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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 30 • 23 Outubro 2015 • Preço 1 cêntimo

Págs. 12,13,14 e 15

Falta de médicos: População de Alcoentre ameaça com boicote às presidenciais

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Entrevista a Carmona Rodrigues sobre o futuro do Tejo Págs. 10 e 11


Sociedade

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Valor Local

Loja do Munícipe abre em Vila Franca de Xira A cidade de Vila Franca de Xira inaugura no próximo dia 27 de outubro na urbanização Quinta da Mina a sua primeira Loja do Cidadão. Trata-se de um investimento de 210 mil euros, suportados pela Câmara de Vila Franca de Xira e que terá ao seu serviço 23 funcionários oriundos dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) locais. Atualmente a cidade de Vila Franca dispõe de um posto de atendimento que fica na junta de freguesia local, mas que apenas disponibiliza serviços ao nível da Administração Central. Contudo esta nova “Loja do Munícipe” terá uma componente

mais alargada e disponibiliza serviços que dizem respeito exclusivo a serviços da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e SMAS. Segundo a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, ao Valor Local, esta loja centraliza, num único espaço, todos os atendimentos da autarquia e SMAS que estão na cidade, com o objetivo de “responder com maior rapidez e eficácia às solicitações de munícipes e agentes económicos, eliminando entraves ou burocracias desnecessárias”. Neste novo espaço, os munícipes poderão tratar dos mais variados assuntos de entre um vasto conjunto de serviços de apoio e aten-

dimento “que abrangem as diversas matérias da competência da Câmara Municipal e SMAS”. Segundo o município vilafranquense estes novos serviços abarcam nomeadamente “o ambiente e espaços verdes, atividades económicas, urbanismo, apoio ao consumidor”. Por outro lado os cidadãos poderão tratar de assuntos também relacionados com a “atribuição de apoios financeiros e não financeiros, certidões e fotocópias, estacionamento, condicionamento de trânsito, toponímia, cemitérios, higiene pública, obras na via pública, património, contraordenações, obras, reabilitação urbana, habitação municipal, juventude ou atividades lúdicas”.

Cruz Vermelha de Aveiras apoia reclusos das prisões de Alcoentre Cruz Vermelha de Aveiras de Cima (CVP) está a levar a cabo um programa de apoio junto da população prisional do concelho, repartida pelos estabelecimentos de Alcoentre e Vale de Judeus. Chama-se “Revive Mais”, e José Torres, o novo presidente da instituição, salienta a importância das várias ações de formação nesses locais, referentes a temas de saúde pública como o caso da

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diabetes, por exemplo. Mas a inclusão destes cidadãos não se fica por aqui. Refere José Torres que, muitas vezes, os elementos da Cruz Vermelha disputam jogos de futebol como forma de ajudar a essa mesma inclusão. José Torres fala também de apoio aos reclusos que não têm família. Ou porque são estrageiros ou “ilhéus” e para esses “temos uma equipa de visitas mensais em que os ouvimos ou fala-

mos com eles, porque também necessitam muito”. José Torres presidente e comandante da instituição saliente também ao Valor Local a importância dos vários programas de apoio que a CVP tem no terreno, e que a instituição tem vindo a reforçar. Ao todo, apoia mais de uma centena de famílias, não apenas de Aveiras de Cima, mas de todo o concelho O concelho de Azambuja “é so-

lidário” e a prova são os diversos contentores colocados pelo concelho para que os cidadãos possam doar roupas para os mais necessitados. José Torres esclarece que todas as semanas ficam cheios, e não são raras as vezes, em que a CVP tem de solicitar vestuário à empresa que gere os contentores, para distribuir um pouco por todo o concelho. O comandante e presidente sa-

lienta entretanto que existem situações complicadas ao nível da pobreza no concelho de Azambuja, e que muitas são acompanhadas pela instituição. O comandante diz que a CVP está no bom caminho e até a crise e o desânimo que assolou aquela casa nos últimos anos da anterior direção que “empurrou” muitos operacionais para fora, começa agora a atenuar. Muitos já regressaram e outros

ponderam entrar nas fileiras da instituição, como são os casos dos novos elementos que resultarão do futuro curso de recruta daquela casa. Há, segundo José Torres, “outra motivação na equipa” dentro da casa e até fora da instituição “com muitos cidadãos a oferecerem a sua ajuda”. “Ainda é insuficiente para o que pretendemos mas já é um passo significativo.”

Azambuja

“Praga” de Javalis preocupa caçadores e autarcas aumento da população de javalis um pouco por toda a Europa tem vindo a preocupar as populações. Um estudo recente da organização Landowners revelou que o aumento daquela espécie já está a causar sérios prejuízos para as economias de muitos países membros da União Europeia inclusive Portugal, nomeadamente no que toca à destrui-

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ção por estes animais de algumas culturas como o milho ou o trigo Segundo o mesmo estudo esta população cresceu cerca de 200 por cento nos últimos anos e isso já se nota também pelo Ribatejo. Em Azambuja o fenómeno não tem passado despercebido e são já frequentes os relatos de caçadores sobre o avistamento

de grupos de animais que perigosamente vão ficando mais perto dos meios urbanos. Recentemente as autoridades azambujenses resgataram mesmo um javali já morto num dos parques de estacionamento junto à estação da CP, e numa reportagem feita o ano passado pelo Valor Local ao interior das matas do concelho de Azambuja, pudemos verificar também al-

guns animais mortos. Silvino Lúcio, vice-presidente da Câmara Municipal de Azambuja e também ele caçador, refere que a autarquia está atenta à situação. O vice-presidente salienta que o concelho de Azambuja tem uma grande proliferação dessa espécie, nomeadamente nas franjas a norte e a sul. Silvino Lúcio vinca que os javalis

começaram a aparecer “mal o coelho começou a desaparecer”. O autarca refere que se detetaram “muitos javalis nas épocas das searas de milho e de tomate, mas após o começo das colheitas, os animais dirigiram-se para a charneca, à procura de alimentos”. O javali é uma espécie que pode ser caçada em Portugal, mas segundo Jacinto Amaro da Fe-

nacaça, em declarações ao Diário de Noticias, essa caça está limitada a pequenos grupos. Para o responsável, a única forma de parar esta “praga” é através de montadas organizadas, mas isso também é controlado, temendo por isso que esta situação que já está fora de controlo por exemplo na zona da Arrábida em Setúbal, possa ficar generalizada ao resto do país.

Camionistas de Azambuja continuam a reivindicar parque de pesados necessidade de um parque de pesados na periferia da vila de Azambuja volta a estar na ordem do dia. À margem de uma reunião tida lugar no dia 19 de outubro entre moradores, autarquia e forças de segurança para se decidir o sentido de trânsito de uma rua na vila, alguns camionistas de Azambuja fizeram questão de marcar a sua preocupação e até algum desespero por não

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existir um parque de pesados. Normalmente vão pondo os seus veículos nas zonas do hotel, e de alguns supermercados da vila, sendo muitas vezes vítimas dos amigos do alheio. Um desses camionistas expressou – “Com que cara é que eu fico perante o meu cliente quando deparo muitas vezes com o facto de me terem levado numa noite a maior parte da mercadoria. Não é

possível que isto continue a acontecer. Principalmente, quando sou obrigado a deixar o carro longe da vila, e há dias que encontro pesados de combustível estacionados ao pé da escola Boavida Canada, e nada lhes acontece”. Isto quando a circulação a pesados se encontra interdita dentro da vila. Em cima da mesa chegou a estar há alguns anos o projeto de um parque de pesados em frente ao ce-

mitério mas o mesmo foi abandonado por não respeitar regras ambientais. Outro camionista também se manifestou desesperado – “Deixei o camião ao pé do hotel, e numa noite roubaram-se 400 litros de gasóleo, e noutra 200. Se a Câmara fizer um parque de pesados até vou para lá voluntariamente fazer guarda, porque entretanto reformo-me”.

O vice-presidente do município Silvino Lúcio respondeu que a Câmara tem em marcha dois estudos sobre a postura de trânsito nas vilas de Azambuja e Aveiras de Cima. Ao Valor Local, referiu que cerca 10 a 12 pessoas moradoras em Azambuja trabalham como camionistas, e vão deixando os seus camiões encostados a bermas, e em lugares mais ou menos escuros, onde facilmente

a carga é levada por assaltantes. A Câmara já pensou em instalar o parque na zona onde atualmente se desenvolve o mercado mensal, que entretanto vai passar para outra zona da vila, “conferindo ao local uma melhor iluminação”. Também frequentemente, a sinalização que proíbe a circulação e o estacionamento de pesados em Azambuja é alvo de vandalismo.


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Simulacro distrital para cenários de mau tempo no início de dezembro distrito de Lisboa vai ser alvo de um simulacro distrital entre os dias dois e três de Dezembro próximos. A informação foi avançada durante uma reunião dos serviços de proteção civil municipal dos 16 municípios que integram o distrito de Lisboa, que decorreu no auditório do Páteo do Valverde em Azambuja. Trata-se da primeira vez que tal será testado apenas e as expetativas nesta altura são elevadas. Ventos fortes, agitação marítima, acidentes de viação e todo um cenário imaginável com mau tempo, vão colocar à prova os vários agentes de proteção civil distrital, entre os quais se encontram os bombeiros, a Cruz Vermelha, forças policiais, exército, câmaras e juntas de freguesia entre outras entidades. Segundo os responsáveis, este é um exercício que será levado a cabo na rua e em tempo real, com o acionar dos vários agentes de proteção civil locais, sen-

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Inundações deste tipo são frequentes em Azambuja do que os diferentes municípios terão de enfrentar cenários de variada ordem, tendo em conta

os específicos riscos que correm. Por exemplo se estiverem situados no litoral, os riscos são

inerentes à agitação marítima e acidentes com possíveis naufrágios. Mais para o interior, os ris-

cos mudam e poderemos estar diante de queda de muros e árvores, bem como enchentes e acidentes de viação. Junto a linhas de água como é o caso do Rio Tejo, a grande preocupação poderá ser o isolamento das populações, enchentes, acidentes ou queda de linhas de tensão como aconteceu pela primeira vez em Alcoentre, no concelho de Azambuja no ano passado. Recordese que tal situação foi motivada por ventos extremamente fortes. Silvino Lúcio, vice-presidente do município de Azambuja e vereador com a pasta da proteção civil, salientou ao Valor Local que neste cenário levado a cabo pelo comando distrital “será colocada à prova a capacidade de reação e articulação dos vários agentes de proteção civil”. O vice-presidente considerou que este cenário será o mais realista possível: “Não haverá comunicações, nem telemóveis. Apenas via rádio”. Sendo que exis-

tirá uma interligação entre os vários cenários nos vários concelhos “e que será bastante útil para se testar a operacionalidade dos mesmos”. Em Azambuja há dois cenários preocupantes para as autoridades. São os casos das cheias do Tejo e dos ventos, de difícil previsão, bem como a possibilidade de sismos. Há no entanto situações a ter em conta num cenário de catástrofe. Segundo o autarca, a CLC em Aveiras de Cima é um desses casos. Embora a empresa tenha um plano de segurança “apertadíssimo” a proteção civil tem de estar alerta. Silvino Lúcio destaca que a CLC cria riqueza ao concelho e que a sua segurança não deve ser descurada. O vice-presidente reforça que a CLC faz com frequência vários exercícios e simulacros, mas que tudo isso deve estar devidamente acautelado no plano de proteção civil.

Parque Urbano da Póvoa de Santa Iria vence Prémio Internacional projeto do Parque Ribeirinho do Estuário do Tejo na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, da autoria do atelier português de arquitetura Paisagista Topiaris e com a coordenação de Luís Paulo Faria Ribeiro ganhou o 1.º prémio da Archmarathon Awards 2015, na categoria de “Landscape and Public Spaces”. Esta é uma menção internacional de projetos feitos nos últimos anos no concelho de Vila Franca de Xira; e que se junta assim ao destaque dado ao projeto de arquitetura da Fábrica das Palavras pela revista italiana da especialidade, a (Inside Quality

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Design) IQD Itália. Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, ao Valor Local, Fernando Paulo Ferreira estes são “sobretudo dois reconhecimentos internacionais de um esforço de qualificação intensa do território em Vila Franca”. O prémio recebido pela equipa de Luís Paulo Faria Ribeiro é atribuído aos países da bacia mediterrânica, o que significa “que foi reconhecida a qualidade da nossa intervenção na zona ribeirinha”. Em causa, refere Fernando Paulo Ferreira, estão os projetos da Praia dos Pescadores no Forte

da Casa; e o Parque Linear ribeirinho que segue ao longo de toda a margem direita do Tejo, e que culmina no Parque Urbano da Povoa de Santa Iria inaugurado há dois anos. Sendo que esta última obra “já mudou os hábitos da população, nomeadamente na forma de como se relaciona com o rio, com a adoção de hábitos de vida mais saudáveis”. Já no que toca ao destaque dado pela revista IQD, trata-se, segundo o vice-presidente, mais uma vez do reconhecimento pelo projeto desta biblioteca “que está ao nível das melhores da Europa”.

Sala Snoezelen inaugurada nas Paredes oi inaugurada uma sala snoezelen no Centro Escolar das Paredes, Alenquer, no dia 9 de outubro. Com um custo total de 15 mil euros, foi um dos projetos vencedores do Orçamento Participativo de 2014. Trata-se de um equipamento essencial na estimulação sensorial de crianças com necessidades especiais, neste caso em particular estamos a falar de portadores de autismo que frequentam a escola. Cristina Bolota, diretora do Agrupamento de Escolas Damião de Goes, reforça que a escola já

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tem uma sala direcionada para o ensino estruturado, e com o novo equipamento vê assim aumentada a sua componente de apoio a crianças com autismo. “Trata-se de um equipamento invulgar que não é comum as escolas possuírem quando se fala em acompanhamento a estas crianças”. Pretende-se a partir de agora que a sala sirva para que “as crianças façam algumas aprendizagens: e para que adquiram um nível de sociabilização maior”. O vereador Paulo Franco, responsável pela coordenação do

Orçamento Participativo no concelho de Alenquer, enfatiza “que está provado que estes equipamentos contribuem para o desenvolvimento das crianças com necessidades especiais”. Sendo que no caso de uma das crianças que já frequentou a sala “conseguiu-se algumas melhorias, desde já, pois começou a comer com a sua própria mão, algo que não fazia”. Este tipo de salas tem como objetivo proporcionar conforto, através do uso de estímulos controlados, e oferece uma grande quantidade de estímulos senso-

riais, que podem ser usados de forma individual ou combinada dos efeitos da música, notas, sons, luz, estimulação táctil e aromas. O ambiente deste tipo de salas tem como objetivo também proporcionar o autocontrole, a autonomia, a descoberta e exploração, bem como efeitos terapêuticos e pedagógicos positivos. O ambiente multisensorial permite estimular os sentidos primários tais como o toque, o paladar, a visão, o som, o cheiro, sem existir necessidade de recorrer às capacidades intelectuais mas

sim às capacidades sensoriais dos indivíduos. A confiança e o

relaxamento são incentivados através de terapias não diretivas.


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Sociedade

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Vila Franca de Xira

Escola da Armada “desespera” por um novo futuro

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Miguel A. Rodrigues esde 2009, altura em que a Escola da Armada de Vila Franca de Xira fechou, que se têm multiplicado as tentativas da autarquia em ficar com o espaço. Todavia os valores pedidos pela ESTAMO- Empresa que comercializa os imoveis do Estado têm sido incomportáveis para a câmara, mesmo tendo esta a fama de “gozar” de boa saúde financeira. Desde o encerramento que a especulação tem tomado conta do possível negócio, com os valores a atingirem os 25 milhões de euros, ou mais recentemente os cerca de 9 milhões, conforme consta do site da empresa esta-

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tal. O espaço que está construído num terreno com acesso direto ao rio Tejo e à estrada nacional 10, ocupa uma extensão de 126.000 m2, sendo que cerca de 34 m2 são de área coberta. Desde que encerrou, muito já aconteceu naquele espaço. Até ao ano de 2014, a antiga Escola da Armada, já tinha sido assaltada 15 vezes, o que resultou na degradação dos edifícios e no furto de vários equipamentos usados na altura pela instituição. Nos dias de hoje, pouco resta para além das paredes e de alguns telhados. Infiltrações, lixo acumulado e materiais danificados, fazem agora parte de um

cenário que outrora foi o espelho do brio do país. Aliás Vila Franca de Xira também se ressentiu com o encerramento da estrutura. Havia mais gente a consumir na cidade, os comboios partiam cheios de marinheiros da Quinta das Torres para todo o país, e a juntar ao encerramento parcial da Base de Alverca, esta foi uma “machadada” para o concelho. Segundo a Câmara de Vila Franca de Xira, ao longo dos últimos anos, esta foi uma questão transversal. A recuperação das instalações, por exemplo, para uma qualquer instituição de ensino, esteve quase sempre em cima da mesa. Ao Valor Lo-

cal, o município reitera que foram levadas a cabo muitas reuniões com o estado e com outras entidades para avaliar a aquisição das instalações através de uma parceria. “Foram feitas, nomeadamente, reuniões com Universidades”, mas apesar do interesse demonstrado “as várias possibilidades não evoluíram” até porque na altura os valores quer de aquisição, quer de adaptação e requalificação, chagavam a montantes muito avultados, “o que inviabilizou a possibilidade de instalação”. Um dos entraves à aquisição do espaço é o “valor excessivo, na medida em que não há possibi-

lidade de uma rentabilização breve desse valor”. Todavia, não foi só o município de Vila Franca de Xira o único interessado no espaço. Segundo a câmara, existiram outros interessados “nomeadamente na área económica e empresarial, mas também não evoluíram”. Mas mesmo com valores de venda a rondar os 9 milhões de euros, a autarquia não coloca de parte uma aquisição do espaço, mas reitera que apenas “como parceiro num projeto que efetivamente tenha em vista a rentabilização, num prazo relativamente breve, e que promova o desenvolvimento económico e social no concelho”.

