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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 60 • 19 Abril 2018 • Preço 1 cêntimo

Valor Local Vítimas da Nacional 3 O relato emocionante de quem perdeu familiares e amigos no troço entre Azambuja e Carregado

Destaque na 12 , 13 14 e15

Exlcusivo

PDM: Quercus processa de novo Câmara de Benavente, e leva atrás presidente e vereadores

Ambiente na 18

Instituto de Conservação da Natureza e Florestas chuta para canto arranque de sobreiros Ambiente na 18 em Azambuja Câmara de Vila Franca ergue memorial de homenagem à antiga Sociedade na 7 Mague


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Bombeiros de Alcoentre sem poderem utilizar nova viatura de socorro s Bombeiros Voluntários de Alcoentre aguardam ainda o certificado de matrícula da nova ambulância cedida recentemente pelo INEM. A viatura é uma maisvalia para a corporação, mas a burocracia imposta aos soldados da paz que é composta por três entidades diferentes, em ocasiões

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diferentes, teima em atrasar a entrada em serviço da viatura. De acordo com Eifel Garcia, comandante dos bombeiros de Alcoentre, a viatura ainda não entrou ao serviço “pois ainda é precisa uma série de inspeções” e explica que duas são do Instituto de Mobilidade Terrestre (IMT) e

outra do INEM: “Acho que estamos num país de terceiro mundo, deveríamos facilitar e não complicar, estão a chumbar as ambulâncias por causa da cor”. Eifel Garcia, não esconde por isso o seu desalento com tanta burocracia, no entanto, refere a mais-valia que constitui este veículo para os

A cor vermelha tem gerado controvérsia quanto à sua legalização

bombeiros. Ao Valor Local, o comandante refere que esta viatura “tem algumas características especiais, nomeadamente, tração 4x4 para podermos chegar a locais do concelho mais facilmente”. O operacional destaca que esta viatura que vem ajudar no socorro é muito bem-vinda, já que aponta que na sua área de atuação existem alguns pontos críticos que merecem uma atenção redobrada dos bombeiros de Alcoentre. Para além das imediações da vila de Alcoentre, os voluntários locais prestam ainda socorro em algumas vias mais difíceis, como são os casos do IC2, antiga nacional 1, EN 366 desde a saída da A1 até ao Cercal, a auto-estrada do Norte entre Aveiras de Cima e Carregado, e de Aveiras ao Cartaxo, para além do apoio aos bombeiros de Azambuja e aos concelhos limítrofes. António Loureiro, presidente da associação, destaca entretanto ao Valor Local que a ambulância em causa começou a ser negociada pela anterior direção e que todo o processo correu sem problemas. O INEM transferiu cerca de 50 mil euros para a compra da viatura,

Viatura de desencarceramento dos anos 90 precisa de substituição

mas mesmo essa verba foi insuficiente. Os bombeiros terão ainda de investir algum dinheiro do seu orçamento, até porque segundo o responsável da direção, a viatura ficou mais cara e os bombeiros querem colocar mais algum equipamento. Com esta aquisição, os Bombeiros de Alcoentre ficam bem equipados no que toca ao socorro. Até porque a antiga viatura, reserva do INEM, vai ficar ao serviço da associação através de um protocolo de cedência desta entidade ao corpo de bombeiros. Todavia, a componente do desencarceramento ainda preocupa os bombeiros. A atual viatura conta

com mais de 20 anos de serviço, e já não oferece muitas condições de segurança aos bombeiros. António Loureiro diz que esse é o próximo objetivo e que tem vindo a encetar algumas negociações com diversas entidades para substituir aquela viatura que poderá custar perto de 150 mil euros. O presidente da direção refere, no entanto, que em geral o parque de viaturas está “composto” e que continua a assumir a renovação da frota como um objetivo, ainda assim refere que essa substituição acontecerá aos poucos, já que a associação não o pode fazer de outra forma.


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Município de Alenquer recebeu sessão de esclarecimento sobre o IFFRU 2020 Câmara Municipal de Alenquer promoveu, no dia 6 de abril, no auditório municipal Damião de Góis, uma sessão de esclarecimento acerca do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbana 2020 – IFRRU. Este é um instrumento que pode revelar-se importante para quem deseje recuperar imóveis degradados nas áreas de reabilitação urbana que estão a ser desenhadas de acordo com o novo PDM. A Câmara de Alenquer, salientou Dora Pereira, vereadora da Reabilitação Urbana, já contactou centenas de proprietários elucidando-os para esse fim. Em casos extremos, onde a recuperação não é possível, a autarquia tem aconselhado à demolição dos imóveis. A Alexandra Lopes da Estrutura de Gestão do IFFRU, coube a apresentação deste instrumento

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de financiamento, onde a palavra de ordem é “simplificar”, bastando apenas três passos para formalizar um pedido de financiamento. “Em primeiro lugar é necessário um parecer de enquadramento do município, existindo um interlocutor designado por cada uma das autarquias, com o objetivo de auxiliar neste primeiro passo que é a obtenção do parecer prévio vinculativo do município sobre o enquadramento do projeto”, explicou. “Depois é necessário proceder à certificação energética antes e depois da intervenção. Os peritos qualificados pela ADENE encontram-se instruídos para este efeito, bastando que dê a informação ao perito de que se pretende candidatar ao IFRRU 2020”. Ultrapassados estes dois primeiros itens, “o pedido de financiamento IFRRU 2020 é apresentado junto das entidades gestoras financeiras selecionadas”.

No total, o IFFRU dispõe de um fundo de 1400 milhões de euros, metade dos quais proveniente das entidades bancárias e o restante de diversas fontes de financiamento, quer de fundos europeus, vindos de todos os programas operacionais regionais do Portugal 2020, quer de empréstimos contraídos para este efeito, pelo Estado junto do Banco Europeu do Investimento - BEI e do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa - CEB. Os edifícios reabilitados podem destinar-se a qualquer uso, designadamente, habitação, atividades económicas e equipamentos de utilização coletiva. O investimento total, incluindo o IVA, numa operação de reabilitação urbana candidata ao IFRRU 2020 não pode ser superior a 20 milhões de euros, nem superior a 10 milhões de euros na componente de eficiência energética.

Sessão de esclarecimento sobre fundos disponíveis para a reabilitação urbana

Azambuja diz adeus ao Vala Real Barco encontra-se atualmente em mau estado

barco varino “Vala Real” do município de Azambuja não voltará às águas do Tejo. Quem o diz é o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sousa que salienta que a intervenção necessária naquele barco custaria muito dinheiro. Ao Valor Local, o autarca esclarece que poderá ser mais barato ter um barco novo, já que a estrutura do atual, se encontra em muito mau estado num estaleiro no Montijo: “O barco tem ainda recu-

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peração, mas não sei se não será mais rentável fazermos um barco novo”, refere o autarca que não exclui para já a recuperação do equipamento. O autarca confirma o interesse em ajudar por parte da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, mas acrescenta que o mesmo não deverá ser necessário, pois acrescenta que “já temos a candidatura a um barco novo, integrado nas candidaturas de revitalização do esteiro”.

Luís de Sousa salienta que o atual estado do barco é preocupante e que tem “o esqueleto em mau estado”. Já quanto à candidatura, o autarca salienta que a mesma aos fundos comunitários poderá chegar para um equipamento novo, mas reforça que essa questão está ainda a ser avaliada. O barco “Vala Real” foi adquirido pelo município de Azambuja no final dos anos 90. À época João Benavente era o presidente da Câmara, e o objetivo passaria por

colocar o barco ao serviço do turismo no Rio Tejo. Com um custo total de cerca 37 mil 500 euros (na moeda atual), o barco foi adquirido em Alcochete e posteriormente recuperado num estaleiro com madeiras oferecidas pela empresa azambujense JULAR. Há perto de uma década em manutenção, o barco aguardava por melhores dias, num estaleiro, enquanto o município de Azambuja procura uma solução.

Contagem decrescente para prova de ciclismo entre Arruda e Cardosas ciclismo regressa ao concelho de Arruda dos Vinhos no próximo dia 27 de maio. A iniciativa conjunta entre as freguesias de Arruda e Cardosas é destinada nesta primeira edição a amadores. Fábio Amorim, que partilha também o gosto pelas bicicletas, revela ao “Chafariz de Arruda” que a ideia estava no programa eleitoral, mas foi o colega de Arruda dos Vinhos, Fábio Morgado, que o impulsionou a fazer neste primeiro ano de mandato. A prova que “não tem fins lucrativos” é “a semente” de uma iniciativa maior. Os autarcas querem ver como corre a edição deste “Grande Prémio” para depois decidirem em conjunto se a prova “subirá o pódio” em direção a escalões profissionais. Fábio Amorim, habituado a estas coisas das bicicletas, revela por seu lado que esta prova tem tudo para ser um sucesso. Tudo foi

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pensado ao pormenor “desde a logística à segurança” sendo que o colega de Arruda reforça que a articulação com a GNR será fundamental para o bom ritmo da prova e da segurança dos atletas e população. Fábio Morgado refere por isso que este grande prémio terá igualmente a participação dos bombeiros, que assegurarão uma parte importante do socorro aos espetadores e aos ciclistas. O circuito é de resto importante para atrair mais ciclistas. Nesse sentido o presidente da Junta de Cardosas lembra que no passado esta prova era feita durante as festas da aldeia, e destaca a geografia do concelho e da sua freguesia como relevantes para atrair os apaixonados pela modalidade, ao ponto de ter sido criado um prémio de montanha, neste caso patrocinado por Paulo Viduedo da Remax de Arruda dos Vinhos. Aliás os apoios têm sido parte im-

portante neste evento, já que nele participam as empresas Supermercados S. Lázaro e Realmacos. Já os trofeus, estes são oferecidos pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos que apoia o evento também com alguma logística. Ao todo, refere Fábio Amorim, já existem 74 inscrições. Um número que tem vindo a crescer todos os meses e que à medida que se aproxima a iniciativa, vai chegando ao objetivo. Amorim salienta que esta prova está dimensionada para 100 atletas. Este é “um número ideal em termos de segurança”, refere o autarca que aponta a centena como um objetivo modesto frisando que o percurso como está desenhado não consegue absorver nesta fase mais ciclistas. Aliás, todo o percurso está pensado ao pormenor. Desde os banhos ao almoço, passando pelas voltas dentro de Arruda ou Cardosas, re-

ferem os organizadores, tudo será maximizado ao nível do impacto turístico. Dar a conhecer o património de ambas as localidades é um dos objetivos, por outro lado, focar a prova na salutar competição desportiva, embora amadora, é outro, já que referem que o concelho vai ter cerca de duas dezenas de participantes, que povoam algumas provas de norte a sul do país. As expetativas são para já muito positivas. Fábio Morgado, presidente da Junta de Freguesia de Arruda dos Vinhos, salienta o impacto que poderá trazer à restauração local, e frisa que na sua opinião os restaurantes facilmente poderão servir cerca de centena e meia de refeições, caso grande parte dos atletas que em regra, viaja com as famílias, decida optar por as efetuar em Arruda. A vila de Arruda é assim o ponto de partida dos atletas, que passa-

Autarcas apostados no sucesso da prova rão pelas ruas mais antigas da localidade, proporcionando assim que todos os habitantes possam ter contato com os atletas. Por outro lado recorda que embora a meta seja em Cardosas, bem como a entrega de prémios, os banhos e os almoços serão em Arruda, onde existem aliás melhores condições para o fazer. Embora esta prova seja apenas “a semente” de outras que poderão ser mais profissionais, a organização convidou um atleta do concelho vizinho de Sobral de Monte Agraço para padrinho. Trata-se de António Pereira Barbio “ciclista

profissional da equipa Miranda/Mortágua”. “Que é natural do Sobral e ganhou no ano passado uma etapa da Volta a Portugal”. Fabio Amorim e Fábio Morgado colocam assim nesta prova muitas expetativas no futuro da modalidade em Arruda dos Vinhos. Amorim vinca que se tudo correr bem “esta prova com amadores será apenas o início”, mas a esperança é que no futuro seja uma empresa a organizar em Arruda dos Vinhos, provas para amadores e profissionais, como aliás já vai acontecendo noutras localidades.


