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Este livro faz parte da Coleção Capitais do Brasil. Contém 96 páginas, mas aqui neste modelo estão apenas algumas delas. O livro está dividido em 4 capítulos. No primeiro, temos Geografia: a cidade em seu caráter natural, mostrada como era antes da chegada de seus primeiros desbravadores. Aqui falamos da terra, águas, flora, fauna e clima. Depois vem o capítulo sobre História, que trata da transformação do meio natural e da evolução urbana. No capítulo A Cidade Hoje, são abordadas as características gerais, mostrados seus pontos extremos e estudadas sua arquitetura, economia e estrutura. A viagem termina com o capítulo Cultura, onde o morador da cidade é apresentado, estudando as etnias que o formaram, seu artesanato, sua arte e sua gastronomia. 6


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Coleção Capitais do Brasil - Ensinando a Cidade SÃO PPA A UL O ULO Eduardo Fenianos Edição: Editora Univer Cidade Criação, Texto, Pesquisa e Fotos: Eduardo Emílio Fenianos Capa e Programação Visual: Tatiana Kropernicki Ferreira Revisão e Tradução Capítulos A Natureza e A História: Paulo Roberto Maciel Santos Revisão e Tradução Capítulos A Cidade Hoje e A Cultura: Ralph Miller Jr.

Reservados todos os direitos. Proibida qualquer reprodução desta obra por qualquer meio ou forma, seja mecânica ou eletrônica, sem permissão expressa, sob pena de incidir nos termos previstos em lei.

SÃO PAULO / 2008 1ª edição EDITORA UNIVER CIDADE Rua Presidente Rodrigo Otávio, 813 Alto da XV - Curitiba - PR Fone: 41 3079-7879 / 41 3362 3307 Rua Alfredo Mendes da Silva, 395, apto 163, torre 2 Vila Sônia - São Paulo - SP Fone: 11 3751-8842 www.urbenauta.com.br editora@urbenauta.com.br

Dados internacionais de catalogação na publicação (CIP) Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

Fenianos, Eduardo Emílio, 1970São Paulo / Eduardo Fenianos ; revisão e tradução: Ralph Miller Jr. - Curitiba : Univer Cidade, 2008. 96p. ; 25 cm. -- (Coleção Capitais do Brasil - Ensinando a Cidade ; v. 1) ISBN 978-85-86861-15-4 Texto também em inglês. Inclui bibliografia. 1. São Paulo (SP) - História. 2. São Paulo (SP) Descrições e viagens. 1. Título. II. Série CDD (21ª ed.) 981.62

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FIQUE PARA SEMPRE NA MEMÓRIA DE SEUS PARCEIROS E CLIENTES Espaço de até 1700 caracteres em português, com tradução para o inglês para a mensagem do presidente ou representante da empresa aos seus colaboradores, parceiros e clientes. São Paulo, a maior cidade do país, abre a Coleção Capitais do Brasil - Ensinando a Cidade. Nossa proposta, com essa coleção, é a de produzir livros sobre nossas cidades, que possam ser utilizados em salas de aula e que divulguem para os próprios moradores ou visitantes aquelas que percorri. Isso, porque hoje temos informações sobre a lua, mas não conhecemos a esquina de nossa casa. Os meios de comunicação nos informam sobre a situação das bolsas de valores, sobre furacões em países distantes, sobre sondas espaciais que já alcançam outros planetas, mas pouco sabemos e debatemos sobre o que está ao nosso redor, sobre nosso meio ambiente. Por isso, os Relatórios da Unesco para Educação no século XXI são claros em aconselhar alunos e professores a se aproximarem da realidade em que vivem. Esta coleção quer servir como suporte para essa idéia, pois acreditamos que a construção de uma cidade, um país e um planeta melhores começa pelo lugar onde vivemos, começa pela nossa realidade. E ninguém pode transformar aquilo que não conhece. Por isso, nas Expedições Urbenauta, estudamos as cidades da mesma forma que os astrônomos estudam o universo. Em nossa bagagem, a idéia fixa de que a cidade é uma excelente Sala de Aula.

The largest city in our country, São Paulo opens up the Collection Capitals of Brazil – Teaching the City. The purpose with this collection is to make books about the Brazilian capitals, so as to divulge them to the dwellers and visitors and, above all, make them for use in classrooms. This, because we have information about the moon, but don’t know the corners in the streets close to our home. The media inform us about the stock exchange, about hurricanes in faraway countries, about spacecrafts that have already reached other planets, but little we know and discuss about what surrounds us, about our environment. That is why the Reports to UNESCO on Education for the 21st century are clear in suggesting to students and teachers that they should approach the reality in which they live. This collection has the purpose of supporting this idea because we believe that to build better cities, countries and planet we must start with the place in which we live, we should start with our own reality. And who can transform what isn’t known? That is why we study cities in our Urbinaut Expeditions the same way astronomers study the universe. In our luggage we always take the fixed idea that cities are excellent classrooms.

Eduardo Fenianos Urbenauta

Eduardo Fenianos Urbinaut

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Nome Name

São Paulo nasceu Piratininga

São Paulo was born Piratininga

A região onde hoje está a cidade de São Paulo era conhecida pelos povos indígenas que a habitavam, como Piratininga (peixe seco). Com a chegada dos jesuítas, em 25 de janeiro de 1554, foi rezada uma missa, hoje considerada o marco de fundação da cidade. Como na doutrina católica esse é o dia de São Paulo, a povoação recebeu o nome de São Paulo de Piratininga. Com o passar do tempo e o domínio da cultura européia sobre a indígena o nome da cidade foi resumido para São Paulo.

The region where the city is located was known as Piratininga (dried fish) by the indigenous peoples who inhabited it. With the arrival of the Jesuits, on January 25, 1554 a mass was celebrated, and nowadays the date is considered that of the foundation of the city. According to the Catholic Doctrine, this is the day of Saint Paul, so the settlement was named São Paulo de Piratininga. With the passing of time and the domination of European culture over the natives, the name of the city was reduced to São Paulo.

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Símbolos da Cidade Symbols of the City

Brasão Municipal de São Paulo A história do símbolo começa em 1916, quando o então prefeito, Washington Luís Pereira, organizou um concurso para a criação do brasão. O ganhador foi um jovem poeta, Guilherme de Almeida, recém-formado em Direito. Para desenhá-lo, em 1917, ele contou com a ajuda de José Wasth Rodrigues. O prêmio foi de 2 contos de réis, o equivalente hoje a cerca de R$ 6.400,00. O brasão é formado por um escudo sobre o qual há um braço empunhando uma bandeira com a Cruz de Malta (símbolo da Ordem de Cristo), usada pelos navegantes portugueses para simbolizar a fé cristã. Sobre o escudo, uma coroa, também uma alusão ao governo lusitano. As laterais são adornadas por ramos de café. A divisa Non ducor duco (Não sou conduzido, conduzo) valoriza a independência das ações desenvolvidas pela cidade e o seu papel de liderança no Estado e no país. O brasão foi oficializado no dia 8 de Março de 1917.