Em reunião de câmara, o presidente do município, Alberto Mesquita vincou que as negociações continuam, e que num dos últimos encontros foi falada a hipótese de alterar parcialmente o Plano Diretor Municipal, sendo que o autarca não se comprometeu com essa medida. Ainda no que toca a aquisições, Alberto Mesquita referiu também o interesse do município em adquirir as instalações da antiga fábrica da Cimianto. Todavia esse é um dossier em aberto, já que segundo o autarca quer o tipo de construção do edifício, quer os produtos ali fabricados, à base de amianto, têm de levar a Câmara a ponderar.

“Dream Dancing” assinalam 15 anos com entusiasmo ream Dancing” ou o Sonho de Dançar surgiu há 15 anos atrás quando Bárbara Vieira e um conjunto de amigas decidiram apresentar-se num espetáculo no Cais da Vala em Salvaterra de Magos. A energia contagiante e os ritmos modernos depressa seduziram as audiências que foram colecionando em vários espetáculos. Hoje as “Dream Dancing” chegam a 100 praticantes com mais raparigas do que rapazes e já atuaram em várias zonas do país. “Tivemos de facto um crescimento imenso, nunca pensei em chegarmos a este número de alunos, com nove modalidades, damos aulas também fora do concelho, deslocamo-nos a instituições desde Santarém, Montijo, Lisboa”, enumera Bárbara Vieira fundadora das “Dream Dancing”. A associação conta com várias

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professoras que lecionam dança criativa, hip-hop, quizomba, pop, zumba, expressão físico-motora, com “formação nas diferentes áreas”. O pop e o hip-hop são as mais procuradas e no fundo as que estiveram na génese deste projeto. Mas este ano, as clássicas como o ballet também foram abraçadas. “As crianças e os jovens experimentam, e estão sempre a pedir mais e nesse sentido tentamos ir de encontro aos seus desejos”. O facto de na televisão abundarem programas dedicados à dança “também nos facilita imenso” quando a associação pretende divulgar a sua atividade. Desde há dois anos que o projeto decidiu abrir também uma nova oferta com as “Dream Mummies”, ou seja as mães dos alunos e das alunas vêm experimentar também elas a dança. Treze mães estão inscritas este ano, traduzindo-se

no maior número desde o início. Este grupo também esteve presente na gala comemorativa dos 15 anos das “Dream Dancing”. Entretanto, e no concelho de Salvaterra de Magos há pelo menos mais dois grupos dedicados à dança moderna, “cada um com as suas características únicas, mas voltados para esta causa e ainda bem que assim é”, destaca Bárbara Vieira. A responsável destaca que o gosto pela dança já levou alguns dos seus alunos a enveredarem por voos mais altos, “com o ingresso em escolas conceituadas de dança com o objetivo de seguirem um percurso profissional neste meio”. Entre as alunas da classe hip-hop está a Ana Filipa de 15 anos, que há sete frequenta as aulas. “A minha mãe é que me incentivou a vir, experimentei, gostei e fui fi-

cando.” Também já experimentou outras modalidades, mas voltou ao hip-hop. Não se importava de

um dia vir a ser dançarina profissional, tendo em conta a sua paixão pela modalidade, que apenas

rivaliza com a fotografia.


Sociedade

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Valor Local

Quartel dos bombeiros de Azambuja finalmente legalizado ao fim de 30 anos o fim de quase trinta anos, o quartel dos Bombeiros Voluntários de Azambuja está finalmente e totalmente legalizado. O edifício foi construído em terrenos de vários proprietários e isso impediu a legalização do mesmo. O processo foi demorado e segundo o presidente da Associação, André Salema “foi necessário elaborar um novo projeto que refletisse a realidade atual”. Ora a falta de legalização do terreno e consequentemente do edifício, levou a alguns constrangimentos. Ao longo dos últimos 30 anos, foi difícil fazer o pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis. Mas existiu um outro bem mais grave, nomeadamente o facto de não ter sido possível uma candidatura a um programa de reabilitação/manutenção das atuais infraestruturas através da Autoridade Nacional de Proteção Civil com apoios comunitários, já que o quartel não estava no nome da associação. Para além de demorado, o processo foi também burocrático e difícil. Explica o presidente da corporação ao Valor Local que uma das dificuldades passou por

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“reconstituir a história no sentido de apurar de que forma passaram para propriedade da Associação, os terrenos onde está implantado o quartel”. André Salema vinca que houve a necessidade de analisar testemunhos, recuando assim ao 25 de abril, onde foi então possível “cruzar informação e compilar todos os documentos de interesse para o assunto”. Para tal, refere o responsável, contribuíram algumas pessoas que, naquela altura, tiveram responsabilidades no município. Amadeu Bastos Lima, António Leal Pereira, Joaquim Paula e Vítor Carlos foram as pessoas que se disponibilizaram para ajudar a cruzar informação, já que com o passar do tempo, foi difícil encontrar registos escritos dos terrenos onde está agora o quartel, totalmente legalizado, onde já constam inclusive as alterações que sofreu nos últimos anos. Para tal, segundo o presidente da associação, contribuiu a ajuda do arquiteto Renato Ferreira. De acordo com André Salema a legalização do quartel “propor-

Foi preciso mergulhar na história do edifício ciona uma situação confortável no que diz respeito ao cumprimento da lei. Temos agora con-

dições para fazer as nossas escolhas relativamente a eventuais candidaturas de apoio à reabili-

tação do edifício ou até mesmo, no futuro negociar o sonho de um novo quartel, adaptado às

novas realidades e que possa suprimir quaisquer constrangimentos operacionais”.


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Ambiente

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PSD de Alenquer acusa Câmara de meter obra da Ponte da Azedia na gaveta Falta de limpeza e agravamento das condições de cheia m comunicado, o PSD de Alenquer acusa a Câmara de ter desperdiçado parte de uma verba concedida pelo Governo para reparação dos prejuízos causados pela intempérie que varreu o Oeste em 2009. Em causa 3 milhões 582 euros (comparticipada em 60 por cento pelo Estado) que serviram para fazer obras em vários pontos do concelho, contudo a ponte da Azedia, na freguesia de Ribafria, acabou por não ser alvo de intervenção, apesar de inscrita no contrato-programa celebrado com o Governo. O PSD refere que o facto de esta ser a obra esquecida tem contribuído para o agravamento das situações de cheias, “pois é uma ponte muito antiga e está em péssimas condições”. Sendo que “a Câmara Municipal de Alenquer comunicou à CCDR que não haveria necessidade de construir uma nova ponte, pois teria efetuado uma limpeza a montante nos taludes do rio evitando assim

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cheias no futuro”, refere o comunicado. Contudo é argumentado que a ponte mesmo assim carece dos melhoramentos anunciados. O PSD “lamenta e não compreende a razão para a não construção desta ponte, pois sempre foi assumido como uma prioridade para o município”. A estimativa de custo total desta obra era de 230 mil euros, sendo que a Câmara de Alenquer só teria de pagar 92 mil euros. O PSD aproveita para referir que ainda há pouco tempo a autarquia aplicou 120 mil euros na instalação de um elevador e na remodelação de uma casa de banho nos paços do concelho. “A população desta localidade merece ser tratada da mesma maneira que todos os outros munícipes”, conclui depois de ter estado no local. A Câmara Municipal de Alenquer defende-se das críticas e refere que a obra não foi esquecida, tendo trocado informação com os organismos superiores: CCDR-

LVT, a DGAL e o Gabinete do Secretário de Estado da Administração Local para “reprogramar o contrato, no qual se alega a necessidade de executar trabalhos de prospeção geotécnica devido às condições geológicas observadas no terreno e à ocorrência

da baixa de preço dos valores de adjudicação das empreitadas efetuado numa fase inicial”. Ou seja “a Câmara solicita mais tempo para criar as condições técnicas para que a obra seja implementada de forma tecnicamente avalizada e sugere a baixa de

preço da mesma, em suma”. A autarquia acrescenta que tem procedido à limpeza dos taludes a montante da ponte existente, “cujos efeitos têm minorado a afluência e acumulação de vegetação junto da mesma e, desta forma evitado o seu alagamento

e respetivo encerramento em épocas de pluviosidade.” Através do gabinete de imprensa, a Câmara rejeita as críticas do PSD e sustenta que esta força partidária “tem problemas graves em encarar os factos com rigor e verdade, omitindo o que entende ser desfavorável e empolando aquilo que lhe parece trazer benefício político. A bem da verdade e da transparência não nos parece ser a atitude mais correta.” A autarquia justifica-se, ainda, quanto às obras no edifício municipal referidas pelo PSD, argumentando que no caso do elevador se trata de uma obra importante para os cidadãos com mobilidade reduzida e população idosa; e no caso do wc por estarmos a falar da circunstância de terem sido “detetados problemas graves que interferiam na sustentabilidade da ala norte do edifício na zona dos sanitários, que foram resolvidos; e ao mesmo tempo reforçada a infraestrutura do edifício”.

Carregado

Limpeza da ribeira do Sarra arranca em novembro ¢

Sílvia Agostinho ribeira do Sarra e a da Merceana deverão ser alvo de uma limpeza a breve trecho. Ao Valor Local, a autarquia avança com a informação de que será em novembro. Neste âmbito, e dado que este é um processo longo, a Câmara refere que a malha em torno das empresas acusadas de manterem focos de poluição em direção à ribeira do Sarra, Carregado, apertou e que, nesta altura, algumas das prevaricadoras melhoraram o seu sistema de tratamento de efluentes, embora sem o sucesso esperado. Certo é que foram levantados quatro autos da GNR que se en-

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contram em segredo de justiça. A Câmara tem mantido contacto com essas empresas, e de acordo com Dora Pereira, vereadora do Ambiente, a autarquia naquilo que são as suas competências está a proceder a um trabalho exaustivo de levantamento e diagnóstico das empresas, serviços e indústrias que laboram nas imediações da ribeira em causa. O objetivo é o de avaliar se as licenças das empresas correspondem ou não aos usos para os quais foram emitidas, ou se a laboração vai mais além disso, entrando por consequência em prevaricação. Em caso afirmativo, a Câmara avançará com ações de contraor-

denação com fim à legalização urbanística. As empresas também deverão estar sujeitas a “protocolos especiais de descarga de águas residuais”, bem como a observação de toda uma série de trâmites de modo a chegar ao fim último de preservação da qualidade ambiental da ribeira. Este é um processo longo, depois de as empresas do complexo Otapark (antiga Knorr) terem sido obrigadas a adotar a construção de sistemas de tratamento em separado das águas residuais nos últimos anos. Contudo, o foco de poluição ainda se vai mantendo. Já em 2014, e depois de as empresas terem adotado medidas

como o armazenamento do efluente em reservatórios de PVC e a entrega de projeto da rede de águas residuais e pluviais exigidos pela Agência Portuguesa do Ambiente, a que se juntou uma ação de tamponamento prévio em 2013, o fim da poluição ainda não se afigura. A Câmara dá conta de análises feitas no local em setembro e outubro de 2014 mas até à data ainda não são conhecidos os resultados. Por fim a autarquia refere que vai “continuar a pugnar pela resolução deste problema sério”. A sensibilização das indústrias e a monitorização das descargas são outros dos objetivos.

Ribeira do Sarra constantemente alvo de descargas


Opinião

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Valor Local

O Próximo Governo ei bem que o tema central do próximo ValorLocal será o comércio na Região. Mas creio que já em tempos escrevi sobre este tema, embora a um nível mais local – o que me valeu algumas alergias por uns tempos…-, e não acho que valha a pena estar a repetir-me. Por isso, vou armar-me em analista político, que parece ser o que está a dar hoje em dia, e também me vou pôr a extrapolar cenários para a governação do

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País. Posso também provocar algumas erzipelas, mas já tenho idade para não me ralar com isso. Se calhar, quando o ValorLocal sair, já o Senhor de Belém convidou o Dr Passos Coelho para formar Governo. Porque é isso que vai acontecer. Os meus amigos imaginam ser possível um Acordo de Governo entre o PS, o PCP e o BE? Para mim é óbvio que não. Ainda com o BE poderia admiti-lo, dado que,

se excluirmos alguns militantes, românticos revolucionários cheios de dores nos joelhos e pedra no rim, que sobrevivem dos velhos tempos da UDP e quejandos, é tudo malta jovem, cheia de entusiasmo e furor proletário, mas também muito maleável nas respectivas práticas políticas. Poderia, como Partido jovem que é, e em nome de Portugal, ir fazendo cedências aos seus princípios doutrinários por forma a viabilizarem um Governo

da Esquerda. Mas o PCP, um partido que vem dos tempos da clandestinidade, com princípios doutrinários imutáveis e que e continua a pensar a sociedade como no tempo da cortina de ferro? Nunca será possível qualquer Acordo, julgo eu. Poderão argumentar que resultou em Lisboa, com Jorge Sampaio. Pois resultou, eu sei. Mas quando se governa uma cidade não têm que se tomar medidas sobre sair ou não da NATO, da

União Europeia e do Euro, nem decidir sobre a nacionalização da Banca e a unicidade Sindical, questões que, há mais de quarenta anos, põem em campos diametralmente opostos os dois Partidos – e são posições inconciliáveis. E mesmo que, por absurdo se chegasse a um Acordo, alguém está a ver o Jerónimo de Sousa e aquela malta mais jovem de aspecto mas com a mesma cabeça, a votar sim a uma intervenção da NATO, a mais um Tratado que aprofunde a União Europeia, ou a um salário mínimo compatível com o estado da Nação? Note-se que não estou a fazer juízos de valor sobre os princípios do PCP, estou a penas a dizer que são inconciliáveis com os do PS. Por isso acho muito bem que António Costa, que sabe muito bem ser impossível tal acordo, esteja a esticar a corda das negociações à esquerda para pressionar a Coligação de Direita a ceder em questões que o PS defende no campo laboral e social, nomeadamente. Não sei é se não a estará a esticar demais, mas não estou por dentro do assunto. Apenas sei que o Secretário-Ge-

Joaquim Ramos ral do PS, embora sem ter vencido as eleições, é quem vai decidir que Governo teremos. Desculpem, mas é estrategicamente brilhante! Talvez eu me engane, mas vamos ter um Governo da Coligação de Direita que vai conseguir ir-se aguentando à custa de cedências ao Programa do PS, até um dia, não muito longínquo, do ano que vem, em que o Presidente Marcelo dissolva a Assembleia e voltemos todos a votar! Mas isto posso ser eu a pensar alto. Ah,e afinal isto também tem que ver com comércio regional, porque o que saír deste imbróglio para governar Portugal irá deixar marcas próprias nas variáveis macroeconómicas, nomeadamente o consumo e as respectivas transacções.

