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SETEMBRO 2015 | ano XIII | no 87 | Jobson Brasil

CAPA

XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia. Saiba tudo sobre o maior encontro da especialidade

RETINA

Uso de células tronco para doenças da retina: resultados dos estudos clínicos Ponte Hercilio Luz em Florianópolis, Santa Catarina

universovisual.com.br


CONSELHO EDITORIAL 2015 Publisher & Editor

Flavio Mendes Bitelman Editora Executiva

Marina Almeida Editor Clínico

Catarata

Glaucoma

Retina

Carlos Eduardo Arieta Eduardo Soriano Marcelo Ventura Miguel Padilha Paulo César Fontes

Augusto Paranhos Jr. Homero Gusmão de Almeida Marcelo Hatanaka Paulo Augusto de Arruda Mello Remo Susanna Jr. Vital P. Costa

Jacó Lavinsky Juliana Sallum Marcio Nehemy Marcos Ávila Michel Eid Farah Neto Oswaldo Moura Brasil

Lentes de Contato

Tecnologia

Adamo Lui Netto César Lipener Cleusa Coral-Ghanem Eduardo Menezes Nilo Holzchuh

Uveíte

Cirurgia Refrativa

EDITORES COLABORADORES

Mauro Campos Renato Ambrósio Jr. Wallace Chamon Walton Nosé

Oftalmologia Geral

Córnea e Doenças Externas

Marcos Pereira de Ávila

Newton Kara José Rubens Belfort Jr. Administração

Cláudio Chaves Cláudio Lottenberg Marinho Jorge Scarpi Samir Bechara

Ana Luisa Höfling-Lima Denise de Freitas Hamilton Moreira José Álvaro Pereira Gomes José Guilherme Pecego Luciene Barbosa Paulo Dantas Sérgio Kandelman Estrabismo

Ana Teresa Ramos Moreira Carlos Souza Dias Célia Nakanami Mauro Plut

Publisher e editor Flavio Mendes Bitelman

Edição 87 – ano XIII – Setembro de 2015 Editora Marina Almeida Diretora de arte Ana Luiza Vilela Gerentes comerciais e de marketing Claudia Toledo

Pimenta e Silvia Queiroga Gerente administrativa Juliana Vasconcelos

Colaboradores desta edição: Christiana Rebello Hilgert,

Renato Ambrósio Jr. e Rubens Siqueira (artigos); Christye Cantero, Flávia Lo Bello, José Vital Monteiro e Luciana Rodriguez (texto); Antônio Palma (revisão).

Foto da capa: ponte Hercilio Luz em Florianópolis -

Santa Catarina - Brazil / Shutterstock

Importante: A formatação e adequação dos anúncios às regras

da Anvisa são de responsabilidade exclusiva dos anunciantes.

Paulo Schor Cláudio Silveira Cristina Muccioli Fernando Oréfice

Plástica e Órbita

Antônio Augusto Velasco Cruz Eurípedes da Mota Moura Henrique Kikuta Paulo Góis Manso Refração

Aderbal de Albuquerque Alves Harley Bicas Marco Rey de Faria Marcus Safady

Jovens Talentos

Alexandre Ventura Bruno Fontes Paulo Augusto Mello Filho Pedro Carlos Carricondo Ricardo Holzchuh Silvane Bigolin

Redação, administração, publicidade e correspondência:

Rua Cônego Eugênio Leite, 920 Pinheiros, São Paulo, SP, Brasil, CEP 05414-001 Tel. (11) 3061-9025 • Fax (11) 3898-1503 E-mail: marina.almeida@universovisual.com.br Assinaturas: (11) 3971-4372 Computer To Plate e Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A. Tiragem: 16.000 exemplares

As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade dos autores. Nenhuma parte desta edição pode ser reproduzida sem a autorização da Jobson Brasil. A revista Universo Visual é publicada sete vezes por ano pela Jobson Brasil Ltda., Rua Cônego Eugênio Leite, 920 Pinheiros, São Paulo, SP, Brasil, CEP 05414-001. A Jobson Brasil Ltda. edita as revistas View, Universo Visual e Host&Travel by Auroraeco viagens.


editoriais

Arquivo Universo Visual

Caros colegas,

V

ivemos no tempo da maior revolução científica da humanidade, que na biomedicina, tem sido chamado de o “século da biologia”. Nos últimos anos, nosso entendimento dos mecanismos moleculares envolvidos nas doenças da retina aumentou em proporções exponenciais. Moléculas específicas têm sido implicadas em processos patológicos e no seu tratamento, além destas, a terapia celular com o uso de células-tronco, traz grande esperança para o tratamento de algumas doenças da retina, hoje incuráveis. O artigo de revisão desta edição mostra de uma maneira sintética grande parte destes avanços. Por outro lado, a catarata continua sendo a principal causa de cegueira reversível no Brasil. O Projeto Catarata do Baixo Rio Amazonas é um dos exemplos dos grandes projetos sociais da Oftalmologia Brasileira, resultado da união de duas universidades públicas e a cooperação internacional. As novas tecnologias diagnósticas e terapêuticas das doenças da córnea e do glaucoma estão em evolução ímpar, com, algumas delas elencadas nesta edição. Finalmente chegou setembro, mês do encontro da Oftalmologia Brasileira. Este ano, o CBO e Florianópolis nos recebem com sua tradicional hospitalidade. A programação científica traz novidades surpreendentes de nível internacional. Pelo que se observa nos textos das páginas seguintes, será um dos maiores acontecimentos da nossa especialidade em todos os tempos. Encontramos-nos em Floripa! Marcos Ávila Editor Clínico

Partidas e chegadas

C

omeço este editorial comunicando que nosso grande amigo e editor clínico desta revista, Homero Gusmão de Almeida, será o novo presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Ao saber esta notícia, fiquei feliz e triste. Feliz por vê-lo alçar voo e conquistar este cargo no órgão máximo da oftalmologia nacional. E triste por vê-lo partir. Ao assumir este posto, deixaremos de tê-lo conosco como grande colaborador. Em seu lugar, convidamos Marcos Ávila, Professor Titular em Oftalmologia pela Universidade Federal de Goiás – UFG. Que além de Idealizador e fundador do Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos – CBCO – Goiânia/Goiás, e fundador do CBV – Centro Brasileiro da Visão – Brasília/DF, foi também, presidente do CBO de 1999 a 2001, onde respondeu por intenso diálogo com Brasília, envolvendo a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e os Ministérios da Saúde e da Educação. Seu envolvimento em centenas de congressos no Brasil e em vários países do mundo comprova sua atuação científica. Enfim, são tantos atributos que eu poderia escrever centenas de páginas citando seus incríveis feitos... Por isso tenho certeza que sua vasta experiência como médico, empreendedor e cidadão, trará ótimas contribuições para enriquecer as páginas da Universo Visual. Homero, nosso muito obrigado! Marcos, seja bem-vindo! Flavio Mendes Bitelman Publisher fbitelman@universovisual.com.br

Sumário Edição 87 Setembro 2015

08 Entrevista

Os presidentes Ayrton Roberto Branco Ramos e João Luiz Lobo Ferreira falam sobre os preparativos para o principal encontro da oftalmologia nacional

14 Capa

XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia. Saiba tudo sobre o maior encontro da especialidade

24 Gestão

Noções de gestão administrativafinanceira fazem a diferença para o sucesso do negócio

28 Em pauta

Projeto Catarata do Baixo Amazonas: cirurgias oftalmológicas com tecnologia de ponta

34 Córnea

Avanços em cross-linking (CxL) para ceratocone e ectasia

42 Lentes de contato

Desempenho das lentes de contato de silicone hidrogel em intervalos de descarte recomendados

48 Retina

Células-tronco para tratamento de doenças da retina

54 Glaucoma

OCT de segmento anterior e glaucoma. Precisamos mesmo desta tecnologia?

58 Notícias e produtos 62 Dicas da redação

Florianópolis: a ilha da magia encanta por suas belezas naturais

68 Agenda


entrevista Ayrton Roberto Branco Ramos e João Luiz Lobo Ferreira

Encontro da especialidade O XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia promete superar expectativas. Acompanhe a entrevista e saiba quais serão os principais destaques FLÁVIA LO BELLO

Revista Universo Visual – Qual a expectativa dos senhores para a 38ª edição do Congresso Brasileiro de Oftalmologia e como estão os preparativos finais para a realização do evento? Ayrton Roberto Branco Ramos – Este será um dos maiores congressos que o CBO já organizou e é o maior Congresso da América Latina; esperamos reunir pelo menos 5.000 participantes. Estamos há menos de 30 dias para o início do evento e tudo já está preparado para receber os congressistas. João Luiz Lobo Ferreira – Este evento será uma grande confraternização com os colegas oftalmologistas

8 universovisual SETEMBRO 2015

Divulgação

E

ntre os dias 2 e 5 de setembro de 2015 será realizado, na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, no Centro de Convenções CentroSul, o XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia. Com o objetivo de divulgar os resultados das últimas pesquisas, fomentar a comunicação e o intercâmbio entre os profissionais, incentivar a troca de experiências, além de oferecer uma oportunidade de atualização de conhecimentos na área da oftalmologia, o evento contará com palestras de renomados especialistas nacionais e internacionais, apresentação de temas livres e pôsteres, cursos de especialização e uma grande feira, com a presença das principais empresas do setor oftalmológico. Em entrevista à Universo Visual, os presidentes do XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia, Ayrton Roberto Branco Ramos e João Luiz Lobo Ferreira, ambos oftalmologistas do Departamento de Retina e Vítreo do HGCR/Hospital Governador Celso Ramos e do VISTA Medicina dos Olhos, comentam os principais destaques desta edição. Confira!

João Luiz Lobo Ferreira e Ayrton Roberto Branco Ramos

que acolheremos na cativante Ilha da Magia, a Ilha de Santa Catarina, Florianópolis! Apesar da crise econômica e de outros congressos concomitantes no exterior, as inovações no formato das apresentações e a qualidade e competência dos palestrantes brasileiros e dos convidados internacionais resultarão no sucesso do evento! UV – Que grandes novidades os congressistas podem esperar para este ano? Ramos – A Comissão Científica mudou toda a estrutura do evento, para que seja mais interativo e possa fornecer aos congressistas um congresso dinâmico e que


a Comissão Executiva do Congresso não mediu esforços para que este evento represente um marco científico e social na história da oftalmologia brasileira. Inovações no formato das seções científicas, com menos simpósios e aulas formais e mais painéis e outras formas de apresentação já visíveis no SITE CBO 2015: Entrevista, Roda Viva, CED (palestras informais), Debates, Clínica Dr. House (simulação de um atendimento oftalmológico) e Ágora. Lobo – Especificando um pouco, Entrevista: o entrevistador terá a missão de fazer a pergunta certa para que os especialistas escolhidos possam expor para a plateia os pontos mais controversos da Oftalmologia atual. Nos dias 3 e 4 a programação está salpicada de eventos com este formato: um entrevistador e três entrevistados respondendo a perguntas sobre os assuntos pertinentes à área. Roda Viva: rodadas de perguntas e respostas entre entrevistadores e entrevistados. Os entrevistadores formulam perguntas sobre os assuntos mais palpitantes na área da Oftalmologia (haverá uma Roda Viva na Retina e outra na Catarata) - provocadora e instigante como o programa homônimo da televisão, Roda Viva será a oportunidade em que dois entrevistados escolhidos por seu grande conhecimento e articulação serão submetidos à prova com questões formuladas por quatro entrevistadores com as mesmas características, cujo objetivo é compartilhar com todos o conhecimento adquirido, explorar as diferenças entre os entrevistados e a perspicácia dos entrevistadores. Debate: acontecerá nas áreas de Glaucoma e Refrativa. Inspirado na atividade do mesmo nome, televisionada durante as campanhas eleitorais, o Debate irá trazer o dinamismo da discussão política para os pontos polêmicos da ciência e da prática oftalmológicas. Tendo como protagonistas de igual importância os debatedores, moderador e a plateia, o Debate irá esclarecer dúvidas e favorecer o raciocínio crítico e a consolidação do conhecimento na especialidade. Há rodadas de perguntas de cada um para os debatedores responderem, ou seja, moderador pergunta, debatedores perguntam, plateia pergunta e os debatedores sempre respondem. Já a Clínica Dr. House é uma simulação de atendimentos oftalmológicos. Haverá quatro anamneses com quatro pacientes fictícios e dois moderadores, que concluirão cada caso. Os pacientes são atores e as situações fictícias – mas que remetem a situações clínicas desafiadoras, contribuindo para o raciocínio clínico da plateia! Acontecerá um único módulo neste formato, no dia 3, quinta-feira. No SITE CBO2015 - Área do Congressista - aba Programação - Grade Inte-

rativa - Inovações pode-se ver como o cardápio está recheado de inovações em relação ao formato do evento! Outras atividades são ainda inéditas no Brasil, como Retina Jeopardy no Dia Especial da Retina. O Retina Jeopardy é um jogo de perguntas sobre o diagnóstico e aspectos clínicos das doenças da retina. Este jogo interativo é conduzido por um moderador e consiste em quatro times. Cada time tem três integrantes, totalizando 12 participantes. Neste tipo de atividade, o moderador da sessão pode interagir com os coordenadores, assim como com os presentes no anfiteatro. Após o caso ser apresentado com imagens no monitor e a pergunta relativa ao caso ser elaborada pelo moderador, o time que apertar o botão primeiro terá a preferência da resposta. Cada pergunta tem uma pontuação e esta pontuação será dada ao time que acertar a pergunta. Ao final da sessão de casos e perguntas, o time com maior pontuação é considerado vencedor. É semelhante ao programa de televisão Jeopardy nos Estados Unidos e foi desenvolvido pelos Drs. Bill Mieller e Yannuzzi e que terá o Dr. William (Bill) como speaker, com quatro times de três experts em Retina Clínica. Ainda, Wet Lab no espaço “Aquário CBO” com treinamentos de introflexão supraescleral da retina periférica e da mácula com o Dr. Ehab El Rayes. E várias outras surpresas da indústria acontecerão neste espaço! No site adiantamento de material (filmes, temas livres) para os pré-inscritos, estes terão a oportunidade de ranquear os filmes em Web Popular. Na sessão de filmes, haverá pipoca com CED e diálogo com os autores e sinopse dos filmes vencedores pelos dez avaliadores do CBO (1° e 2° lugar), bem como dos vencedores pelo ranking do Web Popular (1° e 2° lugar). Apresentação dos melhores temas livres em três salas no DE (dia especial) com “lunch in box”. Na Praça Científica (vide na área de exposição) a SEA (sessão encontro com o autor), para discussão dos pôsteres que não discussão de casos – com os melhores especialistas, professores apontados pelo CBO. UV – Por que a escolha do tema oficial do Congresso foi catarata? Lobo – Em todo Congresso Brasileiro há um tema oficial, que é escolhido previamente pela Comissão Científica do CBO. Os temas são apresentados, discutidos e votados durante a Assembleia Deliberativa do congresso anterior. Este ano votou-se pela catarata, doença que ainda é a maior causa de cegueira no Brasil. A catarata acomete pacientes de todas as faixas etárias, podendo

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entrevista Ayrton Roberto Branco Ramos e João Luiz Lobo Ferreira

ser congênita e acometer o idoso. O tratamento da catarata conta com a colaboração não só dos especialistas da área, mas também de todas as outras subespecialidades, como uveítes, cirurgia refrativa, retina e vítreo, oftalmopediatria, estrabismo, glaucoma, oculoplástica, lentes de contato, córnea, cirurgia refrativa, oncologia, neuro-oftalmologia, refração, trauma, visão subnormal, envolvendo ainda importantes equipamentos na propedêutica. No dia 3 de setembro, o Prof. Dr. Marco Antonio Rey de Faria irá proferir a conferência magna do CBO: “Catarata, o que há de verdade nas novas tecnologias?” A apresentação tem início às 12 h. O Dr. Marco é professor do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Catarata e Implantes Intraoculares de 2008 a 2010 e presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia de 2011 a 2013. UV – Quais os temas mais controversos desta edição e que poderão gerar muita discussão entre os especialistas? Ramos – Creio que um dos temas mais controversos será, sem dúvida, a cirurgia de catarata com femtosecond laser. Mas também os temas do Ágora (o Ágora é uma tribuna livre para participação dos congressistas inscritos no congresso) são controversos: PRK e Ceratocone; Cirurgia Bilateral Simultânea de Catarata; Extração do Cristalino Transparente em Jovens; Ectasia e PRK; Cirurgia de Catarata e Glaucoma; Cirurgia de Catarata cura Glaucoma?; Má Conduta em Ciência. Da mesma forma, o formato Entrevista aborda temas controversos, como: Casos Refratários de DMRI; Extração do Cristalino Transparente no Glaucoma; Microcerátomo x Fento; Correção da Alta Miopia; Tratamento Cirúrgico da Presbiopia. UV – O que pode ser destacado sobre novidades diagnósticas e terapêuticas? Lobo – Um dos exames mais atuais e que está gerando imagens maravilhosas, e que com outros recursos, dependendo da patologia, fica muito a desejar, é a OCTA (angiografia por tomografia de coerência óptica). Exemplo: telangiectasia macular (MacTel 2), com maior visibilidade dos plexos capilares superficiais e profundos, neovasos sub-retinianos - muito pouco visíveis com angiofluoresceinografia e retinografia. Discute-se no formato Entrevista: Topografia x Tomografia. Quanto aos tratamentos, Microcerátomo versus Fento é outro

