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Este livro faz parte da Coleção Capitais do Brasil. Contém 96 páginas, mas aqui neste modelo estão apenas algumas delas. O livro está dividido em 4 capítulos. No primeiro, temos Geografia: a cidade em seu caráter natural, mostrada como era antes da chegada de seus primeiros desbravadores. Aqui falamos da terra, águas, flora, fauna e clima. Depois vem o capítulo sobre História, que trata da transformação do meio natural e da evolução urbana. No capítulo A Cidade Hoje, são abordadas as características gerais, mostrados seus pontos extremos e estudadas sua arquitetura, economia e estrutura. A viagem termina com o capítulo Cultura, onde o morador da cidade é apresentado, estudando as etnias que o formaram, seu artesanato, sua arte e sua gastronomia. 6


RiO DE JANEiRO

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Coleção Capitais do Brasil - Ensinando a Cidade RIO DE JANEIRO Eduardo Fenianos Edição: Editora Univer Cidade Criação, Texto, Pesquisa e Fotos: Eduardo Emílio Fenianos Programação Visual: Tatiana Kropernicki Ferreira Estagiária: Gisele Martins Vaz Revisão e Tradução: Ralph Miller Jr.

Reservados todos os direitos. Proibida qualquer reprodução desta obra por qualquer meio ou forma, seja mecânica ou eletrônica, sem permissão expressa, sob pena de incidir nos termos previstos em lei.

SÃO PAULO / 2009 1ª edição EDITORA UNIVER CIDADE Rua Presidente Rodrigo Otávio, 813 Alto da XV - Curitiba - PR Fone: 41 3079-7879 / 41 3362 3307 Rua Alfredo Mendes da Silva, 395, apto 163, torre 2 Vila Sônia - São Paulo - SP Fone: 11 3751-8842 www.urbenauta.com.br editora@urbenauta.com.br

Dados internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

Fenianos, Eduardo Emílio, 1970Rio de Janeiro / Eduardo Fenianos ; revisão e tradução: Ralph Miller Jr. - São Paulo : Univer Cidade, 2009. 96p. : il. ; 18 x 25 cm. -- (Capitais do Brasil - Ensinando a Cidade ; v. 4) ISBN 978-85-86861-21-5 Inclui bibliografia. 1. Rio de Janeiro (RJ) - Descrições e viagens. 2. Rio de Janeiro (RJ) - Obras ilustradas. 1. Título. II. Série. CDD (22ª ed.) 918.153

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FIQUE PARA SEMPRE NA MEMÓRIA DE SEUS PARCEIROS E CLIENTES Espaço de até 1700 caracteres em português, com tradução para o inglês para a mensagem do presidente ou representante da empresa aos seus colaboradores, parceiros e clientes. Se você tem medo do Rio de Janeiro, não sabe o que está perdendo. Se pensa em conhecê-lo pelo que viu na tevê, pelo que leu no jornal, pelo que navegou na Internet, pelo que ouviu no rádio, esqueça! Você não conheceu, não sentiu, não se emocionou com o Rio. Deixou de admirar seus bairros calmos, suas ruas arborizadas, suas praias desertas, seus flamenguistas, vascaínos, botafoguenses, fluminenses e cariocas. Deixou de comer rabada, de entender feijoada, de sambar, de caminhar, de viver, de chorar por deslumbramento, de rir por alegria, de mergulhar no grande mistério que é o Rio de Janeiro. Neste álbum, ao invés do medo, o prazer de andar, de nadar, de trilhar, de subir, de voar pelo Rio de Janeiro. Já desbravei várias cidades, mas poucas conseguem reunir na mesma mesa, na mesma tela, no mesmo prato, os temperos, a arte e a genialidade da natureza e do ser humano. Este livro-guia é um convite a uma viagem, tanto para os moradores e estudantes que pouco conhecem do território e do habitat que os envolvem, quanto para aqueles que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo para viajar, se admirar e viver com o Rio de Janeiro. A todos nós, uma boa viagem Eduardo Fenianos Urbenauta

If you are afraid of Rio de Janeiro, you don’t know what you’re missing. If you think you’re going to understand Rio through what you saw on TV, through what you read in the newspapers, through what you learned browsing the Internet, through what you heard over the radio, forget it! You haven’t understood it, you haven’t felt it, you haven’t been moved by Rio. You have missed admiring its quiet neighborhoods, its street trees, its deserted beaches, its Flamenguistas, Vascaínos, Botafoguenses, Fluminenses and Cariocas. You haven’t had oxtail, understood feijoada, danced to the samba, walked, lived, cried for pure awe, laughed with joy, plunged into the great mystery that Rio de Janeiro is. In this album, instead of fear, the pleasure of walking, swimming, trekking, going up, flying through Rio de Janeiro. I have already explored several cities, but few can bring together, over the same table, on the same screen, in the same dish, the seasonings, the art and the genius of nature and of human beings. This guidebook is an invitation to a journey for both residents and students who know little of the territory and habitat that surround them, and for those who come from all corners of Brazil and the world to travel, live and wonder with Rio de Janeiro. I wish us all a nice trip Eduardo Fenianos Urbinaut

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Nome Name

Foi Gaspar de Lemos, no dia 1º de janeiro de 1502, o primeiro desbravador português a avistar a Baía de Guanabara e a região onde seria erguida a cidade. Ele chamou o lugar de Rio de Janeiro. “Rio” em função das águas encontradas na atual Baía de Guanabara e “Janeiro” pelo mês que se iniciava. Oficialmente, a cidade só foi fundada em 1º de março de 1565, depois que, sob o comando de Estácio de Sá, os portugueses a tiraram do domínio francês. 8

Gaspar de Lemos was the first Portuguese pioneer to see the Guanabara Bay and the region where the city would be built. It was the 1st of January 1502. He called the place Rio de Janeiro. “Rio” (river) because of the waters found in the present Guanabara Bay, and “Janeiro” (January) was the month that had just begun. Officially, the city was only founded on March 1, 1565, after the Portuguese, under the command of Estácio Sá, took it from the French dominion.


