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ACISMA

Valor Local

Jornal Regional Valor Local • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 16 • 22 Agosto 2014 • Preço 1 cêntimo

26 anos depois:

Lusolândia Revisitada Págs. 10, 11 e 12

ADAZ: Cunha Lei da rolha Marques coloca na Junta lugar à disposição da Ereira/Lapa Pág. 6

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Política

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Vazio político na junta de Ereira/Lapa

Autarcas eleitos não dão justificações ¢ Miguel A. Rodrigues

á cerca de três meses que a junta de freguesia da União de Freguesias Ereira Lapa espera por um executivo definitivo. Esta instabilidade está causar mau estar junto de alguma população e até da oposição que quer um desfecho rápido para a situação. Todavia, poucos foram os que concederam declarações ao Valor Local, no sentido de esclarecerem os leitores e os fregueses que confiaram os seus votos aos respetivos partidos, que desta maneira em nada dignificam a causa pública. Segundo apurámos o presidente eleito no último escrutínio em 2013, Fernando Ribeiro, suspendeu o mandato por razões profissionais, e desde aí que os destinos da união de freguesias tem sido gerido de forma “provisória e transitória” pelo secretário da junta João Carlos Bernardes e pelo tesoureiro João Nunes. Ao telefone com o Valor Local, Fernando Ribeiro revelou uma postura hostil não estando interessado em última instância em responder às perguntas naturais de quem o elegeu, sendo apenas o nosso jornal um mero interlocutor. Segundo Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, a autarquia está a funcionar legalmente, até porque

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segundo contou ao Valor Local, esta é uma possibilidade existente na lei já que o executivo tem quórum. Pedro Ribeiro afasta qualquer cenário de instabilidade dentro do executivo, salientando que a situação é provisória. O autarca não confirma ao Valor Local se o regresso de Fernando Ribeiro estará para breve, mas o nosso jornal apurou que tal é uma possibilidade para Setembro ou mesmo Outubro. Aliás, Fernando Ribeiro como referimos acima escusou-se a prestar declarações sobre o assunto, deixando assim aberta a porta para a especulação sobre a sua situação, e se há outras causas ou não para o seu afastamento. O Valor Local tentou contactar os outros elementos do executivo socialista, mas até ao fecho da nossa edição, foi impossível chegar a fala com os visados. Nestes contactos tentámos igualmente chegar à fala com João Mota, ex-presidente da junta da Ereira pelo PSD e candidato derrotado em 2013, mas também aqui as tentativas feitas para o seu telemóvel, não foram bem sucedidas, apesar de termos deixado mensagem referindo qual o motivo do nosso contacto. Já António Mourão, presidente da concelhia socialista do Cartaxo, destacou ao Valor Local que a situação na junta “está perfei-

Vazio político na Junta Ereira/Lapa tamente controlada” afastando quaisquer rumores contrários vindos “de alguma oposição” que

não especificou. O responsável máximo da concelhia cartaxeira salienta, entretanto, que todos

os assuntos relacionados com esta situação estão a ser devidamente monitorizados “em articu-

Piscina artificial posta de parte O

município do Cartaxo não deverá avançar com a solução de uma piscina artificial a implantar na Quinta das Pratas. Pedro Ribeiro, ao Valor Local, lamenta que a sua ideia tenha sido “mal interpretada por alguns sectores”, pois o que esteve sempre em causa foi “a colocação de um equipa-

mento para as famílias do concelho que não podem frequentar a praia; e ao mesmo preço da piscina ao ar livre, ou seja sem custos de maior para as mesmas e para o município”. A piscina exterior, recorde-se, encontra-se em obras que deverão estar prontas em Setembro. A ideia de uma piscina ou

mesmo praia artificial foi criticada por elementos da oposição tendo em conta a grave situação financeira da autarquia. O presidente do município acredita que a piscina exterior deverá estar pronta a tempo do bom tempo previsto para os meses de Setembro e Outubro

Piscina exterior do Cartaxo em obras

lação com a concelhia e com o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro”.


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Sociedade

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Cardoso Amaral

O médico mais conhecido de Alenquer médico Cardoso Amaral é um nome bem conhecido pelas gentes do concelho de Alenquer. Desde que se formou em medicina, que sempre exerceu a sua profissão na Vila Presépio. Por ele já passou a saúde de várias gerações de alenquerenses. Atualmente, com 87 anos de idade, continua a dar consultas na sua clínica, localizada na zona central da vila, que ao todo possui 20 especialidades, compreendendo, ainda a realização de exames de diagnóstico. “Vim para Alenquer em 1953, e nunca mais saí daqui”, refere. Naquela altura, a vida era muito diferente. O recém-licenciado em Medicina vinha dar consultas para Alenquer, da sua terra, na freguesia de Meca, de cavalo e de boleia de charretes. No caminho, refere, aproveitava para ir estudando os manuais da profissão, porque de Meca para Alenquer, ainda demorava cerca de uma hora a hora e meia de caminho. Hoje de automóvel a distância não vai além de 10 minutos. Sempre exerceu medicina no

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No consultório onde atende os seus pacientes privado e por diversas vezes andou com o consultório às costas, se assim se pode dizer: “Primeiro estive num quarto alugado junto ao Café Alão, depois

fui para o andar de cima do mesmo prédio. A seguir estive nas instalações onde funciona, agora, a sede do partido comunista, depois instalei-me aqui,

Obras no quartel da GNR de Salvaterra continuam a marcar passo ontinuam a marcar passo as negociações entre a autarquia de Salvaterra de Magos e o ministério da Administração Interna no sentido de uma alternativa para a melhoria das condições do edifício em que se encontram os militares da GNR. O caso já se arrasta há vários anos, com os guardas a viverem num local por todos reconhecido como totalmente desapropriado para as funções ali exercidas. Todos os dias, os militares pernoitam na falcoaria devido ao estado em que se encontra o quartel. Hélder Esménio, presidente da Câmara, conta que a supressão da direção geral que tratava dos equipamentos e infraestruturas levou a que a autarquia tenha deixado de ter para já um “interlocutor direto”. “Estamos à espera que acabe o verão para voltarmos a falar, até porque os nosso serviços estão a elaborar um projeto de requalificação do espaço do quartel, nomeadamente, nos pavimentos, sanitários e revestimentos. Todas as obras estão quantificadas para que os homens deixem a falcoaria e regressem ao quartel”. O atual quartel chegou a apresentar problemas graves de insalubridade com inundações numa semi-cave, entretanto resolvidos pelo executivo Em cima da mesa esteve a possibilidade de adaptação de uma escola na avenida principal de Salvaterra, orçada em 300 mil euros, que o ministério abandonou. Outra alternativa seria a cedência de um terreno junto aos bombeiros de Salvaterra, “criando ali um campus de proteção civil” que também não foi aceite. “Não podemos assegurar essas obras porque isso é da responsabilidade do Estado”, analisa Esménio.

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na Rua 25 de Abril”. Depois de várias décadas a exercer, é da opinião de que, antes, os pacientes, eram “mais fiéis aos médicos” – “As pessoas iam sempre ao mesmo médico, hoje vão a diversos médicos para o mesmo problema. Gostam de ouvir várias opi-

niões”. Por outro lado, considera, que, no passado, os doentes apenas se deslocavam ao médico “quando estavam realmente doentes”. “Hoje, uma boa fatia das consultas prende-se com atestados e receitas”. Por outro lado, a revolução tecnológica das últimas décadas possibilitou que muitos dos seus doentes começassem a obter informações na internet sobre Saúde. A demasiada informação sobre doenças, por vezes pouco filtrada, tem suscitado efeitos perniciosos entre alguns indivíduos mais suscetíveis psicologicamente: “As pessoas vêm muita televisão, ouvem falar de muitas doenças. Consultam a internet e julgam que têm os sintomas todos de determinada doença. Tornam-se hipocondríacas. Chegam aqui a falar em cancros do pulmão e do estômago, por exemplo. Felizmente, vimos a verificar depois que não havia razões para alarme”. Também a forma de trabalhar dos profissionais de saúde mudou muito, desde que começou a exercer. “Fazíamos o diagnóstico a ‘olho médico’. Não havia radiografias, nem análises com a facilidade de hoje em dia. Os doentes tinham de ir a Lisboa tirar radiografias. Tirava sangue

aos pacientes aqui em Alenquer, que depois era levado para Lisboa, por um estafeta, para ser analisado. O resultado só chegava passados alguns dias, quando, hoje, bastam apenas algumas horas”. Hoje, diz que tem alguns dos equipamentos mais modernos a nível de raio X e outros meios complementares de diagnóstico. Por outro lado, a evolução da medicina tem deixado este clínico surpreendido, pois ainda se recorda que começou nos tempos da penicilina. Hoje a proliferação de antibióticos faz parte também da revolução da clínica geral. Mas lamenta, por outro lado, que a grande maioria dos seus colegas de profissão se socorram quase em exclusivo de análises e radiografias para avaliarem os doentes. “Não conversam com o doente, e isso é de lamentar, porque uma boa conversa com o paciente ajuda muito à definição do quadro médico”. E essa parece ser uma das chaves do seu sucesso, procurar ouvir o paciente, usar a sua intuição, e fazer coisas tão básicas a um médico como auscultar ou fazer apalpação, algo quase visto como démodé para muitos clínicos das novas gerações.

Rainha das Vindimas em Azambuja concelho de Azambuja vai aderir à moda dos concursos da rainha das vindimas. Esta é uma tradição noutros municípios como o Cartaxo ou Arruda dos Vinhos, mas que em Azambuja dá o pontapé de saída pela primeira vez. Uma espécie de primeira edição experimental deu o pontapé de saída no ano passado, com a realização da iniciativa em Aveiras de Cima, com produção de Madalena Toscany, da qual resultou uma vencedora que vai representar o município em Barcelos, que este ano está nomeado como a “Capital Nacional do Vinho”, mas está previsto que o concurso passe a ter diversas fases. Segundo apurámos, para o próximo ano, a autarquia azambujense através dos pelouros do vereador António Amaral, tenciona fazer eliminatórias nas várias freguesias até chegar a uma representante do concelho. Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Silvino Lúcio, em primeiro lugar será eleita “a rainha de cada freguesia e depois haverá um certame municipal de onde sairá a representante do concelho”. Este sector do vinho, é aliás uma mais-valia para o município de Azambuja. Tem trazido alguns prémios para o município, ao mesmo tempo que é “um fator de sustentabilidade económica e promoção do concelho”.