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Inaugurada a delegação de Alenquer do Julgado de Paz do Oeste lenquer conta desde o dia seis de abril com uma delegação dos Julgados de Paz do Oeste. A Comunidade Intermunicipal do Oeste acolhe esta experiência piloto, na região, que no futuro poderá ser replicada pelo país. Com uma área aproximada de 160 m2, o Julgado de Paz de Alenquer é constituído por uma sala de mediação, sala de atendimento, sala de julgamento e audição, e gabinete do juiz de paz. A secretária de Estado da Justiça, Anabela Pedroso, esteve presente e elogiou o empenho do presidente da Câmara de Alenquer e da Oeste-CIM, Pedro Folgado, ao conseguir “a mobilização dos autarcas para este objetivo.” “Mesmo perante as dificuldades, e tivemos bastantes ao longo destes dois anos, o senhor presidente não baixou os braços, não desistiu. É para mim um grande privilégio poder estar aqui hoje, num espaço de grande dignidade, e que representa uma forma amiga, ágil, de fazer justiça mais oportuna mais acessível e mais humanizada”. Cardona Ferreira, presidente do Conselho dos Julgados de Paz, presente na cerimónia, espera agora que os cidadãos de Alenquer, recorram de forma expressiva a este julgado de paz. “Espero que a senhora juíza venha ter comigo em breve, e me diga que não consegue dar resposta a todas as solicitações. Só não garanto que lhe consiga arranjar outra juíza”, afirmou com um sorriso. O presidente da autarquia de Alenquer, salientou por seu turno que o município tem agora ao seu dispor “um novo meio jurisdicional para a resolução de causas cí-

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Entidades reforçaram a importância da proximidade dos julgados de paz

veis, de menor complexidade, com mais rapidez, de uma forma simples e a custos reduzidos vai aproximar os cidadãos da justiça”. Citando o escritor francês Vítor Hugo, Pedro Folgado defendeu que “a primeira igualdade tem de ser a justiça”, acrescentando que “no município de Alenquer foi

dado mais um passo determinante rumo a uma sociedade mais igualitária, por intermédio do acesso a uma justiça mais ágil, mais leve, transparente, rápida humana e próxima dos cidadãos”. Após esta inauguração formal, o Julgado de Paz de Alenquer vai entrou em funcionamento a 16 de abril às segundas e quartas-feiras

das 9h30 às 13h, e terças, quintas e sextas-feiras das 13h30 às 17h, podendo este horário vir a ser ajustado, mediante as necessidades dos cidadãos. O julgado de paz do Oeste foi criado formalmente em 2017 com sede no Bombarral, e delegações em cada um dos municípios de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos

Vinhos, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras. Os julgados de paz são competentes para resolver causas comuns de natureza cível, cujo valor não exceda os 15 mil euros (excluindo as que envolvam matérias de Direito da Família, Direito das

Sucessões e Direito do Trabalho). Os municípios vão assegurar o pagamento das despesas associadas ao funcionamento do julgado de paz, entre as quais os custos com instalações e imóveis, energia, água e comunicações, enquanto o Governo garante as despesas com juízes e mediadores.

Arruda discutiu Envelhecimento Ativo Auditório Municipal do Centro Cultural do Morgado em Arruda dos Vinhos, recebeu no passado dia 11 de abril, mais uma edição do congresso de Envelhecimento Ativo – “Os Seniores do Futuro”. Esta foi mais uma iniciativa para debater o envelhecimento ativo e juntou dezenas de técnicos das mais variadas áreas sociais desde a área da saúde passando pelos cuidadores, entre outros. Segundo a vice-presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos, Rute Miriam, esta iniciativa foi pensada por seis municípios do Oeste, nomeadamente Arruda dos Vinhos que foi a entidade organizadora, e contou com a colaboração dos municípios do Bombarral, Cadaval, Lourinhã,

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Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras. O congresso dividiu-se em dois painéis. A temática “Repensar o Envelhecimento” e “Do Pensar ao Agir”, foram de resto o mote para várias conversas e debates sobre o assunto. Segundo a vice-presidente, face à discussão concluiu-se que “é cada vez mais importante desenvolvermos, reinventarmos projetos de intervenção social, no âmbito desta temática do envelhecimento e da intergeracionalidade, de forma inovadora, de forma inquietante”. Por outro lado ao Valor Local, Rute Miriam reconhece que “é necessário combater estereótipos que têm por base a idade e os cabelos brancos” e por isso refere que neste congresso a

conclusão foi para o “facto de o envelhecimento ser um processo dinâmico, diferencial e heterogéneo”. No que toca às restantes gerações, a vereadora refere que é” fulcral a sua sensibilização para a preparação de uma velhice positiva, e ativa” e ao mesmo tempo “promover a proximidade entre gerações, com novos pontos de encontro”. Para Rute Miriam, “o envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade, mas também um dos seus maiores desafios”, por isso aponta a necessidade de “viver o hoje e o presente de forma responsável” vincando que nos dias atuais “temos condições de mudar o presente e sobretudo de construirmos o futuro”.

Mudar alguns estereótipos associados à terceira idade é fundamental


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Vila Franca homenageia combatentes de La Lys Núcleo de Vila Franca de Xira da Liga dos Combatentes não quis deixar passar em claro o centenário da Batalha de La Lys no dia 9 de abril. Para o efeito, realizou uma cerimónia evocativa junto ao monumento ao Combatente, onde homenageou aqueles que deram a sua vida pela Pátria na I Guerra Mundial. A cerimónia que foi de resto carregada de emoção e simbolismo, condecorou alguns combatentes, nomeadamente Gilberto Barata, José Silva, Domingos Dias, Mirambolido Barros, José Lourenço e João Soares. Aliás estes foram combatentes nas antigas “províncias ultramarinas” e que ainda hoje “carregam” o peso da guerra. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, também ele um antigo combatente, destacou o papel destes homens na defesa do país. Ao mesmo tempo que salientou que na sua opinião ainda há muito a fazer por estes combatentes. Aproveitando a presença da deputada socialista, e antiga presidente da Câmara de Vila Franca, Maria da Luz Rosinha, o presidente exortou a que o Governo olhe pelos soldados portugueses que estão enterrados nas antigas colónias. A Maria da Luz Rosinha, Alberto Mesquita, pediu que chegasse à fala com o Governo, para trazer

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A homenagem aos combatentes pelo município os corpos dos militares para Portugal, referindo “que essa deve ser a forma correta de se homenagear essa juventude de então e que ao serviço da Pátria participou numa guerra estúpida e sem sentido, que só seria resolvida politicamente”. Mesquita lembrou que “muitos fi-

caram por lá”. “Muitos outros vieram mas com patologias de que ainda hoje sofrem”. Nesse sentido “acho que o Estado tem a obrigação de zelar por estas pessoas e zelar pela memória de quem tombou ao serviço da Pátria”. Aliás este apelo de Alberto Mesquita já não é novo. Recentemen-

te e por ocasião das comemorações dos 88 anos do Núcleo da Liga dos Combatentes de Vila Franca de Xira, o autarca voltou a falar do tema, referindo que este assunto não está e não deve ser esquecido. Armindo Silva, presidente do Núcleo de Vila Franca de Xira, leu

uma mensagem do presidente da Liga, Joaquim Chito Rodrigues que não esteve presente, mas fez questão de salientar a batalha de La Lys “Pode ser considerada como ex-libris do combatente português do seculo XX e XXI” destacando que o dia 9 de abril de 1918 “deu origem ao dia do com-

batente” que até hoje recorda os “dias difíceis” dos combatentes portugueses. Na batalha de La Lys tombaram 1341 portugueses, segundo dados à época. Na sua mensagem, Joaquim Chito Rodrigues referiu ainda o “Soldado Milhões” que enfrentou sozinho as tropas alemãs.

Família da Espinheira conseguiu reconstruir casa graças a onda de solidariedade Valor Local visitou a casa da família de Elisabete Esteves, a munícipe do concelho de Azambuja que no ano passado foi notícia por ter tido dificuldades para reconstruir a sua casa que ardera em 2016 após o sobreaquecimento de uma salamandra. Com braços e mãos atados teve de aceitar a indisponibilidade legal

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das várias entidades, desde algumas associações de solidariedade, Câmara de Azambuja, e junta de Alcoentre, face ao facto de não possuir escritura para conseguir ter acesso a essa ajuda. Contudo e graças à Comunidade Vida e Paz e a muitos voluntários a título individual há poucos meses terminou de reconstruir a sua

Atletas azambujenses no mundial de Kosho Ryu Kenpo Escola de Kosho Ryu Kenpo dos Bombeiros de Azambuja marcou presença no primeiro Campeonato Nacional de Stick Fighting em Carnaxide. A iniciativa decorreu a 7 de abril último, e Azambuja fez-se representar por 10 atletas, que acabaram por ser apurados para o Mundial de julho também no mesmo local. A Escola de Kosho Ryu Kenpo tem vindo a apostar em crescer e estas classificações provam isso. Quanto aos medalhados da Escola de Kosho Ryu Kenpo destaque para o primeiro lugar no escalão 15/16 anos para Joana Pereira. Também Nuno Gaspar apurou-se para o mundial em julho na categoria de mais de 87 quilos e com mais de 40 anos.

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casa. Quem nos recebe é Filipa Ribeiro, filha de Elisabete Esteves, que chegou a abrir uma conta solidária para a mãe que recebeu diversos contributos. Conseguiu-se com essa verba pagar as obras no telhado e na casa. o mobiliário, roupa e louças, em grande parte, foram oferecidos por amigos, conhecidos e até anónimos. Hoje no lugar da salamandra está uma lareira. Através do facebook angariou perto de 1700 euros. O projeto CLR do Cartaxo também ajudou. Filipa Ribeiro ficou” surpreendida” com a adesão das pessoas a esta causa, principalmente “quando a Cruz Vermelha nacional recusou a ajuda assim como a junta de freguesia de Alcoentre que também não quis”. A Junta retirou o entulho que se situava à entrada da casa, acumulado na sequência do incêndio, mais de um ano após o facto, apenas depois de o Valor Local ter dado eco da notícia em outubro do ano passado.

Graças à solidariedade de muitos família de Filipa Ribeiro pôde voltar a casa


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Câmara de Vila Franca ergue memorial de homenagem à antiga Mague

O retrato de família com autarcas e antigos trabalhadores

o local onde está hoje a urbanização Malvarosa, existiu até há 20 anos atrás uma das empresas mais importantes do setor metalomecânico nacional. A Mague foi para muitos em 1952 o motivo de terem vindo viver para Alverca do Ribatejo. A empresa contribuiu em muito para o desenvolvimento da cidade e para a fixação das famílias, que dali tiravam o seu rendimento. No dia 14 de abril foi inaugurado no local, onde antes esta empresa fez fervilhar a industrialização do concelho, um memorial de homenagem. Todavia no início dos anos 90, começavam a aparecer os primeiros sinais de preocupação. Foram muitas as reuniões entre os trabalhadores e a administração para tentar salvar a empresa

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que acabaria por fechar em 1994 depois de uma reunião pública em Alverca com o mote “Mague que Futuro?”. Com efeito, muitos trabalhadores lamentam ainda hoje o encerramento da empresa que durante décadas “alimentou” famílias e a própria cidade. Contudo a última e derradeira reunião acabou por não ser bem-sucedida para mal de um conjunto de trabalhadores que ainda hoje apontam o dedo à administração pela “má gestão”. A Mague foi palco de muitas lutas políticas. A empresa resistiu até que os seus terrenos foram transformados numa urbanização exclusiva e cara, que ainda hoje não convence muitos dos trabalhadores e até o Partido Comunista local que sempre vai

lembrando que o fim da empresa, a par com outras no concelho de Vila Franca de Xira, ditou o início do fim da indústria do município. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, era à época da comissão de trabalhadores. Recorda as últimas reuniões, nomeadamente o debate feito com os trabalhadores e a população e lamenta o desfecho da Mague. Talvez por esse motivo, e por ter feito parte da Mague, levou a que a Câmara Municipal erguesse um memorial à empresa, que também no seu caso, o levou a morar em Alverca. Para o autarca esta homenagem é justa, “se tivermos em consideração que milhares de pessoas passaram pela empresa que mu-

Monumento descerrado pelo prrsidente da Câmara e pelo presidente da junta de Alverca dou as suas vidas”. Alberto Mesquita referiu, no entanto, que só foi possível construir este memorial, porque a antiga presidente da Junta Serafina Rodrigues teria guardado o letreiro original da empresa. Todavia, este que agora está no monumento, é uma réplica “dado que não foi possível recuperar o original” salientou o autarca que de uma forma emocionada se referiu ao momento. No seu discurso, o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, evocou a empresa como o local de onde saiu grande parte da classe política vilafranquense. O seu caso é um exemplo disso, mas foram também os casos de presidentes de junta e deputados municipais, que começaram as suas lides no seio da empresa.

Embora a urbanização Malvarosa não seja do agrado de todos, o presidente da União de Freguesias de Alverca, Sobralinho, Carlos Gonçalves, considera que o espaço está dignificado. No seu discurso referiu a importância da empresa para a freguesia, mas acentuou que “neste espaço foi dada a continuidade à excelência com outro espaço de excelência e que a população tanto preza”. Por outro lado o autarca, referiu com pena a perda do ensino profissional da Mague, que na sua opinião foi importante para as populações. História da Mague A MAGUE, indústria metalomecânica, foi fundada em 1952, ini-

cialmente com o nome de Sociedade Moniz da Maia e Vaz Guedes, seus fundadores. Consequência do arranque industrial da freguesia de Alverca, esta indústria foi, em grande parte, diretamente responsável pelo crescimento populacional que se verificou na freguesia ao longo das primeiras três décadas de laboração. No ramo da metalomecânica destacou-se a nível nacional desde o seu início, envolvendo-se na construção de barragens, pontes, portos, viadutos e todas as grandes obras onde as gruas MAGUE se tornaram referência. Em funcionamento ao longo de 42 anos, a empresa registou períodos de forte expansão internacional, estando também ligada à formação profissional.

Câmara Azambuja enceta nova negociação para os terrenos do Castro município de Azambuja assinala por estes dias O Dia Internacional dos Sítios e Monumentos Históricos. No próximo sábado, 21 de abril tem lugar uma conferência sobre os resultados das escavações que tiveram lugar no verão passado no Castro de Vila Nova de São Pedro pelos arqueólogos que participaram naquela campanha, em que foi possível regressar ao castro vários anos depois. O vereador da Cultura, no município, António José Matos espera que este se concretize como o pontapé de saída na passagem dos terrenos do Castro para a Ciên-

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cia, cumprindo-se assim o sonho de um ponto turístico nobre no concelho, dada a importância daquele monumento. Nesta altura começaram a ser encetadas novas conversações com os proprietários, que neste momento são três, tendo em conta que os trabalhos desencadeados em 2017 permitiram colocar a nu novas áreas. A primeira reunião está marcada para o dia 30 de abril. Seja através de uma renda seja através de compra, o município deverá recorrer a uma entidade que avalie a transação para que finalmente os terrenos possam ser alvo de

intervenção por parte do município. Na quarta-feira, dia 18 de abril, uma equipa esteve no terreno para dar a conhecer alguns dos achados arqueológicos, tendo contado com a presença da população que quis presenciar esta ação. Os arqueólogos consideram premente a aquisição do terreno para que o castro se torne visitável por todos. A figura da expropriação que chegou a ser sugerida pela oposição continua a ser rejeitada pelo executivo – “Seria algo muito indesejável, vamos tentar chegar a bom porto pela via do diálogo”.

