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Jornal Laboratório do curso de Jornalismo do Centro Universitário Módulo Ano 3 - edição 12 | Setembro de 2012

Conectando a galera

www.modulo.edu.br/antenado

Hora da escolha

especial eleições municipais 2012

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jovens de 16 e 17 anos os tipos vão às urnas campanha nas redes de votos sociais

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humor e eleições

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editorial

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ntramos num novo semestre letivo e com ele mudanças para melhor! O nosso Jornal Antenado passou por reformulação em seu layout e também em sua linha editorial. Antes, nosso veículo trazia matérias diversas, a partir desta edição passa a ser temática. O tema em pauta é a eleição municipal. Pode até ser que falar sobre política, campanhas e candidatos seja um assunto que não atraia mais a atenção da maioria. Mas, em época de eleição, cabe a nós refletir sobre nossas escolhas. Sim, afinal, se já temos consciência do que é melhor, se já compreendemos o valor do voto, se podemos acompanhar os inúmeros escândalos políticos por meio da imprensa, por que ainda elegemos candidatos “ficha suja”? Este Antenado, vem trazer aos jovens eleitores e aos experientes também, informações importantes, que podem colaborar na hora de escolher os candidatos nas eleições municipais. Em suas páginas, são abordados temas como as diversas formas de se fazer campanha eleitoral, o uso da internet, os famosos “santinhos”, os carros de som e os “slogans” engraçados. Alguns artifícios peculiares e candidatos com características muito curiosas também estão em pauta, confirmando as tendências do incentivo ao “voto de protesto”. Mas, vamos pensar: será que essa é a melhor maneira de demonstrar a insatisfação? O Brasil necessita de cidadãos ativos, que tenham coragem de lutar por seus direitos, mas que também se mantenham firmes na moralidade (nas filas do banco, nos estacionamentos, no trânsito e por onde quer que passem). Não esqueça que se você não tomar nenhuma atitude, estará aceitando tudo em silêncio. O voto não é sua única voz, porém é uma das mais importantes. Por isso, cidadão, abra seus olhos, leia, informe-se, observe. Seja crítico, seja íntegro, seja honesto e faça sempre a sua melhor escolha! Boa leitura!

expediente O Antenado é um Jornal Laboratório produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Módulo, na disciplina Estágio Curricular Supervisionado. Coordenador do Curso: Prof. Dr. Gerson Moreira Lima Professor Orientador: Ms. Paulo Rogério de Arruda - (Jornalista Responsável: MTB 36577 | e-mail: paulo.arruda@modulo.edu.br) Editora-Chefe: Mayara Peixoto Revisor: Cleyton Domingos Repórteres: Amanda Moreira, Bianca Schumacher, Cleyton Domingos, Helena Custódio, Mayara Peixoto e Pamela Borges Foto da Capa: Elza Fiúza/ABr Tiragem: 13 mil exemplares (Gráfica Lance!) Distribuição: Escolas do Ensino Médio de Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba.

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CENTRO UNIVERSITÁRIO MÓDULO – CAMPUS MARTIM DE SÁ Av. Mal. Castelo Branco, s/nº CEP 11.662-700 Caraguatatuba/SP. Tel. (12) 3897-2008 www.modulo.edu.br/antenado / jornalantenado@modulo.edu.br