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Sociedade

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Caçadores de Azambuja ajudam na prevenção de fogos Associação de Caçadores da Freguesia de Azambuja tem-se dedicado nas últimas semanas à limpeza e criação de acessos em alguns locais onde é permitido caçar. Segundo Rui Lopes, presidente desta associação, o objetivo é “criar condições para o desenvolvimento e alimentação das espécies cinegéticas, bem como, evitar e minimizar os riscos de incêndio.” Nesse sentido, revela que a associação que tem, nesta altura, cerca de duas centenas de associados, está a “desenvolver uma parceria com a Proteção Civil para que a desmatação seja de acordo com as necessidades de prevenção e combate aos fogos”. Há, no entanto, outra parceria, desta vez com a Junta de Freguesia de Azambuja, “para a limpeza da periferia do miolo urbano e de caminhos”. Rui Lopes salienta que essa é uma tarefa que pertence não só à Câmara Municipal de Azambuja e à junta de Freguesia, mas também é uma “responsabilidade partilhada pelas associações de caçadores e proprie-

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Trabalhos de desmatação tários”. Para ajudar nesta missão, a associação já adquiriu equipamento, nomeadamente, um trator

devidamente apetrechado, que ajuda na recuperação e na limpeza de acessos. Na freguesia de Azambuja exis-

tem duas zonas de caça associativa. A associação local com sede na antiga escola primária de Casais dos Britos gere atual-

mente a zona de caça associativa e a zona de caça municipal. Contudo e embora estável a muitos níveis, a associação

azambujense encontra-se, agora segundo Rui Lopes, “num processo de adaptação às novas realidades” entre as quais se encontra a crise que se abateu sobre o setor da caça “nomeadamente a epidemia que atacou o coelho bravo”. Ainda assim, e de forma positiva, Rui Lopes salienta que há condições para melhorar, fazendo com que a caça possa “ser ainda mais um fator de desenvolvimento social e económico do nosso concelho”. Já quanto a espécies, o concelho de Azambuja é muito rico. Rui Lopes salienta que pelo facto de Azambuja estar situada a sul da linha de caminho-de-ferro, existe uma área bastante considerável para a prática da caça. Entre as espécies mais abundantes, os associados podem caçar patos, pombos, rolas, narcejas e trambolas. Para além destas espécies, pontuam esta zona de charneca, o tordo e a galinhola, todavia “as espécies mais abundantes e que mobilizam mais caçadores, são o coelho bravo, a perdiz e a codorniz”.

“Pedras Soltas” de João Pedro Martins jornalista/escritor vilafranquense João Pedro Martins lançou no início deste mês o seu sétimo livro – “Pedras Soltas” que tem a chancela da editora Fronteira do Caos, e conta com ilustrações da também vilafranquense Ana Sofia Neves, que segundo o autor, terá sido escolhida, não por ser de Vila Franca, mas pelo seu “profissionalismo”, a qual deu “um grande contributo estético ao livro.” “Pedras Soltas” é composto por

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uma série de textos que foi escrevendo, ao longo dos anos, sob a forma de poemas, os quais reuniu por vontade própria e da editora. Todavia alerta os “entendidos e talhados para a poesia” para que “não o sintam como verdadeiras e cruéis pedradas na arte de ‘poetisar’.” Trata-se então do sétimo livro publicado pelo autor nos últimos 11 anos. Sem apontar um preferido, salienta que cada um foi escrito no

seu tempo. O autor garante que não escreve por obrigação, “mas sim por gosto”. “Se por algum instante o que estou a escrever não me estiver a dar prazer esqueço, apago, deixo para trás, passo à frente, rasgo, atiro para o lixo”. João Pedro Martins começou como jornalista em Vila Franca de Xira na extinta Rádio Ateneu, passou posteriormente por órgãos de comunicação social nacionais. Todavia, e tendo o jornalismo como a

primeira paixão, João Pedro Martins salienta que não consegue dissociar-se dos livros. Nesse sentido refere que “é uma honra pertencer aos dois universos, o do jornalismo e o dos livros”. Lamenta apenas que “na pequenez da mentalidade portuguesa existam por aí uns tantos iluminados que acham que o artista, seja de que área for, tem de cumprir certos rituais da praxe, frequentar certos lugares e relacionar-se com deter-

minadas pessoas ou então não preenche os requisitos necessários para ser considerado um deles”. João Pedro Martins salienta que no seu percurso, já tem sete livros publicados e um guião para uma peça de teatro “que foi representada em Lisboa e em São Paulo, no Brasil” e vinca não querer saber se isso faz de si ou não “um escritor aos olhos dos críticos e entendidos”.

João Pedro Martins

Mais um ano sem piscinas

Universidade Sénior fica no Valverde

inda não será em 2014 que as piscinas de Azambuja vão reabrir. O presidente da Câmara, Luís de Sousa, ao Valor Local referiu que, apenas, para o ano poderão ter lugar algumas novidades, nomeadamente, a possibilidade da “abertura da piscina exterior”, algo que até à data não estava completamente em cima da mesa. A candidatura da escola secundária aos fundos europeus para o seu projeto de energia solar, concebido para as piscinas interiores, ainda está a ser estudada em articulação com a Santa Casa da Misericórdia de Azambuja e a autarquia. Luís de Sousa aproveitou para informar que noutro âmbito – a exploração dos campos de ténis vai ser entregue à junta de freguesia de Azambuja num protocolo a firmar entre aquela autarquia, a Câmara e a Santa Casa.

egundo o presidente do município, Luís de Sousa, ao nosso jornal, o projeto da universidade sénior a criar em breve, deverá ficar nas atuais instalações ocupadas pelo sector da Educação da Câmara na zona do Páteo do Valverde. O regulamento a acertar entre a Câmara e a Misericórdia de Azambuja ainda não está pronto, pelo que este tipo de valência a pensar na população sénior não deverá arrancar, ainda, em 2014. Luís de Sousa conta que o sector da Educação e o do Turismo vão ser transferidos para a Casa da Juventude, onde funciona também o Urbanismo, com a Universidade Sénior a ficar no Valverde. O concelho de Azambuja é um dos poucos da região que ainda não tem universidade sénior.

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Dossier: Águas

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Valor Local

Águas do Oeste responde a críticas da Águas da Azambuja epois de confrontada pelo Valor Local face aos últimos acontecimentos relativos às críticas da Águas da Azambuja (ADAZ), a empresa intermunicipal enviou um comunicado a toda a comunicação social regional procurando maior espaço para se poder defender. Diz a Águas do Oeste que face aos propalados aumentos supostamente infligidos pela mesma, (nos quais a concessionária de Azambuja procura refugiar parte da sua defesa) que “não conhece os termos do contrato de concessão celebrado entre o município de Azambuja e a Águas da Azambuja nem está a par das condições em que são calculadas e aplicadas as tarifas ao consumidor final”, refere. “Cumpre, no entanto, esclarecer que entre 2009 e 2014, a tarifa praticada pela Águas do Oeste aumentou 13,7% e não 18,2% como referido pela Águas de Azambuja (25,4% para o tratamento das AR e não 30,4% conforme referido). No último ano o aumento verificado na tarifa de Abastecimento de Água foi inferior de 0,81%.”, finaliza. Segundo a AO, “o aumento das tarifas resulta fundamentalmente do facto dos caudais de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais que têm sido faturados aos municípios que integram o sistema serem significati-

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vamente inferiores aos estabelecidos nos contratos de fornecimento e de recolha celebrados com os municípios, (já que tiveram como linha de partida o aeroporto da Ota e consequente aumento populacional que não aconteceu) correspondendo no abastecimento a cerca de menos 60 milhões de metros cúbicos, resultando em proveitos inferiores aos necessários para garantir o equilíbrio económico e financeiro da concessão. Sendo que “no caso específico do município de Azambuja, até 2013 registava-se uma diminuição de 8,5 milhões de metros cúbicos de água fornecida e faturada (menos 36% face ao previsto). Até ao final de 2035 essa diferença representa um total de menos cerca de 42 milhões de metros cúbicos de água a fornecer (58% inferior ao previsto), face ao contratualizado. Também no saneamento a situação é idêntica, sendo que a estimativa atual aponta para valores cerca de 50% inferiores face ao contratualizado”. A empresa sublinha ainda que “o rácio entre o investimento realizado em infraestruturas e o caudal fornecido ao município de Azambuja, só no que respeita ao abastecimento de água é cinco vezes superior ao previsto no contrato de concessão, o que contribui para afetar a sustentabilidade económi-

Sede da AO no Convento das Gaeiras, Óbidos

co- financeira da concessão”. Em tese, a AO tenta referir que a defesa do município de que investimentos ficaram por fazer não corresponde à verdade. Entretanto, e noutro capítulo a Águas da Azambuja fez chegar à nossa redação uma carta na qual manifesta abertamente o seu repúdio pela moção apresentada na Assembleia Municipal pela Coligação pelo Futuro da Nossa Terra e CDU a qual pede para que o processo negocial entre a concessionária e a Câmara pare por completo. A Adaz refere que o processo de revisão do contrato da concessão tem “decorrido com respeito pela lei” e por isso “não pode deixar de alertar para várias imprecisões, erros e afirmações incorretas ou mesmo falsas constantes da moção”. Nesta carta assinada pelo diretor da Aquapor, empresa que detém a concessionária, Diogo Faria de Oliveira pode ler-se que a empresa “continuará alheia a quaisquer repercussões politicopartidárias que o modelo adotado pelo município de Azambuja para a água e saneamento possa ter nos órgãos da autarquia”. A empresa vai mais longe: “A Adaz repudia veementemente qualquer alegação ou insinuação que se pretenda fazer relativamente à sua atuação jamais aceitando qualquer insinuação de falta de idoneidade ou transparência durante o processo concursal”. Entretanto no final do mês de Julho foi também entregue a petição pela discussão pública deste tema pelo cidadão Daniel Claro que contou com a recolha de 1500 assinaturas. Em declarações ao nosso jornal, Claro entende que a empresa deve apresentar as suas projeções para os próximos anos, Quanto ao aumento de preços pouco significativo no novo tarifário, até cerca de 1,75 cêntimos, diz estar convencido que tal se trata de “uma manobra para nos primeiros anos não se aumentar significativamente a fatura mas posteriormente fazer aumentar os pre-

ços exponencialmente, até porque a empresa fez baixar a sua taxa de rentabilidade interna, mas não abdicará dela a médio prazo”. Por tudo isto, “deve-se avançar o quanto antes com uma auditoria a todo o processo”. Cunha Marques coloca o lugar à disposição O homem que até, há poucas semanas, atrás era o escolhido para presidir à comissão de acompanhamento do processo de revisão, colocou o seu lugar à disposição. O Valor Local confirmou esta informação junto do presidente da Câmara, Luís de Sousa, que não escondeu que o especialista em águas do Instituto Superior Técnico, que acompanhou o processo de concessão à Aquapor, e que agora surgia de novo neste processo como uma espécie de árbitro, está “bastante agastado” com os comentários e críticas que têm surgido dos vários sectores políticos concelhios. Luís de Sousa revela que, ainda, não sabe o que se pode seguir: se a saída de Cunha Marques ou a sua continuação, embora não como presidente da comissão. “As negociações estão a decorrer, mas já sabemos que juridicamente é viável que continue, ao contrário do que para aí se disse. Poderá dar-se uma alteração de nomes, mas não posso adiantar o que vai acontecer para já. Mas o assessor de Cunha Marques disse-me que o doutor está muito agastado com os acontecimentos pois entende que o seu nome está a ser difamado”, diz o presidente da Câmara. “Colocou o seu lugar à disposição sem quaisquer problemas”. Quase um mês depois da sessão da assembleia municipal, em que a Águas da Azambuja procurou responder às questões da população, Luís de Sousa lamenta “alguns momentos desagradáveis” que pontuaram a assembleia, “mas a Câmara está a pensar em realizar, no futuro, posteriores sessões de esclarecimento”.