São Paulo’s Coat of Arms

The symbol’s history starts in 1916 when Washington Luís Pereira, the city’s mayor at the time, organized a competition to create the city’s coat of arms. The winner was a young poet, Guilherme de Almeida, who had just graduated from the School of Law. To draw it, back in 1917, he had the help of José Wasth Rodrigues. The prize was of 2 contos de réis, equivalent to around R$ 6,400.00 in the present days. The coat consists of an escutcheon on which there is an arm holding a flag with a Maltese Cross (symbol of the Order of Christ), which was used by the Portuguese seamen to symbolize the Christian faith. A crown is above the escutcheon, also an allusion to the Lusitanian government. Coffee branches adorn the sides. The motto Non ducor duco (I am not led, I lead) prizes the independence with which the city develops its actions, as well as the leadership role it has in its State and in Brazil. The coat was officially introduced on March 8th, 1917.

Bandeira Municipal A bandeira paulistana é branca, traz a Cruz da Ordem de Cristo em vermelho e ostenta o brasão do município no centro da cruz. O branco simboliza a paz, a pureza, a temperança, a verdade, a franqueza, a integridade, a amizade e a síntese das raças. O vermelho simboliza a audácia, a coragem, o valor, a galhardia, a generosidade e a honra. A cruz evoca a fundação da cidade. O círculo é o emblema da eternidade, afirmando a posição de São Paulo como capital e líder de seu estado. Foi instituída pelo prefeito Jânio Quadros em 6 de março de 1987. Antes dela, a bandeira era toda branca e trazia apenas o brasão da cidade.

The Flag

São Paulo’s flag is white, bears the Cross of the Order of Christ in red and shows the city’s coat of arms in the center of the cross. The white colour represents peace, purity, temperance, truth, earnestness, integrity, friendship and the blend of races. The red symbolizes boldness, courage, worthiness, grace, generosity and honor. The cross evokes the foundation. The circle is an emblem of eternity and states the position São Paulo occupies as a capital and leader in its State. Mayor Jânio Quadros established it on March 6th, 1987. Before that, the flag was all white and only showed the city’s coat of arms. 9

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A Terra The Land

Agora, vamos conhecer o solo e o território onde São Paulo cresceu. Now, let’s learn a little about the land and the territory where São Paulo grew. Em boa parte de seu território, São Paulo tem um relevo de campos abertos e colinas. Esta paisagem certamente influenciou primeiro índios e depois os jesuítas a se estabelecerem na região. Sem grandes elevações e com descampados limpos cortados por rios repletos de peixes e com boa navegação, apresentou-se um território vasto para o crescimento de uma cidade. Além disso, a região se encontrava em uma zona estratégica que permitia seguir sertão adentro, tanto para o Norte quanto para o Sul de um Brasil ainda desconhecido. Pesquisadores explicam a falta de arborização densa nesta porção por ela ser constituída pelos sedimentos de argila e areia de um grande lago que se formou em uma barreira do Rio Tietê. Foi esse solo arenoso, no entanto, que serviu para o desenvolvimento da construção civil em São Paulo, a partir do século XIX. Vale ressaltar que em seus extremos Norte e Sul, o município é protegido por regiões com topografias bastante acentuadas. Na Zona sul, na região da Serra do Curucutu, encontramse escarpas íngremes e com solo mais rico. Esta região apresenta altitudes entre 850 e 900 metros, com topos que ultrapassam 1.100 metros. Na Zona Norte, chama a atenção o Pico do Jaraguá, ponto mais alto da cidade, com 1.135 metros. Nela também está a Serra da Cantareira, de topografia íngreme e ainda revestida por florestas compactas; e o Vale do Anhangüera, com colinas de topos achatados e encostas de declives e altitudes que chegam a 850 metros.

Throughout most of its territory, São Paulo presents a landscape of open fields and hills. This landscape most certainly influenced the first Indians, and later the Jesuits, to settle in the region. Without any great heights and with meadows crossed by navigable rivers full of fish, a vast territory presented itself for the establishment of a city. Additionally, the region was located in a strategic zone that allowed passage to the deep country, northwards and southwards in a still uncharted Brazil. Researchers explain the lack of dense forests in the region as due to its sedimentary soil, made of clay and sand, originated from a great lake that was formed on a barrier of the Tietê River. It was this sandy soil, however, that served for the development of buildings in São Paulo in the 19th century. It is also important to observe that in its northern and southern extremities, the city is protected by steep elevations. In the south, in the region of the Serra do Curucutu, steep slopes and a richer soil are found. This region presents heights between 850 and 900 meters, with mountain tops exceeding 1,100 meters in height. To the north, the Jaraguá peak stands out, where the city has its highest point, reaching 1,135 meters. The region also presents the Serra da Cantareira, with its steep topography and its dense woods; and the Anhangüera valley with its flat-topped hills and declivities and heights that can reach 850 meters.

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Vista geral de colinas no extremo sul de S達o Paulo.

General overview of the hills in the far South of S達o Paulo 11

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As Águas The Waters

A imagem comum que se tem da hidrografia paulistana é ligada na maioria das vezes à poluição causada em rios como o Tietê e o Pinheiros. Mesmo assim, nossa expedição e pesquisas revelaram que a imensa selva paulistana ainda guarda preciosidades fluviais. Ao norte temos o Rio Juqueri e o grande número de nascentes, da Serra da Cantareira, assim chamada numa referência aos locais onde se depositavam cântaros (vasos) com água. Ao sul encontramos o Rio Embuguaçu, que tem em suas nascentes puras e de água muito gelada, o ponto cardeal sul de São Paulo. Na mesma região sul, no distrito de Marsilac, está o grande diamante aquático de São Paulo, formado pelo Rio Capivari e seus afluentes. É importante lembrarmos que o nascimento da cidade de São Paulo está intimamente ligado às águas que a cercam. A cidade foi fundada entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú (hoje canalizado). Ambos eram de vital importância para a sobrevivência da pequena vila, abastecendo-a com água, peixes e servindo como canais de transporte. The common image that people have of the hydrography of São Paulo is usually linked to the pollution in the Tietê and Pinheiros rivers. Even so, our expedition and research revealed that the immense concrete jungle still keeps precious fluvial secrets. To the north there is the Juqueri River and the great number of springs located in the Serra da Cantareira, named after the places where people used to store water jugs (cântaros in Portuguese). To the south, we find the Embuguaçu River whose sources are of pure and extremely cold waters, and which is the southern cardinal point of São Paulo. Located in the same southern region, in the Marsilac district, is São Paulo’s great water diamond, formed by the Capivari river and its tributaries. It is important to remember that the birth of the city of São Paulo is intimately connected to the waters that surround it. The city was founded between the rivers Tamanduateí and Anhangabaú (which is channeled today). Both played vital roles in the survival of the small village, supplying it with water and fish, and serving as means of transportation. Nascente na Serra da Cantareira. Spring at the Serra da Cantareira 12