| Especial Eleições

opinião

Processo eleitoral: o exercício da cidadania

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Cleyton Domingos

o dia 07 de outubro, os eleitores escolherão caro, não é só o custo financeiro que nos afeta, seus prefeitos e vereadores. Em cidades com mas o pior, uma irresponsabilidade ética. E na eleitorado maior ou igual a duzentos mil política, uma expressão que nunca sai da moda: pode haver segundo turno, já marcado para corrupção. o dia 28 de outubro. Momento de reflexão sobre Não vou me alongar em debater o que as propostas de quem tem, e tomada de decisão já está nas páginas de jornais, revistas, rádios e para ir às urnas participar do pleito. Mas, depois é TVs. Mas sugiro que você, caro leitor, faça uma necessário fiscalizar e cobrar autocrítica sobre o assunto. dos escolhidos um mínimo Veja se você nunca fez Pelo voto é que se de coerência com o que foi nada usando o subterfúgio da começa a democracia prometido, principalmente o zelo confiança para “se dar bem”? pela coisa pública. Isso já é um começo ardiloso – O hiato que há entre os da conveniência – que estrutura o políticos e a sociedade só não é maior porque – a duras processo que vai chegar às escalas da corrupção custas – o processo de eleições torna-se praticável, ao como: um “pedido” para não ser multado; uma menos de quatro em quatro anos, quando a sociedade indicação para um cargo em que não esteja em pode votar. Não dá para falar em Democracia plena ordem com a lei; uma solicitação em beneficio (ainda falta muito). Mas, já que é possível escolher próprio a um vereador, entre outros. O espiral um candidato para os cargos em disputa, por que não? tende a subir, até se achar normal que um político Uma boa pesquisa sobre a vida do candidato, suas roube “um pouquinho”. propostas e seu partido pode facilitar sua escolha, Por isso, para exigir de um político principalmente com o uso da internet. Lembre-se: o que ele não seja corrupto e que tenha algum poder nunca fica vazio. compromisso – verdadeiro – para com os anseios do grupo ao qual irá representar, Responsabilidades e deveres façamos no mínimo uma reflexão sobre o modo que encaramos nosso lugar na sociedade, Aceite esta responsabilidade e acompanhe de perto a campanha eleitoral, para depois ter pelo consequentemente, nossos atos em prol de uma democracia moderna, transparente e que de fato menos como cobrar com consistência. Não seja conivente e muito menos alienado, isso custa muito atenda a todos. O voto pode ser um começo.


Brancos, nulos e de legenda, quais as características desses voto?

Embora bastante discutida em época de eleições, a contabilização desses votos ainda traz muitas dúvidas aos eleitores e suas alterações, no qual se estabelece o quociente eleitoral e partidário pelo número de votos válidos – nominais e pesar de obrigatório no Brasil, de legenda. A distribuição das “cadeiras” votar é um ato de cidadania dependerá dessa divisão. que deve ser exercido com Vale lembrar que o fato de um consciência. Para tirar as suas candidato não ter atingido o quociente dúvidas com relação aos tipos de voto eleitoral não significa sua exclusão, pois e os formatos de contabilização do ainda existem as “sobras” daqueles que quociente eleitoral, a Redação do Jornal não foram eleitos. Por exemplo, a última Antenado foi em busca de informações e cadeira da Câmara vai para o partido curiosidades para ajudar você a entender com mais sobras e, nesse caso, vai para um pouco mais sobre o processo de um candidato que na maioria das vezes eleição. tem um número de votos menor do que Em 2010, o deputado federal um concorrente de outro partido que Tiririca foi eleito com 1 milhão e 354 muitas vezes tem até mais votos, mas não mil votos, levando com ele mais três alcança a cadeira porque seu partido foi candidatos do mesmo partido. Afinal, pouco votado e, portanto, não tem direito porque isso acontece? Na época, o a mais cadeiras. Quan-do o assunto são total de votos válidos para deputado votos brancos e votos nulos, as dúvidas federal em São Paulo são ainda maiores. Nas era de 21,3 milhões. Votos em branco ou nulo eleições proporcionais, Como o Estado tem 70 são desconsiderados na contam-se como votos cadeiras na Câmara, válidos apenas os votos dividindo-se um número soma dos votos válidos dados aos candidatos pelo outro, seriam regularmente inscritos e necessários 304.533 votos para eleger às legendas partidárias. “O voto em branco um deputado. A votação em Tiririca é considerado pela legislação como uma correspondeu a 4,5 parlamentares. Pelo “opção de não escolha de candidatos”. sistema de votação proporcional, todos os O voto nulo é considerado “um erro de votos que excedam esses 304 mil (dado digitação na urna eletrônica” portanto, tecnicamente chamado de quociente não computado”, explica Heloisa, chefe eleitoral) são transferidos para outros do Cartório. candidatos da coligação que não atinjam De acordo com o site do TSE esse número. – Tribunal Superior Eleitoral, tanto Para escolher o voto de legenda, o voto em branco como o nulo são o eleitor tecla apenas os dois números desconsiderados na soma dos votos que representam o partido. Assim, o voto válidos, portanto, não vão para candidato é considerado válido, sendo contado algum. Entretanto, o eleitor que vota para o cálculo do quociente eleitoral, da nulo ou em branco pode favorecer a mesma maneira que os votos nominais. vitória de um candidato ruim, por abrir De acordo com Heloisa Rodrigues mão de escolher conscientemente o seu Regonati, chefe do Cartório Eleitoral da representante. Além disso, o TSE decidiu 206ª Zona Eleitoral, em Caraguatatuba, que os votos nulos por manifestação a distribuição é determinada pelos apolítica dos eleitores (protesto) não artigos 106 a 109 do Código Eleitoral acarretam a anulação de eleição.