A assembleia no facebook do Valor Local

o dia da assembleia municipal, a 22 de Julho, sobre a concessão de águas, a página de facebook do Valor Local recebeu numerosos comentários dos internautas que iam acompanhando as peripécias da mesma através do nosso facebook, reproduzimos aqui alguns desses comentários:

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“Havia um principio de acordo que andámos mais dum ano a negociar e no qual as AdAZ abdicaram de facto de diversas coisas para que fosse possível esse acordo. O grave é se, com toda a gente armada em políticos ( uns ) e outros a querer tirar dividendos políticos do descontentamento popular que criaram na maior parte dos casos com mentoras e alarmismos, as AdAZ mandam a coisa para Tribunal Arbitral. Aí é que a porca torce o rabo e muito poucos perceberam - outros finge que não percebem, porque de facto não estão interessados nos interesses dos munícipes mas sim no aproveitamento político da questão - quanto pior, melhor. (Joaquim Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja)” “As Águas do Oeste e do Ribatejo iniciaram a sua atividade quase em simultâneo, mas a CMA nunca apresentou um estudo de integração nas Águas do Ribatejo (AR), manifestando falta de solidariedade com os seus colegas associados na CULT. Confrontada com esta questão, a administração da CMA, têm informado que “Azambuja e Rio Maior não poderiam aderir às ÁR por já terem aderido à AO, porque seria beneficiar duplamente de fundos comunitários – prática que era proibida.” Sobre o assunto tenho procurado informações mais detalhadas, tais com obras realizadas pelas AO antes da constituição das AR e as respostas têm sido negativas e evasivas. (António José Rodrigues, Deputado municipal da CDU)” “Creio firmemente que chegámos a momento em que as contradições são de tal forma evidentes nos diversos intervenientes, com a DIOM num papel absolutamente ineficaz (para ser simpático...) e a empresa (do prof. Cunha Marques...) contratada pela Câmara para a assessorar no processo a, publicamente, assumir que está do lado da concessionária numa demonstração inqualificável de parcialidade que o único caminho será a imediata contratação de uma empresa externa (escolhida por acordo entre todas as forças que compõem o executivo camarário...) que proceda a uma auditoria a todo este processo! (Daniel Claro, antigo deputado municipal do BE e proponente da petição pela discussão do tema)” “Incompetentes, e quando vamos lá pedir uma explicação, somos recebidos como subalternos, como se nos estivessem a fazer um favor (munícipe Ilda Cravo Félix sobre as atitudes da empresa)” “Eu não sabia que tinha que pagar água e tarifas associadas devido ao facto de ter sido feito um contrato de muitos milhares de metros cúbicos por causa do aeroporto. Como este não foi para Ota pagamos na mesma! Muito bom adorei!!!! (Munícipe Helena Gonçalves)”

Alenquer

Aumento dos pedidos do tarifário social novo tarifário da Águas de Alenquer foi dado a conhecer, através de edital, recentemente. Só em taxas, independentemente dos consumos, a população do concelho paga cerca de 11 euros. Os pedidos de adesão ao tarifário social têm-se multiplicado, os quais têm sido remetidos para aprovação em reunião de Câ-

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mara. Este tem sido um bom indicador para aferir que o tarifário em vigor é claramente desajustado do nível socioeconómico médio do concelho de Alenquer. O presidente da Câmara Pedro Folgado, e Nuno Coelho da Coligação pela Nossa Terra sublinham, contudo, uma pequena descida alcançada no tarifário, “ainda que pouco significativa de

0,9 por cento”. Pedro Folgado sublinha que as câmaras estão um pouco de pés e mãos atados quando se observa que a jusante da concessionária estão as empresas Águas do Oeste e a EPAL que influenciam, em primeira instância, o preço da água. Sendo assim a autarquia faz parte, agora, da Associação de Municípios de

Estudos e Gestão de Água (AMEGA) no âmbito da qual as câmaras estão a procurar “o fim dos mínimos e a negociação da nova tarifa que a EPAL este ano não aumentará, e assim sucessivamente”. A expectativa perante a verticalização dos sistemas e a uniformização do preço da água no país, em que uns aparentemente pagam a mais e ou-

tros a preços muito baixos, também encontra eco no presidente da autarquia alenquerense que reconhece que “pouco há a fazer neste momento”, mas rejeita a privatização. Quanto à política da concessionária da empresa em Alenquer, Folgado reconhece que “há sempre muitas queixas da população, mas a comunicação da

Câmara com a empresa é positiva”. “Lamentamos apenas que muitas vezes façam obras e não repavimentem as estradas com a brevidade desejável”. Por outro lado, “também seria necessária uma agilização a nível da reposição de novas canalizações devido a infiltrações de calcário com a Águas do Oeste”.


Valor Local

Cultura

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Nova biblioteca

Vila Franca em contagem decrescente inauguração do novo e emblemático edifício que passará a dominar a paisagem ribeirinha da cidade será no dia 20 de Setembro. Trata-se de um espaço cultural da autoria do arquiteto Miguel Arruda, situado à beirario, que se destaca não só pela sua valência cultural e de lazer, mas também como “mais uma singular e belíssima peça” de arquitetura no concelho de Vila Franca de Xira, que “permite ao visitante uma ligação contínua com o meio exterior envolvente: de um lado a cidade, do outro o rio e a lezíria”, refere a autarquia em comunicado de imprensa. Teve um investimento de cerca cinco milhões 750 mil euros com comparticipação de fundos comunitários em 65%, no âmbito da candidatura para a requalificação da frente ribeirinha de Vila Franca de Xira (“Programa Política de Cidades – Polis XXI – Parcerias para a Regeneração Urbana – Requalificação das Frentes Ribeirinhas e Marítimas”). Implantada no local onde se encontrava a antiga fábrica de descasque de arroz, o edifício contabiliza uma área útil de cerca de 3.200 m². A estrutura foi construída em betão armado, e completada pela caixa de escadas que

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Edifício arrojado domina a paisagem ribeirinha funcionam como núcleo central. Foi ainda contemplada uma comunicação entre diversos pisos através de uma área vertical que recebe luz do exterior, destacando-se a vivência espacial do piso térreo. “Com a implantação deste equipamento, a polivalência do conceito de arquitetura, através da relação com o aglomerado urba-

no e com o rio, contribuem para uma leitura sócio urbana contemporânea de Vila Franca de Xira.” O edifício prima, de acordo com a autarquia, por uma multidisciplinaridade e funcionalidade das suas áreas, tendo-se desenvolvido o edifício em 7 da seguinte forma: Piso 0 – átrio e sala polivalente. A sala polivalente poderá ser utilizada para diversos fins,

como lançamento de publicações, conferências, formação, ações de sensibilização. Piso 1 – Galeria e Cafetaria. Neste piso está também prevista a zona de consulta de periódicos. Piso 2 – Secção Infantil/Juvenil. Piso 3 – Secção de Adultos/Audiovisuais. Piso 4 – Secção de Adultos/Consulta Geral. Piso 5 – Áreas de Trabalho Técnico-Administrativo

(inclui Sala de Formação/Reuniões). Piso 6 – Depósito de Difusão Documental; Áreas de trabalho técnico – Administrativo. Segundo o vice-presidente do município, Fernando Paulo “estamos a falar de um novo e moderno edifício com as melhores condições, não só de biblioteca como de centro cultural e de lazer, conferido não só pelas ca-

racterísticas e possibilidades do espaço, como pela ligação com a paisagem envolvente.” “As pessoas vão perceber do que falo quando tiverem oportunidade de a conhecer e ver com os próprios olhos. É um edifício de cultura, que acresce dignidade ao concelho e que será uma referência a nível nacional”, destaca.

Festa dos Contos em Pereiro de Palhacana istórias de bruxas, de lobisomens e outras lendas que povoam o imaginário das aldeias do país serviram de pretexto para uma atividade do festival Contemfesta na aldeia de Pereiro de Palhacana, Alenquer, nos últimos dias do mês de Julho. Durante dois dias, contadores de histórias ligados ao museu virtual do Património Cultural Imaterial estiveram na localidade e reavivaram as memórias de outros tempos através da narração de histórias do fantástico num misto de partilha e de celebração da tradição oral. José Barbieri do e-Museu do Património Cultural Imaterial, ao Valor Local, sublinha que se tratou no fundo de uma “festa dos contos”, “daqueles que se contavam à lareira. O projeto que percorre

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o país promove a recolha em vídeo destes testemunhos que depois os dá a conhecer junto do público. “Fomos cimentando a recolha e percebemos que este mundo dos contos e das histórias ainda permanece muito vivo, consagrado recentemente com o aparecimento da figura do contador de histórias, normalmente jovens que dão a conhecer esta cultura dos contos em escolas e bibliotecas”. Em Pereiro de Palhacana, aldeia do Oeste na fronteira entre o concelho de Alenquer e o de Sobral de Monte Agraço, são conhecidas algumas histórias que já fazem parte da cultura popular da terra, como “a do burro que largou o dono para ir atrás de uma burra”, refere Barbieri. “Há contos que reforçam que foi este animal

que inventou a vindima”. Contos com bruxas, lobisomens e outros factos extraordinários são comuns, mas também de particular interesse são os provérbios, muitos relacionados com as tarefas agrícolas, que se perpetuaram entre as gerações mais velhas, ou os saberes ligados à previsão das condições atmosféricas: “quando a serra de Montejunto se apresenta nublada sabe-se que vai chover no dia seguinte”. ”Trata-se de um manancial muito rico”. Barbieri conta que parte destes contos são transversais não só a Portugal mas a todo o mundo, pois histórias de bruxos e lobisomens acontecem por toda a parte. Reconhece que parte do encanto destes contos reside no facto de serem quase tidos como

acontecimentos reais por parte de quem os conta, de modo a dar mais veracidade aos mesmos. Entre os saberes de Pereiro de Palhacana, José Barbieri salienta o fazer da “uvada”, doce que “não existe em outro sítio do país”. “Uma espécie de marmelada que não leva açúcar para além dos frutos, ou ainda o arroz com castanha pilada que se comia na Páscoa e que ainda permanece”. De salientar “a forma como fomos recebidos pela população que nos incentivou a continuar, algo muito gratificante”. “O balanço do evento é muito positivo, porque estiveram não só presentes os habitantes, mas também visitantes de Lisboa e até entusiastas deste tipo de eventos do estrangeiro”.

Foto Oriana Alves Memoria Imaterial CRL

Um dos momentos da atividade

Câmara Alenquer baixa apoio ao Museu João Mário O

novo protocolo entre a autarquia e o museu particular do pintor João Mário prevê que o habitual apoio mensal, através de uma renda, da Câmara ao museu baixe dos atuais 2500 para 1750 euros. Pedro Folgado, presidente do município, em reunião de Câ-

mara destacou que a negociação com o pintor foi “difícil” mas que se conseguiu um bom acordo, até porque o museu é dotado de um espólio avaliado em 1 milhão e 300 mil euros, e como tal uma “mais valia para o concelho de Alenquer”, dado tratar-se da “maior

coleção privada de arte figurativa do país”. O novo contrato prevê ainda a manutenção dos espaços exteriores do museu como a piscina e jardim. Eurico Borlido, vereador da Coligação da Nossa Terra, mostrou algumas dúvidas quanto à necessida-

de de a Câmara também ficar responsável pela piscina, quando o que está em causa é o recheio do museu. Folgado esclareceu que a tarefa da autarquia nesse campo limita-se a uma normal limpeza da mesma, já que “funciona apenas como se de um lago se tratasse”.