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assunto a ser destacado, considerando o Fento uma tecnologia emergente. Ainda, uso da ocriplasmina no tratamento das patologias de interface vitreorretiniana e uso de corticoides (ozurdex e outros) versus antiangiogênicos ou até mesmo como adjuvante - na retinopatia diabética, oclusão vascular da retina. UV – O que esperar da programação social do evento? Lobo – A cerimônia de abertura promete! Teremos a oportunidade de ouvir o pesquisador da NASA e professor da Universidade da Singularidade, na Califórnia, Dr. José Luis Cordeiro, que falará sobre Inteligência Artificial e como as novas tecnologias podem auxiliar os profissionais da medicina. A Comissão Executiva do Congresso preparou para a sexta-feira, dia 4, com apoio da Academia Fernando Scherer, o “Corra para o CBO”, em que os inscritos poderão correr 5 km ou caminhar 2,5 km na Beira-Mar Norte de Florianópolis às 6 horas, para que possam iniciar o dia com energia! Ramos – A programação social é um evento à parte, pois será um momento de grande confraternização entre os colegas, com muita música e diversão. A festa de encerramento será na Stage Music Park, com o show de Michel Teló. UV – E o que pode ser destacado sobre a programação científica com a participação dos convidados internacionais? Lobo – O novo formato das apresentações aumentou a interatividade dos congressistas com as apresentações, bem como com os palestrantes internacionais. Os convidados internacionais, assim como os nossos prestigiados colegas oftalmologistas, trarão colaboração com novos tratamentos e resultados de protocolos nas áreas clínicas e cirúrgicas. Os palestrantes de fora trazem suas experiências atreladas a pesquisas que vêm desenvolvendo em seus países. Na área da retina, o Prof. João Pereira Figueira desenvolve na Universidade de Coimbra estudos sobre a interface vitreomacular e o olho adelfo de pacientes com buraco macular: Novos conceitos em buraco macular; Uso da ocriplasmina. O Prof. Ehab El Rayes, do Instituto de Oftalmologia do Cairo, desenvolve estudos sobre a introflexão supraescleral com viscoelástico, tanto no polo posterior quanto na periferia do segmento posterior. Esta opção pode ser utilizada em casos desafiadores de pacientes míopes com estafiloma e/ou pacientes com patologia inferior - e des-


entrevista Ayrton Roberto Branco Ramos e João Luiz Lobo Ferreira

colamento da retina. Além das palestras sobre o assunto, o Prof. Ehab irá compartilhar suas experiências no Wet Lab “Aquário CBO”. O Prof. William (Bill) Mieler, da University of Illinois, Chicago, trará sua experiência na área de DMRI (degeneração macular relacionada à idade), formas seca e exsudativa, controvérsias na conduta em relação a buracos maculares e adesões vitreomaculares. Também trará a programação e será o moderador do Retina Jeopardy Brasil. O Prof. Amândio Rocha Sousa, da Universidade do Porto, abordará os temas Como avaliar a função visual no doente diabético e Papel da vitrectomia precoce na terapêutica das endoftalmites. O Prof. Miguel Burnier, da Universidade de McGill, em Montreal, trará sua experiência não só em tumores, proferindo palestra sobre linfoma, como também abordará o tema Vitrectomia em retinopatia diabética. O Prof. Bradley Randleman, do prestigiado Emory Eye Center & Emory Vision, de Atlanta, Geórgia, abordará inovações, como Tratamento do ceratocone com alterações topográficas avançadas. O Dr. Robert Van Hrenbeeck, da Antuérpia, Bélgica, abordará, entre outros assuntos, Lentes intraoculares trifocais e Técnica refrativa SMILE (small incision lenticule extraction). O Prof. Roberto Pineda, do Massachusetts Eye and Ear Infirmary, em Boston, proferirá palestras sobre Cirurgia de catarata em síndrome de Marfan, Abordagem dos pacientes com distrofia endotelial de Fuchs, Atualização da microscopia Brillouin. A Dra. Maria João Quadrado, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, falará sobre o Estado atual dos transplantes endoteliais corneanos. O Prof. Dimitri Chernyak, da University of California, Berkeley, deverá discorrer sobre Aberrometria de córnea: indispensável no pré-operatório? O Prof. Carlos Marques Neves, da Faculdade de Medicina de Lisboa/Instituto de Medicina Molecular, é discutidor no Painel OCT no glaucoma. Os convidados internacionais integram as atividades científicas juntamente com os palestrantes brasileiros. Os demais convidados internacionais integram o CBO Jovem. UV – Como será o Curso Fundamentos da Oftalmologia? Lobo – Este curso é destinado a estudantes de medicina, residentes e oftalmologistas que queiram fazer reciclagem na oftalmologia básica. O Curso Fundamentos da Oftalmologia acontecerá nos dias 1º e 2 de setembro. Terá ampla abrangência, abordando refração, segmentos anterior e posterior, glaucoma, estrabismo,

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neuro-oftalmologia, órbita, oculoplástica e tumores. Vem sendo cuidadosamente organizado pelo Prof. Dr. Paulo Augusto de Arruda Mello, Coordenador-Geral da Comissão de Ensino do CBO. UV – E quanto ao Inovação do CBO 2015 e Arquivos Brasileiros de Oftalmologia (ABO), incluídos na grade científica do evento? Ramos – O CBO, como órgão máximo da oftalmologia brasileira, irá reafirmar que a refração e a receita dos óculos são procedimentos exclusivos do médico oftalmologista, e os ABO darão continuidade às publicações dos artigos científicos em oftalmologia. Lobo – De acordo com o Editor-Chefe dos ABO, Wallace Chamon, o simpósio dos ABO sempre fizeram parte dos congressos do CBO. No entanto, este ano, a excelente equipe de editores do ABO inovará na sua forma de interação com a audiência. Serão conduzidas entrevistas entre os editores do ABO e pesquisadores de destaque, em que os pesquisadores apresentarão alguns dos seus melhores trabalhos científicos já publicados (nos ABO ou em outra revista de destaque) e discutirão aspectos práticos da pesquisa, desde seu planejamento até a publicação. Teremos, entre outros, a presença do Dr. Miguel Burnier, Dra. Karolinne Rocha e Dr. Marcony Santhiago sendo entrevistados pelos editores do ABO. Esta sessão acontecerá após uma sessão de metodologia onde, mais uma vez, esta excelente equipe apresentará aspectos práticos de metodologia no auxílio a publicações científicas. Serão abordados aspectos desde a escolha do tipo de estudos e suas peculiaridades até detalhes da escrita do manuscrito e obtenção de recursos financeiros para realização da pesquisa. UV – Gostariam de ressaltar mais alguma informação a respeito do XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia? Lobo – Gostaria de agradecer aos colegas pela confiança que nos foi depositada, aos laboratórios e indústria, nossos patrocinadores que estão investindo com força e acreditando neste evento, à empresa organizadora AttitudePromo, a toda equipe do CBO, dos funcionários à diretoria, especialmente o Coordenador da Comissão Científica, Wallace Chamon, e o presidente do CBO, Milton Ruiz Alves; a todos os palestrantes do evento CBO 2015 e aos congressistas que estão vindo para trocar ideias e prestigiar o maior evento da oftalmologia brasileira! n


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XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia Um encontro como nenhum outro JOSÉ VITAL MONTEIRO

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XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia será um marco na sistemática de realização de eventos para transmissão do conhecimento na especialidade. Mais do que frase de efeito para fins mercadológicos, a sentença reflete a intenção da Comissão Científica e da Comissão Executiva do evento de transformar o congresso de Florianópolis em balão de ensaio para inovações que têm o propósito de incentivar o debate e a participação dos ouvintes, deixando em segundo plano o paradigma representado pela exposição do tema por um único orador, seguida de tempo limitado para perguntas e respostas. Ao todo serão quase 400 horas/aula, nas quais mais de 480 palestrantes estarão se desdobrando para realizar mais de 1.500 intervenções, com o objetivo de transmitir o conhecimento mais atual e preciso sobre todos os as-

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pectos da oftalmologia. Dentro desta ampla grade, tipos de apresentação inéditas, ou pelo menos inusitadas em congressos nacionais de oftalmologia, ocorrerão no centro de convenções CentroSul. De acordo com o coordenador da Comissão Científica do CBO, Wallace Chamon, as apresentações em forma de aulas expositivas preencherão cerca de 20% da programação didática e o restante será preenchido pela apresentação de temas através do contraponto de ideias e opiniões. Grande parte dessas apresentações terá a forma de painéis, nos quais o ponto de partida dos debates será a apresentação de casos clínicos sobre os quais os discutidores, sob o olhar do coordenador da sessão, farão suas ponderações. “O painel será uma maneira de transmitir o conhecimento empírico. O caso será apresentado e, em seguida, pessoas com grande experiência mostrarão como cui-


Fotos: Divulgação

dam de casos semelhantes. É uma maneira menos sistematizada de ensinar, mas que resulta em maior retenção por parte de quem assiste, com possibilidade de aplicação imediata dos conhecimentos adquiridos. E parte considerável do congresso será construído sob a forma de painéis que exigirão grande desempenho dos coordenadores, discutidores e dos próprios espectadores, com benefícios para todos e para o evento”, afirma Chamon. Para além dos painéis, outras formas inovadoras de discussão estarão presentes no XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia para dinamizar a transmissão do conhecimento e provocar o debate. Também haverá aulas expositivas e formas de apresentação das matérias já consagradas, num grande caleidoscópio que pretende ser o mais fiel retrato da oftalmologia brasileira contemporânea.

Acima, Ponte Hercílio Luz, liga a ilha de Florianópolis ao continente. Abaixo, vista aérea da praia.

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Fotos: Arquivo UV

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AYRTON ROBERTO BRANCO RAMOS: “Em 04 de setembro, o dia começa movimentado. Na Av. Beira-Mar Norte, a Comissão Executiva promove duas atividades esportivas: aos mais afoitos, uma corrida de cinco quilômetros e, para os simples mortais, uma caminhada de dois quilômetros e meio”

JOÃO LUIZ LOBO FERREIRA: “O Simpósio CBO Jovem, um encontro de lideranças políticas da oftalmologia brasileira para debater a inserção da especialidade no SUS e um simpósio mostrando as várias atividades que a entidade desenvolve na internet”

FUNDAMENTOS As atividades didáticas no CentroSul começarão em 1º de setembro, com a realização do inédito Curso Fundamentos da Oftalmologia, atividade paralela realizada no mesmo espaço do congresso, mas independente dele, com inscrição separada e exclusiva, que ocorre em 1º e 2 de setembro. De acordo com o coordenador da atividade, Paulo Augusto de Arruda Mello, “o Curso Fundamentos da Oftalmologia é uma das mais ousadas apostas do CBO no congresso de Florianópolis e, ao mesmo tempo, é manifestação do bom senso e da evolução da programação científica dos maiores eventos da oftalmologia brasileira. Ao concentrar a transmissão dos conhecimentos básicos das várias subespecialidades em uma atividade paralela ao evento, abre ao médico oftalmologista a alternativa de aproveitar melhor seu tempo e aos organizadores do congresso a possibilidade de racionalizar a programação científica de modo inédito. O grande interesse demonstrado, tanto por palestrantes como pelos médicos, é a garantia do sucesso desta inovadora modalidade de apresentação nos congressos do CBO”, revela. O Curso abordará as seguintes subespecialidades: Catarata; Cirurgia Refrativa; Córnea; Estrabismo; Glaucoma; Neuro-oftalmologia; Oncologia Ocular; Órbita; Propedêutica; Refração; Retina; e Uveítes/AIDS. A atividade ocorre simultaneamente em duas salas

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separadas e o participante deve planejar as aulas a que pretende assistir. Depois do evento, todos os que dele participaram receberão material correspondente ao conteúdo completo que foi abordado. O coordenador da Comissão Científica do CBO, Wallace Chamon, avalia que com a institucionalização do Curso Fundamentos da Oftalmologia haverá um salto de qualidade na programação geral do congresso. “Em Florianópolis, o oftalmologista terá condições de organizar sua agenda de acordo com seus interesses e necessidades. A alternativa de se inscrever, ou não, no Curso, abre novas perspectivas de racionalização da participação de cada um dos colegas”, afirmou. DIA ESPECIAL A primeira atividade do congresso propriamente dito será o Dia Especial, em 2 de setembro. Nessa programação, durante nove horas separadas em cinco módulos com intervalos de 15 minutos entre eles, o congressista terá a oportunidade de informar-se sobre tudo o que de mais atual e efetivo está ocorrendo na subespecialidade de seu interesse e de realizar a completa atualização no campo escolhido. Em 2015, esse tipo de atividade abrangerá as seguintes subespecialidades: Catarata; Cirurgia Refrativa; Córnea e Doenças Externas; Glaucoma; e Retina. No horário de almoço, nas salas onde estarão sendo apresentados os Dias Especiais de Catarata; Córnea e Doenças Externas; e Glaucoma, haverá a apresentação oral dos melhores Temas Livres inscritos no congresso, com tempo para debates e considerações do coordenador de cada uma destas seções. Foi um dos modos que a Comissão Científica do congresso encontrou para manter e, ao mesmo tempo, inovar a política já consagrada nos congressos do CBO de valorizar a exposição dos temas livres e de incentivar os pesquisadores, principalmente os mais jovens. Uma atividade que está provocando expectativas em toda a programação é o “Retina Jeopardy”, que acontece no Dia Especial de Retina, jogo de perguntas e respostas coordenado por William Mieler, professor da Universidade de Illinois (EUA). Nesta atividade, quatro equipes de três integrantes cada respondem perguntas sobre diagnósticos e aspectos clínicos de doenças da retina, interagem com o moderador da sessão e com a plateia numa competitiva forma de debate e troca de experiências que vem obtendo grande sucesso em congressos internacionais de oftalmologia. Diferentemente dos anos anteriores, em Florianópolis, o Dia Especial faz parte da programação científica do


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A MAIOR APOSTA

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lanejado para ser um marco na sistemática de realização de eventos para transmissão do conhecimento na especialidade, o XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia apostou na inovação e na ousadia sem, entretanto, desprezar formas consagradas para a realização de eventos. “Queremos encorajar ao máximo a participação dos congressistas e a Comissão Científica teve como principais preocupa��ões obter a racionalização e o equilíbrio dos pontos a serem abordados. O trabalho contou com a colaboração decisiva da diretoria do CBO e da Comissão Executiva do congresso. Tenho certeza de que aqueles que forem a Florianópolis sairão de lá com mais conhecimento e muito mais atualizados do que quando chegaram. Esta foi e é a nossa maior aposta”, concluiu o coordenador da Comissão Científica do CBO, Wallace Chamon. A programação completa do XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia pode ser acessada no site: www.cbo2015.com.br/evento/cbo2015/ programacao/gradeatividades

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evento e não exige a realização de inscrição e pagamento diferenciados. A programação de 2 de setembro termina com a solenidade de abertura do congresso, que terá como atração principal a palestra do cientista José Luís Cordeiro, da Singularity University, instituição localizada no Vale do Silício, Califórnia (EUA), fruto de joint venture entre a National Aeronautics and Space Administration (NASA) e de empresas de alta tecnologia, entre as quais a Google. Na mesma solenidade haverá o sorteio de um automóvel HB20, 1.0, modelo Seoul, completo zero quilômetro, entre os congressistas presentes que tiverem feito as respectivas inscrições até 21 de agosto. EM 3 DE SETEMBRO... Multifacetado e com a soma total de mais de 104 horas de atividades didáticas, paradidáticas, de mobilização profissional e atividades ligadas ao CBO, o segundo dia efetivo do congresso de Florianópolis terá na realização de painéis a espinha dorsal da programação: ao todo serão 34 deles, abordando todas as subespecialidades da oftalmologia, mobilizando dezenas de coordenadores e apresentadores e centenas de discutidores, todos com a orientação de, a partir de casos clínicos, apresentar o debate da forma mais rica possível. Nesse dia serão apresentadas aos congressistas quatro promissoras inovações do congresso: Entrevistas; Debate; Gincana de Consultório Virtual; e Conferência CED. Nas sessões de Entrevistas, o entrevistador escolhido dirigirá perguntas estimulantes a três entrevistados de primeira linha que, de forma dinâmica e reveladora, devem expor para a plateia alguns dos pontos mais controversos da especialidade. Serão duas sessões sobre Inflamações da Superfície Ocular, que terão como entrevistador Sidney Júlio de Faria e Souza, duas sessões de Abordagem ClínicoCirúrgica das Doenças de Retina, capitaneadas por Marcos Pereira de Ávila e uma sobre FemtoFaco, que terá como entrevistador Paulo César Silva Fontes. O Debate é uma atividade inspirada nas ações de mesmo nome televisionadas durante campanhas eleitorais. Um moderador fica entre debatedores que têm orientação para valorizar a pergunta oportuna, a resposta objetiva, a polêmica inteligente e a participação coletiva para esclarecer dúvidas, favorecer o raciocínio crítico e a consolidação do conhecimento na especialidade. Na tarde da quinta-feira, 3 de setembro, o tema do Debate será Indicações Cirúrgicas, o moderador será Paulo Schor e os debatedores serão Adriano Biondi Monteiro Carneiro, Mardony Rodrigues de


