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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 28 • 21 Agosto 2015 • Preço 1 cêntimo

Bilionário árabe à procura de negócios em Azambuja

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Está em marcha o maior olival da Península Ibérica em Alcoentre


Ambiente

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Alenquer e Cadaval querem associação para gestão da Serra de Montejunto ¢ Sílvia Agostinho ão 16 anos da paisagem protegida do Montejunto. Em tempo de balanço Câmara de Alenquer e ALAMBI fazem balanços diferentes Dora Pereira, vereadora do Ambiente no município de Alenquer, avança ao Valor Local a intenção intermunicipal que visa a criação de uma associação que tenha como objetivo a promoção e a defesa do principal ex-libris natural dos dois concelhos, e que resulta da necessidade de se criar um instrumento que promova a gestão da Serra de Montejunto de forma “mais profissionalizada”. Esta ideia resulta também das recentes reuniões do Conselho Consultivo da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto dirigidas pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que no entender, por exemplo, da Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer (ALAMBI) tem protelado em conjunto com a Câmara de Alenquer e demais entidades a elaboração e aprovação de um Plano de Ordenamento e Gestão da serra. A vereadora espera que a associação em vista possa contribuir para uma nova achega aos problemas daquela paisagem. Em comunicado, enviado às redações, a ALAMBI critica o facto de 16 anos depois de o Montejunto

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ter recebido a designação de Paisagem Protegida, terem sido feitas várias tentativas para se conseguir um plano mas sem sucesso. A ALAMBI refere que “a situação arrastou-se nos primeiros 10 anos sem que houvesse um funcionamento efetivo da Paisagem Protegida com planeamento, quadro de pessoal, um orçamento, ou quaisquer sinais de que a Serra de Montejunto beneficiasse de qualquer estatuto de proteção”. Dora Pereira está convencida de que com uma associação como elemento de interligação com o Estado, a questão da paisagem do Montejunto possa sair do marasmo que a tem caracterizado. Em 2011, chegou a ser concluído um desses famigerados planos e entregue ao antigo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, para aprovação. A ALAMBI não entende os motivos pelos quais o secretário de Estado que encomendou a trabalho se foi embora sem o aprovar, “quando este já estava na sua secretária”. “A fase final da sua conclusão coincidiu com o período final do governo de Sócrates, mas em nosso entender esta coincidência não constitui uma razão efetiva. Acreditamos que o lobbie das eólicas desempenhou um papel em todo este imbróglio, desde o seu início”, conclui a associação. Dora Pereira reconhece que o tra-

balho ficou suspendido no ar sem que houvesse um seguimento. “Não passou de um projeto de intenções com pouca substância”. “Mas ao contrário do que é dito pela ALAMBI não houve um plano concluído, apenas um projeto de intenções”, refere. Previamente a tudo isto, existe o Plano Sectorial da Rede Natura 2000 para a Serra de Montejunto, considerado “um documento orientador que apesar de pouco extenso e de pecar por falta de condicionantes à utilização da Serra, estabelece um conjunto importante de orientações de gestão que seria necessário levar à prática”, diz a associação. “Peca de facto na cartografia, mas a nível das orientações de gestão é completo”, opina por seu turno a responsável desta pasta na autarquia. Nova tentativa de implementação de um plano de gestão Recentemente, em junho foram retomadas as reuniões do conselho consultivo daquele património, onde a ALAMBI, segundo a Câmara, não esteve presente apesar de ter sido convidada. Mais uma vez a associação mostra-se descrente com a novidade de um novo plano. “Trata-se da terceira tentativa em dezasseis anos com

Estado do Largo de Palmela preocupa moradores lguns moradores da Rua Espírito Santo e do Largo de Palmela em Azambuja, têm vindo a reclamar sobre a necessidade de reformulação do Largo Palmela na sede de concelho, mas também do lixo que se vai acumulando no local, o que preocupa os munícipes. Em causa está o pavimento, composto por seixos, e pedaços de relva dispostos de forma quase aleatória ao redor do largo que também alberga o monumento aos combatentes de Ultramar. A situação já não é nova, e o espaço tem-se vindo a degradar, não só visualmente, como também fisicamente, já que os moradores se queixam de abandono e desleixo por parte do município, e também por parte de alguns frequentadores do local. Ao Valor Local, alguns moradores reclamam maior dignidade para o espaço, já que tem um grande significado para os antigos combatentes e por outro lado fica situado junto à igreja da misericórdia que é considerada monumento nacional. A acrescentar a isto, existe a falta de civismo por parte de alguns moradores, com o frequente entupimento das ilhas ecológicas e o colocar de sacos de lixo fora do local apropriado, sendo este um cenário menos frequente nos últimos anos. Ao Valor Local, Silvino Lúcio, vice-presidente da Câmara Municipal de Azambuja, destacou que existe um projeto para a reorganização daquele local. O vice-presidente sustenta que a autarquia tem vindo a fazer a manutenção possível e que só não avançou para a recuperação do Largo de Palmela devido às restrições financeiras. Silvino Lúcio que não adianta uma data para a intervenção no local, para já, vinca contudo que existem planos para intervir no Largo de São Sebastião, mais conhecido pelo “Parque” que também aguarda por melhores dias.

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a particularidade de se estar a fazer ‘tábua rasa’ de toda a documentação anterior. Em nosso entender o envolvimento direto do corpo técnico do ICNF e de técnicos municipais pode ser positiva, porque tem a potencialidade de trazer ao terreno os técnicos do departamento do Ministério do Ambiente responsável pela gestão das área protegias nacionais e de possibilitar a concertação de ações com os municípios, mas, começar o trabalho a partir do nada, como se está a fazer, ignorando toda a documentação já produzida, a qual está depositada no ICNF e é sua propriedade, parece-nos completamente inapropriado”, reforça a associação. “Estamos a trabalhar no sentido apresentarmos ainda este ano o plano, de forma a avançar-se para a proposta, até porque temos de verter esta componente também nos planos diretores municipais das duas câmaras, e aí de forma alguma poderá ser questionado porque os PDM’s têm força de lei”, reforça por seu turno Dora Pereira, focando- “As duas câmaras estão a esforçar-se junto da tutela para que se avance rapidamente”. A ALAMBI debruça-se ainda sobre as intervenções levadas a cabo no Montejunto, nomeadamente, as obras de urbanismo, como a recuperação das casas dos guardas florestais e a recuperação do património histórico. “Se no entanto a generalidade destes investimentos são inquestionáveis, há que referir que as casas dos guardas de Casais da Pedreira e de Cabanas de Torres não têm qualquer utilização; a casa de Vila Verde dos Francos, pouca utilização tem, e a Casa da Fontainhas, logo depois de reconstruída, foi saqueada por assaltantes e ruiu. A única casa de guarda com funcio-

namento efetivo, é a do alto da Serra, onde funciona um centro de interpretação ambiental que está quase sempre fechado”, enumera. Mas Dora Pereira contesta referindo que o centro está apenas encerrado à segunda-feira. “Possivelmente poderá estar fechado quando o funcionário está a acompanhar alguma visitação ao terreno, à fábrica do gelo por exemplo”. Pontos fracos na vegetação da serra O diagnóstico do Plano de Gestão que se está a elaborar refere como ponto fraco da Serra a escassez de bosques de carvalho que quantifica o carvalhal em apenas cerca de 15 hectares, num total de cerca de 5000 hectares de Paisagem Protegida. Para colmatar esta fragilidade, as ONG’s, entre as quais a ALAMBI, “têm vindo a plantar carvalhos anualmente, desde o grande incêndio de 2013, mas algumas destas árvores também foram ceifadas no desmatamento de uma faixa de controlo de fogo efetuada no último inverno”. “É questionável se o tipo de desbaste levado a efeito em Montejunto é o mais apropriado a uma área protegida, pela sua amplitude, pelas características das zonas onde chega, e pela falta de cuidado”, deixa a pergunta no ar. “Esse procedimento designado por rolagem é prática comum na silvicultura e proporciona o despontar à posteriori de caules mais vigorosos, penso que não seja assim tão questionável este trabalho”, contrapõe Dora Pereira. A Paisagem Protegida da Serra de Montejunto enfrenta algumas “outras ameaças”, uma das quais é a invasão por acácias, uma espécie exótica. O Plano de 2011

quantifica a área ocupada por esta espécie em 7,7 hectares, cerca de metade da área de carvalhais. Considerando tratar-se de uma espécie que chegou à Serra de forma espontânea e que apresenta grande capacidade de expansão, “se não forem tomadas medidas urgentes para o seu controlo e erradicação, poderá ser criado um problema grave, como aconteceu noutras regiões do país.” A ALAMBI vai mais longe - “Quando se trata de fazer obras de urbanismo, a Comissão Diretiva da Paisagem Protegida do Montejunto não necessita de planos e pode até violar os que existem, mas quando se trata de intervir na conservação dos habitats, de controlar invasivas, e de tomar medidas eficazes para a prevenção de incêndios, pelos vistos as orientações de gestão do Plano da Rede Natura não são suficientes e é preciso mais um Plano.” Numa destas intervenções, foi impermeabilizada com tela uma lagoa com fundo argiloso na zona do Quartel, e com isso foi eliminado das suas margens o povoamento de Juncus valvatus, uma espécie incluída na Diretiva Habitats, “em violação do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 para a Serra de Montejunto”, refere a associação. “Não está provado que existisse no local esta espécie”, diz por seu turno a vereadora. “Concordamos com a necessidade de um Plano que defina medidas ativas de gestão, que as planifique e calendarize, que defina condicionantes à utilização da Serra, e que tenha uma aplicação efectiva. Que não seja por falta de Planos que a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto fique à mercê dos eucaliptos, das acácias, do fogo, e dos desportos motorizados”, conclui a ALAMBI.


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Está em marcha o maior olival da Península Ibérica em Alcoentre plantação de olival nas freguesias de Alcoentre e Manique do Intendente segue a bom ritmo. Entrando em Vale Carril, o extenso campo fica quase a perder de vista. A exploração que se desenvolve em terrenos da cadeia de Alcoentre e da Torrebela está a cargo da empresa de Córdoba, Espanha, Campo Nuevo Técnicas Agícolas, SLU, que adquiriu essas terras. O Valor Local percorreu os vários quilómetros desta plantação cuja produção será canalizada quase na sua totalidade para o estrangeiro. Em 2017, ano em que a plantação alcançará a sua plenitude tornar-se-á na maior da Península Ibérica, e praticamente da Europa. Oscar Orihuela, representante da empresa e responsável da Torrebela, revela ao Valor Local que numa fase inicial a empresa, uma das líderes do setor no país vizi-

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nho, pensou no Alentejo, onde já possui olivais mais pequenos, mas depressa mudou de ideias ao verificar da qualidade dos solos bem como da existência de “muita água” nestas terras, mas também “um bom clima”. Foram quase dois anos de estudo da área em questão do concelho de Azambuja. Estava assim criado o cenário perfeito para que em 2014 se tivessem iniciado os primeiros trabalhos no terreno. O facto de no local ainda se encontrarem muitos lagares antigos foi no sentido, igualmente, de se precipitar a escolha em causa. Dentro de dois anos, a azeitona já estará pronta a ser colhida. Até ao natal deste ano, deverão estar plantados 700 hectares de olival, e ao cabo de quatro anos uns imponentes 2200 hectares. O suficiente para se pensar em exportar em larga escala para paí-

ses como Espanha, Brasil, Itália, e uma parte para Portugal, embora menos significativa. Cinco mil toneladas de azeite serão produzidas nestes terrenos do concelho de Azambuja. Atualmente trabalham no olival cerca de 80 pessoas, sendo que cinco são espanhóis, os restantes são oriundos das localidades vizinhas como Manique, Rio Maior, Alcoentre. Quando a produção atingir o seu pico, prevê-se que o olival possa dar emprego a 200 trabalhadores, durante 10 meses por ano. O responsável da Torrebela conta que a caça vai continuar a ter o seu espaço, mas o olival será definitivamente a principal aposta da quinta. Um lagar velho da Torrebela, e outro da antiga fábrica da cerâmica, serão também restaurados com a criação de um centro de formação também dedicado ao olival.