Actividade e Posicionamento da casa Fernando Pessoa Cumprido no passado mês de Julho um ano de actividade na direcção da Casa Fernando Pessoa, faço com gosto uma apresentação geral da Casa Fernando Pessoa, dos projectos que desenvolve e do posicionamento que assume. Inaugurada em 1993 na morada que o poeta habitou nos seus últimos quinze anos de vida, a Casa Fernando Pessoa é uma casa da literatura, empenhada em cumprir o papel de núcleo literário e poético da cidade de Lisboa. Apresenta-se como espaço especializado no estudo e divulgação da obra pessoana e da biografia do autor, e também como lugar de encontro, fruição e participação em actividades e programas rela-

a

cionados com o livro e a literatura, em termos alargados. Pretende consolidar – com iniciativas dentro e fora de portas – a sua presença e intervenção aos níveis local, nacional e internacional, através de acções de proximidade com a comunidade, descentralização, integração de redes transnacionais, construção de parcerias com entidades homólogas e colaboração com estruturas e profissionais que se movam nas áreas do livro, da leitura, da palavra ou outras disciplinas contíguas, aproximáveis. A Casa Fernando Pessoa quer ser um espaço aberto à participação da comunidade, aproximar a literatura e a poesia dos públicos, tornar-se mais visível na cidade e

a partir dela irradiar para os circuitos descentralizados e internacionais. E quer continuar a valorizar, divulgar, estimular o conhecimento e o reconhecimento da obra de Fernando Pessoa, eixo orientador do trabalho a desenvolver. DESTAQUE CFP: Biblioteca Particular de Fernando Pessoa A biblioteca que pertenceu a Fernando Pessoa (1888-1935) - os livros que comprou, recebeu de amigos, leu e profusamente anotou - constitui o maior valor da Casa Fernando Pessoa. A Biblioteca Particular de Pessoa - falamos de cerca de 1300 títulos, mais de metade em língua inglesa - é considerado o nosso maior te-

souro, o espólio que fundou a Casa Fernando Pessoa em 1993 e em torno do qual esta se foi alargando e chegando a diferentes públicos e a diversos campos artísticos. A Casa Fernando Pessoa é assim originalmente um espaço de e para leitura: um espaço que nasceu no interior dos livros. As questões que se colocam são: que livros leu Pessoa? Que autores escolheu? Como se podem ver, à transparência, esses encontros naquilo que escreveu? Há uma ponte natural que une a Casa Fernando Pessoa à Biblioteca Nacional de Portugal: se encontramos na BN os manuscritos, os incontáveis papéis do escritor Pessoa, é aqui na CFP que guar-

damos a sua contra-parte: os livros escolhidos pelo Pessoa leitor. A esta circunstância acresce um elemento fundamental: tecnicamente chamada marginalia, encontramos em muitos desses livros notas, comentários, interrogações ou até poemas inteiros. Pessoa anotava, sublinhava, escrevia à margem o que raciocínios, personagens e palavras de outros despoletavam no seu próprio pensamento e na sua prática de escrita. Esses textos marginais dão forma ao que podemos chamar “Pessoa inédito” e fazem parte do nosso espólio ainda por analisar e dar a conhecer. 80 ANOS Em 2015 passam 80 anos sobre

Clara Riso* a morte de Fernando Pessoa, data que a CFP vai naturalmente assinalar. Entre um conjunto de programas em torno do poder disruptor da literatura – o seu potencial de desassossego – que serão realizados nas duas últimas semanas do mês de Novembro, teremos no dia 30 de Novembro diferentes vozes revisitando os textos de Pessoa, o seu legado: uma antologia viva. *Diretora da Casa Fernando Pessoa


Valor Local

Opinião: Consultório

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“Couvert”... não solicitado envolto em controvérsia! uscitara, em tempos, a apDC – Direito do Consumo – a questão do couvert. Cobrado ainda que não solicitado. Já que disponível na mesa ou oferecido tão logo os comensais se instalassem: chegados à mesa, já lá estavam os acepipes a “fazer-lhes água na boca”… e a engrossar a factura final! Por aplicação das normas em vi-

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gor, ao tempo, concluía a apDC que não seriam devidos tais valores, incorrendo os seus fautores em coimas que, no limite, tratando-se de sociedades mercantis, se cifrariam em 35 000 €. Ou, mais tarde, com a Lei das Práticas Comerciais Desleais, em montante da ordem dos 44 891,81€. Claro que o tema provocou distintas reacções, em particular da as-

sociação representativa do sector – a ARESP. E de quem, alheio ao tema, criticava a solução por entender que “quem não quer, não come”… “para não encher a pança à custa alheia”! E até a televisão pública, num programa da manhã do Canal 1, omitindo, com censurável quebra de ética, a audição de quem difundira a informação, ousou indagar de

uma outra “associação” (“associação-empresa” ou “empresa-associação”?), como se de um oráculo se tratasse, as “suas” razões a tal propósito. O “seu” porta-voz, de forma flagrantemente desastrosa, propôs-se sustentar o impossível, apartando-se das soluções tidas como as mais fidedignas e conformes com a lei. E propendendo a “penalizar” os consumidores em favor dos fornecedores. Não se coibindo de bolsar enormidades a propósito… Não se olvide que há “couverts” mais caros que as próprias refeições… como nas de cariz popular (as comummente denominadas “diárias”)… verdadeira “mina” para os restaurantes! O tempo passou, o legislador despertou para a realidade, adequou as regras especiais aos princípios e a solução que ora nos oferece aí está de forma cristalina… O regime jurídico do exercício de atividades de comércio, serviços e restauração, em vigor desde 1 de Março pretérito, estabelece agora algo que aos que punham em causa as soluções propugnadas não deve suscitar eventuais dúvidas, por leves que sejam. É o n.º 3 do artigo 135 do regime jurídico em apreço – DL 10/2015, de 16 de Janeiro - que reza consequentemente:

“1 - Nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas devem existir listas de preços, junto à entrada do estabelecimento e no seu interior para disponibilização aos clientes, obrigatoriamente redigidas em português, com: a) A indicação de todos os pratos, produtos alimentares e bebidas que o estabelecimento forneça e respectivos preços, incluindo os do couvert, quando existente; b) A transcrição do requisito referido no n.º 3. 2 - Para efeitos do disposto no presente artigo, entende-se por couvert o conjunto de alimentos ou aperitivos identificados na lista de produtos como couvert, fornecidos a pedido do cliente, antes do início da refeição. 3 - Nenhum prato, produto alimentar ou bebida, incluindo o couvert, pode ser cobrado se não for solicitado pelo cliente ou por este for inutilizado. 4 -...” Se dúvidas subsistissem, aqui temos em letra de forma (preto no branco), e em diploma especial, o que já resultava do regime geral: da Lei-Quadro de Defesa do Consumidor e da Lei das Práticas Comerciais Desleais. Há que conformarem-se, sem evasivas, com o que resulta da lei. O respeito pela figura dos consu-

Mário Frota* midores exige-o! A dignidade nas relações entre partes, no caso entre “restauradores” e consumidores, impõe-no! De novo e a finalizar: “Nenhum prato, produto alimentar ou bebida, incluindo o couvert, pode ser cobrado se não for solicitado pelo cliente ou por este for inutilizado.” E não se olvide que tal tem de figurar – de modo expresso - na própria ementa. Que o não ignorem os titulares dos estabelecimentos de restauração e de bebidas, que em tudo se devem conformar com a legalidade. Sem evasivas nem tergiversações. Mas não se nos afigura, porém, que tal se esteja, em geral, a observar. Aos consumidores compete estar de atalaia para não virem a custear o que por lei não tem de ser por si suportado… * Presidente da apDC Associação Portuguesa de Direito do Consumo - Coimbra

Segredos da Justiça

O novo “regime tutelar de menores” Regime Geral do Processo Tutelar Cível (RGPTC), aprovado pela Lei n.º 141/2015, de 8 de setembro, regula o processo aplicável às providências tutelares cíveis respeitantes a menores e aos respectivos incidentes, tendo revogado a chamada “Organização Tutelar de Menores”, cujas linhas principais já vigoravam desde os anos 70. Relativamente a este novo regime jurídico, existe a forte expectativa que os procedimentos relacionados com menores passem a ser, de facto, mais simplificados, mais ágeis e mais céleres, com benefícios óbvios para a estabilidade emocional e psicológica das

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crianças envolvidas em contextos de ruptura conjugal e consequente perturbação dos vínculos afectivos parentais, especialmente agravada nas situações de violência doméstica. Quanto à (expectável) simplificação e celeridade processuais, destaco a redução da instrução escrita dos processos (diminuição dos relatórios técnicos) e o reforço do depoimento oral das partes e da assessoria técnica aos tribunais. Outro exemplo: na instrução dos diferentes processos sobre a mesma criança ou sobre as crianças da mesma família, poderá haver apenas um gestor de processo, capaz de concentrar toda a in-

formação. Das várias providências tutelares cíveis cujo processo é definido pelo RGPTC destaco as seguintes: (i) regulação do exercício das responsabilidades parentais (artigo 34.º e segs.), (ii) fixação dos alimentos devidos à criança e aos filhos maiores ou emancipados a que se refere o artigo 1880.º do Código Civil e a execução por alimentos (artigo 45.º e segs.), (iii) entrega judicial de criança (artigo 49.º e segs), (iv) inibição, total ou parcial, e o estabelecimento de limitações ao exercício das responsabilidades parentais (artigo 52.º e segs.) e (v) averiguação oficiosa da maternidade e da paternidade

(artigo 60.º e segs.). No decurso deste tipo de processos, há uma questão que recorrentemente me é colocada: a criança pode ou não ser ouvida pelo Tribunal? Se havia (poucas) dúvidas durante a vigência da “Organização Tutelar de Menores”, o artigo 5.º/1 do Regime Geral do Processo Tutelar Cível é peremptório: “A criança tem direito a ser ouvida, sendo a sua opinião tida em consideração pelas autoridades judiciárias na determinação do seu superior interesse”. Quando uma criança é ouvida importa ter em conta a sua especial fragilidade emocional, pelo que existem condições específicas

António Jorge Lopes Advogado para a sua audição pelo Tribunal. Desde logo, a audição da criança é precedida da prestação de informação clara sobre o significado e alcance da mesma. Por outro lado, a criança não pode ser sujeita a espaço ou ambiente intimidatório, hostil ou inadequado à sua idade, maturidade e características pessoais (razão pela qual, por exemplo, deve ser evitado o uso da beca pelos magistrados e da toga pelos advogados). A criança pode sempre ser ouvida e em qualquer fase do processo, desde que o superior interesse da criança justifique tal audição pelo Tribunal e, no caso de prestação de depoimento em audiência de

julgamento, desde que não coloque em causa a saúde física e psíquica e o desenvolvimento integral da criança. Uma última nota: o Regime Geral do Processo Tutelar Cível não é aplicável ao processo de adoção e respetivos procedimentos preliminares, os quais são regulados em diploma próprio.


Entrevista

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Valor Local

Carmona Rodrigues, engenheiro hidráulico fluvial, sobre o estado do Tejo

“É urgente que se faça o trabalho de casa!” ¢ Sílvia Agostinho Carmona Rodrigues é um dos mais experientes conhecedores do Tejo, das suas dinâmicas, e nesta entrevista adianta algumas respostas para os principais problemas do grande rio ibérico: poluição; assoreamento; cheias. É fundamental que algumas pontas soltas deixadas por trabalho no terreno sejam retomadas. Valor Local- A questão do Tejo e dos esforços que são necessários para se dar uma nova vida a este rio têm-se feito sentir com cada vez mais intensidade nos últimos tempos. Na sua opinião enquanto estudioso também das problemáticas deste rio ainda vamos a tempo de lhe dar uma segunda vida? Carmona Rodrigues – O Tejo é demasiado importante para que passemos demasiado tempo sem lhe prestar atenção, pela sua importância ambiental e económica. É preciso ver que as intervenções que se façam a nível da nossa rede hidrográfica não podem ter apenas uma intenção casuística, e descontextualizadas de um planeamento. Fui coordenador de um

estudo para a rede hidrográfica do Tejo, pronto desde 2010, o qual foi debatido por diversas pessoas, e que continha diferentes medidas concretas e quantificadas do ponto de vista monetário para que fossem operadas melhorias em várias vertentes tais como: a qualidade da água; a proteção dos ecossistemas, a regularização fluvial para se fazer face às cheias. Esse plano tinha aliás financiamento comunitário. Houve avanços para o terreno com base nesse plano? Foram desenvolvidas algumas ações mas no âmbito do universo da Águas de Portugal que tinha a incumbência de fazer investimentos no domínio do saneamento básico. Nesse âmbito foram feitas algumas melhorias nessa componente de tratamento de águas residuais, mas de resto não tem sido feita muita coisa tanto quanto me dá a perceber. O que interessa é que temos um instrumento produzido, atualizado, ao abrigo da diretiva quadro da água que serviu de base para a nossa lei da água publicada em 2005. No seu entender muito pouco tem sido feito por falta de vontade política ou por falta de recur-

sos financeiros? Se pusermos ambos num prato da balança diria que que se prende mais com uma questão de falta de recursos financeiros. Quando me fala da questão política, e nesse aspeto quando se pensou em modificar uma estrutura organizativa de um ministério que tutela os recursos hídricos e o ambiente, possivelmente não se atendeu da

mesma maneira às exigências da manutenção da rede fluvial. O último governo teve até metade do mandato agregados o ambiente e a agricultura fazendo daquele um super ministério, acha que essa junção acabou por prejudicar o acompanhamento de questões como esta, dado haver uma grande dispersão de temas e ser difícil supe-

rintender da mesma maneira a todos? Nesse aspeto penso que a agricultura e o ambiente fazem sentido estar juntos, pois a atividade agrícola é o principal setor utilizador da água, e portanto tem uma relação muito próxima com os recursos hídricos. Compreendo que os investimentos na rede hidrográfica, e por consequência no Tejo, tives-

sem ficado para trás, mas há um mínimo que não se pode descurar que é a monitorização dos caudais e da qualidade da água dos rios. No âmbito de um trabalho efetuado pelo nosso jornal no mês de julho, ao entrevistarmos um dos principais grupos ambientalistas foi nos dito que o controle e a monitorização do Tejo não está a ser feita, atualmente, da forma o mais científica possível, no que respeita aos caudais, à poluição, não sei se é essa também a sua perceção? Tenho muitas dúvidas se está a ser feito algum tipo de monitorização, seja desse ponto de vista científico ou apenas do ponto de vista mais básico do controle rotineiro do estado da qualidade da água; do controle das emissões poluentes; ou do acompanhamento do convénio luso-espanhol. Temos de reportar com frequência à União Europeia o estado das nossas massas de água através das estações de monitorização, e portanto é grave haver um descontinuar de uma dinâmica instalada já há muitos anos. Quando se perde essa fiscalização regular é difícil voltarmos a consegui-la. É importante que essa monitorização seja


Valor Local recuperada não apenas no Tejo, mas em todo o país. Tenho pena que esse processo esteja parado. Mas não havendo dinheiro para a manutenção das estações, não há garantia da fidelidade dos dados obtidos, conforme já foi dito pela Agência Portuguesa do Ambiente. Quando falamos no estado ecológico do Tejo, não o podemos dissociar de Espanha, e neste aspeto muito se tem falado dos impactes nefastos da central nuclear de Almaraz… Entre 1986 e 1987, participei num estudo de impacte ambiental produzido para o Gabinete de Proteção e Segurança Nuclear, que pensou e bem na altura em acautelar um documento que antecipasse quais os riscos ambientais para Portugal tendo em conta a possibilidade de acidentes na central. Participei na componente da água, outros especialistas participaram na componente aérea – com vista à possibilidade da propagação radioativa através do ar. Foram antecipados vários cenários, como por exemplo quais os efeitos, se um dia um avião caísse em cima da central. Mas do ponto de vista hídrico, a central está ainda a uma distância considerável da barragem de Almaraz para montante. Em caso de acidente, tudo ficaria muito represado em Almaraz. Não seria num espaço nem de horas nem de meses que poderíamos vir a ter eventualmente radioatividade no rio Tejo. A contaminação aérea seria muito mais rápida e perigosa, segundo esse mesmo estudo. Mas o que muitos dizem é que esta central é um dos principais cancros do Tejo, considera excessivo? De acordo com toda a informação que possuo é excessivo. Obviamente que não é desejável a atividade radioativa, mas não podemos falar de problemas estruturais ou de manutenção, que possam levar a algum tipo de suspeita. O que não invalida que com regularidade se peça informação regular junto de Espanha sobre o que se vai passando em Almaraz. Esse diálogo com Espanha nem sempre é fácil, tendo em conta que eles têm o poder de reter a água. Fui crítico desta última convenção luso-espanhola para a água. Houve uma alteração significativa em relação aos convénios anteriores produzidos na década de 60, onde havia a visão de partilha do rio de forma igualitária no que dizia respeito ao seu aproveitamento hidroelétrico ou mesmo de caudais. Atualmente começou-se a trabalhar com base no critério dos caudais mínimos, e não dos médios, como seria mais eficaz. Assim estamos a colocar a fasquia mais em baixo, porque aos espanhóis interessa-lhes mais os mínimos do que os médios. Essa foi uma alteração que condicionou em muito a gestão do rio, confirmada nessa convenção de Albufeira de 1999.