Para os arqueólogos é premente a intervenção no local


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Alenquer

Vereador da Coligação defende plano de pormenor para o Areal m comunicado, o vereador da Coligação Juntos pelo Concelho, Frederico Rogeiro, defende que tendo em conta a intervenção prevista para o parque de estacionamento do Areal, na vila de Alenquer, deverá efetuar-se também a repavimentação da Rua Serpa Pinto e a alteração das regras de trânsito com o seu fecho à circulação automóvel, ficando apenas pedonável. O autarca é da opinião de que os automobilistas têm uma alternativa natural na Avenida Jaime Ferreira. “A dificuldade do cruzamento desta avenida com a EN 9 – que já hoje ocorre – pode ser atenuada, na forma mais simples, com a colocação de semáforos.”, diz. Defende ainda e atendendo a que o Areal é um bairro a que é reconhecida uma tipicidade própria, que é tempo de se introduzir um plano de pormenor para aquela zona, até porque sempre que há um processo de reabilitação ali situado. “Existe um especial cuidado de preservar a coerência do bairro.” Desde logo, esse plano de pormenor “poderá ser mais económico

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do ponto de vista da atuação dos serviços técnicos do município (em caso de autoria), que estudarão todo o normativo de uma só vez, com ganho de coerência, evitando a apreciação sucessiva de cada caso isolado”. “Mas, principalmente, o valor do bairro sairá beneficiado com esse estudo e essa coerência”, reflete. Recorde-se que nas últimas semanas, duas casas no bairro do Areal tiveram de ser demolidas, por se encontrarem em estado de ruína iminente. O plano de pormenor faria ainda mais sentido, segundo Frederico Rogeiro, tendo em conta alguns investimentos públicos existentes na zona como o Museu do Vinho, O Jardim das Águas, e o Museu Damião de Goes e das Vítimas da Inquisição. Contudo, esse dinamismo social está muito abaixo do que seria desejável, na sua opinião, pelo que a zona se mantém pouco atrativa para o investimento privado. “Deste ponto de vista, pode concluir-se que os investimentos públicos ali existentes estão a ser pouco rentabilizados enquanto catalisadores de dinamismo social no seu redor”.

Autarca é da opinião de que a Rua Serpa Pinto deveria ser pedonável

Câmara de Salvaterra de Magos em primeiro lugar no índice da transparência municipal na região município de Salvaterra de Magos surge em primeiro lugar do distrito de Santarém e em 18º a nível nacional, com 78,85 pontos em 100, no Índice de Transparência Municipal (ITM) 2017 divulgado recentemente, segundo informação da autarquia. Ao nível do distrito, Salvaterra de Magos passou do 3º (2016) para o 1º lugar (2017). Em termos nacionais, regista-se a subida de mais de 50 lugares em relação ao índice 2016, quando ocupava a 71ª posição entre os 308 municípios portugueses. Os dados foram publicados pela Transparência e Integridade – Associação Cívica (TIAC), que anualmente analisa o grau de transparência das autarquias do

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país com base na análise de informação disponibilizada aos cidadãos nos sites das autarquias. Nos últimos quatro anos, o município de Salvaterra de Magos tem vindo a subir neste ranking. Em 2013 ocupava o lugar 159 a nível nacional, em 2014 subiu para a 118ª posição e em 2015 alcançou o 93º lugar. Em 2016 conquistou a 71ª posição e em 2017 o lugar 18. Ao nível dos municípios do distrito de Santarém passou do 14º lugar, em 2013, para o 1º lugar em 2017. “É com orgulho que, neste particular, o município de Salvaterra de Magos está entre os melhores e entre o melhor que se faz em termos de uma gestão municipal dinâmica, competente, cui-

dada e transparente. É com muito trabalho e a colaboração e disponibilidade dos nossos funcionários que podemos almejar dar continuidade à qualidade que já atingimos” refere o presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Manuel Esménio. O Índice de Transparência Municipal é composto por 76 indicadores agrupados em sete dimensões: 1) Informação sobre a Organização, Composição Social e Funcionamento do Município; 2) Planos e Relatórios; 3) Impostos, Taxas, Tarifas, Preços e Regulamentos; 4) Relação com a Sociedade; 5) Contratação Pública; 6) Transparência Económico-Financeira; 7) Transparência na área do Urbanismo.

Município destaca lugar de destaque atingido


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Especial 25 Abril 9

Silvino Lúcio destaca espírito sem igual no movimento associativo no Pós-Revolução Miguel A. Rodrigues ilvino Lúcio é atualmente um dos autarcas mais antigos do concelho de Azambuja. Em véspera de mais um aniversário do 25 de abril, o Valor Local foi ouvir um homem conhecido pela sua frontalidade, que já lhe trouxe alguns dissabores políticos e até pessoais. Corria o ano de 1974 e Silvino Lúcio estudava na cidade de Vila Franca de Xira. O dia da liberdade começara por ser um dia igual aos outros, mas que depressa se transformaria em algo desconhecido. “Sabíamos lá nós os jovens, o que era a democracia e o fascismo”, refere o autarca, atualmente vereador da Câmara Municipal de Azambuja eleito pelo Partido Socialista. Recorda o autarca que aos 15 anos, idade que tinha aquando da Revolução, pouco se sabia da democracia. Havia um conhecimento muito genérico, mas no fundo “estávamos naquela idade porreira e era tudo novo!”. Havia de facto alguma noção do momento, mas até “as palavras eram novas, até a ideia de existir repressão dos presos políticos sabia a desconhecimento.” Enquanto jovem, Silvino lembrase “de Marcelo Caetano, e de Salazar”, mas reforça que a sua família “nunca foi muito dada à política clandestina” vincando que à época podia não existir “a costela socialista, mas havia a necessidade de se fazer bem em prol dos outros”. Nas suas memórias, o autarca diz recordar-se do pai numa comissão de moradores em Aveiras de Baixo e o facto de “ter colocado algumas carrinhas e camionetas ao serviço das pessoas a arranjar estradas e caminhos”. Foi no pós 25 de abril, em que o espírito era diferente, que recorda, Silvino Lúcio, um episódio com o movimento das Forças Armadas em Aveiras de Baixo. À época diz ter memória de ver o movimento “a arranjar o campo de futebol que era na altura num terreno do Conde de Aveiras e que era um dos grandes objetivos para a população”. Em 1978, Silvino Lúcio participou também numa outra associação local. O agora autarca recorda o espírito “revolucionário” à época ao ponto “de termos feito por aqui muitos e grandes eventos”. Um desses episódios, destaca o autarca, foi a ida do cantor brasileiro Márcio Ivens a Aveiras de Baixo: “A população na altura achou que estávamos loucos, mas estávamos certos e foi pos-

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sível também fazer algum dinheiro”. O autarca salienta por outro lado José Manuel Brás, que à época estava no INATEL e que proporcionou a realização de alguns eventos desportivos. José Manuel Brás era na altura um dinamizador da cultura local. O dirigente agora reformado estava à frente da Casa do Povo local que tinha muita atividade. Silvino Lúcio destaca entre outras o Rancho Folclórico, a Banda e o Judo: “O mundo associativo era bastante diferente nos anos 70”, refere o autarca. Foi em Aveiras de Baixo que passou parte da sua juventude. Silvino Lúcio lembra que esse espírito foi-se perdendo, e recorda com alguma saudade os tempos em que não havia subsídios e que todos davam um pouco de si: “Existia carolice e entrega. O meu pai ajudava, colocava o combustível e cedia as máquinas”. Entre as obras de “abril” destacase a Estrada do Fundo, que liga Aveiras de Baixo aos Casais da Amendoeira. Silvino Lúcio diz que os mais velhos ainda se recordam da iniciativa popular para arranjar a via, que “hoje está asfaltada” sendo que esse era apenas um objetivo, numa altura em que “se abriram muitas estradas com o exército”. “Houve aqui um movimento muito forte” e essa época “marcou-me muito, nomeadamente, no que toca a ajudar as pessoas”. O período revolucionário foi muito sentido em Aveiras de Baixo. Não só o 25 de abril como o 1º de Maio. Há aliás um episódio que Silvino recorda e que espelha bem o momento vivido à época na freguesia. Conta o autarca que embebida do espírito do 25 de abril, na primeira comemoração do dia do trabalhador, a população juntouse no largo da freguesia “em frente ao café do Ti Pedro e começou a gritar as frases chavão da época. Mas estavam cá uns senhores de Oeiras, familiares de um agricultor que não entendiam bem o que se passava, começaram gritar P.S. P.S, e isso gerou aqui muita confusão, pois o dia do trabalhador era apartidário tendo sido complicado serenar os ânimos mais exaltados.” O autarca explica que em Aveiras de Baixo, a rivalidade foi sempre entre socialistas e comunistas e até existiram famílias completamente divididas à época. Silvino Lúcio salienta inclusive que a recente vitória do PSD nas eleições para a junta em 2013, deveu-se a “um erro do próprio PS, ao propor

Durante 20 anos presidiu aos destinos da freguesia de Aveiras de Baixo Maria de Lurdes Periquito para a presidência da junta” naquele ano. Ainda assim reforça que as lutas entre comunistas e socialistas já têm uma longa história na freguesia. Silvino Lúcio foi de resto presidente de junta de Aveiras de Baixo durante 20 anos. Foram 20 anos “certinhos de 1989 a 2009” refere o autarca que assume a responsabilidade de ter perdido a junta há quatro anos para o PSD, no entanto salienta que agora a “a presidência da junta voltou onde devia estar”, ou seja, na sua opinião, “nas mãos do PS.” Na atualidade Silvino Lúcio é presidente da concelhia do PS de Azambuja e vereador no município. Para trás fica um ano complicado de disputas internas nos socialistas, onde foi pública a “luta” de Silvino Lúcio pelo lugar de número dois nas listas à Câmara. Depois de vários avanços e recuos, Luís de Sousa, candidato do PS à Câmara de Azambuja, faria as suas listas de modo a contentar António José Matos que à partida seria o número dois da lista e Silvino o número quatro. Matos acabaria em quarto lu-

gar e Silvino que no mandato anterior tinha sido vice-presidente, desceria para a terceira posição. Isto depois de ter chegado a corporizar uma candidatura em nome do PS que acabou por morrer à nascença. Sobre o processo, Silvino Lúcio prefere não se alongar. Mas refere que a vitória do PS nas autárquicas fala por si. O autarca refere que fez o que a sua consciên-

cia lhe ditou na altura. O vereador assume que há factos que gostaria de contar “mas não será agora”. “Quero estar afastado dessa política”, mas diz fazer um balanço positivo do atual executivo e destaca a entrada dos dois novos vereadores, Sílvia Vítor e António José Matos. Embora reconheça como positivo o espírito dos dois novos vereadores, Silvino refere que a expe-

riência de 20 anos obriga a fazer as coisas de forma mais comedida. Por outro lado salienta que o espírito dos novos elementos é importante para “puxar” por si e pelo presidente da Câmara, com quem diz ter uma “relação cordial e honesta” apesar da luta polítiica no processo eleitoral. Veja a entrevista na íntegra em vídeo no site em www.valorlocal.pt


10 Educação

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Jornadas da Educação indica novos caminhos para o Ensino em Arruda o longo de dois dias, Arruda dos Vinhos discutiu o futuro da Educação no concelho. Na sessão de abertura esteve o antigo ministro da Educação de António Guterres (1996-1999) que partilhou a sua experiência relativamente ao que deverá ser o ensino e a preparação do jovem para a vida adulta. Entre outros aspetos salientou a necessidade de o jovem ter o máximo nível de conhecimentos possível e assim estar mais bem preparado para o mercado de trabalho, nomeadamente, através do domínio das línguas. Em segundo lugar, ser-se exigente e neste aspeto salientou que não estaria a falar necessariamente de exames. “Até porque a exigência começa em casa, dos pais em relação aos filhos, fazendo com que assumam as suas responsabilidades desde muito cedo”, e sintetizou – “Normalmente os portugueses gostam de se queixar, de berrar mas depois não são exigentes. Temos de ter brio em fazer melhor”. Por último “nunca desistir”, até porque “o insucesso é um obstáculo normal”. Por isso deixou também o apelo aos professores presentes – “Coloquem os miúdos a ler cada

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vez mais, porque consegue-se distinguir muito bem quem tem uma cultura baseada na tv, mais superficial, de quem tem uma cultura baseada no que os livros dão, algo que nos dá uma visão mais profunda da realidade”. Para Marçal Grilo é ainda importante que os adolescentes tenham mais mundo que não se limitem apenas à sua terra ou país, mas que possam ir lá para fora e descobrir outras realidades. “Os pais são em primeiro lugar responsáveis pela Educação dos filhos, mas a escola tem também uma importância muito grande, nomeadamente o pré-escolar que tem um papel decisivo, lembro-me de ter ido em 1945 para o jardimde-infância e este ser um espaço mágico para mim”, partilhou, ainda esta memória. Uma das questões que tem atravessado gerações de alunos prende-se com o ensino da Matemática e a eterna discussão acerca daquilo que é realmente importante que se retenha desta disciplina até ao 12º ano, e se se “deve ser mais facilitador ou exigente”. “Este debate será para toda a vida. Vale a pena fazermos esta reflexão”, considerou ao mesmo tempo que

Antigo ministro veio partilhar a sua visão deste tema para professores de vários pontos do país assumiu as suas dificuldades naquela disciplina O ensino em Portugal na sua opinião estará preparado para dar o passo em frente, mas as escolas são muito diferentes entre si, consoante também o tipo de comunidades que servem. “Estarão mais bem preparadas as que tenham

uma grande liderança, as que possuam um corpo docente estável, e um projeto educativo que tenha em conta a comunidade”. Salientou ainda o esforço “notável” mas pouco falado dos professores nos últimos anos com o fenómeno da imigração e a integração e adequação à língua bem como

aos programas das escolas dos filhos desses imigrantes. “Penso que tem sido um sucesso e os professores portugueses não têm sido devidamente recompensados nesta matéria”. No encerramento, o presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos, assumiu não a sua paixão mas o

seu amor pela Educação. Traçando desde já o que quer que seja uma nova etapa neste domínio no concelho no dia 30 de abril com a elaboração de um projeto educativo comum. “Levarei uma folha em branco. Não tenho a pretensão de saber tudo ou ter melhores ideias”.


