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ACISMA

Valor Local Jornal Valor Local • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 14 • 20 Junho 2014 • Preço 1 cêntimo

Futuro das praias fluviais é turvo

Págs. 8, 9 e 10

Comissão das Águas de Azambuja debaixo de fogo

Pág. 19

Estacionamento Freguesia pago regressa destaque: em em força Alcoentre a Alenquer Pág. 5

Págs. 15, 16 e 17


Política

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Valor Local

Orçamento Participativo de Alenquer acima das expectativas ecorreram acima das expectativas as sessões de esclarecimento no âmbito do “Orçamento Participativo de Alenquer”, lançadas pelo município. Ao todo, foram 11 sessões, onde as populações das diferentes freguesias do concelho puderam indicar obras que gostariam de ver concretizadas nos seus territórios, ou projectos que se possam vir a implantar. A comissão que está à frente deste orçamento participativo vai entrar na fase técnica de análise das propostas. O vereador com o pelouro do apoio no planeamento, Paulo Franco, deu conta da sua satisfação ao Valor Local, dado que se trata da primeira experiência deste género no concelho, e que “será para repetir no futuro”. “Tínhamos algum receio, mas quer na sua

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vertente online quer nas reuniões presenciais, o balanço é positivo. A nossa satisfação é enorme”. Olhalvo e Alenquer foram as freguesias onde a adesão registou maior adesão: com 57 e 87 munícipes respectivamente. A média das actuais 11 freguesias foi de 41 pessoas. A freguesia do Carregado e Cadafais teve à volta de 50 pessoas, quando é a mais populosa do concelho. “Notou-se menos empenho por parte da junta de freguesia local na mobilização das pessoas”, denota Paulo Franco. Recorde-se que o orçamento global é de 300 mil euros a distribuir por cerca de cinco obras que vão arrancar para o ano. No total entre o online (três) e as sessões há 50 propostas que vão ser votadas até se chegar às cinco finalistas, num conjunto de várias fases

que ditará as vencedoras no final deste ano. Na sua fase online, o orçamento participativo de Alenquer motivou o interesse de 145 pessoas, com a recolha de 22 propostas. A votação foi fechada no início do mês. As mais votadas foram: a criação de um passeio pedonal no Carregado; projecto de investigação do Canhão Cársico da Ota, e sala de actividades culturais para jovens em Alenquer. Sem querer mostrar-se fã de qualquer proposta, o vereador elogia “a diversidade das propostas, inseridas em áreas tão dispersas como o turismo ou o empreendedorismo”, mas também “dar realce a outras que reflectem, ainda, algumas necessidades básicas das pessoas, como o arranjo de estradas e caminhos”.

Paulo Franco satisfeito com a adesão

Acordos de Execução aprovados… finalmente oram, finalmente, aprovados os acordos de execução entre a Câmara de Azambuja e as juntas de freguesia. Na reunião extraordinária de 17 de Maio, ficou-se a saber quais as verbas a caber a cada junta. Sendo assim a Câmara até ao fim do ano vai entregar 498 mil euros às freguesias desta forma distribuídos: Alcoentre 42,678; Aveiras de Baixo: 27,955; Aveiras de Cima 46,421; Azambuja 89,216; Vale do Paraíso 24,768; União de Freguesias de Manique do Intenden-

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te, Vila Nova de São Pedro e Maçussa 75,096 euros. As verbas servirão para operações de manutenção de espaços verdes; limpeza de vias e espaços públicos; manutenção e reparação de mobiliário urbano; gestão de feiras e mercados; pequenas reparações em escolas. Recorde-se que nas últimas semanas este foi um assunto que causou celeuma já que a Câmara se preparava para aprovar acordos que não poderiam ter efeitos retroactivos para os pri-

meiros meses do ano, e sem que Maio, altura em que o assunto chegou a reunião de Câmara, tivesse igualmente salvaguardado. Foi possível chegar a acordo com as freguesias, que acordaram em manter os valores de 2013 para os primeiros meses do ano. Com os novos acordos Azambuja e Vale do Paraíso vão receber um pouco abaixo do esperado. O presidente da Junta de Vale do Paraíso, Armando Calisto, fala numa diminuição de cerca de 149 euros por mês consi-

derada por si como “pouco significativa”. Os novos valores tiveram finalmente o aval da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (CPFNT), através de Jorge Lopes e Maria João Canilho, que durante o processo evocou a cláusula 3ª do anexo C que impede que cada junta de freguesia pudesse receber os retroactivos aos valores de 2014. Em comunicado e face a críticas ouvidas durante as várias reuniões de Câmara por parte da CDU e do PS, a coligação

refere: “Esta não foi uma bizantice jurídica, pois não há engenharia financeira ou contabilística que resolva esta questão sem violar a lei”. Entendimento diferente teve o vereador da CDU, David Mendes, que acusou a CPFNT de ter “criado uma situação para se aproveitar politicamente do assunto”. “Contactei os presidentes de junta que não se mostraram prejudicados, tentouse criar aqui uma ilusão de óptica e uma vitória de Pirro”, tinha dito na reunião de 11 de Junho. Já os

eleitos do PS desvalorizaram, também, as questões levantadas pela CPFNT, à excepção de António Amaral que não hesitou em responder a Jorge Lopes quando este disse que “ex- presidentes de junta, (ao referir-se aos quatro elementos do executivo PS) prejudicaram os actuais presidentes de junta”. “Não lhe admito que diga isso, pois nunca foi presidente de junta e ninguém mais do que eu percebe dos problemas daquele género de autarcas”.

Câmaras repõem subsídios s câmaras municipais de Azambuja e Vila Franca de Xira vão pagar aos seus trabalhadores os vencimentos deste mês sem os cortes nos respectivos subsídios. Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, salienta que a autarquia já agilizou os procedimentos “para pagar na totalidade os ordenados com os respectivos subsídios” isto depois do anúncio

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do Tribunal Constitucional (TC), a declarar os cortes como inconstitucionais. O presidente da Câmara destaca que o município tem poupado essas verbas, já a contar com esta decisão do TC, e “por isso está em condições de os pagar já este mês”. Ao todo a autarquia azambujense prepara-se para pagar cerca de 500 mil euros em vencimentos,

tendo em conta o valor habitual que ronda os 350 mil e a reposição dos cortes que ronda os 170 mil euros. Também a Câmara de Vila Franca de Xira já anunciou o pagamento na íntegra dos salários deste mês. A autarquia gerida por Alberto Mesquita salientou, em comunicado, que vai pagar os salários tendo em conta “o teor do acórdão do Tribunal Constitucional e de acordo

com a tabela remuneratória vigente sem as reduções remuneratórias previstas no Orçamento de Estado para este ano”. Neste comunicado, o presidente da Câmara, Alberto Mesquita, reforça ainda a sua “solidariedade” para com os trabalhadores do município, “para quem os sucessivos cortes de 2011 constituíram um factor de dificuldade acrescida nas suas vidas”.

Luís de Sousa pagou os subsídios


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Finanças de Azambuja com encerramento adiado “sine die” E

stá adiado para já o encerramento do balcão da repartição de finanças de Azambuja. A informação foi avançada pelo presidente da Câmara de Azambuja, Luis de Sousa, que cita a nova directora dos serviços de Azambuja. Segundo o autarca, a directora não tem na sua posse informação a indicar o fecho da repartição local, e a autarquia também não, já que desde Outubro do ano passado, que espera por uma reunião com o respectivo secretário de estado. Outro factor que segundo Luís de Sousa pode ser indicativo de que a repartição não vai fechar relaciona-se com a circunstância de “recentemente a directora ter pedido ajuda à Câmara no que se refere ao pessoal”, algo que será feito nos próximos dias.

O presidente da Câmara salienta que a maioria dos funcionários do serviço de Azambuja está ao balcão, e por isso “a nova directora tem necessidade de trabalhadores para ajudar nas áreas de rectaguarda”, nomeadamente, no que toca ao trabalho administrativo. Para tal, Luís de Sousa diz que vai fazer um protocolo para a dispensa de um funcionário.

essa actualização, tendo em conta as dificuldades financeiras da autarquia. Por outro lado, a popu-

lação já não tem de se deslocar aos serviços de finanças de Azambuja.

Desde 2012, que paira sobre a repartição de Azambuja, a ameaça de encerramento. Tal levou a

que uma comissão cívica levasse a cabo uma manifestação contra no ano de 2013.

Fiscalização vai apertar A autarquia já disponibilizou, entretanto, um outro trabalhador que acompanhará um funcionário das finanças pelo concelho com o objectivo de ajudar a actualizar as cadernetas de IMI. “É algo benéfico para a Câmara e para as pessoas”, refere. Para a Câmara, diz Luis de Sousa, é urgente

Manifestação decorrida em 2013

Aveiras de Cima

Vários anos à espera de barreiras acústicas na A1 s moradores na Rua da Fonte em Aveiras de Cima reclamam desde há vários anos a colocação de barreiras acústicas por parte da Brisa na Auto-Estrada do Norte que passa a cerca de 50 metros de suas casas. É o caso de Linguber Lérias, que conta ao Valor Local que a passagem de duas para três faixas na A1 veio condicionar a sua qualidade de vida, e o direito ao repouso. “Quando chove e o vento sopra de determinada maneira, isto aqui é um espectáculo!” ironiza para demonstrar o nível de intensidade do ruído. Cerca de oito famílias são afectadas, e tudo piora de noite“Isto é uma coisa brutal, o meu vizinho colocou uns cedros junto à

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estrada, o que de certa forma atenua um pouco, mas não resolve a situação.” Desde 2009, que os moradores têm vindo a enviar cartas para a Brisa a reclamar do caso. “Quando fizeram a terceira faixa avançaram cinco metros na direcção da minha casa, o que acabou por influenciar negativamente”, refere o morador que também dá conta dos incómodos dos vizinhos do lado de lá da auto-estrada, moradores no Bairro do Soldadico, sendo que a um deles a Brisa demorou oito anos a responder. Desde as primeiras cartas que a Brisa tem vindo a trabalhar nos “mapas estratégicos de ruído e planos de acção”, resposta que se

repete desde há vários anos às cartas de Linguber Lérias, mas sem sinal de qualquer tipo de concretização efectiva no terreno. O anterior presidente da junta de Aveiras de Cima, Justino Oliveira, também intercedeu a favor dos moradores junto daquela empresa, mostrando o seu descontentamento não só com o estado de coisas, bem como com a demora na resposta, cerca de três anos. Contactámos a Brisa tendo em conta este trabalho que respondeu que “a verificar-se a legitimidade das pretensões”, (como se o caso não fosse desde já suficientemente conhecido e as queixas credíveis), “a implementação será feita em 2015”.

Cidadão aponta para a distância

Benavente é terra de “Sardinha Assada e Amizade” vila de Benavente vai receber entre 26 e 29 de Junho mais uma edição da Festa da Sardinha Assada. Trata-se da 46ª edição que espera juntar, como habitualmente vários milhares de pessoas. Segundo Victor Recatia, da Co-

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missão de Festas, não há grandes alterações no que toca ao figurino do evento. O responsável salienta apenas que para não prejudicar o comércio, “a comissão optou for fazer o encierro na sexta-feira, dia 27” salienta. De resto Vitor Recatia destaca

que não há alterações de maior, vincando que à semelhança de outros festejos na região, também em Benavente “os pormenores da festa são tratados com algum cuidado, em que se tenta gastar apenas o necessário sem colocar em causa os eventos fu-

turos.” Ao todo a comissão de festas e a autarquia de Benavente, preparam-se para oferecer cinco toneladas de sardinha, dez mil pães e cinco mil litros de vinho, que serão distribuídos sábado, dia 28 de Junho pelas dez da noite.

Este certame inclui entre outras iniciativas: tasquinhas, largadas de toiros, desfiles de fanfarras, e figurantes trajados a rigor pelas ruas da vila. As noites vão ser abrilhantadas com música para dançar em vários palcos, distribuídos pela vila.


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Depois de longo período de prevaricação

Estacionamento pago regressa em força a Alenquer Q

uando se fala em disciplinar o estacionamento em Alenquer através do reactivar em pleno dos parquímetros e da fiscalização o torcer de nariz é generalizado entre os automobilistas, porque muitos se queixam de que os lugares não pagos existentes se situam apenas nas extremidades da vila, demasiado “fora de mão” e que por isso deviam existir bolsas de estacionamento não pago ao longo das zonas comerciais. Os comerciantes, por seu lado, queixam-se de ter perdido clientes, porque hoje em dia cada um ocupa a seu bel prazer os lugares de estacionamento na Rua Triana sem se dirigir aos parquímetros, com toda a impunidade associada. Há muito que na sua generalidade quem tem o seu posto de trabalho na artéria em causa, já deixou de fazer o pagamento nos parquímetros, pois é mais ou menos notório que ninguém é multado actualmente, e por isso prevaricar é quase natural. A Câmara Municipal de Alenquer prepara-se para mudar este quadro radicalmente, com uma fiscalização mais contundente e a colocação em prática de novos instrumentos que auxiliem os fiscais a levar a cabo a sua tarefa. Ivo Sousa mora em Olhalvo e com alguma frequência deixa o veículo num parque de estacionamento pago existente a meio da Rua Triana. É dos que costu-

ma pagar, mas sabe de casos em que muitos deixam o carro o dia todo no local sem tirar bilhete na máquina existente, mas que nem sempre se encontra a funcionar devidamente. “Nesses casos já beneficiei da avaria nos parquímetros, mas entretanto voltei a pagar, porque se os outros não deixavam bilhete nos carros, acabei por fazer o mesmo, mas também penso que talvez não se justificasse uma extensão deste tipo só com estacionamento pago”, refere, e acredita que este “é um tema em que todos deveriam dar opinião, sobretudo porque há quem prefira que tudo continue na mesma, para continuar a gozar de impunidade”. Ana Silva e António Silva são gerentes de duas ourivesarias na Rua Triana e apontam algumas críticas à política de estacionamento na vila. “Há muita gente que não paga, mas os parquímetros, por vezes, estão avariados”, referem. Novo apertar das regras é no entanto visto como benéfico no caso das pessoas que “deixam o carro estacionado durante todo o dia no mesmo local”, como é o caso de quem trabalha nas lojas, serviços e escritórios da Rua Triana, “que poderiam optar pelos estacionamentos não pagos”. O actual estado de coisas “prejudica quem vem à vila para fazer compras”. “Os nossos clientes queixam-se muito. O mesmo

