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1º a 30 . abril de 2014 . ANO II . Número 27 . Distribuição gratuita

URBHANO

On-line: www.urbhano.com.br

BELVEDERE

Foto: Cinthya Pernes

tudo que inteRessa no seu bairro está aqui

Adote o Verde

No Belvedere diversas praças e jardins já são adotados por empresas-cidadãs, em parceria com a prefeitura. Mas ainda há espaços que precisam de cuidados

comportamento

Foto: Cinthya Pernes

Ser muito alto ou baixo traz alguns problemas, inclusive posturais, mas ter a estatura nos dois extremos pode ser vantajoso pág. 05

entrevista O renomado engenheiro Clémenceau Chiabi explica como concilia sua vida profissional, sua família e suas paixões pág. 10

tecnologia Aos 80 anos e se tratando de um câncer, a americana Betty Simpson tem mais de 400 mil seguidores na rede social instagram pág. 13

local

gás natural no belvedere o bairro é um dos primeiros a receber instalações subterrâneas e A novidade traz diversos benefícios aos moradores pág. 03

gastronomia Ovos da Páscoa gourmet, com diversos recheios e sabores, têm atraído cada vez mais consumidores. Aprenda uma deliciosa receita pág. 14

anuncie no único canal direto com o belvedere. 31 2516.1801 comercial@urbhano.com.br


opinião frasesURBHANAS

Foto: arquivo pessoal

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URBHANO BELVEDERE Belo Horizonte, 1º a 30 de abril de 2014

Luiz Fernando Valladão (*)

Adoção e vínculos Com o advento da Lei n.º 12.010/09, estabeleceu-se procedimentos rígidos para a adoção, ao ponto de elevar o cadastro de crianças e adolescentes e de pretendentes à adoção a algo sacramental. Ou seja, salvo situações excepcionais, a ordem cronológica das “habilitações” não poderá ser ignorada. Isso significa que a lei tornou clara a impossibilidade da adoção direcionada, que ocorre quando a mãe biológica entrega seu filho para determinado casal que ela acredita ter mais afinidade com o mesmo. O objetivo do legislador, de certa forma, é correto, pois objetiva resgatar o espírito altruísta da adoção, já que o pretendente “receberá” o menor que estiver na tal lista, sem direito a escolha da cor dos olhos ou pele, por exemplo. Entretanto, embora essa adoção desinteressada seja o ideal, nem sempre é viável, sobretudo se considerarmos dificuldades e vícios próprios da natureza humana. Convenhamos que não é censurável a escolha honesta, feita por uma mãe que quer entregar o filho que, por diversas razões, não pode criar, a um casal em condições de adotá-lo. Esse pode não ser, para o Estado, o melhor caminho, pois tal adoção não será acompanhada por profissionais capacitados. Mas tal procedimento informal tem suas motivações compreensíveis sob a ótica ética. E, o mais importante, quando isso acontece e o menor passa a viver com a nova família, há a criação de uma relação de afeto! Nesse momento, podem surgir conflitos. Os pais biológicos podem se arrepender e interferir, ainda antes de sacramentada a adoção, querendo o menor de volta. Salvo situações excepcionais, em casos tais há de prevalecer o vínculo socioafetivo criado com os pais que adotaram, já que ele está sintonizado com o melhor interesse do menor, critério este adotado pela Constituição Federal e que deve ser sempre a bússola a orientar o judiciário. Luiz Fernando Valladão Nogueira Advogado, procurador do município de Belo Horizonte e membro efetivo e diretor do Departamento de Direito de Família do Instituto dos Advogados de Minas Gerais (*)

Foto: divulgação/Cabelos & Cia

Pilotei um aspirador de pó ao invés de um carro de corrida. Sebastian Vettel não gostou do novo som dos carros de Fórmula 1, que tiveram de abaixar o volume após nova regra da categoria

Não sou uma pessoa com carimbo de idade. Tem momentos do meu dia em que me sinto com 12 anos, outros em que me sinto com 80. Carolina Dieckmann, sobre os 35 anos

Se o Brasil não vencer a Copa, os brasileiros voltarão a protestar. Pelé, ao explicar para os estrangeiros os protestos contra a corrupção no ano passado

Não vou ser candidato a mais nada. Apesar de participar de campanha, Fernando Henrique Cardoso não quer exercer nenhum cargo O torcedor do Corinthians é inteligente. No ano passado, o time ganhou o Paulistão e o pessoal não foi nem à quadra comemorar. Então, não pode haver essa importância toda quando a gente perde. São dois lados. Mano Menezes achou um jeito diferente de tentar evitar um protesto da torcida do Corinthians após a eliminação do time no Campeonato Paulista

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URBHANO BELVEDERE

URBHANO

URBHANO BELVEDERE é uma publicação da Editora URBHANA Ltda. CNPJ 17.403.672/0001-40 Insc. Municipal 474573/001-1 Impressão: Bigráfica Tiragem Belvedere e Mangabeiras/Sion: 15.000 unid. Distribuição gratuita - mensal

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Jornalista RESPONSÁVEL Raíssa Daldegan | R18.320/MG raissa@urbhano.com.br

Fotos | Lucas Alexandre Souza e Cinthya Pernes Revisão | Pi Laboratório Editorial Jornalista | Renata Diniz Estagiária | Tatiane Consuelo


URBHANO BELVEDERE Belo Horizonte, 1º a 30 de abril de 2014

local

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Gás natural no Belvedere Foto: Cinthya Pernes

Fonte de energia | Instalações subterrâneas tÊm conclusão prevista para final do 1º semestre

Instalações no Belvedere começaram em fevereiro e devem ser concluídas até o fim do 1° semestre de 2014

Fotos: Ilustração Gasmig

Em meados de fevereiro, a Gasmig, operadora logística de gás natural em Minas Gerais, deu início à implantação do sistema de gás natural no Belvedere. Quem anda pelas ruas do bairro já pode notar a presença das tubulações que serão instaladas. De acordo com a empresa, a implantação será realizada através de uma rede de tubulações em aço no entorno de Belo Horizonte, conectando dois pontos – os bairros Betânia e Lourdes. No total, 22 bairros da região Centro-Sul serão contemplados. Os próximos locais previstos para a implantação são Carmo e Sion, e a previsão é de que até 2017 toda a região Centro-Sul seja contemplada com gás encanado. A partir dessa rede, em uma segunda etapa, serão construídas as ramificações em cada bairro, utilizando-se tubulações menores, constituídas por um material resistente, de alta densidade. No Lourdes o trabalho está em andamento, e já foi finalizado no Santo Agostinho, onde todas as ruas contam com rede de gás natural.

Mapa da região Anel Sul

Segundo o gerente de expansão da Gasmig, Eduardo Soares, no Lourdes o início da ligação para os clientes está previsto para abril. “Na Grande BH também já temos clientes ligados em Nova Lima, no Alphaville. No Sul de Minas, a cidade de Poços de Caldas, grande polo turístico do estado, já conta com o fornecimento de gás natural em hotéis, restaurantes, hospitais, thermas, academias, clubes e residências”, acrescentou Eduardo. Com o início das instalações, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Belvedere (AMBB), Ricardo Jeha, entrou em contato com a Gasmig, a fim de buscar maiores esclarecimentos sobre a empreitada. No último 6 de março, Jeha se reuniu com autoridades da empresa. Segundo ele, em reunião a empresa informou que está sendo implantada uma linha-tronco em toda a avenida Celso Porfírio Machado e que a obra tem previsão de conclusão até o final do 1° semestre. As obras estão sendo executadas sob o cuidado de causar

