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ANO 6 • nº 66 • julho 2009 • Edição Brasileira

moda profissional

INVERNO 2010

CALÇADOS BOLSAS Misto de tradição e invenção | pág. 64 R$20,00

ISSN 1808-6829

Festival Hyères apresenta novos talentos | pág. 12 Naturais ou simuladas, as cobras estão na moda | pág. 18 Fibras têxteis como você nunca viu | pág. 44 Conheça a brasileira que conquistou a Topshop | pág. 54


nesta edição

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fotos capa: © Agência Fotosite e reprodução

Capa: Da arte construtivista e do Neoplasticismo de Mondrian ao movimento punk, aportando na afetação dos anos 80, as coleções de calçados e bolsas de inverno estão recheadas de boas surpresas. Nas fotos, sandália Giuseppe Zanotti e carteira Gucci.

na capa

gente 18

12 VESTUÁRIO

08 é moda

Festival Hyères apresenta novos talentos da moda e da fotografia. Por Eduardo Motta.

Looks comentados de Nova York. 10 paparazzi

18 CALÇADOS & BOLSAS

Modelagens maleáveis estão entre as preferidas no backstage.

Naturais ou simuladas, as cobras estão na moda.

61 Estilo

44 REPORTAGEM

O estilo de vida de Mario Queiroz em fotos selecionadas pelo estilista.

Fibras têxteis como você nunca viu. 54 PERFIL

Vanessa Silva: conheça a brasileira que conquistou a Topshop. 64 EDITORIAL DE MODA

Calçados e bolsas para o inverno 2010.

moda 22 ACESSÓRIOS

Anéis medievais em exposição em Londres. 78

26 RADAR INTERNACIONAL

curtas

Pin-ups em dois estilos. 28 RADAR NACIONAL

As novidades do Minas Trend Preview para o verão 2010. 30 MASCULINO

Uma análise das melhores peças apresentadas na Casa de Criadores. Por Paula Visoná. 34 INFANTIL

Maxicardigãs e maxipulls são peças-chave para o inverno 2010. 36 INFANTIL REPORT

O rock’n’roll e movimento hippie como referência na moda bebê.

06 Portal usefashion.com

Em destaque no mês de julho, as Tendências dos Desfiles da temporada brasileira de verão 2010 e também dos desfiles internacionais masculinos para o verão 2011. 07 dicas da redação

Exposições: criações de Yves Saint Laurent no Rio; a obra do espanhol Javier Mariscal em Londres e o figurino do grupo The Supremes no Fashion Museum. 38 acontece

As novidades na programação da Francal e as ilustrações apresentadas na Surtex. 58 Campus

Prêmio Francal Top de Estilismo; alunos premiados na Festimalha; customização de jeans nas lojas da Cantão por estudantes do Senai/Cetiqt, curso sobre figurinos do Oscar na Escola São Paulo e o Concurso Volkswagen. 22 78 memória 44

Elsa Schiaparelli e seu estilo anticonvencional.


expediente visual merchandising

Diretor-Presidente Jorge Faccioni Diretora Alessandra Faccioni Diretora de RH Patrícia Santos Diretor de Redação Thomas Hartmann Diretora de Pesquisa Patrícia Souza Rodrigues

40 visual de loja

Flores e elementos da natureza nas vitrines. Uma seleção de algumas das melhores propostas internacionais.

design

Núcleo de Pesquisa e Comunicação

40

50 design

Capa de chuva para não estragar a sandália nova; um ilustrador francês que está dando o que falar, guardanapos especiais para recados, novo uso para fitas K7 e muito mais novidades.

opinião 52 cultura

Reflexões sobre o papel de projetos que proliferam e somem da web com uma velocidade impressionante. Por Eduardo Motta. 60 opinião

A história da moda brasileira, por Lucila Mara Sbrana Sciotti.

negócios 50

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56 negócios

Editora-Chefe Journal Inêz Gularte (Mtb 7.775) Edição de Moda Eduardo Motta (consultoria) Redação Aline Ebert (Mtb 13.687), Fernanda Maciel (Mtb 13.399), Eduardo Pedroso e Juliana Wecki (assistentes) Projeto Gráfico Ingrid Scherdien Produção de Arte Ingrid Scherdien (design gráfico), Francine Virote e Thaís de Oliveira (tratamento de imagens), Carine Hattge (revisão de imagens), Jucéli Silva e Vanessa Machado (web design) Equipe de Pesquisa Nájua Saleh e Juliana Nascimento (moda), Aline Kämpgen (assistente de coordenação de imagens), Aline Romero, Eduardo Nipper, Francine Virote, Lisiane Ramos e Thaís de Oliveira (classificação vitrines e desfiles), Vanessa Faccioni (visual de loja) Consultores Angela Aronne (malharia retilínea, underwear e beachwear), Daniel Bender (inovação), Eduardo Motta (calçados e bolsas), Juliana Zanettini (jeanswear), Paula Visoná (malharia circular e vestuário masculino) e Renata Spiller (infantil) Colaborou nesta edição Lucila Mara Sbrana Sciotti

Indicadores apontam que, talvez, o pior da crise já tenha passado. UseFashion Journal (ISSN 1808-6829) é uma publicação mensal do Sistema UseFashion de Informações Tiragem: 10.000 exemplares Impressão: Midia Gráfica - RBS

ao leitor Antigo e novo, conservador e rebelde, contido e extravagante. Conceitos antagônicos convivem lado a lado em uma mesma coleção. Tradição e invenção se misturam e dão o tom das novas propostas de calçados e bolsas para o inverno 2010. E não é que a coisa toda funciona? A moda inspira cautela, mas também deseja o extraordinário - uma reação à crise. O Editorial de Moda desta edição traz uma análise refinada sobre modelagens, materiais, estampas, detalhes, uma síntese do que apareceu de mais importante nas passarelas internacionais para bolsas e calçados. Nossa reportagem segue a linha do extraordinário e faz um desafio: solte a imaginação e pense em fibras tão leves que pareçam etéreas, imateriais. Esta foi apenas uma das surpreendentes ideias que encontramos na Tokyo Fiber, uma exposição que reuniu o que há de mais moderno em termos de tecnologia e criatividade em fibras têxteis. Veja as dificuldades que o Brasil enfrenta na área de pesquisa de matérias-primas e também as realizações de duas importantes indústrias do setor: Rhodia e Santaconstancia. No Perfil deste mês, uma entrevista, direto de Londres, revela um pouco da vida de Vanessa Silva, a

brasileira que emplacou uma linha de camisetas na superconceituada Topshop. Em Calçados e Bolsas, acompanhe como as cobras, naturais ou simuladas, estão em alta. Em Visual de Loja, acompanhe como as flores e os elementos da natureza podem compor as vitrines, principalmente no verão. Em Acessórios, veja anéis raros que estiveram em exposição em Londres. Na coluna de Vestuário, acompanhe o trabalho dos dez estilistas que mostraram sua coleção no Festival Hyères na França. Este mês o UseFashion Journal traz o que de melhor aconteceu no mundo, com edição repleta de conteúdo internacional: Tokyo Fiber, Festival Hyères, Surtex (Nova York), Private Collection of Rings (Londres) e muito mais. Boa leitura e ótimos negócios!

Vários dos conteúdos que abordamos nesta edição podem ser complementados no portal usefashion.com. Alguns são de acesso exclusivo para assinantes do portal. Ligue 0800 603 9000 e veja como acessar. Os textos dos colunistas e colaboradores são de responsabilidade dos mesmos e não representam necessariamente a opinião da empresa. Todos os produtos citados nesta edição são resultado de uma seleção jornalística e de consultoria especializada, sem nenhum caráter publicitário. Todas as matérias desta edição são de responsabilidade do Núcleo de Pesquisa e Comunicação da UseFashion. Proibida a reprodução, no todo ou em parte, sejam quais forem os meios empregados, sem a autorização por escrito do Sistema UseFashion de Informações.

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Jorge Faccioni Diretor-Presidente

Errata : Na página 28, o nome correto da marca é Club Noir.

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por tal u se fa s hion .com con t e ú do para assinan t es

Tendências dos desfiles fotos: © Agência Fotosite

Temporada brasileira O melhor do verão 2009/10 está no portal www.usefashion.com. Depois de Fashion Rio e SPFW, é hora de entender como os mais importantes estilistas da moda brasileira estão vendo o próximo verão. Quais as peças-chave, as cores, os materiais, como serão os calçados, as bolsas e os acessórios que estarão nas lojas, nas praias e nas ruas a partir de setembro. Na foto, desfile da Casa de Criadores, que assim como o Minas Trend, Fashion Rio e SPFW, mostrou lançamentos para a nova temporada quente.

Gêmeas | Casa de Criadores | verão 2010

temporada masculina

Giorgio Armani | Milão | inverno 2010

Milão e Paris estreiaram a temporada de desfiles para o verão 2011 com apresentação das coleções masculinas. As propostas das grifes que desfilaram nas semanas de moda européias já estão no portal. Veja análises especializadas sobre vestuário, jeans, malharia circular, malharia retilínea, calçados, bolsas e acessórios para os homens. Na foto, desfile da temporada anterior.

UseFashion nas redes sociais fotos: reprodução

Antenada nas últimas tecnologias que ajudam a ampliar seus contatos, a UseFashion criou seu espaço no Twitter (postagens rápidas que chamam Notícias) e também Flickr (fotos-legenda de eventos, campanhas, desfiles...). Os endereços são www.twitter.com/usefashion e www.flickr.com/usefashion

SURPREENDA-SE COM O QUE O PORTAL USEFASHION.COM PODE LHE OFERECER!

julho

calendário 01 a 03 – Pitti Filati 01 a 03 – Bread & Butter 04 a 06 – Playtime 06 a 09 – Desfiles de alta-costura Paris

14 a 17 – Francal 18 a 21 – Miami Swimshow 22 a 26 – Amsterdam Fashion Week

ASSINE! LIGUE:

0800 603 9000 vendas@usefashion.com


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dicas

da redação Ainda dá tempo!

foto: Daniel Ramalho/divulgação

Até o dia 19 de julho, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, está com a mostra ‘Yves Saint-Laurent – Viagens Extraordinárias’. Esta é a primeira exposição do estilista na América Latina, portanto uma oportunidade única para conferir 50 criações originais do designer inspiradas na África, Ásia, Espanha, Marrocos, Rússia e Índia. Para a mostra, a iluminação foi pensada com objetivo de valorizar as cores vivas dos figurinos, realçando ainda mais a perfeição do trabalho do costureiro. O evento, que tem entrada franca, integra o calendário oficial do Ano da França no Brasil. Passa lá: Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro/RJ

Javier Mariscal foto: reprodução

De 1º de julho a 1º de novembro, o Design Museum apresentará a primeira retrospectiva do designer e artista espanhol Javier Mariscal no Reino Unido. Considerado como um dos mais inovadores designers contemporâneos, o trabalho de Mariscal é bastante diversificado: ele cria desde mobiliário até identidade corporativa. Além dos objetos criados pelo artista, a mostra também traz esboços, desenhos, filmes e fotografias sobre sua obra. Programe-se: www.designmuseum.org/ exhibitions/2009/mariscal

foto: reprodução

Figurino The Supremes Celebrando o 50º aniversário da Motown Records, o Fashion Museum abre a exposição ‘The Story of The Supremes’, apresentando 50 figurinos originais usado pelas garotas do grupo The Supremes, que fizeram sucesso na década de 1960. Tendo como pano de fundo a ascensão meteórica da Motown Records e do movimento americano dos direitos civis, a exposição utiliza fotografias originais, filmes e revistas ressaltando a influência do The Supremes, principalmente em relação a questões raciais. A mostra acontece de 25 de julho a 31 de agosto, em Londres. Confira: www.museumofcostume.co.uk/exhibitions


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N Com referências colegiais, o cardigã de gola listrada com brasão como estampa localizada é ideal para meia estação. Sem erro, a combinação de preto e branco casa com qualquer outra cor.

O colar com pedra lapidada em cor bronze e o banho da corrente dão toques de realeza ao look. O mesmo acontece para a cor e o corte do cabelo.

A primavera chegou no hemisfério norte e as saias de cintura alta são as atrações das vitrines internacionais. Na foto, a jovem usa um modelo curto e de modelagem godê.

Vermelho em destaque nos pés. O modelo peep toe rasteiro com aplique de laço no cabedal deixa mais graciosa a produção.


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O boné xadrez exalta as estampas sem medo de confundir a produção.

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Camisa fechada por completo e óculos denotam um estilo geek ao visual.

Utilizando uma bolsa atravessada e mais uma mochila, ele soube unir as duas sem bagunçar o visual. Uma vez que uma das alças chama mais a atenção que a outra devido à cor.

Tênis Nike com estampa localizada possui cores neutras e completa de modo sutil o look.

Colarinho branco se destaca na camisa xadrez. As cores são irreverentes e combinam entre si.

O jeans em modelagem confort e tonalidade índigo é sofisticado e não deixou o visual tão despojado.