Ivo Sousa já optou por não pagar acontece na rua de lá do rio. Conheço casos de clientes que se não tivessem uma preferência especial pela nossa loja nem sequer vinham cá, e iam comprar a outro lado”, diz Ana Silva, que acrescenta – “Não se justifica que quem tenha de estar o dia inteiro na vila não possa estacionar o carro um pouco mais longe. Quando a fiscalização apertava, e os parquímetros funcionavam havia mais estacionamento”. Um taxista que não se quis identificar é peremptório – “ A vila não tem condições para ter parquímetros, os estacionamentos são longe, mas hoje as pessoas nem sequer ligam a isso e simplesmente não pagam. A Câmara

“Observatório de Aves” no Paúl de Manique Câmara Municipal de Azambuja está apensar em fazer um observatório de aves no Paul de Manique do Intendente. A informação foi dada pelo presidente da Câmara Municipal, Luís de Sousa ao Valor Local, que destacou a importância daquele espeço para o meio ambiente e preservação da natureza. Todavia, o autarca esclarece que a

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autarquia não intervirá no interior do paúl, mas sim “nos terrenos laterais, que são propriedade da Casa do Povo de Manique do Intendente”. De acordo com Luís de Sousa, há pelo menos a intenção de intervir no espaço criando algumas infraestruturas, para se proceder à instalação do observatório. Para o edil, este é um projecto importante

que deverá ser edificado em colaboração com a escola local e com a empresa que vai realizar o projecto. Luís de Sousa, salienta que para já não há planos no que toca aos custos, mas ressalva também que por enquanto o assunto está na fase de projecto. O autarca salienta ainda a biodiversidade do paúl onde até lontras já foram encontradas.

quer modernizar isto, mas o que na verdade deseja é complicar a questão, e prejudicar as lojas, e sabemos muito bem que ninguém gosta de andar a pé”. Contactada a Câmara Municipal de Alenquer, através da vereadora com o pelouro do Trânsito, Dora Pereira, esta afirma que “com bom senso, civismo, e obviamente com fiscalização, efetuada por agentes de fiscalização devidamente credenciados, a autarquia acredita que será, em breve, reposta a normalidade.” A autarquia não concorda que haja falta de lugares de estacionamento não pago na vila e diz que dos 520 lugares a pagar há 247 livres de parquímetros, para

Este parquímetro esteve longo período desactivado além das ditas zonas que não satisfazem muitos dos automobilistas: Areal (em ambas as margens do rio), Chemina, parque junto ao mercado diário e, fora do centro da vila, de toda a zona do Parque Urbano da Romeira e Parque das Tílias. Dora Pereira diz que não está fora de hipótese a criação de cartões, tipo passe mensal, para utilizadores residentes e não residentes. Tendo em vista a preparação dos utilizadores do estacionamento em Alenquer para a nova realidade, a Câmara pretende levar a cabo “acções de sensibilização presencial”. “Os serviços divulgarão, através de múltiplos suportes, um aviso onde constará a

data em que terão início as acções de fiscalização e de punição”. O município reconhece que “existiram no passado alguns problemas que condicionaram o normal funcionamento dos serviços, que deverão ser ultrapassados” Para que a fiscalização entre de novo em acção, a autarquia encontrase a aguardar as credenciais solicitadas à Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária para a emissão de autos de contra-ordenação eletrónicos, para além de que, “de momento todos os parquímetros encontram-se a funcionar, com as manutenções contractualizadas e actualizadas, e devidamente aferidas”


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Jovens falam da entrega a uma arte oi aos 10 anos que Francisco Berba descobriu que queria ser violinista, depois de ter estado num concerto. De imediato iniciou o seu percurso com várias idas por semana ao conservatório a Lisboa. No caminho de comboio entre Azambuja e a capital aproveitava para estudar para a escola, de modo a conciliar a música com os seus deveres enquanto estudante. “Lembro-me de ter feito um trabalho de História nas costas das partituras e de o professor ter elogiado o meu talento para a reciclagem”, descreveu perante uma plateia composta por técnicos e professores num deba-

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te organizado pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Azambuja, que teve lugar no dia 4 de Junho, no auditório do Valverde, sob o tema: “A criança na arte e no espectáculo”. Uma iniciativa em que vários jovens falaram da forma como conciliam os estudos e o amor a uma arte quase sempre muito exigente em termos de horários e de trabalho. Este jovem violinista contou que a disciplina do conservatório o preparou para a vida, e como isso também o tornou mais exigente consigo mesmo, de forma a não deixar que a música ultrapassasse a escola. “Fazia sempre os

possíveis para ter boas notas, para depois ter tempo para a música”. A arte à qual se entregou também o obriga, nas suas palavras, a ser “organizado”. “Sou a pessoa mais desorganizada que existe”, brincou. Quando lhe perguntam se o que prefere tocar é Mozart ou outros compositores clássicos responde que lhe dá especial prazer “ouvir uma música na telefonia e ir à procura na net da partitura para executá-la”. Também no caso de Ana Rita, cavaleira tauromáquica, a paixão começou igualmente cedo e de forma definitiva. “Sempre disse

Francisco Berba o violinista

que queria tourear, a minha família achava que era impossível, mas comecei logo aos 13 anos no centro hípico de Azambuja”. Manuel Jorge de Oliveira é o seu mestre. Costuma frequentar as arenas não só de Portugal, mas, igualmente, de Espanha e dos Estados Unidos. A jovem cavaleira que toureia há 11 anos, não foi além do 9º ano de escolaridade, mas pretende retomar os estudos para completar a escolaridade obrigatória. “Sou muito feliz na minha profissão”, concluiu. Outro exemplo de quem começou cedo no mundo das artes é o da actriz Teresa Tavares que entrou

em várias telenovelas conhecidas, a par de outros trabalhos. “Normalmente faltava às aulas uma vez por semana, com muita compreensão por parte dos professores. Era difícil conciliar os dois mundos, mas conseguia”. “Houve noites em que dormi pouco, mas fazia o que queria e as notas na escola não foram prejudicadas. Para me dedicar à representação, estudava ainda com mais vontade, para não atrapalhar os estudos”. Já no caso de Maria Mouchão, modelo, que fez o seu primeiro desfile aos 11 anos, acabou por se desligar daquela actividade al-

gum tempo depois, devido às dificuldades em se concentrar nos estudos por imposição dos pais, mas entretanto regressou. “Vou agora para o 12º ano, e estou entusiasmada por também poder voltar a desfilar”. Por último, foi dado a conhecer o exemplo do jovem fadista Francisco Rei que consegue conciliar a sua paixão pelo fado e a escola com naturalidade, pois os ensaios são de 15 em 15 dias. “Normalmente, ocorrem às terças à noite, e quando tenho testes no dia seguinte, dispenso o fado”. A música é também o seu “projecto para a vida”, como intitulou.

Teresa Tavares falou da sua experiência

Está aí mais uma edição do Colete Encarnado cidade de Vila Franca de Xira recebe de quatro a seis de Julho mais uma edição das Festas do Colete Encarnado. A iniciativa que brinda à “festa brava” acontece nas ruas, através das largadas de toiros, no pavilhão multiusos do Cevadeiro, com diversos motivos de interesse e na Centenária Praça de Toiros “Palha Blanco”.

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Para além destas iniciativas, destaque para outras, como os fados nas tertúlias, com a participação das mesmas, ou a habitual homenagem ao campino, no sábado, dia cinco, no Largo do Município, onde tem lugar a conhecida “Noite da Sardinha Assada”, com sardinha, pão e vinho. O caldo verde servido gratuitamente é outro dos argumen-

tos da festa. Todavia o Colete Encarnado é muito mais. O certame é também composto pelos grandes concertos no Largo Pedro Vítor e pelas actuações de grupos de Sevilhanas locais e não só. A juntar à festa, a “Corrida de Touros à Portuguesa” é outro dos aspectos mais importantes do Colete Encarnado. Desta fei-

“Artes e Sons” na Glória do Ribatejo freguesia da Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos, recebe de 27 de Junho a 5 de Julho a primeira edição do projeto “Artes & Sons”. Segundo uma nota de imprensa da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, trata-se de uma iniciativa que congrega “múltiplas artes e sons, através da música, dança, teatro, fotografia, desporto, grafitti”, entre outros.

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De acordo com o município, este é um “conceito que passa por juntar estas atividades às já existentes na freguesia de Glória do Ribatejo, como o festival “Glória ao Rock” e os festivais de Folclore (“As Janeiras” e da “Casa do Povo”) “para que se crie uma maior dinâmica cultural de forma a chegar aos vários públicos, com o objetivo de promover as organizações locais que as desenvolvem”.

Mais concretamente, sobre o programa do “Artes & Sons”, destaque para o concerto dos “Melech Mechaya” a 27 Junho, a exposição fotográfica inserida na atividade “Viva a Rua”, os concertos das bandas “Los Camaias” a 27 Junho e “Rock ‘N’ Road” a 28 Junho. Quanto ao programa “Artes & Sons” este resulta de uma organização conjunta da Câmara Municipal de Salvaterra de Ma-

gos, União de freguesias da Glória do Ribatejo e Granho, Comissão de Festas 2014 em Honra de Nossa Senhora da Glória, Associação Febre Amarela, Marionetas Subúrbio e pela Associação de Teatro Paulo Claro - Rapazes D’Aldeia, com o apoio do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo, Rancho Folclórico As Janeiras e do Agrupamento de Escuteiros de Glória do Ribatejo.

“Melech Mechaya”

ta, a corrida que decorrerá na Praça de Toiros Palha Blanco, conta com os cavaleiros Antonio Telles e João Telles, os matadores António J. Ferreira e Nuno Casquinha, e com os Forcados Amadores de Vila Franca de Xira que vão lidar toiros da ganadaria “David Ribeiro Telles”. A corrida está marcada para Domingo, dia seis de Julho pelas 18 horas.


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Onde pára a Feira Medieval de Alenquer? s comerciantes da vila de Alenquer sentem falta de mais iniciativas que pudessem ser promovidas pela Câmara para chamar mais visitantes”. Um desses certames que chegou a ter alguma importância foi a feira medieval que deixou de se realizar há três anos. António Silva, empresário, ligado a uma ourivesaria, é dos que acha que aquele certame fazia sentido. “A Câmara deveria incentivar novos eventos, e pegar de novo na feira medieval, para chamar mais visitantes, para que não seja só durante a feira da ascensão”, refere. O Valor Local contactou a autarquia sobre o “paradeiro” da feira medieval, que nos informou que não põe de parte voltar a fazer o evento, mas sustenta que “o modelo seguido nas edições de 2011 e anteriores, passava pela aquisição de serviços de animação a entidades externas ao concelho de Alenquer”, como tal “neste momento o objetivo da Câmara Municipal de Alenquer passa por valorizar o potencial local, nomeadamente, através do envolvimento dos comerciantes, associações, colectividades, empresas e instituições de âmbito

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local, à imagem do que é feito noutros concelhos onde atualmente se consolidaram modelos sustentáveis de feiras de cariz histórico, onde o retorno obtido

pela realização deste tipo de feiras está garantido, através do envolvimento das referidas entidades de âmbito local” , através da “criação de redes de cooperação

que permitam criar escala e garantir através de meios próprios a maioria das necessidades logísticas e de animação.” A autarquia informa, neste âmbi-

Uma das anteriores edições

to, que “ainda não chegou à Câmara Municipal qualquer proposta, formal ou informal, no sentido de voltar a realizar a referida feira, na vila de Alenquer”, e salien-

ta um evento realizado há poucos dias, dentro do mesmo espírito, na Aldeia Galega da Merceana com a segunda edição da feira quinhentista .

Crédito awendruidiza

Cavaleiro azambujense sofre acidente trabalhar na Califórnia (EUA) há perto de dez anos, o cavaleiro tauromáquico azambujense Paulo Jorge Ferreira fracturou um pé . Foi o próprio que anunciou na sua página do facebook, mas ao mesmo tempo garantiu estar em forma para uma a ter lugar no dia 23 de Junho. Segundo adiantou ao Valor Local, Paulo Jorge Ferreira, tudo aconteceu quando o toiro que ia lidar, da ganadaria de Joe Rocha, se adiantou ao seu cavalo projectando-o

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contra a trincheira. O cavaleiro garante estar bem, mas ainda assim não de livrou de algumas escoriações e de um susto. O incidente deixou “mazelas” também no braço direito. O cavaleiro azambujense que mais uma vez esteve ausente da corrida à portuguesa na Feira de Maio, garante que vai estar a 100 por cento na corrida de 23 de Junho, destacando que este incidente veio “travar” duas outras corridas em que a sua actuação

esteve acima da média. Ainda assim esta é uma corrida onde o cavaleiro vai ter algumas precauções especiais, e garante: “ Vou tentar tourear com uma ligadura de fibra de vidro especial”. No próximo dia 23 de Junho, Paulo Jorge Ferreira prepara-se então para actuar com os portugueses, Sario Cabral e Joana Andrade na Praça de Toiros de Stevinson. Paulo Jorge Ferreira decidiu imigrar para os Estados Unidos de-

pois de verificar que em Portugal não dispunha das oportunidades necessárias para vingar como cavaleiro tauromáquico. Com 32 anos, o cavaleiro tem no seu percurso profissional a alternativa tirada a 21 de Julho na Praça de Toiros da Póvoa do Varzim. Uma alternativa que teve como padrinho, outro cavaleiro azambujense, neste caso Manuel Jorge de Oliveira, hoje presidente da direcção do Centro Hípico Lebreiro de Azambuja.

Paulo Jorge Ferreira tenta recuperar do acidente


Opinião

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Do Ensaio sobre a Cegueira… ão sendo particularmente fã de José Saramago, não deixei de tomar contacto com alguns dos seus trabalhos, entre os quais o Ensaio sobre a Cegueira e tal foi a impressão que me causou que de vez em quando, dou por mim a fazer analogias entre os comportamentos sociais, que hoje se vivem e as politicas que estão na sua origem. E se não é menos verdade de que ao contrário de na obra de José Saramago, não houve no nosso País uma epidemia leitosa que nos contagiasse a todos deixando-nos cegos, houve sim uma epidemia que nos prostrou e nos deixou como que indiferentes ao que acontece à nossa volta, permitindo aqui a exemplo de na obra citada, todo um conjunto de desmandos e abuso de poder, sempre em nome de um interesse superior que não é o do Povo, mas que ao Povo que massacra. E curiosamente não surgiu ainda a personagem da mulher do

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médico, a única que vê em todo aquele conjunto de cegos! Mas começamos a perceber a rapariga que diz, que já estávamos cegos quando cegámos , porque isso foi resultado do

medo e de não queremos tomar posição, deixando que os outros façam as escolhas por nós. Precisamos urgentemente de sair da letargia, que tal como a epidemia no romance nos conta-

Valor Local Maria da Luz Rosinha Presidente do Conselho para o Desenvolvimento Sustentado do Hospital de Vila Franca de Xira

giou com um sono letárgico que impede um povo de ver e decidir. No entanto, as noticias e principalmente as televisivas, já que as escritas hoje têm de fazer

grandes esforços e ser muito criativas para combater a concorrência do imediatismo, associado à preguiça da leitura, quando não tem a pretensão de nos tentar convencer, deixando-

Turismo sustentável, esperar para ver ! um país dominado por sectores económicos e sociais em profunda crise nada de mais justo do que valorizar o dinamismo registado pelo turismo nos últimos anos e destacar os resultados positivos alcançados. Falamos de resultados e não de impactos porque estes ainda carecem de ser avaliados. A interrogação é legítima: será que a evolução que estamos a

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observar se inscreve numa rota autêntica sustentabilidade ou estaremos apenas e só perante mais um ciclo de crescimento conjuntural? Desde logo importa aferir, nos pilares que estruturam de uma forma global os processos sustentáveis, se estamos perante uma real evolução ou se podemos apenas sinalizar um «aumento da actividade».

