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Prêmio Literário

Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010


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Valdeck Almeida de Jesus

Prêmio Literário

Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

2011


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Título Original em Português: Novas Antologias de Poemas © 2010 de Valdeck Almeida de Jesus Todos os direitos desta edição reservados ao autor. É PROIBIDA A REPRODUÇÃO Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo transmitida por meios eletrônicos ou gravações, assim como traduzida, sem a permissão, por escrito, do autor. Os infratores serão punidos pela Lei nº 9.610/98

Coordenação Editorial: Simone Mateus Assistente editorial: Juliana Barros Editoração eletrônica: Studius Artes Gráficas Foto Capa: Chapada Diamantina, Valdeck Almeida de Jesus Impressão: Alternativa Digital

Giz Editorial e Livraria Ltda. Rua 24 de Maio, nº 77 – 10º andar – Sala 1002 CEP 01041-001 – São Paulo – SP – Centro Website: www.gizeditorial.com.br E-mail: giz@gizeditorial.com.br Tel/Fax: (11) 3333-3059

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Dotti, Jerson Na medida certa da boa educação : uma visão bem-humorada e na medida para enfrentar o mundo de hoje / Jerson Dotti e Zedu Lima . -- São Paulo : Giz Editorial, 2010. ISBN 978-85-7855-117-9 11. Comportamento divergente 2. Comportamento humano 3. Conduta de vida 4. Etiqueta 5. Hábitos 6. Usos e costumes I. Lima, Zedu. II. Título. 10-12414

CDD-395

Índices para catálogo sistemático: 1. Costumes e hábitos : Crítica : Comportamento social 395

Impresso no Brasil / Printed in Brazil


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Sumário Agradecimentos....................................................................................................15 O Papel do Escritor Contemporâneo............................................................17 Poemas Selecionados.........................................................................................19 Palavras.....................................................................................................................21 Abraão Leite Sampaio

Não quero ter corpo...........................................................................................22 Adriana Aparecida de Oliveira Pavani

Vida............................................................................................................................23 Agostinha Monteiro

Criança......................................................................................................................24 Alessandro Guiniki Barbosa

Deixem que eu decida........................................................................................25 Alessandro Uccello

Redonda e empinada.........................................................................................26 Allan Mauricio Sanches Baptista de Alvarenga

O palhaço... Um homem sério.........................................................................27 Amâncio Fá

Ramagem.................................................................................................................28 Amélia Marcionila Raposo da Luz

Seja doce.................................................................................................................29 Ana Isabel Damiani Mauerberg

Borboleta!................................................................................................................30 Ana Janete Pedri

Cruzadas...................................................................................................................31 Ana Paula Assaí Camapum

Para escrever um poema imperfeito...........................................................32 André Caldas

Finados.....................................................................................................................33 André Sesti Diefenbach

Taças quebradas..................................................................................................34 André Kondo

Com moderação...................................................................................................35 Andressa Pokety

Mostruário...............................................................................................................36 Angela NadjaBerg

Pela Paz....................................................................................................................37 Angela Togeiro

(Des) ilusão.............................................................................................................38 Anna Maria Avelino Ayres

Herói do Brasil (Lampião)................................................................................39 Anthony Mohammad

Gritando por socorro.........................................................................................40 Antonio Carlos Altheman

Partes deste amor................................................................................................41 Antonio C. Almeida


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Noite de luar..........................................................................................................42 António José Barradas Barroso

Cumplicidade.........................................................................................................43 Antônio Ivan Rodrigues Barreto

Chamo-te Pequena.............................................................................................44 António Orta

Saudade III..............................................................................................................45 António Seia

A emoção................................................................................................................46 Arai Terezinha Borges dos Santos

Café............................................................................................................................47 Ari Lins Pedrosa

Do outro lado........................................................................................................48 Asdrúbal Vieira

Abundantemente.................................................................................................49 Atanágoras Smetana Fernandes Sena

Dualismo.................................................................................................................50 Augusto Cesar Ribeiro Rocha

Coração Materno..................................................................................................51 Barata Cichetto

Poema da noite.....................................................................................................52 Benedito Carceles Tavares

Lua de melancolia................................................................................................53 Bernardo Santos

Jornalismo com poesia......................................................................................54 Bethânia Silva Santana

Não há flores..........................................................................................................55 Bruno Fernandes de Lima

Epifania....................................................................................................................56 Carlos Costa

Tudo Pode...............................................................................................................57 Carlos Eduardo Trindade de Mendonça

A última lágrima...................................................................................................58 Carlos Henrique Oliveira da Costa

Luandando..............................................................................................................59 Carlos Roberto Ferriani

Liberdade................................................................................................................60 Carlos Roberto Pina de Carvalho

Capacidade..............................................................................................................61 Carlos Theobaldo

Há................................................................................................................................62 Carolina Aparecida Vargas Hanke

Obscura....................................................................................................................63 Cassiana Barros

Poesia no jardim...................................................................................................64 Ceiça Esch

Piedade....................................................................................................................65 Claiton Scherer


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Folhas secas...........................................................................................................66 Cláudio de Almeida Hermínio

Soneto da superação..........................................................................................67 Cleber Antonello

Prazeres da vida...................................................................................................68 Crislaine Neves da Silva

Ideia...........................................................................................................................69 Daniel Pedrosa da Silva

Dueto urbano.........................................................................................................70 Daniela Damaris

Amor...........................................................................................................................71 Daniele Helena Bonfim

Por um ritmo mais................................................................................................72 Danielle Trindade

Terra prometida....................................................................................................73 Danielli Rodrigues Violante

Dia-a-dialética.......................................................................................................74 David Alves Gomes

vem sem música,... ..............................................................................................75 David Erlich

Sabor de vida.........................................................................................................76 Della Coelho

Nada importa.........................................................................................................77 Denize Vieira

Lá No Meu Goiás...................................................................................................78 Dhiogo José Caetano

Reverência..............................................................................................................79 Dilma Barrozo Ribeiro Lopes

N´outra margem..................................................................................................80 Diogo Cantante

Ambiguidade..........................................................................................................81 Dina P. Pereira da Costa

Quebra-cabeça......................................................................................................82 Domingas Cesário Alvim

Um simples verso.................................................................................................83 Domingos Alberto Richieri Nuvolari

O teu silêncio.........................................................................................................84 Ed Carlos Alves de Santana

Luz em nossos caminhos..................................................................................85 Ed Ribeiro

Ousadia....................................................................................................................86 Eder Ramos Bruckchen

Os olhares................................................................................................................87 Edna das Dores de Oliveira Coimbra

Vida............................................................................................................................88 Edson Izidio Pereira da Silva

Teus passos............................................................................................................89 Elaine Carelli


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Algumas folhas.....................................................................................................90 Elisabete Pereira Lopes

Estelionatários da verdade...............................................................................91 Eloisa Menezes Pereira

Acontece.................................................................................................................92 Elza Guerra Alemán

Atração fatal..........................................................................................................93 Eulália Cristina Costa e Costa

Passageiro...............................................................................................................94 Eva Melo Portilho

Detesto rótulos e títulos...................................................................................95 Fabiana Garcia

Sonhos de Infância..............................................................................................96 Fabiane Ribeiro

Endereço certo.....................................................................................................97 Fabio Daflon

Fabiografia II..........................................................................................................98 Fábio Henrique Pupo

Chamada..................................................................................................................99 Fábio Roberto Lucas

Maria merecia?....................................................................................................100 Fátima Soares Rodrigues

Tema e Variações em Forma Cíclica...........................................................101 Felipe Cattapan

Vivi...........................................................................................................................102 Félix Rodrigues

A Dor de Sentir...................................................................................................103 Fernando Marques

Tempo.....................................................................................................................104 Fernando de Sousa Pereira

Poema Andrógino..............................................................................................105 Flavio Lanzarini

Vida!........................................................................................................................106 Gérson Lima do Prado

Colheita..................................................................................................................107 Gilberto José de Oliveira

É o meu caminho?..............................................................................................108 Gilberto Peter Caramão

Eternamente.........................................................................................................109 Gilson Médice Ferreira

Distração.................................................................................................................110 Gilson Médice Ferreira

Flores de inverno cismam.................................................................................111 Glaubber Silva Lauria

Pálidos mistérios..................................................................................................112 Grigório Rocha

Nem rezo.................................................................................................................113 Gustavo Amador Gonçalves


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Olhos Quebrados................................................................................................114 Gutox Elros Anárion

Instante....................................................................................................................115 Haryson Alexandre de Souza Rocha

Altas horas.............................................................................................................116 Heitor Trindade da Silva

Vento no ônibus...................................................................................................117 Helder Alexandre Medeiros de Macedo

Dias de Chuva.......................................................................................................118 Helen Cristina de Azevedo Thomaz

Ária da chuva........................................................................................................119 Helena Barbagelata

Xipófago Gêmeos – Dois poemas lidos em sequência forma um terceiro.....120 Hélio José Destro

Água do rio............................................................................................................121 Henrique Cananosque Neto

Propagador da linguagem poética.............................................................122 Heriomilton

A pequena amena...............................................................................................123 Hernany Tafuri

O lado escuro da fala........................................................................................124 Hudson Reginaldo dos Santos

Poeta do Amor....................................................................................................125 Idelma Santanna

Falta-me.................................................................................................................126 Isaac Nogueira de Almeida

Se me amas, descobre um sorriso... ..........................................................127 Isabel Maria Pereira Craveiro

Os dias.....................................................................................................................128 Jandira Zanchi

A luz fina do mundo..........................................................................................129 João Augusto Madureira Ferreira

mulher poema......................................................................................................130 João Gomes de Almeida

Diário........................................................................................................................131 João Paulo Medina da Silva

A mente segue eternamente.........................................................................132 Jobson Santana

Tenor........................................................................................................................133 Joel Almeida

Caminho das Pedras..........................................................................................134 Joel Medeiros da Silva

Artesão do amor.................................................................................................135 Jopeal

Corpo.......................................................................................................................136 Jorge Paulo

Conversas sobre Vulcano................................................................................137 Josafá Paulino de Lima


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Roubaram-me a Poesia....................................................................................138 José Luciano Monteiro Pires

Voz do ceticismo................................................................................................139 José Luiz da Luz

Poema d´uma rosa............................................................................................140 José de Ribamar Alves dos Santos

Ser materno...........................................................................................................141 José Reinaldo Felipe Martins Filho

Janela Azul............................................................................................................142 Julianne Agge Auffinger

Sopro da manhã..................................................................................................143 Jussara Athayde Albertão

Faiscar para que as penas nasçam.............................................................144 Karin Spekman Andrade

Eu sei que vi.........................................................................................................145 Karla de Oliveira Prado

Pedi..........................................................................................................................146 Karla Geane da Silva Batista

O doente................................................................................................................147 Katia Karen Bergamini de Queiroz

Alma.........................................................................................................................148 Kelly Priscila Franzoni

Prazo de validade..............................................................................................149 Krol Rice

Poema para uma colegial...............................................................................150 Laérson Quaresma de Moraes

Parte do que sinto...............................................................................................151 Leandro R. Pinheiro

Retalhos..................................................................................................................152 Leandro Silva Paiva

Refletindo..............................................................................................................153 Lénia Aguiar

Amor........................................................................................................................154 Leonardo Barbosa da Silva

Cama de pregos..................................................................................................155 Leonardo Rander

Meu Querubim.....................................................................................................156 Letticia Cecy Correia

Minha vida..............................................................................................................157 Lívia Pâmela Torres da Costa

Letra e melodia...................................................................................................148 Lorena Neves da Silva

Soneto perpétuo.................................................................................................159 Lourdes Neves Cúrcio

Noite........................................................................................................................160 Luana Marques

Carta ao Pai...........................................................................................................161 Lucas Carneiro de Lima e Silva


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As Belezas.............................................................................................................162 Lúcia Grespan Rocha

Ilusão.......................................................................................................................163 Luciano Esposto

Causa.......................................................................................................................164 Lúcio Pessoa

Coisas da alma.....................................................................................................165 Luís Valente

Correnteza............................................................................................................166 Luiz Donizetti Sales

Tic-tac.....................................................................................................................167 Luiz Ricardo Rech

O Velho Sentado.................................................................................................168 Marcelo de Oliveira Souza

Fragmentos...........................................................................................................169 Marco Aurélio de Oliveira Almeida

Distância................................................................................................................170 Marcos Antônio Maués Vitelli

Preceitos e vida....................................................................................................171 Marcos Lima Duarte

Paixão......................................................................................................................172 Maria A. S. Coquemala

Você pode.............................................................................................................173 Maria Angela Manzi da Silva

Reflexo do samba...............................................................................................174 Maria Fernanda Perri Gurgel

Nos meus olhos de musgo..............................................................................175 Maria Fernanda Reis Esteves

Colibri......................................................................................................................176 Maria Luiza Falcão

Alma de poeta.....................................................................................................177 Maria Manuela Vieira de Matos

Relâmpagos..........................................................................................................178 Marialzira Perestrello

Alguma/Nenhuma mulher..............................................................................179 Mariana Carlos Maria Neto

Miséria Intelectual..............................................................................................180 Marina Fernanda Veiga dos Santos de Farias

Conversa Madrugada.........................................................................................181 Mario Manhães Mosso

Minha namorada.................................................................................................182 Mario Rezende

Tardes nuas...........................................................................................................183 Marisa Cardoso Piedras

Tempo Amigo......................................................................................................184 Marne de Oliveira Pimentel

Ócio produtivo (e atrapalhado...)................................................................185 Melissa Lucchi


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Indiscreta...............................................................................................................186 Méri Laus Angelo Medeiros

Andarilho................................................................................................................187 Michelle Trevisani

Vida..........................................................................................................................188 Miguel Alexandre Correia Pereira

Hera Poesia (aos cinqüenta fui soneto)....................................................189 Milton Neto da Vera Cruz

Murmura uma estrela........................................................................................190 Mônica Filomena Mendes Batista

Regressar de novo..............................................................................................191 Namibiano Ferreira

Chora, chora sociedade!..................................................................................192 Nelmara Cosmo

Estrangeiro............................................................................................................193 Neusa Ariana Soares Veloso

Talvez......................................................................................................................194 Nicholas Merlone

Minha pequena morte.......................................................................................195 Nicolina Maria Arantes

O poeta e as palavras.......................................................................................196 Nildes Trigueiros Rodrigues

Verão.......................................................................................................................197 Noé Martins de Oliveira Alves

Recado para meu amor....................................................................................198 Nuno Alexandre dos Santos Sousa

Arquiteto................................................................................................................199 Odeon Alves de Almeida

Quem pode saber?...........................................................................................200 Odyla Paiva

Vida enc(h)ilada.................................................................................................201 Paula Alves

Mulher do Pescador..........................................................................................202 Paulo Eduardo Mauá

Soneto em trovas às lágrimas do retirante nordestino.....................203 Paulo Roberto de Oliveira Caruso

Do amor................................................................................................................204 Paulo Vitor Barbosa dos Santos

Falência.................................................................................................................205 Pedro Felipe de Oliveira

Beleza....................................................................................................................206 Rafaela Beatriz

Quando apareces, meu amor.......................................................................207 Rafaela Damasceno

É (s).........................................................................................................................208 Regina Coutinho

Busca......................................................................................................................209 Regina de Almeida Jesus


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Um Príncipe Encantado...................................................................................210 Reinaldo Lamenza

Enigma.....................................................................................................................211 Renata Paccola

Por que choras?...................................................................................................212 Renata Patrícia Fonseca

Lama.........................................................................................................................213 Renata Rimet

O dedilhar do enigma.......................................................................................214 Ricardo Gil Soeiro

Existe sol................................................................................................................215 Rita Maria Fernandes Freitas

O sonhador............................................................................................................216 Ritamar Invernizzi

Em torno da ponte.............................................................................................217 Roberto Corrêa da Silva

Quando errar é desumano..............................................................................218 Robervânio Luciano

Prazerosa dor.......................................................................................................219 Robson Brito

A Vontade das Criaturas... ............................................................................220 Ronaldo Campello

Irresistível atração..............................................................................................221 Rosana Nóbrega

Devoção à leitura...............................................................................................222 Rossandro Laurindo

Sabugueiro...........................................................................................................223 Rui Pedro Carvalho de Rodrigues Pinheiro

Contraste..............................................................................................................224 Ruth Ribeiro Dantas Fagundes dos Santos

Autorretrato.........................................................................................................225 Samuel Pimenta

“Romeu e Julieta”.............................................................................................226 Samuel Souza Lima

Enluarada..............................................................................................................227 Sandra Maria de Jesus de Lima e Silva

Mostre sua cara..................................................................................................228 Sandra Taís Amorim

Meu fantasma......................................................................................................229 Sanio Morgado

O Vazio..................................................................................................................230 Sara Petrucci

Dentro de tuas gavetas....................................................................................231 Sheilla Liz

Amor.......................................................................................................................232 Sheyla de Souza Bitencourt

Versos de Paixão...............................................................................................233 Silvio Parise


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O perdão...............................................................................................................234 Simone Aguiar de Souza

Presságio...............................................................................................................235 Soraya Rachel Pereira

Fria Noite..............................................................................................................236 Taiane Caroline Cruz

Reviver...................................................................................................................237 Tammara Aparecida da Cruz

Tenta disfarçar....................................................................................................238 Tânia Regina da Silva Guimarães

Barganha...............................................................................................................239 Tatiana Alves

Cupido...................................................................................................................240 Tatiana Druck

Mão...........................................................................................................................241 Thomaz Meandra

Sereia......................................................................................................................242 Tiago Butarelli Lima

Fogo-Fátuo..........................................................................................................243 Tiago Gonçalo Cristóvão Carvalho

A Lua e O Mar.....................................................................................................244 Tibor Elias Szabó Iossi

Perdidas embarcações....................................................................................245 Valquíria Lins

Homem! De animal a cidadão......................................................................236 Valter Rodrigues Mota

Templo Literário.................................................................................................237 Vanilda Liziete Ribeiro Lopes

Ilha Dourada........................................................................................................248 Vasco Nogueira

Fechamento.........................................................................................................249 Vera Maria Puget Blanco Bao

A procura..............................................................................................................250 Verônica Marins

Aventuras da Paixão.........................................................................................251 Verônica Vincenza

Dúvida....................................................................................................................252 Vinícius Antônio Ferreira Hespanhol

Quando deita o sol............................................................................................253 Wagner Marim

O Mirante..............................................................................................................254 William Borges da Costa

Viagem...................................................................................................................255 Yao Jingming

Um sonho que se sonha com muitos poetas..........................................257 Dados do projeto

VI Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – Poesia....................261


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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Agradecimentos À equipe de poetas que selecionou os dez primeiros colocados, integrada por: Cymar Gaivota (Lucymar Soares), natural de Serra dos Aimorés-MG. Jornalista, Poeta, Membro Correspondente da Oficial Academia Tijuquense de Letra-SC, Membro da Academia de Cultura da Bahia, Miembro Efectivo da Academia Internacional de Letras e Artes de Ciencias de Argentina, participante do Fala Escritor, do projeto Galinha Pulando e demais movimentos literários baianos. Ivonete Almeida de Jesus é natural de Jequié-BA. Pedagoga pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Funcionária Pública Federal. Adora ler todo tipo de literatura, participar de encontros que favoreça mais conhecimentos na área da educação. Realiza pesquisas na área da Literatura Infantil por acreditar que a lecto-escrita contribui no processo de desenvolvimento das crianças. Adora ler e escrever poesias, sobretudo as de cunho crítico. Leandro de Assis, natural de Salvador-BA. Escritor, poeta e professor de História. Autor dos livros Eu Sou Todo Poema, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, lançado em julho de 2007 e InQuIeTaÇõEs, publicado pela Ponto de Cultura Editora em 2009 e lançado na IV edição do Fala Escritor. Participação nas edições III e IV do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia e um dos vencedores do concurso de poesias realizado na Bienal do Livro de 2007, que resultou na Antologia Poemas que Falam. Participação na Antologia Poética Mãos que Falam e um dos selecionados para a Antologia Poética Carta ao Presidente. Leandro de Assis é colunista da revista eletrônica Debates Culturais e idealizador do Projeto Fala Escritor. Léo Dragone (Alex Bruno Rodrigues de Jesus) é soteropolitano, nascido a 5 de março de 1990, no subúrbio ferroviário de Paripe, na capital baiana. A veia artística e literária o acompanha desde criança, e se fortaleceu ainda mais depois que Léo, como é chamado em família, aprendeu a ler e escrever, aos sete anos de idade. A partir de então, passou a devorar livros, escrever poemas, contos e romances. Publicou “Diário de Rafinha. As duas faces de um amor”, lançado nas bienais do livro do Rio e São Paulo. Participou do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia - 2008”. Livro no prelo: “Rainy City”, em parceria com Valdeck Almeida de Jesus.

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Valdeck Almeida de Jesus

Monique Jagersbacher, natural de Salvador. Descendente de família alemã, começou a escrever pequenos contos já na infância, e aos 12 anos iniciou-se na arte poética. Criou, em 2007, o blog Poesias de Calliope, onde publica periodicamente seus poemas sob o pseudônimo de Delirium. Organiza, em conjunto com outros poetas, o Projeto Fala Escritor, espaço criado para que novos talentos possam expressar sua arte.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

O Papel do Escritor Contemporâneo Mais que apenas folhas em branco, muito mais que rascunhos e rabiscos, ao escritor cabe a importante missão de registrar acontecimentos de toda uma vida. Abrir a janela diariamente e colher dados, argumentos, simbolismos e personagens capazes de enredar uma trama; seja sensível como a poética, repleto de humor e informação, tal qual o cordel, ou o misto de ficção e realidade das crônicas, do conto e do romance. Estilo e gênero são importantes para que a mensagem seja assimilada, o público é diversificado, a interpretação certamente será intensa e variada. O papel do escritor é não deixar folhas em branco, registrar com inteligência e sabedoria o cotidiano, doar vida ao ambiente vazio, cor a cada primavera de flores e aromas que invadem a alma, mesmo sob o sol escaldante do verão intenso. Trazer reflexão sobre temas que passariam despercebidos, escrever, escrever e escrever, registrar em periódicos, blogs, sites e produzir livros que se perpetuem ao longo dos tempos. Um ser tão plural, rico de imaginação, fértil de sonhos verdadeiros, provenientes do sertão, do litoral ou da nossa capital... Os caminhos percorridos, atividades que desempenham, o olhar debruçado sobre o cotidiano, notícias, acontecimentos, morte, nascimento, sol, chuva, lua, mar e ar que respiramos são inspirações. O amor... Ah, sim! O amor e suas vertentes são temas mais que recorrentes. Uma incursão por algumas prateleiras e a certeza de viajar por toda a Bahia, a partir do olhar de escritores contemporâneos, que se empenham no cumprimento de tão nobre missão, registrar a emoção da vida, simples linhas que se tornam complexas, ultrapassam o tempo... Quem conta um conto aumenta um ponto, quem descreve um causo aumenta um ponto, quem faz poesia, aumenta também um ponto... Antonio Barreto, Ivonete Almeida, Leandro Flores, Antonio Santana, Carlos Alberto Barreto, Bule Bule, José da Boa Morte, Roberto Leal, Vanise Vergasta, Almirante Águia, Germano Machado, Euclides da Luz, Clara Maciel, Gabriel Francisco Maciel, Uitan, Camila

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Valdeck Almeida de Jesus

Maciel, Antoniela Devanier, Tildo Gama, Andriz Petson, Franklin Junior, Lucas da Hora, Miriam de Sales, Janaina Oliveira, Léo Dragone, Domingos Ailton, Antônio Cedraz (Xaxado), Francisco Sá, Marcos Peralta, Maria da Guia, Ivone Sol, Irailton Lua, Ewerton Lima, Carlos Conrado, Lima Trindade, Geraldo Maia, Sandra Stabile, Fau Ferreira, Cymar Gaivota, Carlos Souza, Grigório Rocha, Dante Barbosa, Aurélio Schommer, Laé Souza, Vera Passos, Edson Costa, Pedro Magalhães, Angelo Paraíso Martins, Conceição Ferreira, Nilmário Quintela, Generino Gabriel, Nadia Poeta, Jairo Macário, Valdeck Almeida de Jesus, Leandro de Assis, Pinho Sannasc, Deomídio Macêdo, Luiz Menezes, Lourenço Filho, Edgar Velame, Gibran, Varenka de Fátima, Jotacê Freitas, Franklin Maxado, G. Amarante, Carlos Ventura, Aloisio Lisboa, Rosana Paulo, Nilmário Quintela, Rosane Rubin, Benjamin Batista, Dalva Nascimento, Malu Freitas, Ewerton Matos, Tássio Revelart, Dé Barrense, Josué Ramiro, Jônatas de Souza, Malú Ferreira, Jayme Poeta, Carlos Vilarinho, Eurípedes Barbosa, Nádia Poeta, Aline Vitória, Pareta Calderasch, Inaê Sodré, Fátima Trinchão... Estes são apenas alguns dos autores que garantem, aos poucos, inúmeros pontos acumulados, preenchem lacunas de uma sociedade presente em estilos diversificados e não deixam a história passar em branco... A crônica do dia-a-dia fica registrada no futuro, quando o contemporâneo se tornar passado. Alguns nomes serão lembrados, farão parte desse futuro, na certeza da missão plenamente realizada, das palavrinhas que se tornam enredos, povoam páginas de papel outrora em branco, visitadas por olhares apreensivos e curiosos, ávidos por compreender o contexto em que viveu nosso povo brasileiro, baiano, contemporâneo. Renata Rimet Educadora Social Chanceler Cultural A Plêiade Confreira CAPPAZ- Confraria Artistas e Poetas pela Paz Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni - ALTO Bacharel em Administração de Empresas Licencianda em Letras

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Poemas Selecionados Primeiros classificados no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia 2010: 1°: Pálidos Mistérios – Grigório Rocha (Salvador-BA) 2°: Finados – André Sesti Diefenbach (Porto Alegre-RS) 3°: Ambiguidade – Dina P. Pereira da Costa (Aveiro, Portugal) 4°: Partes deste Amor – Antonio Almeida (Rio de Janeiro-RJ) 5°: Enigma – Renata Paccola (São Paulo-SP) 6°: Café – Ari Lins Pedrosa (Maceió-AL) 7°: Lama – Renata Rimet (Salvador-BA) 8°: Viagem – Yao Jingming (Macau, China) 9°: Barganha – Tatiana Alves (Rio de Janeiro-RJ) 10°: Poema Xipófago – Gêmeo – Hélio José Destro (São Paulo-SP)

Menções Honrosas: Ramagem – Amélia Marcionila Raposo da Luz (Pirapetinga-MG) Para escrever um poema imperfeito - André Caldas (Rio de Janeiro–RJ) Dualismo – Augusto Cesar Ribeiro Rocha (São Luís-MA) Vem sem música… – David Erlich (Lisboa, Portugal) N’outra margem – Diogo Cantante (Aveiro, Portugal) Poema Andrógino – Flávio Lanzarini (Rio de Janeiro-RJ) Ária da chuva – Helena Barbagelata (Almada, Portugal) Mulher poema – João Gomes de Almeida (Lisboa, Portugal) Regressar de novo – João José Ferreira ((Inglaterra) Distância – Marcos Antônio Maués Vitelli (Marajó-PA)

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Palavras Tem o poder... na transformação de um “Ser”, Portanto, ao proferi-la... cuidado elevado. Certificar que o recado terá um interlocutor a suportar, Quando incisivas e duras, podem até uma vida ceifar. Pessoas que se posicionam aptas... na expressão verbal, Conscientizem-se... Complexidades semânticas às vezes se contradizem, Levando indutor e receptor a sinonimizarem amor com desamor, Vocábulos suaves sempre se tolera, mesmo que severos. Envolver-se em sabedoria, antes de palavrear indicando o rumo a tomar. Se fizeres no momento exato a quem necessita o alento, Terás o prazer e alegria de rever o rosto brilhante, onde antes predominavam apatia e desarmonia. Vogais, consoantes, pontos e junções... resultam em verbos que trazem soluções, Desde que venham como um soprar de sonhos que idealizamos realizar, palavras bem colocadas... podem mudar direção de passo que tenciona outra dimensão.

Abraão Leite Sampaio é natural de Santa Branca-SP. É engenheiro industrial (Universidad Del Norte Santo Tomaz de Aquino - San Miguel de Tucúman – Argentina). Participou do curso básico de Literatura Espanhola (Universidad Nacional de Tucúman – Argentina). Também é engenheiro metalúrgico (Universidade Vale do Rio Doce) e pós-graduado em “Docência do Ensino Superior” (Universidade Gama Filho) – Campus Gonzaga–RJ.

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Não quero ter corpo Não quero ter corpo, Mas quero ter alma. Quero enriquecer meu espírito e aprender a sabedoria que acalma, trazendo o lenitivo para meus conflitos. Não quero ter corpo. Mas quero aprender a sorrir. Sorrir diante das adversidades da vida e saber sempre para onde ir. Não quero ter corpo. Ter o corpo bonito, perfeito, impecável, de nada valerá, se, diante da eternidade, eu não souber o que fazer de verdade. Não quero ter corpo. Mas quero ter alma...

Adriana Aparecida de Oliveira Pavani é natural de São Paulo-SP. Publicou trabalhos em várias antologias, promovidas pelo Clube Amigos das Letras (Barra Bonita-SP), pelo Movimento VirArte (Santa Maria-RS), pelo Prêmio Valdeck Almeida de Jesus (2008) e pelo Poetas do Desassossego. Colabora no “Caderno Literário”, publicação de circulação na internet, organizada por Sandra Veroneze, da Editora Pragmatha.

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Vida… Deambulando pelas minhas memórias, Perdi-me sozinha no emaranhar do tempo, Nessas teias que dificultam as histórias E que se destroem levadas pelo vento. Vento malévolo, que leva minha vida! Desta forma, arruínas meus belos pensamentos, Entregando-me inerte à tristeza dorida De quem já não consegue viver tais tormentos. Tormentos que se leem nas caras sofridas Das crianças e dos homens sem alimento, Por culpa da ganância tão desmedida De quem governa os outros sem sentimento!

Agostinha Monteiro é natural de Aguiar da Beira, distrito da Guarda, em Portugal. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (variante Português/Francês) pela Universidade de Coimbra e tem um Mestrado em Supervisão Pedagógica pela Universidade do Minho. É professora no Porto. Publicou em 2010 “Aprender a Escrever - Mecanismos de Estruturação Textual”.

