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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 32 • 18 Dezembro 2015 • Preço 1 cêntimo

O Natal e a Solidariedade na Região

Págs. 14, 15 e 16

Alenquer: Obras na Igreja Inaugurado Gabinete de Apoio ao Empresário da Várzea chegam aos 500 mil euros em Azambuja Pág. 19

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Moradores da Rua de Magos descontentes com obras população residente na Rua de Magos, em Marinhais, Salvaterra de Magos, está descontente com a forma como se tem vindo a desenrolar o processo que conduziu à colocação de saneamento básico, e que culminou, entretanto, com a colocação de um tapete de betuminoso de cerca de cinco centímetros de espessura. A população colocou a correr um abaixo-assinado em que reclama por valetas e até passeios, mas a Câmara entende que “estas exigências” não se enquadram para já numa “obra de reposição de pavimentos após a execução de uma rede de esgotos”. Num esclarecimento à população, Hélder Esménio, presidente do município salvaterrense, refere que “há vantagem em deixar passar algum tempo para que as

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terras ora escavadas nas valas abertas para colocar as tubagens de esgoto possam estabilizar, período que vai ter de ser aproveitado para reparar eventuais abatimentos que possam ocorrer”. Em reunião de Câmara, Hélder Esménio manifestou as suas suspeitas de que haverá motivações políticas por trás do abaixo-assinado. “Dizem que a estrada levantou mas não é verdade”, referiu a este propósito. O presidente da Câmara diz estar mais preocupado com a drenagem pluvial, nomeadamente, junto à rotunda do olival onde as águas têm vindo a cavar a represa existente. “Vamos promover a escorrência adequada das águas pluviais para depois nos preocuparmos com os passeios”. Contudo referiu que a rua possui uma cota superior e que

nunca teve serventias, manilhas ou valetas. A instalação da rede de esgotos nesta artéria de Marinhais tem-se revelado como morosa, com vários fatores a contribuírem para tal como a falência dos empreiteiros e subempreiteiros contratados pela Águas do Ribatejo; as elevadas profundidades de trabalho, e as características do local com o seu elevado nível freático. Hélder Esménio considera um tanto ou quanto desajustado o alegado descontentamento dos moradores porquanto tiveram de sofrer com obras durante três ou quatro anos, e quando hoje possuem à porta um tapete de alcatrão. No comunicado, o autarca aconselha ainda os moradores a manterem limpas as valas que atravessam os seus terrenos, “pois

qualquer solução técnica que seja estudada para a drenagem pluvial passará necessariamente por en-

caminhar as águas das estradas para essas linhas de água”, e a comunicarem eventuais situações

passíveis de intervenção por parte da Câmara e da Águas do Ribatejo.

raco com o cotovelo, e usam os ingredientes naturais deste doce”. O preço naturalmente é mais elevado, “mas as coisas boas têm de ser mais caras!”, reforça Ana Soeiro. O mais importante reitera – “é que não se tente fazer passar por bolo-rei, coisas que nada têm a

ver com este bolo, como já tenho visto fazerem. Como por exemplo colocarem bebidas estranhas, que não sejam o vinho do porto ou o rum”. Por último, Ana Soeiro lamenta que se tenha perdido a mística do brinde e da fava, “uma tradição com a qual nos divertíamos”.

Comerciantes de Arruda discutem promoção âmara Municipal de Arruda dos Vinhos promoveu uma sessão junto dos comerciantes para anunciar, entre outras questões, a inclusão no orçamento para o ano que vem de uma verba no valor de vinte mil euros que pode ser usada em ações de promoção do comércio local, no sentido de uma revitalização dos espaços existentes no con-

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celho. Na sessão que teve lugar nos paços do concelho, no dia 9 de dezembro, vários comerciantes exprimiram a sua opinião sobre esta questão. Houve quem defendesse o recurso a publicidade estática com a possibilidade de os comerciantes usarem este recurso para anunciarem as suas lojas, mas também surgiram

apelos no sentido de melhoramento e embelezamento de montras. Por outro lado, não foi esquecida a necessidade de maior divulgação de Arruda dos Vinhos através de eventos que por sua vez tragam mais clientes às lojas. Sendo que neste ponto, o presidente da Câmara, André Rijo, lembrou que já tem “fama de an-

dar sempre a organizar eventos”. Foi acordado entre a Câmara e os comerciantes que mais ideias podem surgir entretanto e que haverá nova reunião tendo em vista um consenso. Contudo houve quem alertasse para a circunstância de se tornar complicado “encontrar soluções” para os ditos “negócios mais antigos e com um padrão mais rígido.

Cnema: Bolo-rei já não é o que era esta altura do ano, os bolos reis fazem as honras da casa nas mesas da consoada. Contudo, e segundo Ana Soeiro, da Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses – Qualifica, anda para aí muito bolo - rei

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que não faz jus ao nome. No âmbito do concurso nacional de bolo - rei que decorreu no início de dezembro, em Santarém, no CNEMA, o Valor Local ficou a saber que “há cada vez mais desrespeito pelo tradicional bolo - rei português”, com versões “mais ou menos adulteradas”, e que “não são

bolo- rei”. “Em muitos sítios não se está a respeitar minimamente a tradição, com o uso de farinhas prémisturadas, onde basta, apenas, ‘ajeitá-las’ antes de irem ao forno”, refere, enfatizando – “Isso resulta em algo francamente mauzinho”. Por outro lado, a rea-

lidade desta confeção também passa “por adquirir bolos –reis pré-congelados em Espanha, bastando irem ao forno”. Por outro lado, salienta que apesar de tudo ainda subsistem os bons exemplos, “com casas onde ainda se amassa o bolo- rei à maneira antiga, em que fazem o bu-


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Energias Renováveis são cada vez mais uma alternativa

Sem Ir em franca expansão A completar oito anos de atividade, a SEM IR, está agora a atravessar um momento de franca expansão. A empresa fundada por José Eduardo Pereira em conjunto com mais dois colegas da antiga fábrica da Opel Portugal, está sediada em Santarém e é já uma PME Referência em Portugal. A SEM IR, completou no passado dia 28 de novembro oito anos de atividade. Fale-nos um pouco do seu percurso? José Eduardo - A SEM IR continua a afirmar-se cada vez mais como uma PME Referência nas áreas das Energias Renováveis e Manutenção Industrial. Isto é fruto do trabalho desenvolvido com muita inovação e resiliência junto dos seus clientes merecendo por isso a sua total confiança. Que estratégia a empresa tem procurado seguir para alcançar os seus objetivos? JE - A SEM IR, e é do conhecimento público que tem no seu horizonte de 2020, a presença no TOP 10 das empresas, na área das Energias Renováveis, em Portugal. Por isso apostamos em bons recursos humanos. Os nossos colaboradores são da fábrica da ex. Opel (a grande universidade alemã e americana) que laborou em Azambuja, e que está na base da nossa empresa. Outros são oriundos das nossas escolas profissionais, com habilitação na nossa área de negócio, os quais treinamos e formamos com todo o nosso conhecimento, sendo que obtemos uma resposta impressionante por parte destes jovens. Quais os projetos que tem vindo a desenvolver recentemente e que tem em carteira? JE - Nos últimos anos desenvolvemos muitos na área da Mini Geração Fotovoltaica, direcionada ao tecido empresarial. Por exemplo, empresas como a Sivac, a Sociedade Vinhos Vítor Matos, a Santa Casa da Misericórdia da Merceana, a Fundação AFID em Lisboa, o INTERMARCHÉ Estremoz, a Kluber no Porto, a Escola Secundária em Azambuja, entre outras, já são mais de 50 por cento eficientes. Ou seja produzem grande parte da energia consumida, com reflexo na fatura mensal de energia. Na Autoeuropa temos também na área da manutenção, um projeto em parceria com uma empresa alemã a DURR. Mas a SEM IR fez também parcerias com empresas do concelho de Azambuja, para alguns trabalhos? JE - A SEM IR levou a cabo uma parceria com a Construaza, empresa de engenharia e construção civil de Azambuja. Fizemos este ano, seguramente, um dos edifícios mais eficientes e sustentáveis de toda a região, Lar Residencial em Vale do Paraíso com o uso de tecnologia Capoto (isolamento das paredes exteriores), portas e janelas com elevado corte térmico, estrutura metálica de todo edifício. Foram usadas argamassas específicas pela Construaza. O edifício dispõe ainda de piso radiante hidráulico, bomba de calor, solar térmico, iluminação led, e só falta fazer a componente fotovoltaica para ser completamente AUTÓNOMO, desenvolvido pela SEM IR, e já com Classificação A+. E quanto a ideias de futuro? JE - Temos alguns projetos futuros e em carteira por todo o País, mas com forte sustentação no Alentejo, em Elvas, Beja,

José Eduardo evidencia o know how da antiga Opel de Azambuja Évora, Reguengos, Arraiolos. Mas também Malveira, Mafra, Mação Golegã, Lisboa, Cascais e Castanheira do Ribatejo são localidades que fazem parte do nosso portfólio com empresas referência nestas cidades e vilas; e a não esquecer o cliente residencial onde a nossa presença é grande nas tecnologias de Solar Térmico, Fotovoltaico e climatização com piso radiante. Sabemos que a SEM IR assinou também dois projetos na JODEL, em Aveiras de Cima e na Jular, mas esta em Angola? JE - O convite partiu da JODEL. Fizemos dois projetos de Energias Renováveis, o primeiro foi iniciado no passado dia 4 dezembro, o qual passa por tornar a área da fotovoltaica uma referência em toda a região, pela quantidade de energia que vai produzir. Sendo que os dois juntos vão alavancar em mais de 40 por cento os consumos de energia nesta grande empresa, tornando-a amiga do ambiente dando um sinal claro à comunidade pela pratica de boas políticas ambientais. Em Azambuja, desenvolvemos um estudo e projeto transversal para as Piscinas Municipais, tornando estas autossustentáveis, usando por completo as Energias Renováveis. Aguarda- se resultado de candidatura efetuada ao Portugal 2020. No que toca ao convite da JULAR, desenvolvemos um Projeto de Produção de Energia numa grande vivenda toda em madeira e outros materiais cem por cento autónoma para um cliente em Angola.

Painéis da Sem ir na Santa Casa da Misericórdia da Merceana

Todos estes projetos precisam de mais mão-de-obra? JE - Sim, contamos criar em 2016 mais dois postos de trabalho, sendo um com qualificação superior.

“A SEM IR, e é do conhecimento público que tem no seu horizonte de 2020, a presença no TOP 10 das empresas na área das Energias Renováveis em Portugal” Há uma fórmula para este sucesso que se traduz já em tanto crescimento? JE - Tanto não. Mas na saída de 2015 e no início de 2016 estamos e vamos crescer muito. As soluções desenvolvidas são muito inovadoras. Trazemos muito conhecimento da grande General Motors, temos os melhores parceiros europeus (os melhores fabricantes de equipamento), vamos às melhores feiras europeias e outras. Recentemente estivemos em Paris. Nós falamos a linguagem das empresas e percebemos as suas dificuldades, por isso desenvolvemos as melhores e as mais inovadoras soluções que são ajustadas a cada situação. Só a título de exemplo posso dizer que este ano desenvolvemos num hotel em Cascais com capacidade para mais de 100 hóspedes, soluções integradas onde reduzimos em mais de 60 por cento os custos de energia, quer elétrica, quer térmica. Por isso sempre vou dizendo que com humildade e muita resiliência vamos caminhando. Uma das causas deste sucesso está relacionado com o vosso capital de conhecimento, adquirido por exemplo na Opel. Será esta uma das mais-valias da SEM IR? JE - O muito trabalho que temos assenta na nossa formação. Eu venho da Impormol, onde fui o jovem no qual a empresa mais investiu em formação. Aos 29 anos liderava um departamento da produção com 80 pessoas. A empresa faturou nesse ano e no meu departamento à luz da moeda corrente em euros 5,3 milhões em molas e peças para as fábricas europeias da Mercedes, Peugeot, Ford entre outras. Depois aos 33 anos a PPG, contratou-me para MANAGER da GM/FORD, e depois de correr mundo, usufruí de excelentes condições de formação proporcionadas por estas grandes universidades, que são estas empresas, onde a aprendizagem é contínua. A SEM IR conta ainda com o Carlos Almoster também fundador, um dos melhores supervisores da GM na manutenção, responsável por vários projetos a nível nacional e na Europa, com o Alfredo Figueira também fundador e o Carlos Simões, um colega da ex. Opel, o primeiro elemento dos recursos humanos contratado. Falemos do futuro. Que sonhos tem a SEM IR para novos voos? JE - Sonhos? Sonhos temos alguns. Contamos fazer uma candidatura ao Portugal 2020 para a instalação de uma pequena unidade industrial, que visa produzir um produto totalmente desenvolvido por nós na área das Energias Renováveis, destinado aos mercados sobretudo da esfera mediterrânica, vamos ver…


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Aluna ganha concurso com projeto para revitalizar Mercado Municipal de Arruda arolina Magalhães, 16 anos, venceu o concurso lançado pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos “Tive uma ideia” com o projeto "Mercado d'Arruda", realizado em Abril de 2015. Este concurso tinha como objetivo premiar a ideia mais inovadora e empreendedora, e segundo Carolina Magalhães, aluna do 11º ano do Externato José Alberto Faria, a escolha do Mercado Municipal para servir de base ao seu projeto tem a ver como o facto de admitir ser “uma grande adepta das compras no comércio tradicional.” “Tenho também uma grande paixão por viagens e tenho observado em diversos locais a revitalização e requalificação do comércio tradicional em geral, e em particular dos mercados municipais”, acrescenta. O projeto "Mercado d'Arruda" consiste na requalificação do Mercado Municipal de Arruda

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dos Vinhos que anseia urgentemente por aparecer, finalmente, de cara lavada, já que se apresenta como um “espaço frio e impessoal, com uma baixa densidade de ocupação de bancas”, e simultaneamente “está longe da dinâmica e da realidade atual de Arruda.”, refere a aluna. Desta forma, o projeto nas palavras de Carolina Magalhães contempla a criação de cinco zonas âncoras no mercado: legumes/fruta, carne/peixe, artesanato, restauração e vinicultura que rodeiam o centro do espaço, aproveitado para a instalação de mesas e cadeiras para os clientes consumirem o que comprarem. Poderia utilizar-se, ainda, a parte exterior do mercado para “a colocação de uma esplanada com a mesma função da área central, sendo que parte da zona frontal do mercado seria reservada para a dinamização de works-

hops, e apresentações de livros”. Para a aluna, este tipo de espaços comerciais carecem de uma urgência na sua atualização, pois “o desenvolvimento da tecnologia e das preocupações do cliente ao nível da imagem dos artigos para venda não se compadecem com estes espaços não requalificados”. Que no fundo, “estão a perder clientela já que sofrem concorrência das grandes superfícies que devido à sua dimensão conseguem proporcionar aos seus clientes produtos a preços mais baixos.” Tornar o espaço em questão mais atraente seria não apenas benéfico para os vendedores do mercado, mas também para as atividades económicas locais no seu conjunto, e poderia em última análise trazer também “mais turistas ao concelho”. O facto de a Câmara de Arruda pretender colocar em prática a

sua ideia é para Carolina Magalhães, “um motivo de orgulho e felicidade”, até porque a autar-

quia “sempre” a “apoiou em tudo”. “É uma sensação de ver reconhecido todo o meu trabalho

e empenho para melhorar esta zona à qual tanto me orgulho de pertencer”, conclui.

