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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 23 • 20 Março 2015 • Preço 1 cêntimo

A via-sacra da Saúde na Região A falta de médicos na região, As horas intermináveis à espera nos centros de saúde, Os esforços das autarquias, Numa grande reportagem em 6 concelhos Págs. 12, 13, 14 e 15

Especial Ávinho

Págs. 17, 18 e 19

Câmara do Cartaxo estica a corda com a Cartágua Investimento de 15 milhões de euros na Ota

Pág. 22

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Incêndio Carregado: Ainda se deitam contas aos prejuízos inda se contam os prejuízos do incêndio de 3 de março que afetou parte da produção da Dura Automotive e da Caetano Coatings no Carregado. O presidente da Câmara Municipal que tem vindo a acompanhar mais de perto os esforços da Caetano Coatings, Pedro Folgado, refere que no caso da Dura telefonou para a empresa, pôs os seus préstimos à disposição, mas não obteve especial resposta. “Nunca me ligaram de volta”, diz. Será

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agora recebido a 10 de abril pelo ministro da Economia para ver o que conseguirá agilizar no que toca à Caetano Coatings, nomeadamente, “que tipo de ajudas, e de financiamento será possível obter”. Já quanto à Dura, a empresa temse mantido à margem do processo. De acordo com uma comunicação da empresa feita chegar ao Valor Local e a outros órgãos de comunicação social, através da sua sede na Alemanha, já que em

Portugal qualquer contacto com a empresa tem sido evitado, cerca de 45 por cento dos 275 empregados da fábrica foram afetados pelos efeitos do incêndio. Fala-se em sete milhões de prejuízos mas no entanto assegura o comunicado que a produção da Dura tem continuado, tentando-se cumprir todos os prazos junto dos fornecedores, sendo que se encontra “a trabalhar junto dos mesmos de forma a satisfazer as suas necessidades. “A Dura está também a

trabalhar e a fazer diligências com vista à colocação temporária da produção noutro local”, até porque “não poderá fazer planos até que o levantamento no terreno esteja concluído”. O Valor Local sabe que reina algum clima de apreensão entre os trabalhadores da empresa, muitos dos quais já terão ido trabalhar para outras unidades da Dura na República Checa e na Alemanha. Devido ao incidente na fábrica de componentes Dura Automotive, a

Incêndio na Dura foi a 3 de março Autoeuropa procedeu à alteração do ‘mix’ de produção diário, produzindo em maior quantidade os modelos Eos e Scirocco, e tenta

também evitar sofrer maiores prejuízos tendo em conta o que aconteceu a um dos seus principais fornecedores.

Vila Nova da Rainha

Ratos e cobras nas obras embargadas da Socasa ¢ Sílvia Agostinho A cooperativa de habitação Socasa deixou uma obra inacabada em Vila Nova da Rainha, que visava a construção de moradias geminadas a juntar às restantes existentes no bairro em causa. No entanto, apenas os pilares estão de pé, e os moradores das casas contíguas alegam que o local está infestado de ratos e de cobras, prejudicando a qualidade de vida de quem ali vive, com crianças inadvertidamente a brincarem no local. A crise veio parar a construção

de novos lotes, e agora o clima de insatisfação recrudesceu, nos últimos anos, visto que estas obras de Santa Engrácia já se encontram paradas há um tempo demasiado longo para os moradores. “A cooperativa alega que faliu e estamos perante um grande imbróglio e ninguém quer falar disto”, dá conta o morador Jorge Amado Figueiredo, referindo que “os cheiros provenientes deste local são também muito desagradáveis. Todos se queixam”. O residente em Vila Nova da

Rainha lamenta o estado a que chegou o bairro com a obra embargada e com o espaço ocupado pelo que resta dela. Esta é também a opinião de Renato Faria, habitante de uma das casas da Socasa. “Sofremos com grande insegurança, pois o espaço está apenas protegido por uma vedação, pelo que os nossos quintais se tornam acessíveis para os amigos do alheio. Quando vim para este bairro apenas sabia que ia ser feita a obra, e novas casas”, dá conta. “O local está infestado de animais e para-

sitas. Os miúdos infelizmente acabam por ir brincar para aquele espaço, e muitos já se magoaram”. Quando veio para Vila Nova da Rainha há oito anos atrás, o estado de espírito era outro, tendo em conta que conseguiu adquirir uma moradia “com boas condições” a custos controlados, mas não hesita em afirmar que hoje se sente defraudado face ao cenário existente nas traseiras da sua habitação. “Não é algo bonito de se mostrar. Se um dia quiser vender a casa, o que ali vemos pode pesar na

decisão de um futuro comprador”. “Podiam limpar a zona e fazer destas traseiras um espaço verde ou um jardim”, concordam ambos os moradores. Até hoje, os habitantes de Vila Nova da Rainha apenas têm colocado questões junto da junta de freguesia e da Câmara, “mas limitam-se a responder que a obra está embargada”. Um cenário que se arrasta há vários anos. “Infelizmente, a nossa terra, está cada vez mais abandonada. Nem uma padaria temos”, diz Jorge Amado, e Renato Faria

acrescenta – “Somos vila mas isso nada nos trouxe; acabamos por pagar mais IMI, mais valia continuarmos a ser uma aldeia”. O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, questionado por Jorge Amado Figueiredo na última assembleia municipal concordou que o local mais se parece com “uma lixeira”. “Estamos a aferir da possibilidade de fazermos uma limpeza no local, mas queremos obter autorização para isso, porque o banco é que tem poder para determinar sobre esta obra em causa”.


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Memórias dos Bombeiros Azambuja

As cheias de 1967 são dos momentos mais emocionantes A

ntónio Luís dos Santos, mais conhecido pelo Cagalhufa, é um dos antigos bombeiros dos Voluntários de Azambuja que está presente em várias fotos que compõem a exposição que retrata alguns dos momentos do passado da corporação, patente no salão de festas da associação, inaugurada no passado mês de fevereiro. E é com a voz embargada que recorda à nossa reportagem quando em 1967, por exemplo, atravessou várias localidades da região para socorrer as vítimas das grandes cheias de Lisboa. “Morreu muita gente, nem consigo falar, até me dá vontade de chorar”, diz emocionado. O antigo bombeiro, que esteve 19 anos na corporação, passa em revista aqueles tempos, quando a 27 de novembro de 1967 o temporal levou a vida a 700 pessoas em vários concelhos da região de Lisboa. “Tinha-me deitado à meia-noite, quando toca a sirene, levanteime, chovia tanta água, sem nunca parar”, enfatiza referindo ao atual comandante dos bombeiros, Armando Baptista, também presente nesta reportagem, que o carro da corporação à época era um Buick descapotável, (também retratado na exposição), sem as condições dos veículos atuais face à carga de trabalhos que os bombeiros tinham antigamente, sobretudo naqueles dias das cheias.

“Fomos 27 homens naquele carro descapotável fazer esse socorro, quando na zona da Guarita, ficámos sem luz na viatura. Lembrome de levarmos pilhas. Entre outros ia eu, o comandante, o Mário Jorge, o Cassiano”, relembra e continua – “Na zona da Milhariça em Aveiras de Cima, pensámos a dada altura que íamos morrer, porque as rodas estavam completamente dentro de água, naquela enxurrada enorme, ainda por cima num carro descapotável e a chover torrencialmente; mas a valer! Isso é que era ser bombeiro, não era como agora, em que há todas as condições, e ainda bem que assim é, que as coisas melhoraram!”. António Luís dos Santos recordase que na época poucos davam valor ao trabalho dos bombeiros: “Diziam que só andávamos nisto para comer e beber, esse tipo de bocas”. “Havia sempre pessoas que discriminavam o serviço dos bombeiros, porque nem sempre era possível sermos mais breves no auxílio”, acrescenta outro dos históricos da corporação, César Camarista. Depois seguiu-se o salvamento das vítimas das cheias: “Todos molhados, a chover e a tentar resgatar quem podíamos. Diga lá se isto não é amor à farda, senhor comandante?!”, volta a interpelar. Mas as cheias de 1967 tiveram ainda mais um episódio para os

voluntários de Azambuja – “Avisaram-nos que tínhamos de ir para a Vala do Carregado, que estava tudo morto por lá. Lá fomos nós outra vez, de novo com água pelo corpo todo, mas antes, ainda, bebemos um copo de aguardente para nos aquecermos. Assim que chegámos ao Carregado, toca de retirar as pessoas dentro do rio, completamente geladas e às costas, mas a força de vontade era tanta, que dava gosto um gajo salvar qualquer pessoa”, resume nitidamente emocionado o Cagalhufa. Rosa Batalha, viúva do bombeiro Sebastião, também se lembra bem deste episódio, e da paixão do seu marido: “Realmente era uma paixão, porque ele não ganhava dinheiro nenhum com isso, até fui contra, porque quando o meu pai morreu os bombeiros não o foram socorrer a tempo. Guardo essa mágoa”. Mas a aventura de António Luís dos Santos ainda não tinha terminado, quando soube, nesses mesmos dias desse novembro, que a mãe tinha de ser levada ao hospital. “Lá fui pelo meio da enxurrada dar a volta por Alcoentre para ir para Alenquer, que não dava para passar a Vila Nova da Rainha. A minha mãe esvaída em sangue, e quando cheguei a Lisboa só dava para ver uma esteira de gente deitada, mortos e mais mortos, a minha mãe aos gritos, tentei arranjar

maneira de falar lá com um médico conhecido no hospital de São José, mas havia demasiada gente aflita.” António Luís dos Santos, não tem dúvidas: “Em 1967, as cheias foram uma autêntica carnificina”. Susana Rodrigues da direção dos bombeiros até se recorda de ter ouvido falar de “corpos arrastados a partir do Carregado chegaram até às OGMA em Alverca pelo rio fora”. Mas o Ribatejo como terra pródiga em grandes inundações tem outros registos, e César Camarista ainda se lembra de em 1955 ter havido uma cheia no campo, e de conjuntamente com “o Fernando e o Manuel Magalhães ter carregado os corpos numa maca do hospital desde o cais do esteiro até ao cemitério”. Mas outras histórias ficaram na memória de António Luís dos Santos como um grande incêndio na serra de Montejunto “de novo no buickinha que era uma grande máquina, com mais de 10 homens em cima, e a deitar abaixo as árvores com motosserras de 15 quilos nas unhas”; ou quando tiveram de resgatar um homem que caíra num poço em Vale do Paraíso – “Aquilo tinha uma fundura doida, com quase 10 metros de água, e o homem andava lá a boiar, completamente inchado, mais parecia uma peça de museu, nem lhe passa pela cabeça o peso que tinha,

Bombeiros de ontem e de hoje tivemos de fazer ali muitas manobras para tirar o corpo”. Mas nestas andanças dos bombeiros, também houve histórias insólitas, e neste caso o antigo bombeiro César Camarista recorda-se de ter estado num acidente ferroviário na Vala do Carregado, e quando estava debaixo de uma das carruagens “começaram a cair moedas do bolso de um morto em cima do capacete”. Hoje, ao olhar para a associação, António Luís dos Santos é também crítico – “Se estivessem cá os mesmos homens de antes, este quartel era um luxo, não souberam estimar esta casa, depois da inauguração, passados uns dias, já havia sofás retalhados”. Neste encontro em que o mote poderia ser aquela frase muito batida “Recordar é Viver”, Armando Baptista não tem dúvidas de que homens como estes “são a melhor herança que

podíamos ter, deixaram essa coragem aos mais novos, que encontro nos atuais elementos”. Também emocionado, espera que os seus homens sejam também uma referência para as futuras gerações. Na exposição, é possível ver “algumas passagens importantes da associação, desde a primeira foto dos bombeiros ainda na década de 30, a foto com o Buick, a inauguração do quartel há 40 anos, bem como uma foto com as duas primeiras bombeiras, na década de 60, e quando ainda não lhes era permitido fardarem-se, bem como a foto da romaria ao cemitério”. Mas também uma foto do primeiro estandarte, com 84 anos – “Muito bonito”, acrescenta o Cagalhufa. “Convidamos toda a população a vir visitar esta exposição, somos várias gerações mas o corpo de bombeiros é só um”, refere Susana Rodrigues.

Zona de divertimentos da Feira de Maio muda de local

Feira de Maio de 2015 em Azambuja vai marcar um ponto de viragem no certame e na vida da vila. O município prepara-se para mudar para a zona norte do Campo da Feira os divertimentos e alguns vendedores, como são os casos das roulottes de comes e bebes, e carrocéis. Na prática, todos estes

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equipamentos deverão passar para o terreno lateral à zona da urbanização da Socasa, que era de resto uma intenção antiga do município e que agora se vai tornar realidade. O município já começou a fazer as terraplanagens no terreno emprestado pelo banco Montepio durante dez anos. O vice-presi-

dente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, destacou ao Valor Local que esta é uma iniciativa que pretende valorizar todo o certame. O responsável salienta que com este investimento, o mercado mensal que atualmente é realizado nos parques de estacionamento junto à linha de caminhode-ferro, também passará para

aquele local. “Aproveitamos para fazer dois em um. Vamos dar mais condições às pessoas que aqui têm o seu negócio e aos munícipes que vêm à feira e ao mercado”, refere Silvino Lúcio que destaca igualmente que o espaço poderá vir a ser alcatroado no futuro, todavia esse é um investimento mais complicado, já que os terrenos são emprestados e qualquer estrutura mais definitiva, poderia ter custos significativos no caso de ter de existir uma devolução desse espaço. Ainda assim, o vicepresidente vinca que não está fora de questão a aquisição dos terrenos, mas por enquanto, tal não se coloca. O investimento feito neste espaço até ao momento ronda os 40 mil euros. Se o mesmo for pavimentado, “então os custos poderão chegar aos 60 mil euros”, sublinha o vice-presidente. Silvino Lúcio destaca, entretanto, que o novo local é mais seguro, já que não fica perto da Estrada Nacional 3, onde atualmente o mercado é realizado, e dispõe de

Nova zona em causa do mercado mais zonas de estacionamento. No local estão a ser criadas infraestruturas de apoio com a colocação de cabos elétricos e pontos de água. O vice-presidente destaca que esta estrutura terá ainda casas de banho que servirão as atividades de hipismo que decorrerão num terreno em anexo e o mercado mensal, que é “uma mais-valia para o comércio local, porque acaba por ser um complemento à restauração na

vila e a outros setores.” Com esta nova localização, ficam satisfeitos alguns requisitos legais de apoio a este tipo de estruturas, que o vice-presidente considera importantes. Silvino Lúcio diz que os parques de estacionamento e toda a zona desde a Marquesa até à linha de comboio poderão vir a ser requalificadas com a implantação de vários serviços, como pequenas oficinas ou armazéns.