Numa interpelação relativamente simplista poderíamos colocar a questão nos seguintes termos: a) Na variável económica: a intensificação da actividade foi acompanhada por medidas de integração com a economia local? Houve a precupação em incorporar produtos locais na oferta aos turistas? Foram articuladas soluções dos operadores do sector com elementos culturais

e identitários dos territórios? Foram desenvolvidas estratégias de fidelização baseadas nos factores únicos e peculiares das relações humanas e personalizadas nos ambientes experienciados? Relembremos pois que os resultados económicos das actividades turísticas podem ser profundamente ilusórios se não forem claramente definidos os critérios do tipo de competitividade desejada. Hotéis do Algarve que servem sumos de laranja espanhola, tendo em alternativa e ao seu dispôr uma excelente laranja local, por certo estarão a desenvolver estratégias de rentabilidade muito imediata e com preocupações meramente conjunturais. b) Na variável social: o crescimento de actividade teve efeitos positivos na remuneração dos trabalhadores e consequentemente na coesão social do território, ou foram principalmente adoptadas políticas remuneratórias de salários extremamente baixos? A relação entre a qualidade do serviço e as condições sociais e logísticas nas quais operam os profissionais do sector foram acauteladas? Ou seja

nos cegos, ainda conseguem trazer notícias que contém em si , uma injecção de esperança de que nem tudo está perdido, como o caso dos três jovens universitários que tendo comprado um colchão em segunda mão ao exército de salvação, depararam, quando se preparavam para o lavar, com uma pequena fortuna no seu interior, bem como uma nota identificadora da sua proprietária. E dizia um dos jovens – Não seria capaz de pensar em ficar com aquele dinheiro - . Fantástico jovem. Seríamos, cada um de nós capazes de pensar como este jovem ? Precisamos de uma resposta afirmativa de muitos e muitos jovens e menos jovens, porque se assim fôr, podemos ficar com a certeza de que nos vamos livrar da cegueira e mesmo que o que consigamos ver não seja bom, teremos força e vontade de tornar melhor o espaço à nossa volta.

Carlos Ribeiro Jornalista e consultor Caixa de Mitos - Agência para a Inovação Social

a aposta numa qualidade de excelência foi sustentada por políticas de envolvimento e de empoderamento das equipas de trabalho, ou foram apenas implementadas acções de cosmética de relações públicas internas que apenas servem para iludir os clientes e os colaboradores? A dimensão social não é apenas aferida do lado dos colaboradores. Vejam-se as abordagens ao cliente em matéria de mobilidade das pessoas portadoras de deficiência, avalie-se o tratamento indigno das pessoas idosas nas estratégias massificadoras e exploradoras dos grupos do chamado turismo sénior. Será razoável os equipamentos turísticos utilizarem a seu bel prazer milhares de estágios profissionais de alunos das escolas de hotelaria e turismo e terminada a «época alta» dispensaremnos, sem apelo nem agravo, sem lhes proporcionarem quaisquer oportunidades? c) Na vertente ambiental: o aumento da actividade terá sido acompanhado por medidas de protecção ambiental e de valorização das condições naturais locais colocando no centro da

imagem projectada aos turistas uma radical opção de defesa da natureza e de valorização do património natural do território? Os materiais utilizados nos equipamentos turísticos e a oferta alimentar revelaram uma preocupação central pelas questões ambientais? Perante o aumento do número de clientes resistiuse à proliferação dos plásticos e dos matérias não recicláveis? Dificilmente poderia ser admitido que um aumento do número de turistas se traduzisse num descontrolo proporcional da pegada ecológica. Se quiséssemos complicar ainda mais esta abordagem colocaríamos de forma adicional questões várias sobre a existência ou não de processos de integração das três vertentes mencionadas nas estratégias de desenvolvimento turístico levadas a efeito. Mas isso seria ser demasiado exigente. Há quem se satisfaça com os resultados, de sucesso aparente. Eu prefiro esperar pela medição dos impactos que nos revelam uma verdade nua e crua sobre o rumo seguido em matéria de desenvolvimento sustentável.


Valor Local

Opinião

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Pressupostos para os fracos índices de produtividade em Portugal aro leitor; como prometido, tenho o gosto de, nesta edição, apresentar-vos uma reflexão, necessariamente subjetiva, dos pressupostos que nos conduzem aos fracos níveis de produtividade. Para melhor perceção da temática em análise, e após pesquisa das diversas opiniões, conceituo produtividade, como sendo a redução do tempo gasto para executar um serviço, ou o aumento da quantidade dos produtos manufaturados, com a manutenção dos níveis de qualidade, sem acréscimo de mão-de-obra ou aumento dos recursos necessários. Contudo, produtividade não é somente mais quantidade. É preciso avaliar também a qualidade do produto ou serviço. A produtividade pode ser sempre melhorada através da criatividade, da formação e, da melhoria contínua. É o máximo da produção que a qualidade permite. É nos períodos de crise que as empresas têm que, necessariamente, reduzir custos e reestruturar as suas atividades para aumentar a produtividade ou simplesmente sobreviverem. Reiterando a subjetividade do que escrevo, são quinze os pressupostos que penso, contribuem para que no nosso país, a produtividade seja tão baixa. Contudo, não resisto à tentação de transcrever o texto que se segue, já devidamente sumariado: PRODUTIVIDADE é a redução do tempo gasto para executar um serviço ou o aumento da quantidade dos produtos manufaturados, sem acréscimo de mão-de-obra ou aumento de recursos. “-É inquestionável que os portugueses sofrem de uma doença congénita designada de lusofagia territorialis. Esta curiosa patologia ataca os portugueses que trabalham em Portugal e desaparece logo que laboram no estrangeiro. Nos países estrangeiros, aos trabalhadores portugueses são reconhecidas virtudes de capacidade de trabalho e de disciplina, enquanto no seu país são madraços, irresponsáveis e indisciplinados. Também, quem trabalha em Portugal para empresas multinacionais não sofrem de lusofagia territorialis, dado que, como sabemos, as multinacionais a operar em Portugal apresentam altos índices de produtividade. Portanto, concluo que a baixa produtividade, não deve ser só uma questão de pessoas, mas também, da cultura de trabalho instituída na sociedade, do clima orga-

C

nizacional, do envolvimento/participação do trabalhador, dos estímulos, da satisfação e motivação do trabalhador e, da sua retribuição baseada no mérito. Elenquemos então os quinze pressupostos, que na minha opinião, contribuem para a baixa produtividade: 1. Custos que decorrem da posição periférica do nosso país; 2. Elevados custos de contexto; preços da energia, dos combustíveis e das comunicações, superiores à média europeia; 3. Má qualidade geral do sistema de ensino. Importa reformar o ensino, racionalizando cursos, suprimindo os que não têm empregabilidade e os que não são úteis. Promover a exigência e meritocracia (premiar o mérito). Reformular e implementar o ensino técnico profissional (porque se acabaram com os curos comercial e industrial?). Promover a cidadania, a ética e o rigor profissional. Decorrente desta situação; a) Fraco nível de competências de atitudes e comportamentos dos trabalhadores portugueses, que geram igualmente improdutividade; b) Fraco nível de competências ou qualificações da maioria dos gerentes das (PME), principais empregadores, com claros reflexos na gestão empresarial, e que gera improdutividade e insolvência; 4. Falta de organização do trabalho e, insuficiente ou inexistente; comunicação organizacional, mudanças organizacionais, investimento em I&D (Inovação & Desenvolvimento) e empreendedorismo, bem como, o estabelecimento de parcerias com as Universidades; 5. Falta de investimento na formação básica e contínua dos trabalhadores (ALV-Aprendizagem ao Longo da Vida), por parte dos empregadores, e do sector público, propiciando-lhes qualificações profissionais que os tornem mais produtivos e promovam a empregabilidade (alguns empresários, persistem na ideia, de que investir na formação profissional é um custo e não um investimento); 6. Falta de preocupação com o ambiente de trabalho seja no seu aspeto físico ou no relacionamento com os colegas (ambiente limpo, arejado, num clima de amizade e segurança). Falta de implementação de regras de higiene e segurança no trabalho, promovendo a saúde e o bem-estar do trabalhador e reduzir os índices de acidentes de trabalho, promovendo para

tanto, medidas que os evitem; 7. Desrespeito pelos direitos e obrigações dos colaboradores, afetando a autoestima e confiança nas suas capacidades, o que conduz ao decréscimo dos índices motivacionais geradores de insatisfação e consequentemente de menor produtividade; 8. Falta de reconhecimento da valorização profissional, que afastasse o medo e a insegurança propiciando o conhecimento de assuntos de interesse do seu trabalho/organização (palestras, encontros, trabalho em grupo), contribuindo assim, para a motivação e a participação e, consequentemente, o aumento da produtividade; 9. Insuficiências na prestação de serviços públicos; a) Melhorias na burocracia com menos complexidade processual (decisões mais céleres e eficazes); 10. Sistema judicial lento, inepto e caro. Jurisprudência acintosa (ação propositada para contrariar e/ou adiar); 11. Legislação laboral pouco flexível no que concerne à justa causa de despedimento (extinção do posto de trabalho/fracos índices de produtividade); 12. Insuficiente investimento em sectores produtivos (equipamentos e outro capital, nomeadamente na indústria, necessário ao incremento da produtividade); 13. Devido à herança industrial: a) Estrutura industrial altamente fragmentada e de pequena escala (ex.: 61% das empresas portuguesas têm menos de 10 trabalhadores); b) PRESSUPOSTOS: Sem a implementação da maioria dos pressupostos, dificilmente a economia crescerá de forma sustentada. Revolução de mentalidades, precisa-se! Tendência para um posicionamento em atividades com reduzido valor acrescentado ou não transacionáveis (bens não transacionáveis,

são aqueles que não se exportam devido a vários fatores); c) Os players (empresas que operam em determinados setores de atividade) sediados em Portugal não geram e/ou não financiam mais oportunidades de crescimento (o ritmo de inovação e da criação de novos postos de trabalho em novas atividades e sectores de elevado valor acrescentado, são claramente insuficientes para nos impormos nos mercados externos); d) Distanciamento das melhores práticas domésticas e internacio-

nais. 14. Não há uma aposta clara na exportação de bens transacionáveis para os países emergentes “BRIC” (Brasil, Russia, India e China) e para os países de expressão lusófona, entre outros mercados, nomeadamente da América do Sul, sobretudo devido às razões apresentadas no parágrafo 13 alínea “c”, embora se venham verificando ténues melhorias; 15. Falta de mais apoio do estado aos investidores (incentivos e menos burocracia) e, também de financiamento, por parte da banca,

Augusto Moita Lic. Recursos Humanos

nomeadamente às empresas empreendedoras e exportadoras. Sem a implementação destes pressupostos, à exceção do primeiro por ser fatual, ou da maioria deles, dificilmente a economia crescerá de forma sustentada. Uma revolução de mentalidades, precisa-se! Esperando sinceramente que este tema tenha sido do agrado dos caros leitores, posso desde já adiantar-vos que, na próxima edição, abordaremos o tema: flexisegurança. Até lá, boas leituras!


Entrevista

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Valor Local

Burocracia e entraves das Câmaras no passado

Candidatura avieira navega em águas paradas A candidatura avieira a património nacional surgiu em 2005, e de lá para cá muito se fez no terreno, mas as questões políticas têm pesado para que este barco ainda não tenha chegado a bom porto. A cultura avieira é mais conhecida, as populações ribeirinhas outrora mais fechadas agora até recebem os turistas em suas casas. Fomos saber onde pára a candidatura avieira a património nacional numa entrevista com os seus promotores João Serrano e Lurdes Véstia do Instituto Politécnico de Santarém ¢ Sílvia Agostinho Valor Local (VL) Desde 2005, que esta candidatura foi lançada no terreno, decorrida quase uma década terão havido, com certeza, pontos altos e pontos baixos, pois só assim se explica que passados tantos anos o património avieiro ainda não tivesse sido considerado como património nacional. João Serrano (JS) É um facto. Começou-se a trabalhar de forma mais efectiva em 2007. Um dos pontos altos do projecto deuse quando recebeu nota máxima do QREN no âmbito de uma candidatura ao abrigo do Programa de Valorização Económica de

Recursos Endógenos (PROVERE) para os territórios de baixa densidade. Foi considerado um projecto exemplar a nível dos seus objectivos e do que podia beneficiar esta zona. Há por outro lado, um conjunto de causas para que as coisas tivessem corrido menos bem, e sem estar a nomear culpados, podemos dizer que um dos factores deveu-se ao facto de os presidentes de câmara, deste território que ainda é extenso (de Vila Franca à Golegã) não estarem habituados a trabalhar em conjunto. Actualmente, notamos uma mudança de atitude por parte das câmaras em articulação com a comunidade intermunicipal. O restauro das

aldeias avieiras tem de ser assumido por todos. Não podemos escamotear que outra das causas é a falta de sensibilidade para a importância desta cultura na construção de uma identidade ribeirinha. Trata-se de uma cultura universal pois obedece ao critério da luta pela sobrevivência e ao do domínio instrumental, com a respectiva adaptação ao meio. Teve oportunidade de nos dizer, anteriormente, que a Câmara de Azambuja, em anteriores mandatos, nem sempre teve a melhor atitude possível para com este projecto, mas o que tem a dizer do novo presidente? JS O olhar é completamente di-

ferente. Estivemos em duas reuniões com o presidente Luís de Sousa e concluiu-se que este projecto era importante para aquele concelho, por causa da Aldeia do Lezirão/Porto da Palha, da gastronomia e da rota turística que se está a construir desde a marina do Parque das Nações até à Golegã, com passagem por Valada. O senhor presidente e o vereador da Cultura deslocaram-se connosco à aldeia avieira, onde todos almoçámos açorda de sável. Luís de Sousa e António Amaral ficaram

Lurdes Véstia e João Serrano durante uma das actividades muito agradados e até ficaram com pena de ir embora porque tinham pela frente aquela paisagem deslumbrante onde se sentia uma grande serenidade. Ficou prometida a construção de uma pequena capela, por parte da Câmara, na aldeia local a pedido da comunidade. Lurdes Véstia (LV) De acrescentar que pela primeira vez, fomos integrados no programa das

Viagens do Zambujinho, do pelouro da Cultura, com visitas das escolas à aldeia avieira do qual não fazíamos parte. Também temos o caso da Câmara de Salvaterra de Magos que a dada altura saíu do projecto, mas que entretanto regressou… JS Regressou, mas, neste momento, e com alguma surpresa nossa, devo dizer que o presi-

“Aflige-me que neguem algo que lhes é oferecido e que só vai criar valor para os seus territórios.”