Símbolos da Cidade

Symbols of the City

Brasão Municipal

Tem em seu centro, em campo azul, a cor simbólica da lealdade, o escudo português e a esfera armilar manuelina combinada com as três setas em ouro que supliciaram São Sebastião, padroeiro da cidade. Ao meio, aparece o barrete frígio, símbolo do regime republicano. Sobre o escudo, como lembrança do período em que foi capital, a coroa mural de cinco torres de ouro. Nos lados, dois golfinhos em prata simbolizam a cidade marítima. Com o golfinho à esquerda, um ramo de louro e com o da direita, um ramo de carvalho, representando, respectivamente, a vitória e a força.

Municipal Coat of Arms

At its center it has a field of blue, the color symbolic of loyalty, the Portuguese escutcheon and the armillary sphere of King Manuel combined with the three arrows in gold that put to death Saint Sebastian, patron saint of the city. In the center appears the Phrygian cap, symbol of the republican regime. Above the escutcheon, as a reminder of a period it was capital, the mural crown of five towers of gold. On the sides, two dolphins in silver symbolize the maritime city. With the dolphin on the left, a laurel branch, and on the right, an oak branch, representing, respectively, victory and strength.

Bandeira Municipal

The Municipal Flag

Oficializada pelo decreto 1.190 de 8 de julho de 1908, é formada por um retângulo branco, com o brasão da cidade, na cor vermelha, ao centro. Duas faixas diagonais azuis se entrecruzam. O Decreto nº 29.526 de 30 de junho de 2008 instituiu o dia 8 de julho como o Dia da Bandeira da Cidade do Rio de Janeiro.

Outros Símbolos

A árvore símbolo do Rio de Janeiro é o Jequitibá-açu (Cariniana ianerensis). Como as demais espécies da família dos Jequitibás, ela pode viver centenas de anos e sua altura ultrapassar os 54 metros. Pelo projeto de lei nº 1068/2007, o girassol foi instituído como a flor símbolo da cidade. A flor foi escolhida por simbolizar o sol que, junto com as praias e belezas naturais, fez o Rio ser conhecido no mundo inteiro.

Made official by decree 1.190 of July 8, 1908, it’s formed by a white rectangle with the city emblem, red in color, in the center. Two blue diagonal bands intersect. Decree No. 29.526 of June 30, 2008 instituted July 8 as the Day of the Flag of the City of Rio de Janeiro.

Other Symbols

Rio de Janeiro’s city tree is the Jequitibá-açu (Cariniana ianerensis). Like other species of the Jequitibá family, it can live hundreds of years and its height exceed 54 meters. By bill No. 1068/2007, the sunflower was instituted as the city flower. It was chosen because it symbolizes the sun that, along with the beaches and natural landscapes, made Rio be known worldwide.

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A Terra The Land

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O Rio de Janeiro é marcado por um relevo de contrastes. A cidade brotou, germinou e cresceu entre o mar e a montanha, entre a praia e a floresta, entre a planície e o planalto. Em seus 1.182,30 km2 de área espalham-se baixadas, montanhas, planícies, cerca de 70 praias e 246,22 km de litoral. Deste total, 37 km2 são formados por mais de cem ilhas. Quanto ao relevo, o Rio tem uma parte de baixada, com terrenos abaixo de 200 metros de altitude, e regiões de planalto com terrenos acima dos 200 metros. A parte montanhosa da cidade está dividida em três grandes maciços. O de Gericinó fica ao norte. O da Pedra Branca atravessa a cidade no sentido leste-oeste. Nele está o ponto mais alto do município, o Pico da Pedra Branca, com 1.024 metros de altura. Já o Maciço da Tijuca acolhe a Pedra da Gávea que, com 842 metros de altura, é o maior bloco de pedra à beira-mar do planeta. Também fazem parte deste maciço, o Pico da Tijuca, com 1.022 metros, o Bico do Papagaio, com 975 metros, o Corcovado, com 704 metros, e o Pão de Açúcar, com 395 metros.

A relief of contrasts distinguishes Rio de Janeiro. The city sprouted and grew between the sea and the mountains, between beaches and forest, between plains and plateaus. In its area of 1,182.30 km2 are spread lowlands, mountains, plains, some 70 beaches and 246.22 kilometers of coastline. Of this total, 37 km2 are composed by more than a hundred islands. As for relief, Rio has a lowland part, with land below the altitude of 200 meters, and the plateau regions with land that is above 200 meters. The city’s mountainous part is divided into three major massifs. Gericinó is in the north. Pedra Branca crosses the city in the east-west direction - it contains the highest summit in the city, Pico da Pedra Branca, 1,024 meters high. The Tijuca Massif includes Pedra da Gávea, 842 meters high and the largest block of stone by the sea on the planet. Tijuca Summit, 1,022 meters high, Bico do Papagaio, 975 meters, Corcovado, 704 meters, and the Sugarloaf Mountain, 395 meters, are also part of this massif.