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Sociedade

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Refood quer alimentar todas as pessoas que passam fome no Cartaxo m grupo de 14 pessoas na cidade do Cartaxo uniu-se em torno de um ideal: alimentar os mais desfavorecidos através das sobras dos restaurantes, cafés, cantinas de escolas, entre outras instituições. O projeto chama-se Cartaxo Refood, e tem sido um sucesso em outras localidades do país estando também presente no estrangeiro. A ideia partiu de um americano a viver em Lisboa em 2011. O estado de espírito entre o grupo do Cartaxo é de grande expetativa e de muita vontade de arregaçar as mangas. “Estamos empolgadíssimos”, referem os quatro elementos com quem falámos. “Este é um projeto que traz ao de cima o nosso lado voluntário, e quando no nosso dia-a-dia nos deparamos com casos de pessoas que têm necessidade de comer, vemos que faz todo o sentido implementar este projeto”, refere Ana Andrade deste grupo pioneiro, e não tem dúvidas de que “há gente a passar fome no Cartaxo”, embora seja difícil de acreditar em tal. O grupo já se deu a conhecer junto da Segurança Social e de outras entidades que fazem há

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mais tempo serviço de voluntariado no âmbito dos mais desfavorecidos. O Cartaxo Refood pretende trabalhar em rede com os demais interlocutores, nomeadamente, Cruz Vermelha e Conferência São Vicente de Paulo. Uma vez no terreno, dado que este grupo ainda se encontra em fase de formalização de todo o processo, procederá à recolha dos excedentes nos locais que aderirem ao movimento, de fora ficarão quaisquer particulares, por questões de segurança alimentar “Toda a comida que nos será entregue deverá ser devidamente acondicionada e etiquetada”, elucida Nuno Carvalho. “Vamos possuir um centro de operações de acordo com as normas da ASAE, respeitando todas as normas”, acrescenta Cristina Pinto. O grupo acredita que até ir para a rua, toda a logística ainda vai demorar meses, porque os voluntários deverão ter “formação adequada para manusear os alimentos, entrevistar os necessitados, fazer o levantamento entre outros aspetos”. Para já, o grupo vai dar a conhecer o seu projeto publicamente no dia 10 de abril no Centro

Cultural do Cartaxo, pelas 21 horas, com a presença do fundador do movimento, Hunter Halder. Quanto aos possíveis doadores de bens alimentares, a receção não podia ser melhor – “Está a ser surpreendente”, constata Cristina Pinto. “Curiosamente já temos indicação por parte de um proprietário de três restaurantes no concelho que pediu para falar connosco, porque quer ajudar e muito!”, revela Nuno Carvalho. “Por outro lado, nas escolas também sobra muita comida, porque há miúdos que compram a senha de almoço, e no dia seguinte acabam por não comer na cantina, e essa comida não pode ser novamente aproveitada”, acrescenta Ana Andrade. Os voluntários inscritos neste conceito que por enquanto vai funcionar apenas na cidade do Cartaxo terão de dedicar duas horas por semana a este projeto, nas suas várias etapas- “Uns vão se dedicar à embalagem e outros à recolha e distribuição”. O projeto que se iniciou em 2011 na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, conheceu quase imediatamente uma grande adesão, com 24 mil refeições ser-

vidas por mês em média, em Portugal, mas hoje esse número subiu. Este grupo procura agora uma espécie de centro logístico, mas para já “ainda é cedo”. “Estamos a tentar implementar o projeto, foinos indicado um local por parte da igreja, mas ainda temos outras fases pela frente”, referem Ana Andrade e Nuno Carvalho.

Na cidade do Cartaxo, têm fome “as pessoas que perderam o emprego, que têm contas para pagar, não lhes sobrando muito mais do que para uma refeição por dia. Já falámos com professores que alegam que há crianças que apenas comem na escola. É muito triste”. “Um dos objetivos da Refood é alimentar cem por cento todas as pessoas que estejam a passar

fome, independentemente se há muito ou pouco tempo”, elucida Filipe Valente. “Mas também queremos ajudar se precisarem de ajuda em outros campos que impliquem a reorganização das suas vidas, o mote é entreajudarmonos”, referem. Para isso esperam que muitos mais voluntários possam fazer ajudar a crescer o grupo.

Algumas das caras que encabeçam o projeto


Opinião

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Serviço Naciona de Saúde:

A maior conquista da democracia e me perguntarem qual foi a maior conquista do Democracia não hesito em responder que foi o Serviço Nacional de Saúde. Abro aqui um parêntesis para informar que eu não gosto nada de falar em conquistas de Abril, porque Abril não conquistou nada, quem conquistou foram os portugueses, que conseguiram, através duma luta de anos nas empresas, nas escolas e universidades, nas diversas organizações legais ou clandestinas em que militaram, nas forças armadas, criar o ambiente popular que propiciou a queda da ditadura e a restauração da Democracia. É bom que não tenhamos curto o fio da memória e que nos

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lembremos que, para além dos funcionários públicos que tiveram apoio na saúde ainda antes da reinstalação da Democracia, através do arremedo social de Marcelo Caetano, na sua curta Primavera, com a criação da A.D.S.E., a verdade é que a saúde, para a generalidade dos portugueses apenas, estava ao alcance de quem tivesse dinheiro para a pagar. Quem é da minha geração ainda se lembra de muita gente que morreu por não ter dinheiro para se tratar e de muita família que ficou arruinada para salvar um parente! Vivemos ao longo de todos estes anos com um direito universal à saúde. E como na generalidade das relações, os laços

afetivos vão-se instalando e começamos a pensar que são um dado adquirido e que não temos de lutar por ele. Neste caso, nada de mais falso! Eu bem sei que houve exageros, todos temos consciência que os portugueses por vezes não utilizaram da melhor maneira o Serviço Nacional de Saúde. “Ir ao Centro de Saúde” tornou-se, nalguns casos, uma forma de as pessoas confraternizarem na sala de espera e de os reformados passarem o seu tempo. Mas naturalmente que esses abusos ou desvios pontuais não podem ser utilizados para paulatinamente ir acabando com o SNS. Temos assistido, nos últimos anos, não diria que a uma

tentativa de acabar com o SNS, mas ao desenrolar dum conjunto de “notícias” criteriosamente lançadas para o público, que o tentam desacreditar, e uma série de condicionalismo que o têm vindo a enfraquecer. Na minha perspectiva, cabe nesta ultima categoria a tentativa de lançar para as Autarquias Locais uma parte substancial das funções centrais em termos de Saúde, lançando a confusão generalizada, pois não se sabe exactamente o que se pretende passar, como passar, com que meios vão passar, e lançando, à boa maneira portuguesa, o pânico nas hostes corporativas da Saúde. Não é que eu não considere

Segredos da Justiça

Injução de pagamento: o que é? A

injunção é um procedimento que permite ao credor de uma dívida ter um documento (a que se chama título executivo) que lhe possibilita recorrer a um processo judicial de execução para recuperar junto do devedor o montante que este lhe deve. Nos termos do Decreto-Lei n.º 269/98, de 1 de Setembro, este procedimento apenas pode ser utilizado quando esteja em causa uma dívida igual ou inferior a 15.000€ ou uma dívida que resulte de uma transação comercial (sendo que, neste caso, não existe qualquer limite ao valor). Sublinhe-se que, para este efeito, considera-se como transacção comercial a “transação

entre empresas ou entre empresas e entidades públicas destinada ao fornecimento de bens ou à prestação de serviços contra remuneração” (cfr. alínea b) do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 62/2013, de 10 de maio), sendo que não são abrangidos por este regime os “contratos celebrados com consumidores”, “os juros relativos a outros pagamentos que não os efectuados para remunerar transacções comerciais” e “os pagamentos efectuados a título de indemnização por responsabilidade civil, incluindo os efectuados por companhias de seguros” (cfr. n.º 2 do artigo 2.º do mesmo diploma legal). A tramitação do procedimento de injunção é relativamente sim-

ples e bastante célere. Após a apresentação eletrónica do requerimento de injunção no Balcão Nacional de Injunções, o devedor é notificado para proceder ao pagamento da dívida em causa ou apresentar a sua oposição, o que tem de ser feito no prazo de 15 dias. Esta notificação contém designadamente os seguintes elementos: (i) a identificação do credor e do(s) devedor(es); (ii) a exposição sucinta dos factos que fundamentam a pretensão, (iii) a formulação do pedido, com discriminação do valor do capital, juros vencidos e outras quantias devidas, (iv) a indicação do prazo para a oposição e a respectiva forma de contagem, (v) a indicação de que, na

falta de pagamento ou de oposição dentro do prazo legal, será aposta fórmula executória ao requerimento, facultando-se ao requerente a possibilidade de intentar acção executiva e (vi) a indicação de que, na falta de pagamento da quantia pedida e da taxa de justiça paga pelo credor, são ainda devidos juros de mora desde a data da apresentação do requerimento e juros à taxa de 5% ao ano a contar da data da aposição da fórmula executória. Caso o devedor não efectue o pagamento ou não se oponha à injunção, será automaticamente aposta no requerimento de injunção a seguinte fórmula: «Este documento tem força executiva.» (cfr. artigo 14.º do

que algumas áreas da saúde seriam melhor geridas numa óptica de proximidade que as Autarquias Locais detêm. Mas é preciso ser claro e afirmar que tal mudança deve estar circunscrita apenas à temática da saúde pública, no campo da prevenção, da educação para a saúde, da monitorização e acompanhamento da saúde comunitária. Acho que sim, que os cuidados de saúde e as populações só teriam a ganhar com isso. E mais, acho que a descentralização dessas funções para as Autarquias deveria ser acompanhada dum envelope financeiro de transferências anuais do Poder Central para as Autarquias consignado à saúde

Joaquim António Ramos – isto é, não se poderiam desviar essas verbas para outros fins nem fazê-las oscilar em função da “saúde” financeira de cada uma das Autarquias. Temos de actuar em conformidade com a constatação de que, não estando o SNS em perigo de extinção a curto prazo, têm vindo a ser tomadas ou estão a ser preparadas medidas que o enfraquecem e, se o queremos conservar ao serviço dos portugueses, temos que lutar por ele!

António Jorge Lopes Advogado advogados.azambuja@gmail.com

anexo ao Decreto-Lei n.º 269/98). Tal significa que ao documento passa a ser atribuída a virtualidade de servir de base à cobrança judicial coerciva do crédito, com a consequente penhora de bens. Só não será assim se o pedido não se ajustar ao montante ou à finalidade do procedimento, caso em que a aposição da fórmula executória é recusada. Importa referir que o procedimento de injunção não corre nos tribunais, exceto se o devedor apresentar oposição à injunção. Com a dedução de oposição o procedimento de injunção assume um carácter jurisdicional, sendo distribuído ao tribunal competente para a realização de audiência de discussão e julgamento.

As custas processuais com este procedimento variam entre 51€ e 153€, dependendo do valor concreto pedido na injunção. Em conclusão, este é um procedimento barato, simplificado e célere. De facto, o tempo médio de resolução das injunções é inferior a 3 meses, o que é muito relevante para a salvaguarda e defesa atempada dos legítimos interesses do credor.


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Opinião

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Identidade Cultural,Marca Turística e (des)Organização Territorial

Oeste e Ribatejo, tão próximos e (agora) tão distantes um mundo em irreversível processo de globalização é pensamento comum aceite que só a defesa intransigente da identidade cultural permitirá a afirmação pela diferença, de um território que pretenda ser um destino turístico. Com efeito, com a enormidade de informação que é possível a um turista colher do destino sem ter de sair de sua casa, as expectativas em relação ao local a visitar (doutra forma a tomada de decisão seria por outro local) são sempre altas e, muitas vezes, perigosamente altas atendendo a que nem sempre a informação segue rigoroso critério de “honestidade”. Um destino turístico é-o se: 1. Possuir uma forte identidade cultural TANGIVEL e INTANGÍVEL (e, neste último caso, dificilmente as novas tecnologias de informação o podem transmitir) 2. possuir um “sistema de turismo”; leia-se equipamentos turísticos que permitam uma correcta relação “oferta-procura” ; adequada infraestruturação (acessos, serviços de saúde, segurança, etc) ;oferta complementar moderna (Museus,diversão “shoping”) 3. Possuir vantagens distintas e competitivas bem sustentadas por uma estratégia de “branding”. Lemos, vemos e ouvimos, permanentemente, na comunicação social, factos e números comprovativos do relevantíssimo papel que o sector do Turismo vem aportando à economia nacional, duplamente

