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Prefácio Todo livro abre uma porta para um universo paralelo, nos dá a oportunidade de deixar nossa vida pacata de lado e nos aventurar em outros mundos, criados por autores sonhadores e às vezes, loucos — no bom sentido da palavra. A estreante Mary Luna nos dá a chave para sua criação, ela nos dá a autorização de conhecer a fundo suas páginas ricas em fantasia, onde tudo é possível e o improvável existe. Sol e Lua nada mais é que mais uma porta, porém com um diferencial, ela agrega páginas para todo o tipo de leitor. Você gosta de vampiros e aquela pitada de mistérios? Então terá a chance de desvendar, junto a protagonista, suas origens. Além de ter a ajuda de um sedutor vampiro francês. Você curte fadas? Então aqui as encontrará, sendo que uma é especial e descobre seus dons em um dia qualquer Dons que, não vou revelar, entretanto lhes garanto, você se arrepiará com o que ela pode fazer. Aqui também poderá conhecer uma amizade verdadeira entre as jovens Rosa, Carol e Taís. Sem contar que se sentirá parte da família “das Flores”. Pensa que acabou? O que me diria de bruxos, magias, lendas? E um professor de pintura chamado Antoine e toda a sua envolvente aura negra? Sei o que você, leitor, agora está pensando. Essa é a obra que lhes faltava na estante! Comprovem sem moderação, essa viciante obra, Sol e Lua.

Por Daniele Nhasser Autora: Amor, és Real

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Sumário Capítulo 1 – Descoberta.......................................................11 Capítulo 2 – Significado de família.......................................17 Capítulo 3 – De volta ao lar..................................................23 Capítulo 4 – A Verdade........................................................28 Capítulo 5 – O Livro de fada.................................................32 Capítulo 6 – A ameaça na Internet......................................37 Capítulo 7 – Estranhas Sensações........................................44 Capítulo 8 – Descoberta de um Dom...................................49 Capítulo 9 – Estranhezas......................................................55 Capítulo 10 – De Volta ás aulas!..........................................61 Capítulo 11 – Antoine Le Rouge...........................................67 Capítulo 12 – Uma pulga atrás da orelha.............................72 Capítulo 13 – Namorado idiota............................................78 Capítulo 14 – Vendo através das águas...............................82 Capítulo 15 – Carol adora procurar problemas!..................87 Capítulo 16 – Le Rouge contra a parede..............................91 Capítulo 17 – A Reunião.......................................................96 Capítulo 18 – Desilusão Amorosa......................................103 Capítulo 19 – Encontro Inesperado...................................107 Capítulo 20 – Mudança Radical.........................................112


Capítulo 21 – Confiança.....................................................116 Capítulo 22 – A ajuda de um Vampiro...............................120 Capítulo 23 – Descobertas.................................................124 Capítulo 24 – Hipnose........................................................132 Capítulo 25 – Viajando com Antoine.................................135 Capítulo 26 – Viagem entre os Mundos............................143 Capítulo 27 – Apaixonada..................................................146 Capítulo 28 – A Possibilidade.............................................151 Capítulo 29 – Completando 18 anos.................................153 Capítulo 30 – Importante Decisão.....................................158 Capítulo 31 – O Acordo......................................................161 Capítulo 32 – A história de Branwen, Antoine e Karen .................................................................165 Capítulo 33 – Chegada à hora............................................168 Epílogo...............................................................................172


Capítulo 1 Descoberta — Essa é a menina que você cria? Nossa mas que mudança! Ainda me lembro de quando a encontrou naquele cesto, era tão pequena e agora está uma verdadeira mocinha! As palavras de Dona Carmem me causaram uma tontura forte, e quase caí. Sabe quando você bebe demais, e parece que o chão sumiu? Foi exatamente essa a sensação que eu tive. E naquele dia eu não tinha bebido nenhum pouco, mesmo porque eu era menor de idade e não costumava beber na frente de meus pais que eram extremamente conservadores. Aquela sensação horrível veio, porque naquele exato segundo meu mundo veio abaixo! Bem no meio daquele mercadinho de cidade pequena. Tive que me segurar na madeira do lugar onde as maçãs estavam depositadas para não cair, e levantei a cabeça para ouvir a resposta que minha mãe tinha para dar àquela odiosa mulher, que havia acabado de revelar um segredo do qual eu já desconfiava, mas não queria acreditar que fosse verdade. Porém, minha mãe também não conseguiu dizer absolutamente nada. Estava ainda mais pálida do que eu, talvez pelo fato de ela ter a pele mais clara que a minha, então isso já era de se esperar. Só que ela ficou tão pálida que eu pensei que ela fosse desmaiar ali mesmo. Incrível como as coisas mudam de um segundo para o outro, não? A fofoqueira olhou para mim, e depois para minha mãe, percebendo a nossa reação viu que tinha falado mais do que devia. Só que ela não parecia nenhum pouco culpada de verdade pelo que havia dito, mesmo quando se desculpou para minha mãe: — Ah Violeta, me desculpe. Eu não sabia que não tinha contado nada pra ela. Você sempre foi do tipo que

