é na saúde pública que esta realidade tem sido mais flagrante, e os casos e os nomes sucedem-se – “Morreu uma amiga minha que vivia mesmo ao pé daquilo, com cerca de 50 anos, e se agora levarmos com outra carga com mais uma linha de muito alta tensão aí é que vamos de vez”. A esposa do dirigente da coletividade também faleceu na casa dos 50 anos – “Foi de cancro. Não se pode dizer que foi disto, mas são demasiadas coincidências”. Até à data nunca houve um estudo de saúde sobre esta circunstância em Casais das Boiças. E a população até se ri – “Aqui no centro de saúde é um corrupio de médicos a toda a hora e nunca conseguimos ser atendidos. Nem têm tempo para nos ver”, acrescentam os moradores. Carlos Jorge Marcelo pormenoriza – “Como é que os médicos podem acompanhar o que nós temos aqui se não chegam a ficar cá”. Se a situação tender a piorar, “o nosso destino é ir viver para outro lado, porque temos crianças aqui. A coletividade chega a ter miúdos que vêm de várias localidades para praticar desporto, e vivemos com medo. Porque está-se a tornar insuportável”, refere o presidente da coletividade. O dirigente

Maio 2021 é também agricultor, e no trabalho nos campos em redor, “quando calha andarmos na poda lá perto das torres, passamos mal com episódios de desorientação”. A conclusão é só uma - “As pessoas sentem-se muito revoltadas com o que se anda a passar aqui. Então quem comete o erro de comprar cá casa, isso nem se fala. Sentemse completamente enganadas”. Zélia Nobre acrescenta – “As pessoas se pudessem iam embora, mas não podem deixar as casas para trás”. No passado, e para aqueles que ainda se lembram ficam as memórias do antes das torres, quando a vida era bem mais simples – “Tínhamos tudo!”, concretizam desta forma a lembrança de uma qualidade de vida que já não volta. Os efeitos das radiações a acreditar na teoria dos cientistas que defendem os seus efeitos perversos apenas se fazem sentir a longo prazo. As torres estão na aldeia desde os anos 70, “mas apenas nos últimos 15 ou 20 anos é que começou a morrer gente desta maneira, nos anos 80 e 90 mesmo já com as torres não temos memória disto acontecer”, concluem Carlos Jorge Marcelo e Zélia Nobre. Moradores sugerem traçado alternativo para a Linha de Muito Alta Tensão do Parque Solar A Linha de Muito Alta Tensão (LMAT) para o projeto de energia

solar a implantar na Torre Bela compreende um complexo de duas linhas que liga as centrais fotovoltaicas de Rio Maior e Torre Bela à subestação de Rio Maior, a 400kV, com uma extensão de cerca de 20 quilómetros, sujeita a avaliação de impacte ambiental. Um conjunto de moradores composto por António Loureiro, Patricia Pellissier e Francisco Dionísio sugeriu uma alternativa. António Loureiro explicita o traçado almejado pela população de Casais das Boiças: “A ideia era atravessar o olival, ligar lá mais à frente em Vale de Judeus /IC2 e não junto à casa dos moradores como o Francisco ou a Patricia como está no traçado verde. Com essa aposta as linhas também não interfeririam com Alcoentre porque o traçado amarelo também não é o ideal”, continua a acrescentar Loureiro, que foi também presidente de junta de Alcoentre entre 2013 e 2017. O antigo autarca refere que a proposta dos moradores reúne consenso entre o presidente da Câmara, Luís de Sousa, e Francisco Morgado, atual presidente da junta de Alcoentre. Francisco Dionísio dá a achega “É possível fazer o circuito passando sempre por terrenos de mato ou floresta e possivelmente os custos até nem serão maiores”. No meio deste processo, os moradores criticam a postura da contratada pelo promotor, que segundo estes três moradores tem tido uma postura agressiva no contacto com PUB


Valor Local

Maio 2021 a população de Casais das Boiças, “oferecendo indemnizações, mas ameaçando que no caso de as pessoas não aceitarem, poderem ser obrigadas a isso” tendo em linha de conta que o projeto previsto para a Torre Bela é considerado de interesse público nacional. Patricia Pellissier critica o presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, “porque não preveniu as pessoas de que seriam contactadas neste sentido”. No seu caso pessoal refere que foi abordada pela empresa que num dia surgiu do nada a pedir para ver os seus terrenos. “Perguntei quem eram eles mas não quiseram responder”. A somar a isto “na planta desenharam as linhas como se não houvesse casas”. Uma circunstância que deixa a moradora desolada com o estado de coisas - “Vim morar para Portugal há três anos e meio e este era o meu sonho. Os meus filhos já são adultos, e deixei a França para vir para cá, mas nunca pensei passar por um pesadelo assim”. Recorde-se que esta abordagem aos moradores daquela localidade da freguesia de Alcoentre aconteceu numa altura em que o projeto ainda não tinha sido debatido na Câmara nem estava em consulta pública, o que atesta que as movimentações no terreno não se ficaram apenas pelo arranque dos eucaliptais e pela montaria de dezembro por parte dos proprietários da Torre Bela.

Simon Coulson da Aura Power diz estar disponível para estudar novas soluções Simon Coulson, promotor do projeto e CEO da Aura Powwer, empresa ligada ao parque fotovoltaico na Torre Bela, perante os anseios da população, refere em declarações ao nosso jornal, que aguarda por indicações da Agência Portuguesa do Ambiente, salvaguardando contudo que o projeto tal como se apresenta atualmente “respeita as distâncias” preconizadas pela Comissão Internacional de Proteção Contra a Radiação Não Ionizante (portaria nº 1421/2004, de 23 de novembro). O promotor diz ainda que agradece o feed-back das comunidades locais. O empresário confia na avaliação que está a ser feita pela equipa multidisciplinar envolvida no Estudo de Impacte Ambiental do projeto que contempla a ligação das linhas elétricas subjacentes à central solar e daí até à rede nacional. O promotor garante que as implicações dos campos magnéticos está sob avaliação no estudo de impacte ambiental e que o fator humano é pedra de toque do seu projeto “que está completamente comprometido com a legislação existente bem como com uma gestão adequada e segura em conformidade com os mais elevados padrões internacionais”. Já depois do nosso encontro com os moradores de Casais das Boiças e em declarações ao nosso

jornal, o presidente da Câmara que se reuniu com a Agência Portuguesa do Ambiente tendo em conta as pretensões da população da localidade da freguesia de Alcoentre, refere que “há disponibilidade do Governo em aceitar o traçado proposto pelos moradores”. Luís de Sousa diz ainda que nas conversações com o promotor, este garantiu que não se importa de voltar a mexer no traçado das linhas indo ao encontro das pretensões da população, apesar disso não ter sido levado a cabo numa primeira instância. Na primeira reunião de Câmara do mês de junho, a autarquia vai levar o famigerado projeto do campo fotovoltaico da Torre Bela a votação, depois de ter retirado a proposta em outubro, numa assembleia municipal, por pressão da oposição. De lá para cá, este projeto caiu nas bocas do mundo com o episódio da caçada na Torre Bela, em dezembro passado, que terminou no abate de 540 animais tendo em vista a central fotovoltaica. Previsto para uma área de 775 hectares, trata-se de um investimento de 170 milhões de euros com a criação de 1000 postos de trabalho na fase de construção e 10 postos permanentes após esta fase. A central está prevista para a quinta na parte em que fica de frente para a Companhia Logística de Combustíveis prolongando-se até à entrada de Alcoentre para um total de 638 mil 400 painéis solares. PUB

