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Crônicas do Infinito Vácuo

Valdir Sol – 2005 – Publicação Digital


CRÔNICAS DO INFINITO VÁCUO Valdir Sol – Verão de 2006 Publicação digital Impressão em papel não recomendada Do mesmo autor: Nosso Simples Interior - 1997


Para aqueles que recebem e Ă queles que fizerem descarga


Meus dois filhos foram pacientes e não me cobraram atenção nas horas noturnas. Um primo me recomendou pré-lançamento e fiz distribuição para várias pessoas, que prefiro não escrever nomes, pois posso esquecer de alguém. Um brilhante professor me ajudou nalgumas correções, mesmo sendo complexo corrigir crônicas em poesias. Conversas com astrônomo teofilotonense presentes em textos, reservando todos os direitos das teorias do tempo, do espaço e do universo.


CAPA DO INFINITO VÁCUO DISTANTE MEDIEVAL Uma paisagem das montanhas – 1660/65 Óleo sobre tela - 56,5cm x 50cm - Wallace Collection, London Do holandês: Jan Wynants (1630, Haarlem, 1684, Amsterdam) http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/w/wynants/index.html Endereço web válido em dezembro de 2005 Todos os direitos reservados a quem de direito


Catálogo Prólogo..............................................

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Cristi...............................................

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O Zero...............................................

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Primitivo............................................

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Entrelaços...........................................

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Cartas Tristes.......................................

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Cristo Redentor......................................

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Laisser-faire........................................

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Oitavo...............................................

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Novo Governo.........................................

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Indícios Medievais...................................

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Vírus................................................

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Incelência pro Mundo Novo............................

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Mitologia Pagã.......................................

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A Volta Súbita.......................................

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Filosofia do Sonho...................................

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Tumor Maligno........................................

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Fala Vazia...........................................

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Número Primo.........................................

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Não Diga.............................................

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Os Mendigos..........................................

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Susto................................................

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Partem Partidos......................................

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B!nar!o..............................................

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Médicos do Medo......................................

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Pensar...............................................

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Carnaval.............................................

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Universo Aspiral.....................................

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Pirâmides............................................

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Afirmações...........................................

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Na Quadrada das Águas Perdidas ©.....................

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Catálogo Crônica da Grande Fome...............................

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Mal e Mel............................................

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Amizade..............................................

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São Tudo.............................................

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Wynants..............................................

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Primeira Coluna......................................

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Fim de Terra.........................................

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Clone................................................

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Anúncio..............................................

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Tabu.................................................

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Cursando Linhas......................................

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Atitude..............................................

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Luz do Tempo.........................................

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Águas Mágoas.........................................

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O Falso Trabalho.....................................

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Onze.................................................

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Inflação Real........................................

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Civilizações.........................................

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Obrigado.............................................

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Referências Básicas para Meditação...................

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Prólogo Um olhar sob a era medieval, já com luzes do Renascimento, na tão esperada hora do Barroco. Deste tempo, Da Vinci já vislumbrava as fantásticas maravilhas do futuro, e o futuro era para mais de 1.500 anos. Mesmo assim, ele enxergou longe. Visão. Enquanto isto, em outro tempo, Wynants andava sozinho, refugiando nas matas primitivas, que certamente foram destruídas pelos caminhos modernos. Europas e Américas. Solidão, adjetivo poético. Motor artístico. Dicionário poético. Amor, dor, nada, tudo, coração, ermo, vazio, vago, lua, manhã, dia, mulher, espaço, química, física e biologia. Na terra do pau-brasil, a colonização já traçava o futuro lastimável que esta terra chegaria, nos milênios futuros. Fim de mata e excesso de urbanização. Povo de curral. Consumo. Causos transformados em poesias. Poesias transformadas em histórias de mistérios pretéritos além daqui. Escuta de roda de amigos sintetizadas em refrões poéticos. Clarão de falta de eletricidade. Clarão da mente. Devaneios da natureza apocalíptica. Insólito. Política retrógada e braços cruzados perante os fatos e a História. Sem ação e sem pretenção. Palavras não salvam o mundo. Insuficiente. Um olhar sob a era contemporânea. O descaso dos excluídos. No infinito vácuo não se vê cores. Terra seca. No infinito vácuo não há luzes e nem som. Terra vermelha e cinza. Infinito vácuo é uma expressão cheia de conceitos, desde à vontade de gritar no espaço ao silêncio de uma formiga arrastando uma folha. Ao trabalho.