Santhiago, Waldir Martins Portellinha, Wallace Chamon e Walton Nosé. No mesmo horário, em outra sala, Mário Luiz Ribeiro Gonçalves e Norma Allemann estarão coordenando a Gincana de Consultório Virtual, onde quatro equipes de três médicos oftalmologistas cada farão a anamnese e o diagnóstico de pacientes (atores que farão a simulação). Providências serão tomadas para que cada equipe não tome conhecimento do que a concorrente diagnosticou ou dos exames que solicitou e a competição contará com a participação ativa da plateia. A Comissão Científica do CBO avisou que os casos escolhidos são bastante “cabeludos” e que as orientações dadas aos atores serão para desafiar o conhecimento e a habilidade dos participantes. Outra inovação que será submetida à apreciação dos congressistas nesse dia será a Conferência CED (onde C pode ser de Ciência, Conhecimento, Conteúdo e Cultura; E pode ser Ensino, Entretenimento, Emoção, Estrutura ou Envolvimento; e D pode ser Desenvolvimento, Diversão e Diversidade). CED, ÁGORA E CLÍNICA DR. HOUSE A Comissão Científica do CBO também está organizando outras experiências didáticas pioneiras em eventos científicos que serão apresentadas em Florianópolis. Uma das mais polêmicas é a Conferência CED, na qual convidados cuidadosamente escolhidos por sua capacidade de apresentação, carisma e articulação vão proferir palestras de 15 minutos, não necessariamente ligadas à oftalmologia, com ênfase na criatividade, na teatralidade e no enredo da narrativa. O modelo de tal atividade são as conferências TED (Technology, Entertainment, Design), amplamente divulgadas na internet. Passando sem escalas do século XXI para a Antiga Grécia, em atividade correlata ao Encontro com o Autor (veja abaixo), haverá a Ágora (a praça do mercado, nas antigas cidades gregas), debate informal sobre temas oftalmológicos no qual os participantes terão que demonstrar a agilidade mental e compartilhar o conhecimento com grande dinamismo, preparados para absorver a participação, também dinâmica e informal, do público presente. A sessão de aulas formais de glaucoma da tarde será interrompida por 15 minutos, em que Paloma Andrade de Oliveira (esportista) e Alejandro Ahmed (coreógrafo) estarão proferindo sua conferência CED. Na sessão seguinte, também de aulas formais sobre glaucoma, o oftalmologista Miguel N. Burnier fará a sua. Por outro lado, na manhã desse dia haverá a apresen-

SOLENIDADE DE ABERTURA

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dia em que as máquinas serão mais inteligentes do que o Ser Humano está (muito) próximo! O envelhecimento é uma doença... curável! A morte não é inevitável e em breve a Humanidade terá condições de superá-la! Estamos no limiar de uma era de energia limpa, infinita, praticamente gratuita, fornecida pelo sol! Esses são alguns dos conceitos defendidos pelo cientista venezuelano José Luís Cordeiro, destacado integrante da Singularity University, que fará a palestra na solenidade de abertura do XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia. Cordeiro estudou no Massachusetts Institute of Technology (MIT), Cambridge (EUA), onde obteve sua licenciatura (B.Sc.) e mestrado (M.Sc.) em engenharia mecânica, com especialização em economia e idiomas. Posteriormente realizou estudos de economia internacional e política comparada na Georgetown University, Washington (EUA). Trabalhou na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) em Viena (Austria) e mais tarde no Center for Strategic and International Studies (CSIS), em Washington (EUA). A Teoria da Singularidade Tecnológica, da qual Cordeiro é adepto e que inspirou a fundação da universidade do mesmo nome na Califórnia (EUA) graças a uma joint venture entre a National Aeronautics and Space Administration (NASA) e a empresa Google, afirma, entre outras coisas, que chegará um momento, nos próximos 20/30 anos, em que a nanotecnologia e a biotecnologia serão usadas para aumentar a capacidade da inteligência humana. A proposta básica de convidar José Luís Cordeiro para a palestra da solenidade de abertura é tornar o congresso de Florianópolis mais rico, mais inovador e mais inesquecível. “A proposta é abrir os horizontes dos médicos oftalmologistas”, afirmou Wallace Chamon, coordenador da Comissão Científica do CBO. “Queremos que o evento ofereça mais que a atualização técnica, que seja uma oportunidade para aquisição de conhecimentos mais amplos”.

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Fotos: Arquivo UV

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PAULO AUGUSTO DE ARRUDA MELLO: “O Curso Fundamentos da Oftalmologia é uma das mais ousadas apostas do CBO e, ao mesmo tempo, é manifestação do bom senso e da evolução da programação científica dos maiores eventos da oftalmologia brasileira”

WALLACE CHAMON: “Queremos encorajar ao máximo a participação dos congressistas e a Comissão Científica teve como principais preocupações obter a racionalização e o equilíbrio dos pontos a serem abordados”

tação do livro Tema Oficial do XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia: Catarata, que teve como relatores Marco Antônio Rey de Faria e Walton Nosé e como apoiador científico Paulo Augusto de Arruda Mello. Na apresentação do livro, autores dos vários capítulos farão apresentações com resumos dos pontos abordados na obra. Em seguida será realizada a Conferência Conselho Brasileiro de Oftalmologia, aula magna dos congressos brasileiros de oftalmologia proferida pelo presidente da gestão encerrada no congresso brasileiro realizado há dois anos. Em 2015, a conferência de Marco Antônio Rey de Faria terá como tema Catarata, o que há de verdade nas novas tecnologias? Ainda na mesma manhã, o CBO promoverá reunião das comissões CBO Jovem (cujo tema será O que todo oftalmologista jovem quer e precisa saber!) e CBO Mulher e uma reunião com lideranças da Especialidade para analisar e debater o atual momento político nacional e como o exercício da oftalmologia é afetado. Além disso, o dia apresenta quatro Cursos de Instrução (sugeridos pela comunidade oftalmológica e aprovados pela Comissão Científica), um deles sobre glaucoma e os três restantes sobre catarata, o simpósio dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia (ABO), da Associação Pan-Americana de Banco de Olhos (APABO), da Brazilian Research Association in Vision and Ophthalmology (BRAVO)

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e o Festival de Vídeos do congresso. Durante esta última atividade, Cláudio Lovaglio Cançado Trindade fará sua Conferência CED. O dia também será dedicado à realização das eleições para diretoria, conselho fiscal e representantes da comunidade oftalmológica no Conselho de Diretrizes e Gestão do CBO. As atividades da quinta-feira terminam com festas, encontros e reuniões de confraternização organizadas por empresas que participam da exposição comercial do evento. EM 4 DE SETEMBRO O dia começa movimentado, literalmente. Na Av. Beira-Mar Norte, uma das mais importantes e bonitas da capital catarinense, a Comissão Executiva do congresso promove duas atividades esportivas dirigidas aos congressistas: aos mais afoitos, uma corrida de cinco quilômetros e, para os simples mortais, uma caminhada de dois quilômetros e meio. A largada será às 6 horas. A comissão organizadora solicita que as inscrições para essa atividade, Corra para o CBO, sejam feitas com antecedência, uma vez que foi feito acordo com uma academia de ginástica para que os participantes das atividades pudessem tomar banho e, de lá, dirigirem-se aos ônibus que os levarão ao local do evento. Os painéis, cursos de instrução e sessões de aulas formais preencherão parte considerável das mais de 90 horas/aula que compõem o penúltimo dia do congresso. Pela manhã haverá o Debate sobre glaucoma, onde o moderador Paulo Augusto de Arruda Mello terá que intervir como árbitro no Debate entre Homero Gusmão de Almeida, Jair Giampani Júnior, João Antônio Prata Júnior, Lisandro Massanori Sakata, Remo Susanna Júnior e Roberto Murad Vessani. No mesmo horário, outra inovação do congresso de Florianópolis estará sendo testada: Roda Viva, no qual, à semelhança do programa de TV homônimo, dois entrevistados escolhidos por seu grande conhecimento e articulação serão submetidos à prova com questões formuladas por quatro entrevistadores com as mesmas características, com o objetivo de compartilhar o conhecimento, explorar diferenças entre os entrevistados e a perspicácia dos entrevistadores e abrir caminho para exposição dos diferentes pontos de vista e de respostas criativas, driblando um pouco as limitações trazidas pelo cronômetro. Na primeira sessão de Roda Viva, o tema será LIOs para presbiopia e nela Paulo César Silva Fontes e Pedro


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ELEIÇÕES NO CBO

HOMERO GUSMÃO DE ALMEIDA

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omero Gusmão de Almeida, de Belo Horizonte (MG), lidera a chapa única que concorrerá às eleições para a diretoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia do biênio 2015/17. As eleições serão realizadas em 3 de setembro, durante o XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia. Estão aptos a votar os associados do CBO em dia com a anuidade. Em 2015, o CBO inovará no processo da eleição com a adoção de sistemas informatizados de identificação de eleitores, o que evitará a formação de filas que ocorreu no passado. A votação será feita no estande do CBO. A composição da chapa é a seguinte: Presidente – Homero Gusmão de Almeida (MG) Vice-presidente – José Augusto Alves Ottaiano (SP) Secretária-Geral – Keila Monteiro de Carvalho (SP) Também fazem parte da chapa os candidatos a membros efetivos e suplentes ao Conselho Fiscal do CBO. Os candidatos a membros efetivos são: Afonso Ligório de Medeiros (PE), Fernando César Abib (PR) e Reinaldo de Oliveira Sieiro (MG). Os candidatos a suplentes ao Conselho Fiscal são: Fernando Augusto D’Oliveira Ventura (PE), José Beniz Neto (MG) e Sebastião Cronemberger Sobrinho (MG).

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Homero Gusmão de Almeida concluiu o Curso de Especialização em 1974 e defendeu Tese para o grau de Doutor em Medicina em 1977. Foi chefe do Departamento de Glaucoma do Instituto Hilton Rocha. É Professor Adjunto da Clínica Oftalmológica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares, vice-presidente do CBO nas gestões 1991/93 e 2007/09 e relator do Tema Oficial do XXV Congresso Brasileiro de Oftalmologia e XVII Congresso Pan-Americano de Oftalmologia (1989). De fevereiro de 2012 a agosto de 2015 foi editor clínico desta revista. Atualmente trabalha no Instituto de Olhos de Belo Horizonte. CONSELHO DE DIRETRIZES E GESTÃO Em 3 de setembro também serão realizadas eleições para escolha dos quatro membros titulares (representantes da comunidade oftalmológica) no Conselho de Diretrizes e Gestão do CBO (CDG). Criado em 2007 durante a gestão de Harley Bicas, o CDG é composto pelos ex-presidentes do CBO, com mandato vitalício, e por quatro representantes da comunidade eleitos, que ocupam o cargo por dois anos. O órgão tem finalidade de traçar objetivos estratégicos para o CBO em médio e longo prazos, evitando que a sucessão de gestões interrompa projetos mais amplos ou ponha em risco o legado de diretorias anteriores. Os seis candidatos inscritos para as vagas são (citados em ordem alfabética): Abrahão da Rocha Lucena (CE), Breno Barth Amaral de Andrade (RN), Dácio Carvalho Costa (CE), Haroldo Vieira de Moraes Júnior (RJ), Luiz Carlos Molinari Gomes (MG) e Newton Kara José Júnior (SP).


Paulo Fabri terão que enfrentar as perguntas de Durval Moraes de Carvalho Júnior, Marco Antônio Rey de Faria e Priscilla de Almeida Jorge. Na segunda sessão, que ocorre simultaneamente em outra sala, Márcio Bittar Nehemy e Michel Eid Farah Neto responderão perguntas sobre Polêmicas em DMRI e cirurgia vitreorretiniana, feitas por André Corrêa Maia de Carvalho, Carlos Augusto Moreira Júnior, Laurentino Biccas Neto e Maurício Maia. Além disso, três seções de Entrevistas enriquecerão a programação. Duas delas tendo temas ligados ao glaucoma e como entrevistadora Wilma Lelis Barboza e a última sobre Cirurgia Refrativa, onde o entrevistador será Vinícius Coral Ghanem. No espaço destinado à exposição dos temas livres, será realizado nesse dia o Encontro com Autor, atividade já consagrada nos congressos do CBO, na qual os autores dos temas livres discutem seus respectivos trabalhos com os congressistas e são avaliados por professores especialistas nos assuntos expostos. Neste mesmo espaço também será realizado o Ágora (a praça do mercado, nas antigas cidades gregas), debate informal sobre temas oftalmológicos no qual os participantes terão que demonstrar a agilidade mental e compartilhar o conhecimento com grande dinamismo, preparados para absorver a participação, também dinâmica e informal, do público presente. Os palestrantes das conferências CED do dia serão: Cláudio Luiz Lottenberg (durante uma sessão de aulas formais sobre cirurgia refrativa na parte da manhã), Newton Kara José Júnior (também pela manhã, em sessão de aulas formais sobre catarata), Flavio Eduardo Hirai (em sessão de aulas formais de Córnea) e Eduardo Cunha de Souza (em sessão de aulas formais de retina, na parte da tarde). O CBO realiza na manhã dessa sexta-feira o Simpósio CBO Jovem, dirigido aos jovens oftalmologistas do Brasil e de outros países da América Latina, um encontro de lideranças políticas da Oftalmologia brasileira para debater a inserção da especialidade no Sistema Único de Saúde e um simpósio mostrando as várias atividades que a entidade desenvolve na internet. Pela tarde, o conselho promove uma sessão na qual os autores dos melhores trabalhos apresentados no congresso receberão os respectivos diplomas e, em seguida, haverá a assembleia-geral dos associados/ reunião do Conselho Deliberativo do CBO, na qual haverá a posse da diretoria eleita e serão tomadas decisões sobre as ações da entidade. O dia termina com a festa oficial do evento, que terá como atração principal o popular cantor e compositor sertanejo Michel Teló e será realizada no Stage Music Park.

Apresentação do livro Tema Oficial “Catarata”, que teve como relatores Marco Antônio Rey de Faria e Walton Nosé e como apoiador científico Paulo Augusto de Arruda Mello.

Michel Teló, famoso pelo hit “Ai se eu te pego”, iniciou sua carreira em 1994 como integrante do Grupo Tradição e depois partiu para carreira solo. O local do show, localizado na praia de Jurerê, é um complexo de entretenimento formado por várias casas onde são organizados grandes eventos artísticos e culturais da capital catarinense. FINAL DO EVENTO O último dia do XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia será dedicado aos simpósios das sociedades de subespecialidades filiadas ao CBO. São atividades extremamente dirigidas, nas quais são expostos e debatidos assuntos de grande interesse para os médicos que já detêm certa experiência em determinado ramo da Oftalmologia. Depois do término do evento, ao meio-dia, o CBO promove no Centro de Convenções CentroSul o Exame de Suficiência Categoria Especial, no qual centenas de médicos que podem comprovar o exercício da Especialidade prestam prova especial para a obtenção do Título de Especialista em Oftalmologia. ■

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gestão

Para ter a casa em ordem

Ter noções de gestão administrativa-financeira faz a diferença para que um negócio na área médica seja bem-sucedido CHRISTYE CANTERO

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empreendedorismo é um fato no Brasil, e os números indicam isso. Recentemente, o número só de microempreendedores individuais chegou a cinco milhões. Além disso, informações de uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), feita no Brasil pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), revelam que 30% dos brasileiros entre 18 e 64 anos lideram uma empresa ou estão envolvidos na criação de um negócio. Em 10 anos, a taxa total de empreendedorismo no Brasil aumentou de 23% em 2004, para 34,5% em 2014. Na área médica, os profissionais da saúde que apostam em abrir clínicas e consultórios começaram a perceber, de algum tempo para cá, que é preciso se dedicar a temas como gestão e administração financeira para ter sucesso no negócio. ”Esse processo começa quando eles são exigidos a cumprir aspectos legais de tributação, quando

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precisam captar volume de pacientes que venham viabilizar o empreendimento, quando se deparam com toda a rotina de prestação de contas com os planos de saúde e algumas iniciativas de fomento de empreendedorismo desde a faculdade”, explica Conceição Moraes, analista do Sebrae-PE. Segundo ela, um dos desafios que se enfrenta para empreender nessa área é que boa parte dos cursos universitários não têm disciplinas que levem à reflexão ou à formação do profissional em noções de gestão. A especialista também cita os pontos de atenção que podem fazer com que o empreendedor seja ou não bem-sucedido. “Primeiro é necessário ter a competência que lhe cabe na sua área e sempre se atualizar. A partir disso, tem de olhar o empreendimento como um negócio que precisa ser gerido profissionalmente”, ressalta. E, nesse caso, Conceição afirma que é preciso observar os seguintes aspectos: perfil dos pacientes; definição da proposta de valor do empreendimento (como se propõe a atuar,


que serviços, infraestrutura e conveniência irá oferecer); escolher os canais de comunicação com o paciente; definir as possibilidades de pagamento dos serviços; levantar quais as despesas de toda a operação; estabelecer rotinas de horário de funcionamento, gestão financeira, do histórico dos pacientes, gerenciar a imagem do empreendimento e profissional na sociedade (monitorando as menções nas redes sociais). Keila Monteiro de Carvalho, oftalmologista, professora titular de oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretora do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) concorda que é preciso se preparar para empreender. “Hoje em dia no Brasil há a necessidade do médico se preparar para administrar seu consultório ou clínica. Com as mudanças do mundo atual, é importante que o médico ou médica seja preparado(a) para as questões relativas a convênios, administração financeira e gestão”, comenta. Keila aponta que não há grandes diferenças em empreender em oftalmologia e em outras áreas médicas. Para o dermatologista formado pela Universidade de São Paulo (USP), mestre e doutor em medicina pela Unicamp, tricologista e nutrólogo Valcinir Bedin, a diferença fundamental que existe em empreender em uma área médica ou em outra qualquer é a necessidade de formação adequada, o que leva muito tempo e consome muitos recursos. “Quando se fala em dermatologia o problema é um pouco maior, pois o que vemos é uma concentração muito grande de especialistas nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Ainda temos muito espaço para o desenvolvimento da especialidade em muitos centros fora desse eixo, mas que infelizmente não geram grande

EMPREENDEDORISMO E INTRAEMPREENDEDORISMO

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analista do Sebrae de Pernambuco, Conceição Moraes, explica a diferença entre empreendedorismo e intraempreendedorismo. O primeiro estuda todo o campo do comportamento, processo e do ambiente de empreender. “O processo de empreender é mais disseminado quando se procura ter seu próprio negócio. Para ser um verdadeiro empreendedor não basta ter um negócio, mas sempre captar novas oportunidades para impulsionar a empresa, superando os desafios com criatividade”, explica. Já intraempreendedorismo é uma segmentação do empreendedorismo que se remete à busca de empreender na carreira profissional. “Um funcionário no mundo contemporâneo precisa gerenciar sua carreira e sempre ter iniciativas na sua atuação profissional. Isso é ser intraempreendedor”, diz.