Recentemente, um dos mais influentes empresários sauditas esteve no concelho de Azambuja, e teve a oportunidade de visitar a plantação. Oscar Orihuela confessa que a visita teve para já um carácter de observação. “Estamos disponíveis para dialogar com todos os que queiram adquirir o nosso azeite”. O investimento no Ribatejo segundo este responsável ficará por este projeto, sendo que não estão no horizonte outras iniciativas semelhantes. Com um investimento programado para mais dois anos, só que no que diz respeito à plantação, refere que o mesmo ainda não está “completamente quantificado”. Tecnologia de ponta no novo olival

Tecnologicamente, esta planta-

ção recorre ao que de mais inovador existe no que se refere ao cultivo da azeitona. De acordo com Juan Trinado, engenheiro de rega do departamento técnico da empresa, o projeto também está a mudar a cara da Torrebela, durante anos sem ser explorada, apenas dedicada ao eucalipto e caça. Com a entrada em cena desta empresa espanhola procedeu-se ao arranque de parte dos eucaliptais; e implementou-se no terreno toda uma logística específica tendo em vista o fim em causa. A variedade de azeitona é a espanhola Arbequina “com a apanha a ser feita de forma totalmente mecanizada, vital para se produzir azeites de tipo extra virgem destinados a um mercado de qualidade, e esse é também um dos objetivos primordiais do projeto”, salienta.

A rega faz-se pelo sistema gota a gota, com recurso a duas lagoas existentes na extensa propriedade, com interligação através de tubagens, e que abastecem as bombas de rega existentes. O técnico da Campo Nuevo salienta que são capazes de bombear um total de 880.000 litros/hora. Este sistema permite ainda uma filtragem das partículas que passam para as plantas, sendo que o adubo é também transportado através da rega; tudo numa lógica de eficiência energética. Só para se ter uma ideia, quando a plantação atingir o seu pleno, estarão instalados no terreno sete milhões de metros de tubos em todos os diâmetros. Para Juan Trinado, “este é um projeto que também é um sonho e um grande investimento, no qual se persegue acima de tudo a perfeição”.


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Azambuja na mira de empresário saudita que movimenta biliões por ano ¢

Sílvia Agostinho m empresário saudita esteve em Azambuja recentemente para apurar das oportunidades de negócio no concelho. Trata-se de um engenheiro civil de formação mas, sobretudo, de um dos maiores industriais da Arábia Saudita, líder de um grupo de cerca de 30 empresas. O Valor Local entrevistou em exclusivo o empresário de seu nome Riyahd que se afirmou muito satisfeito com a sua deslocação a Azambuja. Em conversa com o nosso jornal fez questão de afirmar o seu deslumbramento pela paisagem portuguesa, e pela hospitalidade do nosso país, algo que também pôde testemunhar “na forma calorosa de receber do presidente da Câmara de Azambuja, que colocou todos os seus meios ao dispor nesta deslocação”. Sem revelar se vai ou não investir o seu capital no país ou no concelho, deixou no ar apenas que a sua visão sobre o que

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poderia encontrar nesta visita mudou a 100 por cento para melhor. Com negócios um pouco por todo o mundo, o árabe deixa um conselho aos empresários portugueses, neste momento, em que o país vive num limbo de desejo de saída da crise na sua plenitude. “Portugal necessita de fazer um melhor marketing do que tem para oferecer, tal como a Arábia Saudita o fez captando a curiosidade e o interesse dos países mais poderosos do mundo”. No mundo dos negócios sugere ainda a aposta no mercado imobiliário e faz questão de citar Warren Buffet – “Tenha medo quando os outros são gananciosos, e seja ganancioso quando os outros têm medo”. Quanto aos seus negócios, revela estar agora a entrar no mercado da transação de mercadorias sobretudo no comércio de cereais. Os seus projetos para o futuro no que respeita à

sua fortuna passam também por ajudar outros e deixar um legado para os seus descendentes. Hoje em dia a Arábia Saudita é um país bastante cobiçado pelos quadros superiores portugueses que desejam uma experiência fora de portas. Os salários são altos, e a luxuosidade dos países emergentes daquela área do Golfo não deixa ninguém indiferente. Neste sentido, deixa uma espécie de conselho aos jovens portugueses: “Informem-se o melhor possível sobre a companhia para onde vão trabalhar”. Sendo que “regra geral os árabes adoram ter europeus a trabalhar nas suas empresas”. A Arábia Saudita como gigante mundial no que diz respeito à indústria petrolífera com os vários subprodutos a ocuparem um peso decisivo no produto interno bruto, verá nas suas palavras de forma negativa e pessimista o advento em cada vez maior escala das ditas renová-

veis. “Isso terá de facto um impacto negativo na região do Golfo”. Esta visita do empresário saudita ao concelho de Azambuja resulta de uma parceria do município com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Saudita (CCILS). Esta primeira iniciativa, organizada pela autarquia e pelo Business Council daquela câmara, pretende ser apenas o lançamento de uma “colaboração regular, estreita e profícua para todas as partes”. A comitiva foi composta, entre outros, pelo presidente da Câmara de Comércio, Rodrigo Ryder, além do empresário, e respetiva família. Os seus ramos de atividade passam pela construção e pela energia, mas assumem maior protagonismo os empreendimentos e a atividade turística bem como o setor agroalimentar. Refira-se que este grupo empresarial movimenta anualmente mais de 5 biliões de dólares.

Imóveis fechados há anos postos à venda mercado imobiliário na região começa a dar sinais de recuperação. Timidamente, conseguimos perceber que alguns edifícios para habitação que se encontravam acabados há vários anos mas permaneciam por vender, aparentando um ou outro sintoma de abandono e de desgaste, começam agora a evidenciar sinais de finalmente se encontrarem disponíveis para receber quem os vai adquirir. Em março de 2014, o Valor Local fez tema de capa: a crise na construção, evidenciando, entre outros exemplos, que o edifício Varandas del Rei no concelho de Alenquer, mesmo à entrada da vila, se tinha transformado numa espécie de elefante branco. Nos últimos meses procedeu-se aos arranjos urbanísticos envolventes, e o imóvel foi adquirido pelo banco para venda. Deste complexo fazem parte cerca de 72 apartamentos de gama alta, idealizados tendo em linha de conta o acréscimo populacional que se esperava com a plataforma logística da Castanheira do Ribatejo e o novo aeroporto da Ota, projetos do Governo mais ou menos abortados entretanto. Ilídio Mendes, o construtor da Promocasa, que se dedicou a este projeto, refere que a forma como a comercialização será feita daqui para a frente não é do seu conhecimento, sendo que enquanto empresário do ramo salienta que ainda não consegue prever a evolu-

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Edifício de Povos com condições especiais

Varandas del Rei prepara-se para os novos moradores

ção do mercado, dado que não tem neste momento imóveis para venda. O empresário é da opinião de que a construção só pode dar a volta por cima quando forem retomados projetos macro como a plataforma logística por exemplo. “Sei que a banca está a tentar repor os valores de mercado para o empreendimento, com preços aproximados dos originais de 2009, tendo sido concretizados alguns melhoramentos no imóvel”. Os preços, em 2009, rondavam os seguintes valores: cerca de 120 mil um T3; e 150 mil um T4; T2 a 100 mil euros.

Outro imóvel que estava em banho-maria, há cerca de quatro anos, e que atualmente se encontra em fase de venda, situa-se à entrada de Povos, Vila Franca de Xira. Mário Fiúza, agente Remax, refere que neste momento as prestações bancárias são muito atrativas rondando para algumas tipologias os 263 euros, podendo chegar aos 500 euros no máximo. “A comercialização iniciou-se há duas semanas com preços competitivos e condições especiais, algo que tem vindo a atrair imenso os compradores, com muitas reservas já concretizadas”, denota.

Trata-se de um condomínio fechado com segurança num total de 73 frações e os preços vão dos 100 aos 220 mil euros, desde T1 a T4. “Muitas famílias e casais jovens que estão a viver em apartamentos arrendados estão a procurar este imóvel, até porque alguns deles pagam rendas superiores”. O agente é da opinião de que “o mercado tem vindo a ser sacudido, de certa forma, por uma lufada de ar fresco, nomeadamente, porque temos assistido a alguma abertura por parte da banca, na concessão de crédito”.

Caso Expocartaxo ainda dá que falar

“Se fosse empresário não queria ficar ao lado das Simaras desta vida!” e modo a eliminar o que designou por “mal entendidos”, o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, aproveitou a última reunião de Câmara para aludir “às boas relações com a Nersant”, depois de o vice-presidente da autarquia, Fernando Amorim, ter deixado no ar a ideia de um rompimento o envolvimento com aquela associação empresarial na organização da Expo-Cartaxo e Feira dos Santos. O presidente da Câmara entende que o que Amorim disse não passou de um “desabafo”, mas não deixa de dar razão no que se refere à necessidade da autarquia ter um papel mais ativo na feira. “Queremos fazer um conjunto de visitas a empresas do nosso concelho, que fazem feiras fora do Cartaxo mas que nunca estiveram na nossa feira”. Pedro Ribeiro lamentou o “ruído” feito no facebook acerca desta matéria. Para o autarca, o figurino da feira deverá mudar porque está mais interessado na presença das empresas, indústrias, serviços e comércio do Cartaxo, do que propriamente na vinda de cartomantes ou de expositores de doces de outras zonas do país para esta feira. “Se fosse empresário nem que me pagassem eu teria um espaço na ExpoCartaxo, para ficar ao lado das Simaras desta vida”, referiu que fez questão de dizer isso mesmo na reunião com a Nersant. “Tudo isso tem custos de reputação para o empresário”. Por outro lado “há um excesso de pessoas a vender doces e pão, que até os quadros dispararam o ano passado por haver tantos fornos ligados”. A Câmara quer ser um parceiro mais ativo, e fazer um pouco do que já foi levado a cabo na Festa do Vinho, “que mudou significativamente o seu figurino”. Por isso pretende visitar empresas durante o mês de setembro e fazer-lhes o convite.