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importante no momento que o País vive, sabendo-se como se sabe, como tudo o que signifique exportações tem um papel decisivo na recuperação económica. Por isso, no tocante ao Turismo, é determinante a conquista de mercados externos. Turista que consuma aqui, (mero exemplo) 1 garrafa de um bom tinto, 1 quilo de peixe ou 1 quilo de pera rocha, equivale a exportar esses mesmos produtos a um preço bem superior, com o IVA a ser cobrado em Portugal e não na respectiva transação no País destino. Se a dinamização do mercado turístico interno é importante, embora muito mais condicionado, é bom de ver, face à situação financeira das famílias, salta à evidência que, em termos macroeconómicos, essa “fatalidade” tem de ser compensada por um redobrado esforço na “ordem externa”. Os números recentemente apresentados (“o melhor ano de sempre”...) são sem dúvida positivos, mas há que descodificar a sua causa. Para além da nossa qualidade turística intrínseca, fenómenos estruturais e conjunturais para tal contribuíram: da chegada das companhias “low cost” à situação em destinos concorrenciais (Tunísia, Egipto ou mesmo Grécia, neste caso particular, por razões evidentes, recuo do mercado alemão). Tudo isto a par da descida do Euro face ao dólar (particular impacto no, agora,

tão significativo mercado brasileiro, com a TAP a voar desde inúmeros destinos naquele gigantesco País) e dos nossos tradicionalmente baixos preços na hotelaria e restauração. E aqui, para além da dimensão dos apregoados números, há que saber da real situação das empresas. Vem tudo isto a propósito da importância do “brand” de um destino, sendo que, dia a dia, no contexto da oferta nacional, a Marca Lisboa se afirma qualitativamente, condição “sine qua non” para uma valorização financeira gradual do produto destino. Lisboa é, sem margem para qualquer dúvida, hoje, o melhor destino do País, o de menor sazonalidade (permitindo, assim, rácios hoteleiros bem diferente do restante País, Algarve incluido) , o de maior potencial de crescimento (15 novos hóteis abrirão este ano). Lisboa é, além do mais, o principal aeroporto do País ligado às mais importantes cidades da Europa e Américas. Então, podemos ser indiferentes ao modelo de organização territorial em termos de marcas internacionais? Desde 1998, o Oeste e o Ribatejo integraram para efeitos de promoção internacional a Marca Lisboa, seguindo a lógica de Planeamento e Ordenamento do Território desenhada a partir de documentos tão “pesados” e intelectualmente tão trabalhados com o PNPOT-Progra-

ma Nacional para as Políticas de Ordenamento do Território ou (mero exemplo de entre muitos) o Plano Estratégico da Região de Lisboa e Vale do Tejo (Ribatejo, Vale do Tejo ou, mesmo, vinhos do Tejo, essa é outra discussão...) para o horizonte 2000-2010, onde bem se afirma : Uma Região, três sub-regiões: Área Metropolitana de Lisboa, Oeste e Vale do Tejo. Pois (e muitos outros exemplos daria: denominação da rede hospitalar, de Educação, Protecção Civil; agricultura, etc) mau grado toda esta coerente lógica, construída com bases sociológicas, antropológicas, económicas, morfológicas, etc) o OESTE é, hoje e desde Maio de 2013, um destino turístico perdido na dimensão e confusão da Marca “internacional” Centro, e o Ribatejo partido em dois, com uma metade nesse mesmo emaranhado da “marca” clara e comprovadamente menos valiosa do País e, a outra metade (quais filhos separados da casa materna) na marca (sem aspas, porque pelo menos o é) Alentejo onde curiosa e louvavelmente os responsáveis não terão “esmagado”, ao invés, a marca Ribatejo. Toda esta inacreditável solução em que, seguramente , o próprio jovem Secretário de Estado do Turismo não acredita (é justo aqui dizer que não foi este, bem pelo contrário, o mapa enviado a Conselho de Ministros em Abril de 2013).

A par de um articulado muito discutível, face aos claros laivos de centralizador (pese embora a legitimidade governamental para o fazer), o Mapa das 5 Regiões turísticas a criar seguia (na tal proposta remetida a CM pelo SET) os “cânones” da legislação vigente e absolutamente na linha com o DL 228/2012 (deste mesmo Governo, claro) onde Oeste e Vale do Tejo são colocados (leia-se mantidos) na NUT II Lisboa e Vale do Tejo ,onde se encontram há cerca de 30 anos! No anexo ao DL estão claras as composições das NUT III (as tais “sub-regiões”) e, Município a Município, a sua composição. Quem, pois, esteve por detrás desta inacreditável “golpada política” em pleno Conselho de Ministros dando origem ao absurdo que é a Lei 33/2013. Porque os partidos do arco da governação, em particular o PS (como me foi dado comprovar em reunião na AR) se sentiram tão desconfortáveis na AR ,”assobiando para o lado”? Milagre? Importa , em nome da verdade, da coerência regional e turística ,pensar corrigir tamanho disparate ! Voltar a unir o Ribatejo, voltar a colocá-lo lado a lado com o Oeste no corpo promocional da mais importante Região turística : Lisboa Não é ali que está o mais internacional Aeroporto do País, ligado às grandes cidades da Europa e das Américas ? Será de facto para as nossas empresas não, estar debaixo desse “umbrella”?

António Carneiro Imagina-se o Resort Golf/ Campo Real (que recentemente a empresa americana Dolce relançou como Dolce Campio Real Lisboa) a ser promovido pelo Centro, logo, tendo essa designação ,aparecer (se é que aparece...) num stand Centro lá fora ? Podem os 6 campos de golfe do Oeste ter saído da Lisbon Golf Coast (onde com Estoril e Costa Azul já, ganharam o prémio de melhor destino golfe mundial)? Ribatejo e Oeste têm de construir um pensamento politico, uma estratégia que os leve à verdade anterior a 2013 e que estranhos(?!) interesses destruiu. Para bem da construção de um sólido e próspero destino turistico, porque, já o disse, um destino turístico se faz da coerência identitária e não de jogadas de bastidores de pequenos “actores” políticos de ocasião!

A Saúde na Terceira Idade as últimas décadas, os enormes progressos na área da saúde, têm tido um papel preponderante no aumento da longevidade. Em Portugal existe um grande problema a nível da saúde na terceira idade, com a escassez de médicos. Muitos cidadãos não têm atribuído médico de família, assim têm de recorrer a consultas de recurso em que têm de esperar longas horas. Alguns doentes que sofrem de demências não são encaminhados para especialistas da área ou quando são encaminhados aguardam muito tempo pelas consultas e as famílias têm poucos recursos para recorrer a médicos particula-

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res. As doenças mais comuns na terceira idade são as demências (Parkinson, Alzheimer), doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, problemas respiratórios e diabetes. Para prevenir estas patologias devemos realizar exercícios físicos regulares adequados à pessoa, ter atenção à alimentação (evitar o consumo excessivo de sal, de gordura), controlar a tensão arterial, a glicemia e o colesterol. Muitas pessoas desconhecem a existência da Rede Nacional de Cuidados Continuados, esta é constituída por instituições públicas ou privadas, que prestam cuidados

de saúde e de apoio social a pessoas dependentes, nos domicílios ou em instalações próprias. A equipa de cuidados continuados na comunidade promove a manutenção no domicílio das pessoas com perda de funcionalidade. As Unidades de Convalescença (internamento até 30 dias) dirigemse a pessoas que estiveram internadas num hospital devido a uma situação de doença súbita ou ao agravamento duma doença ou deficiência crónica e que já não precisam de cuidados hospitalares, mas requeiram cuidados de saúde que não possam ser prestados no domicílio. As Unidades de Média Duração e

Reabilitação (internamento entre 30 e 90 dias) destinam-se a pessoas que perderam temporariamente a sua autonomia, mas que podem recuperá-la. As Unidades de Longa Duração e Manutenção (internamento mais de 90 dias seguidos) destinam-se a pessoas dependentes com doenças crónicos, que não reúnam condições para serem cuidadas em casa. As Unidade de Cuidados Paliativos dirigem-se a doentes em situação clínica complexa e de sofrimento, devido a uma doença severa, incurável e progressiva. Quando os doentes estiverem internados num hospital, os familia-

res devem contactar a assistente social, se os mesmos se encontrarem no domicílio devem dirigir-se ao Centro de Saúde da residência. Uma equipa multidisciplinar avaliará a situação do doente e verificará se reúne os critérios. A grande desvantagem destas unidades é que normalmente não há vagas imediatas e os doentes têm de aguardar a admissão não podendo permanecer nos hospitais. Os familiares optam por os doentes ficam no domicílio ou temporariamente nas Estruturas Residenciais. Neste sentido é importante, selecionarem Lares de Idosos com alvará e verificarem se estes têm disponíveis os serviços médicos,

Elisabete Teófilo de enfermagem e fisioterapia. Ser-se idoso não significa ser-se doente, mas o envelhecimento tem associados alguns riscos para a saúde.


Negócios Com Valor

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Valor Local

R.I. Agro com nova dinâmica em Aveiras de Cima á seis anos no mercado, a R.I.Agro continua a marcar pela diferença. O negócio partiu do gosto de Rui Pereira, o gerente da empresa, pela área. Mas também “pelo carinho que temos pelos animais de estimação, considerando-os como um membro da família”, e destaca que os animais estão a ganhar “cada vez mais espaço na vida das pessoas”, por isso “cresceu também a necessidade de produtos a eles destinados”. Com loja na rua principal de Aveiras de Cima, a R.I.Agro conseguiu obter uma visibilidade importante, ao mesmo tempo que sublinha Rui Pereira, “proporciona aos clientes a acessibilidade e a facilidade de estacionamento que a antiga localização não nos permitia”. Essa foi uma batalha já ganha, pois o cliente tem-se mostrado bastante satisfeito com as novas instalações da empresa, até porque para além da facilidade de acessos dispõe igualmente de uma maior diversidade de produtos. A esse nível, Rui Pereira destaca que tem em stock “todo o tipo produtos e rações para animais de estimação e de produtos para a

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agricultura e jardim”, vincando a venda de plantas, sementes, adubos, material de pesca, ferramentas, utensílios para a agricultura e produtos e rações para animais de grande porte. No que respeita a outras valên-

cias, a empresa tem um serviço de entregas, nomeadamente, mais próximas, até porque tem clientes “que não dispõem de meios para se deslocar ao estabelecimento”, ainda assim salienta que a empresa tem clientes de outros conce-

lhos próximos como Azambuja, Cartaxo, Vila Franca e Santarém. A contribuir para o bom desempenho da empresa, para além da simpatia e tratamento personalizado, a R.I. Agro é igualmente representante de duas marcas de ra-

Rui Pereira vende de tudo um pouco para animais

ções muito importantes no mercado nacional, mas de origem internacional. Por outro lado, destaca, que acredita no potencial nacional e por isso também aposta em muitos produtos feitos em Portugal, “es-

perando que isso sirva para fazer crescer a economia nacional. É um dever de todos os portugueses de consumir o que produzimos, e não cair no erro de importar pois temos muita qualidade no que fazemos”.


Valor Local

Turismo

A partir de jornais faz-se objetos diversos

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Olaria já foi atividade lucrativa

Mês da Enguia com duas toneladas servidas nos restaurantes ¢

Sílvia Agostinho stá a decorrer desde o início do mês de março, a 19ª edição do Mês da Enguia, e segundo a vereadora Helena Neves, a adesão tem corrido de uma forma acima das expetativas. Com duas semanas decorridas do evento, já se caminhava a passos largos para as duas toneladas de enguias confecionadas nos restaurantes aderentes no concelho de Salvaterra de Magos. “Temos tido uma enorme adesão ao pavilhão da feira de artesanato e dos produtores locais. E de acordo com os restaurantes, estamos a registar um número mui-

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to grande de visitantes ao concelho para virem provar a enguia”, refere. O certame por si só também coloca em evidência “os aspetos culturais e paisagísticos do concelho”. Neste âmbito, “as exposições a decorrer também têm tido uma adesão significativa, bem como as demais iniciativas a terem lugar. No fundo, o Mês da Enguia não passa só por as pessoas virem comer a Salvaterra e voltarem para casa”. Helena Neves refere que a aposta “este ano foi mais forte”, com “mais artesãos, com mais oferta no pavilhão do Inatel”, bem como “ a envolvência das nossas asso-

ciações, fazendo com que tenhamos mais visitantes”. Para já, ainda não está feita a contagem dos que vão passar na feira do artesanato. No final do certame, será feito esse balanço junto dos 18 restaurantes aderentes. Os que entraram pela primeira vez , consideram que “a aposta está a ser positiva”. Fomos conhecer de perto alguns dos artesãos do concelho presentes no pavilhão do Inatel. Gomes da Silva é oleiro, tem 71 anos, e há 57 anos que se dedicou a este ofício e confessa que nesta altura já não se ganha nada com a olaria, ao contrário de outros tem-

pos. “As pessoas compram o mais barato, mas depois ficam mal servidas”, referindo-se aos produtos chineses do género. Quanto à iniciativa, não tem dúvidas: “É boa, e já devia ter esta componente do artesanato há mais tempo”. António Vidigal, da freguesia do Granho, dedica-se à cestaria, e usa o vime chileno nos seus trabalhos, que “é mais macio, e não parte”, “O bicho não entra com este material”, diz a sorrir, ao referir-se à qualidade da matériaprima. Começou a arte aos 12 anos, e hoje com 67 anos assiste a um novo interesse do público

na aquisição da cestaria – “A malta já gosta disto outra vez, passou a moda do plástico”. Mesmo assim não consegue viver da cestaria – “Fui camionista durante muitos anos, agora retomei tendo em conta também esta iniciativa da Câmara”. Alexandre Rodrigues, de Marinhais, produz utensílios a partir de jornal, entregámos-lhe um exemplar do Valor Local, e o mesmo referiu que o poderia usar após avaliar se conseguiria ou não enrolar o papel, e mostra um porta pincéis feito a partir de jornais antigos. Os seus critérios para decidir ou não se pode enro-

lar o papel, referem-se à circunstância de poderem constar fotografias de figuras públicas, e mostra uma imagem do papa num jornal – “Destas não consigo enrolar!” Mas quando se lhe pergunta sobre uma notícia acerca de um possível aumento de impostos, não tem dúvidas – “Isso já seria à vontade”; mas também “alguns políticos podiam ser enrolados”. No seu caso, refere que se iniciou nestas lides ao melhor estilo, “o desemprego fez o artesão”. “Vi como se fazia este trabalho, e desenvolvi as minhas próprias técnicas, típicas da tecelagem”.