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p ap ara z zi

Caimento perfeito Modelagens maleáveis nos bastidores

fotos: © Agência Fotosite

Por Juliana Zanettini

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Anabela Belikova antes do desfile da BCBG Max Azria

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a Prada

Nos bastidores dos desfiles que apresentaram as coleções para o inverno 2010, as modelos mostraram que tecidos levinhos estão na moda. Ainda mais quando se está indo trabalhar. Nada melhor que aliar conforto a estilo. Aqui, o caimento fluído ou maleável foi premissa para a construção dos modelos. As tops Anabela Belikova, para a BCBG Max Azria; Anna de Rijk, para Marni; e Nimue Smit, para Prada, apostaram nesta proposta.


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ve s t uário

Pon to de vis ta

Linda Evangelista em cena do filme “Don’t Blink (Linda)!”, de Francesco Carrozzini, 2005

Festival Hyères 2009 Evento apresenta ao mundo novos talentos Por Eduardo Motta

O Festival de Moda e Fotografia de Hyères, cidade medieval francesa com pouco mais de 53 mil habitantes, reúne jovens talentos frente a um júri muito qualificado, com promessa de prêmios e presença de olheiros da indústria da moda dos quatro cantos do planeta. É, talvez, o mais prestigioso espaço para iniciantes. Quem passa por lá ganha visibilidade imediata na cena internacional. Paralelamente, o evento reúne exposições estelares, como a dos fotógrafos Peter Knapp e Steven Meisel, os homenageados desta 24ª edição. Nas páginas a seguir, vamos mostrar um pouco do trabalho dos dez contemplados neste ano. A imagem de Linda Evangelista, que ilustra esta página, é do filme Don’t Blink (Linda)! de Francesco Carrozzini e integra o projeto de curtas-metragens produzidos em 2005 pelo SHOWstudio, site criado por Nick Knight, organizado pela ASVOFF (A Shaded View On Fashion Film). Ele fez parte da diversidade de opções durante a maratona de desfiles, debates e mostras que animaram o evento.

Hyères 2009 Quando aconteceu: 24 a 27 de abril Onde: França Prêmio principal: Marite Mastina e Rolands Peterkops Júri: Kris Van Assche, diretor artístico da Dior Homme e da Kris Van Assche (Paris); Jefferson Hack, editor-chefe da Another Magazine e fundador da Dazed and Confused (Londres); Armand Limnander, jornalista da T Magazine e do The New York Times (Nova York); Gert Jonkers, editor-chefe e publisher da Fantastic Man (Amsterdã); Jean-Pierre Baux, diretor de imagem da Dior Homme (Paris); Andrea Panconesi, proprietário da cadeia de lojas Luisa Via Roma (Florença); Zoe Cassavetes, diretora de cinema; Marie Chauveau, presidente da agência Máfia; Eric Troncy, curador e crítico de arte; Dijon Nan Goldin, fotógrafa, e Benoît Duverger, diretor de criação e comunicação da Puma International (todos de Paris).


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1 - Steffie Christiaens, da Holanda e estudando em Paris, apresentou a coleção “Eternal Dispersion” que explora os efeitos do ar incidindo sobre os tecidos e as roupas. Ela estudou a resistência dos materiais ao vento observando as formas que eles tomavam e procurou registrar estas variações. A coleção fala de assimetria e dinâmica das formas em modelagem bem construída sobre o corpo. É um dos melhores trabalhos apresentados no festival e, pouco após o encerramento em Hyères, já estava circulando por blogs especializados. Steffie é um nome a se prestar atenção. Também no desenho de calçados ela se sai bem e os modelos com saltos escultóricos em metal já estão pipocando pela web. 2 - Melody Deldjou Fard nasceu no Irã e mora na Holanda. Sua coleção chama-se “BodyMerging”. Ela se formou na Utrecht School of the Arts com uma apresentação em que usou bonecas ao invés de modelos. Com gosto pelo orgânico e pela fragilidade do corpo, lida com transparências, seda e algodão com fios metálicos que permitem que a roupa tome a forma do corpo que veste. É uma investigadora com discurso que trata a moda como forma de expressão, e bate na tecla da roupa que vai além de uma maneira de cobrir o corpo. Ela também fotografa, realiza filmes, trabalhos gráficos e envereda pelo campo da arte realizando instalações. A coleção reflete, principalmente, suas relações com a arte contemporânea. 3 - Anaïs Dougnac é francesa, recém-formada na Escola Nacional Superior de Artes Decorativas e imprime uma dimensão poética à coleção chamada “As far As...” acumulando detalhes em delicadas composições. O tema e a meticulosidade poderiam levar sua roupa para o terreno do frágil, mas, embora dedicada a garotas, ela incorpora elementos do masculino que dão corpo e energia ao conjunto. O resultado é um cruzamento de renda, couro e lingerie com botas. A estilista engrossa as fileiras de criadores contemporâneos com gosto e habilidade para dividir a superfície e criar planos multifacetados.

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fotos: © Amira Fritz/divulgação

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5 4 - Anemone Skjoldager é da Dinamarca e apresentou a “The Collection”. Formada em 2008, ela explora questões de construção de identidade individual dentro de grupos. Cita os acrobatas e a interdependência indispensável entre eles, investiga a camuflagem, e utiliza arte geométrica abstrata como referência para sua roupa rítmica, que reconstrói a forma do corpo. O trabalho é instigante, com forte sugestão de movimento criado pela repetição e interação das partes. Ela acumula alguns prêmios e a habilidade por amarrar bem tema e execução, sustentados por uma narrativa linear, confere força ao conjunto da coleção. 5 - Maxime Simoens é francesa e estudou em Paris na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. Sua coleção se chama “Kaléidoscope”, e, como o nome sugere, envolve processos multifacetados de construção da modelagem. A geometria de base é redimida pela fluidez da forma final. É roupa bem construída, de shape enxuto, dinâmico e sensual. Ela já trabalhou com Elie Saab, Jean Paul Gaultier, com John Galliano, na Dior, e Nicolas Ghesquière, na Balenciaga. Tem apenas 25 anos, mas é uma jovem veterana. O que ela faz, e bem, é conciliar fluidez e estrutura. 6 - Marite Mastina e Rolands Peterkops abocanharam o primeiro prêmio do festival e mais outro concedido pela marca francesa 1.2.3. Eles são da Letônia e trabalham para a Mareunhol. Na coleção “Private detective” a dupla mostra por que gosta de narrativas incorporadas de outros meios, no caso, o cinema noir japonês. Foi de onde eles trouxeram formas estereotipadas de capas masculinizadas e vestidos matadores com base nos anos 1940. O desenho é acertadamente exagerado, como uma paródia, e o trabalho de styling rendeu a maior peruca vista no festival. O domínio técnico, o bom corte, a escolha de materiais e, sobretudo a consistência da imagem de moda criada por eles, torna o prêmio mais que acertado.


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7 - Thomas Trautwein, da França, apresentou a coleção masculina “Bandit Couture”. Sob a camada de alegoria western e elementos extraídos de personagens de quadrinhos, agita-se um gosto - e uma capacidade inegável - por construir arquitetonicamente, ou seja, com rigor. Com pai fotógrafo de moda e mãe modelista, Trautwein exibe um senso apurado para materiais de qualidade e para detalhes. Curiosamente, com este faro que pode ser definido como clássico, ele aciona sua coleção inspirado por ícones da cultura pop. 8 - Harald Lunde Helgesen é da Noruega e estuda em Bournemouth no Reino Unido. Ele apresentou coleção masculina intitulada “Autum/Winter, 2509 BC”, construída a partir de pesquisa sobre escavações. O direcionamento arqueológico levou o rapaz a mimetizar desertos e a estudar roupas e técnicas de outras eras, unindo-as a uniformes de trabalho contemporâneos. O uso das cores é primoroso. O trabalho de Helgesen é fantasioso, experimental e ele exercita seu domínio técnico sobre materiais de naturezas distintas, ora moles, ora rígidos, ora planos, ora com volumes. As mesmas oposições se refletem na construção da modelagem. Nada é muito previsível no trabalho dele, que faturou um prêmio oferecido pela Swarovski no festival.

fotos: © Amira Fritz/divulgação

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9 - Alice Knackfuss é alemã, graduada pela Academia de Moda e Design de Munique. A coleção apresentada por ela, “Heimwärts”, explora conflitos entre necessidades individuais e regras sociais. Tensão que ela traduz alterando códigos clássicos da roupa masculina. A base do trabalho de modelagem está na justaposição de formas ajustadas ou encurtadas, que sugerem restrição do gesto, com outras que liberam o movimento. Ela adquiriu experiência trabalhando com Ute Ploier, em Viena, e Kriss Van Assche, em Berlim. Com gosto por uniformes, manipula muito bem o recorte da forma no espaço, explorando novas silhuetas. 10 - Simon-Pierre Toussaint é belga, formado no ambiente experimental da Royal Academy of Fine Arts da Antuérpia. Sua coleção é a “The trees can hear you if you talk to them”. Ele mergulha em memórias pessoais e dramas da adolescência e representa metamorfoses no algodão, tecidos à prova d’água, lã e malharia. Assim como o tema transita entre infância e maturidade, a roupa une elementos simbólicos de ambas as idades. É um estilista que merece atenção, pois encorpa a leva de novos criadores atraídos pela roupa masculina e, a partir de coleções em que explora reminiscências autobiográficas, está construindo uma identidade e ganhando espaço.

fotos: © Amira Fritz/divulgação

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Atração Fatal Naturais ou simuladas, as cobras estão na moda Por Inêz Gularte Consultoria: Eduardo Motta

Há quem morra de medo de cruzar com uma delas. Mas, na indústria da moda, suas escamas, sua pele fina e delicada e seu desenho inigualável têm despertado o interesse de designers e estilistas. As cobras são objetos de desejo principalmente em calçados e bolsas. Verdadeiras ou reproduzidas em outros couros, laminados sintéticos ou tecidos, mais uma vez, elas se firmam como tendência nas passarelas de Nova York, Londres, Milão e Paris, tanto para verão quanto para o inverno em 2010. “O couro de cobra, assim como o de crocodilo e o de avestruz, é um clássico para quem trabalha acessórios mais sofisticados. Mas, nesta temporada, está ainda mais evidente, porque apareceu nas passarelas internacionais com acabamentos diferenciados em várias cores e ainda misturado a tecidos”, explica a designer e empresária Elisa Atheniense. Para Jorge Bischoff, conhecido por seus calçados femininos sofisticados, os produtos em pele de cobra ganham ares nobres e exclusivos. “A pele de cobra natural é rara, frágil, exige precisão de processos e licenças ambientais para captura e uso. O toque é extremamente macio e a diferenciação visual é mais evidente pelo efeito natural das escamas e de sua superfície selvagem e elegante ao mesmo tempo”, define. Bischoff conta que muitas vezes o couro de cobra precisar receber a aplicação de outro material no verso, para reforçá-lo e garantir o manuseio. “Além de mais frágil, sua largura é bem delimitada em função da circunferência dos animais – o que exige um produto composto de peças pequenas que permitam um aproveitamento maior. As peças também precisam ser cortadas em um mesmo sentido ou posição, respeitando o desenho das escamas”. Lisa Simon, designer da grife Lis Simon, que desenvolve toda coleção de bolsas, malas e carteiras, em cobra píton, diz que o material traz elegância e exclusividade. As peças coloridas são pintadas artesanalmente, para manter a propriedade e a riqueza de detalhes. “Adequamos as peças à largura do píton e compramos de acordo com aquilo que vamos produzir”, conta.

Christian Louboutin para o verão 2010 criou um enorme jabô para enfeitar este modelo, sinuoso e ondulante, como o animal que lhe emprestou a pele bicolor.

Segundo Luís Estevão Bocchi, químico, biólogo e sócio da empresa de beneficiamento de peles exóticas Arte da Pele, de Estância Velha, no Rio Grande do Sul, o que mais chama atenção nas cobras é a originalidade do desenho, da


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fotos: © Agência Fotosite

Na bolsa de shape rígido e metais geométricos, a cobra, que é orgânica e assimétrica, faz um belo par com o minimalismo radical imposto pela Calvin Klein. O modelo é inverno 2010.

pigmentação e das escamas. Ele admite que existem algumas dificuldades no trabalho: “A diversidade de pigmentação dos lotes (nenhuma pele é igual à outra), a necessidade de homogenização dos lotes mantendo a naturalidade do artigo, além de não existir bibliografia específica sobre o assunto”. Ele acrescenta: “O beneficiamento do couro de cobra é bem parecido com os tratamentos químicos dados aos demais couros, levando em consideração as diferenças de espessura, formato e características da flor (não possui poros)”. De mentirinha, mas igualmente belo Alguns estilistas não abrem mão do uso de peles e couros de animais em suas criações. Entretanto, a crescente exigência do consumidor em relação à proteção ambiental está levando tanto criadores quanto indústrias de matérias-primas a desenvolverem alternativas ao abate de animais.

digital. Podem ser aplicadas em tecidos diversos, como sarja, viscose e até em seda. Bischoff, mesmo com peças em cobra natural, também criou uma linha de calçados em tecido com base de microfibra, com estampa que reproduz o desenho natural do réptil. “Sobre ela é aplicada uma textura com o brilho e o toque das escamas naturais”, descreve. Elisa tem uma posição bem definida sobre esse assunto. A designer diz que para bolsas menores, feitas para noite, faz questão se usar cobra verdadeira. “Mas, para modelos maiores, para o dia-a-dia, não vejo problema no couro fake, uma matéria-prima um pouco mais econômica e resistente”.