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Criança Ah! Os dias de ontem!... Todos passados Ilustres primaveras, os verões eternos Os outonos e invernos De infância marcados As flores, os campos, os vales... As brincadeiras incríveis Solitárias, aos pares Tempos inesquecíveis... Saudade que toca o peito, Que sacia o desejo de voltar... Relembro com jeito E brinco de lembrar.

Alessandro Guiniki Barbosa é natural de Cravinhos–SP e formado em Letras pelo Centro Universitário Moura Lacerda. Ministra aulas de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental desde abril de 2010. Começou a escrever poesias quando ainda estudante. No começo, eram apenas palavras de um garoto apaixonado, mas, com o passar dos anos, sua poesia foi tomando outros horizontes e passou a falar mais da vida. Hoje pode-se dizer que seus textos retratam bastante o passado, a infância e também os conflitos do coração.

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Deixem que eu decida Ah! Como são simples os problemas dos outros. Como é fácil a sua solução banais e ridículos são os seus dilemas falta-lhes, pobres coitados, minha visão Ah! Como é que as pessoas não veem a total inutilidade de seus sofrimentos? O tempo que perdem só porque não têm o meu preciso e precioso discernimento? Prestem atenção quando eu falo da vida ouçam meus conselhos sobre dissabores deixem que eu decida sobre seus amores Partam na hora em que eu disser despedida não há ninguém que saiba mais do que eu solucionar problemas que não são meus.

Alessandro Uccello nasceu em São Paulo em 1960 e foi morar em Brasília. Agrônomo e servidor público, escreve desde a adolescência e produziu: dois livros artesanais, “S.Ó.S.” (1976) e “Horizonte Cerrado” (1980); dois de poesia, “Eu com Verso” (2007) e “Terapoética” (2009); e dois infantis, “O Pingo e a Gota” (2008) e “Lápis de Flor” (2010). Casado com Sonia, é pai de Laura e Elisa.

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Valdeck Almeida de Jesus

Redonda e empinada Desejo-te tanto, lua! Redonda e empinada, Sempre no céu, dourada, bronzeada ou prateada. Linda e perfeita em todas as tuas fases, Estremecendo todas minhas bases. Desejo entrar em tua cratera e para sempre viver essa quimera. Um sonho perfeito: morar no espaço com a redonda e empinada lua. Mas, como um eterno insatisfeito e para que as estrelas não sintam despeito, Quero toda a via láctea derramada sobre a superfície tua. Enquanto estiveres Nova, estarei sempre presente; quando fores Crescente jamais estarei ausente. Se despontares Cheia, com aquele brilho que me tonteia, te darei meu suporte. Não te deixarei tombar ao solo, ao te mostrares Minguante, serei forte e te colocarei em meu colo. Hei de te dar meu calor, de te aquecer com todo o meu amor. Assim, ficarás quente como o sol, debaixo do meu lençol.

Allan Mauricio Sanches Baptista de Alvarenga é natural de JacareíSP, agora residente em Caraguatatuba, cursando ensino superior na área de Ciências Biológicas. Com imenso amor, procura exteriorizar seus sentimentos, ideias e ideais através de palavras. Por meio delas, tenta tornar visível o invisível, palpável o não palpável.

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O palhaço... Um homem sério Todo palhaço Tem um sorriso de aço Mas ninguém vê o que se fala Dentro se cala Em seu porquê Todos sorriem Alegretto banal E no tablado O desfecho é fatal Cada gargalhada Amarrada a outra Tece um caudal Onde o palhaço Deposita suas lágrimas

Amâncio Fá nasceu em Delmiro Gouveia no ano de 1975. Poeta, contista (desde 1984) e escritor de artigos diversos. É bacharel em Teologia e em Filosofia; graduando em Pedagogia. Como funcionário público, é professor de Inglês e de Filosofia, coordena um projeto de E.J.A. em escola do Estado de Alagoas. Cofundador da casa da arte onde trabalhou como artista plástico até 2002, expondo em Rio de Janeiro, Maceió e Brasília.

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Ramagem Os galhos de ferro, Emaranhados me prendem. Meus pés feridos Desenham caminhos perdidos No cativeiro que tanto dura... Esvai-se a coragem No oco da fuga que não veio. Inventaria, Uma fresta, uma só, Que me ensinasse a trilha Da libertação!

Amélia Marcionila Raposo da Luz escreve contos, crônicas, poesias e trovas, tendo sido premiada em todas essas categorias. Participa de concursos literários com publicações em agendas, periódicos e antologias diversas no Brasil e exterior. Membro de diversas entidades culturais. Trabalha a poesia na sua oficina de versos, uma das causas de sua vida. Livro solo: “Pousos e Decolagens” (poesias). Tem outros trabalhos em processo de construção.

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Seja doce Docilidade... virtude essencial para viver e melhor conviver Virtude que amansa, suaviza e consegue a desejada paz trazer Docilidade... meiguice que encanta, seduz e atribui certo poder Poder sem força brutal e desumana, sem fazer alguém padecer Docilidade... semente a ser plantada no coração de toda criança Cultivada, cuidada e preservada, dará ao homem frutos de esperança Docilidade... arma que desarma a brutalidade, a ira e a violência Deixa no ar o aroma do bem, gera no homem a paciência Docilidade... essência que exala paz ao coração com amargura Penetra em todo seu interior e o embriaga de ternura Docilidade ao falar... Docilidade ao olhar... Docilidade ao tocar... É pérola... É tesouro... É bem precioso... Como o doce que a flor oferece e faz o beija-flor voltar

Ana Isabel Damiani Mauerberg é fascinada por poesias desde os primeiros anos escolares, quando começou a declamá-las. Hoje assina grande número delas. Diz que o estímulo veio de sua saudosa mãe, que também escrevia e quer concretizar seu sonho de escrever um livro.

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Borboleta! Quero pousar na tua boca Passear na tua pele Entrar no teu sangue. Ser telha e estrela E tua bússola céu Ao despertar do primeiro raio. Acariciando teus pés Sentir-me açúcar Relva e centopeia.

Ana Janete Pedri escreve desde os 15 anos. Durante muito tempo escreveu colunas e poesias em jornais de Santa Catarina e Minas Gerais. Participou de alguns concursos e coletâneas. Publicou dois livros solos: “O amiguinho círculo” e “Amores Caminhos e Descaminhos”.

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Cruzadas Movimento militar Com um objetivo a conquistar: Terra Santa ao domínio dos cristãos! Cavaleiros em criação, soldados de Cristo -Templários ou hospitalários -, Em peregrinação. Nas vestes, o sinal da cruz. Que inferno, Jesus! Mentalidade medieval... Expressão própria de uma época. Natureza econômica, religiosa ou social? Soberana Igreja a influenciar O comportamento do “homem feudal” Sob a promessa da recompensa divina: a salvação! Tentativa de superar a crise em questão: Palestina... Pregação? Ampliação de domínios! Trágico fim à marcha de fiéis. Inúmeras mortes no caminho. À Cruzada Popular, nem pão nem vinho!

Ana Paula Assaí Camapum nasceu em São Luís-MA, em 1985. Por volta dos seus 15 anos, reconheceu sua vocação para a poesia. Atualmente é Licenciada em Biologia pelo IFMA e Bacharel em Turismo pela UFMA. Em 2009, teve suas poesias “Como não dizer...” e “Mecânica Mente” classificadas e posteriormente publicadas em 2010, respectivamente nos livros “Prêmio Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – V Edição 2009” e “Alquimia das Letras”.

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Para escrever um poema imperfeito Do engenho e da arte pelo poeta cantado Transpire infinitamente no vazio do papel Pense somente na caneta como cinzel A poesia-escultura surge em verso exato Poema não é lugar de mais-delongas Ser o louco-artista é pura loucura Poema não é lugar de surto e de cura Nem das mais esdrúxulas mirongas Trilhe na rima perfeita e na suada métrica Não se lembre daquela paixão que jaz esquecida E daqueles dez por cento da inspiração tétrica Daquela nobre arte que tanto canta a vida Deixe-a para os que anseiam a plenitude E que pela poesia vivem em inquietude

André Caldas é mestre e doutorando em Literatura Portuguesa pela PUC-Rio, professor universitário, pesquisador e ator profissional. Poeta filiado à APPERJ, já foi agraciado em diversos concursos literários.

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Finados Falecidos, passados, Esquecidos, finados, Poeira do tempo que o vento levou... Sentimentos, alentos, Uma vida, uma história, A chama de um fogo que já se apagou... O final de um início, Um tombo, um tropeço, Ou, quem sabe, um novo começo... Um feriado cristão, Uma vida em vão, Momentos que vêm e, por certo, se vão... Uma simples lembrança, Um fio de esperança, Na crença de quem ainda está aqui... E assim vivemos, Lembramos, sofremos, Até nosso momento de também partir...

André Sesti Diefenbach, natural de Porto Alegre-RS, graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC em 1994, exerceu a profissão de advogado até 1999, quando ingressou na carreira de Delegado de Polícia no Estado do Rio Grande do Sul. Recebeu em 2008 o troféu “Compositor Destaque” da Rádio Butuí FM, de São Borja-RS, pela música “De tudo”. Classificou-se em 3° lugar no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, ano 2008, 7° lugar no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus ano 2009 e em 13° lugar no XXVII Concurso Internacional Edições AG, ano 2009. É editor do blog O Poeta (www.blogopoeta.blogspot.com) e administrador da rede Poetas Gaúchos (www.poetasgauchos.ning.com).

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Valdeck Almeida de Jesus

Taças quebradas Borbulhas sem ar Uma garrafa ao mar Destinatário sem destino Remetente sem remessa No vidro |aprisionado| Sonhos engarrafados Vagueiam Em um oceano sem vagas Além do horizonte A rolha sacada O vazio jorra Em taças quebradas O nada Preenche O brinde À saudade Nada bebo E assim mesmo Minha alma sacio.

André Kondo é autor dos livros “Além do Horizonte” e “Amor sem Fronteiras” (Prêmio Paulo Mendes Campos – UBE 2010). Pós-graduado pela University of Sydney. Vencedor do XIV Prêmio “Dar Voz à Poesia” de Portugal, do VIII Concurso Literário de Bento GonçalvesRS e do XIV Prêmio Jorge Andrade, dentre outros. Em breve: “O Pequeno Samurai” (M.H. Prêmio João-de-Barro 2009) e “Contos do Sol Nascente” (M.H. Prêmio Esfera das Letras – Portugal).

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Com moderação O vento escuro e frio passa por meu corpo. Meu estômago faz um pedido de socorro. Tudo estava centralizado Naquilo que me haviam tomado. Faltam-me argumentos. E até pensamentos. Para explicar. O que aconteceu comigo aqui neste lugar. Eu vivia para servi-la. Ela vinha em primeiro lugar. Agora nem ela pode me salvar. Não deveria tê-la começado. Deveria ter parado o mostro que eu tinha criado. Mas não consegui e agora estou aqui. No fundo do poço. E tudo isso graças a ela. Vou te dar um conselho do fundo do meu coração: COLECIONE COM MODERAÇÃO

Andressa Pokety é apaixonada pela leitura e sonha ser escritora. Fez algumas oficinas de Arte e Literatura. Escreve para o jornal da região e pretende evoluir, dia após dia, em sua escrita.

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Valdeck Almeida de Jesus

Mostruário Lá fora a janela mostra O ranger de burlescos enigmas As ondas cobrem como onças O tinir dos matreiros gritos A leveza dos passos esconde Vidrilhos coloridos de verdades Na sala A estante rebusca novos livros O saber se espuma nas vontades As luzes correm nos movimentos da festança É o cinismo no repercutir dos risos Doce lembrança de um sofisticado brilho Que desenhou estribos No espelho da estrada A lagoa orvalhada pela mascarada Enternece quando ouve A passarada Tudo isso e mais um gibi solto na sala

Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica já foi premiada em vários concursos literários no Brasil e no exterior. Publicou vários livros individuais e participou de antologias. Viajou três continentes espalhando sua poesia. É também pintora e astrônoma.

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Pela Paz Pela Paz é preciso sentir-se solidário, procurar compreender e perdoar o próximo, mesmo quando ele faz tudo para nos magoar. Pela Paz é preciso ser generoso, atestar certezas, não acumular bens que não possa usufruir, nem conhecimentos que não possa distribuir, sabendo que muitos jamais poderão tê-los já que os intelectos e as oportunidades não são iguais nas pessoas. Pela Paz é preciso ser companheiro, estender as mãos na alegria e na tristeza, caminhar lado a lado, rumo ao Bem comum, buscando a plenitude do entorno. Pela Paz é preciso conjugar o verbo global do Amor, Transitar até os tempos de esperançar, mesmo quando só se conseguir exprimi-lo na primeira pessoa – eu amo, para encher a Vida de Paz!

Angela Togeiro é escritora, verbete em diversos dicionários literários, pertence a várias entidades culturais, nacionais e internacionais, autora de livros em prosa e verso, e, em decorrência de premiações ou convites, participa de antologias nacionais e internacionais.

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(Des) ilusão Um pesadelo sem fim de não acordar dor infinita a estraçalhar a alma a sangrar a ferida aberta. Este passar dos dias mágoa que não se acaba sonhos derretidos. Depositei a esperança em dias azuis e me ofereceste manhãs frias tardes nebulosas. Morre o verbo amar.

Anna Maria Avelino Ayres é professora de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Inglesa. Graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Participou com trabalhos em 27 Antologias, conquistando alguns prêmios no Brasil e em Portugal.

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Herói do Brasil (Lampião) Para os detentores do poder foi era de bandidagem Para quem guarda o senso de justiça, a impunidade O povo do nordeste guarda no coração A vitória e a força de uma paixão O que se muda depois de tantos anos? Nosso povo ainda morre nos sonhos O nordeste continua forte e belo O herói do Brasil não é estrangeiro Ele é do país inteiro Não se esqueça da história de luta contra a intolerância Virgulino, o Lampião - homem de coração bom Capitão celestial deste nosso nordeste cantador Que com repente traz cultura pra gente É batida no chão neste forro pé de Serra É batida no chão que dia a dia se faz alegria O que é ser brasileiro? Do que vale rodar o mundo inteiro sendo ninho aqui? Onde está a vergonha no rosto dos brasileiros perante esta impunidade? Avante a força de nossos Heróis! A batida era pesada e não se ficava parado! A falta de conhecimento e discernimento Faz do povo sem conhecimento julgar o próximo sem atento O capitão da justiça e liberdade É Virgulino, o Herói do Brasi,l trazendo pura verdade!

Anthony Mohammad é natural de São Paulo. Teólogo Universal (Instituto Mario Padre Pantaleo), formado em Administração Eclesiástica pela FACTESB, PhD em Filosofia Islâmica pelo Conselho Acadêmico de Filosofia Histórica, Religiosa e Teológica do Brasil. Membro correspondente da Academia de Letras do Arraial do Cabo, membro do Movimento Poetas Árabes do Mundo.

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Valdeck Almeida de Jesus

Gritando por socorro o buraco de Alice é um presente de DEUS o resto é matadouro/galos da morte. fiquemos com nossos buraco arte e resistamos aos engodos. o mundo está gritando por socorro. creio nisso. é Matrix controle excessivo... câmeras/cÓleras/ tudo muito infiltrado familiar posto como normal... necessário???... plantemos como Boy George a arte genuína no futuro a arte eu sou a arte eles a paródia máquina cooptante. vida, rasgadas frustrações tranformadas em beleza ou impacto apreciadores. morremos sem arte, eu sou a arte. o que há de errado na distorção? o drama é a economia paródia fel.

Antonio Carlos Altheman é escritor, filósofo e defensor dos direitos humanos.

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Partes deste amor Uma parte de ti é vergonha Que parte quando sou aventura Uma parte de ti é desalento Que parte quando sou aconchego. Uma parte de ti é minha parte Que se entrega a mim com esta parte Faz de mim sua parte No amor se transforma no todo. Uma parte de ti é fogo Que parte acendendo minha parte Uma parte de ti é domínio Que parte comandando minha parte. Uma parte de ti é outra parte Que pode estar em outra parte Uma parte de ti é neblina Que pode obstruir minha parte. Parte de nós o amor Parte de nós uma dor Parte de nós a vontade De viver todas as partes.

Antonio C. Almeida é natural do Rio de Janeiro, cursou Matemática na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, escreve poesias e contos para quatro blogs, escreveu dois livros não publicados, “Alma Assassina” e “Caminhos do Destino”.

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Valdeck Almeida de Jesus

Noite de luar O sol cai, ao longe, de repente, Quando a alma parece voar Para além da eternidade. A estrela cadente Que cruza o céu é a realidade A navegar Por toda essa imensidão. Os passos, lentos, me arrastam Àquela praia deserta, Para a muda contemplação Dum entardecer de calma. Os sonhos, apenas, não bastam Para consolar a alma De tantas memórias, Tão simples, tão puras, tão belas, E acabo deitado na areia, Na evocação duma sereia, A contar lindas histórias Às estrelas.

António José Barradas Barroso é coronel reformado do Exército. Bacharel em Gestão, membro da Academia Cachoeirense de Letras, sócio do Grupo de Poetas Livres (Florianópolis). Publicou dois livros de poesia: “Memórias do tempo que passa” e “Devaneios de outono”.

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Cumplicidade Temos De quatro paredes A discrição, Do tempo a imposição, Um do outro a cumplicidade. Guardo Dos bons momentos As delícias, Das tuas mãos as carícias, Do que vivemos a saudade! Quero Ao amanhecer Em teus braços acordar Aqui, em qualquer lugar, E de teus beijos saciar a vontade!

Antônio Ivan Rodrigues Barreto é natural de Fortaleza–CE. Professor de Língua Inglesa e Espanhola. Especialista em linguística e tradução, amante das artes e letras, aprendiz na arte da poesia.

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Chamo-te Pequena Ó pequena! Por que estás apaixonada? Por que te deixas envolver nessas teias do amor? Por que danças ao redor de forma insana, e sempre com a mesma dança zonza? Por que deixas a noite às escuras? Por que é que te ausentas, quando todos te esperam? Por que te escondes no Sol, de noite? Por que interrompes o Sol, de dia? Por que é que ages assim, ilógica, emocional, irracional, sentimental? É para isso que te produzes? Ora fina, ora rechonchuda. Para todos te verem, ou para por vezes passares despercebida? Por que te sentes feia, Pequena? Por que não deixas as estrelas aparecerem? Por que as impedes de cintilar? É porque te chamam nomes? Sim, é verdade, é um nome bem feio, satélite natural. Mas eu adoro-te a ti, e o teu nome é lindo, Lua. Trazes os sonhos. Talvez por isso sonhes muito com o planeta. Rodopias sobre o seu encanto. Vives às voltas e à volta do meu planeta, és a majestade da noite. Manténs sempre a mesma distância aristocrática. Nunca te aproximas, por vezes parece que estás perto, por vezes estás longe. Sofres de amor e de dor, mas só se conhecem as marcas da dor física e da humilhação, de impiedosos e furiosos meteoros que me marcam o corpo, cicatrizes de dor e de amor… ciúme? Sofres, e eu da Terra sinto o teu sofrimento, estás sempre no céu, raramente somes. Espero por ti todas as noites. A tua presença é soberana. Sinto-me forte quando sei que estás ali, quando sereno, te olho e fecho os olhos.

António Orta é um poeta português que, desde cedo, sente na poesia a necessidade mais metafísica do homem, uma necessidade primária, chegando a equipará-la com a água. Tenta alimentar conhecidos e desconhecidos, mas todos irmãos, partilhando o que é seu, o que lhe vem verdadeiramente da alma, a sua escrita. Tenta animar quem o ouve e quem o lê, sente que é essa a sua missão como poeta: expressar-se, partilhar-se nas palavras, em lugares comuns.

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Saudade III Hoje acordei a reflectir no mesmo. Em ti, no teu sorriso tentador, Daqueles que guardo como Caeiro guarda o rebanho, Pois é ele que me dá cor ao dia nascido. Hoje não vivi, Tentei à saudade sobreviver, Contive-me mais um dia, Mas no fundo continuo a sofrer. Hoje deitar-me-ei a pensar no mesmo. Em ti, nas lágrimas que correram, que conheceram a parte de fora dos meus olhos, no rio que nasceu quando te vi. Hoje sobrevivi, Amanhã logo verei.

António Seia é o pseudónimo de André Moreira Cerqueira (Maia, Portugal). Ele se intitula autotrófico, aquele que produz a própria energia e matéria, pois não se alimenta de comida que se possa trivialmente comprar e cozinhar, mas sim dos poemas que escreve. Às vezes as pessoas perguntam-lhe: então qual foi o poema que gostaste mais de fazer? E ele responde: “o próximo, pois cada poema que faço atinge a um determinado instante um auge de felicidade, e é desse cume que procuro sempre”.

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A emoção Qual seria a descrição mais próxima da emoção? Seriam páginas brancas de um vocabulário oculto? Ou seriam tantas palavras ditas ao mesmo tempo, Embaralhando-se com a rapidez dos sentimentos. Então se diz: “Não tem explicação”. Em frações de segundos o pensamento voa, Mas também se amontoa. Os olhos se fecham, mas veem E mandam como resposta: lágrimas, Que saem apertadas e nem são de tristeza, Como também não são de alegria. É a alma que se esvazia, Bloqueando a força e a razão. Físico e alma, nem sempre se harmonizam: Um fala, outro se cala, Porque alma não tem som, E físico não tem mente. Físico só fala e alma só sente. São dois, sendo um somente. A alma decide: se vinga, se perdoa, se abençoa! Mas físico não, Porque não foi feito pra sempre.

Arai Terezinha Borges dos Santos é natural de Imbituva-PR e desde 1977 reside em Campo Largo-PR. Sua vida profissional centrou-se em escolas, sendo que, na maior parte do tempo, exerceu a função de Secretária. Como professora, aposentou-se em 2005. A partir de 2006, dedica-se à Literatura, passou a exercer trabalho voluntário com crianças que cursavam até a 4ª série, sempre que solicitada em Escolas e Bibliotecas. Autora dos livros “Vai com as Ondas” e “Colírios”, sendo o segundo uma obra infantil. Ambos de edição e comercialização independente. Já ganhou alguns prêmios nesta área. Arai é casada, tem um filho e duas filhas.

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Café O paladar é forte, é fino, É sonho em desatino. Infusão do povo sofrido (interior de um país moído), Enquanto na xícara é grã-fino.

Ari Lins Pedrosa é natural de João Pessoa-PB e reside em Maceió-AL desde 1964. Bacharel em Ciências Contábeis no Centro de Estudos Superiores de Maceió, é também funcionário da Companhia Energética de Maceió, onde desenvolve projetos literários. Já publicou dez livros e obteve 40 prêmios nacionais e internacionais.

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Do outro lado Tenho a certeza de que já morri! Então... De quem os ossos que sinto e ouço? As carnes que movo e coço? Os pelos onde me roço? A silhueta que esboço? Sentirei A brisa que me afaga a face? O mar salgado que me tempera o corpo? A fragrância das flores que me acaricia o olfato? A dúvida que me tortura? A angústia que me dilacera o peito? O agreste frio que me gela a alma? E pergunto-me Se alguém me ouve ou sente, Ou se o meu grito de socorro É gemido de duende.

Asdrúbal Vieira nasceu no Funchal. Desertou do exército em 1971 e foi refugiar-se na Suécia, o seu atual país residente, onde se licenciou em Línguas e Literaturas Modernas. É também mestre em Literatura Francesa. Dedicou-se ao ensino e à investigação científica, lecionou as disciplinas de Inglês e Francês no 3.º Ciclo do Ensino Secundário e foi professor de Português na Universidade de Gotemburgo, durante 14 anos.

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Abundantemente Que guarda na mente Não mente É abundante Abundantemente Toma o pulso Que pulsa É pulsante Pulsantemente A mente que pulsa O pulso que mente Se mente, enfrente Frequentemente Semente da mente Abundante, frequente Farto, fértil Diferente Abundante mente.

Atanágoras Smetana Fernandes Sena publicou “Nox et Lumen”. Recebeu menções honrosas no I Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea, oitavo colocado, com o livro Nox et Lumen. Menções honrosas no concurso Novo Milênio de Literatura, participando com uma de suas poesias. Tem uma poesia publicada na revista Caderno Literário.

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Dualismo Vesti meu corpo estéril Com as roupagens do desejo E te adornei o ventre livre Com vitrais de prazer. E fiz de tua mente orgásmica Um madrigal de paixão E te aprisionei a alma gueixa Num porto de solidão. E em loucas espirais Deitei orbitais de gozo Em vaginais de amor, E te busquei insone nas noites Despudoradamente múltiplas No mutualismo sideral de mim.

Augusto Cesar Ribeiro Rocha é professor de Literatura e Produção Textual, pós-graduado em Literatura e Língua Portuguesa pela Universidade do Maranhão (UFMA). É cronista, contista e poeta, autor de livros como “Crepúsculo das horas”, “Existencial de mim”, “Tecendo as manhãs” (poesia) e “Além do arco-íris azul” (contos). Integrante de antologias nacionais expressivas.

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Coração Materno (Cantarolando em Mente a Música Homônima de Vicente Celestino) Ah, minha mãe, imploro que não chores quando eu morrer Pois quebraram minhas pernas e não tenho por que correr Desejos da alma são a libertação e a perdição da humanidade Sentimentos são fraudes, coisas de poetas sem uma realidade. Então, mãe minha, não peças que ore a Maria cheia de graças Cansei de pedir em oração e de coração à Maria das desgraças Perguntas, sábia, o quanto sofre por quem eu choro agora Mas saiba que minha dor é aquela que amo, minha senhora. Ah, minha amada mãe, sei que não adianta pedir não chorar Porque saudade é o machucado e a ausência é algo a adorar Deuses e santos não podem deixar minha alma menos triste Tal restos de um lar, a dor é a única que à enchente resiste. Portanto, apenas recolha minhas lágrimas em um prato quente Aqueça meu coração e não ligues quando eu deixar de ser gente Coração de mãe entende e sonha, então deixa eu ir sem morrer E não chores, porque em mim lágrimas não têm por que correr.

Barata Cichetto é poeta, escritor, letrista, artesão e webdesigner. Escreve desde os 12 anos de idade. Durante a década de 1970, publicou na Imprensa Nanica. Em 1981, editou o livro de poesias “Arquíloco”, e em 1998 criou o projeto “A Barata”, começando a organizar eventos de rock. Como letrista, é autor de música que venceu o Festival Rock na Net. Teve texto publicado no Jornal do Brasil e recebeu menção honrosa em concurso literário. Tem mais de 500 poesias e 1.000 crônicas escritas. Atualmente produz e apresenta o programa Rádio Barata, pela Rádio WULP.

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Poema da noite Noite! Como você é bonita. Vestida assim De mil estrelas. Noite! Como você é linda Neste seu manto prateado Enfeitado Ao clarão da lua. Noite! Como você me encanta Com sua cara de santa, Com seus olhos de veludo. Noite! Para mim Você é tudo Você é tudo para mim. A você Ofereço Este poema Feito com carinho. Todinho pra você.

Benedito Carceles Tavares é natural de Mogi das Cruzes-SP. Foi aluno da APAE de Mogi e trabalhou como office-boy na mesma entidade, onde se aposentou por invalidez. Em 1999, publicou o livro “Sonho de um Excepcional”, pela Edicon, que lhe doou toda a edição. Participa de vários concursos e coletâneas, já recebeu várias menções honrosas. Participa, também, de um grupo de poesia de Mogi das Cruzes.

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Lua de melancolia Leito nupcial visão cor-de-rosa nas pétalas do amor. Sereno caindo lá fora lençóis brancos no chão. Travesseiros espalhados janela aberta porta fechada nudez. Calor humano sexo sem limite do casal perfeito na cama vazia.

Bernardo Santos é natural de Cristais-MG, formado em Jornalismo pela Universidade São Judas-SP, pós-graduado em Gestão Estratégica de Marketing pela UFMG, exercendo atualmente a função de Coordenador de Serviços a Clientes na área diagnóstica. Possui trabalhos premiados e menções honrosas em diversas antologias, sendo as mais recentes: IV Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus (2008 – Salvador-BA), Prêmio Nova Poesia Brasil (2009-RJ), I Coletânea Poesia e Letras (2009-SP), Concurso Nacional de Poesia “Mogi 450 Anos” (2010-Mogi das Cruzes-SP). Obteve, ainda, prêmio especial de 2º Lugar no XVII Concurso Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete (2010MG). É autor do romance “Depois das Onze” (Ed. Ateniense,1988-SP). Endereço eletrônico: www.bernardosantos.com.br

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Jornalismo com poesia Alguns podem pensar que o trabalho de jornalistas seja apenas um discurso indireto, mas vai muito além disso. Eles têm o poder de escrever sobre alguma coisa do jeito que quiserem e podem ficar famosos com apenas umas combinações de palavras ou até através do modo como transmitem os acontecimentos. Acho que de jornalista todo mundo tem um pouco, mas apenas uns possuem o dom para essa reprodução de fatos. O jornalista e o poeta têm uma grande semelhança um expressa suas opiniões e o outro os sentimentos. Uma combinação dos dois seria perfeito teria-se um jornalista-poeta que colocaria seus sentimentos e opiniões ao mesmo tempo sobre um assunto.

Bethânia Silva Santana é natural de Sacramento-MG, onde mora atualmente. Cursa o 1º ano do Ensino Médio e tem o sonho de cursar Jornalismo. Há três anos escreve poesias e textos diariamente; através destes consegue expressar o que sente.

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Não há flores Minhas belas flores, As flores lindas do meu jardim... Minhas flores murcharam. Que farei agora? Que farei de minha vida vazia, Se não há mais flores, Se não há mais odores, Se não há mais cores Em meu jardim, No jardim da minha vida... Não há mais flores em mim, Minhas flores... murcharam, Morreram, Estão todas mortas... Quero flores novamente em mim, Quero o perfume intenso de flor em minha vida, Quero espantar a dor de minha alma... Mas não há mais flores... Só me restam memórias... Apenas lembranças...

Bruno Fernandes de Lima é natural de Paulista-PE. Em 2009, no ingressou no curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Publica poemas no site Recanto das Letras. Em dezembro de 2009, foi o 3º colocado no I Concurso Nacional de Poesia “Esperança FM 106.1”, com o poema “Pensamento”. Publicou em 2010 o livro “Felicitas e Outras Poesias”, pela Editora Virtual Books.

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Epifania Só estes olhos se quedam lentamente em ti com um silêncio quase mudo. Só estes olhos procuram no enredo de ti a simetria exata de um corpo. Só com estes olhos sinto a densidade de ti.