Em sede de revisão do documento no futuro deveremos verter no mesmo questões que hoje em dia atravessam o comportamento dos rios, como as mudanças climáticas. O transporte fluvial também está em cima da mesa, o rio Tejo já teve um papel assinalável e histórico, no passado, no transporte de mercadorias. Por exemplo, a Câmara de Vila Franca de Xira tem vindo a demonstrar, recentemente, o seu interesse na possibilidade de o rio ser novamente navegável. Neste momento temos um rio oficialmente navegável no que respeita ao transporte de mercadorias, o Douro. O Tejo deixou de ser navegável há muito tempo, sobretudo com o advento do caminhode-ferro e da rodovia. Mas é reconhecido por todos os decisores políticos que o transporte por via hídrica é de longe o mais barato. A própria União Europeia no seu livro branco dos transportes recomenda… Sem dúvida, e temos esse transporte em grandes vias fluviais europeias, como o Danúbio ou o Reno que é extremamente económico, e sem causar danos ambientais. O Tejo está assoreado em vários troços, mas o rio merece que seja feito esse esforço porque desde logo temos vários operadores turísticos de embarcações de recreio interessados nessa possibilidade. No que respeita ao transporte de mercadorias, seguramente, temos de pensar nisso. O livro branco dos transportes prevê isso mesmo: a alternativa de curta distância marítima no litoral, a cabotagem fluvial, e o transporte ferroviário. Tudo o que seja poupança de energia é crucial para a Europa. Contudo estamos a falar de um transporte que é mais lento, e isso também pode chocar um pouco com aquilo a que estamos habituados. O transporte de mercadorias não é muito exigente quanto à necessidade de rapidez. Esse fator não é assim tão marcante, até porque no meu entender não se coloca a questão da alta velocidade apenas e tão só no âmbito das mercadorias, comparada com o transporte puramente de passageiros. São necessidades diferentes. Quando pensamos na possibilidade de desassoreamento do Tejo, quase que vemos isso como uma espécie de quimera, algo que será muito difícil de acontecer face ao estado de coisas. E também aí voltamos a falar da monitorização e da sua importância; e neste aspeto há muito que se deixou de fazer o controle do transporte sólido de sedimentos. Falta-nos ter na mão esse conhecimento básico que se abandonou a nível da bacia hidrográfica do Tejo, que sabemos ser uma bacia dinâmica, por exemplo, a nível do seu coberto vegetal, com alterações a nível da agricultura pratica-

Entrevista

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da nas margens, da floresta existente, e tudo isso tem implicações a nível do transporte de sedimentos. Hoje em dia ninguém consegue responder com propriedade a esta pergunta- o rio Tejo apresenta uma tendência para assorear ou desassorear? A melhoria da qualidade do Tejo através das redes de saneamento básico, da construção de ETAR’s foi um processo que levou anos a se implantar no terreno. Durante demasiados anos se falou desta necessidade, ao fim ao cabo, tão básica; prevê que o tema do desassoreamento também se vá arrastando no tempo? De facto desde os anos 70 que o saneamento básico andava na ordem do dia, e passaram 30 e tal anos até ao modelo que temos hoje. Foi até criada uma Direção Geral do Saneamento Básico nos anos 70, para ver como são as coisas. O processo para o desassoreamento até pode vir a ser lento.

te, por exemplo. Temos de agir em diversas frentes, desde logo tendo em conta o licenciamento das descargas de acordo com a lei, e muitas delas ainda não estão conformes à lei, embora haja alguma burocracia associada com exigências por parte de vários ministérios. Mas esse controle e a dotação das explorações nem sempre é assim tão onerosa para os empresários, que nesse aspeto têm falta de informação. Sim, mas por outro lado, a lei também facilita muito quando aconselha apenas o autocontrole. Sabemos que temos empresários bastante conscientes das questões ambientais, e há a noção de que o custo da água é um fator de produção que entra no valor produzido. Por outro lado, a certificação ambiental passou também a ter um importante peso; ou seja até que ponto um produto que adquirimos no supermercado respeita as normas ambientais, a opinião pública esta atenta a estas matérias.

as estruturas que ajudam a controlar as cheias. Dá a impressão de que ainda no capítulo dos caudais, Espanha abre as comportas e envia-nos uma grande quantidade de água de uma só vez para manter o que está acordado, ao invés de o fazer de uma forma harmoniosa e faseada. Em período de cheias, existe uma boa coordenação entre Portugal e Espanha. No resto do ano, no período de estiagem, existe uma deficiência quanto ao convénio lusoespanhol, porque ao falarmos de uma cheia já se está a contribuir para esse volume mínimo, quando deveria existir uma discretização temporal detalhada que nos seja favorável. Portugal deveria exigir caudais mínimos à semana e não ao mês, nesse aspeto. Irmos ao milímetro grosso modo. Sim, exato. Do outro lado da fronteira, os ambientalistas falam dos aspe-

Encontra-se em fase de participação pública o Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica do Tejo 2015-2012, tem estado a acompanhar este processo? Não estou a acompanhar, mas em 2010/2011, o que já estava previsto; e que seria importante avançar no terreno prendia-se com a necessidade de um plano de consertado de toda a bacia entre Portugal e Espanha, como de resto se fez para outros grandes rios europeus como o Danúbio e o Reno. Como sendo um intenso estudioso deste rio, em comparação com outros que estudou, o que mais o fascina no Tejo e no seu comportamento natural? De uma forma simplista, direi que há um Tejo até à foz do Zêzere com umas certas características de vale mais encaixado, começando a espraiar-se ali na zona da Golegã, aí temos um Tejo aluvionar, de planície, sendo muito diferente. Depois temos o estuário do Tejo que tem um valor imenso também

Mas voltando a pegar na primeira pergunta, ainda vamos com certeza a tempo de salvar o Tejo, mas não podemos deixar de fazer o trabalho de casa. Em muitas questões o caminho está a tornar-se demasiado longo, porque ainda hoje temos indústrias, pecuárias principalmente, que continuam a deitar os seus dejetos para o Tejo… É verdade. Reconheço que em determinas alturas tem havido uma complacência ou uma distração da autoridade do Estado relativamente às atividades ou descargas ilegais. Tivemos o tempo dos guarda-rios, hoje temos um serviço da GNR para esse efeito de fiscalização, mas em tudo isto, as próprias Câmaras e as organizações nãogovernamentais têm de funcionar como agentes de pressão para pôr termo a situações crónicas. Crónicas e que se tornaram quase dados adquiridos. Sim sabemos que se passam quase sempre a uma sexta-feira à noi-

Outra das questões prende-se com o descontrole provocado pelas situações de cheias no Tejo, o que é preciso fazer, enquanto conhecedor do impacte das dinâmicas climáticas no rio, para que não sejamos constantemente assaltados pelas situações de caos provocadas? Falta fazer o ordenamento fluvial, ou seja sabemos que o Tejo é dado a cheias tendo em conta o nosso clima mediterrânico, em que temos durante uma parte do ano caudais muito baixinhos, onde não se chega a duas dezenas de metros cúbicos por segundo, e podemos ter dias em que se ultrapassa os 10 mil metros cúbicos por segundo. É uma variabilidade própria do nosso clima. Temos a noção de que o nosso regime de cheias é muito dominado pela barragem espanhola de Alcántara com a qual há quase sempre um bom entendimento nestas situações. Mas do nosso lado temos de fazer uma manutenção dos diques e de todas

tos nefastos dos transvases entre o Tejo e o Segura, que é um dos principais afluentes do rio ibérico, esta questão também tem impactes do nosso lado? Esses transvases são feitos na parte superior do Tejo, muito para além de Madrid, sendo resultantes do convénio de 1968. Essa operação permite um desvio de mil hectómetros cúbicos do Tejo para o Segura por ano, que pode parecer muito significativo mas é algo que não tem passado da teoria, pois na prática, os espanhóis apenas têm conseguido desviar cerca de 200 ou 300 hectómetros cúbicos por ano, e em época em que o leito vai cheio. Diria que esse transvase não é nefasto, porque para sul ainda temos uma abundante bacia do Tejo, e por conseguinte nunca se refletiria no regime de caudais de estiagem em Portugal. De qualquer das formas, em sede de revisão do convénio poderia reivindicar-se essa correção dos volumes a desviar para o Segura.

do ponto de vista económico, ambiental, porque é só o maior da Europa. Do ponto de vista do seu comportamento hidrológico, é muito dependente do nosso clima mediterrânico; a sua variabilidade no verão e no inverno é também a sua riqueza. É com as suas cheias que também se enriqueceram os campos agrícolas do Ribatejo. As cheias são no fundo também uma riqueza, devemos é estar preparados para elas, saber o que fazer quando acontecem, e saber dominá-las, Entretanto vai fazer um livro sobre o Tejo a pedido dos CTT, pode-nos adiantar desde já um pouco acerca desse projeto? Estou numa fase de arranque, com muita pesquisa. Abracei o convite com o maior gosto, será um livro para o grande público, e espero que possa promover o valor do Tejo enquanto paisagem, recurso económico, valor ambiental, e energético. É fundamental conhecer melhor para cuidar melhor.


Destaque

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Valor Local

Os novos e os velhos negócios:

Retrato dos nossos comerciantes Como vai o comércio tradicional na região? Será que os negócios com décadas ou mesmo mais do que um século nos tempos atuais estão bem e recomendam-se? Ou será que a diferença entre manter a porta aberta ou fechada é quase nenhuma quanto a clientes; e os novos negócios têm pernas para andar; ou apenas garantem pouco mais do que a subsistência dos seus donos? Como os velhos e os novos negócios se articulam no espaço público, e o que dizem as associações comerciais nesta reportagem.

A loja mais icónica da Rua Batalhoz ¢ Sílvia Agostinho undada em 1904, a Perfumaria/Drogaria Guedes é um dos ex-libris do concelho do Cartaxo. As histórias que já se passaram nesta casa apelam em muito ao imaginário dos antepassados locais. Talvez a história mais conhecida, e relatada já muitas vezes, seja aquela que dá conta que a pasta de dentes Couto foi inventada pelos ascendentes de Frederico Guedes, que atualmente gere a casa, mas como a patente nunca foi registada, um dos antigos funcionários levou a fórmula e entregou-a à empresa que ainda hoje a comercializa. Nesta perfumaria/drogaria ainda podemos encontrar aqueles produtos de décadas passadas bem presentes na nossa memó-

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ria, e Frederico Guedes dá o exemplo dos desodorizantes em frasco de vidro da Lander, “feitos à base de ingredientes naturais” e que são muito procurados. “Não fazem alergias como os de supermercado”. “Dá-me orgulho estar a vender marcas nacionais ao balcão”, enfatiza. Também o restaurador e petróleo Olex é muito procurado e a pasta de dentes Couto. A clientela é feita de pessoas de todas as idades, “porque a avó ensina a mãe, que por sua vez ensina a filha, e as tradições vão passando de geração em geração”. Neste caso, refere a procura que o creme facial Benamor tem vindo a suscitar. Mas também para as mobílias a drogaria possui o produto “Milagroso”, registado com este nome e fabricado na

casa, que tem resistido ao assédio de empresários que o querem comercializar. Pessoas a entrar e a sair da loja não faltam e durante a nossa reportagem, Frederico Guedes recebeu clientes que queriam comprar desde um shampoo de marca nacional, até um produto para eliminar o bicho da madeira. O empresário é muito crítico sobre o estado do comércio no Cartaxo, ao qual o poder político também não tem dado a mão no seu entender. “Estamos numa terra estagnada, as pessoas de cá foram matando a terra. O Cartaxo era uma terra muito boa, com uma feira dos santos com milhares de pessoas, com grande movimentação e dava orgulho. Já para não falar da

nossa noite, com a Las Vegas do Ribatejo. Tiraram-nos um jardim lindíssimo para colocarem um bocado de pedra, fecharam uma estrada nacional, algo que não se vê em mais lado nenhum, asfixiaram o comércio por completo”. Frederico Guedes conclui – “Hoje o Cartaxo tem casas de chineses, casas para alugar e para trespasse, e oito grandes superfícies à volta”. O empresário conta que ainda chegou a fundar uma associação comercial no Cartaxo, mas lembra que foi imediatamente criticado “pelos velhos do Restelo”, porque “já havia uma associação em Santarém que defendia os interesses do Cartaxo”. Sobre a atuação da Nersant, a única associação do género presente no concelho, refere que a

mesma “apenas defende os interesses das empresas de algu-

ma dimensão, e não os dos comerciantes”.


Valor Local Destaque O último alfaiate de Alenquer S

ecundino Coelho mantém uma das casas mais características da vila de Alenquer desde 1967. É um dos poucos alfaiates que ainda vai persistindo na região. Os clientes não são muitos, mas o facto de fazer as fardas para a academia da Força Aérea é algo que já lhe dá muito trabalho, recorrendo por vezes ao auxílio de costureiras para o ajudarem nessa função. Conta que decidiu abrir a alfaiataria depois de vir de África, e aos poucos foi conquistando uma clientela exigente. “Fiz fatos para muitos juízes, arquitetos, engenheiros e doutores de Lisboa”, conta. Hoje com 71 anos, revela que são raros os clientes para além da força aérea – “De vez em

quando vem um ou outro cliente, mas não mais do que um por mês”. Neste momento está a acabar um casaco aba de grilo para um comendador da ordem do Infante, e Secundino Coelho mostra a comenda. Em mãos tem também um fato para um embaixador. Em regra, demora uma semana a confecionar um fato para cada membro da academia, mas quando se fala em abas de grilo a dificuldade acresce – “Estes cortezinhos têm todos de bater certos, é um trabalho muito complicado”. Normalmente, uma aba de grilo custa entre 800 a 1000 euros. No fim a roupa é passada com um ferro dos antigos, “porque os a vapor apenas passam e não esmagam,

não vincam umas calças, ou certos tecidos fininhos.” O alfaiate diz que ainda se sente em forma, e os dedos vão sendo ágeis. Os seus fornecedores são alguns dos melhores fabricantes de tecidos como Cerrutti, Ermenegildo Zegna, e Cavalli. É com pena que vê a profissão a acabar na região. Ainda tem um colega em Vila Franca; e em Azambuja recorda o senhor Mendes, entretanto falecido, com quem chegou a trocar trabalhos. “Por vezes pedia-me ajuda para conseguir fazer as fardas para os bombeiros”. Só em Alenquer chegaram a existir cinco alfaiates. Hoje em dia, surgem-lhe alguns interessados em fatos à medida,

mas o problema é que “muitos não querem pagar”. “Chegam clientes que querem encomendar um fato para um casamento mas quando lhes adianto o preço, referem que não conseguem custear esse trabalho. Nesse caso aconselho-os a irem ao Campera onde a qualidade é menor mas o preço é mais barato, pagam 50 ou 100 euros e ficam ótimos. Depois quando lavarem o fato, a roupa encolhe para metade mas isso pouco interessa”, ilustra ironizando. Para si, a qualidade dos tecidos hoje em dia não é famosa, mas já foi pior na altura da “fancaria”. “Se apanhasse uma chuvada, as mangas encolhiam”. Quanto ao comércio na Rua Triana

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(hoje à espera de ser revitalizado) ainda se lembra bem da época de ouro quando o movimento de trabalhadores para as fábricas existentes na vila, (Chemina, Barros) permitia fazer negócios e tudo fluía bem para os diferentes comercian-

tes. Secundino Coelho não tem seguidores para já do seu negócio, os filhos enveredaram por outras carreiras. “Para tudo é preciso ter queda, e eles não a têm para este negócio”.