A Crespi Brasil, empresa de laminados sintéticos em PU, tem em sua coleção várias linhas de estampas e texturas que imitam a cobra. “Nosso processo é através de cilindros de gravação e de estampas”, diz Rosani dos Santos, do Studio Crespi Design, de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. A Dalutex também desenvolve estampas que imitam cobra. Segundo Camila Athayde, do marketing da empresa localizada em Sorocaba, São Paulo, elas podem ser feitas tanto no modo convencional (quadro ou cilindro), como no

Na Giorgio Armani, o acabamento envernizado, aplicado ao material na sapatilha de verão 2010, é apenas uma das alterações experimentadas sobre o aspecto original.


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Na Versace, resta apenas a textura original. Mas, ainda que a pintura perolada e a cor estabeleçam outros interesses, é a textura inconfundível que confere valor à bolsa de gosto retrô para o verão 2010.

Questões ambientais No Brasil, é proibida a captura de cobras nativas para fins de abate. Também não existem registros de criadouros com essa finalidade. Carlos Yamashita, analista ambiental do Ibama de São Paulo, esclarece: “Como as cobras são carnívoras, o custo é muito alto, e atingir um tamanho razoável leva tempo (entre sete e oito anos, em condições favoráveis), consome energia elétrica e, portanto, muito dinheiro”. A bióloga e doutora em Ciências Ambientais, coordenadora do Jardim Zoológico e Serpentário da Universidade de Caxias do Sul, Márcia Maria Dosciatti de Oliveira, ainda acrescenta: “Em cativeiro o crescimento é lento e nem todas copulam devido a fatores como alimentação, temperatura, etc”. E revela, “como não temos todas as espécies de cobras

nativas catalogadas, todas as serpentes brasileiras são consideradas em extinção, portanto coletá-las na natureza de forma indiscriminada é um crime ambiental”. Mesmo não produzindo couro de cobra, o Brasil tem empresas licenciadas para fazer o beneficiamento do couro importado. O licenciamento é feito pelo órgão ambiental de cada país, no caso do Brasil, o Ibama, e o controle internacional do comércio é realizado pela CITES (Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção). “Cada pele vem com um número de lacre que, quando faturamos para o lojista, tem que constar na nota fiscal. Com isso, todas as peles são

rastreadas pelo Ibama”, explica Lisa. Dentre as espécies mais usadas pela indústria da moda está a python reticulatus. Valorizada devido ao seu tamanho (três a quatro metros de comprimento e largura máxima de 30cm) e pelo seu desenho, ela é importada da Indonésia e da Malásia, extraída da natureza por nativos. “Eu tenho visto no mercado internacional muito couro de píton (família de serpentes denominada boídeos, parentes de sucuris e jibóias). As fontes têm sido Ásia e África. Na América do Sul, alguns países exportam couros de jibóias (Boa constrictor), sucuris (Eunectes notaeus e Eunectes murinus). Na América do Norte, existe muito couro de cascavéis”, diz o analista do Ibama.


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para desenvolver coleção - Busque uma empresa de beneficiamento de peles que trabalhe com cobras. São elas que, normalmente, importam as peças. Lembre-se que animais como o avestruz, o lagarto, o crocodilo e alguns peixes, são denominados peles exóticas. - Certifique-se de que a empresa importadora esteja homologada pelo Ibama. Todas as peles importadas de forma legal têm um lacre e podem ser rastreadas. - Adquira as peles de acordo com os calçados e bolsas que vai desenvolver. Os produtos precisam ser compostos por peças pequenas, que permitam um aproveitamento maior. - Se nunca criou com esta matéria-prima, lembre-se que a pele de cobra é muito fina e delicada, exigindo mão-de-obra especializada para seu manuseio. O corte precisa respeitar as escamas e deve ter um acabamento especial. Para saber mais sobre a comercialização de pele de cobra, e de outros espécimes da fauna, acesse o site do ibama (www.ibama.gov.br) e informe-se sobre as questões legais.

fotos: © Agência Fotosite

No verão 2010, ficção e fantasia na cobra tricolor de Sergio Rossi.

Alexander McQueen aposta tudo no material em acabamento metalizado. E simplifica ao máximo a linha deste chanel de salto bem alto para o verão 2010.


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aces sórios

Aliança romana de casamento. Em ouro, ano 500.

Relíquias medievais Anéis raros em exposição em Londres Por Inêz Gularte colaboração: Luciana Mugayar

A exposição “Roman to Renaissance: A Private Collection of Rings” apresentou 35 anéis datados entre os anos 300 e 1.600 DC, que estiveram à venda na loja de antiguidades Wartski, em Londres, entre os dias 12 e 22 de maio. Os preços variaram entre 14 e 85 mil libras. A mostra foi constituída por peças dos períodos Merovíngio, Bizantino, Medieval e Renascentista, incluindo os religiosos, que indicavam status social – identificando monarcas, nobres, comerciantes ricos, ou aqueles que ocupavam altos cargos na igreja –, e românticos, como os de casamento.

Anel Huhn Cloisonné, em ouro, da Europa Oriental, século V.

Todos os itens em exposição pertenciam à coleção de Sandra Hindman, marchant de arte medieval e dona da galeria Les Enluminures, em Paris. Ela conta que a coleção levou 20 anos para ser completada, sendo que o primeiro anel veio como pagamento por um trabalho de consultoria. Encantada e surpresa por esse tipo de relíquia não pertencer a um museu, ela começou uma busca por outros anéis raros. No início, eram apenas oito peças de uma coleção privada francesa. Mais tarde, Sandra decidiu criar uma coleção que fosse o mais completa e informativa possível, com o objetivo de unir os melhores exemplos de cada período. Entre os mais antigos apresentados na exposição, está um anel romano de casamento, do ano 500. Ele é estampado com uma figura masculina e uma feminina e traz a inscrição VIVATIS (vida longa) em alto relevo, que também podia ser usada como selo. Um rápido tour por esta exposição deixou uma coisa bem clara: quando o assunto é anel, tamanho é documento, pois, quanto maior e mais decorado, mais poderoso é seu dono. A exposição contabilizou quase 400 visitantes. O anel bizantino, provavelmente de Constantinopla (1º da página ao lado), foi destaque do evento, vendido por 48 mil dólares.

Anel Merovíngio, da França, meados do século VI. Em ouro e granada.


fotos: divulgação

Anel bizantino, provavelmente de Constantinopla, em ouro e esmalte, século XI.

Anel da Inglaterra ou França, século XII, em ouro e safira.

Anel gótico, da França ou Itália, século XIII, em ouro e carnelian.


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aces sórios

Da Inglaterra, provavelmente de Londres, século XV, em ouro.

Anel francês da Renascença, meados do século XV, em ouro, esmalte vermelho e pérolas.

Anel da Alemanha, de 1564, em ouro.

fotos: divulgação

Anel do norte europeu, da Renascença, século XV. Em ouro e hessonite granada.


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rad ar intern ac ion al v e r ão 2010

À flor da pele Pin-up que se preze não abre mão dos clichês femininos, como saltos, laços e flores. Com forte apelo sensual, estes ícones exercem sua influência até os nossos dias. A performer Dita Von Teese que o diga.

Nina Ricci | Paris

Tom Binns | Paris

John Galliano | Paris

Lanvin | Paris

Chloè | Paris

Christian Lacroix | Paris

John Galliano | Paris

Roberto Cavalli | Milão

Miu Miu | Paris

Valentino | Paris


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Menina veneno fotos: © Agência Fotosite

Nem só de cores vivas se compõe um look pin-up. As mais misteriosas preferem os tons escuros em combinações clássicas. O importante é não perder nem a graça, nem a malícia.

Sonia Rykiel | Paris Daslu | Paris

Sonia Rykiel | Paris

Miu Miu | Paris

Giambatista Valli | Paris

Sonia Rykiel | Paris

Nina Ricci | Paris

Versace | Milão

Brian Atwood | Milão

Moschino | Milão


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r ad ar n ac ion al v e r ão 2010

Nas caminhadas ao sol Roupas folgadas, sapatos confortáveis e bolsas em que “cabem tudo” são ótimas opções para longos passeios durante o verão. O chapéu para proteger do sol e as bijuterias coloridas dão bossa à produção. Confira, nestas páginas, lançamentos do Minas Trend Preview com propostas para o verão.

Mary Design

Mara Spina

Andrea Mader

Graça Ottoni

Corso Como

Corso Como

Miezko

Patachou

Elisa Atheniense

Kowro Bag´s


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Para ir a todo lugar O calor não impede um guarda-roupa com estilo. Para o trabalho, cinema, ou mesmo para as compras, os looks urbanos podem contar com sandálias e bolsas de aspecto pesado, e acessórios com metais e resinas. Neste caso, os saltos sobem um pouco.

Andrea Mader

Rogério Lima

Melissa Maia

Melissa Maia

fotos desfiles: © Agência Fotosite

Mara Spina

Cristofoli

Corso Como

Alphorria Cult

fotos still: UseFashion

Elisa Atheniense


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m a s c ulino

Walério Araujo

João Pimenta

25ª Casa de Criadores Diálogos sem fronteiras para o fashion design brasileiro Por Paula Visoná*

A moda masculina apresentada na 25ª edição da Casa de Criadores mostrou um mix de referências e construções. Ela confirmou os direcionamentos do evento em si: valorizar a criatividade de jovens designers, em nome da diversidade de estilos e linguagens que permeia a atual cultura de moda no Brasil. Mídia e público em geral têm dado mais atenção ao segmento fashion masculino em todo o mundo. Isso é por si um reflexo do comportamento atual do homem, que parece ansiar por maiores opções de escolhas, fruto da multiplicidade de lifestyles que permitem a geração de insights

criativos também múltiplos. Trocas entre signos são uma constante: o que é gerado à margem do sistema logo se torna vínculo para novas interpretações, favorecendo a renovação constante da moda como um todo. As coleções mostraram a fluidez do discurso no intuito de atender uma demanda latente, que eleva sua voz a cada nova estação. O paradigma da moda masculina oferece limites que parecem estimular a transgressão constante. Porém, os limites não são apenas em relação ao segmento, também se relacionam ao mercado de maneira geral, pois a moda brasileira há mui-

to busca na sua própria diversidade um diálogo com instâncias internacionais. Esse é o amadurecimento que se percebe nessa edição da Casa de Criadores: a valorização dos aspectos culturais nacionais, aliada a meios de representação que transcendem barreiras. Essa dinâmica permite o estabelecimento de novos diálogos entre a moda brasileira e o fashion business internacional. As coleções buscaram valorizar o homem contemporâneo através da utilização de materiais nobres, associados às técnicas de construção que reverberam a tradição do bom corte e da distinção típica do segmento.


fotos: Š Agência Fotosite

ADD

Der Metropol


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m a s c ulino fotos: © Agência Fotosite

Diva

Esses aspectos proporcionaram novos desdobramentos à informalidade característica do verão brasileiro. Eles foram contemplados através de cortes, estampas e cores que proporcionam bem-estar e pitadas pontuais de sensualidade. A paleta de cores parece privilegiar essa sensação, em composições nas quais os tons vivos e cítricos são equilibrados com cores neutras. O caipira, o mar e a inquietude nervosa dos grandes centros urbanos foram pontos marcantes, atravessados por influências artísticas e culturais, bem como pela tecnologia - presente

tanto nas decorações de superfície como nos materiais. A recuperação da imagem do dândi parece eminente. Novamente, a busca é por ultrapassar barreiras, visto que o mercado internacional de moda masculina já apregoa a valorização dessa referência histórica, tanto no que diz respeito a estilo como no que tange ao potencial de reinventar a alfaiataria. Brocados, organzas e rendas se tornam importantes, além de ternos inovadores, em que o corte em viés – técnica explorada de modo pontual pelo estilista João Pimenta – parece desenhar novos caminhos.

Jadson Raniere

* Paula Visoná é formada em Moda e Estilo pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), atua como consultora de malharia circular e vestuário masculino da UseFashion, além desenvolver atividades como figurinista para projetos cênicos, curtas-metragens e documentários. É mestranda em Design Estratégico pela Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), onde desenvolve investigações acerca de Estratégias para Inovar Bens de Uso, sendo um dos membros integrantes do Observatório de Design da Instituição.