Valor Local dente da Câmara mandou dizer que o nosso cruzeiro religioso no Tejo, (decorrido no mês de Junho) com paragem obrigatória no Escaroupim, (feito no ano passado onde estiveram presentes várias centenas de pessoas), não contribui para a afirmação do turismo no concelho e que por isso não dava apoio. Foi a única Câmara que não quis participar desde Abrantes a Oeiras. Trata-se de uma atitude inexplicável, tendo em conta que até quis regressar ao projecto? JS Como não a compreendemos não conseguimos explicar ou comentar. A atitude em causa estaria relacionada com algum tipo de incapacidade logística porventura? JS Não, até porque como costumamos dizer este é um projecto ‘chave na mão´. No ano passado, o apoio com refeições foi dado pela Escola Profissional de Salvaterra de Magos, e este ano, por algum motivo, esse apoio não foi dado. Mais uma vez não comentamos. Estava a dizer que vê, neste momento, e em traços gerais uma outra abertura por parte das Câmaras, talvez por estarem novos presidentes no poder, sendo assim poder-se-á tratar de um fogacho de início de mandato ou estamos perante algo consistente? LV A mudança de presidentes de Câmara foi muito benéfica para o nosso projecto. Alguns são mais novos e com outra forma de ver estas coisas. Por outro lado, o aparecimento deste projecto, perante o cenário de crise, que apresenta alternativas de financiamento, só pode ser benéfico. Eles só deviam agradecer-nos perante algo que lhes é oferecido. Aflige-me que neguem algo que lhes é oferecido e que só vai criar valor para os seus territórios. Recorde-nos – o projecto é de 350 mil euros com 85 por cento de financiamento da União Europeia. JS Tem sensivelmente esse valor que servirá para fazer um

Entrevista

“O novo presidente da CCDR chamou o investidor e disse que não gostava do projecto. É por causa destas atitudes que o Tejo está cada vez mais abandonado” conjunto de trabalhos que culminarão na apresentação de um portfolio com o intuito de consagrar a cultura avieira como património nacional. As câmaras não têm de comparticipar. O Politécnico de Santarém terá de custear os 15 por cento, uma verba aceitável para esta instituição, sendo que estamos à espera de baixar esse valor de investimento. Aguardamos pelo desbloquear da verba, porque houve algumas implicações no concurso, porque outro participante contestou. Temos um prazo até Julho de 2015. Por outro lado temos, o outro projecto de requalificação das aldeias. JS No ano passado o InAlentejo que gere os fundos comunitários estava disponível para financiar em 100 por cento, bastando às câmaras assegurarem os planos de pormenor LV Neste ponto da conversa é que introduzimos uma nova palavra da qual gosto muito: birras. A maior parte das aldeias avieiras são ilegais, estão em terrenos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Estão todas em leito de cheia. Nós chegamos ao pé dos avieiros e falamos da possibilidade de legalização das casas, mas eles recusam porque dizem que estão naqueles locais há 100 anos e a custo zero. Têm quintais de grande dimensão, imagine o valor de IMI que teriam de pagar, nomeadamente, os residentes nas Caneiras, Santarém. As Câmaras não se entendem com a APA mas também não deixam de cobrar pela água e pelo saneamento nos aldeamentos ilegais. Há estes contrasensos. Esta questão da legalização é o nosso principal problema. A burocracia é um dos nossos inimigos, e falo agora do caso de um investidor que tem um projecto óptimo para o Escaroupim e a Câmara nunca agilizou de modo a que o senhor

conseguisse fazer o seu resort turístico. JS Trata-se de um hotel palafítico para mais de 100 camas, que não fere a natureza e dá trabalho permanente durante todo o ano.

no Tejo que se assemelhava às da Amazónia ou às que podemos encontrar no sudeste asiático foi demolida nesse âmbito. Tinha a particularidade de possuir um viveiro de peixe no seu interior.

11 trajam-se de avieiros, antigamente escondiam-se, e negavam a sua cultura. São os próprios que, neste momento, teimam em cultivar os seus trajes. Era impensável como aconteceu recentemente numa das visitas dos miúdos de Azambuja ao Porto da Palha/Lezirão, estes entrarem pelas casos dos avieiros dentro para verem como vivem. Os avieiros ficam felicíssimos com aquilo tudo. Isto é comum a todas as

“A Câmara de Vila Franca de Xira arrasou completamente com duas aldeias avieiras a de Póvoa de Santa Iria e do Esteiro do Nogueira” Há três anos atrás, a anterior presidente da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo mostrou interesse. O novo presidente daquela estrutura chamou o investidor e disse que não gostava do projecto. É por causa destas atitudes que o Tejo está cada vez mais abandonado. Temos também o caso de outro investidor com um projecto voltado para o turismo de natureza, parecido com um existente na Comporta, que, neste caso, foi rejeitado prelo presidente da Câmara de Alpiarça. As próprias câmaras abandonaram muitas delas intenções de requalificar aquele património, pois algumas tinham projectos próprios. JS A única que se mantém é a de Salvaterra de Magos, pois as restantes alegam incapacidade financeira. Deverá surgir um projecto unificado no âmbito da comunidade intermunicipal que depois garanta os 100 por cento de financiamento. Temos ainda o caso da Câmara de Vila Franca de Xira que, no anterior mandato, arrasou completamente duas aldeias avieiras, a de Póvoa de Santa Iria e a do Esteiro do Nogueira, que eram duas jóias do património vernacular português, que hoje não existem, por vontade da anterior presidente, e quando demonstrámos a importância daquele património. Foi por causa do passeio ribeirinho? JS Sim. A única casa palafítica

Aspecto actual da Aldeia de Porto da Palha já em alvenaria

A anterior presidente foi irrevogável. JS Foi arrogante. Veio à nossa casa ofender-nos. Todas aquelas casas eram recuperáveis. Possuíamos projectos de mestrado

comunidades avieiras, este sentimento de orgulho começou a notar-se quando o nosso projecto nasceu. A candidatura avieira tem, pelo menos, essa vitória até ao mo-

rismo, fixada no Alentejo, que comparação pode fazer com a anterior, quando o presidente até era um homem do Ribatejo e conhecedor destas realidades. JS A relação com a nova entidade é muito melhor. O actual presidente é actuante no terreno. Confirma-se que quase não tem vida pessoal, e está muito interessado em pôr pessoas e entidades em contacto. Tem vontade em desbloquear caminhos e quer fazer. Isto contrasta como do dia para a noite com o anterior presidente (Rosa do Céu, antigo presidente da Câmara de Alpiarça) que era daqui e que fez tão pouco pela região. Tinha tudo para fazer um trabalho como deve ser e não o fez. A tendência mundial do turismo insere-se completamente nesta causa da cultura avieira que é a da procura de experiências através da genuinida-

“A tendência mundial do turismo insere-se completamente nesta causa da cultura avieira que é a da procura de experiências através da genuinidade dos locais” da Universidade do Minho para enquadrar de maneira compatível as casas avieiras na paisagem do novo passeio ribeirinho. Algo lindíssimo, mas a anterior presidente não quis. Podia funcionar como um autêntico polo de atracção, e estamos a falar de mais de 20 casas arrasadas. Por outro lado, os descendentes de avieiros também começam a desvirtuar a essência das casas palafíticas com recurso à alvenaria. Quando até os próprios têm dificuldades em preservar aquele património, torna-se mais difícil. JS Temos de actuar para que quem constrói deixe de construir. A acção também pode ser política. LV Para algo ter valor tem de ser dar valor, caso contrário até os próprios começam a desvalorizar o que têm. Dou esta achega: antes os avieiros tinham vergonha de dizerem que eram avieiros, hoje é motivo de orgulho. Hoje

mento. LV Sim, se não conseguirmos mais nada, temos essa vitória do orgulho e de eles se assumirem como são. Algo que verificamos é que eles gostam de nos chamar de doutores, embora recusemos esse tipo de tratamento, mas é uma forma de sentirem que alguém supostamente acima deles lhes dá importância, algo que nunca tiveram antes. JS Até podemos adiantar que na aldeia de Porto da Palha/Lezirão eles servem refeições às pessoas que ali se deslocam, num ambiente super castiço, onde comem várias dezenas de turistas, por vezes, aos fins-de-semana. LV Estão a comer nas casas dos avieiros, enquanto estes vão estando por ali. É disto que as pessoas gostam. Sabemos que já fazem pescarias com os turistas nos seus barcos, numa lógica de “Avieiro por um dia”. No que se refere à relação com a nova entidade regional de tu-

de dos locais, daquilo que é culturalmente diferente, neste caso o Tejo, os seus ecossistemas, e as culturas ribeirinhas. Em que pé é que está, por seu turno, o projecto de candidatura deste património à UNESCO? LV Está em curso. O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo pediu para que se agilizasse rapidamente uma reunião com ele para que integremos uma candidatura a “património imaterial da Unesco com salvaguarda urgente”. Quando esteve aqui há dias, Ceia da Silva, numa visita às Caneiras, dado o estado de degradação, referiu que é de agilizar o mais depressa possível o processo. Temos três pilares essenciais neste dossier: a casa; o barco/as artes de pesca; a gastronomia. Mas também incluímos por iniciativa nossa: a religião, o folclore, as migrações, a feitiçaria, o papel da mulher.

A religiosidade tem um papel fundamental nestas comunidades


Destaque

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Luís de Sousa mostra o projecto que permanece na gaveta

Valor Local

Praia Casa Branca chegou a este estado

Cenário desolador nas praia

Não é novidade que as praias fluviais da região estão ao abandono, mas muitos insistem em frequentar esse uma importante âncora na capacidade de atrair mais turistas, mas por enquanto os projectos teimam em não gimentos financeiros. Por outro lado as entidades estatais são vistas como os maus da fita pelos autarcas por c ao interesse de investidores. ¢ Sílvia Agostinho praia fluvial de Azambuja, mais conhecida como praia da Casa Branca, tem conhecido ao longo dos anos períodos muito diferentes entre si, principalmente quando a população recua décadas e se recorda de dias bem passados ali. Por diversas ocasiões procedeu-se a obras que permitiram alguma qualidade aos veraneantes, mas nos últimos anos, o estado de degradação é tal que não há quaisquer condições para tomar banho. O clima é de insalubridade e a placa avisa quem teima em armar-se em destemido e avança para um banho, sem se importar com a sujidade das águas. Estivemos no local e falámos com algumas pessoas que por ali estavam naquelas condições mas que não quiseram ser identificadas. Para as mesmas, pouco importava “as condições da água”. Sabiam do perigo, mas o mais importante era poderem refrescar-se nestes dias de calor intenso. Nos últimos mandatos de Joaquim Ramos esteve em cima da mesa um projecto que com-

A

preendia ligar a praia em causa à congénere de Valada do Ribatejo, no concelho do Cartaxo, situada a poucos quilómetros, bem como a reparação da pró-

pria praia fluvial. Antes disso, o antigo presidente quis dar alguma dignidade ao local, e procedeu a algumas melhorias no mobiliário urbano, recomposi-

O barco Vala Real quando ainda navegava

ção do cais fluvial, construção de parque infantil, e abertura de bar. “O Tejo passa a cinco quilómetros de Azambuja e a população

não vigia a manutenção daquele espaço, e devo dizer que depois de ter lá feito obras, poucos dias depois, já tinham retirado os paus das cercaduras e feito fogueiras de bacalhau e torricado”, refere Joaquim Ramos. Por outro lado, “aquela zona é demasiado lodosa para haver uma praia em condições, quanto a isso pouco se pode fazer. O problema é que as pessoas querem uma praia porque o vizinho também tem”, sentencia. Mais tarde ainda houve lugar a um projecto que oscilou entre três milhões de euros e 1,5 milhões, no penúltimo mandato de Ramos, até 2009, que consistia numa ciclovia até Valada, paralela ao dique ou por cima desse mesmo dique. Tratava-se de uma parceria com o Cartaxo, entretanto abandonada porque também esfriou o interesse de parte a parte. Até porque negociar com os ditos “ambientalistas das instâncias governamentais” começou a ser cada vez mais “complicado”, refere. “São uma espécie de fundamentalistas do ambiente que invadiram a CCDR. Diria mesmo eco-xiítas completamente infiltrados na

ARH-Tejo e obcecados com a preservação ambiental, na perspectiva de que não se pode tocar em nada, nem para melhor nem para pior”. A falta de financiamento e as dificuldades criadas por aquelas instâncias levaram ao abandono do projecto. O antigo presidente vai mais longe – “O ministério do Ambiente e as CCDR’s são grandes responsáveis pelo atraso do país”. “Quando tentei fazer a recuperação do Palácio das Obras Novas, apareceram dois grupos económicos muito interessados em transformar aquilo numa pousada de charme, ou num parque temático sobre a evolução do homem. Quis trabalhar nisso, mas nunca consegui saber que organismo do Estado mandava naquilo. Sabia-se só que era do Património do Estado, e pronto já não conseguimos avançar mais. Os investidores obviamente acabaram por desistir”. A Rota dos Mouchões foi um dos ex-libris do concelho, quando Azambuja teve uma palavra a dizer, há uns anos atrás, sempre que se fava em turismo fluvial, e o barco “Vala Real” ad-


Valor Local

Destaque

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População arrisca-se em Valada