1915 Homenagem ao meu PAI


Cristi Um ser esquisito andava pelas praias ácidas do Rio olhando para um céu cinzento admirando uma imagem fixada numa pedra de um Homem olhando para o vago cercado por desertos ladeado por nuvens negras O ser esquisito era monstruoso sem nariz sem boca sem olhos sem braços sem pernas A imagem estava desgastada corroída manchada escura desolada O ser esquisito pensava olhava de uma maneira diferente repensava se mexia entre seu corpo estranho arrastava imaginava A imagem lá no alto pregada na pedra grande pesada como teria chegado ali

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O Zero 1ivre 2oando por aĂ­ 3nquanto se pode 4azer arte 5em receios de 6rades caligrĂĄficas 7azidas no egito 8oras de amargas 9randezas profĂŠticas

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Primitivo Um pique de energia Uma faísca no céu Parece que tudo se recria Nuvens encobrem a lua Mais um pique Um estouro bem longe Gritos na escuridão Num piscar de olhos Janelas clareiam Iluminam o primata Desacredita do moderno Na era de energia elétrica Num piscar de olhos Velas acendem

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Entrelaços Esse povo é alegre é feliz ao ver o amigo Nossa gente é contente se abraçam para viver As pessoas são belas sorridentes pelos cantos Nosso povo é bem simples apertam as mãos do próximo Essa gente é de coração tanto amor sem razão As pessoas se dão para as outras não se soma recompensa Esse povo é sagrado das graças divinas Nossa gente é bem forte de laços fecundos As pessoas daqui são felizes e vivem felizes acolá Povo puro Gente boa Pessoas de paz

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Cartas Tristes Cartas tristes são poesias de poetas tristes poetas vivem isolados buscando um sentido para sua arte um sentido para sua vida maculada Cartas tristes são anúncios de poetas calados poetas andam mudos tentando entender porque não acreditam no mundo tentando saber o fim do universo Cartas tristes são sinais de poetas chorões poetas andam em crise procurando compreender a fantasia do mundo procurando se secar Cartas tristes são prelúdios de poetas desesperados poetas não têm sintonia sabendo que as linhas não saem tortas entrando na era do ocaso Cartas tristes são versos para uma poetisa poetas não se entrelaçam poetisas não vivem tristes poetas fogem das poetisas

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Cristo Redentor Certa vez um colega me disse que para chegar ao Cristo Redentor não precisa subir montanha andar de bonde usar aeronave Certa vez eu vi o Cristo Redentor de perto que podia tocar em Suas mãos pisando em areia da Copacabana tão pertinho de nós Certa vez não era aqui estava muito longe de nós lá aonde o tempo não tinha chegado ainda Naquele tempo que o tempo não tinha chegado o mar não mais existia o Rio não existia e não tinha mais montanhas em Minas Desta vez ninguém que é hoje existia o Cristo estava sozinho ali debaixo da areia do Atlântico com os braços e a cabeça sobreviventes Certa vez um colega me disse que para chegar ao Cristo Redentor não precisa de escadas nem de nada Agora a Terra era um deserto e não tinha nada era plana era seca era morta Certa vez começava uma nova era de bactérias inteligentes esperando a estação espacial se desintegrar para construir uma nova raça com os restos dali Certa vez olharia para o Cristo Redentor e estudariam os forasdaterra e seria concluído que outra raça vivera ali e assim elouqueceriam Certa vez pedi socorro Cristo me tira desse cativeiro Redime

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Laisser-faire O homem precisa comer o outro homem planta feijão o que planta feijão precisa vestir um outro homem costura um vestido o que costura vestido precisa morar um outro homem constrói uma casa o homem que constrói precisa comer um outro homem planta feijão o que planta feijão precisa vestir mas vai morrer de frio um outro homem costura um vestido o que costura vestido precisa morar mas vai morrer no mato um outro homem constrói uma casa o homem que constrói precisa comer mas vai morrer de fome

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Oitavo Zero é nada um é primeiro dois é o que vem depois três é o ideal quatro é a metade de oito cinco é o centro seis está além do limite sete é o fim oito estrapolou nove é nada

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Novo Governo Que tal um novo governo nesta nação colonial de gente que não consegue votar Que tal um novo governo neste país marginalizado pelas conspirações mercadológicas Que tal um novo governo que se hospede no quintal sem arrogância pública Que tal um novo governo para decidir melhor os rumos daqui e escrever a biografia final Que tal um novo governo no Planalto Central das Minas Gerais aonde o sangue é patriota Que tal um novo governo sem tantos deputados e mais ágil para a nação Que tal um novo governo de único senado reduzido com setenta e um membros Que tal um novo governo das empresas e do povo que busca o equilíbrio Que tal um novo governo sem poder presidencial de um líder escolhido pelo senado Que tal um novo governo que não faça propaganda e construa a nova nação Que tal um novo governo sem funcionários improdutivos com o povo no trono Que tal um novo governo capitalista comunista anarquista direção do povo