Floresta da Tijuca.

The Tijuca Forest.


Detalhe do Pão de Açúcar, um bom exemplo da formação de rochas do período Cambriano, as quais sofreram fortes compressões, levando à formação de enorme cadeia de montanhas que se estende do Espírito Santo ao Paraná. Detail of the Sugarloaf Mountain, a good example of rock formation during the Cambrian period, when they were submitted to heavy compressions, leading to the formation of a huge mountain range that stretches out from Espírito Santo to Paraná. 11


A Flora

Flora

Menos de 10% da vegetação original que cobria o território do atual município do Rio de Janeiro estão preservados. Muito dessa vegetação foi devastado, principalmente durante os séculos XVIII e XIX, para plantações de cana-de-açúcar e café. De maneira bastante resumida e didática podemos dividir a vegetação que cobria - e cobre - o Rio de Janeiro entre as formações de Mata Atlântica, de restinga e os manguezais. Vamos a elas.

Less than 10% of the original vegetation that covered the territory of the current city of Rio de Janeiro is preserved. Much of that vegetation was devastated, especially during the eighteenth and nineteenth centuries, for sugar cane and coffee plantations. In a very brief and didactic way, we can divide the vegetation that covered - and covers - Rio de Janeiro into the Atlantic Forest, marshland and the salt marsh formations. Let’s take a look at them.

Formação de Mata Atlântica junto à Pedra do Leme.

Atlantic Forest formation by Pedra do Leme.

A Mata Atlântica

The Atlantic Forest

Segunda maior formação florestal do Brasil, perdendo apenas para a Floresta Amazônica, ela cobre as montanhas e encostas voltadas para o mar, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Também é chamada de Floresta Tropical Úmida. Em seu estrato inferior predominam árvores de pequeno porte e uma vegetação rasteira. Já em seu estrato superior, estão as árvores de grande porte, como perobas, palmitos, ipês e cedros. Suas folhas são largas para facilitar a transpiração num lugar quente e úmido. No Rio de Janeiro, ela está presente principalmente no Parque Nacional da Tijuca. 16

Second largest forest formation in Brazil, smaller only than the Amazon Rainforest, it covers the hills and slopes facing towards the sea, from Rio Grande do Norte to Rio Grande do Sul. It’s also called the Humid Tropical Forest. In its lower stratum predominate small trees and underbrush. In the upper stratum are the tall trees, such as peroba, palm trees, ipê and cedar. Their leaves are wide to facilitate the transpiration in a hot and humid environment. In Rio de Janeiro, it’s present mainly in the Tijuca National Park.


No Alto da Gávea, o Parque da Cidade é um espaço de preservação da Mata Atlântica carioca. At Alto da Gávea, the City Park is a preservation area for Rio’s Atlantic Forest. 17


O Clima Climate

O Rio dos 40 ºC é uma realidade. Entre dezembro e março, quando o sol brilha mais forte e os dias são mais longos, em pontos isolados da cidade os termômetros chegam a ultrapassar esse número. Neste período, os dias normalmente terminam com chuvas fortes que baixam a temperatura durante a noite. No resto do ano, as temperaturas médias oscilam ao redor dos 22 ºC ou 23 ºC, e o regime de chuvas diminui. Julho é o mês mais frio, com temperaturas médias de 20 ºC e mínimas que dificilmente chegam a 10 ºC. A média pluviométrica fica entre 1.200 e 1.800 mm anuais. O mês mais chuvoso é dezembro, com 137 mm, seguido por janeiro, com 125 mm. Entre junho e agosto, a cidade recebe poucas chuvas. Já de abril a novembro, as chuvas caem moderadamente. Segundo o modelo de Köppen, o clima do Rio de Janeiro é classificado como Tropical Atlântico (Aw).

Entardecer num dia de verão, tendo a fundo o Morro Dois Irmãos. Pedra da Gávea ao amanhecer de um dia de inverno. Sunset of a summer’s day, with Dois Irmãos Hill in the background. Pedra da Gávea in the morning of winter’s day. 22

Rio 40 °C is a reality. Between December and March, when the sun shines stronger and the days are longer, in certain spots of the city thermometers do exceed that number. During this period, days usually end with heavy rains that lower the temperature during the night. During the rest of the year, average temperatures are around 22 °C to 23 °C, and there is less rain. July is the coldest month, with average temperatures of 20 °C and minimum temperatures that very seldom reach 10 °C. The average pluvial precipitation is between 1,200 and 1,800 mm per year. The rainiest month is December, with 137 mm, followed by January, with 125 mm. Between June and August, there is little rain over the city. From April until November, rains fall moderately. According to the Köppen model, Rio de Janeiro’s climate is classified as Tropical Atlantic (Aw).


Agora que já sabemos como era a natureza do Rio de Janeiro antes da chegada dos desbravadores, neste capítulo vamos entender como esses habitantes transformaram o ambiente que encontraram. Aqui viajaremos pela evolução urbana da cidade até alcançar a sua atualidade. History Now that we already know how the natural setting in Rio de Janeiro was before the arrival of the first settlers, in this chapter we’ll try to understand how these people changed the environment they found. Here, we’ll travel along the urban evolution the city went through until we reach the present days.