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12 Destaque Foi há 11 anos mas para esta mãe foi como se fosse ontem

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Vítimas da Nacional 3 São histórias na primeira pessoa de quem perdeu o marido, a amiga, o filho ou a mãe num acidente na Nacional 3. À medida que vai crescendo o movimento Plataforma Nacional 3 que pugna por uma intervenção nesta via, que a Infraestruturas de Portugal teima em adiar há vários anos, damos voz ao sofrimento e ao luto de quatro moradores em Azambuja. O troço entre o Carregado e esta vila ribatejana é considerado dos mais perigosos da estrada em causa. Sílvia Agostinho izem que a morte de um filho é a pior perda que um ser humano pode enfrentar. Elisabeta Horta vivenciou esse momento há 11 anos atrás mas conta que é como se tivesse sido ontem. “Foi enlouquecedor e desesperante”, diz ao mesmo tempo que as lágrimas lhe caem pelo rosto. O seu filho era Pedro Salema, bombeiro de profissão, que seguia de Azambuja para Vila Nova da Rainha para cumprir mais um serviço, como tantos outros que já tinha feito. Desde os 18 anos que trabalhava na corporação local. Faleceu aos 26 anos no dia sete de agosto de 2007. “O sentimento de impotência foi enorme”. Neste caso, o veículo dos bombeiros que era conduzido por Pedro Salema foi alvo de uma manobra perigosa por parte do camião, mas refere que lhe foram contadas “variadíssimas versões”. “Foi-me dito que o indivíduo levava os vidros fechados, não ouviu as sirenes e quando viu a ambulância no meio da estrada achou que conseguia passar à mesma”, conclui, refletindo que “qualquer pessoa tem noção do que é um carro de socorro, e ao depararse com uma ambulância devia parar para deixar passar. Ora com um camião todo atravessado na estrada era impossível contornar”. O pesado estava a sair do Pingo Doce, em frente à antiga Opel, um dos locais igualmente emblemáticos na Nacional 3 sempre que se fala de acidentes. Com Pedro Salema seguia outro colega que saiu ileso. Pedro Salema teve morte imediata. Para trás ficava uma carreira dedicada aos soldados da paz. Desde muito pequeno que Pedro Salema e o seu irmão André Salema, hoje presidente dos bombeiros de Azambuja, que por viverem nas imediações do quartel, vinham brincar e contactar

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de perto com os bombeiros da altura. “Fugiam de casa e quem os queria ver era aqui no parque de viaturas com os bombeiros mais velhos a ensinarem-lhes coisas da profissão”. Bombeiro experiente, era também “um condutor experiente com uma condução bastante segura”. “Fizemos muitas viagens longas à minha terra”. A emergência era a área preferida deste bombeiro, “embora também tenha passado por situações complicadas em fogos. O risco está em toda a parte”. Contudo “não deixa de ser terrível o facto de se morrer tão perto de casa ou do sítio onde se trabalha, principalmente quando a família tem de passar todos os dias nesse local”. “Não há dia nenhum da minha vida que não me lembre”. Desde há 11 anos, que lida com uma depressão, ao ponto de “ter passado por uma fase em que não conseguia chorar. Hoje já expresso os meus sentimentos de forma diferente mas é muito difícil”. Para Elisabeta Horta, os condutores têm cada vez menos cuidado e “independentemente do que aconteceu ao meu filho vejo que os camionistas não são melhores. Assisto com frequência a situações de grande perigo nesta estrada, como ainda ontem na rotunda da Sonae. Não fazem pisca. Estão lá no alto e é andar”. Já quanto à ação da Plataforma considera que “é benéfica no sentido em que chama a atenção para esta causa, porque embora haja cada vez mais pesados, ajudaria a que houvesse mais traços contínuos ou mais algumas rotundas, sinalização”. Quanto ao camionista que esteve na origem do acidente, refere que nunca a procurou para um pedido de desculpas, “mas ainda bem porque prefiro não encarar com a pessoa que matou o meu filho, no fundo ele matou o meu filho”. “Sei que ele passou por uma fase psicológica difícil em

resultado do acidente porque na altura ainda era jovem, mas prefiro não o conhecer. Nada do que pudesse dizer me serviria de consolo e não quero ficar com a imagem dessa pessoa na minha vida”. Hoje em dia tenta viver um dia de cada vez: “Isolei-me mais. Antigamente era mais comunicativa, embora não em excesso, mas noto que tenho tendência a fechar-me”. Recentemente a Liga de Bombeiros entregou à família o crachá de ouro. “Não é 11 anos depois que se presta homenagem, mas não deixa de ser uma lembrança”. A morte deste soldado da paz consternou toda a região, mas em particular todo o corpo ativo de Azambuja. À época o comandante dos voluntários de Azambuja, Pedro Cardoso, não conseguiu disfarçar a emoção de ver partir Pedro Salema. O operacional reiterou a confiança no seu grupo de trabalho, agradecendo inclusive o apoio demonstrado pela população e pelo corpo de bombeiros de Azambuja naquele momento sensível da associação. As cerimónias fúnebres de Pedro Salema foram bastante carregadas de emoção. População, conhecidos e desconhecidos, todos quiseram prestar a sua última homenagem. Rui Pereira à época ministro da Administração Interna e os mais altos quadros da Liga estiveram presentes nas cerimónias, que marcaram a associação, que poucos anos mais tarde viria a perder outro elemento, Francisco Graça, também ele grande amigo de Pedro. Elisabeta Horta diz também que Francisco Graça foi um dos grandes ombros amigos que teve após a partida de Pedro – “Ia-me buscar de carro muitas vezes e saíamos para dar uma volta”. A fotografia de ambos estão colocadas uma ao lado da outra numa das salas da corporação.


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Destaque 13

Filipa Oliveira:

“Alcoitão foi uma escola de vida”

udo aconteceu na madrugada de oito de novembro de 2016. Quatro amigas de Azambuja regressavam de Lisboa. Tinham ido assistir a um concerto da fadista Carminho. O acidente foi notícia na imprensa regional e nacional. Um veículo onde seguia um homem despistou-se e foi embater violentamente no automóvel onde seguiam as quatro jovens. Uma dela, Marta Fazendas, de Alcoentre não conseguiu resistir ao choque. O acidente ocorrido na Nacional 3 junto à Jular atirou para o coma durante 10 dias Filipa Oliveira que, passado um ano e meio, ainda não conseguiu recuperar a mobilidade, deslocando-se numa scouter sempre que sai de casa. Foi com ela que nos encontrámos. É uma das três sobreviventes deste acidente que chocou Azambuja. Com frequência saía com aquele grupo de amigas, mas devido ao acidente, não guarda quaisquer memórias daquele dia. “O acidente foi numa segunda-feira, e apenas me recordo do que aconteceu no domingo”. Na prática, “o que sei foi o que me contaram, que tínhamos ido a um concerto, e que no regresso deu-se o acidente”. O embate fez com que o veículo onde as jovens seguiam tivesse entrado nas instalações da Jular, “tendo ido parar lá abaixo de marcha atrás”. Esteve internada em Santa Maria tendo sido transportada de helicóptero. No local estiveram várias corporações de bombeiros, Cruz Vermelha, e VMER. Atenta às questões que rodeiam esta via, estava longe de imaginar que um dia o azar também lhe bateria à porta como a tantas outras pessoas que por ali circulam todos os dias, – “A questão do trânsito de pesados é um problema, assim como, o dos peões que circulam de noite e mal se veem no escuro, mas nunca pensei que um dia podia sofrer uma coisa destas”. O facto de não se lembrar do acidente e de como tudo aconteceu, acabou por apenas ser algo positivo no início. “Não me recordar do choque em si acabou naqueles dias por ser mais fácil de ultrapassar quando fui despertada do coma. Mas depois surgiam muitas perguntas que ninguém me sabia responder”. As outras duas colegas que sobreviveram ao acidente também não ficaram com memórias daquele episódio. “Isso causanos alguma angústia não saber o que aconteceu, tendo em conta também que perdemos uma pessoa próxima. Não chegamos a saber se tinha sofrido, se faleceu logo ou não. No início também não me queriam contar o que se tinha passado com ela”. Quando acordou do coma, recorda que não conseguia comunicar. Ainda estava intubada e então escrevia ou apontava para letras em

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quadros. Hoje é com alguma boa disposição que vai enfrentando a vida, e quando lhe perguntamos das mazelas que sofreu, ri-se e sintetiza – “Aconteceu-me basicamente um bocadinho de tudo”. “Parti o externo, a omoplata, dez costelas de um lado, seis do outro, cortei a barriga com o cinto, parte do fígado, e do intestino também. O baço já lá vai”. Ainda não consegue andar “porque as pernas ficaram esmagadas”. Diz que está à espera que o organismo consiga fazer com que o osso nasça. “Já fiz enxertos na ilíaca e fui operada a uma das pernas três vezes. Mas na outra perna o espaço sem osso é maior. Falam-me que é preciso tempo, mas ninguém me dá respostas”. Ainda tem esperança de recuperar a mobilidade mas refere que nunca mais vai ser a mesma pessoa porque as lesões foram muito grandes. “Por vezes não nos damos conta de como a nossa vida muda quando algo deste género vem alterar aquilo a que estamos habituados como entrar em determinados espaços, movimentarmo-nos livremente”. Hoje em dia passa a manhã na fisioterapia em tratamentos, mas confessa que já sente falta de uma rotina normal a nível de trabalho. Quanto ao condutor que esteve na origem do acidente, Filipa Oliveira refere que já o conhecia de vista mas que nunca houve qualquer tipo de aproximação ou pedido de desculpas. Uma das maiores lições que retira deste acontecimento foi ao passar pelo Centro de Medicina de Reabi-

litação de Alcoitão, porque “estava sempre a pensar no meu caso e no porquê de me ter acontecido isto, mas ao entrar lá vi pessoas com casos piores do que o meu. Foi uma escola de vida, e isso para mim fez a diferença, porque pensei que apesar de tudo ainda consigo ser útil e não ser dependente nem dar trabalho a ninguém”. A família também fez a diferença no processo de recuperação bem como “outras pessoas que apareceram para dar apoio”. “Havia dias em que já não tinha paciência para tantas visitas mas hoje em dia dou valor a isso”. “Fez completamente a diferença”. Quanto ao movimento cívico Plataforma Nacional 3, Filipa Oliveira considera que faz todo o sentido porque apesar de “os acidentes não acontecerem só aqui, a verdade é que há cada vez mais trânsito e perigos nesta via, também com cada vez mais carros nas bermas. A estrada não consegue responder ao aumento de tráfego. Tem de haver uma mudança. É claro que este acidente podia ter acontecido noutra estrada qualquer, mas se conseguirmos mudar algo aqui podemos sempre evitar coisas piores”. E reforça: “No sítio onde aconteceu o acidente, porventura o condutor vinha bastante à vontade porque a estrada é muito larga, se houvesse ali um separador central, seria diferente”. Filipa Oliveira tenta agora “viver um dia de cada vez” e refere que tenta dar o máximo valor às coisas, “principalmente às pessoas que nos querem bem”.

