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Felicidade na veia

V

iver a vida com prazer, cor e adrenalina... Aproveitar o melhor de cada momento, movimentar-se! Fazer de sua realidade um sonho totalmente possível. E como as pessoas se juntam por afinidade, aqui estamos no caminho do mais simples e ao mesmo tempo sonhado desejo: viver fazendo o que se gosta, aonde se é feliz. Estímulos são sempre bem-vindos e uma história bacana sempre ajuda a contagiar. Por isso, faremos isso, mostraremos através de boas histórias como é possível não se render à vida que não gostaríamos de ter. Em nossas páginas, você vai poder conferir o cotid-

iano de uma família que vive do surf e do skate, são felizes e querem muito mais, em meio a produção de pranchas Rocky mostra sua história, viver na batida perfeita é o que faz a galera da rinha de Mc´s, que leva a vida com muito entusiasmo e criatividade ao som de seu estilo alternativo. E assim será: a tribo dos tatuados contará suas versões, os apaixonados por fotografia poderão retratar suas idéias, os skatistas terão uma rampa que os impulsionará para novos vôos. Não queremos só contar histórias bonitas, queremos presenciá-las, vivê-las de perto, sentir na pele. Mostrar que o hoje é pra já, que pra ser feliz não é preciso esperar o final de semana.


Caue Mezaque

Solto na Vala


Skate

em familia

• Por Davison Paixão / Fotos: rafael dos Anjos

U

m belo domingo de sol, outono em São Paulo, as tradicionais famílias se unem para assistir ao futebol, almoçar e curtir o final de

semana, mas para Laura Alii, Thiago Bomba e Breno (o filho recém-nascido), os domingos são sempre de muito skatão nas ladeiras e pistas. A família que vive o skate nos mostra uma maneira de levar a vida conciliando o esporte e as responsabilidades.


Quando falamos de skate longboard dowhill slide, vem logo um pensamento de ladeiras largas, inclinadas, lisas, ótimas para a prática do dowhill ou surf de rua, como alguns chamam. Hoje em São Paulo, infelizmente temos poucas opções de diversão em ladeiras. Umas das mais antigas da Zona Norte, na rua Eduardo Nasser – Palmas do Tremembé (SP), mais conhecida como “Barriga da Velha”, atualmente se encontra em péssimas condições para a prática do downhill devido à quantidade de piche que derrubaram sobre ela. “Rolam boatos que foram os novos moradores de um novo lote de casas vizinhas que mandaram acabar com nossa diversão”, comentou Bomba. E para acompanhar de perto a vida do casal de longboard, fomos até a ladeira que se encontra próxima da “Barriga da Velha” para fazer uns drops e mostrar que adrenalina e esporte e família podem caminhar juntos.

Thiago Bomba

Nose Back slide


Ladeira Na

com manobras de nose back e manobras de chão, o casal representa no role com o skatão!

Ao chegarmos na ladeira tivemos que debater com os guardas de rua, que não queriam a pratica do skate na ladeira, vê se pode? Ficamos indignados e com razão! “A rua é publica, todos nós podemos passar e andar de skate nela”, argumentou Laura. Sabemos dos nossos direitos de cidadão, tiramos os skates do carro e registramos alguns drops do casal Laura e Bomba, que desfrutaram da ladeira sem timidez.

Laura - Lay back

Argumentando com os guardas antes das laderadas


Diversão interrompida

por repressão

De repente os moradores quiseram tentar impedir o role, atitude desnecessária, típica de pessoas sem cultura. A intenção era somente realizar um trabalho jornalístico; não queríamos confusão de

Acima repressão por partes dos moradores, ao lado Breno dormia tranquilo nos braços de Davison em meio a confusão

jeito algum. Partimos para a casa da família, que tem uma mini-rampa no quintal e finalizamos em grande estilo o domingão sem nenhum guarda ou morador atrapalhando.


Rampa

Com um visual Style, a vista aérea da região das Palmas do Tremembé, Thiago Bomba vive em paz com a família, consegue se divertir e praticar o esporte “dentro de casa”.