o menor impacto possível ao fluxo de tráfego na região e aos moradores. Para a minimização de possibilidade de transtornos com a obra, as instalações estão sendo realizadas através de um equipamento especializado. Para implantar a tubulação de gás sem necessidade de abrir, integralmente, as valetas nas ruas, foram feitas pequenas aberturas no asfalto de 100 em 100 m, onde os tubos estão sendo introduzidos. Após a conclusão da rede em cada bairro, será iniciado o fornecimento do gás natural, conectando edifícios residenciais e estabelecimentos comerciais. Nessa etapa, a decisão de aderir ou não ao sistema ficará ao encargo dos moradores e empresários da região. Os consumidores residenciais poderão ainda optar por consumo individual ou coletivo, no momento da adesão. O gás canalizado terá fornecimento semelhante ao da água e energia elétrica. O consumo é medido e a conta de gás é entregue ao cliente mensalmente para conferência e pagamento. Para o segmento de flientes residenciais o atendimento a prédios pode ocorrer de forma coletiva (um único medidor no prédio com valor repartido igualmente pelas unidades domiciliares) ou individual (um medidor para cada unidade domiciliar autônoma), conforme projeto de instalação do edifício. Em relação ao preço do gás natural distribuído pela Gasmig, ele é composto pela tarifa definida pela Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico e pela incidência dos impostos PIS (alíquota de 0,65%), COFINS (1%) e ICMS (atualmente em 12%), conforme a legislação. O cálculo da fatura se dá pela soma da tarifa fixa referente à faixa de consumo onde o consumidor se encontra, acrescida do preço da tarifa variável, vezes a quantidade de metros cúbicos consumidos. A fórmula é a seguinte: Fatura = tarifa fixa + (quantidade de metros cúbicos x tarifa variável). Os cálculos e os valores das tarifas podem ser encontrados em www.gasmig.com.br/Tarifa/Tarifa.aspx.

Vantagens do gás natural O gás natural é mais barato e mais eficiente em relação à energia elétrica e ao gás liquefeito de petróleo (GLP). “Se tratando de energia para fins térmicos, ou seja, cocção, aquecimento de água, processos industriais, geração de energia elétrica, entre outros, o gás natural é, sem dúvidas, a melhor fonte de energia, por se tratar de uma alternativa moderna, segura e econômica, que propicia todos os benefícios já citados anteriormente. Além disso, o gás natural é mais leve que o ar, o que favorece a rápida dissipação em caso de vazamentos., fator que promove mais segurança aos usuários”, explica o gerente de comercialização do gás industrial, comercial e veicular, Hilton Vale. O gerente ainda destacou outros benefícios, como maior segurança no fornecimento e economia. A comodidade também foi apontada pelo empresário. “O fornecimento de gás é contínuo, o que dispensa a troca ou estocagem de botijões, possibilitando o uso do espaço para outros fins”, lembra Hilton.


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URBHANO BELVEDERE Belo Horizonte, 1º a 30 de abril de 2014

cidade

Cidade parada Fotos: Cinthya Pernes

Mobilidade urbana | trânsito motiva moradores da capital a optar pelo transporte coletivo

O morador do Belvedere, Otto Figueiredo reivindica melhorias na qualidade e atendimento das linhas de ônibus que atendem ao bairro

Desligar o carro. Muitas vezes, essa pequena ação é o que resta aos motoristas da capital ao se depararem com o tráfego, muitas vezes, impraticável. Situação que vem aumentando muito nos últimos anos. Segundo dados da BHTrans, diariamente 1,5 milhão de veículos, de BH e da região metropolitana, circulam pelas ruas da capital. O número inclui a frota de 3.036 ônibus que trafegam pela cidade, distribuídos em 298 linhas. Os coletivos são responsáveis pelo transporte diário de mais de 1,5 milhão de passageiros, mais da metade da população de BH, de 2 milhões e 395 mil pessoas, segundo o último balanço do IBGE. Entre eles está o morador do Belvedere Otto Figueiredo, 78, que é engenheiro civil aposentado e usuário do transporte coletivo. Para ele é necessária a revitalização da frota de ônibus na capital e ampliação no número de linhas, para que mais pessoas passem a aderir ao transporte. Otto acredita que há um desuso do transporte público por parte da classe mais abonada da sociedade. Algo que, para ele, demonstra grande atraso no Brasil. “Já é conhecida a expressão: país rico é onde o rico anda de ônibus e não aquele em que o rico anda de automóvel. O Belvedere possui população de classe A, a maioria tem quatro ou cinco carros na garagem. É preciso ter um incentivo para que as pessoas passem a andar de ônibus. Apresentar ônibus barulhentos, com atrasos e cheios e querer que elas usem, aí já é demais. Não faz sentido não termos uma melhoria”, justifica o aposentado que se diz indignado ao ver o sucateamento da frota brasileira. “Eu estive nos EUA em 1969 a trabalho e lá os ônibus já eram hidramáticos e não mecânicos, como aqui. Na Europa todos os ônibus são hidramáticos, nem automóvel mecânico existe, quanto mais ônibus. Se em 69 lá já era assim, será que hoje em 2014 não podemos ver uma melhoria no Brasil?” Com mestrado em Transporte e experiência na logística do tráfego urbano, Otto opta pelo uso do trans-

porte público já há alguns anos, mesmo possuindo carteira de habilitação. Segundo ele, a escolha foi feita principalmente devido à importância do gesto para a melhoria do trânsito e às dificuldades de se estacionar na capital. Inconformado com os grandes atrasos da linha 8106 Santa Cruz/BH Shopping, que circula no Belvedere, o aposentado decidiu investigar as causas do problema. Reuniu então o mapa da cidade, presente no catálogo de telefones do município, e traçou a rota da linha. “O 8106 passa por avenidas que estão constantemente congestionadas. Deveria ter um ônibus que se restringisse ao Belvedere, não ter é um erro. Ele faz um trajeto muito longo. Se você está na Savassi, perto do Cine Pathé esperando o 8106, você pode ver o ônibus 8001 passar três ou quatro vezes antes que passe um único 8106”. Em comunicado a BHTrans justificou que a complexidade do percurso gera grande demanda pelo trajeto (a linha 8106 compreende uma região extensa e de fluxo intenso) e, por isso, é inviável a alteração da rota. Apesar disso, o departamento de comunicação do órgão declarou monitorar constantemente a necessidade de adequação das linhas e, quando necessário, promove mudanças. Ainda segundo a BHTrans, alguns ônibus da capital já contam com ar-condicionado e outros confortos, a exemplo das linhas executivas e do MOVE, e que essa tendência de melhoramento da frota é uma realidade. n

Uma opção a ser feita

Buscando auxiliar na melhoria do trânsito, o professor universitário Fernando Lacerda, 54, sempre se locomoveu através do transporte público. Mesmo com dois carros na garagem, de uso da esposa e filha, Fernando conta que raros foram os momentos em que refletiu sobre dirigir. “Quando eu tinha 18 anos comecei os trâmites para tirar a habilitação, mas percebi que não era algo que me dava prazer. Eu realmente não gostava. Aprendi a dirigir, mas nunca cheguei a fazer o exame. Priorizei outras coisas na época. Depois não voltei mais, porque nesse intervalo percebi que dirigir não era uma coisa importante”. Apesar de considerar a qualidade do transporte público ruim, Fernando conta que no dia a dia utiliza ônibus, metrô e táxi para cumprir os compromissos ao longo da semana. O professor reconhece, ainda, a autonomia usufruída por quem opta pelo uso do carro, mas para ele outras questões devem ser colocadas. “Se todo mundo optasse pela solução individual, que é o uso do carro, o caos seria muito maior. Não há duvida de que a saída é o transporte público, mas desde que ele motive as pessoas pelo conforto e custo, para que elas deixem o carro em casa e se locomovam com as ofertas de transporte coletivo de cada cidade”.