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Indícios Medievais Reinados eram de terras Terras que produziam Terras que eram preservadas Reis tinham poucas cidades As cidades tinham poucas pessoas Haviam florestas nos reinados Haviam poucas pessoas O mundo não era conhecido A população cresceu E foi crescendo até bilhões Os reis já não existem As terras continuam produzindo As matas continuam se extinguindo O oxigênio acabando O ciclo desta vida se expira

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Vírus Eu estou no seu meio e você não me vê !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!i!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eu não tenho cura eu não sou a cura

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Incelência pro Mundo Novo Ah mundo novo que de novo não há nada sepulcros bonitos jazigos de ouro lixo Ah mundo novo que de bom não há nada comunicação impura redes nojentas lixo Ah mundo novo que de bonito não há nada poluição sobre tudo ar impuro lixo Ah mundo novo que de paz não há nada direito sem respeito liberdade conduzida lixo Ah mundo novo que não se sabe nada de ti se tem futuro se teve história vazio Ah mundo novo da beleza humana perfume podre vestuário negro pobre Ah mundo novo novo que novo só o novo de não existir Ah que canto imperjúrio desse mundo

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Mitologia Rude e Lascívia quiseram casar Casaram nos céus de Apolo Entre as flores mesopotônicas Rude e Lascívia desejaram um filho E tiveram o mais lindo ascendente No grande mar Egos foi batizado Egos vivia sozinho Rude e Lascívia viviam com Egos E não quiseram mais filhos E Egos continuou sozinho Um trovão estremeceu os tempos Rude separou de Lascívia Um filho somente continuou Uma praga assolou os tempos Afrodite se decepcionou Um estrondo na mitologia Rude e Lascívia são donos de Egos Como castigo não se vêem Egoístas não se abraçam Um forte trovão lançou a praga O castigo atravessou os tempos A praga chegou para a mulheres Tolas e bobas Ingênuas e faceiras Engravidariam sozinhas A população continuaria sua saga Crescendo e prosperando

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A Volta Súbita Arde seca terra desse leito rio seco Queima mato virgem erosão chão tão Sofre bicho catingueiro num barro só que é Derrete gelo musgo desse pólo único Flui ar que não te sente mente o fôlego Morre rio que não vai mar sozinho lá Arde terra seca queima sofre derrete flui morre Renasce terra verde abaixo desses prédios Destrua tudo que há sobre tudo aqui Concreto que vira pó incerto urbano incerto pastoril Destrua tudo que há Renasce terra verde Com troncos invencíveis Retome seu trono

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Filosofia do Sonho Sonho que estou num sonho penso que não sonho Olho ao redor prá ver se é sonho sonho que não estou sonhando Vejo que o sonho não é sonho se sonho que estou sonhando Dentro do sonho penso lá fora se sonho que estou aqui dentro Ando pelo sonho que acredito não sonhar e estendo as mãos para sair dali Procuro uma saída para o sonho ou procuro sair do sonho Sonho que estou num sonho correndo para sair dele Se o sonho é sonho não posso sair não posso pensar Não existo

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Tumor Maligno Era uma cidade sem violência. Fora alguns responsáveis pela ordem pública, que mais queriam enriquecer, podia se dizer uma cidade sem violência. Se não a violência contra o dinheiro público, que prefeitos e vereadores sempre desviavam, podia se considerar uma cidade sem violência. Fora alguns bêbados, algumas pessoas traídas pela outra pessoa companheira e pequenos delitos, podia se dizer uma cidade sem violência. Mas uma cidade sem violência não é negócio. Era preciso fazer a violência acontecer ali. Assim, segui para aquela cidade. A primeira atitude foi corromper o delegado, exigindo mais divulgação da crimilidade, mesmo que fossem banais. Em seguida, comprei as rádios e a televisão local. Todos passaram a dar ênfase à crimilidade, mesmo que banal. Ainda era pouco. Ainda não daria renda para compensar o investimento. Seria preciso cinco anos. Queria fazer o investimento retornar em dois anos ou um ano. Então, restava uma atitude mais enérgica. Fui até a capital e contratei três dúzias de bandidos. Pedi um tempo para o delegado. Ordenei para atacar. Invadiram um décimo das residências. Meu negócio cresceu! Quase oitenta por cento da população com condições econômicas passaram a usar os sistemas de segurança da minha empresa. O negócio já havia retornado o investimento em menos de um ano. Alguns dos bandidos que contratei continuaram morando na cidade. Não consegui devolver todos para a capital. A violência aumentou mais ainda. Passou além da invasão de residências. A polícia não dava conta. Minha empresa não conseguia atender todos os moradores. A violência aumentava. Alguns dos bandidos que contratei montaram pontos de produção de drogas naquela cidade que não tinha violência. Meu negócio rendia, rendia, rendia. O delegado estava rico. O capitão estava rico. O prefeito estava rico. Eu estava rico. Meus funcionários, que eram ex-bandidos, trabalhavam mais do que a polícia. A polícia cuidava do trânsito para dizer que fazia alguma coisa. Todos enriqueciam. A comunidade estava com medo. Não entendia nada. A comunidade não sabia dessa negra conspiração contra a segurança dela. Essa conspiração não era somente na segurança. Existia uma seita para prejudicar os atendimentos nos hospitais públicos, para forçar a compra de plano de saúde. A mesma seita mantinha uma péssima educação nas escolas públicas, para forçar a educação particular. Segurança, saúde e educação. Tudo controlado pela seita da sociedade negra. A comunidade era cega. Era cega. Certo dia tudo mudou. A raiva tomou conta da comunidade, que incendiou tudo. A comunidade criou uma nova ordem governamental. Demoliu Brasília. Reconstruiu o Senado. A comunidade descobriu que o problema era político. Comunidade esperta. Perdi minha esposa. Meus filhos me largaram. Fugi daquela cidade. Padeço aqui sozinho numa pensão dos fundões de São Paulo, corroído pelo câncer.