Loja de decoração de Alenquer em rota ascendente

andra Aguiar recebe-nos numa das lojas mais carismáticas de Alenquer, já com várias décadas de existência, e que soube até à data adaptar-se e acompanhar as exigências da vida moderna. Situada em plena Rua Triana, contempla uma vasta gama de artigos de decoração, de móveis e de utilidades para o lar. Os clientes são sobretudo os que gostam de peças originais, particularmente na onda do rústico. Sempre bem-disposta Sandra Aguiar responde rindo, - quando se lhe pergunta como consegue esta loja, a Jográ Decorações, competir com outras do país do mesmo género, mas com uma oferta maior -“É um segredo não se pode dizer””. “Noto que as pessoas têm dificuldades em confiar no comércio exterior e mais massificado, e é aí que o comércio tradicional tem a ganhar. No meu caso, trabalho aqui há 20 anos, as pessoas já me conhecem, bem como aos produtos.” Já com várias gerações de proprietários, a loja goza de uma rede interessante de clientes fiéis, “e cada vez mais tem conseguido novos clientes”. “Assisto a um fe-

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nómeno que é este: as pessoas estão a ficar cansadas do comércio dos centros comerciais, onde é tudo igual”. Também é nesta luta que Sandra Aguiar se posiciona – “Procuro todos os dias oferecer artigos diferentes, pois só assim consigo competir”. Entre os produtos mais fortes da loja, destaca alguns quadros pintados à mão, em que é a própria Sandra Aguiar que escolhe as pinturas. Trabalha muito sob encomenda. “Tenho coleções que estão sempre a mudar várias vezes por ano, normalmente vendo mais por catálogo do que propriamente o que está exposto na loja, e como estamos a falar de artigos com qualidade, consigo ter um produto que interessa às pessoas”. A funcionária revela que mantém uma filosofia de venda do que é rústico, que soa a antigo mas com valor e com caráter, mas com alguns atrevimentos no que a peças mais modernas diz respeito. Refere que já pensou que peças atuais fariam mais sentido, mas acabou por se enganar – “O nosso cliente procura essencialmente algo que não tenha esse toque de moderno tão acentuado, que seja algo com mais personalidade, mais cam-

pestre”. Com uma área interessante, e situada em pleno coração de Alenquer, esta casa “consegue manter-se, dá para pagar as despesas, e mal de nós se não conseguíssemos pelo menos isso”. A loja “já teve momentos muito bons, mas esses não devem voltar”, assume com realismo. “Estamos a falar de tempos diferentes, hoje em dia as pessoas facilmente compram em Lisboa, e há 100 anos, altura em que esta casa nasceu, isso não acontecia”. Muito se tem falado na possibilidade de se fechar a Rua Triana ao trânsito, mas Sandra Aguiar aponta que essa não deverá ser a solução. No seu caso, e face a uma montra com um tamanho apreciável, confessa que esse facto acaba por suscitar com alguma facilidade a atenção por parte de quem ali circula. “Talvez fosse bom para

os cafés, mas pouco mais do que isso!” Com a crise, “a loja foi abaixo, mas tem estado a crescer nos

últimos tempos”. “Penso que seria muito importante mais do que fechar a rua ao trânsito apostarse na recuperação dos edifícios

degradados e potenciar-se alguma espécie de turismo rural, isso daria logo movimento a esta rua”.


Destaque Valor Local Restaurante de petiscos gourmet em Vila Franca e não só R 14

icardo Leal e Pedro Teles inauguraram um conceito diferente de restauração em Vila Franca de Xira. Desde maio que mantêm perto da CP um restaurante que procura despertar experiências de sabor. São servidas entradas com tachinhos de acompanhamento, algo que não é comum. Neste espaço o cliente pode experimentar pataniscas com arroz de tomate, ou esparregado, ou legumes salteados, só a título de exemplo. “Cada tachinho custa 2 euros e meio, e o cliente não tem de acompanhar apenas com arroz”, ilustra Pedro Teles. Desde início que apostaram por

marcar pela diferença. Quem entra neste restaurante que dá pelo nome de 150 gramas, “porque tudo é pesado com a porção certa para as pessoas”, encontra elementos de decoração das casas dos nossos avós. O pitoresco cruza-se com o rústico nos vários detalhes. As cadeiras e mesas lembram as das antigas tabernas. O restaurante tem uma lotação apenas para 30 pessoas, mas isso também atende à ideia de que “o mais importante é servir com qualidade”, afiançam os responsáveis que recusam a ideia de massificação do seu produto. “O ideal é servir apenas 30 pessoas de cada vez”, para que

“depois possam dar lugar a mais 30”. De modo, a que esta rotatividade seja possível, rapidez é palavra de ordem e em regra o cliente não espera mais do que 10 minutos. A cozinha tem quatro pessoas. E até à data, a clientela oriunda não só da cidade mas de vários concelhos à volta “tem apreciado o conceito, e temos recebido críticas positivas”. Os responsáveis são claros em referir que o restaurante se desvia da norma segundo a qual há que comer bem e muito quando se quer almoçar ou jantar fora. A ementa deste restaurante não pugna por um prato em especial, algo que a dupla também rejeita,

pois o interesse é o de ter vários pratos estrela, também com uma ementa rotativa ao longo do ano. A casa aposta em servir normalmente pratos conhecidos mas com algumas nuances mais modernas, como “as moelas com manjericão”, ou o torricado, mas o deste restaurante leva um coulis de pimentão, aromatizado com azeite, coentros, alho e lima; e o bacalhau assa em baixa temperatura no forno, o que permite criar um líquido branco que depois de trabalhado pelo chef Pedro Teles satisfaz também os paladares ribatejanos. Quando for a época do sável ou da enguia, o chef promete fazer colocar estes

produtos de época na carta, mas confecionados com as variantes que já vão mostrando um pouco do que é este restaurante. Pro-

dutos nacionais e da época “fazendo jus a Portugal, ao Ribatejo e a Vila Franca é também o lema do restaurante”.

Mercearia da Malva Rosa, Alverca, aberta até às 22 horas B

runo Costa abraçou desde cedo o trabalho na mercearia da mãe, mas hoje em dia mantém uma loja sua deste tipo na urbanização da Malva Rosa em Alverca, onde para além de frutas e legumes frescos, vende de tudo um pouco para o cliente do bairro, sobretudo aquele que precisa de um qualquer produto de “última hora” ou de “emergência”; e assim evita ir ao supermercado. Para conseguir fazer “negócio” o grande trunfo é manter a loja aberta até às 10 horas da noite, a par da sua “natural simpatia”. “Por vezes estou a arrumar as coi-

sas quando já passa da meia-noite, e aparecem fregueses”. Normalmente, os sábados e domingos também são dias fortes, pois “há sempre clientes que se lembram de virem comprar alguma coisa que lhes faz falta”. “Trabalho muito com base no espírito do desenrasca”, ilustra. Bruno Costa não possui empregados, até porque investiu muito, o risco é pesado, mas apesar de tudo é neste ramo que se sente como peixe na água. “A minha namorada tirou um curso de cinco anos, e ainda hoje não encontrou trabalho”, refere para ilustrar as dificuldades dos jovens da

sua idade. “Há dias em que saio às duas da

manhã, porque entretanto chega o carro com os produtos para o dia

seguinte”, dá conta para se referir à tarefa árdua que encontra todos os dias. O denominado “passa palavra” também foi essencial para manter a mercearia até porque esta loja conta ainda com a concorrência de outras existentes na Malva Rosa. “O bairro necessitava que se diversificassem os negócios, depois de abrir a minha loja, já abriram mais duas”. Contrariamente ao que seria de esperar, este lojista refere que “são as pessoas mais novas que, neste momento, estão a dar mais importância ao pequeno comércio, porque as de mais idade preferem ir

comprar onde é mais barato, sendo que os mais jovens preferem a qualidade e dão muita importância à alimentação”. Sabendo que trabalha sobretudo para o cliente que se quer “desenrascar” com determinado produto, faz questão de ter um pouco de tudo e de várias marcas, sobretudo também portuguesas. “De início foi difícil porque já se sabe que trabalhar com frutas e legumes é um risco, e se não os conseguir vender ao fim de dois ou três dias, posso abrir a tampa do contentor, mas está a valer a pena”.

Centro Comercial da Mina: um exemplo de sobrevivência O Centro Comercial da Mina foi inaugurado há 28 anos, e é um exemplo de resistência na cidade de Vila Franca de Xira. Depois dele já existiu o moderno e muito apelativo Vila Franca Centro, surgido em meados da década de 90, mas que viria a fechar as portas em finais de 2013. O Centro Comercial da Mina é ponto de encontro da comunidade do bairro. Dois snack-bares, onde chegam muitos clientes para almoçar uma refeição rápida e barata, um cabeleireiro e outros serviços não deixam o centro comercial morrer. A instalação de algumas valências da Câmara no rés-dochão, vem dar mais um motivo de alento aos comerciantes do centro

comercial mais antigo da cidade. A unidade de atendimento da Segurança Social é também um importante balão de oxigénio para “um centro que já teve dias melhores e dias piores”. “Há muita gente que se admira pelo facto de o centro ainda se manter aberto, muitos pensavam que já estaria encerrado”, afirma o lojista Telmo Costa. Este empresário, que possui com o pai uma loja desde os primórdios do complexo comercial, não tem razões de queixa. Conseguiu fidelizar uma clientela fixa. Na sua loja, um cubículo mais ou menos apertado onde se amontoa material de diversa ordem, vende de tudo um pouco para eletrónica, e ainda arranja eletrodomésticos.

Quando o Vila Franca Centro abriu portas, os lojistas da Mina tiveram alguns receios mas depressa perceberam que havia margem de manobra “até porque o outro também não vendia todo o tipo de artigos” Quando o Centro Comercial da Mina foi inaugurado tinha 13 anos, e para Telmo Costa este foi também o local onde cresceu. E lembra-se bem de algumas lojas que existiam na altura em que abriu, mas que o tempo e as contrariedades se encarregaram de colocar a palavra Trespasse na porta – “Havia aqui um bazar mesmo ao lado, e à frente da minha loja tinha uma perfumaria e um dito templo de beleza. Também tivemos uma pape-

laria, a Cinderela, que hoje apenas tem uma loja em Arruda dos Vinhos. Tínhamos uma loja de videojogos”. Para este comerciante, o fecho do Vila Franca Centro, onde também chegou a ter loja, ainda hoje não deixa ninguém que tenha porta aberta na cidade indiferente – “Tenho pena porque chegou a ter o cinema, que era uma novidade na altura, com o Imax. Mas o tempo veio a dar a ideia de que estávamos perante uma obra megalómana que rapidamente foi engolida pela proximidade a Lisboa, e o surgimento do Parque das Nações”. Para além disso “houve má gestão por parte da administração, e como trabalhei lá sei do que falo”.

O empresário vê com preocupação o estado do comércio na cidade de Vila Franca de Xira – “As lojas fecham às sete da tarde, altura em que as pessoas chegam de

ACICA e ACIS na expetativa de melhores dias A

Associação Comercial e Industrial do concelho de Alenquer (ACICA) diz estar atenta às exigências dos seus associados. Hélder Miguel, presidente desta associação, refere que é dado apoio a nível logístico e jurídico a quem o solicitar. A ACICA tem diversos parceiros, entre eles o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI). O responsável acredita que ainda é possível dar a volta ao comércio

de Alenquer, que muitos consideram estagnado e à espera de uma urgente revitalização. O fecho da rua Triana é defendido por uns e recusado por outros, mas Hélder Miguel defende antes um “bom marketing” que possa de certa forma contrariar o marasmo reinante. Hélder Miguel conta que o programa de incentivo à modernização do comércio não contou com aderentes no município, “porque tinha de haver um investimento mínimo, a rondar os cinco mil euros, e as

pessoas não quiseram arriscar”. Quando se pergunta ao presidente da ACICA que soluções é que podiam ser dadas aos comerciantes mais velhos, que hoje em dia mantém a porta aberta mas pouco ou nada vendem, refere que essa é a grande pergunta que hoje também se coloca, mas não consegue adiantar respostas. “As pessoas conformaram-se com a crise”, acaba por dizer. Por outro lado, “pouco ou nada se arrisca no marketing, temos o exemplo da Feira da As-

censão onde temos mais empresários de fora”. Também no caso do Carregado, o cenário não “é muito mais animador”, embora “haja mais gente a circular nas ruas, mas não se consegue ir mais além”. O dirigente vai mais longe quando se fala nos eventos turísticos do concelho como o “Alenquer, Presépio de Portugal” ou “Alenquer Terra da Vinha e do Vinho” – “Ninguém compra mais no comércio local porque a vila está mais ou

menos bonita, ou porque tem mais ou menos luzes”. Definitivamente “a revitalização do comércio não passa por este tipo de eventos”. Em Vila Franca de Xira, a Associação Empresarial dos concelhos de Vila Franca de Xira e de Arruda dos Vinhos (ACIS), segundo o seu presidente João Paulo Range, levou a efeito um programa de adesão ao investimento comercial que foi aprovado, e que se encontra em fase de execução. A associação está ainda a preparar um por-

Lisboa, deveriam fechar às oito, pelo menos no verão, e abrir um pouco mais tarde”. Este lojista diz que fecha às oito da noite e não deixa de ter clientes.

tal tendo em vista a criação da marca Vila Franca a nível nacional, de modo a permitir a atração de clientes e o consumo. Muito se tem falado na abertura das lojas depois das 19h, mas o dirigente refere que a decisão é de cada um, e prefere não emitir opinião neste âmbito. Quanto ao facto de o comércio de Vila Franca já não ser o que um dia foi, afirma: “Não estamos mortos, temos de combater essa ideia, e apostar ao máximo na revitalização”.


Valor Local Destaque Negócio das Unhas é dos mais evidentes em Azambuja O dito negócio das unhas é um dos mais florescentes na vila de Azambuja. Já são perto de uma dúzia, as esteticistas que fazem deste um dos negócios da moda na localidade. Uma dessas novas empresárias do ramo é Débora Marques, 28 anos, que entrou no ramo há um ano e meio. Para trás ficou um emprego no Campera, Carregado. Em conversa com uma prima achou que era boa ideia aventurar-se neste mercado, e tirou um curso para o efeito. Débora Marques conta que sempre achou piada à estética de unhas, e era uma fiel cliente também deste tipo de espaços. Implantar o negócio em Azambuja, já com um mercado muito competiti-

vo “foi um risco”, mas “como estávamos perto de casa, decidimos que era melhor ser aqui”. Inicialmente instalou o seu espaço no centro da vila, mais recentemente mudou-se para uma zona menos central, ao lado das finanças; “até porque foi-se instalar no rés-dochão do prédio onde estávamos uma outra esteticista”. Contudo, e como entretanto conseguiu fidelizar uma clientela fiel, “cerca de 60 pessoas”, espera que a nova fase também seja bem-sucedida. Mas este centro de estética possui ainda outros serviços como depilações, massagens e aplicação de pestanas. “O passapalavra é que acabou por fazer a casa”, não tem dúvidas. A esteticis-

ta também conta com clientes fora da vila de Azambuja, nomeadamente, do Carregado, de Alenquer e de Santarém. Um dos desafios de quem está neste mercado competitivo passa por uma necessidade de atualização constante, até tendo em conta a concorrência e para isso Débora Marques, bem como a prima que é sua sócia, conta em ir fazendo vários cursos, pois as novidades no mercado das unhas sucedemse, com clientes cada vez mais exigentes que pedem às esteticistas para arriscar sempre mais um pouco no que toca a desenhos e outras técnicas. “Por vezes não é fácil satisfazer esses pedidos, mas tentamos esforçar-nos o mais pos-

sível”. Para muitas mulheres portuguesas habituadas a trabalhar em outras áreas, a estética é vista atualmente como uma boa aposta no que toca a conseguir ter um negócio próprio e onde as clientes não faltam. A mulher moderna não descura a sua aparência, e a crise parece não ter chegado ao mundo das unhas, depilações e afins. Débora Marques também confirma esta tese e apesar da proliferação destes negócios refere que “há cada vez mais pessoas a quererem vir para o ramo”. Mas nem tudo são facilidades. Para esta empresária, a sua timidez a início preocupou-a, até porque se trata de um trabalho em que se lida com

o público, sendo que este em particular “é muito exigente”. O mercado de Azambuja é difícil e para além das cerca de uma dúzia de esteticistas instaladas, “ainda

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há as que trabalham em casa”. “Só o tempo dirá se o ramo da estética de unhas continuará a ser tão apelativo para quem deseja arranjar uma nova profissão”.