Destaque 17 Grupo de moradores que sugeriu traçado alternativo

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18 Opinião

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A Covid-19 e o levantamento de patentes para facilitar o acesso global à vacina: sim ou não? o final de 2020, a África do Sul e a Índia desenvolveram uma proposta conjunta que visa facilitar o acesso dos países mais pobres às vacinas contra a Covid19. No essencial, trata-se de uma campanha que tem por objetivo anular parcialmente a natureza jurídica da propriedade intelectual. Este assunto será discutido pelo Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio em julho de 2021. O governo de Joe Biden (presidente dos Estados Unidos da América) e Emmanuel Macron (presidente de França) vieram já a público manifestar interesse na proposta da Índia e da África do Sul, que propõe o levantamento de patentes relacionadas com tecnologias que permitam a fabri-

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cação de vacinas contra Covid19. A ideia de levantamento de patentes não é novidade. Tem, aliás, gerado muita controvérsia ao longo dos tempos. No caso da vacinação contra a Covid-19, a finalidade do levantamento de patentes, aparentemente louvável, é aumentar a capacidade de produção de vacinas e alcançar, mais rapidamente, a imunidade coletiva à escala global. Ainda assim, os defensores da patenteação levantam a seguintes questões: Será a proposta da Índia e da África do Sul a melhor solução para debelar a pandemia? Poderá esta hipótese vir a desencadear ameaças ainda maiores para o futuro?

De acordo com os princípios fundamentais da propriedade intelectual e, em particular, das patentes, o objetivo destes mecanismos não é bloquear o acesso à vacina. Pelo contrário. De acordo com o essencial da propriedade intelectual, a patenteação é o catalisador necessário à inovação farmacêutica global e eficaz. Na verdade, foi este o processo que esteve na origem, em tempo record, das atuais vacinas. A Organização Mundial do Comércio, relativamente aos direitos de propriedade intelectual relacionados com o comércio, estabelece que uma patente pode garantir proteção por um período mínimo de vinte anos. Assim, a indústria farmacêutica e os laboratórios podem impedir os seus concorren-

tes de explorar comercialmente as suas invenções/produções por, pelo menos, 20 anos, a não ser que estes últimos adquiram previamente uma licença para o efeito. Parece não restar muitas dúvidas de que o sistema de patentes é um acelerador de desenvolvimento. Na prática, perante um problema que carece de solução urgente (como a Covid-19) e sentindo o estímulo do lucro que é garantido pela propriedade intelectual, os investidores procedem a investimentos acrescidos de maneira a acelerar o processo de produção e a garantir que são os primeiros a produzir o bem que soluciona o problema. E esta concepção é consentânea com a realidade. As primeiras va-

Era uma vez o Hospital de Vila Franca de Xira… alo-vos hoje de um relatório do Tribunal de Contas, acerca das Parcerias Publico Privadas na área da saúde, que saiu por estes dias, devo desde já assinalar que o Tribunal de Contas é um órgão de soberania e como tal trata-se de uma entidade independente. Nessa circunstância e atentas as conclusões deste relatório, num país verdadeiramente democrático, deveria ter já provocado um debate público, efetivo e participado por todos os setores que contribuem de forma ativa para o Serviço Nacional de Saúde. Simultaneamente, deveria fazer corar de vergonha os nossos governantes, nomeadamente o 1º Ministro e a Ministra da Saúde Marta Temido, que olham para a participação do setor privado na área da saúde com desconfiança e desdém, como estes se tratassem de uns meliantes que só estão bem a roubar os portugueses. A ministra da Saúde, por questões ideológicas, tudo fez para dispensar a intervenção de grupos privados, na gestão de vários hospitais do SNS, não levou em linha de

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conta o interesse público e acima de tudo o interesse dos utentes, aqueles que em primeira instância beneficiam de um Serviço Nacional de Saúde, que se pretende, esteja comprometido com objetivos de excelência. Diz-nos o relatório do Tribunal de

Contas nas suas conclusões, entre outras, que as PPP da saúde pouparam dinheiro aos contribuintes. Em apenas 4 hospitais as poupanças do contribuinte situaram-se nos 203 Milhões de Euros, isto já por si, não era pouco. Mas diz-nos ainda o Tribunal de

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Contas, que estas Parcerias Publico Privadas da saúde, prestaram um melhor serviço aos utentes, que os hospitais públicos geridos pelo Estado. Neste conjunto de hospitais analisados, está também o de Vila Franca de Xira, que serve esta região, apresenta elevados padrões de qualidade e de resto foi considerado pela entidade reguladora de saúde o 2º melhor do país ao nível da excelência clínica, qualidade e segurança do doente, é uma das unidades hospitalares mais eficientes do país. A 1 de Junho próximo, dar-se-á a reversão da gestão clínica do Hospital para a esfera pública, espero sinceramente que o nível de qualidade se mantenha e não se venha a verificar, o que sempre aconteceu nestas reversões de hospitais PPP para o serviço público, os níveis e serviço prestado aos utentes deterioraram-se sempre, esta situação seria muito injusta para as populações desta região, já que este hospital era só um dos melhores do país, comprovado por entidades independentes. Lamentavelmente, o Governo nada fez para continuar a oferecer às populações desta região os serviços de saúde de qualidade pela qual a unidade hospitalar se tem pautado. elo contrário, desde que se afastem os privados, Marta Temido e o

João Santos

cinas contra a Covid-19 foram desenvolvidas em menos de um ano. E as startups que atingiram este feito, a BioNTech e a Moderna, atingiram-no com recurso a financiamento privado para investigação, obtido muito antes da pandemia e de acordo com a lógica da propriedade intelectual. Na realidade, os investidores privilegiam precisamente as startups de biotecnologia que apresentem um portfólio de patentes bem consolidado e know-how devidamente reconhecido e validado. Assim, mesmo num contexto histórico, de crise pandémica severa, anular as virtudes que resultam da propriedade intelectual e do sistema de patenteação, constituirá um precedente perigoso, que, em última instância, poderá

pôr fim ao “combustível” que alimenta a investigação na área da saúde e em todos os domínios de uma sociedade. Esse “combustível” é: a expectativa de lucro. Concluindo, no contexto estrito do combate à pandemia de Covid19, também eu sou favorável ao levantamento de patentes. Esta posição pessoal depende, no entanto, da garantia que nos vier a ser dada relativamente à natureza absolutamente excecional da medida. E mesmo assim, com esta garantia a ser veiculada pelas autoridades competentes, a desconfiança dos investidores será doravante uma inevitabilidade e isso não é positivo.

