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Trabalhos realizados . Livros independentes. Projeto gráfico e editoração. Porto de Sauípe: memórias de se orgulhar (Marcella Feeri) Memória urbana, poética para uma cidade (Isaías Neto), em andamento. . Editora Corrupio. Projeto gráfico e editoração de livros: Terceira Diáspora: Culturas Negras no Mundo Atlântico (Goli Guerreiro) Terceira Diáspora: O Porto da Bahia (Goli Guerreiro) Coleção Camaçari: Cidade para viver e cnhecer (em andamento) Tráfico Negreiro (em andamento) . Jornal A TARDE. Coordenação do setor de diagramação e projetos (editoria de arte). 2003-2009 . Sócia-proprietária da empresa GANA produção editorial . Clarim Publicidade. Arte finalista. 1986

BIO. BIO.

Valentina Garcia. Design gráfico valentinagarci@gmail.com (71)99092203 - 34956256

. AU arquitetura. Desenhista arquitetônica. 1987 . SRV Programação Visual. Projetos de sinalização. Arte final e criação. 1987-1991 . Designer assistente do designer chileno Alex Chacon no projeto Quadrilátero. 1992 . Jornal Bahia Hoje. Diagramação. 1994 . Jornal Gazeta Mercantil. Convidada para implantar o projeto Regional Nordeste. Editora de arte. . Texto&Cia. Criação de projetos de House organs PORTIFÓLIO RESUMIDO


Graduada em Design, atua no mercado editorial e design de informação. Formação . Design com habilitação em comunicação visual e ênfase em meio digitais. Unifacs. 2007 . Curso de desenho e plástica - Escola de Belas Artes - Ufba – seis semestres. 1991 Complementares . Curso livre de Programação Visual com a designer Maria Helena Pereira. Facom Ufba . 1989 . Curso Comunicação Visual (sinalização) com Sonia Ribeiro. Faculdade de arquitetura Ufba. 1990 . Workshop com Felipe Marra. 2008. Unijorge . Seminário Alexandre Wolner. 2007. Fieb . Palestra Guto Lacaz. 2007.

Atuação . Seminário “Recortes da História da Revista no Brasil”. 2008. Unifacs. . Palestra. Sobre atuação do design em jornal impresso. Unifacs. 2009 . Palestra e debate sobre design de informação. Faculdade da Cidade. . Convidada para banca de graduação no curso de jornalismo sobre artes visuais em comunicação. Unijorge. . Entrevista cedida para Elena Martinez. no blog. <http://lenamartinez.blogspot.com/2008/12/designerprofissional-indispensvel-na.html> Prêmios . Prêmio de excelência pelo caderno EU Salvador na 31º edição The Best of News Design, SND, juntamente com equipe participante. (Jornal A TARDE, 2009) . Prêmio 30º edição The Best of News Design, SND, na categoria design de páginas com trabalho em parceria com o ilustrador Túlio Carapiá. (Jornal A TARDE, 2008) . Melhor identidade visual. Café Cidade. ExpoCone design. 2006. Softwares Adobe CS4 (Illustrator, indesign, photoshop), GN3 good news, QuarkXpress, Page maker, Coreldraw.


Espaço nonna. Lazer e saúde Academia especializada e com atendimento personalizado e direcionado para idosos. Identidade visual, fachada, manual de aplicação, outros

logo. logo.


Ana Magalh達es Designer de joias Identidade visual Postais promocionais.


Advance Empresa de seguranรงa Identidade visual, papelaria bรกsica


ilha bela Projeto para ilha em ItacarĂŠ que vai trabalhar com turismo.


( produção editorial

goli guerreiro valentina garcia

consultoria em edição e design

livros . revistas . jornais . vídeos . sites ganaeditorial@gmail.com goli guerreiro 55.71.99771080 | 32646201 valentina garcia 55.71.99092203 | 34956256

Gana (produção editorial) Projeto de identidade visual com banner de divulgação e cartão de visita.

ARQUITETURA Outras Identidades.


