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valeparaibano Domingo, 4 de abril de 2010 • Ano 1 • Número 1

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quinta-feira, 18 de mar

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R$ 7,80

Meio Ambiente

Capitalismo verde Mercado mundial movimenta US$ 850 bilhões com fontes de energias limpas e renováveis, reciclagem e diminuição na emissão de gases

CULTURA

Tim Burton traz sua leitura de ‘Alice’ P88

POLÍTICA

Quanto custa a Câmara de São José P20

TURISMO

Beleza e sabor no Litoral Norte P15 A chef Renata Vanzetto, dona do Marakuthai, em Ilhabela


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Opinião

Palavra do editor

DIRETOR RESPONSÁVEL Ferdinando Salerno

Uma nova fronteira na imprensa regional

DIRETORA ADMINISTRATIVA Sandra Nunes EDITOR-CHEFE Marcelo Claret mclaret@valeparaibano.com.br

EDITOR-ASSISTENTE Adriano Pereira adriano@valeparaibano.com.br

EDITOR DE IMAGEM Eugênio Vieira eugenio.vieira@valeparaibano.com.br

REPÓRTERES Yann Walter (yann@valeparaibano.com.br) e Elaine Santos (elainesantos@valeparaibano.com.br)

C

aro leitor, O primeiro número da revista que chega hoje às suas mãos traz em suas páginas a tradição de 58 anos de jornalismo, agora em um novo formato. Essa mudança obedece aos anseios do valeparaibano em estabelecer outro patamar de diálogo com seus leitores e uma nova fronteira na imprensa regional do Brasil. Em um mundo onde a informação está cada vez mais fragmentada nas mais diversas plataformas de mídia, impressas ou digitais, o valeparaibano enxerga como vital a existência de um veículo onde a análise seja mais importante que a velocidade, a informação exclusiva seja mais relevante que a pulverização dos fatos, o contexto e os bastidores da notícia sejam mais indispensáveis que o imediatismo. Essa equação está na raiz da revista valeparaibano, um projeto desenvolvido ao longo de meses e meses de trabalho, com apoio de um dos maiores escritórios de design gráfico do mundo, a Cases i Associats, com sede em Barcelona. Nossa meta? Informar o leitor e ajudá-lo a entender melhor o mundo que o rodeia. Mais: debater, com amplitude, os temas mais relevantes da política, da economia e da cultura, usando como bússola um jornalismo democrático, denso e independente. Estes valores jornalísticos estão gravados no DNA do valeparaibano –um DNA desenvolvido ao longo de décadas de história, de milhares e milhares de páginas impressas, de anos e anos na defesa intransigente das liberdades

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individuais, do Estado de Direito e da liberdade de expressão e de pensamento. E lapidado também na defesa do desenvolvimento e da qualidade de vida do Vale do Paraíba, do Litoral Norte e da Serra da Mantiqueira. Mas nossos limites não são geográficos. Na revista valeparaibano, o leitor encontrará em debate o Vale, o Brasil e o mundo, unidos pela única fronteira que interessa: a fronteira, cada vez mais ampla, do pensamento. Somado tudo isso, a publicação que você recebe hoje tem forte sotaque regional, mas olhos voltados para o mundo. E para o futuro. Boa leitura.

COLABORADORES Antonio Basilio, Cláudio César de Souza, Cláudio Vieira, Chico Pereira, Cristina Bedendo, Eduardo Carvalho, Flávio Forner (Arte), Franthiesco Ballerini, Flávio Pereira, Janaina Coelho, Pedro Ivo Prates, Raquel Cunha e Xandu Alves DIAGRAMAÇÃO Daniel Fernandes, Paulo Donizetti COLUNISTAS Alice Lobo, Carlos Carrasco, Fabíola de Olveira, Marco Antonio Vitti, Marcos Meirelles, Ozires Silva e Roberto Wagner de Almeida CARTAS À REDAÇÃO cartadoleitor@valeparaibano.com.br

DEPARTAMENTO DE PUBLICIDADE Tatiana Musto tatiana@valeparaibano.com.br

(12) 3909 4646 SUCURSAL SÃO PAULO Alameda Gabriel Monteiro Silva, 2373 Jd. América (11) 3546 0300

bano eparaiib valle Domingo, 4 de R$ 7,80

abril de 2010 •

Ano 1 • Número

1

A revista valeparaibano é uma publicação mensal da empresa Jornal O Valeparaibano Ltda. Av. São João, 1.925, Jardim Esplanada, São José dos Campos (SP) CEP: 12242-840 Tel.: (12) 3202 4000

ATENDIMENTO AO ASSINANTE Segunda a sexta-feira, das 8h às 18h 0800 728 1919 relacionamento@valeparaibano.com.br Meio Ambiente

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as iia gias gi gia rg rg nerg ner de ener es com fontes US$ 850 bilhõ asess emissão de gase dial movimenta Mercado mun e diminuição na is, reciclagem limpas e renováve

CULTURA

Tim Burton traz sua leitura de ‘Alice’ P88

POLÍTICA

Quanto custa a Câmara de São José P20

TURISMO

Beleza e sabor no Litoral Norte P15

www.valeparaibano.com.br FAX: (12) 3909 4603 PARA ANUNCIAR LIGUE: (12) 3909 4646 PARA FALAR COM A REDAÇÃO: (12) 3909 4600 As cartas devem ser encaminhadas com assinatura, endereço e telefone do remetente. O valeparaibano reserva-se ao direito de selecioná-las e resumi-las.

Vanzetto, dona A chef Renata em Ilhabela do Marakuthai,

EDIÇÕES ANTERIORES: 0800 728 1919 IMPRESSÃO GRÁFICA PLURAL TIRAGEM: 30 mil exemplares

Marcelo Claret editor-chefe

Esta tiragem é auditada pela BDO

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TURISMO

Sumário

A CHEF QUE CATIVA OLHOS E PALADARES P74

CAPA

A indústria do meio ambiente Passado o momento ideológico, preservar o planeta se transformou num negócio lucrativo

POLÍTICA COFRES PÚBLICOS

ESPECIAL VIOLÊNCIA INFANTIL

Quanto custa um Filhos de vereador em S. José? P20 ninguém P42 De verba para folhas de papel a assessores, veja os gastos no Legislativo FUTURO TREM-BALA

O Vale do Paraíba de volta aos trilhos P33 Depois de mais de 150 anos, a ferrovia cruza novamente os caminhos da região CINEMA TIM BURTON

‘Alice no País das Maravilhas’ ganha nova versão P92

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TURISMO ÁFRICA DO SUL

Um país muito além da Copa P68

Meninos e meninas vítimas da violência contam os dias para ter o aconchego de um lar, uma família Nação de diversidade cultural e paisagens lindas se mostra ao mundo INDÚSTRIA FONOGRÁFICA

Vinil Os LPs voltaram A Polysom retoma a produção de discos no Brasil P98

ENTREVISTA MÁRLON REIS

A importância do Ficha Limpa P26 Mundo p38 Ensaio Fotografico p60 Hi Tech p80 Moda p86

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Cartas&e-mails AS CARTAS

SERIEDADE

O DESTAQUE

Visão crítica INFORMAÇÃO Vale do Paraíba Esta é uma iniciativa muito significativa. A criação de uma revista que aborda temas de interesse nacional como cultura, economia e política, entre outros, mostra a preocupação do grupo que, há 60 anos, leva a informação para a mais linda região do Estado de São Paulo. João Sayad Secretário de Estado da Cultura de São Paulo

CONTRIBUIÇÃO História de respeito O valeparaibano, ao longo de quase seis décadas, vem desempenhando com competência o importante papel de levar informação de qualidade para uma sociedade moderna em busca de conhecimento e entretenimento. Desta maneira, o lançamento da revista, além de ser mais uma relevante contribuição ao jornalismo regional, dará continuidade a essa história de respeito ao leitor, com temas, análises, reflexões e opiniões sobre seu cotidiano. Em nome da família Embraer, gostaria de parabenizá-los por mais esta contribuição para as pessoas de nossa região e sociedade em geral. Frederico Fleury Curado Diretor-presidente da Embraer

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DESENVOLVIMENTO

Papel da imprensa Assim como o jornal, que se consolidou por sua credibilidade, esperamos que a revista valeparaibano possa contribuir ainda mais para o desenvolvimento da nossa cidade e região. Tenho certeza de que o grande beneficiado será o leitor, que poderá contar com mais um veículo de informação, com maior variedade e profundidade nas notícias. No Nos dias de hoje temos consciência do papel da i imprensa na sociedade, do árduo caminho nos tempos da ditadura, das lutas e conquistas que culminaram com a democracia alcançada no B Brasil. Além disso, tenho convicção de que um í só se constrói com informação e participapaís ção de todos. Nesse sentido procuramos aprimorar nosso trabalho na área de comunicação e sabemos que isso não seria possível sem a contrapartida séria e imparcial dos veículos de imprensa. À equipe que irá enfrentar mais esse desafio, desejo boa sorte e sucesso! Edurado Cury Prefeito de São José dos Campos

87,2

ENQUETE Você acha que o salário de R$8.507,20 dos vereadores de São José é alto?

5,28 7,46 SIM

Enquete cartadoleitor@valeparaibano.com.br

É JUSTO

NÃO

A Universidade de Taubaté (Unitau) parabeniza o valeparaibano pelo lançamento de sua revista e faz votos para que esta iniciativa venha a contribuir para o aprofundamento de importantes questões de nossa região e do país com a qualidade e a seriedade que esta empresa já apresenta em seu jornal. Que este novo veículo apresente, em suas reportagens, uma visão crítica e construtiva das cidades do Vale do Paraíba e consiga projetar, em cenário nacional, a importância socioeconômica e cultural da nossa região. Maria Lucila Junqueira Barbosa Reitora da Unitau

NOVA PROPOSTA Espaço privilegiado Vejo com bastante expectativa o lançamento da revista valeparaibano, que chega com uma proposta moderna e plural e promete ser mais um espaço privilegiado para opiniões e análises. Nosso Vale do Paraíba é riquíssimo, nos mais variados aspectos –humanos, ambientais, econômicos, históricos, culturais–, e tenho certeza de que sempre será uma ótima fonte de pautas igualmente riquíssimas. A revista expõe ainda a visão empresarial e editorial do valeparaibano, investindo em um novo produto que valoriza um suporte “tradicional”, em papel, mas ao mesmo tempo alinha-se às novas tecnologia e dialoga com elas, complementando-as. Hamilton Ribeiro Mota Prefeito de Jacareí

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Domingo 4 Abril de 2010

Cartas Av. São João, 1925 Jd. Esplanada, CEP 12242-840

LANÇAMENTO

E-mail revista@valeparaibano.com.br

Twitter @revistavale

OS E-MAILS

Flickr www.flickr.com/revistavaleparaibano

OUSADIA

Satisfação

Rico em informação

É com grande satisfação que parabenizo o valeparaibano pelo lançamento da revista, fruto de seu crescente profissionalismo, confirmando e concretizando sua força na mídia. Nossa região terá mais um veículo de abrangência empenhado em informar sobre as diversas áreas do interesse da população. Temos certeza que será um grande sucesso. Parabenizo todos os profissionais envolvidos no projeto.

O CenterVale recebeu com grande felicidade a notícia da nova revista da região, a revista valeparaibano. O Vale que é rico em informação porque todo assunto de repercussão tem fonte de informação ou consequências aqui, como exemplos, pesquisas espaciais, economia e geração de empregos nas indústrias: aeroespacial e automobilística. Este novo projeto tem tudo a ver e corresponde à riqueza de informação que a região possui e vem complementar com boas fontes o ágil mercado de comunicação regional. Parabéns pela iniciativa e ousadia, era o que faltava no setor de comunicação de São José dos Campos.

Roberto Peixoto Prefeito de Taubaté

CONTEÚDO Benefício É com grande satisfação que acompanhamos a chegada de desta publicação, a revista valeparaibano que, com certeza, brindará seus leitores com um conteúdo editorial rico, abordando temas econômicos, políticos e gerais. Conhecemos muito bem o trabalho feito pelo valeparaibano nas últimas décadas e não temos dúvida alguma do benefício que será oferecido aos leitores dos municípios de todo o Vale do Paraíba, da Serra da Mantiqueira e do Litoral Norte. Em nome da General Motors do Brasil, que completou 51 anos de atividades na unidade de São José dos Campos no último dia 10 de março de 2010, desejamos pleno êxito à nova revista. José Carlos Pinheiro Neto Diretor-presidente da General Motors do Brasil

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ORGULHO Nossa região Uma inovação, uma necessidade, pioneirismo com qualidade, segurança e credibilidade. É isso que representa a revista valeparaibano para a nossa região. Temos carência deste tipo de mídia e termos uma revista com essa qualidade editorial, com excelência no projeto gráfico e a idoneidade do valeparaibano é motivo de orgulho para todos. O valeparaibano não poderia fazer diferente. Parabéns pela iniciativa, pelo cuidado e muito sucesso pra todos nós.

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Cássio Rosas e KK Abdalla KMS Comunicação e Marketing

Marcelo Pirani Superintendente do CenterVale Shopping

DESAFIOS

VIDA LONGA

Independência

Dedicação

O valeparaibano é digno de todos os aplausos pela iniciativa de lançamento da revista. Há muito tempo nossa região vem merecendo a publicação de um novo veículo impresso, com a independência e a ética jornalísticas que já são marcas registradas desse grupo. Com a equipe de profissionais que encabeça o projeto, temos a certeza de que nasce uma publicação com a qualidade gráfica e editorial que os leitores valeparaibanos almejam. Que a revista não se furte de seus desafios e tenha vida longa.

A Fundação Cultural Cassiano Ricardo de São José dos Campos não poderia deixar de registrar a sua satisfação com o lançamento do mais novo produto do valeparaibano. Temos certeza de que a dedicação, a competência, o profissionalismo e a seriedade, demonstrada ao longo de décadas no jornal, serão incorporados a mais esta publicação que terá vida longa. Só resta à FCCR parabenizar por essa iniciativa e desejar muito sucesso a toda a equipe da revista.

Enio Machado Diretor da Alameda Comunicação

Mário Domingos de Moraes Diretor Presidente da FCCR

TWITTER Sobre os vereadores: @rojassjc: Pensando no tamanho e na importância da cidade, não acho o valor exagerado. Absurdo é não fazer valer essa remuneração!!

Sobre o lançamento da revista: @mcintrao: Bem-vindos e bem recebidos sejam!

@fardecossa: acho muito bom, a cidade precisa disso.

@netinhostabeli: Um novo meio de comunicação da região. No Twitter ja estou discutindo muitos assuntos que irão para a edição da revista valeparaibano!!

@EvandroMazetto: A região fica cada vez mais importante. Precisávamos de uma revista deste nível.

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Política

Dois Pontos

Marcos Meirelles Jornalista

Depois de Lula e FHC, o déjà vu ronda a eleição

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ela primeira vez em mais de 20 anos, Lula não está na disputa pelo Palácio do Planalto, mas o fantasma do ‘déjà vu´ ronda a eleição presidencial de 2010. Quais serão os desafios do Brasil depois de Lula e FHC? Este deveria ser o principal tema da eleição presidencial, mas corremos o risco de assistir a uma campanha dominada por uma infrutífera comparação entre os feitos do petista e do tucano. Para o PT, este é o cenário ideal. O governo Lula desconstruiu a imagem do expresidente Fernando Henrique Cardoso ao longo dos últimos sete anos e se projetou como único mentor da bonança econômica. A história mostra que padrinhos populares não garantem sucesso nas urnas. JK não conseguiu eleger Lott, Clinton viu Al Gore sucumbir diante da avalanche conservadora de George W. Bush e Miterrand teve que admitir Jacques Chirac como primeiroministro. Se a oposição não conta com o carisma de um Jânio Quadros, poderia viabilizar projetos que apontassem para a renovação administrativa do país.

Sem discurso

A cinco meses da eleição, o cenário é árido. A ex-ministra Dilma Rousseff rejeita a condição de poste, mas obedece rigorosamente a cartilha ditada por Lula. E os partidos de oposição seguem sem um projeto alternativo para o país. O PSDB capitula frente ao Bolsa-Famíia e os democratas já não possuem modelos contra a fúria estatizante do governo. E o PV se afunda no fundamentalismo ecológico.

Ponto de Vista: O que você espera das eleições de 2010?

“O inusitado é que será a primeira eleição sem o nome do Lula. Acredito na vitória do Serra por ser o mais preparado para governar o Brasil” Arquivo/vp

Emanuel Fernandes

“Confio na eleição da Dilma e na vitória do PT. O Brasil mudou, o eleitor vai comparar os anos de Lula e FHC e não vai querer perder conquistas”

BROTHERS FHC passa a faixa presidencial a Lula em 2002

<Terceira Via?

<Teoria do Poste

<Revanchismo Zero

Marina Silva será a Heloísa Helena de 2010, a candidata alternativa, simpática aos eleitores de classe média, cansados da polarização PT- PSDB, mas com patamar limitado de votos? A ex-ministra caiu na armadilha de replicar as críticas dos líderes das pesquisas. Assim a terceira via se inviabiliza antes mesmo da campanha oficial.

Dilma Rousseff rebate os adversários: “vocês acham que eu sou um poste?” A história mostra que não se pode subestimar candidaturas de perfil técnico apadrinhadas por lideranças populares. Em 2004, Eduardo Cury (PSDB) bateu Carlinhos Almeida (PT) na disputa pela Prefeitura de São José ainda no primeiro turno.

Remar contra o lulismo parece suicídio, mas o PSDB não personifica a oposição sistemática. A maioria dos pedidos de CPI para investigar Lula foi encaminhada pelo DEM. Os tucanos podem estruturar uma campanha destacando as iniciativas positivas dos governos estaduais comandados pela legenda, em Estados como São Paulo e Minas Gerais.

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BRANCO & PRETO

Carlinhos de Almeida

“Eleição é a expressão máxima da cidadania. Espero que a população use senso crítico e critérios éticos para escolher seus representantes”

Padre Afonso Lobato

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Domingo 4 Abril de 2010

Carlos Ayres Britto, presidente do TSE

NOVAS REGRAS “Nós não queremos fechar as torneiras, mas abri-las com transparência” sobre o financiamento das campanhas em 2010

Tucanos projetam 20 anos de poder em SP. Quem poderá contestá-los?

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or que o eleitor paulista deve confiar ao PSDB mais 4 anos de mandato à frente do Palácio dos Bandeirantes depois de 16 anos no poder? Será apenas por falta de opção? Com a oposição no Estado limitada aos arroubos de prefeitos e deputados sem expressão política, a eleição para o governo de São Paulo tende a ser um referendo sobre as sucessivas gestões tucanas. Em 16 anos, o Estado manteve-se como principal polo econômico, conservou a melhor infraestrutura viária e consolidou modelos de gestão pública. Mas em 16 anos o governo não foi capaz de garantir os avanços desejáveis na educação pública e coleciona fracassos na área de segurança pública. Para não se tornar enfadonha, a eleição de

A reinvenção do Legislativo e o voto regional

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as eleições de 2010 será preciso reinventar o papel do Legislativo. Os sucessivos escândalos no Congresso Nacional, com nepotismo, passagens aéreas e atos secretos do Senado, fizeram o eleitor perder de vez a confiança em deputados e senadores. As atenções estão voltadas para o Congresso, mas a Assembleia é o pior dos mundos. O governo aprova o que bem entende e os deputados se contentam com a

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2010 não deveria se resumir a um balanço dos 16 anos de gestão tucana. O eleitor espera um pouco mais do que a promessa de manutenção das conquistas administrativas. Mesmo assim, é um erro subestimar a liderança política de José Serra e Geraldo Alckmin entre os paulistas. São Paulo tem um orçamento de R$ 125 bilhões e uma estrutura de governo mais complexa do que a maior parte dos países latino-americanos. Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, o PSDB terá a missão de se renovar, compreendendo as mudanças que ocorreram na sociedade brasileira nas últimas duas décadas –uma lição ignorada pelo ex-presidente Eduardo Frei na emblemática derrota do grupo da Concertação nas eleições presidenciais chilenas, no início do ano.

votação de emendas para seus redutos. A transparência é próxima de zero: não se sabe nem mesmo quantos assessores cada parlamentar emprega. Em busca de votos, os deputados federais Emanuel Fernandes (PSDB) e Marcelo Ortiz (PV) terão que conciliar a prestação de contas e a renovação de promessas com a defesa do Parlamento. Emanuel queria o voto distrital, Marcelo Ortiz mais respeito às minorias no Congresso. Quatro anos depois, suas metas foram frustradas. Em 2006, os forasteiros abocanharam 150 mil votos no Vale, mas o voto regional deve voltar a ser defendido. A campanha pode ajudar Carlinhos Almeida (PT) a conquistar vaga na Câmara Federal e a manter Afonso Lobato e Mozart Russomano na Assembleia Legislativa. A força política do Vale continuará, no entanto, subestimada.

PINGUE & PONGUE David Fleischer cientista político e professor emérito da UnB

Qual é o grande desafio do Brasil a partir de 2011? Continuar com macroeconomia funcionando bem, com baixo índice de desemprego e inflação sob controle. Os analistas prevêem dificuldades na economia internacional. Existe ainda a questão fiscal. O governo Lula continua gastando mais do que deveria. Os petistas falavam da herança maldita de FHC e não era um erro. Agora, já tem gente falando na herança maldita do Lula. Estado mínimo ou Estado forte? Isso é complicado. Em 2006, o Lula pendurou a privatização no pescoço do Alckmin. Já pensando nisso, o Serra desistiu da privatização do sistema Cesp. O “Estado máximo” foi útil para o país sair da crise em 2009. Lula fez tudo por decreto, como a redução do IPI. A reforma política sai em 2011? A reforma política é uma história sem fim. O projeto dos fichas sujas é a grande reforma em pauta no Congresso. Se os candidatos já condenados forem barrados nas eleições, isso já será um grande avanço.