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Fotos: Arquivo UV

gestão

KEILA MONTEIRO DE CARVALHO: “Com as mudanças do mundo atual, é importante que o médico seja preparado para as questões relativas a convênios, administração financeira e gestão”

ERIK PENNA: “Seja muito assertivo ao contratar, motive e qualifique seus funcionários, pois eles devem ser seus primeiros clientes”

atração aos mais jovens. Vejo, portanto, com bons olhos o futuro do empreendedor na dermatologia, especialmente se ele se aventurar em novos polos”, aponta. EMPREENDEDORISMO FEMININO A Comissão Mulher, do CBO, tem como objetivos fomentar a discussão sobre a igualdade de gênero na prática médica; incentivar a disseminação de experiências de gestão de oftalmologistas brasileiras; oferecer ferramentas de estímulo ao empreendedorismo na oftalmologia entre mulheres; estimular o surgimento de lideranças entre as oftalmologistas brasileiras e a maior participação das médicas nas diretorias executivas das entidades representativas; e promover e estimular ações para adesão de jovens médicas ao CBO. Em prol do empreendedorismo de mulheres oftalmologistas, a comissão tem tido o cuidado de programar em todas as reuniões temas relacionados à administração financeira e gestão de consultórios em geral, sempre dirigidos à mulher oftalmologista no que tange a conduzir sua carreira ou negócio. “Nossos debates são acolhedores, pois entendemos as rotinas duplas ou triplas das mulheres, pois, além de administrar a carreira, a clínica ou o consultório, também gerenciam sua casa e família. Falamos de igual para igual”, explica Keila Monteiro de Carvalho. “Estamos programando uma parceria mais constante com a Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia, que até agora nos tem dado subsídios e palestrantes para nossos simpósios”, finaliza. ■

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RUMO AO SUCESSO

consultor Erik Penna afirma que todos podem empreender, mas alguns requisitos são fundamentais para que o sonho não vire um pesadelo. Para aumentar as chances de sucesso ele dá algumas dicas: GOSTE DO QUE VAI FAZER: lembre-se que a empresa será sua segunda família. Não pense exclusivamente no lado financeiro; afinal, o filósofo chinês Confúcio já disse: “Encontre um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. PLANO DE NEGÓCIO: anote detalhadamente os objetivos do seu negócio e quais passos devem ser dados para que os resultados desejados sejam alcançados. Lembre-se que uma meta sem planejamento é mera intenção. APRENDA COM OS ERROS DOS OUTROS: busque informações do segmento que pretende empreender com especialistas das áreas e, se possível, com outros empresários do setor. Desta forma, você minimizará seus equívocos aprendendo não com os próprios erros, mas sim com os dos outros. RECURSOS: uma das formas que a empresa tem para crescer é, à medida que ela for dando lucro, você conseguir reinvestir no próprio negócio. Se ao abrir a empresa e logo nos primeiros meses você precisar fazer muitas retiradas, o capital de giro pode minguar. PARCERIAS: faça parcerias com não concorrentes, desde a troca do banco de dados/ mailing de um negócio parceiro até promover eventos para atrair clientes de um para outro negócio. USO DA TECNOLOGIA: utilize a tecnologia como grande aliada na busca de novos clientes, como o link patrocinado do Google e Facebook, por exemplo, e procure estar sempre conectado sobre as novidades do setor e do que vem fazendo a concorrência. QUALIFICAÇÃO PRÓPRIA E DA EQUIPE: Jim Collins, autor de “Empresas Feitas para Vencer” já escreveu: “O principal ativo das organizações não são as pessoas, são as pessoas certas”. Portanto, seja muito assertivo ao contratar, motive e qualifique seus funcionários, pois eles devem ser seus primeiros clientes. Fonte: Erik Penna, consultor, palestrante e autor dos livros “A Divertida Arte de Vender” e “Motivação Nota 10”


em pauta

Projeto Catarata do Baixo Amazonas: cirurgias oftalmológicas com tecnologias de ponta FLÁVIA LO BELLO

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Projetos Amazônicos (Catarata do Baixo Amazonas) dedica-se a atender populações ribeirinhas de poucos recursos e que vivem em área de difícil acesso na Região Amazônica. O Programa caracteriza-se por utilizar as tecnologias cirúrgicas de oftalmologia mais modernas e parte da premissa real de que os problemas de saúde ocular não serão resolvidos com tecnologias antigas. O

Cirurgia realizada no Baixo Amazonas. Uso de tecnologia de ponta é o grande diferencial do projeto

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projeto foi iniciado sob liderança dos professores Jacob Cohen, da Universidade Federal do Amazonas e da Fundapi – Fundação Piedade Cohen, Walton Nosé e Rubens Belfort Jr., ambos do Instituto da Visão – IPEPO e da EPM/Unifesp, a quem se devem os resultados e a visão necessária para o lançamento e prolongamento dessa missão. “O Projetos Amazônicos existe há muitos anos. Desde a década de 50 a Oftalmologia da Escola Paulista trabalha na Região Amazônica. Nos últimos anos, especificamente no Estado do Amazonas, temos a grande parceria com o professor Jacob Cohen, de Manaus. O grupo dele, associado ao nosso, vem desempenhando atividades em muitas partes dessa região,” declara o professor titular de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina, Rubens Belfort Jr., presidente do Instituto da Visão (IPEPO) e da Academia Brasileira de Oftalmologia. O projeto é realizado graças à Fundação Champalimaud, que estabeleceu três Centros de Investigação Translacional Oftalmológica - Coimbra (Portugal), Hyderabad (Índia) e São Paulo (Brasil), e que também instalou em Manaus o Centro de Oncologia Ocular do Amazonas. Os médicos, enfermeiros e técnicos que se juntaram a esta missão são oriundos desses três países, numa junção de esforços e experiências distintas. Atualmente, Além de Belfort Jr. e Walton Nosé, o grupo da Escola Paulista de Medicina e Instituto da Visão é liderado pelos professores Solange Salomão, José Álvaro Pereira Gomes, Mauro Campos e Adriana Berezowsky.


em pauta

Estudo epidemiológico de base populacional

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m paralelo, sob a supervisão da Profa. Solange Salomão, da EPM/Unifesp, teve início em 2013 o Brazilian Amazon Region Eye Survey (BARES), um estudo epidemiológico de base populacional que determina a prevalência e causas de deficiência visual e cegueira em adultos maiores de 45 anos na Amazônia brasileira, com o apoio do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), do Lions Club Foundation e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A prevalência de cegueira (visão de 20/200 no olho de melhor visão) foi três vezes maior que a área urbana de baixa renda da cidade de São Paulo, e seis vezes maior que em países industrializados. A partir deste ano está sendo examinada a população rural. “Pela primeira vez realizouse inquérito epidemiológico grande com emprego de OCT portátil para identificar lesões maculares até então não encontradas, que levavam a resultados falsos na etiologia da baixa visual. Verificamos que muitos pacientes que seriam diagnosticados com baixa visão pela catarata, apresentam realmente pela ação macular”, diz o professor titular de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina, Rubens Belfort Jr.

Professores Jacob Cohen, Joaquim Murta,Walton Nosé e Rubens Belfort Jr. 30 universovisual SETEMBRO 2015

“Mas o grupo é muito grande, existem cerca de 30 profissionais envolvidos, inclusive a nova geração, liderada por Ricardo Nosé e Rubens Belfort Neto, em São Paulo, e Marcos Cohen, em Manaus”, revela Belfort Jr., salientando que o grande diferencial do Projetos Amazônicos é a utilização sempre da mais alta tecnologia nos procedimentos cirúrgicos. “Ao contrário de outros projetos, onde pacientes são diagnosticados e tratados com técnicas superadas, o Projetos Amazônicos sempre envolve a melhor tecnologia”, complementa o oftalmologista. O programa realiza cirurgias basicamente de catarata, porém envolve também pterígio, que possui altíssima prevalência naquela região. PROCEDIMENTOS REALIZADOS EM 2014 Conforme explica Belfort Jr., com o apoio da Alcon foram realizadas cerca de 400 cirurgias entre os meses de outubro e novembro de 2014, com aparelhos mais modernos de facoemulsificação, inclusive o Centurion e Laureate. Equipes da Fundação Piedade Cohen examinaram os pacientes e realizaram a indicação e marcação do procedimento cirúrgico com orientação pré e pós-operatória. Os procedimentos e regra foram feitos com anestesia retro ou epibulbar de anestésico. Em casos especiais, apenas anestesia tópica. Incisão córnea clara e sem necessidade de suturas – substância viscoelástica empregada de rotina e corante de azul tripan e miótico intracameral quando indicado. “Todos os casos foram operados por cirurgiões de grande experiência e capacitação em cirurgia de catarata”, salienta o médico. Os procedimentos foram sempre realizados em salas de cirurgia de hospitais regionais, contando com o apoio das equipes de saúde, tais como médicos e, principalmente, enfermagem, além das autoridades de saúde municipais e do Estado. Os instrumentais e medicamentos, bem como outros materiais, eram transportados no mesmo barco utilizado pelas equipes cirúrgicas. Agora em setembro deste ano, com a parceria com a Zeiss, será realizado outro trabalho semelhante em outras cidades do médio Amazonas. “Também contamos sempre com o apoio de outros parceiros, como a Allergan e Lupas Leitor, que nos possibilita doação de grande número de óculos para presbiopia, bem como da Ótica Miguel Giannini para outros tipos de óculos”, afirma Belfort Jr., esclarecendo que esse projeto está associado a um grande levantamento para as causas de cegueira na Amazônia, sob patrocínio do CNPq, com a liderança da professora Solange Salomão. Os recursos para manter o projeto provêm de fon-


Centros Champalimaud de Investigação Translacional Oftalmológica

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s C-Tracers – Champalimaud Translational Centres for Eye Research (Centros Champalimaud de Investigação Translacional Oftalmológica) da Fundação Champalimaud - constituem uma rede transcontinental, com o objetivo de apoiar investigação de ponta na área da visão. Os C-Tracers foram organizados para refletirem o princípio orientador da Fundação Champalimaud - a investigação translacional enquanto metodologia facilitadora da transposição das descobertas científico-laboratoriais para a prática clínica. São três os centros que compõem a rede C-Tracers (localizados na Índia, Portugal e Brasil). Cada centro desenvolve os seus programas de investigação e áreas de especialização próprios, mas colaboram em projetos especialmente concebidos para promover a investigação oftalmológica. Com a criação da rede C-Tracer, a Fundação Champalimaud contribui ativamente para a prevenção e erradicação das doenças oculares no mundo. No Brasil, o Centro funciona sob a coordenação do Prof. Rubens Belfort Jr.

tes privadas nacionais e internacionais. “A Fundação Champalimaud de Portugal é nossa tradicional parceira e, inclusive, levou também à implantação do primeiro Centro de Oncologia Ocular da Amazônia, em Manaus, sob coordenação de Rubens Belfort Neto”, comenta o especialista, enfatizando que o Centro de Oncologia Ocular está relacionado à rede Tracer, que realiza Investigação Translacional Oftalmológica. “É uma rede de Centros na Europa (Portugal, Coimbra), Índia (Hyderabade, Prazat) e no Brasil - no Instituto da Visão, vinculado à Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina”, finaliza Belfort Jr. ■

Pacientes aguardam por procedimento cirúrgico

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Instituto Paulista da Visão

Departamento de Oftalmologia da EPM/ Unifesp teve início em 1937 e, desde esse período, forma oftalmologistas de excelência na América Latina. O IPEPO (Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia) – o Instituto Paulista da Visão – foi fundado em 1988, por iniciativa dos docentes do Departamento de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina. Presta serviços oftalmológicos, projetos assistenciais de pesquisa e didáticos. Além do atendimento de rotina, desenvolve campanhas comunitárias, como mutirões de catarata, diabetes e glaucoma, em diversas cidades do Brasil, incluindo regiões remotas, como a Floresta Amazônica e o Parque Indígena do Xingu, através de ações preventivas e terapêuticas. Sempre em parceria com a Escola Paulista de Medicina e a SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina -, firmou-se como centro de excelência em atendimento oftalmológico no Brasil. Ênfase especial vem sendo dada aos segmentos sociais mais vulneráveis às doenças oculares e cegueira, às crianças e aos idosos, com programas de sucesso que vão desde o exame de recémnascidos prematuros até pacientes centenários. Entre seus parceiros estão a AlfaSol, Fundação Alcon, Fundação Allergan, Fundação Altino Ventura, Miguel Giannini e Fundação Champalimaud, além do ICB-USP de Rondônia. Desde 2014 disponibiliza óculos a pacientes com prescrição através do SUS, com a ONG Renovatio que, utilizando tecnologia alemã, forma técnicos montadores de óculos em tempo rápido e custo pequeno. Também com a empresa Lupas Leitor, que doou as armações e óculos prontos para presbiopia, foram entregues mais de 25 mil peças entre lupas e armações para adultos e crianças, distribuídos em seis Estados do Brasil. SETEMBRO 2015 universovisual 31


córnea

Arquivo pessoal

Avanços em cross-linking (CxL) para ceratocone e ectasia

Renato Ambrósio Jr Professor Associado da Pós-Graduação em Oftalmologia da PUC-RIO (Pontifícia Universidade Católica) e da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo); Fundador e Coordenador Científico do Grupo de Estudos de Tomografia e Biomecânica de Córnea do Rio de Janeiro / Instituto de Olhos Renato Ambrósio; Vice-Presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

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conceito e os métodos para a promoção de ligações covalentes (ou reticulação) do colágeno da córnea (Cross-Linking – CXL) foram originalmente descritos pelo grupo do Prof. Theo Seiler, ainda em Dresden (Alemanha), no final da década de 1990.1 Desde então, muito tem sido desenvolvido para otimização e aprimoramento deste tratamento para ceratocone e outras doenças ectásicas da córnea, que tem como objetivo estabilizar a biomecânica da córnea para reduzir a progressão da ectasia.2 Considerando a relativa elevada prevalência de ceratocone, que pode chegar a 2% da população, 3 o interesse em CXL é bastante elevado, o que resulta em um intenso e acelerado desenvolvimento. A primeira publicação com resultados clínicos, em

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2003, no AJO (American J of Ophth), descreve a técnica hoje denominada Protocolo de Dresden. Nesse procedimento é realizado debridamento epitelial, seguido de saturação do estroma da córnea com riboflavina (vitamina B2), que funciona omo substância fotossensibilizadora.4 Com a saturação do estroma verificada, procede-se com a aplicação de 30 minutos de radiação ultravioleta A (UV-A), com comprimento de onda de 370 nm e intensidade de 3 mW/cm2, para uma dose de 5,4 J/cm 2. Com este procedimento, não foram observadas alterações em níveis de endotélio, cristalino e retina. Adicionalmente, não houve progressão da ectasia nos 22 pacientes tratados com ceratocone moderado a avançado no seguimento de até 4 anos e 15 olhos (65%) tiveram alguma melhora na acuidade visual corrigida.4 Posteriormente, o estudo de Siena (Itália) foi realizado


Reprodução

Figura 1: Estudo topométrico após, antes e diferencial

Figura 2: Estudo da Elevação Frontal com mesma BFS do pré-operatório e da densitometria média. Observa-se a redução da protrusão da elevação e aumento da densidade óptica no centro da córnea associada ao implante de SACI

Figura s 3 e 4: Biomicroscopia, com destaque para a linha de demarcação em 2/3 da espessura corneana