Café da cidade Projeto de identidade visual e aplicação. Prêmio melhor Identidade Visual ExpoCone Design

Jogo americano

Cartão de visita


goli guerreiro

culturas negras no mundo atlântico

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diásporas, estéticas em movimento Sound system em Salvador; luta de arena em Dakar; cafés literários em Fort-de-France; ginger bread em Port of Spain; salões de beleza afro em Paris; artes visuais em Luanda; festival de vodum em Uidá.

goli guerreiro

culturas negras no mundo www.terceiradiaspora.blogspot.com atlântico

Terceira diáspora é o deslocamento de signos – ícones, modos, músicas, filmes, livros – provocado pelo circuito de comunicação da diáspora negra. Potencializado pela globalização eletrônica e pela web, coloca em conexão digital os repertórios culturais de cidades atlânticas. Uma primeira diáspora pela via da escravidão ocorreu, na história moderna, com os deslocamentos do tráfico atlântico; uma segunda diáspora se dá pela via das migrações como a de jamaicanos e nigerianos para Londres; de cubanos para Nova York; de angolanos para Lisboa e Brasil. Esses deslocamentos redesenharam a ambiência cultural do mundo atlântico. Pós-contemporâneas, as culturas negras vivem um processo de recriação cultural diverso e cosmopolita baseado na troca de informações entre repertórios artísticos, comportamentais e ideológicos. A terceira diáspora é uma teia de referências do mundo negro; cita a extraordinária riqueza deflagrada pela diáspora africana e o vigor de sua produção cultural. Textos, sons, imagens navegam e se (des)conectam num oceano de signos.

editorial. editorial

Livros Terceira diáspora de Goli Guerreiro


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. Páginas do livro Porto de Sauípe: memórias de se orgulhar de Marcella Ferri com ilustração de Rui Santana

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Tempos de mudança

. Páginas do livro Memória urbana, poética para uma cidade, de Isaías Neto

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Chamada de capa para matéria sobre o Prêmio de Excelência da 30º edição do SND Society News design. Ao lado página premiada em parceria com o ilustrador Túlio Carapiá.


SALVADOR 460 ANOS

A aldeia Curupeba (na Ilha de Madre de Deus) era ponto de apoio no transporte do açúcar vindo dos engenhos do Recôncavo com destino ao Porto de Salvador.

SALVADOR, BAHIA DOMINGO, 29/3/2009

THEODORE DE BRY/1592

Kirimuré era a Baía de Todos-os-Santos para os índios

Onde hoje fica Salvador existiam 15 grandes aldeias

Sugestão de uso didático A reserva indígena Thafene (tha = semente; fene = vida), criada há cerca de 15 anos no município de Lauro de Freitas pelos índios kariri-xocós (Alagoas) e fulni-ôs (Pernambuco), recebe estudantes para conhecer a cultura índigena.

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SALVADOR, DOMINGO, 29/3/2009

Calvário Este foi o nome dado pelos jesuítas à primeira aldeia missionária. O local (atual Convento do Carmo) foi escolhido por ser próximo ao portão norte da cidade.

Em 1500, no Brasil, havia nações dos tupis, dos jês e dos kariris

++ saiba mais Livro: Espelho índio, de Roberto Gambini, Axis Mundi/Terceiro Nome. Internet: www.museudoindio.org.br

| SALVADOR 460 ANOS |

ÍNDIOS ❚ Quando os portugueses chegaram, tupinambás

salvador

ESTE CADERNO É PARTE INTEGRANTE DO JORNAL A TARDE. NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

No dia 29 de março de 1549, chegava à terra colonizada a frota de Tomé de Sousa para fundar Salvador. Hoje, passados 460 anos do feito, multiplica-se neste lugar um povo orgulhoso. Nascido na cidade ou por ela adotado, o ser soteropolitano povoa recantos e mentes, marcando fortemente sua presença na história.

AMÉLIA VIEIRA avieira@grupoatarde.com.br

De felizes habitantes da “terra onde não se morre” à condição de explorados, escravizados e massacrados. Habitantes da “Terra Brasilis”, estima-se que há pelo menos 12 mil anos antes da chegada dos portugueses, os povos originários, chamados de índios pelos portugueses, foram à quase dizimação num curto intervalo de cerca de um século, o XVI. Sua trajetória, marcada de capítulos de dor e sofrimento não impediu, contudo, que imprimissem uma forte marca na identidade do soteropolitano contemporâneo. Eles eram, no Brasil, entre cinco e dez milhões, de cerca de mil diferentes povos e línguas. No trecho litorâneo da Baía de Todos-os-Santos, onde futuramente viria a ser encravada a cidade de Salvador, não se sabe quantos índios havia. O que há de concreto é que o povo da tribo Tupinambá que aqui morava usufruía de uma privilegiada e cobiçada terra. O fértil solo da floresta de mata atlântica que se estendia até o Recôncavo baiano, favorável à agricultura, o manguezal da Baía de Aratu, a enseada dos Tainheiros, as águas tranquilas e propícias para a pesca forneciam alimentação abundante e todas as