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Reportagem de Capa

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RAIO-X

MUNDO

BRASIL

RENOVÁVEIS

PROJEÇÃO

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R$ 848,34 bilhões foi o faturamento em 2009 com a economia verde em todo o mundo

Energias limpas, reciclagem e redução das emissões consumiram R$ 46,23 bilhões

Energias concentram os investimentos no mundo, chegando a US$ 145 bilhões no ano passado

O mundo gastará com fontes limpas de energia US$ 200 bilhões em 2010 e US$ 500 bilhões até 2020

A t j m e

• Reciclagem

CAPITALISMO VERDE

A indústria do Meio Ambiente De olho nesse filão, mercado mundial lucra R$ 850 bilhões com fontes de energias limpas e renováveis, reciclagem e diminuição na emissão de gases do efeito estufa em 2009

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Domingo 4 Abril de 2010

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Flávio Pereira

EMPREGOS

10% DE TUDO

RECICLAGEM

ALUMÍNIO

VALE

A economia ambientalmente sustentável já criou cerca de 14 milhões de empregos em todo o mundo

Brasil é o terceiro país em número de projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo)

O mundo fatura US$ 200 bilhões por ano reciclando em torno de 700 milhões de toneladas de materiais

O Brasil recicla cerca de 12,3 bilhões de latas de alumínio por ano. Equivalente a 165,8 mil toneladas

Em média, 95% das as latinhas fabricadas as no país são reaproveitadas. oveitadas. Destas, 70% são recicladas em Pinda nda

Xandu Alves São José dos Campos

O

capitalismo tingiu-se de verde ao longo do século 20 pela predominância comercial do dólar americano, a moeda mais influente do mundo. Na virada da primeira década do século 21, a economia global continuará marcada pelo verde, só que de outra fonte: o meio ambiente. A urgência de mitigar os danos causados pela exploração ambiental, que está aquecendo

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o planeta, combinada com a necessidade de desenvolvimento econômico e geração de empregos, levará a humanidade a tirar muito lucro da preservação. E isso já está ocorrendo, inclusive no Vale do Paraíba. Sementes da nova economia verde vêm sendo plantadas, principalmente, em três diferentes campos: fontes de energias limpas e renováveis, reciclagem de materiais e diminuição da emissão de gases do efeito estufa, que gera créditos de carbono. Juntas, estas áreas fizeram o mundo faturar cerca de R$ 850 bilhões no ano passado. Só no Brasil, empresas e governos investiram perto de R$ 47 bilhões em projetos ambientais com viés econômico. Todas elas gastaram para lucrar e

foram atraídas pelas oportunidades, não apenas por consciência ecológica. “Os números mostram que os investimentos foram maiores do que esperávamos”, avalia Michael Liebreich, diretor-executivo da Bloomberg New Energy Finance, uma das principais provedoras mundiais de informações para o mercado financeiro. “Energia limpa continua a ser o setor com forte crescimento em longo prazo.” Mas a estrada é longa até a humanidade conseguir mover-se mais por energias limpas do que pelo petróleo, que movimentou mundialmente R$ 1,44 trilhão em 2009. No entanto, especialistas de várias áreas concordam que é possível (e necessário) trocar a

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Reportagem de Capa

matriz energética mundial nos próximos 50 anos. “É falsa a ideia de que não será possível crescer economicamente a não ser através do atual modelo carbono (fóssil)”, contesta Paulo Moutinho, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Crescimento econômico vigoroso no futuro, para ele, se dará em países que conservarem suas florestas, desenvolverem tecnologias limpas e encontrarem um destino correto para o petróleo. Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, é mais taxativo. Ele garante que a energia verde “já é um investimento de primeira linha”, e que continua acelerando. Dados da Bloomberg New Energy Finance mostram que os investimentos em energias limpas cresceram 303% em cinco anos. As fontes sustentáveis receberam US$ 36 bilhões em 2004 e US$ 145 bilhões, no ano passado. Quem mais se destacou em 2009 no mercado de energias renováveis foram as empresas asiáticas, especialmente as da China, com gastos na ordem de US$ 37,3 bilhões. Pela primeira vez elas superaram os empreendedores norte-americanos, que investiram US$ 32 bilhões no segmento. No bloco Europa, África e Oriente Médio, os recursos em energias limpas foram de US$ 42,2 bilhões. A expectativa da Bloomberg para 2010 é que os gastos ultrapassem a barreira de US$ 200 bilhões e cheguem a meio trilhão de dólares até 2020. No Brasil, os projetos de energias limpas consumiram mais de R$ 18 bilhões em 2009, com destaque para biocombustíveis, energia eólica e hidrelétricas. Energia Limpa E há muito espaço para crescer. Atualmente, apenas 13% da energia mundial vêm de fontes limpas. Estudo apresentado na Conferência do Clima de Copenhague (COP 15), em dezembro, mostra que projetos de geração de energia a partir do vento, do sol e da água

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Estudo revela que novas oportunidades de emprego estão surgindo na economia ambientalmente sustentável

poderão suprir 40% da demanda mundial por energia até 2030. “A economia verde já é um mercado promissor no Brasil e no mundo. Os investimentos estão crescendo e têm ocorrido expansões, fusões e aquisições de forma acelerada”, disse a economista Camila Ramos, chefe de pesquisas para a América Latina da Bloomberg New Energy Finance. Ela acredita que a criação de tecnologia inovadora reduzirá os custos de produção de energia a partir de fontes alternativas, como ocorreu com o etanol no Brasil. Pesquisado desde 1970, o álcool anidro deixou de ser um

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Domingo 4 Abril de 2010

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Fotos: Eugênio Vieira

Marina: ‘modelo está em crise’

ALUMÍNIO Centro de Reciclagem de alumínio da fábrica Novelis, em Pinda, que lidera o ranking de reciclagem de latinhas no Brasil; no alto, pilhas do material prensado

combustível para minorias e liderou o crescimento no setor em 2009. Quanto mais as tecnologias baratearem a produção de energia limpa, mais as empresas investirão. “O mercado vai ajudar a conscientizar o planeta. As energias renováveis estão se tornando cada vez mais competitivas.” Emprego Estudo do WWI (Worldwatch Institute), organização de pesquisa de Washington (EUA) representada no Brasil pela UMA (Universidade Livre da Mata Atlântica), revela que novas oportunidades de criação

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de empregos estão surgindo na economia ambientalmente sustentável, que já criou 14 milhões de empregos em todo o mundo. E pode crescer ainda mais. “O mercado vai precisar de muita gente para trabalhar na economia baseada em sustentabilidade”, aponta Nancy Braga, economista ambiental do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia da 2ª Região de São Paulo). Nesse contexto, lembra o economista Bastiaan Reydon, professor de Meio Ambiente do Instituto de Economia de Campinas, instituição ligada à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é fundamental ampliar

O atual modelo econômico está esgotado. A exploração desmedida dos recursos naturais provocou mudanças climáticas no planeta e pôs em risco a vida das futuras gerações. As afirmações são da senadora Maria Silva (PV), ex-ministra do Meio Ambiente e pré-candidata à Presidência da República. Defensora das questões ambientais e sociais, ela considera que a humanidade chegou à era e que devemos dos “limites” limi marchar rápido rumo à mar transformação. tr ““O atual modelo de ccivilização está em ccrise. Não é mais possível remendá-lo. po O mo modelo econômico mostra também o fenômeno da exaustão. E a crise ambiental é exemplificada pelas atuais mudanças climáticas”, diz Marina, que defende novos parâmetros para a economia. A ideia central do pensamento econômico da senadora gira em torno da meta de “sustentar-se na diferença”, livrandose de processos coloniais que enfraqueceram os países menos desenvolvidos. Utopia É utópico? Talvez seja, mas a nova economia verde e a urgência de reduzir a degradação ambiental dão fôlego à senadora. Ela aposta em inverter o quadro e tornar a sustentabilidade uma proposta economicamente viável. “O custo de não encararmos com a devida urgência e prioridade essa questão aumentará enormemente o sofrimento das pessoas”, afirma Marina, referindo-se às milhares de vítimas de enchentes, terremotos e tantas outras catástrofes naturais.

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Reportagem de Capa

o conceito de sustentabilidade para além das questões meramente ambientais, incluindo os fatores humano e social na equação verde. “O caminho para o sucesso é diminuir, ao mesmo tempo, os custos e as emissões de gases do efeito estufa, proporcionando novas oportunidades de negócio no mercado”, sintetiza Reydon. É o que vem acontecendo com a indústria da reciclagem, que fatura US$ 200 bilhões por ano reaproveitando em torno de 700 milhões de toneladas de materiais de todos os tipos. Na área de reciclagem de alumínio, segundo a Abal (Associação Brasileira do Alumínio), o Brasil é campeão mundial pelo oitavo ano consecutivo, batendo na casa de 12,3 bilhões de latinhas recicladas –165,8 mil toneladas de alumínio.

de comportamentos”, frisa o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Para ele, o processo econômico é parte significativa do movimento para reduzir a exploração ambiental do planeta. “A economia verde é para mudar comportamentos, reduzir a geração de lixo, aumentar a reciclagem e impulsionar a reutilização de produtos. Toda a mudança na área ambiental precisa chegar às crianças nas escolas. Elas que transformarão o mundo.” Créditos de Carbono Oportunidades não faltam. Uma delas foi defendida na COP 15 e chama-se Redd, sigla em inglês para Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Trata-se de uma forma de compensar aqueles que protegerem as florestas do desmatamento, num sistema parecido com os créditos de carbono. Criado no Brasil por pesquisadores como Paulo Moutinho, do Ipam, Márcio Santilli, do ISA (Instituto Socioambiental), e Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Redd é uma maneira de tornar mais atrativa a proteção da floresta Amazônica do que a sua degradação. Ganha em créditos quem não desmatar e evitar as emissões de carbono, que surgem com a queima da mata. A proposta está sendo discutida na comunidade internacional. Outra oportunidade para as cidades brasileiras é a

venda de créditos de carbono obtidos com redução das emissões de gases do efeito estufa. São José dos Campos se prepara para abrir um pregão na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e vender lote de créditos equivalente a 80 mil toneladas de gás metano encapsulado e queimado no aterro sanitário da cidade. A transação pode chegar a R$ 3 milhões. Com isso, o município se tornará a terceira cidade do país a vender créditos de carbono na Bovespa. O mais impressionante é que a fonte de recursos vem do lixo, das 500 toneladas de lixo orgânico depositadas diariamente no aterro municipal. Segundo Alfredo de Freitas Almeida, presidente da Urbam (Urbanizadora Municipal S.A), o gás metano gerado pelo acúmulo de lixo é coletado e queimado em uma estação de tratamento de gás. Como o metano é 21 vezes mais poluente do que o CO2 (gás carbono), cada tonelada dele rende créditos que valem 12,3 euros no mercado internacional. “O lixo será grande fonte de recursos para o município”, diz Almeida, revelando que a intenção da cidade é usar o metano para gerar energia elétrica, que abastecerá hospitais, escolas e semáforos. Também será construída uma usina para tratamento térmico do lixo, como ocorre na Alemanha e em outros países desenvolvidos. Ao invés de enterrar os resíduos, como é feito hoje, São José pretende queimar o lixo numa usina, potencializando a produção de energia e a venda de créditos de carbono. “Investir na preservação do meio ambiente nos abre um leque imenso de oportunidades, envolvendo a gestão pública, os empreendedores e os pesquisadores”.

ATERRO Caminhões despejam terra em área do Aterro Sanitário da Urbam, em S. José Flávio Pereira

O Vale Em média, 95% das latinhas fabricadas no país são reaproveitadas. Destas, 70% são recicladas na fábrica da Novelis, em Pindamonhangaba, que emprega 700 funcionários e movimenta outros 400 indiretos em torno do processo de recuperar o alumínio. Para se ter ideia da importância da atividade, a reciclagem de uma única latinha propicia economia de energia suficiente para manter uma geladeira ligada por quase 10 horas. Osmar Marchioni, gerente de reciclagem da Novelis, disse que a meta da empresa é alcançar 400 mil toneladas de alumínio recicladas por ano, o que exigirá contratação de funcionários e expansão do negócio em Pinda. A empresa é a única fabricante de laminados de alumínio no Brasil. A reboque deste crescimento, junta-se o universo dos catadores de materiais recicláveis, que hoje envolve perto de 1 milhão de pessoas no Brasil e fatura cerca de R$ 28 bilhões por ano. Nos Estados Unidos, a reciclagem já emprega 500 mil pessoas, o dobro do que emprega a indústria do aço. “O sucesso da preservação dos ecossistemas depende da consciência e da mudança

São José vai leiloar na Bovespa lote de créditos de carbono em transação que pode chegar a R$ 3 mi

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‘É a oportunidade do Brasil sair na frente’

‘É possível crescer respeitando o ambiente’

Para o governo de São Paulo, comandado por José Serra (PSDB), o crescimento da indústria do meio ambiente constitui grande oportunidade ao país. “É a oportunidade do Brasil sair na frente”, afirma Xico Graziano, secretário estadual do Meio Ambiente. Na opinião do governo paulista, meio ambiente, atividade econômica e bem-estar da sociedade formam a base do desenvolvimento sustentável. “É possível conciliar a agenda ambiental com a do desenvolvimento. São Paulo é uma referência mundial em energias renováveis, por conta do etanol da cana-deaçúcar e da hidroeletricidade. De acordo com o Balanço Energé-

“O Brasil já tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo”. A afirmação é de Dilma Rousseff, atual ministrachefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, comandado por ela entre 2003 e 2005, 90% da geração de energia no Brasil vêm de fontes renováveis, como hidrelétricas, biomassa e etanol, e a meta é manter esta proporção. “Vamos continuar impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de

biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente”, garantiu a ministra em discurso no lançamento de sua pré-candidatura. Como ministra de Minas e Energias, Dilma entrou diversas vezes em conflito com a senadora Marina Silva (PV), então ministra do Meio Ambiente e atual pré-candidata do PV à Presidência, por sua demora em liberar as licenças necessárias para obras de infraestrutura que poderiam prejudicar o meio ambiente.

Flávio Pereira

tico da Secretaria de Saneamento e Energia, de 2007, a matriz energética renovável do Estado de São Paulo representa 52,35% do total”, diz Graziano. Para ele, o desenvolvimento da indústria do meio ambiente no Brasil passa pelo fortalecimento de um estado “ativo, fomentador e articulador”. “São necessários mecanismos e instrumentos de incentivos, como a criação de uma linha de financiamento ao setor industrial, a redução de impostos aos produtos sustentáveis e um maior investimento em tecnologia.”

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Política LEGISLATIVO

O preço da democracia em São José Manter os 21 vereadores na Câmara custa aos cofres públicos R$ 14,7 milhões por ano Cláudio César de Souza são josé dos campos

ual o preço da democracia? Em São José dos Campos, maior cidade do Vale do Paraíba, manter os 21 vereadores custa ao menos R$ 14,7 milhões por ano aos cofres públicos. Essa verba, que representa 41% dos R$ 36,2 milhões do Orçamento do Legislativo este ano, seria suficiente para construir sete UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ou seis escolas de ensino fundamental para 1.000 alunos cada. Os R$ 14,7 milhões também bancariam a construção de cinco creches para 250 crianças cada, acabando em dois anos com o déficit atual de 2.500 vagas em creches no município, ou poderiam ser usados para comprar remédios em quantidade suficiente para abastecer por três anos todos os 40 postos de saúde da cidade. E quem acha que o valor já

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é alto, pode preparar o bolso. O gasto público para manter os parlamentares será ainda maior a partir de 2013, quando a Câmara passará a ter mais seis representantes. Na próxima legislatura, o preço da democracia ficará mais salgado para os eleitores, saltando para pelo menos R$ 15,8 milhões por ano. Para o professor de Ciências Políticas da UnB (Universidade de Brasília) David Fleischer, mais do que o custo do vereador o que importa é o retorno que ele dá para a comunidade com seu trabalho. “Esse valor de R$ 14,7 milhões por ano demonstra que os vereadores de São José contam com estrutura mais do que suficiente para desenvolver um bom trabalho em prol da comunidade. O que tem ser analisado sempre é o retorno que eles dão para a população”, pondera o cientista político. “Se os projetos de lei que os vereadores apresentam e votam beneficiam um grande número de pessoas, melhoram a vida dos moradores e se os parlamentares estiverem cumprindo sua função de fiscalizar o Executivo, o dinheiro público está sendo bem

PLENÁRIO Vereadores em sessão esvaziada na Câmara de São José; Legislativo terá 27 parlamentares a partir de 2013

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Eugênio Vieira

GASTOS DA CÂMARA (R$)

42.961 ASSESSORES Custeio mensal dos salários e encargos trabalhistas dos funcionários de cada um dos 21 gabinetes

8.507 SALÁRIO De cada vereador em São José; último reajuste foi aprovado pelo Legislativo em dezembro de 2007

3.286 TELEFONIA É o gasto médio com telefones fixos por mês; vereadores têm ainda mais R$ 220 para celular

780 COMBUSTÍVEL Valor equivalente à compra de até 300 litros de gasolina por mês por carro oficial do Legislativo

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Política

empregado. Caso contrário, o custo acaba sendo alto para a sociedade.” Historicamente, metade dos projetos apresentados pelos vereadores nos últimos anos se refere a nomes de ruas e homenagens, relegando ao segundo plano a discussão de temas que interferem no dia a dia da comunidade. Em relação ao custeio da Câmara, hoje o fator que mais onera a atuação parlamentar em São José é a folha de pagamento. Por mês, cada parlamentar tem à sua disposição verba de R$ 21.667 para contratação de até 11 assessores para seus gabinetes –valor que sobe para cerca de R$ 42 mil com os encargos trabalhistas. No segundo lugar do ranking aparecem os subsídios dos próprios vereadores –R$ 8.507,20, contra R$ 4.500 da legislatura anterior.

Resgatar papel do vereador vira desafio, diz especialista Apesar do descrédito atual do Legislativo junto à opinião pública, o papel do vereador precisa ser resgatado com urgência pela importância que tem para a melhoria da vida da comunidade. O alerta foi feito pelo historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), Marco Antônio Villa. “O Legislativo está desacreditado nas esferas municipal, estadual e federal e o que está acontecendo em São José se repete no Brasil. A Câmara Municipal é hoje um poder muito frágil porque restringiu a participação da sociedade e os vereadores ficam a reboque do Executivo, vendendo seu apoio em troca

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de favores”, analisa Villa. ntal “É fundamental que haja uma conscientização política da sociedade e uma mobilização popular para que o Legislativo volte a cumprir seu papel constitucional. Quando a população passar a fiscalizar o trabalho do vereador, ele se sentirá na obrigação de melhorar seu desempenho.” Segundo o historiador, o vereador tem papel fundamental para a melhoria da vida das pessoas. “O vereador é o político que está mais próximo da população e a Câmara é o espaço ideal para se discutir os problemas cotidianos da cidade”, disse.

Reação O dinheiro investido na equipe de trabalho dos parlamentares é considerado excessivo pelo ex-presidente da subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, Luiz Carlos Pêgas, que nos últimos anos tem sido um dos maiores críticos do Legislativo local. “O custo do vereador em São José é alto, mas o mais preocupante é que está havendo má aplicação desses recursos. Eles contratam muitos assessores que não têm especialização e esses funcionários acabam com o tempo trabalhando como cabos eleitorais dos vereadores”, salienta Pêgas. “Como não contam com assessores qualificados, os vereadores acabam apresentando um trabalho inócuo e deixam de lado a discussão dos grandes problemas da cidade. Os maiores prejudicados com isso são os moradores, que custeiam os vereadores e nem sempre têm como retorno um trabalho produtivo e de qualidade.” Nos últimos anos, a Câmara tem ampliado as regalias dos vereadores, alegando que o crescimento da cidade e do número de moradores gerou mais trabalho. Cada parlamentar tem à sua disposição um carro oficial com motorista. No caso do presidente da Casa, Alexandre da Farmácia (PR), o privilégio é ainda maior –são dois veículos e dois motoristas. A lista inclui ainda cotas fixas mensais como 300 litros de gasolina, R$ 220 para custear ligações de telefone celular e 4.000 folhas de papel sulfite. Mas saber quanto do imposto que o eleitor paga é direcionado para custear os vereadores nem sempre é tarefa fácil para os moradores de São José e exige malabarismo. Apesar de toda a tecnologia da maior cidade do Vale do Paraíba, o Legislativo não mantém atualmente nenhum mecanismo para divulga-

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Flávio Pereira

Gasto é compatível com o trabalho

Eugênio Vieira

LEGISLATIVO Acima, fachada da Câmara de São José; ao lado, o vereador Alexandre da Farmácia (centro), presidente da Casa, conversa com a secretária de Governo Claude Mary de Moura

ção de seus gastos. A revista valeparaibano solicitou a relação de despesas, mas as informações fornecidas foram incompletas, incluindo apenas salários dos vereadores e motoristas e cotas fixas para manter os gabinetes. Para complementar a lista, o parâmetro usado foi o gasto de janeiro disponibilizado pelo 1º secretário da Casa, Cristiano Pinto Ferreira (PSDB), em seu site, onde aparecem outras informações como manutenção de veículo oficial, diárias de motorista e telefone fixo. No rastro da atitude adotada pelo vereador tucano, a mesa diretora da Câmara promete até o final do ano lançar um ‘Portal da Transparência’ para que os moradores conheçam em detalhes o gasto do dinheiro. Transparência A falta de transparência dos vereadores em relação ao modo como utilizam o dinheiro público exige uma postura mais contundente da população em termos de fiscalização, alerta a professora de Ciências Políticas da USP (Uni-

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versidade de São Paulo), Maria do Socorro Sousa Braga. “É cada dia mais fundamental que a população fiscalize como os vereadores gastam o dinheiro público, acompanhe o trabalho deles e cobre a melhoria dos resultados. Como é a população que sustenta a classe política, ela tem direito de ter um resultado à altura”, salienta. “A verba que os vereadores de São José recebem me parece ser suficiente para que eles desenvolvam um bom trabalho. Portanto, deveriam ser mais propositivos e conscientes das demandas da comunidade.” O coordenador da Escola de Fé e Política da Diocese de São José, padre Antônio Aparecido Alves, é mais contundente ao abordar o assunto. “Não sei se este custo é alto ou baixo. O que importa para a população é que o vereador cumpra seu papel, fiscalizando o Executivo e trabalhando para ajudar a melhorar a vida das pessoas. Mas, infelizmente, o que temos observado em São José é que os vereadores acabam atuando como despachantes de luxo e apêndices do Executivo”, disse.