Thiago Bomba

Smith grind


Entrevista Vala - Como e quando vocês começaram essa união de paixão e amor? Foi em algum role de skate? Laura & Thiago - Foi em uma trip para Brasília, em um campeonato de downhill, desde então nossas vidas mudaram. Hoje temos um lindo fruto, Breno, o nosso lindo bebê. Graças a Deus! Vala - Quais os picos preferidos que custuman andar? L & T - Nas Ladeiras - Busta em Guarulhos, Bagiru na Lapa, e quando acontecem eventos . Nas Pistas - São Bernado, e litoral Vala - Fale um pouco sobre os campeonatos de longboard downhill que vocês tem participado nos ultimos meses? L & T - Ultimamente estamos vivendo uma fase bem família, curtindo bem nosso filho, mas quando tem campeonatos estamos lá para ver nossos amigos e se divertir. Quando começamos a deixar de competir, andamos bem mais, sem preocupação e com mais diversão, estamos andando bastante em ladeiras e pistas, no mínimo 3 vezes por semana. Vala - O que vocês acham da nova evolução de longboard’s ? L & T - A galera ta andando muito, mas vemos muitas manobras de street, devido poucas ladeiras a galera ta andando bastante em pistas, a mistura do street no downhil é evolução, cada atleta tem o seu estilo e a sua maneira de executar a mesma manobra. Vala - Lembro que quando estava gravida, sempre te via nos picos acompanhando o maridão e você não podia andar, o que sentia? L & T - Sentia muita vontade de andar , queria que o tempo passasse rapido, para poder andar com nosso filho. Vala - Como esta sendo agora pra vocês andarem? tem tempo pra andar e cuidar do bebe? L & T - Depende do pico que vamos, tem alguns casos que os amigos também cuidam, para podermos dar uns drops juntos..rs., mas quando não tem revezamos, cada um anda uma horinha, o Breno não gosta muito de dormir de dia, ai já viu né..rs Vala - Quando vocês não estão andando de skate praticam outros esportes? Quais? L & T - Laura Alli: muay thai, natação e surf Thiago Bomba: surf e musculação Vala - Quais os videos preferidos de longboard? L & T - Os videos da sector 9, Gravit e os da Concret Vala - Para quem vocês gostariam de deixar um salve e agradecimentos? L & T - Laura Alli: As marcas que correm junto, ao Breno e o Thiago que são minha ispiração, a Deus e a famíla Thiago Bomba: Deus, familia, mulher e filhos, e pra todos os amigos que correm juntos.

PROFISSIONAL Ambos trabalham no meio do esporte, ele em uma marca de surf, a Onbongo e ela com viagens de surf, a Surftravel

Patrocínios e Apoio

Laura Alli: Mcd, Track, Globe, academia Corpo e Mente Thiago Bomba: Onbongo, Surfavel, Neff, academia Corpo e Mente


board a coluna do

professor...

z


O drop • Por Zequinha Rapanelli Esta coluna propõe tratar dos Boardsports, os esportes de prancha, de forma dinâmica e inteligente, abordando aventuras, histórias, comportamento, atitude e toda a adrenalina que os Boardsports nos permitem vivenciar, refletir e evoluir. Ao longo de todos esses anos que pulsam as emoções desse estilo de vida, o “Drop” sempre foi e será a essência de tudo. E pensar que tudo começou com os polinésios dropando ondas no Hawai, ou na Ilha de Pascoa , em cima de “totóras”, embarcações feitas de junco, ou com pranchas feitas de madeira acássia, madeira balsa. Atualmente, com materiais derivados do petróleo como a espuma de poliuretano, a fibra de vidro e a fibra de carbono, o Drop de alta performance favorece muito mais adrenalina ao seu praticante. Mas foi na Califórnia, que o Surf e seu estilo de vida praia deu origem a outros esportes que compartilham a essência do Drop, inspirando os sonhos de gerações mais jovens, uma atrás da outra, num ciclo contínuo, constante, permanente, e mantendo vivo o espírito de juventude de milhares de tiozões pelo mundo inteiro. Deixe seu terno ou sua boneca de lado por algumas horas e desfrute da liberdade do Drop, seja em uma onda, em uma calçada, uma piscina, uma ladeira, uma parede, uma estação de inverno ou do metrô, ou talvez na Via Láctea num verdadeiro Drop Universal. Aproveite da viagem da energia, da diversão, da convivência, do aprendizado e até da paixão do Drop, na água, na terra, no concreto, na areia, no ar, e aonde mais seu espírito de liberdade te levar a dropar. Venha conosco, quem sabe a Vala e a sorte estão ao seu favor... Zequinha Rapanelli:

é amante dos esportes de prancha desde o início da década de

70).

Na água, na terra, no concreto, na areia, no ar, e aonde mais seu espírito de liberdade te levar a dropar. Zequinha Rapanelli


Campeonato independente em comemoração

a 6 anos da marca influence O campeonato em comemoração a 6 anos da marca influence, contará com ótima estrutura, além do show com pentágono, “ Os kits de premiação serão recheados com bons equipamentos mais troféu personalizado” afirmou Marcio dono da marca

O campeonato terá 2 categorias – Open longboard e Open Slide Downhill além de bestrick nas duas categorias, com premiações do 1º ao 3º lugar, a grande surpresa é que o ultimo colocado também ganhará premiação.


SURFAVEL SURFBOARDS COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Rua Conselheiro Saraiva, 912 - Santana - São Paulo


Tel.: (11) 2959 0993 surfavel@surfavel.com.br


Onde so

um

!

canta de galo

Por Renan Nogueira

U

ma das festas mais autênticas do hip hop, a Rinha dos Mc´s, foi promovida no dia 30 de abril juntamente com a arte urbana em um ato totalmente sustentável. Por lá, criatividades insanas em caixas de papelão mostravam a evolução do grafite popularizado. O grafite deu reconhecimento, fama e riqueza aos seus autores, tendo São Paulo como sua capital planetária. Ao ser introduzido na soFotos: Renan Nogueira


ciedade, trouxe uma inovação em matéria de arte, com trabalhos feitos para que as pessoas olhem, reflitam e até interfiram nos fatos. A arte urbana é sempre única, transmitindo protestos, mensagens políticas, ecológicas e divertidas. Nesse contexto, se revelaram muitos artistas no hip hop na caixa, que do anonimato representaram essa arte com muita disposição e técnica: os grafiteiros Evol, Banais, Reif, Bieto e Leiga. Ao mesmo tempo o DJ SUB sacava de grandes pedradas do reggae roots, deixando o ambiente propício, quando se deu inicio ao evento mais esperado da festa. Euen dominou o microfone e convocou o coletivo matriz para iniciar as batalhas. DJ Tuco Madau apresentou grandes bases para engrandecer a cena guarulhense do freestyle, mas deixou a grande responsa para os Mc’s, que disseminaram o conteúdo da boa improvisação. Os Mc’s não de-


ixaram o DJ falando e resentaram a boa técnica na levada, mostrando que em Guarulhos existem muitos talentos a serem explorados para a inserção no mercado musical e artístico. A noite estava intensa com rimas cheias de propostas que despertavam a galera, mas quem realmente se deu bem foi Stron, que não mediu palavras para ser a voz ativa do evento, sendo contemplado de acordo com o público presente. São esses eventos que agregam valores, onde fazemos descobertas de grandes talentos.


Circuito Nacional de

S

a k

e t

Por andré bozato magriça

Downhill Slide

No dia 12 de junho, inicia-se o circuito brasileiro de Skate downhill slide 2011, contando com skatistas das mais variadas regiões do Brasil, os Skatistas irão competir nas categorias: Iniciante; Amador e Feminino, na categoria longboard com shapes no minimo 40 polegadas, conforme regras CBSK. O local escolhido para inicio do circuito foi um local histórico como o Museu do Ipiranga, 1º evento oficializado do circuito, contendo ladeira larga e com asfalto novo propiciando boas apresentações dos competidores. Evento que está em sua 2º edição, convidou 05 juízes profissionais do skate para avaliar os competidores, responsabilidade incumbida de aval-

