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ACISMA

Valor Local

Jornal Valor Local • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 4 • 23 Agosto 2013 • Preço 1 cêntimo

A10: Estrada deserta Págs. 8, 9, 10 e 11

Entrevistas com candidatos das coligações de centro direita de Alenquer e de Azambuja Págs. 4 e 5

Associação de Diabéticos de Alenquer apoia doentes Pág. 13


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Informação ao empresário ASAE - Autoridade de Segurança Alimentar e Económica alterou a sua sede para a seguinte morada: Rua Rodrigo da Fonseca, nº 73 1269-274 LISBOA Assim, toda a correspondência deverá ser encaminhada para o novo endereço mantendo-se os contactos para as Unidades Re-

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gionais inalterados. Aproveitamos ainda para informar que deverá ser alterada a morada a constar no letreiro relativo ao Livro de Reclamações (de 15 de Setembro alterado pelo de 6 de Novembro) em que a ASAE seja a entidade competente para receber e analisar as referidas reclamações.

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Agenda Fiscal para Setembro 2013 Até ao dia 02 IUC Liquidação, por transmissão eletrónica de dados, e pagamento do Imposto Único de Circulação (IUC), relativo a: - Veículos cujo aniversário da matrícula ocorra no mês anterior; As pessoas singulares poderão solicitar a liquidação em qualquer Serviço de Finanças Até ao dia 10 IRS Entrega da Declaração Mensal de Remunerações, por transmissão eletrónica de dados, pelas entidades devedoras de rendimentos do trabalho dependente sujeitos a IRS, ainda que dele isentos, bem como os que se encontrem excluídos de tributação, nos termos dos artigos 2.º e 12.º do Código do IRS, para comunicação daqueles rendimentos e respetivas retenções de imposto, das deduções efetuadas relativamente a contribuições obrigatórias para regimes de proteção social e subsistemas legais de saúde e a quotizações sindicais, relativas ao mês anterior. IVA Envio da Declaração Periódica, por transmissão eletrónica de dados, acompanhada dos anexos que se mostrem devidos, pelos contribuintes do regime normal mensal, relativa às operações efetuadas em julho. Pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), a efetuar nos balcões dos serviços de finanças ou dos CTT ou ainda (para importâncias não superiores a € 100 000,00), através do multibanco, correspondente ao imposto apurado na declaração respeitante a julho, pelos sujeitos passivos abrangidos pela periodicidade mensal do regime normal. Até ao dia 16 IMT Os notários e outros funcionários ou entidades que desempenhem funções notariais, bem como as entidades e profissionais com competência para autenticar documentos particulares que titulem atos ou contratos sujeitos a registo predial, devem submeter, até ao dia 15 de cada mês, à Autoridade Tributária e Aduaneira, os seguintes elementos: a) Em suporte eletrónico (Modelo11), uma relação dos atos ou contratos sujeitos a IMT, ou dele isentos, efetuados no mês antecedente, contendo, relativamente a cada um desses atos, o número, data e importância dos documentos de cobrança ou os motivos da isenção, nomes dos contratantes, artigos matriciais e respetivas freguesias, ou menção dos prédios omissos; b) Cópia das procurações que confiram poderes de alienação de bens imóveis em que por renúncia ao direito de revogação ou cláusula de natureza semelhante o representado deixe de poder revogar a procuração, bem como dos respetivos substabelecimentos, referentes ao mês anterior; c) Cópia das escrituras ou documentos particulares autenticados de divisões de coisa comum e de partilhas de que façam parte bens imóveis. IRS Entrega da Declaração Modelo 11, por transmissão eletrónica de dados, pelos Notários e outros funcionários ou entidades que desempenhem funções notariais, bem como as entidades ou profissionais com competência para autenticar documentos particulares que titulem atos ou contratos sujeitos a registo predial, ou que intervenham em operações previstas nas alíneas b), f) e g do n.º 1 do artigo 10.º, das relações dos atos praticados no mês anterior, suscetíveis de produzir rendimentos. Até ao dia 20 IRC Entrega das importâncias retidas, no mês anterior, para efeitos de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC). SELO Entrega das importâncias retidas, no mês anterior, para efeitos de Imposto do Selo. IRS Segundo pagamento por conta do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) de titulares de rendimentos da categoria B. Entrega das importâncias retidas, no mês anterior, para efeitos de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS). IVA Entrega da Declaração Recapitulativa por transmissão eletrónica de dados, pelos sujeitos passivos do regime normal mensal que tenham efetuado transmissões intracomunitárias de bens e/ou prestações de serviços noutros Estados Membros, no mês anterior, quando tais operações sejam aí localizadas nos termos do art.º 6.º do CIVA, e para os sujeitos passivos do regime normal trimestral quando o total das transmissões intracomunitárias de bens a incluir na declaração tenha no trimestre em curso (ou em qualquer mês do trimestre) excedido o montante de € 50.000. Entrega da Declaração Recapitulativa por transmissão eletrónica de dados, pelos sujeitos passivos isentos ao abrigo do art.º 53.º que tenham efetuado prestações de serviços noutros Estados Membros, no mês anterior, quando tais operações sejam aí localizadas nos termos do art.º 6.º do CIVA. Até ao dia 25 IVA Comunicação por transmissão eletrónica de dados dos elementos das faturas emitidas no mês anterior pelas pessoas singulares ou coletivas que tenham sede, estabelecimento, estável ou domicílio fiscal em território português e que aqui pratiquem operações sujeitas a IVA. Até ao dia 30 IRC Segundo pagamento por conta do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) devido por entidades residentes que exercem, a título principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e por não residentes com estabelecimento estável. Derrama estadual Segundo pagamento adicional por conta da derrama estadual devido por entidades residentes que exercem, a título principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e por não residentes com estabelecimento estável que tenham no exercício anterior um lucro tributável superior a € 1 500 000. IUC Liquidação, por transmissão eletrónica de dados, e pagamento do Imposto Único de Circulação (IUC), relativo aos veículos cujo aniversário da matrícula ocorra no presente mês. As pessoas singulares poderão solicitar a liquidação em qualquer Serviço de Finanças. IVA Entrega, por transmissão eletrónica de dados, do pedido de restituição IVA pelos sujeitos passivos cujo imposto suportado, no ano civil anterior ou no próprio ano, noutro Estado Membro ou país terceiro (neste caso em suporte de papel), quando o montante a reembolsar for superior a € 400 e respeitante a um período de três meses consecutivos ou, se período inferior, desde que termine em 31 de dezembro do ano civil imediatamente anterior e o valor não seja inferior a € 50, tal como refere o Decreto-Lei n.º 186/2009 de 12 de agosto. Entrega, por transmissão eletrónica de dados, do pedido de restituição IVA pelos sujeitos passivos cujo imposto suportado, no ano civil anterior, noutro Estado Membro ou país terceiro (neste caso em suporte de papel), desde que o montante a reembolsar seja igual ou superior a € 50, tal como refere o Decreto-Lei n.º 186/2009 de 12 de agosto. NOTAS: Os valores monetários expressos nas guias ou declarações devem ser indicados em euros. Não foram considerados os feriados municipais. As informações constantes deste documento são passíveis de ser alteradas, nomeadamente nos prazos, por força de legis-

Ficha técnica: Valor Local, Jornal de informação regional, sede de redacção e administração: Quinta da Mina

2050-273 Azambuja; telefones: 263 418263; 96197 13 23 correio electrónico: valorlocal@gmail.com; Site: www.valorlocal.pt.vu • Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 • correio electrónico: adm.valorlocal@gmail.com • Director: Miguel António Rodrigues CP 3351 • Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Miguel Ouro, Nuno Vicente • Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: valorlocal@gmail.com • Fotografia: José Júlio Cachado • Serviços administrativos e publicidade: Sandra Seabra, António Pires telefone 96 26 96 007, Carlos Pinto telefone 96 44 70 639 correio electrónico: valorlocal.comercial@gmail.com • N.º de Registo ERC: 126362, Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga • Tiragem: 4000 exemplares


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Nuno Coelho promete via verde para a fixação de empresas Nuno Coelho vai tentar a presidência da Câmara de Alenquer pela terceira vez. Em 2009, a vitória fugiu-lhe por poucos votos e por isso enfrenta agora o derradeiro teste. Muito crítico da gestão do PS, promete um olhar atento às áreas do investimento económico com a criação de condições para a fixação de novas empresas. Valor Local – Caso venha a ser eleito a 29 de Setembro, quais vão ser as suas medidas no que concerne ao preço da água no concelho de Alenquer, tendo em conta que a generalidade dos munícipes se queixa de receber elevadas facturas? Nuno Coelho – O custo da água só pode baixar quando terminar o contrato de exclusividade com a Águas do Oeste, empresa da qual o concelho de Alenquer também é associado. O Governo tem de rever os pressupostos de venda de água aos municípios. Esta é uma questão que não pode ser respondida de ânimo leve. A EPAL vende a água à Águas do Oeste (AO) a 19 cêntimos o m3, e esta por sua vez revende o bem à Águas de Alenquer a cerca de 56 cêntimos o m3. Só é possível descer o preço se não houver intermediários na sua venda. Por outro lado, aguardamos a uniformização do preço da água. Mas no que diz respeito à possibilidade de uma intervenção sua directa na Águas de Alenquer, tendo em conta que houve um reequilíbrio financeiro do contratualizado, em 2011, o que podemos esperar, ou vai ficar à espera que algo seja feito pela estrutura Águas do Oeste? A Águas de Alenquer tem de comprar obrigatoriamente à Águas do Oeste, de acordo com um pressuposto da autarquia, no caderno de encargos. Portanto, a Câmara de Alenquer tem de renegociar junto da Águas do Oeste, e é isso que vamos procurar fazer em colaboração com outros concelhos, até porque detemos 49 por cento do capital da AO. Uma das questões mais polémicas no município, prende-se com o facto de a Câmara ter feito obra em terrenos que não chegou a comprar, e com isso sofreu por parte dos proprietários algumas queixas em tribunal, com processos a decorrer, nomeadamente, no que diz respeito à aquisição do terreno para o pavilhão municipal; centro escolar das Paredes e o parque de estacionamento da Barrada. Tenho alertado para essas questões não só neste mandato como no anterior. A Câmara protocolizou com os proprietários a aquisição desses terrenos, com a possibilidade de expansão das áreas onde os mesmos se inseriam, mediante al-