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in fant il

Liu Jo

Woolrich Kid

Maxipulls e Maxicardigãs Corpo da peça é alongado para o segmento Por Fernanda Maciel Consultoria: Renata Spiller e Angela Aronne

Do guarda-roupa masculino para feminino, agora os pulls e os cardigãs são apresentados para o público infantil, e são a aposta para a temporada de inverno 2010. O pull (pulôver) assim como o cardigã, era usado para a prática esportiva masculina no início do século XX. Na década de 20, ambos passaram a compor os looks femininos principalmente por influência de Coco Chanel, que começou a usar peças masculinas adaptadas após a Primeira Guerra, quando as matérias-primas ainda estavam em falta. Atualmente, através da moda “boyfriend”, o

pull e o cardigã tornaram-se peças-chave para o universo infantil, só que em tamanho alongado. A grife Elsy, além de alongar o corpo do cardigã, deu atenção especial aos fechamentos, principalmente com a diminuição de botões, que fizeram a diferença no maxicardigã em meia malha e ponto simples com simulação de recorte na pala. Já a Liu Jo investiu nas aplicações para ornamentar não só a parte frontal como a manga. Multifuncionais, os maxipulls surgem com a proposta de criar diferentes looks, sendo usados tanto com calça como com meia-calça, de

preferência bem colorida, que está em alta na estação. O ponto importante é a modelagem: forma tanto uma silhueta reta quanto outra mais abalonada. A intársia de alta definição pode ser um recurso interessante para a criação de desenhos e até escritos, como apresentado na coleção da marca Ice Ice Iceberg, destacando o personagem Tweety, o Piu Piu. Atenção para a “logomania” que dá sinais fortes no infantil e deixa um perfume de anos 80 no ar, como na Calvin Klein.


fotos: © Agência Fotosite

Elsy

Ice Ice Iceberg


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in fant il re p or t

Detalhes estilosos Rock ’n’ Roll e movimento hippie são referências na moda bebê

Por RENATA SPILLER fotos: UseFashion

Princesse Rock’n Roll | Playtime

Sunrise | Premier Kids

O rock ’n’ roll com suas caveiras e guitarras, e os símbolos do movimento hippie são referências para a moda bebê no verão 2010, apontando continuidade também para o inverno seguinte. O preto entra no guarda-roupa de bebês e faz combinações tanto com branco quanto com cores fortes como pink e vermelho. Já o cinza mescla entra com grande força para as crianças. Caveiras, guitarras e outros ícones que remetem ao rock ganham traços mais suaves e estampam todo tipo de peça infantil. Símbolos da paz, frases de harmonia e esperança são propostas de diversas marcas. Para meninos ou meninas as guitarras surgem em estampa corrida e silk. Vale ressaltar que mais do que satisfazer sonhos infantis, essas referências vão ao encontro da infância dos pais, e retomam as lembranças e até desejos não realizados que acabam sendo transferidos para os filhos, como mais uma chance de passar sua mensagem.

Kirakol | Playtime


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acontece

Ann Munson

Bridgewater

Surtex | inverno 2010 Dedicada exclusivamente para venda e licenciamento de arte e design original, a 23ª Surtex reuniu, de 17 a 19 de maio, aproximadamente 400 expositores e mais de 6 mil compradores no centro de convenções Javitz Center em Nova York. Temas relacionados à natureza como folhagens, flores, pedras e animais foram a referência principal na feira. Veja a seguir alguns destaques do evento: A grande fazenda onde mora, no estado rural de Oregon, nos EUA, sempre foi a fonte de inspiração de Ann Munson. “Se a tendência agora é essa, então posso dizer que a tendência finalmente me alcançou!”, observou em tom de brincadeira. Sem utilizar nenhum tipo de software, Ann aposta no trabalho feito à mão. Junto com sua irmã Claire Vorauer, trabalha com muita colagem e aquarelas. Donna Skupien, designer-chefe do grupo Bridgewater Design, mostrou estampas variadas, com motivos geométricos, além de folhagens estilizadas. Para ela, o importante é estar antenado ao que acontece em volta. “Para os olhos do designer, tudo é pesquisa para a próxima criação: a estação do ano, as cores à sua volta, os sons...”, declarou.

Seguindo o estilo tradicional com toques medievais, David Wolverson apostou nos jardins ingleses, inspirados no local onde mora. Já a referência em folhagens foi o norte nas criações da designer Debbie Dewitt. Suas estampas podem ser encontradas em grandes lojas de produtos para o lar como a Bed, Bath & Beyond, e Linens and Things, e também em lojas de departamentos como a Macy’s.

Bridgewater

Bridgewater

David Wolverson

Para Jessica Moral, bebês, animais e guloseimas são fontes de criação para seu trabalho, que aposta fortemente no conceito de diversão. A coleção ‘The wiggers’, lançada durante a feira, enfatizou bonecos com a temática hip hop. Ela também apresentou a continuação da coleção Baby Delicacies, apresentada na Surtex de 2008. Mesmo em tempos de crise e com cerca de 50 expositores a menos que no ano passado, a maioria dos presentes estava otimista e apostava em bons resultados comerciais para a feira. Quer ver outras imagens e demais estandes da Surtex? Acesse o portal www.usefashion.com, no link Feiras.

Debbie Dewitt

Debbie Dewitt

Debbie Dewitt

Jessica Moral

Francal promove Fórum de Moda & Marketing foto: divulgação

Feira implementa novidades com intuito de atrair cada vez mais visitantes

Francal 2008

A 41ª Francal (Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes), que acontece entre os dias 14 e 22 de julho, começa com diversos eventos integrados à programação oficial com o objetivo de aumentar a visitação ao pavilhão de exposições do Anhembi em São Paulo.

vamente. As inscrições podem ser feitas pelo site www.feirafrancal.com.br, e os participantes concorrem a uma viagem a Milão. Também na véspera da abertura oficial, a Abicalçados organiza o III Foro Latino-Americano da Indústria de Calçados, com o tema “Ameaças e oportunidades para a indústria de calçados”.

Antes mesmo do seu início oficial, a Francal promove, no dia 13 de julho, o Fórum de Moda & Marketing, um seminário destinado exclusivamente para lojistas. Temas como ‘Gestão de marca’ e ‘Informações de moda sobre as novas coleções’ serão abordados no evento pelo consultor especialista em branding, Augusto Nascimento, e pelo estilista e coordenador do Núcleo de Design da Assintecal, Walter Rodrigues, respecti-

Reunindo mais de mil empresas expositoras, em uma área de montagem de 49.700 m², a Francal apresenta como novidade deste ano a participação do grupo Minas Collection, que vai reunir algumas das grifes de calçados e acessórios de moda mais desejadas do país. Além disso, os tradicionais Francal Top Fashion e Salão Moda Estilo e o Salão de Bijuterias continuam integrando a programação.

fotos: UseFashion

Temas relacionados à natureza em destaque


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v i s ual de loja

Estação das flores Natureza para aquecer as vitrines e o visual da loja Por Inêz Gularte consultoria: Vanessa Faccioni A chegada das coleções de primavera-verão às lojas traz para as vitrines plantas e flores de corte bem no clima da estação. Trata-se de uma fórmula bastante simples, afinal, todos os consumidores entendem esta mensagem. E a natureza pode ser uma boa opção para o visual da loja, não apenas durante a estação das flores, mas durante o ano todo. Com base nas vitrines do hemisfério norte, montamos uma série de dicas e uma seleção de boas ideias para o uso das flores e de elementos da natureza na composição das vitrines.

Victoire Couture | Paris | março 2009


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fotos: UseFashion

Moncler | Milão | abril 2009

O ano todo Muitas lojas decidem pelo verde permanente em suas vitrines. Mas, mesmo no caso do uso de plantas perenes, deve-se manter um funcionário encarregado da manutenção das folhagens para aguá-las, limpá-las e checar se está tudo correto. É importante ter em mente que, antes de colocar qualquer tipo de planta na vitrine, um especialista deve ser consultado, pois nem todas suportam a iluminação. Gérberas, antúrios, strelitzas, helicônias são boas opções de flores para o clima quente brasileiro por conta de sua durabilidade e colorido, sendo que as duas primeiras também podem ser plantadas. Folhagens de interior também podem ser utilizadas, até mesmo no exterior da loja.

Guru | Amsterdã | abril 2009


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v i s ual de loja

imita a vida Trabalhar com flores vivas na vitrine significa ter que adquirir flores novas a cada duas semanas, pelo menos. Sem falar que poucas coisas são tão deselegantes como flores murchas ou folhagens mal cuidadas. A solução pode estar nas flores artificiais. Mas é necessário ter cuidado com a escolha do fornecedor, pois as flores devem ser de boa qualidade, não imitações mal feitas. Já existem no mercado plantas em materiais sintéticos que são muito semelhantes às naturais. Liberty | Londres | abril 2009

Ovale | Londres | abril 2009

jardim na vitrine Algumas lojas do hemisfério norte criaram verdadeiros jardins dentro da vitrine. Vale recorrer a recursos cenográficos, como o da iluminação que simula a luz solar. Flores e arbustos artificiais, que se assemelham muito aos naturais, também têm vez. Aparece inclusive terra, utensílios de jardinagem e outros elementos que remetam ao jardim. Neste cenário, a vitrine fica bem carregada, mas causa um impacto que pode ser muito bem-vindo. Henry Cotton's | Paris | março 2009

Harrolds | Londres | abril 2009


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fotos: UseFashion

Natureza adesivada Adesivos são uma alternativa para lojistas que não dispõem de tempo e dinheiro para manter as vitrines com vegetação natural. Assim como as plantas artificiais, os adesivos liberam o lojista da preocupação com a manutenção e a durabilidade das flores e folhagens. Algumas vitrines norte-americanas e europeias optaram por adesivos no vidro. Outras cobriram os painéis de fundo com estampas inspiradas na natureza. Blanco | Barcelona | maio 2009

Louis Vuitton | Düsseldorf | abril 2009

uso figurado Um clima lúdico surge quando as flores são usadas nas vitrines como elementos figurados. Nas lojas infantis e nas composições mais conceituais, a alternativa é bem-vinda. As possibilidades são as mais variadas, o que vale é a criatividade. Rena Lange | Düsseldorf | maio 2009

Tartine et Chocolat | Londres | abril 2009


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repor tagem


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Fibras têxteis como você nunca viu Talento e tecnologia a serviço da indústria Por Fernanda Maciel Consultoria: Eduardo Motta

fotos: divulgação

squeça os limites, as convenções. Solte a imaginação. Pense em materiais tão leves, tão leves, como que etéreos, beirando o imaterial. Não acha possível? Pois as maiores indústrias têxteis do Japão decidiram unir forças e organizaram a Tokyo Fiber, montando exposições em capitais como Paris e Milão com o intuito de apontar o que há de melhor em criatividade e tecnologia quando o assunto é fibra têxtil. Extrapolando os limites da moda e chegando a usos e conceitos improváveis, a experimentação deu o tom da Tokyo Fiber. O resultado não foi menos que surpreendente. Nessa reportagem, partimos desse megaevento mundial e abordamos também as novidades desenvolvidas no Brasil. Mesmo com dificuldades de incentivo às pesquisas, o país tem empresas têxteis investindo em tecnologia de ponta para o desenvolvimento de novos produtos, principalmente na área esportiva. Acompanhe.


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repor tagem

o mês de junho de 2007, um grupo de indústrias têxteis japonesas apresentou, pela primeira vez, em Paris, no Palais de Tokyo, um resumo dos maiores avanços tecnológicos em fibras. Estava criada a Tokyo Fiber Senseware, um arrojado projeto que reúne grandes designers e o que de mais avançado a indústria tem para oferecer na área. O formato é de uma grande exposição, com curadoria afiada e montagem de encher os olhos. A 2ª edição aconteceu entre 22 e 27 de abril passado na Triennale de Milão. Em decorrência da grande repercussão da edição anterior, o projeto, que já era grande, evoluiu ainda mais. Atualmente, é o que melhor sintetiza as grandes conquistas em fibras têxteis, e sob uma perspectiva inteiramente diferente do usual.

Empresa: Unitika Designer: Makoto Azuma Material: Terramac - tecido ecológico tridimensional, feito com ácido polyactid, derivado de plantas e biodegradável.

As aplicações são multidisciplinares, estendendose ao mobiliário e outras áreas além da moda. Sobretudo, é um painel de avanços que aponta direções insuspeitadas até então e redefine usos e funções baseados em invenções, como fibras sintéticas inteiramente biodegradáveis e soluções definitivas para termo condução e outros valores que hoje estão na base da pesquisa tecnológica de ponta. A Tokyo Fiber é uma demonstração contundente do potencial da junção de talento criativo e tecnologia a serviço da indústria. Estrategicamente, ela aconteceu em paralelo com o Salone Internazionale del Mobile de Milão, a grande feira de design da agitada cidade italiana. Kenya Hara é o diretor da mostra. Ele é um designer especializado não em objetos, mas em eventos. Com livros publicados sobre design e tecnologia, e várias mostras no currículo, foi o nome certo para tocar esta grande realização que envolveu oito indústrias, entre elas, a Mitsubishi Rayon e o Grupo Toyobo. Dentre os 14 criadores convidados para dar forma às fibras, está o arquiteto francês Gwenael Nicolas, do prestigioso escritório Curiosity; Kosuke Tsumura, fashion designer criador da marca Final Home e experimentalista radical no mundo das roupas; e o Mint Designs, um premiado coletivo de criação de moda. Com uma série de soluções voltadas para a questão ambiental, o objetivo maior da Tokyo Fiber é convencer o mercado de que a química contemporânea pode estar a serviço da correção ecológica. Os enormes investimentos em pesquisa concentram-se nessa direção. A mostra capricha na exibição, impecável e conceitual, e mira mesmo é no futuro.