Mercado da Cultura de Marinhais é inaugurado a 20 de dezembro anúncio foi deixado numa das últimas reuniões de Câmara de Salvaterra de Magos. O mercado que se encontrava degradado e que foi fechado pela ASAE vai dar lugar a um equipamento que contempla biblioteca, sala multiusos, delegação da Câmara, espaço do cidadão, e dos CTT. “Orgulho-me enquanto presidente da Câmara e técnico

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do que fizemos naquele espaço”, refere Hélder Esménio. O espaço envolvente ao novo Mercado da Cultura também foi alvo de requalificação com a demolição de uma espécie de barraca que ali existia, e a remoção do posto de transformação da EDP. A obra proporcionou ainda uma maior prioridade ao parque infantil existente, alargamento de

passeios, colocação de árvores e criação de estacionamentos. “O resultado final agrada-nos apesar dos impropérios contra a nossa ação, e agradeço aos trabalhadores da Câmara pelo que tiveram de resistir durante este período de tempo, até à pressão da Câmara”, brincou, vincando ao mesmo tempo o recado em si.

Bolsa de terras rurais à distância de um clique proprietário que deseje colocar à venda o seu terreno rural, tem agora a oportunidade de o fazer através do portal de negócios da Câmara de Alenquer, bastando para isso preencher o formulário para o efeito que se encontra no site. O projeto foi dado a conhecer pelo vereador Paulo Franco, que salientou o facto de surgirem com frequência pedidos por parte de investidores para que a Câmara agilize no sentido de encontrar terrenos para agricultura. Nesta tarefa, as juntas de fregue-

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sia pela sua proximidade em relação aos cidadãos vão desempenhar um “importante papel nesta procura de se potenciar o uso do território rural, e com isso promover-se o combate ao abandono de terras e o incremento de postos de trabalho”, referiu o autarca. Paulo Franco deu como exemplo desta procura de terrenos: pedidos que lhe têm sido feitos até por empresas do concelho, como aconteceu recentemente com uma que se encontra ligada à produção de ervas aromáticas.

No preenchimento do formulário, o proprietário deverá disponibilizar alguns dados que lhe são pedidos relativos ao terreno como a matriz, a área, a caracterização dos terrenos, entre outros aspetos. Através do portal, o investidor tomará contacto com os terrenos disponíveis, sendo que a concretização ou não dos negócios são independentes da autarquia. A caracterização dos solos do concelho vai ser também alvo de uma tese de mestrado que será apresentada entretanto.


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Sucesso do PROVE em Alenquer m ano e meio após o seu lançamento, o programa PROVE em Alenquer, que consiste na venda de cabazes de produtos hortícolas a baixo preço pelos agricultores aderentes, tem sido um sucesso. Apenas três produtores aderiram à iniciativa da Leader Oeste e do município, mas todos são unânimes em considerar que se fossem mais, os lucros seriam menores. Presentes na iniciativa “Mercado de Emoções”, Pedro Franco, Rute Ferreira e

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José Marques sublinharam o desejo de continuar a levar para a frente este trabalho. Todas as sextas feiras vendem os seus hortícolas no mercado de Alenquer. “Todas as semanas temos consumidores novos”, referem. Um cesto com quatro a seis quilos de legumes e fruta custa sete euros, um cabaz entre os sete e os nove quilos tem um custo de 10 euros. “Não podemos dizer que é recompensador financeiramente, mas também não nos

podemos queixar porque conseguimos escoar os nossos produtos a um preço justo, por outro lado quem consome, adquire qualidade a um preço satisfatório” Os três agricultores começaram, entretanto, a fornecer também a base aérea da Ota, “porque não lhes dá jeito virem a Alenquer”. No futuro, os produtores gostariam de vender os seus cabazes no mercado do Carregado, mas asseguram que será “algo a ver com a Câmara”.

Nove habitações sociais atribuídas no concelho de Vila Franca Câmara Municipal de Vila Franca de Xira entregou no mês de dezembro nove casas prontas a habitar. Desta vez, o município atribuíu habitações nas Uniões de Freguesias de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras e de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, mas também nas freguesias de Vila Franca de Xira e Vialonga. Estas frações foram totalmente reabilitadas e posteriormente distribuídas tendo em conta as necessidades socioeconómicas dos agregados familiares seleciona-

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dos. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, salientou que o momento foi “enaltecedor para os autarcas que trabalham para que as famílias tenham cada vez mais oportunidades”. Para o autarca, este processo é socialmente importante, pois permite que as famílias com carências económicas tenham acesso à habitação “já que não o conseguem fazer através do mercado normal”. Todavia, o presidente da Câmara

lamentou que o município não tenha tido hipótese de ampliar o número de pessoas abrangidas. Esta foi mais uma etapa, no que concerne à habitação social, já que ficaram de fora deste concurso outros 208 suplentes. Contudo o município encontrou uma solução que minimizou o impacto destes números. Alberto Mesquita salientou que foi lançado um desafio a estas famílias. Segundo o autarca havia 69 outras habitações a necessitar de reabilitação. O município deu os materiais e o apoio técnico, e fo-

ram os próprios futuros moradores que colocaram mãos à obra e reabilitaram as suas casas. Por outro lado, Alberto Mesquita lembrou, que desde 2011, o município já atribuíu 130 casas. Este concurso é apenas mais um, mas que não deve ser desvalorizado. O autarca advertiu os futuros inquilinos para a manutenção das suas casas, vincando que estas são propriedade municipal e que um dia mais tarde serão atribuídas a outras famílias, e que nesse sentido, deverão ser devolvidas em boas condições.

Plataforma Logística da Castanheira quase a receber a primeira empresa o fim de quase oito anos, a Plataforma Logística Lisboa – Norte em Castanheira do Ribatejo, poderá vir a receber a primeira empresa. O Valor Local sabe que

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essa é uma questão premente para o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, que não quis ser demasiadamente otimista quanto

a esta possibilidade. O autarca diz ter a “convicção plena de que a plataforma logística é o futuro em termos económicos de todo o nosso concelho”; e

anuncia que nos últimos tempos têm-se feito notar pedidos que vão no sentido da criação de “algumas expectativas de instalação de empresas na plataforma logís-

tica”. Alberto Mesquita que reconhece a importância daquele espaço para a economia local, diz ter a noção de que “falta o clique para a primeira empresa ali se instalar”. “Depois tudo vem por acréscimo”. Tem existido, por isso, um cuidado moderado sobre esta questão, já que o autarca acredita que poderá estar para muito em breve o “clique” a que se refere. Lançada a primeira pedra pelo antigo primeiro-ministro José Socrates em 2008, a plataforma logística prometia empresas e emprego para a região. Tendo em conta a sua localização, foram feitos vários investi-

mentos em acessibilidades, tais como a modernização da estação da CP, que fica paredes meias com aquela plataforma, e a construção de um nó de autoestrada entre outros investimentos que ao todo ultrapassaram os 265 milhões de euros, sendo que os acessos foram pagos na íntegra pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A plataforma prometia cerca de 17 mil 500 empregos, mas até aos dias de hoje, nem um emprego vingou naquela unidade. O espaço foi inaugurado por Sócrates, e Mário Lino, (à época ministro das obras públicas) a 11 de março de 2011.


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Câmara de Vila Franca anuncia estímulos para a regeneração urbana Câmara Municipal de Vila Franca de Xira quer continuar a mudar a “cara” do concelho. Nesse sentido, o município presidido por Alberto Mesquita, apresentou à imprensa os novos programas de estímulo a particulares e empresas para a regeneração urbana Na prática o município quer dar incentivos fiscais ou outros (que sejam mais facilitadores para a reabilitação ou construção) aos proprietários de casas devolutas ou em mau estado. Esta iniciativa municipal está dividida em duas partes. Uma destinada às empresas e outra aos particulares. A primeira denominada “Revitalizar Consigo” é destinada às empresas. Segundo Alberto Mesquita, tem como objetivo “reforçar a atratividade e competitividade do tecido empresarial” com o intuito de incrementar “a criação de emprego, alargar a indústria a se-

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tores inovadores ou complementares”, ao mesmo tempo, que aposta na revitalização de áreas devolutas e na requalificação de instalações industriais. Já quanto ao programa destinado aos particulares, este tem o nome de “Reabilitar Consigo”. Segundo o autarca este é o programa que visa “reabilitar e preservar o património edificado do concelho” ao mesmo tempo que cria “as melhores condições de habitabilidade e sustentabilidade ambiental e energética dos edifícios, bem como uma melhor qualidade de vida em todas as suas áreas envolventes”. Para incentivar os munícipes a levar a cabo estes programas, a Câmara Municipal decidiu atribuir uma série de benefícios fiscais e incentivos financeiros “para que particulares e empresas sejam estimulados a empreender as intervenções e obras necessárias à necessária reabilitação e revitali-

zação, no âmbito da estratégia elaborada”. Antiga biblioteca será a sede da Assembleia Municipal Segundo Alberto Mesquita não foram esquecidos os edifícios de propriedade municipal. Alguns estão em mau estado, mas o presidente da autarquia sustenta que a Câmara tem vindo a fazer um esforço para resolver os problemas. O autarca dá como exemplo o Café Central que é hoje um posto de turismo, e o edifício junto ao Mercado Municipal que alberga outros serviços do município, bem como a antiga Casa do Povo, onde hoje está a área financeira. Para outros projetos, o autarca anuncia que alguns destes serão alvo de candidaturas a programas comunitários. Reconhecendo que o município deve dar o exemplo, Alberto Mesquita anunciou que a

Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira passará para as antigas instalações da biblioteca municipal, em conjunto com os serviços de urbanismo numa lógica de partilha do espaço. Aquele órgão estava há vários anos num edifício a necessitar de obras. O espaço que é arrendado, poderá vir a ser reabilitado pelo

senhorio, mas o presidente da Câmara não garante que os serviços da Assembleia Municipal retornem ao local, depois dessas obras. O presidente da Câmara salienta que a concentração de serviços num só espaço, como há muitos anos o município deseja, está longe de ter um desfecho rápido e

por isso refere que “as propostas financeiras que temos, para o efeito não estão de acordo com aquilo que nos parece adequado, e por isso não poderíamos estar mais anos há espera que os nossos trabalhadores e colaboradores, em alguns casos, continuassem a trabalhar com condições muito más”.

Cheque farmácia em Arruda dos Vinhos Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos apostou na emissão de cheques farmácia para os munícipes com baixos recursos. Segundo a vice-presidente do município, Rute Miriam, esta iniciativa conta já com a adesão de duas farmácias do concelho, “uma na freguesia de Arranhó e outra em Arruda dos Vinhos”. De acordo com a responsável, o processo conheceu alguns percalços com atrasos que não estavam previstos, e face àquilo que o município ambicionava, mas isso deveu-se a criação de um maior controlo da distribuição desses cheques “para que não existisse um endividamento nas farmácias”. Nesse sentido foi criada uma plataforma para que as farmácias saibam que o agregado que escolheu ir àquela farmácia tem um plafond de 100, 200 euros ou 300 euros,

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consoante o número de pessoas por família, “e assim que se atinja o valor estipulado, dá-se um cancelamento automático”, refere a vice-presidente. “Sempre que se

ultrapassem as verbas disponibilizadas pelo município, a responsabilidade passa a ser dos s munícipes”, assevera. Estes são valores anuais disponi-

Vice-presidente refere que nove agregados são apoiados

bilizados e monitorizados pelo município. De acordo com Rute Miriam, a Câmara tem até ao momento nove processos diferidos, “que atingem 24 pessoas”. Em espera, estão outros cinco processos que aguardam alguma documentação “que é necessária para que as pessoas se possam candidatar, e que possamos perceber que plafond será aprovado”. Há, no entanto, algum cuidado na deferição destas situações. A vicepresidente destaca que o município detetou sete processos que não estavam abrangidos por este programa: “um porque a capitação do agregado familiar é superior àquela que está descrita no regulamento”, e outros por falta de documentação. A vereadora explica que as pessoas foram devidamente alertadas e garante a estas famílias que se

a documentação em falta for entregue, os processos poderão ser reapreciados à luz da regulamentação. Rute Miriam esclarece que o município colocou à disposição deste projeto de financiamento de medicamentos cerca de seis mil euros, mas esta verba referente a 2015 acabou por não ser toda utilizada “até porque houve um atraso no processo”. A responsável garante entretanto que os dois mil euros restantes chegam para os processos já deferidos. Para o ano seguinte, os valores serão mantidos entre os seis e os sete mil euros. Arruda dos Vinhos só tem 800 utentes sem médico de família Com uma Unidade de Saúde Familiar a funcionar a 100 por cento, Arruda dos Vinhos tem apenas a

aguardar por um médico de família para cerca de 800 pessoas, tendo em conta os 14 mil habitantes. Esta situação já mereceu a atenção de algumas entidades e municípios, que quiseram perceber o aparente sucesso que reina em Arruda dos Vinhos. Nos últimos anos, os médicos têmse fixado no concelho que parece beneficiar dos acessos privilegiados à capital. Nesta altura a Unidade Saúde Familiar de Arruda dos Vinhos é responsável por 7686 utentes. Na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Arruda estão 5335 e em Arranhó 1757. Estes são dados referentes a abril deste ano. Sobre o número de enfermeiros, a vice-presidente do município, esclarece que Arruda dos Vinhos “não tem qualquer tipo de necessidade”.