teração do PDM. Votei contra, na altura, o contrato para o pavilhão municipal, porque entendi que a adenda que criava uma cláusula indemnizatória ao proprietário não seria viável para a Câmara, e venho a ter razão, porque, neste momento, a autarquia está a negociar com o proprietário pelo não cumprimento dos pressupostos aceites inicialmente. Por isso quando se fala de dívida da Câmara, também temos de falar das cláusulas indemnizatórias aos proprietários. Estamos a fala de uma cláusula que compreende que valor? A cláusula do pavilhão municipal ronda os 2,5 milhões de euros. A Câmara acertou com o proprietário o pagamento em quatro anos de um milhão de euros, mas as coisas não podem ser feitas desta maneira. Quando levamos a cabo um investimento, temos de saber como o vamos fazer e pagar. Esta questão tem sido mal planeada. A Câmara deveria quanto muito ter chamado o proprietário quando o protocolo estava próximo do seu término, e renegociado de outra forma. O que está a acontecer é que um conjunto de proprietários de terrenos onde foram feitas obras, e posso falar também do parque de pesados do Carregado e do centro de saúde de Alenquer, estão a pedir os valores negociados nas cláusulas. Tendo em conta que estamos a falar aqui de um conjunto de aproximadamente 5 obras, todas nestas condições, a Câmara terá para pagar aos proprietários um valor a rondar os 10 milhões de euros. Creio que estamos a falar de algo aproximado, sim! Estamos a falar de uma forma lesiva de gestão do Partido Socialista. O candidato da CDU, Carlos Areal, diz que é por causa destas questões que Jorge Riso não se recandidata. Se é por causa dessas questões, então chega quatro anos atrasado, porque entre 2005 e 2009 já se andava a falar disto. Em 2007, votei contra a questão do pavilhão municipal. Estes assuntos apenas se resolvem, falando com as pessoas, e não colocando os protocolos na gaveta, numa lógica de quanto menos se falar deles melhor, e outros que resolvam, um dia. Quais são as suas ideias para o incremento económico do concelho, nomeadamente, a fixação

de novas empresas? Essa deverá ser uma das nossas prioridades. Estamos numa boa localização geograficamente, com boas acessibilidades, temos de ter capacidade de agilizar procedimentos e ouvir os empresários. E baixar os impostos municipais sobre as empresas? Por proposta da Coligação Pela Nossa Terra, o IMI já não está no patamar máximo, para 2014, pois será de 0,4; quando o máximo é 0,5. No que se refere à derrama, e por proposta da Coligação, a Câmara aprovou uma isenção para as empresas com um volume de negócios até 150 mil euros por ano, numa lógica de apoio aos pequenos e médios empresários. Mas isto não é suficiente, temos de

queriam implementar. Pedimos para que fosse feito um cálculo sobre o que a empresa poderia vir a pagar em termos de taxas municipais, para se calcular em quanto é que a autarquia podia comparticipar o pretendido pela empresa nas acessibilidades. Chegámos à conclusão de que valia a pena, aprovámos a comparticipação, em bom tempo. É neste sentido de proactividade que temos de trabalhar, e facilitar as adequadas vias verdes a quem se quer instalar no nosso concelho. No que se refere à Chemina, tem algo em mente? Foi sugerido e apresentado projecto para clínica geriátrica, centro de idosos e zona comercial. Foi lançado o concurso, e seleccionado o

ter atenção também à manutenção das empresas que já se encontram aqui. Conseguirmos um PDM que vá de encontro às necessidades. Também podemos fornecer ferramentas de aconselhamento aos pequenos empresários. Durante este mandato, analisámos um pedido de uma empresa inglesa para investimento na área automóvel na freguesia da Ota. Compraram o terreno, e numa sessão de Câmara, fomos confrontados com a presença dos investidores, a perguntarem se já havia ou não uma resposta da autarquia, pois estavam à espera há dois meses. Isto é tudo o que não pode acontecer. Tratava-se de um investimento de 50 milhões de euros, com zona hoteleira e comercial, bem como um conjunto de pistas. A Câmara estava indiferente a esse investimento? Estavam à espera há dois meses, e queriam que a Câmara comparticipasse o acesso ao local onde se

concorrente que apresentou as garantias bancárias, que nunca foi chamado pela autarquia para assinar o protocolo. Passou o tempo limite para estas coisas, e o concorrente desistiu. Este é mais um exemplo da gestão danosa da autarquia que alegou que o concorrente evocou motivos relacionados com a economia do país, mas a Câmara não tinha que se preocupar com isso, porque foram apresentadas as garantias bancárias na altura do concurso, e consequentemente as cláusulas indemnizatórias constantes do caderno de encargos, mas como o protocolo nunca foi assinado, nada foi feito. Não é que a cláusula indemnizatória servisse para recuperar o edifício, mas as verbas da mesma poderiam resultar no reforço da segurança do mesmo, por exemplo. Temos de encontrar uma forma de o recuperar, através de uma parceria, ou num projecto enquadrado numa verba comunitária, porque

devemos estar a falar de um valor de cerca de oito milhões de euros. Um valor que erradamente foi aplicado, e dou-lhe outro exemplo, numa variante a ligar a Urbanização do Brandão à rotunda do Lidl, no Carregado. Votámos contra, porque estamos a falar de uma urbanização vazia e caducada, em que o alvará de loteamento chegou ao fim. Era mais importante apostar na requalificação urbana do Carregado e da Chemina, porque a receita, ao contrário do que é dito, tem-se mantido. Mas há dívida para pagar. Ma não se paga a dívida: se não se paga o que está para trás e se contrai dívida para o futuro, não é isto o reequilíbrio financeiro. É a terceira vez que se candidata à presidência da Câmara Municipal de Alenquer, o que o leva a acreditar que será desta? O nosso projecto político é reconhecido por todos. Falamos verdade. Temos tido o cuidado de estudar todos os assuntos e apresentar propostas para a resolução dos mesmos, e posso dizer que 90 a 95 por cento daquilo que sugerimos tem vindo a ser aprovado por unanimidade na Câmara. É com muito orgulho que encabeço a lista de novo, e que sinto que há cada vez mais gente a acreditar neste projecto. Nomeadamente, o eleitorado das freguesias mais rurais, que tradicionalmente vota no Partido Socialista para a Câmara de Alenquer, nota que as pessoas estão mais consigo, por assim dizer? Bastante mais. Tem sido um gosto estar junto das pessoas, nota-se a adesão a este projecto político. É muito bom este sentimento. A saída de José Carlos Morais da sua candidatura é uma pedra no sapato? De forma alguma. Convidei-o em 2005, como independente. Gosto muito de trabalhar com ele. Falei com ele e esclareci alguns mal entendidos. Acima de tudo está a nossa amizade e o amor dele à nossa terra. O surgimento do candidato João Hermínio, pelo Bloco de Esquerda, que até há pouco tempo fazia parte do executivo socialista, e do PS poderá baralhar, na sua opinião, as contas finais? Respeito esse candidato como todos. Vai lutar por um bom resultado, não sei se baralhará ou não,

mas estou mais empenhado em mostrar as minhas ideias. A sua candidatura não me traz preocupação nem alívio. E traz-lhe preocupação o facto de o PSD, o seu partido, estar há vários meses sob o efeito de um fogo cerrado por parte da opinião pública? Isso não o poderá prejudicar, em última análise? O que sinto no concelho de Alenquer é um grande apoio à nossa candidatura. As pessoas sabem separar as questões. A população já percebeu que nos regemos pelos parâmetros da verdade, do rigor e da clareza. Fugimos ao que a política tem de mau. E dou este exemplo: constantemente, tenho recebido telefonemas, como aconteceu, há pouco, quando me ligaram de Ota a dizer que votei contra a obra de alcatroamento de uma estrada para o campo de futebol. Alegaram que a obra está parada por minha causa, quando votei favoravelmente. Desafio que me mostrem a deliberação onde esteja inscrito o contrário. É um facto que sou muitas vezes alvo destas calúnias. Este tipo de boatos também já se reflectiram contra o vereador Catarino da CDU, quanto ao arrelvamento do campo da Atalaia, quando disseram que a obra não ia para a frente por causa do mesmo. A quem atribui esses boatos? Os mesmos devem-se à insegurança de alguém, nós não fomos nem a CDU. Se é o PS, não sei qual o motivo, só pode ser por insegurança. Qual é a sua percepção sobre o parque de diversões a instalar no concelho. O empresário referiu que face ao quadro económico, que preferiu adiar o início do projecto para 2014. Sabemos das diferentes fases desse processo que já é longo. Devemos estar atentos ao desenrolar do projecto. Nota algum tipo de esmorecimento do empresário quanto a esta matéria, tendo em conta que tudo isto já se arrasta há tantos anos? Poderá haver, mas na última reunião que tive com ele, notei entusiasmo. Mas estamos a falar de um projecto de grande investimento. A Câmara já aprovou o PDM e é questão de estarmos atentos ao desenrolar dos acontecimentos. Esta entrevista pode ser acompanhada na íntegra em www.valorlocal.pt.vu