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Maru Luna defendia a verdade sobre qualquer circunstância com toda aquela história de que mentira é pecado. Bem, vejo que falei demais, perdão. Melhor eu me retirar. E saiu da nossa frente empurrando aquele carrinho de compras cheio em direção ao caixa do supermercado, enquanto eu fiquei ali parada ainda em estado de choque. Mas deixe-me explicar uma coisa antes: Meu nome é Rosa das Flores, na verdade “Rosa” é meu nome e “das Flores” é o meu sobrenome. Parece bizarro, e todo mundo na escola me zoa por causa disso. Mas não é assim à toa. Acontece que na família da minha mãe as pessoas têm uma espécie de costume de botar nomes de flores nas filhas. Minha mãe se chama Violeta, é a filha caçula e sempre foi uma mulher muito bonita, apesar de ser um pouco antiquada. É casada com um homem chamado Ronaldo das Flores, que é o meu pai. Eles se conheceram na Igreja que ambos frequentavam, apaixonaram-se e se casaram. Embora eu não concordasse com meus pais e não frequentasse a Igreja com eles pelo simples fato de eu não gostar, nós nos dávamos muito bem e eles eram bons pais. Tratavam-me com carinho, se preocupavam comigo e sempre respeitavam as minhas escolhas, mesmo não concordando com algumas. Quando eu disse aos meus pais que não gostava da Igreja e que não queria mais ir, eles simplesmente disseram que respeitavam a minha decisão, e que se algum dia eu mudasse de ideia, poderia ir quando eu quisesse. Por isso tínhamos um bom relacionamento, baseado em respeito à liberdade de opinião e escolha. O que eu gostava mesmo era do esoterismo da minha tia Hortência, que era a irmã mais velha da minha mãe. Ela não tinha uma religião certa, mas cresci ouvindo as histórias de gnomos, fadas e silfos que ela me contava e essas histórias sempre fizeram com que meu coração batesse mais forte sempre que eu as ouvia. Tia Hortência dizia que conseguia ver meus olhos brilhando toda vez que eu estava escutando uma de suas histórias e eu não duvidava disso.

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Sol e Lua

Sim, eu amava muito a minha família, eles eram simplesmente tudo pra mim! Mas ás vezes eu notava que tínhamos algumas diferenças, que até mesmo alguns amigos meus já chegaram a comentar. Minha mãe e meu pai eram loiros, e ambos tinham olhos claros. Mamãe tinha os olhos azuis puxados pra um tom de violeta que combinavam perfeitamente com seus cabelos loiros claríssimos, e papai tinha um cabelo loiro mais escuro e olhos em um tom de mel que no sol chegava a ficar verde. Até minha Tia Hortência era diferente de mim. Naturalmente era loira como mamãe, mas gostava de pintar os cabelos de ruivo, o que ficava muito bem nela. Combinava com sua pele clara e os olhos azuis esverdeados. Já eu tinha a pele morena e olhos castanhos. Meus cabelos também eram castanhos em um tom amarronzado, só que eu fazia mexas loiras nele pra ficar mais parecida com meus pais. E também porque eu achava bonita a cor dourada. Eles eram lisos, muito lisos mesmo, o que causava inveja em algumas garotas da minha sala. Além disso, haviam diferenças em nossos corpos também. A maioria da minha família era magra, tipo “mignon” enquanto eu não era gorda, mas tinha um corpo bem definido, com curvas e vestia tamanho 40. E não eram apenas diferenças físicas. Sempre achei muito estranho o fato dos meus avós paternos não irem muito com a minha cara, e tratarem meus primos muito melhor do que eu. Meus avós maternos não eram assim, mesmo porque eu era a única neta que eles tinham já que a Tia Hortência não teve filhos, era divorciada e trabalhava muito em uma oficina de Artes dando aulas de dança do ventre. Ela dizia que não sentia falta de filhos já que gostava de mim como se eu fosse filha dela. E eu também a tinha como uma segunda mãe, embora amasse a minha mãe.