Carlos Silva*

governo, preferem um mau SNS gerido pelo Estado, a um melhor SNS gerido de forma partilhada com os privados, a isto chama-se cegueira ideológica. A coberto de pretensas boas intenções, em nome da proteção dos mais frágeis, sabemos que esta cegueira levar-nos-á ao mesmo caminho de sempre, que é, colocar os contribuintes a pagarem mais pelo SNS e os utentes a ficarem menos bem servidos, como de resto é dito pelo Tribunal de Contas. Muito sinceramente, não vejo qual o interesse do Estado, em não manter algumas destas unidades partilhadas entre estado e privados, quanto mais não fosse, com a vantagem de poder elevar padrões de qualidade no setor publico, alinhados com as melhores práticas, em detrimento de níveis medíocres de serviço como os que assistimos no setor publico puro e duro, por motivos de falta de gestão, pelo efeito de nomeações políticas, entre outras razões, apesar da boa qualidade dos médicos, enfermeiros e restantes profissionais de saúde. É pois, com bastante apreensão que se assiste à saída do setor privado do Serviço nacional de Saúde, privando populações de poderem aceder a melhores serviços de saúde, dentro do SNS.

Isto a acontecer, por opções ideológicas, violando decisões racionais e tecnicamente fundamentadas, torna tudo isto mais triste, revoltante e indigno. Mas verdadeiramente assustador, é para quem precisa dos serviços de saúde como pão para a boca, e não tem dinheiro para contratar um seguro de saúde e só lhe resta a única e má alternativa de recorrer aos hospitais públicos. Para terminar, permitam-me dizervos que não andarei longe da verdade, afirmar que a deterioração dos indicadores de oferta e níveis de qualidade do SNS, está diretamente associado à expansão crescente que assistimos todos os dias, com o surgimento de novas unidades hospitalares privadas, cada vez mais destinadas a utentes com seguros de saúde e ADSE. Isso sim, é mais uma situação que contribui para que em Portugal se agravem as desigualdades sociais, que já de si são enormes e ultrapassam em muito a média da União europeia. * Deputado PSD


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20 Dossier Águas

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Águas do Tejo Atlântico lança pela terceira vez empreitada para a obra da ETAR DE Arruda Miguel A. Rodrigues empresa Águas do Tejo Atlântico anunciou um novo concurso para a reabilitação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Arruda dos Vinhos.Com esta é a terceira tentativa de abrir concurso para a obra da ETAR, já que as duas últimas tentativas, em setembro de 2019 e 2020, não tiveram quaisquer concorrentes. Hugo Pereira, vice-presidente da empresa, que gere estas infraestruturas em alta na região, referiu ao Valor Local, que esta foi a primeira vez que viu, não só um, mas dois concursos a ficarem desertos, algo que tem esperança que não volte a acontecer. O primeiro concurso com o valor de um milhão e seiscentos mil euros, e um segundo com um valor mais alto de um milhão e novecentos mil, não atraíram quaisquer empresas, e por isso a empresa já voltou a reformular e a modernizar o projeto para o tornar mais apetecível. Com o horizonte do mês de setembro próximo para o lançamento do concurso, a Águas do

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André Rijo e Hugo Pereira acreditam que à terceira será de vez Tejo Atlântico poderá subir o valor até “dois milhões e quinhentos mil euros, mas vamos ver ainda com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, se conseguimos colocar um valor um pouco mais acima, para garantir que não exista um

terceiro concurso que fique novamente sem ter concorrentes, esperemos que o regulador entenda a urgência nesta obra”. No entanto, e segundo explicou o vice-presidente da empresa, Hugo Pereira, esse valor ainda não é definitivo.

Ao Valor Local, o responsável salienta que a empresa não é livre para atribuir os valores que entenda e de forma arbitrária ao concurso “que tem como base as características dos projetos”. André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda, saudou o

investimento e disse esperar, como no ditado popular “que à terceira seja de vez”. O autarca destacou o momento pelo qual passa o setor da construção civil “em que parece que há mais procura do que oferta” reforçando que também o muni-

cípio “já teve concursos que ficaram desertos”. Nomeadamente “na obra do Bairro João de Deus” pelo que teve de aumentar o valor base do concurso, algo que aconteceu igualmente neste projeto das Águas do Tejo Atlântico. André Rijo deposita na empresa a confiança necessária para desenvolver o projeto, já que agora com este compasso de espera, será possível à empresa fazer os ajustes necessários, tanto ao projeto como ao concurso. A ETAR de Arruda dos Vinhos, que entrou em funcionamento em 2004 foi concebida para receber águas residuais domésticas, tratadas através do sistema de lamas ativadas com nível de tratamento secundário. No entanto, em 2014 terão sido efetuadas ligações à rede da Zona Industrial das Corredouras que, até aí, descarregavam diretamente para a linha de água. Desde então a ETAR tem dificuldades em fazer o tratamento dos esgotos, pelo que a obra em perspetiva é necessária para o correto funcionamento do sistema.

Câmara de Alenquer impõe baixa da tarifa da água para o ano que vem Câmara Municipal de Alenquer aprovou uma proposta de atualização do tarifário a ser remetido à Águas de Alenquer (ADA) com base no estudo do contrato efetuado por Poças Martins que vai no sentido de uma diminuição das tarifas na casa dos 1,6 por cento, o que na prática se traduz em alguns cêntimos. Este é um valor apurado pela Câmara tendo em conta o hiato temporal entre 2016 e 2020 em que houve aumentos e abaixamentos da fatura ditados pela inflação, pela Águas do Vale do Tejo (serviço em alta) e custos de tratamento dos efluentes. Em contrapartida a Águas de Alenquer apresentou uma proposta ao município para um aumento de 1,99 por cento, qque foi chumbada mas que apenas compreendia as flutuações entre 2020 e 2021. Estamos a falar de atualizações ao tarifário que ficaram congeladas por estarem em marcha negociações no sentido do aditamento ao contrato pedido pela Águas de Alenquer desde 2016, pelo que a oposição acusa o executivo de Pedro Folgado de estar a usar esta “benesse, apenas este ano, mas com fins eleitoralistas”. “Como o tarifário estava por atua-

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lizar desde 2016 em face da renegociação do contrato, foram achados esses números pela Câmara”; diz Frederico Rogeiro, vereador da oposição PSD. Segundo o estudo de Poças Martins, o tarifário numa situação normal “teria conhecido duas grandes descidas em 2017 e 2018 para depois voltar a subir em 2019 e 2020, mas como tinha ficado sempre abaixo do que as pessoas efetivamente pagaram, dá direito a serem ressarcidas, porque pagaram sempre mais do que aquilo que a fórmula indicava”, explica ao Valor Local. Ernesto Ferreira, vereador da CDU, considera que o executivo socialista “está a usar do populismo quando diz que os alenquerenses vão ser ressarcidos”. O presidente da Câmara, Pedro Folgado, defende-se argumentando que com a entrada em cena da equipa de Poças Martins começou a ser mais claro onde a Câmara poderia atalhar e quais os “eventos do contrato que poderia usar a seu favor”. Neste caso, a questão da atualização tarifária em causa. O autarca diz que em 2017 já podia ter usado dos mesmos argumentos a seu favor “e nesse ano também havia eleições”. O vereador do PSD não tem dúvi-