iar os skatistas estará nas pranchetas de: Ramon Oliveira; Marquinhos Careca; Sammy; André Magriça e birinha, iniciado em 2010, tornou-se um dos melhores eventos do Brasil em organização e estrutura, evento este organizado pelos próprios skatistas locais, Fundando a Associação Quintal do Ipiranga, estão de parabéns, pois já iniciaram no circuito com 03 Estrelas, equivalente a 800 pontos para o primeiro colocado, tratando os adeptos do slide com muito respeito. Vale à pena conferir as manobras dos competidores, pois muitos tentarão levar a premiação do evento para casa, e comemorar com suas respectivas namoradas, pois estaremos no dia 12 de junho, (dia dos namorados), muitos terão Um dia dos namorados diferenciado.


Um sonho no A his t贸ria u d m e ating shape Rocky iu o r que , s de cr eu objet ian莽a ivo

Por Gustavo Criscuolo / Fotos: Rafael dos Anjos


Rocky Santos, hoje em dia com 42 anos, está ligado ao surf desde a sua infância. “Quando tinha cerca de 10 anos, no início da década de 80, já curtia as notícias do esporte por meio da revista Visual Esportivo, que era trimestral na época, e nos deixava ávidos pelas novidades”, afirmou. Ao começar a conhecer o mundo do surf, Rocky mostrou muito interesse pela forma que as pranchas eram shapeadas, e foi buscar um trabalho nesta área. “Consegui um emprego na Akio Surfboards, onde aprendi muito sobre todas as etapas de produção de uma prancha. Passei também pela Summerboard e pela Surface”, conta o shaper. Começou a shapear em 1991, fazendo suas pranchas de uso pessoal. Aos poucos os amigos e conhecidos foram vendo seu trabalho e encomendando pranchas com o então garoto. Em 1995 foi convidado para trabalhar na Califórnia, atuando nas fábricas Heritage e Evolution, que foram


de extrema importância para sua experiência. Em 1998 Rocky voltou ao Brasil, onde abriu sua própria fabrica de pranchas, passando a fornecer para muitos adeptos do surf. “Trabalho com o que sonhei desde quando era menino. Hoje em dia vejo minhas pranchas sendo usadas por iniciantes, amadores e até mesmo profissionais do surf. É um grande orgulho.” Atualmente Rocky Santos tem sua fábrica de pranchas, onde faz também restauração de usadas. “Hoje em dia faço em torno de 40 pranchas por mês, cada uma delas custando em média R$ 700,00. Trabalhamos em quatro pessoas aqui na fábrica, formamos uma espécie de família!”, finalizou.


A coleção de Pranchas antigas A minha preferida é com certeza a Gerry Lopez que tenho aqui, uma verdadeira raridade

Rocky Santos

Rocky gaba-se também por ter uma bela coleção de pranchas antigas. Atualmente conta com 45 relíquias guardadas, que vão de pranchas simples, a verdadeiras preciosidades. A sua prancha mais admirável é uma Gerry Lopez, havaiano que foi um dos pioneiros na fabricação de pranchas em todo o mundo. “Muitas vezes via garotos no mar usando pranchas antigas, e eu me fascinava. Já cheguei a trocar uma prancha novinha por essas antiguidades, só para aumentar minha coleção. A minha preferida é com certeza a Gerry Lopez que tenho aqui, uma verdadeira raridade”, explica Rocky.


com Laird Hamilton Com “Rabbit” Keka

parte da decoração

ACalifornia temporada na

Durante os três anos em que morou na Califórnia, Rocky teve contato com verdadeiras lendas do surf mundial. Nesse período, também realizou um sonho de todo surfista: Esteve no Havaí. Foi nesse período que conheceu Laird Hamilton, um dos grandes nomes do surf de todos os tempos. O americano, que é considerado

o maior surfista de ondas grandes de todo o mundo, foi um dos inventores do tow-in-surfing (quando o surfista entra na onda rebocado por um Jet ski). Também criou o foilboard e foi um dos pioneiros do kitesurf. Hoje em dia, é praticante do stand-up paddling surf e continua a explorar as fronteiras aquáticas.