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córnea

AVANÇOS NA TÉCNICA DE CXL pelo Prof. Caporossi e colaboradores de modo prospecA combinação de tratamentos é um dos pontos de tivo e não randomizado.5 Nesse estudo, inicialmente maior interesse. Considerando-se que o CXL efetivamente o pior olho de 44 olhos foi tratado e teve seguimento estabiliza a córnea, modalidades de tratamento para mínimo de 48 meses (média de 52,4, variando de 48 a remodelar a arquitetura podem atuar sinergicamente 60 meses). Enquanto estabilidade da ectasia foi obserpara melhorar a função visual do paciente. Kymionis vada em todos os casos tratados, observou-se progresdescreve o conceito de CXL Plus, como a associação são em 65% dos olhos contralaterais em 24 meses de com diversas cirurgias para ceratocone.8,9 A fotoablação seguimento, que teve média de 1,5D na ceratometria central. Adicionalmente, ocorreu uma melhora média em modo plano terapêutico (PTK) pode ser utilizada de 1,9 linhas na acuidade visual corrigida (AVc), o que para o debridamento epitelial (protocolo de Creta), com não ocorreu em todos os casos.5 vantagens clínicas descritas sobre a desepitelização manual.10,11 Este benefício provaComplicações após o CXL são relativamente raras e, muitas velmente está associado com a vezes, estão associadas com caremoção da camada de Bowman, racterísticas do paciente no préque facilita a penetração da ribo-operatório, como AVc melhor flavina e da luz UV-A,12 bem como que 20/25, ceratometria central pela regularização da superfície, superior a 58D e idade superior a pois parte do estroma nas regiões 35 anos.6 Adicionalmente, Bernarem que o epitélio é mais fino é A cirurgia para ablada.13 A fotoablação em modo do Lopes em trabalho vencedor casos de ceratocone do prêmio Varilux na categoria personalizado (PRK) mostrou-se ou outras ectasias deve Sênior em 2012, verificou que com resultados mais satisfatórios pacientes com ceratocone mequando realizada no mesmo dia ser considerada com nos avançado (maior volume e do CXL, 14 sendo descrita como o objetivo terapêutico, espessura da córnea) têm mais protocolo de Atenas por Kanellosendo a reabilitação chances de ter melhora da AVc poulos para o tratamento de ceum ano após CXL.7 Com estas eviratocone e ectasia após LASIK.15 visual e a estabilização dências, devemos considerar cada Entretanto, deve-se entender que da progressão ectásica caso de forma individualizada, de o objetivo da ablação não é absomodo a se confirmar a indicação lutamente refrativo, devendo ter adequada da cirurgia. Há mais profundidade máxima de 50 µm e chances de melhorar a AVc e há ser programado para regularizar a menos chances de complicações córnea e reduzir o “astigmatismo quando se realiza o CXL em casos menos avançados de irregular” (aberrações de alta ordem). Padmanabhan ectasia. Porém, a AVc pré-operatória melhor que 20/25 comparou os resultados do CXL clássico e do protocolo é fator de risco para piora da AVc após a cirurgia. Minha de Atenas, demonstrando superioridade nos critérios conduta é indicar o CXL apenas se houver evidência de de melhora ceratométrica, aberrométrica e de função progressão da doença, o que pode ser determinado por visual do procedimento combinado.16 meio da história clínica. Entretanto, a orientação para O implante de segmentos de anéis corneanos intraesnão coçar os olhos e o tratamento da alergia ocular e/ tromais (SACI ou ICRS – Intra Corneal Ring Segments ) ou disfunção lacrimal que muitas vezes estão associadas pode ser associado ao CXL de diversas formas.17-22 Alguns é fundamental. O paciente deve ser orientado sobre a trabalhos mostram benefício em se associar o CXL no doença, de modo a poder tomar a decisão consciente mesmo tempo do implante.20 Entretanto, uma abordagem em realizar a cirurgia, bem como da importância de se bastante aceita é fazer o implante de SACI e acompanhar manter o seguimento por meio de exames de topogracom exames de topo/tomografia seriados para avaliar se fia de Plácido e tomografia de Scheimpflug, que são há progressão da ectasia, de modo a indicar o CXL em sensíveis para confirmar progressão da doença mesmo segundo tempo.21,22 Em segundo tempo, o CXL pode ser antes de alteração da visão. realizado por meio de retirada do epitélio mecânica, por

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córnea

PTK (Creta), associada a PRK (Atenas) ou por injeção no túnel. Aylin Kılıç demonstrou pela primeira vez a aplicação da solução de riboflavina no túnel do anel para a realização de CXL transepitelial.23,24 Esta técnica pode ser utilizada no tempo da cirurgia de implante ou realizada em segundo tempo até mesmo anos após a cirurgia. De forma interessante, esta abordagem transepitelial pode ser aprimorada com a confecção de pocket,22 ou de finos canais comunicantes intraestromais com o laser de femtossegundo.25 Outro tratamento que vem sendo estudado é a termoceratoplastia condutiva (CK), que pode ser associada ao CXL26 para reduzir a regressão que tipicamente ocorre com estes procedimentos. As lentes fácicas podem ser associadas no tratamento de casos de cross-linking, tipicamente em procedimentos que denominamos Bióptico Terapêutico, que geralmente tem o CXL associado no tratamento da córnea. O padrão de iluminação com UV-A evoluiu para reduzir o tempo de cirurgia e foi denominado CXL acelerado ou rápido.27 O princípio da reciprocidade de Bunsen-Roscoe determina que uma mesma dose de energia pode ser obtida com diferentes relações entre a intensidade da luz e o tempo de aplicação. Com isso, é possível obter 5,4 J/cm2 com a aplicação de 18 mW por 5 minutos ou 9 mW por 10 minutos. Estas técnicas de CXL rápido determinaram significativa melhora, principalmente nos casos de cirurgias combinadas. Diferentes sistemas são capazes de fazer esta abordagem, destacando-se o UVX 2000 (Avedro), o CCL-VARIO (Peschke), o CSO VEGA, que trabalham com 9 mW e os que são capazes de modular a intensidade: KXL (Avedro), o LightLink (Lightmed) e o Wavelink (Wavetek). Considerando-se que o efeito de fotopolimerização do colágeno depende de oxigênio, a introdução de sistema pulsado beneficia todo o processo.28,29 Adicionalmente, um aumento na dose de UV-A para 7,2 J/cm2 foi demonstrado como seguro e eficaz,28,30,31 o que é possível hoje apenas com o sistema KXL da Avedro. CIRURGIA PARA CERATOCONE: CONDUTA PESSOAL Os casos com boa acuidade visual em progressão têm indicação de CXL transepitelial (TE). Este tem menos efeito, mas permite a reabilitação visual mais rápida.32 Nestes casos, uso a Paracel - solução de riboflavina a 0,25% da Avedro, contendo agentes que promovem a quebra da barreira epitelial e programo modo pulsado com intervalo (1/1 segundos), usando 45 mW/cm2 para uma dose tratamento de 7,2 J com o KXL.

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Em casos com irregularidade moderada, que limita a acuidade visual, prefiro indicar implante de SACI assistido por laser de femtossegundo.33 Uma opção pode ser o Protocolo de Atenas, que prefiro reservar atualmente para casos de ectasia após LASIK com flap não fino. Indico o CXL TE de forma associada ao SACI, de acordo com as características clínicas, incluindo a idade e os achados biomecânicos e histórico de progressão. Nestes casos, após implante do anel, injeto a VibeX Xtra no túnel e na parede proximal da incisão, de modo similar ao que fazemos no final da cirurgia de catarata por córnea clara para hidratar a incisão. Esta solução é isotônica com 0,22% de riboflavina e permite rápida difusão estromal. Neste exemplo (Figuras 1-4), o paciente de 33 anos relatava importante piora da visão no último ano, a acuidade sem correção era de 20/200 e a AVc era 20/80 com -2,50 -5,50 x 70o, sendo o paciente intolerante ao uso de lentes de contato e com indicação de transplante em outro serviço. Procedemos com a cirurgia para implante de Keraring SI-6 150o/250 µm assistido pelo laser de femtossegundo FS-200 (Wavelight) com o CXL TE. Foi utilizado o sistema KXL Avedro no modo pulsado com intervalo (1/1 segundos), usando 45 mW/cm2 para uma dose tratamento de 7,2 J. Três meses após a cirurgia, a AVsc era de 20/30 e a AVcc, 20/25+, com -0,75 -0,75 x 90o. Este resultado mostrou-se estável com 1 ano de seguimento pós-operatório. O olho contralateral teve evolução similar. Mesmo realizando o CXL TE, oriento os pacientes que pode ser necessário procedimento de cross-linking, o que recomendo ser feito por Protocolo de Atenas em segundo tempo, no caso de haver progressão da ectasia, o que indico cerca de seis meses após a primeira cirurgia. O implante de lente fácica pode ser indicado quando a acuidade visual é satisfatória com a refração manifesta, o que indica que o implante será eficiente na correção do defeito refrativo residual. Este procedimento, essencialmente refrativo deve ser considerado terapêutico em casos de anisometropia com intolerância a lentes de contato. A cirurgia para casos de ceratocone ou outras ectasias deve ser considerada com o objetivo terapêutico,34 sendo a reabilitação visual e a estabilização da progressão ectásica. Enquanto durante minha residência, a cirurgia era exclusivamente o transplante, hoje há alternativas menos invasivas.35,36 Paradoxalmente, a cirurgia não deve ser realizada sem comprovação da sua necessidade, mas deve ser realizada o quanto antes quando há indicação.


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lentes de contato

Desempenho das lentes de contato de silicone hidrogel em intervalos de descarte recomendados Fabia Helena Silva Carvalho Crespo Oftalmologista, formada pela UNIRIO e atua como Consultora ora de Assuntos Médicos, na Johnson & Johnson Vision Care. Baseada no artigo Silicone hydrogel performance across recommended replacement intervals de Sheila Hickson-Curran, destaca os resultados de um recente estudo clínico multicêntrico que avaliou as diferenças subjetivas e objetivas entre duas lentes de silicone hidrogel de troca programada com diferentes intervalos de descarte.

O

s intervalos de substituição das lentes de contato gelatinosas caíram de um ano ou mais, na década de 70, para geralmente quatro semanas ou menos com as lentes atuais. Considerando que vários estudos sobre lentes de contato mostraram uma relação entre intervalos de substituição mais curtos e menores taxas de complicações,1,2,3 um ciclo de substituição de duas semanas pode oferecer vantagens quanto a fisiologia, qualidade de visão e conforto em relação a um ciclo de quatro semanas. Contudo, não foram realizados grandes estudos clínicos envolvendo lentes de silicone hidrogel para testar essa hipótese. Estudos in vitro também sugerem que o desempenho das lentes de contato de silicone hidrogel pode declinar ao longo do tempo,4,5 mas são necessários estudos clínicos para confirmar essa hipótese. Um estudo, conduzido recentemente nos EUA, foi delineado para testar duas lentes de contato de silicone

42 universovisual SETEMBRO 2015

O desempenho das lentes muda ao longo do tempo de uso hidrogel com diferentes intervalos de descarte e comparar seu desempenho, assim como para determinar como o desempenho de cada lente muda ao longo de sua vida útil recomendada pelo fabricante. PRINCIPAIS LENTES DE SILICONE HIDROGEL ESTUDADAS Em um estudo multicêntrico,indivíduo-mascarado, com idade entre 18 e 45 anos, os pacientes, já usuários de lentes de contato gelatinosas esféricas, foram rando-


Tingimento corneal Graduação média (0-3 por zona)

Figura 1: Tingimento corneal – No grupo das lentes de lotrafilcon B, o tingimento corneal aumentou significativamente entre o período basal e duas semanas e entre duas semanas e quatro semanas. As lentes de senofilcon A não demonstraram uma diferença significativa entre o período basal e duas semanas

mizados entre dois grupos: ou receberam uma lente de senofilcon A, com um intervalo de descarte recomendado de duas semanas (ACUVUE OASYS® com HYDRACLEAR PLUS®, Johnson & Johnson Vision Care), ou uma lente de lotrafilcon B, com um intervalo de descarte recomendado de um mês (AIR OPTIX® AQUA, Alcon®). Todos os indivíduos assinaram os termos de consentimento livre e esclarecido, e o estudo recebeu a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e foi registrado no www.clinicaltrials.gov.6 As avaliações basais foram feitas com os indivíduos usando suas lentes habituais. Os indivíduos foram instruídos a usar suas lentes por pelo menos uma hora antes desta visita. Eles foram, então, randomizados para um dos dois grupos de lentes, que foram entregues durante esta avaliação, de modo mascarado. Os indivíduos não viram o blister ou a caixa da lente, e desconheciam o intervalo de descarte da lente a ser usada. Cada centro de investigação entregou os dois tipos de lentes. Ambos os olhos foram adaptados com a mesma marca de lente, e os pacientes as utilizaram em esquema de uso diário. Os indivíduos puderam utilizar o sistema de cuidados para a limpeza e desinfecção das lentes com o qual estavam acostumados. Se os indivíduos estavam utilizando

Figura 2: Qualidade da visão – tanto as lentes de senofilcon A como as de lotrafilcon B mostraram um declínio ao longo do tempo

um sistema de cuidados impróprio ou nenhum sistema de cuidados, eles receberam a solução multi-propósito COMPLETE® Easy Rub® (Abbott Medical Optics). Todos os indivíduos foram avaliados na visita inicial, e nas de acompanhamento de uma semana e de duas semanas. Os usuários das lentes de lotrafilcon B foram também avaliados em quatro semanas. As principais avaliações clínicas foram: acuidade visual, avaliação do filme lacrimal e da adaptação da lente, umectação da superfície anterior da lente de contato, achados com a lâmpada de fenda (incluindo tingimento córneo-conjuntival), depósitos nas lentes de contato e queixas do paciente. Uma pesquisa por telefone foi realizada após uma e após duas semanas (para ambos os grupos), e após quatro semanas (para os usuários da lente de lotrafilcon B), para coletar dados subjetivos sobre as lentes em estudo. Os investigadores utilizaram fluoresceína, luz azul de cobalto, e um filtro amarelo para avaliar a coloração da córnea e da conjuntiva. O tingimento corneal foi graduado de acordo com a escala de referência do National Eye Institute (NEI) (0 a 3 em cada quadrante periférico, e 0 a 3 centralmente, para uma pontuação total máxima de 15). O tingimento conjuntival foi graduado em cada quadrante (superior, inferior, nasal, temporal) em uma escala de 0 Este artigo tem apoio educacional da Johnson & Johnson Vision Care SETEMBRO 2015 universovisual 43


lentes de contato

Figura 3: Conforto geral – tanto as lentes de senofilcon A como as de lotrafilcon B mostraram um declínio ao longo do tempo

a 4 (0= nenhum, 4= intenso). Os investigadores determinaram a umectabilidade da superfície anterior da lente de contato com base na aparência desta superfície e no tempo de ressecamento. Os resultados foram relatados em uma escala de 0 a 4 (0= muito pouca, 4= excelente). Os investigadores também mapearam a superfície das lentes quanto à presença de depósitos e registraram esses achados usando uma escala de 0 a 4 (0= sem depósitos, 4= grande quantidade de depósitos perceptíveis a olho nu). Um questionário modificado sobre olho seco relacionado a lente de contato (CLDEQ8) foi realizado na visita de 2 semanas para avaliar os sintomas de olho seco e o desconforto.7 A frequência de ressecamento e de desconforto foram medidos usando uma escala de 0 a 4 pontos (0= nunca, 4= constantemente); a intensidade de ressecamento e de desconforto ao final do dia foram medidos usando uma escala de 5 pontos (de 5= muito intenso, a 1= nada intenso). Estatística descritiva foi gerada para todos os indivíduos de acordo com o protocolo. Para as principais variáveis, foi utilizado um modelo linear misto para analisar as tendências entre as modalidades de lentes e as visitas, considerando a modalidade, a visita, o centro, e as interações da modalidade com a visita e as interações da modalidade com o centro, como efeitos fixos, e conside-

44 universovisual SETEMBRO 2015

Figura 4: Conforto ao final do dia – no grupo das lentes de lotrafilcon B, o conforto ao final do dia declinou significativamente entre 1 semana e 4 semanas. No grupo das lentes de senofilcon A, não foi observada nenhuma diferença significativa entre 1 semana e 2 semanas

rando o indivíduo como um efeito aleatório. Para outras variáveis, foi usado um modelo misto similar, excluindo a visita final, para analisar as tendências entre as modalidades na visita de 2 semanas. Um valor de p≤0,05 foi assumido para indicar uma diferença significativa. INDIVÍDUOS Ao todo, 379 indivíduos foram incluídos em 24 centros de investigação nos EUA. Sessenta e nove por cento dos indivíduos eram do sexo feminino. A faixa etária da população do estudo era de 18 a 45 anos, com uma idade média de 29,5 ± 6,9 anos (grupo do senofilcon A, 29,7 ± 7,0 anos; grupo do lotrafilcon B, 29,3 ± 6,9 anos). Sessenta e cinco por cento dos indivíduos usavam habitualmente lentes de contato de silicone hidrogel, e o restante, de hidrogel. Aproximadamente metade dos indivíduos (195, 51%) foi designada ao grupo das lentes de lotrafilcon B; os indivíduos restantes (184, 49%) receberam lentes de senofilcon A. Não houve diferenças significativas nas características iniciais (basais) entre os dois grupos. Dezenove indivíduos (5%) desistiram durante o estudo: 8 por motivos relacionados à lente (6 do grupo do lotrafilcon B e 2 do grupo do senofilcon A), 3 por motivos não relacionados à lente (1 do grupo do lotrafilcon B e 2 do grupo do senofilcon A), e 8 perderam o acompanhamento


Figura 5: A umectação da superfície frontal declinou significativamente ao longo do tempo em ambos os grupos de lentes

(5 do grupo do lotrafilcon B e 3 do grupo do senofilcon A). Onze eventos adversos foram registrados durante o estudo: oito (73%) estavam relacionados à lente e três (27%) não relacionados à lente. Dos 8 eventos adversos relacionados à lente, 7 ocorreram no grupo do lotrafilcon B; um desses (uma úlcera de córnea) foi um evento adverso grave.