URBHANO BELVEDERE Belo Horizonte, 1º a 30 de abril de 2014

comportamento

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Altos e baixos Fotos: Cinthya Pernes

Ergonomia | Com estatura fora da média pessoas vencem obstáculos e se adaptam no dia a dia nos EUA e Itália. Dezesseis anos depois parei de jogar por conta de uma lesão no joelho. Depois trabalhei como bancário. Todos me viam com outros olhos. Uma pessoa com 2 m pesando 80 kg... eu era uma vara de bambu. Aí malhei, fiz artes marciais, cheguei a 150 kg. Um belo dia estava em São Paulo, porque minha namorada era de lá, e conheci alguns artistas e músicos. Comecei a conviver nesse meio e de repente me vi como segurança. Percebi que a altura foi muito vantajosa”, relata Fernando, que ainda trabalhou em campanhas publicitárias devido à altura. 2,20m Foi graças a esses trabalhos publicitários que Fernando resolveu um problema antigo. Encontrar uma cama que comportasse bem o seu tamanho. O cachê de garoto 1,52m propaganda lhe rendeu mais do que grana extra e ele foi presenteado com uma cama sob medida de Fernanda Diniz e Fernando Fernandes driblam obstáculos 2,30 x 1,60 m. “É o tamae usufruem das vantagens do nho da cama do gigante”, diferencial na estatura brinca o segurança com a própria altura. Fernando conta que já encontrou formas para driblar os obstáculos diários encontrados para quem, assim como ele, está fora do padrão de altura. “As minhas roupas eu mando fazer, camisas de manga comprida e calças compridas. Já bermudas e camisetas eu enComprar sapatos e dirigir são ações simples do dia contro pra comprar. Eu dirijo um Chevette há 31 anos, a dia que podem ser uma dor de cabeça para quem vive então tive de fazer alterações pra caber dentro do carro. nos extremos da estatura. Segundo o Instituto Brasileiro Mudei o volante e coloquei um menor, pra não pegar de Geografia e Estatística (IBGE), a estatura média do nas minhas pernas. Também mudei o trilho do banco, homem brasileiro é de 1,72 m. Entre as mulheres a altura pra chegar mais pra trás que o normal. Meu sapato é 51 padrão é 1,61 m. Apesar disso, muitos brasileiros estão . Os meus calçados eu compro em São Paulo, tem duas bem distantes dessa média. Mas nem tudo é dificuldade: lojas lá que trabalham pra adultos assim como eu. Lá muitos altos e baixos vivem bem com a própria altura e eles têm numeração até 54 na vitrine”. até encontraram vantagens na diferença. Outra pessoa que encontra dificuldades no dia a dia Esse é o caso do segurança de eventos Fernando mas vive bem consigo é a designer gráfico Fernanda Fernandes, 50. Com 2,20 m de altura e calçando sapatos Diniz, 24. Com 1,52 m e calçando 35, a xará do gigande numeração 51, Fernando conta que sofreu com a altu- te trata com bom humor o quesito altura. “Vejo como ra na infância e adolescência, em que chegou a crescer 6 uma marca, todo mundo fala assim: Você conhece a cm por mês até os 18 anos. Aos 11 anos de idade atingiu Fernandinha? Uma lourinha e pequenininha? Todo 1,80 m. “Eu passei da fase de criança pra adulto, por mundo me conhece assim. Minha altura virou meu conta da minha altura”, conta. Apesar das dificuldades, diferencial”. o segurança relata que assim que superado o período Apesar de gostar da estatura, Fernanda reconhece passou a usufruir dos benefícios do tamanho exclusivo. que enfrenta algumas dificuldades que exigem adapta“Depois disso fui chamado pra jogar basquete, joguei até ções. Para a designer, outro problema enfrentado pelos

baixinhos é o critério de altura nos concursos públicos, já que muitos exigem altura mínima. “Não acredito que altura seja algo que atrapalhe no exercício dessas atividades. Como na polícia, corpo de bombeiros e marinha”, opina. Entre as medidas adotadas por Fernanda para facilitar sua vida está o uso do salto alto. “Uso muito, porque às vezes você vai pra uma balada com suas amigas, que já são altas. Se não uso salto, fico muito menor que elas. O meu namorado é muito mais alto, com ele sempre uso salto, assim fica até mais fácil pra conversarmos. Mas ele não liga de eu ser pequena”, conta ela, que desenvolveu um problema no joelho devido ao intenso uso de saltos e hoje faz acompanhamento com um fisioterapeuta. Apesar de não ter dificuldades para encontrar sapatos, tal como as pessoas muito altas podem ter, ela teve de fazer modificações em seu antigo carro. Para não ter problemas ao dirigir, ela utilizava uma almofada em seu banco para movimentar os pedais sem dificuldade. Segundo a fisioterapeuta e professora de Ergonomia da UniBH Fernanda Saltiel, modificações como essas são fundamentais para evitar problemas gerados pela má postura diária, como o problema no joelho relatado por Fernanda Diniz. “Pra quem é muito alto, o problema pode aparecer na coluna. Outros problemas, como fadiga muscular e hérnia de disco podem ser acarretados como resultado de maus hábitos posturais e repetição de movimentos inadequados”, explica a especialista. No caso de quem usa muito salto alto, a professora universitária alerta: “problemas nesse caso dependem muito das características e hábitos tomados no dia a dia. Quem usa muito salto alto pode ter, além do problema no menisco (osso do joelho), também encurtamento no músculo da panturrilha e problemas de varizes. Para quem trabalha sentado, o ideal é ter um local para apoiar os pés, caso a pessoa não consiga encostar os pés no chão”. A especialista adverte que a melhor medida para evitar problemas posturais é se policiar quanto ao próprio ambiente. Além disso, ela constata que pessoas mais altas têm mais probabilidade de enfrentar problemas nesse aspecto, uma vez que a população brasileira de forma geral tem baixa estatura. n

Para dirigir seu Chevette, Fernando precisou fazer adaptações


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cultura

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Um pedacinho da França Foto: divulgação

Charme e gastronomia | A Semana Francesa será realizada de 4 a 17 de abril em Belo Horizonte

Idealizada pela Câmara de Comércio França-Brasil regional Minas Gerais (CCFBMG), a Semana Francesa chega a sua segunda edição. Este ano contará com uma série de atrações, que envolvem cursos, degustação de vinhos, apresentação de filmes franceses e festival gastronômico com participação de vários restaurantes da cidade. Entre os dias que acontece a mostra, 4 e 17 de abril, os belorizontinos poderão sentir o gostinho da tradição e das delícias francesas. O coquetel de abertura para associados e imprensa acontece no dia 3 de abril, no café do Cine Theatro Brasil Vallourec. Uma atração que vem muito forte nessa edição é o Festival de Cinema Francês Varilux. Entre os dias 9 e 16 de abril serão apresentados diversos filmes ao público da cidade. O objetivo do evento é trazer a essência da França para a capital mineira. No dia 10 de abril, às 19 h, haverá a Degustação Chez France, no restaurante A Favorita, na qual a École Chez France vai apresentar um minicurso de introdução às duas regiões vinícolas francesas mais famosas do mundo – Bordeaux e Bourgogne, enfatizando as características de cada uma, suas peculariedades e diferenças, com palestra do consultor Guillaume Turbat e degustação de seis vinhos. Trata-se de uma oportunidade para os amantes do vinho francês conhecerem novas experiências. São oferecidas vinte vagas ao custo de R$ 100 para os associados da CCFB-MG e R$ 120 para não associados. No mesmo dia, entre as 8 e 18 h, o especialista Cláudio Diniz ministrará o curso O Mercado do Luxo – Tendências e Oportunidades, no Centro de Referência da Moda. Entre os tópicos que serão abordados estão o conceito de luxo, visão do mercado do luxo no mundo, o perfil do consumidor de luxo, o comportamento dos “novos” ricos, a excelência no atendimento, o luxo como experiência e outros. Preços: R$ 350 para estudantes e associados do CCFB-MG e R$ 400 para não associados. Na agenda do dia 10 está programado também o curso de Gastronomia, no buffet Bouquet Garni, com jantar harmonizado com vinhos da V&A. Preços da degustação: R$ 180 para associados da CCFB-MG e R$ 220 para não associados. No dia 16 de abril, haverá um encontro com o chef Eduardo Avelar, em torno do curso Comparativo dos Terroirs de Minas e da França, seguido de degustação de queijos de Minas e vinhos franceses. O local será a Vila 211 (rua Estevão Pinto, 211, Serra – telefone 3287-5040), onde poderá ser apreciada a exposição de desenhos Heloise Delavenne – uma francesa desenhando o Brasil. No dia 17 de abril haverá o Café com Agnès Varda, com sessão do filme Sans Toi Ni Loi, no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes. No dia também acontecerá um café da manhã e seguido de comentários de Agnès Varda. O filme, da década de 1980, ganhou vários prêmios, como o Leão de Ouro pelo Festival de Veneza, o de melhor filme estrangeiro pela Associação de Críticos Americanos, o de melhor filme e melhor direção pelo júri jovem do Festival de Bruxelas e de melhor filme pelo Festival Internacional de Durban, África do Sul, entre outros. n

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

A Semana Francesa contará ainda com a participação de vários restaurantes de Belo Horizonte, como o Bistrô do Divino, Caprices de Paris, Ah!Bon, Eloi Moreira Art Cuisine, Quinto do Ouro, Ephigênia Bistrô, O Dádiva, Gomide, Mes Amis, A Favorita, Au Bon Vivant, Glouton, Benvindo. Todos eles estarão ofertando pratos especiais da culinária francesa ao preço de R$ 80.