Rocky sempre dá um toque especial de arte em cada canto da fábrica, ao lado a “kombi geladeira”


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O processo de fabricação de pranchas

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fabricação de uma prancha de surf começa com a compra do bloco de poliuretano. “Pegamos este bloco e vamos para a sala de shape, onde damos toda a forma à prancha, de acordo com a necessidade e característica de cada surfista. E neste primeiro passo que definimos a rabeta, curvatura, flutuação, largura e tamanho da prancha”, explica Rocky. A sala de shape tem características únicas. As paredes são azuis, para dar contraste com o bloco branco, e a iluminação é na altura que o bloco fica. Depois de shapeada a prancha, ela vai para a Sala de Pintura, onde é personalizada. Após ser pintada, vai para a Laminação, onde recebe um banho de resina e uma malha para fibra de vidro. Após laminada a prancha vai para a primeira lixa, que é a lixa seca. Por último, passa pela lixa d’água, onde ganha todo o brilho.

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O apoio a atletas Rocky não faz somente a fabricação de pranchas. Durante um bom tempo ajudou crianças de Ubatuba (onde tinha uma loja de pranchas) com doação de pranchas e com apoio em competições. Além de ajudar com as pranchas, muitas vezes pagou inscrições em campeonatos para garotos que não tinham condições competir, e se orgulha muito disso. Com o fechamento da loja na cidade do litoral norte paulista, ele acabou deixando de apoiar a comunidade. Mas ainda ajuda o surfista local Timmy Moricato com um pequeno patrocínio, com a fabricação de pranchas para competições.

Jogo Rápido Uma viagem? Rocky – Com certeza para o Havaí. Uma música? Rocky – Todas do Lenny Kravitz. Uma praia? Rocky – A praia de Itamambuca, em Ubatuba. Sua religião? Rocky – Eu tenho a minha própria fé, não sigo nenhuma religião específica. Uma prancha? Rocky – Minha Fish Round 6’0


Noa no Bloco Lenon na laminação

Serviço

Rocky Pranchas de Surf Rua Lord Clemente Attler, 374 – Pirituba – São Paulo / SP Email: rocky.shaper@ig.com.br http://www.rockypranchasdesurf.com.br

Tel: 11-36479938


Toca Raul Por Lucas Pimenta

Fotos: Assessoria de imprenssa Lobão

‘Novo Velho Lobo’ retoma o trono do Pop

Primeiro foi tema de biografia líder de venda do mercado literário e ocupou as principais prateleiras das grandes livrarias. Agora, um recém-lançado Box com três discos e DVD, encartado por uma grande gravadora e recheado com hits de sua carreira. Para fechar o momento de fama, aparições quase repetitivas nos programas de maior audiência das grandes emissoras e considerado o ‘novo’ ídolo da juventude Cult. O momento descrito poderia encaixar bem com grandes medalhões da música nacional como Chico Buarque, Caetano Veloso e até mesmo, o ‘rei’ Roberto Carlos. Mas, após brigar com os gigantes do mercado fonográfico, cantar o jingle da campanha de 1989 do na época, extremista de esquerda Lula, ao vivo, em pleno o programa do Faustão e ser um dos percussores da venda de discos em bancas jornais por ‘delões’, o sempre verborrágico Lobão ‘trocou de pele’ e reassume um posto que parece feito


para ele: o trono do Pop nacional. Sim. Quebrando a previsibilidade da indústria fonográfica nas últimas duas décadas, o ‘Velho Lobo’ voltou as paradas de sucesso, ressuscitou os grandes hits que tomaram conta das rádios e trilhas de novelas nos anos 80 e desbancou o modelo de ídolos jovens e bons moços que lideravam o filão do mercado dos últimos 20 anos. Como tudo que faz, ‘o novo Lobão’, agora sem os dentes podres, com cabelo desfiado e corpo atlético, despertou e pelo jeito, ainda vai despertar muita polêmica na mesma intensidade com que vem conquistando filhos e netos de seus antigos admiradores. Aos fãs que peregrinaram com ele no momento underground e deliraram com poesias geniais desta fase, ‘João Luizinho’ – apelido de infância revelado em sua biografia 50 anos a mil – o ‘Lobão do grande mercado’ decepciona e levanta guerras ideológicas. Aos mais conservadores, que mesmo no sucesso dos anos 80, conde-