A memória daquele dia desapareceu por completo no caso de Filipa Oliveira


14 Destaque

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Teresa Silva:

“Tiraram-me o chão debaixo dos pés”

e todos os acidentes que recordamos neste trabalho, é o mais recente. Em novembro do ano passado um homem que todos os dias rumava ao trabalho na Modis, muitas vezes de bicicleta, foi abalroado por um veículo ligeiro que não prestou auxílio. A viúva, Teresa Silva, é uma mãe com três filhos para criar, que aufere 640 euros por mês, que aguarda pela pensão de viuvez que lhe tem sido negada porque ainda não conseguiu reunir uma série de documentos como a autópsia porque lhe dizem que como o distrito de Lisboa é muito vasto ainda não foi possível. “A Segurança Social descarta-se para a seguradora do trabalho, que alega com a autópsia”, diz. Desde o acidente que aconteceu há cinco meses que Teresa Silva tenta viver um dia de cada vez. O marido de Teresa tinha 33 anos, e segundo a mesma era uma pessoa atenta às condições de segurança. Apesar de não levar colete refletor, a bicicleta estava equipada com luzes à frente e atrás, “e houve testemunhas que puderam constatar isso mesmo”. O acidente deu-se junto às bombas da Galp. Há muitos anos que fazia aquele percurso à noite, umas vezes de carro outras de bicicleta. O ho-

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Viúva desde novembro passado lembra que o marido era cuidadoso

mem que alegadamente esteve na origem do acidente é de Vila Nova da Rainha e seguiria com 0,56 gr de álcool no sangue acima do per-

mitido por lei. O facto de não ter prestado auxílio é o que mais entristece esta viúva de 39 anos. “Porque acidentes todos podemos

ter. Já me quiseram mostrar a cara dele no facebook mas tenho recusado. Prefiro não saber quem é”. Naquela noite de 22 de novembro, “veio jantar a casa para depois voltar ao emprego, e como saiu relativamente cedo, foi de bicicleta. Despediu-se de mim bem-disposto e na brincadeira como muitas vezes acontecia. Do acidente pouco sei, telefonaram-me à meia-noite e dez minutos do hospital de São José. Disseram-me que tinha sido atropelado por um carro, e que o estado era muito grave”. “O meu marido ia sempre na berma, era extremamente cuidadoso. Há cerca de 12 anos que estava acostumado a regularmente usar a bicicleta nos trajetos”, lembra. Ao saber do acidente e quando lhe disseram que estava em São José pensou logo que seria grave, mas queria acreditar que “chegava lá e ele estaria consciente”. Contudo e tendo em conta que foi falando com várias pessoas até chegar a Lisboa, foi-se dando conta de que era mais grave, “porque perdeu logo massa encefálica na estrada”. “Vi o meu marido ligado às máquinas, com a cabeça ligada. Ainda esperei um milagre mas não aconteceu. A médica veio ter comigo, abanou a cabeça, e disse-me que as células dele estavam a morrer, que não havia nada a fazer. Disseram-me que teve 14 paragens cardiorrespiratórias e que tinha ficado mesmo em muito mau estado”. “Tiraram-me o chão debaixo dos pés por completo”. Foi uma história de amor que durou 14 anos. “Uma vida toda que mudou, planos que não se cumpriram, muitos sonhos e alegrias que

ficaram por viver, um Natal que veio logo a seguir e que não foi Natal”. Nos dias seguintes, “foi o estar à espera que ele entrasse em casa com o chinfrim da bicicleta. Tenho muitas saudades dele. Faz-me muita falta e também aos filhos”. Não fora a polícia vir em sentido contrário na mesma altura em que ocorreu o acidente e ter visto faíscas a saírem debaixo do carro, hoje as circunstâncias sobre como ocorrera o mesmo podiam não ser conhecidas, visto que o alegado culpado não prestou auxílio. “Foi preso e posto em liberdade poucas horas depois, apesar de ter fugido a alta velocidade, segundo me disseram testemunhas. Fugiu com a bicicleta debaixo do carro. Os motivos que o levaram a isso só ele saberá”. Às autoridades terá dito que o marido de Teresa Silva “surgiu como um vulto e que se atravessou à sua frente, que estava vestido todo de escuro, o que é mentira”. Disse também que “tinha sido na rotunda da Avipronto, mas não foi, deu-se sim mais atrás. Nunca disse por que se pôs em fuga”. Teresa Silva espera que um dia “haja um pedido de desculpas porque virou a minha vida do avesso, e deixou uma família completamente destruída”. “Dizem-me que esse senhor continua a beber. Não sei se é verdade ou não. Mas fugir e deixar o meu marido na valeta deveria pesar-lhe a consciência”. Quando a Plataforma Cívica Nacional 3 lançou a petição que se destinava a recolher assinaturas para que este tema subisse a discussão na Assembleia da Republi-

ca, ainda antes da fatalidade que aconteceu à sua família, Teresa Silva não hesitou em assinar e comentou com o marido – “Nunca se sabe se não podemos ser nós a ter um acidente. Estava longe de imaginar o que ia acontecer. Esta estrada é bastante perigosa. Na Ericeira (onde tem família), por exemplo a estrada é bastante movimentada e tem pistas para ciclistas e peões. Aqui circulam dezenas de pessoas que vêm da Avipronto, que mal se veem. Não se vê preocupação com os peões. O meu marido chegou a ir colocarme ao trabalho de carro porque tinha medo que atravessasse a estrada quando fosse de comboio”. Teresa Silva trabalha também numa empresa de logística na zona industrial em frente à Sonae onde o marido exercia a função de administrativo. Onde trabalha têmlhe dado “bastante apoio”, facilitando a nível de horários, também com apoio financeiro com o funeral. A Sonae apoiou através da Cruz Vermelha. O caso foi encaminhado para o Ministério Público que também aguarda pela autópsia no sentido do processo avançar. “Gostava que fosse feita justiça, mas regra geral estes casos nunca dão em nada”, e vai mais longe: “Gostaria que o senhor se visse esta entrevista que pelo menos parasse de beber quando conduz, porque qualquer dia pode voltar a acontecer o mesmo, talvez nessa altura não tenha tanta sorte”. Teresa Silva desconhece se a pessoa em causa continua a ter carta ou não, mas dizem-lhe que continua a conduzir.


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Pedro Félix:

“Nacional 3 é um estreito corredor que se transforma em sentença de morte” início do ano de 2016 foi marcado pela notícia que menos se espera ouvir. Num acidente de automóvel, ao anoitecer, e após chocar com um pesado que estava na berma, a mãe de Pedro Félix, residente também em Azambuja, perdeu a vida. Tudo aconteceu num instante, e o pai que ia a conduzir acabou por ficar sem a memória daqueles segundos fatídicos. Esta foi mais uma vítima de um clássico nesta via, o parqueamento de pesados na escapatória pela ausência de estacionamento para o efeito. Neste caso, o camionista estaria a jantar num restaurante em Vila Nova da Rainha e fez o de sempre, deixar o veículo ali bem perto, apesar de o estacionamento ser proibido. Tinha acabado de chegar a casa quando recebeu um telefonema de um desconhecido que através do telefone do pai de Pedro Félix, tinha conseguido o seu número. “Disse-me que era uma situação complicada e pediu-me para que fosse até lá”. Quando chegou ao local, os bombeiros já lá estavam. “Foi uma experiência muito traumática que deixou marcas e continuará a deixar não só em mim, como no meu pai, no meu irmão, em toda a minha família”, refere. Até hoje, e mesmo não se sabendo o que se passou, “certamente se a galera do camião não estivesse naquele local, possivelmente o meu pai conseguiria voltar à estrada depois do desvio, ou eventualmente parar com segurança na berma”. “Não sabemos se o meu pai se teria distraído ou se o acidente foi provocado pela ovalização da estrada”. A mãe de Pedro Félix, com 67 anos, ainda foi transportada de helicóptero para o hospital de Vila Franca de Xira, mas “nunca ficou claro se a sua morte tinha sido ou não imediata após o embate”. O pai que foi o sobrevivente deste acidente rumou ao hospital “bastante abalado e ainda em estado de choque”. “Demorou algum tempo a recuperar das mazelas físicas com um problema de coluna, mas ainda mais tempo a recuperar das questões psicológicas”. Psicólogo de profissão, Pedro Félix diz que viver uma situação destas “não é mais fácil nem é mais difícil do que no resto das pessoas” que na vida tenham passado por uma experiência de perder um ente próximo, até porque “não conseguimos ser simultaneamente observador e objeto, apesar de ter as minhas estratégias para conseguir ter aqui algum equilíbrio mental, tal como todas as outras pessoas”. “Independentemente de co-

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nhecer os processos de luto, enquanto psicólogo passei por todas as fases normais. Foi muito complicado para mim, também enquanto pai ao ter de explicar ao meu filho que na altura tinha três anos”. Passados dois anos e poucos meses, reflete que “é um acontecimento que nos acompanha, embora recuperemos, fica a saudade”. Refere que não recorreu a nenhum colega, “mas antes aos amigos e familiares”. A solidariedade da população foi também importante, “até porque a minha mãe era uma pessoa muito querida na comunidade”. “Tivemos várias demonstrações de apoio e de carinho”. A falta de condições na Nacional 3 acabou “por vir ainda mais ao de cima com este triste acontecimento do qual não gostaria de estar a falar na primeira pessoa”. Na sua opinião, o movimento Plataforma Nacional 3 “é de extrema importância”. Face ao que todos os dias acontece nesta via “tem de partir de nós cidadãos, a capacidade de nos mobilizarmos junto das entidades competentes que têm a obrigação de nos garantir o nosso bem-estar e qualidade de vida e segurança, que não existe nestas localidades junto à Nacional 3, como é o caso de Azambuja”. “Há horas em que a Nacional 3 se transforma num estreito corredor porque apesar de termos uma berma bastante generosa, a

O início de 2016 trouxe a pior notícia para Pedro Félix

mesma está ocupada com camiões, e transforma-se numa sentença de morte. Mas temos ainda a ovalização da via, o trânsito de pesados, o acesso dos pesados à via, a ausência de separador central.”


16 Opinião

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Assalto da banca á pelo menos uma coisa em que eu e o PCP estamos de acordo: toda a Banca devia ser pública. É um sector de tal forma vital para um País, que não pode estar na mão de privados. Na verdade, um Banco não é uma empresa qualquer. Ao contrário da generalidade das empresas que constituem o tecido económico dum país, um Banco tem duas particularidades que o tornam particularmente sensível às leis do mercado, escritas ou não escritas, e às práticas empresariais que, por vezes e como todos sabemos, roçam as fronteiras da legalidade e mesmo da ética – o que, embora os puristas possam não concordar com esta opinião, é uma forma de serem mais competitivas e eficientes. Por vezes até com a complacência ou a vista grossa das entidades competentes para a respetiva fiscalização. Admito até que algumas práticas menos claras sejam toleradas, desde que, naturalmente, não sejam ultrapassados certos limites que as fazem cair na pura ilegalidade. Isto é, considero que em tudo na vida, e também nas práticas empresariais, há um círculo de clara legalidade e ética de atuação e uma área exterior de práticas ilegais e eticamente reprováveis. Mas entre esses duas áreas há uma fronteira que não é uma linha, mas antes uma área di-

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fusa que permite certas atuações em nome dessa mesma competitividade já acima referida. São as práticas empresariais nessa fronteira difusa que alimentam advogados e escritórios de advocacia. Se fosse tudo branco ou preto, isto é, tudo obviamente legal ou claramente fora da lei, seguramente que não seriam necessários mais de dez por cento dos advogados que pululam no mercado. Nem dez por cento dos economistas, engenheiros e outros especialistas que fabricam modelos e operações empresariais “imaginativas e inovadoras” que caem nessa fronteira difusa. Mas um Banco é uma “empresa” com duas características que a tornam especial e particularmente sensível em termos dos impactos que pode ter na vida duma sociedade. Em primeiro lugar, a Banca é na verdade o motor da economia. Longe vai o tempo em que alguém com espírito empreendedor amealhava uns cobres e abria e sustentava uma empresa apenas com capital próprio. Hoje, não há empresa que não recorra à Banca e, quanto maior é e mais impacto tem em termos da economia nacional, maior é, normalmente, a sua dependência da Banca. As decisões dos Bancos, ao nível dos créditos que concedem ou não concedem,

das condições em que dizem sim ou das contingências pelas quais dizem não, é que vão decidir a estratégia de desenvolvimento dum País – mais do que qualquer plano estratégico ou meta governamental. No mundo real, não é o sonho que comanda a vida, como disse Gedeão; é a Banca, como diria qualquer Espírito Santo. Em segundo lugar, porque a Banca se tornou no colchão dos povos. Todos nós, à excepção duma minoria de lunáticos ou escaldados, confiamos o nosso dinheiro aos Bancos com dois objetivos: que a Banca o guarde e que pos-

Abril 2018 Joaquim António Ramos

samos, através dela, tirar algum proveito das nossas economias. É por desempenhar um papel tão fundamental na economia dos países e na vida das pessoas que eu considero que a Banca tem que ser blindada a práticas menos transparentes e, consequentemente, deve ser toda de capital nacional. Somos nós que pomos lá o nosso dinheiro. Devemos ser nós, através de quem nos representa – o Estado- que devemos geri-lo. Daí a minha convergência, neste campo, com o Jerónimo de Sousa e a ortodoxia comunista: do ponto de vista conceptual, a Banca devia ser toda nacionalizada. Eu bem sei que isto é uma utopia, na medida em que uma decisão destas teria que ser tomada à escala mundial, por todos os Países. Ora se nem contra o bombardeamento químico de populações indefesas se conseguem consensos, como seria possível consegui-los na natureza exclusivamente pública da Banca? É uma utopia, sim. Mas há utopias com as quais se concorda. Por exemplo “amai-vos todos uns aos outros”, como ensina a Bíblia, também é uma utopia. Mas toda a gente está de acordo com ela. Avaliei na sua escala esse fenómeno recente na nossa vida, que é a sucessiva injeção na Banca de dinheiros públicos, já na astronó-

mica conta de mais vinte mil milhões de euros. Não quero, nem é finalidade deste artigo, entrar por grandes explicações técnicas das razões pelas quais se chegou a esta gigantesca fraude. Sim, porque é uma fraude, para não lhe chamar um roubo com cobertura institucional a cada um de nós, cidadãos indefesos perante o Estado e perante a Banca. O que eu sei é que as coisas se passam mais ou menos assim, em grandes linhas: um número restrito de figurões da “society” empresarial consegue, com o beneplácito (para ser moderado) dos donos disto tudo financiamentos gigantescos para projectos no mínimo duvidosos, se não mesmo fantasmas ou que não passam do papel. Claro que, desde o início ou ao fim de pouco tempo, os projectos vão para o buraco e surgem as chamadas imparidades ( o moderno termo para calote), porque não há dinheiro para pagar o empréstimo. Mas a “massa” – a nossa “massa” – já lá está, ou melhor, já lá esteve porque entretanto voou para colchões mais sofisticados e misteriosos. O que fazer? Deixar o Banco “caír”, e com ele todos os que a ele confiaram as suas economias e gerar um sentimento generalizado de desconfiança na Banca e de re-

gresso ao colchão propriamente dito? Claro que seria desastroso. Então lá vem o Estado e cobre as tais imparidades – ou seja, o calote ao Banco – com a nossa “massa”, traduzida já não em depósitos mas em impostos. Isto é, o dinheiro que descontamos em qualquer garrafinha de água que bebemos, em qualquer recibo de fim de mês, não se destina ao bem comum, a melhorar a saúde, a educação, os apoios sociais, mas vai cobrir os “desvios” milionários que alguns tubarões fizeram com a cobertura da Banca. Desculpem, mas chamemos as coisas pelo seu nome: é um roubo à mão desarmada, o maior escândalo financeiro da nossa Democracia. Os nomes dos que conduziram a Banca a esta situação deviam ser publicamente divulgados e severamente castigados. Deles e dos que lhes deram cobertura, incluindo essa entidade perfeitamente inoperante e incompetente que é o Banco de Portugal.