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Século XVII

Seventeenth Century No início do século XVII, o porto do Rio de Janeiro já era um importante canal brasileiro de exportação. Um bom exemplo disso é o comentário que João Albernaz faz em seu Atlas, publicado em 1626: “Este porto do Rio de Janeiro é o melhor de todo o Estado do Brasil, assim por ser mais defensável como por ser abundantíssimo de mantimentos e madeiras”. A região também já era dominada por vários canaviais e engenhos que produziam açúcar e cachaça. Outra fonte de renda era a pesca da baleia, tão lucrativa que, em 1644, foi criado um imposto sobre ela. Em face de sua importância para o domínio português, vários fortes são construídos durante o século. Em 1618, na região que marcou o acampamento inicial de Estácio de Sá, na Urca, é construído o forte de São Teodósio, depois chamado de fortaleza de São João. Em 1639, foi a vez do Forte da Ilha das Cobras. O mesmo acontecia com as igrejas e mosteiros, mostrando a forte presença religiosa. Não acreditando em novos ataques, em 1633, os Vereadores decidem transferir a Casa da Câmara e Cadeia, ícones do poder português, antes protegidas na parte alta da cidade, para a parte baixa. As primeiras obras de urbanização aparecem. Em 1646 foi construída uma tubulação para levar ao mar as águas da Lagoa de Santo Antônio, traçado que deu origem à Rua Sete de Setembro. A vila já conta com algumas ruelas que ligam as principais igrejas, o Mercado de Peixe, o paço e o porto. Por volta de 1650, o Rio se torna a vila mais populosa do Brasil. No final do século, com as notícias de descoberta de ouro no interior do Brasil, começam novos ataques de corsários, o que leva a uma nova fortificação da cidade e à organização da milícia do Rio de Janeiro.

In the beginning of the seventeenth century, the port of Rio de Janeiro was already an important channel for Brazilian exports. A good example is the comment that João Albernaz makes in his Atlas, published in 1626: “This port of Rio de Janeiro is the best of the entire State of Brazil, and so for being more defensible, as for being very abundant with supplies and woods.” Also, the region had already been dominated by several sugarcane crops and mills, which produced sugar and cachaça1. Another source of income was whale fishing and it was so profitable that it was taxed in 1644. In view of its importance for the Portuguese dominion, several forts were built during this century. In 1618, the Fort of Saint Theodosius was built in the region where the first of Estácio de Sá’s camps was, in Urca. Later on it was named the Fortress of Saint John. In 1639, it was the turn of the Fort at Snakes Island. The same happened with churches and monasteries, showing the strong presence of religion. Since they didn’t believe that new attacks could occur, in 1633, the Town Councilors decided to transfer the Town Council and Prison, icons of the Portuguese power, previously protected in the upper city, to the lower part. The first urbanization works appeared. In 1646 a pipeline was built to take the Saint Anthony Lagoon’s waters to the sea, a route that was the origin of the Seven of September Street. The village already had some lanes that connected the main churches, the Fish Market, the palace and the port. Around 1650, Rio became the most populous village in Brazil. By the end of the century, with news of the discovery of gold in Brazil’s countryside, more pirate attacks occurred and this lead to a new fortification of the city and to the organization of Rio de Janeiro’s militia. 1

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T.N. – Cachaça is a typical Brazilian sugarcane spirit.


Saint Sebastian, Brazil’s Episcopal Village, 1695, by Francois Frog.

Acervo: Fundação Biblioteca Nacional

Imagem reproduzida do livro Rio colonial histórias e costumes

São Sebastião, Vila Episcopal do Brasil, 1695, de François Froger.

Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, 1845.

Saint Benedict Monastery in Rio de Janeiro, 1845. 27


Século XX

Foto: Augusto Malta.

Twentieth Century

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Enseada de Botafogo no início do século XX.

The Botafogo cove at the beginning of the twentieth century.

O Rio de Janeiro entra no século XX com os mesmos problemas que enfrentava desde o século XVII. Ruas sujas, tortuosas, falta de saneamento e, para piorar, epidemias que se alastravam rapidamente com o aumento da população que, em 1900, já alcançara 811.443 habitantes. Quando Rodrigues Alves assumiu a presidência da República, dispôs-se a resolver estes problemas. Emprestou oito milhões de libras da Inglaterra, formou uma equipe de especialistas e, em 1904, deu início às obras. Com a participação árdua do prefeito Pereira Passos foram desenvolvidas obras de saneamento e ações de urbanização, como a abertura da Avenida Central (atual Rio Branco), da Avenida Beira Mar e a eletrificação de várias linhas de bonde da cidade. Um ano antes, sob o comando de Oswaldo Cruz, Rodrigues Alves combateu a febre amarela, a peste bubônica e exigiu obrigatoriedade da vacina contra a varíola, as epidemias que mais mataram na cidade durante o século XIX. Os reflexos foram variados. Se de um lado, uma marcha do carnaval de 1904 cantava: “Sem igual no mundo inteiro, cidade maravilhosa, salve o Rio de Janeiro”, de outro, eclodiam manifestações contra a obrigatoriedade da vacinação. Mesmo assim, as obras continuaram. Em 1906, foi inaugurada a Avenida Atlântica. Em 1907, a iluminação elétrica chegava à região central e, em 14 de julho de 1909, o Teatro Municipal foi inaugurado.