José Cruz/ABr

Mayara Peixoto

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Quantidade de votos recebidos pelo deputado Tiririca proporcionou a eleição de mais quatro de seu partido

Não votei, e agora? Caso o eleitor não consiga comparecer às urnas, a justificativa poderá ser realizada até 60 dias após as eleições, com a apresentação de documentos como: atestados médicos, declarações de impossibilidade de exercício do voto, viagens ao exterior, entre outros. O pagamento da multa para regularizar a situação é de R$ 3,51 por turno de ausência.

Você sabia? De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Brasil terá 106 cidades com apenas um candidato à prefeitura nas eleições deste ano. Segundo a legislação eleitoral (art. 3º da Lei 9.504/97), para ser eleito, um candidato deve obter 50% de todos os votos válidos mais um, nas cidades com mais 200 mil eleitores. Nas cidades com menos eleitores, vence aquele que obtiver a maioria simples dos votos válidos. Na prática, o candidato precisa apenas de seu próprio voto. “Os registros de candidatura são prerrogativas exclusivas dos partidos regularmente inscritos. Caso apenas um partido ou coligação habilite-se para concorrer ao cargo de prefeito, nada poderá ser feito em contrário”, explica Heloisa Rodrigues Regonati, chefe do Cartório Eleitoral da 206ª Zona Eleitoral.

Urnas Eletrônicas Em 1985, houve a implantação de um cadastro eleitoral informatizado pelo TSE, enquanto a urna eletrônica como se concebe hoje só foi desenvolvida em 1995, e utilizada pela primeira vez nas eleições municipais do ano seguinte. Porém foi em 1989, na cidade de Brusque (SC), onde o juiz Carlos Prudêncio realizou a primeira experiência de votação com microcomputador. Para a elaboração do projeto, em 1995, o TSE formou uma comissão técnica liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos que definiu uma especificação de requisitos funcionais De acordo com o Cartório Eleitoral de Caraguatatuba, a Zona Eleitoral da cidade conta atualmente com 198 seções de votação. Cada seção receberá uma urna eletrônica e mais 10% de urnas de contingência, além das utilizadas nos postos de justificativa. As cidades de São Sebastião e Ubatuba possuem um número menor de eleitores do que Caraguatatuba. O total de urnas disponíveis no Litoral Norte deve ser de aproximadamente 600. | Setembro 2012

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Número de jovens eleitores em Caraguá