Sílvia Agostinho


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Jorge Lopes quer ser “caixeiro viajante” na captação de empresas António Jorge Lopes, 43 anos, volta a ser o rosto da coligação de centro-direita na corrida à Câmara Municipal de Azambuja. O advogado tem dado nas vistas como vereador, e pretende causar uma surpresa a 29 de Setembro. O turismo e a atracção de empresas são as suas principais bandeiras e acusa a actual gestão do PS de ter enganado a população a diversos níveis. Valor Local – Estamos aqui no espaço do Palácio, em Azambuja, e um dos seus projectos caso venha a ser eleito prende-se com a requalificação desta zona. António Jorge Lopes – Da há muitos anos a esta parte que Azambuja está de costas voltadas para a sua Lezíria, para o Esteiro, para a Vala Real e o Palácio. Tal não pode continuar. Temos de aproveitar estes recursos naturais fantásticos! Quer do ponto de vista do investimento agrícola, quer do ponto de vista do lazer e das potencialidades turísticas. Por isso, pretendemos prestar atenção à necessidade de apostar na vertente agrícola. Temos falado com empresários agrícolas e técnicos que acreditam nas potencialidades da lezíria de Azambuja. Em breve, vão definir quais os investimentos, que dependem em muito da clarificação em torno da reforma da Política Agrícola Comum. Quanto ao lazer, queremos devolver o Esteiro às famílias, por isso assumimos o compromisso firme da sua requalificação, numa parceria entre a junta de freguesia de Azambuja e a Câmara, que ronda os 150 mil euros com estacionamento, equipamentos para a prática de desporto de manutenção, e área de bar. No que toca à zona do Palácio, queremos captar o interesse de investidores privados, mas primeiro precisamos que o Estado passe esta área para nossa alçada, de modo a promovermos uma discussão pública sobre o tema. Comprometemo-nos a dar outra dignidade a este espaço, nomeadamente, a Avenida das Palmeiras, mas o aproveitamento turístico estará nas mãos de investidores privados. Tem vindo a manter contactos com diversas entidades externas, no sentido de lhes dar a conhecer as potencialidades do concelho, o que podemos esperar desses contactos, dos quais o senhor tem feito eco na imprensa local e regional? Uma das coisas que mais me custa quando falo com pessoas de outras zonas do país é que pensam que Azambuja fica para os lados de Santarém, ou então no Alentejo. O cidadão comum, e por consequência, o empresário não sabem onde fica Azambuja. Temos de nos afirmar como porta de entrada para Lisboa, Ribatejo e Oeste. Tenho

mantido contacto com conselheiros económicos das embaixadas, e no futuro pretendo levar a efeito roadshows com empresários em Azambuja. Qualquer presidente de Câmara não pode olhar só para os buracos da calçada. Não terei qualquer problema em ser caixeiro viajante, e bater às portas das embaixadas, explicando o que é há de bom no concelho. Como julga que Gaia, Setúbal e Rio Maior têm conseguido captar investimentos? É da forma como estou a explicar. Mas as empresas quando se querem instalar também procuram benefícios fiscais, no entanto, o município necessita urgentemente desse tipo de receitas, como a derrama. A captação de dinheiro de impostos não depende apenas da derrama, temos principalmente de ser amigos das empresas, e não deixarmos os empresários sem condições para apresentarem os seus projectos, libertando-os automaticamente para concelhos vizinhos. No caso do concelho de Azambuja, empresas que se quiseram instalar, mas que enfrentavam dificuldades a nível do ordenamento do território ou a nível do ministério da Economia, nunca foram acompanhadas pelo presidente da Câmara ou pelos vereadores. Cheguei a visitar empresas no nosso concelho, cujos administradores nunca conheceram o presidente do município. Uma empresa do concelho iniciou um processo de despedimentos e a Câmara nem sequer lá foi tentar saber alguma coisa. Disseram que a culpa era do Governo, mas a administração disse precisamente o contrário, porque exporta tudo o que produz, e a razão deviase a um decréscimo do interesse no seu produto por parte do estrangeiro. O que pretende fazer no que se refere ao preço da água facturada aos munícipes, já que muitos se queixam dos elevados valores cobrados pela Águas da Azambuja? Vou renegociar o contrato quer do ponto de vista jurídico, quer técnico. Neste âmbito, conto na minha equipa com uma das maiores especialistas nacionais em matéria de águas e saneamento, Susana Lucas. Vamos renegociar tendo em conta que o investimento contratualizado, até finais deste ano,

era de 8,3 milhões de euros, e apenas, menos de metade dessa verba está concretizada; então não podem cobrar o preço actual. O que a empresa alega, e que provavelmente vai alegar, é que compra a um determinado preço à Águas do Oeste, e que para ter algum lucro não pode vender muito abaixo daquilo que, actualmente, pratica. Esse é um problema da empresa. Muito dificilmente a empresa vai aceitar essa condição, vai rasgar o contrato com a Águas da Azambuja? Tenho a noção de que a empresa vai encarar esta matéria de forma inteligente. Estou absolutamente convencido de que a Águas da Azambuja saberá aceitar a base negocial. Já pensou na tarifa adequada. No mínimo, terá de ser adequada em função do investimento que não foi concretizado, falta 53 por cento, a redução do preço terá de corresponder a isso mesmo. Sou advogado, e sei perfeitamente como posso conduzir as negociações. A actual Câmara tem-se colado à fundamentação da Águas da Azambuja que por sua vez se cola à Águas do Oeste, quando deveria fazer valer os princípios da boa gestão. Nesta matéria sou intransigente. O que tem em mente no que respeita ao apoio às colectividades? Vamos ser claros em relação a esse assunto, pois o passivo da Câmara é de 30,5 milhões de euros, o orçamento é de 11 milhões, os valores da dívida a serem pagos, todos os anos, oscilam entre os 2,4 e os 3,5 por cento da mesma. O orçamento da Câmara para pagamento aos funcionários é de 33 por cento, portanto sobra muito pouco. Não estou disponível para mentir, e não posso prometer tudo a toda a gente. Na sua opinião, foi o que o PS fez? Foram irresponsáveis ao ponto de andarem a prometer subsídios às colectividades, que ainda não receberam as verbas de 2012 e mal receberam as de 2011. É preferível sentarmo-nos à mesa com as pessoas e referirmos a verba exacta que se pode entregar às colectividades, para que estas não planeiem as suas actividades em fun-

ção de verbas que acabam por não chegar a tempo e horas. Se há pessoa que tem criticado a actual gestão por enganar as colectividades, as associações, a Cruz Vermelha, e os bombeiros, sou eu. Não esperem de mim uma gestão irresponsável. Como vai fazer no que concerne ao controlo da dívida da Câmara e ao seu pagamento? Vamos ter de efectuar poupança, por isso já combinei com a minha equipa, que os vereadores não usam o veículo da autarquia para uso pessoal. Chegam à Câmara e regressam a casa nos seus carros pessoais. Também nesta matéria aponta abusos por parte do actual executivo? Naturalmente, é conhecida a deslocação ao cabeleireiro em Alenquer por parte da mulher do presidente da Câmara, na viatura camarária, bem como, o facto de Luís

var que entre o quadro de pessoal deixado pelo presidente João Benavente e o deixado por Joaquim Ramos, há um aumento de 54 por cento. Temos por isso um encargo financeiro anual de um terço do orçamento, mas garanto-lhe que me recuso a despedir pessoas. Mas não pode prometer isso. Os funcionários não podem ser culpados pelos erros de gestão de quem os contratou. Então onde vai cortar? Por vezes, nas pequenas coisas podemos fazer poupança, nomeadamente, a rega dos espaços verdes através das águas pluviais. A situação financeira da Câmara em 2014 e 201 vai piorar. O candidato da CDU refere que a qualquer altura pode ser pedida a ajuda de um gestor, por parte do Estado, para tomar conta da Câmara, quero evitar isso a todo o custo, mas sei que o montante a ser pago a título de empréstimos é muito elevado, e

de Sousa também usar esse veículo para ir aos supermercados de Rio Maior. Claro que não será apenas nisto que se pode fazer poupança. Vai despedir pessoal? Não quero despedir pessoal, evidentemente, mas sei que há quem no PS, o defenda, nomeadamente, o deputado Luís Salvaterra, que disse que a primeira medida a ser tomada é a de despedir funcionários. Mas também temos de obser-

que pode não chegar para cumprir os nossos compromissos junto da Banca. Quero por isso efectuar um programa de saneamento que identifique todos os contratos de empréstimo e começar a pagar por antecipação todos os que forem possíveis, e assim evitar os juros Quais são as suas ideias no que toca às piscinas municipais que permanecem ao abandono? O que a Coligação pretende fazer é recuperar, numa primeira fase, o

edifício que tem a piscina mais pequena, ginásio, e casas de banho, com um custo de 150 mil euros. Por outro lado, destapar a piscina coberta, e coloca-la ao serviço das pessoas. Assumo esse risco. Uma piscina descoberta será do agrado da população? Foi-o inicialmente, e coloco a questão, o que as pessoas preferem, terem piscina ou não terem de todo? Temos muitas horas de sol no Verão Por essa ordem de ideias não será desfrutada no Inverno? Poderá não ser, assumo esse risco, não podemos é deixar tudo como está. Já se candidatou em 2009. No executivo municipal, a Coligação Pela Nossa Terra apenas conseguiu eleger o senhor, enquanto o PS tem cinco eleitos, muitos dirão que é praticamente impossível derrotar aquele partido. Não vejo onde existe desvantagens, pois cada vez que há uma sessão de Câmara, sou eu quem diz aos vereadores como é que eles devem resolver os problemas. Não estando em causa o seu desempenho como vereador, estamos a falar de votos. Eu se fosse outro faria uma de duas coisas, ou teria desistido, ou teria mudado de partido, mas prefiro ser eu mesmo, tenho um projecto, capacidades, conhecimentos. Mas já pensou que se calhar ainda não será em 2013 que vai ganhar a Câmara? Não percebo a sua pergunta. Não podemos confundir realidades que são dinâmicas. As pessoas em determinado momento decidiram votar no PS, e acima de tudo, no doutor Joaquim Ramos, é isso que está na origem de três maiorias absolutas, algo que o PS nunca tinha tido antes. Está com isso a menosprezar o candidato Luís de Sousa, que no seu entender não terá a mesma capacidade de galvanizar o eleitorado? Não faço esse tipo de apreciações, mas devo dizer que Luís de Sousa não tem a capacidade galvanizadora, conhecimento, competência do doutor Joaquim Ramos. Esta entrevista pode ser acompanhada na íntegra em www.valorlocal.pt.vu