condições de subsistência e, por isso, foi batizada pelos índios de “terra onde não se morre”. “Eram cerca de 15 grandes aldeias circulares. Locais onde hoje estão avenidas de vale, como Bonocô e Vasco da Gama, eram hortas”, observa o antropólogo e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) José Augusto Sampaio. As rivalidades interétnicas, entretanto, existiam. E o principal motivo das guerras entre as tribos era a disputa pelo território do qual brotava alimentação abundante. ESCAMBO – A posição geográfica ocupada pelos tupinambás fez deles os primeiros a terem contato com o “homem branco”. A aproximação inicial se deu com o escambo. Experientes na prática colonizadora usada na Índia e na África, os portugueses trocavam machados, facões, espelhos. “Eram objetos que não existiam na comunidade e que provocaram uma revolução. Os índios usavam machados de pedra para cortar uma árvore. Demoravam um tempão, porque iam macerando a base. Com os novos machados, esse tempo foi bastante reduzido”, compara o mestre em Educação Francisco Alfredo Morais Guimarães, professor

A Aldeia de Nossa Senhora do Rio Vermelho (atual Morro do Conselho) foi abandonada pelos índios, revoltados com a pressão dos missionários para que deixassem de ser poligâmicos. Fugiram para o sertão

MAXIMILIAM, PRÍNCIPE DE WIED-NEUWIED/1817

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moravam onde hoje está localizada a cidade de Salvador

Os habitantes da terra onde não se morre de História Indígena da Uneb e coordenador do curso de Magistério Indígena da Bahia e Licenciatura Intercultural Indígena da Uneb. Por parte dos índios, os inimigos eram moeda de troca. Outra forma de aproximação dos povos era o “cunhadismo” – a oferta em casamento de uma mulher da comunidade como forma de selar a amizade e firmar alianças políticas e econômicas. Foi desse costume, inclusive, que emergiu a união entre a índia rebatizada de Catarina Paraguaçu e o náufrago fidalgo português Diogo Álvares, o Caramuru, importante intermediário entre tupinambás e portugueses, chegado ao Brasil entre 1509 e 1510. Essas relações de ares amistosos, entretanto, não eram tão inocentes. Se por um lado os índios queriam cooptar aliados para os conflitos com tribos rivais, por outro, era a oportunidade de os colonizadores usarem os inimigos capturados como mão-de-obra escrava na produção de açúcar, bem como para ter apoio na defesa do território das tentativas de invasão por outros povos europeus. Começa aí o desequilíbrio da relação. Aos que não se deixavam escravizar e resistiam à dominação, era deflagrada a guerra. Com as interferências e desrespeito dos donatários, deterioravam-se as normas tradicionais de organização econômica, social e política. A reação dos indígenas eclodiu em rebeliões que culminaram na destruição de aldeias e massacre da população indígena. Os conflitos se acirraram com os jesuítas catequizadores. “Os índios passaram

a sofrer um processo brutal de descaracterização socioeconômica-cultural. A ação jesuítica, voltada principalmente para eliminar a poligamia, a antropofagia, as casas coletivas, a nudez, o paganismo e o nomadismo, funcionava como um aríete, demolindo as instituições fundamentais dos grupos”, destaca a professora do Departamento de Antropologia e Etnologia e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Maria Hilda Baqueiro Paraíso. SEM ANTICORPOS – Esmagados pelas guerras, fugidos para o sertão, os índios sofrem mais baixas a partir de 1563, quando a cidade é assolada por uma epidemia de varíola. Trechos escritos pelo jesuíta José de Anchieta contabilizam que, num intervalo de dois a três meses, teriam morrido aproximadamente 30 mil índios na Capitania da Bahia. O medo da peste estimula mais fugas e os sobreviventes, a despeito das adversidades existentes, são aglutinados em novas aldeias. O efeito da doença é tão devastador que em 1568 restam apenas quatro das 15 aldeias do litoral – Espírito Santo, São João, Santo Antônio e São Sebastião. De acordo com o antropólogo José Augusto Sampaio, calcula-se em 700 mil os índios no Brasil contemporâneo. Apenas entre 30 mil e 35 mil estão na Bahia. Nenhum em Salvador. Não sobreviveram na “terra onde ninguém morre”.