Valada do Ribatejo

as fluviais “Podíamos ser o espelho

es locais. O turismo fluvial poderia ser sair da gaveta, por causa dos constrancausarem ainda mais dificuldades, face quirido pela autarquia dava nas vistas. “A rota era altamente deficitária, gastávamos dez vezes mais do que o que recebíamos dos grupos. O barco agora está nuns estaleiros para os lados do Montijo”. Inusitadamente, o barco já foi alvo de cobiça por parte de alguns empresários, nomeadamente, o proprietário do Ouro Hotel, facto confirmado pelo presidente da Câmara Luís de Sousa. Esse empresário com uma unidade hoteleira à entrada de Azambuja ficaria com o encargo de recuperar o barco e geri-lo, facultando-o quando necessário à autarquia. O mesmo interesse foi motivado pelo proprietário do restaurante “Escaroupim” em Salvaterra de Magos. “Tenho muita pena de não termos o barco, que foi adquirido, ainda, no tempo de João Benavente. O nosso barco passou tempo demais na água doce, e começou a deteriorar-se, a falta de dinheiro para o manter também pesou. O barco está em Sarilhos Grandes, Montijo, e quando o fui ver só não chorei porque tive vergonha. Recupe-

rá-lo custaria cerca de 50 mil euros, algo que não podemos despender. Os interessados em recuperar o barco também acharam que era demasiado dinheiro”, refere Luís de Sousa. O presidente refere que hipoteticamente, “poderá dar-se uma aproximação a algumas grandes empresas do concelho para patrocinarem a reparação, através da inserção à posteriori de publicidade na embarcação”. “Poderia pensar-se em recuperá-lo e refazer rotas de turismo desde Belém até às zonas ribeirinhas do concelho”. Quanto à praia da Casa Branca, Luís de Sousa mete qualquer tipo de projecto mais profundo naquela paisagem na gaveta, porque a Câmara não tem meios financeiros para algo de maior envergadura, que não as limpezas obrigatórias. “Sabemos que em 2008, apareceu um projecto através da comunidade intermunicipal com a ciclovia até Valada, bar fluvial, e restaurantes”. O autarca adianta que para minimizar impactos mais nefastos naquele território, pretende não autorizar mais raves no local.

do turismo no Cartaxo” presidente da junta de freguesia de Valada do Ribatejo, Cartaxo, Manuel Fabiano começa por referir que chamar “praia fluvial” ao sítio em causa é exagerado. Carece dessa designação porque há parâmetros que não foram atendidos, nomeadamente, de análises à qualidade da água. No local há uma placa vandalizada em que já não se consegue ler que é proibido tomar banho. Intenções mais ambiciosas estão para já na gaveta. O local em causa é perigoso para os banhistas devido às oscilações das marés, e acidentes têm acontecido. Algumas pessoas já perderam a vida porque arriscaram a tomar banho no local. “Futuramente quando for considerada praia fluvial terá de ser posta uma barreira, porque passam aqui carreiras de barcos, onde a água tem cerca de cinco a seis metros de profundidade. Facilmente, o banhista num segundo tem água a dar pelo peito e no outro fica subitamente sem pé”. “Já morreram duas pessoas aqui. E este ano uma criança também esteve em risco”, dá conta Fernando Silva que mantém uma roulotte de comida jun-

O

ta à praia, há 10 anos, e segundo o mesmo a época estival não significa mais negócio – “É melhor em Fevereiro ou Março. Já houve grande movimento em alturas de Páscoa mas agora está uma miséria. Deviam limpar a praia, que fica muito suja e

cheia de latas. Os utilizadores da praia não têm cuidado nenhum. Fazem churrascos em sítios impróprios nesta zona”. O proprietário do bar existente no local, Porfírio Correia, também clama por mais limpeza e vigilância – “Este sítio está ao deus

dará, ninguém impõe respeito. As pessoas têm um parque de merendas lá em baixo mas fazem fogueiras em qualquer sítio. Ninguém controla a praia”. O bar só funciona de Verão, porque de Inverno “não se justifica”. Num dos últimos fins-de-sema-

Fernando Silva afz negócio há 10 anos em Valada

Continua


Destaque

14 na, entrevistámos alguns banhistas. Diogo Duarte é de Lisboa, mas como estava a passar uns dias na casa de um amigo no Cartaxo não hesitou em vir até à praia de Valada. Reconhece que o rio é perigoso, mas como sabe nadar não costuma ter problemas. “Não tenho muitas cautelas mas tento não me afastar demasiado”. Quanto à zona envolvente, considera que deveria ter melhores condições “com mais esplanada e melhor apresentação”. Já Edgar Xavier, residente no Cartaxo, vê Valada como “alternativa para quem não tem muitas posses para ir à praia”, sendo que procura tomar banho “com alguma cautela”. O projecto Valada XXI pensado ainda no tempo de Paulo Caldas quando era presidente da Câmara do Cartaxo visava uma intervenção na margem desde a fluvina ao parque de merendas, com o intuito de criar melhores condições e declarar oficialmente Valada como praia fluvial. “Esse projecto seria ótimo. Mesmo assim, aquela zona já teve outras condições melhores, mas entretanto a natureza do rio alterou-se, e a intervenção teria de ser diferente”, diz o presidente da junta. “Valada podia ser o espelho do turismo no Cartaxo. Infelizmente a Câmara nunca soube aproveitar as potencialidades da nossa terra, que tem condições óptimas para receber barcos. Podíamos facilmente ser a porta

de entrada do concelho para além das quintas e dos vinhos. O autarca também reconhece que há pouca oferta a nível da restauração, “mas os possíveis investidores também estão na expectativa para ver que sinais transmite a Câmara ou o Estado no sentido de desenvolver este espaço”. E observa ainda o seguinte: “Por outro lado, verificase que muitos proprietários de casas praticamente em ruínas, em Valada, pedem autênticas fortunas – se calhar julgando que isto é o Estoril ou Cascais – a quem vem de Lisboa ou de outros locais e que gostava de se fixar aqui, ou fazer pelo menos uma segunda habitação”, acrescenta e sentencia: “Temos níveis dramáticos de desertificação, se o PDM não for alterado Valada desaparece”. O actual presidente da autarquia do Cartaxo, Pedro Ribeiro, deu conta numa das últimas reuniões do executivo da iniciativa de licenciamento do cais de Valada, estando em curso a vistoria técnica sobre o assoreamento. “Foi feita peritagem técnica em relação à fluvina, e as suas condições preocupam-nos, pois há um conjunto de barcos atracados que impossibilitam um pouco a actividade da mesma”. Quanto ao projecto Valada XXI recuperamos as declarações de Ribeiro aquando da entrevista ao Valor Local publicada na edição de Maio passado – “Sempre se falou muito nesse projecto,

mas nunca se viu nada. Já falámos com a CCDR, para se procurar soluções para que investidores e casais jovens se fixem em Valada. Queremos licenciar

a fluvina, passar as antigas instalações da hidráulica para alçada da Câmara, organizar também um festival de música em Valada. Mais do que grandes

Valor Local chavões, estamos empenhados em resolver os problemas. Toda a gente gosta de um power point muito bonito, e no Cartaxo fizeram-se muitos com a “Cida-

“O Tejo está desprezado” afirmação é de Madalena Viana, promotora turística, que se dedica, entre outras actividades, a organizar passeios de barco no Tejo. Na sua opinião, este rio precisa de levar uma grande volta, dado o estado em que se encontram muitas das ditas praias fluviais e não só. “Há partes do rio completamente assoreadas em que temos quase de andar com o barco às costas. Se não fizermos algo rapidamente o Tejo será uma espécie de fio de água. Tudo por causa não só do assoreamento mas também da pesca ilegal e das barragens espanholas”. O incremento do turismo fluvial também tem de se fazer na sua opinião com mais oferta a nível da restauração à beira Tejo– “Como é possível só termos um restaurante nesta zona, entre Alhandra e Santarém, no Escaroupim?”, deixa a interrogação.

A

Salvaterra de Magos

Praia Doce ainda à espera de melhores dias ncontra-se num avançado estado de degradação desde há alguns anos a Praia Doce em Salvaterra de Magos. O mobiliário urbano foi devastado, por incúria da população um pouco à semelhança do que aconteceu em Azambuja, e o tema da recuperação daquele espaço tem sido bandeira de campanha dos diferentes partidos em vários actos eleitorais. Hoje, tendo em conta as dificuldades económicas da autarquia esse projecto foi posto de parte para já. O presidente da autarquia, Hélder Esménio, refere que já intuíu o que pode fazer, com “uma limpeza até onde for possível do local”. A recuperação do edificado existente com recurso a verbas públicas será para já adiada. “Só faz sentido gastar dinheiro nos apoios de bar e nos sanitários, quando tivermos um projecto que vá mais longe e possamos criar uma praia fluvial, com pessoas a fruírem da água e da areia, mas com condições, caso contrário corremos o risco de fazer as

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obras e os materiais serem vandalizados como de resto já aconteceu anteriormente”. A Câmara está a ponderar a apresentação de uma candidatura ao QREN para limpeza do local e desassoreamento do braço de rio, através de dragagens, com recurso a um privado. “Seguir-se-á reunião com Agência Portuguesa do Ambiente para contornar impedimentos legais; se as conversações não chegarem a bom porto, temos de abandonar a ideia de que ali existe uma praia, e focarmo-nos na limpeza do local para pesca e piqueniques”. Nos últimos anos, e noutra zona do rio Tejo em Salvaterra de Magos, no Escaroupim alvo de muitas visitas dos turistas, tem surgido interesse por parte de investidores na possibilidade de ali virem a consolidar um projecto turístico de charme, com bungalows, por exemplo. “Há mais do que uma pretensão desse tipo, mas aqueles terrenos são de reserva ecológica e com limitações

de do Conhecimento”; “Escola Superior de Negócios”, e o próprio “Valada XII” que deram em nada.

drásticas, em leito de cheia, em que a construção está interdita”, dá conta Esménio. “A nossa ideia é criar um apoio de bar no Escaroupim com sanitários, um projecto simples que está a enfrentar alguma burocracia. É tremenda a dificuldade em criarmos um apoio de praia por parte da administração central”, refere salientando: “Se conseguirmos será um primeiro passo, depois vamos tentar defender a possibilidade de licenciamentos, tendo em conta o nosso vasto património à beira Tejo demonstrando que precisamos de restauração e hotelaria para acolher os turistas”. Tal como Joaquim Ramos, este autarca também concorda que pode haver demasiados lobbies nos organismos do Estado, mas tudo se “resume a fazer equilíbrios para que a paisagem do Tejo, por um lado, não seja destruída, e por outro procurar manter o seu quê de selvagem, e com critério permitir o surgimento de alguns projectos mais estruturantes”.

Cenário actual da Praia Doce


Junta preocupada com a desertificação


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Freguesia em Destaque: Alcoentre

Um anos depois do fecho dos CTT de Alcoentre A ida aos CTT de Alcoentre já saiu da rotina dos clientes. A passagem dos serviços para a papelaria local foi gradual, e ao fim de um ano, as pessoas já se habituaram ao novo local. A garantia foi dada pela funcionária da papelaria de Alcoentre, que salientou ao Valor Local, que as pessoas contestaram apenas no início. Uma das vantagens desta nova localização, é o facto de a papelaria também funcionar aos fins-de-semana, o que para a grande maioria dos clientes é uma mais-valia, pois muitos “têm dificuldades de transporte durante a semana”. Sílvia Carvalho salienta que, embora, a papelaria pague as reformas aos clientes e trate de algum tipo de registos, o posto dos CTT continua a fazer falta na localidade. “É uma pena que a estação tenha fechado. Acho mesmo que havia correio suficiente para isso, para além de que as condições eram melhores”.

Valor Local

Fomos até à freguesia mais a norte no concelho de Azambuja. Alcoentre tenta, nesta altura, outras formas de se desenvolver para além dos estabelecimentos prisionais existentes na freguesia. A luta contra a desertificação sente-se neste territórios, sobretudo em Tagarro e Quebradas onde falámos com a população. Um dos ex-libris da freguesia é a recuperada biblioteca Almeida Grandella para onde está prevista a instalação de vários projectos.

Celestino Araújo “Aqui em Tagarro faltam casas de banho públicas, existindo apenas uma no topo da localidade. Está ali um jardim, onde gastaram milhares de euros, mas sem lavabos públicos. Penso que deveriam colocar mais ecopontos na localidade. A nível do trânsito falta um sinal de rua sem saída, na artéria das Lezíria. Deveriam apostar também na colocação de espelhos refletores

José Oliveira Caracol

Por dia, e em média, a papelaria atende perto de duas dezenas de pessoas neste âmbito, que para além de levantarem as reformas ou fazerem um registo de correspondência, também acabam por comprar uma raspadinha ou o euromilhões. É aí que, segundo Sílvia Carvalho, a papelaria sai a ganhar, todavia, perde por exemplo, na falta de espaço para guardar as encomendas que vão chegando dos correios de Azambuja, com destino aos clientes da localidade e zonas limítrofes. Sendo apenas uma loja com os serviços dos CTT, a papelaria de Alcoentre não tem qualquer responsabilidade na distribuição do correio que está na dependência dos CTT. Ainda assim Sílvia Carvalho, salienta que as reclamações dos utentes que deveriam ser transmitidas aos correios, chegam à sua loja. “Tornou-se um hábito reclamar-se aqui por cartas devolvidas devido a moradas incompletas ou insuficientes, devido também à ausência de números de polícia. Só não é pior porque os carteiros que já cá estão há alguns anos, conhecem a maioria das pessoas. Uma situação que mudará no dia em que estes saírem e entrarem novos carteiros”, desabafa Sílvia Carvalho. Também o presidente da Junta de Freguesia de Alcoentre considera que teria sido preferível a estação ter ficado aberta. Ainda assim, e embora lamente a perda do serviço, lembra que noutras localidades bem mais urbanas na região de Lisboa, as estações locais também foram encerradas António Loureiro vinca que na altura a luta foi importante, mas reconhece “a derrota” num caso que estava decidido à partida pela administração dos Correios.

Sinto que faz falta uma casa de banho pública aqui na zona do jardim, possivelmente faz mais sentido do que na outra ponta da localidade. Também sou da opinião de que a sinalização nas ruas deveria ser reforçada. Outra carência prende-se com o facto de não termos aqui serviço de multibanco, apenas em Alcoentre.

Conceição Peres As valetas precisam de ser arranjadas, sob pena de acontecerem alguns acidentes a quem anda a pé. Normalmente começam a fazer obras mas depois não as terminam como deve ser como no caso das calçadas. Faz falta um multibanco, estamos fartos de pedir e nunca mais.

Aurora Silva

Sílvia Carvalho não esconde a responsabilidade que lhe calhou

Um dos problemas prende-se com a falta de rede nos telemóveis, nomeadamente a TMN e a Optimus, o que nos obriga a vir para a rua telefonar. Já quanto ao sinal da TDT (Televisão Digital Terrestre) tenho a dizer que no meu caso funciona bem.