Quem participar do evento, vai poder sentir o clima da França, garantem os organizadores


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cristina ho

| turismo

07 Foto: Arquivo pessoal

Intensa Foto: arquivo pessoal

Amsterdã | hoje vamos conhecer a famosa Casa de anne frank

A casa foi transformada em museu, onde é possível ver o diário original de Anne Frank

A fila para entrar na casa transformada em museu é longa, mas todos aguardam pacientemente a sua vez de conhecer o local onde a pequena Anne Frank viveu com a sua família e escreveu o seu diário. A visita inspira um certo respeito e é uma parada obrigatória para quem vai a Amsterdã, pois além de ter um forte apelo histórico, possui uma energia incrível que abraça todos os seus visitantes. Um pouco de história: durante a Segunda Guerra Mundial, Anne Frank e a sua família viveram no anexo desse edifício, onde seu pai, Otto Frank, mantinha um negócio. A porta do anexo ficava por detrás de uma estante de livros amovível construída especialmente para esse fim. Eles viveram confinados por mais de dois anos nesse esconderijo que abrigou também outras famílias judias. Os funcionários que trabalhavam com seu pai sabiam desse esconderijo e lhes ajudavam fornecendo alimentos e notícias sobre o que acontecia no mundo lá fora. No dia 4 de agosto de 1944, infelizmente, o esconderijo foi invadido pelos nazistas como consequência da denúncia de um informante que jamais foi identificado e todas as pessoas foram deportadas para os vários campos de concentração. Em 1945, aos 16 anos, Anne Frank faleceu no campo

Cristina Ho também escreve no www.fasciniopelomundo.blogspot.com.br de concentração, vítima de holocausto. De todos os integrantes da família, apenas o pai, Otto Frank, sobreviveu à guerra. Em 1957 um grupo de pessoas, incluindo Otto Frank, estabeleceu o Instituto Anne Frank com o propósito de salvar o edifício da demolição e torná-lo acessível ao público. Atualmente, os quartos na Casa de Anne Frank, embora vazios, ainda respiram a atmosfera sentida naquele período de tempo. Citações do seu diário, documentos históricos, fotografias, pequenos filmes e objetos originais que pertenceram àqueles que se encontravam escondidos e às pessoas que os ajudavam ilustram os eventos que ocorreram naquele lugar. O diário original de Anne Frank e outros apontamentos encontram-se disponíveis para serem vistos no museu. n

maurilo andreas

| crônica

Cego desde pequeno, Seu Argemiro virava-se muito bem até que conheceu Dona Clóris. Em seus 35 anos de casados, Dona Clóris cuidou do Seu Argemiro como quem trata de um bebê: fazia sua comida (inclusive o lanche para o trabalho), escolhia suas roupas, barbeava, lia, escolhia as músicas para ouvir antes de dormir, enfim, vivia generosamente as duas vidas do casal, tudo suprindo e nada pedindo a não ser dependência absoluta. Depois da aposentadoria, Seu Argemiro enfurnou-se cada vez mais na malha de cuidados que havia em casa. Tornou-se quase um móvel velho que precisa ser limpado diariamente, mas para quem ninguém olha duas vezes. A única exceção era o passeio matinal que fazia sozinho pelas ruas ainda tranquilas do Calafate e que preocupava secretamente Dona Clóris. Em uma das muitas manhãs incrivelmente iguais que viveu, Seu Argemiro acordou sozinho, sem ser chamado pela esposa. Esperou a convocação para o banho, a muda de roupa para o dia, o café da manhã. Seguiu esperando o passeio, o almoço, a saída

da empregada, a l e i t u r a d o l i v r o interrompida na noite anterior, o programa de rádio, o banho antes de dormir, o pijama, a janta. Seu Argemiro se paralisou na espera. Havia atrofiado sua vontade nas mais de três décadas sob os cuidados de Dona Clóris e agora o medo lhe travava as pernas. Imaginava apenas os motivos da demora sem pronunciar um som: a morte da esposa, a perda de um familiar, um assalto, um gigantesco engarrafamento, um evento imperdível. Chegou a cogitar que a morte fosse assim, incrivelmente parecida com a vida, apenas um canto escuro para deixar-se imóvel e esperar algo que nunca vem. Entendeu-se então morto e apenas aguardou sua hora. Na madrugada anterior, algumas horas antes do despertar solitário de Seu Argemiro, Dona Clóris olhou pela última vez a camisa manchada de batom que havia encontrado escondida na gaveta do marido.

Foto: arquivo pessoal

Confiança

Por vezes havia desconfiado dos passeios matutinos eventualmente longos e agora sentia entre os dedos a prova da ingratidão e do desprezo. Sem fazer cena demitiu a empregada e deixou a casa com serenidade, sem nada mudar. Começaria vida nova longe dali, esqueceria os anos dedicados a Argemiro e seria como se nunca houvesse existido aquela traição. O enterro de Seu Argemiro, alguns dias depois, foi simples. Dona Clóris não compareceu e poucos foram avisados. No enterro, a empregada se lamentava pela morte daquele ser tão pacífico. Sentia-se responsável por ter aceitado a demissão sumária, por não ter percebido alguma coisa, por não ter voltado à casa.

Maurilo Andreas é mineiro de Ipatinga, publicitário de formação e escritor por paixão. Casado com Fernanda e pai de Sophia, é autor de seis livros infantis e foi um dos homenageados na I Feira Literária de Passos. Seu texto “Sebastião e Danilo” foi escolhido pela revista Nova Escola para uma edição especial e vários outros fazem parte de livros didáticos e paradidáticos de diversas editoras. Culpava-se ainda mais pela omissão no trabalho. “Duas noites antes de eu ser demitida, peguei uma camisa do Seu Argemiro e emprestei pro Tonho sair comigo. Ficou suja de batom e eu escondi na gaveta bem lá no fundo pra Dona Clóris não ver. Nem deu tempo de lavar... tadinho do Seu Argemiro.”