Tradição milenar ainda sem reconhecimento Hoje, 460 anos depois da chegada dos europeus a Salvador, a cidade não abriga mais nenhuma tribo. Escorraçados das terras mais prósperas, atualmente há espalhado pelo território baiano apenas 14 povos indígenas, somando em torno de 30 a 35 mil índios. O legado desse povo permanece na soterópolis contemporânea. O espírito festivo e alegre dos índios, que gostavam de cantar e dançar em grandes rodas, é um traço característico dos soteropolitanos. Mas, destaca o antropólogo José Augusto Sampaio, também está nos costumes de africanos e portugueses. Para o historiador Francisco Alfredo Morais Guimarães, entretanto, os conhecimentos zoobotânicos são o maior tesouro transmitido pelos índios. “Não temos mata virgem, pois o que resta são florestas antropogênicas, ou seja, que sofreram manejo das espécies vegetais de diversas utilidades, desde fornecer alimentos e plantas medicinais até o uso na arquitetura para construção de abrigos”, comenta o professor. Segundo ele, frutas nativas passavam por um processo de melhoria genética. Esse conhecimento, desprezado por séculos, afirma o historiador, está sendo redescoberto e estudado pela etnobiologia, ciência que busca na sabedoria indígena alternativas para reverter a devastação das florestas. (A.V.)

Canibalismo Era um ritual sacro entre os tupinambás. A refeição era um guerreiro cuja bravura perante a morte o levou para a ”terra sem males”

Transcendência Poligamia

O ÍNDIO

2/3. Os habitantes da terra onde não se morre; Canibalismo era ritual sagrado e de vingança 4. O centro do mundo se lança ao mar 5/6. Na rota de um feito histórico; Portugal e seus ritos chegam à nova terra 7. Salvador surge para proteger os lucros do rei 8/9. Viagem para a escravidão; Africanos de todo o continente na colônia 10. O poder muda de cidade 11. Força diante das dificuldades 12/13. Origem de contradição mantida na atualidade; Cidade pede um novo urbanismo 14. Salvador em formas e cores 15. A TARDE registra história 16. Olhar em direção ao futuro da cidade

Habitante primeiro das terras brasileiras há pelo menos 12 mil anos. Quando Salvador foi fundada, em 1549, eram entre cinco e dez milhões no Brasil. Hoje não passam de 700 mil.

Casa

Moravam em aldeias circulares. Nas ocas viviam até seis famílias

Guerreiros de prestígio tinham mais de uma esposa. Jovens se relacionavam com senhoras viúvas

Não tinham um único Deus (Tupã foi criação dos jesuítas). Acreditavam que o mundo era povoado por seres espirituais, que habitavam elementos da natureza

A morte era motivo de preocupação. Cultivar a coragem e a generosidade garantiam uma vida prazerosa na “terra sem males”

Comida Alimentavam-se do que era extraído da natureza, através da pesca, caça e agricultura

ARTE SOBRE FOTO DE FERNANDO VIVAS | MODELO: TARÉ SANTOS

EXPEDIENTE | Editor-coordenador Edson Rodrigues Editores Edson Rodrigues e Cleidiana Ramos Editora de Arte Iansã Negrão Projeto Gráfico e Diagramação Valentina Garcia Capa Filipe Cartaxo e Valentina Garcia Editor de Infografia Gil Maciel Infografias Filipe Cartaxo e Flávia Marinho

FOTOS FERNANDO VIVAS | AG. A TARDE

Hoje, não há mais aldeias em Salvador. Em Lauro de Freitas ficam os índios kariri-xocós

| SALVADOR 460 ANOS |

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AMÉLIA VIEIRA avieira@grupoatarde.com.br

Os tupinambás da futura Salvador viviam em grandes casas, com cinco a seis famílias em cada uma. Mas não havia chefes. Estes só se corporificavam nos confrontos e ainda assim era uma posição assumida pelos respeitados guerreiros como exercício de comando e não com conotação autoritária. Os bravos guerreiros eram respeitados e, poligâmicos, normalmente possuíam mais de uma esposa. Os jovens, por sua vez, almejavam ser corajosos lutadores e, enquanto não chegava a sua vez, mantinham relações informais com as senhoras viúvas. “Havia um superávit de mulheres por causa das guerras”, destaca o antropólogo José Augusto Sampaio. Os confrontos eram motivados pela expansão territorial, visando ampliar os domínios para terras com recursos naturais mais abundantes. Devido aos armamentos rudimentares, os confrontos davam-se no corpo-a-corpo e o objetivo era prender o adversário. “Quanto mais se arriscava para capturar o inimigo, mais se colocava no mesmo risco. Isso trazia prestígio”,