Valor Local

Freguesia em Destaque: Alcoentre

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Alcoentre quer deixar de ser a Vila das Prisões Alcoentre no concelho de Azambuja já não quer ser conhecida como “a Vila das Prisões”. Com uma área de cerca de 47,05 km², a freguesia estende-se pelas localidades de Tagarro, Quebradas e Casais da Boiças, com um total de cerca de três mil habitantes. Conhecida noutros tempos, apenas, pelos dois estabelecimentos prisionais, (Alcoentre e Vale Judeus) a localidade vive agora uma realidade bem diferente. Há perto de uma dezena de anos, sobretudo a vila de Alcoentre, tem vindo a perder habitantes. Muitos dos guardas prisionais que moravam na freguesia foram viver para concelhos vizinhos, tendo em conta o período que se viveu há alguns anos atrás de maior facilidade no acesso ao crédito habitação. Os funcionários preferiram construir ou comprar casa no Cartaxo ou em Rio Maior, porque na freguesia o Plano Director Municipal, balizava em muito a construção. António Loureiro, presidente da Junta de Freguesia de Alcoentre, culpa o PDM e a outrora facilidade na obtenção de crédito para o êxodo de muita da população. Em entrevista ao Valor Local, o presidente da Junta salienta que o “envelhecimento da população é uma preocupação da autarquia local” pois “foram muitos os jovens casais que acabaram por não se fixarem na freguesia”. O presidente da Junta, salienta que essa preocupação tem sido constante ao longo dos últimos anos, mas também não se pode escamotear que Alcoentre pouco tem para oferecer em termos residenciais. A pouca oferta que existe resume-se a uma ou outra casa, salvaguardando-se o

facto de a Urbanização da Socasa ter “travado um pouco o envelhecimento precoce da população há perto de uma vintena de anos”. Daí para cá, salienta o autarca, a oferta em termos imobiliários não evoluiu muito, vincando que os bairros residenciais afectos aos estabelecimentos prisionais poderiam fazer a diferença, se recuperados e entregues à câmara de Azambuja que tem vindo a manifestar interesse naqueles edifícios. Mas Alcoentre padece também de outros problemas bem comuns às vilas e cidades do nosso país. No que toca à saúde, a localidade tem um posto médico com uma profissional diariamente. Ainda assim o presidente da junta destaca que “estando a situação longe da ideal, é preferível a não ter médico de todo”. O autarca explica que com apenas um clínico, torna-se difícil por exemplo, na altura de férias, assegurar consultas aos fregueses, todavia esclarece que essa é uma questão antiga, com a qual a junta lida anualmente. Noutro capítulo, o presidente da Junta salienta que a abertura do centro escolar na localidade veio suprir por arrasto o problema dos transportes. António Loureiro considera que o número de autocarros na freguesia não é o ideal, mas com a abertura do centro escolar, a oferta melhorou e não tem tido queixas da população. Como todas as juntas de freguesia, também Alcoentre conta os tostões, António Loureiro diz que a sua junta gostaria de fazer mais obras, mas as verbas têm de ser racionadas. Ainda assim, o autarca vinca como prioridade a recuperação dos sanitários

no cemitério de Alcoentre, e o alargamento do cemitério de Tagarro. “Penso que a Câmara está a negociar com os proprietários confinantes e que o processo estará bem encaminhado”. Quanto a obras de fundo o autarca afasta para já esse cenário, tendo em conta “o esforço de manutenção do que já existe”. Segundo o autarca, pouco tempo depois de tomar posse, o executivo teve de promover a reparação de muitos caminhos vicinais que ficaram destruídos com as intempéries “e outros que estavam muito degradados, para isso a Junta teve de arranjar materiais, máquinas e resolver muitos dos problemas.” Com uma forte tradição no património, a Vila Milenar de Alcoentre deverá apostar também nas suas raízes históricas. Nesse capítulo, a vila que em tempos foi sede de concelho, irá colocar sinalética nos edifícios históricos: igreja matriz local, capelas de Tagarro e Quebradas, ou mesmo no “Marco da Légua” na localidade de Espinheira.

O Presidente da Junta Responde Nesta “Freguesia em Destaque” como aliás tem sido hábito, o Valor Local convida o presidente da Junta local a responder aos problemas dos fregueses. Na localidade de Tagarro, onde a população é na sua maioria envelhecida, os entrevistados avançaram com a ideia de mais uma casa de banho pública, tendo em conta que o jardim existente na localidade deveria contar com um equipamento de apoio daquele tipo. As exigências passam também pelo reclamar de mais sinali-

Presidente da Junta preocupado com a manutenção dos equipamentos zação de algumas ruas, como é o caso da Rua das Lezírias que não tem saída e não está sinalizada. Sobre estes dois assuntos, António Loureiro responde aos fregueses, salientando que a sinalização é competência da Protecção Civil Municipal, e que já terá feito diligências junto do município. O autarca esclarece também que existem casas de banho públicas no largo da igreja, e que por isso não faz sentido construir novos sanitários. Nem a junta tem poderio financeiro para tal!”, alude. António Loureiro acrescenta, entretanto, que a própria junta já substituiu alguma sinalética danificada por actos de vandalismo no

Carnaval passado às suas “custas”, “o que num orçamento tão pequeno como o da Junta de Alcoentre, faz alguma diferença”. Já na localidade de Quebradas as queixas dos habitantes passam sobretudo pela criação de passeios, a colocação de mais rede de telemóvel e uma caixa multibanco. Quanto a estes assuntos, o autarca sustenta que a geografia da localidade é complicada “para se pensar colocar passeios em toda a aldeia”. Em todo o caso, essa seria uma intervenção “com custos pesados, que não poderia ser assumida pela junta”, argumentando que recentemente repôs alguns

caminhos de acesso a algumas casas, isto depois das chuvas de Inverno, “Mais do que isso será difícil”, sentencia. Quanto a uma caixa multibanco, António Loureiro vinca que tanto neste caso como no do reforço da rede de telemóvel, são questões que têm de ser colocadas às respectivas empresas. “A entidade bancária ou a operadora é que têm de decidir, a junta não pode deliberar”. No entanto e a uma pergunta do Valor Local se não vai fazer por insistir também ele nessas matérias junto de quem de direito, sublinhou que estará atento e que não deixará de falar dos temas nas respectivas instâncias.

Desenlace à vista para Escola Almeida Grandella A antiga Escola Francisco Almeida Grandella, de Tagarro poderá passar a ser ocupada na íntegra pela Câmara Municipal de Azambuja. A informação foi avançada ao Valor Local pelo presidente da autarquia, Luís de Sousa. Segundo o presidente da Câmara, nesta primeira fase, a autarquia vai ocupar apenas uma sala, que poderá servir para várias actividades, inclusive para ser utilizada pela Junta de Freguesia de Alcoentre. Numa outra fase, o presidente da Câmara que

admitiu que o processo deste edifício não foi fácil, a autarquia poderá negociar com a empresa proprietária um outro local para esta se instalar, deixando livre o edifício que embora seja propriedade da autarquia, está concessionado por 99 anos àquela empresa em troca de esta o ter reabilitado em 2006, nos mandatos de Joaquim Ramos. Ainda assim, Luís de Sousa prefere não se comprometer com prazos ou ideias para o local. Ao nosso jornal o pre-

sidente da Câmara de Azambuja, refere apenas que as intenções para negociar estão em curso, vincando que a empresa esteve ausente durante algum tempo daquele espaço, o que possibilitou alguns actos de vandalismo, mas nesta altura “todo o espaço foi de novo recuperado e sem custos para o município”. A Escola Almeida Grandella esteve durante muitos anos em ruína. O edifício que fica situado na localidade de Tagarro, freguesia de Alcoen-

tre, é a par com a escola Grandella de Aveiras de Cima e com a congénere da Foz do Arelho, Caldas da Rainha, um dos edifícios mais emblemáticos mandados construir pelo proprietário dos armazéns Grandella no século passado. O edifício de Tagarro que esteve durante muitos anos em ruína, foi recuperado nos mandatos de Joaquim Ramos através de uma parceria com uma empresa privada. Na altura esta parceria gerou alguma polémica de-

vido ao acordo que envolvia 99 anos de direitos à empresa que o acabou por recuperar. Imune a essas polémicas, Joaquim Ramos acabou mesmo por concessionar a obra, que depois de recuperada viria a ser a sede de uma empresa que entretanto faliu. Em 2010, a autarquia era surpreendida com um anúncio da venda do edifício na Internet. Um anúncio que surpreendeu o executivo que teve de agir judicial-

mente para impedir a venda da velha escola, já que ao abrigo do protocolo a empresa estaria a vender uma propriedade municipal. Ao fim de quatro anos, e depois de o edifício ter estado desocupado, este processo ganha novo fôlego, com o regresso de uma outra empresa do mesmo proprietário responsável pela sua reabilitação; e com a hipótese de negociações para a sua ocupação passar a ser feita na totalidade pela câmara de Azambuja.


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Economia

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Antigas instalações do IVV ao abandono ¢ Miguel A. Rodrigues s instalações do IVV (Instituto da Vinha e do Vinho) de Aveiras de Cima estão ao abandono e num impasse. À beira da Estrada Nacional 366, as estruturas estão à mercê do vandalismo, e constituem mesmo um risco para a população. Em causa está por um lado a ausência de qualquer vedação que impeça o acesso aos edifícios, e por outro, os depósitos desprotegidos, onde podem acontecer acidentes, como perigo de quedas. Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, reconhece o problema. Para o autarca o estado em que o espaço se encontra, não dignifica o local, mas assegura que a autarquia não pode intervir, pelo facto

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de 0 mesmo não ser sua propriedade. Ao Valor Local, o presidente da Câmara, recorda que chegaram a existir negociações com o Estado, para que o Destacamento da GNR de Alenquer ocupasse o local. Luís de Sousa é da opinião de que aquela localização “seria um local mais estratégico para a GNR”. “Estamos pertíssimo da auto-estrada, com mais possibilidade de estacionamentos, sendo que o espaço é maior do que aquele onde está hoje a GNR em Alenquer”. O presidente da Câmara destaca, igualmente, que essas negociações nunca avançaram, tendo chegado a um impasse, já que o Estado preferia que a Câmara de Azambuja comprasse o terreno onde estão os edifícios. As

negociações pararam há perto de três anos no momento em que a Câmara terá dito ao Estado que “não tinha dinheiro para adquirir o terreno. O que faria sentido era que o Estado pegasse naquilo e fizesse ali qualquer coisa” desabafa Luís de Sousa, que assegura que desde essa altura que a autarquia nunca mais soube de nada sobre o assunto. Mas este não é caso único na região, também em Alenquer existe uma estrutura do IVV ao abandono. Desta feita o espaço é muito maior, sendo que o estado em que se encontra é de maior perigosidade para a população. Neste caso as instalações estão desactivadas há mais de dezena e meia de anos, e também estas estão desprotegidas

Instalações em Aveiras de Cima

e já foram alvo de vários actos de vandalismo, sendo habitual a permanência naquele espaço de população sem abrigo e toxicodependentes, que procuram no seu interior algum tipo de privacidade para actividades menos licitas. Tudo isto é do conhecimento das autoridades locais, mas como também aqui o edifício é propriedade estatal, pouco ou nada pode ser feito. Ainda assim o vereador Paulo Franco salienta que a autarquia (à semelhança de outros casos) “tem tomado todas as diligências legais no sentido de salvaguardar a segurança e saúde públicas. Sendo que os proprietários têm sido informados e sensibilizados sobre o actual estado da infra-estrutura”. O local que em tempos esteve

para ser um posto da GNR, projecto entretanto abandonado devido aos valores pedidos, está hoje sem solução a médio prazo, pelo menos é o que refere ao Valor Local Paulo Franco da Câmara Municipal de Alenquer, que sustenta que “apesar do esforço desenvolvido pela autarquia, por anteriores executivos e pelo actual para encontrar uma solução para aquela infra-estrutura, não houve, até à data, qualquer evolução. Um dos entraves à resolução deste problema há muito identificado pelos carregadenses, é o preço pedido à autarquia, que como se sabe está a lutar com problemas financeiros e com uma dívida. Segundo o vereador, o valor pedido pelo Estado é de um milhão de euros, e terá

sido revelado numa reunião entre o autarca e o representante da Estamo , empresa do Estado que trata do imobiliário. Todavia, o Valor Local sabe que o valor pedido pode quase duplicar, já que nas traseiras do edifício existem silos de armazenamento com uma dimensão considerável, cujo desmantelamento está orçado em quase 700 mil euros. Segundo o vereador Paulo Franco, a autarquia não tem em mente um valor disponível para este projecto. O vereador salienta que tudo depende do projeto, das parcerias, e do financiamento para saber quanto estaria disposta a gastar, ainda assim e tendo em conta a proposta da ESTAMO, Paulo Franco considera “o valor apresentado é proibitivo”.

Instalações no Carregado

Novos dados na novela “Cartágua” presidente da Câmara Municipal do Cartaxo Pedro Ribeiro falou, numa das últimas reuniões de Câmara do Cartaxo, do interesse especial no tema “Cartágua” por parte do presidente do Tribunal de Contas. Em causa a renegociação do contrato com a empresa que gere o abastecimento e saneamento públicos no concelho, por parte do anterior presidente Paulo Varanda, em que está previsto um aumento de 30 por cento no preço da água nos próximos seis anos. O processo que teve lugar durante o ano de 2013 dispensou o visto do Tribunal de Contas, e agora o seu presidente Guilherme de Oliveira Martins disse estar novamente disponível para analisar o mesmo. Entretanto, o relatório da ERSAR aponta para uma perda de 6,9 milhões de euros para o município, para além do aumento do tarifário. O processo será analisado ainda pelo Tribunal Fiscal e Administrativo de Leiria, depois de ter recolhido unanimidade – a necessidade de um cabal esclarecimento

O

dos pressupostos do contrato, exigido por parte dos partidos políticos que estiveram presentes numa sessão de esclarecimento efectuada, à excepção do CDSPP e do movimento político independente de Paulo Varanda. O presidente da Câmara falou ainda do caso da representante do município que integra a comissão de acompanhamento da concessão, formada três anos depois da sua entrada em funcionamento, que à partida deveria ter co-

nhecimentos técnicos para integrar a mesma, mas que em conversa com o autarca referiu não ser entendida em águas e saneamento. “Tudo isto causa muita estranheza”, disse Pedro Ribeiro. O nome em causa é o da engenheira civil Telma Sousa, que a par de Artur Vidal, elemento da Cartágua-Águas do Cartaxo SA, e do advogado José Correia Fernandes integram esta comissão. O Valor Local tentou contactar a visada mas sem sucesso.