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Com cerca de 60 metros de altura, a Cachoeira da Usina, no Rio Capivari. Around 60 meters high, the Cachoeira da Usina, on the Capivari River. 13

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A Fauna The Fauna

Mais de 300 espécies de animais silvestres vivem no território paulistano. More than 300 different species of wild animals live in São Paulo’s territory. Até a chegada dos primeiros desbravadores, as matas nativas de São Paulo eram habitadas por centenas de espécies animais. Nos campos, viviam espécies típicas de áreas abertas como o lobo guará, os graxains, o veado campeiro e o veado catingueiro. Nas várzeas dos rios viviam pequenos mamíferos, como o mão-pelada, pacas, lontras e capivaras. As áreas florestais e a Mata Atlântica abrigavam bugios, macacos, porcos-do-mato, veados, serelepes e cotias. Entre os carnívoros, contavam-se gatos-do-mato, onças, jaguatiricas e onças-pardas. A intensa ocupação humana provocou grandes modificações nestes ambientes naturais. Mesmo assim, no início do século XXI estão catalogadas mais de 300 espécies de animais silvestres, que vivem no território paulistano, sendo, do total, cerca de 200 aves e o restante dividido entre mamíferos, anfíbios, répteis e peixes. Animais que imaginamos serem vistos apenas em lugares distantes, podem ser encontrados no município. Em um passeio pela Serra da Cantareira é possível visualizar, a menos de 20 km de bairros populosos, tucanos-do-bico-verde, veados e jaguatiricas. E nas matas da Cantareira ou de Marsilac, que tem em seu território parte da Serra do Mar, ainda se encontra a temida onça-parda, segundo maior felino brasileiro.

Until the arrival of the first explorers, the native forests in São Paulo were inhabited by hundreds of animal species. Species typical of open areas lived in the plains, such as the maned wolf, the pampas fox, the pampas deer, and the gray brocket deer. Small animals such as raccoons, pacas, otters and capybaras dwelled on the holms by the rivers. The forest areas and the Atlantic forest sheltered species such as the brown howler monkey, monkeys, wild boars, deers, squirrels, and agoutis. Among the carnivores, there were the little spotted cat, the jaguar, the ocelot, and the cougar. The intensive human settlement caused great changes in these natural environments. Even so, at the beginning of the 21st century, over 300 species of wild animals that live in the area of the city were cataloged, of these, around 200 species are birds and the rest is divided into mammals, amphibians, reptiles, and fish. Animals that we think are seen only in distant places can be found in the city. In a walk by the Serra da Cantareira, it is possible to view, only 20 kilometers away from populated neighborhoods, animals such as the green-billed toucan, deer, and ocelots. And in the Cantareira forests or at Marsilac, which has portions of the Serra do Mar within its boundaries, the fearsome cougar, Brazil’s second largest feline, can still be found.

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Século XVIII Acervo Museu Paulista da Universidade de São Paulo

Eighteenth Century

Bênção dos canoões. Óleo sobre tela. Aurélio Zimmermann. s/data.

São Paulo começa o século XVIII reforçando a sua posição de quartel-general dos Bandeirantes. Em 1709 D. João V cria a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro e, em 1711, eleva a vila de São Paulo à categoria de cidade. Na vida cotidiana pouco muda. Os moradores sofrem com as inundações que alagam estradas e destroem pontes. Prevalece a vida rural e as pequenas propriedades. O dia-a-dia é no campo e se vem para a cidade somente para as festas religiosas e eventos especiais. O gado anda solto pela cidade. Vive-se ainda do aprisionamento dos índios, que diminui com o início do tráfico de escravos da África, em meados do século XVII, e a descoberta do ouro. Mas algumas novas atividades despontam. Uns vão ao Rio de Janeiro buscar produtos para vender; outros trabalham como tropeiros, seguindo pelo caminho do Viamão até o Rio Grande do Sul para comprar animais e depois revendê-los na própria cidade ou nas Minas Gerais. As ruas são de barro, sinuosas e não possuem calçadas. O transporte ainda é de mula, a pé ou a cavalo. O lixo é despejado nos rios ou levado para grandes covas nos arredores da vila. Predominam as casas feitas de taipa, térreas em sua maioria, com a presença também de alguns sobrados. Quando pintadas, são da cor branca. Quando os sinos tocam, o som pode ser ouvido por todos os moradores. A região do Pacaembu

Blessing of canoes. Oil on canvas. Aurélio Zimmermann, not dated.

São Paulo began the 18th century by reinforcing its position as headquarters for the Bandeirantes. In 1709 D. João V created the captaincy of São Paulo and Minas de Ouro and, in 1711, he elevated the village of São Paulo to a city. In the daily routine nothing changed. The inhabitants suffered from the floods that submerged the roads and destroyed the bridges. Rural life and small proprieties prevail. Daily routine takes place in the fields and people would come to the cityonly for religious festivities and special events. Cattle roamed free in the streets. The inhabitants lived from the enslavement of Indians, which is diminished with the start of the trade of slaves from Africa, around the 17th century, and the discovery of gold. However, new activities appear. Some people go to Rio de Janeiro in search of products to sell; other work as cattle dealers following the Viamão Trail to Rio Grande do Sul searching for cattle to they would later sell in their own city or in Minas Gerais. The streets are unpaved, crooked and lack sidewalks. Transportation is still by mule, by horse, or on foot. Waste is poured into the rivers or taken to large holes within the vicinity of the village. Houses made of clayand straw predominate, most of them are ground-level and there are only a few two-story houses. When they were painted, they were painted white. When the bells toll the sound can be heard by all inhabitants. The Pacaembú region is still used as an

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Acervo Fundação Pró-Memória - São Caetano do Sul

ainda serve como área de quarentena de escravos com varíola. Somente em meados do século é criado o abastecimento de água potável, com chafarizes públicos, além de bicas e fontes. No decorrer desse século, a Capitania de São Paulo perde grande parte de seu território, até que em 1748 é extinta, ficando seu território sob a tutela do Governo do Rio de Janeiro até 6 de janeiro de 1765. No ano de 1769 é demarcado o rocio (território da cidade), tendo como centro o Largo da Sé. Nos pontos cardeais, Penha (a leste), Santana (ao norte), Pinheiros (a oeste) e Ipiranga (ao sul). Pelo recenseamento de 1776, a cidade possuía 2.026 moradores distribuídos em 534 casas, excetuando-se os escravos. isolation area for slaves suffering from the pox. Only in the mid-century drinkable water is supplied through public fountains, along with gutter pipes and waterspouts. During that time, the captaincy of São Paulo gradually loses large parts of its territory to Rio de Janeiro until it is extinguished in 1748, with its territory being subject to the government of Rio de Janeiro until January 6th, 1765. In 1769, the city limits are outlined having as its center the Largo da Sé. The cardinal points are Penha (to the east), Santana (to the north), Pinheiros (to the west) and Ipiranga (to the south). Based on figures from the 1776 census, the city had reached 2,026 inhabitants in 534 houses, not counting the slaves. Mapa de São Paulo e região, em 1759, indicando os principais caminhos para alcançar o litoral e o sertão. A cidade na época possuía menos de 10 ruas. A 1759 map of São Paulo and adjacencies, indicating the main roads toward the coast and the countryside. At that time, the city had less than ten streets.