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Maru Luna

Todo mundo me tratava bem na família paterna, já os pais do meu pai eram um verdadeiro terror, me olhavam diferente como se eu não fosse neta deles e tratavam a mim e a minha mãe muito mal. Era por isso que eu odiava passar as férias em Glicério, por mais que o lugar fosse lindo e cheio de Natureza. O mais engraçado, é que quando eu estava sozinha passeando perto da cachoeira, sentia-me em casa de uma forma que eu só sentia quando minha tia me levava pra fazer piqueniques em locais com árvores e natureza; como alguns parques e reservas ambientais. Mas por outro lado era só pisar na casa dos meus avós que eu me sentia como uma estranha no ninho. O mais triste é que eu já desconfiei várias vezes que eu era adotada. Principalmente por causa da minha aparência. Só que eu nunca tive coragem de perguntar por que eu amava demais a minha família para que eu pudesse perguntar uma coisa dessas a eles. Mas a grande verdade é que eu tinha medo da resposta, porque no fundo do meu coração acho que eu sabia que não era filha de sangue deles. Só que agora eu não tinha mais por onde fugir. A maldita fofoqueira que minha mãe sempre evitava toda vez que ia até lá, dessa vez havia finalmente dado com a língua nos dentes. E ali estava eu, parada naquele mercado olhando pra minha mãe enquanto digeria a verdade. O silêncio depois de um tempo ficou ainda mais desconcertante. Senti lágrimas querendo brotar dos meus olhos. Droga! Eu odiava chorar, porque me fazia parecer fraca, e isso era uma coisa que eu detestava. Minha tia sempre me ensinou que nós mulheres não devíamos agir como o sexo frágil e fazer jus ao preconceito da sociedade que diz que não podemos fazer certas coisas que os homens fazem, que somos feitas para ter filhos e fazer serviços domésticos. Mas, também nunca foi uma dessas feministas que acha que devemos abrir mão de sermos femininas e agirmos

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Sol e Lua como homens. Ela era da opinião de que podemos fazer tudo o que eles fazem sem deixarmos de ser femininas, nos arrumarmos e vivermos nossa sensualidade, mesmo se quisermos ser meninas que jogam bola, ou meninas que praticam luta. Esse último era o meu caso. Aprendi a não querer me esconder através de um homem para ser protegida por ele quando as coisas ficassem feias, mas não precisei ser um deles pra isso. Eu era vaidosa como Tia Hortência. Só que eu não suportava demonstrações de fraqueza como chorar em público, que me deixava parecendo como uma menininha mimada que chora por qualquer coisa. Engoli as lágrimas e tudo o que consegui dizer foi: — Por que você não me contou? Mamãe estava meio trêmula, tanto que cheguei a sentir pena dela por causa da minha agressividade ao perguntar. No entanto, ou era isso ou eu ia abrir o berreiro ali mesmo: — Perdão, é que pra mim você sempre foi minha filha. Sempre a amei como se fosse do meu próprio sangue, então não achei que era necessário te contar pra você não ficar com ideias na cabeça. Ideias na cabeça? Mas que tipo de ideias ela achou que eu fosse ter em saber a verdade? Será que ela não percebeu que era muito pior quando algumas pessoas na escola diziam coisas do tipo: “Acho que sua mãe pulou a cerca e teve você com o padeiro, porque você não se parece nadinha nem com ela nem com seu pai!”. Ou quando eu me olhava no espelho e ficava tentando imaginar com quem eu me parecia, se seria algum parente distante; porque todos na minha família eram muito diferentes de mim? E agora eu tinha ficado totalmente sem chão, porque eu simplesmente nunca ia descobrir, já que segundo a Dona Carmem fofoqueira, eu tinha sido abandonada em uma droga de um cesto e deixada sabe-se lá aonde! — Não achou que era necessário? Como não é necessário? Você mentiu pra mim, escondeu a verdade sobre o

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Maru Luna que eu sou, sobre as minhas origens! Nunca vou te perdoar, Violeta! E saí daquele supermercado o mais rápido que eu pude com lágrimas nos olhos pra procurar um canto pra chorar sem ser vista. Eu sei que fui uma pessoa horrível a chamando pelo seu nome, ao invés de mamãe. Como se ela fosse uma estranha qualquer, e ela tinha me criado e me dado tanto amor e carinho nos últimos dezessete anos de vida que eu tinha. Mas eu não consegui me controlar.

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Sol e lua - Mary Luna  

Sinopse: Rosa sempre foi fascinada pelas histórias de fadas que sua tia lhe contava, mas ao descobrir que havia sido adotada, jamais imagino...

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