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Fala Vazia . . . . Um vazio na história . . . . um vazio . . . . Uma linha descontinuada . . . . uma linha . . . . Um ponto de interrogação . . . . Um ponto final

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Número Primo Sozinho é o número primo sem vizinho e sem amigos só gosta dele mesmo e do distante primogênito Não tem par Não é par Ímpar de segredo indecifrável de cálculo inimaginável de volume inatingível aonde chegaria infinito mito Não pode ter par Não gosta de par Um e três é o segredo cinco é que deduz nada sete é a revelação Sem par Sem ar

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Não Diga Você tem mal hálito seu braço fede você parece que não toma banho você é arrogante você é prepotente você solta gases fedorentos você é fingido seu pé não cheira bem você é mal educado você mete o dedo no nariz você é falso você é bruto você não escuta seu ouvido anda sujo você é orgulhoso você é avarento você tem falsa filosofia você ajuda para se mostrar você se acha ansioso você se acha impaciente você se acha perfeccionista você tem falsa humildade seu discurso é vazio você tem medo você é racista você é preconceituoso você engana você se engana você é só você um miúdo zé ninguém mesquinho

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Os Mendigos Esta cidade foi invadida por mendigos morta-fomes Vieram de uma derrota política pestes Foram peças de combinação maligna aberração Chegaram nas transautas de todo lado sujos São gente de intenções perigosas forasteiros Dominaram esta cidade em epidemia doentios Tomaram em dotes o direito público depravados Estamos em tempos desesperados esgoto Saudade da boemia enganosa produtiva coração O que será de ti rainha do Nordeste desastre Levantem os povos de bem e façam revolução daninhos Expulsem essa corja devoradora asquerosos Devolvem a cidade aos seus donos Sovertem daqui

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Susto Pense rรกpido pois o tempo se esgota e quando chegar lรก embaixo nรฃo saberรกs no que devia pensar

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Partem Partidos Eu sou do P O P da peste que pariu Eu sou o P O P da porcaria de ideologia Eu sou o P O P da poderes arrogantes Eu sou o P O P da pinóia das merdas Eu sou o P O P dos piratas brasilianês Eu sou o P O P do planalto imundo Eu sou o P O P do peculato no senáculo Eu sou o P O P dos partidos políticos Eu sou o P O P da parcela incontente Eu sou o P O P da proposta democrática Eu sou o P O P do plano partidário Eu sou o P O P da propagação da reforma Eu sou o P O P da prensa esmagadora Eu sou o P O P que propõe cinco partidos Eu sou o P O P da pureza

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B!nár!o Diga sim diga não entre ou saia feche ou abra ande ou pára sobe ou desça fale ou cala aperte ou liberta cruze ou descruza chore ou ria abrace ou despreza pense ou grita suje ou limpa volte ou vá Diga sim diga não seja um seja dois seja breve seja rápido seja nada seja tudo seja agora seja nunca seja parte seja completo seja abstrato seja concreto seja de lá seja de cá seja bi seja quântico