Economia

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Valor Local

Empresa que transforma o lixo em paletes quer vir para Alenquer empresa Fuschia Fusion instalada em Ponte de Sor que adotou um modelo inovador, desenhado pela empresa da Marinha Grande, Vasconcept, que permite aproveitar o lixo habitualmente depositado em aterro para produzir paletes, barrotes, tábuas e perfis através de aplicação de técnicas de extrusão e composição quer instalar-se no Alto da Borralha na Ota, concelho de Alenquer. Sendo que para tal, será necessário proceder-se a uma alteração do PDM, que foi aprovada, embora com algumas reticências por parte da vereação de centro-direita, na última reunião de Câmara. O investimento será de 15 milhões de euros, e a tecnologia em causa chama-se Prodelix. O presidente da Câmara Municipal, Pedro Folgado, referiu que há espaço no país para mais 18 empresas deste género, e Alenquer poderá ser um desses destinos. Dora Pereira, vereadora do Urbanismo, acrescentou – “Trata-se de uma empresa não poluente, em que a produção é feita em, circuito fechado, com recurso ao vapor de água. O lixo é recebido,

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lavado e triturado. Não há emissão de efluentes ou emissão de gases”, e especificou – “A localização em causa possui empresas implantadas, coberta por rede viária adequada, eletricidade e o próprio declive do terreno foi considerado como uma mais-

Barra de prodelix

valia para a empresa em causa”. Segundo a vereadora, a empresa poderá estar em fase de negociação com o grupo Ikea. Estarão previstos cerca de 30 a 40 postos de trabalho para Alenquer numa área total de 14m2, sendo que sete serão para armazém. A in-

dústria de paletes que tem estado condicionada pelo nemátodo do pinheiro é um dos principais alvos da Fuschia Fusion. Em Ponte de Sor o investimento rondou os 14,2 milhões de euros. A produção, segundo a empresa, de 7500 paletes de Prodelix pode

poupar até 300 árvores. Nuno Coelho, da Coligação Pela Nossa Terra, “sem querer por em causa o projeto”, reflectiu que a Câmara deveria pensar, em primeiro lugar, em outras zonas do concelho em espaços mais ou menos devolutos, em zonas in-

fraestruturadas e não correr o risco de se desafetar terrenos agrícolas”. Este é um projeto com capital português, conforme foi também dado a conhecer por representantes da empresa em reunião de Câmara.


Valor Local

Ambiente

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Crise despoletou várias formas de poupança de energia nas Câmaras Com a crise instalada na maioria dos municípios, houve necessidade de encontrar medidas de contenção e rentabilização. A poupança foi mais sentida na iluminação pública e no aquecimento, mas fomos saber junto das várias câmaras municipais em que áreas se tentou diminuir a pegada ecológica e não gastar tanto nos consumos. ¢

Miguel A. Rodrigues o que toca ao município de Vila Franca de Xira, e segundo o presidente Alberto Mesquita, ao nosso jornal “ esta autarquia foi a primeira do país a implementar o sistema de gestão por telecontagem”, que permite um controlo sobre a iluminação pública, “o que levou a uma significativa redução do consumo de energia elétrica”. “Aliás, entre 2012 e 2013, fomos dos poucos, talvez o único concelho do país, a reduzir a fatura anual com o consumo de energia da rede de iluminação pública”. Mas Vila Franca também foi pioneira na implantação do projeto “Ecobairros”, na Póvoa de Santa Iria: toda a iluminação pública foi remodelada, desde a zona mais antiga da cidade até aos novos bairros, com a implementação de uma estrutura “substancialmente mais eficiente em termos energéticos (led e não só)”; destacando o presidente da autarquia que tal levou “a que fossem substituídos cerca de 100 aparelhos de iluminação pública de baixa eficiência por sistemas de iluminação eficientes”. Para além disto, foi implementada em toda a área de intervenção um sistema de iluminação autónoma,

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“a partir de um sistema fotovoltaico, com produção de energia própria e sem qualquer ligação à rede pública de distribuição”. Nos equipamentos públicos, nas piscinas municipais de Alverca estão também instalados painéis solares “e está neste momento a ser desenvolvido trabalho para apresentação de candidatura a fundos comunitários visando implementar sistemas de melhor eficiência ao nível da utilização da energia elétrica em todas as piscinas municipais”. Alberto Mesquita lembra ainda que o município recebeu o prémio de “Município ECO XXI” devido à implementação do projeto “ENERBIZ – Medir para Gerir” para auditoria energética de um edifício municipal de desporto. Também em Salvaterra de Magos as mudanças ao nível da eficiência energética se fazem sentir. Segundo o presidente do município, Hélder Esménio, foram realizadas algumas medidas em “avulso há cerca de dois anos, quando se desligaram cerca de 40 candeeiros, num loteamento da Rua do Cartaxeiro, em Marinhais e no arranjo urbanístico do Rossio de Muge”. O autarca esclarece que no âmbito da colaboração com a CIMLT, “estamos a aguardar a

aprovação da candidatura ao PPEC-Plano de promoção da Eficiência no Consumo (candidaturas EDP), para colocação de reguladores de fluxo em 4 PT com mais consumo no concelho”. Para além destas medidas, o município prepara-se igualmente para introduzir métodos de eficiência energética nos equipamentos municipais em parceria com a CIMLT. Estão em causa equipamentos como as piscinas municipais, centro escolar de Salvaterra de Magos, edifício dos paços do concelho, biblioteca, pavilhão municipal e complexo desportivo de Marinhais. No entanto, falta ainda colocar painéis solares nos pavilhões desportivos de Glória do Ribatejo e de Marinhais, “mas os investimentos são avultados, na ordem dos 40 mil euros”, vincou o presidente da Câmara. Já no que toca ao concelho de Alenquer, Pedro Folgado, presidente da Câmara destaca ao Valor Local o “Projeto Oeste Led”, com início programado para o final do primeiro semestre “e que consiste na substituição da iluminação convencional por lâmpadas led em alguns locais do concelho”. Bem como “um diagnóstico interno à

rede do município de forma a garantir uma melhor gestão”. Depois do diagnóstico haverá um relatório que “contemplará a situação e as medidas a implementar em três edifícios municipais, designadamente: paços do concelho, piscinas e pavilhões municipais”. Também em Azambuja, as questões relacionadas com a poupança de energia e melhoria do meio ambiente estão na ordem do dia. Segundo o vice-presidente, Silvino Lúcio, a iluminação pública é um dos aspetos a ter em conta. O autarca salienta que o município vai implantar “em conjunto com a EDP um número significativo de alterações nas luminárias, ou seja gradualmente substituir as atuais lâmpadas por equipamentos leds”. Por outro lado, anuncia que o município propõe-se a ajustar os horários “em que a iluminação é ligada e desligada”. “Vamos potenciar as zonas urbanas e as mais isoladas em detrimento do que vem acontecendo atualmente, em que existem candeeiros ligados: “ Poste sim, Poste não”. No que toca aos edifícios, também Azambuja quer rentabilizar energeticamente os mesmos. Silvino Lúcio salienta que a redução de consumos “consegue-se através de uma boa ges-

Painel solar Ecobairros Póvoa Santa Iria tão dos equipamentos ao dispor dos trabalhadores. No fundo através das boas práticas, do tipo desligar luzes, desligar aquecimento”. Todavia uma das questões mais prementes para o município são as piscinas municipais, encerradas desde 2010. Uma das questões prende-se com o excesso de consumo de gás e de eletricidade, mas sobre este assunto, o vicepresidente anuncia que a reabertura será “uma realidade no decorrer de 2015”. O autarca salienta que “o comple-

xo das piscinas vai ser restruturado e renovado” anunciando a possibilidade de “construir de raiz uma piscina exterior para que o complexo tenha uma utilização anual”. Todavia para isto ser possível, Silvino Lúcio destaca a alteração do combustível usado para o aquecimento. Irá passar de gasóleo para gás natural. Para além disso “vamos implementar um conjunto de painéis térmicos e fotovoltaicos, para reduzir a fatura energética e tornar o equipamento mais amigo do ambiente”.

Materiais inovadores e sustentáveis novos no Lar Residencial de Vale do Paraíso stá programada para durante o mês de Junho a conclusão da construção do Lar Residencial da Associação do Centro de Dia para a Terceira Idade de Nossa Senhora do Paraíso. Esta é a única obra do género a decorrer, neste momento, no distrito de Lisboa e assume um papel importante numa freguesia e num concelho, onde está a aumentar a esperança média de vida. Em mais uma visita, foram dadas a conhecer novas formas de eficiência energética, nos materiais utilizados, na construção do novo equipamento, permitindo uma gestão com custos controlados na exploração do edificado. De acordo com os responsáveis, estamos perante “um tipo de equipamento invulgar, não só pela sua envergadura, como pelos métodos inovadores que estão a ser utilizados na sua construção.” Adjudicada a uma empresa de Azambuja, a Construaza Lda, a obra tem decorrido dentro das expectativas. O responsável

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pela empresa, Orlando Monteiro, salientou que esta obra tem um “caráter muito especial”, porque “está a decorrer num edifício onde se encontram pessoas idosas, e por isso tivemos de nos adaptar de forma a fazer a obra com o mínimo de perturbação para esses utentes”. Ao nível da construção, o projeto apresenta-se como o mais eficiente possível. O isolamento foi uma preocupação e a técnica utilizada “Capot” consistiu na colocação no exterior de todo o edifício de placas de isolamento, o que permite, segundo o responsável pela obra, que o calor se mantenha dentro da casa no inverno; e no verão o ambiente seja mais refrescante. Esta é uma técnica pouco usual em Portugal, mas tem de resto grandes benefícios, já que tem impacto direto nas condições térmicas do edifício. Outro dos aspetos invulgares desta obra, residiu na utilização de cimento sem areia. De acordo

com Orlando Monteiro, esta opção foi tomada tendo em conta a dificuldade de acesso à parte superior do edifício. Outra das inovações desta obra está relacionada com a colocação de piso radiante hidráulico. Na prática são placas isolantes dispostas em todo o pavimento, que através de tubagem aplicada para o efeito permite a circulação de água quente a 40º, com origem num enorme sistema solar térmico, já instalado que por sua vez alimenta todas as casas de banho, cozinha e também a lavandaria. Neste sistema, a água transmite o calor ao piso através da tubagem específica e o piso, por sua vez, conduze-o ao ambiente da habitação. Estas são técnicas importantes que a juntar ao restante sistema, permite, segundo José Eduardo Pereira, presidente da Instituição, uma redução de custos na fatura energética. O responsável salienta que nesta altura a Associação tem um novo sistema de climati-

zação. Até aqui era feito através de caldeira a gás, como em muitas outras instituições, mas agora e através da implantação de “bombas de calor”, houve uma redução na fatura de energia. A cozinha tem vindo também a ser remodelada, com novos equipamentos mais eficientes. O presidente salientou que após o arranque do serviço da nova unidade a IPSS aumentará a sua capacidade instalada para mais 50%, dos serviços prestados, mas os custos de energia elétrica e gás vão ter reduções em mais de 30%. A fatura do gás desde o passado dia 27 de fevereiro deixou de ser uma dor de cabeça para a gestão da IPSS e em breve será a da eletricidade, uma vez que em toda a cobertura do edifício vai ser instalado um projeto fotovoltaico, em que vai produzir cerca de 70% de toda a energia a consumir. Esta é de resto uma obra que também é inovadora no tipo de

estrutura utilizada. De acordo com o arquiteto, responsável pelo projeto, Luís Freitas, a estrutura metálica é mais leve e não tem tantas implicações na já existente. José Eduardo Pereira destaca que a parceria entre a Construaza e a associação tem corrido bem, salientando que foi importante o facto de ter sido uma empresa do concelho de Azambuja a ganhar a obra, já que assim estão minimizados os custos da mesma ao ní-

vel da deslocação e de assistências futuras. José Eduardo Pereira vinca igualmente que o concurso aberto para a adjudicação da obra não teve qualquer reclamação. Este é um projeto que foi a concurso público, onde concorreram 11 empresas e foi adjudicado por 261 mil euros “e sem derrapagens”, garante. Garantirá seis quartos e 12 camas, em que se incluem seis suites duplas e mais 4 postos de trabalho diretos.

Os vários intervenientes nesta obra


Destaque

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No Carregado, utentes tentam enganar o frio

Valor Local

Os três primeiros a chegar a Alverca

A via-sacra dos centros de saúde Não é novidade, mas a falta de médicos na região é dos assuntos mais falados e preocupantes nos diversos concelhos. A rebentar pelas costuras está a paciência dos autarcas e dos utentes face a esta situação. Fomos para a fila dos centros de saúde ouvir queixas, neste tomar do pulso à falta de médicos na região. ¢ Sílvia Agostinho nosso périplo pelos centros de saúde tem lugar numa segunda-feira fria, e começa logo às sete da manhã junto ao centro de saúde do Carregado. No local, já estão seis pessoas à espera que as portas se abram dali a uma hora, às oito da manhã. A maioria dos utentes está ali devido a um

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episódio de urgência, e há que ir bem cedo para assegurar vaga. Este é um clássico que em Portugal já tem décadas, e continuará a ser enquanto formos deficitários de novos médicos. Com um lenço de flanela atado ao pescoço, e com uma manta pelos joelhos, Elisabete Rocha foi a primeira a chegar. “Estou aqui desde

as cinco e um quarto, e hoje não há médico”, refere inconformada perante o esforço para conseguir chegar cedo e “apanhar consulta”. Tenta aconchegar-se da melhor forma, mas mal chegou deparouse com uma surpresa afixada no vidro da entrada com a informação de que naquele dia não haveria consultas nem para a doutora

Conceição nem para a doutora Isabel. Uma circunstância que deixou ainda mais desmoralizadas as utentes que encontrámos. Esta residente no concelho de Alenquer recorda-se que já foi para a porta do centro de saúde do Carregado às 4h10 da manhã. “E como pode ver hoje não há consulta de recurso, morreu a mãe de uma das mé-

dicas, e outra está com atestado médico. Estou aqui para ver se consigo ser atendida pela doutora Helena, se não conseguir tenho de vir outro dia”. “Custa muito ter de vir para aqui tão cedo, principalmente quando hoje estou com febre e cheia de dores de garganta”, lamenta-se Helena Lopes. (O termómetro por

esta hora registava três graus). “É uma pouca-vergonha, não há respeito nenhum. Reformam-se médicos, outros vão-se embora porque se comenta que não se lhes paga ordenado”, junta Elisabete Rocha, embora confesse não ter “razões de queixa” da sua médica há mais de 30 anos, Conceição Cunha.