ressalta o antropólogo. Entender a importância do guerreiro na estrutura indígena ajuda a compreender melhor os rituais antropofágicos, uma vez que as práticas canibalistas não visavam matar a fome, mas, sim, revestiam-se de forte simbologia. “Havia uma cerimônia em que se chamava as aldeias aliadas e cada um comia um pedaço. Isso dava um sentido de comunhão ao ritual”, descortina o antropólogo. Ele vai além e explica que havia um simbolismo de vingança, sentimento considerado positivo entre os índios. SIMBOLOGIA –A antropofagia tupinambá também tinha um significado sagrado, uma vez que a coragem e a generosidade eram as mais valorizadas qualidades, as quais abriam os caminhos para alcançar a “terra sem males”. Como o guerreiro capturado era um bravo, sua morte purificava seu corpo, porque ele iria para a “terra sem males”. “Eles partilhavam um corpo sacralizado. O guerreiro sacralizado era ao mesmo tempo bicho e hóstia”, interpreta José Augusto Sampaio. Os escritos sobre a antropofagia tupinambá foram deixados pelos portugueses, que, na opinião do historiador indígena Francisco Alfredo Morais Guimarães, não compreendiam o significado do ritual. “Os relatos estão impregnados de valores europeus. Não houve estudo de pessoas desvinculadas. Para compreender verdadeiramente o ritual antropofágico é preciso passar por uma descolonização do pensamento”, defende o professor.

Os índios cuidavam da defesa das vilas, avisavam a aproximação de inimigos dos portugueses e, às vezes, chegavam a ser incorporados às tropas

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Canibalismo era ritual sagrado e de vingança

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Aldeamentos autônomos mos Habitados por índios livres. es.

Aldeamentos jesuítas Administrados pelos padres res jesuítas.

Aldeamentos particulares Administrados pelos colonos que usavam mão-de-obra indígena para todas as atividades, inclusive de defesa.

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SALVADOR, DOMINGO, 29/3/2009

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Prêmio de Excelência SND Society News design, caderno EU Salvador, em comemoração ao aniversário da cidade em que participaram: Valentina Garcia, designer gráfica; Fernando Vivas, fotógrafo; Filipe Cartaxo e Flávia Marinho, infografistas; Gil Maciel, editor infográfico; Iansã Negrão, e Pierre Themotheo, editores de arte.

Histórias dos ancestrais Vila Velha ou do Pereira (entre o Porto da Barra, Graça e Santo Antônio da Barra) Fundada por Diogo Álvares, o Caramuru, antes de 1532. Possuía mais de 300 casas, mais de mil índios e estrangeiros. Depois foi aldeamento jesuítico e seus índios combateram os holandeses, em 1624. São Paulo Quinta dos Jesuítas ou do Tanque (Arquivo Público da Bahia) Primeira aldeia criada por Mem de Sá. Foi formada por índios de quatro aldeias extintas ou abandonadas. Combateram os tupinaês (Guerra do Paraguaçu), com o governador e Vasco Rodrigues Caldas. Sofreu constantes invasões e perda de população com a epidemia de varíola de 1563. São João (Plataforma) Temporariamente despovoada em 1560 após a fuga dos índios, insatisfeitos com as intervenções dos missionários na comunidade. Colonos fizeram com que alguns índios retornassem, obrigados, à região para combates na Confederação dos Tamoios e aos franceses no Rio de Janeiro. Mas esses índios voltaram a fugir para as margens do Rio São Francisco ante a notícia de novas convocações para confrontos. Santiago (Pirajá) Fundada em 1559, teve vida curta devido à pobreza do solo, inadequação para a lavoura e sustento de quatro mil índios e a epidemias. Foi extinta em 1564 e os índios transferidos para a Nova de São João. Simão (Forte de São Pedro, Passeio Público e Gamboa) Aldeia batizada com o nome cristão do seu cacique convertido. Não sobreviveu às epidemias de 1560-63. Ao que tudo indica, muitos habitantes morreram, outros fugiram e apenas alguns permaneceram no local sob a liderança de Simão. Deve ter sido desativada poucos anos depois e os remanescentes deslocados para outras aldeias. São Sebastião ou Tubarão ou Ipiru (próximo à Aldeia Simão) Sua população foi violentamente reduzida pela epidemia de varíola. Em 1564, os sobreviventes foram transferidos para a aldeia de Santiago, em Pirajá. A área foi transformada em fazenda dos jesuítas, onde instalaram um engenho de açúcar.