Tingimento corneal inferior

Figura 6: Depósitos– no grupo das lentes de lotrafilcon B, estes aumentaram significativamente entre 2 semanas e 4 semanas

Em todas as lentes de contato, exceto em quatro delas, os investigadores julgaram a adaptação da lente como aceitável na visita de 2 semanas. As 4 adaptações inaceitáveis ocorreram no grupo do lotrafilcon B. DIFERENÇAS NO DESEMPENHO A variação da acuidade visual (AV) média de alto contraste ficou dentro de uma letra na linha de20/20 para ambas as modalidades de lente. No entanto, os indivíduos relataram melhor qualidade visual subjetiva com as lentes de senofilcon A (p=0,021). As avaliações subjetivas da visão em 1 e 2 semanas também mostraram desempenho significativamente melhor com as lentes de senofilcon A, tanto em termos de qualidade geral da visão (p=0,047 em uma semana; p=0,017 em duas semanas) e em inúmeras subescalas, incluindo “clareza da visão ao dirigir à noite” e “flutuação da visão”. Os indivíduos relataram conforto geral significativamente maior com as lentes de senofilcon A do que com as lentes de lotrafilcon B no dia em que receberam a lente, em 1 semana e em 2 semanas. Quando os investigadores aplicaram o questionário sobre olho seco (CLDEQ8) em 2 semanas, o grupo do senofilcon A teve significativamente melhores avaliações para frequência de ressecamento (p=0,0001), intensidade de Este artigo tem apoio educacional da Johnson & Johnson Vision Care SETEMBRO 2015 universovisual 45


lentes de contato ressecamento ao final do dia (p=0,0001), frequência de desconforto (p=0,0011) e intensidade de desconforto ao final do dia (p=0,0008). Houve também diferenças entre as duas lentes nas avaliações subjetivas para o conforto ao final do dia. Essa medida foi significativamente mais alta para as lentes de senofilcon A do que para as lentes de lotrafilcon B (p=0,0005). Além disso, os indivíduos classificaram as lentes de senofilcon A como tendo conforto ao final do dia significativamente maior quando comparado ao das lentes de lotrafilcon B em 1 semana (p=0,0010) e em 2 semanas (p=0,0002). Além de medir o conforto e a visão, este estudo também avaliou a hiperemia limbar, a bulbar e a palpebral; a irregularidade da conjuntiva tarsal superior, além do tingimento corneal e conjuntival. As análises estatísticas globais não encontraram diferenças significativas entre os grupos para qualquer uma dessas medidas. Quando foram analisados apenas os dados de 2 semanas, no entanto, ficaram evidentes algumas diferenças significativas. A hiperemia limbar, a bulbar e a palpebral foram todas mais altas no grupo da lente de lotrafilcon B (p=0,041, p=0,042 e p=0,041, respectivamente), assim como a irregularidade da conjuntiva tarsal superior (p=0,048), o tingimento conjuntival (p=0,043) e o tingimento corneal (p=0,024; Figura 1). Em geral, os investigadores classificaram a umectação da superfície frontal da lente de contato como significativamente melhor para as lentes de senofilcon A quando comparadas às lentes de lotrafilcon B (p=0,0054). Não houve diferenças significativas entre os grupos em relação aos depósitos na lente. DIFERENÇAS NO DESEMPENHO AO LONGO DO TEMPO Ambas as lentes mostraram um declínio significativo na qualidade da visão entre a adaptação e uma semana (p=0,013 para o senofilcon A; p<0,0001 para o lotrafilcon B; Figura 2). No grupo do senofilcon A, a qualidade da visão não mudou significativamente para o restante do ciclo de uso. No grupo do lotrafilcon B, a qualidade da visão subjetiva continuou a declinar significativamente entre 1 e 2 semanas (p=0,022), mas não mudou significativamente entre 2 e 4 semanas. Observando como o conforto mudou ao longo do tempo, os indivíduos relataram que as lentes de senofilcon A foram similarmente confortáveis entre a adaptação e 1 semana, mas houve um declínio significativo no conforto geral entre 1 semana e 2 semanas (p=0,0058). Comparativamente, as lentes de lotrafilcon B mostraram um declínio significativo no conforto entre a adaptação e 1 semana (p<0,0001) e entre 1 semana e 4 semanas (p=0,0092; Fi-

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gura 3). Não houve, no entanto, nenhum declínio significativo entre 2 semanas e 4 semanas. Os indivíduos relataram que o desempenho das lentes de senofilcon A em relação ao conforto ao final do dia em 1 semana foi aproximadamente o mesmo que com suas lentes habituais e não mudou significativamente entre 1 e 2 semanas. Nos indivíduos alocados para usar as lentes de lotrafilcon B, o conforto ao final do dia em 1 semana foi significativamente menor do que o conforto ao final do dia com suas lentes habituais (p<0,0001), e declinou significativamente entre 1 semana e 4 semanas (p=0,0079; Figura 4). Ambos os grupos mostraram reduções significativas na umectação da superfície frontal das lentes entre a adaptação e 2 semanas (p<0,0001 para ambos os grupos), e no grupo do lotrafilcon B houve também um declínio adicional na umectação da superfície frontal entre 2 semanas e 4 semanas (p=0,0001, Figura 5). Houve também um aumento significativo dos depósitos na lente entre 2 semanas e 4 semanas no grupo do lotrafilcon B (Figura 6). Os investigadores também encontraram alterações significativas nos achados da lâmpada de fenda ao longo do tempo. No grupo das lentes de senofilcon A, a hiperemia limbar, a hiperemia bulbar, a hiperemia palpebral e a irregularidade de conjuntiva tarsal superior foram significativamente reduzidas (indicando melhora) entre o período basal e 2 semanas, enquanto o tingimento conjuntival aumentou significativamente entre o período basal e duas semanas. No grupo das lentes de lotrafilcon B, a hiperemia palpebral e airregularidade de conjuntiva tarsalsuperior diminuíram significativamente entre o período basal e 2 semanas, mas ambas as medidas aumentaram então para quase os níveis basais em 4 semanas; o tingimento corneal e conjuntival aumentaram significativamente entre o período basal e 2 semanas, e o tingimento corneal continuou a aumentar significativamente entre 2 semanas e 4 semanas (Figura 1). IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Quando os dois grupos de lentes foram comparados ao longo de todos os momentos de avaliação, foram encontradas diferenças significativas na qualidade da visão, no conforto geral, no conforto ao final do dia e na umectação da superfície da lente. As diferenças no conforto e no conforto ao final do dia parecem particularmente dignos de nota devido ao desconforto associado à lente ser a principal causa de desistência de uso das lentes de contato.8 Considerando que a boa umectabilidade é essencial para um ótimo desempenho da lente de contato, a diferença na umectação da superfície anterior da lente pode ajudar a explicar parcialmente os achados de conforto. A boa umectabilidade não só é necessária para permitir que as


pálpebras se movimentem suave e confortavelmente sobre a lente,9,10 mas a umectabilidade também ajuda a promover um filme lacrimal intacto, o que pode contribuir para a diferença observada na qualidade da visão.11,12 Outras propriedades das lentes tais como o módulo, o coeficiente de fricção (CoF) e as características do desenho tal como o perfil da borda, são importantes para o conforto com a lente, algumas dos quais (CoF), podem ser influenciadas pelo uso.13 O estudo verificou que o conforto declinou em ambos os grupos de lentes através do ciclo de uso, embora tenha havido uma diferença em quando esse declínio ocorreu. No grupo das lentes de senofilcon A, que são projetadas para substituição a cada duas semanas, o conforto em 1 semana não foi significativamente diferente do conforto na adaptação, mas declinou significativamente entre 1 semana e 2 semanas. Nas lentes de lotrafilcon B, que são projetadas para descarte mensal, o conforto em 1 semana foi significativamente menor do que na adaptação e declinou ainda mais entre 1 semana e 4 semanas. Embora esses achados possam ajudar a esclarecer como o intervalo de descarte recomendado afeta o desempenho das lentes, este estudo tem limitações que devem ser consideradas. Especificamente, este estudo avaliou somente uma lente para cada intervalo de descarte e coletou dados ao longo de apenas um ciclo de uso. As diferenças nos sistemas de cuidados habituais empregados pelos indivíduos do estudo podem ter contribuído para achados específicos, embora a mistura de sistemas de cuidados tenha sido similar em ambos os grupos com a maioria dos indivíduos utilizando soluções multi-propósito de marcas de qualidade e aproximadamente 1 em 10 utilizando desinfecção com peróxido. O desenho robusto do estudo e o tamanho da amostra permitem que sejam detectadas pequenas diferenças no desempenho. Embora estatisticamente significativas, algumas diferenças foram clinicamente pequenas. Um estudo como este permite uma visão geral do que pode ocorrer com uma amostra de usuários habituais de lentes. As pequenas diferenças entre as lentes avaliadas podem ser reduzidas em algumas populações, mas podem ser ampliadas quando pacientes com fisiologia ocular, características de filme lacrimal ou hábitos de higiene abaixo do ideal usam lentes em uma situação fora de um estudo. As áreas de estudos futuros podem incluir uma faixa mais ampla de lentes, avaliando os usuários ao longo de um período mais longo, ou avaliando o desempenho do mesmo material ao longo de 2 semanas em comparação com o descarte em 4 semanas. Nosso estudo fornece alguma informação que pode ajudar a orientar a prática clínica. Devido às diferenças

gerais no desempenho entre as duas modalidades de lentes e às diferenças no modo como o desempenho das lentes muda ao longo do tempo, as lentes de senofilcon A mostraram melhor desempenho clínico para várias medidas. Esses dados sugerem que os médicos devem considerar o intervalo de descarte recomendado pelo fabricante, além da escolha da lente, ao prescrever lentes para um determinado paciente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1) Pritchard N, Fonn D, Weed K. Ocular and subjective responses to frequent replacement of daily wear soft contact lenses. CLAO J, 1996;22:53-59. 2) Donshik PC, Porazinski AD. Giant papillary conjunctivitis in frequent-replacement contact lens wearers: a retrospective study. Trans Am OphthalmolSoc, 1999;97:205- 216. 3) Solomon OD, Freeman MI, Boshnick EL, et al. A 3-year prospective study of the clinical performance of daily disposable contact lenses compared with frequent replacement and conventional daily wear contact lenses. CLAO J, 1996;22:250-257. 4) Subbaraman LN, Glasier MA, Senchyna M, et al. Kinetics of in vitro lysozyme deposition on silicone hydrogel, PMMA, and FDA groups I, II, and IV contact lens materials. Curr Eye Res, 2006;31:787-796. 5) Chow LM, Subbaraman LN, Sheardown H, et al. Kinetics of in vitro lactoferrin deposition on silicone hydrogel and FDA group II and group IV hydrogel contact lens materials. J BiomaterSciPolym Ed, 2009;20:71-82. 6) Clinical Performance Comparison of Two Contact Lenses. www. clinicaltrials.gov/ct2/ show/NCT00975585?term=NCT00975585&rank=1. 7) Chalmers RL, Begley CG. Dryness symptoms among an unselected clinical population with and without contact lens wear. Cont Lens Ant Eye, 2006; 29:25-30. 8) Pritchard N, Fonn D, Brazeau D. Discontinuation of contact lens wear: a survey. Int Contact Lens Clin, 1999;26:157- 162. 9) Hom MM, Bruce AS. Prelens tear stability: Relationship to symptoms of dryness. J Am OptomAssoc, 2009;80:181-184. 10) Begley C, Renner D, Wilson G, et al. Ocular sensations and symptoms associated with tear break up. AdvExp Med Biol, 2002;506(Pt B):1127-1133. 11) Timberlake GT, Doane MG, Bertera JH. Short-term, low contrast visual acuity reduction associated with in vivo contact lens drying. Optom Vis Sci, 1992;69:755- 760. 12) Tutt R, Bradley A, Begley C, et al. Optical and visual impact of tear break-up in human eyes. Invest Ophthalmol Vis Sci, 2000;41:4117-4123. 13) Brennan N. Contact lens based correlates of soft lens wearing comfort. Optom Vis Sci, 2009; 86: E-abstract 90957. ■

Baseado em artigo originalmente publicado como: Hickson-Curran, S. Silicone hydrogel performance across recommended replacement intervals. Optician 2013; 245, 6387: 15-19. Este artigo tem apoio educacional da Johnson & Johnson Vision Care SETEMBRO 2015 universovisual 47


retina

Arquivo pessoal

Células-tronco para tratamento de doenças da retina – Estudos Clínicos

Rubens Camargo Siqueira Especialista em Retina com doutorado e pós-doutorado em medicina pela Universidade de São Paulo-USP - Ribeirão Preto e orientador da pós-graduação (USP e FAMERP) com linha de pesquisa na área de implante intraocular de liberação de medicamentos e terapia celular com uso de células-tronco. É autor de cinco livros de oftalmologia

A

INTRODUÇÃO terapia celular com uso de células-tronco consiste em uma grande esperança para tratamento de diferentes doenças da retina, especialmente doenças degenerativas, que geralmente levam à perda irreversível da visão. O tratamento destas enfermidades ainda consiste em um grande desafio dentro da pesquisa oftalmológica. Avanços na cirurgia de retina, diagnóstico por imagem e análise funcional têm levado ao desenvolvimento de modalidades futuristas de tratamento, como terapia genética e implantes microeletrônicos. Recentes avanços na terapia genética, como por exemplo para tratamento da amaurose congênita de Leber e coroideremia, têm despertado grande entusiasmo para uma cura em potencial destas distrofias consideradas irreversíveis. Além disso, a demonstração de que implantes microeletrônicos da retina (microchip) podem estimular neurônios em

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condições degenerativas da retina com possibilidade de formação de imagens, mesmo que de qualidade limitada, abriu novas possibilidades a serem exploradas, com a criação de interface entre neurônios biológicos, circuitos eletrônicos e visão artificial. Quanto à possibilidade da terapia celular com uso de células, observamos que quando comparamos com outros tecidos, a retina tem vantagens únicas como um alvo para esta modalidade de tratamento. Além de a retina ser um tecido acessível, o refinamento das técnicas de cirurgia vitreorretiniana possibilitou o transplante de células em localizações específicas da retina. Outro aspecto relevante é que o privilegio imune do olho pode reduzir a rejeição de células transplantadas. E por fim, as numerosas ferramentas disponíveis para analisar a estrutura ocular, como a tomografia de coerência óptica (OCT), angiografia fluoresceínica, OCT angiografia, eletrorretinograma multifocal e adaptive optics retinal


imaging permitiram uma correlação entre estrutura e função sem paralelos. Estas vantagens fizeram com que as doenças da retina se tornassem pioneiras em estudos clínicos no campo da terapia celular. CAMINHOS DA TERAPIA CELULAR PARA TRATAMENTO DAS DOENÇAS DA RETINA A terapia celular com uso de células-tronco para tratamento das doenças da retina possui dois caminhos principais: a terapia regenerativa, ou de reposição celular, e a Trófica, ou de resgate funcional. A terapia regenerativa consiste em fazer a reposição celular, que é no fundo o que todos sonhavam para o tratamento com células-tronco, ou seja, substituir uma célula danificada irreversivelmente ou morta por uma célula nova com capacidade funcional. Para isso é necessário utilizar células-tronco de alto potencial de diferenciação, como por exemplo as células-tronco embrionárias. A outra forma de terapia celular utilizando células-tronco é a terapia trófica ou também conhecida como de resgate funcional. Este tipo de terapia celular é o mais utilizado atualmente em todas as especialidades médicas devido a sua maior facilidade para obtenção das células quando comparada com o outro tipo de células-tronco. Nesta modalidade, utilizam-se células-tronco denominadas adultas, que podem ser obtidas, por exemplo, da medula óssea, gordura, dente de leite e cordão umbilical. Estas células possuem uma menor capacidade de diferenciação celular, ou seja, de se transformarem, por exemplo, em uma célula da retina, quando comparadas com as células-tronco embrionárias, porém elas produzem vários fatores de crescimento, como fator neurotrófico, dentre outros, alterando o microambiente celular, liberando citocinas e melhorando interações célula-célula, podendo melhorar a performance celular da retina e sua sobrevivência. Por isso esta terapia é chamada de trófica ou de resgate funcional. Este mecanismo trófico que as células-tronco possuem é denominado efeito parácrino. Esta técnica de terapia celular que usa a medula óssea como fonte de células-tronco é bem conhecida, pois é utilizada há mais de 40 anos para tratamento de doenças hematológicas como a leucemia e tem a grande vantagem de no caso da terapia da retina, não ter rejeição, pois as células são retiradas do próprio paciente e também de não formarem tumores (risco este das células embrionárias e células-tronco pluripotentes induzidas - IPS); portanto trata-se de uma técnica segura e já bem conhecida no laboratório de terapia celular.