Sílvia Agostinho


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Antiguidades de Alenquer Q

uase sem se dar por isso, na estrada nacional junto à vila de Alenquer, encontra-se o estabelecimento de António Rebelo, que há várias décadas no negócio, se dedica a comprar, vender e trocar antiguidades. Na sua loja, podemos encontrar desde móveis de outras épocas, de que é exemplo uma arca que comprou na Quinta de Pancas, do século XIX, em sucupira, até quadros bastante antigos, passando por um sem fim de utilidades do tempo das nossas avós. Quando começou, há cerca de 30 anos, “o negócio corria muito bem, comprava-se e vendia-se muito, com imaginação”, recorda. Actualmente, “chegou-se a um ponto de saturação, em que se vende muito pouco, a classe média que suportava este tipo de negócio deixou de comprar”. Há vários anos atrás, antiquários de Lisboa procuravam a sua loja, mas com o passar dos anos, e a

entrada em declínio do negócio, “muitos deixaram de o fazer, e alguns até estão a vender na rua”. António Rebelo dá muito valor à antiguidades das peças, recusando-se “a trabalhar com cópias”. Tudo o que é anterior aos anos 50 recebe de si um olhar mais atento, mas entre comprar ou vender: tudo depende da mais-valia da peça e do seu estado de conservação. Neste campo, e no que toca ao mobiliário, dispõe de algumas peças do período Romântico, de entre 1850 e 1900, até à Arte Nova. Elege um camiseiro em sucupira para demonstrar o valor de alguns dos móveis de que dispõe. Peças em que a passagem do tempo não fez estragos, com o material a apresentar um bom estado de conservação. Muito em voga nos dias de hoje, está a restauração de móveis antigos, como os que vende na sua loja, mas Rebelo desconfia desse

tipo de práticas – “Isso é assassinar o material, embora compreenda a curiosidade das pessoas em fazer da peça um móvel diferente. Pode ficar muito bem pintado e agradável á vista, mas o móvel em si desaparece”. O antiquário também traça a rota das feiras, mas confessa que “se vende mal em todo o lado”. “Nas feiras, consegue-se vender as coisas baratas, que vão até 10 euros”. Na sua loja, tem muitas dificuldades em vender peças mais caras como a arca de sucupira que custa 1500 euros. Rebelo remata esta visita guiada pela sua loja de antiguidades, mostrando o que considera serem algumas “peças curiosas”, (também as mais procuradas pelos clientes que ainda vão aparecendo), como um espelho com a representação da República, dourado a ouro fino, mas também louça de Campolide, e louça das Caldas, da época de Bordallo.

António Rebelo na sua loja

Novo mercado diário de Manique na escola primária M anique do Intendente vai ter um mercado diário novo. A informação foi avançada pelo actual presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sou-

sa. O autarca salienta que em conjunto com a junta de freguesia já visitou o espaço da antiga escola primária da freguesia, local escolhi-

do para o novo mercado. A escola que foi cedida à Cruz Vermelha local nunca chegou a ser utilizado, e agora com o encerramento daquele núcleo, volta a ganhar vida.

Segundo, o presidente do município, o edifício da escola vai manter-se na posse da junta, enquanto no pátio será edificada a nova estrutura.

Por enquanto, o novo mercado ainda não saiu do papel, mas Luís de Sousa acredita que em breve será uma realidade, sem contudo prometer datas. Há anos que a

junta de freguesia liderada pelo comunista Herculano Valada, reclama melhores condições sanitárias para os vendedores e clientes.


Valor Local

Sociedade

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Área Social no topo das preocupações da CPFNT Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra – CPFNT (PSD, CDS-PP, MPT, PPM) apresentou, no dia 13 de Agosto, o seu programa eleitoral para as questões sociais mais prementes no concelho de Azambuja. A número dois da lista encabeçada por António Jorge Lopes, que não compareceu nesta conferência de imprensa, Maria João Canilho, revelou quais os projectos que pretende implementar caso venha a ser eleita, também escudada na sua experiência como técnica do Centro Social Paroquial de Azambuja.

A

A candidata pretende intervir a nível da dinamização dos centros de apoio social das freguesias, que à excepção do de Aveiras de Cima, registam um nível de actividade reduzido. Garantir um serviço de teleassistência para os mais idosos; um banco de ajudas técnicas e de medicamentos; o alargamento do serviço de cantinas sociais, e a implementação da Universidade da Terceira Idade estão entre os seus projectos, assim como, comparticipar as mensalidades das creches junto das famílias de fracos rendimentos. Perante a pergunta do Valor

Local, acerca de como será feita essa triagem e qual o valor a atribuir, Maria João Canilho disse ainda não saber como, mas que fará esse trabalho à posteriori, caso seja eleita. O candidato à Assembleia Municipal pela Coligação, António Godinho, fez questão de sublinhar que muitas das ideias apresentadas não terão necessidade de um apoio financeiro directo, mas antes serão facultadas à população por “facilitadores”. “A Assembleia Municipal terá um papel muito activo e fiscalizador nestas matérias”, prometeu.

Coligação deu a conhecer o seu programa para a área social

Loja Social do Carregado ajuda 70 famílias que pretendia ser apenas um acto de solidariedade com a doação de algum vestuário e brinquedos no Natal de 2010, com o passar dos meses deu origem à Loja Social do Carregado, a funcionar num edifício contíguo à junta de freguesia e cedido pela mesma. Seis amigas fizeram crescer o projecto tendo em conta as necessidades da população. “Rapidamente, se espalhou a palavra de que dávamos coisas, e progressivamente também nos falaram da necessidade

O

de alimentos, mobílias, e outros componentes para a casa”, refere Glória Severino que esteve na génese da criação deste grupo. Seguiu-se a fase de contactos com as diferentes empresas do concelho. Hoje, a Loja Social do Carregado conta entre os seus parceiros com a Auchan, Nestlé, Luís Simões, entre outras, bem como alguns particulares. O grupo apoia cerca de 70 famílias fixas, para além de alguns pedidos com carácter urgente que vão surgindo, através da doação de

um cabaz mensal de alimentos. Criar condições para a autonomia dos carenciados que recorrem à loja social também é um dos objectivos, para que não dependam a longo prazo desta ajuda. Glória Severino recorda-se da história de uma rapariga brasileira com dois filhos que passavam necessidades. “Não tinha mobília, dormia no sofá com um dos filhos, demos-lhe uma cama, mesas, cadeiras, fizemos de tudo para a ajudar para que o tribunal

Inaugurado Centro de Dia da Maçussa espaço que fica na recuperada escola primária da freguesia esteve a aguardar vários anos por uma melhor capacidade financeira das instituições da localidade para abrir. Todavia a falta de capacidade financeira da câmara e das IPSS levou a que a abertura do espaço fosse

O

sucessivamente adiada. A valência foi finalmente aberta, e posteriormente será celebrado um protocolo com o Centro de Dia da Ereira, para a gestão integral e oficial do espaço. Na inauguração, Luís de Sousa, actual presidente da Câmara, destacou a importância deste

Luís de Sousa junto dos utentes

espaço para uma população mais envelhecida, como aliás existe na maioria das freguesias do alto do concelho. Para já não se sabe quando será celebrado o protocolo que tornará oficial a parceria com o Centro Social e Paroquial da Ereira

não lhe retirasse as crianças. No entanto, rapidamente conseguiu encontrar vários trabalhos, ainda lhe quisemos dar mais um cabaz, mas rejeitou porque disse já não ter necessidade”, ilustra para focar a necessidade de desembaraço e de autonomia dos utentes. Infelizmente, “há quem venha aqui e peça em seu nome, posteriormente dirige-se a outro ponto de apoio deste género, e pede em nome da mulher, e se não cruzarmos informação, constatamos que há quem viva deste ex-

pediente”. Por isso, a Loja Social do Carregado efectua uma triagem com apresentação de IRS, contrato de arrendamento, abonos, despesas fixas; e de acordo com isso faz o indexante do apoio social por agregado familiar. À semelhança do que acontece em outras zonas do país, onde também funcionam centros de ajuda deste tipo, há também famílias carenciadas que, há uns anos atrás, pertenciam a um estrato social mais favorecido, e

que agora se vêem confrontadas com a necessidade de pedir alimentos. “Normalmente, procuramos ajudar essas pessoas sem as expor”, refere. Glória Severino resume que a experiência das voluntárias tem sido “muito motivadora”, salientando contudo ficar surpreendida com o nível de carência de alguns utentes – “Nem sei como conseguem viver!”. “Não fazemos caridade, tentamos ajudar e criar bases para a autonomia. Isso é reconfortante.”, finaliza.

Recolha de Sangue O

Grupo de Dadores Benévolos de Sangue do Concelho de Azambuja, no âmbito da sua actividade regular, vai levar a efeito mais uma recolha de sangue/medula no próximo dia um de Setembro, (domingo), entre as nove e as treze horas nas instalações da Poisada do Campino junto à Praça de Toiros em Azambuja. Para dar sangue deve ter mais de 18 anos, ser saudável,e pesar mais de 50 quilos.


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Destaque

Valor Local

Pontes sobre o Tejo

Desenvolvimento a duas velocidades

A ligar as duas margens do Tejo, estão duas travessias que vieram mudar a paisagem da região significativamente, e uma mais do que a outra, condicionou os fluxos económicos. Mas o tráfego inicial na A10 tem ficado muito aquém do esperado devido as elevadas portagens. Fomos conhecer alguns dos que por lá passam. Por outro lado, a Ponte Dona Amélia, desde 2001, aberta ao trânsito, tem conhecido altos e baixos a nível do seu estado de conservação, mas por todos é reconhecido o facto de ser crucial a sua importância a nível económico entre os concelhos de Salvaterra e Cartaxo.