navam a postura desagradável do cantor, o ‘Lobão Paz e Amor’ não convence a aversão (ou fobia) de outros tempos continua e fica ainda mais forte. Mas, como sempre, o músico tem explicação e mostra sobriedade para defender a mudança de postura. De volta a mídia, ele diz não querer se aproveitar do sucesso de seus hits das décadas de 80 e 90 como ‘Decadence avec elegance’ ou ‘Me chama’, simplesmente porque bateu a saudade da fama. ‘O velho novo Lobo’ garante que essa é a chance para que ele possa mostrar a quem não conheceu – nem conheceria, se não mudasse – suas grandes obras de artes de menos apelo popular do período independente, como ‘A queda’ ou ‘A Vida é doce’. E ele tem razão. Com o retorno ao trono do pop, quem o conheceu somente na época do sucesso e ouve as poesias da fase underground, pensam que as canções são lançamentos. Ou-

Agora, resta saber por quanto tempo o ‘velho lobo’ suportará se (re)enquadrar as regras da máfia fonográfica e da mídia de massa.


vem, muito e como ouvem. Para os mais jovens que só conheceram seu brilho agora, tudo é novo e ao aumentar o volume da vitrola, a genial, mas rara ‘Uma delicada forma de calor’ soa tão popular quanto a clássica ‘Girassóis da noite’. Quem gosta de boa música e conhece a história desse gênio, esquecendo os vícios ideológicos e as ideologias viciosas, é inegável que o renascimento de Lobão pode significar sem exageros, uma salvação. Há quase 20 anos, boa música andava na contramão de sucesso e tirava folga no Brasil. O ‘novo Lobão’ devolve a maioria dos brasileiros, a música de qualidade, roubada desde a onda Rock N’ Roll de 1980. Agora, resta saber por quanto tempo o ‘velho lobo’ suportará se (re)enquadrar as regras da máfia fonográfica e da mídia de massa. Basta lembrar que no início dos anos 90, o cantor, por conta própria e por ter enjoado das regras do jogo, atirou fora, aposentou e deixou o sucesso órfão. Espero, para o bem da boa música, que todos merecem ter acesso, que seus 50 anos (a mil) tenham lhe dado paciência para suportar. Ele vai precisar. Ao ‘velho lobo’, parabéns e sucesso. O trono do Pop sempre o esperou. Pop? Pop sim. Garanto para quem não concorda que esse é o termo que o cabe. O rótulo de roqueiro, ele não quer e as ofensas do histórico show do Rock In Rio mostra que os próprios roqueiros não o merecem. A pecha de músico popular brasileiro, como de seu desafeto Caetano, seria injusta pela agressividade de personalidade. Não é só músico, não é só popular e não é só brasileiro. Pop sim ou há algum ‘fazedor de hits’ como ele hein? Por fim, além da continuidade do sucesso, espero que o gênio esteja feliz de verdade e com sinceridade pela reconquista. Pois, se não, como ele mesmo diz com a genialidade de sempre: “Diante do medo, um sorriso aeróbico. Na bochecha, a câimbra de uma alegria incompleta. Nada como um sorriso burro e paranóico para não perceber a velocidade terrível da queda”. Não gostou? Então, toca Raúl vai!

Lucas Pimenta

Repórter da Folha Metropolitana/Metrô News, com passagens como assessor de imprensa de músicos e da produtora e selo musical Ikeatã Brazil. Formado em Gerência de Carreira Musical


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As seguir sessão de fotos dos eventos:

encontro downhil São Bernardo e FreesTyle Sumaré


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Encontro downhil

S達o Bernardo Fotos: Rafael dos Anjos


Freestyle

SumarĂŠ Fotos: Eduardo Spok



Revista Vala Edição Maio 2011