Loja de discos em Azambuja recebeu visita de Adelaide Ferreira E

m tempos foi uma das poucas lojas de música da região. Hoje a loja de António Lopes, no centro de Azambuja, a Top 10, vende sapatos, roupa para desporto, troféus e carteiras, mas o negócio é praticamente nulo. Longe vão os tempos em que havia fila à porta para um autógrafo da cantora Adelaide Ferreira no lançamento do seu primeiro single. A evolução da forma como hoje se ouve música condicionou em muito esta que já foi uma loja importante no concelho de Azambuja. O seu proprietário, António Lopes, recorda esses tempos com nostalgia e algum brilho nos olhos. Foi há 36 anos que tudo começou. Desde logo apostou numa espécie de mix de artigos com brinquedos,

música e desporto, tendo em vista a possibilidade de atrair mais clientes. “Muitos miúdos compravam vinis e tenho mesmo muitas saudades daquele tempo. Sentia-se verdadeiramente a essência do comér-

cio tradicional. Hoje os tempos são de uma pasmaceira total”. Entre os discos que mais vendeu lembra-se bem dos de Pink Floyd e Super Tramp. Como este tipo de lojas não era vulgar na região, com frequência recebia “a visita de clien-

ACISMA planeia mais atividades para os comerciantes Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA) tem a visão de que o comércio e a sua revitalização passa também pela melhoria das condições do espaço público, porque “hoje em dia temos uma porta aberta, e duas fechadas, uma casa com bom aspeto, e duas em ruína”, refere o porta-voz, Daniel Claro. “A recuperação destas casas através da criação de espaços comerciais e residenciais pode funcionar para que entre em desuso aquela ideia de que as pessoas passam e não compram nada”. Por outro lado, acredita que foi criado um fosso no largo do município com a recuperação do edifício onde agora se encontra a vereação municipal, “que poderia ser um forte chamariz pela sua centralidade, se no local tivesse sido criado um espaço comercial”. “O largo do município é um autêntico muro, e isso funciona como uma barreira entre a zona norte e a sul de Azambuja. Podia ter sido criada uma zona de esplanada com potencial”. A

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proximidade a Lisboa e o aparecimento desde o Campera ao Vasco da Gama acabam por também ter a sua influência nalgum estado de decadência comercial de Azambuja. Com esta ordem de fatores expressa, a ACISMA entende que dificilmente o estado de cosias poderá ser revertido no curto-médio prazo – “Tudo o que se possa fazer entretanto não passa de uma espécie de pensos rápidos”. A ACISMA não esconde que nos últimos anos deu mais importância à formação, e tem ficado um pouco aquém da intervenção junto dos seus associados. “Mesmo assim tivemos ações de formação com formadores muito exigentes, académicos experientes, e não pessoas com um CAP tirado na esquina, que ensinaram noções de vitrinismo, atendimento comercial, informática, gestão de stocks, inteligência emocional em contexto de organizações.” Passada esta fase, a associação está a planear um conjunto de ações de aproximação aos comerciantes com a possibilidade de po-

der contribuir para algum ganho de ânimo, nomeadamente, e em concertação com a junta de freguesia de Azambuja, com o “instituir de quatro em quatro meses de uma espécie de dia do comércio, com animação de rua”. A ACISMA levará ainda a cabo a distribuição de uma newsletter com informação ao comerciante. Mas o principal projeto da associação passa entretanto pelo gabinete de apoio ao empresário, que deverá ser inaugurado em novembro, faltando apenas acertar questões ligadas ao mobiliário e ao layout. Este gabinete poderá ajudar tão só o comerciante ou o empresário em tarefas mais ou menos administrativas até fornecer instrumentos no âmbito de uma candidatura aos fundos comunitários. Por outro lado, a associação adianta que em breve poderá também existir fumo branco quanto ao estacionamento pago na vila, pois contrariamente a outas ocasiões onde o assunto foi aflorado, “neste momento já existe um estudo para o efeito”.

tes de fora de Azambuja”, sempre à procura das últimas novidades. O investimento que fez na altura ainda foi avultado, com a aquisição de gira discos, auscultadores e balcões. “Quis fazer algo de diferente, gastei 3500 contos na remodelação da loja”. Chegou a ter uma boutique, mas o valor das rendas também tornou incomportável a continuidade. Hoje reconhece que mantém a porta aberta apenas porque é importante para si e para a esposa terem esta ocupação. “A juventude pega na mesada dos pais, mete-

se no comboio e vai comprar roupa ao Colombo e ao Vasco da Gama”, reconhece. “Vou mantendo a clientela fixa até ir para a reforma”, conforma-se. Quanto ao restante comércio de Azambuja é pessimista – “Tem tendência para acabar, não se fazem eventos que chamem as pessoas, e a própria Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA) também podia dinamizar um pouco mais a sua atividade”. A esposa sentencia – “Neste momento o que está a dar em Azambuja é casas

de unhas e cafés”. “A Câmara que ponha a imaginação a funcionar, a falta de dinheiro não pode ser desculpa para tudo”, acrescenta António Lopes. É também um crítico da forma como está a ser gerido o estacionamento na vila – “Pois é urgente que se avance para o estacionamento pago. Durante todo o dia tenho automóveis estacionados à minha porta, deixados por quem vai trabalhar para Lisboa, e que só saem daqui à noite”. E neste aspeto pede também mais celeridade por parte da ACISMA.


Economia

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Valor Local

Encontro nacional de incubadoras de empresas em Arruda dos Vinhos

Tim Vieira do Shark Tank foi um dos convidados vila de Arruda dos Vinhos recebeu, no final do mês de setembro, um encontro nacional de incubadoras de empresas. O objetivo consistiu numa troca de experiências com base no fomento da motivação junto dos empresários locais que participaram nesta iniciativa que decorreu durante todo o dia no auditório municipal local. Ao longo do dia foi possível ouvir os vários intervenientes a falar das

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suas experiencias e dos seus conselhos para os futuros empresários, como foi o caso do empresário Tim Vieira, um dos elementos da versão portuguesa da série televisiva “Shark Tank” que passou na SIC. Para Tim Vieira, o importante é tentar “mesmo que se falhe”, porque segundo o próprio não há vitórias sem algumas vicissitudes. Aliás o empresário referiu mesmo

que a atitude é o mais importante, sendo que uma derrota não significa o fim da batalha. Já André Rijo, presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos, salientou que o município quer contribuir para que “os sonhos dos nossos empresários sejam concretizados” e explicou que o objetivo é “proporcionar a um jovem que nos apareça com uma ideia de negócio: a possibilidade de viver esse sonho”.

André Rijo salientou o projeto de empreendorismo local O autarca acrescenta que “ a ideia da incubadora de negócios local, a Invest Arruda, que está a ser criada possa contribuir para que os empresários se fixem aqui e que possam ser felizes na sua terra”. Aliás, o autarca citou mesmo o empresário Tim Vieira, referindo-se ao facto de o empreendedorismo ter por base também “a tentativa e o erro, já que nem tudo tem de correr bem à primeira; e é essa men-

talidade que temos de ajudar a desmistificar”. Todavia a aposta forte do município passa mesmo pela criação de empresas e o fomento do empreendedorismo. Nesta altura, o concelho já dispõe do Gabinete de Apoio ao Empresário, do Invest Arruda, do Gabinete de Inserção Profissional e está em curso um programa de empreendedorismo nas escolas.

Câmara de Alenquer renova protocolo com a AIP para empreendedorismo jovem Câmara Municipal de Alenquer celebrou, de novo, um protocolo com a Associação Industrial Portuguesa tendo em vista o programa do empreendedorismo jovem nas escolas do concelho. Este é um projeto que já está a dar frutos concretos, com a comercialização, ainda este ano, de um jogo idealizado pelos alunos de uma das escolas do concelho, intitulado “Além Vou” com o apoio da “Science For you”. Paulo Franco, vereador na Câmara de Alenquer, regozijou-se por mais um ano de parceria com a AIP, agradecendo também às empresas a colaboração bem como às escolas. À semelhança de edições passadas, os alunos do concelho são convidados a criar em grupo uma ideia de ne-

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gócio com as ameaças e oportunidades e no fim do ano letivo tem lugar a sua apresentação. “A Câmara de Alenquer tem sido muito empenhada neste projeto, bem como os professores, os diretores dos agrupamentos, e as empresas”, referiu por seu turno Maria Vieira da AIP. Dez mil crianças no país já beneficiaram deste programa que como a AIP o rotulou “é chave na mão”, pois são fornecidas pela associação todas as ferramentas necessárias para o trabalho dos mais jovens. Os diretores dos agrupamentos de Abrigada, Damião de Góis, Carregado e Visconde Chanceleiros reafirmaram mais uma vez o seu comprometimento com o projeto dos “Ateliers Empreender Criança”.

Sobre este propósito, André Rijo salienta que no quarto ano já existe uma parceria com a Associação Industrial Portuguesa (AIP) para a criação dessa iniciativa. A médio prazo, o autarca salienta que os jovens poderão vir a ter noções sobre o mundo empresarial e para a importância de “se arriscar, ter ideias e corrermos atrás delas, numa lógica de fomento da dinâmica empresarial”.


Valor Local

Em Foco

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Azambujense Rui Antunes dá cartas no mundo da publicidade em 25 anos, e é um dos novos talentos da publicidade a nível nacional, contando já no seu currículo com um “Gold Young Lions Portugal” bem como outros prémios. O azambujense Rui Antunes esteve presente também por estes dias num dos maiores palcos europeus do mundo da publicidade, o “European Creativity Festival” em Barcelona. Neste evento participaram cerca de 20 talentos de toda a Europa, sendo que Rui Antunes foi o representante de Portugal a par de uma outra colega. Contudo o seu percurso não foi fácil até chegar a uma das mais importantes multinacionais presentes em Portugal, a Ogilvy há apenas três anos. O publicitário conta que depois de ter tirado o curso e de ter feito estágio numa pequena empresa de Relações Públicas de Odivelas, esteve durante um ano a tentar a sua sorte nesta área, sem sucesso, pelo que à semelhança de outros jovens teve de se fazer à vida como se diz na gíria, e fez outros trabalhos como ajudar a mãe no café, ou mesmo na apanha da pêra rocha. “Houve alguma desmotivação, mas depois de ter enviado muitos currículos do género –‘Toma lá e dá-me cá um emprego’ percebi que não ia conseguir ser chamado para trabalhar numa área como esta, percebi que tinha de mudar de estratégia”. Para seduzir o mercado, Rui Antunes enviou, primeiro, “remédios de criatividade”, basicamente tentou receitar de uma forma imaginativa às grandes agências o seu currículo e a sua história pessoal em forma de medicamento, mas em vão. Então, Rui Antunes recorreu a um jogo do imaginário infantil e a sorte sorriu-lhe. Foi o monopólio que lhe

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permitiu sair da casa de partida: “Basicamente em todas as casas, havia um pouco da minha história passada, presente e até futura, o jogo apresentava também o que eu pretendia fazer dali a cinco anos”. Foi então chamado para trabalhar na Ogilvy, apesar de ter estado durante um ano apenas com as ajudas de custo pagas. Rui Antunes recorda que o sonho de um dia poder “saber o que se passa por trás dos anúncios que vimos na televisão” vem desde a altura em que frequentava o nono ano, e por isso nunca desistiu deste sonho mesmo quando após acabar o curso percebeu que este é um mercado onde nem todos conseguem vencer. “Recentemente estive num jantar de curso, em que entre 20 pessoas, apenas três estavam a trabalhar na área”. Quanto à competição na sua profissão, desmistifica um pouco a ideia de que este é um mundo demasiado agressivo, pelo menos em Portugal – “As picardias em que queremos ser os melhores são relativamente saudáveis, penso que não se pode falar em desonestidade entre colegas, ao contrário do Brasil, por exemplo, onde as relações entre pessoas da mesma empresa são muito mais tensas nesse aspeto, até porque lá as ideias valem muito dinheiro”. A campanha de publicidade que idealizou enquanto copywriter (profissional que escreve o texto) para a Rádio Renascença é um dos seus trabalhos mais visíveis e um dos que mais se orgulha – “Fiz a campanha dos elogios, em que os locutores da rádio eram colocados em contacto com os ouvintes e lhes dirigiam palavras simpáticas”. O anúncio passava-se dentro de um táxi, num barbeiro, ou

num salão de beleza. Rapidamente se percebeu do potencial desta ideia, e o Continente aliou-se ao espírito dos elogios com a Renascença “e fizeram umas emissões em direto nos supermercados”. “As pessoas sentiram-se bem com o anúncio, até porque estávamos em crise e dar um elogio a alguém, ou um cumprimento era benéfico. A Renascença ficou extremamente agradada com a ideia”. Outro dos trabalhos que se constituíu para Rui Antunes como um especial desafio prendeu-se com um conceito inovador que o Correio da Manhã levou para o seu site; o de responsive ou seja a adaptação do site de forma automática para poder ser lido com o mesmo conforto para computador, tablet e outros dos novos dispositivos. “Fizemos um anúncio em que convidámos as pessoas a dobrar as páginas do jornal para que confirmassem essa adaptação”. O processo de debate das ideias com o cliente é outro dos desafios que enfrenta todos os dias na sua profissão porque “também há clientes com más ideias, que tentam fazer o óbvio e como a publicidade não é uma ciência exata, até tendo em conta que estamos em época de crise, torna-se difícil convencê-los do contrário.” A empresa que “nos procura tenta sempre não gastar muito dinheiro”, e isso é um desafio para o publicitário, até porque é impossível “garantirmos que com a nossa ideia, o cliente vai ter sucesso”, algo que é sempre determinado pelo mercado. A possibilidade de no ano passado ter estado no mais importante festival de publicidade do mundo, em Cannes, foi também uma experiência que o marcou. “Fui re-

presentar Portugal como jovem criativo, não consegui ganhar lá, porque são muitos em competição, sendo que apenas temos 48 horas para pensar numa ideia, fazer o filme, e mostrar. Foi sem dúvida a minha experiência profissional mais importante. Estão lá as

maiores estrelas do mundo da publicidade”. Rui Antunes deixou para já de lado a hipótese de tentar a sorte no estrangeiro, dado que conseguiu realizar o sonho de trabalhar numa grande empresa em Portugal, mas desmistifica a ideia de

que a profissão de publicitáriao é bem paga – “Se calhar há 20 anos era, e essas pessoas talvez tenham conseguido manter o bom salário, mas quem entra de novo na profissão dificilmente é bem pago em Portugal, mesmo que ganhe prémios”.


Dossier Águas

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Valor Local

Água escura continua a sair das torneiras em Salvaterra de Magos problema já não é novo, mas nos últimos tempos tem vindo a agudizar-se com queixas frequentes sobre a água de aspeto acastanhado que sai das torneiras dos munícipes servidos pela “Águas do Ribatejo” (AR). No concelho de Salvaterra de Magos, sobretudo em Marinhais a esta circunstância junta-se a fraca pressão nas torneiras sobretudo em algumas alturas do ano. Ao Valor Local, Clotilde Santos, residente nesta localidade refere que desde que a gestão municipal das águas foi entregue à AR, há seis anos atrás, “que duas ou três vezes por mês que a água se apresenta imunda quando se abre a torneira”. A munícipe até avança com uma explicação – “Cada vez que há ruturas nos canos, não ‘sangram’ as águas sujas, e essas águas passam diretamente para a torneira dos consumidores”. No grupo de facebook “Reclamações Águas do Ribatejo” cidadãos deste concelho e também de Samora Correia lamentam o estado de coisas, “água turva; fraca pressão, ao mesmo tempo que vão referindo que a empresa gasta dinheiro em carros novos”. E tal como no passado, a empresa refere que a água castanha tem a ver com “a dissipação do manganês que se encontra instalado em

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forma de película colada às condutas de fibrocimento nas zonas mais antigas. Quando há intervenções na rede ou alterações da pressão do caudal na conduta, o manganês solta-se, conferindo a cor acastanhada.” Por este motivo, a AR recomenda com regularidade aos consumidores que se notarem “a alteração da cor da água, para solicitarem a intervenção dos nossos serviços que fazem descargas na rede e aceleram o processo de normalização da água sem necessidade dos consumidores estarem a purgar a rede em casa. Evitam assim a entrada na rede predial do manganês e as suas consequências.” Numa das últimas reuniões de Câmara de Salvaterra de Magos, o presidente da Câmara, Hélder Esménio, dava conta da especificidade do caso de Marinhais e de como esta freguesia se tem constituído como um desafio para os técnicos da empresa sempre que se fala em falta de pressão. “A empresa optou por dotar a rede de andares de distribuição”. Sendo que a água escura se deve à “existência de óxido de ferro que está a envolver as tubagens, que quando a água passa não tem problema, mas quando há cortes de abastecimento e depois vem uma corrente a varrer, é claro que arrasta

Empresa sustenta que tem feito investimentos para suprimir o manganês esse óxido de ferro e esse manganês que está depositado nas tubagens”. Face às críticas, a AR relembra que “fez um avultado investimento nos sistemas de abastecimento de água em todo o concelho de Salvaterra de Magos. As obras com um valor aproximado de 4,5 milhões de euros financiadas pelo

POVT, e pela AR, incluíram a construção de duas estações de tratamento de água, que entraram recentemente em funcionamento com o objetivo de retirar o manganês em excesso na água captada e todos os elementos que possam ser perturbadores da qualidade da água na rede. Todavia o manganês instalado nas condutas exis-

tentes há dezenas de anos, irá sendo progressivamente eliminado através da sua remoção e diluição.” Com os investimentos realizados, “os novos reservatórios estão preparados para garantir reservas de abastecimento durante dois dias” e estão equipados com o sistema de telegestão que permite monito-

rizar à distância os níveis de água nas células e receber alertas sempre que se registam anomalias.” Esta informação, em tempo real, “reduz de forma substancial os tempos de corte, ou constrangimentos, no abastecimento e as perturbações no normal funcionamento do abastecimento de água”, sustenta a empresa.