Rio de Janeiro enters the twentieth century with the same problems it had been facing since the seventeenth century. Dirty, tortuous streets, lack of sanitation and for worse, epidemics that spread rapidly due to the increasing population that, in 1900, had already reached 811,443 inhabitants. When Rodrigues Alves took over the presidency of the Republic he decided to solve these problems. He borrowed eight million pounds from England, formed a team of specialists and, in 1904, started the works. With the arduous participation of mayor Pereira Passos sanitation works and urbanization actions were developed, such as building the Central Avenue (presently Rio Branco) and the Seaside Avenue, and electrifying several streetcar lines in the city. One year earlier, under the guidance of Oswaldo Cruz, Rodrigues Alves had fought the yellow fever, the bubonic plague and established the mandatory vaccination against smallpox, the epidemics that killed the most in the city during the nineteenth century. There were different responses. If on the one hand, a carnival march from 1904 sang: “With no par in the world, wonderful city, praise Rio de Janeiro”, on the other, demonstrations broke out against the mandatory vaccination. Still, the work continued. In 1906, Atlantic Avenue was inaugurated. In 1907, electric lighting reached the central region, and on July 14, 1909, the Municipal Theater was inaugurated.


Anos 10

The First Decade With around 850,000 inhabitants, Rio de Janeiro entered the decade as the most populous city in Brazil, followed by São Paulo, with 375,000 inhabitants. On November 16, 1910, one day after Marshal Hermes da Fonseca took over as president of the Republic, the city was the scene of the Revolta da Chibata (the Whip Uprising), a protest movement against corporal punishments and the poor working conditions for members of the Navy, who took a few ships that were anchored in the Guanabara Bay. The sailors killed the responsible for the punishments. Initially, the government accepted the demands, but by the end of that year, many rebels had been shot and some 250 sailors were exiled in Acre. The most elegant and eventful meeting point in the city was Central Avenue, named Rio Branco in 1912. Here, the Cariocas did their footing during the day, and had their parties during the night. This same year, on October 27th, the cable car to the Sugarloaf was inaugurated. From then on, one of the most beautiful sights in the world, that one of the Guanabara Bay, would no longer be a sole privilege for climbers. The streetcar lines of Gávea and Ipanema also started to serve Leblon in 1915, the year in which the Niemeyer Avenue started to be built. The following year, the Cariocas were surprised with the attitude of mayor Amaro Cavalcanti who, by means of a law, set schedules for people to go to the beach. With the first cars circulating in its streets, the city arrives in 1920 with 1,157,873 inhabitants.

Praça Floriano em 1915.

Floriano Square in 1915.

Imagem reproduzida do livro O Rio de Janeiro de Ontem no Cartão Postal 1900 - 1930

Com cerca de 850.000 habitantes, o Rio de Janeiro iniciou a década como a mais populosa cidade do Brasil, seguida por São Paulo, com 375.000 habitantes. Em 16 de novembro de 1910, um dia após a posse do Marechal Hermes da Fonseca como presidente da República, a cidade foi palco da Revolta da Chibata, movimento de protesto contra os castigos corporais e as más condições de trabalho dos membros da Marinha, os quais tomaram algumas embarcações ancoradas na Baía de Guanabara. O responsável pelos castigos foi morto pelos marinheiros. De início, o governo acatou as reivindicações, mas, até o final daquele ano, muitos rebeldes foram fuzilados e cerca de 250 marinheiros foram exilados no Acre. O mais elegante e agitado ponto de encontro da cidade era a Avenida Central, que em 1912 passou a ser chamada de Rio Branco. Nela, os cariocas fazem o seu footing durante o dia e suas festas durante a noite. No mesmo ano, no dia 27 de outubro, é inaugurado o Bondinho do Pão de Açúcar. Uma das vistas mais belas do mundo, a da Baía de Guanabara, não seria, a partir de então, um privilégio único dos alpinistas. As linhas de bonde da Gávea e de Ipanema também passam a atender o Leblon em 1915, ano em que se inicia o traçado da Avenida Niemeyer. No ano seguinte, os cariocas ficam admirados com a atitude do prefeito Amaro Cavalcanti que, por meio de uma lei, definiu horários para frequentar a praia. Já com os primeiros automóveis circulando em suas ruas, a cidade chega a 1920 com 1.157.873 habitantes.

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Anos 60 Acervo: Arquivo / Agência O Globo

The Sixties

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Obras de alargamento da Avenida Atlântica, em 1969.

Widening works at Atlantic Avenue, 1969.

Em 1960, com a transferência do Distrito Federal para Brasília, o Rio de Janeiro, agora com 3.281.908 habitantes, passa a ser a capital do Estado da Guanabara. Os edifícios já são muitos e com muitos andares. Os carros passam em velocidade pelas avenidas e mergulham nos túneis que cortam os morros. Desta década, entre outros, são os túneis Sá Freire Alvim, ligando a Rua Barata Ribeiro à Rua Raul Pompéia, em Copacabana, e Rebouças, que liga a Lagoa Rodrigo de Freitas ao Rio Comprido. Para os boêmios, as caminhadas noturnas entre o Catete e o Largo do Machado são seguras e tranquilas. Os casais namoram na Floresta da Tijuca, Parque Nacional desde 1961. Em Copacabana, o asfalto toma parte do espaço da praia com o alargamento da Avenida Atlântica, durante o governo de Carlos Lacerda, primeiro governador do Estado da Guanabara. Em 1964, é inaugurado o Aterro do Flamengo. Novos empreendimentos surgem e a cidade caminha rumo à região de São Conrado e Barra da Tijuca, ao som de Garota de Ipanema, canção composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes em 1962. Os reflexos da pobreza no campo são vistos nas favelas da cidade, as quais, a cada dia, ganham mais moradores. Em 1967, os bondes saem de circulação, com exceção do bonde de Santa Tereza e, em 1969, o mundo toma conhecimento de que Pelé marcou seu milésimo gol no Maracanã.