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Negócios começam a florescer na região com o apoio das autarquias ontinuamos o nosso périplo sobre o empreendedorismo nos concelhos onde o nosso jornal está presente. Depois de sabermos o que está a ser levado a cabo por parte dos municípios de Azambuja, Salvaterra de Magos, Vila Franca de Xira e Alenquer, damos a conhecer o que o Cartaxo, Arruda dos Vinhos e Benavente estão a tentar protagonizar nesta matéria. No que se refere ao município do Cartaxo, a vereadora com o pelouro da atividades económicas, Sónia Serra, realça que “os problemas financeiros condicionam a capacidade de intervenção da autarquia”, mas refere que, apesar de tudo, o município tem tentado assumir uma perspetiva de “facilitadora do trabalho de empresários e empresas”, desde logo com a criação da Área de Desenvolvimento Económico e Empreendedorismo (DEE).” Para além de ter passado a haver um espaço de atendimento personalizado e “amigo do empresário”, o trabalho de promoção dos produtos e serviços das empresas intensificou-se nomeadamente na Feira Nacional de Agricultura e por onde passaram oito empresas do concelho. A DEE recebe empresas e empresários com novos projetos, que querem fixar a sua atividade no Cartaxo. A estrutura organiza ainda reuniões de trabalho entre empresários e parceiros e desenvolve ações concretas de esclarecimento referentes aos fundos comunitários, um dos temas que suscita mais interesse por parte dos empresário. A DEE, assim como o próprio executivo, é também procurada por investidores interessados em fixar-se no Parque de Negócios do Cartaxo, Valeypark, que “certamente se tornará um dos cen-

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Municípios criam medidas para estimular a captação de investidores tros de desenvolvimento e crescimento económico no concelho”. No que toca ao comércio local, o município tem em curso projetos de reordenamento do espaço público. Por um lado, o ordenamento do estacionamento, que já foi apresentado e debatido numa sessão pública com os comerciantes e está agora em fase de recolha de contributos, por outro, o estudo de trânsito com o objetivo de melhorar a mobilidade e o acesso ao comércio. “Invest Arruda” deverá crescer Em Arruda dos Vinhos, foi implementado o plano “Invest Arruda” com espaço para incubação de empresas (neste momento com sete gabinetes) bem como uma sala de co-work destinada a quem está no início dos seus negócios e que necessita de um espaço de trabalho, neste caso 9 a 10 postos. “A nossa convicção é que em 2016, deveremos estar a alargar a incubadora, e nesse aspeto estamos em conversações com o nosso parceiro, o BPI, ten-

do em vista esse objetivo, que é o proprietário do imóvel do ‘Invest Arruda’”, refere o presidente da Câmara, André Rijo. Até final de março do ano que vem, deverá ser inaugurado mais um piso, “de forma a irmos ao encontro dos empresários”. O território do concelho é procurado por quem quer desenvolver projetos ligados à inovação e tecnologia, por fazer parte de um território, onde é mais fácil aceder aos fundos comunitários. No incremento da atividade económica, a Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos aprovou, Uma redução de até 60% pela licença de operações urbanísticas destinadas ao desenvolvimento e implementação de atividades económicas consideradas relevantes para o desenvolvimento do concelho, e que nomeadamente visem a contratação de mão-de-obra aí residente. Esta redução pode ser majorada em mais 20% caso a sede social da empresa ou entidade em causa se venha a localizar no concelho de Arruda dos Vinhos; Mas também uma redução até

50% ou isenção pela licença de operações urbanísticas destinadas à construção, reconstrução ou adaptação de imóveis tendo em vista a sua futura exploração turística e/ou hoteleira, ligada à promoção e valorização do território concelhio nomeadamente nas vertentes de promoção dos produtos locais, enoturismo, e desporto aventura, como para o

desenvolvimento de projetos ligados à investigação e desenvolvimento da vertente agroindustrial; Benavente e a proximidade à capital Já no caso do concelho de Benavente, e de acordo com o presidente da Câmara Carlos Coutinho, há “uma grande proximida-

de junto dos investidores” por parte da autarquia, principalmente tendo em conta os instrumentos do Portugal 2020. No caso desta autarquia, a Câmara tenta também colocar o máximo de informação disponível aos futuros empreendedores, nomeadamente, quais as melhores oportunidades de mercado. Até porque o desespero face à conjuntura económica, “leva as pessoas a quererem enveredar por negócios que à partida não se afiguram como passíveis de ter sucesso”, e “essa é também uma componente deste trabalho”. O novo PDM em debate também apresenta novas áreas de atividade económica no concelho de Benavente , com o município a colocar como uma das bandeiras para a captação de empresas a proximidade com a capital do país, nomeadamente com a ampliação de algumas das áreas, como a da Murteira em Samora. Para já instala-se por estes dias, uma empresa de pizzas em Samora Correia, que até ao final do ano deverá empregar entre 40 a 50 pessoas.


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Póvoa de Santa Iria

Solvay possibilita instalação de novas empresas nas suas instalações Solvay na Póvoa de Santa Iria está a preparar parte das suas instalações para receber outras empresas mais pequenas. A informação foi apresentada em reunião da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, pelo presidente Alberto Mesquita, em formato de uma proposta para o efeito. De acordo com o autarca a proposta da empresa, tem como base o facto desta já não utilizar

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parte das suas instalações dado que está agora numa fase de demolição. Alberto Mesquita salienta que a atividade industrial da empresa vai continuar, mas que mesmo ao lado está a crescer um pólo industrial e para o qual “existem já empresas interessadas em irem para lá”. Nesta altura, o autarca salienta que o projeto está a ser analisado ao nível das acessibilidades “atra-

vés da estruturação e planeamento adequados”. Para o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, este “ é um novo ciclo que se abre. Fecha-se um ciclo, abre-se outro e eu acho que a economia é isso mesmo”. O presidente da Câmara considera esta uma obra importante, até porque vai trazer mais postos de trabalho ao concelho de Vila Franca de Xira. Ao Valor Local, o autarca salienta mesmo que “os

postos de trabalho que se perderam com a diminuição da atividade laboral da Solvay, vão ser recuperados com a instalação destas novas empresas”. Segundo Alberto Mesquita, a Câmara Municipal vai agora estimular no sentido de que “venham para o local empresas que tenham atividade industrial. E portanto nesse ponto de vista já existe uma ou outra intenção”. Para o presidente do município, o passo

seguinte é esperar agora para ver o que “o mercado nos dirá, de que forma fluirá a economia e isso é determinante para que muitas empresas possam ali se instalar”. A Solvay está em Portugal desde 1934. A empresa que agora vai apostar na cedência do seu espaço a outras firmas está no setor dos produtos químicos. Grosso modo, a Solvay produz peróxido de hidrogénio que é mais conhecido como água oxige-

nada. Este é um produto destinado ao branqueamento da pasta de papel e de fibras têxteis, tratamento de efluentes líquidos e gasosos, desinfeção industrial e hospitalar, descontaminação de solos, cosmética, extração, e recuperação de metais preciosos. Para além da água oxigenada, a empresa produz ainda Clorato de sódio que é mais utilizado no branqueamento da pasta de papel.

Arrancou obra vencedora do primeiro OPA de Alenquer niciaram-se, durante o mês de agosto, os trabalhos de construção de dois parques infantis no jardim-de-infância e EB1 de Santana da Carnota, obra que, no ano passado, venceu a 1.ª edição do Orçamento Participativo de Alenquer (OPA) com 452 votos. Os dois parques serão apetrechados com pavimentos e equi-

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pamentos, estando prevista a sua conclusão em setembro deste ano. Um deles localizarse-á na parte da frente do edifício da escola básica, onde já decorrem os trabalhos de colocação do pavimento. Posteriormente será construído, nas suas traseiras, junto ao edifício do jardim-de-infância, o outro parque A obra tem um valor

contratual de 45 mil 200 euros. Entretanto já está a decorrer a segunda edição do orçamento participativo de Alenquer, sendo que no site se encontra visível um conjunto de projetos. Faltando apurar os vencedores. A título de exemplo, entre outros, a sociedade civil do concelho de Alenquer propôs: a criação de um centro de desenvolvimento

histórico para o concelho de Alenquer e suas freguesias a norte; construção de um parque urbano no Carregado; Revitalização do rio de Alenquer; Colocação de semáforos no cruzamento da saída da Labrugeira com a Nacional 365; Criação dos “Traçados da Memória”; alcatroamento do estacionamento de pesados no Carregado

Equipa de arqueólogos estuda o Vale do Sorraia o âmbito do projeto “Paisagens Agrárias do Vale do Sorraia”, a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial tem vindo a levar a cabo uma intervenção arqueológica nos concelhos de Benavente, Coruche e Salvaterra de Magos. Neste último concelho, há a destacar as intervenções que tiveram lugar no no Cabeço da No-

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gueira, na Glória do Ribatejo, que culminaram, para já, num colóquio no dia 18 de julho. Sílvia Casimiro, arqueóloga, ligada a este projeto refere ao Valor Local que as conclusões para já são preliminares, dado que o objetivo se prendia sobretudo em estudar as valas da carreira do moinho giratório que esteve implantado no cabeço, e

que remonta aos anos 50. Para já é possível referir que “aquela comunidade da Glória se encontra desde muito cedo associada ao ciclo do pão”. O aeromotor que está situado no mesmo local onde outrora funcionou o moinho pode ser interpretado como um símbolo do que foi antes a produção de pão na localidade. “E é

importante nesse sentido para a comunidade”. Contudo, os materiais arqueológicos recuperados são escassos, até porque o solo é “bastante estéril”. O trabalho de campo no Cabeço da Nogueira faz parte de um projeto mais vasto de caracterização das paisagens agrárias do vale do Sorraia, nomeadamente, nos con-

celhos de Benavente e Coruche, “com pesquisa documental, bibliográfica e cartográfica, e com prospeção no terreno”. O objetivo final deverá passar por um inventário acerca do património pré-industrial e industrial daquele vale e a criação de um itinerário turístico que o dê a conhecer. A investigadora salienta o “apoio

da autarquia de Salvaterra e do Centro de Documentação e Estudos Etnográficos da Casa do Povo da Glória do Ribatejo”. No dia 26 de setembro decorrerão em Salvaterra umas jornadas sobre património local com mostra de fotografias das escavações desenvolvidas e do resultado dos trabalhos.

através de painéis fotovoltaicos. O ministro Mota Soares vai aproveitar a sua deslocação ao concelho de Azambuja, para assistir à apresentação do projeto de ampliação do Lar da Santa

Casa da Misericórdia. Mota Soares passará ainda pelo novo lar do Centro Social e Paroquial de Azambuja, que ainda aguarda pela sua inauguração.

Mota Soares Inaugura Lar em Vale do Paraíso Ministro da Segurança Social, Mota Soares, inaugura este sábado, dia 22, o Lar da Associação Nossa Senhora do Paraíso, durante a manhã.

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Trata-se de uma das únicas obras de cariz social a decorrer em toda a região do Ribatejo, com um investimento que rondou os 300 mil euros. O novo espaço com capacidade

para 12 camas, receberá assim a visita do ministro que inaugurará as instalações construídas no piso superior da instituição. Este é um edifício, que é eficiente ao nível energético. O

novo edifício aproveita as várias formas de eficiência energética, desde os materiais usados na sua construção, passando pelo próprio projeto e a utilização, por exemplo, da energia solar


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Sociedade

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O efeito Cuba na vida de Vânia Correia quase oito anos depois ânia Correia ficou tetraplégica em 2003, e o seu caso ainda está na memória da comunidade de Samora Correia e Benavente, por ter sido levada a cabo uma campanha de solidariedade durante vários meses, tendo em vista uma série de tratamentos em Cuba que lhe poderiam proporcionar, na melhor das hipóteses, a recuperação da capacidade de andar. Fomos saber o que é feito de Vânia Correia. Em 2003, e então com 24 anos, foi ajudar os padrinhos no trabalho agrícola. Inadvertidamente o seu cabelo ficou preso no veio que faz a ligação entre o trator e a máquina usada na apanha da batata, embora não se recorde do fatídico momento. Para além de várias mazelas, e o arranque de parte do couro cabeludo, e de uma orelha. O acidente trouxe-lhe ainda a cadeira de rodas, por ter fraturado a medula. De lá para cá, e passados 12 anos, já perdeu a conta ao número de operações que já fez, algumas ainda durante o coma, do qual acordou um mês e meio depois, mas também reconstrutivas à face, outras à bexiga, por ter perdido o controle dos esfíncters. Antes da sua deslocação a Cuba, em 2007, ainda passou por Alcoitão onde realizou fisioterapia intensiva durante sete meses e meio. “Apenas mexia os braços quando lá entrei, mas consegui recuperar o equilíbrio”. Os planos para a sua vida acabaram por sofrer um revés. Tinha um emprego como secretária, que entretanto não conseguiu recuperar. Foi através da internet que conseguiu saber da popularidade de Cuba no tratamento de casos

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como o seu. Em 2007, rumou com o seu pai àquele destino com bilhete para ficar um mês e meio de intensos tratamentos. Naquele país, a fisioterapia prolonga-se por

cerca de sete a oito horas por dia, ao contrário de Alcoitão onde os pacientes “trabalham menos horas”, apesar de disporem de mais máquinas. Vários espetáculos fo-

ram organizados pela poetisa Piedade Salvador no concelho de Benavente com o intuito de se angariar fundos para a deslocação de Vânia Correia ao país em cau-