Seis questões à ARS-LVT Tendo em conta a falta de médicos nos concelhos de Azambuja, Alenquer, Benavente, Vila Franca de Xira, gostaríamos de saber se à curto/médio prazo está previsto o reforço de médicos nestes concelhos? Nomeadamente quais, e cada um deles com quantos clínicos? A carência de médicos é sentida a nível nacional. No domínio deste ACES, para os concelhos de Azambuja, Alenquer, Benavente, Vila Franca de Xira, está previsto o reforço de pessoal médico. Relembramos que no último concurso aberto, na ARSLVT, foram alocadas vagas para Azambuja (uma vaga), Benavente (uma vaga) e Vila Franca de Xira (uma vaga). As 3 vagas foram preenchidas, apesar de uma delas (Benavente) ter ficado, posteriormente em aberto porque o próprio desistiu. No que toca às Unidades de Saúde Familiares, está prevista a criação de novos meios deste género na região (concelhos acima assinalados)? Até 2009, foi criado um determinado número de unidades deste tipo, no entanto segundo os profissionais ouvidos neste trabalho assistiu-se a um decréscimo neste aspeto, que razões podem ser indicadas? A constituição de USF é um processo que depende da iniciativa de um conjunto de profissionais. No concelho de Vila Franca de Xira, há interesse manifesto de um grupo dos diferentes perfis profissionais, com intenção de constituir mais uma USF. Para se reorganizar as equipas neste modelo de gestão de trabalho apenas têm de garantir os profissionais necessários. O ministro da saúde anunciou no final do ano passado penalizações para as empresas prestadoras de serviços de saúde que não cumpram os seus compromissos, é esta uma realidade preocupante na área da ARS-LVT como está o vosso organismo a acompanhar esta necessidade anunciada pelo titular da pasta da Saúde? No ACES Estuário do Tejo, (quanto às horas afetas pelos cinco concelhos – Arruda dos Vinhos, Alenquer, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira) estão distribuídas de forma a responder da melhor forma possível às necessidades patenteadas por cada um dos concelhos, tendo em conta o número de utentes inscritos sem médico de família. A ARSLVT, I.P., tem vindo a acompanhar de perto os serviços prestados pela empresa. A colocação de médicos de países da América Latina como está a ser vista pela ARS-LVT? A contratação de médicos dos países da América Latina enquadra-se no âmbito de um conjunto de medidas que o Ministério da Saúde tem vindo a implementar para reforçar o acesso da população ao SNS e a oferta de serviços de saúde nos cuidados de saúde primários. Esta medida tem contribuído, principalmente nas zonas onde é reconhecida a falta destes profissionais, para garantir o acesso da população aos serviços de saúde e fazer face à carência de médicos. Nos concelhos acima assinalados, estão pensadas novas formas de organização e gestão dos atuais centros de saúde tendo em conta a reforma de 2005? O ACES Estuário do Tejo, tem dinamizado os Cuidados de Saúde Primários, tendo em conta o cidadão no centro do sistema, proporcionando maior acessibilidade e equidade nos cuidados de saúde e social. Muitos profissionais com quem falámos queixam-se da falta de material médico nos seus centros de saúde. Que melhorias estão previstas neste sentido nos centros de saúde nos concelhos por nós assinalados? A Direção Executiva do ACES Estuário do Tejo desconhece a falta de recursos materiais, como não tem qualquer registo de ausência de prestação de cuidados de saúde aos utentes por falta de recursos materiais.


Valor Local

Destaque

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28 pessoas à espera às sete e meia da manhã em Alverca No caso da utente Tânia Coluna, esta confessa: “Hoje é um dia inteiro perdido só para vir para aqui. Aproveitei a minha folga no trabalho”. Ao contrário de Elisabete Rocha, Tânia Coluna refere que não gosta da sua médica de família. “É sempre a despachar não é atenciosa”. Veio ao centro de saúde naquele dia devido a uma urgência, mas sabendo de antemão como as coisas funcionam, prefere ir por vezes a um médico particular, ou ao hospital de Vila Franca. O Valor Local pergunta como funcionam as idas ao hospital e as utentes respondem em uníssono, gargalhando como que habituadas ao fado da saúde: “Oh isso ainda é pior!”. “A gente entra para lá com uma doença e sai de lá doentes da carola”, responde nestes termos, Elisabete Rocha. “Cheguei a esperar sete horas e 20 minutos. Tinha pulseira verde. Fui com a minha mãe que estava a deitar sangue pelo rabo. Não pude desistir até saber do que se tratava”, conta desolada. De acordo com informação prestada pela Câmara de Alenquer ao Valor Local, neste concelho, de momento faltam sete médicos a tempo inteiro nos centros de saúde do município. Sendo que existem cerca de 24 mil pessoas com médico de família e 13 mil sem médico de família. Quanto às queixas, prendem-se principalmente com dificuldades ao nível do acesso a consultas em tempo útil e de carácter urgente. “As questões de saúde estão no topo das nossas preocupações e das nossas agendas, mas as competências dos municípios a este nível são residuais”, refere a autarquia, que acrescenta que continua a exercer “forte e permanente pressão junto das entidades com-

petentes no sentido de resolver estes problemas”. Junto da ARS – LVT tem insistido não só na falta de médicos como a necessidade de “um investimento sério na melhoria dos equipamentos, especialmente nos centros de saúde de Olhalvo e Abrigada.” Em Alverca, há quem chegue às 3h da manhã Por volta das 7h30, estávamos já em Alverca, um dos pontos dramáticos da saúde na região. Cerca de 28 pessoas aguardavam pela abertura do centro de saúde, ao frio e algumas com ar visivelmente doente. “Às segundas-feiras já sabemos que temos de contar com filas enormes à porta do centro de saúde. Vou ver se consigo ter consulta de manhã, porque à tarde não posso faltar ao trabalho. Temos de lidar com o frio, a saúde está cada vez pior”, conta Maria Leal que chegou às sete. “No dia antes até tento não pensar que tenho de vir para a porta do centro de saúde para não me enervar”, acrescenta Estevão Correia, que chegou às sete e um quarto. Maria Leal acrescenta – “Deveríamos ter uma sala para aguardar o início das marcações, temos de aguardar cá fora ao frio e à chuva”. Mais à frente na fila, vamos encontrar os que acabaram por vir para a porta do centro de saúde ainda mais cedo, como Sandra Marques, desde as 6h30 à espera – “Já é a terceira vez que tento obter consulta, vamos lá ver se é desta, as vagas são poucas.”. Tem médico de família, mas as horas de espera acabam por ser um sofrimento para quem, acima de tudo, está doente – “Não en-

tendo porque não abrem as portas para esperarmos lá dentro. Os seguranças não nos abrem a porta, com tanta gente aqui fora a passar mal. Escusávamos de estar ao frio e quando temos idosos que vêm às três ou quatro horas da manhã. Quando chove então nem há palavras, e com os seguranças lá dentro!”, descreve atónita com o estado de coisas. “Quando foi construído o novo posto médico, pensámos que poderia haver melhoras nas condições mas penso que o atendimento piorou. Não há lógica nenhuma nisto!”. Ao seu lado, o utente António Almeida, refere que já chegou a ir seis ou sete vezes para a porta da unidade de saúde para conseguir uma vaga, porque o médico de família só atende duas pessoas fora das consultas marcadas. Quanto ao atendimento por parte do seu médico, Sandra Marques não está satisfeita – “O meu pai apanhou a legionella graças a ele, porque diabético e com febre, disse que não era preciso ir para o hospital”, diz. “Entretanto restabeleceu-se mas continua debilitado porque já tem 81 anos. Ficou a usar fralda”. Jorge Dias é o primeiro da fila. Chegou às três da manhã, e nunca veio tão cedo. Está confiante que desta vez a sorte não lhe vai fugir e conseguirá por fim a almejada consulta. Sobre a saúde em Alverca ironiza, “está uma maravilha!”. Sabe que os seguranças têm ordens para não abrirem as portas, “porque os chefões é que mandam”. Manuel Cruz foi o segundo a chegar, às cinco da manhã. “Isto é abaixo de péssimo”, diz rindo. Etelvino Tiago que completa o pódio dos primeiros a chegar ao centro de saúde de Alverca naquela segunda-feira, sintetiza –

“Os médicos podem ter boas intenções, mas depois acabam por não conseguir saber do nosso estado clínico. Porque num dia vimos e está cá um, mas da segunda vez aparece-nos outro”. “Já vim mostrar os exames a um médico diferente do primeiro que me atendeu”, acrescenta Manuel Cruz. No último ano, o PCP levou a cabo algumas manifestações pela melhoria dos cuidados de saúde em Alverca, e Carlos Braga da comissão de freguesia daquele partido, diz ainda que as soluções de contratação de prestação de serviços médicos a empresas externas “não têm produzido resulta-

dos e primam pela incerteza”. Nesta freguesia, refere que há cerca de 13 mil utentes sem médico de família para uma população de 30 mil habitantes. O presidente da Câmara de Vila Franca, Alberto Mesquita, adianta que tem pedido muitas reuniões com o ministro da Saúde e responsáveis da ARS, e destaca a “complexidade” do caso do centro de saúde de Alverca e do de Póvoa de Santa Iria. “Mas o de Alverca é o mais difícil” até porque recentemente, o corpo médico do mesmo recusou a inclusão de estagiários, alegadamente por questões “remuneratórias”. (Os clínicos à partida não estavam disponíveis

para despender tempo na integração e no enquadramento clínico dos jovens médicos pelo mesmo ordenado.) “Sobre isso não comento”, refere o autarca mas dá a achega – “Poderão ter muita razão nos seus direitos, mas assim não conseguimos resolver os problemas de quem não tem médico de família. Vou continuar a insistir, até porque em outros centros de saúde conseguiu-se amenizar essa dificuldade”. E desabafa – “É incompreensível estarmos a formar médicos para irem para o estrangeiro, por um lado, e a contratar médicos estrangeiros, isto sem por em causa as suas capacidades, por outro”.


Destaque

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Valor Local

Azambuja: 9 mil pessoas sem médico de família concelho de Azambuja é dos mais deficitários em termos de saúde, estima-se que metade da população não tenha neste momento médico de família, no total 9 mil utentes. O presidente da Câmara Municipal, Luís de Sousa tem-se reunido frequentemente com a ARS-LVT, e ao Valor Local informou que foi recentemente colocado um novo médico em Azambuja, e outro

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em Alcoentre, embora através de recrutamento de empresas de serviços médicos, o que poderá continuar a configurar um clima de precariedade a curto/médio prazo. No total, faltam 5 a 6 médicos no concelho de Azambuja. Neste momento, há mesmo habitantes de Manique a dirigirem-se à Unidade de Saúde de Familiar (USF) de Pontével, no concelho

do Cartaxo. E no caso da freguesia de Aveiras de Cima, o facto de 800 utentes terem passado para a extensão de Aveiras de Baixo está a gerar algum desconforto. O presidente da junta, António Torrão, diz mesmo que “em Alverca (sede do ACES Estuário Do Tejo) devem ter pressionado um botão que ditou essa espécie de sorteio, porque estamos a falar de 800 pessoas,

algumas delas idosas sem possibilidade de transporte, nem ao terreno vieram para fazerem essa seleção”. Sobre a posição do presidente da Câmara de Azambuja que já disse não estar na disponibilidade de custear as despesas de um apartamento de modo a captar um médico estrangeiro, a não ser a custo zero num dos antigos apartamentos que serviam

os guardas das cadeias de Alcoentre, diz não entender tal – “Já percebemos que o presidente não gosta de médicos estrangeiros, mas se os conseguíssemos radicar no concelho talvez não fosse mau. Esse tipo de ‘saídas’ do presidente sobre os médicos não são compreensíveis, depois eu é que tenho málíngua”, atira e sobe de tom – “Não me chocava nada que o

município conseguisse uma solução desse género. O que me interessa é que as pessoas tenham médico. Não basta Luís de Sousa dizer que não tem competência para isso, que o Estado é que deve assegurar os médicos, tudo isso são desculpas fáceis”. Torrão tem a convicção de que o presidente da Câmara nesta matéria passa a vida a sacudir a responsabilidade dos

Concelho de Benavente com saúde de primeira e de segunda e em Samora Correia tudo corre pelo melhor, com uma Unidade de Saúde Familiar (das primeiras no país) a garantir um funcionamento satisfatório aos utentes, em Benavente, os habitantes daquela freguesia, a par dos de Santo Estevão e Barrosa, ficam com a ideia de que têm acesso a uma saúde de segunda categoria, tendo-lhes saído a fava no bolo dos cuidados médicos. Domingos David, da Comissão de

