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DE BEM COM A VIDA SAÚDE

Mais saúde na mesa Além da função original de nutrição, os alimentos funcionais prometem também ajudar na prevenção e tratamento de doenças Simone Patrocínio

“Os alimentos funcionais não podem ser confundidos com remédios”, Daniela Melhem

Alimentos funcionais: Soja Tomate, peixes e óleos de peixe Alho Cebola Frutas cítricas Chá verde Uvas e vinhos tintos Cereais Brócolis

Jornal Saber

Couve de Bruxelas Repolho Prebióticos e Probióticos (Fonte: Nutricionistas – Juliana Couto Gava e Daniela Melhem)

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MAIO/2004

Seguindo a mais nova tendência mundial do setor alimentício, ganha mercado no Brasil um novo conceito de nutrição no qual os alimentos não servem apenas para matar a fome e fornecer energia ao organismo. Eles desempenham funções terapêuticas na prevenção de doenças. São os chamados alimentos funcionais, que contêm, em sua composição, substâncias capazes de alterar funções do corpo humano. A nova opção de alimentação começou nos anos 60, quando surgiram os primeiros estudos que comprovaram que a gordura e o açúcar faziam mal à saúde. A partir daí, as pesquisas não pararam mais. Entre os inúmeros alimentos funcionais estão a soja, o iogurte e o leite fermentado. Esses alimentos foram temas de trabalhos de conclusão de curso das alunas Juliana Couto Gava e Daniela Melhem, do curso de Nutrição da UVV. Elas pesquisaram sobre a atuação dos alimentos no organismo do homem e a conclusão não poderia ser outra. “Todas as pesquisas mostram que os alimentos funcionais agem com eficiência em prevenção de várias doenças, mas em conjunto com uma vida saudável”, comenta a nutricionista Juliana Couto Gava. No caso da soja, os benefícios são inúmeros, a começar pela terapia de reposição hormonal. “Quando a mulher se submete à reposição hormonal, não sendo através da soja, ela está sujeita a desenvolver células cancerígenas, uma vez que os hormônios, por serem ‘fortes’, podem ativar as células. Com a soja, o risco de desenvolver câncer diminui porque as isoflavonas (hormônio da planta) têm uma

Daniela e Juliana estudaram os alimentos funcionais

ação mais ‘leve’ no organismo”, explica Juliana. Mas não é só em tratamento de reposição hormonal que a soja ajuda. Câncer de mama, de colo de útero, diabetes e até arteriosclerose podem ser prevenidos com a soja. “É importante ressaltar que só há êxito no tratamento com alimentos funcionais quando a pessoa, além de ter uma alimentação saudável, também tem hábitos saudáveis como não beber, não fumar e realizar atividades físicas”, alerta Juliana. Os probióticos, encontrados em leite fermentado, iogurtes e leites com probióticos, podem ser utilizados em tratamentos para prevenção de doenças alérgicas, redução do nível de colesterol, e intolerância a lactose, uma vez que ajuda na digestão. “Pessoas que são submetidas a tratamentos com antibióticos estão sujeitas a sofrer um desequilíbrio da flora intestinal, mas os probióticos podem ajudar na prevenção desse desconforto abdominal”, explica Daniela Melhem. Esse componente também ajuda as pessoas, ao diminuir o risco de manifestação de alergias.

Em sua pesquisa, Daniela buscou informações sobre a ação dos probióticos no organismo, dando enfoque à utilização na prevenção de doenças. “Pelo fato de o tema ser novo, tive dificuldades para conseguir material, mas o que encontrei foi o suficiente para comprovar que os alimentos funcionais, no caso os probióticos, são eficazes quando usados para prevenir algumas doenças”, comenta a nutricionista. “Mas é importante que os probióticos estejam inseridos na alimentação diária e com equilíbrio”, acrescenta. Segundo o professor e doutor em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Delcio Sandi, do curso de Farmácia da UVV, é difícil estimar o número de alimentos funcionais já descobertos no mundo, pois “cada país apresenta diferentes legislações sobre o que é alimento funcional. Atualmente existem cinco segmentos do setor alimentício onde se podem encontrar alimentos funcionais: bebidas, produtos lácteos, produtos de confeitaria, produtos de panificação e cereais matinais”, conta. Os efeitos dos alimentos funcionais não são percebidos apenas na saúde, já que o mercado mundial desses alimentos, em 1999, movimentou aproximadamente 30 bilhões de dólares. Para o ano de 2004, a expectativa é otimista. Acredita-se que este mercado movimente cerca de 55 bilhões de dólares. “No Brasil, para ter uma idéia, em setembro de 2003 havia 88 alimentos registrados na Anvisa com o pedido de alegação funcional, mas apenas alguns foram aprovados”, destaca o professor Delcio Sandi.

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