O presidente da Câmara de São José dos Campos, Alexandre da Farmácia (PR), considera que o gasto atual para manutenção dos 21 vereadores é compatível com o retorno que os parlamentares dão à comunidade com seu trabalho. “Se os vereadores fossem à Câmara apenas duas vezes por semana para participar das sessões e votar os projetos, o gasto seria 10% desse valor. Mas temos um trabalho diário nos gabinetes e nas ruas para atender a comunidade e muitas vezes exercemos função que nem é prerrogativa do vereador”, disse Alexandre. “São José está crescendo, montamos uma boa estrutura de trabalho e a demanda de serviço também está aumentando. Tudo isso gera gastos e não é barato. Para se ter uma ideia, cada vereador atende, em média, 2.000 pessoas por mês nos gabinetes, além das reuniões que fazemos diariamente nos bairros”, disse. Economia Segundo ele, a Câmara de São José tem sido exemplo de economia do dinheiro público nos últimos anos. “O repasse constitucional a que temos direito é de 4,5% do Orçamento municipal, mas há pelo menos cinco anos temos usado 3% e ainda devolvemos dinheiro à prefeitura. No ano passado, por exemplo, devolvemos quase R$ 4 milhões.Enquanto o dinheiro público estiver sendo gasto para atender a comunidade e ajudá-la a resolver os problemas, estará bem investido. Acredito que a população está satisfeita com nosso trabalho, tanto é que praticamente todos os vereadores foram reeleitos em 2008”, disse o parlamentar.

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Divulgação

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Entrevista >Márlon Reis é um dos idealizadores do projeto de lei encaminhado ao Congresso que propõe uma investigação da vida regressa dos candidatos a cargos políticos no Brasil antes de se elegerem

“Chegou a hora de acordar. O Ficha Limpa é um grito de alerta” Adriano Pereira São José dos Campos

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oje, um cidadão comum que consegue um emprego tem, entre outras obrigações, que apresentar um atestado de antecedentes criminais. Se esta mesma pessoa tenta ingressar no serviço público, também é obrigada a apresentar o documento. Entretanto, candidatos a cargos políticos no Brasil podem se eleger mesmo tendo vasta ficha criminal. Para mudar essa realidade e outras discrepâncias no processo eleitoral brasileiro, o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) criou a campanha Ficha Limpa, uma iniciativa que visa a criação de uma lei sobre a vida regressa dos candidatos para tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidade, ou seja, de quem não pode se candidatar. O projeto recolheu em 2009 mais de 1,3 milhão de assinaturas para que fosse apresentado ao Congresso. Um dos principais representantes dessa ação é o juiz eleitoral Márlon Reis, 40 anos. Com declarações diretas e pesadas, o ma-

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gistrado vem pregando pelo país a inelegibilidade de candidatos condenados pela Justiça. Em meio às discussões sobre textos alternativos propostos pelo Congresso, Reis atendeu a revista valeparaibano para falar sobre o assunto. Qual a principal resistência ao projeto por parte dos políticos? < A resistência é cultural, é a resistência que não é dita, baseada no fato de que as instituições brasileiras, particularmente a área política, tratem da corrupção como algo irrelevante. O que está por trás de uma realidade difícil de mudar é a cultura dos políticos e da sociedade civil. Em outros países, a cultura rejeita esse tipo de crime e uma lei dessas nem precisa ser apresentada. Aqui, precisamos da voz de mais de um milhão de pessoas para que alguém resolva tratar do assunto. Qual a parcela de culpa da população na corrupção eleitoral? < A situação atual é fruto de processos históricos, não existem culpados pontuais. Temos que entender que a partir de agora podemos falar de responsabilidade. Por exemplo, fingir que não está se passando nada é uma responsabilidade. A política no Brasil foi confundida com o privado, em segundo plano ficou a ética. Sempre se pensou

PERFIL NOME: Márlon Reis IDADE: 40 anos PROFISSÃO: Juiz Eleitoral no Estado do Maranhão ATUAÇÃO: Um dos principais articuladores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e da Campanha Ficha Limpa

CORRUPÇÃO “A PRIVADO. SEMP ISSO? CHEGOU

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“o que eu posso ganhar com isso?”. Chegou a hora de acordar. Não é apenas coletar assinaturas para um projeto de lei, mas dar um grito de alerta. Com ou sem aprovação da lei, faremos campanhas educativas para a população entender que ela faz parte desse processo de corrupção. Quais são as características do sistema eleitoral brasileiro que, em sua opinião, levam ao problema da corrupção? < São dois problemas principais. Um é a mercantilização das eleições e o outro é a personalização das eleições, a individualização do processo eleitoral. Essa primeira questão, a da mercantilização das eleições, passa pela lei: a nossa legislação eleitoral sequer prevê limites de gastos para as eleições. Cada eleição se torna mais cara, é preciso movimentar cada vez mais recursos, e aqueles que não os têm vão ficando longe da possibilidade de conseguir se eleger. Por outro lado, aqueles que mobilizam recursos, seja por vias lícitas ou ilícitas, vão se tornando cada vez mais fortes eleitoralmente. Então é um processo que está se agravando. O outro problema é o da individualização. A política no Brasil é “fulanizada”. Os candidatos são vistos como salvadores da pátria, como pessoas que vão resolver todos os problemas, e há pouca cultura de partidos políticos, de grupos sociais organizados. É característica das democracias mais avançadas o desenvolvimento e o fortalecimento dos partidos políticos. Hoje vemos os candidatos disputando entre si. Por que não podemos ter um partido político forte no Brasil? Porque na disputa eleitoral os candidatos têm que vencer os próprios colegas de partido ou coligação. Isso faz com que, em lugar de aliados, os partidos reúnam adversários dentro deles. Eles disputam entre si, e às vezes é mais importante ter mais votos que o companheiro de partido do que ter mais votos que o adversário.

ÃO “A POLÍTICA NO BRASIL FOI CONFUNDIDA COM O SEMPRE SE PENSOU: O QUE EU POSSO GANHAR COM GOU A HORA DE MUDAR ESSA SITUAÇÃO”

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O senhor acha que houve algum tipo de descaso ou manobra proposital para que o projeto de lei ficasse tanto tempo na gaveta do deputado federal Michel Temer (PMDB)? < Não sabemos ao que atribuir essa demora.

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Entrevista Rodolfo Stuckert/Secom-CD

Janine Morais/Secom-CD

1,5 mi ASSINATURAS Foram coletadas em todo o Brasil em apoio ao projeto de lei, que ficou conhecido como Ficha Limpa

29.9.09 ENTREGA DA PROPOSTA Representantes de 43 entidades protocolam o projeto no Congresso Nacional

Mas pelo tamanho do impacto que o projeto gera não podemos nos queixar de demora. A velocidade com que as coisas andaram foi determinada pela repercussão fora do Congresso, com a imprensa e a população se movimentando. A Câmara não teve como ignorar a proposta . O que o senhor pensa de um deputado como José Genoíno, que usou a tribuna para atacar o projeto? < No caso dele, foi particularmente infeliz. Esse comportamento só reforça a ideia de que ele seria um dos atingidos, faltou a isenção exigida para alguém que deva representar os interesses da população. Ele estava pensando nos próprios interesses. Sua crítica usa o princípio da presunção de inocência, nós também defendemos isso. Mas isso é aplicado ao direito criminal e não ao eleitoral. No direito eleitoral temos que aplicar o princípio da precaução. Um empregado que mata o patrão pode ser demitido por justa causa, por exemplo. Mas muitas sentenças de primeira instância são reformadas em tribunais superiores. Não é injusto vetar a candidatura de quem ainda pode ser absolvido? < Injusto é permitir a eleição de pessoas que sempre se valeram da lentidão da Justiça e do foro privilegiado. Não queremos mostrar culpados. Quando se limita a candidatura das pessoas, não estamos apontando culpa, queremos apenas que esse indivíduo resolva seu problema com a Justiça e depois se candidate. É bastante razoável

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CAPITAL DO PODER Congresso Nacional, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF); projeto de lei do Ficha Limpa tem que ser aprovado na Câmara e Senado e sancionado pelo presidente Lula até junho para valer na próxima eleição

ele se afastar da vida pública temporariamente enquanto ainda responde por um processo criminal. Tudo que se faz na vida é assim. Quando uma pessoa vai comprar algum bem é feita uma pesquisa para saber se ela é uma boa compradora ou não. Para ser juiz, é feita uma pesquisa de conduta social ampla e apenas a constatação, não a condenação, de que esse candidato use drogas, por exemplo, já afasta a possibilidade de sua candidatura. Esse rigor só não atinge essa comunidade que exerce o mal poder. A campanha optou por coletar assinaturas. Não seria mais fácil pedir para um deputado fazer o projeto? < Até foi feito dessa maneira, mas os projetos não tramitaram. A ideia só passou a marchar com o peso das ruas. Nunca foi suficiente apenas a apresentação do projeto por parte de um deputado. As mudanças propostas podem gerar uma lei sem poder efetivo? < Não acho. Da maneira com a qual está sendo levado desde o início, acredito que já geraremos grandes mudanças. Quando criamos o projeto, sabíamos que haveria um debate parlamentar, já contávamos com propostas de mudança. Acredito na aprovação da lei e espero que as mudanças propostas não mutilem o projeto, que o Congresso não sufoque o grito que veio das ruas. Estamos atentos para isso. O que esse projeto representa à Justiça? < O MCCE é fruto de um novo estágio em

que a sociedade civil acorda para enxergar problemas que antes eram tratados com menor importância. Estamos atravessando um novo momento histórico em que buscamos atingir objetivos estratégicos e de longo prazo. A história não pode servir como desculpa diante do problema da corrupção, estamos encarando um desafio que exige a participação de todos. Acho que a campanha Ficha Limpa é um grande favor que se presta ao Brasil frente à queda da legitimidade da representação política do país. A campanha não é o fim de nada, não basta para que tudo se resolva. Não adianta apenas impedir de se eleger essas pessoas que estão aí só para dilapidar o patrimônio público, temos que ir além. Nesse sentido, a lei é um favor prestado à democracia brasileira. Como se combate a impunidade? < Quando se institui uma política baseada nisso, em personalismo e mercantilização, estamos falando da forma de acesso das pessoas ao poder. E são justamente estas pessoas que estão encarregadas de criar as normas para barrar processos de corrupção. O Brasil é carente de normas, de uma institucionalidade que, de fato, enfrente a corrupção. É razoável que seja assim, pois o próprio sistema eleitoral já favorece a eleição de pessoas que precisarão ter, inclusive durante o processo eleitoral, manejado recursos de forma ilícita. Não é à toa que praticamente todos os grandes partidos tenham sido pilhados em flagrante, nos últimos anos, negociando apoios políticos em troca de ver-

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Luiz Alves/Secom-CD

VOTAÇÃO Parlamentares P reunidos r no plenãrio do d Congresso Nacional; projeto de iniciativa popular, o Ficha Limpa propõe a inegibilidade de candidatos a cargos políticos condenados pela Justiça

MÁRLON REIS “A ideia só passou a marchar com o peso das ruas. Nunca foi suficiente apenas a apresentação do projeto por parte de um deputado”

aos presidentes de associações, aos prefeitos, aos vereadores e que vai reproduzindo as estratégias clientelistas –e isso no Brasil inteiro. Então é preciso priorizar os partidos políticos e fortalecê-los, dirigindo a eles o voto, e não ao fulano. Quanto às doações, só temos duas alternativas. Ou instituímos o financiamento público de campanha ou o financiamento social, estabelecendo as doações apenas por indivíduos e num montante pequeno, de tal maneira que as pessoas sejam estimuladas a doar e os candidatos sejam estimulados a procurar doadores.

aquele partido em que mais acredita. Não precisa ser em grandes somas. Quem disse que precisamos de campanhas multimilionárias? A legislação já prevê os programas em rádio e televisão. Nos casos dos candidatos a cargos majoritários, especialmente em eleições municipais, eles só podem utilizar segundos para aparecer com seu rosto e dizer que são candidatos. Se tivéssemos listas fechadas, o tempo seria gasto para explicar por que um partido é diferente do outro, por que votar neste e não naquele, não haveria aquela infinidade de candidaturas individuais. Só isso já favoreceria um espaço de proporção partidária e eleitoral muito grande, com tempo na televisão. Numa campanha coletiva e não difusa, todos os recursos seriam canalizados pra uma campanha única, barateando imensamente os custos. Seria um grupo contra outro grupo, e não centenas de candidatos, cada um sendo uma unidade econômica de campanha.

Mas o senhor acredita que as pessoas irão doar dinheiro? < Com certeza, é viável, sim. Na verdade, estamos longe de ter um país pobre. É um país empobrecido, em parte. A classe média e outros setores mais organizados economicamente poderiam perfeitamente (bancar candidaturas). Não participam hoje porque não acreditam no sistema. A doação por pessoas físicas é uma raridade. Porque o sistema não é crível, e as pessoas acreditam que o dinheiro será desviado já na campanha. Se fosse mudado o sistema, para permitir a conquista da confiança do eleitorado, não tenho dúvida de que as pessoas estariam dispostas para entrar na internet e fazer uma pequena doação para

Se essa lei entrasse em vigor agora, quem poderia ser cassado? < Essa lei vai atingir todos aqueles que tiverem graves pendências com condenações na Justiça. Então, esse é um número impossível de explicitar. Entre os parlamentares, existem algumas pesquisas que revelam que não seria tão alto o número porque infelizmente os nossos tribunais andam muito lentamente. Mas, em compensação, há um grande número de pessoas condenadas por compra de votos, abuso de poder, desvio de verbas, falta de prestação de contas. É impossível precisar, mas o número é muito grande de pessoas que ficará de fora das eleições quando a nossa lei for aprovada.

JUSTIÇA “INJUSTO É PERMITIR A ELEIÇÃO DE PESSOAS QUE SE VALEM DA LENTIDÃO DA JUSTIÇA E DO FORO PRIVILEGIADO” bas e cargos públicos. Este episódio também acontece em quase todos os demais partidos. É uma prática generalizada. Durante o processo eleitoral, as alianças são negociadas com base em trocas, que são sempre financeiras, que se baseiam na concessão de oportunidades de recursos –muitas vezes públicos–, e cargos, que também têm a finalidade de movimentar recursos públicos para fins políticos. Ao partilhar cargos entre aliados, os governantes distribuem, na sua base, as portas de acesso a altos volumes de dinheiro público que vão nutrir aquela aliança, que é o que justifica a permanência nos governos. Isso acontece em todos os âmbitos da vida pública. Com uma política baseada nestas regras, fica difícil imaginar que estas mesmas pessoas, exercendo o poder, vão gerar a institucionalidade necessária para combater aquilo de que eles próprios vão precisar para garantir sua permanente eleição. O que precisa ser mudado com a nova lei?

< Duas medidas teriam de ser adotadas num primeiro momento. Uma delas é o fortalecimento dos partidos com o fim do voto individual. É preciso que as pessoas votem no partido, e não em um indivíduo, que normalmente é o cacique, é o coronel da sua comunidade, o chefe que está ligado

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Política

ELEIÇÕES 2010

Detentos cidadãos Nelson Jr. /ASICS/TSE

DIREITO AO VOTO Modelo da urna eletrônica que será levada para os presídios em todo o Estado

Yann Walter são josé dos campos

P

or determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os presos provisórios (sem condenação) terão direito ao voto nas eleições de outubro. Com a medida, a região ganhará 3.335 novos eleitores. Em todo Estado, a decisão atinge 50 mil detentos e 5.500 menores infratores. No Vale do Paraíba, 3.164 presos dos CDPs (Centros de Detenção Provisória) poderão exercer seu direito de cidadão –1.542 em Taubaté, 978 em Caraguá e outros 644 em São José dos Campos. Além disso, 171 dos 201 internos das unidades da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) da região têm idade para votar –83 menores em São José, 42 em Taubaté e 46 em Jacareí. “Esta decisão é muito importante para a formação dos jovens enquanto cidadãos e protagonistas de sua história”, disse Berenice Maria Giannella, presidente da Fundação Casa. Eliane Passarelli, responsável pela comunicação do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo, disse que já foram realizadas duas reuniões práticas sobre a implantação do voto dos presos provisórios. “Vamos precisar de 4.000 mesários. Afinal, são mais de 300 estabelecimentos, entre CDPs, unidades da Fun-

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171 MENORES Internos das três unidades da Fundação Casa na região –São José dos Campos, Taubaté e Jacareí– poderão votar dação Casa e delegacias”, afirmou Eliane. Para ela, o maior empecilho à aplicação da determinação do TSE é a falta de tempo. “O prazo é curto. Muitos fatores serão levados em conta, como, por exemplo, a questão do deslocamento dos presos para os presídios que receberão as urnas eletrônicas. Nem todas as prisões terão urnas”, alertou. A segurança é uma das principais preocupações do TRE. “Garantir a segurança dos servidores envolvidos no processo é uma de nossas prioridades. A ideia é contratar mesários voluntários. Não queremos convocar”, disse Eliane.

3.164 PRESOS Provisõrios nos CDPs de São José, Taubaté e Caraguá poderão exercer seu direito ao voto nas eleições de outubro

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Manter a simpatia por 155 anos não é fácil. Mas a doçura da nossa taiada e o nosso trabalho ajudaram bastante.

ANOS Em 14 de abril, a Cidade Simpatia completa 155 anos. Veja o que acontecerá no mês de aniversário. s Ato Cívico s Festa do Peão de Boiadeiro s Shows Musicais s Eventos Esportivos s Mostra de Arte s Dia do Caçapavense Ausente s Confira a programação e a entrega das obras no site da prefeitura.

Obras a serem entregues em abril s Pavimentação asfáltica e calçadas na Rua Maestro Milton Lisboa s Pavimentação asfáltica, drenagem, guias e sarjetas da R. Angelo Zepellin s Pavimentação asfáltica e iluminação da Av. Profº Dr. Cláudio P. Nogueira (acesso Univap) s Pavimentação e Iluminação da Estrada

s Pavimentação, iluminação, guias e sarjetas entre a Rod. Vito Ardito e o bairro Nova Caçapava (MWL) s Reforma e ampliação na EMEI Profª Lucila Dores de Carvalho Abreu s Reforma e ampliação na EMEI Profª Lourdes Araújo J. de Almeida s Farmácia Hospitalar - FUSAM

Municipal Borda da Mata entre o trevo

s Reforma da Clínica Médica (6 leitos) - FUSAM

da Univap e a Escola EMEF Profº Eliel

s Novo controle de acessos da FUSAM

s Ampliação na EMEF Reverendo Profº Eliel de Almeida Martins

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s Implantação do novo sistema gerencial da FUSAM (MVSistemas)

w w w. c a c a p a v a . s p .g o v. b r

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Domingo 4 Abril de 2010

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Siemens/Divulgação

O Vale de volta aos trilhos

TECNOLOGIA Trem-Bala desenvolvido pela Siemens para a Rússia

O PROJETO DO TAV INVESTIMENTO Governo federal projeta gasto de R$ 34,6 bilhões para implantar o Trem de Alta Velocidade até 2015 EXTENSÃO A malha viária terá ao todo 510,7 quilômetros, entre Campinas e o Rio de Janeiro TEMPO DE VIAGEM Entre São Paulo e Rio de Janeiro, o trajeto levará 93 minutos em velocidade média de 280 km/h

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Mais que um novo meio de transporte, Trem-Bala traz para a região a redescoberta da malha ferroviária

Chico Pereira São José dos Campos

M

ais de 150 anos depois de a estrada de ferro ter ajudado a forjar a história do Vale do Paraíba no século 20, o perfil da região volta a cruzar com os trilhos das antigas locomotivas. Se entre 1855 e 1890, a história foi escrita pelos baröes do café, por Dom Pedro 2º e pelas Marias Fumaças, agora vem na velocidade de uma palavra composta: Trem-Bala, um megaprojeto que vai exigir investimentos de R$ 34,6 bilhões e promete ligar em 93 minutos os dois maiores

centros do país, São Paulo e Rio de Janeiro, distantes mais de 400 quilômetros. Entre o Vale do século 19 e o Vale do século 21, a região mudou, o Brasil mudou, mudou o planeta. E o país abandonou suas ferrovias. Até agora. Acalentado há mais de 20 anos, o sonho de dotar o Brasil de um sistema moderno de transporte de passageiros por ferrovia, similar aos existentes na Europa e Ásia, está mais próximo da realidade com o TAV (Trem de Alta Velocidade), concebido pelo governo federal para, em uma primeira etapa, atender o principal eixo econômico-financeiro do país, que concentra 30% do PIB (Produto Interno Bruto) e 20% da população brasileira. Mais que um novo modal de transporte eficiente, rápido e seguro, o TAV traz consigo a possibilidade de o país redescobrir os trilhos como meio de transporte de passageiros a média e longa distância e ser um novo vetor de crescimento e desenvolvimento para as cidades que serão cortadas pela ferrovia de alta velocidade. O Trem-Bala será também um novo paradigma para o segmento ferroviário nacional, sobretudo pela transferência de conhecimentos para a indústria e instituições de ensino e pesquisa, conforme prevê a proposta da ANTT (Agência Nacio-

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Política Flávio Pereira

nal de Transportes Terrestres). Nesse contexto, os municípios do Vale do Paraíba se movimentam em torno do projeto, atentos ao leque de possibilidades e benefícios que o empreendimento vai gerar. O megaprojeto prevê 510,7 quilômetros de malha ferroviária entre Campinas e Rio de Janeiro, com sete paradas definidas previamente, entre elas, Aparecida. Outras duas estações de embarque obrigatórias serão escolhidas pelo empreendedor. Um dela terá que ser no Vale do Paraíba. A expectativa é que a nova via esteja pronta até 2015. O preço da tarifa terá limite máximo de R$ 0,50 por quilômetro na classe econômica. Ciclos O desenvolvimento do Vale do Paraíba está ligado à ferrovia. Na segunda metade do século 19, a região experimentou um ciclo de progresso com a construção da malha ferroviária entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para facilitar o escoamento da produção agrícola destinada à exportação, sobretudo o café, largamente cultivado no Vale Histórico. Financiada pelo Império, os primeiros trilhos que cruzaram a região foram da Estrada de Ferro Dom Pedro 2º, iniciada em 1855. A estrada só chegou a Porto Cachoeira (atual Cachoeira Paulista) em 1875. O restante do percurso até São Paulo seria completado em 1890, com dinheiro dos barões do café. Em 1889 o Império caiu. Com a República, a ferrovia passou a ser chamada Estrada de Ferro Central do Brasil e nos 20 anos seguintes foram construídas as principais estações de embarque da região. Destacam-se as de Bananal, inteiramente importada da Bélgica pelos barões do café, a de Cruzeiro, que se tornou importante entroncamento ferroviário entre Minas, São Paulo e Rio, a de Cachoeira Paulista, que era parada obrigatória dos trens de passageiros para troca de tripulação, além das estações de Guaratinguetá e Taubaté. Depois de cinco décadas de apogeu, o sistema ferroviário entrou em declínio na segunda metade do século passado. Gradativamente, a ferrovia perdeu importância e o transporte de cargas e passageiros, incentivado pelo governo, passou a ser feito por rodovia. As estações foram fechadas. Algumas resistiram ao tempo e foram compartilhadas com as prefeituras (Guará, Aparecida, Lorena e Jacareí) ou definham com tempo, como a de Cachoeira, que está em ruínas. O renascimento do transporte de passageiros por ferrovia pode representar um novo ciclo de progresso para a região. Telmo

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Projeto Trem-Bala vai exigir do governo federal investimento de R$ 34,6 bilhões para criar 510,7 quilômetros de trilhos

Porto, professor da disciplina de ferrovias da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, analisa que, do ponto de vista de solução de transporte, o Trem de Alta Velocidade tem diversos vetores de importância, entre eles, como multiplicador do potencial econômico das cidades do eixo da ferrovia. “A oferta de transporte é forte fator na indução do crescimento, pela aproximação entre agentes econômicos: a mobilidade gera negócios e empreendedorismo. Pensando em negócios diretamente vinculados ao trem, lembro daqueles ligados ao atendimento e acolhimento dos passageiros nas estações.” Porto afirmou que todo o setor econômico é direta ou indiretamente beneficiado pela oferta de transporte. Para ele, os negócios são facilitados, o turismo incrementado e, em consequência, ocorre valorização imobiliária. O especialista avalia que alguns benefícios são absolutamente vinculados ao projeto, como o recebimento do ISS (Imposto Sobre Serviço) durante a construção da via e, após o início de operação, nos serviços de manutenção e nos embutidos na passagem, provavelmente proporcional a quilometragem percorrida em cada município. “O transporte induz desenvolvimento econômico geral, de modo que a arrecadação e emprego são variáveis provavelmente be-

Rogério Marques

HISTÓRIA A estação de Guará, cujo prédio foi tombado como patrimônio público pela prefeitura

MEMÓRIA Ruth Guimarães, 90 anos, lembra das viagens ao Rio e S. Paulo; no alto, a estação Martins Guimarães, em S. José, em ruínas

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Domingo 4 Abril de 2010

neficiadas pelo trem”, disse. A Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária) defende a tese de que 60% dos componentes da nova via sejam fornecidos pela indústria nacional. Vicente Abate, presidente da entidade, afirmou que a indústria nacional tem capacidade para fornecer componentes e construir trens. Para ele, o TAV deve fortalecer o polo ferroviário nacional. Abate disse que há possibilidade do surgimento de novos polos industriais e de serviços vinculados à nova ferrovia nas cidades que terão estações de embarque e oficinas de manutenção. “Poderão surgir empresas satélites para prestação de serviços”.