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URBHANO BELVEDERE Belo Horizonte, 1º a 30 de abril de 2014

matéria de capa

Belvedere mais verde Fotos: Cinthya Pernes

Meio Ambiente | Praças do bairro são adotadas por diversas empresas, mas ainda não é o ideal

Ainda existem muitas áreas verdes no bairro que podem ser adotadas

Um dos privilégios de se morar no Belvedere é estar rodeado de muito verde. No bairro há praças, jardins, parques, além da bela vista para as montanhas da Serra do Curral, que pode ser observada de algumas residências. Viver próximo à natureza, com certeza, gera a sensação de bem-estar e qualidade de vida. O ar também fica mais puro e agradável. Por isso, com o objetivo de incentivar a população a cuidar e valorizar esse patrimônio natural, foi criado o Projeto Adote o Verde, iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto trata-se de uma parceria entre a administração municipal, a iniciativa privada, e também a comunidade. Hoje é responsável pela manutenção de cerca de trezentos espaços verdes do município. Qualquer cidadão, associação de bairro, escola, estabelecimento bancário, comércio, sindicato, empresa, indústria, órgão público ou ONG pode participar. Todas as pessoas físicas ou jurídicas podem firmar parcerias com a prefeitura e disponibilizar-se a adotar qualquer espaço verde pela cidade. A responsabilidade para quem entra no projeto é manter as áreas verdes bem limpas e cuidadas. À prefeitura cabe o desenvolvimento do projeto de implantação ou reforma, o pagamento de contas de água, luz e apoio técnico. A empresa ou pessoa física que adota os espaços verdes ganha a permissão para colocação de placa no local divulgando a parceria. Na região Centro-Sul, são 160 espaços adotados e 145 parceiros, entre pessoas físicas e jurídicas. No Belvedere, segundo dados da prefeitura, há onze espaço adotados, entre eles jardins e praças. O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Belvedere (AMBB), Ricardo Jeha, comenta sobre a importância do projeto para o bairro e toda a comunidade. “A adoção desses espaços verdes é de suma importância, pois além de permitir uma manutenção mais adequada e regular, pelo patrocinador,

O presidente a AMBB, Ricardo Jeha, faz campanhas para incentivar a adoção dos espaços verdes no bairro

propicia à comunidade uma melhor convivência e aproveitamento desses logradouros no que tange ao lazer e paisagem cênica”, afirma o presidente. O Instituto Tarcísio Bisinotto, que está no Belvedere há dezessete anos, a convite da associação de moradores resolveu adotar a praça Iris Valadares. “Escolhemos o local pelo fato de o Instituto estar localizado próximo à praça. Assim que o convite para adotá-la foi feito, o aceitamos. A proposta foi feita pela AMBB e por sermos associados desde 1997 não houve restrições quanto ao sucesso dessa parceria”, conta Renata de Castro Macedo, diretora do Instituto. Já são seis meses de parceria. Renata acredita que o projeto é muito interessante devido à divisão com a prefeitura de responsabilidades e custos de manutenção da praça, além de a empresa passar uma boa imagem para os alunos e outros moradores. “Resolvemos participar do projeto por ser um exemplo de parceria entre o público e o privado, além de um excelente modelo a ser seguido pelos nossos alunos e familiares quanto à preservação das áreas verdes do nosso bairro”. A praça Iris Alvarenga Valadares possui 1.138,6 m², e Renata afirma que o investimento no espaço público vale a pena. “Para a manutenção mensal do jardim, o investimento varia entre R$ 600 e R$ 800 com varrição semanal e poda de grama. Em alguns meses o investimento aumenta em função de outras manutenções, como conserto de tubulação e compra de novas mudas. Já a manutenção dos passeios fica por conta da prefeitura e fornecimento de água e energia por conta das concessionárias”, conta. Outra empresa que está no bairro e também faz parte do projeto é a Patrimar Engenharia. O superior administrativo da empresa, Jefferson Marques Vaz de Resende, relata sobre a adoção de dois jardins públicos, um com 300 m² na rua Severino

Melo Jardim com a Rua Diciola Horta e outro de 3.941,51 m² na rua Sebastião Fabiano Dias com rua Desembargador Jorge Fontana. “Algumas pessoas pensam que as construtoras não se preocupam com o meio ambiente e isso não é verdade; antes de construir uma obra os projetos devem ser aprovados junto às prefeituras e órgãos ambientais. Adotamos espaços públicos para mostrar à população que temos muita preocupação com o espaço em que vivemos e para incentivar outras pessoas a terem consciência ambiental. Isso é um dever de todos”. Há seis anos a Fundação Torino cuida da praça Arquiteto Ney Werneck, apelidada de Praça das Crianças. O projeto é mais uma forma de conscientizar os alunos e a comunidade. “A Fundação Torino trabalha sua preocupação ambiental, há vários anos, através do projeto pedagógico Econscienza (natureza + consciência em italiano). Esse projeto foi o responsável pela substituição do papel comum pelo papel reciclado em toda a instituição, pela implantação da coleta seletiva com postos de recolhimento de óleo usado e baterias, pela instalação de ventiladores eólicos no restaurante, entre outras ações. A adoção da praça é um cuidado a mais e uma forma de reafirmar com a comunidade do entorno a nossa responsabilidade como educadores”, relata Magno Braz, diretor administrativo da Fundação. O valor mensal gasto com a praça é de R$ 2 mil, e a escolha do local foi feita devido à proximidade com a escola e por ser uma forma de beneficiar os alunos que moram na região e que já frequentavam a praça. “É uma forma de retribuir aos moradores do Belvedere o acolhimento à escola. Uma praça bem cuidada embeleza o bairro, melhora a qualidade de vida e é espaço de lazer para muitas crianças – particularidade da “nossa praça”, que inclusive leva esse codinome”, conta o diretor.


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matéria de capa

Qualquer empresa ou pessoas física pode aderir ao projeto Adote o Verde

A Praça Íris Valadares é adotada pelo Instituto Tarcísio Bisinotto há seis meses

A AMBB sozinha cuida de sete espaços verdes do bairro: Praça do Horizonte Aureliano Chaves, Duas Ilhas (pequenas pracinhas anexas à sede), Mirante do Parque das Nações, área verde da rua Pietonal Pe. Tobias, trevo da rua Haiti, e área verde na confluência da BR 356 com avenida Celso Porfírio Machado. O presidente Ricardo Jeha e demais associados fazem constantes campanhas para que empresas com sede no bairro e empresários residentes do Belvedere adotem os espaços. “As parcerias público-privadas para adoção de praças e áreas de lazer já são realidade nas principais cidades do país, e é realmente um projeto de vital importância para a beleza da cidade, valorizando o que ela tem de mais importante, a conservação de seu espaço verde. Esses projetos, com o devido apoio das prefeituras, ajudam em muito as associações de bairro que vive única e exclusivamente da contribuição voluntária de seus moradores associados”, relata Ricardo. n

Vantagens além do ar puro, das flores e da qualidade de vida As empresas que participam de programas como esse estão valorizando sua marca com atitudes legítimas, que ultrapassam a simples publicidade. São empresas-cidadãs, que contribuem para o bem-estar da sociedade na qual se inserem. Com iniciativas desse tipo, a empresa associa seu nome a belas áreas de convívio, criando referências para os consumidores de uma cidade jardim.

Que tal adotar uma praça no bairro? Praças que precisam de adoção no Belvedere: • Duas Ilhas (pracinhas anexas à sede da AMBB) • Praça do Horizonte Aureliano Chaves

• Área verde da rua Pietonal Pe. Tobias • Mirante do Parque das Nações

para participar Basta procurar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (3277-8247) ou a Administração Regional à qual pertence a área pretendida. Administração Regional Centro -Sul: tel. 3277-5112

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entrevista

Do sonho ao sucesso

Fotos: Fabi Araujo

Foto: Cinthya Pernes

Mercado | Clémenceau Chiabi fala sobre as tendências e obstáculos da engenharia civil na capital

Migrando de obra em obra ao lado do avô desde criança, o engenheiro e morador do Belvedere Clémenceau Chiabi foi sem saber entrando no universo da carreira a qual escolheria para sua vida. Um dos lugares onde Clémenceau aproveitou suas férias de infância, ao lado do ídolo e avô, foi a construção do metrô de São Paulo, na atual estação Jabaquara. Ainda pequeno, participou de obras na Ferrovia do Aço, em Itabirito-MG. O trabalho não era complexo: apertar ferros e auxiliar no dia de pagamento dos operários. Atividades simples, mas não menos empolgantes para o jovem que já sentia paixão pela engenharia. Aos 16 anos a rotina com as obras chegou ao seu ápice. Clémenceau teve de deixar a capital e se mudar com a família para o interior do Amazonas. A viagem foi motivada pelo trabalho do pai, que era professor e iria implantar uma escola para funcionários num canteiro de obras de uma usina hidrelétrica. Foi nessa fase de escolhas que o engenheiro definiu o rumo a seguir. Hoje, aos 48 anos, o profissional já recebeu várias premiações nacionais, dentre elas a Medalha Eurico Ribeiro, pelo melhor trabalho na área de Perícias de Engenharia do Brasil, em 2011. E ainda atua como professor dos cursos de Engenharia Civil e de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas, além de atuar como conselheiro no CREA-MG e IBAPE. Além do campo profissional, Clémenceau estende suas atividades como conselheiro nato do Cruzeiro Esporte Clube. Em entrevista, aponta as expectativas e problemas do mercado da engenharia civil nos próximos anos e fala sobre sua carreira.