Carlos Costa é natural de Lisboa. Reside atualmente em Palmela. Em 2009, formou-se em Línguas, Literaturas e Culturas; variante em Estudos Portugueses e Românicos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 2006, publicou, na Corpos Editora, o livro “Poemetos de Maio ou a Erva e o Restolho”. Grande parte de sua obra continua inédita.

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Tudo Pode Um carinho pode virar dor Bem claro como um dia nublado Bem sereno como um mar agitado Tranquilo como alguém que te fez mal se identifica Uma amizade pode virar amor Bem claro como a distância ao lado Bem sereno como um nunca dito citado Tranquilo como uma colmeia de abelha mansa que pica Um pedaço que sobra também pode compor Bem claro como um imprevisível premeditado Bem sereno como um morador de rua mimado Tranquilo como quem da própria vida abdica Uma realidade também derruba um sonhador Bem claro como quem foi enganado Bem sereno como um amor que é levado Tranquilo com o nada que fica...

Carlos Eduardo Trindade de Mendonça é publicitário, pós-graduado em Marketing e poeta nas horas vagas.

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A última lágrima Quando lá cheguei já era tarde demais! Ela havia se casado com outro qualquer, Não queria que isso acontecesse jamais. Aquele seu sorriso de menina mulher, Vai sempre permanecer na mente, até... Em outra vida não encontrar temporais, Que me faça esquecer de ficar de pé! Vou à procura de outro amor, sem mais... Me importar com o que possa vir a acontecer, Sou homem maduro, no apuro do amor, Que suportará a dor de poder te perder. Enquanto cair a última gota de clamor, Eu sei, amor, estarei encontrando viver, Para amar uma outra que não seja você.

Carlos Henrique Oliveira da Costa é natural de Recife-PE. Começou a escrever poesias aos 13 anos de idade por incentivo de sua professora de Português, que gostou muito de um poema que ele fez em um trabalho de Literatura. Já escreveu mais de quinhentas poesias.

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Luandando Luandando no céurbano Docencantos dos seusorrisos Quentorpecem todos meusentimentos Trafegaruas com vocem Mim dá prazerevivido Da infâncialegrescondida Queme deramar sempre as Simais que possoutorgar Para minhalma toda essaurora Quesuavisa meusonhosoltícios Das noitesolitárias dos vãos Espaços lúgubresolidõeséticas...

Carlos Roberto Ferriani é natural de São José do Rio Preto-SP. Formado em Medicina, atua como cirurgião plástico. É membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) há três anos. Publicou no Jornal da Sobrames: “Banho” (crônica), “Veredas” e “Fugidio” (poesias). No jornal A Gazeta de Ribeirão Preto publicou as crônicas: “Banho”, “Muito crack prazer”, “A geladeira” e “Esqueci de me contar”. Vencedor do concurso de poesias da UFSCAR, em dezembro de 2009, sobre o tema Internet.

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Liberdade Sou livre quando amo o meu trabalho. Sou livre quando amo as coisas que não me escravizam. Sou livre quando aceito e defendo a liberdade dos outros. Sou livre quando minha liberdade não prejudica ninguém. Sou livre quando sou gentil. Sou livre quando dou amor e não exijo nada em troca. Sou livre quando creio em Deus. Sou livre quando recomeço através dos meus erros. Sou livre quando sorrio. Sou livre quando ignoro as ofensas. Sou livre quando reconheço minhas limitações. Sou livre quando não me igualo aos meus agressores. Sou livre quando distribuo amor e carinho. Sou livre quando, mesmo acorrentado, continuo a gritar meu direito à liberdade!

Carlos Roberto Pina de Carvalho é natural de São Paulo-SP. Participou de vários concursos literários, sendo primeiro colocado no “Poesia é Sábado”, do Centro Cultural São Paulo, em 1994; da Biblioteca Pablo Neruda, em 2003; e no “Ipiranga em prosa e verso”, em 2004, com menções honrosas em outros. Escreve desde os 10 anos de idade.

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Capacidade Cada vez que olhamos para o espelho Ele se parte Uma parte de mim se foi Outra tateia sem sonhos As árvores secam sem sol As marés continuam vazando Não se ouve mais O chamado O grito mudo O sopro Os caminhos são informes Venta muito A única lanterna que aparece É o brilho do teu olhar

Carlos Theobaldo é professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Possui trabalhos publicados. Sua poética está voltada para o reflexo dos sentidos. Amante da leitura, teceu contos inéditos. Apreciador da literatura brasileira, da busca pela linguagem do simplescomposto, do expressar com menos, do pensar estético-poético. Busca alternativas para o caminho das Letras.

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Há Há sempre, - E como não? De ficar ainda - Nem que por um instante Melhor. Sempre há um gesto, Uma pessoa, Pra deixar um rastro de sorriso, Quando o sinal de tristeza permanece maior. Quando afunda-se E escurece, A caminhada para... Vou respirar. Tentar, A continuar... Mesmo que às vezes Tenha de parar.

Carolina Aparecida Vargas Hanke acredita que escrever não é só seu modo de passar o tempo, é praticamente um modo de viver. É desejável escrever, é como um vício, desde criança. Tem seus textos publicados no blog http://carol-ol-ol.blogspot.com. Mas seu desejo é fazer com que eles saiam das páginas da internet e vá para os livros. Além de escrever, gosta de música, pintura, arte e filmes.

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Obscura Sou, de fato, noturna Sou admiradora da noite. Só ela me traz o silêncio e a calmaria Que me inspiram e relaxam os músculos e os pensamentos. E estes vagueiam pelas ruas desertas, pelas vielas e becos desta cidade. A noite, assim como eu, é obscura Estando face a face com ela não é possível prever os mistérios em seu olhar. Olhos de lince! Captam todo e qualquer movimento Seja das estrelas – travessas Que de vez em quando caem Seja dos anjos – míopes Que de vez em quando erram Ou das pessoas – tolas Que de vez em quando amam.

Cassiana Barros é natural de Araguaína-GO. Em 1999, começou a escrever poemas, que sempre foram sua paixão. Em 2001, ingressou na faculdade de Letras pela Universidade Federal do Tocantins, formando-se em 2005. Participou do I Fepeara em 1999 e tem uma poesia gravada em cd: “Olhos Castanhos”.

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Poesia no jardim Voz silenciosa Que ainda flui em mim. Poesia na janela... Silêncio no jardim... Amores impossíveis. Paixões incorrigíveis. Beijos inesquecíveis. Silêncio na janela. Poesia no jardim. Lágrimas na parede, Insistem florescer. Escrevem poesias, Perpetuam as lembranças Em cada dia A cada amanhecer. Silêncio na janela Vazio no jardim. Poesia em você, Saudades em mim. Cotovelos na janela, Olhos de esperança, Sonhos em um jardim.

Ceiça Esch é professora, pedagoga, florista, técnica em paisagismo. Foi também professora de sala de Leitura, Ensino Religioso, secretária e diretora de escola pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Publicou o livro de poesias “Suave Delírio”, em setembro de 2009. Está escrevendo uma série de livros a serem lançados a partir de fevereiro de 2010.

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Piedade Tende piedade, Senhor, dos donos da guerra Que governam destinos com fria inclemência Despertando nos homens a feia face da fera Deitando por terra toda a vida, inocência. Tende piedade de nós, que desde remota era Vemos testados os limites de nossa paciência Toda gama de conceitos que oprime, onera Rotulando as opções, julgando a aparência Permita que a ternura que nosso peito encerra Inda resista incólume diante de tanta demência Que haja esperança para não ser vã a espera A divina quimera, nossa pertinaz preferência Dai-nos, Senhor, leve espírito de primavera Tornando menos severas as penas da existência.

Claiton Scherer é gaúcho de São Pedro do Sul, funcionário público, poeta e escritor.

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Folhas secas Estranho! Debrucei-me sobre a sacada, como quem se debruça sobre um cadáver prestes a entrar em decomposição. Senti-me fraco, oprimido e desolado. Quando dei por mim, estava ali, caído, amarelado pelo tempo, pronto para ser corroído pela terra que se mostrava apetitosa e receptiva. Não hesitei, entreguei-me àquela força, sentindo ainda o meu peito ranger, pulsar. Adormeci.

Cláudio de Almeida Hermínio é natural de Belo Horizonte-MG. Graduou-se em Letras, em 1997, pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Belo Horizonte – FAFI-BH, UNI-BH – Centro Universitário de Belo Horizonte. Apaixonou-se por poemas ao ler o livro “Poesias de Álvaro de Campos”, de Fernando Pessoa, desenvolvendo o gosto pela literatura em geral.

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Soneto da superação Sinta a brisa que refresca nossas faces O sol e a lua, que autossubsistem O orvalho da madrugada fria A chuva num dia de verão A nuvem que traz sombra A flor que brota no mesmo lugar A semente semeada no chão A fome saciada A paz proclamada O sorriso no olhar do triste O faminto ganhando o pão A vitória do esportista O esforço do maratonista O grito vibrante “é campeão”.

Cleber Antonello é paulistano, visionário, trabalha com artes e vendas.

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Prazeres da vida Cada sentimento que surge a cada dia mais renovado, cada vida que nasce a cada tempo desnorteado. Cada ano que passa a cada tempo de melhorar, cada vez que se ouve o canto do sabiá! Cada suspiro que se dá pela manhã ao levantar, cada bocejo que se tem quando o sono vem nos visitar. Em cada instante, pensamentos bons são surgidos, com cada pensamento coisas boas são feitas e em poucos segundos começa-se tudo outra vez...

Crislaine Neves da Silva escreve desde criança e ama poesia.

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Ideia Sobe ao mundo o segredo Pois que fala mais alto, Deixa de o ser então E se perdem palavras. Desce a terra em degredo E, apenas num salto, Liberto-os de mim, Os sons que dão a vida. A busca continua No seguir das ideias, Mil palavras em teias Das aranhas perdidas. Sobe ao mundo o segredo E forma-se o dizer. É a vida que corre, Vida de escrever.

Daniel Pedrosa da Silva é natural de Leiria, Portugal. Há anos, desenvolveu o gosto pela literatura; gosta de ler e de escrever. É estudante de Engenharia Mecânica, o que lhe tira tempo para literatura, mas acha sempre um espaço para a escrita.

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Dueto urbano Mais um entre tantos. Tão comum! Tão insensível! Tão estupidamente cinza! Apenas mais um entre tantos. Substituível. Paralelepípedo.

Daniela Damaris é natural de Agudos-RS. Professora graduada no Curso de Letras/Português pelo Centro Universitário Franciscano – UNIFRA, de Santa Maria-RS. Em 2010 recebeu dois prêmios literários: Menção Honrosa nos Jogos Florais do Século XXI (Montevidéu, Uruguai) e Primeiro Lugar no I Concurso de Poesia Serra Serata (Petrópolis-RJ). É autora do livro de poesias Lótus.

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Amor Não sei por que essa dor, Assim do nada, me enche de temor. Temo te perder, Você me esquecer. Temo meu coração sonhador, E que você seja mais um sedutor, Trapaceador. Temo o desamor, E tudo o que chega a ser arrasador. Meu amor por ti é gigante. Deslumbrante. Mas e se eu for insignificante? Apenas mais uma ficante? Ficaria arrasada, Totalmente traumatizada. Afinal você é tudo para mim E vai ser sempre assim.

Daniele Helena Bonfim é natural de Passos, já publicou nas coletâneas: Draculea – All Print Editora; Invasão – Giz Editora; Dias Contados – Andross Editora; Casos Minimalistas (e-book) – Pergaminho Editora Online. Também participou das edições de número 6, 9 e 10 da revista eletrônica Terror Zine. Blog: http://www.eicdiversos.blogspot.com/

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Por um ritmo mais quente Sinto o silêncio em um breve momento Ou será que é tormento que vem lá de dentro? São imagens reais de cores iguais Um pincel que disfarça um tom bege e sem graça Um olhar sem suspiro Um beijo tranquilo Mas se a ansiedade não tem eu procuro, meu bem!

Danielle Trindade é bióloga, professora e escritora. Escreve poesias, tendo participado com algumas de concursos, onde foram selecionadas e publicadas em antologias poéticas. Escreve contos sobre diversas aventuras amorosas que sempre terminam mal, retratando seus pensamentos femininos com bastante humor em CILADAS DAS MULHERES. Além de escrever poesias, contos e reflexões em seu blog pessoal, também escreve para o blog Diário de Solteiro.

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Terra prometida Lentamente gotas caem... Caminho incerto. Chuva??? Sofrimento. Ó lágrimas! Lágrimas solitárias! Deserto infinito. Fuga! Labirinto. Ó sal! Sal dos mórbidos! Lábios... Há tempo selados. Mortos. Ó lágrimas salgadas! Corpo oco. Lugar sem vidas. Martírio. Ó coração seco! Que não temes mais a seca. Da chuva não se escuta o eco. Alimenta-se da busca pela terra: esperança.

Danielli Rodrigues Violante é mestranda em Letras (Estudos Literários) pela UEL – Universidade Estadual de Londrina. Professora de Língua Portuguesa e respectivas literaturas para alunos do Ensino Fundamental II e Médio na rede pública de ensino em Londrina – PR. Também leciona Língua Inglesa no Ensino Fundamental II e Médio, na modalidade EJA, e Prática Discursiva e Linguagem no Curso Técnico em Administração de Empresas. Londrinense, casada, mãe e amante da literatura.

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Dia-a-dialética Antes eu não pensava como hoje O mundo mudou Eu opinava diferente O planeta se transformou Lutas de classes Conflitos psicológicos Minhas ações mudaram Não são mais as mesmas A cada dia uma mudança Minha cabeça não é hermética A sociedade está em contradição contínua Tese, antítese, síntese Da última surgirão novas contradições Felizmente virá uma síntese frenética Palmas ao ciclone da dialética A mais íntima É a minha vida.

David Alves Gomes fez curso técnico em Automação e Controle Industrial no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia e pretende cursar Letras. Participou da III e V Antologias Valdeck Almeida de Jesus , respectivamente nos anos de 2008 e 2010. Teve mais um poema e um conto publicados em antologias no ano de 2010. Blog: http://vidaedialetica.blogspot.com/

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vem sem música,... vem sem música, esta poesia que me endurece os olhos. ó grande ave de pele inacabada: trará este dia uma morte tão azul que sufoque?

David Erlich realizou estudos literários orientados por Santiago Kovadloff (Argentina, 2006, 2010). Menção honrosa no concurso literário, da Editorial Caminho, “Uma Aventura... Literária - 2001”. Colaborador, em Poesia, do suplemento artístico Diário de Notícias Jovem, de 2004 até ao fim do suplemento, em março de 2007. Menção honrosa no III Concurso de Poesia e Ficção Narrativa “Montijo Jovem – 2005”. Prêmio-publicação no 8º Concurso de Poesia da Universidade Federal de São João del Rei (Brasil, 2008). Vencedor do V Concurso de Poesia e Ficção Narrativa “Montijo Jovem – 2009”. Terceiro lugar no XI Concurso de Poesia Agostinho Gomes (2010). Menção honrosa internacional no VI Concurso Literário “Poesia sem Fronteiras” (Brasil, 2011).

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Sabor de vida Eis uma Vida perdida! Amores transversos, desconexos, seguem os caminhos de uma lida. Paixões enganosas levando a agonias amorosas na descoberta Real do engano quase Fatal de Almas Temerosas. Mas aos Céus há sempre uma solução aos já transbordantes de Paixão que acreditam que, mesmo na Dor, pode-se ainda renascer a Esperança de um’Alma ainda conseguir saber qual o gosto que se tem o beijo de um Verdadeiro Amor.

Della Coelho é professora de Língua Portuguesa e Literatura, graduada e pós-graduada pela UFMS, uma apreciadora de poesias, expôs seus próprios poemas há poucos anos. Iniciou pela CBJE, na qual se encontra entre os autores consagrados, com mais de 50.000 leituras acumuladas nas Antologias on line. Alguns de seus poemas estão no site http://dellacoelho.blogspot.com

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Nada importa Que me importa se pareço tola, se faço rimas comuns, se meus versos já foram ditos até mesmo de forma mais correta, não me importa. Seria louca se deixasse morrer o encantamento que me faz escrever. Não escrevo para ninguém. Apenas dou forma ao sentimento que vive em meu coração. Escrevo para não me deixar morrer

Denize Vieira, carioca, jornalista, coordenadora cultural, poetisa, contista, cronista, membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras. Participou de diversas coletâneas. Lançou em 2003 “A Força do Amor” e em 2006 “Miscelânea”, ambos de poesia.

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Valdeck Almeida de Jesus

Lá No Meu Goiás Onde estou não há pássaros como lá. Por onde ando não é bonito como lá. As frutas não são gostosas como lá. As árvores daqui são mortas, sem vida; as de lá são alegres e belas, algo sem igual. Os serrados são perfeitos, repletos de orquídeas que aqui não encontrei como lá. Os rios são secos e sem peixes, mas os de lá são perfeitos. Ó Goiás que eu amo, porque sou de lá. Lá é lindo, repleto de verdes nas flores e nas asas dos pássaros que voam. As belezas naturais são majestosas, perfeitas, algo sem distinção; as morenas e as mulatas são pura formosura. Ó terra minha e de meu Deus, onde tudo que se planta um dia se transforma na bênção das colheitas.

Dhiogo José Caetano é natural de Uruana-GO, conhecida como a capital nacional da melancia. Graduando de História pela Universidade Estadual de Goiás. Já publicou diversos artigos na Web e em revistas como: Factus e Partes.

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Reverência à sorrelfa, às turras, aldraba, ciclâmen panapaná, vitupério, algaravia, quimera: sou uma incorrigível apaixonada por expressões tidas por antiquadas daquelas que nos enchem a boca ao serem pronunciadas Palavras, palavras! mais antigas, mais consistentes mais consistentes, mais gostosas mais gostosas, mais suculentas ardentes vibrantes contagiantes contagiosas Como é bom tê-las na boca sugar-lhes as entranhas fundi-las com nossa vida amalgamá-las em nossa alma!

Dilma Barrozo Ribeiro Lopes nasceu e vive no Campo Grande, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro-RJ. Professora da rede pública, formada em Letras, acredita que a leitura é essencial ao aprimoramento do ser humano.

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Valdeck Almeida de Jesus

N´outra margem Vou daqui sem nada levar em ti. Algures te procuro n´outra margem Feliz, cheia de gente que sorri, Imenso corpo repleto e coragem. Saudade de rio lavada senti; Escassos braços ora em vã barragem Tão eternos na noite que menti; Em breu, desejo, infinita paragem. E porque na veloz velocidade Me afasto vendo-te então chegar, Sei que encontro o caminho da verdade; Conta-me ela que estarei a sonhar Porquanto guardares realidade; Teu regresso tornará a apagar.

Diogo Cantante nasceu na cidade de Aveiro, Portugal, em 1978. Parte da sua obra pode ser consultada em antologias de relevo nacional, como são exemplo as Antologias Poiesis da Editorial Minerva, nos boletins culturais do Círculo Nacional d´Arte e Poesia e no Arquivo da Biblioteca Municipal de Aveiro. Blog pessoal: www.diogocantante.blogspot.com

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Ambiguidade Desafiavas-me escondido por detrás das vírgulas E rias, rias iludido que nas reticências frívolas Arranjavas abrigo, um lar amigo para nossas demências Ahahahah... como os nossos risos cresciam... Balões de primaveras no outono de nossas vidas Unguentos miraculosos sarando nossas feridas Não... não falo de quimeras, mas sim das longas esperas Com que perpetuamos os sentidos, reais e vividos Nas rimas pintamos feras, e moldamos de barro Muitas prosas, sonetos feitos duetos, laranjais frescos De perfume índigo... dos sons fizemos esferas, Bancos de jardins bebendo ópios de trigo. Nas muralhas das odes... lindos arcos arabescos Arquitetura debruada a linho... Na ambiguidade da poesia... a fragrância de lilás e pinho!!!

Dina P. Pereira da Costa, natural de Ovar, distrito de Aveiro, Portugal, onde nasceu no ano de 1965. A primeira vez que um poema seu saiu às portas de casa foi para participar do primeiro aniversário do 25 de Abril de 1974. Publicou textos em várias antologias no Brasil e em Portugal. Vive na Inglaterra.

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Valdeck Almeida de Jesus

Quebra-cabeça Qualquer poesia incompreensível quebra-cabeça Poesia incompreensível quebra-cabeça qualquer Incompreensível quebra-cabeça qualquer poesia Quebra-cabeça qualquer poesia incompreensível Cabeça qualquer poesia incompreensível quebra

Domingas Cesário Alvim é natural de Angra dos Reis-RJ; desde pequena sempre escreveu. Ganhava os concursos de redação no colégio e, desde a infância, sempre foi fiel amante das palavras. Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Um simples verso Queria lhe fazer um verso, Tão bonito como o céu, Que falasse das estrelas do universo, Até as nuvens do céu. Nele eu expressaria meu amor, Minha vida, minha dor, Falaria muito de você, Que aos poucos aprendi a conhecer. Diria também da minha paixão, Dos meus sonhos e minhas ilusões, Do novo mundo que encontrei em você, E de como é lindo o amanhecer. Mas um verso eu não sei compor, Não sou poeta, não sou ator, Sou apenas um simples despertar do seu amor, Que aprendeu a te amar e te dar valor.

Domingos Alberto Richieri Nuvolari é formado em Física, Eletrônica e cursa Ciências Sociais. Escritor desde os 16 anos de idade, com participação em diversos concursos e várias premiações locais, sua linha de atuação é a poesia, conto e crônica.

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O teu silêncio O silêncio às vezes me traz você, Ouço tua voz em meus pensamentos, Te sinto chamo teu nome em alta voz. Volto a refletir questões de amor, maneiras de felicidade, Formas de agradar-te, E sou tomado por desejos de paixão insaciáveis, Só você pode curar-me Só você, Te amo Karina.

Ed Carlos Alves de Santana é mestrando em Artes Visuais pela Eba-Ufba.

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Luz em nossos caminhos Caminhamos, caminhamos, caminhamos Cada passo aumenta o cansaço Paramos, refletimos, aprendemos Amanhã teremos uma nova lição Nossos passos caminham na mesma direção Nada é por acaso, encontros e desencontros A vida é cheia de amor e Luz Cada caminhada mais resistência Obstáculos, força, energia, dia clareando Pássaros cantando sem parar Mandando sinal que o bom dia vai chegar Caminhos, túnel, acabou a escuridão A luz que tantos procurávamos Está tão perto. Precisávamos andar tanto? Sem caminhar jamais encontraria Simples, singela, com muito clarão, A luz do nosso caminho está em cada coração.

Ed Ribeiro é artista autodidata. Desenvolveu a técnica “Tintas Derramadas” que confere a forma e o movimento às obras. Ele não utiliza ferramentas como pinceis, espátulas ou acessórios convencionais para materializar as criações. Já participou de exposições no mundo todo como o “Tributo a Villa-Lobos”, na sede das Nações Unidas, em Nova York e no Museu do Louvre, em Paris.

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Valdeck Almeida de Jesus

Ousadia Senti um arrepio repentino Provocando a inspiração, Me vi como um menino Com um brinquedo novo na mão. Tenho a caneta e o rimar, O papel e a poesia. Tenho o mundo pra viajar, O talento e a ousadia. Sou dono da minha ideia. Sou livre, louco, palhaço. Não preciso de plateia Tenho a noite, o vento, o espaço. Todos a me saudar Com sinceridade mais pura, Colocam-se a assoviar E aplaudir minha loucura.

Eder Ramos Bruckchen é gaúcho, formado em Administração de Empresas, morou na Europa para aperfeiçoamento da língua inglesa. De família de poetas e artistas, teve seus poemas publicados pelo Brasil em antologias e coletâneas.

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Os olhares Estou cercada por olhares Que vasculham o meu interior, Tentando roubar minha paz. Olhares indagadores, Acusadores Sentenciadores. Fujo desses olhares, Mas eles me perseguem Onde quer que eu esteja. Então, estrategicamente, Fixo os meus olhos no horizonte. E, enraivecidos, Os olhares se transformam em vozes, E retornam para a minha mente.

Edna das Dores de Oliveira Coimbra participou do II Concurso de Poesias da Casa do Marinheiro (Prêmio Suboficial João Roberto Sobral), com a poesia “Quem é esse outro?”, selecionada para compor a Antologia Poética 2009; participou, também, da Seletiva da CBJE, com a poesia “A voz da Razão”, selecionada para compor a Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Vol. 61, lançada em fevereiro de 2010.

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Vida Vem em “lina” aos seres, Como uma chamada poética À neblina de uma chama. Vem-lhes em versos, Ao sugo de um ímã, Pois é u-n-a (a pedra) Separando / a alma da rima. E no debulho dos sonhos Sobre As Pedras, São pedregulhos as rimas Que anela. Pois sendo a vida iluminura Os seres in limine são versos, E as rimas, Arrimas dela...

Edson Izidio Pereira da Silva é poeta e ama a literatura.

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Teus passos Podem ser rápidos, como agora, Podem ser lentos, como outrora, Podem ser leves, Dançando ao sabor dos ventos, Podem ser breves, Convictos, ao relento Teus pés, Contidos nos sapatos, Teu pensamento guardado No silêncio dos teus passos A mochila do passado, pesando no teu ombro suado, No esforço que faz teu braço No caminho, teu destino, Surgindo passo a passo... O presente seguindo seu próprio rastro Eu aqui ausente, Distante dos teus traçados, Indago: - O que afinal procuram teus passos?

Elaine Carelli é escritora amadora, participou do “Concurso Literário de São Caetano do Sul”, obtendo o 1° lugar em 2006. Participou do I Concurso Literário organizado pelo “Armazém 22- Espaço Cultural” em São Caetano do Sul, obtendo o 3° lugar em 1993. No concurso “Nova Poesia Brasil” recebeu Menção Honrosa em 2009.

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Algumas folhas Algumas folhas caem no chão tornando-se pó. Algumas folhas perdem-se num olhar e não beijam as lembranças esquecidas. Algumas folhas voam em sonhos e demoram, realmente demoram, mas um dia abraçam o sorriso. Algumas folhas encontram a chuva ainda inocentes. Algumas folhas não sabem se vale a pena ficar verde e apodrecer ou secar e desaparecer. Algumas folhas simplesmente morrem apenas fecham seus pequenos olhos enquanto aguardam pacientemente o amanhã misterioso que nunca chega.

Elisabete Pereira Lopes é graduanda em História (PUC-RS e UFPEL), escreve poesias desde criança. Gosta de ler, ouvir música.

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Estelionatários da verdade Sorrisos envelhecidos Embrulhados na contradição Aceitam sofridos A hipocrisia da mediação Rebelando-se sob a autoridade Olhares de conspiração Refugiam-se na vaidade No vazio da opressão Transparentes nos conflitos Colorem a solidão Embalsamando os amigos Inovam o coração

Eloisa Menezes Pereira é professora estadual. Participou de doze antologias poéticas, quatro em Feiras do Livro de Porto Alegre. Publicou nos jornais Diário Gaúcho e Zero Hora e foi jurada do concurso Histórias de Trabalho, organizado pela prefeitura de Porto Alegre.

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Acontece A tevê no horário nobre desfila, em um segundo, as notícias, para o povo, da paranoia do mundo. Eis Chávez que não se cala, escândalo no Vaticano, Sarkozy e a modelo, A-ha só canta este ano. Obama e a Saúde, Osama produz ataques, Um Oscar ao Avatar e Lula criando PACs. O botox das artistas, lucro e perda da Toyota, Israel e Palestina, mulher-bomba idiota. A Monsanto e os grãos, o Ártico que se esvai, O dólar e a economia, Zelaya fica ou sai. Os gays já podem casar, o Chile partiu-se ao meio, o filme do Harry Potter, Gripe Suína é receio. Eleições no Uruguai, sem touradas na Espanha, Nova Guerra das Malvinas, Argentina e Grã-Bretanha. Reciclagem é preciso, políticos no xadrez, A transposição do rio, camisinha toda vez. A ditadura de Cuba, pirataria no mar, El Niño e as enchentes, a crise pode aumentar. A Nave vai dando voltas nas notícias, ninguém crê, ao povo só interessa a novela e o BBB.

Elza Guerra Alemán é natural de São Paulo. Desde menina dedicouse a ler e escrever. Sempre gostou de rimar e fazer acrósticos, criando centenas de versos para amigos, parentes e autoridades. Escreveu crônicas e contos para vários jornais. Tem dois livros de biografia e um dicionário prontos para editar.

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Atração fatal No desenho esculpido do teu corpo Faz-se reluzir encanto e magia Ao atrair amor e poesia Sempre a cada dia Rumo aos caminhos suntuosos, Mas perfeitos. Alimentada está a minha alma Depois de ter de volta a minha paz E ao te amar cada vez mais. Nesta atração fatal Ficamos mais unidos E criamos fantasias no mundo real. Vivenciando amor através das trocas de carícias Atraídos pelo fogo da paixão. Que nasce mais forte todos os dias E que nunca é em vão. Atração como esta: fatal, Nunca vi nada igual!

Eulália Cristina Costa e Costa é graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela UEMA, pós-graduada em Saúde da Família, funcionária pública federal e escritora. Publicou “Uma viagem fascinante” (2009) e poesias na coletânea 10 anos da Usina de Letras, sites e antologias (Editora Protexto e Câmara Brasileira dos Jovens Escritores - CBJE). Participou do IV Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus/2008, com a poesia “Amizade” e da Antologia Falando de Amor-2010, pela Casa do Novo Autor com a poesia “Amo-te Simplesmente”. Pós-graduanda em Vigilância Sanitária-UEMA (2011 a 2012). Possui alguns artigos científicos publicados. Participou também do Concurso Letras da Paixão-2010 pela Casa do Novo autor e foi a única maranhense selecionada no Panorama Literário Brasileiro 2010 da Câmara Brasileira de Jovens Escritores-CBJE (RJ): as melhores poesias de 2010.

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Passageiro Viajo no tempo de nome presente embarco nas estações da esperança com plataformas de adeus. Bagagens e sonhos rumo a novas paisagens roteiro desconhecido abraço apertado o infinito, a distância e a ternura do olhar que ficou perdido me vendo partir. Nas outras paragens conexão com a vida no trem que carrega um mundo invisível de utopias eternas que divido com a estrada ao abrir a cortina da minha janela.

Eva Melo Portilho é natural de Dom Pedrito-RS, professora, graduada em Ciências Sociais, apresentadora de programa em Rádio AM, fundadora da Sesmaria Cultural, assessora de cultura do Município de Dom Pedrito, mentora e presidente da Comissão Organizadora da Feira do Livro.