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Anos 20 The Twenties

São Paulo inicia a década de 20 com 579.033 habitantes. Com o investimento de cafeicultores e empreendedorismo dos imigrantes, as indústrias, que em 1901 eram 90, chegam a 1.195 em 1922. Novos bairros são loteados, surgindo o Jardim Europa, Alto de Pinheiros, Sumaré e Vila Olímpia. A população mais pobre ainda se concentra em bairros periféricos à época como Brás e a Moóca. Em 1922, o Teatro Municipal é palco da Semana de Arte Moderna, organizada por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Luís Aranha, entre outros intelectuais. No mesmo ano são iniciados os estudos sobre os problemas das enchentes. A iluminação elétrica se expande, substituindo a iluminação a gás. Mais paulistanos passam a se locomover de ônibus ou automóvel e a usar os serviços de telefonia. Na década, inicia-se construção do reservatório do Rio Grande, depois denominado Billings. Em 1924 é iniciada a construção do Edifício Sampaio Moreira, na rua Líbero Badaró, com 50 metros de altura. Em julho daquele ano, uma rebelião militar, conhecida como movimento tenentista, transforma a cidade em um campo de batalhas. Comandados pelo General Isidoro Lopes, os revoltosos exigem a mudança do sistema eleitoral, o ensino gratuito, a autonomia do poder judiciário e a renúncia do presidente Arthur Bernardes, acusado de fraude eleitoral. Frente aos bombardeios por tropas do governo e as ameaças de destruir a cidade, no dia 27 de julho os revoltosos iniciam sua retirada. O conflito deixa 503 mortos e quase cinco mil feridos. São Paulo termina a década dominada pelas águas na enchente de 1929 e com uma população de 887.810 habitantes.

São Paulo begins the 1920s with 579,033 inhabitants. Thanks to the investments by coffee growers and immigrant entrepreneurs, the industries, which amounted to 90 by 1901, increased to 1,195 by 1922. New neighborhoods are divided into lots giving shape to Jardim Europa, Alto de Pinheiros, Sumaré, and Vila Olímpia. The poorer population is still concentrated in peripherical neighborhoods, such as Brás and Moóca. In 1922 the Municipal Theatre hosts the Modern Art Week, organized by Mário de Andrade, Oswald de Andrade, and Luíz Aranha, among other intellectuals. In that same year, studies on the matter of floods take place. Electric lighting is expanded, substituting for the gas system. More and more Paulistanos start using public transportation system, in the form of buses, and automobiles, as well as phone services. Around that time, the construction of the dam of Rio Grande, which would later be called Billings, begins. In 1924 the 50-meter-high Sampaio Moreira building begins construction on Líbero Badaró street. In July, a military rebellion, known as the Tenentista movement, turns the city into a Acervo Arquivo Público do Estado battlefield. The rebels, led by General Isidoro Lopes, demand a change in the electoral system, free education, autonomy of the judiciary, and the resignation of president Arthur Bernardes, charged with electoral fraud. In the face of bombardment by government troops and the threats to destroy the city, the rebels leave the city on July 27th. The conflicts result in 503 deaths and almost five thousand injured. São Paulo ends the decade dominated by the waters of a huge flood in 1929, and counting on 887,810 inhabitants.

Tráfego de automóveis no centro da cidade no final dos anos 20.

Downtown traffic of automobiles at the end of the twenties.

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Anos 30

The Thirties

July 9th, 1932 marks the beginning of the Constitutional Revolution against the federal government. The circumstances for the rebellion had been shaped many years before, but it reaches the climax on May 23rd during an assembly at the Praça da República (Republic Square), which culminates on the death of four students. The initials of their names – Miragaia, Martins, Dráusio and Camargo – inspire the secret society MMDC, very active during the revolution. São Paulo was defeated in the war. On just its side, there were 600 deaths. However, their main demands were attended, amongst them the right to choose a civilian Paulista to rule the State and the convocation of a National Constitutional Assembly. In 1933 the Free School of Sociology and Politics is created, with the goal of forming public administrators and, in 1934, the University of São Paulo – USP is founded. In the central region, the first multi-story buildings substitute for the old two-story houses, following the trend set by the 26-floor-skyscraper Edifício Martinelli, built in the late twenties. The Tietê and Pinheiros rivers undergo rectification works, in an attempt to keep the floods under control. In 1935 Santo Amaro ceases to be a district, becoming a borough of São Paulo. In 1938 the Chá Viaduct is inaugurated and the Pacaembú Stadium is almost completed. The challenge for the new decade to come was to follow the already chaotic urban development with infrastructure works and social services.

Região do Brás em 1936.

Brás neighborhood in 1936.

Acervo Museu Paulista da Universidade de São Paulo

O dia 9 de julho de 1932, marca a década com o início da Revolução Constitucionalista. A conjuntura para a revolta vinha de muito tempo, mas o estopim acontece no dia 23 de maio durante um comício na Praça da República, que culmina na morte de 4 estudantes. Suas iniciais – Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo – inspiram a sociedade secreta MMDC, muito ativa na revolução. São Paulo perde a guerra. Somente de seu lado, são mais de 600 mortos. No entanto, suas principais exigências são atendidas, entre elas, a escolha de um representante civil e paulista para a chefia do governo do Estado e a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Em 1933, é criada a Escola Livre de Sociologia e Política, destinada a formar técnicos para a administração pública e, em 1934, a Universidade de São Paulo – USP. Na região central, os primeiros edifícios substituem os antigos sobrados, seguindo a tendência dos 26 andares do Edifício Martinelli, construído no final da década de 20. Os rios Tietê e Pinheiros sofrem novas obras de retificação, como uma tentativa de prevenir inundações. Em 1935, Santo Amaro deixa de ser município, tornando-se um bairro de São Paulo. Em 1938, é inaugurado o Viaduto do Chá e o Estádio do Pacaembu está quase terminado. O desafio para a nova década é acompanhar o crescimento já desordenado, com obras de infra-estrutura e serviços sociais.