Município tenta fazer xeque mate à Águas de Alenquer ao ir buscar valores que ficaram por ajustar desde 2016 das que este quadro “a escassos meses das eleições cria um certo mal-estar com uma alteração repentina de critério, até porque a iniciativa não partiu da Águas de Alenquer, mas da própria Câmara que agora que tem as contas feitas é que decidiu avançar, quando antes não o fez”. No fundo a proposta do município é uma contraproposta daquilo que é apresentado pela concessionária. Paralelamente mantém-se o pedido de reequilíbrio financeiro com a Águas de Alenquer a pedir aumento de 53 por cento nos tarifários. Já o anterior consultor da Câmara, Cunha Marques advertia “que a tarifa da água já devia ter baixado em 2017 e 2018”, pelo que o município já

poderia ter acionado esta possibilidade antes. “Claro que entre acompanhar a atualização de tarifário de 2020 para 2021 de mais 1,99 e outra de menos 1,6 votámos na segunda”, refere Frederico Rogeiro. Ernesto Ferreira junta“Isto ainda vai demorar alguns meses e pode voltar para trás se a ADA recusar”. O autarca lamenta ainda que a Câmara não esteja disponível “por começar a desbravar caminho no sentido da reversão da concessão”. Pedro Folgado garante que se depois de apuradas todas as contas houver lugar a ressarcir os munícipes que o fará, e se a empresa não concordar “então resta-nos o tribunal arbitral para esta questão”.

Quanto à metodologia para compensar os munícipes “haveremos de a encontrar”. No dossier de fundo do pedido de reequilíbrio financeiro, Pedro Folgado não esconde que encontrou na assessoria de Poças Martins um outro conforto que não conhecera com Cunha Marques – “Não quero de modo algum colocar o seu trabalho em causa, mas tinha um pendor mais teórico e com Poças Martins conseguimos extrair algumas conclusões mais práticas até porque tem trabalho no terreno pois esteve à frente de algumas concessões”. O autarca diz que o pedido de reequilíbrio da concessionária não será acedido pelo município no que respeita a aumentos da tarifa (na ordem dos 53 por cento) nem no que respeita aos prejuízos causados pelas incrustações de calcário que obrigariam a um investimento de grande monta – “Se não conseguiram avaliar o estado da rede no início da concessão deveriam ter feito, porque não pode ser a Câmara a responsável por ressarcir esses danos”. O município enviará agora a proposta de abaixamento da tarifa para menos 1,6 junto da Entidade

Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR). Se a proposta não tiver eco junto da empresa, será remetida junto do tribunal arbitral. Já o movimento composto por vários munícipes “Água Justa” reage em comunicado a esta atualização tarifária argumentando que deveria ter sido feita anualmente. Sendo que o que foi a votação na última segunda-feira, 24 de maio, “foi uma média calculada, com base no custo de compra em alta desde 2016, sendo que a Câmara de Alenquer propõe a redução da tarifa -1,6%, ou seja no total da fatura de 16 cêntimos para um consumo médio de 10m3” O movimento lembra ainda que a juntar a estes ajustes que ficaram por fazer, se tivesse sido seguida a recomendação do Tribunal de Contas, na redução da Taxa Interna de Rentabilidade dos quase 14 por cento para abaixo dos 10 por cento, e se juntarmos a isso “uma redução para os valores próximos dos praticados nos municípios vizinhos em relação aos termos fixos teríamos uma redução, mais ou menos de 4,67 euros na fatura da água e a aproximar-se dos valores médios nacionais”.


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Pedro Pereira: Projeto da cannabis em Benavente “é uma miragem” vereador da oposição, Pedro Pereira, rotulou o projeto da cannabis para o concelho de Benavente como uma “miragem”. Na última reunião de Câmara, Pedro Pereira acusou a autarquia de “apoiar projetos” que cedo ou tarde acabam por não se concretizar numa referência ao muito anunciado projeto que prevê uma mega plantação em 261 hectares na Herdade do Porto do Seixo a cargo da VF 1183 Pharmaceuticals num total de 600 postos de trabalho previstos anunciado em primeira mão pelo nosso jornal em inícios de 2019. Apesar de ter estado em consulta pública em

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Projeto foi dado a conhecer pela primeira vez em 2019

agosto do ano passado, certo é que a empresa tem dado poucas ou nenhumas notícias.

Carlos Coutinho, presidente da Câmara, referiu que nunca fez nenhuma apresentação pública do

projeto, mas que seguiu apenas os trâmites quanto à sua aprovação pelos órgãos autárquicos. O autarca acusou Pedro Pereira de querer fazer política com esta matéria porquanto “estamos a falar de uma entidade que está devidamente acreditada pelo Infarmed – (Autoridade Nacional do Medicamento) para fazer esta plantação de cannabis medicinal no país e são poucas as que já possuem as devidas autorizações”. Carlos Coutinho salientou que com a pandemia se perdeu algum caminho “na investigação da cannabis para fins medicinais com os laboratórios a ficarem focados na

Covid-19”. Por outro lado, países como “a Alemanha que se estava a definir como um dos principais importadores de cannabis vai ficar pelos 500 quilos quando a expetativa eram toneladas”. No município “o projeto está a avançar dentro daquilo que são as perspetivas de mercado”. O presidente da Câmara assegurou ainda que os promotores “esperam praticar uma política de salários superior ao que é normal para cada uma das categorias de trabalhadores face à rentabilidade que o negócio da cannabis oferece” com poucos riscos a nível do seu cultivo a que se juntam as excelentes condi-

ções do país para aquele fim. Carlos Coutinho deu ainda conta de mais um projeto no domínio desta indústria, neste caso um armazém de 5 m2 na Azinhaga do Contador “para transformação da cannabis para fins medicinais”. “Não andamos a anunciar projetos para depois não se efetivarem. Quando falo é porque as coisas estão no caminho de serem concretizadas”. O Valor Local questionou a VF 1183 Pharmaceuticals sobre o andamento do projeto, mas a empresa remeteuse a referir que “estava tudo encaminhado” não desenvolvendo as questões enviadas.