Três meses depois da Fusão das Águas:

Câmaras de Alenquer e Azambuja exprimem incertezas quanto ao futuro s municípios de Alenquer e Azambuja ainda não conseguem traduzir se a passagem para a nova estrutura que gere o abastecimento e o saneamento em alta, a empresa multimunicipal “Águas de Lisboa e Vale do Tejo” está ou não a ser mais vantajosa. Para já parece haver um mar de incertezas e muitas arestas para limar. O presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, exprime alguma preocupação com o estado de coisas, sendo que para já tem a sensação de que “a própria estrutura também se está a adaptar à fusão”. A empresa Águas do Oeste (AO) foi extinta e deu lugar a um grande agrupamento que integra não só aquela antiga estrutura mas também a Águas do Zêzere e Coa; Águas do Centro, Águas do Oeste; Simtejo, Sanest, Simarsul, Águas do Norte Alentejano, e Águas do Centro Alentejo, colocadas no grupo Águas de Portugal. Uma estrutura “muito pesada”, afirma, tendo em conta também que a sede se situa na cidade da Guar-

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da, embora permaneçam na sede da antiga AO em Óbidos parte dos antigos interlocutores dos dois concelhos, mas apenas técnicos. O presidente da Câmara de Alenquer também está na expetativa para ver no terreno os investimentos prometidos “e escritos em ata” com os quais a Epal, (que assume neste agrupamento a gestão operacional do sistema) se comprometeu quanto a uma série de questões, nomeadamente, “as captações em Castelo de Bode”. Pedro Folgado é definitivo – “Estamos à espera que as coisas se acalmem para voltar a insistir no ponto de situação desses investimentos, porque estamos sem saber o que o futuro nos vai reservar”. A empresa que gere as águas e saneamento no concelho, a “Águas de Alenquer” também se encontra na expetativa tendo em conta “o ajuste de tarifa”, que “em princípio deve manter-se, no concelho”, diz o autarca. O fim da cobrança dos mínimos assim o determina. Mas a ERSAR também deverá ditar “qual a tarifa a aplicar”,

tendo em conta que assume neste processo de reorganização das operações do Grupo Águas de Portugal um papel mais ativo. Recorde-se que a verticalização do sistema com a fusão em causa teve como um dos principais objetivos promover a obtenção de economias de escala que garantam sustentabilidade económica, social e ambiental dos serviços de água e saneamento, diminuindo a disparidade tarifária resultante das especificidades dos diferentes sistemas e regiões do país. . Já no caso do concelho de Azambuja, o vice-presidente do município Silvino Lúcio também refere que até à data ainda viu pouco no plano das concretizações. “Tivemos uma reunião com um engenheiro da EPAL que fará a ligação connosco e com os restantes municípios, mas depois desse encontro nunca mais nos disseram nada”. O autarca mostra-se algo preocupado até porque “há contas para fechar ainda do tempo da Águas do Oeste”. O facto de a sede da empresa ser na Guarda

“também não facilita os contactos”. “Já nos foi dito que haverá mais encontros formais mas até à data nada se passou”. O vice-presidente confirma que a nova estrutura está a cumprir contudo o que ficou acertado com a Águas do Oeste tendo em vista obras que faltava completar no alto do concelho. Silvino Lúcio refere que houve alguns problemas com um troço do emissário do Casal do Além, que sofreu atrasos, mas que existe o compromisso de se cumprir a obra. Quanto às dívidas, Silvino Lúcio refere que a antiga empresa deve 100 mil euros à Câmara, que por sua vez tem uma dívida com a extinta AO aproximadamente do mesmo valor, sendo que foi sugerido pela Câmara que se colocasse as dívidas a zero, mas até ao momento ainda não foram dados mais passos. Já no que se refere à possibilidade de descida das tarifas, Silvino Lúcio também evidencia alguma inquietude – “Nesse campo também ficamos sem perceber o que se

pode vir a passar, se se concretizará ou não algo de positivo para

o município conforme foi anunciado”.

Novas tarifas de abastecimento e saneamento ainda não foram definidas


Valor Local

Acisma

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Cheque-Formação A medida Cheque-Formação, criada pela Portaria n.º 229/2015, de 3 de agosto, constitui uma modalidade de financiamento direto da formação a atribuir aos utentes inscritos na rede de Centros de emprego e de Centros de emprego e formação profissional do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P. (IEFP, I.P.), nomeadamente entidades empregadoras, ativos empregados e desempregados. Esta medida tem como objetivo principal o incentivo à formação profissional, constituindo-se como um instrumento potenciador da criação e da manutenção do emprego e do reforço da qualificação e empregabilidade.

ra. Os apoios a conceder no âmbito do Cheque-Formação não contemplam as despesas com ações de formação frequentadas antes do início da sua vigência ou da data de submissão da candidatura. Cada beneficiário, desempregado ou ativo empregado, pode beneficiar do Cheque-Formação por um período de 2 anos, tendo como referência a data de submissão da primeira candidatura deferida. No caso de alteração da situação face ao emprego, os apoios e o prazo devem ser verificados à data da referida alteração.

Sempre que se verifique a necessidade de reconhecimento do grau académico obtido em países da União Europeia ou países terceiros, de cidadãos nacionais ou estrangeiros, devem cumprir-se os procedimentos definidos na legislação nacional aplicável. As condições de elegibilidade dos beneficiários são aferidas à data da apresentação da candidatura. No caso de formandos desempregados mantem-se a obrigatoriedade da procura ativa de emprego durante todo o período de formação, que deve decorrer fora dos horários da formação.

Apoios Financeiros Ativos empregados

Quem pode apresentar candidatura

Candidatura

• Os beneficiários diretos da formação. • As entidades empregadoras, relativamente aos seus trabalhadores, sendo consideradas para este efeito as pessoas coletivas ou singulares de direito privado, com ou sem fins lucrativos, de acordo com os requisitos constantes do Regulamento Específico.

A apresentação das candidaturas é efetuada através do portal Netemprego, em www.netemprego.gov.pt, doravante designado por Portal, sendo necessário o registo prévio do candidato no Portal (caso ainda não tenha efetuado este passo); O formulário de candidatura encontra-se disponível no referido Portal, na página Apoios e Incentivos ou na área pessoal do candidato (Candidaturas a programas/Medidas, Medida Cheque-Formação); No caso de candidaturas apresentadas por entidades empregadoras, as mesmas podem agregar vários trabalhadores no mesmo pedido; O processo de instrução da candidatura pode ser efetuado de forma progressiva, de acordo com a disponibilidade dos candidatos, permitindo gravações intermédias. O Cheque-Formação tem um regime de candidatura aberta. As candidaturas são aprovadas até ao limite anual da dotação orçamental. Para mais informações consulte o site do IEFP ou contacte a ACISMA. (Fonte: AIRO)

O apoio a atribuir, por trabalhador, considera: • a duração máxima de 50 horas de formação, no período de dois anos; • um valor/hora de € 4, num montante máximo que poderá atingir os € 175, sendo que o apoio a atribuir não pode exceder 90% do valor total da ação de formação, comprovadamente pago. Desempregados Os desempregados que frequentem percursos de formação com uma duração máxima de 150 horas de formação, no período de dois anos, têm direito a um apoio financeiro correspondente ao valor total da ação de formação, comprovadamente pago, até ao montante máximo de € 500. Pode acrescer ao apoio acima mencionado, e em conformidade com o estabelecido na Portaria n.º 60-A/2015, de 2 de março, a bolsa de formação, o subsídio de refeição e as despesas de transporte, desde que não atribuídos pela entidade formado-

Beneficiários a) Ativos empregados, com idade superior ou igual a 16 anos, independentemente do seu nível de qualificação, cujas candidaturas podem ser apresentadas pelos próprios ou pelas respetivas entidades empregadoras; b) Desempregados inscritos no IEFP, I.P. há, pelo menos, 90 dias consecutivos, com idade igual ou superior a 16 anos, detentores do nível 3 a 6 de qualificação. A formação a apoiar deve corresponder ao definido no Plano Pessoal de Qualificação (PPQ), obtido na sequência de um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC) profissional.


Solidariedade

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Valor Local

Os Jovens Padeiros de Meca Associação de Apoio a Idosos e Jovens da freguesia de Meca, no concelho de Alenquer, inaugurou a sua “Padaria Social Bem Maior”, um projeto que recebeu o apoio da Cepsa no valor de 10 mil euros, mas também particulares e empresas se têm empenhado em ajudar esta causa. O Valor Local esteve presente durante uma manhã na antiga

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escola primária da Espiçandeira, cedida pela autarquia de Alenquer, onde os jovens da instituição portadores de deficiência, atualmente, cozem o pão. Com muito entusiasmo, foram colocando as carcaças de pão précongeladas no forno elétrico com vista ao pequeno-almoço. A ideia deste projeto nasceu da vontade de se promover uma ati-

vidade diferente, fora das instalações da IPSS, como forma também de inclusão dos utentes do Centro de Atividades Ocupacionais da associação. Mas o projeto pretende ser mais ambicioso com a construção de uma padaria a sério no local, antes disso a sala terá der readaptada para essa função, contando a associação em fazer com que

este sonho possa concretizar-se nos próximos tempos. Ana Carla Matos, diretora técnica da instituição explica: “Queremos mesmo fazer o pão nestas instalações, com a total adaptação deste espaço, e nessa altura podermos alargar a componente de apoio às famílias carenciadas fornecendo-lhes também os nossos pães”, numa lógica de com-

plementaridade entre o proporcionar de uma atividade social a uns, e o apoio aos mais desfavorecidos economicamente, por outro. O projeto para já leva a cabo a cozedura de 100 pães diariamente mas apenas para consumo dos utentes da instituição. “Muito bom”; “Gosto muito de estar aqui, e gostava de um dia

amassar o pão”; “A padaria está muito gira e ainda bem que eu estou cá”; “Gosto de por o pão no forno e saboreá-lo” foram apenas algumas da expressões usadas pelos jovens padeiros (O José, o João Paulo, a Rita, o Leonel, e o Pedro) depois de mais uma ida à antiga escola primária da Espinçadeira para cozer o pão.

Lar Residencial de Vale do Paraíso abre antes do prazo epois de ter sido inaugurado em agosto, o Lar de Vale do Paraíso vai começar a receber os primeiros utentes em novembro, já com a capacidade preenchida em 70 por cento, prevendo-se que chegue aos 100 por cento em dezembro, e para isso contribuíu no entender de José Eduardo Pereira, presidente da Associação Nossa Senhora do Paraíso (ANSP), “o empenho de vários agentes, nomeadamente, a Construaza”. Com isto, a unidade antecipa em 60 dias o início da sua atividade. O presidente da instituição salienta o pedido de apoio à sua

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construção junto da Segurança Social, o qual ainda não obteve uma resposta, mas o responsável aguarda “com alguma tranquilidade e esperança essa resposta, nos próximos dias, com uma carta ou um telefonema”. José Eduardo Pereira refere “que em 24 anos de vida da instituição só foram pedidos apoios por uma única vez: na construção da primeira fase numa candidatura a fundos europeus”. “Todos os outros projetos foram executados por autofinanciamento usando a nossa criatividade, inteligência, empenho enquanto voluntários”. A aquisição de uma viatura para

pessoas com dificuldade motora no valor de 34 mil euros foi um desses projetos. Já no que toca ao apoio do município, Luis de Sousa admitiu ao Valor Local que a Câmara apoiaria a obra. Todavia até ao momento isso ainda não aconteceu. José Eduardo Pereira diz que tem marcada, para os próximos dias, uma reunião com o presidente do município, precisamente para avaliar essa questão onde espera que lhe seja apresentado um protocolo de financiamento ao projeto, acrescentando entretanto : “Só pretendemos que nos seja dado o mesmo

tratamento em igual percentagem, ao que recentemente o município disponibilizou a outra instituição social na área da deficiência”. Por outro lado, o presidente da ANSP vinca não entender tais apoios como esmolas, tendo em conta que as IPSS’s substituemse muitas vezes ao poder nas suas responsabilidades, e como tal: “Porque não os orçamentos, neste caso dos municípios, terem dotações em percentagem para com a nossa comunidade sénior? Resolviam-se alguns problemas de forma célere e a contento de todos os parceiros”.

José Eduardo Pereira diz entretanto que este espaço é sinónimo de mais responsabilidade para todos e que o caminho será “para continuar na linha do rigor, da disciplina, da inovação e da criatividade. É para isso que acordamos todos os dias, e a formação continuará a ser uma aposta no futuro, agora mais reforçada pelo nível de responsabilidade”. Mas depois deste lar, a associação pretende abraçar outros projetos Ao Valor Local, desvenda que a ideia é “otimizar um espaço nas instalações com 50 m2 para colocarmos um serviço de fisioterapia para utentes, sócios e popu-

lação”. Esta é aliás uma lacuna “da freguesia e do concelho”. A ideia é deslocar técnicos a Vale do Paraíso, e não os utentes a Vila Franca, ou ao Cartaxo, e Santarém “ Para abril, altura em que a instituição comemora as bodas de prata, o presidente promete apresentar aos sócios em Assembleia Geral e à comunidade “um projeto de dimensão, reforçando os investimentos já realizados” referindo que existe “muita esperança na nossa IPSS, mas também muito trabalho e duro nos próximos tempos”.


Valor Local

Eventos

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Vila Franca de Xira

Torricado é rei em novembro concelho de Vila Franca de Xira vai ser palco durante todo o mês de novembro de mais uma campanha de gastronomia. Este ano, o prato “rei” é o Torricado de Bacalhau, já que no ano anterior este foi um dos “pitéus” mais solicitado nos cerca de 20 restaurantes aderentes, exatamente o mesmo número de estabelecimentos que este ano volta a participar na campanha. Segundo o município, no ano passado foram servidas mais duas mil doses nos restaurantes aderentes, número esse que espera ultrapassar este ano.

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Esta é mais uma iniciativa que visa não só o fomento dos pratos regionais, como o fomento da economia local. Contudo e embora esta campanha tenha como prato central o “Torricado de Bacalhau”, existem também outras iguarias para os menos apreciadores deste prato tão ribatejano. Caldeirada mista, coelho da horta, dobrada à Vila Franca, ensopado de borrego, ensopado de enguias, galinha de cabidela, cozido de carnes bravas são outros exemplos que prometem deixar crescer “água na boca” aos visitantes do concelho de Vila Franca de Xira.

Balanço positivo de mais um Festival Bike 12ª edição do Festival Bike em Santarém recebeu 26.300 visitantes. Este foi um número significativo de visitantes já que se trata de um aumento de 1,50% face ao ano transato, segundo a organização. Ao longo de três dias o Cnema foi o palco para os mais diversos eventos dedicados ao mundo das duas rodas tendo sido um espaço privilegiado para conhecer as novidades do mercado. Este ano houve também um aumento de expositores. Um aumento de cerca de 4 por cento face ao ano passado, registando 134 expositores presentes. Com uma área de exposição com cerca de 15.000 m2, as empre-

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sas apostaram no Festival Bike como forma de promover os seus produtos, contactar com o público em geral e profissionais, efetuar negócios e apresentar ao país as novidades do mundo da bicicleta para 2015/2016. Durante três dias, o Festival Bike contou com variadas competições que contaram com a presença de milhares de atletas, muitos dos quais desportistas conceituados no panorama nacional. Neste âmbito, realce para a 11ª Maratona BTT, para a VIII edição do Duatlo, o 8º Mega Passeio de Cicloturismo Lisboa / Santarém, o Passeio das Duas Pontes ou o 4º Troféu da Juventude.