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Médicos do Medo Há pobres que não têm nada Há ricos que não sabem de nada Há médicos que não aprenderam nada Há pobres que não têm saúde Há ricos que não sabem o que têm Há médicos que não sabem curar Há pobres precisando de médico Há ricos que são médicos Há médicos que não tratam de pobres Há pobres que pagam impostos Há ricos que são donos de faculdades Há médicos que estudaram de graça Há pobres que não entendem o sofrimento Há ricos que procuram não viver Há médicos que enganam a todos Há pobres precisando de comida Há ricos comendo sem parar Há médicos que receitam salicílico Há pobres com dores na barriga Há ricos com dor de cotovelo Há médicos que curam tudo Há pobres querendo dinheiro Há ricos querendo sofrer Há médicos roubando almas Há pobres chorando Há ricos debochando Há médicos soltos Há pobres analfabetos Há ricos sem sabedoria Há médicos doentes Nem todos pobres são carentes Nem todos ricos são pobres Nem todos médicos dão medo

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Pensar Se pensar nos leva a existir pela ordem poética filosófica pensar pode ser combustível Cada pensamento abastece uma conspiração incomum oculta do nosso saber O pensamento é a composição do material mundano que vemos aonde imaginamos sobre uma rocha Pensar é não saber que desconhece o sentido de alguma alma num imaginário sistema real Dizia o compositor contrariando a luz que o pensamento é mais rápido não se vendo fim e começo Pensar assim é plágio

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Carnaval O carnaval já foi bom carnaval dos povos dos cortiços dos bairros da cidade que era puro por si só não pretencioso O carnaval é uma falsa arte uma falsa idéia de tradição um errôneo conceito de folclore um momento de exibição orgulhosa Tempos retóricos de boa vivência quando os periféricos transfomavam suor em inesquecíveis caricaturas andando pelas ruas assustando crianças Esquecer a fome Esquecer a infância Vestir as mais coloridas túnicas Pretenção Carnaval é um componente maléfico para aqueles que não sabem divertir e não acreditam em nada O carnaval é mais uma farsa para o povo esquecer a fome para o subúrbio se mostrar burguês para esconder a corrupção para disfarçar a guerra Carnaval é um divã para os pagãos se sentirem felizes

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Universo Aspiral Gira gira gira mundo roda roda roda terra gira gira gira lua roda roda roda mundo sol aquece universo esquenta planetas estrelas que brilham buracos ocultos via de caminho incerto linhas de voltas retas astros que somem luz infinita no vácuo rádio em espelho som que retorna sol que abastece energia planetas que giram estrelas perdidas estrelas que nascem estrelas que vão berçário estrelado fotografia do tempo mundo que gira planetas que circulam elipse incógnita choque duvidoso explosão alfa buraco beta universo sozinho olhar de Criador

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Pir창mides 1 22 333 4444 55555 666666 7777777 88888888 999999999 Quem as fez? A AAA AAAA AAAAA AAAAAA AAAAAAA AAAAAAAA AAAAAAAAA Como poderiam? @ @@ @@@ @@@@ @@@@@ @@@@@@ @@@@@@@ @@@@@@@@ @@@@@@@@@ N찾o arroba nada dali ? ?? ??? ???? ????? ?????? ??????? ???????? ????????? Nada saber

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Afirmações Afirmo que gosto de você mas se me trair eu te mato Afirmo que prefiro você mas é para te enganar Afirmo que gosto dos diferentes mas é porque é moda Afirmo que você é o melhor mas é para você produzir mais Afirmo que acredito no Superior mas é com medo dele me castigar Afirmo que você é meu amigo para saber da vida dos outros Afirmo que te amo porque a mídia ensina assim Afirmo que sou bom para esconder minhas fraquezas Afirmo que não viveria sem você para continuar te aprisionando Afirmo que você é bonito para você se achar mais que todos Afirmo que você manda bem para puxar seu saco Afirmo que você é inteligente pois minha vida é puxar carroça Afirmo que faço caridade para enganar os coitados Afirmo que sou Homem pois extraterrenos estão aqui Afirmo tudo isto para me garantir

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Na Quadrada das Águas Perdidas

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Da Carantonha mili légua a caminhá Muito mais, inda mais, muito mais Da Vaca Seca, Sete Vage inda p'ra lá Muito mais, inda mais, muito mais Dispois dos derradêro cantão do sertão Lá na quadrada das água perdida Reis, Mãe-Senhora Beleza isquicida Bens, a lagoa arriscosa função Ô Caindo chiquera as cabra mais cedo Aparta Lubião, esse bode malvado, travanca o chiquêro Te avia a cuidá Alas qui as polda di Sheda rincharo ao luá Na madrugada suada de medo pr'a lá Runcas levando acesas candeia inclusão Da Carantonha mili légua a caminhá Mil badaronha tem qui tê pr'a chegá lá Sete jinela sete sala um casarão Laço dos Moura Varge dos trumento Velhos Domingos Casa dos Sarmentos Moças, sinhoras Mitriosa função Dá pressa in guilora a ingomá nossos terno Albarda as jumenta cum as capa de inverno Cuida as ferramenta num dexa ela vê Si não pode ela num anuí nois í Onte pr'os norte de Mina o relampo raiô Mucadim a mãe do ri as águas já tomô Anda muntemo o mondengo pr'a nois i pr'a lá ©