O protocolo prevê ainda que a responsabilidade dos seguros fica a cargo de João Mário e que a listagem das obras “tem de estar sempre atualizada, sendo que não podem ser movidas sem que uma parte dê conhecimento à outra”. Em declarações a Valor Local, Pe-

dro Folgado referiu que o museu particular de João Mário assume “especial importância” no circuito turístico do concelho, de que são exemplo as muitas excursões com autocarros realizadas todos os anos com turistas de vários pontos do país. As entradas são gratuitas.


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Parque da Ribeira no Cartaxo ao abandono Parque da Ribeira inserido na Quinta Municipal de Santa Eulália no Cartaxo foi inaugurado em 2011 pelo anterior presidente do município Paulo Caldas, sendo pouco procurado pela população. Este espaço voltou a estar quase ao abandono e sem manutenção. Durante muitos anos, o município tentou recuperar aquela zona verde, e consegui-o numa altura em que a situação financeira da autarquia já não era a melhor. O problema é agora bem mais grave pois foram investidos naquele espaço cerca de 800 mil euros, e a Câmara não tem verba para a sua manutenção. Uma das situações mais graves vividas naquele local prende-se com a poluição da Ribeira do Cartaxo que atravessa o parque, que fica junto a um conjunto de apartamentos. Há moradores e utilizadores do espaço a queixarem-se do frequente mau cheiro, fato esse que a reportagem do Valor Local pode constatar no local. Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, ao Valor Local, assume que esse é

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um problema grave, pois “estamos a falar de descargas ilegais para a ribeira”. O autarca destaca que o município tem insistido num esforço para uma melhor fiscalização, já que alertou algumas vezes a GNR para procurar fiscalizar “apesar de se saber que é complicada essa tarefa”. Refere o autarca que há situações de descargas anormais para o local e que estão na mira das autoridades, ressalvando a necessidade de mais civismo e de mais fiscalização. Numa das últimas reuniões de executivo, o presidente da Câmara chegou a referir que a limpeza da ribeira estaria na alçada da Cartágua, mas foi-nos dito pelo gabinete de comunicação da mesma que essa não é uma responsabilidade da empresa de águas e saneamento. Entretanto também se agudizam os problemas com a manutenção de alguns equipamentos do parque,– “Costumo dizer que é mais fácil inaugurar este tipo de espaços do que os manter”, desabafa o presidente da Câmara que anuncia que na próxima Assembleia Municipal em Setembro

Aspeto da Ribeira do Cartaxo será discutida uma proposta para contratar desempregados através do centro de emprego de Santarém. A Câmara tem apenas três funcionários a garantir a limpeza e a higiene da cidade do Cartaxo, sendo essa uma das

principais carências no quadro de pessoal da autarquia. Questionado sobre se, neste caso, poderia haver uma ação de limpeza concertada que envolvesse a população, como no caso de outras no município, no-

meadamente, a recente limpeza do cemitério local, Pedro Ribeiro esclarece que a dimensão do espaço e a necessidade de uma limpeza profunda não se compadecem com esse tipo de ações. O edil lembra que as ações já de-

senvolvidas não eram “tão grandiosas e por isso não necessitavam de mão-de-obra especializada como é agora o caso do Parque de Santa Eulália”, completamente devastado por silvado e outro tipo de vegetação.


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Campanha de sensibilização para separação do lixo Câmara Municipal Azambuja vai avançar com uma campanha de sensibilização tendo em vista a produção e a recolha de lixo. A informação foi avançada ao Valor Local pelo vice-presidente da autarquia, Silvino Lúcio, que constata, ao mesmo tempo, “o aumento da falta de civismo por parte de alguns munícipes.” Para o responsável, a colocação de lixo em sítios inapropriados junto a ilhas ecológicas e os contentores cheios com resíduos que deveriam ter sido previamente separados são hábitos que devem mudar. O vereador já há muito que defende que a produção de lixo doméstico deve destinar-se aos locais próprios, e por isso a campanha publicitária que será uma realidade deverá ser centralizada nos hábitos dos mais velhos, “já que as crianças vão tendo uma outra consciência do problema, por via das campanhas que são feitas nas escolas.” Silvino Lúcio dá como exemplo uma foto que colocou

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na sua página do facebook, onde chamava a atenção para o lixo que transbordava de uma ilha ecológica. O autarca vinca que as ilhas ecológicas possuem uma boa capacidade, “o que acontece é que são colocadas caixas nesses locais que entopem o canal de passagem para o depósito, algo que impossibilita que mais lixo possa ser despejado”. Este estado de coisas é habitual nas nossas vilas e cidades. Tal deve-se à falta de uma cultura de reciclagem inerente à sociedade. Em Azambuja, é por isso, também frequente ver os papelões quase vazios, até porque muitos desses desperdícios são colocados junto dos contentores normais. Com a crise tem diminuído a produção de lixo no concelho de Azambuja. Silvino Lúcio diz que era expectável que a situação fosse de aumento, tendo em conta “a chegada de muitos emigrantes nos meses de férias, e as inúmeras festas que se vão

fazendo pelo concelho fora, mas ao invés disso estamos a assistir à diminuição dos lixos, com consequente perda de receitas para a Valorsul”. Câmara quer refazer Saneamento junto à EN3 A foto de uma leitora onde se via uma viatura de recolha de resíduos, no concelho de Azambuja, a despeja-los para um coletor de esgoto, levou Silvino Lúcio a dar um “puxão de orelhas” ao engenheiro responsável da empresa “Águas da Azambuja”. Segundo o autarca, tratavam-se de resíduos provenientes da limpeza dos coletores junto das vivendas construídas na zona da Junta de Freguesia de Azambuja, que terão sido despejados para um coletor, e não para a via pública conforme se falou nas redes sociais. Tal situação tem sido frequente, já que a zona onde os resíduos foram recolhidos padece de problemas estruturais graves, e na

Incúria extrema em Casais do Alfaro, Azambuja foto da autoria de Fátima Regateiro colocada no mural do facebook do vice-presidente, não é visível o local para onde está a ser feita a descarga. Silvino Lúcio garante que esta é uma situação complicada, tendo já dado instruções para que as descargas sejam feitas mais perto da ETAR. “Mais longe da vista

e por isso mais longe do coração. Dor que não se vê, é dor que não se sente”. Silvino Lúcio garante, ainda assim, que o local para onde foram despejados os resíduos “é o mais correto” mas admite “que dá mau aspeto”. O vice-presidente salienta entretanto que a autarquia está a ini-

ciar o processo para refazer todo o saneamento da zona em causa “que por ser plana sofre com abatimentos ao nível das condutas. É frequente assistirmos a inundações no local”. Para já, não há ainda calendário para aquela reparação, todavia o vice-presidente, garante que o estudo já está em marcha.

Sete anos depois do Plano de Ordenamento da Albufeira de Magos

Ações de limpeza e pouco mais Câmara de Salvaterra de Magos tem vindo a encetar diferentes ações de limpeza na barragem de Magos através de voluntários e de membros da autarquia. Uma iniciativa com o intuito de disfarçar o descuido em que se encontra o local que aguarda há sete anos pelas obras do famigerado “Plano de Ordenamento da Albufeira de Magos”. Hélder Esménio, presidente do município, refere que o objetivo é “dotar o espaço de outras condições de fruição”, sendo que também foi lançada nova hasta pública para exploração do bar existente. “As obras de reabilitação encontram-se atrasadas, os nosso serviços estão a trabalhar com o empresário da restauração em causa para melhorar a qualidade do serviço ali prestado”. Entre os frequentadores do espaço subsiste o sentimento de que

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a barragem de Magos é um local de grandes potencialidades que são mal aproveitadas. Teresa Ferreira, de Samora Correia, já visitou a barragem de Magos e expressa a seguinte opinião: “Tanto o bar como a envolvente podiam ser mais bem explorados. Numa das alturas em que lá fui, senti que o serviço de mesa não era bom, parecia que nos estavam a fazer um grande favor. Em termos de higiene não me recordo, mas em termos de conforto do espaço podia ser melhor.” Também Paulo Correia que chegou a residir no concelho, é da opinião de que “o espaço é agradável e limpo, mas poderia haver mais investimento, nomeadamente em estruturas para quem visita a área” Por outro lado, “a estrada de acesso também poderia ser melhorada pois penso que a barragem está subaproveitada. É

uma zona de atração turística que poderia ser dinamizada com atividades, como a canoagem ou mergulho”. O Instituto da Água delineou um cronograma de obras para a requalificação do espaço que consistia em dragagens no plano de água, construção de um posto de acostagem e estacionamento, e uma rampa de acesso. A intervenção far-se-ia ainda na reabilitação da vegetação natural, construção de caminhos pedonais, cicláveis e automóvel num investimento total de 4 milhões 540 mil euros repartidos por cinco anos. Esménio desconhece se caberia à autarquia à altura dos fatos dar seguimento a essas obras. Hélder Esménio refere que, neste momento, embarcações a motor não podem fazer uso do espelho de água, “restringindo, dessa forma, os possíveis públicos dos

desportos motorizados”. A Câmara “não pode fazer muito mais do que higienizar e limpar até porque os terrenos são na sua maioria de um privado”. A autarquia está a tentar criar no local rotas pedestres com o apoio da associação de regantes nas margens do rio,

onde também se situa o bar, bem como, “zelar pelas análises da qualidade da água”. Recentemente, a autarquia reuniu-se com a Agência Portuguesa do Ambiente, com consequente pedido à Saúde Pública para colheita de amostras na barragem,

até porque, ao longo dos anos, tem-se falado em explorações animais na zona que segundo o autarca “não estão na origem de algum foco de contaminação, que a existir estará mais relacionado com o uso de fertilizantes agrícolas nos campos da zona”.

Análises à qualidade da água foram pedidas


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Uma das avenidas principais da Lusolândia

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A Índia em destaque

Lusolândia Revisitada O projeto que há mais tempo teima em não sair do papel na região contado 26 anos depois. A Lusolândia é acima de tudo um teste de resistência por parte de quem a sonhou e que teima, ano após ano, em não a deixar cair. Nesta altura, foi pedido mais um prazo de prolongamento para o plano de pormenor. ¢ Sílvia Agostinho talvez um dos projetos turísticos mais antigos imaginados para a região. A ideia surgiu no final dos anos 80 por parte do em-

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presário António Domingos que queria fazer em duas quintas dos concelhos de Azambuja e Alenquer, num total de 125 hectares, um parque temático que homenageasse os descobrimentos portu-

gueses, orçado em 250 milhões de euros, com recurso a fundos próprios mas sobretudo a investidores pouco conhecidos. A Lusolândia daria emprego, à partida a 1900 pessoas e em 2012, o seu

mentor falava que a inauguração deveria acontecer em 2014 para coincidir com os 500 anos da chegada dos portugueses ao Japão. O empresário tem travado nos últimos 26 anos uma verdadeira

epopeia de resistência, mas não sabemos ainda se dobrou ou não o cabo das Tormentas. Ao Valor Local, o presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, relata que o empresário

voltou a estabelecer contactos nos últimos meses porque tem finalmente, e ao que tudo indica, em marcha a execução do plano de pormenor, que já deveria estar terminado em finais de 2012. “Veio à


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O Oriente que já foi português, igualmente contemplado Câmara pedir-nos uma declaração para efeitos de REN ou RAN para desafetação de terrenos e sobretudo para alargarmos o prazo para entrega da documentação”. O plano de pormenor está a ser composto por uma equipa de António Domingos e Luís de Sousa encontra-se a aguardar por novo contacto do empresário no sentido de mais um pequeno empurrão no projeto. O autarca reflete que a Lusolândia já parece “quase um ponto de honra para o empresário, que continua entusiasmado apesar da crise, e que diz ter parceiros para o ajudarem”. Já no caso do atual presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, este também remeteu à CCDR o pedido para prorrogação dos prazos para este projeto, mas até “à data pouco se sabe”. O autarca, ao contrário do seu colega, ainda não se encontrou com António Domingos, mas considera que “projetos destes para já são excessivos. Há um parque previsto para o Bombarral e a própria Eurodisney já conheceu melhores dias”.