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Opinião 17

Cinco anos de Valor Local Valor Local celebra no final deste mês 5 anos de vida. Foram cinco anos sempre a subir e a conquistar novos leitores e claro novos públicos. É claro que muito ainda há para fazer. Na nossa equipa sabemos disso e procuramos melhorar todos os meses um pouco mais. Para nós é importante o feedback do público, e por isso nos últimos meses temos vindo a reforçar a nossa distribuição um pouco mais pelos oito municípios onde estamos presentes. É certo que gostaríamos de estar em todo o lado. Cobrir todos os acontecimentos e levá-los ao conhecimento dos leitores. Mas essa tarefa é impossível. Primeiro porque um jornal em papel é limitado em termos de espaço, e segundo porque nem nós conseguimos estar em todo o lado

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ao mesmo tempo. Por isso quando algumas pessoas reclamam a nossa presença, fazemos “das tripas coração” para lá estar. Fazer o nosso melhor e trazer ao conhecimento de todos, as histórias que marcam a nossa região. Ao longo de cinco anos, temos vindo a “voar”. A voar porque o tempo voa. E até parece que foi ontem que fizemos o nosso primeiro jornal. Corria então o mês de abril de 2013, e o Valor Local surgia com uma grande reportagem nos estabelecimentos prisionais de Alcoentre. Cinco anos depois, e centenas de histórias contadas, podemos dizer ter orgulho do nosso “imberbe” passado, mas que continuaremos a olhar para o futuro de forma risonha, não nos identificando com aqueles que ditam

o fim dos jornais impressos numa década futura. Com efeito essa é uma reflexão que tem de ser feita pelos jornais regionais. O preço dos jornais vendidos em banca deve ser ponderado em prol de uma sociedade que cada vez menos compra jornais e prefere os gratuitos e a internet a gastar dinheiro em cultura e informação. O futuro, na minha opinião, passa por esta discussão. Mas passa sobretudo por encontrar formas criativas de dar ao público informação acessível e barata sem comprometer a qualidade do jornalismo e do produto final. No nosso caso, tal só tem sido possível graças aos nossos parceiros comerciais, que desde a primeira hora têm vindo a apostar num projeto credível e com um potencial tremendo na re-

gião onde se insere. Esse tem sido o nosso compromisso. Por isso desde o primeiro número, disponibilizamos na internet o jornal gratuito. Tão gratuito como o que entregamos em papel. E isso faz a diferença na hora de escolher entre um jornal oferecido e um jornal pago, que vive muitas vezes de assinantes, que na sua maioria estão fora do país e da sua zona do coração. Mas até estes já têm acesso à internet e às notícias que saíram, entretanto noutros Órgãos de Comunicação Social. Pelo segundo ano consecutivo o Valor Local voltou a apostar nos mais novos. Sem caráter competitivo, pedimos a alunos de quatro escolas que fizessem um trabalho sobre a poupança da água e a proteção do ambiente,

porque este será um tema recorrente nas próximas décadas. O resultado ficou patente na última edição do nosso jornal. Este ano, decidimos levar a cerimónia de entrega de diplomas a Alenquer, em junho, onde contaremos com a presença do Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, que pelo segundo ano aceitou o nosso desafio, o que muito nos orgulha. Esta será uma cerimónia onde as estrelas serão as crianças das escolas da Barrosa, concelho de Benavente, de Vale do Brejo, concelho de Azambuja, do Carregado, concelho de Alenquer e de Vila Franca de Xira. Uma iniciativa que não tem como objetivo premiar ninguém

A cada um a sua liberdade história de um País é feita de factos e datas, nem sempre aceites por todos como relevantes para identidade de um Povo. A comemoração das datas históricas em Portugal tem a haver com a existência de Entidades que as promovem e as consideram relevantes no memorial do pensamento luso, veja-se o 1º de Dezembro de 1640, o 5 de Outubro de 1910 ou o 10 de Junho dia que já foi da Raça, de Portugal, de Camões ou de outras designações que lhe quiseram dar. No 25 de abril comemora-se uma data marcante das revoluções em Portugal. Os mais velhos que viveram os acontecimentos de perto ou neles participaram sentem-se como actores de uma peça em que as palavras democracia e liberdade foram escritas a letras de ouro. Para os mais novos, falar hoje em liberdade, democracia ou de direi-

A

Abril

is chegados de novo ao mês de Abril. Abril tem ainda para muitos de nós um sabor a liberdade. É o mês do reencontro com os cravos. O mês que nos lembra mais do que qualquer outro valores intrínsecos da nossa condição de portugueses, nem que seja apenas por um dia. Somos conhecidos no mundo pelo povo que fez uma revolução com flores e eu, que sou uma romântica, gosto da ideia. Orgulhome desta imagem cheia de bele-

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tos fundamentais é apenas utilizar palavras integradas no léxico comum e diário dos portugueses. Precisamos de lhes lembrar que em perto de novecentos anos de história, muitas mulheres e homens se bateram no dia a dia e em épocas diferentes pelo simples direito de as usarem e

de usufruírem dos seus conceitos. Democracia, Liberdade

e direitos fundamentais são palavras reintegradas no linguajar diário com o 25 de abril e fazem hoje parte do ADN da nossa sociedade, de tal forma que mais parecem nascidas com as nossas origens. Se outras razões não existissem para comemorarmos o 25 de abril, o simples facto de vivermos hoje em democracia, de usufruirmos de Liberdade, de termos acesso aos direitos fundamentais, merece um reconhecimento patriótico do acto que colocou a data como património de elevado significado histórico. Os militares sempre tiveram na história de Portugal um lugar relevante e de destaque. O facto de terem realizado o golpe militar do dia 25 de abril de 1974 não pode ser dissociado das condições em que as Forças Armadas se encontravam, as operações militares contra os guerrilheiros dos movimentos de libertação das colónias portugue-

sas, desde 1961 em Angola, após 1963 na Guiné e a partir 1964 em Moçambique, a média de efectivos nos três teatros de operações, era considerada baixa, cerca 146.000 homens, a rotação de forças militares pelas diferentes províncias, a falta de quadros, sobretudo Oficiais que chegaram a fazer três ou mais campanhas, a publicação do DL 353/73 que dava aos Oficiais Milicianos o direito de, ao fim de dois semestres na Academia Militar entrarem na carreira de Oficiais, criou um mal estar no grupo dos Oficiais Subalternos do Quadro Permanente. O golpe militar cujo objectivo inicial era depor as chefias militares e a que chamaram Movimento das Forças Armadas, não encontrou grande resistência. Em muitas revoluções há imponderáveis que determinaram o seu percurso. No dia 25 abril o Povo saiu á rua, aquele povo que em grande parte era composto por homens em idade activa que tinha participado na guerra em África e que conheciam bem as armas, fez do golpe militar uma revolução e da revolução uma festa. Ao fim da tarde, desse

Miguel António Rodrigues

em particular, mas todos os que se preocupam com o meio ambiente e alertar consciências, nomeadamente dos mais velhos. Com esta iniciativa, o Valor Local que desde sempre se preocupou com as questões da água, dá assim um pequeno passo no que toca à consciência social. Um passo que esperamos que faça a diferença na mentalidade dos homens e mulheres de amanhã.

António Manuel Duarte*

dia já militares e civis compartilhavam viaturas, armas e cravos. Com a chegada dos políticos começaram as acções e os acordos que entregaram o poder ao Povo. Foi estabelecida a aliança Povo/MFA. Começou a democratização do País, rumo ao socialismo, como se dizia na altura. Procedeu-se ao desmantelamento do Estado Novo, demitiram-se Ministros, Governadores Civis e quadros administrativos, extinguiu-se a PIDE, a Legião Portuguesa, a Mocidade Portuguesa, a ANP e a censura. Começaram os primeiros passos no caminho da democratização, introduziram-se ideias novas, numa sociedade velha, cansada dum regime de quarenta e oito anos. - Acabou-se com a guerra em África. - Foram reconhecidos os Partidos Políticos - Foi instituído o princípio de cada cidadão um voto. - As mulheres e os homens adquiriram direitos iguais.

- Passou a existir a liberdade de opinião. - Foi instituído o salário mínimo. - A imprensa passou a ser livre. - Foi aprovada uma nova Constituição, a actual constituição de 1976. Como instituição que tem o dever de preservar a memória colectiva dos munícipes que representa, vai a Assembleia Municipal de Azambuja evocar a data do 25 de abril com uma sessão comemorativa. A comemoração que se vão realizar, tem como objectivo de transmitir valores da democracia e conceitos da liberdade, pilares da vivência entre cidadãos. A liberdade de um Povo só é efectiva quando for dada a cada um sua liberdade. * Presidente da Assembleia Municipal de Azambuja

Catarina Gaspar* za e poesia. Bem sei que o vizinho Manel Jaquim não gostava desta minha insistência romântica e lembrava-me sempre de que nada houvera de poético naquela noite horrível de interrogatório a que fora sujeito pela PIDE, onde cada unha lhe fora arrancada sem nenhuma anestesia e muita pancada. Repetia-me sempre que Abril fora conquistado com dor, sofrimento, sangue e muitas lágrimas e que essas “mariquices” de flores e poesia serviriam apenas para o esquecimento daqueles

que ousaram sonhar um país onde todos tivessem o direito a serem felizes. Como já disse atrás, sou uma romântica e embora prometendo ao meu coração de menina que nunca iria esquecer o vizinho Manel Jaquim, a minha revolução é de flores, sim senhor, de flores e poesia. Recentemente a propósito das comemorações do 25 Abril, numa ida ao cabeleireiro, aquele lugar onde as mulheres põem a “escrita em dia” alguém comentou comigo

sobre a importância desta data: - Bem - dizia a minha jovem companheira de salão – não ligo nada a este dia… nem sei muito bem porque é que o festejam, já não faz sentido nenhum… é bom porque é feriado e se o tempo estiver bom sempre dá para ir ver o mar. Devo de a ter olhado de uma forma estranha e confesso que me surgiram mil palavrões, daqueles que alguns até pensam que eu não conheço, mas pensando no vizinho Manel Jaquim, diligentemente, lá lhe tentei dar uma lição

de história colocando nas minhas palavras toda a emoção e sentimento que conseguia, lembrando sobretudo o sofrimento dos que deram a vida para que ela pudesse hoje dizer o que pensava. Ouviu-me atentamente e depois, cruzou uma perna sobre a outra, olhou para a revista que tinha ficado esquecida na mão e com uma cara de indignação apontando uma página aberta disse-me: - Já viu isto, a filha da Madona

não faz a depilação debaixo dos braços! * Presidente da Assembleia Municipal de Arruda dos Vinhos


18 Ambiente

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PDM

Quercus processa de novo Câmara de Benavente, e leva atrás presidente e vereadores eu entrada no dia 17 de março no Tribunal Administrativo Fiscal de Leiria novo processo da Quercus contra a Câmara Municipal de Benavente, o seu presidente, Carlos Coutinho, e os vereadores do executivo (Ana Carla Gonçalves, Augusto Marques, Catarina Pinheiro Vale, Domingos dos Santos) e da oposição (Luís Semeano, Ricardo Oliveira) que fizeram parte do mandato 2013/2017; bem como o antigo presidente António José Ganhão e Miguel Cardia, antigo vereador também eleito pela CDU, em mandatos mais antigos. Esta foi uma notícia que apanhou os diferentes visados de surpresa, tendo sido aliás o nosso jornal que lhes comunicou a situação de réus tendo em conta que se afirmaram totalmente desconhecedores deste processo, não tendo sido ainda notificados pelo tribunal. Em causa estarão ao que tudo indica questões relacionadas com o PDM, cuja revisão se encontra em curso, no que respeita a alguns empreendimentos urbanístico-turísticos do concelho como a Portucale; a Herdade da Vargem Fresca (enquanto sociedade agrícola; co-