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Ana Rita solidifica carreira em Espanha ¢ Nuno Filipe esde tenra idade que a jovem Ana Rita, natural de Aveiras de Cima, tinha um sonho. Queria ser cavaleira tauromáquica. E apesar de como ela nos conta, desde sempre ter tido o seu “cavalinho em casa”, não havia na família qualquer tradição tauromáquica que fosse além da afición. Mas ao assistir às corridas imaginava-se na arena, queria pertencer àquele mundo, sonhava fazer dos toiros a sua vida, e esse sonho tornou-se realidade há quatro anos, quando a 5 de agosto de 2011 numa corrida TV realizada no Redondo, recebeu a alternativa das mãos de uma das principais figuras do toureio azambujense, Manuel Jorge de Oliveira. Passados quatro anos, Ana Rita tem construído a sua carreira essencialmente no país vizinho, porque gosta muito de tourear em Espanha, “onde o público é conhecedor e acarinha o artista, pois está consciente das dificuldades da função de toureio e sabe ver o seu valor”, sobretudo sendo ela uma mulher num mundo maioritariamente masculino. Outro fator que a faz andar mais por Espanha, prendese com a falta de oportunidades em Portugal. Segundo Ana Rita, o mercado em Portugal possui algu-

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mas regras próprias a nível dos bastidores, em que os apoderados e empresários de vários cavaleiros os vão trocando entre si para os diversos espetáculos, fazendo com que seja complicada a entrada de alguém que esteja fora desse circuito. No entanto, para 2016, a cavaleira está a tentar planear uma temporada em Portugal, encontrando-se, neste momento, a tentar criar condições para que isso aconteça. Símbolo da tourada à portuguesa, o cavalo de toureio tem de ser bastante trabalhado. Assim, quando não anda a tourear, Ana Rita passa os seus dias na Quinta do Açude, no Cartaxo. É na propriedade de Manuel Jorge de Oliveira, (aquele que a jovem considera o pilar da sua arte e o seu grande apoio no meio taurino, pois desde sempre foi o seu mestre), que trabalha os seus cavalos. Longe vão os tempos em que apenas tinha um cavalo, ou toureava com os cavalos emprestados pelo mestre Manuel. Neste momento tem dez, mas diz que para um cavaleiro existe sempre um cavalo especial, “o cavalo ao qual se recorre em situações de maior aperto”. Quando o toiro é difícil e a lide encerra algumas dificuldades, sai o cavalo de confiança, que lhe ocupa os

dias de manhã à noite. A cavaleira explica que o trabalho com um cavalo não é linear e que se uns, por exemplo, podem ser mais maleáveis e atingirem facilmente aquilo que o equitador pretende, outro são mais difíceis, tendo de se per-

der mais tempo com os mesmos. “A vida de um cavaleiro tauromáquico não é apenas aquele glamour de vestir a casaca e ter os 15 minutos de lide, pois por trás existe o trabalho de muitas horas diárias”, refere.

Estando na presença de uma cavaleira do concelho de Azambuja, a Feira de Maio, não poderia deixar de vir à baila. Ana Rita confessa que participar na corrida de domingo seria algo que muito a honraria, afinal, considera Azambuja

como se fosse a sua terra, sentindo-se tratada sempre com muito carinho sempre que visita a vila. No entanto, afirma que não depende apenas dela fazer com que isso aconteça. Em video: www.valorlocal.pt


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Projeto de meio milhão de euros

Igreja da Várzea com museu em 2016 s obras na Igreja da Várzea em Alenquer, conhecida por ter sido o local que serviu de túmulo até 1941 ao humanista Damião de Goes (transladado depois disso para a vizinha Igreja de São Pedro), caminha a passos largos para o seu términus que deverá ocorrer no último trimestre do ano que vem. O espaço exterior e interior tem vindo a ser recuperado, com o levantamento ao mesmo tempo das ossadas existentes, dado ter sido aquele um local que também serviu para sepultamentos. A Igreja de Santa Maria da Várzea vai albergar o Museu Damião de Goes e das Vítimas da Inquisição, o primeiro no país que dedica um espaço àqueles mártires. Alenquer foi conhecida no século XV por ter uma importante judiaria, com muitos artesãos de origem judaica a residir nas proximidades da igreja. Muitos viriam também a falecer vítimas da Inquisição. Neste âmbito, o município faz parte da rede de judiarias que por sua vez recebe o apoio do governo da Noruega e do fundo criado por este país em conjunto com o Liechenstein, e a Islândia (EEA) tendo em vista o financiamento de projetos em países da União Europeia, através dos protocolos de cooperação existentes com a U.E. Rui Costa, vice-presidente do município, refere que espera que a obra esteja pronta no último trimestre do ano que vem, e salienta a rapidez que o processo tem conhecido sobretudo por parte da Direção Geral do Património Cultural que tem procurado também acelerar as questões relativas ao levantamento das ossadas. Desde que as obras começaram que importantes registos arquitetónicos tiveram de ser respeitados, e Rui Costa dá conta que houve,

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por exemplo, a necessidade de preservação de uma pedra tumular, que obrigou à adaptação de uma casa de banho existente, por imperativos de manutenção daquele registo histórico. Por outro lado, “na zona onde está instalado todo o equipamento técnico, tivemos de mudar os quadros da parede onde estavam projetados, por via de se ter encontrado uma pia batismal quando se picaram as paredes”, acrescenta. Este é o projeto da rede de judiarias em Portugal com um preço superior, e cuja intervenção será em maior escala. Inicialmente tinha um custo previsto de 330 mil euros, mas vai chegar aos 520 mil euros, financiados em 15 por cento pela Câmara e em 15 por cento pelo Governo. O EEA financiará os restantes 70 por cento. “Algumas autarquias tiveram de abdicar dos seus projetos ao abrigo da lei dos compromissos, o que nos permitiu ficar com mais verbas, e apostar por conseguinte na componente da musealização”. O autarca lamenta, contudo, que não se saiba ainda mais sobre a história deste edifício, pois muito foi-se perdendo, mas adianta que aquando da inauguração das obras será também editado, ao mesmo tempo, um livro contendo informação acerca do trabalho de arqueologia e paleontologia levado a cabo nesta fase. As primeiras fundações da igreja vêm desde a Idade Média, mas a data original do monumento é de finais do século XIX. Tendo em conta também que se trata do único museu que prestará homenagem às vítimas da Inquisição, um dos tempos mais importantes da história do país, Alenquer está a desenvolver “esforços no sentido de corresponder a esse desafio, reunindo toda a informação possível”, des-

taca. “É algo de grande envergadura”. A experiência de ser criada uma casa museu em honra de Damião de Goes também tem criado expetativa entre diretores de museus, “ e tenho a certeza de que muito facilmente teremos aqui muitas peças que vão dar alguma unidade a esse projeto”. Os ossos de Damião de Goes, considerado o alenquerense mais importante de todos os tempos, poderão retornar à igreja que o próprio preparou para o receber após a sua morte, apesar de um estudo desenvolvido há alguns anos ter aferido que os restos mortais encontrados não seriam do grande humanista tendo em

conta os registos que falam da forma como morreu, e o que se conhecia da figura à época. O vereador da Cultura prefere acreditar que há restos de Damião de Goes e quanto ao seu regresso à Várzea, refere que é algo que ainda não está em cima da mesa, “mas que faria todo o sentido”, constata, e confidencia uma conversa que Mariano Gago, entretanto falecido, teve com a Câmara a propósito de Damião de Goes- “ O professor estava a preparar um trabalho sobre o nosso humanista e disse que só daqui a um ou dois séculos é que a humanidade ia ter a capacidade de compreender o pensamento de Damião de Goes”.

Uma frase “que diz muito” e que não é alheia ao facto de esta personalidade ainda ser um pouco desconhecida no nosso país “mas reconhecida em todo o mundo, como sendo um dos grandes pensadores da sua época”. Cenário para o primeiro estudo de paleoparasitologia em Portugal Os ossos dos antepassados sepultados na Igreja da Várzea também vão servir para que pela primeira vez em Portugal se faça um trabalho em gabinete destinado a saber que parasitas habitavam esses corpos. A paleoparasitogia é

uma área recente, braço da bioantropologia, sobre a qual ainda não existem muitos estudos. Raquel Raposo, arqueólogo alenquerense, que está a trabalhar no terreno refere que foram detetados seis enterramentos no espaço exterior da igreja, que remontam aos séculos XVIII e XIX. “Por exemplo, hoje em dia muitas crianças têm piolhos, com as ferramentas que vamos utilizar conseguiremos saber que parasitas afetavam estas pessoas, que possivelmente os possuíam em larga escala”. Depois de recolhidos os elementos, será compilada uma publicação através da Universidade de Coimbra.


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Solidariedade

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Santa Casa de Azambuja à espera de dar gás a vários projetos Misericórdia de Azambuja está a ultimar os derradeiros pormenores que levarão à assinatura do protocolo com a Santa Casa de Lisboa tendo em vista a construção da unidade de cuidados continuados, no espaço onde funcionou o antigo centro de saúde, que se encontra devoluto. São cerca de 40 camas, mas o projeto poderá também levar à instalação de uma unidade de fisioterapia, bem como consultas de especialidades médicas. Manuel Ferreira, provedor da instituição de Azambuja, não esconde contudo que se encontra algo apreensivo, pois todo o processo tem demorado muito tempo. “Entregámos o projeto na primavera. Nesta altura já desejaríamos estar a lançar o concurso. Insistimos muito e só agora é que o assunto foi desbloqueado”, descreve, acrescentando que tem esperança que com a visita de um elemento da Santa Casa de Lisboa ocorrida na segunda semana de dezembro, os processos comecem de facto a ser mais acelerados. O compromisso com a Misericórdia de Lisboa já é antigo, e resulta de um conjunto de protocolos também efetivados com outras instituições no país, nomeadamente, em Vila de Rei e Porto. A unidade de Azambuja receberá doentes de várias partes do país, e poderá proporcionar entre 30 a 40 postos de trabalho. No total terá um custo de 1 milhão 500 mil euros. Ao mesmo tempo, segue a bom ritmo a obra do novo lar da instituição, cujas obras arrancaram em agosto, e segundo o provedor a valência estará pronta a inaugurar no final de 2016. Durante vários anos, este projeto teimou em não sair da gaveta, com muitas críticas a serem feitas a anteriores gestões da instituição, mas Manuel Ferreira prefere resumir o

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O provedor fala em 40 postos de trabalho para a nova unidade passado a “questões de burocracias”. No total e entre o lar novo e o velho, a Santa Casa de Azambuja ficará com 73 camas. “Na parte mais velha, haverá obras de reformulação do espaço, com a criação de mais casas de banho, de acordo com a nova legislação, que prevê uma casa de banho para cada duas camas”. A obra do novo lar tem um custo de 1 milhão 90 mil euros, verba já reservada pela Segurança Social. Atualmente, a Santa Casa tem 49 utentes, sendo que muitos deles não pagam o valor base definido pelas IPSS’s, 752 euros. “Há quem possua reformas baixas, não conseguindo pagar mais do que 300 euros, por exemplo. Nestes casos pedimos a colaboração dos familiares, há uns que podem, outros que não. A rentabilidade do lar é sempre relativa, pois tentamos sempre responder aos casos sociais”, define desta

forma o provedor. Na componente do centro infantil, Manuel Ferreira refere que a instituição não se ressentiu com o pré-escolar público, “talvez por possuirmos horários mais alargados e uma resposta mais maleável face à necessidade dos pais”. A instituição possui 100 crianças no préescolar, 130 em ATL, e 112 em creche. Os projetos da Misericórdia não se reduzem apenas ao novo lar e à unidade de cuidados continuados, pois na forja poderá estar a reabilitação do espaço do antigo hospital onde funcionaram os tempos livres, contíguo à Igreja da Misericórdia – “Queremos fazer obras na igreja porque está muito degradada, e proceder à transferência do abrigo do peregrino para esse local (antigo hospital). Aliás este inverno deixará de funcionar no edifício junto ao largo da Câmara, porque o telhado constitui perigo. Os peregrinos

ficarão entretanto nas instalações da Santa Casa, como chegou a acontecer”. Esta obra ainda não tem verba, mas é intenção da Instituição fazer uma candidatura ao Portugal 2020 para esse efei-

to. A Câmara Municipal comprometeu-se com um estudo técnico. Nas relações com a autarquia, a Santa Casa não esconde que tem pedido celeridade na resolução da questão das piscinas desativadas e dos campos de ténis também sem uso. “No caso das piscinas trata-se de um equipamento importante para os nossos utentes, temos insistido com a Câmara mas resta-nos esperar”, resume. Manuel Ferreira assume que apesar de tudo, o protocolo com a autarquia para a administração das piscinas e dos campos de ténis é para manter. Por outro lado, refere que a dívida da autarquia para com a instituição no valor de 35 mil euros, relacionada com o património do campo de futebol, será “paga em breve”. “Acredito que a autarquia cumprirá com o seu papel, tendo em conta a nova orientação das finanças e a lei dos compromissos”, demonstra. Ainda no âmbito do apoio a idosos, a Santa Casa da Misericórdia de Azambuja começou a levar a efeito o atendimento domiciliário também aos fins-de-semana,

porquanto verificou tratar-se de uma necessidade dos mais velhos do concelho. Na componente domiciliária espera também introduzir a teleassistência, e se um dias as condições se proporcionarem a possibilidade de atividades de fisioterapia, e cuidados paliativos, isto porque acredita que as respostas sociais no futuro passarão mais pela casa do idoso do que pelo lar. “Há estudos internacionais que provam que os lares são soluções do século passado. Se as pessoas puderem estar nas suas casas não há necessidade de as colocarmos nas instituições”. Manuel Ferreira assumiu funções de provedor desde janeiro deste ano, mas já estivera em anteriores direções. “É a primeira vez que sou provedor, mas só aceitei porque tenho comigo uma equipa com muita disponibilidade para estar aqui todos os dias”. Com 98 funcionários, é também um dos principais empregadores do concelho, sendo que todas as semanas “ me abordam para pedir trabalho, nuns casos consigo ajudar, noutros nem tanto”.