Quando você começou a se interessar por engenharia, e como foi? Foi na infância, sem dúvida nenhuma. Eu era o neto mais velho do meu avô e afilhado dele. Como os filhos dele estavam casados, sobrou pro neto acompanhá-lo. Então ele me levava pra tudo quanto é obra em que ele trabalhava. Ele me carregava pra cima e pra baixo. Eu não sabia nem escrever ainda. Teve umas férias em que eu fui pro metrô de São Paulo, tinha 7 anos, ficava lá amarrando ferro. Não tinha essa preocupação com segurança como hoje. Ele era alucinado comigo e eu com ele. Meu avô foi um grande incentivador pra que eu entrasse no ramo. Acho que herdei esse gosto dele. Ele puxou muito essa veia de paixão pela engenharia em mim. Como foi deixar tudo pra trás em BH, durante a adolescência, e conhecer os bastidores de uma usina hidrelétrica no Amazonas? O fato de ter ido morar com minha família no interior do Amazonas em uma obra também estimulou muito meu desejo pela carreira. Foi fantástico! Apesar de ter sido um pouco traumático, pois tive de deixar meus amigos aqui em BH, quando tinha apenas 16 anos. Deixar a namorada pra trás, foi tudo muito difícil. Lá no Amazonas tinha a vila

de engenheiros, na qual eu morava. Na hora do almoço a gente conversava com os engenheiros. Criei uma rotina de todos os dias ir conversar no almoço com os engenheiros, e à noite eu estudava. Uma usina hidrelétrica é muito rica em obras. Ela tem desde a parte de desmonte (detonação de rocha) até concreto, planejamento. No fim de semana a gente ia pro clube. Então o convívio era direto. Passei na UFMG no primeiro ano do científico, mas minha família não me deixou fazer. Meu pai me disse: “Com 14 anos você não vai entrar na faculdade, de jeito nenhum”. Entrei então aos 17. Você exerce muitas ocupações no ramo da engenharia, dá aulas na PUC e participa de comissões da diretoria do Cruzeiro. Como consegue conciliar tantos projetos profissionais com a família? Meu pai e minhas irmãs moram perto da minha casa. Esse inclusive foi o motivo pelo qual eu vim pro Belvedere: eles já moravam aqui quando eu vim pro bairro, há seis anos. O escritório tem dois anos no bairro, por uma questão de mobilidade urbana. Aqui eu tenho flexibilidade de marcar as vistorias e ir andando. Tive uma fase difícil entre 2002 e 2008. No período meu primeiro filho nasceu, em 2002, e o

segundo em 2004. Ele estava pequenininho quando eu saía à noite pra dar aulas. Numa determinada noite, ele entrou na minha frente, me segurou na porta e disse: “Papai você não vai trabalhar hoje. Eu não vou deixar”. Eu falei com ele: “Meu filho, papai precisa trabalhar pra comprar brinquedo e bala pra você”. E ele me respondeu: “Eu não quero mais bala, nem brinquedo. Eu quero você”. Foi muito difícil, meu filho tinha 2 anos e minha esposa estava grávida. A principal decisão que tomei depois de casado foi abrir mão de outras atividades que tinha em paralelo e utilizar meu tempo na atividade pericial, que é o foco da minha empresa hoje. Foi a melhor decisão da minha vida. Você não pode abandonar a família toda em função de trabalho. A minha empresa já previa um boom muito forte de construções, era um momento em que podia arriscar um pouco. As construções estavam aumentando. Quais são os principais problemas enfrentados pela engenharia no país? A gente precisava fortificar a autoridade técnica da engenharia que estava muito apagada em meio a tantos problemas políticos. Era necessário resgatar a qualidade do profissional de engenharia. Melhorando a formação e treinamentos. Gerando


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massa crítica junto à sociedade pra resgatar essa qualidade técnica. Essa qualificação só é possível com profissionais com boa formação. Já que eu estava me sentindo tão incomodado, então não podia esperar alguém fazer alguma coisa por mim. A ideia de participar dessas atividades de maneira honorífica, no CREA-MG e IBAPE, era tentar fazer pelo menos um pouquinho. Plantando a semente da mudança na engenharia. Muitos problemas de deslizamentos e estruturas cedendo vem acontecendo na zona centro-sul, como na rua Cabo Verde com Muzambinho, no Cruzeiro, no início do ano. Em sua opinião qual seria a origem desses problemas? Estive lá com a defesa civil. Eu entendo que são fatos isolados. Você pode ver quantas obras são liberadas em Belo Horizonte e que acontece um problema num ano, outro no outro. Apesar disso, são problemas graves, o que não podemos esquecer. A origem desses problemas é muito parecida, escavações que atingem obras vizinhas. Foi assim no Buritis , foi na Cabo Verde, no shopping Plaza Anchieta. Cada um tem características diferentes, mas todos tiveram a mesma ação preventiva. A ação que tomamos nesse caso foi uma ação proativa do IBAPE, junto com a prefeitura e empresas de engenharia. Propomos modificações que estão pra ser votadas na câmara de vereadores. Medidas que foram até adotadas como forma prévia de contenção. Em geral a preocupação é erguer a edificação e depois realizar a contenção, e é isso que não pode acontecer.

entrevista

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expressivos. Continua crescendo, mas crescendo menos. Existe um déficit habitacional muito grande, então programas como Minha Casa, Minha Vida devem continuar independentemente de quem assuma o poder nos próximos anos. Até 2020 esse déficit populacional não deve ser suprido, porque

imóveis, e como o retorno do investimento estava muito superior ao retorno financeiro muitas pessoas fizeram sua poupança e seu investimento ali. Aquela lacuna pra investir em imóvel foi preenchida. Todo mundo investiu e agora tem que pegar os lucros e reinvesti-los, se for o caso. Os custos subiram e o preço também, e hoje as pessoas estão mais equilibradas com o mercado financeiro. Apesar disso, há um lastro com imóvel e um lastro físico muito forte, a rentabilidade é grande e não há muita liquidez. Ou seja, a pessoa não consegue vender um imóvel com a mesma facilidade com que saca um dinheiro no banco. Então tem esse peso. O Brasil tem uma demanda monstruosa de obras de infraPara Clemanceau, a demanda estrutura e saneamento, ao conbrasileira por obras de trário de países na Europa, que infraestrutura e saneamento apesar de estarem numa crise garante o aquecimento do gigantesca não têm mais obras setor pelos próximos seis anos de infaestrutura pra realizar. São questões de planejamento a longo prazo. Isso tem tudo pra manter a engenharia aquecida por muito tempo no Brasil, além de investimentos particulares e parcerias público -privadas. Então depende muito da política governamental, principalmente num nível federal de manter a engenharia aquecida.