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mércio e serviços; clube de campo, sociedade hoteleira e SA); a Quinta de Santo Estevão Sociedade Imobiliária; Imobaleia Sociedade Imobiliária: DS Portugal- Turismo e Imobiliária; Ribagolfe, Empreendimentos de Golfe; e Herdade de S. Tiago II, Sociedade Agrícola. O Valor Local tentou apurar junto da Quercus em específico o que cada um destes casos comporta, contudo e porque esta informação já nos chegou em fecho de edição, não foi possível falarmos em tempo útil com o advogado da associação ambientalista. O nosso jornal conta ter essas declarações nos próximos dias que serão expostas no site do nosso jornal em www.valorlocal.pt Ouvido pelo Valor local, Carlos Coutinho confessa a sua estupefação perante mais esta queixa da associação, que tem considerado como ilegal a forma como a autarquia tem efetuado a revisão do PDM para diferentes processos. “Não fui notificado e não faço ideia do que seja”, refere à nossa reportagem, ao mesmo tempo que fala em “perseguição” por parte da Quercus. “Não temos nada que

nos pese na consciência, fazemos a gestão do nosso município”. E só a título de exemplo “não me recordo de nada em específico que tenha sido votado em reunião de Câmara da Herdade da Vargem Fresca, da Quinta de Santo Estevão ou da Portucale”. Apesar de não ter sido notificado, refere que há umas semanas, o vereador do PS, Pedro Pereira, terá dito em reunião que os eleitos eram todos réus. Informação que não foi entendida como de valor porquanto faltou concretização à mesma. “Se eu não tinha essa informação como teria ele?! Hoje confirma-se que teria essa informação privilegiada”. O facto de constarem os nomes de Miguel Cardia e António Jose Ganhão que nem sequer faziam parte do anterior mandato “não são estranhas tendo em conta que vêm da Quercus”. Para além de que “nunca foi reconhecida razão” à associação ambientalista. “As nossas decisões são feitas em cumprimento da lei, vamos esperar para ver”. Na sua opinião, a Quercus com a sua ação de “interpor processos atrás de processos

Executivo e oposição do mandato anterior constituídos como réus em novo processo

só tem prejudicado o desenvolvimento do concelho, e atrasado muitíssimo o Plano Diretor Municipal”. “Os interesses do nosso município e da nossa gente têm sido fortemente prejudicados, até porque as entidades supra a nível governativo, não têm encontrado problemas ou ilegalidades na forma como temos aprovado as questões do PDM”. Ouvido pelo Valor Local, o antigo vereador do PS, Luís Semeano, que não integra a atual vereação, também desconhece o processo.

Foi o nosso jornal a fornecer esta informação. O antigo autarca diz que só integrou as reuniões de Câmara a meio do mandato e que não se lembra de ter votado matérias como as que envolvem as empresas acima mencionadas. “Apenas me recordo de ter votado umas vezes contra outras a favor processos relacionados com a legalização de pecuárias, e outras indústrias do género” ao abrigo do Novo Regime do Exercício das Atividade Pecuária. Também o vereador Ricardo Oliveira, do PSD,

que continua a fazer parte da vereação tendo abandonado há poucas semanas a partilha do pelouro do PDM afirma-se desconhecedor de toda a matéria e rejeita a ideia de que tenha decidido abdicar deste pelouro tendo em conta esta nova queixa da Quercus. “A única coisa que tenho a dizer é que passado um mês do processo ter dado entrada nos tribunais, não fui notificado, tudo aquilo em que voto na Câmara é em defesa dos pressupostos legais e do interesse público”.

Instituto de Conservação da Natureza e Florestas chuta para canto arranque de sobreiros em Azambuja epois de em dezembro último, e após uma vistoria ao aterro da Queijeira, em Azambuja, gerido pela Triaza/SUMA onde se constatou “o elevado número de desaparecimento de sobreiros” no local, informação que pode ser lida numa ata à qual o Valor Local teve acesso e que foi assinada entre outros por dois técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), eis que agora e num email ao qual tivemos acesso endereçado à Agregados Ibéricos, dona do terreno, o ICNF diz que não resultam fundamentos da visita efetuada no dia 18 de dezembro de 2017, para que seja levantado o auto de notícia pretendido pela Agregados Ibéricos gerida pelo empresário Pedro Ribeiro “porque não há indícios de que tenha ocorrido o abate ilegal de sobreiros, e muito menos no período temporal alegadamente ocorrido” (ver imagens) Recorde-se que nesta visita estiveram ainda técnicos da Câmara, elementos da Triaza, da Agregados Ibéricos e Leirimóbil bem como da Direção Geral de Energia e Geologia. A ata foi assinada por

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todos. Não estando escrito em lado nenhum que naquele dia o ICNF tenha contestado a informação em causa dia ou dito algo diferente. O Valor Local tentou o contacto com a Agregados Ibéricos mas não foi possível. Quanto ao ICNF continua não responder diretamente ao nosso jornal que tem vindo a reunir documentação e dados sobre este assunto recorrendo a terceiros. A Quercus, associação ambientalista, declara a sua apreensão sobre o assunto. “Os sobreiros foram arrancados e agora não existem evidências, dada a construção do aterro, mas não existe autorização para o abate das árvores, pelo que o ICNF deveria apurar as responsabilidades”, refere Domingos Patacho daquela organização.

dos bombeiros de Azambuja, Ricardo Correia, e o engenheiro da SUMA, consórcio que gere o aterro de resíduos não perigosos, Rui Pedro Santos transmitiram a informação de que não houve contaminação da rede pública de águas, apesar dos riscos inerentes à operação. Segundo a Triaza, as duas lagoas acumularam água da chuva pelo que foi necessária a intervenção dos bombeiros no local. O responsável referiu que teve lugar apenas a mera passagem de águas de um local para o

outro, e daí para a rede, sem que tivessem entrado na linha de água: lixiviados ou outras matérias. O munícipe que vive mais perto do aterro, António Pires, informou que chegou a ver no teatro de operações sacos de plástico e o que acredita serem residuais, e disso já deu conta às entidades competentes como Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território. O engenheiro da Triaza voltou a

segurado da não existência de água contaminada” não obstante o que foi dito nesta reunião pelos seus responsáveis. Questionou ainda o engenheiro presente sobre a entrada ou não de resíduos provenientes da Escócia nas instalações do aterro de Azambuja pelo facto de o aterro da empresa em Leiria se encontrar ao que tudo indica sobrecarregado. Rui Pedro Santos negou tal realidade, referindo ainda que o aterro da SUMA em Leiria não está no términus da sua capacidade.

ICNF vai em sentido completamente contrário ao que foi assinado pelos seus técnicos

Operação dos bombeiros no aterro de Azambuja causa preocupação A recente bombagem de água de uma lagoa para a outra no aterro da Triaza em Azambuja criou uma onda de alarmismo. Na última reunião de Câmara, o comandante

referir que estávamos na presença de águas limpas, de tal forma que não foi necessário recorrer ao emissário, tendo bastado para o efeito os dois pontos de descarga autorizados pela Águas da Azambuja. Ouvida pelo Valor Local, Carmen Lima da Quercus refere que a operação levada a cabo pelos bombeiros não é descabida, fazendo sentido em caso de emergência. Já o vereador da CDU, David Mendes, catalogou toda a operação como amadora, “porque os bombeiros deveriam ter-se as-

Ata manuscrita e assinada por todos os presentes indicava arranque de sobreiros


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Eventos 19

Festa do Vinho e do Chocolate no Cartaxo Câmara Municipal do Cartaxo voltou a desafiar produtores, a convidar enólogos e instituições de ensino a estarem presentes na sua festa do vinho e do chocolate. Tal como ano passado há um conjunto de iniciativas de animação musical, provas de vinho, demonstrações de cozinha ao vivo entre muitas outras atividades. Durante cinco dias, de 27 de abril a um de maio, os produtores e as casas agrícolas vão oferecer os sabores e aromas dos seus vinhos, o chocolate ocupará bancas e ateliers, a música subirá ao palco e as tasquinhas das associações do concelho serão espaço de convívio e de divulgação da melhor gastronomia da região e do vinho do Cartaxo. O certame abre portas no próximo dia 27 de abril, a partir das 15h30 com o seminário “As Adegas Cooperativas e Novos Mercados,” que vai pôr à conversa os profissionais do setor. Para além de dois painéis de oradores, para dois temas – “O Presente e Perspetivas de Futuro, e Novos Vinhos, Novas Formas de Comercialização” –, o seminário integra também a cerimónia de entrega dos prémios do Concurso de Vinhos da Campanha 2017 do Melhor Vinho na Produção do Concelho do Cartaxo e da Região Tejo, organizado anualmente pela autarquia. Os vinhos premiados serão os protagonistas da prova que encerrará o seminário. A cerimónia de inauguração terá lugar às 19h00, com a presença da música popular portuguesa, pelo grupo Cantigas da Terra, do Rancho Folclórico do Cartaxo, que vai abrir o programa de animação da Festa. Já no dia seguinte, às 15h00 tem início um dos ateliers de Chocolate Mini-Chef, que vai repetir-se no domingo e na terça-

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Pela segunda vez o município aposta na combinação dos dois ingredientes feira. Às 17h00, a zona de showcooking recebe a enóloga Maria Vicente, e a Escola Profissional de Vale do Tejo, que voltará às 19h00, para uma prova comentada de cocktails. O Grupo de Dança Desportiva da Sociedade Filarmónica Cartaxense sobe ao palco da festa às 17h30 para contagiar todos com a sua energia. O concerto dos Ús Sai de Gatas ocupa o palco às 22h00. No domingo destaque para a música com as atuações do Grupo de Dança Hip Hop do Ateneu Artístico Cartaxense, às 17h00. Ainda ao longo deste dia terão lugar várias provas comentadas dos vários vinhos do concelho e da região. No dia 30 de abril, a Associação de Municípios do Vinho (AMPV) faz 11 anos e tendo nascido no Cartaxo, escolheu a cidade para fazer a festa de aniversário. No Pavilhão Municipal de Exposições, vai falar-se sobre “Educar

para o Vinho”, num workshop que se inicia às 17h00 e tem esta associação como parceira. Às 21h00, as comemorações decorrem no Centro Cultural do Cartaxo e contam com dois momentos de destaque, a cerimónia de entrega dos Prémios Prestígio AMPV e a Homenagem Nacional a Vasco d’ Avillez. No Pavilhão Municipal de Exposições, a Festa do Vinho & Chocolate continua com uma prova de vinhos às 18h00, a mesma hora a que se inicia um atelier infantil. O último dia do certame é dedicado às mais típicas tradições ribatejanas, que terão o seu momento alto logo pela manhã com o Dia do Campino. A partir das 10h00, as ruas da cidade recebem campinos, amazonas e cavaleiros, para um desfile que conta com a participação do Rancho Folclórico do Cartaxo e da banda da Sociedade Filarmónica Incrível Pontevelense.

No recinto da festa a tradição afirma-se desde tenra idade, com os mais novos a mostrar a etnografia e as danças regionais. É o Festival de Folclore Infantil, que sobe ao palco às 15h00. Na Praça de Touros do

Cartaxo, os aficionados têm na novilhada, que tem início marcado para as 17h00, a certeza de uma tarde divertida, enquanto no Pavilhão Municipal de Exposições, o Grupo de Cantigas e Tradições da Lapa, sobe ao

palco às 18h30 para que o melhor da música tradicional portuguesa encerre a animação da Festa. Até às 22h00, as tasquinhas regionais continuam a servir iguarias de todas as freguesias.