Empresa: Unitika Designer: Hara Design Institute e Atelier Omoya Material: Monert - nanotecnologia para tecido ultraimpermeável à água.

Empresa: Sakase Adtech Co Designer: Ross Lovegrove Material: Tecido de poliéster termostático que permite uma revolucionária angulação no processo de tecelagem.


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Empresa: Toyobo Designer: Yasuhiro Suzuki Material: Breathair - desenvolvido para amortecimento de impacto com performance superior. De tão leve, pode-se dizer que é quase imaterial.

Empresa: Kurakai Co. Designer: Kosuke Tsumura Material: Felibendy - nãotecido altamente moldável e com boas características de interação com o corpo humano.

Empresa: Mitsubishi Rayon Designer: Kengo Uma Material: Eska - feita de plástico e inaugurando novas frentes para a aplicação de fibras óticas.

Empresa: Asahi Kasei Fibers Corporation Designer: Mint Designs Material: Smash - nãotecido com filamentos de poliéster, facilmente amoldável quando aquecido.


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repor tagem

esenvolvimento brasileiro A Rhodia é uma das pioneiras na promoção do desenvolvimento da cadeia produtiva da área têxtil, possuindo cinco centros de pesquisas no mundo, um deles aqui no país. Além disso, a empresa foi uma das grandes responsáveis por introduzir no mercado brasileiro todas as fibras artificiais e sintéticas existentes. Segundo Elizabeth Haidar, gerente de marketing da Rhodia Poliamida Fibras, o fato de possuir a verticalização na cadeia produtiva, desde as matérias-primas até a produção do fio para uso em processos têxteis, permite que a empresa desenvolva intensamente tecnologia por toda a extensão deste processo. “A Rhodia investe continuamente no desenvolvimento de fios têxteis aplicados em tecidos e malhas para têxteis de performance. Foi a empresa que desenvolveu e trouxe para o mercado brasileiro as microfibras, as supermicrofibras e os fios ‘inteligentes’, que incorporam funções (por exemplo, bacteriostática e UV protection)”, afirmou a gerente. Nesta linha de ‘fios inteligentes’, ela lançou experimentalmente, em agosto de 2008, durante o Salão Lingerie Brasil, o Emana. Um fio que pode ser aplicado em tecidos de performance. Ele contém cristais bioativos produtores de infravermelho longo (com comprovadas características terapêuticas). “Emana é resultado de pesquisas e desenvolvimento realizados nos laboratórios têxteis da Rhodia no Brasil, que trabalham em rede com os demais laboratórios e centros de pesquisa no mundo. No segmento têxtil, em particular, a pesquisa no Brasil ocupa um espaço importante dentro da companhia, em função da expertise dos profissionais, todos com renome no setor, e também por conta da tradição da empresa nesse ramo”, destaca Elizabeth. A versatilidade da fibra é dos pontos que agregam valor ao produto quando se investe em tecnologia. A poliamida 6.6 da Rhodia, por exemplo, oferece aos consumidores soluções para diversos segmentos do vestuário, tais como lingerie, esportivo, meias, além de aplicações técnico/industriais como pneus, cinto de segurança, filtros, etc. “Só através de tecnologia se consegue conferir tanta versatilidade a uma única molécula. A junção de tecnologias é uma das grandes fontes de desenvolvimento de novos produtos que fazem o usuário sentir na pele diferenciais como leveza, melhoria de performance esportiva, proteção, bem-estar, praticidade, beleza”, ressaltou a gerente. Vestir-se de maneira elegante e sofisticada, mas também de forma confortável, através de tecidos que agreguem bem-estar é um dos grandes motivos para a Santaconstancia Tecelagem a investir em tecnologia. Segundo o diretor Luca Pascolato, a Santaconstancia foi a primeira empresa, em 1983, homologada Lycra® para a fabricação do Cotton Lycra®, iniciando a revolução dos leggings no Brasil. Um dos marcos dos

‘tecidos inteligentes’ propostos pela tecelagem foi o Supplex com Lycra® em 1989. “Nos anos 90, a empresa aprofundou as pesquisas com a colaboração de cientistas das melhores universidades de São Paulo para desenvolver produtos para alta performance, como o conceito do tecido de compressão muscular Compression Control®, criando uma linha específica para esportes ativos, fitness e wellness, todos com tecnologia de ponta”, informou Pascolato. Segundo Luca Pascolato, as pesquisas são realizadas nos laboratórios da fábrica, e também em parceria com as empresas de fios, que são os fornecedores. “Também contamos com o apoio dos atletas, que testam os produtos para chegarmos a um resultado final excelente. Como exemplo, o desenvolvimento de um dos tecidos de compressão - Sportiva Pro® - teve colaboração do triatleta Oscar Galindez. Os testes foram realizados durante nove meses, e Oscar avaliou itens como compressão, alongamento, leveza, tipo de acabamento e aparência do tecido, até chegar ao produto encontrado hoje”, revelou o diretor. Ele conta que sendo atleta amador de vela, também testa alguns tecidos que estão em desenvolvimento para dar suas percepções. Para Luiz Carlos Robinson, professor dos cursos de Design e Engenharia Industrial Química e de Produção do Centro Universitário Feevale e da disciplina de Engenharia de Tecidos e Cores do curso de Pós-Gradução em Marketing e Moda na ESPM/RS, os investimentos em tecnologia têxtil no Brasil ainda são tímidos e estão concentrados em poucas empresas, principalmente as multinacionais, que por sua vez, investem mais no exterior do que no país. Segundo Robinson, a pesquisa em nanotecnologia, tão alardeada nos últimos anos, está limitada a algumas universidades, especialmente as federais, e pouco presente nas universidades privadas. Em geral, as pesquisas destinadas a fibras tradicionais existem no país, embora de maneira isolada e, apesar do Brasil ser um dos grandes produtores, o desenvolvimento é também muito tímido. “Exemplo disso, é a viscose de bambu, que mesmo com a grande possibilidade de desenvolvimento no Brasil, tem a fibra têxtil vinda da China”, enfatiza o professor. Por outro lado, o algodão orgânico é o que tem mais investimento, e o Brasil está sabendo utilizar muito bem isso. “O desenvolvimento do algodão orgânico aqui começou pelas ONGs de economia solidária e agora está se direcionando para níveis industriais. Além de ser menos poluente, já é possível produzir o mesmo em várias cores naturalmente, sem a necessidade do tingimento. Ele é produzido no Nordeste, nos estados do Ceará e da Paraíba, além de Mato Grosso e Paraná. Méritos para a Embrapa”, frisa. O professor alerta que a ONU também está incentivando os países de terceiro mundo a investirem no plantio e desenvolvimento de fibras têxteis naturais, porém, a quantidade de agrotóxicos que estão utilizando é lamentável.

Emana Rhodia - Confeccionado com o fio com cristais bioativos que absorve o calor humano, devolvendo-o sob forma de raios infravermelhos longos. Os atributos deste artigo são: conforto, equilíbrio térmico, performace e bem-estar.


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Acquos® (Santaconstancia) - É construído com fios de lastol XLA™, ou seja, uma fibra elástica (desenvolvida pela The Dow Chemical Company e comercializada pela Dow Brasil), que, diferentemente de outras apresentadas no mercado, não modifica suas propriedades devido à alta resistência a produtos químicos. O tecido oferece compressão moderada, ajuste da peça ao corpo, leveza e secagem rápida que favorecem o conforto térmico do atleta, elasticidade, maciez, potencializada pela presença do fio de poliamida no tecido.

X-Bio® (Santaconstancia) - As peças confeccionadas com esse tecido possuem proteção FPU 50+. Na prática, significa que o tecido consegue bloquear mais de 98% dos raios solares. O X-Bio® possui também um novo conceito de elasticidade, o iFit® que estica e retoma o formato inicial, sem apertar e impedir a liberdade de movimento. O tecido mantém a temperatura do corpo agradável, graças a sua rápida secagem. A construção de sua trama com fio AMNI® Biotech proporciona ação bacteriostática, que evita a proliferação de bactérias causadoras do desagradável cheiro de suor.

Sportiva Pro® (Santaconstancia) - Além da aderência ao corpo, devido a sua composição com quantidade maior de LYCRA®, mantém a compressão adequada dos músculos geradores de força. Segundo fisiologistas, essa compressão minimiza a vibração muscular, retarda a fadiga, previne distensões, câimbras e atenua os microtraumas da prática esportiva.

outros tecnológicos Lumalive

True Life

Thermodry

Fabricação de roupas capazes de mudar de cor ou alterar as estampas ao gosto do usuário. No processo, incorpora-se ao tecido tradicional uma malha flexível de diodos emissores de luz (LEDs).

É o selo que identifica os tecidos tecnológicos Diklatex. Seu significado é ‘vida verdadeira’ porque tem funções que simulam reações de seres vivos, como transpiração, proteção contra raios nocivos do sol e temperatura.

Tecido exclusivo da Treck&Field, mantém o corpo seco e evita a proliferação de microorganismos responsáveis por odores, manchas, alterações de cor ou desbotamento.

Storm Tech System Após uma expedição ao Aconcágua, Oskar Metsavaht acabou por desenvolver um tecido com membrana interna impermeável, que permite a evaporação do suor, mantém o corpo seco e aquecido - ideal para prática de esportes de inverno. LightTex Produzindo um efeito visual especial durante a prática de esportes à noite, o LightTex é um tecido refletivo com elastano de alta qualidade que define as formas do corpo. Water Print Quando o tecido é molhado, a estampa aparece.

Sphere React Supplex ligth Meia malha de Poliamida com Lycra, que apresenta os benefícios da fácil manutenção e conservação, sensação de bem-estar e conforto por ser elástica com toque macio e leve. Um tecido feito com fio de poliamida Rhodia. Teflon Garante máxima resistência a líquidos e manchas, além de permitir a lavagem na máquina. Esta tecnologia não altera as características do tecido e não deixa aparência de plastificado. Se, por exemplo, um cafezinho cair no paletó, ao invés de manchá-lo ele escorre, bastando passar um pano seco para eliminar os resíduos.

Tecido inteligente da Nike que reage às mudanças do ambiente e também do atleta. Quando o usuário transpira, o tecido expande e permite que o corpo do atleta fique mais fresco e seco. Reduz a aderência do tecido no corpo, promove o maior fluxo do ar para ajudar o atleta a se refrescar e permite a saída do suor, ao mesmo tempo em que repele a água.

Fonte: Luiz Carlos Robinson - professor dos cursos de Design e Engenharia Industrial Química e de Produção do Centro Universitário Feevale e da disciplina de Engenharia de Tecidos e Cores do curso de PósGradução em Marketing e Moda na ESPM/RS.