Pamela Borges/Antenado

aumenta quase

40% Atentos às propostas dos candidatos, adolescentes votam pela primeira vez

por isso busca estar sempre atento às notícias e propostas que escuta dos s jovens de Caraguatatuba estão candidatos de seu município. “Já sei o cada vez mais engajados nos quanto é valioso o voto de um cidadão movimentos políticos. Prova e o quanto isso interfere no resultado disso são os dados divulgados pelo final para que o político conquiste sua Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), vitória”, destaca. que mostram o aumento no número de Para atrair e aumentar ainda jovens entre 16 e 17 anos com Título de mais o percentual dessa faixa etária, Eleitor em 39,7% comparado às eleições os tribunais Superior Eleitoral e de 2010. Superior Regional desenvolveram Nas eleições de 2010, o o projeto Jovem Eleitor, que tem o município contou com a participação de objetivo de estimular a participação dos 616 eleitores nessa faixa etária, sendo adolescentes nas eleições. A campanha 190 eleitores com 16 é realizada em escolas e 426 com 17 anos. públicas. Jovem deve ter Para as eleições deste O direito de votar consciência da ano, cerca de 1.010 até os 17 anos é jovens participarão importância de seu voto facultativo, já aos 18 do pleito eleitoral que se torna obrigatório. decidirá quem governará o Executivo e O jovem Maike Antonio dos Santos Legislativo. Veiga deixou para tirar seu título Os números divulgados pelo eleitoral apenas quando completou a TRE-SP demonstram que o eleitorado idade máxima. Para fazer uma escolha jovem está mais interessado pelo mundo consciente, Veiga acompanha seus da política e este fato se torna ainda mais candidatos favoritos por meio do rádio evidente quando a eleição é de caráter e das propagandas eleitorais. Seu maior municipal. critério é privilegiar políticos que Para Márcio Benedito Bueno, possuem propostas para a melhoria 16 anos, te o poder do voto em suas da educação, saúde e segurança. “Os mãos o torna diferente. Incentivado políticos deveriam colocar em prática pelos pais, o adolescente descobriu o pelo menos 50% de suas promessas”, quanto essa fase da vida é importante, finaliza.

Pamela Borges

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| Especial Eleições

Aos 18 anos, Maike Veiga escolherá pela primeira vez os representantes de sua cidade


Eleições

Municipais: dêum#curtir Empresa especializada divulga pesquisa feita com 332 internautas de todo o País que aponta o uso das redes sociais como espaço para se debater política Reprodução

Bianca Schumacher

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internauta pode até ficar bravo, bloquear ou excluir a postagem de candidatos a prefeito e vereador nas redes sociais, mas o uso da plataforma está em franca expansão nessas eleições. Recente pesquisa aponta que 85% dos internautas entrevistados acreditam que as redes sociais são meios de comunicação eficientes para se debater política. A pesquisa online “Rede social é lugar para política?”, publicada no jornal Estadão, em agosto, descobriu ainda que para 40% dos entrevistados o Facebook é o espaço mais apropriado para se trocar ideias sobre o assunto. Outros 37% acreditam que todas as redes são espaços apropriados para se falar sobre política e apenas 11% lembraram-se do Twitter. “O uso das redes sociais faz parte de um “jogo de cintura”, conhecido como Marketing Político”, explica Adolpho Queiroz, doutor em Comunicação e um dos autores do livro “No Espaço Cênico da Propaganda Política”. Segundo ele, marketing político seria o conjunto de atividades que passam pelos aspectos político e pessoal, pelas características do eleitorado e pelo porte do município. “Também consideramos os aspectos da comunicação, com todas as ferramentas necessárias para um processo deste porte, como santinhos, cartazes, pesquisas, web, jornais, programas de rádio e TV”, salienta. CAMPANHA NAS REDES Estabelecer relacionamento

Candidato de São Sebastião utiliza a plataforma para manter contato com seus eleitores

com os eleitores, postar fotos, divulgar dá seu parecer sobre o assunto. O resultado dessa interação a agenda, planos de governo e colocar com o internauta tem agradado. impressões sobre os contatos com a “Recentemente postamos uma foto população informando o eleitorado sobre o rumo da campanha por meio do do candidato com o governador, e em uma hora tivemos bom número Facebook, este é o trabalho desenvolvido de compartilhamentos e curtidas”, pela equipe de comunicação de um comemora. candidato a prefeito de Redes Sociais Enquanto alguns São Sebastião. O candidato facilitam o contato candidatos já fazem uso de com o eleitor todas as potencialidades das adotou a plataforma como meio de manter redes sociais, outros ainda não estão adaptados a ela. Como é o um corpo a corpo constante. Segundo Rebeca Ingrid, responsável pela caso de um, candidato a vereador por atualização das redes sociais, o veículo Caraguatatuba, que apesar de ter uma conta na rede social a utiliza apenas facilita o contato do público com o para uso pessoal. “O que eu tenho em candidato. “Antes da campanha crescer meu Facebook relacionado à campanha ele respondia todos os comentários em sua página no Facebook” conta, agora é a foto do perfil com o número que representa minha candidatura, esse serviço é realizado pela equipe apenas isso”. Ele acredita que as redes de comunicação. No entanto muitas sociais servem para o lazer, algo mais perguntas são passadas ao candidato que