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Ambiente

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Limpeza da Ribeira do Sarra foi inglória Empresas não páram de enviar descargas. Cansaço apodera-se cada vez mais dos moradores pesar da recente limpeza que a Câmara de Alenquer efetuou na Ribeira do Sarra, Carregado, os focos de poluição continuam a fazer-se sentir. As descargas poluentes emanadas das fábricas que se localizam na proximidade do bairro são uma constante, e os maus cheiros são o pior cartão-devisita do Sarra. As denúncias deste estado de coisas já têm barbas, mas as autoridades competentes nomeadamente, a Inspeção Geral do Ambiente, numa carta enviada a um dos moradores do bairro – à qual o Valor Local teve acesso – referia que as empresas do complexo industrial Ota Park, nomeadamente, a Nally, e a Europastry, (acusadas de estarem na origem dos focos de poluição) possuem as respetivas ETAR’s licenciadas para tratamento dos seus efluentes industriais. Foram também levantados quatro autos da GNR que se encontram em segredo de justiça. Um dos moradores do Sarra ouvido pelo Valor Local tem a sua opinião muito própria para o caso: “Uma das empresas tamponou os esgotos, mas como as manilhas são encaixadas, permitem fuga, e as águas residuais escapam como se fossem minhocas através da terra”. “Esta poluição não tem razão de ser”, refere Carlos Assis, lamentando, ao mesmo tempo, que a limpeza da vala apesar de bem-sucedida, tenha valido de pouco, pois o mau aspeto continua a persistir devido às descargas. A juntar a tudo isto, o morador salienta que há outras causas a montante, nomeadamente, na zona industrial onde procedem à lavagem de camiões cisterna, poluindo uma linha de água que no seu trajeto conflui a jusante com a ribeira. O morador Artur Almeida é também um dos que sofre na pele com os efeitos da poluição no Sarra. “No Verão não podemos abrir as janelas, devido às moscas e ao

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odor nauseabundo”, constata. Na sua opinião, o foco também é originado pela poluição que é produzida na zona industrial na linha de água que à posteriori desagua na ribeira. Os moradores referem que no total cerca de 200 a 300 pessoas do bairro são afetadas, “já para não falar dos habitantes da Barrada, onde termina o curso de água, antes de entrar no Tejo, onde existe um lago completamente putrefacto”, acrescentam. “Todos os dias de manhã há espuma”, elucidam, para demonstrar que as descargas são constantes. Carlos Assis também defende a teoria de que as empresas do antigo complexo Knorr produzem acima da capacidade das respetivas ETAR’S. “A Câmara limpou a ribeira, contudo foi inglório”, tendo em conta o estado de coisas, acrescenta Artur Almeida, que também não tem dúvidas de que a contribuir para este cenário estão não apenas as empresas, mas a lavagem dos camiões cisterna. Artur Almeida também desconfia de uma fábrica relacionada com mobiliário que opera na zona. Os moradores lamentam que a Câmara não tenha uma posição mais vincada nesta matéria, e Artur Almeida refere que já houve uma situação em que uma técnica da autarquia tentou desvalorizar o caso. A junta do Carregado também não é poupada. “Depois de uma descarga, também fizeram pouco caso e que o melhor era ignorar. Sou munícipe e pago 300 euros de IMI por ano, tenho direito a ser tratado como deve ser”, desabafa Artur Almeida. Recentemente, com as descargas poluentes veio também um composto químico desconhecido. “Os estores ficaram pretos, o plástico degradou-se”. “Os responsáveis, de uma vez por todas, têm de ir à procura das empresas prevaricadoras”, alerta, por seu turno, Vítor Lemos. A tudo isto acrescem os acidentes

que vão acontecendo inadvertidamente em outras fábricas do Carregado: “Soube de um acidente numa outra empresa do Carregado, onde um monta-cargas partiu uma tubagem, e como não havia uma bacia de contenção no local, foi provocado um derrame de ácidos. Imediatamente vi uma grande movimentação de bombeiros a injetar água para a ribeira, para atenuar o efeito do acidente, e a entrada de ácidos”, conta Vítor Lemos. “É inacreditável que isto aconteça numa localidade a 30 quilómetros de Lisboa e onde moram milhares de pessoas”, desabafa Artur Almeida. “O assunto só ficará esquecido quando estiver totalmente resolvido” A vereadora com o pelouro do ambiente no município, Dora Pereira, reforça que o trabalho de diagnóstico por parte dos técnicos da Câmara continua a ser efetuado, embora seja “exaustivo e moroso”, porque inclui o levantamento no terreno e uma análise detalhada de todos os processos de obras. A autarquia frisa contudo que só consegue aplicar sanções no que se refere a questões urbanísticas através de autos de contraordenação, sendo que do ponto de vista ambiental continua a manter o contacto com as autoridades – “Aguardamos também pelo agendamento de uma reunião no Ministério do Ambiente e estamos em permanente contato com a Agência Portuguesa do Ambiente/Administração da Região Hidrográfica no sentido de colocar esta entidade a par de toda a situação e pressionando para que todas as medidas da sua tutela possam ser aplicadas.” A vereadora adiante que se reuniu, no final de novembro, com os representantes do complexo Otapark (antiga Knorr) propriedade do Grupo ABB II com o propósito de

levarem a cabo “todas as diligências no sentido de colmatarem algum problema que pudesse existir naquele local.” “Entretanto, deramnos conhecimento que foi convocada uma Assembleia de Condomínio extraordinária com carácter de urgência e referido que o ‘assunto só ficará esquecido quando estiver totalmente resolvido’.” O Valor Local contactou a Europastry, uma das empresas quase sempre visada, cujo responsável, Jorge Amado, defende “categoricamente” não ser autor dos acontecimentos relacionados com a ribeira. De acordo com o mesmo, os efluentes da empresa “são corretamente tratados, devidamente autorizados e regularmente auditados pelas autoridades competentes.” A empresa vai mais longe e diz mesmo: “Estamos muito preocupados e atentos ao desenrolar da situação, até porque coloca em causa o nosso bom nome e reputação, imaculada nestas e noutras matérias”. E por isso espera que as autoridades identifiquem o mais depressa possível os responsáveis. Por outro lado, não nos foi possível chegar à fala com a Nally, outra das empresas envolvidas.


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O Silêncio da Pobreza A palavra Solidariedade anda sempre associada à época de Natal. O Valor Local acompanhou uma distribuição de cabazes da junta de Aveiras de Baixo e da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima. Fomos ainda conhecer outros casos de solidariedade, e de ajuda ao próximo na nossa região. ¢ Miguel A. Rodrigues ¢ Sílvia Agostinho odos os anos em época de Natal, a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima e a junta de freguesia de Aveiras de Baixo cumprem a tradição: oferecer um pouco de carinho, atenção, e alguns cabazes de comida aos que vivendo naquela freguesia sobrevivem, muitas vezes, em condições precárias e pouco dignas. A primeira paragem é em Casais da Amendoeira, onde as carrinhas da junta de freguesia e da associação são recebidas com entusiasmo. Numa rua pequena, numa casa que não possui chão, onde há móveis muito antigos, e o telhado parece que resultou de uma obra de improviso, mora a família

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de Rute, que habitualmente recebe este tipo de apoios. De forma desenvolta, fala abertamente das condições de vida da família, mas não se deixa abater. Recentemente, Rute e o marido deitaram mãos à obra e estão a construir junto à casa onde habitam, uma divisão que vai servir como cozinha. A alvenaria já lá está mas agora seriam necessários mais materiais. O presidente da junta, Carlos Valada, prometeu dar uma ajuda, porque “é uma pena que a obra fique por aqui”. Rute tem orgulho no que conseguiu até agora apesar de todas as dificuldades. “São casas velhas feitas de adobe, já nos ajudaram com azulejos, e outros materiais, mas ainda falta muita coisa para acabar esta cozinha”. A Seguran-

ça Social contribuíu com uma verba, que se revelou insuficiente. Rute conta que o marido habitualmente faz uns biscates na construção civil. O casal tem quatro filhas, e quando a questionamos sobre como é viver o Natal com tão pouco, refere que “as filhas compreendem”. “Tento incutir-lhes que não é por termos uma casa pior, ou vivermos com menos, que somos menos do que outras pessoas. O facto de não lhes poder dar as melhores prendas, não faz com que eu seja pior mãe e elas piores filhas”, refere, acrescentando contudo que ainda tem esperança de conseguir comprar uma “prendinha”. Para já, o Pai Natal já deu um ar de sua graça junto das meninas da família: A juntar aos sacos com alimentos, a Cruz Ver-

melha e a junta também trouxeram algumas prendas para as crianças. Para 2016, e depois de respirar fundo, o maior desejo de Rute seria arranjar um emprego fixo, mas reconhece que é difícil porque também não possui transporte.

Sendo que os horários escolares das filhas também acabam por ser um entrave: “Entram às nove, e nuns dias saem às quatro, noutros às cinco, noutros ainda às três e meia da tarde. É algo que não é compatível com nada”. Esta família recebe o Rendimento Social de

Inserção e ajudas de familiares. A crise também ajudou a piorar “sem dúvida nenhuma” a vida desta família. Fome diz que não passam. “Deus nos livre de tal”, mas “cortamos em muita, muita coisa”. No fim da visita, Carlos Valada


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conta-nos que esta é uma família reservada, que nunca pede nada, e que fez um esforço notável para construir a nova cozinha. “Vamos ver no que podemos ajudar para conseguirmos completar a obra, sei que desejariam arranjar o resto da casa. Ajudaremos em conjunto com a comunidade naquilo que pudermos”, exprime. Os dois grupos partem depois para Casais da Lagoa, onde uma idosa vive com o filho em condições igualmente precárias. A falta de informação sobre que tipo de ajudas estas pessoas podem conseguir obter é também uma tónica ao longo desta reportagem. Desamparadas, com pouca literacia, e vivendo isoladas, os meios embora próximos, parecem ao mesmo tempo muito distantes. A burocracia soa a língua estrangeira quando são referidos os procedimentos que devem seguir para conseguirem mais apoios a nível da Segurança Social. Mais uma vez, é a secretária da junta, Telma Carvalho, que por coincidência é também assistente social, que informa que a idosa pode requerer junto do centro de saúde um documento que depois lhe permita adquirir fraldas gratuitamente. “Como tem uma pensão muito baixinha pode beneficiar de 40 euros na aquisição das fraldas”, informa a secretária da junta. Mas Isabel desalentada vai dizendo: “Já me queixei ao médico mas não deram seguimento”. “A minha reforma é de 240 euros, depois de pagar, a luz, a água e as fraldas já não sobra quase nada”, refere a idosa, que momentos antes recebera com gratidão os sacos com comida. “Vou cozer este bacalhau que me deram com couves para o Natal”, informa à nossa reportagem. O filho de Isa-

bel, por seu turno, tem uma deficiência na mão, “não trabalha, e já foi operado duas vezes na Estefânia porque tinha os dedos colados”, lamenta-se. Ainda em Casais da Lagoa, há uma outra senhora que vive em condições sub-humanas. Há vários anos que a Câmara lhe prometeu uma casa, mas parece que a promessa teima em cumprir-se. A nossa reportagem é informada de que na casa de Helena é possível ver-se cobras ou até ratos, embora quem observe de fora não se aperceba do estado de degradação. No fim é nos dito que a casa foi feita com contraplacados vindos da antiga Ford. Helena sente-se especialmente desamparada e não consegue segurar as lágrimas. Confortada pela equipa, e em especial por Telma Carvalho, não deixa contudo de agradecer os sacos com comida. “Sei que os apoios não podem chegar a todos”, conforma-se quanto à promessa da Câmara, ao mesmo tempo, que mergulha no desespero. Sem ajuda de familiares, e sem reforma, está à espera de conseguir mais apoio da Segurança Social. Apenas tem a pensão de viuvez no valor de 122 euros, bem como outros 122 de Rendimento Social de Inserção. A juntar a tudo isto, Helena ainda esteve até há pouco tempo a pagar a escolaridade da filha que tem 23 anos. Acabou um curso profissional recentemente. “Tive de fazer um grande aperto, foi muito difícil”. As despesas na farmácia também não são poucas: tem de adquirir remédios para si e para a filha, que ultimamente tem andado doente. Desejos para 2016, não consegue formular, apenas encolhe os ombros e atira: “Qualquer