Instado pelo Valor Local, António Domingos que recusou ser entrevistado pelo nosso jornal, acabou por dizer que “haverá algo para acontecer nos próximos tempos”, sem concretizar especificamente o quê. O empresário foi perentório – “Não posso nem devo adiantar o que quer que seja, porque às vezes quando falamos demais também perdemos mais e prefiro aguardar”. Quanto à famosa questão do investimento, diz que se encontra quase completo, mas adianta para futuras núpcias novas explicações. Um caso com muitas reviravoltas Joaquim Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja, que deixou o cargo em 2013, também se lembra do “cartel de financiamento” de que o empresário falava, depois de o projeto ter ficado parado durante vários anos por causa do aeroporto da Ota. Em 2012, o projeto de António Domingos conhece um novo fôlego

ao ganhar o estatuto de “Projeto de Interesse Nacional” (PIN) dado por parte do AICEP, deixando para trás um outro projeto semelhante, também um parque temático dos Descobrimentos, de um outro conjunto de empresários, denominado Discovery Park, desta feita na Ota, concelho de Alenquer. É também nesta altura que António Domingos apresenta a proposta de divisão do empreendimento e batalha por uma isenção do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT). O objetivo seria o de criar duas empresas, desanexar uma parcela de terreno e construir um hotel. Houve reuniões entre membros dos executivos e oposições dos dois concelhos, sendo que foi pedida uma caução de 600 mil euros ao empresário em troco da isenção, de modo a se evitar o caminho da especulação imobiliária, deixando dessa forma uma possível janela aberta para que o empresário pudesse vir a abandonar o projeto, e a encaixar verbas com a venda de terrenos.

Neumeyer, o criativo que desenhou a Lusolândia terra dos sonhos entre Azambuja e Alenquer idealizada por António Domingos teve como um dos seus criativos,Joseph Neumeyer ligado à Disneylândia, e que trabalhou no projeto ainda nos anos 80, cujas imagens reproduzimos neste trabalho. Este criativo que fez cenários em larga escala para o universo Disney e para a Universal Studios falou com o Valor Local sobre a sua experiência neste trabalho da Lusolândia. “Estava incumbido em tentar representar o melhor possível o que foram os descobrimentos portugueses, capturar, por assim dizer, a essência de Portugal muito ligada à sua história marítima. Foi um trabalho árduo que tive de realizar em pouco tempo e com pouco dinheiro, mas já foi há muitos anos e é difícil de nos lembrarmos de tudo, sei que o parque nunca foi construído”. Para além de Joseph Neumeyer, António Domingos tinha a trabalhar no seu projeto outras equipas nos Estados Unidos. “Queria-se algo do mesmo género da Disney, o cenário previa uma viagem de barco e a pé pelos vários territórios retratados. O meu trabalho foi o de tentar visualizar e conceptualizar tudo isto ao pormenor, porque o conceito geral estava concretizado”. Hoje em dia, Josph Neumeyer que esteve envolvido na conceptualização de vários parques temáticos pelo mundo fora, decidiu retirar-se dessa área e dedicar-se à apresentação de miniaturas para projetos, “devido ao fato de haver demasiada componente política associada a essas obras”. Já quanto à realidade dos parques temáticos no mundo, e quando se fala no declínio da Disney, opina que “são locais que continuam a fazer-nos sonhar”. “Lembro-me que fui à Disneylândia quando era miúdo e que paguei cinco dólares pela entrada e de ter ficado deslumbrado com o que vi”. A Lusolândia prevista para as quintas do Bunhal/Texuga (Azambuja) e Archino (Alenquer) promovia o reconhecimento das culturas e dos ambientes africanos, asiáticos e brasileiros com a chegada dos portugueses a esses territórios. Previa a construção de um hotel, restaurantes, piscinas, e seis áreas temáticas relacionadas com os territórios da lusofonia.

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Segundo apurámos, o empresário terá ameaçado com queixas nas Finanças, pois não seria obrigado a pagar qualquer caução, algo que não conseguimos confirmar junto do mesmo tendo em conta que não se mostrou disponível para uma entrevista. Luís de Sousa confirma que até à data não foi notificado. Sempre que este processo surge à tona, alguns dos principais inter-

venientes políticos concelhios de Azambuja pedem mais dados e a apresentação de um estudo de viabilidade, que nunca se viu até aos dias de hoje, cimentando a ideia de especulação imobiliária ainda mais. Agora que estará em marcha o plano de pormenor por parte do empresário, Daniel Claro, antigo deputado municipal que escreveu sobre a matéria, na altura, na imprensa local, ouvido pelo Va-

lor Local é perentório – “A mim nunca me quiseram mostrar o processo todo, sem a caução o empresário poderia com facilidade obter a isenção e depois vender o terreno para armazéns, sem ter de dar mais explicações”, refere e vai mais longe- “Não acredito que haja algum banco com capacidade para emprestar esse financiamento, se houvesse dinheiro para a Lusolândia o Passos Coelho e o

continua è


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12 Portas já andavam lá a marcar o terreno”, graceja, acrescentando também que o parque teria um custo de 250 milhões de euros mas apenas na fase inicial. “De facto, o empresário pediu essa isenção, algo que até não me repugnava muito, porque surgia para separar dois terrenos que já eram dele, e não fazia sentido que o homem pagasse IMT por isso mesmo”, diz, pelo contrário, Joaquim Ramos que atira críticas nesse episódio à oposição – “que nunca se interessou pelo projeto e que lutou contra o mesmo porque está na sua génese indignar-se com americanices”. Já no caso da coligação de centro direita na Câmara optou antes pela via do “puro oportunismo político”, “impondo essa dificuldade do IMT entre outras”. Muito negociados foram também os acessos ao parque temático que o empresário queria que fossem da responsabilidade das duas Câmaras que não aceitaram. Ra-

mos recorda-se que Domingos “reagiu mal”, “o que não quer dizer que não pudéssemos fazer pressão junto da Estradas de Portugal, mas sermos nós as câmaras a construir já seria um bocadinho excessivo”. “Achei pouco normal ele ter ficado tão irritado com a nossa decisão, embora perceba o seu sentimento face ao IMT”. Passados vários anos, Ramos opina que “o empresário sempre esteve interessado em fazer o parque, mas também apostar na parte imobiliária”. Quanto às fontes de financiamento “era sempre um pouco misterioso, mas falava do apoio de países lusófonos”. Ramos que segundo algumas vozes terá ido à Disneylândia com o empresário desmente categoricamente tal facto – “Fui apenas com a minha família e a minhas expensas”. O primeiro presidente de Câmara de Azambuja a conhecer o projeto quando este surgiu em finais da

década de 80 foi João Benavente que o achou “extraordinário” e que prometeu ao empresário e a um sócio americano do mesmo “fazer todas as diligências possíveis junto do Governo para que se concretizasse”. O antigo presidente da Câmara lembra-se que já na altura o investimento rondaria os valores de hoje, e que o empresário garantia que o conseguiria alcançar através de parceiros. Benavente recorda-se que um dos secretários de Estado do então Governo de Cavaco Silva, Licínio Cunha “foi um homem verdadeiramente interessado e que ajudou muito o projeto, mas tudo piorou quando este saiu e entrou o secretário de Estado Alfredo César Torres que foi presidente do Automóvel Clube de Portugal que para defender a sua dama desprezou a Lusolândia e apontou baterias para a construção de um autódromo em Braga”. “Houve uma mudança radical apesar de o Governo ser o mesmo.

António Domingos já na altura ficou estupefacto e desolado com o novo secretário de Estado”. Acácio Vasconcellos que foi engenheiro técnico na Câmara de Azambuja, até 2006, lidou de perto com o processo, ainda no tempo de João Benavente, enquanto presidente da autarquia, no final dos anos 80 e inícios de 90. “Era um projeto megalómano, e na minha opinião os investidores queriam investir, sobretudo, à custa do Estado e da Câmara Municipal, com acessos e várias infraestruturas envolventes”. “Andava no ar que as Câmaras é que tinham de intervir e só consegui ver da parte do empresário estudos prévios demasiado sumários. Em papel não havia muitos dados, talvez houvesse mais em conversas”, sublinha e enfatiza: “Parecia mais um desenho de um miúdo de escola”. No capítulo da propalada especulação imobiliária Vasconcellos é da opinião de que

Lusolândia prevista para esta área de Azambuja

Valor Local “muita gente se serviu disso, embora pudesse não ser essa a intenção”. Conhecida por muitos está a célebre ida de alguém, supostamente, mandatado pelo projeto que requereu as cartas cadastrais dos terrenos desde Aveiras de Cima a Azambuja na autarquia. “Hoje os terrenos valem muito menos do que valiam na altura, certamente alguém ganhou com isso, e outros perderam, essas circunstâncias também foram espoletadas com o aeroporto”, deixa no ar. Sobre a ausência de estudos mais profundos, sublinha que “os interessados fugiam dessa necessidade, e as coisas iam ficando no ar. Talvez andassem a tentar negociar mais apoios, nomeadamente o estudo de impacte”. Em contraponto, Joaquim Ramos defende o projeto salientando que o mesmo foi aprovado pela CCDR “que não aprova coisas pela rama”, tendo mesmo conseguido em 2012 a classificação de Núcleo de Desenvolvimento Económico de Turismo e Lazer (NDE-TL), e que embora não tendo apresentado planos de especialidade “tinha um plano de ocupação e exploração feito por técnicos da Disney”. Jorge Riso, que governou a Câmara de Alenquer entre 2009 e 2013 esteve na CDDR com o empresário aquando de mais uma luz verde governamental, mas “pouco mais há a contar de lá para cá”, embora acredite “nas boas intenções do promotor que já gastou muito dinheiro com tudo isto”, refere. Uma das figuras que lutou mais pela realização deste tipo de maisvalias para a região foi o antigo presidente da extinta Região de Turismo do Oeste, António Carneiro que sempre manteve um rela-

cionamento próximo com António Domingos, e com quem de vez em quando, diz, “almoçar ou tomar café”. “Trata-se de um empreendimento que tem todas as autorizações necessárias para arrancar, tem gente interessada em o financiar, mas temo que possa ainda não haver mercado suficiente e daí talvez estarmos todos a tentar esperar mais um pouco, porque não basta lá meter o dinheiro, temos de garantir cerca de três mil visitantes por dia e aproveitar a grande explosão turística que Lisboa está a registar”. Carneiro desabafa, ainda, sobre esta matéria – “Não tenho problemas em o dizer aqui publicamente – o empresário tem estado demasiado sozinho, este Governo em particular não lhe liga nenhuma, e quando não há um parque temático digno desse nome neste país. Quem disser o contrário está a mentir. Ainda, por cima, quando falamos dos Descobrimentos, que nem um museu temos sequer que conte a nossa história marítima. Aliás a grande embarcação que esteve em exposição na EXPO 98 está a apodrecer na Trafaria. É isto o que nós somos”. “A Lusolândia tem de ter um acompanhamento afetivo por parte do Governo e é natural que o empresário se sinta desacompanhado, quando já gastou mais do que devia no projeto e nos terrenos. Espero que o novo quadro comunitário e o secretário de Estado de Turismo olhe finalmente para o projeto”, refere e finaliza – “Ele teve muito azar com as medidas preventivas do aeroporto, e agora que já pode construir, o país entrou em crise e não há banco que empreste dinheiro, mas sei que tem bons contatos no estrangeiro”.