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Anos 80 The Eighties

São Paulo begins the 1980s with 8,475,380 inhabitants. The city seeks infrastructure. In 1981 the subway station at Praça da República is inaugurated, followed by the Anhangabaú station, in 1983. Starting in May 9th, 1982 interstate bus transportation between São Paulo and the rest of the country is made through the Tietê Station, which is connected to the subway system. São Paulo celebrates its 430th anniversary with an assembly at Praça da Sé, which gathers 300,000 people who demand democratic order and the right to vote for president. The decade also launches the careers of bands such as Ira and Titãs, who shake the Brazilian musical scene up, riding the coat tails of rock’n’roll from the 1980s. Discos and pubs in districts like Vila Madalena and Pinheiros, in the western zone, and Itaim and Moema, in the southern zone, are the main meeting places for the new generations. Others stay home, watching TV and ordering pizza by phone. Despite the development in certain regions of the city, others present troubling figures. The number of people living in slums and squats, which in the 1970s represented only 1% of the population, increased to 4% in the 1980s and to 8% in the 1990s. The majority of squats occur in the eastern zone and in areas of environmental protection in the southern zone, close to the Billings and the Guarapiranga dams, which are responsible for part of the city’s water supply. São Paulo reaches 1990 with a population of 9,512,545 inhabitants.

Avenida Paulista no início da década de 80.

Paulista Avenue in the beginning of the eighties.

Acervo Arquivo Público do Estado

São Paulo inicia os anos 80 com 8.475.380 milhões de habitantes. A cidade busca se estruturar. Em 1981 é inaugurada a estação do Metrô da Praça da República e, em 1983, a Estação Anhangabaú. A partir de 9 de maio de 1982, a interligação através do transporte rodoviário entre São Paulo e a maioria dos outros estados brasileiros passa a ser feita no Terminal Rodoviário Tietê, também interligado a uma estação do Metrô. São Paulo comemora 430 anos, com um comício na Praça da Sé que reúne 300 mil pessoas, pedindo a volta da ordem democrática e eleições diretas para presidente da República. A década ainda revela bandas como Ira! e Titãs, que agitam o cenário musical brasileiro na onda do rock dos anos 80. Danceterias e bares em bairros como Vila Madalena e Pinheiros, na Zona Oeste, e Itaim e Moema, na Zona Sul, são os principais pontos de encontro para novas gerações. Outros ficam em casa. Assistem à TV e pedem pizza pelo telefone. Apesar do desenvolvimento em algumas regiões da cidade, outras apresentam números preocupantes. O número de pessoas vivendo em favelas e ocupações irregulares, que nos anos 70 representava 1% da população, salta, na década de 80 para 4%, e para 8% no início dos anos 90. A maior parte destas ocupações irregulares é registrada na Zona Leste e em Áreas de Proteção de Mananciais, na Zona Sul, junto às represas Billings e Guarapiranga, responsáveis por parte do abastecimento de água da cidade. São Paulo chega a 1990 com uma população de 9.512.545 milhões de habitantes.

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Anos 90 The Nineties

São Paulo chega aos anos 90 como uma cidade cosmopolita que tenta resolver problemas caseiros. Há muito tempo não se fala somente em São Paulo, mas em Grande São Paulo, numa referência ao processo de metropolização que uniu a cidade aos municípios vizinhos, formando um aglomerado humano com mais de 16 milhões de habitantes, o terceiro maior do planeta. Em 20 de maio de 1992, é instituída uma nova divisão geográfica da cidade, subdividindo-a em 96 distritos. O telefone celular é democratizado. A moda é comer em buffets de comida por quilo. A cidade inicia os anos 90 com um novo Vale do Anhangabaú, agora com uso exclusivo para pedestres, obra iniciada na administração de Jânio Quadros e projetada pelos arquitetos Jorge Wilheim e Rosa Kliass. No dia 5 de maio de 1994, cerca de 300 mil pessoas acompanham o cortejo de 31 km e participam do velório do piloto Ayrton Senna, na Assembléia Legislativa. Os carros que no início do século XX representavam velocidade, agora em excesso geram congestionamentos, criando espaço para a figura dos motoboys, motoqueiros que, entre os carros, transportam os mais diferentes objetos pela cidade responsável por 10% do PIB nacional. A poluição e o grande fluxo de carros levam a prefeitura a instituir, no dia 5 de agosto de 1996, o rodízio de veículos. Novos centros empresariais e de negócios surgem com a remodelação e abertura das Avenidas Faria Lima e Água Espraiada. São Paulo chega ao ano 2000 com uma população aproximada de 10 milhões de habitantes.

São Paulo reaches the 1990s as a cosmopolitan city trying to solve its domestic problems. It’s been a long time since people stopped talking about São Paulo alone, but about the greater São Paulo, a reference to the metropolis which has united the neighboring municipalities, forming a human conglomerate of over 16 million souls, the third largest on the planet. On May 20th, 1992, a new geographic division of the city is instituted, with the city being subdivided into 96 districts. Everyone has a mobile phone and the latest fashion is to have lunch on self-service restaurants that serve food by the kilo. The city begins the 1990s with a renewed Vale do Anhangabaú, now exclusive for pedestrians. The work was designed by architects Jorge Wilheim and Rosa Kliass, and began being built during the Jânio Quadros administration. On May 5th, 1994 about 300,000 people follow the funeral procession of Formula 1 driver Ayrton Senna, at the State Assembly. Cars, which at the beginning of the 20th century represented speed, now in an increasing number generate large traffic Acervo Arquivo Público do Estado jams, creating space for the couriers riding motorcycles carrying a large variety of objects around the city which is responsible for 10% of the national gross product. Pollution and the enormous car flow resulted in a mandatory car pool instituted by city officials, starting in August 1996. New business centers emerged with the remodeling and the reopening of Faria Lima and Água Espraiada Avenues. São Paulo reaches the year 2000 with a population of approximately 10 million inhabitants.

Rua central no início dos anos 90. Downtown street in the early nineties. 43

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A Cidade Hoje The City Today

Para começarmos a entender São Paulo é preciso saber que ela é um mundo repleto de outros mundos. É aqui que aprendemos a diferença entre o que é província e o que é metrópole. Considerado como um espaço físico, o município tem um território aproximado de 1.523 km2, oficialmente divididos em 96 distritos e 31 subprefeituras, os quais são subdivididos em centenas de bairros, vilas e invasões sem delimitações claras. Um bom exemplo disso é a Vila Madalena que ainda não tem um território oficial definido. Apesar de ser conhecida por seus elevados índices de poluição, aproximadamente 25% do total do território do município é formado por áreas verdes, as quais estão concentradas no extremo norte - na Serra da Cantareira - ou no extremo sul, onde a mata é encontrada em seu estado mais puro. Estatisticamente, São Paulo sempre bate recordes, sejam eles positivos ou negativos. Poeticamente, São Paulo sempre escreve um novo verso, às vezes romântico, outras vezes sarcástico. São Paulo é assim: quando pensamos que está perto do fim, ela nos diz que tudo está apenas começando.