Vânia Correia enfrenta a vida com um sorriso nos lábios

sa. “Inicialmente começou-se pelo concelho, com a ajuda de Piedade Salvador que sempre me apoiou. Dei muitas entrevistas, fui inclusivamente à televisão, ao programa do Goucha”. Sendo que conseguiu uma verba de 25 mil euros, na altura, para ir a Cuba. “As pessoas do concelho aderiram imenso, tenho muito a agradecer”. No regresso de Cuba, os tratamentos permitiram-lhe mexer a perna esquerda. Foram-lhe colocadas ortóteses, que lhe possibilitaram andar desde que agarrada a um andarilho, mas complicações do foro da bexiga acabaram por comprometer esse sucesso. Vânia Correia optou de seguida por mais uma série de tratamentos numa clínica de uma associação em Gouveia, em 2010, onde gostou “imenso de lá estar, porque faziam fisioterapia dento da piscina, embora não a pudesse ter feito”. Mas mais uma vez foi traída pela bexiga, contudo ganhou mais equilíbrio e força muscular nesta sua estadia de dois meses em Gouveia. Nunca baixou os braços e decidiu avançar com uma operação à bexiga, depois dos muitos contratempos que já tivera, nomeadamente uma anemia. Apesar de hoje estar algaliada, conseguiu alguma qualidade de vida que não tinha- “Antes, bastava beber meio copo de água para em pouco tempo ficar com a bexiga cheia”. As contrariedades que tem enfrentado ainda não lhe retiraram o sonho de um dia poder voltara a andar. “Quem sabe se um dia com o avanço da medicina isso possa ser possível, enquanto há vida há esperança”. Atualmente

Vânia Correia apenas se desloca a uma clínica de fisioterapia em Benavente duas vezes por semana. Muitos foram os portugueses que a dada altura rumaram a Cuba, tendo obtido resultados mais ou menos positivos, Vânia Correia não considera que se tenha colocado demasiadamente o acento tónico em Cuba como o país da cura de vários males – “No meu caso, posso dizer que Cuba foi boa para mim, melhorei realmente, porque consegui vir de lá a mexer uma perna (movimento que entretanto perdi na sequência das complicações de saúde que enfrentei como a anemia) e as pessoas viram isso, não se tratava de nenhuma mentira. Tinha mais força, e conseguia de certa forma andar com as ortóteses”. Vânia Correia ainda se recorda de ter agradecido à população do concelho num outro espetáculo promovido por Piedade Salvador. “Apresentei-me às pessoas que viram que andava com o aparelho, pensaram que eu estava quase curada, que não era necessário mais nada. Mas não era bem assim, porque entretanto perdi força e apenas consigo mexer-me com as ortóteses mas num intervalo de espaço muito pequeno e com ajuda”. O dia-a-dia de Vânia Correia é preenchido com algumas tarefas domésticas que consegue fazer, ver televisão, e internet. Vive com uma reforma de invalidez. A mobilidade urbana é reduzida, pois os locais por onde costuma andar com a ajuda de terceiros não oferecem condições para se tornar independente a esse nível como gostaria.

Orçamento Participativo de Arruda em marcha Município de Arruda dos Vinho vai permitir que os projetos vencedores do Orçamento Participativo, possam ultrapassar os 15 mil euros desde que os mesmos garantam as restantes verbas. O assunto foi analisado e aprovado em reunião de câmara, e trata-se de um alteração ao atual

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regulamento em vigor e uma mais-valia para os concorrentes, que podem assim encontrar parceiros que os financiem, para além da contribuição do município. Uma determinada entidade que tenha um projeto com valores que rondem os 25 mil euros, (onde exista um défice de 10 mil face

aos 15 mil inscritos no regulamento), “desde que dê garantias de que tem financiamento para o remanescente, esse projeto pode passar à fase da votação”. Por ano, o município tem aprovado apenas um projeto, todavia o regulamento prevê que possam ser aprovados dois ou mais projetos, desde que, todos juntos, não

ultrapassem o valor de 15 mil euros, que é a verba inscrita no orçamento municipal. O autarca vinca que uma das ideias do município é que a verba inscrita no orçamento municipal seja esgotada no Orçamento Participativo. No ano passado, apareceram cerca de 25 projetos a concurso, mas

apenas passaram à fase de votação 15 propostas. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, o projeto vencedor apresentado pela Associação de Pais de Arranhó, com um telheiro para a escola local, será inaugurado no início deste ano letivo, tendo arrecadado cerca de 900 votos.

André Rijo


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Eventos

Virtudes quer fazer crescer a sua feira medieval

aldeia de Virtudes, na freguesia de Aveiras de Baixo, concelho de Azambuja voltar a estar em festa nos dias 12 e 13 de Setembro. Todavia a iniciativa que será em quase tudo semelhante em relação aos últimos anos, vai apresentar um figurino diferente. A feira procura reinventar-se e este poderá ser o ano da transição com maior aposta nos espetáculos. Sérgio Graça, presidente da comissão de festas, vinca que a aposta da organização vai no sentido de tornar “o dia de sábado mais festivo” com destaque para a missa em Honra de Nossa Senhora das Virtudes seguida da atuação dos também tradicionais conjuntos musicais”. Já a Feira Medieval passará a ser realizada apenas durante o dia de domingo. Segundo Sérgio Graça, o facto de os festejos se apresentarem neste novo figurino, não significa “estarmos de modo nenhum a menosprezar a feira medieval da qual nos orgulhamos bastante” e explica, por isso, que neste caso, a organização “quer também privilegiar a alternativa musical que não pode faltar numa festa, a qual estava em vias de se perder”. Todavia no país e na região, as

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feiras medievais têm-se multiplicado. O evento está na moda, mas garante, Sérgio Graça, que a tradição é para se manter. O responsável não descarta que este tipo de eventos, dada a sua proliferação por outros pontos do país, rapidamente se possam tornar banais e motivar o desinteresse do público, mas está convicto de que “ os visitantes se manterão fiéis e nos brindarão com a sua presença como sempre, trazendo

novos apreciadores desta feira também”. Segundo o presidente, a feira ainda tem uma pequena dimensão face a outros certames do género, contudo, garante: “Faz parte dos nossos objetivos a curto prazo o crescimento da feira medieval já para o próximo ano”. Estas são umas festas que têm por base o religioso e o profano, “e na aldeia de Virtudes isso gira muito à volta do recém - recons-

truído Convento das Virtudes”. Sérgio Graça destaca que o convento é uma peça importante da aldeia e por isso “temos todo o interesse em dar-lhe o maior uso possível mediante o que nos for concedido”. Para este ano o convento volta a receber a missa e “toda a feira será realizada na zona à volta do mesmo”, estando por isso aberto ao público e até mesmo com algumas bancas de venda de produtos.

9 “Batalha de Ourique” atraíu milhares om um balanco positivo, as comemorações da “Batalha de Ourique” voltaram a atrair milhares de pessoas. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Vila Chã de Ourique, Vasco Manuel Casimiro, as festas voltaram “a ser um sucesso” com o destaque para a recreação da batalha, que juntou muitos visitantes. Ao Valor Local, o presidente da junta, salientou que esta edição, mesmo com um dia a menos, “teve a dignidade de outros certames anteriores”, mas o facto de se ter encurtado o período das festividades, refletiu-se na “grandiosidade” que a efeméride merece. Vasco Casimiro vinca que as festas anuais da freguesias que se realizaram no fim-de-semana seguinte, tiveram um impacto positivo, já que “ambas se complementaram” não havendo dispersão de visitantes ou de negócios, dado que possuem o mesmo mote – “a feira medieval”. O autarca salienta que quer repetir o sucesso das comemorações para o próximo ano, mas não se compromete a recolocar o dia “perdido” nas festas. Nesse sentido considera “prematuro” adiantar qualquer compromisso. Todavia, Vasco Casimiro destaca que a avaliar pelos muitos visitantes e pelos parques de estacionamento cheios durante o certame, para o ano, haverá a necessidade de não se baixar a fasquia.

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Alenquer, Terra da Vinha e do Vinho em setembro stá à porta mais uma edição do certame “Alenquer, Terra da Vinha e do Vinho” que se realiza de 25 de setembro a 18 de outubro, tendo em vista uma homenagem à identidade patrimonial e cultural do concelho dominado fortemente pela sua componente vitivinícola Potenciar em conjunto com outros agentes locais a identidade da marca “Alenquer” é o objetivo. Para já e sem programa ainda completamente definido, estará em destaque a gastronomia típica na Quinzena da Codorniz e do Torricado. Os afamados vinhos do concelho também estarão em evidência. Gala da Rainha das Vindimas e IV Desfile do Vinho e das Vindimas complementam o programa, bem como uma maratona fotográfica nocturna: “Vinho, Vinha e Alenquer”.

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Festas de Samora Correia com menos apoios das empresas cidade de Samora Correia no concelho de Benavente recebe de 20 a 24 de agosto mais uma edição das Festas em Honra da Nossa Senhora da Oliveira e Nossa Senhora da Guadalupe. Trata-se mais uma iniciativa da Associação Recreativa e Cultural dos Amigos de Samora (ARCAS) que mais uma vez procura voltar a encher a cidade de visitantes à procura das boas tradições tauromáquicas e ribatejanas. Dora Coutinho, presidente da ARCAS, destacou ao Valor Local a importância destes festejos para a comunidade local, nomeadamente, em contexto de crise. Vinca que as receitas têm diminuído por força de algumas empresas já não apoiarem o certame como dantes, sendo que o orçamento deste ano “é de 50 mil

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euros”. A responsável salienta mesmo que as grandes dificuldades são financeiras: “ Antigamente havia um forte apoio de algumas grandes empresas e neste momento temos um menor apoio”. A realização das festas só é possível graças ao empenho dos voluntários, “que trabalham de noite e de dia” e que “ajudam e colaboram gratuitamente na montagem dos festejos, para que estes sejam uma realidade”. Hoje, e para dar continuidade aos festejos, a ARCAS leva a cabo um conjunto de eventos mais pequeno para dar apoio financeiro a esta “grande festa em Samora Correia”. Dora Coutinho que destaca o apoio do município, que colabora com a logística dos festejos, re-

conhece também que a Câmara pouco mais pode apoiar, tendo em conta as restrições financeiras dos municípios. Ao Valor Local, a presidente da ARCAS, vinca que estas festas continuam a manter a tradição de cariz “religioso, popular e fortemente taurino”. Dora Coutinho refere que não existem novidades de maior “para além da transmissão na TVI dos festejos durante o dia 24, domingo”. As festas têm início esta quintafeira com a celebração do dia da juventude. Sexta-feira é o dia das Tertúlias, ao passo que o sábado é dedicado ao campino. Domingo dia 23, penúltimo dia dos festejos, é dedicado totalmente à padroeira da cidade. Dia 24, segunda-feira, o último dia das festas está voltado para os emigrantes.


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Os Sonhos dos Nossos Jovens

Os sonhos; as ambições dos jovens da nossa região; como olham para o futuro e sobretudo como procuram lidar com o fantasma do desemprego jovem e dos estágios não remunerados, foi o que procuramos saber junto de pessoas de várias idades, com e sem cursos superiores. A todos elas é comum a ideia de que baixar os braços está mesmo fora de questão.

éssica Pereira é uma jovem de Azambuja, com 17 anos, e o seu sonho é trabalhar no mundo das touradas, mas não como cavaleira ou toureira. A sua ambição são os bastidores, e para isso quer tirar uma pós graduação em zootecnia, mas primeiro está um curso de engenharia agronómica no Instituto Superior de Agronomia. A média é satisfatória. A vocação descobriu-a no 11º ano, apesar de “gostar imenso de Biologia”. A jovem, desde há alguns anos, que tem passado os verões a trabalhar na Sugal, empresa sedeada no concelho de Azambuja que todos os anos é uma espécie de viveiro de jovens adolescentes desejosos de ganhar alguma independência financeira. Uma vez a frequentar o curso, a jovem quer continuar a trabalhar, de preferência num part-time em Lisboa. Embora, já tenha decidido que não vai ficar a viver na capital.