Disputa Não à toa municípios da região, como Jacareí, Taubaté e São José dos Campos, iniciaram ofensivas para atrair a segunda estação. O prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB), enviou documento à ANTT no qual reivindica que o município seja ponto obrigatório de parada do Trem de Alta Velocidade. “Estamos trabalhando muito na questão do Trem-Bala. Um grupo de sete pessoas cuida do assunto na prefeitura. Por questões estratégicas não podemos falar nada ainda”, diz. Em Jacareí, o prefeito Hamilton Ribeiro Mota (PT) planeja oferecer incentivos para atrair a estação de embarque ou oficinas de manutenção. “Colocamos o município à disposição de quem for construir e operar o trem”, disse o secretário de Desenvolvimento de Jacareí, Emerson Goulart. A Prefeitura de Taubaté age na mesma linha. Roberto Peixoto (PMDB) também oferece áreas para a instalação da estação. Já Aparecida apenas aguarda pela nova ferrovia, porque será parada obrigatória. Mas a prefeitura e o Santuário Nacional já fazem planos. O Santuário deve investir R$ 60 milhões em um grande empreendimento para romeiros, com foco na nova via.

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Era ferroviária fica na lembrança Aos 90 anos, a escritora Ruth Guimarães guarda na memória os tempos em que costumava viajar de trem para o Rio de Janeiro e São Paulo com o marido, Botelho Neto, que era funcionário da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil. “Como o meu marido era empregado da estrada de ferro, viajávamos muito. Os trens não eram muito confortáveis não, mas eram melhores que os ônibus da época”, disse a escritora, membro da Academia Paulista de Letras. Ruth lembra que, nas décadas de 30 e 40, a chegada dos trens em Cachoeira Paulista, onde mora, era uma festa. “Quando o trem chegava na cidade, as moças corriam para a estação para namorar. Era um acontecimento na cidade”, contou a escritora. Divulgação

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Política

Ozires Silva

Cidades Mortas: o Vale do Paraíba mudou muito desde o relato de Lobato

C

orrendo o risco de infringir algum dispositivo de proteção à propriedade intelectual, que todos temos o dever de preservar, dou o nome a este artigo de As Cidades Mortas, lembrando o livro do nosso inesquecível Monteiro Lobato, que, nascido em Taubaté, tornouse um dos mais influentes escritores brasileiros do século 20. No seu livro, publicado em 1919, Monteiro Lobato relata, através de contos, a decadência do Vale do Paraíba com a queda do ciclo do café. Trazido para o Brasil em 1727, por Francisco de Melo Palheta, o café teve suas primeiras mudas plantadas no Pará. Mas, foi ao longo do Vale do Paraíba que o produto, considerado um artigo de sobremesa, se tornou o principal na pauta de exportação brasileira. Desde o período regencial, sua produção já propiciava grandes lucros para o país, mas foi no Segundo Império que a produção atingiu seu apogeu. Mão de Obra O Vale mostrou-se apropriado, pois era abundante em terras virgens e tinha um clima favorável. A implantação se deu pelas grandes propriedades, que cobriam desde a plantação, até a exportação, usando extensivamente a mão de obra escrava. O Vale mudou desde então. Venceu implantando o ciclo industrial, a

VITÓRIA “O Vale venceu implantando o ciclo industrial e a prestação de serviços, tornando-se uma região próspera

prestação de serviços e, das formas as mais diversas, ganhou com investimentos em educação, tornando-se a região próspera que hoje conhecemos. Tudo o que foi conquistado foi o resultado de esforços de pioneiros que, empreendendo, foram colocando as contribuições para os resultados na atualidade constatados. Evolução O Poder Público Municipal foi o campeão nesse processo, trazendo para os municípios polos irradiadores da atividade econômica, atraindo empreendedores e investidores interessados na fabricação de produtos de alto valor agregado que, gerando empregos e oportunidades, levou à evolução industrial com reflexos em todas outras áreas da atividade econômica. Agora, temos de olhar o futuro. Em-

bora ainda predomine a importância das empresas e do que elas proporcionam como resultado econômico, os formuladores de propostas e de decisão têm algo mais a se preocupar no processo necessário de “construção do futuro”. Embora a palavra “sustentabilidade” esteja nos parecendo aborrecida e demasiadamente explorada, há que pensar na qualidade da vida e do meio aonde vivemos. Precisamos caminhar para a frente formulando novos estágios de educação, evolução cultural, tudo harmonizado com a preservação da natureza, dos costumes e da ética, transmitindo para nossos descendentes as mensagens de paz e de concórdia, essenciais para a humanidade dos novos séculos. As cidades não mais estão mortas!

Ozires Silva Engenheiro

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Mundo

Nações esquecidas FAO alerta que número de famintos vai superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de pessoas no planeta

Yann Walter São José dos Campos

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o dia 12 de janeiro, o Haiti foi devastado por um violento terremoto que deixou mais de 200 mil mortos. A comunidade internacional se mobilizou e as doações financeiras alcançaram patamares jamais vistos para uma catástrofe do tipo. A ilha do Caribe já precisava de ajuda muito antes do terremoto. Colonizado pela Espanha e pela França, ocupado pelos Estados Unidos e exaurido por ditadores sanguinários, o país mais pobre das Américas tem o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da região, aparecendo no 149º lugar da lista do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em 2009. A lista tem 182 países. Criado em 1990, o IDH é uma medida comparativa do desenvolvimento humano que leva em conta fatores como o PIB per capita, alfabetização, educação e a esperança de vida. A Noruega ocupa o topo do ranking, enquanto o Níger aparece no último lugar. O Brasil é o 75º da lista. O Níger é uma nação da África Ocidental com 15 milhões de habitantes, onde a esperança de vida é 52 anos. A taxa de alfabetização não passa de 29%. Em comparação, a

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Noruega tem uma expectativa de vida de 80 anos e 100% da população é alfabetizada. A África apresenta os piores índices: concentra 22 dos 24 países com os IDH mais baixos do planeta. As duas exceções são o Timor-Leste (162º) e o Afeganistão (181º), único país nãoafricano no top dos dez piores. Cabe ressaltar: alguns países da África só não aparecem no último ranking do PNUD por falta de dados recentes. É o caso da Somália, uma nação controlada em grande parte por milícias islâmicas e reduto de piratas que capturam navios em alto mar em troca de resgate. Para a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o número de famintos vai superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de pessoas. Órgãos oficiais já alertaram para a ameaça de crise alimentar no Níger e em países vizinhos como Chade (175º no ranking de países por IDH), Burkina Faso (177º) e Nigéria (158º). A situação também é dramática na República Democrática do Congo, 176ª na lista, onde a subnutrição afeta nada menos que 75% da população. “Os líderes mundiais reagiram com contundência à crise econômica e financeira, conseguindo mobilizar bilhões de dólares num período de tempo muito curto. A mesma ação enérgica é necessária para combater a fome e a pobreza”, sentenciou Jacques Diouf, diretorgeral da FAO, no fim do ano passado. “Temos os meios técnicos e econômicos

SEM COMIDA Haitianos na fila de distribuição de alimentos em Porto Príncipe, onde a fome ainda desafia as vítimas do tremor

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Fotos: Flávio Pereira

para erradicar a fome, o que falta é vontade política. A chave é investir na agricultura, já que um setor agrícola saudável é essencial para vencer a fome e a pobreza, mas também para sustentar o crescimento econômico e garantir paz e segurança no mundo”. A seca é uma das principais responsáveis pelo aumento da fome no mundo, mas não a única. O Banco Mundial estimou que a crise econômica, que atingiu a maior parte do planeta em 2008, vai precipitar 100 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza –uma medida que corresponde geralmente à metade da renda média da população de um país. Deste total, 64 milhões ficarão em situação de “pobreza extrema”, alertou em janeiro o norte-americano Robert Zoellick, presidente da instituição. Para o Banco Mundial, estão em situação de pobreza extrema as pessoas que sobrevivem com menos de 2 dólares por dia. De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), a região terá 10 milhões de novos pobres, um aumento de 1,1%. A pobreza atingirá 189 milhões de latino-americanos e caribenhos. A maioria dos países com baixo IDH apresenta situação política instável, marcada por corrupção e conflitos territoriais internos e externos. Alguns destes conflitos se destacaram pela brutalidade e pelas atrocidades. Sinal que a fome não é uma ameaça isolada.

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Mundo

Haitiano convive de perto com a fome Xandu Alves Porto Príncipe

A fome não se abalou com o terremoto no Haiti. Ela continua se esgueirando pelas ruas de Porto Príncipe e fazendo novas vítimas. Na verdade, a fome gostou tanto dos tremores que pôs a faca entre os dentes e ameaça de morte os haitianos. Milhares de toneladas de comida chegam todos os dias ao Haiti e são distribuídas à população esfomeada. Mas nem todo mundo tem sorte. Uma menina de 1 ano e seis meses, abandonada pela mãe, foi levada ao Hospital de Campanha da FAB (Força Aérea Brasileira). Pesava apenas cinco quilos, três vezes menos do que deveria. Batizada pelos médicos de

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Gabriela, a menina não consegue sentar. O corpinho mirrado não aguenta o peso da própria cabeça. Na fila da distribuição de comida, ação realizada por militares brasileiros três vezes por dia, sempre à noite, milhares de haitianos se espremem para não perder o lugar. O desespero é tanto, que se agarram uns aos outros. Caixas com macarrão instantâneo, óleo e leite em pó são entregues, preferencialmente, para mulheres chefes de família. Não se nega aos homens, mas evita-se, para que eles não troquem alimento por bebida. Crianças sozinhas não recebem nada –são alvo fácil de assaltantes. A fome vai vencer o homem no Haiti? Não se sabe. Há resistência de ambos os lados. No momento, a fome vence o páreo por uma cabeça. Justamente aquela que não consegue se erguer de tanta fome.

DRAMA Ao lado, haitiana com alimentos entregues pelos militares brasileiros; abaixo, bebê recebe tratamento no Hospital de Campanha da FAB

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Sociedade

VIDA REAL

Abandono: os filhos de ninguém Vítimas da violência dos pais, meninos e meninas levados aos abrigos públicos contam os dias para ter o aconchego de um lar, uma nova família

Xandu Alves São José dos Campos

A

na Lúcia (*) nina a boneca em seus braços e olha com ternura para o rosto dela, moreno como o seu. Fixa os olhinhos escuros nos da boneca e abre um sorriso, como se dissesse: “Estou aqui, amo você e nunca vou deixá-la”. Palavras que a menina de 9 anos queria ter ouvido da própria mãe. Mas a mulher preferiu ninar garrafas de bebida alcoólica. A menina mexe nos cabelos, olha para o repórter, desvia o olhar e fala, em voz miúda, como se contasse um segredo: “Sonho em voltar a morar com a minha mãe”. Mas completa, quase sem esperança: “Se ela parasse de beber”. A mãe não parou de beber, nem de bater nas três filhas ou de levá-las para as ruas, onde revirava latas de lixo atrás de comida. Acabou perdendo o poder familiar depois de várias tentativas da Vara da Infância e Juventude de São José dos Campos de refazer os laços afetivos. Não deu certo. A mãe apresentava distúrbios psiquiátricos e agressividade incompatíveis com a função materna. As meninas precisavam de amor, não de violência física e emocional. Ausente e envolvido com drogas e bebida, o pai das crianças não quis saber da responsabilidade de criá-las. Ana Lúcia e as irmãs foram levadas para

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abrigos públicos da cidade. Mais velha das três, a menina foi abrigada pela primeira vez em 2002. De lá para cá, sua vida tornou-se coletiva, dividida com outras crianças também vítimas da negligência dos pais. Suas duas irmãs, de 3 e 5 anos, foram adotadas em 2008. Ana Lúcia ficou para trás por falta de interesse da nova família, mas ainda aguarda o aconchego de um lar substituto. Cláudio Vieira

SONHO Rafael, 13 anos, que sonha em ser jogador de futebol; menino não se adaptou com a nova família e voltou a viver no abrigo

Espera que um casal se interesse por ela, ao contrário da mãe. A menina e tantas outras crianças cujos pais perderam o poder familiar, e ainda não foram adotadas, permanecem sob a custódia do Estado e protegidas pelo Poder Judiciário. São os juízes quem decidem pela destituição dos pais e pelo abrigamento dos filhos, para evitar que a negligência coloque em risco a vida deles. Divididas por faixa etária, de 0 a 18 anos, as crianças e adolescentes moram em abrigos públicos e ficam numa espécie de “limbo” afetivo, à espera do amor substituto de outra família. Há casos de crianças pequenas que só saíram do abrigo quando completaram 18 anos. Em São José, atualmente, 72 crianças e adolescentes moram em abrigos administrados pela prefeitura ou entidades conveniadas. Alguns deles ainda podem voltar a morar com os pais, na tentativa de retomar os vínculos familiares, mas a maioria espera na fila da adoção, cujas normas são regulamentadas pelo Código Civil e pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Reação “Quando uma criança acima de 6 anos é retirada dos pais, redobramos a atenção para que ela fique o mínimo possível no abrigo”, afirma Marco César Vasconcelos e Souza, juiz da Vara da Infância e Juventude de São José. “Nessa idade, as dificuldades são maiores para colocá-las em famílias substitutas”, disse.

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Eugênio Vieira

Domingo 4 Abril de 2010

ESPERANÇA Ana Lúcia, 9 anos, com sua boneca na cama do abrigo público, em São José; menina sonha em ter um novo lar como suas duas irmãs mais novas, que já foram adotadas

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Sociedade Eugênio Vieira

ESPERA Henrique, 10 anos, no refeitório do abrigo público, em São José, onde também mora a irmã dele, Marta, de 12 anos; crianças esperam ser adotadas neste ano

Foi o que ocorreu com a família de Marcelo, 5 anos, e Raquel, 3 anos, que estão morando com “guardiões”, pessoas dispostas a adotar que aguardam a definição do processo de destituição do poder familiar. A família toda é composta por sete filhos. Três moram com parentes, uma fugiu do abrigo e os irmãos deverão ser adotados. A mãe cuida apenas de um bebê. Marcelo e Raquel fogem dela durante as visitas ao abrigo. O medo deles é justificável. A família é acusada de envolver os filhos em orgias sexuais, consumo de drogas e rituais de magia negra. O padrasto das crianças foi classificado por psicólogos como uma pessoa de personalidade perversa. Ele sente prazer no sofrimento alheio. Punia os filhos usando um variado repertório de perversidade: colocava a cabeça das crianças em baldes d’água, sufocava-os com sacos plásticos e abusava sexualmente das meninas. Não à toa, um dos filhos costumava desenhar o padrasto vestido de capuz, com os braços abertos e exalando fumaça do con-

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sumo de drogas. Um legítimo monstro. “Quando a criança tem histórico de sofrimento, aumenta a expectativa dela em ser adotada por uma nova família”, afirma Silvia Máximo, promotora de Justiça da Vara da Infância de São José. “São crianças que anseiam por acolhimento, mas que podem apresentar dificuldade em se adaptar.” Aos 13 anos, Rafael viveu por dois meses no ano passado com uma família substituta, que pretendia adotá-lo, mas a experiência não deu certo. Ele admite que teve problemas de relacionamento com a filha do casal e acabou voltando para o abrigo, onde vive há três anos. Rafael espera ser adotado por uma família “boa”, de pais que “conversam, dão carinho e deixem comprar as coisas e ir ao cinema”. Sonhos de criança. Sem conhecer o pai, órfão de mãe e da avó, que cuidava dele, Rafael acabou no abrigo e diz que quer ser jogador de futebol ou engenheiro. O menino demonstra um dos traços característicos de crianças que foram abandonadas pelos pais:

a desconfiança. Não se abre com qualquer um e está sempre com um pé atrás quando precisa conversar com outras pessoas. “Eles perderam tanta coisa na vida, geralmente de quem deveria acolhê-los, que têm receio de se abrir com pessoas desconhecidas”, explica a assistente social Eliana Cristina Silva, que trabalha em um abrigo de São José. “No abrigo, eles vivem uma vida coletiva, na qual lhes falta a individualidade.” Mesmo assim, os irmãos Henrique, 10 anos, e Marta, 12 anos, não querem mais morar com os pais biológicos. O desejo deles é ter o mesmo destino de dois irmãos menores, que já foram adotados. “Cansei de ver meus pais brigando. Não dá para morar com eles”, diz a menina. Drama Pedagoga de um abrigo público, Mariza de Souza Santos vê traços comuns nas histórias das crianças que foram separadas da família. A maioria é fruto de lares desestruturados, com pais envolvidos em consumo de

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Cláudio Vieira

FINAL FELIZ Everton e Michele Oliveira, com os filhos Claudio, 8 anos, adotado pelo casal em 2008, e Vitor Hugo, 5 anos, na casa da família

Adoção é mais que uma prova de amor

drogas e álcool, problemas psiquiátricos e diversos parceiros sexuais. Um verdadeiro caldeirão fervente emocional, do qual ninguém sai ileso. Alguém acha que o pequeno Tiago, 10 anos, conseguirá esquecer a mãe que o abandonou junto com seus quatro irmãos menores numa casa na zona rural de São José? Era ele quem cozinhava para os demais não morrerem de fome. A família foi encontrada cinco dias depois do abandono. Todos estão em abrigos. Cristiano, 7 anos, também nunca esquecerá das vezes que o padrasto subiu em suas costas para violentá-lo. Ou dos filmes pornográficos que fora obrigado a assistir. Ou das cenas de sexo que os pais, embriagados, faziam na frente dos filhos.Talvez uma nova família possa começar tudo de novo e substituir as dores do passado. Enquanto isso, essas crianças vão sobrevivendo e sonhando em deixar os abrigos públicos. (*) o nome das crianças abrigadas citadas na reportagem foi mudado para preservar a identidade delas

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Normalidade. É assim que famílias substitutas agem para tornar o período de adaptação de crianças adotadas o menos traumático. Os extremos são ineficazes. Não se deve fazer festa todo dia ou brigar sempre que a criança não aceita a autoridade. Entre confete e limão, prefira carinho e limites. Michele e Everton Oliveira, ambos de 25 anos, sabiam do desafio de pedir a guarda de Cláudio, 8 anos, em 2008. O menino já havia estado na casa da família, em São José, em momentos anteriores e demonstrara vontade de ficar. Além de Cláudio, o casal tem um filho biológico, Vitor Hugo, 5 anos, e espera outra criança para este ano. A família se completou quando ganhou a guarda de Cláudio, que morava em abrigo público após ser deixado pela mãe. “Todos são tratados com o mesmo respeito, carinho e cobrança”, conta Michele. “É bem melhor morar com uma família do que no abrigo”, disse o menino. Situação semelhante vive um casal de outra cidade que adotou dois irmãos, de 6 e 5 anos, cujos pais foram destituídos do poder familiar por negligência, abandono e atos de violência. A adaptação dos irmãos foi rápida, diz o casal, e eles estão felizes de poder estudar e fazer atividades como balé e futebol. “Foi amor à primeira vista. Acredito que são meus filhos desde sempre”, diz a mãe.