Plataforma Logística da Castanheira avança com investimento de 150 milhões de euros arece que está quebrado o enguiço quanto à entrada em funcionamento da Plataforma Logística da Castanheira. O complexo inaugurado pelo antigo primeiro-ministro José Sócrates em março de 2008 aguardou 13 anos para ver a luz ao fundo do túnel, depois de várias tentativas para se instalarem ali algumas empresas. O espaço que agora foi rebatizado de Lisboa Park, foi inaugurado na passada terça-feira, dia 18 de maio, e contou com a presença, entre outros de Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de xira que lembrou alguns dos motivos pelos quais a plataforma ficou pelo caminho ao longo dos anos. O autarca recordou os tempos de crise de 2008 que se prolongaram no tempo e que culminaram anos mais tarde com as restrições ao investimento privado que caracterizaram o período da Troika, “colocando em causa todo o projeto que se tem

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arrastado”, referiu Mesquita. Alberto Mesquita destacou, entretanto, que desde sempre a autarquia tem feito “inúmeras tentativas” para dinamizar o espaço. Entre as quais estão os sucessivos acordos com várias empresas que foram ficando pelo caminho, ainda assim a Câmara “cumpriu a sua parte através da construção de algumas acessibilidades.” “A Câmara Municipal tem abraçado este projeto desde o primeiro momento”, referindo os protocolos feitos até aqui com as empresas que tinham responsabilidade direta na gestão da plataforma. Empresas com a “Abertis” e outras, levaram a cabo uma série de protocolos com o município que dotou o local dos melhores acessos e ligações à Autoestrada do Norte. A primeira interessada já assentou arraiais. Trata-se da espanhola Merlin Properties que vai investir cerca de 150 milhões nesta plata-

forma com a construção para já de pavilhões destinados à logística. O CEO da empresa fala num mercado novo e mais competitivo, tendo em conta a necessidade de uma maior capacidade de armazenagem, referindo-se às vendas online. Ismael Clemente refere por outro lado que a Merlin está atenta às necessidades dos clientes. A Merlim construiu para já uma nova nave com uma área de cerca de 45.000 metros quadrados. Esta nave logística de última geração é apenas o primeiro edifício do Grupo Merlim, que já está pronto a entrar em funcionamento. O espaço está dividido em seis módulos e segundo o CEO da empresa, trata-se apenas “da primeira das muitas naves que queremos desenvolver no município”. A Merlin adquiriu apenas parte do terreno da “Lisboa Park”, já que o grupo Jerónimo Martins mantém a intenção de construir ali um centro de distribuição.

Autarquia e Merlin Properties no arranque da nova vida da plataforma logística

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Feira de Maio online para não esquecer a festa maior de Azambuja A

bicentenária Feira de Maio de Azambuja, a denominada como a mais castiça das festas ribatejanas, está de regresso e, uma vez mais em formato online, ainda devido à pandemia Covid19 que continua a condicionar fortemente a realização de eventos de cariz popular e que promovem o convívio de proximidade entre as pessoas. Assim, entre os dias 27 e 31 de maio de 2021, serão “cinco dias recheados de conteúdos digitais dedicados à festa brava e a experiências vividas noutras edições, em que não vão faltar as atividades equestres e taurinas, mas também diversos momentos de conversa e debate, programas sobre os vinhos e a gastronomia local e muita anima-

No próximo ano esta imagem já deverá ser uma realidade

ção”, salienta o município em nota de imprensa. Esta edição 2021 da feira será divulgada em dois canais, no site fmtv.eventolive.pt e na página de Facebook Feira de Maio de Azambuja. Do programa constam “visitas virtuais a algumas tertúlias, interessantes colóquios sobre o toiro bravo e as figuras e profissões ligadas à festa, bem como os bastidores da feira, as tradições locais e os avieiros do Tejo. Haverá, também, muitas imagens para recordar largadas de toiros de edições anteriores. Na animação, irão desfilar no Palco das Tradições os ranchos folclóricos e as bandas filarmónicas do concelho, fadistas amadores e danças sevilhanas. Serão, ainda,

recriados momentos de festa nalguns dos bairros mais castiços de Azambuja, procurando reviver, da forma possível, o verdadeiro espírito da Feira de Maio”. Recorde-se que, ao longo do mês de maio, o espaço público da vila de Azambuja tem recebido um pouco dessa atmosfera da feira com a exposição “Taurus Murus” e com o desafio #MAIOÀJANELA. A exposição apresenta telas de grande formato, em fachadas de edifícios, com diversas fotografias ligadas ao universo da tauromaquia, enquanto que o desafio ‘maio à janela’ consiste no convite à decoração de janelas, varandas e montras, com adereços ribatejanos, de forma a engalanar a vila de Azambuja.

Festas do Espírito Santo de Alenquer é um dos vencedores do Programa Tradições da EDP município de Alenquer – através das “Festas do Império do Divino Espírito Santo de Alenquer”, é um dos dez vencedores da quarta edição do programa ‘Tradições’ da EDP, um dos mais importantes programas de apoio à cultura popular portuguesa. Através desta iniciativa, a EDP distribuirá um apoio financeiro de 25 mil euros ao município para que sejam desenvolvidas iniciativas que contribuam para a preservação e promoção desta tradição que data já 700

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anos desde que há registo do seu início. Durante este ano de 2021, celebram-se em Alenquer, 700 anos sobre a fundação das Festas do Império do Divino Espirito Santo (FIDES) pela Rainha Isabel de Aragão e o Rei D. Dinis. Terá sido através dos frades franciscanos ainda na sua terra natal, que a Rainha Santa primeiro tomou contacto com os pensamentos de Joaquim de Fiore, que profetizava o advento do Império do Divino Espírito Santo, um PUB

tempo novo de amor universal e igualdade entre todos os cristãos. Para o vereador da Cultura e Património, Rui Costa, “este é mais um exemplo de reconhecimento da sociedade civil do enorme trabalho de recuperação, reinvenção e divulgação que tem sido feito relativamente às Festas do Espírito Santo, a partir de Alenquer - berço das mesmas no longínquo ano de 1321, por todo o país e além-fronteiras ao longo dos últimos anos.”

Este ano assinalam-se os 700 anos destas festas

Feira Nacional da Agricultura em Santarém de 9 a 13 de Junho stá de regresso a Feira Nacional da Agricultura (FNA), certame que acontece todos os anos no mês de junho no CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas em Santarém. Luís Mira, administrador do CNEMA, responsável por este certame nacional, destacou à Rádio Valor Local que a FNA vai funcionar em paralelo com uma edição digital “que vai muito para lá da edição física da feira”. Seja como for, e embora de forma mais condicionada, a FNA volta a receber expositores de norte a sul do país e volta a apostar no salão “prazer de Provar” dedicado aos produtos portugueses. Neste ano a feira assume também um carater mais sustentável ao eleger a água como um produto de referência nacional e um bem para a agricultura e para a sustentabilidade. Luís Mira refere ao Valor Local

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que este ano, não existirão concertos, o que levaria a um aglomerado significativo de pessoas, mas que está a ser equacionada a realização de largadas de toiros, tendo em conta as indicações da Direção Geral de Saúde. Luís Mira refere, entretanto, que a lotação da feira será limitada e que a restauração não fará parte da iniciativa deste ano, por forma a evitar o ajuntamento de pessoas. O administrador assegura que todas as regras vão ser cumpridas e que tanto os expositores como os funcionários do CNEMA estarão sujeitos ao despiste da Covid19 através dos testes rápidos. Também será medida, à entrada, a temperatura ao público que se deslocar por aqueles dias ao CNEMA. O certame não irá contar com o habitual “corrupio” de políticos, apenas será inaugurado pelo pri-

meiro-ministro António Costa e será encerrado pelo Presidente da

República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Luís Mira dá nota da edição digital da feira que decorrerá em paralelo com a física