A

fase final da construção da A10 deu-se em 2007, com a abertura ao trânsito da Ponte das Lezírias. Este último troço serviria de braço na ligação a quatro auto-estradas: não apenas a A10 (Bucelas- Carregado)/IC13; mas também a A9-CREL, a A1, no Carregado, e

a A13 (Almeirim- Marateca) em Benavente, (esta última também aquém do fluxo desejado); no entanto, e cumpridos seis anos, a região convive com mais um elefante branco, pois a via regista um tráfego muito insignificante para o investimento concretizado, por nor-

ma cinco a seis mil veículos por dia, quando o desejável e rentável seria 35 mil veículos ou mais. A opinião é unânime: atravessar a ponte das Lezírias e a A10 é muito mais cómodo, seguro, e poupa tempo aos condutores, mas o preço das portagens torna-se proibiti-

vo para quem tenha necessidade de fazer diariamente o trajecto, como é o caso de Maria Gonçalves, residente em Alverca, que trabalha na vila de Benavente. Diz mesmo que a A10 “apenas serve para as urgências”, quando de manhã se atrasa por algum motivo ou

para ir buscar a filha à escola, pois esta via permite-lhe encurtar os percursos em cerca de 20 minutos. Em norma, escolhe o percurso da Recta do Cabo ou mesmo a velhinha estrada de campo para chegar ao seu local de trabalho. “Cada passagem custa 2 euros e 65 cên-

timos. O valor é tão elevado que só se pode usar mesmo para as urgências. E é uma pena porque o percurso é bonito pelas lezírias, e muito mais rápido”, dá conta. A automobilista até se lembra de ter feito um percurso, na via em causa, às oito e meia da manhã, e de só


Valor Local ter passado por um único veículo. Um facto caricato que até deu azo “a post no facebook”. “Lembro-me de ter apitado para o outro condutor”, revela em tom de brincadeira. Por norma, diz que não encontra mais de 10 carros nesta via, quando a atravessa. Francisco Ribeiro, residente em Benavente, também partilha da opinião de que a A10 é cara, mas costuma usar a via quando tem de se deslocar a Lisboa, o que faz com alguma frequência, pois tem o filho a estudar numa das universidades da capital. Caso contrário, prefere usar as estradas nacionais. A mesma opinião é partilhada por Tânia Tomás que utiliza a via nos seus trajectos entre o Carregado e Benavente, duas vezes por semana – “Apenas faço esse percurso quando estou com pressa, caso contrário não o utilizo porque se

torna dispendioso”. O taxista António Martins, também de Benavente, reconhece a importância da obra – “Melhorou em muito o meu trabalho, porque as pessoas andam sempre com pressa, mas com as portagens acabo por perder muito dinheiro em cada corrida. É pena pagar-se tanto para se atravessar a via”. A problemática do preço das portagens já foi colocada em cima da mesa pela autarquia de Benavente. O vice-presidente daquele município, Carlos Coutinho, revela que nas conversações que tem mantido com a Brisa lhe tem sido dito que “as questões respeitantes ao tráfego e às portagens estão negociadas, e que aquela empresa recebe do Estado o valor que se encontra definido, quer passem na A10 mais ou menos carros”. Carlos Coutinho refere que a parca

Destaque utilização da via chega a ser confrangedora, e que os munícipes do seu concelho apenas a utilizam a título esporádico. O adiamento do tema aeroporto também levou ao não incremento do tráfego naquela via, bem como, a actual situação económica do país. Carlos Coutinho tem esperança que a travessia possa ganhar no futuro uma nova vida, “pois faz o fecho da CREL e serve de ligação a Lisboa”, mas a verdade é que os números não mentem: 6799 veículos por dia em 2009; 6400 em 2011, e 5200 por dia em 2012. Sobre a realidade dos números do tráfego, a Brisa responde ao Valor Local que tal se deve à quebra económica registada no país, e que no que concerne às portagens limita-se a referir que “são calculadas de acordo com a fórmula estabelecida para toda a rede de auto-

estradas gerida pela Brisa”. O presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Jorge Riso, constata a importância que o nó do Carregado vem assumindo com a confluência de mais uma via importante, neste caso a A10 “apesar de o fluxo de trânsito se encontrar abaixo do esperado”, “muito por culpa da questão do aeroporto que não se veio a ser concretizada”. O autarca aponta, no entanto, um factor positivo, pois é da opinião de que com esta via tem crescido o interesse das empresas em fixarem-se no concelho, pois permite “percursos mais rápidos e cómodos”. A Brisa quando questionada pelo nosso jornal sobre como pretende incrementar o tráfego na via diz de forma genérica: “Em 2012, a Brisa redefiniu a sua visão, baseada na evolução do modelo de negócio, da ‘era das infra-estruturas’, centra-

9 da na oferta, para a ‘era da mobilidade’, centrada na procura e no cliente. Trata-se de um modelo muito mais exigente e complexo, com novas variáveis e novos intervenientes que a Brisa está a estudar no sentido de adoptar soluções que respondam melhor às novas tendências observáveis do lado da procura. A Brisa defende ainda que o cidadão “não percepciona totalmente os factores que estão incorporados nos preços das portagens. As autoestradas têm um conjunto de vantagens associadas, que não são directamente percepcionadas em termos financeiros pelos utilizadores”. “Exemplo disso são os tempos de viagem que, por auto-estrada, e de acordo com um estudo realizado pela APCAP (Associação Portuguesa de Concessionárias de

Auto-estradas ou Pontes com Portagem), concluem existir uma poupança de tempo que pode chegar aos 50% quando comparados com as estradas nacionais. Essa poupança permite, por exemplo, dispormos desse tempo para outras actividades – seja de trabalho ou de lazer - ou para gerir os tempos de ida ou regresso de um determinado destino. Se a isso associarmos os menores consumos, o menor desgaste das viaturas, e a maior segurança rodoviária ao optar pelos percursos por auto-estradas é possível constatar que esta opção compensa o valor da taxa a pagar”, resume. A verdade é que os potenciais utilizadores não desconhecedores das vantagens, preferem dizer, por enquanto, “não obrigada”, apenas em virtude das portagens. Sílvia Agostinho

A auto-estrada em números N

Taxista reconhece aspectos positivos mas queixa-se das portagens

o total, foram gastos 600 milhões de euros na A10, assim distribuídos: primeiro troço, inaugurado por Durão Barroso, enquanto primeiro-ministro, entre Bucelas e Arruda dos Vinhos, de 6,9 quilómetros – 94 milhões de euros. Segundo troço entre Benavente e a A13, de 7,4 quilómetros, no valor de 113 milhões. O terceiro troço compreendeu a distância entre Arruda e o Carregado (10,6 quilómetros) e custou 150 milhões de euros. Por fim, o último troço de 14,9 quilómetros custou 243 milhões, entre Carregado e Benavente, foi inaugurado em Julho de 2007 por José Sócrates.


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Destaque

Valor Local

Ponte Rainha Dona Amélia aproximou concelhos mas necessita de intervenções m 2001, a Ponte Rainha Dona Amélia foi reconvertida para tráfego automóvel e pedonal, ligando os concelhos de Salvaterra de Magos, na localidade de Muge, e Cartaxo, na localidade de Porto de Muge. Hoje passados 12 anos, são muitos os veículos que atravessam a infraestrutura de ambas as partes. Ao conversarmos com alguns elementos da população de Muge, a opinião é unânime quanto às mais-valias que resultaram na possibilidade que a via oferece – “Foi algo muito bom para a nossa vila e para toda esta área, sobretudo para os agricultores”, constatam Joaquim Sousa e António Borrego. Edmundo Silva salvaguarda contudo: “Os tractores não deveriam passar na ponte, porque acabam por destruir os gradeamentos”. No entanto, desde 2001, que a Ponte Rainha Dona Amélia tem conhecido alguns revés, tendo em conta a questão da utilização abusiva do tabuleiro por máquinas agrícolas e viaturas largas, com a destruição das guardas laterais que separam a faixa de ro-

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dagem dos passeios para peões. Chegou mesmo a circular uma petição para a reparação urgente do trânsito na ponte. Vasco Loubet, de Porto de Muge, foi um dos signatários e reconhece que a ponte permitiu a muitos “ a viabilidade de um emprego, de um investimento na margem contrária ou até a possibilidade de uma rota turística de fim-de-semana”, mas “infelizmente a qualidade da travessia é agravada pelos próprios utilizadores da ponte. Ou seja, existem utentes da ponte que não respeitam os limites impostos, e a atravessam com viaturas acima dos limites de peso ou largura e assim degradam quer o piso, quer as protecções laterais. Seria muito fácil apontar o dedo às entidades competentes, que são negligentes em termos de manutenção, mas os primeiros a ter falta de cuidado e sobretudo civismo, somos nós, o povo que a utiliza, e nós os que permitimos que os maus utilizadores o continuem a fazer”, dá conta, concluindo: “ De resto a qualidade é razoável, mas tende a piorar e apenas apontaria a fal-

Ponte tem precisado de várias intervenções ta de segurança e a criação da oportunidade de roubo que existe na margem sul, de noite junto do semáforo”. A Câmara Municipal do Cartaxo que superintende a manutenção subaquática da infra-estrutura re-

fere que “os custos são elevadíssimos”, e que por isso “ o envolvimento da administração central deveria ser maior na manutenção da ponte”, mas o que mais preocupa o presidente da Câmara do Cartaxo, Paula Varandas “é a ne-

cessidade de que as entidades responsáveis, a tutela, compreendam que esta ligação é essencial ao desenvolvimento económico da região; e que necessita ser melhorada em vários aspectos, pois necessita de respon-

der às necessidades crescentes, especialmente no que à circulação dos transportes ligados à actividade agrícola”. “ A Ponte D. Amélia é imprescindível aos operadores económicos, aos empresários do Cartaxo e da região. No caso dos agricultores esta evidência é ainda mais fácil de constatar”. A Câmara de Salvaterra em 2012 procedeu a obras, depois de o trânsito ter sido interrompido durante dois meses, dado o estado de degradação do tabuleiro. Uma intervenção que custou à autarquia 12500 euros e que levou o município a privilegiar a obra em detrimento das obrigações referentes à Lei dos Compromissos Locais. O Valor Local contactou o gabinete de imprensa daquele município para entrevista com a presidente da Câmara sobre este trabalho, o qual ignorou o nosso contacto. É sabido que os dois municípios têm reivindicado o alargamento da faixa de rodagem, neste sentido Paulo Varandas constata: “O facto de haver apenas uma faixa de rodagem coloca problemas