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Utentes, refere que das 8h às 20h, a unidade em causa apenas dispõe de dois médicos para quase 15 mil utentes, oito mil não possuem médico de família. Também neste concelho, as empresas prestadoras de serviços médicos não têm assegurado o melhor serviço e chegam ao ponto de agendarem as suas faltas, faltando, por isso, constantemente. “Por vezes, o mesmo médico que deveria entrar em Benavente às oito da ma-

nhã, saía de Évora a essa mesma hora, porque essas empresas asseguram serviços em vários locais”. O presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho, é também um feroz crítico destas empresas – “Acabam por vir para o nosso concelho médicos já com idades avançadas, alguns com um desempenho longe do aceitável, com graves lacunas a nível do cumprimento do que lhes é pedido”. Neste sentido, fez chegar as

suas preocupações junto da ARS para que exista um maior rigor e “penalizações para estas empresas que não cumprem o estabelecido. É inaceitável que em certas alturas o médico nem sequer apareça, há falta de qualidade e de resposta”. A comissão de utentes levou a efeito uma manifestação junto ao centro de saúde, e “entretanto soube que essa empresa já não ganhou o concurso mas a atual também não está a conseguir assegurar o serviço nas melhores condições”, diz Domingos David. Mais recentemente, um médico foi posto em Benavente, mas quase de imediato teve a possibilidade de ir para Cascais e foi-se embora. O presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho, tem dificuldade em entender este tipo de casos, refletindo que “os concursos públicos deveriam acautelar as situações de maior carência”. A localização de uma unidade de saúde familiar em Samora Correia, a escassos quilómetros, começou também a ser um chamariz para os médicos que estavam em Benavente, face a melhores ordenados, “desguarnecendo a sede de concelho”. “Esse é que é o problema!”, resume Domingos David. Alguns milhares de utentes de Benavente foram com os médicos para a USF de Samora, “mas médicos que vieram de outros concelhos também trouxeram para aquela USF os seus doentes acoplados”, continua a descrever. A USF tem cinco médicos permanentes, mais o da extensão de Porto Alto, e ainda quatro estagiários em fim de curso – “Estamos a ver se esses estagiários podem vir para Benavente”, e com isso organizar o centro de saúde local. Domingos David refere que o centro de saúde de Benavente já está indicado como USF mas o processo não tem andado. Por enquanto,

a comissão vai sonhando em conseguir “os mesmos cuidados de qualidade e de boa fama” de Samora Correia, onde o nível de queixas é inferior. Por enquanto, “vamos tendo dois tipos de saúde completamente diferentes no concelho”. “Precisamos não só de médicos, mas também de enfermeiros, e de pessoal administrativo”. Contudo não há bela sem senão, e nos últimos tempos, a USF de Samora tem sido alvo de críticas por querer deslocar o único médico que está na extensão de Porto Alto, adstrita àquela USF, para a unidade na cidade em causa. “Não queremos prescindir desta alternativa. A USF alega que uma boa fatia de utentes do Porto Alto já se desloca a Samora, para querer encerrar aquela extensão, mas desejamos chegar a um ponto de consenso”, informa Coutinho. António Lameiras, também da comissão de utentes, desabafa – “Têm-nos tirado tudo, até na questão de algumas operações que se

faziam no hospital da santa casa que acabaram por nos ser retiradas. O Estado quer é dar dinheiro ao grupo Mello e manda tudo para Vila Franca. Isto é inadmissível”. O presidente da Câmara na tentativa de minimizar as ondas de choque da falta de médicos diz que na última reunião que teve com o ministro e ARS sugeriu que os médicos da Santa Casa de Benavente pudessem assegurar os cuidados diurnos no centro de saúde, já que o fazem com alguma eficácia no período da noite. “Estamos a ver até que ponto a Santa Casa conseguiria agilizar”. Carlos Coutinho também gostaria de ver replicado o modelo de Samora em Benavente, já que considera que aquela USF tem demonstrado “uma forma de trabalhar extraordinária, apesar de sabermos que aquelas unidades têm um efeito de eucalipto e secam tudo à volta, mas o desejável era que a de Benavente pudesse também seguir esse modelo de gestão”.

Comissão de utentes quer saúde em condições em Benavente


Valor Local ombros – “Assim ele não está lá a fazer nada, no lugar dele moía-me para arranjar médico, que mal tem custear um apartamento, assim continua-se a não investir um cêntimo na Saúde neste concelho” Em resposta a Torrão, o presidente da Câmara refere: “O senhor presidente da junta que se preocupe, então, em arranjar para a sua freguesia um médico, apenas falei em Alcoentre porque temos casas do Estado que podiam ser cedidas gratuitamente”. Luís de Sousa não se deixa convencer pela política de hospedagem praticada por outros municípios – “Isso é com eles! Talvez o Governo possa dar

mais mil euros aos médicos que venham para esta zona, e não só para os que vão para o interior”. E reitera que vai continuar a diligenciar apenas para as casas de Alcoentre, estando fora de hipótese arranjar um apartamento alugado pela Câmara. Nesta mesma freguesia de Alcoentre, o presidente da junta, António Loureiro, confirma que as queixas mais frequentes se referem à “demora para consultas”, sendo também referidas “situações de conflito com o próprio clínico” que ali presta serviço. São conhecidas “queixas recorrentes por atraso na emissão de receitas, sendo que algumas são emitidas no Centro de Saú-

Destaque de de Azambuja”. Luís de Sousa espera que a anunciada colocação de um médico em Alcoentre possa minimizar estes casos, em que utentes daquela freguesia têm de vir a Azambuja só por causa das receitas médicas. “Tendo em atenção as características e o número de população, a extensão de saúde deveria contar com médico afecto e com horário completo ou o preenchimento do horário da tarde”, conclui, por seu turno, o presidente da junta de Alcoentre. O estado da saúde no concelho de Azambuja segue os mesmos contornos de caos em relação aos restantes. A via-sacra das consultas em Azambuja é cum-

prida à tarde. Para conseguirem ter acesso ao atendimento por um dos médicos do centro de saúde da sede de concelho, há que ir de manhã para se ser consultado à tarde. Maria Augusta conhece bem esta rotina, e das últimas vezes, foi para a porta da unidade às 10h da manhã para só ser atendida perto das 4h da tarde. “O doutor Casimiro até ficou muito preocupado porque o meu marido precisava de insulina, tem deficiência renal e deu ordens às enfermeiras e restantes funcionárias para que se voltasse a acontecer atenderem-no logo, porque se tratava de uma emergência. Disse-me para não esperar vários dias”.

15 Também o filho completamente engripado esteve no outro dia no centro de saúde – “Teve de esperar cá fora, cheio de febre e a tremer o queixo, não deixam ninguém entrar antes do período das consultas, só o segurança permanece dentro do edifício”. Helena Gonçalves também residente em Azambuja conta a sua história: “Não tenho nada a dizer nos últimos tempos, sou bem atendida e o tratamento é impecável, mas refiro que há sete anos atrás, fui barrada por uma funcionária que barafustou comigo porque reclamei em ser atendida. O meu filho queixou-se de uma dor no peito, pois tivéramos um acidente de carro nessa ma-

nhã, e quis certificar-me do que podia ser. Foi indelicada, e perguntou se eu não sabia ler pois estava escrito que não havia mais marcações”, relata e acrescenta – “Contudo, o grande problema é que a organização nestas coisas deixa a desejar, pois a maioria dos que ali estavam iam mostrar exames, enquanto no meu caso, se tratava de um episódio verdadeiramente de urgência médica. Pedi o livro de reclamações, e a funcionária perante isso começou aos berros a dizer que ia chamar o segurança”, sendo que “no final deste episódio e de eu ter escrito no livro, o diretor do centro de saúde veio dar-me razão”.

O mundo à parte da USF de Pontével idas como unidades modelo, as USF são vistas como o futuro dos cuidados de saúde primários. Fomos conhecer a unidade D. Sancho I, na freguesia de Pontével, Cartaxo. Falámos com a utente Olinda Belchior que reconhece que a unidade tem boas condições, mas como alberga mais habitantes para além dos de Pontével, “às vezes assiste-se a uma grande balbúrdia”. Tem médico de família, mas lamenta que a unidade esteja encerrada aos fins-de-semana, proporcionando que em caso de urgência se “entupa Santarém”. “Passamos lá horas infinitas que se podiam resolver aqui”. Esta utente sentada à espera de poder ter a sua consulta não hesita em desabafar

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quanto ao hospital de Santarém – “Por vezes o que nos custa nem é o tempo nas urgências, é o mau atendimento por parte de certos médicos”. Quanto à USF de Pontével, o enfermeiro Hugo Sousa, reforça que “a equipa é dinâmica e com vontade de fazer. A maior parte dos médicos e enfermeiros veio do centro de saúde do Cartaxo”. Várias vezes alvo de auditoria, esta unidade tem de provar o que vale, em planificações por objetivos de desempenho, e este ano até ganhou o concurso da missão sorriso, pelos cuidados prestados domiciliarmente no seio familiar aos recém-nascidos. “Candidatámonos com mais 360 projetos de saúde no país, 53 venceram este

prémio, mas nós fomos a única unidade de saúde familiar a conseguir, o que é um grande orgulho”. Com uma vasta área como Pontével, Vale da Pinta, Ereira, Valada, a USF com essa verba vai adquirir uma viatura. “Como as altas hospitalares são cada vez mais cedo, às 48 horas, temos necessidade de prestar esse acompanhamento nas casas dos nossos utentes inscritos, elucidando-os sobre a amamentação, o sono da criança, o estado do berço, os cuidados de higiene, as cólicas e é em suas casas que encontramos esse ambiente propício”. Quando falta um médico nesta unidade tal não é o fim do mundo, “pois todos os outros acabam por

dar apoio e colmatam essa falha, por isso as unidades trabalham de forma diferente e são um sucesso”. “Acreditamos que juntos somos mais fortes, é este o lema da nossa unidade”. Hugo Sousa indica que o caminho na Saúde está em aplicar o instinto de competição e de superação: “Só se tem ganhos!”, e desmistifica os incentivos monetários superiores nas USF – “Há melhorias económicas, mas também mais trabalho e sem horários”. A USF de Pontével possui seis médicos, seis enfermeiros e também seis assistentes técnicos. Pontével as-

Resposta à doença aguda na linha da frente obre o sucesso que as unidades de saúde familiar possam estar a ter em comparação com os centros de saúde, António Godinho, médico no hospital de Vila Franca de Xira que já assumiu cargos a nível da estrutura orgânica na administração regional de saúde, refere que o futuro pode passar de facto por aí, até porque reconhece que os doentes inscritos nas USF deslocam-se menos vezes aos hospitais, por exemplo. “São mais bem referenciados nas consultas externas, até porque as USF têm de atingir determinados objetivos para subirem, e obterem compensações”, e não tem dúvidas – “Normalmente, a maioria dos médicos dos centros de saúde já está instalada e possui menores índices de ambição”, mas isto “bate no fundo com o que devem ser os cuidados de saúde primários no país”, não tem dúvidas em considerar. O que acontece é que “as USF são mais caras e o Estado português tem dificuldade em assumir mais compromissos nesse sentido”. E por isso não duvida, “há que trilhar caminho na resposta à doença aguda nos cuidados de saúde primários, com uma organização diferente, em que o médico pode fazer tudo, desde estudar, consultar doentes, falar com as famílias, e reunir-se com os colegas. Estar o dia todo na unidade”.

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tos em situação aguda. Tem sido equacionada a possibilidade da realização de obras nas extensões de saúde de Vale da Pedra e Valada, tendo já havido uma visita por parte da diretora do ACES Lezíria a estas unidades”, é referido. Quanto a esforços desenvolvidos junto daquele organismo, o presidente da Câmara Municipal teve ainda a oportunidade de “reiterar a sua preocupação com o número de utentes que se encontra sem médico de família, considerando que este é um caso ao qual temos de dar resposta imediata”

Salvaterra disponível para arranjar mais alojamentos para médicos o contrário do concelho de Azambuja, a Câmara de Salvaterra encontra na cedência de um alojamento, e no pagamento das contas com a habitação aos médicos, uma boa solução, que ainda longe da ideal tem servido para remediar males maiores no concelho. De acordo com a Câmara, ao Valor Local, em recente reunião com a diretora do ACES Lezíria, constatou-se que dos 12 médicos de família que prestam cuidados no concelho, apenas restam cinco, o que faz com que 58% da população do concelho de Salvaterra de Magos (22 mil habitantes) não tenha médico de família. Esta situação tem sido de algum modo “minimizada” pelos três médicos estrangeiros que estão no concelho, dois deles garantindo o funcionamento da extensão de saúde de Glória do Ribatejo e o outro colocado na extensão de saúde de Marinhais. “Os médicos estrangeiros que têm escolhido continuar no nosso concelho, fazem-no porque aqui encontram o enquadramento e o apoio que a Câmara Municipal lhes disponibiliza e que acabam por reconhecer”, considera a autarquia. A Câmara não tem dúvidas que para a fixação destes médicos “contribui decididamente o facto de o Centro de Bem Estar Social de Glória do Ribatejo e de Marinhais disponibilizarem transporte e alimentação, sempre que necessário, cabendo ao município suportar as despesas de arrendamento de habitações, bem como os encargos resultantes de eletricidade, água e comunicações.” Face às carências, a autarquia reforça que está disponível para continuar a assumir este encargo, embora se encontre preocupada com “a precariedade da sua contratação”. Fomos conhecer a médica escocesa que presta serviço na extensão da Glória do Ribatejo, Chantal Llano, 33 anos, que chegou à localidade em dezembro de 2013. A oportunidade de vir para Portugal coincidiu com uma abertura na sua vida pessoal, já conhecia o país e gostava. Diferenças entre Portugal e Escócia na saúde são muitas. No seu país, o serviço “é melhor organizado. Todos os utentes tem médico”. Trabalhava num hospital numa cidade do tamanho de Santarém, e esta é a primeira experiência em ambiente de centro de saúde. A adaptação não foi fácil, desde a prática da medicina aos termos técnicos bem como a língua. O grande desafio de Portugal e dos países ocidentais na sua opinião prende-se com o combate a doenças como a hipertensão, diabetes, obesidade, e apostar na prevenção é fundamental, e “esta área é pródiga neste tipo de doenças”. Quanto à sua Chantal Llano integração, tem casa em Salvaterra e quando se lhe pergunta sobre a aceitação da população local, não tem dúvidas – “As pessoas da Glória são super carinhosas, e passam a vida a oferecer-me peças bordadas”, e mostra algumas delas à nossa reportagem. Mas também é presenteada com alfaces, legumes e ovos. “É completamente diferente do meu país, onde o médico é visto como um cidadão comum, aqui há muito respeito pela figura do médico”. Nos seus tempos livres, dedica-se a passear, e gosta particularmente de Alcácer do Sal.