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Eventos 23

Mês da Enguia até 15 de junho no Concelho de Salvaterra de Magos stá a decorrer e vai até 15 de junho, o “Mês da Enguia” em Salvaterra de Magos. As restrições impostas pelo confinamento devido à pandemia levaram ao agendamento da edição de 2021 para esta nova data, quando tradicionalmente se realizava durante o mês de março. Na apresentação do certame, o presidente da Câmara Hélder Esménio deixou por isso um cumprimento em especial para a restauração do concelho e para o seu espírito de resiliência, esperando que o evento possa significar uma importante fonte de receita. Com 16 restaurantes aderentes, o certame foi apresentado no renovado Espaço Jackson, inaugurado em agosto do ano passado. Na apresentação do certame e para além de Hélder Esménio estiveram presentes João Cavaleiro Ferreira em representação da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e a Chef Noélia Costa da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, estabelecimento parceiro da iniciativa. Como habitualmente, aos restaurantes aderentes a Câmara Municipal na organização do certame junta também um conjunto de 5

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Apresentação do certame que este ano acontece entre maio e junho exposições, 11 espaços de alojamento, 4 produtores de vinhos e de licores e 2 operadores turísticos que operam passeios no Tejo, a que se junta um programa de espetáculos com artistas do concelho. Na sessão de apresentação, o Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Manuel Esménio destacou que “Hesitámos muito em fazer o Mês

da Enguia este ano porque ele não podia acontecer no mês de março, o mês tradicional do Mês da Enguia e porque não podíamos contar com a emblemática Feira Nacional de Artesanato e de Produtos Tradicionais, mas aquilo por que passaram os restaurantes e os operadores turísticos, tornou fundamental levarmos por diante este projeto”. Com o conhecimento da importância do certame para PUB

a economia do concelho, destacou ainda que o evento “permite promover e divulgar o concelho, o nosso património, as nossas gentes e por essa via trazer ao território um conjunto de pessoas que de outra modo não viriam até cá e isso criará certamente um “input” muito positivo para a economia local” João Cavaleiro Ferreira, da Entidade Regional de Turismo do

Alentejo e Ribatejo, por seu lado enalteceu o evento e a sua importância para ajudar a recuperação dos tempos difíceis que o sector atravessa, congratulando-se pela associação da Entidade de Turismo ao Mês da Enguia. A Chef Noélia Costa, da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, destacou que “O Mês da Enguia é uma das oportunidades maiores de promoção do turismo, dos restaurantes e das iguarias do concelho de Salvaterra de Magos, e que não devemos desperdiçar uma oportunidade como esta para relançar o setor, reconstruir a confiança do cliente e do próprio investidor”. A programação do Mês da Enguia contempla ainda a realização de espetáculos musicais em diferentes espaços e freguesias do concelho, aos sábados, pelas 15h30, com artistas e grupos do concelho, com lotação limitada e uso de máscara obrigatório. De fora de edição deste ano devido à pandemia ficou o tradicional salão do artesanato. Os próximos espetáculos vão decorrer nas seguintes datas e locais: 29 de maio - Pedro e Bernardo Viana, na Capela Real em Salvaterra de Magos; 05 de ju-

nho – Flávio Bolieiro & Amigos no Centro Escolar de Foros de Salvaterra e Várzea Fresca e 12 de junho – Espetáculo com FMI, no Espaço Jackson, em Glória do Ribatejo No dia 10 de junho, pelas 10h30, a Câmara Municipal vai inaugurar uma estatuária aos Combatentes da 1ª Guerra Mundial e da Guerra Colonial, no Largo dos Combatentes em Salvaterra de Magos, numa altura em que se assinalam 60 anos do início da Guerra Colonial. Já quanto às exposições teremos: “Luz e Transparência em Salvaterra”, Aguarelas de João Cabral, na Galeria de Exposições da Falcoaria Real de Salvaterra de Magos; “Glória – Território, Património e Identidade”, no Átrio de Exposições do Espaço Jackson, Glória do Ribatejo; “A Raret e a Glória do Ribatejo – 70 anos da primeira retransmissão – 4 de julho de 1951” – exposição de exterior na Avenida Estados Unidos da América, Glória do Ribatejo; “Profissões d’Antigamente…O Fotógrafo”, na Biblioteca Municipal de Salvaterra de Magos; “Profissões d’Antigamente…O Resineiro”, no Mercado de Cultura de Marinhais. PUB


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Autora de “Ler é o melhor Remédio”

Mónica Guerra lança o seu novo livro – “Primavera” Sílvia C. d’Almeida esta edição, damos a conhecer Mónica Guerra, a voz de Ler é o Melhor Remédio, o programa de sugestões de leitura da Rádio Valor Local. Conversámos sobre a sua mais recente obra, “Primavera”, sobre a sua carreira, e sobre o programa, entre outros temas. Se ainda não leu, saiba que já está à venda a mais recente obra da escritora Mónica Guerra, Primavera, segundo livro de uma coleção cujos títulos têm o nome das estações do ano, com a chancela da editora Emporium. Recorde-se que em final de 2018 tinha lançado “Inverno”, notícia que mereceu destaque no nosso jornal. A autora, que já tinha anunciado que nesta obra ia manter algumas personagens do volume anterior, assinala, no entanto, algumas diferenças, e desvendou um pouco do que trata: “Este livro tem uma componente de aventura, com ficção à mistura, mas tem também alguns apontamentos históricos. O “Inverno” era mais romanceado. A história gira em torno de uma busca, de um diário, que contém infor-

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Não se esqueça de ouvir Ler é o Melhor Remédio com a Mónica Guerra todas as quintas feiras na Rádio Valor Local mações importantes acerca do derradeiro tesouro dos Templários.” Socióloga de formação, conta-nos que a sua formação académica

tem contribuído muito para a sua escrita, pois apurou a sua capacidade de observação, que aliada à sua boa memória visual a ajuda a fazer descrições e criar personaPUB

gens: “Eu capto tudo o que se passa à minha volta para escrever uma história. As pessoas que conheço servem-me de inspiração para escrever.” Para além disto, é apaixonada por História, o que se reflete nas suas obras, que são enquadradas “num tempo histórico, aproveitando acontecimentos que ocorreram em determinada época.” Quanto a uma eventual preocupação na existência de sincronia no lançamento do título na estação do ano correspondente, diz: “Esta obra era para ter sido lançada mesmo na Primavera, mas foi lançada no Outono. Lançar os livros da colecção cada um na estação correspondente ao nome começou por ser uma coincidência, mas neste caso não foi possível, devido a atrasos provocados pela pandemia.” Quando a questionamos sobre qual o primeiro passo para a criação de um novo livro, Mónica responde: “ Quando surge a ideia, a primeira coisa que faço é comprar um caderno”. Conta que este é um aliado que a acompanha do início ao fim do trabalho, como se de uma “road trip” se tratasse. “Faço um diário do livro desde a ideia, ao título, à estrutura, à investigação, até à fase de edição, e do lançamento”. Sobre as suas rotinas de escrita, acrescenta: “Depois começo a investigação. Pesquiso sobre a época em que vou inserir a estória. Não tenho nenhuma rotina específica, mas dou atenção ao meu escrito todos os dias, não que o faça todos os dias, mas pelo menos leio os últimos capítulos que escrevi. Não