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Na Sugal, o seu trabalho consiste em analisar as amostras de tomate que chegam constantemente ao laboratório a todas as horas do dia. “Andamos sempre a correr, porque temos de fazer as análises, lavar os utensílios, e ter o laboratório minimamente limpo, mas acaba por ser giro”, confessa. O facto de estar a trabalhar desde já no mundo da agricultura também serve de antecâmara do que poderá ser o seu futuro uma vez licenciada. “Lembro-me que numa das ocasiões, fui mostrar um tomate com um aspeto estranho a um engenheiro, que me esclareceu que se tratava apenas de um caso de sementes a germinar, achei engraçado, e fiquei a pensar que um dia mais tarde, no lugar dele, já saberei esta informação”. “Não me importava de seguir carreira na Sugal, é perto e tem tudo a ver com minha área, mas gostava muito de trabalhar no mundo da

tauromaquia, nas ganadarias, por que por vezes necessitam de engenheiros agrónomos”, refere e enfatiza, rindo “Sou uma aficionada”. De resto, “o ambiente na Sugal é muito bom, todos são muito simpáticos e acessíveis, quero continuar a trabalhar todos os meses de agosto nesta empresa”. Muito dinâmica e espontânea na conversação, Jéssica Pereira

sempre encarou com um sorriso nos lábios a possibilidade de experimentar o mundo do trabalho, pois considera que “é muito importante ter esta experiência”. “Queria muito ver como funcionava, se haveria muita pressão ou não, e claro conseguir ganhar algum dinheiro, uma parte vai para as minhas poupanças, a outra é para gastar nas minhas coisas”. “É sempre bom ter-

mos o nosso dinheirinho e a nossa independência”, resume desta forma. Uma das experiências mais enriquecedoras que registou, para já, no seu percurso escolar relacionase com o facto de na disciplina de Química ter podido apresentar um projeto em conjunto com os seus colegas, em concursos fora de portas. Como frutos desse envolvi-

Jéssica Pereira adorava trabalhar nos bastidores das touradas

mento num projeto criado de raiz, ganhou noções de autonomia nos trabalhos práticos. “Conseguíamos desenvolver os projetos com muita independência, sem ser preciso um grande acompanhamento por parte da professora”. O estudo desenvolvido versava sobre o tratamento dos efluentes da indústria tintureira, e com isso granjearam a admiração da comunidade de Azambuja e não só. Jéssica Pereira afirma-se consciente das dificuldades do mercado de trabalho, em que os sonhos dos jovens ficam muitas vezes pelo caminho, já que depois de tirarem o curso ambicionado, acabam por ter de trabalhar em áreas díspares. Neste aspeto, e embora seja muito jovem, refere que está preparada para a eventualidade de uma vez licenciada, não conseguir de imediato trabalho na sua área pelo menos remunerado devidamente. “Temos de estar prepara-

O desespero dos estágios não remunerados na Catarina Morgado, 29 anos, do Cartaxo, conseguiu ao fim de vários anos realizar o seu sonho de trabalhar numa das áreas mais procuradas pelos jovens mas que depois é madrasta, não garantido empregabilidade a quem opta pela mesma – as Relações Internacionais, no seu caso aliada à Ciência Política, que tirou na Universidade Nova de Lisboa. Até chegar aqui o caminho não foi fácil, e também no seu caso, esta jovem do Cartaxo se sujeitou a estágios não remunerados até ao dia em que se fartou. Licenciou-se no ano 2010, e teve uma experiência deveras marcante na Irlanda, onde depois da guerra civil motivada entre católicos e protestantes, se viu envolvida na organização não governamental “The Junction” que tinha como

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missão motivar um clima de paz entre as duas fações. O IRA deixou marcas profundíssimas e “o choque foi imenso”, sobretudo porque “estamos a falar de um país relativamente próximo do nosso, numa Europa aparentemente saudável”. “Ainda havia muitas feridas abertas, a cidade Belfast fechava os quarteirões à noite. Estive na cidade onde teve lugar o Bloody Sunday, e este tipo de programas para jovens é fundamental para as gerações mais novas. Há um grande trabalho social nas escolas. A força do terceiro setor na Irlanda do Norte tem um papel preponderante na paz e na união das pessoas”, relata. A possibilidade de ver a história do conflito armado nas vivências das pessoas foi das experiências mais “enriquecedoras” que teve.

“Tudo isso afeta de uma forma muito intensa o nosso desenvolvimento pessoal”. De regresso a Portugal, o seu trabalho na área continuou, na altura, no Centro Norte Sul do Conselho da Europa, com mais um estágio não remunerado durante seis meses. Ana Catarina Morgado é muita crítica neste aspeto – “É de questionar como uma entidade que está inserida no Conselho da Europa, que é a instituição por excelência que defende os direitos humanos, não paga os estágios”. Foram tempos difíceis economicamente porque tinha de continuar a pagar habitação e alimentação e só o conseguiu com a ajuda dos pais e dos amigos. Este é um caminho espinhoso que muitos jovens vão conhecendo: o trabalho não remunerado e o salti-

tar de estágio em estágio. Contudo “há uma altura na vida em que há que dizer basta”, e o dinheiro terá invariavelmente de falar mais alto. Por isso, foi trabalhar no departamento de recursos humanos de uma empresa em Alfragide, que se revelou “vital para finalmente conseguir ganhar algum dinheiro”. Depois de três estágios não remunerados, Ana Catarina Morgado não tem dúvidas, “as empresas, determinados organismos e organizações andam à boleia de uma estrutura e de medidas para o emprego que não são promotoras de emprego na verdadeira aceção da palavra”. E troca esta observação por miúdos – “É muito mais fácil ter um estagiário pago pelo Estado em 70 por cento, e que lhe retira todas as responsabilidades enquanto empregador a nível da Segurança Social”. Hoje, e se assim se pode dizer, realizou o seu sonho de trabalhar na área, voltou ao mundo das ONG’s, mas desta vez de forma remunerada, desde 2012, e a lidar de perto com as questões da Juventude, “capacitando os jovens para a necessidade da participação na vida cívica e da comunida-

de, e nos processos de decisão de questões da vida política”. Pertence à bolsa de formadores do Conselho Nacional da Juventude na capacitação dos jovens para as causas da cidadania e do ativismo públicos. Para conseguir vingar numa área em que muitos outros ficam pelo caminho ou nem sequer chegam a exercê-la, Ana Catarina Morgado refere que é muito exigente consigo mesmo, trabalha muitas horas e tenta atualizar-se o máximo possível. E por outro lado, tenta privilegiar os contactos em

rede – “Estar presente, convidar, conhecer, promover coisas que envolvam outras pessoas são passos fundamentais”. Trabalhando de perto com os jovens portugueses, tem uma opinião muito favorável sobre a forma como esta fatia da população vive as suas vidas – “Os nossos jovens acreditam que podem ter um futuro melhor e lutam por ele, possuem imensas competências sempre com muito fulgor, não deixando de reclamar o seu espaço e as suas oportunidades.”


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Ana Simões já passou por dois call-centers dos para isso”. Para já refere que a escolha por agronomia também pesou, dado que nesta altura há mais saídas para quem deseja fazer carreira na agricultura. “Um curso de biologia não me daria saídas, à partida”. A escolha do curso superior é tema recorrente de conversa com os seus colegas, tendo em conta “as hipóteses de sucesso no mundo do trabalho”, embora se assuma “preocupada” por um dia poder vir a fazer parte das estatísticas dos que “andam de estágio em estágio sem um trabalho seguro”. “Não gostava de ficar com uma tela preta à minha frente e não saber o que fazer, mas se não for logo para a minha área, não me importo de fazer qualquer outra coisa na vida”. Jéssica Pereira refere que os jovens da sua idade já sabem de antemão que um curso não é por si só sinónimo de garantias, “mas quem se fica apenas pelo 12º ano

tem menos hipóteses, claro que o curso também não nos dá acesso ao emprego de sonho, temos de ir fazendo umas coisitas aqui e ali. Não é tão fácil como antigamente, sobretudo porque há imensos engenheiros, se estivermos a falar do curso que pretendo fazer”. Ana Simões, 21 anos, passou os últimos dois anos a trabalhar num call-center para um operador de telecomunicações. Depois de terminar o 12º ano em 2012, ainda passou por um estágio na Câmara de Azambuja do qual guarda as melhores recordações a nível dos colegas de trabalho no gabinete de comunicação. Há cerca de três meses saiu do call-center porque já não aguentava mais tendo em conta a forte pressão psicológica e o desgaste mental. Na sua mente, não deixou de estar a ideia de um dia tirar um curso superior, nomeadamente, na área das relações públicas e publi-

cidade. “Ultimamente também me interessei pela fisioterapia”, acrescenta. Ainda antes de ter ingressado neste mundo, passou alguns meses na Sugal, nas linhas de seleção, mas as recordações não são totalmente felizes – “Porque há uma grande monotonia, passa-se muito tempo em pé, o ruído é demasiado intenso. Para além disso, o forte cheiro deixava-me muito enjoada”, dá conta. Embora o ordenado fosse regra geral apetecível para um jovem da sua idade. Ana Simões sentiu o peso de trabalhar numa das empresas que é líder no seu setor, mas não tem dúvidas de que a Sugal “apenas tem mais cuidado com determinados aspetos quando lá vão os japoneses, um dos principais clientes. Só nessas alturas é que colocam quatro pessoas em cada linha. No resto do tempo é tudo muito à portuguesa ou à la gárder”.

Voltando ao mundo dos call-centers, Ana Simões conta que há perto de três anos decidiu aventurar-se pelo mesmo. Tinha tirado a carta, e havia contas para pagar, por isso foi com surpresa e entusiasmo que após ter enviado um currículo de manhã, ao início da tarde a contactaram. “Senti-me livre das raízes de Azambuja, adorava trabalhar na zona em causa, Avenida da Liberdade, mas como era só quatro horas, não me compensava”. O mundo dos call-centers que nem sempre é visto com bons olhos pelos clientes possui as suas próprias especificidades, e Ana Simões ainda se lembra de ter visto “colegas a vender gato por lebre”. “No meu caso, como sou muito transparente evitei fazê-lo. Tentava ser o mais assertiva possível”. Embora também opine que nem sempre os clientes tinham razão – “Há pessoas muito estúpidas, e isso deixava-me triste. Não entendiam que estávamos ali apenas para fazer o nosso trabalho”. Mas a pressão também se fazia sentir a nível das chefias, “porque se não atingíssemos determinados valores íamos para a rua”. “A experiência do call-center sobretudo ensinoume muito quanto à minha vida pessoal, nomeadamente, a ter mais paciência e a nem sempre responder”. Com uma imagem mais positiva do mundo dos call-centers e até beneficiando de alguma progres-

11 são nesta carreira, temos o caso de João Paulo, 32 anos, de Vale da Pinta, Cartaxo. Há seis anos que trabalha na NOS, e no último ano tornou-se supervisor. Para trás ficou um curso superior no ISEL que não chegou a terminar. Para se manter há tanto tempo neste setor onde a maioria não consegue ficar mais do que alguns meses ou até semanas, explica que o seu trabalho de início não foi tão psicologicamente stressante como acontece hoje em dia, embora não desminta a pressão a que muitos dos seus colegas são submetidos. O caminho deste setor também poderá passar na sua opinião por um aproveitamento das capacidades intelectuais ao máximo dos muitos licenciados que trabalham nestes locais dando outra dignidade e outro valor àquela profissão, “sendo este um caminho que em parte já está a ser feito”. Ana Simões viu de tudo um pouco neste mundo laboral – “Muitos licenciados e muitas pessoas que já deveriam estar na reforma, mas que ainda permaneciam por ali”. “O meu crescimento pessoal também passou muito por ter bebido essas experiências”. Embora não tivesse razões de queixa do call – center onde trabalhava, não conseguiu aguentar mais. “Estava psicologicamente muito cansada, quase com uma depressão”. Hoje, e depois de ter começado a

procurar um novo emprego, confessa que não tem tido muitas respostas para além dos típicos callcenters. “Enviei muitos currículos para secretariado e rececionistas, também me inscrevi no centro de emprego”. Foi há dias a uma entrevista novamente para call-center, e “se calhar lá vai ter que ser”. “Vamos ver se fico ou não”. “Será uma nova experiência pois relaciona-se com o mundo da banca”. O futuro contudo “só poderá passar por algo mais estável, e não por um call-center onde corro o risco de ir para a rua porque não vendi um cartão ou um pacote de televisão”. Não esconde que ver tantos licenciados a trabalhar na sua área atual a “faz pensar duas vezes, mas há os que não conseguem de todo mudar de vida, e outros que preferem nem sequer procurar alternativas melhores”. “São opções dos licenciados, mas não os critico”.