In 1960, after the Federal District had been transferred to Brasilia, Rio de Janeiro, now with 3,281,908 inhabitants, became the capital of the State of Guanabara. Buildings are many and with many floors. Cars speed along the avenues and plunge into the tunnels that cut the hills. From this decade are, among others, the tunnels Sá Freire Alvim that connects the Barata Ribeiro and Raul Pompéia Streets in Copacabana, and Rebouças, which links the Rodrigo de Freitas Lagoon to Rio Comprido. For those who enjoyed the nightlife, night walks between the Catete and Machado Plaza are safe and peaceful. Couples date in the Tijuca Forest, a National Park since 1961. In Copacabana, the asphalt takes part of the beach area with the widening of the Atlantic Avenue, during the administration of Carlos Lacerda, the first governor of the State of Guanabara. In 1964, the Flamengo Landfill is inaugurated. New ventures appear and the city moves towards the São Conrado and Barra da Tijuca regions, to the sound of “The Girl from Ipanema”, a song composed by Tom Jobim and Vinícius de Moraes, in 1962. The consequences of poverty in the countryside are seen in the city’s slums, which, every day, receive more residents. In 1967, all the streetcars, except for the Santa Tereza one, ceased to operate and, in 1969, the world becomes aware that Pelé had scored his thousandth goal in the Maracanã.


Anos 70

The Seventies

In 1970, the military censorship reaches carnival and the samba schools are summoned to report in advance how their parades would be. In 1971, Copacabana beach’s strip of sand is enlarged and the Atlantic Avenue is duplicated to support the car and tourist volume that travels in it. Right after that, the road that connects the Rodrigo de Freitas Lagoon to Barra da Tijuca is inaugurated. The city’s central area undergoes a deterioration process. This same year, heavy rains hit the city, warning residents and authorities about the consequences of invasion and degradation of hills and nature. Works continue. In 1973, after some islands had been filled in, the University City is inaugurated. An underwater outfall from Ipanema, used to dump treated sewage at sea about 4 km from the beach, was also built this same year. In 1974, the 14-km long Rio-Niterói Bridge was inaugurated and the law that merges the states of Guanabara and Rio de Janeiro was approved. In 1977 start to operate: Rio de Janeiro’s subway, the Galeão International Airport and the remodeled Jacarepaguá speedway. The city reaches 1980 with 5,090,790 inhabitants.

Ponte Rio-Niterói, ainda em construção, em dezembro de 1973.

Rio-Niterói Bridge, still under construction, in December 1973.

Acervo: Iconographia

Em 1970, a censura militar chega ao carnaval e as escolas de samba são intimadas a relatar previamente como serão os seus desfiles. Em 1971, a faixa de areia da praia de Copacabana é ampliada e a Avenida Atlântica é duplicada para suportar o volume de carros e turistas que circulam por ela. Logo em seguida, é inaugurada a Estrada que liga a Lagoa Rodrigo de Freitas à Barra da Tijuca. O centro da cidade passa por um processo de deterioração. Neste mesmo ano, fortes chuvas castigam a cidade, alertando moradores e autoridades sobre as consequências da invasão e degradação dos morros e da natureza. As obras continuam. Em 1973, após o aterramento de ilhas, é inaugurada a Cidade Universitária. Do mesmo ano é o emissário submarino de Ipanema, utilizado para despejar no mar, a cerca de 4 km da praia, o esgoto tratado. Em 1974, com 14 km de extensão, é inaugurada a ponte Rio-Niterói e a lei que funde os Estados da Guanabara e Rio de Janeiro é aprovada. Em 1977, começam a funcionar o metrô do Rio de Janeiro, o Aeroporto Internacional do Galeão e o remodelado autódromo de Jacarepaguá. A cidade chega a 1980 com 5.090.790 habitantes.

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A Cidade Hoje City Today

Entre o mar e a montanha, entre a praia e a planície, está o Rio de Janeiro. Hoje, é a segunda maior metrópole do Brasil. Com 1.182 km², possui natureza e praias belíssimas em suas regiões sul e sudoeste. Na parte norte, fica o subúrbio: o Rio de Janeiro por detrás da linha do trem. A região leste, conhecida como Zona Sul, é onde estão as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon, Leme, Flamengo, Botafogo e Urca, e seus mais conhecidos cartõespostais. Já nas regiões central e oeste misturam-se bairros periféricos e áreas rurais. Neste capítulo percorreremos primeiro suas regiões extremas, ao norte, sul, leste e oeste. Depois, como se pegássemos um submarino urbano, nos aprofundaremos na história e na identidade da cidade, viajando por sua região central. O capítulo termina mostrando praias, trilhas, monumentos e vários outros lugares legais, de um lugar muito legal chamado Rio de Janeiro.