descontraído, mas ressalta que não deixa de lado a responsabilidade de ler e responder os questionamentos de eleitores. PERTURBAÇÃO DA PAZ “Minha timeline é a minha história. O Facebook é um modo de manter meu entretenimento sempre compartilhado. Por essa razão, eu excluo e bloqueio todos os candidatos que querem “fazer campanha” em minha página”, argumenta o locutor Paulo Henrique Ferraz. O estudante de jornalismo, diz não ter nada contra quem faz campanha, mas traz consigo um sentimento de cansaço em relação à política realizada em Caraguatatuba. Fazer com que o eleitor se sinta “pressionado”, utilizando, por exemplo, o recurso das redes sociais como marcações de fotos e postagens no mural do Facebook, além do envio de mensagens frequentes, não seria uma boa sacada de marketing, explica o especialista Adolpho Queiroz. “O ideal é que o candidato utilize a ferramenta de forma informativa, sem perturbar as pessoas conectadas à rede”. Ferraz compartilha do mesmo pensamento. “O cara até pode fazer a sua campanha, mas que seja justa e de bom gosto; crie grupos, comunidades e debata ideias”. Queiroz esclarece que no Brasil, ainda não existem leis para controlar o mau uso dessas ferramentas. “Pode ser que sejam percebidos problemas mais adiante, mas por enquanto, está sendo permitido de tudo”, finaliza. | Setembro 2012

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Helena Custódio / Antenado

Na base do

humor

Belo Burrão: exemplo de candidatura bem humorada

Candidatos usam da criatividade para atrair votos como estratégia de campanha campanha. Nos panfletos distribuídos à população, o candidato explica os motivos que o levaram a tomar essa população de Caraguatatuba deve posição irônica sobre usar o nome ter visto e se surpreendido com fantasia, Belo Burrão. “Nas eleições a presença de uma “perua” que passadas me senti um burro em apostar traz a cabeça de um burro na cor laranja minha confiança em promessas que que percorre as ruas da cidade. Tratanão foram cumpridas por políticos que se do marketing político do candidato assumiram o poder”. a vereador Abel Moreira dos Santos, A inspiração de Santos surgiu que utiliza o pseudônimo Belo Burrão de um vereador da cidade para atrair a atenção dos Apesar do humor, de Jacareí, que na eleição eleitores. A tática do eleitores querem municipal de 2008 utilizou candidato é adesão das propostas plausíveis o burro como personagem de sua campanha. “Pedi pessoas por meio do autorização a Dario Burro humor; para isso usa o para usar o mesmo pseudônimo dele, jingle: “Vote no Burrão, pior que está pois esta já é uma marca registrada do não fica não/ A tendência é melhorar/ vereador”. Pior que está não vai ficar/ É o Burrão Para o estagiário de de Caraguá”. Nas ruas, Santos desfila Arquitetura Gabriel Lucas Pinto de caracterizado com um chapéu que Oliveira, campanhas criativas podem lembra o animal personagem de sua

Helena Custódio

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induzir os eleitores ao voto. “Muitas pessoas vão pelo modo que o candidato produz a campanha”, porém ressalta: “é preciso saber quais os planos que o candidato tem para a cidade. Tem que ter consciência do que é necessário”, enfatiza. UM “BURRO” NA CÂMARA “Meu nome de registro é Dario Burro e minha assinatura é ió ió”, conta o vereador de Jacareí, que em 2008 venceu a eleição com 1.881 votos, após protestar em 2006 contra o chefe do Executivo. “Fiquei durante um ano embaixo da janela do prefeito com cabeça de burro e zurrando”, lembra. Os motivos do protesto foram contra algumas obras que o prefeito de sua cidade idealizava no bairro em que o vereador reside. Numa dessas ações ocorreu a demolição de uma capela o que deixou os moradores do bairro,