Todos os direitos reservados Elomar Figueira Melo Vitória da Conquista – Bahia – Brasil Linguagem dialetal sertaneZa Para ciência do artista erudita dos confins Este livreto não tem finalidade comercial, por isso, não dá prejuízo ao compositor

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Crônica da Grande Fome Vejo na praça um pai brincando com o filho e vejo mais ainda Quem está brincando é o pai com olhar brilhante e distante do filho Vejo duas mulheres simpáticas lanchando e passo a meditar um pouquinho Comem tudo que o dinheiro pode comprar mostrando que aquilo se repetirá por longo tempo Vejo um sujeito arrogante dentro de um carro sujando os pedestres de lama O coitado do sujeito naquele momento não pensa o que ele é fora do carro Um mesquinho que andava a pé nos caminhos dos tropeiros lá no tempo da grande fome As mulheres simpáticas levantam para a vida hedionda mas antes vomitam o lanche para não engordar Agora vão torrar o salário com vestidos e sapatos símbolos imundos da fome Lá na praça o novo pai distante do filho procura esquecer a era da fome se divertindo como se fosse o filho tomando o lugar do filho Uma mágica o leva a viajar de controle remoto na mão pilota algo pequeno pelos ladrilhos da praça E viaja pela fantasia realizando um sonho que a fome matou pilotando um carrinho

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Mal e Mel Ela está entre nós fracos masculinos que dormem tanto para provar dela mais Ela é um terror para os homens frágeis vem na noite escura provocar gozo maléfico para estender criação Ela procria em casulos seus filhos são sombras com sangue humano dos pobres homens frágeis Ela está entre nós está nos altos prédios nas grandes casas nas famílias sozinhas no casebre de palha Ela procura um fraco para aumentar as crias embriaga com prazer levando além desse mundo Ela é doce e saborosa arisca e assanhada perfeita e amorosa Ela aparece como donzela graciosa e encatadora vicia o fraco sucumbe

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Amizade Quem somos sozinhos nesse mundo Não somos nada sozinhos nesse mundo O que podemos sem aquela amizade De nada adiantaria sem ter amizade Sem amizade não podemos somar Sem amizade não podemos sonhar Pessoa amiga é aquela que não entende É aquela pessoa que deixa a outra livre Pessoa amiga não faz esforço para a outra A amizade se faz entender Quem somos sozinhos nesse mundo Somos felizes por termos uma pessoa amiga

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São Tudo São Paulo é maior São tantas ruas São tantos bairros São tantos prédios São tanta gente São Paulo é melhor São tantas lojas São tantos profissionais São tantas idéias São tantas criações São tantos recursos São tanta arte São Paulo é esperança Sem violência Sem sujeira Sem trânsito Sem poluição São Paulo é humana São tantos trabalhos São tantas caridades São tantas assistências São tantas curas São Paulo será a melhor São Paulo será a maior São Paulo terá esperança São Paulo é Brasil

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Wynants Caça aleatória por eras medievais buscando uma expressão para a obra Antropologia européia de aversão africana A origem do Homem estaria entre os povos negros Complexa amarração entre a obra sem sentido algum Nada de surrealismo africano sem herança alguma para a História Busca de uma expressão Barroca encontrada num desconhecido Europa de revoluções desprezando a origem humana Busca pelo mar de novos continentes chegando em ilhas de sonhos minerais Renomeando para américas a terra que estaria Brasil Visão ancestral registro cerebral

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Primeira Coluna gestores com novos talentos encaram novos desafios no mundo dos negócios tantas perspicácias em busca de resultado de mais lucro ordenando centenas míseros operários industriários poluídos na angústia do número algozes dos cimentos dissecados pela tecnologia armados de teorias praticadas em noção aversa ebulindo em sujeira livrando as entidades arrasadas pelo vermelho maquiadas pela falsa matemática incapaz de dar retorno déspotas emissoras iludindo povos fracos algemados por sons e imagens dosagens de prostituição oligaquia cerebral máscaras de teatro podre antraz dos povos inocentes lúdicos fantoches