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colaboração: Carine Hattge e ingrid scherdien

fotos: reprodução e divulgação

Inspiração multicolorida O francês Arnaud Loumeau trabalha com ilustrações de uma forma realmente diferente. Suas composições geométricas, abstratas e multicoloridas são feitas à mão livre sobre papel quadriculado. Com o uso de canetinhas e materiais de desenho, Loumeau consegue criar formas dinâmicas, gerando composições minuciosamente detalhadas, com impressões de perspectivas e volumes. Quer ver mais ilustrações? Acesse www.myspace.com/arjulo

Revisitando a fita K7 Jamie e Mark, dois jovens designers formados na conceituada Central St.Martins de Londres, comandam a empresa inglesa J-Me, sendo os responsáveis pela criação do Tape Dispenser, um porta-durex feito de borracha com inspiração direta nas antigas fitas K7, transformadas em ícone fashion. O produto ganhou o prêmio Gift of the Year 2008 e já é um best-seller da empresa. Uma ótima dica é procurar no youtube sobre o produto, já que o escritório postou um vídeo sobre o funcionamento do Tape Dispenser. Mais sobre o trabalho da J-Me pode ser visto em www.j-me.co.uk

Ideias no guardanapo Quem nunca anotou recadinhos, números de telefone ou ideias de projetos em um guardanapo de papel? Isso é um fato que ocorre com frequência, já que vários edifícios famosos, produtos utilizados em nosso dia-a-dia e marcas reconhecidas surgiram de um primeiro esboço feito em um guardanapo. Então, por que não facilitar esse processo de criação utilizando um papel de desenho? Foi o que o estúdio Colin O’Dowd fez: criou o Graphkin – papel guardanapo milimetrado. Ter aquela ideia maravilhosa na hora do jantar ficou ainda melhor! Acesse o site e conheça outros produtos do estúdio: www.colinodowd.com


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“Minha Luz” Dima Loginoff, premiada designer russa, tem um portfólio primoroso e digno de reconhecimento. Trabalhando com produtos, fotografia e desenho de interiores, é graduada na Escola Internacional de Design em Moscou. Dentre os diversos prêmios recebidos, está o 2º lugar no International Design Awards 2008 de Los Angeles, EUA, na categoria produtos para interiores, com sua luminária “Curly my light”. O produto é diferente e proporciona uma decoração requintada para a casa. Veja outros projetos da designer no site www.dimaloginoff.com

Apagando o calendário O Rascalendário é o resultado de um projeto de cooperação entre 12 profissionais de criação com o objetivo de desenhar um calendário que permita que o “passado torne-se apenas o passado”. Concebido pelo estúdio Tom Design, de Madri, na Espanha, o material utilizado é semelhante às raspadinhas, permitindo que o número dos dias seja raspado e apagado. Visualmente, é uma forma mais clara de perceber como o tempo passou e qual é a data presente. Conheça mais sobre o trabalho de Mr. Tom em www.mrtomdesign.com

Acessório para os dias de chuva As galochas estão na moda, renovadas e atraentes, mas não são todos os looks que combinam com elas. E nada pior do que estragar o couro de um sapato preferido em dias de chuva. A designer Rebecca Miller resolveu apresentar uma nova alternativa para solucionar esse problema desenvolvendo o Shuella, uma espécie de capa de chuva para calçados. A peça se adapta a qualquer modelo, aberto ou fechado. O item é superfashion, disponível em sete tamanhos e quatro cores: preto, pink, amarelo e verde. O acessório ainda não é vendido no Brasil, mas pode ser encomendado no site www.shuella.com


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c ul t ura

po r E d ua r d o Mot ta *

Tecnologia mínima Quando se fala em pesquisa tecnológica na moda, pensamos logo em escala industrial e nos altos investimentos científicos na área têxtil. A Tokyo Fiber, que aconteceu em Milão, em abril passado, e é tema da Reportagem desta edição (página 44), embora englobe outros segmentos, é um exemplo, agrupando empresas e designers de grande porte. No mesmo fluxo de interesse, o de novas tecnologias, mas atirando em todas as direções, uma rede de pequenos projetos tocados por indivíduos, prolifera na web veiculando achados de natureza funcional ou estética. Poucos chegam realmente ao grande mercado. É na reinvenção do repertório que eles sobrevivem e encontram sentido. Elaborados, transmitidos e deletados em uma velocidade impressionante, eles constituem um universo paralelo, um escambo moderno de informações e dicas, que alimentam a cultura “do it yourself”.

tatação de que, sobre o primeiro caso, se produz sempre uma grande quantidade de material. Sobre o segundo, a transitoriedade e a recorrente ineficiência empurram boa parte dessas ideias ligeiras para a marginalidade. A afirmação pode soar como um paradoxo, já que elas circulam no coração da web, mas a pulverização desordenada e a distância do mainstream produtivo justificam a consideração.

Frente a estas duas vertentes optei por dedicar atenção à segunda. A predileção surgiu da cons-

Na criação pequena e informal, os achados têm o tempo de uma gag (algo como uma piada)

O curioso é que mesmo que alguns destes projetos sejam ineficientes, eles espelham com propriedade os tempos transitórios da moda e perturbam a ordem de valor que damos aos objetos que pertencem a ela, a moda. Estes lampejos midiáticos são tão instáveis que, na verdade, muitos nem chegam a constituir um valor. Entretanto, geram ideias, mobilizam talentos e funcionam como uma espécie de zona de resistência à fabricação em massa.

e só uns poucos encontram uma duração e um preço. O que os torna interessantes vai além da possível aplicabilidade e aporta na fermentação criativa que eles acionam dentro do ambiente virtual do qual fazem parte. Se há uma tecnologia que resulta em avanços técnicos aplicáveis à performance dos tecidos e de outros materiais e funções da moda, há também uma tecnologia de criação, formatação e transmissão dessa batelada de informação e conhecimento. Como experimentação lúdica, aninhada em uma infinidade de blogs, ela tornou-se um fim em si mesma, conduzindo a estas invenções de tom iconoclasta e à desobrigação institucional. Cada um faz o que quer, como quer e na área que quer. Na moda, este campo aberto, sem dono e impreciso, a improvisação criativa corre solta. Que nem sempre resulte em um produto é mais uma das suas muitas possibilidades, e não, uma contradição.

Vestido puzzle, montável de diferentes formas. Projeto de Berber Soepboer e Michiel Schuurman


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fotos: reprodução

Tecnologia aplicada também a bolsas

T-shirt que muda de estampa de acordo com a temperatura criada pela designer Angel Chang, especialista em high tech

Flor com LED. Criação da designer Syuzi Pakhchyan, especializada na interação entre cultura, design, tecnologia e artesanato.

Fio condutor de energia, utilizado em construções com tecido e outros materiais, criado pela empresa SHIELDEX®

Figurino criado pelo estúdio Diffus Design, da Dinamarca, para o festival de dança “Amber 08 Body-Process Art”, em Istambul, na Turquia. As roupas, com material eletroluminescente, acendem de acordo com a proximidade dos dançarinos. foto: Pedro David/divulgação

Capa do livro Fashioning Technology, que dá receitas de como criar acessórios, utilitários para casa, feitos com materiais inteligentes que brilham, têm som e o melhor: podem ser feitas por você mesmo.

* Eduardo Motta é designer, consultor de moda da UseFashion, com formação em Artes Plásticas e autor do livro “O Calçado e a Moda no Brasil - Um Olhar histórico”.


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p er f il

Brasileira na Topshop Vanessa da Silva assina coleção exclusiva para loja Por Inêz Gularte Colaboração: Luciana Mugayar

Ilustradora e estilista, Vanessa da Silva lançou uma coleção de camisetas e vestidos para a Topshop. Ela cresceu em São Paulo, e após se formar em desenho industrial pela Faap, mudou-se para Londres, onde vive desde 2001. Depois de cursos na Saint Martins e de estagiar com o designer Ziad Ghanem, em 2003, Vanessa decidiu desenvolver sua própria marca. Em 2004, emplacou a coleção “A drink in Rio” na Selfridges e, desde então, não parou de fazer sucesso. Em Londres, colaborou com as marcas Basso & Brooke e Ted Baker,

além de desenhar camisetas para o Favela Chic. No Brasil, desenhou estampas para Amapô, Neon e Reserva. A coleção “Jungle Goes Shopping” foi feita exclusivamente para a fast fashion Topshop. Além dela, Vanessa fez a curadoria da vitrine e da parede principal da loja da Oxford Circus. Sua coleção pode ser encontrada em 30 Topshops espalhadas pelo mundo, e nos sites www.topshop.com e www.vanessadasilva.com.

UseFashion: Por que você decidiu se mudar para Londres? Vanessa da Silva: Eu tinha fechado um ciclo no Brasil. Queria desafios, tentar abrir outras portas. Eu terminei a faculdade de desenho industrial e decidi dar um tempo em Londres estudando inglês. Não tinha planos de estudar moda e trabalhar com isso, as coisas foram acontecendo.


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fotos: UseFashion

UF: Como surgiu o interesse pela moda e pelo desenho?

VS: Eu na verdade fiquei sem reação. Só caiu a ficha quando estava assinando o contrato. A Topshop é uma loja que sempre amei, mas nunca pensei em estar lá dentro.

VS: Eu sempre desenhei, tinha paixão por desenho. Queria colocar no papel tudo o que meus olhos viam. Meu pai desenhava muito bem. Já o meu interesse pela moda foi aumentando quando vim UF: Como é a coleção que desenvolveu para a para Londres. Quando cheguei, comecei a fazer Topshop? todos os cursos que podia e conseVS: Fiz uma coleção bastante gui um estágio com o designer Ziad divertida com o tema Jungle Goes Ghanem, onde trabalhei por dois Shopping (algo como: a floresta vai anos fazendo roupas. Ele me incenA moda é rápida, coisa as compras), continuação da minha tivou a fazer minha própria coleção. de momento, não pode última coleção chamada Dream Depois disso eu não parei mais, já ser tão séria. Lands. Posso dizer que é uma retrosestava completamente envolvida com pectiva do meu trabalho. As minhas moda. As coisas foram acontecendo coleções no geral são bem-humoe eu fui agarrando as oportunidades. radas. Gosto de brincar bastante, como brinquei nessa coleção para a UF: Como começou a parceria com a Topshop? Topshop, colocando camelo de salto alto, canguru carregando bolsas... A moda é rápida, coisa de VS: A buyer da Topshop viu minha coleção em uma momento, não pode ser tão séria. loja e amou! Na verdade, ela já estava seguindo o meu trabalho. Ela entrou em contato comigo para saber se eu estaria interessada em desenvolver uma linha para eles com as minhas ilustrações e shapes.

UF: Está trabalhando em algum outro projeto atualmente?

UF: E qual foi sua reação? Afinal a Topshop é uma das lojas mais famosas do mundo.

VS: Estou trabalhando na minha coleção de inverno “I Love London”, que será bastante especial, uma celebração a Londres. Vai ser uma coleção

pequena, com poucas camisetas, todas feitas à mão num processo demorado, elaborado e, é claro, com muito humor. UF: E quais são seus projetos? VS: A capa do disco da banda Tunng, e, possivelmente, uma exposição de estampas. UF: De onde tira suas referências e inspirações? VS: Elas vêm, na maioria das vezes, do meu dia-adia. Reparo muito no que está rolando no momento, nas ruas, nas artes, no cinema, nos livros, na música, numa conversa com alguém. Tenho também uma caixa de papelão onde guardo muitas imagens, referências. Chamo de minha “caixa de inspiração”. UF: O que costuma fazer em Londres, alguma recomendação? VS: Eu adoro exposições, sair pra jantar no Soho, tomar café da manhã no Victoria Park. Ir nos mercados Borough Market e Broadway Market aproveitando para passar o dia em London Fields quando tem sol.


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negóc ios

E a crise, virou limonada? Indicadores mostram que, talvez, a pior parte já tenha passado Por Daniel Bender

Desafiador, o início de 2009 trouxe um bocado de más notícias para o mercado e confirmou o que todos os analistas diziam desde meados de 2008: a crise financeira global iria chegar no Brasil cedo ou tarde. Neste cenário ácido de desemprego em ascensão, renda em queda, crédito complicado e dólar instável, táticas agressivas garantiram resultados expressivos para os empresários mais ousados durante um período complicado para aqueles que não conseguiram fazer a sua limonada. Quem não arrisca não petisca Investir pesado em comunicação, inclusive contratando personalidades famosas para estrelar comerciais, e colocar a coleção de inverno na vitrine antes dos concorrentes, mesmo que as temperaturas estivessem ainda bastante amenas, garantiram um bom trimestre a Lupo e Cia.Hering. “Aumentamos o orçamento do marketing em 35%, com isso nossa campanha de inverno esteve nas principais revistas e nos intervalos de vários programas de TV”, explica Valquirio Cabral Júnior, diretor comercial da Lupo. A meta da empresa, que era crescer 12% no ano, foi

abandonada logo. “Acreditamos que o faturamento da Lupo crescerá 25% em 2009”, prevê. Maior parte do crescimento das vendas se deve ao bom momento de um dos produtos mais relevantes para a Lupo, as meias-calças. Segundo o executivo, este item, que deve seguir em alta nas tendências de moda até o inverno 2010, responde por mais de um terço da produção. As vendas acima do esperado – em janeiro 50% da produção do inverno já havia sido vendida - pegaram a empresa no contrapé. Para dar conta da demanda, teve de antecipar a entrega de várias máquinas de meias-calças para esta temporada. Publicidade aliada à coleção nas vitrines mais cedo foi a receita das lojas da Hering. Ao contrário de suas concorrentes, a rede conseguiu incrementar seu faturamento por metro quadrado em 14,6% no primeiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. Ainda assim, a empresa sentiu o baque da crise e o crescimento das vendas foi de “apenas” 19%. Em 2008 havia sido de açucarados 39,9%.

Bons resultados não são para todos Outros varejistas de moda brasileiros não tiveram um resultado tão bom no período, entre elas algumas das maiores empresas do setor, como Lojas Renner, Marisa e Riachuelo. Todas atribuíram a queda nas vendas a uma demanda menor. No caso da Riachuelo, o investimento em serviços de crédito para os clientes das lojas, iniciado em 2008, garantiu o lucro maior. Sem o braço financeiro, provavelmente o balanço teria ficado negativo (tabela 1). Na esfera internacional os números não são nada bons. Segundo dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), a exportação de calçados brasileiros caiu 26,5% em volume e 27,4% em faturamento entre janeiro e abril de 2009 comparado com o mesmo período de 2008. Como se não bastasse, a importação de calçados teve aumento significativo no período. “Continuamos sendo valeta de desova para os excedentes que os chineses não conseguem mais colocar nos Estados Unidos e Europa devido à crise econômica”, afirma Milton Cardoso, presidente da entidade.

fotos: divulgação

Na fábrica da Lupo, trabalho é o que não falta. Em janeiro, 50% da produção de inverno já havia sido vendida.