Zona sul ao entardecer, vista do Pão de Açúcar. 46

Between sea and mountain, between the beaches and the plains, Rio de Janeiro is. Presently, it’s the second largest metropolis in Brazil. Its 1,182 km² has beautiful beaches and nature in the south and southwest regions. In the north lies the suburb: Rio de Janeiro behind the railroad. The eastern region, known as the South Zone, is where we find the beaches of Copacabana, Ipanema, Leblon, Leme, Flamengo, Botafogo and Urca, and their most famous postcard landscapes. In the central and western regions are mixed suburbs and rural areas. In this chapter we will first visit the farthest regions on the north, south, east and west. Then, as if we took an urban submarine we’ll go deeper into the city’s history and identity, traveling through its central region. The chapter ends by showing beaches, pathways, monuments and many other cool places, in a very cool place called Rio de Janeiro.

South Zone at sunset, seen from the Sugar Loaf.


Centro

A região central do Rio de Janeiro guarda em si boa parte da história cultural e arquitetônica do Brasil. Foi na Praça XV que a família real desembarcou em 1808. No centro estão as ruas mais antigas, as construções mais suntuosas, as praças do passado, as luminárias mais belas, as ruas estreitas, os monumentos, as centenas de estátuas, os prédios públicos que ainda evocam os tempos em que a cidade foi a capital do Brasil. Enfim, no centro temos o Rio de Janeiro criança, jovem e adulto.

Down town

Rio de Janeiro’s central region keeps much of the Brazilian architectural and cultural history. It was at the XV Square that the royal family arrived in 1808. In the center of the city are the oldest streets, the most sumptuous buildings, the squares of the past, the most beautiful lampposts, the narrow streets, monuments, hundreds of statues and the public buildings that still evoke the days when the city was the capital of Brazil. Ultimately, in the center we have Rio de Janeiro as a child, a youngster and an adult.

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Viagem ao Centro A Journey Downtown

O centro do Rio é como se fosse uma biblioteca. Guarda em suas ruas livros de história, geografia, arquitetura, política, realidade. Ande por ele com a mesma calma com que vai à praia. Olhe para cima, para os lados. Vá sem receio de ver, de aprender, de conversar, de perguntar. Grande parte das construções históricas tem ao seu lado, um breve relato sobre elas. Por isso, aqui valorizamos as fotos e as informações essenciais. Afinal, o centro merece um livro somente para ele. O mapa abaixo indica toda a região central do Rio de Janeiro. Escolha o seu caminho.

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The center of Rio is like a library. It keeps in its streets books of history, geography, architecture, politics, reality. Walk through it with the same ease you go to the beach. Look up, look to the sides. Go without fear of seeing, learning, talking, asking. Much of the historic buildings have at their sides a brief report on them. That is why here we value the photos and essential information. After all, the center deserves a book of its own. The map below shows the entire central region of Rio de Janeiro. Choose your path.


Praça XV e Arredores

The XV Square and its Surroundings O meu caminho começa aqui, na Praça XV (1), centro do antigo porto e local onde a família real desembarcou em 1808. Em seus arredores também vale conferir, a Estação das Barcas (2), o Prédio da Bolsa de Valores (3), o Monumento ao General Osório (4), várias igrejas, o Espaço Cultural da Marinha (5), o Museu Histórico Nacional (6), a Ilha Fiscal (7), a Ilha das Cobras (8) e a Ilha de Villegagnon (9).

Em cima, o Paço Imperial, construído em 1743 como Casa dos Governadores e sede da Capitania do Rio de Janeiro. A partir de 1808 serviu à família real portuguesa, que a transformou em Paço Real e sede administrativa do Reino Unido de Portugal e Algarves. Ao seu lado, o Palácio Tiradentes, sede da Câmara Federal de 1926 a 1960, ano em que a capital do Brasil foi transferida para Brasília. Embaixo, prédio do Centro Cândido Mendes e Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, de 1761. Ao lado, um detalhe da Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo e do Chafariz do Mestre Valentin, construído em 1789 para fornecer água à cidade.

Mine starts here, at XV Square (1), the center of the old port and place where the royal family arrived in 1808. In its surroundings it’s also worth checking the Ferry Station (2), the Stock Exchange Building (3), the Monument to General Osório (4), several churches, the Navy Cultural Space (5), the National History Museum (6), Fiscal Island (7), Snake Island (8) and the Isle of Villegagnon (9).

On the top, the Imperial Palace, built in 1743 to be the House of Governors and the seat of the Captaincy of Rio de Janeiro. As from 1808 it was the residence of the Portuguese Royal Family, which transformed it into the Royal Palace and administrative headquarters of the United Kingdom of Portugal and the Algarve. By its side, the Tiradentes Palace, seat of the Chamber of Deputies from 1926 to 1960, when Brazil’s capital was transferred to Brasilia. Above, building of the Cândido Mendes Center and Church of Our Lady of Carmo of the Old See, built in 1761. On the side, a detail of the Church of Our Lady of the Carmo Hill and the Fountain of Mestre Valentim, built in 1789 to supply water to the city. 57


O Rio Tem Cool Places

A velocidade máxima permitida para trafegar no Rio de Janeiro deveria ser de 2 km/h. Isso para que a pressa e a correria do dia-a-dia não nos impedissem de ver o que está à nossa volta. No Rio, basta olhar para o lado, ou para cima, para nos depararmos com imagens que merecem ao menos dez minutos de atenção, de admiração, de reflexão. Neste capítulo, é esta a nossa missão. Andar com calma, sobrevoar, navegar, olhar para cima, para os lados, para baixo, para dentro, buscar novos ângulos desta cidade que é, às vezes construída, às vezes esculpida. Aqui temos o resultado de um trabalho em que, juntos, ser humano e natureza foram engenheiros e arquitetos. Entre o mar e a montanha, entre a água e a terra, entre o azul e o verde, entre o céu e nós, aqui temos o Rio de Janeiro.