João Paulo


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Pela primeira vez a trabalhar a tempo inteiro na sua área trabalhar há três semanas na Câmara de Alenquer, Sandra

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Ferreira de 26 anos, com raízes na Lourinhã, também vive atual-

mente na vila de Alenquer. Licenciada numas das áreas que me-

nos saídas tem quando se fala em estabilidade profissional, o de-

sign gráfico, confessa que neste momento está a viver uma espécie de sonho. Para trás ficam alguns empregos nos CTT ou num café, dada a dificuldade que sempre sentiu em entrar no mercado de trabalho na sua área. O estágio na autarquia será de um ano. Até ter concorrido à autarquia através de concurso público, foram três anos de envios sem parar de currículos. Quando estava a acabar o curso que fez na Escola Superior de Artes e Design nas Caldas da Rainha conseguiu perceber que não seria “muito fácil” vingar neste mercado. Muito esporadicamente “lá ia fazendo um flyerzitos mas não passava disso”. Sobre a experiência profissional fora da sua área, refere que encarou com naturalidade essa fase – “Não me fez diferença, eu queria trabalhar, e foi o que me apareceu”. Dessas experiências, retira um ensinamento – “Pensava que não ia gostar, mas foi positivo o contacto com o público; atender as pessoas!”. Ao mesmo tempo, ia enviando os cv’s e deslocavase a muitas entrevistas – “Corriam bem, mas havia sempre muitos

candidatos, e nunca tive a sorte de ser selecionada. Concorri a tudo dentro do que era compatível com a minha área”. “Tive de ser muito persistente porque é fácil ficarmos desmotivados”, acrescenta. Aproveitou ao mesmo tempo para ir fazendo algumas formações que se revelaram como decisivas para o facto de ter sido escolhida para este estágio, em web design e programação em ambiente web. “O designer gráfico só fica a ganhar se juntar estas vertentes ao seu currículo que nem sempre são exploradas nas universidades”. Hoje confessa que “está a ser excelente” a sua estadia na Câmara. “Estou a fazer paginação e a criar layouts para um boletim”, resume assim o seu trabalho. Sandra Ferreira deixa alguns conselhos aos jovens designers ou a quem deseje seguir esta área – “Ser o mais versátil possível e tentar saber um pouco de tudo, porque temos de estar abertos a várias vertentes, o mercado do trabalho assim o exige porque a concorrência também é muito elevada”.

“Não se valoriza quem é bom no que faz” ndré Santos é o mais velho dos jovens entrevistados e como tal a sua visão é necessariamente mais nua e crua dos tempos em que vivemos. Com 35 anos, confessa que o mundo do mercado de trabalho é feito de muitas pedras no caminho. Depois de ter terminado o curso superior de Educação Física na Universidade de Algarve, as coisas até foram relativamente fáceis. Conseguiu emprego na sua terra natal, o Cartaxo, como professor de atividades desportivas no primeiro ciclo através de concurso público promovido pelo município. Contudo, anos mais tarde no Governo de Sócrates estes programas foram substituídos pelas denominadas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s) que acabaram por lhe baralhar os planos. “Confesso que antes da implementação das AEC’s cheguei a ser muito bem pago, depois perdi

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cerca de 40 por cento dessa remuneração. As Câmaras desresponsabilizaram-se e entregaram essa vertente às empresas; e como se diz na gíria popular quem se lixa é o mexilhão.”, enfatiza. O seu percurso a partir de 2007 passa por ficar a dar aulas em escolas o que fez até 2012. Os acontecimentos precipitaram-se nesse sentido. E como a vida não para de dar voltas, esteve ainda nos últimos anos a trabalhar num restaurante da família, porque confessa acabou por desistir da vida de professor – “A minha família era mais importante para mim, e não valia a pena o sacrifício de ir dar aulas para longe, o restaurante foi-nos sustentando”. Por outro lado, “confesso que a convicção que tenho do que deve ser a organização e a evolução das escolas esbarra muito naquilo que experienciei”. E consegue ser mais definitivo – “Só por maso-

Dados do desemprego e acordo com os dados estatísticos presentes no site do IEFP e tendo em linha de conta os centros de emprego da área de abrangência do Valor Local, nomeadamente, Vila Franca de Xira, Santarém e Torres Vedras, estavam inscritos em junho de 2015 na faixa etária dos 25 aos 34 anos, 1217 no IEFP de Torres Vedras, 1108 jovens no de Vila Franca de Xira e por último 1945 no de Santarém. No caso do IEFP DE Santarém foi ainda possível aferir que estão inscritas 350 pessoas para primeiro emprego, o que representa 6,5 por cento dos inscritos. No que se refere aos estágios, e na área do centro de emprego de Santarém, foram abrangidos 528 jovens, não tendo sido divulgados conforme pedido pelo nosso jornal quantos dos jovens abrangidos por estes estágios ficaram a trabalhar à posteriori nos locais de estágio.

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quismo é que se vai para professor hoje em dia”. No fina de 2014, decidiu abraçar um projeto seu com a criação de um negócio que acaba por ser uma academia para crianças mas com a atividade física incluída. “Não conhecia nenhum conceito como o que criei, porque centro de estudos existem muitos, não há novidade nisso, mas para além dessa componente, temos a dita componente física como ballet, ténis de mesa, entre outras”.

Para já está a ser bem-sucedido dado que possui cerca de 20 crianças a frequentarem o seu espaço, e ainda dá emprego a uma outra professora. “Fiz questão de lhe dar um contrato, pois não quero fazer aos outros o que me fizeram a mim”, dá a entender. Depois da sua passagem pelas escolas e pelo meio académico, e tendo em conta que muitos jovens da sua idade escolhem o estrangeiro para fazerem a sua carreira, André Santos exprime a sua

opinião muito pessoal acerca do denominado “fabulos mundo da emigração”, visto como a única saída e onde o sucesso está ao virar da fronteira. “Acredito que nem tudo seja assim tão cor-derosa lá fora, mas também sou da opinião de que os jovens no estrangeiro fazem coisas que aqui se recusam a fazer, mas por outro lado são mais reconhecidos pelas entidades empregadoras desses países. O que se passa cá em Portugal, e tive essa experiência,

é que não importa o quão se é bom ou não numa determinada profissão, não somos reconhecidos por isso, mesmo que nos estafemos a trabalhar”. Se a idade jovem for até aos 35 anos, André Santos ao olhar para o seu percurso deixa também este conselho aos jovens mais novos – “Que afiram de outras possibilidades dentro das suas áreas, que se especializem, tendo em conta também onde é que há emprego”.


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Conciliar o desporto e um curso superior andro Peixe, de 19 anos, da Glória do Ribatejo, Salvaterra de Magos, para além de estar a tirar um curso de Gestão de Empresas em Santarém tenta conciliar essa vertente com uma carreira no motociclismo na qual tem dado nas vistas. A opção por tirar um curso relaciona-se com o facto de por antecipação saber que o seu futuro a longo prazo não poderá ficar apenas pelo desporto, e como gostava de Gestão pensa ter tomado a atitude certa. Começou a andar de mota aos cinco, e aos nove iniciou-se na competição. O seu pai já vencera nove títulos de campeão nacional. Até o avô andou nestas lides, portanto o seu percurso foi natural. Há quatro anos que Sandro Peixe é campeão nacional no seu

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escalão, mas recusa o epíteto de “profissional”. “Dedico-me de forma profissional a este desporto mas como não vivo desta atividade não posso designarme como tal”, esclarece. Com frequência tem estado no estrangeiro, onde já disputou o campeonato espanhol e o da Europa. “São experiências valiosas para a minha vida”. Os desportos motorizados estão normalmente associados, pelo menos a nível internacional, a muito dinheiro envolvido. No caso de Sandro Peixe, este refere que “estamos a falar de facto de um desporto muito caro, e para se falar de internacionalização há que disputar as várias provas dos circuitos, algo só possível com um grande apoio por trás”. No seu caso já chegou a disputar quatro das oito pro-

vas europeias de um campeonato. Sandro Peixe que corre pela Honda Portugal dispõe de vários patrocinadores como empresas locais, Câmara de Salvaterra, Junta da Glória/Granho. “Faltava-me talvez o apoio de uma petrolífera, mas de momento não consigo contar com isso”. Muito associada ao conceito de jovem desportista está a ideia de que este perde muitas das atividades ligadas a esta fase da vida por estar demasiado envolvido numa determinada modalidade, quase sempre com regras muito rígidas. “Tenho uma vida regrada, é verdade, porque tenho de treinar, mas sinceramente quando chega a noite só me apetece dormir, por isso não vou para as ditas borgas. Posso perder alguma coisa, mas possivel-

mente outros jovens não disfrutarão das emoções que eu vivo”.

A rotina de disciplina que criou também o ajuda quando se lhe

fala dos estudos. Para já cumpriu com sucesso o primeiro ano do curso. Quando se pergunta a Sandro sobre o seu futuro e as perspetivas dos jovens num país que foi sacudido pela crise, refere com alguma emoção, responde assim: “Terão de ser as pessoas da minha idade, no futuro, as que vão ter de lutar por Portugal para que possamos dar a volta por cima. Se dermos a Portugal, Portugal nos retribuirá, é essa também a minha esperança. No meu caso gostava de continuar a trabalhar no que gosto e ganhar a minha vida neste mundo do motociclismo. E um dia quando terminar a carreira no motociclismo e já no mundo da Gestão, quero continuar a ser ambicioso, e também aqui ser bom e bem sucedido”.

“Invest Arruda” procura atrair jovens rruda dos Vinho tem tentado baixar o desemprego jovem no concelho. O presidente da Câmara Municipal André Rijo, fala numa taxa de 7,3% na faixa abaixo dos 25 anos de idade. Já na faixa dos 25 aos 34, “a taxa de desemprego evoluiu negativamente para os 16,9%” sustenta o autarca. Ao Valor Local, André Rijo destaca que embora estes números estejam abaixo da média nacional, há que melhorar e para isso o município aposta no projeto “Invest Arruda” nomeadamente no que toca à faixa entre os 25 e 34 anos, onde há mais pessoas com qualificações superiores. O presidente da Câmara refere a

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existência de um pacote de medidas que baixam as taxas urbanísticas “para a instalação de empresas, bem como a isenção na derrama que criam postos de trabalho”, garantindo que o município acompanha toda evolução destas pessoas. Por outro lado, a Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, salienta que a existência do Gabinete de Apoio ao Empresário (GAE) tem feito um bom trabalho de apoio às empresas no âmbito do programa de apoio da União Europeia Portugal 2020 com condições vantajosas para as empresas com financiamento entre os 75 e os 95 por cento. André Rijo, salienta por outro lado

que o emprego sazonal é quase pleno, e muitos são os jovens que aproveitam esta altura do ano para procurar emprego nas atividades proporcionadas no concelho. “Em Arruda, temos um conjunto significativo de produtores que abastece o mercado de Lisboa, o MARL, com uva de mesa e outros frutos, sendo este um trabalho que obriga a um certo esforço físico acaba por ser muito bem remunerado à hora”. André Rijo reconhece que estes trabalhos não são de todo qualificados, mas por outro lado vinca que “podem ser uma solução sazonal”, salientando que as vindimas, até ao fim do mês de setembro, também ajudam nessa sazonalidade laboral.