LOCAIS DOS ESTUDOS CLÍNICOS COM USO DE CÉLULAS TRONCO PARA TRATAMENTO DE DOENÇAS DA RETINA

fonte: ttps://clinicaltrials.gov/

Mapa mostrando os locais de estudo clínico com uso de células-tronco para tratamento de doenças da retina – 61 estudos registrados

ESTUDOS CLÍNICOS UTILIZANDO CÉLULAS-TRONCO ADULTAS (TERAPIA TRÓFICA OU DE RESGATE FUNCIONAL) Vários estudos clínicos estão sendo realizados atualmente para avaliar segurança e eficácia do uso de células-tronco para tratamento de doenças da retina. No Brasil estamos realizando desde 2009, em Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo-USP, três estudos clínicos com uso de células-tronco derivadas da medula óssea para tratamento de doenças da retina que foram autorizados pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa e registrados no clinicaltrial.gov e são eles: terapia celular para tratamento de retinose pigmentar (ClinicalTrials. gov:NCT01068561), degeneração macular ((NCT01518127)) e retinopatia isquêmica, que inclui retinopatia diabética (NCT01518842). Os resultados iniciais destes estudos foram publicados demonstrando segurança e eficácia da injeção intravítrea de células-tronco hematopoiéticas derivadas da medula óssea (CD34) em pacientes com distrofia da retina (especialmente retinose pigmentar). Estes pacientes apresentaram melhora da sensibilidade da retina avaliada pela microperimetria e também na qualidade de vida, identificada três meses após a terapia. Foi observada também melhora no edema de macula associado a retinose pigmentar e em portadores de retinopatia diabética.

SETEMBRO JANEIRO 2015 2011 universovisual 49


retina

Outro grupo da Department of Ophthalmology and Vision Science, University of California-Davis Eye Center, EUA, iniciou protocolo semelhante ao nosso do Brasil e tratando também as três doenças (degeneração macular, retinose e retinopatia isquêmica). Os resultados iniciais de segurança e eficácia também foram semelhantes, como melhora na microperimetria e, nos pacientes com degeneração macular, a melhora também da acuidade visual. Neste estudo estão aumentando a concentração das células CD34 derivadas da medula óssea utilizando a técnica de seleção imunomagnética na tentativa de aumentar a eficácia do tratamento. Em ambos os estudos, a via utilizada foi a intravítrea, pois comparada com a via sub-retiniana, é mais segura e utilizada de rotina nas clínicas de retina. Outros grupos utilizando esta técnica estão iniciando estudo clínico e são eles: Rede de Terapia Celular de Murcia, Espanha, para tratamento de retinose pigmentar, Mahidol University na Tailândia, Chaitanya Hospital, Pune, na Índia e na Al-Azhar University, na Arábia Saudita, para tratamento de DMRI seca. Entretanto, existe alguma controvérsia com a relação ao uso intravítreo de células-tronco, como por exemplo o tempo de sobrevida destas células na cavidade vítrea, a habilidade destas células penetrarem na retina, a capacidade de transdiferenciação em células da retina e também se os fatores neurotróficos que são produzidos por estas células agem na retina e seu tempo de ação. Outra fonte de células-tronco também com capacidade trófica são as células-tronco derivadas do cordão umbilical. A Janssen Research and Development (Philadelphia, PA, USA), um braço de pesquisa da Johnson & Johnson, iniciou um estudo clínico utilizando células derivadas do cordão umbilical denominadas CNTO 2476, em pacientes com degeneração macular relacionada com a idade na forma seca. Estas células são injetadas por meio de um cateter que caminha no espaço supracoróideo até atingir o espaço sub-retiniano na região macular. Até o momento, observou-se que 25% tiveram ganho visual, mas 15% apresentaram descolamento da retina decorrente de complicação desta via de injeção. ESTUDOS CLÍNICOS COM TERAPIA REGENERATIVA E REPOSIÇÃO CELULAR Para a terapia regenerativa ou de reposição celular é necessária a utilização de células-tronco de alto potencial de transdiferenciação (pluripotentes) e para isso atualmente duas células estão sendo utilizadas. A primeira

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é a célula-tronco embrionária, assim denominada por possuir a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula adulta. Estas células são encontradas no embrião apenas quando este se encontra no estágio de blastocisto (quatro a cinco dias após a fecundação). Estas células, apesar do grande potencial, têm dois problemas principais: o primeiro é o risco de formação de tumor e o segundo a rejeição, por não serem retiradas do próprio paciente. O primeiro teste clínico aprovado com uso de células-tronco embrionárias humanas (hESC) no olho foi iniciado em 2011 pela empresa Advanced Cell Technology (ACT), agora conhecida como Ocata Therapeutics. Esta empresa conseguiu liberação para estudo clínico porque obteve células do epitélio pigmentado da retina (EPR) a partir das células-tronco embrionárias, ou seja, o que seria injetado nos pacientes seria uma célula diferenciada e não uma pluripotente, que possui riscos de formação tumoral. Na fase 1/2 do estudo clínico, estas células do EPR derivadas das hESC foram injetadas no espaço sub-retiniano em pacientes com doença de Stargardtd e degeneração macular relacionada com a idade atrófica Estes estudos possuem também um escalonamento da dose das células injetadas. Reportagens iniciais relatam a segurança do procedimento e apesar do objetivo inicial do estudo ter sido a segurança, dois pacientes apresentaram melhora da acuidade visual. Um estudo clínico semelhante foi iniciado também pela CHA Stem Cell Institute, CHA Biotech Co., Ltd. na Coreia do Sul, com resultados iniciais mostrando melhora da acuidade visual em dois pacientes com degeneração macular. Além disso, a Ocata revelou planos de iniciar um estudo clínico com produtos das células do EPR para tratamento da degeneração macular miópica. Mais recentemente, a Cell Cure Neurosciences, uma subsidiária com propriedade majoritária da BioTime, recebeu autorização de ambos, FDA e do Ministério da Saúde de Israel, para iniciar um estudo clínico fase 1/2a na DMRI seca e está atualmente recrutando pacientes na Universidade de Hadassah, em Jerusalém. A outra opção para terapia regenerativa são as células-tronco pluripotentes induzidas, também conhecidas como células iPS ou iPSCs, pela sua origem do inglês induced pluripotent stem cells, que são um tipo de células-tronco pluripotentes produzidas artificialmente de uma célula-tronco não pluripotente, tipicamente de uma célula somática adulta, que sofre no laboratório uma indução “forçada” de certos genes, levando à transformação desta


retina

célula em uma célula-tronco de grande potencial, semelhante à embrionária. Esta célula IPS, com grande potência, possui duas vantagens com relação às células-tronco embrionárias, que são: não apresentam rejeição pelo fato de serem obtidas do próprio paciente e não apresentam grande questão ética, pois não necessitam ser obtidas de embriões. O desenvolvimento desta tecnologia rendeu o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina para o médico e pesquisador japonês Shinya Yamanaka em 2012. A Riken, uma empresa de biotecnologia no Japão, desenvolveu sistema para produzir células do EPR a partir das células IPS para uso na DMRI seca aproveitando a tecnologia de Yamanaka. O estudo clínico para tratamento de degeneração da retina teve início em setembro de 2014 e as células estão sendo transplantadas para o espaço sub-retiniano em um “tablete” 1.3 x 3.0 mm, sem complicações cirúrgicas avaliadas nos casos iniciais. Outra forma de células-tronco são as células-tronco neurais. A empresa StemCells, Inc. – USA, está testando células-tronco neurais obtidas de feto humano em pacientes com DMRI seca. Estas células são injetadas em suspensão no espaço sub-retiniano. O estudo foi iniciado em junho de 2012 na Retina Foundation of the Southwest, EUA. Os resultados iniciais mostraram segurança, atraso na progressão da degeneração e melhora na sensibilidade ao contraste. E por fim as células progenitoras da retina, que podem ser obtidas da retina fetal, ou, recentemente descrito, por meio de cultura das células-tronco do tecido adiposo, técnica esta desenvolvida no Centro de Pesquisa em Engenharia de Tecidos e Tratamentos Celulares (CIITT) da Universidade Maimónides, de Buenos Aires. O primeiro estudo clínico aprovado pelo FDA utilizando células progenitoras da retina teve início este ano em junho, com uma parceria entre o laboratório da Universidade da Califórnia, Irvine (UCI) e a empresa “startup” jCyte, juntamente com o California Institute of Regenerative Medicine (CIRM), EUA. Nesse estudo as células derivadas do tecido fetal são injetadas na cavidade vítrea de pacientes portadores de retinose pigmentar por meio de uma suspensão celular. Os sítios clínicos desta fase 1/2a incluem Gavin Herbert Eye Institute na UCI e o Retina-Vitreous Associates Medical Group em Los Angeles, EUA. A terapia celular com uso de células-tronco já é uma realidade nos estudos clínicos e existe uma grande esperança de sua disponibilidade em breve para a prática clínica.

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glaucoma

OCT de segmento anterior e glaucoma Arquivo pessoal

Precisamos mesmo desta tecnologia?

Christiana Rebello Hilgert Mestre em Oftalmologia – EPM – Unifesp Preceptora do Departamento de Glaucoma da Santa Casa de Campo Grande Chefe do Departamento de Glaucoma do Instituto da Visão de MS

O

diagnóstico do fechamento angular, não infrequente em nossa prática, depende inteiramente de uma análise confiável das características do seio camerular e da presença de contato iridotrabecular. Até pouco tempo atrás, esta análise era realizada por meio da gonioscopia e UBM, este último, de difícil acesso para grande parte dos oftalmologistas. Mais recentemente, o uso da Tomografia de Coerência Óptica (OCT) para a avaliação do segmento anterior tornou-se mais acessível devido à incorporação desta ferramenta nos já populares OCTs de segmento posterior. Os aparelhos de OCT utilizam interferometria de baixa coerência para obter múltiplos A scans que, alinhados, constroem imagens em 2 ou 3 dimensões da área estudada. Nos OCTs de domínio espectral é possível uma resolução axial de 15 a 8 µm, realizando de 26 a 40.000 A scans por segundo e utilizando luz com comprimento de onda de 830 nm e, mais recentemente, 1.310 nm (OCT Swept Source).

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O marco anatômico mais importante neste exame é o esporão escleral e, uma vez localizado, as demais estruturas angulares são definidas. Entretanto, em 20% dos casos o esporão não é visualizado, prejudicando a quantificação dos achados. A utilização de OCT de alta definição preencheu esta lacuna, localizando também, com precisão notável, a linha de Schwalbe (figura 1).1 Uma vez localizado o esporão, dados inéditos como área do recesso do ângulo, área entre a íris e o trabeculado, largura da câmara anterior, abertura angular, vault do cristalino são obtidos e podem ser analisados, ampliando nosso entendimento sobre o fechamento angular (figura 2).2 Os pontos fortes desta tecnologia são, além da altíssima resolução, a aquisição de imagens instantâneas e reprodutíveis, que podem ser analisadas qualitativamente e quantitativamente no decorrer do tempo. Isto nos permite avaliar, por exemplo, se as estruturas estudadas estão se modificando, e em que velocidade,


Figura 1: Linha de Schwalbe (SL) e esporão escleral (SS) em OCT de alta definição (Tun e cols) 1

Figura 2: Vault do Cristalino e distância entre esporões esclerais opostos (Nongpiur e cols ) 3


glaucoma

Figura 3: Glaucoma Facomórfico com sinéquias e iridotomia pérvia

nos auxiliando na tomada de decisões. Os pontos fracos em relação à gonioscopia são, além do custo mais alto, a incapacidade de visualização direta das estruturas angulares e de pigmentos e neovasos. Em relação ao UBM, o OCT tem a desvantagem de não permitir a avaliação de estruturas retroirianas, como o corpo ciliar e sulco ciliar, cistos e tumores, por exemplo. Do ponto de vista da execução do exame podemos destacar a curva de aprendizado suave e o conforto ao paciente durante o mesmo, por tratar-se de uma técnica de não contato. Desta forma, a avaliação pode ser repetida inúmeras vezes, sem stress adicional ao paciente. A literatura tem nos mostrado aplicações crescentes desta ferramenta, nos auxiliando no estudo dos mecanismos do glaucoma, principalmente em casos de Glaucoma Primário de Ângulo Fechado e risco de fechamento angular. Podemos estudar a relação entre a íris periférica e o trabeculado, a presença e extensão de sinéquias e a relação entre o cristalino e a íris na fisiopatologia do glaucoma. Trabalhos recentes inclusive demonstram, utilizando esta tecnologia, o vaulting do cristalino e a menor distância entre os esporões esclerais como fatores de risco independentes para o fechamento angular.3 Outras aplicações incluem os glaucomas facomórficos; avaliação da extensão de sinéquias anteriores (figura 3); estudo do efeito da iridotomia a laser na abertura angular, e ainda a avaliação de ampolas filtrantes, relacionando seus aspectos tomográficos ao prognóstico

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Figura 4: Ampola Filtrante funcionante pós trabeculectomia

de sobrevida das fístulas antiglaucomatosas (figura 4)4,5, entre muitos outros. Embora já existam autores que advogam o uso desta tecnologia como a abordagem inicial na avaliação do seio camerular (principalmente em populações onde a prevalência de fechamento angular é alta), esta conduta traz consigo o risco de ocorrer um desinteresse crescente no aprendizado e execução da gonioscopia, exame que requer treino, tempo e cooperação do paciente. O OCT de segmento anterior, mesmo sendo uma formidável ferramenta que deve ser progressivamente empregada, complementa, mas não substitui, a avaliação inicial do seio camerular que deve ser feita com a gonioscopia. A gonioscopia continua sendo parte indispensável e primordial na propedêutica do glaucoma. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Tun TA, Baskaran M, Zheng C, Sakata LM, Perera SA, Chan AS et al. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol 2013 Jun;251(6):1587-92. 2. Kim DY, Sung KR, Kang SY et al. Acta Ophthalmol 2011 Aug;89(5):435-41. 3. Nongpiur ME, Sakata LM, Friedman DS et al. Ophthalmology 2010;117:1967-1973. 4. Nakano N, Hangai M, Nakanishi H et al. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol 2010;2481173-1182. 5. Singh M, Chew PT, Friedman DS et al. Ophthalmology 2007;114:47-53. ■


notícias e produtos

Livro destaca revolução na cirurgia de catarata O oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares, acaba de lançar o livro Cirurgia de Catarata com Femtosegundo, CICAFE, pela editora Cultura Médica. Segundo Centurion, o livro reflete o momento atual em que a comunidade oftalmológica debate o emprego do femtosegundo na cirurgia de catarata. “É uma evolução? Trata-se de um modismo? É uma verdadeira revolução? Quais as vantagens reais para os pacientes da adoção dessa tecnologia? Se a catarata é a maior causa de cegueira reversível do mundo, todos os pacientes terão a chance de usufruir das vantagens dessa nova tecnologia?”. “O livro foi escrito com o propósito de compartilhar com outros cirurgiões a minha experiência em relação à introdução da tecnologia femtosegundo no Brasil, cujo refinamento cirúrgico é a obtenção de um equivalente esférico refracional pós-operatório de + 0,50 dioptrias e um índice de satisfação subjetivo acima dos 95% dos pacientes operados de catarata e/ ou cirurgia refrativa intraocular. Quanto mais cirurgiões estiverem empregando a nova tecnologia, maiores serão os avanços

tecnológicos e mais consistentes serão os resultados dos pacientes”. Também enumera as dificuldades na introdução das novas tecnologias na oftalmologia no Brasil, “resultantes de políticas discutíveis na saúde e na política externa do país que acarretam atrasos na introdução de novas formas terapêuticas numa média de 2 anos, em detrimento da saúde da população e do avanço científico do país”. Didaticamente, discorre como é a curva de aprendizado, as situações especiais para o emprego da tecnologia e as controvérsias que cercam o tema.

Imagens: Divulgação

TECNOLOGIA E DESIGN REVOLUCIONÁRIOS

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A Mediphacos acaba de trazer ao Brasil o equipamento R-Evolution, um vitreófago e facoemulsificador italiano, que será o up grade do atual Pulsar 2 já distribuído no Brasil desde 2009. O R-Evolution é um sistema para procedimentos cirúrgicos dos segmentos anterior e posterior. O design do R-Evolution, criado pelo conceituado Studio Italiano Giugiaro, combina beleza, praticidade e ergonomia em suas linhas suaves e funcionais. A alta performance fluídica do R-Evolution é concebida com a otimização de três tipos de bombas de aspiração: Peristaltica, Venturi e Rotary Vane e um avançado sistema anti-collapse com funcionamento hidráulico e eletrônico que mantém sempre a estabilidade da câmara mesmo em níveis elevados de vácuo. As soluções cirúrgicas Optikon, patenteadas, abrangem as principais áreas: o sistema de dupla iluminação Xenon com temperaturas de trabalho e filtros independentes reduzem a phototoxidade na retina; o sistema A.D.C (Asymetrical Duty Cycle) para vitrectomias do segmento posterior otimiza a aspiração/corte; o sistema Minimal Stress® controla a emissão de energia de ultrassom durante a cirurgia de catarata.