Em 2009, o Sr. foi eleito conselheiro Nato do Cruzeiro. como aconteceu isso? Aquele meu avô, ele consConselheiro Nato (Vitalício) truiu o estádio do Barro Preto do Cruzeiro Esporte Clube, Clemanceau vive a paixão pelo no Cruzeiro e eu fui criado no time com a esposa, Geovana Barro Preto. Ele foi conselheiSaliba, e os filhos ro e exerceu um mandato na presidência do Cruzeiro na década de 1940. Aquele time de 1960 e 70 ia muito à casa dele. Minha paixão pelo Cruzeiro nasceu com meu avô. Os meus dois filhos são muito fanáticos pelo time, do qual somos sóAlém de trabalhos periciais, Há alguns anos a engenhacios. Fomos moldados desde Clemanceau se dedica também à vida ria Civil sofreu uma grancriança com a forma de torcer acadêmica dando aulas nos cursos de demanda de estudantes pelo Cruzeiro. Meu avô teve de Engenharia Civil e Arquitetura e optando pela carreira. quatro filhos e nenhum deles Urbanismo, na PUC Minas Hoje alguns profissionais é sequer sócio do time. Como afirmam que o mercado neto mais velho, eu tinha de será incapaz de absorver ajudar ele de alguma forma a esses novos profissionais fazer algo pelo time. Então eu num curto prazo. Você conparticipo ativamente da vida corda com essa opinião? do Cruzeiro. Participando de Ninguém tem bola de criscomissões lá dento, e a contal. A gente pode analisar tenversa é frequência com os predências. A Engenharia, que era sidentes lá dentro. Mas não o patinho feio dos vestibulares tenho nenhuma pretensão até oito anos atrás, viveu aupolítica maior, porque hoje mentos expressivos. Os cursos não tenho nem tempo nem de Engenharia Civil e Mecânica dinheiro pra contribuir com o (principalmente Civil) são os time como ele merece. O que mais procurados em todas as universidades. Não é ele é muito forte. E no Brasil ninguém seria louco de podemos fazer é ajudar de maneira voluntária e que aumentou o número de engenheiros forman- adotar uma política contra a moradia popular. Nos honorífica. Levando a paixão para os filhos, semdos. A procura aumentou e a qualidade dos alunos habitacionais de classe média e alta existe hoje uma pre em paz – não vejo nosso rival como inimigo. melhorou muito também. A construção civil, prin- estagnação, por dois motivos. Havia uma carência Nem teria como, já que tenho vários amigos que cipalmente predial, apresentou crescimentos muito muito grande de investimentos com base sólida em torcem por outros times. n


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moda |

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Isadora vargas

King of red soles Fotos: Divulgação

Solas vermelhas | Louboutin conquistou o mundo da moda com seus modelos

Quem nunca viu, ouviu falar ou desejou o tão sonhado sapato criado pelo rei da sola vermelha? Tais “solas” dispensam apresentações – principalmente para aquelas que gostam de moda e são loucas por sapatos. Mais do que uma assinatura, são o legado de Christian Louboutin, designer francês que, há 22 anos, é conhecido por seus saltos vertiginosos e responsável por criar verdadeiros objetos de desejo para todas as mulheres, das anônimas às hollywoodianas. Aliás, celebridades como Sarah Jessica Parker, Mary-Kate Olsen, Victoria Beckham, Christina Aguilera, Angelina Jolie, Jennifer Lopez, Lady Gaga, Mariah Carey, Katie Holmes e Blake Lively são fãs declaradas de Louboutin e, frequentemente, vistas desfilando com vários modelitos por aí. Uma das criações hit da marca é o escarpin preto com solado vermelho, que vem sendo, inclusive, alvo de cópias. Tanto alvoroço não se faz apenas pelo cobiçado

O sucesso de Louboutin rende homenagens ao estilista em várias partes do mundo

solado vermelho-escarlate. As criações do estilista tem um toque fetichista, com saltos altíssimos, materiais de qualidade e modelos que vão do mais simples e clássico ao mais glamouroso, extravagante e inusitado. Christian conta que a ideia de pintar a sola de vermelho laqueado veio num momento em que ele achava que suas criações precisavam de um toque especial. “Uma funcionária minha sempre pintava as unhas. Um dia peguei o esmalte dela, passei na sola, e o sapato ganhou vida” disse o designer. Depois disso, nunca mais os solados de um Louboutin passaram despercebidos. Em 1979, com apenas 15 anos, ele já conhecia a noite parisiense, as salas de música e teatros da cidade e, vidrado por esse universo sensual, decidiu criar sapatos para vender às dançarinas do Moulin Rouge e do Folies Bèrgere. Apaixonado por sapatos desde criança, o estilista

usou, como base de suas primeiras coleções, rascunhos de infância feitos em seus cadernos de escola. Sem loja física, ele ia a cabarés e boates para vender seus sapatos. “As mulheres ficavam nuas, mas continuavam calçadas”, contou ele certa vez em uma entrevista à revista Marie Claire. Na época, porém, eram frequentes os “nãos” de mulheres que alegavam não ter dinheiro. Exaprendiz do mestre Charles Jourdan – com ele aperfeiçoou os mais ou menos cem passos para a confecção de um salto agulha perfeito –, no começo da década de 1980 Louboutin trabalhou para grandes grifes mundiais, como Roger Vivier (o criador do salto agulha), Christian Dior, Chanel e Yves Saint Laurent. Trabalhou até como paisagista e colaborador da revista Vogue, antes de se estabelecer. Contou com a ajuda de dois amigos e, em 1992, inaugurou sua primeira loja na Galerie Vero-Dodat, uma elegante galeria parisiense próxima ao Museu do Louvre, em Paris. O estilista conquistou o mundo da moda com modelos completamente despojados, destacado pelo design e pela combinação de cores e adornos arrojados, com saltos que já chegaram a 25 cm de altura, num modelo feito por encomenda. Nas lojas, o máximo à venda são 16 cm de altura, mas Louboutin revela que a média dos modelos fica com moderados 7 ou 8 cm. Há ainda, os modelos rasteiros, totalmente no chão. A marca Christian Louboutin possui atualmente 36 lojas próprias e duzentos pontos de venda (localizados dentro de famosas lojas de departamento) em 51 países ao redor do mundo. Suas lojas estão localizadas em cidades cosmopolitas como Paris, Londres, Nova York, Los Angeles, Moscou, São Paulo, Cingapura, Hong Kong e Jacarta. Os Estados Unidos, onde a marca possui cinco lojas, é responsável por 40% de suas vendas. n


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tecnologia

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A vovó do Instagram Fotos: Instagram

Instantâneas | Aos 80 anos e se tratando de um câncer, Betty Simpson é sucesso na rede

O que começou com uma brincadeira ganhou um efeito viral impressionante

Fotos divertidas e inusitadas de Betty recebem diversas curtidas e comentários

A mídia social da vez é o Instagram, e a proposta do compartilhamento de fotos no instante em que elas acontecem tem virado febre no mundo e ganha cada dia mais usuários. O aplicativo, projetado pelo brasileiro Mike Krieger e pelo norte-americano Kevin Systrom, inicialmente foi desenvolvido para uso em smartphones Apple, mas hoje já está disponível também para o sistema Android. No aplicativo diversas pessoas já saíram do anonimato para os holofotes da fama. Fotos com dicas de dietas e treinos fazem muito sucesso no aplicativo, e fotos inusitadas e diferentes também. Por isso, uma senhorinha de 80 anos que entrou para o mundo das fotografias instantâneas está dando o que falar. A americana Betty Simpson, do estado americano de Illinois, tem mais de 400 mil seguidores na rede social.