Jovens do Cartaxo querem ficar a trabalhar na cidade arolina Simões e Diogo Martins, ambos com 19 anos, são dois jovens do Cartaxo com militância cívica. Fazem parte de uma das juventudes partidárias locais, e no caso de Carolina foi também esse gosto que a levou a escolher o curso de Ciência Política que está a frequentar no ISCTE em Lisboa. Considera o seu curso como muito abrangente, “pois dá para me virar para áreas como a Administração Pública, mas também dá para me candidatar a um emprego num banco, porque tenho cadeiras a nível da Economia”. Esta jovem gostava que o seu futuro passasse pelo Cartaxo. “Na altura, tentarei enviar o meu currículo para os locais que eu veja que se adaptam à minha área aqui no concelho, mas por enquanto ainda é cedo”. Tendo em conta a sua paixão pela política, também não descartaria, um dia, assumir um cargo público no con-

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celho: na Câmara ou numa junta de freguesia, quem sabe. Para esta jovem, o trabalho nas autarquias pode ser muito aliciante mas também possui alguns revesses. “O político lida de perto com a população, e nas cidades mais pequenas como a do Cartaxo é mais difícil agradar-se a todos porque se está mais exposto, e se alguém não gosta de nós torna-se complicado”. Sobre a atuação do atual presidente da Câmara, refere que tem apreciado o seu trabalho. Para Carolina Simões, a política não é só o que podemos pensar num primeiro relance, mas também está presente nas várias formas de voluntariado, nas organizações, até porque “ a cidadania está muito ligada ao ato de se dar ideias e daí construir-se um programa tal como acontece nas juventudes partidárias”. A jovem está consciente do facto de a política ser algo que passa muito ao

lado dos jovens. Por vezes, “os amigos brincam um pouco com esta minha faceta”. Pela primeira vez teve de abandonar a sua terra natal, e alugou casa em Lisboa. “É sempre complicado, mas como me mudei com duas amigas do Cartaxo, a adaptação foi mais fácil”. Quanto à realidade do desemprego jovem é algo que a preocupa. “Se não tiver oportunidade de trabalhar na minha área, claro que depois terei de me adaptar, mas isso não pode ser impeditivo de tirar uma licenciatura naquilo que em princípio quero fazer no futuro”. Já Diogo Martins inscreveu-se há pouco tempo numa universidade privada mas tem esperança de entrar na pública. “Gosto de Relações Internacionais e Ciência Política como a Carolina, mas penso que o Direito é mais abrangente”. Espera um dia exercer advocacia no Cartaxo, e tal como a sua cole-

ga, quer ficar o mais perto possível de casa. “Contribuir um pouco também para que o Cartaxo não possua apenas população envelhecida, e ser parte integrante na fixação de jovens com habilitações

no concelho”. Quanto ao futuro é perentório: “Apenas os melhores conseguem vencer, porque o mercado é extremamente exigente, temos de lutar por aquilo que queremos, se não

nos forem dadas oportunidades no início, teremos de batalhar por elas, e nesse aspeto olho um pouco para o caso da minha irmã que teve de emigrar. Espero que isso não aconteça comigo”.


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Opinião/Divulgação

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Rio Tejo: A grande referência dos ribatejanos enho para mim que, se há coisa que define aquilo que somos nós, os Ribatejanos, essa coisa é o Rio Tejo. Foi ele que moldou a paisagem em que crescemos e que nos enche os olhos. Foi ele que determinou a economia dos nossos antepassados, em períodos em que tudo se passava a um nível menos global e em que a referência das gerações era a região onde nasciam e viviam. Era ele também o nosso local de lazer e recreio, porque estava ali à mão. Quem nunca fez piqueniques nas suas margens, quem não descansou nas suas sombras em tardes de sexta-feira santa, quem nunca deu um mergulho nas suas águas? Já repararam na diversidade paisagística, histórica e cultural que acompanha o Tejo? As mesmas águas correm pela aridez da Estremadura Espanhola, sulcam serranias e penhascos da nossa Beira e Alto Ribatejo, espraiam-se depois pela lezíria e pelos esteiros, para acabarem na grande metrópole, donde partiram aqueles que deram mais mundo ao Mundo. A importância estratégica do Tejo

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como reservatório de água doce, via de comunicação e factor determinante da fertilização das terras por onde corre tem sido reconhecida desde sempre. Basta pensarmos, em termos históricos, que a defesa e consolidação da nossa nacionalidade se baseou numa série de fortificações ao longo do Tejo ou no próprio rio; ou nas

obras de engenharia hidráulica que a visão do Marquês de Pombal promoveu ao longo da sua bacia, no sentido de o tornar mais navegável e mais proveitoso para a agricultura. A importância estratégica do Tejo é patente, também, nos conflitos, abertos ou latentes, que ao longo dos séculos opôs portugueses e

espanhóis. Ainda hoje em dia, uma das questões mais delicadas em discussão entre as diplomacias dos dois países é o desvio que “nuestros hermanos” fazem, e se preparam para fazer, da água do Tejo. Então, perguntar-se-á, foi sempre reconhecida e acarinhada essa valia estratégica do Tejo? Claro

que não. A partir da segunda metade do Século vinte foram feitos os maiores atentados à qualidade da água do Tejo, à sua biodiversidade – basta referir para tanto a construção de centrais nucleares em cima do rio e a sua transformação no destino dos esgotos de todas as vilas e cidades abrangidas pela sua enorme bacia hidrográfica. Foram tomadas medidas para repor a qualidade do Tejo? Evidentemente que sim, nos últimos vinte ou trinta anos. É notória a melhoria da qualidade da água, permitida pela generalização do tratamento das águas residuais. São notáveis as tentativas de salvaguarda das diversas culturas tradicionais do Tejo, nomeadamente a cultura Avieira. Creio, no entanto, que a grande revolução que se fez na nossa atitude perante o Tejo, ficou a dever-se às diversas intervenções que os Municípios fizeram no sentido de valorizar as suas margens do ponto de vista ambiental e da construção de infraestruturas de recreio e lazer que tornaram o Tejo “vivível”. Basta lembrar o que foi feito em

Joaquim Ramos Ródão, Barquinha, Abrantes – onde o Tejo voltou a ser a grande referência em termos de desporto e lazer – ou, mais perto de nós, a intervenção do Cartaxo em Valada, de Salvaterra no Escaropim ou na Vala de Salvaterra e de Vila Franca ao longo da margem. Sei qual é a questão que paira na cabeça dos leitores. Então, porque não se fez em Azambuja ? Fez-se. Fez-se e foi destruído. Por uma simples razão : é que aquelas intervenções com êxito a que atrás me referi foram feitas em troços urbanos do Tejo – vilas ou cidades que são banhadas pelo rio – e as próprias populações previnem os casos de vandalismo. Não é o caso de Azambuja, em que Tejo corre a três quilómetros em linha recta – o que, infelizmente, determinou que o que foi feito tivesse sido rapidamente destruído.

Portugal está a arder ais um ano em que assistimos, impotentes, à transformação da paisagem, de um verde luxuriante para um cinzento enegrecido. E, de regresso, a sensação de Dejá Vu. Uma dispendiosa repetição do que se passou nos anos anteriores. As chamas consomem hectares e hectares da nossa floresta. O cenário repete-se: os bombeiros, esquecidos durante praticamente todo o ano, voltam a ser os merecidos heróis; lembramos que precisam de melhores equipamentos, mais meios, maior investi-

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mento. E passada a época de incêndios, lá voltamos nós a esquecer os efeitos do verão, do risco que correram para salvar as nossas casas. E voltamos à nossa vidinha de sempre, com as queixas, as manifestações, o ordenado contado e esticado até chegar ao final do mês. Mas sempre optimistas. Até porque queremos acreditar que o governo não nos está a enganar, que o que promete cumpre. E, até tentamos não ver o que está à vista de todos e as medidas de ultima hora não são mais do que propa-

ganda. Da vil. Daquela que nos faz corar. E não são os cartazes do PS e do PSD que são um infortúnio. Esses são apenas embaraçosos. Não são, com certeza, os cartazes deploráveis que mudam a intenção de voto. Mas há medidas avulsas que podem mudar muitos votos, e a menos de um mês das eleições, todos contam. É nesse pacote eleitoralista que os ministros da coligação aprovaram o documento que prevê a repressão de todas a formas de violência, abuso, exploração ou discriminação e a crimina-

lização do abandono dos idosos. Uma boa medida? Não, uma óptima medida. Mas tão tarde? Numa altura em que não se pode concretizar nada? Neste momento é apenas um papel sem qualquer efeito prático. Um papel que está na gaveta até à próxima legislatura. Falta menos de um mês para as eleições e nada garante que algo tão óbvio como prender quem maltratada os nossos idosos saia da gaveta. E isto é brincar com os nossos pais e os nossos avós, com os seus medos, os seus receios, tendo

em vista a cruz no boletim de voto. Sim, porque os votos dos mais velhos vão fazer a diferença este ano, tal como as promessas aos professores fizeram a diferença nas legislativas anteriores. E há mais neste fim de legislatura. Agora as empresas que contratem um trabalhador durante dois meses, ficam isentas de descontar para o fundo de compensação de trabalho (o fundo que serve para pagar parte das compensações por despedimento). Mais uma forma encontrada para agradar aos patrões e pro-

Ana Bernardino mover a precariedade. Não vale tudo neste rectângulo à beira mar plantado, mas parece que sim.

Algumas das alterações contabilísticas implementadas às Entidades do Setor Não Lucrativo (ESLN) a partir de 01/01/2016 o âmbito do processo de transposição da Diretiva n.º 2013/34/UE, o Decreto –Lei n.º 98/2015 de 2 de junho vem alterar o Decreto-Lei n.º 158/2009 de 13 de julho que aprovou o Sistema de Normalização Contabilística (SNC) adotado em Portugal. No que concerne às ESNL verificam-se várias alterações ao nível da prestação de contas/relato financeiro. No entanto, importa primeiramente definir o conceito de ESNL para a legislação vigente: “Artigo 3.º, g) … entendendo-se como tal as entidades que prossi-

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gam a título principal uma actividade sem fins lucrativos e que não possam distribuir aos seus membros e contribuintes qualquer ganho económico ou financeiro direto, designadamente associações, fundações ou pessoas colectivas públicas de tipo associativo, devendo a aplicação do SNC a estas entidades sofrer as adaptações decorrente da sua especificidade.” Decreto-Lei n.º 98/2015 de 2 de junho De acordo com o referido Decreto-Lei todas as ESNL que tenham

um volume de negócios superior a 150.000,00€, em um dos dois últimos anos de atividade, serão obrigadas a adotar as Normas Contabilísticas de Relato Financeiro para ESNL (NCRF-ESNL). As que não cumprirem este requisito ficam obrigadas à prestação de contas em regime de caixa, a menos que por opção, disposição legal ou estatutária sejam abrigadas à adoção das NCRF-ESNL ou das normas internacionais de contabilidade IAS/IFRS. As ESNL sujeitas ao SNC ficam forçadas a apresentar as seguintes demonstrações financeiras:

Balanço; Demonstração dos resultados por naturezas; Demonstração dos fluxos de caixa; Anexo. De cariz facultativo fica a apresentação da demonstração das alterações nos fundos patrimoniais que apenas poderá ser exigida por entidades públicas financiadoras. Por outro lado as ESNL que estejam obrigadas à apresentação de contas em regime de caixa têm que divulgar a seguinte informação:

Pagamentos e recebimentos; Património fixo; Direitos e compromissos futuros. No entanto, as entidades públicas financiadoras, tal como nas ESNL que não estão dispensadas da aplicação do SNC, podem exigir outras informações designadamente para efeitos de controlo orçamental. Tais alterações impostas pelo Decreto-Lei 98/2015 de 2 de julho deram origem à republicação do 158/2009 de 13 de julho, do qual faz parte integrante. Tal facto, despoletou alterações ao nível do código de contas, das demonstra-

ções financeiras e das normas contabilísticas. Assim, a Portaria 218/2015 de 23 julho publica o código de contas em anexo, a Portaria 220/2015 de 24 julho publica os Modelos de Demonstrações Financeiras em anexos e através do Aviso n.º 8259/2015 foi homologada a Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Entidades do Setor não Lucrativo do Sistema de Normalização Contabilística. Pedro Cariano (Ex. Dirigente Associativo) António Cariano (TOC. nº85 765)


Desporto

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Paulo & César dão cartas na columbofilia zambuja é uma terra de columbófilos. A prova disso são os vários campeões que todos os anos levam o nome do concelho mais longe. Entre muitos pombais existentes, o de Paulo & César é já uma referência. Trata-se de uma equipa formada por Paulo Nuno Domingos (filho) e César Domingos (pai). Conta Paulo Nuno, que em comum têm o gosto pelos pombos que surgiu através do contato que mantinha com estes animais num pequeno pombal do seu pai na década de 60.