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USF foi criada em 2007

segura o pólo de Valada e de Vale da Pedra, mas também possui utentes de Aveiras e da Maçussa, no concelho de Azambuja, que “procuraram esta unidade”. Contactada a Câmara do Cartaxo, e perante o universo de 24462 habitantes no concelho, é referido que nos últimos dois anos houve uma redução de três médicos na outra USF do concelho, a Unidade Saúde Familiar Cartaxo Terra Viva, devido à qual cerca de 3500 utentes não têm médico de família. “A USF tem feito todos os esforços para assegurar o atendimento aos grupos de risco e adul-


Política

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Valor Local

EMIA

“Coligação quer mandar poeira para os olhos” ¢ Sílvia Agostinho antigo presidente da Câmara de Azambuja, Joaquim Ramos, tem a convicção de que a novela da EMIA que se está a desenrolar no município desde há dois meses não passa de mais um episódio criado pela Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, que recorde-se, a este propósito, já apresentou queixas na Inspeção Geral das Finanças e na Direção Geral das Autarquias Locais. Como uma parte das críticas ainda envolve o mandato passado, com Ramos na presidência do município, especificamente a desvalorização em 5,6 milhões dos terrenos situados junto à CP

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que passaram da Câmara para a EMIA e desta para a autarquia, a oposição sustenta que está criado um grande buraco financeiro dado que esta verba já não será possível resgatar, e com isso a Câmara verá aumentado o seu valor de dívida. Este “buraco de 5,6 milhões de euros na situação patrimonial da Câmara vai ter implicações sérias nas contas de 2014, cuja dimensão ainda não foi possível calcular pelos técnicos da autarquia”, referiu Jorge Lopes da coligação ao nosso jornal na edição passada. Também o vereador da CDU, David Mendes, referiu a este propósito que a dívida dos 5,6 milhões é uma questão de “grande gravidade”.

Mas Joaquim Ramos não consegue descortinar onde é que paira a dúvida – “A avaliação dos terrenos é absolutamente irrelevante, percebo que a coligação queira mandar poeira para os olhos das pessoas com essa história, mas os terrenos sempre foram da Câmara, e a EMIA 100 por cento da autarquia. Não houve transação real de terrenos. Essas avaliações de terrenos tinham um objetivo meramente contabilístico”, refere e adianta – “Mas tudo isso não tem importância nenhuma porque os terrenos sempre foram propriedade da Câmara, mesmo quando estiveram na EMIA, embora perceba que a coligação queira perturbar e dividir as pes-

soas”. Ramos contorna ainda – “Ninguém tirou de um lado e pôs do outro como está a dizer, porque os terrenos nunca saíram da Câmara, grosso modo. A EMIA nunca pagou essa verba à Câmara, foi apenas uma avaliação formal, e isso era prática em outras câmaras, e até em empresas onde o capital não era todo do município.” “Isso é estratégia do doutor Jorge Lopes que gosta de amedrontar os executivos municipais, e neste caso o atual executivo tem todas as razões para ficar tranquilo, pelo menos naquilo que sei sobre a EMIA”. Também Luís de Sousa, ao Valor Local, garantiu que a dívida da

Ramos diz que tudo não passa de uma manobra da coligação Câmara não vai subir devido aos terrenos, garantia que obteve nos

últimos dias por parte dos advogados.


Valor Local

Ávinho à procura da renovação

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Ávinho Caderno

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Valor Local

Presidente da Junta de Aveiras reclama crescimento Aveiras de Cima vai receber no fim-de-semana de 10 a 12 de abril mais uma edição da Ávinho. Este é um certame já com tradições na freguesia e no concelho de Azambuja que congrega muito do que se faz ao longo do ano inteiro. Mas procuramos saber um pouco mais sobre o setor junto da Associação Nacional de Municípios Produtores de Vinho com sede no Cartaxo, tendo em conta que a nossa região tem conseguido muitos prémios além-fronteiras, também com vinhos de Aveiras e de Azambuja. ¢ Miguel A. Rodrigues á não é de agora que o presidente da junta de Freguesia de Aveiras de Cima vem reclamando mudanças e crescimento. António Torrão explicou ao Valor Local que defende mais dinâmica, mas salienta que a própria junta não tem “um papel direto no projeto, quer na Ávinho, quer na Vila Museu do Vinho”. O presidente da junta destaca que a autarquia é apenas “um parceiro no evento, mas minoritário. Colabora naquilo que é pedido, mas não tem intervenção direta”. O autarca coloca em causa o atual projeto, salientando que “as pessoas perderam a ligação que tinham ao evento nos primeiros três ou quatro anos do mesmo”. Antigamente, refere António Torrão “havia uma maior envolvência” e nos últimos tempos a situação mudou e as pessoas começaram a afastar-se. “É preciso usar a massa crítica e criar formas de unir e não de desunir” refere o presidente da junta, que acrescenta a neces-

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sidade de se autonomizar o projeto. António Torrão refere que há produtores que já não abrem durante a Ávinho e que se verificam algumas desistências: “Noto um desalento sobre a forma como o modelo da festa evoluiu”. O autarca destaca que “a ideia é boa e o modelo tem o seu valor, mas é preciso complementá-lo e ouvir as pessoas, bem como envolver a comunidade” afirmando que este não pode ser um projeto apenas da Câmara, Associação Vila Museu do Vinho e agricultores. O autarca considera que o certame é importante, mas deve ouvir e envolver a comunidade, facto que não aconteceu até agora. Para António Torrão, prova disso é a alienação das associações e também da restauração em relação ao certame. Sobre a restauração, o autarca vinca que a sua participação é muito importante. Aveiras de Cima tem muitos estabelecimentos e neste caso em concreto “as pessoas até podem ter sido contatadas, mas se calhar não com a melhor

É um fim de semana de confraternização

abordagem”. A gastronomia local é uma mais valia até porque “ninguém bebe vinho sem comer” e por isso tem de existir condições para que a restauração adira ao projeto, salientando que no ano passado houve quem quisesse almoçar ou jantar em Aveiras, mas não havia sinalização. Por isso o presidente da junta defende a participação das coletividades da freguesia na confeção de refeições, através de tasquinhas. O autarca refere que a falta de envolvência também se nota na associação de produtores que deveria ser alargada a todos os produtores de vinho do concelho e não só aos de Aveiras de Cima. “Há questões que não sei como funcionam, não sei quem faz o quê”. António Torrão diz ter dificuldades em entender qual a mais-valia da visita de grupos de turistas às adegas de Aveiras de Cima. O conhecimento e a localização da terra é uma certeza, salienta o autarca, mas considera ainda assim que a marca “Vila Museu do Vinho” não está bem

aproveitada. O presidente dá como exemplo privilegiado a saída da autoestrada, no norte na localidade, que poderia ser rentabilizada com um cartaz. “Podia haver algo a dizer que aqui é a Vila Museu do Vinho”, aludindo ao facto de a própria população ainda não ter conseguido entender o projeto. António Torrão lamenta que a Vila Museu do Vinho “não passa de uma designação”, e salienta que a própria associação devia ser mais dinâmica e questiona – “A associação nunca mostrou as contas à junta” e não sabe onde esta aplica o dinheiro da venda das canecas. Ao Valor Local, José Mata, produtor e presidente do conselho fiscal da associação, vinca que a mesma aplica essas verbas na realização de formações e não só. O responsável pelas contas salienta, igualmente, que as mesmas servem para pagar os conjuntos musicais e ajudam na manutenção dos pórticos que estão espalhados pela vila. Sobre a apresentação

de contas, refere que as mesmas são dadas a conhecer aos associados e à Câmara, através dos planos de atividades. Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, refutou as críticas de António Torrão salientando que o presidente da junta nunca “apresentou as suas opiniões nas reuniões da Ávinho”. “Se tem tantas ideias, acho que as devia colocar em cima da mesa, para que houvesse mais inovação e alterações na Ávinho”. Quanto ao facto de o autarca de Aveiras desconhecer o que faz a associação, Luís de Sousa diz que lhe “fica mal não conhecer o que se faz na freguesia” e vincou que a associação já apresentou contas à Câmara Municipal e que no ano passado utilizou as verbas nos espetáculos musicais, o mesmo se irá passar este ano”. 11 anos de Ávinho A Ávinho é atualmente organizada pela Câmara em parceria com a junta de freguesia de Aveiras de

Cima e a Associação Vila Museu do Vinho. Já são muitos os grupos oriundos de vários pontos do país e do estrangeiro que visitam a Vila Museu do Vinho. Os mesmos são convidados a participar na poda das videiras e no pisar da uva. São experiências importantes para quem nunca teve contato com a atividade, podendo igualmente provar o torricado de bacalhau. Para tal, os visitantes pagam 10 euros por pessoa mas não se vão embora sem levar uma garrafa do vinho da região. Mas a Ávinho é muito mais. Para além da animação, os visitantes são convidados a provar o vinho das adegas aderentes. Para tal adquirem por dois euros uma caneca que possibilita o acesso grátis às adegas e ao vinho nos restantes dias da festa. Para além do convívio nas adegas, a Ávinho tem também um programa musical. Este ano terá como cabeças de cartaz o grupo “Virgem Suta”, 6ª feira às 23h30, e o grupo “Diabo na Cruz”, sábado às

Mais uma edição da Festa dos Vinhos e Adegas


Valor Local 22h00. Todavia as festas arrancam às 18h30 de sexta-feira, dia 10, com a inauguração, na Praça da República, seguindo-se as primeiras visitas às adegas com a tradicional oferta de febras, pão e vinho; e a animação de rua com bandinhas populares. O serão começa com o fado, nas adegas, e completa-se com a música dos “Virgem Suta”, no Palco da República. No segundo dia, pelas 16h, as ruas são invadidas por milhares de visitantes para ver passar os grupos e carros alegóricos que mostram as diversas fases d’ “O Ciclo do Vinho”. A noite musical será assegurada, a partir das 22h, pela atuação dos “Diabo na Cruz”. O último dia, domingo, abre com uma gincana de tratores – “Fórmula T”, pelas 10h no terreno do mercado mensal. As adegas reabrem as portas às duas da tarde, enquanto as ruas são animadas pelo Rancho

Folclórico “Camponeses” de Vale do Brejo. O Largo da República volta a atrair as atenções, às 15h com um “bailarico à moda antiga”, e às 17h para a entrega de prémios do 33º Concurso de Vinhos do Município. Pelas 19h, uma arruada da banda da Filarmónica Recreativa de Aveiras de Cima marcará o encerramento da décima primeira edição da Avinho. Ainda no que toca á animação, há ainda fado amador itinerante pelas adegas, sexta a partir das 21h. Já no sábado o destaque vai para o desfile etnográfico demonstrativo d’ “O Ciclo do Vinho”, às quatro da tarde. As varandas e fachadas enfeitadas sob o tema do vinho, fruto do envolvimento da população local, bem como a divulgação dos resultados do 33º Concurso de Vinhos do Concelho de Azambuja, completam o leque de atrações.

Ávinho

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Os visitantes podem aprender a vindimar

Vinhos da região estão bem e recomendam-se s vinhos portugueses como os do Tejo, entre os quais os de Aveiras que estarão em destaque em mais uma Ávinho, estão bons e recomendam-se. Esta é a análise de José Arruda, secretário geral da Associação de Municípios Portugueses de Vinho (AMPV), para quem este “foi um grande ano para a associação e seus associados”. O responsável destaca entre outras atividades a “Gala da Cidade Europeia do Vinho” que decorreu em fevereiro em Jerez de la Frontera, Espanha, e a “Gala da Cidade Portuguesa do Vinho” que decorreu em Barcelos. Todavia a juntar a estas ga-

O

las estão ainda outras atividades organizadas por ambas as cidades ao longo do ano de 2014. José Arruda lembra que em maio do ano passado foi constituída no Cartaxo a Associação das Rotas de Vinho de Portugal. Trata-se de uma “instituição que nasceu do esforço da AMPV em colocar as Rotas de Vinho em Portugal a funcionar”, destacando que a associação ficou com três elementos na direção liderada pelo presidente da Rota da Bairrada. José Arruda destaca, igualmente, em género de balanço, a constituição de uma outra associação a “As-

sociação Internacional de Enoturismo”, bem como o Concurso Nacional das Rainhas das Vindimas com a participação de 15 municípios com as suas candidatas. O fulgor do setor confirma-se também pela entrada de novos municípios nesta associação, o que em parte prova a sua dinâmica, como os concelhos de Anadia e Armamar. No âmbito das iniciativas, José Arruda destaca que a associação está a levar a cabo o XIV Concurso Internacional "La Selezion del Sindaco 2015" que vai decorrer de 29 a 31 de maio em Oeiras. Sobre a qualidade dos vinhos nacionais, José Arruda

destaca que a presença em grandes eventos “europeus e mundiais é disso representativo”. O responsável salienta a importância que a associação dá aos temas do território e dos vinhos tendo em conta o Enoturismo e por isso diz ter a noção “de que cada vez mais a promoção dos nossos vinhos tem que ser feita com a promoção dos territórios”. Sobre os certames ligados ao vinho em Aveiras de Cima e Cartaxo, acrescenta que os municípios têm sido cada vez mais “os grandes promotores das nossas riquezas”, “através da diplomacia económica, dos eventos, dos seminários,

conferências, concursos de vinhos e feiras”. No que concerne, à Festa do Vinho do Cartaxo, destaca que a associação é um parceiro ativo, lembrando que AMPV foi constituída em 2007 na Festa do Vinho. “Todos os anos fazemos o nosso aniversário a 30 de abril na Festa do Vinho. Este ano vamos ter presente a Cidade europeia do Vinho 2015 - Reguengos de Monsaraz”. Já no que toca à Ávinho, em Aveiras de Cima, o responsável vinca que este evento pode melhorar, até porque a Ávinho, hoje em dia, é um certame “ feito de forma volante através de

um périplo pelas adegas e pouco mais”. Nesse sentido, o responsável lembra que o concelho de Azambuja é associado da AMPV e por isso “estamos disponíveis para colaborar com o município no sentido de melhorar a Ávinho”. Sobre o modelo de gestão em que a Vila Museu do Vinho é gerida pela associação de produtores, com iniciativas junto dos turistas, José Arruda considera que que é um “excelente modelo. Como em tudo na vida poderá ser melhorado e adotada aquela que é a estratégia nacional de promoção dos nossos territórios”.