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Detesto rótulos e títulos Me oponho a partidarismos, Não preciso de autoafirmação Nem de licença ou permissão. Uma vez por ano Posso acordar mal-humorada Dormindo às vezes eu te chamo, Levanto ainda transtornada. Falo quando estou sozinha E também canto na cozinha Não creio em coincidência, Pra cada ato há consequência, Nem que o mundo é decadente, Nem no discurso dessa gente.

Fabiana Garcia, paulistana da Mooca, gosta de escrever e observar o ser humano e suas relações. Agora traz, de seu interior, pensamentos e sensações pessoais. Advogada, estudante de Psicologia Política, considera os animais e a música essenciais para a vida.

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Sonhos de Infância Ser feliz e nada mais! Tudo o que eles querem É correr, brincar e sorrir... Sorrisos estes que nos encantam E o que é melhor: nos fazem sorrir também! Sim, tudo neles é contagioso E iluminado... Sonham alto! Sonham grande, os pequenos E, às vezes, pensam que podem voar Ah! E como voam em seus sonhos Em seu mundo próprio Voam para mares onde podem ser piratas Para Reinos longínquos onde são reis e rainhas Vão até a lua: veja só, são astronautas! Iluminam a vida... Seus olhos brilham mais que o sol E os cheirinhos... Mais deliciosos que um campo de girassol! Eles só querem brincar, só sabem amar. São eles mesmos, sem tirar nem pôr, sem mais nada a declarar São as crianças. E nada mais.

Fabiane Ribeiro é natural de Mogi Mirim-SP, está atualmente concluindo o curso de Medicina Veterinária em MG, mas, além de ser apaixonada pelos animais, é também apaixonada pelas letras. Desde pequena destaca-se em produções literárias dedicando-se à literatura policial e a romances em geral.

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Endereço certo às vezes o abismo ao avesso é visto após a queda como montanha agreste, com floresta e alimária, sem picadas ou caminhos que levem a endereço certo, quem no mundo se pôs ao largo, incapaz de abraço ou ao limite de um muro cercado com cerca elétrica para evitar o choque do excesso libertário bebido como dogma sem o amálgama de um leve toque. abençoado é um lar, com janelas abertas ao sol há alegria na casa, é doce, doce, a morada; be well come to home; gostará de estar em casa somente quem for bom homem.

Fabio Daflon publicou o ensaio “Título Provisório” – o movimento estudantil na Faculdade de Ciências Médicas da UERJ. Coautor, com Alberto Daflon, de “Vento Passado – memórias da Segunda Grande Guerra”, “Algo Sem Gesso” (coautoria com Alberto Daflon), “Mar Ignóbil” (poesia). Autor de “Hipotenusa & Outros Escritos” (poesias). Participa das antologias Dellicatta, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Guemanisse e do Caderno Literário Pragmatha. Especialista em Pediatria, Medicina Psicossomática e Estudos Literários pela UFES. Oficial médico da Reserva da Marinha, atua na equipe de saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde, Coordenação Regional do Espírito Santo.

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Fabiografia II Tenho poucos contatos interpessoais, Tenho menos problemas – os relacionais... De um grupo seleto conquistei a amizade Deste, só dois ou três me conhecem de verdade. Ando nas ruas alheio ao mundo e às coisas Não escolho caminhos, o caminho que me escolha! Tudo, tudo eu percebo e passo despercebido; Atrasado eu não chego, nem tampouco sou assíduo. Tenho o dom de surgir tão repentinamente! E, no entanto, sumir tão sorrateiramente! Sou uma antítese paradoxal, metáfora Da vida, sou um ser laboratorial, anáfora Irrepetida. Sou mas, todavia, entretanto, E, contudo, incerteza e exatidão contrastando!

Fábio Henrique Pupo é natural de Ponta Grossa-PR. É acadêmico do 4º ano de Letras da Universidade Estadual de Ponta Grossa e amante incondicional da poesia e literatura brasileiras. Busca transmitir em seus textos as suas percepções e interpretações da realidade com um viés predominantemente ambíguo, que envolve emoção e razão no(s) questionamento(s) do ser. Aborda temáticas que vão desde uma simples imagem do cotidiano até as complexidades mais profundas da alma.

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Chamada Rastros ruídos dos pés férreos arrastados pelo chão liso num buraco-qualquer da cidade. Nem é trabalho em grupo, é multidão. Cotidiana. Mais um josé professor grita ao abismo adolescente. Um rito repete de ano. A escola diminui com o fim dos dezessete. E agora, vinte e sete? Lá fora, o Letes batiza o cortejo dos jubilados.

Fábio Roberto Lucas é natural de São Paulo. Graduado em Letras pela USJT, bacharelando em Filosofia pela USP.

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Maria merecia? Maria morava muito mal. Maldizia modestíssima morada, Margeando monstruosos marginais Molestando mocinhas medrosas, Meninas mantendo morais. Mendigando misérias, Meninos morriam minguados. Muitos maiores, malvados musgos, Medravam morros mercenários, Muros malditos, meros molossos. Maria morreu mês-de-maio. Moléstia-magra, medonha. Miss mirrada, muita maldição... Mirando, mesmo maenga, Miraculosa medicação.

Fátima Soares Rodrigues tem curso incompleto de Letras na UFMG. Diversos prêmios em prosa e verso no Brasil e exterior. Autora do livro “Em Duas Estações”, lançado em agosto/2002 no IV Salão do Livro de Belo Horizonte-MG. Possui um texto selecionado no site: www.releituras.com

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Tema e Variações em Forma Cíclica 1-

Seduzir é iludir, apaixonar-se é ansiar; ansiar é sofrer... Amar é divinizar! Querer é um vício; uma tara é um vício destilado pelo tempo; (solidão destilada pelo tempo é autofagia). Sexo é vício, ilusão, ânsia, sofrimento em querer condensar deus no próximo - sublimar a solitária digestão da tara do tempo.

2-

O escorrer do tempo se liquefaz em idade, pervertido pela razão reconhece sem ânsia que a admiração nasce de alguma ignorância e o desejo se nutre de alguma necessidade; (mas toda necessidade plenamente saciável é sede efêmera e volátil). - Envelhecer é admitir e concluir. Poetizar é resseduzir...

Felipe Cattapan é natural do Rio de Janeiro. Estudou piano e regência. Trabalha como regente (orquestral e coral) e docente universitário na Europa e no Brasil. Dirige projetos de divulgação da música brasileira no exterior. Paralelamente à sua carreira musical, vem se dedicando há alguns anos também à literatura, sendo autor de diversos contos e poesias. Foi premiado no “26° Festival Poético de Cornélio Procópio” (2010) e recebeu o certificado de “brilhante participação” no “5° Festival Santa Lúcia de Contos e Poesias” (2010).

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Vivi Verguei-me ao peso da chuva, Mais do que ao peso da idade, Porque os ossos não suportaram O acumular de umidade. Encadeei-me com o Sol, Mais do que com o gozo de fama. Ele continua a brilhar, E eu fui perdendo a chama. Vivi mais do que o Sol, Pois o vi a apagar-se. Vivi mais do que a Lua, Por vê-la retirar-se. Vivesse o Sol, e eu não morria. Vivesse a Lua, e eu diria Que o corpo suportaria, O peso das gotas de chuva E da luz que me alumia.

Félix Rodrigues é natural de Angra do Heroísmo (Portugal), cidade da ilha Terceira de Nosso Senhor Jesus Cristo, no meio do Atlântico. Escreve alguns poemas no intervalo das aulas de Física e Matemática, de que é professor. É uma forma de escapar à racionalidade dos números.

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A Dor de Sentir Sentir dói tanto… Tanto que nos leva a pensar, Depois de pensar vem o canto, Canta o poeta e canta o leitor por cantar, Mas isso nem é motivo de espanto, Pois o leitor quer é imitar. Mas não vale a pena ele mentir, Pois não sabe o que é a dor de sentir. Sentir dói tanto… Antes de querer tentar, Já a dor foi sentida e tapada por um manto, Sim, é vergonha deixar trespassar, Dizem ser fraquezas de santo; Deixai – os de ignorância cantar, Pois não vale a pena fugir, Primeiro é preciso saber o que é a dor de sentir.

Fernando Marques nasceu em 1989 e é natural de Leça da Palmeira (Portugal). Os seus textos espelham uma reflexão profunda sobre a dimensão do Homem e a dialética da correlação social. É cronista no jornal “Matosinhos Hoje”. Para além de crônicas, o seu percurso literário é pontuado por incursões na ficção narrativa em prosa. Tem colaborado em diversos blogues, onde está representado com textos de opinião política.

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Tempo Se o tempo voltasse atrás haveria tantas coisas a mudar Palavras que não voltariam a ser ditas na minha boca Abraços que não voltariam a ser dados a falsos amigos Beijos que não voltariam a ser dados a possíveis esposas Perdões que não voltariam a ser dados a não merecedores Passou, é certo, passou depressa Mas se esse tempo voltasse As palavras que dissesse seriam divertidas e esperançosas Os abraços que desse seriam sinceros e apertados Os beijos que desse seriam meigos e amorosos Os perdões que desse seriam pacíficos e amigos Porque nada há de melhor do que uma palavra amiga Um abraço apertado Um beijo meigo Um perdão pacífico O tempo que chegará Chegará com estes itens Para que a vida valha mais a pena.

Fernando de Sousa Pereira é português, natural da Vila de Ribeirão. Licenciado em Engenharia e Gestão Industrial. Colabora em jornais e publicou os livros: “O Enigma d’O Livro do Desassossego”, “Caminhos de Suspiro”, “7 Contos para 7 Paixões”, “Ficarei à tua espera!” e “Caminhar no mundo”. http://fernandosousapereira.blogspot.com

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Poema Andrógino Quando eu era menina eu queria ser menino Quando eu me tornei menino eu queria ser mulher Quando eu me fiz mulher eu vi quão homem eu era

Flavio Lanzarini é carioca, professor, ator, diretor e produtor de teatro. Mestre em Teatro pela UNIRIO e em Educação pela PUC-RJ. Seus estudos como professor e sua prática no teatro sempre valorizaram a arte e a educação como saberes essencialmente vinculados à linguagem. Também leciona Filosofia da Educação.

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Vida! Estrelas surgem do teu olhar Teu sorriso é como o sol e sua beleza No teu corpo desvendam-se os mistérios do mar Forte e sábia como a natureza! De teus gestos ecoa um bailado Suas lágrimas são como a chuva Deixando o mundo maravilhado Com teu corpo e dele cada curva! Já não existem melodias a cantar Mantras ou recitais, capazes de te descrever Pois de ti, todos se precipitaram a falar Não restando rima sequer que possa te dizer! Sofro e gargalho de felicidade Pois minha alegria é inebriante e incontida Deram-te status de musa e divindade Mas eu..., eu chamo-te apenas de vida! Sim! Minha vida de amor De delírios e declarações Não preciso de poemas, músicas ou dor A mim, basta juntar nossos corações!

Gérson Lima do Prado é natural de Salvador. Participou da Antologia Poetas em Desassossego com o tema “Caminhar no mundo”, com três de suas poesias publicadas. Participa da Agenda Poemário 2011 com duas poesias.

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Colheita Colhias tuas rosas Banhavas teu rosto Corrias formosa Sorrias com gosto Andavas somente Pensavas serena Brincavas contente Brilhavas em cena Colhias teus cravos Plantavas encanto Fizeste-me escravo Colheste-me o pranto Teu sol reluzente Minha alma desperta Jogaste semente Na terra deserta

Gilberto José de Oliveira é natural de São Paulo-SP. Psicólogo pela Universidade São Marcos (São Paulo-SP), vencedor do IX Concurso Literário Cleber Onias Guimarães - São Paulo – 2009, categoria poesia. Participação em antologia - Concurso Literário Castro Alves 2009 (Clube Brasileiro dos Escritores - São Paulo-SP).

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É o meu caminho? Me encontro silente, sentado à sombra, num caminho... Comigo? Meus pensares. Aonde levam? Inda um dia descubro. Muita gente passa, daqui pra lá, de lá pra cá. Se conhecem? Quem sabe... E eu continuo com meus pensares... Nestes, me volta a ideia que também já andei por muitos caminhos... Tive sorte, azares e amores, uns passageiros que já nem os lembro mas outros, que continuam incrustados lá no canto do coração, trazendo lembranças que me fazem soltar longos suspiros. Ah! Juventude, onde tudo quer, tudo pode. Mas a vida não para, o caminho é longo e o tempo, lépido azougue, quantas vezes o deixamos escorrer pelos dedos naquela ânsia de chegar...

Gilberto Peter Caramão é aposentado, poeta, letrista e compositor. Participante ativo de concursos de poesia, já publicou poemas em mais de 40 antologias e recebeu vários prêmios. 1º lugar nacional do XXXVIII Concurso de Poesias Abdala Mameri, da Academia de Letras de Araguari-MG. Vencedor do Troféu Gaúcho (melhor poesia) do Clube Pan-americano Enrique Salazar Cavero, de Pelotas-RS.

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Eternamente Não me lembro quando a conheci Tampouco quando me apaixonei Sei que aconteceu serenamente E que era tarde quando notei Assim, como num vício qualquer Vi: não havia saída, nem volta Estava envolvido, sem perceber Por essa mulher e essa revolta Como o voo do planador Que sem nada que o impulsione Segue seu caminho indiferente Receio que esse amor Desconhecido de mim até então Fez igual, rumo ao meu coração Temo que esse amor carente Tenha tido a mesma sorte De tudo que nesta vida triste Fica para sempre... Eternamente!

Gilson Médice Ferreira é de Itaú de Minas. Foi para São Paulo estudar e acabou ficando para morar. Formado pela Universidade Mackenzie, trabalha na área de Informática como Analista de Sistemas. Publicou em 2009, pelo Clube de Autores, o livro infanto-juvenil “O Golfinho Dourado”.

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Distração Você me olha, me toca, me sente. Diz que gosta de mim, Que me adora. Segura minha mão, Olha-me nos olhos, Beija-me no rosto, Fala-me da sua vida, Conta-me suas aventuras, Ri com minhas piadas, Aplaude minha maneira. De mim nunca reclama. De seus olhos vem uma luz intensa, Que me envolve, me amansa E me deixa submisso. A sua voz, Quente e suave, Diz coisas agradáveis, Coisas bonitas, Gostosas de se ouvir. Seu rosto de anjo Sorri de maneira única: Com vontade, Com alegria, Com prazer. Você é maravilhosa. Você é incrível. Mas como é distraída... Não percebeu que eu te amo. Gilson Médice Ferreira é de Itaú de Minas. Foi para São Paulo estudar e acabou ficando para morar. Formado pela Universidade Mackenzie, trabalha na área de Informática como analista de sistemas. Publicou em 2009, pelo Clube de Autores, o livro infanto-juvenil “O Golfinho Dourado”.

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Flores de inverno cismam ao cair de gotas frias suas pétalas pálidas vibram em arrepio as gotas lisas e enquanto um tempo cinza nubla com um véu a cidade triste eu arquejo saudades minhas sem resposta ou mesmo abrigo

Glaubber Silva Lauria é natural de Torixoreu, às margens do Araguaia, no estado de Mato Grosso. Abandonou três cursos universitários. Foi colunista por um ano num jornal de Barra do Garças-MT. Publicou dez poemas na revista “Sina”, um em “Fagulha” e outro na “Grifo”, todas de Cuiabá. Gosta de Ana Cristina Cesar, Paul Verlaine, Rubem Fonseca, Fitzgerald, Lima Barreto, Virginia Woolf e outros. Atualmente é professor substituto.

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Valdeck Almeida de Jesus

Pálidos mistérios Folheando as páginas de um livro encontrado Entre o mofo e a poeira d’um jardim misterioso Encoberto pelo musgo, um trabalho primoroso Esplendidamente escrito e finamente ilustrado Descobri mistérios duma profundidade alucinante Que arrepiam a alma num tremor cabuloso E cujos segredos nenhum iniciado ansioso Deve revelar antes do amanhecer radiante Triste sina de um cavaleiro errante Neófito escravizado num sortilégio arrepiante Na infindável noite deste volume empoeirado Cada palavra lhe acentua uma febre delirante O mistério ali encerrado proclama um aviso incessante: “O poder em que se funda não deverá ser revelado!”.

Grigório Rocha nasceu e vive em Salvador, capital da Bahia. É dirigente sindical, poeta, artista plástico e graduando em Ciências Sociais pela UFBA. É também um dos organizadores do Projeto Fala Escritor e atualmente publica seus poemas no blog: www.poesiasdoabsurdo.blogspot.com

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Nem rezo O céu é longe E ave-maria não voa

Gustavo Amador Gonçalves é natural de Divino, cidadezinha da Zona da Mata mineira. Seu interesse por Literatura vem desde a infância e se deve à boa presença de livros em casa. A mãe era professora, o que explica bastante coisa. Gosta de poesia brasileira e romances russos. Faz faculdade de Física e ouve Arnaldo Baptista.

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Olhos Quebrados Hoje as palavras desapareceram e apenas seguro a pena em minhas mãos Em meio à bagunça com letras e notas desconsertadas e acordes desafinados Mas ainda assim sigo em frente com pensamentos eloquentes e desnorteados Pois perdi minha bússola quando ela me falou aquelas palavras que meus ouvidos Gostariam que se apartassem deles. Com meus olhos quebrados diante das telas pitadas com tintas de cabelo E então fecho os olhos para tentar entender esta vida cheia de sentidos controversos Pelo menos isso me trouxe a inspiração que faltava mesmo não sendo a que eu esperava Nesse labirinto exposto com portas secretas onde nenhuma placa diz: “saída” Caminho como um nobre que perdeu sua nobreza, como um rei que não vive sua realeza Então desdobro o origami nesta linha horizontal para não ser tão exato E exausto com os sonhos na bagagem vou deixando as malas em cada estação Mas como minha avó um dia me disse: “gora pense em você”, provavelmente seguirei este conselho sábio, e com o pensamento em Deus editarei mais um capítulo de tudo isso que vivo. E agora, com essas poucas linhas que me restam, tentarei nada mais explicar Pois não quero fazer tanto esforço pra lembrar e depois tentar esquecer

Gutox Elros Anárion é natural de Feira de Santana-BA. Escritor, administrador dos blogs Poetas no Divã e Manuscritos Digitados, vocalista das bandas Poets Awake Baptism in Death e Awake Me To My Death. Cursa o primeiro semestre de História na faculdade Leonardo da Vinci.

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Instante Vemo-nos reféns por vezes, Noutras prisioneiros clamorosos Da angústia diária, da aridez cotidiana À custa gradual de nossa humanidade genuína. Qual migalha surge a espaços o amor Concentrado numa visão fugidia, Que sua efemeridade transmuta Num prazer que se daria. Suas causas várias podem ser; nenhuma. Um olhar, talvez a compaixão. Prescinde-se da visão quando a lembrança Atenta a alma da própria abstenção. O resultante assim dá brecha Ao dilema cuja solução sentencia: Quão cegos somos ao candor Ignorando resolutos sua valia.

Haryson Alexandre de Souza Rocha é estudante de Direito. Natural de Belo Horizonte-MG, já participou de outros concursos literários.

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Valdeck Almeida de Jesus

Altas horas Tudo acontece embaixo da lua mesmo com chuva, ou frio manto negro são coisas sombrias, nos becos, nas ruas, à noite, cães ladram, uivados sinistros nos tiram o sossego à noite caminha a sessão nostalgia. de homens bebendo nos bares da vida nas folhas que brotam novas poesias, estrofes recordam paixões esquecidas e no silêncio noturno, as corujas que piam os boêmios se cansam e já vão embora amantes sedentos, suas sedes saciam, pois tudo acontece, nestas altas horas...

Heitor Trindade da Silva nasceu em Minas Gerais em 1962. Mudou-se para São Paulo aos 7 anos, e lá viveu até 1999, quando partiu para Salvador, onde hoje reside e trabalha, na área de saúde. É casado e tem dois filhos. Possui dezenas de poemas e crônicas no prelo. Na década de 80, atuou evangelizando jovens carentes em comunidades da capital paulista. Tem poesia publicada no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – edição 2008.

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Vento no ônibus Lufada de vento, brisa frígida, eterna Meu rosto arde em gelo Vontade tênue e voraz de ter-te junto a mim Melancolia que me atinge e me devora Não tenho mais coração que seja meu apenas Pensar distante, longevo, (in)consciente Canção triste e desoladora me enche pelo mp4 Peito comprimido pela saudade E é só em você que penso nessa viagem Quando meus olhos se volvem E deixo esse sentimento estranho entrar De porta adentro, sem pedir passagem Que posso fazer se essa aura gélida me queima Nostalgia que se aproxima e me quebra Saudades dos meus dias outros e da calmaria E da tempestade e do mar e do oceano Saudade de sentir saudades Saudade de meu mar, meu oceano

Helder Alexandre Medeiros de Macedo é historiador de formação e professor de História, com experiência docente em graduação e pósgraduação. Poeta e escritor, publicou vários livros na área de História e Patrimônio Cultural e, em 2010, “Diário do Impronunciável”, pela Agbook, um registro de crônicas do cotidiano, falando de homoafetividade, vida, desilusões, amores e paixões.

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Valdeck Almeida de Jesus

Dias de Chuva Em dias de chuva o céu chora As janelas chovem E as paredes suam O chão bebe Os pássaros se escondem As árvores se banham E os bueiros se afogam O vidro embaça E as cores destoam

Helen Cristina de Azevedo Thomaz é natural de Porto Alegre. Fascinada por poesia desde os doze anos, já faz uma coleção de poesias próprias.

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Ária da chuva E eis que descendes Frágil e breve, E nos teus lábios ausentes, Frutados de maresia, Vens beijar-me a fronte, E percorrer, ágil, Os fios dos meus cabelos... Sigilosa e mansa, oiço-te chegar... Rendes-me as mãos quebradas, Desconsoladas sobre o meu corpo... Minha dócil e triste amante, Que vens serena, Em não mais que um murmúrio...

Helena Barbagelata é natural de Lisboa, Portugal. É autora de numerosos contos, poesias e artigos. Publicou o seu primeiro conto ilustrado com oito anos, na obra coletiva Os Pequenos Escritores 4, publicada pela Câmara Municipal de Almada e obteve, em 2009, o 1º lugar do Prêmio Anselmo. Frequenta atualmente o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Nova de Lisboa.

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Xipófago Gêmeos Dois poemas lidos em sequência formam um terceiro

Vento

Poeira

- Vou aniquilar-te Sou vento sibilante Enorme velocidade Ser vento, ser assopros Furacões e verdades Derrubando muros Se árvores voam Em tempo de violência Gira, reviro Velocidade VENTO Chegou e partiu No tempo fez passagem Destruições, mortes Ser vento violento Rugiu, berrou Partindo e as tristezas. Tudo nunca antes

- Estou a esperar-te Sou poeira cantante. Sou aderida saudade. Ser poeira grosseira. Aderência. Deito e rolo. Utensílios me apoio. Ser e ter cadência Deito e espalho. Timidez e recolher. POEIRA Está e ficou. De tudo é imagem. Elevação e sorte. Poeira cadente. Sofreu, ficou. Ficando o caos. Ser tudo poeira.

Hélio José Destro já publicou seis livros: “Cristais Paulistas”, “Poesias ao sol”, “Mosaicos”, “Encantamentos”, “Coquetel Brasil”, “Uberaba, a semente dos sonhos”. Premiado 76 vezes no Brasil, Itália, Portugal e Argentina. Participa de trinta antologias.

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Água do rio Já que a água do rio corre... Deixe correr a criança, Deixe correr o gatinho, o cachorro, Deixe correr o carneiro, o cavalo, Deixe correr quem quiser correr. Deixe chorar quem quiser chorar. É muito bom desabafar! E deixe sofrer quem quiser sofrer. ... para quem quiser sorrir... Deixe fugir do peito a dor, Deixe ir embora o ódio e o rancor, Deixe se jogar no mar quem estiver com calor, Deixe continuar quem ainda não se cansou, E deixe finalizar quem já sentiu que acabou!

Henrique Cananosque Neto é natural de Lins-SP. Formou-se em Letras em dezembro de 2001 em sua cidade natal. Participou das coletâneas Reflexões para Bem Viver, Draculae: O Livro Secreto dos Vampiros (Contos), Antologia Delicatta IV, Antologia Artificius e Antologia Delicatta V.

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Propagador da linguagem poética Ao se utilizar de versos Não pretendo se mostrar, Nem muito menos mim achar Poeta espetacular, Apenas venho mostrar O poder de expressão Que a linguagem poética É capaz de nos legar, Bastando adepto encontrar Disposto a lhe propagar.

Heriomilton é natural de Aurora-CE, onde terminou seus estudos secundários. Licenciado em História pela UFCG e especialista em Metodologia do Ensino de História pela UECE. Autor da pesquisa “Começo a recordar, cantando em tom maior e acabo no tom menor”: As músicas de Chico Buarque utilizadas no ensino como documentos históricos sobre o regime militar do Brasil pós 1964.

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A pequena amena O horizonte cinza engole o gado, o pasto, a massa, e passa sem parar: não deixa rastro, arrasta, arrasa, verticaliza e impede a pequena amena brisa de refrescar os rostos postos lá no alto do andaime de metal: o cinza agora nos invade a carne é tarde para lutar: um mar de concreto, reto, arranha o céu sem pedir licença: empilha gente, esmaga o verde e espalha solidão.

Hernany Tafuri é natural de Juiz de Fora-MG. Servidor da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde cursa Letras. Ganhou 14 prêmios em concursos literários nacionais e internacionais, participou de diversas antologias de contos, crônicas e poesias. Publicou, em 2008, o livro de poemas “Vertigens do tempo” (Prêmio de Melhor Livro Estrangeiro de Poesia Jovem da Accademia Internazionale “IL Convívio”, Castiglione di Sicília - CT – Itália). Em 2010, publicou “III em Contos” em coautoria com Alexandre Vieira e Carolina Fellet.

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O lado escuro da fala O silêncio está aberto para o sol o mar é cego em seus rumores onde navegam mudas palavras da distância a areia recorda ampulhetas mastigadas pelo vento banhistas esvaem-se para o dia anterior a gaveta vazia dentro do escuro desde a semana anterior nos pensamentos a boiar na paisagem.

Hudson Reginaldo dos Santos é poeta e ficcionista. É natural de São Paulo. É editor da seção “Outras vozes” da revista Laboratório de Poéticas.

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Poeta do Amor O poeta é grande já nasce culto Dócil e bondoso Usa o seu imenso amor pra escrever Transforma o seu sofrimento em arte Usa o amor sem ser pretensioso Poetas sabem cantar Porque sabem falar E também perdoar Usam a alma pra se expressar Suas mentes são férteis Seus sentimentos são puros e seguros Verdadeiros e sofridos Poetas são deuses,amados e venerados São vidas de um planeta Cheio de pessoas cruéis e injustas Poetas são criaturas sensíveis Que se alimentam de prestígio Precisam de amor para crescerem Senão morrem de desgosto e tristeza

Idelma Santanna é natural de Luziânia-GO. Publicou o primeiro livro “Brasil Crescendo” em 2009, que foi um dos sete escolhidos pela editora para ser lançado na Bienal de Salvador. Teve poemas selecionados num concurso em Portugal. A autora prepara a publicação do segundo livro de poesia e tem um romance no prelo.

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Falta-me Ainda sinto tua falta. Desde quando parti Sinto que perdi algo em mim. Desculpe-me se a saudade ocupa-me O lugar que é teu, Mas não a procurei para te esquecer, E sim para cicatrizar tua ausência. Desde quando disse adeus Eu te vejo, te escuto E te sinto em todos os lugares. Penso que tu me roubaste algo, Pois ainda sinto um grande vazio. Sim! Realmente falta algo em mim. É o meu amor que ficou contigo.

Isaac Nogueira de Almeida é autor de artigos de Direito Civil e Ambiental. Amante da literatura poética, em especial a de Drummond. O escritor encontra nos versos uma forma de não ser sufocado pelos sentimentos. Estudante de Direito, sócio do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos, é pesquisador de Direito Ambiental, Direitos Humanos e inclusão social.

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Se me amas, descobre um sorriso... Procura o que sou, Acorda o desejo, Aquece a minha alma, Salva o nosso amor. Escreve um poema, Diz o quanto me amas, Embala-me nos teus braços E faz esquecer o passado. Sussurra o quanto me desejas e fica lado a lado. Procura no teu ser Onde está a ternura. Salva o nosso amor, A minha alma e a tua. Enraíza confiança, Desabrocha com carinho. Compreende com doçura e Desperta-me com amor. Surpreende-me com alegrias E descobre um sorriso.

Isabel Maria Pereira Craveiro é natural de Figueira da Foz - Portugal. Cursou Direito na Universidade Internacional. Ganhou dois prêmios monográficos: da Cruz Vermelha da Figueira da Foz e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (S.H.I.P.). Delegada comercial, concilia com o Curso Superior de Medicina Chinesa o gosto pela escrita, tendo obtido, em 2010, o Prêmio Monografia pela S.H.I.P

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Os dias os dias divagam, sem solenidade, aspectos provectos de dificuldades em seus macios tecidos de futilidades cavam por entre as colinas de neblina um fio espesso e nórdico de gélidos ventos sem solidez e comunhão arrancam do eixo do tempo subjetivo suas coordenadas de reparação indiferentes ao recolhimento e ao esquecimento - munidos das frágeis fantasias, de alegorias e entretenimento estão cientes da linguagem vazia volátil da consciência - essa demência do ser que parametriza o movimento e seu sonho para cristalizar o inferno e o momento – até infindarem-se em conchas maiúsculas azuis e ouro na passagem dos anos.

Jandira Zanchi é poeta, ficcionista e educadora. Lançou Balão de Ensaio, em 2007, pela Editora Protexto; participa da antologia virtual do site Blocos Online - Saciedade dos Poetas Vivos - Vol. I, premiada no Helena Kolody de 1994.