Discovery Park VS Lusolândia om o fim do imperativo das medidas restritivas ligadas à servidão aeronáutica do aeroporto da Ota que rumou ao concelho de Benavente abandonando o município de Alenquer, a Lusolândia ganhou uma nova vida depois de ter perdido outras tantas, mas um concorrente inesperado aparece no horizonte. Tratava-se do Discovery Park, projeto encabeçado pelo economista e gestor Paulo Carmona que consigo trazia um grupo de investidores dispostos a fazer na Ota um parque “ainda mais grandioso” que o da Lusolândia, num investimento de 500 milhões de euros, parte dessa verba em project finance, e igualmente dedicado aos descobrimentos portugueses. Ao Valor Local, Paulo Carmona lembra que o seu projeto “era uma coisa bem feita” mas que “infelizmente” não teve a melhor aceitação por parte da AICEP, à época liderada pelo atual presidente da Câmara de Sintra, Basí-

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lio Horta, por razões de reservas agrícola e ecológica e de montado de sobro. A proximidade geográfica dos dois complexos também não ajudou. Paulo Carmona refere que, a dada altura do processo, em 2009, aquela entidade do Estado decidiu “embirrar com a questão ambiental, nomeadamente, com os sobreiros existentes na zona, quando estamos a falar de meia dúzia de árvores”. “A má vontade e o bloqueio sistemático abrandaram o entusiasmo dos que estavam neste projeto”, entre os quais salienta “empresas de grande gabarito” para além do aval da Delloite no que à viabilidade financeira do projeto diz respeito. “Tudo isto se tornou mais difícil de entender quando o financiamento não era do Estado e hoje teríamos em Portugal um grande parque temático e muitos postos de trabalho”. “Infelizmente, a AICEP meteu-nos no mesmo saco de outros, e as pessoas ligadas a este projeto, que tinham

como é natural as suas vidas, acabaram por desistir”. Paulo Carmona confirma que nunca esteve em cima da mesa a possibilidade de uma agregação com o projeto da Lusolândia, sugerida por Basílio Horta, até porque “ a concorrência é saudável e se houvesse ali dois parques temáticos tal significaria mais oferta”. Tendo em conta que muitos defendem que, no momento atual de crise, seria pouco responsável pensar-se a sério num parque temático para a região, Carmona desconstrói essa teoria – “ Portugal pode estar em crise, mas Lisboa está atolada de turistas, se conseguíssemos desviar 10 por cento dessas pessoas para um parque a 20 minutos da capital com bons acessos, teríamos sucesso de certeza e faço aqui uma comparação: se há quem pague 20 euros para ir para uma discoteca, não me diga que não há gente que pague 40 euros para entrar num sítio espetacular e dar

‘cambalhotas’ o dia inteiro”. Basílio Horta, o homem que chegou a chumbar os dois projetos até ficar na corrida apenas a Lusolândia, considera que “houve problemas no projeto de Alenquer em questões de ordenamento do território. Os dois projetos foram analisados e nem todas as regras ambientais eram observadas”, mas “Portugal precisa de um grande parque temático, até como autarca procuro um investimento desse género para o meu concelho, porque faz falta ao país”, refere à nossa reportagem. Também o antigo presidente da Câmara de Alenquer, Álvaro Pedro tinha preferência pelo Discovery Park a implantar na Ota, apesar de também ter sido contatado por António Domingos mas refere que sempre acreditou mais na viabilidade do Discovery Park. “António Domingos era sempre muito evasivo, limitava-se a dizer que ia conseguir, mas nunca vi luz verde”, dá conta.

Paulo Carmona desistiu do Discovery Park


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Negócios com Valor

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Remax Vantagem/Carregado

Mário Simões aumenta a faturação em 48% ançou-se há cinco anos como agente imobiliário no muito disputado e concorrido mercado da compra e venda de casas. O cliente é cada vez mais exigente, e o difícil não é chegar ao topo mas manter-se nele. O agente Remax, Mário Simões, em entrevista fala do momento atual do mercado. Com o desemprego a diminuir em alguns grupos etários segundo o INE, acredita que tal vai refletir-se no mercado imobiliário? Sim, é verdade. Se o desemprego diminuir, reflete-se em toda a economia e o ramo imobiliário com toda a certeza também sentirá essa melhoria, até porque na hora de comprar casa tudo se torna muito mais facilitado e o nível de confiança também será outro. É verdade que está a registar-se uma subida de novo na venda de habitações? Sem dúvida que sim. Este tem sido um ano em que a confiança dos clientes na compra de imóveis aumentou bastante, para além de que comprar casas voltou a ser um negócio extremamente rentável, ou seja, para quem tem dinheiro parado, o investimento, neste momento, no mercado imobiliário é uma realidade bastante séria, com

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rentabilidades que podem ir dos 7 aos 10 por cento ao ano. E o arrendamento? O arrendamento sempre foi uma realidade, principalmente, para quem não pode comprar. Mas tendo em conta o momento atual do mercado, e num exercício de comparação, quase sempre fica mais barato comprar do que arrendar. De certa forma é possível fazer um balanço positivo do atual momento do mercado? Sim neste momento e falo pela realidade que conheço, o balanço deste 1º semestre de 2014 é bastante positivo. A marca “Remax” regista um crescimento fantástico. Nos primeiros seis meses deste ano atingi um crescimento a rondar os 48 por cento em relação a 2013, por isso o balanço até agora tem sido extremamente positivo. Uma das preocupações na hora de comprar casa é o financiamento. Como é que o agente imobiliário Mário Simões ajuda os clientes nesse ponto, isto tendo em conta que os bancos restringem cada vez mais os acessos aos empréstimos? Para podermos ajudar cada vez mais os clientes é necessária uma boa qualificação financeira. Não são os bancos que estão a em-

prestar menos, o nível de exigência para se ter acesso ao crédito é que aumentou muito. Enquanto comercial faço essa triagem e aconselhamento no momento em que sou contactado pelos clientes. Depois disso e se a compra for viável, encaminho os clientes compradores para a nossa área financeira. Na Max Finance e porque cada caso é um caso, os clientes são tratados de forma muito personalizada por um consultor financeiro que tentará encontrar a melhor solução para o seu caso. Somos uma equipa e o nosso único objetivo é que o cliente se sinta satisfeito. O Mário ficou em 8º Lugar no ranking de vendas da Remax em Junho. Tal deveu-se para além do seu trabalho, também à credibilidade que a Remax tem junto dos seus clientes? Na realidade tenho tido um ano fantástico, que se deve muito ao meu empenho profissional, mas também a uma marca que, neste momento, em Portugal tem uma força enorme. A Remax conseguiu durante estes anos ganhar uma enorme credibilidade junto das pessoas o que torna também o nosso trabalho um pouco mais fácil, mas como é lógico, neste mer-

Agente imobiliário trabalha na área há 5 anos cado, nem todos conseguem vencer e aliada à marca há que ter uma enorme capacidade de trabalho, muito espírito de sacrifício, empenho, mas acima de tudo perceber muito bem as necessidades dos nossos clientes, porque acima de tudo, este é um negócio de pessoas. Todavia este é um trabalho contínuo. Já no início do ano o Mário Simões também foi premiado pelo volume de faturação no ano passado? Como já disse anteriormente, este é um trabalho que requer muito empenho e profissionalismo. Difícil não é atingir o topo, difícil mesmo

é conseguir ano após ano mantermo-nos lá e melhorar constantemente. Desde o meu primeiro ano e até hoje, sempre fui agente premiado pela Remax Portugal. Mas isso deve-se para além do meu trabalho, a toda a estrutura da empresa que represento (Remax Vantagem), a todos os meus colegas e principalmente a todos os meus clientes que depois de bem servidos, voltam a referenciar-me a outras pessoas. Essa é sem dúvida a melhor publicidade que temos. Na hora do Mário Simões pegar num imóvel, o que lhe pedem mais frequentemente os seus

clientes? Na hora de vender ou comprar um imóvel, o cliente precisa acima de tudo de alguém que o ouça e perceba rapidamente as suas necessidades. Depois exigem-me profissionalismo, rigor e muita dedicação e nessa parte não facilito. Os meus clientes merecem o melhor de mim. Quem me conhece a nível profissional sabe o quanto me dedico a tentar ajudar e solucionar os problemas dos meus clientes. É certo que nem sempre conseguimos, mas ter a consciência de que tudo fizemos para conseguir é meio caminho andado para grandes conquistas.


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Maria Palha, voluntária pelo mundo

“Não consigo viajar sem os óculos sociais” aria Palha, natural de Vila Franca de Xira, há muito que é uma cidadã do mundo. Conhecida pelas missões internacionais de voluntariado, a psicóloga clinica partiu em 2005 para uma missão em Moçambique, e nunca mais parou. Tudo começou no início daquele ano, quando Maria Palha decidiu abdicar de um emprego seguro. Na altura trabalhava num departamento de recursos humanos, mas dizia-se descontente. O seu espírito de aventura levou-a para África, Moçambique. Maria Palha, atualmente com 32 anos, conta que a forma que usou para escolher o destino foi igualmente “aventureira”. Diz Maria Palha que rodou o globo terrestre e o seu dedo apontou para Moçambique, e foi esse o seu primeiro destino. A psicóloga clinica, agora, com consultório em Lisboa, lembra que as primeiras tentativas de aproximação ao hospital onde queria fazer voluntariado na área da saúde mental, não correram bem. Pelo telefone, Maria Palha ia tentando, mas do outro lado, havia sempre um “não”, todavia não desistiu. Maria Palha colocou a mochila às costas e partiu para Moçambique. De Moçambique, Maria Palha parte para o Zimbabué onde ficoumais um ano. Pelo meio Maria Palha fez mais uma paragem em Portugal, onde acaba por fazer alguns trabalhos de intervenção comunitária e social. Mas nem todas as missões são iguais. Cada uma tem marcado Maria Palha à sua maneira. Em Moçambique a médica refere que a forma resiliente como a população recebia as más notícias foi o que mais a impressionou. A médica salienta que a resiliência dos locais era impressionante, referindo que quando diziam a um popular que padecia de certa doença crónica, a