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Fim de Terra O reino lusitano e o reino de castela achando que a terra era pequena e que o ouro já era insuficiente começaram a decifrar o mar Além do mar haveriam mais riquezas além da terra firme existiam mitos era preciso navegar pelos mares antes dos franceses As caravelas eram a grande invenção prontas para longas viagens pelos misteriosos mares do sul seguros que a terra era redonda Os reinos queriam mais grandezas e a terra já era insuficiente com poucos chãos a conquistar o mar era um gigante a explorar Quem chegasse primeiro seria o dono a epopéia seria escrita por navegadores que iriam extrapolar limites do reino para o além mar Do mar não tinha mapa somente o céu desenhava o trajeto grandes capitães já eram sábios para andar em regiões ocultas A terra estava no fim os reis queriam mais um fogo inquietante levariam para longe Dos portos do velho mundo a julgamento de raças antigas sonho de pangéia em retrocesso terra sem chão mar do tino

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Clone Me olho assim diante de mim diante de mim não me acho não me acho entre esse povo entre esse povo caminho sozinho caminho sozinho em busca de mim em busca de mim não me encontro não me encontro nesse mundo nesse mundo não há lugar para mim lugar para mim não é aqui não é aqui que apareci apareci num suspiro vitro suspiro vitro eu vim aqui eu vim aqui para revolucionar para revolucionar não sou capaz sou capaz de me ver ali ver ali já não me vejo não me vejo dentro de mim dentro de mim corre uma sede uma sede de entender isto aqui isto aqui não é lugar prá mim lugar prá mim não tem não tem não não sou sou eu mesmo

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Anúncio Verde-se que amarelou no serrote desse mateiro no machado desse lenhador no dragão desse capataz O mateiro plantou e colheu O lenhador semeou e floriu o capataz destruiu Verde-se O preço é cúbico o tamanho é cilíndrico Verde-se Novos edifícios por aqui mais boi para comer Verde-se Um deserto em construção o fogo em ação Verde-se Animais em extinção plantas sem salvação Verde-se que dá tempo últimas ofertas último suspiro

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Tabu Ele é um bom sujeito querido se faz Ele é moderno bem cuidado e de paz Ele é mais ele cresce como talo Ele vive sozinho faz amor com um falo Ele é autêntico tem toda razão Ele é feliz da vida puro de coração

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Cursando Linhas Ela me chama de falso manso Aí me vejo no espelho me olhando Espelho não reflete um falso manso Lados oblíquos indistintos O que é um falso manso Se não um contornado Linhas duplas traçadas em si Mas isto ainda não é um falso manso Aí me olho de cima a baixo de cima Não se vê um falso manso O que é um falso manso Se não um oculto desencontrado Uma preposição prepotente incontente É insuficiente afirmar o que é um falso manso Aí penso e repenso e descrevo Vagando no planeta de tudo Olhando os seres mais próximos Bravos seres da natureza Um animal na savana Uma cobra de plumas Um leão com pena Um sapo colorido Uma águia de ferrão Um urso desibernado Um bicho na varanda A contenda da prolixidade Falso manso não explicado ainda Um falso adjetivo abstrato

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Atitude Subi numa montanha procurei um mistÊrio busquei um presente encontrei uma surpresa -^Desci da montanha para reecontrar esperança semear os amores explicar a grandeza -vVoltei para a montanha decifrei o mistÊrio achei o presente desenhei a natureza -^Partir da montanha Encontrei o sossego Permaneci meditando para descrever a beleza -v-

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Luz do Tempo Hoje é primeiro de janeiro um vulcão explode no centro de Java [.^.] Uma estrela fotografa o vulcão num fleche mais rápido do que a luz [*] A luz da estrela segue para Terra e vai levar doze meses para chegar [v] Dentro da luz da estrela segue uma foto que chegará na Terra em um ano [@] A luz da estrela é uma mensagem do tempo transportando as visões do passado [+] Mas como pode o fleche ser mais rápido ao ponto de quebrar a velocidade da luz [?] E a luz da estrela continua sua viagem cruzando galáxias rumo a via láctea [÷] O destino é a Terra aonde a ciência espera aquela luz [(o.o)] Num gigantesco sistema de espelhos digitais as imagens serão recebidas [><] Está chegando trinta e um de dezembro luz se findará nos espelhos [!] E a ciência vai ver como foi aquele passado do vulcão que explodiu no centro de Java [.^.]

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Águas Mágoas Rios correndo no tempo vazio Solitários em curvas pelos montes Sozinhos estão essa gente da cidade Longos tubos levam água para essa gente Rios foram estagnados para produzir água Lagoas foram tratadas dos vermes E vermes moram na cidade São vermes que dividem as águas Longos tubos foram colocados pelo homem braçal Favelas nas cidades Podridão dessa gente escolhida Água suja corre entre as favelas Tubos correm distâncias levando água O pobre homem braçal não bebe água Água limpa e livre das sujeiras Quem é sujo mora na cidade Tão logo não terá mais água Terra seca ficará As águas são divididas pelos vermes Tão logo faltará água na cidade Os tubos ficaram enxutos Os vermes terão que dividir a água Partilhar água não é coisa de verme Água chegará nos Jardins E faltará para os pobres Os vermes não são tolos Sabem que o povo rico tem poder São capazes de fazer perder o jogo Só falta água na casa do pobre Nos bairros nobres jorra água Pobre favela periférica sem água Seu governo tem nojo de pobres