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A luz fina do mundo As palavras erguem-se iluminadas pelos bichos. Eu sou a sua solidão. O tempo suspende a sua presciência. Deus é explícito no afastamento. Arrepia-me a sua onipresença gélida. Vou longamente cantar as flores de água. Em cada filho existe uma dor silenciosa. Em cada criatura canta um incêndio assombrado. Toco o peso da vida e invento a loucura íntima do pudor. Eu sei que a espuma da memória se confunde com a consagração da imobilidade. A carne cresce na insuportável ternura da manhã. Beijo os teus olhos e morro na entrega da tua boca. Os meus dedos mergulham no teu júbilo. Todo o louvor é um mapa cego. A morte queima a pesada embriaguez da doçura. Alguém grita uma imagem cega. O teu espaço devorado volta a atravessar a memória. Sou agora uma criança desdobrada. Subo cingido pelo assombro da minha respiração. A cor intrínseca dos teus olhos explicita a gramática da paixão. Outro é o segredo rompendo pela boca. Folheias as minhas mãos vazias. Sou agora o abismo que expande as linhas do horizonte. Sinto o fio longo da tua língua pousar sobre os meus lábios fechados. O teu olhar é um pensamento ameaçador. Visito o teu sexo inclinado na luz violenta do desejo. A manhã começa agora a dispersar a luz fina do mundo.

João Augusto Madureira Ferreira é natural da Torre de Ervededo, conselho de Chaves, Portugal. Professor do 1º CEB, licenciado pela UTAD. Fotógrafo amador premiado. Foi dirigente estudantil e associativo. Realizou curtas-metragens em Super 8 e vídeo. Publicou poesia e prosa em jornais e revistas e a plaqueta “Margem de Silêncio”. Atuou na produção e edição da coletânea de poetas transmontanos e galegos “Poesia dos Aléns”. Na Galeria Faustino, produziu e editou catálogos de pintura e escultura. Na Associação Amigos da República, de Ourense, colaborou na edição do livro “O Cambedo da Raia – 1946”, (2004). É autor do romance “Crônica Triste de Névoa”.

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mulher poema a poesia nasce durante o dia, escreve-se à noite. verso que é verso sofre com e o sol e é dado à luz pela lua é nesse ventre mulher poema que te transformas em verbo. das minhas mãos nascem letras sobre as tuas, é a noite que as une mulher palavra. da palavra desordenada em pirâmide pode nascer um amor. se a noite é madrinha da poesia – dá-me o dia, depois as sílabas vão rebentar-te na cara. como bomba semântica – mulher poema, ao não sorrires matarás toda a poesia.

João Gomes de Almeida é jornalista e escritor português residente em Lisboa. Com apenas 22 anos, é autor do livro de contos Mulheres 2.0, (Chiado Editora) e do ensaio Manifesto Contra a Racionalidade (Nicotina Editores). Dirige uma revista on-line sobre cultura e literatura e tem o programa “Perguntas Proibidas” na Rádio Europa de Lisboa. Ficou conhecido por escrever na blogosfera e é habitualmente convidado como comentador político em diversas rádios portuguesas. Dirige anualmente o Master de Verão em Política do Instituto de Democracia Portuguesa.

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Diário As qualidades esvaziam-se no vácuo, Metamorfoseando-se em repugnância, O momento, inadaptação, ânsia, Dor, instabilidade, inconstância, São as vísceras do meu diário. Quem me reinvente me conceda a sua imagem, Se apresente artífice da purificação, Meu presente é Outono de derramada folhagem, Graviticamente escalada para fornecer chão, A animais que usam botânica forragem. (Resposta urge na sinapse cerebral, Sim ou não contratual?) Anímica confusão, desengordurarei, Valha-me tal beneficência, Me aerotransportar, De serena consciência. Que se eu fora Gungunhana, As veras bermudas seriam lusas, O continente e as ilhas quase Usas…

João Paulo Medina da Silva é autor das seguintes obras literárias em prosa: “África não se esquece” (conto), “Sob o signo da cruz espatária” (ficção), “Uma mulher como tu” (romance) e “Sombras do poder” (ficção). Português, considera-se “um tipo que escreve umas coisas”, mas acima de tudo um Ser que tenta, com a escrita e através dela, fugir à quadratura do momento.

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Valdeck Almeida de Jesus

A mente segue eternamente Meu coração vai molemente dentro do táxi. Minhas pernas vão duramente dentro do ônibus. Meus braços vão desligadamente em cima da bicicleta. Meus olhos vão sonolentamente em cima da moto. Minha boca segue caladamente no meio da rua. Minhas mãos seguem abertamente dentro de casa. Meus pés vão rapidamente ao meio do espaço. E eu vou alegremente ao meio da vida.

Jobson Santana é escritor e jornalista. Leitor assíduo de poemas de Carlos Drummond, Valdeck Almeida de Jesus e Cruz e Souza. Natural de Salvador-BA, gosta de escrever contos desde a época do segundo grau. Escrevia para um jornal escolar no bairro da Liberdade e sempre sonhou fazer Jornalismo. Em 2007, ingressou na Faculdade da Cidade do Salvador e concluiu o curso de Comunicação Social em 2010. Atualmente, dedica parte de seu tempo escrevendo para o blog Jornalismo 24 Horas (www.jornalismo24horas.blogspot.com).

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Tenor Retroagindo à minha encômia infância Idos de apreço à estilística portuguesa Obsoleta artificiosa da articulação nacional Que se agrada da leviana picaresca A radícula verbal já não tem ação Iminente deletério do seu cemitério Prepotente arrogância de arte finalista Incentivo estabanado ao leitor preguiça Pestífera comunicação de tuins Coadunados nessa badélica penúria intelectual Se não me leem, o fajuto não será meu fácil. Essa idiossincrasia será uma censura Principesca liberdade do belo Coerência caceteadora da regressão Antídoto antipútrido dessas mentes Conflito do Ajadja que se queixa. Cheio de sotaque mineiro “soleto” que não deixa.

Joel Almeida é natural de Capitão Enéas-MG. Escreveu seus primeiros versos há 20 anos e lançou diversos livros, entre eles: Pérolas no Armário (2001), Ajadja Brasil (2002), Túmulo de Roecken (2003), Deliberação (2004) e Lusa (2005). O poeta tem participado de diversos eventos no Brasil e exterior.

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Valdeck Almeida de Jesus

Caminho das Pedras Tem plantas que nascem na pedra. Tem pedra que serve de abrigo. Tem pedra que enfeita o seu corpo, chamando a atenção do inimigo. A arma do louco é a pedra. Tem pedra que viaja por perto. A pedra interrompe caminhos. E é a inspiração para o verso. Com água se faz pedra. Com pedra se seca rio. Com pedra tem gente que anda. E o corpo já não é tão sadio. A palavra veio na pedra, A pedra então foi quebrada. A pedra de novo escolhida, foi quem nos mostrou a palavra.

Joel Medeiros da Silva é natural de Guarujá-SP. Estudou até a 5ª série do Ensino Fundamental. É marceneiro, profissão que herdou do pai; o dom de brincar com as palavras herdou do avô, que também era marceneiro. Com vinte e três anos, começou a escrever, mas só mais tarde, em Ilhabela-SP, com trinta anos, percebeu que a literatura fazia parte de sua vida. E hoje escreve para entrar em liberdade. Publicou a poesia “Herança de Índio” na Antologia Poetas Caiçaras, organizada por Vanessa Ratton.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Artesão do amor um copo de vinho... pouco a pouco crias devagar tocando as formas esculpindo a pele um corpo ardente anseias amar. artesão de mim, beijas minha alma começo voar... num corcel alado és o condutor. teces o prazer êxtase sem fim . um lago sereno és meu escultor à mercê das mãos estou por inteira artesão do amor.

Jopeal é professora graduada em Letras pela UNICAP e fez especialização em Literatura Brasileira pela FAFIRE, PE. Trabalha com crianças do 1º ciclo do Ensino Fundamental. Gosta muito de escrever poemas. Poetas preferidos: Carlos Drummond, Cecília Meireles, Manuel Bandeira... Sonha ter um poema publicado numa coletânea com vários textos de outros autores.

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Valdeck Almeida de Jesus

Corpo I Concede-me, pois, o teu vinho de silêncio, circulando, e, enquanto a medida das coisas se não cansa, breve caminho instiga dentro ou fora mas tanto como as tuas margens. II Nos meus lábios te não retenho, duro vazio depois de tudo, te não retenho, pois, e a carne abrindo gretas sob o estio da morte. III A boca, os dedos… os lábios, as mãos… breve caminho instiga, na palidez das árvores incertas, boca nos dedos amando os lábios, tanto como as mãos discretas colhendo a memória dos outeiros.

Jorge Paulo nasceu em Lisboa, a 9 de junho de 1963. É casado e tem dois filhos. Publicou um livro de poesia e um texto dramático. É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas — variante de Estudos Portugueses, mestre em Linguística e professor do Ensino Básico e Secundário.

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Conversas sobre Vulcano O centauro levantou-se! Alardeou o anão Com as barbas molhadas. Da fogueira, onde ardiam destinos Ergueu-se um pequeno flautim em chamas Afeiçoou-se aos lábios do fauno moço - Aquele que tinha nos olhos labaredas dançantes Subtraiu-lhe à pinça Várias minúsculas ninfas das virilhas em penugem. Depois já era madrugada A névoa densa, e Nos campos embevecidos em sândalos Tudo se fez grande rio e sonhos Com artesãos medievais conversando Sob o pórtico de um cipreste antigo.

Josafá Paulino de Lima é natural de Orós-CE. Bacharel em Sociologia. É artista que se utiliza de variadas modalidades de expressão nas artes plásticas e literárias (pintor, escultor, gravador, poeta, contista). Em seu currículo, participações e premiações em níveis locais, regionais, nacional e internacional. Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano, membro da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, Diretor Executivo da Fundação Universidade Camponesa etc. Em geral, assina suas produções sob o pseudônimo Josafá de Orós.

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Roubaram-me a Poesia Vagueava pelas ruas da cidade E de repente, do vazio... Surpreendido! Fui abordado por um bandido! De arma em punho, disse bem alto: “Mãos ao alto, isto é um assalto” Perplexo, não tive reação Mas o que queria aquele ladrão? “Rápido, dinheiro ou vida!” Quieto e silencioso, continuei. Olhamo-nos impacientemente, Agarrei-me ao meu caderno, crente. Crente nas minhas palavras, Mas o impasse continuara. Atrapalhado, dispara. Assustado pela bala perdida, Respondi-lhe “Deste-me a escolher: Leva-me a Poesia, Aí tens a minha vida.”

José Luciano Monteiro Pires é um jovem escritor de nacionalidade portuguesa que promete vingar no mundo da literatura. Desde pequeno, demonstra um talento invulgar na escrita. Nascido e criado em Amarante, que ainda hoje habita, diz-se feliz e que não troca a sua cidade por parte alguma. Em toda a sua vida enfrentou difíceis situações e talvez por isso seja possível verificar uma vertente melancólica em sua poesia.

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Voz do ceticismo Há ecos intoxicados, dos venenos das vozes. Que esvoaçam quebrados, são furiosos algozes. Vãs vibrações, céticas, frias. Mentem canções, sem harmonias. Seguem como infratores, e se aventam impuras: Pois não falam de amores, e nem falam ternuras. Deus é esquecido, no afã mundano. Lodo fervido, o homem profano. Deus! Limpai nossos ares, brilhai cerúleo manto. Às nuvens nos vagares, vertei o vosso encanto.

José Luiz da Luz é natural de Ipiranga-PR. Ingressou nas faculdades de Ciências Contábeis e Direito em Ponta Grossa, cursos não concluídos. Por motivos profissionais, mudou-se para São Mateus do Sul-PR, para trabalhar como técnico da Petrobras. É membro da União Brasileira dos Escritores; membro da União Literária Anapolina. Autor dos livros de poesias Lira Romântica, À Luz da Poesia e do conto infantojuvenil Pena Dourada. Tem participação em mais de 30 antologias literárias pelo Brasil.

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Poema d’uma rosa Como uma rosa a desabrochar quão radiante, Eu a vi surgir no amanhecer do lindo verão… E como uma musa a me tocar, bela e fascinante, Fragmentou meu sonho no entardecer da solidão! Na linda manhã de sol claro e fulgurante, Busquei a bela rosa, com fascínio e paixão; Mas na tarde vermelha do horizonte distante Ela se foi, deixando a ruminar o meu coração! Sim, a bela rosa que ali florescera inebriante, Tão brevemente… Não era pra mim – Que ilusão! Era pra outro, que a colheu qual um brilhante; Sob o mesmo sol, mas d’outro jardim da estação. Ela se fora, e eu fiquei a me perguntar: Por que então ela me acendera a paixão? E por que o sol nada dela quis me falar? Simplesmente porque sob paixão, o coração Não advoga razão, mas a eloquência de amar. E, por amor, o astro sol não padece de ilusão.

José de Ribamar Alves dos Santos é poeta, contista e cordelista tocantinense, natural de Dueré. Ganhou prêmio de menção honrosa em várias antologias nacionais. Publicou “A rosa de ouro”, poesias (2004); “O empregado e o salário”; “O valente mercador”, “Serjão Cachoeira” (2008) e “Um verdadeiro amor”, “História do boi bala de rifle” (2010), cordéis. É titular da Academia Guripiense de Letras.

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Ser materno Acaso pode haver meio maior de se amar? Por mais que se perguntem, um só sempre será! Dobrar-se à existência de um ser ulterior. Na mágica da vida, um toque criador. Criatura criadora, de si ao outro dar-se! Num rombo de sentido que carência não fará. Dar da própria carne, Mudar-se de um em dois. Fazer-se transformar! Ao outro jamais reduz. Sois a Mãe: Amor tão terno. Tão profundo Ser Materno.

José Reinaldo Felipe Martins Filho é músico, escritor, bacharel em Filosofia.

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Janela Azul Janela azul que me agoniza em todos os meus dias; Olhei para ela perdida num espaço entre números e palavras, Com um hífen a juntá-las... A janela azul de noite iluminada; De dia arreada, Naquelas tardes antigas onde eu podia ver uma sombra; E era você! Janela azul, queria que já não existisse; Para assim não mais olhá-la e em mim as lembranças tornarem, O dono da janela que me levou o coração e não mais mo entregou... Aquela janela azul que me trouxe alegrias e tristezas; Sublimes noites estreladas onde eu te via e ainda sorria, Por uma janela azul; Por uma rua onde passei, por atalhos desnecessários, Por um dia ter conhecido a pessoa errada... Por aguardar tanto tempo e continuar me iludindo; Por acreditar novamente em você! Por uma vida perdida; Por uma janela azul. (Dedicada a Emerson)

Julianne Agge Auffinger tem 22 anos, escreve desde os 12. Publicou pequenas histórias de terror e poesias. Hoje atua na dança, onde faz junção da escrita de forma criativa e diversificadas propostas.

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Sopro da manhã No raro jardim do meu mundo Cultivo uma flor diferente de beleza peculiar: cativa Flor sem raiz nem caule Borboleta livre no universo de um jardim que é só meu: cativo Flor amor, desamada, ferida imponente entre flores xerox do livro do mundo que não vivo: cultivo Esta flor sentida, apegada imortal entre pretensos mortais que não veem nela a flor: cativa Minha flor de exuberância abstrata Esta primavera que agora já finda é um outubro a mais numa história Cativa; cultivo na memória!

Jussara Athayde Albertão é funcionária pública aposentada. Dedicase à literatura como lazer, mas segue com carinho e atenção nas leituras e escritas. Manifesta-se às vezes em seus escritos, pessoais e de caráter íntimo, numa mescla de literatura e vida. Mora com a filha e vive na paz. Desde cedo experimentou o prazer da escrita, e, apesar de longos intervalos, nunca deixou de escrever.

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Faiscar para que as penas nasçam Implume, preso no ninho Espera... A fome dói mais que as bicadas. Espera que o amanhã o sacie, E brinca no chão com a tampa... Não conhece nada do mundo Só sua pequena morada Parece um ninho de gravetos! Preces... E não sente mais medo, Até ter consciência formada. Ainda implume e com fome... Já é necessário ser homem Prover o seu próprio sustento, Nas quedas gerar energia. Quedas... Têm todo dia! Levanta, sacode a poeira Fogo ardendo em suas veias Labaredas chispam da face. Penado... Das cinzas renasce.

Karin Spekman Andrade nasceu em Minas Gerais. É casada, tem dois filhos e mora na cidade de Itaúna-MG. Participação nas Antologias: Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus Poesia V – Edição 2009; Antologia Poética - Mogi 450 anos; Balões Coloridos – Crônicas, entre outras.

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Eu sei que vi Vi o ariano ser provocado e não brigar, Vi no Iraque a guerra acabar, Vi um pisciano dizer não, Vi um presidente de saião, Vi o povo se revoltar, Vi o brasileiro gritar, Vi a Amazônia os filhos replantar, E quem pode dizer que isso não há de acontecer, Vi os africanos cobertos de ouro, Vi no Japão o atum procriando, Vi o povo não morrer de fome, Vi os de chinelo mandar nos de terno, Vi os bichos morando no lugar certo, Vi o capitalismo acabar, O sistema parar de dominar, O povo se libertar, E quem pode dizer que isso não há de acontecer, E quem pode dizer que eu não vi acontecer.

Karla de Oliveira Prado é natural de Campinas-SP. Seu interesse por poesia se iniciou aos sete anos. Aos nove escreveu os primeiros versos. O gosto pela arte perdura até os dias atuais.

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Pedi Pedi uma estrela, ganhei o universo. Pedi um pouco de água, ganhei o mar. Pedi uma rosa, ganhei uma floresta. Pedi uma luz, ganhei o sol. Pedi um sorriso, ganhei a felicidade. Pedi um sentimento puro, ganhei o amor. Pedi alguém que me amasse para sempre, Conheci você e ganhei seu coração.

Karla Geane da Silva Batista é natural de Jacobina-BA, mora há treze anos em Extrema-MG, com filhos e marido. Cursou um ano de Administração, mas gosta mesmo de escrever.

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O doente Entra pela porta, o quarto já está vazio. Embaixo de sons escondidos, a família desvia o olhar. Lágrima-lembrança de um tempo em que ele percorria o mundo com suas pernas – é tanto mundo pra pouca vida. Não pode. Não mais. Olhos atentos ao sobe e desce do peito amado. A escuridão se aproxima mesmo ele não sabendo mais o que ela seja. Passos no corredor. Gritos presos na garganta. E apesar do branco do quarto e nas roupas, mais uma noite no escuro.

Katia Karen Bergamini de Queiroz é natural de São Paulo. Cursou Processamento de Dados na FATEC e trabalha como analista de requisitos numa empresa de tecnologia do governo estadual. Participou no ano de 2001 de oficinas literárias no Colégio Objetivo sobre técnicas de confecção de poesia. Apaixonada por livros, tem Sylvia Plath como escritora preferida.

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Valdeck Almeida de Jesus

Alma Vivo a alma por entre letras, Que expressam a fúria do sentido, sem sentir. Por vezes longe, outrora perto, Na beleza das palavras, tom a tom, cor a cor. Poesia... De alma limpa, de luz intensa. Um contraste perfeito entre o sentir, entre o pensar, O ouvir, O falar. Ressuscita a poesia, a beleza enfim, Vivo a alma doce, Viva a alma pura, Vivo a alma da poesia que vive em mim

Kelly Priscila Franzoni é natural de Rio Claro-SP e reside atualmente eo Florianópolis. Formada em Comunicação Social e especialista em Marketing. Tem a poesia como paixão, sendo ela uma forma de se expressar, de usar as palavras como ligação entre o mundo externo e seu próprio interior. Possui aproximadamente oitenta criações literárias, entre poesias, contos e livros.

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Prazo de validade Se eu esquecer, Só lembrarei teus lábios Ou os beijos que lhe dei Tato... Nas vezes que asfixiei Perdendo e roubando o ar De tanto beijar Hálito... Se te esquecer, Não mais estarei envolta Ao que não queres volta Lábios... Nas vezes que me soltaste Perdendo meu arbítrio de ficar De tanto abandonar Fato...

Krol Rice, jovem potiguar de 21 anos que escreve seus pensamentos há 6 anos. Estudante de Turismo do Instituto Federal do Rio Grande do Norte. Tímida, encontrou na poesia um modo de comunicar seus sentimentos ao mundo. Possui mais de 200 textos, entre poemas, poesias, crônicas e contos que estão postados blog Krol, a Estranha: www.krolrice.blogspot.com

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Poema para uma colegial As tardes quentes dos sábados e a paz dos teus passos calmos têm mantido presos meus olhos em tudo que completa o teu passar. A graça do teu uniforme, nunca disforme da tua graça, dá um toque de encantamento às tardes quentes dos sábados!

Laérson Quaresma de Moraes é natural de Nioaque/MS e reside em Campinas/SP desde o dia 16 de agosto de 1964. Casado, técnico em Contabilidade e aposentado. Poeta, escritor, é apaixonado pelas letras. Não tem livro publicado, embora premiado em diversos concursos literários nacionais.

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Parte do que sinto Encontrar-te, companheira de andanças quando aspiro voar é dor de não poder sustentar a leveza do que me trazes Pouco posso agora que não viver ciente parte do que sinto parte do que sentes Mas hei de ser Bentinho adolescente e amanhecer para te ver compor para te ter menina com uma flor

Leandro R. Pinheiro é sociólogo e professor de Sociologia nas Faculdades Porto Alegrenses, também realiza pesquisas na área de educação, na periferia de Porto Alegre-RS. Recentemente, resolveu se aventurar pelos caminhos da poesia.

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Valdeck Almeida de Jesus

Retalhos Querido cobertor acolchoado que me esquentou, Que na noite fria fiel amigo se mostrou De senti-lo aquecendo-me sinto profunda saudade Hoje me recordo triste ao te ver no armário, sem utilidade. Meus pés gelados aquecia no inverno Tão velhinho, tão presente, tão simples Meu companheiro, meu amigo Nas trovoadas escondia-se comigo Jamais esquecerei minha infância Esta mesmo, aquela que compartilhamos Se eu adoecia, ficava junto Éramos como um só Fazíamos parte de um mesmo conjunto É, saudoso companheiro, Nosso momento passou O que foi bom se destacou Risadas juntos, meu choro com suas linhas secou Esteve presente em minha apreensão, surras e medos É o único que sabe dos meus maiores segredos

Leandro Silva Paiva, auxiliar administrativo, varginhense, mineiro. Aos catorze anos já começa a escrever poemas em sua escola, hoje, com dezoito, conclui primeiro livro. Tudo que escreve é parte dele, coisas que viu ou vivenciou, seus planos e suas paixões. Seus sentimentos. Apaixonado por letras, escreve para esquecer, escreve para lembrar, escreve por se apaixonar.

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Refletindo Enquanto a chuva cai Escrevo para me entreter. Esqueço o que lá vai Para não me entristecer. Espero a estação passar Para conseguir o que quero. Esse dia há de chegar, No entanto, desespero. O tempo corre bastante E eu ansiando sempre mais. Tudo é um mero instante Como a onda que bate no cais.

Lénia Aguiar é natural da Ilha Terceira, Arquipélago dos Açores, em Portugal. Fez o Curso Tecnológico de Informática com aproveitamento, mas não prosseguiu os estudos, por opção. Tem por hábito escrever e já participou de diversos concursos literários em Portugal e no Brasil, ganhando uma menção honrosa com o conto “Uma Aventura Literária 99”, em Portugal e uma página pessoal com o 1º lugar de conto e poesia do Concurso da Páscoa em 2006, no site brasileiro www.autoreseleitores.com. Blog pessoal: http://textos-da-lenia.blogspot.com

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Amor O amor é uma palavra E a palavra transborda a palavra, Escorrendo do que fora substantivo, Para uma substância adjetiva Contraditória em sua coerência; Dizem que inda que torne louco, é necessário a qualquer existência.

Leonardo Barbosa da Silva é natural da cidade de São Paulo, estudou em escolas estaduais e morou por muitos anos no bairro do Ipiranga, onde leu pela primeira vez Fernando Pessoa, que serviu para influência até os dias de hoje. Formou-se em Letras no ano de 2009, depois de ter passado por diversos cursos, como Desenho Industrial e Filosofia. Ainda sem livro qualquer publicado, busca participar de concursos de poesias para avaliar seu trabalho. Até o momento, nunca ganhou um concurso.

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Cama de pregos Tu que nada sentes, Por que raios mentes Para mim, para ti E àqueles que teu bem querem? Tu que deitaste nesta cama De pregos, apenas. Penso que pena não mais tens Pois sentir não é mais sentimento. Em ti não se encontra compaixão, Muito menos aflição. Prós e contras dos espinhos! Então, olha para dentro, Para dentro de ti e, talvez, Acharás algo sensível, de fato.

Leonardo Rander é natural de Belo Horizonte-MG. Tem 15 anos, cursa o 1º ano do Ensino Médio em Belo Horizonte-MG. Escreve poemas desde junho/2008. Durante suas criações, sempre escuta música. Um dos motivos de sua inspiração. Autor do blog Basidiomiceto, http://randerizando.blogspot.com/

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Meu Querubim Meu anjo querubim És loiro, negro ou carmim? De que cor são teus olhos? Azuis como o céu? Verdes como a mata? Castanhos como o mel? Diz, meu anjo querubim. Fala baixinho, Canta em meu ouvido. Concede esta honra a mim. Sou teu protegido, Tu és minha sombra. Somos companheiros. E eu sequer te conheço. Meu anjo querubim, Guia-me, rege-me. Ora por mim.

Letticia Cecy Correia, 22 anos, empresária e escritora, formada em Administração em Gestão de Negócios. Dedica-se ao conto e à poesia, já tendo vários trabalhos publicados em Antologias pela CBJE. Idealizadora do projeto “I Concurso Nacional de Poesia Júlia da Costa”. Hoje trabalha para finalizar dois livros de sua autoria. Um de Contos e Poesias e outro Motivacional. Publicações previstas para 2011.

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Minha vida Vivo minha vida Toda cheia de destrezas, De proezas, incertezas, as belezas, As realizações... Meus sonhos busco ao longe, Sigo em busca e não desisto. Se me vejo tão distante É porque em mim acredito. O que penso é o que vivo. Vou coerente, corajosa... Minhas palavras são honestas. Escrevo com liberdade. Busco falar a verdade, Pois poesia não é só arte; É também arma que muda o homem Ao revelar seus medos, seus segredos, Desmascarando-o a si mesmo Como quem olha num espelho. Difícil quem se conhece E, após ficar de pé, permanece.

Lívia Pâmela Torres da Costa publica no site Encantos da Poesia: Ao meu amor e Abrigo. Em 2009, publicou Raimundo, pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, no livro Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 56. Pela mesma editora, em 2010, publicou Aurora, no livro Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 62, e Crime no amor, no livro Além da Imaginação. A obra completa da escritora encontra-se no site Recanto das Letras.

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Letra e melodia Somos formados de letra e melodia Sendo a letra nossa história e a melodia nossas ações Ações que sozinhas são vazias, técnicas, maquinadas Foste melodia por muito tempo E como melodia encantaste-me e embalaste-me a cada nota Fizeste-me vibrar em cada acorde Conheci então tua letra Essa letra que te completa, que te acoberta Que faz de ti não apenas mais um embalo Singularizando-te dentre tantas batidas Estiveste em parte e se completou E quando completo levou para ti muito mais que meu encanto Mas também o meu respeito e profunda admiração Hoje és também parte de minha letra, pelo tanto que fizeste E, por tudo que te tornaste, considero-te muito mais que um amigo Mesmo com famílias diferentes, és meu irmão Um irmão que exame algum há de dizer positivo Mas que meu coração nunca irá negar

Lorena Neves da Silva é natural de Feira de Santana-BA, onde fez o primário e o curso médio. Ingressou no curso de Direito da Universidade Católica de Salvador, na capital baiana, onde reside atualmente. Como atividade extra, possui um blog no qual trata de assuntos relacionados à terceira idade.

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Soneto perpétuo Poetizar é dar mais cor e encanto à vida É externar os sentimentos mais velados Deixar o sonho em versos ser transformado E a emoção em estrofes ser traduzida A arte de expressar o amor é do poeta Que das mãos divinas recebeu o dom Da inspiração de versejar em suave tom Que toca a alma, reconforta e aquieta... Seja o poeta aquele que irá transmitir O que o âmago em silêncio está dizendo E o coração está deveras a sentir E o ecoar dos versos vai ultrapassando A tênue linha imaginária do horizonte Para com o cosmos ir então se perpetuando...

Lourdes Neves Cúrcio, escritora, Bacharel em Direito, é natural de São João Nepomuceno-MG, Zona da Mata. Membro efetivo da Fundação Cultural Del’Secchi e da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores – AVSPE. Publicou “REFLEXÕES POÉTICAS”. Participa da Câmara Brasileira de Jovens Escritores, do Celeiro de Escritores, da Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus e da Antologia Literária Del’Secchi. Blog: wwwescritoralourdesneves.blogspot.com

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Noite Caíram a noite e teus olhos santos Sob o luar do tempo... Tão breve o lume se desfez e o olhado da escuridão trouxe à pele A torpente calidez... Amor - este cara - é um castelo de vento Uma certeza duvidosa Um fascinante tormento Que me embaraça, Um contentamento milagroso Um perfume untuoso Que em aroma amargoso se disfarça. A boiada e os estribos estão vazios Não somos mais tão sábios quanto os gentios Não vejo mais os segundos romperem-se tardios, Tão rentes quanto os rios e distantes dos possíveis perdões E nos proferem os contínuos entões e saem ligeiros em disparada Se existe um tempo - outro cara - ele é quase nada.

Luana Marques é natural do interior de Pernambuco, começou a escrever poesia aos 12 anos. Deve à leitura todo o seu conhecimento, primordial para sua formação como cidadã e participante da sociedade em que vive, descrevendo impressões do mundo e do ser humano. Atualmente está terminando o 3º ano do Ensino Médio e pretende cursar Cinema na Universidade Federal do Estado, a fim de poder pôr em prática toda a sua criatividade.

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Carta ao Pai Confesso que quis te amar Mas não pude Mas querer te odiar A dor somente ilude Confesso que desci Ao inferno Do mais alto Cadafalso Para fugir Do inverno Que em ti era A imagem do mais frio A imagem do mais falso Hoje, digo, sem ter medo Sem ter pronto, soluço ou arquejo: Era para sermos bons amigos Mas você nunca passaste de um ilustre Desconhecido.

Lucas Carneiro de Lima e Silva é natural de Salvador-BA. Estudante de Psicologia na Universidade Federal da Bahia - UFBA, tocador de violão, guitarrista e baterista, compositor de sambas, leitor assíduo da literatura e filosofia clássica e moderna. Publicou “Poesias filosóficas” e “O Idilío do Cactus Empedernido”.

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Valdeck Almeida de Jesus

As Belezas Beleza exterior e inferior É a florzinha que nasce no campo É viver feliz da vida com amor É a luz fosforescente do pirilampo. Está também nos olhos de quem ama Na medicina, enfermagem e na ciência A beleza está também na cor da chama E no idoso com a sua experiência. A beleza está presente no prazer Mas às vezes a gente se atrapalha É preciso ter coragem para viver O entendimento é a beleza que não falha. As crianças pequenas transmitem beleza A beleza está em qualquer lugar O teu nome está nela com certeza E no alto está Deus a te abençoar.