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Economia NOVO MERCADO

De Potim para o mundo Disney ONG Orientavida assina contrato exclusivo para produzir peças inspiradas nos personagens da marca; primeira coleção será ‘Alice no País das Maravilhas’

MAGIA Maria Celeste Chad, administradora da Orientavida, com os bonecos produzidos pelas bordadeiras da ONG de Potim

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Elaine Santos Potim

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epois de conquistar o mercado de luxo, produzindo roupas, bonecos e objetos de decoração para grifes famosas, a ONG Orientavida, com sede em Potim, embarca em uma jornada rumo ao mundo mágico de Walt Disney. A Organização Não-Governamental dirigida por Maria Celeste Chad conquistou um contrato inédito e exclusivo no Brasil para produzir peças inspiradas em toda a linha Disney. Desde janeiro, as mãos hábeis de 300 bordadeiras criam 2.500 produtos artesanais inspirados no novo filme ‘Alice no País das Fotos: Eugênio Vieira

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Maravilhas’ –tema escolhido pela ONG para a primeira coleção. Essas costureiras receberam a missão de produzir 200 diferentes itens da coleção licenciada pela Walt Disney Company Brasil. As peças vão abastecer 1.094 lojas, clientes da Orientavida, espalhadas pelo país. A estilista paulistana Ana Strumpf foi uma das responsáveis por essa parceria. Convidada pela Walt Disney, ela decidiu encomendar todo o trabalho à ONG. Daí o nome da coleção: ‘Alice do Walt Disney, pelos olhos de Ana Strumpf, nas mãos da Orientavida’. O projeto inclui peças de decoração como toalhas, almofadas, pufs, cadernos, travesseiros, jogos americanos, avental, pano de prato, xícaras, uma linha de malas cartonadas, além de artigos de moda, como tricôs, camisetas e bolsas. “Conheço o trabalho da Orientavida desde 2003, quando eu tinha a loja Garimpo e Fuxico, em São Paulo. Desde essa época eu e a Celeste criamos uma afinidade”, disse a estilista responsável pelo projeto Disney. “Mas foi em janeiro deste ano que começaram as negociações para essa linha da Disney e, na hora, pensei na Celeste. Sou muito fã do trabalho dela, da iniciativa e, claro, da qualidade final,” disse Ana. Esse contrato com a Disney vai render à Orientavida um faturamento mensal estimado em R$100 mil –nada mal para uma Organização Não-Governamental, que não recebe incentivo do governo. Atualmente, a Orientavida é considerada uma grife de luxo graças ao trabalho incansável de marketing exercido pela fundadora. “Nós trabalhamos desde 1999 sem nenhum incentivo do governo. Nunca conseguimos apoio. Começamos com 4 bordadeiras e hoje somos 300”, disse Celeste. Balanço Segundo ela, a ONG fechou 2009 com faturamento de R$ 855 mil, o que rendeu para cada uma das 300 artesãs um salário mensal entre R$ 550 e R$1.000. “Isso porque sofremos com a ressaca da crise internacional, que desfalcou 23% do nosso faturamento mensal. Quase quebramos.” Mas o trabalho com a Disney não termina nesta coleção. A Orientavida é a primeira ONG no país licenciada pela Disney para desenvolver trabalhos com os personagens da marca. Já este mês Celeste se prepara para uma nova empreitada, desta vez inspirada no Zé Carioca. Único personagem brasileiro de Walt Disney, ele vai estampar a coleção Orientavida para a Copa do Mundo.

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Economia

FEITO À MÃO Costureiras no galpão da ONG (no alto); bordado em toalha de mesa (esq.); a estilista Ana Strumpf, parceira da Orientavida

Peças são exportadas para os EUA e Europa Conservando a modéstia, na pequena Potim, com 21 mil habitantes, essas artesãs já estão acostumadas a ver suas peças nas mais renomadas grifes do mercado do luxo, não só do país, em boutiques como Daslu, Trussardi, Tok Stok, Le Lis Blanc, como nos EUA, Espanha, França e Portugual. Nos 15 pontos de venda mantidos hoje no exterior, o produto top de linha é a coleção Santos Jovens –almofadas com imagens de santos rebordadas com linhas e pedrarias feitas à mão. O acabamento é em algodão com estampas e cores variadas, que dão um toque exclusivo. A almofada também está no cenário da novela ‘Viver a Vida’, da Rede Globo, aparecendo sempre como

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objeto da sorte da personagem Luciana, interpretada por Aline Moraes. Outro produto top de linha é a coleção das Bonecas Descoladas. Elas foram inspiradas em 25 socialites de São Paulo, fortes colaboradoras da ONG, como Lu Alckmin, Eliana Tranchesi, Joyce Pascowitch, Adriana Barra e Rosangela Lyra. Em 2009, uma boneca de pano da ONG foi parar nas mãos de ator norte-americano Tom Cruise. A boneca foi um presente de Patrícia Poeta, apresentadora do Fantástico, da Globo, para a filha do ator, Suri. O presente teve repercussão internacional e a ONG acabou criando a loja virtual, que hoje movimenta 18% do faturamento bruto da instituição.

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TARIFA BANCÁRIA

Gasto com taxa chega a R$136 >Clientes são obrigados a aceitar pacotes básicos dos bancos para movimentar suas contas

Eduardo Carvalho São José dos Campos

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ocê sabe quanto paga para o seu banco em tarifas de manutenção da conta-corrente? Se colocar na ponta do lápis, somente o pacote básico de serviços, que dá o direito a um talão de cheques e a um número restrito de saques em terminais e emissão de extratos, custa, em média, R$ 136 por ano. Há clientes que pagam até R$ 238 e, o pior, por serviços que não chegam a usar. De cinco bancos pesquisados, o preço mensal do pacote básico mais barato é oferecido pela Caixa Econômica Federal por R$ 7, seguido pelo Bradesco (R$ 8,50), Banco do Brasil

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(R$ 9), Itaú (R$ 12,50) e Real (R$ 19,90). Desde 2008, o Banco Central obriga os bancos a não cobrarem os chamados serviços essenciais –cartão de débito, talão de cheques, quatro saques, duas verificações de extratos e duas transferências bancárias por mês. No entanto, para movimentar a conta, o cliente é obrigado a escolher ao menos o pacote básico de serviços oferecido pelo banco, que também dá direito a mais oito saques, além de quatro transferências e extratos. E quando o correntista excede o previsto no pacote? Pode ter certeza que o custo de manutenção da conta vai aumentar. Um saque extra no terminal custa entre R$ 1,30 e R$ 1,60, enquanto um extrato mensal pode chegar a R$ 3. “As pessoas normalmente não sabem quanto os outros bancos cobram em taxas. E quando descobrem têm medo de se desvincular dos serviços, pois não querem recomeçar sua vida bancária”, disse o economista Roque Mendes.

Para facilitar o processo de escolha do banco, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), criou o Star(Sistema de Divulgação de Tarifa de Serviços Financeiros), onde o cliente compara os preços das tarifas. Segundo Ademiro Vian, assessor técnico da federação, o serviço conta com cadastro de 30 bancos. “O cliente tem a possibilidade de fazer simulações do tipo de conta que vai querer, quais os serviços e os preços que serão pagos.” Procon Para evitar prejuízos com cobrança de serviços não-solicitados, o Procon recomenda que os correntistas negociem com gerente da agência bancária o cancelamento dos serviços que não serão usados. “Caso não seja possível resolver desse modo, deve procurar o Procon”, disse Sérgio Werneck, coordenador da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor em São José dos Campos.

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Economia Fotos: Eugênio Vieira

AERONÁUTICA

Tecnologia tridimensional Embraer usa Centro de Realidade Virtual para simular fabricação e montagem de aeronaves na sede de São José; recurso corrige erros antes da fase de produção Yann Walter São José dos Campos

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MODERNIZAÇÃO No alto, funcionário acompanha simulação de aeronave em voo na tela do Centro de Realidade Virtual, acima, imagem virtual da parte interna da fuselagem okideias.com.br

magine uma sala escura, com dez fileiras de assentos. Na frente, um telão de dois metros de largura por seis metros de comprimento e, do lado esquerdo, uma mesa retangular, com 30 pares de óculos 3D. Não, você não está em um cinema assistindo Avatar, o último filme de James Cameron, com seus grandes homens azuis. Nesta telona, as estrelas se chamam Super Tucano, Phenom-100 ou 175, fabricados pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), em São José dos Campos. O CRV (Centro de Realidade Virtual) permite visualizar os projetos de aeronaves em tamanho real, realizar simulações de fabricação e montagem de peças e confrontar

análises de engenharia. Existem apenas quatro iguais em todo o Brasil. “A Embraer foi a primeira empresa do mundo a aplicar esta tecnologia no setor da aeronáutica”, afirma o engenheiro Marco Cecchini, responsável pelo setor onde fica o CRV. O centro, que completa 10 anos em operação neste ano, passou por um processo de modernização em 2008 para ganhar mais agilidade. Os projetores foram trocados, assim como o computador: o antigo, da norte-americana Silicon Graphics (hoje SGI), foi substituído por outro, de última geração. Também foi desenvolvido um sistema óptico de captura de movimentos, acoplado a um visor tridimensional. Com este sistema, o operador pode conduzir diversas simulações interativas de encaixe de peças, bem como circular virtualmente pela cabine e pelo cockpit do aparelho, verificando a acessibilidade de todos os comandos. A ilusão de óptica é perfeita e dispensa a necessi-

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TRADIÇÃO & INOVAÇÃO

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dade da fabricação de maquetes. Os mesmos sensores de captação de movimentos foram utilizados no filme norte-americano de ficção científica Matrix, estrelado por Keanu Reeves. O CRV apresenta diversas vantagens que, juntas, permitiram melhorar significativamente a produtividade da empresa. Em primeiro lugar, a tela de grandes dimensões permite a visualização de cada peça em tamanho real. “Assim, fica possível ver –e eventualmente corrigir– detalhes dificilmente detectáveis numa tela pequena”, explica Cecchini. Além disso, o sistema permite corrigir eventuais erros antes do início da fase de produção, atuando como importante redutor de custos. “Corrigir uma falha quando a produção de uma peça já está lançada custa cerca de 100 vezes mais”, afirma Cecchini, ressaltando que o sistema tem outra utilidade: é usado para o treinamento dos mecânicos. “O Centro de Realidade Virtual permite conferir e otimizar detalhes técnicos, como o posicionamento de cabos elétricos e tubulações, e avaliar as alternativas possíveis para a montagem do aparelho”, especifica a engenheira Priscila de Souza Oliveira.

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REALIDADE VIRTUAL O engenheiro Marco Cecchini, responsável pelo setor onde fica o CRV da Embraer

Personalização O CRV ainda abriu caminho para a personalização das aeronaves. O sistema deu à Embraer maior flexibilidade e capacidade de adaptação, permitindo a cada cliente customizar seu produto. No centro, o comprador pode acompanhar cada etapa do projeto e participar ativamente de seu desenvolvimento, explicando com riqueza de detalhes aos engenheiros da Embraer como quer seu avião. Criado inicialmente para ajudar no desenvolvimento do Embraer 170, contribui agora para a fabricação de todos os aviões novos. O sistema foi usado no desenvolvimento do Phenom e Legacy 500.

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Ciência & Tecnologia

Fabíola de Oliveira

Considerações cataclísmicas: somos incapazes de aceitar a nossa finitude omo é este o meu primeiro artigo nesta revista, fiquei pensando em um tema capaz de interessar, atingir, e cativar o maior número possível de pessoas. E, nessas divagações, recorri a uma das boas definições sobre o interesse jornalístico que leva a transformação de um fato do cotidiano em manchete de capa. Essa definição trata da proximidade física ou afetiva que cada um de nós tem ou sente pelo fato. Não foi muito difícil chegar à passagem dos eventos cataclísmicos ocorridos durante o verão que passou. Perto de nós, Angra dos Reis, São Luís do Paraitinga e as enchentes crônicas em São Paulo; não muito longe, os terremotos no Haiti e no Chile.

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Por mais científica e cética que qualquer pessoa possa ser, difícil não lembrar das cenas apocalípticas do filme 2012. Cada um desses fenômenos da natureza, motivou interpretações e associações intermináveis com as previsões bíblicas, de Nostradamus, dos maias, e de tantas outras culturas e escrituras sagradas (ou não). Os meios de comunicação, dos mais sisudos aos mais sensacionalistas, mesmo ao consultar cientistas, mal podiam esconder a tentação de apelar para a pergunta direta: então, tudo isto está ligado ao grande cataclismo previsto para 2012?

FIM DO MUNDO “Buscamos a imortalidade pois entre os seres vivos, somos os únicos conscientes de que não a temos” Não tenho a pretensão de julgar quem crê nisso ou naquilo, sou abertamente favorável à liberdade de crença, expressão, etc. Mas penso que esta recorrente apreensão com o fim do mundo (nosso fim, melhor dizendo), fim dos tempos, enfim, fim de tudo, está arraigada à nossa incapacidade de aceitar a finitude. Algumas culturas orientais a aceitam com maior facilidade, mas é a vida terrena, porque a vida eterna há de estar garantida em alguma dimensão do cosmos. E assim são quase todas as religiões, dão aval à continuidade da vida em algum lugar, de alguma forma, portanto, à imortalidade. No seu magnífico conto “O Imortal”, o escritor Jorge Luís Borges fala de um povo troglodita, perdido em um deserto indefinido, um povo imortal. Entre eles vivia Homero, autor da Ilíada e da Odisséia, sem nenhuma memória de seu passado.

Para Borges, assim seríamos se fossemos imortais, sem lembranças arcaicas, sem noção do bem e do mal, como são os animais, que não se sabem mortais. Buscamos a imortalidade pois entre os seres vivos, somos os únicos conscientes de que não a temos. Águas do Paraíba A enchente que atingiu em cheio São Luís, também fez transbordar as margens do rio Paraíba em nosso Vale. Quem mora ou passou pelo Urbanova, em São José, viu vários pontos alagados no Banhado, margeando a Avenida Lineu de Moura. Ainda assim, loteamentos de alto padrão estão lá, bem próximos do rio, já laureados com a tarja “liberado para construir”. Seguindo pelo Anel Viário, prédios também de alto padrão vão brotando rapidamente, apoiando-se em taludes, espraiando-se em aterros. Como será isso no futuro?

Fabíola de Oliveira Jornalista fabiola@valeparaibano.com.br

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Ensaio fotográfico

Eliseu Frechou fotógrafo e escalador

Domando as montanhas do planeta Com 41 anos de idade, 26 dedicados ao alpinismo, Eliseu Frechou, de São Bento do Sapucaí, já escalou algumas das maiores e mais difíceis montanhas do Brasil, EUA e México

NA LUA Nas gigantescas mesas de arenito na Venezuela, o alpinista em missão de resgate de um acidente com um avião brasileiro

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Ensaio

RORAIMA A conquista mais recente foi o Monte Roraima, com 2.710m de altura. Era chamado pelos indígenas de “O Grande Azulado”

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MINAS GERAIS A Serra do Lenheiro, em São João Del Rei, um dos mais importantes centros de escaladas do Brasil

CORDAS Entre dezenas de analogias e metáforas, talvez a que resuma melhor a importância do equipamento remeta ao cordão umbilical

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MACRO No meio de tanta pedra e parede, a delicadeza colorida do detalhe minúsculo sobressai aos olhos do alpinista

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Ensaio

DETALHE Atraída pelo colorido da corda, a mosca chamou a atenção do fotógrafo alpinista que registrou o flagrante

APRENDIZ O ditado sobre o “filho de peixe” é levado a sério. Na foto, Artur, 9 anos enfrenta o desafio em Igatu, na Bahia

PÃO DE AÇÚCAR Um dos cartões postais brasileiros sob uma perspectiva pouco vista pelos turistas que visitam o Rio de Janeiro

PAREDÃO Frechou foi um dos pimeiros brasileiros a escalar a El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite, na Califórfina

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Coisa & Taltigo

Marco Antonio Vitti

Convênio da Morte: prepare-se para enlouquecer com o seu seguro saúde

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e você não tem um convênio médico é considerado louco. Mas, se tiver, prepare-se para enlouquecer. Seus amigos questionam: como você vai fazer se ficar doente e não tiver um seguro saúde? Então você resolve fazer um convênio médico, sai de casa e diz para sua esposa: “vou fazer um seguro saúde para nossa família”. Ela exclama: “pela primeira vez você pensa na família e não só em você mesmo!” Com este suposto incentivo você sai de casa, estufa o peito e pensa: “minha família estará protegida. Este é o meu dever. Proteger e defender o meu lar!” Quem o atende fala sobre as vantagens do convênio. Você faz o convênio. Cuidado, você pode estar fazendo um ‘Convênio com a Morte’. Por que seguro saúde? O seguro saúde só o aceita se você tem saúde física e financeira. Uma vez pagando você garante a saúde financeira do seguro saúde, você é bem-vindo. Mas se você adoecer vai descobrir que assinou um ‘Convênio da Morte’, pois negarão todos procedimentos da medicina ética para salvar sua vida, para salvar a saúde. Negarão tratamentos quimioterápicos e radioterápicos para o câncer, exames diagnósticos que poderiam salvar sua vida jamais serão feitos ou demorarão um tempo em que a morte pode chegar. Proponho que se mude o nome de seguro saúde para seguro doença.

DIGNIDADE “Façamos com o humano o que é feito com o animal, que é tratado em pet shop com carinho e humanidade” Quem sabe, assim, os doentes serão assistidos e tratados com dignidade. A saúde pública é um holocausto, o SUS é o maior convênio da morte que a população está submetida. Pagamos impostos, mas esse dinheiro é desviado para compensar tributos de (ir)responsabilidade fiscal de outras secretarias. Pessoas ficam na fila noites e madrugadas para marcar consultas depois de meses e, quando marcam, o

médico não existe ou só tem exame para dali a seis meses. Aposentar-se no Brasil é suicídio! Depois de pagarmos impostos extorsivos, quando precisamos de atendimento e de medicamentos, que por direito constitucional devemos receber, eles não são comprados por um ato insano de secretários de saúde. Façamos um Convênio com a Vida, sejamos mais humanos com os outros seres humanos. Proponho que façamos com o humano o que é feito com o animal, que é tratado em pet shop com carinho e humanidade. Criemos o ‘Humano Shop’, que sejamos tratados como animais que somos, mas com compaixão. Chico Buarque canta: “chame o ladrão”. Quando adoeço penso: “chame o veterinário”. Quero ser internado em um pet shop, sou um cachorro vira-lata. Vira-lata Vitti.

Marco Antonio Vitti Especialista em biologia molecular e genética vitti@valeparaibano.com.br

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Conheça a proposta da nova Lei de Zoneamento de São José: mais qualidade de vida para nossa cidade. A Prefeitura de São José apresenta a proposta da nova Lei de Zoneamento, que trata do uso, parcelamento e ocupação do solo urbano. A proposta foi planejada em parceria com os cidadãos, durante as audiências públicas realizadas em 2009. A nova Lei de Zoneamento vai assegurar o não comprometimento da paisagem, preservar o conforto ambiental, respeitar a identidade e as características dos bairros, fortalecer o mercado de trabalho, fomentar a produção de lotes e moradias, melhorar a mobilidade urbana e manter o ritmo empreendedor de São José, buscando a sustentabilidade da cidade. Informe-se sobre todos os detalhes da proposta da nova Lei de Zoneamento no site www.sjc.sp.gov.br/planejasaojose.

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Turismo PAÍS DO FUTEBOL

África do Sul: a nação além da Copa do Mundo Após sofrer por décadas com severos regimes de segregação racial, país se diz pronto para mostrar sua diversidade cultural e paisagens no maior evento esportivo do planeta

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Richard Lewisohn/Folhapress

Janaína Coelho São José dos Campos

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elvagem e apegada às suas raízes mas cosmopolita e moderna. Esta é a África do Sul que vai sediar o maior evento esportivo do planeta a partir de 11 junho. Escolhida como anfitriã da próxima Copa do Mundo de Futebol, a nação que por décadas sofreu com os severos regimes de segregação racial se diz pronta para mostrar não só sua diversidade cultural e paisagens deslumbrantes, mas também a força de um país que está prestes a se tornar um dos destinos turísticos mais procurados do mundo. Em 1994, quando o Apartheid já havia acabado e as primeiras eleições democráticas foram realizadas, apenas 3,9 milhões de turistas estrangeiros tinham chegado à África do Sul. Em 2004, esse número saltou para 6,7 milhões e, desde então, o país mantém uma taxa média anual de crescimento em torno de 8%. O turismo é hoje um dos setores em franco crescimento da economia sul-africana –7% do emprego formal no país depende do segmento e sua contribuição para o PIB (Produto Interno Bruto) triplicou desde 1994. A escolha para sediar a Copa de 2010 ocorreu sete anos antes. A mensagem da África do Sul foi simples, mas poderosa. O país tinha os melhores estádios da África, a maioria já existente, alguns a serem reformados e outros, construídos. A candidatura também tinha forte apoio comercial de empresas internacionais, a maior e mais estável economia do continente, um setor de mídia e transmissões sofisticado e o apoio de milhões de cidadãos sul-africanos, povo apaixonado pelo futebol. Nove cidades foram estrategicamente escolhidas para receber os jogos. O governo sul-africano sabia que esta seria uma oportunidade única para divulgar o país e atrair mais turistas. O apelo das belas paisagens e da fauna selvagem quase intocada foi decisivo. E não é para menos. A África do Sul possui o terceiro maior nível de biodiversidade do mundo, englobando sete dos maiores tipos de habitat do planeta. A África do Sul proporciona oportunidades SELVAGEM Parques de safári atraem milhares de turistas que buscam aventura na África do Sul

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Turismo Jack Weinberg/Folhapress

BIG FIVE Leoas em reserva natural, um dos atrativos para turistas interessados na vida selvagem

únicas para a prática de esportes, como montanhismo, surfe, mergulho, caminhada, safaris a cavalo, ciclismo de montanha, rafting e quase todos os outros desportos radicais. Mas é, sem dúvida, o safári seu ponto forte do turismo. Praticamente todas as cidades têm próximo algum parque natural ou reserva planejada para criação dos grandes mamíferos. Os famosos ‘big five’ (leão, rinoceronte, leopardo, búfalo e elefante) viraram o chamariz para o turista interessado em aventura e vida selvagem. Eles são os protagonistas do turismo sul-africano. Não é que a girafa, o hipopótamo ou as baleias sejam pequenos, mas são os grandes mamíferos que chamam a atenção. Sabendo disso, o governo não quer perder tempo. O número de parques de safári, incluindo o Kruger National Park, está hoje em 21, mas o governo já está empenhado em aumentar as áreas protegidas dos 5,4% atuais para 8%, e as zonas marinhas de 11% para 20% neste ano.Tudo para se consolidar como um dos principais destinos turísticos do mundo. Expectativa E a Copa deve dar este empurrãozinho. São esperados cerca de 350 mil turistas durante o evento, que ainda deve gerar aproximadamente 21 bilhões de rands (moeda sulafricana, quase R$ 5 bilhões) para o PIB e outros 7,2 bilhões (R$ 1,6 bilhão) em im-

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Governo sul-africano espera por 350 mil turistas, renda de 21 bilhões de rands para o PIB e outros 7,2 bilhões em impostos

postos. Será mesmo a oportunidade do país mostrar a sua estrutura e beleza, quebrando muitos preconceitos a respeito da África. É neste clima já de Copa que o comerciante José Arvico, 53 anos, de Taubaté, finaliza seu planos para ir ao seu sexto mundial. Ele e um grupo de amigos, frequentadores assíduos das Copas, já compraram as passagens e estão ansiosos pela viagem. Não só pela expectativa em relação à Seleção Brasileira, que chega como favorita, mas também por conhecer um novo país e ter a oportunidade de desfrutar de todas as belezas do continente africano. Ele conta que, além dos jogos, pretende conhecer os principais atrativos das cidades por onde o Brasil passará, como Joanesburgo e Durban, e os safáris nos parques. “É uma oportunidade única, gosto de conhecer culturas diferentes”, disse o comerciante, que relembra alguns percalços que já passou em Copas anteriores, como a do Japão/Coréia, em 2002. “Não tínhamos ingressos e nos primeiros jogos tivemos que nos virar para conseguir assistir.” Ingressos A Fifa colocou à venda 3 milhões de ingressos e a maioria já está com operadores de turismo. No Brasil, o principal é a Stella Barros Turismo, que ainda oferece pacotes. Mas quem sonha em ir à África, é bom fazer contas: só a primeira fase sai por US$ 9.000 (R$ 17 mil).