Valor Local

População de Muge satisfeita com obra muito graves – não só me refiro às longas filas de espera que se formam nas horas de maior circulação -, mas também à necessidade de criar melhores condições de segurança e de rápido auxílio em caso de acidente. Uma faixa já não responde às necessidades de circulação e dificulta qualquer intervenção, quer na própria estrutura, quer no socorro a eventuais vítimas. Até uma pequena avaria se pode tor-

nar um problema enorme”. O autarca deixa um apelo – “É preciso que a administração central perceba isto. Os municípios têm feito tudo ao seu alcance para chamar a atenção para esta questão. Mas não nego, no momento de crise financeira e económica que o país atravessa, que este alargamento pode vir a demorar bastante mais do que todos gostaríamos”. A necessidade de iluminação dos

Destaque

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A travessia é usada por pescadores acessos e de um sistema de segurança que permita chamar o socorro em caso de acidente na ponte, leva o município do Cartaxo a referir que “tem feito tudo o que lhe é permitido, em termos de iluminação dos acessos, no que à nossa margem diz respeito”. “Quanto à iluminação da própria estrutura e quanto ao sistema de segurança, não temos competência para avançar sozinhos. Estou certo que a interven-

ção necessária para reforço das condições de aviso de acidente e de prestação de socorro será efectuada a curto prazo. Temos pressionado nesse sentido e o nosso esforço terá de ser recompensado, em nome da segurança das pessoas que usam esta Ponte”, refere Varandas. Pesca sui-generis Com alguma frequência, as late-

rais da Ponte Rainha Dona Amélia destinadas aos cicloturistas, são ocupadas pelos praticantes da pesca artesanal que principalmente ao fim de semana e aos feriados lançam as canas em busca das fataças do Tejo. A lei diz que é proibido pescar nas pontes, até porque a passagem de trânsito a escassos centímetros de distância torna essa prática perigosa. Albino Quaresma, residente em Mira d’Aire, encon-

trava-se no local, no dia da nossa reportagem. “Trata-se de um divertimento, apesar de ser proibido. Vou passar aqui o dia. Reconheço que é perigoso estar a pescar na ponte, até porque não é autorizado, mas já estou acostumado. Por vezes os ciclistas chamam a polícia e temos de abandonar o local”, refere o mesmo gabando-se de levar com frequência cerca de 20 fataças para casa.


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Negócios com Valor

Valor Local

Matos, o empresário polivalente Com 8 Escolas de Condução e 35 funcionários, António José Matos é hoje um empresário de sucesso neste ramo. Natural de Azambuja, o empresário que descende de uma família de empreendedores aponta como vital a perseverança e a força de vontade para o sucesso de qualquer negócio. Em conversa com “Negócios Com Valor”, António José Matos lembra que a sua família sempre trabalhou por conta própria, nomeadamente, o pai que tinha uma fábrica de fazer pentes, carteiras, entre outros objectos em plástico, facto que o levou a ficar conhecido como o “António José Matos dos Plásticos”. Mais tarde foi a vez de a sua mãe abrir um supermercado, o “Super 1º de Maio”, em 1975. Herdou por isso o espírito empreendedor dos seus familiares. Aos 16 anos passou pelas campanhas da Sugal, e aos 17 trabalhou na EPAC, quando ainda era a Empresa Pública de Abastecimento de Cereais. Já aos 19, rumou a Lisboa onde vendeu enciclopédias de porta em porta. “Perdoem-me a imodéstia, mas fui o melhor vendedor de sempre daquela empresa”, refere com humor o empresário. Já de regresso a Azambuja e aos negócios de família, decidiu por im-

pulso adquirir a pastelaria Gracita. Sem saber nada do negócio, adquiriu também a antiga pastelaria conhecida como a Marafuz. E assim nasceu a Pastelaria Matos que esteve na família durante 16 anos. Matos decidiu entretanto aprofundar os conhecimentos na área: “Tirei todos os cursos que havia para tirar nesta área, desde pastelaria, passando pela padaria, e acabando na pizzaria e na gelataria”. Por estes motivos assume: “ O sonho e a ambição movem o mundo, e eu tenho uma boa dose dos dois, mas penso que o sonho suplanta a ambição”, reflecte.

comprar a escola de condução?” Ao que o empresário respondeu que sim, mesmo sem perceber nada desse negócio. Matos acabou por continuar a estudar. Tirou uma licenciatura em Ciência Política e todos os níveis de instrução no que toca a cartas de condução, examinador, e por fim o curso de director de escolas de condução. Nesta altura, possui 8 escolas de

as “dificuldades são imensas”. Há muitas empresas a fechar, situação à qual as escolas de conduções não estão imunes, contudo acredita que “com muito trabalho, programação, e indo de encontro às necessidades das pessoas, com muito rigor e a colaboração inexcedível de quem connosco trabalha, conseguiremos levar o barco a bom porto”.

condução na região “e em função das necessidades, uma média de 35 colaboradores” relembrando que os mesmos são vitais para o sucesso da empresa. Mas nem tudo são facilidades, aliás segundo António José Matos,

Matos “o aficionado”

Dos bolos para as escolas de condução Entretanto, o empresário decide fazer uma volta de 180º no seu percurso profissional, e troca o sector alimentar pelo automóvel. Tira o curso base de instrutor de condução, lembrando, que na altura era o único na turma que não tinha nada a ver com escolas de condução, e assim permaneceu durante 5 anos, mas anos mais tarde, e por acaso, pediu boleia ao seu antigo instrutor e dono da escola de condução de Azambuja, que se saiu com a seguinte pergunta: “Queres

António José Matos gosta de se intitular como um “Cavaleiro Amador”. O seu primeiro cavalo foi comprado quando ainda tinha a pastelaria. Chegou a estar na pre-

sidência da Poisada do Campino, colectividade que participa anualmente no programa da Feira de Maio. O empresário ficou ligado ainda à integração do” Grupo de Forcados de Azambuja” na colectividade; e à construção da nova Praça de Toiros que motivou inúmeras polémicas. Sobre este assunto o empresário refere que a praça de toiros “era condição para que tudo pudesse continuar”, “Nunca nos foi colocada a condição da praça ou as piscinas. Esse tema foi aproveitado politicamente, de uma forma um pouco baixa, levado a cabo por alguns agentes políticos da nossa praça”. Matos salienta que enquanto presidente da Poisada do Campino, fez “o que deveria ter feito” para “defender os interesses” da sua colectividade, vincando que em todo este processo terá havido pelo menos duas falhas, relacionadas com o facto de “as pessoas olharem para os partidos como princípio e fim da democracia”, e com “ a falta de explicações por parte da Câmara para que se percebesse que não estava em causa a decisão entre a Praça de Toiros e as piscinas, que chegaram a estar incluídas numa candidatura a

fundos comunitários”, mas que entretanto foram extintos. Cabeça de lista à Assembleia Municipal Ex-militante do PSD, e antigo candidato à Câmara e à junta de Azambuja, por aquele partido, António José Matos é agora candidato independente à Assembleia Municipal de Azambuja pelo PS. Nesse sentido, afirma: “Defendo sempre o que penso ser o melhor para o meu País e para a minha terra”; acrescentando que não era sua intenção candidatar-se, mas por força de algumas circunstâncias –“Luís de Sousa, pessoa de quem já sou amigo há muitos anos”, convidou-o para ser candidato a presidente da Assembleia Municipal. “Achei que deveria dar uma ajuda ao Luís de Sousa, que essa era a minha obrigação, pois considero que é a pessoa mais bem preparada e equilibrada para levar a cabo a difícil tarefa de gerir a autarquia nos próximos 4 anos”. Se for eleito, António José Matos garante que doará à Casa Mãe de Aveiras de Cima e à Cerci o valor das senhas de presença, e que não ficará com qualquer telemóvel da câmara.