Aumentos do tarifário na ordem do dia

Actas da Comissão de Acompanhamento O nosso jornal teve acesso ao livro de actas da “Comissão de Acompanhamento do Contrato de Concessão, Exploração e Gestão dos Serviços Públicos de Distribuição e Frenagem de Águas Residuais do Município do Cartaxo”. Entre outros pontos, é referida a questão dos aumentos percentuais de que muito se fala. Nestes documentos Artur Vidal, da Cartágua, alega que “os aumentos de cinco por cento presentes no contrato para os anos de 2014 a 2019 foram previstos seguindo as indicações da ERSAR para que as subidas sejam progressivas e não realizadas bruscamente”. As explicações para o aumento de cinco por cento ao ano durante seis anos foram dadas também por Artur Vidal em reunião da comissão. Este disse que o tarifário para 2014 (cujo princípio será aplicável para os anos vindouros) resulta da “actualização em 6,22 por cento do tarifário do caso

base revisto”; bem como da aplicação de “uma fórmula para a qual contribuem a variação do preço praticado da água em alta, a representatividade do custo da água em alta nas contas da concessionária, os custos energéticos e outros custos, o índice harmonizado de preços”. Explicações que ainda não deixaram contente o presidente da Câmara, que sucessivamente tem repetido que não percebe os números apresentados, mas que na altura foram aceites pelos restantes elementos da comissão, pese embora algumas reservas. No que se refere ao visto do Tribunal de Contas: Artur Vidal alegou, a dada altura, a dispensa do mesmo, pois não seria imperativo, “pois o que está previsto não apresenta despesa para o município”. Neste ponto, o presidente da comissão, Correia Fernandes, indicou que “a submissão ao Tribunal de Contas é obrigatória e que o pedido de esclarecimentos segue o sentido da ERSAR”. Telma Sousa por seu turno alertou também a dada altura, em reu-

nião realizada no ano passado, que “o Tribunal de Contas também pede esclarecimentos sobre o tema”. Mais tarde é conseguida pela Cartágua uma declaração do tribunal equivalente, segundo a comissão, ao visto. O parecer da ERSAR ao documento de revisão do tarifário aponta “erros quanto à análise dos dados, projecções e interpretação dos mesmos, assim como as alterações efectuadas ao plano de investimentos”, algo que Artur Vidal contrariou na reunião apresentando um conjunto de documentos como o plano de investimentos original e revisto, o caso base da concessão original e revisto e os relatórios da actividade da concessionária. Em reunião decorrida posteriormente, Telma Sousa apresenta algumas preocupações quanto aos investimentos da empresa no concelho, nomeadamente, as redes de Casais das Amendoiera. ETAR’s de Vale da Pedra, e Vale da Pinta. Artur Vidal respondeu que seria apresentado em breve um cronograma dos trabalhos.


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Favorecimento e interesses dos seus elementos

Comissão das Águas debaixo de fogo nova comissão nomeada para acompanhar, fiscalizar e negociar de perto os interesses dos munícipes do concelho de Azambuja junto da concessionária “Águas da Azambuja” está debaixo de fogo. Os seus nomes para além de não serem consensuais para a oposição na autarquia, são acusados de em tempos terem favorecido a empresa aquando do concurso público. Supostas teias de interesse estão agora a revelar-se. A impaciência dos cidadãos também aumenta e já está a correr uma petição pública. Em breve entrará em actividade a comissão de acompanhamento do processo de concessão do serviço de abastecimento de águas e saneamento de Azambuja, que deveria ter sido formalizada na mesma altura em que a empresa foi constituída, em 2009. Para já os seus elementos estão debaixo de fogo cerrado por parte da oposição no município. O vereador da coligação de centro direita, António Jorge Lopes, utilizou a expressão “raposas no meio de um galinheiro” ao referir-se às escolhas da Câmara e da concessionária para esta comissão. Farão parte da mesma Enrique Castiblanques, designado pela concessionária; Rui Cunha Marques, professor do Instituto Superior Técnico, que esteve também na estrutura que acabou por decidir entregar a concessão à Aquapor, empresa mãe da “Águas da Azambuja”. Uma mistura de papéis que está a causar uma onda de desconfiança e de constrangimento, tendo em conta a possibilidade de vir a gerir de forma parcial este processo, apontada por alguns sectores políticos concelhios. O último elemento é Jorge de Faria Lopes, que segundo soube o Valor Local é o advogado de defesa da autarquia no processo judicial interposto pela Tomás e Oliveira contra a Câmara. Esta empresa ficou em segundo lugar no concurso. O vereador António Jorge Lopes, em reunião de Câmara do dia 17 de Junho, adiantou que no que toca ao nome do advogado Jorge

A

de Faria Lopes que este também jogou a favor da concessionária no que respeita ao factor “incorporação dos custos” nas contas finais que a concessionária teria de fazer com a Águas do Oeste, questão que os outros concorrentes tiveram em linha de conta à excepção da Aquapor. Por outro lado, a Águas da Azambuja pede a revisão do contracto quando os seus accionistas são dos mais bem remunerados, porque a sua Taxa de Rentabilidade Interna é, segundo o Tribunal de Contas, superior à de outras concessões no país, até maior do que a de Cascais, concelho com nível económico bem diferente do azambujense. Ainda nesta reunião de Câmara, Luís de Sousa, presidente da autarquia, em resposta evidenciou: “Neste negócio das águas, e passando a expressão não tenho rabos de palha, tenho o rabo sequinho. É muito fácil o senhor vir para aqui chamar raposas a pessoas que não estão presentes e que não se podem defender”, referiu, adiantando: “Mas concerteza que vão estar presentes um destes dias numa reunião de Câmara ou de Assembleia para também se explicarem e se defenderem”. David Mendes, da CDU, referiu que muitos dos dados que entram neste tipo de negócios das concessões são da responsabilidade do Governo e que o que está em causa é que “o barco vai chocar contra terra firme, não importa se o embate é mais para a esquerda ou para a direita”. “Este modelo é um erro e temos de dizer isso ao Governo”. Processo Tomás e Oliveira O processo de revisão do contrato de abastecimento de água e saneamento básico que está a ser negociado entre a Câmara Municipal de Azambuja e a empresa “Águas da Azambuja”, com a apresentação, até à data, de um parecer desfavorável por parte da entidade estatal que supervisiona este tipo de contratos: a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) tem

vindo a reavivar muitas das questões alegadas e previstas pela Tomás e Oliveira – Empreiteiros S.A. Está a correr no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa o processo de impugnação do concurso que atribuiu a concessão das águas à Aquapor, em 2008. O Valor Local teve acesso a este processo no qual se pode ler que a Tomás e Oliveira acusa a Comissão de Avaliação de Propostas, à época, e da qual fazia parte o académico Rui Cunha Marques, de ter introduzido novos critérios para a escolha do vencedor, já depois da apresentação das candidaturas, nomeadamente, o factor “antecipação dos investimentos” que acabaria por ser um dos trunfos da Aquapor. Ao ler-se este processo que deu entrada no tribunal em 2009, podemos verificar que o mesmo já antecipava, de certa forma, os problemas de dívidas que a Aquapor/Águas da Azambuja viria a ter com a Águas do Oeste. A Aquapor apresentou valores que segundo os cálculos apresentados pelo segundo concorrente não lhe permitiriam o encaixe financeiro suficiente para pagar as contas ao sistema intermunicipal, algo que se tem vindo a verificar, e que é um dos motivos para o reequilíbrio financeiro pedido pela mesma. A Aquapor fez as contas tendo também em linha de horizonte um acréscimo de população no concelho, quando isso não seria tão plausível quanto isso e quando a variável aeroporto da Ota, não podia ser tida em linha de conta, contráriamente ao que tem vindo a ser voz corrente. A empresa quis claramente, e como se diz na gíria, colocar “a carne toda no assador”, e nada melhor do que prometer fazer mais investimento num ainda mais curto espaço de tempo do que os restantes concorrentes, e com a benesse de que os munícipes não sofreriam aumentos nos dois primeiros anos da concessão. A Tomás e Oliveira alega que “ a metodologia de avaliação beneficiou claramente o terceiro contrainteressado (Aquapor)”, que aca-

Inquérito:“Como classifica a actuação da Águas da Azambuja?” as últimas semanas esteve na nossa página online um inquérito aos nossos leitores sobre o trabalho da concessionária. Este inquérito não tem a pretensão de ter algum tipo de validade científica, mas apenas perceber algumas tendências. A maioria dos leitores do Valor Local online dá nota negativa à actuação da empresa “Águas de Azambuja”. Dos 40 inquéritos respondidos online, 20 leitores consideram que é péssima a actuação da empresa, ao passo que 13 consideram-na má. Três leitores enquadram o trabalho da empresa na categoria de excelente, e outros quatro consideram-na boa.

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Águas da Azambuja terão sido beneficiadas no concurso bou por vencer o concurso, “com violação dos princípios da transparência e da igualdade”. O Valor Local encetou contactos no sentido de uma entrevista com os responsáveis da Tomás e Oliveira que não se mostraram para já interessados. Ainda segundo a Tomás e Oliveira, a Aquapor com os dados apresentados teria saldos negativos, e como tal “não podia ser admitida no concurso, pois não obedece ao estipulado no ponto 9 e 10”. Recorde-se que em reunião de Câmara, em 2008, Cunha Marques sustentou perante as dúvidas e o sentimento de desconfiança e de favorecimento ilícito manifestados pelos vereadores da oposição – à época, António Nobre, e António José Matos –que a escolha recaiu na Aquapor porque esta se comprometeu a efectuar 75,5 por cento do investimento nos primeiros quatro anos, que acabou por não cumprir na íntegra, para além de aumentos de zero por cento nos dois primeiros anos da concessão. Este item foi seguido, mas as dificuldades de amortização do investimento que ainda assim foi efectuado começou a pesar duramente nos últimos anos, daí o estado de coisas actual, de que o pedido de reequilíbrio é apenas um dos exemplos.

Petição pela revisão da concessão da água em Azambuja Nas últimas semanas, Daniel Claro, deputado no mandato autárquico anterior na assembleia municipal pelo Bloco de Esquerda, lançou na internet uma petição em que pede a revisão da concessão da água em Azambuja. Em entrevista ao Valor Local, diz que esta é uma iniciativa sua enquanto cidadão e aberta a todos os cidadãos e partidos. Numa análise à comissão de acompanhamento estranha a não presença de qualquer cidadão do concelho, e qualifica a conduta da concessionária como arrogante ao longo dos últimos anos, sendo que a Câmara, por outro lado, tem demonstrado “incompetência técnica e política para lidar com a questão”. Em reunião de Câmara realizada a 17 de Junho, também a oposição se uniu na defesa da nomeação de um nome concelhio, idóneo e imparcial. “Não está provado que a concessionária necessite de recorrer à cláusula do reequilíbrio financeiro. Está patente no relatório da ERSAR, que também aquela entidade não consegue descortinar o interesse naquela necessidade da empresa, faltam peças importantes a nível do detalhe financeiro no documento enviado pela Câmara e pela concessionária à ERSAR”, diz Claro. Ainda no que concerne ao processo Tomás e Oliveira, Daniel Claro diz que a Aquapor não tomou em linha de conta a questão dos caudais mínimos impostos pela Águas do Oeste, ao contrário da segunda classificada. Daniel Claro refere que “a petição é para dar força à Câmara respaldada com o apoio dos cidadãos, e para que esta decida de uma vez

por todas de que lado é que quer estar, se do lado da verdade, se do lado de outra coisa qualquer”, concretiza, acrescentando: “Em última análise não está posta de parte a hipótese de promove os debates públicos sobre este tema, mesmo correndo o risco de não estar presente a concessionária”. Serviços técnicos com aumentos brutais Recorde-se que a renegociação do contrato atende a uma série de pressupostos que vão no sentido de um aumento de preço nos serviços de água e saneamento, e de acordo com as contas feitas pela Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra divulgadas no facebook, e tendo com pano de fundo o que está actualmente em cima da mesa há serviços de ordem técnica prestados pela concessionária que hoje não vão além dos 3,23 euros a subirem para uns vertiginosos 150 euros, como no caso das vistorias de água nas habitações particulares, e de 10,78 euros para 300 euros nas empresas e comércio. Se porventura, o consumidor pedir uma aferição do seu contador, vai ter de pagar por esse serviço 100 euros, quando, actualmente, paga 26,95 euros. Um comerciante do concelho de Azambuja, por exemplo, se tiver necessidade de pedir uma vistoria ao saneamento vai ter de desembolsar 350 euros, quando hoje paga 10,47 euros. A nível particular o cenário não melhora, vistorias de saneamento a 175 euros, quando hoje ficam pelos 3,14 euros. O Valor Local contactou a Águas da Azambuja para responder à possibilidade destes aumentos exponenciais, bem como todas as restantes críticas em que o seu nome aparece, mas não obtivemos resposta.