To start understanding São Paulo we must know that it’s a world filled up with other worlds. It’s here that we learn the difference between what’s a province and what’s a metropolis. Looking at it as a physical space, the city has a territory with approximately 1,523 km2 that is officially divided into 96 districts and 31 sub-administration centers, which are divided into hundreds of quarters, villages and “invasion areas” with no clear limits. A good example is Vila Madalena, which still doesn’t have a territory officially defined. Despite the high pollution levels for which São Paulo known, approximately 25% of the city’s territory are green areas, concentrated mainly at the extreme north – at the Cantareira Range – and at the extreme south, where forests can be found in their most preserved state. Statistically, São Paulo is a record breaker, whether in positive or negative aspects. Poetically, São Paulo is always writing a new verse, sometimes romantic, sometimes sarcastic. That’s how São Paulo is: when we think she’s close to the end, she tells us that everything is just about to begin.

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Centro

Downtown

A região central inclui os bairros mais tradicionais e boa parte do patrimônio cultural da cidade, além do caos e da alma paulistana. Aglomeram-se em seu território os edifícios mais antigos e também os mais altos, os quais alcançam até 40 andares. Pela divisão oficial da prefeitura, o centro engloba 10 distritos. Nas fotos, vemos a região da Aclimação e o centro da cidade visto do alto do Edifício Altino Arantes, sede do banco Santander/Banespa.

The central region includes the most traditional quarters and good part of the city’s cultural assets and chaos and soul. In this territory are gathered the oldest buildings, and also the highest, some of which are 40 stories high. According to the city’s administration, the center of town includes 10 districts. In the photographs we can see the Aclimação area and central region as it is seen from the top of the Altino Arantes building, the seat of the Santander/Banespa bank.

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Centro Downtown

Lendo a cidade

Reading the city

Agora chegou a hora de desbravarmos o Centro de São PPaulo aulo. Por ser o aulo lugar onde a cidade nasceu e depois se desenvolveu, o centro é onde encontramos o maior número de prédios históricos e monumentos. Não há mais a natureza, nem as águas limpas que os primeiros desbravadores encontraram, como ainda acontece no extremo sul. Hoje existem as marcas das construções e da história humana. Vamos urbenautear. Nossa viagem pelo Centro começa na Praça da Sé (mapa C4), local onde está o Marco Zero da cidade cidade. Mas o que é este Marco Zero? É o ponto de onde são marcadas as distâncias entre uma e outra cidade. É o centro exato de São Paulo. Além de ser um ponto geograficamente importante, ele também tem uma importância histórica. Foi nessa região, aqui perto, no Pátio do Colégio Colégio, que São Paulo foi fundada no dia 25 de janeiro de 1554. A partir de 1952, essa praça passou por um trabalho de reurbanização destinado às celebrações dos 400 anos da cidade. Foi então que a Catedral da Sé foi inaugurada, ainda sem as duas torres que foram concluídas somente em 1969. Em estilo neogótico, a Sé tem 111 metros de comprimento e 46 metros de largura. Suas duas torres têm 92 metros de altura cada. Esses números fazem dela a oitava maior catedral do mundo. Em sua cripta estão os restos mortais do Cacique Tibiriçá e de outros personagens da nossa história.

Now its time for us to play the aulo’s trailblazer in São PPaulo’s central area area. As this is the place were the city was born and developed, this is where we’ll find most of the historical buildings and monuments. There is no nature or the clean waters that the first trailblazers met, as still can be found in the extreme southern region. Today we have the marks of the buildings and of human history. So, let’s start urbinauting. Our trip by the Center of São Paulo starts at the Praça da Sé (map C4) where the city’s Zero Landmark is. But what is this Zero Landmark? It’s the place from which distances between cities are marked. It’s the exact center of São Paulo. Besides being an important geographical place, it also has historical importance. It was in this area, quite close by, at Pátio do Colégio Colégio, that São Paulo was founded on the 25th of January of 1554. From 1952 on, this square was re-urbanized for the celebrations of the city’s 400th anniversary. It was this year that Catedral da Sé was inaugurated, but without the two towers that were finished only in 1969. Built in neo-gothic style, the cathedral is 111 metres long and 46 meters wide. Its two towers are 92 meters high, each. These figures make it the eighth largest cathedral in the world. Cacique Tibiriçá and other important persons from our history are buried in its crypt.

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O Mapa

The Map

A partir daqui, você tem nove sugestões de roteiros e lugares para desbravar o centro de São Paulo, além, é claro, daqueles que você mesmo criar ou descobrir. O mapa abaixo mostra os caminhos. A partir de agora, descobrir os tesouros paulistanos é com você. Caso descubra outros lugares interessantes, envie-os para o e-mail urbenauta@urbenauta.com.br

From here on, you have nine suggestions of tours and places for you to play the pathfinder in the center of São Paulo, besides those that you may decide to create or discover, of course. The map below shows the pathways. From now on it’s up to you to discover São Paulo’s treasures. If by any chance you find other interesting places, please do send an email to urbenauta@urbenauta.com.br

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Estação da Luz Luz Station

Construído entre 1926 e 1938, o prédio da Estação Júlio Prestes (mapa B1) foi concebido para substituir a Estrada de Ferro Sorocabana e transportar a produção de algodão para a região sudoeste do Estado. O relógio em sua fachada principal foi fabricado em 1942, na Inglaterra. Tinha a função de controlar os horários das outras estações da Estrada de Ferro Sorocabana. Sua plataforma foi construída com estrutura metálica semelhante à do hangar do famoso dirigível Zeppelin, que ficava no Rio de Janeiro. Desde 1999, a Estação aulo aulo, que tem uma das Júlio Prestes abriga a Sala São PPaulo melhores acústicas do planeta, bem como nove salas para os ensaios da Orquestra Sinfônica do Estado. Visitas Monitoradas: segunda a sexta, às 12:30 e 16:30; sábados, às 14:00. A duração aproximada é de 40 minutos. Inaugurada em 1901, a Estação da Luz (mapa C1) é um marco do ciclo do café no Estado. Foi por ela que boa parte da produção foi transportada do interior para o Porto de Santos. Por ela também chegaram muitos imigrantes que desembarcaram em Santos e construíram sua vida na capital ou no interior. Conta-se que todo o material para sua construção veio da Grã-Bretanha, de pregos e tijolos até a iluminação a gás. Em 1946, um incêndio quase a destruiu. Sobraram apenas a ala leste e suas plataformas. Foi reconstruída em 1951. Durante as comemorações dos 450 anos de São Paulo, foi revitalizada e hoje ortuguesa também sedia o Museu da Língua PPortuguesa ortuguesa, que funciona de terça a domingo, das 10:00 às 18:00. uz À sua frente está o Parque da LLuz uz. Criado em 1798, ele é considerado o primeiro parque público da cidade. Era ali, no século XIX, que as tradicionais famílias paulistanas se reuniam, organizavam festas e passeavam para mostrar suas roupas novas, enquanto bandas se apresentavam no coreto. Hoje, suas belas árvores nativas e as preguiças que se arrastam de uma árvore para outra também são uma atração. Está aberto de segunda a domingo, das 7:00 às 18:00. Ao lado do parque fica a Pinacoteca do Estado Estado, construída entre 1897 e 1900 pelo escritório Ramos de Azevedo para servir inicialmente como sede do Liceu de Artes e Ofícios. No entanto, em 1905 foi inaugurada como o primeiro museu de arte da cidade.