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Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade da ACISMA - Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja

VentureEU, o investimento de capital de risco em jovens empresas inovadoras na Europa A Comissão Europeia e o FEI - Fundo Europeu de Investimento lançaram o VentureEU um programa que estabelece um fundo de fundos de capitais de risco pan-europeu para estimular o investimento em empresas inovadoras em fase de arranque e em expansão em toda a Europa. A Europa dispõe de investigadores de categoria mundial e de empresários qualificados, mas tem de conseguir converter melhor essa excelência em histórias de sucesso. O acesso ao capital de risco desempenha um papel fundamental na Inovação. A Comissão e o FEI apresentam seis fundos que receberão apoio da União Europeia (UE) para cumprir a sua missão de investir no mercado europeu de capital de risco.Apoiados por financiamento da UE no montante de 410 milhões de EUR, os fundos deverão mobilizar 2,1 mil milhões de EUR de investimentos públicos e privados. Espera-se que estes investimentos, por sua vez, gerem cerca de 6,5 mil milhões de EUR de novos investimentos em empresas inovadoras em fase de arranque e em expansão em toda a Euro-

Certificação PME

A Certificação PME é um serviço que, por via exclusivamente eletrónica, atesta o cumprimento dos critérios de micro, pequena e média empresa por parte das empresas nacionais. Destina-se a micro, pequenas e médias empresas que pretendam fazer prova de que possuem esse estatuto e a entidades da Administração Pública, ou com ela protocoladas, que estejam obrigadas a exigir a comprovação do estatuto de PME para efeito de procedimentos administrativos (atribuição de apoios ou outras formas de discriminação positiva de micro, pequenas ou médias empresas). A certificação é integralmente efetuada online, no website do IAPMEI, através da área Serviços online, dispensando a entrega

pa, duplicando o montante de capital de risco atualmente disponível na Europa. O capital de risco é essencial para o bom funcionamento da União dos Mercados de Capitais, mas continua a estar pouco desenvolvido na Europa. Em 2016, os investidores de capital de risco investiram cerca de 6,5 mil milhões de EUR na UE, contra 39,4 mil milhões de EUR nos EUA. Além disso, os fundos de capital de risco na Europa são demasiado pequenos — 65 milhões de EUR em média, contra 156 milhões de EUR nos EUA. Em consequência, estas empresas deslocam-se para ecossistemas onde tenham melhores hipóteses de crescer rapidamente. A UE disponibilizará investimentos de base num montante de 410 milhões de EUR, dos quais 200 milhões de EUR provêm do Horizonte 2020 - o programa europeu de financiamento da Investigação e Inovação, 105 milhões do programa COSME - programa europeu para as Pequenas e Médias Empresas, e 105 milhões do FEIE - Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (o chama-

do Plano Juncker) incluindo 67 milhões de EUR de recursos próprios do FEI. O restante financiamento será angariado pelos gestores de fundos selecionados, principalmente entre investidores independentes. Os seis fundos adquirirão participações num conjunto de fundos de investimento de menor dimensão e financiarão projetos em pelo menos quatro países europeus cada. Estes fundos de menor dimensão irão ajudar a financiar pequenas e médias empresas (PME) e empresas de média capitalização de vários setores, como as Tecnologias da Informação e das Comunicações (TIC), o setor digital, as ciências da vida, as tecnologias médicas e a eficiência energética e de recursos. O investimento da UE no VentureEU será gerido pelo FEI sob a supervisão da Comissão e executado por intermédio de seis gestores de fundos profissionais e experientes, assegurando uma abordagem plenamente orientada para o mercado. Fonte: Rep. CE Portugal

de qualquer documentação. Para se certificarem, as empresas preenchem formulários eletrónicos onde são recolhidas as informações necessárias à determinação do estatuto e submetem-nos juntamente com uma declaração de responsabilidade da veracidade da informação prestada. Daqui resulta a atribuição de um estatuto de micro, pequena ou média empresa que faz efeito de forma imediata. Este estatuto é imediatamente passível de visualização online por parte da empresa que se certifica e também por parte de qualquer entidade obrigada a exigir a comprovação do estatuto de PME para efeitos de procedimentos administrativos, sendo esta visualização suficiente (e necessária)

como prova de PME. O serviço assegura a possibilidade de certificação permanente a qualquer empresa certificada, com recálculo obrigatório do estatuto sempre que eventos estruturantes da sua vida (alteração da estrutura societária, aquisições ou alineações de participações sociais, prestação de contas relativas a um novo exercício fiscal, etc.) o justifiquem. Desta forma, é assegurado que cada empresa se encontra a beneficiar, em cada momento, do estatuto que efetivamente corresponde à sua estrutura de relacionamentos atual, e tendo em conta os dados de efetivos e financeiros mais adequados. Fonte: IAPMEI


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Dossier: Águas 21

Câmara defende:

Novo Regulamento da Águas da Azambuja “mais amigo” do consumidor regulamento de serviços da rede de águas e saneamento da empresa Águas da Azambuja (ADAZ) foi aprovado em reunião de Câmara com os votos a favor do PS e a abstenção da CDU e do PSD. Apesar da concessão a privados estar presente no concelho há praticamente uma década só agora existe este regulamento que de acordo com Silvino Lúcio, vereador na autarquia, ao Valor Local vem consagrar mais direitos aos consumidores. O regulamento que estava em vigor “ainda do tempo em que a Câmara geria o abastecimento e saneamento básico prejudicava o consumidor e não se encontrava adequado ao que é preconizado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR)”. Para o autarca, “o novo documento estabelece regras para a concessionária e patamares de indemnização no caso de incumprimento”. Silvino Lúcio estima que o documento possa ser, agora, votado na Assembleia Municipal que se realizará no mês de junho. Entre outras matérias, o novo regulamento prevê que no máximo, a Águas da Azambuja não demore

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mais do que 20 dias a responder a uma reclamação ou pedido de informação de um cliente. Isabel Pires, responsável da empresa, salientou na última reunião de Câmara, que a média da ADAZ andava nos cinco a seis dias, nesta matéria. Por outro lado, as indemnizações ao cliente em caso de falta de água na torneira são calculadas em torno da componente na fatura denominada tarifa de disponibilidade. O valor unitário é de 3,45 euros. No total da fatura esse valor será divido pelo número de dias em que a água faltou. No entender da oposição este é um cálculo que não apresenta vantagens para o consumidor. Por outro lado, e tendo em conta os arredondamentos nas casas decimais que se verificam nas faturas, referiu o vereador da CDU, David Mendes faz com que no final do ano, o consumidor esteja a pagar em média cerca de 84 euros ao fim de doze meses. Outra das questões que Silvino Lúcio refere, à nossa reportagem, que se pretendeu salvaguardar prende-se com uma das principais críticas à atuação da empresa com a substituição de contadores

Novo regulamento da Águas da Azambuja deverá estar em vigor no verão

quando não solicitada. Silvino Lúcio admite que esse cenário incomodou a população, até porque muitas vezes era colocado “um contador de 20 mm e não de 15 mm”. O de 20mm tinha uma tarifa de 5,78 euros, e o de 15mm de 3,15 euros. Silvino Lúcio refere

que a negociação conseguiu colocar os contadores de ambos os tipos com uma tarifa de 3,45 euros para as casas de habitação. Na sempre muito controversa questão da taxação da tarifa de saneamento onde este não existe, como em algumas zonas no norte

do concelho, o vereador refere que nestes casos, o consumidor não tem de pagar pela limpeza de fossas, independentemente do número de vezes que seja necessário proceder a esse tipo de ação por parte da concessionária. “Uma senhora no alto do concelho não

quis fazer a ligação da máquina de lavar roupa à fossa porque pensava que tinha de gastar 60 euros todos os meses para que Águas da Azambuja procedesse à limpeza. Mas não tem porque já paga a tarifa”, refere, adiantando – “O mesmo é válido para os restantes moradores que assim o desejem. Nós avisámos a Águas da Azambuja para fazerem eco desta possibilidade. A empresa ficou um pouco retraída não vá a população desatar a pedir limpeza de fossas de cinco em cinco minutos”, desvenda. Em reunião de Câmara, Isabel Pires foi ainda questionada sobre a falta de pressão em algumas localidades como Vale do Paraíso, onde com alguma regularidade a água falta nas torneiras. A responsável referiu que recentemente tentou-se melhorar as condições de abastecimento à freguesia. “Quando somos confrontados com a falta de pressão, vamos ao local porque podemos estar na presença de um problema na rede predial. Colocamos registradores em contínuo para se perceber melhor, e corrigir, e assim agir de acordo com o que está na legislação”

Águas do Ribatejo quer impedir a entrada de privados e duplicar capital social assembleia geral da Águas do Ribatejo (AR) aprovou por unanimidade a proposta para alteração dos estatutos e duplicação do capital social para mais de 13,7 milhões de euros mantendo as percentagens de participação de cada município. Os municípios definiram ainda a forma como blindarão a empresa à participação de capitais privados. Os sete presidentes de câmara vão remeter agora estas propostas aos executivos e assembleias municipais. Após a apreciação nas sete assembleias, a proposta final baixa à Assembleia Geral da AR para aprovação dos novos estatutos. Francisco Oliveira, presidente do

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conselho de administração, congratulou-se, ainda, com os consensos obtidos na assembleia e realça os bons indicadores evidenciados no relatório de gestão e contas: “Apresentamos um resultado muito interessante com um aumento de 6,4 por cento no volume de negócios e de 36 por cento no resultado líquido com 2,1 milhões de euros, ou seja, mais 574 mil euros em relação a 2016. Estes resultados são excelentes num ano em que fizemos investimentos significativos e em que mantivemos um tarifário socialmente justo”. No quadro da operacionalidade, Francisco Oliveira destacou a redução das perdas de água reais

para 28 por cento e a manutenção dos indicadores de qualidade no abastecimento de água e no tratamento de águas residuais muito perto dos 100 por cento.

No plano dos investimentos, estão concretizados 120 milhões de euros desde 2009 e estão em curso obras de valor superior a 20 milhões de euros nos vários

concelhos. O Presidente da AR destaca o elevado esforço exigido à empresa na empreitada da ETAR e emissário de Samora Correia

onde a AR vai investir 3,8 milhões de euros de capitais próprios dado que apenas foi garantido um financiamento de 850 mil euros.

As propostas serão agora alvo de votação nas sete câmaras municipais

ETAR da Glória causa preocupação estado em que se encontra a laborar a ETAR da Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos, gerida pela empresa Águas do Ribatejo, está a causar preocupação. Numa das últimas reuniões de Câmara, o vereador do Bloco de Esquerda, Luís Gomes, levantou a questão

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referindo que “o tipo de efluente apesar de tratado e de não apresentar cheiros não é acompanhado por qualquer tipo de processo de diluição, a que acresce o facto de ser feito a céu aberto”. O Bloco de Esquerda reforçou que uma das lagoas já apresen-

ta “uma quantidade de lamas bastante elevada, sendo evidente a presença de plantas junto aos taludes frontais, pelo que, provavelmente, já estará na altura de se proceder à remoção destas lamas”. Acrescentou mesmo que neste caso “já podemos estar a falar

de um crime ambiental grave”. “A inspeção municipal deverá verificar este assunto”, acrescentou o vereador do BE. O presidente da Câmara, Hélder Esménio, referiu que a denúncia que circulou que falava de “crime ambiental na ETAR em questão não tem fundamen-

to”. “Todos os parâmetros de qualidade do efluente são monitorizados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA)” pelo que “não há necessidade de denunciar esta situação à inspeção do Ambiente”. “A ETAR apresenta um problema de algas no verão que é normal nes-

te tipo de infraestruturas”, referiu. Contudo o Bloco de Esquerda juntou - “A linha de água está fortemente assoreada, formando assim inúmeras charcas insalubres nas quais, durante o Verão, crescem mosquitos e outros vetores de doenças”.


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Valor Local

Abril 2018


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Tauromaquia Azambujense António Salema. O livro

Instantâneos 23 Retratos da Nossa Terra

António Salema “El Salamanca”

ançado no passado dia 24 de Fevereiro, o livro António Salema, está à venda nos Bombeiros Voluntários de Azambuja para quem reverte a receita das vendas e traz algumas histórias que povoam as memórias deste já nonagenário crítico tauromáquico.

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Parreirita Cigano arlos Conceição, conhecido no meio taurino como Parreirita Cigano, já prepara a temporada de 2018. Sabe-se que o jovem Cartaxeiro tem já agendadas corridas para Santarém e Lisboa, esperando-se para breve a divulgação de mais espetáculos.

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Feira de Sevilha o passado dia 14, houve espetáculo na Real Maestranza. O motivo? Eram lidados naquele dia toiros da ganadaria de Victorino Martin e é certo e sabido que os “Victorinos” são toiros que levam gente à praça. Pode-se dizer que são toiros para toureiros e os que não os rejeitam são mesmo toureiros a sério, como é o caso da nossa Ana Rita que disse bem alto que não se importaria de tourear “Victorinos” todos os dias. É assim que se vê onde estão os grandes toureiros. Nesta corrida do dia 14, atuaram, Antonio Ferrera, Manuel Escribano e Daniel Luque e mostraram valor. Uns mais, outros menos, mas viram-se pormenores interessantes em todos. No entanto, é preciso tourear menos com as pernas e marcar-se o engano com os braços e mãos. A única coisa má naquele dia foi o frio, que fazia gelar todos aqueles que quase enchiam aquela bonita Monumental de Sevilla.

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leitor António Ribeiro, sempre atento às coisas que o rodeiam, enviou ao Valor Local esta fotografia onde é bem visível o “emaranhado” de cabos no início da Rua Rolim de Moura junto à zona histórica de Azambuja. O seu olhar atento remete o momento para o facto da zona ser considerada histórica no que toca à conservação do edificado em torno da Igreja Matriz, mas desrespeita totalmente a paisagem que se quer conservar com esta passagem aleatória de cabos de televisão, telefone e energia. Será altura para repensar isto.

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Ana Rita cavaleira do Concelho de Azambuja teve a sua estreia nesta temporada em terras de França e segundo diz quem esteve presente foi um êxito. Agora vem a temporada no país vizinho. Suerte Ana Rita.

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Forcados Amadores de Azambuja á que falámos de Ana Rita, a jovem cavaleira é uma das figuras retratadas numa exposição de cartéis (cartazes) e fotografias de alguns nomes que embelezam as paredes da Praça de Valencia. Quem aproveitou para ver essas exposições, foram os Forcados Amadores de Azambuja que se deslocaram à terra de Henrique Ponce e alcançaram um grande êxito que culminou com uma volta triunfal à arena. É muito bom ver os forcados portugueses a triunfarem no país vizinho. Venham mais corridas. Nem que sejam na China.

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Manuel Badajoz aleceu no passado dia 4 de março, o conhecido Manuel Badajoz. Natural de Coruche, o antigo bandarilheiro contava 86 anos. À família o nosso mais sentido pesar.

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Co-

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a estrada do Carril, que liga Alcoentre a Maçussa, as paragens de autocarro esperam por melhores dias. Uma leitora identificada fez-nos chegar esta foto que mostra bem o estado desta paragem, que ao que tudo indica aguarda há vários meses pela substituição. O que é certo é que nos dias mais chuvosos, os utentes precisam do chapéu de chuva, dado que o teto da paragem parece um passador e não está lá a fazer nada.

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Jornal valor local edição abril 2018  
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