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MARINA Turistas passeiam pelo cais de Victoria and Alfred Waterfront, na Cidade do Cabo, que sediará os jogos da Copa; abaixo, Clifton Beach Fotos: Gallo Images

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PASSEIO & MAIS JOANESBURGO

Cidade é principal centro econômico

Um observatório natural de baleias Fora das savanas africanas e longe dos famosos ´big five’, outra característica incomum chama a atenção do turista que se aventura pela África do Sul. O país é a ‘capital mundial da baleia’, um dos melhores destinos do planeta para observação dos mamíferos marinhos, principalmente em seu extremo sul, a partir de Cidade do Cabo, uma das cidades que sediará jogos. Segundo o Departamento de Turismo do governo da África do Sul, para quem quiser aliar os jogos da Copa a passeios emocionantes, a época será ideal. Em junho, as baleias franco astrais deixam seu habitat no Oceano Antártico atrás das águas mais quentes de sua costa. Por isso, a observação é feita sem dificuldade e as agências locais, que oferecem day tour, têm vários roteiros que incluem paradas para apreciar os mamíferos.

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Centro econômico da África do Sul, é a maior cidade do país, com 5,3 milhões de habitantes. Conhecida como a Cidade do Ouro, é o principal eixo empresarial do país. A riqueza cultural é abundante, com o imperdível Museu do Apartheid, a histórica área de Constitution Hill e Soweto, onde Nelson Mandela morou por muito tempo, antes de ser preso. DURBAN

O maior parque marinho do país

Maior cidade da província de KwaZulu-Natal, tem o porto mais movimentado da África e oferece aos visitantes o Mundo Marinho UShaka, o maior parque temático marinho do continente. Já as praias são ideais para banhos o ano todo, pois a água é aquecida pela corrente de Aghulas e, mesmo no inverno, tem uma temperatura média em torno dos 15ºC.

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Turismo Raquel Cunha

GASTRONOMIA

Beleza bem temperada

Elaine Santos Ilhabela

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ara a chef Renata Vanzetto o ditado “panela velha é que faz comida boa” está fora de questão. Com apenas 21 anos, ela já conquistou o paladar e a admiração de muita gente grande do mercado gastronômico, ganhando inclusive o prêmio de Chef Revelação e uma estrela do Guia Quatro Rodas, em 2009. O Marakuthai, em Ilhabela, um bangalô com pé na areia e decoração rústica, colorida e muito aconchegante, depois de três anos de sucesso e fila de espera, subiu a serra. Há nove meses Renata montou uma filial no requintado bairro dos Jardins, em São Paulo. Diferente de outros grandes chefs que estudam em escolas renomadas, Renata aprendeu tudo sozinha. “Sempre gostei muito de temperos, desde criança. Meus sanduíches tinham pimenta, limão, gengibre. Quando descobri a comida tailandesa me identifiquei e resolvi misturar culturas. Hoje minha cozinha é contemporânea com influencia tailandesa”, disse, mostrando um cardápio enxuto, com apenas 10 opções que costumam mudar a cada dois meses. Na casa, a vedete do cardápio é o bolinho de camarão envolto numa casca crocante de castanha de caju, molho de pimenta e saquê. Marakuthai - Av. Força Expedicionária Brasileira, 495, Ilhabela. Aberto de quinta a sábado, a partir das 20h. Tel.: (12) 3896 5874

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Divulgação

IGUARIA Costela assada servida com arroz e purê de mandioquinha

Festival: abril é mês da boa mesa São José dos Campos

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elo terceiro ano consecutivo, abril se transforma no mês da gastronomia em São José dos Campos. Até o dia 30, amantes da boa mesa terão a oportunidade de degustar o que 40 estabelecimentos, entre bares, lanchonetes e restaurantes, prepararam para o 3º Festival Gastronômico Organizado pela empresa Cone Leste Publicidade e Eventos em parceria com o Sinhores (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares) de São José, a iniciativa preencheu uma lacuna do setor gastronômico do município. “A ideia partiu dos empresários do setor, que tinham há muito tempo essa vontade de ter um festival gastronômico. Mas ninguém tinha a iniciativa. Então decidi fazer o evento”, conta Rogério Almeida, proprietário da Cone

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Leste, organizadora do festival. Incorporado ao calendário oficial do município, o formato do evento foi mudado desta vez. Nesta edição, os bares e restaurantes não estão competindo pelos prêmios de melhor receita, serviços e conforto, a ideia deste ano é aproveitar os resultados comerciais das edições anteriores sem promover nenhum tipo de disputa. “Nos dois últimos anos foram registrados aumentos de até 600% na venda alguns pratos durante o festival. Esse é o grande prêmio esperado por todos”, afirma Almeida. Durante o festival, os participantes inscrevem duas receitas que podem ser criadas especialmente para o evento ou que já são servidas costumeiramente nas casas. Esses dois pratos ganham valores promocionais que variam entre R$ 10 e R$70 durante os 30 dias de festival. As casas que estiverem participando do festival serão identificadas com material publicitário. Os clientes também concorrem a prêmios durante o evento.

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PaladarArtigo

Roberto Wagner

Treine seu olfato para perceber e desfrutar os aromas do vinho ue sentido é mais importante para a degustação de um vinho: o paladar ou o olfato? Espero que você tenha optado pelo olfato. Já reparou que, quando está resfriado, com o nariz entupido, você mal consegue perceber o gosto da comida ou da bebida? É porque o olfato é fundamental para essa percepção. Ele não se manifesta apenas por meio das narinas, mas também pelas fossas nasais que se comunicam com o início da garganta. A língua é capaz de perceber as sensações do que seja doce, amargo, salgado ou ácido. Mas as sutilezas do gosto dependem do olfato.

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A partir de agora, quando o garçom colocar o vinho diante de você para ser provado, comece por levar a taça ao nariz, antes de levá-la à boca. Não tenha vergonha de enfiar o nariz na taça, porque é assim que fazem os degustadores experientes. E é por isso que nunca se deve encher a taça até em cima. O vinho deve ir somente até o ponto em que a taça tenha a sua maior circunferência interna, deixando livre o espaço acima para que o degustador possa ali introduzir o nariz e desfrutar dos aromas. E há uma segunda razão para isso. Depois de aberta a garrafa, o vinho precisa do contato com o ar para abrir seus aromas. Faça-o girar na taça, exponha todo o conteúdo ao

AS SUTILEZAS do gosto dependem do olfato, a língua não é capaz de senti-las

DEGUSTAÇÃO “Comece por levar a taça ao nariz antes de levá-la à boca” oxigênio. É uma tolice recolocar a rolha no gargalo da garrafa, enquanto o vinho estiver sendo consumido. Uma vez aberto, o vinho precisa do ar para liberar aromas. Eles exercerão influência sobre o paladar, revelando todos os predicados da bebida. A princípio você terá dificuldade para distinguir os aromas. Mas não desanime. Continue tentando até ser capaz de dizer se o vinho tem aroma frutado, floral, de erva, de legume, de algo defu-

mado, assim por diante. Com o tempo, você ganhará experiência para detectar aspectos mais sutis. Por isso é que o vinho é fascinante. Um grupo de sete pessoas de São José dos Campos reúne-se mensalmente desde o final de 2000 para degustar vinhos. Há poucos dias aconteceu sua reunião de número 100, considerada de gala, para a qual foram adquiridos, um a um, ao longo de meses, alguns dos melhores vinhos do mundo. Numa única noite foram degustados estes vinhos fantásticos, todos da safra de 1998: Chateau Lafite-Rothschild, Chateau Margaux, Chateau Latour, Chateau Haut-Brion e Chateau Mouton-Rothschild. Na abertura, duas garrafas de champanhe Dom Pérignon. No encerramento, Chateau d’Yquem para acompanhar a sobremesa. Custo aproximado de 7.000 dólares.

Roberto Wagner jornalista

robertowagner@valeparaibano.com.br

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Turismo

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Fotos: divulgaçã o

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• Paixão naciona

• Gelo e limão

Caipirinha, sabor brasileiro São José dos Campos

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ma das primeiras palavras que qualquer turista estrangeiro aprende falar no Brasil é “caipirinha”. O problema agora é que tanto para “gringos”, como para brasileiros, fazer uma caipirinha ficou 51,78% mais caro, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ou seja, a “ressaca” já está garantida. Todos os três ingredientes principais –limão, aguardente e açúcar– subiram mais que a inflação (4,42%) no período entre fevereiro de 2009 e janeiro de 2010: limão (8,93%), aguardente (17,94%) e açúcar (69,81%). Mesmo com esse aumento, a maioria dos bares e restaurantes da região absorveu o custo, sem repassar para os clientes. “É claro que aumentou, mas não tem como aumentar o valor da caipirinha. Se ficar mais caro o

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cliente deixa de consumir”, diz Benedito Córdoba, proprietário do Bar Coronel, em São José dos Campos. Segundo ele, assim como as chuvas do início deste ano fizeram o valor dos legumes e verduras subir, o aumento no preço dos ingredientes da tradicional caipirinha também sofreu essa variação. História A caipirinha nasceu no interior paulista no século 18. Antes, a cachaça, abundante nos vilarejos, era consumida pura por seus apreciadores, todos homens. Muito tempo depois, na década de 1950, a bebida ganhou adeptos nas metrópoles e acabou ficando assim: cachaça, limão, açúcar e gelo, receita com direito a decreto que tenta garantir a propriedade intelectual sobre as marcas Caipirinha e Cachaça na legislação internacional. Isso porque o sucesso do drinque atravessou fronteiras e hoje figura no cardápio de coquetéis de restaurantes na Alemanha e nos EUA.

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Divulgação

TRANSATLÂNTICOS

Temporada lucrativa em Ilhabela Ilhabela

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s 30 mil habitantes da Ilhabela há 10 anos experimentam os benefícios do turismo com os transatlânticos. No ano de estreia, em 2000, o arquipélago recebeu 13 navios –número que saltou para 153 nesta temporada. O fluxo de passageiros hoje chega a 350 mil passageiros por temporada, o que resulta na captação de R$ 17,5 milhões no comércio local. “Estamos trabalhando para receber 210 embarcações na próxima

temporada”, disse a secretária de Turismo, Djane Vitoriano. O município está ampliando o cais em 400 metros quadrados, o que aumenta em 70% a capacidade operacional. Desde a primeira temporada de navios, o trabalho voltado ao turista flutuante aumentou muito. Para se ter ideia, o número de agências de turismo passou de 3 para 65. “Viramos rota alternativa para navios que antes seguiam direto ao porto de Santos”, disse o diretor operacional de turismo Valdir Franco. E para provar que o turismo flutuante virou investimento pesado, há um ano alunos da rede pública têm aulas de cultura regional e de inglês voltadas para receber o turista.

TURISMO Banhistas na praia do Curral, em Ilhabela, com navio ao fundo

Venha celebrar os cinco sentidos.

2010 Mais que um evento, uma experiência de cultura e bom gosto.

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Hi-Tech INFORMÁTICA

Net ou Note, como escolher? Com a democratização da tecnologia e a explosão da internet, computadores portáteis ficam cada vez mais potentes e funcionais

Yann Walter São José dos Campos

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utrora objeto de luxo reservado a poucos, o notebook, está conquistando cada vez mais adeptos no Brasil. Com a democratização da tecnologia e a explosão da internet, muitos passaram a comprar computadores portáteis tão potentes e funcionais quanto os desktops (computadores de mesa) só que bem mais práticos. Na verdade, com o dólar baixo e a facilidade de parcelamento nas lojas, nunca existiram condições tão favoráveis para a compra de um notebook. O valor do aparelho caiu muito nos últimos anos. No fim dos anos 90, chegava a custar duas vezes mais que um desktop. Em 2006, o governo baixou as taxas de importação, permitindo a comercialização por menos de R$ 3.000. Ou seja, se você sonha em ter um notebook, este é o momento.

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A nova sede por laptops provocou outro fenômeno: o surgimento dos netbooks, os ultraportáteis. Menor, mais leve, mais resistente e mais barato que o notebook, o netbook é uma ferramenta voltada para a navegação, mais adaptada a quem privilegia a mobilidade. O primeiro netbook, o Asus Eee PC, foi lançado em 2007. “A maior vantagem do netbook é a portabilidade. O volume e o peso são bem menores que os de um notebook. As mulheres gostam, pois podem carregá-lo na bolsa”, destacou Herbert Rocha Dias, técnico da Premium, uma loja especializada de São José dos Campos. Notebook ou netbook, como escolher? Cada um tem suas vantagens e suas características próprias, que se adaptam às necessidades de cada um. O notebook é basicamente um computador completo, só que portátil. Tem maior capacidade de processamento e placas de vídeo e hardware mais potentes que o netbook. O notebook é uma ferramenta multiuso, bem mais completa que o netbook. Per-

mite, por exemplo, assistir vídeos, editar fotos, abrir programas específicos e montar documentos e planilhas, tarefas que o netbook, com seu hardware limitado, terá mais dificuldades para cumprir. Vantagens “O notebook é muito mais avançado. O netbook só serve para navegar na internet e executar tarefas básicas no Office, no Word e no Excel”, explicou Felipe Perdiguero, 25 anos, vendedor da Hills Informática. Mas então, quais as vantagens do netbook em relação ao notebook? A conclusão é os dois têm seus pontos fortes e fracos, e cada pessoa tem de escolher a ferramenta que corresponde melhor às suas necessidades. O netbook foi feito para os que viajam muito, não têm sempre uma fonte de alimentação por perto e precisam navegar na internet sem realizar operações complexas. Já o notebook é uma verdadeira ferramenta de trabalho, que não oferece as mesmas condições de mobilidade do netbook, mas é mais completo.

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Fotos : divu lgaçã o

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SHOP & MAIS...

MOUSE ANTIESTRESSE A Jelfin LLC lançou um mouse coberto por uma suave camada de gel. Pouco menor que uma bola de tênis, o Jelfin Mouse pode ser levemente pressionado US$ 35

BOOKBOOK A Twelve South criou um case de couro que reproduz o formato das enciclopédias. A capa dura absorve o impacto melhor que o neoprene US$ 80

FASHION A Hewlett-Packard apresentou ao mercado o Mini 110, um netbook com design em 3D projetado pelo artista holandês Tord Boontje US$ 400

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Hi-Tech

Louis Vuitton agora é desejo dos homens

S SHOP & MAIS... M Fotos: divulgação

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DEBAIXO D’ÁGUA D A Sony acaba de lançar no m mercado a primeira câmera à prova d’água da linha Cy Cybershot. A TX5 tem menos de uma polegada de espessu sura, suporta até 10 metros de profundidade e é resiste tente a quedas e à poeira US$ 349,99 US

me • Alarrm • Estojo exxclusivo • R$ 4.82200

Elaine Santos São José dos Campos

A

caba de chegar ao país a peça única do novo modelo da coleção de relógios de pulso masculino da Louis Vuitton. O Tambour Diving Pink Gold é uma jóia de R$ 44,5 mil para se usar até de baixo d’água. O modelo esportivo é todo em ouro rosa. Com indicador de tempo para mergulho, resiste até 300 metros de profundidade, tem visor com lentes anti-reflexo e ponteiros fluorescentes. A única peça para revenda no Brasil está na loja da marca na Haddock Lobo,

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• Anti-reeffflelexo • R$ 44,55 mil em São Paulo. l Outra novidade id dade d d da d Louis Vuitton para o público co masculino é o primeiro relógio de mesa da marca –o Tambour Revéil. éil. Custando quase 10% do valor do modelo esportivo, R$ 4.820, 20, o relógio de mesa traz funções es como alarme, horários em duass zonas, calendário e um estojo feito o na exte clusiva tela Damier Graphite. E para que as mulheres não fiquem enciumadas foi lançado um modelo exclusivo da coleção da marca: o Emprise Pave –uma homenagem ao luxo do universo feminino. Uma verdadeira obra de arte, o Emprise Pave é uma joia em ouro amarelo cravejada com diamantes e pulseira em couro de crocodilo. Com peça única no Brasil, custa R$ 214 mil.

PEQUENO NOTÁVEL Pendrive Mini Twist de 4 GB, com apenas 3 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, o equipamento de 34 gramas tem alta capacidade de armazenamento R$ 49

BRINQUEDO DE ADULTO A HSP lançou no início do ano uma nova linha de automodelo gigante, que chega a 20% do tamanho de um carro convencional. Com motor de 25 cilindradas movido a gasolina, o Bajer RC atinge até 150 km/h R$ 3.500

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GAMES

Turbine seu console Adriano Pereira São José dos Campos

Faz tempo que jogar videogame deixou de ser algo simples. Além da evolução tecnológica dos consoles e dos jogos, existe hoje uma gama de acessórios que chegam a transformar a experiência de jogar num exercício físico. A interatividade é a tônica dessa área. Nos games, os jogadores podem se sentir como o beatle Paul McCartney, inclusive com um contrabaixo igual ao do astro, até usar uma raquete que interage com o vídeo, as opções são infinitas. A dica do André Pisciolaro, gerente a UZ Games de São José dos Campos, é usar sempre acessórios originais para não danificar peças do seu videogame. Separamos algumas sugestões para você turbinar seu console e aproveitar ao máximo esse momento de lazer.

DJ Hero Se o Jesus Luz virou DJ, por que você também não pode ser? Essa é a proposta do kit DJ Hero que traz uma pick-up capaz de detectar sua capacidade de agitar a pista de dança da sua sala de estar R$ 799,90

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Guitar Hero World Tour Se você quer ser um rockstar, mas não necessariamente um beatle, a dica é essa versão que traz uma seleção de clássicos do rock. Acompanha uma guitarra e o CD do jogo. Para Xbox, PS3 e PS2 R$ 699

Bealtes Rock Band É o sonho do beatlemaníaco. O kit vem com réplicas do contrabaixo de Paul McCartney e da bateria do Ringo Starr. Um microfone com pedestal e o CD do jogo completam o pacote. Tem versões para Wii, Xbox e PS3 R$ 1.999

Wii Sports Resort com Motion Plus Os jogos interativos de esportes do Wii são as grandes vedetes do console. Para tornar a experiência mais realística, o “Motion Plus” acrescenta sensibilidade aos controles. O kit vem com CD com 13 jogos R$ 299,90

Lips Se o seu talento é vocal, a dica é o jogo Lips, para Xbox. É como um karaokê, só que mais exigente. Tem que cantar mesmo. O kit tem dois microfones sem fio para você montar sua dupla sertaneja e sonhar com o sucesso R$ 239

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Moda&estilo Fotos: Raquel Cunha

TACHAS E COURO

Uniforme de inverno Cristina Bedendo São José dos Campos

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ão se surpreenda se, a partir deste mês, você não encontrar peças sem tachas, correntes e couro nas vitrines. Trata-se do uniforme do inverno e vai ser difícil escapar dele. Ora com uma pitada de rock, ora com um ar de fetiche, o inverno chega sexy, mas também despojado. E acima de tudo, lindo, cheio de contrastes entre o leve e o pesado por conta do mix de couro e rendas. Na silhueta, um pouco mais limpa, os ombros continuam em destaque. Difícil encontrar uma coleção sem ombreiras ou algum destaque para a região superior, que também pode ser com aplicações. “Proponho uma mulher agressiva e poderosa, criando uma imagem de glamour cinematográfico, um novo olhar para o fetichismo”, disse o estilista Eduardo Pombal, da Forum Tufi Duek. Da maquiagem às cuissardes –as super botas acima dos joelhos que farão a alegria das mais altas– o preto reina absoluto em looks que vão do estilo minimalista ao sexy. Numa cartela de cores que inclui cinzas, tons de azul e pink, o preto é muito bem empregado em leggings e calças de couro (peçachave), ankle boots, skinnys e muitos paetês, tachas e correntes. Acrescente, portanto, um toque de militarismo à la Balmain e pronto: o inverno está aí, mais urbano impossível.