Há 10 anos a acompanhar as tendências do mercado

Vidrástico soube renovar-se comemorar dez anos de existência, a empresa “Vidrástico”, que começou no segmento da montagem de vidros, entre o Cartaxo e Lisboa, está hoje consolidada e opera no mercado de máquinas agrícolas, alfaias e motas. Com sede em Casais de Baixo, concelho de Azambuja, a empresa propriedade de José Carlos Matos, tem conseguido consolidar-se num mercado pouco fácil. Todavia, o princípio desta empresa que remonta ao ano de 2003 está relacionado com a comercialização de vidros e plásticos para as viaturas, daí o nome “Vidrástico”, num serviço que era prestado ao domicílio. José Carlos Matos conta entretanto ao “Negócios Com Valor”, que pouco tempo depois, o negócio co-

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meçou a decair a nível nacional; e virou-se, por isso, para a manutenção industrial e equipamentos de argamassas, Em 2003 e já na manutenção industrial, a Vidrástico aproveitou o “auge” da construção. Lembra José Carlos Matos que, nessa altura, não faltava trabalho e que trabalhava “com uma empresa que nos dava imenso trabalho mensalmente”. Anos mais tarde, e com a construção a começar a decair, José Carlos Matos decidiu virar a agulha da empresa. Sem nunca baixar os braços, o empresário voltou-se para o mundo da agricultura. Primeiro, a empresa começou a recuperar pequenos tractores agrícolas mas pouco tempo depois, a Vidrástico já construía alfaias agríco-

las, negócio que dura até hoje. Segundo José Carlos, há 20 anos atrás, este mercado “teria sido uma aposta excelente”, mas há 8 anos, quando começou, a aposta traduziu-se apenas como boa, pois a sua fase de quebra começava a dar sinais. “As margens eram menores, a concorrência era mais desleal, qualquer pessoa comprava e vendia um tractor”. Contudo, a quebra deste negócio acaba por ser um contra-senso, já que Azambuja é um concelho com uma grande componente agrícola. José Carlos Matos explica, no entanto, que o município azambujense aposta sobretudo nas máquinas de grande porte, e a sua área de especialização baseava-se nos tractores mini: “Para o agricultor de fim-de-semana ou que tem um pouco de terreno”. José Carlos Matos salienta que no país de origem destes tractores, no Japão, é precisamente ao contrário, pois qualquer pessoa com um bocadinho de terra tem um equipamento deste género. A apostar recentemente na comercialização de tractores, alfaias e motos, a Vidrástico dá-se a conhecer sobretudo entre clientes e amigos que procuram os seus produtos. Segundo José Carlos a aposta na publicidade no Jornal Valor Lo-

cal tem contribuído para aumentar o conhecimento da existência da empresa, mas a outro nível lamenta a ausência de uma aposta por parte de quem de direito na promoção das empresas locais; e por isso reforça a ideia da colocação de placas identificativas, por exemplo, na rotunda de Casais de Baixo, José Carlos diz que outros municípios cultivam essa divulgação, o que é “muito importante para os empresários que têm a possibilidade de mostrar-se mas também para os municípios que podem ter ali uma boa fonte de receita” e reforça “que é muito complicado a uma empresa como a Vidrástico chegar a uma estrada nacional e colocar um outdoor. Porque nin-

guém sabe os custos, ninguém sabe quem autoriza. Em suma há um vazio legal”. A venda de motos é outro dos sectores da empresa. Vendas que têm subido nos últimos anos, sobretudo devido à subida da gasolina, mas também à maleabilidade que os motociclos representam. José Carlos Matos salienta que houve leis recentes que permitiram que uma pessoa com a carta de condução de categoria B, pudesse conduzir uma mota até 125 cm3. Esse é um dos factores para o aumento da procura das motos, que também se reflecte no fluxo de vendas da empresa, “Sendo que já é uma aposta ganha para os grandes centros urbanos. Já fora dos centros urbanos acaba por ser

uma aposta de necessidade, porque os carros gastam muito combustível”. O empresário prepara-se agora para uma nova aventura e fora do mundo empresarial. O empresário ingressa como independente nas listas de Armando Martins, à Junta de Freguesia de Azambuja, pela Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra. A candidatura à Câmara é encabeçada por António Jorge Lopes, alguém em quem Matos acredita, assim como, no seu projecto. José Carlos Matos explica que decidiu entrar pela primeira vez num movimento político para “fazer algo por uma zona (Casais de Baixo) que há muitos anos é o parente pobre. É o sítio onde se limpa uma vez por ano as bermas, onde por altura das eleições se dá uns apertos de mão”. Matos vinca que a sua terra tem sido abandonada pelos sucessivos executivos, e por isso decidiu entrar no projecto para tentar melhorar a vida dos casaleiros, vincando a necessidade da existência de uma Caixa Multibanco, e a melhoria da rede de telemóveis. Algo que considera imprescindível para o fomento da economia naquela parte do município de Azambuja. Miguel António Rodrigues


Valor Local

Saúde

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Luta contra diabetes origina associação erca de 15 por cento da população do concelho de Alenquer sofre de diabetes, um número que acompanha uma tendência nacional/internacional, porquanto esta é uma das doenças da civilização mais presentes no quotidiano de muitas famílias. Foi perante, este quadro que em 2007 um grupo de cidadãos daquele concelho em articulação com médicos da unidade de saúde local decidiu criar a “Associação de Diabéticos do Concelho de Alenquer”. Acções de esclarecimento e aconselhamento de boas práticas a nível alimentar com o intuito de aumentar a qualidade de vida do doente; acompanhamento psicológico e actividades de lazer e de passeios ao ar livre, são algumas das ofertas da associação que conta com cerca de 220 associados. “A diabetes está a aumentar significativamente em todo o mundo, mas a mesma pode ser contrariada, consoante o grau de conhecimento sobre o seu controle por parte do paciente”, refere o presidente da associação, José Manuel Inácio, ilustrando: “Temos levado a cabo muitas acções de formação,

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em todas as freguesias do concelho, com esse objectivo, não só para sócios, mas também não sócios, amigos e familiares, que possuem um papel muito importante”. Entre as ofertas que a associação possui junto dos sócios, encontrase um protocolo de descontos na ordem dos 50 por cento, nas consultas em três clínicas. (A quota anual na associação é de 12 euros). Mas os descontos estendemse ainda a farmácias e estabelecimentos comerciais. Outra das valências refere-se à disponibilização de um professor de Educação Física, por parte da autarquia de Alenquer, que indica ao diabético quais os exercícios que pode fazer em casa, de forma a contribuir para a estabilidade do seu quadro de saúde. A associação protocolou, ainda, com especialistas o esclarecimento sobre a diabetes no que se relaciona com a hipertensão/obesidade, assim como, consulta de pé diabético por parte de uma enfermeira. Mas a componente psicológica também é fundamental e são disponibilizadas consultas nesta vertente ao sócio.

“Quando se iniciam na associação, e passam por este grupo de apoio, durante as primeiras oito semanas, os doentes referem que conseguem ter os diabetes bem controlados, porque seguem as regras dos médicos, mas após

da associação. José Manuel Inácio que conheceu o seu quadro de diabetes em 2007, confessa-se: “Por mim falo, acabo por prevaricar, por vezes, na alimentação”. É tendo em conta que o ser humano não consegue lidar com a diabe-

mo-nos uns aos outros quanto a possíveis desmoralizações, no que se refere aos cuidados que o diabético deve ter na sua alimentação”. “Para além de uma alimentação equilibrada, o diabético deve es-

Os dinamizadores estão disponíveis para tirar dúvidas aos diabéticos esta fase inicial, e essa é um das principais batalhas da doença, distraem-se e os bons resultados começam a enfraquecer”, dá a conhecer António Filipe, tesoureiro

tes de forma isolada que António Filipe, cuja esposa é portadora da doença, reconhece: “É fundamental o convívio e a partilha com outros diabéticos, pois assim ajuda-

forçar-se por se alimentar de duas em duas horas, em quantidades moderadas, caso contrário poderá enfrentar episódios de descida de açúcar no sangue, o que em ca-

sos mais graves poderá levar ao coma”, acrescenta ainda José Manuel Inácio. Entre os sócios desta associação, está uma empresa de empacotamento de açúcar. Alguns funcionários são diabéticos, e acabaram por se tornar sócios da associação, e quase numa acção de responsabilidade social decidiram inscrever também a empresa que todos os anos contribui com o pagamento de uma quantia superior, à dos demais associados, para as acções deste núcleo de Alenquer, que também está aberto a diabéticos de outros concelhos. Actualmente conta com associados de Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Vila Franca de Xira. O próximo objectivo passa por encontrar um edifício novo, de preferência um rés-do-chão, já que a associação se encontra, actualmente, num segundo andar de um edifício da Avenida António Maria Jalles, que limita em parte a mobilidade dos doentes com idade mais avançada. Nesse novo espaço, ficaria a funcionar uma área de consultas com preços simbólicos.

Estar atento aos sintomas Diabetes Mellitus é uma doença crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue (hiperglicemia). A glucose resulta da digestão dos alimentos, principalmente dos hidratos de carbono ( pão, massa, arroz, …) e é a principal fonte de energia do nosso organismo e para ser utilizada pelas células necessita de insulina que é produzida pelo pâncreas. Na diabetes, o nosso organismo não é capaz de utilizar adequadamente a glucose ou por deficit de insulina ou por insuficiente acção da insulina. Existem 2 tipos de Diabetes Mellitus: a tipo 1 que surge nos jo-

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vens em que são totalmente dependentes de insulina e a tipo2 que surge habitualmente acima dos 40 anos muito associada a obesidade e pode ser tratada com terapêutica oral e/ou insulina. A Diabetes Mellitus tem várias complicações nomeadamente sobre os olhos, os rins e os pés. Trata-se da principal causa de cegueira no mundo ocidental, de falência renal com necessidade de hemodiálise e de amputação não traumática. Os doentes diabéticos têm também um aumento significativo do risco cardiovascular ou seja de vir a sofrer um enfarte agudo do miocárdio e/ou um

acidente vascular cerebral principalmente quando associada à hipertensão arterial e à dislipidemia. É muito importante estarmos atentos aos sintomas da doença para rapidamente intervirmos. Quanto mais cedo for o diagnostico e mais rápido o controle da glicemia melhor será o prognóstico . Os sintomas mais frequentes são: sede anormal ou sensação de boca seca, urinar frequentemente e em abundância, fome constante, cansaço e/ou falta de energia e perda de peso súbita. Se tiver estes sintomas deverá consultar o seu médico assistente.