Built between 1926 and 1938, the building of Estação Júlio Prestes (map B1) was conceived with the purpose of substituting Estrada de Ferro Sorocabana (a railroad) and to transport all the cotton production to the State’s southwest region. The clock on its main façade was manufactured in England in 1942. Its function was to control the times of Estrada de Ferro Sorocabana’s other stations. Its platform was built with a metallic structure similar to the hangar of the famous airship Zeppelin in Rio de Janeiro. Since 1999, Estação Júlio Prestes has the Sala São PPaulo aulo aulo, with one of the best acoustics in the world, as well as nine rooms for rehearsals by the State’s Symphonic Orchestra. Monitored Visiting: Monday to Friday, at 0:30 and 4:30 p.m.; Saturdays at 2:00 p.m. Visits last approximately 40 minutes. Inaugurated in 1901, Estação da Luz (map C1) is a hallmark of the coffee cycle in the State. It was used to convey a great part of the production from the countryside to the Port of Santos. Many immigrants that disembarked in Santos arrived to build their lives in the capital or at the countryside. It is said that all the material to build it came from Great Britain, from nails and bricks to the gas lighting. A fire almost destroyed it in 1946. Only the east wing and the platforms were left. It was re-built in 1951. During the festivities of São Paulo’s 450th anniversary it was re-vitalized and presently the Museum of PPortuguese ortuguese LLanguage anguage is also there, open Tuesday to Sunday, from 10:00 a.m. to 6:00 p.m. Parque da LLuz uz faces it. Created in 1798, it’s considered the city’s first public park. It was there, during the 19th century, that São Paulo’s traditional families would come together, organize parties and stroll around showing their new clothes while bands would play in the bandstand. Today, its beautiful native trees and the sloths that crawl from tree to tree are also an attraction. It’s open from Monday to Sunday, from 7:00 a.m. to 6:00 p.m. Close to the park we can find Pinacoteca do Estado (the state picture gallery), office Ramos de Azevedo built between 1897 and 1900, initially to be the Lyceum of Arts and Crafts. However, in 1905 it was inaugurated as the city’s first art museum.

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Estação da Luz

Luz Station

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Rua 25 de Março e Mercado Municipal Rua 25 de Março and Municipal Market Além das compras, a Rua 25 de Março (mapa D3, D4) tem uma importância histórica para São Paulo. Bem antes de receber o nome atual, uma homenagem ao 25 de março de 1824, data em que foi promulgada a primeira constituição do Brasil, ela já possuía as mesmas características que tem hoje. A grande diferença é que não era uma rua. No seu lugar corria um rio, o Rio Tamanduateí, na época ainda limpo e navegável, por onde chegavam de barco as mercadorias que vinham do Porto de Santos. A bagunça era a mesma de hoje em dia. Muita gente gritando e oferecendo os produtos que eram descarregados no Porto Geral. Daí o nome da Ladeira que cruza a 25 de Março: Porto Geral. Não por coincidência, próximo a ela está o Mercado Municipal (mapa D2), inaugurado em 25 de janeiro de 1933 para oferecer um lugar adequado aos comerciantes da região, os quais, aproveitando o movimento, vendiam seus produtos ao ar livre. Quando você chegar ao Mercado Municipal, procure conhecê-lo de várias maneiras. De olhos fechados, para sentir seus aromas, com o paladar, saboreando os sanduíches de mortadela, ou os pastéis de bacalhau ou de carne seca. Explore-o com os olhos para ver as cores e texturas de sua arquitetura, os painéis, as frutas, verduras, temperos, especiarias, carnes, peixes, e também para refletir sobre a diferença de comprar ali e comprar em um supermercado. O Mercadão funciona de segunda a sábado, das 7:00 às 18:00, e aos domingos, das 7:00 às 13:00.

Besides shopping, Rua 25 de Março (map D3, D4) has a historical importance for São Paulo. Well before it received its present name, homage to the 25th of March 1824, the date when Brazil’s first constitution was promulgated, it already had the features it has today. The big difference is that it wasn’t a street. In its place ran a river, the Tamanduateí, at the time a clean and navigable path through which merchandise arrived in boats that came from the Port of Santos. The confusion was the same as today’s. Many people shouting and offering the products that were unloaded at Porto Geral (General Port). After it, the name of the hill that crosses Rua 25 de Março: Porto Geral. Not for mere coincidence, the Municipal Market is close by (map D2). It was inaugurated on January 25, 1933 to offer a proper place for tradesmen in that region, who, taking advantage of the movement sold their products in the open air. When you get to the Municipal Market, try to learn it in several ways. Eyes closed, in search of smells, and taste, by savouring mortadella sandwiches or turnovers with cod or jerked meat filling. Explore it with your eyes to see the colors and textures of its architectural features, the panels, the fruit, vegetables, spices, meat and fish, and also to think about the difference between shopping there and in a supermarket. Mercadão, how it’s kindly called, is open Monday to Saturday, from 7:00 a.m. to 6:00 p.m., and on Sundays, from 7:00 a.m. to 1:00 p.m.

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Imagens e sabores do Mercad達o

Images and tastes at Mercad達o. 71

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Avenida Paulista Avenida Paulista

Para sentir os ares da megalópole, um passeio a pé aulista é uma forma de entender pela Avenida PPaulista uma parcela dos paulistanos e a riqueza que é gerada na cidade. Inaugurada em 8 de dezembro de 1891 para abrigar os casarões dos barões do café que formavam a elite paulistana da época, a Paulista, como é carinhosamente chamada, é o símbolo da cidade. Seu perfil residencial permaneceu até os anos 60, quando começaram a ser construídos os grandes edifícios que hoje tomam o lugar dos antigos palacetes. Partindo da Rua da Consolação, sugiro os seguintes pontos de parada: o Conjunto Nacional Nacional, construído nos anos 50 com a idéia original de ser um hotel e centro comercial, é ótimo para vermos o início das modificações na Paulista; o Masp (Museu de Arte de São Paulo), com sua arquitetura arrojada e seu acervo de centenas de obras dos mais importanrianon tes artistas do planeta; o Parque T Trianon rianon, como exemplo da mata nativa da região; a residência Joaquim FFranco ranco de Melo Melo, no número 1919, construída em 1905 e atualmente, o único exemplo dos primeiros palacetes, na fase exclusivamente residencial da Avenida Paulista que, segundo estudiosos, durou de 1891 a 1937. To feel the megalopolis air, you should stroll along A venida PPaulista aulista to understand a part of the paulistanos and the wealth that the city generates. Inaugurated on December 8, 1891 so that the coffee barons - São Paulo’s elite at the time - could build their mansions, the Paulista, as it is kindly called, is the symbol of the city. Its residential profile was kept until the 1960s, when large buildings started to be built and took the place of these stately old houses. Starting from Rua da Consolação, I suggest the following stops: Conjunto Nacional Nacional, built in the 1950s to be originally a hotel and office building it’s excellent for us to see how the changes at the Paulista began; Masp (Art Museum of São Paulo) with its bold architecture and a collection of hundreds of works by the most important artists on the planet; Parque Trianon rianon, an example of the native woods in this ranco de Melo house region; the Joaquim FFranco house, at number 1919, built in 1905 and that is presently the only survivor of the first mansions built during the Paulista’s residential period. According to scholars, it lasted from 1891 to 1937.

