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O Dia Internacional da Mulher contra sua exploração Por Vágner Benatti Fernandes No dia 8 de maio comemora-se o Dia Internacional da Mulher. É geralmente a data em que a sensibilidade e a feminilidade das mulheres são exaltadas. Um dia especial quando a mídia, a sociedade e as próprias se lembram delas com ternura. Procura-se sempre presenteálas com flores, bombons, vestuário, poesia, literatura... Tornou-se uma data comercial como tantas outras. Esqueceu-se, porém, de suas origens e de porque a data existe. Atualmente, mulheres ainda sofrem explorações de diversas origens, mesmo que, aos poucos, a mulher cada vez mais esteja tomando conta dos rumos da sociedade, aumentando sua participação no mercado de trabalho e adquirindo autonomia para cargos de chefia. Mudanças que sofrem resistência. Por que as mulheres merecem um dia só para elas? Porque, em outrora, elas não possuíam dia algum. Até meados do século XX, antes da revolução sexual da década de 70, a mulher viveu à sombra do homem numa sociedade machista e patriarcal. Como mulheres, foram subjugadas ao mercado do matrimônio e ao da exploração sexual. Como trabalhadoras, sua mão de obra foi duramente explorada, mais ainda que a masculina. Como cidadãs, não tinham direito a voto e não participavam diretamente da vida política da comunidade. O dia Internacional da Mulher existe para nos lembrar que a dignidade e liberdade que as mulheres conquistaram não foi uma tarefa fácil. Assim como todo grupo que já foi discriminado pela classe dominante de sua época, foram humilhadas e rebaixadas. Sofreram violências de todo tipo no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando da incorporação da mão-de-obra feminina em massa na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo para reivindicar seus direitos. Um famoso incêndio teria ocorrido em 8 de maio de 1857 quando 129 mulheres teriam morrido presas dentro de uma fábrica têxtil em Nova York . Verdade ou mito, essa foi a versão adotada para firmar a data. Chega-se a dizer que os patrões ordenaram a polícia para que incendiasse a fábrica de forma criminosa como resposta a uma greve. Existem estudos que rejeitam essa versão e que afirmam ser um mito criado a partir de vários eventos reais, mas que simplificou a aceitação da data. A luta pela igualdade ainda não terminou. Segundo estudos do DIEESE, Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, mais de 40% da população economicamente ativa é feminina. As mulheres estudam e se qualificam mais que os homens, mas ocupam postos menores e ganham menos que os homens de mesmas funções. Mulheres inteligentes são mais inteligentes que homens inteligentes. Pensando em natureza humana, mulheres tem mais sensibilidade coletiva, discernimento e calma para


tarefas que exigem empenho colaborativo ou cooperativo. Mulheres em cargos públicos seriam menos susceptíveis a corrupções, pois ao homem é atribuída uma natureza individualista e de competitividade. O "macho alfa" mantém seus direitos geralmente pela força e intimidação. Já as fêmeas, alfa ou não, cuidam do macho alfa, de seus filhotes, dos filhotes das outras e de toda a comunidade. Comparando o mundo humano com o selvagem, um leão luta com outro e, ao vencê-lo, mata todos os filhotes daquele para garantir que sua ascendência genética seja garantida e única. Por outro lado, mulheres comuns são mais "bobinhas" que homens comuns. A intensidade do ser feminino é maior que o masculino. Quantas vezes vemos na televisão a publicidade que coage a mulher a consumir produtos de beleza através da insatisfação provocada pela impossibilidade de se tornarem aquele ideal da beleza? Programas de auditório também exploram a seminudez da mulher de forma completamente desnecessária. Um apelo escatológico que transforma a mulher, um ser humano, em objeto de desejo inconsciente para os homens e de inveja para a mulher comum. Paquitas, bailarinas do Domingão do Faustão, dos programas de Sílvio Santos, Pânico na Tevê e tantos outros colocam mulheres em trajes minúsculos como plano de fundo (ou de frente). Apresentadoras como Ana Hickmann ou Adriana Galisteu continuam firmes em suas carreiras porque são inteligentes e sensuais. Inteligência não é o bastante? Para os homens, quase sempre, o é. Não falo de moralidade, mas de respeito a essas mulheres que mostram a beleza do próprio corpo enquanto ainda a têm e que caem no esquecimento profissional depois que a beleza se vai com o tempo. A publicidade que mais chama atenção é que usa o slogan "Poque você vale muito". O que fica na mente das mulheres é que se elas não conseguirem ficar perfeitas como as modelos profissionais que aparecem nos anúncios, valerão pouco ou nada. Daí a constante preocupação delas com a aparência: a exploração atual a que subjuga-se a mulher comum é a do consumo quase obrigatório no mercado da beleza. Temos muito o que aprender com as mulheres. Principalmente sua capacidade inata de amar o próximo, o anterior e o do meio, se me permitem brincar com as palavras. Não se pode confiar num ser que perdeu a capacidade de chorar e de se importar com o outro. Tenho esses exemplos na minha vida através de mulheres fantásticas que conheci. E quero sempre aprender mais com elas e ajudá-las a se defender quando preciso. Dou meus parabéns as mulheres e, também, meus pêsames.


Artigo sobre o dia internacional da mulher