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Mais do que estrelas, somos feitos de arrependimento DANIEL JONAS

Poeta, tradutor e dramaturgo, Daniel Jonas nasceu no Porto em 1973. Escolheu o “pequeno recreio” do soneto para escrever Nó, que, entre 77 obras e por unanimidade, venceu o Grande Prémio

de Poesia Teixeira de Pascoaes. Em 2017 lançou Canícula, escrito na residência artística Casa-Palavra, e traduziu Macbeth, de Shakespeare, para o espetáculo homónimo de Nuno Carinhas (TNSJ).

Miúdo “observador”, como é costume nos filhos únicos, Daniel Jonas da Silva Coelho (Porto, 1973) tinha um “espaço muito pessoal”, mas “não era monástico”. Atira logo. “Jogar à bola era das melhores coisas que podia fazer! Estar na rua”. Frequentou um curso de Teologia, mas decidiu mudar de rumo. Já tinha concluído a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, na Faculdade de Letras (FLUP), quando se cruzou com Paraíso Perdido, de John Milton. Uma espécie de “quebra-cabeças”. Sentia uma forte atração pela literatura inglesa, aquele era um livro que lhe apetecia ler e achou que só o podia realmente fazer se o traduzisse. A tradução foi aceite como tese de mestrado, em Teoria da Literatura, na Universidade de Lisboa. “O trabalho foi de tal ordem que até admitiram que poderia ter sido um doutoramento. Foi uma pena porque já estava feito” (risos). A tradução de Paraíso Perdido é publicada em livro em 2006, mas antes disso já tinha lançado O Corpo está com o Rei (AEFLUP/CGD, 1997), prémio de Poesia AEFLUP/CGD; Moça Formosa Lençóis de Veludo (Cadernos do Campo Alegre/FCD, 2002); Os Fantasmas Inquilinos  (Cotovia, 2005) e Sonótono  (Cotovia, 2007), Prémio PEN de Poesia 2008. Também traduziu Waugh, Huysmans, Pirandello, Auden e Shakespeare. Deste último verteu para português O Mercador de Ve-

neza, tendo sido coautor com Ricardo Pais da versão cénica do espetáculo estreado em 2008 no Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto. Já em 2017 traduziu Macbeth, para o espetáculo homónimo de Nuno Carinhas, também no TNSJ. Para a companhia Teatro Bruto escreveu as peças Nenhures (Cotovia, 2008) e Reféns, estreada em junho de 2009. Escreveu ainda a peça Estocolmo, em 2011. Distinguido com o prémio Europa David Mourão-Ferreira, da Universidade de Bari/Aldo Moro, em 2012, foi um dos sete nomeados para o prémio de Poeta Europeu da Liberdade pelo livro Passageiro Frequente  (Língua Morta, 2013).

alumni

Texto Anabela Santos

GRANDE PRÉMIO DE POESIA TEIXEIRA DE PASCOAES Atribuído por unanimidade, entre 77 obras, Nó recebeu o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes 2015. O júri destacou o mérito “muito assinalável” do trabalho poético “que evoca a tradição lírica ocidental para uma recomposição textual lúcida e fortemente irónica, cosmopolita, atenta aos lugares e tempos de um presente recolhido e transfigurado”. Não foi “a vaidade de escrever arabescos, vaidade

Fotos Egídio Santos

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