Page 36

36

Especial

ano provocava frequentemente mudanças nas cores. O que nos causou estranheza foi o formato oblongo e principalmente o fato de o objeto ter sido detectado pelo radar. Astros sempre aparecem redondos, e nunca geram imagens nos radares”, relembrou Ozires Silva, em conversa com a revista valeparaibano. “A medida que nos aproximávamos do objeto ele ia se desvanecendo, até que desapareceu por completo. Solicitei então ao controlador a posição do outro objeto e voei para leste, para um ponto ao sul de Taubaté. Lá encontramos uma luminosidade, abaixo do nosso nível de voo, que parecia ser uma lâmpada fluorescente. Não acreditei que aquilo pudesse ser o objeto detectado pelo controlador no radar, pela simples razão de estarmos voando a uma altitude máxima de 600 metros e ser virtualmente impossível que um objeto qualquer, em nível inferior ao nosso, fosse detectado por uma antena radar instalada em Sorocaba, a 250 km de distância”, continuou o coronel, que descreveu o episódio no livro ‘Decolagem de um sonho: história da criação da Embraer’, publicado em 1998. Pouco antes de Ozires Silva encontrar a segunda luminosidade, o Centro do Tráfego Aéreo de Brasília já havia sido alertado sobre os estranhos pontos de luz, e despachado caças Mirage e F5-E de Santa Cruz (Rio de Janeiro) e de Anápolis (Goiás) para monitorá-los. É neste momento que as versões divergem. De acordo com o Infa (Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais), uma entidade civil dedicada à pesquisa e à divulgação de fenômenos aeroespaciais, todos os pilotos afirmaram ter visto em seus radares de bordo pontos de luz se deslocando de um lado para o outro e de cima para baixo. Um deles disse ter visto um destes objetos se movimentando em uma velocidade superior a mil quilômetros por hora. Outro afirmou ter sido perseguido por 13 pontos luminosos. No entanto, Ozires Silva insistiu sobre o fato de que os dois pontos de luz localizados por ele e pelo comandante Alcir Pereira eram imóveis. O curioso é que o Infa publica em seu site declarações dos dois citando “variações muito rápidas de velocidade” (Ozires) e “uma grande velocidade” (Alcir). “Para mim os pontos estavam parados, não em movimento. O comandante Alcir diz a mesma coisa”, insistiu o coronel da reserva, hoje reitor da Unimonte, na Baixada Santista. Resta que os acontecimentos levaram o então ministro da Aeronáutica, Octávio Júlio Moreira Lima, a fazer o seguinte pronunciamento: “Entre 20h e 1h, pelo menos 21 objetos

034-039_Ovnis Vale esta.indd 36

UFOLOGIA O ufólogo Ricardo Varela Corrêa: “Pela primeira vez na história, um ministro reconheceu a existência de óvnis no espaço aéreo”

foram detectados pelos radares brasileiros”. “Pela primeira vez na história, um ministro reconheceu a existência de óvnis no espaço aéreo brasileiro. Moreira Lima admitiu que na noite de 19 de maio de 1986, 21 objetos voadores não-identificados invadiram o território nacional”, enfatizou o ufólogo Ricardo Varela Corrêa, vice-presidente do Infa, em entrevista à revista valeparaibano. Silêncio De acordo com Varela, o ministro da Aeronáutica, que saiu do cargo em 1990, foi a última autoridade de alto escalão a falar abertamente sobre o tema. “Foi aberta uma investigação, mas as conclusões nunca foram reveladas ao público. Após anos de insistência, a CBU (Comissão Brasileira de Ufólogos) recebeu um documento que mencionava ‘problemas eletromagnéticos’ como única explicação para o ocorrido. Mas pelos relatos dos envolvidos, pelas condições meteorológicas registradas naquela noite e pelas circunstâncias de um modo geral, acho esta hipótese altamente improvável”, declarou. Na época, o ministro Moreira Lima disse: “Só podemos dar explicações técnicas, e não as temos”. Vinte e cinco anos depois, esta continua sendo a posição oficial sobre ‘A noite oficial dos óvnis’. “Existem inúmeras teorias, mas a posição oficial é essa mesmo. O que aconteceu naquela noite segue sem explicação. Não

temos resposta para tudo. Ninguém sabe ao certo como foi criado o Universo, por exemplo. Vi algo que parecia um astro, só que apareceu no radar. Então, o que era? Não sei. Não é necessário inventar teorias. Basta aceitar que algumas coisas são inexplicáveis”, desabafou Ozires Silva, admitindo que até hoje, não gosta de falar sobre o assunto. Segundo diversos depoimentos citados na época pela imprensa nacional, os pontos de luz não foram vistos somente por militares, mas também por civis de São Paulo, do Rio de Janeiro e de São José dos Campos. Há 25 anos, o fotógrafo Adenir Britto, 48 anos, que trabalhava no então jornal valeparaibano, teve a oportunidade de tirar fotos destas luzes. “Lá pelas 20h, quando estávamos no processo de fechamento do jornal, recebemos várias ligações de pessoas que afirmavam estar vendo discos voadores. No início não demos importância, achamos que era trote, mas o número de ligações foi aumentando. Eu e a chefe de reportagem da época decidimos sair para ver o céu, que estava limpo, sem nuvens. Vimos então uma concentração de 10 a 20 pontos luminosos multicoloridos. As cores dominantes eram amarelo, laranja e vermelho. As luzes piscavam e se moviam. Faziam deslocamentos circulares, movimentos acrobáticos. Fiquei particularmente impressionado com as arrancadas em velocidade, seguidas por desacelerações bruscas. Nunca tinha visto nada igual”, contou

3/6/2011 10:52:00

Revista valeparaibano - maio 2011  

Edicao de maio 2011

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you