me obrigo a escrever todos os dias se não conseguir. Escrevo quando a inspiração chega, e tento ter pelo menos umas duas a três horas livres para o fazer, maioritariamente à tarde e à noite”. Não consegue explicar a sua paixão pela escrita. Conta-nos que surgiu com hábitos de leitura em idade muito precoce, e que “sempre quis ser escritora”. “Não houve um momento da minha vida em que decidi que o ia fazer.” Para além disto, refere que o que a motiva mais é o facto de poder contar estórias, e “despertar emoções nas pessoas.” Conclui que não tem formação específica em escrita, e que escreve “por amor”. Relativamente ao panorama editorial português e ao porquê de os escritores no nosso país não poderem viver da sua arte, explica: “As pessoas têm poucos hábitos de leitura, e isto não é incutido desde criança. Depois não podemos contar para nada com o Ministério da Cultura. Por fim temos duas editoras principais que apostam no lucro e não naquilo que é português. A classe de escritores em Portugal é pouco reconhecida. Os autores estrangeiros são os que vendem porque têm grandes máquinas de marketing por trás. Há escritores portugueses que são mais reconhecidos no estrangeiro do que no país.” Quando lhe perguntamos quais os seus maiores sonhos nesta área, esclarece que o seu maior sonho é “continuar a escrever”. Revela que quando está mais desanimada esta tarefa se torna complicada, e que “escrever é um ato de

coragem”. No entanto ganha força e empenho nas mais pequenas demonstrações de afeto do público, que cresceu substancialmente nos últimos anos: “Há pequenas coisas que me animam, como dizerem que gostaram do meu livro, escreverem um artigo. O carinho dos leitores é muito bom. Claro que gostava de ganhar um ou outro prémio.” Quanto ao programa “Ler é o melhor Remédio”, que passa na rádio Valor Local todas as quintas feiras (às 8, 9, 11, 16 e 21 horas, estando posteriormente disponível em podcast) revela que está “a correr bem”, que “nunca tinha feito nada do género” mas que tem aprendido “coisas novas” a cada episódio. Revela ainda que conheceu “pessoas fantásticas no Valor Local, que me ajudaram e continuam a ajudar-me imenso sempre que vou para gravação. Falar de livros é algo que é natural para mim.” O programa, que “consiste em sugestões de leitura semanais”, com informação sobre os autores das obras, começou no início do ano, quatro meses depois do surgimento da rádio em setembro de 2020. Mónica refere que até ao momento todas as sugestões têm sido de livros que já leu, mas avança que em breve haverá novidades: “Para quem quer ler e não sabe o quê, ouça o programa, são dois ou três minutos todas as quintas. E vão existir novidades brevemente. Os livros escolhidos serão obras que deram origem a filmes, séries ou telenovelas, e quando acabo a minha sugestão, entra a música da banda sonora que marcou essa peça de ficção.”


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Cultura 25

Museu do Neo-Realismo apresenta fragmentos da vida portuguesa em “Representações de um Povo” O

Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira abriu portas para a exposição de longa duração, “Representações de um Povo” que vai estar patente até 10 de abril do próximo ano. Seis artistas retrataram o povo português em épocas passadas em contextos de trabalho, de luta, sobrevivência e morte. Esta exposição está patente no piso 2 do museu, que contou com a colaboração de seis comissários: Carlos Silveira; Pedro Bebiano Braga, João Serra, Laura Castro, Joana Baião, e Raquel Henriques da Silva, diretora do museu e que assumiu a coordenação desta exposição. Numa visita guiada, Raquel Henriques da Silva começa por nos dar a conhecer que alguns dos acontecimentos retratados já se situam fora do período temporal do neorealismo, movimento que se desenrolou nas suas várias vertentes artísticas entre as décadas de 30 a 50 do século passado. “No fundo quisemos colocar o neo-realismo em contexto”. “Ao povo alentejano” de Jorge Pinheiro, nascido em 1930, com reminiscências que fazem lembrar “para quem for mais religioso um cristo morto” é o primeiro ponto de paragem. A tela mostra um corpo humano deitado com um pano vermelho sobre a face. Tem como contexto a devolução das terras da reforma agrária, o que no “Alentejo significa o fim da Revolução de Abril”. Neste cenário e em clima de grande tensão houve dois mortos num acontecimento registado a 27 de setembro de 1979. Acompanham a exposição, fotografias de Mário Marnoto que fotografou o acontecimento. Estava no local onde ocorreu aquele episódio fatídico. “Demorou uns meses, mas consegui encontrálo”, refere a diretora do museu. Jorge Pinheiro que estava “em Paris decidiu que tinha de fazer alguma coisa com base neste conceito de região mártir”. De 1813, temos uma das gravuras que mais emociona a diretora do museu “A Sopa de Arroios”, de 1813 que retrata a fuga das popu-

muito fatigantes numa lógica de ir mudando algumas das representações e que concentrem informação”, elucida Raquel Henriques da Silva. As visitas guiadas desta exposição realizam-se às sextas-feiras. Manuela Ralha, vereadora da Cultura no município, enfatiza que a exposição “está a despertar enorme interesse quer junto da comunidade ligada à História de Arte quer do público em geral”, e que ajuda a compreender “o nosso percurso enquanto povo e enquanto país”. Museu é fonte inesgotável de pesquisa por parte da academia estrangeira, mas menos da portuguesa Raquel Henriques da Silva e Manuela Ralha dão a conhecer exposição lações fustigadas pelas invasões napoleónicas. Muitas mulheres e crianças acabaram por vir para este ponto de encontro que foi a zona do Arco de Arroios em Lisboa. No fundo era “um campo de refugiados”. Os acontecimentos reportam a 1810 mas são representados três anos mais tarde por Domingos Sequeira (1768-1837). Morador em Arroios, uma das principais entradas da capital à época, “Sequeira viu no assunto um tema poderoso”, que foi “a última grande invasão francesa”. “Numa altura em que Lisboa ainda tinha portas, foram abertas para receber os camponeses dos arredores”. “Este é um trabalho absolutamente brilhante. Acompanham esta obra vários elementos, um deles um filme que retrata este acontecimento histórico das invasões. O Zé Povinho, personagem anacrónica, criação de Rafael Bordalo Pinheiro é um tema incontornável para a exposição “Representações de um Povo”. Nascido em 1846 e falecido em 1905, deixou uma marca “por ter sido dos mais inovadores nesta transição de século”. Caricaturista e ilustrador “de excelência” criou aquela personagem que nunca mais saiu do ima-