Lúcia Grespan Rocha é aposentada, casada, 67 anos, artesã, gosta de ler e escrever. Adora ter muitas amizades sinceras. Foi muito pobre quando criança, mas agradece a Deus tudo o que tem. Estudou até o então curso primário. Considera-se uma pessoa tímida. Ama os animais, a natureza e os amigos.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Ilusão O dia era tão triste A vida era tão só A agonia que persiste Numa vida que dá dó. Mas quando vi você Meu coração a ti voou Pois seu presente eu quis ser Meu coração a ti eu dou. Na vida, alegria as almas buscam Esteja ela onde estiver Antes que a tristeza que as assombra Magoe a vida que vier. Mais vale um momento de grande emoção Ou mesmo um instante de grande paixão Do que um sonho de eterna busca e convulsão Numa vida curta... de incompreendida ilusão.

Luciano Esposto é advogado e funcionário público estadual, participou de Concursos da Câmara Brasileira de Jovens Escritores e consta do Panorama Literário de 2009/2010. Ainda pela CBJE teve 50.000 leituras on line em menos de um ano. Lançou o livro de poesias Sensações Poéticas, no qual demonstra as várias faces da poesia contemporânea. Seu segundo livro de poesias está no prelo. Blog http:// lucianoesposto.blospot.com

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Valdeck Almeida de Jesus

Causa Ciúmes. Nada físico. Nada metafísico, também. Nada comprovado. Mas um receio inigualável e imperdoável, foi o ponto. Imaginação fértil, e, aos poucos, o ódio foi se construindo em ambas as partes. A suspeita e a intolerância duelando sobre um tablado vazio. O passado sendo trazido ao presente. As outras se agigantando entre nós. E um fio delicado de talvez foi segurando nosso abraço até onde pôde. Enfim... Partiu-se. Soframos, agora. Eu por ti. Você por você mesma!

Lúcio Pessoa é natural de Paulista-PE. É técnico em Administração de Empresas e Segurança do Trabalho, apaixonado pela literatura. Não tem obra publicada, apenas o poema “Paredes de Silêncio”, selecionado para a antologia Brasil Poeta, da Editora Litteris. Formado em Letras pela Faculdade de Ciências Humanas de Olinda, desenvolve um trabalho de pesquisa sobre a literatura marginal contemporânea, tema do seu trabalho de conclusão de curso.

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Coisas da alma Caminhos cruzados que, descruzados, se cruzam. As multidões que neles se pesam Que veem para além de si senão a sua própria luz Nos olhos alheios que no seu caminho se atravessam? Passos, batuques surdos, surdos porque todos juntos soam surdos; Onde caminha um, caminha a humanidade, E a humanidade sozinha caminha, No labirinto criado pelo seu conveniente delírio. Se tudo é claro assim, em que sombra me refugiarei? Precisarei de me esconder? Que incerteza… Oh! Que bruma me tapa a consciência das coisas…? Que caminho é este onde mais ninguém vagueia, Deserto e vazio, mas repleto de mim mesmo? Não me julguem por isto, que escrevo, Julgariam-me pelo que não sou. Julguem-me, antes, pelo que quero ser, E o que quero ser é o que nunca serei… Por isso, chorem todos no fim do meu Inverno Para que os vossos sais dissolvam a neve que me cobre, E que a lembrança jamais viu cair.

Luís Valente é natural do Funchal, na Ilha da Madeira (Portugal). Foi criado e estudou aí até 2008, data em que se mudou para o Porto para estudar Direito na Universidade Católica Portuguesa.

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Valdeck Almeida de Jesus

Correnteza Ao deparar-me com o som das gotas Dessa correnteza Que arrasta a esquina suja da rua deserta Desencantou o querer no encantar dos dias Desabrochou pensamentos vadios Olhando o escorrer das lágrimas Gosto amargo que como chuva ferve o chão A tristeza carece podar a vida Assim como a correnteza arrasta para longe As lágrimas soltas em minhas mãos

Luiz Donizetti Sales é natural de Aparecida-SP, assina como Luiz D Sales. Poeta, compositor. É membro do Conselho Gestor do “Ponto de Cultura” de Diadema, “Laboratório de Poéticas”, da Revista “Antenas e Raízes” Colabora na (seção Parabólica e Mirante desta revista). Oficinas de criação literária com Claudio Willer, em 2007. “Oficina literária com Marcelino Freire” (outubro 2007).

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Tic-tac Será que dá tempo? Um minutinho-eterno-que-não-finda É! Só pra dizer quem sou Será que dá tempo? Tempinho de nada (voo solo) Só pra tentar te encontrar Será que dá tempo? Aquele breve lapso (eu relapso) Só pra descobrir quem somos Será que dá tempo? Um momento apenas (breves anos) Só pra explicar o que sinto Minutos. Minutos. Minutos. Horas, talvez... talvez... Uma vida... vivida, vivida Vida, vida, vida, vida... Será que dá tempo?

Luiz Ricardo Rech é analista de sistemas, graduado em Filosofia e mestrando nesta área. Escritor e fotógrafo descompromissado por uma opção à infinita diversidade que a vida oferece. Blog pessoal: http://caminhosdoser.blogspot.com

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Valdeck Almeida de Jesus

O Velho Sentado O velho sentado Todo dia despreocupado, Sem lembrança do passado num caixote acoplado. Um mundo sossegado Por todos é olhado, Nunca cumprimentado. O velho do caixote Pela vida calejado, Olha atento o tráfego atrapalhado. A rua deserta com um pensamento vago Até lhe oferecerem Uma cadeira acolchoada. O caixote relegado e rejeitado Virando lasca, lascado... Para aquecer um mendigo desesperado.

Marcelo de Oliveira Souza é natural do Rio de Janeiro. Professor de Língua Portuguesa, formado na Universidade Católica de Salvador, pós-graduado pela Faculdade Visconde de Cairu em convênio com a APLB/UNEB; membro titular do Clube dos Escritores de Piracicaba; participa de vários concursos de poesias, contos, publicações em jornais e revistas estaduais, nacionais e internacionais. Organizador do concurso literário anual “Poesias sem Fronteiras”.

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Fragmentos Ouça o silêncio avançar, ambíguo, Infiltrando-se na alma, na mente. Virás de algum astro-lábio longínquo? A soprar obsessão intermitente? Ouça ruir o templo dos sentimentos O coração se entupiu de desejos Agora vazam pedaços e fragmentos De dor que se eternizaram lampejos. Como se escondem os olhos da luz Debaixo da escuridão da morte. Quanto mistério um olhar conduz... Quando nos despojamos do que somos O ser fica a deriva, sem sul ou norte, A sonhar amar o que já amamos...

Marco Aurélio de Oliveira Almeida é natural de Itapeva-SP. Poeta, escritor, contista, cronista, romancista, ensaísta, dramaturgo. Premiado em diversos concursos.

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Valdeck Almeida de Jesus

Distância Singro, à toa, sobre calos do tempo na ânsia de viver o sonho perdido... Sou náufrago na distância dorida de minha vida sem cais, a vagar sobre águas de meu pranto e de meu desencanto que finda jamais... Mas sonho aportar em teu corpo, jogar a âncora em teu mar e sorrir contigo as canções de pedra, enquanto sigo a beijar-te a face... Caso não aceites minhas penas; por favor, deixa-me apenas tocar os lábios teus; depois zarpar em retirada e sem antes dizer-te adeus...

Marcos Antônio Maués Vitelli nasceu em Soure, Marajó-PA. Formado em Letras pela UFPA. Sócio-fundador do Clube do Poeta e do Escritor Marajoara – CPOEMA. Tem diversas poesias publicadas em antologias no Brasil, mediante concursos literários, assim como o conto Rês, na Antologia do Prêmio SESC de Literatura, Edição “Machado de Assis” – 2009 (DF). Um dos vencedores do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia (2009).

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Preceitos e vida O homem que não preza sua inteligência, Não é homem, mas coisa. Pois desrespeita o significado da existência. Dessa forma já não existe como pensamento, Mas como objeto. Já não merece respeito. Pois não pensa. Pois não cria. Pois não vive. Apenas existe. Sua existência, em nenhum momento, Significa vida, Pois, ao viver, o homem não é coisa, Não é objeto, É pensamento. Dessa forma, ao não prezar seus preceitos de vida, Aceitando a tudo, Já pode morrer, Pois não faz diferença.

Marcos Lima Duarte é natural de Quirinópolis-GO, formado em História pela Universidade Estadual de Goiás. Professor do Colégio Estadual Coelho Neto – Itarumã-GO.

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Paixão Procurei o amor nos homens... me apaixonei... Tantas as vezes... tantas... Perfeitos, todos eles, sob a ótica da paixão. Cada um a seu modo, charmosos todos. Remetiam a astros de Hollywood, a filmes inesquecíveis, Romeu e Julieta, E o vento levou... Sim, o vento levava, mas outros vinham, sempre sedutores, senão de corpo, de alma, inteligentes, Einstens recauchutados, outros sábios, fleumáticos, lembrando geleiras do Alaska, mas nisso estava o charme. Até que me casei com um deles: era o encontro de todos num só. Era a paixão elevada à potência máxima. Mas... o tempo foi passando... passando... Cadê os astros? os cultos? os sábios? Cadê a paixão de todos concentrada num só? Pra que ralo do mundo deslizou minha paixão? Paixão? Hoje sei: artimanha da natureza visando à reprodução.

Maria A. S. Coquemala é professora de Língua e Literatura Portuguesa, especializada em Linguística. Colunista de O Guarani, jornal de Itararé, SP, cidade onde reside. Autora de poesias, crônicas e contos, premiados no Brasil e exterior. Contatos com leitores e parceiros de antologias são bem-vindos. Contato: maria-13@uol.com.br

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Você pode Você pode ser a estrada florida, Com alegria percorrida, Ou o atalho pedregoso e sombrio. Você pode ser a árvore frondosa que dá sombra Ou um pequeno arbusto sem flores. Você pode ser o porto seguro que a todos acolhe Ou o mar tenebroso, escuro e traiçoeiro. Você pode ser o amigo que estende a mão Ou o falso amigo que não te respeita. Você pode ser a luz que ilumina a escura noite Ou a treva que macula seu coração. Você fez sua escolha: A estrada floriu, a árvore fez sombra, O porto abriu seus braços. Você é imortal, é semente fértil, é luz. A dor passará e fará maior o seu brilho O viver por amor e para o amor É o que nos impele a viver pelo amor.

Maria Angela Manzi da Silva é natural de Americana-SP e, desde 1969, reside em Campinas-SP. É funcionária pública estadual, membro do Comitê Editorial da Revista Bragantia e revisora de vernáculo, sendo ferrenha defensora de nosso idioma. Premiada em 1.º lugar no Concurso “Amor em tempos de paz”, do Grupo dos Poetas Livres, em 2008. Sempre gostou de escrever e, aos poucos, vai se aventurando pelo maravilhoso mundo literário.

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Reflexo do samba O samba está no seu sangue. Os seus passos são ritmados pela música. A sua fé está presente nas pessoas. A sua força vive no alto da Nogueira! O seu coração bate ao som dos atabaques. A sua respiração é controlada pelas cordas do violão. A sua voz emite o grito do guerreiro. O seu olhar expressa a alegria de cantar! Diogo representa a composição de um poeta. Poeta esse, comum a todos os brasileiros. João de todos, João de ninguém. Pai do samba, filho da boemia, neto da poesia! Pai e filho, samba e enredo, arranjo e melodia. Violão e voz, letra e música, sonho e fantasia. A arte da vida é traduzida no seu canto. Um canto que mostra a tropicalidade nacional!

Maria Fernanda Perri Gurgel é paulistana de 25 anos, nascida numa família de admiradores da cultura. Começou a escrever na adolescência, tendo como influência grandes poetas como Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Mário Quintana, entre outros. Hoje estuda Medicina, mas mantém acesa a paixão pelas palavras, pois acredita que escrever é uma verdadeira terapia de vida!

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Nos meus olhos de musgo Há nos meus olhos de musgo um prado de verde esperança um presépio de Natal Toda a vez que eles choram a terra já não ensopa o amargo desse sal Há neles um brilho imenso enquanto no mundo houver um ramo de oliveira uma bandeira de paz e homens de boa vontade

Maria Fernanda Reis Esteves é autora do livro de poesia “Canteiros de Esperança”, editado em 2009 pela Editora Temas Originais. 1º Prêmio no Concurso de Poesia “Aprender Contigo”, da APPACDM de Setúbal - ano de 2007 e 2º prêmio no ano de 2008. Obteve o 5º Prêmio no XXV e XXX Concurso Internacional de Poesia das Edições AG. Participação em Coletâneas do Celeiro de Escritores, Del Secchi, “Poeta Mostra a tua cara” e outras do Brasil e Portugal. Colaboradora dos sites de Poesia: Luso Poemas, Recanto das Letras, World Art Friends e Escritartes.

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Colibri Ele é assim, ligeiro, inquieto. Ora aqui, ora lá, saltando leve, flor em flor. (Em)canto breve, anuncia o seu chegar. Com elas brinca, De longe escolhe, faz que vai, se recolhe, Voa a seu bel-prazer. Elas se acendem, vibram, se mostram, Espalham no ar seu cheiro, perfume, desejo... Ele entende, sabe, atende. De algumas gosta, de outras não. O aroma é às vezes de dor, de morte... Mas ele segue, é seu destino: fazer o canteiro feliz. Na verdade, busca só o alimento, ou abrigo, um abraço, o ninho... Elas entendem, sabem, atendem, Se entregam, recebem, abrigam... Até quando? E saciado, ele vai: ora aqui, ora lá... Ele é assim, ligeiro, inquieto. Colibri menino No meu jardim.

Maria Luiza Falcão é escritora, artista plástica e Delegada Regional da APPERJ, em Belo Horizonte-MG. Publicou o romance “Afonso” e o conto “Minas - Contos Gerais 1”. Tem ainda inéditos os romances “Afonso II” e “Diário”. Escreveu várias peças de teatro infantil e adulto, bem como de teatro de rua. É colunista em jornais e revistas online e possui diversos textos e poesias publicados em coletâneas. Presente em festivais, exposições e feiras, na TV Futura, TV CNT, TV Educar e Rede Minas. Voluntária na educação de crianças, jovens e adultos. Coorganizadora do projeto Perdidos & Achados (RJ). Presente no projeto Pingos de Leitura, da Prefeitura de Belo Horizonte.

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Alma de poeta Só quem tem alma de poeta Sabe entender Os espaços vazios do silêncio E ler as palavras Que não foram ditas… Só quem tem alma de poeta Sabe apreciar O canto do rouxinol E ouvir a voz das palavras Que não foram escritas… Só quem tem alma de poeta Consegue decifrar O que vai no íntimo De cada alma E compreender o mistério De um coração aflito… Só quem tem alma de poeta Tem sensibilidade Para escrever poemas Que talvez não entendam Mas que nos fazem sonhar Transportando-nos ao infinito!...

Maria Manuela Vieira de Matos ganhou o Prêmio Especial de Poesia atribuído pela Junta de Freguesia de S. Nicolau - PORTO - PORTUGAL. Classificação em 4º lugar com 2 poemas para a publicação do livro “O SOL O MAR E A CHUVA”, edições Arnaldo Girão. Participação na Coletânea Arte pela Escrita III e colaboração no site ESCRITARTES. Publicou, em março de 2010, um livro de poemas: “PEDAÇOS DE LUA”. Participação nos IX E X Encontro Nacional de Poetas, no Gerês e em várias tertúlias e apresentação de obras.

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Relâmpagos Interessante. Agora, já velha, de repente, por minutos, fui capaz de interessar-me por alguém e desejá-lo. Também em instantes desapareceu a atração. E, até contei a Danilo… Este, magicamente, surgiu. Carinhoso, tomou-me a mão, passou-a em seu rosto: “assim, querida, sei que, ao menos em você, ainda há vida.” E… vulto e voz se esvaem.

Marialzira Perestrello é psicanalista e escritora. Possui quarenta artigos e dois livros psicanalíticos publicados. Publicou nove livros de poemas e um romance. Membro do PEN Clube e ABRAMES. Homenageada pela UBE, Conselho Nacional de Mulheres, WIZO, PEN Clube e ABP. Seu nome é verbete em duas enciclopédias.

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Alguma/Nenhuma mulher Os braços soltos A pele pouco clara Medo de rejeição A beleza atrás da porta Idealizada? Não! Uma mulher é linda por suas reticências... Espaço vão Uma mulher é linda pela ausência que causa, Quase silenciosa Uma mulher é linda pelo que lhe falta Vazio que preenche Uma mulher é realmente linda Quando o não ser torna-se constante, e Andando, voa Voando, cai Amando, louca...

Mariana Carlos Maria Neto é natural de Indaiatuba-SP. Aos 20 anos, ingressou na Universidade de São Paulo, Curso de Letras, decidindose pelos estudos clássicos e pela pesquisa em historiografia. Apaixonada por poesia, vem descobrindo a técnica por trás da arte.

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Miséria Intelectual Vidas Passadas, Pensamentos escuros, Miserável não é o cego, Nem mesmo o pobre, nem o surdo. Miserável é aquele que não sente Não toca a alma, Não ama a amada e não chora com todas as tristezas. Tristes aqueles que não valorizam Os que o amam, os que querem seu bem-estar Deixam-se levar pelo interesse e as amargas angústias Dos dias negros da sua vida mesquinha Mísero intelectual que banca o sensível Se nem mesmo abraça o amigo Bate no peito, com toda razão Não vê a tristeza dos outros, e nem dá o seu perdão Frieza é o seu segundo nome Passam os dias e não se lembra do seu passado infantil Na esperança de um futuro melhor Com crianças a brincar e você a amar.

Marina Fernanda Veiga dos Santos de Farias é estudante do Curso de Comunicação Social da UFMA, trabalha na Assessoria de Comunicação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFMA, tendo experiência na área de reportagem, divulgação e assessoria. Já estagiou na Rádio Universidade FM e se interessa por comunicação, assessoria, literatura e publicidade.

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Conversa Madrugada Assim é, o silêncio e sua conversa Tudo em som baixo Mas silêncio nunca acho Ele é estéreo, atravessa Andando na noite enluarada Um som à direita e ao longe O rangido dos sapatos à madrugada Um latido, um lagarto que se esconde O barulho dos pensamentos Ficam todos atentos E chega o silêncio por dentro e por fora A escuridão me oferece um grilo Nos olhos o prurido Podemos ir agora

Mario Manhães Mosso é carioca e professor de Estratégia no CEFETRJ, consultor de empresas na área de Administração, mestre em Administração pela UFF – Universidade Federal Fluminense e Doutor em ciências pela UFRJ. Já atuou na área de filantropia, petróleo, seguros, arquitetura e aviação, tendo sido gerente do Treinamento de Pilotos da VARIG.

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Minha namorada Quando te quero ver simplesmente fecho os olhos porque moras aqui dentro de mim. És o meu prazer, o que me completa, que instiga minha libido. Meu motivo e objeto de amor. És o mais gracioso, o mais bonito e o melhor presente que eu poderia ter. Eu te amo quando penso. Amo-te quando falo. Eu te amo quando sonho. Amo-te enquanto calo. Eu te amo todas as noites. Amo-te durante o dia. Eu te amo quando escrevo. Amo-te, minha poesia, minha mania, minha mulher, bem querida namorada.

Mario Rezende é psicólogo. Seus primeiros escritos foram frutos de inspiração no processo de mutação da fase adolescente para a adulta, época dos muitos festivais estudantis. Vieram, primeiramente, em forma de letras de música; depois, para a poesia foi um passo. Amante da mulher e da natureza. Desse binômio geralmente resultam os seus textos, e neles se confundem a realidade, a fantasia e os desejos em ficção sem compromisso.

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Tardes nuas Amo as tardes feito vadias Que terminam em estripulias Quando usas tuas mãos macias E abrasam a minha mente nua... Amo as tardes feitas de lua Em que findam em poesias E aproveitas tua boca ardente E tornas a essência mais quente... Amo as tardes feitas de tesão Em que não surge solução E tu não te lanças cheio de ação... Amo as tardes feitas de sol Em que chegas com muita sede E sossegas meu corpo candente...

Marisa Cardoso Piedras é professora há vinte anos, possui formação em Letras com especialização em Língua Portuguesa e mestrado em Teoria Literária. Em 2008, o poema Quem são? foi selecionado no projeto “Poemas nos ônibus e trem”, da prefeitura municipal de Porto Alegre.

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Valdeck Almeida de Jesus

Tempo Amigo Não brinco de ser feliz, mascarando as variadas faces desta vida minha. Entretanto, compreendo-as com simplicidade, crendo na fugacidade do tempo amigo, que tudo aplana e bem conduz a roda viva da vida de todos nós, sobre trilhos de segurança e não menos justiça. E nesses giros, seguro firme no leme da própria vida, fazendo a minha parte e evitando marear nas alturas e baixas temporárias, onde, invariavelmente, precisamos circular.

Marne de Oliveira Pimentel é natural do Rio Grande do Norte, adora ler desde a adolescência, e há três anos participa de concursos literários. Foi classificada, com o poema “Alçando voos mais altos”, na V Antologia de 2009, promovida por Valdeck Almeida de Jesus. Possui mais de 500 poemas inéditos, e seu maior sonho é publicá-los.

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Ócio produtivo (e atrapalhado...) Estirado, espichado em piso frio Jazem muitas pintinhas indiscretas No abdômen, colo e focinho Folgazão, descansa o pisca-alerta. Uma criança que denga e chora Olhos vermelhos aguardando afago Passinhos rápidos, não se demora O chinelo velho estreia novo buraco. Na faxina é uma beleza Língua, orelha, rabo em esforço conjunto Os micróbios que lhe restam Descem água abaixo no ralo de domingo. Dormindo alonga o ócio De dedetizar baratas a sangue frio Espreguiça as peles sobre as plantas E seus defuntos de um jardim tardio.

Melissa Lucchi é capixaba, mestre em Administração (UFES – 2009), especialista em Comunicação Organizacional e bacharel em Comunicação Social/Jornalismo (UFES - 2002). Autora do livro de poemas ‘Doce Mel’ (1998) e sócia-fundadora do 1º Sarau Periódico de VitóriaES, ‘O Quinze’, hoje é professora universitária em São José dos Campos-SP, onde reside. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3481098130839999.

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Valdeck Almeida de Jesus

Indiscreta Fiz um treino para escrever o que eu pudesse escolher Mas nunca tive muita vontade de antever Mesmo assim, permiti prever os fatos e atos que pudessem Rimar com as palavras que insistem em chegar Parecem que afloram, brotam em sucessões sem fim. Vou brincando então de ser poeta, brincando assim De estar a fim de dizer algo que possa ser importante Tanto para você como para mim!

Méri Laus Angelo Medeiros é natural de Tubarão-SC, formada em Filosofia. Leciona para jovens no Ensino Médio. Escreve desde os dez anos, sem nunca ter publicado nada. O que lhe move a escrever é a busca em descobrir quem somos: quem são estes seres humanos, em sua grandeza, pequeneza e estranheza.

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Andarilho Anda, anda este coração errante Andarilho que carrega as dores de um amor oblíquo Às vezes senta, chora e chora... e esquece da hora. Às vezes só carrega a lembrança daqueles olhos Alarmantes, mas cheios de brilho Alinhados num destino que não lhe cabia: Amantes de tempos em tempos – acabaram-se os minutos.

Michelle Trevisani é natural de Americana-SP. Já foi cabeleireira, agora atua como estagiária em uma cooperativa médica e está terminando a graduação em Serviço Social pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo. Escrever é o que mais a motiva em vida: “É como experimentar um pedaço de céu ainda em terra, um paraíso particular” – define a autora.

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Valdeck Almeida de Jesus

Vida Talvez seja um dilema Em forma de poema! Talvez queiras tentar Consegui decifrar! Nem as ondas do mar, Nem o brilho da lua, Nem o ruído a calar O silêncio da rua, Nem a água que brota da fonte E que corre debaixo da ponte, Nem a força do vento Que nos varre o pensamento, Nem a fome, nem a fartura, Nem o carinho, nem a ternura, Sigam as estradas ou sigam as ruas, Concretizem desejos ou tenham amarguras Afastem-se dos caminhos traçados Ou alvos desejados! Porque mais importante que ganhar ou perder… É definitivamente viver!

Miguel Alexandre Correia Pereira é natural de Espinho, Portugal. Trabalha em segurança privada e é um apaixonado pela poesia, escrevendo e participando de muitos concursos.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Hera Poesia (aos cinquenta fui soneto) Um dia usarei menos palavras mas direi muito mais a quem me ama. Serei bem mais nova do que sou, mas ainda assim muito mais sábia, medirei menos que o meu tamanho mas terei chegado muito mais longe. Pelas sementes que sou eu sem o ser, verei um mundo que me escapa. Pelas raízes de outras terras, voltarei sempre a uma casa que nunca me deixou. Por mim mesma viverei, redescoberta a cada novo abraço, em apoio mútuo nos pés que me envolvem e se misturam nas páginas de um roteiro que passa por uma estação que nunca chega atrasada e onde só se fica à espera de um cento de sensações e de um poema por primavera (metade pelas que foram, as outras pelas que ainda não). Este ouro quente que do sol espreita em fim de tarde de Verão, beleza que o tempo aumenta (mesmo sem ser como era), é como um regato feito ruga ou palavra num pé de hera trepando livre pelas linhas vividas da palma de cada mão. Balanço num ramo com tudo de bom do que a vida contém, saído de hera madura mas que mesmo assim cresce e abraça o poema que é ser mulher, mãe, amante… e amiga também. Tão bom recitar cinquenta, quem sabe chegar aos cem. Entre quem mais se quer parece que o tempo não passa mesmo quando voa e encontra uns com vida e outros sem.

Milton Neto da Vera Cruz é natural de Lisboa. Está em vias de concluir o curso de Economia na Universidade de Coimbra e trabalha há cinco anos na área bancária e financeira. Dividido entre os números e as letras, cifrão e coração, mantém com a poesia uma relação de íntimo distanciamento, buscando-a como condimento para o equilíbrio. Neste momento, trabalha na conclusão do seu primeiro livro de poesia.

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Valdeck Almeida de Jesus

Murmura uma estrela Olha o poente a terra Beijo da noite molhado Esconderam-se os vagalumes E bailaram no perfume Das acácias e lírios Palpitantes Sons inusitados Dos expectadores Vento que emudece Brilho de farol na estrada dança das coritas badalam os sinos e na batida da onda na areia as conchas se movimentam agito de folhas surge o enluarado!

Mônica Filomena Mendes Batista é natural de São Vicente-SP, formada em Técnica em Química, Massoterapia e Quiropatia. Artista Plástica, estilo livre, divorciada, dois filhos.

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Regressar de novo Partir no rio de Kalungangombe1 e, depois, quando voltar de novo, hei de vir montado na garupa viva das boiadas andarilhas pele a cantar ngomangombe2 levantando no peito do ar um mar de poeiras a festejar e eu, calçando meus nonkakos,3 serei um pastor Ovakuvale4 conduzindo meus bois na árida oferta da terra Namibe.

Namibiano Ferreira é natural de Angola, onde nasceu em 1960 na cidade de Tômbwa, província do Namibe. Vive na Inglaterra. Começou a escrever por volta dos 17 anos, mas só em 1999 tornou pública a sua poesia. Desde então, participa de várias antologias publicadas em Portugal e no Brasil. 1 - Aglutinação de duas palavras: kalunga + ngombe (boi). Neste sentido é um ente espiritual que acolhe o espírito dos mortos no outro mundo. 2 - Ngoma (tambor) e ngombe (boi), aglutinação feita pelo autor. 3 - Sandálias feitas com pneus de automóveis e usadas pelo povo mukubal e outros do deserto. 4 - Povo (mucubal, kuvale) do deserto do Namibe do grupo etno-linguístico dos Hereros, idioma Tchiherero.

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Valdeck Almeida de Jesus

Chora, chora sociedade! Como chora a nossa sociedade! É a fome da miséria humana. Tanta violência e crueldade! Busca guerra, morte lenta insana. Mata a vida de forma ufana. Sem ter dó, sem nenhuma piedade. Troca por drogas ou por qualquer grana. Coração pálido, grita a maldade. Que dor aguda no peito agora! Precisamos já sair de mãos dadas. Gritar bem, autoestrada afora. Tirar de vez correntes amarradas. Vem. Vamos todos nós e sem demora. Brasil, nossa pátria tão amada!

Nelmara Cosmo cultua as letras desde criança, quando criava histórias e as representava. Com o passar do tempo, ao observar as pessoas, começou a contar fatos criados com muita imaginação. Depois começou a brincar de poesia, criava concursos entre amigos. Cresceu entre livros e textos literários. Site: www.nelmaracosmo.com.br

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Estrangeiro Estranho as palavras que recitas, Irmão estrangeiro, Nessa ânsia de expressão, Leio, porém, no espelho da alma, A alma que brada pela aceitação. Se soubesses o quanto me estás perto, Quão próximo é o teu desespero do meu, Quantas vezes me senti estrangeiro, Na terra que me parturiu. Que as portas se abram! Se quebrem as divisas! A única fronteira que existe É a da ignorância e a do desamor! Que o Universo se perca em ti, Estrangeiro, irmão, Criança inocente, Que pela segunda vez Sai, curiosa, do materno ventre.

Neusa Ariana Soares Veloso é natural de Ponte da Barca, vila situada ao Norte de Portugal. Psicóloga, com especialização em Psicologia do Trabalho, das Organizações e dos Recursos Humanos, neste momento vive em Lyon, França. Escrever poesia é uma paixão. Blog pessoal http://arianasoares.wordpress.com

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Valdeck Almeida de Jesus

Talvez Chaplin e Tarantino, Boca do Inferno e Bandeira... Imaginem só todos juntos Numa mesa de bar Debatendo sobre o Homem. Talvez... Talvez, sobre os perfumes das rosas. Talvez, sobre os sangues derramados. Talvez, sobre os rabos de saias. Talvez, sobre as primeiras namoradinhas. Talvez... Só e tão somente, talvez... Talvez como a linha tênue Por onde caminhamos.

Nicholas Merlone é natural de São Paulo-SP, corintiano, apreciador das artes, amante da “Metrópedra”, bem como da praia e do campo. Formado em Direito pela PUC-SP, tenta sempre conciliar o ideal e o real.