Nas fotos, a hora do rush, o Masp e a Parada Gay, esta um dos vários eventos que a Paulista, grande palco da cidade, recebe. In the photos, rush time, Masp and the Gay Parade, one of the several events that the Paulista, the city’s great stage, receives. 80

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Agora que já entendemos melhor a cidade de São Paulo, vamos tentar entender o paulistano. Em minha viagem pela cidade entrei em mais de 300 casas e convivi com os mais diferentes tipos de gente. Aqui vai o resultado deste caldo cultural paulistano, em que pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo colocaram um pouco do seu tempero. Culture Now that we have a better understanding of São Paulo, let’s try and understand its dweller: the paulistano. During my trip through the city I was in more than 300 houses and was in touch with the most different kinds of people. Here is the result of this cultural pool that São Paulo is, in which people from all parts of Brazil, and the world, put some of their spice.

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A culinária The Food

São Paulo é mundialmente conhecida por apresentar restaurantes com todo o tipo de comida. A cidade tem cerca de 13 mil restaurantes, com mais de 50 diferentes culinárias. Mas qual seria a comida típica do paulistano, aquela que foi criada aqui? Você pode pensar nas cantinas, na pizza ou na mortadela de influência italiana, no pastel trazidos pelos chineses, mas ao menos para mim, as primeiras respostas que vêm à cabeça, além do feijão com arroz que está na mesa de todo o brasileiro, são o Virado à Paulista e o famoso Bauru.

O Virado à Paulista

Foi na época dos bandeirantes, no século XVII que surgiu o Virado, uma mistura de farinha de milho com feijão que os paulistas levavam embrulhada em um pano durante suas longas viagens pelo interior do Brasil. Como suas viagens eram longas e não havia como carregar muitos mantimentos, esses homens, durante sua caminhada, plantavam milho e feijão ao longo do caminho. Quando voltavam, lá estavam os dois esperando por uma mistura. Assim teria nascido o Virado. Com a escravização do negro, também responsável por trazer muitos temperos ao Brasil, a mistura simples recebeu outros ingredientes, como a bisteca de porco, a couve, o ovo, o torresmo e a lingüiça. Desse combinado surgiu o Virado à Paulista. Ele é servido às segundas-feiras nos restaurantes da cidade, ou na casa de alguém que cultive os costumes antigos de transformar a Feijoada de Sábado no Virado à Paulista da Segunda.

São Paulo is worldwide known for having restaurants with all kinds of food. The city has around 13 thousand restaurants and more than 50 different cookery styles. But which is São Paulo’s typical dish? The one that was created here? One could think of the canteens, pizza or mortadella, or of the turnovers that were brought by the Chinese, but for me, at least, the first answers that come to my mind are the Virado Paulista and the famous Bauru, besides rice and beans that are on the table of all Brazilians.

Virado Paulista

It was in the 17th century, at the time of the trailblazers, that the Virado came to be: a mixture of corn meal and beans that they carried wrapped in a cloth during their long trips through Brazil’s countryside. As these trips were long and it wasn’t possible to carry lots of food, these men planted corn and beans along their way. When they returned, both were waiting to be mixed. This is how people say the Virado appeared. When the Negroes were enslaved (they were also responsible for bringing many spices to Brazil) this simple mixture was added with other ingredients, such as pork chops, kale, eggs, cracklings and sausage. From this combination appeared the Virado Paulista. It’s served on Mondays in the city’s restaurants, or at someone’s home, someone devoted to the old habits of transforming Saturday’s Feijoada (a most typical Brazilian spicy dish prepared with beans and pork) into Monday’s Virado Paulista.

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Bauru

Bauru

Outra peça gastronômica que dizem ter sido inventada em São Paulo foi o Bauru. Em muitos lugares do Brasil ele é um sanduíche tostado feito com pão de forma, presunto, queijo e tomate. Em São Paulo, a história que se conta é que o sanduíche foi inventado por Casemiro Pinto Neto, que tinha o apelido de Bauru. Conta-se que certo dia ele chegou no Restaurante Ponto Chic, com muita fome e inspiração. Como já era conhecido do sanduicheiro do lugar, pediu que ele abrisse um pão tipo francês, tirasse o miolo e colocasse queijo derretido. Quando o garçom já ia fechando o “sanduba”, teve o desejo de alguma proteína e pediu que ele colocasse umas fatias de rosbife. Para finalizar, acrescentou umas fatias de tomate. Quando estava começando a comer, um amigo guloso chegou, pediu para experimentar, gostou e sem perder tempo disse: “Me vê um igual ao do Bauru”. Daí teria surgido o nome. Hoje, além desses ingredientes, o Bauru do Ponto Chic recebe ainda vários tipos de queijo derretido e pepino em conserva.

Another gastronomic piece that is supposed to have been invented in São Paulo is the Bauru. In many places in Brazil, it’s a sandwich made with sandwich loaf slices, ham, cheese and tomato. In São Paulo, the story that is told is that this sandwich was invented by Casemiro Pinto Neto, nicknamed Bauru. The story says that one day he arrived at Restaurante Ponto Chic, very hungry and very inspired. As he was well known to the restaurant’s sandwich man, he asked him to open a French loaf, take out the soft part and put in some melted cheese. When the waiter was nearly closing the bread, Casemiro felt the need for some proteins and asked the waiter to put in some roast beef slices. To complete it, he added some tomato slices. When he was starting to eat, a greedy friend arrived, asked for a bite, liked it and on the spot said: “Make me one like Bauru’s”. That’s how the name appeared. Today, besides these ingredients, the Bauru at Ponto Chic has several kinds of melted cheese and cucumber pickles.

O pastel, o sanduíche de mortadela, as massas das cantinas, a comida refinada ou a pizza estão no dia-a-dia da vasta culinária paulistana.

The turnovers, the mortadella sandwiches, pasta in the canteens, the sophisticated food or the pizza are all part of São Paulo’s vast day-to-day cookery. 91

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São Paulo