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Há luz no fim do túnel? Os indicadores macroeconômicos mostram que talvez o pior período da crise já tenha passado. E esta é uma afirmação a ser feita com cautela, pois ainda é cedo para dizer com segurança. Indícios como a queda na renda média do trabalhador, segundo o IBGE, aliada à diminuição da desocupação em abril de 2009, são bons sinais, ainda que tímidos. Eles indicam que o desemprego na parcela menos remunerada da população parou de cair em relação ao total. Ou seja, os

que têm menos, geralmente os mais afetados durante qualquer crise, já estão em uma situação melhor do que nos primeiros meses do ano. No entanto, há ainda um caminho longo para retornar ao patamar pré-crise. Além disso, os gráficos mostram uma tendência de melhora nas vendas do comércio de moda e, em geral, a partir de março, após a queda expressiva entre setembro de 2008 e janeiro de 2009. Esta tendência se repete nos indicadores de produção industrial de bens de consu-

mo semiduráveis e não-duráveis, nos quais se encaixam os itens de moda. Vale destacar que os números ainda não são totalmente positivos, portanto só vale a pena comprar limões em grande quantidade caso tenha planos concretos para preparar a limonada.

gráfico 2 - produção industrial de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis

Gráfico 1 - evolução das vendas relacionadas com moda

Evolução do volume de vendas de tecidos, vestuário e calçados segundo os índices mensal e acumulado em 12 meses Fonte: IBGE

Fonte: IBGE

Tabela 1 - Resultados do 1º Trimestre Renner

Marisa

Riachuelo*

Hering

2009

2008

%

2009

2008

%

2009

2008

%

2009

2008

%

Área (m²)

229,7

205,5

11,78%

235

206,7

13,69%

257,5

231,09

11,43%

29893

24399

22,52%

Receita bruta (R$ milhões)

R$ 477,60

R$ 506,50

-5,71%

R$ 372,60

R$ 369,80

0,76%

R$ 544,10

R$ 484,10

12,39%

R$ 169,00

R$ 125,00

35,20%

Vendas/m² (R$ mil)

R$ 1.579,00

R$ 1.878,00

-15,92%

R$ 1.004,00

R$ 1.165,00

- 13,82%

R$ 1.290,20

R$ 1.414,80

-8,81%

R$ 3.240,00

R$ 2.826,00

14,65%

Lucro líquido (R$ milhões)

R$ 10,90

R$ 25,10

-56,57%

- R$ 9,80

- R$ 8,40

16,67%

R$ 18,50

R$ 11,50

60,87%

R$ 32.262,00

R$ 4.675,00

590,10%

*área e vendas/m² se referem exclusivamente à rede Lojas Riachuelo

Fonte: CVM/relatórios trimestrais das empresas


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c am pu s foto: divulgação

15º PRÊMIO FRANCAL TOP DE ESTILISMO Inscrições abertas Estudantes de Moda, Design e Estilo, e profissionais que já atuam na área, podem se inscrever até o dia 18 de setembro para o Prêmio Francal Top de Estilismo com suas criações em calçados e bolsas. Dois critérios fundamentais serão levados em consideração: que o protótipo inscrito seja comercialmente viável e que siga o conceito de brasilidade, com um diferencial em relação à produção de outros países.

Milão, Itália. A bolsa, oferecida pela Francal e pela editora Moda Pelle, será sorteada entre os três vencedores de cada categoria presentes à cerimônia de premiação. As despesas de viagem, estadia e alimentação do ganhador da bolsa de estudos são custeadas integralmente pela Francal. Saiba mais sobre o regulamento e as categorias que podem ser inscritas no site da Francal.

Os vencedores em cada uma das categorias receberão um troféu e prêmios em dinheiro: R$ 2 mil para o primeiro colocado, R$ 1.500 para o segundo e R$ 1 mil para o terceiro. 15º Prêmio Francal Top de Estilismo

Um dos prêmios mais cobiçados pelos participantes é a bolsa de estudos de três meses de duração numa das mais conceituadas escolas de moda do mundo, a Modapelle Academy, em

Inscrições: www.francaltopdeestilismo.com.br Informações: (11) 2226.3100

fotos: Mauro Stoffel/divulgação e Mark Ryden/reprodução

Tricô premiado Aluna da UCS vence concurso A Festimalha em sua 20ª edição, ocorrida em maio passado, em Nova Petrópolis (RS), organizou um concurso para revelar novos talentos na área da malharia retilínea. A vencedora foi a estudante de Moda e Estilo da UCS (Universidade de Caxias do Sul), Jennifer Francine Wittmann. Sua peça em tricô foi inspirada no universo bizarro de Mark Ryden, o artista underground que desenha bonecas que misturam a literatura fantástica de “Alice no País das Maravilhas” com trabalhos renascentistas.

“Como Ryden, procurei combinar a inocência infantil com o sinistro. A peça é de um surrealismo pop, com uma vistosa silhueta rococó, cores fortes e inovação da forma”, define a vencedora. O 2º lugar ficou com Maritza Fabiane Celestino, da Unisul, de Santa Catarina, com uma peça inspirada na ilha de Florianópolis. O 3º lugar foi para Daniel Rigatti, também da UCS, que criou um look masculino inspirado na obra Brida, de Paulo Coelho. Todos receberam como prêmio cursos de extensão na Feevale, Senai e Senac. Peça vencedora do concurso inspirada no universo bizarro de Mark Ryden

Jennifer Wittmann, Maritza Fabiane Celestino e Daniel Rigatti. Vencedores do concurso ao lado de suas criações.

A hora da premiação para o 1º lugar.


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Aulas práticas Alunos do Senai/Cetiqt customizam jeans da Cantão foto: divulgação

A faculdade Senai/Cetiqt e a grife de moda carioca Cantão fecharam parceria e, durante o mês de maio, os alunos da instituição estiveram em cinco lojas da marca no Rio de Janeiro para customizar o jeans antigo dos clientes. A instituição de ensino forneceu os acessórios para os trabalhos de customização e máquinas de costura industrial, que foram instaladas nas cinco lojas da grife carioca. Foi uma espécie de estágio para os alunos do curso superior de Tecnologia em Produção de Vestuário com Ênfase em Modelagem do Senai/Cetiqt.

cursos & concursos História da Moda Curso na Escola São Paulo Cyro del Nero vai ministrar as aulas. Ele é cenógrafo, escritor (autor do livro “Com ou Sem a Folha da Parreira”, que aborda a história da moda), professor titular da cadeira de Indumentária Teatral da Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Nos quatro dias de aula, serão abordados: 27/07: Por que moda efêmera? 28/07: O século da vaidade 29/07: O século XIX

NOVOS DESIGNERS

figurinos do OSCAR

CONCURSO DA VOLKSWAGEN

Escola São Paulo

A Volkswagen do Brasil abriu as inscrições para a 11ª edição do “Talento Volkswagen Design”. Podem participar do concurso estudantes universitários que estiverem cursando o último ano dos cursos de Desenho Industrial, Moda ou Arquitetura.

Do Oscar ao tapete vermelho. Este é o nome do curso que vai apresentar um panorama dos figurinos inesquecíveis que já passaram pelo Oscar. Além de um descritivo do trabalho dos figurinistas, serão comentados os vestidos de quem passou pelo tapete vermelho.

Nesta edição, o tema é “Volkswagen Urbano”. O projeto tem como objetivo a reflexão sobre o futuro da mobilidade, estimulando propostas de veículos que priorizem o prazer de dirigir, a redução dos impactos ambientais e sociais e a produção e circulação dos veículos.

A aula será ministrada por Manu Carvalho, editora e consultora de moda, stylist, figurinista de novelas, professora e consultora. Com formação em Nova York, na Escola Parsons, atuou como professora em instituições como Senac, FMU, USP, IBModa e Anhembi Morumbi, como também, ministrou aulas institucionais na NK, Schutz, Arezzo.

30/07: O século XX: Haute Couture; Moda no Brasil

Data: 27 a 30 de julho Horário: 19h às 22h Preço: R$ 480 Local: Escola São Paulo (Rua Augusta, 2239) Informações: (11) 3081.0364

Os estudos estarão relacionados ao Shape Design, que trata da criação da forma externa e interna do carro, ou Color & Trim, que se refere ao design de cores e acabamentos do veículo.

Data: 27 de julho Horário: 19h30 às 21h30

Cursos online Escola de Empreendedores A Escola de Empreendedores disponibiliza vários cursos nas áreas de criação e desenvolvimento, comunicação em moda e business de moda pela internet. As matrículas ficam abertas o ano todo e o início das aulas é imediato, sem precisar esperar formar uma turma. Os alunos gastam em média entre um e três meses para fazer cada curso, dependendo da disponibilidade de tempo de cada pessoa.

Preço: R$ 90 Inscrições: até 31 de julho

Local: Escola São Paulo (Rua Augusta, 2239)

Acompanhe os cursos disponíveis:

Informações: www.vwbr.com.br/design

Informações e Reservas: (11) 3081.0364

- História da Moda - Desenho de Moda - Ilustração de Moda

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A vez do estudante Campus é um espaço dedicado à publicação de notícias, cursos, eventos, acontecimentos e temas que são do interesse de estudantes e professores ligados aos cursos de moda, estilismo e design. Você pode participar enviando para nossa redação sua contribuição.

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opinião

Histórias da moda brasileira De 1999 a 2004, assumi a função de diretora da Faculdade Senac de Moda, em São Paulo. No cenário nacional, a área de Moda iniciava uma etapa importante no processo de profissionalização, com a oferta de cursos de nível superior. Neste panorama, foi implantado o Curso Superior de Design de Moda com as habilitações Estilismo e Modelagem. O Senac dava seu salto, partindo de cursos de formação básica e técnica para a graduação, trazendo na bagagem um convênio com a ESMOD – École Superièure de Mode de Paris, o que possibilitava o intercâmbio de professores, de metodologias de ensino e de cultura de moda. Parte do grupo de docentes era formada por profissionais de carreira acadêmica. A outra parte era formada por profissionais especialistas na área de Moda, alguns sem experiência de docência: estilistas, modelistas e profissionais do setor têxtil. O compartilhamento de valores, conhecimentos e experiências foi possibilitando o reconhecimento da importância de ambos os “lados”, e favorecendo sua integração. Em 2002, com a necessidade de atender às recém-aprovadas diretrizes curriculares para a área de Design e às recomendações da comissão de reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação, apresentou-se um grande desafio: a reorganização curricular. Naquele momento, nas discussões acerca das disciplinas que dariam forma ao novo currículo, uma me marcou em especial: a organização da disciplina “História da Moda Brasileira”. Ter uma disciplina com este nome parecia um grande desafio, pois não se contava com registros amplos das dinâmicas que possibilitaram o desenvolvimento da moda no Brasil como espaço não só de negócios, mas também de comportamento e como campo de pesquisa.

O fato de assumirmos ter a disciplina “História da Moda Brasileira” na estrutura curricular provocou que os docentes fizessem pesquisas, que fossem coletados depoimentos, que se buscasse o máximo de informações disponíveis para organização de materiais de referência para os alunos. Assim foram se formando e se ampliando as referências. Hoje, o mercado conta com várias publicações de autores nacionais com reflexões sobre a moda na sociedade contemporânea, trajetórias de profissionais, informações sobre vestuário e acessórios, entre outros. Faço aqui alguns destaques que mostram parte do caminho já percorrido: “Bordado da Fama - uma biografia de Dener”, de Carlos Dória, nos brinda com a história de Dener Pamplona de Abreu, importantíssimo criador de moda brasileiro; “Moda e sociabilidade mulheres e consumo na São Paulo dos anos 1920”, de Maria Claudia Bonadio, nos traz a história da loja Mappin Stores, e toda a sua influência nos costumes da época; Alexandre Herchcovitch, com seu livro “Cartas a um jovem estilista - a moda como profissão”, dá suas dicas para os que querem abraçar esta área, apontando também os inúmeros desafios que virão; Cristiane Mesquita traz em seu livro “ Moda Contemporânea - quatro ou cinco reflexões possíveis” a reflexão sobre a moda e sua relação com o mundo, como campo que se relaciona com tudo. Mas ainda temos muito a recuperar e registrar da nossa história, de nosso passado não tão distante, com suas histórias de vida, bastidores e processos de produção. Este é o material que nos leva a refletir sobre o que fomos e sobre o que estamos sendo, para planejar o que queremos ser.