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coisa boa, qualquer coisa que a gente nunca teve, quem passa por elas é que sabe”. Quase no fim da viagem, a equipa da junta e da Cruz Vermelha chega às Virtudes. É nesta localidade vizinha do caminho-de-ferro que vamos encontrar Eva e a filha. Quem conhece Eva sabe que é uma lutadora. Há três anos o marido desapareceu, tendo sido encontrado uns dias depois morto no mar. Eva estava desempregada e tinha uma filha ainda bebé para criar. “Ou desanimava ou baixava os braços”, refere. Conseguiu também apoios da comunidade para a sua casa, e fez algumas obras. A casa é uma pequena mas simpática moradia numa das ruas mais escondidas da localidade, e Eva espera conseguir ter forças para “tocar a vida para a frente” e proporcionar “ a melhor vida possível à filha”. A pequena recebeu também prendas durante a visita, um jogo infantil com o qual começou logo a divertir-se, ao mesmo tempo que Telma Carvalho a enchia de mimos. A vida desta viúva e da sua filha tem sido dramática, Quando o marido morreu estava desempregada, mas entretanto tem conseguido equilibrar a vida. “Beneficiei do Rendimento Social de Inserção, e de uma pensão de sobrevivência, até encontrar emprego. Estou a trabalhar desde há um ano nas limpezas nos apeadeiros. Ganho pouco, mas como consigo fazer mais umas limpezas noutro local, vou sustentando a minha vida. Tenho uma filha para criar e não podia ser de outra maneira”. Cruz Vermelha de Aveiras é apoio para as comunidades Há cerca de quatro anos, que a

Cruz Vermelha de Aveiras de Cima leva a cabo, em várias localidades do concelho, a distribuição de alimentos provenientes da recolha da Missão Continente, que resulta de uma parceria entre a Cruz Vermelha nacional e aquela cadeia de hipermercados. No caso da associação de Aveiras de Cima, são atribuídas as dádivas provenientes do Continente do Porto Alto. Setenta famílias do concelho são beneficiadas. O Pingo Doce do Cartaxo também contribuíu pela primeira vez este ano.. Os bens dados nas campanhas alimentares nos supermercados passam quase em exclusivo pela alimentação, sendo que poucos se lembram dos produtos de higiene pessoal, e por isso a Cruz Vermelha lança o apelo: “Sabonetes, géis de banho, shampoos, pastas de dentes, seriam também bemvindos. Há marcas baratas, e os carenciados pedem-nos muito esse tipo de coisas”. Teresa Pereira refere, ainda, que desde há três anos que o número de casos de carência no concelho se mantêm, pelo menos no que toca aos que são conhecidos pelas equipas da associação que andam no terreno. Poucas são as famílias que conseguiram deixar de pertencer à rota da solidariedade da instituição. Teresa Pereira acredita que possam não existir casos flagrantes de gente a passar fome no concelho, mas sem dúvida que “há muitas privações”.

15 O fenómeno dos novos pobres, pessoas que até há alguns anos atrás tinham uma vida estável, também se nota no concelho. Não procuram por norma o apoio da instituição, “mas quando sabemos que passam necessidades através de um familiar ou amigo, oferecemos alguns bens, e agradecem-nos muito”, junta Luísa António da direção da instituição. Em tempos, as empresas do concelho colaboraram mais nos apoios que a Cruz Vermelha empreende, contudo Teresa Pereira reconhece frontalmente que, neste momento, “pouco ou nada estão a dar” comparativamente com anos anteriores. Apenas a Staples ofereceu recentemente material escolar. No fim da visita, ficou a sensação de dever cumprido, e a emoção perante os casos onde a dignidade humana se encontra no limite. “Vieram-me as lágrimas aso olhos, porque não conseguimos ficar indiferentes. Houve um caso que me tocou muito há uns tempos, quando uma idosa que tinha galinhas e coelhos nos disse para levarmos para quem tivesse necessidade, apesar dela própria viver com muitas dificuldades”, dá conta Luísa António. “Todas estas situações tocam-nos”, acrescenta Teresa Pereira. “Há pessoas pobres que nem chão possuem, mas as casas apresentam-se muito arrumadas”, continua a descrever. “Ficamos muito emocionados

com tudo isto, infelizmente gostaríamos de ajudar mais, mas nem sempre temos meios”, acrescenta o voluntário Pedro Vieira. A Cruz Vermelha é da opinião de que as empresas do concelho poderiam colaborar mais, “mas temos de reconhecer que possivelmente não têm a culpa, porque não sabem destes casos. Se calhar pensam que não é bem assim. Tudo isto obedece a critérios de confidencialidade, e as estas situações acabam esquecidas”, deduz Luísa António. Outro fator que contribui para que em parte a solidariedade esmoreça prende-se também com a sensação instalada de que há quem viva mal mas por mau governo das suas finanças. “Não dá vontade de ajudar quem gasta o dinheiro nos cafés”, sentencia a responsável. “Se calhar essas pessoas deveriam receber formação para gerirem melhor as suas finanças”, concordam os elementos da associação. No extremo oposto, e para Telma Carvalho, o que mais a choca é a falta de informação das pessoas “aliada a uma reserva tal da sua vida privada, que estando a passar por situações extremas se remetem ao silêncio”. “Cada vez mais é assim que se vive a pobreza”. “Foi um choque para nós da junta podermos ver in loco certas situações que andavam escondidas apesar de vivermos na freguesia”, acrescenta o presidente da junta.


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Gagic apoia 70 famílias do Cartaxo m grupo ligado à igreja católica no Cartaxo, todos os anos, leva a efeito uma venda de natal, onde para além de artesanato encontram-se também à disposição bolos e outras iguarias natalícias, alguns dos quais feitos em casa. A venda como é hábito foi levada a efeito neste mês de dezembro, e muitos cartaxeiros deslocaram-se ao local para adquirir produtos e colaborar na causa solidária da Gagic – Associação de Intervenção Social e Cultural, que foi fundada em 1995. Os seus projetos incluem atividades com crianças, idosos, famílias carenciadas e instituições do concelho.

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No concelho do Cartaxo, a Gagic, também em articulação com a Conferência São Vicente de Paulo, ajuda cerca de 70 famílias carenciadas, nomeadamente, também através de refeições que são servidas numa das cantinas da paróquia. Marta Cruz tem a perceção de que as dificuldades que o país atravessa a nível das carências económicas continuam a fazerse sentir com alguma intensidade, pelo menos no que lhe é possível observar no concelho do Cartaxo. Sobretudo, o advento dos ditos novos pobres, veio trazer novos dados a esta realidade, com “pessoas que à partida nunca julgaríamos que

go ou de indivíduos que outrora pertenciam à classe média, no fundo, são pessoas que devem ser tratadas com dignidade”, conclui, referindo que a Gagic se esforça sempre para que “ninguém se sinta envergonhado porque nos veio pedir ajuda, reforçando a ideia de que estão naquela posição por força das circunstâncias que devem ser enfrentadas”. “Natal Amigo”

Venda de Natal da Gagic viriam a precisar da nossa ajuda”. “É sempre um choque confrontarmo-nos com essas situações,

pois podia acontecer comigo, e há que ter uma mente aberta para lidar com casos assim. Mas quer falemos dos sem-abri-

Ainda no Cartaxo, mas por iniciativa da Câmara Municipal, numa ação conjunta da área da Cultura e da área de Desenvolvimento Económico e Empreen-

dedorismo tem lugar um programa de recolha de bens designado por “Natal Amigo”. Através desta iniciativa quem assim o desejar pode entregar os mais diversos bens em pontos de recolha estratégicos: a Biblioteca Municipal, onde os utentes podem deixar livros novos ou usados em boas condições de conservação; o Mercado Municipal, especialmente vocacionado para a recolha de alimentos; o edifício sede do município, onde podem ser entregues brinquedos, jogos ou livros. As Piscinas Municipais continuam a ser também ponto de recolha para estes objetos e para bens alimentares não perecíveis.

Cáritas de Vila Franca apoia mais de 100 pessoas por dia Cáritas de Vila Franca de Xira apoia mais de 100 pessoas diariamente, com apoio domiciliário e centro de dia. Em época de Natal esse apoio é evidenciado de forma ainda mais notória, mas segundo as responsáveis da associação, ao Valor Local, urge um novo local onde possam fazer o atendimento aos utentes. Esta é a atualmente a grande necessidade da instituição ligada à igreja em Vila Franca de Xira. A instituição tem novos corpos sociais desde o ano passado, e a missão destes voluntários passa agora por encontrar um espaço com menos visibilidade para resguardar a identidade das pessoas

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que ajudam diariamente. Manuela Farrobilha, uma das responsáveis pela direção, salientou ao Valor Local essa mesma necessidade. Para Manuela, o fato de as instalações da Cáritas se encontrarem junto ao Mercado Municipal, tal acaba por inibir algumas pessoas que necessitam do apoio da instituição. Manuela Farrobilha salienta que, por enquanto, não existem localizações para tal, explicando que a utilização de uma sala no mercado levante de Vila Franca de Xira a meias com os Companheiros da Noite, acaba por não ser prático para ambas as instituições. Entre outras questões, está o fac-

to de algumas pessoas ajudadas pelos Companheiros da Noite, fazerem as suas refeições no local. Esta situação limita o espaço para ambas. O ideal, refere Manuela Farrobilha, seria um espaço alternativo para uma das instituições, mas enquanto isso não acontece, a Cáritas, continuará a partilhar o local. Já Maria Alves destaca que no futuro o objetivo seria a par da deslocação para outro local, de preferência mais resguardado, a possibilidade de se criar “uma cantina social”. Embora exista uma outra instituição de Vila franca com cantina social, assegura que o projeto da Cáritas seria “bastante diferen-

te”. Manuela Farrobilha vinca entretanto que a cantina social servirá para prestar apoio, não só aos utentes habituais da Cáritas, mas a toda a população, desde que esteja referenciada, a qual “poderia pagar conforme as suas possibilidades”, e de “forma discreta”. “Há pessoas que não têm condições de cozinhar em casa, e de se organizarem devidamente” refere Maria Alves. Uma ideia partilhada pela diretora técnica Susana Cruz. Em curso vai estar em breve a reabilitação de um outro prédio, de que a Cáritas é proprietária, mesmo ao lado das suas instalações. Atualmente, o edifício de dois an-

Cáritas anseia por novas instalações dares serve de apoio aos serviços da instituição, mas brevemente poderá ser transformado em alojamento temporário para situações urgentes ou de risco. A insti-

tuição já tem também, e desde há poucas semanas, uma nova carrinha para transporte dos seus utentes com a colaboração do município.

Loja Social de Aveiras continua a ajudar os que mais precisam Loja Social de Aveiras de Cima consegue proporcionar alguns bens de primeira necessidade, em colaboração com a Cruz Vermelha de Aveiras, à população não só no Natal como no resto do ano. Essencialmente, e uma vez por mês, cada carenciado tem acesso ao vestuário em segunda mão existente no local. Peças em bom estado, embora Isabel Mar-

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Fátima Catita

tins, que se encontra à frente deste projeto da Junta de freguesia, reconheça que nem sempre o vestuário chega nas melhores condições. Encontramos no local, Fátima Catita, 43 anos, desempregada, com filhos, e sem direito a Rendimento Social de Inserção. Todos os meses é uma habitual frequentadora desta resposta social, tendo em conta que não dis-

põe de meios, por não ter emprego, assim como, o marido. Para os três filhos costuma levar roupas, livros e brinquedos. “Reconheço que é uma boa ajuda”, resume. Na mesma situação encontra-se Susana Guerreiro, 25 anos, também sem direito a ajudas do Estado, nomeadamente, Rendimento Social de Inserção. A deslocação

Susana Guerreiro

à loja social de Aveiras teve como objetivo recolher algum vestuário para si, para o marido, e para a filha. Desempregada desde “há muito tempo”, reforça que este não é o primeiro Natal que vai passar com dificuldades. “É muito difícil arranjar emprego”, refere, mas acrescenta que se conseguisse não se importaria de trabalhar “num lado qualquer”. Vai con-

tinuar a dirigir-se à loja social pois trata-se de “uma boa oportunidade” principalmente para “quem tem filhos”. Quando se lhe pergunta sobre as necessidades económicas de que a sua família sofre, sentencia sem esperança – “Temos de nos aguentar!”. A Loja Social de Aveiras Cima funciona há três anos, e de acordo com Isabel Martins é prestado atendimento a pessoas da freguesia e não só. A entrega de roupa é articulada também com a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, bem como com a Casa Mãe. Entre os utentes, confessa que nem todos, apesar de carenciados, “dão valor aos bens que levam para casa”. “Por vezes são exigentes demais. Não temos com facilidade roupa para jovens de 13 ou 14 anos, e nesses casos ficam chateados”. Mas também há os bons exemplos – “Tivemos o caso de uma

senhora que não era da freguesia, que recebeu o nosso apoio, sendo que estava desempregada, assim como, o marido, e passado um ano, e em melhor situação, regressou e devolveu parte do que tinha levado, porque já não servia aos filhos, bem como outras coisas que tinha lá em casa. Veio agradecer o nosso apoio”. O presidente da junta de freguesia reforça que desde 2012, que a loja social fez 384 atendimentos e ajudou 104 famílias. António Torrão coloca o enfoque que “não é vergonha nenhuma virem à loja social”, mas isto “não quer dizer que venham mendigar, pretendemos ajudar efetivamente quem nos procura, ajudando também em outras soluções que lhes permitam sair do estado em que se encontram”. A cantina social da freguesia que funciona no Centro Paroquial ajuda 30 famílias na freguesia é outros dos apoios em