Espírito Santo (Abrantes) Por questões de salubridade, foi transferida de Buraquinho para Abrantes. Reuniu 4 mil índios e teve um colégio jesuítico para as crianças, que, consideradas excelentes flautistas e cantoras, atuavam nas recepções às autoridades que chegavam à Bahia. Dali partiram as tropas de D. Marcos Teixeira para combater os holandeses. Bom Jesus de Tatuapara (Praia do Forte e adjacências) Antiga sesmaria de Caramuru, onde continuou seu comércio com os franceses. Ali foram aldeadas pelo novo sesmeiro (Garcia d’Ávila) várias tribos indígenas oriundas dos rios Paraguaçu e Pojuca. A missão jesuítica instalada atendia a grupos que viviam num raio de 30 léguas. Os índios reagiram à administração e sedentarização forçada, recusando-se a praticar a agricultura. Como combatentes, garantiram a expansão e a posse das terras dos Ávilas. Santo Antônio de Rembé (na região de Arembepe) Fundada em 1560, concentrou indígenas das aldeias dos rios Joanes e Pojuca. Ponto de apoio para missões volantes realizadas nas redondezas, pois parece nunca ter atraído os demais grupos daquela área. Santa Cruz de ltaparica (na região de Baiacu) Fundada em 1561 para catequizar os tupinambás que viviam na Ilha de Itaparica e tupinaês deslocados do Rio Paraguaçu. Em 1562 ocorreu um incêndio que destruiu as edificações e em 1564 grande parte dos aldeados morreu de varíola. Jaguaripe (Jaguaripe) Após fracassar na captura de índios de aldeamentos jesuíticos, Fernão Cabral de Ataíde garantiu proteção e liberdade de culto aos fugidos dos aldeamentos. Adotaram uma manifestação religiosa híbrida do catolicismo e da religião tupi. A Santa Sé enviou missão da Inquisição, o aldeamento foi desativado e muitos índios fugiram para o interior.

Fonte | Material extraído da exposição “Os Tupinambá de Kirimuré”, promovida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e coordenada por Maria Hilda Baqueiro Paraíso, com mapa original (da exposição) de Anderson Paiva e curadoria de Anderson Paiva, Elizabete Actis, Arissana Pataxó e Lycia Steinbach.

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..Projeto grรกfico para caderno especial 2 de Julho.


.Cada dupla no dia em que o Bloco Filhos de Gandhy desfilou na avenida. Foi homenageado do carnaval Salvador 2009 SALVADOR, SÁBADO, 19/7/2008

ESTE EXEMPLAR É PARTE INTEGRANTE DESTA EDIÇÃO. NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

2008

Em 5 de outubro, o destino de Salvador entre 2009 e 2012 está em jogo. E o melhor é que a festa democrática dá, a cada cidadão, o mesmo poder, não importando classe social, raça, idade ou religião. Voto é mais que um dever, é o reflexo da liberdade individual e da consciência social de cada um. A TARDE apresenta um guia para que o eleitor se informe e tenha mais liberdade e firmeza de escolha. NOME FICTÍCIO

Eleições

2 PÁGINA

PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA REQUER CONHECIMENTO

37 PÁGINAS

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CONHEÇA O PERFIL DOS CINCO PREFEITURÁVEIS ORDEM ESTABELECIDA POR SORTEIO

8 PÁGINA

VEREADORES CUSTAM R$ 19,2 MILHÕES AOS MUNÍCIPES

.Caderno especial 30 anos do pólo petroquímico


.Projeto grรกfico para caderno especial sobre a reforma ortogrรกfica


.Capa temรกtica sobre a dengue

.Capa temรกtica sobre perigo nas estradas


.Diagramação da capa e central

.Foto e Capa do caderno Cultural

.Caderno especial 40 anos do golpe


Revista Cinerama Projeto de revista especializada em parceria com o cineasta Davi Lopes


ABAT Projeto para publicação da Associação Baiana de advogados trabalhistas.


CD Projeto grรกfico de CD em parceria com o artista grรกfico Cau Gomez


Projeto para publicação da Associação Baiana de advogados trabalhistas.


Estudo para projeto de CD da Banda Lampir么nicos


outros.



portifolio