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Cultura

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520 anos do Tratado de Tordesilhas

A paz na Península Ibérica começou em Azambuja zambuja contribuiu para um período de paz entre Portugal e Espanha”, foi desta maneira que o professor catedrático de História Moderna da Universidade de Valladolid, Jesús Varela Marcos, consubstanciou o momento histórico da assinatura do Tratado de Tordesilhas. A sessão evocativa dos 520 anos do Tratado de Tordesilhas decorreu no dia sete de Junho em Vale do Paraíso. Tudo porque em Março de 1493, na localidade de Vale do Paraíso, Azambuja, Cristóvão Colombo encontrou-se com D. João II e lhe deu conta do descobrimento de novas terras. Não estão muito explícitas as razões deste encontro com o rei português, até porque Colombo estava ao serviço da coroa espanhola, depois de D. João II se ter recusado a patrocinar as intenções do comerciante/navegador. Colombo acreditava chegar à Ásia através do Atlântico. O que é certo é que o encontro em Vale do Paraíso foi decisivo. O navegador trouxe consigo escravos do Brasil, que através da disposição de pequenos feijões em cima da mesa, elucidaram o muito perspicaz rei português que percebeu de imediato que tinham sido descobertas novas terras, que não as asiáticas. A versão de Colombo

“A

perante o rei de que tinha chegado a terras orientais caiu imediatamente por terra. De Vale do Paraíso, o rei partiu imediatamente para Espanha para fazer valer o que estava no anterior tratado. “Vale do Paraíso foi importante não só na história dos dois países, mas também na da Europa, do Atlântico e de uma nova concepção do conhecimento do mundo. Significou uma viragem nas coordenadas que uniam o novo e o velho continente”, exprimiu José Machado Pereira, historiador e museólogo, organizador da iniciativa em conjunto com a junta de freguesia de Vale do Paraíso. O Tratado de Tordesilhas “faz parte desde 2007 do registo da memória do mundo”, referiu. Um dos actores que teve um papel primordial na jornada de Colombo foi o navegador espanhol Martin Alonso Pinzón que ensinou ao comerciante os princípios da navegação e participou na viagem. Seria também ele a patrocinar monetariamente a viagem, já que os reis de Espanha, Fernando e Isabel contribuíram com uma soma irrisória para a época, dado que não confiavam nas intenções do comerciante. Esta figura de Pinzón foi demonstrada, aos presentes, pela professora Maria Guerrero da Universidade de Val-

ladolid. Coube ao professor catedrático Jesús Varela Marcos dar a conhecer o truque que Colombo conseguiu fazer valer para alcançar o que pretendia com a sua descoberta: ser condecorado pelo rei espanhol como “almirante das terras descobertas”, um dos maiores títulos à época. “Trocou um paralelo por um meridiano, se não o fizes-

se o novo território ficaria de fora da alçada espanhola. Colombo subiu a linha divisória horizontal do mapa mundo em 1100 quilómetros”. O mais interessante é que com a descoberta do Brasil uns anos depois, uma das linhas fica tangencial a esse território invalidando por sua vez que Espanha pudesse reclamar algo. “O Tratado de Tordesilhas conse-

guiu beneficiar os dois países e prolongar a paz entre ambos”. O Tratado de Tordesilhas foi assinado em Junho de 1494, e definiu a divisão do mundo a partir do meridiano de Cabo Verde e não do paralelo das Canárias, como previa antes o Tratado de Alcáçovas de 1479. O final da sessão em Vale do Paraíso viria a revelar-se muito ani-

mada com a presença de um elemento de uma movimento da vila alentejana de Cuba que reclama para si, à semelhança de muitas outras um pouco pela Europa fora, o estatuto de terra natal do navegador. Diz esta associação que Colombo deu o nome de Cuba ao país das Caraíbas em homenagem à sua terra natal. Factos que nunca foram provados.

Casa cheia para se ouvir falar de História

Concheiros de Muge

Enterramentos precursores da modernidade s concheiros de Muge, em Salvaterra de Magos, é o maior complexo mesolítico da Europa. Este achado descoberto em 1863 corresponde ao período entre 10 mil a cinco mil anos antes de Cristo, e foi alvo de uma visita no passado 10 de Junho por parte dos eleitos locais do município de Salvaterra. A comitiva esteve no Cabeço da Amoreira onde estão enterrados vários cadáveres, e cujas características do local permitiram aferir que já, naquela altura, havia elementos modernos na forma como os serviços fúnebres eram feitos, e uma muito clara estratificação social. “Podemos dizer que este tipo de enterramento é precursor da actualidade do ponto de vista simbólico e cognitivo”, referiu Nuno Bicho, arqueólogo coordenador dos trabalhos, à nossa reportagem. Foi descoberto o cadáver de uma mulher coberta de adornos. Sendo visível o esmero na forma como foi sepultada, a par do ca-

O

dáver de um homem sem atender a qualquer tipo de cuidado ou rigor no seu sepultamento. De acordo com Nuno Bicho, este tipo de estruturas como as que encontramos em Muge, compostas por vários montículos, só têm paralelo em países do norte da Europa, para além dos concheiros do Sado. Por outro lado, e neste ponto reside também a riqueza arqueológica do local “Foram descobertos aqui perto de 300 esqueletos humanos”, referiu Nuno Bicho. “Isto é único em todo o mundo”, concluiu. O arqueólogo explicou ao Valor Local que o próximo passo da equipa que está no terreno composta por alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento de várias universidades portuguesas, passa por ir mais longe quanto aos pormenores referentes aos enterramentos. O cadáver da mulher que apresentava sinais de pertencer a um grupo social mais elevado foi coberto através da “colocação criteriosa de conchas

de berbigão, lambujinha, esturjão, raia, ossos de animais, três escápulas de veado, um fragmento de crânio de cão e alguns pequenos artefactos em pedra”. Os materiais descobertos pela equipa são, normalmente, encaminhados para a Universidade do Algarve e Universidade de Coimbra. Outros saem do país para serem estudados no estrangeiro. A musealização do espólio encontrado é falada desde há vários anos pelo município de Salvaterra de Magos. Sendo que já veio a lume, a possibilidade de se criar num espaço artificial uma espécie de réplica do que se encontrou nos concheiros de Muge, conforme foi falado informalmente durante esta visita entre o presidente da Câmara de Salvaterra, Hélder Esménio, e Nuno Bicho. A escavação em curso, tem um financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, contando com o apoio da Casa Cadaval, em cujos terrenos se situam os concheiros.

Nuno Bicho e a sua equipa


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Acisma

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Balanço das actividades da ACISMA na Feira de Maio

“Mercearia” resultou em cheio presidente da Região de Turismo do Alentejo e Ribatejo, Ceia da Silva, foi o convidado de honra na abertura de mais uma edição da Feira de Maio, que decorreu em Azambuja de 29 de Maio a 2 de Junho. O representante do Turismo da

O

Região inaugurou primeiro o certame no largo da Câmara, e posteriormente o Salão das Actividades Económicas e Artesanato, uma parceria entre a Câmara Municipal de Azambuja e a ACISMA – Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja.

Acompanhado por alguns presidentes de junta, do presidente da Câmara, Luís de Sousa, e do presidente da ACISMA, Carlos Henriques, Ceia da Silva visitou demoradamente o pavilhão, que se tem vindo a firmar como uma mais-valia em termos económicos regionais.

Stand da Acisma e do Valor Local na Feira de Maio

Com um balanço claramente positivo, Daniel claro, porta-voz da ACISMA, “salientou as dinâmicas geradas na Feira de Maio através do pavilhão”, com “uma procura crescente, por parte dos empresários que se querem mostrar naquele espaço”. Sendo que este ano houve

mais procura do que oferta; e alguns expositores ficaram de fora”. Também a “Mercearia” da feira que esteve situada numa loja no Largo do Município, uma iniciativa da ACISMA realizada pela primeira vez, em conjunto com a autarquia, teve um “ba-

lanço claramente positivo”. O porta-voz da associação refere que o local, em causa, onde se podiam adquirir produtos exclusivamente do concelho de Azambuja, “resultou em pleno, com uma procura bastante acentuada durante a Feira de Maio.”

Ceia da Silva inaugurou o certame

Parceria entre ACISMA e a Santa Casa de Azambuja

Entregues diplomas da formação em geriatria Santa Casa da Misericórdia de Azambuja, em parceria com a Associação de Comércio Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA), realizou um curso de formação em geriatria, que se iniciou em Fevereiro e terminou em Junho de 2014. Esta formação destinou-se a funcionários desta instituição e a pessoas externas a esta. Pretendeu-se valorizar os conhecimentos destes profissionais, garantindo um contributo de qualificação para aqueles que no seu dia-adia cuidam dos idosos. Esta actividade está inserida no Programa Operacional do Poten-

A

cial Humano (POPH), no âmbito do Fundo Social Europeu, com as aulas a serem ministradas nas instalações da Santa Casa. Os diplomas desta formação foram entregues aos formandos no dia 13 de Junho nas instalações da Santa Casa da Misericórdia, com as presenças, em nome da instituição, do provedor, vice-provedor, tesoureiro e a diretora do lar; e em nome da ACISMA do coordenador da formação Pedro Félix e da formadora Catarina Machado. No final foi servido um pequeno lanche, onde todos tiveram oportunidade de confraternizar.

Formandos da Santa Casa, dirigentes e formadores


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Negócios com Valor

22 Melom Tejo

“Os Queridos” de Azambuja ão conhecidos em toda a parte como “Os Queridos”. Isto porque a marca faz parte da equipa que todas as semanas participa no programa da SIC Mulher “Querido Mudei a Casa”. Trata-se da Melom, especializada na reabilitação e recuperação de habitações, ligada à REMAX, que através de franchising, já se espalhou por todo o país. Rui Lopes é o rosto visível da Melom Tejo, com sede em Azambuja, com anúncio no Valor Local, que segundo o mesmo tem ajudado à “visibilidade da marca”. Em entrevista ao “Negócios com Valor”, Rui Lopes salienta que antes de abraçar o projecto Melom, já estava na área da construção há dez anos, mas “devido à crise que se instalou no mercado da construção” teve de procurar outras formas de se manter, “num caminho de mudança e de evolução”. O responsável pela Melom Tejo sentiu a necessidade de acompanhar as novas tendências e por isso aproveitou o programa da SIC para ampliar o seu negócio. De acordo com Rui Lopes, esta parceria foi importante, até porque a Melom, na altura apenas com dois anos de existência já se estava a

S

tornar numa empresa de sucesso, como “instaladora oficial na maior empresa de venda de materiais para a remodelação e construção a Leroy Merlin, e ligada directamente ao grupo Remax”. Foi nessa altura que surgiu então a Melom Tejo que é hoje uma empresa especializada em todo o tipo de trabalhos que a casa precisa. Para Rui Lopes, são muitas as vantagens de estar ligado ao grupo e à marca Melom, nomeadamente pela “confiança e visibilidade que a mesma transmite”. No processo de contacto com o cliente, a Melom trata de tudo para que o cliente tenha o mínimo de preocupações possíveis. Rui Lopes enfatiza: “Tratamos do orçamento e da execução dos trabalhos de uma forma profissional”. Para o responsável, a visibilidade da marca é muito importante. Ao todo já são 60 franchisings no país, com uma aposta crescente no Marketing. A Melom Tejo é hoje uma empresa consolidada, também na região. Ao todo são 16 colaboradores que fazem parte de “uma vasta rede de técnicos especializados em várias áreas” onde se incluem “ arquitetos, engenheiros civis, decoradores e os técnicos de execução de

obra nas mais variadas especialidades”. Para além destes 16 funcionários, a Melom Tejo conta igualmente com cerca de duas dezenas de outros profissionais que “apoiam consoante o tipo de trabalho”. Sem selecionar obras, a Melom Tejo está mais vocacionada para o mercado da remodelação e reabilitação. Rui Lopes diz mesmo que executa desde o simples pendurar de um quadro, ou de um candeeiro, até à substituição de uma torneira, sem esquecer as obras maiores como as remodelações de casas de banho e de cozinhas, ou mesmo remodelações gerais. É por isso que a frase chave é: “A sua casa Precisa... Melom Tejo Concretiza.” Recentemente na Feira de Maio, a Melom Tejo surpreendeu as mulheres que passaram pelo local com uma flor. Rui Lopes salienta que esta foi não só uma acção de charme, como de marketing, com o objectivo de “colocar as pessoas a falar da Melom Tejo”. “Acho que teve um efeito muito positivo”. Rui Lopes diz que ainda existe a ideia enraizada de que “o pessoal das obras é visto como uma classe rude da sociedade, mas a Melom

Tejo procura desmistificar isso, com a imagem dos ‘queridos´”. Quanto à flor entregue às mulheres, esta levava o contato da Melom Tejo, e “um piropo especial dos Trolhas Poetas”. Tratou-se assim de uma acção de divulgação da marca, tendo em conta que “o objetivo é que um dia qualquer português quando precisar de obras em casa se lembre da Melom”. “Para isso temos que

nos mostrar às pessoas”, concretiza. Todavia a Melom Tejo também assume uma participação no que toca à responsabilidade social. Nesta altura “estamos a analisar um processo de apoio às IPSS”. Por enquanto, ainda não passa de um esboço, mas Rui Lopes diz que pretende envolver “o município de Azambuja e as freguesias nesse processo. Pois uma peque-

Rui Lopes entregou flores na Feira de Maio

na reparação hoje, pode evitar uma obra maior amanhã”. A juntar a essa ideia, a empresa considera criar um serviço de apoio aos mais idosos, “através da deslocação gratuita de um profissional para solucionar o problema da torneira com água a pingar ou a mudança da lâmpada”, salientando que a empresa está disponível “para dialogar com as IPSS’s, as freguesias e o município”.


Valor Local Retratos da Nossa Terra Retratos da Nossa Terra

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uma das últimas reuniões de Câmara de Alenquer, o ex-vereador José Manuel Catarino e actual deputado na Assembleia Municipal foi pedir ao executivo para que pudesse dar um "jeitinho" e fechar por umas horas a Serra de Ota para que o seu filho pudesse ir para lá treinar para as provas de motocross. A nossa rubrica "Retratos da Nossa Terra" sugere ainda este novo local que a Câmara não consegue terminar há meses e que confunde quem passa na zona do Lidl do Carregado.

N

Retratos da Nossa Terra com História In “Noticias de Azambuja” 1970

uitos lembram-se de ouvir que, antigamente, até se faziam operações no hospital de Azambuja… mas estamos a recuar quarenta anos. Se formos analisar a evolução daquele equipamento, depressa percebemos que foi perdendo serviços desde sempre, independentemente da cor politica de cada Governo que passou pelo país. Segundo reza a história, o primeiro hospital foi na Rua do Espirito Santo, junto à Igreja da Misericórdia. Depois passou para o edifício a pucos metros no Rossio. Mais recentemente os serviços foram instalados no novo centro de saúde que ganhou uma rua com o mesmo nome. Das operações que ali se faziam às consultas documentadas no anúncio que publicamos, até aos dias de hoje, o equipamento foi perdendo valências. Uma perda de valências, que nem mesmo as constantes manifestações conseguiram estancar.

M

Retratos da Nossa Terra Por: Manuel Geada

esde os anos 30 até aos anos 2000, alguém sabe de um outro conjunto de mais alguns professores e professoras do ensino básico, com a dedicação e valores que transmitiam aos seus alunos, como estes da foto?”

“D

Ficha técnica: Valor Local, Jornal de informação regional, sede

de redacção e administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja; telefones: 263 047 625, 96 197 13 23 correio electrónico: valorlocal@gmail.com; Site: www.valorlocal.pt • Propriedade e Editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 • correio electrónico: adm.valorlocal@gmail.com • Director: Miguel António Rodrigues CP 3351 miguelrodrigues@valorlocal.pt • Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198 silvia.agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Miguel Ouro, Nuno Vicente, Cátia Carmo, Dina Patrício; • Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt • Fotografia: José Júlio Cachado • Serviços Administrativos e Departamento Comercial: Ana Reis, Rui Ramos telefones: 263 047 625, 96 049 10 83 correio electrónico: vendas.valorlocal@gmail.com • N.º de Registo ERC: 126362, Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga • Tiragem: 4000 exemplares

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Valor Local -Edição Junho 2014  

Edição do Valor Local, um jornal com Valor Acrescentado....

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