ginário popular. “Esmiuçador da vida política e social da época com uma crítica satírica edita uma série de jornais centrada numa das suas criações mais potentes, a do Zé Povinho (1870)”. A personagem descrita pelo seu autor: “Era alguém que se punha a dormir, mas depois dava uns tiros para o ar para voltar a dormir”. A figura do Zé Povinho “à época e hoje é vista como muito ambivalente. Há quem considere que faz uma caricatura muito negativa do povo português, mas eu não considero.” Ramalho Ortigão (18361915) já o descrevia – “Brinca, brincando esta figura tem hoje perto de 50 anos. É o Zé Povinho. Um dia virá em que talvez mude de figura e também de nome e se passe chamar simplesmente de Povo”. Porque “‘povinho’ pode ser depreciativo mas também carinhoso, é muito rico do ponto de vista semiológico e ambivalente como é esta personagem, com a sua popularidade e a sua rebeldia mansa”. Do núcleo desta exposição, temos a obra de Augusto Gomes (19101976), com a representação de uma família de pescadores numa pintura a preto e branco: pai, mãe

e dois filhos, que foi realizada para homenagear o naufrágio de pescadores de Matosinhos ocorrido em dois de dezembro de 1947, no qual faleceram 152 pessoas. “Tem como o primeiro quadro que vimos uma forte ressonância religiosa, assemelhando-se à sagrada família, evoca também a resignação, a pobreza, o abandono, mas o pai na sua expressão, também a força”. Indissociável desta exposição - o universo da pesca no meio do século passado (em plena época do neo-realismo) com fotografias não só da faina, mas de mulheres e a sua desgraça e sofrimento perante as adversidades do mar e a espera dos maridos. O inevitável quadro do trabalho infantil não podia deixar de ser uma presença face à realidade desta carga que dominou gerações até há escassas décadas. Para isso foi escolhido o fabrico do vidro na Marinha Grande. Em 1945, Tereza Arriaga (1915-2013), pintora neorealista, e conhecida antifascista que foi ensinar desenho para a Escola Industrial da Marinha Grande, onde “ao mesmo tempo que dá aulas produz um conjunto notabilíssimo de desenhos da expressão desses meninos a grafite com

recurso ao carvão porque ficou muito impressionada” com o fenómeno de crianças com sete ou oito anos que já trabalhavam. “Elos mais fracos de uma cadeia inexorável de exploração”. Raquel Henriques da Silva gostaria de “rever algumas das crianças retratadas que hoje serão idosos”. O semblante à época já mostrava uma dureza e um entendimento adulto do seu destino. A exposição termina em Trás-osMontes com o trabalho da segunda artista viva de “Representações de um Povo” Graça Morais, nascida em 1948, com “Marias”, com pinturas das mulheres transfiguradas num retrato da condição humana da sua aldeia no distrito de Bragança. São estes os retratos escolhidos para esta exposição de longa duração, mas matéria-prima há muita e na cabeça da diretora do museu há pelo menos 15, a que se juntam mais uns tantos que lhe têm sido sugeridos por intelectuais da cena artística. “Alguns núcleos serão substituídos, tocando no neo-realismo mas daqui para a frente ou para trás. Ainda tenho artistas contemporâneos vivos. Prefiro exposições que não sejam

Quase a completar 14 anos de existência o Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, conseguiu atingir uma centralidade no mundo académico europeu com muito do seu acervo a ser consultado por especialistas diversos. Segundo Manuela Ralha “o preconceito ideológico” ainda vai perdurando no país, em que os académicos reduzem este movimento ao “comunismo”, embora “nem todos os neo-realistas tenham sido militantes do PCP”. Lá fora há quem se dedique ao estudo do Neo-Realismo português, desde o caso de um académico italiano que escreveu sobre Soeiro Pereira Gomes, porque “os italianos também tiveram uma espécie de neo-realismo, com um peso mais cultural enquanto cá era visto como um movimento político e contra o poder, talvez por essa carga ideológica tenha sido mais desprezado. O neo-realismo é muito mais do que um braço da teoria marxista”, diz. “Esta semana vai acontecer uma conferência em Zurique sobre Carlos Oliveira, por exemplo”, dá a conhecer a vereadora. O Neo-Realismo “estuda antes de mais o povo, as suas condições de vida, o homem pelo homem e trabalha no sentido do reconhecimento dos direitos humanos”. PUB


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Glória do Ribatejo lembra 70 anos da primeira retransmissão da Rádio Europa Livre 4 de julho deste ano passam exatamente 70 anos da primeira retransmissão da Rádio Europa Livre a partir de Portugal para o mundo europeu, quando no tempo da Guerra Fria, (1947-1991) interessava aos americanos difundir a mensagem capitalista para os países do denominado bloco de Leste. Foi em Glória que assentaram arraiais e construíram os emissores, os maiores de toda a Europa. Havia trabalho e toda uma forma de vida que terminou no final da década de 90. O Muro de Berlim caiu e já não fazia sentido continuar. Restam as memórias, porque muito daquilo que havia no interior da Raret foi saqueado. Embarcamos na máquina do tempo através de Roberto Caneira, historiador do município de Salvaterra de Magos, e Cristóvão Abade, habitante da Glória, que trabalhou na Raret, e revelamos estas memórias através da exposição ao ar livre que se situa à entrada da Avenida Estados Unidos da América – “A Raret e a Glória do Ribatejo – 70 anos da Primeira Retransmis-

A

São muitas as memórias que ainda se vivem na Glória do Ribatejo a lembrar a Raret são”. Cristóvão Abade lembra que a emissão em ondas curtas tinha de estar mais longe dos alvos, porque inicialmente pensou-se na Alemanha. Na exposição podemos ver a “Bárbara” - um camião onde estava montado um retransmissor, que

segundo o antigo trabalhador depois foi enviado para uma rádio em Cuba. Roberto Caneira enfatiza factos daquela altura como o bairro habitacional “que os moradores fizeram questão de dar aos funcionários que primava por uma limpeza absoluta”. “Glória do Ribatejo PUB

teve um papel importante neste puzzle da Guerra Fria”, constata. O complexo também estava apetrechado com uma maternidade “com todas as condições”. Roberto Caneira nasceu lá em 1974. Foi construída igualmente uma escola para os alunos da região, e na ex-

posição estão várias fotografias de professores e alunos, “onde o ensino era bastante rigoroso e à época já havia atividades extracurriculares como aeromodelismo, desporto e fotografia”. Na central de operação das emissões, Cristóvão Abade recorda

que “nas salas de áudio recebíamos o sinal que vinha da Maxoqueira, concelho de Benavente, através de Munique, que enviava as emissões para retransmitirmos”. Aos comandos das emissões, Cristóvão Abade lembra-se que tão depressa tinha de direcionar o sinal para a Polónia, ou para a República Checa ou Húngria, Bulgária, Polónia, Albânia, Alemanha Oriental, Roménia, o denominado Bloco de Leste, países aliados da antiga URSS. Contudo muitos dos seus colegas nem “tinham bem ideia do que se fazia na Raret”. No entanto e já o muro tinha caído “e continuavam a investir”. “Compraram seis emissores de 500 kw para a Maxoqueira”. Em 1994 Bill Clinton, ex- presidente dos Estados Unidos, assina diplomas endereçados aos trabalhadores da Raret a agradecer os serviços prestados. Em 1994 o Congresso Americano já não vota novos apoios para a Rádio Europa Livre e assim termina a página americana na história da Glória do Ribatejo. PUB


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