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Paulo Nuno lembra-se que quando era mais novo, ia ver as chegadas aos pombais. Daí, “até começar a acompanhar o meu pai foi um instante”. Paulo Nuno que já teve vários pombos campeões, lembra que tudo começou em 1985, sendo que “logo em 1986 começámos a concorrer no Grupo Columbófilo Azambujense” entre outras competições. Foram muitas as competições que venceram. Algumas a solo, outras com o tio, António Valada como aconteceu por exemplo em 1988.

No que toca ao pombal, este é uma estrutura sólida e em madeira com 14 metros de comprimento por 2,2 metros de largura. Como é da praxe, tem quatro se-

ções “uma com três metros com ninhos para machos, outra com seis metros com poleiros para fêmeas e duas para os reprodutores” refere.

Resumo dos títulos alcançados em 2015 A nível de coletividade (Grupo Columbófilo Azambujense) Campeões de Velocidade Campeões de Meio Fundo Vice Campeões de Fundo Campeões da Geral Campeões de Borrachos Campeões da Melhor Colónia 1º e 2º Pombo ÁS de Velocidade 1º, 3º e 4º Pombo ÁS de Meio Fundo 3º Pombo ÁS da Geral 1º, 2º, 3º, 4º, e 5º Pombo ÁS de Borrachos A nível distrital (Lisboa) Campeões do Distrito de Lisboa (Zona Leste) - Velocidade 5º classificados do Distrito de Lisboa (Zona Leste) - Meio Fundo Vice Campeões do Distrito de Lisboa (Zona Leste) - Meio Fundo 6º classificados do Distrito de Lisboa, campeonato nacional de Fundo (2 provas com solta conjunta de 70000 pombos para todo o pais de Valêncis del Cid - 741 kms). 2º e 13º Pombo Ás do Distrito de Lisboa, campeonato nacional de Fundo (2 provas com solta conjunta de 70000 pombos para todo o pais de Valêncis del Cid - 741 kms).

Manuela Machado é a madrinha dos 10 Quilómetros de Tagarro antiga campeã europeia e mundial da maratona, Manuela Machado, vai ser madrinha dos tradicionais “10 Quilómetros de Tagarro”, a realizar nesta aldeia do concelho de Azambuja, no próximo dia cinco de setembro. A 12ª edição do evento traz a novidade de uma caminhada e é, uma vez mais, organizada pela “Associação 10 KM de Tagarro”. A iniciativa tem, então, duas inovações neste ano. Será prestada uma merecida homenagem à campeã – atleta de corta-mato e de estrada, com um invejável palmarés internacional na década de 90 – Manuela Machado, que está convidada como madrinha da prova. A outra novidade vai ser a realização de uma caminhada de 5 quilómetros, com início às 17h. A competição “10 Quilómetros de Tagarro” tem a partida marcada para as 18h, na Rua Francisco

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Almeida Grandella, junto à antiga escola, e está anunciado como um “circuito de aldeia” onde se destaca a paisagem natural com a serra de Montejunto ali ao lado. A organização garante abastecimentos de água, e anuncia taças e troféus para os 3 primeiros de cada escalão e ainda um kit de ofertas a todos os participantes – t-shirt, água, fruta, garrafa de vinho, bolos regionais e um brinde. A caminhada não terá caráter competitivo e poderá ser efetuada por pessoas de qualquer faixa etária. A prova de corrida está aberta a concorrentes masculinos e femininos no escalões juniores (18-19 anos), seniores (20-39 anos) e veteranos. As inscrições deverão ser efetuadas através do site oficial, e têm os seguintes custos: até 25 de agosto – caminhada 7 euros e corrida 11 euros; depois e até ao dia da prova – caminhada 11 euros e corrida – 15 euros.

No que toca à preparação das provas, isto porque o pombal foi de novo campeão esta época, Paulo Nuno refere que “ varia segundo as características das mesmas e

respetivas condições meteorológicas”, sendo que para essa preparação, a “alimentação tem o peso mais importante na preparação semanal”.


Valor Local Novo modelo de ficha de aptidão para o trabalho través da Portaria n.º 71/2015, de 10 de março, foi aprovado um novo modelo de ficha de aptidão para o trabalho, que substituiu, a partir de 9 de abril, o modelo em uso, no âmbito do cumprimento do regime jurídico da promoção da segurança e da saúde no trabalho. O novo modelo inclui algumas novidades, das quais se destaca a inclusão de recomendações do médico do trabalho para a saúde, segurança e bem-estar do trabalhador, que receberá uma cópia. A ficha de aptidão para o trabalho passa também a integrar o estudo do posto de trabalho, por se entender que é determinante para aferir as condições reais de exposição do trabalhador a riscos profissionais e suas consequências na saúde. De acordo com o referido regime, a ficha de aptidão revela a aptidão ou inaptidão do trabalhador para a função ou atividade de trabalho proposta ou atual e deve ser preenchida face ao resultado do exame de admissão, periódico ou ocasional efetuado ao trabalhador. Nas situações de inaptidão, se for o caso, o médico do trabalho deve indicar outras funções que o trabalhador possa desempenhar. O documento deve ser preenchido pelo médico do trabalho face ao exame de admissão, periódico, ocasional ou outro do trabalhador, sem prejuízo do regime simplificado para a prestação de cuidados de saúde primários do trabalho. Portanto, o médico do trabalho informa ainda o trabalhador do resultado da vigilância da saúde e presta, sempre que necessário, indicações sobre a sequência desta vigilância, para além de poder estabelecer recomendações de prevenção de riscos profissionais e de promoção da saúde. Também a partir de 9 de abril o novo modelo aprovado de ficha de aptidão para o trabalho é aplicável, com as necessárias adaptações, à prestação de cuidados de saúde primários do trabalho. A ficha de aptidão para o trabalho deve ser dada a conhecer: - ao trabalhador, mediante a sua assinatura e data em que tomou conhecimento; - ao responsável do serviço de segurança e saúde no trabalho; e - ao responsável pelos recursos humanos da empresa. (Fonte: Boletim Empresarial)

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Instantâneos

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Tauromaquia Azambujense

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António Salema “El Salamanca” s aficionados da festa de toiros não vão às praças de toiros para ver morrer os animais, mas sim para apreciar o comportamento dos toiros e toureiros, a sua arte, o seu sentimento, o seu valor, e no conjunto ver uma boa corrida. É uma cultura que nem todos os que vão aos toiros são conhecedores. Dou um exemplo, o campino cria os bezerros desde que nascem até à altura em que já são toiros, prontos a serem lidados. Os ganaderos e os campinos gostam de ver os seus toiros corridos em Espanha ou França, para os verem a serem picados, para ver se arrancam de largo ou de perto do cavalo ou se fogem do castigo de varas.Gostam de ver se na muleta recebem grandes faenas; e se recebem uma estocada inteira, assim como, gostam de ver se o toureiro recebe as orelhas como prémio do público e da presidência, e se no final, o toiro dá a volta no ARRASTRE: isso é uma alegria para o ganadero e para o campino. Por isto tudo digo: Esta é uma cultura quem nem todos a conhecem. Gostar é uma coisa, perceber é outra. Era bom que todos, desde crianças, a aprendessem, para conhecimento da arte de montes. Vou dar um exemplo, numa das viagens que fiz a Madrid, fui hóspede da casa da filha do senhor João Guerra da Luz (que foi guarda florestal em Azambuja, entretanto já falecido e que fez algo por esta vila no campo das tradições e tauromaquia). Essa senhora tinha um filho, que andava a aprender a tourear na escola Betan de Madrid. O jovem tinha uma deficiência no braço, e eu perguntei-lhe se ele queria ser toureiro. Ele disse que não, queria era adquirir conhecimentos para

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mais tarde saber ver uma corrida, ou ser crítico tauromáquico. Eu disse-lhe Olé! Ora, e no dia 26 de Julho, houve uma corrida na Feira de Valência, Espanha. Numa praça que estava cheia a ¾ de lotação. Mano a mano, entre Rafaelillo e Escribano, foram lidados toiros Miura, que causaram alguns problemas à lide dos toureiros que não se livraram de alguns sustos. No final os artistas, saíram da arena pelo seu próprio pé, não sem antes receberem cada um uma orelha. O azar de Rivera Paquirri Rivera Paquirri foi colhido gravemente na Praça de Toiros de Huesca. Foi nesta praça de segunda categoria e lotação de 7000 lugares, que Francisco Rivera Ordoñez “Paquirri”, há algum tempo afastado dos ruedos, (em virtude de ter contraído o seu segundo matrimónio, com uma filha do bem conhecido Vitoriano Valencia, ex matador, e hoje apoderado e advogado), teve o azar a bater-lhe à porta. No dia 10 de agosto, Paquirri foi colhido com gravidade, tendo sido de imediato operado na enfermaria da praça. A operação tinha como intuito debelar os danos infligidos pelo toiro no baixo ventre do matador, e durou cerca de duas horas e meia. A Paquirri, deseja-se, que a Virgem de Macarena (Padroeira dos Toureiros) esteja do seu lado, e que recupere rápido, para que em breve regresse às arenas, isso se assim o entender, porque economicamente, tem condições para poder optar por se tornar empresário, apoderado, ou quem sabe, ser o patrono de uma figura que esteja a despontar. Francisco Rivera Ordoñes “Paquirri”, que é filho dos malogrados “Paquirri” e Carmen Ordoñez, sendo por isso neto de António Ordoñez e sobrinho neto de Luiz Miguel Dominguin (sendo presentemente genro de Vitoriano Valencia), é o proprietário da praça de Ronda e ainda proprietário da ganadaria com o ferro Ordoñez. Para o maestro Espanhol, uma rápida recuperação é o nosso desejo.

estado deste contentor pode bem ser sintomático de que os azambujenses são pessoas que gostam muito de ajudar. Este recipiente para roupa usada, destinado aos mais necessitados, situado perto da câmara municipal de Azambuja, tem estado nos últimos dias assim: cheio e a abarrotar. Ficamos sem saber se tem existido muita oferta, e portanto está cheio, ou se os responsáveis se esqueceram de o esvaziar…

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final os “apanhados” que tiveram êxito na década de 90 na televisão portuguesa, já estão imortalizados em Casais de Vale do Brejo em Aveiras de Cima. A junta de freguesia, e muito bem dizemos nós em prol da Cultura popular, terá decidido dar o nome de “Apanhados” a esta rua, tendo em conta o programa iniciado por Joaquim Letria nessa altura… ou talvez seja só coincidência…

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação:

Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Publicidade: Eduardo Jorge Correio eletrónico: eduardojorge@valorlocal.pt Telefone: 932 446 322 Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares


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Jornal Valor Local Edicao agosto 2015  
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