* Lucila Mara Sbrana Sciotti é Superintendente de Operações do Senac de São Paulo. Graduada em Arquitetura e Urbanismo, pós-graduada em Comunicação Empresarial (ESPM) e em Gestão Educacional (PUCCAMP), Mestre e Doutoranda em Educação (PUC-SP), atua no Senac São Paulo desde 1993. Foi Diretora da Faculdade Senac de Moda no período de 1999 a 2004.

foto: © Agência Fotosite

Lucila Mara Sbrana Sciotti*


es t ilo

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mario queiroz O UNIVERSO DO ESTILISTA EM IMAGENS QUE DEFINEM SEU ESTILO DE VIDA. Ele desistiu do jornalismo para se dedicar à moda em uma época que nem existiam curso nesta área no Brasil. Trabalhou em indústrias de diversos segmentos, e acumulando experiências, assinou a primeira grife de streetwear brasileira, a Vision. Suas camisas e calças faziam sucesso entre o público do Mercado Mundo Mix e do Blondie Bazar. A partir daí, destacou-se em eventos de moda como foto: Eduardo Paziam/divulgação

Phytoervas Fashion, Semana Barra Shopping e em sete edições da Casa de Criadores. Estreando no SPFW na edição de primavera-verão 2001/2002, o estilista, já com sua marca homônima, criada há 15 anos, desenvolve peças impecáveis para o público masculino, apostando em conforto sem abrir mão da elegância. Confira um pouco do estilo de

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Estud antes Sou ta mbém me en profes c s em co anta princip or e este ofíc ntato a com e lmente por io e disp spírito estar ostos s jov ad Gosto do me escobrir o m ens u diaaula, undo. a-d ma meus s sempre q ia em sala alu ue de mostra nos para a posso trag o prática esta e quipe Anhem , como de b no no i Morumbi tr alunos da sso últ imo b abalhando acksta ge.

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edi torial de mod a calçados & bolsas | inverno 2010

Marni | Milão

REDESENHO direção de pesquisa: patrícia souza rodrigues edição de moda: Eduardo Motta

fotos: © Agência Fotosite

Passado e futuro. Conservadorismo e rebeldia. Conceitos antagônicos, supostamente tão bem demarcados, mas será que é mesmo assim? Onde começa um e termina o outro? Como são as zonas de passagem? Estas perguntas aparecem quando olhamos as propostas das passarelas internacionais para o inverno 2010. No conjunto, ou mesmo dentro de uma mesma coleção, é possível encontrar um misto de tradição e invenção, às vezes distribuídas de forma desigual. Apesar disso, como um todo a coisa funciona. E a bolsa de shape comportado, lado a lado com o sapato extravagante (e vice-versa), não é uma combinação rara. O mesmo acontece com o antigo e o novo. O clima vintage nos deixa nostálgicos. Mas de

que tempo é este que sentimos nostalgia quando os sinais se embaralham? Estes valores misturados ou justapostos parecem atender aos desejos de agora, uma época em que é possível falar de contenção e exagero simultaneamente. Talvez porque o mundo viva uma crise e, nesta atmosfera, a moda inspire cautela, mas, contraditoriamente, expire também o extraordinário. Ela aposta na invenção, como forma de reafirmar sua natureza hedonista e satisfazer o desejo pelo novo fazendo a roda do mercado girar. Se há uma pátina que recobre esta mélange eclética, é o apelo à memória afetiva. É a sensação de déjà vu que percorre nossa percepção ao olharmos os produtos da Marni, por exemplo. Neles, reconhecemos cada contorno, cada cor,

cada material, mas estranhamos todos em sua nova roupagem, em seu redesenho. Lidar com informações diferentes, disparadas a um só tempo, é a grande sacada da moda da estação. Acompanhe nas páginas a seguir um apanhado das tendências em calçados e bolsas do inverno 2010. Para acessar o conteúdo completo da temporada, visite o portal www.usefashion.com e veja imagens de referência, em Megatendências, além das peças-chave, cartela de cores, materiais e demais destaques da estação, em Tendências dos Desfiles.


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Marni | Mil達o


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O poder da invenção Contrariando os avisos de contenção emitidos pelo mercado, estes produtos ajustam o grau de invenção pelo topo e desafiam a lógica da discrição com forte apelo visual. Com relação aos calçados, é nas construções que se concentra o maior empenho por resultados inovadores. No caso das bolsas, são os formatos construídos no drapeado, os novos volumes e a aplicação de metais que garantem o interesse. Emanuel Ungaro | Paris

Louis Vuitton | Paris

Balenciaga | Paris Diane von Furstenberg | Nova York


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calçados & bolsas | inverno 2010

Bottega Veneta | Milão

Burberry | Milão

Calvin Klein | Nova York

Dolce & Gabbana | Milão

Etro | Milão

Marni | Milão


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A força da tradição É bom observar que os formatos de bolsas são clássicos e os fechamentos idem, e que as formas e cabedais nos calçados recuperam linhas clássicas. Isto porque irão acompanhar looks no mesmo estilo. O que acontece é que estamos falando de versões contemporâneas e toda esta força da tradição precisa ser ajustada para não parecer datada. O passado não pode ser apenas relido ao pé da letra, mas atualizado com sutileza em termos de linhas, proporções, materiais e cores. Cynthia Rowley | Nova York

Givenchy | Paris

Prada | Milão Hermès | Paris


edi torial de mod a calçados & bolsas | inverno 2010

Gucci | Milão

Bottega Veneta | Milão

Calvin Klein | Nova York Alberta Ferretti | Milão

Alberta Ferretti | Milão

Dolce & Gabbana | Milão

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New boots Enormes bootlegs, subindo corajosamente até o meio da coxa, não passam despercebidas. Elas formam uma imagem tão poderosa, que a ideia de dar potência às pernas avança inclusive sobre as meias que vêm valorizadas por uma infinidade de trabalhos, conforme apontamos na editoria Acessórios, na última edição do UseFashion Journal. Assistimos uma renovação também dos modelos de cano médio ou baixo, que passam a incorporar novos volumes e assimilam de vez os efeitos vazados e a supressão de partes da gáspea no bico ou do talão no calcanhar.

Gucci | Milão Alberta Ferretti | Milão


edi torial de mod a cal巽ados & bolsas | inverno 2010

Marc by Marc Jacobs | Nova York

Alessandro Dell'Acqua | Mil達o

Giuseppe Zanotti | Mil達o

Emilio Pucci | Mil達o

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New Bags Inicialmente, a diminuição dos formatos trouxe a reboque os foles maiores. O objetivo era ganhar espaço interno, compensando a área perdida com a saída de cena das superbolsas. Agora, surgem estas belas modelagens construídas com pregas, dobraduras, recortes e formatos curvos. A finalidade é a mesma, mas o ganho estético é inteiramente outro. Um gosto retrô atravessa o estilo. O resultado é novo e agrada a maioria das mulheres.

Marni | Milão

Gianfranco Ferrè | Milão

Oscar de la Renta | Nova York


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calçados & bolsas | inverno 2010

Gucci | Milão

Gianfranco Ferrè | Milão

Marni | Milão

Marc by Marc Jacobs | Nova York


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Estampas

Calvin Klein | Nova York

Alessandro Dell'Acqua | Milão

Kallisté | Milão

Marc Jacobs | Nova York

Lerre | Milão

Assim como no inverno passado, as estampas aparecem em profusão. Marc Jacobs sai na frente, desdobrando estampa de arabescos em cores de gosto pop. Nas animal prints entram cobra, zebra e onça e a geometria é explorada em desenhos alterados, distorcidos nas proporções da forma padrão.


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calçados & bolsas | inverno 2010

materiais

recortes

Marni | Milão

Dsquared² | Milão

Philosophy | Milão

Giuseppe Zanotti | Milão

Marc Jacobs | Nova York

Tecidos de aspecto rústico, aproximados da tapeçaria, entraram muito bem na coleção vintage da Marni. A camurça é aposta certa e os couros hiperpolidos, em acabamentos metalizados que chegam até às cores, causam impacto suficiente para caracterizar a estação.

Não é nada fácil trabalhar com recortes, mas o ganho que eles trazem à modelagem vale o investimento. Que outro recurso poderia fazer de um peep toe um produto tão atraente quanto este modelo Dsquared²? O trabalho na Marc Jacobs é ainda mais complexo. Nele nem há misturas de materiais ou cores, apenas linhas sinuosas que elevam um formato simples a uma condição extraordinária.


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des taques d a es taç ão

A cor escondida

Pedraria

Louis Vuitton | Paris

Gianfranco Ferrè | Milão

Mathew Williamson | Nova York

Dsquared² | Milão

Depois que Louboutin fez da sola vermelha um traço inconfundível, o mundo passou a prestar mais atenção no recurso. A cor quente e forte sempre fica velada pela neutra.

Lapidações modificadas em variações assimétricas dos facetados dominam os trabalhos em pedraria, sejam as pedras fakes ou verdadeiras. Cristais tradicionais em rosáceas românticas estão na outra ponta desta história, mas também têm lugar cativo.


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calçados & bolsas | inverno 2010

Couro sobre couro

Supermetal

Bottega Veneta | Milão

Marc Jacobs | Nova York

Salvatore Ferragamo | Milão

Giuseppe Zanotti | Milão

Desaparecem os adornos em outros materiais para que o couro ateste toda sua nobreza e plasticidade. Nem há necessidade de misturar mais de um tipo, pois são os volumes e as texturas que resolvem a questão.

Acabamentos dourados e formas repetidas criam impacto visual e ritmo. Mais uma vez o metal não é um mero complemento, e é ele quem define o produto.


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memória

Elsa Schiaparelli Por JULIANA ZANETTINI

A italiana Elsa Schiaparelli nasceu em Roma, no ano de 1890. De família rica, estudou na Suíça e em Londres, onde conheceu seu marido, Willy de Kerlor, em 1913. Em 1919, o casal foi morar em Nova York, cidade onde nasceu sua única filha, Gogo. Como o casamento não durou muito tempo, desprovida de recursos financeiros, Elsa viu-se obrigada a voltar para Europa, em 1922. Lá ela deu seus primeiros passos no mundo da moda, criando modelos em tricô. Embora seu amigo Paul Poiret tenha lhe encorajado a abrir um atelier, foi somente em 1929 que ela apresentou a sua primeira coleção. Amiga de grandes artistas da época como Man Ray, Marcel Duchamp, Jean Cocteau e Christian Bérard, a estilista acreditava que a moda não poderia ser desvinculada das artes plásticas. Logo, estabeleceu uma relação de amizade e profunda admiração por Salvador Dalí, sendo que muitas de suas criações foram inspiradas em suas obras e por diversas vezes trabalharam juntos. Controversa, entre as suas principais criações estão o chapéu em forma de sapato, o tailleur-escrivaninha e a bolsa telefone. Ela criou inclusive o vestido pintado com moscas, o vestido esqueleto, que respeitava os contornos da coluna vertebral, e o célebre vestido lagosta. Excentricamente criativa, além de formular colares em forma de insetos, buscou inspiração no circo, retratando motivos como cavalos, elefantes, acrobatas, botões com cabeças dos palhaços e o chapéu em forma de sorvete. Ela também criou uma coleção inspirada nos signos do zodíaco. Schiap, como era carinhosamente chamada, foi a primeira estilista a usar o funcional zíper,

substituindo o fechamento tradicional por botões. Entre as suas inúmeras criações, talvez a mais marcante seja a cor Rosa-Shocking, nome dado também ao seu primeiro perfume, em 1938, criado em parceria com o surrealista Leonor Fini. Para o frasco do perfume, eles prestaram uma homenagem aos contornos do corpo da atriz Mae West. Por conta do sucesso de suas criações, Schiaparelli tornou-se a maior rival de Coco Chanel, uma vez que o seu estilo anticonvencional não agradava a estilista francesa. Entre as suas clientes mais célebres estão as atrizes Greta Garbo, Joan Crawford, Marlene Dietrich, Katharine Hepburn e a duquesa de Windsor. No cinema, Schiap contribuiu com o figurino de filmes como “Every Day’s a Holiday”, com Mae West, em 1937 e “Moulin Rouge”, com Zsa Zsa Gabor, em 1952. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Schiaparelli fechou seu atelier, mudando-se novamente para os Estados Unidos. Quando a guerra chegou ao fim, ela decidiu retomar suas atividades, embora os tempos fossem outros. Com dificuldades financeiras, acabou fechando sua maison em 1954, mesmo ano na qual foi lançado sua autobiografia “Shocking Life”. Após anos de devoção à moda e de contribuir para os primeiros passos de estilistas como Pierre Cardin e Hubert Givenchy, Elsa Schiaparelli morreu em 1973, aos 83 anos. A própria maison Givenchy, hoje no comando de Ricardo Ticci, homenageou a estilista que transformava sonhos em roupas durante a estação de inverno 2010. Para a mesma temporada, Schiap também foi referendada pela Dolce & Gabbana.

Ao fundo: Conjunto para a noite, desenvolvido com a colaboração de Jean Cocteau, 1937 (divulgação)

Elsa com uma modelo em seu atelier. Foto de Nina Leen, 1951


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UseFashion Journal - Julho/2009