em especial Dario, indignados. O fato promoveu seu envolvimento na política. O vereador revela ter espelhado sua estratégia na de Enéas Carneiro, falecido em 2007, e que foi o deputado federal mais votado da história do país. Para aqueles que pretendem seguir o exemplo de Dario, ele mantém um blog em que posta entre outras coisas o “Método burro para vencer uma eleição para vereador”. PERSONAGENS CURIOSOS DA POLÍTICA NACIONAL Em 2002, Enéas Carneiro se elegeu deputado federal por São Paulo, com com 1,740 milhão de votos. Ele conquistou sua popularidade por meio de seu discurso, sua aparência física e seu bordão, “meu nome é Enéas”. Outro caso, mais recente é do humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido pelo nome artístico Tiririca. O deputado federal se elegeu também por São Paulo, em 2010, sendo o segundo mais votado no Brasil. Além da sua figura cômica, seus bordões também deram o que falar: “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”, e “Pior do que tá não fica, vote Tiririca”.


Não

às campanhas eleitorais que sujam as cidades

Movimentos de vários setores se manifestam e pedem aos candidatos uma campanha eleitoral limpa com a utilização consciente dos materiais de propaganda Amanda Moreira

Reprodução

Amanda Moreira / Antenado

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urante a época eleitoral, o que mais se vê são santinhos, placas, banners e muros pintados que emporcalham as ruas da cidade e no final ninguém se responsabiliza pela sujeira. Atrelada a isso, está a poluição sonora promovida pelos carros de som na divulgação de “jingles” dos candidatos. Na tentativa de reduzir significativamente toda essa sujeira, vários movimentos encamparam a ideia de uma “Campanha Eleitoral Limpa”. O primeiro exemplo parte de Mogi das Cruzes. Baseado numa filosofia de sustentabilidade o candidato a vereador Juliano Abe irá trabalhar em sua campanha com a reutilização de revertida em plantio de árvores nativas tudo que for descartado. “Todo material para tentar sanar o problema”. utilizado veio de reciclagem ou o seu Abe prioriza o uso da internet descarte irá corretamente à reciclagem”, como ferramenta de campanha limpa. explica. “Não vou jogar santinhos na rua, princiAlém disso, o candidato se palmente no último dia de campanha. preocupa com o meio ambiente e para Serei cauteloso no uso de placas e carros evitar a agressão os de som para diminuir meios de transportes TRE-MG elaborou manual incômodos visuais e utilizados para para candidatos fazerem sonoros”, garante o fazer sua campanha campanha sem sujeira candidato. são bicicletas ou E é da internet carros movidos a que surgem outras ações etanol – fonte de energia renovável em busca de uma campanha eleitoral limpa. “Para controlar o mal causado à limpa. Uma jornalista e um publicitário natureza utilizo uma tabela para calcular criaram no Facebook a página “Quem a emissão de gás carbono; a soma será suja agora, vai sujar depois”. O objetivo

A resolução 23.191 da lei eleitoral 9.504/97 autoriza cavaletes, placas e banners desde que não atrapalhem a circulação dos pedestres e veículos Movimentos realizados por meio das redes sociais atraem tanto eleitores como os próprios candidatos que se comprometem em não sujar as ruas

é alertar candidatos e eleitores sobre a cavaletes e estandartes. Na distribuição de santinhos orientou importância em diminuir o uso do Candidato de Mogi Mirim os candidatos que a papel nas eleições. utiliza material reciclado entrega seja consciente, na mão de cada eleitor, Mais de 4.442 em sua campanha pessoas curtiram evitando a sujeira. Quanto aos carros de som, Capute a ideia e enviam fotos da sujeira que os candidatos estão fazendo em suas indicou a dispensa de seu uso, uma cidades. Além disso, vários candidatos vez que a poluição sonora incomoda a população. se comprometeram em não sujar a cidade. Também em Minas Gerais, Outro exemplo partiu da cidade o Tribunal Regional Eleitoral divulga de Passos, no Estado de Minas Gerais. entre candidatos e eleitores a campanha “Sujeira não é legal”, na qual distribui Por lá o promotor Éder Capute convocou representantes dos partidos políticos um manual aos que pleiteiam uma vaga no Executivo e Legislativo municipal. e propôs a não utilização de pinturas, colagens nos muros, descarte de placas,

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Jornal Antenado #12