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Saúde

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Excessos de Natal podem ser contornados E

m época de excessos alimentícios, o Valor Local foi até a um hipermercado da nossa região com a dietista Tânia Tomás para saber o que se pode ou não comer, nesta época do ano, de modo a não se arriscar em termos de saúde e dos famigerados aumentos de peso próprios da quadra. Mas os conselhos são válidos também para o resto do ano. A dietista revela que nesta altura do ano e para quem quer evitar chocolates demasiado calóricos, há alternativas que comportam menos açúcar, “apesar da componente natural da gordura do cacau”, e que “são uma boa alternativa para os diabéticos”. Os chocolates de leite por exemplo são uma boa opção, desde que não venham acompanhados de mais alguns ingredientes, como os frutos secos, que neste caso trazem pouca valia, contrariamente ao que seria de esperar, “proporcionando um acréscimo calórico”. Ainda neste mundo dos chocolates e das marcas, há exemplos de produtos

mais caros com o mesmo teor de cacau de marcas brancas, em que as diferenças no teor de açúcar são abissais – Neste caso, as marcas brancas ficam a ganhar. Possuem muito menos açúcar. Uma marca muito conceituada de chocolates possuía 15 vezes mais açúcar do que uma marca de chocolates com o nome do supermercado. Apostar nos produtos light, ou de dieta, também pode não ser a melhor ideia, porque muitos deles possuem açúcares. Exemplo disso, são algumas gelatinas prontas a comer, “em que por cada copinho há cerca de 18 gramas de açúcar”, e “no rótulo pode ler-se light”, dá a conhecer Tânia Tomás. Contudo, a dietista é uma adepta de que as pessoas façam os seus próprios doces de Natal em casa, não os adquirindo fora, porque regra geral e por serem caseiros, “não há aditivos”, e “temos sempre a possibilidade de alterar a receita, e diminuir o açúcar, a manteiga e eventualmente proceder a substi-

tuições”. E fornece alguns exemplos – “Há quem substitua ovos por algum equivalente como a banana; açucares por adoçantes, sobretudo à base de Stevia, natas por queijos com redução de gordura ou nata light”. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde lançou o alerta para o facto de produtos como as salsichas enlatadas serem potencialmente cancerígenas, sendo este um alimento a evitar. Tânia Tomás aconselha as salsichas de aves, “apesar de não deixar de ser um enlatado muito processado”. As tradicionais salsichas de porco chamam logo a atenção porque “levam courato e gordura de suíno”, “já para não falar dos conservantes.” Os sumos não podem faltar na mesa de Natal, sobretudo são um sucesso entre os mais pequenos, e neste âmbito há algumas boas notícias, com os néctares a serem, ainda assim, a melhor alternativa, sobretudo os que são feitos à base de polpa de fruta, e não de con-

centrados à base de edulcorantes (adoçantes), Contudo e mais uma vez, moderação é palavra de ordem A dietista Tânia Tomás refere, ainda, que os excessos são parte natural da quadra, sendo que quem

costuma por norma seguir uma dieta saudável, desde que não prolongue o consumo de doces e gorduras “para além da noite de natal, dia de natal, passagem de ano e ano novo” pode gozar de alguma tranquilidade alimentar. Ou-

tro conselho é preferir passar as datas festivas em casa dos familiares, sem ter a necessidade de andar “a consumir os restos das festas e com isso contribuir para prolongar os excessos para além dos dias festivos”.

Falta de médicos

Alcoentre à espera do capítulo seguinte epois de uma sessão pública com a população promovida pela junta de freguesia de

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Alcoentre devido à falta de médicos na freguesia, e de os ânimos se terem exaltado com a pro-

messa de um boicote nas eleições presidenciais, parece ter sido retomada alguma normali-

dade com a vinda de uma médica que tem vindo a prestar consultas no local algumas vezes por semana. A Câmara de Azambuja atendeu a algumas exigências da profissional da área da Saúde, que vai ficar até ao final do ano. António Loureiro, presidente da junta de freguesia de Alcoentre, está expectante quanto ao que se poderá seguir. Teve lugar no final de outubro uma reunião com a ARS-LVT, onde o diretor daquele organismo deixou a certeza de que será garantida uma solução com caráter mais duradouro para o concelho de Azambuja assim que esteja terminado o concurso para a admissão de novos clínicos, ou seja diferente daquela que tem sido dada pelas empresas de colocação de médicos, que primam por não conseguirem manter os clínicos por muito tempo nas localidades da região. “Neste momento, com esta médica temos para já a solução que é a possível, mas depois de dezembro surge uma nova incógnita”. Neste momento, a extensão de saúde conta com consultas três vezes por semana, e por isso a população “está um pouco mais satisfeita, embora ainda não seja o ideal”. A freguesia é composta por uma população de três mil utentes, “muito envelhecida, e com dificuldades de deslocação a Azambuja para as consultas”, como tinha vindo a acontecer até há pouco tempo atrás. Lídia Pereira, utente da exten-

são de Alcoentre, refere que o médico “faz muita falta, mas a nova médica tem sido espetacular”. Habitante em Casais da Caneira, diz que muitos vizinhos se queixavam do estado de coisas, “porque nem todos têm transporte próprio, e ir para Azambuja

torna-se difícil”. “Tive imensa pena de uma senhora muito idosa das Quebradas que há dias teve de ir ao posto de saúde de Azambuja, porque não havia médico em Alcoentre. Estava muito debilitada e não tinha transporte”:

Presidente da junta deseja ver luz ao fundo do túnel

Utente fala das melhorias da situação


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Economia

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Gabinete de Apoio ao Empresário já está de portas abertas Parceria entre a ACISMA e Câmara de Azambuja. Conjunto de técnicos prestam todo o tipo de informação ¢

Miguel A. Rodrigues concelho de Azambuja tem desde o passado dia 10 de dezembro, um Gabinete de Apoio à Empresa e ao Empreendedor. Trata-se de uma iniciativa da Associação do Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA) em conjunto com o município, e encontra-se a funcionar no Centro Comercial Atrium. Tal gabinete promete prestar um conjunto de serviços a todas as empresas da região e aos empresários, “sem a necessidade de se associarem à ACISMA”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sousa, durante a inauguração do espaço. O autarca realçou a importância deste gabinete para a economia do concelho e reforçou a parceria entre a Câmara Municipal e a ACISMA, garantindo o apoio mu-

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nicipal neste projeto. Também Carlos Henriques, presidente da ACISMA, considerou a abertura do espaço importante para a economia local, vincando que esta inauguração só foi possível devido à disponibilidade da Câmara Municipal de Azambuja. Daniel Claro, porta-voz da ACISMA, vincou igualmente a importância deste gabinete, resultado de uma necessidade dos empresários. O porta-voz salientou que este gabinete será “muito virado para as necessidades das pessoas que aqui exercem a atividade económica”, vincando que há diversos exemplos de “médias e grande empresas no concelho de Azambuja, mas que não são, até pelas suas caraterísticas, o coração da nossa atividade económica”. Para o responsável, o coração do município de Azambuja “são as pequenas, e as microem-

presas”. “Do ponto de vista prático é importante ter uma estrutura que dê resposta às pessoas até porque desde há algum tempo que identificamos alguma falta de literacia empresarial”, constata. Neste novo gabinete, refere Daniel Claro, “nada será demasiado pequeno” e exemplifica que a unidade de atendimento dispõe de diversificados serviços até em aspetos mais ou menos elementares: “Se o empresário quiser a nossa ajuda para redigir uma carta para um fornecedor ou cliente nós ajudamos”. Mas outros serviços de assessoria podem ser prestados, nomeadamente, e num âmbito mais complexo a preparação de candidaturas aos fundos europeus. O responsável salienta, por outro lado, que o gabinete tentará dar as respostas necessárias aos

Continente do Carregado cria 90 postos de trabalho inda não eram oito e meia da manhã, hora da abertura oficial, e já eram às dezenas, os clientes que queriam ser os primeiros a entrar no novo hipermercado da região, no concelho de Alenquer, inaugurado a 15 de dezembro. O Grupo Sonae abriu no Carregado a sua loja Continente. Trata-se de uma loja que inclui a Modalfa, a Well´s e uma cafetaria Bagga, com a disponibilidade de refeições práticas a qualquer hora do dia. Esta nova unidade disposta em cerca de 2000 m2, vem também contribuir para a empregabilidade na região, já que representa

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90 postos de trabalho, sendo que 40 destes novos postos são de primeiro emprego. Segundo Eduardo Fortunato, diretor de loja, o Continente do Carregado vai servir perto de 50 mil clientes, e foi aberta nesta localidade tendo também em conta os acessos, independentemente da existência de outras lojas do grupo em localidades muito próximas, como são os casos do Cartaxo ou de Vila Franca de Xira. Sobre este assunto, Eduardo Fortunato refere que o grupo teve um bom feedback por parte dos potenciais clientes: “Aquando das apresentações junto da

comunidade, verificou-se que as pessoas manifestaram, por diversas vezes, a relevância e a importância que seria termos aqui uma loja como esta”. O diretor de loja destaca ainda o facto de esta unidade ter sido construída em dois meses “num tempo record” algo que, refere, “só foi possível graças ao empenho de todos os que participaram na obra”. “Estamos todos de parabéns”, conclui. Aproveitando a época de Natal, a nova loja do Continente acompanhará as promoções lançadas pelo grupo a nível nacional.

utentes do espaço no tempo máximo de 24 horas. Para tal foi criada uma aplicação informática, que terá esse papel. A ACISMA conta com um conjunto de colaboradores em várias áreas, que poderão responder às dúvidas dos empresários. Todavia, e embora Daniel Claro saliente a im-

portância de todos, destaca também a parceria com a AIRO - Associação Industrial da Região do Oeste, que prestará apoio noutras questões. Para arranque da sua atividade, o GAEE está a organizar uma ação de formação para aplicação de produtos fitofarmacêuticos, indo

ACISMA e Câmara assumem parceria

ao encontro das necessidades das empresas ligadas à agricultura e à jardinagem, e até das autarquias, face à legislação mais recente – e exigente – nesta área. Para breve, também se anuncia informação e apoio na área do “micro-crédito” e um seminário sobre a temática do ‘turismo rural’.


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Política

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Pedro Folgado, novo presidente da OesteCim

Colocar o turismo da região de novo no mapa é objetivo presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Pedro Folgado, assumiu recentemente o

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papel de presidente da OesteCim- Comunidade Intermunicipal do Oeste com sede nas Caldas

da Rainha. A eleição que aconteceu a três de dezembro, surge na sequência da saída do anterior

presidente, Carlos Miguel, que aceitou integrar o governo de António Costa como secretário de Estado das Autarquias Locais. Em declarações ao Valor Local, Pedro Folgado salientou que a área Oeste tem muito a ganhar com a presidência do município de Alenquer. Desde logo, Folgado vinca que o seu município é por excelência a porta de entrada de Lisboa no Oeste e isso deverá ser maximizado. “Até em termos de turismo, acho que é importante que Alenquer tenha essa notoriedade, e essa possibilidade de em conjunto com o Oeste poder fazer a diferença”. Pedro Folgado vinca, igualmente, que foi encontrado o momento

certo para que pudesse ser de novo um município mais a sul “a comandar os destinos da OesteCim”, depois de Arruda dos Vinhos com Carlos Lourenço. Por outro lado, o autarca reconhece que o turismo do Oeste tem muito a dar ao país e ao estrangeiro. Pedro Folgado destaca que com a extinção da Região de Turismo do Oeste, o centro de decisão ficou longe dos municípios daquela região, até porque com a sede em Aveiro e mais de cem concelhos, “a atenção dada ao turismo de cada localidade será forçosamente diferente”. Ainda assim, Pedro Folgado reconhece também algum esforço por parte da atual região de turismo, sendo

que defende a criação de uma espécie de sub-região que possa estar mais perto do restante território. O presidente da OesteCim, salienta que ainda não abordou o Governo sobre o assunto “mas há sonhos e intenções da nossa parte para falarmos com o secretário de Estado da Administração Local, sobre essa valência ou outra”. Para o autarca existe uma amálgama muito grande de municípios, por exemplo, sob a alçada da região de turismo, e por isso defende “que possa existir uma proximidade maior com as várias entidades que de algum modo estão acima de nós, nomeadamente, o turismo”.


Política

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Salvaterra aprova empréstimo de 437 mil euros executivo de Salvaterra de Magos aprovou a contração de dois empréstimos no valor de 437 mil euros, em reunião de Câmara. A verba servirá para a repavimentação de estradas (203 mil euros) e para a colocação de um relvado sintético no campo do Grupo Desportivo Forense (Foros de Salvaterra). Se o Tribunal de Contas, depois de aprovada – como se prevê - a proposta em Assembleia Municipal, der o aval, a Câmara conseguirá avançar, ao mesmo tempo, com a colocação de um sintético idêntico, mas no Salvaterrense, libertando do orçamento municipal a verba, previamente, inscrita para as obras nas estradas. A transferência de verbas foi a forma encontrada para satisfazer as necessidades das duas coletividades.