Após ser diagnosticada com câncer, o bisneto de Betty, Zach Belden, de 18 anos, com medo de perder a avó e não ter todas as recordações que gostaria, resolveu criar em janeiro deste ano uma conta para Betty no Instagram. O objetivo do perfil @grandmabetty33 é ajudar a avó a narrar sua batalha diária contra a doença e fazer sua rotina mais alegre. “Ele me ama tanto, é por isso que ele fez. Ele não quer me perder e é muito bom para mim. Eu nem sabia que ele estava fazendo isso”, contou Betty à rede de TV americana ABC News. Depois de ficar muito doente e ter visto a morte de perto duas vezes em seis meses, Zach tem passado mais tempo com a sua bisavó. No tempo em que estão juntos, ele faz pequenos cliques e vídeos da rotina da avó e depois posta tudo na rede social. O que Zach

e Betty não imaginavam era o sucesso que as postagens fariam na mídia social. Em poucos dias o perfil já tinha diversos seguidores e milhares de comentários desejando a Betty sorte em seu tratamento. E os números não param de subir, a cada dia a avó mais querida da internet ganha novos seguidores. O sucesso é tanto que um dos vídeos mais populares mostra Betty dançando ao som da música “Happy”, hit do cantor Pharrel Williams, para comemorar seus 2.500 seguidores apenas três semanas depois da criação do perfil. Com mais de 28 mil “curtidas”, o vídeo chegou até o músico, que se tornou seguidor da vovó e ainda fez uma homenagem a ela em seu próprio perfil. Vale a pena dar uma passada na rede social só para conhecer o carisma da vovó mais querida da internet. n

Situações típicas do dia a dia também são postadas na rede


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Gastronomia

Delícias da Páscoa O feriado da Páscoa é o momento de celebrar o renascimento de Jesus Cristo, mas também é a data em que mais se consome chocolate no ano. O ovo também representa o início da vida e, por isso, tornou-se referência da data. No início as pessoas se presenteavam com ovos de verdade, pintados e decorados. Somente mais tarde os confeiteiros franceses começaram a fabricá-los em chocolate, e assim o doce ganhou o mundo. A tradição aliada à paixão por chocolate movimenta o mercadodaconfeitariadedocesemváriospaíses.AnaClara Martiniano, 22, começou o seu negócio quando ainda estava cursando Gastronomia na faculdade Estácio de Sá. Ana relata que sempre teve a mão boa para os doces, e começou a vender os seus deliciosos bombons e cupcakes sem muito planejamento. Quando percebeu já estava recebendo grandes encomendas. “No início era só uma coisa que eu fazia eventualmente, trabalhava em casa mesmo. No primeiro ano já mudei a empresa para outro lugar. Fui crescendo aos poucos, muito através de indicação, uma pessoa me indicando para outras. E assim fui expandindo o cardápio e inventando novas receitas”, comenta Ana Clara. O forte da Ma Vie! Doces Criativos são os cupcakes, e por isso a chef inventou a receita do Ovo Cake, com a mesma massa do cupcake, mas em formato e com o mesmo chocolate do ovo da páscoa. A receita foi um sucesso, e Ana Clara resolveu investir nos ovos gourmet, com diversos recheios.“Semprefuiapaixonadaporbombomdemorango, é o meu preferido. Então decidi fazer um ovo de bombom de morango. Só que é um ovo super difícil de se comercializar, pois o morango é uma fruta muito perecível e dá água. Esse ovo vende muito, mas eu sempre aviso que é para comercializá-lo dentro de três e quatro dias. É uma receita fácil de fazer e fica delicioso”, relata a chef. n

Fotos: Cinthya Pernes

Doces | Ovos gourmet, com recheios variados, conquistam os amantes do chocolate

Os cupckaes da Ma Vie! são sucesso de vendas até mesmo na páscoa

Com receitas criativas e muito saborosas, Ana Clara conquista cada dia mais clientes

Ovo bombom de morango Ma Vie! Ingredientes • 300 g de chocolate (ao leite, meio amargo ou branco) • 395 g de leite condensado • 20 g de manteiga (ou 1 colher de sopa) • 1 caixa de morangos frescos Utensílios • Termômetro • Forma de acetato para ovo tamanho 750 g • 1 panela de fundo grosso • 2 vasilhas redondas • 1 espátula Para fazer a casca de chocolate O chocolate deverá ser derretido em banho-maria ou no microondas até alcançar a temperatura informada em sua embalagem. Após esse processo, ele deverá ser resfriado em banho-maria

invertido ou em uma pedra de granito, até chegar à temperatura ideal, também indicada na embalagem. Nesse segundo processo, o chocolate tem que ser o tempo todo movimentado com uma espátula. Quando atingir a temperatura ideal (confira com o termômetro), o chocolate já poderá ser usado para fazer a casca do ovo. O chocolate deverá ser espalhado na forma de acetato, fazendo camadas, levando à geladeira para secar e repetindo o processo até ficar com uma espessura boa que não quebre. Reservar um pouco do chocolate para cobrir o ovo. Depois é só soltar da forma. Recheio Os morangos deverão ser higienizados, selecionando-se os melhores, sem

amassadinhos. Secar um a um e reservar. Em uma panela de fundo grosso, colocar o leite condensado e a manteiga e mexer em fogo médio até começar a soltar do fundo. Deixar esfriar. Montagem O doce branco deverá ser espalhado no fundo da casca do ovo, formando uma camada lisa. Os morangos deverão ser colocados por cima, até cobrir toda a superfície do ovo. Depois, outra camada de doce será colocada por cima, preenchendo o restante do espaço. O restante do chocolate temperado deverá cobrir o ovo, para finalizar. Para decorar, podemos abusar da criatividade e dos diversos confeitos que encontramos! Obs: Se quiser poupar o trabalho de fazer o ovo de Páscoa, pode comprar a casca do ovo pronto e rechear!

Facebook: Ma Vie! Doces Criativos E-mail: maviedoces@gmail.com Site: maviedoces.blogspot.com.br Contatos: 31 2552.0669 | 31 9485.4335


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Foto: Cinthya Pernes

especial

Diogo Mendonça Cruvinel é Cientista político, Bacharel em Direito, Especialista em Direito Público e professor de Direito Eleitoral. diogocruvinel@yahoo.com.br

Reeleição e democracia

Um dos princípios basilares de qualquer democracia é a alternância dos mandatários no poder. Essa alternância pode ser alcançada espontaneamente pelos eleitores, o que é improvável, ou por meio de dispositivos legais impondo a proibição de que uma mesma pessoa, bem como seu grupo político ou familiar, perpetue-se no mesmo

cargo. Em qualquer dos casos, é importante ressaltar que uma democracia não se faz apenas com eleições periódicas. Em alguns países africanos, por exemplo, há chefes de governo que se mantêm no poder há mais de três décadas, após vitórias em sucessivas eleições. Nesses casos, o resultado das urnas revela que o vencedor muitas vezes alcançou sua reeleição com a quase totalidade dos votos, devido à ausência de adversários. Esse fato, somado às frequentes denúncias de fraude e uso de violência contra os cidadãos, é indicador suficiente para desconfiarmos da lisura dos pleitos e, por consequência, da legitimidade de seu governo. Nada contra a ideia da reeleição. Entendo que, se o mandatário fez uma boa gestão, é justo que os eleitores decidam por sua permanência. O problema surge quando há desproporcionalida-

| eleições

de de forças na disputa eleitoral em virtude da ocupação de um cargo público. No Brasil, a reeleição dos chefes do Executivo é permitida para um único mandato subsequente, sendo ilimitado no caso de mandatos alternados. Se o detentor do mandato eletivo estiver concorrendo a cargo diferente do que ocupa, ainda é obrigado a renunciar seis meses antes das eleições. A finalidade dessa regra é evitar que um candidato, por ocupar cargo eletivo, leve vantagem sobre os demais. A ironia é que, se um mandatário se candidata para o mesmo cargo, não há necessidade de se afastar. Ora, se para disputar cargo diverso há vantagem por parte do mandatário em relação aos outros candidatos, o que dizer quando se está disputando uma reeleição?

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Para se ter ideia de como o fato de estar à frente da máquina pública pode influenciar favoravelmente em uma disputa eleitoral, basta observar que, desde 1997, quando essa regra foi inserida em nossa atual Constituição, os dois presidentes que tentaram se reeleger (FHC e Lula), bem como a maioria dos governadores e prefeitos que o fizeram, obtiveram sucesso. Com esses fundamentos, foi recentemente aprovada pela CCJ do Senado a PEC 73/11, cuja proposta é impor aos candidatos à reeleição para o mesmo cargo no Executivo a necessidade de se afastar nos últimos seis meses de seus mandatos. Se aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidência da República, essa regra certamente nos deixará um pouco menos longe de uma disputa eleitoral com igualdade de condições entre os candidatos. n



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