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Make by Fábia

Bercsek

Look Iódice apresentado no São Paulo Fashion Week

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VICTOR HUGO A partir do rock n’roll, a marca aposta em combinações inusitadas de pele exóticas, alças de correntes e tachas

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ROCK GLAM EM NOVAS VERSÕES

CORRENTES A tendência rocker também serviu de inspiração para a estilista Raquel Manzatti, que investiu em várias cores de couro

As botas do inverno deste ano também ganham tachas e correntes, em versões douradas ou pratas

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NOVA COLEÇÃO Fotos: Divulgação

CAMPANHA

Ankle boots, o hit da estação Antes de chegar o inverno, as botas são as responsáveis por aquele desejo tentador de renovação do closet para mais uma temporada. Desta vez, as protagonistas da estação mais fria do ano são, sem dúvida, as ankle boots. E a principal novidade é que elas ganham fivelas, laços, aplicações de tachas ou a barra dobrada. E atualizam o seu look na hora, seja ele romântico ou rocker. Na hora de escolher o salto, prefira os modelos com meia-pata ou sem salto, que ficam ótimas com leggings de couro ou jeans skinny. As solas tratoradas buscam influência dos anos 90 e prometem o mesmo conforto dos coturnos que, aliás, também aparecem no rastro de militarismo do inverno. Jovens e despojadas, eles também ganham aplicações. Nas fotos acima, versões de marcas como Maria Bonita

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Extra, Renner, Arezzo, Raphaella Booz e Juliana Jabour. Valem também as versões com inspiração nos sapatos masculinos, com cadarço, como o oxford ou brogue, que ganham couros e recortes inusitados. Apesar de cool, é preciso certo cuidado com as ankle boots, pois elas encurtam as pernas e achatam a silhueta. Se você for baixinha, portanto, prefira os modelos com salto. As cores mais claras –nude e cinzas– também ajudam a alongar as pernas. Outra opção para causar esse efeito é lançar mão de meias-calças ou leggings da mesma cor da bota. Cores Na cartela de cores, é hora de deixar os tons fluorescentes e cítricos de lado. Nos pés, o inverno é quase monocromático –leia-se preto, cinzas e alguns tons de azul, como o marinho, por exemplo.

SHOP & MAIS

Alessandra é a estrela da Bo.Bô

VP DESTAQUE!

284, “I M NOT THE ORIGINAL” O modelo ‘Birkin’, da Hermès, ganha versão em moletom da 284 e acaba de chegar à Depot Preço sob consulta

A angel Alessandra Ambrósio é a estrela da campanha de inverno da Bo.Bô, grife que pertence ao grupo Le Lis Blanc Deux. A coleção da marca traz looks bem urbanos, com jeans destroyed, blazer de paetês e aplicações com tachas. ON LINE

CORES FORTES NA AREZZO O modelo também foi inspiração para Arezzo, que apostou em tons como laranja e vermelho R$ 799,90.-

RAQUEL MANZATTI O modelo ‘Alessandra’ é feito em couro de croco em homenagem à filha da designer Preço sob consulta

Joulik aposta na inspiração rock

Criada pelas irmãs Karen e Katiúscia Moraes, de Mogi da Cruzes, a Joulik aposta em saias, coletes, vestidos e camisetas com correntes, tachas, tudo com a cara do inverno. E o melhor: tudo isso pode ser encontrado na lojinha virtual da marca (www.joulik. com.br).

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Moda

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Divulgação

Wanessa Camargo O melhor do estilo Glam Rock Cristina Bedendo São José dos Campos

epois de mudar o visual ano passado, a cantora Wanessa Camargo é um dos melhores exemplos do estilo Glam Rock na cena artística brasileira. Com os cabelos mais e descoloridos, Wanessa osos curtos, volum passou por uma repaginação. Esse novo visual –muito mais moderno– é composto por jaquetas e calças de couro, acessórios com tachas, blusas com correntes ou franjas e ombros e cintura marcados. Tudo que as fashionistas querem para o inverno. “Mudaram as letras, o som, o clipe, as roupas, o visual e tudo que tem muito mais a ver comigo hoje”, afirmou Wanessa sobre seu último CD “Meu Momento”. Entre suas marcas preferidas, Wanessa lista nomes badalados no mundo da moda, como Marc Jacobs, Calvin Klein e Stella McCartney. Para o inverno, suas principais apostas são as peças em couro, dentro do estilo rock n’roll. “Esse meu novo trabalho pede um estilo muito mais moderno, com muitos acessórios, brilhos e um estilo mais rocker. Tenho abusado dos jeans, vestidos curtos e ankle boots.”

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PINGUE & PONGUE Wanessa,, quais são as Wanessa refer principaiss referências para o seu u estil estilo? Procuro es star an estar antenada com a moda, mass não fa faço disso um rótulo, uso o o que me cai bem, indep penden independentemente do estilo da ro oupa. E roupa. Existem roupas para ca ada mo cada momento. Quais são o suas peças favoritas do gu uarda guarda-roupa? Jaqueta as de ccouro e peças Jaquetas com rebit rebites, tendência ne essa ttemporada. nessa Oq que não pode fal faltar em seu gu guarda-roupa? Camis C Camisetas brancas, botass Anim Animale, sapatos Loubotin e jean jeans Dsquared 2. Qual é a su ua m sua maior tentação ffash fashion? Adoro sapa atos. Tenho mais sapatos. de 300 pare es. pares. Quais os se eus cuidados seus de beleza?? Além da ma aquia maquiagem que uso constantem ment por causa do constantemente meu trabalh ho, n trabalho, não abro mão de um bom m dem demaquilante, e por estar ccom o cabelo loiro, precis so h preciso hidratá-lo frequentem ment frequentemente. E o cabelo,, co continua assim ou p pret pretende mudar? Gostei do re esul resultado. O loiro me favorecee e m me deixa com um ar mais mod m moderno, que tem tudo a ver v ccom essa nova fase da minh ha ccarreira. Mas minha se for neces sár eu mudanecessário, rei. Cabelo p par para mim, reflete o meu estad do d estado de espírito.

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ESTÉTICA

A eterna luta contra as rugas São José dos Campos

avanço da tecnologia traz boas notícias de como aliviar os chamados pés de galinha, àquelas rugas no canto dos olhos que incomodam homens e mulheres. A grande promessa para prevenir esses vilões chega ao mercado com os peptídeos (aminoácidos) derivados de açúcares. “Esses elementos aumentam a presença de água na epiderme, hidratando adequadamente e evitando o aparecimento das ru-

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gas,” explicou o dermatologista Valcenir Bedin, presidente regional da Sociedade de Medicina Estética em São Paulo. Outra dica é a aplicação de cremes e esfoliantes com o uso de microesponjas, que são as mais indicadas porque levam os princípios ativos até as posições necessárias das rugas. Mas uma boa alimentação também faz parte da luta contra o envelhecimento precoce da pele. “Os alimentos que não podem faltar para que se adie o aparecimento das rugas são as carnes vermelhas e o leite, pois precisamos de sais minerais e vitaminas do complexo B para produzir novo colágeno.” A perda da musculatura do orbicular (do contorno dos olhos) é acumulativa, portanto

não se deve falar em exterminar a ruga, mas em prevenção. Nesse caso o uso frequente de filtro solar e um hidratante para a região dos olhos desde a adolescência, quando a pele tem mais elasticidade, é fundamental. A dica é do secretário-geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Teixeira Gama. “Se alguém aparecer falando que há uma nova e infalível técnica de cirurgia para esse tipo de ruga, desconfie. Até hoje só três foram aprovadas pelo CRM e todas dependem muito do tipo de pele.” Segundo ele, para as rugas consideradas finas, pode ser usado o laser, peeling químico ou a aplicação de Botox. “As mais profundas devem ser cuidadas com cirurgias”, afirmou o médico.

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Tempos ModernosArtigo

Alice Lobo

Alta gastronomia orgânica: o mundo de sabores com alimentos saudáveis Divulgação

á ouviu falar em“Organic” e “local”? Estes são os termos do momento, tão recorrentes e que chamam a atenção em restaurantes e mercados de comida de Paris, Londres e da californiana São Francisco. E cada vez mais esta tendência chega ao Brasil favorecendo o crescimento do universo “eco” ou “verde”, já que a comida é uma das suas principais portas de entradas.

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Isto acontece principalmente por duas razões. A primeira é uma questão de saúde. Comer alimentos livres de pesticidas e agrotóxicos é mais saudável tanto para o ser humano como para o planeta. A segunda é por razões financeiras. É mais viável comprar alimentos orgânicos, embora ainda sejam mais caros, do que produtos com madeira certificada, por exemplo. Mais uma palavra tem sido encontrada ao lado das duas já mencionadas: “raw ingredients”. A combinação das três serve para classificar alimentos cultivados ou criados sem agrotóxicos ou hormônios, com produção local - o que que garante uma menor pegada de carbono já que o transporte acontece entre pequenas distâncias - e a partir de ingredientes crus. O conceito é simples como o apresentado acima, mas muita gente ainda pensa que alimentação orgânica ou “verde” é sinônimo de vege-

NO BRASIL Uma das boas opções de comida orgânica é o Le Manjue Bistro

NATURAL “Outro mito ainda mais comum é que restaurantes ou alimentos orgânicos não combinam com alta gastronomia” tariana. A confusão é frequente, mas a verdade é que carnes em geral podem ser orgânicas. São animais criados sem a administração de hormônios. Outro mito ainda mais comum é que restaurantes ou alimentos orgânicos não combinam com alta gastronomia. Uma prova contra esta difamação são vários bons restaurantes da França, já que os franceses são grandes adeptos da ‘agriculture biologique’ ou ‘bio’, como eles carinhosamente chamam. Para mudar de vez este pré-conceito

e provar que comidas orgânicas e locais podem ser suculentas e elaboradas, aqui vão alguns endereços. Em Paris um bistrô imperdível é o Le Comptoir. Para quem gosta de uma cozinha inovadora, o londrino Ottolenghi está no topo da lista. Já pelo Brasil, boas opções são o Le Manjue Bistrô e o Maní, ambos em São Paulo. Bom, este é só o começo. Quem sabe algum deles não é uma porta de entrada atraente e eficaz para o universo “verde”? Bon apéttit!

Alice Lobo Jornalista alice@valeparaibano.com.br

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CINEMA

Alice no

País de Tim Burton 092-095_CULTURA_Alice.indd 92

Com estreia marcada para o dia 21 de abril, a refilmagem do conto clássico escrito por Lewis Carroll já é considerada o principal lançamento deste semestre

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Fotos: divulgação

Franthiesco Ballerini São Paulo

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primeira versão, de 1903, ingênua mas bem dirigida, causou uma repercussão artística enorme no mundo todo. Meia década depois, a versão de 1951 da Disney foi um sucesso instantâneo e referência para todas as outras adaptações seguintes. Desde então, o cinema avançou muito, nasceram novas tecnologias

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e, neste ano, “Alice no País das Maravilhas” ganha versão digital, com opção de exibição em 3D –certamente ocupando o tão cobiçado vácuo deixado por “Avatar”– e, o melhor de tudo, a estética visual e narrativa do diretor Tim Burton (“Edward, Mãos de Tesoura”, “Batman Returns”). O filme, que pode ter custado até US$ 250 milhões para os cofres da Walt Disney, estreou em grande parte da Europa e América do Norte no início de março, e desembarca aqui no Brasil dia 21 de abril. Cotado como uma das maiores estreias deste semestre, “Alice” tem

um elenco estelar –a começar pela presença de Johnny Depp, trabalhando pela sétima vez com o diretor. “Já estou ansioso para o oitavo e nono filme, temos uma boa afinidade, entendemos o que o outro quer sem precisar de muitas palavras. Uma vez, um rapaz nos disse que assistiu a uma conversa entre mim e Tim e disse: eu não entendi absolutamente nada do que vocês falavam”, brincou o astro para fãs e imprensa durante a premiére em Londres. O longa recebeu calorosas recepções da crítica e público internacional. “Finalmente temos a tecnologia para capturar a imaginação

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fértil de Tim Burton”, disse um crítico inglês. “Uma interpretação meticulosamente bem trabalhada do universo de Lewis Carroll, emprestando seu universo obscuro, realista, com mensagens subliminares e personagens bem construídos”, lançou outro crítico. Burton fez algumas adaptações da história original de Lewis Carroll, publicada pela primeira vez em 1862. O filme traz a personagem principal 12 anos mais velha, ou seja, com 19 anos, principalmente para angariar um público adulto. Prestes a ser pedida em casamento, a jovem Alice foge de uma festa em Oxford –na Inglaterra vitoriana– e, seguindo um coelho, despenca numa toca, que a leva de volta para o tal país das maravilhas –cuja maquiagem digital fará muita gente se lembrar de Pandora, o cenário de “Avatar”. Naquela terra, Alice se depara com personagens como a Lagarta (Alan Rickman), o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), o Valete de Copas (Crispin Glover, que luxou o joelho por ter ficado tanto tempo em cima de pernas de pau para o personagem) e sua missão é tentar derrubar o reinado da malévola Rainha de Copas, interpretada por Helena Bonham Carter, atriz corriqueira nos filmes de Burton –em parte por ser a mulher do diretor e ter um filho com ele. Helena está excepcional no papel com uma caracterização singular. Já Anna Hathaway (“O Diabo Veste Prada”), que interpreta a Rainha Branca, está apagada e entra tarde demais na trama. Quem interpreta Alice é a novata australiana Mia Wasikowska, que na premiére de Londres quase passou despercebida, graças ao cabelo curto, bem diferente de seu visual na trama. “Sinto que posso até ficar ao lado do pôster do filme e ninguém me reconhecer”, brincou. Tim Burton Os personagens foram todos unidos digitalmente, ou seja, os atores atuaram em uma tela verde, quase sempre sozinhos. “É estranho trabalhar desta maneira. Os diretores em geral trabalham em sets e com atores. Aqui, juntamos os pedaços feitos separadamente e só mais lá na frente vemos a cena toda”, comentou o diretor Tim Burton, que também deixou mais do que claro que detesta a tecnologia de Motion Capture, usada em filmes como “O Expresso Polar” e “Beowulf”. Ainda assim, trabalhar com uma tela verde deixou diretor e elenco bastante confusos. Nos bastidores, sabe-se que ato-

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ALICE Nesta nova versão, a protagonista interpretada pela novata Mia Wasikowska tenta fugir de um casamento arranjado

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SONHO Acima, os cenários criados digitalmente pelo diretor Tim Burton; abaixo, o Chapeleiro Maluco, Johnny Depp

RAIO-X TIM BURTON

INFÃNICIA Foi uma criança reclusa, que passava o dia desenhando personagens PÔSTER Seu talento foi reconhecido por uma empresa de coleta de lixo por ele ter feito o melhor pôster anti-lixo do ano ESTREIA Seu primeiro filme, Frankenweenie (1984), foi considerado inapropriado na época para crianças e acabou não distribuído PAI Geralmente mostra só os lados negativos da figura paterna em seus filmes

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res como Johnny Depp e Helena Bonham sofriam para saber onde exatamente deveriam olhar, já que os personagens têm todos tamanhos distintos. A produção, então, colava fitas crepes na parede para ajudar a localizar os “olhos” dos outros personagens. Burton, no entanto, acrescentava alguns cenários provisórios no monitor para ajudar a imaginação dele e do elenco. Cenários e personagens virtuais corresponderam por 90% de todo o filme, contabilizando mais de 2.000 efeitos visuais. Embora os puristas devam reclamar das alterações radicais feitas por Burton com relação à trama original –como a idade adulta de Alice e a onipresença do Chapeleiro Maluco por causa de Depp– o filme tem grandes chances de encantar crianças pelo seu visual colorido e suas formas geométricas impactantes, além de ser uma boa experiência nos cinemas em 3D, com moscas voando sobre a cabeça do público e um mergulho na toca do coelho de tirar o fôlego. Alice encolhendo e ficando gigante, batalhas colossais entre o exército branco e vermelho e um figurino esplêndido também são pontos fortes . Para os adolescentes, tem ainda Avril Lavigne e Franz Ferdinand assinando parte da trilha do filme. Mas para não falar só bem do filme, há um problema: a sensação de que Alice passa rapidamente de ponto a ponto, personagem a personagem, sem o tempo devido para unir todas as pontas da história. Menos pressa e mais 20 minutos de trama não fariam mal a ninguém. Também se percebe que Burton não teve toda a liberdade maluca que sempre expôs, já que precisou entrar nos eixos filosóficos e de público da Disney. Identidade Pode parecer uma declaração com viés publicitário, mas Burton tem uma relação bem próxima da história de Lewis Carroll. Além de tê-la lido aos oito anos, sempre foi contaminado pelas músicas e ambiência do escritor. E, coincidência ou não, o escritório inglês de Burton pertenceu a Arthur Rackman, famoso ilustrador que criou desenhos para a edição de 1907 de “Alice”. “Acho que todos os personagens indicam algum tipo de esquisitice mental que todos nós temos”, disse o diretor. Se o longa se tornar um sucesso, há grandes chances de outros contos clássicos, como o “O Mágico de Oz”, serem produzidos para 3D. Pais e filhos só têm o que agradecer.

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Aparecida,o filme de Tizuka Yamasaki São José será palco da pré-estreia nacional do longa metragem que é rodado no Vale do Paraíba

Elaine Santos São José dos Campos

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o que tudo indica, ‘Aparecida – O Filme’ vai deixar lembranças em São José dos Campos. Não só por receber vários astros e estrelas, mas porque a cidade será palco da préestreia nacional do longa metragem, com direito a festa e tapete vermelho. O filme, rodado desde março no município, tem no elenco Murilo Rosa, Maria Fernanda Cândido, Jonatas Faro, Beth Mendes, Rodrigo Veronese, Leopoldo Pacheco, Leona Cavali, Janaina Prado, Giacomo Pinotti, além dos atores mirins Vinícius Franco e Amanda de Mello Kock, de São José. “Escolhemos São José para ser a cidade da pré-estreia nacional do filme. É uma forma de retribuir todo o apoio que recebemos”, disse Christina Camargos, produtora executiva do longa. A pré-estreia está prevista para dezembro, mas o local da festa ainda não foi definido. As últimas cenas serão gravadas nos próximos 15 dias, tendo como cenário o Santuário Nacional de Aparecida. Para Tizuka Yamasaki, diretora do longa, o resultado das filmagens está ótimo, principalmente pela conquista do elenco. “Por vários motivos é difícil formar um grande elenco. Não basta ser bom ator, depende de semelhanças físicas, disponibilidade de tempo, verba. O elenco está bacana. Agora só falta gravar em Aparecida.” O longa metragem ‘Aparecida - O Filme’, tem um orçamento de R$ 5,2 milhões e envolveu cerca de 800 figurantes, todos do Vale do Paraíba. Em São José, as cenas foram rodadas nas ruas do centro, na Fundação Cassiano Ricardo e na sede da fábrica da Embraer.

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Sinopse O roteiro conta a história de Marcos (Murilo), um empresário do Vale do Paraíba que, após conflitos na infância, se transformou em um homem sem fé. Vendo o filho Lucas (Jonatas) com risco de morte após acidente de moto, ele recorre a Nossa Senhora Aparecida para que o filho não morra. Ateu, Marcos vai até Aparecida, desafia a Santa e é agraciado com a visão da cena do milagre do aparecimento da imagem de Nossa Senhora, em 1717. Recuperado da fé, o milagre acontece na vida do empresário que, ao voltar ao hospital, encontra seu filho curado.

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PINGUE & PONGUE Murilo, qual sua avaliação sobre o cinema brasileiro? O cinema brasileiro está em sua melhor fase, temos a bola da vez no mundo. Não vai demorar para ganharmos um Oscar. Diria que hoje temos uma cara. O que falta para um Oscar? Conseguimos colocar qualidade nos filmes. Não sentimos mais medo de assistir a uma estreia. Temos tecnologia. Faltam investidores, gente do ramo investindo em cinema. Não só governo, mas empresários. Para você, quais são os três melhores filmes nacionais? Sem dúvida: Cidade de Deus, Terra Estrangeira e o Pagador de Promessa.

FILMAGEM Gravação da cena em que o personagem de Murilo Rosa vê a imagem de Nossa Senhora Aparecida; no alto, atores e figurantes na filmagem em São José

Qual sua história no cinema nacional? Vou falar das recentes. Ano passado fiz três longas que serão lançados esse ano: Olho da Rua, onde interpreto um metalúrgico, Como Esquecer, onde meu personagem é gay, e Área Q, uma produção 50% nacional e 50% norte-americana, onde interpreto um homem rústico do campo. E agora o Marcos, que tenho o prazer de fazer com a Tizuka, que sempre admirei. Como é interpretar um homem sem fé? É uma experiência diferente, até no visual. Pintei os cabelos para aparentar mais velho e aderi ao bigode. Marcos é um homem sem fé, um empresário milionário que só pensa em ganhar dinheiro. O personagem é uma lição de vida e a ideia é essa: fazer com que as pessoas percebam a importância da fé.

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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA

Shhhhhhhh... Prepare a vitrola, o chiado do vinil está de volta! Fechada desde 2005, a Polysom retoma a produção dos saudosos ‘bolachões’ no Brasil numa iniciativa da gravadora Deckdisc

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Elaine Santos Belford Roxo (RJ)

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stá de volta, e a todo vapor, a única fábrica de discos de vinil da América Latina. A Polysom mantém suas caldeiras acesas desde janeiro e já colocou no mercado 2.200 LPs de nomes que tendem a conquistar o público jovem como Pitty, Cachorro Grande, Fernanda Takai e Nação Zumbi. A ideia de voltar na história e colocar a antiga Polysom para funcionar foi do empresário João Augusto, nome importante da indústria fonográfica desde os tempos áureos dos “bolachões”. Dono da gravadora Deckdisc, uma das primeiras a aderir

aos encantos da modernidade do mercado musical, como os ringtones e a venda de músicas em MP3, ele não vê a volta do vinil como saudosismo, mas sim como mais uma de suas grandes apostas dentro do mercado fonográfico. “Não é sonho, na verdade eu sou todo ao avesso. Quando alguém diz que vai dar errado eu quero provar que eu estou certo. Quando eu abri minha gravadora independente as pessoas me disseram que eu ia me dar mal. A Deckdisc tem 12 anos e vai muito bem obrigado!”, disse sem divulgar quanto investiu para colocar a Polysom de volta ao mercado. “Na verdade ainda vou ver se o negócio é bom. Não sei ainda. Eu tenho crédito para dar uma erradinha! Eu fiz porque a bola quicou e eu chutei no gol.”