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Numa das missões onde esteve presente resposta era quase “invariavelmente sem reação de maior”. “Preferiam a partir daí, cuidar dos familiares em detrimento da sua própria condição de saúde.” Já no Zimbabué, a missão foi “mais pesada”. Maria Palha conta que a atuação dos Médicos Sem Fronteiras era mais direta e junto de uma população onde a incidência de HIV – Sida rondava os 60 por cento. “O índice de mortalidade era alto e trabalhouse um ano inteiro a tentar implementar um programa de saúde mental” e por isso Maria Palha refere que este desafio “era mais estratégico”, “e ao mesmo tempo mais emotivo, tendo em conta as muitas mortes registadas. Ao longo dos últimos anos, a

médica correu o mundo. África, Brasil, e a India foram apenas alguns dos destinos que em conjunto com a Líbia, marcaram a sua vida. Contudo, a médica não esquece a missão em que participou em 2011 quando um forte terramoto na fronteira da Turquia com o Irão causou um número muito significativo de vítimas. As más condições de alojamento e os constantes tremores de terra levaram a equipa a pernoitar em tendas por motivos de segurança. Com temperaturas de 20 graus negativos, “a gestão das necessidades básicas são mais complicadas”, refere, salientando, ainda assim, que cada missão tem a sua peculiaridade, e por isso “é difícil dizer qual foi a mais difícil, as dinâmicas são

muito diferentes entre si”. Sobre a Turquia, Maria Palha refere que essa foi a sua primeira missão em catástrofe natural. A médica salienta que após a Turquia, esteve na Líbia o que a leva a dizer em jeito de desabafo: “Prefiro os cenários de guerra, porque na guerra temos com quem negociar. Na natureza não conseguimos falar”. Já na sua missão na Líbia, o cenário de guerra e toda a envolvência foram completamente diferentes. O trabalho de Maria Palha foi com as mulheres e conta que tinha de se deslocar de casa em casa para falar do trabalho de desumanização da guerra. “Foi incrível porque foi o meu primeiro contacto com o Médio Oriente, e ter a oportuni-

dade de entrar nas suas casas e de as juntar em grupo e ver como geriam o sofrimento pelos seus homens, que estavam na linha da frente, foi realmente maravilhoso”. Já em Agosto do ano passado, Maria Palha teve uma nova missão, desta vez na Síria. A clínica teve como missão andar pela comunidade e falar no impacto da saúde mental “com o reencaminhamento dos locais, em termos de serviços médicos, para a estrutura que existia no terreno”. Segundo Maria Palha, foi uma missão importante porque estavam muito próximos da linha da frente. A médica tinha como objetivo deslocar-se às escolas onde estavam as pessoas desalojadas

vítimas da guerra. “Foi maravilhoso e intenso, o facto de ter sido bem recebida pela população, e de ter oportunidade de conseguir apaziguar alguns dos seus sofrimentos mais básicos”. Maria Palha explica que havia pessoas que não dormiam, há dois ou três meses “e com simples técnicas e mais informação sobre o que se estava a passar com os corpos de cada uma, conseguimos reduzir um bocadinho o seu sofrimento”. Ao fim de várias missões em várias partes do mundo, Maria Palha diz que é uma péssima turista. “Não consigo viajar sem os óculos sociais. Sem entrar na cultura desses países, e portanto acho que é uma das desvantagens do meu trabalho”.


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Desporto

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Grande Prémio de Tagarro regressa 16 anos depois ¢

Miguel A. Rodrigues

prova internacional de ciclismo 10 KM de Tagarro está de regresso àquela aldeia da freguesia de Alcoentre, no dia seis de setembro, iniciativa de um grupo de cidadãos ligados ao ciclismo e à aldeia. A prova que terminou há 16 anos, ainda, é bastante conhecida entre os praticantes de atletismo em Portugal e no estrangeiro. Segundo António Nobre, um dos rostos mais visíveis desta organização em declarações ao Valor Local, o regresso desta

A

iniciativa está particularmente relacionada “com a saudade e com a nostalgia” de todos os antigos elementos, “agora com as suas vidas profissionais já arrumadas”. António Nobre diz que, hoje, “há mais tempo para se fazerem as coisas”, e embora a aldeia tenha sofrido com o envelhecimento da população, há muitos, sobretudo jovens, que querem ajudar na organização da prova. Ao Valor Local, o antigo capitão da Força Aérea esclarece que a prova não foi além das dez edições, porque, assim, tinha fica-

do decidido entre a organização, afastando, por isso, qualquer cenário de conflito entre os membros e as diversas entidades conforme se chegou a especular na altura. Com efeito, a prova esteve no seu auge quando acabou. Nomes como Joaquim Leitão ou Albertina Dias chegaram a ser cabeças de cartaz da prova que atraia milhares de participantes e visitantes, que davam à aldeia de Tagarro um brilho diferente durante o dia da prova. António Nobre destaca, entretanto, que a organização tam-

bém beneficiou em muito do facto dele próprio ter sido vicepresidente da Federação Portuguesa de Atletismo. António Nobre vinca, entretanto, que a própria associação 10Km de Tagarro, criada para organizar o evento “nunca deixou de existir. Esteve sim “inativa” o que prova, segundo Nobre, que a intenção seria de um dia mais tarde “voltar a colocar na estrada a iniciativa.” Mas os tempos agora são outros e por isso, refere o responsável: “Não queremos fazer comparações. Não vamos ter,

nem pouco mais ou menos, 35 mil euros de orçamento”, vincando que a organização continuará nas mãos da associação e que os valores praticados são agora três a quatro vezes mais baixos do que na primeira “vida da prova”. E embora esta prova tenha sido sobejamente conhecida no panorama nacional e até internacional, António Nobre reconhece que o retomar do ritmo vai ser lento. A competição vai “recomeçar praticamente do zero, numa pequena aldeia, numa zona rural e desertificada”. Tra-

ta-se de revisitar “um percurso que só deu provas quando se chegou à quinta edição, na altura”. Quanto ao futuro, António Nobre garante que a prova não ficará apenas por uma única edição, e que será para continuar – “Seria interessante voltar a fazer um percurso de sucesso. Não sei se daqui a uns anos voltaremos a ter de novo uma grande prova internacional”, salientando que para já a organização quer apenas retomar o evento “com o peso da tradição que ele tem”.

Tempos áureos da prova nos anos 90

Protocolo com o Grupo Desportivo Marinhais no alvo da polémica protocolo assinado entre a Câmara de Salvaterra, pela anterior presidente do município, e o Grupo Desportivo de Marinhais (GDM) nunca foi a Assembleia Municipal sendo por isso nulo. O assunto gerou controvérsia numa das últimas reuniões de Câmara e o assunto será encaminhado agora para Assembleia Municipal com o rasgar do anterior protocolo e a execução de um novo, conforme aconselha parecer jurídico emi-

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tido por gabinete de advogados. O rasgar do protocolo que está no alvo da discórdia (o qual não tem valor legal), de acordo com Luís Gomes, do Bloco de Esquerda, força política que governou a Câmara à época dos factos, pode “significar o comprometimento dos interesses do GDM porquanto significa prescindir do seu campo de futebol”, até que seja feito um novo protocolo cuja aprovação pode demorar “dois a três anos”. O vice-

presidente do município, João Benavente, respondeu que “um novo protocolo não levará assim tanto tempo a ser feito”. Por outro lado, o vereador do PSD, Francisco Naia vincou que outros clubes do concelho têm dificuldades em “usar o campo”, tendo em conta que o protocolo privilegia o GDM. João Caniço, da CDU, quis saber por seu turno se os custos associados à infraestrutura são suportados na íntegra pelo GDM e quais as ra-

zões para a aparente falta de boa vontade da coletividade para com as congéneres concelhias que se têm queixado de não poderem usar a infraestrutura na sua plenitude, de que o exemplo do não acesso à enfermaria recentemente por parte do Grupo Desportivo Salvaterrense é apenas um dos episódios. O presidente do GDM, Carlos Silva, falou no final da reunião de Câmara e vincou que “a ne-

cessidade de um novo protocolo é uma questão menor quando o campo está em terrenos privados da família Tavares de Almeida”, facto que “ainda não foi resolvido”. Quanto à necessidade de um novo protocolo adiantou que muito rapidamente se esboça um novo documento, e ironicamente até mostrou disponibilidade “para voltar para o velhinho campo do Marinhais e ceder o novo às outras coletividades”.


Opinião

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Valor Local

Despautério nicio esta modesta nota por um esclarecimento. Tenho o maior respeito e amizade pessoal pelo Presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sousa, considero-me amigo de muitos dos atuais e ex autarcas de Azambuja e por todos tenho maior respeito pessoal. Tenho, de muitos, recebido sinal de amizade e, de todos, sempre respeito. Não tenho inimigos políticos, apenas adversários, que quando necessário critico de acordo com as minhas ideias, os meus ideais e os da força autárquica com que me identifico, no caso do Concelho de Azambuja, a Coligação PELO FUTURO DA NOSSA TERRA, que reúne muitos cidadãos independentes e integra partidos como o PSD, o CDS e o Partido da Terra. Feito este esclarecimento vamos aos factos. DESPAUTÉRIO (escrito em maiúsculas porque grito de indignação). Despautério significa segundo o dicionário Priberam “grande disparate”. Na realidade é o que se tem passado, e o que se passou, quanto

António Godinho Deputado Municipal

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à gestão dos dinheiros da autarquia, da responsabilidade do Partido Socialista, no período em que Luís de Sousa foi Vice-Presidente e agora presidente da Câmara.

Recebi há alguns dias o relatório da Inspeção-geral de Finanças (IGF) referente a “Controlo do endividamento e da situação financeira da administração municipal autárquica, Município de

Azambuja” relativo ao ano de 2012. Neste documento lê-se, logo no início, “A presente auditoria evidenciou que o Município de Azambuja violou os limites especiais de endividamento líquidos e de empréstimos de médio/longo prazo de 2012”, lê-se mais “O elevado empolamento orçamental apurado refletiu-se numa execução orçamental desequilibrada que permitiu a assunção de despesas para cujo pagamento o Município de Azambuja não tinha efetiva capacidade financeira”. Algumas decisões tomadas ao longo dos últimos anos pela maioria socialista só poderiam levar à criação de situações como a que descreve o relatório da IGF. A construção da praça de touros em detrimento das piscinas cujo interesse social é claramente indiscutível é disso exemplo. Mais grave ainda o negócio das águas em que os munícipes de Azambuja pagam das faturas mais elevadas de Portugal, por via do preço da água e do saneamento.

As negociações em curso com a Águas de Azambuja apontam para agravamentos elevadíssimos e incomportáveis numa situação de crise como a que vivemos e em que as famílias veem as receitas a decrescer e as despesas sempre a aumentar. A forma como o executivo camarário e o Presidente da Câmara têm conduzido as negociações só poderiam conduzir a este resultado conforme se depreende dos comentários da ERSAR, Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos. Escuso-me de maçar o leitor com citações desse parecer que foi amplamente discutido e divulgado em Assembleia Municipal e está disponível no site da internet da câmara. Ainda é possível inverter este caminho e apresentar soluções que não põem em causa a saúde financeira da Águas de Azambuja e evitam os aumentos brutais que se avizinham. Luís de Sousa e a maioria socialista que governa a câmara não souberam interpretar os resultados eleitorais que apontavam

claramente para um entendimento com as forças da oposição. Não aquilo que foi feito, pescar um vereador mais vulnerável da oposição. Seria necessário um acordo estável entre forças políticas, negociado com tempo, de forma clara e definindo objetivos e compromissos que servissem a todos. Ainda há tempo para arrepiar caminho e procurar soluções estáveis na câmara e assembleia municipal, assim se deseje. Ainda é possível servir bem os cidadãos de azambuja e preparar um futuro melhor com uma câmara orçamentalmente equilibrada. Na Coligação PELO FUTURO DA NOSSA TERRA sabemos como e estamos disponíveis para partilhar e discutir soluções. Mas não estamos disponíveis para servir de bengala a um poder socialista que perdeu o norte, não prepara caminhos de futuro corretos e não tem capacidade técnica e política para afirmar no Concelho de Azambuja um modelo de desenvolvimento económico e social sustentado e sustentável.