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O Falso Trabalho Todos dizem que não tem tempo todos esperam chegar uma mensagem Gastam um falso tempo fazendo arquivos digitais para se mostrar bonito Fazem uma apresentação Fazem um fluxo Fazem um gráfico E mostram tudo isto como beleza negra do seu trabalho Ninguém produz Ninguém sugere nada especial Não inovam Não criam Todos passam o dia inteiro olhando para uma tela esperando uma mensagem chegar A tela rouba a criatividade a inteligência o bom senso Furta o trabalho leva o dinheiro como salário Todos esperam uma mensagem chegar se não chega maximiza e minimiza a máxima falsa idéia mínima de trabalho E o dia vai indo gastando os pulsos murchandos Ninguém sai do lugar são estátuas do mal moderno Olham para um lado olham para outro lado e nenhuma nova mensagem chegou Já é tarde e noite chega se dizem cansados exautos enfraquecidos achando que trabalhou muito Não produziu nada Fim de arquivo

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Onze Onze são duas torres dois érres em torres torres torresmo porco e touro Touro da ostentação do poder touro das vacas vacas padecem Torres explodindo gente em chamas cinzas nos ares americanos do norte Onze é nota inexistente tem letra de fim é número ímpar bomba Onze é corredor aberto de vacinar gado de marcar bicho cegueira Onze é o que vem depois do dia seguinte das mandâncias do desrespeito da invasão Onze é o decreto que o mundo é aberto

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Inflação Real Venham venham a esta barraca hoje tem preço bom O brócolis está baratinho comprem tanto que puder Vejam que lindas folhas saborosa seiva e flores verdes O brócolis faz bem comam tanto que agüentar Hoje é sábado da feira que se diziam segunda a sexta Chega mais chega mais aqui tem bons produtos Olhem que lindo brócolis só aqui que tem hoje Aproveitem os poucos que restam o preço é meu preço Não assustem com o preço somente esta barraca que tem Hoje é meu dia sou dono da feira Brócolis mais caro ninguém mais tem

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Civilizações Oh civilizações da raça pura dos sacríficios humanos das crianças que não se viam da luz que não clareava dos cochos que não andavam dos cegos que não enxergavam dos pobres que não existiam Salve colunistas das sete chagas que odeiam cores anti-brancas que cospem nos sem-teto que abominam os sem-terra que querem uma arma e chamam de burro quem não estuda Oh civilizações das américas passadas vejam que Colombo está chegando a Europa vem com sede de ouro vem de fracassos feudais sangüinários desbravadores do bem Salve intelectuais econômicos de palavras profanas da fome para matar das doenças para extinguir das teorias maltusianas Oh civilizações da engenharia complexa lotados no coração americano eram puros e sem impurezas sacríficios de gente dizimados pela impotência desumana Cuidado colunistas e intelectuais desse tempo de agora descendentes astecas herdeiros da nostalgia Pregam dilemas de civilizações extintas pelas próprias razões dos dilemas que se pregam

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Obrigado Agradecer é um ato de se igualar de dizer que todo mundo é um só de manifestar simpatia e afeto Agradecer é um gesto de carinho de respeito pelo outro amigo atitude simples e resultado grandioso Agradecer faz os jardins florirem faz a guerra não acontecer faz o outro soltar um sorriso Nada como a gratidão pelo dia mais belo pelos raios de sol pela lua que rasga a noite A gratidão é uma oração dos sábios a arma dos povos justos A gratidaão é esperança luminar de eterna vida salutar Obrigado

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Referências Básicas para Meditação ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔

A noite estrelada A noite nublada A lua clareando As pessoas andando A aurora de todos os dias As praças do interior Os rios As cidades poluídas O carismo do povo A História do mundo As histórias das velhinhas do Jequitinhonha As crianças brincando A chuva nos dias quentes de verão A eletricidade Uns pássaros que passam Os fenômenos do dia Os animais no campo As montanhas da terra A elipse dos planetas A deriva dos continentes A mulher do imaginário O Rei A filosofia cultura psicologia sociologia antropologia As complexidades das empresas Uma rua Uma gota d'água Um sorriso A engenharia da natureza O eu dentro de cada nós A literatura contemporânea Um amigo dali e daqui Uma amiga de cá e acolá O início e o fim Tudo O nós que busca o eu

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Produテァテ」o: Valdir Sol IMPRESSテグ PROIBIDA 2006


Cronicas do Infinito Vacuo