Cadaval recebe Festival de Tributos sta iniciativa que é organizada pela delegação da Cruz Vermelha do Cadaval e vai já na quinta edição. Segundo a organização, este festival vai prestar tributo a bandas como os Green Day, Muse, Rage Against The Machine e Xutos &

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Pontapés. Ao todo serão quatro bandas que voltarão a brindar o público com outras tantas noites dedicadas a ícones do rock internacional e nacional, num evento de solidariedade concebido a pensar, em particular, na camada jovem da popula-

ção. O evento acontece, uma vez mais, no edifício das antigas oficinas municipais (junto aos lavadouros da vila), sempre a partir das 22 horas. A abrir o festival, sexta-feira, dia 30, sobem ao palco os Green Case, com tributo aos Green Day, banda

de punk-rock dos Estados Unidos, e a fechar a noite atua o Dj Ex. No sábado, dia 31, seguem-se os Museness, interpretando reportório dos Muse, banda britânica de rock, com o after hours a ser garantido pelo Dj Phill. Para o fim de semana seguinte, dia

6 de novembro (sexta), o festival da Cruz Vermelha do Cadaval reserva, no arranque da noite, a atuação dos Bulls on Parade, com tributo a Rage Against the Machine, banda de rap-metal norte-americana. A assegurar a continuidade da festa está prevista a presença

de um “dj” surpresa. A encerrar o evento, dia 7 (sábado), a delegação decidiu homenagear uma banda de referência da música moderna portuguesa – Xutos & Pontapés, recriados pela banda-tributo GM, a que se seguirá a atuação do Dj Hardware.


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Feira dos Santos e ExpoCartaxo

Valor Local

Câmara baixa preço dos standes

Uma aposta mais virada para as empresas mês de novembro está à porta e como é tradição aproxima-se mais uma Feira dos Santos e ExpoCartaxo, de 29 de outubro a 2 de novembro. Segundo Pedro Ribeiro, presidente do município cartaxeiro, este ano “propomos um novo conceito de exposição que permita ao visitante, de uma forma mais interativa, viajar pelo concelho e pelas

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suas empresas, que estarão agrupadas em seis zonas temáticas” nomeadamente através dos setores: institucional e empreendedorismo; agroindustrial e alimentar; vinhos e produtos regionais; lazer e tempos livres, urbanismo e construção, saúde e bem-estar. A título de exemplo, o autarca explica que “na zona temática dedi-

Evento está à procura de uma redefinição

cada ao urbanismo e construção, pretende-se apresentar uma visão de todos os passos relacionados com a construção de um edifício, desde a escolha do terreno, ao financiamento da obra, passando pelas equipas de projetistas, empreiteiros, fornecedores de materiais de construção, jardinagem e decoração”. No final será apresentada uma casa no espaço construída integralmente por empresas do concelho. Todavia este é um certame que tem vindo a melhorar. A Feira dos Santos é centenária e o presidente do município esclarece que este ano haverá um novo formato no que respeita ao espaço e ao apoio dado aos empresários presentes na Expocartaxo. “Esperoque traga benefícios quer aos expositores, quer ao público. O espaço permitirá outra interação entre empresas, promovendo a criação de relações e de redes de trabalho, o público poderá perceber a aplicação concreta dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas”.

Ainda assim reconhece a necessidade de melhorias físicas “quer do Pavilhão Municipal de Exposições, quer da zona da feira franca” que necessitam de intervenções no que respeita aos acessos ao espaço, assim como no que concerne às infraestruturas de apoio, sendo que “este ano já foram feitas muitas intervenções que permitirão trazer maior dignidade ao pavilhão municipal”. Mas mesmo com um passado centenário, a Feira dos Santos já sofreu muitas vicissitudes. Os hábitos de consumo das famílias mudaram, há mais mercados mensais um pouco por todo o lado, “e o fim do feriado de um de novembro também não veio aju-

dar”, refere Pedro Ribeiro. Já no que toca à ExpoCartaxo, a autarquia tem este ano um papel mais interventivo. Pedro Ribeiro não fala em afastamento da Nersant que até aqui organizava o certame, mas refere a necessidade “de nos esforçarmos mais para que a ExpoCartaxo possa voltar a responder ao objetivo que esteve na sua génese, o de ser uma mostra empresarial do concelho”. O autarca refere que nos últimos anos a ExpoCartaxo, apesar do “enorme esforço” da Nersant para contrariar esta realidade, tinha-se tornado um pouco uma mostra alimentar e de artesanato. “O que fizemos foi assumir a nossa quota de respon-

sabilidade e passarmos também a participar no esforço, que tem de ser conjunto, para devolver a ExpoCartaxo às nossas empresas, contudo a autarquia mantém a parceria com a Nersant.” Este ano e com a autarquia a liderar o preço do espaço alugado aos expositores desceu. Noutros anos, um espaço 3mX3m chegava a custar cerca de 250 euros. Pedro Ribeiro vinca que as alterações ao espaço de exposição, “permitiu-nos oferecer condições diferentes às empresas. “Naturalmente que o facto de termos decidido baixar os preços, terá tido influência no ‘regresso’ dos empresários do concelho a esta mostra empresarial”.


Valor Local

Tauromaquia Azambujense ¢

Instantâneos Retratos da Nossa Terra

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“O Mural”

António Salema “El Salamanca”

Homenagem a Paulo José Vidal, Médico Veterinário e autor dos versos do fado Cavalo Russo arabéns à Junta de Freguesia de Azambuja, por tomar a iniciativa de fazer no largo da igreja, no muro em que os azambujenses chamam, o muro dos Vidais, um painel de azulejos com a letra do fado Cavalo Ruço, em homenagem ao Dr. Paulo José Vidal, conhecido veterinário azambujense e autor desse poema. Sobre o Dr. Paulo José, conto-vos uma breve história a que assisti. Numa manhã de domingo, via-se cheia de gente, a estrada principal que ia em direção ao enjauladouro do Sr. Lima Monteiro. Homens, mulheres e crianças, todos queriam ver a enjaulação de um curro de Assunção Coimbra, que se destinava à Feira de Santarém. O Dr. Paulo Vidal, encontrava-se junto do enjauladoro, na companhia do Sr. João Assunção Coimbra e do Sr. Lima Monteiro a ver a trajetória dos toiros que vinham para ser enjaulados. É então que se dá um acidente, já próximo do enjauladoro, um dos touros prega um cornalão num cavalo. O Dr. Paulo José, pediu então a uma pessoa amiga para vir a Azambuja buscar a pasta do serviço operatório, quando o Sr. João Serafim, (o tal amigo) chegou. O Dr. Paulo José pediu para deitarem o cavalo no chão e logo ali em pleno campo operou o animal. Por trás do Dr. Paulo José, estava um grupo de pessoas do negócio, que iam para Santarém, e há um deles que diz de pronto, para este (cavalo), uma cruz à cabeceira. O Dr. Paulo José, olhou para o homem e por uma questão de educação não lhe disse nada, disse sim ao campino: “Põe o cavalo em cilhas 8 dias, se ele não morrer dentro de 24 horas, já não morre”. E assim foi, não morreu, tornou-se num cavalo de trabalho de campo

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naugurado durante as festas da freguesia de Azambuja, o mural de azulejos dedicado ao Cavalo Ruço, tem sido bastante elogiado pela população. Todavia, alguns fregueses consideram que o mesmo sofre com o estacionamento automóvel. É frequente os automobilistas deixarem os seus carros a tapar o painel. Vai daí, um munícipe sugeriu em reunião de câmara que o local fosse vedado ao estacionamento. Ora tendo em conta as intenções da autarquia em taxar o estacionamento, acrescentamos nós, era bom que fosse colocada iluminação, uma cerca elétrica e um alarme….

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O “DR” de Joaquim Ramos

Eu, António Salema, tenho de soltar um desabafo sobre a Praça de Toiros de Azambuja isse-me alguém, que em Azambuja não há afición; ao que eu respondi: “Entregam a praça a pessoas que não conhecem o meio, além de que a praça não tem lotação para serem feitos bilhetes correspondentes ao valor dos cartéis. Outro fator é que em noites frias, com bilhetes caros, as pessoas pensam duas vezes.” Dou-vos um exemplo, uma pessoa amiga, pai de profissional do toureio, foi à bilheteira para comprar 7 bilhetes, pediram-lhe 70 euros, diz ele, que pensou duas vezes e optou por não comprar. Como este, muitos outros aficionados diziam, que aquele não era um cartel para esse preço. Eu, António Salema, escrevo com verdade. Pelo menos penso, que quando as coisas nascem tortas, tarde ou nunca se endireitam. Com o máximo respeito, que tenho pelo nome da Praça de Toiros de Azambuja Dr. Ortigão Costa, quando se pensou em demolir a praça velha, que estava reprovada pela inspeção, fez-se uma reunião na Câmara Municipal, que incluíu todos os interessados. Estiveram presentes: A Câmara, representada pelo seu presidente de então, a Poisada do Campino, assim como aficionados veteranos. O nome da praça foi logo escolhido como nome que hoje ostenta, depois discutiu-se a lotação, o presidente da Câmara, disse que seriam 1800 lugares. A maioria dos presentes, nada obstou, mas o António Salema, com a experiência que tinha, pois já tinha feito parte de várias empresas como por exemplo nos bombeiros, no tempo da Monumental Caixote, ou da organização de duas corridas em Alcoentre, pediu a palavra ao presidente para dizer: “Essa lotação que o senhor disse, nem serve para dar vacadas. Atualmente, os encargos são enormes, os toiros estão caríssimos, em relação aos toureiros, as tabelas de honorários subiram muito, uma lotação dessas não chega”. O Presidente, pergunta qual seria então a sua opinião? Eu respondi: “Para se fazer preços ao alcance de todos, no mínimo 3000 lugares, tudo para cima até aos 4000”. Responderam que iam pensar. Outro assunto da Praça de Toiros: Fui para ver os miúdos da Escola de Toureiro, e gostei, mas chamo a atenção de uma situação, tem de se colocar mais 4 pontos com projetores, para não se verem dois novilhos em vez de um, para não se verem dois toureiros em vez de um, o espetáculo sai prejudicado, e os miúdos em lugar de aprender desaprendem. Jamais lá voltarei para ver a parte taurina à noite. Assim como está, está bem para se cantar o fado. Tenho de falar de um assunto que se passou com o filho do Azambujense Manuel Jorge de Oliveira, não me cabe na cabeça, pois fiz parte de várias empresas na organização de corridas, e alem disso, tenho em meu poder o regulamento atual. Só digo isto, há muito modo de se matar pulgas.

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grau académico de Joaquim Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja pode estar em risco. Partindo do princípio que o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, da Universidade Técnica de Lisboa, não lhe retirou o “grau”, nem Ramos foi colega de Sócrates na Independente, podemos alvitrar que a qualidade da cola utilizada nas letras é no mínimo duvidosa…

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Rápidas Staples Portugal disponibilizou material de escritório no valor de seis mil euros à corporação de Azambuja. A verba faz parte de um total de outros apoios que a associação tem vindo a beneficiar desde 2013.Na semana passada, o Director Geral da Staples Portugal, José Miranda e o gerente de Serviços Álvaro Lopes, visitaram o quartel dos voluntários de Azambuja, onde puderam inaugurar a sala de reuniões da associação, totalmente mobiliada com equipamento doado pela empresa.

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É cavaleira Portuguesa da Freguesia de Aveiras de Cima, Concelho de Azambuja e residente no Cartaxo, de seu nome Ana Rita cavaleira, tem somado êxitos em terras de Espanha, está a dar muito nas vistas, assim como deu Diego Ventura nos seus princípios, e tem valor para pôr os pés na terra, quando é necessário. No dia 12 de setembro de 2015, em Colmenar de Oreja, sai em ombros no seu segundo, após cortar duas orelhas e rabo, no primeiro, cortou uma orelha. No dia seguinte, em La Carrasca, volta a sair em ombros no seu segundo, após cortar as duas orelhas e o rabo. No dia 15 em Yeles, zona de Toledo, Ana Rita tem mais uma saída em ombros, assim, como corta uma orelha em cada toiro. Finalmente, a 19 de setembro em Olite (Navarra), Ana Rita lida toiros de Rosa Rodrigues após tetição no primeiro, corta orelha no segundo.

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-

273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP10171 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Publicidade: Eduardo Jorge Correio eletrónico: eduardojorge@valorlocal.pt Telefone: 932 446 322 Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares

Foto Vítor Lamas

erca de 30 radialistas participaram no passado dia 10 num jantar que teve o objetivo de assinalar os 30 anos da rádio em Vila Franca de Xira. O repasto que serviu para partilhar memórias de outros tempos, contou com a presença de Ernesto Mateus, um dos responsáveis pelo aparecimento das emissoras naquele concelho. João Pedro Martins, Rui Nunes, Paula Fialho foram outras das figuras que marcaram a sua presença. O jantar que partiu de um pequeno grupo de amigos, depressa cresceu e para 2016, prevê-se que o grupo volte a reunir-se.

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www.valorlocal.pt Contra a falta de médico

População de Alcoentre admite boicotar presidenciais ¢ ¢

Sílvia Agostinho Miguel A. Rodrigues população da freguesia de Alcoentre no concelho de Azambuja está revoltada com a ARS de Lisboa e Vale do tejo. Em causa está a falta de médico na freguesia já há vários meses, que deixa a população e autarcas locais à beira de um autêntico estado de nervos. Numa reunião popular realizada no salão dos bombeiros locais, convocada pela junta, no dia 19 de outubro, os populares mostraram a sua indignação pela “inércia” da ARS e sugeriram a implantação de medidas de força, caso uma delegação chefiada pelo presidente da Junta, António Loureiro, e pelo presidente da Câmara, Luís de Sousa, não seja recebida pelos responsáveis máximos da Administração Geral de Saúde. Nesta reunião, onde estiveram cerca de duas centenas de pessoas, foram avançados pelo presidente da junta os factos que levaram à sua convocação. Refere António Loureiro que a ARS tem sido “surda” aos apelos da junta e que

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a situação está a tornar-se insustentável. O autarca referiu mesmo que a assistência recebida pelos presos dos dois estabelecimentos prisionais da freguesia é superior à da restante população, “que não estando privada de liberdade não tem direito atualmente aos cuidados de saúde previstos na nossa Constituição”. Nesta reunião, António Loureiro enumerou todos os passos que deu, inclusive uma reunião com o presidente do ACES do Estuário do tejo, Carlos Agostinho, onde ficou a saber que Alcoentre não tem médico porque a empresa que os emprega não cumpre o contrato com o estado. Aliás, o que António Loureiro lamenta mesmo é que os responsáveis do ACES “não admitam formalmente que não há médico para Alcoentre, preferindo faze-lo apenas verbalmente”. O autarca referiu, entretanto, que o próprio Carlos Agostinho admitiu não ter poder para mais, e por isso a delegação agora formada por populares e pelos presidentes da Câmara de Azambuja e da junta de Alcoentre, vai tentar uma reu-

nião com Luís Cunha Ribeiro Presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Face a estas situações, a população não desarma e quer medidas mais drásticas. Os populares manifestaram-se contra a situação e dizem estar dispostos a medidas mais radicais que podem passar pelo simples corte de estada ao boicote das eleições presidenciais em janeiro. Empresa que coloca médicos na região diz estar a fazer os possíveis A S24 Group é a responsável pela colocação de clínicos nos centros de saúde do Estuário do Tejo, neste caso concelhos de Azambuja, Alenquer, Benavente e Vila Franca de Xira. Em declarações ao Valor local e face ao coro de críticas que se tem vindo a avolumar nos últimos tempos por parte dos autarcas e da população da região, esta empresa escuda-se em parte na falta de médicos no país, a que se juntam os casos de “reformas

antecipadas”, e “situações de doença de profissionais do quadro”. Uma das críticas prende-se com a forma considerada muitas vezes pouco profissional como se fazem as escalas, ao que a S24 Group responde tão só: “Fazer escalas médicas é o que fazemos diariamente há mais de uma década, certamente que se as trocássemos não estaríamos neste mercado.” Quanto ao facto de alguns

dos seus clínicos serem acusados de pouco profissionalismo, a empresa mais uma vez defende-se: “Se por vezes há reclamações da sua prestação, prontamente analisamos a situação para verificar o que melhor podemos fazer, o que habitualmente passa por formação adicional dos profissionais. Por serem pessoas os médicos também podem ter falhas e haver motivos de força maior que os leve a não comparecerem, mas tudo fazemos

para que essa falha seja prontamente resolvida.” A empresa conclui: “Temos programas próprios para recrutamento de novos médicos, temos constantes ações de formação certificada e queremos ter os profissionais nos locais. Só o faremos, contudo, respeitando os elevados valores éticos que a profissão médica nos exige e o superior respeito pelo doente e pela pessoa humana.”

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Jornal Valor Local Edição de Outubro de 2015  

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