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Fotos: Eugênio Vieira

A pergunta que ronda o mercado fonográfico é se no país ainda existe público para o vinil ou se a produção da Polysom ficará voltada apenas para os colecionadores, uma vez que no Brasil há vitrolas para vender apenas em lojas especializadas. “Existe uma pesquisa que mostra que 47% das pessoas que compram vinil não têm toca-discos, compram pelo fetiche de ter o vinil. Mas para os novos adeptos, estou em contato com uma das maior fabricantes de vitrolas do maiores mu mundo, a Aiwa. Estive com eles e Los Angeles, em fevereiro em e eu vou incentivar empresários a importar vitrolas para vender no Brasil. Se puder, , A U E s o n Na Europa e idos eu mesmo importo e vendo.” d

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foram ven 2.5 milhões de unidades

SONHO João Augusto segura uma das matrizes fabricadas na Polysom; abaixo, os bolachões ganham forma definitiva

PROCESSO AINDA É ARTESANAL RISCOS Ao contrário do CD, para processar os riscos nos bolachões, o som chega à ‘cabeça de corte’ –um coração eletrônico que recebe a vibração do som SOM Uma agulha fixada na base da peça é responsável pelo desenho da música no LP. Da matriz de alumínio saem as estampas para os bolachões de PVC

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Desconfiança D Dos tempos em que os bolachõ chões eram a grande onda do momento o roqueiro Kid Vinil vive sua nostalgia, mas é pessimista ao falar da volta do vinil no mercado fonográfico, mesmo sendo considerado o maior colecionador do país. “Eu queria lançar um compacto para show, consciente de que não vai ter tantas vendas. Faria umas 500 cópias só para vender nos shows para quem realmente curte. Não acho uma iniciativa ruim. É bacana preservar o formato, a cultura que sempre existiu, mas é inviável para o Brasil,” disse Kid Vinil, fã dos bolachões, com mais de 10 mil cópias em seu apartamento em São Paulo. “Mesmo com a volta da fábrica, o vinil vai ser um simples capricho de colecionador e fãs do cantor ou da banda que formatou um vinil. Se já mataram o CD você acha que vão ressuscitar o vinil? Essa é a maior discrepância, o vinil está morto há mais de 20 anos. Sem contar que um equipamento aqui no Brasil custa uma fortuna”, explicou Kid, que escuta suas raridades em uma vitrola Technics e em duas Vestax portátéis. “Não se encontra vitrola no mercado e o mercado não tem intenção nenhuma em fabricar. Só vai escutar vinil quem guardou a sua vitrola dos tempos antigos ou quem tem grana para importar uma. O fato é que o CD hoje custa

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R$30 e já não vende, imagine um m vinil por R$60? A juventude hoje foge do formato físico, prefere baixar música pela internet.” o Para a cantora Pitty, o saudosismo nea fala mais alto. “Sou contemporânea do vinil, tive vitrola na infância e meus pais tinham uma boa coleção. Presenciei, na adolescência, a passagem do vinil para o CD, mas sempre tive um apego emocional e sonoro aos bolachões. Como músico é interessante pensar que quem tem essa cultura de vinil visualiza a obra como um todo, com lados A e B, com as músicas se entrelaçando para contar uma história. Bem difer ente da coisa do mp3, por exemplo, com a canção individualizada”. De olho no mercado João Augusto acredita que a Polysom sai na vantagem por ser a única da América Latina e garante que já foi procurado por artistas argentinos e mexicanos. “Estou seguindo uma tendência mundial. Há uma procura grande por vinil. Uso pesquisas feitas nos EUA. Lá houve um crescimento nos últimos dois anos com 2,5 milhões de discos vendidos”. Segundo Augusto, os brasileiros importam 10% dessa fatia do mercado americano. Pelas contas do empresário, esse número garantiria uma produção de 250 mil discos por ano . Quanto ao valor do vinil nas lojas, ele acredita que varie entre R$60 e R$75. A capacidade da Polyson é de 28 mil LPs por mês e 12 mil compactos, números que não devem ser atingidos tão cedo. A aposta é que até julho, 20 mil LPs e 6.000 compactos sejam produzidos por mês. “Ficaria satisfeito com 100 mil por mês”, disse Augusto.

BRASIL A produção nacional pode chegar a 250 mil discos por ano nas projeções da Polysom

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LITERATURA

Um olhar pela medicina Divulgação

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onhecido em todo país por sua atuação em defesa da classe médica, com inúmeros discursos e declarações públicas na mídia nacional, Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, acaba de lançar o livro: ‘Antonio Carlos Lopes, médico, professor e líder associativo’. A obra relata toda a sua história na medicina, com a publicação de 24

discursos e todos os seus depoimentos na mídia desde 1989. “Foram muitos momentos difíceis que marcaram minha luta pelo humanismo na prática médica, pela relação médicopaciente de qualidade e pela democratização do conhecimento. Por isso sinto-me mais do que honrado em ter minha trajetória registrada neste livro, que foi idealizado por colegas e ex-alunos”, disse Lopes, que é professor titular na disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo. Na obra, Lopes descreve ainda

a luta pela solidificação da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, fundada por ele há 20 anos. “Fico satisfeito em ver que hoje somos uma das principais entidades médicas do país, reconhecida também pelo American College of Physicians. Quando começamos, ninguém acreditava no futuro do médico clínico. Hoje mais de 13 mil associados compartilham de nossos paradigmas, que envolvem a humanização e a medicina à beira do leito”, disse o médico, que tem pós-doutorado pela Cornell University, dos EUA. Além do novo livro, que tem distribuição direcionada à classe, Lopes conta com dezenas de publicações voltadas à área médica. Destaque para ‘Tratado Brasileiro de Clínica Médica’, que ganhou prêmio Jaboti em 2007.

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Reserva Morumbi transformará conceito de moradia na zona sul Formado por casas de dois e três dormitórios, o empreendimento possui unidades entre 61,12 m² e 81,32 m². Destaque para a área de lazer e localização privilegiada

Em 2010, os moradores de São José dos Campos poderão contar com um residencial de casas da Goldfarb que é modelo de sucesso em todo o País por agregar uma extensa área de lazer ao espaço íntimo da família. Também pensando como investimento, sua localização na zona sul é promissora, na rua Maurício Cardoso, 200, no Jardim Morumbi. Trata-se de uma região com grande expansão imobiliária e infraestrutura pública. O Reserva Morumbi terá casas de dois e três dormitórios. O residencial será formado por unidades entre 61,12 m² e 81,32 m², com uma vaga de garagem e área de lazer com churrasqueira, salão de festas, quadra esportiva, play baby, play aventura, piscinas, fitness e praças. Todo esse espaço de convívio foi projetado para garantir o bem-estar e momentos de descontração dos moradores junto dos familiares e amigos. Para a escolha do local, a Goldfarb levou em consideração a infraestrutura oferecida nos entornos e a localização estratégica com fácil acesso para rodovia e região central de São José dos Campos. “Buscamos sempre construir imóveis em áreas valorizadas que ofereçam todos os serviços necessários, como escolas, hospitais, supermercados e áreas de lazer”, ressalta Ademir Coluce, gerente de marketing da construtora na cidade. O Jardim Morumbi reúne essas características importantes como escolas, unidade básica de saúde (UBS), indústrias e serviços. Destaque para a Praça das Bandeiras que fica nas proximidades do empreendimento, local de convívio com muito verde e áreas de descanso, passeio e parquinho para as crianças. O entorno do Reserva Morumbi conta também com o Centro Comercial, Empresarial e Industrial Eldorado e com o Centro de Atividades do SESI (Serviço Social da Indústria). Recentemente, o Jardim Morumbi recebeu investimento da prefeitura de São José dos Campos para a construção de galerias de águas pluviais. A obra de infraestrutura impedirá possíveis enchentes e alagamentos no bairro durante os períodos de chuva intensa.

Mais informações: Fone: (12) 3911.3777

Praça das Bandeiras localizada no entorno do Reserva Morumbi

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Imagem interna do decorado que já está pronto

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Cultura&mais Fotos: Divulgação

Moby A cena é dele

De Cartola a Foo Fighters é um repertório eclético. Pra mim é natural, só canto o que gosto, não forço a barra. Aí pouco importa o estilo ou gênero.

DJ traz a turnê” “Wait For Me para palcos brasileiros

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onsiderado um dos mais famosos nomes da música eletrônica mundial, o multiinstrumentista americano Moby traz ao Brasil a turnê de seu mais recente lançamento, o álbum “Wait for Me”, que chegou às lojas em junho de 2009 por meio de seu próprio selo, o Little Idiot Records. Moby se apresenta no dia 23 na capital paulista, às 22h, no Credicard Hall. Os ingressos vão de R$100 a R$400 com meia-entrada prevista para todos setores . “Wait for Me” é o nono disco do DJ que também é cantor e produtor. A faixa “Shot in the Back of the Head” se tornou uma das mais

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Zeca Baleiro Gravará CD ao vivo do show do ano passado

Como é inverter o processo, fazer o show e depois ter a ideia do disco? É uma experiência nova pra mim também, nunca fiz desse modo. Mas imagino, a julgar pela recepção que os shows de setembro tiveram, que vai ficar bonito.

SHOW

Adriano Pereira São José dos Campos

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comentadas por ter David Lynch na direção do vídeo. Embora a marca que o artista nova iorquino tenha deixado com “Play” (1999) seja uma herança incontornável, fazendo com que a crítica use inúmeras vezes aquele trabalho como barômetro do momento criativo de Moby, a verdade é que parece ter havido um empenho extra em “Wait for Me”. Inteiramente concebido pelo músico, em seu home-studio e com a participação de amigos muitos próximos, o álbum traz pegada particular, pessoal e autobiográfica. Sob o olhar de Moby, a música eletrônica troca a balada pela introspecção e a melodia ganha força em arranjos mais orgânicos. O astro da música eletrônica afirmou recentemente que nunca se importou muito com o seu desempenho comercial. Entre alguns fiascos e sucessos, Moby acaba sempre se reiventando dentro do próprio estilo.

O público escolherá as 14 canções do disco. E se não forem as suas preferidas? Das 20 canções que cantarei no show, gosto de todas. Qualquer repertório escolhido estará de bom tamanho pra mim. As sobras posso continuar a cantar na turnê do show. Ou quem sabe aumento o número de músicas no disco? (risos) Qual a expectativa para o Rock In Rio Lisboa em maio? Grande. Vai ser um grande encontro. O Jorge Palma, meu parceiro neste show, é um compositor que admiro muito, será um desafio interessante fazermos um show juntos, descobrirmos os pontos de contato, as referências comuns.

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SUBSTITUTOS Chega às lojas em formato DVD o longa que mistura ficção e suspense policial com o ator Bruce Willys

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ELVIS PRESLEY EM STEREO

AUDIOLIVRO São quase cinco horas de relatos sobre como as mulheres afegãs enfrentam o regime Taliban

Há exatos 50 anos, a RCA lançava o primeiro compacto em stereo do mundo

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Liam Gallagher lança em julho

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As Olívias em humor cotidiano Estreia no próximo dia 17, no Teatro Colinas, em São José dos Campos, o espetáculo “As Olívias Palitam”, do grupo paulista As Olívias Soluções em Comédia. Com direção de Victor Bittow e texto de Andréa Martins, o quarteto formado por mulheres altas e magrelas encaram cenas cotidianas, transformando-as em esquetes cômicas, com humor rápido e improvisação. As cenas vão desde um grupo de amigas que estudam as regras do futebol, até um workshop que ensina os homens a se comportarem no fatídico “dia seguinte” ao primeiro encontro. Com humor rápido e inteligente, utilizam diálogo constante com acontecimentos atuais, sempre com muita improvisação. Trazem também paródias hilárias de hits da década de 80, que se torna-

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ram uma marca do grupo, como a música “Longilíneas Demais.” Entre os pontos altos do espetáculo, estão os divertidos momentos de bate-papo entre as atrizes, com temas sugeridos pela plateia, no quadro que dá nome ao show. O Grupo “As Olívias” surgiram nos corredores da Escola de Arte Dramática (EAD/ USP), em 2004. O espetáculo ‘As Olívias Palitam,’ estreou no ano seguinte e, desde então, tem sido um grande sucesso no circuito de humor de São Paulo, com mais de 30 mil espectadores. O grupo também se destacou em suas participações em “Nunca se Sábado...”, espetáculo de humor de sucesso da produtora Conteúdo Teatral. O texto tem duração de 80 minutos e a recomendação etária é de pelo menos 14 anos. Fica em cartaz até 9 de maio.

SLASH E VÁRIOS Á CONVIDADOS O guitarrista Slash lança disco solo acompanhado de Dave Grohl, Fergie, Ozzy e Iggy Pop. PREÇO: R$ 33.-

Liam Gallagher anunciou que a nova banda que formou com os ex-Oasis Andy Bell e Gem Archer, ainda sem nome, pretende lançar o seu primeiro álbum em julho. Para isso, Gallagher conta com oito músicas que já havia composto antes do Oasis terminar. O produtor será definido este mês.

Novas Parcerias

MGMT FLERTA COM O SURF Segundo álbum da dupla ‘hypada’ do MGMT. Agora a psicodelia deu lugar a surf music. PREÇO: R$ 37.-

JEFF BECK SINFÔNICO Primeiro trabalho em sete anos, Jeff Beck toca com orquestra no disco. PREÇO: R$ 37.-

Jack White e Dolly Parton juntos?

Jack White teria entrado em contato com a cantora country Dolly Parton com a intenção de produzir o próximo álbum dela. Quem deu a notícia à revista ‘Spinner’ foi Parton, que não parece totalmente convencida da ideia: “Ele parece ser um fã, mas quem sabe...”.

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ValeViver Foto: divulgação

SHOW

Jazz em abril no Sesc São José São José dos Campos

O

trompetista Chico Oliveira, conhecido pelo trabalho no Sexteto do Jô, abre neste mês o projeto “Casa do Jazz”, no Sesc de São José dos Campos. Em três shows, Oliveira recebe nomes não tão conhecidos do grande público, mas que fazem parte da história da música popular brasileira. Um deles é o contrabaixista Arthur Maia, parceiro de Djavan e Gilberto Gil em dezenas de discos, que se apresenta no dia 10. Conhecido

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pela versatilidade e pela criatividade, o músico tem um trabalho sólido em sua carreira solo. No dia 17 é a vez do trombonista Bocato, que já gravou com Rita Lee, Ney Matogrosso, Roberto Carlos, Gal Costa, Zeca Baleiro, Chico César, Celso Viáfora, Carlinhos Brown e Nação Zumbi. Por último, no dia 24, Oliveira recebe no palco o saxofonista Derico, também parceiro no Sexteto do Jô. Os dois devem mostrar que, além de amigos, têm um entrosamento musical que só a convivência permite. Os shows acontecem aos sábados, às 18h. Uma boa oportunidade para ouvir um estilo pouco difundido no Vale do Paraíba.

MÚSICA O contrabaixista Arthur Maia, que se apresenta dia 10 no Sesc São José

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Domingo 4 Abril de 2010

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Social

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Flashes& On the Road Comemoração em grande estilo para os 70 anos de Ivo Merlotti, em São José. O anfitrião foi recebido com festa surpresa para 100 convidados entre amigos e familiares. O bolo, elaborado por Paula Mohler, carregava na decoração todos os prazeres do excêntrico empresário italiano: as três netas, sua Harley Davidson e macarronada! Para lembrar suas aventuras em duas rodas, no telão uma série de fotos mostrava os mais de 10 países que ele já conheceu em cima de uma de suas Harleys. Agora, Ivo Merlotti se prepara para mais uma aventura, ele segue no final do ano da Espanha à Grécia. Em duas rodas é claro!

Fotos: Eugênio Vieira

Família Merlotti: Bárbara, Marcelo, Ivo, Cecília, Maria Henriqueta

Christiane Sardinha e Gustavo Bomdesan

Carla Merlotti Francisco Roxo e Mª José

Sílvia Máximo e Celso Ribeiro

Vera Maria Costa

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Maira Carmassi

Delvio e Vera Buffulin

Ben Hur Venturelli

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Domingo 4 Abril de 2010

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Fotos: Pedro Ivo Prates

Festa para a dama da TV De coração aberto, Hebe Camargo abriu as portas de sua festa de 81 anos marcando sua volta às telinhas com muita emoção e mandando um beijo a todos os seus conterrâneos do Vale do Paraíba. “Um beijo a todos do Vale, espero que tenham gostado da festa”, disse. Marcelo, filho da apresentadora do SBT, afirmou que a mãe adora matar a saudade de Taubaté, onde nasceu, e sempre que pode vai à cidade. “A sensação de acolhimento é sempre muito grande todas as vezes que voltamos”, disse. A festa ocorreu na primeira semana de maio e reuniu, entre outros, Xuxa, Ana Maria Braga e Marília Gabriela, quebrando o protocolo da Rede Globo.

Hebe Camargo e o filho Marcelo (ao fundo)

Marília Gabriela Xuxa e Maisa

Ticiane Pinheiro e Roberto Justus

Padre Antônio Maria

Ratinho e Ivan Zurita

Carlos Nóbrega e Jussara Freire

Eliana

Hebe com Leonardo

Hebe com Ivete Sangalo

Ana Maria Braga

Celso Portiolli

Hebe com Ivete Sangalo

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Social

Cassino na alta roda Uma noite regada a Proseco, uisque amigo (cada convidado levou sua garrafa) e várias rodadas de black jack, pôquer e roleta. Gostou? A festa rolou para 120 convidados VIP do Pátio FunClub, em São José. Depois de longo tempo de espera, sinal verde e as meninas Flávia Neves e Renata Valias arrasaram com o evento patrocinado pelo Conrad Punta Del Este Risort & Casino. A noite foi de sorte para a advogada Ana Carla Malheiros, que levou uma viagem para o resort com tudo pago e direito a acompanhante, no sorteio final!

Miriam Menegário, Patrícia Daher, Marina Feroldi

Ana Carla Malheiros

Kelsy Hardt

Patrícia Solto

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Flávia Neves e Priscila Benozzati

Emanuelle Junqueira

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Domingo 4 Abril de 2010

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Fotos: Antonio Basilio

Mariana Cury

na Feroldi di Mariana e Ricardo Yoshida Angela Sales

Tinda Abicair

Gustavo Rodrigues

ClĂĄudia e Rodrigo Bruno

Daniel Parodi

Rafael Ferondi e JosĂŠ Amin Daher

Renata Cury

Junqueiraa

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Social Fotos: Eugênio Vieira

Arte & Solidariedade Em Taubaté, o evento Solidariearte, um leilão e bazar em prol das cidades de São Luís do Paraitinga e Cunha, encheu os olhos de quem aprecia obra de arte e, de quebra, gosta de fazer uma boa ação. Com curadoria de Ana Laura Dinamarco, José Luiz de Souza, Luciano Dinamarco, Mírian Badaró e Raquel Marques Roman, o leilão reuniu 130 obras doadas por artistas da região e de galerias de São Paulo. Entre o acervo, destaque para uma tela de Tomie Ohtake, arrematada por R$ 2.000. No total, o evento arrecadou R$ 40 mil. O valor será repassado às duas cidades, que foram castigadas pelas fortes chuvas de janeiro.

Ana Lúcia Vianna

Ronaldo Mariano e Flávia Bissoli Mariano

Marisa de Araujo

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Flávia Badaró

Raquel Marques Roman

Antonio Fernando Prado

Mírian Badaró

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Domingo 4 Abril de 2010

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Fotos: Eugênio Vieira

A hora do sim Os noivos Márcio Abirached Filho, 25 anos, e Dayane Salomão, 26 anos, mostraram toda a tradição da família no casamento, celebrado com uma cerimônia religiosa espírita. A família reuniu os amigos de Taubaté e Pindamonhangaba em uma festa para 200 pessoas no Sítio Tangaroa. Entre os convidados o prefeito de Pinda, João Ribeiro (PPS), acompanhado da primeira dama Angélica Ribeiro. Márcio Abirached Filho e Dayane Salomão

Albana A. Zaina e Bruna A. Zaina Cavalca

Marcelo Duarte Ribeiro e Ana Paula Bittencourt Ribeiro

João Ribeiro e Angélica Ribeiro

Paula Sobelman

Márcio e Maura Abirached

Albana Abirached

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Felipe Abirached e Mara Andreia O. Moreira

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Viva a Vida

Carlos Carrasco

Democrática, a arte do grafite leva colorido ao cinza das ruas das cidades Carlos Carrasco

as ruas das grandes cidades, São Paulo ainda mais, explode em cada rua uma nova arte. No bairro do Cambuci, por exemplo, são muros e paredes de grafites elaborados, com linhas finas e certeiras, a mais pura arte urbana. Um bairro colorido bem no meio da maior cidade da América Latina.

N

Ali é quase possível tocar a essência dessa arte, a velocidade da vida, a arte impondo a democracia, a verdadeira democracia –todos têm direito à arte. E ela vai ao povo. No mesmo Cambuci que nos anos 30 e 40 acolheu Alfredo Volpi a arte está ao alcance das mãos e dos olhos. Ruas de Nina Pandolfo, que através de suas lindas menininhas, de olhos imensos, quer nos hipnotizar. Ruas d’Os Gêmeos, gênios paulistanos que levaram o grafite brasileiro para o mundo, reconhecido em todos os continentes, nos quatro cantos da Terra. Para os desavisados, um aviso: grafite não é pichação. Tem gente que ainda não enxergou. Helloooo? Energia E há muito mais nomes nas ruas: Vitche, Jana Joana, Mark Ryden, Margaret Keane, Nina Surel, Julie Davidow, Nicolas Kuszyk, Xiao Hong, Emilio Perez ou Takashi Murakami, meu predileto, artistas que transformam cinza em cor e

NAS RUAS Grafite de Nina Pandolfo em muro no bairro do Cambuci, em São Paulo

ALERTA “Para os desavisados, um aviso: grafite não é pichação. Tem gente que ainda não enxergou. Helloooo?” energia positiva. O grafite já é considerado forma de expressão no campo das artes visuais, a street art ou arte urbana –arte que desperta e dá vontade de levar pra casa e colocar na sala de estar. Hoje, um painel de street art pode custar até US$ 100 mil. E tem muita gente investindo nisso, pessoas que

acreditam na arte que nasce nas ruas, nos muros, nas esquinas. Vamos liberar nossos muros, nossas paredes, nossos banheiros, alegrar nossa vida pela arte do grafite. Pelo menos olhe, pelo vidro do carro ou caminhando pela rua, preste atenção nessa onda. Não finja que você não viu.

Carlos Carrasco cabeleireiro

carrasco@valeparaibano.com.br

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Revista valeparaibano - Abril 2010  

edicao de abril de 2010

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