A prevenção é fundamental. A adaptação de um estilo de vida saudável é essencial. Cerca de 90% da população diabética é obesa. A prática regular de exercício físico, uma boa caminhada diária é de fácil execução e acessível a todos. Uma alimentação saudável, com cerca de 6 refeições diárias, privilegiando as carnes magras e o peixe, os vegetais e legumes como acompanhamentos para as refeições e uma ingestão regrada dos hidratos de carbono deixando os doces para os dias festivos. Estima-se que a Diabetes Mellitus atinga mais de 371 milhões de pessoas em todo o Mundo o

que corresponde a 8.3% da população mundial. A prevalência em Portugal em 2011, era de 12.7% sendo que destes apenas 7.2% estavam diagnosticados ou seja 5.5% da população portuguesa tem a doença mas desconhece-a. Assim no momento do diagnóstico a doença já tem vários anos de evolução e portanto apresenta complicações graves que seriam evitadas se tivesse sido diagnosticada e tratada atempadamente. Estando o nosso pais a passar por graves dificuldades económicas é importante salientar o elevado custo da Diabetes Mellitus quer do ponto de vista social quer

do ponto de vista económico. Em Portugal, em 2011, os gastos com a Diabetes Mellitus representaram 0.8% do PIB e 8% das despesas com a saúde representando 1 450 milhões de euros. Assim devemos encarar todos o problema da Diabetes Mellitus em Portugal de uma forma séria e responsável. Devemos fazer aquilo que está ao nosso alcance mantendo um estilo de vida saudável que é fundamental quer na prevenção da doença quer na estabilização da mesma quando já diagnosticada. Mónica Soares Médica da consulta de diabetes no Hospital de Vila Franca de Xira


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Personalidades

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O Homem por detrás dos seus Poemas 2 Anos. Pai. Avô. Bisavô. Poeta. Actor. Músico. Compositor. Escritor. Romeu Pereira da Silva. Nasceu a 26 Janeiro de 1931 na pequena aldeia de Vale do Paraíso. Aprendeu a ler e escrever com uma senhora em Azambuja, Nini, que lhe permitiu passar da 1ª para a 3ª classe, talvez inspirado pela própria mãe, que foi a primeira menina a completar a 4ª classe. Estávamos em 1912. Filho de um pedreiro, tornou-se técnico de instalações exteriores, o que lhe permitiu viajar pelo país, vivendo em cidades como Vieira do Minho, Santarém, Caldas de Vizela, Castro Verde ou Abrantes. Conheceu muito jovem uma Maria, que veio a tornar-se a sua Rosalina até hoje. Hoje vê-se rodeado de mulheres: esposa, filha, duas netas e uma bisneta. Não dispensa o trabalho na sua horta ou uma visita aos sábados ao mercado de Aveiras de Cima. Uma noite fora de casa e o seu coração não dorme, a pensar no seu animal de quatro patas, que aguarda igualmente ansioso o regresso dos donos a casa.

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Tem no folclore e teatro a sua paixão: tocou numa tuna, nos anos 70 fez parte de um projecto musical “Almas deste Mundo”, e mais tarde trabalhou com jovens na “Voz do Paraíso”. Já nos anos 90,

fundou com alguns amigos o “Girassol”, projecto original de música popular portuguesa que mais tarde gravou em estúdio, nos tempos das nostálgicas cassetes. Nos palcos, escreveu algumas co-

médias satíricas, adaptadas com alguma ironia queirosiana aos nossos tempos, pisando palcos com o seu “Caloteiro” e “Lua de Mel a Três”, peças estas que encheram salas concelhias e ainda hoje são lembradas com carinho. O Rancho da Casa do Povo de Aveiras de Cima e o Rancho Folclórico Danças e Cantares de Vale do Paraíso foram desde sempre a sua segunda casa, acompanhando-os com o seu bandolim. Esta sua dedicação levou-o a viajar de avião com o Rancho de Vale do Paraíso até aos Açores, levando-o a ter de ultrapassar um medo que teve desde sempre, mas a promessa a um amigo, fez com que quebrasse o juramento de nunca levantar os pés do chão. Após a experiência que pensava dolorosa, gostou tanto que voltou a cruzar o Oceano em 2006, desta vez até à Ilha da Madeira, onde proclamou alguns poemas ao então Presidente da Câmara do Funchal! Perde-se a conta às aventuras que teve ao longo da sua vida, como daquela vez em que se perdeu no

Algarve ou foi interpelado por um polícia no Porto por ter sido confundido com uma…. Mulher! Guarda no coração amizades sem conta, deixa um rasto de amigos por onde passa, pessoas que mais tarde quando ouvem falar em Vale do Paraíso, relembram sempre o seu Poeta. O Toureiro que terminou a sua pega debaixo do touro foi imortalizado na sua 1ª obra “Gritos da Alma” que nunca pensou ver a luz do dia. Após alguns meses a reunir papéis, talões de compra e guardanapos, tudo o que servisse para escrever algumas linhas inspiradas pelo momento, viu o seu talento reconhecido por pessoas na Câmara de Azambuja, que editaram uma obra que alegrou um pobre coração de poeta. Após o seu primeiro livro, choveram os pedidos para escrever sobre os amigos e assim nasceram poemas que foram lidos em casamentos, aniversários, eventos oficiais ou folclóricos e etnográficos em que participa regularmente. O seu talento já chegou à esfera cibernética. São inúmeros os vídeos

que estão online; e com a sua vivacidade ainda levanta a sua voz para declamar: o ciclista que chegou a Lisboa sem as rodas da bicicleta. Todas as salas se silenciam aos ouvir os seus versos, pois ou terminarão numa ovação ou numa unânime gargalhada. Os “Sonhos da Vida” reúnem os seus últimos poemas mas tem na gaveta alguns escritos que aguardam a sua vez, assim como uma resenha histórica da sua freguesia e contos infantis. A ironia acompanha-o nos seus poemas, excepto quando escreve sobre assuntos mais sérios, como a morte ou a religião. Sente revolta pelo que o rodeia e indigna. Sente uma obrigação moral de a sua voz chegar mais longe, mudar o que está errado, escrever certo sobre linhas tortas, inspirar novas gerações com a sua experiência de vida, nunca deixar morrer a esperança. E tanto que nós precisamos de almas inspiradoras como a sua. Pois é para nós que escreve!

imediato, pois foi lá que iniciou o seu percurso. “Convidaram-me para tomar conta do futebol. Nesta primeira época acumulo a função de responsável para o futebol e treinador dos juniores.” Os problemas dos pequenos clubes são sobejamente conhecidos, e à cabeça encontra-se a dificuldade em pagar ordenados aos jogadores. Nesta questão, Nuno Cláudio possui uma opinião vincada – “Os ditos clubes amadores não deveriam ter esses problemas. Muitos embarcaram nesse cami-

nho perigoso com a utopia de chegarem a lugares mais altos, e que o caminho seria o de pagar ‘astronomicamente’ aos jogadores, à sua escala. Com isso endividaram-se. Não tenho pena desses clubes, porque isso resulta de uma má gestão. Os clubes amadores não deveriam pagar ordenados, aliás os profissionais também não deveriam pagar como o fazem. O jogador amador foi mal habituado”. No Aveiras “vou procurar uma gestão sustentável junto dos meus companheiros”, conclui.

Dina Patrício

O Fundamental” está prestes a assinalar 20 anos

Nuno Cláudio à lupa N

ão será o homem dos sete ofícios, mas pouco falta para tal. Nuno Cláudio é um dos jornalistas da imprensa regional mais conhecidos, mas também tem trabalhos na área da música e até já experimentou a faceta de treinador de futebol. Cresceu em Aveiras de Cima, mas não seguiu as pisadas da família, ligada ao ramo da panificação. “Fui uma espécie de ovelha rara na família”, graceja. Há cerca de 20 anos fundou o jornal Fundamental, um caso raro de longevidade no panorama dos jornais, que se tem afirmado pela sua postura incómoda para alguns, mas nunca indiferente. Nuno Cláudio diz que a sua personalidade confunde-se com as características do jornal, que se distingue por possuir uma “imagem muito própria”– “Criei um produto diferente, não vou discutir se deontologicamente é correcto. Aceito as críticas

de que é um jornal esquisito ou incorrecto, (embora não queira extravasar os limites da correcção) mas não perco tempo a discutir isso, nem sequer levanto o dedo para defender o Fundamental, porque caso contrário estaria a passar um atestado de inferioridade ao meu produto, que quero que se mantenha assim”, defende. Mas foi na Rádio Voz do Concelho, em Aveiras de Cima, com 16 anos que se estreou nas lides jornalísticas, como relatador de futebol. Com uma carreira recheada de muitas notícias, considera que a forma de estar na profissão mudou ao longo dos anos – “Hoje, os jornalistas são mais descarados, no bom sentido. Antigamente, não havia tanta facilidade em se afrontar os políticos, o poder”, diz, acrescentando: “Há 20 anos, os jornalistas, a nível local, temiam fazer perguntas. Limitavam-se a vei-

cular as posições oficiais dos que estavam, em maioria, nas câmaras, e quem ousasse fazer o contrário, era imediatamente abafado e visto como uma maça podre, parafraseando um dirigente de futebol”. Posteriormente, surgiu a música na vida de Nuno Cláudio, “numa altura em que estava cansado do jornalismo”. Apesar de já ter lançado vários álbuns e de ter percorrido os corredores de muitas rádios de norte a sul do país na divulgação do seu trabalho, diz encará-lo como um hobby, e por isso aparecer na televisão ou dar espectáculos é algo com o qual prefere não se comprometer. “Sou absolutamente autodidacta, não sei uma única nota, desenrasco-me a tocar teclas. Apenas tive formação na produção musical”. Entre os seus trabalhos, o álbum gravado em mirandês que lhe valeu a medalha

de mérito do município de Miranda do Douro é um dos mais conhecidos. Neste momento, está a regravar o “Pop em Stock” com o intuito de dar uma roupagem rock às canções. Mais, recentemente, decidiu abraçar a carreira como treinador de futebol. Tirou os diferentes cursos e chegou a treinar o Juventude da Castanheira, na época 2010/2011. “O futebol fascina-me pela componente física, tal como na música, não pretendo chegar a lado nenhum, especificamente. Gosto de comandar os jogadores, e de algum modo contribuir para o resultado final da equipa”. Depois da experiência no clube da Castanheira do Ribatejo, foi contactado por outros clubes da região, mas decidiu não aceitar propostas. Neste momento, integra o renovado projecto do Aveiras Sport Clube. Um convite ao qual acedeu de


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Valor Local: Edição 4/ Agosto 2013