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Minha pequena morte roço as bordas dos mistérios quando penetras em mim se abrem as passagens para dentro dos encantos quando penetras em mim sou tomada de caleidoscópica sensação explosão caos separo e uno as nuances de prazer seus ritmos cheiros sons e cores é neste vazo aberto vazio e escuro quente e úmido que finda e principia o universo quando penetras em mim.

Nicolina Maria Arantes sempre gostou de teatro e literatura. Fez piano dos 7 aos 11 anos de idade. Socióloga, exerceu a profissão por quase 30 anos. Depois de aposentada, dedicou-se mais à literatura, artes plásticas e música.

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Valdeck Almeida de Jesus

O poeta e as palavras O poeta não precisa pegar em armas, luta com as palavras. Esclarece, ensina, muda paradigmas, Pinta o desbotado da vida! Desvenda os mistérios da desumanização, Critica qualquer situação de discriminação. Declara-se a favor da paz, da igualdade de direitos, De um país sem preconceitos; Todos sentem a dor de não ser; Variantes da tonalidade de pele Não é motivo para dividir, razão para excluir, ofender A cor da pele é um poético detalhe Que deixa a vida mais bonita, mais plural! E deve nos deleitar dos pés à cabeça, pela existência da diversidade na cor! A sapiência na vida é saber conviver e dar valor às diferenças, Tratar o diferente como o igual. Tem gente que precisa aprender A ser gente tratando gente como gente Porque gente que não trata gente como gente Não é gente e nem pode ser porque não deixa o outro ser!

Nildes Trigueiros Rodrigues é graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia. Escreveu os livros infantis “Palhacinho, palhacinho”, “O assassinato misterioso” e outros ainda no prelo. Criou e coordena o grupo mirim de poesia e teatro Calabar Força Total com o objetivo de incentivar a leitura. Foi uma das vencedoras do IV e V concurso de poesia Valdeck Almeida de Jesus.

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Verão Sobrevivo com o mínimo Como, durmo, talvez escreva Ainda insatisfeito repito-me Movo-me pelas mesmas direções de outrora Mas por caminhos novos. A experiência é o meu guia O mundo é infinito As paixões duradouras E as viagens o meu remédio. Assento banca na rua Descanso na praia Com as montanhas à vista Faço a casa, acampando. E regresso ao fim do verão Para mais um ano No desejo de que todos os ciclos vindouros Sejam novos mesmo que repetidos.

Noé Martins de Oliveira Alves é natural de Lourenço Marques, Moçambique. Vive no Porto desde 1975. Não concluiu o curso de Economia da Universidade do Porto. Viajou pela Europa de mochila. Entre 1999 e 2005 viveu em Barcelona. Pertenceu ao movimento Okupa. Foi artista de rua, feirante e temporário no campo. É fanzinista e trabalha numa livraria. Frequenta Associações Ecologistas e de Solidariedade Social.

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Valdeck Almeida de Jesus

Recado para meu amor Hoje morri De saudades por ti, Queria ter estado contigo, Mas não te vi, E este amor imensurável Descrevo neste momento De inspiração inexplicável. Amo-te.

Nuno Alexandre dos Santos Sousa é natural do Porto (Portugal). Aos 11 anos iniciou os estudos musicais na Escola de Música de Perosinho. Premiações: 1º prêmio no Concurso Literário do Colégio Internato dos Carvalhos (2009), 2º colocado no Concurso Literário do Colégio Internato dos Carvalhos (2010), menção honrosa no concurso poético da APPACDM de Setúbal, e dois poemas selecionados para o Cancioneiro Infanto-Juvenil da Língua Portuguesa, promovido pelo Instituto Piaget, em 2010.

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Arquiteto (A Oscar Niemeyer) Com esquadros, compassos e outros instrumentos mais, o arquiteto gesta e concebe os seus mais férteis traços... Férteis traços, que subitamente ganham formas, cores e vidas... E da sua prancheta abrolham para a realidade metropolitana. Ora é uma rua, uma praça; ora é um belíssimo jardim; ora é um prédio bem alto que chega a arranhar os céus... Sob o céu metropolitano – o arquiteto vive passeando por entre projetos e filhos forjados de aço e concreto.

Odeon Alves de Almeida é formado em Técnico de Radiologia Médica, em nível de Ensino Médio, trabalhando ultimamente como segurança patrimonial. Atualmente, encontra-se em fase de conclusão de um livro de poesias, e seu sonho maior é vê-lo publicado.

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Valdeck Almeida de Jesus

Quem pode saber? Pode ser que eu volte para você e fique para sempre a seu lado. Pode ser que eu fique longe de você porque não posso viver atrelado. Atrelado à sua vida sem poder viver a minha. Atrelado ao seu amor sem poder amar o amor. Tudo isso me parece questão de vida ou morte. Tudo isso me parece questão de vida, questão de sorte...

Odyla Paiva é carioca e possui contos e poesias publicados pela Câmara Brasileira do Jovem Escritor - CBJE, em Edições Especiais e Antologias de novembro e dezembro de 2009 e de janeiro, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro de 2010. No exterior, uma poesia na 2ª Antologia da WAF – World Art Friends (Novembro de 2009) - em Lisboa/Portugal, pela Corpos Editora. Livro solo de poesias, “Dores e Delírios”, editado em julho de 2010 pela CBJE.

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Vida enc(h)ilada É a vida de quem a tolhe, Que encolhe quem a vai escolher De quem na terra se acolhe E na tragação tem de se colher. É uma vida mineira Cuja existência se teima esquecer Que balança em coadeira E o mundo deixa enlouquecer É a vida de almas interrogadas Que expectantes geram deuses ressuscitados É perfurar entranhas vaporantes De mundos cientificamente alcançados É muito pouca Terra Uma vez desgostada Que em prazer de tragamento Se renova desgastada!

Paula Alves é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Franceses e Ingleses) desde 2003. Após pequenas participações com poemas e textos em publicações regionais portuguesas, obteve participação na Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus em 2008 e 2009, bem como na Antologia Ecos Machadianos (edição do 10º aniversário). Entre 2009 e 2010 teve o privilégio de estagiar no Parlamento Europeu em tradução.

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Valdeck Almeida de Jesus

Mulher do Pescador A mulher do pescador acorda cedo, de madrugada Olhos fechados em preces e dor para que sejam escutadas: voltem todos. Em terra firme as crianças brincam na beira do mar sob os pés, o siri a brincar de belisca aqui, belisca lá. Mas muitas vezes a maré já tem escrito nas ondas do destino do homem que um dia foi menino, brincou e agora navega até. Tudo parece cor merece ser ciranda verso brincadeira de estrelas no universo. Sempre perece ser nadando sem sequer braçadas no oceano. Ano após ano nada é mais lindo que a flor dos olhos fechados em prece da mulher do pescador.

Paulo Eduardo Mauá, 49 anos, casado, natural de Santos-SP. Desde 2002 participa da Bienal do Livro, menção especial no Concurso de Crônicas da Sociedade Ars Viva, 1º e 2º lugares no Concurso Nacional de Poesia da CODESP. Lançou livros em 2010: Momento do Autor VII (poesias) e Laboratório do Escritor, pela Editora Realejo (contos).

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Soneto em trovas às lágrimas do retirante nordestino As lágrimas de saudade que verte o bom nordestino dariam sim, cabra-menino, pra terminar de verdade com a seca do nordeste a sede disseminar e fome sempre alastrar, como sua silente peste. Não vê estrelas por aqui o cabra como lá via! Por lá deixou muita cria, hoje grande bacuri. Aqui seu choro só irriga a tal ufanista intriga...

Paulo Roberto de Oliveira Caruso é natural do Rio de Janeiro. Formou-se em Administração e Direito pela Universidade Federal Fluminense. Trabalha na Universidade Estadual do Rio de Janeiro como agente administrativo universitário. Escreve desde os dez anos, mas, de forma ininterrupta, somente a partir de 15.09.2008, tendo redigido desde então quase nove mil poesias e algumas prosas.

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Valdeck Almeida de Jesus

Do amor Os melhores amores que tive foram os não vividos Aqueles que calaram sozinhos na madrugada E nos caminhos incertos desmancharam-se Longe do infortúnio real Aqueles que, mais do que tentar, sonhei E fiz, ao nada, os paraísos de que necessitava. Difícil fazia-se acreditar no impossível E o distante se tornava perto Na vaidade louca de uma noite O desequilíbrio ritmado No peito em chamas a negação O real era sonho, o sonho era real Importava o delírio Resoluto, indiferente, alheio. Amava sem medidas o amor, nada mais.

Paulo Vitor Barbosa dos Santos é natural de Palmeira dos Índios-AL e reside hoje na capital, Maceió. Músico e historiador, já participou de antologias nacionais com premiações e menções honrosas.

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Falência Foi enterrado... Penso Até que nunca viveu. Posso ter sido eu Você talvez Mas por sua vez Desprezou-me. Que tal melancolia... Por que Fizeste isso comigo? Antes tivesse falado Deixou crescer o amor, e depois Foi enterrado...

Pedro Felipe de Oliveira é natural de Caconde-SP. Cursa o Ensino Médio. Vê na poesia uma prática saudável e prazerosa de expressar sentimentos.

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Valdeck Almeida de Jesus

Beleza Ainda que eu tenha toda a beleza do mundo Nada serei sem as virtudes da vida. Meu corpo pode ser belo e escultural mas talvez não seja tão lindo quanto meu interior. Posso ter o sorriso mais radiante, mas lembre-se Que é a minha sinceridade quem o faz brilhar assim. Mesmo que toda minha beleza seja admirada Não sou nada sem o que há em meu interior. Meus olhos podem expressar beleza, mas na verdade Expressam decepção. Por que não podem ver o que Há de bom dentro de mim ? Quando passo, as pessoas sorriem como se eu fosse Um anjo que estivesse passando, mas elas não Conseguem ver meu coração de ser humano. Sou tão bela assim a ponto de ser comparada Com um ser sagrado e perfeito? Como ser humano, afirmo que nosso pior Erro é admirarmos a beleza exterior, não Sabendo reconhecer a virtude que Há por dentro de cada um.

Rafaela Beatriz tem 17 anos e expressa nos poemas tudo aquilo que sente e pensa. Acredita que todas as pessoas têm sempre algo bom dentro de si; acredita em seus sonhos e corre atrás para realizá-los; escreve desde os 12 anos de idade e crê que as palavras podem mudar o mundo.

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Quando apareces, meu amor Quando morrem minhas asas E não posso o Paraíso alcançar, Chegas perto, beija-flor contente, Deixas o mundo e vens me beijar. Quando perco meu sorriso frio E não consigo meu amor cantar, Vens cantando, cigarra falante, Colores o branco do meu paladar. Quando as flores não alcanço E seu perfume não sei cheirar, Entregas teu cheiro, lindo amante, Para eu nunca mais te soltar. Quando avisto a morte nos céus E as puras almas vêm me buscar, Lutas com elas, cavaleiro valente, Meu coração nunca vai te deixar.

Rafaela Damasceno é natural de Belo Horizonte-MG. Aos 13 anos se apaixonou pela poesia e passou a utilizá-la como válvula de escape. Atualmente, aos 20 anos, a poetisa cursa o 4º período de Direito na PUC MG.

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Valdeck Almeida de Jesus

É (s) Olho para trás E nada vejo Sinto aligeira em teus passos E nada escuto Percebo Olho para trás Sei que me observas E queres tocar-me E dizer-me Corres, peralta foges! Enquanto o rádio persiste em chiar E a chuva infida, irisante Molha sua face no vidro Caminho sem parar e sem pensar e sem chorar E sei que me olhas E me desejas com ardor, a tento E atento. Onde estarás? Onde estarás que não apareces?

Regina Coutinho é jornalista, radialista e escritora. Recebeu menção honrosa no XVII Concurso de Poesias Werner Horn, no 4º Concurso Nacional Affonso Romano de Santana e no 5º Concurso Nacional de Poesias Elisa Lucinda. Vencedora da XV Antologia Poética Hélio Pinto Ferreira.

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Busca Separo durante um tempo Das coisas boas que estavam a caminho Logo no clímax, aconteceu... A passagem parece eterna O mundo torce por nós A claridade me incomoda Não consigo levantar a cabeça Meus dedos prendem-se ao chão Unimos como raízes numa força só... Mas não quiseram Duramos pouco Não seremos mais os mesmos Olho para o alto Descubro sombras no céu Medo até tenho Vontade, não falta Não dançaremos mais Somos anjos inertes Mas, descobrirei as fraquezas Isso é que me faz feliz.

Regina de Almeida Jesus é natural de Salvador–BA. Graduada e especialista em História pela Universidade Católica do Salvador. Gosta de teatro, de leitura e de escrever. Trabalha como professora de História e faz curso de extensão de Arte-Educação.

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Valdeck Almeida de Jesus

Um Príncipe Encantado Meu coração Bate por você Escrevo Declamo Prosas Versos Sonhos Fantasias Pensando Em você Um Príncipe Encantado Não Importa A cor da pele Um homem Não é feito Por fora Por dentro É que está O seu valor

Reinaldo Lamenza é veterinário. Casado e pai de um casal de filhos. Reside e trabalha em Teresópolis-RJ. Amante da Poesia. Divulga seus trabalhos através da Internet e num jornal da cidade onde reside. Encontra-se a caminho o seu primeiro livro de poesias. Um sonho a ser realizado.

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Enigma No alvorecer da vida, uma criança traz o olhar carregado de inocência, o coração repleto de esperança, com a alma revelando transparência. Mas vem o entardecer desta existência, quando o seu coração não mais descansa, porque durante toda a adolescência, a alma revela o quanto não se amansa. Vem, então, o crepúsculo da vida, e a alma, na mais total tranquilidade, feliz, revela o gosto da conquista. Enfim, o anoitecer, a despedida, quando, em busca da luz da eternidade, a alma se esvai, perdendo-se de vista...

Renata Paccola é autora dos livros “De vulto a volta”, “Tempo” e “Grilhões de vidro”. É presidente da “Sociedade de Cultura Latina do Brasil” (São Paulo) e primeira Secretária da UBT-SP (União Brasileira dos Trovadores), pertence à UBE (União Brasileira dos Escritores), Casa do Poeta “Lampião de Gás”, APPERJ, Clube da Simpatia (Portugal). Advogada e atriz.

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Valdeck Almeida de Jesus

Por que choras? Por que choras, menina? Porque a vida não me deu a sorte que tanto prometia. Brindei o licor da alegria em taça de agonia. Queria somente a brisa, mas me deste a ventania. Na palma da minha mão, segurei a singela flor, Por ironia do destino, toda ela se esmagou. Ainda me perguntas por que choro? Ah! Tantos motivos que são. Abracei a esperança, que se transformou em solidão. Esperei o cavaleiro que, com sua espada na mão, trouxesse Sobre seu cavalo o beijo da perdição. O tempo todo que passou, cansada de esperar, Dormi nas encostas de uma pedra, sonhando com ele a chegar. Já se passou tanto tempo dessa espera voraz, Mas, para agravar o meu lamento, sinto que não virás. Por que choras? Perguntas-me ainda? Trago-te na palma desta mão, toda uma história de desilusão. E o que me resta agora a fazer é somente chorar, pois Nada tenho a fazer. Suspirando a saudade de um tempo Que me prometeu felicidade. Mas em troca, me condenaste a essa triste realidade.

Renata Patrícia Fonseca é natural de Goiânia-GO, onde reside. Gosta de romances, mas só se atreve a escrever poesias. É influenciada por poetas antigos, como Álvares de Azevedo e o mestre Machado de Assis.

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Lama Lindas lendas ocultas sucumbem em metáfora engano e disfarce meninos e meninas andam descalços pisam na lama homem e mulher (uma luta na cama) batalham noites urbanas trocadilho falso dinheiro roubado sujo de lama criança linda barriga vazia falsa lembrança é quase dia a cama esvazia metáforas de lama enchem pratos disfarce, engano Despir o corpo trocar por pouco ração do dia lendas ocultas noites urbanas vergonha e lama Renata Rimet é administradora de Recursos Humanos. Atualmente cursa Licenciatura em Letras. Natural de São Paulo, reside em Salvador desde os 14 anos, é casada e mãe de duas meninas. Possui participação em algumas coletâneas, além de textos diversos publicados no site www.renatarimet.com e em seu blog pessoal http://vicioemversos.blogspot.com

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Valdeck Almeida de Jesus

O dedilhar do enigma careço de uma nova resolução: recomeçar o mundo a partir da clareza nua e ser fiel à inteireza do princípio e à perfeição do poema; porventura invocar errâncias consteladas azulando a nossa face; ou mesmo saber de cor o imperceptível dedilhar do enigma. nada neste cantinho de terra me é alheio e, se breve começo fui, foi para perceber o leve e espesso clarão sobre as coisas. sob o voo do poente, vislumbro o puro rumor de tudo: a escrita a lápis e o matinal coração de filigrana. ao longe estremecendo noite e dia o distante astrolábio de inéditas aventuras, o tumulto limpo e veemente no seio do búzio primordial. estou necessitado de um distinto clamor do minotauro, um mero renovado olhar sobre o pátio do sentido.

Ricardo Gil Soeiro é investigador do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa, ensaísta e poeta. Doutorado em Estudos Literários pela Universidade de Lisboa, é colunista da Revista Autor na seção “Cultura e Sociedade” e é membro do Conselho Editorial do Caderno do Grupo de Estudos Walter Benjamin (GEWEBE). Publicou: O Pensamento tornado Dança, (Lisboa, Roma Editora, 2009), Gramática da Esperança (Lisboa, Nova Vega, 2009), Iminência do Encontro (Lisboa, Roma Editora, 2009) e A Alegria do Sim na Tristeza do Finito (Lisboa, Apenas Livros Editora, 2009).

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Existe sol Acreditar para poder ver, não ver para acreditar. “A tua fé te salvou”. É como se o Universo conspirasse conosco. Não lemos os sinais. A fé não é suficiente. Os sinais estão à frente. Temos uma venda nos olhos. Olhamos mas não vemos. Ouvimos mas não escutamos. Tocamos mas não sentimos. O que é a fé? Acreditar em nós? Acreditar no poder do Universo? Acreditar num deus menor ou maior? Acreditar no nosso poder interno? Acreditar na nossa divindade interior? Amanhece um dia cinzento. E o sol deixou de ser? O sol deixou de existir? Ver para crer? Olhamos para as nuvens da vida. O sol deixou de existir? É o equilíbrio da natureza. É o equilíbrio da vida Deixamos de acreditar no sol só porque não o vemos? Só porque as nuvens o cobrem? “A tua fé te salvou…”

Rita Maria Fernandes Freitas nasceu em 13 de janeiro de 1965 no Arquipélago da Madeira, na cidade do Funchal, Portugal. Atualmente vive na Ilha da Madeira e trabalha no Exército, na parte administrativa. Vive sozinha, pratica yoga, meditação e natação, além de escrever para si mesma.

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Valdeck Almeida de Jesus

O sonhador Coração pinga versos, os olhos; estrelas... A lua é passageira! Reza, com o peito em labaredas. Cala, com cigarras na garganta! Cochila dentro do poema... ... e, ao primeiro solavanco, volta a reescrever a vida, com tinta colorida – esperança!

Ritamar Invernizzi é formada em Licenciatura Plena em Letras. Poetisa e contista, já publicou dois livros: “A busca” e “O céu e o mar”. Participa de 17 antologias e coletâneas. Já foi premiada mais de 20 vezes, obtendo o 1º lugar no III Concurso Nacional de Poesia Filogonio Barbosa (2007) e no concurso estadual do VIII Prêmio Missões, categoria conto (2005).

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Em torno da ponte Debaixo da ponte bebo da água que me leva à fonte Em cima da ponte pego a estrada que vai pro horizonte Ao lado da ponte fico parado vendo o rio passar Paralelo à ponte construo outra redundante Sob a ponte cavo um túnel como variante Sobrevoando a ponte lanço a carga detonante Agora só há lados desconectados e nenhuma ponte

Roberto Corrêa da Silva é engenheiro por formação e profissão, arquiteto por pretensão e ilusão, professor por opção e dedicação, e escritor por diversão e danação.

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Valdeck Almeida de Jesus

Quando errar é desumano Erra quem errou, como erra quem este errado defende. Também erra o carcereiro e quem prende, quem desprende... E há quem inda diga que o erro ocorreu outrora, num grito da avó aflita, ou nos pais, pais duas horas. Mas quem errará depois? corregedor ou poeta? Sei que a boca mais calada não diz a resposta certa. Meu silêncio é só a zeugma da repetição de um grito de revolta co’a injustiça, redundante no infinito!

Robervânio Luciano é natural de Belo Jardim/PE. É professor e escritor, com destaque na poesia. Membro da Academia Belojardinense de Letras e Artes. Autor dos livros “Substrato” (Poesia - 2003) e “O Nordeste sob o olhar de Cloves Marques em 365 haicais de sol e chuva” (Ensaio Literário - 2007). Participou das antologias nacionais “Brasil Poeta” (2010), “Amigos do Livro / Flipoços” (2010), “De Pessoa Pra Pessoa” (2010) e “Poesias Encantadas” (2010). Foi 3º colocado no concurso literário “De Pessoa Pra Pessoa” 2009. Um dos vencedores do “I Concurso de Poesia Amigos do Livro / Flipoços” 2010” e do “I Concurso Literário da Cidade de Vitória de Santo Antão - Prêmio Escritor Melchisedec de Literatura” 2010”.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Prazerosa dor (vermelha fricção que esfola sem sangrar, alarga a alma da satisfação) Meu vaco é oferenda do calafrio. Deformo-me em caras, sem a sutileza da boca, na sucção da alma, a tremedeira me detém. Deposita em mim o seu prazer, o meu corpo é seu mel, vaso à espreita do orvalho orgasmo seu, mas maltrata sem dó a minha vontade. Digo (- Sou homem.) Ouço (- Sou bruto!) Eu sinto. O másculo, no despedaçar da solidão, é a absolvição do imoral. Sujas pétalas da ardida carne, o lençol é redemoinho. As correntes de seu rio, do nascente punhal de seu ventre, elevam-me como pedras além das nuvens, que ferem o céu, no gostoso ardor em dor.

Robson Brito é formado em Jornalismo e estudante de Literatura. Foi o 10° classificado do prêmio Valdeck Almeida de Jesus de 2008, com o poema “Cortesã homossexual”. Autor da coletânea “Poemas da carne”, de 2007, pela República Uruguaia, na cidade de Treynta y Treys. Já escreveu dois romances, ainda sem publicação, e é membro da comunidade literária da cidade de Embu.

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Valdeck Almeida de Jesus

A Vontade das Criaturas... Pálidas mãos, tétricas e esquálidas mãos, quase sem vida que escorrem sobre meu corpo com ardor, desejo e astúcia e malícia e medo e quase sem se sentir, sem perceber o que se faz sem se sentir. A vontade das criaturas Suaves toques como a brisa que suave toca as faces, assim como o silêncio que provoca, ensurdece, atormenta e dilacera os sentidos... Meu corpo, minha alma. Entregues... Alma pura, lúgubre, sombria, triste que se esvai por entre os sonhos de sua mente, sua mente fértil. Corpo puro, esguio, sombrio e com olhos tristes e lânguidos que se esvai por entre suas mãos pálidas, tétricas, esquálidas e quase sem vida... A vontade das criaturas Meus olhos castanhos surgem em suas órbitas...

Ronaldo Campello é ateu, pai, poeta, pedagogo, funcionário público municipal e mora na cidade gaúcha de Pedro Osório, extremo sul do Brasil. É casado há cinco anos e escreve há mais de dez. Adquiriu este hábito em função de ser o letrista da banda da qual faz parte.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Irresistível atração Ficar ao seu lado assim, assim como quem não quer nada, nada, que na verdade quer tudo, um tudo que não se pode pensar, um pensar que é proibido, um proibido que é desejado, um desejar que é fortalecido, fortalecido por penetrante olhar, por um corpo semidespido, presente e junto, quase colado. Manter-se ao seu lado assim, assim como que imune e alienada, alienada às sensações e movimentações, um movimento de viril e belo físico, um físico que intencionalmente atrai, um atrair irresistível que é vedado, uma vedação a provocantes reações, reações naturais que saciariam desejos, desejos de encostar e saciar a vontade de ficar e manter-se ao seu lado, enfim.

Rosana Nóbrega é natural de São Paulo-SP. É oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, formada em Serviço Social e pós-graduada em Dança. Começou a se dedicar à escrita em 2009. Participou das seguintes antologias: “J Letras Prosa & Poesia”, “Poetas Contemporâneos do Brasil” e “Poesia e Encontro”, pela Editora In House.

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Valdeck Almeida de Jesus

Devoção à leitura Queria poder com maestria Da caneta em punho Traçar meus caminhos de viver Meus sentidos controlar Com uma simples escrita mover O que está em livros, fazemos de vida Seguimos caminhos de letras que ensinam Somos livros abertos, mas sem letras Páginas em branco que respiram Como laudas sobre mesas Alvas, transparentes Sem sequer uma imagem Ansiando carimbos de palavras Escrivaninhas vazias em nossa frente Enquanto longe de páginas letradas Mais letrados do que gente Os ácaros empoleirados Sobre os livros empoeirados Das estantes enfileiradas

Rossandro Laurindo é natural de Imperatriz-MA. Formado em Letras, trabalha como auxiliar administrativo. Participou das Antologias: Dias Contados e Ecos da Alma, ambas da Andross Editora. Leitor e indagador da vida. Publica textos no site www.recantodasletras.com.br

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Sabugueiro A janela aberta Refresca a respiração dos nossos corpos, Ofegantes. As paredes do quarto atiram o segredo ao sabugueiro Que nos brinda Com a branquidão da sua medula.

Rui Pedro Carvalho de Rodrigues Pinheiro é natural de Guimarães, Portugal. Licenciou-se em Direito na Universidade Lusíada, do Porto, em 1996. Desde então, exerce advocacia na sua cidade natal. Iniciou a sua carreira literária em 2009, com um romance intitulado “Direito à Vida”. Em Novembro de 2010, editou um livro de poesia, intitulado “Poesia de Ti”.

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Valdeck Almeida de Jesus

Contraste Lá fora a chuva cai. Aqui dentro é quente, Aconchegante, cheirinho de lar Agasalho-me, protejo-me Quero descansar. Do lado de lá, Lugar tão frio, sem aconchego Nem mesmo beijo. Meio de rua, cheiro de lixo Pele nua, Sem agasalho, sem proteção. Aqui dentro, Enrosco-me num sofá fofo Grandes almofadas e cobertor; Enquanto lá, Enrosca-se numa calçada Terra molhada e papelão. Olhar vazio, Sorriso triste, corpo cansado; Como estender a mão?

Ruth Ribeiro Dantas Fagundes dos Santos é natural de Ipupiara-BA. A mais velha de sete irmãos. Licenciada em Matemática pela UNIFACS, atua como professora da rede pública estadual, ensinando Matemática no Colégio Democrático Estadual Castro Alves.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Autorretrato Como um vagabundo saio errante pelas avenidas da cidade. E da memória. Sou estrangeiro em meu próprio Eu, vagueando pelos confins da minha identidade. Mendicante de histórias e palavras, a rua é a minha casa e as letras o meu porto de abrigo. Sou louco destemido, a quem a Razão revela verdades secretas. E ao mundo devo o sorriso, pois dele retiro minha alienada inspiração. Sou boêmio da caneta e do papel, escrevendo até que um último suspiro de mim se despeça. E errante vagabundo eternamente serei. Pois minha musa é a Poesia. E meu lar o Sentir da palavra.

Samuel Pimenta é natural de Alcanhões, Portugal. Escreve desde os 10 anos e, para ele, escrever é como respirar. Melhor, respirar é como escrever! Para além de poesia, também escreve no gênero narrativo e dramático. É autor do blog “Linhas”, de poesia, e do livro “O Escolhido”, obra do gênero fantástico, publicada pela Planeta Editora.

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Valdeck Almeida de Jesus

“Romeu e Julieta” Ah, se soubesses tu que sou eu igual ao que foi o apaixonado Romeu, decerto que serias minha Julieta, em perfeição mais pura e completa. Também me amarias como te amo tanto, não cabendo espaço para deitar pranto... E nosso amor romperia nuvens e estrelas, no universo de outras paixões paralelas. - Deus, qual a razão que ainda persiste para que nos amemos assim, tão escondidos? Não posso querer sentimentos proibidos... Eu quero dizer ao mundo do amor que existe. - Minha Julieta, será que tua riqueza é o que nos separa, sendo eu da pobreza?

Samuel Souza Lima é natural do Rio de Janeiro. Escreve poemas desde os 14 anos de idade, tendo vencido já alguns concursos de poesia. Seu maior objetivo é publicar livros do gênero poético. Tem acumulado cerca de 3.000 poemas. Atualmente, é funcionário público. Além de escrever, tem por hábito a prática constante de esporte, acreditando que este é um meio de manter em equilíbrio o corpo e a alma.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Enluarada Revira-se alma, a lua Imponderável, despida, dês amada Escondida, sem ver a vida. Janelas abertas Parecem convidar ao aconchego De ver a lua lá de dentro Lua em si embevecida, De poesia intocada, desmedida, Incompreendida, desiludida Pelas vistas Daquele que não tem poesia Revira - se lua, a alma Despojada, repleta de vontades Desejos intensos queimando em lampejos, Morrendo em sobejos Sem ter em arpejos O corpo tocado em líricas tocatas, Violada de beijos, enluarada...

Sandra Maria de Jesus de Lima e Silva, paraense, professora de Educação Artística graduada pela Universidade Federal do Pará, exerce atividades em escolas públicas estaduais. Aguarda a publicação de um livro de poesia, obra incentivada por meio de concurso, promovido pela FUMBEL (Fundação Belém). Em 2010, participou de “Poesias Encantadas”, antologia poética da editora IXTLAN e foi convidada para participar de antologia organizada pela editora Guemanisse.

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Valdeck Almeida de Jesus

Mostre sua cara Povo humilde humilhado, maltratado, a revolta e angústia remoem dentro do peito. Povo cansado, trabalhador, desgastado a dor e a tristeza escondidas, não tem outro jeito Mostre a sua cara, Diga que você tem voz, não deixe a maldade e a injustiça tomarem conta de ti. Mostre a sua cara, Diga que você existe, e que no coração do Brasileiro a esperança persiste. Lute por seus ideais, Não desista por nada, somente o que conquistar levarás consigo em sua caminhada. Lute pelo que acredita, pois se você não acreditar em si mesmo nem você mesmo fará que insista.