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O presidente da autarquia, Hélder Esménio, tem sido acusado de manter uma relação difícil com os clubes, por parte da oposição, e no sentido de não querer alimentar mais comentários, disse perentoriamente que se não conseguir avançar com as duas obras a nível desportivo, então nesse caso não fará nenhuma. O sintético do Salvaterrense servirá para a prática de futebol de 11 e o de Foros para o de 7. O campo do Grupo Desportivo de Marinhais tem servido de apoio a outros clubes do concelho, nomeadamente, o Salvaterrense, e em reunião de Câmara, o presidente da Câmara e alguma oposição concordaram que foi sobredimensionado, impedindo obra semelhante noutras coletividades do concelho. Hélder Esménio está consciente das possíveis críticas –

“Haverá quem da população depois diga que só fazemos campos de futebol”, mas desta forma pretenderá apaziguar um pouco os ânimos dos descontentes do movimento associativo. Quanto às estradas que vão ser alvo de beneficiação e repavimentação, estão incluídas a Joaquim Padeiro, troço 1, Marinhais; e Rua das Cancelas em Foros de Salvaterra. A verba servirá ainda para a repavimentação de arruamentos nos centros urbanos do concelho. De acordo com o presidente da autarquia, o empréstimo não coloca em causa as finanças municipais, pois Salvaterra de Magos fica com praticamente o mesmo nível de endividamento de 2013, quando o PS venceu as eleições autárquicas, 3,1 milhões de euros. O Bloco de Esquerda deixou 3,7 milhões.

Foto Facebook Grupo Desportivo Forense

Atual campo do Forense


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Negócios com Valor

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Stand José Oliveira:

A consolidação de uma marca do concelho de Azambuja á quase 12 anos no mercado, a empresa “Stand José Oliveira” é hoje uma empresa de referência no mercado automóvel na região. Corria o ano de 2004, quando José Oliveira colocou a primeira pedra desta empresa que começou do zero, mas “mas com muita vontade e ambição de fomentar junto dos clientes, um serviço credível, transparente e em busca constante da sua satisfação”. A firma que começou em Aveiras de Cima tem-se expandido pelo concelho. Para tal contribuíu a confiança e credibilidade depositadas pelos muitos clientes que se tornaram fiéis. Aliás, José Oliveira, o proprietário da empresa, refere igualmente que um dos segredos para o sucesso passa por vários fatores, “como o serviço pós-venda, e a busca constante pela melhor oferta/serviço para satisfação total do cliente”. Ainda no que toca à qualidade das viaturas colocadas à disposição do cliente, José Oliveira refere que a “oferta passa por veículos nacionais, com históricos de revisões, grande parte

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provenientes de gestoras de frota”, pelo que “procuramos para o cliente viaturas de qualidade.” Dentro destes parâmetros “tentamos ajustar o melhor preço versus qualidade”. Por outro lado, destaca que o percurso tem sido feito de forma segura, nomeadamente, com a abertura em Azambuja de uma exposição de comércio de viaturas, junto à EPAC, na rotunda norte, tendo sido este o último investimento efetuado. Nesta altura, a empresa possui três standes, quatro espaços de exposição, três em Azambuja e um em Aveiras de Cima. Para já, refere José Oliveira, não existem planos para “abrir novos espaços, mas sim, consolidar os já existentes”, vincando igualmente a presença que a firma tem na internet no site: www.standjoseoliveira.com que “permite chegar a todo lado e aos potenciais clientes.” Recentemente, a empresa apostou também na comercialização de motos. Segundo José Oliveira, esta tem sido “uma experiência muito positiva, pois era uma lacuna de mercado na

nossa região. Concretizou-se como uma aposta ganha, e temos tido o apoio da Keeway para a sua expansão.” Todavia, a empresa não para, e para o próximo ano, o desafio

será a comercialização de autocaravanas “pelo que continuamos a apostar no mercado da região de Azambuja”. Quanto às vendas nos últimos anos, estas “têm sido positivas”.

O empresário refere que as vendas aliadas à maior confiança por parte das pessoas em relação ao consumo, “têm vindo a subir gradualmente, embora se note por parte do cliente uma

maior consciência na gestão dos seus encargos”. Contudo “penso que com trabalho e empenho o ano de 2016, vai ser positivo para o comércio em geral, inclusive o automóvel”.

manutenção de extintores ao HACCP, contabilidade, higiene e segurança no trabalho”. “Foi tudo centralizado na nossa firma”. Monica Santos salienta, entretan-

to, que as constantes mudanças na legislação levam as empresas e os empresários a constantes atualizações, algo muito valorizado na “2 x Mais.”

O empresário lançou a empresa em 2004

“2X Mais” inaugura escritório em Azambuja empresa de Consultoria Empresarial “2x Mais”, está agora mais perto dos seus clientes. O seu novo escritório está de portas abertas, há cerca de 15 dias, junto ao Rossio em Azambuja, e resulta de uma parecia entre dois antigos colegas de curso: Mónica Santos e Nuno Miranda que trabalhavam em empresas distintas. Dai à constituição desta empresa, foi um pequeno passo. Mónica Santos destaca que “foi da relação de parceiros de negócios à relação de amizade, e agora de sócios” que nasceu a “2x Mais”, isto depois de “amadurecermos a ideia e partirmos para a constituição da empresa, que surgiu a 11 de março de 2015”. A firma foi crescendo e com ela a necessidade de um espaço “onde pudesse estar representada, e acabámos por vir para Azambuja”. Embora recente, a “2x Mais”, já tem um leque significativo de clientes. Segundo Mónica Santos, a empresa é procurada por muitos clientes de Benavente e Salvaterra, mas também de Lis-

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boa, Santarém e Azambuja. No que toca aos serviços que presta, a “2 x Mais”, destaca a consultoria empresarial, mas em jeito de brincadeira salienta: “Costumo dizer que fazemos tudo, mas não fazemos nada”. Ou seja a empresa pretende ser uma mais-valia para os clientes, e o seu trabalho passa também por procurar outras parcerias que prestem, por exemplo, serviços de formação, ou serviços relacionados com o HACCP que faz “Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos”. Há no entanto duas “áreas fortes dentro da empresa”. A contabilidade e a gestão financeira, a par da “higiene e segurança no trabalho, bem como a medicina”, sendo que estas áreas são geridas por Mónica Santos e por Nuno Miranda respetivamente. A formação e a gestão de recursos humanos e a venda de consumíveis de escritório são outros setores nos quais a “2 x Mais” se empenha. Mónica Santos dá o exemplo de um restaurante em Benavente que pediu ações de

formação: “Um pedido que veio através da nossa parceira na área de seguros, e que estamos a levar a cabo”. Existe ainda a título de exemplo

um outro restaurante, também em Benavente que pediu à “2 x Mais” que elaborasse todos os planos de contingência daquela unidade de restauração “desde a

Os responsáveis da empresa


Opinião

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Alenquer “Presépio de Portugal, meu brinquedo de natal” o tempo das vozes de ouro e das letras que eram poemas, Tristão da Silva cantava na sua “Canção de Alenquer” que esta vila, a que se encontrava familiarmente ligado, era o “brinquedo de Natal que a Jesus apeteceu”. Não sabia ele, nem Vilar da Costa autor da letra, que, passados alguns anos, emergindo das dramáticas cheias de 1967, Alenquer com toda a justi-

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ça deste mundo viria a anunciarse ao país como a “Vila Presépio”. Estrategicamente situada às portas de Lisboa, do Oeste estremenho e do Ribatejo também, desde a construção da Ponte da Lezíria, ao Carregado, esta vila sempre atraiu sobre si os mais diversos olhares deslumbrados pela sua exuberante beleza. Uns houve, em tempos mais remotos,

que viram nela a “Jerusalém do Ocidente”, tal era a sua semelhança geográfica com a Cidade Santa, ocupando a igreja e o convento de S. Francisco as proeminências desse nosso monte Sião. Convento de S. Francisco que foi fundado por dois discípulos do santo de Assis, Frei Zacarias e Frei Gualter, em 1216, consensualmente tida como a primeira

casa da Ordem Franciscana em Portugal, porventura palco do primeiro presépio que Portugal viu, já que essa evocação do nascimento de Cristo se deve, precisamente, ao poverello de Assis, na cidade de Greccio, tendo os seus enviados a Portugal encontrado na Alenquer do séc. XII um cenário a que chamariam de “autêntica Belém”. Assim, hoje como ontem, aproxi-

mando-se o Natal, Alenquer ergue numa das principais encostas da vila o seu Presépio, tradição que remonta ao ano de 1968, quando a vila, que na desgraça do pós-cheia vivera incontáveis episódios da mais fraterna solidariedade, havia, enfim, recuperado da tragédia que vivera em finais de Novembro do ano anterior quando as águas embravecidas do rio haviam arrasado a vila baixa e ceifado muitas vidas. Por iniciativa do então presidente da câmara João Mário Oliveira, foi incumbido de criar as monumentais figuras que lhe dão beleza e cor o Mestre Álvaro Duarte de Almeida, que nesta vila havia vivido largos anos, dizendo os mais entendidos que a beleza do Presépio, inspirado na figuração da pintura portuguesa dos séculos XVI e XVII, se deve muito ao facto do Mestre ter encontrado a escala perfeita a que desenhou as imagens, medindo as maiores mais de 6 metros, inserindo-as na paisagem envolvente que as acolheu como se para elas tivesse sido moldada e não o contrário. Com as luzes natalícias reflectindo-se no rio quando a noite chega, a Vila de Alenquer ganha nesta época natalícia uma especial beleza, podendo oferecer ao visitante nos seus vários restaurantes, uma gastronomia onde a codorniz será o prato rei que po-

José Lourenço* derão acompanhar com vinhos de excelência, já que esta é, também, a “terra da vinha e do vinho”, principal produtora da Região Demarcada de Lisboa e, já agora, abastecedora em mais de 70% do mercado nacional da codorniz. Se o leitor se atrever a visitar Alenquer neste Natal, o que aconselhamos vivamente, poderá percorrer a vila instalado num divertido “comboio” turístico, poderá proporcionar às suas crianças momentos inesquecíveis na pista de gelo, na casa do Pai de Natal ou numa das várias representações teatrais infantis que aqui irão acontecer a par de tantos outros eventos programados, como aquele que se anuncia como «o maior mercado de presépios do mundo» na Romeira. Desejo a todos os leitores um santo e feliz Natal e agradeço ao “Valor Local” esta oportunidade para falar de Alenquer em representação de uma equipa autárquica apostada em “governar para a felicidade”. * Presidente da Assembleia Municipal de Alenquer

Balanço possível de 2 anos de mandato da Assembleia Municipal de Azambuja Jornal Valor Local convidou-me para escrever algo sobre os dois anos de mandato enquanto Presidente da Assembleia Municipal, não irei falar muito de nenhuma das variadíssimas matérias que foram à Assembleia Municipal, prefiro falar das pessoas, neste caso dos Membros da Assembleia Municipal, pois tudo é feito de pessoas e para pessoas. Digo Balanço Possível, porque apesar de tudo o que vai à Assembleia ser público, nem tudo devo abordar publicamente, por razões inerentes ao cargo que ocupo devo ser algo contido, principalmente em questões que ainda estão no campo da justiça e em questões da gestão do Município, pois o meu cargo não é executivo, mas como é óbvio, penso…e digo o que penso nos locais apropriados.

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Apesar de a Assembleia Municipal não ser um órgão executivo, há vários membros da Assembleia Municipal que fazem parte de comissões. Essas comissões e esses membros da Assembleia Municipal têm trabalhado em colaboração com a Câmara Municipal na resolução e melhor entendimento de variadíssimos temas, não têm sido comissões apenas para fazer de conta, tem havido um trabalho bastante profícuo. Os dois últimos anos desta Assembleia Municipal também serviram para mostrar aos partidos que não são donos dos mandatos, que há pessoas que pensam e têm coragem, não se deixando embarcar em disparates ou ideologias por vezes cegas. Votar contra, o bota-abaixo sem olhar aos reais interesses da população que nos elegeu -

mesmo que por vezes isso seja defendido por alguns dos dirigentes partidários - não é algo que todos os eleitos façam, independentemente dos partidos pelos quais foram eleitos. Atualmente parece-me que as pessoas na Assembleia Municipal estão mais serenas, quase todos…,e que perceberam efetivamente que o que existe é uma pessoa um voto e não um partido um conjunto de votos. Tendo sido esta a premissa desde a primeira Assembleia, pois se assim não tivesse sido, não era eu que estava a escrever estas linhas. Mas isso não tem evitado algum radicalismo e desnorte, por vezes até o exacerba, principalmente de algumas lideranças. Também temos assistido a alguma dessincronização de alguns membros da Assembleia Muni-

cipal, que debatem e exigem ao Executivo Municipal coisas que não estão minimamente na sua esfera de ação ou competências. Ainda assim, este Executivo tudo tem feito para ultrapassar todos os obstáculos com que se tem deparado, apesar de todas as dificuldades endógenas e exógenas que tem enfrentado tudo tem feito para ir mais além, um exemplo disso foi a forma ampla, democrática e participativa com que abordou o tema das “Águas”, conjuntamente com a comissão eleita para trabalhar nessa área e com um Membro da Assembleia que faz parte da Comissão de Acompanhamento das “Águas”, só agora constituída e com grande participação da Assembleia Municipal. Se a ideologia algo cega e o radicalismo do quanto pior melhor,

da outra ponta da Assembleia tivessem levado a melhor na votação das “Águas”, agora, provavelmente estariam muito felizes, cavalgavam a onda da contestação popular para daí tentarem tirar dividendos, não se preocupando com o quanto isso custaria ao bolso já tão exíguo dos nossos munícipes. Felizmente alguns tiveram a coragem de votar de acordo com a sua consciência e assim poupar elevados danos financeiros aos Munícipes e ao Município. No balanço possível destes dois anos da Assembleia Municipal, uma das maiores conclusões que podemos tirar é de que os partidos já não retiram a capacidade de pensar a algumas das pessoas que os representam, os eleitos perceberam que acima de tudo representam o Povo e os interesses de todos os que

António Matos neles votaram, ainda que isso, por vezes, custe imenso àqueles que se achavam donos dos partidos e dos respetivos eleitos. Desejo a todos, sem exceção um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, repleto de tudo o que desejarem e aos membros da Assembleia Municipal, desejo que, para além de tudo isto, continuem com o discernimento necessário para continuarem a votar no que realmente é importante para as pessoas que nos elegeram e não nos radicalismos e tacticismos de alguns dos dirigentes partidários.