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Economia

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Novo QREN

Menos burocracia, Mais Exigência de Resultados ¢

Sílvia Agostinho

stá aí mais um Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2014-20120, e as candidaturas das entidades inseridas na área geográfica da Lezíria do Tejo têm como interlocutor o INALENTEJO, com sede em Évora, que gere a atribuição dos fundos comunitários aos concelhos inseridos na NUT III, ou seja em áreas de baixa densidade e de menor desenvolvimento. Segundo António Costa Dieb, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA) e da Comissão Diretiva do INALENTEJO, a aposta forte será então nos denominados territórios de baixa densidade, sendo que “o objetivo será o de combater a perda de desenvolvimento económico e social destes territórios, invertendo um processo de décadas”. “A aposta tem de ser feita, não com base em infraestruturas e equipamentos, mas com base no crescimento económico, na criação de emprego, para possibilitar a fixação das pessoas e incentivar a dinâmica das comunidades”, refere. Em declarações recentes, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, aquando da realização do “Roteiro pelos Territórios de Baixa Densi-

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dade no Alentejo”, em Maio, salientou que importa apostar no “reforço da competitividade”, ao “relacionar o turismo com produtos tradicionais, juntando-lhe valor – design, inovação, comercialização - e criando o círculo virtuoso entre essas várias áreas de negócio”, o que permitirá “inverter um problema de décadas com perda de competitividade económica e de população, um problema transver-

sal aos vários concelhos desta região”. No “Portugal 2020”, para o período 2014-2020, as intervenções vão centrar-se em áreas prioritárias, tais como: a promoção do empreendedorismo e da inovação empresarial; o incentivo à transferência de conhecimentos de I&D entre os sectores académico e empresarial; o aumento da competitividade económica, através do

aumento da produção de bens e serviços comercializáveis; o combate ao desemprego, nomeadamente entre os jovens, melhorando a qualidade da educação e da formação; o alargamento das qualificações e competências; a redução da pobreza, através do melhor acesso a serviços da economia social; o apoio à transição para uma economia eficiente em termos de recursos, eficiência ener-

António Costa Dieb dá a conhecer principais linhas do novo QREN

gética e gestão dos recursos naturais; e o contributo para a modernização da administração pública. Regras mais apertadas para os projetos António Costa Dieb reforça, por outro lado, que o processo burocrático no que respeita às candidaturas será mais simplificado, mas por outro lado cresce a responsabilidade e aumenta o grau de exigência quanto à atribuição dos fundo – “O modelo de governação dos fundos, já aprovado em conselho de ministros, prevê um aumento em matéria de transparência e de seletividade dos apoios”, “uma aposta forte na simplificação para facilitar as candidaturas a apresentar pelos beneficiários”, as quais serão feitas no “Portal Portugal 2020”, um balcão único que vai constituir o ponto de acesso aos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) para todas as entidades que se pretendam candidatar a financiamento destes fundos. “E sim, há uma clara mudança de orientação do investimento em infraestruturas para o investimento privado e empresarial, o cumprimento de prazos, o cumprimento de objetivos e de responsabilização. Vai verificar-se um aumento da simplificação, em paralelo com

Sugal investe 20 milhões de euros A

Sugal, com sede em Azambuja e que é atualmente a maior produtora portuguesa de concentrado de tomate, prepara-se para investir cerca de 20 milhões de euros só este ano. Segundo apurámos, a empresa vai aplicar 8 milhões nas duas fábricas que tem em Portugal, nomeadamente em Benavente e Azambuja. A outra fatia de cerca de 12 milhões será canalizada para as duas fábricas no Chile e em Espanha. Em declarações ao Valor Local, o diretor da empresa Jorge Ortigão, confirma o investimento. Parte do investimento em Portugal será aplicado na aquisição de produtos de maior valor acrescentado, que necessitam de outro tipo de tecnologia, como o tomate em cubos que serve, por exemplo, de base para molhos e pizas. Pretende-se adquirir mais tomate fresco, sendo que nesta altura já estão contratadas cerca de 600 mil toneladas, mais 30% do que em 2013, o que vai levar também à contratação de 40 pessoas para

reforçar a apanha de tomate. De acordo com Jorge Ortigão ao nosso jornal, no ano passado as duas empresas do grupo divididas entre Benavente e Azambuja, trataram cerca de 450 mil toneladas de tomate fresco, e este foi “um número recorde”. Ora este ano, a empresa prepara-se para superar esse número, isto tendo em conta o inverno chuvoso e a boa produção de tomate originada nos campos ribatejanos. Este investimento é uma boa notícia para o município de Azambuja. Silvino Lúcio, vice-presidente da Câmara, destaca a importância desta “que foi das primeiras fábricas do concelho” e que tem sobrevivido à saída de outras, como foram os casos da Ford Lusitânia e da Opel. O autarca elogia a “criação de emprego, seja na época de verão, no dito trabalho sazonal, durante a apanha do tomate, seja durante o ano com os postos de trabalho fixos”, “sobretudo numa altura em que o desemprego atinge mais população”.

Unidade de Azambuja onde será acelerado o investimento

um aumento da seletividade dos investimentos a apoiar, na fase de concurso”, descreve como será daqui para a frente esta realidade dos fundos comunitários. António Costa Dieb fornece alguns exemplos: “No Programa Operacional Regional do Alentejo 2014-2020, não nos vamos limitar a aprovar os projetos e a comprovar que os mesmos foram executados, seja uma unidade industrial ou turística, ou simplesmente a aquisição de equipamentos para renovar essas unidades, seja um equipamento de apoio social ou cultural, um projeto de investigação ou um projeto de captação de investimentos e/ou de promoção externa, seja um projeto de eficiência energética ou de reorganização de serviços; com a assinatura do contrato de financiamento vamos exigir aos beneficiários o compromisso de obtenção de resultados, aumento da produção, da faturação, das exportações, ou da criação de postos de trabalho, entre outras possibilidades. O recebimento dos fundos comunitários vai depender da obtenção dos resultados e o seu não cumprimento implica penalizações. “Pretende-se obter resultados credíveis que contribuam para o aumento da competitividade das empresas e o crescimento económico da região.”


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Terra Velhinha José Salvaterra e sua esposa

Publicada por Joaquim Carvalho, 02/03/14 Segundo Joaquim Carvalho “O meu primo José Salvaterra e a mulher quando era maioral na casa Lima Monteiro e responsável pelo enjaulador nos arneiros.” Segundo Fátima Regateiro “Espectacular. Para os grupos de folclore da região esta foto e outras do género podem ser uma mais valia.” Segundo Miguel Ouro “Tal e qual anos 30/40.” Segundo Cristina Rito “Que fotografia fabulosa.” Segundo Maria Ferreira “Muito bem..””

Instantâneos Notícias com História Retratos …e o Tejo é sempre novo… da Nossa Terra O

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ublicou a Gazeta de Lisboa em 1826, a notícia do arrendamento da embarcação que fazia a ligação entre Valada e Palhota, deixando antever que em princípios do século XIX o Tejo era uma via fluvial cheio de vida, fazendo o transporte local de pessoas e bens.

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TUA – Transporte Urbano de Azambuja criado em 2005 para servir os habitantes da vila de Azambuja, terminou um ano depois devido à falta de rentabilidade. A julgar pelo silvado… há muito que ninguém usa esta paragem. No local, apenas alguns caracóis aguardam por transporte dos Casais de Baixo para o “Canha – O rei dos Caracóis” em Azambuja. Pena que não tivessem lido os jornais, pois assim já não fariam fila para apanhar o autocarro….

Imagens com História D

Maria Adelaide…

Publicada por Isabel Silva, 16/03/14 Segundo Isabel Silva “Foto tirada no beco que fica em frente da farmácia Dias da Silva foi tirada em 1965 nela estão a minha mãe Maria Adelaide a minha tia Guilhermina, o meu tio António Luís serra e a minha avó Seta,” Segundo António Pereira “É mesmo agradável ver estas fotos, terra velhinha tem também esta função recordar-mos e matar-mos saudades.”

. Maria da Assunção Ferreira, filha da célebre D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha da Régua, casada com o 3.º conde de Azambuja, nesta inédita fotografia com D. Nuno de Mendonça, 4.º conde de Azambuja, ao colo. D. Maria da Assunção Ferreira e o conde de Azambuja receberam a Quinta de Vale de Fornos como dote de casamento, oferta de D. Antónia Ferreira, que a transformou na Quinta vitivinícola que hoje conhecemos. Esta foto-documento deve ser de 1861, pois D. Nuno de Mendonça Rolim de Moura Barreto nasceu a 20 de Janeiro desse ano. Como curiosidade, foi o primeiro filho de D. Augusto Pedro de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 3.º conde de Azambuja e de D. Maria da Assunção Ferreira, de um total de 4 filhos e 8 filhas que tiveram enquanto foram casados. Por José Machado Pereira

arece que até em Azambuja, o nome Espírito Santo caiu em desgraça. Já é sabido que a agência Modd’ys colocou o banco ao nível lixo, mas aqui em Azambuja essa designação assume um sentido literal, como se pode ver na foto.

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Correção: Banda Filarmónica Anos 20

Publicada por António Joaquim Félix, 08/04/14 Segundo António Joaquim Félix “ Foto tirada na primeira metade dos anos 20 do século passado. Na foto pessoas da família e da idade de meu pai: Alfredo Félix, António Félix, Carlos Catarino (Filó), José Rocha, Lourenço Cunha e Henrique Silva (Ferrador) são alguns deles.” Segundo Adriano Ouro “Relíquia da minha terra.” Segundo Jorge Santos “Quer dizer que o meu avô, Martinho dos Santos (padeiro/columbófilo/músico...), deve estar algures nesta foto. Nasceu em 1915 e entrou para a banda, ao que sei, aos 11 anos. Se estivesse entre nós, faria 99 anos.”

o texto com o título “O Muro da discórdia” na edição de Julho do Valor Local, erradamente fizemos menção ao nome do munícipe Manuel Teófilo como estando ligado ao protesto contra uma obra particular que, alegadamente, estará em curso e que tem sido alvo de polémica. No entanto, o mesmo manifestou algumas reservas quanto a uma obra naquela localidade mas no passado, sendo que nenhuma das frases citadas pelo mesmo no trabalho em apreço dizem respeito à mais recente polémica. Desde já as nossas desculpas.

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Ficha técnica:

Valor Local, Jornal de informação regional, sede de redacção e administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja; telefones: 263 047 625, 96 197 13 23 correio electrónico: valorlocal@gmail.com; Site: www.valorlocal.pt • Propriedade e Editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 • correio electrónico: adm.valorlocal@gmail.com • Director: Miguel António Rodrigues CP 3351 miguelrodrigues@valorlocal.pt • Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198 silvia.agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Miguel Ouro, Nuno Vicente, Augusto Moita; • Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt • Fotografia: José Júlio Cachado • Serviços Administrativos e Departamento Comercial: Ana Reis, Rui Ramos telefones: 263 047 625, 96 049 10 83 correio electrónico: vendas.valorlocal@gmail.com • N.º de Registo ERC: 126362, Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga • Tiragem: 4000 exemplares

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Jornal Valor Local Edição Agosto 2014  

Jornal Regional

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