Sandra Taís Amorim é educadora ambiental, poetisa e professora, escreveu o livro Sustentabilidade Ambiental, pela editora Livro Pronto, São Paulo, em 2010.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Meu fantasma Antigamente, quando escrevia, um fantasma que não via me dizia todas as coisas. Hoje, o entendo, leio seu pensamento e já não fala nada, escrevo sempre o que penso. Mas preciso muito dele ao pé de mim, pois sinto medo de perdê-lo e este encanto chegar ao fim. Cada vez mais sinto que sou este fantasma e que um dia, trocarei o corpo e minha cara pela dele, que me carrega e ampara.

Sanio Morgado é filho de imigrantes portugueses e nasceu no Rio de Janeiro. Arquiteto de formação, escreve poesias desde os seus 11 anos. Divulgou pouco seu trabalho e vem recuperando o tempo perdido nestes últimos anos, tendo já conseguido alguns prêmios literários, sendo um dos vencedores do prêmio Asabeça 2010, da editora Scortecci. Há cinco anos reside em Lisboa e é orgulhoso colaborador do jornal Raizonline, de lusofonia.

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Valdeck Almeida de Jesus

O Vazio Ao longe A vida sai à rua como de costume: A desenrolar democraticamente Ódios, amores, medos, saudades, sonhos, memórias e pesadelos Ao perto O estrépito das sirenes a avançar pela estrada tortuosa da mente Vidros interiores a estilhaçarem-se irreversivelmente, Implacáveis fragmentos de segredos Afiados por infinitos e irremediáveis porquês A alma refletida no espelho não é a minha, Contudo, o marasmo em seu redor deixou de lhe permitir a ilusão de pertencer a outro alguém.

Sara Petrucci, 28 anos, é formada em Economia e morou em Belo Horizonte, Brasil, em 2009, em onde fez estágio.

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Dentro de tuas gavetas Intenso sonho de naftalina perdida em tuas gavetas, fuçando tuas coisas cheirando tuas calças me arrepiam e eu o desejo Como posso tocá-lo? Não se toca através do sonho olho pra minha mão de névoa não adianta nem tentar vou esconder então minha paixão descabida o mais fundo que der o mais louco. Dentro de tuas gavetas

Sheilla Liz é natural de Palotina-PR e formada em Comunicação Social. Dedica-se à literatura e às artes plásticas. Participação da coletânea Ficção Científica Brasileira - panorama 2008-2009 (Tarja Editorial) e da coletânea Contos da Madrugada (CBJE).

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Valdeck Almeida de Jesus

Amor A distância não existe Os quilômetros são desculpas Destas que nos deixam Que nos jogam fora Por mais que você corra E chore por medo O outro não voltará por pena Mas rastejará por amor Então, esqueça as pessoas Esqueça os amores Eles nunca mudarão Podem ir embora Mas serão sempre os mesmos Ainda existe Uma janela emoldurando a vida Que se move lá fora E vai de você sorrir ou não pra foto...

Sheyla de Souza Bitencourt, 22 anos, é natural de Jaguaruna, mora atualmente em Sangão-SC, é formada em Letras pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL.

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Versos de Paixão Fala amor, sussurra versos de paixão para assim, meus tímpanos e coração poderem suavemente receber sem ironias ou apelos você como toda bela canção. E, unido nessa união, viver na ternura que só o amor pode dar quando desobstruído se está recebendo e abraçando palavras de teor, sabor e graça aumentando mais ainda o nosso bem-estar. Sem esquecer de mencionar, os beijos que dou e recebo sem hesitar, fervorosos de desejos que, no íntimo, são magníficos frutos desse amor nunca astuto porque simplesmente se espelha no esplendor e grandeza do verbo Amar.

Silvio Parise é natural do Rio de Janeiro. Poeta, escritor, contista, compositor, filósofo, tradutor e missionário cristão sem denominações. Publicou 10 livros poéticos e participa de mais de 70 Antologias nacionais e internacionais. Alguns dos prêmios recebidos: 9th Brazilian International Press Award com a coletânea Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras – Vol. II (2006). Membro do BEA/UBENY – Brazilian Endowment for the Arts/União Brasileira de Escritores de New York. Participou da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro em 2003 e 2009. Página eletrônica: www.myspace.com/silvioparisepoetry

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O perdão Na infância para mim você era sinônimo de proteção O irmão mais velho o valentão Você prometeu sempre me proteger E hoje não tenho você para me defender Talvez algum dia você possa nos explicar O porquê de nos abandonar. Se algum dia perguntarem de você, eu responderei Você é alguém que nunca esquecerei. Deus me deu um presente para eu conservar É ter sua imagem gravada em minha mente para eu guardar Algumas vezes você até tentou me dizer Que amar também é sofrer Porém você me deixou uma lição Que para o amor sempre existe o perdão. In Memoriam: Fábio A. de Souza

Simone Aguiar de Souza, 28 anos, pós-graduada em Gestão de Pessoas e Gestão Financeira pela Fatec Internacional de Curitiba-PR, graduada em Administração pela Unespar – Apucarana, e pós-graduanda em Direito Empresarial pela Pitágoras, residente em Londrina-PR. Aos 17 anos, após perder o irmão por suicídio, começou a escrever poesias. Esta, em particular, foi feita em sua homenagem.

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Presságio A Natureza Pede SOCORRO! Salve-se o que puder!

Soraya Rachel Pereira é mineira de Belo Horizonte. Gosta de escrever e participa constantemente de concursos culturais e promoções. Acadêmica do Curso de Letras da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE. Já trabalhou em Jardins de Infância. Atualmente trabalha em uma biblioteca escolar, realizando contações de histórias e desenvolvendo atividades com crianças e adolescentes.

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Valdeck Almeida de Jesus

Fria Noite O medo domina minha alma Minha alma esconde o medo Muito mais a noite escura Olhos abertos em intrépida noite Em vazio de um quarto frio e tristonho Ali o indescritível medo me embala Gritos inaudíveis mostram-se pálidos Em langor soberano mostra-me a face Travesseiros recolhem minhas lágrimas Mas o medo ali faz morada Sintetizando o pólen da dor Tão farto e convidativo à gritante existência Se bichos... não sei dizer Mas medo bem sei que há Se ontem chorei Hoje muito mais lágrimas hão de cair A noite toma-me em teus seios Mas sem encanto embala-me E tão rígida e gloriosa me dá do seu cálice Embriagando meus pensamentos e ancorando a incessante dor.

Taiane Caroline Cruz é soteropolitana e escreve desde criança. Concluiu o Ensino Médio no bairro de Nazaré em Salvador e cursa Engenharia de Alimentos na Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS.

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Reviver Vida essa longe Da realidade Que procuro! Pronta em um dorso de caixão. Ouço uma voz, Na qual grita e sussurra ao mesmo tempo. Reaja, reaja, reaja, você é muito jovem! Tudo começa lentamente A se transformar Como as nuvens de um furacão! Onde a natureza começa, A conspirar para a vida! Quando, sem explicar, um raio, um calor, um fogo, Advindos do espírito santo Chegam trazendo novamente, A semente... DA PRÓPRIA VIDA!!!

Tammara Aparecida da Cruz é jornalista, ex-produtora de televisão.

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Tenta disfarçar A quem (re)queres enganar? força combinar A fala com o olhar...

Tânia Regina da Silva Guimarães é acadêmica efetiva de membro do conselho fiscal da Academia de Letras, Ciências e Artes Castro Alves, de Porto Alegre-RS; membro da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores, de Balneário Camboriú-SC, do Grupo de Poetas Del Mundo, Liga dos Amigos do Portal CEN, de Portugal, Casa do Poeta Rio-Grandense e da Associação Gaúcha dos Escritores Independentes, Porto Alegre-RS.

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Barganha Quando a Morte me olhou, Pedi-lhe um tempo a mais. A nefasta gargalhou, Dizendo: “Barganhas, jamais!” Disse a ela que perdera Muito tempo com meu pranto. A maldita escarnecera: “Nada posso, sinto tanto!” Pus os olhos na megera, Agarrei sua jugular E disse: “Já morto estivera, Sentindo a vida passar!” E a Morte, a suspirar, Afastou-se, pouco a pouco, Desistindo de acabar C’a não-vida deste louco.

Tatiana Alves é poeta, contista e ensaísta. Participou de diversos concursos literários, tendo obtido mais de duzentos prêmios. É colaboradora da Coluna Momento Lítero-Cultural, dos sites Cronópios, Anjos de Prata, Germina Literatura e Escritoras Suicidas. É filiada à APPERJ, e publicou, em 2005, o livro de contos O Legado de Cronos; em 2006, O segredo da caixa, em colaboração com o grupo Encantadores de Histórias; em 2008, o livro de ensaios D’Além-mar: estudos de Literatura Portuguesa e, em 2009, o livro de poemas Harpoesia. É Doutora em Literatura e leciona Língua Portuguesa e Literatura no CEFET / RJ.

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Cupido Não peça para ser amado ninguém ama assim por encomenda, um amor teleguiado, pronta-entrega, ao ponto ou mal passado. Não peça. Mais vale um compromisso tácito, um silencioso abraço, um olhar calado e um beijo lento, do que a promessa do ser amado. Lamento. O amor não obedece a controle remoto, nem a plano de carreira, nem ao tempo. O amor está ao sabor dos ventos! Não aparece engravatado de repente só para a foto na festa do casamento.

Tatiana Druck é natural de Porto Alegre. Advogada e professora universitária, frequentou oficinas de literatura de Cintia Moscovich e Fabrício Carpinejar. Em 2009, obteve o 2° lugar (crônica) e 3° lugar (poesia) do Concurso Nacional Mário Quintana (RS); 2° lugar no concurso de poesia Barão de Japurá (RJ). Em 2010, publicou o primeiro livro de poesias “Par e Ímpar”. Administra o Bicho Blog: www.tatianadruck.blogspot.com

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Mão O que foi mesmo que dizíamos sobre o mundo? Não me lembro direito. Deve ter sido engolido pelo resto. Deve ter se perdido nas paredes, condensado nos vidros e evaporado de novo. Deve ter polinizado algumas flores, passeado pelos mares e se tornado uma nuvem, prestes a cair. Deve ter sacudido a chama da vela, regressado no passado e recaído sobre as nossas cabeças. Deve ter iluminado alguma mente de esquina, Eu não sei. Você diz não fazer muita questão de saber. Eu finalmente entendo e, sinceramente, prefiro que me de a sua mão ao invés do mundo.

Thomaz Meanda é natural de São Paulo. É artista plástico e escritor. De 2000 a 2009, passou por cursos de arte no MAM, dois anos de plásticas na Faculdade Santa Marcelina e se envolveu profissionalmente com a área da Arte-Educação. Em 2010, lançou o seu primeiro livro de poesias, intitulado “Descalços”, publicado pela Corpos Editora (Portugal).

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Sereia Sereia é peixe-mulher nadando, deusa escorada na pedra do mar... Olha, seduz, volta pra água; a canção do amor sempre a entoar.

Tiago Butarelli Lima sempre foi amante da poesia e da literatura. Começou a escrever em 2007 e desde então não parou mais. Chegou a ter um blog onde publicava poesias, mas precisou desfazê-lo por falta de tempo para administrá-lo. Atualmente, cursa Tecnologia em Negócios Imobiliários na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e trabalha como estagiário numa imobiliária. Blog pessoal www.tiagobuta.blogspot.com

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Fogo-Fátuo Ainda sinto a centelha laranja - sangue de cor viva – a sibilar dentro da carcaça. Cinza de onde já nada renascerá. Este morno que insiste em mostrar o que fez dele fogo. Que ardeu em função de outros, rindo em função de ventos fortes. Hoje chove lá fora e o fogo é uma memória má, por tão bom ter sido. Saudades do calor que a paixão emana, e de nele ser discípulo do suor de chama.

Tiago Gonçalo Cristóvão Carvalho é natural de Lisboa. Sempre amou a escrita e a leitura. Indeciso convicto, o poeta licenciou-se em Ciências da Comunicação, na variante de Televisão e Cinema, pela Universidade de Lisboa. Tem experiência profissional em Publicidade e Cinema. Frequenta um mestrado em Audiovisuais e Multimédia.

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Valdeck Almeida de Jesus

A Lua e O Mar O mar. Tão paciente escultor. Amar. É o que deseja com fulgor. Na areia da praia, Arrasta tuas garras, Prega tuas unhas, Escala a terra. A motivo de um objetivo... Alcançar teu amor, quem no céu foi sepultado. Acariciar, de leve, o lençol que a cobre, prateado. A tão formosa lua, sem motivo, Além do amor. Oh mar! Que amor foi arranjar? E digo eu que amor assim nem a lua merece, Amor que em nenhum outro lugar, Fenece terra, lua e mar...

Tibor Elias Szabó Iossi é natural de Ribeirão Preto-SP. Estudante do Liceu Albert Sabin e cursor do primeiro ano do Ensino Médio (no momento).

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Perdidas embarcações Antes do mar havia um rio Antes do rio, um riacho No meu quintal tinha um poço Junto do poço, o esgoto Embarcações se perderam Nas chuvas que apanhei Bueiros, canos lodosos Nos mares que naveguei A chuva remou tudo em mim Tantos papéis amassados O que restou dos meus barcos E nos borrões esquecidos Busquei o poema não lido Que escapou do naufrágio.

Valquíria Lins, paraibana, já editou três livros: “Outono” (Ideia, PB), “Húmus” (Sal da Terra, PB) e “Velas de Abril” (Editora Universitária, UFPB). Licenciada em Letras pela Universidade Federal da Paraíba. Participou de diversas coletâneas, inclusive da “Antologia Sonora Paraibana do Sebo Cultural”.

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Valdeck Almeida de Jesus

Homem! De animal a cidadão O homem surgiu na Terra primitivo, Vivia em cavernas, era animal, Caçava e lutava. Manter-se vivo, Era direito e instinto natural. Sobreviveu ao cataclismo letal. Descobriu o fogo e as armas. Por motivos Naturais uniu-se em grupo social, Formou família, mudou seus objetivos. Saiu das cavernas e foi para o campo, Explorou a capacidade mental, Deixou de ser animal. É humano! Agora é cidadão, deixou o campo, Construiu cidades, criou leis, tom moral, Direitos e deveres. É governo!

Valter Rodrigues Mota é natural de Salesópolis-SP. Instrutor de kickboxing, tem Ensino Médio, é casado e pai de dois filhos. A poesia passou a fazer parte de sua vida depois de momentos de reflexão com a ‘liberdade privada’. Desde 2003, tomou gosto pela literatura e começou a estudar e a compor poesias, participar de concursos literários, visando o aprimoramento e, também, como uma forma de expressar e divulgar seus poemas.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

Templo Literário Espaço sagrado, guardião das ideias Reduto das múltiplas compilações. Espaço de encantamento, de magia e viagens Dos solitários e ávidos leitores Espaço de silêncio, de fruição colorida E devaneios das mentes libertas Espaço de encontro dos olhares proibidos E energias secretamente jungidas Espaço estético, poético, de intenso paralelismo Ilustrações e texturas multicores Espaço insubstituível Por mais que o espaço cibernético avance Espaço da herança mais bela e irrevogável Da cultura de um povo para suas gerações

Vanilda Liziete Ribeiro Lopes, pedagoga e pós-graduada em Literatura Infanto- Juvenil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Arteterapia em Educação e Saúde, pela FAHUP. Publicou o livro de poesia “Um triste lugar chamado escola”. Publicou uma poesia no projeto Poesia na Escola, da Prefeitura do Rio em 2005 e dos poetas Caxienses, em 1990. Blog: http://criartevavaribeiro.blogspot.com

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Valdeck Almeida de Jesus

Ilha Dourada Tristão e Zarco a sudoeste ancoraram no areal d’ouro em atlânticos mares, benignos fados até lá os levaram, ao santo porto de tesouros ímpares. Ó, arde astro sadio, arde na terra agreste beijada ao de leve p’lo azul do mar. Azar? Buena-dicha! Afora a peste, afora as pragas, que honra em povoar! Vives, vives tanto e nunca te fartas, no teu chão, erguido o sangue de dragão , cessa o fôlego, as falésias árduas, e a alma das tuas casas, o salão. E agora descansas de tod’a história, no regaço, um adoçado sabor, abrigas nesta mais recente hora, alguém que ala, fatigado e por amor. [este poema refere-se à ilha portuguesa Porto Santo, pertencente ao arquipélago da Madeira]

Vasco Nogueira é natural de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel (Açores). Vive em Portugal continental, na cidade de Anadia e estuda na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, no curso de Ambiente. O primeiro livro de poesias está no prelo, editado pelo Atelier de Letras e vai se chamar “Amor sóbrio, tu não me sabes”.

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Fechamento De repente, O mundo encolheu, Luzes de apagaram, Portas se cerraram, Lábios se apertaram, Olhos se fecharam E, em torno, um deserto Apareceu. E, sólida e fria, A solidão se plantou Para tomar posse De um lugar Que, a partir de hoje, Seria sempre seu.

Vera Maria Puget Blanco Bao é carioca, licenciada em História pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, escreve contos, poesias e crônicas. Participa de concursos literários e já obteve alguns primeiros lugares. Possui textos publicados em antologias, jornais e revistas literárias.

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A procura Estranhos mundos incertos que me rodeiam. E o caos que atribula veementemente a minha alma. Com chances que me escapam e voltam, Para que eu seja forçada a buscar novas batalhas. E toda a pressão que rodeia minha vida, Resulta na loucura do dia; E se manifesta entre gritos e brigas! Permaneceste em dias outros, Despojos de guerras que não sei. Elevam-se entre datas verdejantes, E pastos que me alimentam o Eu. Como saberei se vindouro é o dia da resolução? E das vitórias que minha guerra me anuncia? Eu entrarei em glórias anunciadas e perdidas? Ou irei ao caminho das coisas que transformam vidas? A resolução de tudo incerta é; E me desespera ao pensar. — Mas nada é como a espera alcançada: Ela faz sua mente regozijar!

Verônica Marins, 20 anos, é natural do estado do Rio de Janeiro. Sempre se interessou por literatura e poesia. Estudou em colégio público, onde concluiu o Ensino Médio. Ingressou, em 2009, no curso superior para se graduar em Jornalismo.

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Aventuras da Paixão Quero nadar contigo Vamos correr perigo Teu amor é alto-mar Estou certa que não vou me afogar O mergulho é de cabeça E vamos bem fundo, não esqueça Estamos em mar aberto Mas com a bússola sempre por perto As tempestades apresentarão perigo Mas não tenhas medo, fica comigo Meu amor é porto seguro Não estás sozinho, nem no escuro O farol vai nos guiar A chegarmos sãos e salvos em nosso lugar E quando chegarmos ao continente Teremos um ao outro, sempre presente E podemos sair sempre para uma nova aventura Pois a paixão não é crime e não tem censura E assim vamos juntos viver com emoção Porque o amor é brisa, paixão é tufão

Verônica Vincenza é natural de Porto Alegre-RS. Fez faculdade de Relações Públicas e pós-graduação em Marketing, ambas na PUC-RS. Em 2010, finalizou o livro “Na Estrada da Vida” e já tem um outro no prelo. Edita poemas em antologias desde 2010. Destaque para o poema: “Caminhada”, selecionado no livro “As melhores POESIAS de 2010” (Câmara Brasileira de Jovens Escritores).

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Dúvida Outro dia quis entender Deus, não pude Deus é etéreo, é sublime... Brado, brigo Porém ninguém alcança Seu abrigo. Depois quis eu o amor em plenitude Compreender. Fervi-me então no ataúde Mas no separo do joio do trigo Apavorei quem estava comigo, Portanto, iniciei-me em solitude Da arte quis ser aprendiz. Qual! Ninguém Ensina. Tal como ao céu a Lua vem Na penumbrosa noite, ofegante Às vezes, por que eu, todo pequenino Devo pensar sobre as razões que exprimo Se as vespas se harmonizam semelhante?

Vinícius Antônio Ferreira Hespanhol é estudante de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto. Não possui trabalhos publicados.

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Quando deita o sol Fato único Que desfila incontido Toda sua ígnea-magnificência A um mundo fugaz, perdido, Exaurido de seu próprio Saber-não-saber. Brilho fúnebre Que perfila Sombras solenes. Sereno e imponente Assiste a toda mágoa E a tanta dor presentes. Mergulha o dia Como um pouso mágico Quando deita o sol Às mãos do Senhor.

Wagner Marim é paulistano da Mooca. É aposentado, participante de antologias, sendo a última lançada na Bienal de São Paulo (Agosto/2010): “Poetas Contemporâneos do Brasil” pela Editora In House. Vencedor do Asabeça 2010 na categoria 3ª idade.

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O Mirante Absorto em pensamentos Tendo o mundo tão distante Quebrantando sentimentos Me vejo sozinho em meu mirante Com minhas mãos soltas E meu corpo enregelado Minhas palavras frouxas Saem em um grito desabrochado E ando como um peregrino Buscando o topo da montanha Cantando um velho hino Com a minha sempre voz estranha Meus pelos em constante eriçamento Sentem o frio cortante do vazio A cólera e a dor em concomitante crescimento Ocupam o lugar do que sumiu

William Borges da Costa é natural de Taquari-RS. Sempre gostou de escrever. Narrativas e poesias têm sua preferência. Só participou de concursos de poesias pela internet. Seu projeto de vida é publicar um livro sobre dramas adolescentes. Tem poesias publicadas na biblioteca virtual da Komedi e no Recanto das Letras.

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Viagem Torci a sombra atrás de mim para fazer uma corda. Caminho em silêncio levando a corda, a estrada, este cavalo velho. Todos os dias o pôr-do-sol é um aborto e o relógio tem em si a suficiência do tempo. No fundo da noite, não há direção só o redor, o além. Um por um, tiro do corpo os fósforos cuja cabeça encarnada rompe com o muro do escuro.

Yao Jingming nasceu em Pequim em 1958 e atualmente é docente na Universidade de Macau. Dedica-se à tradução literária, escreve crônicas e já publicou, em chinês e em português, seis obras de poesia. Coordena a revista Poesia Sino-Ocidental e recebeu em 2005 o Prêmio de Poesia Rougang. Em 2006, recebeu a medalha da Ordem Militar de Santiago de Espada, atribuída pelo Estado português.

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Um sonho que se sonha com muitos poetas Apoio: Plano Nacional do Livro e Leitura “Oh! Bendito o que semeia Livros... livros à mão cheia... E manda o povo pensar! O livro caindo n’alma É germe - que faz a palma, É chuva - que faz o mar...”

(Castro Alves) Justificativa O projeto “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia” foi iniciado em 2005 pelo poeta e escritor Valdeck Almeida de Jesus, que vislumbrou nessa iniciativa uma forma de reunir talentos, na maioria desconhecidos, e divulgar seus trabalhos ao público, sobretudo com participação nas bienais da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Atualmente, os livros são distribuídos gratuitamente entre os escritores e enviados para bibliotecas públicas e entidades formadoras de opinião. Até o momento, através de rigorosa seleção dos participantes, já foram publicados cinco livros, com trabalhos de mais de 600 poetas. Objetivos O objetivo maior deste projeto é oferecer a escritores e poetas, do Brasil e de outros países, a oportunidade de ter seu trabalho publicado. Nossa atenção se volta, principalmente, para aqueles que não têm condições de arcar com o alto custo da publicação de um livro. Paralelamente, pretende-se, com esta Antologia, estimular o prazer da escrita e da leitura a um número cada vez maior de pessoas. Não há interesses lucrativos neste projeto. As três principais vertentes que o mobilizam são: promover novos talentos; apoiar escritores sem condições de publicar suas obras; e divulgar o hábito e a importância da leitura, especialmente da poesia.

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Valdeck Almeida de Jesus

Metodologia A seleção dos autores que serão contemplados com a publicação de seu trabalho no “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia” se dá da seguinte forma: Fase 1 – divulgação do evento nos sites www.galinhapulando.com, www.pnll.gov.br e outros, onde consta o regulamento. Os trabalhos são enviados por e-mail, acompanhados dos respectivos dados do autor. Nenhuma taxa de inscrição é cobrada. Fase 2 – uma vez recebidos todos os textos, é designada uma equipe, devidamente capacitada, composta de cinco membros, para analisálos, avaliá-los e selecioná-los, de acordo com os seguintes critérios: 1) redação sem erros de português; 2) criatividade; 3) estética. Fase 3 – comunicação aos contemplados da seleção de seu trabalho. Fase 4 – com os textos selecionados, inicia-se a fase de publicação, que envolve serviços de revisão e editoração. Fase 5 – divulgação do livro em eventos diversos, com distribuição gratuita aos autores selecionados e a algumas bibliotecas. Cabe ressaltar aqui que contamos com o apoio da mídia impressa e virtual na execução e divulgação deste trabalho. Avaliação O projeto vem crescendo de forma avassaladora, superando nossas expectativas. No último ano, o número de participantes aumentou de forma tão significativa que foi preciso ampliar a equipe responsável pela triagem e avaliação. A quantidade de autores que hoje nos chegam, a nosso ver, é a prova de que boa parte de nosso objetivo foi alcançado: o interesse pela literatura se amplia. A cada edição, mais e mais poetas se unem a este sonho que não se sonha só; o livro se torna maior, a divulgação “boca a boca” aumenta, a disseminação da cultura e da literatura alcança os mais longínquos rincões, e os eventos decorrentes deste trabalho se multiplicam, contribuindo para sua divulgação. De norte a sul, de leste a oeste, e entre países irmãos, o projeto vem aproximando pessoas, fortalecendo o intercâmbio cultural e a troca de experiências. Fazer o livro circular dentro de um âmbito maior é um desafio que dia a dia nos esforçamos por alcançar. Ao que tudo indica, estamos no caminho certo.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

DADOS DO PROJETO Livros de poesia publicados e distribuídos Ano

Poetas Exemplares Quantidade Exemplares participantes publicados de páginas distribuídos

2005

09

250

39

250

2006

37

300

88

300

2007

182

350

216

350

2008

242

250

260

200

2009

169

250

180

250

2010

31 crianças

50

50

50

2010

232

50

50

50

2010

01 poeta

50

50

50

2010

12 contistas

50

50

50

Total

885

1600

983

1550

Lançamentos As edições foram lançadas em Salvador-BA, nas Bienais do Livro de 2005, 2007 e 2009, no Projeto PROLER de Camaçari-BA, na Bienal do Livro de São Paulo (2008 e 2010), na Bienal do Livro do Rio de Janeiro (2007, 2009), durante a Semana da Comunicação da Faculdade Isaac Newton, no Congresso Brasileiro do Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Trabalho; no Corredor Literário da Avenida Paulista; na 3ª Feira do Livro de Sergipe; nas feiras do livro do Tribunal de Justiça, promovidas pela Câmara Bahiana do Livro; divulgação realizada durante a Festa Internacional do Livro de Paraty/RJ (FLIP 2008). Exemplares enviados a críticos literários, bibliotecas e escolas públicas do estado da Bahia, bem como sites de cultura e literatura, jornais e revistas especializadas. Sobre o criador do projeto Desde os doze anos de idade, Valdeck Almeida acalentava o sonho de publicar um livro de poesias. Nessa ocasião, teve seu primeiro contato com a obra de Augusto dos Anjos e a literatura de cor-

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del, que muito o influenciaram. Seu primeiro livro, no entanto, só viria a sair em 2005, aos 39 anos de idade, sendo a edição bancada com recursos próprios. Sentindo na pele a dificuldade de publicar um livro no Brasil, o criador deste projeto literário dedicou-se a apoiar os novos autores, em especial àqueles que não dispunham de condições para realizar o sonho de ter seu trabalho publicado. E assim surgiu o projeto do “Prêmio Literário”, totalmente desprovido de fins lucrativos.

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Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia – 2010

VI Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – Poesia Edição em homenagem aos poetas baianos 1 - O Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus visa estimular novas produções literárias na modalidade poesia e é dirigido a candidatos de qualquer nacionalidade, residentes no Brasil ou no exterior, desde que seus trabalhos sejam escritos em língua portuguesa. 2 – As inscrições acontecem de 01 de janeiro a até 30 de novembro de cada ano, através do e-mail valdeck2007@gmail.com (poesia de até 20 linhas, minibiografia de até cinco, endereço completo, com cep e fone de contato). Inscrições incompletas serão desclassificadas. Vale a data de postagem no e-mail ou nos correios. Quem preferir pode mandar em CD ou DVD para: Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus Rua Sargento Camargo, 95-A 40391-152 - São Caetano Salvador/BA 3 - A poesia deve ser inédita, versando sobre qualquer tema (exceto apologia ao uso de drogas, conteúdo racista, preconceituoso, propaganda política ou intolerância religiosa ou de culto). Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral. A inscrição implica concordância com o regulamento e cessão dos direitos autorais apenas para a primeira edição do livro. 4 - Uma equipe de escritores faz a seleção de apenas um texto por autor. A premiação é a publicação do poema selecionado, em até seis meses do encerramento das inscrições. Os poetas selecionados devem criar um blog gratuito para divulgação do seu poema e do prêmio literário, a fim de dar visibilidade ao trabalho de todos os participantes. Os casos omissos serão decididos soberanamente pela equipe promotora.

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5 - O autor que desejar adquirir exemplares do livro deverá fazê-lo diretamente com a editora ou com o organizador do prêmio. Os primeiros dez classificados receberão um exemplar gratuitamente. Os demais podem receber, a critério da organização do evento e da disponibilidade de recursos financeiros. Projeto publicado no site do PNLL do Ministério da Cultura Lançamentos: 1ª Antologia: Bienal do Livro da Bahia, em abril/2005 e 2007. 2ª Antologia: III Corredor Literário da Paulista, em outubro/2007. 3ª Antologia: Na 20ª Bienal do Livro de São Paulo e na 3ª Feira do Livro de Sergipe, em 2008 e na 9ª Bienal do Livro da Bahia; 4ª Antologia: Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em setembro de 2009 e no Espaço Castro Alves, num grande shopping da Bahia. 5ª Antologia: Bienal do Livro de São Paulo, em 21.08.2010.

MAIS INFORMAÇÕES: Valdeck Almeida de Jesus Tel: (71) 8805-4708 E-mail: valdeck2007@gmail.com Site do Organizador: www.galinhapulando.com

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Esta obra foi composta em fonte Gotham book 10/18 Calligraphic 421 BT 36 e impressa em Cartão Supremo 250 G/M² [capa] e em papel Alta Alvura 75 G/M² [miolo].

Antologia Poética VI - Valdeck Almeida de Jesus  

Livro com textos dos poetas selecionados no "Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus"

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