Cristo Redentor observa a baía da Guanabara e o Pão de Açucar. 68

The speed limit for traveling the Rio de Janeiro should be 2 km/h. So that haste and the daily rush wouldn’t prevent us from seeing what’s around us. In Rio, it’s enough to look to your side, or up, to find images that deserve at least ten minutes of attention, admiration, reflection. This is our mission in this chapter. Walk calmly, fly over, sail, look upwards, sideways, down, inside, search new angles of this city that is sometimes built, sometimes carved. Here we have the result of a work in which, together, humans and nature were engineers and architects. Between the sea and the mountains, between water and earth, between blue and green, between the sky and us, here we have Rio de Janeiro.


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Cristo Redentor Christ the Redeemer

Uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, o Cristo Redentor (1) foi inaugurado no dia 12 de outubro de 1931. Tem 38 metros de altura, pesa 1.145 toneladas e está localizado no alto do Morro do Corcovado, a 710 metros de altura, local de onde se tem uma visão 360° da cidade. Conta-se que durante sua construção, senhoras subiam o morro para beijar as mãos da estátua. One of the Seven Wonders of the Modern World, Christ the Redeemer (1) was inaugurated on October 12, 1931. It’s 38 meters tall, weighs 1,145 tons and is located on top of the Corcovado Mountain, 710 meters high and a place from where one has a 360° view of the city. It is said that during its construction ladies climbed the hill to kiss the statue’s hands.

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Praias Beaches

São vários quilômetros de orla marítima onde estão espalhadas dezenas de praias. Entre as mais famosas, Copacabana (8), Ipanema (9) e Leblon (10). Entre as mais belas e distantes, Grumari, Prainha e Abricó, esta última, a única praia destinada à prática do naturismo em toda a cidade. There are several quilometers of coastline along which are spread dozens of beaches. Among the most famous, Copacabana (8), Ipanema (9) and Leblon (10). Among the most beautiful and distant, Grumari, Prainha and Abricó, the latter the only beach for the practice of naturism in the whole city.

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A culinária Typical Dishes

Grande parte dos cariocas considera a feijoada o prato típico da cidade. Apesar de muitos explicarem sua origem como tendo ocorrido nas senzalas dos negros escravos que misturavam ao feijão os restos de porco dados por seus senhores, a pesquisa histórica indica que ela teria sido um abrasileiramento de pratos europeus. Historiadores afirmam que sua origem é relacionada a receitas portuguesas que, já no século XVII, misturavam feijões de vários tipos – menos o preto, que é americano – com orelhas, linguiças e pés de porco. O mesmo acontece com o cassoulet francês que mistura feijão com carne. Também não se pode afirmar que era uma comida somente de escravos, pois no início do século XIX restaurantes brasileiros já anunciavam o prato em seu cardápio. Bem brasileira, a feijoada é uma criação coletiva em que o índio entrou com o feijão preto e a farinha de mandioca, o europeu com a tradição e o negro com seus temperos e criatividade. Também são considerados pratos típicos da cidade: o bife com batata frita, a rabada, o bacalhau, este sob influência portuguesa, o Caldo Verde, o picadinho e o Filé à Oswaldo Aranha, que homenageia um ministro de Getúlio Vargas, que sempre que chegava ao restaurante Senadinho pedia um filé mignon, cortado grosso, tendo como acompanhamento batata portuguesa, farofa, arroz branco e alho.

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Most Cariocas consider feijoada1 the city’s typical dish. While many explain its origin through the slave houses, where slaves mixed beans and pork remains given by their masters, historical research shows that it must have been a Brazilian adaptation of European dishes. Historians agree that its origin is related to Portuguese recipes that as early as the seventeenth century mixed different kinds of beans - except the black one, which is American - with pork ears, sausages and feet. The same thing happens in the French Cassoulet, which mixes beans and meat. Nor can it be said that it was food only for slaves, because in the early nineteenth century Brazilian restaurants already included this dish in their menus. Really Brazilian, however, feijoada is a collective creation to which Indians brought black beans and manioc flour, Europeans brought the tradition and Negroes, their spices and creativity. Are also considered typical dishes: steak with fries, the oxtail stew, codfish - this one under Portuguese influence, the Green Soup, chopped beef and the Filet à la Oswaldo Aranha, which honors a minister of Getúlio Vargas, who always arrived at the Senadinho restaurant and ordered filet mignon, sliced thick, with the accompanying Portuguese potatoes, farofa2 , white rice and garlic.

T.N. – Feijoada is a most typical Brazilian spicy dish prepared with beans and pork. T.N. – Farofa is manioc or corn flour toasted with oil or fat, seasoned, and with meat, eggs and/or some kinds of vegetables.


A feijoada.

Feijoada. 93


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Rio de Janeiro  

Coleção capitais do Brasil - Rio de Janeiro - volume 4