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Proclear® 1 day ideal para o dia-a-dia A CooperVision, traz para o Brasil uma das lentes de contato de descarte diário de maior sucesso na Europa e Estados Unidos: Proclear® 1 day. Com a exclusiva PC Technology a lente Proclear® 1 day atrai naturalmente as moléculas de água para a superfície das lentes, reduzindo a desidratação e proporcionando uma sensação de frescor aos usuários. As lentes de contato de descarte diário fazem parte do segmento que mais cresce em todo o mundo e, nada melhor do que poder oferecer um produto diferenciado para esse público. Proclear® 1 day é capaz de reter até 96% de seu conteúdo original de água, mesmo após 12 horas de uso. Além disso, ela é a única lente de descarte diário que tem aprovação do FDA americano para casos de ressecamento ocular relacionados ao uso de lentes de contato. Como nesse primeiro momento somente a lente esférica estará disponível, Proclear® 1 day proporcionará mais conforto, praticidade e saúde ocular aos usuários míopes e hipermétropes além de mais segurança para o oftalmologista.

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NEOVITE VITE MAX

A Bausch + Lomb, lança uma evoevo lução em sua fórmula de suplementação antioxidante: Neovite Max, que tem maiores concentrações de Luteína e de Zeaxantina, carotenoides que filtram a luz azul e possuem ação antioxidante. Além da Luteína FloraGlo, que proporciona uma melhor absorção da Luteína. Não contém vitamina A nem Betacaroteno, que podem favorecer o desenvolvimento de câncer de pulmão em fumantes e ex-fumantes. As cápsulas do Neovite Max são gelatinosas, pequenas e de fácil deglutição. Disponível em apresentações de 30 e 60 cápsulas.

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notícias e produtos

NOVO CEO A União Química anuncia a chegada do Dr. Alexander Triebnigg como novo CEO. O executivo acumula mais de 25 anos de experiência no mercado farmacêutico brasileiro e europeu. Foi presidente da Novartis no Brasil e em Portugal, presidente do grupo Panpharma/Oncoprod, da Thermo Fisher na Alemanha e ocupou cargos de liderança na Merck & Co. na Europa. Médico com formação executiva pela Harvard Business School, Alexander Triebnigg chega com o objetivo de buscar novos modelos de negócio para a União Química, formar novas parcerias internacionais para produtos inovadores e produção de medicamentos. Segundo o executivo, a União Química tem uma longa tradição de excelência na produção

de medicamentos. “Com plantas modernas e uma equipe altamente qualificada, a empresa é referência em qualidade na fabricação de medicamentos assim como na capacidade de executar com êxito grandes projetos inovadores”, afirma Alexander Triebnigg. “Esses diferenciais nos qualificam a produzir para outras grandes indústrias, a exemplo do modelo de negócio desenhado junto a Novartis” conclui.

Estojo ideal para lentes de contato escleral

A Look Vision apresenta o estojo para lentes de contato Top Line em conjunto com a Ventosa Escleral, produtos ideais para o uso da lente de contato escleral. O estojo é antialérgico e possui o Nanox (proteção antimicrobiana), e também proteção UVA e UVB. A Ventosa Escleral é 100% silicone que simplifica a inserção e remoção das lentes esclerais ou próteses.

ABBOTT LANÇA NOVAS TECNOLOGIAS PARA CIRURGIA DE CATARATA A cirurgia de catarata tem evoluído constantemente no que diz respeito à técnica, equipamentos, materiais e lentes utilizadas. Acompanhando essa demanda, a Abbott traz para o Brasil tecnologias que vão beneficiar milhares de pacientes com catarata: as novas lentes intraoculares multifocais TECNIS® Low Add (+2,75 e +3,25); e a lente TECNIS® Symfony Tórica. “As novidades chegam para ampliar o portfólio de lentes que a Abbott oferece, proporcionando ao médico, mais opções de tratamento, para que ele possa, cada vez mais, atender ao estilo de vida de cada paciente e suas expectativas”, explica Isabella Stricher, Gerente de Produto da AMO. TECNIS® Low Add: A família de lentes intraoculares multifocais TECNIS® ganhou duas novas integrantes – TECNIS® +2.75 e TECNIS® +3.25 – que proporcionam uma visão mais nítida, de acordo com o estilo de vida de cada paciente. TECNIS® Multifocal +2,75 - Para pacientes que preferem as atividades como ler as etiquetas de preço no supermercado ou enxergar o painel do carro enquanto dirige (distância de 50 cm). TECNIS® Multifocal +3,25 – Para pacientes que preferem atividades em uma distância a 42 cm, como trabalhar no laptop ou ler no tablet ou celular. A linha TECNIS® ainda tem em sua família, a TECNIS® +4.0, para pacientes que buscam a visão de perto para realizar atividades como bordado, patchwork, crochê, entre outras, a uma distância de 33 cm.

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Já a TECNIS® Symfony Extended Range of Vision (Amplo Alcance de Visão) lançada em fevereiro de 2015 agrega agora a sua versão da LIO TECNIS® Symfony Tórica Extended Range of Vision. A tecnologia da LIO TECNIS® Symfony é a primeira e única opção de lente para o tratamento da presbiopia que, além de proporcionar visão de alta qualidade em qualquer condição de luz e por toda a sua extensão, agora também corrige o astigmatismo, oferecendo maior independência dos óculos para longe, perto e visão intermediária – com a incidência de halos e glare comparáveis à uma LIO Monofocal. As lentes da família LIO TECNIS® Symfony contam com a junção de duas tecnologias inovadoras e patenteadas pela Abbott – Design Echellete e a Tecnologia Acromática -, que proporcionam o amplo alcance de visão, entrega de sensibilidade ao contraste equivalente à LIO TECNIS® Monofocal e corrige a aberração cromática dos pacientes.

Extended Range of Vision IOL


dicas da redação

De olho em Florianópolis

A ilha da magia encanta por suas belezas naturais

Fotos: Divulgação: Santur

LUCIANA RODRIGUEZ

Panorâmica da cidade de Florianópolis

A

cidade de Florianópolis sediará o próximo Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que acontecerá entre os dias 2 e 5 de setembro no centro de convenções CentroSul. Capital do Estado de Santa Catarina, Florianópolis está localizada no litoral, tendo por característica uma parte insular (ilha de Santa Catarina) e outra parte continental, incorporada à cidade em 1927, com a construção da ponte pênsil Hercílio Luz (820 m de comprimento), que liga a ilha ao continente. Atualmente a cidade possui mais de 460 mil habitantes. Localizada entre 20 e 40 metros de altitude, a capital catarinense é varrida por ventos muito variáveis e possui um clima subtropical úmido, com farta distribuição anual de chuvas. Sua região abrange 42 praias, o que contribui para tornar-se a principal capital turística do Mercosul, principalmente com a visitação de argentinos, gaúchos e paulistas. Os bairros foram se formando a partir de ruas ou avenidas projetadas entre o mar e as encostas dos morros. Apesar das sensíveis modificações de construções mais recentes, a paisagem urbana preserva muito do aspecto arquitetônico colonial.

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Florianópolis é uma das três capitais insulares do Brasil. Antigas lendas contam que durante a Inquisição europeia de caça às bruxas, muitas fugiram para ilhas remotas e algumas delas chegaram a Florianópolis junto com os colonizadores açorianos, por isso é conhecida como a Ilha da Magia. Lendas à parte, o lugar realmente parece mágico por suas belezas naturais e atrai milhares de turistas, especialmente por suas famosas praias Jurerê, Canasvieiras, Ingleses, Armação, entre outras. Aliada a esse cenário, a beleza da Lagoa da Conceição, a 13 quilômetros de distância do centro, onde nos seus arredores permanece a tradição das rendas de bilros. Completam ainda esse lindo cenário os monumentos históricos da cidade, dentre os quais destacam-se a casa do pintor Victor Meirelles, os fortes e a Catedral Metropolitana. BREVE HISTÓRICO Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis, que praticavam a agricultura e tinham como principal forma de subsistência a pesca e a coleta de moluscos. No início do século XVI, embarcações aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecimento, mas é somente


dicas da redação

forças comandadas pelo Marechal Floriano Peixoto determinaram a mudança do nome da cidade para Florianópolis, em 1894 – uma homenagem ao oficial. Profundas mudanças, especialmente no que se refere à construção civil marcaram a cidade no início do século XX. A implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos somaram-se à construção da Ponte Governador Hercílio Luz, como marcos do processo de desenvolvimento urbano. O forte da economia da cidade são as atividades do comércio, prestação de serviços públicos, indústria de transformação e turismo.

Fortaleza de São José de Ponta Grossa

por volta de 1675 que o local realmente começou a ser habitado. Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, deu início à povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis). Devido à sua posição estratégica, a ilha de Santa Catarina passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737 e fortalezas são erguidas para defesa do seu território. Esse fato resultou em um importante passo na ocupação da ilha, com prosperidade na agricultura e na indústria manufatureira de algodão e linho, permanecendo resquícios desse passado no que se refere à confecção artesanal da farinha de mandioca e das rendas de bilro até os dias de hoje. No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade e tornou-se capital da província de Santa Catarina em 1823. Deu-se então um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. Nesse momento houve a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos e outras obras urbanas. Outro destaque foi a modernização política e a organização de atividades culturais, dentre os pontos auges os preparativos para a recepção do imperador D. Pedro II em 1845. Em 1889, com o advento da República, houve um afastamento entre as resistências locais e o governo, o que culminou na diminuição de investimentos. A vitória das

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O QUE FAZER NA CIDADE? O jornal The New York Times apontou Florianópolis como um dos melhores destinos para festas no mundo. A revista norte-americana Newsweek a considerou uma das dez cidades mais dinâmicas do mundo em 2006. A cidade tem bares e beach clubs em Jurerê e no centro, beira-mar norte e próximo à Lagoa da Conceição, onde acontecem diferentes programações o ano todo. Praias Florianópolis tem praias com diferentes características e, por essa razão, costuma atender a todos os gostos: das mais badaladas como Jurerê Internacional e Praia Brava (norte da Ilha), até as mais selvagens e intocadas, como Naufragados, Solidão e Lagoinha do Leste (sul da Ilha). Há praias ideais para o surfe, como Joaquina, Campeche, Mole, Barra da Lagoa e Moçambique (leste da Ilha); Morro das Pedras, Armação e Matadeiro (sul da Ilha); além de Ingleses e Santinho (norte da Ilha). Para famílias com crianças pequenas, a recomendação são as praias de mar calmo, como Jurerê, Daniela, do Forte, Canasvieiras, Ponta das Canas, Lagoinha e Cachoeira do Bom Jesus (norte da Ilha) e Pântano do Sul e Açores (sul da Ilha). Ecoturismo e Esportes de Aventura Existe ainda a opção de ecoturismo e esportes de aventura. A cidade possui cenários deslumbrantes para a prática de trekking, rapel, cascading, canyoning e tirolesa. Entre esses cenários, destacam-se a Lagoa do Peri e as praias do Santinho, Lagoinha do Leste e Naufragados. A Costa da Lagoa e a Ilha do Campeche também oferecem trilhas em meio a muita natureza. Já a Lagoa da Conceição é muito procurada pelos adeptos do windsurfe e kitesurfe, assim como as praias do Mo-


dicas da redação

também abriga a Biblioteca Pública de Santa Catarina, a maior e mais antiga do Estado.

Casa da Alfândega e Mercado Público ao fundo

Teatro Existem três teatros, que variam de médio a grande porte: Teatro Ademir Rosa (Centro Integrado de Cultura), Teatro Álvaro de Carvalho (Praça Pereira Oliveira) e Teatro Pedro Ivo Campos (Centro Administrativo do Estado). Existem ainda outras opções, porém com salas menores. Algumas das programações, inclusive para setembro (data do congresso), podem ser conferidas no site http://www.fcc.sc.gov.br. Música Florianópolis reúne as seguintes orquestras: Orquestra Filarmonia Santa Catarina, Orquestra Sinfônica de Santa Catarina (OSSCA), Orquestra Sinfônica de Florianópolis, Camerata Florianópolis e Orquestra Sinfônica das Comunidades (OSCOM).

Ostra in natura : destaque da gastronomia de Florianópolis

çambique, Mole e Campeche. Para voo livre, os melhores pontos são a Praia Mole, o morro da Lagoa da Conceição, Praia Brava e Rio Vermelho. Patrimônio histórico Abertos à visitação, no centro de Florianópolis a sugestão é visitar a Catedral Metropolitana, de 1753; a Praça XV de Novembro, com sua figueira centenária; o Palácio Cruz e Sousa, do século XVIII, que abriga o Museu Histórico de Santa Catarina, o Museu de Arte de Santa Catarina e o Museu Victor Meirelles, além do Mercado Público e a Casa da Alfândega, onde são vendidos artesanatos e produtos coloniais catarinenses. Outra recomendação é conhecer a Ponte Hercílio Luz, símbolo do Estado. Outras atrações são os passeios pelas fortalezas da época colonial: a de Santo Antônio de Ratones, localizada na Ilha de Ratones; a de São José da Ponta Grossa, situada entre as praias do Forte e Jurerê Internacional, no norte da Ilha; e a fortaleza da Ilha de Anhatomirim. A academia de letras da cidade é denominada Academia Desterrense de Letras, cujo patrono é o poeta Cruz e Sousa e fica localizada no Centro Integrado de Cultura (CIC), que

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Gastronomia Outro ponto alto da cidade é a gastronomia. Existem inúmeros restaurantes típicos com deliciosos frutos do mar, que formam a base da gastronomia local. Florianópolis é a maior produtora de ostras do país, mas os pratos típicos também incluem peixes, camarões, carne de siri, lulas e mariscos. Alguns dias após o Congresso Brasileiro de Oftalmologia acontecerá um evento que faz parte da tradição gastronômica da cidade. Será celebrada a Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana (Fenaostra), que chega a sua 16ª edição em 2015. O evento ocorrerá entre os dias 16 e 20 de setembro no CentroSul. O artesanato local e atrações regionais complementarão a festa. Como a variedade de restaurantes é muito grande, em diversos pontos da cidade, inclusive em aeroportos e hotéis, são disponibilizados gratuitamente guias gastronômicos que podem auxiliar na escolha. Um deles é o Guia Destemperados (Experiências Gastronômicas). Nesse guia é possível encontrar indicação de restaurantes para diferentes públicos, por exemplo, desde famílias até encontros a dois, e também esclarece informações sobre o cardápio e valores. n Para mais informações sobre a cidade: www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo ou através da rede social www.facebook.com/seturfloripa.


LOCAL

INFORMAÇÕES

XXXIII Congress of the ESCRS

05 a 09

Barcelona – Espanha

www.escrs.org/barcelona2015

VIII Congresso Baiano de Oftalmologia

02 e 03

Salvador/BA

www.interlinkeventos.com.br/sitenovo/ viii-congressoe-oftalmologia/

19º Curso Cleber Godinho de Lentes de Contato

09 a 14

Belo Horizonte/MG

www.cursoclebergodinho.com.br

World Keratoconus Society Meeting

16 a 18

São Paulo/SP

www.ceratocone.net.br

Simpósio Internacional do Banco de Olhos de Sorocaba – SINBOS 2015

22 a 24

Sorocaba/SP

simbos@bos.org.br

II Encontro Internacional de Uveítes do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas – INI

23 e 24

Rio de Janeiro/RJ

www.regencyeventos.com.br

XXXV Congresso do Hospital São Geraldo

29 a 31

Belo Horizonte/MG

www.hospitalsaogeraldo.com.br

NOVEMBRO

EVENTO

2º Congresso de Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás

06 e 07

Goiânia/GO

congressos@brturbo.com.br

18º Congresso de Oftalmologia da USP

04 e 05

São Paulo/SP

www.oftalmologiausp.com.br

OUTUBRO

SETEMBRO

DATA

DEZEMBRO

agenda 2015

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anunciantes desta edição

Abbott Tel. 0800 55 86 89 Página 53

Alcon SAC 0800 707 7993 Fax (11) 3732 4004 Páginas 5, 27, 67 e 4ª capa

Allergan Tel. 0800 174 077 3ª capa

Johnson & Johnson Tel. 0800 728 8281 Página 39

Hoya Lab Brasil Tel. (21) 2102 8000 SAC 0800 7279520 Página 17

Latinofarma Tel. (11) 4612-0338 Página 11

Rocol/HV Tel. (11) 3549 2855 Fax (11) 3287 9295 Página 69

Legrand Tel. (19) 3795 9036 SAC: 0800 500 600 Página 51

Bausch & Lomb Tel. 0800 702 6464 2ª capa + páginas 2, 32 e 33 Look Vision Tel. (11) 5565 4233 Página 55 Cooper Vision Tel. (11) 3527 4100 Fax (11) 3527 4113 Página 13

Shamir Brasil Tel. 11 5594-6020 Página 21

Topcon Tel. (11) 3549 2855 (31) 3281 1655 Página 63

Mediphacos Tel. (31) 2102 2211 Página 61 Eyehome Tel. (16) 3442-2015 Tel. (16) 3442-2025 Página 59

União Química (Genom) Tel. (11) 5586 2000 Fax (11) 5586 2170 SAC 0800 11 15 59 Página 57

70 universovisual SETEMBRO 2015

Ophthalmos Tel./Fax (11) 3488 3788 Página 65

Optolentes Tel. (51) 3358 1700 Fax (51) 3358 1701 Página 7

Zeiss Tel. 0800 770 5556 Páginas 36 e 37

Carl Zeiss Vision Tel. 0800 704 7012 Página 29



Universo Visual (Edição 87)