O estudo para a criação de cada copo é feito a partir das papilas gustativas da língua humana, doce na ponta, salgado e acidulo dos lados e amargo no final da língua. A partir deste estudo fisiológico do sabor e do facto que a primeira impressão gustativa é predominante, os mestres cristaleiros criaram copos que ao levar o liquido à boca eram capazes de reduzir algumas notas amargas ou por outro lado realçar o doce da fruta. Os copos são por isso um grande amigo para o vi-

nho e acima de tudo para quem o vai beber. Apesar da utilização de copos estereotipados para vinhos brancos e tintos, isso muda um pouco, pois devemos utilizar o copo mediante o tipo e características que o vinho tem. Porque não beber num copo grande (copo que tem uma boca grande), um vinho branco? Sabemos que a maior qualidade do vinho é o seu aroma, logo vamos procurar o copo que o vai intensificar mais, um copo largo que vai libertar o aroma.

Experimente colocar o mesmo vinho em copos diferentes e prove! Vai ver que as sensações vão ser diferentes e o vinho pode ganhar ou perder aromas, mediante o copo onde está. Devemos tentar sempre que possível adaptar o copo ao vinho que vamos degustar parq que possamos retirar toda a riqueza do vinho. Com certeza vai tirar melhor partido do vinho e da refeição!!! Rodolfo Tristão Escanção

Importância dos copos erá que apenas é importante o vinho que bebemos, deixando para segundo plano onde o bebemos? Os copos poderão ter tanta influência para uma melhor apreciação do vinho? Um vinho pode ser um dos melhores. Encontramo-nos expectantes em relação ao que podemos vir a encontrar. Bom aroma, damos o primeiro gole e…desilusão. Será do vinho? Talvez não. Provavelmente o copo não foi o indicado. Quando se trata de uma bebida tão rica de subtile-

S

zas, o papel dos copos é deveras importante. Revelam as nuances da cor e de aromas, ajudando a conduzir o paladar do enófilo, auxiliando a descoberta das melhores características. Poderá ate parecer estranho, pois nunca pensamos nisso, mas o copo assume uma relevância extremamente vincada na prova de vinhos. “ os copos funcionam para um vinho como um bom sistema de som funciona para um cantor. Um microfone de acústica deficiente pode atrapalhar ate um

grande cantor lírico, do mesmo modo que um recipiente inadequado não traduz a percepção máxima de um vinho”, segundo o director da divisão de vinhos da empresa mundial de copos, o Sr. Bolonhez. Desde 1950 que por intermédio de Claus Josef Riedel se tenta produzir o melhor copo. Desenvolveu-se o primeiro tendo como base o formato de um ovo. A ideia é criar uma espécie de câmara na qual os aromas desprendidos do vinho se concentrem.


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Dossier Águas

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Águas do Ribatejo recua na limpeza das fossas Presidente da AR diz que vai ser feito um estudo. Francisco Oliveira deixa um aviso à navegação: Quem tem esgotos à porta tem de fazer as ligações. empresa intermunicipal Águas do Ribatejo (AR) voltou atrás na decisão de albergar a totalidade dos serviços de limpeza de fossas que estava na alçada das juntas de freguesia. Face ao clima de contestação da medida em alguns locais, sobretudo no concelho de Salvaterra de Magos, o conselho de administração da empresa decidiu recuar. Numa primeira fase, a Águas do Ribatejo socorreu-se da lei emanada pela ERSAR para de certa forma cortar aquele serviço às juntas, mas Francisco Oliveira, presidente do conselho de administração da AR, ao Valor Local, refere que como o plano de infraestruturação dos sistemas ainda não está concluído, e como em algumas zonas, o despejo de fossas é feito várias vezes por mês, tal poderia onerar ainda mais os utilizadores, dado que os preços para aquele serviço são mais caros na Águas do Ribatejo. “Decidiu-se suspender até que esteja completo o plano de investimentos da Águas do Ribatejo, e fazer-se o estudo da abrangência desta medida e número de fossas incluídas. Avaliar

A

de que forma a Águas do Ribatejo pode suportar esse encargo”, refere Francisco Oliveira. “Tratou-se de fazer sobressair o princípio da solidariedade”, enfatiza. O responsável recusa em falar numa fuga à implementação de medidas que possam causar celeuma junto da população, e refere novamente a necessidade de se estudar a matéria, “até porque há fossas com um nível de precariedade muito grande, ou terrenos onde o nível freático é elevado, o que implica um maior número de limpezas mensais”, e isto “não era do conhecimento da Águas do Ribatejo, porque o normal é que uma fossa seja limpa duas a três vezes por ano”. E neste caso Salvaterra de Magos, a par de Alpiarça, é dos concelhos onde o saneamento básico sofre alguns atrasos, com 1500 fossas a funcionar ainda naquele concelho. O presidente da AR refere ainda que as fossas de caráter mais rudimentar não colocam em causa as normas ambientais. No entanto, Francisco Oliveira dá a entender que a AR não poderá no futuro continuar a subsi-

diar a limpeza das fossas, sob pena dos investimentos necessários na atual rede de esgotos e coletores ficarem pelo caminho. “Vamos reduzindo o número de fossas sépticas”. Contudo pela frente, esta empresa à semelhança de outras no setor,

tem assistido à relutância e até oposição de quem já tem os esgotos à porta não querer optar por fazer as ligações. “Como não têm problemas nas fossas e sistemas de drenagem, não tomam as medidas para se ligarem aos coletores. E ao não se

ligarem podem pôr em causa o tratamento do efluente. A ETAR ao ser construída foi concebida para tratar um determinado nível efluentes, ao não o conseguir fazer, o sucesso de toda a operação pode estar em causa”. Por isso constata – “É essencial que

O serviço de limpeza de fossas volta para as juntas de freguesia

as pessoas se mentalizem para esta circunstância, até porque durante os dois meses de carência ao pedirem as ligações, os utilizadores não pagam o ramal. Ao não se ligarem, os equipamentos podem não fazer o trabalho nas melhores condições”.


Dossier Águas

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Câmara do Cartaxo continua a esticar a corda com a Cartágua á passou um ano e três meses desde que o processo de renegociação do contrato de concessão de águas entre o município do Cartaxo e a Cartágua mergulhou num ramerrame de negociações, isto depois de a ERSAR, ainda durante o mandato de Paulo Varanda, ter dado o aval à revisão do tarifário que recorde-se prevê aumentos de cinco por cento ao ano até 2018. A Câmara Municipal tenta ganhar tempo pedindo pareceres jurídicos e técnicos. Num desses pareceres ao qual o Valor Local teve acesso, elaborado por Cristina Santos Silva Advogados, é defendido que o mesmo “não observa as boas práticas e os princípios de partilha de risco de uma concessão de acordo com os riscos do mercado, riscos da procura, financeiros, de construção e de exploração”, sendo que tem sido “o município a assumir o risco da procura”. O parecer observa também que “o anterior executivo atuou sempre no sentido de manter o parceiro privado indemne de qualquer risco ou perda relativamente ao equilíbrio financeiro subjacente à sua proposta de preço”. O Valor Local quis saber qual a

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posição dos partidos políticos do Cartaxo face ao impasse neste processo entre a Câmara e a concessionária. No entender do vereador do PSD, Vasco Cunha, entre outras questões “a Cartágua explica mal a Taxa de Rentabilidade Interna (TIR) que designou para o Cartaxo, ou seja a remuneração acionista”, nomeadamente “ao alegar que já não consegue mexer mais na mesma”. Por isso, também refere que a autarquia até tem sabido gerir bem o imbróglio. Mas se a questão enveredar pelo caminho litigioso, Vasco Cunha deixa o alerta – “Neste momento, não entrevejo que a Câmara tenha muitas armas para litigar com a Cartágua, tendo em conta a sua situação financeira”. “Mas também penso que a concessionária está na expetativa para verificar o que se seguirá por parte da Câmara. Sei que há estudos preliminares”. No fim de contas, “a Câmara se não tiver razão vai ter de admitir isso mesmo à empresa; e a ERSAR vai dar sempre razão à Cartágua, porque passou favoravelmente no crivo da Câmara e da Assembleia no anterior mandato”. Contudo refere que o que foi assi-

nado pelo anterior presidente da Câmara lhe oferece dúvidas, bem como, a composição da comissão de acompanhamento, nomeadamente, um dos elementos tido como próximo do antigo executivo. Já o eleito da CDU na Assembleia Municipal, José Barreto, considera que a Câmara está agir de forma correta neste processo. “Sempre considerámos que o contrato era leonino para a Câmara, a Cartágua tem de arrepiar caminho nem que seja preciso avançar para tribunal, não nos podemos amedrontar”. Em representação do Bloco de Esquerda, Odete Cosme, não vê em que medida “a população possa usufruir alguma coisa com este compasso de espera”. “ A Cartágua tem na mão o contrato assinado, e se a Câmara não avançar para tribunal com a contestação dessa assinatura, poderá a concessionária antecipar-se e promover uma ação contra a autarquia por não obedecer ao assinado”. Odete Cosme refere que desta forma, a Câmara gasta dinheiro em pareceres ao invés de avançar para tribunal “até porque o Tribunal de Contas tem vindo a dar ra-

zão aos municípios quando se queixam de que os contratos não estão a ser cumpridos, e neste aspeto a concessionária não está a cumprir a sua parte, pelo menos no que diz respeito às obras”. Até porque o contrato nunca foi enviado para o TC pelo anterior executivo. “Já é tempo de Pedro Ribeiro dizer ao que vem nesta matéria, e elucidar os munícipes, tem de dar uma explicação”. Já o presidente do município, Pedro Ribeiro, continua a referir que o contrato foi feito ao arrepio dos serviços da Câmara, que não to-

maram conhecimento do que estava a ser negociado. Sendo que neste novo contrato, a Cartágua quer aumentos na ordem dos cinco por cento ao ano, pagar menos 6,9 milhões de euros de rendas ao município e rever em baixa o volume de investimentos, ou seja “algo extremamente leonino para o Cartaxo”. Nos vários pareceres jurídicos e financeiros que tem encomendado, sustenta que há cada vez mais coisas por debaixo do pano. A Câmara tem pedido explicações à Cartágua que continua a colaborar “mas nem sempre envia

a informação rapidamente”. “O anterior presidente Paulo Varanda geriu isto de forma pouco transparente e em reunião de Câmara mostrou estar pouco à vontade com o caso”. Sobre o parecer da ERSAR que não levanta especiais dúvidas sobre o tarifário, desvaloriza dando a entender que a entidade apenas se debruça sobre a fórmula negociada. “Foi passado um cheque em branco disso não tenho dúvidas”. O presidente da Câmara diz que se for preciso avança para tribunal e não se incomoda se a empresa também o fizer, e vier a pedir uma indemnização – “Não queremos isso, porque a Cartágua está neste momento a pagar-nos rendas em atraso, estive reunido com a empresa que continua a manter a porta aberta”, esclarece. Questionado sobre se não estará a ser positivo para a sua gestão, este ganhar de tempo recusa a ideia – “Quero que tudo se resolva e que seja clarificado o porquê dos aumentos de 34 por cento em cinco anos”. O nosso jornal contactou o CDSPP e o Movimento Paulo Varanda mas não obtivémos resposta.


Valor Local Retratos da Nossa Terra

Instantâneos

Lopes X Sousa

Buracos nas pedras

Se recuássemos no tempo e voltássemos aos anos 90, o que mudariam estas duas figuras na sua maneira de atuar. Se por um lado o Jovem António Jorge Lopes já aspirava a presidente de câmara, Luís de Sousa ainda nem tinha planos para tal. Quer um quer outro já lutaram pelo lugar. Luis de Sousa ganhou, António Jorge Lopes esteve quase… Como seria uma discussão há 25 anos se estes dois senhores estivessem nos mesmos lugares que hoje: António Jorge Lopes: diga senhor presidente… como vai ser a questão das águas… e da Emia? Luis de Sousa: Sei lá estamos em 1990, deixe-me chegar a 2015 e logo lhe respondo. Lá está o senhor com a mania do futuro; e com a mania que sabe mais do que os outros. O meu advogado disse para eu estar descansado, e ele é que sabe!

Quem sobe da Rua de Trás da Igreja por trás dos balneários municipais em Azambuja tem agora que enfrentar dois obstáculos. Um é recorrente e prende-se com a total descoordenação no estacionamento e sem qualquer supervisão da GNR. O outro está relacionado com a calçada com pedras soltas, como aliás é visível na foto, e que se constitui como um perigo quer para transeuntes quer para os automobilistas que têm de contornar o obstáculo.

23 Estacionamento condicionado Num destes domingos, um leitor fez chegar à nossa redação uma foto de mais um atropelo pelas regras do civismo. Neste caso a situação é só um pouco mais grave porque se trata de uma viatura do Centro Social e Paroquial de Azambuja. A instituição deverá ter atenção aos locais onde e como estaciona as viaturas, como neste caso em que ocupa de uma só vez três lugares de estacionamento no Largo do Alto do Vítor em Azambuja.

Só grandes “bombas” em Alenquer! O vereador comunista da Câmara de Alenquer, Carlos Areal declarouse “envergonhado” por causa de um velho Renault 5 que o município tem ao seu serviço. O vereador salienta que o veiculo que está devidamente identificado com o brasão do concelho de Alenquer, não prestigia o município e defende que o mesmo deixe de ser identificado como tal. Na resposta, Pedro Folgado disse compreender a “indignação” do vereador comunista, mas vincou que “quem não tem dinheiro não tem vícios” alegando que a renovação da frota não é prioritária para os socialistas..

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@va-

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Edição de Março de 2015  

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