Valor Local

Editorial hegados a 2016 daqui a uns dias, é bom que possamos refletir sobre o ano que está a findar, e tudo o que significou para a nossa sociedade. Tivemos um ano difícil para as famílias portuguesas, mas também para as nossas empresas e seus funcionários. O ano que agora termina foi mais uma vez useiro e vezeiro no que toca aos argumentos sobre o número de desempregados. Uns a afirmar que estes diminuíram e outros pelo contrário,

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salientando o esforço dos portugueses, que levou a uma ligeira diminuição do desemprego. Falámos de 2015, mas palpita-me que estes argumentos vão ser utilizados no futuro. É certo que a guerra dos números teve nos últimos anos várias leituras. Números de adesão às greves, números referentes aos défices, e mais recentemente números relacionados com quem venceu ou quem deve governar o país. Por cá pela nossa região, há a sa-

Opinião lientar as necessidades de uma população, que confrontada com os vários dilemas de uma vida é obrigada a pedir auxilio para sobreviver resultantes do desemprego, da doença, ou simplesmente, de uma reforma, cujos montantes obrigam os nossos idosos a trabalhar ou a pedir ajuda. Estes são alguns casos espelhados pelos protagonistas do nosso destaque. Nesta época de Natal, fomos conhecer algumas associações que fazem a diferença ajudando quem mais precisa. Um

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destaque que espelha os sonhos e as necessidades dos protagonistas da nossa sociedade muitas vezes esquecidos e marginalizados. Há contudo boas notícias. As instituições de Solidariedade Social da nossa região são um bom exemplo de perseverança e esperança, levando aos menos afortunados bens de primeira necessidade recolhidos ou juntos dos bancos alimentares, ou junto das nossas autarquias. Da nossa parte, apenas quere-

mos referir que em 2016 o Valor Local cá estará para continuar a dar noticias. Será um ano de muitos novos projetos, onde esperamos continuar a merecer o apoio dos nossos parceiros. Empresas e empresários que têm apostado num jornal diferente e que faz diferente. Em 2016 continuaremos a apostar na grande reportagem e nos temas fraturantes da nossa sociedade tendo presente sempre a qualidade do nosso jornalismo… que ao fim ao cabo fala por si.

logia velha de duzentos anos, forjada nas lutas operárias e na clandestinidade, com princípios rígidos e imutáveis e cujos militantes, mesmo que nascidos depois de oitenta e nove, continuem pendurados no Muro de Berlim, fingindo que ele não se desmoronou. Por isso eu – que faço força para que esta solução governativa resulte, a bem dos portugueses – receio mais que ela se quebre pelo lado do PCP que do Bloco de Esquerda. Mas há uma constatação que me dá esperança – daí essa minha interpretação que, se calhar, não agradará a muitos : eu acho que o PCP e o Bloco aprenderam a lição de 2011 e não querem que ela se repita. Temem que os portugueses lhes continuem a apontar, como o fizeram até hoje, o pecado de terem sido eles quem, de facto, em 2011,

entregaram de bandeja e com maioria absoluta a poder à Direita, que durante quatro anos relegou o Estado Social para a gaveta dos fundos ee renegou a generalidade dos princípios que eles defendem e dos quais fazem a sua bandeira política. Porque, na verdade, foi a sua aliança com o PSD e o PP que derrubou o Governo Sócrates e escancarou as portas à Troika, quando a Europa e o Banco Central Europeu já tinham aprovado as medidas contidas no PEC IV. E não querem, agora, voltar a ser acusados de, mais uma vez, depôr o poder nas mãos da Direita, que é o que acontece se este Governo não se aguentar. Aliás, foi notória a mudança radical de discurso dos dirigentes dum e doutro – mais de Catarina Martins do que de Jerónimo de Sousa – na noite em que perceberam que o destino do País

Miguel António Rodrigues

A política e o natal ais um Natal, dirão alguns quando se aproxima a noite em que as famílias se juntam, muitas vezes a única vez no ano que tal acontece. Andamos atarefados nos presentes que poremos nos sapatinhos dos nossos familiares e amigos, nos perus e bacalhaus que iremos comprar e como os pagaremos nestes tempos em que o décimo terceiro mês é, para uma grande maioria dos Portugueses, esfumado nas despesas correntes dos meses pelos quais o seu pagamento foi repartido. Mas, no meu ponto de vista, este é um Natal diferente dos últimos natais que os portugueses têm passado. É que, pela primeira vez em muitos anos, temos um governo apoiado por partidos cujo ideário político e princípios fundamentais se baseiam nos mesmos princípios humanísticos que norteiam o espírito do Natal: a solidarieda-

M

de, a maior igualdade entre todos, a entreajuda e o calor humano. Não estou com isto a dizer que estes princípios são património exclusivo da esquerda. Não. Eu próprio trabalhei e vivi com pessoas de Direita – e vem-me logo e em primeiro lugar à cabeça o Eng. Nuno Abecasis – para quem estes são também vectores que prevalecem no seu pensamento e acção políticos. Mas uma coisa são os princípios e outra é a prática. E a prática, nos anos em que a Direita tem governado o País, particularmente no último quadriénio, não foi nada consentânea com aqueles o humanismo natalício : cavou-se o fosso maior entre ricos e pobres, lançaram-se milhares de famílias no desemprego, obrigaram-se centenas de milhares de jovens a desistir do seu País, entre outros desmandos governativos Eu tenho uma interpretação para o

facto de, pela primeira vez em quarenta anos, poder vir a ter sucesso- e espero sinceramente que o tenha – uma governação do Partido Socialista apoiado pelos partidos à sua esquerda. Não acredito, no entanto, que num ápice, uma esquerda e extrema-esquerda que elegeram o Partido Socialista como inimigo principal a abater, se tenham tornado nuns entusiastas apoiantes do Governo Costa. Mais o Bloco que o PCP. Mas isso é natural. O Bloco de Esquerda é a mais recente agregação ideológica aparecida em Portugal com consistência, não tem princípios rígidos e alberga várias matizes ideológicas que se adaptam com alguma facilidade às circunstâncias e à natural evolução da Sociedade, à excepção dalgumas franjas que vêm da militância hardcore da UDP e similares. Não é o caso do PCP – uma ideo-

Joaquim Ramos estava nas suas mãos. Espero que assim se mantenham. Espero que este espírito natalício que apela à tolerância, à luta contra a desigualdade qualquer que ela seja e ao humanismo, se estenda muito para além da época de Natal e que nos aproximemos do velho sonho, tantas vezes garantido e tão poucas concretizado, de ser Natal todo o ano. Bom Natal e um Bom ano de 2016 para todos.


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Tauromaquia Azambujense ¢

Instantâneos Carta ao Diretor

António Salema “El Salamanca”

Vem aí o ano taurino de 2016 Em 2016, chegará mais uma edição da centenária Feira de Maio de Azambuja. Este certame fundado pela casa Gerardo da Maia e Noronhas, foi criado para se proceder à venda de cavalos para o exército. Anos mais tarde juntaram-se outras pessoas como o Patrão Teodoro, José Lacerda Pinto Barreiros ou o Dr.Varela, (tudo gente que nunca é de mais homenagear). Nos dias de hoje, temos a casa Ortigão Costa, que com as suas ações, sempre procurou dar o melhor possível aos azambujenses tanto a nível agrícola, como fabril e que continua sempre a colaborar em todas as iniciativas que se fazem na terra, sejam festas, feiras ou até mesmo ajudar os bombeiros. O Dr. Luís Ortigão Costa, ficou como todos sabem, imortalizado com o seu nome na Praça de Toiros de Azambuja, uma merecida homenagem sem dúvida. E já que falamos da Praça de Toiros, a título de curiosidade dizemos que a primeira praça de Azambuja foi inaugurada no ano de 1901, por ocasião da primeira Feira de Maio. No que diz respeito à parte taurina, esperamos que neste 2016 que agora chega, venham bons tempos para os ganaderos e toureiros. E no toureio a pé alguns jovens estão a despontar, como por exemplo um jovem do concelho de Alenquer que se iniciou na arte do toureio em Azambuja. Primeiro, com o Mestre novilheiro Carlos Pimentel e mais tarde com o Fialho. Chama-se João Martins, mas na minha opinião, devia-se chamar Juan Martin e ter nascido do outro lado da fronteira. Seria certamente mais fácil para ele. Mas escolheu agora esse caminho, está a triunfar, mas atenção... Fazer novilhadas sem cavalos é fácil, difícil é fazer novilhadas com cavalos e ser matador de toiros. O João Martins tem de ter um querer muito grande como teve José Tomaz: Pensar que não tinha corpo. A João Martins, desejo-te que tenhas suerte, e que Alenquer tenha mais um matador de toiros. Ana Rita, a quem o Valor Local dá destaque nesta edição, iniciará já em janeiro a sua presença nas praças espanholas. Os bandarilheiros azambujenses Paulo Sérgio e Joaquim Oliveira já têm colocação para esta temporada. Paulo Sérgio está com Pedro Salvador, ao passo que Joaquim Oliveira acompanha a Francesa Lea Vicens, ao mesmo tempo que dá uma ajuda ao praticante Parreirita Cigano. Quanto aos Forcados de Azambuja, esperam ter uma boa temporada.

Direito de Resposta Na Edição nº 31, de 20 de Novembro de 2015, página 19, foi publicado pelo V/ jornal o artigo: Santa Casa de Benavente acusa ARS, Hospital de Vila Franca “partiu-nos as pernas”. No artigo é referido “Entretanto recorreram para o Supremo, ora isto é de loucos, mas são apenas quatro ou cinco pessoas”. Como sou um dos autores, informo que ganhamos a acção na primeira instância (Tribunal de Benavente). O coronel Norte Jacinto recorreu para o Tribunal da Relação de Évora que entendeu que a competência para dirimir estas questões é do Tribunal Eclesiástico. Recorremos para o Supremo Tribunal de Justiça, que nos deu razão, proferindo Acórdão que diz serem os Tribunais Cíveis e não o Eclesiástico, competentes para decidir destas questões. Pelo que, não somos tão loucos como o referido senhor diz.

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP10171 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Publicidade: Eduardo Jorge Correio eletrónico: eduardojorge@valorlocal.pt Telefone: 932 446 322 Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares

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xistem datas que têm significado coletivo: A nossa memória coletiva também se constrói. É preciso viver a história de pessoas e sítios. Vila Nova da Rainha foi pioneira na história da aviação militar. Aqui nasceu o berço da aviação em Portugal com a criação da “ escola aeronáutica militar”. Os vestígios históricos do campo de aviação e escola foram apagados com o tempo, mas existem locais com história que merecem evocação e um olhar. Em Vila Nova da Rainha, concelho de Azambuja, comemoramos o centenário do pioneirismo da aviação militar. Aqui formamos os primeiros pilotos seculo XX e assinalamos o início da carreira de alguns heróis militares. Deixo o desafio para os militares e ex-militares das Forças Armadas, em especial Força Aérea residentes no concelho de Azambuja para, realizarem uma homenagem em 2016 e uma exposição “local” sobre a história da aviação nos anos 10, 20 e 30 do século XX em particular a história da aviação em Vila Nova da Rainha e pioneirismo militar da sua “Escola Aeronáutica Militar”. Penso que os núcleos da Liga dos Combatentes e seus associados podem ser os organizadores desta iniciativa em pareceria com a Junta de Freguesia de Vila Nova da Rainha e Câmara Azambuja, e todos os interessados pelo tema. Este é um desafio difícil mas não impossível de concretizar em 2016. Já noutro aspeto, aproveito para falar da segurança de pessoas e bens: o concelho de Azambuja tem que fazer mais e melhor e rapidamente, porque existem situações que a olho desarmado merecem clara reprovação. Acredito que há no município pessoas responsáveis por verificar este estado de coisas: É preciso confirmar ligações e adaptações pós festas locais; pequenas obras locais das juntas de freguesia. Nesta altura de Natal claro que também se tornam, vulneráveis as ligações improvisadas de iluminação pública alusiva à quadra. Queiram por favor estar mais atentas aos quadros elétricos em via pública, tampas de saneamento, condutas e marcos de água, e mau estado do pavimento ou a falta dele. Muita atenção às vistorias de obras e zonas de andaimes em via pública. Poderia enumerar outras situações de risco, mas penso que já têm aqui matéria de preocupação “pública” e possíveis acidentes, que está ao alcance de todos minimizar.

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Rápidas Bolos recuperados Associação de Apoio a Idosos e Jovens da Freguesia de Meca aceitou o repto do município de Alenquer para recuperar durante a iniciativa “Mercado de Emoções” os bolos saloios, feitos à base de farinha, limão e açúcar, bem como as Merendinhas de Santa Quitéria. Dizia a tradição que quem os comesse ficava protegido da raiva e da loucura durante o ano.

A

Atrium-Cinema, em Azambuja, recebeu, no dia 15 dezembro, os idosos das IPSS’s do concelho. O Leão da Estrela foi o filme escolhido. Todos os anos é hábito ser promovida uma sessão para os utentes do Centro Paroquial de Azambuja, Santa Casa da Misericordia de Azambuja, e Centro de dia Nossa Senhora do Paraíso neste equipamento que assim desfrutam de um dia diferente.

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Valor Local edição Dezembro 2015  

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